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  1. 1. 12 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 Arte e memória: A fé de um campechano F F F C C Fala Campeche F C C Painel da devastação Ano 10 - no 20 - MARÇO de 2007O artista plástico Paulo Gaiad chegou ao Campeche há 20 anos, Uma publicação dos moradores do bairro Distribuição Gratuita quando a região ainda era um“paraíso preservado” Campeche - Ilha de Santa Catarina FALA CAMPECHE – Paulo, como é o teu proces- que não tem nenhum compromisso e nenhum so criativo? envolvimento com o bairro. Criei meus filhos aqui, Programa Campo de Peixe em ação PAULO GAIAD – O meu trabalho é norteado basica- sei que eles têm consciência de que cresceram num PLANÍCIE DO CAMPECHE mente pelas questões da memória, e vou construindo lugar onde a natureza e as pessoas são especiais. E, histórias que vão estruturar o resultado final, a obra em si. Posso trabalhar a partir de situações que envolvem a minha memória pessoal, como fiz de 1992 a 1998, onde para a produção do meu trabalho, estar aqui é fun- damental. Posso me alimentar de idéias lá fora, mas é aqui que as transformo em obra. Rádio Campeche escrevo textos que justificam e criam conceitos de enfoque. com gás total em 2007 UNIDA Crio um título para o conjunto do trabalho e dou início a FC – Tens preocupações em relação ao futu- No dia 2 de abril, a Rádio Comunitária uma série grande de obras que podem envolver pintura, ro do Campeche? Campeche (104.9 FM) completa dois anos da pri- colagem, fotografia, objetos, ou seja, várias linguagens. PAULO GAIAD – Não podemos evitar o progresso, meira transmissão e, nesse período, foram dados De 2002 para cá, passei a trabalhar com a memória cole- mas espero que a gente consiga evitar que esse nosso tiva. Tento resgatar imagens, repensar fatos ou textos, pedaço tão precioso perca suas características, como importantes passos rumo à sua consolidação, como tornar presente alguma coisa quase perdida. aconteceu com o Jurerê, Canasvieiras, Ingleses, Bra- a construção de sua sede, a instalação do poste da va e todos os cantinhos maravilhosos que existiam antena definitiva e a melhoria dos recursos do es- FC – Fale um pouco das suas últimas exposições nas praias do Norte da Ilha. É muito triste ver uma túdio. A partir deste ano, a rádio iniciou uma nova e se tem alguma próxima agendada. ilha como a nossa se render de forma tão vergonhosa fase, que tem como foco o aumento de sua integração Finalmente, as propostas da Planície poderão fazer parte do PAULO GAIAD – Em novembro de 2006, passei uma ao poder financeiro... Acho que o que mais precisa- com os associados e com toda a comunidade (agora semana na Eslovênia, onde participei de uma coletiva com artistas de várias partes do mundo. Houve a inau- mos no Campeche é de um centro cultural onde pos- sam acontecer cursos, palestras, mostras culturais e possível, por ter sido viabilizada uma estrutura Plano Diretor Participativo de Florianópolis mínima do estúdio) e também o objetivo de conquis- guração de um museu onde minha obra está incluída. musicais de boa qualidade, para que as pessoas te- Página 3 a 10 tar sua sustentabilidade operacional e financeira. Na semana seguinte, abri nham acesso a informação e Neste início de ano, destaca-se o novo repertório uma exposição individual cultura, para que as crian- musical, com a recuperação do acervo da rádio (qua- na cidade de Rijeka, na ças possam, desde muito no- se 10 mil músicas), possível devido à aquisição de Croácia, e depois passei vas, entrar em contato com um novo computador, que ainda está sendo pago. O mais três semanas em uma educação de boa quali- programa Horário Nobre é outro destaque, que per- Amsterdã produzindo em dade que lhes dê base para um estúdio. Estou expon- se desenvolverem de forma mite a participação dos associados na programação, do agora em março no aceitável. Não podemos co- a disponibilização da relação de músicas tocadas e o Museu de Arte de Santa brar nada deles se não abrir- novo visual do site: www.radiocampeche.com.br. Em Catarina, aqui em mos o acesso. breve, a programação será transmitida via web. Florianópolis. Ocupo me- tade do museu e quero que FC – Como morador e No último dia 15 de março, a Rádio Campeche pro- moveu um debate com os associados sobre a sua pro- A falta de água é uma realidade - Página 5 seja uma boa exposição, porque desde 2001 não artista, quer deixar uma mensagem para os gramação musical para conhecer a opinião dos ouvin- tes, e outro debate está previsto: a própria concepção 10 ANOS faço uma mostra individu- jovens do Campeche? Novidades do Conselho de al aqui e, por coincidência, PAULO GAIAD – Eu diria da rádio, como rádio comunitária. É importante que O Fala nunca está fazendo 20 anos des- a eles que não tenham medo se tenha em mente que a Rádio Campeche não tem Segurança do Campeche - Página 4 de a minha primeira indi- da vida, não tenham medo de um dono, ela é de todos, e a sua programação tende a ser o resultado da participação dos associados. vai cansar vidual em Florianópolis. ousar, que procurem um ob- Quero merecer o respeito jetivo para sua vida e corram Os melhores dias para se conhecer a sede da rá- dio são as terças, quintas e sábados, das 10h ao de piar que as pessoas têm pelo meu trabalho. atrás dele, sem nunca deixar de acreditar. A vida às vezes pode exigir muita luta, mas vale a pena. Qual- meio-dia, na Travessa Iracema das Chagas Pires, PARTICIPE DO FC – Por que escolheste o Campeche para mo- quer coisa que fizerem, façam bem-feito, com consci- 80 (travessa da rua das Corticeiras). Os contatos rar com tua família e fazer a tua arte? ência, com vontade, e então vão encontrar a realiza- podem ser feitos pelos telefones 3237-2022 (quanto houver locução ao vivo) ou 3201-1530 II Seminário Comunitário PAULO GAIAD – Vivo no Campeche há 20 anos, desde ção e, por conseqüência, a felicidade, mesmo que seja a época em que ainda era um paraíso preservado e prote- a atividade mais simples. Eu diria: cuidem deste nos- (opção 1, para deixar recados), ou, ainda, pelo de Planejamento da gido. Sinto falta daquele tempo. Tem muito morador novo so Campeche, ele está nas mãos de vocês também. e-mail contato@radiocampeche.com.br. Planície do Campeche! Bar do Chico rumo à vitória Local: Catalina (em frente à Escola Página 10 Participaram desta edição: Apoio: Brigadeiro Eduardo Gomes) FALA CAMPECHE Antoninha Santiago, Ataíde Silva, Carmen Garcez, Daniel Valois, Delfino Coelho, Delson Valois, Início dia 30, sexta-feira, às 18h30 Uma Publicação dos Fernando Cardenal, Fernando Ponte, Isolete Dozol, Moradores do Bairro Janice Tirelli, João A. das Chagas, Márcia Márquez, Marcos J. Silva, Miliza Fehlauer, Raul Burgos, Silvio Dia 31, sábado, a partir das 9 horas A folia do Carnaval do Campeche Tiragem: 8.000 exemplares da Costa Pereira, Telma Piacentini, Telma Pitta, Página 11 Tereza Barbosa, Valter das Chagas.
  2. 2. 2 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 11 Painel da devastaçãoCAMPECHADAS negociações, com a participação de Tavares, Campeche e Morro das Pe- CONSUMATUM EST O PIO DA membros do Conselho Popular da Planí- dras) acontecerá nos dias 30 e 31 de Foi no limiar do ano da graça de 2010 que as CORUJA cie, o presidente do Ipuf referendou os nomes, submetendo-os à aprovação das março. Neste número, publicamos uma série Carnaval 2007 Para quem não sabe, o bloco de Carnaval Ônodi já é uma história com 10 anos. Suas performances previsões dos ecologistas, dos amantes da nature- za, dos biólogos e dos oceanólogos se confirmaram. O Carnaval do Campeche deu um banho! Oh! e músicas versam sempre sobre a vida e a cultura cerca de 250 pessoas presentes, que de matérias que vão ajudar a comunida- No sábado, o Campeche estava pra lá de animado. local manezinha – que já homenageou Seu Chico e Até então, os empresários que foram modificando reiteraram a decisão da Assembléia, por de a entender todo esse processo de a paisagem da Ilha com seus imponentes arranha- A banda do Zé Pereira, formada pelos nativos do a D. Nicota como personagens da cultura local. aclamação. participação: um resumo do Dossiê céus, belíssimos, coloridos, modernos... alcunhavam Ribeirão da Ilha, em parceria com o Ônodi, veio Sem homenagem especial neste ano, o tema cientistas, técnicos e defensores da natureza de O Campeche como um todo é um “estado O Ipuf elaborou um calendário de Campeche, com as principais diretrizes fechar o festival de surf “18 Surfoco”. 2007 era: “Ô istepô u Polo Lopes já passô???”, em “ecochatos” – apelido adotado por alguns jornalis- Audiências Públicas para escolha dos elaboradas no Seminário de 1997. Você O mestre do pandeiro é um artista. A banda e referência a uma história colhida no Mercado Pú- de espírito”. Espírito de luta e democracia tas quando se referiam aos que lutavam pela pre- uma galera saíram do largo da igrejinha às 18 ho- blico, onde os nativos, décadas atrás, ficavam es- adjetivada – a democracia participativa. O representantes dos 13 distritos em que foi vai se informar sobre os movimentos servação. ras e foram pulando e dançando até o Bar do Chico perando a passagem do ônibus que partia para o Dossiê Campeche, as Oficinas, os Encon- dividida a cidade de Florianópolis, e as S.O.S. Sul da Ilha, Conseg do na praia do Campeche, onde dançaram até as 21 município de Paulo Lopes às 10 horas e isso sig- Agora o assunto era público, não havia como tros, os “dias de campo”, o “Plano Diretor audiências foram realizadas - com altos e Campeche e a luta pelo tombamento do esconder a verdade diante do líquido amargo que horas. Na maior empolgação! nificava a senha para começarem “os trabalhos”, baixos -, mas aí estão os 13 representan- Bar do Chico. pingava das torneiras. O avanço da cunha salina. Comunitário” elaborado com uma assessoria ou seja, daí em diante, todos podiam tomar o seu Os poucos manezinhos que ainda resistiam ao técnica inteligente e competente, é toda uma tes distritais no Núcleo Gestor do PDP e, *** “traguinho”. E se perguntassem as horas: “U ons avanço implacável de outras duas cunhas – a do praza aos deuses, santos e orixás, que E ainda: No Domingo de Carnaval, o bloco Ônodi saiu do de Pólo Lopes passa as deiz hora”. Ah! O Polo história de lutas que engrandece nativos e IPTU e a da construção civil – discutiam nas es- largo da Igrejinha São Sebastião e seguiu pela ave- Lopes é terceiro polo da terra! “estrangeiros” que se incorporaram ao todos se unam no mesmo propósito de • a luta por condições para o curso Pré- quinas a destruição da Lagoa do Peri: “Os homi diz nida Campeche, até o condomínio Novo Campeche. espírito de luta, logomarca do Campeche. servir ao interesse coletivo, ao meio Vestibular Comunitário; *** qui é uma tar de cunha salina... tá aqui no jorná...”. Voltou ao largo da igreja e lá ficou até as 10 da noi- Depois de anos de sacrifícios, renúncia ambiente e à melhor qualidade de vida • o depoimento do artista plástico Paulo Uma jovem doutora, dinâmica bióloga e te. Uma grande folia. Muita fantasia bonita. Até o Na Terça-Feira de Carnaval, o tradicional blo- para a gente de nossa cidade, na elabora- Gaiad, morador do Campeche, que falou oceanógrafa da UFSC, “velha” batalhadora às delícias de fins de semana, em pleno papa se abraçou com a diabinha! A música estava co do Deca Rafael saiu às 15h do Bar do Luizinho, ambientalista, que tanto clamara e tanto adverti- verão, encontros durante a semana em ção do PDP. sobre seu trabalho e suas preocupações animadíssima, tinha até mesmo modinhas dos ve- na avenida Campeche, arrastando centenas de fo- ra para a tragédia anunciada, fazendo coro com o locais diversos, à noite, com perdas de O que é mais significativo sobre a com a região; lhos carnavais. O povo se soltou! O bloco contou com liões pelas ruas do Campeche, resgatando carna- Projeto Larus, fora mais uma voz “clamando no a participação do Rei Momo e Princesas da cidade. valescos no caminho por onde passava. preciosas horas de repouso, finalmente participação popular: as Audiências • a crônica Consumatum Est alerta para o deserto”. Agora, explicava pacientemente a origem Ao som da Bandinha do Marinho. O bloco foi criado pelo saudoso Deca Rafael, há uma luz no fim de túnel. As regras do Públicas, por meio das Assembléias destino da nossa Ilha se as autoridades não mais de 25 anos. Os participantes e simpatizantes da tragédia à jornalista nervosa (porque também “Estatuto da Cidade” finalmente estão Populares, serão as instâncias de deci- se preocuparem com ela. morava no Sul da Ilha): “Minha amiga, não se agri- são pescadores e nativos da região, e também mo- são. As reivindicações e propostas para • o Carnaval deste ano foi muito bom para de a natureza impunemente. Os aterros da Baía sendo acatadas pelo poder municipal radores do Campeche. A esposa do fundador, Dona Sul, a Beira-Mar Norte, a Via Expressa Sul, cujo através do Ipuf. o Plano Diretor Participativo toma quem acompanhou os blocos Alagados, Chica, aos 94 anos participa dos desfiles, que são mérito não se discute, a Beira-Mar Continental, o Agora está em nossas mãos a como base o Plano Diretor Deca Rafael e o Ônodi!!!! sempre animados por um trio elétrico, em que as aumento da densidade populacional, a destruição músicas são executadas pelo filhos e netos do Deca formatação oficial de um Plano Diretor Comunitário,mas deverão ser feitas Boa leitura! da vegetação de restinga, o aterro da Lagoa da Rafael. Paticipativo (PDP), preservacionista e que novas leituras em reuniões, oficinas e A apresentação do Deca Rafael acontece sem- Chica, o consumo da pouca água potável extraída privilegie a qualidade de vida. Vai depender seminários temáticos, sempre submeti- pre às terças-feiras de Carnaval e o esquenta é da Lagoa do Peri, bem acima da capacidade de da união de todas as entidades comunitárias das à aprovação da Assembléia Popular II Seminário Comunitário no Bar do Luizinho. Todos os anos, conta com a recarga, pela empresa privada que substituiu a e da consciência de que o cidadão represen- da Planície do Campeche. de Planejamento da participação do Rei Momo e Sua Corte. Aliás, nes- Casan, tudo contribuiu para o silencioso avanço do mar, por baixo das poucas dunas que restaram, após ta o “controle social”, não obstante o peso Você vai saber mais a respeito do Planície do Campeche! te ano a corte tinha como primeira-princesa do o boom da construção civil. É por isso que a água Carnaval a neta do Deca Rafael. dos cifrões de empresários da construção Plano Diretor Participativo e marcar na Local: Clube Catalina da Peri está tão salgada quanto a da Conceição...”. civil e do turismo, cuja divisa é: “O lucro sua agenda que o II Seminário Comu- Início dia 30, sexta-feira, às 18h30 Os poucos habitantes que restaram, aqueles que acima de tudo”. nitário de Planejamento da Planície Dia 31, sábado, a partir das 9 horas não tinham recursos para mudar pra algum lugar Emblematicamente, a primeira audiência do Campeche (Fazenda do Rio Pesca da Tainha Alexandrino Daniel, o Seu Chico). Às vezes não onde ainda existia água potável, conviviam com a fedentina asfixiante, porque a água vendida a peso pública, destinada a definir os nomes dos No dia 3 de fevereiro, o documentário Pesca entendemos o “manezêis”. Acho que precisa de le- de ouro pelos caminhões-pipa era suficiente ape- representantes distritais no Núcleo Gestor da Tainha no Campeche, com 52 minutos de genda nos momentos mais entusiasmados dos nas para a ingestão, preparo dos alimentos e uma do PDP, foi realizada no Campeche. Não duração, foi apresentado no Salão Paroquial da nossos pescadores. discreta higiene pessoal... obstante, mais uma vez, já havíamos saído Igreja São Sebastião Parabéns ao Ademir Damasco, que veio lá de No continente, a situação era também de cala- na frente, posto que, na Assembléia Comu- O salão lotou, faltou cadeira! Animadíssimos, Ratones fazer alguns vídeos legais por aqui. Foi midade, por outras razões: a destruição da mata estavam lá todos os pescadores e suas famílias, e ele também, com seu filho Gustavo, que editou o ciliar para a produção de carvão e a poluição pela nitária realizada no dia 23 de outubro de também os neonativos. O documentário é ótimo e vídeo Seu Chico e o Presente. falta de saneamento básico. 2006, elegêramos, democraticamente, tem histórias engraçadas. Começa Os empresários, donos dos gigantescos empre- nossos representantes junto ao Núcleo com lindas cenas da pesca nos anos endimentos, tanto no Sul como no Norte da Ilha, já Gestor do PDP. 30 e foi dividido em 4 partes: O Pedi- haviam partido para Miami, paraísos do Caribe e Na Audiência Pública em 23 de novem- do (missa e reza no rancho para uma Europa. Gozavam as delícias do seu dinheirinho, bro de 2006, convocada pelo Ipuf e realiza- boa safra); A Espera (vigília de cardu- prudentemente enviado para a Suíça, antevendo o mes, quando são entrevistados os srs. que iria acontecer nessa grande cloaca a céu aber- da na Sociedade Amigos do Campeche, a tensão estava nos nervos e mente dos 10 anos de Fala Campeche (1997 - 2007) Trogildo T. Vigânico, Getúlio Inácio e to, outrora denominada Ilha da Magia. Helio Faustino); A Captura (localiza- Consumatum est. Era o que dizia a tabuleta, co- bravos campechanos(as), que queriam ver O jornal comunitário está comemorando 10 anos de presença na ção dos cardumes, estratégia de pes- locada na cabeceira da ponte de acesso à Ilha de respeitado o direito de decisão comunitária: comunidade. Surgiu em julho de 1997, organizado por moradores da Praia ca, a partilha entre os camaradas e a Santa Catarina, por um andarilho que partira para a homologação da escolha dos representan- do Campeche, com o objetivo de informar, defender e intervir em assuntos comunidade em geral, além da venda outras plagas, à cata do precioso líquido... de interesse da comunidade, assim como atuar e estimular ações na defesa (entrevistas de Fábio Daniel e sr. tes dos distritos, em Assembléia pública e da qualidade socioambiental da região. Aberto para a comunidade, o jornal Adílio); Confraternização (comer o cal- legítima. Daniel Valois (valois@intergate.com.br) é é produzido voluntariamente pelo seu conselho editorial, veiculado do e a pesca juntos contando histórias Secretário do Instituto Sócio-Ambiental Abertos os trabalhos, após breves gratuitamente com a tiragem de 8 mil exemplares e conta com o patrocínio e estórias da vida local e dos pescado- Campeche – ISA-Campeche dos comerciantes da localidade. res, com entrevista de Francisco
  3. 3. 10 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 FALA CAMPECHE - MARÇO/2007 3Bar do Chico prestes a ser tombado A primeira tentativa de demolição do Bar do Chico na O pedido de demolição do ínfimo bar do velho priedade, os proprietários, o contexto histórico, o Plano Diretor Participativo de Florianópolis Painel da devastaçãopraia do Campeche foi no dia 25/2/2000. Naquele dia, um Chico, homem com seus 82 anos, 30 dos quais ali grau de impacto ambiental, a atividade tradicio- A Planície do Campeche unida vai tentar outra vez!grupo de funcionários da Floram chegou com um batalhão trabalhando, projetou-se como num filme de nal, o envolvimento comunitário e familiar, o po-policial. Por sorte, advogados e moradores ali presentes ti- suspense, e o ambiente leve e livre estava pesado tencial socioambiental, tudo para subsidiar tec-nham em mãos um despacho do desembargador Sérgio Pa- e triste. Um grande mal-estar tomou conta de to- nicamente a Promotoria da capital para encami- TODOS os bairros da cidadeladino suspendendo a liminar. dos, inclusive do oficial de justiça, dos policiais e nhamentos futuros. Sua conclusão: “Existe de Florianópolis, seus moradores Em abril de 2001, os morado-res entraram com um pedido de embasamento legal à per- manência do Bar do Chico da ilha e no continente, queren- Acompanhe o cronograma do PDPtombamento do bar, incluindo, na Praia do Campeche. (...) do ou não, a partir deste mês de * Meados de 2006. O prefeito Dario Berger elabora ência pública, mas permitiram a presença dos nossosalém do próprio estabelecimento, O bar já é patrimônio cultu- março estarão envolvidos no pro- lei criando um grupo executivo, com representantes representantes, sem direito a voz.a trilha desde a Capela de São Se- ral da comunidade, como de- cesso de revisão ou elaboraçãobastião e a pinguela sobre o monstra o pedido de tomba- de órgãos municipais, coordenados pelo Ipuf, para en- * O CPPC, diante da demora da participação dos dis-córrego, até as dunas atrás do bar. mento, as manifestações e dos planos diretores. caminhar o Plano Diretor Participativo de tritos no NGM, iniciou uma articulação para pressionarA trilha é por onde passa a procis- registros em jornais e revis- A definição de Planos Direto- Florianópolis, conforme o Estatuto da Cidade. a formação completa do Núcleo Gestor junto aos movi-são do Senhor dos Passos, e a cru- tas, e mais recentemente, res Municipais com a participa- * A primeira Audiência Pública (2 de agosto de 2006) mentos sociais e populares com representação no Nú-cificação antes da Páscoa era en- em um filme”. convocada pelo Ipuf, no TAC, cria o Núcleo Gestor Mu- cleo Gestor Municipal. ção popular é uma exigência decenada nas dunas. O pedido de A Floram, o Ministério * Uma reunião do CPPC, em 30 de outubro, onde lei desde a aprovação do Estatu- nicipal (NGM) para coordenar o processo na cidadetombamento, contendo um abaixo- Público Estadual, a Procu- (composto da seguinte maneira: 10 representantes do estiveram presentes membros da Ufeco, do Fórum daassinado com mais 1.570 assina- radoria do município e to da Cidade em 2002 (Lei 10.257/turas, foi enviado ao Iphan, ao membros da comunidade Executivo municipal, 16 representantes da sociedade Cidade, do Fórum do Maciço, redigiu um documento ao 01). Ou seja, os governos munici- NGM cobrando com veemência a realização de audiên-Ipuf, ao Ministério Público Esta- elogiaram, na última reu- civil – movimentos sociais, sindicatos de trabalhado-dual, documentado com estudos e nião, em janeiro 2007, o re- pais, juntamente com a popula- res, ONGs, universidades, Consegs – e 13 represen- cias públicas para a formação dos núcleos distritais e ainformações sobre a influência e a latório de vistoria do MPE ção do município, devem definir, tantes distritais eleitos por suas comunidades). A pro- eleição dos seus representantes. Todos assinaram o do-importância desses patrimônios e pretendem acatar a pos- com base no interesse coletivo, posta de inclusão dos distritos, discutida no Conselho cumento, que foi protocolado no Ipuf.na vida da coletividade. sibilidade de tombar o Bar * Em 8 de novembro, é divulgado calendário do Nú- Em maio de 2002, o bar che- do Chico como um bem normas que regulam o uso do es- Popular da Planície do Campeche, foi fortalecida e in- paço urbano, a segurança, o equi- corporada pelos movimentos sociais da cidade. O Nú- cleo Gestor Municipal para a realizar audiências pú-gou até a ser des-telhado por fiscais da Floram, mas foi a fiscais da Floram. Era forte a sensação de desam- imaterial e patrimônio cultural da cidade decomunidade que impediu o ato e os advogados novamen- paro, pelas leis, pela justiça, e a indignação ante o Florianópolis.Vamos torcer para que isto seja cleo Gestor Municipal passa a ser composto por 39 re- blicas no período de 23/11/2006 a 14/11/2006. líbrio ambiental voltados para ote conseguiram impedir a demolição. desrespeito à sociedade e a sua identidade. verdade o mais breve possível! presentantes. * A primeira audiência foi a da Planície do bem-estar dos cidadãos. O Art. 2º Campeche, na SAC, convocada com recursos basica- Mas o Ipuf negou o pedido por intermédio de seus di- Todas as manifestações populares estavam a Em frente ao Bar do Chico começaram as au- * De agosto a novembro de 2006, o Núcleo Gestor de-retores. O argumento utilizado foi de que não se tratava favor da permanência do bar como um referencial las de surf para a formação de jovens instruto- II do Estatuto se refere à partici- mente do movimento comunitário: carro de som, cha- senvolveu seus trabalhos com 26 membros, sem os re-de patrimônio a ser preservado. do lugar, da identidade cultural da Ilha e do ser e res: uma iniciativa do projeto Aroeira para jo- pação popular como “gestão de- presentantes distritais. madas e entrevistas na Rádio Campeche, cartazetes Tempos depois, a trilha foi cercada, a pinguela, fazer de outros tempos no Campeche. Muitos vens das comunidades carentes. mocrática” dos vários segmentos em estabelecimentos comerciais, panfletos nos termi- * Nesse período, algumas comunidades organizadasdestruída, e surgiu uma nova trilha feita com entulhos freqüentadores questionavam por da comunidade e suas associações começaram a questionar a demora na realização de au- nais. Apesar da dificuldade, estiveram presentes cer-criando um dique que empoça as águas. que o Bar do Chico seria mais agres- No dia 12 de setembro de 2006, deu-se a terceira ten- sivo do que outras obras mais recen- Por que o Bar do Chico seria mais agressivo representativas para formular, diências públicas nos bairros e as tomadas de decisão ca de 250 moradores, que legitimaram a escolha dostativa de demolição do Bar do Chico, decorrente do mes- tes e impactantes na paisagem, de que outras edificações mais impactantes e de uso sem a presença dos representantes distritais. representantes eleitos na assembléia comunitária em restrito na Ilha de Santa Catarina? executar e acompanhar planos,mo processo judicial de 2000. Naquele dia, uma rede uso restrito, nas praias da Ilha de * O Conselho Popular da Planície do Campeche setembro. programas e projetos de desenvol-comunitária de informação espalhou a notícia como um Santa Catarina. (CPPC) decidiu participar do processo oficial e formou * Em 18 de dezembro de 2006, foi realizada a últi-foguete. Telefonemas, chamadas na Rádio Comunitária Novo abaixo-assinado foi feito vimento urbano. ma reunião do ano do Núcleo Gestor Municipal, com uma comissão para contatar o Ipuf e solicitar apoiodo Campeche, moradores, freqüentadores e os meios de pela preservação do Bar do Chico. De No nosso caso, devemos atua- presença dos 13 representantes distritais eleitos nas operacional para realizar uma assembléia no bairrocomunicação da cidade alertaram sobre a possível per- novembro de 2006 até janeiro de lizar, de forma participativa, o em setembro, para eleger seus representantes audiências públicas de cada região.da de mais um ponto referencial da identidade da cida- 2007, foram conseguidas 1.200 assi-de, principalmente do Campeche. Há dois anos, perde- naturas. Uma comissão de morado- Plano Diretor dos Balneários distritais. O Ipuf expôs as dificuldades para compor o * Em 18 de janeiro de 2007, o NGM retomou suasmos, de um sábado para domingo, um lindo engenho na res foi ao Ministério Publico Estadu- (1985) e o Plano Diretor do Dis- Núcleo Gestor Municipal, ainda provisório, devido às atividades e, desde então, está concentrado na defini-avenida Campeche que nos alegrava a vista e nos dava al, que enviou seu técnico ao bar para trito Sede (1997), definições que diferentes condições organizativas de cada distrito ou ção desse processo participativo dos distritos.uma referência dos antigos deste lugar. Foi triste! Hoje, uma vistoria. O relatório considerou segmento social. * Em 22 de janeiro de 2007, o Núcleo Distrital deverão estar integradas ao mes-nada mais existe ali. as particularidades do local, a pro- * Em setembro, o CPPC convoca uma assembléia da Planície do Campeche reinicia suas atividades mo tempo ao planejamento urba- comunitária para criar o Núcleo Distrital (ND), ele- e começa a se preparar para propor uma forma de no das regiões/distritos para de- participação, fazer um levantamento de informa- ger seus representantes e encaminhar seus nomes finir o Plano Diretor Municipal.Cursinho Pré-Vestibular precisa de apoio para o Núcleo Gestor Municipal. A assembléia comu- ções atualizadas e envolver a comunidade na dis- O processo de elaboração do Pla- nitária aconteceu em 23 de setembro de 2006, na Es- cussão. Decidiu-se pela realização do II Seminá- no Diretor Participativo de cola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes. rio Comunitário em março, com o objetivo de Em agosto de 2005, teve início o Pré-Vestibular Co- Programa Primeira Chance; a direção da Escola convidados a participar da coordenação dos Florianópolis, foi aberto tardia- * A assembléia deliberou pela formação do Núcleo reavaliar as diretri-munitário, que surgiu de uma iniciativa da Associação Porto do Rio Tavares, que cedeu o espaço da esco- Núcleos do Cefet. mente, em julho de 2006, com a Distrital da Planície do Campeche, a partir do CPPC, zes de planejamentode Moradores do Campeche - AMOCAM, do Fórum Per- la; a Escola Autonomia, que cedeu o uso da apos- Em 2007, com a aprovação do projeto que já agregava entidades, associações, pessoas, que serviram de base nova gestão que assumiu o Ipuf. Omanente de Saúde, entre outras entidades da Planície, tila; a Rádio Comunitária Campeche; o Jornal do contemplando os quatro núcleos existentes, subnúcleos, conselhos, e elegeu seus representantes, para o Plano Comu- Núcleo Gestor Municipal, com a nitário elaborado emdevido à falta de oportunidade de jovens e adultos para Campeche. Como patrocinadora, a Eletrosul todos os alunos receberão apostilas. No fim um titular e três suplentes: Janice Tirelli (Campeche), maioria dos representantes 2000 nas oficinasterem uma vida melhor, fugindo muitas vezes da viabilizou a impressão das apostilas e materiais do ano passado houve conversa com a Udesc Fernando Cardenal (Morro das Pedras), Ataíde Silva distritais e subdistritais escolhidos (Campeche) e Valter Chagas (Rio Tavares) como por- itinerantes de plane-marginalidade. didáticos para os alunos, além da bolsa, camise- para assinarem um convênio que defina os Foi um ano difícil, pois as pessoas não eram da área ta, canetas e lápis. papéis da Associação de Moradores, da pró- em audiências públicas, está cami- ta-vozes da Planície no Núcleo Gestor, orientados pe- jamento na Planície. nhando para sua instalação final. las definições coletivas retiradas nas reuniões/assem- O processo conduzidoda educação e não tinham nenhum conhecimento de cur- Em 2006, os parceiros foram os mesmos. pria Udesc e da Secretaria da Educação. O Informe-se no boxe ao lado so- bléias populares (que é a instância de deliberação das pelo Movimentosinho pré-vestibular, somente a vontade de acertar. Fo- Houve mais professores voluntários e entrou a curso abriu vagas para 140 alunos, mas decisões dos bairros). Campeche Qualida-ram abertas vagas para 120 alunos de baixa renda e apa- Tractebel, que doou ao curso dois houve um acréscimo de inscritos: 220. Ou- bre o que já foi feito e como a * Os representantes da Planície compareceram à de de Vida, a partirreceram 225 inscritos. Foi mais difícil para a coordena- retroprojetores. As dificuldades ainda foram as tra vez ficou difícil para a coordenação, que Planície do Campeche está or- reunião do NGM, em 5 de outubro, e entregaram um das demandas do Ição fazer a seleção, não só pela questão da renda, mas mesmas do ano anterior: a falta do passe esco- entende que qualquer forma de seleção nun- ganizada para participar. Ou ofício apresentando a representação da região, junta- Seminário, foi entre-também porque tinha de considerar que, se a pessoa pro- lar para os estudantes, a falta de um vigia e de ca é justa 100%. Portanto, vão bancar os seja, VAMOS NOVAMENTE mente com a ata e a lista de presença da assembléia gue à Câmara de Ve-curava o curso, era porque queria mudar sua história e um administrativo que viabilize o uso da bibli- 80 alunos. TENTAR levar nossas propostas comunitária realizada, solicitando participar da reu- readores comoda sua família. oteca, o armário com chaves. Está claro que, se a secretaria não aumen- sobre a Planície para que sejam nião. Na ocasião, membros do NGM questionaram a substitutivo ao do O projeto teve como parceiros professores voluntários Mas a história do cursinho em 2006 tomou tar o número de bolsistas, alguns núcleos po- consideradas no Plano Diretor representação eleita numa assembléia comunitária e Ipuf, entregue eme professores bolsistas; a Udesc, com a orientação peda- outras proporções, pois mesmo com os proble- derão fechar, pois a comunidade que procura da Cidade. a sua representatividade por não ter caráter de audi- março de 1999.gógica; a Secretaria da Educação, com os bolsistas do mas, em setembro seus coordenadores foram o projeto é de baixa renda.

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