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11 04 19 simec campanha 40 anos livro small spreads 11 04 19 simec campanha 40 anos livro small spreads Presentation Transcript

  • SIMEC 40 ANOSHistória de união, força e energia de um setor Angela Barros Leal
  • Ao Centro de Conhecimento, Editoração,Documentação, Informação e Pesquisa da FIEC, na pessoa de Rita de Cássia; a Márcia Vecchio Machado da Silva; e a meu marido Gil, porque nenhum livro se escreve sozinho.
  • Sumário Apresentação - 6 Introdução - 12 O marco inicial - 18 José Célio Gurgel de Castro - 1972-1975 - 28 Airton José Vidal Queiroz - 1975-1978 - 40 Álvaro de Castro Correia Neto - 1978-1981 - 52 Fernando Cirino Gurgel - 1981-1984 - 64 Antonio Carlos Maia Aragão - 1984-1987 - 80 José Frederico Thomé de Saboya e Silva - 1987-1990 - 96 Fernando José Lopes de Castro Alves - 1990-1993 - 122 Mario Walter Saturnino Bravo - 1993-1996 - 140 Guilardo Góes Ferreira Gomes - 1996-1999 - 152 Carlos Gil Alexandre Brasil - 1999-2002 - 166Valdelírio Pereira Soares Filho - 2002-2005, 2005-2008 - 182 Ricard Pereira Silveira - 2008-2011 - 206 Epílogo - 236 Diretorias - 242 Atuais Associados - 250 Parceiros - 256 Leal, Angela BarrosL435q 40 anos do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará / Angela Barros Leal.-- Fortaleza: SIMEC, 2011. 306 p.: ilust.1.Indústria Metalúrgica – Ceará2.Indústria Mecânica – Ceará3. Indústria de Material Elétrico - Ceará4.SIMEC – História5. Organização Patronal6.Industrial cearenseI. Título CDD: 338.4
  • Apresentação6 7
  • Apresentação Apresentação Ao ser solicitado a assinar a apresentação para o livro comemorativo dos 40 anos do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará reconheci que a indicação se dera não apenas em função do cargo que ora ocupo, na Presidência da Federação das Indústrias cearenses, mas também à minha vinculação pessoal com a história do SIMEC, ao qual sou associado há mais de três décadas, acompanhando as atividades da empresa iniciada por meu pai, José Macedo, também associado. Nunca cheguei a ocupar a presidência do SIMEC. Circunstâncias variadas me conduziram a outros caminhos. Permaneci atento ao trabalho desenvolvido pelas seguidas diretorias do SIMEC, formadas por empresários comprometidos com o crescimento de suas empresas, com a eficiência na gestão de negócios, com a oferta de trabalho, com o bem estar da comunidade, cumprindo com suas responsabilidades de cidadania num efeito multiplicador. A FIEC é constituída por 39 instituições sindicais organizadas. Costumo citar o SIMEC como uma referência para o que se espera de um Sindicato, especialmente pela intensa participação de seus componentes e pela coe- rência de suas atitudes, sempre em favor do que se apresente como melhor à comunidade empresarial. Como afirmei no meu discurso de posse, a FIEC é dos industriais. De pessoas comprometidas com a harmonia de interesses que assegura a força competitiva da indústria cearense. Temos apresentado crescimento firme em um mercado cada vez mais exigente e sem fronteiras, estabelecendo padrões éticos e qualitativos. Que- remos prosseguir valorizando todos os Sindicatos que compõem a nossa Casa. E quanto mais dinâmico for o trabalho em conjunto, maior também será nossa valorização. Acompanhei a chegada de Ricard Pereira Silveira à Presidência do SI- MEC. Empresário jovem que se revelou uma agradável surpresa na direção sindical. Soube trazer sangue novo, estimular o processo de modernização, mobilizar ainda mais o grupo para exercitar a participação de todos. Seu trabalho agregou valor ao que os antecessores haviam feito. Com muita garra8 9
  • Apresentação conduziu o SIMEC nos últimos três anos, e é devido a seus próprios méritos que foi reeleito para um novo mandato, certamente de muitos resultados. As comemorações dos 40 anos de existência do SIMEC propiciaram uma série de ações, entre as quais se encontra a publicação do presente livro histórico. Trata-se de documento referencial baseado em minuciosa pesquisa e em entrevistas com associados e ex-Presidentes, resgatando as experiências do passado e preservando as informações produzidas hoje, para conhecimento dos futuros industriais cearenses. Novos estágios evolutivos e novos desafios virão. Nosso trabalho pros- seguirá incansável, incluindo parcerias com órgãos e instituições compro- metidos com o desenvolvimento do Ceará, promovendo a justiça social e fortalecendo o papel dos Sindicatos, do qual, mais uma vez, o SIMEC se coloca como exemplo. Parabéns aos associados. Parabéns ao Ceará. Roberto Macedo Presidente da FIEC10 11
  • Introdução12 13
  • Introdução Introdução O longo corredor no terceiro andar da Casa da Indústria, em For- taleza, se comporta como um verdadeiro mostruário da atividade industrial cearense. De um lado e de outro enfileiram-se as salas que sediam os Sindicatos dos proprietários de indústrias locais, cobrindo uma ampla variedade de atividades que vão do granito ao têxtil, da bebida ao alimento, da reciclagem de resíduos sólidos ao cal, gesso, cimento e cerâmica. E é exatamente entre estes dois últimos – respec- tivamente, Sindverde e Sindicerâmica – que desde 1988 se encontra instalado o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará – SIMEC. Logo à entrada da sala de reuniões do Sindicato, ao lado esquerdo, há uma tortuosa escultura em metal reciclado, aparentemente inconclu- sa, justapondo elementos díspares que lembram uma engrenagem, um edifício, ou suas estruturas, e que se integram para contar uma história conhecida por apenas duas pessoas: o escultor Caetano Barros e o atual Presidente. Na parede da mesma sala, bem próximo à escultura, em po- sição correspondente à cabeceira esquerda da longa mesa que acompa- nha as janelas abertas para o perfil verticalizado da Aldeota, se destaca a “certidão de nascimento” da Entidade: a Carta Sindical assinada pelo Ministro de Estado dos Negócios do Trabalho e Previdência Social, Júlio Barata, com data de 24 de janeiro de 1972. É este documento emoldurado que comprova a consolidação de um movimento associativo iniciado em 1966, fortalecido a partir de 1971, e formalizado pelo Ministério competente por meio do Processo n° 305 823 de 19 de novembro daquele mesmo ano, dando início oficial no Ceará às atividades sindicais do setor metalúrgico, mecânico e de ma- terial elétrico. A Carta Sindical assinala o começo de uma história surgida em outra sede que não esta da Aldeota, ainda no Centro da cidade, envolvendo ou- tros personagens, alguns deles transformados em lembrança, uma história14 15
  • Introdução imersa em realidade social, política e econômica tão diversa dos dias atu- ais, uma história que vem conseguindo atravessar as décadas e enfrentar os desafios de um mundo novo, globalizado, on line, virtual, noticiado em tempo real, e se impor como um exemplo de continuidade. E é justamente para encarar o futuro que daqui, desta sala no terceiro andar do edifício da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, 40 anos depois, é preciso voltar os olhos para o que está no entorno, e para o que ficou no passado. Visão perspectiva do selo de 40 Anos do Sindicato Carta Sindical do SIMEC, de 197216 17
  • O marco inicial18 19
  • O marco inicial O Marco Inicial No primeiro livro de ata do SIMEC foi colada a página 7 do jornal Gazeta de Notícias, da terça-feira, 17 de maio de 1966, registrando para a posteridade o Edital de Convocação necessário à Assembleia de Fundação da Associação Profissional dos Empregadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará. O nome quilométri- co da nova instituição era auto-explicável, e resumia de forma clara o seu propósito.Dizia a nota: Pela presente, todos os integrantes da categoria econômica das indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico são convocados a se reunirem no próximo dia 20 de maio de 1966, às 17 horas, na sede da FIEC, sita à Rua Major Facundo n° 253, 5° andar, sala 11, a fim de deliberarem sobre a conveniência da fundação da Associação Profissional dos Empregadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, nos termos das disposições legais e das Instruções vigentes do Mi- nistério do Trabalho e Previdência Social. Solicita-se outrossim aos que comparecerem o obséquio de virem munidos dos seus documentos de identificação e qualificação da ati- vidade que exercem (Registro da firma na Repartição competente). Fortaleza, 16 de maio de 1966 Célio Gurgel de Castro – pela Comissão Organizadora Na mesma página, o jornalista Darcy Costa assinava a coluna “Cine- ma”, tratando, naquele dia, do II Festival de Cinema Amador, a acontecer na Guanabara; o colunista Lindberg Ramos informava sobre a volta da Panair do Brasil e a decolagem dos aviões Caravelle, da empresa aérea Cruzeiro do Sul; e o jornalista Lúcio Brasileiro, na coluna “O Diário”, mostrava foto- grafia do deputado José Macedo em jantar com o pintor Moacir Andrade. O panorama no Ceará, no Brasil e no mundo, entrevisto brevemente atra- vés da página preservada, informava aos leitores sobre a próxima demons- Folder institucional da Fundição Cearense - 193120 21
  • O Marco Inicial tração em Fortaleza da Esquadrilha da Fumaça, a acontecer de 17 a 24 de maio, homenageando o primeiro centenário da Batalha de Tuiuti; noticiava a proposta do governador Virgilio Távora, cumprindo seu primeiro mandato (1963/1966), de criar em breve a TV Educativa do Estado; tratava do lança- mento da cápsula espacial Gemini 9, marcado para o dia 18 de maio, e dis- corria sobre os dramas e tragédias de sempre, como inundações em Argel e sequestros em Roma. Era ano da oitava edição da Copa do Mundo, sediada na Inglaterra, com vitória para os donos da casa. No Brasil vivia-se uma “complexa situação financeira e uma inquietante crise”, como escrevia o Diretor Geral da referida Gazeta de Notícias, Luis Campos. Apesar disso, as notícias sobre o Ceará eram promissoras. Iam ser iniciadas as obras de construção do Armazém A-4 do Porto do Mucuripe, a estação de passageiros da Esplanada do Mucuripe, e seis fábricas se prepara- vam para inaugurar o Distrito Industrial de Fortaleza até o final do ano: Pro- tector, especializada em tintas e vernizes, duas fábricas de cimento amianto (Eternit e Brasilit), uma de fiação, uma de relógios e uma de arame farpado, todas elas com as negociações “em entendimentos finais”. Edifício Jangada - Rua Major Facundo A reunião convocada pela Associação na Gazeta aconteceu conforme previsto. O registro em ata permite conhecer o que foi discutido naquele primeiro encontro do setor. necessária para melhor defesa dos interesses comuns. Às 19h30 do dia 20 de maio de 1966 reuniram-se na Federação das Indústrias do Estado do Ceará, à Rua Major Facundo 253, 5° andar, Assim sendo, cedia a palavra a quem dela quisesse fazer uso, para se sala 11, os integrantes das atividades metalúrgicas, mecânicas e de pronunciar sobre a proposta que formalizava publicamente. material elétrico abaixo assinadas, estabelecidos nesta cidade. Pedindo a palavra, o Sr.Djanir Figueiredo manifestou-se de pleno Em nome da Comissão Organizadora, assumiu a presidência dos acordo com a proposta, aduzindo que o comparecimento de nú- trabalhos o Sr. Célio Gurgel de Castro, que convidou para integrar mero expressivo dos integrantes da categoria econômica interes- a mesa, como Secretário, o Sr. Raimundo de Alencar Pinto. O pre- sada já era, por si mesmo, fato significativo e comprobatório das sidente agradeceu o comparecimento dos colegas reunidos para possibilidades de vida eficiente da futura associação. deliberarem sobre a conveniência da fundação da Associação Pro- O texto manuscrito é encerrado sem a prometida assinatura dos em- fissional dos Empregados das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e presários participantes, impedindo o conhecimento de quais se fizeram de Material Elétrico que, ao ver da Comissão Organizadora, se fazia22 23
  • O Marco Inicial presentes àquela esperançosa reunião – que, entretanto, não teve a conti- dos jornais fortalezenses, que passava a funcionar naquele novo en- nuidade imediata tão esperada. dereço, sob a direção do próprio James Spears, que se transferira do Recife para Fortaleza. (...) A Fundição Cearense figurou, desde logo, No final do ano de 2010, Célio Gurgel de Castro não recorda o que entre as mais importantes do norte do Império. causou a interrupção das atividades, ou quem eram todos os presentes em A continuação da história é contada na página de abertura do segundo 1966. Aos 85 anos, completados em fevereiro de 2011, Célio ainda se en- Catálogo da Fundição, impresso em Berlim em 1901 e preservado pela contra em plena atividade, voltado principalmente para o setor de agricul- família Gurgel, no qual são apresentadas ilustrações, dimensões e preços tura e pecuária, sem deixar de lado as antigas raízes na área de metalurgia. de venda de “maquinário para lavoura, indústria e objetos de engenharia”. “A reunião era uma formalidade, para dar início ao Sindicato”, diz ele. “A Fundição Cearense foi estabelecida em 1855”, confirma o texto, “Lembro de uns três que estavam lá: o Raimundo Pinto, o Osvaldinho Stu- embora minimizando a importância daqueles tempos iniciais. dart, o pessoal da J. Torquato...” O papel de liderança que lhe coube é modestamente atribuído às amizades criadas na FIEC, em especial com Nos seus primeiros anos [a Fundição] teve pouco desenvolvimento, Raimundo Pinto e com o presidente Tomás Pompeu de Souza Brasil. E se sendo, porém, adquirida em 1883 por Valdevino S. [Soares] Freire, justifica, com razão: “Isso tudo faz muito tempo.” de saudosa memória, um cearense que dedicou parte de sua vida à indústria de ferro em verdadeira luta pela vida em trabalhos mecâni- Se 1966 é tempo passado, mais tempo ainda se faz da fundação da pri- cos, dando a esta fábrica maior desenvolvimento. Quando, porém, meira usina metalúrgica do Ceará, a Fundição Cearense, à qual a história começava a usufruir o trabalho de longos anos, faleceu de moléstia de Célio Gurgel está intimamente ligada, pela força das raízes familiares. adquirida no próprio trabalho, acidente ocorrido na montagem de uma instalação de máquinas para beneficiar café. A Fundição Cearense nasceu em 1855, a partir de uma oficina que trabalhava com ferro batido, como registra o pesquisador Geraldo Nobre O trágico acidente ocorrido com Valdevino abalou, mas não interrom- no livro “O processo histórico de industrialização do Ceará”. Em 1861 peu as atividades da Fundição. o empresário José Paulino Hoonholtz, já então proprietário da Fundição, Isto não desanimou aos irmãos Freire, que adquirindo a fábrica associou-se ao inglês James Spears, atuante em Recife. Os sócios partiram por compra deram-lhe ainda maior desenvolvimento, assumindo para a aquisição de equipamento moderno, adequado ao funcionamento a sua direção J.[José] C.[Cândido] Freire, na parte comercial, e Rai- vapor, e inauguraram o que seria quase que uma nova indústria, em agosto mundo S. [Soares] Freire na parte técnica, em vista de sua longa de 1868, conforme publicado no jornal República a 171 daquele mês. Ha- prática na mesma fábrica. via demanda, e o sucesso foi imediato, como anota Nobre: O endereço no Catálogo de 1901 indica o Boulevard do Bemfica como Em poucos meses a Fundição estava abarrotada de encomendas do sede2, e não mais a Rua da Praia mencionada por Nobre. Havia um telefo- Governo e de particulares, ao ponto de seus proprietários deseja- ne para contato, de número 167, o que apontava para a modernidade da rem expandir-se. Para isso, alugaram os prédios de números 84 a 98 firma, numa cidade com 50 mil habitantes e poucas centenas de assinantes da Rua da Praia (atual Avenida Alberto Nepomuceno). Decorridos telefônicos registrados.3 exatamente quatro meses a firma comunicava ao público, através24 25
  • O Marco Inicial No “Almanaque do Ceará para “Nós fabricávamos peças”, diz Célio, relembrando os primeiros tempos. “A 1908,”4 referente ao ano anterior, gente fabricava, quebrava, moldava a peça, às vezes aproveitando a peça velha a Fundição Cearense ainda cons- como modelo para fazer outra peça daquelas, para as máquinas funcionarem”. ta como pertencente a José Cândi- E acrescenta, sem saudosismo: “Naquela época eu conhecia todas as indústrias. do Freire. Mas em 1912 é certo que Todas elas eu conhecia. Eu era chamado para dar opinião na manutenção. E eu, já havia saído das mãos dos irmãos que quase que nasci dentro de uma fábrica, ganhei boa experiência com isso”. Freire e passado para João Gurgel Célio tinha 17 anos quando perdeu a mãe e assumiu, oficialmente, a Nogueira5, avô de Célio, com uma direção da Fundição Cearense, contribuindo para preservar o que é um produção “centrada em fundidos, marco indiscutível na história da indústria metalúrgica no Estado e no país. equipamentos para a indústria agríco- la, engenhos de cana-de-açúcar e pe- ças de moendas, alambiques, cister- Notas: nas, bombas, tanques, rodas e eixos”.6 1 - Nobre, p.129 “Meu avô faleceu em 1936”, re- 2 - Boulevard Visconde de Cauhype e, mais tarde, Av. da Universidade lembra Célio. “Minha mãe era filha úni- 3 - Nirez, 10/9/1891 ca, já viúva. E passou a ser a proprietária 4 - Fortaleza, Typo-Lythographia a Vapor, 1908 da firma, juntamente com a mãe dela, 5 - Almanaque do Ceará 1912 que faleceu no ano seguinte, deixando 6 - História da Fundição. São Paulo, 2009 minha mãe sozinha na administração do 7 - Guia da cidade de Fortaleza, 1939 negócio”. A firma assumiu o nome de Viúva Gurgel & Cia. Era classificada como fundi- ção e oficina mecânica, com endereço no nú- mero 2513 do Boulevard Visconde de Cauípe, atendendo pelo telefone 1831.7 Célio tinha 12 anos de idade. Era o caçula de quatro filhos, o único que se interessou pela Fundição. Estudava pela manhã. À tarde fazia companhia à mãe na fábrica, vendo de perto como eram feitos os consertos das máquinas de beneficiamento de caroço de algodão, a manuten- ção das peças criadas quase artesanalmente, a fabricação dos engenhos para moer cana.26 27
  • 1972-1975 José Célio Gurgel de Castro28 29
  • José Célio Gurgel de Castro 1972-1975 Entre 1966 e os primeiros meses de 1970 não há registros na secretaria do Sin- dicato sobre a movimentação associativa patronal do setor metalmecânico. Mas em 20 de fevereiro de 1970 o quinto andar do Edifício Jangada voltou a sediar As- sembleia Geral da Associação Profissional das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará, com o fim especial de “deliberar sobre a fundação, eleição da Diretoria provisória e aprovação dos respectivos Estatutos”. O Edital de convocação, publicado no jornal Tribuna do Ceará (16/2/70) reu- niu outra vez os interessados. A ata registra que Célio Gurgel de Castro assumiu a presidência da mesa, em nome da Comissão Organizadora, convidando João Clemente Fernandes para Secretário. Após agradecer o comparecimento de to- dos, Célio comunicou a necessidade de fundar a Associação “para melhor defesa dos interesses da classe” e perguntou se havia algum voto discordante, tendo como resposta o silêncio. A ausência de manifestações contrárias fez com que Célio considerasse fundada, a partir daquele momento, a Associação Profissional das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará. Sem perda de tempo, e na forma do Edital, deu-se a eleição da Diretoria Provisória para a Associação recém nascida, sendo eleitos, por aclamação, Célio Gurgel, João Clemente, Raimundo Régis de Alencar Pinto, Eduardo Diogo Gurgel, Tarcisio Guy Andrade Silveira e Augusto Castelo da Cunha, os três primeiros para ocupar, respectivamente, os cargos de Presidente, Secretário, Tesoureiro e, os três seguintes, as suas suplências. Para o Conselho Fiscal e suplência foram indicados Edson Queiroz, Olavo Magalhães e Ivan Moreira de Castro Alves; Laerte Moreira de Castro Alves, Osvaldo Studart Neto e João Nogueira Meireles. Definidos os nomes dos diretores o Presidente submeteu os Estatutos à consideração dos presentes, obtendo aprovação unânime. E para cobrir as despesas com instalação e atividades da Associação ficou estabelecida uma contribuição mensal de NCr$ 100,00 por parte de cada associado. Nova Assembleia Geral Extraordinária se deu às 11h da manhã do dia 30 de janeiro de 1971 – um sábado, o que justificava o horário matinal – prati- Mesa onde se davam as primeiras reuniões do SIMEC30 31
  • 1972-1975 camente com os mesmos objetivos daquela acontecida quase um ano antes. Por fim, a eleição da Diretoria provisória consolidou pela segunda vez a po- O Edital de convocação aos associados fora veiculado durante três dias, na sição de Célio Gurgel, João Clemente Fernandes e Raimundo Régis de Alencar semana anterior, no jornal Tribuna do Ceará (13, 15 e 16 de janeiro de 1971). Pinto, nas funções de Presidente, Secretário e Tesoureiro. Constavam também Diante dos presentes, na chamada sede provisória, e que assim per- dessa lista os nomes de Eduardo Diogo Gurgel, Tarcisio Guy Andrade Silveira e maneceria por quase duas décadas – o Edifício Jangada, na Rua Major Fa- Augusto Castelo da Cunha como Suplentes da Diretoria, e de Edson Queiroz, cundo, 253, 5° andar, sala 11 – o secretário João Clemente leu na íntegra o Olavo Magalhães e Ivan de Castro Alves na composição do Conselho Fiscal, teor do Edital de convocação, que ficou apenas em parte registrado na ata tendo Laerte Castro Alves, Osvaldo Studart Neto e João Nogueira Meireles como daquela primeira reunião de 1971, e que visava deliberar sobre três pontos Suplentes. fundamentais: o pedido de reconhecimento da entidade como Sindicato, a O Presidente congratulou-se com os presentes pela decisão de transfor- aprovação dos Estatutos, e a eleição da Diretoria provisória. mar a Associação em Sindicato, e encerrou a reunião. Na discussão referente ao tópico de abertura o presidente Célio enfati- Cumpridas as exigências jurídicas, até novembro do ano seguinte, zou ser esta “a primeira fase para a fundação do Sindicato”, discorrendo em 1972, seguiram-se os contatos e entendimentos necessários, sendo aberto, seguida sobre as vantagens de transformar a Associação em órgão sindical, junto ao Ministério dos Negócios do Trabalho e da Previdência Social, cujo o que foi posto em votação e aprovado por unanimidade. titular era o ministro Júlio Barata, o processo que oficializaria a existência A discussão sobre o segundo item foi ainda mais rápida. Pouco havia do Sindicato, materializado na Carta Sindical, com o seguinte teor: sobre o que divergir. As normas estatutárias seguiam modelo instituído pela O Ministro de Estado dos Negócios do Trabalho e Previdência So- Portaria Ministerial n° 126, de 28/6/1958, sendo o primeiro Estatuto forma- cial faz saber a quantos esta carta virem que, atendendo ao que do por sete capítulos e 39 artigos, o primeiro dos quais estabelecia: requereu a Associação Profissional das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará, com sede O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material em Fortaleza, no Estado do Ceará, e dispensando nos termos do Elétrico no Estado do Ceará, com sede e foro em Fortaleza, é cons- parágrafo único do artigo 515 da C.L.T. a reunião do terço legal tituído para fins de estudo, coordenação, proteção e representa- dos exercentes da categoria respectiva, resolve aprovar o res- ção legal da categoria econômica, na base territorial do Estado do pectivo estatuto e reconhecê-la sob a denominação de Sindicato Ceará, conforme estabelece a legislação em vigor sobre a matéria, das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no e com o intuito de colaboração com os poderes públicos e demais Estado do Ceará como sindicato representativo de todas as ca- Associações, no sentido da solidariedade social e da sua subordi- tegorias econômicas constantes do 14° grupo – Indústrias meta- nação aos interesses nacionais. lúrgicas, mecânicas e de material elétrico – do plano da Confe- deração Nacional da Indústria, na base territorial do Estado do Ao proceder à leitura dos capítulos e artigos, a Mesa alertou que, se Ceará, com sede em Fortaleza no Estado do Ceará, de acordo o Plenário desejasse introduzir alguma modificação, permitida em lei, o com o regime instituído pela Consolidação das Leis do Trabalho. fizesse no decorrer da leitura, comunicado que se mostrou desnecessário: E, para firmeza, mandou passar a presente carta, que vai por ele o conteúdo foi integralmente aprovado, na forma em que estava redigido. assinada.Brasília, 24 de janeiro de 1972.32 33
  • 1972-1975 Cerca de um mês depois, a 25 de fevereiro, o Delegado Regional do ser oficializada como a de fundação do Sindicato das Indústrias Metalúrgi- Trabalho no Ceará, Jefferson Quesado, enviou a Célio Gurgel o ofício n° cas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará. 61/72 encaminhando o seguinte despacho ministerial, referente ao pro- *** cesso MTPS 305 823/71: Nos termos do parecer do Departamento Nacional do Traba- Nos 40 anos seguintes José Célio Gurgel de Castro seria um dos dois únicos associados a repetir As primeiras lho, fundamentado na Resolução da Comissão do Enquadra- mento Sindical, e atendendo ao que requereu a Associação mandato na Presidência, inicialmente ocupando o cargo na Associação de 1970 a 1971, ainda que de eleições do Profissional das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Mate- rial Elétrico do Estado do Ceará, resolvo, na conformidade do maneira provisória, reelegendo-se em seguida para Sindicato foram o triênio 1972 a 1975, desta vez no Sindicato. No disposto no parágrafo único do art.515 da Consolidação das Leis do Trabalho, reconhecer a postulante, sob a denomina- caso dele, a continuidade se deu talvez pela pró- agendadas ção de Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará, como entidade sindical pria incipiência da instituição recém-criada, e que, apesar disto, na reunião do dia 5 de maio de 1972 para 9 de junho de 1° grau, representativa de todas as categorias econômicas constantes do 14° grupo – indústrias metalúrgicas, mecânicas já ganhava uma retrospectiva histórica traçada pelo próprio Presidente, com os tópicos gerais anotados de 1972. e de material elétrico – do plano da Confederação Nacional da Indústria, na base territorial do Estado do Ceará, aprovados os na ata. Célio recordava desde os tempos de formação da Associação, seis anos seus Estatutos Sociais, com as correções sugeridas. Transmita- antes, até seu reconhecimento recente como órgão sindical, e aproveitava para -se e publique-se. “tecer considerações” sobre os objetivos a que esta se propunha. Ministro Júlio Barata, 24 de janeiro de 1972. As primeiras eleições do Sindicato foram agendadas para o dia 9 de junho de 1972, quando a Diretoria provisória seria substituída pela oficial. Acompanhava o despacho o seguinte comunicado: No dia marcado, entre as 13h e 19h compareceram 12 dos 16 sócios aptos ao exercício do voto. A ata de instalação da Mesa Coletora Eleitoral contou Sr. Presidente. com as presenças de Raimundo Eymard Ribeiro de Amoreira, Irenice Gur- De ordem do Sr. Diretor Geral, encaminho em anexo, para co- gel Freire e Raimunda Maria de Carvalho. nhecimento de V.Sa., cópia do despacho exarado pelo Sr Ministro Sob a presidência de César da Silveira Antunes, representante do Pro- no processo MTPS 305 823/71, de interesse dessa entidade, bem como a Carta de reconhecimento devidamente assinada e registra- curador Regional da Justiça do Trabalho, tendo como secretário Juvenal da na Seção Sindical. Lopes Ribeiro e como escrutinadora Norma Alencar Severiano Barreira, o resultado registrado na ata da apuração não trouxe grandes surpresas. Na As correções que o despacho havia sugerido para o Estatuto eram de chapa única estavam eleitos Célio, Tarcisio Guy e João Clemente como ti- pouca monta: cinco tópicos a reeditar, quatro a incluir e um a substituir. tulares da Diretoria Executiva para o triênio de 15 de julho de 1972 a 14 de Foram realizadas de imediato, e a data de 24 de janeiro de 1972, passava a julho de 1975, mantendo-se Célio no exercício da presidência.34 35
  • 1972-1975 Complementavam os eleitos: os suplentes de Diretoria, Ivan Morei- Atendendo à exigência do art.4, letra d, dos Estatutos foi aberto um Livro de ra de Castro Alves, Olavo Magalhães e Airton Queiroz; os titulares do Registro de Associados. O presidente Célio assinou o Termo de Abertura, com data Conselho Fiscal, Osvaldo Studart Neto, José Djanir Guedes de Figueiredo de 13 de dezembro de 1972, do documento onde seriam listadas as cem primeiras e Fernando Nogueira Gurgel; tendo como suplentes Augusto Castelo da indústrias que iriam compor o Sindicato, começando, naturalmente, por aquelas Cunha, Erasmo Rodovalho de Alencar e Raimundo Régis de Alencar Pin- ligadas aos que estavam à frente do movimento. to. Delegados representantes junto à FIEC eram os titulares Célio Gurgel e Raimundo Régis de Alencar Pinto, com os suplentes João Clemente Fer- Contém este livro 100 (cem folhas, com todas as suas páginas ti- pograficamente numeradas, que servirá de Registro de Associados nandes e Tarcisio Guy Andrade da Silveira. do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material A cerimônia de posse aconteceu no dia 14 de julho de 1972, no Audi- Elétrico no Estado do Ceará, com sede nesta cidade, reconhecido tório Waldir Diogo, da Federação das Indústrias, no 6° andar do Edifício Jan- conforme Carta Sindical expedida em 24 de janeiro de 1972 e ins- crito no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda gada. Tomaram assento à mesa os senhores César da Silveira Antunes, Célio sob o número 07155104/0001. Gurgel, Tarcisio Guy, João Clemente e Antonio da Silva Guerra, assessor jurí- dico da FIEC e Superintendente do IEL – Instituto Euvaldo Lodi. O Presidente A Fundição Cearense, com endereço na Avenida da Universidade, discursou no final da cerimônia, encerrada às 19h40 daquela sexta-feira. 2513, registrada na Junta Comercial em 9 de setembro de 1957, com n° 5.835, abre a lista. É seguida pela Fábrica de Alumínio Ironte, de Clemente Uma importante reunião decisória se deu às 18h do dia 22 de setembro & Irmãos, tendo à frente João Clemente Fernandes, e que funcionava na de 1972. Assembleia Geral Extraordinária, convocada por Edital publicado Rua Joaquim Lino, 180, registrada na Junta Comercial com n° 20.982, em 8 dia 16 na Tribuna do Ceará teve por objetivo inicial “examinar, apreciar e de agosto de 1962. A terceira indústria a ser inscrita no livro foi a Cia. Im- deliberar sobre a Previsão Orçamentária para os exercícios de 1972/1973”, portadora de Máquinas e Acessórios Irmãos Pinto, Cimaipinto, localizada sendo seguida por uma rodada de deliberações sobre a filiação da entidade na vizinhança do Edifício Jangada, Rua Major Facundo, 364, com n° 8.343 à FIEC, o que foi aprovado por unanimidade dos presentes, com destaque na Junta Comercial, em 20 de fevereiro de 1946. para os pontos principais dos Estatutos federativos e “sobre a necessidade de congraçamento com os Sindicatos irmãos”. A Mecesa – Metalgráfica Cearense S/A, de Fernando Nogueira Gurgel, ocupou o quarto lugar. Era registrada na Junta Comercial em 15 de junho Ao tempo de sua própria fundação, em 1950, a de 1965, n° 27.364. Em quinto lugar veio a Organização Silveira Alencar FIEC incluía apenas cinco sindicatos: da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado do Ceará, da A cerimônia de S/A, conduzida por Tarcísio Guy Andrade Silveira, com endereço na ainda Rua Monsenhor Tabosa, 578, e dona do número de registro 2.312, na Junta Construção Civil de Fortaleza, da Indústria de Calçados de Fortaleza, da Indústria de Tipografia de Fortaleza, e posse aconteceu Comercial, em 31 de agosto de 1926. de Alfaiataria e Confecção de Roupas para Homens de no dia 14 de Complementando a primazia de se colocar entre as dez primeiras, as- Fortaleza. O Sindicato do setor eletrometalmecânico sinaram o Livro de Registro a Tecnomecânica Esmaltec S/A, de Edson Quei- surgia dentro de uma estrutura que se fortalecia. julho de 1972. roz (n° 07.982, em 23/10/63); Indústria Nordestina de Aço S/A – Inasa, de36 37
  • 1972-1975 Olavo Magalhães (n° 22.841, em 20/8/63); Bombas King, de Ivan Moreira de Castro Alves (n° 19.873, em 27/1/61); Studart & Cia Ltda, de Osvaldo Studart Neto (n° 2.393, em 17/10/29); e Ângelo Figueiredo S/A, administra- da por José Djanir Guedes de Figueiredo (n° 19.492, em 7/7/61). Eram todos industriais no vigor dos 30 aos 50 anos, todos sediados em Fortaleza, fundadores de seus próprios negócios ou responsáveis pela mis- são de dar prosseguimento ao trabalho de seus antecessores, dispostos para contribuir com o desenvolvimento econômico do Estado. Até 1975 Célio dirigiu os trabalhos de todas as Assembleias Ordinárias e Extraordinárias, com algumas exceções, como a reunião de 8 de abril de 1974, dirigida por Fernando Nogueira Gurgel, titular do Conselho Fiscal e fundador da Mecesa. As Assembleias Gerais Ordinárias tinham como tema apresentação e aprovação de relatórios, prestação de contas, previsão de despesas para o ano seguinte, suplementação de verba que se fizesse ne- ThomásPompeu (Presidente da CNI), Min. Mário Henrique Simonsen e cessária ao desenvolvimento das atividades do Sindicato e demais delibe- Francisco José Andrade Silveira (Presidente da FIEC) na sede da Federação das Indústrias rações de ordem administrativa interna. As Assembleias Extraordinárias examinavam matérias quase sempre re- O mundo sofria o impacto da crise do petróleo, do aumento dos juros, lacionadas a dissídio coletivo e questões trabalhistas, como na Assembleia e mergulhava numa recessão que afetaria o desenvolvimento das indús- de 23 de outubro de 1974, tendo sido o assunto provocado pelo Sindicato trias, explodiria os índices de desemprego1, e naturalmente traria reflexos dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétri- negativos para o microcosmo que era o panorama industrial cearense. O co de Fortaleza. A decisão do Sindicato dos proprietários foi “conceder au- Presidente que sucederia Célio Gurgel iria lidar com tudo isso. mento salarial de acordo com os índices a serem dispostos pela Secretaria Regional do Trabalho da 7ª Região”. Não se fazia ainda muito evidente, mas o período do chamado Notas: “milagre econômico” brasileiro aproximava-se do fim. A sombra da 1 - Almanaque Abril 2000 hiperinflação delineava-se no horizonte para a próxima década. Ia fi- car como saudosa lembrança o desempenho apresentado entre 1969 e 1973, quando o PIB nacional crescia quase 12% ano e a inflação média anual não superava os 18%. O quadro já não era mais o mesmo em 1974, nem o seria daí em diante.38 39
  • 1975-1978 Airton José Vidal Queiroz40 41
  • Airton José Vidal Queiroz 1975-1978 A data de 14 de julho, tão ligada à Revolução Francesa, tornou-se a data oficial de posse das Diretorias do Sindicato das Indústrias Metalúr- gicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará. Foram 13 os associados a aptos votar na chapa única de 1975, o ano em que César Cals deixava o Governo do Ceará para dar lugar a Adauto Bezerra, igualmente indicado pelo processo de eleição indireta. As eleições do Sindicato mantinham-se democraticamente diretas. Na- quele ano, a Mesa Coletora Eleitoral deu início ao recebimento dos votos ao meio-dia de 12 de junho. Juvenal Lopes Ribeiro presidiu os procedimen- tos, tendo como mesárias Raimunda Maria de Carvalho e Solange Pio de Alencar Araripe. Encerrada a votação, às 18h30 do mesmo dia, sob a pre- sidência do representante da Procuradoria Regional da Justiça do Trabalho, João Nazareth Pereira Cardoso, e tendo como escrutinadores César da Sil- veira Antunes e a secretária da FIEC, Irenice Gurgel Freire, foram apurados os votos. Estava eleita a segunda Diretoria oficial do Sindicato. Os nomes efetivados eram os de Airton Queiroz, Célio Gurgel e Rai- mundo Régis de Alencar Pinto, tendo por suplentes Augusto Castelo da Cunha, Ivan de Castro Alves e José Aragão de Albuquerque. No Conselho Fiscal efetivavam-se Osvaldo Studart Neto, José Djanir Figueiredo e Edson Queiroz Filho, com os suplentes Fernando Cirino Gurgel, Álvaro de Castro Correia Neto e Pedro Jorge Clemente Soares. Célio Gurgel e Raimundo de Alencar Pinto eram os delegados efetivos junto à FIEC. A suplência deles coube a João Clemente Fernandes e Evandro Pessoa de Andrade. Na ata de distribuição dos cargos, datada do dia seguinte, 13 de junho, uma sexta-feira, coube a Airton José Vidal Queiroz a presidência para o triênio 1975-1978, tendo como Secretário Célio Gurgel e como Tesoureiro Raimundo de Alencar Pinto. No citado dia 14 de julho Célio Gurgel deu posse ao novo Presidente e apresentou relato da administração finda, comunicando que o Sindicato dispunha de um saldo de Cr$ 95.483,00, sendo Cr$ 91.464,00 referentes42 43
  • 1975-1978 Columbia, Tropicana Quartz e Tropicana Electronic Line, com mercado no Ceará, Piauí e Maranhão. Produziam também tambores e tanques para derivados de petróleo, si- los e minisilos para cereais, caçambas basculantes, carros de mão e estrutu- ras metálicas, ampliando mercado de vendas, a partir de 1976, para países das Américas Latina e Central, como Bolívia, Equador, Guianas, Martinica, Panamá, Paraguai e Porto Rico.1 Poucos anos mais tarde, em 1986, a Es- maltec representaria cerca de 80% do mercado consumidor local de lâmi- nas de aço a quente e a frio,2 numa escalada que conduziria a patamares sequer sonhados à época. No Sindicato das Indústrias do setor eletrometalmecânico o dissídio coletivo entrou regularmente em pauta, na Assembleia Geral Extraordinária de 25 de setembro de 1975, tratando sobre o aumento nas bases dos índi- ces salariais de outubro para os trabalhadores que recebiam até 10 salários Thomás Pompeu, Hélio Idelburque (atrás), Carneiro Leal (superintendente do SESI) e Edson Queiroz em visita à Tecnorte mínimos regionais. Acima disso, ficou decidida recomendação de “acordo entre empresa e empregado, não inferior a 20%”. São poucos e lacônicos os registros em ata sobre o período: Assembleia à arrecadação da contribuição sindical, e os restantes Cr$ 4.019,00 proce- Geral Ordinária, de 14 de junho de 1976, para apreciação de Relatório da dentes de “rendas próprias”, tudo devidamente depositado na Caixa Eco- Diretoria, prestação de contas do ano anterior e previsão orçamentária para nômica Federal do Ceará. o ano vindouro; Assembleia Geral Extraordinária, dia 3 de dezembro, para Airton Queiroz discursou para os presentes. Antes de serem empos- tratar da suplementação de verbas do orçamento do ano em curso. E o mes- sados os diretores cumpriram com a exigência legal de apresentar suas mo se repetiu em 1977, até meados de 1978, sempre no Edifício Jangada, declarações de bens à Secretaria do Sindicato. na Rua Major Facundo. O novo Presidente atuava intensamente na área metalmecânica, sen- Conforme o Guia Turístico e Informativo de Fortaleza para 1974/75, o do filho de um dos pioneiros da metalurgia no Ceará, o empresário Edson Ceará administrado pelo engenheiro e militar César Cals de Oliveira Filho Queiroz, fundador, entre outras empresas, da Tecnorte – Tecnomecânica ganhara “três anos de profícuas realizações”. As exportações haviam cres- Norte Ltda e da Esmaltec – Estamparia e Esmaltação Nordeste S/A. Em ope- cido mais de 40% somente em 1973, não apenas ancorada nos tradicionais rações desde 1963, ambas produziam botijões para GLP (o familiar gás produtos primários, mas sim “em artigos manufaturados”, para o qual o butano), os indispensáveis fogões Jangada (“o fogão de todo mundo”, se- setor industrial colaborava intensamente, gundo o slogan publicitário), e mais adiante os modelos Alvorada, Iracema,44 45
  • 1975-1978 Era ainda modesto o número de empresas locais, atuantes no seg- mento eletrometalmecânico, que anunciavam sua atuação nas páginas do referido Anuário: Grupo J.Macedo. Grupo Ângelo Figueiredo. Grupo Castro Alves. Metadil – Metalúrgica Diana Ltda. Indubras – Indústria Bra- sileira de Metais S/A. Inelsa – Indústrias Elétricas Elite S/A. Cemag – Ceará Máquinas Agrícolas S/A. Entre as indústrias que preencheram ficha de filiação ao Sindicato Fábrica Móveis de Aço Confiança, do Grupo Ângelo Figueiredo naquele período estavam Fortaleza Aços S/A, de Raimundo Machado de Araújo (20/8/75); CELENE – Cia. Eletrocerâmica do Nordeste, de Adalberto Benevides Magalhães (20/8/75); ESMEL – Indústria de Estruturas Mecânicas obedecendo os perfis, visando a utilização da matéria prima local e mão de obra intensiva, com aumento na oferta de empregos, Ltda, de Eudes Macedo Queiroz Lima (9/9/75); Frota Mello S/A – Indústria e tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas. Comércio, de José Firmo Frota Mello (28/1/76); FAE – Ferragens e Aparelhos Elétricos S/A, de Acácio Araújo de Vasconcelos (29/4/77); CEMEC Constru- A população de Fortaleza alcançava o primeiro milhão, ostentando o ções Eletromecânicas S/A, de José Dias de Macedo (22/12/78). título de sexta maior metrópole brasileira. Os setores de agropecuária e serviços encabeçavam a composição do PIB, com a indústria – mais for- Transformadores produzidos na CEMEC temente a agroindústria – assumindo o terceiro lugar, o que não impedia o surgimento de grandes projetos na área metalmecânica, para a qual o Anuário do Ceará 1979/1980, editado por Dorian Sampaio, informava as metas buscadas: O Pólo Metalmecânico trará: A) implantação de uma unidade produtiva de chapas e bobinas finas a frio e folhas de embalagem; B) implantação de uma unidade de laminação de aços planos; C) o estabelecimento de condições de implantação de uma série de outras empresas no setor; D) criação de 3.743 empregos diretos, 1.310 dos quais na unidade de laminação. Os investimentos destinados a esse programa estão or- çados em Cr$ 8,7 bilhões.46 47
  • 1975-1978 Aumentava o número de associados. Por outro lado, aumentava tam- cearenses consumidoras dos produtos de fabricação da CSN”, como docu- bém a inflação, e os salários inalterados funcionavam como ingredientes mentou o jornal O Povo (10/6/78), e não poupou elogios. explosivos para a insatisfação dos trabalhadores, em especial dos metalúr- Seu intuito era conhecer as necessidades do setor siderúrgico cea- gicos do chamado ABCD de São Paulo, que em 1978 deflagrariam o maior rense. E confessou-se “impressionado com o progresso das indústrias vi- ciclo grevista que o Brasil vivenciara até então. sitadas,” entre as quais a Esmaltec. Destacou “o sentido da evolução da Em março de 1978 o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecâ- economia do Ceará, que ocupa posição de relevo no contexto nacional”, nicas e de Material Elétrico do Ceará se mobilizava para novo processo gerida por empresários “altamente dedicados ao seu papel na economia eleitoral, o terceiro da história da entidade. Como viria a ser de praxe, e na sociedade”, e concluiu afirmando caber ao Ceará “um papel impor- era apresentada chapa única, que seria eleita por unanimidade e sem tante a cumprir no desenvolvimento do Nordeste”. conflitos. No dia 22 daquele mês a Tribuna do Ceará comunicava o re- As palavras elogiosas não impediram Catanhede de ouvir o questio- gistro da chapa concorrente à eleição, confirmando nota publicada no namento do associado Sebastião Arruda Gomes, presidente da Norfrio, mês anterior, no mesmo jornal. falando em nome de muitos, quanto às dificuldades para aquisição de Compunham o quadro, como efetivos da Diretoria, Álvaro de Castro chapas galvanizadas. Era este um real impedimento ao avanço de grande Correia Neto, Fernando Cirino Gurgel e Raimundo Régis de Alencar parte do setor, e não só no Ceará. Pinto. Seus suplentes eram Augusto Castelo da Cunha, Ivan de Castro A preocupação elencava-se entre os propósitos justificativos da cria- Alves e Adalberto Benevides Magalhães Filho. O Conselho Fiscal seria ção da ASIMEC – Associação das Indústrias Mecânicas, Metalúrgicas e de composto por Amândio Bezerra Rolim, José Djacir Guedes de Figueire- Material Elétrico do Norte e Nordeste, entidade de caráter reivindicativo do e Edson Queiroz Filho, tendo como suplentes Sebastião de Arruda criada em novembro de 1977, visando congregar as lideranças metalmecâ- Gomes, Nelson Prado e Pedro Jorge Clemente Soares. nicas nos estados da Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande Airton Queiroz permaneceu na do Norte, interessando-se principalmente em regularizar o abastecimento presidência até julho. Juntamente com Como de praxe, de matérias-primas essenciais à atividade. José Flávio Costa Lima, presidente da FIEC, estava à frente da recepção ofe- era apresentada Com o Brasil sob a presidência do nordestino José Sarney, e o Ceará go- vernado por Adauto Bezerra, a ASIMEC, tendo como presidente o cearense recida a Plínio Catanhede, presiden- te da CSN – Companhia Siderúrgica chapa única, que Adalberto Magalhães Filho, conduzia a discussão sobre o início de estudos técnicos que viabilizassem o Polo Metal-Mecânico do Nordeste, propondo Nacional em junho de 1978. Ao final da reunião com os representantes das seria eleita por também uma Portaria capaz de facilitar a participação de indústrias regionais metalúrgicas locais, Catanhede afir- unanimidade e em concorrências públicas ou administrativas, preferenciando os produtos nordestinos, o que ainda provocaria um sem fim de debates e discussões. mou que ficara “com uma impressão altamente animadora das empresas sem conflitos. O processo de renovação de Diretoria do Sindicato teve início no dia 9 de junho de 1978. A secretária Irenice Gurgel Freire assumiu a presidência48 49
  • 1975-1978 da instalação da Mesa Coletora Eleitoral, obedecendo a Portaria n° 92/78, de 24 de maio de 1978, da Delegacia Regional do Trabalho no Ceará, e deu início aos trabalhos. Junto com as companheiras de Mesa, Raimunda Maria de Carvalho e Zulene Bezerra de Figueiredo, verificou que o material necessário para a eleição estava “em perfeita ordem”. Às 13h os associados começaram a depositar seus votos na urna, a favor da única chapa registrada, encerrando-se o processo às 19h, quando 17 dos 20 as- sociados aptos a votar cumpriram seu dever classista. A apuração se deu na meia hora seguinte. Até às 19h30 o Presidente e o suplente da Mesa Apuradora, César da Silveira Antunes, Chefe do Departamento Sindical da FIEC, e Juvenal Lopes Ribeiro, designados pelas Portarias 200/78 e 201/78 da Procuradoria Regional do Trabalho, retiraram as cédulas da urna confirmando a Diretoria eleita. Efetivos eram Álvaro de Castro Correia Neto, Fernando Cirino Gurgel e Raimundo Régis de Alencar Pinto, com os suplentes Augusto Castelo da Cunha, Ivan de Castro Alves e Adalberto Magalhães Filho. Efetivos no Con- Visita dos participantes da 11ª Semana Regional de Prevenção de Acidentes às instalações da Tecnomecânica Esmaltec selho Fiscal: Amândio Bezerra Rolim, José Djanir Guedes de Figueiredo e Edson Queiroz Filho, tendo Sebastião de Arruda Gomes, Nélson Prado e respeitar, no exercício do mandato, a Constituição Federal, as leis Pedro Jorge Clemente na suplência. Como Delegados representantes junto vigentes e os Estatutos da Entidade, nos termos do parágrafo 5° do à FIEC, efetivos, foram escolhidos o Presidente que saía, Airton Queiroz, art. 532 da CLT, combinado com o art. 74 da Portaria 3.447, de e Adalberto Magalhães Filho, e os suplentes Victor José Macedo Queiroz 20/12/74. Lima e José Sérgio Cunha Figueiredo. Airton Vidal Queiroz prestou contas de sua atuação à frente da en- Pelo avançado da hora da sexta-feira, a reunião para distribuição tidade. Álvaro Correia também se manifestou. Todos os novos Diretores dos cargos aconteceu somente na segunda-feira seguinte, definindo-se apresentaram suas declarações de bens, atendendo ao disposto na Portaria presidente Álvaro de Castro Correia Neto, secretário Fernando Cirino e Ministerial n°3.161, de 20 de maio de 1971. Começava outro mandato, tesoureiro Raimundo Régis Pinto. que iria entrar na movimentada década de 1980. No aprazado dia 14 de julho deu-se a cerimônia de posse dessa ter- ceira Diretoria. Na ata foram preservados o registro dos componentes da mesa, César da Silveira Antunes, Airton Queiroz e o novo titular, e os com- Notas: promissos por eles solenemente assumidos de 1 - Edson Queiroz: um homem e seu tempo. SP, CL-A Comunicações, 1986 2 - DN 18/12/8650 51
  • 1978-1981 Álvaro de Castro Correia Neto52 53
  • Álvaro de Castro Correia Neto 1978-1981 Airton Queiroz deu lugar a Álvaro de Castro Correia Neto em julho de 1978, consolidando um modelo de titularidade renovável, sem repetições personalizadas, possibilitando a cada três anos a criação de novas lideran- ças e um constante revigoramento no espírito associativo. Álvaro foi o primeiro executivo, não proprietário de indústria, a assu- mir a presidência do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará, cargo que ocuparia de 1978 a 1981, eleito por 17 dos 20 associados aptos a votar. Engenheiro-mecânico e administrador de empresas, era diretor industrial da empresa Mecesa – Me- talgráfica Cearense S/A, de Fernando Nogueira Gurgel. De lá partiria para a IMEC – Indústria de Material Elétrico e Mecânico, trocando Fortaleza por Belém do Pará em 1983. Retornaria ao Ceará 15 anos mais tarde, não mais no setor metalúrgico, mas sim no de papel e embalagens. Como Diretor Financeiro da FIEC, Correia Neto mantém inalterada a admiração pelo Sindicato que presidiu: “O SIMEC tem se destacado no ce- nário econômico do Estado por sua competência e por sua postura proativa na defesa de interesses dos seus associados”, é o que declara no portal do Sindicato. “Na FIEC, é notável o seu empenho nas ações ligadas ao Progra- ma de Desenvolvimento Associativo – PDA, que culminou, recentemente, na elevação do número de associados. É reconhecido enquanto um Sindi- cato atuante, sério, ético e transparente”. Durante a administração de Álvaro Correia Neto, o Departamento de Documentação e Informação Industrial da FIEC deu início a um paciente trabalho de coleta de dados publicados na imprensa sobre o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Cea- rá, possibilitando ao curioso ou ao pesquisador uma visão mais ampla que as atas oferecem, e bem mais segura que a sempre traiçoeira memória humana. Assim é que se acompanha, a partir daquela época, o sonho dourado da implantação de uma usina siderúrgica em território cearense, tantas ve- zes prometido e outras tantas negado, ao ponto de levar um dos associados Alguns dos produtos da Mecesa54 55
  • 1978-1981 a responder, cheio de ironia, devolvendo a pergunta sobre as vantagens que Com tal propósito é que o governador seriam trazidas ao Estado com a chegada de uma usina como essa: “Qual Virgilio Távora, em seu segundo período das siderúrgicas? Já fui ao lançamento da pedra fundamental de tantas...” administrativo (março de 1979 a março de Editorial publicado no jornal Estado de Minas (7/3/1979) permite a 1982), muito iria contribuir para a quase compreensão do poder multiplicador da siderurgia. “É talvez o segmento concretização do sonho, como compro- industrial mais importante dentro do processo de desenvolvimento de vam as matérias jornalísticas da época. Virgílio Távora, governador do Ceará qualquer país”, dizia o redator. Segundo o jornal Diário do Nordes- de 1963 a 1966 e de 1979 a 1982 te (jan/80), o país apresentava “escas- A análise dos períodos de maior progresso econômico dos princi- sez e encarecimento do dinheiro”, num pais países do mundo demonstra, cristalinamente, que ele [o pro- momento em que a inflação ganhava fôlego para um salto gigantesco. gresso] foi impulsionado por um crescimento vertiginoso da indús- tria siderúrgica e do consumo do aço. O Governo dos militares previa para 1980 uma inflação acumulada de 45%. Chegou, de fato, a 110%, mais que o dobro do previsto, superan- Não sem razão se faziam tão constantes os esforços para atrair ao Ceará do em muito a inflação do ano anterior, que ficara em 77%. um equipamento desse porte. Se uma usina siderúrgica representava tudo isso no âmbito de países, o que não representaria no contexto de um Estado Queixas à parte, 1980 se mostrou um “ano de glória” para a fundi- como o Ceará, com seu desenvolvimento historicamente sujeito aos capri- ção do Brasil (Tribuna do Ceará, 13/2/89), com a produção de 1.798 chos e variações do clima, tendo como necessidade vital encontrar outros milhões de toneladas, recorde que só seria quebrado em 1986, na meios de subsistência, e como desafio comprovar o potencial de seu povo. esteira do Plano Cruzado. Foi também o ano em que se assinalou um “acontecimento histórico” (TC, 6/9/80): o Estado já fazia parte do “círculo fechado da comunidade siderúrgica brasileira” na produção de laminados planos, graças a dois convênios de cooperação técnica assinados a 5 de setembro entre a Siderbras – Siderurgia Brasileira S/A, empresa holding do setor siderúrgico brasileiro, e o governo estadual, tendo à frente o governador Virgilio Távora e seu secretário de Indús- tria e Comércio, Firmo de Castro. As assinaturas pavimentavam o caminho para que o Ceará viesse a se firmar como o terceiro polo industrial do Nordeste e o maior centro metalmecânico da área. A implantação da unidade de laminados planos se fazia “irreversível”, asseguravam os dirigentes políticos. A inauguração aconteceria no final de 1984. A produção prevista para o estágio inicial era de 200 mil toneladas, saltando para 25 milhões de toneladas no ano56 57
  • 1978-1981 seguinte, e 35 milhões em 1990. O bônus especial seria a desconcentra- O otimismo se devia, talvez, ao alinhamento de tantos cearenses em ção dos investimentos do eixo Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, pontos-chave de decisão, talvez à insistência de Virgilio, e sua proximidade trazendo-os para o Nordeste. com os dirigentes máximos nacionais, ou ainda às próprias características Havia projetos ainda para outra unidade, de não planos, cuja carta- do ser humano. Por outro lado, a realidade pressionava com indefinições -consulta havia sido aprovada junto à SUDENE, e que possivelmente seria básicas quanto à localização da unidade de laminados planos, a ser er- localizada no Distrito Industrial, sob responsabilidade do poderoso Grupo guida ou em Sítios Novos, próximo ao município de Caucaia, através de Gerdau. A estratégia era clara: laminados planos caberiam às empresas do uma operação joint-venture entre Governo do Estado e CSN, ou no Distrito sistema Siderbras; não planos – vergalhões, barras, arames, tubos, trilhos, Industrial de Maracanaú. perfis – ficariam a cargo da iniciativa privada. Como se pressentisse que não chegaria a ver a usina concluída, O ponto de vista técnico era favorável. O Ceará se posicionava como Virgilio Távora inquietava-se com a morosidade das negociações. A o maior consumidor de laminados planos na região Nordeste, e se locali- economia cearense era fortemente baseada no setor primário, insistia zava estrategicamente no ponto médio entre as regiões Norte e Nordeste, ele, e isso precisava mudar. “O setor industrial é ainda insignificante, o que sem dúvida facilitaria o atendimento a estados como Pará, Amazo- sobretudo ao se considerar o processo de urbanização que o Estado nas, Piauí e Maranhão. vem passando, tendo Fortaleza como quinta cidade do Brasil em termos populacionais”, declarava o Governador ao jornal O Povo (jan/81). A O ponto de vista político não ficava atrás. O Consider – Conselho de Me- industrialização era prioritária, “única alternativa para a transformação tais Não Ferrosos e de Siderurgia, órgão interministerial responsável pelo es- e modernização da economia do Ceará”, representando “a meta-síntese tabelecimento das políticas globais do setor, composto pelos ministros Delfim da política governamental para o setor”, numa lógica que seria retoma- Neto, do Planejamento, César Cals, das Minas e Energia, Camilo Penna, da In- da mais adiante, em fins do século XX, nas três administrações de Tasso dústria e Comércio, e Ernani Galvêas, da Fazenda – acenara promissoramente, Jereissati (1987-1991, 1995-2002). por meio do Secretário Executivo do Conselho, Aloísio Marins, confirmando de público a aloca- Havia outra boa notícia prometida para o Ceará naquele mês de O Ceará se ção de recursos no orçamento de 1981 para dar suporte ao desenvolvimento da Unidade. janeiro de 1981, no qual a ASIMEC – Associação das Indústrias Mecâni- cas, Metalúrgicas e de Material Elétrico do Norte e Nordeste, realizava reunião ordinária em Fortaleza: o Mucuripe teria seu porto industrial, posicionava como O Superintendente da SUDENE, Valfrido Sal- um porto externo, offshore, “destinado a atender movimentação de des- mito Filho, cearense de São Benedito, declarava carga, principalmente de laminados de aço adquiridos pelas indústrias o maior consumidor em entrevistas que metalúrgicas cearenses”, informava O Povo. Mais um passo para con- solidar o Pólo Metal-Mecânico do Ceará, “já em franco andamento,” de laminados a decisão de instalar usina siderúrgica de laminados planos representa momento marcante para a história prevendo até 1985 estarem concluídas não apenas uma, mas as duas do Nordeste, especialmente do Ceará, graças princi- unidades de produção já mencionadas (de aços planos, com a Sider- planos no Nordeste palmente à tenacidade do governador Virgilio Távora. bras, e de aços não planos, com o Grupo Gerdau).58 59
  • 1978-1981 O jornal apresentava croquis facilitando ao leitor visualizar como fi- A Gerdau tem tradição em trabalho com mini-steels. O Ceará está caria o Porto do Mucuripe após a realização das importantes obras, que em expansão no setor metalmecânico. Inexiste siderúrgica desse permitiriam “a atracação de navios de grande calado, como os transporta- tipo no Nordeste. O histórico comercial que tem o Estado com a região. E o argumento definitivo: a resposta imediata dada pelo dores de laminados de aço, vindos do Porto da Cosipa, em São Paulo”. Ou, governador Virgilio às proposições do Grupo. melhor ainda, “a exportação dos laminados de aço que seriam produzidos pelas duas futuras siderúrgicas cearenses”. Uma equação que tinha tudo para ser de fácil resultado. Em março, antes de deixar a presidência do Sindicato, Álvaro de Castro Conforme prometido, no dia 30 de março de 1981 aconteceu o Correia Neto ainda teve tempo para entusiasmar-se com o fato de que, a lançamento da pedra fundamental da COSICE – Companhia Siderúrgica partir de outubro de 1982, o Ceará entraria na “corrida do aço”. Na abali- Cearense, dando início à desejada “corrida do Ceará pelo aço”. Jorge zada palavra do governador Virgilio Távora, publicada no O Povo (27/3/81), Gerdau Johannpeter pronunciou-se no evento, afirmando ser “imperati- “estamos vivendo toda uma semana de eventos siderúrgicos, primeiro por- vo manter o crescimento do Nordeste a 50% acima do restante do país, que temos hoje, em Fortaleza, todo um staff da Siderbras, tratando da fu- para que possa ocorrer, nos próximos anos, o desejo do nivelamento do tura siderúrgica de laminação de aço. Segundo, porque dia 30 [de março] progresso brasileiro”. Seu Grupo estava presente no Nordeste pratica- teremos o lançamento da pedra fundamental da Siderúrgica Cearense, do mente do tempo em que havia sido fundado, em 1901, o que lhe dava Grupo Gerdau, no Distrito Industrial”. segurança para afirmar que a “redenção do Nordeste” poderia custar bem menos do que se pensava. Era atirada a primeira pedra. O Superintendente da SUDENE, Valfrito Salmito, enfatizou que nunca Os planos desciam aos detalhes. De início, a Siderúrgica Cearense iria antes o Ceará tivera “tantos projetos na pauta da SUDENE”. Seguindo o ocupar uma área de apenas 130 mil m² de um total de 50 hectares dispo- protocolo, o governador Virgilio Távora encerrou os pronunciamentos. níveis no Distrito Industrial, produzindo anualmente 58 milhões de tone- ladas, a partir de investimento procedente, em 22%, do BNDE, em 55,2% Desde o Plameg II recomendara a definição do polo metalmecânico do Finor, e o restante de recursos próprios do Grupo Gerdau, principal como a “meta-síntese da política de industrialização do Ceará”. Nesse produtor privado brasileiro de aço. seu terceiro ano de governo, imbuíra-se ainda mais da certeza de que não se poderia viver “sob o constante domínio das forças da Natureza”, e de A Siderúrgica ofereceria 400 empregos diretos. Dois mil empregos in- que no Ceará havia, sim, uma vocação natural para o desenvolvimento diretos. “Se estivesse operando hoje”, animava-se o redator do jornal O da metalurgia e da mecânica, “comprovada pelo elevado número de pe- Povo, “a Siderúrgica da Gerdau estaria descontando 20% de tributos sobre quenas empresas desses ramos, pela existência de grandes e modernas um faturamento bruto/ano de Cr$ 2 bilhões, cabendo ao Tesouro estadual indústrias de ponta”, e por se constituir, o Ceará, “no maior consumidor Cr$ 250 milhões só de ICM”. de laminados planos do Nordeste”. As razões pelas quais o Ceará havia sido o escolhido eram enumeradas A solenidade de lançamento da pedra inaugural era “prenúncio do iní- pelo jornalista: cio, em outubro de 1982, da produção de aço cearense e o ingresso oficial60 61
  • 1978-1981 do Estado na comunidade siderúrgica nacional”. A partir daí, concluía Vir- gilio, seria possível para o cearense vivenciar “o sonho de uma economia resistente às secas”. O tempo se encarregou de mostrar que ainda não seria dessa vez. Ape- sar disso, as declarações e sentimentos que perpassavam aquele período permitem confirmar todo o peso econômico que o setor metalmecânico representava, e representa, para o Nordeste e para o Ceará, e a responsabi- lidade depositada sobre os ombros dos associados do Sindicato das Indús- trias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado, que naquele ano de 1981 transferia sua presidência a um novo titular. Fernando Cirino Gurgel ia enfrentar dificuldades num panorama esta- dual, nacional e internacional de incessantes altos e baixos. Mas nada tão grave que desestimulasse sua vontade de contribuir para o Sindicato.62 63
  • 1981-1984 Fernando Cirino Gurgel64 65
  • Fernando Cirino Gurgel 1981-1984 As reuniões do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará continuavam a acontecer no quinto andar do Edifício Jangada. Em julho de 1981 Álvaro de Castro Correia Neto era substituído na presidência por Fernando Cirino Gurgel, eleito em chapa de consenso, assumindo a quarta Diretoria da entidade. O encerramento do prazo de registro de chapas se deu às 19h do sábado, 28 de fevereiro de 1981, estando o pleito marcado para 5 de junho, confor- me Edital resumido, publicado na Tribuna do Ceará, tendo como candidatos efetivos para a Diretoria: Fernando Cirino Gurgel, Adalberto Benevides Ma- galhães Filho e Sebastião de Arruda Gomes. Seus suplentes eram Augusto Castelo da Cunha, Roberto Macedo e Nélson Bernardes Prado. O Conselho Fiscal tinha como efetivos: Amândio Bezerra Rolim, Fernando José Lopes de Castro Alves e José Djanir de Figueiredo, com a suplência de Cícero Campos Alves, Austregésilo Medeiros Filho e José Frederico Thomé de Saboya. Os delegados representantes juntos à FIEC eram Airton Queiroz e Adalberto Ma- galhães, com os suplentes Fernando Cirino e Djanir Figueiredo. A chapa única foi lançada cumprindo as devidas formalidades, e a 5 de junho instalou-se a Mesa Coletora, presidida outra vez pela secretária Irenice Gurgel Freire, com as mesárias Heloisa Barros Leal Calado e Francisca Ivo- nete da Silva Almeida, obedecendo aos ditames da Portaria n° 45/81 emitida pela Delegacia Regional do Trabalho no Estado do Ceará, de 25/5/81. Às 19h a votação foi encerrada. Dos 30 associados aptos ao exercício do voto, 21 compareceram. Cumpria-se a exigência estatutária do quórum de 2/3 dos associados. A apuração das eleições se deu imediatamente. Rai- mundo Valdizar Oliveira Leite presidiu a Mesa Apuradora, designado pela Procuradoria Regional do Trabalho, conforme Portaria n° 195 de 25/5/81. Eram mesários Álvaro Correia Neto, Presidente, e Janice Telma Moreira Gurjão, estagiária da Procuradoria, designada secretária da apuração. A chapa registrada recebeu 19 votos. Dois votos se encontravam em branco. O resultado foi proclamado pelo Presidente da Mesa.66 67
  • 1981-1984 zadas as atas das Reuniões Ordinárias e Extraordinárias seguramente produzidas ao longo do triênio. O Presidente que assumia a 14 de julho de 1981 era também o diretor da indústria Metaneide, registrada com o número 24 no Livro de Registro de Associados do Sindicato, quando ainda pertencia ao maranguapense José de Paula Joca, fabricando autopeças. Em 7 de março de 1977 a Me- taneide foi adquirida por Fernando Cirino, recém-graduado em Economia, qualificado pela experiência de trabalhar desde os 18 anos na Fundição Cearense, pertencente à sua família. Tinha 24 anos ao adquirir a nova em- presa, e confirmava trazer no sangue a paixão pela indústria. É ele quem resume a própria história: “Passei seis anos na Fundição Cearense. Depois compramos a Metaneide, em 1977, um ano após ela ter entrado em operação. Lá então começamos a produzir tambores de freio e cubos de roda fundidos. Em 1996 firmamos o nome Durametal, a partir da Linha de produção da Durametal unidade que inauguramos no Distrito Industrial de Maracanaú, com uma concepção completamente nova”. (Interação-Boletim Informativo para for- necedores da Mercedes-Benz do Brasil, dez/2008) Na segunda-feira seguinte, dia 8 de junho, na sede da Rua Major Facun- Aos 29 anos, assumindo a presidência do Sindicato, sabia da respon- do, os cargos foram distribuídos cabendo a presidência ao jovem Fernando sabilidade que iria recair sobre seus ombros tendo o pai, Célio Gurgel, o Cirino Gurgel. Adalberto Benevides era o novo Secretário, e Sebastião de primeiro Presidente, como referência anterior de liderança associativa. Arruda Gomes assumia como Tesoureiro. José Flávio Costa Lima era o Pre- “Desde o início da minha vida na política classista me caracterizei sidente da FIEC e compareceu ao ato de posse da Diretoria do Sindicato, por tentar congregar as pessoas”, relembra Fernando. “Minha gestão ficou para um período que se estenderia até julho de 1984. conhecida pela aproximação com o Sindicato dos Trabalhadores estabe- O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material lecendo negociações saudáveis e produtivas para ambas as partes, tendo Elétrico no Estado do Ceará tinha a companhia de “uns 12 Sindicatos” parceria como palavra-chave”. Sobre aquela primeira incursão como líder no mesmo quinto andar do Edifício Jangada, um “espaço diminuto, uma sindical, Fernando reconhece ter sido “um exercício muito importante para salinha no andar dos Sindicatos”, rememora Fernando Cirino em 2010. minha experiência empresarial”. A secretária Irenice Gurgel atendia a “uns quatro ou cinco deles, inclu- Antes dos 30 anos preocupava-se em “consolidar a necessidade de pro- sive o nosso”. Talvez pelo acúmulo de entidades ocupando um mesmo curar soluções que fossem boas para todos. E hoje ainda continuo coerente espaço, talvez pela mudança posterior de endereço, não foram locali- com isso. Tenho nossos fornecedores aqui como parceiros, nossos colabo-68 69
  • 1981-1984 radores como parceiros, e nossos clientes também como parceiros. A políti- O crescimento repercutia em notícias positivas sobre a criação de pos- ca do ganha-ganha é abrangente em todas essas etapas. Isso traz vantagens tos de trabalho. Logo nos primeiros dias de julho de 1981 sabe-se que um expressivas para todos”. porta-voz do Consider telefonara para o governador Virgilio Távora comu- Fernando prossegue: “Construir uma relação entre empresários que nicando a aprovação do Projeto da Laminação a Frio de Fortaleza, empre- às vezes são até concorrentes é uma coisa que pode ser muito difícil. O endimento do Sistema Siderbras, que traria para o Ceará exatos 1.113 em- importante é exercitar esse convívio, e desse convívio tirar partido. Com pregos diretos, beneficiando mais de 10.500 cearenses. As previsões para relação aos trabalhadores, foi levado em consideração, no relacionamento o Projeto apontavam uma produção de 120 mil toneladas/ano de chapas com eles, o sentido de prepará-los, de qualificá-los, e é por isso que eu digo finas a frio, e 80 mil toneladas/ano de folhas de flandres. A execução teria que foi uma política construtiva. Foi um trabalho construtivo, onde não se início naquele ano, 1981, estendendo-se até 1985. A capacidade plena de estava apenas negociando salário. Estava-se negociando condição de traba- operações se daria no distante ano de 1988. lho, estava-se negociando qualificação profissional”. Movimentando o setor, a Tribuna do Ceará havia instituído a Meda- A negociação salarial “era apenas um item” de uma pauta repleta de lha do Mérito Ângelo Figueiredo, destinada a homenagear anualmente os desafios, entre os quais a atração de novos associados. O livro de registros empresários que contribuíssem para o desenvolvimento da indústria me- do Sindicato guardou os nomes das indústrias cuja filiação recebeu o Acei- talmecânica cearense. O primeiro a receber a honraria foi o empresário to oficial entre 1981 e 1984. Edson Queiroz, fundador da Esmaltec, “levando em consideração princi- palmente seu pioneirismo”, como justificava o jornal. Pioneiro também ti- A Siderúrgica Cearense, de Jorge Gerdau Johannpeter, foi a primeira a nha sido Ângelo Figueiredo, fundador do Grupo formado pelas empresas ser aprovada, uma semana depois da posse de Fernando Cirino. Tinha ape- ANFISA, CIBRESME e Movaço, personalidade que já nas 5 funcionários no Ceará. Seguiu-se a COINBRA – Comercial e Insta- se encontrava incorporada à história econômica do ladora Brasil Ltda, dos irmãos Gomes Viana (2/2/82), com 50 empregados. Ceará no setor metalmecânico, apesar de seu faleci- A questão do preço A Alubrás – Artefatos de Aço e Alumínio do Brasil S/A, de José Amilcar mento precoce, a 4 de abril de 1963. Mendes de Araújo, com 133 funcionários, registrou-se a 30 de agosto de 1982, tendo como Gerente Industrial o argentino Mario Bravo, a quem o A questão do preço CIF uniforme foi uma das CIF uniforme foi primeiras a se impor durante a administração de futuro reservava, uma década adiante, a presidência do Sindicato. Na mes- ma data foi aceita a ELMETA - Indústria Eletro Metalúrgica Ltda, de João Fernando Cirino. Uma breve explicação se faz ne- uma das primeiras cessária para contextualizar essa benesse, sobre a Paulo Simões Accioly de Carvalho, com seus 18 funcionários. Em fevereiro de 1983 foi a vez de entrar a Condugel S/A do Ceará, qual pairava a sombra da extinção e uma grande a se impor durante perda para o Nordeste. tendo Pedro Iacono como Diretor Presidente e 40 operários. Com ela o Sindicato alcançou o marco de 50 associados. A Tyrol Indústria Comércio CIF é a forma abreviada da expressão Cost, Insu- a administração de rance and Freight – custo, seguro e frete. Utiliza-se nos e Serviços Ltda associou-se a 6 de dezembro de 1983. Contava com 27 funcionários e tinha à frente Wilson Maia de Aragão. casos em que a responsabilidade pelas despesas com Fernando Cirino.70 71
  • 1981-1984 a remessa de mercadorias cabe ao fornecedor. Para o Ceará, assim como para os demais Estados que se encontravam distantes dos grandes centros produtores, o preço CIF uniforme, criado em 1976, era o que garantia, sem exageros, “a sobrevivência do setor metalmecânico” (TC, 10/9/81), permitindo preços competitivos. Sem o diferencial, mais flagrante se faria o desequilíbrio daquelas regiões com os preços oferecidos na vizinhança dos Estados de onde partia a matéria-prima. Em 1982, a ASIMEC - Associação das Indústrias Mecânicas, Metalúr- gicas e de Material Elétrico do Norte e Nordeste divulgou balanço de suas atividades “em atenção à melhoria de imagem do produto Nordeste,” apre- sentou sua “decisiva atuação em prol da implantação, no Ceará, da usina de laminados, por cujo funcionamento prosseguia lutando”, e mostrou ha- ver obtido “resultado positivo na luta pela manutenção do CIF uniforme para chapas de aço” (TC, 11/9/82). lha. Em 1979 o país havia sido surpreendido pelo acirramento da recessão O momento ainda não se fazia propício a mudanças que eventualmen- internacional, pela maxidesvalorização do cruzeiro, pelo desaquecimento te pudessem desestabilizar o delicado equilíbrio regional, especialmente da demanda por produtos siderúrgicos, rescaldo ainda da alta do petró- no período que vinha desde 1974, definido pelo jornal Folha de São Pau- leo pós-1973, e tinha sido colhido em cheio pela Crise, com C maiúscu- lo (14/8/83) como “a maior crise da siderurgia mundial desde a Grande lo, assumindo todos os prejuízos daí decorrentes. Não era à toa que em Depressão”. A análise jornalística era ilustrada por uma narrativa peculiar 1983 a Siderbras acumulava dívida externa superior a U$ 7,7 bilhões (GM da percepção oriental de mundo, protagonizada por Eishiro Sato, um dos 17/8/83), prenunciando o quadro de dificuldade que viria pela frente. mais destacados siderurgistas japoneses, que informava sobre uma curiosa A presidência do Sindicato foi o primeiro passo de Fernando Cirino alteração no ideograma utilizado para representar a palavra ferro. Os ideo- Gurgel para uma longa carreira em cargos chave da liderança empresa- gramas não representam apenas um som. Possuem um significado. E, nesse rial cearense. Como reconhece hoje, “o Sindicato foi a base de tudo”. novo contexto do início da década de 1980, Compõem sua biografia a presidência do CIC – Centro Industrial do Ceará, de 1987 a 1989; a vice-presidência da FIEC, de 1989 a 1992, de a forma original do ideograma tetsu para a palavra ferro, que sig- nificava “o rei dos metais”, após a simplificação dos caracteres, onde alçaria à presidência, entre 1992 e setembro de 1999. De 1995 a nova forma adotada para o mesmo ideograma fez com que ele a 2002 ocupou cargo nacional, como Diretor 1° Tesoureiro da CNI – passasse a significar “perder dinheiro”. Confederação Nacional da Indústria, exercendo de 2002 a 2006 a Vice- -Presidência da Confederação, além de membro do Conselho da CNI e No início da década anterior o Brasil havia “embarcado no mais am- outros cargos e homenagens de igual relevo, incluindo a Medalha do bicioso programa de expansão siderúrgica de sua história”, analisava a Fo- Mérito Industrial, recebida a 4 de junho de 2009.72 73
  • 1981-1984 No exercício da presidência do CIC esteve entre os que se empenha- ram em concluir a construção da Casa da Indústria cearense, um sonho dos empresários locais, financiada em grande parte pela Confederação Nacional da Indús- tria, sob presidência do industrial senador Albano Franco, graças à compreensão de sua necessidade e importância; a determinação do Dr José Flávio Costa Lima, Presidente da FIEC, e de seu sucessor Dr Luis Esteves Neto, que não esmoreceram diante dos obstáculos quase intransponíveis postos, sobretudo, pela inflação.1 A construção do enorme prédio era encarada como “uma missão”, nas palavras do sócio Dário Pereira Aragão, proprietário da Daferro S.A, para quem Fernando Cirino continua sendo “um dos nomes mais importantes, e de maior prestígio nacional” do Sindicato eletrometalmecânico. Conclu- ída a obra, o crescimento industrial cearense exigiu a construção de outro prédio, o Anexo II da Casa da Indústria, ocupando área de 2.332m², que em reconhecimento “à competência e administração realizada por quem fez da parceria a palavra chave da sua administração,”2 ganharia o nome é também Vice-Presidente; Presidente da Comissão Nacional de Fruticultu- de Fernando Cirino Gurgel. ra, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; Presidente da Câmara Setorial de Fruticultura do MAPA - Ministério da Agricultura, Pe- A ideia da permanente renovação dos titulares da presidência do Sin- cuária e Abastecimento, além de Membro do Conselho da EMAZP-Empresa dicato mostrava seus frutos. “O Sindicato foi sempre dirigido por pessoas Administrativa da ZPE, como representante da FIEC. comprometidas com a causa coletiva, e não com o interesse individual”, reflete Fernando Cirino, constatando de forma incisiva: “Presidente perso- Em texto escrito por ele, avalia a política de renovação constatando, nalista lá nunca vingou”. Nisso tinha Fernando a inteira concordância de como fato muito importante na vida do Sindicato, “a adoção da prática muitos diretores e associados, entre os quais o paulista Carlos Prado. de mandato único para a Presidência. Com isso, vários líderes foram revelados. Entre os ex-presidentes, três foram presidentes do CIC, e dois A vivência de Carlos Prado, associado ao Sindicato desde 1975, várias foram presidentes da FIEC, sem contar outros cargos como diretores da vezes cogitado pelos colegas para ocupar a presidência, a qual várias vezes FIEC ou vice-presidência da CNI, decorrentes da formação natural des- recusou, é rica o suficiente para acumular, desde 1973, a presidência da sas novas lideranças. Esse modelo foi quebrado apenas em uma gestão, Cemag S/A, fábrica de máquinas e implementos agrícolas; a presidência da em que houve reeleição”. Itaueira Agropecuária S/A, produtora de frutas e fabricante de sucos de fru- tas, existente desde 1982; o cargo de 2° Delegado do SIMEC na FIEC, onde No mesmo texto apresenta uma avaliação lúcida dos momentos do passa- do, projetando os desafios dos anos 1980 para os dias de hoje, quando novas74 75
  • 1981-1984 acima dos 9,3% da produção que exporta hoje, saída dos fornos e má- quinas da Durametal – continuação da Metaneide, e esta, por sua vez, a continuidade natural da Fundição Cearense, vinda dos idos de 1855. Dele partiu o empenho de fortalecer junto aos empresários a consciência de que “o Ceará era, e é, muito pequeno. Nós tínhamos que ter empresas que olhassem para fora. Que produzissem aqui, mas olhando o mercado lá fora. Porque a empresa que se limitasse ao mercado local estava condena- da a ser pequena a vida toda”. Na voz de Fernando Cirino, ou no texto de Carlos Prado, era o conceito da globalização chegando ao Sindicato cearense, ainda no início dos anos 1980, com um adiantamento considerável. Mas enquanto as portas do mercado externo não se abriam para todos recorria-se ao atendimento das necessidades internas, certas e constantes, como ficou patente em agosto de 1983 quando os industriais nordestinos Tonico Aragão (Tyrol); Adalberto Benevides (Cellene); Danilo Pereira (Secretário da Indústria e Comércio-CE); Luís Esteves (Pres. FIEC); Fernando Cirino (Metaneide). do setor metalmecânico reuniram-se, em Fortaleza, para elaborar um Me- morial destinado Ministro do Interior, o gaúcho Mário Andreazza, solici- tando que os utensílios de trabalho do programa Bolsões da Seca, ação do metas passam a ser trabalhadas no Sindicato, sendo uma delas “a introdução Governo Federal para minimizar os efeitos de uma estiagem que se arrasta- de pequenos e médios empresários do setor no mundo global.” E prossegue: va desde 1979, fossem adquiridos de indústrias sediadas no Nordeste. “O SIMEC já iniciou os primeiros movimentos nesse sentido. É preciso que “O Nordeste precisa gerar empregos”, enfatizava a matéria veiculada nossos empresários adquiram a cultura do comércio exterior, como fato corri- no O Povo (19/8/83), mês no qual o cruzeiro sofreu quatro reajustes, com queiro. A visita a feiras, buscando tecnologia e venda de produtos, é meta a ser o dólar subindo a estratosféricos Cr$ 680,00,13 e as dívidas institucionais buscada. Para isso, o Sindicato tem condições financeiras e gerenciais”. alcançando a casa do trilhão – impensáveis 12 zeros depois do número. Um ponto essencial é destacado por ele, em pleno consenso com o Em meio a tal cenário o jornal traduzia a conclusão dos industriais. “O pensamento de Fernando Cirino: “Os empresários têm que se habituar ao Nordeste precisa gerar impostos e recursos, a partir da aquisição destes im- fato de que o mercado de nosso setor, para compra de matérias primas, plementos, que somam, em média, Cr$ 1 bilhão mensal”. Eram carrinhos insumos e tecnologia, e para a venda de nossos produtos, é o mundo todo. de mão, pás, enxadas, facões, goivas, equipamentos de trabalho que o Ce- Não mais nossa micro-região ou nosso País”. ará e outros Estados nordestinos poderiam oferecer, partindo das vantagens Completando quatro décadas de atividade no setor metalmecânicano, de um frete mais barato, que proporcionaria produtos com custo final evi- Fernando Cirino incorpora a autoridade de quem está pronto para exportar dentemente menor.76 77
  • 1981-1984 Antes como agora, a união dos empresários fazia a força do setor, e o Delegados representantes junto à FIEC; e Acácio Araújo de Vasconcelos e Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Aloísio Dutra, suplentes. Estado do Ceará faz questão de apertar esses laços. “É preciso trabalhar A 5 de junho de 1984, Irenice Gurgel voltou a presidir a Mesa Co- de forma construtiva, com racionalidade, elegendo itens que são conver- letora eleitoral, tendo como mesárias Maria Suely do Carmo Mendes e gentes”, afirma Fernando hoje. “Se a matéria-prima está cara no Brasil, os Sandra Sampaio Gomes Albuquerque, seguindo as instruções da Portaria empresários procuram se juntar e importar matéria-prima desonerada de n° 36/84 de 29 de maio de 1984 da Delegacia Regional do Trabalho. Às tributo. Se a questão é de ordem trabalhista salarial, vamos trabalhar juntos 13h chegaram os primeiros eleitores à sede do Sindicato, na Rua Major para tentar superar o problema”. Facundo. Dos 33 associados em condições de votar, 30 compareceram A aproximação de novo período eleitoral, em meados de 1984, mo- até 19h, horário de encerramento, oferecendo o quorum necessário. bilizou a formação da chapa única. Fernando Cirino não era mais can- A apuração das eleições foi conduzida por César da Silveira Antunes, didato. “O Sindicato é uma entidade que, desde o princípio, procurou designado pela Portaria n° 145, de 9 de maio de 1984, da Procuradoria não deixar ninguém se perpetuar no cargo”, repete ele, acrescentando: Regional do Trabalho, para presidente da Mesa Apuradora, que anunciou “Desde a criação somos um referencial dentro da FIEC. Não é o Sindicato a chapa vencedora. A distribuição dos cargos se deu no dia seguinte, mais antigo, mas conseguiu se tornar uma referência”. mantendo a mesma sequência do registro, ou seja, Antonio Carlos como As inscrições para o registro de chapas foram encerradas às 19h do dia Presidente, Adalberto Magalhães como Secretário, e Hélder Coelho Tei- 20 de março de 1984, o ano das “Diretas Já”, movimento que exigia nas xeira no cargo de Tesoureiro. ruas a volta da democracia e das eleições diretas, em âmbito nacional. Fer- A quinta Diretoria tomou posse no dia 14 de julho de 1984, às 19h. nando Cirino ainda presidiu mais uma reunião, no dia 25 de junho, apre- Antonio Carlos Maia Aragão ia ter pela frente novas circunstâncias trazidas sentando o Balanço e o Relatório de Atividades do ano anterior, já ciente pelas mudanças de moeda, e conflitos de toda ordem. da chapa que iria substituí-lo. A chapa única era formada por Antonio Carlos Maia Aragão, Adalberto Magalhães Filho e Hélder Coelho Teixeira, como Diretores efetivos; Augus- Notas: to Castelo da Cunha, Roberto Proença de Macedo e Sebastião de Arruda 1 - Geraldo Nobre, O processo histórico de industrialização do Ceará. Gomes, suplentes; José Sérgio Cunha Figueiredo, Nélson Bernardes Pra- Fortaleza, SENAI/DR-CE, 1989 do e Fernando José Lopes de Castro Alves, membros efetivos do Conselho 2 - Relatório FIEC 1992-1995, Coordenação Eduardo de Castro Bezerra Neto Fiscal; Airton Queiroz, Cícero Campos Alves e José Frederico Thomé de 3 - Almanaque Abril, 1984 Sabóia, suplentes; Antonio Carlos Maia Aragão e Fernando Cirino Gurgel,78 79
  • 1984-1987 Antonio Carlos Maia Aragão80 81
  • Antonio Carlos Maia Aragão 1984-1987 Antonio Carlos Maia Aragão não era um nome muito conhecido. To- nico Aragão era bem mais. E é dessa maneira informal que continua a ser tratado por amigos, colegas, e até mesmo por estranhos. Como quase todos seus antecessores no cargo, vinha ele de uma família ligada à área metal- mecânica. O pai era um dos sócios da empresa J. Torquato & Cia, na época “a maior empresa de ferro e aço do Brasil, com matriz no Rio de Janeiro e filiais em todos estados brasileiros”, como bem recorda. “Quando comecei, em 1966,” escreve ele de Sobral, onde hoje reside, “era contínuo de meu pai, atendendo recados, servindo cafezinho, indo a bancos fazer pagamentos, indo posteriormente para vendas, com estágio de três meses em cada filial de Fortaleza: Casa Villar, Casa A. Porto, Casa Elizeu, todas no Centro da cidade”. As mercadorias de maior porte eram recebidas no armazém geral da empresa, na ainda Rua Monsenhor Tabosa, onde se encontra hoje a sede do SEBRAE/CE. Em 1970 Tonico solicitou à diretoria da J. Torquato que aproveitasse melhor o generoso espaço disponível na Monsenhor Tabosa. Embora com relutância, pela desconfiança natural de se afastar do coração comercial de Fortaleza, a proposta foi implementada apresentando, de imediato, resul- tados altamente positivos. Em menos de dois anos a intensificação do mo- vimento dos negócios dispensou a manutenção das filiais no Centro, onde permaneceu apenas a loja grande, na Rua Major Facundo, 321, e os olhos dos empresários e da própria cidade passaram a se voltar para aquele novo território entre os bairros do Centro e da Aldeota. No armazém havia “umas máquinas de fazer prego”, conta Tonico. “Foi quando constituímos a INASA – Indústria Nordestina de Aço S/A. Pos- teriormente, compramos um terreno na Av. Francisco Sá, 7785, na Barra do Ceará, um novo projeto via SUDENE. Aí começou minha vida na área da metalurgia”, resume ele. A INASA foi vendida em agosto de 1988. Tonico continuou diretor até 1990, quando deixou o setor metalmecânico. Até 1996 continuou na Diretoria do Sindicato e a frequentar o Sistema FIEC. E82 83
  • 1984-1987 depois foi ser fazendeiro em Sobral, um plano que muito certamente não estava em sua pauta, em meio ao calor dos acontecimentos vivenciados entre 1984 e 1987. Em 1985 o Brasil tinha novo presidente: o mineiro Tancredo Neves, eleito ainda pela forma indireta, apesar de toda a mobilização popular em favor das eleições diretas, e que não chegaria a governar um único dia, falecendo logo após assumir. O Governo passou às mãos de seu vice, o ma- ranhense José Sarney, há longa data na política, e que deixaria sua marca, entre outras até hoje lembradas, autorizando mais uma mudança da moeda na tentativa de conter a espiral inflacionária.1 O Brasil se via às voltas com os resultados de uma inflação galopante. De 1980 a 1982 vinha beirando os 100% ao ano, chegara em 1983 a mais de 200%, e nesse passo acelerado prosseguiria até a implantação do Plano Cruza- do, no dia 28 de fevereiro de 1986,2 que não alcançaria o resultado esperado. Laminados de aço O descontrole das contas conduzia a um rumo previsível. No final de 1985 as rodadas de negócios entre operários e patrões giravam velozes no país. No Ceará, segundo notícia veiculada no O Povo (29/10/85), o sétimo No Sindicato, o Presidente e seus Diretores discutiam fatos corren- andar do edifício que sediava a FIEC recebia os envolvidos em busca de tes, como o controle dos preços nos produtos de aço afetando o balan- acordos que satisfizessem ambas as partes. Uma das últimas reuniões do ço da CSN, que apresentava trilhões de cruzeiros em prejuízos (GM 19 a Sindicato metalmecânico naquele ano tinha Adalberto Magalhães Benevi- 22/4/86). Preocupavam-se com o acidente ocorrido no forno número 3 da des como Presidente em exercício. “Não se falou em greve”, informava o CSN, agravando ainda mais a delicada situação econômica da Siderbras jornal. “E o nível de entendimento está elevado”. que, a essa altura, cortados três zeros do cruzeiro na mudança para o cru- Tonico registra: “Eu tinha uma Diretoria ilibada demais. Hélder Coelho, Car- zado, “para cada Cz$ 9,00 de capital próprio possuía Cz$ 91,00 em dívi- los Prado, Fernando Cirino, Adalberto Benevides...”. Com a participação dessa das” (FSP 4/6/86). E aguardavam dias melhores, que certamente viriam. Diretoria as indústrias se faziam presentes a feiras e eventos ligados ao setor Manchete do jornal Diário do Nordeste, em junho de 1986, dizia ter metalmecânico, no Brasil e no exterior (“sempre de grande valia e de efeito mul- sido designada “nova comissão de alto nível ao projeto da laminação” para tiplicador para a economia do Ceará e do Nordeste”), tomavam conhecimento reavaliar a Unidade de Laminação de Aço de Fortaleza, aprovada pela Re- da intensa demanda nacional pelo aço, do crescimento do consumo do aço no solução 135/81 do Consider, constando na referida comissão o nome de mercado interno (9% a mais em 1985), e da indefinição do Governo Federal en- Adalberto Magalhães, Secretário do Sindicato. O prazo para conclusão dos tre atender às necessidades do Brasil, ou priorizar as exportações (GM 3/3/86). estudos era de 120 dias.84 85
  • 1984-1987 O treinamento Era essa uma das boas expectativas permitidas pelo ad- vento do cruzado. Em agosto de 1986 a indústria metalúr- participava com meros 8% do consumo nacional de aço. No Ceará, as indústrias consumiam 70 mil toneladas/ano, podendo saltar para 80 mil – gica cearense já registrava maior desempenho, tornando caso os entendimentos com os poderosos decisores nacionais corressem de mão de obra possível um crescimento de 30% na oferta de emprego. bem. Tonico viajava com destino a reuniões em Brasília, junto a represen- Tonico se animava. “O desenvolvimento é tão bom que há tantes nordestinos, para falar sobre a falta de matéria-prima e, principal- era uma das até carência de mão de obra especializada”, afirmava em mente, para solicitar a prometida reavaliação do projeto de implantação entrevista ao Diário do Nordeste (8/8/86). O treinamento da laminação de aços planos a frio. metas principais de mão de obra, dizia ele, era uma das metas principais Às preocupações de Tonico se somava a questão ainda não resolvida do Sindicato, que estabelecera parceria com o SESI para do frete CIF uniforme. Em 2011 o ex-Presidente analisa o tema: “Essa era do Sindicato instalar cursos de especialização e extensão direcionados à formação de pessoal. uma condição que as empresas do Nordeste tinham, de receber aqui, em suas fábricas, a matéria-prima pelo mesmo preço do Sul do país. Era uma O Sindicato liderado por Tonico Aragão era constituído por 50 empre- maneira de termos competitividade para vender nossos produtos, já que os sas, que contavam com 10 a 2.500 funcionários. Em todas elas o nível de maiores compradores eram do Centro-Sul”. emprego subia, e a demanda acompanhava o ritmo. Eram 33 as empresas Mas quanto a isto o futuro parecia pouco promissor. “Metalurgia altera de médio porte na área metalmecânica, oferecendo 18 mil empregos di- CIF e aumenta matéria-prima”, resumia o título de notícia do Diário do retos. Todas trabalhavam com “100% da capacidade”, comemorava Toni- Nordeste (20/8/86). De acordo com a reportagem, a indústria metalúrgica co, “como estavam em 1979 e 1980, antes da recessão econômica” (DN nordestina se encontrava entre duas opções: ou abdicava do frete CIF ou 8/8/86), motivadas pela nova moeda em circulação, responsável pelo de- procurava uma maneira de alterá-lo: “Ou aumento no custo da matéria- saparecimentos dos produtos das prateleiras. -prima ou é se conformar com as quantidades mensais de chapas e lâminas Ao mesmo tempo, o acidente com o forno da usina de Volta Redon- de aço que vem recebendo”. Isso porque a demanda metalúrgica regional da agia como elemento preocupante, pelo prejuízo que causaria ao for- aumentara muito depois do Plano Cruzado (“300% de aumento no Ceará”, necimento de matéria-prima. “Estamos com problemas para conseguir informava Tonico ao DN, a 30 de outubro), sem crescimento proporcional aços planos. Quem não tiver esse tipo de matéria-prima estocada vai ter na produção siderúrgica nacional. problema”, advertia o titular do Sindicato metalmecânico. De fato. Em O setor metalúrgico cearense, em particular, até o mês de julho daque- julho a produção de aço bruto caía 10% no Brasil, em consequência da le ano operava “com mais ou menos 4 mil toneladas/mês de aço” (DN, desativação do forno. E as greves dos metalúrgicos atingiam 15 empre- 20/8/86). Em agosto a demanda se elevara para cerca de 10 mil toneladas/ sas na Grande São Paulo. mês, “sem poder ser atendida pelas fornecedoras nacionais”. O Povo alertava: “Indústrias cearenses podem parar trabalho” O cenário levava justamente à questão de extinção ou elevação do CIF (18/8/86). A falta do aço retrairia a expansão do setor, que havia criado uniforme, “mantido há vários anos, por dispositivo de lei”, como esclarecia uma perspectiva de 20% de crescimento em relação a 1985. O Nordeste a reportagem jornalística, “e que consiste em cobrança pela indústria side-86 87
  • 1984-1987 rúrgica de 3,56% das vendas, para formar um fundo que financia o preço Tribuna do Ceará e O Povo amplificaram a notícia no dia seguinte. No uniforme do aço para qualquer parte do país”. Ceará, Estado que contribuía com 5% do consumo no mercado nacional A indústria metalúrgica local reuniu-se para definir suas cotas de aço. de laminados produzidos (TC 24/8/86), as 35 indústrias sindicalizadas O Presidente do Sindicato comunicava através do Diário do Nordeste do setor ameaçavam parar por falta de aço, pondo em risco o emprego de (23/8/86) estar “sendo formado um Banco de Dados com informações 20 mil metalúrgicos (OP 24/8/86). Tratava-se, é verdade, de um contin- sobre os mais atingidos”, e não dava garantias de que as indústrias metalúr- gente minúsculo, diante, por exemplo, dos 480 mil metalúrgicos vincula- gicas locais viessem a conseguir as cotas de laminados de aço necessárias dos aos Sindicatos de Guarulhos, Osasco e São Paulo (GM 18/9/86), mas para os três últimos meses do ano. O terceiro trimestre que estava em curso nem por isso era menos relevante. se mostrava “significativamente pior que os dois últimos”, declarava ele, Preocupado com a situação no Nordeste o Presidente da ASIMEC, em evidente pessimismo, lembrando que “os 3,56% que se está cobrando Adalberto Magalhães Filho, endossava as previsões de Tonico Aragão: “Em nas notas fiscais não cobrem a demanda da região”. setembro vamos reduzir a produção, porque os estoques estão se exaurin- A carência de matéria-prima se agravava. No dia 26 de agosto o DN do” (OP 27/8/86). O Governo Federal estava importando 500 toneladas dava o alarme: “Indústria metalmecânica pode parar por falta de lamina- de aço, cifra de pouca monta para uma produção nacional de 7,5 milhões dos”. Reunidos na sede do Sindicato, no dia anterior, os empresários ha- de toneladas. E o preço CIF uniforme, “condição única de competitividade viam chegado ao ponto de estimar a falência do setor a partir de outubro, caso não fosse logo regularizado o abastecimento do mercado. Os esto- ques das indústrias que trabalhavam com laminados de aço se encontravam quase a zero. Além do mais, não havia garantia, por parte das indústrias siderúrgicas da região Sul e Sudeste, responsáveis pelo abastecimento do Norte e Nordeste, de que houvesse de fato a regularização para o quarto trimestre daquele ano de 1986. Tonico revisara os números e comunicou aos interessados no tema: “O consumo médio mensal das indústrias no primeiro semestre foi de 4.200 toneladas/mês. Para o quarto trimestre, a previsão é de 9.900 tone- ladas/mês”. Não havendo o atendimento, o nível de empregos no setor metalmecânico corria o grave risco de cair pela metade. A questão central estava na reativação da economia brasileira com o Plano Cruzado, que aumentara o consumo de material siderúrgico no país, combinado com o incêndio no forno da CSN, que impedia o fornecimento, num raciocínio circular, de resultado complexo.88 89
  • 1984-1987 das empresas brasileiras”, na palavra de Magalhães Filho, oscilava na corda O congelamento dos preços, implantado junto com o Plano Cruzado, bamba ao completar uma década de existência. o fim da correção monetária, a mudança da moeda, a criação do “gatilho” Antes do final do ano de 1986 a Siderbras acumulava a dívida gigan- salarial, nenhum dos drásticos remédios havia se mostrado eficiente para tesca de U$ 16 bilhões, correspondente a cerca de 16% da dívida externa conter uma inflação que ultrapassaria 1.000% ao final de 1986. brasileira (FSP 11/9/86). Compunham o Grupo: Açominas, Cosipa – Com- Carlos Prado, o Presidente que o Sindicato não teve, era Presidente da panhia Siderúrgica Paulista, CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, CST Cemag e sentia as tribulações econômicas na própria pele. Em depoimento – Companhia Siderúrgica de Tubarão e Usiminas (GM 19/9/86). por escrito, apesar do distanciamento de um quarto de século bem recorda Medidas urgentes se faziam necessárias, e se chegaram anunciadas como, no Governo Sarney, “o setor primário sofreu um retrocesso tremendo, pelo Ministério da Indústria e Comércio: a implementação do II Plano Si- ficando impossibilitado de fazer investimentos. O congelamento dos preços derúrgico, cuja política era “garantir ao Brasil sua posição de produtor e dos produtos agropecuários não foi acompanhado pelo congelamento dos exportador de produtos siderúrgicos, sem intenção de lançar mão da im- custos dos insumos e mão de obra, tornando as empresas do setor quase irre- portação de aço bruto,” sabendo-se que “para cada ponto percentual de cuperáveis. Os financiamentos que as mesmas detinham continuaram sendo aumento do PIB há uma correspondência quase matemática na demanda corrigidos, por índices irreais, tornando as dívidas impagáveis”. do consumo de produtos siderúrgicos de 1,1 ponto” (GM 13 a 15/9/86). No setor metalúrgico a situação fervia. As negociações entre os metalúr- À frente do Sindicato cearense, Tonico se angustiava. “Esta é a hora gicos de São Paulo e as empresas que formavam o antigo Grupo 14 da FIESP, que o Nordeste tem a oportunidade de crescer”, afirmava à imprensa (DN composto por 22 Sindicatos, se encontravam próximo a um impasse. A Gaze- 20/9/86), resgatando a dolorida lembrança dos últimos cinco anos conse- ta Mercantil (30/10/86) desvendava a estratégia dos operários do setor, que cutivos de seca, alternando com enchentes destruidoras, que indicavam começariam, naquela mesma semana, “a colocar em prática uma das táticas o caminho da industrialização como a única saída viável para o Estado. para atendimento de reivindicações: concentrar a luta sindical nas fábricas de Enfatizando a gravidade do momento, apresentava estudos sobre a ne- empresários que tem assento na direção da FIESP” – que a essa altura havia cessidade das cotas de laminados de aço para as indústrias cearenses, elaborado um Manual Anti-Greve, com orientações de procedimentos. apontando a segunda quinzena de outubro com o “período crítico” para O prazo apresentado por Tonico para o fim dos estoques de aço se apro- quem dispunha de estoques “quase totalmente esgotados” (DN 2/10/86). ximava. O Diário do Nordeste avisava a seus leitores: “a indústria metalúrgica Em Brasília o presidente José Sarney convocava seu alto escalão. Os mi- cearense começa a suspender sua produção a partir da próxima semana caso nistros Dílson Funaro, João Sayad e Hugo Castelo Branco confabulavam sobre não receba as cotas programadas de lâminas de aço” (18/10/86). Até mesmo os percalços sofridos pelo Plano Cruzado em sua execução, sobre a iminência o suprimento dos botijões de gás butano de 13 quilos estava ameaçado. de uma segunda fase para o Plano, sobre o processo de saneamento financeiro O intenso movimento empreendido pelo Sindicato dos empresários da Siderbras, levantando-se a hipótese de o Brasil tornar-se importador de aço, conseguiu que as siderúrgicas nacionais enviassem 30% das cotas a que a partir de 1989, caso o plano de saneamento não fosse reativado, e não se as empresas cearenses tinham direito (DN 21/10/86). Estava garantido o retomassem os investimentos no setor siderúrgico (FSP 12/10/86). prosseguimento das atividades industriais até o final de outubro – porém90 91
  • 1984-1987 A situação não até novembro, quando a situação complicaria nova- mente, “pois a necessidade das empresas do setor meta- O intrincado mecanismo de funcionamento desse país chamado Brasil produzia suas surpresas. O dilúvio de lamentações era contestado pelo au- mostrava-se lúrgico local é, no momento, de 60% a mais do que as cotas que elas têm recebido”, protestava o Presidente. mento real do consumo e pela fria objetividade dos números. Em meio às tempestades de outubro, análise conjuntural do Banco do Nordeste com a grave para a Caso as cotas de laminados de aço não chegassem FGV – Fundação Getúlio Vargas apresentava um surpreendente dado referen- indústria ao Ceará até o final da primeira quinzena de novembro, previa-se demissão de 27% do pessoal e paralisação de te ao crescimento do setor metalmecânico do Norte e Nordeste: 17,27% no último semestre, com o Ceará, em particular, apresentando crescimento de metalúrgica 90% do setor metalmecânico no Estado (DN 28/10/86). 32,7% no período de fevereiro a julho daquele ano de 1986. A FIEC apresentava igualmente resultados positivos para o setor, que como um todo. A situação mostrava-se extremamente grave para a indús- tria metalúrgica como um todo. As indústrias cearenses traba- respondia por 21 mil empregos (TC 31/1/87), e que registrara aumento de lhavam com 80% da capacidade. Tonico martelava: “As empre- 42% na empregabilidade, entre janeiro e setembro de 1986 (TC 17/1/87). sas produtoras de aço não tem interesse de manter o fornecimento para o Nordeste, O Sindicato das Indústrias Mecânicas, Metalúrgicas e de Material Elétrico que recebe o produto com o mesmo preço do Centro-Sul, com o benefício do custo no Estado do Ceará acompanhava o ritmo e crescia. No final de 1986 conta- de transporte, que representa em torno de 30%” (TC 23/10/86). Aparentemente, o va com 38 empresas filiadas (OP 24/10/86), ocupadas na produção de ele- CIF uniforme, “a maior conquista nordestina”, se convertia em arma de dois gumes. trodomésticos, medidores elétricos, máquinas agrícolas, componentes para a A CSN anunciara aumento da produção de laminado de aço, fato que indústria automobilística e outros, mantendo o Estado entre os maiores consu- não repercutira “em nada” para o Norte, para o Nordeste, muito menos midores de laminados a frio do Norte e Nordeste. No balanço de dezembro para o Ceará, “sempre esquecido nesta questão” (DN 21/10/86). havia boas expectativas. Magalhães Filho declarava aos jornais: “1986 foi um ano de muito trabalho. Mas 1987 será um ano de esperança” (DN 28/12/86). A Diretoria do Sindicato planejava para breve a realização de um En- contro Geral de todos os sindicatos de indústrias metálicas do Nordeste, Por trás da manchete “Abastecimento de aço preocupa indústria cea- tendo em vista a ausência de sinalização positiva de Brasília, unindo forças rense”, a Tribuna do Ceará de 17 de janeiro de 1987 comemorava o fato de para reivindicar, junto aos ministros nordestinos do governo Sarney, maio- a indústria metalmecânica local haver registrado “uma das melhores per- res oportunidades para a região. A ASIMEC empenhava-se em igual luta formances do setor de transformação do Estado, com taxa de crescimento para “abrir uma frente ampla e solidária em defesa dos interesses do Norte de 48,4%, em setembro de 1986, em relação a janeiro do mesmo ano”. e Nordeste”, nas palavras de Adalberto Magalhães Filho (DN 24/10/86). Notícia indiscutivelmente positiva, à qual se somavam fortes indicativos de que seria implantada a usina de laminação de aço em território cearense, O Encontro Geral aconteceu conforme planejado, em Recife, no dia 18 de assegurada agora para 1987. novembro, resultando dele a elaboração de um documento sobre o setor me- talmecânico, com avaliação e reivindicações, a ser discutido com representan- Ano novo, velhos problemas. A escalada da inflação fez o governo tes de entidades como Siderbras, Consider, Instituto Nacional dos Distribuido- Sarney lançar o Plano Cruzado II, em novembro de 1986, cujos resultados res de Aço e Carteira do Comércio Exterior do Banco do Brasil (TC 29/11/86). não atenderam à expectativa. A 20 de janeiro de 1987 o Brasil decretava92 93
  • 1984-1987 moratória e suspendia o pagamento de sua dívida externa criando um pro- zincadas, beneficiando Ceará e Maranhão. O custo seria de U$ 500 milhões. blema internacional. Nacionalmente, a cobrança de ágio sobre o preço A capacidade de produção alcançaria 500 mil toneladas/ano (OP 30/3/87). dos produtos virou presença familiar. As indústrias metalmecânicas sofriam Apesar de o local da obra se encontrar em fase de estudos - possivelmente no o mesmo que outras indústrias: pagavam o ágio e não podiam repassar os município de Caucaia, ou no Distrito Industrial de Sobral - assegurava o Ministro custos ao cliente, devido ao congelamento dos preços. que a Usinor – Usina Siderúrgica do Nordeste se encontraria “em plena operação” Continuavam como “incógnitas” o problema de abastecimento de maté- dentro de três anos, gerando 3 mil empregos diretos e mais de 15 mil indiretos. ria-prima, a “falta de política energética”, o risco de extinção do preço CIF uni- Em 1987 ainda houve tempo para que o presidente do Sindicato bata- forme, as dúvidas sobre a referida usina de laminados. Quanto a isso, Tonico lhasse pela adequação dos currículos dos cursos técnicos e de engenharia aos Aragão recorria até ao latim para reforçar a posição do Sindicato. “Essas duas “interesses reais” do segmento, integrando indústrias e instituições, como a medidas [normalização do fornecimento e implantação da usina] são condi- Universidade, a Escola Técnica, o SENAI, e o Nutec – Núcleo de Tecnologia ções sine qua non para a sobrevivência das indústrias locais” (TC 31/1/87). Industrial do Ceará, e pela defesa da produção cearense de peças para o ser- O ministro Hugo Castelo Branco, da Indústria e Comércio, veio ao Ceará, viço de saneamento básico, a exemplo de tubulações, tampões e tampas de e do Hotel Esplanada declarou ao jornalista do O Povo (20/2/87) que ainda no bueiros, atendendo à Cagece, Coelce e Teleceará, conforme registram as atas. primeiro semestre seria iniciada a implantação da usina de laminados de aços O levantamento da quantidade de empresas que se associaram ao Sindi- planos, qualificada para produzir laminados a frio, folhas de flandres e chapas cato no triênio se mostrou limitado. Logo no final de 1984 havia sido aceita a Comercial Confiança Ltda, de José Sérgio Cunha Figueiredo e Júlio César Com a saída de Tonico Aragão, Fred Saboya assume a presidência Sarmento de Figueiredo. Seguiu-se a ela a Tecnometal Indústria e Comércio, de Francisco Gildo Rebouças Monteiro, no início de 1986. O registro de nú- mero 54 coube à Bimetal Escapamentos para Automóveis Ltda, de Francisco Clélio Cavalcante, aprovada nos primeiros meses de 1987, juntamente com a RD-Máquinas e Equipamentos Ltda, de Roberto Farias e Danilo Farias. E tão certo como o sol de cada dia, chegava o mês de julho de 1987, assinalando outra vez que era tempo de eleições no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará, que pas- saria a ser presidido pelo industrial José Frederico Thomé de Saboya e Silva. Notas: 1 - http://www.financeone.com.br/moedas/historico-de-moedas-brasileiras/ 2 - http://almanaque.folha.uol.com.br/dinheiro80.htm94 95
  • 1987-1990 José Frederico Thomé de Saboya e Silva96 97
  • José Frederico Thomé de Saboya e Silva 1987-1990 Independente das oscilações externas o Sindicato organizava-se para seu período de renovação da Diretoria. A formalidade de encerramento do registro de inscrição das chapas – chapa única, como sempre – se deu a 12 de maio de 1987. O pleito seria no dia 2 de junho. Compunham a Mesa Coletora elei- toral José Luciano Montenegro Gomes Barbosa, Presidente da Mesa, auxiliado pelos mesários Francisco Ney Queiroz e Evandro Sampaio Freire, conforme Portaria n° 047/87, de 21/5/87, da Delegacia Regional do Trabalho. Às 19h do referido dia 2 os trabalhos estavam concluídos. Votaram 31 associados dos 34 aptos a votar. A apuração realizou-se de imediato, tendo como Presidente da Mesa Apuradora César da Silveira Antunes, designado pela Portaria n° 132, de 21/5/87, da Delegacia Regional do Trabalho da 7° Região, como secretária Irenice Gurgel Freire, e as mesárias Suely do Car- mo Mendes e Vera Lúcia Parente. Haviam sido indicados pela urna José Frederico Thomé de Saboya e Silva, Helder Coelho Teixeira e Sebastião de Arruda Gomes, na Diretoria. Seus suplentes eram Augusto Castelo da Cunha, Roberto Macedo e João Paulo Simões Accioly de Carvalho. Para o Conselho Fiscal foram escolhidos José Sérgio Cunha Figueiredo, Carlos Prado e Fernando José Lopes de Cas- tro Alves, com os suplentes Airton Queiroz, Cícero Campos Alves e Mário Walter Saturnino Bravo. Fernando Cirino e Tonico Aragão eram os delega- dos representantes junto à FIEC. José Frederico Thomé de Saboya e Silva e Acácio de Vasconcelos ocupavam a suplência. Na distribuição dos cargos, ocorrida no dia seguinte, mantiveram-se José Frederico como Presidente, Helder Coelho como Secretário, e Sebas- tião de Arruda Gomes mais uma vez como Tesoureiro, liderando a Diretoria do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará para o triênio julho de 1987 a julho de 1990. Entre outras realizações, caberia a Frederico propor a criação da logomarca ainda hoje utilizada para identificar o Sindicato, e o acom- panhamento do processo de mudança da sede do Sindicato para o Visão aérea da Inelsa98 99
  • 1987-1990 novo prédio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, na Av. Trabalhar com automóveis não deixava de ser um visionário investimen- Barão de Studart, em Fortaleza. to no mercado futuro, principalmente quando se sabe que, em 1938, Fortale- Assim como quatro de seus antecessores, o presidente Fred Saboya re- za computava apenas 377 veículos particulares, e 241 de aluguel trafegando presentava a continuidade das gerações envolvidas no setor eletrometal- pelas ruas da cidade.3 Mostrava-se bem o perfil de seu proprietário. mecânico cearense, sendo ele próprio um componente da segunda gera- Em 1965 seria fundada a Indústrias Elétricas Elite S/A – INELSA, pionei- ção. Diferente, porém, dos que o antecederam, suas raízes se encontravam ra na fabricação de equipamentos eletromecânicos (painéis e quadros elé- fortemente ligadas à política e à cultura do Estado. Pelo lado paterno, era tricos) no Ceará. Recebeu o número 31 nos registros de inscrição do Sindi- neto de João Thomé de Saboya e Silva, que governou o Ceará entre 1916 cato, ao qual se associou em 1979. “Meu pai tinha esta atividade no fundo e 1920. Pelo lado da mãe, Nadir Roquelina Papi Saboya, considerada a da loja, de forma improvisada, usando como matéria-prima o que tinha à grande dama do teatro cearense, era neto do teatrólogo, poeta, romancista mão,” explica Fred Saboya. J. Thomé de Saboya além de atender o merca- e imortal da Academia Cearense de Letras, Antonio Papi Junior. do carente destes produtos, fornecia à Conefor – Companhia Nordeste de O pai de Frederico era José Thomé de Saboya e Silva, que se firmara Eletrificação de Fortaleza, o que esta necessitava para iluminar a capital. no comércio com a Garage Elite, ainda nos anos 1920, negociando com Só a partir dos anos 1970 é que a INELSA ganhou vida própria. Fred materiais elétricos Siemens (“o preferido no mercado mundial”), pneus e passou a integrar a empresa, para onde levou sua experiência de graduado câmaras de ar Michellin e U.States, “gasolina , óleo, graxa, lâmpadas, ve- em Ciências Contábeis e Administração, agregando à dos irmãos José Ar- las, acumuladores, tintas, vernizes, lonas para freio, pano-couro para capo- mando e José Alexandre, ambos engenheiros. A presidência do Sindicato tas etc”, vendendo a prestações os afamados automóveis Studebaker Big- das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do -six, Special-six e Light-six”, atendendo aos clientes na Rua Major Facundo, Ceará permitiu a ele fazer uso dos conhecimentos contábeis e administra- n°48, e na Rua Barão do Rio Branco, n°s 51 e 53.1 tivos, de forma integral. Anúncio veiculado na década seguinte, nas páginas da publicação A posse desta que era a sexta Diretoria do Sindi- O Ceará,2 registra como endereço da empresa J. Thomé de Saboya & Cia o número 126 da mesma Rua Major Facundo, especifica a prestação cato aconteceu no dia 14 de julho de 1987, às 19h, no quinto andar do Edifício Jangada. O Diário do Nor- Fred Saboya dos serviços de “Eletricidade – Máquinas – Automóveis”, e o agencia- deste (30/7/87) registrou a solenidade de efetivação, destacou que mento geral no Ceará das seguintes companhias: Companhia Brasilei- contando na composição da Mesa com a ilustre parti- ra de Eletricidade (Siemens Schuckert S.A), Companhia S.K.F. do Brasil cipação do Secretário da Indústria e Comércio, Arios- iria liderar (“mancais de esfera, eixos, luvas, polias, etc”), Sociedade de Motores Deutz (“Otto Legítimo Ltda, motores em todos os tipos, máquinas para to Holanda, do Secretário da Fazenda, Lima Matos, do Presidente da FIEC, Luiz Esteves Neto, do repre- uma entidade oficinas, serrarias, etc”), Otis Elevator Co. (elevadores, escadas rolan- tes), Demag A.G. (estruturas metálicas) e Raimann Ltda (máquinas e fer- sentante da Delegacia Regional do Trabalho, Geraldo Quezado, dentre outras autoridades. Fred Saboya des- formada por ramentas para indústria madeireira). tacou ao jornal que iria liderar uma entidade formada 40 empresas100 101
  • 1987-1990 por 40 empresas, geradoras de cerca de 12 mil empregos diretos, e integração maior entre as indústrias do interior e da capital; colocou em mais de 48 mil indiretos. votação o envio de um telex de solidariedade ao Presidente do Banco do Logo na primeira Reunião Ordinária, a 4 de agosto, após os agradeci- Brasil, Camilo Calazans, sobre tema não especificado; e abriu espaço para mentos pela presença “bastante representativa” dos associados, Fred não que a Superintendente do IEL, Tereza Lenice da Gama Mota, também pre- perdeu tempo em anunciar suas metas e demonstrar sua disposição para sente à Reunião, demandasse sugestões sobre como vencer as dificuldades o cumprimento da missão que lhe havia sido atribuída. Conforme a ata do regionais, no que foi de pronto atendida (reforço do orçamento da SUDENE dia, estavam presentes Helder Coelho, Sérgio Figueiredo, Augusto Castelo da e dos Bancos de Desenvolvimento, especialmente o Banco do Nordeste, Cunha, Carlos Prado, Mário Bravo, Raimundo Nunes, Fernando Castro Alves, foram as ações sugeridas); implantação da Usinor; abastecimento de maté- Acácio Araújo, Jesus Hernandez Neto, Carlos Lira, Aluisio Dutra, Fernando rias primas; fornecimento de gás natural da Petrobras; e fortalecimento do Cirino Gurgel, Célio Gurgel, Francisco Gildo e Sebastião de Arruda Gomes. SENAI e da Escola Técnica. Entre estes o Presidente distribuiu resumo de trabalhos da FIEC tratando Questões de ordem administrativa interna foram levantadas nessa reu- da atividade industrial do Ceará no ano anterior; informou que o Secretário nião de estreia, como a substituição da secretária do Sindicato, Eunice Pes- da Indústria e Comércio solicitara sugestões do Sindicato em favor de uma soa de Andrade, que daria lugar a Maria da Conceição de Abreu Pessoa. O Presidente comunicou ter participado de duas reuniões com a Diretoria da FIEC, e demais presidentes sindicais, sobre as novas instalações da Fede- ração, que muito breve iria mudar-se para a Av. Barão de Studart, n°1980, trocando o Centro da cidade pelo bairro da Aldeota. “Na verdade”, comenta hoje Fred, “nosso Sindicato não era mais do que uma gaveta no birô da secretária da FIEC, que atendia a todo mundo”. Os dois últimos andares do Edifício Jangada eram ocupados pelos “irmãos siameses” CIC – Centro das Indústrias do Ceará, braço político dos indus- triais, instalado no sexto andar, e FIEC, no quinto andar, o braço técnico e sindical, repartindo seu espaço com os demais Sindicatos. Reuniões impor- tantes, embora informais, aconteciam em torno de uma mesa de madeira escura, no formato de timão de navio, coberta por um tampo de vidro e cercada por quatro bancos semi-circulares, também de madeira, onde sen- tavam confortavelmente oito pessoas. A mesa se encontra na cobertura da Casa da Indústria, bem preservada, guardando memórias de outros tempos. A Reunião Extraordinária de 24 de agosto de 1987 teve sua ata assina- da por José Sérgio Figueiredo, Gildo Rebouças, Dário Castro Alves, Antonio102 103
  • 1987-1990 Matos Macedo, José Eudes Pinto, Cícero Campos Alves, Raimundo Nunes de Andrade, Danilo Farias, Antonio Caullet e Antonio José Costa, do Escri- tório Costa, Brito Advogados, que ocuparia a função de assessor jurídico trabalhista do Sindicato até falecer, em 2010.4 Na mencionada reunião de agosto ficou evidente a parceria existente com o Governo do Estado, cujo titular, desde 1986, era o empresário Tasso Jereissati, que presidira o CIC e que fazia uso de sua experiência empresa- rial na definição dos novos caminhos do Ceará. O Presidente informou que o Secretário de Governo, Sérgio Ma- A marca: tentativa de se unir em uma só forma conceitos representati- chado, iria criar um canal de comunicação com as entidades classis- vos graficamente e agregados numa só estrutura, chamada TORRE. tas. Que o Secretário de Indústria e Comércio, Ariosto Holanda, ia promover um Encontro sobre Política Industrial, de 25 a 27 de agosto, A Torre simboliza poder, topo, local de onde as coisas são vistas mais, e me- em parceria com a SUDENE e a FIEC. E que o Grupo Ângelo Figueire- lhor. Significa permanente estado de alerta e conhecimento de tudo quanto rodeia do vencera concorrência para a venda de carros de mão destinados ao o Sindicato. A imagem é positiva e otimista, e facilita a decisão na tomada de posi- Programa de Emergência do Ceará. ções, pois há clima de confiança envolvendo o próprio Sindicato como um todo. Na Reunião Ordinária de primeiro de setembro de 1987 uma pro- Associação de elementos: o símbolo sugerido (torre) está representado posta inovadora tomou forma, ao ser aprovada a logomarca do Sin- pelos elementos gráficos seguintes: dicato, criada pela agência de propaganda Terraço, de publicitário - Estrutura central ou coluna: estágios ou pavimentos em chapas ou Xico Theóphilo. Fred Saboya percebera a importância de definir uma laminados horizontais. marca própria para a entidade, e que veio melhor que o esperado, - Efeito visual consequente da repetição dos intervalos entre as chapas solucionando uma antiga dificuldade quanto à sigla do Sindicato – laminadas, causando a impressão de um gigantesco instalador elétrico. até então SIMMMEEC – uma inconveniente fileira de letras, de difícil reprodução oral ou escrita. Os elementos que compõem o corpo do Sindicato estão graficamente representados na Torre-símbolo: a Mecânica (ver montagem). A Siderurgia, A agência consultada apresentou a logomarca acompanhada do Me- nas chapas laminadas. A Eletricidade, na sugestão do gerador elétrico. morial Justificativo, devidamente lido na reunião e transcrito pela nova se- cretária, Maria da Conceição de Abreu Pessoa. Dizia o Memorial. A aprovação foi unânime, não apenas para a marca, mas também para o selo dela derivado, a ser usado na correspondência das empresas associa- Sugerimos que a sigla, que seria composta pelas primeiras letras dos das, “divulgando e prestigiando o Sindicato”. nomes, faça essa composição substituindo os três Ms num só M, o mesmo acontecendo com o E, de Elétrica e de Estado, para enxugar tanto a estética Era inquestionável a plasticidade da marca, em preto e vermelho, como a semântica, facilitando a compreensão e a rápida leitura. acenando uma distante semelhança com a bandeira do Estado do São104 105
  • 1987-1990 Paulo, trazendo os Ms e os Es fatiados em finas lâminas verticais, o preto remetendo à força do ferro e do aço, o vermelho trazendo a visão riais, “preservando os interesses do Estado e das empresas locais nos casos de igualdade ou mesmo de diferença de Pela primeira dos fornos incandescentes, o conjunto trazendo à lembrança o gerador elétrico, e mais ainda a extrema simplicidade da sigla, que a partir da- preços”.6 Promover feiras e eventos que divulgassem o que era produzido no Ceará. E – por que não – adquirir um vez, o SIMEC quele momento deixava de ser SIMMMEEC e se assumia SIMEC, para imóvel onde pudesse ser instalada a sede própria. realizou Reunião alívio geral. Por tudo isso a marca conseguiu se manter, inalterada, até os dias atuais. Em 1988 completava três anos que o SIMEC encon- trava-se abrigado gratuitamente em sala do CIC.7 A FIEC Ordinária em O setor metalmecânico cearense vinha enfrentando retração de até acompanhava os estágios finais da construção da Casa da sua nova sede. 30% nas vendas, informava o Diário do Nordeste (15/8/87), porém ha- Indústria, onde disponibilizara para o SIMEC um “espaço via sinal de normalização no abastecimento de laminados planos. Mas em amplo.”8 Mas antes que a aceitação se desse surgiu nova outubro uma notícia caiu como um banho de água fria nos planos cearen- e tentadora possibilidade para aquisição do sonhado imóvel próprio. Fred ses: “Governo constrói duas siderúrgicas no Sul e esquece a do Nordeste”, comunicou aos associados haver encontrado um “local ideal”, próximo ao lamentava a manchete do Diário (1/10/7). Enquanto eram aceleradas as novo prédio da FIEC9: duas salas que se encontravam disponíveis, ao preço obras na Grande Porto Alegre e em Imbituba, município ao Sul de Santa de 4 mil OTNs, divididas em quatro vezes a partir da entrega do imóvel. Catarina, o Nordeste continuava “em estado de sonho”. As plantas foram apresentadas e aprovadas em reunião. Estabeleceu-se A força do “sonho dos cearenses”, como escrevia o Jornal do Dorian o consenso sobre a importância de “ter espaço para expandir-se”, mas no (23/12/87), a materialização do projeto que viria trazer esperanças para último instante o negócio a ser fechado com o construtor Pedro Mesquita um Estado que contribuía com 1,8% do PIB nacional, onde 70% da popu- não foi em frente, não tendo o proprietário aceito “os termos em que havia lação ganhava até 2 salários mínimos, e 50% sobrevivia com apenas 1 sa- sido redigido o contrato de compra e venda”.10 lário mínimo, ia ser testada mais uma vez, oscilando entre o encantamento As circunstâncias direcionaram a tomada de posição. E no dia 3 de maio das promessas e a incômoda realidade. de 1988, pela primeira vez, o SIMEC realizou Reunião Ordinária em sua Com ou sem a usina, Fred Saboya tinha suas metas muito claras. Além nova sede, instalada no terceiro andar do Edifício Casa da Indústria, dando de estabelecer o desenvolvimento institucional do SIMEC, ambicionava boas vindas aos filiados e “desejando a todos sucesso na etapa nova de tra- elaborar um cadastro geral das empresas filiadas. Implantar um sistema de balho que ora se inicia”. Os móveis, equipamentos e as linhas telefônicas da informações internas sobre disponibilidade de resíduos, matérias primas antiga sede (231-1711 e 231-3740) foram vendidos após consulta e autoriza- e máquinas ociosas nas indústrias, como era feito em Porto Alegre (DN ção da Diretoria. O novo número de telefone passou a ser 244-9001. 1/9/87). Aproximar-se do SENAI, que tinha como Superintendente Mendel A Casa da Indústria já sediava as administrações do SESI e SENAI. Em Klejner,5 companheiro enxadrista de Fred. seguida passou a sediar a própria FIEC, o IEL, unidades operacionais da E mais: articular-se com outros Sindicatos quanto a concorrências pú- Federação e alguns Sindicatos, como foi o caso do SIMEC. A inauguração blicas lançadas pelo Governo Estadual para contratações de obras e mate- oficial do prédio aconteceu no dia 22 de setembro de 1989.11106 107
  • 1987-1990 No Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elé- à pauta no final de 1988, com igual calor.12 Desde 1976 o Nordeste luta- trico no Estado do Ceará, a questão do frete CIF uniforme para chapas de va pela implantação do sistema CIF-Cliente-Uniforme para os aços planos aço mantinha-se como o problema que não queria calar. Embora não fosse nacionais. A Siderbras pretendia por fim à Resolução n° 35/76 do Consider, questão que atingisse diretamente a toda as indústrias do setor eletrometal- que o havia criado, fazendo-se necessária “uma ação conjunta para defesa mecânico, tinha o dom de despertar queixas ancestrais, que remetiam ao da manutenção desse sistema para as chapas de aço”. O SIMEC cumpria sentimento de descaso para com a região, à indiferença com a sorte dos seu papel em defesa dos interesses da categoria. teimosos nordestinos, a um inconcebível apartheid entre o Brasil do Norte/ A meta de realização de feiras e eventos mantinha-se em foco. Em março Nordeste e o Brasil do Sul/Sudeste. de 1988 o Sindicato era convidado a participar da II Feira de Material de Cons- A ata da reunião de 2 de fevereiro de 1988 tinha sido quase um trução e Eletromecânica, no Parque de Exposições da Maraponga, sob direção manifesto da revolta dos industriais quanto às incessantes tentativas de de Holanda Empreendimentos.13 Entre 19 e 22 de julho, o CEAG – Centro de eliminação do diferencial. O fato “prejudicaria sensível e irreparavel- Apoio à Pequena e Média Empresa do Estado do Ceará, que tinha como Diretor mente os Estados nordestinos, onde diversas indústrias ficariam sem Executivo Antonio Balhmann Cardoso Nunes Filho, e a Siderbras, promoveram condições de viabilidade econômica pela impossibilidade de concor- uma Mostra de Siderurgia na FIEC investindo no objetivo de “levar uma gama rer com os Estados beneficiados com a localização das três usinas” de produtos consumidos normalmente pela siderurgia no mercado nacional, [CSN, Cosipa e Usiminas]. passíveis de serem introduzidos pelas indústrias locais” (JD 12/7/88). Ultimamente, prosseguia a ata, Não era bem esse o projeto de Fred. Funcionava, porém, como um alavancador de movimentos similares, a exemplo do que ele conduziria no os empresários nordestinos têm sido penalizados pelas Usinas ano seguinte, estimulando a indústria local a constituir um “cinturão” de produtoras com a diminuição do fornecimento, cancelamento de fornecedores para as siderúrgicas que, mais cedo ou mais tarde, haveriam cotas mensais, e pagamento de extras de qualidade cobrados com- pulsoriamente, sob alegativa de que o sistema do frete CIF unifor- de surgir no Norte e Nordeste. me vem trazendo prejuízo as usinas, o que não é verdade. Aos jornais Fred Saboya declarava sobre o evento CEAG/Siderbras: “É E concluía, incisivamente: uma oportunidade muito importante para a indústria eletrometalmecânica, já que os 600 produtos da Mostra podem ser industrializados no Estado. Firmamos posição contrária à proposição da Siderbras, documen- Uma Mostra desse porte pode dar maior vitalidade ao parque industrial lo- tando e deixando claro que não podemos aceitar mais uma discri- cal” (OP 19/7/88). O Ceará contava com cerca de 120 indústrias metalme- minação à nossa região. cânicas e de material elétrico, 45 delas associadas ao SIMEC (JD 13/7/88), Uma ação concreta foi empreendida em abril, com o envio de telex “empresas que dispõem da infraestrutura necessária à produção do mate- ao Consider disponibilizando informações sobre abastecimento, consumo rial que é hoje fabricado em nível internacional”. e perspectivas para 1988, referentes a laminados de aço, comprovando as Em meados de 1988 intensificaram-se os interesses em parcerias e em reais necessidades e justificando a inquietação local. A discussão retornaria novos horizontes. Arquimedes Bastos, Diretor presidente do NUTEC, com-108 109
  • 1987-1990 pareceu à Reunião Ordinária do dia 7 “solicitando maior aproximação num trocadilho com sua especialidade: máquinas soldadoras para plásticos com as empresas para repassar técnicas, projetos de interesse dos empresá- ou produção de soldadoras especiais para embalagens. Marcelo era um dos rios e trabalho mais conjugado ao meio empresarial”.14 Ieda Montenegro, frequentadores mais assíduos do SIMEC. Foi Juiz Classista e iria compor também do NUTEC, comunicou estar em processo de organização o Curso todas as Diretorias, em diferentes cargos, até 2008, quando se afastou por Básico de Galvanoplastria, co-patrocinado pelo SIMEC. A criação de ZPEs motivo de saúde. – Zonas de Processamento de Exportação, áreas de livre comércio com o Aceitas também nos quadros do Sindicato, em novembro de 1987, a Pon- exterior, se constituiu em tema de pauta de Reunião Ordinária.15 E o norte- tão Serviços Indústria e Comércio Ltda, de Edmundo Pereira Barbosa; Santa -americano Joe Carr, hospedado no Hotel Meridional, manifestou interesse Angélica Construções Civis e Metálicas Ltda., de Jair Barreira Furtado; e Mi- em conhecer empresas ligadas ao SIMEC, verificando possibilidades de in- cheletto Nordeste S/A, que tinha como representante Helder Coelho Teixeira. tercâmbio comercial com outras similares em seu país.16 A Oficina Progresso O Bandeira, de Otacílio Bandeira, juntou docu- A decisão de ampliar o quadro de associados foi fortalecida em junho mentação para comprovar que atuava em “consertos e serviços de tornos” de 1988. Há dez anos o sócio Antonio Telmo Nogueira Bessa desejava a desde 1969, e que se enquadrava no setor. Foi aceita a 2 de fevereiro de implantação de uma Regional da ABM – Associação Brasileira de Metais, 1988, na mesma reunião em que entrou oficialmente a Daferro S/A – Alu- que envolvia o setor metalmecânico de todo o Brasil, mas que exigia um mínio e Aço, de propriedade de Dário Pereira Aragão, recebendo o número mínimo de 50 associados. Na reunião do dia 7 daquele mês todos os pre- 63 nos registros. Vinha indicada pela secretária Neide Martins. Dário ocu- sentes receberam fichas de inscrição e cópias do Estatuto, com a missão de paria diversos cargos no Sindicato e integraria a Comissão Eleitoral da FIEC trazer mais empresas para o SIMEC. para o pleito de 2010, representando o SIMEC. O esforço mostraria seus frutos. Nos 36 meses de mandato de Fred Saboya A aceitação da empresa de Dário coincidiu com as últimas reuniões associaram-se 17 novas empresas. Em setembro de 1987 deram-se três inscri- realizadas no Edifício Jangada. Tanto lá como na nova sede Dário afirma ções: Jalbarg – Construções e Manutenções Industriais Ltda, de que “usufruía-se o convívio das entidades sindicais”. Nas salas cedidas José Alfredo Firmeza de Sousa; Eurotron do Brasil Eletrônica A decisão de Ltda, tendo à frente Lincoln Ferreira; e Indumaq – Indústria e pela FIEC “formavam uma família,” como bem recorda, vivenciando um sentimento de afinidade que os fazia comparecer, ainda que não fosse dia ampliar o Comércio de Máquinas e Acessórios Ltda, de Marcelo Villar de Queiroz, que a partir de abril de 1994 mudaria o nome para Ve- de reunião, “para se encontrar, para conversar. Sindicato se confundia com convívio”. E resgata da memória nomes como Luis Esteves, Raimundo Pin- quadro de dare - Industrial e Comercial de Máquinas Ltda, ao descobrir que havia outra empresa em Fortaleza já registrada com o mesmo to, Edson Queiroz, Fernando Gurgel, Chico Carneiro, Fernando de Alencar associados nome, como informa a esposa dele, Terezinha Villar de Queiroz. Pinto, José Flávio Costa Lima, João Grangeiro, Aldo Mesquita, Germano Frank e tantos outros, que compunham Sindicatos, FIEC e CIC – Centro foi fortalecida A Indumaq tinha endereço na Rua São Paulo, n° 957, Centro da cidade, fabricando máquinas “que não vão deixar Industrial do Ceará, num tempo em que não havia grandes diferenças entre as entidades, e que a humanização, no dizer de Dário, “predominava sobre em junho de 1988. seus produtos na mão”, como dizia o material promocional, o profissionalismo de hoje”.110 111
  • 1987-1990 Em outubro de 1988, uma Reunião Ordinária decidiu criar Comissão de Negociação para tratar do pleito dos trabalhadores, Comissão esta di- vidida em três subcomissões específicas: a primeira destinada a analisar cláusulas econômicas, a segunda para as cláusulas de política sindical, e a última atenta às cláusulas sociais.17 Com elas chegou-se a um “desfecho pacífico” das negociações de novembro entre o SIMEC e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétri- co de Fortaleza. As condições já não se mostravam tão amenas no começo de 1989, em decorrência do desequilíbrio econômico nacional. Uma greve geral dos trabalhadores metalúrgicos estava agendada para acontecer de 14 a 15 de março. O setor eletrometalmecânico vinha enfrentando movimentos pare- distas, em face da política salarial do Governo Federal, que ainda não che- gara a um acordo sobre a reposição dos salários em função do Plano Verão, Abertura da 1ª Mostra do Polo Eletro Metalmecânico - 1989 lançado em janeiro daquele ano pelo presidente José Sarney, criando mais uma moeda – o cruzado novo – cortando três zeros do já ineficaz cruzado, na incansável tentativa de controlar uma hiper-inflação que em menos de três anos atingira o patamar de 1.300%. divulgar a potencialidade de empresas e produtos cearenses, fazendo uso de mídia impressa nacional (revista Veja) e de veículos locais impressos O reajuste salarial se dava mês a mês. Ainda assim, não havia como e eletrônicos, incluindo afixação de out-doors em pontos movimentados acompanhar ou compensar os efeitos de uma inflação com indicadores de Fortaleza.19 Finalmente o projeto iria se materializar, contando com a que se alteravam dia a dia, ou mesmo hora a hora. O SIMEC recomendava parceria da agência Terraço. em ata que a partir de abril as empresas concedessem antecipação de 15% da reposição salarial a ser determinada pelo Governo, “incidente sobre os O Jornal da FIEC aproveitou a oportunidade de divulgação da feira para salários praticados em fevereiro de 1989, sem repasse dos ônus para os contabilizar as empresas do setor no Estado: em 1989 encontravam-se na preços dos produtos, em obediência às normas do Plano Verão, e até que o capital 149 empresas mecânicas, 49 metalúrgicas e 27 elétricas, enquanto Governo Federal defina a respeito”.18 o interior sediava 66 empresas mecânicas, 290 metalúrgicas e apenas oito elétricas, totalizando 589 empresas. Juntas, ofereciam aproximadamente A Mostra CEAG/ Siderbras serviu como ponta de lança para promo- 60 mil empregos diretos, e mais de 300 mil indiretos.20 ção da I Mostra do Polo Eletrometalmecânico do Ceará, no Palácio da Microempresa, à Av. Monsenhor Tabosa. Desde 1988 Fred Saboya vinha “Nosso setor precisava de uma oportunidade para mostrar que tinha elaborando a ideia de campanha promocional do Polo, no sentido de condições de fornecer produtos, sem precisar ir buscar lá fora”, explica Fred, em 2010, sobre a Mostra. De fato. No período de uma semana, de 7 a112 113
  • 1987-1990 14 de julho de 1989, o cearense iria ver o que o Ceará produzia – arames, empresas filiadas, com produção diversificada nos setores de eletri- disjuntores, estruturas metálicas de aço e alumínio, bebedouros, motores cidade, eletromecânica, siderurgia, metalurgia e atividades similares, elétricos, bombas d’água, quadros elétricos, subestações blindadas, trans- que em nada ficam atrás das grandes indústrias nacionais. Os made in Ceará já estão nas ruas e lares de todo o país, agradando aos mais formadores, tambores de freio, parafusos, produtos siderúrgicos, utensílios exigentes consumidores. Mostrando, de ponta a ponta do Brasil – e domésticos, autopeças, bugres barcos, “e mais de mil outros produtos” (DN até no exterior, que o Ceará também evoluiu. E chegou lá. 4/7/89) – numa Mostra “de grande significado, que apresenta à sociedade um rico apanhado do que existe atualmente no setor”, como dizia o texto Fred reuniu a imprensa local e representantes da mídia nacional no res- do convite, guardado zelosamente por Fred Saboya. taurante Trapiche, localizado na Av. Beira Mar, onde apresentou o progra- ma da Mostra, a acontecer em paralelo com o I Salão de Veículos Especiais O entusiasmo era evidente no material de divulgação. do Ceará (buggys e utilitários). “Pela primeira vez o Ceará vai saber que o setor [eletrometalmecânico] existe como um bloco, que tem questões O Ceará quebrou barreiras, venceu dificuldades e, com know-how próprio e a garra de quem avança com determinação para o futuro, específicas, e se organiza para enfrentá-las, e também para mostrar a po- implantou o seu Polo Eletrometalmecânico. Um conglomerado de 47 tencialidade da sua indústria metalúrgica, mecânica e de material elétrico,” declarou o Presidente do SIMEC ao jornal O Povo (8/7/89). “O Ceará mostra aos cearenses o seu progresso”, declarou ao Diário do Nordeste (16/6/89), “a indústria mostra aos seus consumidores os seus produtos, e o SIMEC mostra ao Ceará e ao Brasil o seu Polo Eletro- mecânico”. Simples assim. Claro que os jornalistas não perderiam a oportunidade de questionar o Presidente sobre o destino da siderúrgica cearense, cujo local de insta- lação ainda se encontrava indefinido entre Caucaia e Sobral. “Sidnor fugiu ao nosso controle”, foi a resposta, incluindo na pluralidade as lideranças empresariais e políticas do Estado, e reconhecendo estar o poder decisório inteiramente nas mãos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (JD 19/6/89). Em agosto sabe-se que estava, sim, em construção uma usina siderúrgi- ca nordestina, que iria receber do Governo Sarney “todo apoio e estímulo”. Seria a Usimar. E seria no Maranhão (OESP 29/8/89). O ano de 1989 estava a meio. O jornal O Estado de São Paulo (8/6/89) emitia uma sombria constatação: “O Governo [Federal] é considerado o114 115
  • 1987-1990 maior inimigo das empresas do setor siderúrgico.” A inflação de janeiro caria depois sua especialidade, e opera hoje sob o nome Aluprint Metal- a setembro daquele ano atingiu 543% (JB 26/10/89). O SIMEC se reunia gráfica. Marcelo Villar foi o proponente da inscrição de Mota Filho, que para ouvir explanação do assessor jurídico, Antonio José da Costa, sobre a reconhece ter deixado passar uma década antes de procurar o Sindicato. política salarial aprovada pelo Congresso Nacional, e que beneficiaria os “Era um procedimento muito demorado. Vinha a Comissão de Sindicância, trabalhadores de menor renda. Seria publicada uma indispensável Nota Ex- o Ministério do Trabalho precisava comprovar que tudo estava em ordem, plicativa, “bastante clara,” sobre os complexos acertos entre os Sindicatos que a empresa realmente era idônea, e só então vinha a aprovação”. Mais patronal e dos metalúrgicos.21 tarde ele próprio iria integrar a referida Comissão. A situação econômica do país se agravava pelos juros altos, que im- Vieram ainda, sob a presidência de Fred, a Metalúrgica BACE Ltda, possibilitavam empréstimos para capital de giro, além dos problemas de de Jesus Batista de Oliveira (14/8/89); a INAPI – Indústria Nordestina de retração do mercado consumidor. A queda em 10% das vendas do setor Acessórios para Irrigação S/A, tendo com Diretor Presidente José de Riba- eletrometalmecânico, em comparação com o ano anterior, comprovava as mar Pinto Coelho, fabricando bombas centrífugas, injetoras e filtros para dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor. piscina; a Termisa Industrial S/A, de Sebastião de Arruda Gomes, indústria Em compensação, a avaliação sobre a I Mostra do Polo Eletrometalmecâ- de balcões frigoríficos com 39 trabalhadores; a SOBREMETAL – Sociedade nico se fez positiva: “Foi válida, e atendeu aos objetivos de divulgar as empre- Brasileira de Recuperação de Metais Ltda, de Rodrigo Lacerda Soares; e a sas do setor e mostrar ao público o que é produzido no Ceará”.22 Da mesma Master Indústria Metalmecânica Ltda, aceita a 3 de abril de 1990, apresen- forma, as relações trabalhistas se encontravam “em momento de tranquilidade, tando Paulo Eduardo Ferreira Gomes Lopes na Gerência Geral. excetuando pequenos problemas na Cibresme, IMCA, Hispano e Movaço”, As reuniões se davam sempre na primeira terça-feira de cada mês, às anotava a última ata de 1989, sem pressentir a proximidade do furacão.23 19h. Luiz Esteves Neto presidia a FIEC. Fernando Cirino Gurgel era Presi- *** dente do CIC - Centro Industrial do Ceará, um dos três empresários que saíriam das fileiras do SIMEC para ocupar tal posto (além dele, também o Até julho de 1990 filiaram-se ao SIMEC a METALTEC – Metalúrgica Téc- fizeram Fred Saboya e Francisco Baltazar Neto). Os visitantes e convidados nica S/A, de Ivan Moreira de Castro Alves, com 96 funcionários; a ELFORT – eram frequentes. Iam desde o candidato a vereador, pedindo votos e apoio Eletromecânica Fort Indústria e Comércio e Engenharia Ltda, tendo como Di- financeiro, aos representantes da Academia, interessados em “produzir co- retores Cid Marconi Gurgel de Souza e Carlos César Monteiro Montenegro, nhecimento através de postura crítica sobre o processo de desenvolvimento aceita em 19 de junho de 1989, oferecendo serviços de instalações elétricas do setor metalmecânico no Ceará”, e aos jornalistas correspondentes de em prédios residenciais e comerciais, além de caixas para medidor de gás. veículos nacionais, como Rodolfo Espínola. Seguiram-se a FYBER Indústria e Comércio Ltda, dos irmãos Agliberto Das reuniões, o associado Francisco Aiace Mota Filho – que diversifica suas e Rogério Farias, em 2 de agosto de 1989, especializada em montagem atividades com o canto coral, a atuação em teatro e a participação na União e fabricação de veículos tipo buggy. Na mesma data filiou-se a Arte Jóias Brasileira de Trovadores – extraiu inspiração para compor trovas, atualizando o Industrial Ltda, de Francisco Aiace Mota Filho, que desde 1979 trabalhava dia dos encontros para o calendário atual (segunda terça-feira de cada mês). com metalurgia fina, tendo metais preciosos por matéria-prima. Modifi-116 117
  • 1987-1990 Aniversário exultante vam da cartola o Plano Brasil Novo, imediatamente conhecido como Plano De quarenta anos seguidos Collor, que fez o que nunca antes se fizera na história desse país: o congela- Nós lembramos neste instante mento, por 18 meses, de 80% de todos os depósitos do overnight, das contas Grandes momentos vividos! correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$ 50mil. Na segunda terça-feira, Um verdadeiro confisco do dinheiro circulante, o “fechamento da torneira Tem sempre reunião de dinheiro”, como comparavam os jornalistas, um brusco freio de arrumação No SIMEC de primeira Problemas debaterão! que atingiu duramente o mercado, paralisou projetos, congelou recursos no Banco Central, cancelou encomendas e desnorteou a totalidade da popula- Assuntos bem importantes, ção brasileira economicamente ativa. Com um sentimento de “apreensão” o Tributários, trabalhistas, SIMEC reuniu-se para discutir os procedimentos que tomariam diante de “me- Bem tratados o quanto antes, didas tão severas, porém necessárias”. Finda a reunião, os associados deram Muito importante é a lista! crédito de confiança ao Governo utilizando metáforas bem nordestinas. Os problemas debatidos Acreditamos que o bom senso prevalecerá sobre os excessos, es- Com grande satisfação perando que o Governo tenha a sabedoria necessária para con- Companheiros reunidos, trolar a torneira que irrigará a economia, evitando que o país nem Temos comemoração. morra de sede nem afogado.24 *** O otimismo sindical não foi suficiente. Três semanas depois do anúncio Uma nova década tinha início, encerrando o século XX. Fred Saboya conti- do Plano, quase metade dos metalúrgicos de São Paulo cruzavam os braços nuaria presidindo o SIMEC com inteira estabilidade até julho de 1990. A mesma (FSP 8/4/90), e uniam-se aos companheiros da Grande São Paulo para pres- sorte não teria o Brasil, que elegera o alagoano Fernando Collor de Melo, caçador sionar o Governo Federal, representado pela plenipotenciária Ministra da de marajás, para o cargo supremo da Nação, um arrojado Presidente que chegou Economia, Fazenda e Planejamento, Zélia Cardoso de Mello (GM 12/4/90). ao dia da posse, 15 de março de 1990, com alguns truques escondidos na manga. No Ceará, igualmente na sequência do Plano, registrou-se de imediato uma baixa A inflação estimada era de 80%. Talvez, numa previsão mais otimista, de 50% no índice de comercialização das empresas dos associados, forçando até mes- não ultrapassasse os 74%. mo a algumas delas, com as atividades paradas, a solicitar desligamento do Sindicato. Só que em um único mês. No caso, o mês de março de 1990 (GM 13/3/90). A surpreendente capacidade de recuperação de um país calejado pe- los choques anteriores permitiu, ainda em junho daquele ano, que o setor Era mais que suficiente para justificar o lançamento de um novo Plano siderúrgico começasse “a dar os primeiros sinais de recuperação depois do de estabilização econômica no colo dos brasileiros, e nos ombros dos em- Plano Collor”, recuperação esta noticiada com entusiasmo pelo Jornal do preendedores. Os governantes reencenavam o velho truque de mudança da Brasil (8/6/90), e certamente recebida com igual satisfação no Ceará. moeda nacional, que deixava de ser cruzado para voltar a ser cruzeiro. E tira-118 119
  • 1987-1990 Apesar de não desanimar diante dos sucessivos desafios impostos pelas Notas: circunstâncias, o período de José Frederico Thomé de Saboya e Silva na 1 - Almanaque do Ceará, 1926 presidência do SIMEC chegava a termo. O ponto final se fez expresso em 2 - Raimundo Girão e Antonio Martins Filho. Fortaleza, Editora Fortaleza, 1939 elegante correspondência de despedida, enviada a todos os associados da 3 - Guia da cidade de Fortaleza, 1939 entidade e preservada nos arquivos institucionais. 4 - Reunião 13/7/10 5 - Ata, 2/2/88 Fortaleza, 26 de junho de 1990 6 - Ofício ao Procurador Geral do Estado, Silvio Brás, em 8/1/88 Prezado amigo 7 - Reunião Ordinária 12/1/88 8 - Reunião Ordinária 3/11/87 Há praticamente três anos assumimos, com os demais companhei- 9 - Reunião Ordinária 12/1/88 ros da Diretoria, a responsabilidade de exercer nosso mandato nas 10 - Ata 5/4/88 mesmas diretrizes de eficiência e probidade que marcaram com 11 - Portal da FIEC sinal relevante a brilhante atuação de nossos antecessores. 12 - Ata 1/11/88 O que procuramos realizar nestes três anos significa sinceramente 13 - Ata 1/3/88 não um esforço do Presidente, mas a soma do trabalho daqueles 14 - Ata 7/6/88 que se dedicaram para que o SIMEC se tornasse uma entidade 15 - Ata 2/8/88 cada vez mais ativa, conhecida e voltada para o desenvolvimento 16 - Ata 4/4/89 e divulgação do setor eletrometalmecânico. 17 - Ata 4/10/88 18 - Ata 11/4/89 Ao amigo, manifesto meu agradecimento particular pelo apoio e por tudo que fez em benefício da entidade, reafirmando o nosso 19 - Ata 23/5/89 permanente e grato sentimento de amizade. 20 - Julho/agosto 1989 21 - Ata 4/7/89 Cordiais saudações. 22 - Ata 1/8/89 23 - Ata 5/12/89 24 - Ata, 3/4/90120 121
  • 1990-1993 Fernando José Lopes de Castro Alves122 123
  • Fernando José Lopes de Castro Alves 1990-1993 A eleição estava marcada para terça-feira, dia 5 de junho de 1990. O pra- zo para registro de chapas se encerrara no dia 14 do mês anterior, com o es- perado resultado de formação de chapa única, tendo o engenheiro mecânico Fernando Castro Alves à frente da Diretoria efetiva. O convite viera para ele como uma surpresa. Era Diretor da Metaltec, indústria de um Grupo que deti- nha mais de três décadas de experiência em tecnologia de fundição, produzin- do máquinas de moinho, peças e bombas hidráulicas, entre outros produtos, administrando um total de 125 funcionários (TC 11/8/90). O endereço ainda era na Barra do Ceará, bairro onde, para melhor se instalar, a própria empresa cuidara de abrir ruas, criar praças e urbanizar o entorno. A mudança para o Distrito Industrial aconteceria em dezembro de 1990. “Foi inesperado”, recorda Fernando referindo-se ao contato inicial do Sindicato quanto a disponibilidade de seu nome para a presidência. “Uma Comissão do SIMEC chegou na empresa, para o que eu achava ser uma visita de cortesia, e o pessoal me fez o convite”. Fernando era frequentador assíduo das reuniões e ocupara cargos na Diretoria. Apesar de surpreso, respondeu que iria “consultar as bases”, entre as quais estava o pai dele, Ivan Moreira de Castro Alves, fundador das Bombas King, pertencente ao Grupo Castro Alves, e oitavo associado ao SIMEC. A resposta de Fernando não demorou: “Tudo bem, é uma missão, um negócio bom, vamos aceitar o desafio.” A chapa composta incluía José Sérgio Cunha de Figueiredo e Acácio Araujo de Vasconcelos, na Diretoria efetiva; Sebastião de Arruda Gomes, Augusto Castelo da Cunha e Roberto Farias como suplentes; Cícero Cam- pos Alves, Antonio Carlos Maia Aragão e Hélder Coelho Teixeira no Con- selho Fiscal; Raimundo Nunes de Andrade, Antonio Carlos Lyra Maia e Marcelo Villar de Queiroz na suplência; José Frederico Thomé de Saboya e Silva e Fernando Cirino Gurgel como Delegados representantes junto à FIEC, e seus suplentes Ivan Moreira de Castro Alves e Carlos Prado. Foi a primeira eleição do SIMEC a acontecer na sede da Av. Barão de Studart, na nova Casa da Indústria. Às 13h do dia 5 de junho de 1990, Linha de montagem da bomba K1 em 1963 - em primeiro plano, ex-presidente Fernando Castro Alves124 125
  • 1990-1993 uma terça-feira, instalou-se a Mesa Coletora eleitoral, formada por Anto- durante 20 anos. Fernando conclui: “As relações sindicais deveriam ser nio Carlos Lima Pereira, Evandro Sampaio Freire e Irenice Gurgel Freire. baseadas em dados. Para isso nós precisávamos definir bases.” Credenciado pela Portaria n° 1 de maio daquele ano, o Presidente que A administração anterior iniciara essa base de dados ao autorizar, ainda saía atendeu às formalidades constantes das instruções que regulavam as em junho de 1989, Contrato de Participação com a Marpe – Consultoria em eleições sindicais, acompanhou o movimento de votação e declarou o pro- Recursos Humanos S/C Ltda para pesquisa salarial voltada exclusivamente cesso encerrado às 19h. O cômputo final mostrou que das 56 empresas ao setor metalmecânico, através da qual o Sindicato recebia relatório das associadas (OP 14/7/90), 51 se encontravam aptas a votar, e 35 o fizeram. pesquisas de salários do 1° e 2° semestres, além de relatórios mensais de A apuração seguiu-se de pronto, tendo como escrutinador J. Itamar Pe- atualização dos dados salariais, recurso indispensável para qualquer enten- reira de Matos. Estavam eleitos Fernando Castro Alves, Sérgio Figueiredo e dimento com os funcionários, num tempo em que a inflação acumulada Acácio Araújo, como Presidente, Secretário e Tesoureiro, respectivamente, entre março de 1989 e março de 1990 atingiu estratosféricos 4.853%.1 para o período de julho de 1990 a julho de 1993. Dois outros temas o novo Presidente pretendia enfatizar ao longo Um aumento na mensalidade entrou em pauta logo na primeira reu- do triênio, conforme declarou ao jornal O Povo (14/7/90), na véspera nião, para fazer face às despesas internas, compensar os desgastes da infla- da posse: “Pretendemos ampliar a atuação do SIMEC e dar ênfase ao ção, e mostrar que nenhuma instituição era de ferro quando assolada pelo treinamento de profissionais, usando recursos já existentes na FIEC”. descontrole governamental. Definiu-se que as empresas que empregassem até 50 pessoas pagariam 20% do salário mínimo. De 51 a 300 empregados, 50% do salário mínimo. De 301 a 600, um salário mínimo integral, e o dobro dele para as empresas que empregavam acima de 600 funcionários. “Era preciso aumentar”, justifica Fernando. “A sustentabilidade se mede pelo que se arrecada com as mensalidades, e não pelo que entra de con- tribuição sindical, que é de lei. E o dia em que essa lei mudar, como é que fica? Então eu já tinha essa ideia, na época, do Sindicato se auto-sustentar.” Retornando duas décadas no tempo, o ex-Presidente afirma sobre sua gestão: “O que mais me incomodava era a questão do não profissionalis- mo, do embate direto dos empresários com os empregados. A primeira coisa que eu fiz foi procurar um executivo que tivesse essa capacidade de mediação, uma forma de negociação que já era adotada em outros Sin- dicatos. Foi quando apareceu o Ramon Salgado, profissional que trazia uma boa vivência na Rhodia, em São Paulo, e realmente o sistema come- çou a funcionar dessa forma.” O negociador prestaria serviços ao SIMEC126 127
  • 1990-1993 A atuação Em análise posterior sobre o próprio desempenho na presidência, Fernando percebe que o leque foi aberto de ligado este último à Confederação Nacional da Indústria, tendo sido criado com a diretriz de estabelecer “uma verdadeira ponte entre a universidade e sindical foi maneira bem mais ampla que os dois pontos pretendidos, desdobrando em muitas vertentes a desejada ampliação da a indústria, unindo as inteligências acadêmica e produtiva.”3 Logo em uma das primeiras reuniões funcionários do IEL compareceram para solicitar desdobrada atuação sindical, englobando a atualização dos associados apoio das empresas ao Estágio Supervisionado na Indústria,4 assunto que em muitas com informações sobre o mercado nacional e internacio- nal, estimulando a participação em feiras e eventos do se- retornaria à pauta outras vezes. O Diretor do SENAI, Tarcisio Bastos, era um dos convidados ao SIMEC vertentes tor, apresentando novidades em tecnologia, favorecendo o debate de soluções administrativas, antecipando negocia- para apresentar propostas de ressonância geral, como o programa do Curso de Matrizeiro e Ferramenteiro, a ser ministrado pelo órgão que dirigia. O ções, prevendo e encaminhando respostas às dificuldades. Curso despertava interesse especial para as empresas da área metalmecâni- Incluía ainda a intensificação da interação entre indústrias, universidades, ca, que sofriam a carência de profissionais destas atividades, destinando-se pesquisadores e estudantes, envolvendo principalmente o NUTEC – Núcleo a “preparar profissionais com amplos conhecimentos teóricos e práticos, de Tecnologia Industrial do Ceará, órgão vinculado ao Governo do Estado, além de buscar parceria das empresas no aprendizado do menor”.5 que tinha como núcleos prioritários os programas de Assistência Técnica às Indústrias, de Treinamento, de Ensaios Tecnológicos e de Pesquisas e Projetos2, e que Fernando classifica como “um bom prestador de serviço tecnológico”. “Semana passada eu falei sobre esse assunto”, observa Fernando Cas- tro Alves. Apesar da passagem do tempo “a carência ainda continua a Havia forte vínculo pessoal dele com a UFC – Universidade Federal do mesma, de profissionais para injeção de plástico, corte de chapa e fundi- Ceará, o que naturalmente se estendeu ao desempenho do cargo. Fernando ção. E a capacitação do menor aprendiz, parece que só agora está ‘pegan- fora representante da FIEC no Conselho Superior da Universidade, e desde do’, mas era preocupação nossa, desde aquela época”. 1973 colaborava com a realização de pesquisas voltadas à energia solar e ao biodiesel. Graças a essa aproximação, técnicos do NUTEC e professores A insistência no tópico da profissionalização levou Fernando a ser convi- dos Departamentos de engenharia, física e química da UFC foram convida- dado a participar, como debatedor, do Seminário Nacional para Empregadores dos a participar das reuniões, e assim o fizeram. sobre Formação Profissional, realizado em Salvador, de 29 a 31 de agosto de 1990, patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria com o co-patrocí- Na Reunião Ordinária de 2 de outubro de 1990, por exemplo, os mestres se nio da Confederação Nacional do Comércio e da Organização Internacional do pronunciaram sobre a “suma importância do envolvimento da Universidade com Trabalho. Findo o evento, Mário Amato, presidente em exercício da CNI, enviou o setor produtivo”, sugerindo a realização de nova reunião, desta vez na UFC, para correspondência a Fernando Castro Alves,6 extensiva aos associados do SIMEC, que os empresários conferissem pessoalmente o que a eles poderia ser oferecido. sem poupar elogios: “Para o êxito do evento concorreu sobremaneira a lucidez e O SIMEC contava também com a colaboração estreita e constante de a agilidade com que V.Sa. abordou o tema que lhe coube durante o Seminário”. órgãos e entidades como SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Ser- O mundo tomava conhecimento das notícias sobre a Guerra do Golfo, viço Nacional de Aprendizagem Industrial, e IEL – Instituto Euvaldo Lodi, iniciada em agosto de 1990 na região do Oriente Médio. Não iria influen-128 129
  • 1990-1993 ciar o mercado brasileiro, conforme garantiam as publicações especializa- O CIF uniforme foi criado com a intenção de descentralizar o consu- das em economia (GM 22/8/90). Muito menos o Ceará. O crescimento mo do aço no país, favorecendo as regiões mais afastadas do centro da Metaneide, empresa filiada ao SIMEC, era um bom exemplo do voo produtor. O que se viu, depois de 20 anos, foi que a curva de con- sumo nesses Estados não se alterou. Primeiro, porque o aço não é o tranquilo, acima das tempestades circunstanciais. fator preponderante. Depois, porque não havia mercado local que Ao jornal O Povo (19/10/90), Fernando Cirino Gurgel – ex-Presidente justificasse a implantação dessas indústrias. do Sindicato, ex-Presidente do CIC, vice-presidente da FIEC e Diretor Presi- O articulista prosseguia, impiedoso: dente desta que ocupava uma honrosa terceira posição nacional no ranking das 12 maiores fabricantes de tambores de freio – declarava querer dupli- Esta é uma velha luta do setor, que só não havia sido vencida por car sua produção no início de 1991. Afinal, com 17 anos de experiência pressões de políticos que achavam que defendiam o interesse de na produção de tambores de freio, metade destinada a São Paulo, sendo seus Estados, mas na prática defendiam distorções de mercado. pioneira no Norte e Nordeste na fabricação de tambores de freio para as A interpretação no Ceará era exatamente oposta. Havia pressão de linhas leve e pesada, tinha respaldo para tanto (OP 19/10/90). políticos, sim, porém derivada da insistência do empresariado de Minas A 9 de novembro de 1990 uma indesejada notícia veio agitar o mercado Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, forçando o Governo a ceder, extinguir do aço. Depois de intermináveis indas e vindas, depois de intensas rodadas o benefício e acirrar os ânimos regionalistas. A extinção criava um cená- de negociação em Brasília, provocadas pela SUDENE, depois de prolonga- rio indicativo de “mais um equívoco da política econômica do Governo dos debates nos governos anteriores, depois de acirrados pronunciamentos Collor”, nas bem medidas palavras de José Flávio Costa Lima, representante procedentes do Norte e Nordeste, depois de tudo isso o presidente Fernando da CNI junto à SUDENE, ou da “extrema unção do setor metalmecânico Collor, um nordestino, resolvera eliminar, de uma vez por todas, o CIF uni- do Nordeste”, (DN 14/11/90) como entendia, com maior intensidade, o forme para aços planos produzidos pelas usinas siderúrgicas estatais, ação Coordenador de Planejamento Industrial da SUDENE, Girley Brazileiro. inserida em seu icônico Programa Federal de Desregulamentação. Apesar de toda a discussão pública dedicada ao problema do fornecimento Assim foi que a Portaria interministerial n° 670/90 de 8 de novembro do aço, Fernando Castro Alves posiciona melhor a questão, que não se fazia cen- de 1990 (TC 23/11/90), assinada pelos ministros da Economia e da Infra- tral no Sindicato, porém rendia muito espaço jornalístico devido ao impacto social estrutura, Zélia Maria Cardoso de Mello e Ozires Silva, revogou sumaria- que certamente iria a causar. Nesse sentido, era respaldado pelo Presidente da mente as Resoluções n° 02, de 20/5/68, e n°35, de 11/2/76, do já extinto FIEC, Luiz Esteves, que previa queda de até 35% na produção do setor metalme- Consider – Conselho de Não Ferrosos e de Siderurgia, dando fim à equali- cânico, desemprego em larga escala, fechamento de empresas (DN 20/11/90). zação do preço do aço, até então vigente. “Era uma briga que não atingia a todas as empresas do SIMEC”, explicita A propósito do tema a Gazeta Mercantil veiculava artigo de Carlos Fernando, “um Sindicato muito heterogêneo, com bandeiras variadas e pon- Loureiro, Presidente da distribuidora de aço Rio Negro, explicando os co- tuais. Nós, por exemplo [Bombas King] não tínhamos esse problema. Nosso mos e porquês dessa medida, sob um prisma bem diverso daquele que os consumo era de sucata, ferro gusa e energia elétrica. Talvez 20% das empre- nordestinos estavam habituados a ver (9/11/90). sas sofressem, as maiores, as mais fortes, e era nossa obrigação ir defender”.130 131
  • 1990-1993 O imbroglio político foi solucionado pela mesma via, com final feliz para dos no país como instrumento de progresso e amadurecimento das os nordestinos mobilizados – e para o SIMEC, que se uniu aos Sindicatos de relações trabalhistas. Pernambuco, Pará e Rio Grande do Norte na formulação de documento a ser A Medida Provisória referida trouxe novidades sobre a desindexação do salá- entregue “às autoridades competentes”, apresentando os justos motivos pelos rio. As novas medidas do Governo Federal demandavam cálculos complexos para quais a Portaria deveria ser revogada, e a Resolução n° 35/76 ser mantida.7 definição do piso salarial do metalúrgico, assunto discutido em Reunião Ordinária A estes aliados somaram-se muitos outros. Sem perda de tempo o governador do dia 5 de março de 1991, como havia sido um mês antes, a 5 de fevereiro. Tasso Jereissati solicitou audiência com a ministra Zélia, audiência na qual teve a Fernando conhecia bem os meandros e labirintos dessas mudanças, en- companhia do Governador eleito, Ciro Gomes (TC 17/11/90). O senador Mauro frentadas pelo empresariado com um bem exercitado jogo de cintura. “Você Benevides apelou aos Ministros para que a “esdrúxula decisão” da “malfadada está vivenciando uma situação”, exemplifica. “Você está dependendo da- Portaria” fosse anulada (DN 20/11/90). O Superintendente da SUDENE, Adauto quilo. Aí o Governo muda a regra. E você tem que se readequar. Enquanto Bezerra, prestou inteiro apoio (DN 22/11/90). E o senador Afonso Sancho foi re- isso, todo esforço que você despendeu para se manter em uma determinada cebido pela ministra Zélia no dia 22 de novembro, saindo de lá triunfante com a situação vai de água abaixo, porque foi criada outra bem diferente, e você notícia de nova Portaria, suspendendo – “temporariamente” – a chamada Portaria vai ter que adivinhar como é que vai se sair. Por isso que tem carga tributária do Aço (TC 23/11/90), que não resistira mais de duas semanas de embate. alta, por isso que tem toda essa questão de fiscalização violentíssima. Tudo Talvez pela visível demonstração de influência, talvez pelo próprio pro- em cima do empresário.” E constata: “O sujeito é empresário porque é teimo- cesso natural de convergência, o SIMEC era procurado por empresas que so. É industrial que é teimoso. A pessoa entra ali, começa a inventar coisa e a ele desejavam se filiar, como TAU Industrial e Técnica Ltda8, de Bosco quando vê está metido no meio da confusão e não tem como saltar”. Viana9; Moreira & Filhos Ltda; Pearce Indústria e Comércio de Máquinas Ivan de Castro Alves, pai de Fernando, é testemunha próxima da luta Ltda10, ao mesmo tempo em que ativava seu papel nas negociações traba- diária do industrial no Ceará. No seu livro “Caracol de Chumbo”, entre as lhistas, intensificado pela proximidade do final do ano. “experiências e memórias de um empresário sessentão”, como está no sub- A ata de 4 de dezembro de 1990 anotou ter sido negociada a Con- título, ele relata o árduo começo de sua história na indústria. “Posso dizer venção Coletiva do Trabalho nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de que iniciei a fabricação de bombas King na intrepidez da ignorância”, es- material elétrico em Fortaleza e Maracanaú, sendo o acordo de Fortaleza creve em sua linguagem leve, “pois se soubesse o que era realmente indús- fechado basicamente dentro do que estabelecia a Medida Provisória n° tria, no verdadeiro sentido da palavra, não me teria metido nessa empreita- 295/296, exceto quanto ao piso salarial, “onde houve pequeno ganho, e o da, iniciada há um quarto de século,” num Nordeste onde havia “carência de Maracanaú com melhores vantagens para o trabalhador que o de Forta- geral de tudo que pudesse ser favorável à implantação de uma indústria”.11 leza”. O II Encontro Nacional de Negociações Coletivas, em Belo Horizon- No caso dele, embora se tratasse de um projeto luminosamente simples te, permitiu, ainda segundo a ata, – fabricar bombas d´água para o seco Ceará – as dificuldades foram muitas, a começar pela escolha do nome do produto, que não recebera bem a deno- estabelecer consenso no setor eletrometalmecânico que o Contra- minação de Chuí, levando Ivan a recorrer ao idioma inglês. O uso de King era to Coletivo e a Livre Negociação serão inevitavelmente implanta-132 133
  • 1990-1993 justificado naquele final dos anos 1950, assim como hoje: “Uma marca com Encontro Nacional pelo Desenvolvimento, em São Paulo. A palestra sobre nome estrangeiro num produto pesava psicologicamente na comercialização, Como Aumentar a Lucratividade com a Análise do Valor. A I Feira de Veícu- uma vez que o consumidor valorizava muito o que era importado”, explica. los e Autopeças do Ceará. A I Feira do MERCOSUL, em Brasília.15 *** Como uma das ações básicas do Sindicato é informar, as Reuniões Or- No SIMEC, março de 1991 trouxe melhoras nas perspectivas para abril, e dinárias vinham plenas de informação, “porque o empresário está ocupado em maio a ata do Sindicato constatava fato animador: “a situação está menos com o dia a dia, e o momento para ele ter alguma informação sobre o que mal do que poderia ser”. Os trabalhadores reivindicavam reposição das per- está acontecendo de novo, de vantagem para a empresa dele, está justa- das salariais, elevação do piso metalúrgico, reajuste automático dos salários mente nas reuniões”, esclarece o ex-Presidente. Daí haver solicitado ao e melhores condições de trabalho – as chamadas cláusulas sociais, que hoje Núcleo Setorial de Informação Metal Mecânica da Universidade Federal “valem mais do que as cláusulas econômicas”, como assegura Fernando. O SI- de Santa Catarina, ainda em dezembro de 1990, uma Base de Dados para MEC recomendava a seus associados que mantivessem a prudência: “Devido eventos na área, com a qual supria o calendário informativo. à modificação na política governamental de salários, que ora acontece, não é aconselhável negociar agora. Cada empresa deve avaliar o clima interno.”12 Buscando aperfeiçoar seu sistema de navegação em meio à enxurrada Missão internacional em Monterey-México, 1993 de decisões governamentais o SIMEC desdobrou três Comissões de Nego- ciações da Convenção Coletiva do Trabalho: uma Comissão de Política So- cial, formada por Augusto Castelo da Cunha, Carlos Prado, Flávio Almeida Franco, Marcelo Villar de Queiroz e Marcos Antonio Gurgel; uma Comis- são de Política Sindical, composta por Acácio Araújo de Vasconcelos, To- nico Aragão, Helder Coelho Teixeira, Sebastião de Arruda Gomes e Sérgio Cunha de Figueiredo; por fim, uma terceira Comissão, de Política Econômi- ca, tendo como componentes Célio Cirino Gurgel, Fernando Castro Alves, Marcus Vinicius Sousa, Mario Bravo e Raimundo Nunes de Andrade.13 Navegar era preciso. Uma equipe técnica do BNB compareceu ao encontro do dia 2 de julho de 1991 para expor tipos de financiamentos “financeiramente viáveis” para a área industrial, com o objetivo de “prio- rizar os setores dinâmicos da indústria”.14 O entendimento pela palavra predominava. Anunciava-se o Seminário sobre Livre Negociação Sindical, a acontecer em Curitiba. O Seminário Qualidade para a Produtividade, ministrado pelo psicólogo José Coelho de Melo Filho. Era divulgado o III134 135
  • 1990-1993 “Precisamos de informação e formação. Mais formação, até, mas nem por isso menos informes, sobre feiras nacionais ou internacionais. Essa sempre foi uma visão Nem tudo era negativo no setor eletrometalmecânico, enquadrado no extinto 14° Grupo do Plano da Confede- O Brasil fabricava minha, de achar que é preciso conhecer o que se faz aí fora. A presença tem que ser constante. No Brasil mesmo, em São Paulo, ou no exterior, onde tiver informação ração Nacional da Indústria, que em 1989 passara a cons- tituir o 19° Grupo. A produção de aço crescia. O Brasil 4,5% a mais de a gente vai ter que ir atrás. Nós não tínhamos uma base sólida de negócios, nem fabricava 4,5% a mais em janeiro de 1992 em relação ao aço em janeiro de produtos que fossem altamente competitivos, mas mesmo assim era indispensável saber como as coisas aconteciam lá fora, e trazer algumas delas para cá”, assume. mesmo mês do ano anterior. A FIESP concedia 70% de re- posição salarial aos metalúrgicos.18 E Fernando Collor de 1992 em relação Com esta certeza em mente foi organizada uma missão ao México. Melo era ejetado do poder a 2 de outubro de 1992, abrin- do a vaga para Itamar Franco, que começou autorizando ao mesmo mês A Feira Internacional de Metalmecânica, acontecida naquele país, na cida- de de Monterey, no ano de 1991, da qual o SIMEC participou apoiado pela o novo Ministro do Trabalho, Walter Barelli, a apresentar proposta de fixação do salário mínimo em 100 dólares, a do ano anterior. Secretaria estadual da Indústria e Comércio, pela FIEC e por outros patroci- nadores interessados nas possibilidades acenadas por esse novo mercado, partir de janeiro de 1993.19 que não chegou a se consolidar. Em fevereiro de 1993 o Jornal da FIEC informava a seus leitores que o O Plano Collor adernava rumo ao inédito impeachment presidencial. O crescimento do setor eletrometalmecânico cearense seria “moderado”. O Pre- ano de 1992 começava com desesperadas tentativas do Governo em man- sidente do SIMEC se pronunciava pela Diretoria de sua entidade, prometendo ter um mínimo de controle econômico, aprovando nova Reforma Tributária realizar pesquisa-diagnóstico sobre o que o industrial esperava do setor, ao de Emergência, instituindo a Unidade Fiscal de Referência e alterando a mesmo tempo em que realizava um balanço comparativo entre antes e agora. legislação do Imposto de Renda, entre outras medidas. As águas cearenses Antes, havia no país a ideia de desenvolvimento. Levando em conta agitavam-se e as empresas mais uma vez enfrentavam “situação crítica”.16 o quadro que se tinha antes da recessão, com as empresas da área empe- Houvesse ou não uma relação de causa e consequência com o ma- nhadas em grandes investimentos, que as levaram a crescer “assustadora- cro cenário nacional, empresas como a Micheletto e a Indumaq, associadas mente”, era fácil perceber que, hoje, a recessão trouxera “queda brutal”, desde 1987, desativaram suas fábricas no Ceará. A primeira restringiu-se a confirmada pelas perdas de até 60% registradas nos últimos cinco anos. fabricar rebites. A segunda continuou mantendo apenas a assistência técnica. “Antes, as empresas associadas ao SIMEC empregavam 10 mil pessoas”, Não bastassem os dissabores, o setor enfrentava críticas de reflexo lo- enfatizava Fernando. “Hoje precisaria somar todas as indústrias do Ceará cal, por parte de Vicente Fialho, Ministro das Minas e Energia do Brasil de para chegar a esse número,” e apresentava os quantitativos comprobatórios.20 abril a outubro de 1992, que culpava os pivôs de irrigação, implantados O setor de metalurgia cearense era formado por 355 firmas registradas, pelo governo Tasso Jereissati, pelo fracasso do Plano de Irrigação, atingindo com 7.303 funcionários. O setor mecânico era menor, com 43 firmas, e o com isso a Cemag, única empresa local a fabricá-los. Assumindo seu papel, setor eletroeletrônico menor ainda, registrando apenas 40 empresas. No a Diretoria do SIMEC, em conjunto com a FIEC, aprovou a publicação de total, somavam 421 empresas, com 10.246 operários. Havia ainda 1.545 nota nos jornais em defesa da associada, o que foi feito.17 microempresas em operação, com 15% do pessoal ocupado. A adição dos136 137
  • 1990-1993 números representava 70% da produção que abastecia Norte e Nordeste, técnicas mais modernas”, causavam danos ao meio-ambiente, uma ques- produção esta alavancada pelas empresas de grande porte, como Esmaltec, tão social que começava a se impor.21 Siderúrgica Cearense, FAE, Mecesa, Grupo Ângelo Figueiredo. A partir daí, as reuniões seguintes do SIMEC já iriam ser conduzidas por Novas indústrias estavam sendo atraídas para o Estado para permitir ao outra Diretoria, e por outro Presidente que, pela segunda vez na história do cearense a possibilidade de alternativas à imprevisibilidade climática. Pre- Sindicato, não era proprietário de indústria. via-se, até o próximo ano, a chegada de 17 empreendimentos, que iriam gerar mais de mil empregos de uma só vez, consolidando a Política de Atração de Indústrias desenvolvida pelo Governo estadual. Notas: 1 - http://www.sociedadedigital.com.br/artigo.php?artigo=114&item=4. Entre suas últimas ações na presidência, Fernando Castro Alves acom- 2 - Portal do NUTEC panhou a promoção de curso sobre novos processos não poluentes, reali- 3 - Instituto Euvaldo Lodi. 30 anos de parceria Universidade-Indústria. Brasília, IEL, 1999 zado na FIEC, porém com inscrições no SIMEC, cientes todos que a maior 4 - Ata 4/9/90 parte dos processos usados no Brasil, “por falta de conhecimento maior de 5 - Ata 4/6/91 6 - Rio de Janeiro, 13/9/90 – arquivo institucional Missão do SIMEC ao Polo Metalmecânico do Cariri (Missão Velha, Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte, 1993) 7 - Ata 4/12/90 8 - Reunião Ordinária 4/9/90 9 - Portal SIMEC 10 - Reunião Ordinária 4/12/90 11 - Fortaleza, 1987 12 - Ata 21/5/91 13 - Atas 3/9/91 e 1/10/91 14 - O FNE - Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste era operado pelo Banco do Nordeste. Havia sido criado pela Constituição Federal de 1988 visando re- duzir as diferenças regionais, contribuindo para investimentos produtivos que viessem a impulsionar o desenvolvimento econômico nordestino, gerando emprego e renda. 15 - Ata 6/8/91 16 - Ata 10/3/92 17 - Ata 14/1/92 18 - JB 7/2/92, OG 8/4/92 19 - DN 10/12/92 20 - Jornal da FIEC fev/93 21 - DN 11/6/93138 139
  • 1993-1996 Mario Walter Saturnino Bravo140 141
  • Mario Walter Saturnino Bravo 1993-1996 O livro de atas eleitorais do SIMEC registrou, no dia 9 de junho de 1993, concluída a apuração da eleição, que haviam comparecido para votar 34 associados de um total de 49. Tratava-se de chapa única, mais uma vez ven- cedora por consenso, e a posse aconteceu como de praxe, a 14 de julho. A chapa para o triênio 1993-1996 tinha a seguinte composição. Direto- ria: Mario Walter Saturnino Bravo, Diretor Presidente; Carlos Prado, Diretor Secretário; Sebastião de Arruda Gomes, Diretor Administrativo; suplentes Fer- nando José Lopes de Castro Alves, Roberto Farias e Francisco Gildo Rebou- ças. Titulares no Conselho Fiscal: Antonio Carlos Maia Aragão, Marcelo Villar de Queiroz e Augusto Castelo da Cunha, com os suplentes Jesus Hernandez Y.F.Neto, Molinari Batista e Raimundo Nunes de Andrade, proprietário da Metadil – Metalúrgica Diana Ltda, fabricante de dobradiças. Representantes junto à FIEC eram Fernando Cirino Gurgel e Mario Walter Saturnino Braga, com os suplentes Carlos Prado e José Sérgio Cunha de Figueiredo. Ao reler em 2011 a listagem dos nomes daqueles que compunham a Dire- toria, Mario Bravo acrescenta um comentário a cada um. Fernando Castro Alves: “Foi meu antecessor”. Roberto Farias: “Irmão do Bill Farias, da Fyber”. Francisco Gildo: “Saiu do Sindicato. Não lembro o nome da metalúrgica, tinha parte de alu- mínio”. Antonio Carlos Maia Aragão: “Tonico. Gente finíssima”. Marcelo Villar de Queiroz “Está doente, uma pena”. Augusto Castelo: “Está doente também”1 . Jesus Hernandez: “Da Hispano”. Raimundo Nunes de Andrade: “O Capitão Nunes. Fa- lecido”. Molinari Batista: “Voltou para a Itália”. Carlos Prado: “Uma das grandes eminências pardas”. José Sérgio: “Da empresa Ângelo Figueiredo”. Ao lado dessa Diretoria, no dia da posse o novo Presidente prometera “consultoria e renovação”2. Assumia o honroso cargo “com o desafio de continuar o excelente trabalho feito pelos ex-Presidentes”, e nortearia sua gestão no cumprimento de três pontos – ou talvez fossem quatro: “Renova- ção, parceria e bem comum, e consulta aos associados”. A Diretoria que en- trava foi saudada por ninguém menos que Fernando Cirino Gurgel, à época Presidente da FIEC, nascido e criado nos quadros do SIMEC, do qual era ex-142 143
  • 1993-1996 -Presidente. Cirino pronunciou aos presentes mais que um discurso de sau- que estava implantando modificações no perfil de serviços e produtos da FAE dação. Os que o ouviram naquela noite levaram na memória uma verdadeira – Ferragens e Aparelhos Elétricos S/A, e para isso procurou pessoas donas de declaração de amor ao ofício metalmecânico, preservado em letra impressa conhecimentos técnicos, especialistas procedentes de todo o mundo. pelo Jornal da FIEC. “Por detrás do ritual da troca de comando palpita esfor- A FAE havia sido fundada a 13 de setembro de 1967. Voltava-se à fabrica- ço humano pela continuidade existencial das instituições,” afirmou naquela ção de medidores de energia eletromecânicos, no que contava com a parceria noite de festa. da japonesa Mitsubishi Electric Corporation. Ofereceria também ao mercado Merece destaque a política de alternância entre os titulares da di- uma diversidade de produtos, como parafusos, secadores de cabelo, aspirado- reção do SIMEC, (...) que atrai para si uma convergência de inte- res portáteis, disjuntores, tesouras elétricas e conectores elétricos. Desde 1972 resses legítimos. fabricava e comercializava equipamentos para medir e gerenciar o consumo de energia elétrica. A linha de hidrômetros surgiria no distante ano 2000, seguida Os que aqui se reúnem o fazem em defesa de um dos segmentos em- pela linha de medidores eletrônicos, estabelecendo como missão “contribuir presariais mais gratos às características geoeconômicas do Ceará (...). para o uso legal e racional dos recursos hídricos e energéticos”. Atualmente A capacidade criativa cearense vai buscar lá fora a matéria-prima a FAE é especializada na medição de energia e água, exportando para vários que o Estado não produz. Soma essa matéria prima, dentro de suas países,3 o que ainda não acontecia quando Mario por lá chegou. fronteiras, ao processamento industrial. E a transforma em produto Mario Bravo tinha experiência na área de projetos industriais e metalmecâ- acabado, e o comercializa nos mercados interno e externo. nica. Recebido o convite, partiu para procurar no mapa, num tempo anterior à Entra metal como matéria prima e sai metal transformado em pro- internet e ao Google Maps, onde ficava o Ceará, e não se deixou dissuadir pelas duto final. Agrega-se principalmente trabalho à matéria prima. primeiras informações. “O filho do cônsul, muito simplesmente, me disse que era muito quente, não tinha nada. Em contrapartida, eu tinha um dicionário en- Em última análise, o que o setor metalmecânico exporta na essên- ciclopédico Larousse em casa, procurei Ceará, Fortaleza, e vi uma fotografia que cia, como propriamente do Ceará é, sobretudo, o trabalho. me encantou, de uma jangada na praia de Iracema. Temperatura média - para Esse é, em síntese, o roteiro imaginoso da produção e comercializa- quem mora em Buenos Aires, onde eu já peguei temperatura de 43 graus, não ção dos artefatos com que as indústrias eletrometalmecânicas do Ce- ará comparecem ao concerto das atividades produtivas do Brasil. (...) Mario Bravo, Tonico Aragão, Marcelo Villar e Dário Aragão Trata-se de uma das mais desafiadoras áreas industriais, porque tem exigências para conter custos, incrementar produtividade e sustentar o poder de competição. É provável que a expressão “buscar lá fora” tenha sido grata aos ouvidos de Mario Bravo, argentino, nascido em San Miguel de Tucumán, chegado ao Ceará em 1976 graças a um convite do industrial Gerardo Matos Bezerra Lima,144 145
  • 1993-1996 me pareceu nada demais. O Ceará tinha três universidades. Eu aceitei o convite, Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma para experimentar por três meses. Vim sozinho. Com a passagem de ida e volta inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três na minha mão. Depois de dois meses trouxe a família”. E assim ficou. décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro Antes de encabeçar a chapa que o elegeria para a presidência do Sindi- reformas monetárias no período e em cada uma delas deletamos três cato o argentino havia sido convidado várias vezes para fazer parte da Di- dígitos da moeda nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso retoria. Não aceitara por impedimento legal, afirma, visto não possuir a ci- único no mundo, desde a hiperinflação alemã dos anos 1920. dadania brasileira, mas tão logo a conseguiu resolveu dizer sim ao convite, Mario testemunhou as dificuldades enfrentadas pelos empresários brasilei- estimulado por Fred Saboya. Desde 1983 vinha participando das mesas de ros e cearenses, podendo confirmar que afetavam todos os níveis de trabalho. “A negociação do Sindicato (“Sempre tive uma queda por negociação traba- relação era conflituosa com o trabalhador por um motivo muito simples. A in- lhista”), como Gerente Industrial da Alubrás – Artefatos de Aço e Alumínio flação corroia completamente o salário. A priori, o nascimento do real foi como do Brasil S/A, na qual entrara em 1981 e onde chegou a Diretor Industrial. uma bênção para a relação trabalhista, e para o trabalhador em si. Eu achei uma “Depois que saí da FAE fui trabalhar na Alubrás, ajudando no projeto da coisa maravilhosa, porque trazia um pouco de lógica a uma situação absurda”. montagem. A proposta que me fizeram era interessante. Em 35 anos tive A URV entrava em cena. “Todos os dias o valor era diferente. Se fazia carteira assinada só com a FAE e com a Alubrás. Depois fiquei por minha uma média mensal, e se passava a ter a referência de um valor médio mensal, conta, prestando consultoria”. fixo. Era bom para o trabalhador”. A opinião do Presidente do SIMEC não Dos dois únicos chefes brasileiros recebeu preciosas orientações. “Gos- era inteiramente compartilhada pelos metalúrgicos, que em março de 1994 tei muito do ambiente do SIMEC, das pessoas, do ambiente, da camarada- marcavam uma greve envolvendo cerca de meio milhão de trabalhadores de gem. O Gerardo Lima tinha me dito: ‘Mario, aqui no Ceará, ou você tem São Paulo, Osasco e Guarulhos, exatamente em protesto contra a conversão dinheiro, ou você tem amigos’. E o Amilcar Araújo, por sua vez, era uma dos salários para URV, “que não havia considerado a inflação de fevereiro”.5 pessoa com um conceito muito forte de associativismo, de classe, tanto que Se as condições não eram as ideais para os metalúrgicos, também não o me colocou no SIMEC, representando a Alubrás”. eram para os donos das indústrias cearenses, vistos por Mario como verda- O cidadão brasileiro Mario Bravo teve sorte. A 27 de fevereiro de 1993 o país deiros heróis. E enumera as razões na ponta dos dedos: “O Ceará não tem embarcou em nova tentativa de estabilizar a economia nacional e de controlar matéria-prima. Não tem a quantidade ideal de gente especializada. Não fa- a hiperinflação, que em junho daquele ano alcançou os 46,58%. O Plano Real, brica equipamento. Não tem mercado suficiente para sustentar uma indústria. implantado pelo presidente Itamar Franco e seu Ministro da Fazenda, Fernando Quem monta uma metalúrgica aqui é um herói”. Henrique Cardoso, instituiu a URV – Unidade Real de Valor, estabeleceu regras Como exemplo, menciona associados do SIMEC, como Fernando Ci- de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, rino Gurgel, que na época presidia a Metaneide (hoje Durametal), Carlos e extinguiu cruzeiros e cruzados lançando uma nova moeda: o real.4 Prado, da Cemag, e Valdelírio Soares, da Microsol, que por duas vezes A respeito da hiperinflação e da mudança de moeda o conhecido jor- viria a presidir o Sindicato. O caso deste último ilustrava a afirmação: “O nalista Joelmir Betting escreveu texto que vale a pena reproduzir: cobre vinha do Chile. As lâminas para os transformadores tinham que146 147
  • 1993-1996 Estava confirmado ser compradas na Argentina, porque aqui o preço não era competitivo. Coloque aí mais dois meses de E 1995 foi também o ano em que Ana Elsa Ávila Pinto, atual secretária, entrou no Sindicato, trazendo a experiência de trabalho na Cemag sob o o aumento navio, para chegar a mercadoria. E o mercado dele não estava aqui. É ou não é um herói?” comando do associado Carlos Prado. Chegava com a missão de organizar as pilhas de papéis e documentos produzidos e acumulados ao longo de nacional de Antes que o Plano Real começasse lentamente a décadas, entre os quais se encontravam muitas das atas que contam a histó- consumo do aço, mostrar seus efeitos, reduzindo a inflação, ampliando o poder de compra da população, remodelando os seto- ria do SIMEC, hoje preservadas pela reconhecida importância documental na recuperação da memória da entidade. tendo o Plano Real res econômicos nacionais, aumentando o consumo do Os encontros do Trade Point Fortaleza, criado em 1995 como parte de aço no país, trazendo um sopro de alívio, houve tempo um projeto da Organização das Nações Unidas, foram anunciados em reu- como indutor. em 1993 para o Governo Federal encerrar o programa nião no mês de julho, cumprindo com o propósito de formar e acompanhar de privatização do setor siderúrgico, com o leilão da empresas na procura de parceiros internacionais, prestar assessoria em co- Açominas.6 No Ceará avançava a construção do Distrito Industrial III7, ocu- mércio exterior e simplificar as negociações no mercado internacional.9 Na pando área de 164 hectares, localizado no município de Maracanaú. mesma reunião formou-se Comissão de Negociação patronal, pronta para “Distrito Industrial tem vantagens e desvantagens”, analisa Mario. negociar com o Sindicato dos Trabalhadores a Convenção Coletiva para o “Uma das coisas que encorajou o Distrito foi a concessão de determinados ano seguinte; registrou-se o interesse de empresas portuguesas interessadas incentivos. Eram áreas de bom tamanho, que em Fortaleza eram mais difí- em trabalhar com empresas cearenses, em regime de subcontratação; o ceis. Para a logística era muito mais interessante. Hoje temos atuantes, na financiamento, por parte do BNDES de projetos de controle ambiental e Grande Fortaleza, os Distritos de Maracanaú I, II, III e IV, além de Aquiraz, despoluição industrial; e o ex-Presidente Fred Saboya repartiu informações Eusébio, Maranguape e Caucaia”. sobre as normas do ISO 9000 para empresas do setor eletrometalmecânico. Em setembro de 1994 estava confirmado o aumento nacional de con- O SIMEC comunicava-se com seus associados, estimulando a participação, sumo do aço, tendo o Plano Real como indutor. Os números positivos eram como expõe Mario. “Encorajamos sim, promovemos encontros, participamos demonstrados por empresas como a Esmaltec, maior cliente individual de ativamente de feiras, ou como vendedores ou como compradores, ou mesmo só aço no Nordeste.8 para ver o que os outros estavam fazendo”, afirma. “O benefício se traduz em conhecimento e contatos. Depois do meu período na presidência houve algu- Muitas foram as Feiras de negócios em 1994. Em agosto aconteceram a X mas feiras no Ceará, creio que duas, alguma coisa em conjunto com o SEBRAE. Feira Sul-Brasileira da Indústria Mecânica – Expomac 94, com a participação Foram feiras que se pagaram. Não trouxeram prejuízos. Não eram feiras de negó- de 90 expositores, e a III Feira Sul-Brasileira da Indústria Eletroeletrônica – cios, mas de vitrines, e tentamos oferecer uma vitrine para o produto cearense.” Elétron 94, ambas no Centro de Exposições de Curitiba. Exatamente um ano depois vieram a FIMEPE – Feira da Indústria Metálica e de Material Elétrico No que se refere a essa desejada abertura internacional, durante a pre- de Pernambuco, e o I Encontro de Tecnologia e Soldagem do Vale do Jagua- sidência de Mario Bravo foram feitos contatos com Portugal para avaliar ribe, no município cearense de Tabuleiro do Norte, oferecido pelo NUTEC. vantagens e desvantagens de eventuais parcerias. Os resultados, porém,148 149
  • 1993-1996 não atenderam ao esperado. “Os portugueses estavam mais interessados Sobre a atuação do Sindicato na área metalmecânica ele responde: “É um em que nós vendêssemos as coisas deles aqui, do que em formar parcerias. setor que tem um peso muito maior, sempre. Aqui não temos nenhuma empresa Não foi muito produtivo”, descarta ele. que seja especificamente elétrica ou eletrônica. Nós tínhamos, do setor elétrico, Desde setembro de 1994 o Plano Real vinha conseguindo aumentar o mesmo, a FAE e a Microsol, praticamente. Esmaltec, linha branca, mistura os consumo do aço. O CONFAZ – Conselho Nacional de Política Fazendária dois setores. Depois chegou a Mallory, e foi quando o setor elétrico cresceu”. equalizava o preço do aço plano para o Nordeste, medida que reduzia a Para Mario, ao longo dos anos o SIMEC definiu “dois ou três guias espiritu- competitividade para as indústrias que importavam insumo do Sul e Su- ais: Carlos Prado, Fernando Cirino, pessoas que sempre foram muito ouvidas, deste.10 O Secretário da Fazenda estadual, Pedro Brito do Nascimento, pelo bom senso e pela dedicação à causa, e o terceiro, Sebastião de Arruda declarava aos jornais que “os produtos não estavam competitivos porque Gomes, já falecido. Carlos Prado é uma cabeça. Nunca foi presidente do SIMEC no preço estava sendo colocado o frete” e o jornal esclarecia: porque não quis. É pessoa que tem condições de planejar. Quando surgiu o Pla- no Cruzado ele vaticinou com extrema precisão os próximos cinco ou dez anos. A medida preenche o vazio criado pelo Governo ao abolir o subsídio Tem um potencial intelectual incrível”. E conclui com ênfase: “É uma cabeça”. no frete para aços planos vendidos pelas siderúrgicas do Sul e Sudeste para as indústrias do Nordeste. Sem o frete CIF as indústrias locais en- O tempo de renovação da Diretoria chegava. Articulava-se a chapa frentavam problemas de competitividade no mercado interno e externo. única que, por consenso, daria a presidência do SIMEC ao associado Gui- Em retrospecto, Mario Bravo interpreta o papel do SIMEC dentro desse pro- lardo Góes Ferreira Gomes, mantendo o espírito de formar lideranças, de cesso. “Todas as siderúrgicas fabricantes da matéria prima aço ficam ou no Sul ou possibilitar o acesso de novos nomes à direção do Sindicato e de fomentar no Sudeste. Quando foram feitas – com dinheiro do contribuinte” – assinala, “foi o espírito de participação sindical, em todos os níveis. O século XX aproxi- criado o CIF uniforme. O frete tinha o mesmo preço para as indústrias, no Sul ou mava-se do fim. Mas certas tradições, como esta, permaneciam intocadas. no Nordeste. Para todo o Brasil. Todo aquele benefício, que tinha sido criado com dinheiro do povo, permitia que o país inteiro gozasse de alguma forma do fato de possuir siderúrgicas. Em determinado momento, quando se começou a pensar em Notas: vender as siderúrgicas, em privatizar as siderúrgicas, morreu o CIF uniforme”. 1 - Faleceu em 2011 2 - Jornal da FIEC julho/1993 E prossegue: “Automaticamente, para todos os que estavam longe das usinas 3 - Portal fae.com.br o custo foi lá para cima. Diante dessa situação nós formamos uma comissão junto 4 - Wikipédia ao Governo do Estado, criamos um projeto para estabelecimento de um diferen- 5 - OESP 1/3/94 cial, ou seja, um crédito presumido. Quem apresentasse a nota fiscal de compra 6 - OESP 23/8/93 da matéria-prima aço de fora do Ceará, e apresentasse a nota fiscal de frete, tinha 7 - TC 3/7/93 direito a desconto no ICMS como crédito presumido. Não era crédito na realidade, 8 - DN 13/9/94 mas uma presunção de crédito. Isso ajudou muitos anos, e ajuda ainda hoje, se 9 - Ata 11/7/95 não caiu. Dava condições um pouco menos absurdas para se poder concorrer.” 10 - DN 2/10/94150 151
  • 1996-1999 Guilardo Góes Ferreira Gomes152 153
  • Guilardo Góes Ferreira Gomes 1996-1999 As eleições para a Diretoria do SIMEC no ano de 1996 se deram a 27 de junho, com a instalação e o encerramento da Mesa Coletora seguidos, de imediato, pela apuração dos votos. Exerceram seu dever 32 das 47 em- presas em condições de participar. A chapa vencedora foi composta por Guilardo Góes Ferreira Gomes, como Diretor Presidente, Antonio Marcos Ribeiro do Prado, como Diretor Administrativo, e Marcelo Villar de Quei- roz, no desempenho da missão de Diretor Financeiro. Os suplentes eram José Sérgio Cunha de Figueiredo, João Carlos Clemente Fernandes e Jesus Hernandez Y. Ferreira Neto. Pela primeira vez houve uma distribuição setorial de cargos, em três di- retorias – Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico – alterando o mode- lo até então vigente de estruturação da chapa a partir de um organograma linear. Para titular do Setor Metalúrgico foi escolhido Célio Cirino Gurgel. Ao associado Carlos Gil Alexandre Brasil coube a diretoria do Setor Elétri- co; e a Sebastião de Arruda Gomes o Setor Mecânico, tendo como respec- tivos suplentes José Djanir Guedes de Figueiredo, José Armando Thomé de Saboya e João Bosco Gomes Viana. No Conselho Fiscal assumiram a titularidade Helder Coelho Tei- xeira, Acácio Araújo de Vasconcelos e Francisco Sena de Freitas Rego, com os suplentes Francisco Aiace Mota Filho, João Batista Pacheco Filho e Dário Pereira Aragão. A chapa se encerrava com os nomes de Fernando Cirino Gurgel e Guilardo Góes Ferreira Gomes, Delegados representantes junto à Federação (titulares), e Carlos Prado e José Fre- derico Thomé de Saboya (suplentes). A presidência voltava às mãos de um representante da segunda geração de proprietários de indústria. Guilardo Góes Ferreira Gomes era filho de Sebastião de Arruda Gomes que, como Diretor presidente da empresa Nor- frio – Indústria Norte Brasileira de Refrigeradores S/A, número 26 no Livro de Registro do SIMEC, desde 1975 integrava ativamente os quadros da en- tidade. A Norfrio tinha endereço na Rua Padre Anchieta, 130, bairro Monte Sebastião de Arruda Gomes, Guilardo Góes Ferreira Gomes - Norfrio154 155
  • 1996-1999 Guilardo não era participante frequente das reuniões no Edifício Janga- da. “Sei que as relações trabalhistas eram muito turbulentas, por conta da inflação, que de certa forma colocava os reajustes econômicos no centro das discussões. Nessa época – final dos anos 1980 – eu não era um grande frequentador do Sindicato. A FIEC funcionava lá e recebia os Sindicatos numa sala, onde aconteciam as reuniões. Não recordo com precisão, mas devo ter ido somente a uma ou duas reuniões. Meu pai ia bem mais”. O pai dele não apenas frequentava de forma assídua como foi um dos Feira de Hannover principais incentivadores das reuniões de entrosamento que se davam após o encerramento da pauta oficial. “Terminava a reunião, no Edifício Jangada, Castelo, em Fortaleza. Além de Sebastião eram também componentes da e o pessoal ficava por lá tomando um uisquezinho em redor da mesa, que firma os irmãos dele, Carmelo, Danilo e Antonio Arruda Gomes. Sebastião está até hoje na FIEC, uma mesa no formato de timão. Isso aí é o que esti- solicitou novo registro no Sindicato a 7 de agosto de 1979, através da firma mulava o companheirismo, a ter amizade, a um ajudar o outro, a ir além Arruda Gomes & Irmãos Comércio e Indústria Ltda, recebendo o número dos negócios pura e simplesmente” 32 (hoje excluida). Dava o endereço da Rua Guilherme Rocha, 914 – onde ainda funciona uma empresa do Grupo, a Equipeças, comercializando pro- Essa aproximação foi mantida no endereço da Av Barão de Studart. dutos e oferecendo serviços de refrigeração e ventilação. Mais de meio “Depois que a reunião plenária acontece, todo mês, temos a reunião de século depois permanecem trabalhando no mesmo endereço. confraternização, onde muita coisa se conversa. Um tem um problema, o outro dá a dica, e como nós não somos concorrentes essa reunião Três semanas depois de registrar sua firma, ainda em agosto de 1979, ajuda muito o grupo”. Sebastião entrou com pedido de registro para a Thermus Ar Condicionado e Refrigeração Ltda (número 33 no Livro), localizada à Rua Guilherme Rocha, Em grande parte essa aproximação se devia ao cuidadoso critério se- 1264, tendo como componentes, além de Sebastião de Arruda Gomes, o letivo para ingresso no SIMEC. “Quando fui Presidente, visitávamos os que irmão Danilo, o filho Guilardo Góes Ferreira Gomes e Roberto Maciel Cam- queriam entrar, íamos nos informar se eram do ramo, procurávamos infor- pos. O ingresso da Termisa Industrial S/A foi registrado no final de 1989. A mações sobre a idoneidade, sobre a seriedade do candidato. Temos esse empresa havia sido fundada em 1987 e contava com 39 funcionários. Com- cuidado para manter o grupo com pessoas idôneas, com pessoas que te- punham a firma Sebastião de Arruda Gomes, Danilo Arruda Gomes, Guilar- nham certa qualificação. É por isso que não temos tido muitos problemas”. do, José Helmar Rocha Leitão e Carlos Guilherme Campos Bezerra. Sebastião, pai de Guilardo, era formado em contabilidade porém nun- “Meu pai era sócio das nossas três empresas”, recapitula Guilardo em ca exerceu função nessa área. O filho diz: “Ele nunca quis ser Presidente 2010. “Duas comerciais e uma industrial. Estamos há mais de 50 anos no do SIMEC, mas sempre quis colaborar. O pessoal gostava da presença dele, mercado. A Equipeças tem mais de 25 anos. E a Termisa, a mais nova das era uma pessoa muito querida, agregava, era uma pessoa de confiança do três, já fez 23 anos”. Presidente”. Uma das provas disso foi a entrega a Sebastião do prêmio Ho-156 157
  • 1996-1999 mem do Frio, concedido pela M.A.R.V. Promoções, em julho de 1995. Em construída no Brasil.” Quando entrasse em funcionamento, em 1999, cre- todas as chapas de Diretoria do SIMEC, entre 1978 a 2008, o ano de seu denciaria o Ceará a receber empresa montadora de veículos, marcando o falecimento, o nome de Sebastião Ferreira Gomes aparece ora como Tesou- início de uma arrancada industrial.3 reiro, ora Diretor do Setor Mecânico, titular do Conselho Fiscal ou suplente No âmbito sindical Guilardo comunicava os resultados de viagem feita da Diretoria, continuando presente in memoriam na Diretoria de 2008 gra- à região da Lombardia, na Itália, e da produtiva visita do Embaixador do ças a homenagem especial prestada pelo atual Presidente, Ricard Pereira Canadá à FIEC, trazendo as boas novas de linhas de crédito disponíveis em Silveira. Compôs também a Diretoria do filho Guilardo, que no primeiro indústrias canadenses.4 Comunicava ainda a realização da Feira da Escola semestre de 1997 acompanhava o andamento de seu setor de atividades. Técnica e da Feira de Subcontratação de Pernambuco; de Workshop no Era este o período em que o Secretário estadual da Indústria e Comércio, Centro de Informações Metalmecânicas, no Auditório Waldir Diogo, com Raimundo Viana, buscava parceiros na Argentina para a área metalmecânica,1 e apoio multi-institucional (NUTEC, SENAI/CE, IEL/CE, SEBRAE/CE, Secreta- anunciava que, até o final daquele segundo governo Tasso Jereissati, estava pre- ria estadual de Indústria e Comércio, UFC e SIMEC); de Seminário sobre vista a chegada ao Ceará de 3 mil novas empresas, em 18 projetos industriais.2 Recuperação de Impostos e Assessoria tributária, na FIEC.5 Os de casa davam sua contribuição. Em maio de 1997 era inaugurada, Guilardo reforça: “Feiras, eventos, congressos, seminários, são muito no município de Caucaia, a unidade industrial da fábrica Aço Cearense, co- importantes. O grande problema do SIMEC é definir de qual feira partici- -irmã da Aço Cearense Comercial Ltda, do empresário José Vilmar Ferreira, que iria produzir tubos industriais, perfis virados, tiras articuladas, com um volume inicial de produção de 1.000 toneladas/mês, oferecendo 60 empre- gos diretos na implantação do projeto, mais 180 quando estivesse em plena operação, tudo isso com investimentos na ordem de R$ 7 milhões. Oito meses depois a contribuição era reconhecida. “Aço Cearense: uma in- dústria de peso”, dizia o título de matéria da Tribuna do Ceará (29/1/98) sobre o empreendimento, reforçando o apelo com o uso de selo publicitário que não poupava expectativas: “Ceará, Estado do Investimento. O futuro está aqui”. Em atividade desde 1980, “a Aço Cearense exemplifica o quanto a economia cearen- se cresceu nos últimos anos”, complementava a matéria, destacando a produção da empresa: “3 mil toneladas/mês de tubos de aço, perfis, chapas articuladas, etc, para fábricas de móveis tubulares, metalúrgicas e indústrias da construção civil”. De volta a junho de 1997, sabe-se que Benjamin Steinbruch, Presiden- te do Conselho de Administração da Cia Vale do Rio Doce, considerava a Siderúrgica do Pecém – ou pelo menos o projeto dela – “a mais moderna158 159
  • 1996-1999 par. Em feira de máquinas, a gente vai para comprar máquina. Em feira de Havia mudanças na legislação trabalhista em referência a horas extra, cál- estrutura, vão duas ou três indústrias. A mesma coisa em feira de refrigera- culo de férias e situação dos Sindicatos. Guilardo rememora: “Nessa época a ção. Cada ramo tem sua feira. Agora mesmo [2010] está havendo feira em negociação já estava muito profissionalizada. Foi um passo muito importante Recife. Interessa a uns, a outros não interessa, fica complicado definir”. no sindicalismo, profissionalizar as negociações. Antes, quando era conduzi- Associados do SIMEC participavam de feiras reconhecidas internacional- da diretamente pelos Diretores dos Sindicatos, havia muita pressão. Quando mente, a exemplo da Feira de Hannover, na Alemanha: “Feira de fornecedor. A passou a ser através de negociação profissional melhorou muito”. Ainda assim gente vai para comprar. Não para exibir”, analisa objetivamente o ex-Presidente. a questão trabalhista era inevitável. “São dois Sindicatos laborais”, explica. “O que tem sede em Maracanaú e o que tem sede em Fortaleza. O SIMEC se re- Na Reunião Ordinária de 8 de julho de 1997 Guilardo informava ter laciona com os dois. Todo ano é estabelecida negociação com os dois. Na mi- sido encerrada pesquisa de consumo de aço no setor, identificando vo- nha época, durante dois anos não conseguimos fechar acordo com o sindicato lume médio mensal superior a 5.800 toneladas dos diversos tipos de aço de Fortaleza. Fechamos com o de Maracanaú, mas não com o de Fortaleza”. consumidos. O próximo passo seria entrar em contato com as Siderúrgicas nacionais, já que era viável a consecução de bons resultados nas negocia- O segundo semestre de 1997 trouxe notícias animadoras. A Gazeta Mer- ções, e melhores prazos de compras. Informava também sobre contatos es- cantil (10/9/97) dedicava sua manchete ao novo perfil industrial do país, que tabelecidos com o HSBC Bamerindus, para obter seguro creditário e sobre favorecia especialmente a Siderurgia, e que posicionava a indústria siderúr- a análise, aos cuidados do BNDES, da criação de uma linha de crédito para gica brasileira como a sétima maior do mundo. Os empresários nordestinos os que não dispunham de garantias reais. aspiravam fortalecer ainda mais o setor metalmecânico, e tanto a Feira da Indústria Metal Mecânica em Pernambuco, quanto a Feira de Indústria Mecâ- Na pauta da mesma reunião sabe-se que a CNI enviara correspondên- nica, Metalúrgica e de Material Elétrico de Pernambuco – FIMEPE 97, ambas cia tratando de acordo de cooperação internacional, que havia empresas em setembro, ofereciam sua contribuição para maximizar esse potencial.6 francesas interessadas em associação e parceria com empresas brasileiras, e que a Câmara de Comércio Brasil-Reino Unido também convidava para No último mês do ano de 1997 a CSN definiu o cronograma para sua a discussão de oportunidades de negócios. O Governo estadual acenava subsidiária CSC – Companhia Siderúrgica Cearense, “âncora de um futuro positivamente em relação ao crédito presumido de ICMS. “Para não deixar polo metalmecânico projetado pelo Governo para a área do Pecém, atual- o nosso polo sem competitividade, depois da perda mente em construção.” Capaz de “ampliar o espaço do Grupo Vicunha no do frete CIF uniforme, o Governo do Estado criou setor siderúrgico e de infraestrutura”, a Usina, em parceria com a Nuccor Steel, começaria a operar no primeiro semestre de 1999, “produzindo pro- Associados do SIMEC um crédito compensatório, que já existe há bastante tempo. Existia quando eu era Presidente, e todo ano dutos siderúrgicos planos, divididos entre 600 mil toneladas de laminados a participavam de se renovava esse convênio. Todo Governador reco- quente, 360 mil toneladas de laminados a frio e 240 mil toneladas de galva- nizados, totalizando 1,2 milhão de toneladas”.7 nhece, porque se a gente perder isso o custo aumen- feiras reconhecidas ta. A chapa é um produto relativamente barato, e o O setor metalmecânico começou 1998 em expansão e assim conti- internacionalmente. frete incide pesado sobre ela.” nuaria por algum tempo. A produção de aço crescera 4,6% em janeiro160 161
  • 1996-1999 O momento se daquele ano no país8, e 6,9% no mundo. Apesar de a economia mundial enfrentar mais uma de suas crises econômica Maria Clara R. M. do Prado, publicado na Gazeta Mercantil (24/7/98): “Não existe no país setor com estrutura societária mais ema- mostrava propício cíclicas e inevitáveis, o momento se mostrava propí- cio para os profissionais especializados em metalme- ranhada do que a Siderúrgica”, escrevia ela, identificando “um cipoal de participações cruzadas” a partir da privatização, em 1991, que emperrava para os profissionais cânica no Ceará, Estado que “tem se mostrado campo negociações, e não só no Ceará. especializados em fértil para o profissional da metalurgia,”9 respaldado pela garantida implantação da CSC. Aqui e ali, sinais de avanço afloravam para dar novo fôlego ao cenário local. O poderoso Grupo Thyssen anunciava investimento de U$ 1 bilhão, metalmecânica Com relação às obras da siderúrgica, o que foi pro- sem que os jornalistas soubessem a qual projeto se destinava. Segundo a bem metido foi feito – pelo menos em uma pequena parte. informada colunista Sônia Pinheiro, do jornal O Povo, “sabe-se apenas que no Ceará. Logo nos primeiros dias de 1998 a Tribuna do Ceará é um investimento direcionado ao segmento metalmecânico, e que o projeto (5/1/98) publicou reportagem informando ter sido lançada a pedra funda- será instalado no município de São Gonçalo do Amarante”, estando todos mental da CSC, pelo governador Tasso Jereissati, em solenidade no Palácio os demais detalhes sendo tratados como “segredo de Estado” (OP 5/8/98). do Cambeba, sede do Governo, respaldado pela aprovação da SUDENE, O Grupo Thyssen entrava em cena para “consolidar ainda mais a Com- ainda em dezembro do ano anterior, da Carta Consulta para financiamento panhia Siderúrgica Cearense”, esclarecia o jornalista Fernando Serpa (TC através do FINOR – Fundo de Investimentos do Nordeste. 8/8/98), complementando a informação com dados objetivos sobre a As obras teriam início em janeiro de 1999, já estando quase concluídos construção da futura CSC, cujos balcões já se encontravam comprados e os trabalhos de terraplanagem. A área ocupada pela siderúrgica abrangeria encomendados, e cujas obras de terraplanagem haviam chegado ao final, 1,6 milhões m² no Pecém, sendo a planta gerenciada de acordo com as com a CSN acompanhando tudo, “passo a passo”. normas de preservação previstas pela ISO 14000. Utilizaria tecnologia de A CSC seria “subsidiária integral da CSN, que detém 100% do contro- projeto limpa, em termos ambientais (DN 17/8/98). Todos os verbos das le da empresa”. (TC 17/9/98). Uma vez pronta, iria incrementar o polo reportagens eram empregados no tempo futuro: empregará, investirá, atrai- metalmecânico cearense, a começar pelo investimento orçado em U$ rá, reduzirá, produzirá. Um cuidado jornalístico que se justificava. 800 milhões, destinado à fabricação de produtos siderúrgicos planos (TC Acreditava-se que a crise mundial, surgida dessa vez na Ásia, não atin- 11/8/98). A previsão para conclusão das duas primeiras fases indicava o giria a siderúrgica cearense, e negava-se terem sido paralisados os investi- ano 2000 (OP 17/9/98), ou talvez o ano 2002 (DN 12/12/98). Mantinha- mentos, tendo nesse caso o endosso do cearense Pedro Felipe Borges Neto, -se a firme convicção de que a crise econômica e a alta dos juros não se- Vice-Presidente do Grupo Vicunha. O que havia, na observação que fizera riam suficientes para afetar as obras de implantação. (DN 17/8/98) ao longo do tempo, era a existência de “uma grande torcida contra a im- *** plantação da siderúrgica no Nordeste” (DN 13/2/99). Fernando Cirino Gurgel estava há seis anos à frente da FIEC. Pleno de Talvez houvesse. Ou talvez a dificuldade repousasse na própria ca- objetividade, informava à jornalista Marise Ponte, do Jornal da FIEC, em racterística do setor, o que é possível deduzir de comentário da jornalista dezembro de 1998, o que esperava do Governo Federal para os primeiros162 163
  • 1996-1999 três meses de 1999: nada mais que “o bom senso” de efetivar “medidas No caso do SIMEC esse objetivo parece mais fácil de ser alcançado. imediatas que possibilitem a modernização e a competitividade do setor “O SIMEC não tem produto único. Nós temos uma gama enorme de pro- produtivo nacional”. dutos. Dificilmente os sócios são concorrentes entre si. Alguns poucos Mais uma vez anunciou-se o lançamento da pedra fundamental, são, como o pessoal de estrutura, por exemplo, mas tem poucos con- que depois de se dar no gabinete do Governador aconteceria in situ, a correntes. O que nos une é trabalhar com chapa, com metal. Nós temos 19 de janeiro de 1999 (TC 13/1/99), quando a obra “sairia do papel processo de fabricação parecido. Mas não temos produtos parecidos. As para a prática,” estando prevista para 2004 a conclusão total do empre- empresas são fornecedoras umas das outras. Se eu vou fazer uma estru- endimento (Jornal da FIEC, dez/98). Em fevereiro o Diário do Nordeste tura, fica fácil contratar alguma empresa filiada ao SIMEC. Existe muita (13/2/99) projetava o lançamento desta, que seria a primeira usina de parceria, e isso é o que une o nosso Sindicato”. aço plano do Nordeste, para o mês de março. E assim continuaria, de O espírito de parceria era extensivo ao processo de renovação da Direto- ano em ano, sine die. ria, como informa Guilardo Góes Ferreira Gomes. “Nunca houve divergên- O noticiário jornalístico entre 1998 e 1999 permite ver múltiplas cia. Normalmente o Presidente que sai faz o Presidente seguinte.” A partir da causas para os adiamentos, entre as quais a liberação do câmbio (OP participação em outros Sindicatos, com suas outras empresas, ele assegura: 18/5/00) e as mudanças na política de incentivo à importação de equi- “O SIMEC tem aspectos interessantes. Renova sempre o Presidente. Existem pamentos (DN 5/2/00), contribuindo para que se desse uma real difi- Sindicatos onde o Presidente se eterniza no cargo. A renovação cria lideran- culdade no estabelecimento de parcerias, nacionais ou internacionais. ça. A pessoa entra com gás, e ser Presidente do Sindicato exige isso, porque Indústrias de renome, como Nuccor Steel Corporation, Gaspetro, Texaco é muito puxado. É interessante, para o SIMEC, essa renovação.” do Brasil, Taquari Energética, do Grupo Vicunha, pontuavam matérias jor- Para substituí-lo na mudança de milênio seria escolhido, pela terceira nalísticas, participavam de reuniões oficiais, como possibilidades sólidas vez, um executivo de indústria, o associado Carlos Gil Alexandre Brasil. – que se desmanchavam no ar. Prenunciando novo ciclo de pujança para a economia local, as infor- mações referentes à CSC interessavam a todos os associados do SIMEC, Notas: “um sindicato diferente dos demais”, na análise de Guilardo, explicitando 1 - TC 17/3/97 os fatores que aproximam o grupo. “A grande realização do SIMEC, se po- 2 - OP 16/5/97 demos chamar assim, é o companheirismo, a qualificação das empresas, 3 - TC 1/6/97 é estarem sempre se renovando, buscando qualidade. Na realidade, um 4 - Ata 10/6/97 Sindicato não tem muito que realizar. Ele tem que defender os associados, 5 - Ata 8/7/97 e isso tem sido feito. É procurar manter a classe sempre dinâmica e atua- 6 - DN 28/9/97 lizada, garantindo a sobrevivência no mercado. Acho que essa é a grande 7 - GM 14/12/97 virtude do Sindicato: manter a união”. 8 - GM 25/2/98 9 - OP 8/2/98164 165
  • 1999-2002 Carlos Gil Alexandre Brasil166 167
  • Carlos Gil Alexandre Brasil 1999-2002 O processo de transição na Diretoria do SIMEC seguiu o ritmo habitual de ordem e consenso, com a composição da Comissão Eleitoral acontecen- do em Assembleia Geral Extraordinária, a 11 de maio de 1999, dando-se as eleições e apuração a 23 de junho, realizando-se a posse, excepcional- mente, a 4 de agosto, dois dias depois da confirmação do nome do empre- sário Jorge Parente Frota Júnior na presidência da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Jornal da FIEC agosto 1999). A Diretoria do Sindicato que passava a ser liderado pelo Diretor Presi- dente Carlos Gil Alexandre Brasil – a décima da história sindical – apresen- tava um mix de sócios experimentados na atividade sindicalista e de novos nomes, e cumpriria sua tarefa até o ano 2002 reunida sob o lema positivista “União e Progresso”. Além de Gil Brasil, a chapa vencedora era composta pelos seguintes associados: Marcelo Villar de Queiroz, Diretor Financeiro; Valdelírio Pe- reira Soares Filho, Diretor Administrativo; e José Sérgio Cunha de Figuei- redo, Raimundo Raumiro Maia e Jesus Hernandez Y. Ferreira Neto como respectivos suplentes. Diretores Setoriais titulares eram Célio Cirino Gurgel (Diretor do Setor Metalúrgico), José Frederico Thomé de Saboya (Diretor do Setor Elétrico), e Manuel Nunes Silva Neto (Diretor Setor Mecânico), com os suplentes José Djanir Guedes de Figueiredo, Edmundo Pereira Barbosa e Raphael Cláudio de Araújo Neto. No Conselho Fiscal constavam os seguintes titulares: Helder Coelho Teixeira, Acácio Araújo de Vasconcelos e Sebastião de Arruda Gomes, ten- do na suplência Francisco Aiace Mota Filho, Píndaro Custódio Cardoso e Eduardo Lima de Carvalho Neto. Fernando Cirino Gurgel e o presidente Gil Brasil eram os representantes titulares junto à FIEC. Seus suplentes: Carlos Prado e Guilardo Góes Ferreira Gomes. Gil Brasil era Gerente Geral da CEMEC – Construções Eletromecânicas S/A, empresa do Grupo J. Macedo, com atuação intensa no Brasil e no ex- terior, uma das primeiras empresas cearenses a obter, juntamente com a Es-168 169
  • 1999-2002 maltec, o certificado ISO 9000. Na CEMEC ele começara a trabalhar como da FIEC: “É com imensa satisfação, e um pouquinho de desapontamen- estagiário, em 1978. Em 1994, antes de receber o referido certificado, o to, que transfiro a presidência do SIMEC”, disse ele. “Satisfação, porque faturamento anual da empresa alcançava R$ 11 milhões. Quatro anos mais a transfiro para um colega muito sério e competente. Por outro lado, la- tarde chegava a R$ 34 milhões. “O Fernando [Cirino] não abriu mão de me mento, na minha gestão, não ter podido ver um evento da magnitude da ver como Presidente”, admite Gil, “e eu coloquei uma condição: vou, se o FEINDAL 2000”. Valdelírio [Soares] aceitar a Vice-Presidência”. E assim foi feito. Também se pronunciou Fernando Cirino Gurgel, que assumia o cargo Gil não esperou sequer um dia para apresentar seus planos. A cerimô- de Representante titular do SIMEC junto à FIEC, destacando o papel rele- nia de posse realizou-se no Auditório da FIEC, sendo marcada, simulta- vante da entidade, da qual fora o quarto Presidente, e do setor eletrometal- neamente, pelo lançamento da FEINDAL 2000 – Feira Internacional para mecânico como um todo, no cenário econômico cearense. “O SIMEC é um Integração Industrial, ousada proposta do novo Presidente, prevista para exemplo de renovação e revelação de lideranças, dentro de um segmento acontecer entre 25 e 28 de abril de 2000. pujante da nossa economia”, declarou ao repórter do Jornal da FIEC, com- No ato de transferência do cargo, o Presidente que saía, Guilardo Góes plementando, a favor de Gil Brasil: “O SIMEC está entregue a uma pessoa Ferreira Gomes, manifestou-se aos presentes, sendo registrado pelo Jornal experiente, bem sucedida e que tem muito a contribuir, pelo seu espírito de trabalho em conjunto, num momento em que se espera muito do nosso se- tor – que terá o desafio de ser modernizado para conviver com a realidade Lançamento da Feindal e posse de Gil Brasil - FIEC 1999 trazida pela instalação da siderúrgica e da refinaria no Ceará”. O novo Presidente assumia, portanto, prometendo manter a continui- dade do trabalho de seu antecessor e implantar nove projetos, de abran- gência interna e externa, entre os quais estava a realização de uma feira com o perfil daquela recém proposta, trazendo a marca da Hannover Fair e o apoio do Governo do Estado, FIEC, SEBRAE/CE e Banco do Nordes- te. O material promocional da FEINDAL 2000 sintetizava o propósito do evento: “uma grande Feira que visa promover negócios através da inte- gração das indústrias; propiciar o intercâmbio de novas tecnologias; de- senvolver a cultura da subcontratação; e atrair novos investimentos para a região, no setor industrial”. Os demais projetos do Presidente que assumia eram: estimular coo- perativas de exportação, com apoio do Centro Internacional de Negócios da FIEC; procurar aumentar o número de associados do SIMEC; atualizar o cadastro das empresas associadas, com o fim de facilitar negócios; repensar170 171
  • 1999-2002 o planejamento estratégico do SIMEC; realizar reuniões de diretoria dentro instalação do caos cibernético e o fim do mundo tecnológico, amparada das empresas associadas; identificar empresas competitivas, orientando-as na desvalorização do real - único evento que de fato aconteceu e que, em relação às demandas da siderúrgica a ser instalada no Pecém; aumentar entre outras consequências, emperrou a aquisição de equipamentos im- ainda mais a integração do SIMEC com a FIEC; e aproximar o SIMEC dos portados (OP 17/5/00). sindicatos de trabalhadores. Enquanto se discutia se o século XX começava naquele ano, ou co- Antes que a feira chegasse, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia meçaria apenas no ano seguinte, os dois principais setores industriais do e Estatística mostrava que a produção industrial do Ceará crescera 1,1% Ceará – metalúrgico e têxtil – ganharam ímpeto e mantiveram o ritmo de de janeiro a setembro de 1999, em relação ao ano anterior, destacando- crescimento (GM 3/1/00). A previsão é que o crescimento da siderurgia -se o setor metalmecânico, que se expandira em 24,3% (GM 24/11/99). nacional, configurada à época “um dos setores mais saudáveis da econo- A participação cearense do referido setor no PIB industrial era de 4,7%. O mia brasileira”, conforme o Jornal do Brasil (1/6/00), chegasse aos 8% em crescimento se devia em grande parte ao desempenho de empresas locais, 2000 (FSP 29/5/00). como a Metalic, empresa do Grupo Vicunha, instalada em Maracanaú des- A unidade cearense da Gerdau S/A iniciara projeto de modernização de janeiro de 1998 (GM 3/1/00), a Mecesa, a Esmaltec e a Metaneide, que em 1997, que seria concluído justamente naquele ano, permitindo, a partir planejavam novos investimentos para 2000. daí, a oferta mínima de 500 empregos diretos e indiretos, além da duplica- O segmento de produção de latas metálicas para embalagem se mos- ção de sua capacidade de produção no Estado, gerando 100 mil toneladas trava “um dos principais responsáveis pelo crescimento da produção indus- de aço por ano (GM 14/2/00). A indústria siderúrgica nacional cresceu trial do Ceará, no primeiro semestre de 1999,” e continuava em expansão, 11,8% no primeiro trimestre de 2000. Os aços planos, que alimentam a com boas perspectivas de aumento no ano seguinte. A Gazeta Mercantil produção de automóveis, eletrodomésticos e demais bens intermediários (24/11/99) informava que a Mecesa, apoiada em 32 anos de experiência e avançaram 20,6% no mesmo período (GM 2/5/00). atividade fabricando latas metálicas para alimentos, tintas e solventes, pro- Dias antes da abertura da FEINDAL 2000 – Feira Internacional para duzia mensalmente mais de 4 milhões de latas e 800 milhões de tampinhas Integração Industrial, o presidente Gil Brasil deu declarações ao jornal Di- para garrafas. A Metalic ia ainda além, com capacidade instalada para a ário do Nordeste (22/4/00) destacando no Ceará a existência de cinco produção de 50 milhões de latas por mês. empresas de grande porte no setor eletrometalmecânico, uma centena de A Esmaltec se impunha como uma das maiores fabricantes de botijões de empresas de porte médio, e elevado número, não especificado, de peque- gás de cozinha no mundo, exportando para Europa, Oriente Médio e Améri- nas indústrias. Estas últimas respondiam por 30% do total de empregos ca Latina, empregando duas mil pessoas. Da Metaneide saíam tambores de oferecidos pelo setor, que era de 22 mil. freio para veículos automotivos, também com destino internacional. Outra característica apontada por ele dizia respeito à diversificação da O ano 2000 chegou trazendo o temor do “bug do milênio”, len- produção local. “O setor eletrometalmecânico cearense é muito diversifi- da urbana cuidadosamente urdida e trabalhada pelos catastrofistas de cado. O estudo do ETENE – Escritório Técnico de Estudos Econômicos do plantão, ameaçando a desprogramação de todos os computadores, a Nordeste mostra que existem mais de 200 tipos de produtos diferentes”.172 173
  • 1999-2002 Apesar disso, o Presidente do SIMEC diagnosticava uma indesejada “falta de articulação no polo metalmecânico cearense”. Era menor e menos articulado, quando comparado com Bahia e Pernambuco. A carência se re- velava no fato de o SIMEC congregar “apenas 50 associados, dentro de um universo muito maior de empresas em atividade”. O Presidente conhecia as causas da desarticulação diagnosticada. Entre elas, o fato de muitos dos investimentos terem sido adiados, devido a “fatores conjunturais” como a desvalorização cambial, a instabilidade econômica do início do ano e o atraso na implantação da siderúrgica no Ceará (Jornal da FIEC jan/00). O interesse do Presidente estava em tentar solucionar problemas em seu âmbito de competência. “Estamos promovendo, em parceria com o IEL, uma pesquisa para radiografar a situação da indústria metalmecânica. A partir das conclusões, vamos traçar estratégias para superar nossas defici- ências” (Jornal da FIEC jan/00). A FEINDAL 2000 encaixava-se como uma das estratégias para tentar estabelecer um parâmetro da atividade metalmecânica, trazendo oportu- Homenagem ao industrial Célio Gurgel na Feindal 2000 nidades para o conhecimento de produtos, serviços e tecnologia do Brasil (Célio, Gil, Célio Gurgel e Fernando Cirino Gurgel) e do exterior. Seria mais um canal de atração de investimentos para a re- gião, proporcionando rodadas de negócios internacionais, graças ao apoio da União Europeia (DN 22/4/00), apresentando workshop temático sobre do Sindicato, e do próprio mercado.” Pelo raciocínio dele, a empresa pre- “A Competitividade de Empresas do Setor Metalmecânico do Ceará”, uma cisava se especializar naquilo em que era melhor, naquilo que estava quali- promoção do IEL, e reunindo 120 expositores sob os auspícios do SIMEC e ficada para fazer, transferindo a outros segmentos as atividades fora de sua da Deutsche Messe AG, por intermédio da Hannover Fairs Sulamérica (GM competência. Não via sentido em desviar o foco das energias produtivas, 26/4/00), representada por Constantino Bäumle (Jornal da FIEC ago/99). por exemplo, para a preparação de alimentos destinados às refeições dos funcionários, ou para a manutenção das máquinas utilizadas. Não eram O estudo do ETENE ao qual Gil Brasil se referira reforçava dados co- estas as atividades-fim das empresas, que podiam facilmente subcontratar nhecidos. A distância que se estendia entre muitos dos Estados nordestinos o serviço (DN 22/4/00), com benefícios para todos. e a região Centro Sul, fonte de cerca de 70% da matéria prima, constituía um dos principais problemas apontados pelas empresas, e pelo Sindicato. Em 2010 a opinião do ex-Presidente não se alterou. “Nós conseguimos O Presidente acenava: “Depois da feira, vamos convocar as empresas para isso. Hoje, em Fortaleza, temos quase meia dúzia de empresas que vivem uma reunião, quando teremos oportunidade de saber o que elas desejam exclusivamente de terceirizações. A Metal Mecânica Maia Ltda é um bom exemplo, com mais de 700 funcionários, e começou prestando serviços174 175
  • 1999-2002 para a Cemec. É uma empresa que não tem produto. Só presta serviços ter- vidados, e que compareceram ao evento estavam na Europa (Alemanha, ceirizados. Na época, nós da Cemec transferimos a eles máquinas e equi- Áustria, Espanha, França, Itália e Portugal) e América Latina (Argentina, pamentos, ativamos as máquinas, e o pagamento seria através da prestação Colômbia, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), de serviço. Eles hoje fazem os tanques da Cemec, as caixas da Microsol, com alguns participantes procedentes dos Estados Unidos, do Canadá e até grelhas para a Esmaltec – que dizer, tudo é consequência daquela feira, mesmo da Ásia.1 daquela semente que foi plantada dez anos atrás”. É provável que a exibição da diversificação e do poderio tecnológico Gil Brasil presenciara o funcionamento do sistema de terceirização em de tantos países tenha conduzido a algumas comparações ou cobranças in- Veneto, região Nordeste da Itália. “Havia um conceito de trabalho extrema- cômodas. O jornal Gazeta Mercantil (12/5/00) aproveitou o encerramento mente interessante, e foi o que me propus a fazer aqui. Eles têm centenas da FEINDAL para divulgar constatação derivada de estudo conduzido pela de empresas pequenas, que se juntam para fazer produtos grandes. Fui Universidade Federal do Ceará, IEL, NUTEC e SENAI, entre 1994 e 1999, visitar uma fábrica e fiquei apavorado. Era só um escritório pequeno. Eu junto a sete empresas cearenses, de que a falta de tecnologia era obstáculo perguntei pela fábrica e o dono me levou para visitar uma que fazia a caixa, ao avanço do setor metalmecânico no Ceará. O atraso tecnológico “atra- outra que fazia os componentes, numa espécie de cadeia produtiva, e eu palhava a competitividade das empresas do setor,” concluía o detalhado achei aquilo fantástico”. acompanhamento. Como o grande objetivo da FEINDAL era integrar as empresas de um Isso porque as empresas haviam revelado que 85% dos problemas vi- Sindicato que não concorre entre si, Gil considerou fundamental colocar venciados por elas no esforço de crescimento se encontravam relacionados na feira não só o produto acabado, mas os produtos para os quais houves- à tecnologia de processos e produtos. O Presidente do SIMEC estava ciente se interesse em terceirizar os serviços de produção. “Nós queríamos que do fato: “A maior parte das empresas do setor tornou-se obsoleta e não tem houvesse um desenvolvimento nessa parte de terceirização de prestação recursos para renovar o parque industrial”, lamentava Gil Brasil ao jornal, de serviços. E no balanço final conseguimos a integração das empresas, e abrindo, no entanto, as necessárias ressalvas – “com exceção de algumas a terceirização”, diz. grandes indústrias”. A FEINDAL aconteceu com pompa e circunstância no período pro- De acordo com a pesquisa conjunta, “houve redução de 9% na receita posto, de 25 a 28 de abril, no Centro de Convenções Edson Queiroz. Uma operacional bruta, e de 6% na receita operacional líquida”. Permanecia no verdadeira vitrine de produtos e serviços, contando com 120 expositores, Ceará 56% da produção, com apenas 2% das empresas consultadas expor- aberta ao público, homenageando na estreia, com a entrega de um troféu, tando seus produtos. Constatou-se forte verticalização na operacionalidade o veterano industrial José Célio Gurgel de Castro, primeiro Presidente e um empresarial. Embora uma amostragem com apenas sete sujeitos de pesqui- dos fundadores do SIMEC. sa possa induzir a distorções, registrou-se que cerca de 90% delas – num O conjunto de setores exibidos não se restringia à área eletrometalme- universo eletrometalmecânico e hídrico de 1.300 microempresas, 100 de cânica. Incluía ainda automação industrial, plásticos, borracha, serviços médio porte e cinco de grande porte – classificaram o nível de terceirização industriais, equipamentos e serviços acessórios. Os principais países con- das operações como baixo ou baixíssimo.176 177
  • 1999-2002 Curiosamente, apesar de menos articulado do que nos estados da Bahia e de Pernambuco, como havia sido ressaltado outras vezes, o polo metal- mecânico cearense parecia, aos olhos dos pesquisadores, o mais promissor até o momento, já que os investimentos em curso, atraídos pela agressiva política industrial do governo Tasso Jereissati, apresentavam as melhores perspectivas de dinamização (TC 2/10/00). O IBGE confirmava. O Ceará liderava o crescimento na produção industrial brasileira, com variação po- sitiva de 10,4% de janeiro a setembro de 2000. Destaque para os produtos de metalurgia, com crescimento de 35,1% do trimestre de julho a setem- bro. (GM 17 a 19/11/00) Havia intensa atividade no sentido de aprimorar a qualificação, para o atendimento às demandas que chegavam, ou que se encontravam a caminho. A essa época, a construção da siderúrgica, ao lado do Terminal Portu- Linha de produção da CEMEC ário do Pecém, continuava a ser o grande trunfo cearense. Sobre isto, Gil Brasil presta uma informação valiosa. “A primeira iniciativa de siderúrgica no Ceará partiu do grupo J. Macedo”, afirma. “Quando eu entrei na Cemec, Os dados complementares da pesquisa delineavam o posicionamento do se- em 1978, havia toneladas e toneladas de trilhos armazenados ali, no Mucu- tor eletrometalmecânico à época, que empregava 22 mil pessoas no Ceará, res- ripe. Próximo ao moinho, no pé das dunas, havia um terreno enorme, cheio pondendo por 8% do PIB estadual2. “O complexo nordestino caracteriza-se por de trilhos. Na troca dos trilhos da Rede de Viação Cearense o senador J. forte economia de escala, com tecnologias de grande porte, embora contenha Macedo comprara todos os trilhos velhos, para um dia derreter, já destina- micro, pequenas e médias empresas. No Ceará, o segmento é considerado hetero- dos à nova fundição. Depois é que começaram a vender, aos pouquinhos”. gêneo, com baixo grau de interação entre as empresas”. E a consolidação do polo No SIMEC, o peso maior pendia para a área metalmecânica, à qual metalmecânico cearense dependia da implantação plena da CSC (GM 28/9/00), mais empresas eram ligadas. O Presidente acumulava o desempenho do que representava 34% do valor total dos 168 projetos aprovados em todos os seg- cargo com a Gerência Geral da Cemec, empresa do setor elétrico, que a mentos da economia do Estado (TC 2/10/00), e que poderia significar disponibili- partir das exportações para o Chile contratara mais 60 funcionários, tota- dade de matéria prima a preços de 12% a 15% mais baixos (DN 22/4/00). lizando 420 pessoas, trabalhando em três turnos na produção de transfor- Deixando de lado o setor elétrico, o setor metalmecânico compreendia madores. Gil Brasil contabiliza hoje: “A Cemec tem faturamento pesado três grandes segmentos: metalurgia (fornecendo matéria prima para as demais dentro do Sindicato. Tem também a Microsol/APS, que é considerada ele- áreas); de máquinas e equipamentos (um dos indicadores mais importantes troeletrônica. Tem a Esmaltec, que é uma mistura, fabrica geladeira, então do desenvolvimento, fonte de geração e difusão de dinamismo econômico); é eletroeletrônica. Tem a FAE, a Termisa, também eletromecânica, como a e de bens finais (caso da indústria automobilística) (GM 28/9/00). Singer, no interior, fabricando máquinas de costura”.178 179
  • 1999-2002 O setor elétrico viria a sofrer um forte abalo em 2001. O Plano de Ra- “Na época eu fui até à Secretaria da Fazenda”, ele diz, “e fui informado que cionamento da Energia trouxe os “apagões,” uma crise que varreu o país o Ceará comprava de outros Estados cerca de 11 bilhões de reais em produtos. nos dois últimos anos de governo de Fernando Henrique Cardoso, da qual Isso há dez anos. As empresas daqui compravam fora, para montar os seus pro- o Ceará não seria poupado. A 10 de maio daquele ano o jornal O Povo va- dutos. Ora: se a gente conseguisse que 10% por cento desse valor ficasse aqui, ticinava que todas as indústrias cearenses iriam sofrer queda de produção. significaria 1 bilhão de reais circulando localmente. E nós corremos atrás disso”. De forma unânime, os empresários locais afirmavam que as medidas de Embora os resultados não tenham sido os sonhados, por uma série de variáveis, contenção trariam prejuízo às atividades industriais. A Gerdau Ceará, que inclusive questões de hábito, Gil Brasil sente que trabalhou corretamente. operava com alta tensão, teria que reduzir o uso de eletricidade entre 15% e 25%. Assim como muitas outras empresas, a CEMEC, onde o Presidente do SIMEC trabalhava, racionalizava ainda mais o uso das máquinas e mo- Aproximava-se o prazo de encerramento do mandato. Em nenhum mo- dificava seus horários de funcionamento. mento o Presidente pensou em se reeleger. “Eu acho essa tradição do SI- MEC uma coisa fantástica”, garante. “Em três anos dá tempo de fazer muita Mais uma vez, sobreviver era o desafio. coisa, e essa renovação é fantástica”, repete. “Todos os que são convidados *** para a presidência se queixam do mesmo problema, que é a falta de tempo. Entre os nove pontos prometidos por Gil Brasil no dia de sua posse Mas se você não der sua contribuição, o Sindicato não vai existir. Cada um estava a realização de reuniões da Diretoria do SIMEC dentro das empresas tem a sua vez de contribuir. Depois vem outro”. associadas, uma espécie de Diretoria itinerante. “Nós fazíamos duas reuni- A cada gestão o SIMEC vem se modernizando mais, acredita Gil Brasil, ões na sede do SIMEC, e uma reunião em uma empresa. Ia toda a Diretoria. para quem “o próprio ambiente hoje em dia exige essa aceleração de moder- O empresário nos apresentava a empresa toda. Eu queria enxergar as pos- nização. No meu entender, o Sindicato tem tido sorte com a renovação dos sibilidades de sermos terceirizadores uns dos outros, e de nos aproximar presidentes.” O raciocínio é extensivo ao industrial que seria seu sucessor. ainda mais. Fizemos várias reuniões com esse objetivo, de uma integração Valdelírio Pereira Soares Filho havia sido testado na Diretoria do SIMEC, na crescente. Porque uma coisa é você fazer o que sempre se faz, apresentar gestão de Gil Brasil, e se mostrara vocacionado para o exercício da atividade slide, powerpoint, falar sobre o trabalho da sua indústria, e outra coisa é ir associativa. Depois de três anos exercendo o cargo de Diretor Administrativo, até lá, passar um dia vivenciando a empresa”. encontrava-se pronto para assumir a liderança da entidade e, em seguida, Gil batalhava pela aproximação e pela valorização do produto cearen- para romper com uma tradição sindical que completava três décadas. se, tentando abrir as portas necessárias para que as empresas locais esta- belecessem a cultura da compra local. Tanto as feiras – já que em 2001 foi realizada uma segunda edição da FEINDAL, homenageando o Secretário Notas: da Indústria e Comércio, Régis Dias – como a aproximação com a FIEC, 1 - TC 26/4/00 com a Universidade e com o Governo do Estado, foram fatores que colabo- 2 - GM 12/5/00. O setor metalmecânico, exclusivamente, representava raram para o empreendimento de vários passos nesse sentido. 4,7% do PIB estadual, de acordo com GM 28/9/00180 181
  • 2002-2008 Valdelírio Pereira Soares Filho182 183
  • Valdelírio Pereira Soares Filho 2002-2008 A Comissão Eleitoral para renovação da Diretoria que iria estar à frente do SIMEC de 2002 a 2005 foi composta no dia 15 de março de 2002. O processo eleitoral aconteceu somente em maio, no dia 28, e a apuração, realizada de imediato, computou o sufrágio de 29 dos 41 associados em condições de votar, e que elegeram, por unanimidade, a chapa única apresentada. Carlos Gil Alexandre Brasil convocou os associados para uma última Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, a 25 de junho, apresentando o balanço financeiro das contas de sua gestão e entregando para exame contas que vinham desde 1997, recebendo aprovação unânime dos pre- sentes. No dia 13 de julho a nova Diretoria tomava posse em cenário dife- renciado, pela primeira vez: a sede social da empresa Microsol Tecnologia Ltda, de propriedade do novo Diretor Presidente do SIMEC, Valdelírio Soa- res, situada no município do Eusébio. Eram diretores: Marcelo Villar de Queiroz (Diretor Financeiro) e Ri- cardo Martiniano Lima Barbosa (Diretor Administrativo), com os suplentes Raimundo Raumiro Maia, José Frederico Thomé de Saboya e Silva, e Da- nilo Reis de Vasconcelos. Diretores Setoriais titulares eram Helder Coelho Teixeira (Setor Metalúrgico), Antonio Marcos Ribeiro do Prado (Setor Mecâ- nico) e o ex-Presidente Carlos Gil Alexandre Brasil (Setor Elétrico). Tinham como suplentes Roberto de Barros Bezerra, Edmundo Pereira Barbosa e Alberto José Barroso de Saboya. No Conselho Fiscal estavam os titulares Píndaro Custódio Cardoso, Se- bastião de Arruda Gomes e Francisco Aiace Mota Filho, e os suplentes Edu- ardo Lima de Carvalho Neto, Ricardo Tolentino W. da Nóbrega e José Ge- rardo da Silva. Fernando Cirino Gurgel e Carlos Prado eram Representantes titulares junto à FIEC, tendo como suplentes o próprio presidente Valdelírio e Acácio Araújo de Vasconcelos. De acordo com a informação do Presidente antecessor, Gil Brasil, em 1999 Valdelírio havia relutado até mesmo em aceitar um cargo na Direto- Com o nome APC, a Microsol continuou dando emprego aos cearenses.184 185
  • 2002-2008 reia do Sul e Japão, e a disparada do dólar, atingindo surpreendentes CR$ 4,00 – fruto de uma crise de confiança dos mercados financeiros, agravada pela retração econômica dos Estados Unidos em combinação com a situação na Argentina. Emoldurado por tais macro-circunstâncias é que Valdelírio começaria a exercer sua presidência no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecâni- cas e de Material Elétrico no Estado do Ceará. “Peguei ainda a turbulência das eleições, que afetava a todos, com o dólar em patamar bem elevado, privilegiando os poucos que exportavam, e que se deram muito bem na- quela época, mas prejudicando a maioria, os que estavam do lado impor- tador,” afirma sobre o período. Valdelírio Pereira Soares Filho era proprietário da Microsol, primeira indústria de tecnologia do Estado do Ceará. Estabelecida em Fortaleza, em outubro de 1982, inicialmente como assistência técnica, lançara seus pri- meiros produtos em 1983. O nome Microsol assemelhava-se ao da pode- rosa Microsoft apenas por uma coincidência. Derivava na verdade de uma Posse de Valdelírio Pereira Soares Filho definição cheia de orgulho nativo, criada pelos parceiros Valdelirio e José Vicente Borges, ambos dos quadros de manutenção da Embratel à época ria. “Ele achava que esse mundo, esse universo de federação, era uma coisa em que começaram a aparecer os microcomputadores, sintetizando “Mi- que não combinava com ele”, recorda o amigo. “Ele não queria entrar, mas cros na Terra do Sol”. até que enfim aceitou”. O jornalista cearense Luis Sucupira, especializado em tecnologia da O novo Presidente do SIMEC assumiu três semanas depois da divulga- informação, esmiúça os passos seguintes da empresa: “A trajetória da Mi- ção de uma Carta ao Povo Brasileiro, assinada pelo candidato à presidência crosol se confunde com a da indústria tecnológica do Ceará, e com a do do Brasil, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que se elegeria em outu- Brasil, em alguns aspectos. Há 25 anos ninguém podia imaginar que o bro de 2002 para os primeiros quatro anos de mandato. No teor da Carta Ceará seria um celeiro de talentos em informática. Naquela época, dois predominava o termo mudança, o mesmo até então empregado no Ceará jovens idealistas, posso dizer assim, acreditavam que era possível montar pelo governo de Tasso Jereissati, que se preparava para deixar o cargo no a própria indústria para fabricar tecnologia. E escolheram ficar no Ceará, Executivo estadual após oito anos. mesmo sendo longe dos centros urbanos”. O ano trouxe também duas notícias inéditas: a conquista brasileira A opção conservadora não atrapalhou o crescimento da Microsol, “que do pentacampeonato de futebol na Copa do Mundo, realizada na Co- ainda teve parceria formada por uma joint-venture com a Technitron, uma186 187
  • 2002-2008 empresa portuguesa. A joint-venture recebeu o nome de Technitron-Brasil e laços entre os empresários associados, e entre estes e a sociedade. “Uma fabricava equipamentos para telecomunicações. Anos depois a parceria se coisa que eu procurei realizar durante minha gestão foi ter buscado, cada desfez. Porém esta parceria colocava a Microsol sob olhares internacionais.”1 vez mais, melhorar as confraternizações da entidade, para que ela se tor- Realmente, duas décadas adiante a multinacional Schneider Electric Brasil nasse um ambiente não apenas de trabalho, mas um ambiente agradável, voltaria seus olhos para a dinâmica empresa cearense, que fabricava equi- que atraísse os empresários e os representantes das empresas para discutir pamentos eletroeletrônicos destinados à proteção elétrica de aparelhos de temas às vezes inglórios, mantendo, porém, um aspecto lúdico, um aspec- informática, estabilizadores de tensão, no breakes e outros na mesma linha. to de motivação, fazendo com que aquelas reuniões sociais tivessem um Hoje, diante do edifício onde funciona a empresa, a marca na fachada momento agregador, que descontraísse e depois facilitasse a aproximação”. remete à APC, maior fabricante mundial de produtos direcionados a pro- Desde os tempos da mesa em forma de timão, ainda nos idos do Edi- teger equipamentos eletroeletrônicos. A APC foi adquirida em 14 de feve- fício Jangada, o encontro posterior às reuniões se firmara como uma das reiro de 2007 pela Schneider Electric, contribuindo assim para constituir tradições do Sindicato. “Nossas reuniões sempre têm um coffee break no “o principal e mais completo fornecedor mundial em sistemas de UPS”, final”, aponta Valdelírio. “Eu introduzi o vinho, porque sou amante de vi- segundo o informativo Schneider Electric News. (fev-abr/10). Em 21 de ja- nho, e muita gente hoje ainda toma vinho lá por essa influência. Também neiro de 2009 a Microsol Tecnologia S.A passou a integrar o grupo, como eu procurei reforçar as festas de final do ano. Eram ainda muito fechadas, explicado por Jesus Carmona, Country General Manager (ou simplesmen- muito para dentro, e eu procurei fazê-las para fora, usando aquele espaço te, o Presidente) da APC by Schneider Electric no Brasil (OP 29/3/09): “A trazendo autoridades, pessoas que podiam ser interlocutores nossos, cons- Microsol faz parte APC, que faz parte da Schneider. Somos uma pequena truindo um espaço de interlocução com os outros agentes da sociedade”. porcentagem do pacote global da Schneider Electric”. Como expert em informação e comunicação, Valdelírio sabia da impor- A indústria eletroeletrônica encaixava-se no escopo do Sindicato das tância do relacionamento informal, da criação de um clima cosmopolita, indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico, agora como pro- com toques de sofisticação, por que não - no qual fosse possível distanciar- tagonista. “O SIMEC tem uma diversidade muito grande de indústrias”, -se por alguns momentos das pressões do ambiente de trabalho. “Então foi enfatiza Valdelirio em 2010, corroborando a afirmação de alguns de seus feito isso. Um espaço de interlocução com a sociedade, com as principais antecessores. “Essa diversidade é exatamente uma fonte de riqueza, em autoridades, com os presidentes de Sindicatos de outras áreas, com todos primeiro lugar porque são poucos os conflitos de interesse entre os asso- que pudessem dividir temas de interesse comum”. ciados. Nós quase não temos concorrência entre nós. Somos muito mais Promessa feita, promessa cumprida. Em dezembro de 2003 e de 2004 cooperadores. Por exemplo, eu compro da Maia, vendo para a Durametal, o jantar de confraternização do SIMEC, até então realizado intramuros, vendo para outro – então o que existe é mesmo uma cooperação, e isso aconteceu no elegante cenário do bosque à beira do mar mantido pelo torna saudável o clima interno”. Marina Park Hotel, contando com a presença de figuras relevantes na mo- Em 2003, Valdelírio ocupava-se em desempenhar com eficiência seu vimentação econômica do Estado. Era um breve momento de amenidade, primeiro ano como Presidente do SIMEC, a começar pelo estreitamento dos antes que o mundo real interferisse com as complexidades de sempre.188 189
  • 2002-2008 Nem só de celebrações vivia o Sindicato, como reflete Valdelírio. Quanto à internacionalização, houve um momento em que foi interesse “Durante minha gestão procurei mapear os temas de interesse comum a comum, então fomos defender. A capacitação é interesse comum, também todos, temas, por exemplo, trabalhistas, mas também temas tributários, vamos por esse caminho. Basicamente, representamos um grupo de empre- ou temas de logística do Estado, como as manifestações de que parti- sas naquilo que é do interesse geral delas”. cipamos quando as estradas do Ceará estavam em péssimas condições. Em defesa do setor o Presidente identificava os entraves ao crescimento Temas, por exemplo, junto à Secretaria da Fazenda do Estado, quando co- do polo metalmecânico no Ceará e no Nordeste, como bem demonstrou meçou a criar controle demais, deixando os caminhões dois dias parados. em maio de 2003, em reunião da Coalizão Empresarial Norte/Nordeste, Na defesa de programas de incentivo”. criada no final de 2002 para unificar as reivindicações da área, congregan- Coube ao Presidente oficializar o ingresso do SIMEC na era da respon- do empresários de Alagoas, Bahia, Ceará, Pará e Pernambuco. Os temas sabilidade social e cultural. “Também tínhamos e temos algumas iniciativas centrais da reunião eram o aumento dos custos da matéria-prima (a tone- de cunho social, como o apoio à música, o apoio às iniciativas locais”. lada do aço plano dobrara de valor em um ano) e a recriação da SUDENE A apoio a feiras, na avaliação dele, principalmente feiras internacio- - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, com seu papel de nais, se apresentara como “uma postura mais reativa do que proativa de fomentar as empresas geradoras de emprego. (DN 10/5/03) estimular a internacionalização do setor. Até se discutiu muito, mas de Valdelírio erguia a voz em nome do segmento: “As indústrias eletroin- fato não se fez tudo o que se gostaria. Tivemos algumas iniciativas com tensivas, como a Durametal e a Gerdau, que utilizam energia em larga Portugal, de buscar a cooperação, mas isso sempre ligado ao cenário ma- escala, têm enfrentado aumentos significativos em seus custos produtivos. croeconômico, porque de repente uma mudança cambial brusca muda As empresas que transformam aço são as que mais dependem da energia”. tudo isso. Nós procuramos ser ambiente de aproximação de parceiros O SIMEC havia organizado um grupo de empresas atingidas pela mesma internacionais, um papel, digamos, formal, institucional, mas que natu- dificuldade para conversar com a COELCE – Companhia Energética do Ce- ralmente nós assumimos.” ará sobre o problema tarifário. Um grupo maior estabelecia contato com o O Sindicato auxilia no estabelecimento de parcerias com empresas Governo Federal levando propostas alternativas de reforma tributária, e a internacionais, confirma, embora nem sempre com a desejada ação es- questão do preço do aço permanecia em negociação com as siderúrgicas, truturada. “Nós sempre procuramos fornecer um ambiente para parcerias no âmbito da CNI. internacionais. Eu mesmo cheguei a apresentar empresários de fora a em- Em dezembro de 2003 uma nova alta no preço do aço, insumo básico, presários nacionais. Quando somos procurados, como entidade, buscamos impactava as indústrias metalúrgicas do Ceará. O ciclo de recuperação das estabelecer a aproximação.” 1.200 empresas do Estado corria o risco de retrocesso, prejudicando um E Valdelírio lança uma pergunta retórica: “Qual é o papel, em suma, de setor que respondia por mais de 10% do PIB da indústria de transformação, um Sindicato? É representar uma categoria, um grupo de empresas perante e que após “ensaiar pequena recuperação da produção, nos últimos dois os outros atores da sociedade, defendendo os interesses que são comuns, meses desse ano” vivia “momentos de apreensão, temendo nova retração os legítimos interesses que são comuns à grande maioria das empresas. nos negócios” (GM 19/12/03). Somava-se a esta insegurança o preço do190 191
  • 2002-2008 frete para o Sudeste, ônus que podia chegar a 27%, na informação de Paulo a bandeira de luta dos empresários cearenses em um texto que enunciava: Silva, Diretor Administrativo Financeiro da Mecesa – Metalgráfica Cearense “Neste dia, queremos parabenizar a todos os industriais que, com coragem S/A, à reportagem. e esforço, estão ajudando a construir um Ceará melhor para todos”. Entrevistado sobre o assunto, Valdelírio declarava ao jornal, sem meias Coragem e esforço eram as palavras chave. Já a expressão Ceará Me- palavras: “O frete e a situação de monopólio privado do aço no Brasil es- lhor trazia um eco de campanhas eleitorais para o Governo do Estado, tão tornando a competição cada vez mais difícil. Os fornecedores apenas que por duas vezes haviam colocado Tasso Jereissati no cargo máximo do comunicam que o preço vai subir, independente de uma justificativa de Poder Executivo, e cuja contribuição ao desenvolvimento industrial cea- custos. Como o dólar recuou e, por outro lado, as siderúrgicas apresentam rense havia sido testada e aprovada pelo setor eletrometalmecânico. “Nós balanços bastante rentáveis, cremos que os aumentos são oportunistas”. passamos por um período de alguns bons governadores”, avalia Valdelírio, Fernando Cirino concordava: “Ocorre, realmente, uma concentração do “mas que não foram capazes de gerar rupturas, de fazer e acontecer. O setor siderúrgico no país,” embora o Ceará consumisse, anualmente, pelas Tasso entrou jovem no Governo, e fez acontecer. Conseguiu uma mudança contas do SIMEC, cerca de 200 mil toneladas de aço, uma das maiores de- até na auto-estima do Estado. Os seus sucessores seguiram um pouco o seu mandas do Nordeste (GM 19/12/03). modelo, mas sem a mesma liderança, sem o mesmo senso de urgência”. A situação estava clara no primeiro trimestre de 2004, quando o preço No dia 12 de abril de 2005 o SIMEC se reuniu em Assembleia Geral do aço que chegava como matéria prima para as indústrias subiu 30%, Ordinária, como fazia anualmente, para exame, discussão e aprovação das resultando em um aumento acumulado de 104%, entre janeiro de 2003 e contas referentes ao exercício financeiro do ano anterior, definindo, entre abril de 2004 (DN 6/4/04). E dessa vez havia um motivo: a equiparação do outras questões, que a partir de 2005 as reuniões do Conselho Fiscal se- valor do metal no Brasil ao preço no mercado internacional. Valdelírio aler- riam trimestrais. Na reunião, o associado e ex-Presidente Fernando Castro tava para um novo player no disputado tabuleiro e falava pelos associados Alves perguntou qual o percentual, na receita do SIMEC, proveniente da do SIMEC. “O crescimento da indústria chinesa, que tem demandado boa contribuição patronal. Cerca de 60%, foi a resposta. Fernando voltou a parte do aço disponível no mercado internacional, tem feito subir o preço perguntar se o Sindicato teria recursos para se manter, caso fosse extinta do produto. A indústria metalmecânica tem sido muito afetada com essa a referida contribuição. Isso porque havia, de fato, no projeto de Reforma situação, que vem dificultando a competitividade. A indústria fica numa Sindical, possibilidade de extinção da Contribuição Sindical Patronal, além situação muito complicada. Temos dificuldade de absorver os aumentos, da criação de novas taxas ou formas de contribuição das empresas para porque não conseguimos repassá-los ao consumidor” (DN 6/4/04). os seus Sindicatos. O Presidente respondeu que, permanecendo estáveis O reconhecimento às dificuldades do setor era tornado público na data as despesas e outras receitas do SIMEC, haveria recursos suficientes para em que se comemorava o Dia da Indústria, 25 de maio de 2004, quando cerca de quatro anos de auto-sustentabilidade. Na hipótese de extinção da o SIMEC fez questão de assinar anúncio veiculado no jornal O Povo, ilus- Contribuição, seriam revistas despesas e receitas, de forma a garantir a con- trado por um mapa do Estado repleto de máquinas e equipamentos elétri- tinuidade do Sindicato, através do equilíbrio destas. Fernando Castro Alves cos e mecânicos, moveis tubulares, transformadores e outros, levantando parabenizou o Presidente. Era uma situação “invejável no meio sindical”, afirmou, recebendo a concordância de todos.2192 193
  • 2002-2008 Valdelírio minimiza os elogios, que reparte, democraticamente, entre Parte do patrimônio era utilizado em atividades de interesse comum da os demais presidentes: “Por uma convergência de fatores históricos, o SI- sociedade, da organização, como treinamento, pagamento de passagem MEC sempre teve Diretorias que preservaram o patrimônio. Nosso patri- para vinda de especialistas, apoio à participação de associados em feiras, mônio financeiro sempre foi crescente, até porque houve época em que os montagem de estande do SIMEC em feiras de interesse coletivo, viagens de juros tinham uma receita financeira grande. Tínhamos uma quantia subs- diretores para participar de reuniões na CNI, ou mesmo para a confraterni- tancial, disponível de caixa, que nos dava independência. O SIMEC nunca zação anual da entidade. teve de chegar para ninguém com pires na mão”. Em abril de 2005 a CNI entrava na briga pela redução da tarifa de energia Na letra estatutária, patrimônio era constituído pelas contribuições dos elétrica no Nordeste. A sequência de aumentos, acima da inflação, compro- que participam da categoria; as contribuições dos associados; as doações metia o desempenho do setor metalmecânico, empregador de 14 mil pesso- e legados; os bens e valores adquiridos e as rendas por eles produzidas; as, e que computava 25% dos seus gastos em energia elétrica (DN 27/4/05). os alugueis de imóveis e juros de títulos e de depósitos; as multas e outras O Presidente do SIMEC declarava: “A grande maioria das indústrias tem con- rendas eventuais. (Art.27°, alíneas a,b,c,d, e) sumo alto, intensivo. Hoje o setor metalmecânico congrega mais ou menos O tema do patrimônio puxa uma reflexão didática do ex-Presidente. duas mil empresas, sendo 90 delas bastante significativas para a economia “O que fazer com esse patrimônio? Primeiro, mantêm-se uma reserva es- do Estado,” carecendo portanto de atenção especial. O setor era igualmente tratégica, para qualquer mudança no cenário legal. Por exemplo: qual é a responsável por 15% do PIB industrial cearense. E, infelizmente, no caso de fonte das nossas receitas, como de todo Sindicato hoje? É a Contribuição ser mantida a elevação no preço da energia elétrica, teria que repassar os Sindical Patronal. Todo ano, todas as empresas são compelidas, por lei, a custos. “É injustificável um aumento dessa monta na energia elétrica, quando contribuir com um valor proporcional ao capital social – se não me en- a inflação está controlada”, protestava ele (DN 27/4/05). gano, proporcional ao capital social. Uma parte desse recurso fica com o O protesto não ficaria apenas no discurso. Em dura nota de repúdio ao Sindicato, outra parte fica com a FIEC, uma terceira parte fica com a CNI, e aumento da tarifa praticada pela Coelce – um reajuste médio de 23,59% (DN ainda uma pequena parte fica com a Caixa Econômica Federal”. 20/5/05) – o SIMEC conclamava a população a comparecer à audiência públi- Além da contribuição legal ele registra a entrada de mais um recurso, um ca na Assembleia Legislativa, marcando inserção social. Dizia a nota: prudente “guarda-chuva,” capaz de proteger o Sindicato das inclemências políti- O aumento da tarifa de energia elétrica fornecida pela Coelce para co-econômicas ocasionais. “Nós temos outra fonte de receita, bem menor – pelo a população e para os consumidores industriais praticamente eli- menos, até onde eu lembro é menor – que são as contribuições dos associados. mina a competitividade dos produtos fabricados no Ceará, trazen- Uma coisa é aquela contribuição obrigatória. Outra coisa é o que se paga para do como consequência imediata desemprego e empobrecimento se associar, participar das reuniões, participar dos eventos. Então, havia aquela dos cearenses, com desdobramentos sociais imprevisíveis. Somen- te com a participação de todos poderemos reverter esta situação preocupação: e se mudar, se houver uma reforma sindical, que acabe com essa injusta e arbitrária. Para demonstrar sua indignação, compareça à receita? Era preciso ter um patrimônio que nos permitisse um tempo de sobrevi- audiência pública que será realizada hoje, sexta-feira, 29 de abril vência, para reorganizar a entidade, para arranjar novas fontes de receita.” de 2005, na Assembleia Legislativa.194 195
  • 2002-2008 A questão do reajuste energético despertou a atenção de muita gen- delirio foi o único a repetir a presidência do SIMEC. E não por decisão dele. te, por motivos óbvios. Foram realizados dois “lamparinaços” em protesto, Foi reempossado porque ninguém quis substituí-lo. Eu participei de todo o com a participação de empresários, parlamentares das três esferas do le- processo, e lembro claramente que foi feita uma consulta ao cardinalato, gislativo cearense, entidades sindicais, entidades de classe – todos unidos aos “pajés”, todos queriam que o Valdelirio ficasse. Ele não queria, mas para formar uma força-tarefa na tentativa de sustar o aumento, objetivo teve que aceitar”. parcialmente obtido (OP 29/04/05). A Comissão Eleitoral foi composta a 10 de maio de 2005, de acordo É possível que a presença ativa de Valdelírio Soares na mobilização com o artigo 9° do Regulamento de Processo Eleitoral então em vigor. No coletiva tenha jogado luz no fortalecimento de seu nome para a inédita mês seguinte, o jornalista Nazareno Albuquerque noticiou em sua coluna, reeleição à presidência do SIMEC. “Eu fui convocado a me reeleger”, afir- no jornal O Povo (12/6/05): “Eleita nessa última sexta-feira a nova Direto- ma modestamente. “Eu não queria me reeleger, mas segundo as pessoas, ria do SIMEC. Valdelírio Soares, da Microsol, permanece como Presidente”. os diretores, meus colegas, haviam gostado muito do primeiro mandato e Eleito, porém ainda não empossado, Valdelírio previa, para aquele acharam que eu deveria ser reeleito, e conduzir um segundo mandato”. A ano, uma expectativa de crescimento do setor em 25%, e atualizava os análise do momento sucessório tanto no Sindicato como na FIEC levou a dados. O principal impulso viria do segmento de autopeças, eletroele- bater o martelo a favor da manutenção do Presidente por mais um triênio. trônica e subcontratação, procedente das aproximadamente duas mil O processo de sucessão do SIMEC costumava começar até um ano antes empresas de metalmecânica, que representavam 15% do PIB cearense e do período eleitoral, com a identificação dos potenciais candidatos por parte ofereciam 14 mil vagas de trabalho. “As que têm grande representação de um grupo que Valdelírio denomina de “Conselho Informal dos Anciões”, são apenas as 80 maiores, que respondem por 90% de tudo que se pro- buscando principalmente o estreitamento das opções para nomes que alias- duz no Estado,” assegurava Valdelírio. Anualmente, o Ceará produzia sem duas características básicas: a capacidade de representar a instituição e todas as 750 milhões de latas de aço usadas para refrigerantes no Nor- a idoneidade reconhecida. Após a avaliação, os potenciais candidatos eram deste, produção saída da Metalic Nordeste, em Maracanaú, empresa estimulados a se posicionar para a composição da chapa consensual. controlada pela CSN. O nome podia ser de um representante de empresas, como “As indústrias que precisam trazer aço plano de outros Estados têm a des- acontecera algumas vezes antes, um executivo, “um profissional vantagem de pagar frete”, constatava ele na reportagem. “Para ajudar, existe em que se percebesse um cenário de permanência”, detalha um incentivo específico, em que o Estado paga parte do frete”, sendo o custo ele. O indispensável era ser alguém com capacidade de re- do transporte abatido do pagamento do ICMS – Imposto sobre Circulação de presentar a entidade, de liderar sua evolução, e de agir Mercadorias e Serviços. Uma conquista consolidada (OP 23/6/05). com idoneidade. E para 2005 foi estabelecido novamen- A posse da nova Diretoria aconteceu no Salão Marina, do Marina Park te o nome de Valdelírio Pereira Soares Filho. Hotel, no dia 15 de julho de 2005. O jornal O Povo do dia 23 registrou a Mario Bravo, o argentino naturalizado brasileiro, novidade (“em mais de 30 anos de existência, nunca uma gestão fora re- acompanhou o processo. “Até esse momento, Val- petida na presidência do SIMEC”), e noticiou o evento: “Na nova gestão,196 197
  • 2002-2008 a entidade continua sendo presidida pelo empresário Valdelírio Pereira faturamento crescera 2,01% em junho e 4,88% no acumulado do ano, e que Soares Filho, mas contará com mudanças em outros cargos diretivos”. as maiores ampliações nas vendas haviam sido obtidas pela indústria meta- A Diretoria eleita para o período 2005-2008 era formada por Acácio Araújo lúrgica, com aumento de 13,77% (DN 6/8/05). Ouvido pelo Diário do Nor- de Vasconcelos (Diretor Financeiro), Píndaro Custódio Cardoso (Diretor Admi- deste, o Secretário Executivo do SIMEC, Mario Bravo, analisava os dados com nistrativo), e os suplentes José Frederico Thomé de Saboya e Silva, Daniel Sucupi- cautela: “O bom desempenho do setor está mais concentrado nas pequenas ra Barreto e Érico Coelho Coutinho. Eram Diretores Setoriais titulares: Roberto de empresas, que se têm voltado para o mercado interno. Já as exportadoras, de Barros Bezerra (Setor Metalúrgico), Ricardo Martiniano de Lima Barbosa (Setor maior porte, estão mantendo ou diminuindo suas movimentações”. Mecânico), Francisco Baltazar Neto (Setor Elétrico), com os suplentes Raimundo Em setembro Diretor-Presidente da Durametal, Fernando Cirino Gur- Raumiro Maia da Silva, Ivan de Castro Alves e Reno Barroso Bezerra. gel, recebeu homenagem por parte do SIMEC, no Marina Park Hotel, por ter No Conselho Fiscal estavam os titulares Sebastião de Arruda Gomes, Mar- sido escolhido o Empreendedor da Indústria de Fundição do Brasil 2004- celo Villar de Queiroz e Helder Coelho Teixeira, tendo como suplentes Paulo 2005, prêmio nacional concedido pela ABIFA – Associação Brasileira de Augusto Ferreira G. Silva, Eduardo Lima de Carvalho Rocha e Cícero Campos Fundição. E em meados de dezembro de 2005, final do terceiro ano da Alves. O presidente Valdelírio e Carlos Prado representavam o SIMEC junto à administração de Lúcio Alcântara no Governo do Estado, o presidente do FIEC. Seus suplentes eram Fernando Cirino Gurgel e Dário Pereira Aragão. SIMEC assinou anúncio de jornal, redigido em três línguas, dando boas vin- das (Welcome e Bienvenuta) à chegada ao Ceará da indústria Ceará Steel, Os convidados à cerimônia da posse ouviram as palavras do Presiden- parceria brasileira, coreana e italiana (DN 16/12/05). te. “O trabalho que desenvolvemos foi bem recebido, e fui convidado a permanecer na presidência”, disse ele, acrescentando que pretendia in- O SIMEC deseja à Cia Vale do Rio Doce, à Dongkuk Steel e à Da- tensificar a capacidade de liderança da entidade, já que “o SIMEC é um niele, parceiros na nova Usina Siderúrgica da Ceará Steel, todo o sucesso no seu novo empreendimento, e coloca todas as suas instrumento de desenvolvimento do setor eletrometalmecânico. Vamos empresas associadas à disposição para uma parceria duradoura continuar criando condições e capacitando nossas empresas para defender na empreitada comum de construção da prosperidade do Ceará. os genuínos interesses da categoria”. Entre os novos – ou não tão novos – desafios, listava a importância de buscar a unidade e o crescimento do Mais uma pedra fundamental era lançada. setor, como um todo, e o incremento à exportação por parte de pequenas e Hoje, a análise de Valdelírio sobre as circunstâncias políticas estadual e fe- médias empresas cearenses. “O Estado já exporta produtos como tambores deral é fria e objetiva, projetando a visão do empresariado, em especial, quanto de freio, geladeiras, fogões e medidores elétricos, mas os números ainda as grandes obras estruturantes. “Não há iniciativas de apoiar o setor industrial. Os são considerados tímidos”. grandes projetos, a refinaria, a siderúrgica, foram vendidos várias vezes. Eu tenho Agosto trouxe notícias promissoras para os industriais cearenses. Após esperanças, mas tenho minhas dúvidas sobre a execução deles. Tenho dúvidas dois meses em declínio a indústria de transformação local voltava a apresen- quanto a eficácia. Nós perdemos a capacidade de defender no âmbito Federal tar dados positivos. A pesquisa Indicadores Industriais realizada pelo INDI os interesses do Estado”, o que refletiria “uma fragilidade política, vinda desde o – Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará, da FIEC, mostrou que o fim daqueles primeiros governos do Tasso. Nossa classe política se mostra extre-198 199
  • 2002-2008 mamente desunida na defesa dos interesses do Estado. O Ceará foi gradualmente prejuízo, devido à greve que trazia transtorno juntamente àquelas que depen- perdendo os seus líderes que tinham alguma capacidade de fazer diferença no diam de insumos importados – o que se aplicava ao setor metalmecânico. âmbito nacional. O último foi o Tasso, que perdeu as eleições para o Senado”. Insumos básicos, como bobinas de aço e componentes eletroeletrônicos, que E constata, sem querer polemizar: “Veja que naquela época do final dos compunham os itens mais utilizados pela indústria metalmecânica e de mate- anos 1980, 1990, o Ceará estava despontando, construindo infraestrutura, rial elétrico, dependiam da importação e eram os primeiros prejudicados. construindo porto... Agora nós temos um Governador que está tentando De seu posto Valdelírio alertava: pelo menos quatro empresas já esta- acertar, fazendo um grande esforço, é um jovem, mas ele sozinho não pode vam paradas devido a problemas relacionados a máquinas, equipamentos e fazer tudo. Falta um alinhamento político, um peso político do Estado para insumos importados. Outras se encontravam forçadas a desembolsar “gran- conseguir benefícios de âmbito federal, porque o Brasil tem uma centraliza- des quantias” para conseguir mandados de segurança, usados na liberação ção muito grande, quer dizer, o Estado depende muito do Governo Federal”. de mercadoria retida na Alfândega. O Sindicato contava com o tributarista O exercício da presidência de um Sindicato que se posicionava como Schubert Machado como Assessor Jurídico para agilizar tais questões. o segundo mais forte do Estado, em termos de movimentação financeira, Os temas trabalhistas igualmente compunham a pauta. Em 2010 Val- antecedido apenas pelo Sinduscon – Sindicato da Indústria da Construção delírio Soares expõe seu pensamento sobre o assunto, estendendo-o a todo Civil, exigia manter-se atento a tudo. Inclusive a garantir dos sócios o cum- o meio industrial: “Todo ano, nós temos que renegociar o acordo coletivo. primento do prazo de pagamento da Contribuição Sindical, lembrado em E eu sempre procurei ver o seguinte: o ativo mais importante, o que faz a aviso veiculado no jornal Diário do Nordeste (26/1/06). A sucessão de ver- diferença numa organização, são as pessoas. Então eu procurei assumir bos e substantivos permitia detalhar o universo de abrangência das ações uma posição mais negociadora, mais madura. É claro, existem interesses do SIMEC, na época um dos 38 Sindicatos filiados à FIEC (DN 13/10/06). conflitantes. Mas vamos tentar encontrar um ponto onde esses interesses convirjam, e vamos principalmente respeitar o outro lado”. Srs Empresários. Lembramos que no dia 31 de janeiro de 2006 vence o prazo para pagamento, sem multa, da Contribuição Sindical do ano A estabilização econômica pós-real facilitava os acordos. “Eu acho que o de 2006. Toda empresa que industrialize, fabrique, repare, recupere, controle da inflação aliviou muito esse conflito, porque na hora que os índi- conserte, reforme, faça manutenção ou preste assistência mecânica a ces de inflação começaram a convergir para números mais baixos, passaram máquinas, equipamentos, veículos ou peças nas áreas metalúrgica, me- a ser mais confiáveis, de repente a pauta da discussão salarial em si se tornou cânica, de materiais e equipamentos elétricos, eletrônicos e eletromecâ- menos relevante, e outros aspectos da relação trabalhista, como qualidade nicos, deve proceder ao recolhimento em nome do SIMEC, que é a ins- tituição legalmente habilitada pelo Ministério do Trabalho para tal fim. de vida no trabalho, como treinamento, passaram a predominar”. Com tamanha extensão, não surpreende que uma paralisação reivindicati- Se as coisas melhoravam por esse lado, por outro, o da espera por grandes va dos Auditores Fiscais, por exemplo, refletisse diretamente nos negócios dos realizações infraestruturantes, tudo voltava à estaca zero com a notícia de que a associados, e exigisse pronto posicionamento do SIMEC. Os leitores do Diário siderúrgica cearense perdia o gás – literalmente – e mais uma vez, se estava fadada do Nordeste do dia 20 de junho de 2006 leram que, desde o último dia 2, as a se desfazer como miragem, com a desistência da Petrobras em fornecer o gás empresas cearenses haviam parado a produção e se encontravam amargando combustível que abasteceria a usina. Era o primeiro ano do empresário Roberto200 201
  • 2002-2008 Macedo, associado do SIMEC, na liderança da FIEC. Era o final do último ano do mecânico cearense consumia entre 200 e 240 mil toneladas de aço por ano, Governo Lúcio Alcântara, que seria substituído no cargo por Cid Ferreira Gomes. o equivalente a 22 mil toneladas/mês de itens como placas, chapas, barras, O Sindicato mostrou combatividade. Não aceitou calado o desdobra- aço inox, aço carbono e aço silício, entre outros, contando com 1.950 em- mento dos fatos relacionados à siderúrgica, e publicou nota enérgica nos presas formais, que iam de grandes metalúrgicas a firmas unipessoais. jornais de 24 de novembro de 2006 (DN e OP), pontuada por não tão dis- Um ano depois de eleito, o Presidente da FIEC, Roberto Macedo, cretas pitadas críticas dirigidas às autoridades competentes. apresentou seu pensamento sobre a sustentabilidade sindical. “O ofereci- mento de serviços é a base da sustentabilidade dos Sindicatos”, declarou, O povo cearense recebeu com surpresa e indignação a unilateral e “à medida que eles se tornam um atrativo aos atuais e futuros associa- intempestiva quebra de contrato, por parte da Diretoria da Petro- dos”. Quanto a isso o SIMEC podia encher o peito de orgulho. “Com foco bras, no que se refere ao fornecimento de gás natural à nossa tão sonhada Usina Siderúrgica, jogando uma ducha de água fria nas no fortalecimento e modernização do setor que representa, o SIMEC ofe- pretensões desenvolvimentistas de um Estado e de um povo do rece às empresas associadas uma assessoria completa nas áreas jurídica e Nordeste, que aspira algo mais que o Bolsa Família. trabalhista, e orientação permanente, veiculando informações gerais em reuniões mensais e no site (OP 22/11/07)”. Os industriais do setor eletrometalmecânico do Estado do Ceará protestam veementemente contra esta infortunada medida. Muito Visita do SIMEC à Indústria de Margarinas GME - do Grupo M. Dias Branco importante lembrar que um investimento na ordem de 750 milhões de dólares da iniciativa privada tem um desdobramento social tão expressivo que deve ser encarado com importância e respeito. A nota em nada resultou, exceto para assinalar tomada de posição do Sindicato. Um ano mais tarde Valdelírio Soares foi ouvido por Jocélio Leal, do jornal O Povo. Na coluna Vertical (22/11/07), destacava o jornalista: São Tomé – Do Presidente do SIMEC, Valdelírio Soares, ao ser indagado sobre a nova siderúrgica cearense: “Prefiro ver para crer. Já foram tantas que é melhor a gente aguardar a concretização para comentar depois”. Em 2007 o SIMEC contabilizava 68 empresas associadas (DN 22/3/07). Demonstrando o desejo de maior participação interativa com a comunida- de, estabeleceu parceria com Sinduscon, FIEC, Associação Nordeste Bra- sileira da Construção Metálica, e Centro Brasileiro da Construção em Aço para o lançamento do livro “150 Anos de Arquitetura Metálica no Ceará”, dos arquitetos Antonio Carvalho Neto, Napoleão Ferreira Neto e Romeu Duarte Júnior. Nada mais natural que a presença do SIMEC. O polo metal-202 203
  • 2002-2008 Não se contentava com isso. Promovia também a realização de Seminá- crescendo entre 6% e 10%. O setor mecânico teve aumento de produção, rios, apoiava a participação em eventos e representava o setor nas reivindi- mas perda de faturamento. No caso das metalúrgicas, grande parte mante- cações da categoria. Uma vez por mês realizava palestras abordando temas ve crescimento de 5%”, garantia Mario. de interesse das empresas, como Ferramentas de Gestão, Oportunidades de A reportagem citava a Durametal como um dos exemplos de quem Negócios, Fontes e Modalidades de Recursos, ou Gestão de RH. Os associa- trocara o mercado externo pelo interno. “A empresa iniciou a transição dos dispunham de acesso a todos os serviços oferecidos pelo Sistema FIEC: em 2006, quando reduziu para 40% o volume exportado. No ano passado atendimento em saúde e ao lazer do SESI, e a aprendizagem do SENAI. Man- [2007], exportou 30% da produção. Este ano a previsão é de 20%”. No co- tinha parceria com empresas seguradoras e empresas funerárias. Apoiava e mando da Durametal, Fernando Cirino estava tranqüilo. Haviam sido “dois incentivava a modernização das empresas, a união dos empresários, o anos prejudicados. Mas não sem lucro” (OP 15/2/08). desenvolvimento de parcerias e a capacitação dos quadros empresariais, Chegava ao fim o mandato duplo de Valdelírio Soares à frente do SI- agindo como elo nas articulações entre empresas, sindicatos e autoridades MEC. O Edital de convocação para as eleições foi veiculado no Diário de todos os Estados, visando sempre o crescimento do setor. do Nordeste a 26 de maio de 2008, apresentando o prazo até 6 de junho Havia portanto muito o que comemorar na Festa de Confraternização para registro das chapas. No dia seguinte ao encerramento foi comunicado, de 2007, que aconteceu a 13 de dezembro, abrindo exceção quanto ao também no mesmo jornal, o registro de apenas uma chapa, como sempre. assunto usina siderúrgica, a respeito do qual o presidente Valdelírio man- Mesas coletoras de votos foram montadas em dois pontos: no Marina Park tinha o comentário de São Tomé: “Só acredito vendo!” (OP 10/12/07). Hotel e na sede do Sindicato, a 20 de junho, dia em que 37 das 52 empre- sas aptas a votar depositaram seu sufrágio. Até o final de seu mandato, Valdelírio Soares ainda atravessaria alguns acidentes de percurso, naturais na montanha-russa da economia brasileira e Apuração concluída, configurava-se eleito Presidente do Sindicato das mundial. A indústria cearense “acendia a luz amarela” em fevereiro de 2008 Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ce- (OP 15/2/08). Segundo o IBGE, em 2007 a produção do setor industrial cres- ará um jovem industrial, novato no exercício de cargo diretivo sindical: cera minguados 0,3%, com redução na exportação os setores de máquinas, o associado Ricard Pereira Silveira, cuja Diretoria recebera unanimidade aparelhos e material elétrico (menos 19,4%) e nos produtos de metalurgia dos votos, com um solitário voto em branco. Iria presidir o Sindicato até (menos 23,2%). Mario Bravo falava como Secretário Executivo do SIMEC e 2011, quando seriam abertas as comemorações dos 40 anos de existência tentava amenizar o quadro: “O setor diminuiu o ritmo de crescimento. Em do SIMEC, assumindo os desafios de ampliar a base territorial, duplicar o alguns casos pontuais, principalmente os que trabalhavam com exportação, número de associados e trazer sangue novo para a entidade. houve quedas sensíveis”. Em outras palavras, “quem não tem mercado inter- no teve que reduzir a produção. E quem encontrou o mercado interno, está enviando para fora só o suficiente para não perder os clientes”. Notas: 1 - Luis Sucupira, http://www.forumpcs.com.br/comunidade/viewtopic. Os reflexos variavam de setor para setor. “Empresas do segmento e ele- php?t=249910. trônica tiveram mais crescimento do que queda de produção em 2007, 2 - Ata, 12/4/05204 205
  • 2008-2011 Ricard Pereira Silveira206 207
  • Ricard Pereira Silveira 2008-2011 Há uma grande probabilidade que, em toda a história do Sindicalismo cearense, Ricard Pereira Silveira tenha sido o primeiro indicado à presidên- cia a receber o convite via telefone celular, atendido em meio a uma bela paisagem de final de tarde, descortinada do alto da duna em Jericoacoara, local de onde apreciava, tranquilamente, o espetáculo do por do sol. A li- gação procedente de Fortaleza atravessara 300 quilômetros para chegar até aquele ponto. A voz do outro lado era clara quanto às informações de estar sendo composta a chapa única para a sucessão de Valdelírio Soares, e de que havia consenso em ungir Ricard como futuro Presidente. A reação do convidado foi imediata: “Obrigado pela deferência, mas ‘estou fora’”. “Eu conhecia todo mundo, me entrosava, me dava bem com todo mun- do no SIMEC”, relembra ele, “mas não tinha nenhuma pretensão, jamais imaginava, nem tão pouco me achava – não vou dizer digno, mas não me achava capaz de alguma coisa dessa natureza”. Não era modéstia, garante. Simplesmente não queria, não estava nos seus projetos, não tinha tempo para assumir tal missão – uma sucessão de negativas ignoradas pelo inter- locutor. “Deixa para outro”, sugeriu o convidado, mas pela insistência da argumentação telefônica sabia que o assunto não ficaria por aí. Ricard fazia parte do Sindicato desde o primeiro mandato de Valdelí- rio Soares. Participava das reuniões com frequência, embora não houvesse ocupado nenhum cargo de Diretoria, até porque não tinha tempo, como diz, um problema vivenciado não apenas por ele, mas por todos os inte- grantes de chapas, presentes ou passados. “É o caso de todo mundo aqui”, elabora Ricard. “O tempo é questão de prioridade. Todo mundo quer tempo para ganhar o seu dinheiro, para fazer sua vida. Na verdade, aqui você dá do seu tempo em favor de todos, muitas vezes até em detrimento de si próprio, porque quem está na presidência de um Sindicato tem que pensar como grupo, e não em si mesmo”. O tempo dele era ocupado com as cinco empresas do Grupo Petral, iniciadas pelo pai, João Leite da Silveira, que não era associado ao SIMEC, Diretoria empossada para o triênio 2008-2011208 209
  • 2008-2011 mas que, nem por isso, deixou de fazer de Ricard um representante da se- Além destas, em 2008 o grupo diversificava seu campo de ação ao gunda geração no setor metalmecânico. comprar 50% da empresa LOCSUL, em sociedade com André Cardoso, “Meu pai veio de Juazeiro do Norte para Fortaleza nos anos 1960 e co- especializada em fabricar e alugar módulos habitáveis. meçou com uma pequena farmácia no bairro da Bela Vista”, conta. “Depois Com ou sem tempo, ao retornar a Fortaleza vindo de Jericoacoara Ri- iniciou um pequeno negócio de corretagem de tratores e peças usadas, até card começou a receber os telefonemas de parabéns – ligações “dos ca- se estabelecer e montar a sua pequena empresa, de nome PETRA - Peças beças, dos cardeais”, como diz – e mesmo ciente de que iria estender o para Tratores Ltda. Quando eu tinha cerca de 21 anos, e meu irmão, Ronaldo trabalho para as madrugadas, e consolidar a imagem de workaholic, soube Pereira Silveira 16, ele emancipou meu irmão e nos vendeu essa pequena que seu destino estava traçado. empresa, que na época já mexia, alem de tratores usados e peças, com um A chapa foi montada como de praxe, sendo batizada União. O proces- pouco de material para metalúrgica, novos e usados, oriundo de leilões”. so eleitoral seguiu a letra dos Estatutos e às 20h do dia 20 de junho foram Não era um mercado fácil, como reconhece Ricard, já que os principais encerradas as atividades das Mesas Coletoras. Eram 52 as empresas aptas a clientes eram órgãos públicos, sujeitos a inúmeras variáveis. Mais tarde a Petral votar, e 37 o fizeram, elegendo por unanimidade – com um único voto em passou a atuar única e exclusivamente no segmento de distribuição de aço de branco, um dream team que incluía seis ex-Presidentes. siderúrgicas e materiais usados, aplicando administrativamente os 5R: repen- Como Diretor Presidente, Ricard Pereira Silveira; Diretor Financeiro, sar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar (OE 17/8/10). Após o falecimento Cícero Campos Alves; e Diretor Administrativo, Píndaro Custódio Cardoso, prematuro do irmão, Ricard abriu a Ross Comercial – que além de aludir aos com os suplentes José Frederico Thomé de Saboya e Silva, Guilardo Góes nomes do irmão Ronaldo e das irmãs Suzy e Suely, permitia uma conveniente Ferreira Gomes e Érico Coelho Coutinho. Como Diretores Setoriais titula- ressonância internacional. “Com o tempo fui agregando à Ross outros negó- res, Ricardo M. Lima Barbosa (Setor Metalúrgico), Antonio Marcos Ribeiro cios, o que culminou com a importação de maquinas do Prado (Setor Mecânico) e Isaías Aragão Soares (Setor Elétrico), tendo por “Meu pai veio de operatrizes da China, onde temos um parceiro que fabri- suplentes Fernando José Lopes de Castro Alves, Carlos Gil Alexandre Brasil ca para nós, com a nossa marca”. Juazeiro do Norte A fundação da Sucacel, hoje especializada em e Edmundo Pereira Barbosa. No Conselho Fiscal constavam os titulares Sebastião de Arruda Gomes, para Fortaleza comércio de escolhas de sucatas e na fabricação de equipamentos e acessórios para a construção ci- que faleceria naquele mesmo ano, Helder Coelho Teixeira e Raimundo nos anos 1960 e vil, veio em seguida. A industrialização de sucatas Raumiro Maia, com os suplentes Eduardo Lima de Carvalho Rocha, Dário Pereira Aragão e Jesus Rodrigues de Almeida Neto. Os representantes titu- começou com uma foi transferida para uma nova empresa, fundada em parceria com um antigo concorrente, Matias da Silva lares junto à FIEC eram o decano Carlos Prado e o próprio Ricard, tendo como suplentes Fernando Cirino Gurgel e Valdelírio Pereira Soares Filho. pequena farmácia no Neto, o Neto Baiano, dando origem à Jangurussu Su- catas, especializada em industrialização de sucatas, Essa Diretoria não iria permanecer imutável até o final da gestão. bairro da Bela Vista.” preparando-as para forno de fundições e siderúrgicas. Em outubro de 2009 Ricard implementou mudanças nos estatutos de210 211
  • 2008-2011 entidade, criando novos títulos para as funções administrativas e reali- zando uma modificação de posições. Assim é que Fred Saboya deixou trabalho de uma forma muito completa. Eu compro o resíduo sólido, a sucata que é gerada pelas indústrias Em março de 2010, a suplência da Diretoria para assumir o cargo recém-criado de Diretor Vice-Presidente; o setor elétrico foi ampliado para abranger atividades e transformo. Eu vendo para quem vai transformar. Compro produto final da siderúrgica. Vendo produtos por exemplo, elétricas e eletrônicas; e o suplente Eduardo Lima de Carvalho Rocha para as metalúrgicas. Vendo máquina para metalúr- o SIMEC já contabili- passou à titularidade do Conselho Fiscal, ocupando o lugar que perten- cera a Sebastião de Arruda Gomes. gica. Recebo máquinas para as metalúrgicas, presto serviço, abraço todo o segmento,” resume. zava cerca de 60% A este ilustre associado Ricard dedicou duas homenagens póstumas: A partir dessa vivência Ricard estudou atentamen- de pequenas e a 20 de janeiro de 2009 foi feita a aposição de placa na sala de entrada te o Sindicato e decidiu por onde iria caminhar, focan- do SIMEC, que ganhou o nome de Sebastião, e em 2010 criou a Medalha do no desenvolvimento de estratégias que pudessem médias empresas Sebastião de Arruda Gomes, a ser concedida aos que se destacarem no setor, levando em conta as qualidades do homenageado, entre as quais, também continuar garantindo a sustentabilidade do SIMEC, independente dos recursos assegurados pela em seu quadro como lembra o filho Guilardo, estavam “o companheirismo, a amizade, a dedicação em manter a estabilidade e o espírito de união do Sindicato”, do legislação, provenientes das contribuições compulsó- rias. “Conheço muita gente, fiz grandes amizades, sei de associados. qual sempre foi “um dos grandes pilares”. muito bem quem é pequeno e tem condições de crescer, quem é médio A cerimônia da posse de Ricard Pereira Silveira aconteceu às 19h30 do e está há muito tempo nessa batalha, tudo eu conheço bem. Meu grande dia 15 de julho. Valdelírio Soares transferiu o cargo ressaltando terem sido objetivo passou a ser trazer essas empresas para o SIMEC, para que, des- suas principais linhas de ação “a prestação de serviços, a manutenção da sa forma, houvesse uma composição mais mista de grandes e pequenas, independência e a unidade da entidade.” Eram cerca de 90 as empresas tendo realmente uma ação diversificada”. sindicalizadas, “as mais expressivas economicamente”. Ricard assumiu fa- O raciocínio dele seguiu um transparente pragmatismo: “Sindicato lando em desafios, como a reestruturação do regimento interno do SIMEC formado só por empresas grandes não tem muito que fazer. Empresa e a abertura de novas categorias de associados, possibilitando a ampliação grande é autosuficiente. Já tem tudo, já tem o setor jurídico, já tem dos quadros. (OP 16/7/08) tudo. A empresa pequena não. Ela precisa de um apoio maior. E o “Tudo o que eu fiz foi pensado no que eu vi”, reflete ele, já próximo a intercâmbio entre as empresas grandes e pequenas gera um ritmo de concluir seu período na presidência. “Presidindo o SIMEC eu não realizei negócio muito bom.” nenhum sonho que fosse só meu. Eu vim para servir mesmo. Vim para tra- Aos poucos chegaria lá. Em março de 2010, por exemplo, o SIMEC já balhar”. Partia de uma condição clara. “Eu tinha o seguinte pensamento. contabilizava cerca de 60% de pequenas e médias empresas em seu qua- Vou entrar, e vou mudar um pouco o perfil do Sindicato, que tinha um dro de associados. (DN 21/3/10) perfil de empresas grandes, ricas e poderosas, e abrir para o menor, o pe- A eleição em 2008 projetou Ricard Pereira Silveira na mídia cearense, queno, o médio, até porque eu conheço muito bem o segmento, onde eu de imediato. E ele havia feito o “dever de casa”. No dia mesmo da posse,212 213
  • 2008-2011 cerca de 40% no acumulado das exportações no ano. O cenário, porém, tendia a positivo para o segmento eletromecânico a partir do incremento de 20% nas exportações (DN 16/7/08). Contava ainda Ricard, a partir da vinda das grandes obras infraestrutu- rantes, com a decorrente profissionalização da mão de obra local. “Cursos de engenharia, por exemplo, devem desde já buscar ofertar cursos e espe- cializações voltadas ao setor siderúrgico, para termos assim nossa própria mão de obra especializada suprindo as vagas que serão oferecidas”. Outros pontos a considerar diziam respeito “aos produtores que têm a exportação como alvo principal, e a taxa atual de câmbio que, por outro lado, acaba beneficiando aos importadores, que conseguem trazer matérias primas a melhores preços do que os ofertados no mercado interno”. Por último o Presidente alertava: era necessário “estar de olho” na re- forma tributária e, principalmente, nos fatores referentes à questão de ICMS Escultura do selo de 40 anos do SIMEC – Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços. “Se não tivermos a manutenção dos contratos de incentivo fiscal, estaremos todos andando na enquanto se ultimavam os preparativos para a festa no Salão Iracema do contramão e, com certeza, trazendo uma desindustrialização do Estado. Marina Park Hotel, o noticiário do Diário do Nordeste (15/7/08) trazia Esse assunto deverá ser melhor acompanhado e discutido, para que não longa matéria com o novo Presidente, prevendo que a vinda da side- traga prejuízos à nossa economia”. rúrgica e da refinaria abriria possibilidades de crescimento no mercado Na longa entrevista de estreia Ricard aproveitava para tornar públicas metalmecânico cearense, atraindo empresas de manutenção, prestadoras as prioridades de seu planejamento estratégico na liderança do SIMEC. de serviço e novos empreendimentos, como fábricas de automóveis e Incrementar ações destinadas a capacitar, modernizar e integrar a cadeia eletrodomésticos. A implantação delas faria o número de empregos dire- produtiva do Estado. Estreitar ainda mais os laços com órgãos e instituições tos locais gerados no setor passar de 13.500 para 15.000, “destacando-se tecnológicas de pesquisa e desenvolvimento. Integrar as micro e pequenas como um dos principais setores da economia do Ceará, representando empresas do setor. Alcançar outros mercados. Estabelecer parcerias inter- hoje cerca de 12% do PIB industrial estadual”, com aumento direto da nacionais. Modernizar os Estatutos. Modernizar a estrutura do Sindicato. cota de exportação e consequente incremento do PIB. Manter todas as ações e políticas da gestão anterior. Apesar de ter comparecido a três lançamentos de siderúrgica, o otimis- A frase clássica do físico Isaac Newton – “Se vi mais longe foi por estar mo falava mais alto, em especial naquele momento, quando a queda do va- sobre ombros de gigantes” – encontrava-se embutida na solene declaração lor do dólar arrefecia o mercado metalmecânico cearense, que despencara final do recém empossado Presidente: “Será uma grande responsabilidade214 215
  • 2008-2011 substituir gestores de tão grande capacidade, comprovada na história dos A estruturação e permanente atualização do portal do SIMEC na in- últimos seis anos de administração de nosso companheiro Valdelírio Soares”. ternet são formas pelas quais as informações estão sendo divulgada. Ou Com tudo isso, havia mudanças inadiáveis, cautelosamente tratadas. o recurso aos jornais, quando se exige formalização, a exemplo da nota “Fazer alguma coisa de diferente não significa que o outro estava errado”, veiculada no início de agosto de 2008, tratando da Convenção Coletiva ressalva hoje, ao analisar os primeiros tempos. “Ninguém erra, porque o dos Metalúrgicos: trabalho é de voluntariado. Você está dando de si, e aquilo que é feito é o O SIMEC informa aos Srs industriais e aos setores de RH e Depto. que se mostra mais adequado para cada momento”. de Pessoal das empresas do Setor Metalúrgico, Siderúrgico, Me- cânico e de Material Elétrico, com sede nos municípios de For- O momento exigia um processo interno de modernização, amparado taleza, Caucaia, Eusébio, Aquiraz, Maranguape e Pacatuba, que numa certeza: “As coisas vão mudando, as leis vão mudando, tudo vai foi assinada, com o Sindicato Representativo dos Trabalhadores a mudando, e nós precisávamos reformar o Estatuto para essas mudanças, Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009. Para maiores infor- principalmente porque, naquela época, a própria FIEC estava fazendo isso. mações, datas e locais de oposição aos descontos, acesse nosso E o SIMEC foi o primeiro Sindicato a se ajustar. Nós nos ajustamos por cau- site: www.SIMEC.org.br. Ricard Pereira Silveira - Presidente. Forta- sa da questão eleitoral. Em 2009 definimos um Estatuto eleitoral próprio e leza, 3 de agosto de 2008. colocamos dentro do nosso Estatuto, comungando com o da FIEC. É uma A posição de Ricard quanto á relação trabalhista foi – e é – muito aber- unificação que facilita a redução de conflitos. Se a coisa é boa”, assume ta. “É questão de relacionamento. De você tratar a pessoa como pessoa, sem ele, “não tem porque não copiar”. nenhuma visão de embate. Nós saímos para almoçar juntos com o pessoal Algumas das mudanças estatutárias se reportaram à referida questão dos Sindicatos dos Metalúrgicos, nos desejamos Feliz Ano Novo, Feliz Natal. eleitoral. O período de vigência do mandato foi ampliado de três para qua- Assim como eles têm o interesse deles, nós temos os nossos interesses. A busca tro anos. E a reeleição, apesar de historicamente rara, foi limitada para é pelo diálogo, pelo entendimento, sem levar divergências para o lado pessoal. apenas uma vez, permitindo de agora em diante oito anos de permanência Sentamos, conversamos, tentamos resolver os problemas, com a mesma von- da mesma Diretoria. tade de resolver. E se não chegarmos a um acordo com a conversa – não tem problema. Vamos para a Justiça, porque a Justiça resolve, e eu não encaro isso Outro ponto forte se deu em relação à comunicação, sobre a qual Ri- como um embate, até porque o papel da Justiça é esse mesmo.” card é incisivo: “É a ferramenta mais forte do Sindicato. É realmente es- tratégica. Se você não se comunicar bem, se você não tiver como dizer A instalação pioneira no Ceará da Câmara de Arbitragem Trabalhista, o que vai acontecer, se não tiver como mostrar aos associados o que está tendo por objetivo institucionalizar as alternativas extrajudiciais de confli- acontecendo, filtrando o que existe de útil, através dos clippings jurídicos, tos coletivos de trabalho, reduzir o tempo de espera e solucionar impasses do preparo de folhetos informativos, do envio de mensagens por e-mail, da entre os Sindicatos patronal e laboral, oferecendo serviço gratuito, encon- publicação no site – você vai ter problema. Isso serve tanto para a comu- trou em Ricard um defensor de primeira hora. Representando um Sindicato nicação interna, entre os associados, como para a externa, em relação à que contabilizava quase 3 mil empresas, gerando mais de 20 mil empregos mídia, porque o Sindicato precisa ser visto”. no Estado, Ricard avaliou de pronto que “a solução rápida traz economia216 217
  • 2008-2011 O Sindicato dava para os dois lados, e gera um ambiente mais propício ao diálogo, sendo um fruto do trabalho que a Procu- co, que vai da coleta e reciclagem de aço ao consumidor final, oferecendo oportunidades em construção de galpões, caldeiraria, manutenção de tor- continuidade ao radoria do Ministério Público do Trabalho presta aos Sindicatos.”(OP 29/5/09) nearia, oficina mecânica, fabricação de autopeças e outros. (OP 3/2/11) processo de Ainda em 2009 o SIMEC convidou para sua reunião Ricard foi ouvido pela mídia, apresentando dois comentários de teor mais crítico e um ponto inquestionável. Por si só, a instalação da CSP pro- aproximação entre mensal o procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 7° Região, Francisco Gerson Marques duzindo material bruto (placa de aço) não era garantia da consolidação de um polo siderúrgico e metalmecânico no Estado (“A produção de placas o poder público Lima. Era o Sindicato dando continuidade ao proces- de aço somente não agrega todo o valor devido ao minério de ferro”). O so de aproximação entre o poder público e as empre- empreendimento era importante para a economia local, mas as empresas e as empresas sas associadas, abrindo canal de comunicação direta do setor necessitam de aço laminado (“Nós sonhamos com uma laminação associadas. para discutir assuntos como convenções coletivas de trabalho, cotas para menor aprendiz ou para pessoas de chapas. Aí sim teríamos uma base para a implantação de um polo me- talmecânico no Pecém”). Porém, “todo ambiente que se constrói ao redor portadoras de deficiência. (OE 15/5/09) Além da presença do Procura- de um projeto desta magnitude, com certeza, trará um up considerável à dor, as reuniões incluíram novos convidados, como o Ministro Pedro Brito, nossa economia em geral”. (DN 17/12/09) da Secretaria Especial dos Portos, que participou de Reunião Ordinária do A opinião dele continuava a mesma em 2010, martelando a questão. SIMEC a 9 de junho de 2009 para debater questões de infraestrutura e o “Nós temos a promessa de uma big siderúrgica para fazer placa de aço, papel estratégico dos portos no desenvolvimento brasileiro; e o Presidente mas o que dá dinheiro é o valor agregado, é transformar o ferro em carro. da Câmara de Vereadores de Fortaleza, Salmito Filho, que em agosto de Se tivéssemos uma planta pequena, mas com laminação, teríamos um 2010 apresentou o Pacto por Fortaleza – A Cidade que Queremos até 2020. polo metalmecânico, mas teremos aqui o carvão e o minério que vão A discussão sobre infra-estrutura sempre foi tema de grande interesse ser transformados em capa e vão para a Coréia, para depois comprarmos para o setor – principalmente com o início das obras da Companhia Si- mais caro.” (DN 11/12/10) derúrgica do Pecém, em dezembro de 2009. Sobre o evento, a cobertura *** realizada pelo jornal Diário do Nordeste afirmou: “Quatro anos depois, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém é palco, mais uma vez, do Ao longo do triênio, a tradição do coffee-break após as reuniões, bem lançamento das obras da sua tão sonhada usina siderúrgica. A fadada [sic] como as confraternizações de fim de ano, foram mantidas. Porém, em de- Ceará Steel de 2005 deu lugar agora à CSP – Companhia Siderúrgica do zembro de 2008 não era a festa natalina que preocupava Ricard, mas sim o Pecém, maior e com perspectivas claras”. (DN 17/12/09). enfrentamento de mais uma crise econômica, de abrangência mundial (“O que aconteceu nessa crise foi o crédito mais caro e escasso”, comentava Ri- Desta vez, a previsão é que as operações sejam iniciadas no segundo card na imprensa). O Banco do Brasil disponibilizara uma linha de crédito semestre de 2013, mudando o perfil da movimentação de produtos siderúr- direcionada ao comércio, e sobre ela o presidente do SIMEC se pronuncia- gicos no Ceará e influindo sobre a cadeia de produção do ramo metalúrgi- va: “Está na hora de fazer o capital girar.” (DN 9/12/08)218 219
  • 2008-2011 As crises possibilitam destacar uma peculiaridade do SIMEC, que Ri- card e seus antecessores não esquecem de enfatizar até porque se trata de um comprovado diferencial. “O SIMEC é um sindicato heterogêneo, que tem a usina siderúrgica, que produz o aço, as chapas da cantoneira; tem a indústria, que produz a estrutura metálica, que compra da indústria siderúrgica e que gera sucata; tem quem compra sucata e transforma para vender; tem quem fabrica máquina – ou seja, o próprio segmento consegue se interelacionar de forma comercial”. O círculo virtuoso leva à redução da concorrência interna. “Existem concorrentes, mas muito menos que em outros Sindicatos, porque a nos- sa formação permite criar uma teia de negócio. Nossa cadeia produtiva é muito heterogênea. Os pequenos passam a ser fornecedores dos grandes. Independente do porte, todos têm algo a oferecer. Podem se especializar no atendimento. Pensei em como seria positivo fomentar a troca de experiên- cia entre elas. Foi quando conheci o Projeto Vínculos Ceará, coordenado pelo IEL/CE, para desenvolvimento e qualificação de fornecedores visando Lançamento do selo e descerramento da placa de comemoração criar e aprofundar vínculos de negócios entre grandes empresas, ou empre- dos 40 anos do SIMEC em 04 de abril de 2011 sas-âncora, e fornecedores locais, e fizemos isso utilizando as ferramentas do Sistema FIEC”. (Revista da FIEC out./09) Sistema Indústria/FIEC. Não tenho dúvidas de que é este o caminho”. A O Vínculos mudou o nome sem mudar o foco. Passou a se chamar aproximação com as ferramentas disponibilizadas pelo Sistema FIEC se PQF – Programa de Desenvolvimento de Qualificação de Fornecedores, mostrou também com a utilização do PDA – Programa de Desenvolvimen- tendo o setor eletrometalmecânico como primeiro a aderir, ainda no lan- to Associativo, iniciativa da CNI liderada no Ceará pela FIEC, tendo o IEL/ çamento, em 2007. Em dezembro de 2010 incluía a participação das CE como executor, voltado a orientar lideranças sindicais, do qual Ricard empresas CEMEC, Durametal, Esmaltec, FAE e Gerdau. (Revista da Fiec Pereira Silveira se assume “defensor incondicional.” dez./10) Roberto Macedo continuava na presidência da FIEC, acreditando “Sempre tivemos um sindicato forte, que nunca se preocupou em que “se todos estivermos dispostos a seguir a mesma direção, alinhados garantir sua manutenção exclusivamente pelo pagamento de mensalida- em torno de princípios comuns, poderemos contribuir muito mais para des dos associados”, declarou o Presidente do SIMEC à Revista da FIEC as mudanças que o Brasil está necessitando”. (Revista da FIEC 31/3/09) (31/3/09). “As nossas contribuições compulsórias eram altas, pois vinham O SIMEC fazia a sua parte, com integral endosso do presidente Ricard. de grandes empresas. Quando estava em busca de estratégias para tornar “Temos procurado trabalhar sempre em consonância com as diretrizes do a entidade auto-sustentável, fui apresentado ao PDA, que caiu como uma luva. Era exatamente o que a gente procurava”.220 221
  • 2008-2011 Associados como a Aço Cearense, fabricante de tubos, perfis, telhas, barras Porém, chegada a hora de elaborar o novo Estatuto, a informalidade de e chapas de aço e ferro para construção, concordam. Na voz do assessor da em- Ricard dava lugar aos comandos de respeito à liturgia do cargo, ciente da presa, Flávio Távora Themotheo, o grande mérito da atual Diretoria do SIMEC “é importância de definir regras e limites que ampliassem o número de asso- a dinamização e a sincronia com as ações da FIEC, visando aos mesmos objeti- ciados, concedendo a eles voz e voto, trazendo porém algumas restrições, vos. É uma parceria real em busca de resultados reais”. (Revista da FIEC out/09) situações que garantem o que ele classifica como “unidade no Sindicato”. O PQF contribuiu para a adesão dos pequenos empresários ao Sin- Os associados foram convocados para Assembleia Geral Extraordiná- dicato, de forma gradativa, dentro de uma ação estratégica. “Passamos a ria, a 13 de outubro de 2009, para discutir e deliberar sobre a aprovação convidá-los para participar de nossas reuniões, sem compromisso, e aos do novo Estatuto do SIMEC, segundo o qual a empresa entra como sócio poucos eles foram aderindo. Desde 2008 aumentamos nosso quadro de júnior. Após determinado período, se assim desejar, passa a ser sócio pleno. associados em 44%. Tínhamos 50, e hoje somos 74 empresas associadas. “Ninguém entra votando. Não queremos correr o risco de perder a unida- Até o fim do ano, queremos ter pelo menos 90”. O objetivo foi ultrapassado de. É preciso que as coisas aconteçam, se estratifiquem, que as conversas logo em 2010. “Hoje somos 100 empresas”, assegura seis meses antes de fluam, para que se tenha um rumo. Isso é muito importante dentro de uma transferir o cargo. “Pode ser que na próxima semana passe para 110, 120, entidade, senão perde a força”. porque nós vamos estar em Juazeiro do Norte, e temos algumas pendências O segundo ponto levantado liga-se ao primeiro, no sentido de au- na região do Tabuleiro do Norte”. (Revista da FIEC, out/09) mentar o número dos associados a partir da ampliação da base territorial A colocação de 2009 evidenciava dois pontos, sendo o primeiro deles de um Sindicato que se dizia no Ceará, mas cuja atuação se restringia a atração de associados – o que para o Presidente seria um eufemismo: “Na majoritariamente a Fortaleza e sua região metropolitana. “Eu pensava em verdade, o associado não é atraído. É caçado” – explicita. Aparentemente, aumentar a base, em estar mais presente no Estado, porque o SIMEC está existe certa relutância das empresas menores em se sindicalizar, apesar das muito na capital. Nós temos atividades metalmecânicas na região do Bai- muitas vantagens oferecidas, talvez por um simples desconhecimento do xo Jaguaribe. Na região do Cariri. E criamos Delegacias regionais, que papel sindical. O próprio Ricard passou por isso. “A dificuldade é cultural”, estão previstas no Estatuto”. resume. “Quando fui convidado, demorei quase um ano para entrar, pen- sando que o Sindicato era muito distante, muito cheio de formalidades...” Os motores da entidade começavam a acelerar Os motores da enti- para a realização de propostas, sonhos imaginados Ele logo viu que não era bem assim, e contribuiu pessoalmente para aumentar ainda nos anos 1970, atendendo ao Art. 38° do Estatu- dade começavam a o nível de informalidade, com suas camisas de mangas curtas exibindo a tatuagem que desce pelo braço, com seus jeans e tênis, com seu iPad sempre à mão e com a to inaugural, assinado por Célio Gurgel, que enuncia- va: “Dentro da respectiva base territorial, o Sindicato, acelerar para a reali- linguagem descontraída, layout que leva alguns associados, como o ex-Presidente Guilardo Góes Ferreira Gomes, a considerar Ricard “uma pessoa muito esforçada, quando julgar oportuno, instituirá Delegacias ou Se- ções para melhor proteção dos seus associados e da zação de propostas, desenrolada. Ele chega a ser até engraçado em algumas coisas. É informal, brinca- categoria que representar”. Uma ideia que iria aguar- sonhos imaginados lhão, todo mundo gosta, une a classe, mantém todo mundo energizado”. dar quase quatro décadas para ser posta em prática. ainda nos anos 1970.222 223
  • 2008-2011 toridades responsáveis para discutir a criação da Delegacia Regional do Sindicato na região do Cariri, Sul do Ceará, a ser instalada no SENAI do Cariri, em Juazeiro do Norte (DN 24/1/11). A inauguração do espaço físico próprio está prevista para 2011. À frente se encontra o delegado Adelaído de Alcântara Pontes, proprietário das empresas Limasa, Adenox e Alunox, um self-made man, filho de agricultores, que conseguiu se firmar após uma escalada iniciada com um livro de poemas, passando por uma lanchonete, por vendas de porta em porta no Rio de Janeiro, por um insight em uma usina de reciclagem de lixo em Angra dos Reis, pelo apoio do SEBRAE – e principalmente – por um imenso espírito empreendedor. Na Delegacia tem ele como Coordenador Administrativo Ailton de Souza, Gerente Adminis- trativo da empresa Bom Tempo. As iniciativas fazem parte do projeto de descentralização das ações do SIMEC, e obedecem ao planejamento de gestão do presidente Ricard Pereira. “Nossa intenção é estar presente nos principais polos que agrupam Presidente Ricard Pereira e equipe SIMEC (Vanessa Castro e Ana Elsa Pinto empresas do setor, para aumentar nossa base de representação e promover ações interiorizadas”, afirmou ele ao Informativo FIEC Online (8/11/10). Em abril de 2009 o prefeito do município de Jaguaribe, José Sérgio “Ninguém conhecia o Ricard Pereira”, admira-se o ex-Presidente Gil Diógenes, reuniu-se com a Diretoria do SIMEC para conversar sobre o Brasil. “Ele era totalmente desconhecido, e de repente está fazendo muita Distrito Industrial de Jaguaribe, a 308km de Fortaleza, que se qualificava coisa importante. Isso facilita a gente entender porque é tão valioso man- para receber 20 indústrias nacionais e internacionais, com investimen- ter o processo constante de renovação,” constata. E o Presidente aponta tos na ordem de R$ 420 milhões, gerando mais de 12 mil empregos em aparte o que de fato considera relevante: “O Sindicato tem papel de diretos e indiretos. (DN 25/4/09) A demanda para expansão da base fomentar. Existem movimentos e situações que são colocadas para que as vinha ao encontro do planejamento do Sindicato. Um ano e meio mais empresas cresçam, e o Sindicato tem que ser um difusor, tem que agir tarde Ricard agendava a instalação da Delegacia regional do Vale do como incentivador, como propagador, como premiador”. Jaguaribe, acontecida em 27 de outubro de 2010, na sede do CVT – Centro Vocacional Tecnológico de Tabuleiro do Norte, cerca de 200km São características de extrema importância para as empresas em fun- da capital. Francisco Odacir da Silva, da empresa Molas Tabuleiro, foi cionamento no interior do Ceará, um Estado com área de 148.825km² e 84 escolhido como Delegado, e Ricardo Lopes de Castro Alves, da SK Bom- municípios,1 dotados de características as mais diversas, sediando indús- bas, Coordenador Administrativo. trias voltadas a produzir peças e artigos em alumínio, ferro, aço, grandes estruturas metálicas, usinagem de motores, entre outras atividades que re- Em janeiro de 2011 foi a vez do Presidente do SIMEC convidar as au-224 225
  • 2008-2011 “Na realidade, caem no âmbito de cobertura do SIMEC. Tanto é que o Delegado da região do Cariri, Adelaído de Alcântara, legacia”. Por aclamação, Adelaído foi designado Delegado. Evidenciava-se a ansiedade dos empresários do setor eletrometalmecânico do interior do há muito tempo recebeu a iniciativa de braços abertos: “Na realidade, há muito tempo nossa região carecia muito de um Sin- Estado quanto a uma aproximação maior com o Sindicato da categoria, tanto que a experiência de Adelaído, até o momento, tem sido diversa da- nossa região dicato desse porte. Haja vista que nós temos aproxi- quela vivida pelo presidente Ricard. carecia muito de madamente 30 indústrias de alumínio, e a segunda ou terceira maior fábrica de panelas de pressão do Brasil, “Até hoje eu não encontrei ninguém que dissesse que não queria se associar”, pondera ele, embora reconheça a necessidade de um compor- um Sindicato que é a do alumínio Roque”. tamento bastante ativo por parte do SIMEC. “A gente vai atrás das pessoas, O “nós” a que Adelaído se refere é um conjunto e explica para elas a importância da ligação com um grande Sindicato, o desse porte.” dinâmico de 28 municípios, entre os quais sobressaem lugar onde defendemos os nossos interesses, e uma maneira de saírem, Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – eixo conhecido digamos, da informalidade sindical. A gente vai até a empresa, apresenta como Crajubar – onde reside e trabalha cerca de meio milhão de cearen- a proposta do Sindicato, chama, pede, deixa ficha, conversa... Alguns não ses, parte dos dois milhões de habitantes da região. “Nós somos a cidade dizem mais nada, mas sempre tem outros que ligam de volta, o que é muito de congruência de todo interior”, orgulha-se ele – o “nós”, desta vez, evo- bom porque quando nós vamos para uma mesa de discussão o ideal é que cando sua Juazeiro. “Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, o próprio todas as empresas do setor estejam representadas”. Sul do Ceará, toda a movimentação de mercado passa por Juazeiro,” lem- A empresa Antonio Linard Máquinas e Construções Técnicas Ltda, bra Adelaído, ciente que Crato, Barbalha e os demais municípios da região “parte de um dos mais tradicionais grupos empresariais de Missão Velha”2, repartem vantagens geográficas similares. atuando em área atendida pela Delegacia do Cariri, não precisou maiores A esta força econômica, até então dotada de pouca voz, até mesmo argumentos para se associar em 2011. Na realidade, tratava-se de um re- pelo distanciamento geográfico, uniu-se um fator trabalhista fundamental torno, após um período de desligamento motivado por condições alheias à para apressar a criação da primeira Delegacia regional do SIMEC: a discus- vontade de seu atual proprietário, Maragton Linard, neto do artesão francês são da Convenção Coletiva de trabalho entre o SIMEC e o Sindicato labo- Estevão Linard e filho do mecânico Antonio Linard, falecido este em 1983. ral, como lembra o Delegado do Cariri. “Alguns dos empresários, nossos O Mestre Antonio, pai de Maragton, teve a história marcada por uma visi- parceiros, sequer tinham conhecimento da CCT”, admira-se Adelaído, que ta de Lampião e seu bando à fazenda do Coronel Santana. Conta-se que o rei diante da situação achou por bem recorrer a Ricard Pereira Silveira, que foi do cangaço demandou serviço de limpeza dos armamentos, sendo indicado a Juazeiro do Norte acompanhado pelo Assessor Administrativo do SIMEC, para a tarefa o jovem Antonio. Desempenhou a tarefa com tamanha maestria Sebastião Gomes Medeiros Neto. que, ao final, Lampião passou o famoso chapéu de aba virada entre seus ho- “Prontamente ele foi nos atender, e tivemos uma reunião com a maioria mens, recolhendo generosa contribuição, que permitiu a Antonio a aquisição dos empresários do setor na região. Nós tínhamos aproximadamente uns 40 de um torno mecânico. A empresa foi criada em 13 de março de 1933, uma empresários presentes nesse dia. Foi o primeiro passo para ser criada a De- sucessão numérica tão especial como sua história, e hoje fabrica até mesmo226 227
  • 2008-2011 peças para os VLT – Veículos Leves sobre Trilhos, para os trens que estão sendo implantados na região caririense. O primeiro torno ainda funciona. O SIMEC firmou presença do Cariri à região Centro-Sul. Francisco Oda- cir da Silva é o Delegado do SIMEC para essa região, do Vale do Jaguaribe. Sua atuação empresarial teve início em 1994, com a fundação da Tabuleiro Aço Indústria e Comércio Ltda, estrategicamente posicionada na chamada “Cidade dos Caminhoneiros.” A empresa começou distribuindo aço e ferro para construção civil e mecânica, incluindo chapas, vergalhões, vigas, canto- neiras, armadores e barras chatas. Em 2001 partiu para a produção de molas para caminhões, ônibus e utilitários, com mercado intenso direcionado a 16 estados do país. (DN 18/5/09) A empresa dele, Molas Tabuleiro, ganhou em 2010, pela quarta vez, o Prêmio Contribuintes para a região Centro-Sul do Ceará, promoção da Secretaria da Fazenda que destaca os maiores contri- buintes do Estado, estimulando e reconhecendo a responsabilidade dos que contribuem com o fisco estadual. Gera 200 empregos diretos e indiretos. Odacir era associado ao Sindicato desde 2009. A proximidade com Solenidade de lançamento do selo e início das comemorações de 40 anos Fortaleza permitiu a ele se mostrar frequentador assíduo das reuniões men- sais, “desfrutando o convívio dos outros empresários”, como afirma. Na fica mais fácil quando os seres vivos se reúnem para melhor se defender. E data da instalação da Delegacia pronunciou-se de público para dizer da nós, como seres racionais, não poderíamos ficar de fora”, filosofa. “extrema importância para as empresas do segmento metalmecânico se- *** diadas no Vale do Jaguaribe a presença institucional do SIMEC, pois vai A sala do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material nos ajudar a disseminar a cultura do associativismo e fortalecer a indústria Elétrico em Fortaleza foi recentemente reformada, corporificando “de corpo local”. (Informativo FIEC Online 8/11/10) e alma”, como afirma Ricard, as reformas realizadas pela atual Diretoria, Com a segurança de quem expõe em seu próprio portal na internet o selo pretendendo deixar tudo em ordem para o sucessor, fosse ele quem viesse a de “empresa filiada ao SIMEC,” a expectativa de Odacir sobre a presença do ser. Os associados do SIMEC continuam a se reunir mensalmente na Casa da Sindicato na região é das mais intensas. “Vai alavancar o desenvolvimento, Indústria, de onde não há planos para sair, nem mesmo para uma eventual estimular a participação, nos ajudar a galgar novos degraus, mostrar que uni- sede própria. “É estratégico ficar aqui, porque você está próximo dos outros, dos podemos fazer mais. Estamos vivendo o presente, não mais o futuro”, re- pelo menos da grande maioria. É importante estar junto da Federação, das força. “Era uma necessidade, uma bandeira antiga, porque que somos todos reuniões da Federação. Aqui você respira o ar do sindicalismo. Quem está membros de uma mesma coletividade, e desde que o mundo é mundo tudo separado tem a obrigação de fazer esse ar acontecer onde estiver”.228 229
  • 2008-2011 Embora estivesse próximo a deixar o cargo o Presidente se mantinha Ricard Pereira Silveira concluía: “Aqui no Brasil nós temos problemas inquieto. Ao mesmo tempo em que se configurava como “mais um líder internos, como a promoção dos nossos produtos, ou como a questão tri- criado pelo SIMEC”, conforme avaliação de Carlos Prado, o triênio de ex- butária, criando a guerra fiscal e o choque de interesses”. O mercado ce- periência administrativa sindical impôs sobre os ombros dele seus efeitos, arense, em particular, sofre com a diferença dos incentivos fiscais obtidos como se deu com os titulares anteriores, no sentido de permitir uma avalia- por indústrias provenientes de outros Estados, e o jornalista Egídio Serpa ção de largos horizontes sobre a atividade industrial. voltava em sua coluna a anunciar uma “denúncia do SIMEC”: com uma alí- “Eu acho que a maior dificuldade do segmento hoje – e não é só o segmento quota de 17% do ICMS, sai mais barato adquirir insumos de fornecedores metalmecânico não, é todo o segmento industrial – é a questão universal. Global. do Sudeste, onde a alíquota é de 10%. (DN 14/4/10) “Nós temos que bri- Até certo tempo atrás se falava muito de qualidade, do processo de qualificação. gar, sabendo que isso acontece, e sempre aconteceu”, avaliava o Presidente Isso hoje não se discute. O produto brasileiro se equipara ao de qualquer lugar no do Sindicato. “Mas eu não encaro nenhuma dificuldade como problema. mundo, se não for melhor. Hoje, a busca, a palavra de ordem, é inovação. Quem O papel do SIMEC é enxergar toda a situação, ver as dificuldades e propor inova é quem consegue se sobressair. A própria China começou copiando e agora solução. Dificuldades, diferenças e situações desse tipo vão sempre existir. está inovando. Temos que inovar em tudo: administrativamente, nas ideias, nos Nós temos é que resolver.” produtos, em todos os setores, porque quem parte na frente é quem vai levar.” Outras novidades surgiriam, como o lançamento da Câmara setorial metal- Por conta dessa consciência foi criado o Grupo Temático de Inovação mecânica, acontecido em 23 de junho de 2010 no Auditório da FIEC3. Com o Tecnológica do SIMEC, que após a segunda reunião, sob coordenação de nome completo de Câmara Setorial de Metalurgia, Metal-Mecânica e Eletrome- Ricardo Castro Alves, registrou em ata o seguinte posicionamento: o Ceará cânica, a CS Eletrometal nascia para ser “um fórum de articulação dos agentes “precisa de uma grife industrial, pois tem pessoal, inteligência e qualidade privados e públicos”, no dizer de Ricard, capaz de se apresentar como ferramen- nos itens produzidos, sendo estes, via de regra, rara e pontualmente valori- ta fundamental na ampliação do desenvolvimento do setor no Estado, trazendo zados externamente”. “condições de debater com empresários universidades, institutos de tecnologia, Governo do Estado e empresas de logística para identificar ‘gargalos’ e encontrar “O produto A informação foi divulgada pelo jornalista Egídio Ser- pa, que complementou: “Os integrantes do GT de Ino- soluções mais rápidas” (FIEC online 15/03/10). brasileiro se vação Tecnológica também consideram que os produtos industriais cearenses, com as exceções conhecidas, ain- A Câmara veio disposta a integrar os segmentos da cadeia produtiva metalúrgica, metal-mecânica e eletro-eletrônica, visando a identificação equipara ao de da padecem de falta de credibilidade nos mercados do de entraves e possíveis oportunidades que permitissem elaborar ações e projetos voltados a aumentar competitividade e sustentabilidade. Os “gar- Sul e Sudeste, razão pela qual sugeriram que a Adece qualquer lugar – Agência de Desenvolvimento do Ceará seja convocada galos” mencionados pelo Presidente compõem uma longa lista de conhe- cidos problemas. A falta de matéria-prima. A logística onerosa, dependente no mundo, se para implementar um processo de valorização dos bens produzidos aqui pela indústria, iniciando pela do setor do sistema rodoviário. A necessidade de apoio aos microempreendedores. não for melhor. “ eletroeletrônico e metal-mecânico”. (DN 19/11/10) A falta de incentivo à inovação. A escassez de mão-de-obra especializada. São fatos reconhecidos pelo órgão consultivo ao qual a Câmara é vincula-230 231
  • 2008-2011 da, a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará - Adece e vivencia- É portanto um bom momento de olhar para trás, e de revelar o signi- dos pelo próprio empresariado. ficado da escultura colocada na sala de reuniões, um presente pessoal de É por eles que Ricard fala. “A Câmara Setorial é ferramenta de máxi- Ricard Pereira Silveira ao SIMEC, não só para ocupar um lugar que se fizera ma importância para o segmento eletro metalmecânico. Um exemplo bem vazio, mas principalmente para funcionar como um imenso lembrete me- presente é a criação do Polo do Alumínio no Cariri, onde funcionam mais tálico, uma metáfora em aço sobre seu papel no Sindicato, e sobre a pró- de 20 empresas do segmento, oferecendo centenas de empregos, e que pria dinâmica da vida. “A escultura retrata uma engrenagem pela metade, certamente será apresentada ao Governo do Estado via Câmara. É tema simbolizando que tudo é inacabado”, explicita Ricard. “Por melhor que as que surgiu de discussões na Regional do Cariri, e vem alimentar a Câmara coisas sejam, ou estejam, ainda é possível melhorar, ainda há muito por Setorial para, de forma proativa, conseguir incentivos e terrenos do Estado fazer. Essa era a visão que eu tinha para empresas já existentes na região, que deverão se organizar de forma da entidade quando entrei.” melhor, tornando-se mais lucrativas, e crescerem para ofertar mais vagas de Ia na contramão da maioria, trabalho à população local”. foi o que constatou. “Com o peso Há um Grupo Temático para formação de profissionais qualificados, do nome do Sindicato, do valor, do criando cursos em parceria com entidades como o SENAI, de modo a aten- reconhecimento que tinha, todos der a demanda crescente. “Por ser uma ferramenta nova ainda está se esta- me faziam crer que meu trabalho bilizando, aos poucos”, atenta Ricard. “Mas já se nota uma eficácia ótima, seria somente dar andamento à pois encurta o canal de comunicação entre o segmento e os diversos órgãos obra SIMEC, uma coisa tão simples competentes, inclusive o próprio Governo estadual”. como continuar a pedalar em uma bicicleta já em movimento”, com- Já o GT de Tributação, este se encontra desenvolvendo estudos bus- para. Não foi esta a realidade que cando resolver “uma questão gerada por diferenças de alíquotas de ICMS se apresentou, nem era assim que no crédito de clientes de nossos fabricantes de quadros elétricos e outros ele a esperava. “Mudei muita coi- equipamentos para construção civil”, explica, “segmento este que se be- sa”, assume ele. “Não porque as neficia em não computar crédito de ICMS, e pagar apenas um valor fixo coisas estivessem erradas, mas por- sobre os valores das compras, ou seja, o fornecedor dentro do Estado é que que nada no mundo é concluso, e recolhe sobre uma alíquota de 17%, sempre em desvantagem em relação a eu não acredito no que está para- fornecedores de outros Estados”. O resultado do estudo seria uma solução do, estático. Eu visualizava a mo- viável, que deverá ser apresentada pela Câmara à Secretaria da Fazenda bilidade de uma engrenagem, mas estadual, “para que seja buscado um equilíbrio para essa desigualdade, não uma engrenagem completa, e que vem prejudicando algumas empresas de nosso setor aqui no Ceará”. sim pela metade, inacabada. Via *** também que não existe perfeição, Escultura em aço reciclado que se encontra na sala de reuniões do SIMEC232 233
  • 2008-2011 e sim uma obra de homens, feita por pessoas e por isso mesmo tortuosa, impossibilidade de conclusão da gigantesca tarefa, por si só um sinal da assim como o esqueleto do prédio, torto, mas em construção”. vitalidade institucional. A escultura surgiu na imaginação de Ricard como uma engrenagem Mais cedo ou mais tarde chegaria a hora de “passar o bastão” a outro, incompleta: “O esqueleto meio torto, onde a engrenagem penetra, mostra para que desse andamento à obra, prosseguindo a partir de um estágio que a obra do homem é imperfeita. O esqueleto é torto, porém é firme, superior àquele em que ele, Ricard, a recebera. Vieram, porém, outra pois é moldado no aço, reproduzindo a segurança do segmento, que é vez as pressões. Ricard Pereira Silveira continuou sendo alvo de seguidas forte, feito da matéria prima aço.” E mais outras sutilezas são apontadas avaliações positivas de seus pares, que não se omitiram de levantar a na obra de arte: “A escultura foi feita com material reciclado, uma exi- hipótese da continuidade. Fernando Cirino Gurgel louvou “o dinamismo gência minha ao idealizá-la. Com isto eu quis mostrar a sustentabilidade da gestão de Ricard, caracterizada pela participação ativa dos associa- do setor, a partir da sucata que é reutilizada, ou mesmo transformada em dos, com ampliação e qualificação do quadro social. Eu acho que ele material novo, ou seja, matéria prima que pode ser usada pelas indústrias realmente agrega”. Para Fernando Castro Alves, “o Ricard tem um estilo eletrometalmecânicas, e assim produzir, com o ‘tempero’ da arte criativa, muito interessante: ele convence fácil. Tem sempre argumento, tem argu- um produto final de alto valor agregado.” mentos muito fortes”. Francisco Aiace Mota chegou a brincar: “O Ricard é totalmente inovador, a partir do nome. Um cearense, com o nome de Da forma como foi proposta por ele a escultura propicia o encontro Ricard...” E Ricard se decidiu a permanecer por mais um mandato à frente entre a mente e a mão, a sequência natural entre o pensamento e a obra, do SIMEC, seguindo até 2015 na Presidência. a ponte que conduz do ar rarefeito da criação ao terreno firme da execu- ção. “No nosso caso, a escultura carrega em si todos esses valores, esses significados. Ela só existe a partir a da ideia do criador, que são nossos en- Notas: genheiros, criativos e inovadores, que por sua vez necessitam das mãos do 1 - Anuário do Ceará 2010-2011 executor, preparado, habilidoso, como foi o artista plástico Caetano Barros, 2 - Lampiaoaceso.blogspot.com representando nossos operários que com suas mãos e máquinas fabricam 3 - Portal da ADECE, 22/6/10 as riquezas do nosso parque industrial.” Por esta visão quase mística Ricard Pereira Silveira se guiou desde o primeiro momento, pautando nela sua maneira de agir e de dirigir a entidade. “Na verdade, eu encarei o trabalho na presidência como uma obra inacabada, e que continuará inacabada depois de mim também”. Os Sindicatos, como tudo na vida, estão em permanente processo de construção, arrastados por aquilo que denomina “velocidade do mun- do”. A seu ver, o desafio maior estava em não parar, em prosseguir construindo, assumindo erros e acertos, luminosamente certo quanto à234 235
  • 2011-... Epílogo236 237
  • Epílogo 2011-... O novo processo eleitoral para o quadriênio 2011/2015 começou com a publicação de aviso resumido no jornal Diário do Nordeste de 14 de abril de 2011. O Presidente da Comissão Eleitoral, Sebastião Gomes de Medei- ros Neto, formalizou os nomes dos componentes da chapa única inscrita. Na presidência Ricard Pereira Silveira. Como vice-presidente o associado José Frederico Thomé de Saboya e Silva. A Diretoria Administrativa coube a Píndaro Custódio Cardoso, e a Financeira a Cícero Campos Alves. Para Su- plentes da Diretoria foram indicados Suely Pereira Silveira, iniciando uma lista marcada pela presença feminina - José Sérgio Cunha de Figueiredo, Guilardo Góes Ferreira Gomes e Carlos Gil Alexandre Brasil. Foi mantido o sistema de Diretorias Setoriais, com Felipe Soares Gurgel dirigindo o Setor Metálico, Fernando José Lopes de Castro Alves no Setor Mecânico, e Cristiane Freitas Bezerra Lima no Setor Elétrico e Eletrônico, tendo como Suplentes, respectivamente, Silvia Helena Lima Gurgel, João Aldenor Rocha e Alberto José Barroso de Saboya. Titulares do Conselho Fiscal foram Helder Coelho Teixeira, Raimun- do Raumiro Maia e Eduardo Lima de Carvalho Rocha, e seus Suplentes Diana Capistrano Passos, Ricardo Martiniano Lima Barbosa e Francisco Odaci da Silva. Para a representação junto à FIEC Ricard continuou na titularidade. Os nomes de Carlos Prado e Fernando Cirino Gurgel se po- sicionaram como Suplentes. Para as Delegacias Regionais foram escolhidos Adelaído de Alcântara Pontes e Ricardo Lopes de Castro Alves, respectivamente Delegados para o Cariri e para Jaguaribe. Nas Coordenações Administrativas estão Veruska de Oliveira Peixoto (Cariri) e Francisco Odaci da Silva (Jaguaribe). O acompanhamento da história do SIMEC documenta as dificuldades enfrentadas pelos industriais no Ceará, submetidos a um contexto volátil e imprevisível, nacional ou internacional, lidando com situações adversas e momentos delicados para os quais a saída é sempre uma incógnita. Quer sejam os herdeiros dos empresários pioneiros, remontando ao século XIX e238 239
  • 2011-... ao século XX, quer sejam a segunda geração, ou a terceira, quer sejam os primeiros a estabelecer o próprio negócio, desbravando novos territórios em incursões hesitantes empreendidas sobre terreno instável – quaisquer que sejam as condições é possível traduzir a batalha através da frase de Fer- nando Cirino Gurgel: “Ser empresário no Brasil implica em caminhar entre uma visão de futuro, que se persegue por ideal, e uma visão de presente, frequentemente anteposta sob condições adversas. O conflito assim gerado requer imensa criatividade, para superar os obstáculos”.1 Os preparativos para o início das comemorações de 40 anos do Sin- dicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará se deram a pleno vapor, ganhando a adesão dos industriais deste setor tão representativo do crescimento econômico de um Estado ou uma nação. Os eventos festivos prosseguiram ao longo de todo o ano de 2011, incluindo Voto de Congratulações da Assembleia Legislativa do Esta- do, proposto pelo Deputado Mário Hélio e subscrito pelos deputados Pro- fessor Teodoro e Mirian Sobreira, devidamente aprovado pela Presidência da Casa, conforme Requerimento n. 885/2011. O encerramento oficial se dará em 2012, assinalando assim um marco muito especial na história de qualquer instituição – principalmente para uma entidade como o SIMEC, forjada no trabalho diário na luta com sua matéria prima, literal ou figurada: a força da energia e a resistência do aço. Notas: 1 - Relatório FIEC 1992-1995240 241
  • Diretorias242 243
  • 1972-1975 1975-1978 1978-1981 1981-1984 Presidente Presidente Presidente Presidente José Célio Gurgel de Castro Airton José Vidal de Queiroz Álvaro de Castro Correia Neto Fernando Cirino Gurgel Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares José Célio Gurgel de Castro Airton José Vidal de Queirós Álvaro de Castro Correia Neto Fernando Cirino Gurgel Tarcísio Guy Andrade Silveira José Célio Gurgel de Castro Fernando Cirino Gurgel Adalberto Benevides Magalhães Filho João Clemente Fernandes Raimundo de Alencar Pinto Raimundo Régis de Alencar Pinto Sebastião de Arruda Gomes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Ivan Moreira de Castro Alves Augusto Castelo da Cunha Augusto Castelo da Cunha Augusto Castelo da Cunha Olavo Magalhães Ivan de Castro Alves Ivan Moreira de Castro Alves Roberto Proença de Macedo Airton José Vidal Queiroz José Aragão de Albuquerque Adalberto Benevides Magalhães Filho Nelson Bernardes Prado Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Osvaldo Studart Neto Osvaldo Studart Neto Amândio Bezerra Rolim Amândio Bezerra Rolim José Djanir Guedes de Figueiredo José Djanir Guedes de Figueiredo José Djanir Guedes de Figueiredo Fernando José Lopes Castro Alves Fernando Nogueira Gurgel Edson Queiroz Filho Edson Queiroz Filho José Djanir Guedes de Figueiredo Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Augusto Castelo da Cunha Fernando Cirino Gurgel Sebastião de Arruda Gomes Cícero Campos Alves Erasmo Rodovalho de Alencar Álvaro de Castro Correia Neto Nelson Prado Austregésilo Medeiros Filho Raimundo Régis de Alencar Pinto Pedro Jorge Clemente Soares Pedro Jorge Clemente José Frederico Thomé de Sa- Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares boya e Silva José Célio Gurgel de Castro José Célio Gurgel de Castro Airton José Vidal Queiroz Representantes junto à Fiec - Titulares Raimundo Regis de Alencar Pinto Raimundo Regis de Alencar Pinto Adalberto Benevides Magalhães Filho Airton José Vidal Queiroz Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Adalberto Benevides Magalhães Filho João Clemente Fernandes João Clemente Fernandez Victor José Macedo Queiroz Lima Representantes junto à Fiec - Suplentes Tarcísio Gruy Andrade Silveira Evandro Pessoa Andrade José Sérgio Cunha de Figueiredo Fernando Cirino Gurgel José Djanir Guedes de Figueiredo244 245
  • 1984-1987 1987-1990 1990-1993 1993-1996 Presidente Presidente Presidente Presidente Antonio Carlos Maia Aragão José Frederico Thomé de Fernando José Lopes de Mario Walter Saturnino Bravo Diretoria Executiva - Titulares Saboya e Silva Castro Alves Diretoria Executiva - Titulares Antônio Carlos Maia Aragão Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Mario Walter Saturnino Bravo Adalberto Benevides Magalhães Filho José Frederico Thomé de Sa- Fernando José Lopes de Castro Alves Carlos Prado Helder Coelho Teixeira boya e Silva José Sérgio Cunha de Figueiredo Sebastião de Arruda Gomes Diretoria Executiva - Suplentes Helder Coelho Teixeira Acácio Araújo de Vasconcelos Diretoria Executiva - Suplentes Augusto Castelo da Cunha Sebastião de Arruda Gomes Diretoria Executiva - Suplentes Fernando José Lopes de Castro Alves Roberto Proença de Macedo Diretoria Executiva - Suplentes Sebastião de Arruda Gomes Roberto Farias Sebastião Arruda Gomes Augusto Castelo da Cunha Augusto Castelo da Cunha Francisco Gildo Rebouças Monteiro Conselho Fiscal - Titulares Roberto Proença de Macedo Roberto Farias Conselho Fiscal - Titulares José Sérgio Cunha de Figueiredo João Paulo DimõesAccioly de Carvalho Conselho Fiscal - Titulares Antônio Carlos Maia Aragão Nelson Bernandes Prado Conselho Fiscal - Titulares Cícero Campos Alves Marcelo Villar de Queiroz Fernando José Lopes de Castro Alves José Sérgio Cunha de Figueiredo Antônio Carlos Maia Aragão Augusto Castelo da Cunha Conselho Fiscal - Suplentes Carlos Prado Helder Coelho Teixeira Conselho Fiscal - Suplentes Airton José Vidal Queiroz Fernando José Lopes de Castro Alves Conselho Fiscal - Suplentes Jesus Hernandez Y. F. Neto Cícero Campos Alves Conselho Fiscal - Suplentes Raimundo Nunes de Andrade Raimundo Nunes de Andrade José FredericoThomé de Saboya e Silva Airton José Vidal Queiroz Antônio Carlos Lyra Maia Molinari Batista Representantes junto à Fiec - Titulares Cícero Campos Alves Marcelo Villar de Queiroz Representantes junto à Fiec - Titulares Antônio Carlos Maia Aragão Mario Walter Saturnino Bravo Representantes junto à Fiec - Titulares Fernando Cirino Gurgel Fernando Cirino Gurgel Representantes junto à Fiec - Titulares José Frederico Thomé de Mario Walter Saturnino Bravo Representantes junto à Fiec - Suplentes Fernando Cirino Gurgel Saboya e Silva Representantes junto à Fiec - Suplentes Acácio Araújo de Vasconcelos Antônio Carlos Maia Aragão Fernando Cirino Gurgel Carlos Prado Aluízio Dutra de Melo Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes José Sérgio Cunha de Figueiredo José FredericoThomé de Saboya e Silva Ivan Moreira de Castro Alves Acácio Araújo de Vasconcelos Carlos Prado246 247
  • 1996-1999 1999-2002 2002-2005 2005-2008 2008-2011 2011-2011 Presidente Presidente Presidente Presidente Presidente Presidente Guilardo Góes Ferreira Gomes Carlos Gil Alexandre Brasil Valdelírio Pereira Soares Filho Ricard Pereira Silveira Ricard Pereira Silveira Valdelírio Pereira Soares Filho Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares Diretoria Executiva - Titulares José FredericoThomé de Saboya e Silva Guilardo Góes Ferreira Gomes Carlos Gil Alexandre Brasil Valdelírio Pereira Soares Filho Valdelírio Pereira Soares Filho Ricard Pereira Silveira Vice-Presidente Cícero Campos Alves Diretor Presidente Diretor Presidente Diretor Presidente Diretor Presidente Diretor Presidente Diretor Financeiro Marcelo Villar de Queiroz Marcelo Villar de Queiroz Marcelo Villar de Queiroz Acácio Araújo de Vasconcelos Cícero Campos Alves Píndaro Custódio Cardoso Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Administrativo Antônio Marcos R. do Prado Valdelírio Pereira Soares Filho Ricardo Martiniano Lima Barbosa Píndaro Custódio Cardoso Píndaro Custódio Cardoso Diretoria Executiva - Suplentes Diretor Administrativo Diretor Administrativo Diretor Administrativo Diretor Administrativo Diretor Administrativo Suely Pereira Silveira; José Sérgio Cunha de Figueiredo; Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Diretoria Executiva - Suplentes Guilardo Góes Ferreira Gomes José Sérgio Cunha de Figueiredo José Sérgio Cunha de Figueiredo Raimundo Raumiro Maia José FredericoThomé de Saboya e Silva José Frederico Tomé de Saboya Carlos Gil Alexandre Brasil João Carlos Clemente Fernandes Raimundo Raumiro Maia José Frederico Thomé de Saboya Daniel Sucupira Barreto Guilardo Góes Ferreira Gomes Diretores Setoriais - Titulares Jesus Hernandes Y. Ferreira Neto Jesus Hernandez Y. Ferreira Neto Danilo Reis de Vasconcelos Érico Coelho Coutinho Érico Coelho Coutinho Felipe Soares Gurgel Diretor Setor Metalúrgico Diretores Setoriais - Titulares Diretores Setoriais - Titulares Diretores Setoriais - Titulares Diretores Setoriais - Titulares Diretores Setoriais - Titulares Fernando José Lopes Castro Alves Diretor Setor Mecânico Célio Cirino Gurgel Célio Cirino Gurgel Helder Coelho Teixeira Roberto de Barros Bezerra Ricardo M. Lima Barbosa Cristiane Freitas Bezerra Lima Diretor Setor Metalúrgico Diretor Setor Metalúrgico Diretor Setor Metalúrgico Diretor Setor Metalúrgico Diretor Setor Metalúrgico Diretor Setor Elétrico e Eletrônico Carlos Gil Alexandre Brasil José Frederico Thomé de Saboya Tom Prado Ricardo Martiniano de Lima Barbosa Tom Prado Diretor Setor Elétrico Diretor Setor Elétrico Diretor Setor Elétrico Diretor Setor Elétrico Diretor Setor Elétrico Diretores Setoriais - Suplentes Silvia Helena Lima Gurgel Sebastião de Arruda Gomes Manuel Nunes Silva Neto Carlos Gil Alexandre Brasil Francisco Baltazar Neto Isaias Aragão Soares João Aldenor Rodrigues Diretor Setor Mecânico Diretor Setor Mecânico Diretor Setor Mecânico Diretor Setor Mecânico Diretor Setor Mecânico Alberto José Barroso de Saboya Diretores Setoriais - Suplentes Diretores Setoriais - Suplentes Diretores Setoriais - Suplentes Diretores Setoriais - Suplentes Diretores Setoriais - Suplentes Conselho Fiscal - Titulares José Djanir Gurdes de Figueredo José Djanir Guedes de Figueiredo Roberto de Barros Bezerra Raimundo Raumiro Maia da Silva Fernando José Lopes de Castro Alves Helder Coelho Teixeira; José Armando Thomé de Saboya Raimundo Raumiro Maia Edmundo Pereira Barbosa Edmundo Pereira Barbosa Ivan de Castro Alves Carlos Gil Alexandre Brasil Eduardo Lima de Carvalho Rocha João Bosco Gomes Viana Raphael Cláudio de Araújo Neto Alberto José Barroso de Saboya Reno Barroso Bezerra Edmundo Pereira Barbosa Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Conselho Fiscal - Titulares Diana Capistrano Passos Helder Coelho Teixeira Helder Coelho Teixeira Sebastião de Arruda Gomes Sebastião de Arruda Gomes Ricardo Martiniano Lima Barbosa Píndaro Custódio Cardoso Francisco Odaci da Silva Acácio Araujo de Vasconcelos Acácio Araújo de Vasconcelos Sebastião de Arruda Gomes Marcelo Villar de Queiroz Helder Coelho Teixeira Francisco Sena de Freitas Rego Sebastião de Arruda Gomes Helder Coelho Teixeira Raimundo Ramiro Maia Representantes junto à Fiec - Titulares Francisco Aiace Mota Filho Ricard Pereira Silveira Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Conselho Fiscal - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Francisco Aiace Mota Filho Francisco Aiace Mota Filho Eduardo Lima de Carvalho Neto Paulo Augusto Ferreira G. Silva Eduardo Lima de Carvalho Rocha Carlos Prado João Batista Pacheco Filho Píndaro Custódio Cardoso Ricardo Tolentino W. da Nobrega Eduardo Lima de Carvalho Rocha Dário Pereira Aragão Fernando Cirino Gurgel Dário Pereira Aragão Eduardo Lima de Carvalho Neto José Gerardo da Silva Cícero Campos Alves Jesus Rodrigues de Almeida Neto Delegado Cariri Adelaído de Alcântara Pontes Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares Representantes junto à Fiec - Titulares Fernando Cirino Gurgel Fernando Cirino Gurgel Valdelírio Pereira Soares Filho Carlos Prado Coordenadora administrativa Cariri Fernando Cirino Gurgel Veruska de Oliveira Peixoto Guilardo Góes Ferreira Gomes Carlos Gil Alexandre Brasil Carlos Prado Carlos Prado Ricard Pereira Silveira Delegado Jaguaribe Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Representantes junto à Fiec - Suplentes Ricardo Lopes de Castro Alves Carlos Prado Carlos Prado Valdelírio Pereira Soares Filho Fernando Cirino Gurgel Fernando Cirino Gurgel Coordenador administrativo Jaguaribe José Frederico Thomé de Saboya Guilardo Góes Ferreira Gomes Acácio Araújo de Vasconcelos Dário Pereira Aragão Valdelírio Pereira Soares Filho Francisco Odaci da Silva248 249
  • Atuais Associados250 251
  • Atuais Associados • Abs Metalmecânica Ind. e Com. de • Intersystem Computadores • Fae-Ferragens e Aparelhos Elét. S/A • Ind. Com. & Serviços de Metalúrgica Ltda Maqs.Ltda • Camelo Metalmecanica Ltda • Fernando Guimarães de Castro Gurgel • Indúst.Reunidas de Móv. do Ne. Ltda • Aço Cearense Industrial Ltda do Amaral-Pp (Metalsonia) • Carone-Cadeiras de Rodas do Ne. Ltda • Inelsa-Indústrias Elétricas Elite S/A • Açobrás-Ind. E Com. Ltda (Artrel) • Flow Indústria Comércio Serviço Ltda • Cemag S/A • Jangurussu Comércio de Sucatas Ltda • Açoforte Móveis E Equipamentos S/A • Fotosensores Tecnologia Elet. Ltda • Cemec-Construções Eletromec. S/A • J. Adauto Alves - Me • Agatek Ind. E Com. Ltda • Framak Tecnologia em Aço Ltda • Cesde Ltda (Mallory) • Jj Metal Mec. Serv. de Tornearia Ltda-Me • Agb – Ind. E Com. De Móveis Ltda • Francisco Renato Dantas Cordeiro-Me • Chevre e Coutinho Ltda (Ikal – Ind. Kaririense de Alumínio) • José Taumaturgo dos Santos Dias-Me • Agrotech Do Brasil Ltda • Cia Metalic Nordeste • Fundição Metallu Ltda • Khaltec Metalúrgica Ltda-Me • Aldo Pinheiro Dantas (Alumínio Prol Lar) • Ciprol – Indústria Metalmecânica Ltda - Epp • Gerdau Aços Longos S/A • Lavoro Ind. e Serv. e Com. Metalmecânica Ltda • Alisson Farias Feitosa-Me • Cismetal-Ce Com. Ind. e Serv. Metal. Ltda • Glad Computadores Imp. e Exp. Ltda • Locsul Engenharia de Instalações Provi- • Alpha Metalúrgica Ind. Com. Serv. Imp. sórias Ltda • Clemente Irmãos S/A-Alum. Ironte • Gerson Elias da Silva-Me (Bauxita-In- e Exp. Ltda-Epp • Cia. Siderúrgica do Pecém dústria e Comércio de Alumínio) • Lucas Antônio Ianoni - (Esquadrias, • Alumínio Luzie Imp E Exp. Ltda Coberturas Fortaleza) • Cpn – Chapas Perfuradas do Ne Ltda • Gram-Eollic Ind. de Artefatos de Metais • Aluprint-Metalgrafica Ltda-Me e Projetos Ltda • Maria Socorro Ferreira-Me (Adenox) • Daferro S/A - Alumínio E Aço • America Inox Ind e Com. de Artefatos • Granimarmo Máqs. e Equips. Ltda • Matri-X Indústria e Comércio Ltda de Aço Inox Ltda • Dular–Ind. de Artefatos de Alumínio Ltda-Me • Hinel Hidraulica do Nordeste Ltda • Mb3 Máquinas e Manutenção Industrial Ltda • Antônio Batista Bezerra • Dumetal Ferrag. e Galvaniz. Ltda • Harsco Metals Ltda (Multiserv Ltda) • Mecesa –Metalgrafica Cearense S/A • Antônio Linard – Máquinas e Cosntru- • Durametal S/A ções Técnicas Ltda • Hispano-Estruturas Metálicas Ltda • Metalurgica Bace Ltda • Edilson Soares Pereira-Me (Alumínio Aliança) • Armtec Tecnologia em Robótica Ltda • Impar Tecnologias Industriais Ltda • Metalmecânica Maia Ltda • Eletra Indústria de Medidores Elétricos Ltda • Ind. Com. e Fundição de Artefatos de • Nra-209 Metalúrgica J.B. Ind. e Com. Ltda • Antônio R. da Silva-Me – (Metalpatrícia) • Eliana Claudio Fernandes-Me Alumínio Kariri Ltda • Art Aço Comércio de Peças Ltda • Metalúrgica Enock Jaime de Moura Ltda • Empreendimentos Fundição Capistrano • Indúst. e Com. de Artefatos de Alumí- • Ascrom - Aços Cromo Metais Ltda G3 Ltda - Me nio Ltda-Me (Alumínio Perereca) • Metalúrgica Lcr Ltda • Aurinete Rodrigues da Silva (Multmetais) • Esmaltec S/A • Induma-Indústria Mecânica Ltda • Metalvi Ind. e Com. de Ferragens Ltda • Bom Sinal Indústria e Comércio Ltda • Espacial Metal Metalúrgica Ltda-Me • Indumetal-Ind.Met.Carl.Pamplona Ltda • Metalúrgica Santa Luzia Ltda-Me • Brasint Ind.Elet.Com. Imp. Exp. Ltda • Estrutural Indústria Metálica Ltda • Ind. e Com. de Antenas Horizonte Ltda • Microsol Tecnologia S/A252 253
  • Atuais Associados • Nordeste Alumínios Importação e Ex- • Rimatec Industrial Ltda • USIMECs – Usinagens Mecânicas e • Indústria Tabuleirense de Máquinas Ltda portação Ltda Serviços Ltda • Ross Comercial de Maquinas Resíduos • Lucivaldo Viana da Costa (Baú) • Nordestina Ind. Com. e Serv. de Equi- de Sucata E Produtos Siderúrgicos Ltda • Veruska de Oliveira Peixoto-Me Alumínio Dena • Luiz Gonzaga Filho pamentos Para Refrigeração Ltda • Sangati Berga S/A • W.P. da Silva - Me • Marcelo C. Lima – Me (Metalúrgica • Novo Horizonte Jacarepagua Importa- • Singer do Brasil Ind e Com Ltda - Filial • Vicunha Ind. de Implementos Rodoviários Ltda Metalline) ção E Exportação Ltda (Nhj Do Brasil) • Sigma Usinagem Ltda • White Martins Gases Indust. do Nord. S/A • Metalúrgica Paz Vieira • Ortofor-Ortopedia Fortaleza Ltda) (Comercial) • Sk Ind. Com. de Bombas Hidráulicas Ltda-Epp • W.P. da Silva - Me • Metalúrgica Metal Arte • Perfisul Indústria e Comércio Ltda • Stevenes de Araújo Leite-Me (Alumínio • Associação Dos Caminhoneiros de • Mecânica União Alinox) Tabuleiro do Norte-Acatan • Petral Comércio de Ferro e Aço Ltda • Pedro Batista de Oliveira-Me Mecânica • Sucacel – Sucataria Cearense Ltda(Petral) • Aureliano Máquinas Serviços Ltda (Ofi- Batista • Pontão Serv. de Usinagem e Com. Ltda cina O Aureliano) • Supercromo Nord. Ind e Com Prod. • Oficar – Oficina do Fábio • Prime-Indúst. e Com. de Tecnologia e Metais Ltda • Cierleide M. Silva Luz - Zahara Serv. Ltda • Use Forte • Tabuleiro Aço Ind e Com. Ltda • Deusinaldo Evangelista de Oliveira-Me • Projeaço Ind. e Com. Ltda • Oficina O Torozo (Metal Norte) • Tecnoserv-Tecnologia e Serviços Ltda • Projeart Ind. de Estruturas Metálicas Ltda • Oficina Zé de Deus • Djaci Pereira de Oliveira-Me • Teluz Ind. e Com. D. Azevedo Ltda • Proinox Ind e Com de Equips. P/Cozinhas Ltda • Fernando Antônio Maia - Me • Oficina Mecânica Irmãos Monteiro • Tentáculos Guindastes Remoções e • Projeinox Ind e Com de Refrigeração Transportes Ltda • F.H.Chaves Júnior Retífica de Motores • Oficina Santo André Ltda-Me • Termisa Industrial S/A • Francisco Eudo Bezerra de Melo-Me • Oficina Vitória • Red Diamond Ind e Com de Ferramen- tas, Máqs. E Equipamentos Ltda • Usiman Servições de Manutenção Indl. Ltda • Hulinard G. Menezes-Me • Vanderilo C. Lima – (Oficina O Liro)254 255
  • Parceiros256 257
  • Americainox - TAU Empresa líder em projetos, consultoria, fabricação, instalação e monta- • Hotel Ibis - Macapá-AP gem de Cozinhas Profissionais para Hotéis, Restaurantes, Supermercados, • Hotel Ibis - Belém-PA Hospitais, a Americainox - TAU vem atuando neste mercado desde 1986. • Hotel Qualit - Petrolina-PE Seus diretores, João Bosco Viana e Alfredo Viana, herdaram do pai, Odar Albuquerque Viana, a experiência de quem instalou as primeiras • Supermercado Hiper-Market grandes cozinhas industriais as primeiras grandes cozinhas industriais na • Supermercado São Luiz - Fortaleza-CE região, como o Restaurante Universitário no Benfica, as cozinhas indus- triais de todas as unidades do Exército Brasileiro em Fortaleza, do Hospital • Supermercado Vasconcelos - Fortaleza-CE Cura D’Ars, do Hotel Savanah, do Hotel São Pedro Rhuf dentre outras. Os princípios de honradez e caráter com que conduz seus negócios, alia- Esta experiência, aliada ao investimento contínuo em modernização dos ao largo conhecimento de seu quadro técnico e à atualização tecnológica de seus processos, deram à Americainox - TAU, a credibilidade necessária de seus processos de produção, têm feito com que a Americainox - TAU, seja para o alcance de novos mercados, levando-a ao patamar de líder no Norte reconhecida por seus clientes como a maior e a melhor empresa do mercado e Nordeste em seu ramo de atuação, permitindo-lhe competir em pé de de cozinhas profissionais do Norte e Nordeste, e permitindo a ampliação do igualdade com as maiores do país. seu raio de atuação para outras regiões como o Sudeste do país. Com foco especial no ramo hoteleiro, foi responsável por inúmeros projetos e instalações entre os quais se destacam obras como: • Hotel Vila Galé (Praia do Futuro) - Fortaleza-CE • Hotel Gran Marquise Meliá - Fortaleza-CE • Hotel Expresso XXI - Nazaré-PA • Hotel Expresso XXI - Batista Campos-PA • Hotel VIla Galé Resort - Cumbuco-CE • Hotel Cariri Beach - Cumbuco-CE • Hotéis Reunidos da Amazônia (Resende de Belém e Rezende de Paragominas) • Martan Spa Hotel - Belém-PA • Hotel Gold Ville - Belém-PA • Hotel Blue Thee258 259
  • Bombas King A visão de um empreendedor que, há exatos 50 anos, foi responsável pela Em 2009 a Bombas King recebeu o prêmio Inova da Fiec. Foi também criação de uma marca de sucesso genuinamente cearense simboliza o que reconhecida pela CNI como empresa inovadora, durante o III Congresso há de melhor na região em termos de bombas hidráulicas para uso nas mais Nacional de Inovação em São Paulo no mesmo ano. Atualmente a marca diversas aplicações, da indústria à agricultura, da construção civil a soluções Bombas King,está sob a gestão de cinco dos dez filhos de Ivan e Margarida, inovadoras para produção de biodiesel, carcinicultura e outras aplicações. que continuam participando das decisões sobre o futuro das empresas. A marca Bombas King é reconhecida em todo o território nacional, em especial nas regiões Nordeste e Norte onde, ao longo destas décadas, vem contribuindo para o desenvolvimento sustentável das populações. Em 1961 Ivan Moreira de Castro Alves, empresário do setor de comércio, motivado pelas oportunidades que o sistema de comércio da época oferecia, quando quase todo tipo de equipamento industrializado procedia dos EUA e Europa, após visitar uma fábrica de bombas de pistão horizontal norte-ame- ricana importou 50 unidades, vendidas quase imediatamente em sua volta. Conhecedor, por vocação, de tudo que se relacionava à mecânica, além de autodidata no processo de fundição, Ivan solicitou a uma pequena oficina, produtora de componentes e ferro fundido e aço para reposição em máquinas importadas, um modelo de bomba semelhante ao que importara, já que este tipo de produto não era protegido por patente. Assim teve início um processo de produção local. Face a precariedade da pequena oficina, seu proprietário ofereceu o negócio a Ivan, que aos poucos foi se consolidando na região, ampliando a linha de produto e iniciando, de imediato, a produção de bombas centrífu- gas de pequeno porte, adequadas à realidade Nordestina da época. Com o passar do tempo a linha ampliou-se ainda mais. Novas ins- talações foram construídas, novos processos de fabricação foram adota- dos, resultando no aumento de competitividade da marca Bombas King. Até 2011, a empresa contabilizou a produção de mais de meio milhão de unidades de bombas industrializadas, oferecendo soluções integra- das para todos os mercados.260 261
  • Banco do Nordeste O Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB) é uma instituição financeira múl- O BNB exerce trabalho de atração de investimentos, apóia a realização tipla criada pela Lei Federal nº 1649, de 19.07.1952, e organizada sob a forma de estudos e pesquisas e financia projetos de grande impacto que contribuem de sociedade de economia mista, de capital aberto, tendo mais de 90% de seu para o desenvolvimento regional. Mais que um agente de intermediação finan- capital sob o controle do Governo Federal. Com sede na cidade de Fortaleza, Es- ceira, o BNB se propõe a prestar atendimento integrado a quem decide investir tado do Ceará, o Banco atua em cerca de 2 mil municípios, abrangendo os nove em sua área de atuação, disponibilizando uma base de conhecimentos sobre estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Para- o Nordeste e as melhores oportunidades de investimento na Região. íba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), o norte de Minas Gerais (incluindo O Banco do Nordeste tem apoiado o setor industrial do Nordeste e os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o norte do Espírito Santo. particularmente do Ceará, dentre as quais cabe destacar os segmentos me- Maior instituição da América Latina voltada para o desenvolvimento re- talmecânico e eletroeletrônico, por meio da realização de empréstimos e gional, o BNB opera como órgão executor de políticas públicas, cabendo- financiamentos em diversos programas de crédito. -lhe a operacionalização de programas como o Programa Nacional de For- O apoio creditício do Banco ao setor metal mecânico e eletroeletrô- talecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Fundo Constitucional de nico do Ceará tem se caracterizado por proporcionar recursos tanto para Financiamento do Nordeste (FNE), principal fonte de recursos aplicada pela capital de giro quanto para investimentos de médio e longo prazos a taxas Empresa. Além dos recursos federais, o Banco tem acesso a outras fontes de juros preferenciais. Tanto as pequenas e médias empresas, bem como captadas nos mercados interno e externo, por meio de parcerias e alianças grandes empreendimentos têm recebido apoio financeiro do BNB. com instituições nacionais e internacionais, incluindo multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além do apoio financeiro, o Banco realiza estudos e pesquisas sobre a produção industrial do Nordeste, bem como sobre as cadeias produtivas O BNB é detentor do maior programa de microcrédito da América do Sul vinculadas ao setor metal mecânico e eletroeletrônico, de forma a ampliar e o segundo da América Latina, o CrediAmigo, por meio do qual o Banco já a base de conhecimentos sobre essas atividades no Nordeste, além de iden- emprestou mais de R$ 3,5 bilhões a microempreendedores. Além disso, ope- tificar mercados e oportunidades de investimentos. racionaliza o Programa de Microcrédito Rural, Agroamigo, tendo aplicado R$ 1,7 bilhão, beneficiando 841 mil agricultores. O BNB também opera o Progra- ma de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), criado para estruturar o turismo da Região com recursos da ordem de US$ 800 milhões. São clientes do Banco os agentes econômicos institucionais e as pessoas fí- sicas. Os agentes econômicos compreendem as empresas (micro, pequena, mé- dia e grande empresa), as associações e cooperativas. Os agentes institucionais englobam as entidades governamentais (federal, estadual e municipal) e não-go- vernamentais. As pessoas físicas compreendem os produtores rurais (agricultor familiar, mini, pequeno, médio e grande produtor) e o empreendedor informal.262 263
  • CSP - Companhia Siderúrgica do Pecém Um projeto estruturante para o desenvolvimento do Ceará e do Brasil A Companhia Siderúrgica do Pecém será a primeira usina integrada da Região Nordeste do Brasil. Antigo sonho da região, a usina que será realidade no final de 2014 é resultado de uma parceria entre a empresa brasileira VALE e as siderúrgicas coreanas Dongkuk e Posco. Através da transformação do minério de ferro em placas de aço semi-acabadas, a em- presa visa agregar valor ao produto gerando riqueza e desenvolvimento para o Estado do Ceará e para o Brasil. Com uma capacidade de produção anual de 6 milhões de toneladas de placas de aço a ser implantada em duas fases iguais, a Companhia Siderúr- gica do Pecém é um projeto estruturante e transformacional que vai elevar o nível de competitividade e impulsionar o crescimento econômico do Ce- ará através da exportação de placas de aço de alta qualidade metalúrgica pelo Porto do Pecém e da venda de energia elétrica como sub-produto para o mercado interno. Os impactos na economia regional envolvem a geração de empregos, incremento da cadeia produtiva, aporte tecnológico e atra- ção de investimentos, contribuindo dessa forma para o aumento do PIB dos municípios envolvidos e do Estado do Ceará. Presente em quase tudo que vemos no dia a dia, o aço tem grande im- portância para o processo de desenvolvimento da sociedade. Para a Com- panhia Siderúrgica do Pecém, tão importante quanto fornecer placas de aço é fazê-lo de modo comprometido com a sustentabilidade. Nesse sen- tido o projeto CSP vem seguindo à risca o cumprimento de todas as con- dicionantes para obtenção das licenças ambientais, planejando também para implantação e operação o uso de tecnologia e medidas adequadas de preservação do meio ambiente.264 265
  • Carone Empresa no ramo metalmecânico, especializada na fabricação de ca- deiras de rodas e outros produtos para auxílio na locomoção de pessoas portadoras de deficiência física. Em 1987, em fase de crescente demanda destes produtos nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e da natural precariedade no atendimento de parte dos poucos fabricantes até então existentes nas outras regiões do País, fez despertar para o problema uma empresa local, a Ortofor, atuante no setor de Ortopedia Técnica. Buscando tecnologia especializada no sudeste brasileiro, aquela empresa fundou a Carone – cadeiras e rodas do Nordeste, hoje empresa independente. Produzindo inicialmente poucos modelos, hoje a CARONE oferece uma ampla linha desenvolvida sempre atenta à qualidade, mas com característi- cas adequadas ao poder aquisitivo das regiões que se destina. Inclui, porém alguns produtos que atendem às exigências dos usuários de outras regiões do País, o que lhe permite manter clientes ativos em todo território nacional. Participa ativamente na contribuição social gerando cerca de 40 em- pregos diretos além de terceirizar parcela volumosa de atividades operárias confiados a famílias residentes nas proximidades, atendendo ainda cerca de 100 crianças carentes.266 267
  • Cemec A Cemec é uma das empresas do grupo J. Macêdo, sinônimo de lide- • Subestações Compactas Blindadas feitas para atender a demanda por rança e solidez em todo Brasil. Em 1962, a J. Macêdo inaugura a Cemec distribuição de energia de maneira lógica e racional devido ao design com- Construções Eletromecânicas. Desde então, dia após dia, a Cemec forta- pacto, adaptável a qualquer ambiente. A praticidade de instalação de um ou lece a credibilidade e solidez conquistadas há 49 anos na fabricação de dois transformadores de forma geminada torna o produto ideal para shop- transformadores de distribuição e força. ping centers, hospitais, indústrias, supermercados e prédios comerciais. Situada no estado do Ceará, a fábrica da Cemec ocupa hoje uma área • Transformadores a seco, ideais para distribuição de energia em de mais 60 mil metros quadrados divididos em administração e galpões grandes concentrações urbanas, possuem baixo custo e não agridem o separados para execução de seus distintos processos produtivos. meio-ambiente. Com aplicações diversas e podem ser instalados em aero- Dispõe de uma ampla rede de representantes estrategicamente distri- portos, túneis, navios, fábricas, centros comerciais, plataformas petrolíferas buídos no Brasil e Estados Unidos. e subestações elétricas. Como a 1ª empresa do estado do Ceará a obter certificação ISO 9001, a Ce- A Cemec vai além da fabricação de produtos, oferece ainda serviços mec prima pelo mais alto padrão de qualidade de seus produtos. Desde a con- que otimizam o desempenho dos equipamentos de sua empresa. cepção do projeto até a entrega do produto final a política de qualidade total é • Instalação, recuperação e aluguel de transformadores de força e distribuição. rigorosamente seguida a fim de garantir a absoluta satisfação de nossos clientes. • Automação de Sistemas Elétricos. Os transformadores Cemec são projetados e ensaiados segundo as mais rigorosas • Manutenção Preditiva, Preventiva e Corretiva em transformadores. normas do setor e especificações do próprio cliente. Pioneira na produção de transfor- madores com tanque em liga de alumínio, pedestais e subestações compactas blindadas. • Ensaios Elétricos e Análises Físico-Químicas em Laboratórios próprios. Sua produção vai desde transformadores monofásicos a trifásicos de Profissionais qualificados, alta tecnologia e instrumentos de precisão distribuição até 300kVA, e transformadores de potência até 40MVA, classe asseguram a Cemec um padrão de qualidade internacional em seus labora- 72,5kV. Os transformadores e suas aplicações são as seguintes: tórios elétricos e químicos. • Transformadores auto-protegidos são fabricados com proteção in- O contínuo investimento na aquisição e desenvolvimento de tecnologias de terna, o que prolonga e otimiza a vida útil do transformador. ponta e no treinamento de pessoas é um dos princípios estratégicos da Cemec. • Transformadores com tanque em alumínio, especialmente desenvolvidos Uma empresa de vanguarda como a Cemec, sabe que a sociedade só para serem instalados em ambientes agressivos, altamente corrosivos. Ideal para áre- tem a ganhar com fontes e matrizes energéticas limpas e renováveis, por as de proximidade marítima, de grande salinidade ou de grande poluição industrial. isso a Cemec é fornecedora de uma grande parte dos parques e usinas de energia eólica instalados no Brasil. • Transformadores subterrâneos submersíveis fabricados especial- mente para serem instalados em redes de distribuição subterrânea ou em Em qualquer clima, qualquer região, em plataformas marítimas, no litoral, florestas, ambientes que podem ser eventualmente submersos. campos, serra ou sertão, com sal, sol, chuva, vento, areia, poeira, poluição, os transforma- dores Cemec atendem aos requisitos de resistência e confiabilidade exigidos pelo mercado. • Transformadores do tipo pedestal, ideais para condomínios ou zonas urbanas e ambientes com rede de distribuição subterrânea. Atende a exi- Em sua forma discreta de transformar energia, a Cemec está presente na gências de preservação ambiental e estética, pois resguarda a fachada das vida de milhões de pessoas, seja em momentos de lazer, estudo ou trabalho. edificações da presença de fios e postes presentes em subestações aéreas. Cemec. Tecnologia em transformadores.268 269
  • CPN Quando eram oferecidas para as empresas metalúrgicas de todo nor- (simples e decorativas) e outros produtos sujeitos a intempéries, por esta deste, máquinas e ferramentas de estampagem, muitas delas rejeitavam a razão, montamos em nossa fábrica uma nova atividade, uma galvanoplastia oferta, pois suas necessidades eram de pequenos lotes, o que não justifica- eletrolítica e uma galvanização a fogo. Mais uma vez aumentamos nossa va a compra destes equipamentos e por vezes essas empresas recusavam área fabril, passamos de 1.200m² para 3,000m². encomendas de seus clientes porque o lote era pequeno, não justificando o Em 2006, uma nova revolução no Nordeste: adquirimos a primeira má- investimento. Daí nasceu a idéia de, ao invés de vender estes equipamen- quina à corte laser da região. O processo de corte a laser permite produzir tos, vender o serviço que essas máquinas ofereciam. Surgindo assim a CPN. pecas complexas e precisas, com juntas de corte mínimas permitindo assim Em 1999, ano da instalação da CPN, recebemos incentivos do governo realizar tarefas extremamente delicadas, possibilitando uma imediata res- cearense (FDI) e crédito do Banco do Nordeste (FNE), parceiros que acredi- posta na alteração de projetos ao mesmo tempo em que garante qualidade taram em nossa ideia de ocupar o espaço que havia no mercado para uma e exatidão na produção de grandes quantidades. terceirizadora de empresas do Nordeste, na fabricação de componentes Em 2007, nossa revolução foi nas pessoas, começamos a formar metálicos, com instalações próximas as suas fábricas. todos os nossos colaboradores. Instituímos um curso supletivo 2º grau A CPN foi a pioneira na região, no serviço de estampagem de chapas e vários cursos técnicos em nossa instalação, disponibilizando a todos metálicas para terceiros, em adquirir uma máquina puncionadeira CNC, os recursos necessários para que eles tivessem a melhor condição pos- equipamento de origem americana. Máquina esta que corta e fura chapas sível para o aprendizado. Também começamos a fortalecer nossa ges- metálicas com até 600 golpes por minuto, oferecendo velocidade e flexibi- tão empresarial adotando a metodologia do GESTINNO com o apoio lidade na confecção das peças. da FIEC e IEL. Em 2001, voltamos a inovar, adquirimos uma máquina de dobra co- Em 2009, iniciamos o projeto Vínculos, outro apoio do FIEC e IEL. Com mandada por computador, importada da Alemanha. Esta máquina, além isso veio o processo de certificação da ISO 9001:2000. Apresentamos um da grande qualidade da dobra no produto, aumenta substancialmente a projeto de inovação tecnológica no FUNCAP e fomos aprovados neste pro- velocidade e em conseqüência a produtividade. Começamos ai uma nova jeto com a parceria da UNIFOR. vanguarda na empresa. Nesse mesmo ano dobramos nossa área de fábrica, Em 2011, mais uma vez estamos revolucionando o setor metalúrgico passamos de 600m² para 1.500m². no Nordeste, implementando o primeiro ROBÔ de solda em uma indústria Em 2003, iniciamos a confecção de peças que necessitavam de solda e metalúrgica para produzir peças automotivas e similares. pintura. Adquirimos neste ano diversas máquinas de solda mig, tig e mon- Essa “linha do tempo” serve para deixar claro que a CPN tem motivos tamos uma estrutura semi-automatiza para pintura eletrostática, colocando de sobra para comemorar os seus 12 anos de existência. A empresa foi cria- assim a CPN na condição de uma das maiores empresas nordestinas pres- da oficialmente em 07/02/1999, mas costuma comemorar seu aniversário tadoras de serviço na área metal mecânica. durante todo o mês de Julho, mês este em que foi emitida sua primeira nota Em 2005, começamos a trabalhar com mobiliário urbano, abrigos de fiscal. Mas, o que importa é que foram 12 anos intensos e de expressiva ônibus, poste de endereçamento de ruas, braços de iluminação publica importância para a indústria do Nordeste.270 271
  • Durametal A História da Durametal remonta ao ano de 1855, quando nascia em For- necedores, colaboradores e usuários finais. Assim é que, atualmente, com taleza a Fundição Cearense, uma das pioneiras no país. Passado mais de um produção anual de 100 mil toneladas de tambores de freio, cubos de rodas séculoa empresa é líder nacional na produção de tambores de freio, além de e discos de freios, assume posição de liderança no mercado brasileiro do reconhecida internacionalmente pela qualidade dos produtos que desenvolve. setor, o fornecendo para as principais montadoras do país. Suas novas instalações foram inauguradas em 1996 no município de Ma- No final de 2007 a Durametal recebeu o prêmio “Interação” na cate- racanaú, Ceará. Lá a Durametal objetivou manter a vanguarda do mercado em goria “Qualidade-Metálicos”, oferecido pela Mercedes-Benz para o forne- que atua, focando no segmento de autopeças para veículos médios e pesados cedor que obteve a maior pontuação durante o ano nos critérios de avalia- por meio da fabricação de tambores de freio, discos de freio e cubos de roda. ção utilizados pela conceituada montadora. Em 2006, numa visão de futuro globalizada e com o propósito de ampliar a Comprometida com a sustentabilidade, a Durametal é criteriosa em participação nos mercados em que atua, a Durametal associou-se à CIE Automo- questões socioambientais, atenta ao equilíbrio entre fator humano, am- tive – grupo espanhol de capital aberto, focado no atendimento a montadoras, biente natural e resultado econômico, investindo no bem estar dos cola- inaugurando uma das mais modernas indústrias de autopeças do Brasil, com boradores, no compromisso com a comunidade e na preservação do meio capacidade para 1 milhão e meio de peças/ano em fundição e usinagem. ambiente, fatores presentes em sua política de qualidade. Essa postura so- Os produtos Durametal são fabricados com moderna tecnologia, se- cial levou à conquista, em 2007, da certificação ISO 14001:2004. guindo controle de qualidade ao longo de toda sua linha de produção, em À frente de tudo está Fernando Cirino Gurgel, Diretor Presidente da Durame- um processo que vem garantindo certificação para o mercado. Certificada tal. Respeitado no meio industrial e do empreendorismo cearense, conta com 40 nas normas ISSO 9001 e ISSO/TS 16949, seus produtos oferecem seguran- anos de experiência, conquistas e sucessos em sua trajetória empresarial, investin- ça e desempenho mesmo nas mais difíceis condições de frenagem. do na modernidade de seu parque fabril, somando tradição, tecnologia e qualida- Tradição, experiência e investimentos em modernização e inovações de para manter sua indústria ainda mais competitiva no Brasil e no mundo. tecnológicas garantem o padrão de qualidade para satisfazer clientes, for-272 273
  • Esmaltec Há quase 50 anos no mercado, a Esmaltec atua nacional e internacional- mente levando ao consumidor produtos que focam a excelência dos seus valores. Líder nos segmentos de fogões e bebedouros refrigerados, a Esmaltec nasceu com o claro objetivo de oferecer produtos feitos com excelência à seus clientes e par- ceiros. Por seu DNA inovador, marca de seu fundador, Edson Queiroz, em quase 50 anos de atuação a empresa comprova dia a dia que seu sucesso é fruto da visão de um grande empreendedor. Tendo sido fundada em 1963, de lá para cá muita coisa mudou. Se no início seu foco era a produção de fogões e recipientes para GLP(gás liquefeito de petróleo), em 1984 esse universo ganhou amplitude e a empresa pas- sou a fabricar fogões, refrigeradores, bebedouros, freezers, recipientes para GLP e também garrafões plásticos em policarbonato para água mineral. A indústria foi a pri- meira do Ceará a conquistar o ISO 9002 e o selo PROCEL de economia de energia. Instalada no Distrito de Maracanaú, Ce, em uma área de 360.000m2, dos quais 65.000m² construídos, a Esmaltec emprega mais de 3.000 funcionários e atua em três unidades produtivas: fogões, refrigeração doméstica e comercial, lavadoras de roupa , e recipientes para GLP. Por sua qualidade e eficiência, os produtos Esmaltec estão presentes em todo o Brasil e nos mercados da América do Sul, América Central, Caribe, Estados Unidos, Oceania e Oriente Médio. Mais que uma grande marca, a Esmaltec é líder no segmento de fogões e de bebedouros por colocar em prática seu compromisso de oferecer as melhores opções em tecnologia e eficiência à seus consumidores. Sua visão de propor- cionar soluções inovadoras e de qualidade, a mantém na liderança de mercado. Seu compromisso com a sustentabilidade produz produtos projetados para ofe- recer não apenas conforto e praticidade, mas que contribuem para um mundo melhor ao garantirem certificados de baixo consumo de energia e água. Além disso, a Esmaltec é hoje uma das maiores fabricantes de recipien- tes para GLP do mundo, garantindo todos os níveis de segurança que este mercado exige. Tecnologia, inovação, capacitação e eficiência fazem da Esmaltec um nome brasileiro reconhecido junto aos mais exigentes merca- dos mundiais por sua credibilidade e qualidade.274 275
  • FAE São mais de 40 anos de empreendedorismo que atravessou décadas Gerardo Matos Bezerra Lima, uma história a parte. oferecendo o que há de melhor para o mercado. O conceito criado por Gerardo Lima e que norteou a sua vida, mostra A FAE foi fundada em 13 de setembro de 1967 em Fortaleza (CE), pelo Sr. que todo grande grupo empresarial tem sua história de lutas e desafios, de Gerardo Matos Bezerra Lima. No início fabricava medidores de energia eletro- tentativas e esperanças, de recuos e de vitórias. É no perfil de seu líder, de- mecânicos para o Brasil e América Latina. Na época contava com a parceria da terminado, investidor e objetivo, que a empresa buscou a energia necessária empresa Mitsubishi Electric Corporation. Com o passar do tempo, diversificou para vencer esses desafios, materializar a esperança e alcançar a vitória. A seu portfólio. Passou a fabricar parafusos, secadores de cabelo, aspiradores por- história do Grupo Gerardo Lima, com atividades iniciadas em 1950 e a te- táteis, disjuntores, e conectores elétricos, fase que caracterizou a empresa como nacidade de seu criador são exemplos perfeitos de uma história de sucesso. uma das primeiras a garantir lugar no processo de industrialização cearense. Foi diretor da ABINEE (Associação Brasileira das Indústrias Eletro - Eletrô- Sua longevidade pode ser atribuída ao crescimento gradativo, obede- nicas), de São Paulo. Membro da Federação das Indústrias do Ceará, assim cendo a um planejamento de longo prazo. como da Associação Comercial do Ceará e da União das Classes Produtoras. Em 1972 a FAE fabricava e comercializava equipamentos de medição e gerenciamento do consumo de energia elétrica. Em 2000 já se encontrava em sua pauta produtiva uma bem desenvolvida linha de hidrômetros, à qual se seguiu uma linha de medidores eletrônicos e soluções Smart Grid. Após o falecimento do fundador, em 1983, a FAE se manteve em famí- lia, sob a presidência de Cristiane Freitas Bezerra Lima. A empresa chegou ao século XXI especializando-se na medição de energia e água, exportando suas inovações para diversos países. Em 2010 a divisão de energia da empresa tornou-se Eletra Energy Solutions, resultado de uma aliança com a Hexing, líder mundial em me- dição eletrônica de energia, comercializando mais de oito milhões de medidores por ano e com portfólio completo de soluções AMI. Essa união está proporcionando aos clientes a experiência de mercado e agilidade da FAE com produtos e tecnologia de ponta distribuídos mundialmente pela Hexing. A FAE é referência no segmento, uma das maiores produto- ras do setor na América Latina, ocupando posição destacada no mercado brasileiro e internacional, respeitada no mercado como sinônimo de qua- lidade e modernidade.276 277
  • Fotosensores Tecnologia Eletrônica A primeira versão da tecnologia usada para fiscalização eletrônica de trânsito desenvolvida pela Fotosensores® Tecnologia Eletrônica Ltda foi posta à prova em Fortaleza, em 1994. Os resultados foram excelentes no registro de infrações como avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestres ou excesso de velocidade, contribuindo, de imediato, para a redução de acidentes de trânsito na cidade. A história da Fotosensores® havia começado um ano antes, no Padetec/UFC - Parque de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Fede- ral do Ceará. O projeto de expansão comercial veio em seguida, priorizando o desenvolvimento de soluções inovadoras para gerenciamento de trânsito e segurança de condutores e pedestres, apoiando a administração pública na gestão de dados, engenharia de tráfego e fiscalização das vias, contribuindo assim para a boa formação do cidadão e reeducação dos motoristas. Empresa de capital privado, a Fotosensores® tem à frente os sócios Fran- cisco Baltazar Neto e Julio Antonio Marcello Boffa. No Brasil, foi a primei- ra no ramo de fiscalização eletrônica de trânsito a receber certificação de qualidade pela certificadora Bureau Veritas Certification, acreditada pelo INMETRO. Toda sua linha de produtos é certificada com a qualidade ISO 9001:2008, nas áreas de projeto, fabricação, desenvolvimento, fornecimen- to, instalação, manutenção, pós-venda e operacionalização dos sistemas. O negócio da empresa é oferecer soluções para a gestão da mobilidade no trânsito e segurança da sociedade. Sua Missão é contribuir para a mobili- dade urbana sustentável e melhoria da qualidade de vida, obedecendo aos Valores da ética, inovação, respeito à cidadania, comprometimento e auto- -crescimento. Daí haver estabelecido uma política de Responsabilidade Social ampla, que inclui o apoio à recuperação do Teatro João Barreto dos Santos, no município cearense de Guaraciaba do Norte, levando cultura, educação e oportunidades de inclusão social para os moradores da região. Daí também a decisão de proporcionar a seus colaboradores um ambiente de trabalho saudá- vel, incentivando formação educacional e ascensão interna.278 279
  • Gerdau Em 1946, Curt Johannpeter, genro de Hugo, assumiu a direção da em- A Gerdau no Ceará presa e comandou uma fase decisiva de expansão dos negócios: o início da O início das atividades da Gerdau no Ceará ocorreu no ano de 1979, produção do aço. Em 1948, é adquirida a usina Riograndense, localizada com a instalação de uma unidade da Comercial Gerdau em Fortaleza. Três também em Porto Alegre, para garantir o fornecimento da matéria-prima. A anos depois, em 1982, entrou em operação a Usina Cearense, localizada nova unidade antecipou o conceito de mini-mill, modelo baseado no uso no município de Maracanaú, então com uma capacidade instalada de 60 de sucata e na comercialização regional, que permitiu ter custos operacio- mil toneladas anuais de aço bruto, a qual foi duplicada em 1997. nais mais competitivos. Atualmente, além da usina e da unidade da Comercial Gerdau em For- O marco do início da expansão da Gerdau para outros estados do Bra- taleza, a Gerdau conta uma unidade de Corte e Dobra de aço, em Maraca- sil ocorreu em 1968, com a aquisição da Usina Açonorte, em Pernambuco, naú, e mais uma unidade comercial, em Juazeiro do Norte. enquanto o primeiro passo no processo de internacionalização ocorreu no A Usina Cearense está estrategicamente posicionada para atender às Uruguai, com a aquisição da Laisa, em 1980. Esse movimento se seguiu demandas dos mercados da Construção da Civil e da Indústria. A preo- com a compra da Courtice Steel, localizada na província de Ontário (Ca- cupação com o consumo e a economia de energia sempre fez parte do nadá) em 1989. Ao longo dos anos seguintes, a ampliação dos negócios cotidiano da empresa, que se tornou a primeira usina de produção de aço fora do País resultou na entrada dos mercados do Chile, Argentina, Estados brasileira a ser projetada para trabalhar com a mínima necessidade de rea- Unidos, Colômbia, Espanha, Peru, México, Venezuela, República Domini- quecimento e, portanto, com grande economia de energia. cana, Guatemala e Índia. Assim como em todas as unidades industriais da Gerdau, a Usina Hoje, a Gerdau é líder na produção de aços longos nas Américas e Cearense capacita constantemente seus colaboradores com o objetivo de uma das maiores fornecedoras de aços longos especiais no mundo. Possui estimular a inovação, a responsabilidade individual e a conquista de re- 45 mil colaboradores e operações industriais em 14 países – nas Américas, sultados diferenciados. A Gerdau no Ceará também é reconhecida por na Europa e na Ásia –, as quais somam uma capacidade instalada superior sua atuação nas áreas de responsabilidade social e gestão ambiental. En- a 25 milhões de toneladas de aço. É a maior recicladora da América Latina tre os prêmios recebidos, destacam-se o Prêmio Responsabilidade Social e, no mundo, transforma, anualmente, milhões de toneladas de sucata em (2004 a 2008), outorgado pelo SIMEC e o Prêmio FIEC por Desempenho aço. Com cerca de 140 mil acionistas, a Gerdau está listada nas bolsas de Ambiental (2008 e 2009). valores de São Paulo, Nova Iorque e Madri. Trajetória de muitas conquistas: crescimento no Brasil e no mundo Arquivo Gerdau Há 110 anos, João Gerdau e seu filho Hugo lançaram as bases da fábri- ca de pregos em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A partir dela, foi constru- ída uma história empresarial de sucesso, marcada pelo empreendedorismo das gerações seguintes da família Gerdau Johannpeter.280 281
  • Gram-Eollic A Gram – Eollic Indústria de Artefatos de Metais e Projetos Ltda. foi fundada dente e inteligente para universidades, avenidas, praças públicas e particu- em novembro de 1989, produzindo inicialmente grampos e chips para escritório. lares, pousadas, AEEs - Áreas Ecológicas Eólicas, além de se encontrar em Desde então assumiu desafios pioneiros na criação de projetos. Em uma época testes com o carro Quadriflex. quando não predominava a palavra inovação a empresa já se lançava para esta A empresa tem entre seus objetivos o propósito de continuar desenvolvendo destinação, sob a marca Gramp do Nordeste, já conhecida no Mercado. tecnologias contemporâneas, atendendo as necessidades regionais, nacionais e A partir daí, Fernando Alves Ximenes, o presidente, filho de papeleiro e mundiais, criando produtos que contribuam para o desenvolvimento industrial livreiro contábil, não parou de criar e inovar. Por muitos anos sua empresa e comercial, para o bem estar de todos, cuidando do meio ambiente e sustenta- foi a primeira do Nordeste a produzir grampos e chips para escritório, bo- bilidade, conduzindo pesquisas científicas com inovação e pioneirismo. binas para fax, papel GRAM-PAPER A4 e outros produtos do segmento, até o desenvolvimento de máquinas industriais. Fatos como os “apagões” energéticos de 2001 e os novos parâmetros de Mercado assinalaram mudanças. Sua unidade fabril viu-se impossibilitada de atender aos pedidos, pela falta de energia elétrica, o mercado papeleiro mu- dou, a informática se impôs e a demanda de grampos, chips e blocos impres- sos não manteve o ritmo anterior, levando a uma reconfiguração da empresa. Como forma de alavancar os negócios Fernando desengavetou um anti- go projeto de gerar sua própria energia. Para isso amparou-se em pesquisas de mercado, buscando avaliar as necessidades locais, nacionais e até mesmo mundiais, concluindo ser inadiável encontrar solução imediata para o abas- tecimento energético, o desaquecimento global e a auto-sustentabilidade. Veio daí a ideia de criar postos elétricos que dessem suporte aos carros elétricos. A ideia evoluiu para o poste elétrico eólico e solar, auto-suficien- te, inteligente e independente. Levado ao Governo do Estado do Ceará, o projeto recebeu o devido apoio, levando à instalação no Palácio Iracema, sede do Governo estadual, do Poste Inteligente Eólico e Solar com Avião, que conquistou o primeiro lugar no Inova Nordeste-Fiec 2010. O prêmio funcionou como um importante incentivo, e ao mesmo tem- po, como um desafio para que a empresa mostrasse ainda mais. Havia outros projetos em desenvolvimento cujas atividades foram imediatamente aceleradas. Hoje a Gram-Eollic desenvolve projetos de energia indepen-282 283
  • Inelsa - Indústrias Elétricas Elite S/A A Inelsa – Indústrias Elétricas Elite S/A foi fundada em 1965, sendo pio- Na Inelsa são utilizados componentes procedentes de fabricantes mun- neira na fabricação de equipamentos eletromecânicos no Ceará. Na época, diais renomados, parceiros como Siemens, Schneider, Cuttler-Hammer, a fábrica ocupava 800m2 de área coberta, onde trabalhavam não mais que Weg e Ficap, o que resulta em uma qualidade superior, atendendo as espe- uma dezena de funcionários. Nesse primeiro momento atuava como apoio cificações e preferências dos clientes. A estes, o corpo técnico qualificado à empresa comercial do fundador, José Thomé de Saboya e Silva, pai de três e experiente está capacitado para sugerir e oferecer soluções para as mais dos atuais diretores. exigentes aplicações. A partir da década de 1970 os dirigentes passaram a dedicar-se de A Inelsa tem como parâmetro a responsabilidade que leva ao cliente, forma exclusiva à empresa. A Inelsa ganhava vida própria, mantendo o com a confiança e a credibilidade de quem, há mais de quatro décadas, objetivo industrial de seu início: fabricar equipamentos eletromecânicos, continua trabalhando com energia. mantendo um padrão de qualidade à altura da tradição e conceito de seus fundadores, respeitando seus clientes. O primeiro projeto de ampliação foi elaborado com apoio dos órgãos institucionais de desenvolvimento. A área industrial foi triplicada, tornando possível aumentar também a produção e geração de novos empregos. A dé- cada de 1980 trouxe a elaboração de um novo projeto, dessa vez possibili- tando não só a ampliação, mas a relocalização da Inelsa no Distrito Indus- trial, no município de Maracanaú, a 12km de Fortaleza, onde as atividades foram iniciadas em outubro de 1988. A indústria ocupa agora 28.000m2 de terreno e 6.000m2 de área coberta, proporcionando 153 empregos diretos e 612 indiretos. Entre seus diferenciais competitivos a Inelsa produz equipamentos ele- tromecânicos para múltiplas aplicações, tendo como foco a fabricação e montagem de quadros elétricos, como QBGTs, Cúbicos Blindados classe 15kv, Centro de Comando de Motores, Painéis de Distribuição de Força, Bancos de Capacitadores para correção de fator potência, Bus-WAY, entre outros. Os produtos são fabricados dentro das normas brasileiras de enge- nharia elétrica, adotando modernas técnicas e seguindo rigorosos padrões de qualidade e testes. A pintura eletroestática a pó é aplicada precedida de um processo de tratamento de chapas metálicas com decapagem e fosfati- zação, o que confere grande durabilidade aos produtos.284 285
  • Indumetal A fundação da Indústria Metalúrgica de Carlito Pamplona Ltda. – IN- DUMETAL no primeiro dia de outubro de 1974, tendo à frente Cícero Cam- pos Alves e Edilaine de Albuquerque Alves, visava atender a um mercado específico: a fabricação de eletro ferragens, uma visível carência à época no setor metalúrgico do Ceará. Com sede instalada em prédio modesto, em área não superior a 1.000 m², essa empresa genuinamente cearense partiu para se firmar no mercado regional, o que de fato conseguiu. Aos poucos a produção ganhou impulso e um crescimento natural, derivado da filosofia de buscar parceria com clientes e fornecedores. Hoje a empresa dispõe do espaço físico de aproximadamente 4.000 m² de área construída, contando com equipamentos modernos e a colabora- ção de uma equipe de funcionários especializados, voltando-se à fabrica- ção de eletro ferragens galvanizadas para telecomunicações, redes elétricas de alta e baixa tensão e serviços de galvanização e montagens diversas. Os produtos INDUMETAL são fabricados em aço carbono 1010 a 1020, conforme norma ABNT-SAE. O acabamento se dá através do processo de zincagem por imersão a quente, de acordo com a norma ABNT – NBR 6323. O resultado são produtos de qualidade, testados no laboratório pró- prio da empresa, de onde são acompanhadas todas as etapas que vão do controle de recebimento da matéria-prima ao processo de fabricação. Tudo isso é parte do Programa de Qualidade desenvolvido pela INDU- METAL: aprimorar os produtos, buscar maior produtividade e competitivi- dade, obter redução de custos através do treinamento dos colaboradores e dos investimentos em inovações tecnológicas. A busca pela parceria com fornecedores prosseguiu ao longo de suas quase quatro décadas de ativida- de. O desenvolvimento das condições de trabalho dos colaboradores tem acompanhado o processo, chegando a um nível comprovado de satisfação das necessidades dos clientes, adotando como política da qualidade ser sinônimo de eficiência, qualidade e confiabilidade em seu setor.a286 287
  • Metalmecânica Maia A empresa Metalmecânica Maia, nasceu em 1987, em Fortaleza, no diversos segmentos industriais como: automotivo, motociclismo, aeronáutico, Bairro Conjunto Ceará, do espírito empreendedor do Engenheiro cearense, eletrodomésticos, elétrico, eletroeletrônicos, metroviário, unidades de medição, nascido em Carúba no município de Morada Nova, Raumiro Maia. Desde moveleira, mobiliários urbanos, dentre outros. O foco primeiro no atendimento o início foi orientada pela visão desafiadora de produzir peças e compo- da produção de seus clientes e a busca de competências para transformá-las em nentes para outras indústrias. Hoje, com mais de duas décadas de funcio- realidade, a tornou uma das maiores empresas de estamparia e fabricação de namento, a fórmula para o sucesso revela-se mais atual do que nunca. componentes metálicos do Brasil, com fabricação de mais de 5.000 itens dife- rentes de acordo com a demanda de seus clientes. Atuando em nível nacional e Devido a necessidade de expansão do seu parque fabril, que tornou-se internacional, investe constantemente em modernização e na melhoria continua restrito por constantes aquisições de máquinas e equipamentos, mudou-se de seus produtos e serviços, tendo obtido a certificação ISO 9001, visando ga- para o Município de Eusébio no final do ano de 2000, hoje instalada em 90 rantir competitividade, credibilidade e confiabilidade de seus produtos. mil m2 com uma área coberta de 50 mil m². O caráter de ousadia e inovação também está presente nas ações de res- Com o suporte de uma ampla e moderna infra-estrutura operacional, a ponsabilidade social. Em 2006, fruto de um convênio com o governo do es- MMaia colabora ativamente com empresas que desejam ampliar seus potenciais tado, atuando de forma pioneira no território nacional, implantou uma linha produtivos ou desenvolver novos produtos. Um diferencial importante da MMaia de produção dentro do Centro Educacional Patativa do Assaré, dando opor- está na facilidade de se adequar a novos processos e produtos com agilidade, tunidade para que adolescentes em regime de reclusão adquiram postura investindo constantemente na aquisição de novas máquinas e equipamentos, profissional e mudem seu foco comportamental. O sucesso do projeto é ta- em gestão de pessoas e da produção. Hoje, a MMaia, tem o mais diversificado manho, que muitos desses jovens têm a oportunidade de serem aproveitados parque fabril na área metalmecânica do Norte e Nordeste do Brasil, com equipa- na Metalmecânica Maia após o cumprimento da medida sócio-educativa. mentos de última geração e processos otimizados, oferecendo versatilidade e fle- xibilidade para realizar os mais diferentes projetos em um só lugar. A MMaia se Assim a MMaia molda sua credibilidade de forma firme e irretocá- propõem a ser parte da linha de produção das empresas de seus clientes, forne- vel, tornando o seu slogan na sua maior realidade: cendo produtos fabricados através de processos diversos, que a permite atuar em “MMaia, credibilidade moldada no aço!”288 289
  • Metalic A Cia Metalic Nordeste é a única fabricante de latas de aço em duas pe- ças para bebidas nas Américas. Fundada em setembro de 1997 por iniciati- va da família Steinbruch, a Metalic tornou-se pioneira no Brasil, disputando o mercado de latas para bebidas com os grandes fabricantes mundiais de latas de alumínio.Certificada pela ISO 9001/2008 no processo produtivo de latas e tampas e em seu sistema de gestão, a Metalic é a única empresa do setor a possuir equipamentos duplos de inspeção eletrônica interna e externa das latas e tampas que garantem a qualidade em 100% de seus produtos.Em novembro de 2002, a Metalic foi adquirida pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das maiores siderúrgicas do mundo e a única fabricante do aço DWI, principal matéria-prima utilizada pela Meta- lic.Em 100 mil m² de área, a Metalic consome anualmente 30 mil toneladas de aço e produz 900 milhões de latas de aço para bebidas e 1,6 bilhões de tampas, atendendo os mercados do Norte e Nordeste e exportando tampas para as Américas do Sul e Central, Europa e África.A Metalic possui desde 2001 o Programa Reciclaço de responsabilidade sócio-ambiental, que tem objetivo garantir a recuperação das latas de aço para bebidas pós-consu- mo, através da conscientização da população para os aspectos ecológicos e ambientais e do incentivo à coleta por parte das Cooperativas e Associa- ções de Catadores. Atualmente o índice de reciclagem da lata de aço para bebidas é de 81,5%, o que representa um recorde mundial.290 291
  • Petral O Grupo Petral teve início a 30 de junho de 1981, com a fundação da com a empresa J.Lopes, concorrente no ramo de industrialização de sucatas empresa Petral Peças para Tratores Ltda, tendo à frente João Leite da Silveira. metálicas, coletando e separando sucatas metálicas, picotagem, oxicortagem Nascido em Juazeiro do Norte, João deixou o setor de farmácias para comer- e prensagem, transformando o material sucateado em matéria-prima para a cializar tratores usados, alugar, desmanchar e sucatear máquinas pesadas des- indústria siderúrgica e para fundições. A inclusão de máquinas no processo tinadas à construção civil, obras de estradas e trabalhos em açudes. Próximo industrial modernizou e impulsionou o setor de reciclagem metálica, com à aposentadoria vendeu a empresa aos filhos Ronaldo, Ricard, Suzy e Suely ganhos na produtividade e na qualidade do produto final. Pereira da Silveira. A partir de 1990, com o falecimento precoce de Ronaldo, Dois anos mais tarde o Grupo Petral adquiriu parte das cotas da em- os irmãos deram novo rumo à Petral, voltando-se à distribuição de produtos presa LOCSUL Engenharia de Instalações Provisórias, do empresário Andre siderúrgicos e materiais para serralheiros e para a indústria metal mecânica. Cardoso. A empresa, uma das maiores do ramo, é especializada em fabri- Não só o caminho era novo como a participação se fez diferenciada. A car e alugar módulos habitáveis, dormitórios, escritórios, almoxarifados, Petral partiu para oferecer material destinado ao uso industrial e manuten- banheiros e ambulatórios. Por obedecer rigorosamente à norma NR18, é ção. Agregou serviços de corte de materiais sob medida para cada cliente. produto de grande procura no mercado de construção civil e de montagens Passou a contar com um moderno banco de corte com serras de fita. Cons- industriais, atendendo as regiões Norte e Nordeste do Brasil. truiu uma expertise reconhecida em oxicorte de chapas, confeccionando Em conjunto, o Grupo Petral compõe interessante cadeia estratégica e susten- placas e bases para as mais diferentes aplicações, entre as quais a constru- tável no setor metalmecânico: a Petral fornece aço para o mercado; a Ross importa ção de galpões, de estampas e de moldes para plástico. e vende máquinas; a Sucacel comercializa produtos reciclados; a LOCSUL apóia A fundação da Ross Comercial de Máquinas - cujo nome remete às a execução de projetos e construções; e a Jangurussu compra e transforma resíduos iniciais de seus diretores - se deu em 1992 e assinalou a diversificação da metálicos em matéria prima, novamente utilizada pela indústria de transformação linha de atuação do Grupo. A Ross cresceu atendendo à demanda do se- mecânica, justificando assim o slogan do Grupo: Petral, seu amigo de ferro. tor metalmecânico, tornando-se fornecedora de máquinas e equipamentos, hoje fabricados em Shaoxing, na China. Em 2004 foi ampliada a participação empresarial com a fundação da Sucacel Sucataria Cearense Ltda. Tendo como foco a reciclagem por reaproveitamento, ou seja, aquela na qual o cliente escolhe os produtos que podem ser reutilizados, a custos bem menores, a Sucacel oferece produtos metálicos e máquinas usadas e recuperadas, incluindo sobras das grandes obras estruturantes do Estado. Uma curiosidade: sua sede, com 20 mil m2, no município de Maracanaú, foi intei- ramente construída com material reciclado, do aterro do terreno ao mobiliário. Sob a liderança do engenheiro mecânico Ricard Pereira Silveira, em 2007 nasceu a Jangurussu Comércio de Sucatas Ltda., fruto da junção estratégica292 293
  • R. Amaral Advogados Com tradição no mercado, R. Amaral Advogados busca assessorar os seus clientes desde as rotinas mais simples às questões mais complexas, focado sempre em buscar a solução que melhor se adeque às necessidades de quem o contrata. Para tanto, vale-se de uma estrutura moderna, reunindo advogados de aprofundado conhecimento técnico e prático em cada área do direito em- presarial (tributário, trabalhista, contratual, societário, civil e administrati- vo/ambiental), permitindo uma assessoria jurídica especializadíssima. Desde 2009, o referido escritório atua em parceria com o SIMEC, disponibi- lizando aos associados os serviços de consultoria e assessoria na área tributária. Neste contexto, destacam-se as seguintes ações: • Prestação de informes tributários nas reuniões mensais da diretoria; • Participação ativa na Câmara Setorial Eletrometal; • Atuação na SEFAZ-CE com a finalidade de diminuir a carga tributá- ria incidente sobre os produtos fabricados pelos associados utilizados pela construção civil; • Obtenção de decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª. Região re- conhecendo a ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária pa- tronal sobre as verbas pagas pelos associados aos seus empregados a título de aviso prévio indenizado, auxílio-doença/acidente, horas extras e terço constitucional de férias; • Orientação dos associados na consolidação do REFIS IV; • Realização de reunião com a contabilidade dos associados para uni- formizar procedimentos e estratégias em relação a nova decisão do CARF, que ampliou a possibilidade de créditos de PIS/COFINS; Ao procurar R Amaral Advogados, esteja certo de receber atendimento experiente e personalizado, é assim que trabalhamos pelo seu direito.294 295
  • Sangati Berga Muito trabalho, e muita dedicação. Sobre esta base foi fundada a Sangati Ber- Visão - Ser a melhor fornecedora das Américas de máquinas, equipamen- ga, em julho de 1992, com uma unidade produtiva instalada em Fortaleza, no Ce- tos e instalações para o beneficiamento de cereais. ará, e um escritório técnico comercial em São Paulo. O foco estava na produção e comercialização de máquinas e equipamentos direcionados ao processamento Política da Qualidade Sangati – PQS - • Desenvolver profissionalmente os de cereais, para atender aos setores de moagem de trigo e de milho, fábricas de funcionários; • Atender as especificações; • Cumprir os prazos de entrega; misturas de pulverulentos no setor alimentício, fábricas de rações, beneficiamen- Melhorar continuamente os processos. A Política da Qualidade Sangati Ber- to de arroz, e instalações portuárias para carga e descarga de cereais a granel. ga é norteada pelos princípios da Ética, Integridade, Trabalho em Equipe, Compromisso e Foco no Cliente. A ampliação das instalações se deu aos poucos, acompanhada pela capacitação dos funcionários e por investimentos na otimização das tecnologias. Hoje a Sangati Ética - Respeitamos os princípios, as políticas e os procedimentos definidos Berga representa uma realidade capaz de responder às crescentes exigências do mer- pela empresa, trabalhando com honestidade, profissionalismo e transparência. cado, com tecnologia competitiva, fruto de sua experiência, de sua organização e de processos produtivos funcionais. Sua estrutura técnica conta com meios tecnológicos Integridade - • Somos leais à empresa e promovemos essa conduta em nos- essenciais para a definição de seu perfil, projetando e desenvolvendo máquinas e ins- sos relacionamentos; • Somos justos com as pessoas, em todas as situações. talações completas na modalidade turn-key, em todos os seus setores de atuação. Trabalho em equipe - • Colocamos os interesses da Sangati Berga S.A. Em novembro de 2007 a empresa foi certificada conforme a Norma NBR acima de interesses individuais; • Compartilhamos informações e recur- ISO 9001:2000, após auditoria externa realizada pela empresa BSI - British sos; • Operamos de forma planejada e integrada, apoiados numa visão Standards Institution. O escopo da certificação engloba Projeto e Fabricação de sistêmica, assegurando o alcance dos objetivos. Máquinas e Equipamentos para Processamentos de Cereais. A ISO 9001:2000 é garantia internacional de que a empresa é capaz de fornecer, regularmente, Compromisso - • Somos dedicados, motivados e responsáveis; • Somos produtos e serviços que atendam às necessidades e expectativas de seus clientes. responsáveis por nossas ações e suas consequências; • Somos empreende- dores e temos o senso de urgência, agindo sem demora. Importante destacar que este Certificado tem um valor especial para os colaboradores da Sangati Berga, que participaram ativamente do desenvol- Foco no cliente - • Estamos focados em nossos clientes; • Somos dedica- vimento do Sistema de Gestão, mostrando-se imprescindíveis para esta con- dos a fornecer produtos e serviços da mais alta qualidade; • Desenvolvemos quista que marcou uma nova fase da empresa. Atender cada vez melhor ao e mantemos relacionamentos positivos e de confiança. cliente e aperfeiçoar continuamente o Sistema de Gestão da Qualidade são Objetivos da qualidade - A diretoria da Sangati Berga S.A. estabelece os desafios assumidos hoje, e sempre. como Objetivos de Qualidade: Missão - Desenvolver soluções para transformação de cereais em alimen- • Capacitar profissionalmente os funcionários; • Atender às necessidades tos, projetando e fabricando máquinas, equipamentos e instalações, com dos nossos clientes no que se refere à qualidade e prazo de entrega; • Geren- elevado padrão de qualidade, assegurando a satisfação total dos clientes, ciar a Qualidade dos processos para obter padronização das atividades e o acionistas, colaboradores e parceiros, respeitando o meio ambiente e atendimento às especificações e requisitos dos clientes; • Buscar a melhoria contribuindo, assim, para o desenvolvimento social. contínua nos processos, produtos e Sistema de Gerenciamento da Qualidade.296 297
  • SENAI A história do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Brasil dos serviços operacionais em soldagem e ferramentaria, e com a disponi- vem de 22 de janeiro de 1942. Idealizado pela Confederação Nacional bilização de laboratórios como o de Metrologia - localizado na escola do da Indústria, e criado por Getúlio Vargas, conforme Decreto Lei 4.048, ti- SENAI de Maracanaú -, oferecendo serviços de calibração de instrumentos, nha por objetivo investir na formação de profissionais adequados à fase de medições de alta exatidão, ensaios mecânicos e caracterização de materiais. intenso crescimento industrial do país, em especial de São Paulo. Por ser A concretização dos projetos estruturantes no Ceará irá certamente am- muito presente a força dos nordestinos, percebeu-se desde logo a impor- pliar a necessidade de formação de mão de obra para a indústria. E em se- tância de estabelecer Delegacias Regionais do SENAI no Nordeste. A do tores como construção civil e metal-mecânico a demanda por profissionais Ceará foi uma das primeiras a ser instalada, ainda em 1942. Entretanto, sua especializados já é imediata. Por isso o SENAI/CE está se reestruturando data oficial de instalação é 27 de novembro de 1943, quando foi nomeado para atuar em áreas como siderurgia/metalurgia, petróleo e gás e energia o primeiro diretor do SENAI/CE, o engenheiro Antonio Urbano de Almeida. eólica, assegurando assim a continuidade de sua parceria. Apesar de integrar o Sistema FIEC, o SENAI foi instituído antes mesmo da Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC. Desde então vem acom- panhando a evolução do setor industrial cearense, oferecendo cursos de educação profissional para atender às necessidades das empresas por mão de obra qualificada e por inovação, atuando em favor dos diversos segmen- tos industriais do estado, inclusive do setor metalmecânico, e apresentando- -se como referência na educação profissional para a indústria cearense. Seus cursos são formatados a partir de uma metodologia com base em competências. São montados comitês técnicos setoriais, compostos por representantes de indústrias, universidades, sindicatos e profissionais da própria entidade, identificando as demandas da indústria e o perfil dos profissionais requeridos pelo mercado. O SENAI/CE também atua no apoio às indústrias em suas necessidades de inovação, por meio dos serviços téc- nicos e tecnológicos, como provedor de soluções destinadas a criar ou qualificar processos e produtos industriais, tanto através de consultorias e serviços laboratoriais como disponibilizando informações tecnológicas. Atualmente, o SENAI/CE desenvolve atividades em 25 áreas industriais. No caso específico do segmento metal-mecânico, são mais de 30 cursos em diferentes modalidades, à disposição das empresas. As indústrias do setor contam ainda com o apoio dos serviços técnicos e tecnológicos, a exemplo298 299
  • Tabuleiro Aço Molas Tabuleiro Pensar como o cliente. Entender o que ele precisa. Contribuir para a ge- ração de ideias e criação de alternativas. Desde o início da década de 1990 foram estes os parâmetros que orientaram a empresa Tabuleiro Aço Indús- tria e Comércio Ltda, estabelecida no município cearense de Tabuleiro do Norte. Em um primeiro momento a empresa se voltava a comercializar aço para a construção civil. Em seguida o foco se voltou para atender a deman- da natural da movimentação de veículos na cidade, conhecida como Cida- de dos Caminhoneiros, sem se desviar de seus parâmetros iniciais. Surgiu aí uma nova empresa: Molas Tabuleiro, empreendimento assenta- do nas inovações em tecnologia de produção, possibilitando atendimento às exigências de qualidade e segurança do mercado automobilístico, destacando também o investimento em matéria-prima, na logística de distribuição e na ampliação da capacidade de atendimento. Juntos, esses elementos resultaram em um crescimento contínuo, refletido na expansão para além das fronteiras do estado e da região, encontrando-se hoje presente no cenário nacional. Além de molas laminadas para feixes é oferecido um amplo leque de produtos, em especial a partir de 2007, quando deu início à linha de buchas de latão, parafu- sos de centro, grampos, rebites, pinos de mola, porcas, braçadeiras, suporte, arruelas, espaçadores, mancais e todos os acessórios necessários, saídos de suas modernas instalações. A distribuição de aço e ferro para a construção civil foi mantida, levando ao mercado vergalhões, cantoneiras, barras chatas, telas painel, treliças e chapas. O ano de 2009 foi um marco na produção de uma linha própria de mate- rial para construção, expandindo vendas para todo território nacional e fazen- do uso de frota própria de caminhões, para garantir agilidade a sua logística. Um corpo técnico qualificado, com mão de obra especializada, facilita o atendimento e garante maior segurança ao cliente. A responsabilidade social e o respeito ao meio ambiente são tópicos prioritários da Tabuleiro Aço e Molas Tabuleiro, aplicados por meio de ações como o cuidado com a fertilidade do solo ou o consumo consciente da água, amenizando os impactos ambientais locais e marcando o quadro de liderança nos cenários em que atuam.300 301
  • Tentáculos Guindastes Em atividades desde 8 de outubro de 1998, a empresa Tentáculos Guindastes foi fundada pelo empresário Matias José da Silva Neto, à épo- ca ligado ao ramo de ferros e sucatas industriais, que soube vislumbrar, nos sinais de crescimento de Fortaleza e Região Metropolitana, uma de- manda inevitável para esse serviço voltado às áreas de construção civil, indústrias e transporte. A empresa hoje tem sua sede na cidade de Caucaia, onde iniciou suas atividades, encontrando-se estabelecida na BR 020, km 2, Parque Potira. Conta com uma frota de dez caminhões acoplados com equipamentos hidráulicos, do tipo Munck, todos novos e modernos, como os modelos 40007, 40008, 43000 e 45000, capazes de movimentar até 15 toneladas e um guindaste. Atualmente a Tentáculos presta diversos serviços de munck e guindas- te em várias obras em Fortaleza, Caucaia e outras cidades no entorno da capital cearense, participando na construção da Usina Termoelétrica do Porto do Pecém, na reestruturação da malha viária de Fortaleza ao Porto do Pecém, na manutenção de viadutos, na montagem de antenas e inúmeros outros serviços solicitados por empresas, indústrias e clientes particulares. A meta principal continua voltada ao crescimento anual da frota, agre- gando equipamentos mais potentes e mais modernos, operados por uma equipe em constante especialização e atualização, pronta para atender às solicitações de clientes e parceiros em todo o estado.302 303
  • Concepção gráfica: Gadioli Comunicação - www.gadioli.com Projeto Gráfico: Casssiano Gadioli Diagramação/Finalização: Samuel Harami