Ditadura militar e direitos humanos

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Ditadura militar e direitos humanos

  1. 1. Ditadura Militar Regime Militar e suas Tortura
  2. 2. Ditadura Militar no Mundo  Ditadura é uma forma de governo em que o governante (presidente, rei, primeiro ministro) exerce seu poder sem respeitar a democracia, ou seja, governa de acordo com suas vontades ou com as do grupo político ao qual pertence.  Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os
  3. 3. Ditadura Militar no Mundo  Para evitar oposição, as ditaduras costumam proibir ou controlar os partidos políticos. Outras táticas ditatoriais envolvem a prisão de opositores políticos, censura aos meios de comunicação, controle dos sindicatos, proibição de manifestações públicas de oposição e supressão dos direitos civis.  Os governos ditatoriais costumam apoiar
  4. 4. Ditadura Militar no Mundo  Na segunda metade do século XX surgiram vários governos ditatoriais na América Latina, geralmente através de golpes de Estado.  A conjuntura da época no mundo era de Guerra Fria, então esses defensores da extrema direita governavam com o discurso de combater os males do comunismo em seus respectivos países.
  5. 5. Ditadura Militar: além do Brasil  Assim como o Brasil, o Chile passou por uma ditadura militar que provocou um grande retrocesso democrático no país.  No Chile, a ditadura durou quase 17 anos (de setembro de 1973 a março de 1990). Neste período, o Chile foi governado pelo general Augusto Pinochet.
  6. 6. Ditadura Militar: Chile  No começo da década de 1970, o Chile apresentava uma economia dependente dos investimentos externos (principalmente de multinacionais).  No campo político, o embate entre capitalistas e socialistas, reflexo da Guerra Fria, dividia o país.  Em 1970, foi eleito para a presidência o socialista Salvador Allende com apoio da Unidade Popular (grupo de partidos de esquerda).
  7. 7. Ditadura Militar: Chile  A intenção deste governo era, através de reformas socialistas, combater a desigualdade social e promover o crescimento econômico. Desta forma, o Chile seria conduzido, sem violência, para um Estado socialista.  Em 1973, ano do golpe militar, a crise econômica se agravou. A inflação estava na casa dos 300% e o PIB em queda. Estes fatores geraram uma grande insatisfação com o governo socialista de Salvador Allende.
  8. 8. Ditadura Militar: Chile  Em 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas do Chile, através de um golpe de Estado, derrubaram o governo de Salvador Allende e deram início a um governo militar no país. Durante o Golpe, o Palácio de La Moneda (sede do governo) foi bombardeado pelo exército. Salvador Allende, antes das tropas o prenderem, se suicidou.  Começava assim a ditadura militar no Chile, que foi governado por quase 17 anos pelo general Augusto Pinochet.
  9. 9. Pinochet saldando os soldados da Ditadura Chilena.
  10. 10. Manifestação contra a prática de ditadura no Chile.
  11. 11. General Augusto Pinochet.
  12. 12. Ditadura Militar: Argentina  A Argentina passou por situação semelhante a do Brasil em relação a existência de um governo militar ditatorial.  A Ditadura na Argentina começou com um golpe de Estado dado por militares que assumiram o poder do país.  Durante sua vigência, foi um dos governos mais autoritários da América Latina no século XX.
  13. 13. Ditadura Militar: Argentina  A Ditadura na Argentina teve início com um golpe militar no ano de 1966.  O presidente Arturo Illia, que exercia o cargo legalmente dentro da constituição, foi deposto no dia 28 de junho daquele ano e a partir de então se sucedeu uma série de governos de militares até 1973.  Os promovedores da Ditadura na Argentina, em semelhança ao Brasil, a determinavam como Revolução Argentina.
  14. 14. Ditadura Militar: Argentina  Logo após a tomada de poder, entrou em vigor no país o Estatuto da Revolução Argentina que legalizou as atividades dos militares.  A nova „constituição‟ proibia a atividade dos partidos políticos e cancelava quase todos os direitos civis, sociais e políticos por conta de um quase constante Estado de Sítio.
  15. 15. Ditadura Militar: Argentina  Ao longo do período de governo militar, três indivíduos ocuparam o poder: o general Juan Carlos Onganía, o general Roberto Marcelo Levingston e o general Alejandro Agustín Lanusse.  A população queria Perón no governo do país, mas não pode ser eleito, então a população indicou Hector José Cámpora, que saiu vitorioso no pleito.
  16. 16. Ditadura Militar: Argentina  O período da Ditadura Militar na Argentina foi cruel e sangrento, a estimativa é de que aproximadamente 30 mil argentinos foram seqüestrados pelos militares.  Os opositores que conseguiam se salvar fugiam do país, o que representa aproximadamente 2,5 milhões de argentinos.  Os militares alegam que mataram “apenas” oito mil civis, sendo que métodos tenebrosos de torturas e
  17. 17. Manifestação contra a ditadura na Argentina.
  18. 18. Fotos de desaparecidos.
  19. 19. A Plaza de Mayo com mães perguntando o paradeiro de seus filhos.
  20. 20. General Juan Carlos Onganía.
  21. 21. General Roberto Marcelo Levingston.
  22. 22. General Alejandro Agustín Lanusse.
  23. 23. Peron.
  24. 24. Hector José Cámpora.
  25. 25. Ditadura Militar no Brasil  Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.  A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso.
  26. 26. Ditadura Militar no Brasil  O governo de João Goulart (1961- 1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média.  Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista.
  27. 27. Ditadura Militar no Brasil  Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.  Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o
  28. 28. Ditadura Militar no Brasil  No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.  Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.
  29. 29. Ditadura Militar no Brasil  O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai.  Os militares tomam o poder.  Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.
  30. 30. João Goulart .
  31. 31. Foto Clássica contra a ditadura.
  32. 32. Foto Clássica mostrando força militar desnecessária na ditadura.
  33. 33. Tanque de Guerra usado pelos militares no momento do Golpe.
  34. 34. Charge.
  35. 35. Ditadura Militar no Brasil: O Milagre Econômico  Na área econômica o país crescia rapidamente. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%.  Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura.  Todos estes investimentos geraram
  36. 36. Ditadura Militar no Brasil: O Milagre Econômico  Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.  Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro.  Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.
  37. 37. Mapa da Rodovia Transamazônica.
  38. 38. Transamazônica no inicio.
  39. 39. Transamazônica hoje.
  40. 40. Ponte Rio-Niteroi vista de cima.
  41. 41. Construção da Ponte Rio-Niteroi.
  42. 42. Ponte Rio-Niteroi.
  43. 43. Ditadura Militar no Brasil: CASTELLO BRANCO (1964-1967)  Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.  Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.
  44. 44. Ditadura Militar no Brasil: CASTELLO BRANCO (1964-1967)  O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.
  45. 45. Castello Branco.
  46. 46. Foto da Bandeira do partido MDB acima Ulisses Guimarães.
  47. 47. Logotipos do partido ARENA.
  48. 48. Ditadura Militar no Brasil: COSTA E SILVA (1967-1969)  Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais.  A oposição ao regime militar cresce no país.  A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil.
  49. 49. Ditadura Militar no Brasil: COSTA E SILVA (1967-1969)  Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar.  A guerrilha urbana começa a se organizar.  Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de
  50. 50. Ditadura Militar no Brasil: COSTA E SILVA (1967-1969)  No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ).  Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
  51. 51. Arthur da Costa e Silva.
  52. 52. Logotipo da UNE.
  53. 53. Assembléia da UNE.
  54. 54. Jornal Folha de São Paulo Divulgando o novo Ato Institucional nº 5.
  55. 55. Jornal Folha de São Paulo Divulgando o novo Ato Institucional nº 5.
  56. 56. Charge.
  57. 57. Ditadura Militar no Brasil: JUNTA MILITAR (31/8/1969- 30/10/1969)  Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).  Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN sequestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional.
  58. 58. Ditadura Militar no Brasil: JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)  Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".  No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo
  59. 59. Aurélio de Lira Tavares (Exército) Augusto Rademaker (Marinha) Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica)
  60. 60. Embaixador norte-americano sequestrado Charles Elbrick.
  61. 61. Jornal divulgando o sequestrado de Charles Elbrick.
  62. 62. Ação Libertadora Nacional (ALN).
  63. 63. Integrantes da ALN.
  64. 64. Bandeira representando o movimento MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro).
  65. 65. Em 1970, guerrilheiros do MR-8 e outros exilados da ditadura aguardavam o embarque para a Argélia.
  66. 66. Carlos Marighella.
  67. 67. O QUE É ISSO COMPANHEIRO Filme retratando o fato em que integrantes do ALN sequestram o embaixador americano Charles Elbrick. Cena do filme “O que é isso companheiro”
  68. 68. Ditadura Militar no Brasil: MEDICI (1969-1974)  Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ".  A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas.
  69. 69. Ditadura Militar no Brasil: MEDICI (1969-1974)  Muitos professores, políticos, músicos, artista s e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.  Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia.
  70. 70. Emílio Garrastazu Médici.
  71. 71. Prédio do DOI - CODI.
  72. 72. A tortura do PAU DE ARARA.
  73. 73. A tortura da CADEIRA ELÉTRICA – Cena da novela “Amor e Revolução”.
  74. 74. Chacina na Lapa - Pedro Pomar e Ângelo Arroyo.
  75. 75. CHARGE.
  76. 76. Guerrilheiros do Araguaia.
  77. 77. Chegada do exército para combater os Guerrilheiros do Araguaia.
  78. 78. Ditadura Militar no Brasil: GEISEL (1974-1979)  Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia.  Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura.  A oposição política começa a ganhar espaço.
  79. 79. Ditadura Militar no Brasil: GEISEL (1974-1979)  Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda.  Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.
  80. 80. Ditadura Militar no Brasil: GEISEL (1974-1979)  Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.
  81. 81. Ernesto Geisel.
  82. 82. O jornalista Vladimir Herzog.
  83. 83. Foto da morte do jornalista Vladimir Herzog.
  84. 84. Foto da autopsia do jornalista Vladimir Herzog.
  85. 85. Manuel Fiel Filho.
  86. 86. Jornal divulgando a morte de Manuel Fiel Filho.
  87. 87. CHARGE.
  88. 88. Ditadura Militar no Brasil: FIGUEIREDO (1979-1985)  O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos.  Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade.
  89. 89. Ditadura Militar no Brasil: FIGUEIREDO (1979-1985)  A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB.  Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).
  90. 90. João Baptista Figueiredo.
  91. 91. cartaz da critica à anistia.
  92. 92. O antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
  93. 93. O Partido dos Trabalhadores (PT).
  94. 94. O Partido Democrático dos Trabalhista (PDT).
  95. 95. Ícones contra a Ditadura:  Algumas pessoas que lutaram contra Ditadura.  Muita gente possivelmente não sabia o que estaca ocorrendo no Brasil durante esse período totalitário.  Famosos também foram contra a ditadura e muitos artistas conseguiram tripla a censura militar.  Vejamos agora alguns:
  96. 96. Carlos Lamarca  Carlos Lamarca foi um dos líderes da oposição armada à ditadura militar brasileira instalada no país em 1964.  Capitão do Exército Brasileiro, desertou em 1969 tornando-se um dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).  Perseguido por mais de dois anos pelos militares, foi localizado e morto no interior da Bahia em 17 de setembro de 1971.
  97. 97. Carlos Lamarca
  98. 98. Foto do corpo de Carlos Lamarca.
  99. 99. Chico Buarque  Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque, é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. É conhecido por ser um dos maiores nomes da música popular brasileira.  Ameaçado pelo regime militar, esteve auto- exilado na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho.  Uma das canções de Chico Buarque que criticam a o regime é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem ao Augusto Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a regime militar.
  100. 100. Chico Buarque
  101. 101. Chico Buarque: Construção Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
  102. 102. Chico Buarque: Geni e o Zepelim De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada. O seu corpo é dos errantes, Dos cegos, dos retirantes; É de quem não tem mais nada. Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina, Atrás do tanque, no mato. É a rainha dos detentos, Das loucas, dos lazarentos, Dos moleques do internato. E também vai amiúde Co'os os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir. Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir: "Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!" Um dia surgiu, brilhante Entre as nuvens, flutuante, Um enorme zepelim. Pairou sobre os edifícios, Abriu dois mil orifícios Com dois mil canhões assim. A cidade apavorada Se quedou paralisada Pronta pra virar geléia, Mas do zepelim gigante Desceu o seu comandante Dizendo: "Mudei de idéia! Quando vi nesta cidade Tanto horror e iniqüidade, Resolvi tudo explodir, Mas posso evitar o drama Se aquela formosa dama Esta noite me servir". Essa dama era Geni! Mas não pode ser Geni! Ela é feita pra apanhar; Ela é boa de cuspir; Ela dá pra qualquer um; Maldita Geni!
  103. 103. Raul Seixas  Raul Santos Seixas foi um cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro.  No ano de 1973, Raul conseguiu um grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-ha, Bandolo, uma música com letra quase autobiográfica, mas que debocha da Ditadura e do “Milagre Econômico".  A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.
  104. 104. Raul Seixas
  105. 105. Raul Seixas: Ouro de Tolo  Eu devia estar contente Porque eu tenho um emprego Sou um dito cidadão respeitável E ganho quatro mil cruzeiros Por mês...  Eu devia agradecer ao Senhor Por ter tido sucesso Na vida como artista Eu devia estar feliz Porque consegui comprar Um Corcel 73...  Eu devia estar alegre E satisfeito Por morar em Ipanema Depois de ter passado Fome por dois anos Aqui na Cidade Maravilhosa...  Ah! Eu devia estar sorrindo E orgulhoso Por ter finalmente vencido na vida Mas eu acho isso uma grande piada E um tanto quanto perigosa...  Eu devia estar contente Por ter conseguido Tudo o que eu quis Mas confesso abestalhado Que eu estou decepcionado...  Porque foi tão fácil conseguir E agora eu me pergunto "e daí?" Eu tenho uma porção De coisas grandes prá conquistar E eu não posso ficar aí parado...  Eu devia estar feliz pelo Senhor Ter me concedido o domingo Prá ir com a família No Jardim Zoológico Dar pipoca aos macacos...  Ah! Mas que sujeito chato sou eu Que não acha nada engraçado Macaco, praia, carro Jornal, tobogã Eu acho tudo isso um saco...  É você olhar no espelho
  106. 106. Raul Seixas: Mosca na Sopa Eu sou a mosca Que pousou em sua sopa Eu sou a mosca Que pintou prá lhe abusar...(3x) Eu sou a mosca Que perturba o seu sono Eu sou a mosca No seu quarto a zumbizar...(2x) E não adianta Vir me detetizar Pois nem o DDT Pode assim me exterminar Porque você mata uma E vem outra em meu lugar... Eu sou a mosca Que pousou em sua sopa Eu sou a mosca Que pintou prá lhe abusar...(2x) "Atenção, eu sou a mosca A grande mosca A mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto A zum-zum-zumbizar Observando e abusando Olha do outro lado agora Eu tô sempre junto de você Água mole em pedra dura Tanto bate até que fura Quem, quem é? A mosca, meu irmão!” Eu sou a mosca Que posou em sua sopa Eu sou a mosca Que pintou prá lhe abusar...(2x) E não adianta Vir me detetizar Pois nem o DDT Pode assim me exterminar Porque você mata uma E vem outra em meu lugar... Eu sou a mosca Que pousou em sua sopa Eu sou a mosca Que pintou prá lhe abusar...(2x)

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