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O principio dia ano 3

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  • 1. O Principio Dia AnoPor José Carlos Ramos (LES n° 09 do 3° Trim. de 2006)É bíblico o princípio dia/ano ou é uma invenção adventista imposta à Bíblia? O estudodesta semana deixa claro que não há como entender um bom número de períodosproféticos se esse princípio for ignorado. Em outras palavras, para a corretainterpretação profética, é imperativo o emprego desse princípio. E se as coisas sãoassim, seria mais que justo encontrar nas próprias profecias evidências suficientes quefundamentem não só o princípio, mas também o emprego dele. E é o que a liçãodemonstra.Tempo proféticoA lição começa abordando dois grandes capítulos proféticos que envolvem períodos detempo: Daniel 7 e Daniel 8. A pergunta ao fim da primeira nota é muito pertinente:"Que justificativa temos para supor que esses períodos não são literais, mas proféticos,e que devemos usar o princípio dia/ano ao interpretá-los?" Bem, só haveria umajustificativa para interpretar os períodos como perfazendo tempo literal e nãosimbólico: se o preterismo ou o futurismo fossem critérios corretos de interpretaçãoprofética. O primeiro afirma que as profecias se cumpriram no passado, no tempo doescritor, ou um pouco à frente. Em outras palavras, o preterismo não admite ocumprimento profético no transcurso dos séculos, como esposado pelo historicismo, e,portanto, segundo esta linha interpretativa, as profecias não abarcam grande extensãode tempo. Os três tempos e meio de Daniel 7:25, por exemplo, são 3½ anos literais,que transcorrem no tempo dos Macabeus, quando Antíoco Epifânio reinava na Síria. Ofuturismo, como o termo indica, afirma que a maior parte das profecias se cumpriránum futuro próximo.Assim, como é inegável que Jesus não demorará muito para voltar, não é possível,afirma o futurismo, que estas profecias abarquem grande extensão de tempo (nessedetalhe, portanto, o futurismo tem algo em comum com o preterismo). Logo, osperíodos proféticos devem ser interpretados literalmente.Então, a questão decisiva é: estão corretos preteristas e/ou futuristas em suascolocações? Para constatarmos que a resposta para esta pergunta é "não!", bastariamesmo uma olhadela superficial aos planos proféticos de Daniel. É impossível aalguém que, sem idéias reconcebidas, interprete Daniel 2 ou 7, como exemplos, e nãoperceba que a história do mundo, desde os dias do próprio profeta até o fim, estásendo prevista ali. Por esta simples razão, os períodos referidos não podem ser
  • 2. considerados literais, pois, em termos de literalidade, o montante de tempo destesperíodos é pequeno. Como diz a lição, "tendo em vista o contexto em que são dadas[as profecias] não faz sentido considerar literais as grandes profecias de tempo noscapítulos de Daniel 7 e 8", grandes impérios mundiais que, começando na antiguidadee culminando com o fim do mundo, alcançam milhares de anos de história.Daniel 9 e o tempo profético Setenta semanas e 2.300 diasAo considerarmos Daniel 9, naturalmente se nos impõe a necessidade de aplicarmos oprincípio dia/ano ao período ali registrado. Se não, como é possível que os eventosligados a esse período ocorram dentro de apenas setenta semanas ou 490 dias literais?Por exemplo, uma cidade como Jerusalém ser, naqueles tempos, reconstruída (v. 25)em menos de um ano e meio? Simplesmente impossível.E mais: partindo do ano em que foi emitido o decreto para a reconstrução deJerusalém (457 a.C), como chegar até o Messias em apenas 490 dias? Isso é tãoevidente, que, se não todos, a grande maioria dos intérpretes não adventistas entendeque esta profecia trata de anos, e não dias. Pensam assim, não porque aceitem, aqui, oprincípio dia/ano; fazem-no com o argumento de que estas não são semanasconvencionais, mas semanas de anos. De fato, quando a lei mosaica prescreve o anojubileu, ela se refere a sete anos sabáticos ou "sete semanas de anos", o equivalente a49 anos (Lev. 25:8), para determinar o ano seguinte, o 50º, como jubileu (v. 10). Assetenta semanas, então, teriam sido anunciadas pelo anjo em termos de 70 anossabáticos ou 10 ciclos jubilares. Que a questão do ano sabático esteve envolvida nocativeiro babilônico é claramente inferido de Levítico 26:33-35 e II Crônicas 36:21. Ossetenta anos de cativeiro corresponderam a setenta anos sabáticos não respeitadospelos judeus. Daniel 9, então, transforma os setenta anos em setenta semanas deanos, período que transcorreria até que a libertação definitiva do povo de Deus fosseefetivada. Tudo isso é uma evidência adicional de que o princípio dia/ano é, de fato,bíblico, pois mesmo o calendário agrícola de Israel o pressupunha. O ano sabático estápara os 6 anos anteriores da mesma forma como o sábado semanal está para os seisdias anteriores. Isto consubstancia um relacionamento muito estreito entre dia e ano,tal como é estabelecido pelo princípio dia/ano. Sete anos culminados com o anosabático compõem uma unidade de contagem de tempo padronizada numa unidademenor, sete dias que culminam com o sábado. Desta forma, um dia de 24 horas, osábado, é visto como modelo para um ano inteiro de descanso, o ano sabático, um diacorrespondendo a um ano, conforme determina o princípio dia/ano. Uma vez que assetenta semanas são admitidas como 490 anos, não há como os 2.300 dias de Daniel8:14 não serem, de fato, 2.300 anos, senão, como é possível que aquele período seja"separado", "apartado", "destacado", "cortado" (o sentido do verbo chatak, traduzido"determinadas" no verso 24 [ver comentário do estudo de 3 de agosto]) das 2.300tardes e manhãs de Daniel 8:14, que literalmente seriam menos que seis anos e meio?Como seria possível extrair 490 anos de 2.300 dias? Portanto, se as setenta semanassão 490 anos, os 2.300 dias são 2.300 anos.Mais provasO estudo destes dois dias apresenta outras evidências, ainda com base em Daniel, deque o princípio dia/ano é perfeitamente válido como recurso de interpretação
  • 3. profética. Entre outros argumentos, a lição lembra que um período de tempo citadoem meio a vários símbolos tem tudo para ser simbólico (quinta-feira). O estudotambém considera o "vínculo semântico" dias/anos observável na poesia hebraica(sexta-feira). Menciono mais uma evidência, agora de ordem geral, envolvendo aqualidade da profecia bíblica.Existem duas categorias de profecias::clássica e apocalíptica. No Antigo Testamento, amaior expressão da segunda categoria é, sem dúvida, a parte profética do livro deDaniel.Entre outras caracterizações, uma categoria difere da outra em escopo e aplicação. Aprofecia clássica é restrita, tendo a ver mais com o local e o tempo em que foi dada.Exemplo: "Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirãoao rei de Babilônia setenta anos" (Jer. 25:11). Estas palavras predizem o cativeirobabilônico que se estenderia por setenta anos, no fim dos quais, Deus libertaria Seupovo. Tudo isso começou a se cumprir pouco tempo depois. Já a profecia apocalípticaé ampla em seu escopo e aplicação. Ela abrange toda a humanidade e o inteiro cursoda História, estendendo-se até a consumação final.Os períodos de tempo para uma e outra categoria são enunciados de maneirasurpreendentemente paradoxal: em termos de tempo literal, os períodos são bemmais extensos na profecia clássica que na apocalíptica. Nós esperaríamos o contrário,já que o escopo e a aplicação da segunda são bem mais abarcantes. Acabo de citar umexemplo: os setenta anos do cativeiro babilônico. Este período pode ser apreciado emcontraste com as setenta semanas de Daniel 9, que, em termos literais, são mais oumenos um ano e meio. Todavia, este período, em conformidade com a amplitudemaior da profecia apocalíptica, parte dos dias do domínio persa no V século a.C. eatinge os dias apostólicos, isto é, quase 500 anos em apenas 70 semanas! Por sua vez,as 2.300 tardes e manhãs, ou dias, de Daniel 8:14, são um período curto se tomadoliteralmente (como se viu, menos que seis anos e meio) e insuficiente para cobrir otodo da visão dada ao profeta (v. 13). Esta também parte dos dias do domínio persa,representado por um carneiro, o primeiro elemento da visão (vs. 3 e 20), e se estendeaté a nossa época (v. 19). São 23 séculos em 2.300 dias! Como tanto material proféticopode ser alusivo a tão pouco tempo? O impasse desaparece apenas quando aplicamoso princípio dia/ano. Nesse caso, as setenta semanas, ou 490 dias, são, na realidade,490 anos, e os 2.300 dias, 2300 anos. Esse princípio, obviamente, se aplica também aoutros períodos, entre eles os três tempos e meio, ou três anos e meio, de Daniel 7:25,12:7 e Apocalipse 12:14; os 1.290 e 1.335 dias de Daniel 12:12 e 13; os 1.260 dias deApocalipse 11:3 e 12:6; e os 42 meses de Apocalipse 13:5.Concluo este comentário com uma referência do Evangelho. É possível divisar oprincípio dia/ano sendo empregado por Jesus pelo menos uma vez, ao se referir aocurso do Seu ministério neste mundo em termos de "hoje", "amanhã" e "depois", emLucas 12:32 e 33: "Ide dizer a essa raposa [Herodes] que, hoje e amanhã, expulsodemônios e curo enfermos e no terceiro dia terminarei. Importa, contudo, caminharhoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora deJerusalém."
  • 4. Se o próprio Senhor Se valeu desse princípio, em essência, é óbvio que Seus seguidorespodem também se valer dele. E não somente podem, mas devem, quando isso forrequerido para uma sólida e correta interpretação profética.

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