UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS          UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO    COMUNICAÇÃO SOCIAL COM ÊNFASE ...
Dierli Mirelle dos SantosA APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL:       uma abordagem sobre os perfis fakes do Twi...
AGRADECIMENTOS       Agradeço a meus pais pelo apoio, esforço e por sempre confiarem que eu chegaria atéaqui. À minha irmã...
RESUMOA presente monografia aborda a representação de identidade de perfis fakes do Twitter ecomo se dá sua apropriação no...
ABSTRACTThis paper addresses the representation of identity of fake profiles on Twitter and how theirappropriation on the ...
LISTA DE FIGURASFIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn.............................. 17FIGUR...
FIGURA 31 – Perfil do fake @oclebermachado..................................................................... 72FIGURA 3...
LISTA DE QUADROSQUADRO 1 – Respostas para a opção “Outro” - @pvc_espn................................................ 65QU...
LISTA DE GRÁFICOSGRÁFICO 1 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 1........................... 66GRÁFICO ...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
6.1.5 Pesquisa de opinião com os seguidores do @pvc_espn...................................65          6.1.6 Entrevista co...
111 INTRODUÇÃO        Não há dúvidas da importância da internet na sociedade atual, trazendo mudançasirreversíveis para o ...
12(2011), busca-se entender a importância da utilização da pesquisa qualitativa no processometodológico de coleta de infor...
13perfil, pudemos construir uma nova compreensão a respeito desse envolto pelo anonimato,mas que ganha visibilidade atravé...
142 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS       Neste capítulo inicial, abordaremos como foi o processo de pesquisa e suas etapas, d...
15       Segundo as autoras, esse tipo de abordagem tem sido utilizado diversas vezes nosestudos sobre experimentações das...
16       Realizada a amostragem, foi necessário pesquisar sobre as pessoas originais às quaisos fakes representavam para c...
17FIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn                    Fonte: elaborado pela autora
18              FIGURA 2 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @narcisaoficial                                ...
19              FIGURA 3 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @oclebermachado                                ...
20               FIGURA 4 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @sergueirock                                  ...
21fake. Porém, devido à política de spam do Twitter, alguns ficaram suspensos, fazendo, aotodo, que sete perfis fakes de d...
22       A única forma de contato possível era o twitter. Com exceção do perfil da@narcisaoficial, que possui um e-mail na...
232.2.4 Análise e categorização       Por fim, foi realizada a comparação entre as transcrições decupadas dos vídeos daspe...
243 IDENTIDADE CULTURAL       A identidade é um conceito estudado por diversas áreas do conhecimento e por isso,possui dif...
25          A segunda concepção é a identidade do sujeito sociológico, noção que, segundo oautor, reflete a complexidade d...
26ruptura, que ocorre com a sua descoberta do inconsciente, indo contra a idéia do sujeitoracional. Para Freud, a identida...
27       Para Kellner (1992 apud KILPP, 2003, p. 143), a identidade na modernidade tornou-seproblemática e o assunto da pr...
284 IDENTIDADES NAS REDES SOCIAIS        No ciberespaço, há um permanente processo de construção e expressão de identidade...
29construtividade e mudança. Isso por que a página pessoal está sempre em construção e podeser atualizada a qualquer momen...
30                             correspondem ao real, mas sim a utilização desse tipo de mídia como substrato de           ...
31                                 FIGURA 7 – Perfil do fake @gracekarioca                                        Fonte: h...
32                                  FIGURA 8 – Perfil do fake @pvc_espn                                       Fonte: http:...
33                                       FIGURA 9 – Perfil do fake @e001                                         Fonte: ht...
34                             FIGURA 10 – Perfil do fake @luanapiovani                                    Fonte: http://w...
35Cristian Pior, por exemplo, tornou-se o famoso @hugogloss9 e conta com uma base forte deseguidores e interações. Depois ...
36                                   Citando Marc Guillaume, André Lemos captura bem esse espírito para                   ...
375 INTERNET E REDES SOCIAIS           Na sociedade atual, a cada minuto novas pessoas se conectam na internet, criamconte...
38rede. Impulsionada por essa geração e difundida, principalmente, devido à facilidade deacesso aos dispositivos móveis, a...
39       Recuero (2003) define as comunidades virtuais:                        A comunidade virtual é, assim, um grupo de ...
40       Para Aguiar (2008, p.22), “redes sociais são, antes de tudo, relações entre pessoas,estejam elas interagindo em c...
41pelo computador. Nas redes emergentes, a interação é do tipo mútuo e elas tendem a ser maisconectadas e menores. Comentá...
42exposição das redes sociais de cada ator e a possibilidade dos usuários construírem interaçõesnesses espaços como caract...
43no cenário musical, tornando-se “uma importante fonte de informações sobre turnês, datas elançamentos de álbuns para as ...
445.2.1 Twitter       O Twitter é um misto de microblog, mensageiro instantâneo e Site de Rede Social(SRS). Sua descrição ...
45addictive”, em 21 de março de 2006. Originalmente, a pergunta que o Twitter fazia na páginainicial era “o que você está ...
46Muitos usuários utilizaram encurtadores de URL, já que alguns links são extensos e nãoutilize todo o espaço para publica...
47                           FIGURA 12 – Página inicial o usuário do Twitter                                        Fonte:...
48“mentions”. No campo 4, temos a situação inversa: outro perfil respondeu ao tweet. Oscampos 5 e 6 apresentam, respectiva...
49                              FIGURA 13 – Página inicial do Twitter                                  Fonte: http://www.t...
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A APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER

  1. 1. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO COMUNICAÇÃO SOCIAL COM ÊNFASE EM JORNALISMO DIERLI MIRELLE DOS SANTOSA APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: UMA ABORDAGEM SOBRE OS PERFIS FAKES DO TWITTER SÃO LEOPOLDO 2011
  2. 2. Dierli Mirelle dos SantosA APROPRIAÇÃO DE IDENTIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL: uma abordagem sobre os perfis fakes do Twitter Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social habilitação em Jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Orientadora: Prof. Dr. Adriana Amaral São Leopoldo 2011
  3. 3. AGRADECIMENTOS Agradeço a meus pais pelo apoio, esforço e por sempre confiarem que eu chegaria atéaqui. À minha irmã Manuela que, mesmo inconscientemente, me motivou todos os dias. Á minha orientadora, Adriana Amaral, pelo permanente incentivo e disponibilidadedurante a construção desse trabalho. Por sua paciência e pelas risadas que me proporcionou. Aos colegas de trabalho, especialmente Ivo Stigger, pela compreensão e apoio emtodos os momentos. Aos colegas Adam, Luana, Ana, Tamires e José, pelas palavras motivadoras. Àsamigas Manoela e Márcia, por sempre me ouvirem. Às pessoas especiais que encontrei nessecaminho, Bruna e Roberta.
  4. 4. RESUMOA presente monografia aborda a representação de identidade de perfis fakes do Twitter ecomo se dá sua apropriação no ambiente virtual. Dentro desse tema, foram analisados quatroperfis atualizados por pessoas diferentes das representadas - pessoas conhecidas através damídia massiva: PVC, Cleber Machado, Serguei e Narcisa -, buscando entender como sãorealizadas suas construções identitárias. Para isso, foram os conceitos de identidades,identidades na internet e nas redes sociais a partir de teóricos como Stuart Hall (2002),Manuel Castells (2000) e Sherry Turkle (1997), entre outros. A partir de múltiplas técnicas depesquisa empírica qualitativa aplicadas à internet (Fragoso, Recuero e Amaral, 2011), buscou-se formas de compreender a construção e a representação dessas características identitárias,tanto através da observação e categorização de conteúdos produzidos nos tweets, como dequestionários e entrevistas com os seguidores e mantenedores dos perfis, alem da comparaçãode rastros dessa identidade a partir da decupagem de vídeos das personalidades. A partir dessareflexão, observa-se que as identidades nos sites de redes sociais encontram-se em constanteconstrução e apropriação das características dos outros sujeitos, além da criação, dentro daamostra recortada, de fakes com o objetivo de fazer humor e entreter no Twitter.Palavras-chave: identidade – redes sociais - Twitter – fakes
  5. 5. ABSTRACTThis paper addresses the representation of identity of fake profiles on Twitter and how theirappropriation on the virtual medium occurs. Within this subject, were analyzed four differentprofiles updated by people other than the ones they are representing - personalities knownthrough the mass media: PVC, Cleber Machado, Serguei and Narcisa -, seeking to understandhow their identities are constructed. In order to reach this matter, the identity concepts on theinternet and the social networks were discussed through theorists such as Stuart Hall (2002),Manuel (2000) and Sherry Turkle (1997), among others. Through multiple qualitative andempirical research techniques applied to the internet (Fragoso, Recuero and Amaral, 2011),the construction and the representation of these identities characteristics were sought bymeans to understand them, as much through observation and categorization of the tweetscontent, as through series of questions and interviews with the profiles followers andmaintainers, even comparing traces of these identities through the editing of videos from eachof the personalities. Through this series of thoughts, one can observe that the identities on thesocial networking websites are in constant construction and appropriation of thecharacteristics of other people, culminating on the creation of fakes - within the researchsample - intending to amuse and to entertain Twitter users.Keywords: identity - social networks - Twitter - fakes
  6. 6. LISTA DE FIGURASFIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn.............................. 17FIGURA 2 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @narcisaoficial........................ 18FIGURA 3 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @oclebermachado................... 19FIGURA 4 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @sergueirock...........................20FIGURA 5 – Perfil de divulgação das pesquisas com os seguidores...................................... 21FIGURA 6 – Perfil para contato com os objetos de estudo..................................................... 22FIGURA 7 – Perfil do fake @gracekarioca............................................................................. 31FIGURA 8 – Perfil do fake @pvc_espn................................................................................., 32FIGURA 9 – Perfil do fake @e001.......................................................................................... 33FIGURA 10 – Perfil do fake @luanapiovani........................................................................... 34FIGURA 11 – Página inicial do Twitter.................................................................................. 45FIGURA 12 – Página inicial o usuário do Twitter.................................................................. 47FIGURA 13 – Página inicial do Twitter.................................................................................. 49FIGURA 14 – Perfil do fake @pvc_espn................................................................................ 56FIGURA 15 – Tweet do fake @pvc_espn sobre casamento real............................................. 57FIGURA 16 – Tweet do fake @pvc_espn sobre o Steve Jobs................................................ 57FIGURA 17 – Tweet do fake @pvc_espn sobre show............................................................ 58FIGURA 18 – Tweet do fake @pvc_espn sobre a morte de Gaddafi...................................... 58FIGURA 19 – Tweet do fake @pvc_espn sobre cruzeiro marítmo......................................... 59FIGURA 20 – Perfil original do Paulo Vinícius Coelho......................................................... 59FIGURA 21 – Tweet do perfil @pvcespn sobre jogo.............................................................. 60FIGURA 22 – Tweet do perfil @pvcespn com dado estatístico.............................................. 60FIGURA 23 – Tweet do perfil @pvcespn direcionando para o blog...................................... 60FIGURA 24 – Características encontradas no perfil fake do e no original......................... 61FIGURA 25 – Tweet do perfil @pvcespn sobre o fake........................................................... 61FIGURA 26 – Tweets de interação entre fake e original......................................................... 62FIGURA 27 – Tweets de interação entre fake e original sobre jogador.................................. 62FIGURA 28 – Tweets de interação com seguidores do fake.................................................. 63FIGURA 29 – Tweets de interação com seguidores com apropriação................................... 64FIGURA 30 – Tweets de interação com seguidores com apropriação sobre futebol............. 64
  7. 7. FIGURA 31 – Perfil do fake @oclebermachado..................................................................... 72FIGURA 32 – Tweet do @oclebermachado sobre futebol...................................................... 74FIGURA 33 – Tweet do @oclebermachado sobre o campeonato........................................... 74FIGURA 34 – Tweet do @oclebermachado sobre o jogador.................................................. 74FIGURA 35 – Tweet do @oclebermachado sobre Kafafi....................................................... 75FIGURA 36 – Tweet do @oclebermachado sobre o horário de verão.................................... 75FIGURA 37 - Tweet do @oclebermachado dando RT.............................................................FIGURA 38 – Tweet do @oclebermachado respondendo dúvida de seu seguidor................. 76FIGURA 39– Tweet do @oclebermachado respondendo seu seguidor sobre o campeonato. 77FIGURA 40 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores...................................... 77FIGURA 41 – Interação entre @oclebermachado e seus seguidores...................................... 78FIGURA 42 - Características encontradas no perfil fake e no Cléber Machado..................... 78FIGURA 43 – Perfil do fake @sergueirock............................................................................. 83FIGURA 44 – Tweet do @sergueirock sobre o horário de verão............................................ 86FIGURA 45 – Tweet do @sergueirock sobre a morte de Steve Jobs...................................... 86FIGURA 46 – Tweet do @sergueirock sobre o Ministério..................................................... 86FIGURA 47 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real.............................................. 87FIGURA 48 – Tweet do @sergueirock sobre o casamento real.............................................. 87FIGURA 49 – Tweet do @sergueirock respondendo ofensas de seus seguidores...................87FIGURA 50 – Tweet do @sergueirock respondendo seus seguidores.................................... 88FIGURA 51 - Características encontradas no perfil fake e no Serguei................................... 88FIGURA 52 - Perfil antigo do fake @narcisaoficial............................................................... 95FIGURA 53 - Perfil do fake @narcisaoficial.......................................................................... 96FIGURA 54 – Tweet da @narcisaoficial sobre o show do Justin Bieber................................ 97FIGURA 55 – Tweet da @narcisaoficial usando bordão........................................................ 97FIGURA 56 – Tweet da @narcisaoficial citando marca......................................................... 98FIGURA 57 – Tweet da @narcisaoficial sobre empregada .....................................................98FIGURA 58 – Tweet da @narcisaoficial sobre a morte de Steve Jobs................................... 98FIGURA 59 – Tweet da @narcisaoficial interagindo com outros seguidores........................ 99FIGURA 60 – Tweet da @narcisaoficial respondendo seguidor............................................. 99FIGURA 61 – Características encontradas no perfil fake e na Narcisa..................................100
  8. 8. LISTA DE QUADROSQUADRO 1 – Respostas para a opção “Outro” - @pvc_espn................................................ 65QUADRO 2 – Respostas dissertativas sobre o perfil @pvc_espn........................................... 69QUADRO 3 – Respostas para a opção “Outro” - @oclebermachado......................................79QUADRO 4 – Respostas dissertativas dos seguidores do @oclebermachado........................ 80QUADRO 5 – Respostas para a opção “Outro” - @sergueirock............................................. 89QUADRO 6 – Respostas dissertativas sobre o perfil @sergueirock........................................91QUADRO 7 – Respostas dos seguidores para a opção “Outros” - @narcisaoficial.............. 100QUADRO 8 – Respostas dissertativas sobre o perfil @narcisaoficial.................................. 104
  9. 9. LISTA DE GRÁFICOSGRÁFICO 1 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 1........................... 66GRÁFICO 2 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 2............................67GRÁFICO 3 – Respostas dos seguidores do @pvc_espn para a pergunta 3........................... 68GRÁFICO 4 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 1................. 79GRÁFICO 5 - Respostas dos seguidores do @oclebermachado para a pergunta 2................. 80GRÁFICO 6 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 1....................... 89GRÁFICO 7 – Respostas dos seguidores do @sergueirock para a pergunta 2....................... 90GRÁFICO 8 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 1................... 101GRÁFICO 9 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 2................... 102GRÁFICO 10 – Respostas dos seguidores da @narcisaoficial para a pergunta 3................. 103
  10. 10. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 112 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................................... 14 2.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA..............................................................................14 2.2 PESQUISA EMPÍRICA QUALITATIVA.............................................................14 2.2.1 A escolha dos objetos.........................................................................................15 2.2.2 Pesquisa de opinião............................................................................................16 2.2.3 As entrevistas com os criadores dos fakes........................................................21 2.2.4 Análise e categorização......................................................................................233 IDENTIDADE CULTURAL .......................................................................................... 244 IDENTIDADES NAS REDES SOCIAIS ....................................................................... 285 INTERNET E REDES SOCIAIS ................................................................................... 37 5.1 COMUNIDADES VIRTUAIS E REDES SOCIAIS..............................................38 5.2 SITES DE REDES SOCIAIS..................................................................................41 5.2.1 Twitter.................................................................................................................44 5.2.2 Laço social...........................................................................................................50 5.2.3 Capital social......................................................................................................526 OS FAKES DO TWITTER E SUAS IDENTIDADES .................................................. 55 6.1 PAULO VINÍCIUS COELHO (PVC), O JORNALISTA ESPORTIVO...............55 6.1.1 O fake @pvc_espn e suas características.........................................................56 6.1.2 O perfil original..................................................................................................59 6.1.3 Interação entre o perfil fake e original.............................................................61 6.1.4 Interação do fake com os seguidores ................................................................63
  11. 11. 6.1.5 Pesquisa de opinião com os seguidores do @pvc_espn...................................65 6.1.6 Entrevista com o “fake”....................................................................................70 6.2 CLEBER MACHADO, O COMENTARISTA ESPORTIVO...............................72 6.2.1 O fake @oclebermachado e suas características............................................74 6.2.2 Interação com os seguidores.............................................................................76 6.2.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @oclebermachado............78 6.2.4 Entrevista com o fake........................................................................................82 6.3 SERGUEI, O ROCKEIRO......................................................................................83 6.3.1 O fake @sergueirock e suas características.....................................................85 6.3.2 Interação com os seguidores..............................................................................87 6.3.3 Pesquisa de opinião com os seguidores do perfil @sergueirock...................88 6.3.4 Entrevista com o fake.........................................................................................92 6.4 NARCISA TAMBORINDEGUY, A SOCIALITE................................................93 6.4.1 O perfil @narcisaoficial e suas características................................................95 6.4.2 Interação com os seguidores..............................................................................99 6.4.3 Pesquisa com seguidores do perfil @narcisaoficial ......................................100 6.4.4 Entrevista com o criador do perfil ..............................................................1057 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 107REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 109APÊNDICES .................................................................................................................... 112
  12. 12. 111 INTRODUÇÃO Não há dúvidas da importância da internet na sociedade atual, trazendo mudançasirreversíveis para o modo em que vivemos. Dentro desse universo, os sites de redes sociaissão hoje uma grande ferramenta de comunicação atualmente. O Twitter, mais que um site derede social, assume um papel importante não só na difusão de informação, mas também comofonte e pauta. É cada vez mais freqüente a utilização dessa plataforma em veículostradicionais. Uma mistura de microblog com mensageiro instantâneo e Site de Rede Social, oTwitter tem apropriações diferentes de acordo com os seus usuários, que buscam nelediferentes objetivos. É notória sua relevância nos processos comunicacionais e nas rotinasjornalísticas. No entanto, optei por analisar o Twitter como artefato cultural que potencializa aconstrução e apropriação de identidades culturais. Atualmente, estudantes, jornalistas,veículos, empresas e celebridades possuem perfil na plataforma. A idéia dessa pesquisa foianalisar uma categoria do submundo do microblog, mal vista por muitos1: os fakes. 2 Entende-se por perfil fake aquele que se apresenta como o de outra pessoa que não ela,fingindo ser algo que não é. Segundo a definição de Mocellim (2007), o fake se afirma seroutro, buscando ser outra pessoa ou se descrevendo diferente daquilo que é. Assim, o objetivoé estudar a apropriação de identidade que esses perfis fazem no twitter. São muitos os perfiscomo esse no site, alguns surpreendentemente bastante populares. Há casos, inclusive, em queo fake consegue ganhar notoriedade e ultrapassar a barreira do anonimato. Mas por que estudar esse tipo de perfil? Primeiramente, por que ele é umarepresentação de identidade no ciberespaço e essa representação gera processos interativoscom outros perfis. Aqui, não importa verificar se eles convencem ou não como pessoas, massim como que eles constroem essas características identitárias dentro de seus perfis. Quais sãoas semelhanças encontradas nos perfis fakes presentes também na identidade real dosoriginais e como os seus seguidores enxergam isso, são outros dos questionamentos que essetrabalho propõe. São perfis que conseguem se destacar, mesmo se assumindo como falsos,conquistar seguidores, manter freqüente interação com eles, ditar memes e tendências. Para realizar esse estudo, foram necessárias diferentes abordagens metodológicas,apresentadas no segundo capítulo. Ali, utilizando os conceitos de Fragoso, Recuero e Amaral1 http://www1.folha.uol.com.br/tec/968839-perfis-falsos-do-twitter-geram-mal-estar-com-celebridades.shtml2 Embora seja possível traduzir a palavra fake para falso, foi optado deixar como fake durante o trabalho por sero termo utilizado na internet.
  13. 13. 12(2011), busca-se entender a importância da utilização da pesquisa qualitativa no processometodológico de coleta de informações. Também neste capítulo é explicado, item por item,todos os processos efetivados para a realização da pesquisa, desde a revisão bibliográfica atéas formas de aplicação das pesquisas aos seguidores dos perfis. No terceiro capítulo, os conceitos de identidades são apresentados. Resgata-se diversosautores com o objetivo de compreender todas as facetas e modificações que o conceito deidentidade sofreu. Através de Hall (2002), as concepções de identidade são apresentadas, bemcomo as cinco rupturas que fizeram com o que a essência identitária do sujeito seja, hoje,fragmentada. Outros autores como Castells (2000) e Turkle (1997) nos ajudaram nessadiscussão, essencial para que se possa seguir ao próximo capítulo e abordar a identidadedentro das redes sociais. Doring (2002) e Lemos (2002) são alguns dos autores que possibilitam compreender aidentidade nas redes sociais como algo mutável e em constante construção. O perfil ou apágina da web são os campos onde é representada a identidade e estão disponíveis paramodificação a qualquer momento. Assim, nas redes sociais, a identidade é efêmera, assimcomo o seu processo de representação. Neste capítulo também são discutidas as concepçõesde fake e a classificação criada por Nóbrega (2010) para diferenciá-lo. Através de Fontanella(2011), também é abordada a utilização do anonimato e usos da internet como forma dehumor e entretenimento. O quarto capítulo conceitua as redes sociais, os sites de redes sociais, incluindo umbreve histórico sobre o surgimento deles. Recuero (2009) resgata desde a concepção e até osconceitos de laço social e capital social. Esse subcapítulo também pretende traçar umpanorama do Twitter, desde sua criação, objetivos e mudanças, além de explicar ofuncionamento da plataforma. O quinto e último capítulo compreende relacionar os conceitos abordados noreferencial teórico com os resultados da pesquisa empírica, incluindo as observaçõesencontradas durante o percurso. A análise busca possibilitar uma reflexão sobre a recepçãodos perfis fakes e quanto à carga de características identitárias eles carregam e perfomatizamna rede. Dessa forma, pretende-se analisar, dentro da amostra selecionada, como a construçãode suas identidades se dá e como ela é entendida. Também foram realizadas entrevistas comos moderadores/criadores dos perfis, com o objetivo de compreender se seus objetivos aoconstruir o fake foram atingidos - ou se foi mais uma vez apropriado para outros fins pelomicroblog. Assim, ao coletar e analisar os dados a partir de várias direções sobre um mesmo
  14. 14. 13perfil, pudemos construir uma nova compreensão a respeito desse envolto pelo anonimato,mas que ganha visibilidade através das interações e dos processos culturais no ciberespaço.
  15. 15. 142 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo inicial, abordaremos como foi o processo de pesquisa e suas etapas, dapesquisa bibliográfica à pesquisa empírica.2.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Para atingir o objetivo geral deste trabalho, primeiramente foi realizada uma leitura erevisão bibliográfica dos conceitos de identidade cultural e identidades nas redes sociais. Paraisso, foram utilizadas as bibliografias de diversos autores. Através de Hall (2002), foramestudadas as três concepções da identidade e as cinco rupturas que possibilitaram asmodificações nela. Também foram utilizados trabalhos de Nóbrega (2010) e Lemos (2002)buscando compreender como essa identidade era apresentada nas redes sociais e asclassificações dos fakes. Raquel Recuero foi a autora principal para a construção doreferencial teórico sobre redes sociais na internet. A obra auxiliou na compreensão daestrutura e história das redes, possibilitando melhor o entendimento do Twitter. Para obtermais informações sobre o funcionamento do microblog, além da larga utilização daferramenta, também foram utilizados os autores Zago (2008) e Spyer (2009) nafundamentação teórica. Através da pesquisa bibliográfica foi possível ampliar os conceitos, entender asmudanças e as estruturas da rede social, abrindo caminho para a aplicação dos outrosprocessos metodológicos.2.2 PESQUISA EMPÍRICA QUALITATIVA As ferramentas metodológicas desta pesquisa abrangem a pesquisa empíricaqualitativa. A pesquisa qualitativa busca uma compreensão aprofundada e holística dosfenômenos em estudo, contextualizando e reconhecendo seu caráter dinâmico (FRAGOSO,RECUERO E AMARAL 2011). Essa pesquisa não tem como objetivo quantificar as mençõespresentes nas construções identitárias dos fakes e interações entre os usuários no Twitte rede,mas sim entender os processos comunicacionais.
  16. 16. 15 Segundo as autoras, esse tipo de abordagem tem sido utilizado diversas vezes nosestudos sobre experimentações das identidades online ao longo dos anos 90. Na pesquisaempírica, independente do tema ou da área pesquisa, é necessário realizar observações. Pararealizá-las, é necessário criar subdivisões, que possibilitam focar melhor a análise, asamostras. Fragoso, Recuero e Amaral explicam que o recorte na internet em específico é maisdifícil, devido ao número de usuários, a diferença entre eles e o dinamismo na rede. Por essemotivo, a seleção de uma amostra apropriada é importante para o desenvolvimento dapesquisa.2.2.1 A escolha dos objetos Como o estudo deste trabalho é qualitativo, a quantidade não é um fator importante.Assim, foram selecionados quatro perfis fakes para a observação. Os perfis deveriam serconhecidos, ter uma quantidade razoável de seguidores para que se pudesse fazer umapesquisa de opinião com eles também. Além disso, a pessoa representada no fake deveria serconhecida também, ou ser uma celebridade, possuindo material, entrevistas, vídeos doyoutube suficientes para a comparação entre sua performance mediada pela imagem e aidentidade caracterizada no microblog. Dentro desse parâmetro, foram encontrados os perfisdo @oclebermachado e @sergueirock, que representavam duas pessoas de áreas diferentes(esporte e música, recpectivamente). Depois disso, optou-se por escolher objetos comdiferenciais. O perfil @narcisaoficial, que era fake e tornou-se também da própria NarcisaTamborindeguy foi selecionado por esse diferencial por acreditar ser interessante para oestudo. O último perfil é um fake cuja pessoa representada também possuía um perfil nomicroblog. Mais do que isso, eles interagiam. Querendo entender como foi realizado esseprocesso, e pensando em mais uma forma de compará-los, foi selecionado o perfil@pvc_espn. A partir dessa seleção, foi iniciada a observação dos perfis. A princípio, seriaescolhido um período de tempo determinado, mas, fazendo uma observação inicial, foiconstatado que todos realizavam comentários relacionando as características dos fakes comdeterminados assuntos e notícias em destaque. Assim, foi determinado que a amostragem dostweets seria realizada pelo tipo de conteúdo e não por um período de tempo. Apesar daescolha, vale registrar que os tweets analisados foram postados no site entre abril e novembrode 2011.
  17. 17. 16 Realizada a amostragem, foi necessário pesquisar sobre as pessoas originais às quaisos fakes representavam para compreender quais características eram semelhantes. Buscou-sematerial, principalmente em vídeos – a fim de perceber o maior número de detalhes ecaracterísticas também. Os vídeos e entrevistas – grande parte de participações realizadas emprogramas de televisão - foram transcritos, bem como todo o material selecionado para tentarcaracterizar ao máximo essas personalidades. Neste ponto, já era possível relacionar ascaracterísticas representadas nos fakes com as das personas, sobretudo a partir dos seusjargões.2.2.2 Pesquisa de opinião A pesquisa de opinião com os seguidores dos perfis foi construída através do sistemagoogledocs e publicada no Twitter. Devido às especificidades de cada perfil, foi necessáriorealizar uma pesquisa específica para cada um deles. A pesquisa de opinião tinha como objetivo compreender o que motivava o usuário aseguir um perfil assumidamente fake. A partir das observações, foram selecionadas algumasopções de motivos: os que acham o perfil engraçado e são motivados pelo lado cômico doperfil; aqueles que seguem o fake por gostar da personalidade original representada; aquelesque não gostam da pessoa real e encontram no perfil uma forma de compartilhar e expressarseus sentimentos por ela; aqueles que, devido à sua popularidade e grande número demensagem retuítadas, acabavam aparecendo tanto na timeline do usuário, que ele resolveusegui-lo. Também foi disponibilizada uma opção de outros, onde os seguidores poderiamescrever livremente o motivo. Abaixo, segue o exemplo da pesquisa realizada com os seguidores do perfil@pvc_espn.
  18. 18. 17FIGURA 1 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @pvc_espn Fonte: elaborado pela autora
  19. 19. 18 FIGURA 2 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @narcisaoficial Fonte: elaborada pela autora Na enquete, também foi questionado se os usuários já acharam que o perfil era fake,visando descobrir se eles sabem que estão seguindo um fake e as características são tãoparecidas com as do original que em algum momento já confundiram.
  20. 20. 19 FIGURA 3 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @oclebermachado Fonte: elaborada pela autora As enquetes eram diferentes para cada perfil devido suas particularidades. Aosseguidores do @pvc_espn, por exemplo, foi indagado se eles também seguiam o perfil oficial.Aos da @narcisaoficial, se sabiam que o perfil era fake e hoje era também atualizado pelaprópria Narcisa. Porém, a pergunta mais importante se manteve a todas: quais características“reais” eles acreditavam que o perfil fake apresentava. Esse era um espaço para respostadissertativa, sem limite de caracteres.
  21. 21. 20 FIGURA 4 – Perfil da pesquisa para os seguidores do perfil @sergueirock Fonte: elaborada pela autora Para a coleta, visando obter um bom número de respostas, foram criados perfisespecíficos, com nomes variáveis do nome @ajudeumtcc (@ajude1tcc, @ajude01tcc), etc.Em cada um foi disponibilizado um perfil diferente na Biografia e o pedido de que o seguidorrespondesse a pesquisa sobre o determinado fake. No perfil em que havia informações sobre o@sergueirock, por exemplo, foi adicionando seguidores do fake. Assim, os seguidores iriamver o perfil que estava seguindo e optar por responder ou não. Foi uma forma de divulgar apesquisa diretamente no público alvo. Foram criados inicialmente quatro perfis, um para cada
  22. 22. 21fake. Porém, devido à política de spam do Twitter, alguns ficaram suspensos, fazendo, aotodo, que sete perfis fakes de divulgação fossem criados. A meta era conseguir, no mínimo,50 respostas para cada perfil e foi ultrapassada. Assim, a internet, além de objeto de pesquisa, é também o local da pesquisa e aferramenta para coleta de dados, conforme explicam Fragoso, Recuero e Amaral (2011, p.17). FIGURA 5 – Perfil de divulgação das pesquisas com os seguidores Fonte: http://www.twitter.com2.2.3 As entrevistas com os criadores dos fakes Cumpridas as etapas de observação dos perfis e da pesquisa com seus seguidores, abusca agora era com os próprios fakes. Talvez a mais difícil das etapas, a idéia era, depois daobservação pessoal e da análise dos próprios seguidores, buscar compreender como era aconstrução de identidade de um perfil fake a partir dos seus criadores.
  23. 23. 22 A única forma de contato possível era o twitter. Com exceção do perfil da@narcisaoficial, que possui um e-mail na Bio, não havia nenhum link ou endereço paracontato nos perfis. Assim, através de um perfil, nos mesmos moldes utilizados para a pesquisacom os seguidores, foi tentado contado com eles. Diariamente, tweets eram enviadosexplicando que o seu perfil era objeto de estudo de uma monografia e perguntando se elespoderiam responder algumas questões básicas. Talvez devido ao grande número de seguidorese interações que possuem, a maioria não respondeu. Depois de cerca de duas semanas detentativas, o perfil do @pvc_espn enviou um e-mail de contato. O @sergueioficial, cerca deum mês após o início das tentativas, aceitou responder apenas três perguntas por DirectMessage do twitter – que, como mais tarde veremos, possuí limite de 160 caracteres. O últimoa dar retorno foi o fake @oclebermachado, depois de grande insistência. Infelizmente, depoisde passado o e-mail de contato e envio das perguntas, ele informou que não respondiaquestões como o moderador, somente como o fake. FIGURA 6 – Perfil para contato com os objetos de estudo Fonte: http://www.twitter.com
  24. 24. 232.2.4 Análise e categorização Por fim, foi realizada a comparação entre as transcrições decupadas dos vídeos daspersonalidades com as observações dos fakes, os resultados das pesquisas e as entrevistas,possibilitando a categorização e análise de dados. Neste capítulo, observamos as etapas da metodologia desenvolvida para observar osfakes do Twitter. No próximo capítulo, trataremos dos conceitos de identidade cultural.
  25. 25. 243 IDENTIDADE CULTURAL A identidade é um conceito estudado por diversas áreas do conhecimento e por isso,possui diferentes definições. A dimensão pessoal ou individual, segundo Oliveira (1976), épesquisada principalmente pela psicologia, enquanto a identidade social ou coletiva é objetode estudo da sociologia ou antropologia. Alguns autores compreendem sob a perspectiva daidentidade pessoal, como uma "reflexidade da modernidade que se estende ao núcleo do eu"(GIDDENS, 2002 p. 37). Outros a relacionam como uma ideia de identidade coletiva ligada asistemas culturais específicos. Para Castells (2000), a identidade é a fonte de significado para os próprios atores,originada e construída por eles através de um processo de individuação e autoconstrução.Assim, toda e qualquer identidade é construída. Nóbrega (2010) defende que toda aconstrução identitária é comunicada ao mundo através da representação. Ela é um projeto aser criado e que deve também ser reafirmado para se legitimar. Castells (2000) classifica três formas de construção de identidade: a legitimadora, a deresistência e a de projeto. A primeira corresponde à identidade detentora de poder e dá origema uma sociedade civil. É introduzida pelas instituições dominantes da sociedade, buscandoexpandir a dominação das instituições elitistas em relação aos atores sociais. A segunda estárelacionada a uma posição de desfavorecimento, desvalorização, levando os atores aformarem comunidades, “trincheiras de resistência”, uma forma de sobreviver seguindo osprincípios diferentes dos impostos a eles ou pelas instituições. Essa representação, nociberespaço, pode ser representada pelos hackers, que utilizam os espaços virtuais paraativismo e ações. A identidade de projeto é aquela em que os atores estavam em posição deresistência até que, devido a utilização de qualquer tipo de material ao seu alcance,construíram uma nova identidade, assumindo assim uma nova posição da sociedade. É a novaidentidade a ser construída, pois “cada tipo de processo de construção de identidade leva a umresultado distinto no que tange a constituição da sociedade” (CASTELLS, 2000, p. 24). Já Hall (2002) distingue três concepções de identidade. A primeira, a identidade dosujeito do Iluminismo, compreende a pessoa humana como um indivíduo centrado, unificado,consciente. Seu centro consistia em um núcleo interior, que o acompanhava desde o seunascimento, desenvolvimento, permanecendo o mesmo ao longo de sua existência. O centroessencial do eu era a identidade de uma pessoa. O autor considera essa uma concepçãoindividualista do sujeito e de sua identidade.
  26. 26. 25 A segunda concepção é a identidade do sujeito sociológico, noção que, segundo oautor, reflete a complexidade do mundo moderno, onde o sujeito não é mais autônomo e auto-suficiente. Essa identidade seria constituída pela relação do sujeito com outras pessoasimportantes para ele, pessoas que mediariam valores, sentidos e símbolos. A identidade e o euganham uma concepção interativa. Mais do que isso, a identidade é resultado da interaçãoentre o eu e a sociedade. Apesar de ter uma essência interior, um "eu real", este seria formadoe modificado de acordo com as relações dos mundos culturais e as outras identidadesexistentes. Hall (2002) explica que essas compreensões mudaram, citando o debate sobre asvelhas identidades estarem em declínio, fazendo surgir novas identidades. O sujeito, que antesera compreendido como tendo uma identidade unificada e estável, torna-se fragmentado,composto não mais por uma, mas por várias identidades, muitas contraditórias ou nãoresolvidas. A "perda de um sentido de si" estável, chamada de descentração do sujeito, é umdeslocamento dos indivíduos do seu lugar no mundo social, cultural e de si mesmos. Essamudança no processo resulta na criação de um sujeito sem identidade fixa, essencial oupermanente: a identidade do sujeito pós-moderno. O sujeito pós-moderno assume identidadesdiferentes em diferentes momentos, identidades contraditórias, não relacionadas a um "eu"coerentes. Para o autor, a ideia de identidade completamente unificada, segura e coerente nãoé real. A medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e ambiente de identidades possíveis, com cada uma das quais poderiam nos identificar - ao menos temporariamente (HALL, 2002, p.13). Na ideia de Hall, a identidade não é uma questão de ser, e sim de tornar-se. Oindivíduo pós-moderno tem sua identidade definida historicamente, resultando em diversasidentificações ao longo do tempo. Os elementos que a compõe permanecem articuladosparcialmente, tornando o sujeito aberto à mudanças, negociando seu papel social emdiferentes situações. Hall (2002) cita cinco rupturas “do pensar social” responsáveis por mudar a identidadedo sujeito unificado e estável para essa desfragmentada. A primeira delas, ruptura dopensamento marxista, coloca as relações sociais no centro do pensamento, rejeitando as idéiasfilosóficas sobre a existência de uma essência universal de homem. Karl Marx não aceita essaconcepção de sujeito com essência ideal. Sigmund Freud é o responsável pela segunda
  27. 27. 26ruptura, que ocorre com a sua descoberta do inconsciente, indo contra a idéia do sujeitoracional. Para Freud, a identidade não é formada totalmente, sendo preenchida através doexterior, das formas que imaginamos sermos vistos pelos outros. Na terceira ruptura,Ferdinand de Saussure defende que ‘não somos nós os autores’ das nossas afirmações ou dossignificados que nossa língua possui. Isso por que a língua, um sistema social, estariacarregada de significados culturais, carregando ecos. Os significados das palavras não sãofixos, dependem da similaridade e da diferença. A identidade, assim, teria a mesma estruturaque a língua, “eu sei quem eu sou em relação com o outro que eu não posso ser” (Hall, 2002,p.40). A quarta ruptura tem relação com o poder, baseada nos pensamentos de MichelFocault. Com o “poder disciplinar” e da vigilância, todas as pessoas seriam individualizadas.Para Hall, quanto mais coletiva e organizada as instituições da modernidade tardia, maior oisolamento e a individualização do sujeito individual. O impacto do feminismo para a sociedade contemporânea é a última ruptura dopensamento que influenciou a concepção do sujeito e a identidade pós-moderna. Aqui, secaracterizam todos os movimentos associados ao ano de 1968, como política sexual, lésbicas,gays, lutas raciais e movimentos pacifistas, entre outros. O feminismo foi responsável porquestionar a distinção do público e o privado, abrir novas formas de vida social como afamília, a sexualidade, o trabalho doméstico. Também politizou a subjetividade, o processo deidentificação entre homens/mulheres, pais/mães, filhos/filhas. Hall (2002) explica que omovimento expandiu, incluindo a formação de identidades sexuais e de gênero, questionandotambém a noção de que homens e mulheres eram parte da mesma identidade, a "humanidade",que seria substituída pela questão da diferença sexual. Mustaro (2004), explica o conceito ampliado de identidade defendido por Castells(2000). Ao defender a ligação entre o aspecto cultural e a auto-representação na ação social, oautor coloca a identidade como parte do processo de significado cultural, “formada poratributos inter-relacionados que predominam sobre outras fontes de significado”. Porém, oautor ressalta que essas múltiplas diversidades constroem elementos de contradição, não sóentre as relações do sujeito, mas em sua própria representação. A Identidade é relacional para Woodward (2000), pois depende de algo fora dela paraexistir, de outra identidade que possibilite condições para que ela exista. Para a autora, aidentidade também é produzida por sistemas de representação, também compreendidas comoum processo cultural e que estabelecem identidades, tanto individuais quanto coletivas, “e ossistemas simbólicos nos quais ela se baseia fornecem possíveis respostas às questões: Quemsou eu? O que eu poderia ser? Quem eu quero ser?” (WOODWARD, 2000, p. 17).
  28. 28. 27 Para Kellner (1992 apud KILPP, 2003, p. 143), a identidade na modernidade tornou-seproblemática e o assunto da própria identidade transformou-se, por si só, em problema: “Defato, somente em uma sociedade ansiosa com sua identidade, poderiam surgir os problemas deidentidade pessoal, ou auto-identidade, ou crise de identidade e tornarem-se preocupações eassuntos de debate”. Bauman (2005, apud NÓBREGA, 2010) explica que, se antes a identidade humana deuma pessoa era determinada através do trabalho, do seu desempenho social, atualmente ela éconseqüência das escolhas. Para Nóbrega, devido à pós-modernidade, as identidades hoje seformam em torno do lazer, da aparência, da imagem e do consumo, com laços frágeis em suadelimitação. Na Internet, a inconstância da identidade é mais perceptível, segundo Turkle (1997).Devido à tecnologia, é possível que uma pessoa esteja em vários lugares, em vários contextose em várias comunidades ao mesmo tempo. Essa grande presença no ciberespaço permite queuma identidade seja criada, uma identidade seguindo os aspectos pós-modernos, flexível e emconstante mutação. No estudo do conceito de identidade, a alteridade é um dos aspectos encontrados. Issopor que a identidade do sujeito também é constituída através de diferenças. Para Natal (2009,p.45), a identidade não é formada apenas pela imagem que o sujeito envia de si mesmo, mastambém através da alteridade, quando se atribui um conteúdo específico à diferença que osepara dele. A definição do ser assim dependeria também da diferença, “onde o outro se tornaparte integrante elemento constitutivo do ‘eu’”, sem perder sua própria identidade. Essa concepção trabalha a ideia de reafirmação das diferenças, onde o sujeito acreditasaber o que é o outro para poder atribuir uma diferença. De acordo com a autora, não há maisuma crise de identidade, mas sim uma busca por identidade – busca por ser o que o outro nãoé, “mas não somente isso” (NATAL p. 45). Embora nesse caso o “outro” seja parte integranteda identidade, a constituição do “eu” ainda é própria. Após apresentar esses conceitos da identidade do sujeito, buscaremos compreendercomo esta representação é encontrada nas redes sociais no próximo capítulo.
  29. 29. 284 IDENTIDADES NAS REDES SOCIAIS No ciberespaço, há um permanente processo de construção e expressão de identidadesdos atores. As apropriações dos sujeitos demonstram que esse processo vai além das páginaspessoais, Fotologs ou perfis no Orkut. Elas funcionam como uma presença do “eu” nociberespaço, onde o espaço é privado e ao mesmo tempo público. “Essa individualizaçãodessa expressão, de alguém, "que fala" através desse espaço é que permite que as redes sociaissejam expressas na internet.” (RECUERO, 2009, p. 27). Para Régine Robin (1997 apudLEMOS, 2002), a internet é um espaço de exploração de novas formas de identidade, quepodem servir tanto como instrumento de construção identirária quanto como forma desocialização. Ao encontro disso, Natal (2009) afirma que hoje a identidade não está mais associadaa um rosto ou nome. É no ciberespaço que a carga de identidade de um indivíduo, seja elepessoa “real” ou não, é descarregada. Ao modificar algum aspecto dessa carga na internet, ousuário irá editar mais do que uma informação, mas parte do que representa e é ali. Sibilia explica os aspectos da construção de si e da narração do eu por alguns weblogs.Para a autora, a percepção de um weblog, como uma narrativa, através da personificação dooutro, é “essencial para que o processo comunicativo seja estabelecido” (SIBILIA, 2003 apudRECUERO, 2009, p. 26). O entendimento do espaço do outro no cibersepaço ocorre atravésda construção do site, com elementos identitários e de representação de si. A construção da identidade na internet através das páginas pessoais foi analisada porDoring (2002), que concluiu que os websites pessoais eram apropriações individuais dociberespaço, utilizados permanentemente para a construção de si. Enquanto a noção tradicional de identidade assume homogeneidade e estabilidade da identidade pessoal (Erikson, 1968), a identidade pós moderna é entendida como uma miscelânea (Kraus, 2000ª) ou “de diversas origens” (Gergen, 1991, p. 150) de sub- identidades independentes e parcialmente contraditórias, que são construídas novamente na identidade de trabalho cotidiana e relacionadas a outras para sustentar um senso de coerência (Kraus, 2000a, 2000b). (DORING, 2002)3 Para o autor, a personalidade também não é mais compreendida hoje em dia comouma identidade homogênica e estática, mas como uma estrutura múltipla e dinâmica, que écomposta por vários “aspectos de si mesmo”. Os conceitos de identidade são foco da3 Tradução livre da autora. Disponível: http://jcmc.indiana.edu/vol7/issue3/doering.html - acesso em: 22 de out.2011
  30. 30. 29construtividade e mudança. Isso por que a página pessoal está sempre em construção e podeser atualizada a qualquer momento. Doring defende que a idéia de “construção” da identidadeé importante para a compreensão do weblog como uma faceta de sua identidade. Essamutação na página do ator reflete na identidade do indivíduo, que também é constantementemodificado. Recuero (2009) explica que, assim como o blog é constantemente alterado, aidentidade do indivíduo também é. Ao encontro disso, Lemos (2002) considera as páginas pessoais como formas deconstrução de uma imagem identitária, mesmo que esteja sempre fragmentada e sendomodificada. Para isso, usa de exemplo os diversos websites que estão, de forma sintomática,permanentemente em construção. Para o autor “a web e suas páginas pessoais podem servistas como formatos fluidos de construção de imagens identitárias” (LEMOS, 2002, p.10)onde a rede não é apenas um hipertexto informativo, mas um hipertexto social complexo. Nas redes sociais, um ator pode utilizar o perfil do Orkut como forma de identidade,onde suas preferências estão apontadas, e passíveis de mudança a qualquer momento. Já noFotolog, a forma de identificação do ator é o link. Segundo Recuero, perfis do Orkut, blogs,Fotologs, são pistas de um "eu" que poderá ser percebido pelos demais. São construçõesplurais de um sujeito, que representam as múltiplas facetas de sua identidade. Porém, Lemosconsidera as incertezas presentes na identidade dos atores na internet: “no ciberespaço aidentidade é ambígua, não existindo certezas (sexo, classe, raça) para a determinação dasformas de interação” (LEMOS, 2002, p. 174-175). Nóbrega (2010) defende que, na rede, onde a representação dos atores ocorre por meioda publicização do eu, o ego vira peça central. A autora explica que, se com a democratizaçãodo acesso à internet, a possibilidade de o indivíduo encontrar alguém como ele ampliou-se, aliberdade de se auto afirmar da maneira que quisesse também. Os atores passam a serepresentar da maneira que desejam encontrar outros atores para interagir. A construçãoidentitária é expressa através de representação, sendo também reafirmadas com o objetivo dese reafirmar. Na internet, os usuários usam as redes sociais como ferramentas na construção dessasidentidades. Entretanto, por ser uma concepção simbólica, Nóbrega não considera importanteverificar a autenticidade das informações, mas sim o processo de elaboração e utilização daidentidade construída. Não importa aqui discutir a validade dessas concepções identitárias declaradas pelos usuários das redes de relacionamento virtuais ou em até que ponto elas
  31. 31. 30 correspondem ao real, mas sim a utilização desse tipo de mídia como substrato de construções identitárias (NÓBREGA, 2010, p. 99). Nóbrega explica essa construção de identidades que ocorre no espaço simbólico: Toda a concepção identitária se esboça em forma de representação e no caso das redes virtuais de relacionamento, a representação do indivíduo se dá por meio da publicização do eu. O ego se torna uma centralidade na rede. A forma de se projetar a imagem na rede pode ser caracterizada como dramática, na medida em que é uma espécie de processo teatral de representação. (NÓBREGA, 2010, p. 97). Para a autora, a identidade é uma convenção socialmente necessária, que forma-seatravés de representação. E aparecem diariamente nas redes sociais, espaços abstratos em quesão estabelecidos laços afetivos e representações. Na internet, os usuários podem escolherseus avatares com características físicas diferentes das suas no mundo real. Esse é umexemplo da representação da sua identidade na rede. Porém, Nóbrega defende que além dessetipo de representação, a internet reúne grupos de pessoas com características em comum eexcluem as que não possuem as características do modelo desejado. Algumas dessas representações nas redes sociais são os fakes. Mocellim (2007), emseu estudo sobre os fakes no Orkut, explica que os usuários do site geralmente se referem aum perfil como fake não só quando informações do perfil são falsas, mas também quando operfil se refere a uma pessoa que não é o usuário. Alguém não pode ser considerado fake de si mesmo; nos casos em que as pessoas expõem fatos, ou características, que não correspondem com ela na realidade, os usuários costumam dizer que a pessoa está criando outra identidade, criando um personagem, sendo falso, exagerando. Porém, fake serve para os casos em que realmente busca-se ser outra pessoa, afirmando ser outro, e não sendo o mesmo, apenas se descrevendo ou agindo de uma maneira diferente do esperado pelas pessoas que o conhecem pessoalmente. (MOCELLIM, 2007, p. 10). O autor classifica os fakes em quatro tipos: a) Fakes obviamente falsos: personagens fictícios que utilizam característicasconsideradas bizarras, satíricas ou excêntricas. São facilmente percebidos como fakes egeralmente demonstram isso intencionalmente. O perfil @gracekarioca4, por exemplo, é um fake obviamente falso, com umpersonagem fictício e apresentação constante de determinadas características.4 www.twitter.com/gracekarioca - acesso em 10 de out 2011
  32. 32. 31 FIGURA 7 – Perfil do fake @gracekarioca Fonte: http://www.twitter.com b) Fakes que copiam personagens ou pessoas reais: os usuários criam perfis depersonagens de filmes, novelas, séries, ou mesmo dos atores que as interpretam. Geralmente,é tido como óbvio que o perfil é fake, porém, muitos incorporam características e interagemcomo o original. Alguns tentam realmente convencer que são os reais, outros deixam claroque são falsos. No twitter, um dos exemplos é o perfil do @pvc_espn5, um dos objetos deestudo desse trabalho e que será abordado posteriormente.5 www.twitter.com/pvc_espn - acesso em 10 de out 2011
  33. 33. 32 FIGURA 8 – Perfil do fake @pvc_espn Fonte: http://www.twitter.com c) Fakes espiões: São usuários que criam suas contas a fim de investigar perfis deoutros usuários. Esses perfis possuem poucas informações e frequentemente aparecem comnomes que sugerem que somente essa utilização6. Mais utilizados no Orkut, foi uma práticapopular para a utilização da rede com mais privacidade. O usuário @e0017 é um exemplo desta categoria.6 O autor cita exemplos de perfis fakes dessa categoria nomeados com “Eu fucei mesmo”, “Agente Secreto”,“Olho que tudo vê”.7 www.twitter.com/e001 - acesso em 10 de out 2011.
  34. 34. 33 FIGURA 9 – Perfil do fake @e001 Fonte: http://www.twitter.com d) Fakes que se propõem como pessoas verdadeiras: Neste caso, os usuáriosadotam nomes, adicionam amigos, colocam fotos, entram em comunidades, enviam recados,como se fossem essa pessoa. Esses fakes querem ser reconhecidos como reais. Váriascelebridades possuem esse tipo de fake no microblog. O @luanapiovani8 é um deles.8 www.twitter.com/luanapiovani. acesso em 10 de out 2011.
  35. 35. 34 FIGURA 10 – Perfil do fake @luanapiovani Fonte: http://www.twitter.com Por conta do recorte desse trabalho e da amostra escolhida, os tipos de fakesobservados neste trabalho são os itens a (fakes obviamente falsos) e o b (fakes que copiampersonagens ou pessoas reais) Embora esses fakes sejam parecidos com o conceito de “falsa representação” descritopor Goffman (2004 apud MOCELLIM), quando alguém finge ser algo diferente do querealmente é, Mocellim ressalta que há diferenças: Porém a idéia de falsa representação não dá conta de tudo envolvido aqui. Falsa representação leva a pensar que o que está sendo exibido, a representação que está sendo observada, seja falsa. Ela não é falsa – e Goffman ressalta isso, no que trata de relações face a face. Pode ser tomada como falsa, na medida em que trata da interpretação de alguém que não existe realmente, ou da ocupação de posições sociais as quais não deveriam estar ocupando; mas é verdadeira na medida em que tudo o que é dito ou feito vem de uma pessoa, e representa o que uma pessoa pensa, faz, ou é. (MOCELLIM, 2007, p. 11 ). Assim o autor entende que mesmo essa representação fake não quer dizernecessariamente falsa, já que a representação da pessoa existe presencialmente. O fake do ator
  36. 36. 35Cristian Pior, por exemplo, tornou-se o famoso @hugogloss9 e conta com uma base forte deseguidores e interações. Depois de conversar com o verdadeiro Cristian, o usuário resolveuevitar problemas e criar outro perfil. Apesar de ser um perfil falso, as representações que elerealiza são experiências reais e hoje continuam no seu perfil. Mesmo assim, sabe-se poucasinformações sobre o nome verdadeiro, fotos e ocupação do usuário. Para Mocellim (2007), os fakes também podem ser compreendidos como um dosexemplos da fragmentação das identidades, causada através da diversificação dos contextos deinteração contemporâneos. A criação desses fakes podem ter vários objetivos distintos. Muitos deles nãopretendem convencer outros usuários que são a pessoa representada, criaram o perfil visandoexplorar seu lado cômico. Fontanella (2011) defende a utilização da Internet não só comoforma para rir, mas acredita que hoje seja um dos seus usos mais freqüentes no dia-a-dia.Dentro dessa concepção, o autor explica casos em que ocorre um processo de marginalizaçãodos usuários. São práticas culturais escondidas dos usuários comuns da internet, ondegeralmente eles vivem no anonimato, sem manter uma identidade persistente. É o caso doimageboard 4chan10, o mais famoso em atividade. Segundo o autor, usuários desses fórunsfrequentemente são motivados pelo prazer de transgredir e ridicularizar determinados tipos deusuários. Há uma divisão entre os usuários comuns, que utilizam a internet de maneira"socialmente aceitável" e a dos grupos de usuários que vão além dos espaços seguros, queousam e freqüentam os conteúdos mais estranhos na rede. Os usuários do 4chan são exemplosde usuários que, apesar de não criarem uma identidade na rede, produzem um conteúdo quecircula em outros fóruns e comunidades da rede, os memes11. Os chamados Anonymous, sãoa incorporação da identidade social nas comunidades dos chans. Uma identidade flexível, masque permite que os seus usuários os reconheçam a si mesmo no que têm em comum. Para o autor, esse ocultamento da identidade pode trazer benefícios como a expressãolivre de ideias e sentimentos. Porém, o autor também cita Donath (1998), que considerava oanonimato um elemento que inviabiliza a comunidade, sendo necessária alguma forma deidentificação de cada membro, mesmo que seja por um pseudônimo. Enquanto algumascomunidades forçaram a identificação dos participantes, algumas utilizaram o anonimato paracriar um ambiente único de liberdade e igualdade.9 www.twitter.com/huglogloss - acesso em 10 de out 201110 http://www.4chan.org/ - acesso em 10 de out 201111 O termo meme é utilizado para definir pedaços da informação que se espalham pelas redes sociais na internetatravés da replicação (RECUERO, 2009, p. 129).
  37. 37. 36 Citando Marc Guillaume, André Lemos captura bem esse espírito para uso da representação virtual para a transformação do sujeito individualista moderno em um “indivíduo espectral”, que escapa aos constrangimentos da identidade através do anonimato, fugindo assim à homogeneidade de comportamentos (Fontanella, 2010 p.6) Essse é o caso dos perfis fakes analisados neste trabalho. Eles se escondem através dosseus perfis, geralmente não tentam mostrar seu “eu” real e dificilmente sabemos quem são.Entretanto, possuem grande visibilidade e popularidade no site, criando bordões ou memesque se propagam na rede. Até aqui, buscamos entender os conceitos de identidade e como acontece suarepresentação nas redes sociais. No próximo capítulo, veremos as definições de comunidades,redes sociais e sites de redes sociais.
  38. 38. 375 INTERNET E REDES SOCIAIS Na sociedade atual, a cada minuto novas pessoas se conectam na internet, criamconteúdo e consomem informações da rede. O que observamos hoje é um número cada vezmais crescente de pessoas aderindo à tecnologia, a utilização em grande escala de dispositivosmóveis e a necessidade de se estar sempre conectado. Essa expansão na rede transformou amaneira com que as pessoas se relacionam. Lemos (2002), explica que a tecnologia causamudanças que fazem parte do processo de evolução da humanidade e as conseqüências podemter representações e significações diversas. Assim como o fogo e a eletricidade, são inovaçõesque definiram e se incorporaram aos processos cotidianos. Blattmann (2009 apud LEMOS,2002) considera a internet como o principal responsável pela mudança na forma de acesso,obtenção, organização e uso de informação para produção de conhecimento. Se na década de70 a maior parte da população não conhecia um computador, hoje todas as empresas possuemum site. O e-mail transformou a forma de correspondência de longas distâncias, assim comoos serviços de mensagens instantâneas modificaram a idéia de conversa. Pesquisa realizadaem 11 países, incluindo o Brasil, aponta a internet como veículo indispensável por 70% dosentrevistados12. Não é possível medir a autonomia dos usuários no ciberespaço. Enquanto nos meiostradicionais o indivíduo lê, assiste e ouve, na internet, o público faz. Esse é o princípio básicoda WEB 2.0, cujo conteúdo se deve principalmente a participação dos usuários. Siqueira(2009) explica que nessa geração os editores da Web estão criando plataformas ao invés deconteúdo. Isso acontece por que agora são os usuários que agora criam conteúdo. O’Reilly(2005), que cunhou o termo em 2003, defende que na Web 2.0 a arquitetura de participação éfortalecida e há escabilidade de custo eficiente. Nessa geração, não há somente uma mudançatécnica, mas sim na forma em que os usuários e desenvolvedores a utilizam. O público deixoude atuar somente como um consumidor da informação. A conexão entre usuários ecomputadores resultou em um novo conceito de atividade coletiva. Essa nova forma baseou-se no compartilhamento de informações, conhecimentos e interesses. A segunda geração da internet afeta a cultura comunicativa da sociedade, mudandopadrões e hábitos, com tecnologias que permitem a colaboração e interação de informaçõesem tempo real. Lévy (1999 apud LEMOS, 2002) explica que ela se tornou um meio decomunicação modelo todos-todos, onde qualquer pessoa pode produzir e publicar conteúdo na12 http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1397901-6174,00.html – acesso em 10 de out. 2011
  39. 39. 38rede. Impulsionada por essa geração e difundida, principalmente, devido à facilidade deacesso aos dispositivos móveis, as redes sociais viraram parte do cotidiano de quem temacesso à rede. Segundo dados do IBOPE13, 73,9 milhões de pessoas acessaram a web noquarto trimestre de 2010. Número que tende a aumentar: de outubro de 2009 a outubro de2010, o número de pessoas que acessam a internet regularmente cresceu 13,2%.14 Dessenúmero, 86% dos usuários possui algum perfil em uma rede social15. As redes sociaisatingiram um nível de importância e há muitas especulações sobre o seu futuro. Em 2009,Tim Berners-Lee, famoso na história da internet por ter criado a World Wide Web, aponta asredes sociais e celulares como o futuro da web. Sites populares atualmente, como Orkut, Facebook, Twitter e programas como MSNtem como principal característica a interação e o compartilhamento de informações. Sãoplataformas que fazem parte da segunda geração da internet e permitem aproximação depessoas com afinidades, troca de músicas, fotos, vídeos, entre outros conteúdos.5.1 COMUNIDADES VIRTUAIS E REDES SOCIAIS Para Castells (2003), a história das redes inicia-se junto com a história da própriainternet, já que as primeiras comunidades virtuais foram criadas pelos primeiros usuários deredes de computadores. Segundo o autor, o Institute for Global Communication (IGC) foi oarticulador das primeiras redes de computadores dedicadas à divulgação de causas sociaiscomo a defesa do meio ambiente e a paz mundial. Para ele, as comunidades virtuais moldaramformas, processos e usos da internet, tendo como características a liberdade de expressão eautonomia. Recuero (2003) explica que inicialmente o termo comunidade representava o conceitode "família", de comunidade rural. O agrupamento acontecia baseado na afinidade, mas erarestrito aos locais de abrangência, devido à ausência dos meios de comunicação. Porém, como surgimento da comunicação mediada pelo computador, a busca de novas formas deestabelecer conexões acabou transformando o termo em “comunidades virtuais”.13 http://info.abril.com.br/noticias/internet/brasil-atinge-73-9-milhoes-de-internautas-18032011-32.shl - acessoem 10 out. 201114 http://blog.w3haus.co.uk/2011/04/19/numeros-da-internet-no-br/ - acesso em 10 out. 201115 http://www1.folha.uol.com.br/tec/771611-ibope-aponta-que-87-dos-internautas-brasileiros-estao-em-redes-sociais.shtml - acesso em 10 out. 2011
  40. 40. 39 Recuero (2003) define as comunidades virtuais: A comunidade virtual é, assim, um grupo de pessoas que estabelecem entre si relações sociais, que permaneçam um tempo suficiente para que elas possam constituir um corpo organizado, através da comunicação mediada por computador. (RECUERO, 2003. p.5). Assim, se antes a comunidade é entendida como um grupo de pessoas que interageentre si, na internet essa mesma interação passa a ser mediada pelo computador e de formarecíproca entre as partes. Segundo Rheingold (1992 apud RECUERO, 2003, p.5), as comunidades virtuais nãodevem ser consideradas apenas lugares onde as pessoas se encontram. Elas formam umaplataforma que possibilita os usuários atingir diversos fins. Uma dessas finalidades, segundoCosta (2005), é a formação da idéia de inteligência coletiva. Isso por que as comunidadesvirtuais funcionam como filtros humanos inteligentes, cumprindo um papel para um problemaque os programadores buscavam solucionar: o excesso de informação sem mecanismoeficiente de seleção. Essa idéia atribui às comunidades virtuais a capacidade de resolverproblemas coletivamente em beneficio do indivíduo. Lévy (1992 apud RECUERO, 2003, p.5)afirma que, além de estimular a formação de inteligência coletiva, as comunidades virtuaistambém agem como um mecanismo de mediação cultural tradicional. Isso por que uma redede pessoas com o mesmo gosto e interesse produz um efeito mais desejado e eficiente do quemecanismos de buscas. Assim, o autor defende que as comunidades virtuais organizadaspossuem um papel notável em “termos de conhecimento distribuído, de capacidade de ação ede potência cooperativa.” (COSTA, 2005). Recuero explica que alguns autores defendem que comunidades virtuais devem serestudadas como redes sociais. Isso tem relação com as interações cooperativas e a força dolaço social, que veremos a seguir. Para a autora, as comunidades virtuais devem seradaptativas, auto-organizadas e cooperativas. Outro fator importante para a compreensão deuma comunidade virtual como rede social é a possibilidade de associação de novos membros. Costa (2005), por sua vez, relaciona as diferenças entre os laços sociais e os sistemasde troca de informações antigos com os atuais, defendendo que novas formas mais complexasde comunidade surgiram. Isso nos remete a uma transmutação do conceito de "comunidade" em "rede social". Se solidariedade, vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes quando se procurava definir uma comunidade, hoje eles são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis das redes sociais (COSTA, 2005, p. 8).
  41. 41. 40 Para Aguiar (2008, p.22), “redes sociais são, antes de tudo, relações entre pessoas,estejam elas interagindo em causa própria, em defesa de outrem ou em nome de umaorganização, mediadas ou não por sistemas informatizados”. Para a autora, a rede seria comoum método de interação que tem como objetivo alguma mudança concreta na vida daspessoas, no coletivo ou nas organizações. Algumas redes são informais e espontâneas, quandosurgem da necessidade do indivíduo em interações cotidianas, com familiares, amigos,trabalho, etc. Outras são criadas intencionalmente, chamadas de “indivíduos ou grupos compoder de liderança, que articulam pessoas em torno de interesses, projetos e/ou objetivoscomuns” por Aguiar (2008, p.22). Enquanto a primeira é formada por indivíduos e atoressociais, a segunda possui participantes que atuam apenas institucionalmente. Entram nessacategoria, perfis de empresas e instituições. Para a autora, as redes espontâneas tendem aconseguir interações mais abrangentes do que as redes estimuladas por objetivosinstitucionais. Wasserman e Faust (1994 apud RECUERO, 2009) conceituam redes sociais como umconjunto de atores, organizações ou outras entidades, conectados por motivos de amizade,relacionamentos sociais, profissionais e troca de informação. Ela é formada basicamente poratores sociais e suas conexões, onde atores são os nós das redes (pessoas, instituições ougrupos) e as conexões são interações ou laços sociais (WASSERMAN E FAUST, DEGENNEE FORSE, 1999 apud RECUERO, 2009). A representação pode ser constituída de um perfilno Orkut enquanto a conexão são as relações que os atores criam na rede. Uma rede seria aforma de observar padrões de conexões em um grupo social através das conexões realizadasentre seus atores. Não é possível isolar os atores sociais nem suas conexões, pois um dependedo outro para formar sua estrutura social dentro da rede. Atores são representados por nós e moldam as estruturas sociais através da interação eda constituição de laços sociais. São as pessoas envolvidas na rede, as pessoas que estão portrás de seus perfis nas redes. Enquanto isso, as conexões em uma rede social são constituídasdos laços sociais que são formados através da interação social entre os atores. A interação nociberespaço também é uma forma de conectar pares de atores e demonstrar que tipo de relaçãoeles possuem entre si. Recuero defende que as características das redes sociais são relevantes no ciberespaçojustamente por que a internet permite que essas informações permaneçam no ciberespaço. Aautora distingue as redes sociais em dois tipos: as redes emergentes e as redes de filiação ouredes de associação. As redes emergentes são baseadas na interação e conversação mediadas
  42. 42. 41pelo computador. Nas redes emergentes, a interação é do tipo mútuo e elas tendem a ser maisconectadas e menores. Comentários em blogs são exemplos desse tipo de rede, que necessitade maior esforço dos atores sociais para manter o perfil atualizado e um laço social forte. Em contraponto, as redes sociais de filiação possuem conexões forjadas, onde hásomente um grupo de atores, que não partem do laço social de outros membros. Um exemplodesse tipo de rede são as listas de amigos de um perfil do Orkut. Não é necessário interaçãoentre os atores para manter o usuário na rede, apesar dos usuários poderem ter tido laços emoutros espaços. Os atores permanecem nas conexões, mas não precisam interagir ou conversarentre eles. Esse tipo de rede pode ser muito maior, já que não necessita de esforço dos atores etendem a agregar mais nós.5.2 SITES DE REDES SOCIAIS Para Recuero (2009), os sites de redes sociais são uma conseqüência da apropriaçãodas ferramentas de comunicação mediadas pelos atores sociais. Uma das principaiscaracterísticas dos sites de redes sociais é a exposição das conexões de um indivíduo, quetorna público suas relações com outros usuários, quem são seus amigos, etc. Outro elementodeterminante, segundo Recuero, são as construções de representações das pessoas envolvidas.A autora defende a distinção entre as redes sociais e a ferramenta que as suporta afirmandoque as redes “são, por si, expressões de grupos sociais, de pessoas e instituições que estãopermanentemente interconectadas pelas novas tecnologias de comunicação e informação.”(2009, p. 102). Assim, os sites de redes sociais seriam os espaços para essa expressão. Boyd & Ellison (2007 apud RECUERO, 2009) consideram sites de redes sociais ossistemas permitem a representação virtual através da criação de um perfil, a capacidade e deconexão com outras pessoas e a navegação entre as conexões formadas pelos nós das redes. Recuero explica as diferenças entre os sites de redes sociais e as outras formas decomunicação mediada pelo computador: A grande diferença entre sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação das redes sociais, a manutenção dos laços estabelecidos no espaço off-line. (RECUERO, 2009, p. 102) Dessa forma, tanto os fotologs, os blogs e sites como Facebook e Twitter sãoexemplos de sites de redes sociais, já que possuem mecanismos de individualização,
  43. 43. 42exposição das redes sociais de cada ator e a possibilidade dos usuários construírem interaçõesnesses espaços como características. Para Recuero (2009), há os tipos de sites de redes sociais propriamente ditos e os sitesde redes sociais apropriados. Os sites propriamente ditos são focados em expor e publicarintencionalmente as redes e conexões dos atores. Nesses sites, é necessária a criação do perfilpara a interação com outros usuários, como Orkut e Facebook, visando a ampliação das redes,facilitando a conexão e o fortalecimento do laço social. Nos sites apropriados, não há essaintenção original, mas seus atores acabaram tornando-os sites de redes sociais devido suautilização. É o caso do Fotolog, um site sem espaço para perfil, nem são mostradas asconexões. Porém, devido a construção de alguns usuários e suas interações com outros atores,acabam agregando características de rede social ao site. Muitos atores que não querem ser identificados optam por criar perfis falsos nos sitesde redes sociais. Essa prática foi bastante observada no Orkut, onde os usuários criavam perfiscom nomes falsos, utilizando a identidade de personagens reais ou fictícios. Dessa forma,interagiam sem que os outros atores soubessem sua identidade real. Segundo o conceito de Boyd e Ellison (2007 apud RECUERO, 2009), o perfil é umapágina onde o usuário escreve sobre si mesmo. Ao se cadastrar em um site de rede social, ousuário preenche um formulário com diversos campos sobre sua vida, enviando fotos epersonalizando seu perfil. Após isso, ele é convidado a se conectar com outros usuários. Nestadefinição, o SixDegrees16 foi o primeiro site a ter todas as características de rede socialmediada pelo computador. O Sixdegrees permitia somente que os usuários se conectassemcom outros e navegassem entre os perfis. Por questões financeiras, o site durou pouco mais detrês anos. Se em 1997 tivemos o primeiro site de rede social, foi somente em 2002 que houvesua popularização, com o Friendster17. A rede foi percussora em levar esse tipo de site acultura de massa, mas não conseguiu suportar a quantidade de usuários. Em 2003, Last.Fm18,MySpace19 e Linkedin20 são criados, exemplificando a segmentação das redes. A primeira,voltada aos fãs de música, é baseada no compartilhamento e recomendação musical dosusuários. Possui fórum, estações rádio um sistema colaborativo de etiquetamento e indexaçãodos arquivos de música. O MySpace foi criado para reunir em um só perfil fotos, blogs,vídeos e música. Apesar de ser inicialmente ser comparado ao Friendster, ganhou relevância16 http://www.sixdegrees.com/ - acesso em 25 ago. 201117 http://www.friendster.com/ - acesso em 25 ago. 201118 http://www.lastfm.com.br/ - acesso em 25 ago. 201119 http://www.myspace.com/ - acesso em 25 ago. 201120 http://www.linkedin.com/ - acesso em 25 ago. 2011
  44. 44. 43no cenário musical, tornando-se “uma importante fonte de informações sobre turnês, datas elançamentos de álbuns para as revistas/sites/jornais especializados em música” (AMARAL,2007, p.96). Durante um período, o MySpace chegou a ser a rede social mais popular nosEstados Unidos. Já o Linkedin tem como foco a rede profissional, sendo utilizado porempresas e empregadores. Em 2010 o site contava com 70 milhões de usuários e um milhãode empresas cadastradas. Assim, vários outros sites de redes sociais surgiram e continuam asurgir. Mais segmentados, hoje é possível encontrar sites para nichos cada vez maisespecíficos como adoradores de hamster (HAMSTERster21) ou fanáticos por futebol(Kigol22). No Brasil, durante muito tempo a rede social mais acessada foi o Orkut23. Durante omês de maio de 2010, o site recebeu 26 milhões de visitantes únicos. Criada em 2004 por umfuncionário do Google, a rede inicialmente só permitia o cadastro de um usuário através deum convite de outro usuário já cadastrado. O site permite a criação de perfis com interesses,fotos e criação de comunidades que funcionam como fóruns. No Brasil, país que, junto com aÍndia, domina a participação de usuários, a rede teve importância na popularização dos sitesde redes sociais. Segundo pesquisa Ibope Nielsen com 8561 entrevistados, o Orkut foi a portade entrada para a internet no brasil. Para 82% daqueles que acessam as redes, o Orkut foi aprimeira delas. Em Setembro de 2011, foi divulgada a pesquisa do Ibope Nielsen indicandoque o Facebook ultrapassou o Orkut em número de usuários no Brasil24. O Facebook é atualmente a maior rede social do mundo. Dados apontam que 750milhões de pessoas estavam conectadas na rede em 201125. Em 2012, a companhia estima queo número alcance um bilhão. Criado em 2004, o sistema era inicialmente focado a alunos deHarvard, passando depois a ser disponível a outras escolas. O site funciona através de perfis epáginas de comunidade, com o diferencial da criação de aplicativos. Dentre todos os sites de redes sociais disponíveis atualmente, o Twitter será o foconeste trabalho, portanto, será descrito a seguir.21 http://www.hamsterster.com/ - acesso em 22 out. 201122 http://kigol.com.br/ - acesso em 22 out. 201123 http://www.orkut.com – acesso em 22 out. 201124 http://www1.folha.uol.com.br/tec/973266-facebook-ultrapassa-orkut-em-usuarios-no-brasil.shtml acesso em22 out. 201125 http://exame.abril.com.br/tecnologia/facebook/noticias/facebook-atinge-750-milhoes-de-usuarios acesso em22 out. 2011
  45. 45. 445.2.1 Twitter O Twitter é um misto de microblog, mensageiro instantâneo e Site de Rede Social(SRS). Sua descrição depende do tipo de apropriação dos usuários. Microblogs são ferramentas de blogs simplificadas, geralmente relacionadas à idéia demobilidade e com restrições no tamanho das mensagens (ZAGO, 2008). A autora explica aferramenta de microblogging como uma mistura de rede social e mensagens instantâneas.(ORIHUELA, 2007 apud ZAGO, 2008). Já o ato de postar mensagens em um blog pessoalatravés de dispositivos móveis ou comunicadores instantâneos é chamada de microblogging.(MCFE-DRIES, 2007 apud ZAGO, 2008). Embora a ferramenta tenha características de blog,sua maior diferença é a restrição do tamanho das mensagens, que permite maior facilidade deintegração com outras ferramentas digitais. O microblogging privilegia “a brevidade dostextos, a mobilidade dos usuários e as redes virtuais como entorno social emergente” (ZAGO,2008, p.7). Essas características fazem dos microblogs ferramentas ágeis e rápidas nacobertura de acontecimentos e na comunicação em geral. O usuário, por ter diversas opçõesde postagem, pode enviar uma mensagem a qualquer momento do dia, em qualquer lugar, nãodependendo mais de um computador para isso. A freqüência de várias atualizações por hora,muitas vezes com uma narrativa de minuto-a-minuto ou ao vivo da rotina diária ou de eventosfazem com que os microblogs tenham como característica a atualização constante, comoexplica Trasel (2008). Outro fator considerado importante na distinção de blog emicroblogging é a simplicidade de manutenção. Segundo Zago (2008), desde 2006 centenasde outras ferramentas de microblogs foram criadas, baseadas no mesmo padrão de funções doTwitter, hoje a mais famosa e bem sucedida delas. O Twitter é um serviço de microblog onde os usuários respondem, em até 140caracteres, a pergunta “What’s happening?”. Spyer (2009, p. 36) define o site como “umaferramenta para “micro-blogagem” baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, nocompartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real”. No seu próprio site otwitter é caracterizado como “uma rede de informação em termo real que conecta as últimasinformações sobre o que você achar interessante”. Com uma estrutura similar a de um blog,grande parte dos usuários utiliza a plataforma para ler notícias, conversar, trocar links ecomentar assuntos da atualidade. O conceito do Twitter começou a ser pensado no ano 2000 pelo programador JackDorsey. Somente seis anos mais tarde, uma mensagem foi publicada na primeira versão doserviço. Dom Sagolla, integrante da equipe que lançou o site, escreveu: “oh this is going to be
  46. 46. 45addictive”, em 21 de março de 2006. Originalmente, a pergunta que o Twitter fazia na páginainicial era “o que você está fazendo?”. Em julho de 2009 seu slogan mudou para "compartilhee descubra o que está acontecendo neste momento, em qualquer lugar do mundo" e a perguntapassou a ser “O que está acontecendo?”. Essa pergunta mudou devido às apropriações e usosdos interagentes que passaram a compartilhar não só o que estavam fazendo, mas o queacontecia ao seu redor. Para Lima (2009), essas modificações mostram uma mudança nos objetivos dosfundadores do site. Se no início a plataforma tinha o objetivo de formar uma comunidadeglobal de amigos e conhecidos, hoje a sua interface mostra a pretensão de tornar o Twitter o"pulso da internet global". A página inicial do site, desde 6 de junho em português – assimcomo todo o site26 – apresenta a frase “Siga o que lhe interessa”, mostrando o twitter como olocal que possui atualizações instantâneas de amigos, celebridades e especialistas. Em,pesquisa realizada em 2009 mostrou que. para 45% dos usuários, as redes sociais substituema informações dos portais de notícias27. FIGURA 11 – Página inicial do Twitter Fonte: www.twitter.com Após se logar, a página apresenta uma caixa de texto e o espaço de 140 caracteres parapublicação de alguma mensagem. O texto pode incluir links para vídeos, fotos e outros sites.26 http://www1.folha.uol.com.br/tec/926605-twitter-lanca-versao-em-portugues.shtml - acesso em 22 out. 201127 http://www.administradores.com.br/informe-se/tecnologia/para-45-dos-internautas-brasileiros-redes-sociais-substituem-portais-de-noticias/40315/ - acesso em 22 out. 2011
  47. 47. 46Muitos usuários utilizaram encurtadores de URL, já que alguns links são extensos e nãoutilize todo o espaço para publicação. O limite de caracteres permite a integração do twittercom mensagens de texto via celular. As atualizações podem ocorrer por meio de SMS,serviços de mensagens instantâneas, aplicativos ou pelo site oficial. Para O’REILLY (2009), apossibilidade de enviar e receber mensagens por vários mecanismos, em tempo real, faz dotwitter uma plataforma de comunicação muito útil, que pode se encaixar na rotina de trabalhode qualquer um. Segundo o site, usuários móveis do serviço cresceram 182% no último ano. Conforme informações do site, o twitter possui 175 milhões de usuários registrados e95 milhões de mensagens são escritas por dia. Uma pesquisa realizada em junho de 2009 pelaComScore mostra que o site cresceu 1460% em relação a junho de 200828. Embora o site nãodivulgue os números relativos aos perfis brasileiros, uma pesquisa realizada pelo grupo norte-americano Web Ecology, mostra que a língua portuguesa é a segunda mais usada naplataforma, atrás somente do inglês. Cada mensagem postada no Twitter é chamada de “tweet” ou “tuíte”. Ao se logar, apágina inicial do site apresenta os tweets das pessoas que o usuário segue. No twitter,diferente de outras redes sociais como Orkut e Facebook em que adiciona-se perfis comoamigos, o usuário segue outro perfil. O perfil seguido pode optar por segui-lo de volta, ounão. A partir do momento em que se segue algum perfil, as atualizações desta pessoa passama aparecer na página inicial, não precisando acessar cada página para ler suas mensagens. Háum ano, as pessoas mandavam 50 milhões de tweets diariamente. No dia 11 de março de2011, a contagem chegou a 177 milhões, segundo informações divulgadas no blog dotwitter29. Para falar com alguém no Twitter e a pessoa ter conhecimento disso, é necessáriocolocar um @ seguido do nome do usuário. Não é necessário seguir a pessoa, nem ser seguidopor ela para mencionar alguém em uma mensagem. O usuário da pessoa (ex. @dierli) utiliza olimite de caracteres disponíveis para o tweet. A seguinte imagem descreve os elementos da página inicial do usuário na últimaversão do Twitter:28 http://www.techcrunch.com/2009/08/03/twitter-reaches-445-million-people-worldwide-in-june-comscore -acesso em 22 out. 201129 http://blog.twitter.com/2011/03/happy-birthday-twitter.html - acesso em 22 out. 2011
  48. 48. 47 FIGURA 12 – Página inicial o usuário do Twitter Fonte: http://www.twitter.com 1- Caixa de texto 2- Mensagem postada 3- Mensagem recebida de outro usuário 4- Mensagem postada como resposta a outro usuário 5- Lista de perfis que está seguindo 6- Lista de seguidores 7- Assuntos do Momento (Trend Topics) 8- Quem seguir 9- Mensagens (Direct Message) 10- Pesquisa No campo número 1, observamos caixa de texto com o limite de 140 caracteres para ousuário respondê-la. O número 2 é um exemplo de uma mensagem que foi escrita no campo1. O campo 3 mostra um tweet com a menção de outro usuário. Essa mensagem fica com olink do perfil citado em vermelho e também aparecerá na timeline do outro perfil, ou na aba
  49. 49. 48“mentions”. No campo 4, temos a situação inversa: outro perfil respondeu ao tweet. Oscampos 5 e 6 apresentam, respectivamente, a lista de perfis que está se seguindo e osseguidores. No campo 7, temos os Assuntos do Momentos. Ainda chamados de Trend Topicspela maioria dos usuários - , a lista dos dez termos mais postados no site. É possível visualizaros Trend Topics de todo mundo ou em algum país específico. Nesse ranking das palavrasmais escritas, algumas aparecem com o símbolo #, chamadas de Hashtags. A Hashtag não éuma invenção da plataforma, e sim dos seus usuários. Ela agrupa mensagens que possuem umdeterminado termo depois do #, facilitando as buscas. É muito utilizada em cobertura deeventos e notícias. No dia 17 de Junho de 2010, foi criado o "Promoted Tweets", uptades patrocinadospor empresas e organizações que aparecem em meio às buscas feitas por assuntosrelacionados dentro da ferramenta. Essa é uma forma do Twitter ganhar dinheiro com oserviço e das empresas ganharem mais visibilidade, utilizando a rede como forma depublicidade. Outra forma de interação que o Twitter possibilita são Mensagens. (número 10). Sãomensagens privadas, que chegam ao destinatário por e-mail, além de aparecerem neste campoespecífico. Quando um tweet enviado com a letra d antes do nome do usuário, uma mensagemprivada é enviada. Somente a pessoa que envia e quem recebe tem acesso às chamadas“DMs” (abreviação de Direct Message, quando o site não havia versão em português). Só épossível enviar uma DM para um usuário que segue o seu perfil. Dessa forma, se o perfil@dierli segue o usuário @exemplo, mas o contrário não ocorre, somente o @exemplo poderáenviar esse tipo de mensagem. Uma das ferramentas mais utilizadas pelos usuários é o Retuíte (ou Retweet). Ele temcomo função replicar uma determinada mensagem de algum outro usuário, dando o créditopara o original. O botão de retweet fica abaixo do tweet original, do lado da opção deresposta. Alguns usuários optam por proteger seus updates. Assim, somente seguidorespodem visualizar suas mensagens. OReilly (2009) considera o Twitter como uma máquinacapaz de produzir perguntas e respostas. Isso por que seus participantes gostam de ajudar e,através de frases curtas e do retuíte, é possível ter um alcance muito grande das informações. Além disso, há os APPs para acessar o Twitter, que possibilita que seus usuários nãodependam somente da versão web, mas também via mobile ou programas como oTweetdeck30.30 http://www.tweetdeck.com/ acesso em 22 out. 2011
  50. 50. 49 FIGURA 13 – Página inicial do Twitter Fonte: http://www.twitter.com O perfil do usuário pode ser visto por todos, inclusive por quem não possui conta –exceto quando ele for privado. A imagem acima apresenta o perfil visto por alguém que segueo usuário. O usuário preenche o seu nome, sua “Bio” (em 160 caracteres) e tem espaço paraincluir um link que poderá redirecionar para outra rede social, blog ou site. Ao lado, épossível ver quantos tweets o ator escreveu e o número de perfis ele segue e é seguido.Abaixo, temos os tweets que o dono do perfil escreveu, tanto como resposta à um ou maisusuários, quanto para toda a timeline. Caso o dono do perfil tenha protegido seus uptades,somente pessoas que o seguem conseguem visualizá-los (perfil privado). Neste caso, tantopara não-seguidores quanto usuários sem conta, o perfil do ator mostra apenas o nome, bio,link para página pessoal, número de tweets, seguidores e seguindo. O twitter ganhou visibilidade na mídia devido sua utilização por famosos. Sites denotícias passaram a usar como pauta informações postadas pelos atores na plataforma.Discussões com usuários ou colegas também tiveram maior repercussão, exposição echegaram a outras mídias. Ao mesmo tempo, o site tornou-se uma forma de divulgação e

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