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  • 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA DANILO FERNANDES CALDI DIENE GARCIA GIMENESRELATÓRIO FINAL DA DISCIPLINA ESTÁGIOSUPERVISIONADO EM PSICOLOGIA ESCOLAR LONDRINA 2010
  • 2 DANILO FERNANDES CALDI DIENE GARCIA GIMENESRELATÓRIO DA DISCIPLINA ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PSICOLOGIA ESCOLAR Trabalho apresentado a disciplina 5 EST 203 – Estágio Supervisionado em Psicologia Escolar, do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina. Supervisor: Mary Neide Damico Figueiró Londrina 2010
  • 3 SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................PÁGINA 5OBJETIVOS......................................................................................................PÁGINA 7EDUCAÇÃO SEXUAL NO DIA A ADIA......................................................PÁGINA 8FORMAÇÃO DE EDUCADORES SEXUAIS................................................PÁGINA 13ENCONTROS DO GEES – METODOLOGIA..............................................PÁGINA 16RESULTADOS...............................................................................................PÁGINA 27DISCUSSÃO...................................................................................................PÁGINA 53CONCLUSÃO.................................................................................................PÁGINA 55CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................PÁGINA 56REFERÊNCIAS..............................................................................................PÁGINA 57
  • 4 RESUMOO presente trabalho refere-se a uma breve apresentação do estágio de psicologia escolar,desenvolvido no Grupo de Estudos em Educação Sexual (GEES), sob coordenação da ProfªMary Neide Damico Figueiró. O GEES já conta com uma história própria dentro daUniversidade Estadual de Londrina (UEL), ligado ao departamento de Psicologia Social eInstitucional (PSI). Esta experiência que relatamos consta da 12ª edição da realização doGEES. Este se estrutura na figura da coordenadora e oito estagiários do quinto ano depsicologia que, em duplas, se dividiram para ministrar quatro turmas de formação emeducadores sexuais. Os encontros aconteceram de maio a novembro, sendo que no períododos dois meses antecedentes (março e abril) os estagiários realizaram estudos direcionados,buscando se aprofundar na temática da Educação Sexual. Entre planos de aulas e relatóriossemanais dos encontros, haviam estudos paralelos e supervisões onde cada grupo pode seracompanhado pela coordenadora. Este aspecto é importante, pois vem auxiliar num sentidode haver um acompanhamento dos grupos de modo mais singular. Nas supervisões, algunscasos que surgiam de dúvidas ou experiências dos integrantes das turmas do GEESpuderam ser debatidos, contribuindo para o enriquecimento de todo o processo. O trabalhodesenvolvido transcorre numa abordagem emancipatória da Educação Sexual,compreendendo que esta perspectiva integra sentidos que buscam uma visão crítica dohomem, compreendido enquanto ser sócio-histórico e ainda procura favorecer aspectospolíticos que envolvem as temáticas acerca da sexualidade. Como citado anteriormente, oGEES é um grupo de estudos em Educação Sexual, seu diferencial corresponde emtrabalhar a formação dos educadores, tendo em vista que este campo faz com que osenvolvidos revisitem sua própria história. Sendo assim, a experiência constituiu-se numaconstantemente redescoberta e releitura dos conceitos e pré-conceitos próprios de cadaparticipante e de cada estagiário.Palavras-chave: Educação Sexual. Formação de educadores. GEES.
  • 5INTRODUÇÃO O presente trabalho traz a temática da Educação Sexual. Mas de que se trata,afinal? Para falarmos de Educação Sexual temos de esclarecer alguns conceitos e pensar aprópria perspectiva do que intencionamos quando dizemos Educação Sexual. Ao adotarmoseste conceito, nos apoiamos em Werebe (1998), quando designa que se trata da práticaeducativa intencional em matéria de sexualidade. Há alguns autores que optam pelaexpressão “Orientação Sexual”, o que a nosso ver pode promover um equívoco delinguagem, enquanto ‘orientação’ pode estar designando uma referência àhomossexualidade, heterossexualidade ou bissexualidade. Em dissertação de mestrado, Figueiró (1996) operou uma pesquisa delevantamento das produções científicas sobre o tema da Educação Sexual no Brasil edefende que, Seja padronizado o uso do termo educação sexual, por considerá-lo mais adequado, uma vez que, entre outros motivos, diferentemente dos outros termos, implica que o educando seja considerado sujeito ativo no processo de aprendizagem e não mero receptor de conhecimentos, informações e/ou orientações”, (FIGUEIRÓ, 1996, p.59). Este trabalho fará um percurso na perspectiva de remontar a discussão sobreEducação Sexual, apoiando-se em diversos autores, tais como Mary Neide DamicoFigueiró, também coordenadora do projeto que será relatado, Guacira Lopes Louro, MariaJosé Garcia Werebe, apenas citando alguns nomes que embasam a prática deste trabalho. Num estudo que resgate as bases de estudo em Educação Sexual, a educaçãoformal e a informal ganham tonalidade, desde que esta distinção é de grande relevância notrabalho com profissionais ligados à área educacional, tal qual se configura o contexto daprática constituinte deste estudo. A distinção entre Educação Sexual formal e informal estáno próprio fundamento que argumenta a necessidade de se trabalhar a educação sexual paraque esta não fique apenas em nível informal e não intencional. É preciso pensar a EducaçãoSexual. Com a aprovação da sexualidade como tema transversal no currículo escolar,desde 1995 aproximadamente, pelo MEC, legitima-se uma demanda social de forma ainda
  • 6mais evidente e formalizada. Ao discutirmos Educação Sexual temos de pensar a questãodos educadores. Deste ponto serão articulados estudos teóricos e práticos. Sob orientaçãode Mary Neide Damico Figueiró, oito discentes do curso de Psicologia da UniversidadeEstadual de Londrina ministraram Grupo de Estudos em Educação Sexual (GEES). Estegrupo teve por finalidade a formação de educadores sexuais. Portanto este tema, “formaçãode educadores”, não pode ser deixado de lado. A partir experiência de ministrar uma turma do GEES, os autores puderam sedefrontar com questões quanto à formação dos educadores, para atuação na área dasexualidade. Mesmo em se tratando de profissionais de áreas distintas (ed. infantil,biologia, serviço social, etc), todos tinham em comum o fato de se defrontarem com aEducação Sexual como uma demanda cotidiana, o que os fizeram buscar um complementoem sua formação no espaço do GEES. Através de diversos relatos e vivências, as experiências do GEES podem serilustrativas do cuidado com a formação destes educadores, no sentido da preocupação éticapara com o educando. O espaço do GEES traz embutido em si todas estas questões epropicia o re-pensar a Educação Sexual própria, desde que nos havemos com valorespessoais que são convocados no exercício profissional também. Uma perspectiva deformação que permite espaço e tempo para a reflexão constitui-se enquanto estrutura doGEES, não corroborando com uma formação técnica, desde que, em matéria de EducaçãoSexual, a história pessoal é revisitada. Tomando esta experiência, os autores buscam trazerà tona alguns pontos importantes de se atentar no tocante à formação do educador sexual.
  • 7OBJETIVOS Dentre os objetivos a que o GEES se propõe, por meio de um processo de reflexãoe construção do conhecimento de modo interativo, estão propiciar o conhecimento dafundamentação teórica-científica acerca da temática da Educação Sexual. O curso, tendosua estrutura apoiada num curso extensivo, durando de maio à novembro de 2010, emencontros de uma vez por semana, permite uma temporalidade que propicie espaço para areflexão e assimilação dos conteúdos por parte dos integrantes do grupo. A sensibilização dos educadores sexuais pressupõe que cada participante revisitesua história pessoal de educação sexual, formal e informal, mexendo com tabus e valoresconstruídos durante todo o percurso de vida destes. Baseados nestas considerações, acoordenadora do programa Mary Neide, e os estagiários ministrantes, julgam que aestrutura em que o curso se dá é coerente com uma perspectiva de trabalho que prioriza areflexão e o desenvolvimento contínuo, não intensivo, pontual e especificamente técnico. Importante ressaltar, no entanto, que não são negligenciadas as necessidades depensar a práticas a partir de acontecimentos cotidianos que, muitas vezes, são trazidas pelosparticipantes dos grupos do GEES. São comuns os relatos de situações que transcorreramno local de trabalho dos integrantes ou mesmo situações de vivência particular, fora dolocal de atuação profissional. O espaço do GEES também prevê abarcar, dentro daspossibilidades, a demanda de discutir sobre estratégias de ensino. Este aspecto será melhorelucidado no tópico sobre os encontros, onde serão relatadas as estratégias dos encontros,dinâmicas e instrumentos utilizados. Partiu-se sempre da reflexão sobre o uso possível dastécnicas utilizadas nos encontros, levando as mesmas a serem pensadas enquantopossibilidade de uso no cotidiano profissional dos participantes do GEES. A conscientização da necessidade de participação ativa na luta contra homofobia ea favor da diversidade sexual também constitui um dos objetivos deste grupo de estudos.De modo geral, todos os objetivos, se afinam com as diretrizes da abordagemEmancipatória da Educação Sexual, que visa promover a autonomia do indivíduo de modoque este possa exercer sua sexualidade de modo crítico e o mais livre e felizmente possível.O GEES então se volta para a preocupação com a formação dos educadores que virão atrabalhar com esta temática.
  • 8EDUCAÇÃO SEXUAL NO DIA-A-DIA O título deste capítulo remete ao texto de Mary Neide Damico Figueiró (1999), demesmo título, que direciona-se à temática da educação sexual cotidiana. Este título leva-nosa pensar que a temática da Educação Sexual não se restringe a uma área ou a um momentoespecíficos onde deveria ser tratada. Antes, nos traz à tona sua característica tão importanteque é sua existência cotidiana, no dia-a-dia, nas relações de modo geral. A Educação Sexual pode ser compreendida em duas categorias básicas, que sereferem a modelos didáticos de organização: a Educação Sexual formal e a EducaçãoSexual informal. Neste livro é enfatizada a questão da Educação Sexual informal. A Educação Sexual, ao contrário do que muitas vezes se imagina, não é umapreocupação contemporânea, não sendo exclusiva dos pensadores deste século. Um dosnomes de maior expressividade é o de Havelock Ellis (1859-1939), expoente como um dospioneiros a pensar a sexualidade remetendo-se a uma abordagem científica. O período colonial também trouxe suas intervenções pedagógicas, que seconstituíam enquanto modelo de Educação Sexual, com a educação dos jesuítas nosinternatos do século XIX. A educação se caracterizada por ser repressora com os assuntosda sexualidade dos jovens jesuítas, mesmo que de modo velado. Façamos então a distinção entre Educação Sexual formal e informal. Juntamentecom Werebe (1998), traçamos o entendimento de que a Educação Sexual informal é umprocesso não intencional, que ocorre independente da disposição dos educadores emengendrá-la enquanto que a formal é seu correlativo simétrico, isto é, a o processopedagógico deliberado, intencionalmente dirigido a fins de educação de temas e concepçõesacerca da sexualidade do educando. Portanto, são estas concepções de formal e informalque tomamos para tratar da temática da sexualidade em sua dimensão de processoeducacional. A obra a que nos referimos no início, “Educação Sexual no dia-a-dia”, trazhistórias ocorridas no interior de cotidianos e dias comuns. Diversas histórias são relatadas,de situações em que o tema da sexualidade emerge de modo um tanto quanto corriqueiro emesmo imprevisto. As mesmas são analisadas e discutidas pela autora, que procura apontarelementos positivos e/ou negativos na postura e na forma do adulto lidar com a situação. A
  • 9autora traz vários exemplos de implicações válidas ou prejudiciais para a Educação Sexualdas crianças e adolescentes. Desde a década de 1920, segundo estudos como o de Susan Besse, historiadora,apontam para a existência de reivindicações de programas de Educação Sexual, por parte dealguns setores inovadores da sociedade, tal como movimento feminista. No entanto, asmotivações iniciais se vinculavam mais a um programa com objetivos sanitaristas do queuma reestruturação de papéis sociais (FIGUEIRÓ, 2001). Experiências anteriores à década de 60 foram registradas, como nos traz Figueiró(2001), e situa que a partir desta década, com o Concílio Vaticano II (1962-1965), houveum aumento no número de experiências. Um fator de relevância precisa ser tratado: a questão dos objetivos da EducaçãoSexual. Tendo traçado a distinção entre a Educação formal e informal, não podemos deixarde observar que, para além desta categorização, há outra, que diz respeito mais ao cunhoideológico do ‘por quê?’ de se fazer Educação Sexual, de se trabalhar com um tema tãocontroverso e que se torna, muitas vezes, polêmico nas discussões sociais – tal comopodemos citar a questão do projeto de lei que versa sobre a legalização do aborto e a uniãocivil e adoção por casais homossexuais, que nas eleições presidenciais brasileiras de 2010tiveram destaque na cena da disputa eleitoral – basta conferir jornais da época. Podemos destacar basicamente quatro abordagens diferentes que versam emEducação Sexual: a) Médica, b) Religiosa, c) Pedagógica e d) Emancipatória. Estas quatroabordagens relacionam-se à ideologia que carregam nas entrelinhas, isto é, aos objetivosespecíficos que prevêem enquanto fim para a Educação Sexual, o que esta deve propiciarao indivíduo e também à como deve ser realizada esta educação (FIGUEIRÓ, 2007). Sobre isto, é importante ressaltar que qualquer pessoa é, informalmente falando,um educador sexual, considere este fato conscientemente ou não; isto inclui: padres,pastores, pais, professores, conhecidos e outras pessoas que venham a ser significativas naformação do educando, do ser humano. A Abordagem Médica, primeira citada, prende-se mais intimamente a uma díadesaúde-doença, e pensa a educação sexual pelo viés de sua patologização, mas tem foco asaúde sexual. Considera que todo médico é também um Educador sexual e valoriza atransmissão de informação no contexto da relação terapêutica.
  • 10 A Abordagem Religiosa vincula-se a pensar a sexualidade da pessoa naperspectiva de sua espiritualidade. Embora trabalhos possam ser realizados de formadeliberada assemelhando-se a abordagem formal, considera-se predominantemente inseridanuma perspectiva da Educação Sexual informal, na medida em que seus fundamentos seancoram numa base espiritualista, ultrapassando os limites científicos, impassíveis dediscussão. Embora haja nesta abordagem algumas subdivisões segundo alas maisconservadoras ou progressistas (como as da Igreja Católica Apostólica Romana, porexemplo), de modo geral o quadro de objetivos se mantém, que se sintetizam no objetivogeral de preservar determinado controle sobre os corpos e vida dos homens. O processo de ensino-aprendizagem na Abordagem Pedagógica é central. Nele seenfatiza o caráter informativo, onde se busca que as discussões e atitudes possam levar oindivíduo a uma vivência de sua sexualidade com maior liberdade e segurança. Em muitasexperiências de projetos em Educação Sexual, como as citadas por Figueiró (2001), ligam-se a esta vertente, principalmente quando ocorrem no espaço escolar, onde a demanda porcontrole de natalidade, ensino de métodos contraceptivos e prevenção de doenças se fazembastante presentes. Finalmente, a Abordagem de Educação Sexual Emancipatória. Esta abordagemreúne elementos das Abordagens Médica e Pedagógica, no entanto, a nosso ver, dá umpasso além, quando trata de expressar objetivos que se relacionam a uma concepçãopolítica do ser humano, pensando-o em sua dimensão sócio-histórica. O bem-estar é visado e se compreende a Educação Sexual como um processopermanente de luta com as próprias resistências. Neste ponto, remetemo-nos a outro textode Figueiró, “Educação Sexual: compromisso com a transformação social” (2001). Não sepode pensar a pessoa desvinculada de sua dimensão sócio-histórica que, invariavelmente,se insere num plano político de relações que o afetam cotidianamente. Destacamos algunsdos aspectos de transformação social que tocam a temática da sexualidade; são eles asquestões de gênero, de sistemas de valores e a própria perspectiva do erótico. A Abordagem Emancipatória dá atenção a estes aspectos, especialmente em seudiferencial em relação às outras abordagens apresentadas, no que valoriza as lutas coletivasvisando transformações sociais e a atenção com as repressões ou auto-repressões referentesa vivencia da sexualidade. Alguns nomes que são correlativos desta abordagem em
  • 11Educação Sexual podem ser citados, tais como o filósofo francês Michel Foucault, quecontribuiu com seu pensamento questionador das normas sociais; o pai da psicanáliseSigmund Freud, que contribuiu para derrubar o mito da ‘pureza’ da criança, isto é, daausência de sexualidade na mesma e Reich, do círculo de Freud, tendo se afastado destepara trabalhar com uma linha de psicologia hoje fundada sobre o nome de PsicologiaCorporal. Maria Amélia Azevedo Goldberg (1988) foi a primeira autora brasileira avincular Educação Sexual a um compromisso político em seu livro “Educação Sexual: umaproposta, um desafio”. Tão relevante é considerarmos este ponto, que chamamos a atenção para aformação do educador sexual e ressaltamos, apoiados na citação abaixo, sua singularidadeno tocante à individualidade de cada educador, a se dispor a trabalhar nesta área da temáticada sexualidade. Sempre que um educador trabalha no ensino de alguma questão ligada à sexualidade, podemos encontrar – por trás de sua postura, das estratégias de ensino que utiliza, dos objetivos que estabelece, e, ainda, de sua concepção a respeito do seu papel e do papel do aluno – o comprometimento com uma determinada abordagem, isto é, com uma determinada visão de Educação” (FIGUEIRÓ, 2007, p.65-66). A Educação formal e informal sobre a sexualidade, por vezes, tal como aparecemem algumas histórias do livro “Educação Sexual no dia-a-dia”, podem ser vistas em salasde aulas, por exemplo. E nestes contextos, questionamos: o que pode fazer o professor?Está ele preparado para lidar com estas demandas que, embora sempre estiveram presentesna constituição dos seres humanos, a cada época emergem de modo singular? Sobre isto, algumas das próprias histórias fornecem indicação, em situações onde aprofessora tem uma oportunidade de, a partir da Educação Sexual informal, decorrente deuma ocasião inusitada, poder dar continuidade a um trabalho mais longo. A atenção com omanejo da Educação Sexual dependendo da idade do educando também é relevante. Oeducador está preparado para lidar com uma situação relatada por uma professora de ensinoinfantil, onde a criança de quatro anos lhe pergunta: “o que é sexo oral?” (sic). Sobre levantamentos discorridos até aqui acerca da Educação Sexual, tantasquestões, pretendemos usá-los de ponto de apoio para podermos discorrer e refletir sobre a
  • 12prática e a teoria no campo da Educação Sexual, formal, mas também informal. Atentandopara a importância do cuidado com a formação dos educadores sexuais.
  • 13FORMAÇÃO DE EDUCADORES SEXUAIS Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 1997) de 1996, elaboradoa partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, preconizam a Educação Sexual comouma das funções da escola, sendo que, temas de sexualidade devem fazer parte do currículodas instituições educacionais. Embora os PCN digam que a sexualidade é um tematransversal, ou seja, passível de ser abordado em qualquer disciplina e área doconhecimento, pouco tem sido feito por órgãos governamentais a fim de capacitar oseducadores para o trabalho com Educação Sexual. (Ribeiro, 2009) A bordagem de conteúdos relativos a sexualidade nas escolas exige determinadotreino e/ou formação para os docentes responsáveis por sua realização. De acordo comNunes (2005) abordar o tema da sexualidade constitui uma tarefa difícil, em virtude da“riqueza desta dimensão humana” e a multiplicidade de significações que a mesma recebeuao longo do tempo. Para este autor, tal multiplicidade de significações é responsável porcausar no homem “um certo extranhamento do sujeito humano com sua própriasexualidade”. Para Werebe (1998, p. 195), “sempre que possível, a educação sexual deveficar a cargo de educadores que possuem as qualidades necessárias para a realizar estetrabalho e que receberam uma formação especial no campo”. A esse respeito, os PCN seposicionam da seguinte forma: […] É necessário então que o educador tenha acesso à formação específica para tratar de sexualidade com crianças e jovens na escola, possibilitando a construção de uma postura profissional e consciente no trato deste tema. O professor deve então entrar em contato com questões teóricas, leituras e duscussões sobre as temáticas específicas de sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se para intervenção prática junto aos alunos e ter acesso a um espaço grupal de supervisão desta prática, o qual deve ocorrer de forma continua e sistemática, constituindo portanto, um espaço de reflexão sobre valores e preconceitos dos prórpios educadores envolvidos no trabalho de orientação sexual. (BRASIL, 2000, p. 123) De acordo com Ribeiro (2009), embora o governo federal invista em projetos nocampos dos estudos de gênero, combate a homofobia e prevenção da AIDS, permanece anecessidade de maiores investimentos em Educação Sexual por parte dos setores
  • 14responsáveis pela educação no país. Além disso, o mesmo autor defende a inserção dedisciplinas de sexualidade no currículo dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, afim de“tirar o sexo dos banheiros das escolas, levando-o para a sala de aula”. Não obstante, embora os conhecimentos científicos sobre a sexualidade sejamnecessários para os educadores que irão se ocupar da educação sexual, tais conhecimentosnão são elementos suficientes para realização do trabalho em questão. Ao mesmo tempo emque os professores devem receber uma formação científica de qualidade, necessitam de umespaço para refletir e repensar sua própria sexualidade e a sexualidade dos outros. (Werebe,1998) Os profissionais da educação, assim como qualquer indivíduo na sociedade, estãosujeitos a receber uma formação repressiva no campo da sexualidade e dessa forma,desenvolver uma noção errada a respeito deste assunto. Em virtude disso, a formação deeducadores sexuais deve priorizar, alem da formação científica, aquilo que Berbardi(Bernardi apud Figueiró, 2009) refere-se como “reeducação sexual” no sentido de que aoeducador deve ser dada a oportunidade de repensar as informações incorretas sobresexualidade, que recebeu ao longo da vida (e ainda recebe) de diferentes fontes: família,escola, sociedade etc. Werebe (1998, p. 194) explica que “Os professores e/ou animadores responsáveispelas intervenções sobre a sexualidade educam mais por suas atitudes, do que pelosconhecimentos que transmitem.” Na escola, o professor que se esquiva de responderalguma dúvida de um educando ou lidar com uma situção relacionada com a sexualidadedos alunos pode estar ensinando que sexo é algo feio, vergonhoso e pecaminoso; assunto doqual e não se deve falar. Agindo assim, possivelmente o educador estará reproduzindo juntoaos estudantes a educação sexual que recebeu ao longo de sua vida. Dessa forma, Werebe (1998, p. 196) conclui que “a formação dos educadoressexuais deve, pois, compreender uma formação pessoal ao lado da formação científica”.Figueiró (2006) defende a ideia de que os profissionais da educação estejam envolvidos emum processo de formação continuada. De acordo com a autora, professores não são apenastransmissores de conhecimentos mas construtores de saberes acerca do ensino eaprendizagem, e em sua maioria, estes profissionais reconhecem a importância deenvolvimento em uma “dinâmica de crescimento pessoal, cultural e profissional”.
  • 15 Ao levarmos em conta as palavras de Nunes (2005, p. 7) ao dizer que “umaverdadeira educação sexual terá que colocar toda cultura em questão”, percebemos anecessidade de capacitar educadores para a abordagem da sexualidade nas escolas.
  • 16OS ENCONTROS DO GEES – METODOLOGIA Os grupos de estudos foram formados de modo voluntário, a partir da procura emanifestação de interesse dos participantes. Inicialmente, no mês de abril e maio é feita adivulgação do curso que já contava com uma história de onze edições realizadas naUniversidade Estadual de Londrina. Teve início no mês de maio a 12ª edição do GEES,evento de extensão que dá direito a um certificado de 90h, emitido pela Pró-Reitoria deExtensão da Universidade Estadual de Londrina. Caracterização do Grupo A turma do GEES coordenada, da qual findou neste trabalho, caracteriza-se por serum grupo feminino. Com exceção de um dos estagiários que era homem, o grupo eraformado por treze participantes, todas mulheres, mais a dupla de estagiários. Os integrantesdo grupo tinham idade entre vinte e um e cinquenta anos. Havia uma predominância deprofissionais que lidavam com a educação infantil, mas também haviam pessoas quetrabalhavam com a educação de adolescentes e uma assistente social. Embora o grupo tenhainiciado com dezesseis participantes, três destes acabaram por não continuar no grupo até ofinal. Um dos participantes, o único homem que iniciou o percurso neste grupo do GEEScompareceu apenas no primeiro encontro. Em contato, revelou seu interesse na área, masque o mesmo não seria contemplado no presente cronograma. Quando questionado sobretais interesses, as respostas não foram satisfatórias, sendo evasivas e pouco claras. Alegoutambém a disponibilidade de tempo para o grupo durante todo o ano. Da desistência de participação, uma outra pessoa, mulher, tentou acompanhar ogrupo com intuito de concluí-lo. Mas por volta de 10 encontros antes do encerramento, jánão conseguia estar presente nos encontros, devido a uma falta de profissionais em seutrabalho, o que lhe pedia que estivesse ausente as quintas-férias, quando o GEES se dava,num período das 8h20 às 11h45, semanalmente. Finalmente, a terceira pessoa que desistiu do grupo, também uma mulher, quandose entrou em contato, alegou a indisponibilidade de horário. Que outro compromisso haviasurgido, não podendo mais comparecer aos encontros,
  • 17 Local dos encontros Os encontros aconteciam todas as quintas-feiras, como dito, no período matutino,na sala de pós-graduação em psicologia escolar. A Universidade Estadual de Londrina,referenciado no Departamento de Psicologia Social e Institucional, abriga este projeto portoda sua história, durante suas doze edições. Além dos encontros realizados semanalmente,também ocorriam com a mesma freqüência as supervisões dos mesmos, todas as segundas-férias, em período matutino. Para além destes momentos, a dupla de estagiários preparavaos planos de aulas e relatórios semanais para supervisão. Estagiários Os estagiários do GEES se compunham de oito estudantes de psicologia, cursandoo quinto ano do grau de formação de psicólogo, que foram divididos em quatro duplas, demodo que pudessem contemplar a coordenação e acompanhamento das quatro turmas dogrupo de estudos formadas nesta 12ª edição. Supervisor Mary Neide Damico Figueiró é psicóloga, formada pela Universidade Estadual deLondrina, onde atualmente é docente do Departamento de Psicologia Social eInstitucional,desde 1980. Também é mestre em Psicologia Escolar pela Universidade deSão Paulo, USP, 1994. E doutora pela Universidade Estadual de São Paulo, UNESP-Marília, 2001. Tendo publicado vários livros sobre Educação Sexual, organizado eventos erealizado o GEES. Partindo dos objetivos estabelecidos para o curso, alguns temas inseridos na áreada Educação Sexual estavam previstos no cronograma do curso, basicamente foramtrabalhados alguns temas, divididos em quatro eixos: 1) Fundamentos básicos da Educação Sexual: - Conceito de sexualidade; - Por que e para que ensinar sobre sexualidade;
  • 18 - Interação família-escola; - Papel da escola e da família; - Papel do professor; - Abordagens de Educação Sexual; - Estratégias de ensino. 2) História da sexualidade e da Educação Sexual: - Breve histórico da sexualidade no Ocidente e no Brasil; - História da Educação Sexual no Brasil. 3) Conteúdos específicos da sexualidade: - Masturbação / Autoerotismo; - Sexo pré-conjugal; - DSTs / AIDS; - Diversidade sexual (homossexualidade e outras orientações sexuais); - Relações de gênero; - Abuso sexual; - Aborto; - Iniciação sexual dos adolescentes. 4) Complementos: - Sexualidade da pessoa com deficiência mental e física; - Educação Sexual e Projeto Político de Leiturização. A partir destes temas os encontros foram sendo preparados, obedecendo a certalógica de aprofundamento teórico e crítico, conforme o desenvolvimento do grupo. Os encontros foram preparados por uma dupla de estagiários, responsáveis pelacondução de um grupo do GEES. Durante a elaboração dos plano de aulas dos primeirosencontros uma carga maior de teoria foi necessária, isto devido ao caráter fundamental dosconceitos e da explicitação das abordagens em Educação Sexual. Todos os primeiros temasderam sustentação para as discussões que se seguiram e puderam contar com planejamentos
  • 19que privilegiavam mais a reflexão, a discussão e troca de idéias entre o grupo, semprelevando o conteúdo teórico em sua relevante necessidade, mas priorizando a perspectiva deprivilegiar a autonomia e o desenvolvimento da criticidade do grupo para com os assuntostrabalhados. Os assuntos tratados a partir do terceiro eixo referem-se a assuntos onde os valoresde cada participante progressivamente foram se expondo mais e o percurso e integração dogrupo possibilitou que as opiniões, mesmo divergentes, tivessem espaço e voz no grupo.Neste momento, percebemos que termos reservados estes temas para um momento maistardio foi importante para que o grupo tivesse tempo para se formar como tal,desenvolvendo certa unicidade a partir do reconhecimento e interação entre osparticipantes. Notamos que o respeito para com as opiniões divergentes sempre estevepresente, e deve-se tal fato a esta estratégia de preparação, onde as opiniões que sechocavam puderam ser ouvidas e refletidas, devido aos integrantes possuírem um vínculoentre si. Buscando sempre o desenvolvimento da reflexão e que as estratégias utilizadaspelos estagiários pudessem ser pensadas e adaptadas para o contexto de trabalho de cadaparticipante, comumente após as atividades e discussões de alguma situação proposta, erarealizado um exercício com os participantes, de pensar como tal atividade poderia serlevada por eles para seu campo profissional. Tal experiência se mostrou bastante agradável,contando com elaborações criativas e muito produtivas. Houveram mesmo relatos departicipantes que contavam para o grupo sobre a aplicação de uma dinâmica ou outraatividade, em sua atuação profissional, que havia sido apresentada no GEES. Os encontros contavam com momentos de discussão e atividades dinâmicas, numaestratégia que utilizavam mídias (som, vídeo, power point) e uma dinâmica expositivo-dialogada dos momentos em que se exigiam conceitos teóricos mais fundamentados. Osintegrantes também realizavam leituras extra-classe, de modo a complementar os estudos ea reflexão dos temas trabalhados nos encontros. Segue uma lista dos textos lidos pela turmado GEES que foi ministrada pelos autores do presente trabalho:ANAMI, L.F. e FIGUEIRÓ, M.N.D. Interação família-escola na Educação Sexual:reflexões a partir de um incidente. In: FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.) Educação Sexual:múltiplos temas, compromissos comuns. Londrina: UEL, 2009.
  • 20ARAÚJO, M.L.M. A construção histórica da sexualidade. In: RIBEIRO, M. O prazer e opensar. São Paulo: Editora Gente; Cores – Centro de Orientação e Educação Sexual, 1999.CAVALEIRO, M.C. Escola e sexualidades: alguns apontamentos para reflexões.In:________. Educação Sexual: em busca de mudanças. Londrina: UEL, 2009.CARVALHO, F.A. Que saberes sobre sexualidade são esses que (não) dizemos na escola?In: FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.) Educação Sexual: em busca de mudanças. Londrina:UEL, 2009.EGYPTO, A.C., EGYPTO. M.M. Masturbação. In: BARROSO, C. e BRUSCHINI, C.Sexo e Juventude: como discutir a sexualidade em casa e na escola. São Paulo: Cortez,4ª ed., 1991.FERREIRA, S.L. Eu amo, tu amas, eles amam: a afetividade-sexualidae de jovens e adultoscom deficiência mental. In: FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.) Educação Sexual: múltiplostemas, compromissos comuns. Londrina: UEL, 2009.FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.). Homossexualidade e educação sexual: construindo orespeito à diversidade. Londrina: UEL, 2007.__________. Educação Sexual: como ensinar no espaço da escola. In: _______. EducaçãoSexual: múltiplos temas, compromissos comuns. Londrina: UEL, 2009.__________. Educação Sexual presente nos relacionamentos cotidianos. In: _______.Educação Sexual: em busca de mudanças. Londrina: UEL, 2009.__________. Sexualidade e afetividade: implicações no processo de formação doeducando. In: _______. Educação Sexual: em busca de mudanças. Londrina: UEL, 2009.KEHL, M.R. A gravidez e o vazio. In: Geração Delivery: adolescer no mundo atual. SãoPaulo: Sá, 2001.__________. Repulsa ao sexo. In: Maria Rita Kehl – Artigos e Ensaios.http://www.mariaritakehl.psc.br/resultado.php?id=307. Acesso em 2 de dezembro de 2010.MELO, S.M.M. Corporeidade e diversidade: conversando sobre a delicada trama entre o eue o outro. In: FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.) Educação Sexual: múltiplos temas,compromissos comuns. Londrina: UEL, 2009.RIBEIRO, H.C.F. Direitos humanos, direitos sexuais e as minorias sexuais. In: FIGUEIRÓ,M.N.D. (Org.) Educação Sexual: múltiplos temas, compromissos comuns. Londrina:UEL, 2009.
  • 21RIBEIRO, P.R.M. A institucionalização dos saberes acerca da sexualidade humana e daeducação sexual no Brasil. In: FIGUEIRÓ, M.N.D. (Org.) Educação Sexual: múltiplostemas, compromissos comuns. Londrina: UEL, 2009.SANTOS, L.R. Entendendo a construção social das diferenças de gênero. In: FIGUEIRÓ,M.N.D. (Org.) Educação Sexual: múltiplos temas, compromissos comuns. Londrina:UEL, 2009. Além dos textos listados também foram vistos os filmes: “Orações para Bob”(Prayers for Bobby, EUA, 2009), de Russell Mulcary e “Kinsey – vamos falar de sexo”(Kinsey, EUA, 2004). Destes materiais, alguns pontos eram levantados pelos participantespara discussões durante o encontro subseqüente. Abaixo segue breve relato dos temas desenvolvidos em cada um dos vinte e doisencontros e de seu desenvolvimento. 1º encontro: Sexo e Sexualidade Neste encontro, buscou-se esclarecer sobre os limites e alcances dos dois termos.Iniciou-se o encontro com uma dinâmica que visava descontrair e apresentar o grupo, quese reunia pela primeira vez. Em seguida, uma aula expositivo-dialogada com auxílio dodata-show foi realizada. Este primeiro encontro também contou com a apresentação daestrutura do GEES, breve relato de sua história e apresentação do cronograma dos temas aserem trabalhados. 2º dia: História da Sexualidade Um resgate sobre as mudanças na concepção de sexualidade desde a idade antigaaté os dias atuais no ocidente foi realizado. Este encontro buscou transmitir a possibilidadede visões plurais e diversas acerca do mesmo tema, em diferentes épocas, em diferentesculturas. 3º dia: História da Educação Sexual no Brasil e Abordagens em Educação Sexual O encontro iniciou seu percurso resgatando os primeiros estudos em EducaçãoSexual no Brasil, seus avanços, retrocessos, modificações, e as influencias do contextosócio-histórico que possibilitaram tais desenvolvimentos. Também foram apresentadas as
  • 22abordagens em Educação Sexual e trabalhada a dinâmica do abrigo subterrâneo relacionadacom as concepções de sexualidade dos integrantes, o quanto elas, mesmo subjacentes,influem em nossas ações e decisões cotidianas. 4º dia: O Papel da Família e da Escola na Educação Sexual De quem é o papel de cuidar e promover a Educação Sexual? Neste encontro, aquestão foi levada a discussão, pensando os limites e alcances de cada lado, da família e daescola. A função de prevenção e diálogo possível entre elas, possibilidades de trabalho, etc.A Educação Sexual formal e informal também foi abordada. 5º dia:Interação Família-Escola Discutiu-se acerca da consciência da escola enquanto espaço sexualizado. Abriu-seuma roda de discussão sobre o texto extra-classe indicado, de Paulo Ribeiro, que versavasobre a institucionalização dos saberes acerca da sexualidade. 6º encontro: Orientação Sexual e Educação Sexual Neste encontro foram trabalhados os conceitos de orientação e educação sexual. Adiferença entre eles e as repercussões que podem ter um ou outro, as influencias que tem. Aanálise dos conceitos foi engendrada juntamente com o grupo e um estudo da justificativado uso do termo Educação Sexual ao invés de Orientação Sexual. 7º encontro: Diversidade Sexual Este encontro, especialmente, foi trabalhado pela Coordenadora do projeto, MaryNeide Figueiró, a convite dos estagiários. O tema da diversidade sexual foi foco, sendotrabalhado. Desenvolveu-se a dinâmica das palavras e das cores, de modo que osparticipantes puderam trabalhar os sentimentos em relação do diverso. Seguiu-se aulaexpositivo sobre o tema e entrega de livros de organização de Figueiró, sobre a EducaçãoSexual. 8º encontro: Diversidade Sexual
  • 23 Este encontro se configurou enquanto conclusão do anterior, desenvolvendoaspectos que ficaram abertos, por exemplo. Buscou-se continuar as discussões sobrediversidade sexual, em especial da homossexualidade, e facilitar o conhecimento dosdesenvolvimentos científicos sobre a homossexualidade. 9º encontro: Abuso Sexual Neste encontro, contamos com o auxílio de uma das participantes, que é assistentesocial do CREAS de Londrina, que trabalha com violência sexual. Ela nos apresentou otrabalho desenvolvido pelo CREAS, bem como algumas questões referidas a mudança dalegislação sobre abuso sexual e estupro. Assistimos ao vídeo Abuso e exploração sexual decrianças e adolescentes da ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteçãoà Infância e à Adolescência), como conclusão. 10º encontro: Abuso Sexual Ao tema do encontro anterior foi dada continuidade. Neste dia, os aspectospreventivos foram visados. Propôs-se ao grupo a reflexão conjunta do papel da escola e dafamília frente a este tema. Uma cartilha sobre prevenção e cuidados de abuso na internet foientregue aos participantes. Alguns sites e ditas de filmes sobre o tema também foramexibidos. 11º encontro: Construção sócio-histórica do conceito de gênero Como o título do encontro traz, foi abordada a construção da concepção de gêneropor meio dos estudos sócio-históricos. As repercussões e pré-conceitos incutidos ecamuflados na sociedade, a imagem da mulher e do homem, do masculino e do feminino. 12º encontro: Masturbação Masturbação ou auto-erotismo, este foi o tema trabalhado neste encontro. Buscou-se trazer questões científicas, fisiológicas e sócio-históricas, acerca da prática damasturbação. Alguns mitos também foram enfocados e desconstruídos e trabalhou-se o pré-conceito quanto a este tema. O vídeo da música Façamos (Vamos Amar), de Chico Buarquee Elza Soares foi exibido como finalização do encontro.
  • 24 13º encontro: Masturbação Finalização do tema sobre masturbação e fechamento de alguns pontos queficaram em aberto. Neste momento, cada participante pode expor seus pré-conceitos e suastransformações, foi um momento muito profícuo. 14º encontro: AIDS e DSTs O encontro sobre AIDS e DSTs começou breve revisão de conteúdos sobrediversidade e discussão sobre os materiais temáticos trazidos pelos participantes, referidosao tema do encontro. Foi privilegiado aspectos contextuais e o conceito de vulnerabilidadeque envolve a transmissão e contágio destas doenças. Finalmente, a dinâmica do cruzado xdescruzado encerrou o encontro com descontração. 15º encontro: Sexo pré-conjugal e Iniciação Sexual Foi abordada a questão da iniciação sexual dita ‘precoce’, discutindo criticamentea concepção de precoce e suas repercussões. A sexualidade pré-conjugal também foiabordada, em relação a várias crenças religiosas como: catolicismo, budismo, espiritismo,etc; onde, contextualmente, o casamento é tido como um status privilegiado da dimensão dasexualidade da pessoa. 16º encontro: Métodos Contraceptivos Abordou-se os diversos métodos contraceptivos, seus usos e cuidados, duração,etc. Aula que contou com conteúdo expositivo-dialogado. Os integrantes do grupointeragiam e alguns que trabalhavam na área, como uma professora de biologia, auxilioucom maiores informações sobre alguns dos procedimentos. 17º encontro: Métodos Contraceptivos Neste encontro ocorreu o fechamento de alguns pontos ainda abertos do encontroanterior, de mesmo tema. Privilegiou-se as experiências pessoais dos participantes, bemcomo alguns relatos trazidos pelos estagiários acerca da divulgação de informações e doconhecimento populacional sobre os métodos contraceptivos.
  • 25 18º encontro: Sexualidade na terceira idade Este encontro visou trazer discussões ao redor da sexualidade de pessoas com maisde sessenta anos, os idosos. Por ocasião de alguns efeitos do tempo sobre o corpo, asexualidade como fica? Esta pergunta esteve norteando o encontro. Vídeos de reportagensdo programa “Fantástico” que versavam sobre a terceira idade e sexualidade foramexibidos. A música valsinha de Chico Buarque de Holanda encerrou o dia. 19º encontro: Aborto e descriminalização O tema do encontro foi trazido pela coordenadora do projeto, Mary Neide,novamente convidada pela dupla de estagiários. Este encontro se consagrou na perspectivade discutir, não meramente as opiniões pessoais, mas de incentivar o questionamento acercade onde vêm tais referencias. Foi também enfatizado de que não se trata de ser a favor doaborto, mas de sua descriminalização, possibilitando a cada indivíduo, cada mulherespecialmente, poder exercitar suas escolhas sobre sua própria sexualidade de modo maispleno e livre. 20º encontro: Sexualidade e pessoas com necessidades especiais Este encontro buscou informações que pudessem possibilitar a melhorcompreensão acerca da sexualidade de pessoas com necessidades especiais. Adesconstrução da idéia de sexualidade e a re-construção da mesma foi abordada através derelatos em vídeos – disponíveis no Youtube. Por fim, foi realizado trabalho com livros deEducação Sexual para o público juvenil. 21º encontro: Sexualidade e Projeto de Leituralização A temática da sexualidade não pode ser desenvolvida de modo exclusivo, até portratar-se de um campo construído do diálogo de diversos saberes. Foi enfocado nesteencontro sua possibilidade de construção e desenvolvimento vinculado a um projeto deformação de leitores. 22º encontro: Encerramento
  • 26 Este encontro, último encontro, iniciou-se com uma avaliação sobre o GEES,instrumento a que os participantes responderam. A partir deste mesmo instrumental, abriu-se um momento de fala, onde cada participantes e também os estagiários puderam exporcomo foi esta travessia em conjunto, e dizer das transformações ocorridas na compreensãoe vivência de cada um sobre a sexualidade. Na segunda parte do encontro realizou-se umamigo secreto temático “amigo sexy-shop”, onde houve a troca de presentes e umaconfraternização entre o grupo, contanto muitas fotos para registrar o momento.
  • 27RESULTADOS Ao longo dos encontros, foram aplicados vários instrumentos a fim de verificar aopinião dos integrantes do grupo em vários assuntos relativos à sexualidade(descriminalização do aborto, união civil de pessoas homossexuais, masturbação, sexo pré-conjugal, dentre outros). Além disso, alguns instrumentos serviram para obter dadosrelativos à formação acadêmica dos participantes, bem como local de atuação profissional.Ao termo do Grupo de Estudos, foi aplicado um instrumento onde os participantesdeveriam avaliar vários aspectos do GEES. A seguir, apresentamos os resultados obtidoscom a aplicação de cada instrumento.Sexualidade: Levantamento de conhecimentos prévios e de opiniões Parte 1 Este instrumento foi aplicado em sala de aula no primeiro encontro a fim de se obterinformações a cerca da posição de cada participante em relação a Educação Sexual. Alémdisso, serviu para verificar as principais dúvidas que cada participante possuía no campo dasexualidade.Você acha que a Educação Sexual é necessária? Por quê? Dos 14 participantes que responderam ao questionário, todos se posicionaramfavoráveis a necessidade da realização de trabalhos de Educação Sexual, destacando suascontribuições. Apresentamos as seguir alguns exemplos de falas dos participantes:“Acredito que a Educação Sexual é necessária para que haja quebra de tabus e para aformação sexual como um todo”.“A educação sexual faz-se necessária, para que tenhamos adolescentes capazes de tomarsuas próprias decisões a respeito de seu corpo, e assim ter uma vida sexual saudável. É umanecessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outrosaspectos da vida”.“Acho necessário sim, todos nós temos uma sexualidade então é preciso compreender comolidar com isso, e é através da Ed. Sexual que compreenderemos melhor como lidar com esteassunto assim como qualquer outro a ser desenvolvido ao longo da vida”.
  • 28Você acha que a Educação Sexual é função da escola? ( ) Sim ( ) Não -EsclareçaExemplos de comentários feitos pelos participantes:SIM“Além dos responsáveis, da saúde, da igreja, também da escola que tem contato diário comcrianças e adolescentes pode perceber tudo que é próprio desta fase. A meu ver não deve seesquivar da função”.“Acredito que a Educação Sexual deva começar em casa, dentro da família e se estender naescola”.“Acredito que todos os adultos são responsáveis pela educação das crianças, desta forma [,]família e escola são parceiros na divisão e comunhão das dúvidas trazidas pelas crianças”.NÃO“Pois, a escola pode sim falar sobre a educação sexual, mas cabe a família orientar seusfilhos sobre a sexualidade [...]”.“A escola pode sim falar sobre a educação Sexual”.
  • 29“Acredito que este assunto deva ser considerado também pela escola, porém, não consideroque o mesmo seja de responsabilidade apenas da escola, mas também da família. Emmuitos casos deve haver uma integração de ambas as partes para que o assunto seja tratadocom segurança”.Quando pensa em desenvolver um trabalho de Educação Sexual, o que mais lhepreocupa? As preocupações relatadas pelos participantes, de maneira geral, foram de diferentestipos: medo da reação dos pais, dificuldade em abordar temas como homossexualidade,conhecimento científico insuficiente, dentre outros. Seguem alguns exemplos:“Saber a real necessidade do ouvinte e ter competência para satisfazê-la”.“A maneira como falar da reprodução em si (ato sexual)”.“A reação dos pais em relação ao trabalho desenvolvido, pois muitos ‘acreditam’ que essetipo de educação acaba aguçando a curiosidade e a sexualidade dos filhos”.“O que mais me preocupa é não saber responder além do necessário ou então confundir”.Relacione as maiores dúvidas que você tem no campo da sexualidade ou da EducaçãoSexual: Nesta questão, os participantes relataram diferentes tipos de dúvidas existentes naprática da Educação Sexual. Quase não surgiram dúvidas pessoais relativas à sexualidade.Todos os participantes apontaram pelo menos um elemento. Seguem alguns exemplos dedúvidas apresentadas pelos participantes:“Acredito que a maior dúvida é falar sobre a concepção dos bebês e quais palavras usar...[...]”.“Como posso falar com crianças sem constrangimento familiar”.“Sobre homossexualismo (sic) (como e quando ocorre) como lidar”.“Quando iniciar a educação sexual na vida da criança. O que e quando abordar asexualidade”.Relacione abaixo as questões que mais lhe incomodam ou preocupam no campo dasexualidade:
  • 30 Da mesma forma que na questão anterior, os participantes relataram diferentes assuntoscaracterizados como incômodos ou preocupantes. Contudo, três participantes nãoapontaram nenhum elemento. Seguem alguns exemplos de temas apresentados pelosparticipantes:“O que mais me preocupa são as figuras ou imagens que poderei trabalhar com os alunos.Receio estar passando uma mensagem errada”.“Eu devo falar mesmo quando a criança não pergunta, a fim de prepará-la. Ou só respondoo que for perguntado?”.“Trabalhar a sexualidade infantil e também a gravidez na adolescência”.“Crianças que masturbam em sala de aula. Crianças que relatam com detalhes a vida sexualdos pais”.Com relação ao “ficar” entre os jovens você: ( ) aprova ( ) desaprovaComenteSeguem alguns exemplos de comentários feitos pelos participantes:APROVA“Eu sou da era do ‘ficar’. Eu acho que desde que o ‘ficar’ seja coisa tranqüila e não seestenda à intimidade, tudo bem”.
  • 31“O ‘ficar’ acontece entre os jovens, ao meu ver com o objetivo de se conhecerem, porémacredito que deve existir responsabilidade”.DESAPROVA“Entendo que ‘ficar’ não quer dizer nada, devemos explorar o amor que está dentro de nóse passar para a pessoa um sentimento verdadeiro, com troca de experiências”.“Acho que tudo tem o momento certo e se tudo for liberado, a própria pessoa acaba porperder a identidade”.Com relação ao sexo pré-conjugal, você: ( ) aprova ( ) desaprovaEsclareçaSeguem alguns exemplos de comentários feitos pelos participantes:APROVA
  • 32“Fazer sexo é muito bom, desde que seja com responsabilidade e bom para as duas partes, osexo pode ser em qualquer época da vida”.“Não sou contra [,] cada pessoa tem que ter sua responsabilidade”.DESAPROVA“No meu ponto de vista eu desaprovo. Deus deixou tudo certo o ser humano que age porconta própria, por isso marido não tem mais respeito pela esposa. E assim formando famíliasem estrutura”.NÃO OPINOU“Estabelecer o sexo na relação pré-conjugal depende de cada um, de como a pessoa foiorientada, de que maneira os seres envolvidos planejaram a relação e como essa relação iráfluir com as necessidades um do outro”.“Esta questão depende de cada pessoa. Existem uma gama de pós e de contras. Penso queesta questão é muito pessoal. Interferir esta responsabilidade é ferir o outro”.Se fosse convocado para opinar a respeito da descriminalização do aborto, em nossopaís, você seria: ( ) contra ( ) a favorSeguem alguns exemplos de comentários feitos pelos participantes:A FAVOR
  • 33“Apesar das religiões e a bíblia considerar pecado o aborto, penso da seguinte forma: se ospais da criança não se preocuparam, ou por qualquer outro motivo engravidaram, cabe aeles ter este filho ou não. É melhor interromper está gravidez, do que ter mais uma criançano mundo que posteriormente terá muito mais problema”.“Eu acho que o aborto é uma maneira de interromper uma vida que pode de um crime. Umasituação de estupro é para se pensar…”.CONTRA“Se não deseja ter filhos ou prevenisse para não ficar grávida, ou doe a criança assim queela nasce, tem muitas mulheres querendo adotar bebes”.“Pois acho que se você aborta acaba por cometer um crime. Sei que muitas questões podemgerar conflitos em relação a este assunto, pois quando a pessoa é vítima de uma violênciapode ter uma gravidez complicada. Acredito que a vida é um dom de Deus, só quem podetirar a vida é quem nos deu”.NÃO OPINOU“Não tenho opinião formada a este respeito, pois acredito que é um assunto muito delicado.Temos os dois lados do assunto, o aborto para interromper uma gestação de risco, uma máformação do feto e também temos o aborto para simplesmente interromper uma gravidezindesejada”.“A respeito do aborto não sei ao certo de que maneira opinar, só sei que para cada pessoa éconstituída uma história, eu já tive um aborto espontâneo, na época fiquei muito abalada,mas agora entendo o que aconteceu, estou mais tranquila, eu sei que a outros casos deaborto, mas volto a dizer não sei direito o que pensar”.Sexualidade: Levantamento de conhecimentos prévios e de opiniões Parte 2 Este instrumento foi solicitado aos participantes que respondessem em casa entre osegundo e o terceiro encontro. Teve como objetivo verificar a opinião de cada participanteno inicio do Grupo de Estudos, acerca dos temas homossexualidade e masturbação.ASSUNTO: Homossexualidade
  • 34Se você fosse convocado/da para opinar em relação à legalização da união civil entrepessoas homossexuais, você seria: ( ) contra ( ) a favorEsclareçaSeguem alguns exemplos de comentários feitos pelos participantes:A FAVOR“É preciso respeitar a condição de cidadão que lhe é própria, pois estará exercendo o direitode decidir sobre a sua vida”.“As pessoas devem se sentir bem no relacionamento conjugal, independente de suaorientação sexual”.CONTRA“Não acredito na união civil, com os valores de um casamento entre duas pessoas domesmo sexo”.“Pois para mim a família homem x mulher é o que realmente prevalece. Mas tambémacredito que tem pessoas maravilhosas que são homossexuais (só não a favor dalegalização)”.
  • 35NÃO OPINOU“Essa é uma questão ainda muito polêmica que envolve valores, porém ainda não tenhouma opinião formada, mas respeito muito a opinião de cada pessoa”.“Nunca parei para pensar neste assunto. Mas não é uma situação comum, pois eu acho queexistem valores morais que são muito fortes [;] é necessário quebrar barreiras”.Se você fosse convocado/a para opinar em relação à adoção de crianças por casaishomossexuais, você seria: ( ) contra ( ) a favorEsclareçaSeguem alguns exemplos de comentários feitos pelos participantes:A FAVOR“A criança que esta na condição de ser adotada o que ela precisa é amor e ser cuidada, epessoas dispostas a isso independente do sexo, são capazes de amar e cuidar”.“Penso que cuidar, dar amor, educar, prepara um ser para a sociedade, é uma função, ouseja, é um desafio que não se limita a gênero e muito menos a opção sexual”.CONTRA“Penso que esta estrutura de família não contribui para a formação dos filhos,principalmente em relação à sexualidade. Acredito que o preconceito que as crianças
  • 36poderão sofrer por parte da sociedade trará conflitos para a sua vida, principalmente naintegração com outras crianças”.“Pois tenho dúvidas, como seria a educação destas crianças”.NÃO OPINOU“Não sei dizer se seria contra ou a favor, mas gostaria de fazer um comentário: Não sei se afalta da presença de um homem a um casal homossexual mulher/mulher não faria falta paraa criação dessa criança ou vice-versa homem/homem”.“É muito difícil para aceitar essa situação”Para mim, a homossexualidade é:“é uma disfunção em relação à formação sexual (neurológica/meio)”.“é uma opção sexual do indivíduo”.“Uma opção ao qual o indivíduo se realiza”.“em alguns casos pode ser algo genético, não sei explicar, mas na maioria dos casos achoque é opção”.As dúvidas que tenho a respeito da homossexualidade são:“Porque ocorre? É uma disfunção? O que seria o termo transexual?”.“Uma resposta objetiva se a homossexualidade é inata ou adquirida (escolha ou não). Oporquê ser homossexual”.“Como o indivíduo opta pela esta sexualidade e se o mesmo pode acontecer na genética”.“Genética, vício ou doença”.ASSUNTO: Masturbação. Em relação a este tema, o grupo de forma geral demonstrou ter um entendimento doque se constitui a masturbação. Alem disso, os depoimentos demonstram que, de formageral a maioria dos participantes recebeu algum tipo de ensinamento ao longo da vida querelaciona masturbação com algo feio e proibido. Apresentamos a seguir alguns exemplos dedepoimento de participantes a fim de ilustrar o posicionamento geral do grupo.
  • 37Complete as frases:Na minha opinião masturbação“é um prazer do indivíduo”.“é a descoberta do copo quanto ao prazer. Que envolve o desejo, satisfação e oconhecimento das partes do corpo em que causa prazer”.“ainda não tenho uma opinião formada”.“procurar o orgasmo pela fricção da mão ou por outro modo”.Quando eu era criança, pensava que tocar meu órgão genital“era muito errado, pois quando meus pais “só pensavam” que eu poderia colocar a mão nomeu órgão genital eu já era repreendida, ouvindo que aquilo não podia”.“era bom”.“seria algo que faria mau a minha saúde e também algo relacionado ao pecado”.“era uma “coisa” muito “escabrosa”, “coisa” de gente que não “prestava”.Alguns sentimentos que eu consigo relacionar com a masturbação são“‘erro’, ‘pecado’, ‘proibido’, ‘falta de controle’, ‘prazer desnecessário’, ‘prazer de maneiraerrada’”.“Desejo, prazer, satisfação, privacidade e descoberta do corpo”.“Prazer, satisfação, carinho, alegria”.Quando se sabe que uma criança se masturba é preciso“Esclarecer sua dúvidas sobre o assunto conversando e explicando”.“Conversar, deixar que ela fale sobre seus sentimentos”.“Conversar com a criança em sua linguagem e depois com os pais”.O perigo da masturbação é“A compulsividade ou fuga da resolução de conflitos”.“A pessoa não ter depois prazer com o seu parceiro, somente naquele fato isolado”.“Poder se machucar, deixar de ter prazer com parceiros…”.
  • 38Avaliação Intermediária O instrumento de avaliação intermediária foi aplicado no sexto encontro, o qual foirealizado antes das férias acadêmicas de julho. Teve como objetivo verificar a opinião dosparticipantes em relação a vários aspectos do GEES. Ao todo, dez participantesresponderam a este instrumento.1. Você avalia o Grupo de Estudos como: Você avalia este Grupo de Estudos como: 0 1 0 Ótimo Bom Regular Fraco 92. O GEES atendeu as suas expectativas?
  • 39 O GEES atendeu as suas expectativas? 0 3 Sim Médio Não 7Comentários“Acredito que no segundo semestre será mais aprofundado os temas. Nos primeirosencontros estudamos mais a história da Educação Sexual, foi muito importante, porém umpouco cansativo”.“Ainda existem muitas dúvidas em relação à educação sexual, sei que depende do meudesempenho e interesse para saná-las, às vezes, a minha expectativa foi maior do que ogrupo oferece, mas creio que até o fim deste grupo elas vão ser sanadas”.“Quando eu optei por participar do GEES eu vim em busca de conhecimentos teóricos parautilizar em minha prática escolar e troca informações com outros colegas de profissão ecom os estagiários. Portanto, minhas expectativas forma atendidas”.“Sim, mas ainda preciso ler muito sobre esse assunto”.3. Os assuntos abordados contribuíram para lhe dar base para atuar como educador/asexual?
  • 40 Os assuntos abordados contribuiram para lhe dar base para atuar como educador/a sexual? 1 0 Sim Médio Não 9Comentários“Acredito que eu precise me fundamentar mais, e durante o curso acredito que isso iráacontecer”.“Penso que todos os assuntos abordados até o momento são pertinentes, pois, nosdeparamos a cada dia com questões relacionadas a sexualidade que necessitam serfundamentadas, principalmente com um olhar bastante positivo, para que muito préconceito em relação ao assunto seja amenizado”.“Creio que sim, mas ainda há muito o que esclarecer”.“Os assuntos são coerentes e vão de encontro para ajudar na formação para atuar comoeducadora sexual”.4. Avaliação do desempenho dos/as estagiários/as
  • 41 Domínio de conteúdo 01 0 Ótimo Bom Regular Ruim 9
  • 42 Habilidade didática 0 0 Ótimo Bom5 5 Regular Ruim Comunicação 02 0 Ótimo Bom Regular Ruim 8
  • 43 Incentivo a participação dos alunos 1 0 2 Ótimo Bom Regular Ruim 7 Os recursos audiovisuais utilizados pelos/as estagiários/as podem ser considerados: 0 04 Ótimo Bom Regular Ruim 6
  • 44Comentários:“Ambos passam que se prepararam para vir e se preocupam com o objetivo a ser alcançado.Ambos tem respeitado as diversas opiniões que surgem e isso é ‘legal”.“Percebo que os estagiários dominam os conteúdos, preparam da melhor forma cadaencontro, estão de parabéns”.“Estão preparados para atuar na área que irão atuar”.“Observo a dedicação, o empenho, o comprometimento, entre outros. Entretanto sabemosque os mesmos estão iniciando um processo em relação ao assunto, sendo assim, em algunsmomentos, precisam buscar recursos não imediatos para fundamentar o trabalho,principalmente as dúvidas que surgem nos encontros, sabemos que isso é comum, maspercebo que a expectativa do grupo é de respostas e caminhos que possam sanar as dúvidasde forma prática”.6. O que mais lhe despertou interesse“O assunto relacionado a educação sexual de crianças entre dois a seis anos, enquantoeducadora e mãe”.“De como trabalhar a educação sexual sem preconceitos, tabus”.“Algumas discussões foram muito relevantes”.7. Registre aspectos positivos do GEES“O curso superou algumas expectativas: superação de dúvidas, curiosidades e referênciasbibliográficas”.“Dar caminhos para a educação sexual infanto-juvenil. Possibilitar que cada um reveja asua própria educação sexual de maneira ‘leve’”.“Aprendizagem, espaço de discussão e troca de informações, espaços para desmistificar aeducação sexual e rever valores interiorizados decorrente das experiências particulares”.8. Registre aspectos negativos do GEES“Os encontros poderiam ser um pouco mais dinâmicos”.“Faltou um trabalho em relação ao conteúdo do curso, algumas dinâmicas práticas”.
  • 45“Em alguns momentos as discussões saem do foco, porém sei que é inevitável que issoaconteça, mas os estagiários estão sabendo retornar ao assunto”.9. Faça comentários que achar necessário“O grupo, tem me ajudado a rever meus tabus, e minha reação em relação a educaçãosexual”.“Eu já sabia da existência do grupo só que nunca pensei participar que bom que houvemobilização de colegas de trabalho. ‘Peguei a onda’”.“O grupo tem sido de grande valia tanto para minha aprendizagem profissional quantopessoal”.10. Faça uma auto-avaliação sobre sua participação no GEES“Acredito que durante a participação durante as aulas foi boa, pois sempre que possívelapresento vivencias ao grupo, participo das dinâmicas propostas e sempre leio o materialenviado por e-mail”.“Estou crescendo a cada dia e acredito que no final do curso terei aprendido muito mais decom educar em educação sexual”.“Estou caminhando junto com o grupo, achava que era uma mente aberta, mas vejo queainda trago em mim uma educação repressiva”.Avaliação Final O instrumento de avaliação final foi aplicado no último encontro (22) a fim de severificar a opinião dos participantes em relação a vários aspectos do GEES. Tal instrumentodemonstra que de forma geral, o GEES contribuiu para a formação e aperfeiçoamento dosprofissionais na área de Educação Sexual. Segue abaixo os dados obtidos com a aplicaçãodos instrumentos, bem como exemplos de depoimentos de participantes.1. Você avalia o Grupo de Estudos como:
  • 46 Você avalia este grupo de estudos como: 0 0 0 Ótimo Bom Regular Fraco 102. O GEES atendeu as suas expectativas?
  • 47 O GEES atendeu suas expectativas? 0 3 Sim Médio Não 7Comentários“Como eu trabalho com a educação infantil eu esperava que o curso fosse focar asexualidade nessa faixa etária, no entanto ele abrangeu a sexualidade em todas as etapas oque também foi muito bom, pois aprendi além do que esperava”.“Na verdade o GEES superou as minhas expectativas”.“Hoje é muito mais fácil falar sobre sexualidade. O assunto tão complexo como é ficou‘fácil’”.3. Os assuntos abordados contribuíram para lhe dar base para atuar como educador/asexual?
  • 48 Os assuntos abordados contribuiram para lhe dar base para atuar como educador/a sexual? 0 2 Sim Médio Não 8Comentários:“Clareou muitos conceitos e preconceitos que tinha sobre a sexualidade. Estou mais abertapara lidar com o assunto e com vontade de buscar ainda mais novos conhecimentos”.“Todos os assuntos abordados são relevantes e me levou a uma reflexão maior em relação aalguns tabus que eu tinha”.“Todos os temas propostos forma bem trabalhados e discutidos, o que gerou reflexões ricasque iremos levar em nossa mente e coração”.4. Avaliação do desempenho dos/as estagiários/as
  • 49Domínio de conteúdo 0 0 0 Ótimo Bom Regular Ruim 10 Habilidade didática 0 0 0 Ótimo Bom Regular Ruim 10
  • 50 Comunicação 0 0 0 10Insentivo a participação dos alunos 0 0 0 Ótimo Bom Regular Ruim 10
  • 51 Os recursos audiovisuais utilizados pelos/as estagiários/as podem ser considerados: 0 2 0 Ótimo Bom Regular Ruim 8Comentários:“Os estagiários sempre diversificaram as estratégias, com a intenção de motivar o grupo aexpor suas ideias, levantar hipóteses e construir novos conceitos”.“Tanto a Diene quanto o Danilo estiveram sempre presentes e dispostos a ajudar o grupo ea partilhar seus conhecimentos sobre o tema. Pessoas muito esforçadas e dedicadas aoestudo”.“Ele tiveram ótimo domínio dos conteúdos apresentados atingindo os objetivos em cadaencontro”.6. O que mais lhe despertou interesse“Amei o dia em que falamos sobre deficiência a descoberta da educação sexual para eles”.“Saber da quantidade de material existente no mercado para atingir todas as faixasestarias”.“Que podemos falar com naturalidade. E os temas abordados trouxe muito conhecimentoporque forma atualidades que estamos vivendo”.
  • 527. Registre aspectos positivos do GEES“O trabalho em grupo enriqueceu os participantes com conhecimentos experiência por meiode debate de cada participante”.“Aprendemos uns com os outros. Trocamos experiências com as colegas que trabalham aeducação sexual nas escolas”.“Aqui aprendemos uns com os outros. Aprendemos a respeitar a diversidade. Abre nossasmentes e corações para as diferenças; fazemos amigos e revemos nossos conceitos”.8. Registre aspectos negativos do GEES“As vezes a teoria ficava cansativa e o tempo para troca de experiências foi curto, mas fazparte”.“Nenhum, só crescimento pessoal e intelectual”.“O horário, se fosse no período noturno seria melhor”.9. Faça comentários que achar necessário“Aprendi a me colocar no lugar do outro. A ver as coisas por outro ângulo. Não somosdonos da verdade, precisamos respeitar e entender as diferenças”.“Gostaria de continuidade no grupo de estudos. Seria muito interessante elaborarmos umartigo e publicarmos”.“Obrigado professora Mary Neide por este projeto fantástico. Todos os seus alunos ganhame nós também. Deus ilumine a todos nós, assim somos e seremos mais felizes”.10. Faça uma auto-avaliação sobre sua participação no GEES“Eu acho que recebi de cada fala e contribui com aquilo que sou e vivencio. Falei bastante,descobri que deveria me calar quando quis mais”.“Poderia ter participado muito mais, tive muitas faltas, no entanto em função de meutrabalho”.“Eu fui assídua, ha! Faltei duas vezes por motivos especiais, mas realizei as atividadespropostas, partilhei minhas experiências e fiquei a vontade”.
  • 53DISCUSSÃO O grupo de maneira geral parece entender a importância da Educação Sexual nocontexto escolar. Mesmo as pessoas que não consideraram a Educação Sexual comoobrigação da escola, destacaram a importância da instituição neste campo. Os comentáriosdos participantes demonstram que no grupo, desde o início, existia um entendimento sobrea importância da interação família-escola na Educação Sexual. Percebe-se que de forma geral, no início do Grupo do Estudos, a maioria dosparticipantes apresentavam ideias erradas e/ou preconceitos a respeitos de temasrelacionados a sexualidade. Sobre o tema masturbação, por exemplo, notamos umaassociação entre esta prática e sentimento de culpa e vergonha. Os comentários dosparticipantes demonstram que a maioria teve uma educação sexual onde a prática damasturbação era vista como algo feio e proibido. A maioria dos participantes desaprovou o “ficar” entre os jovens e aprovou o sexopré-conjugal. Ao analisarmos um dos comentários tomado como exemplo, percebemos quemesmo quem aprova o “ficar” impõe restrições a está prática: “[...] Eu acho que desde queo ‘ficar’ seja coisa tranqüila e não se estenda à intimidade, tudo bem”. Em relação à homossexualidade, a maioria dos participantes chegou cominformações que não condizem com os conhecimentos produzidos pela ciência. Percebe-senos comentários citados e em outros, o uso frequente do termo “opção sexual” e “escolhado indivíduo” ao invés de orientação sexual. Sobre a adoção de crianças por casais homossexuais, uma ideia bastante difundida,e que apareceu em vários comentários dos participantes, é em relação à suposta necessidadede uma figura masculina e outra feminina para o desenvolvimento sexual da criança.Alguns comentários parecem expressar certo receio de que uma criança adotada por umcasal homossexual venha a se tornar uma pessoa homossexual. A maior parte do grupo se posicionou contraria a descriminalização do aborto. Nosdois exemplos citados, de pessoas que se posicionaram favoráveis à descriminalização doaborto, um participante parece ser favorável apenas em casos de gravidez decorrente deestupro. Se levarmos em consideração que no Brasil, o aborto sob tal circunstância já é
  • 54legalizado, a pessoa do exemplo citado na verdade não estaria se posicionando favorável adescriminalização do aborto, mas apenas dizendo que concorda com a atual legislação. Além disso, dentre as pessoas que se posicionaram contrarias a descriminalizaçãodo aborto percebemos a presença do discurso religioso em seus argumentos ou aculpabilização da mulher por uma gravidez não planejada. Os instrumentos de Avaliação Intermediária e Avaliação Final demonstram quehouve mudanças de opiniões em relação a determinados aspectos dos GEES. Ocorreu umaumento no número de participantes que consideraram o Grupo de Estudos ótimo. Emrelação ao GEES ter atendido as expectativas dos participantes, não houve mudança deopinião. Houve uma melhora na avaliação que os participantes fizeram dos estagiários aotérmino do Grupo de Estudos, sendo que em quase todos os aspectos investigados osestagiários receberam o conceito “Ótimo”. No último encontro, o grupo com um todo fez uma avaliação positiva acerca doGEES destacando suas contribuições para a prática profissional e vida pessoal dosparticipantes. Os participantes comentaram como o grupo foi importante para que revissemtabus e preconceitos e dessa forma, obterem um crescimento a nível profissional e pessoal.Nas palavras de uma participante do GEES: “Aqui eu evolui trinta anos em alguns meses”. Os resultados obtidos mostram a importância do processo de formação continuadapara a prática profissional dos educadores. Percebe-se a importância de se criar espaçosonde o educador possa refletir e repensar sua própria sexualidade e a sexualidade dosoutros, conforme propõe Werebe (1998).
  • 55CONCLUSÃO A partir dos resultados obtidos, percebemos a importância da realização detrabalhos como o GEES ao possibilitar espaços de discussão e reflexão de temas relativos àsexualidade. Tendo em vista as mudanças relatadas pelos participantes em relação àmaneira de enxergar a sexualidade e a Educação Sexual, acreditamos que o GEES ajudou atodos os participantes a se reeducarem sexualmente conforme propõe Bernardi (apudFigueiró, 2009).
  • 56 CONSIDERAÇÕES FINAIS È necessários investir em trabalhos como o GEES a fim de se prepara profissionaispara atuar como educadores sexuais. A formação de educadores sexuais deve se levar emconta não apenas a formação científica dos profissionais dos educadores mas tambem aformação pessoal. Dessa forma, a Educação Sexual por eles desenvolvidos irá contribuirnão apenas para transmitir informações a respeitos da sexualidade mas, tambem, contribuirpara a transformação social questionando diversas forma de preconceitos e descriminaçõesexistentes na sociedade atual.
  • 57REFERÊNCIASBRASIL – Secretaria de Educação Fundamental (1998). Parâmentros CurricularesNacionais: Pluraridade cultural e orientação sexual. , vol. 10. 2ª ed. Rio de janeiro: DP&A.FIGUEIRÓ, M. N. D. Educação Sexual no Dia a Dia – 1ª coletânea. Londrina: [s.n],1999.______. Educação Sexual: Fundamentos Básicos. In:______ (Org.). Homossexualidade eEducação Sexual: construindo o respeito a diversidade. Londrina: UEL, 2007. p. 26-68.______. Educação Sexual: compromisso com a transformação social. In:______ EducaçãoSexual: retomando uma proposta um desafio. Londrina: Ed. UEL, 2001. p. 91-109.______. A Educação Sexual presente nos relacionamentos cotidianos.In:______(Org.). Educação Sexual: Em busca de mudanças. Londrina: UEL, 2009. p. 63-104.______. Formação de Educadores Sexuais: adiar não é mais possível. Campinas:Mercardo das Letras, 2006; Londrina: Eduel, 2006. 328 p.NUNES, C.A. Desvendando a sexualidade. Campinas: Papirus, 2005. 7ed. 144p.RIBEIRO, P.R.M. A Institucionalização dos Saberes Acerca da Sexualidade Humana e daEducação Sexual no Brasil. In: FIGUEIRÓ, M.D (Org.). Educação Sexual: múltiplostemas, compromisso comum. Londrina: UEL, 2009. p. 129-140.WEREBE, M.J.G. Educação Sexual Intencional. In:______. Sexualidade, Política eEducação. Campinas: Autores Associados, 1998. p. 155-198.