08 introdução ao apocalipse

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08 introdução ao apocalipse

  1. 1. INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE O último livro da Bíblia é completamente diferente em estilo ecomposição a qualquer outro escrito do Novo Testamento. Estáestruturado engenhosamente, com um equilíbrio excepcional em seudesenho literário. Sua disposição indica a unidade do livro. Umacomposição tal nos proíbe isolar qualquer versículo ou seção datotalidade do livro. O Apocalipse foi destinado para lê-lo como um tudo,de maneira que seu movimento do começo até o fim possa produzir seuimpacto pleno sobre nossas mentes e corações. Embora se enfoca sobresuas profecias do tempo do fim, precisamos estar inteirados de quepodemos apreciar seu significado só quando recuperamos o movimentointerno e a perspectiva completa de todo o Apocalipse. Devido ao fato de que seu arranjo literário e sua mensagemteológica estão entretecidas, o possuir um conhecimento de seu planoarquitetônico contribui substancialmente à nossa compreensão de suamensagem. João transmite sua unidade por sua construção de um modelosimétrico, um paralelismo inverso chamado quiasmo. Isto se faz evidenteem primeiro lugar no fato de que o começo (prólogo; Apoc. 1:1-8) e ofinal (epílogo; Apoc. 22:6-21) correspondem-se mutuamente. E as setepromessas às igrejas nos capítulos 2 e 3 encontram seu contraparte nassete visões do tempo do fim (cada uma começando com as palavras"então vi") em Apocalipse 19:11 aos 22:21. A primeira e a última sériesde setes se relacionam entre si como a promessa e o cumprimentodivinos, a igreja militante e a igreja triunfante. Ambas as unidadescomeçam com uma cristofania (aparição de Cristo) esplêndida:Apocalipse 1:12-18; 19:11-16. O modelo simétrico se estende a outrosduetos, que se concentram em uma seção central. Tal ensambladuraliterária, "uma arquitetura verdadeiramente monumental",1 foireconhecido por numerosos eruditos e chegou a ser um requisitoindispensável para a compreensão do Apocalipse. Essa forma serve paraesclarecer o significado da mensagem do Apocalipse.
  2. 2. Introdução ao Apocalipse 2 Uma lição que se aprendeu de um consenso cada vez major deestudos críticos é a convicção de que o Apocalipse como um tudo é umacarta apostólico-profética, dirigida às igrejas do Senhor Jesus Cristo, emqualquer tempo e em qualquer lugar. Portanto, não é legítimo separar assete cartas de Apocalipse 2 e 3 das visões seguintes (Apoc. 4-22). Estaunidade interna do Apocalipse é reconhecida amplamente, como afirmaK. A. Strand: "A maioria dos expositores reconhece que a descrição daNova Jerusalém e a nova terra nos capítulos finais do Apocalipse,recordam (como cumprimento) as promessas feitas aos vencedores nasmensagens às sete igrejas nos capítulos iniciais".2 O Apocalipse prometea Nova Jerusalém sobre a nova terra a todos os seguidores de Cristo emtodas as igrejas. É especialmente digno de menção o movimento da igreja no tempode João (Apoc. 1-3) através da era cristã tão cheia de acontecimentos(Apoc. 12 e 13), até que entra sem perigo na Cidade de Deus no paraísorestaurado sobre a terra (Apoc. 21 e 22). Primeiro, o Cristo ressuscitadoapresenta sua avaliação da condição da igreja apostólica nas sete cartasàs sete igrejas (Apoc. 2 e 3). Mas estas mensagens não foram destinadassó para a igreja primitiva, como se o Senhor da história estivesseinteressado só naquele período de tempo. As promessas de Cristo nessascartas mostram uma progressão significativa, que assinala cada vez maisa sua segunda vinda. As mensagens das cartas de Cristo devem entender-se em mais de um nível. Primeiro, como dirigidas às igrejas do primeiroséculo, depois a cada membro individual da igreja em qualquer tempodurante a era da igreja, e finalmente, às diversas condições da igrejadurante a era cristã. Os intérpretes historicistas ressaltaram em formacrescente este aspecto preditivo das sete cartas.3 Hoje em dia, estes trêsaspectos são reconhecidos pelos expositores adventistas.4 Esta brevedeclaração é representativa: "As sete igrejas, estudadas em sua ordem,concordam com a experiência predominante da igreja cristã durante seteeras sucessivas".5
  3. 3. Introdução ao Apocalipse 3 As cartas estão vinculadas com as visões seguintes e se iluminammutuamente com uma urgência crescente enquanto avança a história.Esta progressão está recalcada pelas visões sucessivas que João teve dotemplo, que seguem a seqüência dos festivais anuais do antigotabernáculo de Israel. As primeiras visões do templo em Apocalipse1:12-16 e nos capítulos 4 e 5 descrevem graficamente o Senhorressuscitado como tendo completo as festas da primavera da Páscoa(Apoc. 1:5, 17, 18) e o Pentecostes (5:6-10). Depois o Apocalipsecontinua na visão do templo de Apocalipse 8:2-6 para revelar oministério a longo prazo de Cristo na série das "sete trombetas" (Apoc. 8,9 e 11 ) que levam à Festa das Trombetas de Israel, a primeira de todasas festas do ano religioso judeu. A seqüência dos festivais do outono ésignificativo: Festa das Trombetas, Dia da Expiação e Festa dosTabernáculos (Lev. 23; Núm. 29). Richard M. Davidson assinala que... "...assim como a Festa das Trombetas (também chamada RoshHashana) convocava ao antigo o Israel a preparar-se para o vindouro dia dojuízo, o Yom Kippur, assim também as trombetas do Apocalipse põemespecialmente de relevo a aproximação do Yom Kippur antitípico".6 A Festa das Trombetas ocorre como a culminação dos sete festivaislunares. Formam a ponte entre os festivais da primavera e o solene Diada Expiação e a Festa dos Tabernáculos. No Apocalipse o ponto centralde atração muda gradualmente ao dia do juízo final e à terra restauradaquando Jesus morará com seu povo. A sétima trombeta apresenta umacena do templo que se centra no "arca de seu pacto" (Apoc. 11:15, 19).No tabernáculo de Israel o "arca" estava no lugar santíssimo do santuárioe só era vista durante o ritual de purificação final, no Dia da Expiação(Lev. 16:15). Nesse dia, Israel era julgado e se limpavam os pecados quecontaminavam o povo por meio do bode emissário (Lev. 16:19, 22;23:29, 30). De igual maneira, Apocalipse 10 anuncia que não haverámais tempo ou demora quando o sétimo anjo esteja a ponto de tocar atrombeta. Então, "o mistério de Deus se consumará" (Apoc. 10:6, 7).
  4. 4. Introdução ao Apocalipse 4 Em Apocalipse 15 observamos a terminação da obra mediadora deCristo no templo celestial, seguindo-se o juízo retributivo das seteúltimas pragas (Apoc. 16 e 17). Em Apocalipse 19:1-10 ouvimos que"chegaram as bodas do Cordeiro e sua esposa preparou-se" (v. 7). Apocalipse 20 e 21 introduzem o milênio de triunfo para todos osque morreram no Senhor (20:4-6). A Nova Jerusalém descende sobreuma terra renovada: "Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, eele morará com eles" (21:3). Isto aponta ao glorioso cumprimento dafesta dos tabernáculos, quando Israel celebrava sua liberação e seregozijava diante do Senhor com o ondulação dos ramos de palmeira(Lev. 23:40, 43). Este simbolismo descreve a salvação futura da igreja deCristo, formada de todos os povos da terra (Apoc. 7:9, 10; 15:24).Devemos relacionar a estrutura do livro com seu movimento progressivose é que vamos compreender o significado do Apocalipse. O significado deliberado do Apocalipse não é simplesmentedocumentar um momento histórico da igreja no Ásia Menor ouproporcionar um estímulo apostólico para a igreja em crise nos dias daRoma imperial. Acima de tudo, coloca a cada igreja na luz examinadorados olhos do Senhor, de maneira que cada igreja possa saber o que é queCristo espera de seu povo. Dessa maneira, Cristo coloca tanto suasexpectativas como suas responsabilidades diante de todas as igrejas. Istodesperta nossa consciência para contemplar a relação íntima que existeentre Cristo e seu povo em todos os tempos. Jacques Ellul o expressadesta maneira: "O Senhor da igreja, quem ao mesmo tempo é o Senhor da história,não é um Deus distante, inacessível e incompreensível; é o que fala comsua igreja, é o que vive na história por meio de seu povo".7 Os diferentes septenários (séries de setes) – tais como as cartas, osselos, as trombetas e as taças com as últimas pragas – contêm uma luzque se projeta sobre os acontecimentos do tempo do fim. Este fenômenoreiterativo indica que o Apocalipse coloca uma ênfase particular sobre o
  5. 5. Introdução ao Apocalipse 5período do tempo do fim da igreja e do mundo. Ellen White expressaesta visão mais ampla quando diz: " Esta revelação foi dada para guia e conforto da igreja através dadispensação cristã. ... Suas verdades são dirigidas aos que vivem nosúltimos dias da história da Terra, como o foram aos que viviam nos diasde João".8 Referências 1. J. Ellul, Apocalypse, The Book of Revelation, p. 36. 2. F. B. Holbrook, ed., Symposium on Revelation – Book 1 [Simpósio sobre o Apocalipse – Livro 1] (Silver Spring, Maryland: Biblical Research Institute, 1992), p. 31. 3. Ver Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers, v. 4, pp. 848, 1118. 4. Ver D. Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation [Crise! Um Comentário sobre o Livro do Apocalipse] (Newcastle, Califórnia: Desmond Ford Publications, 1982; 2 ts.), T. 2, pp. 264-308; C. Mervyn Maxwell, Apocalipsis: sus revelaciones (Florida, Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 1991), pp. 89-145; R. C. Naden, The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation [O Cordeiro Entre as Bestas. Encontrando a Jesus no Livro do Apocalipse] (Hagerstown, Maryland: Review and Herald, 1996), caps. 4 e 5. 5. Maxwell, Apocalipsis: sus revelaciones, p. 94. 6. Richard M. Davidson, Simpósio sobre o Apocalipse, T. 1, p. 123. 7. Ellul, Apocalypse, The Book of Revelation, p. 51. 8. Ellen White, AA 583, 584.

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