Discurso do Assessor de Diversidade Sexual de Goiânia Adrano Ferreto.

  • 262 views
Uploaded on

Discurso do Assessor de Diversidade Sexual de Goiânia Adrano Ferreto no Lançamento da Assessoria LGBTT.

Discurso do Assessor de Diversidade Sexual de Goiânia Adrano Ferreto no Lançamento da Assessoria LGBTT.

More in: News & Politics
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
262
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1

Actions

Shares
Downloads
0
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. 1Discurso proferido pelo Assessor Especial de Assuntos da Diversidade Sexual doMunicípio de Goiânia – Goiás, Adriano Ferreto.Lançamento da Assessoria dia 12 de abril de 2013.Paço Municipal.Bom dia a todas e todos, quero cumprimentar a mesa na pessoa da Vereadora CristinaLopes, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Goiânia ea plenária na pessoa da companheira ativista Rafaela Damasceno.Agradecer a todas e todos presente nesse momento histórico para a cidade deGoiânia.O Movimento Homossexual Brasileiro não é uma entidade, não é um órgão. Trata-sede uma série de manifestações sócio-político-culturais em favor do reconhecimento dadiversidade sexual, e pela promoção dos interesses de homotransexuais diante dasociedade brasileira. O movimento em si não tem uma data de início específica, mas asmanifestações contra o preconceito que se exercia contra as pessoas homotransexuaispodem ser sentidas da década de 40 para cá, com especial ênfase a partir da décadade setenta, depois da abertura política. Há pouco mais de três décadas lésbicas, gays,bissexuais, travestis e transexuais do país decidiram “sair do armário” para formar ummovimento organizado, cuja agenda está focada em assegurar suas identidades, seusdireitos e garantias civis fundamentais. E, para o grupo LGBT, vencer a resistênciaconservadora estava longe de ser uma tarefa simples. Do movimento homossexual aoLGBT, dos anos 70 até hoje os homossexuais do Brasil e do mundo percorreram umcaminho árduo.Em 1973, a homossexualidade deixou de ser vista como um distúrbio pela AssociaçãoAmericana de Psiquiatria e, ao mesmo tempo, foi excluída do Código Internacional deDoenças (CID).No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou ahomossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Na época, a OMS deu asentença que marcaria apenas o início de uma longa jornada contra o preconceito: “ahomossexualidade não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão”. Quatro anosdepois, a nova classificação foi adotada por todos os países membros das NaçõesUnidas.As primeiras manifestações desses movimentos hoje conhecidas como Parada doOrgulho LGBT, levam a cada ano milhares de ativistas e simpatizantes às ruas, numcolorido que mobiliza opiniões e atitudes, fortalecendo-se através de redes nacionais,e de grupos locais e simpatizantes.Entretanto, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais ainda sofrem umainfinidade de preconceitos em seu dia a dia. Para se ter uma ideia, ainda tramita noSenado Federal, o Projeto de Lei Complementar 122 que considera crime os atos dehomofobia.LGBTT’s são mais de 10% da população mundial; no Brasil, são mais de 18 milhões. Nosúltimos 20 anos, mais de 2 mil e 500 homossexuais foram executados, vítimas da
  • 2. 2intolerância à homossexualidade (homofobia), onde o ódio da homossexualidade semanifesta através de requintes de crueldade como são praticados tais homicídios:dezenas de tiros ou facadas, morte a pontapés, pedradas, afixamento, pauladas,enforcamento, empalamentos, uso de múltiplas armas, tortura prévia, declaração doassassino “matei porque odeio viado!”. Dentre as vítimas, 72% foi por conta daorientação sexual e 25% identidade de gênero.Segundo pesquisa do GGB (Grupo Gay da Bahia), a média geral é que a cada três diasum crime de ódio contra homossexuais é praticado no país. Com mais de 200assassinatos por ano, o Brasil ocupa o primeiro lugar numa lista de 25 países onde osdados estão disponíveis, o que mostra uma população homofóbica.A Homotransfobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos/pelashomotransexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medode elas próprias serem homotransexuais ou de que os outros pensem que o são. Otermo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entrepessoas do mesmo sexo e/ou identidade de gênero, um ódio generalizado aoshomotransexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e dadiscriminação anti-homotransexual.A homossexualidade não é vista como uma opção sexual, e sim como orientaçãosexual, assim como a travestilidade e transexualidade são identidade de gênero e quedevem ser respeitados.Este público ainda é bastante fragilizado e invisível perante uma parte da sociedade eprecisa de ajuda. A sociedade tem que respeitar os direitos de cada pessoa.Vale ressaltar que essa realidade sofrida começa a ser mudada a partir do GovernoLula, que colocou o tema em debate e convocou a sociedade para debater na 1ªConferência Nacional LGBTT.Já no Governo Dilma, a presidenta realizou a 2ª conferência Nacional, de onde saíramresoluções que hoje são base para a implementação de políticas públicas voltadas paraa população LGBTT. Através da Ministra Maria do Rosário, a Secretaria Nacional deDireitos Humanos tem desenvolvido parcerias com governos estaduais e municipaispara o combate a homotransfobia e pela plena cidadania LGBTT.Com uma visão futurista, respeitosa e comprometida, o prefeito Paulo Garcia nosconvoca para fazer o Assessoramento Especial de Assuntos da Diversidade Sexual. Acobrança do prefeito é que toda a prefeitura trabalhe para garantir a dignidadehumana, independente de sua cor, sexo, etnia, origem, orientação sexual, identidadede gênero, condição social, escolaridade e credo religioso. Para o prefeito PauloGarcia, é função de todo/toda servidor/servidora público respeitar o ser humano egarantir a cidadania e o acesso digno aos serviços públicos.Com uma sensibilidade de médico e de preocupação com a vida, o Prefeito PauloGarcia abre um espaço institucional para a implementação de políticas públicas para acomunidade LGBTT. Agora o trabalho será iniciado, temos um grande desafio, nosunirmos para um bem comum, deixarmos as diferenças de lado e darmos as mãos paraque consigamos construir uma Assessoria forte e que tenha o seu peso político. Vidasdependem do nosso trabalho e por isso a cobrança é natural, cabe a nós todos e todas,trabalhar para que adolescentes, jovens, adultos e idosos LGBTT’s tenham vida e vida
  • 3. 3com dignidade. Segundo pesquisa informal da UNICAMP, cerca de 3 adolescentescometem suicídio por dia no Brasil, segundo a pesquisa, da se conta que pelo menos80% é por conta de conflitos da sexualidade, e quem passou por isso, sabe como édifícil enfrentar a homotransfobia dentro de casa, na escola, nas igrejas e nas ruas.Cuidemos mais dos nossos/das nossas adolescentes.Por fim, é bom lembrar a falta de apoio histórico ao movimento LGBTT em Goiânia eem Goiás, as poucas ONG’s que existem, só existem por conta da competência edeterminação de seus presidentes e auxiliares. Com isso, a Prefeitura de Goiâniamostra que essa historia vai mudar, saindo na frente de milhares de municípiosbrasileiros, Goiânia hoje dá um passo histórico.Por fim não poderia eu deixar de agradecer as pessoas e entidades que estão aquipresentes, muito menos aquelas que lutaram décadas para que hoje pudéssemosconquistar essa batalha, lembrando que a luta continua e agora mais unidos do quenunca temos certeza que um mundo melhor nos espera.A luta de companheiros e companheiras como Marco Aurélio de Oliveira querepresenta aqueles que iniciaram a luta pela garantia de direitos LGBTT’s e que agoracom uma expansão de entidades não governamentais, de igrejas inclusivas e com acriação do Conselho Estadual LGBTT que tivemos Beth Fernandes como presidenta eagora é presidido pelo Pastor Edson Santana.Nossa luta conta ainda com a ajuda e apoio de religiosos de vários credos, em especialo povo de Santo, nossa luta é fortalecida pelas feministas e por negros e negras quetambém sabem o que é enfrentar o preconceito e discriminação.Agradecer especialmente o poder legislativo dessa capital, os vereadores: XXXXX, queaqui se faz presente e que já abriram as portas de seus mandatos para que acomunidade LGBTT tenha acesso a proteção do estado.Agradecer aos Secretários e Secretárias municipais que já nos procuram pra quepossamos fechar parcerias de trabalho. Quero agradecer especialmente o Secretáriodo Governo Municipal Professor Osmar Magalhães, meu superior imediato, que comuma frase sintetizou nosso desafio à frente da Assessoria “temos que vencer opreconceito em nós mesmos”, ele já garantiu que não medirá esforços para o sucessodessa Assessoria.Pra finalizar, agradecer a minha família, aos de sangue e aos que meu coraçãoescolheu, sem vocês não teria chegado até aqui.Agradecer a confiança de cada um de vocês, as ONG’s, aos povos de Santo, as IgrejasInclusivas, ao Movimento de Igualdade Racial, ao Movimento Feminista, aos Sindicatose Associações, agradecer ao Prefeito Paulo Garcia e também minha querida DeputadaFederal Marina Sant’anna.Não vou finalizar sem fazer duas citações, a secretária Municipal de Igualdade Racial aProfessora Ana Rita, não existe palavras que descrevam o carinho que todos nós domovimento LGBTT tem pela senhora, sua luta, militância pela igualdade e pelo respeitosimplesmente transcende muito além do plano humano, você é nossa mãe, que luta,que chora, que defende, e mostra a frente da Secretaria Municipal de Igualdade Racialo seu comprometimento com o ser humano. Ainda nesse mesmo patamar, saibamosque chegamos aqui pela contribuição incisiva do Deputado Estadual Mauro Rubem,
  • 4. 4homem esse que eu admiro e sigo como exemplo, que arrisca a própria vida pradenunciar as violações aos direitos humanos. A luta pela dignidade e pela cidadaniateria uma historia diferente, não fosse a participação desse grande deputado queeleito mais uma vez como o deputado mais influente do estado de Goiás. É um orgulhopoder dizer que tenho um amigo no nível de Mauro Rubem.Muito obrigado a todas e todos.