Your SlideShare is downloading. ×
Apostila de mtc
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Introducing the official SlideShare app

Stunning, full-screen experience for iPhone and Android

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

Apostila de mtc

23,945
views

Published on

apostila de metodologia do trabalho cinetifico

apostila de metodologia do trabalho cinetifico

Published in: Education

1 Comment
5 Likes
Statistics
Notes
No Downloads
Views
Total Views
23,945
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
318
Comments
1
Likes
5
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. Metodologia do Trabalho Científico 1 UN I VERSI DADE DE UBERABA  Valeska Guimarães Rezende da Cunha  I olanda Rodrigues Nunes  I vanilda Barbosa  Ernani Cláudio Borges  André Luís Teixeira Fernandes  Raul Sérgio Reis Rezende M ETODOLOGI A DO TRABALHO CI EN TÍ FI CO  2ª edição  revista e ampliada Uberaba ­ MG  2006 
  • 2. 2 UNIUBE ­ Educação a Distância Série Metodologia do Trabalho Científicoã 2006 by Universidade de Uberaba Todos os direitos de publicação e reprodução em parte ou no todo, reservados para Universidade de Uberaba. P rodução e Supervisão: Programa de Educação a Distância Revisão Textual e Tratamento Didático­P edagógico: Marco Antônio Escobar Capa: Layout e arte final: Ney Braga e Programa de Educação a Distância Colaboração: Eliane Mendonça Marquez de Rezende Luiz Fernando Ribeiro de Paiva Maria Bárbara Soares e Abrão Raul Sérgio Reis Rezende Edição: Universidade de Uberaba I mpressão: Gráfica Universitária ­ Universidade de Uberaba Gerência: Wilson Oliveira Catalogação elaborada pelo Setor de Referência Biblioteca Central da UN I UBE  M567   Metodologia do trabalho científico / Valeska Guimarães Rezende da  Cunha... [et al.]. – 2. ed. rev. e ampl. ­­ Uberaba : Universidade  de Uberaba, 2006  120 p. –  (Metodologia)  Colaboradores: Iolanda Rodrigues Nunes, Ivanilda Barbosa,  Ernani Cláudio Borges, André Luís Teixeira Fernaneds, Raul Sérgio  Reis Rezende  Produção e supervisão: Programa de Educação a Distância  da  UNIUBE  ISBN  85­88920­32­8  1. Pesquisa ­ Metodologia. 2. Metodologia científica. I. Nunes,  Iolanda  Rodrigues. II. Barbosa, Ivanilda. III. Borges, Ernane  Cláudio. IV. Fernandes, André Luís Teixeira. V. Rezende, Raul  Sérgio Reis. VI. Universidade de Uberaba.  Programa de Educação  a Distância. VII. Série.  CDD  001.42
  • 3. Metodologia do Trabalho Científico 3 A P R ESEN TA ÇÃ O  Ao  vivenciar  esta  nova  forma  de  aprender,  possibilitada  pela,  educação  a  distância,  certamente você percebeu que ela lhe permite personalizar o seu processo de aprendizagem, uma vez que você pode imprimir aos seus estudos um ritmo próprio, permanecer em seu meio cultural e natural, não tendo que se locomover para estudar. Além disso, é você que escolhe os horários em que seu rendimento é maior. Entretanto, certamente pôde se conscientizar também de que, para um melhor desempenho nesta modalidade de estudo, precisa organizar­se e assumir uma postura mais autônoma em relação à sua aprendizagem.  Saber estudar é, como alguém já disse, o caminho mais fácil de aprender o que quer que seja. O conteúdo de Metodologia do Trabalho Científico, constante deste volume, pretende contribuir para que o aluno universitário adquira esta competência. Nele, você encontrará informações sobre os métodos e processos de produção do conhecimento científico, noções básicas sobre as normas técnicas e a sistemática que envolve os processos de investigação científica e de produção de um trabalho acadêmico.  Estas informações foram organizadas em quarto unidades de estudo.  Na primeira unidade, você  encontrará orientações para a  organização de seus estudos  e ficará sabendo de que forma a universidade pode contribuir para a sua formação e também qual a sua parcela de responsabilidade, enquanto aluno, neste processo.  A segunda unidade contém os esclarecimentos necessários para ajudá­lo(a) no estudo dos textos acadêmicos. Você verá como os textos acadêmicos são organizados, os procedimentos adequados para a leitura desse tipo de texto e as diversas formas de registro de seus estudos.  A terceira unidade se ocupa do conhecimento, suas diversas formas de manifestação e respectivas características e também de sua aplicabilidade.  Na quarta e última unidade você aprenderá as normas para a elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos.
  • 4. 4 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 5. Metodologia do Trabalho Científico 5 SUM Á RI O ORI ENTAÇÕES GERAI S .................................................................................. 07 UNI DADE 1 ­  ORGANI ZAÇÃO DOS ESTUDOS NA UNI VERSI DADE ............... 09  1.1  Considerações iniciais ................................................................................ 11  1.2  Autonomia e aprendizagem ........................................................................ 11  1.3  Os instrumentos de trabalho ....................................................................... 13  1.4  O papel da universidade na formação acadêmica do aluno e o papel do  aluno na própria formação ......................................................................... 21  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 25 UNI DADE 2 ­  ESTUDOS DE TEXTOS ACADÊMI COS  ....................................... 29  2.1  Conceito de texto e os modos de organização dos textos acadêmicos ................. 31  2.2  Procedimentos para a leitura de um texto didático­científico ............................. 49  2.3  Outras formas de registro de estudos acadêmicos ........................................... 53  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 54 UNI DADE 3 ­  COMP REENDENDO O SI GNI FI CADO DO CONHECI MENTO ..... 59  3.1  Considerações iniciais ................................................................................ 61  3.2  Bases conceituais e caracterísiticas dos tipos de conhecimento .......................... 62  3.3  A diferença entre conhecimento e informação ................................................ 69  3.4  Conhecimento científico e senso comum ....................................................... 73  3.5  Características e aplicabilidade do conhecimento ............................................ 79  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 81 UNI DADE 4 ­  NORMAS DE AP RESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMI COS .................................................................................................  85  4.1  Considerações iniciais ................................................................................ 86  4.2  O trabalho acadêmico ............................................................................... 86  4.3  A elaboração da questão geradora ............................................................... 89  4.4  O levantamento bibliográfico e as anotações .................................................. 90  4.5  Estrutura, etapas e principais elementos do trabalho acadêmico ........................ 91  4.6  Aspectos técnicos e normativos da apresentação de trabalhos  acadêmicos ............................................................................................102  Exercícios de Fixação ........................................................................................110 REFERENCI AL DE RESP OSTAS ......................................................................115 REFERÊNCI A S .......................................................................................... 117
  • 6. 6 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 7. Metodologia do Trabalho Científico 7 ORI EN TAÇÕES  GER AI S  A fim de facilitar a sua aprendizagem, no decorrer do texto você encontrará ícones, quadros, esquemas e imagens que lhe fornecerão pistas valiosas para a compreensão do conteúdo. Elabora­ mos  uma legenda para que  você  possa  aprender  mais  facilmente seus  significados. Recorra a ela sempre  que  precisar.  Exemplos ou Explicações. Atenção! Informação Importante. Quadro com borda  simples Conceito ou definição relativos ao conteúdo. Quadro com borda dupla  Esquemas ou resumos. Ainda para facilitar a sua compreensão, optamos por colocar o glossário no decorrer do texto. Assim, sempre que houver uma palavra cujo significado é preciso esclarecer, ela virá marcada com uma tarja cinza e, ao lado, o esclarecimento aparecerá num quadro cinza, sem contorno.  Ao realizar o estudo de cada unidade, você deverá cumprir uma série de atividades que o(a) auxiliarão  a  compreender  e  fixar  melhor  o  conteúdo.  Para  estas  atividades,  você  encontrará  as respostas no referencial colocado ao final deste volume.  Desejamos a você muito sucesso nos estudos!  Equipe de professores.
  • 8. 8 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 9. Metodologia do Trabalho Científico 9 UN I DADE   1 ORGAN I ZAÇÃO DOS ESTUDOS N A  UNI VERSI DADE  Valeska Guimarães Rezende da Cunha  Iolanda Rodrigues Nunes  Ernani Cláudio Borges  André Luís Teixeira Fernandes  Raul Sérgio Reis Rezende
  • 10. 1.1  CON SI DERA ÇÕES  I N I CI AI S  Ao final desta unidade, você  deverá manifestar consciência da necessidade de se organizar em sua vida de estudos e ter discernimento quanto aos métodos e estratégias necessários  ao seu bom desempenho neste componente curricular bem como nas outras disciplinas de seu curso. Deverá, também, saber posicionar­ se criticamente em relação ao papel que a universidade desempenha na formação acadêmica do aluno e ao papel do aluno na sua própria formação.  Sabemos que o estudo é fundamental na vida das pessoas e por meio dele buscamos alcançar os diversos tipos de conhecimento, que serão aplicados em inúmeras situações de nossa vida.  Durante sua formação escolar, você encontrará exigências, obstáculos e desafios que o(a) farão ter uma  nova  postura  diante  dos  estudos.  Daí  a  necessidade  de  você  repensar  e  avaliar  a  forma  como  vem estudando até agora.  Muitos(as) alunos(as), apesar de seu esforço, não conseguem obter o sucesso escolar que estaria ao seu alcance, pois trabalham com métodos inadequados. A obtenção de bons resultados escolares, que é o objetivo de todos os estudantes, consegue­se com métodos e estratégias de estudo eficazes.  A princípio, é preciso que você se conscientize de que o resultado de todo o processo depende de você mesmo(a), ao assumir uma postura com maior autonomia para a efetivação da aprendizagem. Além disso, você deve empenhar­se num projeto de estudo altamente individualizado, apoiado no domínio e na manipulação de uma série de instrumentos, que o(a) auxiliarão na organização de sua vida de estudo e na disciplina de  sua vida  acadêmica.  Sabemos que cada aluno(a) tem um estilo e um método próprio para estudo. Alguns têm uma postura passiva e mecânica, ao passo que outros constróem seu conhecimento de forma ativa e dinâmica durante sua vida escolar. Nesta unidade, estaremos sugerindo instrumentos de estudo que o(a) ajudarão a assumir uma postura de  agente construtor(a)  de seu  próprio conhecimento,  conseguindo, assim,  um aprendizado  mais significativo. São palavras­chave para melhor aproveitamento dos estudos:  Motivação Organização do tempo Organização dos materiais Autonomia 1.2  AUTON OM I A  E  AP REN DI ZAGEM   Para que tenha possibilidades de construção de sua autonomia ao longo do processo, é necessário que  você  seja  autor(a)  de  sua  própria  fala  e  do seu  próprio  agir,  pois  a  autonomia  é  uma  conquista  que somente se completa e se realiza à medida que a pessoa cresce e amadurece, no convívio com os outros (PRETI, 1996).  A autonomia, para ser construída, exige de você, aluno(a), uma tomada de posição e um compromis­ so consigo mesmo(a) e com a instituição onde estuda. Segundo Preti (1996), a sua capacidade de aprender de forma autônoma, fazendo com que você ganhe confiança  em si mesmo(a), não depende passivamente da figura do professor, de alguém que vem para “ensinar ao outro que não sabe”.  Nesse sentido, sugerimos que você considere a sua participação nas atividades acadêmicas como um elemento indispensável para a construção da autonomia. Mas, nesta altura, você deve estar se perguntando: 
  • 11. 12 UNIUBE ­ Educação a Distância  O que devo fazer, enquanto aluno(a), para aprender a aprender, Como estudar? a me autoformar, a regular a minha aprendizagem, a ter autonomia no processo de aprendizagem? Existem instrumentos e técnicas para me auxiliar nesse processo? Esse é o grande desafio! Para isso, ofereceremos diversas técnicas de estudo e inúmeras atividades que facilitarão a sua aprendizagem.  Exercite, pratique a sua autonomia na realização dos trabalhos solicitados por seus professores. Freqüente a biblioteca, navegue na Internet, para aprofundar seus estudos e fazer leituras diferentes. É importante que você amplie sua visão.  Para Preti (1996), não há dúvida de que existem inúmeras dificuldades que você deverá considerar e procurar superar, tais como:  ·  dificuldade de adaptar­se a novas situações de aprendizagem  ·  pouco  tempo  livr e  ·  descr ença  da  validade  e  aplicabilidade  de  estudos  teór icos  ·  dificuldades  econômicas  ·  pr oblemas  de  saúde  ·  pr oblemas  inter pessoais  ·  dificuldade  de  concentr ação  ·  tr anstor nos  afetivos  e  outr os  É importante que você perceba suas limitações pessoais para procurar superá­las!
  • 12. Metodologia do Trabalho Científico 13  Segundo Aretio (1994, apud PRETI, 1996), é necessário que  Apud você “se eduque para que saiba como aprender, como adaptar­se e como mudar”, se quiser continuar desfrutando do seu estudo e de sua vida. Às  Citado por. Termo usado quando um au­  tor cita em  seu livro outro autor e você vezes, não  conseguimos superar todas  as dificuldades, mas  é preciso  deseja usar a mesma citação, e não tem saber lidar com elas e ir superando­as aos poucos.  acesso à  obra original.  Inicialmente,  é  fundamental  um  olhar  para  si  mesmo,  é importante observar­se e perguntar­se: como estudo, isto é, como apren­ do, quais as estratégias metacognitivas utilizadas? Como ocupo e orga­  M etacognitiva nizo o tempo ao longo do dia e da semana? Quando, quanto, como e onde estudo? Quais os horários mais proveitosos? Que técnicas utilizo  Etimologicamente, significa  para  “além  da cognição”, isto é, a faculdade de co­ para ler, resumir e estudar, de uma maneira geral? (PRETI, 1996).  nhecer o próprio ato de conhecer, ou, dito  de outra forma de “pensar sobre o pen­  sar”.  Sugerimos, portanto, um conhecimento de si mesmo, enquanto aprendiz, pois essa auto­avaliação o(a) ajudará a melhor definir e ponderar suas metas em relação à disciplina. Reflita sobre as estratégias que você  utiliza  para  estudar.  Depois,  organize  seu  tempo,  distribuindo  melhor  suas  atividades  ao  longo  da semana.  A nossa intenção até agora foi propor reflexões sobre as significações e as dimensões da autonomia, dentro do processo educacional. Não pretendemos torná­las um “receituário” ou um “pacote de regrinhas” que  devem  ser  seguidas  para,  automaticamente,  garantir  o  processo  de  autonomia  na  aprendizagem. Pretendemos, sim, dar uma orientação e um suporte a você, para que planeje suas ações, organize seu tempo de estudo e tenha consciência de que o seu sucesso depende, em grande parte, do seu envolvimento e esforço individual.  No início pode parecer difícil, principalmente se você não estiver muito habituado(a) a estudar com regularidade. Mas é importante não desanimar e estar sempre prestando atenção ao seu desenvolvimento, aos horários nos quais você produz com maior facilidade. Enfim, preste atenção em você e, aos poucos, crie um hábito de estudo que se adapte ao seu ritmo pessoal. 1.3  OS  I N STRUM EN TOS  DE  TRABALHO  Esperamos que você, realmente, tenha refletido sobre seu tempo, seu ritmo de estudo e que tenha procurado algumas alternativas. Agora, vamos prosseguir nosso conteúdo estudando os instrumentos que o(a) auxiliarão na organização de sua vida de estudo e na disciplina de sua vida acadêmica.  A  tarefa  de  aprendizagem  na  universidade  se  inicia  pelo  embasamento  teórico,  próprio  de  cada área. Antes  de  iniciar  as  atividades  práticas,  de  laboratório  ou  de  campo,  você  precisa  compreender  o conteúdo específico de sua área de estudo. Para isso, é necessário dispor de diversos instrumentos de trabalho (cf.  quadro  1)  que, em  nosso  meio,  são  fundamentalmente  bibliográficos,  os quais  garantirão  seu  estudo pessoal no decorrer de sua vida acadêmica (SEVERINO, 2002).
  • 13. 14 UNIUBE ­ Educação a Distância  É importante para seus estudos, que você comece a formar sua biblioteca pessoal, munindo­se de livros, resumos, textos complementares, periódicos, revistas, dicionários e recursos eletrônicos gerados pela tecnologia informacional.  Quadro 1 ­ Exemplos e definições de instrumentos de trabalho  1.3.1  EXP LORAÇÃO DOS I NSTRUMENTOS DE TRABALHO O  material  didático  científico  é  a  base  para  o  estudo  pessoal  do(a)  aluno(a),  que  deve  se esforçar para construir os sentidos dos conceitos ou das idéias apresentadas no texto, ou seja, você não precisa se preocupar  com o “decorar”, com  o “memorizar”. Algumas vezes  é importante memorizar certas informações, mas de nada adianta memorizar sem compreender. 
  • 14. Metodologia do Trabalho Científico 15  Sugerimos que você crie o hábito de registrar a matéria abordada em aula, os elementos complementares a esta matéria, as informações anotadas nas aulas expositivas, nos debates em grupo, nos seminários e conferências.  Durante seus registros você não conseguirá anotar tudo aquilo que é exposto, pois muitas idéias ficam truncadas e você acaba perdendo a concentração durante essas anotações. Preocupe­se com palavras ou expressões que traduzam conteúdos conceituais e idéias fundamentais, para que, mais tarde, em sua casa ou em um ambiente de estudo, possa submeter suas anotações a um processo de correção, de complementação e de triagem.  Veja, a seguir, no Quadro 2, exemplo de uma anotação concisa do que foi exposto até agora:  Quadro 2 ­ Exemplo de anotações importantes  1. Universidade novas exigências necessidade de novos desafios rever forma de estu- do 2. Ritmo de estudo é pessoal desenvolver a autonomia livros / resumos / periódicos/ / dicionários / 3. Instrumentos de Internet trabalho É importante: formar uma biblioteca básica adquirir hábitos de anotação  Chamamos sua atenção para o fato de que a prática de registro pessoal deve tornar-se uma constante em sua vida, pois é preciso convencer-se de sua necessidade e utilidade, considerando-a como parte integrante do processo de estudo. Fazer registro é a maneira mais adequada e sistemática de estudar, pois expressa um resultado das atividades intelectuais de todo aquele que procura estar em dia com as produções do pensamento humano. O(a) aluno(a) tem de estar ciente de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal.
  • 15. 16 UNIUBE ­ Educação a Distância  Indicaremos, a seguir, uma forma de fazer registro dos estudos, denominada fichamento.  Para que fazer o Será mesmo necessário nos registro da localização ocuparmos com tais de documentos, dos fichamentos? livros que lemos? Certamente que sim. Aí vão algumas razões: neles podemos buscar dados para chegar com mais agilidade a uma informação importante ou  para fundamentar nossas afirmações; registrar nossas impressões e nossas reflexões acerca de um assunto e racionalizar o nosso trabalho.  Outro ponto interessante a ser observado é que sempre o estudo de um texto (científico, artístico, religioso etc.) se inicia por um processo de contextualização, gerando o fichamento do assunto estudado.  O FICHAMENTO é uma prática de escrita acadêmica que tem por objetivo identificar um objeto  de estudo (um livro, um capítulo de livro, um artigo, um filme, um documento, um monumento, uma  obra artística) ou reunir dados e proposições sobre determinado tema. Por ser um procedimento  básico de identificação, está sempre relacionado a outras práticas de escrita acadêmica.  Enquanto método pessoal de estudo, podemos identificar três formas de fichamento: o fichamento bibliográfico, o fichamento temático e o fichamento geral. Veremos, a seguir, essas três formas de fichamento.  Para fazer fichamento, você pode utilizar fichas próprias, compradas em papelaria, que podem ser manuscritas, ou utilizar o computador, criando pastas e arquivos. 1.3.1.1 Fichamento Bibliográfico Esta forma de registro se constitui num conjunto de referência sobre livros, artigos e trabalhos  dentro de uma área do saber. Este tipo de fichamento é útil  porque permite consultar, facilmente o  conteúdo da obra que você leu sobre o assunto em questão, quando for realizar realizar algum  trabalho sobre um determinado assunto. 
  • 16. Metodologia do Trabalho Científico 17  Para exercitar esse tipo de fichamento, sugerimos que, à medida que você tome contato com os livros, artigos, trabalhos e informes diversos, habitue­se a fazer um fichário, que pode ser manuscrito, ou digitado no computador, o qual possibilita maior facilidade na inserção e manipulação dos dados.  Veja,  no  Quadro  3,  um  exemplo  de  fichamento  bibliográfico,  que  complementará  o  fichamento temático.  Exemplo de fichamento bibliográfico  Quadro 3 ­ Exemplo de fichamento bibliográfico  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org). Metodologia Científica:  Cadernos de Texto e Técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999.  LAKATOS, Eva Maria;  MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica.  São  Paulo: Atlas, 1990.  DEMO, P. Neutralidade Científica. IN: ______. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3. ed.  São  Paulo: Atlas, 1995.  Tema: O conhecimento 1.3.1.2  Fichamento Temático  Esta forma de registro baseia­se nos conceitos fundamentais de uma determinada área do saber,  podendo se referir a uma ou mais obras. Este tipo de fichamento é útil quando você for realizar   algum trabalho sobre um determinado assunto. Ao consultar a ficha, você terá acesso às obras que  tratam do assunto em questão, bem como a um breve resumo.  Esse tipo de fichamento pode ser elaborado de diversas formas:  colocar  o  conceito  entre  transcrição  literal  (cópia  aspas, indicando o autor,  fiel) das palavras do autor  a obra e a página de onde  foi retirado  dispensam­se  as  aspas,  síntese das idéias do autor  mantendo a indicação da  fonte idéias pessoais, anotadas  não é necessária a utiliza­  a partir de uma aula  ção de aspas nem a indi­  cação da fonte. 
  • 17. 18 UNIUBE ­ Educação a Distância  AA seguir, apresentaremos um exemplo de um fichamento temático com a síntese das idéias do autor e também com idéias pessoais. Trata­se de uma forma dentre as muitas que podem ser utilizadas para este fim. A se  Exemplo de fichamento temático  Quadro 4 ­ Exemplo de fichamento temático  O  Conhecimento.  A autora analisa o sentido e o papel que o conhecimento exerce na realidade humana atual através de três relações:  fazer, usar e se posicionar:  a)  apresenta o homem como ser racional que, pela linguagem,  intrepreta o mundo e se mostra nessa interpreta­  ção;  b) caracteriza o conhecimento como renascimento, isto é, formas sempre novas de estar no mundo;  c) o processo do conhecimento dá a verdadeira medida do homem: ser que renasce sempre quando está aberto ao  mundo.  Comentário  pessoal:  O texto destaca três possibilidades de conhecimento, mas ainda não revela o papel específico da ciência.  Referência:  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia científica:  cadernos de texto e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999.  Fonte:  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia cientí­  fica: cadernos de texto e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999. 1.3.1.3  Fichamento Geral  Para esse tipo de fichamento, você pode proceder conforme sugerimos, a seguir.  ­  Faça um apanhado amplo do assunto, sem muita profundidade  (leitura do prefácio, sumário, introdução).  ­  Em seguida, faça uma leitura mais aprofundada com apontamen­  tos mais rigorosos.  ­  Lembre­se: as diversas informações devem ser seguidas pela  in­  dicação, entre parênteses, das respectivas páginas.  É aquele realizado de maneira sistemática e organizada, no qual o(a) aluno(a) arquiva as apostilas,  os textos de seminários, os trabalhos didáticos, os textos de conferência e outros, cujo uso seja  julgado importante, formando um conjunto de textos relacionados com a área de estudo do(a)  estudante.  Ao realizar algum trabalho acadêmico, com maior valor científico, você poderá recorrer a este tipo de fichamento que servirá de base para o fichamento temático ou mesmo para o fichamento bibliográfico (SEVERINO, 2002).  À medida que você desenvolve seus estudos, o trabalho de fichamento deve ser sistematicamente realizado.  Procedendo  habitualmente dessa  forma,  você  perceberá,  na  prática, a  utilidade  do  fichamento, inserido como parte integrante do seu processo de estudo.
  • 18. Metodologia do Trabalho Científico 19  Relacionamos, a seguir, algumas orientações práticas, que serão úteis no seu dia­a­dia:  a) Considere material de fichamento tudo o que julgar importante e útil para seus estudos: as  leituras, as aulas, os seminários, os grupos de discussão, as conferências;  b) para  fichas manuscritas ou para os registros feitos no computador, deve­se observar as  seguintes orientações:  ∙  evitar longas transcrições;  ∙  registros feitos a partir de leituras, devem conter: título e fonte no cabeçalho. Por ‘fonte’ se  entende: nome do autor, título da obra, local, editora, página, ano;  ∙  registros feitos a partir de aulas devem conter: data, disciplina, assunto e nome do professor.  ∙  providenciar um fichário próprio, no caso de se utilizar fichas;  ∙  transcrever os assuntos dos cadernos para as fichas ou para o editor de textos/planilha, no  computador.  c) para a elaboração da ficha manuscrita deve­se considerar:  ∙  tamanho adequado, que pode ser grande, médio ou pequeno (optar por um tamanho único);  ∙  cabeçalho – título e fonte – no verso escrever de cabeça para baixo;  ∙  aspas ( “ “ ) para citação; asterisco ( * ) para resumo; duas barras ( // ) para indicar idéias  pessoais.  d) para a elaboração dos arquivos no computador deve­se considerar:  ∙  tamanho do papel e margens adequados para impressão;  ∙  espaçamento entre linhas de modo a permitir uma boa leitura;  ∙  tipo e tamanho de fonte (letra) legíveis;  ∙  cabeçalho contendo título e fonte da documentação;  ∙  usar  aspas (  “ “  ) para  citação; asterisco  ( *  )  para resumo;  duas barras  ( //  ) para  indicar  idéias  pessoais.  O Quadro 5, a seguir, representa a estrutura padrão de um fichamento geral, e o Quadro 6, apresenta um exemplo de fichamento geral.  Quadro 5 ­ Estrutura padrão de um fichamento geral.
  • 19. 20 UNIUBE ­ Educação a Distância Que tal colocar em prática os tipos de fichamentos, vistos anteriormente? Experimente criar exemplos utilizando a forma manuscrita ou o computador. Siga o exemplo de fichamento geral, a seguir. Exemplo de fichamento geral: Quadro 6 ­ Exemplo de fichamento geral  ESTUDAR  Técnicas de trabalho  1  FURLAN, Vera Irma. O estudo de textos teóricos. In: CARVALHO, Maria Cecília M. (Org.)  Construindo o saber: técnicas de metodologia científica. Campinas: Papirus, 1988.  Resumo:  A autora cita que os textos são obra e produto humano, expressos pelos mais variados meios simbólicos e  representam a memória do homem, constituindo­se na herança que possibilita a continuidade de sua obra.  (p. 131)  Sobre os textos teóricos, afirma que moldam a visão do homem e seu pensamento e que, além de ser obras  que demonstram um conhecimento do mundo, fazem ver o que foi produzido pelos homens na sua existência,  expressando  momentos  históricos  contendo  toda  série  de  situações.  Também  são  sistematizados,  organizados e metódicos, fruto de construção de cientistas na tentativa de explicar o real. (p. 132)  Interpreta o texto como uma “voz humana”, do passado, à qual se tem que “dar vida” e “ ‘ouvir’ a sua  palavra,  o  seu  mundo  a  compreensão  dos  significados  nele  implícitos”.  Continua  afirmando  que  é  no  encontro histórico, quando diversas experiências se defrontam, que se torna possível a compreensão e  interpretação dos textos. (p. 133)  Através dos textos teóricos é que entramos em contato com a produção científica. Portanto, para poder  decifrar melhor o mundo, é necessário compreendê­los e, para tanto, é necessário ter um objetivo para o  estudo dos mesmos. Também é necessário ter claro as questões e problemas contidos nos textos e saber  localizá­lo no tempo e espaço, etapas estas que facilitam a compreensão. É também sugerida a demarcação  dos conceitos, doutrinas desconhecidas, autores citados, para, a seguir, fazer uma consulta a dicionários,  enciclopédias e manuais para buscar explicações, que facilitem a compreensão da mensagem do autor. (p.  134)  Citações:  “Segundo Paulo Freire, o papel do educador é o de proporcionar a organização de um pensamento correto  através da relação educador­educando e educando­educador”. (p. 108)  “No laboratório de classe não há lugar para a reprodução mecânica do conhecimento mas para a recriação  e, até, criação de um trabalho cooperativo de professor e aluno”. (p. 109)  “O professor deverá orientar seus alunos para um sistema de auto­aprendizagem através de métodos de  pesquisa bibliográfica e documentação”. (p. 109)  Idéias Pessoais:  // Texto bastante significativo e que propõe uma metodologia aprofundada de leitura de textos teóricos//  Local:  Consultar o livro conforme referência da parte superior da ficha. Fonte:  FURLAN,  Vera  Irma.  O  estudo  de  textos  teóricos.  In:  CARVALHO,  Maria  Cecília  M.  (Org.)  Constr uindo  o saber : técnicas de metodologia científica. Campinas: Papirus, 1988.
  • 20. Metodologia do Trabalho Científico 21 1.4  O P AP EL DA UN I VERSI DADE N A FORM AÇÃO ACADÊM I CA DO  ALUN O E O P AP EL DO ALUN O N A P RÓP RI A FORM AÇÃO  Vamos prosseguir nosso conteúdo destacando o papel que a universidade desempenha na socieda­ de, analisando e enfatizando as contribuições que ela exerce na formação acadêmica do(a) aluno(a). Vamos também refletir sobre o papel do(a) aluno(a), inserido nessa sociedade, na sua própria formação.  A questão inicial que se coloca, portanto, é a seguinte: Qual o papel da universidade na sociedade? Na verdade, há vários autores com opiniões divergentes sobre esse assunto. Por isso é interessante conhecer essas opiniões para que possamos refletir e tomar uma posição frente à questão apresentada.  A universidade visa possibilitar aos diplomados o exercício competente da função ou emprego,  com remuneração satisfatória. Acrescento dimensão social mais ampla: técnicos, funcionários  saídos dos  bancos universitários ajudam  a elevar tanto o  nível da qualidade  da produção,  como  o do  país,  assim  como qualidade  e  quantidade da  produção  nas  diferentes áreas  da  atividade humana. (JUSTO, 1995).  ...a instituição universitária, em qualquer realidade social, sempre tem respondido pela ex­  celência  do  saber  científico  e  do  nível filosófico  e  cultural,  e  por  isso  mesmo  geralmente  tem recebido por parte da sociedade o reconhecimento a que faz jus, mas também tem sido  severamente  criticada  quando  não  consegue  acompanhar  os  avanços  científicos  e  tecnológicos, perdendo assim sua capacidade para traduzir em ações concretas as necessi­  dades  emergentes da  sociedade,  através de  suas funções  básicas:  o ensino,  a  pesquisa e  a  extensão. (SOLINO apud INFANTE, 2003)  Você  deve  ter  constatado,  por  estas  citações,  que  a  função  social  da  universidade  é  preparar profissionais para o mercado de trabalho. Segundo esses autores, a universidade precisa ouvir e compreen­ der as necessidades da sociedade,  detectando as mudanças de mercado e elaborando estratégias que possi­ bilitem  a  otimização  das  relações  que  deve  existir  entre  a  universidade  e  a  sociedade.  Isso  é  um  grande desafio a ser enfrentado, pois conhecer o perfil dinâmico e multifacetado dos profissionais que o mercado de trabalho exige é um trabalho cauteloso e de diálogo permanente (Figura 1). Torna­se necessário, portanto, criar condições para essa comunicação, oferecendo apoio à inovação tecnológica e à criatividade, para que o(a) universitário(a) se enquadre no mercado de trabalho que a sociedade exige.  SISTEMA EDUCACIONAL  Setor privado, MERCADO DE empresas, estatais e Setor público TRABALHO fundações Figura 1 – Ajuste entre o mercado de trabalho e o sistema educacional de terceiro grau.
  • 21. 22 UNIUBE ­ Educação a Distância  Segundo Infante (2003), atualmente se exige da universidade competitividade no nível de formação do novo profissional, preparando­o tanto na dimensão do “como fazer” quanto do “porque fazer”. Isto se dá pelo fato da universidade, ao gerir o conhecimento artístico, científico e tecnológico, estar sempre em confronto com as exigências da atual era da evolução da informação.  1  Essa  idéia  de  Infante  vem  ao  encontro  das  idéias  de  Pereira  em  um  debate  sobre o papel da universidade.  Segundo  Pereira  (2003),  a  universidade  de  qualidade  é  aquela  que  forma  profissionais competitivos, críticos e eficientes e, para tal, é preciso que os docentes dessa universidade também sejam eficientes. A forma de avaliar a eficiência dos docentes  é o número de artigos publicados, a participação em congressos, o número de pesquisas que orienta e outras formas de produção.  Nesse contexto, fica claro que a universidade produtiva é fundamentalmente uma universidade que produz  conhecimento,  através  do  ensino,  pesquisa  e  publicações.  Isso  fica  ainda  mais  claro  quando  ele afirma que  “...os professores têm que ser eficientes, têm que produzir, se preocupar com os custos, e viabilizar alguma coisa que seja politicamente possível”.  Percebemos que todos os autores citados defendem a idéia de uma universidade produtiva. Sendo assim, é importante que entendamos o conceito de “universidade produtiva”, que está implícito nas idéias apresentadas até agora.  Certamente você compreendeu que o conceito de universidade produtiva defendido pelos autores Justo (1995), Solino (2003), Infante (2003) e Pereira (2003), é a de uma universidade que prepara profissi­ onais tecnicamente eficientes para atuarem no mercado de trabalho, esquecendo­se de pensar numa formação mais ampla, ou seja, a que prepara profissionais críticos e conscientes dos problemas sociais.  A  partir  destas  colocações,  seria  interessante  levantarmos  outras  questões:  Qual  seria  a  função social da universidade? A universidade é acessível a todas as camadas sociais?  Reflita sobre as afirmações anteriores e faça suas considerações referentes aos questionamentos colocados. Como dissemos anteriormente, há autores que defendem idéias diferentes dessas apresentadas até agora. Para Ramos (1996),  a universidade não se universalizou de fato, pelo menos nos países do Terceiro Mundo. E mesmo naqueles  países que conseguiram eliminar o analfabetismo e proporcionar à totalidade da sua população uma educa­  ção básica, ela continua reproduzindo as classes sociais diferenciadas, conforme a origem social de seus  alunos. Aqueles provenientes das classes que detêm  o poder econômico encaminham­se ‘naturalmente’  para os cursos de estudos superiores; os demais, para os cursos técnicos profissionalizantes ou, simples­  mente, para as ocupações manuais não especializadas.  Chauí (2003), também tem um posicionamento diferente, defendendo o papel da universidade em uma outra perspectiva. Ao contrário dos outros autores citados, ela se opõe à universidade voltada, apenas, para o mercado de trabalho. A professora defende uma universidade crítica, reflexiva, aberta a questões que possam interessar a todo o conjunto da sociedade e no qual a educação é colocada como um dever do Estado. 1  Debate entre Marilena Chauí e Luiz Carlos Bresser Pereira, que marcou a abertura pública do IV Congresso da USP. O título do debate foi ‘Que Universidade queremos: crítica ou produtivista?’ 
  • 22. Metodologia do Trabalho Científico 23  “Muitas  vezes  o  professor  é  impedido  de    realizar  o  seu  trabalho  de  docência,  e  ano  após  ano, repete a mesma aula, porque não tem tempo de preparar outra, porque ele vai ser avaliado pelo número de papéis,  de livros,  de  notas de  rodapé,  de congressos”  (CHAUÍ,  2003).  Nesse  sentido, ela  defende  que  a avaliação da qualidade da universidade, não deve ser feita apenas pela quantidade de vezes que seus docen­ tes participam de congressos, pelo número de artigos que publicam ou por outras medidas quantitativas, mas, principalmente, pela qualidade das aulas ministradas pelos docentes, o que implica, necessariamente, uma reavaliação das condições de trabalho desses docentes. Torna­se necessário que ocorra uma revalorização da docência para que o professor reveja o que é preparar, ministrar e avaliar uma aula universitária.  Cabe ressaltar que no espaço universitário, a pesquisa não pode estar separada do ensino, conforme observa Demo (1992), ao considerar que a maioria dos professores das universidades fizeram “opção” pelo ensino,  passando  a  vida  contando  aos  alunos  o  que  aprenderam  de  outrem,  imitando  e  reproduzindo subsidiariamente. Segundo esse autor, “quem ensina carece pesquisar” e “quem pesquisa carece ensinar”.  Para Chauí(2003), o mercado exige rotina, repetição, tudo que não inclui inovação, nem criatividade, nem originalidade, nem profundidade. Isso é devido ao fato de o mercado considerar que somente as agênci­ as  de  publicidade  é  que  precisam  ser  originais  e  criativas.  Entretanto,  não  haveria  desenvolvimento  do conhecimento  sem  inovação  nem  criatividade.  Por  isso,  a  necessidade  da  pesquisa,  que,  por  seu  caráter questionador, sempre produz novos conhecimentos.  Nesse sentido, a pesquisa, o ensino e a extensão devem estar integrados dentro de uma universidade.  Você deve ter percebido que o conceito de universidade crítica, defendida pelos autores, vai além do conceito de universidade produtiva, porque embora eles não desprezem a competência técnica do profis­ sional, defendem que a universidade deve ter critérios de avaliação mais qualitativos do que quantitativos e que a universidade deve ser direito de todos e os profissionais que forma devem ser mais críticos e reflexi­ vos, engajados em pesquisas e projetos sociais.  A essa altura, você já deve ter se posicionado frente às contribuições dos autores citados. Qualquer que seja a sua opinião, gostaríamos de abrir agora um outro questionamento: Qual o seu compromisso com a sua própria formação?  Você deve ter percebido que, ao pensarmos sobre o papel da universidade na formação acadêmica do(a) aluno(a), inevitavelmente devemos pensar no tipo de sociedade que temos. Ao expressar nossa idéia de sociedade e, portanto, o tipo de profissional que a universidade deve formar, estamos, na verdade, expres­ sando a maneira como compreendemos o mundo.  Por isso, para pensar no seu compromisso com a sua própria formação, não podemos deixar de considerar a sociedade da qual faze­ mos parte. Sendo assim, precisamos levar em conta a nova era da infor­ mação que estamos vivendo por meio da globalização do conhecimen­ to,  que    propicia  a  aceleração  da  quebra  de  paradigmas  de  forma  Paradigma multidimensional, permitindo a concepção e o nascimento de novos mo­ delos de gestão, comportamento, demanda e outros. Estamos vivenciando  Visão de mundo que predomina em um  momento  histórico  e  que  influencia  o uma  grande  transformação  proveniente  do  confronto  e  da  aliança  do  comportamento,  as  atitudes  e  os ensino com as tecnologias de comunicação, surgindo então novas for­  valores  das  pessoas. mas de comunicação da universidade com a sociedade.
  • 23. 24 UNIUBE ­ Educação a Distância  Segundo Bentes apud Barichello (2003), em re­ lação a essa transformação é essencial enfatizarmos dois pontos cruciais e relevantes nessa nova comunicação en­ tre  universidade  e  sociedade:  a  cultura  midiática,  que  é utilizada atualmente por uma grande parte da sociedade,  e  Cultura  midiática o excesso de informações descontextualizadas, que atin­  Uma forma cultural proveniente do contexto social     atu­ gem desde a população mais carente até os setores mais  al. Se até há pouco tempo livros, apostilas, jornais e revis­ privilegiados da sociedade. Nesse novo contexto midiático,  tas  eram  a  principal  fonte de  estudo  e  de  pesquisa, hoje  também se integram a esses recursos os CD­ROMs e as o professor passa a ser um orientador, utilizando diversos  páginas  de  Internet,  bem  como  os  de  áudio  e recursos  tecnológicos  nas  atividades  educacionais,  videoconferências.  Se  a  biblioteca  era  a  referência  para criando, assim, uma nova possibilidade de interação entre  pesquisas nas diversas áreas do conhecimento, o próprio  conceito de biblioteca hoje muda, com os sistemas de pes­ os  diferentes  campos  de  conhecimento.  Tal  interação  quisa online nas bibliotecas digitais e virtuais. otimiza  novas  formas  de  sociabilidade,  sem  acabar  com as diferenças e especificidades de cada saber ou realida­ de.  Após as reflexões você percebeu que o professor que apenas transmite informação está fazendo o mesmo papel das mídias, ou seja, transmitindo informações descontextualizadas. Na verdade, o papel do (a) professor(a), hoje, deve ser o de problematizar, criar situações e orientar os(as) alunos(as) no sentido de buscar, organizar e analisar as informações, aplicando­as na resolução dos problemas.  Consideramos,  diante  da  realidade  atual,  que  o(a)  aluno(a)  universitário(a)  não  está  em  busca, apenas, de informações. Ao contrário, ele(ela) está em busca de uma formação pessoal e profissional que o(a)  torne  competente,  mas  também  agente  transformador(a)  da  sociedade.  Nesse  sentido,  cabe  ao(à) professor(a) orientá­lo(a) nesse processo.  Quando falamos do papel do professor e do aluno entramos em um assunto chamado processo de ensino­aprendizagem. Se tomamos ensino­aprendizagem como algo a ser construído, a partir da interação dos sujeitos envolvidos (professor(a) – aluno(a)), de forma cooperativa e colaborativa e que esse processo se dá  em um meio  sócio­cultural, então precisamos elencar  algumas atitudes, habilidades  e competências fundamentais que precisam ser desenvolvidas pelos(as) alunos(as) sob a orientação do(a) professor(a).  Sendo assim, busca­se uma mudança de mentalidade e atitude, tanto por parte do(a) aluno(a) como por parte do(a) professor(a), que devem criar um ambiente favorável para que essa mudança ocorra.  Veja, no quadro, a seguir, a relação de algumas atitudes, habilidades e competências que servem como diretrizes para essa mudança:  ·  Desenvolver uma atitude mais participativa e ativa nas aulas.  ·  Trabalhar individualmente para aprender.  ·  Aplicar as técnicas de registro dos estudos realizados.  ·  Interagir com os colegas, sabendo debater e dialogar.  ·  Ver professores e colegas como parceiros colaboradores no processo de aprendizagem.  ·  Saber pesquisar.  ·  Assumir a responsabilidade da própria aprendizagem.  ·  Saber trabalhar em equipe.  ·  Desenvolver atitudes e valores como ética, respeito aos outros e às suas opiniões.  ·  Estar aberto ao novo.  ·  Desenvolver a criticidade.  ·  Desenvolver a sensibilidade às necessidades da comunidade na qual atuará como  profissional.  ·  Buscar soluções técnicas e condizentes com a realidade para melhoria da qualidade de  vida da população.
  • 24. Metodologia do Trabalho Científico 25  Todos os pontos citados, anteriormente, devem ser desenvolvidos desde as séries iniciais do curso. Não  basta  apenas  memorizar  conteúdo.  É  necessário  ir  além,  desenvolvendo  uma  consciência  crítica  em relação ao conhecimento e aos problemas sociais.  Para que tudo isso ocorra, uma das formas que os professores utilizam, além das aulas, é a orientação de projetos e a solicitação de trabalhos. Por isso é importante que você fique atento(a) a dois pontos:  1.  Entender que os trabalhos solicitados pelos professores não são mera formalidade, mas parte  fundamental da sua própria aprendizagem;  2.  Ser capaz de analisar, comparar, discutir, transformar a informação em conhecimento, expressando  a sua opinião sobre o tema discutido.  Um trabalho nunca deve ser mera formalidade a ser cumprida, mas meio de aprendizagem  para o(a) aluno(a) que o realiza.  O(a) professor(a), ao avaliar o trabalho realizado  pelo(a) aluno(a), pode perceber falhas e enganos conceituais que precisam ser esclarecidos ou lacunas com relação ao conteúdo que precisam ser preenchidas. Portanto, os trabalhos acadêmicos são instrumentos auxiliares na tarefa do professor, que é a de orientar o(a) aluno(a) para alcançar a aprendizagem. Por isso, é importante realizá­los com seriedade.  1.4.1    CON SI DERAÇÕES  FI N AI S  Considerando  que  estamos  diante  de  uma  realidade  marcada  por  conflitos  sociais,  chegamos  à conclusão de que a alternativa que temos para caminharmos na direção de uma sociedade um pouco mais justa é a  conscientização das pessoas no sentido de  que exerçam seus direitos e  deveres como cidadãos. Profissionais  competentes  tecnicamente  falando,  não  ajudam  muito  a  alcançarmos  este  ideal.  Tornam­se necessários profissionais com competência  técnica sim, mas também engajados em projetos    sociais que possam contribuir para a transformação da sociedade.  Chegamos, assim, ao final de nossa primeira unidade! Esperamos que você tenha compreendido os pontos essenciais e se sinta motivado(a) a colocar em prática o que aprendeu. EXER CÍ CI OS  DE  FI XAÇÃO 01.  A vida de estudo na universidade exige do aluno uma organização e uma racionalidade técnica  e prática afim de que seu estudo seja prazeroso, positivo, consistente e de qualidade. Para que  o aluno consiga atingir os objetivos propostos para uma disciplina é necessário que:  a)  (  )  as atividades de ensino­aprendizagem utilizem sempre das tecnologias mais modernas  e atraente.  b)  (  )  o  hábito  de  estudo,  a  manutenção  de  horários  e  a  organização  do  tempo  escolar  sejam constantemente mantidos  pelo aluno.  c)  (  )  as tarefas exigidas e as reflexões assimiladas pelos alunos podem ser adquiridas e  dinamizadas de acordo com o seu interesse.  d)  (  )  o  sucesso  dos  estudos  desenvolvidos  pelo  aluno  na  universidade,  dependem  fundamentalmente do  nível das  aulas expositivas apresentadas pelo professor.
  • 25. 26 UNIUBE ­ Educação a Distância 02.  A criação do hábito  de documentar os conteúdos abordados em  aula, as informações obtidas  nos debates, seminários e conferências possibilitam uma racionalização do trabalho do tempo  e a assimilação  das idéias  centrais. Podemos classificar as formas de documentação em  três  níveis:  a)  (  )  Fichamento  geral, fichamento  específico  e fichamento  científico.  b)  (  )  Fichamento  temático, fichamento  bibliográfico  e fichamento  oficial.  c)  (  )  Fichamento geral, fichamento temático  e fichamento  do cotidiano.  d)  (  )  Fichamento  temático, fichamento  bibliográfico  e fichamento  geral. 03.  O  estudo,  compreensão  e  aplicação  do  conteúdo  de  Metodologia  do  Trabalho  Científico,  possibilitará  ao  aluno:  I­  Tomar decisões rápidas e apropriadas, utilize métodos adequados e seja agente construtor  do  seu  conhecimento.  II­  Perceber que se não partilhar com os colegas o processo de aquisição de conhecimentos,  seus resultados serão ineficazes.  III­Estudar individualmente, mas é amparado por uma série de instrumentos, que contribuem  para uma melhor organização de sua vida escolar.  IV­ Colaborar com os demais colegas de disciplina na construção de um conhecimento coletivo,  autônomo e eficaz.  Agora, dentre as alternativas a seguir, marque a que agrupa as afirmativas corretas.  a)  (  )  I e II  b)  (  )  II e IV  c)  (  )  I  e III  d)  (  )  II  e  III 04.  A  prática  do  fichamento  é  a  maneira  mais  importante,  sistemática  e  adequada  de  um  bom  método pessoal de estudo. Sobre as formas desses fichamento, podemos afirmar que:  a)  (  )  o fichamento temático é o mais importante porque ela apresenta níveis aprofundados  e uma visão de conjunto ampla.  b)  (  )  o fichamento geral é realizada de maneira sistemática e organizada, possibilitando  que as apostilas, os textos de seminários e conferências sejam agrupados formando  um conjunto coeso e científico.  c)  (  )  o fichamento bibliográfico apresenta uma visão panorâmica da produção acadêmica  e as informações possibilitam uma visão menos profunda.  d)  (  )  o fichamento bibliográfico contempla muitas informações, que se não forem resumidas  em fichários, único instrumento que as unifica, o acervo se perde. 05.  Em relação à prática da escrita acadêmica, responda as questões a seguir:  a) Explique, com suas palavras, as características das 03 formas de fichamento: bibliográfico,  temático e geral.  ________________________________________________________________  ________________________________________________________________ b) Para cada situação apresentada a seguir, aponte o tipo de fichamento mais adequado: 
  • 26. Metodologia do Trabalho Científico 2706.  Ao pensar sobre o papel da universidade na formação acadêmica do aluno, devemos pensar no  tipo de sociedade que temos. Estabeleça na tabela abaixo a diferenciação entre universidade  crítica e produtiva, apontando o papel de cada uma, o tipo de profissional que deve formar e a  sua opinião sobre elas. 07.  Ao praticar a autonomia no convívio com os outros, existem inúmeras dificuldades que devemos  considerar e procurar superar. Aponte 04 dificuldades que você possuiu e já superou ou ainda  possui em relação ao estudo do componente de Metodologia do Trabalho Científico bem como  em relação às demais disciplinas de seu curso.  a)  __________________________________________________________________  b)  __________________________________________________________________  c)  __________________________________________________________________  d)  __________________________________________________________________ 08.  Na universidade, antes de iniciar as atividades específicas próprias de cada área de conhecimento  é fundamental utilizar diversos instrumentos de trabalho que auxiliam na organização de sua  vida de estudo e na disciplina de sua vida acadêmica.  Cite 02 instrumentos que você mais utiliza e aponte 02 vantagens que cada um proporciona.  a)  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  b)  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________
  • 27. 28 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 28. Metodologia do Trabalho Científico 29 UN I DADE 2 ESTUDO DE TEXTOS ACADÊM I COS  Ivanilda Barbosa
  • 29. 30 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 30. Metodologia do Trabalho Científico 31 2.1 CONCEI TO DE TEXTO E OS M ODOS DE ORGANI ZAÇÃO DOS  TEXTOS ACADÊM I COS  2.1.1  CON SI DER AÇÕES  I N I CI AI S  Nesta unidade,  estudaremos o  texto acadêmico. Desenvolveremos algumas reflexões sobre o seu conceito e sua organização. Em seguida, veremos  alguns procedimentos mais adequados para a leitura  de um texto científico e, finalizando, serão indicadas as formas de textos acadêmicos mais freqüentes para os registros dos estudos que são realizados nos cursos de graduação.  Além dos exemplos que serão dados, vamos sugerir algumas atividades para  o exercício da leitura.  O que se pretende  é que você amplie  seus conhecimentos sobre as formas de organização e o uso adequado desses textos, para o seu melhor desempenho nos estudos. 2.1.2  A P ALAVRA TEXTO  Para compreender o que é um texto acadêmico, seria interessante investigar o lugar que a palavra texto  vem  assumindo  em  nossa  vida  dentro  e  fora  da  escola.  Desde  que  aprendemos  a  ler  e  a  escrever, ouvimos  diariamente  as  pessoas  dizerem  “leia  o  texto”,  “escreva  um  texto”,  “gostei  de  seu  texto”,  “foi publicado um texto no jornal sobre...”, “o texto constitucional garante...”.  Ouvindo essas expressões, relacionamos texto a uma seqüência articulada de palavras escritas que, em maior ou menor extensão, nos permite:  • obter informações;  • expressar o que pensamos;  • dizer do que ou de quem gostamos;  • saber da Física, da Química, da Biologia, das leis de uma sociedade, da política e dos costu­  mes dos povos;  • aprender a geografia e a história do país;  • conhecer o pensamento do meu colega, do cientista, do poeta.  Poderíamos enumerar uma infinidade de situações e de pessoas com as quais nos envolvemos por meio de um texto escrito. E o gesto, o desenho, a fala? É possível construir  situações e relações humanas com os gestos, os desenhos e as falas, assim como fazemos com as palavras escritas? E entre os povos que não adotaram a escrita como um recurso de comunicação e trabalho, não existe texto? Como são passadas as tradições, os costumes, as normas de convivência em grupos sociais que não adotam a língua escrita?  À medida que essas questões vão sendo respondidas, a imagem de texto vai se diversificando, pois empregamos a palavra TEXTO para nomear diferentes objetos:  • as seqüências de gestos nos rituais;  • de linhas e cores, em uma pintura;  • de sons, nos diálogos e músicas.  Assim, é comum ouvirmos: “ esse texto fotográfico foi tirado da revista  x”, “o  texto em quadrinho era do Ziraldo...”, “o  texto cinematográfico .....”. Então, perguntamos:  O que há de comum entre uma fotografia, uma história em quadrinho, um filme, uma letra de música, um ritual indígena e uma seqüência musical para que todos sejam denominados TEXTO? 
  • 31. 32 UNIUBE ­ Educação a Distância  Vamos refletir juntos. Todos esses textos: ­ surgem de uma necessidade: a pessoa (o autor) quer se expressar para se relacionar com outra  (ouvinte, leitor, expectador);  ­ trazem as marcas do seu autor e do seu destinatário;­ relacionam­se a uma situação;  ­ suas partes relacionam­se umas com as outras, formando uma unidade de sentido;  ­ mantêm relação com o mundo do autor e do destinatário;  ­ o autor se utiliza de código(s) para produzí­los  Inter locução  Conversação  entre  duas  ou  mais  pessoas.  Todo  aquele  O  texto  verbal é um  espaço de diálogo, de interlocução. E, como  que produz um texto, tem em todo diálogo, necessita de condições para  sua existência. Entre essas condi­  mente uma pessoa a quem se ções se destacam a coesão e a coerência. Da coesão, depende a organização  dirige  quando  fala,  escreve,  gesticula, desenha, ou seja, o interna entre as partes dos texto, para   que seja  um  todo significativo. Da  seu interlocutor. coerência , depende o sentido histórico do texto, o seu conteúdo, que poderá ser ponto de partida e de chegada para o conhecimento de mundo.  C oesã o  Relações de sentido entre os  Portanto, um texto resulta das relações de coesão e coerência que se  componentes do texto. juntam para constituir  uma unidade de sentido.  Coer ência  Relações de sentido do texto  com o mundo, isto é, com o  contexto externo.  UNIDADE DE SENTIDO  notícia                                  um chamado                          elogio                   artigo científico  lei  história em quadrinho                 poema  resenha                    relato  mapa                                gráfico                      relatório de pesquisa                    livro               portfólio  resumo                           memorial                                crônica            propaganda  TEXTO  Sendo uma unidade de sentido, cada texto tem existência própria, embora se relacione com tantas outras unidades de sentido, isto é,  outros textos,  que o antecederam ou  que dele poderão surgir.  Como você pode perceber,  o ato de ler deve ser entendido em seu sentido mais amplo. Estamos continuamente lendo os textos que são produzidos no cotidiano do espaço cultural em que vivemos.  O ato de ler pode ser definido como o momento em que o leitor se volta para compreender   essa unidade de sentido que é o texto.  Seria diferente ler um artigo de jornal ou um poema? Um romance ou um tratado científico? Se eles têm formas e finalidades diferentes, é possível que nós os leiamos de variadas maneiras. Mas, quem determina as maneiras de ler um ou outro texto?  Para responder a essas indagações, vamos ler dois textos. 
  • 32. Metodologia do Trabalho Científico 33 Texto 1  A barata e o rato  Era uma dessas baratinhas brancas e nojentas, acostumadas só a imundicies e ao  monturo, comendo calmamente sua refeição composta de um pedaço de batata podre e um pedaço de  tomate podre . Chegou junto dela um Rato transmissor de peste bubônica e lhe disse: "Comadre,  ontem tive uma aventura extraordinária. Estive num lugar realmente impressionante, como você, comadre,  certo jamais encontrará em toda sua vida". Barata comendo. "O lugar era uma coisa que realmente me  deixou de boca aberta" ­ prosseguiu o Rato ­ "tão espantoso e tão diferente é de tudo que tenho visto  em minha vida roedora" . Barata comendo. "imagina você" ­ prosseguiu o Rato ­ "que descobri o lugar  por acaso. Vou indo numa das cavidades subterrâneas por onde passeio sempre, entrando aqui e ali  numa casa e noutra, quando, de repente, percebo uma galeria que não conheço. Meto­me nela, um  pouco amedrontado por não saber onde vai dar e de repente saio numa cozinha inacreditável. O chão,  limpo, que nem espelho! Os espelhos, de um brilho de cegar! As panelas, polidas como você não pode  imaginar! O fogão, que nem um brinco! As paredes, sem uma mancha! O teto, claro e branco como se  tivesse sido acabado de pintar! Os armários, tão arrumados e cuidados que estavam até perfumados!  Poeira em nenhuma parte, umidade inexistente, no chão nem um palito de fósforo...  E foi aí que a Barata não se conteve. Levou a mão à boca num espasmo e protestou:  "Que mania! Que horror! Sempre vem contar essas histórias exatamente no momento em que a gente  está comendo!"  MORAL: PARA O VÍRUS A PENINCILINA É UMA DOENÇA.  SUBMORAL: A ECOLOGIA É MUITO RELATIVA  (MILLÔR, Fernandes. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Cultural,1980.)  Este texto é uma fábula. As fábulas são textos narrativos que  apresentam questões complexas de uma  forma simples  e  concisa.  Algumas  circulam há  séculos,  mas,  em   cada  época que  são  lidas, elas  se renovam. Podemos fazer uma leitura das fábulas com a intenção de satirizar os costumes (paródia, crítica) ou para resgatar a moral nelas existentes. Foi o que Millôr fez, retomando a antiga história da D. Baratinha.  Observe nesta fábula as partes da narrativa simples:  • uma situação inicial (a barata come calmamente sua refeição);  • uma mudança de situação (a chegada do rato);  • o desenvolvimento (o relato do rato enquanto a barata come);  • uma situação final (o protesto da barata).  O que garante a conexão entre as partes da narrativa são alguns elementos como: a pontuação, os tempos verbais (era, chegou, lhe disse), expressões como “barata comendo”, “prosseguiu o rato”, “e foi aí”. Articuladas,  bem conectadas,  a  história  vai progredindo  e  as partes  formam  um  todo. Também  podemos estabelecer  uma  relação  entre  a  situação  vivenciada  pelo  rato  e  pela  barata  com  situações  cotidianas  em nosso meio social  e com  os valores culturais e  pontos de vista das pessoas.  Vejamos um outro  texto.
  • 33. 34 UNIUBE ­ Educação a Distância  Texto 2  O Termo Direito  Não é fácil perceber todas as significações encerradas no termo "Direito", ou tirar desse termo  o  conteúdo  que  possa  nos  aproximar  da  compreensão  do  que  seja  a  finalidade  da  ciência  que  pretendemos conhecer: direito, do latim directus, adj. ­ colocado em linha reta; direito, reto; certeiro;  direto; preciso. O vocábulo ora significa: a) ordenamento ou norma ­ conjunto de normas ou sistema  jurídico vigente num país:o Direito da Alemanha; b) autorização ou permissão de fazer o que a norma  não proíba, ou o que a norma autorize, ou seja, certo poder de exigir ou dispor de uma ação :isso é  direito meu; c) qualidade do que atende a um anseio de justiça e retidão, do que é justo e reto: isso não  é direito; d) prerrogativa que alguém possui de exigir de outrem a prática ou abstenção de certos atos:  defendo­me porque alguém põe em risco o meu direito; e) ciência de norma coercitivamente imposta  (obrigatória): o Direito é a ciência normativa; f) conjunto de conhecimentos acerca dessa ciência: essa  regra de Direito.  Também pode significar um conjunto de conhecimentos englobantes, que se ocupa de uma  série de disciplinas diferentes: "a filosofia do Direito, a sociologia do Direito, a história do Direito e a  .(9)  Jurisprudência ("dogmática jurídica"), para se referir somente às mais importantes  (9) Karl Larenz, Metodologia da ciência do direito, 3.ed.,cit.,p.261  NERY, Rosa Maria de Andrade. O Direito como ciência, arte e técnica. In:______. Noções preliminares  de Direito Civil. São  Paulo:  Revista dos Tribunais, 2002.  Este  texto  foi  retirado  de  uma  publicação  dirigida  a  pessoas  que  se  interessam  por  adquirir conhecimentos básicos sobre Direito. Lendo­o, podemos observar que o autor:  • situa­se  como  alguém  solidário  ao  leitor,  quando  usa  as  expressões  "...nos  aproximar  ...pretendemos";  • fornece pistas para o leitor ampliar seu conhecimento acerca do assunto quando fundamenta suas  explicações, recorrendo a outros autores;  • usa termos técnicos: preocupa­se em traduzir, nos parênteses, cada palavra que possa impedir a  compreensão do significado do termo Direito.  O leitor se sente amparado pelo autor que parece compreender suas dificuldades de se relacionar com um assunto novo. Podemos afirmar que o objetivo do autor é didático, ou seja,  facilitar a compreensão do significado do termo Direito.  Como você pode observar, cada um dos textos exige um tipo de leitura . Portanto, é o próprio texto que nos fornece o caminho para a leitura.  Vamos prosseguir nossa reflexão, procurando compreender o que se denomina ‘texto acadêmico’.  2.1.3    O  TEXTO  ACADÊM I CO:  UM A  DEFI N I ÇÃO  Na primeira unidade, você teve a oportunidade de trocar idéias sobre a organização dos estudos na universidade. Entre outros pontos, destacou­se a importância  dos recursos que são utilizados em seus estudos, para que você seja um dos atores do processo de ensino­aprendizagem durante seu curso de graduação. Entre esses recursos estão os textos verbais.
  • 34. Metodologia do Trabalho Científico 35  Usando a linguagem verbal, os cidadãos produzem textos orais e escritos, conforme suas necessidades e as suas circunstâncias sociais e históricas. A produção dos textos orais é tão variada quanto variadas são as situações de encontros entre as pessoas. Mas, ainda assim, podemos identificar uma estrutura de base em todos os textos orais. É a estrutura do diálogo:  • há sempre a suposição de que uma pessoa  se dirige a outra;  • a  fala  pode  ser  mais  espontânea  ou  mais  formal,  conforme  a  pessoa  esteja  mais  ou  menos  à  vontade na situação;  • gestos, expressões faciais, complementam a fala;  • as pessoas falam a mesma língua.  Em geral, distinguimos dois tipos de diálogos, os informais (bate­papos) e as conversas dirigidas (entrevistas e debates).  Como a universidade é um espaço de pesquisa, de produção e de difusão de conhecimentos acumu­ lados ao longo da história da humanidade, em princípio, os textos que circulam no espaço universitário são os mesmos que encontramos no espaço social mais amplo e que estão disponíveis para os cidadãos.  Se  considerarmos  as  funções  da  escrita  numa  dada  sociedade, identificamos cinco  grandes gêneros de textos:  literário;  comercial  e oficial  Gêner os  de  texto  Os gêneros de textos surgem (incluindo  nesses  últimos  os  tipos  legal  e  jurídico);  científico  (e  didático­  de uma prática social, uso da científico);  jornalístico  e  publicitário;    religioso.  linguagem em  determinadas  situações  e  para  determina­  Cada um deles pode se apresentar sob diferentes formas ­ variantes ­  dos fins. que resultam de técnicas de redação que são escolhidas a partir dos objetivos que o autor tem, nas diferentes situações em que se usa a escrita.  Observe o quadro, a seguir:  Geralmente são os textos técnicos e científicos os mais indicados como referência para a ampliação das reflexões realizadas em sala de aula com colegas e professor ou para subsidiar a pesquisa e conhecimen­ to do que já se produziu sobre assuntos de interesse para a sua formação profissional, estejam esses textos nos livros, em revistas especializadas e em jornais impressos ou online.  Ao mesmo tempo, você também é solicitado(a) a registrar o que ouve e lê, a dizer o que leu, a opinar sobre o assunto que pesquisou, de forma oral ou escrita. Ou seja: você também produz textos para apresentar ao professor e aos colegas em sala de aula, em eventos científicos ou para publicar em periódicos.  Na prática escolar, o debate, a entrevista, o artigo, a resenha, o resumo, o relatório, a monografia  o memorial e o portfólio são produzidos com a finalidade específica de alimentar o processo de ensinar e de aprender.
  • 35. 36 UNIUBE ­ Educação a Distância  A escola adota, então, alguns modelos de textos, adequando­oes aos estudos que os alunos e os professores desenvolvem para a progressiva ampliação e troca  de conhecimentos necessárias à formação profissional. A esses textos estamos denominando textos acadêmicos. TEXTOS ACADÊMICOS: conjunto de textos com os quais lidamos, no dia­a­dia de nossos estudos  na  universidade,  com  o  objetivo  de  ampliar  nossos  conhecimentos  científicos  sobre  determinado  assunto, ou que produzimos para registrar o estudo que realizamos.  2.1.4    M ODOS  DE  ORGAN I ZAÇÃO  DOS  TEXTOS  ACADÊM I COS  No contexto da universidade  desenvolvemos um conjunto de ações que nos levam a memorizar, analisar, interpretar, a compreender e a produzir textos orais  e escritos.  Para cada situação, procuramos recuperar o que já  conhecemos e adequar a nossa fala e escrita, com o propósito de realizar mais competentemente os nossos estudos. Por exemplo, se o professor pede a você que participe de um debate. Você, que já  assistiu a debates entre candidatos a  cargos políticos, entre especialistas em esportes, entre cientistas e educadores, faz uma idéia do que o professor espera de você enquanto debatedor. Da mesma forma, podemos pensar sobre uma entrevista, que pode ser instrumento de coleta  de  dados  para  uma  pesquisa  ou  para  a  realização  de  uma  matéria  jornalística. Temos  experiência, conhecimento dos componentes de um debate ou de uma entrevista, pois são duas práticas de linguagem muito freqüentes  no nosso contexto social. Somos, também, capazes de contrapor uma carta familiar a uma correspondência oficial; de distinguir um artigo científico de uma reportagem. Quanto mais temos contato com  essas formas  de textos, mais fácil se torna reconhecê­las e identificar  o  espaço delas no contexto social.  Afirmamos, no item anterior, que, na prática escolar, esses tipos de textos são adequados ao exercício do ensinar e do aprender. Na escola, além de usarmos a linguagem para estabelecer os vínculos de cooperação e de interação,  como em qualquer outro espaço da sociedade, também simulamos situações de comunicação como um recurso de aprendizagem.  Assim sendo, para nossa maior competência comunicativa, é interessante conhecer um pouco mais sobre a composição e finalidade dos textos acadêmicos. Precisamos aprender a adequar o que já sabemos fazer  com os  objetivos  de nossos estudos. Ou ainda, saber como usar o debate, a entrevista, a reportagem, o  artigo  científico  para  o  desenvolvimento  de  habilidades  que  são  esperadas  dos  profissionais  que  têm formação universitária.  2.1.4.1 Textos orais: a entrevista e o debate  ENTREVISTA  Você  já foi  entrevistado(a)?  Já  entrevistou alguém?  Já  assistiu a  uma  entrevista  de algum  grupo musical ou de uma equipe esportiva?  Certamente, em todas essas situações, reconhecemos dois papéis distintos, presentes em toda entre­ vista: o papel do entrevistador, que é o responsável por abrir o diálogo, fazer as perguntas, dar continuidade ao assunto, controlar os rumos da conversa e encerrar a entrevista; e o papel do entrevistado, que é o de responder às perguntas.  A  entrevista se organiza a partir de um esquema padrão:  ­ situação inicial: apresentação dos interlocutores e as razões da entrevista (INTRODUÇÃO); 
  • 36. Metodologia do Trabalho Científico 37  ­ desenvolvimento do diálogo: seqüência de perguntas, respostas e comentários que estabele­  cem a relação entre um e outro ponto da conversa (DESENVOLVIMENTO);  ­ finalização da entrevista: palavras finais, despedidas, agradecimentos que nem sempre vêm  transcritos quando a entrevista é publicada  (FECHAMENTO).  No entanto, é diferente a entrevista  que o profissional  da saúde  faz  com o paciente, que o  repórter realiza com o político ou o  gerente da empresa  com o candidato a um emprego, o advogado com o seu cliente. Essa variação decorre dos propósitos das pessoas em cada situação. Em todas elas, as habilidades de comunicação oral  do entrevistador e do entrevistado contribuem para o êxito da entrevista  e, conseqüen­ temente, para o alcance dos  objetivos.  Exemplo de uma entrevista realizada com a finalidade de ser  divulgada, na mídia impressa.  AATUALIDADE DE PAUL McCARTNEY  Tema da entrevista  “O sonho acabou”, disse John Lennon em 1970, depois do  fim dos Beatles. Para o principal parceiro de Lennon, Paul  McCartney,  o  sonho  continua  até  hoje.  Dotles,  Paul  atravessou gerações da música pop. Assistiu à explosão do  rock progressivo, do punk e da new wave e chegou intacto  – e competitivo ­  à era dos megashows no fim dos anos 80.  Em 1990, Paul McCartney bateu o recorde de público em  espetáculos  musicais  solo.  Levou  184.000  pessoas  ao  Apresentação da pessoa  estádio do  Maracanã, uma marca  que resiste até  hoje. O  entrevistada  ex­beatle sobreviveu a Lennon (assassinado em 1980 em  Nova York), George Harrison (vitimado por um câncer em  2001)  e   Ringo Starr  (que, apesar  de tecnicamente  vivo,  está artisticamente morto). Na canção When I´m Sixty­Four,  gravada pelos Beatles no antológico álbum Sgt. Pepper´s,  Paul McCartney canta: “Quando eu tiver 64 anos, você ainda  precisará de mim?”. Paul McCartney, aos 61 anos, está na  ativa e é criativo – e não é exagero dizer que a cultura pop  ainda  precisa  dele.  Entrevistadora, represen­  Cristina Lopes de Medeiros  tante da revista  Veja   DESENVOLVIMENTO DO  Veja – Você acha que os jovens dos anos 80 são mais conservadores que os dos anos 60?  Paul McCartney – Não são mais conservadores, mas mais conscientes e, de certa forma, mais  DIÁLOGO bem preparados. Na minha época, não se falava em sexo em casa. A gente descobria todo sozinho.  Havia muitos tabus, muita repressão. É natural, então, que a juventude dos anos 60 quisesse se  liberar  das  convenções    e  romper  todas  as  amarras.  Hoje  isso  não  é  mais  necessário,  essas  questões já foram discutidas e esclarecidas. Não existe mais a necessidade de revolucionar os  costumes  de  uma  forma  drástica,  como  foi  feito  naquela  época.  Mas  isso  não  significa  conservadorismo. Essa nova mentalidade, mais aberta, mais condescendente, esse amadurecimento  é o grande legado da revolução que nós lideramos. 
  • 37. 38 UNIUBE ­ Educação a Distância  Veja – Alguns conservadores apontam a Aids como a principal conseqüência dessa revolução.  Você concorda com isso?  Paul McCartney – A Aids é um mal que não saiu da cabeça de ninguém. Ela existe como uma  nova  peste,  e  eu  não  acho  que  se  possa  culpar  alguém  por  isso.  Nós  temos  é  de  aprender  a  conviver com essa ameaça e fazer o possível para reduzi­la ao máximo. Mas naturalmente ela  contribui para uma nova postura em relação ao sexo. É preciso ser muito mais cauteloso hoje em  dia, e isso certamente reduz a liberdade sexual.  DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO (Contiuação)  Veja – Você já foi preso por porte de maconha. Como vê as drogas hoje em dia?  Paul McCartney – Eu não sou um pregador da maconha, mas acho que existem muitas outras  drogas mais nocivas que ela. Heroína mata, crack mata, cocaína mata, remédios matam. É assim  que eu vejo as drogas.  Veja – Você não toma mais drogas?  Paul McCartney – Olhe, eu não diria numa entrevista que tomo drogas. A privacidade nesse  caso é fundamental.  Veja – Você acha que os artistas têm um papel a cumprir no sentido de conscientizar as pessoas  no combate às drogas e à Aids?  Paul McCartney – Todo artista tem um papel a cumprir, seja no sentido de combater aquilo que  critica,  seja  no  de  despertar  a  consciência  das  pessoas.  Se  eles  puderem  usar  essa  influência  para divulgar boas causas, tanto melhor, mas não se pode atribuir­lhes o papel de gurus.  Veja – O que os Beatles tinham que Madonna e Michael Jackson não têm?  Paul McCartney – Falta­lhes profundidade. Falta­lhes qualidade musical. Parece pretensioso,  mas é certo  que as músicas de Lennon e  McCartney eram muito melhores do  ponto de vista  musical. Até hoje são modernas, intrigantes, ousadas. Michael Jackson, por exemplo, é um bom  cantor, mas é sobretudo um showman. É um grande bailarino, mas não toca nenhum instrumento.  A diferença entre os Beatles e a maior parte dos novos ídolos do rock começa com a formação  musical e a habilidade de extrair músicas dos instrumentos. Eu compus com Michael Jackson e  compus com John Lennon e posso dizer que John Lennon era realmente um gênio musical. Ele  podia  não  cantar  como Michael  Jackson  e  certamente  não  dançava  como  ele –  a  menos  que  estivesse bêbado, mas isso era uma outra história ­, mas era um homem muito profundo e um  músico excepcionalmente habilidoso.  (Revista Veja, Especial 35 anos. p. 116­117, set. 2003. )  Entrevista: pode ser definida como uma  situação de comunicação em que estão envolvi­  dos o entrevistador e o entrevistado e que:  a)  se  organiza  com  base  na  apresentação  dos  motivos,  na  seqüência  de  perguntas  e  respostas,  no fechamento;  b) apresenta­se em estilos diferentes: entrevista jornalística, médica, empresarial, científica;
  • 38. Metodologia do Trabalho Científico 39  c)  deve ser adequada  ao suporte (meio utilizado para sua divulgação), conforme o público  que  se  quer  alcançar:  ao  vivo,  transmitida  pela  TV  e  rádio;  publicada,  em  periódicos  impressos ou online  d)  é realizada com finalidades diversas: selecionar candidatos; conhecer o paciente ou dar  um diagnóstico; esclarecer a população sobre determinado assunto; divulgar  conhecimentos  científicos; colher dados para pesquisa.  DEBATE  Quem participa de um debate usa  argumentos para defender um ponto de vista sobre determinado assunto  e quer levar o seu interlocutor e o público ouvinte a pensar como ele; ou, pelo menos, a conhecer as razões  que  o  levam  a  pensar  daquela  maneira  sobre  o  tema  em  questão.  No  meio  acadêmico,  o  debate contribui para a ampliação das reflexões e para a divulgação dos conhecimentos científicos.  A realização de um debate, no espaço acadêmico, requer:  ­  uma definição dos objetivos: para quê? qual a finalidade do debate?  ­  o  estabelecimento  de  nor mas:  os  debatedores  devem  conhecer  e  concordar  com  as  regras  estabelecidas, relacionadas ao tempo para a exposição, para a formulação de perguntas e respostas;  ­  a presença do moderador, aquele que coordena o debate e é o responsável por  garantir  a progressão  das idéias em torno do tema que está em questão. No espaço da sala de aula, essa função normalmente  é exercida pelo professor. Nada impede que seja desempenhada por um aluno;  ­  a presença dos debatedores: eles podem  se servir de documentos, anotações para fundamentar o  seu ponto de vista  ou  comprovar suas afirmações.  DEBATE:  é uma situação de comunicação motivada pela necessidade de esclarecimento sobre temas  polêmicos,  pela  existência  de  novas  descobertas  científicas  e  pelo  interesse  em  buscar  soluções  para  questões sociais, econômicas e políticas.  As novas tecnologias proporcionam formas inovadoras de debate. São cada vez mais freqüentes os debates online por meio de listas e fóruns de discussão. Assim  como os estudantes  e professores se reúnem em um auditório ou na sala de aula, para  expor  idéias, confrontar opiniões sobre um assunto de interesse de todos, a mídia eletrônica proporciona a criação de espaços  virtuais  em que o debate se desenvolve com grande potencial de reflexão sobre os mais variados temas.  O esquema de base do debate é sempre o mesmo: pessoas se reúnem para apresentar suas  razões a favor ou contra uma idéia ou acontecimento. Porém, as suas formas variam em decorrência  dos  propósitos,  dos  espaços  sociais  e  dos  meios  de  comunicação  em  que  o  debate  ocorre.  No  contexto  universitário,  a  situação de  debate  é  vivenciada  em    seminários, aula  dialogada  e  mesa  redonda, por exemplo.
  • 39. 40 UNIUBE ­ Educação a Distância Você já deve ter vivenciado alguma situação de comunicação em sua vida acadêmica. Certamente você percebeu que se trata de um momento importante para a troca de idéias e de interação com colegas e professores! 2.1.4.2  Textos Escritos  Vamos mostrar aqui a organização de alguns  tipos de textos  científicos e didático­científicos mais freqüentes tanto para a leitura como para a redação de trabalhos que desenvolvemos na universidade.  Os textos científicos resultam da necessidade de se  comunicarem as investigações no âmbito das ciências. A comunidade científica, através de  agremiações, academias  ou sociedades, define os critérios para  o reconhecimento e validação de resultados de estudos e de  pesquisas nas variadas áreas do conheci­ mento. Embora  pareçam  distintos entre si  um tratado de Direito e um tratado de Genética ou  de Lingüística, para que eles tenham crédito  e possam ser  divulgados como conhecimento científico, eles  passam por uma avaliação da  comunidade científica.  As universidades, no mundo todo, têm sido um lugar privilegiado para a produção,  validação e certificação  do conhecimento. Outro compromisso da comunidade acadêmica é o de difundir o conhecimento científico. Com essa finalidade,  são criados os periódicos especializados e os livros didáticos. O intuito é torná­lo mais acessível  para  os pesquisadores  iniciantes. Colaboram para essa prática algumas formas  de textos que se tornaram recorrentes no desenvolvimento dos estudos no espaço da universidade.  A seguir serão apresentados alguns deles.  Organização textual  Se  considerarmos a organização e as finalidades, podemos identificar três grupos distintos entre as formas de textos  acadêmicos mais freqüentes nos cursos de graduação.  P RI M EI RO GRUP O ­ relatório, relato de experiência e informe científico  Textos que têm por objetivo relatar o que se desenvolveu em uma pesquisa ou o que foi observado durante  um  período  de  estudo.  Todos  esses  textos  têm  sua  origem  em  um  trabalho  já  realizado.  São considerados documentos de grande importância para o desenvolvimento de uma pesquisa, para a gestão de recursos humanos e para a destinação de recursos financeiros, seja no meio acadêmico, seja no setor público ou empresarial. Embora  apresentando algumas variações,  são organizados de forma muito semelhante.
  • 40. Metodologia do Trabalho Científico 41  Verifique os esquemas, a seguir. Vejamos um exemplo de um relatór io final de sub­projeto. Ministério da Agricultura e Abastecimento Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária PROGRAMA NACIONAL DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE CAFÉ  Relatório Final de  Subprojeto Código: 19.2000.304.04  Unidade/Instituição Executora: Uniube Título:  Avaliação da fertirrigação com diferentes fontes de fertilizantes químicos e orgânicos na nutrição do cafeeiro cultivado em condições de cerrado Período: 2001 a 2004  Ano de Relatório: 2002 Responsável: André Luís Teixeira Fernandes Situação: Em Andamento  Categoria:  P&D Data de Elaboração:  20 / 02  /2002  Unidade/ Instituições Participantes  Resumo Final Com a ampliação da cafeicultura para regiões consideradas marginais climaticamente, a irrigação passou a ser uma tecnologia necessária para a garantia da qualidade e produtividade do cafeeiro. Muitos são os sistemas utilizados para irrigação de café, porém, têm­se destacado aqueles que permitem a economia de água, energia e mão­de­obra, como o gotejamento. No entanto, uma das principais vantagens desse sistema e que não está sendo corretamente utilizada pelos cafeicultores irrigantes é a fertirrigação, que se constitui na técnica da aplicação simultânea de água e fertilizantes, através do sistema de irrigação. Dentro dessa perspectiva, foi instalado um experimento na Fazenda Escola da Universidade de Uberaba (Uberaba ­ MG), em Latossolo Vermelho amarelo textura arenosa, a 850 metros de altitude, em lavoura de café Catuaí 144, plantado em dezembro de 1998 no espaçamento de 4,0 x 0,5 m, e irrigada por gotejamento. Antes do início do experimento, procedeu­se a avaliação do sistema de irrigação, para determinação de sua uniformidade de aplicação. Esse procedimento se repetiu após a colheita da primeira safra, sendo obtidos coeficientes de uniformidade superiores a 90% para todos os tratamentos, o que permite concluir que o sistema opera de forma extremamente satisfatória, especialmente para a prática da fertirrigação. Os tratamentos se referiram às variações na forma e parcelamento  da adubação recomendada  de  cobertura,  da seguinte forma: a) Adubação de cobertura convencional química em 04 aplicações; b) Adubação de cobertura com adubos 
  • 41. 42 UNIUBE ­ Educação a Distância convencionais, via fertirrigação em 16 aplicações, via água de irrigação; c) Adubação de cobertura com adubos próprios para fertirrigação em 16 aplicações, via água de irrigação; d) Adubação de cobertura com fertilizantes  organominerais  sólidos,  em  4  aplicações;  e) Adubação  de  cobertura  com  fertilizantes organominerais líquidos em 16 aplicações, via fertirrigação. Para efeito de comparação, foram mantidas para os diferentes tratamentos as mesmas dosagens de N, K2O e P2O5. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente ao acaso, com 5 tratamentos e 3 repetições, totalizando 15 parcelas experimentais de 100 m. O controle da irrigação foi realizado a partir de uma estação agrometeorológica automática, que possibilitou a estimativa da evapotranspiração da cultura pelo Método de Penman Monteith, segundo recomendações da FAO. Analisando­se os dados, obtidos após as duas primeiras safras, observa­se que não foram verificadas grandes diferenças estatísticas entre os tratamentos, com produtividades de 53,2 até 67,7 sacas beneficiadas por hectare. O tratamento que se baseou na aplicação de fontes químicas de nutrientes aplicados diretamente no solo foi  superior aos demais. Após a análise sensorial, o melhor tratamento em relação à qualidade de bebida foi a fertilização com produtos organominerais via água de irrigação, que resultou em bebida apenas mole. O restante dos tratamentos forneceu café com bebida dura, notando­se no geral grande quantidade de frutos verdes em todas a amostras (valores superiores a 40%), característica de áreas irrigadas de café. Em relação à peneira, verificou­se uma porcentagem mínima de 65% de peneira 16 ou acima, sendo o melhor tratamento neste quesito o referente à aplicação de produtos químicos via adubação convencional, com a porcentagem de 85% de peneira 16 ou acima. Em linhas gerais, após duas safras, pode­se concluir preliminarmente que: a) a fonte de fertilizante não afeta significativamente a produção do cafeeiro, desde que o mesmo seja bem suprido de água e nutrientes; b) a irrigação promove desuniformidade de colheita, o que afeta a qualidade final da bebida, apesar de garantir a produtividade da lavoura mesmo em anos subsequentes; c) em geral, a fonte de fertilizante e o número de parcelamentos não afetou a qualidade final do café colhido. Exemplo de um r elato de exper iência.  Fonte:  http://www.opas.org.br/servico/paginas/Experiencia/CadastraExperiencia.cfm?hTipo=Mural 
  • 42. Metodologia do Trabalho Científico 43 SEGUN DO GRUP O ­ comunicação ­ paper , artigo científico e monografia  Textos geralmente elaborados para publicação em periódicos especializados ou em anais de eventos científicos.  Têm  por  objetivo  apresentar  e  avaliar  as  novidades  em  pesquisas  ou  refletir  sobre  fatos  de relevância  científica  e  cultural.  São  eles:  a  comunicação  científica  (paper),  o  artigo  científico  e    a monografia. Estes se apresentam como um texto integral, organizados em introdução,  desenvolvimento (corpo)  e conclusão. Os dois primeiros, de extensão reduzida; a monografia tem o seu desenvolvimento subdividido em partes ou capítulos. Verifique os quadros seguintes.  TERCEI RO GRUP O ­ resumo, resenha e  portfolio   O resumo e a resenha têm origem  em  outros textos, pois a finalidade deles é apresentar obras já prontas, sejam elas jornalísticas, artísticas ou científicas.  Requerem do seu autor habilidades de observação e análise. Em um nível mais complexo, requerem, também, consistentes conhecimentos sobre o assunto tratado na obra, pois é preciso identificar o pensamento do autor, saber traduzi­lo e, no caso da resenha, saber  situar a obra e o pensamento do autor, comparando­os com outras obras  para  emitir um julgamento sobre ela.  A organização textual da resenha e do resumo varia em decorrência:  • do gênero da obra que lhes dá origem;  • dos objetivos com que são produzidos e;  • do suporte para sua publicação.
  • 43. 44 UNIUBE ­ Educação a Distância  RESUM O:  é um texto de dimensões menores do que o texto que lhe dá origem. Sua finalidade é  traduzir, em menos palavras, o pensamento do autor, preservando suas intenções e realçando os pontos  para os quais ele dispensou maior atenção. Um mesmo texto pode dar origem a vários resumos, pois  cada pessoa considera relevantes os aspectos que estão relacionados ao motivo pelo qual está lendo a  obra.  Exemplos de r esumos de comunicação científica: Título  As publicações eletrônicas dentro da comunicação científica  Marcelo Sabbatini Autor ia  Instituição: UMESP Resumo /  texto  INTRODUÇÃO  O presente trabalho caracteriza e descreve o surgimento  das  pubicações  eletrônicas  científicas  na  Internet,  traçando  o  histórico de seu desenvolvimento e abordando também as principais 1ª parte:  questões envolvidas na transição do modelo de publicação baseado Situa o tema  no papel para o modelo eletrônico...  DESENVOLVIMENTO  2ª parte:  ...dentre as quais se destacam as questões dos direitos autorais,  Destaca  as  questões  da  a questão econômica, a legitimidade acadêmica, a percepção de  transição entre os modelos  qualidade e o acesso e preservação destas publicações, que são  de publicação  tratadas na revisão da literatura sobre o tema.  Dentro destas questões, uma grande relevância é dada  CONCLUSÃO  3ª parte:  em relação ao papel que as publicações eletrônicas terão dentro  Conclui,  situando  a  do sistema sócio­tecnológico presente atualmente na socilogia e  relevância do tema para a  nos processos comunicacionais da ciência.  ciência Fonte: http://bocc.ubi.pt/pag/sabattini­marcelo­publicacoes­electronicas.html  Título  Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro   Acadêmica: Márcia Regina Pires  Orientador(a): Profa. Msc. Ivanilda Barbosa  Instituição/curso: Universidade de Uberaba ­ UNIUBE/Curso  Autor ia  de Letras  Resumo /  texto  Uma característica marcante do discurso literário de Machado  de Assis é o humor, que se evidencia, sobretudo, em seus romances  INTRODUÇÃO da segunda fase. O romance Dom Casmurro, publicado em 1899, é  uma das obras mais discutidas pela crítica literária ainda nos dias de  1ª parte:  hoje. Esta obra participa da segunda fase da produção machadiana e  Situa o tema, o  autor e a  se distingue pela abordagem psicológica, pela análise crítica dos senti­  obra  mentos e intervenções do narrador que dialoga, constantemente, com  os leitores. 
  • 44. Metodologia do Trabalho Científico 45  O objetivo deste estudo foi observar o humor que é configurado na  narração  deste  romance  sob  o  foco  do  personagem  protagonista,  DESENVOLVIMENTO  Bentinho. Uma análise semântica e estilística permitiu­nos observar o  humor sob três perspectiva: o humor­graça, o humor­intimidade e o  humor­ironia. Percebeu­se que o humor foi instituído, não de forma  evidente e despojada, mas sutilmente, provocando o envolvimento do  leitor, de maneira quase imperceptível, porém gradativa. Constatou­se 2ª parte:  que a maturidade do narrador possibilita uma visão mais ampla de sua Apresenta o objetivo; os pres­  história e, assim, Bentinho assume a posição de quem assiste cenas de supostos e a metodologia para  sua existência, construindo uma narração crítica como quem, a distância, análise  observa, comenta e ironiza situações. 3ª Parte  CONCLUSÃO  Concluiu­se que o humor em Dom Casmurro foi propositalmente Conclui,  emitindo um  julga­ mento sobre a obra no que se  empregado, ora para estabelecer uma intimidade com o leitor, ora para refere ao aspecto estudado: o  surprendê­lo, ora para chamar­lhe a atenção e convidá­lo a refletir sobre humor  a condição humana.  Área de conhecimento: Lingüística, Letras e Artes  Palavras­chaves: humor, romance, literatura Fonte:  Anais do I Seminário de Iniciação Científica, Uberaba, 08 de novembro de 2000/ Universidade de Uberaba. ­ Uberaba: A Universidade, 2000. p181.  Veja  um  breve  resumo  do  livro  Esta çã o  Ca r a ndir u  publicado  no   sit e  http:// www.psicologia.spo.com.br/Dicas_Livros_dezembro.htm.  Em 1989, Drauzio Varella iniciou na detenção um trabalho voluntário de prevenção à Aids. Seu  relato nesse livro tem as tonalidades da experiência pessoal: resulta dos relacionamentos que a profissão  de médico permitiu manter com presos e funcionários; não busca denunciar um sistema prisional antiquado  e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada  propícias  à  manifestação  das  individualidades.  Na cidadela do Carandiru, Drauzio conheceu pessoas como Mário Cachorro, Xanto, Roberto  Carlos,  Sem­Chance,  seu  Jeremias, Alfinete,  Filósofo,  Loreta  e  seu  Luís.  Não  importa  a  pena  a  que  tenham sido condenados, todos estavam sujeitos às normas do controle de comportamento que era vigente  na instituição. Por outro lado, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria  população carcerária(contrariá­lo pode equivaler a morte ).  Estação Carandiru fala dessas pessoas . São crônicas sobre formas de viver e morrer.  Para redigir um resumo é preciso ter compreendido detalhadamente o texto.Vale lembrar: um aluno do curso de  Psicologia e um do curso  de Direito lêem um  mesmo livro, Estação Carandiru, de  Drauzio Varella.  Provavelmente  elegerão  como  importantes  os  aspectos  que  estão  relacionados  com  sua  área  de estudos. Mas, uma coisa é fundamental: que os dois mantenham as informações ou  o ponto de vista do autor sobre  cada aspecto que indicaram como relevantes.
  • 45. 46 UNIUBE ­ Educação a Distância  RESENHA: é um texto completo, redigido de forma contínua, que tem por finalidade apresentar uma  obra:  descrevendo o seu conteúdo e sua composição, analisando os recursos utilizados, bem como a  pertinência do pensamento do autor em relação ao conhecimento já disponível, a importância da obra e  sua contribuição para o desenvolvimento do contexto social, científico e cultural .  Resenha de livro publicada em revista impressa  A Questão Ambiental ­ Diferentes Abordagens  de  Sandra Baptista da Cunha e Antonio José Teixeira Guerra (orgs.)  Bertrand Brasil, 252 págs., R$ 35  Ecologia virou moda, disciplina de escola, programa de TV, bandeira política  e campo profissional. O assunto envolve vários discursos arriscados:  o reducionismo  do senso comum, o tecnicismo dos burocratas, a demagogia dos governantes de plantão.  Como entender as causas econômicas e políticas das agressões à natureza e, ao mesmo  tempo, capacitar­se para enfrentá­las no campo dos conceitos históricos, filosóficos e  políticos? Esta coletânea de ensaios tenta encontrar um equilíbrio entre ideologização  e prática, causa e conseqüência, técnicas e leis. É o sétimo de uma série de obras da  Bertrand Brasil sobre o meio ambiente.  (Fluxos ­ Revista do Instituto de Humanidades da Universidade de Uberaba . p. 46, 1º/2003.)  Resenha de livro, publicada em uma revista eletrônica de jornalismo científico, disponível em:  http://www.comciencia.br/resenhas/internet/hackers.htm. Iden t ificação  da  MCCLURE, Stuart; SCAMBRAY, Joel; KURTZ, George. Hackers expostos: segre­ obra  dos e soluções para a segurança de redes. São Paulo: Makron Books, 2000. Autor ia  por Fábio Júnior Beneditto  Stuart McClure é gerente­sênior do grupo eSecurity Solutions, da Ernest & Young.  Ele é co­autor da Security Watch da revista InfoWorld, uma coluna que trata de  assuntos  atuais  relativos  à  segurança  eletrônica,  bem  como  invasões  e  vulnerabilidade  de  sistemas  de  computadores. Além  disso,  possui  uma  vasta  experiência em software e hardware de segurança de redes (firewall, sistemas de  detecção de intrusos, entre outros). Joel Scambray é gerente do grupo eSecurity Apresentação   dos au­ tores da obra e de sua  Solutions, onde fornece serviços de consultoria de segurança em sistemas de atuação profissional  informação para diversos tipos de organizações. Também é co­autor da Security  Watch. George Kurtz é gerente­sênior do grupo eSecurity Solutions e diretor naci­  onal de "Ataque e Penetração da  linha de serviços Profiling" da Ernest & Young.  Como consultor, executou centenas de avaliações em firewalls, redes e sistemas  de comércio eletrônico ao longo dos anos. É um dos principais instrutores do  aclamado curso "Extreme Hacking ­ Defending Your Site".  Hackers expostos, apesar do nome, trata única e exclusivamente de segurança de Apresentação da obra,  redes e sistemas. Com uma enorme quantidade de detalhes, o livro é uma espécie destacando  o  tema  e  de manual, já que serve de alerta para todos os administradores de sistemas e o gênero. usuários, para que percebam o quão vulnerável seus preciosos dados podem estar,  trafegando livremente pela Internet. Para que a leitura e a compreensão fossem fa­ 
  • 46. Metodologia do Trabalho Científico 47  cilitadas, o livro foi todo estruturado em pequenos módulos, como em um guia de  referências, onde o leitor não precisa ler tudo para encontrar a resposta para a sua Organização da obra.  dúvida sobre um determinado assunto. Todos os assuntos estão agrupados por  área de interesse: a "Identificação do Alvo" trata de como fazer o footprint (espécie  de planta­baixa da rede de computadores utilizados por um determinado domínio) e  a  varredura,  onde  são  identificados  e  verificados  todos  os  serviços  que  estão  disponíveis no sistema, e a sua enumeração. O segundo módulo trata de "Hacking  de sistemas", trazendo as características e as falhas, comuns ou não, dos principais  sistemas operacionais utilizados em estações de trabalho e servidores, sempre  focalizando o grau de dificuldade para o atacante obter sucesso em sua empreitada  de quebrar o sistema (uso de exploits), além de sugestões para a correção ou  minimização das chances dessas empreitadas ocorrerem. O terceiro trabalha com  "Hacking de rede", onde são vistas formas de proteger os dados da empresa do  acesso indevido através de exploits, como os encontrados em sistemas de firewall,  roteadores, dial­ups e falhas nos protocolos de rede. É dada uma maior ênfase para  a prevenção aos Ataques de Recusa de Serviço (DoS ­ Denial Of Service) que nos Resumo  comentado  últimos anos tem tirado muitos websites do ar (por exemplo o UOL). No último módulo sobre  o  assunto  de  se enfoca "Hacking de software". É nesse campo que entram os softwares de   admi­ cada módulo do livro  nistração  remota  (autorizada  ou  não), os "cavalos de tróia", conhecidos como  trojans,  que  são  os  maiores  causadores  das  noites  de  insônia  de  muitos  administradores de sistemas, porque permitem, através de programas aparentemente  inofensivos, a instalação de servidores de acesso remoto, facilitando o roubo de  informações, entre muitas outras possibilidades de prejuízo.  Houve uma grande preocupação dos autores em detalhar os ataques mais comuns  às redes e sistemas operacionais, baseando­se em suas próprias vivências como  consultores e em sites/newsgroups especializados, de forma a exibir uma visão Análise e avaliação da  mais abrangente do problema: a visão do atacante (cracker) que não tem nada a obra  perder. Como os autores citam nos agradecimentos, "Conhecimento e informação  os libertará", referindo­se aos nobres hackers que, no sentido literal e correto da  palavra, têm­se preocupado em expôr e solucionar esses problemas. É uma obra  que  não  pode  faltar  na  bibliografia  de  qualquer  administrador  de  sistemas  preocupado em garantir a paz e a tranqüilidade de sua empresa e que quer proteger  os dados vitais da mesma do acesso não­autorizado e, dessa forma, garantir por Indicação da leitura.  mais tempo o seu emprego e o desenvolvimento de sua organização.  Resenha de filme, disponível em: http://www.comciencia.br/resenhas/framerese.htm. Título da obr a  Gattaca   Gattaca ­ A experiência Genética  (Gattaca).  EUA,  1997.  Dir. Andrew  Niccol.  Com  Ethan  Hawke,  Uma Dados  de  identifica­ ção  Thurman, Jude Law, Loren Dean, Alan Arkin, Gore Vidal e Ernest Borgnine. Contextualização situa  1ª Parte: INTRODUÇÃO  A recente divulgação do final dos trabalhos de sequenciamento do o  momento  sócio­ cultural em que a obra  genoma  humano  trouxe  um  importante  questionamento  com  relação  às é  produzida,  articula  consequências  deste  novo  conhecimento. Ao  mesmo  tempo  que  gera  a o motivo de sua reali­  esperança de cura de muitas doenças de origem genética, gera também muitas zação  a  esse  contex­  especulações ­  algumas gratuitas, outras não  ­ sobre a possibilidade de um to.  uso indesejável do conhecimento genético. Dentro desta última perspectiva,
  • 47. 48 UNIUBE ­ Educação a Distância  o filme Gattaca, de Andrew Niccol é uma interessante reflexão sobre os  INTRODUÇÃO Apresentação da obra, situando  o  gênero,  o  caminhos a que a engenharia genética pode levar e os impactos que esta autor e o tema.  tecnologia ­ e a ciência de um modo geral ­ pode ter na sociedade. Passado  em um tempo futuro, Gattaca mostra uma sociedade em que as corporações  tornaram­se mais poderosas que o Estado e em que a manipulação genética  criou uma nova espécie de preconceito e hierarquia racial, legitimada pela  ciência. Aos pais que desejam ter filhos é dada a oportunidade de manipular  a interação entre seus DNAs de modo que gerem filhos com a melhor  2ª  Parte:DESENVOLVIMENTO  combinação de qualidades genéticas possível. Este procedimento acaba  criando duas categorias diferentes de pessoas: os Válidos, frutos desta  combinação genética planejada, que são quase super­homens, com raras  doenças genéticas; e os Inválidos, frutos de nossa interação sexual usual.  Aos empregos e as melhores oportunidades enquanto que os Inválidos  chegam a ser impedidos de freqüentar determinados lugares. A história do  filme é a de dois irmãos, um concebido da maneira natural e o outro  manipulado geneticamente. O Inválido, interpretado por Ethan Hawke, tem  várias doenças genéticas e, ao ter seu DNA examinado quando nasce, já  tem uma data prevista para sua morte. Breve  resumo  do  en­  Contudo,  o  garoto  sonha  em  viajar  ao  espaço  ­  emprego redo,  ressaltando  o  impensável para alguém com seus problemas ­ e vai buscar todas as tempo da história e o  maneiras possíveis para superar suas limitações  ao mesmo tempo em personagem principal.  que tem que esconder de todos que é um Inválido.  3ª Parte:  CONCLUSÃO  Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também foi roteirista  de O Show de Truman, Gattaca é um ensaio sobre o que pode ser uma  sociedade  em  que  o  destino  das  pessoas  esteja  pré­determinado  cientificamente em que não haja o mínimo espaço para a ação do indivíduo  na construção de seu próprio futuro. Também é uma reflexão sobre como  a ciência pode ser usada para legitimar e, no caso, criar uma hierarquia Comentário crítico  social, principalmente se feita sem crítica e controle da sociedade. Autor da resenha  Rafael Evangelista  Mas, será que resumo e resenha são textos diferentes?  Diferente do resumo, a resenha inclui também uma avaliação crítica por parte de quem a redige e, ainda, uma indicação para leitura da obra,considerando os interesses do leitor.  RESUMI NDO : se compararmos os quadros aqui apresentados, podemos afirmar que os textos acadêmicos  escritos contêm uma estrutura básica: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Quando redigidos e  enviados para publicação, devem  conter os dados de identificação do autor e do tipo de texto que se  apresenta.  Pertencendo todos ao gênero científico e/ou didático­científico, esses textos dialogam entre si, para que o autor  alcance o objetivo de comunicar suas investigações através dos estudos que realiza.  Compreender a organização e a finalidade dos textos, com os quais lidamos no dia­a­dia de nossos estudos,  contribui  para    ampliar    nossa  competência  de  leitura.  Mas,  também,  é  importante  que  a  nossa familiaridade com  esses textos  nos estimule  não só  a ler,  mas também  a escrever,  a nos  identificar como autores de textos acadêmicos. Este é um processo que se inicia com o registro das leituras que fazemos.  Vamos prosseguir nosso estudo, abordando agora os procedimentos de leitura. Antes, porém,  vamos retomar alguns pontos para a nossa reflexão.
  • 48. Metodologia do Trabalho Científico 49  Até aqui, refletimos sobre conceito, modos de organização e finalidades dos textos acadêmicos. Se recorrermos aos esquemas propostos para a composição desses textos, poderemos constatar que as partes da dissertação se encontram presentes em todos eles: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.  Segundo Soares e Campos (1987):  A dissertação é a forma de redação mais usual. Com mais freqüência é a forma de redação solicitada  às pessoas envolvidas com a produção de trabalhos escolares, com a administração e produção de  pesquisas em Instituições que fazem Ciência, com a administração e execução técnico­burocráti­  cas de serviços ligados à Indústria, Comércio etc. A prosa dissertativa é, assim, predominante nos  textos de trabalhos escolares, nos textos de produção e divulgação científicas (monografias, ensaios,  artigos  e  relatórios  técnico­científicos)  e  nos  textos  técnico­administrativos.  Convém ressaltar, ainda, que, dependendo da intenção do autor, em um  texto  dissertativo pode predominar a :  ­  descrição: quando o autor quer conceituar um termo, apresentar as fases de um processo ou  caracterizar um objeto, ele constrói um texto dissertativo­expositivo;   ­  argumentação: quando o objetivo do autor é defender um ponto de vista, ele constrói um texto  dissertativo­argumentativo.  Raramente  encontramos uma destas formas de dissertar em estado puro. No texto argumentativo, para a defesa de uma idéia, de uma tese, de uma opinião, o autor se serve  tanto da  descrição quanto da narração. Assim garante o efeito desejado com a sua argumentação. Podemos lembrar aqui o texto produzido na situação de acusação e defesa nos tribunais.  2.2 P ROCEDI M EN TOS  P ARA A  LEI TURA DE  UM  TEXTO  DI DÁ TI CO­CI EN TÍ FI CO  Se várias são as intenções de quem escreve e variadas são as formas da escrita, diante de diferentes textos, precisamos ter procedimentos de leitura diferentes. Como deve ser, então, o procedimento do leitor diante de um texto científico ou didático­científico?  Vejamos alguns procedimentos que nos auxiliam a realizar uma leitura adequada  dos textos com os quais lidamos no dia­a­dia da nossa vida universitária.  2.2.1 LER P ARA I DENTI FI CAR  A primeira leitura deve ser realizada de forma seqüencial e integral. É importante ficar atento(a) às marcas de composição gráfica: os tipos de letras e fontes costumam ser diferentes para o título, para as partes e para os itens. Pode ser também observado o estilo do autor.  Assim, lemos para  identificar:  ­ tipo de texto: é  um capítulo de um livro ou um artigo científico?  ­ autoria : quem o escreveu?  ­ suporte:   foi publicado em um livro, jornal ou periódico?  ­ data de produção e de publicação, editora e localidade da publicação.  ­ extensão do texto: número de páginas.  ­ assunto: qual o conteúdo é desenvolvido no texto?  ­ plano geral do texto: como o autor organizou o texto?
  • 49. 50 UNIUBE ­ Educação a Distância  2.2.2 LER P ARA DELI MI TAR AS P ARTES DO TEXTO  Após tomar  conhecimento do plano geral  do texto, é importante ler para identificar:  ­  a introdução  ­  o desenvolvimento  ­ a conclusão  Veja, a seguir,  um  exemplo a partir  de um texto dissertativo­expositivo.  A Nova Economia  A  difusão  acelerada  das  novas  tecnologias  de  informação  e  1ª Par te: INTRODUÇÃO  comunicação vem   promovendo profundas transformações  na economia  mundial e está na origem de um novo padrão de competição globalizado, em  que a capacidade de gerar inovações em intervalos de tempo cada vez mais  reduzidos é de vital importância para as empresas e países. A utilização Contextualização das tecnologias e do mer­  intensiva dessas tecnologias introduz maior racionalidade e flexibilidade nos cado de trabalho  processos produtivos, tornando­os mais eficientes quanto ao uso de capital,  trabalho e recurso naturais. Propiciam, ao mesmo tempo, o surgimento de  meios e ferramentas para a produção e comercialização de produtos e serviços  inovadores, bem como novas oportunidades de investimento. Efeitos das mudanças  As mudanças em curso estão provocando uma onda de "destruição provocadas  pelas  criadora" em todo o sistema econômico. Além de promover o aparecimento Novas Tecnologias da Informação  e  da  de novos negócios e mercados,  a aplicação das tecnologias de informação e Comunicação  ­  comunicação vêm propiciando, também, a modernização e revitalização de NTIC,  sobre  a  dinâ­  segmentos maduros e tradicionais; em contrapartida está ameaçando a exis­ mica do mercado  tência de setores que já não encontram espaço na nova economia.  A  globalização  e  a  difusão  das  tecnologias  de  informação  e  2ª Parte: DESENVOLVIMENTO  comunicação são uma via de mão dupla: por um lado, viabilizaram a expansão  das atividades das empresas em mercados distantes; por um outro, a atuação  globalizada das empresas amplia a demanda por produtos e serviços de rede Vantagens  tecnologicamente mais avançados. Neste processo, as empresas passam a  definir suas estratégias de competição, conforme os mais variados critérios  (disponibilidade e capacitação de mão­de­obra, benefícios fiscais e financeiros,  regulamentação, etc.), estabelecendo, de maneira descentralizada, unidades  produtivas em locais mais vantajosos, independentemente das fronteiras  geográficas.  Através das redes eletrônicas que interconectam as empresas em  vários  pontos  do  planeta,  trafega  a  principal  matéria­prima  desse  novo  paradigma: a informação. A capacitação de gerar, tratar e transmitir informação  é a primeira etapa de uma cadeia de produção que se completa com sua Exigências aplicação no processo de agregação de valor a produtos e serviços. Nesse  contexto, impõe­se, para empresas e trabalhadores, o desafio de adquirir a  competência necessária para transformar informação em um recurso econômico  estratégico, ou seja, o conhecimento. 
  • 50. Metodologia do Trabalho Científico 51  O  conhecimento  é  hoje  fator  essencial  em  todas  as  etapas  do  DESENVOLVIMENTO  processo  produtivo,  desde  a  pesquisa  básica  até  o  marketing  final  e  assistência ao consumidor. Mas é na fase inicial de projeto e concepção de  produtos e serviços que esse fator é mais crítico. Essa etapa requer domínio  de  tecnologias­chave,  vultosos  investimentos  em  pesquisa,  ambiente  institucional  favorável  e  pessoas  altamente  capacitadas,  fatores  das Necessidades  economias avançadas. Relativamente, as fases subseqüentes do processo  são menos intensivas em conhecimento e podem ser desenvolvidas em um  grande número de países.  Na transição para a nova economia, esse padrão de especialização  poderá agravar ainda mais a desigualdade entre os países especializados  3ª Parte: CONCLUSÃO  em gerar novos produtos e serviços e os demais, que implementam os projetos  desenvolvidos pelos países líderes.  Tal padrão de especialização tem profundo impacto na distribuição  das oportunidades de trabalho, no padrão de consumo da sociedade e na Perspectivas  do  mer­ cado de trabalho com  repartição da renda entre os países. A despeito das grandes desigualdades políticas direcionadas  entre nações, novas oportunidades se abrem para os países em fase de para as NITCs  desenvolvimento econômico que saibam estruturar suas políticas e iniciativas  em direção a sociedade da informação.  TAKAHASHI, Tadao. (Org.) et al. Mercado, Trabalho e Oportunidades. In:______  Sociedade  da Informação no Brasil:  Livro Verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000.  cap. 2, p.17­28.  2.2.3 LER P ARA ANALI SAR  ­ a adequação no uso de termos técnicos;  ­ a consistência dos dados;  ­as relações entre ilustrações, gráficos e tabelas e sua pertinência com o assunto tratado;  ­ coerência dos argumentos apresentados.  Platão  e  Fiorin  (1996)  definem  cinco  tipos  de  argumentos  como  principais  recursos  usados  em textos dissertativos e que se aplicam ao texto científico:  ­ ARGUMENTO DE AUTORIDADE ­ a citação de autores renomados, de autoridades num certo domínio do conhecimento ou da atividade humana: é usado para confirmar o pensamento do autor, demons­ trando que ele pesquisou sobre o assunto. Por isso, é muito importante dar atenção às notas de rodapé ou ao final de texto, às citações, às alusões ou referências, ainda que breves, a outros autores e a outros textos.  Exemplo:  Afirmação: "A ligação entre arte e ciência não é nova .  Ar gumentação:  Entre  outros,  o  físico  inglês  Paul  Dirac,  autor  da  descoberta  teórica  da antimatéria,  foi  um  dos  que  defenderam  esta  idéia.  Em  um  dos  seus  escritos  mais  conhecidos,  Dirac propôs que o melhor critério para avaliação de uma teoria deve ser sua beleza."  (Ponto de vista ­" Ciência e beleza"­ Revista Scientific American Brasil­ ano 1­ número11­ p.5)  ­ ARGUMENTO BASEADO NO CONSENSO ­ são afirmações de base científica e aceitas como verdadeiras, não necessitando, portanto, de serem demonstradas. Em todas as áreas do conhecimento existem argumentos universalmente aceitos: os axiomas da Matemática e as proposições como as que constam da declaração dos direitos humanos, por exemplo.
  • 51. 52 UNIUBE ­ Educação a Distância  Exemplo:  Afirmação: Diante de um mesmo delito, algumas pessoas são punidas e outras não. Isso não poderia acontecer, pois  Argumentação: “todos são iguais perante a lei e, sem distinção.”  (Declaração Universal dos  Direitos Humanos)  ­ ARGUMENTO  BASEADO EM  PROVAS  CONCRETAS  ­  afirmações  baseadas em  dados  de pesquisa, em fatos comprovados e em documentos ou similares. Usam­se, para tanto, dados divulgados por órgãos oficiais nacionais e internacionais.  Exemplo:  Afirmação: A  família  brasileira está  diminuindo,  ao  mesmo  tempo  que cresce  a  proporção  de famílias lideradas por mulheres. Além destas mudanças  nos padrões de organização familiar no Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostram que, nas duas  últimas décadas, cresceu a proporção de pessoas que moram sozinhas, embora ainda predomine no Brasil o tipo de família formada pelo casal e seus filhos.  Apresentação dos dados:Com base nos dados da PNAD de 1992 a 2001, é possível destacar algumas tendências recentes no perfil da família brasileira. Nesse período, cresceu de forma contínua o número  relativo  de  famílias  nas  quais  a  pessoa  de  referência  é  mulher  e  reduziu­se  a  quantidade  de componentes das famílias, como reflexo do ritmo de queda da  fecundidade. A PNAD 2001 estimou em cerca de 13,8 milhões o número  de arranjos familiares em que a mulher era a pessoa de referência,  ou 27,3%  das  50,4  milhões  de  famílias  brasileiras.  Em  duas  décadas,    a  proporção  desse  tipo  de  arranjo familiar  cresceu  cerca  de  24,7%  no    país.  O  fenômeno  é  mais  recorrente  nas  regiões  metropolitanas, dentre  as  quais  se  destacam  Belém  e  Salvador,  com,  respectivamente,  40,4%  e  35,9%  de  famílias  com pessoa de referência do sexo feminino(tabelas 6.1 e 6.2 e gráficos 6.1 e 6.2).  ( Síntese dos indicadores sociais 2002, IBGE )  ­ ARGUMENTO COM BASE NO RACIOCÍNIO LÓGICO ­ são  argumentos  baseados nas  relações de causa e conseqüência. Muito comuns nos textos de ciências da natureza e de matemática.  Afirmação: “ Os conhecimentos são adquiridos.  Explicação: A engenharia genética não é capaz de incorporá­los aos cromossomos.Eles existem na forma de uma rede. Ou seja, seria preciso transplantar um cérebro inteiro para as crianças...  Conclusão: Daqui a vinte e cinco anos, portanto, os estudantes ainda terão que aprender para saber, isto é, terão de desenvolver uma atividade mental intensa para compreender, memorizar,, comparar, organizar os conhecimentos.”   (PERRENOUD, Philippe.Sinapse. Folha de São Paulo, São Paulo, p. 12, 29 set. 2003.)  ­ ARGUMENTO DE COMPETÊNCIA LINGÜÍSTICA ­ atualização e adequação no uso de termos técnicos e científicos, de expressões lingüísticas no encadeamento de enunciados, de parágrafos e partes do texto (essas expressões possibilitam ao leitor acompanhar o raciocínio do autor) e domínio no uso da língua culta.  "Grandes efeitos sobre a diversidade biológica em áreas urbanas também podem resultar de fontes menos diretas, incluindo muitos dos poluentes oriundos do ar  e da água que colocam em perigo a saúde humana. Descobriu­se que subprodutos tóxicos de produção industrial, como a bifenila policlorada, o dióxido de enxofre e oxidantes, assim como os pesticidas direcionados para espécies daninhas, afetam os ecossistemas naturais, descortinando­os(Ehrlich e Erlich, 1981)."  ( MURPHY, D. D. Desafios à diversidade biológica em áreas urbanas. In:  WILSON, E. O. (ed.). Biodiver sidade.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 91)
  • 52. Metodologia do Trabalho Científico 53 2.2.4 LER P ARA ESTABELECER RELAÇÃO  ­ do texto com outros textos da mesma área do conhecimento;  ­ do texto com o conteúdo da discplina;  ­ do texto com a realidade sócio­cultural em que o texto foi produzido e na qual, você, leitor, está  inserido.  2.2.5 LER P ARA EMI TI R UM J ULGAMENTO SOBRE O TEXTO  Utilizando dos registros que foram feitos em cada uma das etapas anteriores, você poderá, com a maior  clareza  possível:  traduzir o conteúdo do texto, isto é, dizer ou escrever com outras palavra, mantendo o pensa­  mento do autor;  analisar a consistência do raciocínio do autor em relação aos conhecimentos já produzidos na  mesma área de estudo;  reconhecer a coerência do pensamento elaborado pelo autor;  avaliar uma produção acadêmica;  avaliar a contribuição do estudo do texto para  a ampliação dos seus conhecimentos e para sua  formação  profissional.  E, como a leitura e a escrita são práticas complementares, você estará ampliando seu repertório para a produção de textos do mesmo gênero. 2.3  OUTRAS  FORM AS  DE  REGI STRO  DE  ESTUDOS  ACADÊM I COS  Os  procedimentos  de  leitura  indicados  no  item  2.2  nos  levam  a  perguntar:  quais  são  os  nossos objetivos quando tomamos um texto para objeto de estudo?  Lemos  para  conhecer,  analisar,  interpretar  situações,  dados  e  informações,  para  ampliar  nosso conhecimento do mundo e a partir daí construir novos conhecimentos.  Na condição de cidadãos participantes, o que se espera de um estudante universitário é que ele seja agente no processo de sua formação profissional. Para isso, é necessário que desenvolva suas habilidades de lidar com o conhecimento já disponível na sociedade, aplicando­o, avaliando­o, criticando­o para transformá­ lo.  Mas, toda construção de conhecimentos, além de uma motivação pessoal, exige métodos e técnicas, pois quando o volume de informações e de operações, com que precisamos trabalhar, é grande, por melhor que seja a nossa memória, ela precisa ser ativada.  As anotações, os registros que fazemos auxiliam na ativação da nossa memória e recuperação dos conhecimentos que já adquirimos no decorrer da nossa existência. Em um curso de formação profissional esses registros devem ser freqüentes.  Todos os tipos  de texto acadêmico apresentados nesta unidade são formas de registro dos estudos realizados no âmbito da universidade.   Aqui foi dado especial destaque para: 
  • 53. 54 UNIUBE ­ Educação a Distância  RELATÓRIO: expressa o processo de desenvolvimento de uma situação de estudo ou de pesquisa,  isto é, tem sua origem em um trabalho realizado. É considerado documento de grande importância para  a  continuidade  da  investigação  científica,  para  a  gestão  de  recursos  humanos,  para  destinação  de  recursos financeiros, para planejmanto político e educacional.  RESUMO : é um texto de dimensões menores do que o texto que lhe dá origem. Sua finalidade é  traduzir, em menos palavras, o pensamento do autor, preservando as intenções do autor e realçando os  pontos para os quais ele dispensou maior atenção. Um mesmo texto pode dar origem a vários resumos,  pois cada  pessoa considera relevantes os  aspectos que estão  relacionados ao motivo pelo  qual está  lendo a obra.  RESENHA: é um texto completo, redigido de forma contínua, que tem por finalidade apresentar uma  obra:  descrevendo o seu conteúdo e sua composição, analisando os recursos utilizados, bem como a  pertinência do pensamento do autor em relação ao conhecimento já disponível, a importância da obra e  sua contribuição para o desenvolvimento do contexto social, científico e cultural .  PORTFOLIO: palavra de origem latina, muito utilizada pelos norte­americanos, que signfica coleção  daquilo que está ou pode ser guardado em um porta­folhas. No meio acadêmico, significa a reunião das  diferentes produções do aluno, baseada nos registros de suas reflexões, de suas leituras, de suas indaga­  ções. Expressa o desenvolvimento de sua própria aprendizagem.  MONOGRAFIA: tratamento escrito de um tema específico que resulte de uma pesquisa científica e que  apresenta uma contribuição relevante para a ciência. Por extensão, identifica um trabalho científico que  resulte de pesquisa, como por exemplo, trabalho de conclusão de curso de graduação ­ TCC.  Deve estar  relacionado a uma disciplina do curso e ser feito sob  orientação docente.  É importante lembrar que o estudo de um texto acadêmico inicia­se por um processo de identificação e de localização, isto é, por um processo de fichamento do texto.  EXER CÍ CI OS  DE  FI XAÇÃO 1.  As afirmativas a seguir contemplam algumas características de um  TEXTO ACADÊMICO. Marque  V, nas alternativas verdadeiras, ou F, nas alternativas falsas:  a)  (  )  são textos característicos da difusão e produção do conhecimento nas universidades;  b)  (  )  são textos técnicos e científicos;  c)  (  )  são textos intuitivos e cotidianos na universidade em geral;  d)  (  )  são textos produzidos por alunos e professores para publicação em eventos científicos;  e)  (  )  são textos elaborados só por professores universitários;  f )  (  )  são textos que visam a progressiva ampliação e troca de conhecimentos necessários  à formação  profissional;  g)  (  )  são textos que visam a progressiva informação e generalização necessárias à formação  profissional;  h)  (  )  são textos que produzimos na universidade para registrar o estudo que realizamos;  i)  (  )  são as teorias que produzimos na universidade para registrar o estudo que realizamos;  j)  (  )  são textos que na prática escolar são apropriados para o exercício do ensinar e do  aprender;
  • 54. Metodologia do Trabalho Científico 5502.  Dentre as diversas formas de registro dos estudos realizados no âmbito da universidade, podemos  destacar o  resumo, a resenha e o portfólio. Segundo os seus conhecimentos, numere a  coluna  B de acordo com a coluna A:  a)  resumo  (  )  Inclui uma avaliação crítica por parte de quem a redige;  (  )  Seu objetivo é traduzir em poucas palavras, a idéia do autor.  b)  resenha  (  )  Um mesmo texto pode dar origem à vários outros textos, dependendo  c)  portfólio  de quem o faz.  (  )  Apresenta uma obra descrevendo seu conteúdo e sua composição.  (  )  É um texto completo, redigido de forma contínua.  (  )  Significa reunião das diferentes  produções dos alunos.  (  )  É preciso saber situar a obra e o pensamento do autor, comparando­os  com outras obras para emitir julgamento.  (  )  Não precisa contemplar uma indicação para leitura da obra.  (  )  É um texto de dimensões menor do que o texto que lhe dá origem.  (  )  Expressa o desenvolvimento qualitativo e quantitativo da aprendizagem  do aluno da Universidade. 03.  Na universidade,  a entrevista tem  se  apresentado  como  um  eficaz instrumento  de  coleta de  dados  para a pesquisa  nas diversas  áreas  do  conhecimento. Descreva  uma situação  em  que  você usaria da entrevista em seus estudos.  ____________________________________________________________________  ____________________________________________________________________  Na sua opinião, quais requisitos são exigidos de um entrevistador?  ____________________________________________________________________  ____________________________________________________________________ 04.  Enumere, de 1 a 5, a seqüência adequada para a realização de uma boa leitura. O leitor diante  de um  texto  científico  utiliza alguns  procedimentos  que  o  auxiliam  na leitura  correta desses  textos. O leitor ao ler o texto:  (  )  relaciona­o  com outros  textos  da  mesma área, com  o conteúdo  da  disciplina e com  a  realidade na qual o leitor está inserido.  (  )  procura  identificar  as  suas  partes  estruturais,  delimitando  cada  uma  de  acordo  com  suas  finalidades.  (  )  traduz o pensamento do autor e avalia a contribuição do estudo do texto para a ampliação  dos conhecimentos e para a formação profissional.  (  )  analisa  a  consistência  dos  dados,  as  relações  entre  gráficos  e  tabelas  com  o  assunto  tratado e a coerência dos argumentos apresentados.  (  )  identifica  o  plano  geral  do  texto,  a  autoria,  o  tipo,  o  suporte  do  texto  e  o  conteúdo  desenvolvido  no  mesmo. 05.  Assinale, nos parênteses, ( V ), para as alternativas verdadeiras e ( F ), para as falsas.  a ­ (  )  O relatório  é um texto originado de um trabalho realizado.  b ­ (  )  Um texto científico, assim como textos oficiais, pode conter  relatos  de acontecimentos  históricos.  c ­ (  )  O relato de experiência tem por objetivo registrar  o processo vivenciado  por uma  pessoa  ou  por    uma  equipe,  durante  um  determinado  período  de  estudos,  proporcionando uma avaliação e a reflexão sobre o tema em questão.  d ­ (  ) Os textos científicos são escritos  de acordo com critérios estabelecidos por instituições  científicas  e  passam  por  um  processo  de  validação  e  avaliação,  antes  de  serem  divulgados.  e ­ (  )  O conhecimento científico só  existe nas instituições públicas.
  • 55. 56 UNIUBE ­ Educação a Distância 06.  Leia o fragmento extraído da resenha do filme Gattaca.  “Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também foi roteirista de O Show de  Truman, Gattaca é um ensaio sobre o que pode ser uma sociedade em que o destino  das pessoas esteja pré­determinado cientificamente, sem que não haja o mínimo espaço  para a ação do indivíduo na construção de seu próprio futuro. Também é uma reflexão  sobre como a ciência pode ser usada para legitimar e, no caso, criar uma hierarquia  social, principalmente se feita sem crítica e controle da sociedade.”  Considerando a relação do fragmento com as demais partes da resenha, analise as afirmativas,  a seguir. Assinale com um ( X ) as alternativas  coerentes com a resenha.  a) (  )  No fragmento, a palavra “ensaio” articulada à palavra “sociedade”, remete o leitor a  uma prática de experimentação científica. Nesse sentido, leva o leitor a pensar   que  o contexto vivenciado no filme é real.  b) (  )  No fragmento, a afirmação do autor  de que a obra é uma reflexão sobre as possíveis  conseqüências  da  utilização  inadequada  da  ciência,  tem  por  objetivo  convencer  o  leitor da fragilidade do enredo do filme Gattaca.  c) (  )  Associando  o  nome  do  roteirista  a  outros  trabalhos  produzidos  anteriormente,  o  autor da resenha dá ao uma leitor informação que lhe permite situar melhor a obra  que  está sendo  apresentada.  Nessa perspectiva, o  leitor  cria mais ou  menos  uma  expectativa em relação ao filme.  d) (  )  Na  conclusão,  é  possível  perceber  que  o  autor  da  resenha  explicita  claramente  a  indicação do filme, utilizando um argumento de autoridade: o filme foi realizado por  um  renomado  diretor. 07.  No  item  2.1.4.1  ,  a  entrevista  e  o  debate  foram  destacados    como  textos  orais  que  exigem  habilidades de comunicação que todo profissional precisa ter no exercício de sua profissão.  Leia  os  itens,  a  seguir,  e  marque  com  um  X,    no  quadro  correspondente,  de  acordo  com  a  seguinte  legenda:  ‘E’ , o que é característico da entrevista;  ‘C’ , o que é comum às duas situações.  ‘D’ , o que é característico do debate;  A  ­ Quanto à situação de comunicação: E  C  D  exige a presença de um moderador;  tem  por objetivo  colher informações ou   dados que  possam ser  usados para  fins  determinados;  visa esclarecer a opinião pública sobre um determinado tema;  geralmente surge da necessidade de esclarecimento sobre temas polêmicos;  tem por  objetivo  buscar soluções para questões  de interesse social e científico;  se estabelece por  um  confronto de opiniões;  se  estrutura  com  base  no  esquema  de      perguntas  e    respostas  seqüenciadas,  seguidas ou não de comentários;  predomina a argumentação, a defesa de um ponto de vista;  predomina a exposição do assunto, a informação;  necessita do estabelecimento de regras para ocorrer o diálogo. 
  • 56. Metodologia do Trabalho Científico 57 B­ Quanto às habilidades e atitudes  requeridas dos participantes:  E  C  D  usar adequadamente provas e argumentos;  conhecer pontos de vista diferentes sobre o tema em questão;  ter domínio do tema a ser apresentado;  saber respeitar a pessoa que tem  opinião divergente;  ter disponibilidade para dialogar;  usar a linguagem adequada ao seu interlocutor;  saber distinguir um fato de uma opinião;  respeito a normas estabelecidas;  saber ouvir para dar continuidade a uma reflexão. 08.  No contexto universitário, muitas são as situações em que temos a oportunidade de apresentar  os conhecimentos científicos que construímos, nas várias etapas de nossa formação acadêmica.  Para  apresentá­los  utilizamos  textos  escritos:  resumo,  resenha,  relatório,  artigo  científico,  comunicação ou paper, monografia, entre outros.  Relacionamos,  a  seguir,  algumas  situações  que  você  pode  vivienciar,  durante  seu  curso  de  graduação.  Escreva, nos espaços, o tipo de texto adequado a cada uma das situações descritas.  a ­  Você    é integrante   de uma equipe de monitoria e deve apresentar,  formalmente,  ao  responsável  pela  equipe,  o  trabalho  que  foi  desenvolvido  na semana.  b ­  Você e seus dois colegas participam de um grupo de iniciação científica.  Estão  numa  determinada  fase  da  pesquisa,  e  foram  solicitados  a  apresentar  os  resultados  obtidos  até  o  momento,  para  o  órgão  financiador.  c ­  Tendo participado de uma aula de campo, o professor lhe solicitou o  registro de tudo que ali ocorreu.  d ­  O professor indicou a leitura de  um artigo sobre o assunto estudado  na  semana.  Pediu  que  lhe    apresentasse,  de  forma  detalhada:  os  dados de identificação do artigo, a forma como o autor desenvolveu o  assunto, a relação do  pensamento do  autor com  o que  foi estudado  nas aulas daquela semana   e,  ainda, que  você emitisse  sua opinião  sobre o artigo como um todo, fazendo referência a quem mais poderia  interessar a leitura desse texto.  e ­  Com a orientação do professor, você  desenvolveu um estudo sobre as  opções de lazer que Uberaba oferece ao jovem. A pesquisa apontou a  necessidade de  alertar a  população  sobre  providências que  deverão  ser tomadas pelo poder público, associações de bairros, associações  estudantis. Você foi aconselhado, pelo professor, a publicar esse estudo  no Jornal Revelação.  f ­  Para participar de um seminário, na sala de aula, o professor solicita  a leitura prévia  de um capítulo do livro didático que foi adotado para  estudo do assunto. Você deve fazer o registro  da leitura, situando o  conteúdo  de  cada  item  do  capítulo,    sendo  fiel  ao  pensamento  do  autor,  mas sem se preocupar em emitir sua opinião.  g ­  Para elaborar o projeto de seu  Trabalho de Conclusão de Curso, o seu  orientador  solicitou  que  você  realizasse  e  lhe  apresentasse    um  levantamento bibliográfico de obras publicadas  nos dois últimos anos  sobre o tema a ser desenvolvido.
  • 57. 58 UNIUBE ­ Educação a Distância 09.  Leia o fragmento:  “Uma característica marcante do discurso literário de Machado de Assis é  o  humor,  que  se  evidencia,  sobretudo,  em  seus  romances  de  segunda  fase.  O  romance  Dom  Casmurro,  publicado  em  1899,  é  uma  das  obras  mais discutidas pela crítica literária ainda nos dias de hoje.”  Analise as alternativas e assinale as que podem ser comprovadas pelo fragmento:  a)  (  )  Com objetivo de fundamentar as idéias apresentadas, a  autora do resumo utiliza­  se do  argumento de autoridade, fazendo referência à critica literária.  b)  (  )  Nas duas afirmações,  a autora utiliza­se do argumento baseado no consenso, uma  vez que tais afirmações têm base científica e são aceitas como verdadeiras..  c)  (  )  a autora utiliza­se de dois argumentos baseados em provas concretas, remetendo o  leitor  a documentos  analisados.  d)  (  )  A autora utiliza­se do argumento com base no raciocínio lógico, na medida em que  evidencia  uma  relação  de  causa  e  conseqüência  estabelecida  entre  o  humor  do  discurso machadiano e o fato de o romance Dom Casmurro ser, ainda hoje,  uma das  obras mais discutidas  pela crítica literária.
  • 58. Metodologia do Trabalho Científico 59 UN I DADE 3 COM P REEN DEN DO O SI GN I FI CADO  DO CON HECI M EN TO  Iolanda Rodrigues Nunes  Valeska Guimarães Rezende da Cunha
  • 59. 60 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 60. Metodologia do Trabalho Científico 61  3.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS  Você, neste momento, deve estar se perguntando:  Por que estudar sobre o Todos nós já não sabemos conhecimento? o que é conhecimento? Antes de definirmos o que é conhecimento, precisamos ter em mente que o homem, por ser dotado de  racionalidade,  procura  compreender    a  realidade  e  agir  sobre  ela  tornando­a  mais  adequada  às  suas necessidades. À medida em que isso ocorre, ele transforma essa realidade ampliando e desenvolvendo suas próprias  necessidades.  Sabemos que essa compreensão e ação sobre a realidade é limitada às condições de cada época, ou seja, muito do que era verdadeiro para o sábio da  Antigüidade ou do Renascimento Cultural do século XV e XVI, não é assim considerado em nossos dias. E, ao final do século em que vivemos, com certeza, a ciência disporá de conhecimento muito diferente do que possuímos hoje.  O homem, ao construir conhecimento, apropria­se da realidade e, assim, modifica as circunstâncias em benefício próprio. Entretanto, desvendar e apropriar­se da realidade não é algo fácil, pois ela se revela por meio de uma grande complexidade.  Por entender o conhecimento dessa forma é que nos propomos a estudá­lo como uma maneira de compreender a realidade que nos cerca e não, simplesmente, como algo abstrato. Neste volume, pretendemos levantar questões em torno da idéia de que o conhecimento é o produto de um enfrentamento do mundo realizado pelo homem e que só faz plenamente sentido na medida em que o produzimos com a intenção de compreender  a  realidade,  e  não,  pura  e  simplesmente,  como  uma  forma  enfadonha  e  desinteressante  de memorizar fórmulas abstratas e inúteis para a nossa vivência e convivência no mundo. 
  • 61. 62 UNIUBE ­ Educação a Distância  3.2  BASES  CONCEITUAIS  E  CARACTERÍSTICAS  DOS  TIPOS DE  CONHECIMENTO  Como vimos nas considerações iniciais, no início deste texto, o homem é um ser existencial, que interpreta a  si e  ao mundo em  que vive,  atribuindo­lhes significado. A  esta representação  significativa da realidade, denominamos conhecimento.  Agora apresentaremos alguns conceitos sobre conhecimento para que possamos traçar uma base conceitual para as nossas reflexões.  Para Luckesi (1985), o conhecimento pode ser abordado de três formas:  1.  Como mecanismo de compreensão e transformação do mundo  2.  Como uma necessidade para a ação  3.  Como elemento de libertação  Vejamos, resumidamente, cada uma dessas abordagens!  Por conhecimento, aqui, entendemos não só a com­  preensão teórica de alguma  coisa, mas também a  Como mecanismo de  sua  tradução  em  “modo de  fazer”,  em  tecnologia.  compreensão e  Aliás,  entendimento  e  “modo  de  fazer”  são  duas  transformação do mundo  faces  inseparáveis  do  mesmo  modo  de  conhecer.  Teoria  e  prática,  ação  e  reflexão  são  elementos  indissociáveis de um todo.  O  conhecimento  é  uma  necessidade  enquanto  modo  de  “iluminação”  da  realidade.  Não  se  pode  agir a não ser que se “veja” o caminho. Por desco­  nhecermos o modo de agir adequadamente sobre  Como necessidade  alguma  resistência  do  mundo,  em  nossa    ação,  para a ação  nem sempre conseguimos atingir aquilo a que nos  propomos. Se conhecêssemos tudo, tanto nos as­  pectos  teóricos  quanto  tecnológicos,  certamente  que não teríamos erros e dificuldades na tentativa  de atingir  nossos objetivos.  O conhecimento, como compreensão da realidade  e como necessidade para o ser humano, pode ter  Como elemento de  uma função de libertação, pois serve de mecanis­  libertação  mo ao ser humano para que atue de maneira mais  adequada e mais condizente com suas necessida­  des.  Leia estas idéias de Luckesi (1985) sobre o conhecimento como forma de libertação e de opressão.  O conhecimento liberta o sujeito porque lhe dá independência e autonomia. Desde que saiba  que se conheça, pode­se agir sem estar dependendo da alienação de nossas necessidades a  outros.  (...)  Desconhecer  nossos  direitos  torna­nos  seres  dependentes.  Ignorar  nossas  capacidades e nossos poderes de luta e transformação conduz­nos ao entreguismo e ao co­  modismo social e histórico.
  • 62. Metodologia do Trabalho Científico 63  O conhecimento é construído de várias formas, tais como: pela observação das informações do mundo exterior; pelas crenças religiosas; pelos sentimentos e motivações das pessoas; pelas normas e procedimentos determinados por pais, professores, jornalistas e escritores; pelos ensinamentos dos filósofos, enfim, pelos diversos segmentos de nossa sociedade.  O ato de conhecer é tão natural que muitas vezes não nos damos conta de sua complexidade. Nesse sentido, ao tentarmos nos apropiar da realidade nos defrontamos com vários tipos de conhecimento como: conhecimento de senso comum, filosófico, mitológico, científico, teológico e outros.  Será que todos os nossos conhecimentos são verdadeiros?  É claro que quando se trata de conhecer, temos em mente o conhecimento da verdade, do pensamento verdadeiro. (OLIVEIRA, 2002). Entretanto, nem todos os nossos conhecimentos são verdadeiros; logo, en­ tendemos por conhecimento (independente de ser falso ou  verdadeiro) todo conhecimento que representa uma relação entre sujeito cognoscente (mente, consciência) e o objeto conhecido (fatos, acontecimentos, objetos e fenômenos da realidade exterior).  Nesse sentido, o conhecimento implica numa dualidade de realidades:  O homem  PROCESSO DE  Reflexo e/ou reprodução  apropria­se da  CONHECER  do objeto na nossa mente  realidade  PRODUTO DO  São os conhecimentos  O homem  PROCESSO  sensíveis e racionais  penetra na  realidade  Veremos, portanto, quatro tipos fundamentais de conhecimento. Cada um deles originário do tipo de apropriação que o homem faz da realidade. Esses quatro tipos são: o conhecimento científico, o conhecimento de senso­comum, o conhecimento filosófico e o conhecimento teológico.  A seguir, iremos estudá­lo com mais detalhes.  3.2.1 CONHECIMENTO CIENTÍFICO  É o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável  da realidade.  O conhecimento científico surge da necessidade de o homem não assumir uma posição meramente passiva, de testemunha dos fenômenos, sem nenhum poder de ação ou controle dos mesmos.  O  que  impulsiona  o  homem  em  direção  à  ciência  é  a  necessidade  de  compreender  a  cadeia  de relações que se esconde por trás das aparências sensíveis dos objetos, fatos ou fenômenos, captadas pela percepção sensorial e analisadas de forma superficial, subjetiva e acrítica pelo senso comum. O homem quer ir além dessa forma de ver a realidade imediatamente percebida. (KÖCHE, 2000).
  • 63. 64 UNIUBE ­ Educação a Distância  O conhecimento científico é, portanto, um produto que resulta da investigação científica. Decorre não apenas da necessidade de buscar soluções e respostas para problemas de ordem prática da vida diária, característica  essa  também  do  conhecimento  do  senso  comum,  mas  do  desejo  de  fornecer  explicações sistemáticas, que possam ser submetidas a testes rigorosos e ao crivo da crítica. Resulta, assim, da necessidade de alcançar um conhecimento mais seguro e confiável.  Podemos, então, relacionar as seguintes características do conhecimento científico (GALLIANO, 1986):  ·  racional e objetivo  ·  atém­se  aos  fatos  ·  transcende  aos  fatos  ·  analítico  ·  requer  exatidão  e  clareza  ·  comunicável  ·  verificável  ·  depende  de  investigação  metódica  ·  busca  e  aplica  leis  ·  explicativo  ·  pode  fazer  predições  ·  aberto  ·  útil  3.2.2 CONHECIMENTO EMPÍRICO OU SENSO COMUM  É o conhecimento obtido ao acaso, seguindo ações não planejadas.  O conhecimento do senso comum é um conhecimento espontâneo ou instintivo. É resultado da neces­ sidade de resolver os problemas diários, imediatos, não sendo, portanto, antecipadamente programado ou planejado. À medida que a vida vai acontecendo, ele se desenvolve, segundo a ordem natural dos acontecimentos.  Esse tipo de conhecimento é também chamado empírico, porque se refere à experiência imediata sobre  fatos  ou  fenômenos observados,  ou  seja,  baseia­se  na  experiência  cotidiana e  comum  das  pessoas. Como se baseia na experiência, ao buscar informações e elaborar soluções para os seus problemas imediatos, não esclarece as razões ou fundamentos teóricos que possam demonstrar ou justificar a sua utilização, bem como a sua possível correção ou confiabilidade, por não compreender e não saber explicar as relações que há entre os fenômenos. Em geral, no conhecimento do senso comum, utilizam­se conhecimentos que funcionam razoavelmente bem na solução dos problemas imediatos, embora não se compreendam ou se desconheçam as explicações a respeito de seu sucesso. Quando acontece de darem certo, esses conhecimentos se transformam em convicções, em crenças que  são transmitidas de um indivíduo para o outro e de uma geração para a outra.  Podemos ilustrar, aqui, com o conhecimento que o lavrador iletrado tem das coisas do campo: ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos anunciadores de chuva, o comportamento dos animais; sabe onde cavar um poço para obter água, quando podar uma planta, etc. Os conhecimentos que esse lavrador possui, entretanto, são frutos de sua experiência prática e, por isso, não penetram nos fenômenos, permanecendo, apenas, na ordem aparente da realidade.
  • 64. Metodologia do Trabalho Científico 65  3.2.3 CONHECIMENTO FILOSÓFICO  É o conhecimento que é fruto do raciocínio e da reflexão humana.  Segundo  Oliveira  (2002),  o  conhecimento  filosófico  procura  conhecer  as  causas  primeiras  dos fenômenos, ou seja, as causas profundas e remotas de todas as coisas, a origem das coisas, e, para elas, as respostas.  Na acepção clássica, a filosofia era considerada como o conhecimento das coisas por suas causas primeiras. Modernamente, prefere­se falar em filosofar. O filosofar é um interrogar, é um contínuo questionar, é uma busca constante de sentido, de justificação, de interpretação a respeito de tudo aquilo que envolve o homem e sobre o próprio homem em sua existência concreta, em seu contexto histórico.  Esse contexto muda através dos tempos, o que explica o surgimento de novos temas de reflexão filosófica. Alguns temas são permanentes, outros vão surgindo conforme muda o contexto histórico.  O campo de reflexão se ampliou muito em nossos dias. Hoje,  os  filósofos,  além  das  interrogações  metafísicas  M etafísica  tradicionais, formulam novas questões, como as que envolvem a técnica, os valores, etc. Além disso, a filosofia está presente em  Meta ,  em  grego,  significa  acima  ou  além.  Literalmente, essa palavra significa “para além todos os setores do conhecimento e da ação, como reflexão crítica  da natureza (física)”, ou seja, refere­se ao que a respeito dos fundamentos desse conhecimento e dessa ação.  transcende a realidade material, empírica. Assim, por exemplo, a Física, a  Química, são ciências e usam determinado método, mas saber o que é ciência, o que distingue este conhecimento de outros, o que é método, qual a sua vali­ dade, não é da alçada do próprio físico ou do químico. Esses são problemas filosóficos (CERVO e BERVIAN, 1972).  3.2.4 CONHECIMENTO TEOLÓGICO  É o conhecimento revelado pela fé divina ou pela crença religiosa. A  religião existiu  e  existe  em todos  os  povos. Para  as  civilizações do  passado  e  do presente  da história da humanidade, a religião tem seus fundamentos em dogmas e ritos, que são aceitos pela fé e não podem ser provados, não se admitindo críticas, porque a fé é a única fonte de verdade (OLIVEIRA, 2002).  Segundo Chauí (2000), esse conhecimento busca uma explicação para a realidade e se endereça ao coração dos crentes, despertando emoções e sentimentos ­ admiração, espanto, medo, esperança, amor, ódio. Nesse tipo de conhecimento, a religião pede ao crente uma só coisa: fé, ou seja, a confiança e a adesão plena ao que lhe é manifestado como ação da divindade. 
  • 65. 66 UNIUBE ­ Educação a Distância  O conhecimento teológico abrange 3 fases (OLIVEIRA, 2002):  Nessa  fase,  o  homem  atr ibui  poder es  às  for ças  mágicas  imanentes  que  existiam  dentr o  dos  objetos  ­  coisas,  ani­  FETICHISMO  mais  ou  pessoas.  Ex.: os antigos adoravam o sol, a lua; os hindus, a vaca;  adoração por amuletos, que significavam o bem e o mal.  Nessa  fase, o  homem  atr ibuía uma  for ça  mágica que  er a  r etir ada dos  objetos mater iais e tr anspor tadas  a ser es  fictícios  com  for mas  humanas.  POLITEÍSMO  Ex.: atribuir à Diana, como sendo deusa da caça; Eolo, deus  do vento; Netuno, deus do mar (os homens pensavam que o  mar estava bravo porque Netuno estava zangado).  Nessa  fase,  o  homem  atr ibuía a  causa  de  todos  os  fenômenos  a  um  único  Deus.  MONOTEÍSMO  Ex.: Na religião judaico­cristã, Deus é o único criador de  tudo o que existe e se atribui a ele a responsabilidade de  tudo o que acontece no mundo: a criação do homem e dos  animais, sua existência, transformação e fim.  3.2.5 CONHECIMENTO MITOLÓGICO  É o conteúdo formulado a partir da existência de uma ordem  transcendente, por meio da existência de deuses e deusas.  O conhecimento mítico é aquele que se vale de uma linguagem figurada, metafórica, fantasiosa, para explicar  a  realidade  em  geral,  fatos  da  existência  ou  a  própria  existência.  Segundo Andrey,  apud  Filho (2003), o mito surge da necessidade consciente e inconsciente que o homem tem de explicar seu meio, seus problemas desconhecidos. O mito não é questionado, não é objeto de crítica, mas objeto de crença, de fé. Não se discute, simplesmente submete sua razão à fé.  Então, que vem a ser um mito? Mito é um contexto explicativo não­lógico, muitas vezes fantástico, motivado  pelo  meio  físico  e  humano  em  que  vive  a  comunidade.  Fantasioso,  porque  apela  mais  para  as forças da imaginação, pouco lógico, porque não tem coerência interna, é contraditório; explicativo, se não tiver por função explicar algum fenômeno, alguma coisa, não é mito.  Além disso, o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento coletivo; é transmitido por  meio  de  gerações  como  forma  de  explicar  o  mundo,  explicação  que  não  é  objeto  de  discussão;  ao contrário,  ele  une  e  canaliza  as  emoções  coletivas,  tranqüilizando  o  homem  no  mundo  que  o  ameaça.  É indispensável na vida social, na medida em que fixa modelos da realidade e das atividades humanas.
  • 66. Metodologia do Trabalho Científico 67 Os tipos de conhecimentos citados É impossível, por exemplo, testar empiricamente (mitológico, teológico e filosófico) uma hipótese como a de que o céu é a morada se distinguem do conhecimento dos deuses ou a de que a alma é imortal. O que científico pelo fato de não poderem não quer dizer que os enunciados metafísicos ser submetidos a testes, uma vez sejam destituídos de significado. Eles possuem que não possuem conteúdo empírico, significado, só não são testáveis. Por isso, estas sendo por isso chamados de são, indiscutivelmente, formas de conhecimento, “metafísicos”. apenas excluídas do âmbito científico. Para saber mais... Além desses tipos de conhecimento existem outros. Na seqüência, vamos conhecer alguns deles.  3.2.6 CONHECIMENTO INTELECTUAL  É o conhecimento obtido pela razão e pela experiência.  Segundo Platão, apud Júnior (2003), dentre as quatro formas ou graus de conhecimento, que ele considerava (crença, opinião, raciocínio e a intuição intelectual), o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição) era o que permitia que o ser alcançasse a essência das coisas, pois, para Platão, o raciocínio treina e exercita nosso pensamento, objetivando uma preparação para as causas intelectuais.  Esse conhecimento é dividido em conhecimento racional e conhecimento intuitivo. Vejamos, agora, cada um desses tipos de conhecimento.
  • 67. 68 UNIUBE ­ Educação a Distância  A ­ Conhecimento Intuitivo  É a percepção imediata de um objeto sem conhecimento prévio.  Podemos afirmar que o conhecimento intuitivo é aquele baseado na experiência (também chamado conhecimento tácito).  A  intuição  é  uma  das  áreas  que  ainda  necessita  de  maior  pesquisa  no  sentido  de  descobir  as potencialidades  de  cognição  e  de  comunicação  psíquicas  do  indivíduo  e  de  aprofundar  novas  formas  de interação com os outros e com o universo.  Segundo  Moran (2003),  a  intuição não  se  opõe à  razão,  mas não  segue  exatamente os  mesmos caminhos, pois está ligada à capacidade de:  ·  relacionar mais livremente os dados;  ·  associar temas de forma inesperada;  ·  aprender pela descoberta.  Segundo Moran (2003), para que haja o desenvolvimento do conhecimento intuitivo, precisamos relaxar internamente, dialogar conosco, decodificar a linguagem do silêncio, fazer conexões e superposições inesperadas, navegar não­linearmente.  B ­  Conhecimento racional  É o conhecimento que se origina da razão.  Para Moran (2003), o racional é o caminho mais conhecido para o conhecimento e a comunicação. Pela  razão  organizamos,  sistematizamos,  hierarquizamos,  priorizamos,  relacionamos,  seqüencializamos, causalizamos  os  dados  que  nos  chegam  de  forma  caótica,  dispersa,  ininteligível.  O  racional  explica, contextualiza,  aprofunda  as  dimensões  sensoriais  e  intuitivas.  Mas,  sem  elas,  torna­se  reducionista, simplificador, incompleto. O caminho para o conhecimento integral funciona melhor se começa pela indução, pela experiência concreta, vivida, sensorial e vai incorporando a intuição, o emocional e o racional.  3.2.7 CONHECIMENTO SENSITIVO  É o conhecimento adquirido pelos órgãos dos sentidos. O  conhecimento  sensorial  possui  a  vantagem  de  ser  imediato,  “natural”,  fácil  de  perceber.  Nele predomina  a  idéia  de  integração  corpo­mente,  sujeito­objeto.  Por  ser  fruto  da  experiência  imediata,  ele pressiona  por  respostas  imediatas,  por  soluções  muitas  vezes  ditadas  pela  emoção,  portanto,  sem aprofundamento (MORAN, 2003). 
  • 68. Metodologia do Trabalho Científico 69  Por possibilitar facilmente a manifestação do subjetivismo, a interferência de valores e percepções altamente pessoais, ele predispõe e facilita a interação em ambientes de aprendizagem.  O  aspecto  afetivo  é  um  componente  básico  do  conhecimento  e  está  intimamente  ligado  ao conhecimento sensitivo e ao intuitivo, pois se manifesta no clima de acolhimento, de empatia, de inclinação, de desejo, de gosto, de paixão, de ternura, da compreensão para consigo mesmo, para com os outros e para com o objeto do conhecimento.  Segundo Moran (2003), o afetivo proporciona:  · dinamização das interações, das trocas, da busca, dos resultados;  ·  facilita a comunicação, toca os participantes, promove a união;  ·  prende totalmente, envolve plenamente, multiplica as potencialidades.  O homem contemporâneo é marcado por esse tipo de conhecimento por meio da forte relação com os meios de comunicação e pela solidão da cidade grande, estando muito sensível às formas de comunicação que enfatizam os apelos emocionais e afetivos mais do que os racionais.  Finalizamos essa primeira parte dessa unidade com a seguinte reflexão, de Moran (2003):  O conhecimento não pode ser reduzido unicamente ao racional. Conhecer significa compre­  ender todas as dimensões da realidade, captar e expressar essa totalidade de forma cada vez  mais ampla e integral. Entendo a educação como um processo de desenvolvimento global da  consciência  e  da    comunicação  (do  educador  e  do  educando),  integrando,  dentro  de  uma  visão de totalidade, os  vários níveis de conhecimento e de expressão: o sensorial, o intuitivo,  o afetivo e o racional.  Vamos prosseguir, enfatizando a diferença entre conhecimento e informação, considerando que milhões de informações não representam nenhum conhecimento, pois para “saber algo em profundidade é preciso relacionar conceitos, saber as causas, o porquê das coisas. Este é um dos grandes dilemas do novo século, impulsionado pelo rápido e fácil acesso a fontes de informação. Podemos obter instantaneamente milhões de informações, mas corremos o perigo de tornar­nos incapazes de processá­las de um modo orgânico, integrado, coerente, através da relação causa­efeito que caracteriza o conhecimento científico” (RAMOS, 2003).  3.3 A DIFERENÇA ENTRE CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO Agora que você já compreendeu o que é conhecimento e que existem várias formas de conhecimen­ to, chegou o momento de diferenciarmos conhecimento de informação. E por que é importante fazer esta distinção? Porque há muita confusão entre esses termos e, em geral, são utilizados como sinônimos. Acres­ centaríamos, ainda, mais um termo a esses dois, que é o dado. O sucesso ou o fracasso de um estudo, de uma pesquisa ou mesmo de uma empresa, muitas vezes pode depender de saber de qual deles precisamos, com qual  deles  contamos  e  o  que  podemos  ou  não  fazer  com  cada  um  deles.  Entender  o  que  são  esses  três elementos e de como podemos passar de um para outro é fundamental para a realização dos estudos, de uma pesquisa,  enfim, da  realização bem­sucedida  do trabalho  ligado ao  conhecimento e  adquirirmos, assim,  a competência .  Temos, assim, alguns termos que precisamos compreender bem: dado, informação, conhecimento e competência. 
  • 69. 70 UNIUBE ­ Educação a Distância  A princípio, podemos afirmar que conhecimento não é dado nem informação, embora esses elemen­ tos estejam relacionados. Iniciaremos com a definição do que vem a ser dado para, a partir daí, caracterizar­  1. mos informação, conhecimento e competência, e, para tal, recorremos ao professor Valdemar W. Setzer  Vejamos!  DADO ­ Definimos dado como uma seqüência de símbolos quantificados ou quantificáveis. Portan­ to, um texto é um dado.”  E por que Setzer considera que um texto é um dado e não uma informação? Porque as letras são símbolos quantificados, já que o alfabeto por si só constitui uma base numérica. Também são dados imagens, sons e animação, pois todos podem ser quantificados.  É muito importante notar que o dado pode ser ou não inteligível para o leitor. Isso vai depender do conhecimento prévio que o leitor tenha. Se souber interpretar os dados, esses dados tornam­se informação, que podem tornar­se base para a construção de um novo conhecimento.  Como são símbolos quantificáveis, dados podem obviamente ser armazenados em um computador e processados por ele.  Na definição apresentada por Setzer (2003), um dado não é necessariamente uma entidade matemá­ tica e, dessa forma, puramente sintática. Isto significa, segundo o autor, que os dados podem ser totalmente descritos  através de  representações formais,  estruturais.  Dentro de  um  computador, trechos  de um  texto podem ser ligados virtualmente a outros trechos, por meio de contigüidade física ou por “ponteiros”, isto é, endereços da unidade de armazenamento sendo utilizada (o que chamamos de link). Ponteiros podem fazer a ligação de um ponto de um texto a uma representação quantificada de uma figura, de um som, etc.”  Quando estamos diante de uma planilha, com números que expressam valores em dinheiro ou quan­ tidade de objetos, etc., estamos diante de dados, que poderão tornar­se informação se soubermos interpretá­ los, ou seja,  se atribuirmos a esses dados um significado.  INFORMAÇÃO ­ “...é uma abstração informal (isto é, não pode ser formalizada através de uma teoria lógica ou matemática), que representa algo significativo para alguém através de textos, imagens, sons ou animação.”  Por exemplo, a frase “A reunião iniciará às 14h” é um exemplo de informação ­ desde que seja lida ou ouvida por alguém, e desde que, quem a ouve, saiba o significado da palavra “reunião” e saiba, também, sobre qual reunião se está falando. Sendo assim, um dado só se torna informação se lhe for atribuído algum significado.  Não é possível processar informação diretamente em um computador. Para isso é necessário reduzi­ la  a  dados.  No  nosso  caso,  para  colocar  essa  informação  em  um  computador,  cada  palavra  da  frase  “A reunião iniciará às 14:00 horas” teria que ser quantificada, usando­se, por exemplo, uma escala de zero a quatro. Então, isto não seria mais informação.  Setzer (2003) afirma que uma distinção fundamental entre dado e informação é que o dado é pura­ mente sintático e a informação contém necessariamente semântica (implícita na palavra “significado” usado em sua caracterização).  Quando lemos um cartaz e compreendemos os dados que ali estão, estamos diante de uma informa­ ção. Mas se abrirmos uma revista escrita em um idioma totalmente incompreensível para nós, estamos diante de dados que não conseguimos interpretar e, portanto, não chegam a ser informação. Da mesma forma, se estivermos diante  de uma planilha, com vários números, organizados de uma certa forma, mas não souber­ mos para que servem e a que se referem, estamos diante de dados que não nos servem como informação pelo simples fato de não compreendê­los.1  SETZER, Valdemar W. Dado, infor mação, conhecimento e competência. Disponível em: <http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/datagrama.html. Acesso em: 25 abr. 2003.> 
  • 70. Metodologia do Trabalho Científico 71  CONHECIMENTO ­ “...é uma abstração interior, pessoal, de alguma coisa que foi experimentada por alguém.”  Na frase “A reunião iniciará às 14:00 horas”, alguém tem algum conhecimento do que seja reunião se já participou de alguma. Nesse sentido, Setzer (2003) afirma que o conhecimento não pode ser descrito inteiramente  ­  de  outro  modo  seria  apenas  dado  (se  descrito  formalmente  e  não  tivesse  significado)  ou informação (se descrito informalmente e tivesse significado). Isso significa dizer que o conhecimento não pode ser transferido para alguém, pois não depende apenas de uma interpretação pessoal, como acontece com a informação. O conhecimento requer uma vivência do objeto do conhecimento.  Na caracterização feita por Setzer (2003), os dados que representam uma informação podem ser armazenados em um computador, mas a informação não pode ser processada quanto a seu significado, pois depende de quem a recebe. O conhecimento, contudo, não pode nem ser inserido em um computador por meio de uma representação, pois senão foi reduzido a uma informação. Assim, neste sentido, segundo o autor, é absolutamente equivocado falar­se de uma “base de conhecimento” em um computador. No máximo, pode­ mos ter uma “base de informação”, mas se é possível processá­la no computador e transformá­la em seu conteúdo, e não apenas na forma, Setzer diz que o que nós temos de fato é uma tradicional “base de dados”.  Um outro aspecto interessante levantado por Setzer (2003) é que ele associa informação à semânti­ ca e o conhecimento com pragmática, isto é, relaciona­se com alguma coisa existente no “mundo real” do qual temos uma experiência direta.  Após essa leitura, vamos retomar um pouco da primeira parte desta unidade, quando apresentamos as  bases  conceituais  sobre  conhecimento.  Lá  utilizamos  as  idéias  de  Luckesi  (1985),  que  caracterizou  o conhecimento de três formas:  1 ­ Como mecanismo de compreensão do mundo  2 ­ Como uma necessidade para a ação  3 ­ Como elemento de libertação  Estabeleça e registre a relação entre a caracterização que Setzer e Luckesi fazem de conhecimento?  Quando Setzer (2003) diz que conhecimento é uma “abstração interior, de alguma coisa que foi experimentada por alguém” e que, portanto, está associado com pragmática , podemos relacionar com Luckesi (1985), quando ele diz que conhecimento não é só a compreensão teórica de alguma coisa, mas também a sua tradução em “modo de fazer”, ou seja, não há conhecimento que se faça fora da prática  do sujeito, com o mundo que o cerca, e ao qual é necessário compreender, pela criação de significados e sentidos.  Antes de darmos prosseguimento à nossa leitura, vamos tentar relacionar os três elementos apresen­ tados até agora: dado, informação e conhecimento.  Você observou que o dado é a base da informação? Ou seja, quando lemos um texto ou temos acesso a uma imagem, na verdade estamos tendo acesso a dados e, ao atribuírmos a esses dados algum significado, passam a ser informação.  A informação pode ser a base de um novo conhecimento se soubermos transformá­la e aplicá­la em uma nova situação.  INFORMAÇÃO  DADO  CONHECIMENTO
  • 71. 72 UNIUBE ­ Educação a Distância  Por exemplo:  Se uma pessoa estiver realizando um estudo, vai precisar ler algum livro ou algum artigo de revista, jornal, etc. Bem, esses textos são dados que, ao serem lidos, podem tornar­se informação desde que a pessoa compreenda as idéias dos autores ali apresentadas. Entretanto, não passarão de informações caso a pessoa simplesmente copie os fragmentos desses textos.  Não é a quantidade de informação adquirida que fará com que uma pessoa construa um novo conhe­ cimento. Milhares de informações não representam conhecimento algum. Para tornar­se conhecimento é ne­ cessário que, ao interpretar essas informações, a pessoa consiga relacionar conceitos, saber as causas e o porquê das coisas. Enfim, trata­se de um processo interno.  E a competência? O que é e como a adquirimos?  Vejamos o que nos diz Setzer (2003) sobre a competência!  COMPETÊNCIA ­ “É uma capacidade de executar uma tarefa no mundo real.”  No caso do exemplo dado anteriormente, é competente a pessoa que consegue realizar uma reunião com êxito e uma pessoa que consegue participar de uma reunião também com êxito. Setzer (2003), portanto, associa competência com atividade física.  Vejamos as associações que Setzer (2003) faz:  1 ­ Dado  sintático  2 ­ Informação  semântica  3 ­ Conhecimento  pragmática  4 ­ Competência  atividade  física  Para ilustrar melhor essas associações, leia esse exemplo:  Uma pessoa pode ter um bom nível de conhecimento sobre futebol, mas nem por isso ser um jogador competente. Como um matemático, por exemplo, não é competente apenas porque sabe resolver problemas matemáticos, como um advogado competente não é apenas aquele que memorizou o Código Penal, e assim por diante. Um profissional competente é aquele que sabe transmitir o que conhece, sabe aplicar, isto é, sabe conciliar conhecimento com habilidade pessoal, através de ações externas. Podemos acrescentar que, se esse profissional conseguir agregar criatividade a essa habilidade pessoal, ele se tornará ainda mais competente. Por  isso,  é  impossível  introduzir  competência  em um  computador. A  criatividade  está  relacionada  com  a capacidade de improvisar, de buscar alternativas diferentes, enfim, de criar.  Vejamos um outro exemplo, dado por Setzer (2003): “Se alguém seguiu um curso teórico ou leu alguns manuais referentes a uma certa área, essa pessoa adquiriu certas informações. Se a mesma pessoa fez alguns exercícios práticos ou examinou cuidadosamente alguns produtos desenvolvidos com o uso daquela informação, classificamos isso como conhecimento. Inse­ rimos um grau de competência somente no caso do profissional ter produzido algum produto relativamente complexo naquela área ou ter trabalhado nela há algum tempo.” 
  • 72. Metodologia do Trabalho Científico 73  DADO ­ É  puramente objetivo, não depende de seu usuário.  INFORMAÇÃO ­ É objetiva­subjetiva no sentido de que é descrita de uma forma obje­  tiva (textos, figuras, etc.), mas seu significado é subjetivo, pois depende do usuário.  CONHECIMENTO ­ É puramente subjetivo, pois cada um tem a experiência de algo de  uma forma diferente.  COMPETÊNCIA ­ É subjetiva­objetiva, no sentido de ser uma característica puramente  pessoal,  mas  cujos  resultados  podem  ser  verificados.  Veremos a seguir, as características do conhecimento do senso comum e do conhecimento científico procurando fazer um paralelo da diferenciação, da dependência e da fronteira entre ambos.  3.4  CON HECI M EN TO  CI EN TÍ FI CO  E  SEN SO  COM UM   Em nosso mundo acadêmico, o conhecimento com que lidamos diariamente é o conhecimento cien­ tífico, que veremos, a seguir, contrastando­o com o conhecimento do senso comum.  O conhecimento científico é considerado um produto que resulta da investigação  científica, fornecendo explicações sistemáticas que possam ser submetidas a testes rigo­  rosos e ao crivo da crítica, através de provas empíricas. É, portanto, um conhecimento  mais seguro e confiável.  O conhecimento do senso comum refere­se à experiência imediata sobre fatos ou  fenômenos observados, baseando­se na experiência cotidiana e comum das pessoas. Des­  sa  forma,  não  esclarece  as  razões  ou  fundamentos  teóricos  que  possam  demonstrar  ou  justificar a sua utilização, bem como a sua possível correção ou confiabilidade, por não  compreender e não saber explicar as relações que há entre os fenômenos.  Inicialmente,  vamos  falar  do  conhecimento  do  senso  comum.  Quais  são  as  suas  características? Como distingui­lo do conhecimento científico? A ciência precisa do senso comum? Onde termina o “senso comum” e começa o “conhecimento científico”?  O conhecimento humano que se adquire no contato com a realidade, a partir das experiências vivi­ das pelo homem, denomina­se SENSO COMUM. É,  portanto, um saber que adquirimos espontaneamente, sem procura sistemática ou metódica e sem estudo ou reflexão prévia.
  • 73. 74 UNIUBE ­ Educação a Distância  Como percebemos esse tipo de conhecimento?  Esse conhecimento passa a ser demonstrado a partir do momento que o homem:  ·  interpreta a si mesmo;  ·  interpreta o mundo;  ·  resolve  problemas imediatos;  ·  descobre, testa e observa os resultados para satisfação de suas necessidades;  ·  interpreta o universo em que habita.  Como podemos caracterizar o conhecimento do senso comum?  O senso comum se caracteriza pelas seguintes características, segundo Lakatos (1991):  A herança  cultural, que  constitui o  senso comum,  se manifesta  em diversos  comporta­  mentos  do  ser  humano.  Seria  impossível  viver  se  não  pudéssemos  aproveitar  a  nossa  experiência de mundo e de vida, que nos orienta e nos guia em nossas ações e decisões,  bem como nos adequa ao meio em que vivemos (FERNANDES;BARROS, 2003).
  • 74. Metodologia do Trabalho Científico 75 Vejamos, agora, o que diferencia o conhecimento do senso comum do conhecimento científico.  Vamos partir do exemplo, a seguir:  Que o sol, amanhã de manhã, nascerá novamente. É uma convicção que  tanto cientistas como leigos têm.  Como esse exemplo seria tratado no senso comum e como seria tratado no conhecimento científico?  Vejamos:  Senso comum  Conhecimento  científico  ·  as  pessoas  acreditam    simplesmente  pelo  ·  o cientista (no caso o astrônomo) saberá  hábito ­ porque o sol sempre nasceu, deverá  explicar porque amanhã o sol nascerá com  amanhã  nascer  novamente;  base na teoria do movimento de rotação da  terra  ·  as pessoas não dão motivos (razões) para seu  julgamento, ou seja, o leigo acredita sem  ·  o cientista conhece as razões.  saber  das  razões.  Logo, a diferença entre o senso comum e o conhecimento científico está relacionada com a maneira de conhecer ou justificar o conhecimento, ou seja, “o que os diferencia é a forma, o modo ou método e os instrumentos do conhecer” (cf. LAKATOS, 1991). Podemos afirmar, portanto, que o primeiro é utilizado pela maioria das pessoas por meio de conhecimentos que também são do senso comum. Já o segundo,  é caracte­ rizado por ser crítico; é submetido a uma série de testes, análises, controles; é organizado; é prognosticador (baseado em princípios ou leis); é geral e possui um caráter metódico que permite uma maior precisão na obtenção de resultados.  É interessante, neste instante, caracterizarmos o conhecimento científico. Vejamos as suas caracte­ rísticas mais relevantes. Segundo Bunge (2003), o conhecimento científico é:  ·  Lida com ocorrências, fatos; ·  diz respeito a toda forma de existência que se manifesta de  1. REAL, FACTUAL algum modo; ·  nesse conhecimento, ocorre a transcendência dos fatos: os  cientistas  põem  de  lado  os  fatos,  produzem  fatos  novos  e  explica­os.  Em relação aos fatos, o senso comum se atém a eles, limitando-se a um fato isolado, sem o trabalho de correlacionar ou explicar outros fatos.
  • 75. 76 UNIUBE ­ Educação a Distância  2. CLARO E PRECISO ·  Os problemas são distintos, mas os resultados são claros.  Nesse caso, o senso comum trabalha com os resultados de maneira nebulosa.  ·  não é inefável, mas expressável; 3. COMUNICÁVEL ·  não é  privado, mas público, pois  a linguagem da  ciência é  informativa e não imperativa.  ·  o conhecimento passa sempre pelo exame da experiência; 4. VERIFICÁVEL ·  todas as suposições levantadas pela ciência são postas à prova.  ·  a ciência é um sistema de idéias ligadas logicamente entre si, e  5. SISTEMÁTICO não um agregado de informações desconexas e dispersas.  ·  situa os fatos singulares em hipóteses gerais;  ·  situa os enunciados particulares em esquemas amplos;  6. GERAL  ·  trabalha com fatos singulares quando estes fazem parte de  um classe ou de uma lei.  ·  busca leis da natureza e da cultura e procura uma forma de  7. LEGISLADOR aplicação; ·  os fatos singulares são inseridos nas leis naturais ou sociais.  ·  explicam os fatos em termos de lei e leis em termos de prin­  cípios; 8. EXPLICATIVA ·  além da inquisição de como são as coisas, os cientistas pro­  curam responder ao porquê: por que é que ocorrem os fatos  tal como ocorrem e não de outra maneira.  ·  transcende os fatos de experiência; 9. PREDITIVO ·  põe à prova as hipóteses; ·  funda­se em leis e informações específicas fidedignas.
  • 76. Metodologia do Trabalho Científico 77  ·  barreiras que limitem o conhecimento, não são reconhecidas; ·  as noções acerca de algo são todas falíveis; 10.  ABERTO ·  possibilidade de surgir novas situações mesmo que estejam  firmemente estabelecidas, pois podem parecer inadequadas  em algum sentido.  ·  os cientistas sabem o que buscam e como o encontrar; ·  as investigações de algo se originam de regras e técnicas que  11. METÓDICO foram eficazes no passado e são aperfeiçoadas continuamente.  ·  a ciência afasta de seu domínio todo elemento afetivo e subjetivo; 12. OBJ ETIVO ·  o conhecimento científico é válido para todos; ·  a objetividade da ciência é chamada de intersubjetividade.  13. POSITIVO ·  adere aos fatos e os submete à fiscalização da experiência.  ·  não consta de elementos empíricos, pois é uma construção  do intelecto; 14. RACIONAL ·  parte  dos  dados  empíricos  e  por  meio  de  sínteses  desses  dados, chega ao domínio dos fatos.  A partir da enumeração dessas características, pensamos ter esclarecido a diferença entre o conhe­ cimento  do  senso  comum  e  o  conhecimento científico.  É  importante  ressaltar  ainda  que  o  conhecimento científico é produzido pela investigação científica, através do método científico.  Segundo  Saiz  (2003),   através  dos  métodos  se  obtém  enunciados,  teorias, leis,  que  explicam  as condições que determinam a ocorrência dos fatos e dos fenômenos associados a um problema, sendo possí­ vel  fazer predições sobre esses fenômenos e construir um corpo de enunciados, fundamentados na verifica­ ção dessas predições e na correspondência desses enunciados com a realidade.  O conhecimento  científico surge não apenas  da necessidade de  encontrar soluções  para problemas de ordem prática da vida diária, mas do desejo de fornecer explica­  ções sistemáticas que possam ser testadas e criticadas através de provas empíricas.  Essas  explicações  sistemáticas  estão  sempre  numa  busca  permanente  da  verdade,  expondo  as  hipóteses  à  constante  crítica,  livre  de  crenças  e  interesses  pessoais,  conclusões precipitadas e  preconceitos (SAIZ, 2003).
  • 77. 78 UNIUBE ­ Educação a Distância  Após tudo o que foi explicitado anteriormente, perguntamos: será que a ciência precisa do senso comum?  Quando afirmamos, durante muito tempo, que o Sol girava em torno da Terra, que uma determinada raça era superior a outra, que as guerras foram travadas devido ao preconceito racial e cultural, estamos nos baseando em conhecimentos espontâneos e intuitivos, que se expressam no nível das crenças. Entretanto, a maioria de nossas crenças são problemáticas, exigindo novas respostas, isentas de emoções e passíveis de verificação.  Nesse  caso,  utilizamos  a  ciência  para  a  verificação  de  nossas  crenças  e  desenvolvimento  de nossas descobertas.  Sabemos que a ciência, para dar início a uma investigação, precisa ir além do senso comum. Entre­ tanto, a ciência não pode dispensar o senso comum, pois está enraizada na sociedade, na qual o ser humano é sujeito e aprendiz de seus próprios enganos e erros.  Segundo Santos (2003), a ciência precisará estar sempre em contato com o senso comum, seja para refletir se as suas atitudes frente às pesquisas trazem conteúdos inconscientes, que falseiam as análises, seja para descobrir, através de análises, que certos usos do senso comum trazem alguma veracidade. Podemos ilustrar aqui o caso da erva­doce que, após anos e anos de uso pela população, teve comprovado que real­ mente tem propriedades terapêuticas.  Finalizamos este tópico com o pensamento do grande filósofo da ciência, que diz:  “A ciência parte do senso comum, sendo que é justamente a crítica ao  senso comum que permite que este seja corrigido ou substituído. Assim toda  a ciência é senso comum esclarecido”. (POPPER apud HÜHNE, 1989)  Vejamos, agora, onde termina o senso comum e começa o conhecimento científico.  Quando nos perguntamos qual é a fronteira que separa o conhecimento científico do senso comum, podemos responder a esta pergunta imaginando como três pessoas reagem de maneira diferente à chuva:  · uma reage abrigando­se em algum lugar;  ·  outra aprende a perceber o céu e antecipa­se à precipitação; ·  a última inventa o guarda­chuva. 
  • 78. Metodologia do Trabalho Científico 79  Será que inventar o guarda­chuva foi aplicar conhecimento científico ou apenas houve o refinamento do senso comum? E seja que tipo de conhecimento for, que mecanismo lhe está subjacente?  A adaptação ao fenômeno da chuva A reação à chuva procurando abrigo, é uma ao olhar o céu e antecipar-se à aplicação do senso comum, no sentido de que precipitação, também é uma a pessoa ficou doente um dia por se ter aplicação do conhecimento do senso molhado ou ter experimentado diversas comum.  situações que exigiram dela proteger-se antes da chuva. Quanto à invenção do guarda-chuva, podemos afirmar que houve o emprego do conhecimento científico. Entretanto, poderiam ter sido utilizadas folhas de bananeira, ligadas entre si evidenciando um comportamento que não é herdado nem observado em alguma circunstância. Logo, temos dois tipos de conhecimento que não têm fronteiras rígidas. Afirmamos, então, que o limite entre o senso comum e o conhecimento científico é a representação que damos ao senso comum, de acordo com o que a nossa imaginação compreende e que o mesmo serve de ponto de partida para novos conhecimentos.  Prosseguiremos esta unidade falando da aplicabilidade do conhecimento científico, pois sabemos que a ciência, ao estudar os fatos, possui métodos diferentes de fazê­lo e cada método possui um objeto de estudo. Logo,  é importante  ressaltarmos a  importância da  aplicabilidade do  conhecimento científico  para cada  área  de  estudo,  pois,  embora  as  ciências  tenham  muitos  pontos  em  comum,  cada  uma  delas  possui técnicas  e  estilos  específicos.  3.5  CARACTERÍSTICAS  E  AP LICABILIDADE  DO  CONHECIMENTO  Após o estudo sobre o que é o conhecimento em geral e o científico em particular, voltemos nossa atenção para a aplicabilidade do conhecimento científico. Comecemos refutando a crença de que o conheci­ mento  científico  é  infalível  e  absoluto.  Tal  crença  é  inteiramente  falsa,  porque,  uma  vez  construído,  o conhecimento científico não é um receituário a ser seguido e aplicável em qualquer ciência.  O que o conhecimento científico realmente proporciona é uma verdade relativa, isto é, aplicável àquele determinado objeto investigado. Além disso, não podemos nos esquecer de que o conhecimento cien­ tífico é produzido  dentro de um determinado  contexto histórico e isso  significa dizer que o  cientista fica limitado  às  possibilidades  de  sua  época,  seja  pelos  limites  das  tecnologias  disponíveis  seja  pelo  conheci­ mento possível. Quantas teorias científicas já foram modificadas na história da humanidade e quantas ainda estão sendo modificadas atualmente!
  • 79. 80 UNIUBE ­ Educação a Distância  Você pode estar se perguntando: qual a vantagem, então, do conhecimento científico, se ele é passível de ser modificado?  Mas, é justamente aí que reside a sua importância. Pode parecer paradoxal mas não é!  O que podemos afirmar é que o conhecimento científico nos possibilita dar continuidade às investi­ gações feitas pelo próprio cientista ou por outro. É importante porque permite que o conhecimento se amplie, justamente pela possibilidade de ser testado, verificado, refutado ou confirmado,  podendo ser modificado e renovado continuamente.  E por que isso é possível com o conhecimento científico?  Porque... · ...resulta de um trabalho racional · ...pode ser transmitido a outros de forma sistemática · ...é objetivo, isto é, procura as estruturas universais e necessárias das coisas investigadas · ...prevê racionalmente novos fatos como efeitos dos já estudados · ...estabelece relações causais só depois de investigar a natureza ou estrutura do fato estudado e suas  relações com outros semelhantes ou diferentes.  Podemos dizer, pois, que apesar de sua relatividade, sob quase todos os aspectos, o conhecimento científico  difere ponto por ponto das características do senso comum.  Entretanto, ele não é aplicável por igual a todas as ciências, nem da mesma maneira em uma ciência formal,  como  a  Matemática,  e  em  uma  ciência  fática,  como  a  Fisiologia  ou  a  Química,  ou  nas  Ciências Humanas. Isto explica a múltipla variedade de técnicas e os diversos tipos de pesquisa.  Nesse sentido, os diversos tipos de pesquisa dependem:  ·  do problema, da natureza e da situação espaço­temporal do objeto a ser investigado;  ·  da natureza  e do nível  de conhecimento do investigador.  Segundo Oliveira (2002), “a pesquisa tem por objetivo estabelecer uma série de compreensões no sentido de descobrir respostas para as indagações e questões que existem em todos os ramos do conhecimen­ to humano, envolvendo os diversos tipos de ciências.”  Muitas vezes o pesquisador, ao finalizar uma pesquisa, sequer imagina que a mesma poderá ter uma aplicação prática. É neste sentido que o uso da ciência escapa das mãos dos pesquisadores. Por exemplo, a microfísica  ou  a  física  quântica  trabalha  com  armas  nucleares;  a  bioquímica  e  a  genética,  com  armas bacteriológicas;    as  teorias  sobre  a  luz  e  o  som  permitem  a  construção  de  satélites  artificiais,  que  são responsáveis por espionagem militar e guerras.  O investigador, ao se propor  a fazer uma pesquisa, parte da necessidade de utilizar uma série de conhecimentos  teóricos  e práticos,  além  da  capacidade de  manipular  as  técnicas,  conhecer os  métodos  e outros  tipos  de  procedimentos  para,  desse  modo,  alcançar  os  resultados  para  suas  questões  e  perguntas anteriormente formuladas.  Segundo Koche (2000), podemos distinguir três tipos de pesquisa: ·  BIBLIOGRÁFICA  –  explica um problema  utilizando o conhecimento disponível a partir de teorias publicadas em livros ou em obras congêneres. A grande contribuição deste tipo de pesquisa é que auxilia na compreensão do objeto de investigação, ou seja, parte do conhecimento e da análise  das contribui­ ções teóricas sobre um tema. É considerada um instrumento para qualquer tipo de pesquisa.
  • 80. Metodologia do Trabalho Científico 81 ·  EXPERIMENTAL  –    trabalha  com  o  problema  considerando  as  variáveis  que  se  referem  ao fenômeno  observado.  Por  meio  da  manipulação  na  qualidade  e  na  quantidade  das  variáveis  verifica­se  a relação entre causas e efeitos de um fenômeno, que é controlado e avaliado através dos resultados dessas relações. ·  DESCRITIVA    –    é  aquela  que  estuda  as  relações  entre  duas  ou  mais  variáveis  de  um  certo fenômeno, sem contudo, manipulá­las. Neste tipo de pesquisa, ocorre a constatação e avaliação das relações entre as  variáveis, à   medida que se manifestam  espontaneamente em fatos,  situações e condições  que já existem. A opção de utilizar a pesquisa experimental ou a pesquisa descritiva depende dos fatores como: natureza do problema e de suas variáveis; fontes de informação; recursos humanos, instrumentais e financei­ ros; capacidade do investigador, e outros.  O que irá determinar o tipo de pesquisa a ser realizada ou mesmo a combinação desses tipos de pesquisa, é a natureza do problema a ser investigado. EXER CÍ CI OS  DE  FI XAÇÃO 01.  Sabemos que o conhecimento é construído de várias formas. As alternativas abaixo exemplificam  como  um  conhecimento  foi  construído.  Partindo  desse  princípio  podemos  afirmar  que  o  conhecimento  é  construído:  Leia as afirmativas a seguir, relacionadas às formas como o conhecimento é adquirido e marque,  com um X, todas as afirmativas verdadeiras.  (  )  pela observação das informações do mundo externo;  (  )  pela memorização dos temas que caem nas avaliações da escola;  (  )  pela crença religiosa;  (  )  pela necessidade de o homem assumir uma posição passiva frente aos fatos e situações;  (  )  pelas  motivações  pessoais;  (  )  pela repetição do que ouvimos os outros falarem;  (  )  pela necessidade de ação e reação ao mundo externo;  (  )  pelas normas e procedimentos determinados por pais, professores e outros;  (  )  pelos ensinamentos  dos  filósofos;  (  )  pela  apropriação da  realidade;  (  )  pelas coisas  que experienciamos em  nosso cotidiano;  (  )  pela necessidade de compreender a cadeia de relações sociais isoladas;  (  )  pela necessidade de o homem assumir uma posição ativa frente aos desafios;  (  )  pela força de vontade e capacidade de explicar os fatos.
  • 81. 82 UNIUBE ­ Educação a Distância 02.  O conhecimento  é  produto  de um  enfrentamento  do  mundo  realizado  pelo homem  e só  tem  sentido quando o produzimos com a intenção de compreender a realidade.  Leia os itens a seguir, relacionados aos diversos tipos de conhecimento e marque com um x, as  características de cada tipo de conhecimento. Siga a legenda abaixo:  C  =  conhecimento  científico  SC  =  conhecimento do senso comum  F  =   conhecimento  filosófico  T  =   conhecimento  teológico  M =   conhecimento  mitológico  I  =   conhecimento  intelectual 03.  Identifique  e exemplifique  a diferença entre  CONHECIMENTO  e INFORMAÇÃO.  ____________________________________________________________________  ____________________________________________________________________  ____________________________________________________________________ 04.  Complete as sentenças, abaixo, usando os termos SENSO COMUM, CIENTÍFICO ou FILOSÓFICO  e marque X na alternativa CORRETA de acordo com o que você completou.  I)  Um médico, quando recomenda a uma pessoa que tome determinada medicação ele  faz essa recomendação porque está embasado em um conhecimento.....................  II)  Quando uma pessoa questiona sobre a qualidade de vida, reflete sobre esse assunto e  até redige  artigos com base  nessas reflexões  pessoais, essa pessoa  está produzindo  um  conhecimento...........................................  III) Quando uma pessoa faz um chá para baixar a febre e faz isso porque sempre viu seus  pais procederem assim, essa pessoa está procedendo com base em um conhecimento  .........................................  a) (       )  Científico, filosófico, de senso  comum;  b) (       )  Filosófico, científico, de senso  comum;  c) (       )  de senso  comum, filosófico, científico;  d) (       )  de senso comum, científico, filosófico.
  • 82. Metodologia do Trabalho Científico 8305.  Assinale a alternativa correta.  O homem, por ser dotado de racionalidade, procura compreender a realidade e agir sobre ela  tornando­a  mais  adequada  a  sua  necessidade.  Nesse  sentido,  o  homem,  ao  construir  conhecimento,  apropria­se  da  realidade  e,  assim,    a  modifica  em  benefício  próprio.  Sobre  o  conhecimento produzido pelo homem,  podemos afirmar que:  a)  (  )  o  conhecimento  pode  ser  construído  de  várias  formas,  pela  observação  das  informações  do  mundo  exterior;  pelas  crenças  religiosas;  pelos  sentimentos  e  motivações  das  pessoas.  b)  (  )  o conhecimento não pode ser construído de várias formas, a não ser pela observação,  experimentação e validação  dos resultados.  c)  (  )  o conhecimento  não pode ser construído pelos ensinamentos filosóficos, pelos diversos  segmentos da sociedade; pela experiência vivida no dia­a­dia, enfim, por diversas  formas.  d)  (  )  os dois tipos de conhecimento existentes são: o conhecimento de senso comum e o  conhecimento    científico. 06.  Relacione os tipo de conhecimento contidos na 1ª COLUNA com suas características contidas na  2ª COLUNA.  a)  Conhecimento  científico  (  )  Conhecimento  também  chamado  de  empírico,  porque refere­se à experiência imediata sobre  b)  Conhecimento  de  senso  comum  fatos ou fenômenos observados.  c)  Conhecimento  filosófico  (  )  Conhecimento que surge da necessidade de buscar  expl icações  sistemát icas,  que  possam  ser  d)  Conhecimento  mitológico  submetidas a testes e ao crivo da crítica.  (  )  Conhecimento resultante da reflexão, do raciocínio  lógico,  que  busca  conhecer  as  causas  primeiras  de todas as coisas.  (  )  Conhecimento que se vale da linguagem figurada,  metafórica fantasiosa para explicar a realidade em  geral, fatos da existência ou a própria existência. 07 .  O conhecimento na concepção do educador Luckesi, pode ser abordado de três formas: como  mecanismo de compreensão e transformação do mundo, como uma necessidade para a ação e  como elemento  de libertação.  Como elemento de libertação, o conhecimento:  a)  (  )  é uma necessidade de “iluminação” da realidade, possibilitando aberturas de caminhos  para uma vivência mais real.  b)  (  )  é uma necessidade para o ser humano, pois possibilita a sua atuação como sujeito  livre, responsável e atuante.  c)  (  )  é  importante  para  aquisição  da  Teoria  e  da  Prática  e  da  ação  e  reflexão  para  compreender e transformar o mundo.  d)  (  )  é importante porque possibilita a observação do mundo exterior, das crenças religiosas  e dos procedimentos e ensinamentos dos filósofos. 08.  Sobre o conhecimento podemos apontar que: (marque as três alternativas corretas)  a)  (  )  O conhecimento científico segue e obedece as ações não planejadas.  b)  (  )  O  conhecimento  científico  é  investigativo,  dinâmico,  sistematizado,  seguro  e  possibilita a avaliação confiável da realidade.  c)  (  )  O conhecimento baseado no senso comum é obtido através da aquisição espontânea  e instintiva.  d)  (  )  O conhecimento teológico está intimamente ligado à fé divina, à crença religiosa e  às emoções e sentimentos.  e)  (  )  O  conhecimento  filosófico  liga­se  à  interrogação,  ao  questionamento,  à  reflexão  crítica  e é resultado do raciocínio humano.
  • 83. 84 UNIUBE ­ Educação a Distância 09.  A  junção  dos  três  elementos:  dado,  informação  e  conhecimento,  são  fundamentais  para  a  realização  dos  estudos,  de  uma  pesquisa  e  de  um  trabalho  ligado  ao  conhecimento.  Assim  adquirimos  a  competência.  Sobre a aquisição da  competência  na realização de um trabalho científico, podemos afirmar  que:  a)  (  )  é adquirida através da realização de exercícios práticos e da produção de um trabalho  dentro de um rigoroso padrão exigido.  b)  (  )  é  adquirida  ao  transmitir  o  que  o  profissional  conhece,  sabe  explicar  e  concilia  conhecimento  com  habilidade  pessoal.  c)  (  )  é adquirida quando o profissional utiliza o computador e os seus múltiplos recursos  de improvisar a aquisição de conhecimentos  d)  (  )  é adquirida quando  um profissional utiliza somente a sua habilidade pessoal. 10.  No nosso século, obtemos milhões de informações instantaneamente e não as processamos de  maneira coerente e precisa, como fazemos com o conhecimento.  O conhecimento é,  portanto, diferente da informação.  Sobre os elementos que caracterizam a informação, podemos apontar:  I  –  A formalização de dados através de uma teoria lógica ou matemática;  I I  –  A ausência de um significado complexo e concreto;  III –  A existência de um “mundo real” do qual temos uma experiência direta.  IV  –  A base de um novo conhecimento, se soubermos transformá­lo e aplicá­lo em uma nova  situação.  Marque a alternativa que agrupa as afirmativas corretas  a)  (  )  I  e  II  b)  (  )  I  e  IV  c)  (  )  II  e  III  d)  (  )  III  e  IV 11.  Assinale com um V as alternativas corretas e com um F as alternativas falsas.  a)  (  )  O  conhecimento  científico  resulta  da  investigação  científica,  fornece  explicações  científicas, é seguro e confiável.  b)  (  )  O conhecimento do senso comum relaciona­se com a experiência imediata e cotidiana  e  n ão  compreende  ci en ti f i cament e  as  rel ações  exi sten t es  ent re  os  fenômenos.  c)  (  )  O  saber  humano  que  se  adquire  espontaneamente  sem  procura  sistemática,  sem  estudo ou reflexão própria denomina­se senso comum.  d)  (  )  Os elementos do senso comum podem ser caracterizados como profundas objetivas  sistemáticas, críticas, desprezando a tradição e as crenças  passadas de geração a  geração.  e)  (  ) O  senso  comum  prioriza  os  fatos  coletivos  porque  são  eles  que  justificam  o  conhecimento  científico.  f )  (  )  O senso comum trabalha com os resultados de maneira clara, precisa e metódica.  g)  (  )  O conhecimento adquirido pelo senso comum possibilita ao homem interpretar a si  mesmo e o mundo e facilita a resolução de problemas imediatos.
  • 84. Metodologia do Trabalho Científico 85 UN I DADE   4 N ORM AS DE AP RESEN TAÇÃO DE  TRABALHOS ACADÊM I COS  Iolanda Rodrigues Nunes  Valeska Guimarães Rezende da Cunha  André Luís Teixeira Fernandes  Ernani Cláudio Borges  Raul Sérgio Reis Rezende
  • 85. 86 UNIUBE ­ Educação a Distância
  • 86. Metodologia do Trabalho Científico 87  4.1  CON SI DER AÇÕES  I N I CI AI S  Nesta unidade, apresentaremos o que vem a ser trabalho acadêmico, questão geradora e levanta­ mento bibliográfico e, em seguida, trataremos das normas de apresentação desse tipo de trabalho.  Este material poderá ser consultado sempre que você tiver que realizar trabalhos durante o seu curso, pois são tratados aqui os aspectos mais técnicos e normativos da apresentação de trabalhos.  Então, atenção para as informações que se seguem!  1 ­ As normas técnicas para apresentação de trabalhos aqui expostas, são indicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).  2 ­ Estas normas aplicam­se aos trabalhos intra e extraescolares da graduação, que serão solicitados durante o seu curso.  4.2  O  TRABALHO  ACADÊM I CO  Trabalho acadêmico são as formas de trabalho exigidas dos(as) alunos(as) durante os cursos de graduação  e mesmo de pós­graduação, como parte das atividades que integram o processo de ensino­aprendizagem.  Tais  trabalhos  são  as  monogr afias,  os  relatór ios  de  estudo,  os  relatór ios  das  pr áticas  de  ensino,  os  r elatór ios  de  estágio,  os  r esumos  de  capítulos  ou  de  livr os,  as  r esenhas  e  outros,  que  sintetizam  posições e opiniões encontradas em outros textos ou pesquisas. Ao contrário das dissertações [mestrado],  teses [doutorado] e ensaios, que são exemplos de monografias científicas, resultado de uma pesquisa mais  ampla, profunda, rigorosa, autônoma e pessoal (SEVERINO, 2002).  Segundo a ABNT (2005, p.3), trabalhos acadêmicos ou similares, como trabalhos de conclusão de curso ­  TCC,  trabalhos de  graduação interdisciplinar  ­ TGI,  trabalhos de  conclusão de  curso de  especialização  e/ou  aperfeiçoamento,  são  documentos  que  representam  o  resultado  de  estudos,  devendo  expressar  conhecimento  do  assunto  escolhido,  sendo  obrigatoriamente  emanados  da  disciplina,  módulo,  estudo  independente, curso,ou programa. Devem ser feitos sempre sob a coordenação de um orientador.  No decorrer  do seu  curso, você  será solicitado(a) a  realizar muitos  trabalhos acadêmicos  e, por isso, é importante que aprenda como fazê­los. É através desses trabalhos que você, além de ampliar seus conhecimentos, inicar­se­á no método da pesquisa e da reflexão.  Agora que você já sabe o que é trabalho acadêmico, gostaríamos de ressaltar que cada trabalho exige uma forma de apresentação específica. Sendo assim, você deverá ficar atento(a) às especificidades de cada trabalho, pois nem todos exigem capa, folha de rosto ou outros elementos que estaremos apresentando aqui. Você sabe que  cada trabalho exige uma apresentação específica, mas antes de começar a fazer a  leitura das normas, iremos esclarecer melhor a importância de estudar as normas  técnicas. 
  • 87. 88 UNIUBE ­ Educação a Distância  Observe os textos abaixo:   texto 1  texto  3 Fonte: Folha de São Paulo, 28 de julho de 2003  texto 2  Carlos Drumond de Andrade  Fonte: Chauí, 2000. Fonte: Ministério da Agricultura / PROCAFÉ ­ 2003  Folder de divulgação  Estes  três  textos  estão  com  a  imagem  destorcida  propositalmente,  pois  queremos  chamar  a  sua atenção para a forma como estão apresentados. Observe como você consegue identificá­los, mesmo que não possa ler o que está escrito.  Quando observamos um texto, seja uma propaganda, uma poesia ou uma notícia de jornal, nós o identificamos pela linguagem e por sua forma de apresentação. Os textos acadêmicos também têm uma lin­ guagem própria, que caracteriza o discurso científico. A linguagem utilizada em um livro técnico, relatório ou uma monografia, por exemplo, não é a mesma utilizada em uma propaganda, em um texto jornalístico ou em um  poema. Mas,  além  de  uma linguagem  mais  formal,  os textos  acadêmicos  também  exigem uma  forma padronizada de apresentação, que os diferenciam de outros tipos de textos. Por isso, a importância de estudar as normas técnicas e padronizações formais, neste momento do seu curso.  A justificativa para tais normas reside no fato de que o objetivo de um trabalho acadêmico é o de apresentar a síntese das idéias estudadas sobre um determinado assunto ou a consolidação dos resultados de uma pesquisa científica. As monografias, dissertações, teses, livros e artigos científicos constituem o corpo do conhecimento científico já estabelecido e, sendo este um conhecimento especial, justificado empírica e racionalmente, embasado em rígidas normas metodológicas, nada mais natural do que normalizar também o produto final desse tipo de conhecimento, ou seja, normalizar a apresentação desses textos (dar­lhes uma forma própria).  Não devemos, no entanto, exagerar a importância dessas normas, nem, como comumente se faz, confundi­las com a própria metodologia científica.
  • 88. Metodologia do Trabalho Científico 89 Leia com atenção as explicações, a seguir:  A metodologia científica trata dos métodos e  processos de produção do conhecimento científico  e está relacionada com a forma de obtenção e de justificativa desse tipo de conhecimento.  As normas e técnicas de textos científicos representam um conjunto de regras e normas, definidas  pela própria comunidade acadêmica, com a finalidade de padronizar a apresentação desses textos.  No Brasil, as normas técnicas dos textos científicos são regulamentadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em documentos identificados por número, data e título. O número sempre possui o prefixo NBR e o título explicita o aspecto que está sendo normatizado e a data corresponde ao mês e ao ano de publicação da norma.  Por exemplo, a NBR 6023: Informação e documentação – Referências – Elaboração, de  agosto de 2002, estabelece os elementos a serem incluídos em referências.  Além das normas da ABNT, em sua versão oficial, há inúmeros livros publicados que apresentam, de forma didática, uma compilação dessas normas. Muitos deles, inclusive, esclarecendo sobre outros as­ pectos da produção de trabalhos científicos, que vão muito além das normas técnicas.  4.3  A  ELABORAÇÃO  DA  QUESTÃO  GERADORA  Para  chegar à elaboração de um trabalho acadêmico, do tipo dissertativo, é necessário, em primei­ ro lugar, escolher um assunto, delimitando­o com precisão.  Quando um professor solicita um trabalho na graduação, geralmente ele indica o assunto, cabendo ao(à) aluno(a)  delimitá­lo melhor.  Essa delimitação  do assunto  pode ser  feita de  várias formas,  mas aqui estaremos sugerindo que você o delimite a partir de uma questão, a qual chamaremos de questão geradora. Acreditamos que, a partir de um questionamento, fica mais fácil escrever sobre um determinado assunto, pois uma pergunta é sempre problematizadora.  Bem, uma vez que se tenha definido o assunto, faz­se necessário elaborar a questão geradora.
  • 89. 90 UNIUBE ­ Educação a Distância  E como elaborar uma questão geradora?  Deve­se fazer uma pergunta que desperte o desejo de buscar a resposta. Ao elaboramos uma pergun­ ta estamos, na verdade, problematizando, e, assim, delimitando o assunto. De um modo geral, o assunto é amplo, mas quando elaboramos uma pergunta, especificamos melhor sobre o que queremos tratar. Veja, nos exemplos, a seguir, como a pergunta nos coloca um problema e delimita cada assunto. Exemplos:  ASSUNTO:  “Direito do trabalhador”  PERGUNTA:  A reforma, que está sendo proposta nas leis trabalhistas, pelo atual governo, irá  beneficiar ou prejudicar o trabalhador?  ASSUNTO:  “Internet”  PERGUNTA:  A Internet leva ao individualismo ou contribui para aumentar o espírito colaborativo  entre as pessoas?  Essa pergunta é o que chamamos de questão geradora. É chamada de questão geradora, pois, ao tentar respondê­la, será necessário tomar uma posição e, para tal, será necessário fazer leituras a respeito do assunto. Essas leituras trarão idéias, que ajudarão na argumentação e, conseqüentemente, na elaboração do texto. Portanto, o  conhecimento que será construído a  partir das leituras realizadas será  gerado por essa pergunta, ou seja, por essa busca de encontrar a resposta.  Não é necessário encontrar respostas definitivas, pois o conhecimento produzido nunca é abso­  luto, sendo sempre passível de reformulações. Está sempre em construção/reconstrução. O im­  portante é encontrar algumas respostas, que possam abrir caminhos para novos questionamentos.  4.4  O  LEVAN TAM EN TO  BI BLI OGRÁFI CO  E  AS  AN OTAÇÕES  Depois de definir o assunto e elaborar a questão geradora, chegou o momento de fazer o primeiro levantamento  bibliográfico.  Um levantamento bibliográfico se faz indo à biblioteca e procurando por revistas especializadas e livros que tratam do assunto definido. Uma outra forma de fazer levantamento bibliográfico, muito utilizada atualmente, é pela Internet.  Ao fazer esse levantamento, deve­se anotar todos os dados das fontes encontradas (nome do autor, título da obra, editora, ano, dentre outros.). Ao encontrar artigos na Internet, deve­se anotar o endereço da página e a data da consulta.  De posse desses materiais, deve­se seguir os seguintes passos:  1. Folhear o livro e ler o sumário para identificar os assuntos principais que contém.  2. Fazer uma leitura breve do prefácio dos livros encontrados.  3. Fazer uma leitura rápida dos artigos encontrados.  Esse primeiro contato com o levantamento bibliográfico realizado é para se certificar de que, nes­ ses materiais, há realmente um conteúdo que irá ajudar na elaboração da resposta à questão geradora.  Após esse primeiro contato e seleção dos materiais que realmente interessam, chegou o momento de proceder a uma leitura mais detalhada.  Ao fazer essa leitura detalhada de cada livro, capítulo ou artigo, é importante fazer o registro dos mesmos, pois tais registros serão fundamentais na elaboração do trabalho. 
  • 90. Metodologia do Trabalho Científico 91 4.5  ESTRUTURA,  ETAP AS  E  P RI N CI P AI S  ELEM EN TOS  DO  TRABALHO  A CA DÊM I CO  Um trabalho acadêmico deve ser apresentado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ­ ABNT. Veja a figura, a seguir, que apresenta a ordem em que devem estar dispostos os elementos para a apresentação de um trabalho:    is ua Índice  xt te Anexos  s­ Apêndice  Pó Glossário  Referências    is ua Conclusão  xt Te Desenvolvimento  Introdução  Sumário  Listas de ilustrações, tabelas,  abreviaturas, siglas e símbolos  Resumo em língua estrangeira  s  ai Resumo na  língua vernácula  u xt te Epígrafe  é­ Agradecimentos  Pr Dedicatória  Folha de aprovação  Errata  Folha de rosto  Capa  Legenda Elementos  Obrigatórios  Elementos  Opicionais  Figura 1 ­ As partes de um trabalho monográfico  Veja a seqüência dos elementos que, de um modo geral, são solicitados em trabalhos acadêmicos de cursos de graduação, na Universidade de Uberaba.  Quadro 1 ­ Elementos mais utilizados em trabalhos acadêmicos  na  UNIUBE.  Ele mentos pré­textuais  Ele mentos  textuais  Ele mentos p ós­textuais  Capa  Introdução  Referências  Folha de rosto  Desenvolvimento  Apêndices  Agradecimento / Dedicatória  Resumo  Conclusão  Anexos  Listas de figuras, tabelas,  abreviaturas  Sumário  Veremos, a seguir, detalhadamente, cada um desses tópicos. 
  • 91. 92 UNIUBE ­ Educação a Distância  4.5.1  ­  CAP A  “Proteção externa do trabalho e sobre a qual se imprimem as informações  indispensáveis à sua identificação.” (ABNT, 2005)  A capa deve conter os seguintes elementos, que devem figurar na seguinte ordem:  Quadro 2 ­ Elementos  utilizados em uma capa  • Nome da instituição (opcional)  • Nome do autor  • Título  • Subtítulo, se houver  • Local  O  título  deve  expressar  o  tema  do  trabalho,  sendo  • Ano de depósito (da entrega)  apresentado  de  forma  concisa.  Lembrar  que  o  título  do  trabalho  será  lido  por  muitas  pessoas.  Um  bom  título deve ser:  a)  curto;  b) específico e  c)  sem  fórmulas  de  qualquer  espécie.  Não se recomendam: títulos­frases, títulos­perguntas.  Existem vários modelos de capa.  Apresentaremos um modelo adotado pela Universidade de Uberaba, dentro das normas da ABNT:  Aproximadamente  12,0  cm  Margem  superior:  3,0  cm  UNIVERSIDADE DE UBERABA  <NOME  DOS AUTORES>  Fonte: Times New Roman ou Arial  Tamanho: 14  Estilo: negrito  <TÍTULO  DO  TRABALHO:  SUBTÍ TUL O>  Alinhamento: centralizado  Espaçamento entre linhas: simples  Todas as letras em maiúsculas  Margem  esquerda:  3,0  cm  Margem  direita  2,0  cm  Fonte: Times New Roman ou Arial  Tamanho: 12  UBERABA ­ MG  Estilo: normal (sem negrito)  2006  Alinhamento: centralizado  Margem  inferior:  2,0  cm  Espaçamento entre linhas: simples  Todas as letras em maiúsculas  Figura 2 ­ Modelo de uma capa de um trabalho acadêmico.  4.5.2  FOLHA DE ROSTO  É na folha de rosto que se apresentam os elementos essenciais à identificação do trabalho e é também  nela que se esclarece qual é o tipo de documento ­ monografia, dissertação, tese, dentre outos
  • 92. Metodologia do Trabalho Científico 93  A folha de rosto deve conter os seguintes elementos:  Quadro 3 ­ Elementos utilizados em uma folha de rosto  • Nome  do  autor  • Título  • Subtítulo, se houver (evidenciar a subordinação ao título)  • Natureza do trabalho (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso) e  objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e outros); nome da  instituição a que é submetido; área de concentração.  • Nome do orientador(a) e, se houver, do co­orientador  • Local  • Ano de depósito (da entrega)  Existem vários modelos de folha de rosto. O modelo adotado pela Universidade de Uberaba, de acordo com as normas da ABNT, é o seguinte:  Aproximadamente  12,0  cm  Margem  superior:  3,0  cm  Aproximadamente  15,0  cm  <NOME  DOS AUTORES>  Fonte: Times New Roman ou Arial  Tamanho: 14  Estilo: negrito  Alinhamento: centralizado  Espaçamento entre linhas: simples  Todas as letras em maiúsculas  <TÍTULO  DO  TRABALHO:  SUBTÍ TUL O>  Fonte: Times New Roman ou Arial  Trabalho apresentado à Universidade de  Tamanho: 12  Uberaba,  como parte  das exigências  à  Estilo: normal (sem negrito)  conclusão da disciplina de Metodologia  Alinhamento: justificado  do Trabalho Científico do 1º semestre do  Espaçamento entre linhas: simples  curso de Xxxxxx  Margem  direita  2,0  cm  Margem  esquerda:  3,0  cm  Recuo  esquerdo:  8,0  cm  Orientador: Monomo nomono momo  Fonte: Times New Roman ou Arial  Tamanho: 12  UBERABA ­ MG  Estilo: normal (sem negrito)  2006  Alinhamento: centralizado  Margem  inferior:  2,0  cm  Espaçamento entre linhas: simples  Todas as letras em maiúsculas  Figura  3 ­ Modelo de uma folha de rosto.  No verso da folha de rosto, para trabalhos de conclusão de curso, deverá figurar a ficha catalográfica, que contém as informações fundamentais de um documento, tais como: autor, título, local, data, assunto, número de folhas, dentre outros. Normalmente ela é eleaborada pela biblioteca central, mediante solicitação prévia.  4.5.3  FOLHA  DE AP ROVAÇÃO  Página inserida na versão final de trabalhos acadêmicos e contém os elementos  essenciais para a aprovação de um  trabalho. A folha de aprovação deve conter os seguintes elementos:  Quadro 4 ­ Elementos utilizados em uma folha de aprovação  • Nome  do  autor  • Título  • Subtítulo, se houver  • Natureza do trabalho  • Área  de  concentração  (campo  do  conhecimento)  • Data  de aprovação  • Assinatura, titulação e instituição dos membros da banca examinadora 
  • 93. 94 UNIUBE ­ Educação a Distância  Margem  superior:  3,0  cm  Fonte: Times New Roman ou Arial  <  NOME  DOS AUTORES>  Tamanho: 14  Estilo: negrito  Alinhamento: centralizado  Espaçamento entre linhas: simples  <TÍTULO  DO  TRABALHO:  SUBTÍ TUL O>  Todas as letras em maiúsculas  Margem  esquerda:  3,0  cm  Trabalho apresentado à Universidade de  Fonte: Times New Roman ou Arial  Uberaba,  como parte  das exigências  à  Tamanho: 12  conclusão da disciplina de Metodologia do  Estilo: normal (sem negrito)  Trabalho Científico do 1º semestre do curso  Alinhamento: justificado  de Xxxxxx, sob orientação do Prof. Xxxx  Xxxx.  Espaçamento entre linhas: simples  Área de concentração:  Xxxxxx  Fonte: Times New Roman ou Arial  Tamanho: 12  Margem  direita  2,0  cm  Aprovado em: dia/mês/ano  Estilo: normal (sem negrito)  Banca Examinadora:  Alinhamento: justificado  Espaçamento entre linhas: simples  Titulação. Nome do examinador  Instituição a que pertence  Titulação. Nome do examinador  Instituição a que pertence  Fonte: Times New Roman ou Arial  Titulação. Nome do examinador  Instituição a que pertence  Tamanho: 12  Estilo: normal (sem negrito)  Alinhamento: centralizado  Margem  inferior:  2,0  cm  Espaçamento entre linhas: simples  Figura  4 ­ Modelo de uma folha de aprovação.  4.5.4  DEDI CATÓR I A  (opcional)  A  dedicatória  é  um  item  opcional  do  trabalho,  ficando  a cargo do autor colocá­la ou não. Representa um pequeno texto atra­ vés do qual se presta homenagem a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, dedicando­lhe(s) o trabalho. Veja um exemplo, ao lado:  Aos  meus  pais,  Paulo  e  Maria,  pela paciência, ca­  rinho  e  apoio  in­  condicionais  Figura 5 ­ Modelo de  dedicatória  4.5.5    AGR ADECI M EN TOS  (opcional)  Também de caráter opcional, colocado após a dedicatória, correspondem a um texto em estilo livre no qual se agradece a pesso­  Expresso  aqui a  minha sincera  gratidão: as e/ou a instituições que colaboraram para a realização do trabalho.  a minha  esposa Aparecida,  pela paciência  e toda ajuda na digitação e revisão grama­ Algumas agências de fomento à pesquisa costumam “exigir” serem  tical; citadas nos agradecimentos, caso tenham fornecido bolsa ao estudan­  aos Srs. José Bonifácio e Aristides  Antão,  que me permitiram pesquisar em suas fa­ te. Veja, ao lado, um exemplo de agradecimento.  zendas;  a  FAPEMIG  ­  Fundação  de Amparo  à  Pesquisa do Estado de Minas Gerais, pela  concessão  de bolsa  de Iniciação  Científi­  ca;  ao  grupo  de tutores  da  Universidade  de  Uberaba,  sempre  solícitos  a  esclarecer  todas  as minhas  dúvidas;  a minha orientadora Erileine Benedeti, que  com  muita  competência me  ajudou    nas  diversas  fases  de minha  pesquisa. Figura 6 ­ Modelo de agradecimento 
  • 94. Metodologia do Trabalho Científico 95 4.5.6  LI STAS  DE  FI GURAS,  TABELAS  E  ABREVI ATURAS  (opcional)  Consiste  numa  relação  com  nome,  número  e  página  de  todas  as  figuras,  tabelas    e  abreviaturas presentes no trabalho. É um item de caráter opcional. Recomendamos sua inclusão sempre que houver mais de cinco itens a relacionar. Convém separar os itens de natureza distinta em listas distintas, fazendo uma lista de tabelas, uma de ilustrações e uma de abreviaturas. Vejamos um exemplo de lista de figuras e outro de relação de  abreviaturas:  LISTA DE FIGURAS  LISTA DE ABREVIATURAS  ABNT–  Associação Brasileira de  Normas Técnicas  Figura  1  ­  Mapa  de  Solos  do  Triângulo  Mineiro .................................... 1 7  EAD  –  Educação a Distância  Figura  2 ­  Lavoura  não  irrigada  em  CNPq –  Conselho Nacional de  Itajubá .................................... 2 2  Desenvolvimento Científico e  Tecnológico  Figura  3 ­  Lavoura  irrigada  em  São  Roque  de  Minas ...................... 2 3  IBGE  –  Instituto Brasileiro de  Figura  4 ­  Esquema  de  um  sistema  Geografia e Estatística  pivô  central  ............................. 2 7  MEC  –  Ministério da Educação e  Figura  5  ­  Fluxo  de  água  pelo  pivô  Cultura  central ..................................... 2 9  Figura  6  ­  Esquema  geral  do  sistema  de  gotejamento ............................ 3 5  Figura  7  ­  Localização  das  lavouras  no  Triângulo  Mineiro ..................... 4 0  Figura  7 ­ Modelo de lista de figuras  Figura 8 ­ Modelo de lista de abreviaturas (categoria  siglas) 4.5.7  SU M Á RI O  Representa  uma  relação  das  principais  divisões,  seções e outras partes do trabalho, que devem  SUMÁRIO  estar dispostos na mesma ordem em que aparecem no  texto, com indicação do número da página. Vejamos  1  Introdução ................................................07  um exemplo:  1.1  Considerações gerais ....................... 09  1.2 Conceito de texto ..............................10  1.3 Modos de organização dos textos  acadêmicos ....................................... 15  2  Procedimentos de leitura ........................27  3. Conclusão  ............................................... 31  Anexos ......................................................... 35  Exercícios de verificação da  aprendizagem ..............................................43  Referencial de respostas ............................49  Referências ................................................. 51  Figura  9 ­ Modelo de um sumário 
  • 95. 96 UNIUBE ­ Educação a Distância  4.5.8  I N TRODU ÇÃ O  Segundo a ABNT (2002b), introdução é a “parte inicial do texto, onde devem constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e outros elementos necessário para situar o tema do trabalho”. Como sugestão, para facilitar a elaboração da Introdução, basta responder, na sequência, às seguintes questões:  1) De que assunto trata o seu trabalho?  2) Por que é importante tratar esse assunto?  3) Como você tratou o assunto?  4) Qual o seu objetivo neste trabalho?  4.5.9  DESEN VOLVI M EN TO  O desenvolvimento do texto é feito em parágrafos, os quais devem apresentar os argumentos do autor com o seu posicionamento em relação à questão que foi colocada. Esses parágrafos devem ter uma relação  entre  si,  mantendo  uma  unidade  de  sentido.  Para  elaborar  o  desenvolvimento,  são  utilizadas  as citações, que serão vistas em tópico mais adiante.  4.5.10  CON CLUSÃ O  Na conclusão de um texto, o autor deve apresentar o seu posicionamento final. Se, durante o desen­ volvimento, foram apresentados os argumentos com o objetivo de convencer o leitor, ao final do texto, o autor deve dedicar de um a dois parágrafos para indicar sua posição, sua expectativa em relação a outras possibilidades de ação, apontar sugestões, enfim, deve deixar claro o seu posicionamento.  4.5.11  AP ÊN DI CES  E  AN EXOS  ( opcional)  Apêndices são documentos elabora­  Anexos  são  os  documentos,  nem  dos pelo autor, a fim de complemen­  sempre  do  próprio  autor,  que  tar sua argumentação, sem prejuízo da  servem de fundamentação, compro­  unidade nuclear do trabalho.  vação ou ilustração.  Esses elementos são identificados por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respecti­ vos títulos, devem ser enumerados, identificados e referenciados no texto. Veja, a seguir, alguns exemplos destas identificações que figuram na parte superior da folha:  APÊNDICE A ­ Avaliação numérica de células inflamatórias  ANEXO A ­ Representação gráfica da uniformidade do sistema de irrigação por gotejamento.
  • 96. Metodologia do Trabalho Científico 97  4.5.12  R EFER ÊN CI A S  Referência é o conjunto de elementos que permitem a identificação de documentos impressos ou registrados  em qualquer suporte físico, tais como: livros, periódicos e material audiovisual, no todo ou em parte.  Quando se faz uma referência deve­se levar em consideração a ordem convencional dos seus ele­ mentos,  prevista  pelas  normas  da ABNT.  Para  cada  tipo  de  material  consultado,  existe  uma  composição adequada  de  elementos. Veja,  a  seguir,  alguns  exemplos  da  estrutura  básica  de  algumas  referências  mais utilizadas, e como estas composições devem ser elaboradas:  Monografia como um todo  Inclui:  livros, folhetos, manuais, dicionários, catálogos, guias, enciclopédias, trabalhos acadêmicos  (dissertações, teses, relatórios, resenhas, dentre outros).  Estrutura com os elementos essenciais:  SOBRENOME, pré­nome. Título: subtítulo. Edição. Local de publicação: Editora, ano de publicação. Número  de páginas.  Somente utilizado a  partir da 2ª edição  Quando possuir  Exemplo:  Dados para a elaboração: Título do livro: Convite à Filosofia  Autora: Marilena Chauí  Edição: 13ª / 2003  Local  de  publicação:  São  Paulo  Editora: Ática  Total de páginas: 424  Composição: CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2003. 424 p.  Estrutura com elementos essenciais e complementares:  SOBRENOME DO AUTOR, Prenome. Título: subtítulo. Indicação de tradutor/revisor. Edição. Local: Editora,  Data. Paginação ou volume, ilustração, dimensões. (série ou coleção). Notas. ISBN.  Variações:  Dois a três autores: separam­se os nomes dos autores por ponto­e­vírgula.  SANTINATO, Roberto; FERNANDES, André Luís Teixeira. Cultivo do cafeeiro irrigado em plantio  circular sob pivô central. Belo Horizonte: O Lutador, 2002. 251 p.  Mais de três autores: indica­se apenas o primeiro autor seguido da expresão ‘et al.’ (que significa ‘e outros’).  Em casos específicos (projetos de pesquisa científica, indicações de produção científica em relatórios para  órgãos de financiamento, etc.) nas quais a menção dos nomes é necessária para indicar a autoria, é  facultado indicar todos os nomes.  XAVIER, Carlos Magno da Silva et al. Metodologia do Gerenciamento de Projetos: Methodware. 3  ed. São Paulo: Livraria Universitária, 2005. 336 p.  Quando a autoria for de orgãos govenamentais: A entrada é feita pelo nome geográfico, em caixa alta.  SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Entendendo o meio ambiente. São Paulo,  1999. 35 p.  O autor é o editor (Ed.), organizador (Org.), coordenador (Coord.) ou compilador (Comp.): coloca­se a  indicação do tipo de participação após o nome do(s) responsável(eis).  ESCOBAR, Marco Antônio; ABRÃO, Maria Bárbara; CUNHA, Valeska Guimarães Rezende da (Org.).  Série Licenciatura: letras português/inglês. Uberaba: Universidade de Uberaba, 2006. v. 3, n.1.  Sem autoria conhecida: A entrada é feita pelo título, com a primeira palavra em caixa alta.  ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopaedia Britannica, 1993. 20 v.
  • 97. 98 UNIUBE ­ Educação a Distância  Indicação de tradutor, prefaciador, revisor, ilustrador, dentre outros: Indica­se após o título, conforme  aparece no documento.  NORTON, Peter; AITKEN, Peter; WILTON, Richard Peter. Norton: a bíblia do programador.  Tradução: Geraldo Costa Filho. Rio de Janeiro: Campus, 1994. 640 p.  Dividido em mais de um volume (para referenciar todos os volumes): indica­se o número total de volumes  seguido da abreviatura v.  DOLCE, Osvaldo; POMPEO, José Nicolau. Fundamentos de matemática elementar. São Paulo:  Atual, 1993. 10 v.  Dividido em mais de um volume (para referenciar apenas um dos volumes): indica­se o número do volume  consultado precedido da abreviatura v.  BARBOTTIN, Gerard; VAPAILLE, Andre (Ed.). Instabilities in silicon devices: silicon passivation  and related instabilites. Amsterdam:Elsevier Science, 1989. v. 2.  Faz parte de uma coleção: indicar o nome da coleção, após o número de páginas, entre parênteses.  ALENCAR, José de. O guarani. 20. ed. São Paulo: Ática, 1996. 153 p. (Bom Livro)  Disponível em meio eletrônico (Internet): indica­se, ao final da referência, o endereço da página e a data  em que houve o acesso.  AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. 3.ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. Disponível  em: <http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/autores/alvaresazevedo/taverna/taverna.pdf>. Acesso em:  jul. 2006.  Disponível em meio eletrônico (CD­ROM): indica­se, ao final da referência, a quantidade de CDs, seguida  do termo CD­ROM.  KINDERSLEY, Dorling. O corpo humano 2.0. São Paulo: Globo, 1997. 1 CD­ROM.  Com ISBN: indica­se o número (International Standard Book Numbering ­ numeração internacional para livros),  precedido do termo ISBN.  CRUZ, Carla; RIBEIRO, Uira. Metodologia Científica: Teoria e Prática. 2.ed. Rio de Janeiro: Axcel  Books, 2004. 340 p. ISBN 8573232366.  Dissertação de mestrado:  FERREIRA, Marisa Auxiliadora Mayrink Santos. As influências da vida escolar na escolha da  profissão e na formação docente. 2003. 155 f. Dissertação (Mestrado em Educação)  Universidade de Uberaba, Uberaba, 2003.  Parte de Monografia  Inclui:  capítulo de livro, e outras partes de uma obra. Estrutura com os elementos essenciais:  SOBRENOME, pré­nome. Título da parte. In: SOBRENOME, pré­nome. Título: Subtítulo. Edição. Local de  publicação: Editora, ano de publicação. Número do capítulo, páginas em que o capítulo está.  Quando possuir  Exemplo (quando o autor do capítulo é diferente do autor do livro):  Dados para a elaboração: Capítulo: Imagens da juventude na era moderna  Número do capítulo: 3  Autores do Capítulo: Giovan Romano  Título do livro: História dos jovens 2  Organizadores do livro: Giovanni Levi e Jean Claude Schimidt  Edição: 1ª / 1996  Local  de  publicação:  São  Paulo  Editora: Companhia da Letras  Páginas que compreende o capítulo: de 15 à 24.  Composição:  ROMANO, Giovani. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, Giovanni; SCHMIDT. Jean  Claude (Org.). História dos jovens 2. São Paulo: Companhia da Letras, 1996. cap. 3. p. 15­24. 
  • 98. Metodologia do Trabalho Científico 99 Exemplo (quando o autor do capítulo é o mesmo do livro):  Dados para a elaboração:  Capítulo: Semelhança de  triângulos e  potência de  ponto  Número do capítulo: XIII  Autores do Capítulo: Osvaldo Dolce e José Nicolau Pompeo  Título do livro: Fundamentos de Matemática Elementar  Autores do livro: Osvaldo Dolce e José Nicolau Pompeo  Edição: 7ª / 1993  Volume:  9  Local  de  publicação:  São  Paulo  Editora: Ática  Páginas que compreende o capítulo: de 198 à 212  Composição:  DOLCE, Osvaldo; POMPEO, José Nicolau. Semelhança de triângulos e potência de ponto. In:  ______. Fundamentos de matemática elementar: geometria plana. 7. ed. São Paulo: Atual,  1993. cap. XIII, v. 9, p.198­212.  Publicação periódica ­ Coleção como um todo  Publicação  periódica Inclui:  Coleção completa de periódico  São  publicações  editadas  em  unidade  físicas sucessivas (ABNT, 2005) Estrutura com os elementos essenciais:  TÍTULO DO PERIÓDICO, Local de publicação: Editora, ano de início­encerramento da coleção. Periodicidade. ISSN Exemplo:  Dados para a elaboração: Título do periódico: Revista Brasileira de Geografia  Local de publicação: Rio de Janeiro  Editora: IBGE  Período de publicação: 1939 ­ atual  Periodicidade:  trimestral  ISSN: 0034­723X Composição: REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939­. Trimestral. ISSN 0034­723X  Publicação periódica ­ Fascículo no todo Inclui:  Fascículo completo de revista Estrutura com os elementos essenciais:  TÍTULO DO PERIÓDICO, Local de publicação: Editora, volume, número, mês e ano de publicação. total de páginas. Exemplo:  Composição: REVISTA JURÍDICA UNIJUS. Uberaba: Uniube, v. 6, n. 2, ago. 2003, 239 p.  Artigo e/ou matéria de revista, boletim, etc. Inclui:  parte de publicações periódicas (volumes, fascículos, números especiais e suplementos, com título  próprio), comunicações, editoriais, etc.Estrutura com os elementos essenciais:  SOBRENOME, pré­nome. Título da parte, artigo ou matéria. Título da publicação, Local de publicação, numeração  correspondente ao volume e/ou ano, fascículo ou número, paginação inicial e final (quando se tratar de artigo ou  matéria), data ou intervalo de publicação. Exemplo:  Dados para a elaboração:  Autores: André Luís Teixeira Fernandes, Rubens Duarte Coelho e Tarlei Arriel Botrel  Título do artigo: Avaliação do desempenho hidráulico da bomba injetora Indek para fertigação  Título do periódico: Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental  Local de publicação: Campina Grande  Volume: 7; Número: 3; Páginas: 409 até 414  Ano de publicação: 2003 Composição: FERNANDES, André Luís Teixeira; COELHO, Rubens Duarte; BOTREL, Tarlei Arriel. Avaliação  do  desempenho  hidráulico  da  bomba  injetora  Indek  para  fertigação.  Revista  Brasileira  de  Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 7, n. 3, p. 409­414, 2003. 
  • 99. 100 UNIUBE ­ Educação a Distância  Artigo e/ou matéria de revista, boletim, etc. em meio eletrônico  As referências devem obedecer aos padrões indicados para artigo e/ou matéria de revista, boletim, etc., de  acordo com o tópico anterior, acrescidas das informações à descrição física do meio eletrônico (disquetes,  CD­ROM, online, etc.).  Exemplos:  VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de Janeiro, n.2, 1994. 1 CD­ROM.  SILVA, M. M. L. Crimes da era digital. .Net, Rio de Janeiro, nov. 1998. Seção Ponto de Vista. Disponível em: <http://  www.brazilnet.com.br/contexts/brasilrevistas.htm>. Acesso em 28 nov. 1998.  Artigo e/ou matéria de jornal  Inclui:  comunicações, editorial, entrevistas, recensões, reportagens, resenhas e outros.  Estrutura com os elementos essenciais:  SOBRENOME, pré­nome. Título. Título do jornal, Local de publicação, data de publicação, seção, caderno ou parte  do jornal e a paginação correspondente. Quando não houver seção, caderno ou parte, a paginação do artigo precede  a data.  Exemplo:  Dados para a elaboração:  Autor: Luiz Roberto Amaral  Título do artigo: A feijoada completa nacional: uma revolução do bom e velho feijão com arroz  Título do jornal: Jornal Revelação  Local de publicação:  Uberaba  Data de publicação: 15 de junho de 2006  Paginação: páginas 6 e 7  Composição:  AMARAL, Luiz Roberto. A feijoada completa nacional: uma revolução do bom e velho feijão com arroz.  Jornal Revelação, Uberaba, p. 6­7, 15 jun. 2006.  Artigo e/ou matéria de jornal em meio eletrônico  As referências devem obedecer aos padrões indicados para artigo e/ou matéria de jornal, de acordo com o  tópico anterior, acrescidas das informações à descrição física do meio eletrônico (disquetes, CD­ROM, online,  etc.).  Exemplo:  GUIBU, Fábio . MST inicia jornada de lutas com invasões em Pernambuco. Folha de São Paulo, São Paulo, 26 jul.  2006. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u80715.shtml>.  Acesso em: 26 jul. 2006.  Trabalho apresentado em evento  Estrutura com os elementos essenciais:  Inclui:  trabalhos apresentados em eventos (parte do evento) SOBRENOME, pré­nome.  Título do trabalho apresentado, seguido da expressão In:, NOME DO EVENTO, numeração  do evento (se houver), ano e local (cidade) de realização, título do documento (anais, atas, tópico temático), local,  editora, data de publicação e página inicial e final da parte referenciada.  Exemplo:  Dados para a elaboração:  Autores: André Luís Teixeira Fernandes, Luís César Dias Drumone e Roberto Santinato  Título do artigo: Avaliação de diferentes fontes de fertilizantes minerais e organominerais na  nutrição do cafeeiro fertirrigado por gotejamento.  Nome do evento: Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada  Numeração do evento: VIII  Ano de realização: 2006; Local de realização: Araguari; Páginas: 25 a 29  Local de publicação: Araguari; Editora: Associação dos Cafeicultores de Araguari;  Data de publicação: março de 2006  Título do documento: Anais  Composição: FERNANDES, André Luís Teixeira; DRUMOND, Luís César Dias; SANTINATO, Roberto. In:  SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PESQUISA EM CAFEICULTURA IRRIGADA, 8., 2006, Araguari.  Anais... Araguari: Associação dos Cafeicultores de Araguari, 2006. p. 25­29. 
  • 100. Metodologia do Trabalho Científico 101  Trabalho apresentado em evento em meio eletrônico  As referências devem obedecer aos padrões indicados para trabalhos apresentados em eventos, de acordo  com o tópico anterior, acrescidas das informações à descrição física do meio eletrônico (disquetes, CD­ROM,  online, etc.).  Exemplo:  SILVA, R. N.; OLIVEIRA, T. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade total na educação. In: CONGRESSO DE  INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais eletrônicos.... Recife.: UFPe, 1996. Disponível em: <http:/  /www.propesq.ufpe.br/anais/anais/educ/ce04.htm>.  Acesso em: 21 jan. 1997.  Documento jurídico  Inclui: legislação, jurisprudência (decisões judiciais) e doutrina (interpretação dos textos legais).  LEGISLAÇÃO  Compreende a Constituição, as emendas constitucionais e os textos legais infraconstitucionais e  normas emanadas das entidades públicas e privadas: os elementos essenciais são: jurisdição, título,  numeração,  data  e  dados  da  publicação.  No  caso  de  Constituições  e  suas  emendas,  entre  o  nome  da  jurisdição e o título, acrescenta­se a palavra Constituição, seguida do ano de promulgação, entre parênteses.  Exemplo:  SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex: coletânea de legislação e jurisprudência,  São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217­220, 1998.  JURISPRUDÊNCIA  Compreende súmulas, enunciados, acórdãos, sentenças e demais decisões judiciais: os elementos  essenciais são: jurisdição e órgão judicionário competente, título (natureza da decisão ou ementa) e número,  partes envolvidas (se houver), relator, local, data e dados da publicação.  Exemplo:  BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. In: ________. Súmulas. São Paulo:  Associação dos Advogados do  Brasil, 1994. p.16.  DOUTRINA  Inclui toda e qualquer disposição técnica sobre questões legais (monografias, artigos de periódicos,  papers, etc.), referenciada conforme o tipo de publicação.  Exemplo:  BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do Consumidor. Revista  Trimestral de Jurisprudência dos Estados. São Paulo, v. 19, n. 139, p. 53­72, ago. 1995. REGRAS GERAI S DE AP RESENTAÇÃO DE REFERÊNCI A (NBR 2002a) ·  Para compor cada referência, deve­se obedecer à seqüência dos elementos conforme apresentados  nos exemplos das páginas 97 a 101 desta unidade. ·  As  referências  são  alinhadas  somente  à  margem  esquerda  do  texto  e  de  forma  a  identificar  individualmente cada documento em espaço simples e separados entre si por espaço duplo. ·  Quando apresentadas em nota de rodapé serão alinhadas a partir da segunda linha da mesma referência,  abaixo da primeira letra da primeira palavra. ·  O recurso tipográfico negrito, grifo ou itálico utilizado para destacar elementos deve ser uniforme em  todas as referências de um mesmo documento. ·  Em termos de localização, a referência pode aparecer: no rodapé, no fim de texto ou de capítulo, em  lista de referência, etc. ·  Para ordenação das referências dos documentos citados no trabalho, os sistemas mais utilizados são:  alfabético (ordem alfabética de entrada) e numérico (ordem de citação no texto).
  • 101. 102 UNIUBE ­ Educação a Distância REGRAS BÁSI CAS P ARA ELABORAÇÃO DA REFERÊNCI A ·  Os  itens  para  a elaboração  da  referência  deverão  ser  retirados,  principalmente, da  folha  de  rosto,  porém, pode­se encontrá­los também em outras partes do livro. ·  Em caso de até três autores, separá­los por ponto e vírgula. ·  Em caso de mais de três autores, colocar o primeiro seguido da expressão et al.. ·  Sobrenome  acompanhado  de  denominação  de  família  (Neto,  Filho,  Sobrinho,  Júnior),  usa­se  tal  denominação junto ao sobrenome. Ex: VARGAS NETO, José; ALVES JUNIOR, Henrique. ·  Quando não se pode determinar a autoria, entra­se pela primeira palavra do título em letras maiúscu­  las. Ex.: PREFEITURA Municipal fiscaliza com autonomia total. ·  Em edição, somente colocar a partir da 2ª. Ex: 2.ed. ·  Em caso de mais de um local, colocar o primeiro ou o de maior destaque. ·  Em caso de mais de uma editora, colocar a primeira ou a de maior destaque. ·  Na  dificuldade  de  se  encontrar  qualquer  dado  importante  para  a  referência,  verificar  no  verso  da  folha de rosto, na falsa folha de rosto e no final do livro. ·  Na falta de local, colocar [S.l.]. ·  Na falta de editora, colocar [s.n.]. ·  Na falta de local e editora, colocar [S.l.: s.n.]. ·  Na falta dos três elementos relacionados a local, editora e ano, sugere­se que esses elementos sejam  representados dentro de um único conjunto de colchetes. Ex.: [S.l:s.n,199­]. ·  No caso de não aparecer data de publicação, usar:  -  [1969?] para data provável  -  [1973] para data certa, não indicada  -  [19­­] para século certo  -  [19­?] para século provável  -  [199­] para década certa, não indicada  -  [199­?] para década provável  4.6.  ASP ECTOS  TÉCN I COS  E  N ORM ATI VOS  DA  AP RESEN TAÇÃO  DE  TRA BA LH OS  ACA DÊM I COS  4.6.1    N UM ERAÇÃO  DE  P ÁGI N AS  No  trabalho  acadêmico,  a  numeração  de  página  deve  ser  colocada  no  canto  superior  direito  da página,  em  algarismos  arábicos.  Pode­se  utilizar  algarismos  romanos  na  parte  pré­textual,  iniciando­se  a numeração em algarismos arábicos a partir da parte textual. Havendo apêndice e anexo, as suas folhas devem ser numeradas de maneira contínua e sua paginação deve ser continuação à do texto principal. Numeração progressiva:  Tem por objetivo proporcionar o desenvolvimento claro e coerente de um texto e facilitar a locali­ zação de cada uma de suas partes. Os capítulos constituem as seções primárias,  as  subdivisões  desses,  as  seções  secundárias,  e  assim  Caixa alta ou versal sucessivamente. A Associação Brasileira de Normas Técnicas sugere até cinco subdivisões. Os títulos das seções primárias, por serem as  Maiúscula tipográfica, assim chama­  da por ficar situada na parte superi­ principais  divisões  de  um  texto,  devem  iniciar  em  folha  distinta.  or  da  caixa  de  tipos  gráficos.  O Utiliza­se  para  o  destaque  das  seções,  o  negrito,  itálico  ou  grifo,  mesmo que versal ou letra versal. caixa alta ou versal. (ABNT, 2003)  Para podermos trabalhar com a numeração dessa forma, devemos inserir quebras de seção, sempre que quisermos que os números não apareçam em alguma página.
  • 102. Metodologia do Trabalho Científico 103 Nos elementos pré­textuais e nas páginas de início dos capítulos, os números não aparecem.  O trabalho acadêmico deve possuir páginas numeradas, levando em consideração as seguintes ob­ servações:  Quadro 4 ­ Orientação para  numeração de páginas  4.6.2  CON FI GUR AÇÃO  DA  P ÁGI N A  A primeira coisa que deve ser feita quando vamos iniciar a digitação de um trabalho acadêmico é a configuração da página, pois, caso contrário, o trabalho poderá se desestruturar completamente. Tamanho do papel  De acordo com as normas da ABNT, o tamanho do papel a ser utilizado deve ser A4. As definições Largura e Altura são definidas automaticamente quando é escolhido uma opção de tamanho do papel, porém, em algumas máquinas esta opção pode não estar instalada. Neste caso, é preciso que você digite no campo Largura , o valor de 21 cm, e, no campo Altura , o valor de 29,7 cm.  A orientação deve ser Retrato. Essa orientação utiliza o papel na posição mostrada na imagem ao lado. Essa é a opção padrão, e é a mais utilizada!  A opção de orientação Paisagem é utilizada no caso de impressões que não cabem na largura do papel, na posição padrão (Retrato). Então, é necessário alterar a configuração para Paisagem. Definição das margens  Em um trabalho acadêmico,  as margens devem  ser configuradas conforme a especificação, a  seguir:  •  Margem Superior  3 cm  •  Margem Inferior  2 cm  •  Margem Esquerda  3 cm ou 3,5 cm  •  Margem Direita  2 cm  4.6.3    FON TES  Na Universidade de Uberaba, em um trabalho acadêmico, a fonte é definida da seguinte forma:  4.6.4    P ARÁGRAFOS  Em um trabalho acadêmico, você precisa defini­los da seguinte forma:  •  Recuo especial de primeira linha de 1,5 cm  •  Espaçamento entre linhas de 1,5 linha
  • 103. 104 UNIUBE ­ Educação a Distância  4.6.5     CI TAÇÕES  Em seus trabalhos acadêmicos você deve citar os autores dos textos que serviram como base para a elaboração dos mesmos. Para isso você deve utilizar a citação, que é a  menção no texto de uma informação colhida em outra fonte. O objetivo da citação é “oferecer ao leitor condições de comprovar a fonte das quais foram extraídas as idéias, frases ou conclusões, possibilitando­lhe ainda aprofundar o tema em discussão” (CRUZ; RIBEIRO, 2003, p.125). A apresentação das idéias de teóricos, presentes em publicações impressas e eletrônicas, dá maior clareza e autoridade ao texto.  As citações dividem­se em três tipos:  No  parágrafo  anterior  utilizamos  1.  citação direta ou textual;  uma citação direta com até 03 linhas  (utilizamos  as  aspas;  o  nome  dos  2.  citação indireta;  autores  em  maiúsculo,  separados  3.  citação de citação.  por  ponto  e  virgula,  e  indicamos  o  ano e a página)  Veja as definições e aplicações de cada uma. Para ajudá­lo na compreensão das citações, leia com atenção o texto em destaque. Veja, a seguir, as regras básicas para citar os autores de um determinado texto consultado.  Edu cação  cada vez mais complexa  A  educação  será  cada  vez  mais  complexa,  porque  a  sociedade  vai  tornando  todos  os  campos mais complexa, exigente e necessitada de aprendizagem contínua. A educação acontecerá  cada vez mais ao longo da vida, de forma seguida, mais inclusiva, em todos os níveis e modalidades  e em todas as atividades profissionais e sociais.  A  educação  será  mais  complexa  porque  vai  incorporando  dimensões  antes  menos  integradas ou visíveis como as competências intelectuais, afetivas e éticas.  A educação será mais complexa porque cada vez sai mais do espaço físico da sala de aula  para ocupar muitos espaços presenciais, virtuais e profissionais; porque sai da figura do professor  como centro da informação para incorporar novos papéis como os de mediador, de facilitador, de  gestor,  de  mobilizador.  Sai  do  aluno  individual  para  incorporar  o  conceito  de  aprendizagem  colaborativa, de que aprendemos  também juntos, de que participamos  de e contribuímos para  uma inteligência cada vez mais coletiva.  As tecnologias na educação do futuro também se multiplicam e se integram; tornam­se  mais e mais audiovisuais, instantâneas e abrangentes. Caminhamos para formas fáceis de vermo­  nos, ouvirmo­nos, falarmo­nos, escrevermo­nos a qualquer momento, de qualquer lugar, a custos  progressivamente menores (embora altos para a maior parte da população).  As modalidades de cursos serão extremamente variadas, flexíveis e “customizadas”, isto  é, adaptadas ao perfil e ao momento de cada aluno. Não se falará daqui a dez ou quinze anos em  cursos presenciais  e cursos  à distância.  Os  cursos  serão extremamente  flexíveis  no  tempo, no  espaço,  na metodologia, na  gestão  de  tecnologias,  na avaliação.  Também  não  se falará de  “e­  learning”,  mas  de  “learning”  simplesmente,  de  aprendizagem.  Apesar de que caminharmos nesta direção, não podemos esquecer que a escola é uma  instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças.  Os modelos de ensino centrados no professor continuam predominando, apesar das tecnologias  e dos avanços teóricos na aprendizagem.  Tudo isto  nos mostra que não será fácil  mudar esta  cultura escolar tradicional, que as  inovações serão mais lentas do que desejamos, que muitas instituições continuarão reproduzindo  no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.  Trecho retirado de:  MORAN.  José  Manoel,  Ensino  e  aprendizagem  inovadores  com  tecnologias  audiovisuais  e  telemáticas.  In:  MASETTO,  Marcos;  MORAN.  José  Manoel;  BEHRENS.  Marilda  Aparecida.  Novas  tec nol ogia s  e   me diaç ão  pe dagógica . Campinas: Papirus, 2000. cap. 1. p 11­66.  1. CITAÇÃO DIRETA OU TEXTUAL:  Consiste na transcrição textual de parte da obra do autor consultado. Nesse tópico veremos a citação direta ou textual até 03 linhas ou com mais de 03 linhas.
  • 104. Metodologia do Trabalho Científico 105 CITAÇÃO DIRETA OU TEXTUAL  –  até 03 linhas:  A  citação  deve  estar contida  entre  aspas  duplas,  escritas  com  o  mesmo tipo  e  tamanho  de  letra utilizadas no parágrafo no qual está inserida. As aspas simples (apóstrofe) são usadas para indicar citação no interior da citação. É preciso especificar no texto a(s) página(s), volume(s), tomo(s) ou seção(ões) da fonte consultada.  A educação a distância é uma modalidade que atende a grandes contingentes de  alunos de forma mais efetiva que outras modalidades, sem reduzir a qualidade dos serviços  oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida. Nesse sentido, “a educação  será mais complexa porque cada vez sai mais do espaço físico da sala de aula para ocupar  muitos espaços  presenciais, virtuais  e profissionais” (MORAN,  2006, p.1).  Ou  A educação a distância é uma modalidade que atende a grandes contingentes de  alunos de forma mais efetiva que outras modalidades, sem reduzir a qualidade dos serviços  oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida. Para Moran (2006, p.1), “a  educação será mais complexa porque cada vez sai mais do espaço físico da  sala de aula  para ocupar  muitos espaços  presenciais, virtuais  e profissionais”.  Ou  Moran (2006, p.1) afirma que “a educação será mais complexa porque cada vez sai  mais do  espaço físico  da sala de aula para ocupar muitos  espaços presenciais, virtuais e  profissionais”. Dessa forma, considerando essa complexidade, ressaltamos que A educação  a distância é uma modalidade que atende a grandes contingentes de alunos de forma mais  efetiva  que  outras  modalidades,  sem  reduzir  a  qualidade  dos  serviços  oferecidos  em  decorrência  da ampliação  da clientela atendida.  CITAÇÃO DIRETA OU TEXTUAL – com mais de 03 linhas:  A citação deve ser destacada com recuo de 4cm da margem esquerda, com espaço simples, com letra menor que a utilizada no texto e sem aspas.  As tecnologias possibilitam uma nova organização curricular na escola, que apesar  de ser uma instituição mais tradicional que inovadora, proporciona que alunos conversem  e pesquisem com outros alunos da mesma cidade, país ou do exterior, no seu próprio ritmo.  Para Moran (2006, p.1),  As tecnologias na educação do futuro também se multiplicam e se integram;  tornam­se mais e mais audiovisuais, instantâneas e abrangentes. Caminhamos  recuo de 4 cm  para  formas  fáceis  de  vermo­nos,  ouvirmo­nos,  falarmo­nos,  escrevermo­  nos a qualquer momento, de qualquer lugar, a custos progressivamente menores  (embora altos para a maior parte da população).  Ou  As tecnologias possibilitam uma nova organização curricular na escola, que apesar  de ser uma instituição mais tradicional que inovadora, proporciona que alunos conversem  e pesquisem com outros alunos da mesma cidade, país ou do exterior, no seu próprio ritmo.  Vários teóricos enfatizam as novas possibilidades  da tecnologia na educação:  As tecnologias na educação do  futuro  também se  multiplicam e  se  integram;  tornam­se mais e mais audiovisuais, instantâneas e abrangentes. Caminhamos  recuo de 4 cm para  formas  fáceis  de  vermo­nos,  ouvirmo­nos,  falarmo­nos,  escrevermo­  nos a qualquer momento, de qualquer lugar, a custos progressivamente menores  (embora altos para a maior parte da população) (MORAN, 2006, p.1). 
  • 105. 106 UNIUBE ­ Educação a Distância  2. CITAÇÃO INDIRETA:  Consiste na redação, pelo autor do trabalho (aluno), das idéias e contribuições do autor (filósofos, teóricos) mencionado em uma obra consultada. Nesse tipo de citação não importa se a idéia a ser apresentada possui ou não  mais de 03 linhas,  a construção é sempre seguindo­se  o estilo do texto. A indicação da(s) página(s) é opcional. Num trabalho acadêmico, é preferível utilizar as citações indiretas, pois há contribuição do autor do trabalho no entendimento do texto citado.  Para Moran (2006), apesar das tecnologias ainda serem aplicadas com um verniz  de modernidade, com as quais os professores continuam fazendo o de sempre – o professor  fala e aluno ouve – elas tendem a se multiplicarem e se integrarem, tornando­se cada dia  mais  audiovisuais  e  abrangentes.  Ou  Apesar  das  tecnologias  ainda  serem  aplicadas  com  um  verniz  de  modernidade,  com as quais os professores continuam fazendo o de sempre – o professor fala e aluno ouve  – elas tendem a se multiplicarem e se integrarem, tornando­se cada dia mais audiovisuais  e abrangentes (MORAN,  2006).  3. CITAÇÃO DE CITAÇÃO  Consiste  na  citação  de  um  documento  ao  qual  não  se  teve  acesso  direto.  Deve­se  apresentar  a referência  completa  apenas  do  documento  consultado.  Este  tipo  de  citação  pode  ser  utilizado  quando  a citação for direta ou indireta e para indicar a autoria de um autor que não se teve acesso à obra original, usa­ se a expressão latina apud.  Segundo Vargas (2001 apud MORAN, 2005, p.1) “as possibilidades trazidas pelas  novas tecnologias tornou mais fácil e atraente o antigo processo de ensinar e de aprender  a  distância,  despertando  o  interesse  das  organizações  para  outras  formas  de  treinar  e  desenvolver  os  empregados.  Entre  as  tecnologias  de  ponta,  a  videoconferência  tem  se  destacado como uma poderosa mídia para executar treinamentos a distância, principalmente  pela sua capacidade de reproduzir a interação  face­a­face dos cursos presenciais”.  Ou  “As possibilidades trazidas pelas novas tecnologias tornou mais fácil e atraente o  antigo  processo  de  ensinar  e  de  aprender  a  distância,  despertando  o  interesse  das  organizações  para  outras  formas  de  treinar  e  desenvolver  os  empregados.  Entre  as  tecnologias de ponta, a videoconferência tem se destacado como uma poderosa mídia para  executar  treinamentos  a  distância,  principalmente  pela  sua  capacidade  de  reproduzir  a  interação face­a­face  dos cursos presenciais” (VARGAS, 2001 apud MORAN, 2005, p.1).  Devem ser indicadas as supressões, interpolações, comentários, ênfase ou destaques, caso ocorra, do seguinte modo:  a)  supressões: [...]  b) interpolações, acréscimos ou comentários: [  ]  c)  ênfase ou destaque: negrito, grifo ou itálico.  SISTEMAS DE CHAMADA  As citações devem ser indicadas no texto por um sistema de chamada: numérico ou autor­data. Na Uniube, temos adotado o sistema autor­data.
  • 106. Metodologia do Trabalho Científico 107 Algumas observações:  ∙  Quando  houver  coincidência  de  sobrenomes  de  autores,  acrescentam­se  as  iniciais  de  seus  prenomes; se mesmo assim existir coincidência, colocam­se os prenomes por extenso:  (FERNANDES,  A.,  1999)  (FERNANDES,  André,  2002)  (FERNANDES,  C.,  2001)  (FERNANDES,  Celso,  2002)  ∙  As  citações  de  diversos  documentos  de  um  mesmo  autor,  publicadas  num  mesmo  ano,  são  distinguidas  pelo  acréscimo  de  letras  minúsculas,  em  ordem  alfabética,  após  a  data  e  sem  espacejamento, conforme a lista de referências:  De acordo com Santinato (1999a)  (SANTINATO,  1999a)  ∙  As citações indiretas de diversos documentos da mesma autoria, publicados em anos diferentes e  mencionados simultaneamente, têm as suas datas separadas por vírgula:  (REZENDE,  2001, 2002,  2006)  (CRUZ;  FERRAZ; COSTA, 1999, 2001, 2002)  ∙  As citações indiretas de diversos documentos de vários autores, mencionados simultaneamente,  devem ser separadas por ponto­e­vírgula, em ordem alfabética.  A  irrigação  aumenta  a  produtividade  do  cafeeiro  (FERNANDES,  1997;  SANTINATO,  1998;  DRUMOND,  2001). 4.6.6  N OTAS  DE  RODAP É  As  notas de rodapé são colocadas ao pé da página e separadas do texto por um traço horizontal de 3cm aproximadamente, iniciado na margem esquerda. Devem ser grafadas em letra menor que a do texto, com espaço simples entre as linhas e cada nota iniciando nova linha. Devem ser alinhadas, a partir da segunda linha da mesma nota, abaixo da primeira letra da primeira palavra. As notas podem ser: explicativas ou de referência. Notas explicativas:  Têm como finalidade: ·  fazer certas considerações suplementares que não caberiam no texto, sem quebrar a seqüência  lógica. ·  remeter o leitor a trabalhos não publicados ou em fase de publicação, ou quando se tratar de  dados obtidos por informação verbal. Notas de referência: ·  Têm como finalidade indicar a referência da citação. ·  A numeração deve ser única e consecutiva para cada capítulo ou parte do trabalho e feita em  algarismos  arábicos. ·  A primeira nota de referência de uma obra, deve ser completa, as subseqüentes da mesma obra  podem aparecer de forma abreviada, com as seguintes expressões:  ATENÇÃO! As expressões ID., IBID., OP. CIT. e CF. só podem ser usadas na mesma página ou folha da citação a que se referem. 
  • 107. 108 UNIUBE ­ Educação a Distância  Veja os exemplos! ·  Exemplo de uma nota explicativa: 1  Essa idéia de Infante vem ao encontro das idéias de Bresser em um debate  sobre o papel da  universidade.  1  Debate entre Marilena Chauí e Luiz Carlos Bresser Pereira, que marcou a abertura pública do IV Con­  gresso da USP. O título do debate foi “Que universidade queremos: crítica ou produtivista?”.  ·  Exemplo de uma nota de referência:  “Do ponto de vista da teoria do conhecimento, a imaginação possui duas faces: a de auxiliar  precioso para o conhecimento da verdade e a de perigo imenso para o conhecimento verda­  2  deiro.”  2  CHAUÍ, 2000, p. 135.  4.6.7  I LUSTRAÇÕES,  TABELA S  E  QUA DROS  Constituem parte integrante do desenvolvimento de um trabalho e desempenham papel significativo na expressão de idéias científicas e técnicas. Devem ser inseridos o mais próximo possível do trecho a que se referem.  Ilustrações São os desenhos, esquemas, fluxogramas, fotografias, gráficos, mapas, organogramas,  pantas, quadros, retratos e outros, que explicitam ou complementam visualmente o texto.  Sugestões:  ­  utilizar linhas visíveis, escala real (não existe tempo negativo, por exemplo);  ­  evitar cores;  ­  somente ligar pontos de gráficos se estes representarem uma função matemática;  ­  clolocar uma escala legível e condizente com o número de algarismos significativos da  medida,  colocar  as  unidades  de  forma  inteligível  e  usando  sempre  o  sistema  internacional de medidas ­ SI;  ­  a legenda deve conter todas as informações a respeito da figura de modo que ela e a  figura formem um corpo independente do texto;  ­  evitar misturar as palavras esquema, gráfico ou figura, utilize, preferencialmente, o  termo figura. 
  • 108. Metodologia do Trabalho Científico 109  Tabelas Apresentam informações tratadas estatisticamente. Para a sua elaboração, utilizam­se apenas linhas horizontais, conforme exemplo na página seguinte. Sugestões:  ­  organizá­las com o maior número possível de dados de forma compreensível, sem  exagerar o número de colunas ou linhas;  ­  usar o mínimo possível de traços, evitar cores, colocar as unidades de forma inteligível  e usando os símbolos do sistema internacional de medidas ­ SI;  ­  as legendas devem ser numeradas em sequência, dando todos os detalhes para se  entender a tabela sem ler o texto, mas sem ser muito extensa.  Quadros  Apresentam informações textuais agrupadas em linhas e colunas.  Observe as formas de apresentação nos exemplos a seguir!  Observações:  XX ­  indica o número seqüencial das  ilustrações,  tabelas  e  quadros  que  aparecem  no  documento.  A fonte contém somente a citação; a  referência completa deve constar na  lista final de referências ou em nota  Figura XX ­ Folder de divulgação  de rodapé.  Fonte: Ministério da Agricultura (2003)  Tabela XX ­ Distribuição dos aposentados por acidentes de traba­  lho na RMS, segundo o sexo, em 1985 e 1986, e população ocupa­  da na indústria  Quadro XX ­ Gêneros de texto.  Adaptado de (SANTOS, 2001. p. 33)
  • 109. 110 UNIUBE ­ Educação a Distância  EXER CÍ CI OS  DE  FI XAÇÃO A tenção: P ara as questões de 1 a 9, assinale a alternativa que apresenta a referência de forma correta de: 01.  um livro como um todo.  a)  (  )  Weiss, Donald. Como Escrever com Facilidade. Círculo do Livro: São Paulo, 1992.  b)  (  )  DONALD  WEISS.  Como  Escrever  com  Facilidade.  São  Paulo:  Círculo  do  Livro,  1992.  c)  (  )  WEISS,  Donald.  Como  Escrever  com  Facilidade.  Círculo  do  Livro:  São  Paulo,  1992.  d)  (  )  WEISS,  Donald.  Como  Escrever  com  Facilidade.  São  Paulo:  Círculo  do  Livro,  1992.  e)  (  )  Weiss, Donald. Como Escrever com facilidade. São Paulo: Círculo do Livro, 1992. 02.  um artigo publicado em uma revista.  a)  (  )  CALEGARI,  Ademir.  Rotação  de  culturas  e  uso  de  plantas  de  cobertura.  Revista  A groecologia Hoje. Botucatu, v. 1, n. 14, p. 14­17, jun. 2002.  b)  (  )  CALEGARI,  Ademir.  Rotação  de  culturas  e  uso  de  plantas  de  cobertura.  Revista  A groecologia Hoje. Botucatu, p. 14­17, n. 14, v. 1,  jun. 2002.  c)  (  )  CALEGARI, Ademir. Rotação de culturas e uso de plantas de cobertura. Revista  Agroecologia Hoje. Botucatu, v. 1, n. 14, p. 14­17, jun. 2002.  d)  (  )  CALEGARI,  Ademir.  Rotação  de  culturas  e  uso  de  plantas  de  cobertura.  Revista  A groecologia Hoje. Botucatu, n. 14, jun. 2002, v. 1, p. 14­17.  e)  (  )  Calegari,  Ademir.  Rotação  de  culturas  e  uso  de  plantas  de  cobertura.  R evista  A groecologia Hoje. Botucatu, v. 1, n. 14, jun. 2002, p. 14­17. 03.  um texto extraído de uma revista em meio eletrônico.  a)  (  )  ROSSI,  Paulo  Egydio.  Revista  Administração  On  Line.  A   satisfação dos  clientes  em relação aos serviços prestados por um organismo de inspeção veicular.  São  Paulo, n.3, jul. 2004. Disponível  em:  <http://www.fecap.br/adm_online/adol/  artigo.htm>.  Acesso em:  jun. 2005.  b)  (  )  ROSSI,  Paulo  Egydio.  A   sat isf ação   do s  clie n tes  em  relação   ao s  serviço s  prestados por um organismo de inspeção veicular. Revista Administração  On  Line. São Paulo, n.3, jul. 2004. Disponível em: <http://www.fecap.br/adm_online/  adol/artigo.htm>.  Acesso  em:  jun.  2005.  c)  (  )  Rossi, Paulo Egydio. A satisfação dos clientes em relação aos serviços prestados por  um organismo de inspeção veicular. Revista A dministração On  Line. São Paulo,  n.3,  jul.  2004.  Acesso  em:  jun.  2005.  Disponível  em:  http://www.fecap.br/  adm_online/adol/artigo.htm>.  d)  (  )  EGYDIO ROSSI, Paulo. A satisfação dos clientes em relação aos serviços prestados  por  um  organismo  de  inspeção  veicular.  Revista  A dministração  On    Line.  São  Paulo,  n.3,  jul.  2004.  Disponível  em:  <http://www.fecap.br/adm_online/adol/  artigo.htm>.  Acesso em:  jun. 2005.  e)  (  )  ROSSI, Paulo  Egydio.  A  satisfação  dos  clientes  em  relação  aos  serviços  prestados  por  um  organismo  de  inspeção  veicular.  Revista  A dministração  On    Line.  São  Paulo,  n.3,  jul.  2004.  Disponível  em:  <http://www.fecap.br/adm_online/adol/  artigo.htm>.  Acesso em:  jun. 2005. 04.  parte de uma monografia, na qual o autor do capítulo é o mesmo do autor da monografia.  a)  (  )  SANTOS, F. R. dos. A  colonização da terra dos Tucujús. In: SANTOS, F. R. dos.  História do A mapá. Macapá: Valcan, 1994. cap. 3, p. 15­24.  b)  (  )  SANTOS,  F.  R.  dos.  A   colonização  da  terra  dos  Tucujús.  In:  _____________.  História do Amapá. Macapá: Valcan, 1994. cap. 3, p. 15­24.  c)  (  )  SANTOS,  F.  R.  dos.  A  colonização  da  terra  dos  Tucujús.  In:  SANTOS,  F.  R.  dos.  História do A mapá. Macapá: Valcan, 1994. cap. 3, p. 15­24.  d)  (  )  SANTOS, F. R. dos. A colonização da terra dos Tucujús. In: _____________. História  do A mapá. Macapá: Valcan, 1994. cap. 3, p. 15­24.  e)  (  )  SANTOS, F. R. dos. A colonização da terra dos Tucujús. In: ___________. História  do A mapá. Cap. 3, p. 15­24, Macapá, Valcan, 1994.
  • 110. Metodologia do Trabalho Científico 11105.  um artigo disponível em meio eletrônico.  a)  (  )  MESQUITA  FILHO,  Alberto.  Teoria sobre o  método científico:  em  busca  de  um  modelo unificante para as ciências e de um retorno à universidade criativa. Disponível  em:  <http://www.apollonialearning.com.br>.  Acesso  em:  30  jan.  2002.  b)  (  )  Mesquita  Filho,  Alberto.  Teo ria  sobre  o  méto do  científico:  em  busca  de  um  modelo unificante para as ciências e de um retorno à universidade criativa.  Disponível em: <http://www.apollonialearning.com.br>. Acesso em: 30 jan. 2002.  c)  (  )  MESQUITA  FILHO,  Alberto.  Teoria sobre o  método científico:  em  busca  de  um  modelo unificante para as ciências e de um retorno à universidade criativa. Acessar:  <http://www.apollonialearning.com.br>.  d)  (  )  MESQUITA FILHO, Alberto. Teoria sobre o método científico: em busca de um modelo  unificante para as ciências e de um retorno à universidade criativa. Disponível em:  <http://www.apollonialearning.com.br>.  Acesso  em:  30  jan.  2002.  e)  (  )  Mesquita Filho, Alberto. Teoria sobre o método científico: em busca de um modelo  unificante  para  as  ciências  e  de  um  retorno  à  universidade  criativa.  http://  www.apollonialearning.com.br>  (30/01/2002) 06.  um trabalho apresentado em evento e publicado em Anais.  a)  (  )  Carvalho, Margarida Mesquita. Utilização de sistemas silvipastoris. In: SIMPÓSIO  SOBRE ECOSSISTEMA DE PASTAGENS, 3., 1997, Jaboticabal. A nais... Jaboticabal:  UNESP, 1997. p.  164­207.  b)  (  )  CARVALHO, Margarida Mesquita. Utilização de sistemas silvipastoris. In: SIMPÓSIO  SOBRE ECOSSISTEMA DE PASTAGENS, 3., 1997, Jaboticabal. A nais... Jaboticabal:  UNESP, 1997. p.  164­207.  c)  (  )  SIMPÓSIO  SOBRE  ECOSSISTEMA  DE  PASTAGENS,  3.,  1997,  Jaboticabal.  A nais...  Jaboticabal: UNESP, 1997. p. 164­207. CARVALHO, Margarida  Mesquita. Utilização  de  sistemas  silvipastoris.  d)  (  )  Carvalho,  Margarida  Mesquita.  Utilização  de  sistemas  silvipastoris.  In:  SIMPÓSIO  SOBRE ECOSSISTEMA DE PASTAGENS, 3., Jaboticabal. A nais... Jaboticabal: UNESP,  p.  164­207. 1997.  e)  (  )  CARVALHO,  Margarida  Mesquita.  U t il iza çã o   de  si ste ma s  sil vi pas to ri s.  In:  SIMPÓSIO  SOBRE  ECOSSISTEMA  DE  PASTAGENS,  3.,  1997,  Jaboticabal.  Anais...  Jaboticabal: UNESP,  1997. p.  164­207. 07.  um livro no qual o autor do capítulo é diferente do autor do livro.  a)  (  )  FERREIRA, Naura Syria Carapeto e AGUIAR, Márcia Ângela  da  S. (Orgs.).  Gestão  da educação. São Paulo: Cortez, 2000. p.243­254.  b)  (  )  Melo, Maria Teresa Leitão de. Gestão educacional ­ os desafios do cotidiano escolar.  In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto e AGUIAR, Márcia Ângela da S. (Orgs.). Gestão  da educação. São Paulo: Cortez, 2000. p.243­254.  c)  (  )  MELO, Maria Teresa Leitão de. Gestão educacional ­ os desafios do cotidiano escolar.  Cortez,  2000.  p.243­254.  d)  (  )  MELO, Maria  Teresa Leitão  de.  Gestão educacional  ­ os  desafios do  cotidiano  escolar. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto e AGUIAR, Márcia Ângela da S. (Orgs.).  Gestão da educação. São Paulo: Cortez, 2000. p.243­254.  e)  (  )  MELO, Maria Teresa Leitão de. Gestão educacional ­ os desafios do cotidiano escolar.  In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto ; AGUIAR, Márcia Ângela da S. (Orgs.). Gestão  da educação. São Paulo: Cortez, 2000. p.243­254. 08.  um artigo  publicado numa revista disponível  em CD­ROM.  a)  (  )  VIEIRA, Cássio Leite & LOPES, Marcelo; N eo I nterativa. A queda do cometa. Rio de  Janeiro, n. 2, inverno 1994, 1 CD­ROM.  b)  (  )  VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. IN: N eo I nterativa. 1  CD­ROM, Rio de Janeiro, n. 2, inverno 1994.  c)  (  )  VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. N eo I nterativa. Rio de  Janeiro, n. 2, inverno 1994, 1 CD­ROM.  d)  (  )  VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A  queda do cometa. N eo I nterativa. Rio de  Janeiro, n. 2, inverno 1994, 1 CD­ROM.  e)  (  )  VIEIRA, Cássio Leite & LOPES, Marcelo. A  queda do cometa. IN: __________ Neo  Interativa. Rio de Janeiro, n. 2, inverno 1994, 1 CD­ROM.
  • 111. 112 UNIUBE ­ Educação a Distância 09.  um trabalho apresentado em evento e disponibilizado em meio eletrônico.  a)  (  )  SILVA,  R.  N.;  OLIVEIRA, B. C. Os  limites  pedagógicos  do  paradigma da  qualidade  total na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPE, 4., 1996,  Recife.  A nais eletrônicos...Recife:  UFPE, 1996.  http:www.propesq.ufpe.br/anais/  ce04.htm,  21 jan. 1997.  b)  (  )  SILVA,  R.  N.;  OLIVEIRA, B. C. Os  limites  pedagógicos  do  paradigma da  qualidade  total na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPE, 4., 1996,  Reci f e.  A n a i s   e l e t r ô n i c o s ...Reci f e:  U FPE ,  19 9 6 .  Di spon ível   em:  <http:www.propesq.ufpe.br/anais/ce04.htm>.  Acesso  em:  21  jan.  1997.  c)  (  )  SILVA, R. N.; OLIVEIRA, B. C. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade  to tal  na  educação.  In:  CONGRESSO  DE  INICIAÇÃO  CIENTÍFICA  DA  UFPE,  4.,  19 96,  Recife.  A n a i s   e l e t r ô n i c o s ...Recif e:  UFPE,  199 6.  Dispon ível  em:  <http:www.propesq.ufpe.br/anais/ce04.htm>.  Acesso  em:  21  jan.  1997.  d)  (  )  SILVA,  R.  N.;  OLIVEIRA, B. C. Os  limites  pedagógicos  do  paradigma da  qualidade  total  na  educação.  A nais  eletrônicos...Recife:  UFPE,  1996.  In:  CONGRESSO  DE  I NICI A ÇÃ O  CI E NTÍ FI CA   DA  U FPE ,  4.,  19 9 6 ,  Reci f e.  Di spon ível   em:  <http:www.propesq.ufpe.br/anais/ce04.htm>.  Acesso  em:  21  jan.  1997.  e)  (  )  SILVA,  R.  N.;  OLIVEIRA, B. C. Os  limites  pedagógicos  do  paradigma da  qualidade  total na educação. I n: CON GRESSO DE I N I CI A ÇÃ O CI EN TÍ FI CA  DA  UFP E, 4.,  1 9 9 6 ,  R e c i f e .  A n a i s   e l e t r ô n i c o s ...Recife:  UFPE,  1996.  Disponível  em:  <http:www.propesq.ufpe.br/anais/ce04.htm>.  Acesso  em:  21  jan.  1997. 10.  Na citação, a seguir, a  expressão APUD significa:  É na indústria têxtil de São Paulo que temos o melhor exemplo da participação da família na  divisão  do  trabalho.  A  mulher,  neste  setor,  tem  uma  participação  mais  ativa  na  gestão  dos  negócios e os filhos um envolvimento precoce com a operação da empresa da família. (DURAND  apud BERHOEFTB, 1996, p. 35).  a)  (  )  apoiado  em.  b)  (  )  citado por, conforme.  c)  (  )  referência direta.  d)  (  )  referência indireta.  e)  (  )  parentesco entre autores. 11.  Dentre as alternativas a seguir, identifique a alternativa correta que representa a expressão de  uma citação direta. Ao elaborar um trabalho acadêmico, você freqüentemente utiliza citações,  que  são  informações  retiradas de fontes  consultadas  para a realização  do  seu  trabalho. Elas  podem ser diretas ou indiretas.  a)  (  )  O  papel  do  pesquisador  é  o  de  servir  como  veículo  inteligente e  ativo  entre  esse  conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a  partir da pesquisa (Lüdke e André, 1986, p.11).  b)  (  )  “O papel  do pesquisador  é o  de servir  como veículo  inteligente e ativo entre  esse  conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a  partir da pesquisa”  (LÜDKE, 1986, p.11).  c)  (  )  “O papel  do pesquisador  é o  de servir  como veículo  inteligente e ativo entre  esse  conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a  partir da pesquisa” (Lüdke e André, 1986, p.11).  d)  (  )  “O papel do pesquisador, segundo LÜDKE E ANDRÉ (1986, p.11), é o de servir como  veículo inteligente e ativo entre esse conhecimento acumulado na área e as novas  evidências que serão estabelecidas a partir da pesquisa”.  e)  (  )  O papel do pesquisador, segundo Lüdke e André (1986), é o de servir como veículo  inteligente e ativo entre esse conhecimento acumulado na área e as novas evidências  que serão estabelecidas a partir da pesquisa.
  • 112. Metodologia do Trabalho Científico 11312.  Assinale as alternativas corretas. Notas de rodapé são anotações colocadas ao pé da página e  separadas do  texto  por  um  traço  horizontal  de 3  cm  aproximadamente,  iniciado  na margem  esquerda.  Podem  ser  explicativas  ou  de  referência.  Nesse  sentido,  podemos  afirmar  que  as  notas de rodapé:  a)  (  )  têm como finalidade indicar a referência das citações;  b)  (  )  têm como finalidade acrescentar informações que não caberiam no texto;  c)  (  )  têm como finalidade remeter o leitor a trabalhos não publicados ou em fase de publicação.  d)  (  )  podem aparecer expressões como id., ibid., op. cit., passim, etc.  e)  (  )  podem conter gráficos e figuras. 13.  O objetivo da pesquisa era esclarecer os caminhos e as etapas por meio dos quais essa realidade  se construiu. Dentre os diversos aspectos sublinhados pelas autoras, vale ressaltar que:  [...] para compreender o desencadeamento da abundante retórica que fez  com  que  a  AIDS  se  construísse  como  ‘fenômeno  social’,  tem­se  freqüentemente atribuído o principal papel à própria natureza dos grupos  mais atingidos e aos mecanismos de transmissão. Foi construído então o  discurso doravante estereotipado, sobre o sexo, o sangue e a morte [...]  (HERZLICH; PIERRET, 1992, p.30).  a)  (  )  citação  direta  b)  (  )  citação  indireta  c)  (  )  citação de citação  d)  (  )  referência  bibliográfica  e)  (  )  Resenha 14.  Em termos de localização, as referências de um trabalho acadêmico podem aparecer em:  a)  (  )  no  rodapé;  b)  (  )  no fim do texto;  c)  (  )  no final do capítulo;  d)  (  )  numa lista de referências;  e)  (  )  em qualquer um dos locais citados nas alternativas anteriores. 15.  Percebemos em nossos estudos que as citações são trechos transcritos ou informações retiradas  das  publicações  que  consultamos  durante  a  realização  de  trabalhos  acadêmicos.  Com  base  nesse estudo, identifique, na segunda coluna, o tipo de citação que a expressão descreve.  1 – Citação direta  a)  (  )  Ocorre  quando  a  reprodução  de  informações  é  baseada  num  documento  que  já  fez  a  citação,  como  base  no  2 – Citação indireta  documento original. Esse tipo de citação deve ser utilizado  3 – Citação de citação  apenas quando o documento original não for encontrado.  b)  (  )  Ocorre  quando  se  reproduz  as  idéias  e  informações  do  documento,  sem,  entretanto,  transcrever  as  próprias  palavras do autor.  c)  (  )  Transcrição  literal  de  textos  de  outros  autores,  ou  seja,  reprodução na íntegra, com as palavras dos autores. 16.  Utilizando os elementos indicados,  coloque as referências, dentro da ordem convencional dos  seus elementos, previstas pelas normas da ABNT.  a)  _________________________________________________________________  _________________________________________________________________
  • 113. 114 UNIUBE ­ Educação a Distância  b)  _________________________________________________________________  _________________________________________________________________  c) _________________________________________________________________  _________________________________________________________________  d)  _________________________________________________________________  _________________________________________________________________  e) _________________________________________________________________  _________________________________________________________________  f) _________________________________________________________________  _________________________________________________________________ g)  _________________________________________________________________  _________________________________________________________________ 
  • 114. Metodologia do Trabalho Científico 115 REFERENCI AL DE RESP OSTAS Unidade 01 ­ Organização dos Estudos na Universidade 01.  b 02.  d 03.  c 04.  b 05.  a)  pessoal  b)  temático;  geral;  bibliográfico 06.  pessoal 07.  pessoal  (dificuldade  de  adaptar­se  a  novas  situações  de  aprendizagem;  pouco  tempo  livre;  descrença da validade e aplicabilidade de estudos teóricos; dificuldades econômicas; problemas  de saúde; problemas interpessoais; dificuldade de concentração; transtornos afetivos e outros) 08.  pessoal (livros, resumo, publicações (periódicos, jornais, anuários, revistas técnicas ou científicas,  atas),  dicionários,  Internet)  Unidade 02 ­ Estudos de Textos Acadêmicos 01.  V,  V,   F,   V,   F,   V,   F,   V,   F e  V 02.  B,  A,  A,  B,  B,  C,  B,  A,  A  e  C 03.  Sua resposta deverá incluir: respeito  pelo  outro,  habilidade  de  ouvir  e  investigar,  senso  de  organização, observação e  honestidade na realização do trabalho.  Esses  são requisitos  indispensáveis ao  entrevistador. 04.  4,  2,  5,  3  e  1 05.  V,   V,  V,   V  e   F 06.  A,  C  e  D 07.  A)  E  C  D  X  exige a presença de um moderador;  X  tem por objetivo colher informações ou  dados que possam ser usados para fins determinados;  X  visa esclarecer a opinião pública sobre um determinado tema;  X  geralmente surge da necessidade de esclarecimento sobre temas polêmicos;  X  tem por  objetivo  buscar soluções para questões  de interesse social e científico;  X  se estabelece por  um  confronto de opiniões;  X  se estrutura com base no esquema de perguntas e respostas seqüenciadas, seguidas ou não de comentários;  X  predomina a argumentação, a defesa de um ponto de vista;  X  predomina a exposição do assunto, a informação;  X  necessita do estabelecimento de regras para ocorrer o diálogo.  B)  E  C  D  X  usar adequadamente provas e argumentos;  X  conhecer pontos de vista diferentes sobre o tema em questão;  X  ter domínio do tema a ser apresentado;  X  saber respeitar a pessoa que tem  opinião divergente;  X  ter disponibilidade para dialogar;  X  usar a linguagem adequada ao seu interlocutor;  X  saber distinguir um fato de uma opinião;  X  respeito a normas estabelecidas;  X  saber ouvir para dar continuidade a uma reflexão. 08.  a) relatório; b) relatório; c) relatório; d) resenha; e) artigo; f) resumo; g) fichamento 09.  A  e  D 
  • 115. 116 UNIUBE ­ Educação a Distância  Unidade 03 ­ Compreendendo o Significado do Conhecimento 01.  A,  C,  E,  G,  H,  I,  J,  K,  L,  M   e   N 02.  T,  SC,  F,   C,   S,   M,   e   I 03.  Conhecimento: puramente subjetivo, pois cada um tem a experiência de algo de uma forma  diferente. Exemplo: qualquer dado ou informação que possa trazer significado ou entendimento.  I nformação: objetiva­subjetiva no sentido de que é descrita de uma forma mais objetiva, mas  seu  significado  é  subjetivo,  pois  depende  do  usuário,  diferente  do  dado,  que  é  puramente  objetivo  e  não  depende  de  seu  usuário.  Exemplo:  a  frase  “A  reunião  iniciará  às  14h”  é  uma  informação,  desde  que  seja  lida  ou  ouvida  por  alguém  que  saiba  o  significado  da  palavra  “reunião” e sobre qual reunião está sendo falada. 04.  A 05.  A 06.  B,  A,  C  e  D 07.  B 08.  B,  D  e  E 09.  B 10.  D 11.  V,   V,   V,   F,   F,   F  e  V  Unidade 04 ­ Normas de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos 01.  d  08.  c 02.  a  09.  b 03.  e  10.  b 04.  d  11.  b 05.  a  12.  a, b, c, d 06.  b  13.  a 07.  e  14.  e 15.  3,  2,  1 16.  a) MARTI NS ,  V i cen t e.  D i s l e x i a   e   e d u c a ç ã o   e s p e c i a l .  Di sponí vel  em:  <h t t p://  www.pedagogiaemfoco.pro.br/spdslx03.htm>.  Acesso  em:  03  dez.  2003.  b) LEAL, L. N. MP Fiscaliza com Autonomia Total. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 abr. 1999.  p. 3.  c) MELLO, Luiz Antonio. A  Onda M aldita: como nasceu a Fluminense FM. Niterói: Nova Fronteira.  1992.  Disponível  em:  <http://www.actech.com.br/aondamaldita/  creditos.html>  Acesso  em: 13 out. 1997.  d) MENEZES, Cláudia; TAVARES, Olívia; PESSOA, José Manoel. Qsabe: Trocando experiências  sobre informática educativa em uma rede de educadores. In: Congresso SBIE, 1., 1997, São  José dos Campos. A nais... São José dos Campos: [s.n], 1997.  e) TREVISAN, Edvaldo José Trevisan. A importância da astronomia amadora. Revista Ciência  o n li n e .  Disponível  em:  <  http://www.cienciaonline.org/revista/03_09/astronomia/  index.html>. Acesso em: 10  nov. 2004.  f )  MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. A tlas celeste. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1984.     v. 21.  175 p.  g) SACCONI, Luiz Antônio. N ão erre mais. 21. ed. São Paulo: Atual, 1997. 421 p.
  • 116. Metodologia do Trabalho Científico 117  REFERÊN CI A SANDERY, Maria Amália (Org.) Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. São Paulo: EDUC, 1996. ARETIO, Lorenzo García. Educación a distancia hoy. Madrid: UNED, 1994. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação: refe­ rências e elaboração. Rio de Janeiro, 2002a. ______. NBR 6024: informação e documentação: numeração progressiva das seções de um documento: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. _______. NBR­10525: numeração internacional para publicações seriadas ­ ISSN. Rio de Janeiro, 1988. ______. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002c. ______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2005. BARICHELLO, Eugenia Mariano da Rocha. Universidade e Comunicação: o papel da comunicação organizacional frente aos paradoxos da nova ordem mundial. Disponível em: <http://ww.intercom.org.br/ papers/xxii­ci/gt18/18b01.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2003. BASTOS, Lilia da Rocha; PAIXÃO, Lyra; FERNANDES, Lúcia Monteiro. Manual para elaboração de projetos e relatórios de pesquisa, teses e dissertações. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. BELISÁRIO,  Roberto.  A  Ciência  em  sete  revoluções.  Revista  Eletrônica  de  J or nalismo  Científico. Disponível em: <http://www.comciencia.br>. Acesso em: 23 mar. 2003. BENTES, Ivana. A Universidade concorre com a mídia. In: CARVALHO, Antônio Paes de et al.; DÓRIA, Francisco Antônio (Coord.). A crise da Universidade. Rio de Janeiro: Revan, 1998. BOYD, Jessie et al. Bibliotecas, como organizar pesquisas, como orientar leituras, como selecionar. Tradução de Silvia Jatobá. Adaptação e revisão de Alice Carvalho. Rio de Janeiro: Lidador, 1968. BUNGE, M. La ciencia, su metodo. In: ABRUNHOSA, Maria Antónia; LEITÃO, Miguel. Um outro olhar  sobre o mundo. Porto: Edições Asa, 1998. CARRION, Eduardo Kroeff Machado. Universidade em questão. Papel, crise, autonomia. II Seminário de Direito Público ­ ATB 2001. CERVO, Amado Luís; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. São Paulo: McGraw­Hill do Brasil,  1972. CHAUÍ, Marilena. Resistir às determinações do mercado, em busca da autonomia do saber. Revista Adusp, São Paulo, p. 48­54, dez. 2000, . Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/ Interviews/debateusp.htm>. Acesso em: 15 jan. 2003. _______. Convite à filosofia.  7. ed. São Paulo: Ática, 2000. 
  • 117. 118 UNIUBE ­ Educação a Distância DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 3. ed. São Paulo: Cortez Editora, 1992. 120p. DIONÍSIO,  Ângela  Paiva;   MACHADO, Anna  Rachel;    BEZERRA, Maria Auxiliadora.  (Org).  Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. EVANGELISTA,  Rafael.  Gat t aca:  a  experiência  genética.  EUA,  1997.  Disponível  em:  <http:// www.comciencia.br/resenhas/gattaca.htm>. Acesso em: 29 mar. 2003. FAZENDA, Ivani (Org), et al. Metodologia da pesquisa educacional. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2001. FERNANDES, Marcello; BARROS, Nazaré. O Senso Comum ou a Atitude Natural.  In: ALBERGARIA, Maria Florinda; AGUIAR, M. Isabel Chorão. Introdução à Filosofia.  10. ed. Porto: Areal Editores, 1993. FILHO, Francisco Antônio de Andrade. Origem e Desenvolvimento da Filosofia numa Perspectiva Histórica: mito, razão e ciência.  Disponível em: <http://users.hotlink.com.br/fico/refl0035.htm>. Acesso em: 23 ago. 2003. GALLIANO, Antônio Guilherme. O Método Científico: Teoria e Prática. São Paulo: Harbra, 1986. GARCIA, Ana Maria Felipe. O conhecimento. In: HÜNNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia Científica: Caderno de Texto e Técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999. GARRAFA, Volnei; COSTA, Sérgio Ibiapina F. (Org). A bioética no século XXI. Brasília: Editora Universidade de  Brasília.  2000. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1994. GUSMÃO, Heloísa Rios; PlNHEIRO, Eliana de Souza. Como normalizar trabalhos técnico­científicos? Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984. HUHNE, Leda Miranda. Metodologia Científica. 7. ed. Rio de Janeiro:Agir, 1999. INFANTE, Vidal Sunción. O perfil da Universidade para o próximo milênio. Disponível em: <http:// epaa.asu.edu/epaa/v7n32>. Acesso: 10 jan. 2003. JUNIOR, Alamir Paulo. Intuição Empresarial: Realidade ou Mito?.  Disponível em: <http:// www2.ankh.com.br/artigos/artigos/35.asp>. Acesso em: 23 ago. 2003. JUSTO, Irmão Henrique. Identidade do professor universitário: pesquisador e/ou docente? Educação. Porto Alegre, v. 18, n. 29, p. 175­186, 1995. KOCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. 14. ed., Petrópolis: Vozes, 2000. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia  Científica. 2. ed., São Paulo: Atlas, 1991. _______ Metodologia Científica. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000. LEITE, José Alfredo. Metodologia da elaboração de teses. São Paulo: Macgraw­Hill, 1978. LUCKESI, Cipriano Carlos. Fazer universidade: uma proposta metodológica. São Paulo: Cortez, 1985.
  • 118. Metodologia do Trabalho Científico 119 MCCLURE, Stuart; SCAMBRAY, Joel; KURTZ, George. Hackers expostos: segredos e soluções para a segurança de redes. Disponível em: <http://www.comciencia.br>. Acesso em: 17 mar. 2003. MILLER, S. Planejamento experimental e estatística. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. MINDLIN, José. A insensatez da guerra.  Scientific American  (Edição brasileira revista mundial de divulgação Científica). n. 11, abr. 2003. MORAN, José Manuel. Interferências dos Meios de Comunicação no Nosso Conhecimento. Disponível em: <http://www.batina.com/moran/interf.htm>. Acesso em: 27 ago. 2003. NERY, Rosa Maria de Andrade. O Direito como ciência, arte e técnica. In:______. Noções preliminares  de Direito Civil. São Paulo:  Revista dos Tribunais, 2002. OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de Metodologia Científica. São Paulo: Pioneira, 2002. ______. Tratado de Metodologia Científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico­prática. Campi­ nas: Papirus, 1996. PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Reforma Institucional, competitividade e autonomia financeira. In: Revista Adusp. São Paulo, p. 48­54, dez. de 2000. Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/ Interviews/debateusp.htm>. Acesso: 10 jan. 2003. PIRES, Márcia Regina. Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro. In:  SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 1., 2002, Uberaba.  Anais.... Uberaba: UNIUBE, 2000. p. 181. PRETI, Oreste. Educação a Distância: uma prática educativa mediadora e mediatizada. In: PRETI, Oreste (org.). Educação a distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: UFMT/NEAD, 1996, p. 15­56. RAMOS, José Maria Rodriguez. Globalização e comunicação. Disponível em: <http:// www.portaldafamilia.org/artigos/artigo114.shtml>. Acesso em: 27 ago. 2003. RAMOS, Lilian Maria Paes de Carvalho. Educação e trabalho: a contribuição de Marx, Engels e Gramsci à Filosofia da Educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v. 77, n. 185, p. 7­32, 1996. REVISTA SÍNTESE DE DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. Porto Alegre,  n. 18, jul./ago. 2002. REY, Luís. Planejar e redigir trabalhos científicos. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. SÁ, Elisabeth Schneider de et al.. Manual de normalização de trabalhos técnicos, científicos e culturais. 2 ed.  Petrópolis: Vozes, 1994. 183 p. SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 4. ed., Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2001. SAIZ, Francisco. Espírito científico. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/perseuscm/ espiritocientifico.html>. Acesso em: 27 ago. 2003.
  • 119. 120 UNIUBE ­ Educação a Distância SANTOS, Anderson Fernando dos. A ciência precisa do senso comum? Disponível em: <http:// geocities.yahoo.com.br/historiaworks/senso.html>. Acesso em: 24 ago. 2003. SAVIOLI, Francisco Platão;  FIORIN, José Luiz. Lições de Texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996. SETZER, Valdemar W. Dado, informação, conhecimento e competência. Disponível em: <http:// www.ime.usp.br/~vwsetzer/datagrama.html>. Acesso em: 25 ago. 2003. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. rev. e ampl.. São Paulo: Cortez, 2002. 335p. SILVA, Heloisa Helena Rovery da; SILVA, Maria de Lourdes Alencar. A prática da documentação pessoal.  Disponível  em:  <http://www.salesianolins.br/apostilas/Pos_Graduacao/ Metodologia_Heloisa_Lourdinha/1Aula/>. Acesso: 10 jan. 2003. SOARES, Magda Becker; CAMPOS, Edson Nascimento. Técnica de redação: as articulações lingüísticas como técnica de pensamento. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987. SOLINO, Antônia da Silva. Planejamento e Gestão na Instituição Universitária: um enfoque multidimensional. Tese de doutorado. EAESP/Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 1996. TAKAHASHI, Tadao. (Org.) et al. Mercado, Trabalho e Oportunidades. In:______  Sociedade da Informação no Brasil:  livro verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. cap. 2, p.17­28.