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  • 1. O SIGNIFICADO DAS SETE ÚLTIMAS PRAGAS Apocalipse 15 e 16 Nossa primeira tarefa para interpretar as sete últimas pragas éconsiderá-las dentro de seu contexto imediato e de seu contexto maisamplo. A visão do santuário de Apocalipse 15 explica sua origemsobrenatural: são enviadas da sala do trono no céu e expressam afidelidade de Deus. As pragas não são forças cegas ou catástrofesnaturais. Sua importância crucial chega a ser evidente quando sabemosque constituem a "ira de Deus" na advertência da mensagem do terceiroanjo. "Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Sealguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ousobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado,sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre,diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro" (Apoc. 14:9, 10). O Enfoque Contextual A mensagem de admoestação identifica a ira de Deus com a ira doCordeiro. Sua manifestação aterrorizará os ímpios quando terminar otempo de graça (Apoc. 6:16, 17). Apocalipse 16 desdobra a ira doCordeiro como as sete últimas pragas. Estas pragas também são ocumprimento do pisar simbólico da "vinha da terra" em "o grande lagarda ira de Deus" de Apocalipse 14:19 e 20. Por conseguinte, aodenominar-se "últimas pragas" (15:1) devem comparar-se com os outrosjuízos anteriores de Deus nos selos e nas trombetas (caps. 6, 8 e 9). Adramática intensificação sobre os juízos preliminares aparece em suaglobalização. Entretanto, a diferença teológica é a natureza e o propósitodas últimas pragas. Enquanto que os selos e as trombetas objetivam o despertar aoarrependimento em uma igreja apóstata e no mundo, e dessa maneira
  • 2. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 2cumprem um propósito misericordioso, as últimas pragas caem sobre ummundo impenitente depois do fim do tempo de graça, quando o destinoeterno de cada um foi selado no santuário celestial (Apoc. 15:8; 16:1; 22:11). O propósito das últimas pragas é executar o veredicto de Deus sobreseus inimigos, para resgatar os seguidores de Cristo das mãos de seusopressores. Um comentário alemão declara: "Em certo momentoindicado, Deus termina sua demora e intervém rapidamente e comcaráter concludente. É o objetivo dos juízos das pragas. Quandoterminam se anuncia: Feito está (vs. 16, 17)".1 As últimas pragasservem como a substância da sétima trombeta. Isto requer uma breverecapitulação da origem de todos os juízos messiânicos no Apocalipse. Origem Celestial dos Juízos messiânicos Os selos, as trombetas e as últimas pragas todas são enviadas dosantuário celestial (Apoc. 5; 8:3-5; 15:5-8). Estes três septenários estãoprecedidos por uma visão dos santos vitoriosos no reino dos céus (5:9,10; 7:9-17; 15:2-4). Este arranjo literário mostra que o interesse primáriodos juízos de Deus é a salvação de seu povo. Ao mesmo tempo, ele é oDeus de justiça que "não se deixa escarnecer" (Gál. 6:7). Este duploaspecto do caráter santo de Deus: sua justiça salvífica e sua justiçapunitiva, já tinha sido revelado o Moisés (ver Êxo. 34:6, 7). Suasameaças são tão confiáveis e reais como suas promessas (ver Apoc.22:18, 19). Ambas as manifestações da justiça divina se originam noSenhor ressuscitado (cap. 5). A composição literária do Apocalipse mostra que as pragas seguemdepois do último chamado ao arrependimento (Apoc. 14:6-12) e depoisdo selamento dos santos (7:1-4). Os juízos culminam na batalha do"Armagedom" quer dizer, na destruição de Babilônia (16:13-19). Oscapítulos 17 a 19 constituem a explicação detalhada da queda deBabilônia (ver o cap. XXX desta obra).
  • 3. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 3Os Tipos do Antigo Testamento Prefiguram a Proteção Divina Alguns comentadores assumem que os seguidores de Cristo serãoarrebatados ao céu antes que comecem a derramar-se as pragas, demaneira que não serão afetados pela ira de Deus. Mas a hipótese de umarrebatamento não está apoiado por uma exegese bem feita. A analogiadas pragas com as pragas que caíram antes sobre o Egito mostra queIsrael permaneceu na terra de Gósen de maneira que Faraó pudesse ver a"diferencia entre os egípcios e os israelitas" (Êxo. 11:7; 8:22, 23). Israelinclusive participou desta distinção colocando o sangue do cordeiropascal como "um sinal" sobre os batentes de suas casas: "Quando eu viro sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora,quando eu ferir a terra do Egito" (Êxo. 12:13). Também o povo de Deus do tempo do fim é chamado a separar-sede "Babilônia" e unir-se a Cristo, "para que não sejam partícipes de seuspecados, nem recebam parte de suas pragas" (Apoc. 18:4; 14:1). Assimcomo o Israel da antiguidade foi protegido pelo "sinal" do sangue, assimo Israel do tempo do fim será protegido por um selo especial do Deusvivente, que os anjos de Deus colocarão na fronte de cada um dosescolhidos (Apoc. 7:3; 14:1). Outro paralelo está na visão do Ezequiel, sobre o selamento doremanescente fiel de Jerusalém. O selo de Deus garantia suapreservação. Assim acontecerá com o antítipo!2 As Pragas Dão Começo ao Dia do Senhor A teologia popular identifica o "dia do Senhor" com o segundoadvento de Cristo. O Apocalipse inclui a guerra do Armagedom em"aquele grande dia do Deus Todo-poderoso" (Apoc. 16:14). A esse"grande dia" ele o chama o dia de sua ira ou o dia da vingança de Deus(Isa. 34:8; Sof. 2:2; Apoc. 6:17). O dia da ira de Deus começa com assete últimas pragas (ver Apoc. 15:1; 6:17). Quando as sete taças de ouro
  • 4. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 4estejam cheias da ira de Deus, "ninguém podia entrar no templo até quefossem cumpridas as sete pragas dos sete anjos" (15:7, 8). Como o tempo de graça termina ao iniciar-se as sete últimas pragas,o fim do tempo de graça pode identificar-se com o tempo no qual "selevantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo".Depois que se levante, "haverá tempo de angústia, qual nunca houve,desde que houve nação até àquele temp" (Dan. 12:1). O dia do Senhor terminará quando os céus e a terra sejampurificados por fogo e quando se estabelecer um novo céu e uma novaterra como a morada dos justos (ver 2 Ped. 3:10-13), promessa que serealizará no fim do milênio (ver Apoc. 21:1-5). A extensão completa do dia do Senhor pode representar-se noseguinte diagrama:3 O TEMPO DO FIM O DIA DO SENHOR O DIA DO SENHORFim do tempo de As 7 últimas pragas Segunda vinda egraça depois da milêniotríplice mensagemApoc. 14:6-12 Apoc. 15 e 16 Apoc. 19 e 20 O Motivo do Êxodo das Pragas Parece que existe um consenso universal de que o motivo básico doApocalipse é o motivo do êxodo. A descrição de Cristo como o cordeiropascal, prepara o cenário para a igreja como o povo do novo êxodo.Quando os anciões cantam, "com o teu sangue compraste para Deushomens" (Apoc. 5:9), unem o motivo do cordeiro pascal com o tema doêxodo. Desde o começo, o Apocalipse chama a igreja de Cristo um"reino de sacerdotes" (1:5, 6). O "novo cântico" dos anciões espera cominteresse um êxodo mais espetacular no futuro, o da igreja triunfante, "ereinarão sobre a terra" (5:10). Este panorama futuro se desenvolve navisão da nova terra e da Nova Jerusalém (caps. 21 e 22).
  • 5. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 5 A sétima trombeta declara: "O reino do mundo se tornou de nossoSenhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (Apoc.11:15). Esse reino futuro de Deus e de Cristo será precedido pelas setepragas últimas, porque a terra ainda está dominada por um opressor "oEgito" ou "Babilônia". A realidade histórica das pragas e do êxodo conseguinte da igrejadepende do poder do Messias e do mérito de sua morte como Cordeiropascal. Só ele é digno de "abrir o livro e desatar seus sete selos" (Apoc.5:5) e realizar a bem-aventurada esperança. Em nenhum lugar doApocalipse se usa a tipologia do êxodo em forma mais explícita esistemática que nas sete pragas. O propósito das últimas pragas corresponde essencialmente ao das10 pragas que caíram sobre o Egito nos tempos dd Moisés: revelar ajustiça de Deus ao subjugar e eliminar o perseguidor. Ambas aslibertações do povo de Deus, a passada e a futura, são manifestações dafidelidade do mesmo Deus do pacto. Já Apocalipse 15 começa a conectarambas as séries de pragas. João vê os que tinham alcançado a vitóriasobre a besta e sua imagem estar em pé "no mar" ["junto ao mar", RC;"sobre o mar", BJ; "na margem", NBE] de vidro que parecia de corvermelha ("misturado com fogo", RC), em outras palavras, estavam empé ao lado de um "mar vermelho" (Apoc. 15:2). Em segundo lugar,tinham harpas e cantavam "o cântico de Moisés, servo de Deus, e ocântico do Cordeiro..." (vs. 2, 3). O cantar "o cântico de Moisés" volta arepresentar o tema da libertação do cântico de Moisés em Êxodo 15. O cântico de Moisés louva a intervenção dramática de Deus comouma manifestação de seu reino: "O Senhor reinará por todo o sempre"(Êxo. 15:18, 11 ). Este ato histórico de liberação por parte do Deus deIsrael constitui o tipo de todas as seguintes guerras santas do Senhor.Cantou Moisés: "Jeová é varão de guerra; Jeová é seu nome" (v. 3). João exalta a Cristo como o único que trará uma libertação maiorque a que trouxe Moisés. O Israel do tempo do fim cantará "o cântico deMoisés servo de Deus, e o cântico do Cordeiro" (Apoc. 15:3). Cristo
  • 6. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 6levará a cabo uma libertação eterna e universal para o remanescente fielno fim da era cristã. Serão sacados de uma forma sobrenatural doanticristo atacante, do qual Faraó foi só uma pálida antecipação. Uma referência adicional aos dias de Moisés é a nota deliberada deJoão com respeito ao templo no céu, que é "o templo do tabernáculo dotestemunho" (Apoc. 15:5; cf. Êxo. 38:21). Esta expressão centra aatenção sobre o "testemunho" ou a santa lei de Deus, que se guardava no"arca do testemunho" (ver Êxo. 40:3, 20, 21; Deut, 10:2; 1 Reis 8:9; cf.Heb. 9:4). Este foco de atenção apocalíptico sobre a lei de Deus dentrode seu templo celestial é apropriado em vista do conflito final do povo deDeus com o anticristo idólatra (ver acima, sobre o Apoc. 13:15-17). EmApocalipse 15:5 se volta a enfatizar a fidelidade aos "mandamentos deDeus" (ver também Apoc. 11:19). Os "mandamentos de Deus" emApocalipse 12:17 e 14:12 estão identificados como o Decálogo dentro do"tabernáculo do testemunho" de Israel, o que é de importância supremapara a última geração do povo de Deus. Finalmente, o anúncio de que o templo no céu "encheu-se defumaça pela glória de Deus, e por seu poder", de maneira que ninguémpodia entrar (Apoc. 15:8), aponta para trás à vinda da presença de Deuscomo Redentor e Juiz (Êxo. 40:34, 35; 1 Reis 8:10, 11 ). Beasley-Murrayaponta a este duplo significado: "A dualidade do êxodo como juízo e redenção se mantém nos capítulos15 e 16 [do Apocalipse], e para assegurar que o leitor entende isto, coloca-se primeiro o elemento positivo da redenção".4 João não inverte a ordem histórica em Apocalipse 15 e 16 como secolocasse as pragas (cap. 16) depois da libertação de Israel (cap. 15).João coloca a certeza da redenção do êxodo frente a Apocalipse 15 comoo propósito de sua mensagem apocalíptica. Está impressionado pelasegurança de que o povo de Deus do tempo do fim cantará porque foilivrado de seus opressores por meio do poder de Cristo: "E entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico doCordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus,Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das
  • 7. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 7nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois sótu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porqueos teus atos de justiça se fizeram manifestos" (Apoc. 15:3, 4). João revela esta manifestação final da justiça de Deus emApocalipse 16. Elmer M. Rusten tirou este paralelo: "Assim como o exército do Egito foi culpado no aquoso juízo de Deus efoi afogado (Êxo. 14:26-30 ), assim o anticristo e seus seguidores emApocalipse 15 estão a ponto de ser culpados no juízo final da ira de Deus(Apoc. 16)".5 Cristo assegura a seus seguidores que sua fidelidade a ele, querdizer, fidelidade aos mandamentos de Deus e ao testemunho de Jesus,será honrada ao resgatá-los na hora de sua necessidade suprema. Ocântico de vitória em Apocalipse 15 será cantado depois que as pragashajam dissolvido o "Império Babilônico". Apocalipse 15 não garante aexpectativa popular de que cada mártir cantará o cântico da vitória nocéu, isolado dos outros, porque todos os vencedores cantarão juntos aomesmo tempo, assim como Israel cantou o cântico de Moisés depois desua libertação como povo. Em realidade, todos os mártires da era cristãtriunfarão juntos (ver Apoc. 6:9-11; 7:9-17). O fato de que o cântico deMoisés e do Cordeiro está composto de citações de Moisés (Êxo. 15;Deut. 32:4), dos salmos (Sal. 86:9; 110:2; 145:17) e dos profetas (Amós4:13; Jer. 10:7), demonstra que o cântico futuro do povo de Cristo é a"revelação genuína de um Deus e de um Espírito, e o testemunho de umafé".6 O cântico não enumera suas próprias virtudes. Louva a santidade, ajustiça e a soberania de Deus, louvor que é o propósito final do plano deredenção e da história da salvação. Semelhante exaltação de Cristo ésignificativa, especialmente em vista da aparente vitória da besta sobretodos os que moram na terra e que se dobraram e adoraram o anticristo(Apoc. 13:4, 8, 12). Quando a igreja fizer frente à ameaça de morte dospoderes de plantão, deve recordar o cântico futuro sobre o mar de vidrodiante do trono de Deus.
  • 8. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 8 O Propósito Moral da Ira de Deus A expressão apocalíptica "a ira [orgué] de Deus" necessita umaatenção cuidadosa, porque foi mal-entendida por intérpretes bemintencionados. A frase é usada 375 vezes no Antigo Testamento,7 epermanece como uma característica essencial no evangelho no NovoTestamento e em sua perspectiva profética (Mat. 3:7; João 3:36; Rom.1:18; 2:5-8; 5:8-11; Apoc. 6:16, 17). Moisés revelou que o Deus de Israel era "tardio para a ira, e grandeem misericórdia" mas que "ao culpado não tem por inocente" (Êxo. 34:6,7; Núm. 14:18). Moisés interpretou a ira de Deus como uma ira santa,livre de qualquer imperfeição humana. Só despertava sua ira para opor-se ao pecado e se irava em grande maneira para castigar a rebelião contraa vontade soberana de Deus (2 Reis 17:16-18; 2 Crôn. 36:16; Dan.9:4-16). A proclamação da ira de Deus e sua justiça retributiva não está emconflito com seu amor. Aos contrário, o reconhecimento da santa ira deDeus contra o pecado cria uma nova apreciação de sua misericórdia paratodos os objetos de sua ira (Ef. 2:3; 5:6; Rom. 5:8-10). A ira de Deus étão real como o é o amor de Deus. Os 7 juízos punitivos de Apocalipse 16 não são explosõesvingativas de um Deus ofendido, e sim a demonstração bem ordenadadas maldições finais do pacto, destinadas para um povo do pacto quepersiste na apostasia. Já em Levítico 26, Deus tinha admoestado a Israelque sua idolatria ininterrupta e o rechaço voluntário de sua Torahsuscitaria um castigo séptuple, até mesmo uma guerra santa de Jeovácontra o povo rebelde (Lev. 26:18, 21, 24, 28-33)! J. M. Ford inclusiveconta exatamente sete castigos em Levítico 26:18-34.8 Mas, qual é aintenção do derramamento de sua ira "sem diluir" durante as últimaspragas se já não provocam mais arrependimento? Em primeiro lugar, as pragas objetivam despertar o reconhecimentode que Babilônia se tem oposto ao Criador com sua imposição da marca
  • 9. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 9da besta, sua adoração da imagem da besta e sua proscrição dos querechaçam a marca. Entretanto, a reação de Babilônia é o oposto:amaldiçoa a Deus e rechaça arrepender-se e glorificá-lo (Apoc. 16:9, 11,21). Esta reação demonstra a hostilidade de Babilônia contra Deus e seupovo. Esta tríplice repetição enfatiza o misterioso endurecimento docoração, até mais obstinado que o de Faraó da antiguidade, o que revelaa incapacidade espantosa do homem para chegar ao arrependimento porsi mesmo. Heinrich Kraf assinalou que "a continuação obstinada dopecado se castiga a si mesmo, porque obstrui seu próprio caminho aoarrependimento".9 Os ímpios imputam a Deus o mal que lhes sobrevém,e o amaldiçoam como se fosse um tirano (Apoc. 16:9, 11). Nessa forma,mostram seu rechaço do amor de Deus e de seu sacrifício expiatório. Poreste ato, Babilônia se condenará a si mesmo e se declarará perdida. Aspragas têm o propósito de revelar os corações e as obras do homem emsua atitude para com Cristo. Os juízos correspondem à perseguição queBabilônia mesma escolheu. Babilônia sofrerá as conseqüências do quetem feito. É julgada de acordo com suas obras. O Apropriado dos Sete Juízos das Pragas Vestidos como Cristo o Sumo Sacerdote (Apoc. 15:6), os sete anjostêm as sete taças de ouro que já não estão cheios de incenso, como asque tinham levado antes os 24 anciões "cheias de incenso, que são asorações dos santos" (5:8). Agora os anjos usam as taças para derramar "aira de Deus" (15:7). E. Schüssler Fiorenza assinala o apropriado destaresposta divina, e diz: "As taças com as pragas são uma resposta à oração e o protesto doscristãos por justiça. Também são uma advertência para os cristãos e os nãocristãos por igual, para que não cheguem a ser membros da comunidade doculto imperial".10
  • 10. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 10 Assim como as pragas das quatro primeiras trombetas emApocalipse 8:7-12, as primeiras pragas se derramam igualmente sobre aterra (16:2), sobre o mar (v. 3), sobre os rios e as fontes das águas (v. 4)e sobre o sol (v. 8). Entretanto, os castigos finais seguem com umaseveridade e um ritmo mais rápido. Toda a terra chega a ser como oantigo "Egito", quer dizer, o opressor do Israel de Deus. 1. A primeira praga de "úlceras malignas e perniciosas" afeta atodos os "portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem"(Apoc. 16:2). Isto demonstra que o povo de Deus não sofrerá esta praganem nenhuma seguinte! Alguns vêem o apropriado desta praga em umamarca externa com úlceras malignas sobre os que têm a marca da besta, 2. A segunda praga converte o mar "em sangue como de morto"(Apoc. 16:3), o que causa a destruição de uma grande porção da criaçãopara a humanidade e mostra indubitavelmente "o dedo" de um Criadorofendido. O "sangue" das pragas apocalípticas mostra a condenaçãodivina pelo derramamento de sangue dos mártires. O anjo explica:"Porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sanguelhes tens dado a beber; são dignos disso" (v. 6). 3. A terceira praga converte os rios e as fontes das águas em sangue(Apoc. 16:4). Agora a água para os homens beberem se converte em umamaldição. De acordo com a última mensagem de admoestação de Deus,os moradores da terra recusaram reconhecer ao Criador do mar e dasfontes das águas (14:7). A terceira praga é uma resposta adequada paraos que têm feito caso omisso de Deus como a fonte e o sustentador davida humana. Os anjos "das águas" e o do "altar" no céu, respondem comlouvores ao santo, e dizem: "Tu és justo, oh Senhor" (16:5, 7). É evidenteque estas pragas seguem-se uma à outra em rápida sucessão e em umtempo muito curto, porque do contrário ninguém sobreviveria às trêsprimeiras pragas. 4. A quarta praga compara-se com a quarta trombeta em que afeta osol, embora já não a "terça parte do sol" (Apoc. 8:12). Um calor quechamusca fará que os homens amaldiçoem o nome de Deus, porque
  • 11. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 11"nem se arrependeram para lhe darem glória" (16:9). O contraste chega aser evidente. Enquanto que vozes celestiais louvam a Deus por seusjuízos finais (vs. 5-7), vozes terrestres o amaldiçoam por seus juízos.Esta reação indica quão obstinados e endurecidos chegaram a ser osadoradores da besta contra aquele que "tem poder sobre estas pragas" (v.9). É uma atitude similar à que mostrou o Egito da antiguidade duranteas pragas nos dias de Moisés. Quando as pessoas recusampersistentemente arrepender-se, chega o momento quando já não podemarrepender-se! 5. A quinta praga é derramada "sobre o trono da besta, cujo reino setornou em trevas" (Apoc. 16:10). Esta praga é similar à nona praga deMoisés, quando o Egito ficou coberto por uma escuridão total durantetrês dias. "Não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugarpor três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suashabitações" (Êxo. 10:23). Durante a quinta praga, o "reino" da besta seráparalisado por uma escuridão sobrenatural e impenetrável, um veredictocelestial apropriado para os que rechaçaram a Cristo como a luz domundo e "amaram mais as trevas do que a luz" (João 3:19). O reino da besta será mundial, porque se estende a todos os povos enações (Apoc. 13:8; 14:8). Em vez de reconhecer seu pecado,amaldiçoam a Deus "por causa das angústias e das úlceras que sofriam"(16:11). Evidentemente as pragas finais caem rapidamente sobre amesma geração, porque as úlceras que se produzem durante a primeirapraga continuam sob a quinta. Ouvimos o estribilho: "Não searrependeram de suas obras" (v. 11). Beasley-Murray explica isto deuma maneira perspicaz: "Por conseguinte, os que amaldiçoam a Deus por seus juízos são osobstinados. A marca da besta em seus corpos penetrou suas almas,instilando neles a hostilidade para com Deus e sua santidade, que écaracterístico da própria besta".11
  • 12. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 12 Razão Básica para Aplicar a Descrição das Pragas Existe confusão com respeito à hermenêutica de aplicar as pragas deApocalipse 15 e 16 a realidades históricas futuras. Devem aplicar-seliteralmente ou em forma figurada? Alguns têm tratado de uma ou outramaneira, sem ter verdadeira satisfação. A chave para decifrar oApocalipse não é a aplicação rígida do literalismo ou do alegorismo. Docomeço até o fim, este livro apocalíptico tece juntas a linguagemsimbólica e a literal numa tela (ver Apoc. 1:16; 22:14, 17). EmApocalipse 12, a "mulher" de Deus dá à luz "um filho varão, que regerácom vara de ferro a todas as nações" (v. 5). Aqui a linguagem figurada ea literal se mesclam para transmitir a mensagem com suficiente clareza.Esta clareza chega ao considerar o grande contexto da Escritura e aaplicação da história da salvação no idioma dos profetas. A "mulher" emApocalipse 12 é simbólica porque esse símbolo foi empregado porIsaías, Ezequiel e outros para designar ao povo do Deus do pacto (ver ocap. XXI desta obra, sobre o Apoc. 12). O "filho varão" é uma clarareferência ao Messias prometido (ver Isa. 9:6). Este exemplo mostra que não se deve criar sua própria pautasimplesmente por deliberação em conseguir uma consistência abstrata. AEscritura deve dirigir o caminho para as aplicações de sua linguagemapocalíptica. Com respeito às últimas pragas devemos falartentativamente, porque ainda não se cumpriram. Entretanto, é prudentedizer que as 7 pragas são todas literais ou juízos históricos de Deus,embora sua descrição está mais ou menos em imagens simbólicas. Aprimeira e a quinta descrevem os objetos da ira de Deus em termossimbólicos, como os que tinham "a marca da besta e adoravam suaimagem" ou "sobre o trono da besta" (Apoc. 16:2, 10). A sexta e a sétimapragas descrevem seus objetos como "o grande rio Eufrates" e "a grandeBabilônia" (vs. 12, 19). De novo o contexto da Escritura indica um usosimbólico da história da salvação de Israel, para cumprir-se em umantítipo histórico maior no tempo do fim. A questão é determinar se os
  • 13. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 13efeitos históricos das pragas se descrevem em linguagem alegórica ouliteral. É interessante que Uriah Smith insistiu que sua interpretação dasduas últimas pragas também reconheciam juízos "literais": "Estas pragas, de acordo com a mesma natureza do caso, devem sermanifestações de ira e juízos contra os homens... Tudo o que recalcamos éque os castigos resultantes de cada taça tem caráter literal. No caso dasexta isto praga é assim como com todas as demais, embora asorganizações que sofrem estes juízos podem ser apresentadas em formasimbólica".12 Entretanto, a base lógica decisiva para a aplicação das pragas é seusignificado teológico. Roy Naden aplica seu ponto de vista cristológicodas últimas pragas para os que rechaçam a Cristo como o Cordeiro deDeus: "Os que rechaçam a Cristo experimentarão as conseqüênciasinevitáveis do pecado, e ao lhes faltar um substituto, experimentarãopessoalmente a ira de Deus nas sete últimas pragas. Este é o significadoprimário de Apocalipse 16".13 O Motivo do Êxodo nas Últimas Pragas É essencial entender o caráter pactual de todas as pragas. O motivodo êxodo que une todos os juízos das pragas, serve ao propósito elevadoda libertação do Israel oprimido. O caráter das pragas como maldiçõesdo pacto chega a ser evidente quando se reconhece a relação tipológicadas pragas finais com as dez pragas do Egito. Não menos importante foi o ato de Deus da "guerra santa" paralibertar o seu povo do exército perseguidor do Egito: o repentinosecamento do Mar Vermelho. Faraó e seus oficiais reconheceram aspragas do Egito como o "dedo de Deus" (Êxo. 8:19), devido a que eramos opressores dos israelitas (10:7). As últimas pragas agitam aconsciência do mundo para o seu mau trato dos seguidores de Cristo, oque finalmente é obtido pela sexta e a sétima pragas. Estas últimaspragas proporcionam a libertação do êxodo do Israel de Deus.
  • 14. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 14Surpreendentemente, as sete pragas, as últimas, não estão modeladassegundo as pragas egípcias e sim segundo a queda histórica do ImpérioBabilônico. Os Juízos da Sexta e da Sétima Taças A sexta taça é derramada sobre "o grande rio Eufrates; e a sua águasecou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente" (Apoc.16:12). Durante o juízo da sétima praga, "a grande Babilônia" édestruída (vs. 17-19). Obviamente, o Eufrates é o rio de Babilônia (verJer. 51:63, 64). Seu "secamento" súbito aponta para trás, à seqüênciahistórica na história de Israel: o repentino secamento do Eufrates,seguido pela queda de Babilônia e a chegada dos reis do oriente. Istorequer uma reconstrução cuidadosa da queda do Império Neobabilônicocomo foi predita por Isaías (caps. 44-47) e Jeremias (caps. 50 e 51).Isaías já tinha empregado o êxodo de Israel do Egito como um tipo doêxodo de Israel de Babilônia. Assegurou-lhes que Deus voltaria a secaruma vez mais as águas que formavam um obstáculo para a volta de Israelà terra prometida: "O Senhor destruirá totalmente o braço do mar do Egito, e com a forçado seu vento moverá a mão contra o Eufrates, e, ferindo-o, dividi-lo-á emsete canais, de sorte que qualquer o atravessará de sandálias" (Isa. 11:15;ver o v. 16). O secamento do Eufrates demonstra o juízo de Deus sobreBabilônia! Resultou em sua queda repentina e assim "preparou ocaminho" para a libertação de Israel do cativeiro de Babilônia.14 O Apocalipse transforma a história antiga da queda de Babilônia,por meio do secamento das águas do Eufrates, em um tipo profético paraa era da igreja. Assim como Jeová e seu povo do pacto estavam situadosno centro da queda de Babilônia, assim Cristo e seu povo do novo pactoestarão situados no centro da queda da Babilônia moderna. A história desalvação de Israel será cumprida pela igreja de Cristo como seu antítipo.
  • 15. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 15Para compreender esta grandiosa tipologia, devemos explicar a funçãoque desempenhou cada parte: 1. Babilônia se desempenhou como o opressor de Israel. 2. O Eufrates era uma parte integral de Babilônia, que a protegia e por isso era hostil para com Israel. 3. O secamento do Eufrates indicava o juízo de Deus sobre Babilônia, causando sua queda súbita. Cumpriu o papel de preparar a libertação de Israel. 4. Ciro e seus reis aliados de Média e Pérsia (Jer. 50:41; 51:11, 28) chegaram a Babilônia como os "reis do oriente" profetizados para cumprir o propósito de Deus. Foram os inimigos de Babilônia e os libertadores de Israel. Ciro foi "ungido" pelo Senhor para derrotar Babilônia e para libertar Israel (Isa. 45:1). 5. Daniel e o Israel de Deus constituíam o povo do pacto de Deus, fiel e arrependido, dentro de Babilônia (ver Dan. 9). Estas caracterizações teológicas são os elementos essenciais daqueda de Babilônia. No livro do Apocalipse, Babilônia representa aoarquiinimigo de Cristo e de sua igreja. No tempo do fim, tanto Babilôniacomo Israel serão universais; o campo de ação territorial de cada um serámundial. O evangelho se prega explicitamente "a toda nação, tribo,língua e povo" (Apoc. 14:6). Esta quádrupla ênfase acentua sua extensãouniversal. O anúncio seguinte na mensagem do segundo anjo, "caiu, caiua grande Babilônia", apóia-se no fato de que "tem dado a beber a todasas nações do vinho da fúria da sua prostituição" (v. 8). Finalmente, todomundo chegou a estar sob seu feitiço, Em harmonia com este alcance mundial de Babilônia, o anjo deApocalipse 17 aplica ao rio de Babilônia, o Eufrates, uma extensãomundial: "Povos, multidões, nações e línguas" (v. 15). Os que insistemem que o Eufrates apocalíptico representa só as pessoas que vivem nalocalização geográfica do Eufrates, estão obrigados a seguir a mesmainterpretação com Babilônia, Israel, o monte Sião, etc. Estes intérpretesfalham em captar o caráter cristocêntrico da tipologia bíblica. O
  • 16. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 16evangelho de Jesus Cristo nos liberta das restrições do literalismo étnicoe geográfico durante a era cristã. O Papel Explicativo de Apocalipse 17 A aplicação universal do Eufrates que o anjo faz em Apocalipse 17serve-nos para evitar que demos ao rio de Babilônia uma conotação como Oriente Médio. Onde quer que Deus secou um corpo de água literal ouum "dilúvio" de inimigos na história de Israel como o Mar Vermelho, ouo rio Jordão, ou a inundação dos invasores dos povos do Eufrates (Isa.8:7, 8) –, sempre indicou um juízo providencial sobre os inimigos dopovo de Deus. O secamento do grande rio de Babilônia durante a sextafutura praga (Apoc. 16:12) –, não será uma exceção! Este juízo divino põe-se em marcha quando os governantespolíticos e as multidões de todas as nações se dêem conta de repente dacondenação de Deus sobre Babilônia e retirem o apoio que davam aBabilônia. Darão a volta e converterão seu apoio leal a Babilônia em umódio ativo que a destruirá: "E os dez chifres que viste na besta são os que aborrecerão aprostituta, e a porão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarãono fogo" (Apoc. 17:16). Isto dá como resultado a repentina dissolução de Babilônia que naprovidência de Deus destruirá Babilônia. Apocalipse 17 nos proporcionauma explicação dramática da sexta e a sétima pragas de Apocalipse 16. A Visão do Armagedom: Apocalipse 16:13-16 "Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falsoprofeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritosde demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteirocom o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso... Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chamaArmagedom" (Apoc. 16:13, 14, 16).
  • 17. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 17 A visão intermediária não é uma parte da sexta praga. Mas bemexplica as forças que operam no transfundo das sete últimas pragas.Alguns tiraram precipitadamente a conclusão de que estas palavraspredizem uma guerra mundial entre os blocos de nações do Oriente eOcidente. Uma especulação assim surge só quando separamos aspalavras da Escritura de suas raízes e contextos bíblicos. Não seapresenta aqui nenhuma guerra entre as nações. A culminação doApocalipse de João trata com um mal muito mais sério à vista de Deus:as forças religiosas apóstatas conduzirão a todos os poderes da terra aunir-se em uma causa comum, fazendo guerra contra o povo de Deus!Aqui está a trama assassina da última guerra demoníaca no Apocalipse.Aqui está a causa do mal que desencadeará a participação dramática deDeus, o juízo de sua guerra santa contra Babilônia. Guerrear contra Deus é fazer guerra contra o povo de Deus, o quefoi a experiência de Israel na Escritura e a razão pela qual Deus interveiopara libertar o seu povo. O fato de que o povo de Cristo se encontre nocentro da batalha apocalíptica pode inferir-se já da advertência de Cristo:"Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guardaas suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas"(Apoc. 16:15). Este conselho do Messias é uma verdade sempre presentepara a igreja, e entretanto tem uma urgência especial para o povoremanescente. Deve caminhar na armadura de sua justiça por meio deuma fé viva (ver 3:18). Ao que parece, os santos inclusive não foram arrebatados ao céudurante as sete pragas. O contrário é a verdade. Desempenharão umpapel ativo no conflito final, porque a guerra universal contra Deus tomaa forma de uma guerra contra os seguidores do Cordeiro! Precisam estaralerta à tríplice mensagem de Apocalipse 14, com seu evangelho eterno eo testemunho de Jesus. A igreja de Sardes foi despertada com estaspalavras: "Pois se não velar, virei sobre ti como ladrão, e não saberás aque hora sobre ti virei " (Apoc. 3:3).
  • 18. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 18 Beasley-Murray coloca o conselho de Cristo em sua perspectivaadequada quando diz: "É precisamente porque os seguidores doanticristo não estão alertas a Deus e a seu evangelho, que para eles o diade Deus é um dia de condenação em vez de ser um dia de redenção".15 Em resumo, o panorama profético das últimas pragas emApocalipse 15 e 16 tem o propósito de revelar o plano ordenado deantemão por Deus para o triunfo de seus fiéis. O Deus de Israel intervirámediante sua libertação messiânica mais espetacular em toda a história.Anulará a determinação de Babilônia de exterminar o Israel de Deus pormeio de sua intervenção dramática na quinta praga. Este juízo envolverárepentinamente a todas as multidões atacantes com uma escuridãosobrenatural impenetrável (Apoc. 16:10). Este sinal não só deteráinstantaneamente os perseguidores, mas também despertará as multidõesenganadas a dar-se conta de sua rebelião contra seu próprio Criador!Como conseqüência, deixam de apoiar Babilônia. Uma retirada tãoabrupta da lealdade a Babilônia por parte de todos os povos e nações é oque está representado na sexta praga pelo repentino "secamento daságuas" de Babilônia, o Eufrates (v. 12). Esta mudança abrupta de sualealdade a Babilônia, a sua destruição, é o que o anjo explica noscapítulos seguintes, do 17 ao 19. A Sétima Praga em sua Recapitulação Preliminar: Apocalipse 16:17-21 "Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande vozdo santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está! E sobrevieramrelâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nuncahouve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte egrande. E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidadesdas nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice dovinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e os montes não foramachados; também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com
  • 19. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 19pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuvade pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo erasobremodo grande" (Apoc. 16:17-21). O derramamento da sétima praga "no ar" é ordenada por uma"grande voz" que sai do trono no templo no céu, declarando: Feito está!(Apoc. 16:17). Isto significa que Deus mesmo completa esta praga dejuízo como a culminação de uma ação litúrgica celestial, quecorresponde com a predição da retribuição divina do templo celestialanunciada por Isaías: "Voz de Jeová que dá o pagamento a seusinimigos" (66:6). A sétima praga é de uma importância e um impacto tãodramáticos que os capítulos 17 a 19 desenvolvem adicionalmente estataça de juízo sobre Babilônia (ver Apoc. 16:19; 18:6; 19:2, 17-21). Aúltima das pragas se introduz por meio dos sinais cósmicos queacompanham tradicionalmente a guerra santa de Jeová contra osopressores de seu povo: relâmpagos, trovões e um "grande terremoto"(16:18). O "terremoto" desempenhava um papel distintivo nas teofanias doAntigo Testamento e no panorama apocalíptico do dia do Senhor (verÊxo. 19:18; Sal. 68:8; 77:17, 18; 114; Isa. 64:3; Hab. 3). Um terremotouniversal é parte da guerra santa de Deus (Isa. 13:13; 24:18-23; 34:4;Joel 2:10). Em seu artigo pioneiro, "O terremoto escatológico", RichardBauckhan declara: "A identificação da teofania escatológica como uma nova teofania doSinai pertence à interpretação da história da salvação dos apocalipticistas,segundo o qual os atos redentores de Deus no futuro se descrevem sobre omodelo de seus atos passados".16 O terremoto sem precedentes da sétima praga não é um sinalpreliminar do dia do juízo e sim uma parte do juízo de Deus sobre aprópria Babilônia (ver Apoc. 16:18). A voz de Deus que fez estremecer oSinai, de novo fará estremecer os céus e a terra quando vier para julgar(ver Heb. 12:25-29). João tinha mencionado este terremoto cósmico emseu sexto selo (Apoc. 6:12) e na sétima trombeta (11:19).
  • 20. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 20 Enquanto que João acrescentou "grande saraivada" na sétimatrombeta (Apoc. 11:19), agora dá mais explicações sobre o "grandesaraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento" [uns 40quilos] (Apoc. 16:21). Esta característica final conecta a sétima pragacom o juízo de Gogue no tempo do fim, de que falou Ezequiel, quandoGogue ataque o Israel de Deus. Deste modo Ezequiel declarou que ojuízo de Deus sobre Gogue será uma manifestação da "ira" divina (Ezeq.38:18). Também descreveu a guerra de Jeová com característicos de umateofania tormentosa, terremoto e saraiva, tudo o que se corresponde comApocalipse 16:17-21. EZEQUIEL 38:18, 19, 22 APOCALIPSE 16:18, 21"Naquele dia, quando vier Gogue "E sobrevieram relâmpagos, vozes econtra a terra de Israel, diz o Senhor trovões, e ocorreu grande terremoto,Deus, a minha indignação será mui como nunca houve igual desde que hágrande. Pois, no meu zelo, no brasume gente sobre a terra... Tambémdo meu furor, disse que, naquele dia, desabou do céu sobre os homensserá fortemente sacudida a terra de grande saraivada, com pedras queIsrael... Contenderei com ele por meio pesavam cerca de um talento; e, porda peste e do sangue; chuva inundante, causa do flagelo da chuva de pedras,grandes pedras de saraiva, fogo e os homens blasfemaram de Deus,enxofre farei cair sobre ele". porquanto o seu flagelo era sobremodo grande". O apóstolo João escreveu de maneira explícita: "E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades dasnações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice dovinho do furor da sua ira" (Apoc. 16:19). O cálice "do vinho do furor de sua ira" é uma metáfora distintiva emApocalipse 14:8-10; 16:19; 17:2, 4, 6 e 18:3 e 6, e está apoiada nalinguagem profética dos oráculos hebraicos contra os arquiinimigos deIsrael (ver Jer. 25:15, 16; 51:7) e inclusive contra uma rebelde Jerusalém(Isa. 51:17)! Por isso, o "cálice" ou a taça do vinho da ira de Deus
  • 21. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 21significa juízo divino sobre uma Jerusalém apóstata. Jean Pierre Ruizcaptou o significado básico desta metáfora e o expressa nestas palavras: "Ao usar a metáfora profética da taça, João mostra que foi virado oomelete sobre a grande Babilônia. É-lhe dado a beber da mesma taça queela mesma tinha preparado (18:6), a taça de ouro cheia das abominações eda imundície de sua fornicação (17:4) com a qual embriagou as nações e aseus reis (14:8; 17:2; 18:3). Por isso, ela deve beber a taça do vinho davingança da ira de Deus".17 Enquanto que Babilônia, como uma Jerusalém apóstata, é obrigadaa "beber" do "cálice" que contém a santa vingança de Deus pelo sanguede seus servos (Apoc. 19:2), os santos, ao contrário, são convidados à"ceia das bodas do Cordeiro!" (V. 9). O propósito mais elevado do plano de Deus de eliminar a velhacriação (Apoc. 16:20) pode ver-se no movimento progressivo doApocalipse: do colapso de Babilônia até a descida da Nova Jerusalém, opináculo da nova criação (21:1, 2). Dessa maneira, todos os olhos estãocada vez mais cravados na cidade de Deus em contraste com "as cidadesdas nações" (16:19). Referências Para a Bibliografia, ver as páginas 489-491. 1 Pohl, Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João], p. 148. 2 Para um estudo mais detalhado das últimas pragas, ver LaRondelle, "Contextual Approach to the Seven Last Plagues" [Enfoque contextual às sete últimas pragas], Simpósio sobre o Apocalipse, T. 2, cap. 3. 3 Para um estudo do "dia do Senhor" e das "últimas pragas" na Escritura e nos escritos da Ellen White, ver W. E. Read, "The Great Controversy" [O grande conflito], Our Firm Foundation [Nosso Firme Fundamento] (Washington D. C., Review and
  • 22. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 22 Herald, 1953; 2 ts.), t-II, pp. 239-319 (especialmente as pp. 265-268). 4 Beasley-Murray, Revelation, p. 233. 5 Rusten, A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation, t. 2, p. 531. 6 Pohl, Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João], p. 150. 7 G. Kittel, Diccionario teológico del Nuevo Testamento, t. 5, p. 395. 8 J. M. Ford, Revelation, p. 255. 9 Kraft, Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João], p. 207. 10 Schüssler Fiorenza, Invitation to the Book of Revelation, p. 157. 11 Beasley-Murray, Revelation, p. 243. 12 Smith, Las profecías de Daniel y el Apocalipsis, t.2: El Apocalipsis., pp. 692, 694. 13 Naden, The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation, p. 234. 14 Para uma análise em profundidade, ver LaRondelle, "Armageddon: Sixth and Seventh Plagues" [Armagedom: A sexta e a sétima pragas], Simpósio sobre o Apocalipse, t 2 cap. 12 ver também seu livro Chariots of Salvation. The Biblical Drama of Armageddon. 15 Beasley-Murray, Revelation, 245. 16 Bauckham, The Climax of Prophecy. Studies on the Book of Revelation, p. 201. 17 Ruiz, Ezekiel in the Apocalypse: The Transformation of Prophetic Language in Apocalypsis 16, 17-19:10, p. 276.
  • 23. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 23 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 15 E 16 Livros Bauckham, R. J. The Climax of Prophecy. Studies on the Book of Revelation [O Clímax da Profecia. Estudos no Livro do Apocalipse]. Edimburgo: T&T Clark 1993. Beasley-Murray, George R. Revelation [O Apocalipse]. New Century Bible Commentary [Comentário da Bíblia do Novo Século]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1983. Ellul, Jacques. Apocalypse, The Book of Revelation [Apocalipse, o Livro da Revelação]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1986. Ford, Desmond. Crisis! A Commentary on the Book of Revelation [Crise! Um Comentário sobre o Livro do Apocalipse]. T. 2. Ford, Josephine Massyngberde. Revelation [O Apocalipse]. Anchor Bible, T. 38. Garden City, Nova York: Doubleday, 1978. Johnson, Alan F. Revelation [O Apocalipse]. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1983. Kraft, Heinrich. Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João]. Handbuch z. NT 16a. Tübingen: J. C. B. Mohr, 1974. LaRondelle, Hans K. Chariots of Salvation. The Biblical Drama of Armageddon [Carruagens de Salvação. O Drama Bíblico do Armagedom]. Hagerstown, MD: Review and Herald Pub. Ass., 1987. _________. The Good News About Armageddon [As Boas Novas sobre o Armagedom]. Washington, D.C.: Review and Herald, 1990. Maxwell, Mervyn. Apocalipsis: sus revelaciones (Florida, Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 1991). Minear, Paul S, I Saw a New Earth [Vi uma Nova Terra]. Washington, D.C.: Corpus Books, 1968.
  • 24. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 24 Naden, R. C. The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation [O Cordeiro Entre as Bestas. Encontrando a Jesus no Livro do Apocalipse] (Hagerstown, Maryland: Review and Herald, 1996). Pohl, A. Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João]. 2 Teil. Wuppertaler Studienbibel von F. Rienecker y W. de Boor. Berlin: Evang. Haupt-Bibelgesellschaft, 1974. Caps. 8-22. Ruiz, Jean-Pierre. Ezekiel in the Apocalypse: The Transformation of Prophetic Language in Apocalypsis 16, 17-19:10 [Ezequiel no Apocalipse: A Transformação da Linguagem Profética em Apocalipse 16, 17-19:10]. European Universitary Studies XXIII. Nova York: P. Lang, T. 376, 1989. Rusten, Elmer M. A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation [Uma Avaliação Crítica das Interpretações Dispensacionalistas do Livro do Apocalipse]. Tese doutoral, Universidade de Nova York, 1977. Ann Arbor: University Microfilms International 1980. 2 ts. Schüssler Fiorenza, Elisabeth. Invitation to the Book of Revelation [Convite ao Livro do Apocalipse]. Garden City, Nova York: Doubleday 1986. Smith, Uriah. Las profecías de Daniel y el Apocalipsis. T. 1: Daniel; t.2: El Apocalipsis. Mountain View, Pacific Press, 1949. Were, Louis F. The Certainty of the Third Angels Message [A Certeza da Mensagem do Terceiro Anjo] (Berrien Springs, Michigan: First Impressions, 1979). Cap. 25. Artigos Davis, D. R. "The Relationship Between the Seals, Trumpets, and Bowls in the Book of Revelation" [A Relação entre os Selos, as Trombetas e as Pragas no Livro do Apocalipse], JETS 16:3 (1973), pp. 149-158.
  • 25. O Significado das Sete Últimas Pragas. Apoc. 15, 16 25 Giblin, Charles H. "Structural and Thematic Correlations in the Theology of Revelation 16-22" [Correlações Estruturais e Temáticas na Teologia de Apocalipse 16-22], Biblica [Revista Bíblica] 55 (1974), pp. 487-504. LaRondelle, Hans K. "Armageddon. Sixth and Seventh Plagues" [Armagedom: A Sexta e a Sétima Pragas], Simpósio sobre o Apocalipse. T. 2, cap. 12. _________. "Contextual Approach to the Seven Last Plagues" [Enfoque Contextual das Sete Últimas Pragas], Ibid. Cap. 3. _________. "Babylon: Antichristian Empire" [Babilônia: O Império Anticristão], Ibid. Cap. 4. _________. "Armageddon: History of Adventist Interpretations" [Armagedom: História das Interpretações Adventistas], Ibid. Apêndice B. _________. "Die Bedeutung der Sieben Letzten Plagen" [O Significado das Sete Últimas Pragas], Studien zur Offenbarung [Estudos sobre o Apocalipse]. Band 2. Euro-Africa Division der STA. J, Mager, ed. Hamburgo, 1989. Pp. 169-211.

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