O surgimento do homem, os primeiros agrupamentos sociais e oaparecimento das famílias.Para entender a história... ISSN 217...
Até recentemente, acreditava-se que o ancestral mais antigo do homem era oAustralopitecus, cujo nome significa macaco do s...
Trata-se de um primata de pouco mais de um metro de altura, que viveu em florestas esavanas e que foi se tornando bípede.E...
Atualmente, a opinião mais aceita diz que o Pitecantropus é apenas mais um primo doHomo Habilis, tendo como ancestral comu...
Seja como for, o homem moderno se tornou uma praga, transformando a natureza comfins a sua sobrevivência, espalhando-se pe...
Segundo a teoria do povoamento pela ponte do Estreito de Bering, entre 40 e 30 milanos, a passagem entre o norte da Améric...
Entretanto, a arqueóloga brasileira NèdeGuidon encontrou vestígios que não seenquadram neste grande quebra-cabeças na Serr...
Desde 1 milhão até 10 mil anos atrás, os grupos hominídeas foram basicamentecompostos por caçadores, pescadores e coletore...
O inicio da sedentarização da humanidade e a invenção da agricultura é chamado deMesolítico ou Nova Idade da Pedra, a Idad...
Neste sentido, a divisão de tarefas continuou obedecendo uma dinâmica conforme sexoe idade.Onde aos homens cabia preparar ...
A família sofreu consideráveis modificações ao longo da história, regulando asinterações sociais e cunhando preceitos mora...
Assim, pensando nas diferentes maneiras como se organizam ou estruturam os grupos,variáveis no tempo e espaço, a família p...
5. Fantasma.Consiste em uma unidade formada por apenas um elemento nuclear, pai ou mãe, e ochamado fantasma, além dos filh...
Na medida em que transmite a herança cultural e social durante os primeiros anos devida (linguagem, usos, costumes, valore...
Freqüentemente associada ao casamento, para entender a família integralmente, énecessário discutir o união entre cônjuges....
A escola é uma instituição, como tal possui normas e padrões, impostos por aqueles quecontrolam o sistema educacional, den...
Para solucionar as questões que diariamente se colocam aos educadores, dentro daescola, talvez devamos pensar em retomar a...
Neste sentido, assim como os grupos, as organizações podem ser voluntárias oucoercitivas.Grupos ou organizações voluntário...
Em meio ao processo de constante modificação da cultura, alguns indivíduos que nãoconcordam com aquilo que é imposto pela ...
De qualquer forma, os conflitos de papeis desarticulam as relações e desest5ruturam osgrupos sociais, causando inúmeros pr...
Comte chamava os iluministas de “doutores da guilhotina” pejorativamente parademonstrar que tudo que a Revolução Francesa ...
Para Saint-Simon era justamente o contrário do que defendiam os iluministas, asinstituições, calcadas na tradição, que reg...
A idéia era criar uma ciência semelhante à física que fosse aplicada ao estudo dasociedade.Assim, Comte criou a sociologia...
A orientação básica do positivismo é a investigação da “física social”, através dosmesmos procedimentos das ciências natur...
Acreditava que a evolução seria um principio universal, sempre operante.Muito conhecido na sua época, Spencer fez parte do...
Não significa que os indivíduos não tenham outras prioridades, mas sim que, para obteroutras metas, necessitam primeiro bu...
Neste sentido, guerras e epidemias seriam um mecanismo regulador da economia,fazendo diminuir a população, elevando os sal...
Lei e causa do progresso (1889).Estatística social.Sistemas de filosofia sintética.Além destes livros, uma obra publicada ...
Canudos era o nome de uma comunidade que foi originada a partir de um movimentopopular, liderado por um beato chamado Antô...
O governo federal enviou quatro expedições militares contra Canudos.A primeira composta por efetivos da policia locais, fo...
Ocasião em que Euclides da Cunha se juntou as tropas como correspondente de guerra.Após denuncias de corrupção, desvio de ...
As três primeiras expedições a Canudos teriam fracassado porque eram compostas,primordialmente, por descendentes de negros...
Aliás, diga-se de passagem, o conceito de raça é atualmente considerado ultrapassado,pois estudos recentes indicaram que t...
A escola deveria preparar as pessoas para enfrentar a difícil concorrência com o outro,ao mesmo tempo, ensinando que só a ...
Esta concepção reafirmava a crença nas instituições sociais como reguladoras da ordem,mas revela uma descrença no potencia...
Ele foi responsável pela introdução da área nos currículos das universidades, quando setornou de fato uma disciplina recon...
O grau de coerção dos fatos sociaisseria determinado pelas sanções, os impedimentos que o individuo está sujeito quandoten...
A crítica ao positivismo.Apesar de Durkheim, nos seus estudos iniciais, seja identificado como positivista; apósidentifica...
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A partir do desenvolvimento do capitalismo, a solidariedade mecânica teria evoluídopara a solidariedade orgânica.Portanto,...
Estudando a elevação da taxa de suicídio em determinados anos, Durkheim observouque o principal fator que conduzia ao ato ...
Ao mesmo tempo, o suicídio poderia ser motivado pelo fato do sujeito sentir que ogrupo espera seu sacrifício, neste caso a...
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A teoria técnico-funcional da educação é um desdobramento da teoria funcional deDurkheim, estando dentro, portanto, do par...
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Hurn (1978) reexaminou a questão e chegou a uma conclusão diferente.Para ele, apesar da origem familiar não garantir o suc...
O termo estruturalismo surgiu no curso de lingüística geral, ministrado pelo francêsFerdinand Saussure, em 1916.Conceitual...
3. Aparelhos Repressivos de Estado, instituições que exercem domínio por meio daviolência, tal como policia, tribunais, pr...
Enquanto a teoria técnico-funcional da educação discutiu o mérito da escola no sucessodos indivíduos dentro do sistema cap...
A nova sociedade, filha das revoluções liberais, governada pela ideologia burguesa, vê opoder disciplinar como a forma mai...
O desaparecimento dos suplícios e a disciplina sobre o corpo.Foucault analisa e discute uma profunda metamorfose quanto à ...
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O surgimento do homem

  1. 1. O surgimento do homem, os primeiros agrupamentos sociais e oaparecimento das famílias.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume ago., Série 29/08, 2011, p.01-15.As teorias sobre a origem do homem são relativamente recentes, só apareceram no finaldo século XIX e até hoje estão em constante alteração, sobretudo, devido a descobertasque costumam alterar a opinião dos estudiosos do tema.Pensar a evolução das espécies só tornou-se possível depois da revolucionaria teoria doinglês Charles Darwin, publicada na obra A origem das espécies em 1859.Polêmica até os dias atuais, ainda combatida pelo chamado criacionismo, Darwinsustentou, com base em observações empíricas na ilha de Galápagos (Equador), que avida está em permanente adaptação com relação ao meio e a luta pela sobrevivência.Para ele, a lei do mais forte comanda o processo de evolução, aglomerando-se com oprocesso de seleção natural, dentro do contexto da teoria da evolução das espécies.Segundo a qual, somente os mais fortes, os mais adaptados, sobrevivem, enquantomutações genéticas garantem vantagens que alteram características físicas das espécies.Neste sentido, o estudo de fósseis e vestígios arqueológicos permitiu traçar uma linhaevolutiva da espécie humana.Os profissionais responsáveis por estes estudos são paleontólogos, arqueólogos eantropólogos, embora historiadores também contribuam com analises sobre os indíciosencontrados.Mais recentemente, geneticistas se juntaram a equipe de estudiosos do tema,colaborando com o rastreamento das origens do homem, chegando até a Eva Genética, amulher da qual todos descenderíamos, pertencente já aos Homo Sapiens.No entanto, antes dela a espécie humana teve outros ancestrais.O Ramapithecus e a polêmica da ramificação da espécie.
  2. 2. Até recentemente, acreditava-se que o ancestral mais antigo do homem era oAustralopitecus, cujo nome significa macaco do sul, um fóssil descoberto no sul daÁfrica em 1924.Segundo livros didáticos ainda em uso, este primata teria aparecido háaproximadamente 1 milhão de anos, caracterizando-se por possuir cérebro um poucomaior que seus parentes, postura ereta, melhor visão e maior habilidade com as mãos.O que teria permitido manipular instrumentos como varas para derrubar frutas, além dodesenvolvimento de habilidades sociais que possibilitaram a vida em grupo. No entanto, um fóssil encontrado em 1974, na África, começou aalterar este panorama.Trata-se de Lucy, um Australopitecus com 3 milhões de anos.Mudanças mais radicais ocorreram com descobertas no inicio do século XXI,originando outra teoria.A qual defende a idéia que o Australopitecus é um primo distante do homem moderno,uma ramificação a partir de um ancestral comum.Segundo esta hipótese, o Australopitecus não seria um ancestral do homem, até porqueencontraram ramificações que dividiram o dito Australopitecus em subespécies tal comoAfricanus e Boisei, as quais terminaram também extintas.Na realidade, o Australopitecus e o Homo Habilis, este último nosso ancestral diretomais antigo, conviveram na mesma época, há cerca de 3 milhões de anos atéaproximadamente 1 milhão de anos.Ambos descendem do Ramapithecus, um primata que surgiu há 12 milhões de anos, emdiferentes regiões da África, Europa e Ásia.
  3. 3. Trata-se de um primata de pouco mais de um metro de altura, que viveu em florestas esavanas e que foi se tornando bípede.Era dotado da habilidade de atirar objetos para espantar predadores e carregar as crias.Porém, conforme se adaptou para caminhar, perdeu a habilidade de agarrar com os pés,o que impediu os bebês de grudar na mãe com as quatro patas, fazendo desenvolver apostura ereta para liberar as mãos para o transporte das crias.Ocorreram mutações que, pelo processo de seleção natural, originaram oAustralopitecus e o Homo Habilis, muitas vezes confundidos nos livros didáticos comoa mesma espécie, utilizados erroneamente como sinônimos.Porém, existe mais de uma ramificação a partir do Ramapithecus que torna o quebracabeças mais complexo e desorganizado, pois, em 1891, foi descoberto na ilha de Java oPitecantropus.Um homínida que apareceu há cerca de 750 mil anos, cujo nome significa macaco empé, o qual antes acreditava-se descender do Australopitecus, mas que na realidade estáem uma linha evolutiva paralela.
  4. 4. Atualmente, a opinião mais aceita diz que o Pitecantropus é apenas mais um primo doHomo Habilis, tendo como ancestral comum o Ramapithecus.Um fóssil, descoberto na China em 1921, permitiu observar que o Pitecantropusevoluiu, originando o Sinantropo, um primata de postura ereta, cérebro maior que seuantecessor e que conhecia o uso do fogo.É provável que o Australopitecus, Pitecantropus, Sinantropo e Homo Habilisrepresentem mutações do Ramapithecus que conviveram em grupos rivais, disputandoespaço.A espécie mais apta sobreviveu e sobrepujou as demais, no caso o Homo Habilis, asdemais se extinguiram.Entretanto, por volta de 1 milhão de anos surgiu o Homo Erectus, descendente direto doHomo Habilis, um hominídea fisicamente não muito diferente de nós, de aspectorobusto e forte, com cabeça achatada e maxilar saliente.Este ser conhecia o fogo e vivia em grupos, possuindo noções de convivência socialmais elaboradas.Provavelmente foi empurrado por mudanças climáticas, iniciando uma migração emmassa para a África, onde os sobreviventes da jornada originaram o Homo Sapiens há500 mil anos.Nascia o homem moderno, com todas as características que temos hoje, mas sem osmesmos hábitos ou modos de se relacionar entre si e com a natureza.O Homo Sapiens sofreu uma mutação mal sucedida entre 100 e 65 mil anos, fazendosurgir na Europa o Neandertal. Um hominídeo com cérebro menorque o Homo Sapiens, mas maior que o Homo Erectus; porém com grande força física econhecedor do uso de lanças e machados de pedra lascada.Este realizava ainda um tipo de culto aos mortos, colocando enfeites e alimentos nostúmulos, para que o morto pudesse utilizar em outra vida.O Neandertal simplesmente desapareceu há 50 mil anos, possivelmente se misturoucom o Homo Sapiens, visto que alguns de nós possuem traços genéticos que remetem aeles.
  5. 5. Seja como for, o homem moderno se tornou uma praga, transformando a natureza comfins a sua sobrevivência, espalhando-se pelo planeta e se multiplicando.O povoamento do planeta pelo Homo Sapiens.Depois que o Homo Erectus migrou para a África, originando o Homo Sapiens há 500mil anos, segundo a teoria mitocondrial, permaneceu no continente por 300 mil anos.Só iniciou uma nova aventura migratória há 200 mil anos, quando o nível das águascomeçou a baixar, permitindo, inicialmente, ir para o sul do continente africano.Depois, por volta de 100 mil anos, atravessou o mar Vermelho, quando então erapossível cruzá-lo a pé, indo para o Oriente Médio e para a região da Índia.Há 55 mil anos navegou até a Oceania, chegando até a Austrália, ao mesmo tempo,espalhando-se pela Ásia Central.Até então, é provável que a última era glacial tenha impedido a migração para a Europa.Isto, a despeito da teoria eurocêntrica que afirma que a África é o berço da humanidadee que a primeira migração do continente teria sido para a Europa, ao invés da Ásia.Entretanto, vestígios arqueológicos e o estudo genético provaram que a migração para aEuropa é bem mais recente, remonta há 55 mil anos, em algumas regiões ocorreusomente há 30 mil anos.Já a migração para a América teria ocorrido entre 40 e 100 mil anos, coexistindo duasteorias que explicam como aconteceu.
  6. 6. Segundo a teoria do povoamento pela ponte do Estreito de Bering, entre 40 e 30 milanos, a passagem entre o norte da América e da Ásia era mais estreita.O nível do mar era pelo menos 120 metros mais baixo, além de existir uma provávelfaixa formada por água congelada.O que teria permitido cruzar a distância a pé ou navegando curtas distâncias.Outra teoria, defendida por cientistas do Museu do Homem em Paris e já recriada porarqueólogos, afirma que o homem teria migrado a partir da Oceania, navegando emembarcações primitivas, indo de ilha em ilha até chegar a América, um processo queteria demorado 6 mil anos.Atualmente, as duas teorias são aceitas, sendo provável que os dois processos ocorreramsimultaneamente, ao passo que o povoamento da América teria se dado tanto pelo nortecomo sul do continente.Posteriormente, migrações para o sul e norte terminaram de povoar toda a América.Neste sentido, o fóssil humano mais antigo do continente teria no máximo 20 mil anos,chamado pelos paleontólogos como Luzia, o qual foi encontrado na América do Norte.Por sua vez, segundo Pedro Paulo Funari, na América do Sul, o esqueleto mais antigoteria por volta de 12 mil anos.
  7. 7. Entretanto, a arqueóloga brasileira NèdeGuidon encontrou vestígios que não seenquadram neste grande quebra-cabeças na Serra Capivara, no Piauí.Trata-se de restos de uma fogueira (carvões e artefatos de rocha lascada) que datam de50 mil anos, além de pinturas rupestres com pelo menos 40 mil anos.Diante destas descobertas, todas as teorias, ou pelo menos sua datação, sobre opovoamento da América, poderiam ser contestadas.Alguns estudiosos passaram, inclusive, a defender o inicio da América há 100 mil anos,quando a última era glacial teria facilitado a passagem a pé. O que faz com que seja plausível achegada do homem à América por várias passagens, incluindo sua migração direto daÁfrica, passando pelo Atlântico, quando o nível do oceano estava mais baixo, comgrandes extensões de água solidificada pelo frio.Destarte, esta teoria é controversa, não podemos esquecer que existem questõespolíticas, ideológicas, sociais e culturais envolvidas.O predomínio de uma visão eurocêntrica, dificilmente permite aos pesquisadoresadmitir um povoamento da América quase ou mais antigo que o asiático ou europeu.É o mesmo tipo de questão que, por exemplo, faz as civilizações nativas da Américaserem tratadas como primitivas, embora, em vários aspectos, sejam superiores aoseuropeus do século XV e XVI.Em todo caso, seja qual for a datação ou percurso da migração do homem pelo planeta,cabe perguntar: o que teria motivado o deslocamento destes grupos humanos?Uma explicação convencional diz que mudanças climáticas, a migração da caça, teriamfeito os homens buscarem novos territórios.Outra explicação afirma que a explosão demográfica tornou alimento escasso e forçou amigração humana.No entanto, Jaime Pinsky forneceu uma hipótese mais original que não anula asanteriores, para ele a migração humana aconteceu devido ao espírito de aventura.A natureza humana, a curiosidade de explorar e saber o que está além, foi o que moveuo homem a migrar cada vez para mais longe.Os primeiros agrupamentos sociais.
  8. 8. Desde 1 milhão até 10 mil anos atrás, os grupos hominídeas foram basicamentecompostos por caçadores, pescadores e coletores.O que exigiu uma organização social para coordenar os esforços de caça, com umadivisão de tarefas pelo sexo e idade.As mulheres coletavam frutas e raízes, cuidando dos filhos, amamentando a criança atéque desse a luz ao próximo rebento, em um espaço estimado em quatro anos, tratandotambém do preparo dos alimentos.Os homens caçavam e pescavam, perseguindo animais em grupo, preparando artefatospara facilitar a caça, como lanças e machados de pedra.Aos caçadores cabia a distribuição da carne, feita através de longos rituais, influenciadapelo grau de parentesco, alianças e devolução de favores.O caçador mais forte liderava o grupo, enquanto os mais velhos formavam um conselhotambém destinado a ensinar os mais jovens, ou eram deixados para morrer quandorepresentava um fardo para o grupo, isto porque os homens eram nômades, migrandoatrás da caça e pesca.Estes primeiros grupos sociais, segundo vestígios arqueológicos, não eram superiores atrinta indivíduos, fixando-se provisoriamente em cavernas ou habitações construídascom material local.Sempre próximos a fontes de água doce, tal como rios, ou então em locais elevados parafacilitar a visualização de predadores e grupos rivais.Viveram na época que chamamos de pré-história, o período anterior a invenção daescrita, entre 4 e 3 mil anos antes de Cristo.Isto porque é um período considerado anterior a história propriamente dita, já que nãoexistem relatos escritos sobre a vida destes grupos, somente vestígios arqueológicos quepermitem a penas suposições.Dentro da pré-história, o espaço de tempo que vai da origem do homem até 12 mil anosé chamado de Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada.
  9. 9. O inicio da sedentarização da humanidade e a invenção da agricultura é chamado deMesolítico ou Nova Idade da Pedra, a Idade Média da pré-história.Um período de transição com novas técnicas e instrumentos surgindo, convivendo come velhos hábitos e práticas, delimitado entre 12 até 10 mil anos, embora alguns autoresdelimitem seu fim nos 6 mil anos.Entre 10 e 4 ou 3 mil anos, acorreu a Revolução Neolítica (Período Neolítico), quando ohomem se tornou sedentário, fixando-se em aldeias próximas a fontes de água e terrasférteis.Iniciou-se então a domesticação de plantas e animais, com a agricultura e o pastoreio.As primeiras espécies vegetais domesticadas foram grãos, cereais e raízes; tal comomilho, trigo, cevada, arroz e batata-doce.Ao passo que os primeiros animais domesticados foram cães, cabras, bois, camelos edromedários.Em pouco tempo, o homem aprimorou técnicas de construção de moradias, criandopeças de cerâmicas para armazenar alimentos e servir como decoração.Simultaneamente, começou a aperfeiçoar instrumentos agrícolas, o que gerou excedentee possibilitou o inicio do comércio, forçando o aparecimento de novas tecnologias parao transporte das mercadorias.Foi dentro deste contexto que a roda foi inventada há cerca de 5 mil anos, apesar de noinicio sua utilização se restringir para fazer cerâmica, portanto usada na horizontal.De qualquer forma, durante o Neolítico, também chamado Idade da Pedra Polida, asedentarização trouxe mudanças significativas na organização social, cultura e religião.Os agrupamentos humanos se tornaram mais numerosos, comportando uma explosãodemográfica que originou as primeiras cidades e, posteriormente, as primeirascivilizações.Este aumento das populações humanas criou rivalidade entre grupos humanos, fazendonascer a figura do guerreiro e organizações militares para proteger ou tomar recursos eterras.
  10. 10. Neste sentido, a divisão de tarefas continuou obedecendo uma dinâmica conforme sexoe idade.Onde aos homens cabia preparar a terra para o cultivo e ará-la, cuidando também dacaça e pesca, servindo como guerreiros.As mulheres, além das tarefas domésticas e do cuidar dos filhos, passou a caber a rotinada lavoura e a colheita.Aos mais jovens, principalmente do gênero masculino, era atribuída a tarefa depastoreio de animais de pequeno porte.Os mais velhos deixaram de ser abandonados para morrer, passaram a gozar de maiorprestigio, compondo conselhos que decidiam os destinos do grupo e guardando epreservando a memória oral.No aspecto cultural e religioso, mitologias nasceram para tentar explicar os fenômenosda natureza e padronizar comportamentos, quando apareceram, primeiro, o culto dosantepassados e, depois, a figura dos deuses.As mulheres passaram a ser vistas como seres sagrados, detentoras do dom da vida.Para cultuar e simbolizar a religião e a política, começaram a ser esculpidas estatuas,inicialmente, ligadas ao culto da fertilidade.Igualmente, foi aperfeiçoado o culto funerário e a preservação da memória dosantepassados, algo vinculado com o surgimento do sentimento de família.O conceito de família.Embora, em geral, a família tenha origem em um fenômeno biológico de conservação ereprodução da espécie, o conceito envolve questões vinculadas a aspectos sociais queinterferiram diretamente na evolução humana.
  11. 11. A família sofreu consideráveis modificações ao longo da história, regulando asinterações sociais e cunhando preceitos morais e éticos, fomentando leis e normas.No entanto, o conceito de família, independente de suas variações, é basicamente omesmo desde os primórdios da humanidade.Segundo Murdack, família é “um grupo social caracterizado pela residência em comum,com cooperação econômica e reprodução”, um conceito bastante elástico.Para Mair, família é “um grupo doméstico no qual os pais e filhos vivem juntos”, umaconcepção mais restrita e hoje colocada de lado pela maioria dos antropólogos.Para Beals e Hoijer, família é “um grupo social cujos membros estão unidos por laçosde parentescos”.Outro conceito aparentemente estreito, mas que, diante da elasticidade doestabelecimento de graus de parentescos artificiais, admitidos como possíveis pelaantropologia, esta concepção torna-se ampla.Em outras palavras, qualquer que seja a linha teórica, a verdade é que todos os conceitosse encaixam na seguinte definição de família:Família é todo conjunto de pessoas unidas por interações sociais com certo grau decoesão entre seus membros, com graus de parentesco artificiais ou concretos,declarados ou ocultos, com ou sem ligação genética.Hoje, apesar de no passado já terem sido registrados casos semelhantes ao longo dahistória da humanidade, a família pode tanto ser constituída por pais e filhos, como porum conjunto de amigos, onde cada membro assume uma função social perante osdemais.Tipos de família.Dentro do âmbito da amplitude do conceito de família, para a antropologia existemalgumas classificações tipológicas que visam ajudar o estudo.
  12. 12. Assim, pensando nas diferentes maneiras como se organizam ou estruturam os grupos,variáveis no tempo e espaço, a família pode ser classificada em cinco tipos:1. Elementar.Também chamada de nuclear, natal-conjugal, simples, imediata ou primaria; é aquelaformada por pai e mãe, homem e mulher ou aqueles que assumem a vida conjugalmonogâmica, podendo ser um casal de dois homens ou duas mulheres.Fazem parte deste tipo de família, além do casal, também os filhos, quer sejam geradosbiologicamente ou agregados ao grupo.A despeito de, até pouco tempo atrás, só ser considerado como pertencente a este tipode modelo a família patriarcal tradicional com laços sanguíneos.Não obstante, a família elementar, do ponto de vista antropológico, é consideradaefêmera, pois à medida que os filhos crescem, constituindo novas famílias, o grupodiminui e, eventualmente, tende a desaparecer com a morte dos pais.Sobrevive, com raras exceções, não mais que duas ou três gerações.2. Extensa.Também chamada grande, é uma unidade formada por duas ou mais famílias de tipoelementar, com grau de parentescos mais complexos, envolvendo avós, tios, sobrinhos,primos, afilhados e até agregados.No entanto, a unidade nuclear, com pai e mãe, ou aqueles que exercem a função, é bemdefinida e nítida, admitindo apenas relações monogâmicas entre cônjuges.3. Composta.Também chamada complexa ou conjunta, é uma unidade formada por três ou maiscônjuges e seus filhos, com estrutura poligâmica.É um modelo oriental de família, existente desde os primórdios da humanidade e muitocomum em sociedades matriarcais4. Conjugada Fraterna. Refere-se a uma unidade composta por membros que compartilham funções, nãoexistindo a presença rígida de pai e mãe.Ora um membro do grupo exerce o papel de pai, ora de irmão ou filho, tudo depende docontexto e do momento.Um bom exemplo são as sociedade indígenas, onde a criança é de responsabilidade detoda a tribo, embora existam funções delimitadas por sexo e idade.Nas sociedades modernas, diante da ausência do real ocupante da função exercendo amesma, existe uma tendência a sempre alguém ocupar o lugar vago, mesmo quetemporariamente.
  13. 13. 5. Fantasma.Consiste em uma unidade formada por apenas um elemento nuclear, pai ou mãe, e ochamado fantasma, além dos filhos.Isto, mesmo no caso de pai ou mãe vivos, mas ausentes, pois quando a função não édesempenhada, pelo menos em um aspecto, o elemento torna-se um fantasma.Funções da família.Dentre as diversas funções da família, as quais tem variado através dos séculos, osestudiosos apontam quatro básicas e quatro subsidiárias.As funções básicas, também chamadas de fundamentais, são encontradas em todos osgrupos humanos, sendo elas:1. Sexual.Atende as necessidades sexuais permitidas por meio da institucionalização da união oucasamento.2. Reprodução.Visa perpetuar a espécie, mesmo em sociedades onde há liberdade sexual, a procriaçãoé regulada com normas e sanções que legitimam a família.3. Econômica.Assegura o sustento e proteção do grupo, conduzindo a divisão de tarefas e aestratificação, com status diferenciados entre os membros.4. Educacional.O grupo, através da coesão, arca com a responsabilidade de transferir os conhecimentosacumulados pela humanidade de geração em geração, criando condições para que existauma cooperação entre os membros.O que torna, teoricamente, a vida em sociedade possível.Portanto, as funções básicas da família podem ser desempenhada de várias maneiras,dentro dos mais diversos sistemas culturais, moldando as personalidades individuais.Como agente educador, a família pode combinar duas funções especificas:1. Socializadora.
  14. 14. Na medida em que transmite a herança cultural e social durante os primeiros anos devida (linguagem, usos, costumes, valores e crenças), a família é peça essencial noprocesso de endoculturação, preparando a criança para o ingresso na sociedade.2. Social.Proporciona a conquista de diferentes status dentro da estratificação social, tal como oposicionamento étnico, nacional, religiosa, político, educacional e até de classe.Além destas divisões, alguns autores classificam quatro funções subsidiárias, apesar deoutros afirmarem que perderam sentido na sociedade moderna.No entanto, cabe ressaltar que, diferente das funções básicas, as subsidiarias nãoexistem em algumas sociedades.Estas funções subsidiarias podem ser assim divididas:1. Religiosa.Une seus membros através de uma rede de direitos e proibições morais, estabelecendolaços afetivos e sentimentais.2. Jurídica.Impõem obrigações definidas entre os membros, mas também direitos.O que garante a reprodução do sistema econômico e político vigente, assim como amanutenção do status individual.3. Política.Propicia proteção potencializando apoio emocional para a resolução de problemas econflitos, podendo formar uma barreira defensiva contra agressões externas.Neste sentido, reforça a saúde física e mental do individuo, constituindo um recursopara lidar com situações associadas à vida em comunidade.4. Recreativa.Constitui uma válvula de escape para as tensões fora do grupo, um elemento de fuga dostress.Embora esta válvula de escape, desvinculada da função religiosa e associada a outrosfatores, possa conduzir a violência domestica.Casamento e família.
  15. 15. Freqüentemente associada ao casamento, para entender a família integralmente, énecessário discutir o união entre cônjuges.Na sociedade, em geral, existem duas formas de relação, do ponto de vistaantropológico, entre seres humanos: união e casamento.Tradicionalmente, a união consiste no ajuntamento de indivíduos do sexo oposto sobinfluencia do impulso sexual.Modernamente, a união também pode ser caracterizada pelo ajuntamento também entreindivíduos do mesmo sexo, contanto que exista influencia de impulso sexual.De qualquer forma, a união não estabelece necessariamente direitos e obrigações e, doponto de vista antropológico, não constitui obrigatoriamente uma família.Para que isto aconteça é necessário o reconhecimento dos envolvidos e da sociedade.Entretanto, a união pode conduzir ao matrimonio ou casamento, quer seja reconhecidoou não religiosamente ou pelo Estado.O que caracteriza o casamento é, justamente, a união orientada para a constituição dafamília, implicando em costumes complexos e o estabelecimento de laços afetivos maisestreitos, quer dentro da monogamia ou da poligamia.Assim, o casamento ou a união é a base para a construção da família e seu principalelemento agregador, podendo comportar múltiplas soluções e/ou problemas que afetamtodos os seus membros.Família e escola.Existe, em quase todas as sociedades, uma tendência para que certos aspectos doadestramento das crianças sejam assumidos por agentes externos à família, tal como aescola.O grande problema é que o saber escolar, muitas vezes, distancia-se da realidade,impedindo a assimilação democrática do conhecimento, excluindo e limitando o acessoao saber.
  16. 16. A escola é uma instituição, como tal possui normas e padrões, impostos por aqueles quecontrolam o sistema educacional, dentro do âmbito do fordismo, acarretando emproblemas como a questão da “violência simbólica”, discutida por Bourdieu e Passeron.Portanto, embora a sociedade transfira, cada vez mais, responsabilidades da família paraa escola, cabe lembrar que somente a primeira constitui um grupo primário.A escola é um grupo secundário e nunca poderá substituir a família na educação dascrianças.Concluindo.A história da humanidade remonta aos seus antepassados mais remotos há 12 mil anosatrás, desde então um longo caminho foi percorrido até os nossos dias.Entretanto, a aceleração material e cultural humana só começou com a invenção daescrita, cerca de 4 ou 3 mil anos antes de Cristo, embora a evolução tecnológica sótenha assumido um ritmo mais rápido a partir do século XVIII e ainda mais desenfreadona segunda metade século XX.Entretanto, a despeito deste fato, o sentimento de família sempre foi o mesmo desde osprimórdios da origem da instituição, mas no século XXI passou a sofrer constantemodificação.O que remeteu o que antes era considerado papel da família para dentro da escola,gerando inúmeros problemas, já que instituições educacionais não estão preparadas paracumprir o que a sociedade erroneamente espera dos profissionais da educação.Seja qual for o problema, a resolução não está apenas no tratamento do educando, massim na orientação familiar, principalmente para que assuma suas responsabilidades.O vinculo dos sujeitos com a família é essencial para um desenvolvimento coerente.O problema do individuo pode ser, na realidade, um problema de sua família, podendo,inclusive, agravar situações em um efeito em cascata transposto para a sociedade.Por outro lado, trabalhar com a família, permite ao profissional da educação realizarverdadeiramente uma profilaxia, uma prevenção do agravamento de problemas jáexistentes.
  17. 17. Para solucionar as questões que diariamente se colocam aos educadores, dentro daescola, talvez devamos pensar em retomar alguns aspectos do ensino tradicional, sóassim será possível auxiliar o educando na passagem da heteronomia para a autonomia.Conceitos básicos da Sociologia: algumas considerações.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mar., Série 12/03, 2011, p.05-08.Existem três conceitos básicos em sociologia: formas de organização social; cultura;estrutura e papéis sociais.Para entender várias discussões sociológicas é necessário dominar estes conceitos, poristo abordaremos aqui brevemente cada um deles.Formas de organização social.A unidade fundamental para a sociologia é o grupo social, um conjunto de pessoas queinteragem formando padrões, unidas em torno de interesses em comum ou aglutinadassegundo a identidade que tentam reproduzir.Os grupos sociais se dividem em primários e secundários.Grupos primários são aqueles em que os indivíduos possuem laços mais estreitos, maispróximos, propiciando maior intimidade e coesão, dentro dos quais os interessescomuns se estendem por longos prazos e, por vezes, são substituídos pela afetividade.Um bom exemplo de grupo primário é a família, onde se um membro modificar seusinteresses, nem por isto deixa de pertencer ao grupo.O interesse em comum que existe dentro da família pode ser simplesmente o bem estardo outro, quer seja consciente ou não.Grupos secundários são formados por indivíduos com interesses em comum que, depoisde satisfeitos, dentro de certo prazo, terminam com a dissolução do grupo.Colegas de faculdade exemplificam perfeitamente um grupo secundário, pois existe ointeresse em comum de concluir o curso, o que, uma vez realizado, dissolve o grupo,embora ele possa se tornar um ou vários grupos primários.Conforme os grupos crescem podem se tornar formais e informais, ou seja, com regras enormas explicitas ou implícitas.Um grupo pode se tornar uma organização, um aglomerado de pessoas unidas em tornode objetivos, formando uma combinação de esforços individuais em prol de propósitoscoletivos.
  18. 18. Neste sentido, assim como os grupos, as organizações podem ser voluntárias oucoercitivas.Grupos ou organizações voluntários são aqueles onde os membros se reúnemespontaneamente.Coercitivas são aqueles em que os membros são forçados a se reunirem, a estaremjuntos.Diferente de uma organização, uma instituição pode ser definida como um conjunto depessoas que, não tendo necessariamente objetivos coletivos, é unificado pelo conjuntode tradições que segue.A cultura e sua formação.A cultura pode ser definida como um conjunto de valores que une e confere identidade aum grupo, ditando parâmetros de conduta que unificam comportamentos e ações,fornecendo modelos que podem compor estereótipos.Estereótipos são modelos nos quais os indivíduos são encaixados conforme asaparências, nem sempre correspondendo a realidade.A dinâmica de formação e modificação da cultura leva em consideração influenciasinternas e externas, sendo integrado pela cultura ideal, a cultura real e a contracultura,além de subculturas.A cultura ideal ode ser definida como o conjunto de valores fixados pela elite,vinculado, portanto, com a cultura erudita, o saber cientifico e escolar.A cultura real corresponde aos valores fixados pelo senso comum ou cultura popular ede massa, respondendo pelos valores em voga na prática.Aqui cabe uma distinção, pois a cultura popular é aquela que nasce espontaneamente,enquanto a cultura de massa é fabricada pela mídia de grande circulação e, em geral,possui objetivos mercadológicos.As subculturas pertencem à cultura real, constituindo variações da culturaregionalizadas, que não contrariam, necessariamente, a cultura ideal, como por exemploa cultura nordestina ou gaucha, ambas pertencentes a cultura brasileira.
  19. 19. Em meio ao processo de constante modificação da cultura, alguns indivíduos que nãoconcordam com aquilo que é imposto pela cultura ideal e real, não conseguindo adequaros parâmetros oficiais, terminam optando por defender novas idéias.Estes indivíduos acabam criando movimentos de contracultura que, com o tempo,podem modificar a cultura.Estrutura e papeis sociais.Ao contrário do que poderíamos imaginar, nem sempre os indivíduos controlamtotalmente se comportamento.Para facilitar o convívio, a sociedade está organizada segundo uma hierarquia,compondo uma estrutura social.Cada individuo, conforme suas inclinações pessoais e sua formação social, tende aocupar um lugar na estrutura, exercendo um papel social especifico que fará com que secomporte conforme as expectativas do grupo, independente de sua vontade.O comportamento das pessoas envolve o que se espera delas ou aquilo que ela mesmaimagina que é esperado, determinando papéis sociais que conferem status.Por exemplo, um diretor de uma empresa jamais irá usar gírias em uma reunião dediretoria, pois considera que não atenderá as expectativas do grupo e diminuirá seustatus.Entretanto, quando alguém ocupa mais de uma posição ou está presente em mais deuma estrutura, desempenhando múltiplos papéis, podem surgir conflitos de papéis.A esposa, por exemplo, sendo ao mesmo tempo mãe, devendo desempenhar funçõesdistintas, pode confundir papéis.Tratando o marido como filho e criando uma tensão sexual com o filho, a esposa podedeixar os outros membros da família desorientados.Quando a mãe parece ter mais status para o marido que a esposa, a dita esposa podetentar compor a expectativa que pensa que o marido tem para com ela.Resultado, a esposa passa a tratar o marido como mãe, buscando o status que julga nãoter como esposa.Assim, o fator que faz com que as pessoas confundam papeis é o status, a busca peloreconhecimento dentro da estrutura social.Quando um papel é considerado pelo individuo como estando abaixo do respeito eadmiração almejado, o individuo tende a transferir seus desejos de reconhecimento paraoutra parte da estrutura ou outra estrutura onde pensa que terá maior probabilidade desucesso.
  20. 20. De qualquer forma, os conflitos de papeis desarticulam as relações e desest5ruturam osgrupos sociais, causando inúmeros problemas para o individuo e o conjunto dacoletividade.Concluindo.Esperamos que as breves descrições apresentadas neste artigo modesto possamcontribuir para o entendimento das relações sociais.Entretanto, sugerimos que os leitores aprofundem seus estudos pesquisando mais sobreo assunto e consultando a bibliografia indicada.Comte e a construção do método sociológico: o positivismo.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mar., Série 12/03, 2011, p.01-05.Considerado o pai da sociologia, a motivação do pensamento do francês August Comte(1798-1857) repousa no estado de anarquia de desordem de sua época, caracterizadopela crescente urbanização, o imperialismo dos países industrializados e a luta declasses que estava desestruturando a pirâmide social.Em sua visão, as idéias religiosas haviam perdido sua força, desorganizando asociedade, culpa da revolução francesa e dos “doutores da guilhotina” com seu ideal deliberdade, igualdade e fraternidade.
  21. 21. Comte chamava os iluministas de “doutores da guilhotina” pejorativamente parademonstrar que tudo que a Revolução Francesa havia feito era cortar cabeças,desmerecendo suas idéias.Em sua opinião os iluministas tinham desestruturado as instituições sociais, base dofuncionamento ordenado da sociedade.Porém, suas opiniões não eram originais, bebiam em uma fonte: Saint-Simon.O verdadeiro pai da sociologia.As concepções de Comte que originaram a sociologia e o positivismo não eram novas,tinham sido herdadas de Henri de Saint-Simon (1760-1825), de quem ele havia sidosecretário particular até um desentendimento intelectual.Durkheim, por exemplo, como um dos fundadores do positivismo e o propagador eperpetuador da nova área no meio acadêmico e cientifico, considerava Saint-Simoncomo o verdadeiro pai do positivismo e da sociologia. Foi Saint-Simon que cunhou o termo filosofia negativapara designar o iluminismo, pois achava que os pensadores ilustrados tinham uma visãonegativa da sociedade, enxergando as instituições como uma ameaça a liberdadehumana.O termo positivismo foi, posteriormente, cunhado justamente para se opor a filosofianegativa, como afirmação das instituições como base da sociedade, tendo, portanto, umavisão positiva sobre a organização social.
  22. 22. Para Saint-Simon era justamente o contrário do que defendiam os iluministas, asinstituições, calcadas na tradição, que regulariam as relações e tornando possível a vidaem sociedade.Além disto, ele achava que a industrialização era a única forma de satisfazer ascrescentes necessidades humanas e constituía a única maneira de obter riqueza eprosperidade.O progresso industrial acabaria com os conflitos sociais e traria segurança para oshomens, ou seja, ordem.Neste sentido, o progresso do mundo acabaria com as diferenças e guerras.É claro que na época, inicio do século XIX, ele não levou em consideração a escassezde recursos naturais, o que torna impossível uma completa igualdade em termos deconsumo destes.Embora tenha admitido a possível existência de conflitos entre possuidores edespossuídos, mas achava que a ciência estabeleceria verdades que seriam aceitas portodos, o que iria diluir os conflitos.Para que a nova sociedade pudesse funcionar, Saint-Simon afirmava que serianecessário existir uma elite dirigente, formada por industriais, comerciantes, banqueirose cientistas; os novos senhores feudais, sendo os cientistas comparados com o clerofeudal.Comte e a sociologia.Na concepção de Comte, havia a necessidade de uma ciência que possibilitasseconhecer e estabelecer as leis imutáveis da vida social, “sem considerações críticas oudiscussões, permitindo prever e regular as ações”.Ele chamou a nova ciência de “física social”, separando a filosofia e a economia políticado conhecimento da realidade social.
  23. 23. A idéia era criar uma ciência semelhante à física que fosse aplicada ao estudo dasociedade.Assim, Comte criou a sociologia com a intenção prática de interferir no rumo dacivilização, alterando o funcionamento da sociedade.Inserindo-se na tradição conservadora dos chamados “profetas do passado”, grupocontrário as idéias iluministas, para fundamentar a sociologia como ciência; Comteelaborou uma metodologia.Esta pretendia fornecer uma visão otimista da sociedade, criando o positivismo.O positivismo de Comte.Embora exista controvérsia, Comte é considerado oficialmente o pai da sociologia e dopositivismo.Para se opor a “filosofia negativa” que negava a importância das instituições sociaiscomo reguladoras das inter-relações, em nome da liberdade; nasceu o positivismo.O pressuposto básico era a positividade, a crença na importância das instituições sociaiscomo reguladoras da ordem, à medida que criadoras de um conjunto de crenças comunsa todos os homens.Sem instituições como a religião, por exemplo, a sociedade entraria em um estado deanômia, ausência de normas, um estado de confusão em que as pessoas perderiam seusreferenciais e ficariam sem saber como e comportar.
  24. 24. A orientação básica do positivismo é a investigação da “física social”, através dosmesmos procedimentos das ciências naturais (física, química e biologia).A observação, a experimentação e a comparação deveriam ser utilizadas em conjuntocom ciências auxiliares como filosofia, história e estatística. Para o positivismo, a sociologia deveria se ocupar do estudo dos acontecimentosconstantes e repetitivos, a exemplo da física.Desvendando estes mecanismos, o cientista social poderia manipular o funcionamentoda sociedade para trazer ordem e progresso.Palavras que não por acaso estão na bandeira do Brasil, já que a República foiproclamada por militares no século XIX, os quais eram de orientação positivista.Em todo caso, colocando ordem na sociedade, segundo os positivistas, o progresso seriaalcançado, beneficiando a coletividade.Concluindo.Apesar de herdeiro das tendências conservadoras lideradas por Saint-Simon, Comte foitambém um critico desta concepção, pois achava um erro valorizar e tentar imitar oantigo sistema feudal.Dentro da sua visão, a ordem não poderia se sobrepor ao progresso, devendocaminharem juntos.Este o ponto de discórdia intelectual de Comte com Saint-SimonSimultaneamente, Comte achava que o principal erro dos iluministas não era se opor asinstituições, mas sim valorizar o progresso em detrimento da ordem.No entanto, para ele, a sociologia e o positivismo deveriam construir uma novasociedade, controlada por uma elite dirigente, cuja conseqüência natural, gradual esuave, seria a ordem e progresso.Spencer e o Darwinismo Social.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mar., Série 28/03, 2011, p.01-09.Herbert Spencer (1820-1903) foi um filosofo e sociólogo inglês, responsável pela teoriado darwinismo social, considerado um seguidor de Comte e representante dopositivismo na Grã-Bretanha.
  25. 25. Acreditava que a evolução seria um principio universal, sempre operante.Muito conhecido na sua época, Spencer fez parte do circulo de amigos de CharlesDarwin, autor de A origem das espécies, obra publicada em 1859.Este último foi responsável pelo conceito de seleção natural e pela teoria da evolução apartir da lei do mais forte.Spencer seguiu esta linha de pensamento e tentou aplicar as idéias de Darwin aocontexto da vida do homem em sociedade, originando o dito darwinismo social.O qual influenciou o pensamento sociológico, o planejamento organizacional e osistema educacional.Influencias teóricas.Além do contato direto com Darwin, Spencer sofreu influência das idéias deeconomistas como John Stuart Mill, Adam Smith e Thomas Malthus. Para Mil, o sistema capitalista gera poder, este gera mais poder edinheiro, ao passo que as energias da humanidade são canalizadas para a luta porriquezas.Assim, dentro da ótica capitalista, as pessoas pensam prioritariamente em obter recursosmonetários, o qual confere poder e se multiplica com ele, fazendo do dinheiro e dopoder objetivos de vida.
  26. 26. Não significa que os indivíduos não tenham outras prioridades, mas sim que, para obteroutras metas, necessitam primeiro buscar dinheiro e poder.Para Smith, o governo deveria interferir o menos possível no desenvolvimento docapitalismo, pois a lei da oferta e da procura regula a economia. Conforme existe uma grande oferta de determinado produto, seupreço tende a cair; inversamente, caso a oferta seja pequena, seu preço sobe.Igualmente, sendo a demanda por um produto com pequena, seu valor cai; enquanto oaumento da procura faz os preços subirem.Portanto, a dinâmica do mercado auto-regula preços e salários, não sendo necessário àinterferência do Estado.Um conceito que não considera o bem estar social das pessoas, somente as necessidadesdo sistema capitalista de se perpetuar.Já para Malthus, as causas de todos os problemas da humanidade está na própria espéciehumana.O grande problema do mundo é o excesso de gente, o que faz os recursos naturais seremescassos e insuficientes para suprir a humanidade, forçando o sistema econômico aestratificar a sociedade.Não existindo recursos que possibilitem um alto consumo por parte de todahumanidade, pois eles se esgotariam rapidamente, o capitalismo divide as pessoas emclasses sociais.Uma elite dirigente, com numero de pessoas limitado, tem acesso a um alto padrão deconsumo, enquanto a maioria da população vive em condições precárias.
  27. 27. Neste sentido, guerras e epidemias seriam um mecanismo regulador da economia,fazendo diminuir a população, elevando os salários dos sobreviventes e o poder deconsumo em geral, girando a economia, sem o risco de inflação e incapacidadeindustrial e agrícola de suprir as necessidades da sociedade.As idéias de Spencer.Spencer aplicou o darwinismo ao contexto social, partindo do pressuposto que ouniverso evolui e que a evolução é progresso, considerando, a exemplo de Comte, aordem necessária para o progresso.Para ele, todas as transformações possuem um caráter comum, compondo uma lei que,uma vez desvendada, permite prever as futuras transformações, embora esta previsãoseja apenas parcial.Acontece que toda causa produziria mais de um efeito, portanto, mais de umamodificação, constituindo novas causas e novos efeitos, multiplicados indefinidamente.Dentro deste contexto, Spencer aplicou a lei do mais forte às estruturas sociais.Chegou à conclusão que a seleção natural se aplicaria a sociedade quando pensada emtermos de cooperação entre indivíduos em prol da supremacia de um grupo.Assim, não se trata somente do individuo mais forte prosperar, mas do grupo maiscoeso e forte tornar-se hegemônico, formando a elite dirigente de uma civilização.Spencer explicitou estas concepções em várias obras, dentre as quais:Princípios de sociologia (1879).
  28. 28. Lei e causa do progresso (1889).Estatística social.Sistemas de filosofia sintética.Além destes livros, uma obra publicada em 1861, mas que ganhou destaque somente em1927, após a morte do autor, influenciou decisivamente a educação britânica e mundial.Trata-se de Educação intelectual, moral e física, onde Spencer defendeu a idéia de queera necessário preparar os indivíduos para serem uteis a sociedade, ao mesmo tempo,possibilitando uma formação adequada a sua sobrevivência no âmbito do sistemacapitalista.O que implicaria em desenvolver conhecimentos técnicos e científicos junto com umaformação moral doutrinadora do patriotismo, além de condições físicas saudáveis paraos futuros operários e soldados da nação.A partir de onde surgiram duas disciplinas ainda não integradas aos currículos escolares:Educação Moral e Cívica; e Educação Física.A influência do darwinismo social no Brasil.O darwinismo social influenciou fortemente os intelectuais brasileiros no século XIX einicio do XX.As idéias de Spencer foram incorporadas na obra Os sertões de Euclides da Cunha e nosestudos do médico legista Nina Rodrigues, a reboque, influenciando a historiografiabrasileira que analisou a Guerra da Canudos.O jornalista Euclides da Cunha, representando o jornal O Estado de São Paulo,participou como correspondente de guerra da campanha do exército brasileiro, em 1897,contra Canudos.Observou tudo e registrou suas impressões em um livro que depois se tornou umclássico da literatura.
  29. 29. Canudos era o nome de uma comunidade que foi originada a partir de um movimentopopular, liderado por um beato chamado Antônio Conselheiro, que durou de 1893 a1897.Conselheiro andou pelo sertão da Bahia, pregando contra a recém proclamadaRepública.Para ele o anticristo, defendendo que os sertanejos deixassem de pagar os exorbitantesimpostos e não aceitassem a autoridade do governo federal, inclusive considerando umpecado o casamento civil.A verdadeira autoridade residiria somente na igreja e na monarquia.O beato obteve um sucesso tão grande em sua pregação que chegou a ter 25.000seguidores, foi quando fundou o arraial do Bom Jesus de Belo Monte, nos arredores dafazenda Canudos.O povoado cresceu rapidamente, praticando os preceitos do cristianismo primitivo,dividindo tudo igualmente entre seus moradores e formando uma guarda católica paraproteger seus moradores.Muitos jagunços das fazendas vizinhas; os quais faziam parte da chamada guardanacional, braço armado dos latifundiários e, teoricamente, representantes do exércitobrasileiro na região; abandonaram seus coronéis para se juntar a Antônio Conselheiro.Obviamente, o movimento irritou os fazendeiros da Bahia e repercutiu no Rio deJaneiro, então capital do Brasil.Os sertanejos de Canudos foram considerados rebeldes monarquistas que lutavamcontra a República, embora tão somente estivessem se colocando contra as mazelas docoronelismo e buscando apenas uma vida mais digna.
  30. 30. O governo federal enviou quatro expedições militares contra Canudos.A primeira composta por efetivos da policia locais, foi facilmente derrotada pela guardacatólica de Conselheiro.A segunda, comandada pelo major Febrônio de Brito, agregando soldados das milíciaslocais, também foi derrotada, tendo seus equipamentos, armas e munições tomadaspelos sertanejos.Melhor armados, a comunidade de Canudos conseguiu resistir à terceira expedição,liderada pelo coronel Antônio Moreira Cesar, considerado um herói na repressão aomovimento separatista Farroupilha no Rio Grande do Sul, apelidado “o corta cabeças”,pois tinha fama de mandar degolar os inimigos capturados.A tropa federal, vinda diretamente do Rio de Janeiro, contando com 1.300 soldados,abusou do excesso de confiança e avançou, após longa marcha, sem analisar atopografia do terreno.Foi derrotada pelos habitantes da Canudos, ajudando a deixá-los fortemente armados.A quarta expedição foi formada quando as derrotas repercutiram fortemente na Capital,sendo composta por 4.000 soldados de infantaria e artilharia pesada, comandados pelogeneral Artur Oscar Guimarães.
  31. 31. Ocasião em que Euclides da Cunha se juntou as tropas como correspondente de guerra.Após denuncias de corrupção, desvio de verbas e uma crise de abastecimento das tropasfederais, os habitantes de Canudos foram derrotados depois de sete meses de combates.Antônio Conselheiro já estava morto e enterrado, em decorrência de uma crise dedisenteria, quando, em 5 de outubro de 1897, o arraial se rendeu sob promessa de que asua população não sofreria represarias.O cadáver de Conselheiro foi exumado e sua cabeça decepada com uma facada, a qualfoi enviada para analise de Nina Rodrigues no Rio de Janeiro.Os sobreviventes do sexo masculino foram sumariamente executados, mulheres ecriança, feitos prisioneiros, tiveram que marchar a pé até o Rio de Janeiro, onde foramliderados e entregues a própria sorte.O episódio impressionou fortemente Euclides da Cunha, que sob influencia das idéiasde Spencer, passou a conceber a história como uma área do conhecimento linear, semrupturas, voltada para um futuro industrial que iria acabar com as características ruraisdo Brasil.Baseado em suas observações sobre Canudos, Euclides da Cunha assimilou osensinamentos de Spencer, remetendo a análise da realidade brasileira em Os sertões.Para ele, o episódio de Canudos representava o evolucionismo darwiniano, o sertanejoseria um aprimoramento da raça brasileira, em oposição ao negro e ao índio do litoral.
  32. 32. As três primeiras expedições a Canudos teriam fracassado porque eram compostas,primordialmente, por descendentes de negros e indígenas, enquanto os mais fortes, ossertanejos teriam triunfado.O sertanejo seria forte porque é miscigenado, a miscigenação seria para Euclides daCunha a força da nação.A mistura de raças deveria constituir uma prioridade e um projeto nacional que levaria oBrasil a alcançar a sonhada ordem e progresso positivista e republicana. Uma opinião totalmente oposta a de Nina Rodrigues, outrorepresentante do darwinismo social no Brasil.O médico legista que analisou o crânio de Antônio Conselheiro, publicou aobra Mestiçagem, desgenescência e crime, inclusive citando o caso de Canudos comoexemplo.Professor de Antropologia e psiquiatra, ele afirmava que a presença de negros emestiços era a causa do atraso brasileiro, sendo a elite constituída naturalmente pelosbrancos de origem ariana.Em termos civilizacionais, os brasileiros seriam fracos, não tendo coesão internaenquanto grupo, compondo uma sociedade patológica, doente, daí o predomíniohegemônico de outros países guiando o Brasil.Com base nesta concepção, nasceu no final do século XIX uma tendência que defendiao branqueamento da população brasileira e a marginalização de negros e mestiços.Um tipo de pensamento que causou um grande estrago na mentalidade brasileira, queencontra absurdamente ainda hoje seguidores, sobrepondo-se a proposta de Euclides daCunha, depois retomada por Gilberto Freire na década de 1930, com a publicaçãodeCasa Grande e Senzala.Nina Rodrigues revestiu teorias racistas de uma pseudo cientificidade, vinculando odarwinismo social com o conceito de raça, um erro teórico grosseiro, já que a coesãodos grupos não está relacionada nem sequer com etnia.A coesão grupal, na acepção pensada por Spencer envolve aspectos culturais e nãoraciais.
  33. 33. Aliás, diga-se de passagem, o conceito de raça é atualmente considerado ultrapassado,pois estudos recentes indicaram que todos descendemos de uma Eva genética que viveuno leste da África há 150.000 anos.Trata-se uma mulher negra da qual todos os seres humanos descendem, não quehouvesse apenas esta única mulher sobre a terra, mas em virtude de seus descendentesterem sido aqueles que prosperaram e sobreviveram.Educação e darwinismo social.Aplicadas a educação, as idéias de Spencer estão vinculadas como uma critica ao ensinoclássico.Pelo prisma do darwinismo social, seria necessário introduzir nos currículos escolaresconhecimentos uteis, entendidos como voltados à formação dos homens de negócios e aorganização de uma vida dita civilizada.Para Spencer não seria possível estudar tudo que a humanidade já desenvolveu, emtermos de conhecimento, tornando-se necessário estabelecer os conteúdos mais valiosose uteis.Dentre estes estariam incluídas as verdades sobre a saúde humana, a biologia, oscostumes que possibilitassem uma vida regrada, a psicologia e as ciências exatas.A idéia era formar o cidadão, o que fazia com que a sociologia fosse incluída comoconhecimento útil.As artes e humanidades, tal como a literatura, deveriam ser dispensadas em favor do queSpencer considerava a verdadeira ciência.Entretanto, em concordância com a tendência dominante entre os ingleses desde oséculo XVII, o empirismo, junto com o ensino voltado a construção de conclusõesindividuais via observação e experiência, seria necessário disciplinar e moralizar.Como positivista, Spencer acreditava que os indivíduos deveriam ser doutrinados pelaeducação.
  34. 34. A escola deveria preparar as pessoas para enfrentar a difícil concorrência com o outro,ao mesmo tempo, ensinando que só a cooperação garante a sobrevivência do grupo e,assim, dos indivíduos inseridos em grupos.O que ele chamou de organicismo, um conceito bem próximo ao desenvolvido porDurkheim, segundo o qual o funcionamento da sociedade se assemelha a um organismovivo.Um conceito que insere Spencer entre os funcionalistas.Concluindo.A semelhança de Comte e Durkheim, Spencer queria preservar a sociedade burguesa daqual fazia parte, conservando a reprodução do sistema capitalista através da educação, oque no seu extremo acabou originando os regimes totalitariosfacistas, dentre os quais onazismo.Porém, diferente de Comte, era contra o oferecimento de uma educação publica egratuita custeada pelo Estado.O darwinismo social ditava que o papel do Estado deveria ser limitado, tal comodefendia Adam Smith, cabendo a lei da oferta e da procura regular a sociedade, cabendoaos socialmente mais aptos procurarem oportunidades de ensino.Aos mais fracos caberia perecer, uma idéia malthusiana.
  35. 35. Esta concepção reafirmava a crença nas instituições sociais como reguladoras da ordem,mas revela uma descrença no potencial humano.Para Spencer, o problema da humanidade estava na natureza defeituosa dos indivíduos,que não conseguindo se adaptar, corrompe as tradições.Para resolver esta natureza defeituosa, inerente a todo ser humano independente da etniaou de fatores culturais, seria necessário moralizar através das instituições sociais.No entanto, embora a educação fosse uma instituição com papel importante namoralização humana, devido aos custos, não era a única escolha.Outras instituições como o poder judiciário, a policia e legislação, em concordância coma teoria funcional, deveriam auxiliar na moralização.Uma idéia que chegou ao Brasil pelas mãos de Rui Barbosa, para quem, não obstante, aeducação deveria ser o principal mecanismo de disciplinar.O mesmo jurista que, quando por ocasião da abolição da escravatura, mandou queimartodos os certificados de propriedade de escravos, evitando que, futuramente, processosfossem movidos pedindo reparação dos danos aos escravizados e seus descendentes.Ele pensou o sistema educacional brasileiro enquanto formador de indivíduos aptos parao trabalho, com hábitos de consumo e poupança.Por isto introduziu nos currículos a educação moral e cívica, destinada a formar umespírito patriótico e, a reboque, maior coesão interna.Os estudos de Durkheim.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mar., Série 21/03, 2011, p.01-07.Apesar de Comte ser considerado o pai da sociologia, a participação de Émile Durkheim(1858-1917) não foi menor.
  36. 36. Ele foi responsável pela introdução da área nos currículos das universidades, quando setornou de fato uma disciplina reconhecida como cientifica.Escreveu várias obras e pesquisou temas diversos, incluindo o estudo sobre o suicídio,dentre as quais podemos destacar:Da divisão social do trabalho.As regras do método sociológico.O suicídio.Formas elementares da vida religiosa.Educação e Sociologia.Os fatos sociais.Na obra As regras do método sociológico, Durkheim definiu o objeto de estudo dasociologia como os fatos sociais.Um fato social, que não deve ser confundido com um padrão social, seria umacontecimento ou ação relevante para o funcionamento da sociedade.O fato social seria determinado pela coerção social, fazendo os indivíduos seconformarem com as regras impostas pela sociedade, independente de sua vontade.
  37. 37. O grau de coerção dos fatos sociaisseria determinado pelas sanções, os impedimentos que o individuo está sujeito quandotenta se rebelar contra a coerção.Neste sentido, as sanções seriam legais ou espontâneas.Sanções legais são aquelas impostas pela sociedade através das leis, colocandopenalidades institucionalizadas aos infratores.Quando um indivíduo comete um ato considerado criminoso, ele nada mais faz queinfringir uma regra imposta pela sociedade e transformada em lei.Sanções espontâneas são impostas pela estrutura do grupo ao qual o individuo pertenceou pela sociedade como um todo, isolando o individuo e conduzindo ao suicídio no seuextremo.Neste caso, não precisam existir nem ao menos regras explicitas de convivência, bastaque fique subentendido, por exemplo, que para pertencer a determinado grupo, oindividuo deve se vestir de determinada maneira.O simples fato de se vestir diferente ou não falar as mesmas gírias gera o isolamento doinfrator.Portanto, o fato social é o registro do comportamento que é imposto pela coletividade,podendo ou não constituir um padrão.Embora, com o tempo, um fato social repetido constantemente conduza a formação deum padrão social.Dentro deste contexto, a educação age como elemento de coerção, tanto na varianteformal como informal, internalizando e transformando regras e hábitos, interferindo naformação de padrões sociais.
  38. 38. A crítica ao positivismo.Apesar de Durkheim, nos seus estudos iniciais, seja identificado como positivista; apósidentificar os fatos sociais, procurou definir o método de conhecimento da sociologia.Ao fazê-lo estabeleceu uma critica ao positivismo, mantendo, contudo, característicasmuito próximas a metodologia desenvolvida por Comte.Para Durkheim, a explicação cientifica exige que o pesquisador mantenha distância eneutralidade em relação aos fatos, deixando de lado a afetividade e os valoresparticulares.O sociólogo deveria abraçar a objetividade em sua análise.Características que, na concepção de Durkheim, o positivismo não tinha, já que atendência defendia um envolvimento do pesquisador com seu objeto de estudo paramanipular os padrões sociais.Entretanto, semelhante ao positivismo, Durkheim reafirmou a idéia de que ametodologia sociológica deveria englobar a medição, observação e comparação.A sociologia deveria identificar os acontecimentos gerais e repetitivos relevantes para oentendimento da sociedade, ou seja, os fatos sociais.A sociedade como organismo vivo.Semelhante a Comte, Durkheim achava que a finalidade da sociologia seria encontrarsoluções para os problemas verificados na vida social.Para ele, a sociedade funcionaria como um organismo vivo, apresentando estadosnormais (saudáveis) e patológicos (doentios).
  39. 39. Diferente do positivismo, Durkheim não pensava em imporordem à sociedade, já que a organização estrutural da sociedade seria natural,funcionando ordenadamente por si só.É neste sentido que a sociedade funciona como um organismo vivo, onde, semelhanteaos órgãos, cada função social depende das outras para existir.O que faz a “consciência individual” dar lugar a “consciência coletiva” que, por sua vez,gera os padrões sociais.Esta concepção originou a Teoria Funcional, segundo a qual, funcionando a sociedadecomo uma máquina, as engrenagens defeituosas devem ser excluídas da sociedade,sendo substituídas por novas peças.Em outras palavras, em concordância com o sistema capitalista, o funcionalismo afirmaque os indivíduos que não se encaixam devem ser excluídos da sociedade, para istoexiste o sistema judiciário e penitenciário.Dentro deste contexto, Durkheim pensou em estágios de evolução social, definindo associedades como inferiores ou superiores.Tendo evoluído a partir da horda, a forma mais simples e igualitária de organização, asociedade pré-capitalista teria sido organizada através da solidariedade mecânica.A dita solidariedade mecânica é constituída pela coerção exercida pela família, religiãoe tradição dos costumes, formando a consciência coletiva.O individuo seria compelido a se comportar em concordância com que o grupo esperadele simplesmente pela pressão exercida por aqueles próximos, evidenciando umcomportamento involuntário e automático.
  40. 40. A partir do desenvolvimento do capitalismo, a solidariedade mecânica teria evoluídopara a solidariedade orgânica.Portanto, uma divisão do trabalho que possibilita o funcionamento da sociedade asemelhança de um organismo vivo.Através da solidariedade orgânica, interesses individuais seriam suprimidos em favordas necessidades coletivas, pois, para realizar seus interesses, ele teria que ceder àsnecessidades de outros.Haveria na solidariedade orgânica maior autonomia do que na mecânica, mas a própriaestrutura social reduziria a consciência individual, fazendo o sujeito adotar valores dedeterminado grupo, anulando sua individualidade.Para Durkheim, os conflitos sociais seriam transitórios e poderiam ser resolvidos apartir do momento em que os indivíduos aceitassem ocupar sua função e seu lugar nasociedade, o que seria imposto pela solidariedade orgânica.O estudo do suicídio.Durkheim se interessou pelo tema por enxergar nas altas taxas de suicídio, registradasna Europa no final do século XIX, um amplo campo que poderia fornecer material paraconsolidar a sociologia como ciência.O culto a morte chegou a ser tão difundido no século XIX, glorificado na literatura peloromantismo gótico, que o suicídio ficou conhecido como mal do século.
  41. 41. Estudando a elevação da taxa de suicídio em determinados anos, Durkheim observouque o principal fator que conduzia ao ato era a solidariedade social.A solidariedade pode ser caracterizada como um sentimento de simpatia e identificação.Enquanto, por um lado, o fracasso individual conduz o sujeito a sentir que falhou com ogrupo, quando sua vida perde a razão de ser; por outro, níveis de interação social muitoelevados também conduzem ao suicídio.Neste ultimo caso, estes níveis de interação originam o chamado suicídio altruísta,como é o caso dos pilotos japoneses kamikazes na segunda guerra mundial, fazendo avida do individuo, igualmente, perder sentido frente aos interesses da sociedade.O altruísmo se refere ao sentimento que um individuo dá ou outro, importando-se maiscom a coletividade ou com os outros do que com ele próprio, gerando atosdesinteressados de beneficio a sociedade.No entanto, segundo Durkheim, o caso mais comum de suicídio é aquele em que osujeito não sente corresponder aquilo que o grupo espera dele, refletindo em umasensação de exclusão social.
  42. 42. Ao mesmo tempo, o suicídio poderia ser motivado pelo fato do sujeito sentir que ogrupo espera seu sacrifício, neste caso a exclusão aconteceria se o suicídio não fosseefetivado, a morte é que matéria o vinculo.É o caso dos homens bomba.Assim, tanto uma ausência de integração quanto uma integração intensa poderiam geraro suicídio.Os estudos de Durkheim inspiraram outros a continuarem o seu trabalho em torno dosuicídio.Viktor Frankl, por exemplo, aprofundou a pesquisa, dando origem a logoterapia,segundo a qual somente o sentimento de que outros dependem de dado individuo podeimpedir tendências suicidas.A palavra logoterapia, a partir do grego, significa terapia do mundo.Um termo em concordância com o método de Frankl para testar se seu paciente estavacurado.Ele perguntava ao paciente o porquê ele se considerava curado, caso a resposta fosse deencontro a qualquer outra que não a relação de dependência e vinculo com o mundo,com outros indivíduos, o argüido não era liberado do tratamento.Concluindo.Em seus estudos, Durkheim termina admitindo que, embora a ordem seja natural, asrápidas mudanças provocadas pelo sistema capitalista, acabam gerando um estado deanomia, a ausência de norma.
  43. 43. Os indivíduos ficam desorientados frente esta característica da vida moderna.Pensando na questão, afirmou que seria necessário estabelecer um sistema educacionalque incentivasse a noção de disciplina, dever, respeito as leis e hierarquia.Somente assim seria possível ajudar os indivíduos a se inserirem na sociedade,estruturando a coletividade a partir da exclusão dos elementos considerados doentessocialmente.Porém, valorizando o funcionalismo, Durkheim esqueceu de avaliar o papel dosconflitos no interior da sociedade, também necessários para sua evolução, uma analiseque seria iniciada por KarlA teoria técnico-funcional da educação e os estudos deAlthusser.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 14/05, 2011, p.01-05.Quando pensamos a educação pelo prisma da sociologia, duas tendências de analisefornecem importante contribuição: a teoria técnico-funcional e os estudos de Althusser.São visões distintas que se complementam, pois enquanto uma se encaixa no paradigmado consenso, a outra está vinculada ao paradigma do conflito e a tendência marxista.
  44. 44. A teoria técnico-funcional da educação é um desdobramento da teoria funcional deDurkheim, estando dentro, portanto, do paradigma do consenso.Já os estudos de Althusser pertencem a um conjunto teórico conhecido comoneomarxismo, ambientado pelo paradigma do conflito.Ambos estabelecem criticas ao sistema educacional formalizado, explicando muitos dosproblemas registrados nas escolas.A teoria técnico-funcional.O conjunto teórico técnico-funcional poderia ser definido como uma tendência queenxerga no desenvolvimento técnico um fator que altera a organização social,remetendo ao conceito funcionalista de sociedade funcionando como organismo vivo.Portanto, a sociedade seria semelhante a um organismo vivo, com papéis sociais bemdefinidos e necessários para o bom funcionamento da coletividade, porém, as estruturassociais seriam definidas pelos avanças técnicos subordinados a educação.A título de exemplo, grosso modo, uma função social relacionada a uma profissão,como operador de maquinas, poderia ser eliminada por uma maquina automática quenão necessitasse de ninguém para operá-la.Porém, neste caso, poderia criar outra função associada àquele que faria a manutençãoda dita maquina ou que detém o conhecimento para produzi-la.No âmbito da teoria técnico-funcional da educação, do funcionalismo e do paradigmado consenso, Clark (1962) e Kerr (1960) chegaram à conclusão que a importância daeducação cresce na mesma medida que o conhecimento se expande e fica maiscomplexo.A evolução tecnológica modifica o mercado de trabalho, exigindo da mão de obra maiorqualificação educacional.Para eles, a industrialização constrói sociedades democráticas e abertas, reguladas pelaeducação, meio efetivo de seleção e mobilidade social, baseado no mérito e status.Segundo Collins (1971), as mudanças tecnológicas exigem mais habilidades para otrabalho, gerando maior demanda por educação, construindo sociedades baseadas nomérito.Entretanto, ele salientou que a educação não aumenta necessariamente a produtividadeno mundo do trabalho, nem garante a competência.
  45. 45. Outros fatores interferem no sucesso profissional, tal como o grupo étnico, o statussocioeconômico, a influência da família ou a atitude.Neste sentido, segundo Collins, a educação termina funcionando como critério deseleção, mas não fornece apoio real ao sucesso individual baseado no mérito.Em outras palavras, o individuo precisa atingir determinado nível educacional paraingressar no mercado de trabalho, mas o fato de possuir o diploma ou mesmo oconhecimento não garante seu sucesso profissional. Contrariando de certa forma a opinião de Collins, Blau e Duncan(1967), consideram o sucesso como sendo fortemente influenciado pelas origensfamiliares.No entanto, este fator não seria inteiramente responsável pelo sucesso profissional, poisdependeria, além da educação ligada ao âmbito escolar e familiar, também daexperiência.Um indivíduo sem acesso a educação escolarizada, oriundo de uma família humilde,buscando se aprimorar empiricamente, poderia atingir um alto grau de sucesso nomundo do trabalho.É o caso de autodidatas como o empresário Silvio Santos ou o ex-vice-presidente daRepública José de Alencar.Porém, estudando as origens familiares de profissionais bem sucedidos, Karabel eHalsey (1978) não encontraram correlação entre sucesso e influencia da família,estabelecendo uma critica as afirmações de Collins, Blau e Duncan.Para Karabel e Halsey, a partir de um estudo tendo como objeto soldados enviados aguerra do Vietnã, a escola seria essencial para conferir mérito profissional, tornando osindivíduos com maior grau de escolarização, melhor vistos pela sociedade epredispostos a serem reconhecidos como bem sucedidos na vida.
  46. 46. Hurn (1978) reexaminou a questão e chegou a uma conclusão diferente.Para ele, apesar da origem familiar não garantir o sucesso, a escola também não garantemobilidade social, já que reproduz o nível de status do qual o individuo é originário.Quando um indivíduo tem acesso a determinados níveis educacionais, ele só o temgraças a sua origem social.Por outro lado, Folger e Nam (1964), comprovaram que, embora a escolaridade nãogaranta o sucesso profissional, garante maiores salários, comparativamente quandoexiste ausência de escolarização.Os estudos de Althusser.Louis Althusser (1918-1990), filosofo francês, uniu o marxismo com o estruturalismo,chegando a ser considerado um dos maiores representantes desta ultima tendência aolado de Foucault e Lacan.O autor pertence ao conjunto teórico conhecido como neomarximo, fazendo uso dadialética e do materialismo histórico, juntamente com outras bases teóricas.Acabando por constituir um ecletismo que, muitas vezes, ao invés de rejeitar ocapitalismo, parece querer aprimorá-lo.Em todo caso, Althusser foi membro do Partido Comunista francês, filiado em 1948,além de professor da ÉcoleNormaleSupérieure.Em 1980, ele teve um surto psicótico e estrangulou a esposa, não sendo condenado peloassassinato.A justiça o considerou inimputável, não responsável pelo ato em virtude do surto.Apesar de passar a não ser bem visto pelos colegas acadêmicos, cinco anos depoisescreveu a obra“L´avenir dure longtemps”, onde refletiu sobre o fato e procuroujustificar o ato.Como Althusser faz largo uso do estruturalismo, antes de prosseguir é interessanteexplicar a tendência.
  47. 47. O termo estruturalismo surgiu no curso de lingüística geral, ministrado pelo francêsFerdinand Saussure, em 1916.Conceitualmente pode ser definido como um método de estudos que propõem analisarsistemas, portanto, estruturas, como base da língua e da cultura.A cultura e a língua seriam definidas segundo um conjunto de significadoscontextualizados em um espaço e tempo, influenciando a estrutura sócio-cultural epadronizando comportamentos.Dentro deste contexto, a preocupação central de Althusser é tentar entender a estruturado sistema capitalista.Mais especificamente, tenta entender como as condições de produção, no âmbitocapitalista, conseguem se reproduzir, já que o sistema seria injusto e prejudicial àmaioria.Pensando na questão, o autor chegou à conclusão que a dinâmica de trabalho,assegurada pelo salário, seria o principal fator a reproduzir o sistema, comprando alealdade do individuo para com a ideologia capitalista.Para sobreviver, o individuo precisa de capital, sendo necessário abrir mão de suasconvicções pessoais para conseguir seu salário, essencial a sobrevivência no mundocapitalista.Superestrutura, Infraestrutura e Aparelhos de Estado.Para garantir a subordinação do individuo ao sistema capitalista, segundo Althusser,existiria uma relação recíproca entre superestrutura e infraestrutura.A superestrutura constitui o conjunto de estruturas ou instituições e sua inter-relação edependência.Onde, por exemplo, o judiciário depende da polícia e ambos do sistema carcerário paraefetivar suas funções.A infraestrutura compõe as condições materiais, as instituições em si, que garantem ofuncionamento da sociedade.O Estado, como parte da superestrutura faria uso de infraestruturas especificas paraexercer controle sobre a massa, usando os seguintes elementos:1. Aparelhos de Estado, composto pelo gerenciamento dos demais parelhos, tal comogoverno, administração publica, etc.2. Aparelhos Ideológicos de Estado, os meios que são usados para exercer controleideológico, vender ou impor idéias, através de instituições como igreja, escolas,sindicatos, meios de comunicação e até livros didáticos; mascarando a realidade eimpondo a vontade das elites.
  48. 48. 3. Aparelhos Repressivos de Estado, instituições que exercem domínio por meio daviolência, tal como policia, tribunais, prisões, forças armadas; segregando aqueles quenão aceitam as idéias impostas pelas elites.Pensando nestes três elementos, Althusser defendeu a tese de que o mais eficiente eutilizado pelas elites dominantes é o conjunto de Aparelhos Ideológicos, do qual aescola faz parte.Embora no período pré-capitalista a igreja tenha sido de fundamental importância paraexercer controle sobre a massa, a evolução do capitalismo tornou a escola uminstrumento de reprodução do sistema.A função da escola seria assegurar à existência e sobrevivência do capitalismo,condicionando os indivíduos a submissão, beneficiando uma minoria.Daí o sistema ter criado mecanismo que exigem a escolarização e que torna a educaçãoformalizada obrigatória. O controle dos Aparelhos de Estado pela elite terminagarantindo que o grupo controle também os Aparelhos Ideológicos e Repressivos,criando uma harmonia entre ambos.Diante deste cenário, Althusser não conseguiu enxergar na escola uma via demodificação das infraestruturas e da superestrutura.Chegou até mesmo a negar a possibilidade de mudança, sem, entretanto, apontar umasaída para o problema.Um ponto de seu trabalho visto pelos críticos como uma grande debilidade.Além disto, apesar de sua postura anticapitalista, sendo Althusser considerado poralguns como um marxista e não um neomarxista, devido a sua vinculação com oestruturalismo, ele foi acusado de idealista.Outro marxista, Caio Prado Jr., por exemplo, afirmou que Althusser ficava apenasteorizando de forma subjetiva, que suas teorias só eram aplicáveis no mundo das idéiase não serviam para nada.Destarte, hoje, as idéias de Althusser são essenciais para entender a escola, servindo desuporte a inúmeras outras teorias.Concluindo.
  49. 49. Enquanto a teoria técnico-funcional da educação discutiu o mérito da escola no sucessodos indivíduos dentro do sistema capitalista.Althusser tentou desmontar a estrutura do sistema capitalista, demonstrando como aeducação está a serviço da reprodução social, mantendo a ordem estabelecida.Contrapondo as duas tendências, podemos observar que nem sempre a escola garantepossibilidades de mobilidade social, já que toda sua estrutura é pensada para ordenar asociedade.Porém, a questão é mais complexa, o que fez outros autores a retomarem a discussão, talcomo Bourdieu, Passeron, Bowles e Gintis.Uma coisa é certa, o acesso a educação formalizada de fato não garante o sucessoindividual em uma sociedade consumista, sendo a própria escola um produto a serconsumido.No entanto, sem acesso a educação de qualidade, as pessoas têm sua potencialidade dedesenvolvimento diminuída.Ruim com a escola, pior ainda sem ela.A questão do poder disciplinar em Foucault.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 17/05, 2011, p.01-06.O presente trabalho pretende fazer uma breve análise sobre a teoria do poder disciplinarpresente no livro “Vigiar e Punir” de Michel Foucault.O filósofo francês nos trás de forma polêmica e inovadora o nascimento de uma novaforma de poder coercitivo que fora o poder disciplinar que surgiu no Ocidente no séculoXVIII.De acordo com a teoria de Foucault, esta forma de poder nasce a partir de uma novaconcepção da sociedade com a queda do chamado poder soberano predominante nosregimes absolutistas da Europa.
  50. 50. A nova sociedade, filha das revoluções liberais, governada pela ideologia burguesa, vê opoder disciplinar como a forma mais cabível e eficaz de garantir a ordem, substituindoos suplícios e espetáculos de execução pública.A teoria de Foucault sobre o poder.A proposta filosófica de Michel Foucault é com certeza revolucionária e original, tendocomo objeto de estudo o poder e suas formas de manifestação.Este filósofo de nosso tempo concebe o poder não de maneira vertical ou mesmomaniqueísta em uma dialética entre “opressores” ou aqueles que exercem o poder e“oprimidos” aqueles que sofrem com a coerção do mesmo.A polêmica teoria sobre o poder proposta por Foucault torna-se original, pois para ofilósofo, não existe uma teoria geral ou mesmo axiomática do poder, suas análises não oconsideram a realidade com característica universal.De acordo com Roberto Machado, para Foucault não existe algo unitário ou global quechamamos de poder, mas sim, formas díspares, heterogêneas em constantetransformação, o poder é uma prática social e, como tal, constituída historicamente,logo, as práticas ou manifestações de poder variam em cada época ou sociedade.Para Foucalt toda teoria é provisória, acidental e dependente do estado dedesenvolvimento da pesquisa, aceitando seus limites.Poderíamos entender que as teorias propostas anteriormente sobre o exercício do podernão são falsas ou errôneas, mas deram conta de explicar a sociedade de seu tempo.O próprio filósofo aceita que suas teorias também são provisórias e possíveis de seremrefutadas ou mesmo derrubadas.Segundo Foucault, o poder não emana unicamente do sujeito, mas de uma rede derelações de poder que formam o sujeito, dentre outros elementos, tal como o discurso, aarquitetura ou mesmo a própria arte.O poder é concebido como uma rede, não nasce por si só, mas de relações sociais.Outro aspecto inovador da teoria de Foucault é observar este mesmo poder como algomuitas vezes positivo, inerente a natureza humana, manifestado em pequenas coisas,através de pequenos dispositivos.Em seu livro “Vigiar e Punir”, que trata sobre o nascimento da prisão e outrasinstituições disciplinares, o filósofo discorre de forma minuciosa e instigante sobre aquestão do poder disciplinar.Na terceira parte de sua obra, Foucault explica que a partir dos séculos XVII e XVIII opoder foi exercido através de dispositivos disciplinares, o Estado ou mesmo a sociedadese utilizou do corpo, da vigilância e do adestramento para garantir a obediência edisciplinar os indivíduos.
  51. 51. O desaparecimento dos suplícios e a disciplina sobre o corpo.Foucault analisa e discute uma profunda metamorfose quanto à forma de punição econdenação dos presos e criminosos na Europa.Anteriormente, o espetáculo de execução publica de condenados a morte era utilizadocomo instrumentos disciplinar.A execução em praça pública, desde a Idade Média, com os Atos de Fé da Inquisição,gerava nos expectadores não somente o terror, mas também o medo de cometer algumtipo de crime contra a fé.Tais formas de punição estão estreitamente ligadas ao chamado poder de soberania queconsiste no exercício do poder de um governante sobre um território.Modelo comum aos déspotas e monarcas da Europa entre os séculos XV a XVIII.O poder era, portanto, exercido e representado através dos suplícios, da força e daviolência.Aos poucos, esta forma de condenação desapareceu cedendo espaço a uma nova formade punição.Uma nova concepção filosófica, a partir do iluminismo e das revoluções liberais, bemcomo as novas teorias sobre o direito, fizeram a morte em público começar despertarterror e repúdio na população.O que levou a novas formas de condenação, o espetáculo da execução passou a sercondenado pela grande parte da sociedade.O novo modelo disciplinar de punição do criminoso consistia em não tocar ouaproximar-se do corpo do individuo.Obviamente, algumas práticas ainda persistiram como o uso do chicote ou do cassetete.A condenação dos indivíduos passou a se dar de forma mais velada e sutil.A violência não foi assumida como carro chefe da justiça, porém utilizada em últimocaso de forma decorosa e indesejável.O poder de soberania cedeu espaço ao chamado poder disciplinar.Discorrendo sobre a questão do poder disciplinar, Foucault identificou o corpo comoobjeto e alvo de poder.Citou o exemplo do soldado que reflete sua disciplina através de sua postura e dopróprio corpo, como percebemos no fragmento abaixo:O poder sobre o corpo, por outro lado, tampouco deixou de existir totalmente atemeados do século XIX. Sem dúvida, a pena não mais se centralizava no suplicio comotécnica de sofrimento; tomou como objeto a perda de um bem ou de um direito. Poremcastigos como trabalhos forçados ou prisão - privação pura e simples da liberdade –nunca funcionaram sem certos complementos punitivos referentes ao corpo: reduçãoalimentar, privação sexual, expiação física, masmorra. Conseqüências não
  52. 52. tencionadasmas inevitáveis da própria prisão? Na realidade, a prisão, nos seusdispositivos mais explícitos, sempre aplicou certas medidas de sofrimento físico.A critica ao sistema penitenciário, na primeira metade do século XIX (a prisão não ebastante punitiva: em suma, os detentos tem menos fome, menos frio e privações quemuitos pobres ou operários), indica um postulado que jamais foi efetivamentelevantado: e justo que o condenado sofra mais que os outros homens? A pena sedissocia totalmente de um complemento de dor física. Que seria então um castigoincorporai? Permanece, por conseguinte, um fundo "suplicante" nos modernosmecanismos da justiça criminal - fundo que não esta inteiramente sob controle, masenvolvido, cada vez mais amplamente, por uma penalidade doincorporal.(FOUCAULT, 2004, p.18)Nos perguntemos qual seria o objetivo de se disciplinar o corpo?Foucault responde ao tratar dos chamados corpos dóceis.A disciplina sobre o corpo tem por finalidade produzir indivíduos dóceis e submissos adeterminados sistemas, ao mesmo tempo, estes devem oferecer uma mão-de-obra dequalidade que ajude o desenvolvimento econômico da sociedade.A disciplina tem seu aspecto político ao produzir indivíduos submissos ao poder doEstado, garantindo o “equilíbrio” e a “ordem”.O poder e a disciplina sobre o corpo possibilitam o funcionamento de instituições egrupos sociais.Desta forma, Foucault nos mostra que o corpo passa a ser considerado um objetopossível do controle disciplinar.A nova organização política e social, exige também novas formas de disciplina.A experiência decorrente dos movimentos de revolução ocorridos na Europa,demonstrou que o exercício do poder através da violência se tornou ineficaz.O controle sobre o corpo e sobre o modo de vida dos indivíduos, de forma sutil, evitavapossíveis levantes e protestos, mostrando-se mais eficiente.A organização do espaçoOutro aspecto do poder disciplinar se relaciona também com o espaço através dasdisposições e organizações do mesmo.
  53. 53. Através da disposição dos objetos e estrutura dos prédios, o poder disciplinar éexercido através da observação vigilante e a sensação de estar sempre sob apresença do poder maior coercitivo.A prisão não mais será um ambiente escuro e sombrio, mas sim um espaçoiluminado que possibilite a vigilância da vida e das atitudes dos detentos.Um simples olhar ou mesmo a vigilância sobre os presos garantem a disciplina e asubmissão dos indivíduos.O novo modelo de construção utilizado nas prisões acabou servindo para outrasinstituições que pretendiam obter a disciplina e obediência como foi o caso dasfábricas, a começar pela Inglaterra no século XVIII estendendo-se pela Europa noséculo XIX.De acordo com Michele Perrot, o espaço de produção era organizado de formacircular, no centro situava-se, geralmente, as peças ou a matéria prima para aconfecção de produtos.Desta forma, o indivíduo que tivesse a responsabilidade de cuidar do andamento daprodução poderia ver todos os operários a sua volta, evitando possíveis furtos ouindisciplina.A dinâmica do novo modelo de organização espacial, como já fora dito, foiestendida outras instituições e espaços, como escolas, hospitais, dentre outros.Os espaços fechados eram, ao mesmo tempo, arejados e amplos, permitindo avigilância dos diversos indivíduos ali presentes.O nascimento de uma nova sociedade, a partir dos ideais iluministas e dasrevoluções burguesas, a privação da liberdade que se tornara tão preciosa asociedade contemporânea, tornou-se uma forma de punição mais incisiva,substituindo os suplícios, uma vez que os direitos do homem e do cidadão passama ser centrais na organização social.A detenção em prisões priva o indivíduo da liberdade e de seus direitos colocando -o a margem da sociedade.A punição, novamente, se daria sem o recurso da violência contra o corpo.O controle do tempoAssim como o espaço será determinante para a formação de uma sociedadedisciplinar, outro aspecto analisado por Foucault será a nova concepção de tempobem como a sua organização. A nova sociedade regida pelo poder disciplinar utiliza-sedo tempo como um de seus mecanismos de controle.A começar novamente pelo exemplo dos presídios, em um modo de vida quasemonástico, todas as horas do dia dos detentos são preenchidas com diversasatividades como refeições e trabalho.Oração com horários bem delimitados e previamente determinados.
  54. 54. Tais horários são anunciadas por algum tipo de sinal sonoro, desta forma osindivíduos voltam suas mentes para as atividades impostas pela instituição da qualestão ligados.O controle de todas as horas do dia, enquanto dispositivo do poder disciplinar,evitava qualquer tipo de organização ou mesmo de um pensamento rebelde.Uma vez que o foco eram as tarefas a serem realizadas.A possibilidade de uma ação de resistência deste modo é coibida, da mesma forma,os indivíduos que estiverem em tal situação estavam sob constante vigilância, oque inibia levantes.A vigilância por seu turno é acompanhada de rigorosas punições, o que exerce omedo sobre o indivíduo, na maioria das vezes sem o apelo da violência, utilizando -se de outras formas de castigo, como a chamada solitária.Isolando o indivíduo dos outros, além da diminuição da alimentação ou daatividade sexual, o indivíduo é conduzido a momentos de forte pressãopsicológica.A prisão nada mais é do que um local de privações, a perda da liberdade e dodireito de ir e vir tornam-se agora os maiores receios da sociedade.Concluindo.A partir das teorias sobre o poder disciplinar de Foucault, percebemos como oexercício deste poder se deu através de diversos dispositivos e elementos queelencamos.Primeiramente, o poder sobre o corpo representou o controle sobre o indivíduos esuas necessidades biológicas.Uma vez adestrado, este será útil e submisso ao sistema que se impõe,contribuindo para o equilíbrio e a ordem.O aspecto da construção se mostrou como forma de punição eficaz através daprivação dos direitos de liberdade, bem como o ir e vir, excluindo o sujeito de umdeterminado grupo social.
  55. 55. Estendendo-se para outros espaços que não necessariamente pretendem punir, estaforma de poder também se manifesta através da vigilância e eminência de formasde punição que castigam o corpo não de forma física, mas psicológica e biológica.Por fim, o controle do tempo garante a disciplina dos indivíduos e seuadestramento, evitando atitudes de rebeldia.Tais dispositivos essenciais para o funcionamento do poder disciplinar estãopresentes em nossa sociedade até os nossos dias, muitas vezes de forma sutil, masque ainda garantem a ordem e a manutenção do meticuloso funcionamento dasociedade ocidental contemporânea.Através da disposição dos objetos e estrutura dos prédios, o poder disciplinar éexercido através da observação vigilante e a sensação de estar sempre sob apresença do poder maior coercitivo.A prisão não mais será um ambiente escuro e sombrio, mas sim um espaçoiluminado que possibilite a vigilância da vida e das atitudes dos detentos.Um simples olhar ou mesmo a vigilância sobre os presos garantem a disciplina e asubmissão dos indivíduos.O novo modelo de construção utilizado nas prisões acabou servindo para outrasinstituições que pretendiam obter a disciplina e obediência como foi o caso dasfábricas, a começar pela Inglaterra no século XVIII estendendo-se pela Europa noséculo XIX.De acordo com Michele Perrot, o espaço de produção era organizado de formacircular, no centro situava-se, geralmente, as peças ou a matéria prima para aconfecção de produtos.Desta forma, o indivíduo que tivesse a responsabilidade de cuidar do andamento daprodução poderia ver todos os operários a sua volta, evitando possíveis furtos o uindisciplina.A dinâmica do novo modelo de organização espacial, como já fora dito, foiestendida outras instituições e espaços, como escolas, hospitais, dentre outros.Os espaços fechados eram, ao mesmo tempo, arejados e amplos, permitindo avigilância dos diversos indivíduos ali presentes.O nascimento de uma nova sociedade, a partir dos ideais iluministas e dasrevoluções burguesas, a privação da liberdade que se tornara tão preciosa
  56. 56. asociedade contemporânea, tornou-se uma forma de punição mais incisiva,substituindo os suplícios, uma vez que os direitos do homem e do cidadão passama ser centrais na organização social.A detenção em prisões priva o indivíduo da liberdade e de seus direitos colocando -o a margem da sociedade.A punição, novamente, se daria sem o recurso da violência contra o corpo.O controle do tempoAssim como o espaço será determinante para a formação de uma sociedadedisciplinar, outro aspecto analisado por Foucault será a nova concepção de tempobem como a sua organização. A nova sociedade regida pelo poder disciplinar utiliza-sedo tempo como um de seus mecanismos de controle.A começar novamente pelo exemplo dos presídios, em um modo de vida quasemonástico, todas as horas do dia dos detentos são preenchidas com diversasatividades como refeições e trabalho.Oração com horários bem delimitados e previamente determinados.Tais horários são anunciadas por algum tipo de sinal sonoro, desta forma osindivíduos voltam suas mentes para as atividades impostas pela instituição da qualestão ligados.O controle de todas as horas do dia, enquanto dispositivo do poder disciplinar,evitava qualquer tipo de organização ou mesmo de um pensamento rebelde.Uma vez que o foco eram as tarefas a serem realizadas.A possibilidade de uma ação de resistência deste modo é coibida, da mesma forma,os indivíduos que estiverem em tal situação estavam sob constante vigilância, oque inibia levantes.A vigilância por seu turno é acompanhada de rigorosas punições, o que exerce omedo sobre o indivíduo, na maioria das vezes sem o apelo da violência, utilizando-se de outras formas de castigo, como a chamada solitária.Isolando o indivíduo dos outros, além da diminuição da alimentação ou daatividade sexual, o indivíduo é conduzido a momentos de forte pressãopsicológica.A prisão nada mais é do que um local de privações, a perda da liberdade e dodireito de ir e vir tornam-se agora os maiores receios da sociedade.Concluindo.
  57. 57. A partir das teorias sobre o poder disciplinar de Foucault, percebemos como oexercício deste poder se deu através de diversos dispositivos e elementos queelencamos.Primeiramente, o poder sobre o corpo representou o controle sobre o indivíduos esuas necessidades biológicas.Uma vez adestrado, este será útil e submisso ao sistema que se impõe,contribuindo para o equilíbrio e a ordem.O aspecto da construção se mostrou como forma de punição eficaz através daprivação dos direitos de liberdade, bem como o ir e vir, excluindo o sujeito de umdeterminado grupo social.Estendendo-se para outros espaços que não necessariamente pretendem punir, estaforma de poder também se manifesta através da vigilância e eminência de formasde punição que castigam o corpo não de forma física, mas psicológica e biológica.Por fim, o controle do tempo garante a disciplina dos indivíduos e seuadestramento, evitando atitudes de rebeldia.Tais dispositivos essenciais para o funcionamento do poder disciplinar estãopresentes em nossa sociedade até os nossos dias, muitas vezes de forma sutil, masque ainda garantem a ordem e a manutenção do meticuloso funcionamento dasociedade ocidental contemporânea.História e identidades: uma filosofia sobre a representação dasdiversidades.Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 1, Volume set., Série 12/09, 2010, p.01-07.A questão das identidades, o modo como os indivíduos e grupos enxergam a si mesmos,constroem referenciais culturais e defendem seus valores, criando espaços de negociação comoutros grupos ou sustentando conflitos, é hoje uma discussão essencial.

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