Rico Lins     : projetos gráficos comentados




                  Solisluna Editora

  apresenta
                        ...
Rico Lins
        : projetos gráficos comentados




           Solisluna Editora
           São Paulo, 2010
2
publicação

projeto gráfico Rico Lins +Studio
design e direção de arteRico Lins e Amanda Dafoe
                           ...
Rico Lins ingressou aos 17 anos na Escola Superior de Desenho Industrial –                 o consequente “deslumbramento” ...
energia, o mesmo tipo de energia que se desprende da vida das nossas cidades,
    dos seus muros e espaços crespos.
      ...
Territórios reinventados
     Adélia Borges*




       Todos nós – pessoas, instituições, empresas – estamos vivendo hoje...
Reciclando
     Rico Lins


        Do ponto de vista criativo, sempre      dinheiro, embalagens, santinhos, rótulos, folh...
cartazes da dupla de páginas anterior:
                                                                                   ...
Promo +Studio

Cliente: Rico Lins +Studio
São Paulo, 2000


   Este projeto de divulgação dos     decorrentes de sua produ...
Kit Acácia

Cliente: Ripasa
São Paulo, 2002


   Em 2002 a Ripasa S. A. Celulose      para as gráficas envolvidas no proce...
Projeto Guri

                                                                                        multiplicação       ...
Comunicação Institucional Goethe

Cliente: Goethe-Institut São Paulo
São Paulo, 2009-10


   O Goethe-Institut São Paulo h...
Linguagem Natura

Cliente: Natura
São Paulo, 2003-04


   O Rico Lins +Studio pensa o design como instrumento    cação da ...
Panamericana ‘96 Graphic Design

                                                                    Cliente: Escola Panam...
Catálogo Iguatemi

     Cliente: Shopping Iguatemi
     São Paulo, 1988


        A concepção do catálogo promo-
     cion...
Alice Zoomp

Cliente: Zoomp
São Paulo, 1997


   O projeto do catálogo para a          maior que a dos sazonais catálogos ...
Almanaque dos Sentidos Zoomp

Cliente: Zoomp
São Paulo, 1997-98


   Dando continuidade ao espírito do catálogo anterior,
...
Coleção Ponta de Lança

     Cliente: Editora Língua Geral
     Rio de Janeiro, 2006-07


        O Rico Lins +Studio crio...
Identidade e Conflito

Cliente: Arte Educação/
Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
São Paulo, 2004


  O trabalho des...
Revista Bravo!

     Cliente: Editora D’Ávila
     São Paulo, 1997-2000


        A revista Bravo! surgiu em 1997 com a pr...
Big Brasil

Cliente: Big Magazine
São Paulo, 1999


   Rico Lins foi convidado a cuidar da      O convite para a festa de ...
Newsweek

Cliente: Newsweek Magazine
New York, 1993


   A Newsweek é a segunda maior           serem criadas, aprovadas, ...
BusinessWeek

Cliente: BusinessWeek Magazine
New York, 1993-97


   Um dos mais importantes semanários sobre negócios
do m...
Revista KulturRevolution

Cliente: Klartext Verlag Bochum-Hattingen
Paris, São Paulo, Londres, Nova York, 1982-2008


  Ri...
Convite EXPO KR

     Cliente: Centre Georges Pompidou/
     Centre de Création Industrielle (CCI)
     Paris, 1999


    ...
Les Droits de l’Homme et du Citoyen

Cliente: Artis 89
Paris, 1989


   Durante as comemorações do bicentenário da Revo-
l...
Brecht

     Cliente: Berliner Ensemble e VGD
     Alemanha, 1998


        A companhia de teatro Berliner Ensemble celebr...
Oleanna – A Power Play

     Cliente: Serino Coyne
     Nova York, 1992


        David Mamet foi um dos primeiros autores...
The real thing

Cliente: Saque Sagaz Promoções
Nova York, 1991


   O cartaz para a exposição Coca-Cola – 50 Anos com Arte...
XXI Bienal de São Paulo

     Cliente: Fundação Bienal de São Paulo
     São Paulo, 1991


        Rico Lins, Neville Brod...
Connexions >< Conexões

Cliente: SESC-SP e CulturesFrance
São Paulo, 2009


   Como parte das comemorações                ...
Projeto “Brasil em Cartaz”

     Clientes: Les Silos/
     Pôle Graphisme de Chaumont
     Chaumont, França, 2005


      ...
My City Is Where I Am

Cliente: “Better home city, better life”
poster project Xangai
São Paulo, 2010


There are places I...
Jazz Sinfônica

     Cliente: Jazz Sinfônica
     São Paulo, 2006-07


        Reconhecida por sua versatilida-    patroci...
João Penca

Cliente: RCA Discos
Rio de Janeiro, 1985


  Para a capa do primeiro disco da banda de surf music
João Penca e...
Me, Myself and Eyes

Cliente: Royal College of Art
Londres, 1987


   Fotomontagem tridimensional
criada para a série de c...
Sentinela

Cliente: The Royal College of Art
Londres, 1987


   No período em que estudou no
Royal College of Art, Rico Li...
Marilyn Mouse

Cliente: The New York Times
Nova York, 1992


   Entre 1987 e 1997 Rico Lins foi colaborador assíduo de
div...
Rebento

Cliente: Projeto Imagem do Som Gilberto Gil
São Paulo, 2000


  Integrante da exposição Imagem do Som, dedicada à...
Burocracia

Nova York, 1992


   No período em que morou em
Nova York, Rico Lins colaborou
como ilustrador de diversas pub...
Sobre Rico Lins


    Designer, diretor de arte, ilustrador e educador, Rico Lins acumula extensa
carreira de atividades p...
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Catalogo rico-lins-projetos-graficos-comentados

  1. 1. Rico Lins : projetos gráficos comentados Solisluna Editora apresenta 1
  2. 2. Rico Lins : projetos gráficos comentados Solisluna Editora São Paulo, 2010 2
  3. 3. publicação projeto gráfico Rico Lins +Studio design e direção de arteRico Lins e Amanda Dafoe Rico Lins – designer onívoro layout e diagramação Alejandra Adeikalam Agnaldo Farias* assistente de arte Leila Schöntag textos Rico Lins texto de introdução Agnaldo Farias e Adélia Borges preparação Carla Mello Moreira fotografia Julieta Sobral A obra gráfica de Rico Lins demonstra como são imprecisos os limites entre www.ricolins.com/graficadefronteira a arte e o design. Mais ainda: arte e vida. Mas comecemos pela arte, aqui contato@ricolins.com compreendida no sentido amplo, sem se restringir às artes plásticas, mas desbordando para a música, dança, arquitetura, fotografia, moda, poesia... e, além disso, ignorando uma outra fronteira interna, aquela que até bem pouco exposição separava as formas de expressão cultas, forjadas nas academias, das formas realização Rico Lins +Studio e Zucca Produções populares, nascidas de inteligências tão potentes que, como é frequente em curadoria Rico Lins e Agnaldo Farias nosso país, vingam em territórios inóspitos, áridos e violentos. concepção e criação Rico Lins direção de produção Julio Augusto Zucca Para realizar essa fusão, esse amálgama de feixes visuais diversos, porque produção executiva Julieta Sobral o mundo de Rico Lins sempre foi o da imagem, foi fundamental seu singular coordenação de produção Anna Ladeira percurso, a começar pela vasta biblioteca do avô, repleta de livros ilustrados, assistentes de produção Luiza Carino e Bina Zanette e pelos passeios, levado pelas mãos de seu tio, para os ateliês de artistas tão design e produção Rico Lins +Studio discrepantes como Volpi, Djanira e João Câmara. A cálida e sensual geometria fotos Julieta Sobral do mestre italiano, com as marcas rítmicas e sutis de suas pinceladas tumultu- Esta publicação integra a exposição itinerante Rico Lins: uma gráfica de fronteira, ando suavemente os impulsos geométricos, a ingenuidade inteligente de ganhadora do prêmio APCA 2009 pela obra gráfica. Djanira, situada no gume que separa a expressão popular da erudita, o gosto pela narrativa sobre a vida política de Câmara, que especialmente na passagem CAIXA Cultural Curitiba Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro dos anos 1960 para os 70 ele soube renovar por meio de um engenhoso pro- Curitiba – PR cesso de esquartejamento e remontagem das figuras. Tel.: (41) 2118-5114 www.caixa.gov.br/caixacultural Como aferir o impacto dessas experiências precoces e difusas como a revista E-mail: caixacultural.pr@caixa.gov.br que se folheia quando criança ao longo das tardes chuvosas, por parte de alguém Central de Ouvidoria: 0800 725 7474 que desde cedo acostumou-se a desenhar de tudo, a exercitar-se livremente em Atendimento a pessoas com deficiência auditiva: 0800 726 2492 paráfrases visuais, interessado que era por ilustrações? A seguir, um tantinho mais SAC CAIXA: 0800 726 0101 velho, mais sistemático, disciplinado, porque se sabe que as aulas de Maciej Babinski Todos os eventos com entrada franca. Acesso para portadores de necessidades especiais. e, principalmente, de mestre Evandro Carlos Jardim, puxassem por isso, veio o en- Atendimento a escolas com agendamento prévio. volvimento no processo de produção de imagens, a vivência nas oficinas de aquarela e gravura. A entrada no gráfico dava-se então pelo convite ao desafogo do universo íntimo e não, como é comum nas escolas de design, pelo respeito ao repertório do outro, a esse desejo de comunicabilidade que, levado com respeito excessivo, conduz à redundância e, com ela, ao sono e à cegueira. Afinal, não foi essa a verdadeira lição da mítica Sherazade em As mil e uma noites: aquele que narra garante o interesse, e com ele a própria vida, daquele que escuta através da carga de surpresa e mistério que ele logra embutir na forma e no conteúdo daquilo que é narrado? Pois o nome REALIZAÇÃO PATROCÍNIO dessa mulher não merecia estar fixado nos umbrais das escolas de design? 5
  4. 4. Rico Lins ingressou aos 17 anos na Escola Superior de Desenho Industrial – o consequente “deslumbramento” pelo dadaísmo e algumas ramificações do ESDI, onde estavam Aloisio Magalhães, Décio Pignatari, Karl-Heinz Bergmüller surrealismo? Compreender a obra de Rico Lins, esse designer onívoro, sacar e Zuenir Ventura, o que por si só dá conta das posições diversas sobre uma sua voracidade por assuntos, territórios do conhecimentos, tempos e espa- profissão, termo que aqui deve ser entendido como um modo de estar no mun- ços diversos, passa por essas incontáveis referências diretamente aludidas e do e que naquela altura nem sequer existia no Brasil. Um ofício em construção outras tantas intuídas e, aliadas a todas elas, uma noção importada da física e que por isso gozava do singular e extraordinário estatuto de não possuir que ele sempre defendeu como subjacente a toda sua prática, a de que o “atrito uma compreensão unitária. Vale lembrar que a ESDI ficou conhecida como a gera energia”. Contudo, uma coisa é receber a informação em sua própria casa, ponta de lança da Escola de Ulm, a autodenominada sucessora da Bauhaus. a energia produzida pelo contato com um corpo escorado em ambientes e aro- E também a devoção de Ulm a um racionalismo que ultrapassava largamente mas familiares. Outra, muito diferente, foi a opção de Rico Lins pelo nomadis- o preconizado pela escola-mãe, esta sim propositora de um ensino holístico e mo, largando-se pelo mundo afora, dezesseis anos de peregrinação por França, fundado no intercâmbio de linguagens, como posteriormente, já nos Estados Inglaterra, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, mantendo permanentemente Unidos, à frente da Black Mountain College, na Carolina do Norte, e da New aberta a cesura mental provocada por aquilo que eu não compreendo ao certo, Bauhaus, em Chicago, haviam demonstrado dois de seus principais artistas/pe- que não é meu. dagogos, propagadores de seus princípios, Josef Albers e Lázló Moholy-Nagy, Apesar da sua pouca idade, quando Rico Lins entendeu que o seu negócio respectivamente. era o design, ele já era muitas outras coisas e ainda queria muito mais: lidava e Pensar a Escola de Ulm no Rio de Janeiro era o mesmo que submeter Apolo transitava por territórios diversos um cidadão do mundo para o qual a naciona- a uma batucada das mais brabas, calciná-lo sob uma canícula outra, muito lidade, mais que um limite, era uma falsa questão, e o intercâmbio de ideias, o diversa da que ele, deus do sol, estava acostumado. Pois junte o racionalismo contrabando de tempos e espaços, uma condição para se sobreviver num mun- postulado pela ESDI com a contracultura, com o “desbunde” – é, as palavras do, para o bem e para o mal, definitivamente contaminado. Afinal, quais são envelhecem... – que florescia sob as frestas da ditadura, numa curiosa associa- mesmo as fronteiras da língua? E da visualidade? Quem gosta da imagem, que ção com o rock e com a resistência política, os grupos de esquerda submersos tem a voluptuosidade da imagem, parafraseando Pedro Nava em sua defesa da na clandestinidade, e o leitor terá uma ideia do que podia acontecer com um palavra, interessa-se por tudo que há, seja aquilo que provém do outro ou aqui- jovem como Rico formando-se sob um fogo cruzado dessa magnitude. lo que, sob a forma de erro, provém de mim mesmo, um mim oculto, incerto. Em termos de design, 1976, quando Rico Lins ingressou na ESDI, o Brasil já Um objet trouvé encontrado à tona da escuridão mais íntima. havia sentido fazia muito tempo a força seminal da gráfica de Rogério Duarte, Ciente de que cada vez mais o design é uma colagem, zona de articulação o homem que desenhou o cartaz de Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber da tecnologia, mercado e cultura, e que cada um desses termos é um conceito Rocha, as capas dos primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil, pedras pletórico, Rico Lins sempre se pautou pela sobreposição de técnicas e lingua- basilares do tropicalismo, e foi até o Flor do Mal, jornal editado por Luiz Carlos gens díspares, da xilogravura e da tipografia mais ortodoxa ao recurso gráfico Maciel. No turbilhão de um período que ainda deu de Hélio Oiticica a Zé Celso de última geração; do lambe-lambe à informação processada digitalmente; Martinez, que a editora Civilização Brasileira exumou o sacrossanto defunto daquilo que é aplicado com apuro ao que se obtém arrancando. A colagem ga- Oswald de Andrade em edições apresentadas por Haroldo de Campos, Duarte rante ao trabalho gráfico um resultado mais próximo dos processos operacio- havia puxado a fila na defesa de uma estética antropofágica quando, em 1965, nais e da imagética própria à cultura contemporânea que da experiência visual manifestou sua reserva aos caminhos da ESDI, escola que ele ajudou a fundar, controlada e que era oferecida pelos modernos. Um jogo de justaposições entre mas onde não ensinou formalmente “porque nunca me foi permitido isso”.1 vozes e ruídos; uma área de tensão em que formas e figuras mantêm-se num Em 1976 muita água já havia rolado debaixo da ponte. Isso no nosso país. E equilíbrio precário, crispado, ambíguo, que é, afinal das contas, o responsável o que dizer do resto do mundo? Por exemplo, de seus estudos aprofundados e por demandar inteligência àquele que se põe a lê-la. Em Rico Lins o design converte-se em trespassamento de estruturas de 1 Chico Homem de Melo (org.). O design gráfico brasileiro. Anos 60. São Paulo: Cosac Naify, pensamento e de técnicas produtivas: a comprovação de que o atrito produz 2006, p. 195. 6 7
  5. 5. energia, o mesmo tipo de energia que se desprende da vida das nossas cidades, dos seus muros e espaços crespos. Por tudo isso é que “Rico Lins – Uma gráfica de fronteira” não é uma mostra no sentido convencional, não se reduz a uma apresentação de seu magnífico portfólio. Mais do que isso, tem-se aqui um artista que traz a público a seiva de sua poética, a explicitação em estado mais puro dos processos e elementos dos quais se vale. Daí o caráter ambiental dessa mostra, uma sorte de “instalação” que esclarece a visão de mundo de Rico Lins, própria a um designer gráfico capaz de fundir, combinar e reciclar palavras, imagens e ritmos, encarnando- os em tecidos, papéis e edifícios, sons e projeções e até mesmo em suportes que rondam a imaterialidade. * Agnaldo Farias é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanis- mo da USP desde 2003 e consultor de curadoria do Instituto Tomie Ohtake (desde 2000). Foi curador da Representação Brasileira para a 25a Bienal Internacional de São Paulo (2002) e curador geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1998 a 2000). 8 9
  6. 6. Territórios reinventados Adélia Borges* Todos nós – pessoas, instituições, empresas – estamos vivendo hoje, de diluídas, a partir de um olhar pessoal e local – algo como a correspondência, no alguma forma, a necessidade de combinar uma compreensão ampla do mundo design, da parabólica fincada na lama com que o pernambucano Chico Science com uma atuação que parte de um olhar e de um sentimento nascidos do local inventou uma sonoridade musical. em que vivemos, da nossa história particular. Isso que hoje é um atributo da De seu estúdio paulistano, Rico atende a demandas diversificadas nas várias contemporaneidade, Rico Lins já vem trazendo ao campo do design gráfico há especialidades do design, incluindo livros, folhetos, cartazes, embalagens, algumas décadas. sites, exposições, aberturas de programas de tevê e de filmes, ilustrações Trafegar entre culturas diferentes sem abrir mão da sua própria, trazer ao etc. etc. etc. A prática de um design múltiplo e consistente, capaz de conver- design gráfico forte dose de criação pessoal, beber no caos das ruas e do po- sar com outras formas de expressão, somar opostos e, assim, efetivamente pular para escrever o erudito, prever e incentivar a interação com o usuário do falar às audiências às quais seus trabalhos são dirigidos, tem atraído muitos seu projeto, recorrer à manualidade da tradição brasileira para compor o digital empreendedores da área cultural sintonizados com as demandas da contem- são práticas incensadas em nossa época que Rico aporta desde o começo de poraneidade. Sua trajetória o credencia a um amplo espectro de clientes, tanto sua caminhada. daqueles brasileiros que querem falar a uma audiência internacional como dos Sua formação e início da atuação profissional ocorrem no Rio de Janeiro nos estrangeiros que querem chegar mais fundo aos mercados emergentes da nova anos 1970, período de forte dominância da ideia de que o design deveria ser cartografia mundial. neutro, asséptico e asceta; uma visão importada, sem questionamentos, das Rico vem se situando desde os anos 1970 na ponta de lança da tradução tendências alemã e suíça das artes gráficas. Já em seus primeiros trabalhos, na comunicação visual das noções de identidade, pertencimento, inclusão do Rico se insurge contra essa visão, incorporando a casualidade e a riqueza da espectador e construção de repertórios comuns, que hoje são a bola da vez dos cultura das ruas para chegar a um resultado marcado pela experimentação e, departamentos de marketing das empresas. Esta exposição e este catálogo sobretudo, pela invenção. certamente permitirão um olhar abrangente sobre uma trajetória rica e nos As temporadas estudando e trabalhando em Londres, Paris e Nova York, o capacitar a trilhar, juntos, novos caminhos. chamado circuito Helena Rubinstein, que durante tantos anos ditou tendências para o resto do mundo, foram decisivas no alargamento de seus horizontes, na ampliação de seu conhecimento humanista e na diversificação de seu reper- tório. Nessas cidades, Rico esteve no olho do furacão, trabalhando em ou para instituições e empresas importantes: da gravadora CBS ao Beaubourg, o Centre Georges Pompidou; do The New York Times à Random House. Nelas, contudo, o designer não se deixou cair na armadilha daqueles que aderem a um estilo de vida e a uma linguagem internacionalista buscando um passaporte para o reconhecimento internacional. Antes, usou essa vivência para ampliar, de um lado, a sua compreensão da multiculturalidade como um dos fatores decisivos do mundo hoje e, de outro, para alimentar e treinar a sua liberdade criativa. * Adélia Borges é jornalista e curadora especializada em design. De volta ao Brasil, e desta vez para São Paulo, permaneceu aberto às influ- Foi diretora do Museu da Casa Brasileira (2003-2007) e editora de ências externas de um mundo em movimento e com fronteiras cada vez mais design do jornal Gazeta Mercantil (1998-2002). 10 11
  7. 7. Reciclando Rico Lins Do ponto de vista criativo, sempre dinheiro, embalagens, santinhos, rótulos, folhetos de cor- me intrigou a ideia do design gráfico del, bulas, formulários, propaganda, e a imensa produção como “obra única reproduzida em de lixo decorrente. Em outras palavras, gerando a matéria- série”. Tal proposta revela a am- prima com que são produzidos os papéis reciclados. biguidade central do trabalho de Quando a indústria de papéis Suzano me convi- criação gráfica, sua efemeridade, sua dou em 2000 a participar do evento de lançamento do existência limitada por sua condição papel Reciclato, minha proposta teve como eixo o tema essencialmente utilitária, reprodutível “reciclagem”, abrangendo nesse conceito o processo de e descartável. Por outro lado, ela fun- criação até os de impressão e utilização finais do papel. ciona também como um termômetro O ponto de partida foram trabalhos de minha autoria, nos permanente de seu tempo. quais me servira de imagens criadas por outros artistas, De algum modo, sempre esteve ou por mim mesmo, reutilizando-as posteriormente em presente em parte de meu trabalho diferente contexto. Na ocasião criei quatro trabalhos a a apropriação de clichês visuais, partir da combinação de outros, alterando suas propor- seja reutilizando ícones da cultura ções e cores, recompondo seus detalhes, superpondo de massa, seja extraindo referências transparências e finalmente reutilizando os fotolitos para de obras de artes plásticas ou pelo reimpressões com variadas cores especiais, vernizes e mero reaproveitamento de materiais relevos, visando sua utilização na fabricação de embala- impressos industrialmente. Das gens falsas e outros volumes tridimensionais apresenta- fotomontagens construtivistas de dos no evento. Rodchenko à banana pop de Andy Além das peças elaboradas para o lançamento do Reci- Warhol, de Kurt Schwitters a Walt clato, busquei também que essa proposta servisse como Disney, o universo visual contempo- uma oportunidade para, ao estender a ideia de reciclagem râneo é o da cultura de massa e seus ao processo criativo, aprofundar a reflexão sobre direitos produtos: recortes de revistas, tickets, autorais, reprodução digital, originalidade e outros temas 12
  8. 8. cartazes da dupla de páginas anterior: Projeto Reciclato Cliente: Suzano papel e celulose São Paulo, 2000 envelopes e cartões de visita nesta dupla de páginas: Identidade visual Rico Lins +Studio Cliente: Rico Lins +Studio São Paulo, 2000 centrais da comunicação contemporânea, que estavam — elástico que contém da previsibilidade e permanecem — na ordem do dia. Tanto essas imagens de um cartão de visitas à imprevisi- como o papel onde estão impressas coexistem no mesmo bilidade randômica de um site em refugo industrial. A reciclagem soma, divide, multiplica e permanente construção. subtrai, quer do ponto de vista de sua função social, eco- A grande variedade de opções nômica e ambiental, quer das estratégias de marketing. de peças gráficas resultantes do Através dos sinais dessa aritmética básica, vê-se o papel processo permitiu criar um sistema em seu estado bruto nas superfícies não impressas. altamente renovável e durável, geran- Algum tempo depois, a convite da revista Nervo Optico, do impacto, curiosidade e empatia no registrei dois outros passos do mesmo processo. O primei- público-alvo. Na época de sua produ- ro, para dentro, cavando na genealogia autoral um tanto ou ção, a reutilização de material gráfico quanto acidental dessas imagens para recompô-las e re- foi inovadora como processo e atitude velar suas referências e origem. O segundo, para fora, mas criativa, ao instigar reflexão sobre não menos acidental, na medida em que esse inventário de identidade visual e reaproveitamento referências — fossem elas casuais ou explícitas — fizes- de recursos. Todos os componentes sem eco a um modo de pensar e fazer design. foram produzidos de fragmentos dos É natural, portanto, que essas reflexões se encontrem cartazes originalmente criados para o num recorte entre o autoral e o comercial, em que a lançamento dos papéis. pessoa física e a jurídica se deparam no espelho. É nesse E, assim, propomos como alterna- espaço delimitado pela diversidade que a singularidade tiva aos que creem que nada mais se revela: na identidade visual do Rico Lins +Studio e sua se cria, a certeza de que tudo se busca em integrar o aleatório e o sistemático, num gesto transforma. 14 15
  9. 9. Promo +Studio Cliente: Rico Lins +Studio São Paulo, 2000 Este projeto de divulgação dos decorrentes de sua produção foram trabalhos do +Studio foi concebido extremamente reduzidos. e realizado totalmente a partir do A alta qualidade de impressão e a aproveitamento de sobras de folhas opção pela edição das peças escolhi- impressas com materiais gráficos das para o folder, a grande e inusitada comerciais — mais especificamente, variedade de opções de envelopes folhas usadas para acerto de cor e resultantes do processo permitiram limpeza de rolos de impressão. criar um sistema altamente durá- Os processos gráficos de produ- vel, gerando impacto, curiosidade e ção desses materiais se reduziram empatia no público-alvo. Além disso, a corte, dobra e cola, sem qualquer o baixo custo e alto aproveitamento de consumo extra de papel e impressão. materiais e produção foram diferen- Ao aproveitar 100% das aparas, ciais positivos para os clientes. coleturas, processos de impressão Esse trabalho integrou a 4a Bienal e acabamento, os dejetos gráficos de Design, em 1998. 17
  10. 10. Kit Acácia Cliente: Ripasa São Paulo, 2002 Em 2002 a Ripasa S. A. Celulose para as gráficas envolvidas no processo e beneficiou o e Papel ampliou sua linha de papéis MAM, que passou a contar com uma série de materiais Acácia, com novas cores e gramaturas, paradidáticos para seu uso. além de outras opções de superfícies Abriu-se o leque de potencialidades do papel para texturadas. Rico Lins foi contratado impressão de imagem em quadricromia, cores espe- para desenvolver um novo mostruário ciais, vinco, dobra e corte entre os profissionais de e propor ações de relacionamento criação, evidenciando suas reais qualidades e, com isso, para o produto. Logo constatou que ampliando sua percepção e consumo no mercado. inúmeras possibilidades de aplicação Além do novo mostruário, o kit Acácia é composto de do papel não estavam claras para os materiais interativos que exploram a capacidade gráfica usuários, e seu uso acabava restrito da nova linha de papéis: baralho de letras, jogo da me- a impressos comemorativos e alguns mória e embalagens com conteúdo artístico. produtos especiais. Na página ao lado, o frasco originalmente acondicio- Rico propôs uma ação de reposi- nado em embalagem produzida com o papel traz frases e cionamento com os profissionais de mensagens direcionadas ao público-alvo. criação, potencializada pela extensa rede de parceiros institucionais da Prêmio: 7a Bienal Brasileira de Design Gráfico, da ADG, 2004. Dire- empresa. Estabeleceu assim uma ção de criação e concepção: Rico Lins. Curadoria e evento: Arte 3. parceria entre a indústria gráfica Produção gráfica: Jairo da Rocha e o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e criou uma série de peças voltadas à educação artística. Elas foram desenvolvidas a partir de obras do acervo e trabalhos produ- zidos nos ateliês e cursos do Museu, e seu resultado foi lançado em uma instalação no MAM Ibirapuera. Ao construir uma nítida ponte entre a criatividade e a inovação das atividades educacionais do Museu e as qualidades do papel, essa ação não apenas agregou valor ao Acácia, como gerou exemplos de excelência técnica 19
  11. 11. Projeto Guri multiplicação Cliente: Projeto Guri resu sultado São Paulo, 2006-07 qualidade Em 2006, Rico Lins foi convidado a redesenhar a mar- ações do Projeto Guri para seus cooperação adole lescente ca do Projeto Guri, organização que promove a inclusão diversos públicos. social de crianças e adolescentes carentes através da Esse sistema e suas diretrizes educação musical. de utilização foram colocados à mudança Os valores da marca foram reposicionados e um disposição de seus colaboradores na história integra ação projeto de comunicação institucional foi desenvolvido extranet do Projeto Guri, permitindo comunicação a co ores diferenciação pelo +Studio, que definiu o sistema de identidade visual, ser atualizado virtualmente. expres essão design de peças promocionais, site, uniformes, famílias O manual de identidade visual valor tipográficas etc. O novo sistema, apresentado ao público contém, além do conceito da marca, crianças interno em uma oficina de alinhamento, é autossus- exemplos de todos os materiais de tentável, flexível e includente, e permite ser ajustado e divulgação, promoção e sinalização, inclusão aplicado de acordo com as necessidades e possibilida- incluindo instruções claras para des de cada um de seus mais de 400 polos no Estado de utilização de cores e duas famílias participa ipação São Paulo. de vinhetas tipográficas organizadas parceiros Essa flexibilidade resultou também da associação do como dingbats, alusivas à música e logotipo às ilustrações que remetem às atividades e às à comunidade. patroc ocinadores image ens relacionamento versatilidades pais proc cesso criatividade crescimento i essência a educação espectadores sinergia identidade n comunidade música pertencimento 21
  12. 12. Comunicação Institucional Goethe Cliente: Goethe-Institut São Paulo São Paulo, 2009-10 O Goethe-Institut São Paulo havia tempos sentia necessidade de reformular sua comunicação visual para tentar dar mais objetividade, coerência e unidade a toda sua interlocução com o público. O +Studio partiu do entendimento de que o Goethe é um instituto de peso na divulgação e promoção da cultura alemã no Brasil e propôs que se desenvolvesse uma linguagem gráfica que trouxesse à tona personalidades alemãs representativas do cinema, esportes, música, ar- quitetura, entre outras áreas do saber, abrangendo desde os primórdios da história do país até os dias de hoje. A partir da vetorização de retratos emblemáticos des- sas personalidades, do uso de cores chapadas, somado a transparências e sobreposições, criou-se uma identi- dade marcante, de fácil reconhecimento, suportando ao mesmo tempo grande variedade de usos em diferentes suportes, sem que a ideia se torne repetitiva. Assim, essa mesma linguagem pôde ser adotada tanto para a comuni- cação visual do espaço do instituto como, por exemplo, no layout do folder/cartaz da programação cultural. 23
  13. 13. Linguagem Natura Cliente: Natura São Paulo, 2003-04 O Rico Lins +Studio pensa o design como instrumento cação da marca, em campanhas de construção de identidade. publicitárias, peças institucionais, O projeto Linguagem Natura, conjunto de diretrizes eventos, ações de relacionamento e que definem um novo caminho criativo para a linguagem novos produtos nos mercados onde visual da marca, desenvolvido em 2003 e 2004 com a a Natura atua. Thymus Branding, é um bom exemplo dessa proposta. Um exemplo dessas propostas Essência, crenças e valores passaram a ser mais bem são os materiais de comunicação expressos, aproximando dos diferentes públicos os atri- para o ponto de venda da linha butos éticos e a percepção da marca, integrando todas Natura Ekos França: série de quatro as ferramentas e ações de comunicação. cartazes apresenta para o con- Nesse processo foram realizadas oficinas de capaci- sumidor francês o produto, seus tação e alinhamento com fornecedores, parceiros, cola- principais ativos e ingredientes, boradores e gestores de comunicação interna e externa bem como seu processo de produ- e workshops com fotógrafos, designers, jornalistas, ção, incluindo referências sociais e arquitetos, agências de propaganda e comitês estratégi- culturais locais. Impresso em papel cos de linguagem da marca. reciclável, esses cartazes seriam As bases lançadas com a publicação do Linguagem reutilizados nas embalagens e apre- Natura vêm sendo aplicadas desde 2004 na comuni- sentação dos produtos. 25
  14. 14. Panamericana ‘96 Graphic Design Cliente: Escola Panamericana de Artes São Paulo, 1996 Em 1996 foi desenvolvido material de di- vulgação para o Congresso Internacional de Design Gráfico promovido pela escola, com o tema “Local x Global”. Rico Lins foi respon- sável pela direção de criação do evento e de toda sua campanha de comunicação, que reuniu dezoito designers, brasileiros e membros da AGI-USA. O conceito de criação enfatizou a plura- lidade de expressões no design gráfico e incluiu cartaz, catálogo, programas, folders, campanha publicitária para rádio, comer- cial em animação para TV e anúncios para H.Stern revistas e jornais. Cada designer convidado elaborou um cartaz para o evento. Cliente: H.Stern São Paulo, 2003-04 No catálogo-convite (ao lado), as dimen- sões do sistema modular permitiram o O Rico Lins +Studio foi contratado pela H.Stern para aproveitamento total do papel, o que serviu criar um material de relacionamento a ser enviado no dia de base para a formatação de todo o projeto. do aniversário de cada cliente. Essa peça comemorativa O catálogo é composto por lâminas avulsas deveria não apenas celebrar a data, mas conter uma com portfólio e notas biográficas de cada mensagem que reforçasse a percepção da marca como participante. exclusiva, valiosa e durável. O símbolo da estrela, já agre- Esse trabalho integrou a 4a Bienal de De- gado à marca H.Stern, associou-se a uma carta celeste sign, em 1998. zodiacal onde o aniversariante localizava seu signo com Direção de criação: Rico Lins. Design e direção de uma lupa, embalada em um estojo de cor prata. No fundo arte: Rico Lins. Fotografia: Fábio Ribeiro. Produção do berço que acondicionava a lupa lia-se, através dela, a gráfica: Ricardo Aiello. Agência: W/Brasil, São palavra VOCÊ, impressa em letras microscópicas. Paulo, 1996 26 27
  15. 15. Catálogo Iguatemi Cliente: Shopping Iguatemi São Paulo, 1988 A concepção do catálogo promo- cional do Shopping Iguatemi para o mercado internacional tinha como objetivo transmitir a imagem de solidez do shopping, aliada a sua conexão com a moda. A tiragem li- mitada, confeccionada com uma tela de fios de aço, possui formato de fichário que permite a customização para públicos exclusivos. Bilíngues, as lâminas internas apresentam o Iguatemi, sua história e localização, mercados consumidores, marcas, campanhas publicitárias etc. 28
  16. 16. Alice Zoomp Cliente: Zoomp São Paulo, 1997 O projeto do catálogo para a maior que a dos sazonais catálogos de moda, introdu- Zoomp reuniu vários artistas em ziram-se conteúdos que geraram mídia espontânea em torno do tema Alice no País das cadernos de cultura, contribuindo para o reposiciona- Maravilhas, entre eles Arnaldo mento da marca. Um dos primeiros trabalhos da modelo Antunes, Augusto de Campos e Waly Gisele Bündchen, antes de estourar nas passarelas. Salomão. Foi o primeiro catálogo de Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. moda de Rico Lins, que, por expor menos moda e mais atitude, revelou a possibilidade de estreitar a ligação Direção de criação: Rico Lins, Carlos Nader, Paulo Borges, Graça entre moda e cultura. Cabral e Denise Basso. Design: Rico Lins +Studio. Direção de Com o objetivo de produzir um arte: Rico Lins. Projeto gráfico: Rico Lins, Mariana Bernd. Foto- livro/catálogo que tivesse duração grafia: Willy Biondani. Produção gráfica: Jairo da Rocha 31
  17. 17. Almanaque dos Sentidos Zoomp Cliente: Zoomp São Paulo, 1997-98 Dando continuidade ao espírito do catálogo anterior, o Almanaque dos Sentidos, elaborado para a coleção primavera-verão 1997/98, combina as peças da coleção com jogos, testes, curiosidades, receitas, trabalhos de artistas, fotógrafos e poetas, associados livremente aos cinco sentidos. Tal exploração de recursos e as soluções de design propostas acabaram virando referência no mercado editorial. O projeto recebeu vários prêmios, como o da Society of Publication Designers, do Art Directors Club de New York, e o Brasil Faz Design, e foi publicado em várias revistas especializadas, como Graphis Magazine e First Choice. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. Direção de criação: Rico Lins, Carlos Nader, Paulo Borges, Graça Cabral e Denise Basso. Direção de texto: Carlos Nader. Design: Rico Lins +Studio. Direção de arte: Rico Lins. Projeto gráfico: Rico Lins, Monique Schenkels. Fotografia: Willy Biondani, Fernando Laszlo. Produção gráfica: Jairo da Rocha 33
  18. 18. Coleção Ponta de Lança Cliente: Editora Língua Geral Rio de Janeiro, 2006-07 O Rico Lins +Studio criou a identidade visual da editora brasileiro valendo-se de cores vivas Língua Geral, especializada na literatura lusófona do e puras e fotos de capa inusitadas Brasil, Portugal e África. O projeto da nova identidade aplicadas ao formato “caderno de via- inclui o logo da editora, selos e projetos gráficos para gem”. Além das qualidades literárias, as coleções, direção de arte e design para as capas dos um dos objetivos do projeto era a va- livros e materiais de divulgação. lorização do livro como objeto gráfico; O design da coleção, cuja proposta é revelar vozes posteriormente, aboliu-se o elástico novas ou ainda pouco conhecidas de autores de língua para adequar a coleção às condi- portuguesa, baseia-se nos cadernos de viagem com tira ções do mercado. Em contrapartida, de elástico, no estilo Moleskine. passou-se a utilizar fotos coloridas e a O projeto gráfico de lançamento buscou aproximar os trabalhar com portfólio de fotógrafos jovens autores contemporâneos desconhecidos do público brasileiros, portugueses e africanos. 34 35
  19. 19. Identidade e Conflito Cliente: Arte Educação/ Centro Cultural Banco do Brasil Brasília São Paulo, 2004 O trabalho desenvolvido pelo +Studio é voltado não só para projetos editoriais, mas também para curadorias, expografias e concepção de exposições para o Brasil e exterior, visando sempre promover as ações de forma a potencializar o alcance, a visibilidade e a clareza dos conteúdos. Um exemplo desse tipo de trabalho foi a criação da identidade visual e do projeto gráfico para a exposição Identidade e Conflito, do artista plástico brasileiro Alex Flemming, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília. O material incluiu projeto gráfico das peças impressas (catálogo, folder, convite, cartaz) e do espaço expositivo (banners, textos e legendas). Especificamente em relação à concepção do convite, o partido adotado foi o de fac-similar em tamanho real. 37
  20. 20. Revista Bravo! Cliente: Editora D’Ávila São Paulo, 1997-2000 A revista Bravo! surgiu em 1997 com a proposta de trabalhar com uma combinação de ensaios, artigos e serviços na área cultural. Rico Lins colaborou desde a primeira edição, alternando capas com páginas internas. A exemplo de seu trabalho para outras publicações, optou por não se apoiar em um estilo, mas buscar a solução gráfica que melhor se adequasse a cada tema. Isso permitia não apenas garantir a variedade das capas, utilizando da colagem à fotografia, à ilustração, mas experimentar graficamente, apoiado pelo projeto gráfico inovador da publicação. Entre as capas mais conhecidas estão as publicadas nestas páginas. Em 1996, uma das capas de Rico para a Bravo! foi premiada na exposição Brasil Fa Design em Milão e na 3ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, da ADG. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. Design e arte: Rico Lins. Direção de arte: Noris Lima 38
  21. 21. Big Brasil Cliente: Big Magazine São Paulo, 1999 Rico Lins foi convidado a cuidar da O convite para a festa de lançamento da revista (ao curadoria, direção criativa e design lado) foi acondicionado e enviado em saquinhos de da primeira edição brasileira da Big, nylon, popularmente utilizados para embalar frutas. revista internacional de estilo, arte e Um exemplo das páginas internas é a matéria “Serial comportamento. A opção por retratar Kisser”, sobre o Beijoqueiro, personagem do folclore a produção cultural urbana brasileira carioca que ganhou notoriedade por beijar celebridades. contemporânea, com a colaboração O projeto recebeu a Gold Medal do The Art Directors de artistas convidados e designers, Club e o Merit Award da Society of Publication Designers confirmou o compromisso criativo (SPD), em New York, e o prêmio Brasil Fa Design, São de Rico Lins +Studio com a plurali- Paulo/Milão. dade de expressões e a diversidade que compõem a identidade cultural brasileira. Na capa, o figo corta- Assistente: Dag Rizzolo. Colaboradores: Fernando Laszlo, do ao meio sintetizava, de modo Monique Schenkels, Rafic Farah, Guto Lacaz, Luiz Stein, Gringo inusitado e provocador, alguns dos Cardia, Marcelo Tas, Fausto Fawcett, Waly Salomão, Carlos Nader, mais reconhecidos e identificáveis Fernanda Abreu, Braulio Tavares, Carla Caffé, Daniela Thomas, Guto Lins, Adriana Lins, Bebel Franco, Cássio Vasconcellos, Ana atributos brasileiros: a exuberância Marianni, Mario Cravo Neto, Seu Jorge, Geléia da Rocinha, Edson da natureza, a sensualidade explícita Meirelles, Antonio Sagesse, Klaus Mitteldorf, Tomas Lorente, e a liberdade no uso das cores. Marcelo Serpa, Ale Gama e outros 41
  22. 22. Newsweek Cliente: Newsweek Magazine New York, 1993 A Newsweek é a segunda maior serem criadas, aprovadas, editadas e impressas até a ma- revista semanal de informação dos drugada de sábado, possibilitando que circulem mundial- Estados Unidos e circula mundial- mente no fim de semana. Para responder a essa agenda, mente em quatro edições: América do podem vir a ser solicitadas mais de vinte diferentes capas Norte, América Latina, Europa e Ásia. por semana. As características de produção de Nos anos em que viveu em Nova York, Rico Lins manteve uma publicação desse porte exigem estreita relação com as revistas Newsweek e Time, atuando não apenas logística sofisticada, mas como ilustrador, designer ou diretor de arte para matérias a produção simultânea de material ou capas, algumas delas circulando exclusivamente em editorial exclusivo para os quatro um dos quatro mercados. Na capa ao lado, publicada mercados, obedecendo aos prazos mundialmente, celebra-se a interatividade como o ovo definidos pelas pautas jornalísticas. de Colombo da tecnologia. Rico Lins assinou o design e Esse contexto obriga à criação se- direção de arte. manal de várias opções de capa para Esse ovo digital, que reflete apenas a mão e o logo da as diferentes edições, cujos prazos de publicação, foi a solução visual encontrada no estúdio de fechamento devem ser rigorosamente finalização para enfatizar a natureza editorial da imagem, obedecidos: os temas das capas são ao situá-la explicitamente no contexto da capa da revista. definidos na tarde de terça-feira, para Abaixo, duas capas de edições asiáticas. 43
  23. 23. BusinessWeek Cliente: BusinessWeek Magazine New York, 1993-97 Um dos mais importantes semanários sobre negócios do mundo, a revista BusinessWeek é publicada pelo grupo McGraw-Hill e mantém uma equipe composta por duplas editor-diretor de arte para cada uma de suas seções editoriais, como as grandes publicações americanas. Rico Lins foi colaborador frequente de diversas edito- rias e criou inúmeras capas, algumas resolvidas sob a pressão das atualidades semanais. No exemplo ao lado, a solução gráfica foi encontrada durante o telefonema que recebeu da diretora de arte, na hora do fechamento da edição. 45
  24. 24. Revista KulturRevolution Cliente: Klartext Verlag Bochum-Hattingen Paris, São Paulo, Londres, Nova York, 1982-2008 Rico Lins colabora com a revista acadêmica KulturRe- volution desde sua fundação, em 1982. Dedicada à teoria do discurso, criada e editada por professores da Universi- dade de Bochum, na Alemanha, ela se caracteriza não só pela versatilidade temática como também pela liberdade (de expressão) gráfica e o consequente experimentalismo de suas capas — desenvolvidas analogicamente e impres- sas em offset três cores por uma gráfica na Alemanha. A escolha pelo processo analógico requeria grande dose de experimentação gráfica, valendo-se da super- posição e encaixe de três layers, e as especificações correspondentes à impressão de cada cor. O sucesso do resultado final dependia não só de uma tentativa de previsão da somatória das cores por parte do designer, como da compreensão de todas as indicações técnicas por parte da gráfica. E essa orquestração conta sempre com a possibilidade do inesperado. Para celebrar o permanente diálogo desta revista com temas da atualidade, a capa comemorativa de seus 20 anos integra a imagem de um tradicional pente preto sobre os revoltos cabelos coloridos da juventude alemã, que se enroscam no nome da publicação. No destaque no alto, a matéria de capa questiona a existência de um coletivo simbólico no século 21, re- presentada na capa pela foto de Edson Meirelles, de um carrinho de refrigerante. No centro, “O Discurso Faz a Hegemonia”, basea- da numa imagem do construtivista russo Alexander Rodchenko, a figura híbrida mistura a careca de Michel Foucault, a barba de Marx, a estrela de Mao Tsé-Tung e o bottom com Trótski para questionar se o discurso faz, realmente, a hegemonia da esquerda. Ao lado, “Esquerda/Direita” discute a alternância de poder e a ascensão da social-democracia na Alemanha pré-queda do Muro de Berlim pela superposição do passo de tango “volta à esquerda” nas cores da bandeira alemã. 47
  25. 25. Convite EXPO KR Cliente: Centre Georges Pompidou/ Centre de Création Industrielle (CCI) Paris, 1999 No início dos anos 1990, o Centre Georges Pompidou dispunha do Point-de-Mire, espaço expositivo dedicado a apresentar mensalmente um projeto de atualidade em design. A revista francesa BàT divulgara o trabalho que Rico Lins vinha desenvolvendo para a revista KulturRevo- lution e ele foi convidado a expor esse projeto. Para a mostra, Rico Lins criou um convite que refletia o processo de criação utilizado na KulturRevolution, partindo das mesmas características técnicas descritas no texto anterior. Como elemento surpresa, foi incor- porada aos convites da exposição enviados pelo correio uma separação da palavra E-X-P-O em quatro partes desconexas, que só fariam sentido quando associadas entre si pelos visitantes. A exposição foi posteriormente apresentada no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo e no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, com cartazes que, seguindo a peça concebida para o Centre Georges Pompidou, eram cortados em seis partes, que serviam como convites. 48
  26. 26. Les Droits de l’Homme et du Citoyen Cliente: Artis 89 Paris, 1989 Durante as comemorações do bicentenário da Revo- lução Francesa, um grupo internacional de 66 designers foi convidado a criar cartazes alusivos à Declaração dos Direitos do Homem e a participar de um fórum interna- cional sobre o papel social do design gráfico. Os cartazes produzidos resultaram em uma exposição em Paris, inau- gurada no Couvent des Cordeliers, local onde foi lavrada a primeira versão da Declaração, 200 anos antes. O conjunto de cartazes impressos em offset permitiu o lançamento simultâneo da exposição em diversas cidades do mundo. 51
  27. 27. Brecht Cliente: Berliner Ensemble e VGD Alemanha, 1998 A companhia de teatro Berliner Ensemble celebrou o centenário de seu fundador, o dramaturgo Bertolt Bre- cht, com a exposição internacional Brecht 100 Plakate. Organizada pelo designer Alex Jourdain, líder do coletivo Nous Travaillons Ensemble, e pela associação Verband der Grafik-Designer (VGD), contou com a participação de cem designers convidados. Partindo de uma foto de jornal e das cores da bandei- ra alemã, o cartaz de Rico Lins põe o holofote sobre o olhar do dramaturgo, para o qual convergem sua obra e sua visão de mundo. 52
  28. 28. Oleanna – A Power Play Cliente: Serino Coyne Nova York, 1992 David Mamet foi um dos primeiros autores a abordar no teatro a polêmica questão do assédio sexual, em montagem lançada no Orpheum Theatre, em Nova York. A ambiguidade do tema e a tênue linha que separa o papel de vítima e algoz sugeriam a imagem de um alvo formado pela alternância de um rosto masculino e um feminino, como vemos nas colagens iniciais nesta pá- gina. A extrema simplicidade gráfica do resultado final garantiu, no entanto, seu destaque dentre os coloridos cartazes de teatro nova-iorquinos. 54
  29. 29. The real thing Cliente: Saque Sagaz Promoções Nova York, 1991 O cartaz para a exposição Coca-Cola – 50 Anos com Arte parte da garrafa celebrizada por Andy Warhol, para impri- mi-la em preto sobre preto. O único elemento em cor é o título “The real thing”, transferindo o real valor da marca para sua comunicação: a cor vermelha e seu slogan. 57
  30. 30. XXI Bienal de São Paulo Cliente: Fundação Bienal de São Paulo São Paulo, 1991 Rico Lins, Neville Brody, Ikko Tanaka e Roberto Pensador, de Rodin, foi impresso Sambonet foram os jurados do concurso internacional no formato cartaz e as estátuas de cartazes para a XX Bienal de São Paulo (BISP). O car- do Discóbolo e de Mercúrio, em taz escolhido — que retratava uma banana cortada ao cartões-postais. A pré-produção e meio, remendada com grampos de metal — gerou gran- a seção de fotos feitas em formato de polêmica, levando, na edição seguinte, à realização analógico pelo espanhol Alejandro de um concurso fechado, para designers convidados. Cabrera envolveram grande dose de Dessa vez, o eixo curatorial da XXI BISP foi “O Ho- experimentação técnica e resultados mem” e o projeto vencedor, criado por Rico Lins, era inesperados, como a da foto utiliza- composto por uma série de três peças que propunham da no cartaz vencedor e no catálogo a releitura de três esculturas masculinas clássicas. O da mostra. 58
  31. 31. Connexions >< Conexões Cliente: SESC-SP e CulturesFrance São Paulo, 2009 Como parte das comemorações O Rico Lins +Studio foi responsável pelo design gráfico do Ano França-Brasil, a exposição e pelo projeto da exposição, concebido para gerar baixo Connexions><Conexões foi concebida impacto ambiental com a reutilização de materiais de ao redor da ideia do design gráfico au- exposições anteriores. A letra “X”, sinal universal para toral, reunindo duas dezenas de novos intercâmbio e multiplicação, serviu como elemento central talentos brasileiros e franceses em do projeto, sendo aplicada a múltiplos significados, da letra torno dos conceitos de territorialidade, comum que une as duas línguas ao algarismo romano X, diversidade e identidade. O evento número de participantes de cada um dos países. ocorreu no SESC Pompeia e incluiu Para reforçar a ideia de um intercâmbio equilibrado, workshops, palestras e encontros o designer estabeleceu no cartaz (na página ao lado) criativos, que exploraram o diálogo uma simetria que permitiu que ele fosse fixado em entre a produção gráfica contemporâ- qualquer posição. nea dos dois países. O cartaz-folder (nesta página) foi entregue ao público Com curadoria de Rico Lins e Chris- como uma folha de papel inteira (66 x 96 cm), que con- telle Kirchstetter – ex-diretora tinha, de forma aparentemente aleatória, informações do Pôle Graphisme de Chaumont, sobre os designers participantes da exposição, linhas de França –, a exposição ofereceu um picote e vinco. Seguindo instruções de dobra e corte for- panorama do novo design francês e necidas, o visitante era convidado a montar, ele mesmo, brasileiro e foi além dos impressos em o catálogo. Ao final, o conteúdo aparentemente aleatório geral, dialogando com mídias digitais, se mostrava perfeitamente organizado e inteligível. Esse espaços públicos, arte contemporânea partido também gerou economia de recursos em sua e manifestações vernaculares. produção. 61
  32. 32. Projeto “Brasil em Cartaz” Clientes: Les Silos/ Pôle Graphisme de Chaumont Chaumont, França, 2005 Em 2005, o Pôle Graphisme de Chaumont convidou Além de um catálogo com duas Rico Lins para montar uma exposição de cartazes centenas de obras, textos críticos brasileiros. A mostra foi parte de sua programação e ensaios inéditos, foi impressa anual de exposições internacionais, pela primeira vez uma tiragem experimental exclu- dedicada ao Brasil. O projeto “Brasil em Cartaz” figurou siva de cartazes que sobrepunham como o principal evento de design gráfico no calendário impressões digitais, serigráficas da programação do Ano do Brasil na França, em 2005, e tipografia tradicional em estilo e resgatou a produção artística de cartazes brasileiros lambe-lambe, resultando no projeto criados a partir da segunda metade do século 20: da I final do cartaz de divulgação do Bienal de São Paulo, em 1951, às recentes experimenta- evento, impresso em policromia ções da street-art e da produção digital. offset e serigrafia grande formato Com curadoria de Rico Lins e produção coordenada (página ao lado). pelo +Studio, o evento teve como compromisso e objetivo O pregador de roupas, referência sistematizar a produção do cartaz no Brasil e refletir a uma das mais difundidas manifes- sobre ela, apresentando e integrando parte substancial tações gráficas brasileiras – o cordel da memória gráfica brasileira ao cenário internacional – e ao caráter efêmero do cartaz, foi contemporâneo. Para a mostra, que incluía conferência, adotado como elemento central da workshop e atividades paralelas, foi criado um conjunto identidade visual do projeto e repro- de peças de comunicação e relacionamento. duzido de diferentes formas. 62
  33. 33. My City Is Where I Am Cliente: “Better home city, better life” poster project Xangai São Paulo, 2010 There are places I remember All my life though some have changed (Lennon-McCartney) Rico Lins foi convidado a participar do projeto “Better home city, better life”, na Exposição Mundial em Xangai, na China. Os cartazes criados foram expostos na galeria da Escola de Belas-Artes da Universidade de Xangai. O proje- to incluiu workshops, exposições e fóruns, entre o verão e o outono de 2010. O paralelo entre a Cidade e o Homem se evidenciou no percurso dos meridianos de um mapa anatômico do cor- po humano usado na acupuntura chinesa. De Londres a Londrina, de Creta ao Crato, de New York a Nova Iguaçu, foi criado um percurso imaginário pelo corpo, passageiro, veículo e roteiro de memórias urbanas. Cidades e corpos são organismos vivos que expressam e partilham alguns princípios básicos: fluxo, crescimen- to, ritmo, mobilidade, equilíbrio, capilaridade, expansão, circulação, sistemas periféricos etc. “Minha memória é a minha casa, minha herança, minha paisagem. Minha cidade é onde estou.” 65
  34. 34. Jazz Sinfônica Cliente: Jazz Sinfônica São Paulo, 2006-07 Reconhecida por sua versatilida- patrocinadores e a própria Orquestra. de e grande empatia por parte do O Rico Lins +Studio foi responsável por todo o projeto público, a Orquestra Jazz Sinfônica de comunicação da Orquestra, incluindo naming, identi- se caracteriza por oferecer concer- dade visual, desenvolvimento de uniformes, anúncios e tos que combinam a formação de outros materiais de divulgação dos concertos, assina- orquestras sinfônicas e de jazz com turas etc. Para a série “Jazz Sinfônica+convidados”, convidados especiais da música po- além de um novo logotipo, foi criado um programa do pular. Quando Rico Lins foi convida- concerto, em cujo verso há impresso um cartaz. do para redesenhar sua identidade A série de cartazes, desenvolvida entre 2006 e 2007, visual, partiu-se do consenso de foi impressa digitalmente em grande formato e resul- que nada a traduziria melhor que a tou em exposições, que, no final de cada temporada, qualidade de sua programação e re- celebravam e consolidavam o trabalho da Orquestra pertório. Essa percepção evidenciou naquele ano. a necessidade de uma ação de repo- O projeto, que teve início no Museu da Imagem e do sicionamento de comunicação que Som (MIS) de São Paulo, viajou pelo Brasil, agregando reforçasse essas qualidades para os novos espetáculos da série, e terminou em Havana, seus públicos, abrangendo ouvintes, Cuba, com a exposição do total de 27 cartazes criados. 66
  35. 35. João Penca Cliente: RCA Discos Rio de Janeiro, 1985 Para a capa do primeiro disco da banda de surf music João Penca e seus Miquinhos Amestrados, Rico Lins apropriou-se da irreverência debochada do grupo em uma colagem inusitada, partindo dos elementos típicos das capas do gênero. Direção de arte: Tadeu Valério e Ronaldo Bastos 69
  36. 36. Me, Myself and Eyes Cliente: Royal College of Art Londres, 1987 Fotomontagem tridimensional criada para a série de cartões- -postais do projeto Around Dada, desenvolvido no Royal College of Art em Londres. Este autorretrato foi novamente publicado em 2009 na revista Inventa, que publicou matéria de capa com Rico Lins (ao lado). 71
  37. 37. Sentinela Cliente: The Royal College of Art Londres, 1987 No período em que estudou no Royal College of Art, Rico Lins desenvolveu inúmeras experiências com colagem, fotografia e cinema de animação. Da imagem da ratoeira com olhos desta fotomontagem tridimensional (à esquerda) foi desenvolvida uma holografia, que integrou o projeto “Around Dada”, de conclusão de curso (nesta página). 73
  38. 38. Marilyn Mouse Cliente: The New York Times Nova York, 1992 Entre 1987 e 1997 Rico Lins foi colaborador assíduo de diversas editorias do The New York Times, criando inúme- ras ilustrações editoriais, vinhetas e capas. Considerado o principal jornal diário norte-america- no, sua estrutura de produção requer a presença de um diretor de arte e um editor específico para cada seção. A maioria dos trabalhos realizados era semanalmente en- comendada pela Op-Ed Page, pelo suplemento literário Book Review e pelos cadernos regulares do jornal. A colagem ao lado, publicada em destaque na capa dominical do caderno de Arte&Entretenimento, combina ícones da cultura pop americana no formato de uma máscara. Mickey Mouse, Coca-Cola, os filmes blockbus- ters de Hollywood, a Marylin Monroe de Andy Warhol e o dólar compõem esta figura híbrida, síntese da poderosa indústria do entretenimento. Criadas analogicamente, a produção destas imagens era fruto da combinação de diversos materiais, suportes e processos. Fotografia, recortes de imprensa, fotocó- pias, fax, objetos do cotidiano, impressos comerciais e materiais tradicionais de desenho e escritório convivem nestes trabalhos. Direção de arte: Linda Brewer 75
  39. 39. Rebento Cliente: Projeto Imagem do Som Gilberto Gil São Paulo, 2000 Integrante da exposição Imagem do Som, dedicada à música de Gilberto Gil, a canção “Rebento” foi concebida como uma colagem tridimensional em grande formato. Inédita, esta imagem faz parte de uma série formada pela superposição de dois rostos anônimos, criados original- mente por Rico Lins para a Op-Ed Page do jornal The New York Times. Como esta, as ilustrações originais publica- das em preto e branco se valem de rostos recolhidos na imprensa diária em matérias sobre a questão racial. 77
  40. 40. Burocracia Nova York, 1992 No período em que morou em Nova York, Rico Lins colaborou como ilustrador de diversas publi- cações, tendo sido agenciado pela PushPin Studio por vários anos. Para ilustrar uma matéria sobre relações interpessoais nas empre- sas – sugerindo ao leitor precaução contra a burocracia, foram utiliza- dos apenas materiais presentes em escritórios: papéis para planilhas, envelopes, carimbos, grampos etc. O uso de materiais do cotidiano sempre foi uma constante em seu trabalho e é um dos temas mais frequentes nas oficinas de criação que ministra no Brasil e no exterior. 79
  41. 41. Sobre Rico Lins Designer, diretor de arte, ilustrador e educador, Rico Lins acumula extensa carreira de atividades profissionais e didáticas para instituições e empresas de destaque, tanto no cenário brasileiro como internacional. Graduou-se em desenho industrial pela ESDI-Rio em 1976 e recebeu o Diplome d’Études Approfondies em artes plásticas pela Université de Paris viii, em 1981. Em 1987, obteve o título de Master of Art pelo Royal College of Art, Londres. Atuou nos últimos 30 anos entre Paris, Londres, Nova York, Rio de Janeiro e São Paulo, em projetos para empresas como CBS Records, Time Warner, The New York Times, Newsweek, MTV, Le Monde, Centre Geor- ges Pompidou, TV Globo, Editora Abril, Zoomp, Natura, SESC, entre muitas outras. Ex-professor da School of Visual Arts de Nova York, coordenou e atual- mente é professor do Master em Graphic Design no Istituto Europeo de Design, em São Paulo. Promove palestras e workshops no Brasil e no ex- terior, como no Festival de Chaumont, Festival della Creatività Firenze, IED Barcelona, Senac e Senai, Escola Panamericana de Artes, Universidade do Livro, RevelaDesignRecife, além de um programa itinerante das chama- das oficinas de design analógico no seu estúdio e em diversas instituições. Com exposições individuais em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Caracas e Chaumont, tem participado também ativamente dos principais congressos, bienais e mostras coletivas de design em vários países, como expositor, curador e membro de júris. Tem artigos e portfólio publicados nas principais revistas e livros especia- lizados internacionais e há obras suas nas coleções permanentes de insti- tuições como o Musée d’Histoire Contemporaine, Musée de l’Affiche et de La Publicité e Bibliothèque Nationale Française, em Paris, o Pôle Graphisme de Chaumont, o Staatliches Museum für Angewandte Kunst, em Munique, e o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Recebeu, entre outros prêmios, as medalhas de ouro do NY Art Direc- tors Club e da Society of Publication Designers, o Prêmio Abril, o Design by Designers 2001 e o Merit Award do Type Directors Club em 2007. É membro do Comitê de Notáveis da Escola Panamericana de Artes, São Paulo, e desde 1997 integra a AGI – Alliance Graphique Internationale. 81
  42. 42. FONTES Din PAPEL offset IMPRESSÃO offset 4 cores GRÁFICA Ricargraf

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