A APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER
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A APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER A APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO COMUNICAÇÃO SOCIAL COM ÊNFASE EM JORNALISMO DIERLI MIRELLE DOS SANTOSA APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER SÃO LEOPOLDO 2011
  • Dierli Mirelle dos SantosA APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: uma abordagem sobre os perfis fakes do Twitter Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social habilitação em Jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Orientadora: Prof. Dr. Adriana Amaral São Leopoldo 2011
  • AGRADECIMENTOS Agradeço a meus pais pelo apoio, esforço e por sempre confiarem que eu chegaria atéaqui. À minha irmã Manuela que, mesmo inconscientemente, me motivou todos os dias. Á minha orientadora, Adriana Amaral, pelo permanente incentivo e disponibilidadedurante a construção desse trabalho. Por sua paciência e pelas risadas que me proporcionou. Aos colegas de trabalho, especialmente Ivo Stigger, pela compreensão e apoio emtodos os momentos. Aos colegas Adam, Luana, Ana, Tamires e José, pelas palavras motivadoras. Àsamigas Manoela e Márcia, por sempre me ouvirem. Às pessoas especiais que encontrei nessecaminho, Bruna e Roberta. View slide
  • RESUMOA presente monografia aborda a representação de identidade de perfis fakes do Twitter ecomo se dá sua apropriação no ambiente virtual. Dentro desse tema, foram analisados quatroperfis atualizados por pessoas diferentes das representadas - pessoas conhecidas através damídia massiva: PVC, Cleber Machado, Serguei e Narcisa -, buscando entender como sãorealizadas suas construções identitárias. Para isso, foram os conceitos de identidades,identidades na internet e nas redes sociais a partir de teóricos como Stuart Hall (2002),Manuel Castells (2000) e Sherry Turkle (1997), entre outros. A partir de múltiplas técnicas depesquisa empírica qualitativa aplicadas à internet (Fragoso, Recuero e Amaral, 2011), buscou-se formas de compreender a construção e a representação dessas características identitárias,tanto através da observação e categorização de conteúdos produzidos nos tweets, como dequestionários e entrevistas com os seguidores e mantenedores dos perfis, alem da comparaçãode rastros dessa identidade a partir da decupagem de vídeos das personalidades. A partir dessareflexão, observa-se que as identidades nos sites de redes sociais encontram-se em constanteconstrução e apropriação das características dos outros sujeitos, além da criação, dentro daamostra recortada, de fakes com o objetivo de fazer humor e entreter no Twitter.Palavras-chave: identidade – redes sociais - Twitter – fakes View slide
  • ABSTRACTThis paper addresses the representation of identity of fake profiles on Twitter and how theirappropriation on the virtual medium occurs. Within this subject, were analyzed four differentprofiles updated by people other than the ones they are representing - personalities knownthrough the mass media: PVC, Cleber Machado, Serguei and Narcisa -, seeking to understandhow their identities are constructed. In order to reach this matter, the identity concepts on theinternet and the social networks were discussed through theorists such as Stuart Hall (2002),Manuel (2000) and Sherry Turkle (1997), among others. Through multiple qualitative andempirical research techniques applied to the internet (Fragoso, Recuero and Amaral, 2011),the construction and the representation of these identities characteristics were sought bymeans to understand them, as much through observation and categorization of the tweetscontent, as through series of questions and interviews with the profiles followers andmaintainers, even comparing traces of these identities through the editing of videos from eachof the personalities. Through this series of thoughts, one can observe that the identities on thesocial networking websites are in constant construction and appropriation of thecharacteristics of other people, culminating on the creation of fakes - within the researchsample - intending to amuse and to entertain Twitter users.Keywords: identity - social networks - Twitter - fakes
  • LISTA DE FIGURASFIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn.............................. 17FIGURA 2 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @narcisaoficial........................ 18FIGURA 3 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @oclebermachado................... 19FIGURA 4 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @sergueirock...........................20FIGURA 5 – Perfil de divulgação das pesquisas com os seguidores...................................... 21FIGURA 6 – Perfil para contato com os objetos de estudo..................................................... 22FIGURA 7 – Perfil do fake @gracekarioca............................................................................. 31FIGURA 8 – Perfil do fake @pvc_espn................................................................................., 32FIGURA 9 – Perfil do fake @e001.......................................................................................... 33FIGURA 10 – Perfil do fake @luanapiovani........................................................................... 34FIGURA 11 – Página inicial do Twitter.................................................................................. 45FIGURA 12 – Página inicial o usuário do Twitter.................................................................. 47FIGURA 13 – Página inicial do Twitter.................................................................................. 49FIGURA 14 – Perfil do fake @pvc_espn................................................................................ 56FIGURA 15 – Tweet do fake @pvc_espn sobre casamento real............................................. 57FIGURA 16 – Tweet do fake @pvc_espn sobre o Steve Jobs................................................ 57FIGURA 17 – Tweet do fake @pvc_espn sobre show............................................................ 58FIGURA 18 – Tweet do fake @pvc_espn sobre a morte de Gaddafi...................................... 58FIGURA 19 – Tweet do fake @pvc_espn sobre cruzeiro marítmo......................................... 59FIGURA 20 – Perfil original do Paulo Vinícius Coelho......................................................... 59FIGURA 21 – Tweet do perfil @pvcespn sobre jogo.............................................................. 60FIGURA 22 – Tweet do perfil @pvcespn com dado estatístico.............................................. 60FIGURA 23 – Tweet do perfil @pvcespn direcionando para o blog...................................... 60FIGURA 24 – Características encontradas no perfil fake do e no original......................... 61FIGURA 25 – Tweet do perfil @pvcespn sobre o fake........................................................... 61FIGURA 26 – Tweets de interação entre fake e original......................................................... 62FIGURA 27 – Tweets de interação entre fake e original sobre jogador.................................. 62FIGURA 28 – Tweets de interação com seguidores do fake.................................................. 63FIGURA 29 – Tweets de interação com seguidores com apropriação................................... 64FIGURA 30 – Tweets de interação com seguidores com apropriação sobre futebol............. 64
  • FIGURA 31 – Perfil do fake @oclebermachado..................................................................... 72FIGURA 32 – Tweet do @oclebermachado sobre futebol...................................................... 74FIGURA 33 – Tweet do @oclebermachado sobre o campeonato........................................... 74FIGURA 34 – Tweet do @oclebermachado sobre o jogador.................................................. 74FIGURA 35 – Tweet do @oclebermachado sobre Kafafi....................................................... 75FIGURA 36 – Tweet do @oclebermachado sobre o horário de verão.................................... 75FIGURA 37 - Tweet do @oclebermachado dando RT.............................................................FIGURA 38 – Tweet do @oclebermachado respondendo dúvida de seu seguidor................. 76FIGURA 39– Tweet do @oclebermachado respondendo seu seguidor sobre o campeonato. 77FIGURA 40 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores...................................... 77FIGURA 41 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores...................................... 78FIGURA 42 - Características encontradas no perfil fake e no Cléber Machado..................... 78FIGURA 43 – Perfil do fake @sergueirock............................................................................. 83FIGURA 44 – Tweet do @sergueirock sobre o horário de verão............................................ 86FIGURA 45 – Tweet do @sergueirock sobre a morte de Steve Jobs...................................... 86FIGURA 46 – Tweet do @sergueirock sobre o Ministério..................................................... 86FIGURA 47 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real.............................................. 87FIGURA 48 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real.............................................. 87FIGURA 49 – Tweet do @sergueirock respondendo ofensas de seus seguidores...................87FIGURA 50 – Tweet do @sergueirock respondendo seus seguidores.................................... 88FIGURA 51 - Características encontradas no perfil fake e no Serguei................................... 88FIGURA 52 - Perfil antigo do fake @narcisaoficial............................................................... 95FIGURA 53 - Perfil do fake @narcisaoficial.......................................................................... 96FIGURA 54 – Tweet da @narcisaoficial sobre o show do Justin Bieber................................ 97FIGURA 55 – Tweet da @narcisaoficial usando bordão........................................................ 97FIGURA 56 – Tweet da @narcisaoficial citando marca......................................................... 98FIGURA 57 – Tweet da @narcisaoficial sobre empregada .....................................................98FIGURA 58 – Tweet da @narcisaoficial sobre a morte de Steve Jobs................................... 98FIGURA 59 – Tweet da @narcisaoficial interagindo com outros seguidores........................ 99FIGURA 60 – Tweet da @narcisaoficial respondendo seguidor............................................. 99FIGURA 61 – Características encontradas no perfil fake e na Narcisa..................................100
  • LISTA DE QUADROSQUADRO 1 – Respostas para a opção “Outro” - @pvc_espn................................................ 65QUADRO 2 – Respostas dissertativas sobre o perfil @pvc_espn........................................... 69QUADRO 3 – Respostas para a opção “Outro” - @oclebermachado......................................79QUADRO 4 – Respostas dissertativas dos seguidores do @oclebermachado........................ 80QUADRO 5 – Respostas para a opção “Outro” - @sergueirock............................................. 89QUADRO 6 – Respostas dissertativas sobre o perfil @sergueirock........................................91QUADRO 7 – Respostas dos seguidores para a opção “Outros” - @narcisaoficial.............. 100QUADRO 8 – Respostas dissertativas sobre o perfil @narcisaoficial.................................. 104
  • LISTA DE GRÁFICOSGRÁFICO 1 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 1........................... 66GRÁFICO 2 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 2............................67GRÁFICO 3 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 3........................... 68GRÁFICO 4 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 1................. 79GRÁFICO 5 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 2................. 80GRÁFICO 6 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 1....................... 89GRÁFICO 7 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 2....................... 90GRÁFICO 8 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 1................... 101GRÁFICO 9 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 2................... 102GRÁFICO 10 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 3................. 103
  • SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 112 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................................... 14 2.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA..............................................................................14 2.2 PESQUISA EMPÍRICA QUALITATIVA.............................................................14 2.2.1 A escolha dos objetos.........................................................................................15 2.2.2 Pesquisa de opinião............................................................................................16 2.2.3 As entrevistas com os criadores dos fakes........................................................21 2.2.4 Análise e categorização......................................................................................233 IDENTIDADE CULTURAL .......................................................................................... 244 IDENTIDADES NAS REDES SOCIAIS ....................................................................... 285 INTERNET E REDES SOCIAIS ................................................................................... 37 5.1 COMUNIDADES VIRTUAIS E REDES SOCIAIS..............................................38 5.2 SITES DE REDES SOCIAIS..................................................................................41 5.2.1 Twitter.................................................................................................................44 5.2.2 Laço social...........................................................................................................50 5.2.3 Capital social......................................................................................................526 OS FAKES DO TWITTER E SUAS IDENTIDADES .................................................. 55 6.1 PAULO VINÍCIUS COELHO (PVC), O JORNALISTA ESPORTIVO...............55 6.1.1 O fake @pvc_espn e suas características.........................................................56 6.1.2 O perfil original..................................................................................................59 6.1.3 Interação entre o perfil fake e original.............................................................61 6.1.4 Interação do fake com os seguidores ................................................................63
  • 6.1.5 Pesquisa de opinião com os seguidores do @pvc_espn...................................65 6.1.6 Entrevista com o “fake”....................................................................................70 6.2 CLEBER MACHADO, O COMENTARISTA ESPORTIVO...............................72 6.2.1 O fake @oclebermachado e suas características............................................74 6.2.2 Interação com os seguidores.............................................................................76 6.2.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @oclebermachado............78 6.2.4 Entrevista com o fake........................................................................................82 6.3 SERGUEI, O ROCKEIRO......................................................................................83 6.3.1 O fake @sergueirock e suas características.....................................................85 6.3.2 Interação com os seguidores..............................................................................87 6.3.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @sergueirock...................88 6.3.4 Entrevista com o fake.........................................................................................92 6.4 NARCISA TAMBORINDEGUY, A SOCIALITE................................................93 6.4.1 O perfil @narcisaoficial e suas características................................................95 6.4.2 Interação com os seguidores..............................................................................99 6.4.3 Pesquisa com seguidores do perfil @narcisaoficial ......................................100 6.4.4 Entrevista com o criador do perfil ..............................................................1057 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 107REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 109APÊNDICES .................................................................................................................... 112
  • 111 INTRODUÇÃO Não há dúvidas da importância da internet na sociedade atual, trazendo mudançasirreversíveis para o modo em que vivemos. Dentro desse universo, os sites de redes sociaissão hoje uma grande ferramenta de comunicação atualmente. O Twitter, mais que um site derede social, assume um papel importante não só na difusão de informação, mas também comofonte e pauta. É cada vez mais freqüente a utilização dessa plataforma em veículostradicionais. Uma mistura de microblog com mensageiro instantâneo e Site de Rede Social, oTwitter tem apropriações diferentes de acordo com os seus usuários, que buscam nelediferentes objetivos. É notória sua relevância nos processos comunicacionais e nas rotinasjornalísticas. No entanto, optei por analisar o Twitter como artefato cultural que potencializa aconstrução e apropriação de identidades culturais. Atualmente, estudantes, jornalistas,veículos, empresas e celebridades possuem perfil na plataforma. A idéia dessa pesquisa foianalisar uma categoria do submundo do microblog, mal vista por muitos1: os fakes. 2 Entende-se por perfil fake aquele que se apresenta como o de outra pessoa que não ela,fingindo ser algo que não é. Segundo a definição de Mocellim (2007), o fake se afirma seroutro, buscando ser outra pessoa ou se descrevendo diferente daquilo que é. Assim, o objetivoé estudar a apropriação de identidade que esses perfis fazem no twitter. São muitos os perfiscomo esse no site, alguns surpreendentemente bastante populares. Há casos, inclusive, em queo fake consegue ganhar notoriedade e ultrapassar a barreira do anonimato. Mas por que estudar esse tipo de perfil? Primeiramente, por que ele é umarepresentação de identidade no ciberespaço e essa representação gera processos interativoscom outros perfis. Aqui, não importa verificar se eles convencem ou não como pessoas, massim como que eles constroem essas características identitárias dentro de seus perfis. Quais sãoas semelhanças encontradas nos perfis fakes presentes também na identidade real dosoriginais e como os seus seguidores enxergam isso, são outros dos questionamentos que essetrabalho propõe. São perfis que conseguem se destacar, mesmo se assumindo como falsos,conquistar seguidores, manter freqüente interação com eles, ditar memes e tendências. Para realizar esse estudo, foram necessárias diferentes abordagens metodológicas,apresentadas no segundo capítulo. Ali, utilizando os conceitos de Fragoso, Recuero e Amaral1 http://www1.folha.uol.com.br/tec/968839-perfis-falsos-do-twitter-geram-mal-estar-com-celebridades.shtml2 Embora seja possível traduzir a palavra fake para falso, foi optado deixar como fake durante o trabalho por sero termo utilizado na internet.
  • 12(2011), busca-se entender a importância da utilização da pesquisa qualitativa no processometodológico de coleta de informações. Também neste capítulo é explicado, item por item,todos os processos efetivados para a realização da pesquisa, desde a revisão bibliográfica atéas formas de aplicação das pesquisas aos seguidores dos perfis. No terceiro capítulo, os conceitos de identidades são apresentados. Resgata-se diversosautores com o objetivo de compreender todas as facetas e modificações que o conceito deidentidade sofreu. Através de Hall (2002), as concepções de identidade são apresentadas, bemcomo as cinco rupturas que fizeram com o que a essência identitária do sujeito seja, hoje,fragmentada. Outros autores como Castells (2000) e Turkle (1997) nos ajudaram nessadiscussão, essencial para que se possa seguir ao próximo capítulo e abordar a identidadedentro das redes sociais. Doring (2002) e Lemos (2002) são alguns dos autores que possibilitam compreender aidentidade nas redes sociais como algo mutável e em constante construção. O perfil ou apágina da web são os campos onde é representada a identidade e estão disponíveis paramodificação a qualquer momento. Assim, nas redes sociais, a identidade é efêmera, assimcomo o seu processo de representação. Neste capítulo também são discutidas as concepçõesde fake e a classificação criada por Nóbrega (2010) para diferenciá-lo. Através de Fontanella(2011), também é abordada a utilização do anonimato e usos da internet como forma dehumor e entretenimento. O quarto capítulo conceitua as redes sociais, os sites de redes sociais, incluindo umbreve histórico sobre o surgimento deles. Recuero (2009) resgata desde a concepção e até osconceitos de laço social e capital social. Esse subcapítulo também pretende traçar umpanorama do Twitter, desde sua criação, objetivos e mudanças, além de explicar ofuncionamento da plataforma. O quinto e último capítulo compreende relacionar os conceitos abordados noreferencial teórico com os resultados da pesquisa empírica, incluindo as observaçõesencontradas durante o percurso. A análise busca possibilitar uma reflexão sobre a recepçãodos perfis fakes e quanto à carga de características identitárias eles carregam e perfomatizamna rede. Dessa forma, pretende-se analisar, dentro da amostra selecionada, como a construçãode suas identidades se dá e como ela é entendida. Também foram realizadas entrevistas comos moderadores/criadores dos perfis, com o objetivo de compreender se seus objetivos aoconstruir o fake foram atingidos - ou se foi mais uma vez apropriado para outros fins pelomicroblog. Assim, ao coletar e analisar os dados a partir de várias direções sobre um mesmo
  • 13perfil, pudemos construir uma nova compreensão a respeito desse envolto pelo anonimato,mas que ganha visibilidade através das interações e dos processos culturais no ciberespaço.
  • 142 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo inicial, abordaremos como foi o processo de pesquisa e suas etapas, dapesquisa bibliográfica à pesquisa empírica.2.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Para atingir o objetivo geral deste trabalho, primeiramente foi realizada uma leitura erevisão bibliográfica dos conceitos de identidade cultural e identidades nas redes sociais. Paraisso, foram utilizadas as bibliografias de diversos autores. Através de Hall (2002), foramestudadas as três concepções da identidade e as cinco rupturas que possibilitaram asmodificações nela. Também foram utilizados trabalhos de Nóbrega (2010) e Lemos (2002)buscando compreender como essa identidade era apresentada nas redes sociais e asclassificações dos fakes. Raquel Recuero foi a autora principal para a construção doreferencial teórico sobre redes sociais na internet. A obra auxiliou na compreensão daestrutura e história das redes, possibilitando melhor o entendimento do Twitter. Para obtermais informações sobre o funcionamento do microblog, além da larga utilização daferramenta, também foram utilizados os autores Zago (2008) e Spyer (2009) nafundamentação teórica. Através da pesquisa bibliográfica foi possível ampliar os conceitos, entender asmudanças e as estruturas da rede social, abrindo caminho para a aplicação dos outrosprocessos metodológicos.2.2 PESQUISA EMPÍRICA QUALITATIVA As ferramentas metodológicas desta pesquisa abrangem a pesquisa empíricaqualitativa. A pesquisa qualitativa busca uma compreensão aprofundada e holística dosfenômenos em estudo, contextualizando e reconhecendo seu caráter dinâmico (FRAGOSO,RECUERO E AMARAL 2011). Essa pesquisa não tem como objetivo quantificar as mençõespresentes nas construções identitárias dos fakes e interações entre os usuários no Twitte rede,mas sim entender os processos comunicacionais.
  • 15 Segundo as autoras, esse tipo de abordagem tem sido utilizado diversas vezes nosestudos sobre experimentações das identidades online ao longo dos anos 90. Na pesquisaempírica, independente do tema ou da área pesquisa, é necessário realizar observações. Pararealizá-las, é necessário criar subdivisões, que possibilitam focar melhor a análise, asamostras. Fragoso, Recuero e Amaral explicam que o recorte na internet em específico é maisdifícil, devido ao número de usuários, a diferença entre eles e o dinamismo na rede. Por essemotivo, a seleção de uma amostra apropriada é importante para o desenvolvimento dapesquisa.2.2.1 A escolha dos objetos Como o estudo deste trabalho é qualitativo, a quantidade não é um fator importante.Assim, foram selecionados quatro perfis fakes para a observação. Os perfis deveriam serconhecidos, ter uma quantidade razoável de seguidores para que se pudesse fazer umapesquisa de opinião com eles também. Além disso, a pessoa representada no fake deveria serconhecida também, ou ser uma celebridade, possuindo material, entrevistas, vídeos doyoutube suficientes para a comparação entre sua performance mediada pela imagem e aidentidade caracterizada no microblog. Dentro desse parâmetro, foram encontrados os perfisdo @oclebermachado e @sergueirock, que representavam duas pessoas de áreas diferentes(esporte e música, recpectivamente). Depois disso, optou-se por escolher objetos comdiferenciais. O perfil @narcisaoficial, que era fake e tornou-se também da própria NarcisaTamborindeguy foi selecionado por esse diferencial por acreditar ser interessante para oestudo. O último perfil é um fake cuja pessoa representada também possuía um perfil nomicroblog. Mais do que isso, eles interagiam. Querendo entender como foi realizado esseprocesso, e pensando em mais uma forma de compará-los, foi selecionado o perfil@pvc_espn. A partir dessa seleção, foi iniciada a observação dos perfis. A princípio, seriaescolhido um período de tempo determinado, mas, fazendo uma observação inicial, foiconstatado que todos realizavam comentários relacionando as características dos fakes comdeterminados assuntos e notícias em destaque. Assim, foi determinado que a amostragem dostweets seria realizada pelo tipo de conteúdo e não por um período de tempo. Apesar daescolha, vale registrar que os tweets analisados foram postados no site entre abril e novembrode 2011.
  • 16 Realizada a amostragem, foi necessário pesquisar sobre as pessoas originais às quaisos fakes representavam para compreender quais características eram semelhantes. Buscou-sematerial, principalmente em vídeos – a fim de perceber o maior número de detalhes ecaracterísticas também. Os vídeos e entrevistas – grande parte de participações realizadas emprogramas de televisão - foram transcritos, bem como todo o material selecionado para tentarcaracterizar ao máximo essas personalidades. Neste ponto, já era possível relacionar ascaracterísticas representadas nos fakes com as das personas, sobretudo a partir dos seusjargões.2.2.2 Pesquisa de opinião A pesquisa de opinião com os seguidores dos perfis foi construída através do sistemagoogledocs e publicada no Twitter. Devido às especificidades de cada perfil, foi necessáriorealizar uma pesquisa específica para cada um deles. A pesquisa de opinião tinha como objetivo compreender o que motivava o usuário aseguir um perfil assumidamente fake. A partir das observações, foram selecionadas algumasopções de motivos: os que acham o perfil engraçado e são motivados pelo lado cômico doperfil; aqueles que seguem o fake por gostar da personalidade original representada; aquelesque não gostam da pessoa real e encontram no perfil uma forma de compartilhar e expressarseus sentimentos por ela; aqueles que, devido à sua popularidade e grande número demensagem retuítadas, acabavam aparecendo tanto na timeline do usuário, que ele resolveusegui-lo. Também foi disponibilizada uma opção de outros, onde os seguidores poderiamescrever livremente o motivo. Abaixo, segue o exemplo da pesquisa realizada com os seguidores do perfil@pvc_espn.
  • 17FIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn Fonte: elaborado pela autora
  • 18 FIGURA 2 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @narcisaoficial Fonte: elaborada pela autora Na enquete, também foi questionado se os usuários já acharam que o perfil era fake,visando descobrir se eles sabem que estão seguindo um fake e as características são tãoparecidas com as do original que em algum momento já confundiram.
  • 19 FIGURA 3 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @oclebermachado Fonte: elaborada pela autora As enquetes eram diferentes para cada perfil devido suas particularidades. Aosseguidores do @pvc_espn, por exemplo, foi indagado se eles também seguiam o perfil oficial.Aos da @narcisaoficial, se sabiam que o perfil era fake e hoje era também atualizado pelaprópria Narcisa. Porém, a pergunta mais importante se manteve a todas: quais características“reais” eles acreditavam que o perfil fake apresentava. Esse era um espaço para respostadissertativa, sem limite de caracteres.
  • 20 FIGURA 4 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @sergueirock Fonte: elaborada pela autora Para a coleta, visando obter um bom número de respostas, foram criados perfisespecíficos, com nomes variáveis do nome @ajudeumtcc (@ajude1tcc, @ajude01tcc), etc.Em cada um foi disponibilizado um perfil diferente na Biografia e o pedido de que o seguidorrespondesse a pesquisa sobre o determinado fake. No perfil em que havia informações sobre o@sergueirock, por exemplo, foi adicionando seguidores do fake. Assim, os seguidores iriamver o perfil que estava seguindo e optar por responder ou não. Foi uma forma de divulgar apesquisa diretamente no público alvo. Foram criados inicialmente quatro perfis, um para cada
  • 21fake. Porém, devido à política de spam do Twitter, alguns ficaram suspensos, fazendo, aotodo, que sete perfis fakes de divulgação fossem criados. A meta era conseguir, no mínimo,50 respostas para cada perfil e foi ultrapassada. Assim, a internet, além de objeto de pesquisa, é também o local da pesquisa e aferramenta para coleta de dados, conforme explicam Fragoso, Recuero e Amaral (2011, p.17). FIGURA 5 – Perfil de divulgação das pesquisas com os seguidores Fonte: http://www.twitter.com2.2.3 As entrevistas com os criadores dos fakes Cumpridas as etapas de observação dos perfis e da pesquisa com seus seguidores, abusca agora era com os próprios fakes. Talvez a mais difícil das etapas, a idéia era, depois daobservação pessoal e da análise dos próprios seguidores, buscar compreender como era aconstrução de identidade de um perfil fake a partir dos seus criadores.
  • 22 A única forma de contato possível era o twitter. Com exceção do perfil da@narcisaoficial, que possui um e-mail na Bio, não havia nenhum link ou endereço paracontato nos perfis. Assim, através de um perfil, nos mesmos moldes utilizados para a pesquisacom os seguidores, foi tentado contado com eles. Diariamente, tweets eram enviadosexplicando que o seu perfil era objeto de estudo de uma monografia e perguntando se elespoderiam responder algumas questões básicas. Talvez devido ao grande número de seguidorese interações que possuem, a maioria não respondeu. Depois de cerca de duas semanas detentativas, o perfil do @pvc_espn enviou um e-mail de contato. O @sergueioficial, cerca deum mês após o início das tentativas, aceitou responder apenas três perguntas por DirectMessage do twitter – que, como mais tarde veremos, possuí limite de 160 caracteres. O últimoa dar retorno foi o fake @oclebermachado, depois de grande insistência. Infelizmente, depoisde passado o e-mail de contato e envio das perguntas, ele informou que não respondiaquestões como o moderador, somente como o fake. FIGURA 6 – Perfil para contato com os objetos de estudo Fonte: http://www.twitter.com
  • 232.2.4 Análise e categorização Por fim, foi realizada a comparação entre as transcrições decupadas dos vídeos daspersonalidades com as observações dos fakes, os resultados das pesquisas e as entrevistas,possibilitando a categorização e análise de dados. Neste capítulo, observamos as etapas da metodologia desenvolvida para observar osfakes do Twitter. No próximo capítulo, trataremos dos conceitos de identidade cultural.
  • 243 IDENTIDADE CULTURAL A identidade é um conceito estudado por diversas áreas do conhecimento e por isso,possui diferentes definições. A dimensão pessoal ou individual, segundo Oliveira (1976), épesquisada principalmente pela psicologia, enquanto a identidade social ou coletiva é objetode estudo da sociologia ou antropologia. Alguns autores compreendem sob a perspectiva daidentidade pessoal, como uma "reflexidade da modernidade que se estende ao núcleo do eu"(GIDDENS, 2002 p. 37). Outros a relacionam como uma ideia de identidade coletiva ligada asistemas culturais específicos. Para Castells (2000), a identidade é a fonte de significado para os próprios atores,originada e construída por eles através de um processo de individuação e autoconstrução.Assim, toda e qualquer identidade é construída. Nóbrega (2010) defende que toda aconstrução identitária é comunicada ao mundo através da representação. Ela é um projeto aser criado e que deve também ser reafirmado para se legitimar. Castells (2000) classifica três formas de construção de identidade: a legitimadora, a deresistência e a de projeto. A primeira corresponde à identidade detentora de poder e dá origema uma sociedade civil. É introduzida pelas instituições dominantes da sociedade, buscandoexpandir a dominação das instituições elitistas em relação aos atores sociais. A segunda estárelacionada a uma posição de desfavorecimento, desvalorização, levando os atores aformarem comunidades, “trincheiras de resistência”, uma forma de sobreviver seguindo osprincípios diferentes dos impostos a eles ou pelas instituições. Essa representação, nociberespaço, pode ser representada pelos hackers, que utilizam os espaços virtuais paraativismo e ações. A identidade de projeto é aquela em que os atores estavam em posição deresistência até que, devido a utilização de qualquer tipo de material ao seu alcance,construíram uma nova identidade, assumindo assim uma nova posição da sociedade. É a novaidentidade a ser construída, pois “cada tipo de processo de construção de identidade leva a umresultado distinto no que tange a constituição da sociedade” (CASTELLS, 2000, p. 24). Já Hall (2002) distingue três concepções de identidade. A primeira, a identidade dosujeito do Iluminismo, compreende a pessoa humana como um indivíduo centrado, unificado,consciente. Seu centro consistia em um núcleo interior, que o acompanhava desde o seunascimento, desenvolvimento, permanecendo o mesmo ao longo de sua existência. O centroessencial do eu era a identidade de uma pessoa. O autor considera essa uma concepçãoindividualista do sujeito e de sua identidade.
  • 25 A segunda concepção é a identidade do sujeito sociológico, noção que, segundo oautor, reflete a complexidade do mundo moderno, onde o sujeito não é mais autônomo e auto-suficiente. Essa identidade seria constituída pela relação do sujeito com outras pessoasimportantes para ele, pessoas que mediariam valores, sentidos e símbolos. A identidade e o euganham uma concepção interativa. Mais do que isso, a identidade é resultado da interaçãoentre o eu e a sociedade. Apesar de ter uma essência interior, um "eu real", este seria formadoe modificado de acordo com as relações dos mundos culturais e as outras identidadesexistentes. Hall (2002) explica que essas compreensões mudaram, citando o debate sobre asvelhas identidades estarem em declínio, fazendo surgir novas identidades. O sujeito, que antesera compreendido como tendo uma identidade unificada e estável, torna-se fragmentado,composto não mais por uma, mas por várias identidades, muitas contraditórias ou nãoresolvidas. A "perda de um sentido de si" estável, chamada de descentração do sujeito, é umdeslocamento dos indivíduos do seu lugar no mundo social, cultural e de si mesmos. Essamudança no processo resulta na criação de um sujeito sem identidade fixa, essencial oupermanente: a identidade do sujeito pós-moderno. O sujeito pós-moderno assume identidadesdiferentes em diferentes momentos, identidades contraditórias, não relacionadas a um "eu"coerentes. Para o autor, a ideia de identidade completamente unificada, segura e coerente nãoé real. A medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e ambiente de identidades possíveis, com cada uma das quais poderiam nos identificar - ao menos temporariamente (HALL, 2002, p.13). Na ideia de Hall, a identidade não é uma questão de ser, e sim de tornar-se. Oindivíduo pós-moderno tem sua identidade definida historicamente, resultando em diversasidentificações ao longo do tempo. Os elementos que a compõe permanecem articuladosparcialmente, tornando o sujeito aberto à mudanças, negociando seu papel social emdiferentes situações. Hall (2002) cita cinco rupturas “do pensar social” responsáveis por mudar a identidadedo sujeito unificado e estável para essa desfragmentada. A primeira delas, ruptura dopensamento marxista, coloca as relações sociais no centro do pensamento, rejeitando as idéiasfilosóficas sobre a existência de uma essência universal de homem. Karl Marx não aceita essaconcepção de sujeito com essência ideal. Sigmund Freud é o responsável pela segunda
  • 26ruptura, que ocorre com a sua descoberta do inconsciente, indo contra a idéia do sujeitoracional. Para Freud, a identidade não é formada totalmente, sendo preenchida através doexterior, das formas que imaginamos sermos vistos pelos outros. Na terceira ruptura,Ferdinand de Saussure defende que ‘não somos nós os autores’ das nossas afirmações ou dossignificados que nossa língua possui. Isso por que a língua, um sistema social, estariacarregada de significados culturais, carregando ecos. Os significados das palavras não sãofixos, dependem da similaridade e da diferença. A identidade, assim, teria a mesma estruturaque a língua, “eu sei quem eu sou em relação com o outro que eu não posso ser” (Hall, 2002,p.40). A quarta ruptura tem relação com o poder, baseada nos pensamentos de MichelFocault. Com o “poder disciplinar” e da vigilância, todas as pessoas seriam individualizadas.Para Hall, quanto mais coletiva e organizada as instituições da modernidade tardia, maior oisolamento e a individualização do sujeito individual. O impacto do feminismo para a sociedade contemporânea é a última ruptura dopensamento que influenciou a concepção do sujeito e a identidade pós-moderna. Aqui, secaracterizam todos os movimentos associados ao ano de 1968, como política sexual, lésbicas,gays, lutas raciais e movimentos pacifistas, entre outros. O feminismo foi responsável porquestionar a distinção do público e o privado, abrir novas formas de vida social como afamília, a sexualidade, o trabalho doméstico. Também politizou a subjetividade, o processo deidentificação entre homens/mulheres, pais/mães, filhos/filhas. Hall (2002) explica que omovimento expandiu, incluindo a formação de identidades sexuais e de gênero, questionandotambém a noção de que homens e mulheres eram parte da mesma identidade, a "humanidade",que seria substituída pela questão da diferença sexual. Mustaro (2004), explica o conceito ampliado de identidade defendido por Castells(2000). Ao defender a ligação entre o aspecto cultural e a auto-representação na ação social, oautor coloca a identidade como parte do processo de significado cultural, “formada poratributos inter-relacionados que predominam sobre outras fontes de significado”. Porém, oautor ressalta que essas múltiplas diversidades constroem elementos de contradição, não sóentre as relações do sujeito, mas em sua própria representação. A Identidade é relacional para Woodward (2000), pois depende de algo fora dela paraexistir, de outra identidade que possibilite condições para que ela exista. Para a autora, aidentidade também é produzida por sistemas de representação, também compreendidas comoum processo cultural e que estabelecem identidades, tanto individuais quanto coletivas, “e ossistemas simbólicos nos quais ela se baseia fornecem possíveis respostas às questões: Quemsou eu? O que eu poderia ser? Quem eu quero ser?” (WOODWARD, 2000, p. 17).
  • 27 Para Kellner (1992 apud KILPP, 2003, p. 143), a identidade na modernidade tornou-seproblemática e o assunto da própria identidade transformou-se, por si só, em problema: “Defato, somente em uma sociedade ansiosa com sua identidade, poderiam surgir os problemas deidentidade pessoal, ou auto-identidade, ou crise de identidade e tornarem-se preocupações eassuntos de debate”. Bauman (2005, apud NÓBREGA, 2010) explica que, se antes a identidade humana deuma pessoa era determinada através do trabalho, do seu desempenho social, atualmente ela éconseqüência das escolhas. Para Nóbrega, devido à pós-modernidade, as identidades hoje seformam em torno do lazer, da aparência, da imagem e do consumo, com laços frágeis em suadelimitação. Na Internet, a inconstância da identidade é mais perceptível, segundo Turkle (1997).Devido à tecnologia, é possível que uma pessoa esteja em vários lugares, em vários contextose em várias comunidades ao mesmo tempo. Essa grande presença no ciberespaço permite queuma identidade seja criada, uma identidade seguindo os aspectos pós-modernos, flexível e emconstante mutação. No estudo do conceito de identidade, a alteridade é um dos aspectos encontrados. Issopor que a identidade do sujeito também é constituída através de diferenças. Para Natal (2009,p.45), a identidade não é formada apenas pela imagem que o sujeito envia de si mesmo, mastambém através da alteridade, quando se atribui um conteúdo específico à diferença que osepara dele. A definição do ser assim dependeria também da diferença, “onde o outro se tornaparte integrante elemento constitutivo do ‘eu’”, sem perder sua própria identidade. Essa concepção trabalha a ideia de reafirmação das diferenças, onde o sujeito acreditasaber o que é o outro para poder atribuir uma diferença. De acordo com a autora, não há maisuma crise de identidade, mas sim uma busca por identidade – busca por ser o que o outro nãoé, “mas não somente isso” (NATAL p. 45). Embora nesse caso o “outro” seja parte integranteda identidade, a constituição do “eu” ainda é própria. Após apresentar esses conceitos da identidade do sujeito, buscaremos compreendercomo esta representação é encontrada nas redes sociais no próximo capítulo.
  • 284 IDENTIDADES NAS REDES SOCIAIS No ciberespaço, há um permanente processo de construção e expressão de identidadesdos atores. As apropriações dos sujeitos demonstram que esse processo vai além das páginaspessoais, Fotologs ou perfis no Orkut. Elas funcionam como uma presença do “eu” nociberespaço, onde o espaço é privado e ao mesmo tempo público. “Essa individualizaçãodessa expressão, de alguém, "que fala" através desse espaço é que permite que as redes sociaissejam expressas na internet.” (RECUERO, 2009, p. 27). Para Régine Robin (1997 apudLEMOS, 2002), a internet é um espaço de exploração de novas formas de identidade, quepodem servir tanto como instrumento de construção identirária quanto como forma desocialização. Ao encontro disso, Natal (2009) afirma que hoje a identidade não está mais associadaa um rosto ou nome. É no ciberespaço que a carga de identidade de um indivíduo, seja elepessoa “real” ou não, é descarregada. Ao modificar algum aspecto dessa carga na internet, ousuário irá editar mais do que uma informação, mas parte do que representa e é ali. Sibilia explica os aspectos da construção de si e da narração do eu por alguns weblogs.Para a autora, a percepção de um weblog, como uma narrativa, através da personificação dooutro, é “essencial para que o processo comunicativo seja estabelecido” (SIBILIA, 2003 apudRECUERO, 2009, p. 26). O entendimento do espaço do outro no cibersepaço ocorre atravésda construção do site, com elementos identitários e de representação de si. A construção da identidade na internet através das páginas pessoais foi analisada porDoring (2002), que concluiu que os websites pessoais eram apropriações individuais dociberespaço, utilizados permanentemente para a construção de si. Enquanto a noção tradicional de identidade assume homogeneidade e estabilidade da identidade pessoal (Erikson, 1968), a identidade pós moderna é entendida como uma miscelânea (Kraus, 2000ª) ou “de diversas origens” (Gergen, 1991, p. 150) de sub- identidades independentes e parcialmente contraditórias, que são construídas novamente na identidade de trabalho cotidiana e relacionadas a outras para sustentar um senso de coerência (Kraus, 2000a, 2000b). (DORING, 2002)3 Para o autor, a personalidade também não é mais compreendida hoje em dia comouma identidade homogênica e estática, mas como uma estrutura múltipla e dinâmica, que écomposta por vários “aspectos de si mesmo”. Os conceitos de identidade são foco da3 Tradução livre da autora. Disponível: http://jcmc.indiana.edu/vol7/issue3/doering.html - acesso em: 22 de out.2011
  • 29construtividade e mudança. Isso por que a página pessoal está sempre em construção e podeser atualizada a qualquer momento. Doring defende que a idéia de “construção” da identidadeé importante para a compreensão do weblog como uma faceta de sua identidade. Essamutação na página do ator reflete na identidade do indivíduo, que também é constantementemodificado. Recuero (2009) explica que, assim como o blog é constantemente alterado, aidentidade do indivíduo também é. Ao encontro disso, Lemos (2002) considera as páginas pessoais como formas deconstrução de uma imagem identitária, mesmo que esteja sempre fragmentada e sendomodificada. Para isso, usa de exemplo os diversos websites que estão, de forma sintomática,permanentemente em construção. Para o autor “a web e suas páginas pessoais podem servistas como formatos fluidos de construção de imagens identitárias” (LEMOS, 2002, p.10)onde a rede não é apenas um hipertexto informativo, mas um hipertexto social complexo. Nas redes sociais, um ator pode utilizar o perfil do Orkut como forma de identidade,onde suas preferências estão apontadas, e passíveis de mudança a qualquer momento. Já noFotolog, a forma de identificação do ator é o link. Segundo Recuero, perfis do Orkut, blogs,Fotologs, são pistas de um "eu" que poderá ser percebido pelos demais. São construçõesplurais de um sujeito, que representam as múltiplas facetas de sua identidade. Porém, Lemosconsidera as incertezas presentes na identidade dos atores na internet: “no ciberespaço aidentidade é ambígua, não existindo certezas (sexo, classe, raça) para a determinação dasformas de interação” (LEMOS, 2002, p. 174-175). Nóbrega (2010) defende que, na rede, onde a representação dos atores ocorre por meioda publicização do eu, o ego vira peça central. A autora explica que, se com a democratizaçãodo acesso à internet, a possibilidade de o indivíduo encontrar alguém como ele ampliou-se, aliberdade de se auto afirmar da maneira que quisesse também. Os atores passam a serepresentar da maneira que desejam encontrar outros atores para interagir. A construçãoidentitária é expressa através de representação, sendo também reafirmadas com o objetivo dese reafirmar. Na internet, os usuários usam as redes sociais como ferramentas na construção dessasidentidades. Entretanto, por ser uma concepção simbólica, Nóbrega não considera importanteverificar a autenticidade das informações, mas sim o processo de elaboração e utilização daidentidade construída. Não importa aqui discutir a validade dessas concepções identitárias declaradas pelos usuários das redes de relacionamento virtuais ou em até que ponto elas
  • 30 correspondem ao real, mas sim a utilização desse tipo de mídia como substrato de construções identitárias (NÓBREGA, 2010, p. 99). Nóbrega explica essa construção de identidades que ocorre no espaço simbólico: Toda a concepção identitária se esboça em forma de representação e no caso das redes virtuais de relacionamento, a representação do indivíduo se dá por meio da publicização do eu. O ego se torna uma centralidade na rede. A forma de se projetar a imagem na rede pode ser caracterizada como dramática, na medida em que é uma espécie de processo teatral de representação. (NÓBREGA, 2010, p. 97). Para a autora, a identidade é uma convenção socialmente necessária, que forma-seatravés de representação. E aparecem diariamente nas redes sociais, espaços abstratos em quesão estabelecidos laços afetivos e representações. Na internet, os usuários podem escolherseus avatares com características físicas diferentes das suas no mundo real. Esse é umexemplo da representação da sua identidade na rede. Porém, Nóbrega defende que além dessetipo de representação, a internet reúne grupos de pessoas com características em comum eexcluem as que não possuem as características do modelo desejado. Algumas dessas representações nas redes sociais são os fakes. Mocellim (2007), emseu estudo sobre os fakes no Orkut, explica que os usuários do site geralmente se referem aum perfil como fake não só quando informações do perfil são falsas, mas também quando operfil se refere a uma pessoa que não é o usuário. Alguém não pode ser considerado fake de si mesmo; nos casos em que as pessoas expõem fatos, ou características, que não correspondem com ela na realidade, os usuários costumam dizer que a pessoa está criando outra identidade, criando um personagem, sendo falso, exagerando. Porém, fake serve para os casos em que realmente busca-se ser outra pessoa, afirmando ser outro, e não sendo o mesmo, apenas se descrevendo ou agindo de uma maneira diferente do esperado pelas pessoas que o conhecem pessoalmente. (MOCELLIM, 2007, p. 10). O autor classifica os fakes em quatro tipos: a) Fakes obviamente falsos: personagens fictícios que utilizam característicasconsideradas bizarras, satíricas ou excêntricas. São facilmente percebidos como fakes egeralmente demonstram isso intencionalmente. O perfil @gracekarioca4, por exemplo, é um fake obviamente falso, com umpersonagem fictício e apresentação constante de determinadas características.4 www.twitter.com/gracekarioca - acesso em 10 de out 2011
  • 31 FIGURA 7 – Perfil do fake @gracekarioca Fonte: http://www.twitter.com b) Fakes que copiam personagens ou pessoas reais: os usuários criam perfis depersonagens de filmes, novelas, séries, ou mesmo dos atores que as interpretam. Geralmente,é tido como óbvio que o perfil é fake, porém, muitos incorporam características e interagemcomo o original. Alguns tentam realmente convencer que são os reais, outros deixam claroque são falsos. No twitter, um dos exemplos é o perfil do @pvc_espn5, um dos objetos deestudo desse trabalho e que será abordado posteriormente.5 www.twitter.com/pvc_espn - acesso em 10 de out 2011
  • 32 FIGURA 8 – Perfil do fake @pvc_espn Fonte: http://www.twitter.com c) Fakes espiões: São usuários que criam suas contas a fim de investigar perfis deoutros usuários. Esses perfis possuem poucas informações e frequentemente aparecem comnomes que sugerem que somente essa utilização6. Mais utilizados no Orkut, foi uma práticapopular para a utilização da rede com mais privacidade. O usuário @e0017 é um exemplo desta categoria.6 O autor cita exemplos de perfis fakes dessa categoria nomeados com “Eu fucei mesmo”, “Agente Secreto”,“Olho que tudo vê”.7 www.twitter.com/e001 - acesso em 10 de out 2011.
  • 33 FIGURA 9 – Perfil do fake @e001 Fonte: http://www.twitter.com d) Fakes que se propõem como pessoas verdadeiras: Neste caso, os usuáriosadotam nomes, adicionam amigos, colocam fotos, entram em comunidades, enviam recados,como se fossem essa pessoa. Esses fakes querem ser reconhecidos como reais. Váriascelebridades possuem esse tipo de fake no microblog. O @luanapiovani8 é um deles.8 www.twitter.com/luanapiovani. acesso em 10 de out 2011.
  • 34 FIGURA 10 – Perfil do fake @luanapiovani Fonte: http://www.twitter.com Por conta do recorte desse trabalho e da amostra escolhida, os tipos de fakesobservados neste trabalho são os itens a (fakes obviamente falsos) e o b (fakes que copiampersonagens ou pessoas reais) Embora esses fakes sejam parecidos com o conceito de “falsa representação” descritopor Goffman (2004 apud MOCELLIM), quando alguém finge ser algo diferente do querealmente é, Mocellim ressalta que há diferenças: Porém a idéia de falsa representação não dá conta de tudo envolvido aqui. Falsa representação leva a pensar que o que está sendo exibido, a representação que está sendo observada, seja falsa. Ela não é falsa – e Goffman ressalta isso, no que trata de relações face a face. Pode ser tomada como falsa, na medida em que trata da interpretação de alguém que não existe realmente, ou da ocupação de posições sociais as quais não deveriam estar ocupando; mas é verdadeira na medida em que tudo o que é dito ou feito vem de uma pessoa, e representa o que uma pessoa pensa, faz, ou é. (MOCELLIM, 2007, p. 11 ). Assim o autor entende que mesmo essa representação fake não quer dizernecessariamente falsa, já que a representação da pessoa existe presencialmente. O fake do ator
  • 35Cristian Pior, por exemplo, tornou-se o famoso @hugogloss9 e conta com uma base forte deseguidores e interações. Depois de conversar com o verdadeiro Cristian, o usuário resolveuevitar problemas e criar outro perfil. Apesar de ser um perfil falso, as representações que elerealiza são experiências reais e hoje continuam no seu perfil. Mesmo assim, sabe-se poucasinformações sobre o nome verdadeiro, fotos e ocupação do usuário. Para Mocellim (2007), os fakes também podem ser compreendidos como um dosexemplos da fragmentação das identidades, causada através da diversificação dos contextos deinteração contemporâneos. A criação desses fakes podem ter vários objetivos distintos. Muitos deles nãopretendem convencer outros usuários que são a pessoa representada, criaram o perfil visandoexplorar seu lado cômico. Fontanella (2011) defende a utilização da Internet não só comoforma para rir, mas acredita que hoje seja um dos seus usos mais freqüentes no dia-a-dia.Dentro dessa concepção, o autor explica casos em que ocorre um processo de marginalizaçãodos usuários. São práticas culturais escondidas dos usuários comuns da internet, ondegeralmente eles vivem no anonimato, sem manter uma identidade persistente. É o caso doimageboard 4chan10, o mais famoso em atividade. Segundo o autor, usuários desses fórunsfrequentemente são motivados pelo prazer de transgredir e ridicularizar determinados tipos deusuários. Há uma divisão entre os usuários comuns, que utilizam a internet de maneira"socialmente aceitável" e a dos grupos de usuários que vão além dos espaços seguros, queousam e freqüentam os conteúdos mais estranhos na rede. Os usuários do 4chan são exemplosde usuários que, apesar de não criarem uma identidade na rede, produzem um conteúdo quecircula em outros fóruns e comunidades da rede, os memes11. Os chamados Anonymous, sãoa incorporação da identidade social nas comunidades dos chans. Uma identidade flexível, masque permite que os seus usuários os reconheçam a si mesmo no que têm em comum. Para o autor, esse ocultamento da identidade pode trazer benefícios como a expressãolivre de ideias e sentimentos. Porém, o autor também cita Donath (1998), que considerava oanonimato um elemento que inviabiliza a comunidade, sendo necessária alguma forma deidentificação de cada membro, mesmo que seja por um pseudônimo. Enquanto algumascomunidades forçaram a identificação dos participantes, algumas utilizaram o anonimato paracriar um ambiente único de liberdade e igualdade.9 www.twitter.com/huglogloss - acesso em 10 de out 201110 http://www.4chan.org/ - acesso em 10 de out 201111 O termo meme é utilizado para definir pedaços da informação que se espalham pelas redes sociais na internetatravés da replicação (RECUERO, 2009, p. 129).
  • 36 Citando Marc Guillaume, André Lemos captura bem esse espírito para uso da representação virtual para a transformação do sujeito individualista moderno em um “indivíduo espectral”, que escapa aos constrangimentos da identidade através do anonimato, fugindo assim à homogeneidade de comportamentos (Fontanella, 2010 p.6) Essse é o caso dos perfis fakes analisados neste trabalho. Eles se escondem através dosseus perfis, geralmente não tentam mostrar seu “eu” real e dificilmente sabemos quem são.Entretanto, possuem grande visibilidade e popularidade no site, criando bordões ou memesque se propagam na rede. Até aqui, buscamos entender os conceitos de identidade e como acontece suarepresentação nas redes sociais. No próximo capítulo, veremos as definições de comunidades,redes sociais e sites de redes sociais.
  • 375 INTERNET E REDES SOCIAIS Na sociedade atual, a cada minuto novas pessoas se conectam na internet, criamconteúdo e consomem informações da rede. O que observamos hoje é um número cada vezmais crescente de pessoas aderindo à tecnologia, a utilização em grande escala de dispositivosmóveis e a necessidade de se estar sempre conectado. Essa expansão na rede transformou amaneira com que as pessoas se relacionam. Lemos (2002), explica que a tecnologia causamudanças que fazem parte do processo de evolução da humanidade e as conseqüências podemter representações e significações diversas. Assim como o fogo e a eletricidade, são inovaçõesque definiram e se incorporaram aos processos cotidianos. Blattmann (2009 apud LEMOS,2002) considera a internet como o principal responsável pela mudança na forma de acesso,obtenção, organização e uso de informação para produção de conhecimento. Se na década de70 a maior parte da população não conhecia um computador, hoje todas as empresas possuemum site. O e-mail transformou a forma de correspondência de longas distâncias, assim comoos serviços de mensagens instantâneas modificaram a idéia de conversa. Pesquisa realizadaem 11 países, incluindo o Brasil, aponta a internet como veículo indispensável por 70% dosentrevistados12. Não é possível medir a autonomia dos usuários no ciberespaço. Enquanto nos meiostradicionais o indivíduo lê, assiste e ouve, na internet, o público faz. Esse é o princípio básicoda WEB 2.0, cujo conteúdo se deve principalmente a participação dos usuários. Siqueira(2009) explica que nessa geração os editores da Web estão criando plataformas ao invés deconteúdo. Isso acontece por que agora são os usuários que agora criam conteúdo. O’Reilly(2005), que cunhou o termo em 2003, defende que na Web 2.0 a arquitetura de participação éfortalecida e há escabilidade de custo eficiente. Nessa geração, não há somente uma mudançatécnica, mas sim na forma em que os usuários e desenvolvedores a utilizam. O público deixoude atuar somente como um consumidor da informação. A conexão entre usuários ecomputadores resultou em um novo conceito de atividade coletiva. Essa nova forma baseou-se no compartilhamento de informações, conhecimentos e interesses. A segunda geração da internet afeta a cultura comunicativa da sociedade, mudandopadrões e hábitos, com tecnologias que permitem a colaboração e interação de informaçõesem tempo real. Lévy (1999 apud LEMOS, 2002) explica que ela se tornou um meio decomunicação modelo todos-todos, onde qualquer pessoa pode produzir e publicar conteúdo na12 http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1397901-6174,00.html – acesso em 10 de out. 2011
  • 38rede. Impulsionada por essa geração e difundida, principalmente, devido à facilidade deacesso aos dispositivos móveis, as redes sociais viraram parte do cotidiano de quem temacesso à rede. Segundo dados do IBOPE13, 73,9 milhões de pessoas acessaram a web noquarto trimestre de 2010. Número que tende a aumentar: de outubro de 2009 a outubro de2010, o número de pessoas que acessam a internet regularmente cresceu 13,2%.14 Dessenúmero, 86% dos usuários possui algum perfil em uma rede social15. As redes sociaisatingiram um nível de importância e há muitas especulações sobre o seu futuro. Em 2009,Tim Berners-Lee, famoso na história da internet por ter criado a World Wide Web, aponta asredes sociais e celulares como o futuro da web. Sites populares atualmente, como Orkut, Facebook, Twitter e programas como MSNtem como principal característica a interação e o compartilhamento de informações. Sãoplataformas que fazem parte da segunda geração da internet e permitem aproximação depessoas com afinidades, troca de músicas, fotos, vídeos, entre outros conteúdos.5.1 COMUNIDADES VIRTUAIS E REDES SOCIAIS Para Castells (2003), a história das redes inicia-se junto com a história da própriainternet, já que as primeiras comunidades virtuais foram criadas pelos primeiros usuários deredes de computadores. Segundo o autor, o Institute for Global Communication (IGC) foi oarticulador das primeiras redes de computadores dedicadas à divulgação de causas sociaiscomo a defesa do meio ambiente e a paz mundial. Para ele, as comunidades virtuais moldaramformas, processos e usos da internet, tendo como características a liberdade de expressão eautonomia. Recuero (2003) explica que inicialmente o termo comunidade representava o conceitode "família", de comunidade rural. O agrupamento acontecia baseado na afinidade, mas erarestrito aos locais de abrangência, devido à ausência dos meios de comunicação. Porém, como surgimento da comunicação mediada pelo computador, a busca de novas formas deestabelecer conexões acabou transformando o termo em “comunidades virtuais”.13 http://info.abril.com.br/noticias/internet/brasil-atinge-73-9-milhoes-de-internautas-18032011-32.shl - acessoem 10 out. 201114 http://blog.w3haus.co.uk/2011/04/19/numeros-da-internet-no-br/ - acesso em 10 out. 201115 http://www1.folha.uol.com.br/tec/771611-ibope-aponta-que-87-dos-internautas-brasileiros-estao-em-redes-sociais.shtml - acesso em 10 out. 2011
  • 39 Recuero (2003) define as comunidades virtuais: A comunidade virtual é, assim, um grupo de pessoas que estabelecem entre si relações sociais, que permaneçam um tempo suficiente para que elas possam constituir um corpo organizado, através da comunicação mediada por computador. (RECUERO, 2003. p.5). Assim, se antes a comunidade é entendida como um grupo de pessoas que interageentre si, na internet essa mesma interação passa a ser mediada pelo computador e de formarecíproca entre as partes. Segundo Rheingold (1992 apud RECUERO, 2003, p.5), as comunidades virtuais nãodevem ser consideradas apenas lugares onde as pessoas se encontram. Elas formam umaplataforma que possibilita os usuários atingir diversos fins. Uma dessas finalidades, segundoCosta (2005), é a formação da idéia de inteligência coletiva. Isso por que as comunidadesvirtuais funcionam como filtros humanos inteligentes, cumprindo um papel para um problemaque os programadores buscavam solucionar: o excesso de informação sem mecanismoeficiente de seleção. Essa idéia atribui às comunidades virtuais a capacidade de resolverproblemas coletivamente em beneficio do indivíduo. Lévy (1992 apud RECUERO, 2003, p.5)afirma que, além de estimular a formação de inteligência coletiva, as comunidades virtuaistambém agem como um mecanismo de mediação cultural tradicional. Isso por que uma redede pessoas com o mesmo gosto e interesse produz um efeito mais desejado e eficiente do quemecanismos de buscas. Assim, o autor defende que as comunidades virtuais organizadaspossuem um papel notável em “termos de conhecimento distribuído, de capacidade de ação ede potência cooperativa.” (COSTA, 2005). Recuero explica que alguns autores defendem que comunidades virtuais devem serestudadas como redes sociais. Isso tem relação com as interações cooperativas e a força dolaço social, que veremos a seguir. Para a autora, as comunidades virtuais devem seradaptativas, auto-organizadas e cooperativas. Outro fator importante para a compreensão deuma comunidade virtual como rede social é a possibilidade de associação de novos membros. Costa (2005), por sua vez, relaciona as diferenças entre os laços sociais e os sistemasde troca de informações antigos com os atuais, defendendo que novas formas mais complexasde comunidade surgiram. Isso nos remete a uma transmutação do conceito de "comunidade" em "rede social". Se solidariedade, vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes quando se procurava definir uma comunidade, hoje eles são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis das redes sociais (COSTA, 2005, p. 8).
  • 40 Para Aguiar (2008, p.22), “redes sociais são, antes de tudo, relações entre pessoas,estejam elas interagindo em causa própria, em defesa de outrem ou em nome de umaorganização, mediadas ou não por sistemas informatizados”. Para a autora, a rede seria comoum método de interação que tem como objetivo alguma mudança concreta na vida daspessoas, no coletivo ou nas organizações. Algumas redes são informais e espontâneas, quandosurgem da necessidade do indivíduo em interações cotidianas, com familiares, amigos,trabalho, etc. Outras são criadas intencionalmente, chamadas de “indivíduos ou grupos compoder de liderança, que articulam pessoas em torno de interesses, projetos e/ou objetivoscomuns” por Aguiar (2008, p.22). Enquanto a primeira é formada por indivíduos e atoressociais, a segunda possui participantes que atuam apenas institucionalmente. Entram nessacategoria, perfis de empresas e instituições. Para a autora, as redes espontâneas tendem aconseguir interações mais abrangentes do que as redes estimuladas por objetivosinstitucionais. Wasserman e Faust (1994 apud RECUERO, 2009) conceituam redes sociais como umconjunto de atores, organizações ou outras entidades, conectados por motivos de amizade,relacionamentos sociais, profissionais e troca de informação. Ela é formada basicamente poratores sociais e suas conexões, onde atores são os nós das redes (pessoas, instituições ougrupos) e as conexões são interações ou laços sociais (WASSERMAN E FAUST, DEGENNEE FORSE, 1999 apud RECUERO, 2009). A representação pode ser constituída de um perfilno Orkut enquanto a conexão são as relações que os atores criam na rede. Uma rede seria aforma de observar padrões de conexões em um grupo social através das conexões realizadasentre seus atores. Não é possível isolar os atores sociais nem suas conexões, pois um dependedo outro para formar sua estrutura social dentro da rede. Atores são representados por nós e moldam as estruturas sociais através da interação eda constituição de laços sociais. São as pessoas envolvidas na rede, as pessoas que estão portrás de seus perfis nas redes. Enquanto isso, as conexões em uma rede social são constituídasdos laços sociais que são formados através da interação social entre os atores. A interação nociberespaço também é uma forma de conectar pares de atores e demonstrar que tipo de relaçãoeles possuem entre si. Recuero defende que as características das redes sociais são relevantes no ciberespaçojustamente por que a internet permite que essas informações permaneçam no ciberespaço. Aautora distingue as redes sociais em dois tipos: as redes emergentes e as redes de filiação ouredes de associação. As redes emergentes são baseadas na interação e conversação mediadas
  • 41pelo computador. Nas redes emergentes, a interação é do tipo mútuo e elas tendem a ser maisconectadas e menores. Comentários em blogs são exemplos desse tipo de rede, que necessitade maior esforço dos atores sociais para manter o perfil atualizado e um laço social forte. Em contraponto, as redes sociais de filiação possuem conexões forjadas, onde hásomente um grupo de atores, que não partem do laço social de outros membros. Um exemplodesse tipo de rede são as listas de amigos de um perfil do Orkut. Não é necessário interaçãoentre os atores para manter o usuário na rede, apesar dos usuários poderem ter tido laços emoutros espaços. Os atores permanecem nas conexões, mas não precisam interagir ou conversarentre eles. Esse tipo de rede pode ser muito maior, já que não necessita de esforço dos atores etendem a agregar mais nós.5.2 SITES DE REDES SOCIAIS Para Recuero (2009), os sites de redes sociais são uma conseqüência da apropriaçãodas ferramentas de comunicação mediadas pelos atores sociais. Uma das principaiscaracterísticas dos sites de redes sociais é a exposição das conexões de um indivíduo, quetorna público suas relações com outros usuários, quem são seus amigos, etc. Outro elementodeterminante, segundo Recuero, são as construções de representações das pessoas envolvidas.A autora defende a distinção entre as redes sociais e a ferramenta que as suporta afirmandoque as redes “são, por si, expressões de grupos sociais, de pessoas e instituições que estãopermanentemente interconectadas pelas novas tecnologias de comunicação e informação.”(2009, p. 102). Assim, os sites de redes sociais seriam os espaços para essa expressão. Boyd & Ellison (2007 apud RECUERO, 2009) consideram sites de redes sociais ossistemas permitem a representação virtual através da criação de um perfil, a capacidade e deconexão com outras pessoas e a navegação entre as conexões formadas pelos nós das redes. Recuero explica as diferenças entre os sites de redes sociais e as outras formas decomunicação mediada pelo computador: A grande diferença entre sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação das redes sociais, a manutenção dos laços estabelecidos no espaço off-line. (RECUERO, 2009, p. 102) Dessa forma, tanto os fotologs, os blogs e sites como Facebook e Twitter sãoexemplos de sites de redes sociais, já que possuem mecanismos de individualização,
  • 42exposição das redes sociais de cada ator e a possibilidade dos usuários construírem interaçõesnesses espaços como características. Para Recuero (2009), há os tipos de sites de redes sociais propriamente ditos e os sitesde redes sociais apropriados. Os sites propriamente ditos são focados em expor e publicarintencionalmente as redes e conexões dos atores. Nesses sites, é necessária a criação do perfilpara a interação com outros usuários, como Orkut e Facebook, visando a ampliação das redes,facilitando a conexão e o fortalecimento do laço social. Nos sites apropriados, não há essaintenção original, mas seus atores acabaram tornando-os sites de redes sociais devido suautilização. É o caso do Fotolog, um site sem espaço para perfil, nem são mostradas asconexões. Porém, devido a construção de alguns usuários e suas interações com outros atores,acabam agregando características de rede social ao site. Muitos atores que não querem ser identificados optam por criar perfis falsos nos sitesde redes sociais. Essa prática foi bastante observada no Orkut, onde os usuários criavam perfiscom nomes falsos, utilizando a identidade de personagens reais ou fictícios. Dessa forma,interagiam sem que os outros atores soubessem sua identidade real. Segundo o conceito de Boyd e Ellison (2007 apud RECUERO, 2009), o perfil é umapágina onde o usuário escreve sobre si mesmo. Ao se cadastrar em um site de rede social, ousuário preenche um formulário com diversos campos sobre sua vida, enviando fotos epersonalizando seu perfil. Após isso, ele é convidado a se conectar com outros usuários. Nestadefinição, o SixDegrees16 foi o primeiro site a ter todas as características de rede socialmediada pelo computador. O Sixdegrees permitia somente que os usuários se conectassemcom outros e navegassem entre os perfis. Por questões financeiras, o site durou pouco mais detrês anos. Se em 1997 tivemos o primeiro site de rede social, foi somente em 2002 que houvesua popularização, com o Friendster17. A rede foi percussora em levar esse tipo de site acultura de massa, mas não conseguiu suportar a quantidade de usuários. Em 2003, Last.Fm18,MySpace19 e Linkedin20 são criados, exemplificando a segmentação das redes. A primeira,voltada aos fãs de música, é baseada no compartilhamento e recomendação musical dosusuários. Possui fórum, estações rádio um sistema colaborativo de etiquetamento e indexaçãodos arquivos de música. O MySpace foi criado para reunir em um só perfil fotos, blogs,vídeos e música. Apesar de ser inicialmente ser comparado ao Friendster, ganhou relevância16 http://www.sixdegrees.com/ - acesso em 25 ago. 201117 http://www.friendster.com/ - acesso em 25 ago. 201118 http://www.lastfm.com.br/ - acesso em 25 ago. 201119 http://www.myspace.com/ - acesso em 25 ago. 201120 http://www.linkedin.com/ - acesso em 25 ago. 2011
  • 43no cenário musical, tornando-se “uma importante fonte de informações sobre turnês, datas elançamentos de álbuns para as revistas/sites/jornais especializados em música” (AMARAL,2007, p.96). Durante um período, o MySpace chegou a ser a rede social mais popular nosEstados Unidos. Já o Linkedin tem como foco a rede profissional, sendo utilizado porempresas e empregadores. Em 2010 o site contava com 70 milhões de usuários e um milhãode empresas cadastradas. Assim, vários outros sites de redes sociais surgiram e continuam asurgir. Mais segmentados, hoje é possível encontrar sites para nichos cada vez maisespecíficos como adoradores de hamster (HAMSTERster21) ou fanáticos por futebol(Kigol22). No Brasil, durante muito tempo a rede social mais acessada foi o Orkut23. Durante omês de maio de 2010, o site recebeu 26 milhões de visitantes únicos. Criada em 2004 por umfuncionário do Google, a rede inicialmente só permitia o cadastro de um usuário através deum convite de outro usuário já cadastrado. O site permite a criação de perfis com interesses,fotos e criação de comunidades que funcionam como fóruns. No Brasil, país que, junto com aÍndia, domina a participação de usuários, a rede teve importância na popularização dos sitesde redes sociais. Segundo pesquisa Ibope Nielsen com 8561 entrevistados, o Orkut foi a portade entrada para a internet no brasil. Para 82% daqueles que acessam as redes, o Orkut foi aprimeira delas. Em Setembro de 2011, foi divulgada a pesquisa do Ibope Nielsen indicandoque o Facebook ultrapassou o Orkut em número de usuários no Brasil24. O Facebook é atualmente a maior rede social do mundo. Dados apontam que 750milhões de pessoas estavam conectadas na rede em 201125. Em 2012, a companhia estima queo número alcance um bilhão. Criado em 2004, o sistema era inicialmente focado a alunos deHarvard, passando depois a ser disponível a outras escolas. O site funciona através de perfis epáginas de comunidade, com o diferencial da criação de aplicativos. Dentre todos os sites de redes sociais disponíveis atualmente, o Twitter será o foconeste trabalho, portanto, será descrito a seguir.21 http://www.hamsterster.com/ - acesso em 22 out. 201122 http://kigol.com.br/ - acesso em 22 out. 201123 http://www.orkut.com – acesso em 22 out. 201124 http://www1.folha.uol.com.br/tec/973266-facebook-ultrapassa-orkut-em-usuarios-no-brasil.shtml acesso em22 out. 201125 http://exame.abril.com.br/tecnologia/facebook/noticias/facebook-atinge-750-milhoes-de-usuarios acesso em22 out. 2011
  • 445.2.1 Twitter O Twitter é um misto de microblog, mensageiro instantâneo e Site de Rede Social(SRS). Sua descrição depende do tipo de apropriação dos usuários. Microblogs são ferramentas de blogs simplificadas, geralmente relacionadas à idéia demobilidade e com restrições no tamanho das mensagens (ZAGO, 2008). A autora explica aferramenta de microblogging como uma mistura de rede social e mensagens instantâneas.(ORIHUELA, 2007 apud ZAGO, 2008). Já o ato de postar mensagens em um blog pessoalatravés de dispositivos móveis ou comunicadores instantâneos é chamada de microblogging.(MCFE-DRIES, 2007 apud ZAGO, 2008). Embora a ferramenta tenha características de blog,sua maior diferença é a restrição do tamanho das mensagens, que permite maior facilidade deintegração com outras ferramentas digitais. O microblogging privilegia “a brevidade dostextos, a mobilidade dos usuários e as redes virtuais como entorno social emergente” (ZAGO,2008, p.7). Essas características fazem dos microblogs ferramentas ágeis e rápidas nacobertura de acontecimentos e na comunicação em geral. O usuário, por ter diversas opçõesde postagem, pode enviar uma mensagem a qualquer momento do dia, em qualquer lugar, nãodependendo mais de um computador para isso. A freqüência de várias atualizações por hora,muitas vezes com uma narrativa de minuto-a-minuto ou ao vivo da rotina diária ou de eventosfazem com que os microblogs tenham como característica a atualização constante, comoexplica Trasel (2008). Outro fator considerado importante na distinção de blog emicroblogging é a simplicidade de manutenção. Segundo Zago (2008), desde 2006 centenasde outras ferramentas de microblogs foram criadas, baseadas no mesmo padrão de funções doTwitter, hoje a mais famosa e bem sucedida delas. O Twitter é um serviço de microblog onde os usuários respondem, em até 140caracteres, a pergunta “What’s happening?”. Spyer (2009, p. 36) define o site como “umaferramenta para “micro-blogagem” baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, nocompartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real”. No seu próprio site otwitter é caracterizado como “uma rede de informação em termo real que conecta as últimasinformações sobre o que você achar interessante”. Com uma estrutura similar a de um blog,grande parte dos usuários utiliza a plataforma para ler notícias, conversar, trocar links ecomentar assuntos da atualidade. O conceito do Twitter começou a ser pensado no ano 2000 pelo programador JackDorsey. Somente seis anos mais tarde, uma mensagem foi publicada na primeira versão doserviço. Dom Sagolla, integrante da equipe que lançou o site, escreveu: “oh this is going to be
  • 45addictive”, em 21 de março de 2006. Originalmente, a pergunta que o Twitter fazia na páginainicial era “o que você está fazendo?”. Em julho de 2009 seu slogan mudou para "compartilhee descubra o que está acontecendo neste momento, em qualquer lugar do mundo" e a perguntapassou a ser “O que está acontecendo?”. Essa pergunta mudou devido às apropriações e usosdos interagentes que passaram a compartilhar não só o que estavam fazendo, mas o queacontecia ao seu redor. Para Lima (2009), essas modificações mostram uma mudança nos objetivos dosfundadores do site. Se no início a plataforma tinha o objetivo de formar uma comunidadeglobal de amigos e conhecidos, hoje a sua interface mostra a pretensão de tornar o Twitter o"pulso da internet global". A página inicial do site, desde 6 de junho em português – assimcomo todo o site26 – apresenta a frase “Siga o que lhe interessa”, mostrando o twitter como olocal que possui atualizações instantâneas de amigos, celebridades e especialistas. Em,pesquisa realizada em 2009 mostrou que. para 45% dos usuários, as redes sociais substituema informações dos portais de notícias27. FIGURA 11 – Página inicial do Twitter Fonte: www.twitter.com Após se logar, a página apresenta uma caixa de texto e o espaço de 140 caracteres parapublicação de alguma mensagem. O texto pode incluir links para vídeos, fotos e outros sites.26 http://www1.folha.uol.com.br/tec/926605-twitter-lanca-versao-em-portugues.shtml - acesso em 22 out. 201127 http://www.administradores.com.br/informe-se/tecnologia/para-45-dos-internautas-brasileiros-redes-sociais-substituem-portais-de-noticias/40315/ - acesso em 22 out. 2011
  • 46Muitos usuários utilizaram encurtadores de URL, já que alguns links são extensos e nãoutilize todo o espaço para publicação. O limite de caracteres permite a integração do twittercom mensagens de texto via celular. As atualizações podem ocorrer por meio de SMS,serviços de mensagens instantâneas, aplicativos ou pelo site oficial. Para O’REILLY (2009), apossibilidade de enviar e receber mensagens por vários mecanismos, em tempo real, faz dotwitter uma plataforma de comunicação muito útil, que pode se encaixar na rotina de trabalhode qualquer um. Segundo o site, usuários móveis do serviço cresceram 182% no último ano. Conforme informações do site, o twitter possui 175 milhões de usuários registrados e95 milhões de mensagens são escritas por dia. Uma pesquisa realizada em junho de 2009 pelaComScore mostra que o site cresceu 1460% em relação a junho de 200828. Embora o site nãodivulgue os números relativos aos perfis brasileiros, uma pesquisa realizada pelo grupo norte-americano Web Ecology, mostra que a língua portuguesa é a segunda mais usada naplataforma, atrás somente do inglês. Cada mensagem postada no Twitter é chamada de “tweet” ou “tuíte”. Ao se logar, apágina inicial do site apresenta os tweets das pessoas que o usuário segue. No twitter,diferente de outras redes sociais como Orkut e Facebook em que adiciona-se perfis comoamigos, o usuário segue outro perfil. O perfil seguido pode optar por segui-lo de volta, ounão. A partir do momento em que se segue algum perfil, as atualizações desta pessoa passama aparecer na página inicial, não precisando acessar cada página para ler suas mensagens. Háum ano, as pessoas mandavam 50 milhões de tweets diariamente. No dia 11 de março de2011, a contagem chegou a 177 milhões, segundo informações divulgadas no blog dotwitter29. Para falar com alguém no Twitter e a pessoa ter conhecimento disso, é necessáriocolocar um @ seguido do nome do usuário. Não é necessário seguir a pessoa, nem ser seguidopor ela para mencionar alguém em uma mensagem. O usuário da pessoa (ex. @dierli) utiliza olimite de caracteres disponíveis para o tweet. A seguinte imagem descreve os elementos da página inicial do usuário na últimaversão do Twitter:28 http://www.techcrunch.com/2009/08/03/twitter-reaches-445-million-people-worldwide-in-june-comscore -acesso em 22 out. 201129 http://blog.twitter.com/2011/03/happy-birthday-twitter.html - acesso em 22 out. 2011
  • 47 FIGURA 12 – Página inicial o usuário do Twitter Fonte: http://www.twitter.com 1- Caixa de texto 2- Mensagem postada 3- Mensagem recebida de outro usuário 4- Mensagem postada como resposta a outro usuário 5- Lista de perfis que está seguindo 6- Lista de seguidores 7- Assuntos do Momento (Trend Topics) 8- Quem seguir 9- Mensagens (Direct Message) 10- Pesquisa No campo número 1, observamos caixa de texto com o limite de 140 caracteres para ousuário respondê-la. O número 2 é um exemplo de uma mensagem que foi escrita no campo1. O campo 3 mostra um tweet com a menção de outro usuário. Essa mensagem fica com olink do perfil citado em vermelho e também aparecerá na timeline do outro perfil, ou na aba
  • 48“mentions”. No campo 4, temos a situação inversa: outro perfil respondeu ao tweet. Oscampos 5 e 6 apresentam, respectivamente, a lista de perfis que está se seguindo e osseguidores. No campo 7, temos os Assuntos do Momentos. Ainda chamados de Trend Topicspela maioria dos usuários - , a lista dos dez termos mais postados no site. É possível visualizaros Trend Topics de todo mundo ou em algum país específico. Nesse ranking das palavrasmais escritas, algumas aparecem com o símbolo #, chamadas de Hashtags. A Hashtag não éuma invenção da plataforma, e sim dos seus usuários. Ela agrupa mensagens que possuem umdeterminado termo depois do #, facilitando as buscas. É muito utilizada em cobertura deeventos e notícias. No dia 17 de Junho de 2010, foi criado o "Promoted Tweets", uptades patrocinadospor empresas e organizações que aparecem em meio às buscas feitas por assuntosrelacionados dentro da ferramenta. Essa é uma forma do Twitter ganhar dinheiro com oserviço e das empresas ganharem mais visibilidade, utilizando a rede como forma depublicidade. Outra forma de interação que o Twitter possibilita são Mensagens. (número 10). Sãomensagens privadas, que chegam ao destinatário por e-mail, além de aparecerem neste campoespecífico. Quando um tweet enviado com a letra d antes do nome do usuário, uma mensagemprivada é enviada. Somente a pessoa que envia e quem recebe tem acesso às chamadas“DMs” (abreviação de Direct Message, quando o site não havia versão em português). Só épossível enviar uma DM para um usuário que segue o seu perfil. Dessa forma, se o perfil@dierli segue o usuário @exemplo, mas o contrário não ocorre, somente o @exemplo poderáenviar esse tipo de mensagem. Uma das ferramentas mais utilizadas pelos usuários é o Retuíte (ou Retweet). Ele temcomo função replicar uma determinada mensagem de algum outro usuário, dando o créditopara o original. O botão de retweet fica abaixo do tweet original, do lado da opção deresposta. Alguns usuários optam por proteger seus updates. Assim, somente seguidorespodem visualizar suas mensagens. OReilly (2009) considera o Twitter como uma máquinacapaz de produzir perguntas e respostas. Isso por que seus participantes gostam de ajudar e,através de frases curtas e do retuíte, é possível ter um alcance muito grande das informações. Além disso, há os APPs para acessar o Twitter, que possibilita que seus usuários nãodependam somente da versão web, mas também via mobile ou programas como oTweetdeck30.30 http://www.tweetdeck.com/ acesso em 22 out. 2011
  • 49 FIGURA 13 – Página inicial do Twitter Fonte: http://www.twitter.com O perfil do usuário pode ser visto por todos, inclusive por quem não possui conta –exceto quando ele for privado. A imagem acima apresenta o perfil visto por alguém que segueo usuário. O usuário preenche o seu nome, sua “Bio” (em 160 caracteres) e tem espaço paraincluir um link que poderá redirecionar para outra rede social, blog ou site. Ao lado, épossível ver quantos tweets o ator escreveu e o número de perfis ele segue e é seguido.Abaixo, temos os tweets que o dono do perfil escreveu, tanto como resposta à um ou maisusuários, quanto para toda a timeline. Caso o dono do perfil tenha protegido seus uptades,somente pessoas que o seguem conseguem visualizá-los (perfil privado). Neste caso, tantopara não-seguidores quanto usuários sem conta, o perfil do ator mostra apenas o nome, bio,link para página pessoal, número de tweets, seguidores e seguindo. O twitter ganhou visibilidade na mídia devido sua utilização por famosos. Sites denotícias passaram a usar como pauta informações postadas pelos atores na plataforma.Discussões com usuários ou colegas também tiveram maior repercussão, exposição echegaram a outras mídias. Ao mesmo tempo, o site tornou-se uma forma de divulgação e
  • 50propagação das notícias, antes mesmo de serem publicadas pela mídia. Um exemplo foi oterremoto ocorrido em 2008, na China, twittado primeiramente por um blogueiro, antes dosveículos tradicionais se manifestarem. A plataforma foi apropriada também como um novo canal de comunicação entre ocliente e a empresa, uma espécie de ouvidoria. Perfis corporativos foram criados com o intuitode ouvir o consumidor e resolver seus problemas de forma mais ágil, fidelizá-lo. Umcomentário negativo para a marca chega a todos os seguidores do perfil em instantes e pode sepropagar rapidamente através dos retuítes. Por isso, as empresas entenderam a importância deestar nas redes sociais para o atendimento ao cliente. Atualmente algumas marcas possuemperfil produzindo conteúdo, atendendo críticas, realizando promoções, fazendo marketingatravés da rede. A plataforma também ganhou notoriedade através dos movimentos sociais.Manifestantes do Irã, por exemplo, já utilizaram a rede para organizar atos públicos eprotestos contra o seu governo31. Sua utilização política também já foi debatida,principalmente depois da campanha para presidente do americano Barack Obama. Acampanha é considerada um caso de estudo e de sucesso, já que foi a primeira a utilizar asredes sociais e conseguir mobilização através dela. Assim, o twitter pode ser uma notícia, criar uma notícia, ser um canal de divulgação euma plataforma para discussão.5.2.2 Laço social Como explicado no capítulo anterior, as interações são um dos elementos principaisque foram as redes sociais. As interações que ocorrem no ciberespaço demonstram as relaçõesque os atores possuem e estão diretamente ligadas aos laços sociais. Segundo Recuero, asinterações mediadas pelo computador geram e mantêm relações complexas, relações sociaisque conseqüentemente acabam gerando laços sociais. Garton, Haythornthwaite e Wellman (1997 apud RECUERO, 2009) acreditam que asrelações mediadas pelo computador possuem diferenças fundamentais de outras relações. Paraeles, a troca de informações em diferentes sistemas, sobre diferentes assuntos, torna asrelações mais variadas. Os atores que participam do Linkedin, por exemplo, trocam31 http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1905125,00.htm – acesso em 05 set. 2011
  • 51informações profissionais, mas também podem usar o Orkut para interagir sobre sua vidapessoal e ter blog sobre culinária onde compartilham receitas. São assuntos diversos, dediferentes áreas e que constituem relações distintas. As relações são consideradas pela autoraa unidade básica de uma rede social e envolve sempre interações. Segundo Recuero (2009), “laços são formas mais institucionalizadas de conexõesentre atores, constituídos no tempo e através de interação social” (2009, p. 38), são o resultadodas relações estabelecidas entre os atores. Com relação à interação, Recuero defende aclassificação dos laços em dois tipos: O Laço Associativo, onde a interação é chamada dereativa e o Laço Dialógico, onde a interação é mútua. Um exemplo do laço associativo seriadecidir ser amigo de alguém no Facebook, quando uma pessoa somente interage.Diferentemente desse, no laço dialógico os dois atores interagem. Duas pessoas trocandorecados no Orkut são um exemplo de laço dialógico. Os laços sociais na internet podem ser distinguidos em relação ao pertencimento,chamados de relacional ou associativo. Neste caso, são definidos pela apropriação dos atoresnas redes. O laço relacional ocorre quando há troca entre os indivíduos. Os atores escrevemcomentários e mensagens, interagem entre si e assim são reconhecidos como parte de umgrupo. Já no laço associativo, não há a obrigatoriedade de uma interação direta, emboraRecuero (2007, p. 4), discorde que no laço associativo não exista essa interação. A autoraexplica que nesse grupo um vínculo material ou uma identificação com o grupo é que fazem oator fazer parte dele. Uma comunidade do Orkut, por exemplo, pode agregar diferentes atorescom um gosto em comum por uma marca de carros, sem a necessidade que os participantes dacomunidade troquem mensagens ou comentários. “conectado com o assunto do grupo e nãocom as pessoas que fazem parte dele” (RECUERO, 2007, p. 4). De acordo com Granovetter (1973 apud RECUERO, 2009), os laços sociais podem serfortes e fracos. Essa distinção deve-se a fatores como a quantidade de tempo, intensidadeemocional, confiança mútua, etc. Para o autor, laços fortes se caracterizam pela intimidade,proximidade e intencionalidade em manter a conexão entre duas pessoas. Já os laços fracospossuem relações mais soltas, distantes. Entretando, Granovetter defende a importância doslaços fracos para a criação dos laços fortes: segundo ele, é através dos laços fracos que asredes sociais se estruturariam, pois permitem a conexão de grupos que posteriormente irãoconstituir laços fortes entre si. Degenne e Dorse (1999 apud RECUERO, 2009) explicam que os laços sociaismultiplexos são aqueles constituídos por diversos tipos de relações. Quando uma pessoa doambiente acadêmico se relaciona em outro tipo de ambiente, de lazer, por exemplo, ela cria
  • 52um laço multiplexo. Granovetter diz que os laços mais fortes constituem-se em laçosmultiplexos. Na comunicação mediada pelo computador, interações que ocorrem em umgrupo em espaços diferentes como Orkut, Facebook e Messengers podem significar um laçomais forte. “Quanto maior o numero de laços, maior a densidade da rede, pois maisconectados estão os indivíduos que fazem parte dela. Desse modo, os laços sociais auxiliam aidentificar e compreender a estrutura de uma determinada rede social.” (RECUERO, 2009, p.42). Levando em conta que a internet contribuiu para a relação entre pessoas que moramdistantes, considera-se que ela também facilitou o contato off line. Ela permitiu que pessoasque criaram laços através da internet os mantenham fora dela. Atualmente, redes sociaiscriaram um novo espaço de interação que permite manter laços sociais fortes independente dadistância onde os atores se encontram.5.2.3 Capital social Para Recuero (2007), o princípio do conceito baseia-se na interação entre os atoressociais. Porém, é um elemento variado, amplo e passível de diversas percepções.. Um dosconceitos utilizados para a definição é o de Putman, que acredita que o capital social estádiretamente relacionado não só às conexões entre os indivíduos, mas também a valores comoreciprocidade e confiança (PUTMAN, 2000 apud RECUERO, 2007). Já no conceitodefendido por Bordieu, o capital social é associado ao pertencimento de um grupo, umrecurso abstrato que pode vir a se transformar em um capital econômico (BORDIEU apudRECUERO, 2007). Coleman (1988 apud RECUERO, 2009) considera que o termo é definidopela sua função, defendendo que o conceito está na estrutura das relações dos atores. A partir dessas diferentes conceitos utilizados para o estudo das redes sociais, Recuero(2009) explica: “Consideraremos o capital social como um conjunto de recursos de um determinado grupo (recursos variados e dependentes de sua função, como afirma Coleman), que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, ainda que individualmente, e que está baseado na reciprocidade (de acordo com Putman). Está embutido nas relações sociais como explica Bordieu e é terminado pelo conteúdo delas.” (RECUERO, 2009, p.50)
  • 53 Assim, a autora explica que, para o entendimento do capital social das redes, estudar oconteúdo das mensagens trocadas pelos atores é tão importante quanto estudar as relaçõesentre eles. Ele pode ser encontrado nos laços sociais, constituído pelos agrupamentos, atravésda associação de grupos ou da apropriação dos indivíduos. O capital social é importantíssimo para fortalecer os laços entre os atores de uma rede.Ele é constituído através de investimento e custo para os envolvidos, dependendo deinvestimentos para que possa ser acumulado (GYARMATI; KYTE, 2004 apud RECUERO,2007). Segundo Recuero (2007), os laços sociais sem investimento enfraquecem com otempo, podendo causar a desvalorização do capital social de um grupo. Esforço desociacibilidade é outro fator exigido para a reprodução do capital social, já que o individuodispensa tempo e energia para manter suas relações. (BORDIEU, 1983 apud RECUERO,2007). Uma rede social com laços fortes resulta, frequentemente, de atores com maiorinteração, intimidade, reciprocidade. Consequentemente, possuem maior investimento e maiorquantidade de capital social acumulado. Já uma relação com laços fracos, possui menosinvestimento, resultando em um capital social acumulado menor. Recuero considera o capital social um indicativo da conexão entre pares de indivíduosde uma rede social e representa “o valor constituído a partir das interações entre os atoressociais” (RECUERO, 2009, p 44). Relações com capital social elevado tendem a ser maisresistentes e duradouras. O capital social nos sites de redes sociais são constituídos por diversos fatores. Algunsdos valores comumente encontrados nesses sites e apropriados pelos atores serão vistos aseguir. A visibilidade é um dos valores quando proporciona que os nós estejam visíveis narede. Ela é decorrente da própria ação do ator na rede social, já que quanto mais laços elecriar, maiores informações ele pode obter, proporcionando mais chances de suporte socialquando solicitar. Esse valor também é considerado uma matéria-prima para outros valores. A reputação é um dos principais valores construídos nas redes sociais e écompreendida por Recuero (2009), como a percepção de um usuário pelos demais atores. Éum valor qualitativo, que não está relacionamento ao número de conexões, mas sim asimpressões que as atitudes e opiniões podem deixar para os outros. É um valor que todos osatores possuem, em diferentes graus, conseqüência das conexões estabelecidas e definida pelotipo de conteúdo publicado por ele.
  • 54 A popularidade é um valor relacionado à audiência, ligado à posição do ator em dentrode uma rede. É definido pela quantidade, considerando o número de pessoas conectadas. Notwitter, esse valor pode ser considerado a quantidade de seguidores ou de menções que umperfil possui. A popularidade pode significar uma reputação boa ou ruim, mas não temrelação com a autoridade, o último valor que iremos tratar. A autoridade é o poder de influência que um ator exerce sobre os demais na redesocial. Esse valor compreende a reputação, mas não se resume a ela. Nos blogs, ela pode sermedida pela quantidade de links que um determinado post recebeu. No twitter, não deve serconsiderado somente a quantidade de menções de um ator, mas principalmente a suacapacidade de gerar conversação através dos seus tweets. Em março de 2011, o jornalamericano "New York Times" publicou uma pesquisa32 onde apontava o comediantebrasileiro Rafinha Bastos (@rafinhabastos)33 como a personalidade mais influente do twitter.O estudo, criado pela empresa Twitalyzer, criou uma metodologia que não consideravaapenas o número de seguidores, mas o quanto falavam sobre esse ator e a quantidade de vezesque suas mensagens são retuítadas ou mencionadas. Nestas categorias, o comediante foiconsiderado o perfil brasileiro com maior influencia no site. Entretanto, é preciso ressaltar que essa metodologia ainda está focada no valorquantitativo (quantidade de RTs e menções). O método ainda não abrange a influência deacordo com determinados nichos e acesso ao capital social. Um especialista em uma áreapode ser o mais influente em seu campo de atuação e, conseqüentemente, no Twitter, mesmotendo um número pequeno de seguidores e sendo menos retuítado ou mencionado que oRafinha Bastos. Dentro da sua área, no seu nicho, entre os seus seguidores, ele é influente. Neste capítulo buscamos compreender o conceito de rede social, sites de redes sociaise o funcionamento do Twitter. É nesse microblog que se encontram os perfis fakes analisados.No próximo capítulo, conhecemos os quatro perfis objetos de estudo bem como o conteúdo ecaracterísticas que eles apresentam.32 http://economix.blogs.nytimes.com/2011/03/24/the-most-influential-people-on-twitter/ - acesso em 15 de out.201133 www.twitter.com/rafinhabastos - acesso em 15 de out. 2011
  • 556 OS FAKES DO TWITTER E SUAS IDENTIDADES Como objetos de estudo, foram selecionados quatro perfis fakes populares no Twitter:@pvc_espn, @oclebermachado, @narcisaoficial e @sergueirock. O primeiro foi escolhidodevido à pessoa representada no fake também ter um perfil verdadeiro no twitter, podendoassim, fazer uma comparação entre eles. O segundo, perfil assumidamente fake, é muitopopular no site. O @narcisaoficial possui o diferencial de ser um fake que acabou se tornandotambém original. O último foi escolhido por ter uma temática diferente e por não deixar claroem seu perfil que é um fake, como os outros. Na observação dos seus tweets, foi optado por não utilizar como critério o período,mas sim os assuntos comentados. Isso por que, em uma observação inicial dos quatro perfis,percebi que todos eles relacionavam, cada um a sua forma, a pergunta do twitter sobre “o queestá acontecendo” e comentavam assuntos e notícias que estavam em destaque naquelemomento. Nós próximos subcapítulos, serão apresentados o perfil de cada objeto de estudoescolhido, amostras do conteúdo gerado por eles na vida real e em seus fakes no twitter.6.1 PAULO VINÍCIUS COELHO (PVC), O JORNALISTA ESPORTIVO O jornalista Paulo Vinícius Coelho, conhecido como PVC, é um comentarista deesporte dos canais ESPN. É famoso pelo conhecimento histórico e uso de estatísticas defutebol durante seus comentários. Em um especial do canal ESPN sobre a campanha de umtime de futebol brasileiro durante o campeonato, o comentarista fala frases como: “Ser campeão brasileiro pela segunda vez num jogo decisivo contra o Grêmio, como aconteceu em 82 (...) Essa é a primeira vez na história que o campeão brasileiro sofre a maior goleada do campeonato brasileiro, a maior goleada do brasileirão 2009 (...) O Flamengo terminava o primeiro turno em décimo lugar. Na história do Brasileirão, dos pontos corridos, jamais quem estava tão no meio da tabela na virada do turno conseguiu ganhar o campeonato.” 34 Comentarista há onze anos, Paulo já é um rosto conhecido pelos fãs de esporte noBrasil. Esse tipo de comentário, com números e estatísticas é uma das características mais34 http://www.youtube.com/watch?v=hOqblh6BBvQ – acesso em 23 de out. 2011.
  • 56marcantes do jornalista. PVC já surpreendeu ao falar, ao vivo, a escalação de um timeiugoslavo campeão europeu de 1991. O twitter fake foi criado primeiro – motivando acriação do original, para se defender e postar informações do seu blog35.6.1.1 O fake @pvc_espn e suas características Essa utilização de dados estatísticos é a principal característica utilizada pelo seu fake,o perfil @pvc_espn36 no microblog. Seu perfil fake possui 12.788 seguidores e sua bio odescreve como: “As melhores falsas estatísticas do esporte mundial.”, como mostra a figuraabaixo. FIGURA 14 – Perfil do fake @pvc_espn Fonte: http://www.twitter.com35 http://www.imagine.com.br/na-sua-tv/esportes/uma-conversa-com-paulo-vinicius-coelho-o-pvc - acesso em 22de out. 201136 twitter.com/pvc_espn – acesso em 10 de out. 2011
  • 57 A palavra “falsas” no seu perfil é o único indício de que se trata de um fake e não doperfil original do jornalista. O ator social, além de se apropriar da imagem do comentaristacomo seu avatar, também possui um nome de usuário fácil de ser reconhecido e semelhanteao do perfil autêntico dele (@pvcespn37). Para facilitar a compreensão, daqui a para frentechamaremos este perfil de “original”. O fake @pvc_espn twitta na maior parte das vezes publicando números e dadosabsurdos, fictícios e sem relevância para o esporte. Satirizando o ator, o usuário pega uma dascaracterísticas marcantes dele e o transforma em uma caricatura. Seus tweets geralmente relacionam um jogo ou assunto que está ocorrendo nomomento com algum fato ou notícia de destaque na mídia em geral. No exemplo abaixo, ousuário relaciona a expulsão de um jogador do jogo que está assistindo com o casamento dopríncipe herdeiro da família real britânica, assunto de destaque na imprensa mundial. FIGURA 15– Tweet do fake @pvc_espn sobre casamento real Fonte: http://www.twitter.com A morte de Steve Jobs também é um assunto que o usuário relaciona com o resultadodo jogo que ocorreu no mesmo dia, como mostra o tweet abaixo: FIGURA 16 – Tweet do fake @pvc_espn sobre o Steve Jobs Fonte: http://www.twitter.com37 twitter.com/pvcespn – acesso em 10 de out. 2011
  • 58 É importante lembrar que o usuário relaciona dois acontecimentos reais de uma formafictícia. No caso abaixo, o time São Paulo havia mesmo perdido um jogo em um dia em quehouve show da banda Guns N Roses no Brasil. A relação entre as duas coisas e seu históricoé que são inventados pelo autor. FIGURA 17 – Tweet do fake @pvc_espn sobre show Fonte: http://www.twitter.com O fake também faz tweets com manchetes para o suposto blog, seguindo a mesmaestrutura de comentar uma notícia, geralmente de grande repercussão, relacionando comalguma estatística excêntrica. FIGURA 18 – Tweet do fake @pvc_espn sobre a morte de Gaddafi Fonte: http://www.twitter.com Em outros casos, o fake apenas cria alguma estatística associando algum jogador,técnico ou time a algum fator sem relação alguma a alguma notícia, como no exemplo abaixo:
  • 59 FIGURA 19 – Tweet do fake @pvc_espn sobre cruzeiro marítmo Fonte: http://www.twitter.com6.1.2 O Perfil original O assunto principal do perfil do original é futebol. Diferentemente do seu fake, nãopreenche o perfil com a bio e tem 137.377 seguidores. Também comparando os dois, observa-se que o perfil original interage pouco com seus seguidores. FIGURA 20 – Perfil original do Paulo Vinícius Coelho Fonte: http://www.twitter.com
  • 60 Em seu perfil, o verdadeiro PVC faz comentários sobre futebol, principalmente emtempo real, mas com vários dados numéricos e estatísticas, como no exemplo abaixo: FIGURA 21 – Tweet do perfil @pvcespn sobre jogo Fonte: http://www.twitter.com Percebemos a exatidão dos comentários do jornalista, que além de marcar o tempo,realiza uma pesquisa histórica para dar uma informação precisa e, provavelmente, inédita.Esse pode ser um dos diferenciais do PVC, já que no esporte esse tipo de comentário éincomum. FIGURA 22 – Tweet do perfil @pvcespn com dado estatístico Fonte: http://www.twitter.com Além dos comentários sobre o esporte enquanto os jogos estão ocorrendo, o jornalistautiliza a plataforma para divulgar as atualizações em seu blog. FIGURA 23 – Tweet do perfil @pvcespn direcionando para o blog Fonte: http://www.twitter.com
  • 61 Algumas características foram encontradas tanto no perfil fake, quanto no original: FIGURA 24: Características encontrados no perfil fake do e no original Fonte: Elaborado pela autora6.1.3 Interação entre o perfil fake e original Durante a observação destes perfis, foi percebida uma mudança em relação à interaçãoentre o fake e o original. Como dito anteriormente, PVC criou o twitter também para sedefender das informações falsas postadas por seu fake. Na figura abaixo, com data de 25 demarço deste ano, o próprio está divulgando que o outro perfil é falso e pedindo ajuda paratirá-lo do ar. FIGURA 25 – Tweet do perfil @pvcespn sobre o fake Fonte: http://www.twitter.com Entretanto, já em agosto podemos observar uma mudança em relação a isso. Ooriginal, além de seguir o fake, interage com ele. Nessas interações, o original inclusiveutiliza as mesmas características apropriadas e satirizadas pelo fake, como nos exemplosabaixo:
  • 62 FIGURA 26 – Tweets de interação entre fake e original Fonte: http://www.twitter.com A posição do original em relação ao fake é uma das demonstrações de efemiridades emudanças constantes na identidade defendidas por Hall (2002), onde o sujeito está sempreaberto às mudanças, alternando seu papel conforme as situações exigem. FIGURA 27 – Tweets de interação entre fake e original sobre jogador
  • 63 Fonte: http://www.twitter.com6.1.4 Interação do fake com os seguidores Apesar de ter uma Bio indicando que é fake e do conteúdo excêntrico, não foi difícilencontrar uma resposta de algum usuário confundindo-o com o original: FIGURA 28 – Tweets de interação com seguidores do fake Fonte: http://www.twitter.com Embora esse tipo de confusão ainda aconteça, o mais importante na análise dasinterações é a apropriação das características e do discurso entre seus seguidores em suasinterações. A principal característica do PVC, satirizada pelo seu fake, também é apropriadapor seus seguidores, que interagem com ele seguindo o mesmo padrão. No exemplo abaixo, ousuário @aldirjunior responde um tweet do fake utilizando o seu discurso, relacionando umanotícia com algum dado estatístico fictício.
  • 64 FIGURA 29 – Tweets de interação com seguidores com apropriação Fonte: http://www.twitter.com Neste tweet, a foto que o fake posta é realmente dele. O usuário é o único dos objetosde estudo desse trabalho que mostrou seu verdadeiro rosto na plataforma. Nos tweets abaixo, temos o mesmo tipo de interação, quando o usuário relaciona amesma notícia postada pelo fake com o resultado de outro jogo que aconteceu no mesmo dia. FIGURA 30 – Tweets de interação com seguidores com apropriação sobre futebol Fonte: http://www.twitter.com
  • 656.1.5 Pesquisa de opinião com os seguidores do @pvc_espn Durante a pesquisa de opinião, buscou-se com no mínimo 50 seguidores algumasinformações sobre como elas percebiam a identidade do original no fake. Embora a pesquisatenha foco qualitativo, também foram abordadas outras questões, como os motivos que oslevavam a seguir o fake. A idéia era descobrir se a motivação era o humor, os sentimentos emrelação à pessoa (se são fãs e querem homenageá-lo ou se não gostam), ou simplesmente pelapopularidade do perfil, que acabava aparecendo com freqüência na timeline através de RTs.Os usuários poderiam marcar mais de uma opção. A pesquisa com os seguidores do @pvc_espn foi realizada entre 13 e 18 de setembrode 2011 e teve 78 respostas. Para a pergunta “Por que você decidiu seguir esse perfil?” aresposta “acho engraçado” apareceu em 55 delas. 34 pessoas disseram ser fãs do jornalista eapenas 2 pessoas disseram não gostar dele. A opção “via muitos RTs na timeline foi escolhidapor 8 pessoas”. Entre os usuários que marcaram a opção “Outro”, apareceram as respostas: QUADRO 1 – Respostas para a opção “Outro” - @pvc_espn Respostas para a opção "Outro"Narração de video gameVi em uma reportagem que existia um fake do PVC. Decidi olhar. Vi os tweets e acheiengraçado.Entrevistei o @pvc_espn para matériaeu vi na revista placarSeguir para saber do q falavaIndicação de amigoconheco o dono Fonte: Pesquisa elaborada pela autora
  • 66 GRÁFICO 1 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 1 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Aqui, podemos perceber o conceito de Fontanella (2011), que defende que umautilização da internet desde o seu princípio tem como finalidade o humor. O twitter, mesmotendo diferentes apropriações e sendo utilizado para diferentes fins, como jornalísticos ouinformativos, também é fonte não só da difusão, mas da geração de entretenimento. Também foi questionado aos usuários se eles já acharam que o perfil fosse realmentedo original. Nessa pergunta, 78,21% (61 pessoas), responderam que não e somente 21,79 (17pessoas) disseram já ter confundido o perfil. Essa informação é importante para saber até queponto o fake consegue se apropriar da identidade do original – mesmo que involuntariamentejá que a intenção não era ser ele. Também é relevante saber como é a relação do perfil-seguidor. Nesse caso, eles não estão equivocados, os usuários sabem que o perfil é fake emesmo assim querem segui-lo pelos motivos que vimos acima.
  • 67 GRÁFICO 2 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 2 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Essa questão foi incluída somente na pesquisa para os seguidores do @pvc_espn, porser o único em que a pessoa representada no fake também possuía um perfil original no site.O objetivo era descobrir quantos usuários seguiam também o perfil original. Dessa forma, elespoderiam comparar melhor as características identitárias representadas em cada um dos perfis,além de observar a interação entre os dois. Para essa pergunta, 58% (45 pessoas) disseramtambém seguir o perfil do verdadeiro PVC, enquanto 42% (33 pessoas), não.
  • 68 GRÁFICO 3 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 3 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora A última pergunta, dissertativa, era “Você acha que esse perfil fake expõecaracterísticas reais do PVC? Quais?”. As respostas foram separadas em categorias de acordocom as características em comum. Foram desconsideradas as respostas que não atendiam àpergunta, já que alguns usuários, por não saber ou querer responder, apenas escreviam “sim”ou alguma letra aleatória. Em todas as respostas apresentadas neste trabalho, as respostas sãoapresentadas como foram recebidas pelos usuários, sem correção de digitação ou ortografia,para preservar a autenticidade das respostas. Na tabela, podemos observar que a estatística é o item mais apontado pelos usuários.Alguns descrevem como algo positivo esse conhecimento profundo e boa memória, outros aconsideram inútil e com uso exagerado. A utilização de dados também é citada durante a pesquisa, que o definem comomaníaco ou com vício em dados. Alguns usuários escreveram sobre a sátira e o estereótipoque o fake trabalha ao fazer as postagens. A interação entre os dois também foi percebida em algumas respostas, quedemonstram gostar das mensagens que eles trocam.
  • 69 QUADRO 2 – Respostas dissertativas sobre o perfil @pvc_espn Você acha que esse perfil fake expõe características reais do PVC? Quais? Sim. De conhecer qualquer estatística. Sim, principalmente o fato do real PVC sempre citar estatísticas em seus comentários. Algumas vezes esse tipo de citação fica sem sentido e por isso acho genial o perfil fake dele. Gosto por estatisticas inúteis Sim, o fake extrapola a níveis absurdos e divertidos a característica do real PVC em encontrar coincidências, tabus e estatísticas inusitadas sobre jogos. sim, a de ele sempre falar muitas estatísticas que ninguém sabe, ou quer saber. o excesso de informações estatísticas Sim, seu extremo conhecimento estatístico, mas de forma satírica. Estatísticas Sim, o mesmo estilo de comentar e analisar estatísticas de futebol, porém acaba ficando óbvio que é uma paródia devido o senso de humor do fake. Sim. O vício – positivo - dele por estatísticas. Conhecimento profundo e estatísticas de futebol Sim. As estatísticas "americanizadas" do jornalista.Estatísticas Sim. O fato dele saber muitas coisas, desnecessárias ou não, e sempre com alguma estatística e fato histórico. estatisticas pra tudo sim, a mania de usar estatísticas Sim, expor estatísticas desnecessárias de confrontos de futebol. De lembrar das estatísticas antigas A mania de querer mostrar que sabe datas, escalações e estatísticas da história do futebol brasileiro. Além de sempre tentar explicar sistemas táticos complexos onde eles simplesmente não existem. Tem muita coisa que só ele enxerga. Vide caso Mario Sérgio. Sim. O PVC passa muitos dados e estatísticas e o fake brinca com essa característica do repórter. Estatísticas, o PVC dá muitas estatísticas, ele tem uma memória muito boa. o gosto pelas estatísticas Saber de tudo Sim, o gosto pela estatísticas históricas Sim. Dados estatísticos. Estatística absurdas. Não acho. Somente fala sobre um falso esporte.Não acham Não. O fato do PVC ser um jornalista muito conhecido não faz com que o fake exponha suas particularidades. Nunca percebi nada
  • 70 Apenas excessivo detalhamento nos dados, nos demais o fake se diferencia bastante. Dados Maníaco por Dados Vício em dados sim, dados precisos e inúteis Sinceridade exageros são ainda mais exagerados neste perfil O perfil é uma caricatura, ele expõe esteriótipos. O estilo de comentar, as perguntas em formato de quis. é uma sátira... acho que expõe de forma caricata a gde quantidade de informações que o Outros jornalista divulga e o humor característico. A interação entre os dois é muito divertida. Memória, bom humor Sim, o usuário desta conta sabe mesclar as características do PVC real e com um toque de humor e sem ofender ninguém. Tanto é que o próprio PVC interage com o perfil fake. Este fato, pra mim, é o maior exemplo do sucesso do perfil fake. Idéias Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Ressalto a resposta abaixo, que acredito sintetizar bem o conteúdo postado e aindarelaciona a participação do original nos tweets para o perfil ser bem sucedido. Sim, o usuário desta conta sabe mesclar as características do PVC real e com um toque de humor e sem ofender ninguém. Tanto é que o próprio PVC interage com o perfil fake. Este fato, pra mim, é o maior exemplo do sucesso do perfil fake. O fato do fake não ofender outros – nem um time, torcedores ou jogadores específicos,pode ser uma das causas da boa receptividade do perfil.6.1.6 Entrevista com o “fake” Na entrevista, realizada por e-mail, buscou-se descobrir as motivações que o levaram acriar o perfil e sua relação com o perfil original, que mudou desde que esse trabalho foiiniciado. Quando questionado sobre o porquê de criar um perfil do jornalista, Eduardo Riker,criador da conta, disse que “o PVC tem essa característica de usar bastante as estatísticas
  • 71durante os seus comentários. Como ele é um jornalista sério e bem reconhecido, percebi queum perfil fake que satirizasse essas estatísticas poderiam dar certo”. Sobre acompanhar o trabalho do jornalista, o fake respondeu que o acha brilhante emuito responsável com o jornalismo e seus comentários precisos e imparciais. Completouafirmando que “talvez ele lance mão demais dessa característica de gênio da estatística, mas opúblico gosta, então tem mais é que continuar nessa linha mesmo.” A mudança de posição do perfil do original também foi questionada. O entrevistadoacredita que o PVC passou a conhecer mais o twitter e seu funcionamento, que no começo,ele foi pego de surpresa com o perfil e não reconheceu que se tratava de uma brincadeira.Depois de um tempo, ele passou a segui-lo e trocaram DMs. O fake assegurou que não tinhaintenção de lucrar ou prejudicá-lo e o PVC prometeu interagir mais com o perfil. Segundo ofake, os seguidores adoram essa interação entre eles, reação também percebida na pesquisarealizada. Sobre alguns seguidores ainda acreditarem que o seu perfil é real, ele afirma terdiminuído bastante esse tipo de confusão, já que o PVC não é um jornalista conhecido dasmassas, é de um nicho, e também por deixar claro em seu perfil que é falso. Apesar disso,ainda acontecem: “Mas ainda são divertidas, como alguém pode pensar que o PVC escreveriaaquilo?”. O usuário credita o número de seguidores e a interação que recebe deles ao fato de oacharem engraçado. Também acha que a maioria de seus retuítes ocorre por seus seguidoresquererem repassar a piada, não por desrespeito ou sentimento negativo ao jornalista. Segundoele, o seu perfil fake é um tipo de homenagem, onde busca reconhecer o brilhantismo dojornalista sem perder a esportiva. E finaliza: “Não tenho um objetivo específico, escrevo oque me vem no momento e espero que as pessoas gostem. Quando perder a graça, serei oprimeiro a deixar pra lá”. As respostas na íntegra constam nos apêndices deste trabalho. Nas respostas, percebemos que a pessoa que faz o fake, era fã do jornalista e realmenteteve no humor o seu principal objetivo. O fato de o original ter entendido e aceitado comobrincadeira o perfil e interagir hoje é um indício de que ele reconheceu sua característicaprincipal – das estatísticas – e a sátira e exageros que fazem com ela. De qualquer forma, ficaclaro que o fake nunca teve como objetivo convencer os seguidores que era o PVC, apenasutilizou sua identidade, não em uma tentativa de parecer real, mas com o intuito de fazer umabrincadeira com sua característica – criticada e elogiada pelos fãs.
  • 726.2 CLEBER MACHADO, O COMENTARISTA ESPORTIVO Cleber Machado é um jornalista e locutor esportivo brasileiro. Na TV Globo, ondetrabalha, ocupa o lugar de segundo narrador esportivo, tendo assim bastante visibilidade. Éum dos perfis falsos mais famosos do Twitter, que apresenta em sua maior parte comentáriossobre futebol. Possui 210.629 seguidores e em sua Bio possui: “Vou filosofar? Sim. Vocêsirão gostar? Talvez. Esse twitter é real? Não. É uma crise pontual. Ou não”. Além de deixarclaro que é um perfil fake, o perfil já faz referências a algumas de suas famosas frases queveremos posteriormente. FIGURA 31 – Perfil do fake @oclebermachado Fonte: http://www.twitter.com Na página, o usuário é descrito como “Pensador do Século” por conta das declaraçõesque o jornalista deu. Algumas delas, retiradas de vídeos do Youtube com compilações desuas melhores frases, chamado de “Filosofando com Cleber machado”, podem ilustrar isso.“Porque o mundo mudou, por que hoje você espirra e você não ouve mais saúde do cara que
  • 73tá do lado: o mundo te deseja saúde. ou não”, é uma de suas declarações. No mesmo vídeo,temos a seguinte reflexão: Há uma discussão muito pontual. A pontualidade faz parte, não tenha dúvida. Você não pode esquecer. É pontual. Brinquei da crise aérea. Houve uma crise aérea? Houve. a vida inteira? Não. Todo o tempo que o Brasil teve transporte aéreo houve crise? Não. Mas houve uma? Houve. a discussão é pontual? É... Mas não é! Porque é estrutural38 Em outra ocasião, iniciando a narração de um jogo, ele fala “E agora como manda a leiaqui do Rio Grande do Sul a execução do Hino Nacional do Estado do Rio Grande do Sul”39. Essas são algumas das frases resumem os raciocínios e conclusões do narrador da TVGlobo. A grande característica do perfil é escrever coisas extremamente óbvias, como sefossem resultado de uma complexa reflexão. Em seu programa Arena Sportv, o jornalista já informou que sabe da existência doperfil e confirmou que não tem twitter. No diálogo abaixo, podemos identificar algumas frasespresentes nos tweets. Também percebemos algumas das características que os seguidoresapontam na pesquisa, como o bom humor aparente ao lidar com o assunto. Neste diálogo e no primeiro recorte das declarações do Cléber Machado inserido notrabalho há uma repetição de recurso de expressão, quando ele faz uma pergunta a si mesmo eresponde a mesma. Isso é reconhecido pelo fake e reproduzido em sua bio do perfil. Cléber: sobre o meu twitter. Eu não tenho twitter. É gozado isso aí. Não acontece nada com quem faz um twitter assim? Dá pra tirar do ar, não dá? Mas eu não tenho twitter. Me falaram que o Caco Barcelos tinha um twitter. Não, não tem também o twitter. O Murici Ramalho ontem: “Twitter é seu Murici?” – “Não, não tenho tiwtter”. Então há vários twitters que não são. Falsos twitter. André Rizek: Ou fakes, que é a linguagem da internet. Usam o termo na internet, quando é false é “fake”. Então o seu twtter é um Cléber Machado fake. Cléber: E o fake, ele fala tudo? Ele da opinião tudo em meu nome? Wagner Vilaron: Fala tudo, inclusive que é fake. Cléber: Ah, fala que é falso? Ah bom, se fala que é falso... Wagner Vilaron: E assim mesmo é muito acessado. Cléber: Mas fala que é falso? André Rizek : Conta bastidores do Arena, que você chegou, falou com o Vilaron, com o Caio... Cléber: Mas o cara fala que é falso e conta tudo isso? Wagner Vilaron: É, ele fala sim. Ta lá: “É falso? É falso.” Cléber: Ah, bom. Então pelo menos o cara ta confessando. Então os seguidores desse falso twitter estão conscientes de que eles estão seguindo um falso.4038 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=Wy2usAhAWAc. Acesso em 10 out. 2011.39 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=7WODWwk9Q-8. Acesso em 10 out 2011.40 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=Gp4bJVEOst0. Acesso em 10 out. 2011.
  • 746.2.1 O fake @oclebermachado e suas características Em seus tweets, o fake costuma postar comentários óbvios em relação ao futebol,informações em que não é necessário entender do esporte para poder afirmá-las, sempreatribuindo um ar de quem vai dar alguma declaração inteligente. FIGURA 32 – Tweet do @oclebermachado sobre futebol Fonte: http://www.twitter.com FIGURA 33 – Tweet do @oclebermachado sobre o campeonato Fonte: http://www.twitter.com Mesmo quando analisa um acontecimento específico, o fake filosofa sobre o assuntode maneira redundante, tentando teorizar ou filosofar, porém sem acrescentar informaçãopertinente ou chegar a uma conclusão. FIGURA 34 – Tweet do @oclebermachado sobre o jogador Fonte: http://www.twitter.com
  • 75 O perfil também utiliza notícias de assuntos em geral em seu conteúdo. Nesses casos,acrescenta expressões que utiliza na vida real – e que também se tornaram memes na rede.Abaixo, o uso das palavras “ou não”, no final das suas declarações, assim como vimos acimaem uma das transcrições de seus vídeos. FIGURA 35 – Tweet do @oclebermachado sobre Kafafi Fonte: http://www.twitter.com Outro bordão famoso utilizado em seus tweets é o “Pode, Arnaldo?”. Oquestionamento é ouvido frequentemente em suas narrações de jogos, quando o jornalistapergunta ao seu colega sobre arbitragem. Além de virar um meme, a expressão gerou umoutro fake na internet, o @PodeIssoArnaldo41, um perfil que responde sempre a um usuáriofaz essa pergunta . FIGURA 36– Tweet do @oclebermachado sobre o horário de verão Ao retuítar alguma informação, @oclebermachado assume a característica em que éconhecido, também ironizando comentários ou perguntas óbvias de outros perfis.41 Twitter.com/ PodeIssoArnaldo – acesso em 02 nov. 2011
  • 76 FIGURA 37 – Tweet do @oclebermachado dando RT Fonte: http://www.twitter.com6.2.2 Interação com os seguidores O fake possui bastante interação com seus usuários, que acontecem principalmentecom perguntas de seus seguidores. Seguindo seu padrão, o perfil responde, deixando visívelpara todos seguidores suas respostas óbvias. FIGURA 38 – Tweet do @oclebermachado respondendo dúvida de seu seguidor Fonte: http://www.twitter.com Os usuários criaram o hábito de fazer perguntas para o fake, visando suas respostasóbvias ou filosóficas, que ele compartilha à toda timeline, como abaixo:
  • 77 FIGURA 39– Tweet do @oclebermachado respondendo seu seguidor sobre o campeonato Fonte: http://www.twitter.com FIGURA 40 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores Fonte: http://www.twitter.com Quando questionada a autenticidade do seu perfil, frequentemente ele usa uma dasfrases da declaração do jornalista sobre o seu twitter, como no exemplo abaixo:
  • 78 FIGURA 41 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores Fonte: http://www.twitter.com Através da observação dos vídeos do Cléber Machado e dos seus tweets no microblog,foram encontrados alguns conceitos presentes nos dois: FIGURA 42 - Características encontradas no perfil fake e na pessoa original Fonte: elaborado pela autora6.2.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @oclebermachado Na pesquisa de opinião com os seguidores, assim como na análise do perfil anterior,buscou-se informações sobre como os usuários percebiam a identidade do Cléber Machadoem seu fake. A pesquisa foi realizada entre 15 e 18 de setembro de 2011. A primeira pergunta,sobre os motivos que levavam a seguir o perfil, mostrou que a maior parte dos entrevistadosda pesquisa também é motivada pelo humor e acha o fake engraçado, com 50 das 67respostas. “Sou fã do Cleber Machado” foi a opção escolhida por 14 usuários e 4 indicaramnão gostar do jornalista. Onze seguidores apontaram ver muitos RTs na timeline como omotivo principal.
  • 79 Mais uma vez observamos que esses perfis conseguem ter a característica cômicaatravés de seus tweets, reconhecidos por seus usuários. Também é possível afirmar que essa éuma característica que os usuários julgam importante, que gostam de ler na rede social. QUADRO 3 – Respostas para a opção “Outro” - @oclebermachado Respostas para a opção “Outro”Indicação da Revista Super InteressanteIndicação de amigogosto de esportes, principalmente sobre opiniões ao redor distoquero ouvir suas idéiasacho bem criativo! Não gosto do próprio! Fonte: pesquisa realizada pela autora GRÁFICO 4 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 1 Fonte: pesquisa realizada pela autora Na pergunta seguinte, 49 usuários (73,13%), disseram não ter acreditado que o perfilfosse realmente do Cleber Machado. Mais uma vez, apesar de usar frases e expressões dooriginal, os seguidores conseguem identificar tratar-se de um perfil fake – e mesmo assimcontinuam seguindo-o.
  • 80 GRÁFICO 5 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 2 Fonte: pesquisa realizada pela autora Também foi perguntado aos seguidores “Quais características do verdadeiro CléberMachado você acha que esse perfil fake apresenta?”. As respostas foram divididas nascategorias abaixo: QUADRO 4 – Respostas dissertativas dos seguidores do @oclebermachado Quais características do verdadeiro Cléber Machado você acha que esse perfil fake apresenta? Reflexões Filosofia barata Pensador Ditados gênio do século é perfeito! O bom humor. Humor, Burrice Humor, idiotices, perguntas e respostas inúteis bom humor Humor Senso de humor Bom Humor Bom Humor Expressão Algumas frases atribuidas a ele
  • 81 modo de falar Modo de falar a forma de falar Falas Modo de falar Expressões/Fala A forma de elaborar os comentários! os bordões Bordões Os chamamentos, tipo: ô Caio As frases sem sentido e óbvias As frases sem sentido e óbviasObviedade A vocação para fazer comentários óbvios. Prolixidade ele é MT burro , sempre se embanana com as coisas Fala bobagem :D Comentário idiotas Burrice Algumas frases atribuidas a ele A chatice, repetição, burrice. Retardamento Ser troxa ele twitta como se fosse ele Algumas frases, meio toscas que o verdadeiro tbm fala ao vivo, acho que Igual só Os questionamentos que ele faz aqui no Twitter são parecidos com os da tv. meio abobalhado as vezes;;, mete os pés pelas mãos nos comentários equivocado, como o próprio cleber machado Comentários ridículos, frases sem sentido e ausência de imparcialidadeEquivocado Normalmente o Cléber Machado comete alguns deslizes, principalmente no Arena Sportv, e o fake ironiza isso de uma forma muito legal. O cleber Machado tem um jeito de falar muito porem mesmo assim assumir seus erros, o fake utiliza esses erros de forma satirica, muito bom ele é narrador (dãã)Apropriação Inventa pensamentos complexos sobre simples fatos (motivo da fama de "filósofo" dele), muitas vezes detonando sua própria "tese" dizendo um simples "ou não" no final das frases. "Ou não"... Ironia Frases contraditórias Diversos Ambigüidade Argumentos Arrogância
  • 82 A meu ver, o fake fala o que o verdadeiro tem vontade e não tem coragem :) o que realmente ele gostaria de falar em publico mandar os outros se Sinceridade ferrar Perguntas Indiscretas Fonte: pesquisa realizada pela autora A obviedade e o humor foram algumas das características mais citadas. Mesmoquando responde aos questionamentos hostis de seus seguidores, o fake o faz de maneiracalma e bem humorada. Reflexões e filosofia barata também foram citados, os quais observamos em seustweets e nas suas declarações. Os bordões também foram lembrados, que abrangem o “PodeArnaldo?”, o “Ô Caiô” e até o “Ou não”, no final de suas reflexões. No modo de falar, podemos considerar sua forma de se expressar com perguntas erespostas, num monólogo, frequentemente observado no original e seu fake reproduz. Nas respostas da pesquisa, muitas pessoas descreveram suas características reais comonegativas, chamando-o de burro ou dizendo que seus comentários são idiotas. Outras duasrespostas relacionam a sinceridade do perfil, que, segundo eles, escreve o que verdadeirogostaria de falar e não tem coragem. Como um narrador esportivo, o verdadeiro Cleber nãopoderia ser parcial ao realizar seu trabalho. Isso nos remete ao conceito de Fontanella (2010),que defende o ocultamento da identidade como possibilitador de benefícios como a expressãolivre de idéias. Dois usuários também responderam utilizando as mesmas características que o fake –e o original – apresentam, usando o “Ou não” no final da frase ou escrevendo algo óbvio,mostrando uma apropriação das características do perfil.6.2.4 Entrevista com o fake Buscando também compreender o que leva a pessoa por trás do fake a criar o perfil ecomo tenta assumir a identidade do jornalista, tentei fazer uma entrevista com ele. Depois demuita insistência no Twitter, o dono do perfil passou um email de contato. Porém, o dono doperfil respondeu ao pedido informando que respondia apenas como o @clebermachado, nuncacomo a pessoa que está por trás dele. Isso demonstra sua opção pelo anonimato e apropriação das características identitáriasdo original.
  • 836.3 SERGUEI, O ROCKEIRO Serguei – nome artístico de Sérgio Augusto Bustamante – é um cantor de rockbrasileiro. Famoso por supostamente já ter tido relações com a cantora Janis Joplin, Sergueitambém é chamado de “Divino do Rock”, por ter 78 anos e ainda viver ativamente comomúsico, fazendo shows e mantendo-se fiel ao estilo. O perfil do cantor possui 61.171 seguidores e em sua bio contam “Serguei, ex da JanisJoplin e Divino do Rock”, suas informações mais conhecidas. FIGURA 43 – Perfil do fake @sergueirock Fonte: http://www.twitter.com Serguei é uma personalidade cercada de lendas. O seu perfil do twitter faz relação aelas, sempre postando assuntos relacionados a ídolos do rock, sexualismo e espiritualidade.
  • 84 Em entrevista para O Povo Online, o músico dá algumas declarações que nos ajudam aentender um pouco das características em que é mais conhecido, como “É que não tem nadamelhor na vida que o sexo. Sou escravo do sexo.”. Abaixo, algumas outras declarações quepodem nos ajudar a entender um pouco sobre essa personalidade: OP – As pessoas falam muito sobre a história do pansexual. Serguei – Não, aquilo é brincadeira. Eu falei que eu tava com muito tesão num dia de verão e fui caminhando pelado pela estrada dos cajueiros lá em Saquarema. Me deu um tesão e eu quis bater umazinha e tal. Eu me escondi atrás de uma árvore. Quando acabou a parada, eu me agarrei com a árvore porque não tinha com quem me agarrar. Mas, daí eu comer a árvore, não. Como é que eu ia comer um cajueiro? Foi o Jô (Soares) que disse que eu comi a árvore. E eu disse: “é, Jô, comi” (decepcionado) e assinei uma sentença. OP – Então é pura brincadeira? Serguei – É, é pura brincadeira. OP – Mas você não se incomoda com essa brincadeira? Serguei – Não, só se fosse um cactos. OP – Você disse que era pura brincadeira a questão do pansexual, mas o que é verdade a respeito da sua sexualidade? Serguei – Eu gosto muito de sexo. Eu não escolho. Sou parte do bloco Vai Quem Quer, um bloco que tem no carnaval carioca. OP – Você prefere homens? Serguei – É. Na vida o que importa é ser feliz. Eu pra fazer minha felicidade não vou ter que fazer a felicidade do time do Quixeramobim. Eu não ligo pra porra nenhuma, entendeu? Eu quero é curtir a vida.42 Abaixo, uma transcrição da partipação do cantor no Programa Jô Soares: Jô: Eu perguntei a história sua com o último vencedor do Big Brother Brasil. Como é essa história? Serguei: Olha, isso aí... Bom, eu, de vez em quando... Eu conheci uma garota, eu conheci uma mulher. Então, sabe. Por exemplo... Jô: Está claro. Por enquanto, está claro. Serguei: Quando eu estive na praia, naquela ocasião em que Janis veio ao Brasil. Jô: A Janis Joplin. Serguei: É... Jô: Você transou com ela na areia, né? Serguei: Eu fui de madrugada pro Leme, que naquela época a gente podia ir assim, né, três horas da manhã. Tinha cantado naquele cabaré. Sempre botar uma grana no bolso, mas sempre fiel ao Rock‘n’Roll. Eu gostei de uma coisa que veio na Folha de São Paulo, uma matéria que saiu há uns dois, três meses, dizendo que eu me mantive até hoje, absolutamente fiel ao Rock’n’Roll. Quer dizer, então... É, então... O que eu ia dizer? Bom, então ... Jô: Está claro. A reputação do rapaz já está bastante comprometida. Você não falou nada. Serguei: Ele escreveu até num livro... Como foi a história da Janis no cabaré, como foi quando eu estava cantando, e tal. Depois a história toda, bom... Jô: É isso, é isso. A história do Big Brother é isso também. Serguei: Então... Eu vou chegar lá. Jô: E aí?42 Disponível emhttp://www.opovo.com.br/app/opovo/paginasazuis/2011/07/11/noticiapaginasazuisjornal,2265857/sou-escravo-do-sexo.shtml acesso em - 10 out. 2011
  • 85 Serguei: Bom, eu me perco de vez em quando. Jô: Não tem importância. Serguei: Aí eu fui pra praia que nós transamos. Quer dizer, eu e... não transamos. Ficamos brincando na praia e... De madrugada e, o garotão que arrumava ela. É o David, ele era americano. Eu chamava ele de holandês. Porque ele tinha um tipo bem holandês. Então ele... Jô: Ele era americano? Serguei: Eu que chamava ele de holandês. Jô: Você chamava de holandês porque ele tinha um tipo meio inglês, ou francês. Serguei: Então, ele... Bom, eu me lembro que ele tava de bunda pra cima. Ele tava deitado na areia de bunda pra cima. Jô: De bunda pra cima quem? Ele? O holandês? Serguei: É, deitado assim. Normalmente. E a Janis tirou o sutiã e ficou deitada assim, na areia. Jô: De bunda pra baixo? Serguei: E ficou... Aí eu fiquei brincando com ela. Aí eu passei a mão nela assim. Depois eu corri o dedo na coluna do holandês. Jô: Até o final da coluna? Serguei: Não... Ele tinha um corpo... Era muito bonito, Jô. Jô: Você preferiu o corpo do holandês ao da Janis Joplin? Serguei: A Janis tava bem... Jô: Tava esbagaçada lá assim? Serguei: Bom, mas em todo caso, tudo bem. Jô: Você acabou, então, transando com o holandês, é isso? Serguei: É, aí não tem nada a ver com a pergunta que você fez, né? Jô: Nada a ver!43 No trecho da segunda entrevista, há uma desconexão de idéias, onde Serguei inicia aresposta, devaneia, acaba mudando o assunto e no final admite que todo o discurso não teverelação com a pergunta realizada. Podemos perceber que sua história com a Janis Joplin é muito famosa, assim como ado pansexualismo - mesmo sendo um mal entendido. Seu lado espiritual, sem se importar comcertas convenções da sociedade também são marcantes – e freqüentes em seus tweets.6.3.1 O fake @sergueirock e suas características O fake também segue o padrão de comentar uma notícia ou assunto em destaquerelacionando-a com suas características mais conhecidas. Abaixo, ele twitta sobre a morte deSteve Jobs fazendo uma comparação com um de seus ídolos do rock.43 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=b6v9Nd6nS1o – acesso em 10 de out. 2011
  • 86 FIGURA 44 – Tweet do @sergueirock sobre o horário de verão Fonte: http://www.twitter.com FIGURA 45 – Tweet do @sergueirock sobre a morte de Steve Jobs Fonte: http://www.twitter.com É grande a diversidade de assuntos em que relaciona os conceitos. Pode ser a morte deuma personalidade famosa, acontecimentos de grande destaque ou mesmo mudanças napolítica. Abaixo, ele faz um tweet à presidente Dilma sobre a troca de ministros. FIGURA 46 – Tweet do @sergueirock sobre o Ministério Fonte: http://www.twitter.com Com tendências hippies e um lado psicodélico na vida real, seu fake tenta reproduziresses estilos ao comentar acontecimentos que estão muito comentados no microblog.
  • 87 FIGURA 47 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real Fonte: http://www.twitter.com Apesar de ter negado a existência do fato em entrevistas, seu fake ainda faz referênciaa esse boato tão conhecido. No caso abaixo, faz uma brincadeira comparando os jogospanamaricanos com suas tendências pansexuais. FIGURA 48 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real Fonte: http://www.twitter.com6.3.2 Interação com os seguidores Nas interações com seus seguidores – não muito freqüentes -, o fake é conhecido porsempre pregar o amor, mesmo quando é ofendido, como no caso abaixo: FIGURA 49 – Tweet do @sergueirock respondendo ofensas de seus seguidores Fonte: http://www.twitter.com
  • 88 Um cantor de rock que nunca mudou de estilo, mesmo depois de décadas, o músicoprega o estilo musical ao mesmo tempo em que fala sobre a paz e até aborda questões sociais– sempre de uma maneira leve. FIGURA 50 – Tweet do @sergueirock respondendo seus seguidores Fonte: http://www.twitter.com Ao mesmo tempo, as próprias perguntas dos seguidores são em relação a sexualidade,o que mais o excita ou quem é o mais sexy. Analisando os tweets do fake, foram encontradas algumas características presentestambém nas entrevistas e vídeos do Serguei: FIGURA 51 - Características encontradas no perfil fake e no Serguei Fonte: elaborado pela autora6.3.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @sergueirock Seguindo a mesma metodologia das outras pesquisas, com os seguidores do@sergueirock foram obtidas 69 respostas. Na primeira pergunta, idêntica às outras, temosnovamente a opção “acho engraçado” como a mais escolhida, com 40 usuários (58%). Mais
  • 89do que os outros fakes, até o momento o Serguei é o que mais possui fãs dentro dosparticipantes da pesquisa, já que 18 marcaram essa alternativa (26%). Nenhuma pessoa dissenão gostar do Serguei. Acredito que isso se deve ao fato das características apropriadas emseu fake serem positivas e serem representadas mais como uma homenagem ao cantor do quecomo um ponto fraco, uma crítica. “Via muitos RT’s na minha timeline” teve 7 votos (10%).A pesquisa foi realizada de 13 a 16 de setembro de 2011. Na opção outros, as seguintes respostas foram recebidas: QUADRO 5 – Respostas para a opção “Outro” - @sergueirock Respostas para a opção "Outro"conhecer sobre a história do rock daqui...opiniões e estilo de vida marcantesEle tem pensamentos diferentes e interessantes!twets que pregam sex drugs and rock and roll Fonte: pesquisa realizada pela autora GRÁFICO 6 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 1 Fonte: pesquisa realizada pela autora Diferentemente dos outros perfis, na pergunta “você já achou que esse perfil realmentefosse dele?”, a maior parte dos usuários respondeu que sim (47 pessoas, 68,12%). O fato dofake não deixar claro no perfil que é falso pode ser um dos fatores para esse resultado. Porém,
  • 90isso talvez possa indicar que muitos realmente acreditam que o verdadeiro Serguei pôde terescrito aquelas mensagens e talvez o perfil não seja tão exagerado quanto os outros em seustweets. Nas respostas dissertativas do próximo item, há três usuários questionando se o perfilseria realmente fake. GRÁFICO 7 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 2 Fonte: pesquisa realizada pela autora O último item da pesquisa questiona aos seguidores quais características do verdadeiroSerguei o seu fake apresentava. Nas respostas, temos muitos itens repetidos, como o amor e apregação à paz. Menções referentes à sua sexualidade foram as mais comuns na pesquisa, que tambémé um assunto freqüente em seus tweets e, como mostrado anteriormente, em suas entrevistas.Como vimos, o cantor se assume escravo do sexo e não tem restrições ao assumir suaspreferências sexuais. O rock n’ roll também é citado – também como “atitude rock”, expressada em seustweets quando fala de seus ídolos e promove o estilo. Sua atitude rock também é reconhecidana vida real, por estar com essa idade e ainda não ter abandonado sua música nem mudado deestilo.
  • 91 QUADRO 6 – Respostas dissertativas sobre o perfil @sergueirock Quais características do verdadeiro Serguei você acha que o perfil fake apresenta? Tendências hippies Prega o amor mutuoPaz e amor Descontração e amor Descontração e amor Apelação sexual Ser muito "paz e amor" e conectado com a sexualidae do próprio Serguei. Humor, sexualidade Uma certa tranquilidade em falar sobre sexo as opiniões fortes, o gosto pela polêmica e a conexão com o sexo Amor pelo sexo e pelo rockn roll Sexualidade PANSEXUAL! Tudo se refere a sexoSexualidade Desapego material. Busca pelo prazer puro e carnal Ser escraxado Sexy e despojado Sexualidade Psicodelia, pansexualismo, etc... o pansexualismo, espiritualidade... etc. (mas é fake mesmo? haha) Depravado a desinibição ao falar de sexo. Sexo, cão Fiuk Tudo se refere a sexo A manemolência do guri As opiniões pouco comuns sobre as coisas... Linguagem e opiniões a aceitação de coisas que podem parecer estranhas quase loucas para outrasLinguagem pessoas Despreendimento A forma de se expressar Humor acido Falta de nexo das frases Porra louca Pensamentos doidos Loucura A loucura todas...principalmente as viagens Atitude e Atitude Rock Espontaneidade, "boca suja", atitude rock
  • 92 O rocknroll Psicodélico e Roqueiro Diversão Humor Engraçado Humor Utilizam a Dorgas, vida, o mundo, as pessoas, o sol, a luz linguagem ñ sei sei lá to doidão kkk Se realmente for fake, acho que representa bem o personagem real, misturando bem o rockn roll com o pansexualismo e com um duplo sentido Diversos muito bem colocado e que não ofende nada ou ninguém. Poderia alguém um dia fazer um belo documentário sobre esse cara... Ele é o amy winehouse malandro, brasileiro. Dúvidas Pêra, é fake?! sobre ser é um fake??? fake Não é dele? Fonte: pesquisa realizada pela autora Duas respostas foram consideradas apropriações da linguagem e características dofake. A primeira, fala “dorgas, vida, o mundo as pessoas, o sol, a luz” (dorgas é um meme nainternet que na verdade quer dizer “drogas”) é uma frase que expõe termos frequentementeutilizados por ele sem a conexão. A segunda “ñ sei sei lá to doidão kkk”, remete à seu estadomental de uso de entorpecentes e não saber responder certos questionamentos em entrevistas. “Loucura”, “pensamentos doidos” e “viagens” (aqui num sentido de devaneio) sãooutras respostas apontadas pelos seus seguidores, devido à sua personalidade excêntrica. Dentre as descrições, foi selecionada uma que descreve brevemente o conteúdo dostweets que o perfil posta: “Se realmente for fake, acho que representa bem o personagem real,misturando bem o rockn roll com o pansexualismo e com um duplo sentido muito bemcolocado e que não ofende nada ou ninguém.” Como descrito anteriormente, nesta opção alguns usuários não citaram características,mas demonstraram seu ceticismo sobre o perfil realmente ser fake.6.3.4 Entrevista com o fake O usuário não quis passar um e-mail para contato, disse que responderia apenas trêsquestões por DM no Twitter. Ao ser questionado sobre o motivo de ter criado um fake,
  • 93respondeu “Pq o céu e o Planeta Terra foram criados? Sacou a complexidade da coisa?Movimentos surgem, não são criados. Por aí.” Sobre os assuntos escolhidos para twittar, ousuário disse que as “paradas” que o escolhem. “Tudo faz parte daquela sinergia mágica entrepercepção e as coisas que rolam ao meu redor”, completou. Por último, perguntei se amaioria dos usuários acredita que ele seja o verdadeiro Serguei – e se ele tenta esclarecer quenão é. Ele respondeu que os usuários são livres pra terem o pensamento que quiser. “Muitosafirmam que sou um sonho do Jim Morrison. E eu respeito isso, MUITO!” Em nenhum momento o fake admite que o perfil não é dele ou responde comcaracterísticas identitárias suas. O usuário durante a entrevista mantém seu personagem fakedo cantor e se apropria de suas características, respondendo às questões relacionando damesma forma encontrada em seus tweets, nas entrevistas com o verdadeiro Serguei eindicadas pelos seus seguidores. As respostas na íntegra constam nos apêndices destetrabalho.6.4 NARCISA TAMBORINDEGUY, A SOCIALITE Narcisa Tamborindeguy é uma socialite que atualmente trabalha como jornalista eescritora. Descende de uma família rica, que investia em petróleo, Narcisa reside no EdifícioChopin, na Avenida Atlântica em Copacabana, um dos endereços mais nobres do Rio deJaneiro. O local fica ao lado do Copacaban Palace, luxuoso hotel carioca. Ela também éfamosa por promover suas festas e recepções com convidados da alta sociedade. Narcisa tem muitas lendas sobre seu estilo de vida. É famosa pelas festas quepromove, pelo seus hábitos de luxo e consumo exagerado de dinheiro. Um dos vídeos maisfamosos da socialite, ela aparece, junto com outros famosos, atirando ovos da sacada de ondemora nas pessoas que passeiam em Copacabana. Em entrevista ao Programa Pânico, na RádioJovem Pan, ela é questionada sobre esses famosos boatos: Evandro: Narcisa, eu queria saber o seguinte: existem muitas coisas a seu respeito, nós não sabemos o que é lenda e o que é verdade. Muita gente fala: “Ai, a Narcisa toca ovos do Edifício Chopin nas pessoas”, “Ai, a Narcisa dá caixinhas de cem reais para os manobristas”, “Ai, a Narcisa põe Prada no mendigo”. O que é verdade e o que mentira? Narcisa: Olha, tudo é um pouco verdade e tudo é um pouco mentira. É verdade. Olha só, o negócio dos ovos foi uma brincadeira que fizeram na casa do Bruno Boni e com o João Brisolis, e chamaram eu, todo mundo, a Ana Jobim. A Ana Jobim cantou uma música do pai dela, do Tom Jobim, de galinha com ovo... Tem no
  • 94 Youtube. Eu não sabia que ia parar lá, entendeu? Era uma brincadeira que virou “youtube”, mas eu não tenho culpa de nada. Mas eu não joguei ovo em ninguém. Eu sempre jogo pra explodir no chão, não pra cair um ninguém.44 Ao ser entrevistada no Programa do Jô, a socialite explica a origem de seu livro,chamado “Ai, Que Absurdo!”: Jô: Quando que surgiu o “Ai, Que Absurdo!”? Narcisa: Ai, era tanto absurdo no mundo, entendeu? Homens com cuecas, dinheiro na cueca, tanta roubalheira, tanto absurdo que eu via no mundo. Uma amiga foi assassinada no Leblon, sem mais nem menos... aí era tudo “Ai, que absurdo!”, tudo muito louco. Aí virou da loucura para o absurdo. Então eu fiz um livro com humor, glamour, sabe? Histórias engraçadas da minha vida, histórias pessoas, tudo que eu vivi eu fui escrevendo, daí foi saindo o livro. Jô: Quantos amigos e amigas assassinadas nesse percurso? Narcisa: Várias assassinadas, várias se suicidaram, entendeu? Então era uma se suicidando, a outra assassinada. Muito absurdo. Então eu só falava: “Ai, que absurdo!”45 Na mesma entrevista, a socialite afirma que sua filha resolveu ser psicóloga por terfascínio pela sua cabeça e para cuidá-la. Em outra entrevista, disponível no Youtube46,Narcisa resolve abrir uma champanhe e brindar, entregando taças ao entrevistado e câmeratambém. E finaliza dizendo: “Então, ser chique, é ser natural, é ser o que você é. Serverdadeiro. Isso é ser chique”. Em uma coluna, a escritora Lu Lacerda escreve uma coluna sobre Narcisa: (...)Narcisa não disfarça suas vontades, ainda que possam parecer absurdas para quem quer que seja. Num determinado dia, liguei para um dos seus telefones portáteis (é uma personagem que gosta de usar vários), sabendo que estaria em São Paulo, como é frequente. Ela atendeu: “Te ligo daqui a pouco; estou rezando na sepultura do papai”. Curiosa, perguntei: “Mas você não está fora do Rio?” – sabendo que o “tio” Mário foi enterrado num cemitério carioca, em Botafogo. Foi então que ouvi a explicação: “Hoje é Dia de Finados. Mandei meu motorista para o São João Batista e estou rezando pelo celular. Qual a diferença?” Pus-me a imaginar a situação: o chauffeur (em francês mesmo; nesse caso pega bem), naquele sol de novembro, quando fazia um lindo dia no Rio, com o telefone colado à lápide, enquanto Narcisa rezava, rezava, rezava; em seguida mandava beijos e abria os braços. Essa é uma cena característica de Narcisa: rezar de um modo bastante peculiar. Antes de ligar de novo – tinha pressa em falar -, pensei: estaria a Tamborindeguy ainda fazendo a oração? Não, de jeito nenhum! Haviam passado 10 minutos e, nesse momento, Narcisa já poderia estar às voltas com uma tacinha de champagne, ou numa academia de ginástica, ou, ainda, experimentando um novo modelo de bolsa. Normalmente, em sua vida, tudo pode ser assim: mudar de um segundo para o outro47.44 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=JW9zKN6h2ZA. Acesso em 10 de out. 201145 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=BpbOXb01X-Y – acesso em 10 de out. 201146 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=o5-kCEYGPAk – acesso em 10 de out. 201147 Disponível em http://lulacerda.ig.com.br/ai-que-absurdo-depoimentos-para-livro-de-narcisa-foram-para-o-lixo/. Acesso em 03 out. 2011
  • 956.4.1 O perfil @narcisaoficial e suas características Depois de conhecer um pouco sobre a personalidade real da Narcisa, poderemosobservar seu perfil no microblog. FIGURA 52 - Perfil antigo do fake @narcisaoficial Fonte: http://www.twitter.com “Rainha de Copacabana, Rainha do Twitter. Ranha do Underground. Uma operária doGlamour. O único twitter fake que virou oficial" era uma frase que fazia parte da bio do perfilda Narcisa em abril de 2011. Considerando as afirmações de Döring (2002) sobre os conceitosde identidade terem foco da construtividade e mudança e página pessoal estar sempre emconstrução, podendo ser modificadas a qualquer momento, ao revisitar o site para a análisenovamente, encontrei seu perfil diferente.
  • 96 FIGURA 53 - Perfil do fake @narcisaoficial Fonte: http://www.twitter.com Em seu perfil atual, acessado em outubro de 2011, Narcisa possui 104.368 seguidorese em sua bio consta: “Twitter oficial da escritora, advogada, jornalista e socialite NarcisaTambordeguy” e o mesmo e-mail para contato. Dos quatro perfis analisados, o@narcisaoficial é o que mais possui atualizações. O perfil era fake e se tornou original, comoa própria Narcisa explica abaixo, em entrevista transcrita, realizada no Programa Jô Soares. Eu tenho o meu twitter, que não é mais falso. Porque eu encontrei o meu verdadeiro amigo (...) que me mostrou quem fazia o twitter (...) Aí eu conectei eles, e agora eu também posto junto com ele. Então, quem é que tem um twitter falso que virou twitter verdadeiro? Só a Narcisa Oficial. Narcisaoficial com “s”. É meu também hoje em dia. Não é mais falso, ta. Eu quero dizer que o twitter falso virou verdadeiro. Só comigo que isso acontece. Ai, que absurdo!4848 Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=fRRoECn8Rgk acesso em 10 de out. 2011
  • 97 O perfil inclui em vários tweets histórias da socialite jogando objetos pela janela,fazendo referência ao vídeo em que atira ovos. Também relaciona isso com algumacontecimento do momento, no caso abaixo, o show do cantor Justin Bieber. FIGURA 54 – Tweet da @narcisaoficial sobre o show do Justin Bieber Fonte: http://www.twitter.com O fake, além de utilizar frequentemente as expressões “Ai que absurdo” e “Ai queloucura” – já marcas registradas da Narcisa, também descreve sua vida de luxo e riqueza. Asduas expressões viraram títulos de dois livros escritos por Narcisa. FIGURA 55 – Tweet da @narcisaoficial usando bordão Fonte: pesquisa realizada pela autora A citação de marcas e grifes famosas também faz parte de grande parte de suasmensagens.
  • 98 FIGURA 56 – Tweet da @narcisaoficial citando marca Fonte: http://www.twitter.com Boatos da vida da Narcisa apontam uma certa excentricidade no seu tratamento com asempregadas. O seu perfil brinca muito com isso, postando idéias totalmente surreais que elafaria com suas empregadas. FIGURA 57 – Tweet da @narcisaoficial sobre empregada Fonte: http://www.twitter.com No caso abaixo, relaciona isso com uma notícia/assunto comentado no momento, amorte do Steve Jobs. Essas ideias surreais não sabemos se foi o fake ou a própria Narcisaquem twittou, assim como nenhuma mensagem. FIGURA 58 – Tweet da @narcisaoficial sobre a morte de Steve Jobs Fonte: http://www.twitter.com
  • 996.4.2 Interação com os seguidores Assim como twitta com freqüência, Narcisa também interage bastante com seusseguidores. Geralmente com tweets demonstrando sua situação financeira ou status social: FIGURA 59 – Tweet da @narcisaoficial interagindo com outros seguidores Fonte: http://www.twitter.com O perfil também responde às dúvidas dos seguidores, que fazem perguntas sobre seucotidiano. Como os tweets não são assinados, não sabemos se as respostas são reais ou não.Mesmo que seja a própria a Narcisa quem esclarece essas dúvidas, as respostas podem não serverdadeiras, podem ser fruto de brincadeiras. Mas, como explicou Nóbrega (2010), não cabeaqui verificar a veracidade dos fatos, mas sim como eles constroem a identidade na pessoa.Ao alimentar o imaginário dos seguidores dando força aos boatos em torno de seu estilo devida, ela acaba formando sua identidade. FIGURA 60 – Tweet da @narcisaoficial respondendo seguidor Fonte: http://www.twitter.com
  • 100 Analisando os tweets da @narcisaoficial e suas entrevistas, foram encontradasalgumas características iguais: FIGURA 61 – Características encontradas no perfil fake e nas entrevistas com a Narcisa original Fonte: Elaborada pela autora 6.4.3 Pesquisa de opinião com seguidores do perfil @narcisaoficial Na pesquisa com os seguidores do perfil da Narcisa, realizada de 6 a 18 desetembro de 2011, foram obtidas 123 respostas. Questionados sobre o motivo de seguir operfil fake, 94 usuários (76%), disseram ter seguido o perfil por que acharam engraçado. Asegunda opção mais escolhida foi a “sou fã da Narcisa”, com 43 votos (35%). Duas pessoasdisseram não gostar da socialite enquanto 22 (18%) disseram ter visto muitos RTs do perfil. QUADRO 7 – Respostas dos seguidores para a opção “Outros” - @narcisaoficial Respostas para a opção "Outro"pq acho trágico a maneira como os clichês da alta sociedade se unem em uma pessoa só.Narcisa é atemporal.Não faço a menor idéia...Entrou nos TTs e eu resolvi seguir. Fonte: Pesquisa elaborada pela autora
  • 101 GRÁFICO 8 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 1 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Como o caso da Narcisa é diferente, foi indagado se eles sabiam do histórico queocorreu com seu perfil: de ser um fake e hoje ser atualizado também pela própria Narcisa.Trinta usuários da amostra (24,39%) achavam que o perfil era somente fake e atualizado poroutras pessoas. Vinte e seis (23,14%) dos seguidores questionados acreditavam que o perfilfosse original e somente atualizado pela própria Narcisa. A maior parte, 67 usuários (54,47%)disseram saber que o perfil era fake e hoje passou a também ser original. Na amostra, podemos ver que muitos ainda acham que estão seguindo um fake,quando na verdade, seguem a própria pessoa twittando.
  • 102 GRÁFICO 9 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 2 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Esclarecido o status atual do perfil atualmente – fake e original – foi questionado sseos seguidores perceberam mudança no conteúdo dos tweets depois que a verdadeira Narcisaassumiu. A maioria (83 usuários, 70,34%), disse não ter percebido, contra 35 (29,66%) quemarcaram sim. Isso mostra que a identidade do fake e do original – hoje em um só perfil –estão tão parecidas que os seus seguidores não conseguem distinguir quem posta o quê. ANarcisa verdadeira passou a postar mensagens e, muitos usuários desconheciam isso. Outrospodem ter lido mensagens de outra pessoa e achavam ser dela. O conteúdo exagerado queobservamos nos perfis anteriores neste caso também está presente na personalidade excêntricada Narcisa. Quem acompanha suas entrevistas e notícias, não duvida que as mensagenspossam ser dela .
  • 103 GRÁFICO 10 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 3 Fonte: Pesquisa elaborada pela autora Nas respostas dissertativas, seguindo o mesmo exemplo das pesquisas com osfakes anteriores, foi perguntado “Você acha que o perfil expõe características reais da pessoamesmo quando não era atualizado por ela? Quais?”. Foram retiradas todas as respostas semrelação com a pergunta. Podemos observar algumas repetições em termos, como o luxo, o gosto paracompras e ostentação de sua situação financeira. Loucura também foi um item muito citado,talvez uma forma resumida de explicar todas as excentricidades que a socialite já realizou. Nos aspectos negativos, a futilidade e a falta de humildade foram apontadospelos seguidores, já que tanto na vida real quanto no microblog a socialite ostenta seu statussocial e financeiro. Outro aspecto presente nas respostas foram os seus bordões. São largamenteutilizados entre seus seguidores nos seus tweets e interações com o perfil. O “ryca” e suasvariações são expressões comuns no universo gay e que Narcisa também twitta.
  • 104 QUADRO 8 – Respostas dissertativas sobre o perfil @narcisaoficial Você acha que o perfil expõe características reais da pessoa mesmo quando não era atualizado por ela? Quais? O bom senso de humor! Sim. No caso de Narcisa é o bom-humor. Sim, A alegria! O humor é indiscutível Sim.. senso de humor, atividades diárias e personalidade Bom humor Sim ! O modo de como ela encara a vida, o bom humor que ela tira de todas as situções... Sim, o bom humor Espirituosidade, bom humor, inteligencia, rapidez, sarcasmo. sim. extroversão, humor, não tá nem aí com a repercussão que seus comentários terão. Sim! A falta de humildade, e a prepotência! Sim. Falta de humildade. Falta de MetidaHumildade Sim. Narcisa é de personalidade histérica e elitista. Sim. O abuso. A pessoa que atualizava parecia conhecer ela muito bem. Sim. O "fake" sempre se preocupou em colocar os bordões da personalidade. Pra mim era como se fossem as mesmas pessoas. Sempre se mostrou diva também. RS Quando não é atualizado por ela, expõe características exageradas, mas perceptíveis aos leitores Talvez o fake transmitisse o que a verdadeira Narcisa nos transmite de primeira impressão! Não que essa primeira impressão que tenho, seja a real personalidade da Narcisa verdadeira. Sim, o jeito snobe de ser da alta sociedade. Porem, qdo fake, era um tipo mais preconceituoso, porem engraçado!Diferenças Sim, certas características transparecem mesmo quando não são atualizadas pela própria pessoa. Acredito que o twitter tenha sido inspirado em características reais da pessoa, mas obviamente ele é exagerado. Praticamente uma caricatura. sim, por ela ser rica, deve pensar como a fake dela, mas de um jeito menos exagerado. acho, tanto que não sei diferenciar o que é twitado por ela mesma ou não. acho que a linguagem é muito parecida. Sim.A pessoa que atualiza é muito fã da Britney e de música pop em geral. Sim, acaba expondo, pois os traços da personalidade caricata são repassados pela pagina (twittes) acho que é uma brincadeira bem divertida o twitterUtilizando sim, ryca
  • 105bordões da sim, da ryhqueza Narcisa sim a genialidade da Narcisa... Ai que absurdo. sim, rykeza Eu sou Ryca!!!! não, pois expressa apenas uma visão momentanea de um determinado assunto, tendência ou fato do cotidiano Não sei pois não acompanho a vida e notícias sobre a Narcisa, porém Não acredito que em sua maioria os tweeds têm um teor mais caricático do que acham real. não, pode haver características similares, mas serão apenas coincidências. Não, as vezes ele não expõe características reais nao, muito exagerado Yeah mf. Pq só ela é assim. É igual a original Sim. Eu gosto dela porque ela é livre de preconceitos. De qualquer tipo. Sim, a forma escandalosa e cômica era destacada. Amo colocar as Única empregadas pra dançar Bad Romance e jogar iPods pela janela! sim, principalmente os bordões, as viagens, quando ela fala das empregadas das suas empregadas, da vista do Copa, etc Vários tweets falam de brincadeiras que ela faz com as empregas, por exemplo, mas não sei até que ponto é verdade ou mentira Fonte: pesquisa realizada pela autora 6.4.4 Entrevista com o criador do perfil Mesmo com a original twittando atualmente, o perfil continua com um e-mail decontato com a pessoa que criou o perfil @narcisaoficial, que hoje continua twittando com aprórpia narcisa. Através do e-mail disponibilizado no perfil, foram realizadas as perguntasabaixo para a pessoa que twitta junto com a original: 1) Por que criar um fake da Narcisa? 2) Você era fã dela? 3) Como você escolhe o que twittar no @narcisaoficial? Quais assuntos/característicasvocê tenta incluir nos tweets? 4) Com que freqüencia você twitta atualmente? Tem algum assunto que você utilizemais nos tweets?
  • 106 As respostas na íntegra constam nos apêndices deste trabalho. O usuário – que preferiunão se identificar, afirmou que criou o perfil pro ser muito fã da Narcisa. Nos tweets, disseque prefere falar de assuntos que estão destaque no momento, além de situações irreais “comouma torneira que sai champanhe”, por exemplo. Segundo o criador do fake, somente uma ouduas postagens por dia são realizados por ele, o resto é feito pela própria Narcisa. O usuáriotambém disse que atualmente a Narcisa liga para ele pedindo que ele poste algo que eladeseja. Quando questionado se a socialite já teria reclamado de algo que ele escreveu, disseque não, que ela “sempre amou, antes mesmo da gente se conhecer. Ela gosta tanto que entrouna brincadeira de escrever que veste as empregadas e etc”. De acordo com as informações dadas pela pessoa que criou o fake, Narcisa já sabia daexistência do perfil. Não sabemos como seria um perfil essencialmente criado pela socialite,se ela comentaria as mesmas coisas. Neste caso específico, existe a possibilidade daverdadeira Narcisa ter apropriado as características apresentadas para o microblog, seguindoas noções de que a identidade anterior pode ser formada e modificada de acordo com asrelações e as outras identidades existentes (HALL, 2002). Embora tenhamos encontradocaracterísticas do perfil na Narcisa real – através das transcrições das entrevistas, não sabemosse a Narcisa na internet teria a mesma representação. Lembrando de Nóbrega (2010), queafirma que a construção identitária é expressa através de representação, sendo tambémreafirmadas com o objetivo de se reafirmar.
  • 1077 CONSIDERAÇÕES FINAIS Passado o momento de fundamentação teórica, coleta de dados e análise, é hora deuma reflexão sobre o resultado do trabalho. Tendo como base as preposições de Hall (2002)sobre a identidade do sujeito pós-moderno fragmentada, formada e transformada de acordocom os papeis que exerce, é possível afirmar que essa fluidez se encontra também nos perfisanalisados. Apesar de suas especificações, de acordo com as pesquisas realizadas com seusseguidores, também é possível considerar que todos são recebidos como perfis fakes, ou seja,os usuários sabem da verdadeira situação e mesmo assim continuam seguindo. A afirmaçãode Fontanella (2011) sobre a utilização da internet como forma de humor também mostrou-seapropriada, já que nas mesmas pesquisas foram constatados que todos vêem os perfis comoexpressões cômicas. Mais do que isso, esse foi o motivo que levou a maioria da amostraanalisada a seguir os perfis. Isso aponta uma nova apropriação para o microblog, que além detodas as funções já estudadas, também possui uma gama de usuários o utilizando paraentretenimento. Claro, que essa utilização não exclui a outra, o que só reafirma essacapacidade do Twitter de possuir múltiplas funções. Considerando que a maior parte do trabalho, pesquisa e observação e até entrevista,foram realizados através do Twitter, seria impossível não citar as cada vez maiores funçõesque a plataforma possibilita. Nas observações dos tweets, foram encontrados conceitos também presentes nos perfisoriginais, já que os fakes, mesmo que de forma exagerada e caricata, se apropriavam decaracterísticas identitárias dos originais. Isso vem de encontro à defesa de identidade Turkle(1997), que afirma que o ciberespaço permite que uma nova identidade possa ser criada, emvários lugares ou contextos. Essa identidade seria flexível e em constante mutação. Essas mudanças foram percebidas também em seus seguidores, que, ao responder oquestionário, utilizavam características dos fakes. Representadas através de expressõesconhecidas ou temáticas, os usuários também passaram por um processo de apropriação dealgumas características identitárias dos perfis fakes. Nas pesquisas de opinião, também foramindicados que os usuários em geral distinguem o fake do real e ainda assim o seguem, muitoscom o objetivo de homenageá-lo. Essa homenagem também acontece através da identificaçãoe utilização da linguagem das personas, onde os seguidores usam suas expressões e bordõesem seus tweets.
  • 108 Nas pesquisas com as pessoas que estavam por trás dos perfis fakes, foi encontradasmaneiras distintas de responder às questões. Enquanto o @pvc_espn saía de trás dopersonagem e respondia sinceramente, contando os bastidores, houve o exemplo do@sergueirock, que não abandonou a identidade assumida por nenhum momento. De umaforma ou de outra, todos acabaram respondendo. Mesmo o @oclebermachado, que disse nãoresponder como a pessoa que escreve, somente como o fake, mostrou, por poucos momentos,sua identidade real ao responder esse e-mail. No caso da @narcisaoficial, há duas pessoasrepresentando em seu twitter as mesmas características. Não há como saber quem seapropriou de quem, ou quem está representando quem. As duas formam um conjunto que nãose identifica ao postar, cujas diferenças também não foram percebidas na observação, nem porseus seguidores. Foram diferentes maneiras de responder ao questionamento, que mostramque, mesmo em uma pequena amostragem, são encontradas muitas diferenças. Este trabalho buscou contribuir para o estudo de identidade no ambiente virtual, ondemuitas outras questões ainda podem ser abordadas. Espero que essa pesquisa possa auxiliarem discussões futuras sobre o assunto.
  • 109REFERÊNCIASAGUIAR, Sônia. Redes sociais na internet: desafios à pesquisa. 2008. Disponívelem: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1977-1.pdf>. Acessoem: 04 nov. 2011.AMARAL, Adriana. 2007. A estética cibergótica na internet: música e sociabilidade nacomunicação do MySpace. Disponível em: <http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/viewFile/104/102>. Acesso em: 04nov. 2011.CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. 2000. São Paulo: Paz e Terra.COSTA, Rogério. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidadespessoais, inteligência coletiva. 2005. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832005000200003>.Acesso em: 04 nov. 2011.DÖRING, Nicola. Personal Home Pages on the Web: A Review of Research. Disponívelem: <http://jcmc.indiana.edu/vol7/issue3/doering.html>. Acesso em: 04 nov. 2011.FONATENELLA, Fernando Israel. Bem-vindo à Internets: os subterrâneos da Internet ea cibercultura vernacular. 2011. Disponível em:<http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2011/resumos/R6-1378-1.pdf>. Acesso em: 04nov. 2011.FONTANELLA, Fernando Israel. Nós somos Anonymous: anonimato, trolls e asubcultura dos imageboards. 2010. Disponívelem: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2010/resumos/R5-1964-1.pdf>. Acessoem: 04 nov. 2011.FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL, Adriana. Métodos de pesquisa parainternet. 2011. Porto Alegre: Sulina.FUTEBOL. Bate-Bola Primeira Edição. São Paulo: ESPN Brasil. 2011. Programa de TV.Disponível em: <http://youtu.be/KKj6RF4Gg2U>. Acesso em: 02 nov. 2011.FUTEBOL. Arena Esportv. Rio de Janeiro: SPORTV. 2009. Programa de tv. Disponível em:<http://youtu.be/Gp4bJVEOst0>. Acesso em: 02 nov. 2011.GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Tradução Plínio Dentzien. Rio deJaneiro: Jorge Zahar, 2002.HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 2002. Rio de Janeiro: DP&A.KILPP, Suzana. Ethicidades televisivas. Sentidos identitários na TV: molduraçõeshomológicas e tensionamentos. 2003. São Leopoldo: Editora Unisinos.
  • 110LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e a vida social contemporânea. Porto Alegre:Sulina, 2002.LEMOS, André. A Arte da Vida. Diários Pessoais e Webcams na Internet. 2002. Lisboa:Relógio D’água. Disponívelem: <http://galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/18835/1/2002_NP8lemos.pd>. Acesso em: 10 out. 2011.LIMA, Márcia. Twitter, meio e mensagem: uma análise do perfil de uso do microblog naweb e em third part apps. Trabalho de Conclusão apresentado no curso de ComunicaçãoSocial – Habilitação: Jornalismo. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo,2009.MOCELLIM, Alan. Internet e Identidade: um estudo sobre o website Orkut. 2007.Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/mocellim-allan-internet-e-identidade.pdf>.Acesso em: 04 nov. 2011.MUSTARO, Pollyana Notargiacomo. Expressões da Ciberidentidade e Ativismo nasRedes: o caso da cultura dos hackers. 2004. Disponível em:< http://br.monografias.com/trabalhos/cultura-hackers-ciberidentidade-ativismo-redes/cultura-hackers-ciberidentidade-ativismo-redes.shtml>. Acesso em: 04 nov. 2011.NATAL, Geordia. Identidade e juventude na construção de perfis: um estudo de casoda persona Mary Jane.2009. Disponível em:<http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/1_redes/eixo1_art13.pdf>. Acesso em: 04 nov. 2011.NÓBREGA, Lívia de Pádua. A construção de identidades nas redes sociais. 2010.Disponível em: <http://revistas.ucg.br/index.php/fragmentos/article/viewFile/1315/899>.Acesso em: 04 nov. 2011.O’REILLY, Tim. O que é Web 2.0: Padrões de design e modelos de negócios para a novageração de software. 2005. Disponível em: <http://www.cipedya.com/doc/102010>. Acessoem: 04 nov. 2011.OREILLY, Tim; MILSTEIN, Sarah. The Twitter Book. O Reilly Media, 2009.OLIVEIRA, R. C. de. Identidade, etnia e estrutura social. 1976. São Paulo: LivrariaPioneira Editora.RECUERO, Raquel. Redes sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009RECUERO, Raquel. Considerações sobre a Difusão de Informações em Redes Sociais naInternet. In: Intercom Sul, 2007. Disponível em:< http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2007/resumos/R0464-1.pdf >. Acesso em:04 nov. 2011.RECUERO, Raquel da C. Weblogs, Webrings e Comunidades Virtuais.2003. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/recuero-raquel-weblogs-webrings-comunidades-virtuais.pdf>. Acesso em: 04 nov. 2011.
  • 111SERGUEI. 2009. Entrevistador: Jô Soares. Entrevista concedida ao Programa do Jô.Disponível em: <http://youtu.be/b6v9Nd6nS1o>. Acesso em: 04 nov. 2011.SERGUEI. 2010. Entrevistadora: Lu Alone. Entrevista concedida ao Multishow. Disponívelem: <http://youtu.be/y-RrGYcLysI>. Acesso em: 04 nov. 2011.SERGUEI. 2011. Entrevistador: Marcos Sampaio. Entrevista concedida ao O Povo Online.Disponível em:<http://www.opovo.com.br/app/opovo/paginasazuis/2011/07/11/noticiapaginasazuisjornal,2265857/sou-escravo-do-sexo.shtml>. Acesso em: 04 nov. 2011.SIQUEIRA, Paulo. Web 2.0 Erros e Acertos. 2009. Disponível em:<http://www.livrosgratis.net/download/1139/web-2-0-erros-e-acertos-paulo-siqueira.html>.Acesso em: 04 nov. 2011.SPYER, Juliano. Tudo o que você precisa saber sobre Twitter. Um guia práticopara pessoas e organizações.Talk Interactive, 2009.TAMBORINDEGUY, Narcisa. 2010. Entrevistador: Jô Soares. Entrevista concedida aoPrograma do Jô. Disponível em: <http://youtu.be/BpbOXb01X-Y>. Acesso em: 04 nov. 2011.TAMBORINDEGUY, Narcisa. 2010. Entrevistador: Evandro Santo. Entrevista concedida aoPânico Jovem Pan. Disponível em: <http://youtu.be/JW9zKN6h2ZA>. Acesso em: 04 nov.2011.TAMBORINDEGUY, Narcisa. 2009. Entrevistadora: Janaína Rosa. Entrevista concedida aoChic. Disponível em: <http://tvig.ig.com.br/moda/chic/chic+visita++narcisa+tamborindeguy-8a4980512b4a9e09012b4b978b4d0bcb.html>. Acesso em: 04 nov. 2011.TRASEL, Marcelo Ruschel. O uso do microblog como ferramenta de interação daimprensa televisiva com o público. 2008. Disponível em:<http://www.scribd.com/doc/5937899/O-uso-do-microblog-como-ferramenta-de-interacao-da-imprensa-televisiva-com-o-publico>. Acesso em: 04. Nov. 2011.TURKLE, S. A vida no Ecrã: a identidade na era da internet. 1997. Lisboa: RelógioD’água.WOODWARD, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. Em T.T. Silva(Ed.), Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 2000. Rio de Janeiro:Vozes.ZAGO, Gabriela da Silva. Dos blogs aos microblogs: aspectos históricos, formatos ecaracterísticas. 2008. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/zago-gabriela-dos-blogs-aos-microblogs.pdf >. Acesso em: 04 nov. 2011.
  • 112APÊNDICESAPÊNDICE A - ENTREVISTA COM O MODERADOR DO PERFIL @PVC_ESPN * Por que criar um fake do Paulo Vinícius Coelho (pvc)? Eu sempre gostei muito de esportes, então assisto diariamente aos canais de esportes,especialmente a ESPN BRASIL. Logo, tenho um contato diário, através da televisão, com osprofissionais que trabalham nesses canais. O PVC tem essa característica de usar bastante asestatísticas durante os seus comentários. Como ele é um jornalista sério e bem reconhecido,percebi que um perfil fake que satirizasse essas estatísticas poderiam dar certo. * Você acompanhava o trabalho do jornalista? Gostava? Acompanho desde os tempos da revista Placar. Ele não é nada menos que brilhante. Émuito responsável com o jornalismo que faz e seus comentários são sempre precisos eimparciais. Acho que talvez ele lance mão demais dessa característica de gênio da estatística,mas o público gosta, então tem mais é que continuar nessa linha mesmo. *No começo, o perfil original do pvc (@pvcespn), tentava denunciar o seu. Hoje, elesegue o seu perfil, faz brincadeiras e interage. Como ocorreu essa mudança? Acho que ele passou a conhecer mais o twitter e seu funcionamento. No início, ele foipego de surpresa com o perfil e não reconheceu que se tratava de uma brincadeira. Normal.Com o passar do tempo, ele passou a me seguir, troquei umas mensagens com ele, falei quenão tinha intenção de lucrar ou de prejudicá-lo com o perfil. Então, ele prometeu interagirmais com o perfil. E as pessoas adoram isso. * Você ainda possui seguidores ou recebe muitas mentions de pessoas que acham queo seu perfil é o do pvc original? Diminuiu bastante. O perfil tem um nicho e é difícil sair disso. O PVC, apesar de serum jornalista reconhecido, não é famoso para as massas. Então, como o povo tem entendidomais como funciona o twitter e como eu mesmo deixo claro que sou fake, essas ocorrências
  • 113tem sido esporádicas. Mas ainda são divertidas, como alguém pode pensar que o PVCescreveria aquilo? * Por que você acha que os usuários seguem o seu perfil e interagem tanto com ele? Devem achar engraçado, penso eu. Certamente não é pelas informações jornalísticasque eu passo. Quem conhece o PVC acaba achando divertido a forma como eu trato asestatísticas e acabam me seguindo. * Na sua opinião, os seus seguidores, ao retwittarem, querem "trollar" o jornalista ohomenageá-lo? E você, twitta com um desses objetivos? É difícil dizer. Acho que não é por qualquer desrespeito e sim por simplesmenteacharem engraçado e querem repassar a piada. O meu perfil é um tipo de homenagem. Éreconhecer o brilhantismo do jornalista, mas sem perder a esportiva. Não tenho um objetivoespecífico, escrevo o que me vem no momento e espero que as pessoas gostem. Quandoperder a graça, serei o primeiro a deixar pra lá.
  • 114APÊNDICE B - ENTREVISTA COM O MODERADOR DO PERFIL @SERGUEIROCK*Por que criar um fake do Serguei?Pq o céu e o Planeta Terra foram criados? Sacou a complexidade da coisa? Movimentossurgem, não são criados. Por aí.*Como você escolhe o que twittar no @sergueirock? Quais assuntos/características você tentaincluir nos tweets?As paradas me escolhem. Tudo faz parte daquela sinergia mágica entre percepção e as coisasque rolam ao meu redor.*Muitos usuários acreditam que você seja mesmo o serguei? Você tenta esclarecer que não é?Os usuários são livres pra terem o pensamento que quiser. Muitos afirmam que sou um sonhodo Jim Morrison. E eu respeito isso, MUITO!
  • 115APENDICÊ C – ENTREVISTA COM O MODERADOR DO PERFIL@OCLEBERMACHADO* Por que você resolveu criar um fake do Cleber Machado?* Você acompanhava o trabalho do jornalista? Gostava?* Você acredita que a maioria dos seguidores saiba que você é fake? ainda possui recebementions de pessoas que acham que o seu perfil é o do Cleber Machado verdadeiro?* Por que você acha que os usuários seguem o seu perfil e interagem tanto com ele?* Na sua opinião, os seus seguidores, ao retwittarem seus tweets, querem "trollar" o jornalistao homenageá-lo? E você, twitta com um desses objetivos?Resposta recebida:Olá,Respondo e-mails apenas como o @oclebermachado, nunca como a pessoa que está por trásdele.Desculpe não poder ajudar,oclebermachado
  • 116APÊNDICE D- ENTREVISTA COM O CRIADOR DO PERFIL @NARCISAOFICIAL 1) Por que criar um fake da Narcisa? 2) Você era fã dela? 3) Como você escolhe o que twittar no @narcisaoficial? Quais assuntos/característicasvocê tenta incluir nos tweets? 4) Com que freqüencia você twitta atualmente? Tem algum assunto que você utilizemais nos tweets? Resposta: Decidi fazer o fake da Narcisa porque sou muito fã dela! Sobre os tweets,gosto sempre de falar de assuntos que estão em alta no momento e assuntos meio que irreais,como uma torneira que sai champanhe. Atualmente eu posto uma ou duas vezes ao dia, oresto é a própria Narcisa. As vezes ela me liga para que eu escrevo algo que ela deseja e etc. Esta autorizada a postar! Bjs Dierli: gente, ela te liga? que máximo. vocês criaram essa relação por causa do twitter, né? não se conheciam antes? muito obrigada!! Resposta: Liga! Somos muito amigas hoje em dia. Um amigo em comum ficou de nosapresentar, mas acabei a conhecendo em uma boate super alternativa aqui no Rio. Nosvivemos juntas! Tem dia que passo o dia inteiro na casa dela...Pergunta: e foi você que foi falar pra ela que fazia o fake? ela nunca reclamou de nada quevocê twittou? Resposta: Nunca reclamou! Sempre amou, antes mesmo da gente se conhecer.. Elagosta tanto que entrou na brincadeira de escrever que veste as empregadas e etc.. E fui eu! Jáia ser apresentada pra ela, então fui e disse. Ela falou que me amava, me deu todos osnúmeros dela! Ahahha