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Desfazendo mitos sobre israel nas profecias dos tempos finais
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Desfazendo mitos sobre israel nas profecias dos tempos finais

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  • 1. DESFAZENDO MITOS SOBRE ISRAEL NAS PROFECIAS DOS TEMPOS FINAISSamuele BacchiocchiHá fundamentação bíblica para interpretações populares de profecias referentes àrestauração de Israel? Tal indagação é respondida com autoridade e consistênciaexegética neste artigo.Saiba também por que muitos judeus se sentem ofendidos com posturas deestudiosos cristãos ao interpretarem o papel futuro de Israel segundo tradicionalvisão escatológica de muitos intérpretes das profecias bíblicas.A maioria dos cristãos evangélicos crê que a restauração do Estado de Israel em 1948representa a “peça fundamental” nas profecias do tempo do fim. Tal ponto de vista évigorosamente ensinado por praticamente todos os pregadores populares atuais. Issosignifica que caso o que se crê e prega amplamente na atualidade quanto ao papel deIsrael na profecia baseia-se numa equivocada interpretação de importantes textosbíblicos, há urgente necessidade de expor as falhas de tal ensino. ISRAEL NA PROFECIACrê-se amplamente entre cristãos evangélicos que o firme retorno dos judeus à Palestinadurante este século, e o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, representam umextraordinário cumprimento de promessas específicas do Velho Testamento feitas aosisraelitas. Ademais, esse suposto cumprimento é visto como o prelúdio de eventos finaistais como o Arrebatamento Secreto, a Tribulação, a reedificação do Templo deJerusalém, a conversão dos judeus, o Retorno de Cristo e o estabelecimento do reinomilenial judaico assumido por Cristo sobre o trono de Davi em Jerusalém.Leon J. Wood adequadamente expressa esta opinião popular em The Bible and FutureEvents [A Bíblia e os eventos futuros]: “O mais claro sinal do retorno de Cristo é omoderno Estado de Israel. . . . Deve-se reconhecer que a cronologia de Deus poderiapermitir que Israel estivesse na terra por muitos anos antes de levá-la ao desfrute de suaera gloriosa. Mas com a nação de fato ali, e com muitos fatores relacionados a issoajustando-se a condições estabelecidas nas Escrituras para os últimos dias, . . . pode-seseguramente crer que a vinda de Cristo não está muito distante no futuro”.Hal Lindsey é até mais específico ao garantir que a restauração política de Israel em1948 não é só “um dos muitos eventos importantes de nossa época”, mas, “o maisimportante sinal profético para proclamar a era do retorno de Cristo”. Ele até predisseousadamente em 1970 que “dentro de quarenta anos ou próximo disso a partir de 1948,todas essas coisas poderiam vir a ocorrer”.Um Acontecimento Notável. O retorno de muitos judeus à Palestina e oestabelecimento do Estado de Israel são acontecimentos muito notáveis, para dizer omínimo. Assim, não admira que muitos cristãos e judeus vêem em tais eventos que sederam no Oriente Médio o cumprimento de profecias veterotestamentárias. Contudo,seria esta uma interpretação legítima das profecias?
  • 2. É bem possível crer pessoalmente que o povo judeu tenha um direito moral ou históricoà terra da Palestina e que Deus haja providencialmente dirigido o estabelecimento doEstado de Israel, mas pode tal convicção ser legitimamente firmada em profeciasbíblicas? Para responder a esta indagação é necessário examinar brevemente pelo menosalgumas das profecias em geral apresentadas em apoio a essa crença. PROFECIAS DO VELHO TESTAMENTOAs Promessas de Deus aos Israelitas. Há, primeiramente, a promessa de Deus aAbraão de que seus descendentes herdariam “toda a terra de Canaã, em possessãoperpétua” (Gên. 17:8; cf. 12:7; 13:15; 15:18). Adicionalmente, há promessas em algunsdos profetas que falam de um “segundo” retorno dos israelitas (Isa. 11:11) a sua terranatal “de todas as nações” (Jer. 29:14). Os dispensacionalistas acreditam que essepredito retorno supostamente se dará em descrença (Eze. 36:24-26; cf. Jer. 30). Achamconfirmação para tal posição no que se passa hoje em dia.As promessas de restauração são vistas como promessas incondicionais literais cujocumprimento teve início pela primeira vez em 1948 com a dramática recuperação departe da Palestina pelos judeus. A posse ou perda de posse anteriores da terra de Canaãpelos israelitas supostamente não cumprem as promessas territoriais por, pelo menos,duas razões: Primeiro, Deus não prometeu posse temporária, mas “eterna” da terra(Gên. 17:8). Em segundo lugar, os israelitas nunca possuíram no passado toda a terraprometida “desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” (Gên. 15:18).A Natureza Condicional da Promessa Divina. A interpretação literalística acima daspromessas territoriais de Deus ignora primeiramente toda a sua natureza condicional. Apromessa de terra à descendência de Abraão era condicional a sua contínua obediênciaaos requisitos de Seu concerto: “Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança,tu e a tua descendência no decurso das suas gerações” (Gên. 17:9; cf. 18:19).A natureza condicional da promessa de terra no concerto abrâmico é claramentereconhecida nas Escrituras. Moisés, por exemplo, após a rebelião de Cades, lembrou ànova geração que a desobediência impediria seus pais de entrarem na terra da promessa:“Certamente nenhum dos homens desta maligna geração verá a boa terra que jurei dar avossos pais” (Deut. 1:35; cf. Núm. 14:22-23).Antecipando a expulsão dos israelitas da terra por causa da desobediência, Moisésadmoestou o povo a “voltar para o Senhor”, o qual, por seu turno, se lembraria “daaliança que jurou a teus pais” (Deut. 4:30-31; cf. Deut. 30:2, 3; I Reis 8:47-50).A natureza condicional das promessas de Deus é talvez melhor declarada em Jeremias18:9-10, onde o Senhor declara: “E no momento em que eu falar acerca de uma naçãoou de um reino, para o edificar e plantar, se ela fizer o que é mal perante mim, e não derouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria”.Os princípios estabelecidos nesta passagem é de que as predições de Deus de bênção oumaldição para uma nação condicionam-se à obediência ou desobediência. Obviamente,é somente pela graça de Deus que os crentes podem cumprir as condições, maspermanece o fato de que as condições existem e que ninguém tem o direito de remover
  • 3. os “se’s” da Bíblia.O Retorno em Descrença. Os dispensacionalistas recusam aplicar o princípio danatureza condicional das promessas de Deus às predições concernentes ao retorno dosjudeus à Palestina. Eles apelam a textos tais como Ezequiel 22:17 e 36:24-28 paraargumentar que “os judeus devem ser reunidos à sua terra num condição de descrença.A conversão nacional a Jesus Cristo, o seu Messias, não terá lugar até após seremrestaurados à terra”.Em outras palavras, a restauração territorial dos judeus deve supostamente preceder suaconversão ao Messias.Infelizmente essa crença tem por base uma interpretação defeituosa de passagensbíblicas. Por exemplo, a declaração encontrada em Ezequiel 22:19-20, “vos ajuntarei naminha ira e no meu furor”, é tomada como referindo-se à atual emigração dos judeus àPalestina em descrença.Essa interpretação está errada por duas razões, pelo menos: Primeiramente, nos versosprecedentes Ezequiel não está descrevendo o futuro, mas a situação de seuscontemporâneos israelitas ao enumerar os seus pecados que causariam o seremespalhados “entre as nações” (v. 15). Em segundo lugar, a reunião dos judeus “na minhaira e no meu furor” refere-se não ao seu retorno à Palestina em descrença, mas àinevitabilidade do juízo de Deus por sua desobediência, o que historicamente teve lugarquando das invasões e cativeiro sob os babilônios.Esta passagem não permite qualquer dúvida de que o propósito da reunião é o juízo, nãoa restauração. Isto é tornado claro nos versos seguintes, onde o Senhor declara:“Congregar-vos-ei, e assoprarei sobre vós o fogo do meu furor ; e sereis fundidos nomeio de Jerusalém” (Eze. 22:21). Destarte, a reunião em Ezequiel, à semelhança doajuntamento em Jeremias (8:14), não visa à restauração e salvação, mas ao juízo edestruição.É bem possível crer pessoalmente que o povo judeu tenha um direito moral ou históricoà terra da Palestina e que Deus haja providencialmente dirigido o estabelecimento doEstado de Israel, mas pode tal convicção ser legitimamente firmada em profeciasbíblicas? Para responder a esta indagação é necessário examinar brevemente pelo menosalgumas das profecias em geral apresentadas em apoio a essa crença.Reajuntamento e Purificação. O segundo “texto prova” geralmente citado para darapoio ao ponto de vista do retorno em descrença é Eze. 36:24-25: “Tomar-vos-ei deentre as nações e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra.Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossasimundícias e de todos os vossos ídolos vos purificareis”. O fato de que a promessa derestauração territorial precede a purificação espiritual do povo nesta passagem é tidacomo significando que primeiro os judeus retornarão à Palestina em descrença, eposteriormente serão purificados e redimidos.Tal conclusão tem por base numa seqüência cronológica artificial que não podeproceder da passagem. Ezequiel não está dizendo que o Senhor primeiro reajuntará osisraelitas e daí, num período subseqüente, os purificará. Ele simplesmente declara que
  • 4. Deus fará duas coisas para o Seu povo: Ele os reunirá e os purificará. Nenhum indício édado de que os dois acontecimentos serão separados por um período de tempoindefinido.O contexto do capítulo sugere que o reajuntamento e purificação terão lugar ao mesmotempo, com a purificação espiritual precedendo, antes que seguindo-se, à reunião. “Nodia em que eu vos purificar de todas as vossas iniqüidades, então farei que sejamhabitadas as cidades e sejam edificados os lugares desertos” (Eze. 36:33). Observaçõestais como estas claramente demonstram que Ezequiel 36:24-28 não oferece prova depredição quanto ao retorno dos judeus em descrença à Palestina no século vinte.Duas Perspectivas Bíblicas. Apoio adicional para essa conclusão é propiciada por doisensinos bíblicos básicos concernentes à terra da promessa. Primeiro, historicamente foia descrença que impediu que os israelitas entrassem na terra de Canaã (Núm. 14:23; Sal.95:7, 11). Essa verdade é reiterada pelo autor de Hebreus ao destacar o fato de que adescrença desqualifica qualquer um de entrar no descanso tipificado pelo sábado, seja odescanso político na terra de Canaã (Heb. 3:18-19; 4:6-8) ou o descanso espiritual dasalvação (Heb. 4:3, 9, 10). Se a descrença impediu a entrada inicial na terra de Canaã,dificilmente poderia propiciar a condição que se segue a um retorno a tal terra.Em segundo lugar, Deus recompensa a obediência, não a desobediência, com osprivilégios da aliança. A restauração predita pelos profetas é condicional em caráter.Israel será restaurado “se se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua almana terra de seus inimigos” (1 Reis 8:48; cf. Oséias 11:10, 11; Deut. 30: 2, 3, 9, 10).Uma “Segunda” Reunião. Outra profecia vista por muitos como texto-prova para apresente reconstituição de Israel acha-se em Isaías 11:11: “Naquele dia o Senhor tornaráa estender a mão para resgatar o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, doEgito, de Patros, da Etiópia, de Elão, de Sinear, de Hamate e das terras do mar”.A referência de Isaías a um “segundo” ajuntamento do remanescente de Israel de muitasnações é vista como tendo cumprimento hoje pela primeira vez com o retorno de algunsjudeus para o restaurado Estado de Israel. A última é vista como o prelúdio para oajuntamento final de Israel, que, para empregar as palavras de J. F. Walvoord, “terá suaculminação quando o Messias de Israel retornar à terra em poder e glória para reinar”.Esse ponto de vista repousa sobre o pressuposto de que um “segundo” ajuntamentopredito por Isaías não foi cumprido quando um fiel remanescente de Israel retornou deBabilônia para Jerusalém em 536 A.C. sob Zorobabel e novamente em 457 A.C. sobEsdras. Duas razões principais são geralmente dadas. Em primeiro lugar, o retorno doexílio babilônico foi somente de uma nação, Babilônia, e não de “todas as nações” (Jer.29:14; cf. Isa. 11:11). Em segundo lugar, o retorno do exílio babilônico foi um pálidoreflexo do grandioso retorno previsto por Ezequiel, Jeremias e Isaías.Um Retorno “De Todas as Nações”. A primeira razão ignora três fatos significativos.Primeiro, era costumeiro naquele tempo vender prisioneiros de guerra a outras nações,de modo que fossem dispersados o máximo possível (Joel 3:7; Jer. 42-44; Eze. 27:13;Amós 1:6, 9). Num retorno gradual do cativeiro seria natural que alguns dos judeusamplamente dispersos retornassem à Palestina a partir de muitas nações. Isso é o queaparentemente teve lugar após o exílio babilônico, uma vez que os que retornaram não
  • 5. pertenciam exclusivamente à tribo de Judá, mas também a outras tribos (Esdras 2:59;6Z:17; 1 Crôn. 9:33, 34).Em segundo lugar, os profetas às vezes fundiam referências a um retorno da “terra deseu cativeiro” (isto é, Babilônia) com um retorno de “todas as nações”, porque em suasmentes essas expressões eram simplesmente modos variantes de descrever a condiçãodos judeus no exílio e a prometida restauração divina. Um bom exemplo disso se achaem Jeremias 30:10-11, onde as duas expressões são empregadas intercambiavelmentena mesma passagem: “Não temas, pois, servo meu Jacó, . . . pois eis que te livrarei dasterras de longe, e à tua descendência da terra do exílio. . . . por isso darei cabo de todasas nações dentre as quais te espalhei” (cf. Jer. 31:8, 11; 46:27).Em terceiro lugar, aplicar literal e coerentemente a predição de Isaías de um “segundo”ajuntamento de Israel de muitas nações ao retorno contemporâneo dos judeus àPalestina requereria que os judeus destruíssem ou despojassem ou subjugassem osfilisteus, os edomitas, os moabitas e os amonitas, como declarado no contexto daprofecia de Isaías: “Antes voarão para sobre os ombros dos filisteus ao Ocidente; juntosdespojarão os filhos do Oriente; contra Edom e Moabe lançarão as suas mãos, e osfilhos dos Amom lhes serão sujeitos” (Isa. 11:14). Uma vez que essas nações há muitodesapareceram, é difícil ver como os judeus hoje poderiam cumprir literalmente apredição de Isaías de um “segundo” ajuntamento.Essa interpretação profética fantasiosa poderia ser evitada simplesmente pela cuidadosaleitura do contexto, que claramente fala de um “segundo” retorno de um remanescenteda Assíria, em relação com o primeiro retorno do Egito sob o comando de Moisés:“Haverá caminho plano para o restante do seu povo, que for deixado da Assíria, como ohouve para Israel no dia em que subiu da terra do Egito” (Isa. 11:16). A Assíria émencionada primeiro (também no v. 11) provavelmente porque Isaías escreveu essaspalavras após o Reino do Norte ter sido deportado para a Assíria em 721 AC. Dessemodo, esta profecia teve um cumprimento literal quando os israelitas retornaram docativeiro no sexto século A.C. LIMITADO RETORNO DO CATIVEIRO BABILÔNICOA segunda razão mantém que o pequeno grupo de judeus que retornou à Palestina sob acondução de Zorobabel em 536 A.C. e Esdras em 457 A.C. seria apenas um pálidoreflexo do grandioso retorno predito pelos profetas. Ademais, os judeus nãoexperimentaram a prosperidade econômica e fertilidade agrícola preditas pelos profetas(Isa. 35:1; 61:4). As nações circunvizinhas não foram destruídas e continuam a ameaçaros judeus vez após vez. Conseqüentemente, deve-se considerar um cumprimentoposterior aos eventos de nosso tempo.O retorno dos judeus à terra está agora em progresso. Israel tornou-se o mais forte podermilitar do Oriente Médio. O solo está sendo recuperado após séculos de negligência,mediante o desvio de água do Jordão para irrigar o deserto do Negev. Essesdesenvolvimentos têm levado muitos cristãos a crer que as profecias sobre arestauração estão de fato tendo cumprimento hoje. Uma propaganda de viagem a Israelem Christianity Today [Cristianismo hoje, popular revista evangélica americana] (de 27de outubro de 1967) apropriadamente expressa essa crença popularizada: “Está aProfecia Sendo Cumprida Nas Terras Bíblicas Hoje? Venha Ver”.
  • 6. CUMPRIMENTO TRÍPLICE DAS PROFECIAS DE RESTAURAÇÃODificilmente se negará que as profecias de restauração não foram completamentecumpridas no período pós-exílico. É apropriado esperar um cumprimento maiscompleto em época posterior. Todavia, ao buscar-se um cumprimento maior éimportante reconhecer que as profecias relativas à Terra de Canaã e à restauração deIsrael podem ter cumprimento tríplice: literal, figurado e antitípico.