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  • 1. ALEGUÁ ... GUÁ ...GUÁ PAULISTANO ! Com o tempo nossas lembranças vão pouco a pouco esmaecendo e ,devagarzinho... bem devagarzinho , começam a desaparecer. Existem muitashoras de viver e sentir agitar as coisas da vida . Existem apenas poucosmomentos para lembra-las . Mesmo porque , quando realmente a velhicechegar, não teremos certeza que a memória estará em condições pararealmente lembrar todos aqueles bons ou maus momentos vividos . Assim sendo , neste relato estarei contando , além de fatos de minhavida , estórias e casos , ocorridos comigo e com nossos companheiros do ClubAthletico Paulistano . Eles , todos meus amigos , foram e traduzem , desdeminha infância , uma convivência muito feliz em minha vida . Muitos casos são alegres . Alguns tristes . Será na realidade , dentrodeste meu relato e antes de mais nada , minha homenagem para os amigos quejá nos deixaram . Eles farão sempre parte da nossa “Turma do Paulistano” Aqui estarei revivendo momentos fraternos que nos marcaram . Saudades dos irmãos do Paulistano que já se foram : Caio Marcelo Kiehl, Luiz Carlos Junqueira Franco, LuizVicente de Sylos, César Affonseca , Pedro Magalhães Padilha, PauloRibeiro, “Kico” Campassi , Silvio Abreu Jr. , Luiz Fernando Ribeiro daSilva, Armando Salem, Mario Ottobrini, Roberto Claro, Sérgio Machadode Lucca, Osvaldo Doria, Antonio Ciampolini, Caio Pompeu de Toledo,“Jujuba” Moreira da Costa, Roberto Matarazzo, Antonio Duva Neto,“Hélinho”Fuganti, Manoel Leal Mendes, Candido Cavalcanti,“Zequinha”Almeida Prado, “Paulão”Viana, Albano de Azevedo e Souza,José Tambelini , Luiz “Veludo”Pompeu de Toledo, Mario Fix, WallinhoSimonsen, Fernando Simonsen, Paulinho Fleury, Adhemar Zacarias,Godofredo Viana, José Cavalieri, Amedeo Papa, Carlos Dacache, RubensLimongi França, Gilberto Marcondes Trigo, Deoclides Brito, FernandoPondé, Ayrton Baccelar, Mario Guisalberti, Claudio “Ratão”Fagundes ,João Balbi Campos , Antonio Rabello, Fernando Botelho de Miranda. Todos eles nos deixaram , alguns muito cedo , no auge de tudo quea vida poderia lhes proporcionar de melhor . Hoje , no final das tardes de verão , quando o céu fica bem vermelhocom muitas nuvens brancas , mostrando então as nossas cores , sinto a brisaque traz , lá de cima , nosso canto de guerra : “Aleguá ... guá ...guá , Paulistano ... Paulistano ... ! ” Longe ... bem lá longe ... , eles ainda estão torcendo por nós . Edu Marcondes
  • 2. “ TSUNAMI ” Edu MarcondesViagem para Sri Lanka /Ceilão – Andando nos “Tuc-Tuc”- Chegada doTsunami – Muita Destruição - Fuga para Mosteiro Budista / Colombo –A Caminho das Montanhas / Seguiria – Mudança Temporária deFilosofia Paula nos surpreendeu em nossa viagem para a China . Logoanunciou que iríamos passar o Natal e Ano Novo em Sri Lanka . Estaríamosainda visitando sua amiga Sharlene , em sua casa na Praia de Bentota . A viagem para o Ceilão foi rápida e gostosa , apesar de pequenoproblema com o visto de embarque para lá . Chegamos pelo anoitecer e fomos direto para uma Casa Colonialinglesa . Ela é muito antiga e bonita . Fomos logo depois para a Ceia de Natalque iria acontecer na casa de Sharlene . Tudo aquela noite foi muito agradável. O outro dia , aquela manhã de 26 de Dezembro de 2004amanheceu muito bonita na praia de Ambentota - Sri Lanka , com céu azulmuito límpido e suave brisa vinda do mar . Naquele mesmo dia meu pai estaria comemorando 100 anos .Rezei pela sua alma e pedi sua benção . Por volta das nove horas tomei um suco de laranja e fui levarminha filha Paula até a praia . Ela ficava logo em frente da Casa Colonial , emseguida de um grande coqueiral existente . Íamos em busca de meu netinho Lucca e de Vera Lucia . Nãosabia perfeitamente onde estavam . Eles tinham ido logo cedo fazer castelosna areia . Contudo não seria difícil encontra-los pois as praias ali eramfreqüentadas normalmente por poucas pessoas . Aqueles dias nas praias do antigo Ceilão seriam o fecho de ouropara aquelas maravilhosas férias que Paula e Mark nos estavamproporcionando . Havíamos estado antes por vários lugares da China . Quando começávamos voltar da praia ainda não sabíamos , nemtínhamos a menor idéia , mas naquela hora “ Ele” – o Tsunami ,silenciosamente , já estava a caminho do litoral de Sri Lanka . Aquelas ondasgigantes iriam trazer muita destruição . Muita desolação . Muita tristeza . Entretanto , como o homem põe mas Deus dispõe , por nossasorte havíamos sido convidados para aperitivos e almoço na nova casa deSharlene . Ela era amiga de Paula desde o tempo em que minha filha morouem Cingapura .
  • 3. Não ficaríamos muito mais tempo naquela praia onde entãoestávamos . Assim sendo , depois de meia hora , já estávamos na casacolonial trazendo meu netinho de 2 anos e Vera Lúcia . Para não atrasarmos ao encontro , rapidamente fomos tomarbanho e trocar de roupa . Roupa leve pois o calor era grande . Já estavachegando a hora de irmos para a casa de Sharlene . Andando nos “Tuc- Tuc” . Pouco tempo depois chegaram os dois pequeninos veículos ,denominados localmente de “Tuc –Tuc”, que meu genro Mark chamara . Ele , Paula e Lucca , como ficaram prontos primeiro , saíramprimeiro , logo em seguida . Vera Lucia , para variar , havia se atrasado umpouco , por isso sairíamos logo depois . Eu gostava de andar naquelepequenino triciclo , com motor de motocicleta , muito comum em todas asregiões do Oceano Índico . O nome “Tuc –Tuc” vinha do barulho que faziaseu motor . Para chegarmos até a nova casa de Sharlene levaríamos 10minutos . Ela fora construída , com mais outras duas , formando uma pequenavila , logo mais adiante , na mesma praia de Ambentota . As três residênciasformavam um belo conjunto , coroado com uma longa piscina situada em umjardim em frente as casas e com bonita vista para o mar azul . O lugar era além do mais muito agradável , cheio de altíssimoscoqueiros que davam diferentes e bonitos cocos , de casca inteiramenteamarela , típicos de toda Sri Lanka . Também no jardim não faltavam esquilosde rabo peludo , muito comuns naquela região . A casa ainda não estavainteiramente pronta pois faltavam alguns detalhes em sua decoração . Lembrava então que ali , no dia anterior , em grupo composto por26 pessoas , algumas locais e outras oriundas da Austrália , Nova Zelândia ,Gran Bretanha e Brasil , tivéramos um agradável almoço de Natal . Naquele grupo estavam ainda os pais , tios , o irmão de Sharlenecom sua namorada . Quase todos presentes eram amigos desde alguns anospois se conheciam de Cingapura . Gostavam de Paula e nos tratavam comsimpatia . Naquele anoitecer natalino , vendo tanta gente , lembrei e sentifalta de meus pais e parentes falecidos . Rezei por eles . Agora , ainda dentro do “Tuc-Tuc” , quando estávamos quasechegando , após uma pequena curva naquela estrada que contornava a praia ,para surpresa nossa encontramos um trecho da estreita rodovia inteiramente
  • 4. molhado . Molhado e muito bem molhado por todos os lados . A águaremanescente na estrada brilhava ao sol como milhares de diamantes . Estranhamos muito pois não existia a menor possibilidade dehaver chovido . O céu continuava límpido e totalmente azul . Muito azul . Logo depois vi ajuntamento de pessoas . Vi gente correndo masnão dei muita importância . Já estávamos chegado e eu separava as “rúpias”para pagar a corrida no “Tuc –Tuc”. Vera brincou dizendo que ali realmente aestrada fora bem lavada . Inteiramente muito bem lavada com muita água . Sem saber estávamos passando pelo local onde a primeira onda“Tsunami” havia atingido aquele litoral . Ela adentrara pela praia , passara porcima da estrada e atingira a mata do outro lado . Isto aconteceu , pois ali ,naquele trecho , o relevo da praia local era realmente muito baixo , não tendomais de dois metros de altura entre o piso da estrada e o preamar , ou seja : deonde as ondas normalmente se quebram na praia e aquele trecho da estrada . Chegada do Tsunami Pouco depois o “Tuc-Tuc” parou e paguei motorista . Quandocomeçamos entrar na casa percebi , olhando para o jardim e para o mar , quealgo inusitado acontecia . A larga faixa da praia já havia desaparecido em todasua extensão , debaixo de enormes e fortes ondas que o mar estava trazendo .Elas , fazendo muita espuma , estavam agora começando entrar pelo jardim . Uma segunda grande onda , muito forte , bateu na cerca da casalogo depois. Agora o mar , no seu violento recuo , estava levando com seurepuxo um barco de pesca (e ele não era pequeno ) que ainda ontem servira decenário para fotos que tiráramos naquele por do sol . A larga praia deAmbentota estava momentaneamente inteiramente desaparecida . Fiqueipreocupado . Nunca tinha visto aquele tipo de maré em tantos anos quepassara em praias . Rapidamente fomos do jardim para casa . Ainda deu para tiraralgumas fotos , pois logo depois mais outra onda enorme já atingia o terraço ecobria a piscina com violência incrível . Ainda ontem eu brincara ali com Lucca . A piscina subitamenteficou escura , coberta de água e areia , com toda sujeira que o mar trouxe . Asondas agora tinham de tudo : paus , cocos , plásticos e toda espécie de coisasencontradas nas praias . Tudo surgia e desaparecia dentro da força das ondas ,o que já era assustador . Mais assustador era o forte barulho que faziam .Naquele momento aquelas ondas praticamente já elevaram todo o mar parauma altura de mais três metros . Iriam elevar ainda mais .
  • 5. Percebi que as próximas ondas deveriam certamente invadir aparte térrea da casa . Todos que estavam no lado de fora da casa correrampara dentro . As mulheres e crianças passaram rapidamente para o andarsuperior . Ainda vi quando Vera , Paula e Lucca subiam a escada juntamentecom a babá Cora . Logo em seguida a onda que chegou molhou o piso detodas as salas . Ainda lavou meus pés com força . Alguns dos amigos queriam então fechar as grandes portas quedavam para o terraço e jardim . Falei que seria um grande risco pois elas nãoresistiriam a força do mar . Naquele momento fui voto vencido e as portasforam fechadas . Assim ficaram apenas por alguns rápidos momentos . A nova grande onda chegou bem alta , com mais de quatrometros de altura , bateu violentamente e simplesmente arrancou todas portasde seus batentes e as jogou contra nós . Por sorte ninguém foi atingidofrontalmente . Mas sofremos pequenos ferimentos . Eu machuquei as pernas .Com as ondas ainda vinham toda espécie de paus e cocos que a força do martrazia . Batiam com violência e poderiam ferir seriamente . Os homens começavam agora subir para o andar superior ,quando uma mais alta e mais forte daquelas ondas atingiu as paredes da casa .Eu , o pai e o tio Willie de Sharlene , éramos os últimos na parte de baixo evimos quando todos aqueles grandes e fortes vidros , que formavam parte dasparedes externas , foram simplesmente estraçalhados por aquela onda . Agora até o chão passara a ser perigoso com tantos cacosespalhados . A água do mar já cobria nossas pernas naquele momento . Cairpor ali era risco sério . Quando eu estava começando subir a escada , com tio Willie logoatrás , mais uma onda nos atingiu . Logo em seguida senti que seu repuxo eramuito forte . Puxava realmente .Tive de fazer alguma força para nãoescorregar e cair . Chegando ao segundo piso minha primeira preocupação foiverificar como estavam todos os meus . Lucca meu neto estava tranqüilo comsua babá Cora , tendo Paula ao lado . Tinha nas mãos o carrinho que sobrarade sua coleção que o mar já levara . Mark Browning , meu genro ,demonstrava alguma preocupação . Paula que sempre foi destemida e muitoforte tentava animar as pessoas . Vera Lúcia apesar de durona estavapreocupada e rindo dizia : - “ Que tristeza , viajar tanto para vir morrer longede casa , neste fim de mundo”.
  • 6. Respondi que nada iria acontecer . Fiquei parado por algunsmomentos pensando o que poderia fazer para salvar o meu pessoal . Chequei aconclusão que seria pouco . Muito pouco mesmo . “Tsunami” passou Somente tive certeza de que nada nos iria acontecer quandocheguei ao terraço superior e olhando para o mar percebi que naquelemomento , rapidamente , da mesma forma como subiu , ele começava abaixar . Realmente tudo estava acontecendo muito velozmente . Não haviademorado mais de 15 minutos. Respirei aliviado e comentei o fato com oaustraliano Mickey . Ele concordou , suspirou e depois sorriu demoradamente,levantando o polegar direito . Pouco depois o mar realmente baixava para níveis praticamentenormais . Descemos e fomos desobstruir a porta de entrada que ficava junto aojardim . Tudo que o mar trouxera de lixo , mais as pesadas espreguiçadeiras demadeira massiça do terraço , estava agora empilhado junto a porta da rua.Tinha tanta sujeira que nem sonhando dava para saber de onde veio. Paula chegou . Vinha contar as noticias que ouvira no radio : _ -“Um terremoto de enorme proporção , com mais de nove pontos na EscalaRichter , ocorrera perto de Sumatra tendo uma larga extensão , precisamenteentre as ilhas Andaman e Nicobar . Foi seguido de vários outros terremotosmenores . Com isto ocorreu um gigantesco deslocamento no solo marítimo e aformação das ondas enormes – “Tsunamis” - que alcançaram mais de 10metros de altura na sua linha de frente ao atingirem as praias . Elas avançarampor todo o Oceano Indico na velocidade aproximada de 900 km/hora , paradepois fazer grandes destruições na Indonésia , Tailândia , Índia , Paquistão ,Myanmar e Sri Lanka . Ainda agora naquele local perto de Sumatra estavamocorrendo outros terremotos de menor intensidade” . Contou que , como nossa praia não ficava na linha principal deavanço das ondas , pois se situava do outro lado da ilha , fomos atingidos commenor violência e menor intensidade pela “Tsunami” . Por isto , apesar dosusto e do banho , estávamos ainda vivos . O grande impacto das ondasenormes , com mais de 10 metros de altura , somente atingira Sri Lanka pelooutro lado da ilha , ou seja lado Leste . Ali o numero de mortos era enorme ea destruição indescritível .
  • 7. Fugas Para : Mosteiro – Colombo - Seguiria Mesmo havendo passado aqueles momentos de grande perigocontinuávamos muito preocupados , pois poderia ainda ocorrer , comoresultado dos seguidos terremotos , novo maremoto , nova “Tsunami” .Naquele momento não dava para saber com certeza o que poderia acontecer .Alem do mais estávamos em plena Lua Cheia , quando as marés são maisfortes . A chegada de uma nova “Tsunami” poderia ser fatal . Ficou resolvido que imediatamente , pois não tínhamos maioresinformações e opções , deveríamos seguir para um lugar alto , para um templobudista existente nas imediações de onde estávamos . Ele se localizava em ummorro com mais de 60 metros de altura . Ali o perigo poderia ser menor . Todas 26 pessoas amigas foram colocadas em duas peruas que seencontravam na casa . Não me pergunte como . Era o jeito . No caminho já deu para ver um pouco da destruição que a“Tsunami” provocara . Casas mais simples destroçadas , pontes deslocadasassim como o leito da estrada de ferro , animais mortos , florestas destruídas,muito lixo esparramado , barcos jogados no meio da estrada , ônibus e carrosvirados . Alem do mais tinha muita água brilhando ao sol por todos os lados .Não vimos naquele momento , mas sabíamos de muitas pessoas mortas . Tudodebaixo de contrastante e maravilhoso céu azul . Meia hora depois já estávamos nas áreas daquele templo. Todosdemonstrando muita preocupação . Fomos recebidos pelo Lama e seusdiscípulos . Foram gentis e até ofereceram almoço , típico budista , com muitapimenta , legumes e verduras cozidas . Então cada um comentava de seu modo o acontecido e asconseqüências . Os meninos dos australianos Mickey e Moi lamentavam seussapatos que foram levados naquelas ondas . Lucca falava da perda de seuscarrinhos . Sharlene não reclamava dos danos sofridos na casa , apenas repetiaque aquilo jamais havia acontecido antes . Tio Willie falava das portas ecuidava de cortes nas pernas . Paula animava os amigos .Vera Luciaestranhamente não falava nada . Vi nos seus olhos transparecer o perigo.Todos comentavam que tivéramos sorte. Muita sorte até aquele momento . Naquele local cheio de silencio e próprio para meditação comeceicom muita calma analisar nossa situação . Cheguei a conclusão que tivéramosrealmente muita , mas muita sorte mesmo , graças a Deus . Primeiro – Porque Vera Lucia e meu neto Lucca escaparam demorrer na praia quando da chegada da Tsunami . Ela ocorreu por volta das
  • 8. 11,45 , apenas uma hora e pouco depois que eles saíram da praia . Foramsalvos por causa do almoço marcado com Sharlene ; Segundo – Se a Tsunami nos tivesse alcançado na estrada não seio que poderia acontecer .Os “Tuc- Tuc”não agüentariam o impacto das ondas ; Terceiro – A casa , bem construída , era bastante alta e resistente,suportando as ondas que atingiram mais de 4 metros e meio de altura ; Quarto – A casa tinha um andar superior e não ficamosinteiramente expostos a força das ondas . Apenas sua parte térrea foi atingida ,ficando destruída e inundada . Se a casa fosse somente térrea provavelmenteas conseqüências seriam outras , imprevisíveis e provavelmente terríveis ; Quinto – O mais importante . Estávamos , por muita sorte , dolado bom da ilha onde as ondas foram muito menores . Graças a Deus ! No meio da tarde chegaram mais noticias contando asdevastações ocorridas em todo Oceano Indico . O numero de mortos cresciaassustadoramente a cada instante . A enorme ilha de Sumatra havia sedeslocado 40 metros . O eixo da terra fora ligeiramente alterado . Soubemostambém que a capital Colombo , por sorte em sua localização , fora da frentedas grandes ondas e pela altura de suas praias , não fora atingida . Que a casacolonial onde estávamos hospedados também ficara fora da destruição , pois olocal onde estava situada era bem mais alto que as ondas formadas pela“Tsunami” . Elas atingiram a praia com violência , sem chegar até a casa . Depois de alguma conversa ficou resolvido que iríamos paraColombo . Não ficaríamos na praia de Ambentota pois poderia existir maisproblemas advindos dos terremotos continuados . Naquele instante ficavaclaro que nossa maior preocupação era fugir de novas e possíveis “Tsunamis”. Ficou acertado que primeiro passaríamos na casa colonial parapegar nossas malas . Dali seguiríamos para Colombo onde os parentes deSharlene nos dariam hospedagem . Depois , de acordo com o planejadoinicialmente para nossa viagem , iríamos para um Spa Budista , pertencente aoirmão de Sharlene . Ele se situava bem alto nas montanhas , dentro de umafazenda , no caminho para dois bonitos lugares turísticos denominadosMassalla e Segyria . Lá ficaríamos uma semana , até o dia para nosso vôo deregresso . O dito foi feito e pouco depois já estávamos na casa colonialpegando malas e aguardando condução . Esta inicialmente chegou em numeroinsuficiente . Ficou acertado que primeiro seguiriam as crianças com suasmães . Vera Lucia foi com elas . Todos continuavam temendo a possibilidadede outra “Tsunami”. A espera era angustiante .
  • 9. Saímos logo depois para uma viagem que levou quase 5 horasmas que normalmente poderia ser feita em apenas duas . O receio de novasondas gigantes fez que muita gente se afastasse da costa . O transito ficoupesado . Parecia filme de terror . Gente correndo para todos os lados commedo das Tsunamis . Pior era a dificuldade para encontrarmos combustível.Nos postos de gasolina haviam filas de carros para abastecimento . E a todoinstante existia a expectativa de surgir nova onda gigante . Ansiedade pairavano ar em cada momento . Aquela sensação e a expectativa eram terríveis . Depois de muitas paradas em postos vazios conseguimos gasolinae finalmente , durante a noite , chegamos em Colombo . Foi um alivio ! Felizmente o grande receio de uma nova Tsunami que nospoderia pegar nas estradas não ocorreu . Infelizmente tivemos grande tristeza ao tomarmos conhecimentodas muitas mortes e assistindo a destruição ocorrida . A televisão mostravafotos , filmes e noticiário sobre a Tsunami . Localidades cingalesas comoGalle , Matara , Kalmunai , Samanturai e Marindu apresentavam grandesperdas humanas e enormes devastações . Também chegavam noticias dasmortes ocorridas em todos paises do Indico . Naquele momento já se falavaem mais de 100.000 mortos . Meu calculo foi que as perdas humanas alcançariam no mínimomeio milhão , pois seria impossível saber realmente o numero dedesaparecidos e quantos ficariam para sempre dentro do mar . Soubemos que os corpos dos mortos eram fotografados , tiradassuas impressões digitais e em seguida enterrados em covas comuns . Era ojeito de evitar epidemias . A CAMINHO DAS MONTANHAS Preocupada com o que poderia ser visto no amanhã seguinte , viatelevisões , minha filha Paula Marcondes ligou para minha irmã Marisa .Falou que todos nós estávamos bem , pedindo ainda que fossem informadosparentes , amigos e os filhos de Vera Lucia . No dia seguinte , fomos para o Spa Budista . No caminho cruzamos com vários comboios de caminhões desocorro portando bandeiras da Cruz Vermelha . Três horas depois estávamos chegando , sem maiores problemas.O Spa era tipicamente budista , na construção e conceito . Ali os dias iriam passar e as noticias sobre o número de perdashumanas crescer. Ficávamos sabendo de tudo pelos jornais que chegavam aténós com a vinda dos novos hospedes . Lendo o noticiário soubemos da sorte
  • 10. de alguns e do azar de outros . Fatos incríveis ocorreram , salvando oumatando pessoas . As fotos nos jornais eram impressionantes. Nos obrigavama pensar seguidamente sobre aquela tragédia acontecida a beira mar . Segundo alguns geólogos , todo ocorrido com as “Tsunamis”seria uma reação da terra . A teoria se baseava no fato de que a causa principalestaria no calor gerado no mundo pela queima excessiva de petróleo.Aumentando a temperatura , em muito , destruía parte da camada de ozônio . Assim desprotegida , pelo calor gerado e graças aos raios ultra-violeta e outros mais que bombardeam a esfera terrestre com mais intensidade,ocorrem contínuos degelos diretos nas calotas do Pólo Norte e da Antártica .O gelo vinha e vem se transformando em água que corre para o mar . Ospólos perdiam peso seguidamente . Sem o peso normal concentrado nascalotas polares diminuía a pressão no interior da Terra . Desta forma ascamadas internas do planeta tenderiam a novos ajustamentos . Daípossivelmente os terremotos . Eles poderiam ser agora mais contínuos efreqüentes . Aproveitamos todos aqueles dias para descansar , passear eprincipalmente meditar sobre o ocorrido . Era impossível esquecer . Mudança Temporária de Filosofia O lugar ali , naquela parte alta de Sri-Lanka , é lindo , commuitas flores , um grande lago e uma majestosa montanha ao fundo . Ali nãonada de modernidade . Não havia eletricidade , telefone , televisão, radio ,água quente encanada , gelo e nenhum outro conforto moderno. A pouca luzpara as noites vinha de pequenas e românticas lamparinas. Por ali tiveoportunidade de ficar e passear mais alguns dias com meu neto Lucca . A comida , sem nenhum prato oriundo de peixe ou carne dequalquer tipo , era bem apimentada , farta e servida em terrinas colocadas emgrandes esteiras que ficavam no chão , em um lindo local coberto e cercadopor muitas plantas e flores . Lembro que lá dentro existiam inúmeras econfortáveis almofadas . Bebida era limonada ou suco de lima . No início detestei aquela total simplicidade . Entretanto , bemrapidamente , senti os benefícios de uma vida realmente muito mais simples . Comecei , apesar das dificuldades , a gozar de uma imensa paz . Enquanto aguardávamos o dia marcado para pegarmos o avião devolta , vivendo uma vida bem simples , deu para verificar quantas são asmuitas bobagens que hoje fazemos , inteiramente desnecessárias . A sociedademoderna , apegada as coisas materiais , perdeu completamente o senso dovalor intrínseco de cada bem . Cada vez mais precisa de coisas completamente
  • 11. inúteis , que no final só irão atrapalhar pessoas , algumas por excesso , outraspela falta. Irão causar grandes frustrações . Tudo inteiramente desnecessário . Pela primeira vez passei um “reveillon” na maior tranqüilidade ,sem luxo nem ostentação , mas sentindo a grande alegria por ter ao meu ladoPaula , Mark e Vera Lucia . Alem do mais estava sentindo e vendo o sorrisofeliz de meu neto Lucca Marcondes - Browning – minha continuidade . Dias depois , quando no avião de volta para Hong Kong ,VeraLucia Costa comentando a “Tsunami” que enfrentáramos , disse que não haviachegado nossa hora . “Que só peru morre de véspera ... Que tudo está escrito,“Mactube” – como dizem os árabes . Que tudo é só destino”. Ouvi e depois fiquei pensando quantas vezes eu já estiverarealmente em perigo de vida . Lembrei que já tinha sofrido naufrágio ,desabamento de cinema , batida com destruição total de carro , choque elétricode alta voltagem , tiro nas costas . Levei até tiro na cabeça. Recordei que segundo a lenda , como um gato , por sete vezes ,eu ficara frente a frente com a morte . E nada de muito mal me aconteceu . Saisempre com vida . “ Mactube ” ? Não sei ... Sei que agora preciso tomar muito cuidado , pois após a“Tsunami” não tenho mais novas vidas de reserva . As setes já se tinham ido . 2 Edu Marcondes – 02/2005 P.S. - Dificilmente alguém que esteve presente , dentro realmente de uma “Tsunami”, terá esta oportunidade de escrever testemunhando todos aqueles fatos . Por esta razão , para que o ocorrido não possa virar mais uma “Pagina Esmaecida ”, deixo aqui meu depoimento .
  • 12. VIAGENS COM AS FILHAS - EUROPA / ÁSIA Edu MarcondesLondres – Silverstone – Menorca – Um Italiano em Menorca – Sono...muito Sono - Jersey – Lembrança da Guerra / Diferente em Jersey – OCasamento de Paula Não haviam passados três meses depois de minha volta de SryLanka , onde estive as voltas com a “Tsunami” , quando recebi ligação deLondres . Ali era onde agora estavam Javier , Alexandra e meu neto Lorenzo .Eles residiam temporariamente na Inglaterra , pois o “Santander” haviaadquirido o controle acionário do tradicional “Banco Abey” da Inglaterra. Junto com a cúpula espanhola Javier estava trabalhando para suadevida incorporação no grupo Santander . O motivo daquele telefonema era convite de Javier para que eufosse passar as férias de Julho, em Menorca , junto com Alexandra e Lorenzo.Iria conhecer a casa que eles haviam comprado , em um lindo condomínionaquela ilha . Javier explicou que ele somente poderia ir nos fins de semana ,pois estava com muitos compromissos e obrigações em Londres . Eles nãopoderiam ser adiados durante aquelas semanas de Julho . Antes disso ele desejava que eu fosse primeiramente passar algunsdias na sua casa de Londres .Teria oportunidade de ir assistir com eles a“Corrida de Formula I em Silverstone” . Ele gosta de “carreras” e é fanáticopelo Fernando Alonso.Sabe que eu também gosto daquele piloto espanhol. Enquanto me preparava para a viagem falei com minha irmãcontando do convite . Dias depois Paula ligou . Então aconteceu outra surpresa . Eu ,naquele momento , estava sendo convidado para ir à Jersey, onde Paula eMark iriam se casar , agora no religioso . Jersey era onde Mark nascera eonde residiam seus pais , Francis e Jimmy , e ainda seus irmãos . Isto aconteceria quando eu estaria voltando de Menorca . Acheiótimo . Também ganharia aquelas passagens . Aceitei o convite . Claro ! Não faltaria por nada naquele casamento . . No dia da viagem , bem na hora de partida , lembrei que não tinha oendereço de Xanda em Londres . Liguei . Por sorte ela estava em casa . O talendereço nunca mais saiu de minha cabeça : Cadogan Place , 31 . O vôo saiu na hora certa . Jantei e dormi a noite toda .
  • 13. LONDRES - Pela manhã foi esperar a aterrissagem e pegar a mala . Achei quetudo seria rapido . Errei ! Houve muita revista para os passageiros . Como euestava de terno , muito elegante , fui poupado . Passei lentamente naalfândega. Ela estava uma loucura . Só depois soube do motivo . Havia ocorrido um grande atentado terrorista em Londres . Osfiscais ingleses viraram todas as malas do avesso . Fui liberado .. Finalmente ,quando cheguei na saída , procurava e tentava arrumar um taxi . Eu normalmente iria tomar o trem para chegar ao centro da cidade.Entretanto , naquele dia depois do atentado terrorista , as coisas ficaramnebulosas . Poderiam acontecer novos atentados . Nunca se sabe . Eu tinhaido para passear . Não esperei mais nada e mudei de idéia . Nada de coletivos Esperei . Pouco depois a sorte mudou . Consegui o taxi . Em menos de uma hora eu estava abraçando minha filha e meu neto.Entreguei os presentes e fiquei brincando com Lorenzo até que Javier chegou.Foi me cumprimentando com alegria . Depois fui convidado e saímos parajantar em restaurante árabe. Ficava perto da casa . Foi muito agradável , mas não demoramos muito tempo . No outrodia era dia de trabalho . Fomos para casa . Eu fiquei vendo televisão comXanda . O São Paulo Futebol Clube disputava aquela noite a CopaLibertadores das Américas . Ganhamos e , com nossa torcida , a cada gol(foram quatro ) acordávamos Javier . O quarto que reservaram para mim era muito bonito , com grandecama de casal . Ele se abria para um pátio , cheio de plantas e flores . Variasnoites eu dormi com aquelas portas abertas . Quando houve calor . Na Sexta Feira fui com Javier passear por todo o bairro . Fui vendotudo da melhor forma , a pé ! É por ali, em “Knightsbridge” , que se situamas bonitas embaixadas em Londres . Dali , em seguida , fomos até a frente docastelo da Rainha Britânica . Não assistimos a “Troca da Guarda” . Depois voltamos , passando pelo “Hide Park” . Chegamos já noescurecer . SILVERSTONE O programa de Sábado estava feito desde algum tempo . Logo cedoestava um carro esperando para nos levar até Silverstone . O transito foiterrível . Levamos duas horas para chegarmos até a pista . Valeu a pena . Vimos os treinos de classificação , tiramos fotos ,entramos nos “Box de Manutenção” , notadamente aquele da “Renault”. Depois fomos almoçar no Pavilhão de Relações Públicas daquelaescuderia francesa , conhecemos os dois pilotos , almoçamos com os melhoresvinhos e ganhamos uma malinha da Renault . Estava cheia de presentes .
  • 14. Isto só foi possível pois o “Santander” é uma das empresaspatrocinadoras da “Renault” . Alonso se classificou na “pole position”. Entretanto , resolvemos não enfrentar novamente aquele transitomaluco no Domingo , dia da corrida . Iriamos assistir a Formula I pelatelevisão , em casa , lá naquele gostoso pátio. Mesmo por que Javier estariacozinhando maravilhosa “Paella” para nós . Foi gostoso comer aquela delicia , tomando vinho de Espanha evendo a vitória do Alonso . Depois foi só ir dormir a “Siesta” . Aquela semana seguinte foi muito movimentada . Quase em todasas manhã , logo cedo , eu ia passear no parque que pertencia somente as casasde “Cadogan Place”. Era um parque particular . Para tanto era preciso entrarcom cartão magnético . O lugar trazia para mim muita calma. Era cheio depássaros durante o dia . De raposas pela noite , pois somente depois do sol sepor é que elas apareciam . Fui ao teatro com Alexandra na Terça Feira , assistir “ Guys andDolls” , comédia musical dos anos 50 . Não gostei . Em outro dia nosdirigimos ao centro da cidade . Comprei um conjunto de “Cashemere e Seda”em “Regent Street” e em “Oxford Street” um “Tailleur”. Aqueles erampresentes para Vera . Comprei ainda um carrinho para o Lucca e outro para Lorenzo . Na Quarta Feira fui a pé , sozinho até “Victória Station”, na parteda manhã. Depois fui para o Museu de Historia Natural , onde passei a tarde . Na Quinta Feira pela manhã Alexandra e Lorenzo me levaram paraver o Parlamento , o Tamisa e aquela enorme Roda Gigante denominada “Eyeof London”. A noite jantamos com toda diretoria do Santander em Londres . Na Sexta feira fui com Javier e Xanda em uma boate da moda . Onome , se não me engano , é “Cubanita” ou coisa assim . Só tocava mambo ,salsas e músicas cubanas . R Este tipo de musica está na moda ... mas nãopara meu gosto . Valeu pela boa companhia e para conhecer lugares novos efamosos . MENORCA - Quando Sábado chegou Alexandra seguiu com Lorenzo paraMenorca . Ela foi receber a empregada e preparar a casa . Fui com Javier no Domingo , logo bem cedo , em vôo que foitranqüilo . Durou apenas 100 minutos . O aeroporto de Menorca não é muitogrande . É porem muito moderno e bonito . Fica em Mahon , capital da ilhaespanhola . Alexandra ali já estava com o carro nos esperando . O verão naquelas ilhas Baleares é bem quente , atingindo facilmente35 / 40 graus em alguns dias . Eles acontecem quando sopra vento quente que
  • 15. vem da África . A temperatura então aumenta . Fora destes dias existe sempreuma brisa suave , notadamente a noite . No caminho para casa fiquei admirando as estradas da ilha . Sãosuper sinalizadas . Quase perfeitas , apesar de estreitas . As “PraçasRotatórias”, nos cruzamentos , obrigavam redução de velocidade e dãoprioridades de passagem , muito certas e bem determinadas. A paisagem se alterna em cada quilometro . Muitas vezes com vistapara o mar . Outras aparecendo pequenas matas junto a suaves elevações .Normalmente por ali se encontram bonitas propriedades rurais . Menorca possui várias e pequenas vilas , espalhadas por todo seuterritório , a maioria na orla marítima . São possuidoras de grandes belezas ,destacando : Saint Luiz , Castell , Ferries , Mercadal , Saint Clements eCiutadella . Mahon é sua capital , já na qualidade de cidade . É muito bonita ,principalmente por suas praias e por sua urbanização . O seu porto , com longa extensão , tem suas docas tomadas porgrandes iates internacionais . Do outro lado temos uma longa avenida quesepara o porto da cidade . Ali existe todo o tipo de comércio , com bonitaslojas de roupas elegantes , restaurantes internacionais ou típicos espanhóis ,exposições de obras de arte , perfumarias, antiquários , lojas de decoração etudo mais necessário para atender vontades e necessidades de milionáriosturistas . Para tanto basta que ele saia do iate e atravesse a rua . Fora disto existem vários museus , teatros , hotéis internacionais ,praças , campos de golfe , bares e clubes noturnos com música ao vivo . Todoano , no mês de Agosto , tem festival de Jazz . Além do mais em Mahonexiste Cassino funcionando diariamente . No que tange ao esporte , são realizadas anualmente competiçõesinternacionais de iatismo , de golfe e de ciclismo . Por trás do porto , nas encostas da montanha , ainda perto do mar ,Mahon possui muralhas muito elevadas que foram construídas 1.400 AC . Atéhoje estão por lá , algumas intactas e outras semi destruídas . A ilha conserva as mais antigas obras registradas pela arqueologiaem toda Europa . Datam de 4.500 anos aproximadamente . São Túmulos depedra em forma de U . Menorca foi durante quase toda sua existência palco de grandeslutas internacionais pelo seu controle . Por isto possui traços das antigasculturas fenícia , cartaginesa e grega . Seu domínio passou por muitos povos :- Romanos , Árabes , Turcos e Aragoneses , sendo que estes últimos ,mediante sua união com Castela em 1492 , formaram a Espanha , atualdetentora da nacionalidade de Menorca .
  • 16. No século XVIII franceses e ingleses tentaram seu domínio einvadiram seu território . Finalmente em 1802 , pelo “ Tratado de Amiens” aEspanha recebe de volta a ilha das mão dos ingleses . A língua local é derivada do Catalão , que já e´ difícil . O“Minorquim” é mais difícil ainda . A salvação é a língua oficial : Espanhol . A produção da ilha é bem típica e especifica : - Gin de Menorca ,Sapatos tipo Abarcas , Malhas de Algodão e/ou lã , Cereais , Queijo tipoMahon , Frutas e Licores de Frutas . A construção naval é bastantedesenvolvida , existindo inclusive projeto naval próprio , o qual produz barcosdenominados “Minorquins ”. Os cascos são bem diferenciados . De todas as coisas existentes aquela que mais chama atenção é acor de seu Mar . Turquesa nas partes mais rasas e Azul Marinho nas maisprofundas . Muito bonito . Dos mais bonitos . Quando cheguei na casa de Javier notei que todas as demais , tantona região como no condomínio , tinham o mesmo estilo arquitetônico :Mediterrâneo . A casa possui amplas salas , uma suite , dois quartos bons ,banheiro , copa cozinha e ainda tem enormes terraços com mais de 150m2 ,sendo uma parte coberta e outra aberta . Fica em um condomínio horizontal ,com todas casas bem grandes . Também existe ancoradouro próprio dentro docondomínio . Javier possui linda lancha ali ancorada .O condomínio ainda temum Clube de Campo com quadras de tênis , enorme piscina , salão de festas eexcelente restaurante na beira da piscina . No dia que chegamos já fomos de lancha para uma praia com poucagente e mar lindíssimo , extremamente limpo . Lorenzo foi o dono da “festa”nadando peladinho . Depois tomamos um almoço leve , preparado porAlexandra . Na volta daquele passeio fui atacado por um sono irresistível , muitoforte . Eu não sabia por que. Não dava para segurar . Dormi até sentado nalancha . Parecia mais um desmaio . Todo aquele tempo que estive emMenorca estive com um sono que não era bom . Impossível de segurar . Eleiria continuar até em Jersey , onde a temperatura era muito mais amena . Oproblema não era calor . Não me sentia muito bem . Javier reparou . Achou que era pelovinho tomado . Porem , mesmo não tomando vinho , não passava aquele sonoe a cabeça continuava pesadíssima . Comecei a sentir o que nunca existiu para mim em toda vida :Fraqueza ! Não doía nada , mas eu não era o mesmo . Aquilo continuoumesmo no Brasil . Depois daquela viagem , com calma , analisando a coisa toda ,lembrei que , desde o final de 2004, aquele sono aparecia . No início era bem
  • 17. pouco , mas aparecia . Sem perceber eu estava perdendo potência física emental . A coisa chegava silenciosa sem grandes alardes . Já durava mais de8 meses. . Quando a cabeça pesava eu tinha absoluta necessidade dedormir. Fosse no cinema , no teatro , em visita , em qualquer lugar . Somente no início de 2006 , um ano depois , fazendo exame derotina foi descoberta a causa . Um câncer - Carcinoma - em meu rim esquerdo. Porem o primeiro sintoma apareceu bem antes . Na Sexta feira pela manhã fomos comprar um “Cadeirão” paraLorenzo . Ele estava muito grande para receber comida na boca , inclusiveficando vendo filmes de desenhos animados . Comer deve ser um ato natural .Precisava apreender comer conosco . Por conta própria . Na cidade iríamos encontrar um bom e bonito. Foi ótimo ! Na hora do almoço colocamos o “Cadeirão” ao lado damesa , junto da gente . Lorenzo ficou sentado , com seu prato e sua colher .Gostou . Primeiro fez o maior esparramo na comida . Mas comeu sozinho .Quanto quis . Javier chegou na Sexta Feira pelo fim da tarde . Fui com Xanda eLorenzo recebe-lo no aeroporto . Aquele seria meu último fim de semana emMenorca . Já havia recebido inclusive as passagens aéreas providenciadas porPaula . Praticamente já estava com as malas arrumadas . Como sempre Javier , muito gentil , tinha reservado mesa norestaurante mais charmoso da ilha . Ficava no porto de Mahon . O jantar seriatípico espanhol . Tinha início por volta das 8 horas da noite e não tinha tempopara acabar . Começava com drinques e com “tapas” picantes , para abrir oapetite . Depois vinha a salada . A seguir o vinho , muito bem escolhido , queiríamos tomar . Então aparecia o primeiro prato . Finalmente o prato principal.Fora a sobremesa , o café e o licor para arrematar . Somente lá pelas 23 horas estávamos voltando para casa . Eles foram deitar . Eu fiquei sozinho no terraço , com uma enormeLua Cheia . Ela deixava o mar brilhando na cor laranja . Fiquei com saudadesdo Brasil e dos amigos Domingo , bem cedo , sai com Lorenzo e fomos até a praia emfrente da casa .. Ficamos andando um pouco por ali . Depois resolvi voltar ,antes que Xanda acordasse e , não vendo o filho , fosse “dar a bronca”.
  • 18. Depois do almoço preparei minha roupa , fechei a mala e fiqueiesperando a hora de ir com Xavier para o aeroporto . Quando chegou omomento Xanda nos levou . Foi difícil ter de me despedir dela e de meu neto . Logo o avião subiu . Fiquei com meus pensamentos .Javier dormiu . Eu iria ficar toda Segunda Feira em Londres . Assim tinha de serpois meu vôo para Jersey sairia de Londres , na Terça Feira , as 7,30 damanhã. . Eu já tinha contratado um taxi , que servia Alexandra , para mepegar as 5,30 horas . Eles eram pontuais e de confiança . Ao anoitecer Javier passou para me pegar . Fomos jantar com seuPresidente . Foi muito agradável .Agradeci a gentileza do convite e mecoloquei a disposição daquele senhor para qualquer coisa no Brasil . Antes de dormir fiz minhas despedidas e agradecimentos ao Javier . Por sair muito cedo não mais iria vê-lo naquela oportunidade . JERSEY Quando cheguei ao salão do Aeroporto , a primeira coisa que vi foium menino correndo para mim . Era Lucca que tinha crescido muito mesmo .Alem do mais ficara muito mais bonito . Minha alegria foi grande em poder abraçar toda aquela parte de minhafamília . Estes momentos ficam inesquecíveis . Dali eles me levaram para conhecer um pouco de Jersey . Seu mar ebem azul e a ilha tem várias praias . É lugar muito bom para veleiros , poisexistem muitos . No topo de uma montanha ao lado de muitas casas na beirado mar e de uma praia existe um grande e maravilhoso castelo chamado :“L’Orgueil” ( O Orgulho) . A ilha é uma das regiões mais floridas que jáconheci . Tem vasos com vários tipos de flores por todos os lados. Jersey está localizada no Canal da Mancha , tendo ao seu lado uma ilhairmã : Guernesey . Fica treze milhas das costas da Normandia – França .Pertenceu aquela nação até as guerras Napoleônicas . Depois passou para aInglaterra . A cidade é toda cortada de estradas bem calçadas e estreitas.Muitas delas sombreadas por grandes arvores . Existem várias localidades que formam pequenas vilas . A sua Capital é Saint Helier . Bonita , florida , cheia de lojas e derestaurantes , onde se come peixadas maravilhosas . O interessante é quequase todos restaurantes pertencem a portugueses que vivem na ilha . Elestambém são os donos dos principais navios de pesca de Jersey . A Ilha deveter mais de 10% de portugueses . Falei muito em português em Jersey .
  • 19. Depois de um giro pela cidade Mark me levou para conhecer a casa desua mãe – Francis e seu marido Jimmy. Fica fora do perímetro urbano .Osdois foram muitos simpáticos comigo . Por eles fui levado até meu quarto . Em frente da casa existe um típico pasto de Gado Jersey – origináriodaquela ilha . São de cor castanha , não muito grandes e são os reis do bomleite . O pasto não é grande , tendo 200 x 200 metros , com arvores e abrigospara o gado . Eles recebem ração em horas certas , mas vivem soltos . Ficamconfinados apenas por uma cerca elétrica . Não muito longe daquela residência ficam os “Riffs”- Penhascos , deonde é possível avistar toda a costa da Normandia . Fui vários dias andandoaté lá , em companhia do Lucca . Bem no topo , lá em cima , tem uma“Camionete- Lanchonete” onde sempre meu neto ganhava um sorvete. O clima da ilha é muito agradável atraindo sempre muitos turistas ,principalmente no verão quando dobra sua população . Vem gente de todo mundo . Nos próximos dias fui conhecer os irmão de Mark , suas esposas e seussobrinhos . Foram todos muito simpáticos comigo . Lembranças da Guerra - Algo Diferente em Jersey Naqueles dias em que fui conhecendo Jersey senti que existia algumacoisa de diferente na ilha . Não gostam de ser chamados de ingleses , mesmoporque são “britânicos” . Eles se auto denominam de “islanders”. Nãohasteiam a bandeira “Union Jack” – aquela que é azul- vermelha e branca ,feita com listas diagonais e cruzadas . Ela que é vista em todos lugares daInglaterra . Hasteiam a bandeira branca com listas diagonais vermelhascruzadas pelo meio , que é a bandeira de Jersey. Conversa daqui , se pergunta dali , pega-se uma frase acolá , escutamosfatos isolados , lemos em documentos um pouco dos acontecimentos sobre aIIª Guerra Mundial e , subitamente, quando ligamos os fatos , acabamos porentender as várias razões para este procedimento generalizado de prevençãocontra os ingleses . As causas foram e ainda são muitas :1º-) Por ser Membro da “Comunidade Britânica” Jersey sempre pagouImpostos para a Inglaterra , destinados a defesa de sua terra ;2º-) Quando os exércitos ingleses foram batidos na França , o Governador deJersey inquiriu o Ministro de Defesa da Inglaterra , sobre o que seria realizadopara defender Jersey ;3º-) Naquela semana Churchill comunica : “ Jersey não será defendida” !4º-) Naquele mesmo dia todas as tropas inglesas estacionadas em Jersey foramembarcadas para a Inglaterra , com todos seus armamentos ;
  • 20. 5º-) Sem meios de defesa o povo de Jersey sentiu-se abandonado . Osdescendentes de ingleses tentaram fugir da ilha . Alguns conseguiram .Osdemais , com os descendentes de franceses , celtas e de outras raízes , queeram a grande maioria , não tinham para onde ir;6º-) Os ingleses , como seria necessário pelas leis internacionais , nãocomunicaram que Jersey ficará Sem Defesa e se tornara “ Cidade Aberta”. Istopouparia vidas e destruição . Mas era parte de sua estratégia esconder aocorrência . Os alemães , desconhecendo o fato , bombardeiam Saint Helier eLa Rocque , em 28 de junho ;7º-) Somente dois dias depois do bombardeio , por causa da mortes ocorridas,a Inglaterra ,através dos Estados Unidos que na época era neutro , comunicamsua saida de Jersey . No mesmo dia a BBC comunica o fato para o Mundo ;8º-) A Alemanha através de folhetos informa que desejava entrarpacificamente em Jersey . Pedia que a resposta viesse através de bandeirasbrancas . Elas elas surgiram aos milhares de todas as janelas . Não tinhamoutra opção pois estavam desarmados, desmotivados e abandonados ;9º-) Poucos dias depois os alemães já estavam chegando a ilha pacificamente.Parte da Grã Bretanha havia sido tomada sem luta ;10º-) Durante 5 anos os habitantes da ilha ficam na condição de povoinvadido, com governo estrangeiro e tendo sua terra tomada ; Não termina com a invasão alemã os problemas de Jersey11º-) Quando em Junho de 1.944 as tropas aliadas invadem a Normandia, Oshabitantes de Jersey ouvem o ronco dos aviões , o troar dos canhões e as luzesdas explosões durante a noite . Acreditam que em breve serão libertados .Porem Junho se torna Julho . Logo chega Agosto . O barulho das batalhassome de vez . Tudo foi para frente . Somente eles ficaram , sozinhos edominados pelos invasores ;12º-) Com a tomada da França pelos aliados as Comunicações e oRecebimento de Remédios e Provisões ficam muito mais difícil . Começa afaltar remédios e medicamentos para os velhos e crianças . A Inglaterra nãopermite que sejam enviados suprimentos para Jersey . Alguns remédios sãoconseguidos por comandos alemães , eles que saindo de Jersey , atacam basesaliadas durante a madrugada nas costas da França ;13º-) Somente por muita insistência da Cruz Vermelha a Inglaterra permiteque o Navio “Vega” , com bandeira da Cruz Vermelha , leve remédios esuprimentos essenciais para Jersey ;14º-) O pior acontece quando a insensibilidade de Churchill determina : Nãohaverá mais suprimentos para Jersey . Ele escreve em seu diário :- “ Deixem Jersey ficar na miséria !”
  • 21. 15º-) A II ª Guerra Mundial termina em 6 de maio de 1.945 . Menos para oshabitantes de Jersey . Os ingleses não tomam a menor providencia no que dizrespeito a ilha . Não dão o menor sinal de vida ! Por mais incrível que pareça ,no dia 8 de Maio os alemães e os “islanders” de Jersey ouvem juntos , naprincipal Praça de Saint Helier , o “Discurso da Vitória “ de Churchill . Osalemães pretendem se entregar , só não sabem para quem !16º-) Somente três dias depois , em 9 de Maio , vai ser possível a rendição dosalemães de Jersey . Os aliados a bordo do “Destroyer Buldog” , recebemnaquele dia a rendição dos generais alemães . Estes fatos , passados mais de 60 anos , não foram esquecidos até hojepelo habitantes de Jersey . Eles não falam nem reclamam diretamente , mascom muita classe e muita firmeza sempre demonstram , até diariamente , o seudescontentamento . É só prestar atenção : A-) Tudo o que existe ou aconteceu dentro de Jersey , no tempo daocupação alemã , que chamava a ilha de “Muralha do Atlantico”estáPerfeitamente Conservado e Organizado por duas associações . Elas sedenominam :“Chanel Islands Ocupation Society” e “Jersey War Tunnel” .Em sua sedes existentes , ao lado de um hospital que foi cavado nasmontanhas , eles tem todos os Arquivos da Guerra feitos pelos alemães , Fotosda Guerra na região , Documentos Alemães , Plantas da colocação dosArmamentos Pesados , das Construções dos “Bunkers” , Relatórios sobreMunições , Relação dos prisioneiros e muitas outras coisas de grandeimportância . Assim guardados e preservados nunca o que aconteceu seráesquecido. Eles fazem história .Obs Todos os documentos que comprovamesta minha narrativa foram conseguidos junto aquelas Associações ; B-) O Hospital Militar Alemão , denominado “H 8” , construídodentro de túneis cavados na rocha de uma montanha , continua perfeitamentepreservado , mas inoperante . Virou com tudo que possuía Museu de Sofrimento dos Islanders. Lá ainda estão as mesas cirúrgicas , os laboratórios , as salas de tratamentos ,as os uniformes de médicos e enfermeiras alemãs , as Bandeiras com aSuástica , Fardas Nazistas e os Arquivos de Pacientes ; C-) Todas as construções militares edificadas pelos alemães estãopreservadas perfeitamente . Visitando os “Bunkers” , interligados porCorredores Subterrâneos , será possível encontrar : Capacetes , Armas ,Fardas, Bandeiras Nazistas , Quepis nazistas e dormitórios . Alem disto o quemais impressiona são : Os Tuneis ligando os Centros de Artilharia / Canhões ,os Trilhos para envios da munição , as Casamatas , As Torres de Observação ,
  • 22. as Fortificações feitas em Concreto . Em todos locais as bandeiras comsuástica estão como foram encontradas . D-) O “Ingresso para Visitas” para estas diversas áreas são “Cópiasdas Carteiras de Identidade dos “Islanders ” fornecidas pelos alemães , durantea ocupação de Jersey . Todos os portadores daqueles documentos copiadosmorreram na guerra . Eles continuarão a divulgar continuadamente ossofrimentos , a fome, e todas as necessidades possíveis que passaram oshabitantes de Jersey, sem o menor apoio dos ingleses . Estiveram sós . E-) Tudo isto é mantido para lembrança dos ingleses e conhecimentode turistas de muitos países . Porem mais um fato impressiona . Apesar dalíngua oficial ser inglesa , todas as Ruas , Avenidas , Estradas , Praças , Locaise Edificios Públicos possuem Nomes Franceses , escritos em Francês . Os“islanders” fazem questão da perfeita pronuncia quando falam aqueles nomes . O Casamento de Paula Dois dias antes do casamento fui conhecer o Castelo onde aconteceriao casamento . Era muito bonito , cercado por um jardim esplendido . Aliaconteceria toda a cerimônia e o almoço . Paula e Mark ficariam no Castelopor dois dias após a festa da cerimônia de despedida que seria ali mesmorealizada , em Sala Especial . As ultimas providencias foram : A compra da roupa branca do Luccae a compra dos lenços e gravatas dos padrinhos . No dia do casamento fui com Lucca , Francis e Jimmy para o castelo .A cerimônia seria realizada as 13,00 horas . Um orgão abriu a cerimônia . Eu levei Paula até o altar e a deixei com Mark . Ali já estavam ospadrinhos dos noivos . Lucca que levava as alianças logo depois apareceu.Em seguida entregou as alianças para o pai . Foi muito bonito . Graças a Deus a cerimônia foi toda elegante e muito rápida . No final fiquei conversando com uma Juíza de Jersey . Convidei - apara o almoço junto aos noivos . Ela não aceitou . Alegou outroscompromissos. Os convidados já estavam nas mesas comemorando . Quando chegueiaté lá fui convidado para fazer um discurso . Como não estava preparado e fuitomado de surpresa, apenas falei das minhas dificuldades em fazer um bomdiscurso em inglês . Desejei Saúde e Felicidades aos noivos , tanto emInglês como em Português . Fui aplaudido . Surpresa agradável . No fim da tarde , depois de muitas fotografias , beijos e abraços ,foram feitas as despedidas aos noivos . Naquele instante Paula fez o“lançamento de seu buquet de flores” . Ela estava muito feliz .
  • 23. Isto alegrava meu coração . Três dias depois eu estava me despedindo da minha filha , de seumarido Mark e de meu netinho Lucca . Com eles mais Jimmy e Francis fuilevado para o aeroporto . Iria para Londres e de lá para o Brasil . Estaria com minhas filhas e meus netos ... na lembrança .
  • 24. NOVO MILÊNIO - FESTAS , NETOS E COMPRAS Edu Marcondes50 anos de Paulistano ––Precisei de “Carro Novo” – Venda da Casa doMorumbi – Meus Netos : Lucca e Lorenzo – Os Netinhos de Vera – AChegada de Minha Netinha Mia Francis . Todos ficavam com perspectivas de novas esperanças pois o novomilênio estava chegando . Muitos queriam realizar muitas coisas pois queestas coisas poderiam mudar a vida para melhor . Eram normalmente osdesejos para quando o novo século despontasse . Este novo século que estavachegando agora , alem de ser novo, podendo trazer novas esperanças , iriatrazer com ele também todos os séculos contidos em um novo milênio . Commil novas oportunidades para todos . Isto poderia e deveria ser muito melhor para muitos Para mim começou com esperanças e cheio de boas surpresas . Mais de Cinqüenta Anos de Paulistano - A boa surpresa aconteceu mesmo antes da chegada no Ano Novo edo Milênio . A Presidência do Paulistano , na pessoa de José Manoel CastroSantos , resolveu em boa hora, não só comemorar Um Século de CAP , comotambém Homenagear todos os sócios com 50 anos ou mais de participação noPaulistano . Para tanto , no dia 29 de Dezembro de 2.000 , determinou simpáticocoquetel que foi realizado nos Salões Sociais do 2º andar , com a participaçãode todos aqueles sócios cinqüentenários que ainda estavam vivos . Só não foi quem não tinha mínimas condições físicas . Na realidade foi uma festa para os velhos amigos , pois os sócios commais de 50 anos de Paulistano não eram muitos , com certeza absoluta , masvelhos amigos , pois naquele tempo o CAP tinha um quadro social reduzido eselecionado . Todos ao presentes se conheciam . Todos se falavam. . Todos seconfraternizavam diariamente . Foi isto que aconteceu novamente . Naquele coquetel reencontramos alguns antigos amigos , os quais jánão víamos por anos , entre eles Eduardo de Paula . Estive ao lado de Vera Lúcia tomando drinques e comemorando comJosé Carlos Leal ( meu cunhado) e Marisa ( minha irmã ) , estive com MyrtesIssa e seu cunhado Waldemar Issa , com o amigo Pamplona e senhora , commeu companheiro de natação Eugênio Amaral , com o amigo Roberto Rudgedo tempo do internato , José Mariano Carneiro da Cunha , José Ayres Neto ,
  • 25. Caio Moura , Gil Cajado de Oliveira , Eduardo de Salles Oliveira , EdsonMacedo e Eugênio “Pistinguet” Apfelbaun , Coquinho , José Manuel entreoutros tantos . O momento de maior emoção foi quando relembramos todos aquelesque já se foram . Então a saudade bateu em nosso peito , com reflexos emnossos olhos . Precisei de um “Carro Novo” – Logo depois de ter vendido e recebido minha parte da casa doMorumbi , achei que estava na hora de trocar de carro . O meu Gol modelo1995 já estava com quatro anos de uso e resolvi ir vende-lo na Feira deAutomóveis do Anhembi . Cheguei , estacionei e logo na primeira hora eleestava vendido . Era vermelho , estava realmente bonito e em ótimo estado . Logo achei comprador . Quando estava acabando de efetuar o negócio estacionou do meulado um “Fusca”- Cor Prata Metálico . O carrinho não estava somentemaravilhoso mas inteiramente perfeito . Fui falar com o dono que explicouque estava vendendo o Vokswagen pois comprara um outro ainda mais novoque aquele . Achei que era difícil ser mais novo . Fiquei interessado . Ele mostrava a pintura perfeita , sem o mínimo arranhão. Por dentrotodo estofamento de couro e tapetes praticamente novos . Quando o motor1.600 foi ligado o ronco demonstrava a sua qualidade. Um carburador.Cambio e suspensão estavam perfeitos . Procurei mas não achei a menorferrugem . Tinha os paralamas traseiros com faróis grandes – tipo “Fafá deBelém” . Os frisos e todos cromados impecáveis . Rodas e pneus novos . Omodelo era 1.976 mas estava tão impecável como um carro “O Km” echamava muita atenção . Achei que se aquele carro tinha rodado 25 anos e estava naqueleestado maravilhoso , com cuidado que dou aos meus carros , ele rodaria mais25 anos . Assim , o que era importante : - eu nunca mais precisaria maispensar em trocar de automóvel . Aquele “ Fusca” seria sempre um “CarroNovo” para mim . O preço foi um pouco salgado . Um outro do mesmo ano custariametade do que eu estava pagando . Mesmo assim comprei aquele “CarroNovo” . Neste momento chegou o outro Fusca do vendedor . Veio com seufilho . Não só era mais novo . Era praticamente zero quilometro . Antes de ir embora para casa já tinha muita gente olhando e fazendoofertas pelo carrinho . Poderia ter ganho 15% naquela mesma hora . Na Segunda Feira fui buscar o meu “ Fusca ” . Sai com ele todoorgulhoso . Em todo lugar que parava tinha gente olhando para o carrinho .
  • 26. Estou com ele desde o final de 1.999. Só tenho alegrias . Não dá dorde cabeça, nem manutenção . O único problema é gasolina falsificada ,misturada com “solvente”, que pode detonar o motor do “bichinho” . Até hoje quando estaciono em algum lugar tem gente olhando epaquerando o “Capitão” . Este é o apelido que dei para ele . PS- Não posso mais vender o “Capitão” . Meu netinho Lorenzo , que nasceu em 2003 , agora com 6 anos , viue andou no carrinho . Adorou o “Capitaõ” . Pediu e eu o dei a ele . Mostravafelicidade até no olhar . Depois disse : “Quando crescer vou levar o“Capitão” para a Europa comigo” Venda da Casa do Morumbi – Aconteceu assim : Uma noite de Novembro de 1.999 , Paula ligou deSingapura e deu duas noticias maravilhosas . Primeira : Estava gravida de ummenino que iria nascer em Junho próximo . Fiquei radiante . A noticia donascimento de um neto é coisa maravilhosa . É a continuação de uma família ,sem duvida alguma . Paula prometeu que viria ao Brasil meses depois donascimento da criança . Prometeu ainda que estaria mandando muitas fotos . A outra noticia foi que : Depois de muita luta sua mãe concordaracom a venda da nossa casa do Morumbi . Paula já tinha arranjado umadvogado , que também era seu procurador , para tratar da papelada , postoque já existia um comprador . O advogado era necessário , uma vez que suamãe deixara de pagar impostos da casa junto a Prefeitura e o compradorqueria comprar o imóvel para ser comercial . Assim passou o telefone do seu advogado – Dr. Júlio . No outro dia falei com ele . Depois fui procurado para últimos ajustese ficamos praticamente acertados quanto a venda do imóvel . Duas Semanas depois foi marcada a escritura de venda à vista .Compareci e recebi minha parte . Não foi o melhor preço . Entretanto o imóvel fora definitivamente vendido . Doze ( 12 ) anosdepois do que deveria ter ocorrido . Como dinheiro não pode ficar parado , fui procurar pequenosapartamentos para comprar . Eles seriam locados e dariam uma receita mensal. Comprei pequenos apartamentos em São Paulo . Eles são mais fáceisde alugar e quando um fica vago os demais ainda dão renda . Um só não éseguro , por maior ou melhor que seja . Se o inquilino falhar é preciso pagarcondomínio e impostos . Não entra renda renda alguma . Com vários ,mesmo um falhando , os outros cobrem as despesas . Eles são aptos com doisquartos , sala , copa / cozinha banheiro e vaga de garagem . Alguns tem jardime salão de festas .
  • 27. Com eles , mais o apartamento da Av. Angélica , as meninas poderãoficar com bons apartamentos para cada uma . Acho que darão uma boa ajuda. A outra parte do dinheiro foi aplicado no Banco Itaú . Ainda estavaprocurando mais um apartamento . Nascimento do Lucca No dia consagrado para Santo Antônio , 13 de Junho de 2.002,nasceu meu primeiro neto , na cidade de Singapura , filho de Mark Browninge de minha filha Paula. Recebeu por isto mesmo o nome de Antony LuccaMarcondes Browning . Antony por que nasceu no dia de Santo Antonio eLucca por que foi gerado naquela cidade italiana . Todo o seu nascimento foi fotografado . Depois disto ele vai aparecerem fotos com a mãe , o pai e o médico . Nasceu bem comprido , parecia maiso “Pernalonga”. Realmente do lado físico muito se parece com o pai A primeira vez que consegui pega-lo deu até tremedeira . Pegar nocolo o primeiro neto é uma responsabilidade grande . Na ocasião ele estavabem gorduchinho e grande . Era seu batismo aqui em São Paulo . Quando estava com quase 3 anos passei 10 dias com ele em Jersey ,na casa dos avós paternos . Gostava de passear comigo , indo até os penhascosque avistam a França . Depois , ele ficava vendo o vôo das gaivotas . Ate´ hoje não parou de crescer . Puxou o pai que é bem alto . Comquatro anos usa roupa de sete . Está mesmo enorme . Gosta de brincar comigoe tem loucura por automóveis pequeninos . Tem ganho uma coleção . Somente uma vez temi por ele antes de tudo mais . Foi quandoestivemos juntos em Sry Lanka . Então aconteceu o “Tsunami” . Ele eraminha preocupação em caso da necessidade de salvamento . Hoje já estafalando razoavelmente bem o português . O que dificulta são as babás que sósabem falar inglês . Mas seu inglês é perfeito . Assim o esforço dele paraapreender outra língua é bem maior do que qualquer outra criança . Mas a mãeinsiste e ele luta para falar nossa língua . Nota : Com um sotaque todo seu ...muito gostoso . Tem ótimo coração e apesar de ser muito mais forte que qualqueroutro menino nunca os agride . Quando muito os afasta carinhosamente . Oque não pode acontecer é deixa-lo bravo . Então sai de perto ...! É um menino bonito , com olhos e cabelos castanhos claros , que vaivirar um moço muito charmoso . Adoro este meu neto . É continuação da minha vida .
  • 28. Nascimento de Lorenzo - Um ano e um mês depois do nascimento de Lucca veio ao mundomeu segundo neto . Grande alegria ! Iria se chamar Lorenzo . Alexandra meavisou que esperava um bebe quando do batizado do meu outro neto – Lucca .Avisou que o parto poderia ser induzido e Lorenzo nasceria no dia doaniversário do pai – Javier . Foi o que aconteceu em 11 de julho . Um ano e meio depois de seu nascimento ele veio para São Paulo .Adorei ver aquele moléquinho . Era antes de mais nada determinadamenterisonho e simpático . Ria quando gostava das pessoas . Nunca sem razãomenor. Tinha e tem olhos extremamente vivos , demonstrando desde cedomuita inteligência . Gostava de brincadeiras . O dia que ficou comigo e comVera foi ao Paulistano e já brincava em vários tipos de brinquedos e balançospara crianças de idade mais avançada . Não tinha medo . Ele os adora . A segunda vez que estive mais tempo com ele foi em Menorca , ondepassei duas semanas na casa dos pais . Ele já estava com mais de dois anos egostava de uma farra ou uma brincadeira . Estava sempre alegre . Brigava echorava quando a mãe saia de carro sem leva-lo . Da mesma forma quando erapara sair do carro, pois queria ficar dentro dele , pegando a direção e fingindoque estava guiando . Adorava passear de lancha com o pai . Já naquele tempo , com doisanos , falava muito bem . Fazia um esparramo para comer e era necessáriopassar um vídeo do peixinho “Nemo”, que ele gosta , para poder distrai-lo edar comida na boca . Achei aquilo errado, pois comer deve ser um ato natural.Deve ser feito junto a família . Falei com a Xanda . Compramos um cadeirão . Colocamos junto amesa da casa . Ele então comia comigo e com os pais , com a colher naprópria mão . Comia fazendo um pouco de sujeira ( na realidade muita ) ...mas comia sem chorar e sem precisar ficar olhando nada . A ultima vez que esteve em São Paulo impressionou todos muitobem. . Agora , com apenas pouco mais de 3 anos , fala perfeitamente trêslínguas . Inglês por que a Xanda só fala com ele nesta língua . Alem do maiscomo agora eles estão morando em Londres , fala e apreende o idioma inglêsna escola maternal . Fala o português pois todo dia fica e conversa com Mariasua babá .Ela é brasileira . Espanhol fala com o pai , pois que ele assim exige.O que é bom . Dentro em pouco estarão voltando para a Espanha . Serátrilingüe perfeito . Falando três línguas sem sotaque . Quando aqui esteve pela última vez , durante um almoço noPaulistano , contou que tem uma namorada que se chama “Gabi ... Gabriela” .Xanda disse que na escola ele é extremamente paquerado por todasmenininhas . O bichinho é malandro , mas quando perguntado responde que
  • 29. gosta só de Gabi... Gabriela . Seu bicho favorito é um peixe chamado“Nemo.” Por isto mesmo ficou todo feliz quando lhe dei um “abat-jour”eletrônico , onde os peixinhos estão com Nemo e parecem nadar . Gosta deficar olhando antes de dormir . Aquele meu neto me faz lembrar de um “Edu Moleque” . É outracontinuidade de minha vida . Mexe com meu coração . Os Netos de Vera Vieram um pouco depois dos meus . Foi muito bom , pois até poucotempo eu considerava que tinha 4 netos , dois diretos e dois indiretos . Agoratenho mais dois ... Pedro , filho de Antonio Paulo , e João Paulo filhode PauloHenrique . Em seguida chegou Mia Francis Marcondes Browning , depois aGabriella do Antonio Paulo . Esta última é especial . Uma espoleta ,bonitinha , mandona que a todos cativa com sua maneira de ser . - Mia Francis – Minha Querida Netinha – Não seria possível começar este novo século sem a chegada de umamenininha na família . Paula me contou que durante a sua gestação ela semprefoi uma nenezinha muito calma . Nasceu em 2.005 Hoje , como sempre , continua muito tranqüila . Nasceu de parto normal lá em Seul – Coréia , onde segundo minhafilha não é o melhor lugar para se ter filhos . Isto pelas condições rígidas quelá são impostas pela medicina . Ali a mãe sempre vai sofrer as dores de umparto normal . Cesariana só mesmo em último caso . Mia nasceu comprida , com quase 51 centímetros . Puxou a famíliabritânica de sua avó Francis . Vai ser bem alta . Alem do mais tem semelhança e todo jeito daquela sua avó . Ainda está com pouco cabelo que pelo jeito vai ser castanho escuro .Tem o narizinho arrebitado e parece mesmo com aquelas antigas bonequinhasde porcelana , com a pele muito clarinha . Dá vontade de morder ... Para mim tem a coisa mais gostosa de beijar : duas bochechas rosadase bem formadas . É muito alegre e gosta de dançar no colo da gente . Quandoaparece um desenho na TV o tempo para . Fica olhando fixamente para atelinha . Qualquer barulho mais forte no filme ela assusta . Nunca chora praticamente , nem mesmo para mamar . Se está comfome fica resmungando todo tempo até receber sua mamadeira . Mia é o complemento que faltava para a minha pequena família . Deus que a abençoe . Sempre . .
  • 30. VIAGENS COM VERA - PAULA E ALEXANDRA Edu Marcondes Conhecendo Europa e Ásia Desde meados de 2002 eu havia combinado , com minha filha Paulae seu marido Mark , que iríamos passar o Natal e Ano Novo com eles emHong Kong . Já estava com muitas saudades dos dois e principalmente de meunetinho Lucca . Alem do mais estava morrendo de vontade de conhecer coisasda China , onde eles estavam vivendo , em Hong Kong . Mark ali trabalhava dirigindo uma Empresa de Investimentos . Quando chegou Setembro , Paula telefonou confirmando queesperava por mim e por Vera . Ela havia passado as férias de Junho noapartamento de Vera , aproveitando para ir até sua fazenda em Sorocaba .Lucca gostara de tudo, principalmente de andar à cavalo . Tirou até fotosmontado em um grande cavalo , porem já velhinho ... Fui então atrás da “Air France” , pois minha pesquisa de preçosindicava ser a melhor .. . O roteiro era simples : São Paulo - Paris - HongKong (ida e volta) . Quando estava tudo acertado e as passagens já compradas recebi umtelefonema da filha Alexandra . Estava indignada . Soube da nossa viagempela tia Marisa . Queria saber como é que eu iria para a França e não chegavaaté Madrid , pelo menos para ver o neto Lorenzo . Argumentava que adistancia era pouca . Uma hora de vôo . Nesta altura Javier entrou naconversa telefônica . Foi dizendo que a passagem de Paris para Madridcorreria por sua conta . Assim fui intimado para ir para Espanha . Respondi que ia conversar com a “Air France” e voltaria falar comeles o mais rapido possível . Liguei imediatamente para a companhia aérea francesa . Parasurpresa minha fui informado que a viagem de Paris para Madrid seria cortesiada própria Air France . A única coisa necessária foi remarcar datas e horáriosdas passagens , o que foi realizado sem problemas . Iria agora passar 70 diasfora . O Roteiro mudou para : S. Paulo – Paris – Madrid – Paris – Hong Kong( ida e volta) . Quando retornei a ligação para Alexandra foi só alegria . Recebiseu novo endereço e deixei tudo combinado . Agora iríamos passar os 4 diasem Paris e depois nosso destino seria Madrid , onde ficaríamos 10 dias ,conforme Alexandra desejava . A China viria depois . Vera Lúcia quandosoube da história gostou e muito . Sempre estava disposta para viajar .
  • 31. – Paris - No dia 28 de Outubro fomos para Paris em um vôo muito tranqüilo .Ali já tínhamos reservas no “Hotel du Dragon” , que ficava na “Rue duDragon” , em “Saint Germain ” . A indicação era da nossa querida amigaLoélia lá do Paulistano . Não era muito dispendioso e ficava em ótimo local.Logo em frente havia morado Victor Hugo . Ao lado uma “boulangerie” ondetodas as manhas fazíamos nosso desjejum com estudantes da Sorbonne . Chegamos pela manhã e estávamos descansados , pois dormimosmuito bem no avião . Resolvemos sair passeando , apesar de um frio de quasezero graus ! Saímos a pé , de Saint German na direção do Rio Sena . Fomosparando em todos os lugares que gostávamos . Tirando fotos . No caminho percebi que o nariz de Vera estava ficando vermelhode frio . Alem do mais ela estava com dificuldades para respirar com o armuito gelado . Estava colocando um lencinho em frente ao rosto paraenfrentar o frio . Não reclamava nada . Continuamos andando até encontrarmos a Igreja de “Notre Dame” .Vera nem pensou e foi entrando para fugir daquele tempo gelado . Passei amão por sua cabeça e senti que seus cabelos também estavam muito frios . Visitamos a Notre Dame em todos seus principais detalhes .Entendo que existem igrejas menos famosas , que são mais bonitas .Entretanto , ali naquela igreja , vale muito mais a Historia que a envolve . Na saída , antes do almoço , vi , em uma lojinha francesa , chapéusfemininos de feltro para o inverno . Vi também mantilhas , de seda comcashemere . Tudo muito chique , simples e bonito . Não tive duvidas . LeveiVera até lá e ela ganhou seus primeiros presentes na Europa . Um chapéu defeltro combinando com seu casaco e uma mantilha macia que ela achou linda .Ficou bonita e elegante com a mantilha envolvendo pescoço e rosto . Ochapeuzinho ficou na cabeça desde o momento em que ela o experimentou . Depois disto fomos almoçar no Restaurante “Quasimodo” . Temeste nome pois fica ao lado da “Notre Dame” . “Quasimodo” era o tal“corcunda” que vivia na igreja e que salvou a cigana Esmeralda ! Ali a comida era simples ( para comida francesa ) mas bem gostosa . Com Vera devidamente agasalhada tivemos coragem para continuarandando pelas margens do Sena , vendo e conhecendo as belezas do lugar eos artistas pintores parisienses . Depois , quando sentimos que poderiarapidamente escurecer , fomos de volta para o Hotel Dragon em SaintGerman. No caminho paramos no maravilhoso supermercado “Bom Marché”.Compramos frutas , suco de laranja , pães de vários tipos , queijos e frios . Durante a noite fizemos gostoso “pic-nic” em frente da televisão . Ficamos assistindo a opera “Carmen” , em ótima apresentação.
  • 32. No outro dia nossa dedicação total foi para Museus . Pela manhãdireto para o “D’orsay”, onde também almoçamos no seu simpáticorestaurante . A comida estava maravilhosa ( com todas as letras ) . Por istomesmo nossa visita ao “Louvre” não foi nem a mais demorada , nem a maisinstrutiva . Como deveria ser naquele dia . Mas valeu . Depois de um grandealmoço não é possível visitar museus . Voltamos na manhã do outro dia. Naquela noite resolvemos repetir o “pic-nic” em frente da televisão Antes de dormir combinamos passeio por toda Paris no conhecidoÔnibus Turístico . Você pode tomar e descer em qualquer lugar . Depois coma mesma passagem continuará percorrendo a cidade . Logo cedo pegamos o tal “vermelhinho” e ficamos girando eparando por toda Paris . Nem almoçamos . Em muitos lugares , por ondeparávamos , fomos tomando pequenos lanches . Deliciosos . A noite fomos passear por Saint German . O frio estava demais edepois de alguns quarteirões entramos em um “Café Parisiense” para tomar ochá mais caro do mundo . Muito ruim . Frio por frio , foi melhor andar pelarua gelada e voltar para o hotel . Naquela noite ficamos lembrando da pequena “Boulangerie” ondetodas as manhãs vínhamos tomando desjejuns magníficos . Ele ficava quaseem frente do nosso hotel . Não deu outra . Na manhã de nossa partida fomos para lá bem cedo,tomar o gostoso café matinal naquela “Boulangerie du Dragon” ( este era onome , se não me engano ) . Desta vez foi sem pressa , bem demorado ,saboreando inclusive aquela deliciosa tortinha de morangos . Quando estávamos saindo vimos o taxi chegando . Bem na horacombinada . Pegou as nossas malas e pronto . Fomos diretamente para o aeroporto . Era um dia nacional qualquer.No caminho encontramos ruas cheias de soldados bem uniformizados ecavalos bonitos . Bandeiras tricolores hasteadas em vários locais . Madrid Já dentro do avião , a caminho de Madrid , fiquei desejando que lápoderia estar um pouco mais quente . Logo depois a televisão de bordo ,fixada na poltrona da frente , contava que o frio era praticamente o mesmo queaquele de Paris . Quando saímos do avião o frio foi confirmado . No carro que nos levava para a casa de Alexandra tive oportunidadede ver como Madrid estava realmente linda . As ruas largas , muito limpas ebem arborizadas . O transito funcionando ! Lindas estatuas , Grandes Arcos emuitas Fontes em quase todas as avenidas . Não se andava muito paraencontrar um Parque , com todo aquele verde bem majestoso .
  • 33. Os prédios públicos , muito bem conservados , sempre tinham umbonito jardim em frente . Madrid marca muito por ser bem arrumada em todosdetalhes . Rapidamente já estávamos no Bairro da Xanda . Chegamos . “Calle de los Alhelies” . A casa de Xanda e Javier temjardim em dois lados , pois é de esquina . Mal tocamos a campainha e acachorrada já ficou latindo . Xanda junto com Lorenzo vieram correndo abrir o portão . Foram muitos beijos e abraços no meio daqueles dois “Poodles”que não paravam de latir . Queriam nossa atenção . “Delon” é um velho cãoconhecido meu , mas a cachorrinha “Lana” era novidade . Fomos entrando levando as malas . As empregadas ajudaram ,apesar dos “poodles” se enfiarem entre nossas pernas , gerando alegria econfusão ao mesmo tempo . A casa , apesar de ser grande , possui apenas dois quartos . Por istomesmo ficamos hospedados no pequeno pavilhão existente junto ao pátiointerno, ao lado da piscina . A suite nele existente é bem pequena mas teminclusive ar condicionado . Ali no verão deve ser muito gostoso , pois depoisde um banho de piscina se pode dormir logo ao lado . No inverno facilita oaconchego de duas pessoas . Tudo ali é apertadinho . Esperamos Javier . Depois dos abraços e entrega dos presentes,fomos com ele jantar em um restaurante típico da Galícia . Muito gostoso .Para variar , ele que gosta de vinho , encomendou um tinto especial . Naquelanoite dormi quentinho e feliz . No outro dia , um Domingo , Javier nos mostrou toda a cidadedando um giro em Madrid com seu carro . Fiquei impressionado com a belezae conservação de todos prédios governamentais . Apesar de alguns pequenos ataques de malcriação , Xanda foi ótimacicerone . Estranhei , pois ela sempre foi ao mesmo tempo meiga e briguenta .Malcriada nunca . Mesmo assim , em todos aqueles dias , nos levou paraconhecermos muitas coisas . Fomos ao maravilhoso Palácio Real . Passeamos em seus jardins eentramos em sua catedral . Fomos a antiga Estação “ La Tocha” ( não guardeio nome direito ) onde almoçamos , tendo em volta seus maravilhosos jardinsde inverno , cheio de plantas tropicais . Atendemos gentil convite da senhora mãe de Javier . Xanda noslevou e nos apresentou . Depois ficamos para comer um cosido típicoespanhol em seu apartamento . Divino e maravilhoso . No outro dia ela nos levou para ver as lojas . Eu acabei ganhandouma japona de inverno e Vera uma casaco comprido . Depois fomos conheceruma Arena de Touros , onde a estatuária é espetacular . Todo lugar e
  • 34. magnifico . No final da tarde tomamos lanche em uma Cafeteria onde Javiertambém é sócio . Lorenzo aproveitou para se divertir naquele lugar . Toledo – O dia seguinte foi tirado para conhecermos a cidade de Toledo .Fica apenas uma hora de carro de Madrid . Ir para aquele lugar é realizar umavolta ao passado medieval . Todas as construções tem séculos . Castelos,Muralhas e suas ameias , Torreões fortificados , Pontes elevadíças , Mansõescentenárias , Arcos e Portais magníficos . Tudo está perfeitamente conservado. Tudo ali é muito lindo ,principalmente sua Catedral com mais de oito séculos de existência . As ruastortuosas , continuam da mesma forma como foram construídas . Apenas porali , sem destoar a arquitetura, encontramos ótimos restaurantes e muitaslojas. . Adorei aquele passeio , principalmente por que fomos com Lorenzomeu netinho . Escorial -Não poderíamos deixar de conhecer o “El Escorial” . Vera e eutiramos um dia para visitarmos aquela famosa construção . Saímos bem cedopara a Estação indicada . Fomos tomar o trem para chegar a cidadezinha quefica uma hora de Madrid . Está situada no topo de uma montanha . A viagem é maravilhosa , pois o trem tem dois andares eespetacular janelas panorâmicas . Alem do que corre quase 200 km. por hora . A primeira visão Del Escorial , depois que você sobe a montanha ,mexe com seus sentimentos . Aquela imensa construção de pedras é realmenteimponente . Foi construída por ordem de Felipe II , na época o maiorimperador do mundo . Tudo ali foi realizado pelos maiores artistas da época ,inclusive com obras de “El Greco” , muitas das quais encontram-se atualmentedo Museu do Prado – Madrid . Toda a parte de madeiras é da maior qualidadejá vista . Existe uma Sala chamada “Das Batalhas” onde as maiores vitóriasmilitares de Felipe II são demonstradas em afrescos , pintados em parede de50 metros de comprimento . É impossível visitar Espanha e não conhecer ElEscorial . Logo depois de sua saída , descendo a encosta da montanha , em umcaminho coberto por lindas arvores centenárias , você encontrará omaravilhoso “Palácio do Príncipe das Asturias” . Bem , se os dias foram movimentados , imagine as noites . O único dia que jantamos em casa foi quando Vera , Javier e Xandase comprometeram cozinhar uma feijoada para os irmãos , irmãs , cunhados ,cunhadas e amigos da família , sem saber se encontrariam as coisas ,condimentos e pertences para feijoada . Nem sei direito como Vera conseguiue fez . Saiu uma feijoada estilizada , mas saiu . Agradou a todos e ela ganhoupresente. da irmã do Javier . Foi feijoada alegre . Caipirinha não faltou .
  • 35. Em outra noite fomos ao futebol ver o Real Madrid no EstádioSantiago Barnabeu . Dois dias depois fomos ao “Circo Du Soleil” . Aquelasnoites e nas outras demais fomos jantar fora , sempre com familiares ouamigos de Javier , tomando vinho como ele gosta . Dos melhores e maisfinos. Sempre espanhóis . Vera e eu íamos dormir quentinhos ! Lorenzo estava muito alegre e se divertia com os cachorrinhos . Aquela seria a última manhã que eu brincaria com meu neto naquelaviagem . Esperei Vera chegar para um passeio a pé . Dei um beijo nele e emXanda . Fomos no caminho do centro da cidade . Achei um Correio . Coloquei todos os cartões postais para os amigos do Paulistano .Logo adiante Vera encontrou uma loja onde comprou uma caixinha de músicaem forma de carrossel . Depois , quando chegamos mais adiante , em uma praça amplaconseguiu três mantilhas para levar de presente . Na volta para casa de Xanda eu já estava com saudades de minhafilha, de Lorenzo e de Javier . Também de tudo e de todos . E da Espanha. No fim da tarde : Despedidas e caminho do Aeroporto . CHINA : HONG KONG – LANTAU - MACAU - Hong Kong– A noite , quando entrei no avião , fui lembrando quenaquele vôo teríamos de enfrentar quase 13 horas horas de viagem semescalas. Uma viagem difícil ! Mesmo viajando pela Air France . Havia falado em dias anteriores com Paula , dando o numero dovôo e a hora prevista para chegada . Estávamos combinados que ela estarianos esperando no aeroporto . Chegar sozinho em Hong Kong , sem falarchinês , não dava muita confiança . Em caso de desencontro , como últimasaída , tinha em mãos o endereço de sua casa . Finalmente chegamos . Mais mortos que vivos . Na saída ficamosanalisando aquele espetacular aeroporto . E encontramos dificuldades com oprimeiro encontro com desconhecidas modernidades . Para que ladodeveríamos tomar o “Metro Interno do Aeroporto” para chegar até a saída?Resolvemos seguir a maioria . Deu certo no começo . Depois encontramosduas sadias A e B . Em qual Paula estaria esperando ? Resolvemos que Vera iria pela A e eu pela B . Também deu certo ,pois logo depois Lucca , apesar de seus tres anos , reconheceu Vera e correupara seu colo . Foi ganhando beijos . Em seguida Mark e Cora já estavam aoseu lado . Foram me buscar logo depois. Então fui eu que ganhei beijos eabraços . Com meu netinho Lucca agora em meu colo . E Paula ? Onde estava ?
  • 36. Mark explicou que ela estava dando treinamento em Singapura eque não deu para chegar em tempo . Estava vindo para Hong Kong . No caminho para casa , Mark nos foi mostrando a cidade .Passamos pela ponte mais extensa do planeta , logo depois do aeroporto .Hong Kong é sem duvida a mais moderna cidade do Mundo . Em tudo e portudo . É muito bonita em sua topografia . Parece o Rio de Janeiro , commontanhas , praias , mar , baías e muito verde . Alem do mais contem o maiornumero de arranha –céus por metro quadrado do mundo . São prédiosenormes, sempre com mais de 50 andares , em sua média . Cada um tentandoser mais arrojado que o outro na arquitetura . Ali todos os taxis são da mesma marca e tem cor vermelha e preto ,fácil de identificar . O transito funciona perfeitamente , apesar das váriaslinhas de bondes com 2 andares e dos muitos ônibus com ar condicionado,saindo para todas direções . Tudo é muito limpo e cheio de jardins . Mark foi explicando que agora a higiene é meta de todosgovernantes chineses . Nisto Hong Kong ainda está na frente de outras cidadesda China . O Governo para tanto , como já aconteceu antigamente nos EstadosUnidos e países da Europa , multa até quem cuspir no chão . Tudo em Hong Kong deve ser sempre o mais moderno existente .Por muitas razões e princípios de mercadologia , bem como por fatoresrelativos aos custos , quase todas as grandes industrias mundiais e/ouempresas com muita importância internacional tem sede ou filial na cidade . Hoje ela já voltou a fazer parte integrante da China . Entretanto ,continua com Administração Especial , até os próximos 2 anos . Ali é o local onde mais encontramos os carros mais caros do mundo:Bentley , Rolls Royce , Ferrari , Porche , Lanborguine . Eles passam por vocêa toda hora . O chinês rico adora ser “snobe”. Discretamente ... Chegamos ao apto de Paula /Mark . Fica no alto de uma colina ,com espetacular vista para a praia e para a baia . Fiquei conhecendo a outrababá do Lucca - Dália . Também a gatinha “Natasha”. Ela é muito linda daraça “ Blue Russian” . Apesar de mansinha Lucca não gosta dela . Fica longe .Acho que puxou o seu rabo e foi arranhado . Paula chegou quando já estávamos indo dormir . Foi uma festa nonosso quarto , com Lucca fazendo a maior bagunça . Nota : Aquela “bagunça”virou tradicional . Todo tempo em que estivemos em Hong Kong , em todas asnoites , Lucca ia para nossa cama e fazíamos barracas com os lençóis , lógicocom ele lá em baixo fazendo folia . Até hoje ele lembra . No outro dia , Sábado , Paula convidou para andarmos nasmontanhas . Calcei um mocassino leve e fomos com ela ,Vera e Mark .
  • 37. Acontece que “andar na montanha era escalar montanha” . Com aquele sapatoderrapando e saindo do pé não conseguiria escalar nem uma mureta ... quantomais uma montanha . Paramos de subir e fomos andar por uma estradinha emcima das montanhas , vendo de um lado os lagos artificiais que existem nasmontanhas de Hong Kong ( São reservas de água doce ,formadas pelas chuvase pequenos córregos perfeitamente guardadas ) , e do outro lado o mar . Andamos até chegarmos em uma pequena localidade chamada“Stanley” . Ali é o bairro “Paraíso do Turista” . Você poderá comprar tudo :tênis , eletro domesticos , roupas , perfumes , pinturas e até pérolas . Lembroque voltamos depois para lá mais uma vez . Compramos muitas coisas .Vera levou lindo conjunto de pérolas negras . Em outro dia , com Paula eMark , ganhei um tênis e uma calça curta . Adorei , mas deixei claro que : -“sem tênis ou com tênis não iria mais escalar montanhas” . Os meus 72 anosestavam pesando muito para escalar !... Aqueles primeiros dias em Hong Kong foram muito agradáveis . Demanhã eu saia com Vera para passear pelas praias . Andávamos por duashoras. .O inverno ali é muito suave . Pelas tardes conhecíamos locais de HongKong . Em uma delas fomos até o “Centro Velho” onde Vera adquiriu sedaspuras muito bonitas . Fomos e voltamos de bonde. De dois andares ! As noites quase sempre tínhamos reuniões em casas dos amigos eamigas de Paula e Mark . Lembro que a vizinha de Paula , chamada Andréa ,uma brasileira bonita e simpática , casada com um filho de inglês comportuguesa , nos convidou para um jantar brasileiro . Foi muito gostoso ,principalmente pelo carinho demonstrado para outros brasileiros . Outra quenos tratou maravilhosamente foi a amiga de Paula . Ela se chama Emac , égrega e estava com uma filhinha nova . No final , quando de nossa volta,ganhei um “OlhoGrego”, destinado a espantar o “mal olhado” . Quando estávamos sem convite então íamos jantar fora . Mark foisempre muito gentil nos convidando . Pela primeira vez tomei vinho da NovaZelândia . Muito Bom ! Vera também tomou e gostou . China – Lantau – De acordo com informações de um livro sobre turismo na China ,achei que seria um bom passeio visitar a ilha de Lantau . Falei com Mark eele me confirmou que valeria a pena ir até a ilha , pois o lugar é muito lindo ,místico e possui o maior Buda fundido em bronze do mundo . A ida poderia ser feita em Lanchas Especiais – Catamarans . Eramenormes , parecendo mini navios , super rápidas e em uma hora estaríamos lána ilha . Falei com Vera e resolvemos ir até lá no dia seguinte .
  • 38. Bem cedo Mark nos levou até o Embarcadouro para Lantau . Tudomuito fácil . Em 10 minutos já havíamos pago as passagens e já estávamos abordo , esperando a partida . Nem sentimos quando a lancha partiu . Foi muitosuave mas rapidamente alcançava espantosa velocidade , sem trepidar . Pudeentão reparar que internamente ela mais parecia um avião , com televisão , bara bordo , cadeiras giratórias e muito mais coisas . Fomos comentando o quevíamos e reparando as paisagens passando rapidamente . Quando demos contaestávamos atracando no cais de Lantau . Um ônibus de turismo nos levou até o topo da montanha . Levouquase uma hora , pois o caminho é difícil , costeando a montanha em estradaestreita . Subimos do nível do mar até 1.000 metros de altura . La de cima , em um platô , a vista é incrível . Os aviões que vãopara Macau ou Hong Kong passam mais baixo do que o ponto onde você está .Você vê o avião olhando para baixo . A vista sempre atinge no mínimo 180graus . Você verá então quase todas pequenas ilhas daquela região . Marca muito aquele local uma melodia suave que vai tocandosempre , por toda parte . É mística . Ela parece combinar com a brisa suaveque por ali persiste . O mais importante : De qualquer lado que você olhar paracima verá sempre o enorme Buda de bronze . Ele toma conta da paisagem. . O problema é chegar até ele , que fica no topo de um morro , quetem uma escadaria com 1.000 degraus . Combinei com Vera que subiriaparando em duas etapas . Não deu . Fui obrigado parar cinco vezes para tomarfôlego e chegar ao Buda de Bronze . Para se ter idéia de seu tamanho voulembrar que em sua base existe um museu , relatando a forma de suaexistência e construção , bem como loja de artigos religiosos . Tão difícil como subir é descer de volta . No meio do caminho aperna fica bamba e você é obrigado a parar e refrescar as pernas que jáferveram ... Quando chegamos respiramos um pouco , descansamos as pernas efomos almoçar . O bilhete que você compra para ver o Buda dá direito aoalmoço . Por sinal bom . Voltei dormindo no ônibus , depois no barco . Macau- China Com base no sucesso da primeira viagem de lancha resolvemosrealizar nossa ida para Macau . A viagem seria um pouco mais longa , comhora e meia . Dois dias depois já estávamos a caminho . O barco era aindamaior e ainda mais rapido . Alem do mais aquele tinha dois andares. Fomosna parte de cima para ver melhor , pois a vista do mar e da região é bonita .Como sempre naqueles barcos a viagem foi maravilhosa .
  • 39. Chegamos sem sentir . Boa viagem . Desta vez escolhemos um taxipara nos conduzir por Macau . O seu motorista falava um pouco de português,o que foi muito bom . Atualmente em Macau apenas 5% dos habitantes falamum péssimo português . A primeira coisa que notamos , mesmo antes detomarmos o taxi , foi uma imensa torre destinada a televisão . Ela é a maior daÁsia e uma das mais altas do mundo . No alto ela possui um restaurantefamoso . Ao seu lado também uma enorme estatua de mulher . Ela é dadeusa marinha “Agau” , que deu nome ao cidade e região . O primeiro lugar que visitamos foi o “Forte do Monte” , ainda comseus canhões colocados estrategicamente , cobrindo toda aquela área . Poremao lado deles muitas flores e belas arvores . Ao lado do forte , ainda de pé somente a bela fachada de pedra daantiga “Igreja de São Francisco” . O restante do corpo da igreja caiu quandoela pegou fogo . Isto aconteceu na época das batalhas com os holandeses quetentavam tomar a cidade . Na praça em sua frente enorme canteiro commilhares de flores coloridas . Duas figuras de muita relevância histórica mundial viveram emMacau . O poeta “Camões” que ali escreveu parte dos Lusíadas . O primeiroPresidente da China Republicana – “Sun Yat-Sen” . Macau foi de extrema importância como base das exportações dePortugal para a Europa . Irá perder grande parte de seus negócios mediante atomada de Hong Kong pelos ingleses , através da “Guerra do Ópio”, por elesprovocada junto com os americanos , para introduzir droga do ópio na China . Hoje Macau é de grande importância turística para a China . Aliencontramos grande complexo de Cassinos que funcionam com jogos 24 horaspor dia . Alem dos sete já existentes estão em construção mais 5 cassinos :americanos , franceses e chineses . Vai se tornar , em breve , o maior centrode cassinos do mudo . Para tanto o Aeroporto Internacional de Macau recebecontinuadamente gente de toda Ásia que deseja jogar . Macau é ainda procurada para “Corridas de Cavalo” e de“Cachorros” , para compra de Pérolas , pois é grande produtora . ParaCorridas de Formula 2 de Automobilismo . As compras em geral são atraçãopelos preços que apresentam , geralmente muito baixos . Outro grande atrativo são as antigas construções coloniaisportuguesas . Elas estão na parte antiga e tradicional da cidade , perfeitamenteconservadas pelos chineses , que foram pintando , arrumando e reformandotudo , inclusive seus maravilhosos telhados e seus ladrilhos . As ruas , praças e edifícios mantém os nomes portugueses . Assimvocê encontra a “Praça Lusitana” , a “Rua dos Guimarães” e a “Travessa do
  • 40. Quintas” , “Avenida Lousada” . Todas ruas tem nomes portugueses escritosem letras romanas . Encontra ainda no frontispício dos prédios públicos nomesportugueses como : - “Casa de Saúde” , “Ginásio Municipal” “Câmara eSenado de Macau” . Os chineses fazem questão de manter estes nomestradicionais . Também a moeda ainda é portuguesa : - a “Pataca” , apesar deMacau ser inteiramente controlada pelos chineses . Eles entendem comosendo grande atração as coisas tradicionais . É pura verdade ! A modernidade da cidade é encontrada em outro lado , onde existeminúmeros arranha céus , escritórios , lojas de departamentos , dois grandeslagos salgados artificiais , hotéis internacionais , restaurantes , bares noturnoscom musica e uma enorme estatua iluminada representando a Flor de Lótus . Voltamos de Macau encantados . É lugar que , principalmente paranós que somos descendentes de portugueses , vale a pena conhecer . CHINA : BEIJING – XIAN Dois dias depois Paula nos proporcionou grande surpresa . Beijing (Pequim ) - Nós iríamos , dentro de três dias , visitar econhecer duas cidades mais ao da norte da China . Primeiro Beijing = Pequime depois Xian . Lá se fala o “Mandarim” , que é a língua oficial chinesa . Nosul , em Hong Kong , ainda se fala o “Cantonês” , mas mandarim é oficial . Iriamos de avião e ficaríamos na casa de uma amiga de Paula ( ela ébrasileira , casada com o Vice Presidente da Souza Cruz chinesa ) . Depois ,ainda por avião , nosso destino seria Xian , onde conheceríamos os“Guerreiros de Terracota”. A surpresa não poderia ser melhor . Tratamos de arrumar uma malapara nós dois . Levaríamos roupas de inverno pois Paula informou que lá ofrio era forte . Lucca e Cora iram conosco . Mark tinha trabalho . Ficaria . O jato da “Air China’ decolou com suavidade e aterrizou da mesmaforma . Sem trancos , sem freadas bruscas . Admirei a habilidade daquelepiloto chinês . Chegamos sem problemas em outro imponente aeroporto . Na saída já encontramos uma guia profissional , contratada porPaula , um motorista e uma grande perua . Com ela fomos até a casa da amigade Paula , Ficava num maravilhoso condomínio , todo cercado de guardas eaparentando muita segurança . A casa era muito grande , decorada no estiloocidental mas com peças chinesas de grande qualidade . A sala de visitas alemde grande tinha o pé direito duplo . tudo ali era espaçoso , inclusive as 5 suitesexistentes . A casa poderia estar nos Jardins ou em Hollywood . Para entrartiravam-se os sapatos . Colocamos então sandálias chinesas .
  • 41. Os donos da casa estavam viajando , por isto fomos recebidos poruma governanta . É chinesa e não fala inglês . Tudo andou na pura mímica . Depois do almoço fomos para a cidade . Ela é imensa . Beijin deveestar com 13 milhões de habitantes . No caminho , bem como em toda cidadesó encontramos automóveis , peruas e ônibus modernos . As grandes fabricasmundiais hoje tem fabricas na China , principalmente em Shangai . Alemdelas existem umas 4 fabricas de automóveis inteiramente chinesas . As tais“Bicicletas em Quantidade” só podem ser encontradas em filmes americanos ,de propaganda contraria a China . Naquela tarde fomos visitar um Shopping onde se pode comprarautênticos móveis chineses antigos . São lindos , mas é preciso ter um técnicopara verificar a veracidade dos mesmos , apesar dos certificados fornecidos . Ao lado do Shopping você encontra grande quantidade de cópiasperfeitas dos móveis antigos . Poderá compra-los , com preços bem menores .Muitos estrangeiros os adquirem ali e depois os revendem como autênticos .Isto vem ocorrendo em todo o mundo. Naquele Shopping também é possível adquirir roupas antigas dosnobres chineses . São das mais puríssimas sedas , usadas até o começo doséculo XX apenas pelos nobres . A famosa ultima Imperatriz “Tse- Hsi”também as usava . Ela que mandava até no seu filho Imperador . As roupas são lindas e aqueles bordados , em fios finíssimos de sedacolorida , com pontos microscópicos , dificilmente não serão verdadeiros .Eram bordados feitos por mulheres que viviam na Corte Imperial só para isto .Levavam muito tempo para bordar uma única peça . Custam uma fortuna . Ainda naquela tarde fomos visitar uma fabrica que produz objetosde jade . No local vimos como se fabricam as peças e depois a imensa coleçãomaravilhosa destinada para a venda . O Jade varia quanto a qualidade . Maiordensidade na pedra inicial é melhor . Depois quanto mais verde escuro maiscaro . Suas cores variam do verde água até o preto esverdeado , passando peloverde médio , bege , marrom, vermelho e laranja . Vera comprou um pulseiraque eu gostei muito . Verde garrafa . Pagou caro . No outro dia bem cedo fomos conhecer as “Muralhas da China” .Saímos de “perua” e em 60 minutos já estávamos vendo aquela maravilhaquase indescritível . A Muralha perto de Beijin serpenteia , com sua coramarelada meio ocre , pelos cumes das altas montanhas verdes . Se você nãoparar a cabeça , para olhar fixamente , ira parecer que ela está se mexendo . Tudo ali agora está muito organizado . Você paga entrada e podeficar o tempo que quiser . Por ali não existe somente a Muralha , com seus 9
  • 42. metros de altura e mais 9 metros de largura , construída no topo de cada morroda serra . Desta forma ela fica muito mais alta . Praticamente Inexpugnável !Encontramos também Torreões de Defesa situados ao longo da Muralha . Delonge em longe Pequenos Fortes em pontos estratégicos da Muralha , comantiquíssimos e raros Canhões . Muitos mastros para muitas bandeirascoloridas , que os chineses continuam mantendo-as desfraldadas . Oespetáculo daquela paisagem fica muito bonito . Do lado de dentro ainda estão situados os alojamentos para soldadose para os oficiais . São separados . Encontramos represas com água e asestrebarias para os animais . Tudo o que vimos e de onde vimos estáperfeitamente conservado . Não é nada fácil andar longos percursos na parte de cima daMuralha , pois ela sobe e desce , acompanhando as corcovas da montanha .Para tanto existem grande quantidade de altos degraus . Imagino o que penavam os defensores chineses para correr de umlado para outro , com lanças , espadas , armaduras e tudo mais . Em 5 minutosandando por ali e eu já estava de língua prá fora. Os degraus são bem altos emeio desgastados , dificultando movimentos . Lá em cima das Muralhas os chineses modernos arrumaram tudo .Tem lanchonete , com coca-cola e cachorro quente . Tem restaurante . TemLoja de Lembranças . Tem Fotografo . Por ali alugam fantasias de Guerreiros ,de Reis e de Imperatrizes , para você ser fotografado . Não deu outra ! Tirei foto como Guerreiro , com antiga espada namão . Depois tirei foto com Vera . Eu na fantasia de Principe e ela dePrincesa. Nós recebemos na hora as fotos que nos transportavam ao passado. Notei por ali um costume bem diferente . Os noivos compram doiscadeados . Um é fechado junto com o outro , que por sua vez é trancado efechado junto a uma corrente fortemente fixada na Muralha . Depois jogam aschaves fora , diretamente para dentro das represas . Diz a lenda que enquantodurar a Muralha , de uma forma ou de outra , os noivos estarão juntos . Naquela noite fomos visitar a esposa do Presidente da Souza Cruzchinesa . Se não me engano seu nome é Marilia . Primeiro fomos a sua casa .Também fica em um outro condomínio. A casa é ainda maior , bem decoradae maravilhosa . A dona é elegante e brasileira . Nos recebeu com um coquetel . Foimuito simpática . Ela fala chinês . É amiga de Paula desde Singapura . Depois , como eu era o único homem , convidei-as para jantar . Asugestão foi “pizza” ( achei ótimo) . Saímos e fomos então comer “pizzas” . Ocarro que nos conduziu era um Rolls Royce . Então ocorreu o seguinte : -
  • 43. “Lá são muito caras as tais “pizzas” , pois só são feitas e servidas em umrestaurante chiquérrimo italiano , utilizado pelos milionários estrangeiros deBeijing . O vinho “chianti italiano” idem ! Dancei ...” No outro dia fomos ao “ Templo do Céu” construído em 1.400 . Emsua volta existe um grande parque onde velhos e aposentados se distraemfazendo mil coisas : pintam , declamam , dançam , cantam , conversam ,fazem ginastica e jogam um tipo de tênis chinês, onde a bola é mole e nãopula . Vera jogou com um senhor . Gostou . Depois comprou raquetes e bola . Uma das coisas mais bonitas de Beijing é a “Cidade Proibida” .Chegamos lá em uma manhã gelada e nebulosa . Antes de irmos para lá Luccanão quis comer nada , nem tomou remédio , nem banho . Quando chegamos na “ Praça da Paz Celestial” , por onde sechega na “Cidade Proibida”, o frio era imenso e caia uma garoa gelada .Lucca ficou gelado . Mudou de comportamento : Foi jurando que tomavabanho , depois o remédio e depois comeria tudo . Queria ir para casa pois diziaque o frio doía e se sentia muito gelado . Paula não teve dúvidas : Chamou ocarro e ordenou que Cora o levasse para casa . ( Cora depois contou que elefez tudo bem quietinho ). Sem ele fomos até o centro da “Praça da Paz Celestial” , onde estavaposicionada uma Gigantesca Bandeira Chinesa- Vermelho Vivo com as 5estrelas - fixada em um altíssimo mastro . Em cada um dos seus 4 lados ,efetuando guarda , um Oficial . Vestiam impecáveis fardas verdes , comdetalhes brancos e dourados . As luvas também eram brancas . Estavam muitobem vestidos , elegantes até nos detalhes . . Do outro lado daquela imensa praça – a maior do mundo- podia sever um muro enorme e comprido, na cor laranja avermelhado , onde existiaum grande Portal . Era ali a entrada para a “Cidade Proibida” . Ao seu ladoum imenso retrato de Mao Tse Tung . Não estava mais ali como político mascomo o Patriarca da consolidação total da China como uma só nação . Junto a entrada “Dois Grandes Dragões de bronze fundido” . Um erao Macho , e sob sua pata direita estava um globo simbolizando o mundo . Ooutro era a Fêmea e junto da pata esquerda um menino que simbolizava onascimento do homem . Todos que entravam passavam a mão nos dragões . A Cidade Proibida tem aproximadamente 550 anos . Era assimchamada pois ali só entravam os imperadores , suas mulheres e concubinascom seus filhos , os nobres e suas mulheres e filhos , os empregadosescolhidos e mais chegados , pois eram muito considerados . Entravamtambém os generais e comandantes , com seus principais soldados . Alguém
  • 44. do povo , comerciante , artesão ou artista que entrasse sem consentimento doImperados era automaticamente executado . Para que se tenha idéia de seu tamanho : Lá dentro ,onde estão suasconstruções , em sua área cercada ,caberiam com folga todos os grandescastelos da Europa . A Cidade Proibida tem muitos e muitos alqueires deextensão . Ela é toda construída em estilo característico imperial chinês ,sempre com imensos telhados de quatro águas , com um , dois ou três andaresno máximo . As paredes variam em tons que vão do laranja mais claro até overmelho escuro . Isto forma uma composição homogênea e bonita que não écansativa , pois os detalhes de terraços , das portas , colunas de madeirasempre pintada em tons escuros chamam a atenção .Sempre pelo bom gosto .Por todo local encontramos mármores muito brancos . Eles quebramqualquer monotonia possível . Outro fator de harmonia são todos os telhados .São construídos com telhas brilhantes e vermelhas claras . Nas suas principais cumeeiras estão colocados sempre figuras depequenos animais como ; macacos , esquilos , galos , pavões , gatos , pássarosetc. . Eles indicam qual a quantidade de cômodos existente dentro de cadaconstrução . Do lado de fora estão colocados Imensos Vasos de Bronze ,destinados a guardar água para possíveis incêndios . O piso de toda Cidade Proibida é de pedra cinza , onde as cercas ,as pontes , as divisas e tudo o mais são unicamente feitos de mármore branco . O Palácio Imperial receberia tranqüilamente mais de mil pessoasdentro dele . Quanto mais alto a sua posição /posto , maior era o seu palácio . Ali existem inúmeros jardins . Impressionante , entretanto , é aqueledo Palácio de Verão do Imperador . Nele alem de bosques e matas , existeainda enorme lago , onde pequenos barcos navegavam . Cercado por canteiros encontra-se o Palácio de Verão . Completando aquela construção imponente existe por trás de tudoum montanha não muito alta . Foi realizada pelas mãos dos chineses paracompor a paisagem desejada . A Cidade Proibida , construída no século XIV de forma a isolar epossibilitar aos Imperadores : Total independência , tranqüilidade , força ,obstinação e determinação , perde a razão de ser no começo do século XIX .Durante todo século os Imperadores da dinastia mandchu - Dinastia Qing ,por inépcia , por excesso das coisas que enfraquecem , mais a falta de brio ede pulso firme , foram perdendo territórios da China e permitindo que paísesestrangeiros humilhassem a China, que sempre foi independente por mais de
  • 45. 30 séculos . Com isto perderam totalmente o poder de mando . Rapidamente aRepublica vai tomar o controle. Os imperadores e sua Corte irão desaparecer . Xian – Saímos no outro dia , por avião , para a antiga capital daChina . Xian teve este destaque pelo período de 10 séculos . Por ali passarammais de onze dinastias . A cidade tem 3.000 anos . Tendo sua capital em Xian , o imperador Chi Huang Ti , em 256AC., derrota os hunos e tártaros . Depois seus rivais chineses . Assim iráconsolidar o seu Império e destruir definitivamente os feudos queenfraqueciam a China . Vai em seguida unificar todos os Exércitos , criar Moeda Única eConsolidar as Leis . Então toma a decisão de construir a Muralha da China .Ela inicialmente é realizada mediante a união , ligação e fechamento dasmuralhas que já existiam em torno das cidades do norte . Depois determinaque a muralha atravessará todo norte da China . Começará no litoral e seguiráaté alcançar o Deserto de Gobi . Assim deixará separado os invasores do norte. Para seu intento Chi Huang Ti convoca seu exercito de meio milhãode homens . Indica como principais operários os prisioneiros de guerra , oscondenados pela justiça e os seus inimigos pessoais . Sentindo que o peso da idade vem chegando , um pouco antes dotermino da Primeira Parte da Construção da Muralha , escolhe um local , dáinicio e termina a construção de seu Mausoléu . Ali será efetivamenteenterrado . Morre antes do termino da Muralha da China . Entretanto , muito mais impressionante que seu Mausoléu , será“Sua Guarda de Honra”” . Ela é idealizada e concretizada , sendo compostapor milhares de “Guerreiros” , que não serão vivos . Serão de “Terracota” Eles , durante 22 séculos ficaram de Guarda, ao seu lado , emposição de atenção . O detalhe importante é que nenhum Guerreiro é parecidocom os demais . Seus rostos , seus penteados e cabelos , seus bigodes , suasposições e seus cavalos não são idênticos . As fardas também apresentamalgumas diferenças , principalmente entre soldados e oficiais . Ficaram enterrados durante todos aqueles séculos e foramdescobertos por acaso , quando na região tentavam perfurar poços de água .Junto deles foram encontrados armamentos , causando admiração espadas deaço , com o fio da lamina coberto com uma liga de aço- cromo . Hoje no local existe uma “Fazenda Museu”. As estatuas jádesenterradas , em numero de 7.000 , ali estão . Outras milhares ainda podemcontinuar enterradas . La ficarão pois logo que chegam a atmosfera perdem
  • 46. rapidamente sua cor que foi fixada por gema de ovos . . Estão agoraestudando um conservante para manter as cores originais . No local também encontramos : Loja de Lembranças e CinemaCircular , com tela circular . Esta tela obriga o espectador ficar em seu centropara assistir filmes sobre a história dos Guerreiros . A sensação é muito maisrealista que em outros cinemas . Você fica cercada pelo que está acontecendo . Os “Guerreiros de Terracota” são hoje considerados como uma dasMaravilhas do Mundo Antigo . Desde 1997 o local onde eles se encontram étombado e considerado “Patrimônio da Humanidade” . Xian é hoje uma cidade moderna , com grandes edifícios , hotéisinternacionais , largas avenidas e ruas , muitas praças com bosques e flores ,cercada por antiga e perfeita muralha . Ela foi construída com pedras pequenasescuras perfeitamente cortadas . Esta Muralha é muito mais bonita que aMuralha da China . Na cidade de Xian ainda encontramos a “Grande Pagoda” e o“Museu dos Caracteres Chineses” . Ali , neste último , encontramos “estelasde pedra” , com os primeiros caracteres básicos chineses , alguns , segundoinformações dos atendentes do Museu , foram realmente idealizados porConfúcio e Lao Tze . Na saída perguntei ao nosso guia chinês por que existia tanto espaçoem volta do Museu . Ele alegremente respondeu : “ Como vocês dizem , os chineses gostam de copiar as coisas boas .Assim aquele espaço está reservado para realizarmos e implantarmos as outras“ Sete Maravilhas do Mundo Antigo” . Saiu dando risadas ... Outras viagens com Vera Lucia P.S. - _ Desde 2002 fomos por muitos lugares , tanto na Europacomo na Ásia , tendo quase sempre Vera como companheira . Lembro que rodamos muito na Europa. Mais um vez estivemos naFrança . depois na Bélgica, Holanda , Alemanha , Republica Theca , Hungriae Itália . Depois fomos varias vezes visitar Paula em Singapura . Dalisempre é fácil viajar para outros países asiáticos .Assim , em cada viagem,fomos conhecendo a Malásia, a Ilha de Rawa , Turquia , Japão , Indonésia eo Cambódia . Paula continua nos convidando
  • 47. INTERMEZZO – ALEGRIAS E TRISTEZAS Edu MarcondesAmigos que Não Mais Aparecem – Os Que se Foram Para Sempre : LuizVicente de Sylos – Luis Carlos Junqueira Franco – Silvio Abreu Jr. –Caio Kiehl : 7 tiros + Leptoespirose - Boa Gente –- Amizades de Famíliacom Longo Prazo - Um Tiro da Nuca - AMIGOS QUE NÃO MAIS APARECEM Primeiro vou falar sobre o Paulistano : Durante os anos 70 e mesmo até a metade dos 80 não foi possívelfreqüentar o clube , com a mesma assiduidade que freqüentava anteriormente.Havia aumentado a intensidade de meu trabalho nos bancos que dirigia . Também perdia oportunidade de encontrar amigos pois , grandeparte das vezes eu podia chegar ao Paulistano , ia com minhas filhas emhorários matinais , bem cedo . Elas iam fazer ginastica olímpica ou nadar . Os amigos chegavam bem mais tarde Sem que imediatamente eu pudesse perceber, mas com o tempo fuireparando , lentamente, bem lentamente , que muitos dos antigos amigos jánão mais apareciam no Paulistano . Em compensação sentia a entrada cadavez em numero maior de inúmeros sócios novos . Cada dia eu via mais uma cara nova , tanto masculina comofeminina . O volume dos sócios crescia rapidamente . Cada dia tinha maisgente no club . Somente fui perceber que o perfil dos sócios haviainteiramente mudado quando voltei a participar quase que diariamente dascoisas do Paulistano . As caras novas para mim tomaram conta de todas asáreas . Isto depois de 1.980 . Evidentemente , apesar das novas amizades que eu comecei adesfrutar , sentia também falta dos antigos amigos. Comecei a anotarmentalmente aqueles que não mais chegavam ao CAP . Tentava saber das suas razões .: -1) Sérgio D’Avila casou com Marina Fóz, sócia do Harmonia.Mudou de clube ; -2). O mesmo aconteceu com seu irmão Aluísio D’Avila , com oamigo Alberto Botti e com Roberto Bratke . Casaram e mudaram de clube . -3) Luiz Carlos Pannunzio casou e mudou – se para Brasília . -4) José Henrique Cardia Galrão foi para a Fazenda de Agudos . -5) Sérgio Guastini se tornou Juiz de Direito e foi para o interior . 6) Os Dacacche casaram e pouco a pouco desapareceram .
  • 48. 7) Arnaldo Gasparian de vez em quando aparecia . Hoje vemmuito pouco. Falou que não vem mais pois como não conhece quase ninguém. -8) Didi Guidotti construiu um hotel no litoral norte e vive por lá . -9)Seu irmão Adriano desapareceu . Nem é mais sócio ; -10) Belmiro Dias sumiu . - 11) O mesmo aconteceu com Maurício Soriano -11) Otto Bendix casou com a ex mulher do falecido cômico Zelonie se escondeu nas beiradas rurais da Grande São Paulo . 12-) Chico Galvão e Mário Sérgio onde estarão agora ? 13-) Os Papas – Marcio e Zizínho sumiram . 14-) O mesmo acontece com Gile Lunardelli e com PaulinhoSaldanha da Gama . Acho que não gostam mais de vir ao Paulistano 15-) Vico Paes de Barros e Fredy Assumpção sumiramdefinitivamente... outro dia soube que morreram . Confesso que chorei . 16-) Todos os Levi – Fernado , Eduardo . Luiz Carlos e outrosparentes não mais aparecem no Paulistano . 17-)Candido Cavalcanti morreu . 18-)João Campos morreu , 19-)Cesar Affonseca morreu .Como eles muitos outros morreram . Quem ainda aparece de vez em quando é o Sérgio Caiubi Novaes .As vezes almoçamos juntos . Contudo são poucas vezes . Encontro ainda , esporadicamente , os amigos que nadavam comigona antiga piscina : - Eugênio Amaral , José Ayres Neto e o Léo Berman . Estive por algum tempo com o querido amigo Adir Vilella , hojeem dia morando em São Lourenço/ MG . – Figura muito difícil ficou o Carlos Roberto “China” Mattos .Aparece muito pouco , apesar de ser um amigo querido e bem antigo . Realmente sinto a falta dos bate papos com os velhos amigos. OPaulistano fica diferente , sem a Turma do Paulistano . - AMIGOS QUE SE FORAM PARA SEMPRE II - Entretanto , pior que não encontrar mais antigos e queridosamigos era perder definitivamente amigos mais chegados . Aqueles que eram“os amigos do peito” . Aqueles que foram criados com a gente . Aqueles queestavam conosco a toda hora . Aqueles companheiros de viagens e de lutas .Aqueles que muitas vezes chamávamos de “irmãos”. Aqueles que o tempolevou e por isto não voltam mais . Aqueles que não esquecemos .
  • 49. Antes de 1985 já havíamos perdido o Silvio “Careca” Abreu e oLuiz Fernando “Vovô” Ribeiro da Silva . O primeiro de câncer e o segundoem um assalto . Foi muita tristeza . Depois se foram Pedro Padilha , Paulo Ribeiro , “Kico”Campassi , Antônio Duva , “Veludo” Pompeo , Caio Pompeo de Toledo ,“Jujuba” Moreira da Costa , Helinho Fuganti e Zequinha Almeida Prado. Roberto Claro , Sergio Machado de Lucca , Kiko Campassi , Claudio“Ratão” Fagundes , Sergio e Carlos Dacache . Até 1995 foram muitos osamigos que perdemos repentinamente em muito pouco tempo. . Quase sempre esquecemos que as coisas podem se repetir , nãoidenticamente , mas se repetem . Revendo esta relação , agora em 2011 , temos mais amigos que seforam para além . Fernando Botelho de Miranda – o “Mirandinha” eAntonio Rabello. Depois o Acácio Geléia Mancio e Tozinho Lara Campos Outros Mais que se Foram Luiz Vicente de Sylos - Também foi embora muito cedo . Nãotinha mais do que 50 anos de idade . Teve “Esquemia Cerebral” e faleceu . Por conta de uma sua empregada seu falecimento virou , no meiode muita tristeza , um fato meio cômico . Ditinha , a tal empregada , com suasanta ignorancia , ouviu o “Galo Cantar” e não sabia onde . Então , “confundindo Jesus com Genésio” e “Isquemia ” com “UsQui Mia” , acabou dizendo para todo mundo que o Vicente tinha falecido de“Gato Na Cabeça” . Afirmava que Us Que Mia é gato ! Cerebral é na cabeça .Concluiu isto pela relação fonética do que ouviu . Santa ignorância . Luiz Carlos Junqueira Franco - Não faleceu muito tempo depois . Sua vida cheia alegria , mas com muita seriedade e trabalho,subitamente foi ficando atrapalhada . Desquitou-se da esposa . Foi morar emum sitio comprado no Embú . Arranjou uma namorada que foi viver com ele . Então veio o “Plano Collor” . Justamente no momento em que elereformava suas três lanchonetes . Com a falta do dinheiro que aquele PlanoCollor trouxe , e com os muitos compromissos , ficou impossível quitartantas obrigações financeiras . Junqueira foi obrigado fechar as Lanchonetes ,pois não queria deixar de pagar ninguém . Duas foram entregues em “dação depagamento” . Ele era extremamente honesto em tudo que fazia . Sentiu o golpe . Sentiu mais ainda quando a namorada foi embora .
  • 50. Finalmente quando tentou vender o sitio verificou que adocumentação não era perfeita .Muitos problemas apareceram . Então ficousem recursos . Voltou e foi morar com a mãe em São Paulo . Aquele amigo que vivia fazendo piadas , mesmo quando tomou umtiro no pé , em uma briga com uns cafajestes que invadiram uma festa doHarmonia ( “ Ele dizia então que seu chulé ficaria saindo pelo buraco que abala fez no sapato” ) . Agora estava triste . Muito triste mesmo ! Sentia-se abatido . Estava muito difícil levantar seu animo . Pormais que eu tentasse . Por mais que tentássemos . Perdeu aquela alegria deviver e de contar seus “causus e histórinhas”. Junqueira se suicidou . Chorei muito , principalmente em sua missade sétimo dia , quando tocaram aquela musica : “ Amigo é coisa prá seguardar ...bem no fundo do peito ... Caio Kiehl chorava de meu lado . Silvinho “Careca”Abreu brincava com mil coisas . Vivia dizendo que na “Próxima Encarnação” queria voltar como “Taturana” , pois ela é um bicho que vive elegante , de casaco de peles , só comendo “brotos” e andando todos dias com “galhos” . E quem mexeu com a Taturana ´tá queimado ! Dizia ainda que Taturana não morre ... vira Borboleta ! Então iria virar “Borboleta , porem Macho” , e assim seria um turista de luxo , voando por ai , sem precisar de passaporte . Poderia sair beijando todas as flores . Sem problemas ... “ MAIS BOA GENTE QUE SE FOI ... III – Quem sempre mostrava muita amizade para comigo era Albano de Souza Azeredo . Foi muitas vezes meu parceiro para um joguinho de “tranca”. Outras vezes eu jogava com o Alcides Procópio , Luiz Taliberti , Claudio “Ratão” Fagundes . Eram muitos os bons parceiros que tínhamos então : Emil Issa , Dr. Quadros e Armando Vieira . Gostava de freqüentar a casa do Vilella e da Célia . Ali sempre o papo era bom . Alem do mais jogava Gamão com o amigo ... estes não faleceram , mas se mudaram para bem longe . Quase não os vejo mais . As vezes tomava uns drinques com George Gugelmas e Godofredo Viana , lá no bar do primeiro andar . Eles se foram Assim eu ficava um pouco mais com amigos Quem também muito me convidava para um bom papo e tomar uma cerveja era o parente Rubens Limongi França . Um dia eu e Vera apresentamos para ele uma loira amiga . Chamava-se Evelina . Era o tipo de
  • 51. mulher que ele adorava . Alta , clara , com bonitas pernas , cadeiruda,inteligente , educada e de boa família . Morava no Morumbi . Ele ficouencantado . Começaram sair e pouco tempo depois estavam juntos , em todoslugares e viajando para fora do Brasil . Juntos em todo tempo . Um dia foram para a Fazenda que ele possuía em Guaratinguetá .Estavam passando um feriado prolongado ligado em um fim de semana . Rubens , não se sabe porque , comeu um pedaço de queijo velho queencontrou na geladeira . Não deu outra . Começou uma forte desinteria quenão passou com remédios de farmácia . Evelina queria vir com ele para SãoPaulo . Ele disse que se não melhorasse viria no outro dia . Foi tarde . Ele entrou em desidratação profunda . Quando chegou emSão Paulo foi direto para uma UTI . Não durou muito . Seu velório foi realizado na Faculdade de Direito do Largo do SãoFrancisco . Senti muito a perda do amigo . CAIO KIEHL : SETE TIROS / SETE VIDAS + LEPTOESPIROSE As coisas realmente acontecem quando não deviam ,principalmente quando não esperamos por elas . E muitas vezes feremprofundamente nossa alma , sem dó nem piedade . Basta andar distraído . “O homem põe e Deus dispõe”. Caio Kiehl morava no Condomínio Baronesa de Ararí , no bloco deluxo , onde os apartamentos possuem três suítes . Vivia reclamando com ozelador , em razão do barulho que uma prensa de lixo fazia durante amadrugada , não deixando ninguem dormir . A queixa era geral . Uma noite de Sexta Feira , lá pelas 23 horas , a tal prensa recomeçoua perturbar . Caio não esperou mais nada e foi reclamar pessoalmente com otal Zelador . Quando chegou ao porão não teve tempo de abrir a boca . O talZelador disse que ele não iria “reclamar mais nunca” . E disparou sete vezescom uma pistola automática . Foram 7 tiros que o acertaram . Caio caiu . OZelador achando que ele tinha morrido fugiu . Primeiro do prédio , depois para o nordeste . Caio que era muito resistente conseguiu se arrastar até a rua . Foiassistido por passantes que o levaram para o Hospital das Clinicas . Logo anoticia chegou para nós que estávamos ainda jogando no Paulistano naquelamadrugada . Corri para as Clínicas com o Antônio Rabello e o Claudio “Ratão” .Não foi possível ver Caio . Estava sendo operado . No outro dia voltou paranova operação , pois descobriram uma outra bala que perfurara seu pulmão .A maioria das balas atingira seu abdome . Só uma passou do abdome para opulmão , furando a pleura .
  • 52. Dias depois Caio teve infeção gasosa , aquela que já matou muita gente . Ele resistiu . Durante três meses ficou nas Clinicas . A turma do Paulistano lá ia diariamente . Ele tinha necessidade de andar , para acelerar a cura . Depois disto se recuperou e saiu , praticamente sem seqüelas . Realmente ele era muito forte . Tinha “mil horas de brigas ao meu lado ” com todo tipo de gente : - pilantras , malandros , “falsos seguranças” e porteiros de boate. Eles podiam ser grandes e fortes . Não interessava . Defendia sempre seu direito . Era difícil de ser derrubado . Sofrera naufrágio comigo e ficara horas dentro do mar bravo durantea madrugada . Dirigia aquele carro com o qual capotamos na estrada deCampos do Jordão , o qual virou sucata . Era difícil de ser atingido , porem um dia aconteceu . Na forma que ninguem poderia imaginar , porem foi atingido . Pelo destino ? ... O que aconteceu foi o seguinte : O prédio de apartamentos onde ele morava foi interditado durante um tempo. Precisava de reformas em sua estrutura geral . Caio foi morar inicialmente com a irmã Celina . Não deu certo . Então em uma Segunda Feira , depois de passar um dia na fazenda do Antônio Carlos Peres de Oliveira , foi até Indaiatuba onde estava reformando um Armazém/Depósito de sua propriedade . Lá dormiu e lá pegou uma doença estranha , pois dias depois sentia-se fraco , com diarréia . Muito fraco se sentia . Telefonou no Sábado para a casa do Sérgio , onde estávamos almoçando , informando que se sentia mal , inclusive com forte disenteria . Não desejou que fossemos busca-lo . Disse que viria sozinho para São Paulo. Assim aconteceu . Naquele mesmo sábado levamos Caio até o Paulistano . Ele estava de encontro marcado com seu amigo Prof. Jairo Ramos. Ele o examinou ainda no vestiário do club . Receitou um remédio informando que não seria o definitivo . Deixou claro que na Segunda Feira Caio deveria procurar seu assistente para novos exames , pois ele estaria viajando ainda aquela noite para o exterior . No dia marcado Caio foi até o assistente do professor . O remédio que tomou “mascarou sua doença grave” . Como chegou sentido-se melhor não foi solicitado nenhum outro exame. Apenas recomendado a continuidade do remédio inicialmente prescrito . O erro ali aconteceu . Na Quinta Feira Caio estava muito mal . Como teríamos eleições no Paulistano ele , que era Conselheiro do CAP , foi até lá para escolher comigo
  • 53. os candidatos em que votaríamos . Entretanto , a cada instante corria para obanheiro com disenteria . Falei que não poderia continuar assim . Caiocontou que daí a pouco sua filha Nana viria busca-lo para leva-lo paraexames no hospital da Faculdade Paulista de Medicina . Lá ficaria internado até saber o que tinha . Na Sexta Feira tentei visitá-lo no hospital . Então fui informado queele estava na UTI - com “Leptoespirose” . Em estado gravíssimo . Achavam difícil sua recuperação . Nem acreditei . Porem , faleceu na madrugada daquele Sábado Seu enterro saiu do Velório da Beneficência Portuguesa . Ricardo Cavalcanti me ajudou , quando terminava de vesti-lo ,acertando o colarinho e o laço da sua gravata . Depois daquele enterro fiquei pensando por muitas horas . “Gato só tem sete vidas. Para o Caio sete balas . Depois...” AMIZADES DE FAMILIA / DE LONGA DATA . VI - Caio Kiehl , Luiz Carlos Junqueira e Vicente de Sylos nãoeram apenas simplesmente meus amigos . Também não eram aqueles amigosque encontramos por acaso . As amizades vinham das nossas famílias . De longo tempo . Éramosmuito mais que amigos . Eles viveram anos dentro de minha casa e eu dentrode suas casas com suas famílias . Éramos na realidade irmãos de vida . Nãode sangue mas de todas as horas . O que é muito mais importante . E nuncatínhamos desavenças . Nunca . Podíamos as vezes estarmos distantes masisto não mudava nada . Havia entre nós um relacionamento que vinha mesmo de longe . 1) - O pai do Caio , Dr. Marcelo , fora colega de meu pai no Ginásiodo Estado . Caio era meu padrinho de casamento , como eu era padrinho deseu casamento . Éramos na realidade compadres ; 2) - O pai do Junqueira , Sr. Samuel , tinha obturações dentáriasfeitas em ouro , ainda realizadas em Ribeirão Preto por meu avô materno -Carlos Américo Brandão . Isto aconteceu quando sr. Samuel ainda era moço .As duas irmãs do Luiz Carlos foram colegas de minha irmã desde o ColégioSion . Eram amigas . Estávamos sempre juntos em família . 3) - O pai de Vicente , Dr. Honório de Sylos , conhecia meu paidesde o tempo em que eram moços . Trabalharam juntos para o governo doEstado . Sua esposa , dona Lilia , era amiga de minha mãe . Ele era meupadrinho . Vicente , que sempre esperou pela herança do avô mas que nuncarecebeu nada pois morreu , era padrinho de minha filha Paula . Lina sua
  • 54. irmã era amiga de minha irmã Marisa . Nossas casas eram localizadas noJardim Paulista, em São Paulo . Em S. Vicente também estavam perto . Nossas vidas estavam bem entrelaçadas desde muito tempo . Agora eu estava sozinho . Perdera todos meus amigos irmãos . Senti no dia do enterro do Caio um enorme frio dentro de mim . Não sabia naquele momento por que . Ficou então um grande vazio . Parecia que faltava alguma coisa . Ainda parece . Sinto ! -UM TIRO NA NUCA Havia vendido meu carro e comprado as coisas fundamentais paraacabar de montar meu escritório de Advocacia e Administradora . Como recebi uma parte da venda do carro em dólares , deveriatrocar US$ 1.100 . Eles iriam ficar aplicados. No outro dia falei com o amigo George Guguelmas . Ele trabalhava com Câmbio . Então ficou combinado que eu levariaos dólares para o Paulistano e lá faríamos a troca . Cambio do dia . Só esquecemos de um detalhe . No outro dia seria Domingo , sempossibilidade de cambio , nem troca de dólares . Sem lembrar do fato , no Domingo , depois do almoço com meuspais , coloquei os dólares dentro de uma pasta de couro , pois as notas erammuitas , quase todas de 5 (cinco) dólares . O volume não era pequeno . Fuipara o Paulistano . Quando encontrei George e mostrei o dinheiro ele deu risada . Foime lembrando que era Domingo , sem cambio possível . Marcamos umalmoço para o dia seguinte na própria casa do George . Iriamos então concretizar a troca . Fomos para o salão de jogos . Deixei a pasta devidamente guardadacom o gerente do salão e fui jogar “tranca” . Nosso jogo seguiu até as 22 , 30horas. Então pequei novamente a pasta e desci . Fui procurar um taxi para irpara casa . Normalmente eles estavam na porta do club esperando clientes . Naquele dia não tinha nenhum. Esperei algum tempo . Como não chegavam resolvi ir até aAvenida Brasil , pois por ali passavam muitos taxis . Quando estava chegando na esquina da Avenida Brasil , vindo pelaescura Rua México , parou de meu lado um carro Monza . Até hoje não sei seera preto ou azul marinho . Saíram de dentro três fulanos . Como estavaescuro mal dava para ver suas caras . Um deles tinha camisa branca e outrocamisa azul . Vieram direto para mim com cacetes na mão . Não falaram que
  • 55. era assalto ! Não pediram a pasta ou a carteira ! Partiram para cima de mim .Senti que queriam bater , ou mesmo matar . Um outro assaltante , que eu não tinha visto e nem sabia de ondetinha vindo , chegou por trás e agarrou meu pescoço . Ainda tive tempo degirar aquele cara por cima do meu ombro e o joguei no chão . Os outros jáhaviam chegado junto . Lembro tomei muita pancada mas que também deimuita pancada naqueles sujeitos . Isto durou algum tempo . Derrepente eu estava caído de cara no chão , com três em cima demim . Então um deles encostou um revolver em minha nuca e foi dizendo : - “ O heroizinho vai morrer agora”. Só escutei o barulho forte do tiro ... Então me vi em um túnel com muita luz branca que girava em voltade mim . Aquilo não durou muito tempo . Tudo ficou definitivamente escuro pouco depois . Devo ter ficado mais de meia hora desacordado e caído perto daesquina da Avenida Brasil . Quando estava acordando , me sentia flutuando .Parecia que olhava meu corpo de cima . Parecia que eu flutuava . Pensei que ia sair dali e deixar meu corpo no chão ! Depois quando realmente tomei os sentidos a primeira coisa que vifoi o relógio da igreja Nossa Senhora do Brasil . Ele marcava 23,15. Neste período ninguém parou para ver o que tinha acontecido. Apesar de um tanto escuro , graças ao lampião da esquina ,encontrei do meu lado a minha pasta de couro , aberta e suja de sangue .Também o sapato que sairá de meu pé esquerdo . O dinheiro na pasta e meu relógio Piaget sumiram . Sumiu aindaum jogo de canetas Montblanc que estava dentro da pasta . Fiquei algum tempo na esquina da Brasil pedindo socorro . Ninguém parava para um sujeito todo rasgado e sujo de sangue . Finalmente um casal de jovens que vinha num carrinho velho mesocorreu . Fui levado para o Hospital das Clinicas . Foram gentis e humanos .Ficaram comigo até o fim . Quando cheguei e disse para o médico que tinha levado um tiro nanuca . Ele deu risada . Foi dizendo que devia ser uma paulada que eu tomara,pois tiro na nuca mata mesmo . Só mudou de idéia quando começaram rasparos cabelos de minha nuca para fazer curativo . Então verificaram eencontraram toda aquela pólvora em torno da ferida . Foi um corre ... corre ! Chegaram mais médicos , marcaram Salapara Cirurgia , pegaram minha caderneta de endereços e ligaram para
  • 56. alguém que poderia dar autorização para cirurgia na cabeça . Tiraram muitasradiografias e tomografias computarizadas . Depois de algum tempo os médicos se reuniram em grupo ecomeçaram a dar risadas . Um deles chegou e disse , mostrando umaradiografia : “ A bala não entrou ! Ela , pelo tamanho , deve ser ou é docalibre 38 . Ficou inteiramente amassada junto a parede externa do crânio.Por enquanto você está fora de perigo ! Não vai ser preciso operar ”. Começaram a suturar o ferimento e foram falando que eu dera muitasorte . Depois disseram que eu deveria voltar dentro de dois dias , para vercomo estava o ferimento . Que eu deveria tomar aquelas pílulas depenicilinas que me dariam , durante sete dias . Deveria voltar de novo . Para a dor de cabeça , que naquela altura era imensa , o remédio foi“ Lisador”. Quando estavam terminando as suturas minha irmã Marisa chegou.Com ela seu marido Zeca Leal . Logo me levaram para casa . O susto deminha mãe não foi grande pois me via andando e falando . Apenasrecomendou que eu seguisse o que o médico mandara . Não consegui dormir aquele final de noite . estourar . Alem disso eucontinuava pensando , tentava achar uma explicação para o fato ocorrido . Elas não tinham e não faziam o menor sentido . A minha única conclusão foi que ainda não era minha vez ... Pela manhã seguinte ao assalto Alexandra já estava comigo . Eu lhepedi que ligasse para o George cancelando o almoço e explicando o por que . George em seguida informou os amigos . Logo pela tarde já estavasendo visitando pelo Claudio “Ratão” Fernandes e o Luiz Gonçalves .Depois só foram muitos tefonemas . Neste meio tempo Alexandra arrumou uma cama melhor para mim Cinco dias depois fui fazer exames no IML. Depois de serexaminado e de verem as radiografias , foram informando : • Que eu tive muita sorte da bala ser calibre 38 , que é bala de impacto . Elas precisam de espaço para ganhar velocidade . Caso fosse calibre 22, 7.65 ou 9 milímetros , que são balas de perfuração , você estaria morto . • Finalizou dizendo que aquela noite a Morte estava de folga ! Mal sabiam eles dos ocorridos comigo em outras vezes . Fiquei quietinho ...
  • 57. MINHAS FILHAS , MINHA ALEGRIA , MEU ORGULHO Edu Marcondes Nascimento – Esportes e Bagunças – Coisas das Meninas – Bichos eEstudos –Coisas dos Colégios – Separação dos Pais I - As grandes alegrias que a vida me proporcionou forampouquíssimas , pois as conto nos dedos . Elas ficaram para sempre emminhas lembrança . Duas delas : Minha formatura em Direito e o dia em queterminei minha casa do Morumbi . Porem as duas maiores alegrias foram sem duvida alguma osnascimentos de minhas filhas , Paula e Alexandra . A diferença de idade entreas duas é apenas de 16 meses , A gestação de Paula foi movimentada , pois elanão parava , pulava sempre e demorou para nascer . Então deu trabalho poisveio com o cordão umbilical envolto no pescoço . Já o de Alexandra foi muitíssimo calmo , pois ela nem se mexia . Oseu médico emprestou –me um estetoscópio para que eu pudesse acompanharseu batimento cardíaco e confirmar todos os dias que ela continuava viva .Quando atingiu sete meses de gestação foi tirada uma sua radiografia((naquele tempo ainda não tínhamos ultra-som ) . Ela estava calmamente chupando o dedo . Paula fui um bebezinho elétrico , sempre querendo ver e mexer nascoisas . Alexandra foi calma . Via tudo placidamente . Paula falou muito cedo mas falava inicialmente com erros . Alexandra demorou quase 2 anos para falar . Ouvia tudo e prestavaatenção . Não gritava , nem falava como criança , nem fava errado . Somenteprestava atenção , muito quieta . Porem quando começou falar não cometiaerros , pois falava certínho e falava bastante . Destampou de vez . Foi mesmosensacional . Todos admiravam seu jeito de falar e sua pronuncia . Esportes e Bagunças II - Quando cresceram mais um pouco as duas foram ficando cheiasde vida e logo cedo demonstravam que gostavam de todos os esportes .Quando chegaram para estudar no Porto Seguro já eram esportistas . Nadavammuito bem. Paula até competia com as alemãeszinhas do colégio que eramfederadas pelo Clube Pinheiros . E levava vantagem ! Ainda jogavam voleibol e basquete . Praticavam Ginástica Olímpica no Paulistano, sendo Vice- CampeãsPaulistas , na classe Infantil , competindo pelo CAP. Naquele dia estavam muito orgulhosas e felizes .
  • 58. Paula e Alexandra sempre tiveram na infância duas companhiasquase inseparáveis . Eram suas primas Claudia e Flavia . Elas que são filhasda minha cunhada Eliane e seu marido Josino Fonseca . Praticamente Claudiaé da mesma idade de Paula e Flavia com pouco menos meses que Alexandra . Elas formavam duplas . Enquanto faziam barulho tudo bem . Oproblema é quando ficavam quietas . Sempre iria aparecer uma “arte” logodepois . Um dia Paula e Claudia entraram na banheira de Eliane . Levaramjuntas todos os cosméticos e produtos de maquiagem que encontraram .Encheram a banheira de água quente e depois foram jogando dentro tudoaquilo que separaram .Fora o batom com o qual pintaram “bocas de palhaços” Foram encontradas quando a água da banheira escorreu para fora . Coisas das Meninas III – Uma das coisas que minhas filhas mais gostavam era ir dormirna casa da vovó Zilda . Minha mãe fazia todas as comidinhas que elasgostavam e contava todas as histórias possíveis , principalmente de fadas .Chegou a fazer duas longas fantasias de fadas , costuradas com todo esmeroem cetim e “voil”. Uma cor de rosa para Paula e outra azul para Alexandra .Tenho ainda comigo foto das meninas com tais fantasias . Alem destas , nos dias de carnaval ou de festas , sempre ganhavamoutras fantasias . Tenho de confessar que ficavam lindinhas as meninas ! Quando não viajavam sempre gostavam de sair sozinhas comigo . Em um Domingo as levei ao Butantã . Quando Paula viu cobra pelaprimeira vez , perguntou para mim que bicho era aquele . Antes que pudesseresponder Alexandra foi explicando: - “ Cobra é bicho que só tem rabo”. Em um sábado a noite foram em uma Festa Caipira , com roupinhascoloridas de flanela , com pintinhas no rosto , trancinhas e chapéus de palha.Estavam duas lindas caipirinhas . Então , subitamente , Paula bateu a boca nobalanço e quebrou dois dentinhos de leite , aqueles incisivos logo na frente . Foi imediatamente comigo para o dentista que examinou ,radiografou, removeu as partes restantes dos dentes . Depois disse que nãotinha problema algum , pois os alvéolos dos dentes não foram atingidos. Na volta perguntei para Paula se os dentinhos estavam doendo . Elarespondeu : “Não sei papai . Eles ficaram lá no dentista !” Elas estavam sempre me surpreendendo com suas perguntas erespostas . Principalmente quando viajávamos em feriados ou em fins desemana . Certa vez em Campos de Jordão quis mostrar as sete cidades do Vale
  • 59. do Paraíba que são vistas , lá de cima , do Pico de Itapeva , principalmentedepois do anoitecer , pois então as cidades ficam sempre muito iluminadas . Quando lá chegamos a noite estava plena e o céu cheio de estrelas .Eu comecei mostrando aquelas centenas de estrelas . Disse que sempreestariam no céu . Então Alexandra me puxou a manga da camisa , foimostrando as cidades iluminadas do Vale do Paraíba , dizendo : “ – É ... mais tem uma porção delas que já caiu no chão . Veja aliem baixo quantas ... quantas ...” De outra feita foi Paula que me surpreendeu . Eu havia dito que“depois de amanhã” nós iríamos para o apartamento de São Vicente . Iriamospara a praia e comer uma peixada . Então ela me perguntou : “- Papai ... o ontem foi o amanhã de hoje ? Coisas no Colégio , dos Bichos e dos Estudos IV – Lembro que quando mudamos para o Morumbi elas forammatriculadas no Colégio Visconde de Porto Seguro . Alem de ser perto de casatinha ótima reputação quanto ao ensino ministrado . Elas começaram noJardim de Infância . Lá ficariam até terminar o Colegial . O ensino foi tão bom que nem fizeram “Cursinho” para entrar emvárias Faculdades , logo a seguir . Quando pequenas inicialmente eu acompanhava seus estudos . Istoocorria sempre depois do jantar . Queria ver os deveres de casa que elasdeveriam fazer . Isto durou muito pouco pois que nunca eles deixaram de serfeitos e bem feitos . Passei a confiar mais nas minhas filhas . Não gostava detomar lição pois quando erravam seguidamente eu precisava castigar . Aquilodoía no meu coração . Na casa do Morumbi fui montando , como elas queriam , umpequeno zoológico , com cachorro , gato , papagaio , um maravilhoso pássaropreto – “Pelé” – que ficava solto e vinha quando eu chamava ( infelizmente foiroubado ) . Então resolvi comprar outras aves , entre elas canárinhos . Quando cheguei com Paula na loja perguntei qual canarinho elagostaria de levar . Sua resposta : “ Aquele ali , o mais “madurinho...” V - Outra vez fui informando que quando chegasse as férias deJaneiro nós Iriamos para Angra dos Reis , pois ali eu tinha alugado uma casa .Ainda disse : - “Isto vai acontecer se Deus quiser”. Então Alexandra disse que Deus ia querer . Eu perguntei como elasabia se Deus mora no céu . Ela respondeu : “- Não Papai . Ele está aqui agora”. Retruquei : “ Como é que você sabe ?”
  • 60. Ela toda “pimpona” respondeu : - “ Deus é brasileiro ! Não é quetodos dizem a toda hora !” Naquelas férias em Angra dos Reis cheguei a comprar um lindosaveiro , pois na época eu tinha ganho uma boa gratificação de fim de ano . Porem nunca cheguei a tomar posse do mesmo . A oposição dasogra e da mulher foram tantas , com tantas ameaças de que não permitiriam aida de minhas filhas ao barco . Não tive alternativa na ocasião (Ainda nãotinha chegado a hora do Divórcio ). Fui obrigado trocar o saveiro , que era maravilhoso , com 15 metrosde comprimento e 4 cabinas , por uma casa em Ubatuba . Aquela mesma quefoi construída ao mesmo tempo cão a do Ismar Procópio de Oliveira . Do saveiro só ficaram lindas fotos . VI - As meninas cresciam e sempre precisavam de roupas . Passei aser o responsável pela aquisição das mesmas , pois não havia mais ninguém ououtro jeito . Quando podia saia com as meninas para compras . Quando nãopodia as levava para o trabalho e , no horário do almoço , deixava que o bomgosto de minhas secretárias resolvessem as compras . Durante anos foi esta solução . Fora disto tinham os presentes deminha mãe e das tias e mesmo da sogra . Foram sempre muito úteis . Por serem muito espertas por vezes também elas davam “pequenostrabalhos” perante a escola . Nada de dramas enormes e sem soluções . Um dia fui chamado pela Diretoria do Porto Seguro para resolverum pequeno problema relativo a Paula . Ela vinha interferindo negativamenteem algumas aulas . Quis saber como . Fui logo informado : “ Na aula de ciências o professor estava explicando os animais ecomeçou dizendo que as cobras botam ovos . Paula levantou o dedo e foireplicando dizendo que nem todas são “Ovíparas” , pois algumas nascemcomo pessoas . São as “Viviparas” . Não nascem de ovos” . Assim perturbou a aula e não foi a primeira vez . Anteriormente quando o professor disse que todos os mamíferos sãoiguais na forma de nascer e viver , ela informou que o “ornitorrinco nasce deovos , tem bico de pato , tem veneno e é mamífero”. Perturbou de novo ! O Diretor pedia minha participação junto a Paula , pois era ótimaaluna . Precisava segurar seus ímpetos . Quando falei com ela recebi a promessa que não mais aconteceriatais fatos . E complementou : “- Disse tudo que era a mais pura verdade”. .
  • 61. Minhas filhas continuam sendo minhas grandes alegrias . Elas foram formidáveis . Nunca repetiram nenhum ano . Entraramno Jardim de Infância do Colégio Porto Seguro e saíram quando terminaram oColegial . Saíram invictas e vencedoras . Depois foram mais alegrias . Entraram com facilidade , semfreqüentar cursínhos , diretamente nas difíceis Faculdades da Universidade deSão Paulo . Hoje estão perfeitamente formadas , sob qualquer aspecto . Paula e Alexandra estão muito bem casadas e me deram três netosmaravilhosos, Ganhei os netos mais lindos . Mia , Lorenzo e Lucca . Ganhei dois filhos e não dois genros . Minhas filhas sempre trouxeram muita felicidade . Deram para mim muito orgulho ! Hoje em dia , quase sempre estou viajando para fora para ter suascompanhias . Paula está casada com Mark Browning e vive em Singapura.Alexandra está casada com Javier Maldonado e vive em Londres . Difícil é esperar o tempo das viagens para ver meus netos e filhas .
  • 62. “ O ATAQUE DAS LAGOSTAS – NA TERRA E NO CÉU” Edu Marcondes O Jantar do BNH em Fortaleza – o Hospital O Avião que ia para o Nordeste Naquele Janeiro de 1979 , aconteceu na cidade de Fortaleza – Ceará ,a “Convenção do BNH” , reunindo todos os Diretores e Gerentes dos BancosRepassadores de seus Programas ligados a Construção Civil . Fui e participei , pois então dirigia aquelas operações para o Banco. No último dia , como de costume , foi oferecido um “Jantar deEncerramento”, promovido pelo próprio Banco Nacional de Habitação . Como sempre acontece no Nordeste , foram servidos vários pratoscom lindas e apetitosas lagostas . Foi o prato mais procurado por todos . Teve , entretanto , um grave porem ! Pelo grande volumeencomendado , parte daquelas lagostas não ficou dentro das geladeiras dohotel . Dormiram fora da geladeira . Com o calor de verão... se estragaram . ( O fato somente foi descoberto bem posteriormente ) . Pois bem ... , nem uma hora havia passado depois do tal jantar e eu jáestava sofrendo com cólicas e forte desinteria . Muito forte ! Não teve jeito . A Direção do hotel não tinha condições de atendertanta gente . Fui parar no Hospital que ficou cheio . Junto comigo estava boaparte dos convidados presentes aquele Jantar . Passei grande parte da noiteindo e voltando da privada , tomando soro nas veias e bebendo água de coco . Neste mesmo ritual via os “colegas de caganeira” dos outros bancos .No hospital acontecia então uma “Caganeira Tipicamente Bancária” ! Por fim , muito cansado , consegui dormir . Pela manhã , quando acordei , os “Colegas de Caganeira” estavammorrendo de rir . Fiquei curioso da causa de tantas risadas . Logo tomei conhecimento do por que . Aquelas risadas eram risadas de consolação , em razão da seguintetrágica - cômica história : - “ Muitos dos que viviam no Nordeste , desejando voltar mais cedopara casa , tomaram um avião da Varig , logo depois do tal jantar . O aviãosaiu lotado , com muitos bancários e alguns poucos outros passageiros . Destino : - Natal , Recife , João Pessoa , Maceió e Aracaju .
  • 63. Entretanto sérios problemas aconteceram antes da chegada na cidadede Natal . Os passageiros que estiveram no jantar do BNH foram violentamente“atacados pelas lagostas” . Elas trouxeram “vômitos , cólicas fortes econtinuadas caganeiras” . Tudo acontecendo a bordo do tal avião que tinhacomo destino as capitais do Nordeste . Então foi acontecendo : As piores cenas ocorriam em pleno vôo . Quase ao mesmo tempo osparticipantes do tal banquete começaram a ter cólicas , com forte desinteria. Então começou um verdadeiro teatro de horrores . Não existiamprivadas para todos . Eles batiam na porta dos banheiros , pediam eimploravam por uma privada . Por fim , sem solução para aquelas tremendasdores intestinais , a “caganeira coletiva” ocorria ali mesmo no corredor doavião” !!! Foram muitas . Então o tremendo mau cheiro e a sujeira tomaramconta de tudo e de todos . Mesmo quem não estava doente , ao sentir o cheirodaquela nojeira , vomitava . O vôo virou um horror ! Um pavor ! Sem solução imediata o piloto por radio pediu ambulâncias para aTorre de Comando de Natal . O Cheiro nauseabundo agora era geral . Forte.Muito forte mesmo . Intoleravel ! O avião desceu . Abriu suas portas . Então : - “O Imenso Fedor Nauseabundo abalou o mundo” . Os doentes foram levados rapidamente para vários hospitais . E o avião não mais voou aquela noite . Recebeu o apelido carinhoso de “Fedegoso”. Foi para limpeza e desinfeção . Total ! “Aquelas lagostas de Fortaleza lagostas atacaram até no céu” . Barbaridade ! ...
  • 64. MEU CASAMENTO Edu Marcondes Infelizmente é preciso dizer que ele não deu certo. A noiva era sócia do Paulistano . Meus padrinhos : Dr. Honório de Sylos e Caio Marcelo Kiehl . A cerimônia religiosa aconteceu na Igreja Nossa Senhora do Brasil . Foi noticia em todas colunas sociais dos jornais paulistanos . Tavares de Miranda publicou em sua coluna uma reportagem comvárias fotografias da cerimonia religiosa . Ocupou meia pagina . Todos os amigos e conhecidos estavam presentes . Os parentes e familiares estavam presentes . Ganhamos muitos presentes maravilhosos . Aconteceu linda festa em casa de meus pais . Todos brindaram meu casamento . Mas meu casamento não deu certo . Existiram mil “porquês” ! Porem ... , dele dois resultados são muito importantes . Deste casamento surgiram , por graças de Deus, duas maravilhosasmeninas , Paula e Alexandra . Elas que sempre me deram muita alegria , queestudaram , que cresceram , que ficaram lindas , que se formaram na USP - amelhor Universidade de São Paulo . Elas que depois se casaram . Então eu ganhei três maravilhosos netos : Lucca , Lorenzo e Mia Francis . Elas que sempre me apoiam Elas que sempre me convidam Elas . Uma Imensa Felicidade ! Foi o que valeu . É o que vale até hoje . Sempre . . Edu Marcondes
  • 65. TRABALHO , MUITO TRABALHO Edu MarcondesNo Governo do Estado – Nas Empresas Privadas – No Mercado deCapitais – Em Advocacia / Administração de Empresas Foi no final de 1.951 que comecei trabalhar . Só foi possível pararmais de meio século depois . Para ser bem preciso só parei após cinqüenta ecinco ( 55 ) anos , precisamente em Dezembro de 2.006 . Neste capitulo vou relatar sinteticamente os trabalhos que realizeidurante todo este tempo . Seria facilmente possível escrever um longo livro arespeito , tantos foram os esforços, os fatos , as coisas boas e más , as políticasenfrentadas, os bons e maus dirigentes , a variação dos momentos econômicos,a qualidade das pessoas , os poderosos e os fracos , os bons resultadosalcançados , as tristezas e alegrias que foram obtidas neste período . Lembro que a partir de 1970 não foi possível ir todo dia aoPaulistano . Saia cedo e voltava depois das 8 horas . Depois fui obrigado atrabalhar parte do tempo em São Paulo , parte do tempo no Rio. Vou por isto mesmo , pois não pretendo ser cansativo , relatarapenas onde trabalhei e os seus resultados obtidos . Sem muitos detalhes .Quem não gostar de saber pode pular este capitulo . Acho que ele é aborrecido, antes de mais nada .Assim sendo , primeiramente vou relatar os trabalhosrealizados para : A- GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO :A- De 1951 até 1955 –Auxiliar –Secretaria do Trabalho , Industria e ComércioB- De 1956 até 1960 – Pesquisador – Departamento Estatística do Estado /SPC-De 1960 até 1962 –Advogado – Serviço de Assistência Jurídica ao Trabalhador – Secretária do Trabalho / SP ;D- De 1962 até 1965 –Assessor Jurídico dos Secretários do Trabalho/SP : - Deputado Antonio Morimoto ( 1962/63/64) - Deputado Benedito Matarazzo (1965/66 );E- Em 1966 ( até Agosto) – Advogado – IPEM- Instituto de Pesos e Medidas . Durante este período os meus salários não foram muito elevadosmas graças a eles foi possível pagar meus estudos , tanto em Direito como emAdministração de Empresas . Em paralelo ganhava comissões com vendas deprodutos metalúrgicos para a Labormetal .
  • 66. B- EMPRESAS PRIVADAS INDUSTRIAIS ONDE TRABALHEI I- Lambretta do Brasil ( Jan./1964 a Jan./1965)- Estagio de UMANO em Administração de Empresas – Area de Promoção e Publicidade .Estava terminando administração na Getulio Vargas . II- Industrias Paramount ( Jan.65 a Jul.69 ) - Fui para aParamount , ocupando o cargo de Gerente Geral de Marketing . Depoisacumulei o cargo de Diretor de Marketing e Produção Industrial A empresa Paramount tinha dois centros operacionais . O Desafio Profissional : Problemas existentes A-) Estoque de 305.000 metros de tecidos acabados , praticamente sem vendas ( cores e padrões não agradaram – fora do mercado ) ; B-) Existiam 420.000 metros de tecido cru que necessitava deacabamentos para posterior venda . O total de tecido parado e sem vendaatingia 725.000 metros ; C-) A Produção da Tecelagem estava quase completamente parada .Não adiantava produzir , somente para aumentar estoques , sem venda ; D-) Todo Acabamento – Tinturaria e Estamparia – tambémcontinuava parado . Não adiantava acabar tecidos sem perspectivas de venda ; E-) Existia pouca motivação em todos setores da empresa ; F-) O “lay-out” de todo acabamento de tecidos não era racional . Resultado : Todos estoques foram vendidos e começamos novoprograma de produção . Aumento crescente de faturamento . . Ganhei ótimagratificação . Com ela comprei um terreno no Morumbi . C- EMPRESAS DO MERCADO DE CAPITAIS (Jul/69 aDez/ 95 ) Através de meu concunhado Josino Fonseca conheci o Presidente – Prof.Roberto Campos e o Superintendente do Investbanco – Galileu José deCastro –. Eles precisavam de Pesquisas de Mercado e da Implantação dosManuais de Produtos Possiveis . Tanto para operar como para darconhecimento aos clientes potenciais . Recebi convite para este trabalho comoassessor do Superintendente : Galileu Jose de Castro . Aceitei . III- Investbanco – ( Jul/69 a Dez/70 ) - Foi criado pelo Prof.Roberto Campos , depois que ele deixou de ser Ministro . Em pouco tempo omercado de investimentos , praticamente pouco atraente até então , muitocresceu operando em Ações , em Títulos de Renda Fixa , e ainda com Carteirade Financiamentos Próprios ou de baixos custos com RecursosGovernamentais destinados para todas as empresas brasileiras . O seu sucesso virou rapidamente bola de neve .
  • 67. Em assim sendo as Bolsas de Valores , tanto do Rio como de SãoPaulo , muito cresceram rapidamente naquele período . Tinham suporte demovimentação fornecidos por outros Bancos de Investimento . Outro fator de sucesso foram outros financiamentos de custos muitobaixos para as todas empresas : grandes - médias – pequenas . Eram aquelesrealizados pelos “Repasses Governamentais”. Recebi a incumbência de realizar a Pesquisa de Mercado quepoderia revelar fatos futuros que seriam de extrema importância para asCarteiras de Ações . Assim com o apoio dos colegas Mário Santos e ThiagoCanguçu de Almeida montei e realizei a pesquisa ; :IV – Banco Auxiliar – ( Jan. 71 / Set. 71) Havia recebido convitepara apenas participar na Criação e Formação de seu Banco de Investimento . Aceitei . Porem minha passagem no Auxiliar foi de apenas 9 meses . O Banco de Investimento foi montado e entrou em operações emapenas 45 dias , com apoio decisivo de Carlos Di Gióia . Fiquei atuando como Assessor da Presidência durante mais 5 meses.Sai quando todas as operações estavam em pleno andamento . V- Banco Econômico da Bahia – ( Set/71 a Jul/77) Até então erapraticamente um banco com características mais regionais que nacionais , comnão muito grande atuação no sul do Brasil . Em meados de 1971 era dirigido por Frank Calmon de Sá , irmão domeu amigo da Sociedade Harmonia de Tênis - Zéca Calmon de Sá . Quem dirigia a filial de São Paulo era Augusto Calmon Villas Boas.Fui apresentado a ele pelo Mário Cunha da Silva , amigo do Paulistano e quetrabalhara comigo no Investbanco . Fui contratado para dirigir os Repasses Governamentais em SãoPaulo . Eles queriam que as operações do BNDE – BNH - CAIXA, realizadaspelo Banco de Investimento , trouxessem clientes e depósitos em contacorrente para o Banco Comercial . Iriam também usar as operações RECON ,( financiamento de Materiais de Construção ) , para ampliar estes depósitos àvista . São Paulo pela força de sua economia seria o carro chefe deste esforço . A minha primeira e maior providencia foi realizar uma Convençãocom todos os Gerentes do Banco no Estado de São Paulo. Antes já tinhapreparado todo material e criado pela primeira vez no Brasil um “ ManualGeral de Financiamentos e Aplicações ”.. Em 75 recebi então uma nova incumbência . Acumularia também aGerência Geral de Operações do BNH , sediada no Rio de janeiro . Era precisoagilizar aqueles repasses .
  • 68. Em assim sendo eu seguia toda Segunda – Feira , logo bem cedopara o Rio , onde ficaria até as 12 horas de Quarta – Feira . As 16 horasdaquele dia eu voltava dirigir os repasses de São Paulo . Vivi na Ponte Aérea durante um ano e meio. No final não agüentavamais , principalmente quando chegava o forte calor do verão . Pedi demissão pois tinha um novo convite .. Brascan – depois Banco Montreal ( Ago./ 77 a Jan. / 95 ) Recebi de Paulo Prado - Vice Presidente , convite para dirigir a áreade Marketing / Crédito do Banco Brascan – São Paulo . Aceitei. A origem do Banco Brascan de Investimento é ligada as antigascompanhias : “Light” (que operava em Luz , Força e Bondes ) e a“Telefônica”. Eram empresas de capital canadense , que operavam no Brasildesde o início do século , com escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo Na realidade o Grupo Brascan foi criado inicialmente com intuito deaplicar as disponibilidades financeiras que eram recebidas pelas companhiassob controle da Brascan Limited . O dinheiro não podia ficar parado . Limite operacional o Brascan tinha muito , pois o limite era de 10vezes o capital mais reservas liquidas para Bancos de Investimentos . O limiteoperacional poderia aumentar em mais 30% . Bastava utilizar recursos vianegócios realizados com Repasses Governamentais . Assim poderíamos operar com taxas menores até atingirmos 8 (oito)vezes o limite operacional . Depois de realizada esta promoção e deconseguirmos os clientes potenciais que desejávamos poderíamosgradativamente aumentar nosso “spreed”. As operações seriam de menor prazo possível , possibilitandorenovações ou abrindo novos limites operacionais . Na área jurídica o amigo do Paulistano - Ismar Procópio deOliveira ( dirigia o departamento ) preparou Contratos pré - montados ,permitindo aceleração no preenchimento , nas assinaturas e liberações . Com o Plano pronto e aprovado fomos visitar e buscar negócios . Resumo do que aconteceu : Nos primeiros seis meses visitamos eaprovamos linhas de credito para quase todos os grandes clientes . 12 mesesdepois já tínhamos volume maior de contratos realizados que o Rio de Janeiro.Em 18 meses o volume operado por São Paulo era maior que todo aquele dosdemais estados juntos . O mais importante : O nosso “spreed” era pouca coisamenor que aqueles dos principais concorrentes do mercado . O lucro eracrescente e com isto recebi muitos prêmios semestrais . Anos depois , para surpresa nossa , soubemos que o controleacionário do Brascan havia sido adquirido por um grupo composto por
  • 69. Antenor Patinõ e o Grupo Brofman . Ficamos aguardando o que poderiaacontecer . Um mês depois chegou a noticia que as ações haviam sidonegociadas com o Banco Montreal do Canada . As minas de estanho ficaramcom Antenor Patinõ . Mais um mês eles já estavam tomando posse do bancono Brasil . Passamos operar com o nome de Banco de Montreal . O capital foi aumentado e possibilitou maior limite de negócios .Com isto aumentamos os volumes de negócios e o lucro do banco . Por várias vezes substitui Paulo Prado na Vice Presidência . Em 1990 tinha tempo suficiente para aposentadoria . Aposentei . Advocacia / Administração Depois disto voltei a advogar . Precisamente nas áreas Civil , Fiscale Tributária . Também em paralelo criei uma pequena Administradora deCondomínios . Cuidei de vários edifícios na cidade de São Paulo . Semprecom bons resultados , notadamente nas reduções de custo . Aposentadoria Final Um dia senti que estava na hora de parar , pois poderia viver daminha pequena aposentadoria ( como todos brasileiros ) mais o reforço dasrendas de meus pequenos imóveis . Estava com 75 anos de idade , sendo 55anos de trabalhos sem interrupção . Estava na hora de parar ! Assim estou até hoje .
  • 70. “BOITE MURADAS” : A MAIOR BRIGA Edu Marcondes“Reveillon” com as Argentinas - Garrafadas - A Volta por Cima com aTurma do Paulistano Tanto falei sobre brigas que ia esquecendo da mais difícil brigaque enfrentei junto com a Turma do Paulistano . Marcou muito pois não foiuma briga simples , resolvida como antigamente , apenas com força física .Nossos adversários usaram de todos os meios , até de armas improvisadas . A briga aconteceu contra um grupo de pessoas não nascidas emSão Paulo . Eram originários de outros estados . Na ocasião apenas viviam emSão Paulo . Eles não brigavam para firmar um posição ou princípios , honraruma palavra dada , um conceito de ética / moral ou uma postura de dignidade .Não brigavam simplesmente . Nem cavalheirescamente . Para eles não éramos Adversários mas Inimigos ! Brigavam mesmo com muita maldade , visando ferir , ferirgravemente ou mesmo matar . Era um conceito muito diferente , desconhecidopor nós , pois até então briga era quase esporte . Então no final muitas vezeshavia reconciliação dos briguentos . Até então , não éramos inimigos mas adversários de momento . Agora verifico que atualmente as brigas estão se caracterizandopela intenção violenta de matar . É uma condição que aqui não existiaanteriormente . É uma vontade importada . Passou a ser a forma das brigasque ocorrem em quase todos lugares desta cidade invadida . Quem hoje brigar deverá saber que estará sujeito a se defender dequem na realidade o quer matar . A briga entre cavalheiros , sem golpes sujos, desapareceu . Entendo que o perfil da população existente em São Paulo é agorabem diferente do perfil daquele anterior povo paulista que ainda era dono deSão Paulo . Seus atuais princípios também são muito diferentes .
  • 71. REVEILLON COM ARGENTINAS Pois bem , a briga em questão , que aqui estarei relatando ,aconteceu durante o “Reveillon de 1965”. Foi a primeira deste tipo que vi . Os fatos : - Naquela ocasião um grupo de amigos do Paulistanoestava saindo com algumas bonitas coristas argentinas . Elas que para aquitinham vindo para se apresentar em Teatro de Revistas . Faziam sucesso . Quando chegou a “Passagem do Ano”, por falta de melhores opções,pois já era praticamente dia 30 , resolvemos ir ceiar com as simpáticasportenhas na “Boate Muradas”. Ela ficava na Rua Martins Fontes , um poucoantes do inicio da Rua Augusta , quase na esquina da Praça Roosevelt . Uma vez ajeitadas as coisas, chegamos naquela boate por volta das22,30 horas . Ceiamos , dançamos e brindamos a entrada do Ano Novo. Por volta da uma hora , quando tinha início a madrugada ,resolvemos sair . Iríamos dormir em São Vicente . Queríamos aproveitar apraia no outro dia com as nossas amigas . Ocupávamos na ocasião duas mesas que estavam praticamente bemjuntas . Em uma Alberto Botti , Zizínho Papa e Sérgio D’Avila com as suasamigas argentinas. Em outra , bem ao lado , eu estava com Luiz CarlosJunqueira e Alcir “Azeitona” Amorim . As contas foram pedidas . Primeiro chegou aquela da mesa de Alberto Botti . Eles pagaram .Como iriam viajar em outro carro despediram-se e foram saindo . Nossa contademorou um pouco mais . Demorou também a devolução do troco . Depois de acertarmos o pagamento , quando estávamos nosaproximando do corredor que dava para a saída da boate , paramos junto deuma mesa cheia só de homens . Um deles passou a mão no traseiro daargentina que estava comigo . Eu vi . Ela deu um gritinho e reclamou . Antesque eu pudesse dizer alguma coisa , ele meio embriagado , metido a valentepois estava com muitos outros ao lado , se levantou e foi falando alto : “- Ó paólista abestado ! Vai saindu sem arrecramá , sinão passo amão tamém na sua bunda ! Si duvidá passo a mão inté na bunda de suamãínha”. Então ele cometeu um erro . Colocou a palma da mão em meu peitoe começou a empurrar . Não tive duvida . Rapidamente , com as minhas duasmãos , pequei o cotovelo daquela mão do malandro que estava em meu peito .Fui fazendo muita força em seu cotovelo empurrando a mão contra meu peito .Fui também fazendo muita pressão sobre aquela sua munheca e mão queestava espalmada contra meu peito . A mão não tinha por onde escapar .
  • 72. Então senti os estalos que vinham , tanto dos dedos abertos como do pulsodaquela mão . Ele , o dono da mão , gritou de dor e começou se ajoelhar ! Quando aquele sujeito veio para frente , tentando escapar dapressão contra sua mão , dei forte cabeçada em seu nariz . Ele tonteou . Entãotorci a palma de sua mão para o lado de fora . Ele perdeu equilíbrio. Começoua cair . Com minha perna e um forte impulso forcei a sua queda . Ele caiu ,batendo com muita força as costas no chão . Não esperei mais nada . Virei , pois sabia que os outros amigosdaquele sujeito viriam contra nós . E eles eram , pelo menos , uns oito . Empurramos as argentinas para a porta e nos posicionamos.Ficamos na entrada do corredor que dava para a saída . Apenas nós três , poisos outros amigos nossos já tinham saindo . Aquela gente diferente veioimediatamente para cima de nós , porem pelo corredor não passavam mais doque dois ou três de cada vez . Por isto mesmo eles só chegavam de três emtrês. Assim iam tomando muita pancada e não conseguiam nos pegar . Vendo que daquele jeito não iriam levar vantagens começaramquebrar garrafas e copos . Em seguida atiravam os grandes cacos que seformavam contra nós . Vi que o perigo de graves ferimentos se tornava muitogrande . Não deu outra ! Segundos depois Luiz Carlos Junqueira recebeu umgrande caco de garrafa no rosto . Começou a sangrar muito ! O corte que apareceu na sua bochecha foi profundo .
  • 73. A VOLTA POR CIMA ! Resolvemos sair daquele bombardeio de cacos de garrafas . Nomomento era o que nos restava fazer . Corremos para a porta sob umasaraivada de grandes pedaços de vidros e palavrões . Eles davam risadas ... Conseguimos passar pela porta de entrada e rapidamente fomospara nosso carro . Estava uma quadra distante . As argentinas ali nosesperavam . Então conseguimos parar um taxi . Colocamos as portenhasdentro e combinamos nos encontrar pela manhã , no hotel onde elas estavam .Pagamos o taxi . Ele logo foi saindo , tomando o rumo indicado . Então perguntei para o Junqueira : “- Quer ir se tratar primeiro ou vamos buscar a Turma doPaulistano e dar o troco” ? A sua resposta foi imediata : “- Vamos direto para o Paulistano ! Agora ! ” Em dez minutos já estávamos dentro do clube contando o quesucedera e nossa intenção de dar o troco . A visão do ferimento do amigoJunqueira despertava em todos a vontade de “revanche” . Muitos amigosqueriam ir conosco , porem a grande maioria era de rapazes muito jovens esem experiência naquelas coisas . Foram convencidos que deveriam ficar. Mais 5 minutos e já estavam conosco a caminho da tal “BoateMuradas” : - Caio Kiehl , Hélio Fugantti , Otto Bendix , Antonio Duva , LuizVicente de Sylos , Paulinho Fleury e Carlos Dacache . Turma da pesada . Chegamos . Paramos os carros uma quadra alem daquele clubenoturno . Peguei uma grande chave de rodas no porta malas do carro . Erapura precaução caso algum daqueles cafajestes puxasse uma faca ou coisaparecida . Sem muito alarido fomos em direção da tal boate . Todos jáestavam avisados da possibilidade de receberem cacos de vidro jogados poraquela gente . Já tínhamos combinado usar as cadeiras da boate como armasde defesa , virando as pernas das mesmas em direção do inimigo e ficandocom o rosto protegido pela área almofadada da cadeira . Quando chegamos junto a entrada o porteiro viu em nossos rostosdecididos o que deveria acontecer . Saiu da frente sem falar nada ou discutir . Entrei primeiro e com a grande chave de rodas dei forte pancada naprimeira mesa que estava em minha frente . Aconteceu que ali estava umagarrafa vazia de Coca-Cola . A ponta da chave de rodas bateu exatamente naboca daquela garrafa que estranhamente não quebrou . Em compensação saiuvoando como um foguete e foi bater no grande espelho que estava em frente ,distante uns 4 metros . Garrafa e espelho viraram imediatamente cacos ,fazendo muito barulho no instante em que se partiam . Naquele momento , falei gritando :“ Cadê os machões ? ”
  • 74. Até os bêbados que estavam dormitando acordaram . Os malandros estavam então perto de uma grande mesa junto apista de danças . Quando nos viram entrando , apesar do susto , correram e sereuniram no fundo da boate . Já estavam começando quebrar garrafas e atirarcacos . Entretanto desta vez estávamos preparados . Pegamos as cadeiras queforam viradas com as pernas para o lado dos cafajestes . Os cacos batiam nofundo das cadeiras e caiam no chão . Ninguem dos nossos estava sendoatingido . Entretanto , espelhos iam se quebrando com os cacos de garrafas ... Então começamos a dar o troco . Agora nós é que estávamosjogando coisas contra eles . Só que eram cadeiras . Onde elas batiamarrancavam gemidos dos pilantras. Derrubavam ! Muitos caíram tropeçandonas cadeiras jogadas . E nós mandando mais cadeiras para cima deles . Em um determinado momento Paulinho Fleury não levantou acadeira para jogar . Ele girou a cadeira para o lado , querendo ter a forçanecessária para o lançamento . Naquele instante a cadeira bateu no meu nariz.Senti que ele havia se quebrado . Fiquei tonto . Por um segundo . Como percebemos que estavam acabando as cadeiras , cada um denós pegou firmemente uma cadeira . Formamos uma ala de 10 cadeirasviradas com as pernas para frente . Na realidade existiam 40 pernas decadeiras apontadas como lanças contra os malandros . Assim avançamos paracima deles que foram espremidos em um canto. Literalmente passamos porcima de todos eles . Dando cadeiradas e pancadas . Em pouco tempo nenhumdeles mais reagia . Apenas três conseguiram fugir correndo para o banheiro . Caio Kiehl e Hélio Fugantti correram atrás deles . Porem elesconseguiram entrar e fechar a porta de uma privada. Ficaram segurando aporta com toda força de suas vidas , pois sabiam que se a porta fosse abertaeles iriam apanhar muito . Pequei um cara que falava com sotaque , cheio de Ss..., Rs... eXs.... Perguntei quem eles eram , de onde eram ? . Ele respondeu que eram daPetrobras e do Banco do Brasil . Tinham vindo de outros estados paratrabalhar em São Paulo . Naquele momento Alcir Amorim repetia que estava na hora decairmos fora pois poderia aparecer policia . Fomos saindo rapidamente . Quando já estávamos fora da boate , um Volkswagen , comemblema da Rádio Patrulha , começou estacionar . Nós continuamos andandocomo se nada tivesse acontecido . Logo pegamos nossos carros e voltamospara o Paulistano . Estávamos felizes . “Demos Realmente Um Bom Troco” !
  • 75. A maioria voltou para a Festa de Ano Novo do Club. Junqueira e eu dissemos que iríamos falar com o Dr. Mário Ottobrini . Pedir para ele cuidar dos nossos ferimentos . Então Caio Kiehl murmurou que também iria conosco . Mostrou a ponta do dedinho que um caco de vidro tinha cortado fora . Sangrava bastante. Isto aconteceu quando ele segurava uma cadeira no meio da briga . Outro dia chegou . Dr. Mário Ottobrini já havia cuidado de todosperfeitamente . Sempre com muito carinho . Era nosso amigão querido . Inesquecível Dr. Mario Ottobrini ! Vinte e tantos dias depois , passando pelo local da briga vimosque a “Boate Muradas” tinha virado simplesmente “Bar Muradas” . Semtodos aqueles espelhos . Pudera . Na briga todos espelhos haviam sido quebrados ... !
  • 76. “1 9 6 4 – A REVOLUÇÃO NECESSÁRIA” Edu MarcondesMinha Célula Revolucionária – Primeiros Movimentos – Tomada dasDocas de Santos – A Revolução Vitoriosa – “Não se faz Omeletes ...”- SaíFora dos Chefes da Revolução - Os Bons Frutos da Revolução Existiram. No começo daquele ano eu estava realizando Pós Graduação emAdministração de Empresas na Fundação Getulio Vargas . Isto exigiafreqüência nas aulas e muito estudo . Em paralelo ainda trabalhava como Assessor Jurídico do Secretariodo Trabalho , Industria e Comercio do Governo de São Paulo – DeputadoAntonio Morimoto . Não estava tendo tempo nem para namorar . Então aconteceu o que se sabia que iria acontecer , mas não queriaque acontecesse naquele momento . Aconteceu . As forças nacionalistas, anticomunistas , aglutinadas em oposição contra Jango Goulart , iniciaram revoltaarmada visando derrubada de um governo com tendência esquerdista . Desde o ano anterior , em Março de 1963 , vários Grupos deDemocratas analisavam os acontecimentos políticos . Preparavam resistênciaarmada , caso fosse necessária , contra um possível Movimento Socialista –Comunista . Isto realmente poderia ocorrer , pois tudo então assim indicava ,através de medidas inconstitucionais que estavam acontecendo no governo deJango Goulart . Sentíamos , praticamente em todos os dias , desmandos eordenações anti democráticas sendo implantadas no país . Meu Núcleo Revolucionário Então muitas vezes nos reuníamos em vários locais de São Paulo ,com amigos que integravam nosso movimento . Entre eles cabe destaque parameus amigos do Paulistano , apoiados pelos companheiros do Harmonia ,entre eles : - Herman Moraes Barros , Sérgio “Cavalo” , Orlando de AlmeidaPrado , Chico “Kirongosi” Galvão , Mario Sergio , Caio Kiehl , Luiz CarlosJunqueira Franco , Eduardo “Dado” Munhoz , Fernando e Eduardo Levi , LuizCarlos Levi , Alcir Amorim, Antonio Duva e Cláudio Coutinho . Alem deste nosso Grupo ainda tínhamos noticias de muitos outros. Existia realmente a possibilidade de um movimento armado . Quinze dias antes do início da Revolução de 64 um grupo dosnossos, composto pelos mais jovens , comandados por Sergio “Cavalo” , foiconvocado para não permitir uma reunião de cunho socialista que iriaacontecer no Auditório da Faculdade de Filosofia da USP – reputado centrocomunista /socialista. Na ocasião iria falar Ministro de tendência esquerdista .
  • 77. Não deu outra . No dia e na hora lá estávamos . Apenas com gássulfídrico e nossa determinação acabamos com tudo rapidamente . Nem precisamos usar força . O movimento contra os esquerdistas vinha crescendo rapidamente . Os partidários de um Brasil mais sério e mais nacionalista /democrático estavam razoavelmente organizados . Já estávamos de prontidãopara uma luta armada , muitos dias antes das tropas do Exercito , sediado emMinas Gerais , iniciar sua movimentação contra o Presidente Jango Goulart .Éramos voluntários e iríamos para onde quer que fosse necessário . Avisei em casa o que estava acontecendo . Avisei que serianecessário estocar alimentos pois não se sabia quanto tempo a Revoluçãopoderia durar . Informei que poderia ficar fora , sem dar noticias , durantevários dias . Minha mãe apenas pediu que eu controlasse meu ímpeto . Dona Zilda sabia das coisas . Primeiros Movimentos Naquela ocasião a “Marcha das Mulheres pela Democracia” definiamuito bem a posição das famílias paulistas .Também o apoio do GovernadorAdemar de Barros foi fundamental para o sucesso do movimento . Ele maisum grupo dos nossos lideres estiveram com o Gal. Amauri Kruel , lá comandoda Região Militar , que na ocasião ficava na Rua Libero Badaró . Logo depoissoubemos que Kruel e seus comandados ficavam com nossa Revolução . O governo de Jango Goulart nervosamente divulgava noticias deresistência através das suas propaladas “células populares” . Leonel Brizolainformava que existiria luta armada , pois o seu governo do Rio Grande do Sulestaria se preparando para tanto . Parecia que realmente aconteceria umaguerra civil . Naquela noite da tantas noticias fui para nosso comando que ficavaem uma travessa da Av. Rebouças . A partir deste parágrafo vou resumir minha participação naRevolução de 1.964 , bem como minhas considerações sobre acontecimentos:1- ) Recebi , juntamente com o amigo “Dado” Munhoz , a 1ª Ordem : Tomaro Hospital das Clínicas e o Hospital São Paulo . Para lá iriam nossos possíveisferidos . Horas depois estes hospitais já estavam em nossas mãos ;2- ) Recebi a missão de seguir para o litoral , juntamente com Pedro Padilha ,para , em nome do Movimento Democrata , tomar as Docas de Santos , comapoio de tropas de nossa Força Publica , comandada por oficiais . Na noiteseguinte não só tomamos as Docas mas inclusive o Sindicato dos Estivadores .Para tanto recebemos muito melhor armamento . Não foi utilizado ;
  • 78. 3-) Fiquei a disposição do nosso Comando até o final da Revolução ;4-) Fui convidado para o Jantar da Vitória que foi realizado no Harmonia ;5-) Verifiquei que ali estavam “Muitos Estranhos” , que em nenhum momentoparticiparam ativamente de nosso Movimento . Chegavam depois,aproveitando o momento de vitória , para se infiltrar . Muitos eram Políticos ePoliciais ( Delegados / Investigadores ) . Herman Moraes Barros os chamavade “Aves de Arribação” ; 6- ) Não gostei muito do nome que deram para nosso jantar : “Clube dosGorilas”;7- ) A Revolução de 1964 tinha um ideário bem definido . Primeiro seriamimplantados todos os requisitos necessários para uma Forte EstruturaNacionalista e Democrata , para em seguida ser implantada a parte social . Para tanto teríamos inicialmente : A) Criação de um BancoCentral –B) Cassação dos Corruptos –C) Corte geral de Despesasdesnecessárias – D) Sistemas de Apoio para Desenvolvimento do Norte/Nordeste – E) Eliminação do Analfabetismo – F) Financiamentos comCustos Baixos para Crescimento da Industria – G-) Construção de CasasPopulares – H) Construção de Estradas indispensáveis – I )Desenvolvimento da Exploração do Petróleo - entre outras tantas coisasprogramadas . Ficara claro que somente depois é que seria realmenteimplantada a democracia total . Antes era preciso arrumar e limpar a casa .8-) Paralelamente a tudo aquilo que fora planejado e começava a ser realizado,tomei conhecimento que ocorriam prisões e torturas desnecessárias e injustasde estudantes , efetuadas por uma tal de “ Operação Bandeirantes” , chefiadapor um tal “Delegado Fleury.” Os chefes Comunistas já tinham fugido ;9-) Pouco depois tomávamos conhecimento das Cassações de Pessoas ePolíticos que estiveram realmente conosco , do nosso lado , na Revolução .Não existiam razões para tanto . Percebi então que as Vontades Políticas , dealguns Políticos que agora começavam a mandar , estavam falando mais alto ;10-) As tais “Aves de Arribação” não tinham ido para longe . Agora e cadavez mais estavam participando no mando do movimento . EstavamDefinitivamente no Poder . Militares foram definitivamente para os quartéis.11-) Políticos não torturavam mas ficavam por trás dando ordens . Enem foram presos aqueles principais políticos socialistas/comunistas ,assaltantes de bancos , seqüestradores e demagogos , pois já estavam longe dopaís . Deixaram fugir os criminosos . Fugiram simplesmente . Somente eramdetidos e presos pobres suspeitos . Gente sem a menor expressão política .Idealistas e estudantes . Puro absurdo policial . Uma coisa era Perseguir e Cassar Corruptos .
  • 79. Outra era Torturar Gente Inocente .12-) Aquelas “Aves de Arribação ” estavam mandando tanto que , ao que tudoindica , foram os responsáveis pela morte do Presidente Castelo Branco ;13-) Daquele momento em diante os Militares só mandavam na Cúpula dopais. No combate diário contra a Corrupção e contra Comunistas quemmandava era a Policia . Todo tipo de policia . Na ocasião o fato da morte deCastelo Branco foi chamado de “acidente” ... Políticos profissionais nãoconcordavam com a linha dura e séria de administração por ele imposta ;14-) Minha preocupação e desagrado tornou-se constante ; As torturas continuavam e em breve passaram a suplantar o que eraBom . Passaram ser uma marca que políticos corruptos impuseram para aRevolução de 1964 . Bem Negativa a ponto de empanar o Brilho dasGrandes Coisas que eram então realizadas . Tudo por vontade depolíticos de mau caráter que tomavam agora parte em tudo . Mandavamem tudo . Começavam dirigir tudo . Muitos estavam levando boasvantagens. Parecia que com suas atitudes desejavam incriminarrealmente nossa Revolução . E nada acontecia contra eles . Infelizmente isto já era uma grandeverdade . Aquelas pessoas de má índole são os mesmos políticos que hojetodos nós bem conhecemos e que , por mais incrível que pareça , até agoraestão soltos . Muitos Mandando ! Nada foi feito contra eles , apesar de inúmeras denuncias muito bemconsubstanciadas . Qual a razão? O Poder realmente Corrompe ?15-) Por não aceitar aquele Estado de Impunidades , em 1969 , paratodos os amigos que se encontravam reunidos no Paulistano , declarei :“Estou me desligando neste momento dos Chefes Políticos da Revolução” NÃO DE NOSSOS IDEAIS OU DE NOSSOS PROGRAMAS ! ELES FORAM ESQUECIDOS !16-) As “Aves de Arribação e Políticos” : Forçaram logo de início , porinteresses puramente pessoais , a implantação de uma Forma deDemocracia que não estava devidamente clara . Foi imposta . Ela emrealidade continua até hoje . Basta uma melhor analise ! Sem a menorcondição de continuidade . Analise ... verifique ! .17-) Finalmente o Governo caiu graciosamente nas mãos daqueles mesmospolíticos corruptos e esquerdistas que fugiram do país . Graças a uma “AnistiaGeral” , que até hoje não foi bem explicada , voltaram ao Brasil . Aquelescomunistas falavam em democracia . Patético!
  • 80. 18-) Mediante intensa Campanha de Propaganda , por eles dirigida ,sobrou para Revolução de 64 somente a “Pecha de Torturadora eRepressiva” . Tudo que foi feito de bom é agora devidamente escondidodo público em geral . Nada se fala hoje a respeito das boas coisasrealizadas . • ALGUNS ÓTIMOS FRUTOS da REVOLUÇÃO Já são passados 40 anos e agora , com a maior isenção, é possíveluma análise mais clara do que aconteceu com o Brasil graças aos ProgramasImplantados pela Revolução de 64 . É preciso lembrar que : 1º) Com a Revolução de 64 o Brasil chegou a se tornar a 8AECONOMIA MUNDIAL . Seu Produto Interno Bruto atingia patamaresde crescimento de 10% ao ano . Não existia desemprego . Os saláriossubiam. O PIB Era praticamente igual ao da China . Tudo crescia rapidamente naquela economia devido aos programasgovernamentais bem implantados. Veja a seguir : 2º ) Via BNDE / FINAME , que financiavam com baixos custosMaquinas/Equipamentos , bem com todo tipo de Ativo Fixo e Capital deGiro necessário , crescia nossa produção em todas as áreas . Isto tinhacontinuidade Com Programas de Médio e Longo prazo – via CAIXAECONÔMICA , realizados com recursos provenientes do PIS . 3º) Com o BNH- Banco Nacional de Habitação , recém criado ,financiávamos a Construção de Casas e possibilitávamos Recursos paraIndustrias Produtoras de Material para Construção - via saldos do FGTS.O seu custo era baixíssimo ! . 4º) – FINANCIAMENTOS AGRICOLAS - com o excedente do“Compulsório de Depósitos Bancários”, era financiado , com baixíssimoscustos , TODA AGRO PECUARIA , pois quase nada custava . AAgricultura começou a crescer e não parou mais . 5º) SUDAM – SUDENE – SUDEPE Mais desenvolvimentotivemos com a criação destas entidades para implantação de Empresas noNordeste/ Norte e na Pesca ( Estas entidades utilizava recursos abatidospor pessoas jurídicas do Imposto de Renda ). 6º) Com a Criação da “ZONA FRANCA DE MANAUS ”começou pela primeira vez em todo mundo , produção industrial em
  • 81. larga escala na Área Amazônica . o RESULTADO FOI E ainda ÉFABULOSO. 7º) Com a EMBRAPA – foram selecionadas as melhoressementes que geraram o atual Crescimento de Nossas Exportações deAlimentos . Elas é que geram saldo positivo atual para a Nação . Todos estes programas eram realizados tendo os BancosGovernamentais uma Posição de Segunda Linha , pois Não AprovavamNem Liberavam os Créditos . Apenas aprovavam os projetos . Assim nãoexistiam politicagem , “ajuda eleitoral” , “malas preta” e GRANDECORRUPÇÃO para liberar tais créditos . 8º) Todas Nossas exportações muito cresceram . Começamos aexportar não mais somente grãos, Mas ainda Bens Duraveis , Vestuário ,Automóveis , Tecidos , Alimentos , Eletrodomésticos e tudo quefabricávamos com qualidade . A Industria que hoje decresce , Crescia ! 9º) CONSTRUÇÃO NAVAL - Visando redução de custos ,mediante transporte em navios de bandeira nacional , a construção navalteve rápida expansão , com navios de todos os tipos financiados econstruídos no Rio de Janeiro . Hoje praticamente parou . 10º) O mesmo aconteceu com a “EMBRAER ” e seus aviões . Ocontrole acionário foi vendido em surdina ! 11º)- Ainda todos nossos PRODUTOS DE MATERIAL BÉLICOeram bem reputados no mercado internacional , sendo exportados paraAmérica Latina , África e principalmente para Paises Árabes . 12º) As Estradas Rodoviárias mais importantes forampavimentadas , ( hoje abandonadas necessitam de urgentes reparos ,Todas elas ) com prioridade para aquelas que pudessem facilitartransporte entre grandes centros ou facilitassem exportações . Foramabertas estradas de grande importância para a integração nacional , taiscomo : “Belém – Brasília” , “Calha Norte” – junto as fronteiras do norte. Foram iniciadas a “Transamazônica” , e a “BR 101”- ligando os estadosdo nordeste com estados do centro- leste e sul do Brasil . ( até hoje / 2012não concluídas ) Até estradas vicinais foram então pavimentadas .
  • 82. 13º) PETROBRAS iniciou fase de pesquisas e prospecção denovas áreas NOTADAMENTE NO “PRÉ SAL” . Firmamos posição deLimite de 200 milhas para soberania nacional . Antes era somente de 12milhas . Rapidamente começou aumentar sua produção . Em 1984 jáestávamos alcançando firme posição para nossa auto suficiência . ( hojeestamos novamente importando gazolina ) . A Petrobras está inteiramenteatrasada nas suas programações . 14º) Iniciávamos também a Exportação de Aço e de seu Minériode ferro , com qualidade que permitia regularidade de negócios . cresceumuito mas hoje vem sendo diminuída . 15º) MOBRAL -Implantou-se o programa que pela primeira veztentava-se acabar com o analfabetismo no país . ( Tudo foi abandonadoposteriormente . Hoje o “Analfabetismo Funcional” é plena realidade . 16º) Alem disso , com os estudantes universitários , viajando portodo Brasil nos seus períodos de férias , através da “Operação Rondon” ,era possível darmos assistência gratuita para população mais carente emais distante dos grandes centros , nas áreas médicas , odontológicas emuitas vezes técnicas . Sentia-se que o desenvolvimento possibilitava melhores condiçõesde vida para nossa população e que na continuidade , se bem administradosprincipalmente aqueles programas para o norte nordeste , teríamos certamentebom desenvolvimento nas regiões mais pobres . IMPORTANTE A-) O principal era que tudo estava sendo “Realizado SemDependência ou Submissão a Entidades Internacionais . Sem CapitalExterno” . Nosso crescimento estava sendo efetuado sem criação dedividas externas . b-) As Bolsas vinham crescendo seus movimentos diários elançavam novas ações com grande sucesso através dos Bancos deInvestimento . As carteiras em ações tinham grande aceitação , poisapresentavam ótima rentabilidade . Sentia-se que poderíamos ter umnovo e grande país . c-) Porem...existe sempre um Porem ..., em nome de uma MaiorLiberdade , de uma “Nova Constituição” , de muito Menor Controle dasCoisas Públicas , de Maior Poder para Políticos Profissionais com
  • 83. desmandos em todas as coisas , nossa Revolução foi posta de ladomediante gritos de “DIRETAS JÁ !” Posta de lado com a implantaçãode estranhos ... muito estranhos “Direitos Humanos”, os quais permiteme garantem tudo para os fora da lei . Sinal dos tempos ! “BRASIL ... EU ERA FELIZ E NÃO SABIA !”
  • 84. A FESTA DAS MOÇAS BONITAS Edu Marcondes Coisa que não posso esquecer : As festas na casa da minha amigaMaria Lúcia Finochiaro . No final da década de 50 e começo dos anos 60 , nobairro das Perdizes/ Pacaembu , aconteciam as famosas “Festas das MoçasBonitas”. Eram assim chamadas pela beleza das convidadas . Realmente em São Paulo sempre existiram muitas moças bonitas, emtodos os bairros , em todos os clubes , em todos lugares . Entretanto , ali nogrande apartamento onde Maria Lúcia morava com seus pais , aconteciamfestas , onde todas convidadas eram moças de muita beleza . Por isto mesmo os rapazes do Paulistano e os convidados chamavamaqueles acontecimentos de “As Festas das Moças Bonitas” . Elas aconteciamesporadicamente , quando Maria Lúcia resolvia realizar um encontro pararever amigos e amigas , ou comemorar algum aniversário . Então a rapaziadaficava acesa , esperando ser devidamente convidada . Isto era importante , poispenetras não entravam . Os amigos convidados é que tomavam conta da festa . Conheci Maria Lúcia a bordo do “Provence” , em viagem paraBuenos Ayres . Depois muitas vezes estivemos juntos nas praias de SãoVicente , no “Grill” do Parque Balneário , no Guarujá e em muitas outroslugares de São Paulo . O grupo de Maria Lúcia era sempre muito simpático . Lembro de muitos rostos bonitos que vi em sua casa , porem deapenas poucos nomes das moças bonitas . Eram muitas Rosas , Marias ,Terezas , Susanas , Cidas , Lilians e Marianas que encontravamos em suasfestas , ou mesmo andando com ela . Uma delas , Cinyra Arruda sua grandeamiga , estava sempre presente . Recordo ainda de Ana Maria , de Dulce Serrae sua irmã Verinha Serra , de Rosa Maria Lima entre tantas outras Nas Festas de Maria Lúcia encontrei duas namoradas : Giovanna ,romance de pouco tempo e Vivian Lindstron , lindíssima sueca de olhosvioletas, namorada por bom tempo . Depois ela voltou para a Europa . De todas aquelas moças bonitas quase nada mais sei . Vivian residehoje na Suécia , onde se casou . Rosa Lima vive em Salvador . Nunca maisencontrei , nem tenho noticias de Giovanna , de Dulce e Vera Serra , de AnaMaria e de todas as outras conhecidas . Quem tenho visto um pouco , mas somente nas telas da televisão , éCinyra Arruda , sempre nos programas do SBT do Silvio Santos . Os anos estão passando ... Muito depressa ! Maria Lúcia minha amiga . Onde anda você ?
  • 85. FIDELIDADE ... Muita Fidelidade ! Edu Marcondes Esta historia é real . Os Nomes e os Locais são fictícios . Por motivos óbvios , pois os personagens ainda estão vivos . São também muito conhecidos . Vamos lá : De todos os meus amigos do Paulistano o mais “galinha” , omais “mulherengo” era “Márcio”( vai ser assim chamado ) . Não podia verum bonito “ rabo de saias” que sempre ia atrás. Largava tudo por causa deuma mulher bonita . Precisava ser realmente mulher bonita ou muito bonita . Entãobabava e ninguém o segurava. Entretanto , seu dia , quando todos menos esperavam , chegou .Foi fisgado direitinho .Casou com “Margarida”( ficará comeste nome ) , comdireito a igreja , noiva com vestido de noiva , festa e lua de mel . Parecia queMauro tinha tomado jeito . Uns dois anos se passaram . Uma noite de Setembro , o telefonetocou lá em casa , por volta das 23 horas . Era o Márcio. Pela voz ,preocupadíssimo . Quando perguntei o que tinha acontecido foi explicando : -“ Amigão ... você nem sabe o que me aconteceu . Arranjei umagarota maravilhosa e vim com ela para um motel , aqui na Raposo Tavares .Chegamos pelas 21,30 horas e as 22,00 já estávamos sendo assaltados . Nomomento eu estava com a garota dentro da piscina aquecida . Mandaram queficássemos onde estávamos . Sem piar , nem mexer e nem beber ... Levaram tudo . Dinheiro , cheque , relógio e todas as roupas .As minhas e as da garota . Chamei a gerência para reclamar e fui informadoque todo motel tinha sido assaltado . Por sorte eu tinha deixado as chaves dentro do carroestacionado aqui na garagem . Ele ficou . Estamos agora enrolados em toalhas.E ninguém quer chamar a polícia . Claro ! Preciso de sua ajuda.” - “Que diacho Márcio .Como é que você vai voltar para casapeladinho ..., peladinho . E quando a Margarida souber ?” Eu falava em tom de gozação . É claro que iria ajuda-lo. -“Nem fale nisso ! Você sabe que amo minha esposa. Sou fiel .O problema é esta maldita primavera . Mexe comigo”. Ainda disse : “A saída é você . Tem minha altura e mais ou menos meu peso .Preciso de um terno azul marinho , uma camisa branca , meias , uma gravata
  • 86. em tom vermelho . Sapatos ainda tenho , pois ficaram debaixo da cama . Peloamor de Deus preciso de sua ajuda agora , para poder voltar para casa dentrode pouco tempo , pois disse para a Margarida que a reunião de trabalho commeu cliente terminava por volta da meia noite . E completou : -“Já vi você com terno azul marinho !” -“Está bem , em meia hora acho que estarei por ai . Como é o nome do Motel ?” -“Motel Maravilha” . Quilometro 26 . Obrigado amigão.” Pequei as roupas solicitadas , tomando cuidado de coloca-lasem uma sacola de feira . E lá fui eu . “Motel Maravilha” ...que maravilha ... Chegando identifiquei-me e entrei com facilidade pois Márciojá tinha informado minha vinda para a gerência . Fui direto para seuapartamento . Na primeira batida ele abriu a porta e foi dizendo : -“Que sufoco . Caso não fosse você estaria perdido.” Enquanto ele enfiava as roupas , com a maior pressa , dei umaolhada para a garota . Era realmente muito linda . Muito gostosa , mesmoembrulhada em toalhas. Além de tudo charmosa. Márcio começava a suar e foi pedindo : -“Preciso ainda de você . Não posso atrasar . Pode levar a“Princesa”para casa ? Vou ficar devendo esta para o resto da vida.” Como não tinha outro jeito de ajudar tive de concordar. Ele mede um abraço bem apertado e um beijo fraterno em meu rosto. Saiu correndo e agradecendo seguidamente . Informou que devolveria minha roupa o mais depressa possível.. Levei a “Princesa” para sua casa . Para pagar mais pecados elamorava na zona norte . Longe ... muito longe mesmo . Dois dias depois ele ligou agradecendo com sinceridade einformando que estava devolvendo minhas roupas . Comentamos o caso e deialgumas risadas .Principalmente quando ele dizia que era um marido fiel ... demuita fidelidade . O tempo passou e estive com meu amigo e sua linda esposa emvárias ocasiões lá no Paulistano . O assunto estava morto e enterrado . Um ano e pouco depois ... , o telefone tocou lá pelas 3 horas damadrugada . Acordei assustado . Era o Márcio todo afobado : -“Estou na maior gelada da minha vida e não sei como sairdesta . Por isso mesmo liguei para você . Disse para Margarida que ia à uma
  • 87. reunião e que estaria de volta até meia noite . Vim para o “Motel Fantasia”com uma garota . Só que depois dormimos ... e só acordei agora ! Como é que vou voltar para casa . Estou “ferrado”. Por favorme ajude . Diga o que posso fazer . Não quero perder minha esposa queadoro. Você sabe como sou fiel .” -“ Diga que a reunião demorou ...” -“ Até as 3 da “matina”. Ela vai é me matar !” Pedi para pensar um pouco . Pedi também para ele tornar aligar dentro de 5 minutos . Fiquei dando “ tratos a bola”. Depois de algunsminutos lembrei do Hospital que um primo tinha na Lapa. Liguei para o primo , pedi desculpas pelo horário , expliquei asituação e por fim acertamos tudo . Alguns minutos depois Marcio ligou de novo e eu expliquei : -“ Você vai ser internado em um hospital . A história vai ser aseguinte : - “ Dr. Marcio teve um mal súbito e desmaiou ao lado do carro , nocaminho de sua casa lá no Pacaembu , por volta das 11 horas de ontem. Foiencontrado por populares. Uma ambulância foi chamada e o levou para o Hospital daLapa. Você agora vai deixar seu carro perto do Pacaembu e vá de táxipara o Hospital . Eles estarão esperando por você . Sem problemas . Está tudoacertado com meu primo que é o dono do Hospital . Procure por Afonso e nãodiscuta . Depois , pela manhã bem cedo eles vão ligar para Margaridafalando do caso . Vão explicar seu mal súbito , por muito trabalho ...” -“Será que vai dar certo ?” -“Você tem outra sugestão melhor ? Então não discuta !” Ele fez tudo direitinho . Foi internado e lá pelas 6 da manhãligaram do Hospital para Margarida , que por sinal ainda dormia , explicandoo caso e informando que ele estava bem . Que fora um mal súbito , “stress”,cansaço por “muito trabalho” e mais nada . Pediam seu comparecimento no hospital , pois os exames nadaapresentaram . Ele deveria ser levado para casa e mantido em observação . E lá foi a Margarida para o hospital com o coração na mão . Só sossegou quando viu o Marcio , fazendo cara de vitima masdizendo que estava bem . Lá ficaram até as 7,30 da manhã . Na saída ele teve que pagar a conta, na certeza que desta vezestava salvo . Gastou uma grana boa , mas estava salvo ! Durante toda semana o “marido fiel foi tratado como umbebezinho” .
  • 88. Dias depois fui almoçar com o amigo Marcio lá no Paulistano .Junto conosco naquele almoço estava Mario Sérgio . No meio do almoço aproveitei a oportunidade e desejei sabercomo ele tinha feito para devolver o meu terno , aquele que levei e que por elefoi usado na vez primeira que deu problema em Motel . Era uma curiosidade minha que tinha ficado sem resposta . Ele respondeu dando risada . “ Não tinha outro jeito . Uma manhã em que Margarida foivisitar a mãe roubei seu terno de dentro de minha própria casa . Ele saiuescondido até meu carro e dali para meu escritório . Mandei entregá-lo paravocê pelo “Boy” de minha companhia . -“A Margarida até hoje pensa que a empregada , que ela mesmadespediu , foi quem roubou o terno . E quando ela se lembra , fica xingando sem parar ..., sempre aempregada ! ” A gargalhada na mesa do Paulistano foi geral ... Edu Marcondes – 1.980
  • 89. UM TIRO E MUDANÇA DE RUMO Edu MarcondesUm Guarda Maluco e Um Tiro – Mudança total de Rumo – Latim paraVestibular- Na Faculdade – “Labormetal” de Bauru - _ Primeiras Aulas– O Desfiles de Calouros Um ano depois que sai do colegial tinha como objetivo principalestudar arquitetura . Prestei vestibular sem realizar um cursinho especializado.O resultado foi o natural . Fui devidamente reprovado. Como gostava de desenhar , de pintar quadros e de analisar antigosprojetos de grandes construções , achava que arquitetura seria meu destino .Resolvi por isto mesmo tentar mais uma vez vestibular naquela faculdade .Alem do mais estava muito influenciado pelos amigos do Paulistano que jáestudavam arquitetura na Faculdade Mackenzie . Entre eles Sérgio D`Ávila ,Mauricio Soriano , Danilo Penna , Alberto Botti , Alberto Andrade e RobertoBratke . Matriculei-me em cursinho especializado e tinha como colega oLuiz Carlos Pannunzio , vizinho e também amigo do CAP . Logo percebi que não gostava muito de todas matérias . Era poremum dos melhores alunos de desenho . Na realidade eu gostava de arquiteturapura , que naquelas aulas praticamente pouco existia . Entretanto continuavaestudando. O curso era noturno pois durante o dia eu tinha meu trabalho . O tiro que levei teve ocasião especifica , sem a menor razão deacontecer . Estávamos voltando das aulas para casa mais cedo , por volta das21,30 horas , em uma Lambreta dirigida pelo Pannunzio . Quando já estávamos em plena Avenida Brasil , quase esquina daMaestro Chiafarelli , percebemos um ônibus quebrado e parado no meio darua . Pannunzio diminuiu a velocidade para passar aquele acidente esubitamente , sem mais nem menos , um guarda apareceu ao lado daqueleônibus . Com gestos indicava que deveríamos parar . Estava com um revolverna mão . Como seria perigoso parar no meio da avenida Luiz Carlos fez sinal efoi passando o ônibus , em velocidade bem reduzida , preparando- se paraestacionar logo na frente . Parece que o guarda entendeu que não iríamos parar .
  • 90. - UM TIRO E UM GUARDA MALUCO De repente ouvi um tiro . Imediatamente senti que havia sidoatingido . Uma pancada seguida de uma dor bem forte vinha do lado esquerdode meu tronco. Pedi para parar . Luiz Carlos , ouvindo meu pedido , parou aLambreta e desceu comigo . Apesar do tiro , que não me derrubou , eu estava indignado e seguiem direção ao guarda . Ele, quando percebeu a besteira que tinha feito , correuaté a Av. 9 de Julho , parou um táxi e fugiu . Não dava para persegui-lo poisnotei que sangrava pouco . Fiquei receoso de uma hemorragia interna . Todo povo que estava ônibus ficou abobalhado . Ninguém viu nemlembrou de anotar o numero do guarda , nem tomou nota da placa do táxi . Um senhor confirmou que o guarda entendeu que a Lambreta fossefugir. Disse que o guarda xingou e disparou . Ele ainda ficou comentando queera um absurdo e que tiro só poderia ser em defesa da sua própria vida . Com o alvoroço , em plena Av.Brasil , muitos carros foramparando. Por sorte em um deles estava Julia , uma amiga de minha irmãMarisa , com seu noivo. Não lembro mais de seus nomes inteiros . Pedi paraser levado para o Hospital 9 de Julho . Pedi também para o Luiz Carlos avisarmeu pai , tomando o cuidado de dizer que eu estava bem . Em cinco minutos estava no hospital ligando para tio Abel que eramédico daquela casa . Enquanto esperavam sua chegada já foram tirandominha pressão e radiografando meu tórax . Meu Anjo da Guarda estava mais uma vez ao meu lado . A pressãoestava perfeita e pelas chapas radiográficas deu para notar que a bala haviaentrado pelas costas, apenas dez centímetros da coluna vertebral , passandomilagrosamente entre o rim esquerdo e o pulmão do mesmo lado , indo pararem uma costela na parte dianteira do tórax , que não quebrou . Nada deimportante foi atingido . Não tinha hemorragia interna . Fiquei aliviado .Muitoaliviado . A morte mais uma vez passou por perto , mas não ficou comigo . Quando meu tio Abel chegou e viu como eu estava ficou satisfeito .Disse que iria tirar a bala e que não seria preciso anestesia geral , só local poissabia que eu aquentaria bem o tranco . Assim foi feito e eu suei um bocado apesar da noite fria . Entãoapareceu a tal bala , calibre 32 . Logo depois veio a parte pior . Era precisopassar um dreno entre o local da entrada da bala , nas costas , e o cortecirúrgico realizado na frente , junto a costela . A dor foi forte demais e chegueia ficar tonto .. Tio Abel disse que eu poderia ir para casa mas que no outro diaprecisaria trocar o tal dreno , lá no seu consultório .
  • 91. Naquele momento meu pai chegou . Meu tio informou que serianecessário avisar a policia pois havia ocorrido ferimento à bala . Como estavatudo bem fomos para casa . Demorei para pegar no sono . No outro dia, logo bem cedo na manhã, apareceram doisinvestigadores em nossa casa do Jardim Paulista . Queriam meu depoimento.Ele foi feito de imediato . Quando pediram testemunhas liguei para LuizCarlos . Ele veio. Infelizmente na pressa de avisar meu pai ele esqueceu detomar os nomes dos presentes que estavam junto ao ônibus quebrado . Eleficou sendo minha única testemunha . O motorista do ônibus disse que não tinha visto nada . Porem o problema maior começou quando , ainda na manhã dosegundo dia , apresentei reação alérgica a sulfa . Deu trabalho para contornar . A noticia do acontecido chegou aos amigos e amigas ,principalmente do Paulistano . Naquele dia , na parte da tarde , recebiinúmeros amigos , inclusive vista de minha namoradinha de então : MariaHelena Malzoni . Assim , durante aquele final de semana , enquanto fui obrigado aficar em casa , cansei de contar como aconteceu aquele tiro . Abriram inquérito “só para inglês ver” . Idas as delegacias , milperguntas e desculpas . Porem , o guarda maluco nunca foi achado . E se foinão revelaram , apesar dos esforços de todos de minha família . Percebi que apolicia fez de tudo para encobrir o tal coleguinha culpado , dentro de seuespírito corporativista . Durante os dias que fiquei em casa pensei muito na vida e no meufuturo . Cheguei a conclusão que arquitetura poderia não ser realmente o quedesejava fazer na vida . O que não desejava era perder mais tempo . - MUDANÇA DE RUMO Quem definiu definitivamente minha duvida e meu horizonte foi umnosso querido vizinho , o brilhante Advogado e Professor de Direito - SilvioRodrigues , filho de Sr. Adolfo e de Dona Chiquinha Rodrigues . Moravamem frente de nossa casa do Jardim Paulista e eram amigos da família desdeantes de meu nascimento . Ele , catedrático do Largo de São Francisco , conversando comigogostou de minha forma positiva de explanar os fatos sobre a agressão doguarda . Disse que eu tinha muita lógica na minha argumentação e muitoênfase no narrar , com muita clareza . Achou que alem do mais eu tinha o dom da palavra . Entendia que eu realmente tinha todo jeito para advocacia . Além disto informou que o campo para advogados era muito vasto .Eu poderia advogar trabalhando por conta própria , ou em escritórios de
  • 92. terceiros . Poderia ser contratado e trabalhar como advogado diretamente paraindustrias , bancos , empresas em geral . Poderia ainda ser Procurador :Federal , do Estado ou do Município . Ser ainda Promotor de Justiça , Juizde Direito , Juiz do Trabalho ou até Delegado de Policia . Alem do mais ,trabalhando para o estado , o tempo que eu já trabalhara na Secretaria doTrabalho , também seria contado para minha aposentadoria . Tudo aquilo ficou girando em minha cabeça . Realmente senti que ocampo de trabalho para o advogado era muito maior . Sem duvida alguma . Pensei bastante , conversei com amigos que cursavam Direito edepois de um tempo mudei meu rumo em 180 graus . Iria estudar Direito . A perspectiva me alegrava . . LATIM PARA VESTIBULAR O problema era o tempo para estudar , pois estávamos no fim deSetembro e eu teria apenas 4 meses para estudar Latim e Literatura .Vestibular naquele tempo era realizado no fim de Janeiro ou início deFevereiro . Durante aquele período eu passei só estudando . Por sorte eu tinhauma boa base escolar , tanto em português como em inglês . Foi um tempoque praticamente não mais sai de casa . Tirei férias , pois já estava com duasvencidas , colocando todo tempo em dedicação ao Latim e a Literatura . Naquele tempo existiam poucas Faculdades de Direito . Apenas 5 ,se não me engano , a saber : - USP no Largo de São Francisco , Católica deSantos , Católica de São Paulo , Mackenzie e a de Direito de Bauru . Fizminha inscrição no Mackenzie , na USP e no Direito de Bauru . Entendia queseria muito difícil entrar no São Francisco com apenas 4 meses de estudoespecializado . Não tinha mais tempo para perder na vida . Mas não custava tentar . O primeiro vestibular aconteceu no início de Janeiro na Faculdadede Direito de Bauru . Fui para lá de trem . Hospedei-me no Hotel Rex , bemno centro da cidade , onde encontrei Maércio Magalhães , meu conhecido daRua Augusta No outro dia bem cedo , dia da primeira prova escrita , fomosconhecer melhor a Faculdade de Direito. Ficava em uma área nova da cidade ,tendo em frente uma grande praça arborizada . Era toda em estilo colonial ,formando um grande quadrado construído , ocupando todo quarteirão . Comsuas paredes interiores , na forma de arcos , no final do grande terraço quedava para um amplo pátio com jardim interno . Era bem bonita . Já dentro da Faculdade tive uma grande alegria . Encontrei ocompanheiro José Henrique . Ele era casado com Maria Ângela , irmã dosmeus amigos José Rafael e José Alfredo Galrão , filhos do médico Dr. Galrão.
  • 93. Descobrimos que estávamos na mesma turma de vestibular . Depois dosabraços fomos fazer a primeira prova. Exame de português : com redação,parte gramatical e parte de literatura . Tive sorte e fui muito bem , principalmente na redação . O mesmo aconteceu nos exames dos outros dias . Primeiro latimdepois inglês . Tanto nas provas escritas como nos exames orais fui muitobem . Em latim que era meu medo tive sorte . Sai dos exames com certeza que seria aprovado . Na data para divulgação do resultado final , sexta feira pela tarde ,seguimos para verificar na Faculdade o que tinha sucedido . O natural receiode ser reprovado trazia muita angustia . A surpresa entretanto foi boa , nós três estávamos aprovados . Foigrande alegria .. Nossa alegria teve momentos de suspense quando veteranoschegaram “desejando raspar nossos cabelos”. Como nós três trazíamosatestados , informando que éramos funcionários do Estado de São Paulo , avontade de raspar nossas “cucas” ficou só na vontade . Levamos o trote mascom nossos cabelos . Logo em seguida efetuamos as matriculas necessárias . 23 C- NA FACULDADE A noite fomos comemorar no centro da cidade , em uma lanchoneteque era moda na cidade , muito freqüentada pela jovem guarda . O tal bar elanchonete tinha o nome de “Lalai”. Ali , depois de algumas cervejas,reconhecemos outros que tinham prestado o mesmo vestibular com sucesso .Entre eles o Osvaldo e seu companheiro Gilberto Camargo , este ultimousineiro em Dois Córregos . Ele sempre trazia , para ficar com ele em Bauru ,um ótimo violeiro chamado Tião . Assim música não faltou . Ficamoscantando , com o coro de outros estudantes , até o bar fechar . Voltei no sabado , logo cedo , com primeiro trem da Cia. Paulista ,para casa . Não via a hora para contar aos meus pais que agora eu erauniversitário . A noticia efetivamente alegrou toda minha família . Como sempreminha mãe foi pagar promessa que havia feito para mim . Naquela noite , depois de telefonar para os amigos, fui para oPaulistano comemorar . Ali também estavam o Zé Ayres Netto , que haviaentrado na Faculdade de Odontologia de Campinas e o Octacílinho Lopes ,que entrara na Faculdade de Medicina de Botucatu . Foi só alegria . A “LABORMETAL” DE BAURU Dias depois , logo pela manhã , depois de conversar com meu pai,ficou resolvido que não iria prestar mais nenhum outro vestibular . Nem
  • 94. mesmo terminar o que estava realizando na Faculdade de Direito do Largo doSão Francisco . Por sinal estava indo muito bem . A razão desta mudança foi uma simples proposta feita pelo meu pai .Visava solucionar uma dificuldade . Eu havia dito que existia um problemapara estudar em Bauru . Teria obrigatoriamente que freqüentar um mínimo deaulas por mês naquela cidade, para poder alcançar o mínimo de freqüência .Isto possibilitaria realizar os Exames de Segunda Época e poder passar de anoletivo . Teria que ficar vários dias por mês em Bauru . Isto traria problemas decusto . Seriam 10 dias assistindo aulas . Meu pai apresentou a solução . Ele contou que sua firmaLabormetel precisava de um representante em Bauru , centro geográfico doEstado de São Paulo , sendo na época o maior entroncamento ferroviáriobrasileiro com três companhias por ali passando ( Paulista –Mogiana -Noroeste ) , com muito bom comércio e com industrias se instalando . Entendia que eu , com os dias que teria obrigação de ficar emBauru, poderia organizar as vendas da Labormetal para toda a região ,nomeando e credenciando empresas para as principais cidades por pertolocalizadas . Também poderia efetuar vendas diretas . Teria um pequenoescritório e uma auxiliar , para receber pedidos e informar São Paulo . Comoas aulas seriam na parte da manhã as visitas poderiam ter realização pela tarde Os produtos siderúrgicos que a Labormetal distribuía, comoatacadista , tinham grande aceitação no mercado : - ferro para construção detodas bitolas , chapas de aço, bobinas de aço , tubos , cotovelos e canosgalvanizados , conduites , arames , arames farpados e outros mais . Além domais Labormetal ainda produzia pregos de todos tamanhos e bitolas . Com este trabalho e os resultados das vendas eu poderia ganhar bemmais , um pouco para pagar faculdade , viagens , hotel , alimentação e comprade livros . Os livros de direito sempre foram muito caros . Gostei e aceitei a oferta . Ele ligou para seu sócio e ficou tudoarranjado. Eu iria estudar Direito e também trabalhar durante alguns dias pormês em Bauru e região , todos os meses em que por ali estivesse . Lembro que existia ainda um outro complicador para contornar. O problema era meu serviço na Secretária do Trabalho , na cidade deSão Paulo . Naquele momento não queria perder o concurso que fizera , nempoderia deixar de trabalhar para o Estado . Ficaria difícil me sustentar . Por outro lado , não poderia ausentar-me por toda uma semana . Depois de procurar uma solução durante vários dias o “complicador”foi superado. Graças ao meu Diretor , que sempre prestigiava estudantes , fuidevidamente transferido para “Departamento de Estatística do Estado” , na
  • 95. função de Pesquisador. Como os “Pesquisadores de Rua” trabalhavam pormetas e tarefas , realizadas mediante visitas em numero pré determinado paracada mês , eu poderia viajar para Bauru por um período . Desde queentregasse minha cota total de visitas e pesquisas do mês , em dia certo , antesde sair de São Paulo . Seria obrigado a trabalhar muito mais nas primeiras três semanaspara viajar na quarta . Mas tudo deveria dar certo . - PRIMEIRAS AULAS O sacrifício valeu . Quando Março chegou , em um domingo pelamanhã , segui com meu carro para Bauru . Ia assistir as primeiras aulas .Maércio Magalhães foi comigo . Foi a pior viagem . A quase totalidade dasestradas , naquele tempo , não eram asfaltadas . Tinha chovido muito gerandobarro nas estradas de terra . O “Hudson” era um carro baixo e moderno . Nãose dava nada bem na lama . . No outro dia de manhã , já na Faculdade , tivemos os primeiroscontatos com nossos professores . A maioria deles era formada por figuras dedestaque na área jurídica . Muitos Juizes e Promotores de São Paulo e dointerior . Guardo até hoje boas recordações dos meus mestres, principalmentede alguns por seu grande conhecimento jurídico e humanidade , entre eles :Desembargador Pinheiro Machado , Desembargador Edgard MouraBittencourt , Juiz Octavio Stuchi . Também do Deputado Dr . Osny Silveira .Era professor de Direito Comercial . Pai dos meus amigos Iara e Osny SilveiraJunior . Depois das aulas e do almoço , conforme meu planejamento , seguipara as cidades onde deveria nomear Representantes / Distribuidores e fecharvendas para a Labormetal . Já havia tomado o cuidado de ter relacionado econtatado previamente as firmas com as quais pretendia negociar . Como as estradas estavam péssimas realizei aquelas viagens denegócios por trem , tomando cuidado de acertar os horários de ida e volta .Outras vezes fui de ônibus pois tinham mais freqüência em seus horários .Assim , com o tempo , fui estabelecendo representantes , efetuando contratos erealizando vendas em Marilia , Lins , Agudos , Pirajuí e outras mais cidadesda região . Chegava bem cansado na volta , mas sempre com um tempo para iraté a “Lalai” . Para jantar e ver os colegas . Naquela última sexta feira de Março , depois das aulas e durante anoite, foi realizada a “ Passeata dos Calouros”. Todos alunos participavam .
  • 96. Calouros carecas ou não , todos pintados , fantasiados e dirigidos pelosveteranos . Homens e mulheres . Uma bandinha furiosa estava iniciando o acompanhamento docortejo tocando “marchinhas carnavalescas”. As calouras desfilavam defantasia , com o rosto pintado e com algumas plumas . Ficavam até bem bonitinhas . A “paquera” começava ...
  • 97. ALTITUDE : DOIS MIL METROS Edu Marcondes-Férias de “Dois Penetras” – Outras Idas para Montanha – “ A Casa daTia no Parque da Ferradura – “ A Taturana”- Subida na Pedra do Baú– “ O Pulôver Vermelho” - “Conversível em Noite de Zero Grau”-Dormindo no Gelado – A Maior Mansão da Cidade – Capotamento naEstrada – Casa Alugada – Choque Térmico – Alemanha “Horizontal”- Pouca gente tem conhecimento que o local onde hoje se situaCampos do Jordão pertenceu e foi parte integrante de Pindamonhangaba . Erachamado de Capivari . Ficava no mesmo local do bairro que hoje tem estenome . Ali , no alto da Mantiqueira foi criado o primeiro núcleo decolonização naquela serra , realizado por fazendeiros de Pindamonhangaba. “FÉRIAS DE PENETRAS” Em Maio de 1952 , quando eu já havia voltado dos 5 anos deinternato que passei em colégio de Campinas , completamente fora darealidade e acreditando em tudo que me contavam , aconteceu . Recebi umconvite lá no Paulistano , onde encontrei meu amigo e colega Luiz . Elehavia terminado comigo o Cientifico no Colégio Maria José . Foram só trêsmeses que assisti aulas por lá . Eu tinha vindo do Ateneu em Campinas ,depois que o Cine Rink caiu . Com ele estavam Caio Kiehl e Vicente de Sylos . No meio de nossa conversa Luiz falou da casa de seu pai situadano “Jardim do Embaixador”, Disse ainda que , em Junho , nas férias , láestaria . Fiquei com muita vontade de realmente conhecer Campos do Jordão.Externei este desejo. Luiz então me disse : “ Espero por vocês . Apareçamem casa .Terei muito prazer . Serão sempre bem vindos . ” Depois descreveucom detalhes a casa e o caminho para a Lagoinha . Naquele tempo ainda eu não sabia que o... “ Espero por vocês....Apareçam lá em casa”... - era apenas uma forma delicada e educada deconversar . Nunca um convite efetivo . Luiz repetiu : “Apareçam por lá ...” Dias depois encontrei Caio Kiehl . Falamos sobre férias e surgiu aidéia de irmos até Campos do Jordão . Lembramos que muitas moças e amigosde São Paulo lá estariam . Poderíamos ir e ficar em um hotel . No final daconversa , depois de muitos prós e contras , combinamos que no próximosabado iríamos subir a Serra da Mantiqueira . Em seu Fusca .
  • 98. Aquele Volkswagen do Caio – modelo 1950 - era realmente umcarrinho diferente para a época e bem interessante .Tinha um pequeno masvalente motor de apenas 1.000 cilindradas Quando sábado chegou , saímos bem cedo para Campos de Jordão .A nossa conversa na estrada estava tão animada que nem percebemos que jáhavíamos passado por São José dos Campos , entrada necessária parapegarmos a estrada de terra batida e subirmos a Serra . Era o caminho naqueletempo . Quando notamos já estávamos bem adiante , em Pindamonhangaba . Paramos para tomar informações e então soubemos que aindaexistia uma outra estrada de terra , construída no tempo do Império , que saiade Pinda e seguia para Campos do Jordão . Informaram que não era muito boa..., mas que caminhões ainda a utilizavam ... Caio não quis saber de mais nada e disse : “ Se caminhão sobe meuFusca vai subir . Vamos ganhar tempo não voltando até São José ”. Seguimos em direção daquela estrada . Não existiam placasindicativas para nada . Fomos nos informando em cada canto . Levou algumtempo mas encontramos a tal estrada antiga . Seguimos em frente . Na sua parte plana foi tudo bem . Os problemas começaram na serra.A pista tinha buracos enormes e grandes pedras roladas , em toda parte .Muitas vezes tivemos que parar o carro para examinar a estrada . Não possuíaacostamento e por vezes só existia um pedaço de pista , pois a outra partehavia desbarrancado e caído lá para baixo . Dava até medo só de olhar . Finalmente , depois de três horas , chegamos . O valente Fusca alijá demonstrava por que seria o carro mais procurado durante tantas décadas . Aquela viagem valeu . Pelas belíssimas paisagens que a velhaestrada proporcionava , pelas arvores floridas , lindas matas naturais , riachos ,pequenas cascatas e por uma “vendinha” que encontramos no final da serra .Ali , naquele pequeno comercio que atendia trabalhadores , tomei a melhorgarapa de minha vida e comi deliciosos pasteis de queijo feitos na hora . .Pasteis com garapa . Tem coisa mais paulista ? Depois , como já estávamos em Campos do Jordão , fomospasseando até chegarmos ao Jardim do Embaixador . Logo encontramos a“Lagoinha”, onde ficava a casa do nosso amigo . Pedi para Caio passar sobreuma ponte ali localizada pois , pela descrição recebida de Luiz , sua casaficava logo adiante . O local era coberto de hortênsias e tinha carneirinhosbrancos pastando nos gramados . Achei que seria realmente bom dar um abraço naquele amigo e saberde algum hotel conhecido por ele .
  • 99. Logo avistamos a casa no final de grande gramado . Ele a descreveumuito bem . Muito linda por sinal . Na chegada encontramos no jardim umasenhora tratando de flores , tendo ao lado um empregado . Paramos , descemosdo carro , demos boa tarde e , pedindo licença , perguntei se ali era casa doLuiz . Recebemos resposta afirmativa , que foi complementada : “ Ele estáno Tênis Clube” . Então informei que éramos seus amigos do Paulistano e quetínhamos chegado de São Paulo naquele momento . Aquela senhora era mãe do Luiz . Quando soube quem éramosinsistiu que entrássemos e foi dizendo : “Ele me avisou da chegada de vocês .São convidados dele . Esperava por vocês dois depois do almoço , lá pelo fimda tarde . Agora , como tinha um jogo marcado , foi para o Tênis Clube .Pediu que vocês deixassem as malas e fossem encontra-lo lá clube, emCapivari ” . Antes que pudéssemos saber ou conhecer maiores detalhes oempregado veio até o carro , pegou nossas malas e as levou para dentro . Gostei , mas achei meio estranho . Não confirmara nossa vinda aoLuiz . Apenas havia dito que iria até sua casa quando fosse para Campos doJordão . Caio ficou sensibilizado com o acolhimento daquela família . Ficoufeliz . Em todo caso , “como eu era caipira de colégio interno , ainda confiavaem tudo , comecei acreditar que o convite “Espero por vocês” seria realmentepara ficarmos em sua casa . Acabei achando que éramos mesmo convidados. Depois , pedindo licença e informando que estaríamos procurandoLuiz , fomos no caminho indicado para o Tênis Clube . Logo adiante , por coincidência , cruzamos com outros dois nossosamigos do Paulistano : Bubi Figueiredo e Jarbas . Quando nos vimos , nomesmo momento demos sinal e fomos parando os carros . Depois dos abraçosperguntaram onde nós estávamos. Dissemos que na casa do Luiz. Comoresposta contaram que também estavam indo para lá .Que Luiz os esperava.Que seria muito bom estarmos todos juntos . Explicaram que iriam apenasdeixar suas malas , pois estavam chegando naquele momento . Informamos que Luiz seria encontrado no Clube e que estávamosindo para lá . Ficou combinado que nos encontraríamos naquele local . No caminho fui pensando e depois falei para o Caio : “ Acho queentramos de gaiato neste convite ... A mãe do Luiz deve ter se confundido ...Esperava dois amigos de São Paulo e nós somos dois ... Esperava dois sócios
  • 100. do Paulistano e nós somos dois...esperava dois amigos do Luiz para depois doalmoço e nós dois chegamos depois do almoço... Os convidados , na realidade,são Jarbas e Bubi ! Por toda estas coincidências nós estamos realmente dePenetra na casa do Luiz ”. Caio concordou que era mesmo uma grande coincidência quepoderia ter acontecido . Ficou pensativo . Mal chegamos ao Tênis Clube fui atrás do Luiz . Logo o achei.Estava lá na sede .Quando nos viu ficou contente e veio falar conosco . Então , sem mais delongas , fui explicando tudo que acontecera edizendo que já estávamos voltando para pegar nossa malas em sua casa .Naquele instante ele foi muito gentil e muito cavalheiro conosco : “ De maneira alguma vocês vão sair de minha casa . Caso soubesseda vinda de vocês , obviamente seriam devidamente convidados . Façoabsoluta questão que fiquem conosco . Vai ser muito bom pois na casa existeoutrro quarto e lugar para todos .” Ainda tentamos argumentar mas ele foi muito positivo . Acabamosficando . Meio sem jeito pela grande “mancada”que havíamos dado . Naquela tarde , alem do Bubi e do Jarbas , muita gente conhecida deSão Paulo chegou . Ficamos perto do bar conversando com Marina Cok , BethBrito, Fritz D’Orey e Dadiche Levi . Depois combinamos que nosencontraríamos no “Grande Hotel”, pois lá teríamos um bailinho aquela noite . Quando começou escurecer o frio chegou com violência . Aosairmos do clube já havia descido para quase zero grau . Ainda bem que tinhalevado uma grossa japona de lã . Depois do jantar , realizado no Grande Hotel, esfriou mais ainda e ,no fim da noite , depois da festa acontecida , quando voltávamos para casa doLuiz , atingiu 4 graus negativos . Nunca havia sentido tanto frio . Luiz medisse que o frio naquela região já baixara até menos 10 graus . Cheguei com ospés e mãos gelados . No quarto , que nós quatro ficamos , Caio achou uma seringa deborracha . Com ela começaram esguichos de água , quase gelada , na bunda dequem tirava as calças trocando de roupa . Na manhã seguinte , após o café matinal , fui com Luiz dar uns tiroscom uma velha espingarda de carregar pela boca . Depois , com Caio , fomosconhecer alguma coisa da região . Os outros foram ao Tênis Clube. No caminho compramos chocolates que foram oferecidos para asenhora mãe de Luiz na hora do almoço . Logo depois daquela refeição e do cafezinho , servido devidamentena sala de estar , ficamos conversando sobre as famílias paulistas que tinham
  • 101. casas em Campos do Jordão . Naquela ocasião , logo em seguida , Caio disseque era uma pena Campos de Jordão não ser asfaltada . O pai de Luizargumentou que o asfalto , tanto na cidade como na estrada , seria o fimdaquele maravilhoso Campos de Jordão , pois então toda a região seriapequena para muitos turistas que chegariam , de todos lugares , de todasclasses sociais . Os males da cidade grande seriam fatais para uma pequenalocalidade sem estrutura . Parecia que ele estava adivinhando o queaconteceria em pouco mais de trinta anos . Como não queríamos voltar para São Paulo no escuro , pois nãoconhecíamos bem a estrada , foi tempo de nos despedirmos e “picar a mula”.Saímos agradecendo toda hospitalidade e gentileza daquela família . OUTRAS VIAGENS PARA CAMPOS DO JORDÃO Voltei para Campos em quase todas as férias de inverno e algumasvezes no verão. Ali sempre carreguei as baterias de minha emoção . A segunda vez que estive em Campos do Jordão , em 1953 , foi maisdemorada. Fiquei junto com Caio e Luiz Carlos Junqueira , durante quinzedias , no “ Grande Hotel” . Ali era um dos centros de reunião para todasociedade paulista que estava na cidade . Amigos não faltavam . Nem garotas ,o que era bem melhor . O mais gostoso de tudo era encontrar , em sua grande maioria,pessoas nossas conhecidas . Era sempre uma alegria , em todos lugares queíamos . Encontros nos fins de tarde no Tênis Clube . Festas e reuniões emquase todas noites . Lanches com deliciosas tortas de morango ou deframboesa no Jardim do Embaixador . Aquelas tais tortas de morango ou framboesas eram feitas e servidasem um pequeno restaurante que pertencia a uma senhora austríaca de nomeBerta. Ela era gorda , corada e muito simpática . Tive oportunidade deconhece-la muito bem em 1955, quando estive hospedado na casa deAntoninho Chiampolini . Lá estavam também José Alfredo Galrão , SérgioD’Avila , Julio Neves e Luizinho Pinto . Como aquele restaurante era quase vizinho da casa e como todos osdias tomávamos ali todas nossa refeições , por sinal magníficas, foi possívelconhecer os maravilhosos pratos preparados por Dona Berta . Conseqüência :Começamos engordar rapidamente .O jeito era fazer exercícios . . A noite , quando não tínhamos uma festa ou um jantar em casa deamigos , tínhamos reuniões no Grande Hotel . Todos dias eram alegres com os
  • 102. conhecidos ao nosso lado . Nos sábados à noite sempre aconteciam bailes efestas em algum lugar . Lembro que as mocinhas , com aqueles trajes de inverno , ficavamextremamente elegantes e charmosas . Por isto mesmo paqueras aconteciamquando menos se esperava . Naquelas férias eu estava namorando Cidinha Giafone . Além de alegre sempre foi muito bonita . Em sua casa aconteciamjogos de futebol que a rapaziada fazia questão de participar . Também todos osanos , naquela época de férias , acontecia uma linda festa , comemorativa deaniversário de um daqueles rapazes da família Giafone , com muitos comes ebebes . -“OS MARINHEIROS DO SUBMARINO ALEMÃO” Uma tarde , esperando os amigos , comecei a conversar com o“maitre” do Grande Hotel . Seu nome era Hans . Ele era alemão , assim comogrande parte dos funcionários que ali trabalhavam . Conversa vai ... Conversa vem ... acabei sabendo que todosaqueles alemães eram antigos tripulantes de um submarino germânico queaqui chegou no início da II Grande Guerra . Chegaram antes do Brasil entrarno conflito mundial . Estavam em Campos de Jordão desde 1940 . Como sempre gostei de história ficamos conversando sobre a guerra.No começo eles estavam receosos . Mas quando falei sobre o couraçado“Graf Spee” , sobre o “Bismark” e de sua odisséia ; sobre o maior piloto decaça que foi um germânico - o “Barão Vermelho” e dos submarinos quetinham sempre a letra “U”em primeiro lugar , ficaram receptivos . Depois ,no andar da conversa , ficaram muito mais comunicativos. No final estavamcontando suas agruras passadas em um submarino . Contaram sobre a vindapara Campos do Jordão . Eles comigo sempre foram muitos gentis e alegres . Mesmo depois de muitos anos , sempre que voltava para aquelacidade , ficasse onde ficasse hospedado , não deixava de visitar Otto e Fritz ,que trabalhavam na cozinha , e de dar um abraço no maitre Hans . Com o tempo e o “progresso” o Grande Hotel ficou desativado poralguns anos . Perdi o contato com meus amigos alemães . Mas nunca osesqueci . Difícil era retornar para São Paulo e para o trabalho depois daquelesdias em Campos do Jordão . Mas as amizades ficavam . As promessas devoltar no outro ano também . A “CASA DA TIA” - NO PARQUE DA FERRADURA Dois anos se passaram . Chegou o inverno . Soubemos então que nopróximo sabado haveria um Grande Baile no Grande Hotel , com a presença
  • 103. de Dóris Monteiro . Ela vinha fazendo grande sucesso como cantora demusicas brasileiras . Não poderíamos perder aquela festa . Ficou resolvido ,em uma reunião no Paulistano , que subiríamos na sexta feira , vésperadaquele acontecimento , em dois carros . Comigo iria Silvinho Abreu . Nocarro com António Duva estaria Otto “Cachorrão” Bendix . Saímos bem cedo pois soubemos que os hotéis estavam cheios .Deveríamos chegar antes dos demais turistas eventuais , para encontrarmosvaga em algum hotel . Por precaução contra o frio levamos algumas mantas .Antes das dez horas já estávamos em Campos do Jordão . Vaga não encontramos , em nenhum hotel . Lembro que naquele tempo o numero de hotéis era pequeno . Casas dos amigos foi também uma tentativa que não deu resultado .Todas lotadas pois a cidade estava cheia de gente conhecida . Tentamos ,junto a uma imobiliária , a Cadij , alugar uma residência para o fim de semana.Nada conseguimos . Porem a sorte nos ajudou . Duva tinha ido para o Parque da Ferradura . Combinamos que nosencontraríamos por volta das 13 horas para almoçarmos . Por volta de meiodia Duva e Otto chegaram sorridentes . Foram informando que acharam umacasa . Pequena , meio longe mas com lareira . Já estava devidamente a nossadisposição . Depois do almoço fomos conhecer a tal casa alugada . O lugar ,como eu já sabia , era meio desabitado , com muitos terrenos e poucas casas .Antes de chegarmos junto a casa , no caminho , passamos pela represa daFerradura. Era linda então , cercada por muitas arvores , muito azul . A tal casa era bonitinha , mas um pouco abandonada . Tinha duassalas , três quartos , copa-cozinha , dois banheiros e um terraço na frente . Duva foi explicando : “ Casa só tinha esta . Encontramos o caseiro .Ele disse que não estava para alugar . Tanto eu falei e insisti que ele contouque a dona , uma ricaça chamada de Dona Vilma , nos três últimos anos nãotinha vindo para esta casa . Disse ainda que ela morava no Rio de Janeiro eque só mandava seu pagamento . As vezes atrasava , como agora em Junho” . “Então eu disse que , como ela não vinha , ele poderia ceder a casasem medo e ganhar um dinheiro extra em apenas dois dias . Ele respondeu que , para deixar a gente entrar , precisava deautorização da dona . Por escrito . Resolveu a questão perguntando se ele conhecia a letra da tal donaVilma . Ele disse que não . Falei que o problema não existia mais , pois ele iria receber uma“Autorização Escrita”. Ficaria com ele . Caso alguém chegasse ou
  • 104. perguntasse não teria nada contra ele , pois tinha recebido uma autorização porescrito da proprietária . Ele entendeu tudo . Era um caipira muito vivo . Coçoua cabeça e perguntou quanto ganharia . Quando soube do valor ficou sorrindo,Depois concordou , ainda sorrindo . Estava sorrindo até agora . Felizmente não dormimos no frio ... Seria terrível . - SUBIDA NA PEDRA DO BAÚ No ano seguinte fui para Campos do Jordão com Fritz D’Orey .Iríamos inicialmente apenas nós dois para a casa perto do Tênis Clube .Contudo , para variar, a tal casinha ficou cheia de amigos do Paulistano .Serginho D’Avila , Adriano Guidotti e Alberto Andrade ficaram conosco . Um pouco antes de minha ida para Campos recebi de minha mãeum lindo pulôver. Dona Zilda tinha caprichado naquele tricotado , com tramabem fina em lã bem grossa . Era vermelho , com gola fechada no pescoço ,com duas listas pretas no braço direito . Experimentei o presente e realmente gostei . Minha tia Ângela disse que era o mais bonito pulôver de homemque tinha visto . Levei-o comigo para Campos mas ficou guardado . No dia marcado viajamos em vários carros . Todos os dias apareciam novas programações que não poderíamosperder . Almoços na casa de Carol e Maria Inês Whitaker , jantares em casade sua prima que morava no Rio de Janeiro . Festa na famosa casa da VilaSimonsen , promovida por Vitinho e seu irmão Fernando . Jogo de “crepe” nacasa de Cida e Paulinho Amaral . Jogos de futebol com Dadiche Levi ecompanhia. Desfile de modas do Clodovil no Grande Hotel . Lançamento dostítulos e inauguração da Hípica de Campos do Jordão . Seresta com fogueirasno Pico de Itapeva , com participação das nossas paquerinhas , devidamenteacompanhadas de suas mães . Vários pic-nics . Idas no trenzinho até Pinda .Subidas no Morro do Elefante . Festas no Grande Hotel . Jogos de buraco comFritz Dórey e Roberto Matarazzo . Reuniões todas as tardes no Tênis Clube .Tortas de morango no Jardim do Embaixador e muitas outras coisas mais . Osdias e noites iam sendo tomados com programações que surgiamsucessivamente , sem parar . Era muito bom . Fazia bem até para a alma .
  • 105. Um belo dia as Mocinhas resolveram subir na “Pedra do Baú”.Como não poderia deixar de ser , mães iriam acompanha-las . Combinamosque todos deveriam usar calças “Jeans”, inclusive as mães que desejassemsubir . Fomos , pela tarde , em vários carros até o pé daquela enorme pedra .Difícil era subir , através degraus de ferro fincados na pedra , pois , emdeterminado momento , ficávamos inclinados para trás . Naquele local a Pedrado Baú era saliente para o lado de fora . A sensação era realmente de perigo . Alguns rapazes foram na frente . As meninas logo atrás com algunsdos nossos intermediando a subida . Eu fiquei no último grupo que subiriacom as mães . Naquela altura do campeonato falei baixinho para PaulinhoGodoy Moreira : “ Vai ser um pereréco trazer todas estas mães de volta.” Eledeu risada . Fomos em frente . Depois de muito esforço e muita vontade todas subiram . Todas . A vista lá de cima era espetacular . O vento dava uma sensação deestarmos voando naquela altura que a Pedra do Baú proporcionava . Ficamosolhando a paisagem . O por do sol começou muito bonito . Todas as moças esuas mães estavam maravilhadas . Mas o frio vinha chegando , cada vez maisforte . Achamos que estava na hora de descer pois depois ficaria escuro ,dificultando tudo . Falei para o Caio Kiehl e para Junqueira que agorarealmente teríamos problemas com as mães , pois a descida não era fácil .Muito marmanjo naquelas ocasiões já havia refugado . Não deu outra . As moças guiadas pelos rapazes desceram commedo , mas com alguma facilidade . Algumas mães conseguiram descergemendo e pedindo ajuda aos santos . Duas tentaram , contudo , quandoficavam de costas para o precipício , precisando pisar nos degraus que poucoviam , o medo falava mais alto . Com muita persuasão uma delas desceuapoiada moralmente por todos e assessorada por Jujuba Moreira da Costa. A última ( nome não interessa ) que ficou estava em pânico . Diziaque era impossível descer. Que ela não conseguiria de jeito algum . Queriaficar lá em cima esperando pelos bombeiros . Queria dormir ali e esperar o dianascer. Dizia qualquer coisa para não descer . Com muita calma eu e Caio explicamos que precisava descer antesque a escuridão tomasse conta de tudo . Que o frio ali poderia atingir até 10gruas negativos . Que ela poderia sofrer muito . Ela só respondia que ia cair.Que iria cair e que estava com mau pressentimento . Então repetimos que não aconteceria nada pois iríamos dar todoapoio . Ela seria amarrada pela cintura com uma corda , que também estariaamarrada na minha e na cintura do Caio . Eu iria descer na sua frente guiando
  • 106. seus passos . Caio , apoiado por Junqueira , desceria depois dela , segurando acorda e impedindo sua queda . Levou algum tempo para ela aceitar . Fomos para a borda da Pedrado Baú e lentamente começamos descer . Por sorte ela não era gordinha . Emcada degrau eu fui colocando seus pés .Um por um . Ela só pedia ao Caio quea segurasse direitinho . Levou algum tempo mas chegamos em baixo . Apesar do frio intenso estávamos bem suados . Recebemos umasalva de palmas e fomos , agora já no escuro , de volta para o Tênis Clube . As mães ali chegaram contando aquela “imensa aventura”, poisconseguiram subir e principalmente descer na Pedra do Baú . Todas estavamfelizes . - O “PULOVER VERMELHO” No fim de cada temporada , no último sabado , acontecia sempre no“Hotel Refugio Alpino” a festa da “Miss Suéter”. Era muito concorrida poistodas as moças apresentavam-se então com seus melhores pulovers , malhas esueters . Cada um mais bonito que o outro . Era uma festa muito alegre , demuita elegância e bonita de assistir . Nem sei se ainda existe . Pois bem , naquela noite resolvi usar o pulôver vermelho que DonaZilda tinha feito . Vermelho praticamente não era usado por homens . Somentevesti o tal na hora que estávamos saindo . Os amigos gostaram , apesar de servermelho . Estranhavam a cor pouco usada e brincavam dizendo que eu estavacom sorte , pois naquela festa não entrariam touros . Poderíamos encontraralguns chifres ... mas não seriam de touros ... Demos risadas . Quando cheguei com aquele pulôver no Refugio Alpino realmentechamei atenção das moças e de algumas mães , principalmente daquelas quefaziam parte da Comissão Julgadora . Elas iriam determinar , entre todasmocinhas , qual a que usava o suéter mais bonito. Ficaram olhando e depois pediram permissão para tocar no meupulôver . Achei que estava tudo bem . Tudo muito bem , mas me sentindomeio inseguro . Em seguida , pedi licença e fui dançar. Depois de algum tempo de festa a Comissão Julgadora foi indicandoas moças que se destacavam em seus lindos sueters . Doze foram selecionadase desfilaram pelo salão . Por fim Lucia Helena foi proclamada vencedora eganhou um premio . Quando pensei que tudo tinha terminado fui chamado pela talComissão . Disseram que excepcionalmente aquele ano teríamos um “ MisterSuéter” . Eu tinha sido o escolhido . Ganhei um litro de uísque e o direito dedançar uma valsa com a “Miss Suéter” . O litro de uísque os amigos levaram . Mas naquela noite , depois dedançar a tal valsa , conheci a menina mais bonita de todos os tempos . Era
  • 107. doce , suave , educada, inteligente , muito séria e alem de tudo linda . Seunome : Regina Barletta . Namoramos durante um tempo . Depois pisei nabola! Por pura besteira perdi a mais linda namorada . Noto agora , lembrando todos fatos acontecidos em Campos deJordão , que seria até possível escrever um livro , somente com os acontecidosnaquela cidade . Por isto mesmo , e por já ter escrito bastante sobre aquelaregião , vou contar resumidamente somente mais alguns dos muitos fatos ecasos lá ocorridos . Vamos lá : - CARRO CONVERSIVEL NA NOITE - COM ZERO GRAU No inverno de 1959 não foi possível passar muitos dias de férias lána serra . Estava estudando muito , trabalhando na Secretária do Trabalho erealizando meu estagio em direito . No fim da tarde de um sabado de inverno , em que tinha estadoocupado o dia todo , dei uma chegada até o Paulistano . O clube estava meio vazio , o que era natural naquela época , comtodo mundo viajando . Mal cheguei e fui encontrando Paulinho Saldanha da Gama . Estavaele meio triste e tomava um cafezinho com Paulo Colombo . Quando me viujá foi perguntando por que eu não estava em Campos . Expliquei minhasrazões. Eram iguais as dele . Depois de alguns minutos de papo furado , falamos da festa que iaocorrer no Refugio Alpino . Ele , que ficara todo sorriso , perguntou se não queríamos ir agorapara Campos de Jordão , pois estava com seu novo “Chevrolet” conversível e ,no máximo em três horas , alcançaríamos a cidade em tempo de participar dafesta . Seu convite não era de brincadeira . Falava bem animado . Paulo Colombo achou que era muito tarde , pois passava das 18horas e nem tínhamos reservado hotel . Eu , lembrando das boas coisas quesempre lá aconteciam , topei a parada . Nem discutimos mais nada . Ficouresolvido que sairíamos imediatamente . Passaríamos por nossas casaspegando rapidamente o indispensável . Em meia hora já estávamos na Via Dutra . Uma hora depois em SãoJosé dos Campos . A noite estava clara , com luar mas muito fria .Quando chegamos emMonteiro Lobato , no pé da serra , resolvemos parar e tomar alguma coisa paraespantar o frio . O melhor que encontramos , em um bar de beira de estrada ,foi um litro de Conhaque “Palhinha” . Apesar de muito forte , logo de saída
  • 108. tomamos uns goles , de virada e no gargalo . Rapidamente continuamos aviagem . Conforme íamos subindo a serra o frio ia aumentando e também iamaumentando os goles , tomados no gargalo da garrafa do tal conhaque .Começaram fazer efeito . Meia hora depois , lá pelo meio da serra , estávamoscom calor . Na realidade muito alegres com aquele conhaque , tanto queresolvemos abaixar a capota do carro conversível . Isto foi feito apenasreduzindo bem a velocidade do carro . Nem paramos . E lá fomos nós . De capota arriada , em uma temperatura abaixo dezero graus , bebendo no gargalo , sem jantar e dando risadas de tudo quecontávamos . Chegamos no Refugio Alpino quando todos estavam entrando para afesta . Nós dois estávamos “como o diabo gosta” . De conversível , três grausabaixo de zero , com a garrafa do conhaque vazia ... mas com a cabeça cheiaaté a tampa . Com toda alegria e descontração do mundo . Quando os amigos nos viram fizeram aquela fuzarca de sempre enos levaram com eles para dentro . Nem sei como entramos no baile pois nemconvites tínhamos . Sei apenas que o meio litro tomado do tal “Palhinha”estava fazendo efeito . Lembro que dancei muitas vezes , que comi algumacoisa e que depois fui dormir no carro ( agora com a capota fechada ) ,devidamente embrulhado em um acolchoado . Os amigos tinham me levado .Lembro que quando entrei no carro Paulinho já estava dormindo . Nós dois estávamos apagados . Definitivamente . Acordei no outro dia com a cabeça estourando . Nem sabia ondeestava . Procurei um banheiro como primeira providencia . Precisava lavar orosto e beber água , para ver se tirava aquele gosto maldito de “cabo de guardachuva”que tinha na boca . Achei o banheiro e entrei . Encontrei lá dentro , escovando os dentes , Marcelão Ribeiro Lima.Quando me viu deu risada e foi perguntando como estava minha ressaca .Antes de minha resposta , Paulinho também entrou no banheiro , reclamandode dor de cabeça . Queria saber onde estávamos . Marcelão aproveitou a presença de nós dois e explicou queestávamos no Hotel da Vila Inglesa . Precisamente no Chalé que ele alugara .Éramos seus convidados . Apenas precisávamos tomar banho e escovar osdentes pára tirar aquele espantoso “ bafo de onça”, que , por “ estranhacoincidência ” , tomava conta dos dois . Depois , quando fomos tomar café , encontrei com Chico“Foca”Campos . Preocupado , pois de nada lembrava , fui logo perguntando
  • 109. se eu tinha feito alguma cafajestada . Chico caiu na risada e inicialmente foime gozando , contando que eu tinha feito horrores . Depois , vendo minha preocupação , contou a verdade , dandoinclusive detalhes . Disse que eu apenas tinha beijado as mãos de todas assenhoras que ia encontrando ..., dando abraços nos conhecidos e até em algunsdesconhecidos que me apresentavam ... , que tirei para dançar todas as moças ,com um detalhe que não mais muito usado : pedindo com toda cerimônialicença para as mães . Disse ainda que bebi em todos os copos , dos amigosmais chegados e dos que estava conhecendo , brindando a festa , as meninas ,as férias e até o Prefeito . Comentou que eu estive “muito alegre”, porem bemeducado . Lembrou que “In Vino Veritas”, pois cada um mostra o que é nabebida . Falou ainda que , em determinado momento , aconteceu umpequeno porem : - “ Dois guardas municipais , que tomavam conta do baile ,vendo toda aquela sua alegria esfuziante , vieram lhe perturbar . Queriamantes de mais nada lhe humilhar . Ordenaram que você ficasse sentado e bemquietinho . Sem razão alguma pois todos estavam gostando de suasbrincadeiras . Então foi um pereréco ... Você realmente ficou bravo . Muitobravo . Os guardinhas, assustados pela sua reação , com seu tamanho efama , além do apoio recebido por todos , saíram de fininho . Foram vigiar a entrada do hotel ”. Conclusão : “Conhaque Palhinha” nunca mais . DORMINDO NO GELADO Uma semana depois aconteceu quase a mesma coisa . Entãoencontrei Dudu Brotéro no Paulistano , por volta das 7 horas da noite desabado , querendo ir para Campos do Jordão . Encurtando toda a historia : - Lá fomos nós ! Daquela vez nem paramos em Monteiro Lobato , nem teve conhaque“ Palhinha”. Seguimos direto para o Grande Hotel . Mal chegamos e encontramos gente nossa . Dudu arrumou uma casa que um amigo comprara . Só que não tinhaainda roupa de cama . Ficamos de dormir no fogo da lareira . Só que na hora de dormir não tinha lenha para lareira . Eram4 horasda madrugada . > Conclusão : ficamos acordados , gelados até que o solapareceu . Então fomos dormir no gramado tomando o sol da montanha Só conseguimos dormir , um pouco , quando o sol da serraapareceu. . Ele foi ficando mais forte perto das 9 da manhã . Fomos deitar nos
  • 110. colchões , agora devidamente estendidos na grama , debaixo daquele solgostoso . Conclusão : Quase perdemos o almoço - A MAIOR E MELHOR MANSÃO DA CIDADE A Vila Simonsen foi , sem duvida alguma , a melhor residência deCampos do Jordão . Na realidade era uma grande mansão . Estava localizadaem uma área enorme , em alguns alqueires , com estrada asfaltada depois dosportões até atingir a casa , com bosques , vários jardins , muitas flores , quadrade tênis e tudo mais. Ficava em Capivari , bem perto do Tenis Clube , nomelhor local da cidade . Para se ter idéia do tamanho da casa , nunca tive certeza de quantosquartos ela possuía . Acho que eram trinta , mas não posso afirmar . As salasenormes , extremamente bem decoradas . Na entrada existia uma armaduramedieval , em tamanho natural . Tinha sala de jogos com mesa oficial parasinuca . Uma imensa biblioteca cheia de livros , alguns raros . Cabe destaque especial para a sala de jantar , pois a mesa que aliestava era para muitas pessoas , todas sentadinhas ao seu redor . Do lado de fora um magnífico terraço . Esta mansão pertencia a Dona Rachel Simonsen , sem duvidaalguma perfeita anfitriã , pois recebia com grande alegria todos amigos deseus netos : Fernando e Vitor Simonsen . E sempre eles não eram poucos . Quem muito freqüentou o local foi Mario Guisalberti e sua esposaLílian Bloem Guisalberti . Eram muito amigos do Vitor Simonsen – Pai doFernando e do Vitinho – casado em 2a núpcias com Dulce Simonsen . Variasvezes ali estive , como hospede da casa ou como convidado para festas . Vitinho é meu amigo desde muito tempo , desde a década de 50 . Fernando , seu irmão , faleceu este ano de 2003 e eu , por estarviajando na ocasião , só tomei conhecimento depois de sua missa de sétimodia . Fico triste só de lembrar . Ele era muito alegre . Aquela casa , a Vila Simonsen , transpirava alegria todo o tempo.Tinha uma aura fenomenal que trazia descontração até para os mais tímidos .As muitas festas ali realizadas sempre foram as mais bonitas . Todos os maischegados eram sempre convidados e levavam então muita alegria . Os jantares diários , com todos os hospedes sentados , sempre comgente jovem , eram muito divertidos , pois as brincadeiras se sucediam todotempo . Quem ia pela primeira vez “pagava o pato”. Para se servir , tinha deir até um grande “bufet” que ficava em frente da mesa . Quando o novato selevantava e ia até lá para se servir , quem estava sentado ao seu lado tirava oassento de sua cadeira . O assento era móvel . Assim feito deixava apenas ,disfarçando a retirada do assento e do buraco que ficava , uma almofada , que
  • 111. todas cadeiras possuíam . Na volta , ao sentar , o incauto despencava com abunda no buraco da cadeira , ficando de pernas para o ar . Então , no meio deparabéns , recebia uma salva de palmas . Tinha passado em sua iniciação . Nos jantares quando alguém fazia aniversário sempre era exigido umdiscurso , homenageando aquele amigo . Eu mesmo fiz um parabenizando oamigo Luiz David Ribeiro . Depois eram muitas palmas , pic- pics e vivas .Era impossível esquecer aquele aniversário . Dona Rachel , na cabeceira damesa , tudo assistia com alegria . Era pessoa maravilhosa . Durante a noite , depois de alguma reunião , festa ou jogos ( então o“crepe” é que corria solto na mesa de sinuca) , as brincadeiras não acabavam .A turma do Paulistano esperava alguém dormir e , silenciosamente , bem demansinho , ia até seu quarto e colocava um pedaço de chocolate em sua mão ,ou as vezes na testa . Quem estava dormindo não sentia , até que o chocolateficasse derretido com o calor de seu corpo e , se ele , por alguma razão ,passasse a mão no rosto ou nos cabelos , ficava todo lambuzado e tinha que ir ,no frio , até o banheiro lavar rosto e mão . Nunca se sabia quem tinha feito abrincadeira . O silencio era regra da nossa turma . Só dávamos risadas . Detodos os quartos vinham risadas . Sempre . Sapatos eram “roubados” e colocados em outros quartos . Tênis ,mesmo novos , quando cheiravam mal , eram escondidos . Aquela camisa ,que seria usada em uma ocasião especial , também . Era só procurar que seachava tudo . As vezes demorava mas tudo se achava ... no meio da gozação . Uma noite , quando Caio Kiehl dormia , passaram muita pasta dedentes em seus cabelos . Com o forte cheiro de hortelã ele acordou . Passou amão na cabeça , acendeu o abat-jour e me acordou . Morri de rir quando vitoda sua cabeça branquinha . Ele no começo ficou bravo, depois riu junto . Fuicom ele até o banheiro . Então começou a lavar a cabeça . Quanto mais lavavamais espuma aparecia . Era aquela história : “ quanto mais rezava maislobisomem aparecia ” . Eu ria e ele também . Por fim ele disse e até jurava queo Acácio“Geléia”era o culpado . A Vila Simonsen tinha alguns convidados constantes . “Geléia” emeu primo Fausto Marcondes eram alguns deles . Das vezes que lá estivelembro muito das brincadeiras do Luiz Carlos Junqueira , do “Jujuba” Moreirada Costa , do Rachid Jaudi e do Caio . As do “ Geléia” foram tantas que nemdá para contar . - CAPOTAMENTO NA ESTRADA No outro sabado , quando deveríamos voltar à Vila Simonsen ,descobrimos , de repente , que ficáramos sem condução . Eu havia deixado
  • 112. meu carro lá em Campos do Jordão , pois tinha vindo com o do Junqueira paraSão Paulo . O mesmo aconteceu com Caio e com “Jujuba . Deixaram tambémseus carros e também vieram com Junqueira . Na sexta feira , dia marcado para nossa volta , o carro do Junqueiraquebrou . Teve que ir para a oficina e só ficaria pronto na próxima terça- feira.Ficamos sem automóvel . Falamos com “Bubi” Loureiro que iria paraCampos. Ele se prontificou em nos levar , no sabado , em seu carro . Porem ... , tem sempre um porem ... , no sabado seu automóveltambém quebrou . Ficamos , os cinco , a pe´. O jeito foi alugar um Volkswagen , pois era o mais barato , e tocarpara Campos do Jordão . Não queríamos perder a festa . Saímos tarde , nós cinco no Fusca , por volta das 6 da noite . “Bubi” guiou até São José pisando fundo no acelerador . Depois fuieu que dirigi até Monteiro Lobato . Ali Caio passou para o volante . Saiumandando brasa , dizendo que estávamos atrasados para a festa na VilaSimonsen . Já no final da serra passamos um outro Volks com chapa de MinasGerais , com o Caio andando no limite . De repente a estrada apareceu molhada . O limite do carro , é claro,naquele instante deveria ser outro . Não deu tempo de reduzir . Caio aindatentou fazer aquela curva de alta . O carro derrapou no molhado e batemos ,meio de frente e meio de lado , quase a 100 Km por hora , em um barranco.Todos nós estávamos sem cinto de segurança, que nem existia então . Com o choque , ocorrido naquela velocidade , o Volks empinou atraseira e capotou de frente , batendo a parte de fora do teto no barranco ecaindo meio de lado . A batida foi tão forte que eu , estando sentado no meiodo banco de trás , enquanto o carro empinava e capotava , fui jogado como umfoguete contra o vidro de trás . Ele foi levado junto comigo para fora doFusca. Sai pela janela traseira . Naquele movimento bati minhas coxas , comtoda força , na parte interna do buraco onde o vidro estava . Fui direto para obarranco , bati com os ombros , rolei e cai ao lado do carro . Apenas viasombras , pois os faróis se quebraram e tudo agora estava escuro . Com muita dificuldade , pois as pernas doíam muito , cheguei noFusca inteiro amassado . Forcei e abri a porta . Vi todos meio zonzos . Caiotinha quebrado o nariz na direção . Bubi estava com um friso do painelespetado na pele do pescoço . Jujuba e Junqueira apenas tontos . Ajudeirapidamente todos saírem do carro , pois tinha medo de incêndio . Nadaaconteceu , felizmente . “Entre mortos e feridos salvaram –se todos”. Isto , “ si non é vero é bene trovato” , pois a danada da “Morte”mais uma vez estava bem escondidinha , viajando , sem eu saber , ao meu
  • 113. lado. Rolou comigo para fora do carro mas não aquentou o tranco . Penseique a “Danada” tinha morrido. Que nada ... apenas deve ter ficado por lá desmaiada. . Pela quarta vez em minha vida dei um “drible” na “Bruxa” . Estávamos pensando como chegaríamos em Campos quandoapareceu um carro . Era aquele Fusca com chapa de Minas Gerais quehavíamos passado minutos antes . Demos sinal e ele parou . Por sorte apenas achapa era de Minas pois o pessoal era conhecido do Jujuba . Encurtando a história . Subimos o resto da serra em oito pessoasdentro daquele Fusca . Nem dá para descrever como . Chegamos na Vila Simonsen em tempo de “curtir a festa” .No outrodia minhas coxas estavam “Roxinhas da Silva”. Fui levado até o“Sanatorinhos de Campos do Jordão” para tirar radiografias . Elas nãodescobriram nenhuma fratura mas eu descobri que o fundador daquele hospitalfoi um outro meu parente : Dr. Francisco Marcondes Romeiro . Hoje, infelizmente , a Vila Simonsen não existe mais . Uma noite ,sem ninguém dentro , a casa pegou fogo . Nada sobrou . Não foi reconstruída pois Dona Rachel Simonsen já havia falecido . Aquela época de muita felicidade , não volta mais . A CASA ALUGADA EM CAMPOS DO JORDÃO A ultima vez que estive em Campos de Jordão, realmente passandoférias , ainda como solteiro, aconteceu no inverno de 1966 . Estávamos em um grupo de amigos conversando sobre as fériaspróximas quando dei a idéia de alugarmos uma casa em Campos . Todosaprovaram . Cada um começou a fazer planos antecipados para nossa estadana tal casa . Todos acharam que seria o máximo. Ficamos realmenteempolgados com a idéia . Como eu já sabia que aprovação não significava confirmação ,principalmente na hora do pagamento da parte que caberia a cada um , faleique seria necessário confirmarmos a vontade de locação .Todos concordaram . Então tomei o cuidado de receber naquela hora um cheque , embranco , dos que realmente desejavam alugar a tal casa .Também foiestipulado que o cheque teria um valor máximo determinado , relativo acobertura do aluguel e dos mantimentos conforme combináramos . Ele seria ocompromisso firmado entre os amigos participantes . Cobriria não só a locação mas também uma empregada e todos osmantimentos que seriam usados durante o mês . Aqueles cheques ficariaminicialmente com Luiz Carlos Junqueira .
  • 114. Ficou acertado que eu iria , no próximo sabado para Campos doJordão , procurar a tal casa . Ela deveria abrigar 10 amigos que estavamcontribuindo para a locação . Os contribuintes , alem deste maluco ( vocêsdepois saberão por que ) , foram : Flavio Guimarães , Paulo Colombo ,Arnaldo Gasparian , Otto Bendix , Alcir Amorim , Sergio D’Avila , CaioKiehl , Luiz Carlos Junqueira e Antonio Duva . Pouco depois de recebermos os cheques e brindarmos nosso acordochegaram os irmãos Zizinho e Amedeo Papa . Queriam participar no rateio dalocação . Queriam cinco lugares na casa . No primeiro sabado de Maio subi a serra . Tinha como companheiroLuiz Vicente de Sylos . Fui para Capivari e direto para a Imobiliária Cadij . Expliquei o quequeria e consegui alugar uma casa bem grande . Ficava em Descansópolis ,perto do Hotel Rancho Alegre e tinha um mastro para bandeira . Conseguiainda uma casa menor para Zizinho Papa. Ficava perto da nossa , na mesmarua . Arranjei até uma cozinheira . Fiquei como responsável pela casa . Voltamos para São Paulo e no fim da tarde já estávamos dando asboas novas para a Turma do Paulistano . Os planos recomeçaram a tomarconta das conversas . E Luiz Vicente dizia que a casa seria um sucesso commuitas festas que ali seriam realizadas . Falava que iria levar para a tal casaalgumas suas conhecidas do Rio de Janeiro que estariam indo para Campos .Eram moças “avançadas”. Teve reprovação e voto contrário de todos . A casa seria apenas paradescansar , tomar as refeições e dormir . Quando muito daríamos uma únicafesta familiar para as moças conhecidas . É ... , assim ficou combinado ...MAS ... - ALEMANHA “HORIZONTAL” A casa , logo depois , realmente virou a maior “bagunça – meioorganizada ”, pois começaram a chegar os nossos sócios na locação . Vinhamalguns acompanhados de “convidados”(as) . Não eram conhecidas , nem doPaulistano . E dentro do nosso principio que ninguém conhecido da turma iriadormir no frio , todos foram acolhidos . Dormiam em frente da lareira . Começaram a sobrar cuecas , meias , sapatos e roupas pelos cantos .Até nos lustres . Dava trabalho danado pedir a colaboração de todos . Foipreciso comprar mais mantimentos pois normalmente os almoços e jantareseram para 13 ou 14 amigos . Foi necessário melhorar o salário da empregada ..
  • 115. Mas era preciso ter mão firme para não ter a nossa morada virada decabeça para baixo . Apesar de todo meu esforço a casa ganhou um apelido :“Alemanha Horizontal” . “Alemanha” por que eu tentava manter tudo na maior ordem. “Horizontal” , pois era assim que muitos sempre ficavam no final decada festa . Na casa alugada pelo ZizÍnho Papa era a mesma coisa bagunçada . Moças de família nem mais passavam perto da casa . Festas aconteceram na casa em várias noites . Eram bem diferentesdas festas acontecidas em anos anteriores . Eram agora chamadas de “Festaspois na realidade nada tinham dos “Baile Branco” das debutantes . Eram bemconcorridas pois apareciam muitas mulheres que nunca tinha visto antes . Ecada vez apareciam mais . De onde vinham não sei . Senti que o romantismo estava acabando , realmente acabando ,sendo rapidamente substituído por tudo que era pratico e possível de seralcançado , sem muita demora , sem muito esforço , sem muita inteligência . Senti principalmente que as mulheres não mais estavam fazendoamor . Agora faziam sexo ...basicamente sexo... A sociedade estava mudando rapidamente ... Para melhor ou pior ?
  • 116. LITORAL NORTE – SÃO PAULO E RIO Edu MarcondesIlhabela – Problemas com Mergulhos –Ubatuba – Cabo Frio –Naufrágio em Paratí – “ Mulherada Sadia no Hotel das Cigarras” - ILHABELA - De 1953 até 1956 fui muitas vezes para Ilhabela . Ia para lá ,quando possível , em alguns feriados mais longos . Depois da primeira idasempre fiquei atraído pela beleza do local . Naquele tempo as viagens eram mais demoradas pois a qualidadedas estradas não era ainda muito boa . Alem do mais a travessia para a ilha ,feita por velhas balsas motorizadas , era extremamente demorada . A viagem sempre começava muito cedo , passando por São José dosCampos , para posteriormente , via Estrada dos Tamoios , alcançarmosCaraguatatuba e São Sebastião – onde normalmente almoçavamos . Sempre pelo início da tarde já estávamos entrando na belezasimples , natural e maravilhosa da “Ilhabela do Imperador”. Ali nossahospedagem era realizada normalmente em casas simples que alugávamos dospescadores . As vezes em pequenas pensões que ali ainda existiam . Quemnormalmente cuidava destes detalhes era o Caio Richetti . Ele tinha amigosque moravam no local . Cuidava de tudo por telefone . Caio Kiehl , CarlosRoberto Matos , Luiz Davis Ribeiro entre tantos mais eram nossoscompanheiros . Uma coisa que marcava nossa estada na ilha eram as Serenatas quefazíamos praticamente todas as noites . Quase sempre ao lado de uma fogueirapara espantar mosquitos . Borrachudo só atrapalhava no começo das manhãse finais das tardes . Quando estávamos bem queimados de sol praticamentenem mais sentíamos os borrachudos . O corpo já tinha criado suas defesas . Daquelas serenatas uma ficou famosa , por não ter acontecido .Como eu estava de namorico com um par de olhos verdes bem clarinhos , denome Angélica , havia chamado os amigos e até contratado violeiros da ilhapara a serenata que iria acontecer no sábado . Quando todos já estavampreparados caiu aquela famosa chuva demorada litorânea . “Criadeira”. Só foi parar no fim da tarde de Domingo quando já estávamosvoltando . Virou gozação a tal serenata . Por causa deste tipo de chuva demorada e arrastada , que aconteciana região, todas cidades daquele litoral fluminense e paulista tinham apelidos :“Angra dos Raios” , “Paratimbum” , “Ubachuva”, “Caranaguadachuva”, “SãoSebastrovão” e “Ilhaumbrela” .
  • 117. - Problemas com Mergulhos O litoral da ilha era realmente próprio para mergulhos e caçasubmarina , que naquele tempo começavam a ganhar muitos adeptos . A Baiados Castelhanos ,no outro lado da ilha , já em águas abertas e limpas dooceano , era lugar espetacular para mergulhar . Notadamente em dia de muita luz e sol . Naquele tempo o cenário submarino era um espetáculo ,principalmente quando visto pela primeira vez . Era maravilhoso , criado pelaágua clara , enorme quantidade de peixes coloridos existentes e pelas plantasque embelezavam aquele cenário . Hoje como ficou não sei . Desde menino eu gostava de mergulhar na piscina do Paulistano .Descia com facilidade os 3 metros que a antiga piscina tinha de fundo . O primeiro mergulho no mar encheu minha alma da luz e beleza .Não tinha ainda capacidade de mergulhar muito mais fundo , mesmo com péde pato e mascara. Mas ficava descendo em curtos mergulhos durante grandeparte do dia . Sentia o envolvimento da beleza natural .Traziam tranqüilidade . Com o tempo , ajudado pelo “snorkel”, depois pelo “aqualung” fuichegando mais fundo . Praticamente não caçava nada pois não gostava dematar . Quando muito , quando necessário , pegava o peixe para o almoço . Uma coisa acontecia comigo cada vez que mergulhava abaixo dos 8ou 9 metros . Aparecia uma dor dentro da minha fossa nasal . Entretanto , istonão impedia inicialmente a continuidade de meus mergulhos . Dos demais mergulhadores eu estava impressionado com umcaboclo muito forte que muitas vezes mergulhava conosco . Ele vivia emIlhabela e era chamado de “Manuel Diabo” . Descia mais de 20 metros econseguia ficar debaixo d’agua por quase três minutos , sem mascara , sem péde pato , nem nada ! Eu queria mergulhar fundo mas não conseguia . Eu não desciafundo, mesmo com toda aparelhagem, , principalmente por causa de uma dorque aparecia dentro do nariz , precisamente na fossa nasal . Ela ia aumentandocada mergulho que eu tentava ir mais fundo . Depois realmente passouincomodar e acabou tapando a narina esquerda . Falei com o irmão médico de minha mãe , com meu tio Abel . Elerecomendou o Dr. Álvaro Imperatriz , medico da família , especializado emotorrino . Depois dos exames foi informando que eu tinha um tumor no fundoda narina esquerda . Tirou dele um pedacinho para realizar biópsia . Dias depois veio o resultado . Foi um alivio . Era benigno do tipo“fibro-hemangioma” , tipo de tumor que aparecia mais na puberdade . Dr.Imperatriz contou que em meu caso uma célula , provavelmente não muitobem formada , foi aumentando com a pressão dos mergulhos e poderia ter se
  • 118. transformado naquele tumor . Não se tinha certeza de nada . Era umahipótese. Deixei de mergulhar e tempo mais tarde fui operado peloOctacilinho Lopes Filho com sucesso . Era ele meu amigo de infância e doPaulistano . Ali estava começando um grande médico e Professor de Medicina. - UBATUBA Fui melhor conhecer Ubatuba , lá pelos idos de junho / 1956 ,passando alguns dias na casa que meus tios Abel e Angela possuíam nacidade. Estava em recuperação da operação de apêndice realizada . Fui paralá com minha mãe . Ela que aproveitava a oportunidade para também visitarseu irmão Saul e conhecer melhor seus sobrinhos Sérgio , Silvio e Susi , filhosdo segundo casamento daquele seu irmão. Eles moravam em Taubaté mastambém tinham casa em Ubatuba . Naqueles dias também estariam por lá . Na tarde do primeiro dia fui de carro com meu tio conhecer aspraias de Ubatuba . Na realidade algumas , pois o município começa logodepois de Caragua e vai até Parati . São mais de 100 Km contínuos de praias .Cada uma mais bonita que a outra . Intervalo - Depois daquele passeio prometi para mim mesmo teruma casa em Ubatuba . Isto foi conseguido , após o nascimento de minhasfilhas , em 1978 . A casa ficava perto da Praia Vermelha , logo depois dacidade , indo pela Rio-Santos . Ela tinha 3 quartos , sendo um suite , uma saladupla e terraço dos dois lados , com jardim na frente e do lado . Era bembonita Dois queridos amigos e colegas do Banco Brascan – IsmarProcópio de Oliveira e Márcio Rosseti - construíram na mesma época , nomesmo local , a mesma casa . Ela era um projeto da “Bel Recanto” que euhavia modificado alguns detalhes na planta . Infelizmente não pude usa-la por muitos anos . A região onde foraconstruída, cercada de arvores e com o Rio Pereque do lado , foigradativamente sendo invadida por migrantes nordestinos . Toda semanahavia um roubo na casa . No final tivemos invasões , com muito trabalho pararetomar o imóvel . O jeito foi vende-lo na “bacia das almas” para alguém quefosse nela morar . Foi uma pena pois a casa era lindinha , mas foi necessário .
  • 119. CABO FRIO Uma tarde de Sábado , com muito sol de verão , quando estávamosreunidos na piscina do CAP , chegou convite para a festa do Sábado deAleluia que seria realizada no “Clube do Canal” em Cabo Frio , Quem trazia anoticia do convite , se não me engano , era o Nelson Cottini . Muitos amigos aderiram de imediato e depois de muito bate papoficou combinado que sairíamos na próxima Terça Feira , logo pela manhã .Iriamos ficar em Cabo Frio até Domingo de Páscoa . O encontro para nossasaída seria na porta da nova sede do Paulistano . No dia e na hora combinada lá estavam os amigos do Paulistano :Alberto Botti , Sérgio e Aluísio D Àvila , Paulinho Saldanha da Gama ,“Coquinho” e seu irmão Marcelão Ribeiro de Lima , Eddy “Meiabranca”Cury, Danilo Penna , “Didi” e seu irmão Adriano Guidotti . Iríamos em trêscarros , mais o “jeep”DKW” do Nelson Cottini que eu estaria guiando . Saímos bem cedo . A primeira parada dos carros de nossa turma foino “Clube dos 500” onde almoçamos . Em cada carro foram trocados osmotoristas . Dali em diante só fomos parar no inicio daquela estrada quelevava para Cabo Frio . Era preciso reabastecer e descansar quem dirigia eainda tomar um cafezinho . Dali para frente a estrada era péssima . Fomos em frente . Quando chegamos na serra , por sinal muito estreita , mal cuidada eperigosa , encontramos o que restou de um acidente ocorrido naquela manhã .Um caminhão jamanta , carregado de diésel , perdeu os freios na descida daserra e não conseguiu parar . Quando avistou , logo depois de uma curva , umcarro subindo a serra , tentou desviar . A sua parte da frente , um cavalo –mecânico, desviou do carro , mas o tanque que vinha logo atrás com suas 30toneladas bateu de lado e rolou por cima do carro . Depois pegou fogo . Todosque vinham no carro , que ficou com menos de 90 centímetros de altura ,morreram esmagados e foram queimados durante horas . Chegamos quando começou a ser liberada aquela estrada . Aquilo serviu de aviso e dali para frente fomos bem mais devagar . Chegamos em Cabo Frio no final da tarde . A cidade era bonita ,toda arrumadinha , com pequenas e bonitas lojas , com praias maravilhosas .Ainda tivemos tempo para guardar as coisas no Hotel e dar um mergulho napraia logo em frente . Então descobrimos a razão para a cidade ser chamadaCabo Frio . O mar era gelado por causa de uma Corrente Oceânica muito friaque vinha do Polo Sul e passava por ali . Acho que se chama “Corrente deFalkland” . Depois do jantar fomos conhecer o Clube do Canal e as pessoas quenos tinham convidado . Eram muito simpáticas , alegres como todos cariocas ,
  • 120. e logo nos deixaram muito a vontade . Fomos ainda convidados para um jogode voleibol no outro dia . Alem do mais as mocinhas do clube eram charmosase bonitas . A paquera começava por ali . No outro dia , como só seis entram e jogam em uma equipe devoleibol , os demais , comigo incluso , foram conhecer a cidadezinha de SãoPedro da Aldeia . Ali o mar era muito mais quente e a água muito , mas muitomais salgada . Ali também estava sendo instalada uma base aero-naval pelaMarinha do Brasil . Pela noitinha nós encontramos com o resto do pessoal e fomosjantar com os cariocas no Clube do Canal . Eles nos tinham desafiado para umjogo de futebol e um jogo tipo Rugby , que porem era jogado dentro do canalque dava nome ao clube , com uma bola pesada , grande mas que flutuava .Isto tudo aconteceria no próximo dia , uma sexta feira .. Empatamos no futebol e no jogo de rugby . No Sábado de Alelúia iríamos ao baile marcado, por isto não houvejogo algum . Só batidinhas de limão , coco e maracujá , lá no “deck” do Clubedo Canal . A tarde ainda fomos até uma loja e compramos chapéus de lonacoloridos na cor pastel . Um para cada um de nós . Estava na moda . O baile gerou pilequinhos generalizados . Foi muito alegre . Foi difícil levantar cedo no Domingo para voltar para São Paulo .Lá pelas 9 horas já estávamos “mandando brasa” na estrada . O duro eraacompanhar aqueles carros grandes com o “jeep” DKW . O máximo que elealcançava era 100 km. por hora . Conseguimos chegar no Paulistano em tempo do “MingauDançante” . Os chapéus de lona colorida fizeram sucesso . - NAUFRÁGIO EM PARATI – Pelo idos de 1960 o compadre Caio Kiehl havia comprado umpequeno navio pesqueiro – Tipo Camaroeiro . Por isto vinha trabalhandoseguidamente na região de Santos. Para ele poder melhor se alojar ofereci o apartamento da família emSão Vicente . Era onde ele estava ficando quando em terra . Saindo mar aforaera obrigado dormir no seu navio . Caio Kiehl não era apenas e simplesmente o dono do pequeno naviopesqueiro. Era inclusive seu Mestre, seu Capitão . Tinha feito , tempos atras ,todo Curso de Navegação. Era Mestre . Podia capitanear barcos emnavegação de cabotagem - de pequeno curso . Desta forma ele saia para o mare comandava seu barco durante vários dias seguidos de pesca . Desde muito tempo ele já era apaixonado por navegação . Primeiro,velejando um barco cabinado de seu pai , chamado “Acauaí , na RepresaBillings , durante finais de semana e férias . Fez isto por vários anos ,
  • 121. inclusive comigo a bordo . Depois continuou navegando , quando comprouum veleiro tipo “Sharp” para competir na Represa de Guarapiranga . Nestasocasiões eu era seu proeiro . Velejamos juntos durante muito tempo . Nãovencemos nenhuma competição promovida pelos clubes de iatismo paulistas ,mas sempre chegávamos bem colocados . Fora disto , virava e mexia , sempre que podia ele estava navegandocom algum outro amigo . Ele sem duvidas tinha sempre um barco na cabeça . Por isto e para ganhar dinheiro , acredito que havia comprado o talpesqueiro . Pois bem , naquela quarta feira , feriado , dia de verão , quandoencontrei o amigo Caio Kiehl em São Vicente , fui surpreendido . Caioinformou que tinha a sua disposição um pequeno veleiro oceânico . Disseainda que desejava minha saída com ele , como proeiro do barco, em umcruzeiro até a cidade de Parati . Sabia que eu estava de férias por 15 dias e poderia aproveitar talviagem . Disse que eu não iría gastar nada ( isto para mim na época era muitoimportante ) pois dormiríamos no barco . Foi explicando que iríamos levarnesta viagem apenas 9 dias , entre a ida e a volta . Falou de Susana eGabriela, duas conhecidas muito bonitas , que estavam em Parati ( ele estavade olho na Gabriela ) . Comentou que seria boa oportunidade passarmos unsdias em visita à elas . Acabei convencido . O veleiro tinha nome de “Vambora ”. Depois do almoço fui conhecer o tal veleiro . Estava em umpequeno estaleiro . Era da “Classe Guanabara”. Estava aparentemente embom estado. Com algum pequenos reparos voltaria a ter linda aparência . apintura estava perfeita . Porem era um barco não muito novo . As velasestavam boas . O pequeno motor funcionava bem. O mastro e a retrancatinham bom aspecto . Internamente estava bem arrumado e bem limpo . Até cheirando bem . Ficou acertada nossa saída para Parati no dia seguinte . Caio pediuao pessoal do estaleiro para que o veleiro fosse preparado , recebendo a águanecessária em suas caixas e diésel em seus tanques . Os alimentos e bebidasnós iríamos trazer no outro dia quando estaríamos de partida . Bem no começo da manhã seguinte , as 5 da matina , zarpamos deSantos com fortes e bons ventos. Caio demarcou a rota . Depois olhou para obarômetro e o higrômetro e fez anotações . Depois ligou o pequeno “rádiogoniômetro” que trazia com ele. .Desta forma captava as ondas sonoras dos“rádios –faróis” existentes naqueles trechos da costa e os “avisos aos
  • 122. navegantes” da Hora do Brasil , possibilitando ainda saber das bóias marinhas,e dos rádios faróis que indicariam posições do veleiro . Conforme necessidades fui caçando ou afrouxando a buja .Estávamos subindo no vento , realizando por isto mesmo de constantes bordos( mudanças de direção do barco) para manter a rota . Percebi , desde a nossa saída , que alguns cabos de fixação domastro ( stays ) estavam um pouco folgados . Pareciam um pouco frouxos ,apesar de serem de bom aço trançado . Fui apertando aqueles cabos o quantopodia . Muitos não davam bom aperto . Vibravam com o vai e vem da forçados ventos na vela . Falei com Caio a respeito e como resposta ele disse que jásabia deste fato . Estava programado que na volta seriam arrumados . O sol estava bem quente mas não dava para sentir , pois os ventosestavam fortes refrescando a nossa pele . Apesar de estarmos bronzeadosestava queimando um pouco mais durante a parte da tarde . Fomos obrigados vestir camisetas . Alcançamos Ilhabela no findar da tarde . Fomos fundear no IateClube da ilha . Ali estaria acontecendo uma festa . Ali também iríamos jantar . No Iate Club ficamos batendo longo papo com alguns conhecidosdo Caio – Marcos Paulo e George Mendonça . Paralelamente tomando umascervejinhas com os outros amigos que íamos encontrando . Estávamosgostando das garotas com sarongs muitos charmosos que por ali chegavampara o jantar dançante . Demos muitas risadas com as piadas que surgiram . A festa começou . Logo nos sentimos dentro dela . Depoiscontinuou até de madrugada , dentro do veleiro . Dormimos dentro do barco . A noite já ia longe . Já estava alem dastrês horas da madrugada. No outro dia acordamos muito tarde . Bem depois do meio dia .Existia um lindo sol . Caio achou que poderíamos fazer boa viagem , apesarde tudo . Só deu tempo de deixarmos as amigas no Iate Club. Ficou combinado que iríamos em frente de imediato . Comemossanduíches e bebemos laranjada . Saímos por volta das 3,00 horas . Um poucotarde . Pior , na pressa sem olhar o barometro ou o higrômetro . Foramesquecidos . O dia estava lindo e calor era muito . Qualquer chuvinha , se caísse , serviria para refrescar aquele calorão Saímos de Ilhabela ainda com muito sol . Logo depois de Caraguá o tempo começou a mudar rapidamente .Logo o céu foi ficando escuro . O vento aumentou muito . Fortes ondas se
  • 123. formaram . Depois , quando já estávamos alcançando Ubatuba , já com todocéu preto, a chuva caiu forte . E foi ficando cada vez mais forte . Fomos em frente . O veleiro pequeno começou a balançar muito . Agora estávamos ,subindo descendo nas ondas . Muito . Rapidamente . Com a chegada da noite as ondas começaram crescer , ficandotambém cada vez mais fortes . Eu tinha idéia que não estávamos indo parafrente . Depois o escuro ficou quase total e a chuva forte confundia a visão .Iámos ficar sem duvida alguma sem luar e sem estrelas o resto da viagem . Ovento foi ficando ainda muito mais forte . Virou tempestade . A Vela Mestre foi baixada Fechamos a cabina e passamos os “Cintos de Macaco” na cintura(cintos que impediam nossa caída no mar , pois sem eles poderíamos serarrastados pelas ondas ). Fomos em frente . Era o jeito . Mais um pouco depois fomos obrigados baixar a Buja , pois ovento era agora muito forte. O motor foi ligado . Não sei quanto tempo passou mas parecia que não saiamos do lugarou que andávamos muito pouco para frente . Realmente tudo estava muitopreto . Não se via quase nada com tanta chuva . Tínhamos idéia de quanto eraforte a tempestade quando raios caiam e rapidamente, pelas luzes dos raios ,percebíamos as coisas em nossa volta . Sentíamos a tempestade também peloforte balanço do mar . A inclinação do barco nas ondas assustava . Agora o vento estava fortíssimo e as ondas eram simplesmenteenormes , passando a todo instante por cima do deck . Mesmo sem a velamestre o mastro tremia muito . Foi um “perereco” amarrar as velas . Opequeno motor funcionava direitinho . Ele nos dava segurança . Já tínhamos acendido faróis e as poucas luzes que o barco possuía.Durante algum tempo tivemos alguma claridade a bordo . Fora dela somente os inúmeros raios iluminavam aquela parte dooceano . Seguidamente , mostrando os grandes vagalhões que se formavam ,jogando o veleiro para cima e para baixo .. O veleiro descia e subia nas cristas dos enormes vagalhões que seformavam , continuadamente . Os cabos do mastro vibravam , mesmo semvelas . Também o veleiro era varrido e arrastado por ondas que chegavamcom muita força . Quando elas nos pegavam de lado dava impressão que obarco iria virar a qualquer momento , pois o mastro saía da vertical , ficando à45 graus . A vibração dos mastros aumentava sempre . Preocupação ! Não sei quanto tempo ficamos nesta situação mas percebi que acada onda maior que chegava , o mastro mesmo sem velas , só com o balanço
  • 124. vibrava cada vez mais e mais . Alem do que rangia estranhamente. Tentamosapertar mais aqueles cabos de sustentação mas o resultado foi realmente nulo . De repente , um forte e enorme vagalhão elevou muito o barco.Fomos para o alto , subindo como em uma “montanha russa”. Depois , nocavado do vagalhão que se formava , o barco foi rapidamente lançado parafrente . Foi descendo naquela onda enorme com a proa bem inclinada parabaixo . No momento em que o barco começou , muito rapidamente , voltarpara a posição horizontal , com o peso do mastro que tendia no sentidocontrário e muito balançava , parte dos cabos que muito vibravam se partiram.Em seguida todos se partiram . Sem estabilização , imediatamente o mastro logo caiu para a frente.A sua parte inferior , aquela que estava fixada dentro da cabine , subiu commuita força , arrebentando parte da proa . Assim na queda a parte inferior domastro , aquela que estava dentro do casco , se deslocou , subiu e arrancouparte do deck de popa onde estávamos . Apareceu por ali enorme buraco .Demos sorte de não sermos atingidos. Depois , com uma outra grande onda ,o mastro foi arrastado para fora , ficando preso pelos cabos de aço durantealgum tempo junto ao lado esquerdo do casco . Era arrastado junto ao barco . A situação ficou terrível . Então as ondas começaram entrar seguidamente , pelo enormeburaco criado pela queda do mastro , para dentro do veleiro . Entravam commuita intensidade. . Aquela grande quantidade de água logo desligou o motor.As luzes foram se apagando . Apagaram . Só deu tempo de soltar as “cinturas de macaco” e entrar pela últimavez na cabina . Com auxilio de uma lanterna pegamos documentos e ascarteiras . Eles que foram diretamente para os bolsos das nossas calças“jeans”. Depois disso Caio disse que o barco estava fazendo muita água eiria afundar brevemente . Eu disse que precisávamos sair rapidamente . Eleconcordou . Iríamos abandonar o “Vambora” Com auxilio da lanterna pequei uma bóia grande que estava comuma corda amarrada em toda sua volta . Falei para o Caio segurar a corda comfirmeza . Pulamos para dentro do mar . Ficamos subindo e descendo naquelas imensas ondas . Eu falavapara o Caio segurar firme pois se soltasse ... De vez em quando via o rosto do parceiro nas luzes de um raio . Fora disto escuridão total . De repente , com a luz de mais um raio,percebi que o barco estava rapidamente afundando . Quando novo raioiluminou o local ele já tinha sumido . Afundou .
  • 125. Ficamos não sei quanto tempo na escuridão , dentro da tempestade ,subindo e descendo nas ondas , agarrados aquela bóia . Parecia umaeternidade . Ficávamos falando sem parar . Cada um tentava motivar oparceiro . Não podíamos esmorecer apesar do cansaço que deveria crescer . Naqueles momentos eu tinha alguns grandes receios : - 1) Que o Caio fosse levado por uma onda , pois não queria ficarsozinho , nem mesmo perder o amigo ;- 2) Que a bóia furasse : - 3) Que algumcação nos atacasse ; 4) Que fossemos arrastados para muito longe . Depois de muito tempo, de muita preocupação , a tempestade foipassando e o dia lentamente surgindo . A chuva foi parando . Parou . Com o mar mais calmo pudemos ver ao longe , pela primeira vez ,as luzes de algum lugar , indicando de que lado estava a terra . Era o nossorumo agora . Quando o dia foi clareando o mar foi se tornando muito calmo .Depois de um tempo , com o sol raiando , parecia uma piscina . Sem nenhumaonda . No ar uma leve bruma no amanhecer . Começamos nadar com maisdecisão , empurrando a bóia em direção da terra bem distante . De repente no meio daquela leve bruma e daquele silencioescutamos um pequeno barulho de motor . Fazia claramente “ tuc- tuc- tuc-tuc” . O som era baixinho mas era uma realidade . Logo localizamos a suadireção e começamos gritar pedindo socorro . Tiramos as camisas queusávamos , uma amarela outra vermelha , e com elas agitadas nos braçostentávamos mostrar nossa localização . Gritávamos sem parar . Parecia que o barco com aquele “tuc-tuc” domotor poderia passar ao largo . Nós gritávamos ainda mais , cada vez maisalto , com toda força dos pulmões . De repente , no meio daquela bruma leve , avistamos o barco . Eraum pequeno pesqueiro cabinado , pintado de branco com uma faixa vermelha .Então ouvimos claramente alguém falando bem alto : “Já avistamos vocês .Continuem falando . Firme por ai ... Nós vamos pegar vocês ... ! ” Depois de alguns minutos (duraram uma eternidade) o barco chegou .Fomos puxados para dentro . Recebemos uma xícara de café e um cobertor dealgodão . Não ficamos gelados durante o tempo que estávamos dentro do marpois era verão e a água estava quente . Mas agora eu estava tremendo . Eu nãosabia se era de frio , ou de emoção . Nossos salvadores eram pescadores caiçaras de Caraguatatuba .Seus nomes : Romão , Manuel e José . Gente boa , inesquecíveis .
  • 126. Caio foi explicando o que tinha acontecido . Fomos depoisinformados : - O barco salvador , onde agora estávamos , era o pesqueiro“Filhote ” . Ele deveria ter ido para Caraguatatuba . Isto deveria teracontecido ontem durante a noite. Porem ficou ancorado em Parati por causada tempestade prevista . Nos encontraram pouco depois que zarparam Depois eles ainda informaram que foi loucura nossa sair naquelatarde/noite , pois os instrumentos acusavam tempo ruim . Agora , poderíamos ser levados para Ubatuba , pois iam passar eparar por ali , ou ficar em Caraguatatuba seu destino final . Nossa opção foi Ubatuba . No caminho de volta , com o sol ficando forte , nossa roupa secou .Estávamos aquecendo no sol . Quando aquele pesqueiro atracou muitoagradecemos aos seus pescadores . Sem duvida nos salvaram . Quando começamos as despedidas fornecemos nossos endereços ,telefones e dissemos que para qualquer problema estaríamos sempredisponíveis . Ficamos com seus endereços . Nos despedimos com abraços emuitos sorrisos . Não quiseram aceitar nenhuma recompensa financeira . Elesestavam felizes por poder ajudar . Era a lei do mar . Em Ubatuba compramos sapatos , camisas e almoçamos . Depois ficamos esperando nossa condução . Demorou . Então chegou o ônibus para São Paulo . Entramos e sentamos . Antes dele sair para a estrada já estávamos dormindo . “MULHERADA SADIA / HOTEL DAS CIGARRAS” Ostras pela manhã - “Hotel das Cigarras”. Na realidade foi uma dúzia de ostras para cada um . Dácio Ragazzoas havia encomendado . Isto depois de um café matinal super reforçado . Eu tinha ido com ele passar o “Reveillon de 63” naquele hotel queestava na moda . Tudo indicava um feliz fim de ano . O “Cigarras” estavalotado, com políticos , gente importante e simpática . Alem de lindas mulheres. . Dácio durante aquele café matinal foi explicando : “ Edu amigo ... para agüentar esta “mulherada sadia” , e note bem,muito alegre , como você viu ontem a noite quando chegamos , vai ser precisoestar em perfeita forma física , com muita , mas muita saúde . Elas são minhasconhecidas . Posso dizer que agora a coisa toda mudou . A coisa realmentemudou . Hoje em dia quem precisa ser sério nas coisas sexuais , depois doadvento da pílula anti concepcional , são os homens ...a “mulherada sadia”estáatacando. Atacando !
  • 127. Depois Dácio continuou explicando como deveriam acontecer todasas coisas em relação aquela “mulherada sadia” : “ Quando eu vier com uma mulher aqui para este apartamento, antesavisarei você desta maneira : - “ Edu . Vou trocar de camisa e já volto” .Assim você ficará sabendo que estarei aqui acompanhado e não viráatrapalhar. O mesmo você deve fazer . Quando desejar ficar aqui com umadaquelas “mulheres sadias ” avise que virá trocar de camisa . Tudo bemamigo. Está combinado ?” Concordei . Acabamos com as ostras e fomos para a praia em frentedo hotel . Ali estavam alguns conhecidos com a tal “mulherada sadia” . Dácionão perdeu tempo e já foi atacando . Depois meia hora de bate papo e demuitas risadas levou uma morena para nadar com ele . Deixei de prestaratenção e fiquei tomando água de meu coco gelado ao lado daquela turmamuito simpática . Dali a pouco Dácio voltou dizendo que iria até o hotel . Euperguntei : “ Você vai trocar de camisa” ? Ele baixinho falou em meu ouvido :“ Não , estou com uma leve dor de barriga”. Ele demorava em voltar . Durante aquele tempo também comeceificar com dor de barriga . Quando Dácio voltou informei que iria até o hotel .Ele perguntou se eu “ia trocar de camisa” . Informei que não , apenasprecisava ir usar a privada . Urgente . Urgentíssimo . Sai correndo . Aquela dor de barriga que eu sentia virou uma disenteria forte , commuito mal cheiro . Estava dando cólicas intestinais que não passavam . Ainda estava no banheiro quando Dácio voltou desesperado .Vomitou . Na pia pois a privada estava ocupada . O mau cheiro piorava ascoisas . Então fui obrigado a levantar e dar lugar para ele no “trono”, apesardas cólicas que ainda sentia . Dácio parecia muito pior do que eu . Naquele momento não tive mais dúvidas e fui falando : “ Amigo ... estamos com intoxicação intestinal que deve ter sidocausada pelas tais ostras . Elas deviam estar “mareadas” . Precisamos deremédios com urgência . Vou ligar para a portaria pedindo auxilio ” . Dácio nada respondeu . Tomou um banho rápido pois estava suandomuito e deitou em seguida . Não demorou e recebi água de coco e umaspílulas , remédio do qual não lembro o nome . Recebi também desculpaspelas ostras mareadas . O gerente mandou dizer que sentia muito . Dácio voltou para a privada . Foi ali sentado que tomou água eremédio . O cheiro no apartamento era horroroso , mesmo com as janelasabertas . Ficou pior quando novamente eu voltei para a privada .
  • 128. Depois tomei banho demorado . Após o que , com o desodoranteque tinha tentei melhorar o cheiro do apartamento . Sensacional ! Ele ficoucom cheiro de ... “ bosta de rosas ”. Horrível ! Meia hora depois o remédio tinha feito seu efeito analgésico . Ascólicas momentaneamente melhoraram . Parecia que tinham parado . Resolvemos voltar para as praias . Voltar para a “mulherada sadia”. O máximo que conseguimos foi chegar até a portaria do hotel . A“caganeira” voltou com toda força . Eu consegui retornar ao apartamento .Dácio correu para a “toillete dos homens” no hall de entrada do hotel . Ali omau cheiro deve ter ficado de lascar . Dácio disse que ficou com vergonha desair de lá . Ele disse que parecia ter “merda gasosa” no ar ... Resolvemos voltar para São Paulo . Realmente precisávamos demelhor auxilio . Estávamos arrumando as malas quando Dácio , bem suado,disse que “precisava trocar de camisa” . Então de gozação eu perguntei : - “ Você vai trazer aqui e agora a “mulherada sadia” ? Ele me mandou “para aquele lugar”... e jogou uma tolha molhadana minha direção . Peguei então dois rolos de papel higiênico . Precaução ! Quando quisemos pagar o hotel o gerente informou que aquela curtaestadia era “cortesia da casa” . Pediu desculpas . Depois nos deu o endereço deum farmacêutico em Caraguá . Disse que ele era muito bom e o recomendou . Como ficava em nosso caminho paramos por lá e contamos o casopara um tal Dr. Pedro , dono da farmácia . Ele preparou um litro de sorofisiológico para cada um de nós e , na hora deu um remédio , um pózinhodissolvido em água , para combater infeção intestinal . Depois ainda nosforneceu bananas maçãs um pouco verdes . Recomendou que as comêssemos ,no mesmo momento em que bebêssemos o soro fornecido , pois nãopoderíamos ficar com a barriga vazia . Barriga vazia daria cólicas muitodoloridas . Comida pesada também . Agradecemos , pagamos e fomos para aestrada . Mal começamos subir a serra deu nova dor de barriga no Dácio .Pediu para parar o carro e correu para trás de um matinho na beira da estrada .Daí a pouco voltou aliviado . Fomos adiante durante 10 minutos . Entãosubitamente parei o carro. Foi minha vez de correr para uma moita fora daestrada . Dácio saiu guiando quando voltei . Fomos andando e parando , sempre correndo para o mato , bebendosoro e comendo bananas meio verdes , durante todo percurso na Estrada dosTamoios . Chegamos no Vale do Paraíba esgotados . Era até difícil dirigir . Na Via Dutra o Dácio disse que estava com o rabo ardendo . Entãoeu brinquei com ele dizendo :
  • 129. “ Passarinho que come “ostras mareadas” sabe o rabo que tem ...” Chegamos em São Paulo lá pelas 4 da tarde . Fui para a casa demeus pais e Dácio para seu apartamento . Ele estava sozinho pois sua famíliatinha ido para Limeira , de onde eles eram originários . Já em casa contei o fato para minha mãe . Logo depois ela metrouxe um chá com “gosto de cabo de enxada” . Fui obrigado a tomar tudo ,apesar da caretas que fazia . Fiquei quieto deitado no sofá do jardim deinverno . Acabei dormindo . Fui acordado depois do anoitecer com um telefonema de Dácio .Ele , todo alegre , foi informando : “ Já estou quase bom . Já reservei mesa no “ João Sebastião Bar” .Vai ter um “reveillon” sensacional . Falei com uma “ mulherada sadia ” queirá para lá . Vai ser muito legal nosso fim de ano . Vou pegar você por voltadas 22 horas”. Quando eu disse que ia ficar em casa ele ficou aborrecido . Depoistentou apelar dizendo que eu estava ficando frouxo . Por fim aceitou minhadecisão , mas não o convite para vir ceiar conosco . Ficou combinado que elefalaria comigo na manhã do primeiro dia de Ano Novo . Isto não iria acontecer . Por volta da meia noite e meia ligaram do“João Sebastião Bar” . Dácio estava passando muito mal . Precisava de ajuda ,pois além de mais tinha comido tudo errado . E bebido uísque . Não podiaquase andar e nem poderia guiar . Tinha ido várias vezes ao banheiro . Fui para lá o mais rápido possível . Cheguei e deparei com Dáciosentado em uma mesa do fundo na parte alta da “boite”. Estava horrível .Dormitava sozinho no meio daquela barulheira . A “mulherada sadia” estavase espalhando na pista de danças , na parte de baixo . Quando o acordei paraleva-lo para casa ele ainda reclamou , não de dor de barriga , mas por ter quedeixar aquela “mulherada sadia” . Final daquele reveillon : - Fui obrigado a levar o amigo para umafarmácia de plantão na Barão de Itapetininga . Tomou injeção na veia . Porrecomendação do farmacêutico , pois seu estado requeria cuidados , fuiobrigado a dormir no apartamento do Dácio, no quarto ao lado do seu . Istoaconteceu depois que ele teve necessidade de tomar vários remédios e atémaldita injeção que ele xingava todo tempo . Depois em 5 minutos estávamos em seu apartamento . “Feliz Ano Novo” . Era o cartaz que eu via , pela janela do quarto,no outro lado da Rua São Luiz . O cartaz estava na vitrine de uma das muitaslojas das companhias aéreas , então ali existentes . Fiquei olhando algumtempo, enquanto Dácio dormia . No cartaz , logo abaixo daquele letreiro , umaenorme foto com um bando de lindas moças usando “biquínis” minúsculos .
  • 130. Fiquei pensando ... depois ri sozinho . Quando Dácio acordasse no outro dia eu iria brincar com ele . Diriaque passei o resto da noite ao lado de uma “ mulherada sadia” , todas commuito pouca roupa . Falaria nisto com muita firmeza . Muita firmeza . E era a mais pura verdade ... enganadora , mas verdade !
  • 131. PRAIAS – LITORAL SUL Edu MarcondesSantos/ S. Vicente / Guarujá – O Paulistano nas Praias - Choque em FioElétrico de Bonde – Veleiros – As Festas do “Clubeco” As décadas de 50 e 60 foram realmente muito felizes para a nossaTurma do Paulistano , com muita camaradagem e muitos amigos sinceros .Tudo que acontecia ou fazíamos acontecer realmente era feito de formainteiramente desinteressada . A boa companhia tinha maior valia . Naqueles anos , principalmente quando começava esquentar atemperatura , já na Primavera , em quase todos fins de semana , os amigos danossa Turma seguiam para as praias . De Outubro até Março era o litoralnosso destino. Foram tempos de muitas festas , namoros , brincadeiras , farras ,esportes e muitas risadas . Principalmente muitas risadas . Alegria estava no ar. Para tanto existia um “esquema” praticado pela Turma .Trabalhávamos e estudávamos durante a semana mas ... , nas noites de sextafeira ia começar alegria da rapaziada . Funcionava assim : - Caso existisse para aquela noite uma Festa da Sociedade , sempreestaríamos presentes . Não tendo festa, nem convites , iríamos diretamentepara a “Boate Jovem do CAP” . Entretanto uma coisa era certa . Tanto com festas como com boate ,depois das 2 da madrugada o “Programa Saúde” iria começar : DestinoPraias- São Vicente – Santos – Guarujá . Naquele tempo em uma hora , no máximo , já estávamos em SãoVicente ou Santos . As viagens eram rápidas , a estrada boa e os “pilotos”confiáveis , pois definitivamente quem bebesse não guiava . A Via Anchietano horário da madrugada estava quase sempre vazia , permitindo nossachegada em tempo para um bom sono no litoral . Levantávamos lá pelas 9 horas da matina para podermos aproveitaras praias desde logo cedo . Dentro deste “esquema” tinha um porem ... No domingo , depoisdas 4 da tarde , era obrigatório o retorno para São Paulo . Todos queriam estarno “Mingau Dançante” do CAP . Ele ocorria na pista de danças que existiano Bar Térreo . Ela era muito linda, feita de mármore e iluminada por baixo .Lá normalmente encontraríamos as “paquerinhas” ou as “namoradinhastitulares”.
  • 132. Em uma sexta-feira sem festa e sem “Boate Jovem no CAP”,iríamos mais cedo para o litoral . Lembro que naquele dia tivemos umaobrigação inicial . Primeiramente deveríamos passar , lá pelas 19 horas , emum coquetel de inauguração da Galeria de Artes de um tal Julio , que eraconhecido de muitos amigos . Fui com Sergio “Mojica” D’Ávila , Silvinho“Careca” Abreu e,Antonio Duva . Naquele começo de noite senti que o Sergio estava disposto a beber ,coisa que ele não era habituado . Lá pelas 20,30 horas , olhando para ele ,disse para Duva e Silvinho que estava na hora de partir , depois de assistir osvários “drinks” que o nosso amigo já tinha tomado . Estava muito mais falantedo que era normalmente . Não esperamos mais nada . Enfiamos o Sergiodentro do carro e partimos para Santos . Ele dormiu todos aqueles 60 minutosda viagem . Quando chegamos ao bar do Hotel Parque Balneário vimos queestava bem cheio e animado , principalmente de mulheres bonitas . OSerginho tinha acordado bem alegre e recomeçou a beber . Como tudo estavabem descontraído naqueles dias pré carnavalescos e as “paqueras” muitointeressantes , esqueci do amigo durante mais de duas horas . Antes porem vi que ele havia arrumado um chapéu de mexicano ,não sei onde , e estava tentando “cantar” uma gordinha que se derretia toda .Estava bem divertido . Fiquei despreocupado pois ele era naqueles momentosrealmente uma figura muito alegre .Foi destaque da noite no Bar do Parque . Porem a alegria durou pouco . Depois de algum tempo o Silvinho mechamou e foi dizendo que precisávamos levar o Sérgio para o apartamento .Estranhei e perguntei por que . A resposta foi direta : - “ Serginho já bebeu todas ... está caindo . Bebeu tanto que , quandofui com ele ao banheiro , em vez dele abrir a braguilha e tirar o “pirulito”mijou do lado de dentro das calças . Ela era bege e ficou toda molhada ,manchada de urina e escura . Está mesmo um horror . Quando percebi ele jáestava todo aliviado , pimpão e feliz , balançando nas mãos seguidamente aponta do cinto . Agora está sorrindo , todo mijado ... , até dentro dos sapatos”. Jura que a calça esta molhada de água . Só água .... Esta história é verdadeira . Foi muito contada . Tempos depois virou até piada . Porem aconteceu . Para ir para as praias naqueles fins de semana bastava chegar aoPaulistano nas tardes de sexta – feira . Sempre encontraria condução e lugarpara ficar . Precisava porem levar a sua “bagagem de praia” , como dizia o
  • 133. Didi Guidotti : -“ Calção de banho , escova de dentes e bom humor ” . Paraagüentar todas as brincadeiras e gozações . Um dos locais de estada da turma em São Vicente acontecia em meuapartamento , no Edifício Icaraí , que era chamado de “ Palácio do Riso” ,pelas bagunças , coquetéis e festinhas nele realizados . Ficava na Praia de Gonzaguinha . Outro destino certo era a casa do Didi e de seu irmão AdrianoGuidotti . Ali acontecia , aos domingos , durante todo ano a “Guerra daMacarronada” . A casa era bem grande . Ficava entre a praia de Itararé e Gonzaguinha . Outros dois apartamentos usados estavam na praia de Itararé .Ficavam em um mesmo quarteirão , depois da linha da Estrada de FerroSorocabana . Um pertencia ao Alberto Botti , outro ao “Vovô – Luiz FernandoRibeiro da Silva . Fora destas residências onde a turma ficava , ainda existiam váriasoutras em São Vicente que eram ocupadas por amigos e seus familiares : Acasa do Carlito Taub , a do Fernando Ribeiro da Silva , outra do Vicente deSylos , mais uma do Antoninho Cintra Godinho , a casa grande do Chico eRoberto Matarazzo e aquela onde era residente e domiciliado o nosso queridoArnaldo Conceição Paiva . Esta ficava em Santos . O Paulistano nas Praias Era grande a relação do pessoal amigo das praias que eram Sóciosdo Paulistano , mas vamos destacar mais alguns dos habituais , alem dos queforam acima já citados . Eram eles : Luiz Carlos Junqueira Franco , “Veludo” Pompeu deToledo , Caio Kiehl , Aluisio D’Avila , Alcir “Azeitona” Amorim , OttoBendix , Carlos Roberto Mattos , Roberto “Big Bob” Garcia , José RafaelCárdia , Zizinho Papa , Amedeo Papa , Mario Sérgio , Chico Galvão , AlbertoAndrade , Flavio Guimarães , Mauricio Soriano , Mark Rubin , os irmãosDaccache , Caio Stinchi , Arnaldo Gasparian , Edi Cury , Danilo Penna ,Helinho Fugantti , Jose Ayres Neto , Dacio Ragazzo , Aderbal Tolosa , SérgioMinsky e Iaião Soares , entre muitos outros . Alem deles ainda existiam aqueles inúmeros amigos do Clube XVde Santos . Eles que estavam sempre com o nosso pessoal . A turma se tornou tão grande , com tanta gente , que para os Bailesde Carnaval no Parque Balneário era preciso confeccionar 80 fantasias iguais .para moças e rapazes . Isto aconteceu em dois carnavais seguidos . Antes da ida para as praias era necessário um desjejum reforçadopois somente teríamos um almoço ajantarado que acontecia lá pelas 5 da tarde.
  • 134. Depois disso era praia direto . Ali acontecia tudo . Jogos de “frescoball” , natação , esqui aquático , peteca , vôlei , passeios de lancha , paqueras ,namoros , “petiscos e bebidinhas”, sonecas no guarda-sol e jogos de futebol . Em um destes jogos de futebol o Junqueira cortou o pé em umpedaço de lata enferrujada escondida na areia . Fui com ele até o primeirohospital que encontramos . Era uma unidade do SUS - INSS . Como nãopoderia deixar de acontecer a demora já atingia quase duas horas e o Junqueirasem atendimento. Ele alem do mais precisava tomar vacina contra tétano . Etome paciência e espera . ( este quadro hoje só vem piorando ) Derrepente entrou na sala em frente , destinada a Pediatria , umalinda médica recém chegada no hospital . O Junqueira olhou , gostou e nãoperdeu tempo . Pegou minha mão e disse de forma incisiva : “ Vem comigo !”. Quando entramos naquela sala a bonita médica olhou bem para ele ,estranhou e foi dizendo : “- Moço ... Não devo , nem posso atender um adulto . Sou médicaespecializada em crianças . Aqui só cuido de crianças !” “- Que absurdo não é doutora ? Por isto a senhora pode calcular háquanto tempo que eu já estou na fila ... cheguei no colo ...e o tempo foipassando...agora cresci um pouco . Dá para me atender ?... ” Não foi atendido por ela quando de seu curativo e aplicação davacina , mas a noite já tinha uma linda companhia para jantar . Aprendi a esquiar razoavelmente lá na Praínha de São Vicente .Lancha não faltava pois Alberto Botti , Jose Rafael , Adriano Guidotti eRoberto Matarazzo , entre outros , colocavam barcos e esquis a disposição dosamigos . Quando precisávamos de um passeio maior com as paquerinhas demomento , sempre lá estavam os dois enormes iates “Cabrasmar” , quepertenciam ao Toninho Cintra Godinho e Carlito Taub . Alem destes sempreapareciam outras barcos de conhecidos . A confraternização era geral , commuitas piadas , histórias cômicas , brincadeiras e muito companheirismo .Dois , três ou mais barcos saiam juntos para giros curtos pelo litoral . Então só não poderiam faltar as caipirinhas , as batidas de limão e oscamarões fritos . Musica era indispensável , pois tudo virava festa . CHOQUE ELETRICO EM FIO DE BONDE Alem destes barcos um dia Didi Guidotti ganhou de presente umpequeno veleiro – classe “Sharp”. Não tivemos duvidas e em dois fins desemana ele estava inteiramente reformado . Ficava guardado no gramado dacasa do Didi . Todo fim de semana era levado para a praia em frente , depoisde passarmos uma linha de bonde existente na rua .
  • 135. Para tanto toda vez precisávamos abaixar o mastro , tanto na idacomo na volta , para não batermos no fio elétrico do bonde . Era coisademorada . Depois de muitas vezes nestas manobras eu achei que dava parapassar sem baixar o mastro e sem bater no tal fio elétrico . Outros nãoacreditavam . Então eu disse que iria puxar sozinho o barco naquele trecho .Ninguém quis ajudar . Peguei na corda molhada , olhei mais uma vez para o mastro e para ofio elétrico do bonde . Medi com os olhos as respectivas alturas . Esqueci quecom o piso de paralelepípedos o solo era irregular . Puxei o barco sozinho .bem devagar . Ele subiu um pouco no piso , muito pouco ... Então a ponta do mastro tocou levemente no fio do bonde . No momento em que a biruta existente na ponta do mastroencostou no fio elétrico tomei o maior choque de minha vida . Foi tão forte que , não sei como, impulsionou por reflexo osmúsculos de minhas pernas e eu , sem desejar , dei um grande salto , saindoparado e sem impulso . Fui parar uns 3 metros de distancia . No ar , sem querer larguei a corda . Foi minha sorte pois fiquei desligado daquele fortíssima correnteelétrica . Tremia todo mas continuava vivo . Continuei tremendo por mais duas horas . Por sorte meu Anjo da Guarda estava de plantão e a Morte , distraídacom os banhistas de fim de semana , me esqueceu . - VELEIROS Veleiros - Outro barco veleiro ficou em nossa história . SergioMinsky , natural do Rio de Janeiro era médico radicado em São Paulo .Descobriu no Iate Clube da Guanabara um lindo veleiro , para comprar por umpreço baratíssimo, pois para aquele tipo de barco não existiam competições noBrasil. Era um veleiro grande , classe “Internacional-12 metros” , convéscorrido , com cabine para 4 pessoas . Na sua quilha , como lastro , havia umtorpedo de chumbo de duas toneladas . Alem de tudo era um barco veloz . Sergio conversou com o Arnaldo Gasparian e resolveram comprar otal veleiro . Ele , como não poderia deixar de ser , viria para São Vicente . Foi montada uma equipagem para trazer o barco . Minsky comomestre , contando ainda com o Caio Richetti , o Lauro ( era um amigo doMinsky que fazia halteres com ele no CAP ) e um carioca de nome Léo . No sabado marcado saíram do Rio com linda manhã e bons ventos .A tarde a coisa mudou e a noite caiu uma tempestade que só terminou porvolta do meio dia do domingo . Com aquele tempo o barco ficou mesmo
  • 136. desarvorado algum tempo e quase naufragou . Porem chegaram . Mareadosmas chegaram . Vi pela primeira vez o tal barco pela janela do meu apartamento .Ele era branco e tão lindo que mudava a paisagem da Baia de São Vicente . Infelizmente durou muito pouco . Duas semanas depois CaioRichetti saiu com o barco em uma sexta feira . Não ancorou direito o barcopois não usou suas duas ancoras . Apenas mergulhou uma poita , o que não erasuficiente para segurar o barco no temporal que viria cair naquela noite naBaia de São Vicente . As grandes ondas que se formaram arrastaram o barco para umapequena praia cercada de rochedos . Ele encalhou e ficou sendo batido pelo mar durante toda noite . Comisto o mastro acabou caindo e arrebentou grande parte do “Deck”. No sabado e domingo tentou-se reboca-lo para fora mas ele estavatão enfiado na areia que só quebrou um pouco mais , ficando realmenteinutilizado para sempre . Foi um triste final para um maravilhoso barco feito na Suécia e quehavia ganho suas competições . Realmente senti não só sua perda , mas a faltada beleza que ele trazia por onde passava . - AS FESTAS DO “CLUBÉCO” Cabe aqui e agora uma pagina para o Arnaldo Conceição Paiva , o“Professor Pavão”, como era chamado pelos colegas de arquitetura doMackenzie . Alem de amigão , simpático e muito educado , era muitodinâmico e gostava de programar e executar as coisas . Foi ele quem primeiro nos levou ao Clube XV e nos apresentou aosseus diretores . Foi ele quem nos levou para conhecer o seu excelenterestaurante , por sinal com bons preços . Ele que conseguiu nossa entrada livrepara o clube e para suas festas . Foi também Arnaldo quem bolou e fundou o “ Clubeco” que davafestas no litoral e tinha uma enorme tenda , na praia de Itararé . Pagávamosuma pequena mensalidade para termos a maior mordomia . A tenda era muito grande , montada aos sábados e domingos , commesas , cadeiras , bar e garçons que serviam champanhe na areia da praia . Com isto também não era mais preciso sair da praia para arranjarbatidas geladinhas e camarões fritos na hora . Mordomia total . Tudo com o“Clubeco” era perfeito . União do pessoal de Santos com o pessoal do Paulistano /Harmonia . A primeira “Festa de Luau Havaiano” foi ele quem bolou e aexecutou em praia da ilha Porchat , em 1955 ( naquele tempo ainda fechada aopublico . Depois naquele local se formou um Clube da Ilha ) .
  • 137. A festa foi linda , com fogueiras , tochas acesas , porco assado naareia , comidinhas , muitas flores , mil tipos de frutas , vários tipos de bebidas- inclusive com “Mai-Tai”( coquetel dentro do abacaxi) . O melhor eram asmoças , todas vestidos de sarong . Com a noite ficavam lindas ao luar . Depois ainda realizou outra festa na ilha Porchat . Era um Baile deFantasia , com amigos e amigas de São Paulo , Santos e Guarujá . Foi umafesta sensacional , muito concorrida e que marcou época , realizada em umaenorme casa , com jardins ainda maiores , situada nos altos da ilha . Guardo nalembrança as luzes das casas praianas vistas do alto . Não me lembro de todosdetalhes pois aquela noite , vestido de “samurai”, tomei um “pilequinho”. O professor Arnaldo era mestre naquilo que fazia . - DESASTRE NA SERRA DO MAR Em um dia domingueiro , ainda tomando umas cervejas na praia ,acabamos por receber uma noticia muito triste . Acidente com amigo do CAP. O Eugenio “Pistinguet” Apfelbaun havia batido seu automóvelquando vinha para Santos , tendo sua mãe falecida no local . Tudo ocorreu nosabado quando choveu na serra . Seu carro derrapou , bateu no “guard rail” ecaiu serra abaixo . O acidente somente foi descoberto no dia seguinte . O carroestava inteiramente destroçado . Dentro dele só Eugenio . Sua mãe havia caídofora do carro e não resistiu . Ele se salvou por milagre e ficou muito tempo nohospital . Dias depois fomos visitá-lo , mas ele ainda ainda estava no quartohospitalar sem saber direito das coisas . Tempos depois se recuperou de tudo . Fisicamente
  • 138. VIAGEM PARA ARGENTINA Edu MarcondesCompra das Passagens – Inicio das “Paqueras “- Uruguai – Buenos Aires– “Ninotcha”- Encrencas em “La Boca” – Volta ao Brasil Durante a segunda metade dos anos 50 teve início uma grande e realpossibilidade para brasileiros viajarem ao Uruguai , Chile e Argentina ,notadamente para este último país . O cambio era muito favorável e os custos,tanto de alimentação como para estadia e compras , muito acessível . Em 1956 um grupo de rapazes do Paulistano seguiu para Argentina .Entre eles estavam : José Sachetta , Eduardo de Paula e Carlinhos Calmon .Voltaram contando maravilhas sobre Buenos Aires , de sua vida noturnaextremamente ativa , de seus teatros , dos “shows” , do bom acolhimento dosportenhos , das compras de vestuário com alta qualidade e das saborosaschurrascarias daquela terra .Tudo com preços pequenos . Também outro grupo do CAP , quase na mesma ocasião , seguiupara fora do Brasil , porem para muito mais longe , participando dos “Jogos daJuventude Comunista” realizado em Moscou . Nenhum deles era comunistamas aproveitaram a oportunidade para viajar para a Europa sem gastarnenhum dinheiro . Quem contou muitas daquelas histórias engraçadas , comeles acontecidas nos paises do bloco socialista , foi meu grande amigo EdsonMacedo . Isto tudo começou despertar vontade nos nossos companheiros equase sempre estávamos conversando sobre uma viagem com os amigos doCAP . Caso possível para Europa , na pior hipótese para Argentina . Esta vontade começou a ter concretização no início de 1957 . Algunsde nossos amigos informavam que , formado um grupo do Paulistano ,estariam participando na desejada excursão rumo Argentina . Em Abrilconfirmavam a tal viagem : Sérgio D’Avila , Didi Guidotti , Adriano Guidotti,Silvinho Abreu , Nelson Cotini , José Alfredo Galrão , Luiz Carlos Pannunzioe Alberto Andrade . Muitos outros mais , dos que inicialmente estariaminteressados na ida para Buenos Aires , naquela ocasião já haviam desistido . Ficou acertado então que nossa viagem aconteceria nas férias deJunho . Fiquei encarregado de verificar como faríamos e os seus custos . Naquela época eu estava sempre com o amigo Fritz D’Orey ,principalmente nas corridas acontecidas em Interlagos . Saiamos muitas vezesjuntos para várias festas , para Guarujá e Campos de Jordão . Estava sempre
  • 139. indo até sua casa do Jardim Europa , bem perto da casa de Caio Kiehllocalizada na Rua Áustria . Em uma destas ocasiões , no início do mês de Abril , durante umalmoço com sua mãe Dona Rachel e seu pai Sr. Frederico , surgiu não seicomo o assunto da tal viagem para Argentina . Fritz confirmou que nãopoderia seguir conosco . Naquele momento seu pai perguntou como iríamos fazer aquelaviagem . A minha resposta foi que preferencialmente de navio . Então paraminha surpresa e alegria ele informou que poderíamos ir pela “ SocietèGènèral du Tansporte Maritìme” , pois ele , alem de outros tantos negócios ,era o dono da empresa que representava tal companhia no Brasil . Que aspassagens evidentemente teriam um desconto para os amigos de seu filho . Aceitei a oferta em nome dos amigos do Paulistano . - COMPRA DAS PASSAGENS Da turma inicial somente Alberto Andrade e Sergio D’Avilaconfirmaram a ida para Argentina . Então confirmei o pagamento até sexta feira para uma cabine de trêslugares . Ida pelo “Province” . Volta pelo “Anna C”. Ainda naquela semana paguei as passagens . Em seguida telefoneipara Alberto informando da necessidade de cuidarmos dos nossos “ Vistosde Entrada e Saída ” para Argentina . Não era necessário passaporte e tudoseria resolvido sem demora . Fui até o Paulistano . Lá encontrei Sergio D’Avila . Então eleinformou não ter conseguido todo dinheiro necessário . O que tinha daria paraestadia , refeições e algumas pequenas compras . Para passagem não daria .Alberto Andrade , que chegou em seguida , pagou naquele momento somentesua parte . Como as passagens já estavam efetivamente pagas e como a cabinecustaria o mesmo preço , para dois ou três passageiros , não tive duvidas edisse para o amigo Sérgio D’Avila : “Você não vai deixar de viajar . Vai conosco de qualquer maneira .As passagens de navio você poderá me pagar quando quiser e puder”. Recebi um abraço de agradecimento . Depois ficamos acertandodetalhes para ida até Santos . Na véspera do embarque despedi-me de meus pais e de minha irmãMarisa .
  • 140. No outro dia , na hora combinada , Fritz chegou . Depois , com umahora de viagem , já estávamos na doca marcada , vendo o “Province”atracado .Fritz , para variar, tinha pisado fundo no acelerador . Era seu jeito de guiar . Ali já estavam meus dois companheiros de viagem e um grupo demuitos queridos amigos do Paulistano . Foram nos dar o “bota fora” , porsinal foi maravilhoso e com inúmeras brincadeiras . Apresentamos as passagens , guardamos as malas na cabine e fomosfalar com o Comandante , levando o pedido permissão para nossos amigossubirem à bordo . Foi desnecessário . Eles , com apoio de Fritz , já estavamembarcados e conversando com as muitas moças que estariam na viagem .Logo Didi Guidotti veio contar que nós éramos felizardos , pois três gruposdaquelas garotas estavam em excursão , justamente naquele navio . José Rafael e Luiz Carlos Pannunzio logo depois informavam queos grupos eram do Mackenzie/ São Paulo , do Colégio Bennet , e de umaoutra escola do Rio de Janeiro . Verifiquei que teríamos muito mais mulheresdo que homens à bordo . Achei ótimoooo ! Mal cheguei no “deck” principal avistei Fritz , em uma mesa ,bebendo champanhe e conversando com duas moças . Eram daqui de SãoPaulo mas eu não as conhecia . Iriam também naquela viagem . Fuiapresentado juntamente com outros amigos que lá chegavam . Naquela alturaDidi chamou o garçom e pediu mais champanhe , recomendando que fosse“nacional” . Nisto , alguém que não lembro , perguntou por que “nacional” .Didi , que estava esperando a pergunta , respondeu que navio francês tembandeira e solo da França . Caso pedisse champanhe estrangeira poderia viruma nacional brasileira . Terminou com “bah” que expressava tudo . Tenho até hoje foto daquele momento . Infelizmente não gravei onome daquelas duas meninas . - INICIO DAS “PAQUERAS” Logo depois reparei que em uma mesa ao lado estavam acomodadasduas mulheres que nos olhavam atentamente . Deviam ter entre 30 e 35 anos.Convidei-as para nossa mesa . Sorrindo elas gentilmente recusaram o convite . . Depois de muitas brincadeiras , entrega de “santinhos erecomendações para que não perdêssemos as missas” nossos amigos foramobrigados a desembarcar . O “Province” estaria de partida. O navio desatracou em meio de muita serpentina e musica . Ficamosvendo nossos amigos dando adeus e sumindo pouco a pouco no cais . Enquanto Sergio foi trocar de roupa , eu e Alberto ficamosconversando com aquelas duas novas amigas que conhecemos . Aquelas quenão aceitaram tomar champanhe conosco .
  • 141. Soubemos que eram do sul , residiam na mesma cidade . Eramsimpáticas . Não sei se acertaria agora seus nomes reais , mas para todosefeitos , por razões que ficarão obvias , estarão sendo chamadas de “ Luli eTutsi” . Percebi que eram bem interessantes e alegres . Pareciam descendentesde alemães ou italianos do norte. Resolveram fazer aquela excursão e ficariam25 dias em Buenos Aires. Quando Sergio estava chegando de volta pediramlicença pois iriam se preparar para a noite . Depois do jantar , com vinho incluído no cardápio , fomos para oBar- Boite ao lado . Ali estavam tocando música e poderíamos dançar . Aparte feminina é que não faltaria . Naquele bar , pouco depois que chegamos , conhecemos trêscariocas , também estudantes de arquitetura . Seus nomes : - Pedro Paulo ,Luiz e Márcio . Eram simpáticos e ficamos conversando e ouvindo música . Alguns pares já estavam dançando . Ali a luz era pouca . Entãotive uma surpresa agradável . Luli , aquela nova conhecida do sul , veio atéonde estávamos . Estava toda sorridente . Convidei-a para dançar . Ela não dançava nadinha de nada , mas em compensação eu fuiagarrado , de forma excitante e agradável naquele escurinho do bar , durantemais de 20 minutos . Estava gostando quando derrepente ela disse : “ Esta tudo muito bom... está tudo muito bem ... mas agora que taltomar champanhe em minha cabine ”. Quando fui falar alguma coisa ela já estava me puxando pela mão .Perguntei como ficaria sua companheira . Ela respondeu que sua amigasaberia o que fazer . Pela manhã , depois do banho , fui tomar café com os amigos .Quando as duas chegaram para o desjejum apenas nos cumprimentaramdiscretamente . Estranhei . Foram sentar-se em uma outra mesa distante. . Acabado o café Lulipassou em nossa mesa e disse baixinho em meu ouvido : “Hoje a noite vamosnos encontrar novamente ”. Sorriu e saiu . Durante a tarde daquele dia ficamos com algumas moças jogando“buraco”. Foi nesta ocasião que conheci Maria Lucia Finoquiaro que depois ,com maior relacionamento em São Paulo , se tornou minha boa amiga . Ela foiuma das Rainhas de Festas em São Paulo . Quando chegou a noite , depois do jantar , nem fomos para o bar .Aconteceu a mesma coisa ocorrida na noite anterior . Cabine direto .
  • 142. No terceiro dia acordamos com o navio balançando , como diziamno sul , “uma barbaridade”. Estávamos no meio do Golfo de Santa Catarinaenfrentando um mau tempo danado . Na hora do café reparei que grande partedos passageiros não haviam aparecido . Sérgio D’Avila também estavaacometido de enjôo , ficando na cabine , como a grande maioria . Na hora do almoço o salão estava praticamente vazio . Da nossaturminha apenas eu e Alberto Andrade não sofríamos com o forte sobe e descecontinuo do navio . Almoçamos na mesa do Comandante . Aquela noite não aconteceu nada , pois quase todos estavamacamados e enjoados . Principalmente as amigas do sul . Aproveitei e dormicomo não dormia desde a saída de minha casa em São Paulo . - URUGUAI Acordamos com o navio já atracado nas docas de Montevidéu .Teríamos o dia livre pois o “Province” só zarparia para Buenos Ayres as 23horas . Como o tempo seria pouco , pois já eram 10,00 horas , resolvemosver em seguida alguma coisa da capital uruguaia . Alugamos um táxi bemgrande que concordou em levar aqueles seis brasileiros , medianterecebimento de um extra combinado antecipadamente . Fomos então conhecer o centro da cidade ; depois a Faculdade deArquitetura ; o Monumento da Liberdade , que apresentava um Carreteiro comseus bois , todos em tamanho natural e fundidos em bronze ; almoçamos emuma churrascaria ; fomos até praia de Carrasco e por fim conhecemos algunsbairros , com muitas casas finas e arquitetura de bom gosto . O Uruguainaquele tempo era considerado a “ Suíça da América do Sul ”. - BUENOS AIRES Na manhã seguinte nosso navio já estava na capital Portenha . Como as malas já estavam prontas foi só tomarmos um café ,encontrarmos os cariocas e marcarmos os encontros . Em um hotel com asmeninas das excursões , em outro com as desquitadas . De nossa parte oimportante agora era encontrar um lugar para nós , não muito caro . Fomos de táxi até o Hotel Claridge com os amigos do Rio .Era alique eles ficariam . Lá deixamos provisoriamente nossas bagagens e saímosem busca de um hotel bem barato . Fomos andando pelo centro de BuenosAyres .. Depois de uma hora , com muitas paradas e pesquisas de preço ,encontramos o que desejávamos na “Calle Corrientes”.O nome era pomposo :“Gran Hotel Chacabuco”. Era um hotel muito antigo , bem grande ,de
  • 143. construção cheia de detalhes e que teve seu esplendor no final do século IXX .Como Alberto dizia : “Tudo ali lembrava a casa minha bisavó” . Era limpo , com moveis antigos , com escadas e corrimões emmadeira lavrada . O quarto era enorme , cabendo com folga as três camasnecessárias , tendo um banheiro privativo e bonitos lustres de ferro batido . Adiária muito pequena . O melhor : Havia diariamente uma refeição inclusa .Em caso de emergência estariam “quebrando o galho”. Quis saber o que significava “Chacabuco”. O gerente explicou quefoi uma batalha decisiva na independência Argentina . Depois de pagarmos a primeira semana antecipadamente fomosbuscar nossas malas .. Após um banho fomos pela primeira vez almoçar no “Palácio de lasPapas Fritas”. Papas fritas eram batatas que quando fritas ficavam comopasteizinhos .Até hoje não sei como os cozinheiros argentinos conseguiamdeixa-las tão estufadinhas . Com um “baby bife” eram deliciosas . O preço naépoca irrisório . Posteriormente verificamos que toda alimentação naArgentina era pouco dispendiosa . . As lojas eram bonitas com artigos de vestuário muito finos e compreços incrivelmente baixos para nós brasileiros . Notei que dentre as lojashavia uma , chamada “ Rhodes”, com roupas masculinas muito bem feitas .Opreço era um terço daquelas nacionais de boa qualidade . Não tive duvidas ecomprei dois ternos , um paletó esporte e três coletes . Naquela época estavamna moda . Arrumei meu guarda roupa gastando muito pouco . Depois, quandoas usava , sentia que ficava muito elegante . Eram bem cortadas e bemacabadas . Desfilei com elas pelas noites de Buenos Ayres . Durante um fim de tarde , no “Claridge” , conhecemos doisestudantes argentinos que foram extremamente simpáticos conosco . NestorEduardo Bravo – estudante de medicina – e Willie Braun – estudante dedireito. Estavam paquerando as mocinhas brasileiras . Logo ficamos amigose muitas vezes eles nos levaram aos mais interessantes e diferentes lugares deBuenos Ayres , sempre no carro que Willie possuía . Uma noite fui convidado por Nestor Eduardo para sua residênciaargentina . Conheci seus pais , o mobiliário e inclusive seu guarda roupas .Eles foram muito gentis conosco . Em compensação Sergio lhes apresentou nossas amigas , inclusiveuma das desquitadas do sul . Luli , entretanto , continuou saindo com ele atéo final das férias . Como lembrança até ganhou dela um colete de presente . Durante os dias conhecíamos toda cidade com as meninas brasileirasvindas no “Provence . Nunca no início manhã , pois estávamos curtido a
  • 144. ressaca da noite anterior . O vinho argentino era razoável . No meio damanhã , por vezes ,aconteciam passeios muito alegres e cheios debrincadeiras. . . Por varias vezes , almoçamos no “Shorton Grill”. Era umrestaurante da moda . Ali voltávamos , as vezes , também com nossas“paquerinhas” argentinas , mas durante à noite . De dia tudo ficava muitotranqüilo . Nós também . De noite é que se sentia que Buenos Ayres tinha uma vida noturnafora de série . Os argentinos costumavam ceiar por volta das 22,00 horas . Vimuitas vezes famílias com crianças depois daquela hora em casas de lanches eem restaurantes . Por isto , na parte da manhã , a vida começava tarde . Aderimos a vida noturna dos portenhos e começamos indo para o“Tabaris” . Era um tipo de cabaré , no velho estilo . Tinha uma grande pista dedanças cercada por camarotes . Varias orquestras típicas tocavam os lindostangos antigos . Mulheres da noite por todo lado . Naquele local AlbertoAndrade ficava entusiasmado e queria conhecer todas argentinas em uma sónoite . Fui convidado varias vezes para dançar tangos . Nunca recusei echeguei até apreender alguns passos . As argentinas nos incentivavam .Alberto arranjou uma amiga portenha e muitas vezes voltou ao Tabaris . De dia , durante aqueles passeios com as brasileiras , as vezesconseguíamos tempo para manter contato com as argentinas . - NINOTCHA Em uma ocasião , quando somente eu havia ido com as brasileiraspara tomar o chá da tarde ( os outros ainda não haviam voltado da noitada ) ,em uma Confeitaria muito bem decorada e freqüentada , fui alertado porminha amiga Maria Rosa Lima Mendes , que uma moça argentina não tiravanão tirava os olhos de mim . Olhei para o lado que ela discretamente indicava e vi a tal argentina.Estava com uma companheira em uma mesa perto da nossa . Vi que tinhacabelos castanhos bem claros e era muito bonita . Fiquei bem interessado . Fizum sinalzinho , ela sorriu. Eu fui até lá. Depois da minha devida apresentação fui convidado para sentar .Fiquei tomando meu chá naquela mesa . O nome da moça era Ninotcha.Descendia de ucranianos e tinha maravilhosos olhos azuis . Era alta e bembranquinha de pele . Ela achava interessante a proximidade da línguaportuguesa com o castelhano . Nunca tinha conhecido um brasileiro antes . Em1.957 poucos brasileiros haviam chegado até lá . Ela era natural de Mendoza .
  • 145. Morava agora com sua amiga Laura , aquela que estava ao nossolado . Trabalhava como secretária em uma empresa de exportação . No final , depois que paguei a conta da mesa , convidei Ninotchapara jantar e dançar . Ela aceitou , condicionando o encontro para a próximanoite . Deu o seu endereço e o telefone . Ficou marcado nosso encontro paraas 21,00 horas . Logo depois nos despedimos e elas se foram . Quando voltei para a mesa das brasileiras todas queriam sabercomo foi aquela conversa . Nossas moças , como sempre muito curiosas .Expliquei apenas que marcara um encontro para o próximo dia . Quando Sergio D’Avila e os cariocas souberam do tal encontro,marcado com uma moça portenha , começaram a gozação dizendo que elas“as portenhas acharam um trouxa para pagar a conta” . Que eu iria tomar um“cano” , pois o encontro nunca aconteceria . Que as portenhas eram muitoespertas e que eu ficaria apenas na ilusão” . Não liguei para eles . No fim da tarde do outro dia , fazendo hora para ir ao encontro comNinotcha , fui até o hotel dos outros brasileiros. Estava realmente uma tarde muito fria . O frio até doía . Então os cariocas , quando me viram , brincavam comigo dizendoque ... “estava uma noite muito boa para pegar resfriado , principalmenteesperando parado na esquina”... Quando chegou a hora dei boa noite , peguei meu sobretudo e fuipara meu encontro . Na saída ainda ouvi : “... vamos todos ficar no baraguardando... a minha volta , no máximo dentro de uma hora” . Tomei um táxi , dei o endereço , e fui levado para um bairro bempróximo do centro . Cheguei , dei o nome e numero do apartamento ,solicitando para o porteiro avisar minha chegada . Ele ligou e em seguidainformou que a pessoa já estava descendo . Fiquei aliviado . O encontro era real , realíssimo . Ninotcha logo apareceu . Toda elegante e muito bonita . Perguntoucomo eu estava enfrentado o frio portenho . A resposta foi que eu precisaria demuito calor feminino aquela noite . Ela sorriu . Perguntei se ela tinha vontade de ir especialmente em algum lugar ,pois para mim tudo estaria bem em sua companhia . Alem do mais seuconhecimento da cidade era maior e melhor . Ela falou sobre um clubenoturno muito agradável , bem freqüentado , na direção de Olivos , commusica boa para dançar e uma ótima comida francesa . Gostei da sugestão efomos em frente .
  • 146. Realmente foi uma noite maravilhosa .Aquela noite tevecontinuidade por muitos dias , mais gostosos . ARRANJANDO ENCRENCA EM “LA BOCA” Na véspera de nosso retorno fomos com os cariocas conhecer orestaurante típico italiano chamado “Spada Vechia” . Estava na moda e erabem freqüentado . Ficava lá no bairro da Boca . Era muito simples. Narealidade uma cantina muito alegre , onde todos cantavam e brincavam comtodos . A comida italiana era sempre a mesma : macarrão , brachola ,cabrito , salada verde e muito vinho . Muito vinho mesmo . Incluso no preço . Logo depois de vários copos ficamos bem à vontade com osargentinos que lá ficamos conhecendo . Sentávamos tanto na mesa delescomo eles sentavam na nossa . A confraternização foi grande e a bebedeiratambém . Cada um dos lados contando seus casos para os do outro lado . Paravariar fui obrigado a tirar “braço de ferro” com vários portenhos . No meio de toda aquela alegria , sem mais nem menos , já no inícioda madrugada , Sergio D’Avila derrepente sumiu . Passados alguns minutosAlberto veio informar que ele estava realmente de “fogo” e tinha quebrado ,não sabia como , a pia do banheiro . Fui até lá ver . Tinha na realidadequebrado a pia e deslocado a bacia da privada . Achei melhor irmos embora ,imediatamente , antes que a destruição fosse descoberta , pois não sabia o quepoderia acontecer . Iria dar problemas na certa . E nosso dinheiro naquelemomento já estava ficando pouco . Pagamos a conta e saímos rapidamente levando Sergio que malpodia andar . No caminho para o táxi perdeu um pé de seu sapatos . Na horanem percebeu . Quando o táxi estava partindo ouvi vozes altas que vinham do“Spada Vecchia” . Olhei para trás e vi gente andando apressada na direção donosso táxi . Por sorte o motorista acelerou , saímos ilesos e acabamoschegando até a esquina do nosso hotel . Não fomos direto para o “Chacabuco”pois o motorista poderia voltar e informar nosso endereço . A ressaca foi grande . Pior que ela só a continua reclamação doSergio por ter perdido um pé do sapato novo . Eu brincava dizendo : “- Agora você pode dizer que é a “CinderelaPortenha” que perdeu seu “Sapatinho de Cristal no bairro da Boca ” . Ruimserá quando , ao invés de uma linda princesa , quem poderá achar seusapatinho é aquele enorme estivador barbudo” .
  • 147. “Aquele ... que você reparou , pelo tamanho , lá no cais . Vai sermuito duro namorar com ele ...”. VOLTA PARA BRASIL No dia do embarque no “Anna C” fomos almoçar em um restauranteperto do hotel . Fomos a pé . O local era agradável e tinha calefação quepermitia tirar o sobretudo e coloca-lo no cabide junto a parede . Almoçamos bem e, por volta das duas horas , fomos para o cais ,pois nosso navio deveria sair as cinco horas . Chegando no porto Alberto me pediu as “Passagens e o Visto deEntrada e Saída” . Eles haviam ficado comigo . Eu os colocara no bolsointerno do meu sobretudo . Mas onde estava o maldito do sobretudo ? Lembrei que o havia colocado no cabide do restaurante . Derrepentea “ficha caiu” . Tinha esquecido do sobretudo . Agora só restava voltar etentar “sobretudo” achar aquele maldito sobretudo . Combinei que iria e voltaria em seguida . Recomendei que eles nãodeixassem o navio partir. Que bobagem ! Seria impossível ...! Tomei um táxi e fui até o restaurante . Lá chegando olhei para ocabide . O sobretudo ali não estava mais . Fiquei gelado . Perguntei pelomaldito sobretudo . Em principio ninguém o tinha visto . Depois apareceu umgarçom contando que um senhor percebeu o esquecido sobretudo . Depoisencontrou papeis em seu bolso . Disse ao garçom que ia leva-lo para entrega-lo ao dono , pois continha documentos e passagens . Achei que haviam roubado meu sobretudo . Como não tinha mais jeito , o jeito era tentar embarcar no navio dequalquer jeito , pedindo para que verificassem a Lista dos Passageiros .Tentaríamos descer no Brasil com nossas carteiras de identidade . Voltei preocupado para o cais . Quando lá cheguei vi Sergio eAlberto , já na amurada do navio , conversando alegremente com um oficialdo navio . Gritei seus nomes . Como resposta , dando risadas , disseram queeu já podia subir a bordo . Subi imediatamente e perguntei como eles tinham arranjado toda acoisa . Alberto então contou : “Um senhor argentino , que nos tinha vistoentrar e que almoçara no mesmo restaurante , percebeu que aquele seusobretudo ficou abandonado no cabide e , olhando os bolsos , encontrou aspassagens e os vistos de entrada . Como notara que o navio sairia naquelemesmo dia , veio ao cais indicado nas passagens do “Anna C ” . Então entregou o sobretudo e documentos para o oficial que estavade serviço . Como já tínhamos contado nosso problema para aquele mesmo
  • 148. oficial , ele sabia a quem pertenciam as passagens e documentos . O oficialnos viu e nos chamou . Tivemos então oportunidade de agradecer aquelelegitimo cavalheiro argentino por sua grande gentileza” . Apesar do frio eu estava suando naquele momento , mas totalmentealiviado . Sossegado realmente fiquei quando a bordo senti o “Anna C”descendo o Rio da Prata . Quatro dias depois , em um sábado , quando chegamos em Santos ,muitos amigos do Paulistano nos esperavam no cais . Foi a maior fuzarcaquando eles conseguiram subir a bordo . Lembro do Didi Guidotti e de seuirmão Adriano , do Arnaldo Gasparian , Luiz Carlos Panunzzio , AlbertoBotti, Flavio Guimarães , Arnaldo Paiva e Sergio Guastini . Outros tambémvieram com amigos do Clube XV de Santos . A alegria continuou com mais uma “Guerra da Macarronada”, lá nacasa de Didi em São Vicente . Não preciso nem contar que aquele almoço foiprodução feminina de nossas amigas , namoradas e “paquerinhas” . .
  • 149. TURMA DO PAULISTANO E AMIGOS DO HARMONIA Edu MarcondesO Paulistano de Ontem e de Hoje – A Velha Turma do Paulistano –O Pessoal dos “100 Por Hora”- Mais Amigos chegam ao Paulistano- Naqueles idos dos anos 50/60 a convivência dentro do Paulistanoera antes de mais nada de fraternidade . Realmente muito gostosa . Todomundo era amigo e se sentia querido . Hoje é um tanto diferente . Hoje o CAP cresceu muito em seu quadro social , muito além de suacapacidade física instalada . A maioria dos sócios praticamente agora nãoconhece os demais . Nem poderia . Atualmente é como viver em uma cidadede 30,000 habitantes . Não podemos conhecer todos . Desta maneira a convivência dos freqüentadores é atualmentesempre realizada mediante pequenos grupos que se formam . Grupo do Tênis ,da Natação , da Ginástica , dos Jogos de Cartas , do Bilhar , dos que gostam dePolítica Interna , dos Freqüentadores dos Bares , dos enxadristas e de outrosmais . A grande maioria dos sócios mal se cumprimenta . Hoje não existe mais um Todo mas “Pequenas Facções” . Praticamente desapareceu a “Turma do Paulistano” Os valores são diferenciados . Sinal dos tempos. Hoje também existe uma tal de “Oposição”. Normalmente formadapor sócios mais novos . Pergunta : Oposição a que ? Por que ? O que querem ? Na realidade dão a entender que querem é o “Poder de Mando” ,achando que sabem mais que todos , apesar de menos tempo de clube ! Demonstram ter menores conhecimentos e melhor entendimentossobre o que foi e o que é nosso clube . De desconhecer as nossas Tradições do Paulistano . As Tradições são formadoras de nossa “Alma Mater” , ela quesempre poderá levar o Paulistano de forma Digna . Sempre Digna ! Lembro bem que tudo anteriormente foi bem diferente . Os sócios doclube formavam uma Grande Família . Por sinal muito unida . Sempre . Ninguém ficava isolado em uma mesa ou num canto do bar ( fatoque impressiona atualmente, principalmente quando vejo um sócio almoçandosó ou mesmo bebendo ... sem ninguém ao lado , sem companhia ! ) O clube , como um todo , então Transmitia Alegria em qualquerlugar. Na Sede , na Piscina , no Ginásio , nos Terraços e Jardins . Nas quadras
  • 150. de Tênis . Todos estavam sempre alegres , sorrindo . A atmosfera erarealmente muito diferente . Muito mais descontraída . Não existiam inúmeros pequenos grupos falando baixinho e , porvezes , de cara amarrada . Agora sobram estes grupos . Falam sobre o que ?Política interna ? Fofocas... sobre o que ? Negócios ? Quem sabe , ouninguém sabe sobre o que ? Tudo gira aparentemente , agora , em torno desigilo , de “muito sigilo” . De estranho sigilo ! O fato é que a espinha dorsal de uma Comunidade foi quebrada .Deixou de existir total União e Fraternidade . Hoje praticamente desapareceuo espírito da “Turma do Paulistano” . O espírito de Fraternidade . Ele que eraparte da “Alma Mater” de nossa gente . Hoje o que prepondera é a crítica , contínua de um grupo ou depessoas , contra outros grupos ou contra outras pessoas . Dá para entenderque existe inveja no ar . Em paralelo muito fingimento . O Paulistano deixou de ser, como foi durante tantos e tantos anos , acontinuação de nossas casas . Sócios que não tem a mesma formação familiare social . Problema advindo do numero excessivo de associados . Isto aindapode crescer , com “Títulos Especiais” para filhos de sócios . Tudo, na realidade , começou com a Venda dos tais “Títulos” queinicialmente davam aos sócios adquirentes a vantagem de , ao ficaremremidos, não mais pagar mensalidades. De ter um Titulo Que Valia Bastante. Lembro que fiz parte de um grupo minoritário que entendeu que...“Se todos ficassem Remidos o Paulistano iria para a Falência” , pois nãoteria recursos para se manter. Quem iria pagar todas as despesas ? Fomos votos vencidos . Os tais “Títulos” , que permitiram a entrada de muitos novos sócios,foram vendidos sob alegação de necessidade de recursos para novasconstruções. Porem entendo que elas , as tais construções, não precisavamserem tantas inicialmente, pois poderiam ser feitas com muitos menosrecursos e de forma mais austera . Para tanto existia um Plano de Reformas e Ampliação , elaboradopela Presidência de Antonio Prado . Procurei saber onde foi parar . Ninguemsabe . Muitos tinham idéia de arrecadar inicialmente somente para Reforma eAmpliação da Sede e a Construção de Nova Piscina. O resto ficaria paradepois . Com o tempo . Não quiseram !... O Paulistano foi então dimensionado e reformado para um total de,no máximo , 5.000 freqüentadores . Antes éramos 3.000 sócios .
  • 151. Não existem boas explicações .Hoje já estamos com mais de 27.000. Ocorre que pelo final dos anos 70 a realidade apareceu . Verificou-seque as arrecadações existentes , cada vez mais decrescentes , iriam inviabilizara sua existência . As pressas foi alterado o Estatuto Social . Então ... Os Títulos que eram Patrimoniais “Por Mágica” viraram Sociais . Agora não sendo patrimoniais... não tem valor . Os sócios que tinham um Titulo Patrimonial perderam seuPatrimônio . Os títulos hoje praticamente nada valem . Principalmentequando comparados com a famosa Taxa de Transferencia” Antes , quem ficasse remido não poderia vender o título . Agora é obrigado a vender . Assim , com o mesmo numero de títulos,o numero de sócios aumentou e vai continuar aumentando . Por cada sócioque fica remido teremos pelo menos mais 4 . Cada sócio que fica remido evende o titulo abre a válvula para entrada de mais 4 ou 5 sóciosfreqüentadores. São eles os sócios dependentes dos titulares que compraram o titulo . Depois , para evitar a perda de receita , POR NÓS PREVISTAQUANDO DO LANÇAMENTO INICIAIS DOS TITULOS, novos títulosforam então vendidos . E parece que querem lançar mais outros . Entretanto , estes não tem direito para Remissão . Quem estava certo ? Parece porem que estudam “Nova Remissão” !!?? Sei lá ... Como falam atualmente :-“ O CAP foi democratizado”. Assim sendo , sua atual estrutura física instalada ficou incapacitada ,com quase 27.000 pessoas que podem hoje freqüentar o Paulistano . E podemchegar a 40.000 . É só multiplicar 9.500 títulos por 4/5 pessoas . O clube ficou pequeno para tanta gente . Não cresceu . Inchou ! É mesmo maior que muita cidade brasileira em numero de habitantes.Muito maior em arrecadação . Entretanto , sem espaço físico para tanto ! O pior é que os tais “Títulos”, que foram lançados com determinado eelevado valor , hoje pouco valem . Quase nada ! Não são mais títulospatrimoniais . Agora para entrar como sócio é necessário pagar caríssima“Transferência de Titulo”. Na realidade voltamos a forma anterior , ou seja : E´preciso pagar o que antigamente era chamado de “Jóia” . . Sairá sempre um sócio mas entrarão mais quatro , em média (porfamília) . O crescimento de freqüentadores será sempre geométrico . Patético !
  • 152. Falta pura de visão administrativa para longo prazo dos anterioresdirigentes . Este Grave Problema passou para a atual Presidência . Assim meu amigo Antonio Carlos Salem vai ter que “descascar oabacaxi e carregar o piano” . Tudo ao mesmo tempo . Com isto e o crescente numero de sócios, vamos perceber quepraticamente aconteceu o inevitável : Desapareceu o espírito da Turma do Paulistano . Nossa grande união sumiu como um todo . Temos até oposição ! Para que não paire duvidas vou contar , claro que com saudades . - A Turma do Paulistano Antes de mais nada lembramos mais uma vez e novamente queexistia uma grande fraternidade tomando conta de tudo e de todos . Todos sesentiam como grandes amigos fraternais e assim agiam . Bastava adentrar aoPaulistano para se sentir em casa . Era chegar e ser recebido com abraços esaudações alegres e muita festa . Ninguem ficava só . Todos se conheciam muito bem . As amizades vinham de muitotempo . Muitas vezes desde o tempo de criança ou de juventude . Com isto foicriada uma união que agasalhava e protegia todos . Não interessava religião , riqueza ou origem . Todos faziam parte da Turma do Paulistano e assim eramreconhecidos em toda cidade . Um sócio novo também era recebido com omesmo respeito e consideração . Ficava integrado imediatamente . Brigarcom um da Turma do Paulistano era praticamente brigar com todos . Esta fraternidade realmente favorecia todos associados . Casoalguém necessitasse de uma ajuda , de orientação , de uma palavra amiga , dequalquer coisa , sempre apareciam várias opções , com várias ofertasdesinteressadas dos amigos do Paulistano . Precisava de um médico ?Aparecia um amigo dando todo apoio . Precisava de uma apresentação ?Alguém , através de seus conhecimentos , trazia esta apresentação . Precisavade um convite ? Alguém conseguia este convite . Tudo era assim resolvido , com muita amizade , dignidade e seminteresse . Alguém tinha um desentendimento com estranhos ? Então todanossa turma , em peso , dava apoio . A união da Turma do Paulistano era muito forte . Quando em 1961 precisei operar um fibroma nasal quem me assistiufoi o amigo de infância - Octacilinho Lopes , agora Professor de Medicina . Enada cobrou. Tudo que ele fez por mim foi por real e grande amizade .
  • 153. Quando um grupo ia jantar fora , em algum lugar e alguém , naquelemomento , estava sem dinheiro , não ficava de fora . Era convidado por todose sua despesa paga por todos . O importante era ter sua companhia . Tudo era assim, sem maiores interesses . Todos ajudavam todoscom muito prazer e alegria de poder ajudar . Lá pela década dos anos 50/60/70 todos os dias este nosso pessoalse reunia na sede antiga . Linda sede , acho que o projeto era do Ramos deAzevedo ( não tenho certeza) . Normalmente estes encontros aconteciam noBar da Sede Social ou no Terraço , logo depois dos esportes realizados , nofinal das tardes indo até o anoitecer . Então se programava tudo . Quem ia com quem jantar , quem irianaquela festa de sabado , nas reuniões na casa de alguem , no cinema da noite,quem seria companhia para visitar a namoradinha . Em qual boate iríamos ,depois . Quem e com quem iria paquerar na Barão de Itapetininga . Tambémeram programadas as viagens para o próximo fim de semana , a ajuda paraalguém necessitado , etc ...etc . Até corridas de automóvel ... Também trocávamos todas informações possíveis . Sobre estudos ,trabalhos , política , compras , carros e mecânicos , alfaiates , faculdades ,bons negócios , viagens , o próximo jogo do Paulistano , a programação paraesportes . Todos ficavam sabendo de tudo naquelas horas de encontro no barda sede social . Alem do mais existia ainda a “Instituição da Cria” . Os sócios maisvelhos tomavam conta e davam apoio aos mais novos . Caio Kiehl , LuizCarlos Junqueira e eu fomos “Crias” do Pedro Padilha e do Paulo Ribeiro .“Geléia” e muitos outros foram minhas “Crias” . Assim todos aqueles mais novos eram protegidos pelos mais velhosda Turma do Paulistano . Das amizades criadas com esportes , tanto na piscina velha , do tênis,do bola ao cesto ,do vôlei e do atletismo , veio a nossa base inicial . Oencontro diário desta nossa gente na Sede Social era continuidade natural doesporte . Era o fecho do dia . Hoje o clube nem mais é realmente esportivo para seus sócios . No Paulistano de então eram sempre encontrados , entre muitosoutros sócios : Candido Cavalcanti , José Aires Netto , Pedro “Alemão” Herch ,Fernando “Baiano” Abdon , Eduardo de Paula , Carlinhos Calmon , João eCícero Campos , Artur Castilho de Ulhoa Rodrigues , Adir Villela , Cláudio“Pinduca” Lunardelli, Luciano Lunardelli, Gille Lunardelli , Tozinho Lara
  • 154. Campos , Nelson Godoy , Nelson Boinain , Tarciso e Marcelo Leopoldo eSilva , Eugenio”Pistinguet”Apfelbaun , Eugenio Amaral , Pedro Padilha ,Paulo Ribeiro , Luiz David Ribeiro , César Afonseca e Silva , Edson e AryMacedo , os irmãos Roberto , Cícero e Deoclides Brito , Leon Alexander ,Leo Bergman , Ronie Scott , Oswaldo Lara Vidigal , Gilberto Marcondes ,Ricardo Cavalcanti , “Kiko” Campassi , Ubirajara Pilagallo , Emil Issa ,Zequinha Almeida Prado , Adhemar Zacarias , Arnaldo e Roberto Gasparian,Toninho Cintra Godinho , Rômulo Mariano e José Mariano Carneiro daCunha , Antonio Ciampolini , Gilberto Chiampaglia, Otacílio Lopes , CaioMoura , Alcyr “Azeitona” Amorim , Roberto Motta Rabello , Fritz D’Orey ,Ulisses Paes de Barros , Rafael Paes de Barros, Leonardo Frankental , DácioRagazzo , Roberto Trigueiro , Sérgio Cayubi Novaes , Mario Guisalberti ,Flavio e Hélio Cayubi, Armando Ferla , Silvio de Campos , Carlos RobertoMatos , Eduardo Xande , Eduardo de Salles Oliveira , Luiz EdmurAlbuquerque e Caio Kiehl . ( Aqueles com nomes grifados infelizmente já faleceram ) Começavam também aparecer com continuidade os mais jovens :Beto Godoy , Alex e Clovito Toledo Piza , Armando e Toninho Salem ,Flavinho Guimarães , Chico “ Foca” Campos , Acácio “Geléia Mancio ,Mario Ottobrini Costa , Fernando Sandoval , Dudu Brotero , entre muitosoutros . Alem do bate-papo na Velha Sede ainda jogávamos com dados o“Bidu- Bidê”- “Pôquer” e “Dudo”, valendo sempre a conta do lanche ( valiamais a gozação) . “Seven Eleven” só na rua pois no Paulistano era proibido (mas asescondidas , no final das noites , era jogado no banheiro da sede social) Num canto da Velha Sede já jogávamos xadrez . Éramos quatro:Maia Rosenthal , Anibal , Rebello e eu . Os três se foram . Por sorte desdealgum tempo apareceu outro velho amigo para jogar xadrez – o patriarcaTibiriça . Não fiquei só .Hoje somos os dois últimos da Velha Guarda quecontinuam jogando até hoje . Sempre conversando... nas terças e nos sábados,mas jogando xadrez . Caso existissem competições do Paulistano , de Basquete ou Vôlei ,logo em seguida as reuniões na sede , quase todos estariam no “VelhoGinásio” torcendo , para os irmãos Doria , Jorge Bello , Deoclides Brito ,Cavalieri , José “Coqueiro” Vital , “Coquinho” , Nick Cavalcanti e para todosos nossos outros atletas . Então , apoiando nossos atletas , com a nossa torcida , surgiasempre o “Aleguá ...Guá ...Guá ... Paulistano ... Paulistano ! Hoje muita gente nem sabe o que o Paulistano vai disputar .
  • 155. Nem sabem o que é o Aleguá ..guá ... guá ... . Naquele tempo muitas namoradinhas vinham assistir estes jogos,com os pais ou com seus irmãos . Os Jogos e Esportes faziam também parte Social do Club . Terminada a competição íamos comer “pizza” lá no “Columbia” oujantar no “Nosso Ponto”. - O PESSOAL DOS “ 1OO POR HORA” Por volta de 1950/51/52/53 , com o advento do automóvel emgrande escala , muitos sócios foram se juntando e aumentando aquela nossaturma que gostava de andar e competir com carros . Assim e por isto mesmo muitos amigos iam se encontrando , parafalar , andar ou mesmo competir com automóveis : Caio Marcelo Kiehl ,Roberto Claro , Nico Peres de Oliveira , Roberto Matarazzo , Vicente deSylos, Urbano Camargo , Bubi Figueiredo , Bubi Loureiro , Fritz D´orey ,Celso Lara Barberis , Sergio Machado de Lucca , Antonio Duva , BelmiroDias , Leo Berman . Com algum amigo ao lado , passávamos de carro , quase semprepaquerando as namoradinhas , nas saídas dos colégios da meninas conhecidasEntre outros : – “Sacre Coeur , Des Oiseux , Sion e Ofélia Fonseca ” . Íamos também até a “Lareira”. Era uma escola para moçasapreenderem coisas de administração do lar . Como gozação era chamado de“Curso espera Marido”. Além disto , quando nos encontrávamos fora do Paulistano ,gostávamos de , sempre que possível , competir nas ruas mais afastadas e nãomovimentadas que estavam em final de construção , lá pelos lados doMorumbi. Os “pegas” eram programados e muitos carros apareciam . Porvezes corríamos em Interlagos . Então ali era possível . Lembro que , entre outros , Zé Ayres tinha um carrinho inglês,senão me engano um “Huxley” de seis cilindros , que era campeão dospequenos . Caio Kiehl vinha com um “Jaguar – Mark Five” , Nico Peres comum “Mercury” , Roberto Claro com “Packard” , Roberto Matarazzo com“Cadillac” , Leon Bergman com Packard , Duva com seu “Studbaker , CésarAfonseca com “Volvo”. Fritz D’Orey com vários carros . Fernando “Baiano”com “Dodge” . Os dois “Hudson”preto que eu dirigia , o 1º de meu pai , edepois o 2º meu , ganharam um só apelido : - “Corvo Negro” . A maioria dos carros eram grandes e pesados . Ainda , por causa dos automóveis , ocorria o “Festival da Graxa”. Ele acontecia quando um dos carros de amigo precisava depolimento . Nos reuníamos , normalmente no quintal da casa do Roberto
  • 156. Claro, , que ficava em frente do Paulistano , na rua Honduras , e todosajudavam a deixar o carro de um amigo bem reluzente . Muito rapidamente.Eram momentos de só alegria e gozação . Deixando sempre a “massa depolimento” nos cabelos de algum mais distraído . Muitas vezes íamos até a pista de Interlagos para tirar “rachas” comaqueles carros antigos mas possantes . Interlagos naquele tempo erapraticamente aberta , sem muitas dificuldades para entrarmos com os carros .Ali só existia um guarda amigo que permitia realização dos nossos pegas navelha pista . Foi lá que Fritz Dórey começou uma rápida , curta e brilhantecarreira que terminou com grave acidente na Europa , quando , em competiçãointernacional , guiando uma “Ferrari–Gran Prix” - para a escuderia docampeão mundial Juan Manuel Fangio , bateu e teve sérios problemas físicos.Com o tempo se recuperou mas não mais competiu no automobilismo . Aquele nosso grupinho automobilístico do Paulistano tinha umnome bastante especial : -“100 por Hora” . Na realidade o nome , quandofalado , parecia perfeitamente correto foneticamente , induzindo crer que onome seria :- “100 Km por Hora”. Na realidade o nome era : –“Sem ..., Por Ora ...” , significava :“Sem carro ..., por ora”, pois naquele momento , no começo dos anos 50 ,quase sempre os carros pertenciam aos nossos pais . Os carros passaram a ser muito importantes para nossa vida . Eramum meio de liberdade em nossa movimentação . Tanto para trabalho epasseios como para vida noturna . Era importante para arranjar um programa(sexy) , normalmente no centro da cidade . Quem não tinha carro no momentosaia para “paquerar” no carro de um amigo . As viagens de fins de semana para as praias estavam começando acrescer . Sempre aparecia um convite . Nossa maior preocupação passou a ser o “carro próprio” . Com otempo , as vezes com alguma dificuldade , ele sempre era conseguido . - MAIS AMIGOS VOLTAM AO PAULISTANO Com a continuidade das muitas Festas em Vários Clubes , Festasnas Casas de Amigos e conhecidos , as idas aos Jogos da “Mac- Méd” ,asReuniões em Casas de Famílias , os passeios de Lancha na Represa deGuarapiranga ,as idas aos Clubes Noturnos , as Sessões de Cinema ,asViagens para Praias e Campos do Jordão , as Competições nas HípicasPaulista e Santo Amaro , e tantas outras coisas mais , fizeram a nossa turmado Paulistano aumentar .
  • 157. Antigos sócios recomeçavam a freqüentar, com mais assiduidade, oPaulistano. Então tínhamos oportunidade e encontrávamos outros sóciosantigos que pouco estavam vindo ao CAP . Aparecem também alguns sócios novos. Na continuidade dos encontros ficávamos mais amigos . Assim foi natural a integração deles todos conosco . Começaramfreqüentar com mais assiduidade o nosso Paulistano os antigos sócios -:Sergio e Aloísio Dávila, Alberto Botti , Silvio Abreu Jr. , Luiz FernandoRibeiro da Silva , Mauricio Soriano , Adriano e Ademaro Guidotti , Vitor eFernando Simonsen, Carlos e seus irmãos Sérgio e Gilberto Daccache ,Luciano Schwartz , Virgilio de Natal Rosi , Roberto Suplici , Carlito Taub ,Chico Galvão “Kirongosi”, Mario Sergio , Jorge Gugelmas, Paulo GodoyMoreira , “Jujuba” Moreira da Costa , Zizinho , Marcio e Amedeo Papa . Como alguns dos amigos sócios do CAP também eram sócios doHarmonia muitas vezes éramos convidados para festas , almoços e reuniõesnaquele clube . A crescente amizade dos sócios do CAP começou a ter reflexosmesmo fora do Clube . Dentre aqueles sócios , que pertenciam aos dois clubes,lembro de Luiz Carlos Junqueira Franco , Ayrton Baccelar , Tarcisio eMarcelo Leopoldo e Silva , Oswaldo Vidigal , Josè Carlos e Sérgio Leal ,Guilherme Prates , Eduardo e Fernando Levi , entre outros . Eles muitas vezesnos levavam até o Harmonia . Desta forma ficamos conhecendo melhor ZécaCalmom de Sá , Ricardo Rezende Barbosa , Tony Calmon de Sá , os irmãosOlival Costa , Paulo Saldanha da Gama , Agnaldo Góes e Nestor Góes , FredyAssumpção ,Vico Paes de Barros , Sergio “Cavalo” e muitos outros sócios doclube irmão. Quem muito contribuiu com esta confraternização foi RicardoAmaral com suas crônicas sociais , quando contava o que acontecia e quemparticipava das festas com a presença do pessoal do Harmonia e do Paulistano. Chegamos até a jogar futebol : Paulistano x Harmonia , porduas vezes , em nosso velho campo . Na ocasião a presença feminina na antigaarquibancada foi marcante . Moças bonitas por todos os lados . É preciso também lembrar que o Harmonia foi fundado porsócios dissidentes do Paulistano na década de 30 . Conseguiram o terreno coma Cia.City e construíram o seu clube . As famílias de ambos os clubes seconheciam . Muitas vezes eram até aparentadas . Também mantínhamos continua amizade com muitos sócios daHípica Paulista e do Clube de Campo ( esse último hoje cercado de favelas ) Assim na São Paulo daqueles tempos os relacionamentos emsociedade se expandiam com muita facilidade . A Turma do Paulistano se
  • 158. apresentava em todos os lugares , em todas ocasiões . A base de tudo eramsimples amizades desinteressadas , as quais , com o tempo , se transformaramem grandes e fortes amizades . Hoje o clube fisicamente ainda é o mesmo Paulistano , mas ossócios ... não formam mais a Turma do Paulistano . Infelizmente . O forte espírito de fraternidade agora praticamente desapareceu ,ou pouco aparece . Além do mais muitos dos amigos antigos já faleceram . Existeatualmente uma amizade , mas diferente , sempre um pouco mais a distancia. Sinal dos tempos ... Esperança : - talvez com o tempo, poderá existir mais união . É preciso pensar uma forma de unir os sócios , manter nossastradições e continuar nosso espirito de competição ; Aleguá .. Guá ...Guá . Paulistano ... Paulistano !
  • 159. “GATOS DO PAULISTANO” NAS NOITES PAULISTANAS” Edu MarcondesOnde a Noite Começava – “Bonilha” – “Nick Bar”- “O Bixiga”- Festasdo Fantasma - Um Tiro no Lampião ... Nos anos 50 surgiram para nossa Turma do Paulistano maiorespossibilidades para programas noturnos em São Paulo . A ida aos clubesnoturnos passou a ser moda . Principalmente porque começávamos a ter aidade necessária . Não deu outra . Juntou-se a fome com a vontade de comer . Aqueles programas , naqueles tempos , apesar de não serem baratos ,sabendo moderar as coisas , não ficavam proibitivos em seus custos . Em assim sendo passamos freqüentar clubes noturnos que eramchamados de “boates” . Entre outras lembro e destaco : “Arpege” , “Oásis” ,“J’ai Reviens”, “Nick Bar”, “Boate Lord” (no Lord Hotel) ,“Boate Esplanada”( no antigo hotel do mesmo nome ) depois chamada de boate “Meninão”. Hoje naquele prédio situa-se a sede da Cia. Votorantin . Na Rua Augusta , quase esquina das Estados Unidos existia o “SkyClub” . Nos domingos a tarde ali acontecia também um “Chá Dançante”, ondepoderíamos ir com as “namoradinhas e respectivas velas”. O mais antigo de todos clubes noturnos foi o “Jequiti”,freqüentado principalmente pela sociedade paulistana no final dos anos 40. “ Onde a Noite Começava ...” Muitas vezes fui até a boate “Oásis” para assistir grandes artistascomo Elisete Cardoso , Charles Trenet , Silvio Caldas , Ataulfo Alves . Minhaida sempre ocorria com amigos do Paulistano : Manoel Mendes , Cid Mendes,Cid Ipiranga , Bonilha , Ayrton Bacellar , Alexandre Bacellar , entre muitosoutros . . Aquela casa primava por apresentar shows com grandes nomesnacionais e internacionais . Era muito concorrida . A primeira vez que lá estive foi com meus companheiros: SérgioD’Avila e Silvio “Careca” Abreu . Estávamos para fazer 18 anos e o porteiroAtílio , que ficou meu amigo , não podia permitir nossa entrada pela portaprincipal , pois sabia que ainda éramos menores de idade . Entretanto fechavaos olhos , sabendo que entraríamos pela porta da cozinha , passando a seguirpelos camarins , para chegarmos as mesas onde sempre existia um amigo doPaulistano esperando . Era o jeito . No “Arpege” tive a oportunidade de presenciar as primeirasapresentações de Caubi Peixoto . Seu sucesso se não me engano ali começou .
  • 160. Apareceram , em paralelo , também pequeninos bares noturnoschamados de “inferninhos”, onde se buscava , principalmente , companhiafeminina . O “Club de Paris” era um dos mais famosos . Estes “inferninhos”ficavam , em sua maioria , no bairro de Vila Buarque que , por isto mesmo ,começou a ser chamado de “Vila Boate”. Ali muitas vezes fui ver meu amigo“Noite Ilustrada”. Foi ele o rei das musicas de “dor de cotovelo”,principalmente nos finais de noite . Também surgiram nos anos 50 os restaurantes dançantes típicosalemães . O primeiro deles , o “Zillertal” , inicialmente instalado no prédioque abrigava a Federação Paulista de Futebol , lá na Brigadeiro Luiz Antonio . Era por lá , com bastante descontração , que dançávamos valsas ,xótes e marchinhas alemãs , todas muito alegres e gostosas de ouvir . Todomundo brincava e tomava chope . Muito chope . Era um lugar muitoagradável. Estive por lá inúmeras vezes , com Tozinho Lara , Roberto Bratke,Aluisio e Sergio D’Avila , Caio Kiehl , Junqueira , Ademar Zacarias ,AntonioDuva , Vicente de Sylos , Sergio Caiubi , Ayrton Bacelar , Arnaldo Paiva ,Hélio Vazone , Antonio Cintra Godinho e muitos outros amigos doPaulistano. Dando ainda cobertura para aqueles rapazes que curtiam a noite deSão Paulo desenvolveram-se muitos outros restaurantes e bares que na ocasiãofuncionavam por toda madrugada . Desta forma , nossa Turma do Paulistano , depois de praticar seusesportes e bater papo na sede do CAP , começou esticar sua noite . Ficoupossível ver e ouvir cantores , cantoras , artistas em “shows” muito bemmontados , paquerar na noite e depois cear ou comer qualquer coisa no correrda madrugada . Para tanto contávamos com restaurantes como “Parreirinha” (fazia amelhor feijoada da noite ) , o “Spadoni”( com massas divinas ) , o “Moraes”(com seu famoso filé com agrião) . Atendiam maravilhosamente bem . Depois apareceu o “Gigetto” freqüentado por artistas , notadamenteaqueles da televisão que começava . No Largo do Arouche estava instalado ,como até hoje ainda está , o “Gato Que Ri” com preços extremamenterazoáveis . Sua “lasanha” era de dar água na boca . Para um lanche mais simples , estavam de prontidão durante amadrugada , entre outros , o “Salada Paulista”( começou na Rua Dom José deBarros em frente a antiga sede do Clube Pinheiros e depois passou ampliadopara Av. Ipiranga ) – servia como prato chefe “maionese de batatas comsalsichas” . O “Jeca” (na esquina da S. João com Ipiranga ) e o “Ponto Chic”(onde surgiu o famoso Bauru ) .
  • 161. Na pior das hipóteses , na volta para casa , tínhamos como opção ossanduíches do “Bar da Morte” . Ele ficava perto do final da Rua Augusta . Erao refugio de quem estava com pouco dinheiro .Tinha este apelido porque erarealmente muito sujo. Entretanto fazia um filé no pão muito gostoso . Era oúnico aberto na madrugada pelos lados do Jardim América . No lado do Jardim Paulista existia o “Bar e Bilhares Benfica”. Ali asnoites de paqueras frustradas muitas vezes eram passadas em jogos de sinuca . Eu gostava muito de sair a noite , mas como trabalhava e começavalogo pela manhã , fui obrigado arrumar um “Horário Especial” para podercurtir a vida noturna . Para tanto , durante os dias da semana , chegava cedoem casa e por volta das 19,30 horas ia dormir . Deixava, entretanto, o despertador marcado para tocar as 22,30 . Porvolta das 22,45 horas já estava indo para algum lugar da noite , curtindoalguma coisa com amigos . Ficava pela noite normalmente até as 2,00 damadrugada . Depois voltava para casa e dormia até as 6,15 horas . O sono atrasado era descontado sábados e domingos . Todos nossos amigos também gostavam de curtir um pouco da noite.Mas tinham alguns gostavam demais . Por isto mesmo também bebiam umpouco mais e estavam sempre um pouco mais alegres . Faziam um poucomais de brincadeiras com todas as coisas e com todas pessoas . Porem sempre com alegria e respeito . Entre estes grandes bebedores noturnos destaco com saudades : LuizVicente de Sylos , Francisco Bonilha , Luiz Tambelini e o “Veludo”Pompeode Toledo . Eram nossos “ Reis Voláteis das Noites Paulistanas” . Cheios dehistórias vividas que ficaram conhecidas e famosas . Uma delas : - Em um fim de noite no alto verão , muito quente , navolta da cidade, paramos para tomar um refrigerante , obviamente diretamenteno gargalo , no tal “Bar da Morte” , como sempre muito sujo . “Veludo” Pompeu aproveitou a parada e pediu um sanduíche de filécom queijo. Nisto foi lembrado , como gozação , que aquele sanduíchedeveria vir repleto de “coliformes fecais”. Não teve duvidas e respondeu ,mordendo a pontinha do filé que estava de fora do pão : “É , mas oscoliformes daqui são muito mais bem temperados ” . Depois ainda pediu : - “Salta um conhaque .” Justificava a bebidaalcoólica dizendo que já era de madrugada e sempre esfriava um pouquinho ,mesmo no alto verão . Alem do que “mataria de porre os tais coliformes” . As noites de São Paulo sempre abrigavam boêmios alegres quequando bebiam geravam muitas historias , algumas engraçadas . Muitasviraram piadas .
  • 162. “ BONILHA” Dentre estes amigos cabe destaque para Bonilha . Francisco BoscoBonilha era durante o dia um executivo de primeira linha da General Eletric .Depois do expediente tornava-se um dos grandes boêmios desta cidade .Tomava seus uísques no final da tarde e depois saia pela noite , bebendo umpouco mais . Tinha uma resistência incrível , pois logo bem cedo , sem falta ,já ia trabalhar.Nunca faltava nem atrasava . Uma madrugada o encontramos no “Nick Bar” . Estava alegre ,brincando com todo mundo , contando piadas . Mas estava pra lá de alto .Começava perturbar e poderia dar trabalho . Precisava ir para casa ,poisestava caindo . De sono e de tanta bebida . Falamos com ele e , com muitojeito , o levamos até um táxi , sempre encontrado estacionado na porta . Foi deixado sentado no banco de trás . Demos ordem ao motoristapara levá-lo para onde ele pedisse . Alguns minutos depois o motorista voltou e disse que não erapossível leva-lo para lugar algum . Perguntei por que não . Ele respondeu que , cada vez que solicitavapara onde ele iria , ou qual o seu destino , recebia sempre uma única e mesmaresposta : “ Jamais saberás” ! De outra feita estávamos em um grupo na Boate Oásis . Derrepentelá chegou, muito “mamado” , bem no fim da noite , nosso querido Bonilha.Vinha trombando com as cadeiras . Até que tomou assento na mesa ondeestávamos com Manuel Mendes , seu irmão Ciro Mendes e o velho amigo CidIpiranga . Logo depois sentou e ficou resmungando meio alto . Quandoperguntado qual a razão , foi respondendo : -“A mulherada da noite esta cada dia mais burra...” Fez um intervalo na sua explicação , chamou o garçom e disse :“Quero minha garrafa especial . Preciso de uma “Entradeira”. “Saideira”...nunca” ! Então , com aquela sua voz rouca de trombone , continuou : “ O problema foi o seguinte ... Na hora de pagar a madame puxeium cheque e o fui preenchendo . No valor exato que ela pedira . Quando fuientregar o tal cheque, que era o ultimo , a jovem reclamou . Dizia que partedo preenchimento escrito tinha ficado fora do cheque . Que ficara escrito nocriado mudo. Disse que assim meu cheque não valeria nada !” . “Fiquei puto ! Meu cheque sempre teve valor . Sempre !...” Quando alguém ia começar explicar porque o cheque poderia nãovaler ele foi dizendo : “Éra só aquela idiota levar o cheque com o criado mudo ao banco”.
  • 163. “NICK BAR” O primeiro clube noturno que freqüentei com maior continuidadefoi o “Nick Bar” . Ficava ao lado do Teatro Brasileiro de Comédias , lá na RuaMajor Diogo. Ao mesmo tempo que Ciccilo Matarazzo e Ziembisky cuidavamdo teatro , Joe Kantor montou aquele bar pequenino . Como diz a canção ,gravada por Dick Farney, e que levou o nome de “Nick Bar” : “ Foi neste bar pequenino...onde encontrei meu amor ..., noites enoites seguindo ... vivo curtindo uma dor ...” Era um lugar muito agradável . Local de encontro de intelectuais , deartistas do teatro , de gente da sociedade . Principalmente aquelas de teatro ,pois terminado o espetáculo muitos artistas do TBC paravam muitas vezes noNick Bar. Para jantar ou jogar palavrinhas , também chamado de jogo do“Mexe-Mexe”( estava na moda ) . Ali sempre foi o melhor lugar para um bombate papo na noite. Também ali era feito um “Picadinho no Molho” , comarroz , milho verde , ovo frito , banana frita e farofinha . Foi insuperável . Jose Maria era o pianista de primeira . Atendia todo pedido . Alem do mais sempre simpático , sempre alegre , . Uma vez , quando deu uma paradinha para descansar , o nossoquerido amigo Flavio Cayubi , que gostava de piano e tocava razoavelmentebem como amador , tomou conta do instrumento e ficou tocando sem parar . Depois de dez minutos , um senhor chegou ao seu lado e perguntouse ele atendia pedidos . Flavio respondeu : “Claro”. E o senhor então pediu : “- Pode parar ...”. Quem conta este fato dando risada é meu cunhado Zéca Leal . Muitos amigos gostavam de ir ao Nick Bar :- Sergio D’Avila ,Sivinho Abreu , Zé Alfredo Galrão , Arnaldo Paiva , Caio Kiehl , Luis CarlosJunqueira , Celso Lara Barberis e principalmente Mario Sergio . Naquele tempo Mario Sérgio era artista da Cinematográfica VeraCruz e tinha acabado de filmar , como galã , “Caiçara”. Ele ficava muito a vontade com o pessoal que trabalhava no teatro eno cinema . Eu gostava de ir com ele , pois era conhecido de muitas moçasque tentavam um lugar como artista ou como “ponta” para cinema . Eramsempre bonitinhas e com o andar da noite e uns drinques ficavam muito maisinteressantes , tornando-se companhia muito agradável .. Muitas vezes lá encontrei Abílio Pereira de Almeida . Era umafigura muito querida do Paulistano e da sociedade paulista , principalmentepor suas peças de sucesso . Lembro bem de “ Moral em Concordata”. Fui amigo de seu filho , hoje sumido do Paulistano .
  • 164. Lembro ainda que Cacilda Becker e Cleide Iaconis passavam semprepelo o Nick Bar . Elas e outros grandes nomes femininos do meio artístico daépoca como : Ilka Soares , Marisa Prado , Tonia Carrero , Eliane Lage eInesita Barroso . Todas muito lindas . A única que ainda vejo algumas vezes é a “Vovó Inesita Barroso” ,lá no bar da piscina do Paulistano . Até hoje não sei porque , depois de tantos anos , foi fechado aquelelugar . O Nick Bar acabou . O TBC ainda continua . Nick Bar deixou saudades pois era realmente a boate mais“inteligente” que conheci .Isto pelas pessoas que o freqüentavam . “O BIXIGA” Com nossas idas ao “Nick Bar”, que como já disse ficava no Bairrodo “Bixiga” ( Bela Vista) , acabamos descobrindo as cantinas e pequenosbares existentes naquela região . Eram locais freqüentados por boêmios , poetas , escritores ,compositores e músicos profissionais . Todos aqui de São Paulo . Ali tudo era muito mais simples e bem menos sofisticado . Cantinascom suas maravilhosas comidas italianas , principalmente os antipastos .Guardo até hoje seus deliciosos sabores na lembrança . Recordo ainda de uma padaria italiana que , quando voltávamospara casa no raiar do dia , perfumava a madrugada com cheirinho típico ecaracterístico do pão fresco italiano . Era impossível não levar um daqueles pães . A padaria ficava pertoda “Saracura de Cima” . Não muito longe da “Saracura de Baixo” . Hoje esteslocais praticamente tem outros nomes e o futebol que por ali se jogava nãoexiste mais . No Bixiga , junto com Caio Kiehl , Junqueira , Mario Sergio e “BigBob” Mauro Garcia , Otto Bendix e tantos outros amigos , conheci muitosdaqueles “donos da noite” . Adoniran Barbosa e os integrantes dos“Demônios da Garoa” fiquei conhecendo naquele barzinho que ficava perto doTeatro Paramount , lá na Brigadeiro e que , naquele tempo , antes de pegarfogo , pertencia a Televisão Record . Conheci os legítimos representantes do Bixiga : - Plínio Marcos ,Jorge Costa , Germano Matias ,Toniquinho e Tonicão , Geraldo “Filme” e“Pato N’água” ( Diretor de Bateria e uma “briga tamanho família” ), bemcomo muitos participantes e compositores na Escola de Samba “Vai Vai”, ...lá pelos bares que ficavam na região . Várias vezes , naqueles pequenos bares, típicos do bairro ,tomávamos umas cervejas juntos com aquela gente simpática . O interessante
  • 165. é que todos por ali falavam , mesmo os pretos brasileiros que lá residiam ,com um leve sotaque italiano . Influência da colônia que por ali inicialmentese instalara e por conta ainda de alguns italianos que por lá ainda viviam . Uma noite apareceu , em um daqueles barzinhos , um negão alto eforte , aparentando mais ou menos 50 anos . Muito simpático . Não tenhomais certeza de seu nome . Poderia ser Pingo ou Dingo . Não sei ao certo .Ficamos conversando e ele aproveitando para contar histórias acontecidas noBixiga . Bebia saboreando realmente cada gole . Depois , ainda conosco , recebeu contínuos pedidos dos seusconhecidos para que interpretasse a “Uma Noite no Bexiga” . Depois de ficarsorrindo algum tempo não se fez de rogado , recitou uma história em versos ,de autoria do grande poeta Paulo Vanzolini (Também compositor de músicasde sucesso , tais como : “Ronda” e “Volta por Cima” ). Para declamar ele se transfigurou . Na realidade deu um verdadeiroshow de interpretação que nunca mais esqueci . Ficamos aplaudido muitotempo . Ele sorrindo de felicidade . Quando retornou para nossa mesa pedi aletra daquela poesia que leva por titulo : - “Pelas Ruas do Bixiga” . Ele puxou umas folhas de dentro do paletó e ali mesmo ganhei acópia daqueles versos . Ele informou que não teria problemas . Seria umprazer . Já os conhecia de cor . Tempos mais tarde tomei conhecimento que Bibi Ferreira fez grandesucesso declamando em teatro aquela obra bem paulistana do Paulo Vanzolini. Li e reli inúmeras vezes a tal poesia durante muitos anos . Era umretrato bem paulista do pessoal do Bixiga . Com o tempo ficou em minhamemória , por ser muito diferente e muito ter do aspecto regional da minhaterra . Por isto mesmo , por representar o Bixiga muito bem , vou tentarreproduzi-la ( somente o primeiro e o ultimo verso) do jeito que lembro . Paulo Vanzolini que perdoe as minhas possíveis falhas natranscrição , pois o original já perdi , desde muitos anos. “Pelas Ruas do Bexiga” Tava num dia azarado ... Meio bebido ... mamado Querendo puxá briga Lá prus lado du Bixiga Quando inscutei uma orquestra . Taquei meu “pincenes” I sai apercurando a festa . Num custei nada incontrá ! Mais só pra mi atrapaiá
  • 166. Na porta tinha um letreiro Ingressu : Quatru cruzeiro ...! I eu tava zero di vento . Mais gostei du movimento I pensei cá minha cabeça : Vô pô u corpu pra dentru ! ...Ali despois começô a disparada ... Descemus as iscada in treis pulo Pulemus uns cinco véio muro Corremus quatro quadra qui parada , Dispois paremus pra arrespirá ...! Foi quando a morena alembrô di aperguntá : “ Cabo Véio ...qui horas qui são ? Sei lá ... era treis i trinta quando dei arteração ...! “Xi ... quem mi vê contigo assim Que qui vai pensá de mim...? ” Ri com a bossa da minha santa Bem no fundo da garganta ... I discutindo nossa briga Sumimus na madrugada Pela ruas do Bixiga ... Nunca deixávamos de ir ao Bixiga , mesmo que fosse só para jantare neste caso , para variar , comer perna de cabrito assado , com salada dealface “Laetuga”. As vezes nossa Turma do Paulistano era grande e ficavadifícil encontrar pernas de cabritos para 10 esportistas famintos . Mas semprese dava um jeito , dividindo uma perna com o companheiro que estava comágua na boca . “FESTAS DO FANTASMA” Na Rua Itambé , nos idos de 1956 , bem em frente do Mackenzie ,existia uma casa muito velha . Estava mesmo caindo aos pedaços , sem portase com um buraco no teto . Sobrara só uma parte do 1º andar. Então nossos amigos do Paulistano da Turma de Arquitetura doMackenzie , aqueles que todos os dias por ali passavam , resolveram que erao local ideal para realização de uma festa . Não uma festa qualquer , mas a “Festa do Fantasma”. Faríamos uma festa de fantasias . A primeira “Festa do Fantasma”.Seriam arrecadados com os amigos valores necessários para comes e bebes ,
  • 167. para música e decoração . Naquele tempo uma festa naqueles moldes era umespanto , fora de qualquer padrão . Mas quem convidaria para tal festa ? Depois de algum tempo ficouresolvido que o “Casal Maldonado da Cunha” fariam as vezes dos anfitriões .Quem eram os Maldonados da Cunha ? Como dizia o Bonilha : “Jamais saberás...” Na realidade nunca existiu , mas todos os convites foram impressosem seu nome . E distribuídos devidamente . (Guardo um deste convite delembrança até hoje ). Ficou acertado que não seria festa para mocinhas da sociedade ,acompanhadas pelas mamães . As convidadas e homenageadas seriam :nossas conhecidas na noite , algumas outras que gostavam de programasdiferentes , coristas do teatro rebolado e outras interessadas ... Realmenteseria uma festa fora dos padrões normais para aquele tempo . Interessante é que , quando souberam da tal festa , algumasdesquitadas mais alegres e algumas estudantes da antiga Faculdade deFilosofia , que ficava perto , insistiram em ser convidadas . Diziam que comas mascaras e fantasias , escondendo personalidades , escondiam tudo mais . O grupo organizador ,que era liderado por Danilo Penna , SérgioD’Avila , Mauricio Soriano , Alberto Botti , Arnaldo Paiva , Didi Guidotti eMark Rubin , começou a trabalhar . Arrecadaram- se os recursos necessárioscom os amigos que participariam da tal festa . As paredes internas forampintadas com motivos fantasmagóricos e decoradas com bolas de gás . Tudovisando esconder a sujeira . Alugou-se um “Caixão de Defunto , devidamentecolocado em um canto da sala” . O gelo seco cuidaria de fazer muita neblina .A música eletrônica viria via baterias , pois eletricidade não existia . Como a casa não tinha luz elétrica foram usados alguns lampiões emuitas velas . Eles mostraram que teríamos uma luz muito fraca . Iria ficarbem escurinha aquela festa . O ambiente ficou apropriado para uma “Festa de Fantasma” . Na tarde do dia marcado , uma sexta feira de Agosto , fomos buscaras bebidas e sanduíches . Ao anoitecer colocamos varias cruzes pintadas debranco nos jardim da frente . Quando escureceu , um pouco antes do início dafesta , foram acesas , naquele mesmo jardim , quase 100 velas brancas . A casa ficou estranha , parecendo mais um estranho velório . Quem passava pela rua , em frente da casa , até se benzia ou fazia osinal da cruz . Por volta das 21 horas os convidados e convidadas começaram achegar . Moças que não tinham convite podiam entrar . Homens não !
  • 168. Vinham todos fantasiados de múmias , bruxas , de corcundas ,dráculas e de tudo que podia ser estranho. Quem não tinha fantasia colocavaum lençol na cabeça , amarrado no pescoço , deixando apenas o rosto de fora .Os lençóis eram de todas as cores e de todos tamanhos . Deram um ardiferente naquela noite . Quando se olhava aquele conjunto de fantasiados , bebendo edançando com os lençóis girando no ar , no meio da penumbra , ao ladode um caixão de defunto , na neblina provocada pelo gelo seco e das velasacesas tínhamos impressão que realmente era coisa de outro mundo. A alegria tomou conta de todos . A festa foi um tremendo sucessoque só terminou quando o dia de sabado estava com o sol surgindo . Todomundo estava no mínimo meio de pilequinho . Problemas normalmente surgiram com alguns rapazes da “Turma daBarão”que pretendiam furar nossa festa . Apesar das brigas os penetras nãoentraram . O sucesso da festa muito comentado por vários dias ,principalmente na noite da “Paulicéia Desvairada” ´- como dizia aquelecronista conhecido .. Aquele tipo de festa abriu possibilidades para realização de outrasdo mesmo tipo . Toda vez que descobríamos uma casa , para vender ouabandonada para futura construção , dávamos uma boa gorjeta para o vigilantee surgia a mais “Nova Festa do Fantasma” , promovida naturalmente pelo“Casal Maldonado da Cunha”. Uma delas ocorreu em Higienópolis , bem atrás do Colégio Sion .Como a barulheira era muito grande , pois até orquestra havia sido contratada ,as freiras do tal colégio reclamaram com a policia . Não deu outra . O investigador que lá chegou com outros policiais ,por volta das duas da madrugada , achou a festa maravilhosa . Só queria saberquem era o responsável pela sua realização . Com o aparecimento doresponsável a festa poderia continuar. Mas como o “Casal Maldonado daCunha” nunca poderia estar presente ele foi obrigado a acabar com a festa . A Última “Festa do Fantasma” que realizamos aconteceu em 1963,na casa do Luiz Carlos Junqueira . Era uma casa enorme , com enorme áreaverde e arvores , situada no Jardim Paulistano . Seu pai a colocara para vendae estava vazia . Não houve duvidas. Iria acontecer mais uma festa daquelas . Caio Kiehl , Bob Mauro Garcia , Otto Bendix , Luiz CarlosJunqueira e Zizínho Papa cuidariam da arrecadação dos recursos , daorquestra , dos convites e das compras . Eu fiquei encarregado da decoração .
  • 169. Tudo deu muito trabalho . O tempo para sua realização derrepenteficou pouco pois a casa já estava praticamente vendida . O jeito foi acelerartudo . A luta passou a ser contra o tempo . Ficamos sabendo que a repercussão para os convites foi enorme .Todos queriam participar . Distribuímos 300 convites somente para mulheres . No dia da festa a decoração fantasmagórica havia ficadointeressante. Tinha de tudo . Morcegos pendurados no teto , um grande Budade gesso pintado de dourado com velas ao lado , caixão de defunto comdefunto , guilhotina com cabeça caída ao seu lado , teias com enormesaranhas , uma forca com seu enforcado e muita fumaça de gelo seco . Ailuminação foi feita apenas com pequenas lâmpadas roxas e vermelhas quepiscavam lentamente . Assim deixavam momentos de pouca luz e momentosde escuridão , que não era total graças as velas acesas colocadas junto aocaixão de defunto . No meio disto tudo muitas mulheres bonitas , profusão de fantasiasexóticas , mesas com baldes de gelo e suas champanhes , garrafas de uísque euma pequena orquestra . O conjunto como um todo era de bonito e exótico . Quando a festa tomava embalo deu para perceber que muitas garotasconhecidas , vestindo mascaras e fantasias para esconder suas identidades ,estavam presentes. Era um sinal dos tempos , mediante advento da pílula anticoncepcional . A mulher realmente começava se libertar sexualmente . Depois que a festa começou a pegar fogo , pois a maioria dosconvidados já havia chegado , tivemos um problema . Por causa dele , Caio ,Junqueira e eu , fomos obrigados a sair da casa , irmos até a rua e dar algumaspancadas nos penetras da “Turma da Barão” . Estavam perturbando a entrada da festa e precisavam ser contidos . Na volta daquela confusão , no escuro , ao pular o muro para nãoabrir o portão e ver penetra tentando entrar , cai com o pé em cima de umatorneira do jardim . Doeu muito o calcanhar . Tomei vários analgésicos mascontinuou doendo a noite toda . Fui obrigado a dançar somente na ponta do péesquerdo . Meio manco . Mas a festa continuou até o dia raiar . Foi um sucesso . Ficou nalembrança . Somente pela manhã do outro dia é que fui procurar um médico . Quem me levou foi o Big Bob Garcia que estudava medicina . Então tomei conhecimento que havia quebrado um tal de “ossocalcâneo” . Continuei manco por mais de três meses . TIRO NO LAMPIÃO Quando não tínhamos melhores programas aparecia sempre um jogode dados denominado “Crepe” , também chamado de “Seven Eleven” .
  • 170. Ele ocorria na Rua Honduras , debaixo de um lampião , do outrolado onde fica a porta principal do Paulistano , sempre depois da 22 horas . Noclub este jogo era proibido . Então apareciam , entre outros , nossos três amigos da famíliaDaccache , Paulinho Fleury , Duva , Luiz Fernando Ribeiro da Silva , LeoBergman , Fernando Pondé , Belmiro Dias , os irmãos Coutinho , CésarGiuliano e seu irmão “Ratinho Giuliano”, Léo Berman , Junqueira e muitomais conhecidos que por ali passavam . Jogava quem tinha vontade . Lembro ainda que muitos jogadores decarteado , quando saiam do clube , também paravam para experimentar asorte com os dois dadinhos . Principalmente aqueles que haviam perdido nascartas . Caso algum carro da policia passasse pelo local os dadinhos eramjogados para o jardim da casa em frente . Sumiam . Pois bem , em uma noite que estávamos fazendo hora para início dojogo de “crepe” , lá na sala de sinuca do clube , recebi um telefonema do CaioKiehl . Falava da casa do Vicente de Sylos . Foi dizendo : “ Edu , estamos precisando de você agora .Agora ! Um grupo depessoas esta tentando invadir a casa e se conseguirem vão quebrar tudo . Estão em numero de seis , alem de um “Leão de Chácara” que veiojunto . Perguntei a razão e Caio informou :- Vicente tinha tomado um dosseus pilequinhos e feito das suas palhaçadas em uma casa de família ,justamente com as irmãs daqueles que agora estavam ali no portão da casa .Os namorados das duas também vieram . Disse que a coisa estava feia . Lá no Paulistano , naquele momento estavam somente o CésarGiuliano , seu irmão “Ratinho” e Paulinho Fleury . Quando contei o queestava acontecendo se prontificaram a ir comigo para casa do Vicente . Para oque der e vier . Naquele tempo a união de nossa Turma do Paulistano ainda existia .Era forte e continua . Fomos até a Rua Haiti onde Vicente morava . Parei o carro naesquina e chegamos a pé até lá . Avistei aquele pessoal perto do portão da casa . Logo reconhecitodos . Eram meus vizinhos do Jardim Paulista . Moravam na rua de trás , aGroenlândia . O “Leão de Chácara” também era conhecido , pois eu haviaganho dele no “braço de ferro” em um barzinho , lá pelos lados de Pinheiros .
  • 171. Ficou mais fácil conversar quando cheguei até eles . Perguntei arazão daquele movimento . Recebi como resposta que Luiz Vicente haviacometido gracinhas e grosserias com suas irmãs e namoradas , em uma festa. Isto eles não iam aturar . Dei razão e comentei que , se realmente o fato aconteceu , LuizVicente faltara no trato com as moças . Depois fiquei tentando acalmar osânimos . Disse ainda que aquela briga só poderia trazer problemas para ambosos lados. Não faria bem para ninguém . Durante aquele tempo todo César Giuliano , seu irmão e PaulinhoFleury ao meu lado . Quietos mas demonstrando firmeza . Foram ótimos . Por fim consegui convencer aquele pessoal que a melhor soluçãoera levar Vicente para pedir humildemente desculpas para as mocinhas . Elesconcordaram . Disseram , entretanto, que Vicente não precisava ir até a casa.Não seria bem-vindo . Bastaria pedir desculpas em frente todos que aliestavam . Aliviado entrei na casa , contei o resultado da conversa e falei queVicente teria que se desculpar pela malcriação feita . Ele concordou . Então saímos e fomos ao encontro dos nossos amigos e daquelesrapazes . Lá chegando Vicente pediu muitas desculpas e solicitou que asmesmas fossem transmitidas para suas irmãs . Pediu ainda que sua falta fosseperdoada pois ele reconhecia que estava errado . Muito errado . Aquele pronunciamento agradou e acalmou todos . Até aquele momento Caio estava quieto . Quando começamos nosdespedir ele falou que “Graças a Deus” não foi necessário violência , pois ele,por acaso voltando de viagem , estava armado . E caso tentassem invadir acasa seria obrigado a se defender . Então , como todos fizeram cara de desconfiança , até eu , elemostrou um pequenino revolver . O “Leão de Chácara” , depois de olhar a arma na mão do nossoamigo, disse que era apenas um revolver de brinquedo . Caio nem respondeu . Apontou o revolver para o lampião da rua e disparou . A lâmpada apagou e os cacos caíram no chão . Depois só deu silencio ... .
  • 172. “BAILES DE FORMATURA e OUTRAS FESTAS” Edu Marcondes “Furar os Bailes de Formatura – Suas brigas ” - “Calcinhas”- A Brigaque não aconteceu – “Margarida Engomada”- A Turma da Barão - UmJeito Diferente de Ser : Oswaldo Vidigal Alem das festas realizadas em casas de famílias e nos clubes ,existiam no final de cada ano , os tradicionais bailes de formatura . Ocorriamem vários salões da cidade de São Paulo , durante todo mês de Dezembro . Eles eram muito concorridos e a procura de convites acontecia . Naquela época no final de cada ano , durante a noite , praticamentetoda rapaziada somente saia trajando rigor – “Smoking , Summer ou DinnerJack” . Moças , para aquelas festas , usavam vestidos longos . Isto eranecessário para participar daqueles bailes que comemoravam não só o terminode uma faculdade mas também o encerramento do ciclo ginasial ou colegial . Toda escola de gabarito tinha seu “Baile de Formandos” . Cada umdeles com seus formandos e suas famílias respectivas , sempre ocupando umamesa posta ao redor do salão. No meio desta Festividade de Formatura existia uma tradição . AsTrês Valsas de Formatura . A primeira era dançada com o pai ou a mãe doformando. A segunda com irmão ou irmã . A terceira era com namorado ounamorada . Quem não os tivesse deveria arranjar amigo ou amiga para estaúltima valsa . . Nossa Turma do Paulistano sempre recebia convites . Quando nãorecebia o jeito era tentar “furar o baile”, entrando sem convite medianteconversa com porteiros ou arrumando um convite . “ Por vezes especial”. Muitas vezes era fácil quando o mesmo ocorria no salão doPaulistano . Com muito jeito e silencio pulávamos o muro e logoencontrávamos a “fortaleza do Euclides” com mais de 100 kilos demusculatura . Ele era a segurança que ficava do lado de fora da sede . Era umamigão de todas as horas e principalmente das noites de bailes . Durante o diaera ele quem tomava conta do vestiário do tênis . Gostava da rapaziada doclube . Bastava um abraço e lá íamos nós para o baile . Em outros clubes era muito mais difícil , mas sempre arrumávamosuma maneira para entrar no baile . As vezes demorava um tempinho .
  • 173. O “Campeão de Furar Bailes de Formatura” sempre foi o Chiquinho“Foca” Campos . Dr. Francisco Campos como ele hoje gosta de ser chamado . Uma de suas façanhas acontecia quando o baile era realizado do“Homs Clube” . A Entrada Principal do Baile era junto a sede do Clube .Antes desta entrada ficava um comprido e largo jardim , com um portão deferro separando a rua daquela propriedade . Aquele portão junto a AvenidaPaulista estava sempre aberto . Era naquele local , que nunca foi “Portaria doHoms”, que Chiquinho atuava com maestria . Com a maior seriedade se postava junto ao portão , muitoempertigado . Esperava chegar um grupo de pessoas e com a voz impostadadizia : - “Convites por favor”. Ninguém tinha duvidas e todos entregavam seusconvites . Recebiam então do Chiquinho votos de : “Um bom baile” . Enquanto eles se encaminhavam para a portaria verdadeira , onde osconvites deveriam ser recebidos devidamente , Chiquinho saia de fininho dolocal e se encaminhava para longe , onde estavam os amigos . Então eram só risadas , alegria e espera de um tempo para todosseguirem para o baile , com os convites em mãos ... Lógico ! Houve uma ocasião que na mesma postura ele atendeu cincopessoas. Ao solicitar os convites foi informado pelos convidados que tinhamapenas três convites e pediam para ele dar um “jeitinho”, deixando tambémentrar os outros dois , mesmo sem convites . Com a mesma voz impostadaChiquinho disse que desta vez tudo bem ... e mandou-os para a portaria onderealmente o convites deveriam ser entregues . Ainda disse : “... mas que ofato não se repita ! ” E foi embora rapidamente , levando com ele os trêsconvites para os amigos ... - “ CALCINHAS” Um fato diferente e inusitado aconteceu em uma destas festas deformatura à rigor . Foi o único caso que assisti em toda minha vida .Aconteceu na “Casa de Portugal”. Estas festas aconteciam sempre com rapazes de “smoking” e moçasde vestido longo . Então em uma destas festas aconteceu . Jujuba Moreira da Costa namorava uma mocinha que se formavana ocasião . Vamos chama-la de Leticia X . Fica assim combinado ! Letícia !Ele tinha sido convidado para dançar as duas últimas valsas , não só aquelaterceira que era destinada aos namorados mas também a segunda , que era doirmão . Leticia não tinha irmãos . Assim foram os pares para o salão . Quando as três valsas acabaram e os pares se retiravam , não mais doque derrepente , apareceu um pequeno pano branco caído no meio do salão .
  • 174. Um rapaz deu um chute naquele pano tentando manda-lo paradebaixo de uma mesa . Deu o chute mas o tal pano branco , que tinha buracos ,ficou preso no seu sapato . Ele tentou retirar o tal pano , levantando a pernaque mantinha o pano preso . Sacudiu a perna ! Nada se sair ... Foi dando pequenos chutes no ar , mas o pano não saia . O seusapato havia realmente entrado em um dos buracos daquele pano . Depois dealgum esforço conseguiu retirar o pano branco do sapato . O rapaz ficou vermelho pois muita gente estava olhandoatentamente . Mas ele agora estava aliviado . Saiu rapidinho ... Na realidade ele tinha se livrado de uma peça de vestuário feminino. Uma calcinha feminina ! Quando nós olhamos o tal pano , com maior atenção , notamos queera realmente uma calcinha de mulher , muito branca , rendada e de finoalgodão . Foi só risadas . E muitas piadas no meio de muitas conjeturas . Narealidade alguma menina “Perdeu as Calcinhas” ou as deixou cair em plenobaile de formatura . Comentários : Todos possíveis ...com muito riso ! Daí a pouco chegou o Jujuba Moreira da Costa . Inteiramentepreocupado , afogueado e meio nervoso . Chamou os amigos de lado e foifalando muito baixinho . Contou o seguinte : “ Estávamos dançando quando subitamente a “Leticia X” ( assim vaiser chamada para não ser identificada ) foi informando , imensamente coradano momento , que o elástico da sua calcinha tinha se rompido . Ela disse aindaque a dita cuja estava caindo , pois já estava bem abaixo do seu quadril “. Pedi para ela que continuasse dançando , bem devagar , pois a valsajá estava terminando e seria muito ruim para nós dois saírmos naquele instanteem que estava terminando a segunda valsa . Disse ainda que no meio de todos aqueles pares ela , calcinha , nãoseria vista inicialmente . Pior seria se , no caminho de saída, a tal calcinhacaísse na pista de danças , em frente de todos . Caso caísse no salão muito cheio ainda daria para disfarçar . Então continuamos por mais um momento . Logo depois Letíciainformou que estava com a calcinha nos seus tornozelos atrapalhando a dança.Pedi que ela ficasse parada. Apenas fingíamos que dançávamosmovimentando ombros e braços . Desta forma ela teve o tempo necessário .Pisou em um lado da calcinha , então levantou um pé que saiu daquelaarmadilha . Depois com o outro empurrou-a para o lado . Com a calcinha solta no meio do salão , totalmente abandonada ,continuamos valsando até o final ”.
  • 175. Vicente de Sylos ia fazer uma piada mas em tempo puxei a aba deseu paletó . Jujuba estava gostando realmente da tal Leticia . Perguntei apenas onde estava agora seu par . Como resposta Jujuba informou : “ ... Foi buscar em casa uma novacalcinha . Claro!” - BRIGAS NOS BAILES Naqueles bailes de formatura , com muitas pessoas de vários bairrose clubes diferentes , acontecia algumas vezes que dois ou mais rapazes , deoutras turmas , se estranharem com os nossos amigos . Então , quando da saída , sempre na saída do baile , brigasaconteciam . Caso estivessem envolvidos rapazes do Paulistano não tinhamoleza para ninguém . Tudo era resolvido do nosso jeito . Para variar a nossaturma quase sempre era chamado para aquele tipo de “dança” . Naquele tempo brigar era quase um esporte . Brigavam com um adversário . Não com um inimigo . Hoje a moral , com muita gente não paulista , mudou . Agora nãomais se briga . Querem é matar . No nosso tempo , depois das brigas , chegávamos até a conversarcom os adversários e tudo ficava bem resolvido . O máximo que podia sucederera um olho roxo e um lábio inchado para cada lado . A turma do “deixadisto”sempre chegava a tempo . Hoje em dia teria graves conseqüência . O espírito é outro .Atualmente existe muita maldade dentro de muitos. Brigas agora não temapenas aspectos de disputa . Por isto mesmo têm graves e funestasconseqüências . É só ler os jornais . A BRIGA QUE NÃO ACONTECEU Por falar em brigas vou agora falar de uma “Grande Briga” . Não era em um baile de Formatura . A Grande Briga nunca aconteceu . Entretanto foi programada . O que aconteceu : - Maria Rosa Lima Conrado começou afreqüentar o Paulistano e gostou da nossa gente . Um dia resolveu dar umafesta , comemorando seu aniversário, em sua casa que ficava , se não meengano , na Rua Traipú ( Pacaembu / Perdizes) . Convidou praticamente apenas sócios e sócias do Paulistano ealgumas amigas, apesar de ter inúmeros conhecidos na região onde residia .Era sua forma de demonstrar satisfação , pelo acolhimento que teve e tinha noCAP. A festa seria para o pessoal do Paulistano .
  • 176. A turma das Perdizes, conhecida de Maria Rosa , tomouconhecimento da programação daquela festa , para qual não seria convidada .Não gostou nada . Resolveram que iriam acabar com a festa . Hélinho Fuganti que morava na Rua Cardoso de Almeida , não seicomo soube daquela intenção e informou a má pretensão daquela gente . Apesar de ficar preocupada Maria Rosa recebeu nossa garantia quenada iria acontecer , pois que lá estaríamos : “para o que der e vier”. No sábado , antes da festa , nos reunimos no Paulistano poishavíamos resolvido que iríamos todos juntos . Resolvemos que qualquerdesentendimento com a turma das Perdizes , grande por sinal , somenteocorreria fora da casa . No dia marcado , por volta de oito e trinta , partimos em várioscarros . Lembro bem que lá estavam , entre outros mais , Roberto Claro , OttoBendix , Hélio Fuganti , Caio Kiehl , Luiz Carlos Junqueira Franco , LuizVicente de Sylos , Sergio Machado de Lucca , Fritz Dórey, Urbano Camargo ,Ulisses Paes de Barros , “Veludo” , Candido Cavalcanti , Dácio RagazzoHélio Fugantti e Alcyr Amorim . A casa era muito bonita , com lindo jardim e grande pátio interno,ligado a parte social , própria para festas . Um conjunto , com piano , bateria e contrabaixo , já começara atocar quando chegamos . Alem disso encontramos muitas moças que até entãodesconhecíamos . Bom para ver e paquerar . Como a noite era de luar a festa prometia muito . Mal ela começou e subitamente todas as lâmpadas da casa seapagaram . Pensamos que era um corte de luz momentâneo . Os donos da casaacenderam algumas velas esperando o retorno da força elétrica . Cinco minutos depois um vizinho veio informar que um carro , coma placa coberta , chegou até o poste da esquina . Os ocupantes do carrodesceram , passaram uma corda por cima dos fios elétricos , amarraram aspontas da corda no pára-choque traseiro do veiculo e foram embora . Com istoos fios se partiram e não mais existia luz em todo quarteirão . Com os telefonemas para Light , contando o ocorrido , tivemosinformação que a força somente poderia voltar no mínimo em três horas . Maria Rosa , meio chorosa , achou que sua festa estava acabando . Não estava . Iria apenas começar . Saímos em busca de velas naspadarias, empórios e mercados da região . Tivemos sorte pois aquelesestabelecimentos, ainda abertos , fechariam logo depois , por volta das 22/23horas . Em pouco tempo tínhamos um monte de velas , de todos os tipos, detodas as cores e todos tamanhos . Velas para durar até o amanhecer .
  • 177. Como naquele tempo os instrumentos do conjunto não eram elétricosou eletrônicos , música não faltaria . Então pela primeira vez participamos de uma festa à luz de velas . Somente com luz de velas . Tudo por ali ficou muito mais bonito eromântico . Dançar no pátio sob luar e ao brilhar daquelas pequenas luzes foiencantador , principalmente porque foi possível dançar bem mais juntinhonaquela linda e encantadora penumbra . Alem do mais com músicas bem românticas . Estava começando aBossa Nova que tinha imensa aceitação . Ali conheci Julia que foi meu parsomente naquela festa. As mocinhas ficavam mais bonitas na pouca luz difusa . Julia erauma encantadora ruiva de olhos verdes que adorava músicas românticas .Pediu para tocarem “ Dancing in the Dark”. Era uma música românticaamericana. Ficamos todo tempo esperando uma reação daquela turma dasPerdizes . Ela não veio . Tudo foi muito bem durante a festa . A luz de velas deu um toque especial , até mesmo durante o jantar .Realmente agradável . Quando a eletricidade voltou , por volta das 2,20 horasda madrugada , algumas lâmpadas que estavam ligadas se acenderam masforam logo apagadas . A luz de velas continuou manter a gostosa penumbra . Foi uma linda festa . Melhor ainda : tranqüila . A briga programada não aconteceu . “MARGARIDA ENGOMADA” Pelo meio do ano de 1958 apareceu uma sócia nova no Paulistano .A mocinha pertencia a tradicional família dos novos ricos – muito ricos , dofamoso ramo : “Não sei quem são ...” porem gente muito boa . Era até bem bonitinha. Vinha sempre muito arrumada ,impecavelmente vestida . Entretanto , tinha muitas “frescuras” e era umtanto “snob”. Gostava de falar somente sobre coisas inúteis e fúteis . Discutiasempre que tivesse um leve conhecimento do assunto . Gostava de ser a“Dona da Verdade” . Mas era boa pessoa . Não ia para piscina para não queimar sua pele Não praticavanenhum esporte . Foi tachada de “chata” . Para não revelar nomes, o que nãointeressa agora , vamos chamá-la de “Margarida” . A turma não perdoava e depois de algum tempo deram-lhe o apelidode “Margarida Engomada”. Por sorte , sempre me dei bem com ela e em um chá dançante doclube ficamos juntos na mesma mesa , conversando e dançando. Então agozação passou para meu lado . A turma brincava dizendo que eu estavaquerendo “dar o golpe do baú” .
  • 178. Quando Setembro chegou ela anunciou que iria comemorar seuaniversário com uma grande festa em sua casa . Resolveu também que nãodevia e não iria convidar a grande maioria do pessoal do Paulistano , pois elesviviam mexendo com ela . Disse ainda que iria convidar quase todos seusamigos e amigas do Jockey e de outros clubes . Por mais que eu e outros mais chegados , que havíamos sidoconvidados , explicássemos que aquilo não era bom e que mudasse de idéia ,ela não cedeu , nem mudou de opinião . Assim foi feito e poucos amigos do Paulistano receberam convite . Era sua vontade e seu direito . A Turma não perdoou a discriminação . Nos dias que antecederam afesta foram pegando , onde encontrassem , principalmente durante amadrugada , todas as faixas e cartazes de propaganda . Eram Faixas com dos dizeres possíveis e propagandas incríveis .Pegaram todos demais anúncios e faixas comerciais que foram encontrando .Guardaram e esperaram . No dia da festa , quando o dia estava raiando , no final daquelamadrugada silenciosa , foram até sua casa e nos muros baixos, no terraço e nafachada colocaram todos aqueles cartazes e faixas . Não perderam tempo e tiram todas as fotografias possíveis . Neles podiam ser vistos anúncios , tais como : “Breve Açougue -Carnes Finas”- “Liquidação para entrega do Prédio” – “Aproveite nossosPreços de Ocasião”- “ “Vende-se ou Aluga-se”- “Oferecemos os MelhoresEmpregados”- “Aqui Refeições Comerciais a Toda Hora” . Como naquele tempo as casas residenciais não tinham guardas evigias , nem segurança , ficou fácil colocar todas aquelas faixas e esperar o solnascer para tirar aquelas fotos . Tiraram realmente muitas fotos da casa com todas aqueles anúncios.Fizeram em seguida muitas cópias das mesmas No mesmo dia da festa estas fotos já circulavam pelos clubes de SãoPaulo . Depois , na noite da festa , quando da entrada de convidados , pagarammoleques para ficar distribuindo tais fotos . Margarida demonstrou muita calma quando soube das fotos e viu oque acontecia . Depois nem comentou o fato . Manteve a calma , o que foi bom . Com o tempo o fato esfriou .
  • 179. Margarida continuou na sua vidinha no Paulistano sem aparentarraiva ou preocupação . Entretanto , meses depois , a sorte pregou uma grandepeça em Margarida . A “Feira do Automóvel” , em seu início , acontecia de forma meioprecária em um Pavilhão no Ibirapuera . Arranjos e pequenas obras eramrealizadas para possibilitar tal evento . O local para estacionar os carros dos visitantes naquela Feira era umdescampado , cercado por grama e mato ralo . Mais mato que grama . Pois bem , numa sexta feira , no começo da noite , um grupo demoças e rapazes , comandadas por Vicente de Sylos e Luiz Carlos Junqueira ,resolveu ir a Feira do Automóvel . Junto deles lá se foi Margarida . Chegaram e estacionaram. Começaram descer dos carros ederrepente se ouviu um gritinho . A voz era de Margarida . Mas onde estava ela ? Tinha sumido . Todo mundo procurando nomeio da semi escuridão do começo da noite . Ouviam seus gritinhos , mas nada de encontrar Margarida . Depois de alguns minutos descobriram que Margarida . Ela , aodescer do carro no escuro , não reparou que , ao lado da porta que lhe davasaída , existia um enorme buraco . Grande mesmo ! Desceu do carro e caiu lá no fundo de uma “Fossa Negra” , abertatempos atrás . Cheia de água e com muito uso por operários . Foi abandonadaaberta , depois do termino das reformas do local , onde montaram a tal “Feirados Automóveis” . Com a pressa de entregar a obra esqueceram de fechá-la direito. Com algum esforço Margarida foi retirada do buraco . Saiu , mas estava um horror , pois a “Fossa Negra” estava repleta defezes e de água imunda . Saiu molhada e cheia de merda por todos os lados. Fedia por todos os cantos . Dava pena somente de ver ( fóra asrisadas abafadas pois a cena era realmente trágica- cômica ) . Foi levada para casa . Não tinha mais jeito . No outro dia , com todos sabendo do fato , mudaram o apelido deMargarida . Não era mais “Engomada”. Passou a ser “Margarida Adubada” . Hoje não sei mais quase nada da Margarida . Só que casou e sumiu . A “TURMA DA BARÃO” Nos anos de 50 se criou , com rapazes de vários bairros , um grupoque se reunia diariamente na rua Barão de Itapetininga . Encontravam-senormalmente em frente do “ Fazano”, que era uma casa de chá muito fina e
  • 180. bem freqüentada pela sociedade paulistana . Ali ficavam para paquerardurante as tardes e sair posteriormente , em grupos , durante a noite . Eram chamados de “A Turma da Barão” . Normalmente , depois deaprontar no centro da cidade , seguiam naturalmente para clubes noturnos , ou“dancings” que existiam em São Paulo . Nem todos trabalhavam e no meiodeles existiam alguns malandros contumazes . Caso tomassem conhecimento de uma festa iam em direção da mesmaem pequenos grupos . Sempre pretendendo “Furar a Festa ”, mesmo se aentrada fosse à força . Muitas vezes acabavam com as festas , Não eram reconhecidos pela gentileza , nem por muito boa educação . Como muitas vezes íamos até o centro da cidade acabamos porconhecer alguns daqueles rapazes . O convívio com eles não era fácil e muitasvezes fomos obrigados a reagir as intimidações que faziam . Eu mesmo cheguei a brigar duas vezes com eles , para não aceitarimposições e provocações . Como me sai bem nas brigas , eles passaram arespeitar um pouco mais . Mas não muito . De uma feita conseguiram entrar em uma festa e , dentro do espíritode baderneiros que eram , colocaram purgante no ponche , trancaram asportas dos banheiros e saíram da festa levando as chaves . Pura cafajestada. Depois , em um outro fim de semana fui obrigado a novamentebrigar com aqueles cafagestes , antes de por aquela gente para fora da casaonde ocorria uma festa . Eles tentavam estragar bebidas e comidas . Ospresentes perceberam e denunciaram o fato . Caio , Luiz Vicente , Luiz CarlosJunqueira , Otto Bendix e eu , fomos impedir a palhaçada . naquele dia osmalandros da barão apanharam tanto que saíram da festa arrastados . Nãoficavam em pé . Soube que no outro dia contavam o fato , dando gargalhadas , comouma grande coisa que tinham realizado . Eles não tinham jeito Gostavam também de esvaziar pneus dos carros que estacionavamnas cercanias da Barão de Itapetininga . Depois ficavam gozando a pessoa queera obrigada a trocar o pneu . Maldade com eles não faltava . Aquelas coisas , e muitas outras mais que agora não lembro , nosaborreciam muito e nos deixavam com um pé atrás . Acontece que , em um sabado de verão , Tozinho Lara como semprerealizava uma “Festa Preta” na sua “Ilha do Sabiá” , lá pelos lados da RepresaBillings. A festa , era destinada para coristas , moças de pouca reputação eoutras de “famílias quase boas” . Na realidade era uma tremenda bagunçaorganizada . Todos conhecidos podiam entrar levando uma garrafa de bebida ealgumas daquelas “mulheres prendadas” . Ninguém pagava nada.
  • 181. Homem sozinho não entrava . Nem mesmo pagando . Pois bem , ocorre que exatamente em uma daquelas “Festas Pretas”alguns de nossa turma estavam presente . Desde a tarde , quando fomosesquiar na represa com o Tozinho , lá nos encontrávamos . Quando anoiteceu chegou a “Turma da Barão” . Eram uns dozerapazes . Alguns eram até conhecidos do dono da casa . A festa estava cheia de gente simpática que só queria diversão. Maslogo a “Turma da Barão” começou aprontar cafajestadas. Queriam aparecer.Tinham certeza que eram os “donos do pedaço”. Assim seguiram durante algum tempo . Então se propuseram a mexer com o Junqueira e com a bonitamulher que estava com ele . O Junqueira quieto . Eles pensaram que ele estavacom medo e , aproveitando um momento em que ele foi buscar uma bebida,puxaram a tal mulher para dançar . Não solicitaram , puxaram . Ela reagiu e ficou gritando . A resposta do nosso amigo foi imediata . Aquele mais engraçadinhorecebeu tremendo muro na cara e caiu de costas no chão . Os outros da Turmada Barão partiram para cima do Junqueira . Pareceu que estávamos esperando . Como um todo a Turma do Paulistano que por lá estava voou paracima deles . Caio , Alcyr Amorim , Luiz Vicente, Otto Bendix e UrbanoCamargo. Outros amigos que estavam fora da casa chegaram depois . Todosdistribuindo pancadas para valer . Cheguei em seguida e praticamente nemprecisei participar . A briga não durou quase nada . Em pouco tempo eles ficaram fora de ação . Num canto do terraço aqueles doze pilantras estavam agoraquietinhos , um deles com o nariz inchado . Repetiam apenas que não tinhamfeito nada . Que tudo era brincadeira . Tozinho , que era muito grande e muitobravo , juntamente com o pessoal do “deixa disso” os obrigou a saírem dafesta , com todo nosso apoio . Na saída deu uns tapas na cabeça de um mais lerdo . Mas muitas dasmulheres que chegaram com eles ... ficaram na festa . Depois disto o Tozinho começou a impedir entrada dedesconhecidos para as festas da Ilha do Sabiá . E para a “Turma da Barão”sempre soltava a cachorrada que existia na Ilha (Eram da raça Fila Brasileiro ). Muitas outras brigas aconteceram com aquela “Turma da Barão”.. Não interessam ! Não vale a pena relatar coisas de cafajestes .
  • 182. - UM JEITO BEM DIFERENTE : OSVALDINHO VIDIGAL Quem gostava de fazer brincadeiras e gozações de todo tipo era“Osvaldinho Vidigal ” . Como era rico , moço , solteiro , com todo tempodisponível , invariavelmente estava aprontando das suas . Entre milhares de histórias a seu respeito contavam que , certa vez ,quando estava suspenso do clube - o “Harmonia”, por alguma das mil razõespossíveis, em um dia de festa jogou milhares de “Alka Seltzer” na piscina doclube . Ela ficou espumando . Isto não vi e não creio que tenha acontecido , pois é quaseimpossível sua realização , por muitas mil razões . Mas ...“ Si non é vero é molto giocoso” Entretanto suas gozações ficaram famosas . A primeira aconteceu lá pelos anos 50 , quando uma sua namoradacomeçou a passar Osvaldinho para trás e finalmente deu-lhe o fora . Daquele dia em diante ele passou a andar com uma galinha debaixodo braço . Era uma galinha amarelada , com uma fita vermelha - cravejada debrilhantes ( pedras falsas ) , amarrada com um laço no seu pescoço pelado .Ele a chamava de “ Tutuca”. Era a galinha mais feia que já vi ! Aonde ia levava o animal de penas com ele . Aparecia nos clubesnoturnos , nas corridas de automóvel , nas praias e lugares onde tinha amigosou era convidado por conhecidos . Como também era bom cliente de casas noturnas entrava com a talgalinha nos lugares pagos . Na casa dos conhecidos , porque era amigo e a talgalinha não fazia mal para ninguém , também entrava .Era motivo de risadas . Quando perguntado qual a razão da “Tutuca” respondia : “- Cada um anda com a “galinha” que quiser . É só procurar . Alemdo mais esta galinha , a “Tutuca”, é maravilhosa . Nunca exige presentes, nemjóias , nem jantares , nem roupas caras , nem festas ... nem nada ! Alem domais é ótima companheira . Não reclama de nada , aceita tudo e fica semprerealmente de “bico calado” . Também a “Tutuca” não fala pelos cotovelos,pois sem duvidas algumas ela não os tem ...” Contam que um belo dia Osvaldinho e amigos resolveram ir para oRio de Janeiro , pois lá estaria acontecendo uma grande festa no Country. Compraram passagens aéreas . Foram para Congonhas . Na hora do embarque lá estava o Osvaldinho com a galinha debaixodo braço . Quando , na fila para entrar no avião , chegou sua vez o problemaaconteceu . Não quiseram deixar entrar a tal galinha “Tutuca” . Então começou uma discussão que não terminava mais . Eleargumentando que a “Tutuca” já entrou e entrava em qualquer lugar . Já esteve
  • 183. nos mais elegantes locais e , como tinha menos de sete anos , não precisavapagar passagem aérea . Tinha até estado na Assembléia . O comissário alegava que , de acordo com o regulamento daCompanhia Aérea , não era permitido que galinha viajasse com outrospassageiros . Com toda esta demorada discussão a fila para entrar no avião ficouparada e aqueles que iam viajar reclamando que o vôo já estava muitoatrasado . Então os amigos do Osvaldinho começaram a gritar em coro : -“entra ... entra ... entra ! Os demais passageiros, cansados de esperar na fila e com pressa deviajar , induzidos pelo coro e querendo resolver a situação engrossaramsimpaticamente o coro do “ “entra... entra ... entra ...! ” . E a Tutuca voou para o Rio de Janeiro . Dizem ... Dizem também que : “Como o carioca é muito alegre e simpáticoTutuca foi um tremendo sucesso , alegrando todo mundo em todos lugares poronde passou”. Parece que foi a primeira “penosa” a entrar e participar de uma festada sociedade naquela cidade . Não fui com ele mas soube da história . Tempos depois , quando o Osvaldinho era encontrado , a galinhaTutuca não estava mais com ele . Perguntado sobre a razão ele ia explicando: “É o tal negócio ... galinha é galinha ... e será sempre galinha !Bastou eu me distrair um pouco e ela fugiu com um franguinho qualquer ”. De outra feita Luiz Vicente foi visitá-lo . Queria saber o que tinhaacontecido em uma “boite” da moda , muito bem freqüentada pela sociedade ,quando Osvaldinho foi barrado na entrada . Chegou em sua casa , deu seu nome e o empregado , logo a seguir ,pediu para que subisse , pois o senhor Osvaldo já o estava esperando em seuquarto. Vicente entrando no quarto viu , colado na parede , bem em cima dacama , um grande cartaz onde estava escrito : “ Aqui Não Se Aceita Reclamação” . Dando risadas Vicente perguntou a razão do cartaz . A resposta foisimples : “Meu amigo ... você não imagina quantos problemas ele járesolveu”. Depois , indagado sobre o que tinha ocorrido na boate , ele foiexplicando : “ Aquela noite a tal boate estava “Programada para Namorados” .Eu que estava sozinho resolvi comparecer com as “primas” que conheci lánaqueles novos “Inferninhos” da Vila Buate” .
  • 184. Elas , que são até bem bonitinhas , no seu jeito próprio de vestir ecom a pintura característica das que vivem a noite , estavam muito contentespor irem em uma boite freqüentada pela alta sociedade . Chegamos por volta das 23 horas e fomos entrando . Quando jáestávamos em frente ao bar fomos barrados pelo gerente e por dois “leões dechácara” . Perguntei qual a razão e o gerente foi dizendo : “ Estas mulheressão de reputação duvidosa” . Então não agüentei e respondi bem alto , para que todos aqueles ,que nos estavam espiando com a cara azeda , ouvissem : -“ São de reputação duvidosa coisa nenhuma. Elas são Putas ! SãoPutas e não de reputação duvidosa ! E são muito reputadas como Putas !Pergunte para elas e terá confirmação ! E tem mais ... De reputação duvidosapode ser qualquer mulher que aqui esteja nos olhando agora , com cara dequem comeu e não gostou . O senhor as conhece bem ? Todas ? Não ...!Então podem ser de reputação duvidosa ... ” . Depois continuou contando o caso dizendo : - “Naquela altura dos acontecimentos os dois “leões de chácara” nospuseram para fora aos empurrões . Aquilo não foi justo . Principalmente umainjustiça quanto a reputação duvidosa das “primas putinhas” . Cortaram semdó nem piedade a diversão tão desejada das coitadinhas . Certamente ficaram frustradas ” . Quando terminou de contar o caso Osvaldinho perguntou se Vicentetinha realmente gostado do cartaz colocado em cima de sua cama . Semesperar resposta continuou dizendo : - “Caso eu fosse Oculista iria colocar em meu consultório um outrocartaz bem grande , onde estaria escrito : - “ Não Conheço o Senhor de Vista ? ” .
  • 185. A NOVA SÉDE DO PAULISTANO Edu MarcondesVisitas a Construção – Amigos na Inauguração – Inaugurando a Piscina-A Foto da Nova Sede – Programas para a Jovem Guarda -A Chegada de Gente Boa – Discutindo com um Mau Caráter –O Casamento de Artur Castilho e Anne Marie Penteado . Em meados de 1953 , se não estou enganado , foi lançada a pedrafundamental da nova sede do CAP , durante uma cerimônia , na qualcompareceram os sócios mais habituais do clube . Os que lá estiveramdeixaram suas assinaturas em ata , colocada dentro de uma urna Na nova sede muita coisa iria mudar , visando adaptação aocrescimento do clube dentro da região e da cidade . A entrada social seriamudada . Sairia da rua Columbia indo para rua Honduras , apesar domonumento erigido para comemorar a excursão futebolística vitoriosa do CAPestar situado em frente à entrada da sede velha. Tal mudança seria necessária ,tendo em vista o volume de transito , crescente dia a dia , que vinhaaumentando na Rua Augusta e nas suas continuidades . O projeto aprovado era muito moderno , espaçoso e até bonito ,dentro de uma concepção tendente ao que poderia ser mais avançado . A únicacoisa negativa de todo projeto , para muitos como eu , era a determinação paraser derrubada da velha piscina , que poderia ser fechada e aquecida . Tambéma velha sede , se não me engano projeto do Ramos de Azevedo ou de um outrofamoso arquiteto da época seria derrubada . Lutamos até o ultimo dia.Prevaleceu o projeto original da reforma global. A velha sede , posteriormentequando conclusa a nova , seria posta para o chão deixando saudades . Muitassaudades até hoje . Bem , logo depois daquela cerimônia da pedra fundamentalcomeçou efetivamente sua construção . Enquanto ia sendo construída aindautilizávamos a velha sede. Quando a estrutura de concreto da nova sede ficou prontatínhamos possibilidades de visitá-la , com a entrada sendo realizada por dentrodo próprio clube . A jovem guarda aproveitava a oportunidade para levar , no finaldas tardes e já sem a presença dos operários , as namoradinhas para“conhecer” a estrutura da nova sede , grande e vazia ..
  • 186. Ficávamos vendo aquela nova sede progredir . Foi ficando vistosa.Logo depois o grande gramado ao seu lado , onde existiam os laguinhos e ospequenos bosques , foi sendo retirado . Foi uma pena pois o local era muitobonito . Porem era necessário . Ali teria inicio a construção da grande piscinanova . Para a época era realmente enorme . Ficava em frente da sede , estandoconjugada com o bar programado para o térreo . No projeto original nemexistia cerca separando o bar do térreo da piscina Lembro bem que quando do termino daquela construção , fuiconhecer , com Pedro Padilha e Paulo Ribeiro, o que estava sendo feito emmatéria de acabamento e decoração na nova sede . Tudo que vi era muito finoe de muito bom gosto . Adorei o Bar do Primeiro Andar que seria decoradoem estilo escocês . Iria ficar , como realmente ficou , maravilhoso . Outrolugar espetacular era a Boite , redonda e com vista para todos os lados ,principalmente aquela que dava para os Jardins , com duas pistas para dançar .Uma das pistas dentro do espaço interno e outra do lado de fora , ao lado deum sensacional jardim suspenso , com peixinhos em um pequeno lago.Aquele lugar , principalmente à noite , permitiria uma linda vista para a cidadeiluminada . Ficaria extremamente romântico . Hoje mudou o terraço com opequeno lago deu lugar para uma área coberta ampliada . O Salão de Festas no segundo andar , com seu pé direito duplo ,um mezanino e dois grandes terraços, um de cada lado , era muito amplo . Na sua parte superior existia um Mezanino com vista para todoSalão No Bar Térreo existia uma Pista de Danças , feita em alabastro eiluminada por baixo . Ficou bem charmosa , principalmente para ser usadaem noites de verão . Tudo naquela construção estava tomando formas combom gosto , extremamente fino e elegante. A nova sede iria atender plenamente nossas necessidades, poisteríamos ainda no primeiro andar : Biblioteca , Salão de Estar muito amplo ,Grande Terraço com mesas que tinham vista para piscina , Salão de Jogos ,salas especiais para Diretoria , e um requintado Restaurante denominado“1900” . No térreo, alem do bar com suas inúmeras mesas , ainda teríamosBarbeiro , Cabeleireiro e uma Sala para jogos de “Snooker” . Hoje em dia muita coisa mudou daquele projeto original . – VISITAS A NOVA SEDE Na véspera de sua inauguração , em um grupo de amigos , fomosdar a olhada final na decoração da nova sede . Agora estava toda pronta , jácom piscina e lindos jardins em sua volta .
  • 187. Caio Kiehl quando avistou a nova piscina disse para PedrinhoPadilha que ela precisaria de uma Inauguração à Rigor . Pedrinho Padilha , como Diretor Social , foi explicando todas ascoisas. Sobraram elogios para tudo que vimos e nos deixaram bemimpressionados . Coube notadamente destaque para as louças que erambrancas no centro , tendo suas bordas em tom vermelho avinhado , frisosdourados e monograma do CAP . Os copos de cristal sextavado tambémtinham monograma do Paulistano . As baixelas e talheres eram de prata . Tudomuito fino e de bom gosto . ( Isto tudo hoje está desaparecido ) A Festa de Inauguração prometia muito , mesmo porque e paratanto já tínhamos conseguido reservar seis mesas , cada uma com oito lugares.Na mesa que eu ficaria , perto do terraço , estariam também Zizinho Papa ,Luiz Carlos Junqueira Franco e Vicente de Sylos e as nossas convidadas . - OS AMIGOS NA INAUGURAÇÃO DA SEDE Naquele 29 de Dezembro de 1957 tomei um banho demorado ,vesti camisa para rigor , dei o laço na gravata borboleta , coloquei minhacalça preta do “smoking” . Depois de algum tempo finalmente vesti o paletódo “smoking”. Na saída dei um beijo em minha mãe e fui para a festacolocando um cravo vermelho na lapela. Lá chegando deixei , conforme combinado , o carro em uma dasgaragens da casa de Roberto Claro . A casa ficava em frente da nova sede. Desde a entrada no clube fui encontrando muitas plantas e floresdecorando tudo , notadamente o Salão de Festas e a Boate . Fui , entre osmeus amigos , um dos últimos a chegar . Na nossa mesa já estavam o ZizinhoPapa , Luiz Carlos Junqueira , Caio Kiehl e Luiz Vicente de Sylos . Cada umjá tomando taça de champanhe que gentilmente Eugenio Amaral oferecera . . Logo depois chegaram nossas convidadas , entre elas a moça queeu tinha convidado para ser meu par . Ao lado suas amigas . Estava lindanaquele vestido branco . Gostou do meu cravo na lapela . Não tive duvida edei para ela a flor de presente . (Por sinal tenho uma foto daquela festa . ComZizinho e ela sentados ao meu lado ). Logo avistei as mesas reservadas para a diretoria . Outras com amigos . Em sua volta muitos sócios e suas senhorasconversando , entre eles : Herman Moraes Barros , os irmãos Doria , ArmandoFerla , Silvio de Magalhães Padilha , Paulo Ribeiro , Adhemar Zacarias ,Eugenio Amaral, Caio Moura , Cajado e Luizinho de Barros e Armando
  • 188. Salem . Com as esposas daqueles que eram casados estava minha grandeamiga Soninha Padilha , elegante com sempre, desfilando seus olhos claros . Em outros vários locais , sempre onde estavam muitas moças , jápoderiam ser vistos : Sérgio e Aloísio Dávila , Alberto Botti , Silvinho Abreu,Luiz Fernando Ribeiro , Didi e Adriano Guidotti , Helinho Fuganti , AlcyrAmorim , Nico Peres Oliveira , Roberto Claro , Fernando Abdon , Eduardo dePaula , Sergio Machado de Lucca , Amedeo Papa , Antonio Duva , SergioCaiubi Novaes , Rachid Jaudi , Eduardo e Marcelo Prates , Carlos RobertoMatos , Adir Villela , Alberto Andrade e muitos outros amigos . A “Novíssima Guarda” se fez presente com toda força ,representada , entre outros , por uma garotada sadia que se não me enganoainda não tinham chegado aos 18 anos : Toninho e Armandinho Salem ,Paulinho Amaral , Luiz Cláudio Calimério , César Giuliano , Acácio “Geléia”Mancio , Sergio / Gilberto / Carlos Daccache , Beto e Osny Silveira , FlavioGuimarães, Chico “Foca” Campos , Dudu Brotero , Fernando Sandoval,Fernando Nabuco de Abreu , Guilherme Prates , Nelson Godoy , TelmoMartins e Farid Zablit. Quase todos com as namoradinhas respectivas . Formavam lindos pares , bem jovens . Cabe aqui destaque muito especial . Naquela época o Paulistano teve uma safra de mocinhas deextraordinária beleza . Talvez , ouso dizer , tenha sido a mais bonita que tiveoportunidade de ver . Eram muitas . E muitas naquela noite estavam presentes,elegantíssimas e alegres , enfeitando de forma espetacular nossa festa . Não lembro agora o nome de todas mas vou destacar : LuizaRibeiro , Consuelo Ciampolini , Regina Coutinho , Maria Alba , Cida Amaral,Iara Silveira e sua prima Márcia Silveira Mello , Liliane Ochialini , Lia eMaria Helena Malzoni , Aparecida Giafoni , minha prima Cândida Marcondesde Souza , Maria Odila Marcondes da Silva , Lucia Helena Corradini , LigiaBrizola , Zaira e Zuleica Zablith , Heloisa Rodrigues Alves Accioly ,Elizabeth Fontoura Frota , Alice Bestermann , Maria Helena Ferrari Costa ,Marilda e Marisa Azevedo Marques , Tereza Salem , Dulce e Vera Serra ,Vera Scaciotta , Marisa Marcondes de Souza , Silvana Cocito ( Nabuco depoisde casada ) e Julia (linda Julinha , cujo sobrenome húngaro até hoje nãoconsegui apreender). Aquela linda safra de moças paulistas , também ocorria noHarmonia , onde encontrávamos muita beleza , entre elas : Estela Arens ,Maria Alice Costa , June e May Locke , Tina Pacheco Chaves , ReginaVazone , Elsie Cunha Bueno , Maria Ignez Whitaker , Maria Helena Fonseca ,Maria Isabel Rodrigues e Sofia Helena Penteado . Algumas estiverampresentes naquele baile de inauguração do Paulistano .
  • 189. Realmente São Paulo naqueles anos apresentou moças de muitabeleza e elegância . INAUGURAÇÃO DE PISCINA : “A RIGOR” Voltando agora diretamente para a Festa de Inauguração do CAP . Tudo estava e continuou perfeito naquela noite quente e de luar .Música , amigos , muitas moças lindas , bom garçons e ótimo jantar . Até quepelas tantas o Caio Kiehl chegou dizendo que fossemos para o terraço, poisiriam inaugurar a piscina . E saiu rapidamente . Todos ficamos curiosos . Lentamente seguimos para o terraço deonde poderíamos assistir o que aconteceria na piscina . Dali a vista era bonitae perfeita . Nem meio minuto depois Caio Kiehl estava entrando na área dapiscina nova . Subiu até o terceiro trampolim ( que naquele tempo existia ),gritou “Aleguá ... guá ... guá ...Paulistano !” e pulou na piscina com casaca etudo mais que estava vestindo. Na saída , ensopado mas alegre , foiovacionado por todos que presenciaram aquela “inauguração à rigor” . O queele havia dito para Pedrinho Padilha foi cumprido . No outro dia foi um “pereréco” para livrar o Caio de umasuspensão. Deu trabalho , pois muitos dos sócios mais velhos gostaram eacharam alegre a iniciativa , mas entendiam que a nova sede não deviacomeçar com indisciplina . Foi criado um impasse . Naquele “pune... nãopune , não pune ...pune” , valeu a força da jovem guarda que conversou muitocom os diretores. Caio não foi punido , somente advertido . A piscina do CAP até hoje , que eu saiba , foi a única em todoMundo inaugurada com traje à rigor . - A FOTO DE INAUGURAÇÃO DA SEDE Na sexta feira seguinte a inauguração , conforme havíamoscombinado , iríamos almoçar no novo restaurante . Em principio éramos oitomas foram chegando mais amigos e a turma dobrou . Estávamos conversandona entrada do clube quando apareceu o amigo “Veludo” com uma máquinafotográfica . Foi dizendo que precisávamos tirar uma foto como lembrança .Todo mundo se ajeitou . E todos saíram sorrindo na foto perfeita . Lá estavam 16 amigos : Luiz Vicente de Sylos , Luiz CarlosJunqueira Franco, Caio Kiehl , Silvio Abreu , Helinho Fuganti , Pedro Padilha,Kiko Campassi , Paulo Ribeiro , Antonio Duva Neto , Luiz Fernando Ribeiroda Silva , Roberto Matarazzo , Roberto Claro , Ricardo Cavalcanti deAlbuquerque , Paulão Viana , Sergio Machado de Lucca e este narrador . Dias depois ganhei uma cópia daquela foto .
  • 190. A vida tem mesmo coisas estranhas . Algumas coincidentes masestranhas . Por vezes bem tristes . Pouco tempo depois “Veludo”, que havia tirado a tal fotografia,faleceu em um acidente de automóvel . E por mais incrível que possa parecerquase todos os demais amigos que estavam naquela foto foram morrendo nosanos seguintes. Não de uma vez ,mas pouco a pouco . Detalhe importante . Amaioria faleceu quando ainda era muito jovem . Um por um , pelas maisdiversas causas . Dos dezesseis na foto quatorze faleceram . Perdi boa partedos meus melhores amigos , aqueles mais chegados . - PROGRAMAS PARA A JOVEM GUARDA Com a inauguração da nova sede , logo no começo , o Paulistanoficou concorrido durante algum tempo . Isto acontecia não só pela afluênciados novos sócios como ainda pela vinda de sócios antigos , aqueles que poucofreqüentavam o CAP . Todos desejavam naquele momento conhecer as suasnovas instalações . Depois de alguns meses , aparentemente sem motivo, todos elescomeçaram lentamente a frequentar menos . O grande espaço de então ,existente em sua área social , começava ficar aparentemente enorme , dando asensação de vazio , pois o numero de sócios de então era muitas vezes menor .Não tínhamos muitos jovens freqüentando a nova sede . Tudo estava muitobonito e funcionando muito bem no CAP . Não existiria razão para aparenteredução na freqüência dos jovens . O problema era simples . O clube havia ficado em sua antigamesmice , que tinha sido boa para a sede velha . Agora ela não mais serviapara suas novas instalações , a qual para o numero de sócios da época eragrande . Nada tinha que pudesse atrair o pessoal mais jovem . A boate ocorriasomente aos sábados , sempre reservada e ocupada por pessoas mais velhas.O salão de jogos era basicamente destinado para pessoas mais velhas . O lindobar do 1º andar foi apelidado de “La Tristesse”. Ali somente algumas mesaseram ocupadas por senhores , discutindo “o não sei que”, no fim das tardes ecomeço das noites . Depois ficava praticamente vazio . O clube estava na realidade com uma mentalidade conservadoraexcessiva . Parecia um clube inglês reservado para “Lordes da EraVictoriana”. Alem do mais , e por isto mesmo , as festas e programações emoutros clubes , principalmente nas duas Hípicas , no Harmonia e Clube deCampo eram sempre muito freqüentadas pelos jovens do Paulistano . Elaseram realizadas para moços e moças . Tinham muito sucesso . Os rapazes do CAP, como não tinham mais nada alem do queesportes para praticar , sem nenhuma programação especial do Paulistano ,
  • 191. começaram a viajar nos finais de semana para as praias de São Vicente ,Santos e Guarujá . A diretoria evidentemente sentia este fato . Em Agosto de 1960 , depois de um grande problema que tive comum diretor do CAP , em um fim de tarde , Pedro Padilha - nosso DiretorSocial, , nos procurou . Estávamos em grupo de dez amigos conversando nobar térreo . Ele expôs o problema e pediu que indicássemos um Representanteda “Jovem Guarda” para fazer parte da sua Diretoria . Este participante naDiretoria Social iria com ele programar uma Série de Eventos para o pessoalmais jovem . Seria necessário e teria todo o apoio possível . Meus amigos , para minha surpresa , indicaram meu nome porunanimidade . Aceitei o convite . Naquela mesma noite nos reunimos em sua sala . Dei minhas idéiasque coincidiam com as do Pedrinho . Eram na realidade as idéias de todos ossócios . Bastava ter apoio e coloca-las em pratica . Em uma coisa somente fiz firme questão : Não bastariam eventosisolados . Era necessário continuidade para criar uma aura de alegria , de festae de programação continua para os jovens . Como conseqüência criaríamos avontade de ir para o Paulistano . Principalmente de forma continua na áreasocial . Pedro discutiu bastante este item mas no fim acabou concordandoplenamente . A primeira coisa que fizemos foi desenvolver um Chá Dançanteque só ocorria as vezes em tardes de domingo .Resolvemos que seria sempreem todo domingo . E não mais terminaria muito cedo . Começaria as 17,00horas e terminaria as 23,00 . Seria realizado aproveitando-se a Pista Iluminadado Térreo e o grande espaço com mesas que ali então tínhamos . O sucesso foi absoluto . Virou programa fixo para todo domingo .Foi aquele evento apelidado de “Mingau Dançante”, pois até jovens de 16anos poderiam participar e dançar . Para o “ Mingau Dançante” não existiareserva de mesas e a entrada era para sócios e convidados. Ao mesmo tempo , ou melhor dito logo depois , criamos a “BoateJovem”. Ela aconteceria toda sexta feira . Teríamos sempre um artista , cantorou cantora de sucesso , como atração . Pedro Padilha ficou preocupado com oscustos , mas demonstrei que a reserva das mesas pagaria o “cachê” do artistae que o consumo crescente absorveria os custos fixos com garçons eempregados . Desde o primeiro dia foi sucesso pois foi permitida a entrada deconvidados . A reserva de mesa começou a ser intensamente disputada . Destaforma muita moça bonita da sociedade paulista e gente nova , que ganhava
  • 192. importância na vida da cidade, começaram a vir para o Paulistano . Alicomeçaram muitos namoros que terminaram em casamento . Cada dois meses aconteceria um Baile no Salão de Festas do 2ºandar . Para este acontecimento teríamos sempre a presença de um artista desucesso , muitas vezes internacional . Como tínhamos muitas mesas , asreservas de lugares , da mesma forma que na boate , pagariam os custos .Desta forma até Samy Davies Junior e Ella Fitzgerald cantaram em nossoclube . Aproveitávamos as “beiradas de suas apresentações” na cidade . Assimo custo ficava razoável Quando chegou o verão realizamos um Baile de Pré-Carnavalescoà Fantasia , com escola de samba e tudo mais . Teve também enorme sucesso,saindo muitas fotos e noticias da festa em todos jornais . Começamos , durante os dias da semana , a levar para o bar do 1ºandar as nossas “paquerinhas”, as namoradas e todas moças amigas .Naquele tempo muitas vezes acompanhadas de amigas , de irmãos , irmãs eaté de tias , pais e mães . Não importava . O que interessava é que aquele barnos proporcionava a possibilidade de mais um encontro . Antes muito difícil .Ali , nas outras mesas , também estariam na mesma forma nossos amigos eamigas . Quem estava sozinho também ia , pois sempre existia a possibilidadede conhecer e paquerar “alguém que acompanhava alguém” . O “La Tristesse”ficou alegre . Pedro Padilha ajudou a implementar os “Torneios de Buraco” eenviamos convites para sócios de outros clubes e melhorando os prêmios . Foium grande sucesso . Lembro bem que certo dia , em um destes torneios ,Jacques Zirles e sua parceira ( depois esposa) Tereza Salem , antes mesmo dacontagem final de pontos, entenderam que não haviam conseguidoclassificação e dando boa noite se foram . Para surpresa nossa eles estavamclassificados . Solicitei que o torneio ficasse suspenso por alguns minutos poiseu iria , com Luiz Vicente , buscar o casal na residência dos Salem que ficavana Av. Paulista . Chegamos primeiro que eles . Pois bem , eles voltaram e foram os ganhadores do torneio . Toda e qualquer das nossas promoções sociais começaram a tersempre muito sucesso . Até mesmo , em um dia em que a boate estava emacertos e concertos , realizamos o que estava programado para ela no“Mezanino do 2º andar” . Agradou , apesar do calor que se fez naquele lugar .A companhia dos amigos e convidados era muito mais importante . Para tanto contávamos com a constante ajuda e colaboração detodos , principalmente do Junqueira , Caio , Luiz Vicente e Duva . Eles
  • 193. sempre diziam para nossos amigos : “ O que você tiver que fazer de bom façasempre dentro do Paulistano”. O apoio de Ricardo Amaral e principalmente do Zé Tavares deMiranda , em suas colunas sociais , divulgando fotos e noticias foifundamental . Minha última participação na Diretoria Social ocorreu comrealização da Festa Junina de 1963 . Aquela ocupação , para ter bonsresultados, necessitava de muito tempo , dedicação e cuidados . Naquela ocasião , eu que já trabalhava como advogado daSecretaria do Trabalho , passei a ser Assessor Jurídico de seu Secretário –Deputado Antonio Morimoto . Além do mais estudava Administração deEmpresas . Tempo ficou coisa muito difícil para se conseguir , principalmentedurante o dia , quando o planejamento e providencias sociais para o CAPnormalmente ocorriam . Falei com Padilha e acertamos que Caio Kiehl iria para meu lugar . Sai contente pois tinha cumprido o que planejáramos e implantadocom sucesso uma nova e contínua programação para a jovem guarda . BRIGANDO COM UM MAU CARATER Aquela foi uma época alegre . Entretanto , um pouco antes departicipar da Diretoria Social do CAP tive sério problema com um antigomembro da sua Diretoria . Guardo comigo um sério acontecimento acontecidoem Abril de 1.960. O caso ocorrido foi o seguinte : - A minha namorada de então – Márcia Silveira Mello - foiconvidada para aquelas festividades em Brasília . Na volta trouxe umalembrança que me foi entregue no Salão Social do CAP . Em agradecimentodei lhe um beijo no rosto , com o maior respeito e na presença de amigos . Não é que , um minuto depois , veio um empregado do clube ,devidamente uniformizado interpelar e informar que estávamos sendoinconvenientes . Fiquei realmente revoltado com aquela insolência . Nada demais ocorrera . E o pior . A perseguição não parou por ali . Quando nos despedimos , mais uma vez , ainda na presença devários amigos e amigas presentes , dei , como fazia sempre , um novo beijo norosto de Marcia. Pois bem , no outro dia , um sabado , logo pela manhã Márcia metelefonou informando que , através de carta , fora suspensa do Paulistano :“Por atitude indecorosa no Salão Social ” . Fiquei aturdido . Então , logo em seguida , minha irmã Marisa trouxe uma carta,com o timbre do CAP , em meu nome . Abri a tal carta . Eu também estavarecebendo a mesma suspensão , pelo mesmo motivo .
  • 194. Não tive duvidas . Foi tempo de correr para o Paulistano e láchegando procurar e encontrar Pedro Padilha . Ele , ainda estava na portaria ,confirmou a suspensão que foi realizada por ordem de Carlos Wild , diretor doclube . Ele era notado por seu tipo avermelhado , com um bigode ruivo depontas levantadas , sempre querendo demonstrar superioridade . Na ocasião , indignado , contei ao Pedro tudo que ocorrera ,afirmando que aquela suspensão era absurda . Ele concordou comigo masinformou que , naquele momento , naquele instante , só Carlos Wild poderiarever a punição que havia dado . Não esperei mais nada . Consegui logo emseguida seu endereço e fui imediatamente para sua casa . Ficava na AvenidaBrigadeiro Luiz Antonio , perto da Av. Paulista . Para que não houvessem duvidas , naquilo que eu iria falar comele, levei comigo Ricardo Cavalcanti . Chegamos e fomos atendidos , junto as grades do muro e doportão de ferro , que por sinal nem foi aberto , por um empregado . Eleinformou que o sr. Carlos não estava . Naquele mesmo instante percebi que ,pela fresta na cortina da janela da frente , ele nos olhava , semi escondido .Insisti em com ele falar . O empregado , devidamente instruído , se retirou dojardim e fechou a porta da casa . Fiquei realmente ofendido e disse em voz bem alta , para que eleouvisse , que aquilo não iria ficar nem terminar assim . - CASAMENTO : ARTUR CASTILHO E ANNE MARIE PENTEADO Naquela mesma noite estava ocorrendo o casamento de meuamigo Artur Castilho de Ulhoa Rodrigues com Anne Marie Penteado , filha doConde Penteado . Eu não poderia faltar . Fui para a festa , na AvenidaHigienópolis esquina de Itambé , muito aborrecido com o problemaacontecido no Paulistano . Logo que chequei fui interpelado , sobre a suspensão do CAP, porvários amigos , amigas e conhecidos . Contei o fato e o que pretendia fazercom aquele idiota pretensioso . O amigo Junqueira , que fora uma dastestemunhas do ocorrido , confirmou cada detalhe . Todos acharam absurdo emesmo uma afronta e indignidade com uma moça de sociedade . Ouvindo tudo aquilo Soninha Padilha foi até seu pai . Voltou logoem seguida e disse que ele desejava falar comigo . Por ela fui levado até Silvio de Magalhães Padilha , naquela épocaum dirigente maior do Paulistano . Estava na mesa com o Conde Penteado .Convidou-me para sentar e então relatar o acontecido . Fui direto ao assunto , falando bem baixinho para não chamaratenção e não atrapalhar a festa . Contei tudo com detalhes , dando inclusiveos nomes das minhas várias testemunhas . Finalizei dizendo : - “ Entendo que
  • 195. agora o caso saiu da alçada do Paulistano e passou a ser coisa pessoal de umcavalheiro ofendido contra uma pessoa que não mais merece meu respeito . Ele poderia até eliminar minha pessoa do Club, mas mexer com ahonra de uma moça , inclusive minha namorada , para mim foi demais . Alemdo que teve a petulância de chamar expressamente , aquele beijo no rosto , deato indecoroso praticado em público . Além de calunia , difamação e covardiaainda feria a dignidade de uma moça de família . Deixei claro que agora o assunto é de minha alçada . Deixei clarotambém que , toda vez que com ele encontrasse , ele teria de brigar comigo.Tentaria bater naquele covarde com todas minhas forças . Não seria só umavez , mas em todas que eu o encontrasse . Toda vez ! Não é possível esperar nada de melhor neste caso . Pedi desculpas pelo meu desabafo mas dignidade e honra nãopodem ter tratamento de outra maneira” . O Major Padilha e Conde Penteado ouviram tudo gentilmente ecom muita atenção. Então Major Padilha pediu para que nada eu fizesse , poisno outro dia , logo de manhã , trataria do caso . Iria tentar acertar as coisas . Naquele instante Soninha passou , pegou meu braço e me levoupara dançar. Sabia também que O Major Padilha tinha levado a sério tudoque eu pretendia realmente fazer . Ele conhecia bem minha palavra e percebeuque eu não estava de brincadeira . Eu nunca brincava com a honra . Independente do ocorrido a festa foi realmente das mais bonitas . No outro dia , ainda na parte da manhã , lá pelas 10,30 horas ,recebi um telefonema da secretária do Paulistano. Informava que a tal“Suspensão” não mais existia , que nada ficaria gravado nos arquivos e que jápoderíamos , eu e Márcia , continuar freqüentando normalmente o clube . Pediu que fosse esquecido o caso e que eu não tomasse nenhumamedida contra aquele diretor . Respondi que poderiam ficar tranqüilos que nada iria acontecer .Justiça havia sido feita e que o fato servira para se conhecer pessoas . Pedipara agradecer ao Major Padilha , em meu nome e no de Márcia . Fiquei aliviado e liguei para ela contando a boa nova . O final de tudo foi feliz . Lembrei do que meu pai dizia : -“Um pouco de justa valentia, na hora certa , faz parte da dignidade. Sempre mantém ou cria muito respeito !”
  • 196. FESTAS DA SOCIEDADE PAULISTANA Edu Marcondes Muitas festas - Penetras por Acaso – O Mais bonito “Reveillon”- As“Elegantes da Bangu”- Grande Premio São Paulo - Festas Juninas . Toda nossa Turma do Paulistano cresceu . Os “Moleques do Paulistano” estavam ficando adultos . Agora jáeram “ Os Moços do Paulistano . Trabalhavam , estudavam e praticavamesportes . Alem disto tudo estavam gostando de festas e bailes . Agora começavam a freqüentar a Sociedade de São Paulo . Os namoros estavam ficando muito mais sérios . Durante o começo da década de 50 os Critérios Morais eCostumes da Sociedade Paulistana - eram Muito Mais Rígidos que os atuais .Moça não saía sozinha de forma alguma . Ou saia com a família ouacompanhada pela mãe , irmão ou irmã . Em dias de festas principalmente . Namoro naquele tempo era coisa muito séria . Pegar na mão játrazia emoção . Dançar de rosto colado dava um calor que vinha dos pés esubindo esquentava tudo . Beijinho no rosto se acontecia era de arrepiar . Os homens e rapazes deveriam usar paletó e gravata para tudo ,inclusive para cinemas . Em festas e bailes mais elegantes era praticamenteobrigatório traje à rigor . Vestido longo para mulheres e “smoking” para homens . Assim as festas nas cidades de São Paulo , notadamente dasociedade paulistana , eram determinantemente elegantes por principio .Bonitas de serem vistas . Muito esperadas . Dentro deste quadro , inúmeras festas ou reuniões aconteciam nosfins de semana daquela São Paulo dos anos 50/60 . . Tínhamos ainda , os Chás Dançantes nos principais clubes ealgumas vezes Almoços em Sítios e Chácaras situadas nos arredores dacidade. Estes convites aconteciam quase sempre para os domingos . Como existiam muitas famílias da sociedade paulistana com filhasmocinhas , ocorriam Varias Festas no Mesmo Fim de Semana . Por istomesmo éramos quase sempre convidados . Participávamos de quase todasem um mesmo dia . Passávamos por todas , mas a ultima na noite , comchegada no máximo pelas 22,00 horas, era aquela onde estaria a namoradinha.
  • 197. Quando não havíamos sido convidados para uma determinada festa etínhamos interesse em comparecer ... sempre contávamos com ajuda de umamigo da Turma do Paulistano . Outras vezes quem nos arranjava convite eram amigos do Harmonia. Tinha um ritual para ser “Penetra bem Educado “ O “Penetra” era levado pelo amigo que conhecia a família e haviasido convidado . Então ele era apresentado devidamente para a dona da festae para seus pais . Para tanto existia um ritual de educação. “Penetra” sim , maseducado . Sempre se comprava um ramalhete de flores , pois lá no Largo doArouche existiam floriculturas que trabalhavam durante toda a noite. Durante a necessária apresentação , as flores eram ofertadas para adona da festa . Depois , havendo possibilidade , não deveria deixar de tirar adona da festa para dançar . As vezes era até muito bom , quando ela erabonita. Desta forma foram criadas novas amizades e conhecimentos . Sempreapadrinhados por conhecidos da família . O nosso ponto de encontro para irmos para as Festas da Sociedade deSão Paulo era mesmo a sede do Paulistano . As festas que comparecíamos normalmente aconteciam nos bairros dosJardins , no Pacaembu , no Brooklyn , Higienópolis ou Perdizes . Aqueles bairros eram muito bonitos , com casas maravilhosas .Osprimeiros grandes apartamentos apareciam em Higienópolis . Ainda nasavenidas não existiam os malfadados “Corredores Comerciais”, escritórios,consultórios e lojas disfarçados , nem a imensa invasão ilegal de firmas eempresas em bairros estritamente residencial . Elas que hoje existem nasAvenidas Brasil, Europa , Av. 9 de Julho , Rua Estados Unidos e tantasoutras mais. Para aquelas festas em casas de família quase sempre fui privilegiado,não só pelas minhas amigas e namoradinhas , mas com convites que semprerecebi das inúmeras amigas de minha irmã Marisa . Elas ou eram colegas doColégio Sion ou amigas do Harmonia . Lembro-me bem de Milú e VeraLoureiro , Regina Vazone , Renata Resende Barbosa ( foi minhanamoradinha) , Lucila Assumpção , June e May Locke , Maisa e DuduAmaral, Elsie Cunha Bueno , Silvia Booke , Tais de Carvalho , entre muitasoutras . Nestas festas realizadas em casas , dependendo da ocasião , amúsica muitas vezes era ao vivo com um organista e acompanhamento . Caso
  • 198. o local possibilitasse , a música vinha com conjuntos ou mesmo compequenas orquestras . Nos anos 50 algumas coisas não podiam faltar . Uma delas era otradicional “ponche” , servido com frutas picadas em uma maravilhosa peçade cristal ou de prata . Era a bebida das senhoras e das mocinhas . Para os rapazes serviam champanhe e vinhos . Começavam aaparecer uísques com muito mais freqüência . Como sempre gostei dechampanhe , que nunca faltava , até hoje não apreendi muito bem a gostar deuísque ou de destilados . Também não faltavam flores . Eram utilizadas pelos donos dacasa como motivo para decoração . Alem do mais sempre existiam aquelasque os convidados mandavam para a dona da festa . Era de boa educação mandar flores . Assim todas as festas ficavam perfumadas e muito bonitas . - PENETRAS POR ACASO As vezes fatos acontecem independentes de nossa vontade equando menos esperamos . No final do ano de 1950 , em um sabado , no começo da noite ,estávamos reunidos na casa do Fernando “Baiano” Abdon , lá na AvenidaBrasil , perto da Rebouças , Então recebemos um telefonema do Caio Kiehl . Ele informava que sua amiga Beatriz resolvera , de última hora ,realizar uma reunião em sua casa e estava nos convidando . Fazia mesmoquestão de nossas presenças . Perguntado sobre o endereço ele não pode precisar . Disse que erafácil . Informou que a casa ficava na Rua Groenlândia , perto da AvenidaEuropa . Disse ainda que seria fácil . Seu carro estaria em frente a casa . Apesar de estarmos combinados , resolvemos ir para a reuniãoindicada pelo Caio . Saímos todos no carro do Fernando , por volta das 21 horas. Não custamos encontrar uma casa muito grande na esquina da Av .Europa com Groelândia . Estava super iluminada , com muitos carros do ladode fora e com outros no pátio interno da casa . O portão que dava acesso aopátio estava aberto . . Eduardo de Paula foi dizendo :- “O Jaguar do Caio deve estar ladentro . Vamos entrar com o carro”. Ninguém impediu . Parecia não ser festa jovem . Roberto Claro achou que estávamos em lugar errado . Desci . Fomos caminhando para a casa e logo na entradaencontramos três mocinhas que estavam nos olhando . Estavam
  • 199. elegantíssimas. Após cumprimentarmos e nos apresentarmos devidamenteperguntei se ali era casa de Beatriz . Uma delas bem bonitinha informou quenão. Disse que seu nome era Olga e que ali era a casa de suas amigas Silvia eGracie Lafer . As duas chegaram logo em seguida , acompanhadas de maisoutras duas. Foram todas muitos gentis. Perguntaram se não queríamos entrar . Respondemos queestávamos com mais três amigos e que nossa entrada ali fora por puro engano,pois estávamos procurando outra festa , onde estariam amigos do Paulistano . Ouvimos como resposta : - “Pois gostaríamos de convidar também seus três amigos”. Neste momento eles se aproximaram e foram feitas as devidas eformais apresentações . As três outras mocinhas eram : Lucila Assumpção ,Vivi Loureiro Marinho e Ana Maria Simões . Silvia então informou que aquela era uma festa de políticosprogramada pelo seu pai - Horário Lafer ( ouvindo o nome então lembrei queele era o Ministro da Fazenda do governo de Getulio Vargas ) . Informouainda que os mais moços ( Nós ) poderiam ficar no pavilhão da casa, situadoapós os jardins interiores , pois era local muito agradável . Resolvemos ficar . Fomos para aquele local da casa . Ficamos conversando , falando e descobrindo amigos comuns ,clubes e festas que freqüentávamos , falando de nossas famílias e sobrecolégios . Como existia música fomos dançando . Descobri que Olga Lago Leite era colega de minha irmã Marisa noColégio Sion . Ficamos alegres com a coincidência . Algum tempo depois o Ministro Horácio Lafer , com Dona Mimisua senhora , acompanhado pelo então Governador de Minas Gerais –Juscelino Kubistchec de Oliveira adentraram no pavilhão . Fomosapresentados e recebemos toda simpatia daquelas figuras importantes . Depois de conversas gerais fomos perguntados sobre aquela festa.Como nós todos dissemos que estava linda e muito elegante , fomos entãoconvidados pelo Ministro Lafer para uma outra festa , a ser realizada em suaresidência no Rio de Janeiro , naquele tempo Capital da Republica . Os dringues , dancinhas e muita conversa foram até as 3 damadrugada . No outro dia voltamos para a casa dos Lafer , levando junto osamigos Caio Kiehl , Nico Peres e Albano Camargo . Antes havíamos contadopara eles o que sucedera na noite anterior . Foi então acontecendo umareunião muito alegre . Terminou no final da tarde , com a promessa de nossocomparecimento para festa do Rio de Janeiro , na próxima semana .
  • 200. Na semana seguinte , atendendo convite recebido , seguimospara festa na cidade maravilhosa . Eramos seis amigos . Fomos de avião .Alguns voavam pela primeira vez . Durante o vôo , naquele velho DC-3 ,pegamos mau tempo . Em dado momento , justamente quando Sérgio de Lucca foi aobanheiro do avião, entramos em uma grande turbulência que durou algunsminutos . O DC-3 ficou pulando para cima e para baixo . Quando melhorou otempo Sergio abriu a porta do banheiro e foi saindo com a cara espantada .Naquele momento a comissária informou para ele que havíamos tidoturbulência . Ele respondeu : “ Puxa Vida ! Pensei que havia apertado o botão errado”. . A festa no Rio aumentou nossa amizade com aquelas meninas ,principalmente com Vivi Loureiro Marinho e da Anna Maria Simões .Moravam as duas pertinho do Paulistano . Todas as tardes , depois de suasaulas , nós fazíamos ponto em suas casas . Elas passaram a ser o “Carro ChefeFeminino” de nossa turminha . Estávamos , por isto mesmo , sempre sendoconvidados para muitas reuniões em casas de suas amigas . Alem destas festas e reuniões existiam ainda os grandes bailes deSão Paulo , sempre a rigor .Lembro do famoso “Glamour Girl” no Harmonia ,aqueles do Aniversário do Paulistano ( no dia 29 de Dezembro – hoje quaseesquecido) , o “Baile Branco” para as debutantes de São Paulo , os“Reveillons” do Jockey Club , do Harmonia e da Hípica Paulista . Todasforam festas formidáveis e famosas que deixaram saudades . - O MAIS BONITO “REVEILLON” Entretanto , de todos aqueles “Reveillons”acontecidos , um marcoupara sempre a passagem de fim de ano . Ficou em muitas lembranças . Foi aquele à fantasia ocorrido na casa de Aninha Peruche . A mansão de sua família , lá pelos lados do Alto da Boa Vista , erarealmente muito grande e maravilhosa . Ocupava um quarteirão .Tinha umcerto que , lembrando o Palácio de Versailles , com esplendidos e enormesjardins que chegavam com seus gramados e touceiras de flores cercando agrande piscina . Chegavam ainda aos pequenos bosques e aos vários terraços dacasa . Tinha ainda um enorme Salão de Festas , cheio de espelhos , com variassaídas para os jardins e decorado com esmero . Ele tinha mais de 50 metros de
  • 201. comprimento , mostrando ao fundo um lindo palco elevado. Nada melhornem mais próprio para uma esplendorosa Festa de Fim de Ano . A idéia do “Reveillon” ocorreu em um final de tarde , no início deDezembro, lá mesmo , durante uma pequena reunião . A idéia foiimediatamente aprovada por Dona Zilú – mãe da Aninha . Ficou combinado que quatro de seus amigos iriam ajudar a realizara festa : - Caio Kiehl , Arnaldo Gasparian , Otto Bendix e este narrador. Cadaum preparou sua lista de convidados . Na quarta feira seguinte ficou pronta alista final . Aninha havia vetado com firmeza algumas pessoas . Lembro que seiscentas pessoas foram selecionadas . Cada um dos amigos ficou com uma incumbência e suaresponsabilidade . Caio Kiehl deveria contratar a orquestra do Ari do Piston(estava na moda e tocava sempre no Harmonia ) , bem como uma “Escola deSamba”. Eu deveria cuidar da impressão dos convites com máxima urgência .Arnaldo Gasparian ajudaria naquilo que fosse surgindo . Otto Bendix ,contando com o motorista da família e com alguns outros empregados ,deveria efetuar a distribuição da maioria destes convites . Nós ajudaríamos ,entregando convites para as pessoas mais chegadas a cada um . A noticia da festa , divulgada pelo cronista social Tavares deMiranda , tomou conta da cidade . Todos queriam participar , mas como a listafoi realmente fechada e fora dela não entrou mais ninguém . Aninha não abriuum exceção . Foi inteiramente coerente . Detalhe : “A fantasia deveria ser de luxo e todas as mãesacompanhantes deveriam vir com vestidos brancos com bolinhas pretas” .Eram condições “sine quae non” , explicitadas no convite . No dia da festa , nós os organizadores ao lado de Aninha e de DonaZilu , ficamos recebendo os convidados no saguão de entrada da casa , após aentrada pela portaria da casa , onde apresentavam os convites . A orquestra do Ari tomou conta do palco e , mesmo antes do inícioda festa , as 21,00 horas , já tínhamos música no ar . Inúmeros garçons jáserviam bebidas , principalmente champanhe . Muitas flores , muitas luzes eos convidados chegando . Todos em bonitas fantasias , principalmente asmoças que ficaram maravilhosas naquelas cores bem vivas , próprias para oalto verão . Lembro muito bem de Ana Maria Valone , Cecília Brasil , BiaOliveira , Alice e Regina Perego e Marina Pimentel . Um dos toques de elegância naquela noite foram todas as mães emseus vestidos de bolinhas pretas . Foram um sucesso .
  • 202. Nem preciso dizer que a festa pegou fogo imediatamente . Primeirocom músicas mais suaves . Depois com músicas de carnaval . Quando a meianoite chegou a Escola de Samba chegou junto . Então a alegria foi total . Lá pela duas horas da madrugada começou o banho à fantasia . Foipara piscina quem desejou e quem não quis . Mas só os homens . Um dosprimeiros a cair na água foi Acácio “Geléia” acompanhado do MarcelãoRibeiro Lima . Como os dois sempre foram bem grandes no tamanho tivemoságua por todos os lados. A noite bem quente ajudava curtir a molhação . Então a festa tomou conta dos jardins pois não dava mais paraentrar molhado dentro de casa . O “reveillon” terminou depois das 4 da madrugada com todomundo muito feliz e pedindo mais . Para mim foi o mais lindo reveillon deSão Paulo assistiu . Marcou época e foi noticia em todas colunas sociais .Revi uma foto da ocasião outro dia . Aninha vestida de “princesa” , Caio de“romano”, Otto Bendix de “almirante” , Arnaldo Gasparian de “não melembro” . Eu estava devidamente fantasiado de “ samurai ”na companhia deMaria Clara Lima Guimarães vestida de “havaiana” . Estava linda . Tempo bom ! “AS ELEGANTES DA BANGU” Outro evento importante era a realização de desfile de modas ebaile , patrocinada pela Bolsa de Mercadorias de São Paulo em conjunto coma Fabrica de Tecidos Bangu e o Sindicato da Industria de Fiação e Tecelagem. Era chamada de “ As Elegantes da Bangu”. Na ocasião eram apresentados os novos padrões de tecidos daBangu , em vestidos usados pelas moças da alta sociedade de São Paulo . Tinha uma programação muito bem feita , principalmente aquelade 1954 , ano do IV Centenário de São Paulo . Na ocasião um fardo dealgodão foi leiloado no Parque Ibirapuera e o resultado financeiro foidestinado para várias entidades beneficentes . Esteve presente o Governador de São Paulo . Após o leilão ocorreu desfile de modas na nova sede do ClubeComercial de São Paulo , situado no centro da cidade , precisamente na ruaFormosa . Para tanto foram convidadas as famílias e conhecidos das senhoritasda sociedade paulistana que desfilaram com os modelos confeccionadosunicamente em fino algodão . Aquele desfile , muito bonito e charmoso , teve participação demuitas conhecidas e amigas que atuaram como modelos , inclusive de minhairmã Marisa Marcondes. Lembro que também desfilaram as moças mais
  • 203. bonitas de nossa sociedade : Ana Maria Simões, Maria Isabel Rodrigues(Glamour Girl 54 ) , Elsie da Cunha Bueno , Helena Zarvos , Maisa Amaral ,Maria Helena Fonseca , Maria Ignez Whitaker , Silvia Tonani , May Locke ,Milu Loureiro , Olga Lago Leite , Regina Vasone, Sofia Helena Penteado ,Silvinha Boock , Silvia Lafer , Tais de Carvalho , Zaira e Zuleica Zablit . Depois do desfile foi realizado baile à rigor com a presença dasociedade paulistana e da “Miss Brasil” – Marta Rocha . Estive presente em companhia dos amigos : Carlos RobertoMatos , Caio Kiehl , Sérgio Dávila e Luiz Carlos Junqueira . A festa foi muito bonita , prestigiando o algodão brasileiro , oque hoje não mais ocorre . Não entendo por que estas festas não tiveramcontinuidade . Realmente uma pena . - “GRANDE PREMIO SÃO PAULO” Outro acontecimento muito bonito e muito elegante acontecia naprimeira semana de Maio de cada ano . Ocorria então o “ Grande Premio SãoPaulo” no Jóquei Clube . Era muito concorrido , com o comparecimentofeminino em grande escala . Naquela ocasião os melhores cavalos da Américado Sul vinham disputar o páreo e o premio , que durante muito tempo foi bemelevado . Era realmente uma festa com muita gente bonita desfilando pelasSociais e “Padock” da magnífica instalação do Jóquei Clube em “CidadeJardim”. Para aquela reunião turfística as senhoras e moças se apresentavamna melhor elegância possível . As tribunas do Jóquei viravam passarelas com desfile de modas . Muitas vezes no início de Maio o frio havia realmente chegado eas roupas eram para o inverno paulista , que naquele tempo realmente existia .Com um frio até mesmo úmido , depois das chuvas de Abril , as pelestomavam conta do mundo feminino que freqüentava o Jóquei Clube . Como diziam : “Aquelas ocasiões eram colírio para os homens” Fui em muitos daqueles grandes prêmios e vi muitos cavalosvencedores . Entretanto , como não fui turfista , lembro apenas de um daquelesmagníficos animais vencedores. Seu nome era “Gualicho”. Hoje os grandes prêmios já não possuem a mesma elegância .
  • 204. - FESTAS JUNINAS Saudades também tenho das Festas Juninas , com muitasbandeirinhas coloridas , fogos de artifício e verdadeiros doces caipira . Tínhamos paçoca, pipoca , pé de moleque , doce de abóbora , debatata doce , de batata roxa , maria mole . Quentão ajudava esquentar as noitespaulistas , realmente muito frias naquele tempo . Em volta das fogueiras eram cantadas músicas juninas . Tenhona memória : “Cai ...Cai Balão” , “Noite fria de Junho” e uma que começavaassim – “ Era noite de São João ... Antonio ia se casar ... Mas Pedro fugiucoma noiva ... na hora de ir pro altar”... Eram lindas e muito próprias para a ocasião . Outro costume era ler a sorte em bacias com água . Pingavamcera de vela acesa na água e “algumas entendidas” fingiam ler futurosacontecimentos , normalmente ligados aos namoros , nos desenhos e letras quepoderiam aparecer . “ Aquele R é a primeira letra de seu futuro namorado”. Coisa inesquecível eram as “quadrilhas” onde moças e rapazesdançavam musicas juninas comandadas em sua evolução por uma mestre queindicava acontecimentos . “Olha a cobra” ... e o cordão que ia para um ladovoltava . “Ta chuvendo” ... e todos cobriam a cabeça com as mãos . Tinha aquadrilha inúmeras evoluções . Logo depois da quadrilha existia o “Casamento do Caipira”. Osparticipantes de tal casamento vinham vestidos à caráter , com roupas decaipira . Eram roupas velhas , curtas e cheias de remendos colocados depropósito . Então chegavam a noiva e o noivo , o delegado que obrigava arealização do casamento , o padre e mais outros personagens . Era tudo feitode forma a gerar uma palhaçada que terminava normalmente com o noivo indopara a cadeia . O Paulistano realizava uma das mais belas festas , criandoinclusive uma pequena Vila Caipira no gramado do campo de futebol . Comfogueira e tudo mais . Uma das brincadeiras era levar algum amigo para afalsa cadeia . Ele era preso por um tempo , até pagar a multa ( um quentão ) . Outra festa de São João , muito bonita , era realizada no Clube deCampo de São Paulo . Ele até hoje fica longe , lá pelos lados da Represa deGuarapiranga . Naquele tempo parecia mais longe , pois o local era poucopovoado . Tinha nossa turma uma tradição para entrar no Clube de Campo .Como poucos eram sócios e o convite não era barato achamos uma solução .Aqueles que eram sócios levavam em seus carros os amigos , até perto daportaria do clube .
  • 205. A sede do clube ficava longe daquela portaria . Então dois outrês amigos se enfiavam no porta malas daqueles grandes automóveis da épocae ficavam quiétinhos até que os portões fossem passados . Depois , já dentroda área do clube , com o carro estacionado debaixo das arvores , todos ospenetras que estavam no porta malas saiam . Rapidamente entravam para afesta . Ela era muito concorrida pela sociedade paulistana . Anos depois conversando com um antigo diretor do Clube deCampo , amigo do Mário Guisalberti , fui informado que eles sabiam do fato .Não ligavam pois os penetras eram amigos de sócios e traziam grande alegriapara a festa . Agora As Festas Juninas se Tornaram Muito Caipiras ...Muito ! Hoje as Festas Juninas não tem mais a diversão e a graçatradicional . A última que fui , fez lembrar com saudades as anterioresrealizadas . Eram todas muito lindas e alegres . Agora , qualquer que seja o local , nem tocam musicas própriaspara a época . Somente se ouve “rock”, “xaxado”, “forró” e algumas “tarantelas italianas ”. A nossas Festas Caipiras viraram uma “coisa”. Pode sercaracterizada como : “Bagunça Ítalo – Nordestina – Americana ! Nem temos os bons e reais doces caipiras. Seja qual for o clube.São falsos doces brasileiros , enrolados em plástico transparente , com gostode nada . São de puro açúcar , colorido artificialmente . Sabor “amarelometálico” ou “laranja fantasia” ! A Festa perdeu sua raiz ! Não temos mais “Dança da Quadrilha”, nem “Casamento do Jéca” Ninguem mais vai com roupa de caipira . Agora são bebidos uísque , chope e vinho quente ( horroroso porsinal , posto que o vinho é muito ruim ) . Não existe mais nem um bom“Quentão “ . O que existe agora é mal feito , com puro gosto de pinga ( de máqualidade ) requentado com canela e gengibre . Temos ainda “Churrasquinho de Gato no Espeto–com Farofa” (sic) Só as bandeirinhas coloridas ainda lembram e trazem um “que” deFesta de São João . A Festa Caipira Paulista virou realmente uma bagunçadifícil de descrever . Lotada de gente , em todo canto , que só pensa em comer.Porem pouca gente dança . A maioria fica andando de lá para cá . No outro dia dizem que a festa foi ótima ! ????? !
  • 206. RETORNO AO JARDIM PAULISTA Edu Marcondes - Os Amigos que Ficaram – O Mundial de 1950 – O Carro Novo – Novas Amizades no Jardim Paulista - Em Novembro de 1949 meu pai anunciou que voltaríamos para acasa da Rua Gal. Fonseca Telles . Os problemas acontecidos com a Guerratinham terminado . Isto deveria acontecer em Março do próximo ano , depois de quasecinco anos de ação judicial para despejo do inquilino . Todos ficamoscontentes . A casa da Alameda Tiete era boa mas a casa do Jardim Paulista erarealmente a nossa casa . Também anunciou que iria fazer pequenas reformas epintar a casa antes da mudança . Em um Sábado de Janeiro fui com meu pai buscar um Carro“Hudson/1.950” que ele havia comprado . O carro era enorme , pretobrilhante, pneus com faixa branca , estofamento vermelho em couro . Quandovoltávamos para casa ele disse que eu , depois do almoço , poderia ir com ocarro até o Paulistano. Porem deveria estar de volta até as 19,30 , pois ele iriaao cinema com minha mãe . Fui , cheguei e mostrei o carro para amigos e amigas . Ele fez omaior sucesso . Antes de voltar levei a linda Desirè para casa . Gangei umbeijo . Naquela noite , deitado em meu quarto , fiquei lembrando das coisasboas que passei na casa da Alameda Tiete e confesso que senti saudadesantecipadas . Lembrei dos amigos que agora ficariam mais longe de mim :Domingos Alves Meira , Lalau Lanksarics , Geraldo e Zé Augusto Medeiros ,Saulo Ferraz , de toda turminha da Rua Consolação , Carlito Taub , JoelGoldbaun . Quem morava por lá mas era do paulistano eu continuaria a verconstantemente . Lembrei das festas juninas e da fogueiras do Jardim Minervina . Das reuniões na casa do Tio Oscarzinho . Da tia Sibila e suascomidas gostosas . Do nascimento dos primos Thomaz e Sibelle . Dasbrincadeiras com os primos Gilberto , Thais , Gláucia , Maria Lucia e ElzaMaria . Agora seriam mais difíceis , Das noites de violões com tio Oscar e Pedrinho Granja . Da primaOlga , que era síndica da nossa Vila , dando recriminações quando pisávamosna grama ou colhíamos algumas azaléias .. Dos sorvetes de frutas, tanto daSorveteria Consolação como da Aranda .
  • 207. Dos jogos de taco e futebol .Dos pêssegos maravilhosos colhidoscom Othonielzinho na casa do Dr. Othoniel , seu pai . Das “mixiricas” doquintal do seu Molla . Lembrei de muita coisa boa acontecida naquele local . O MUNDIAL DE FUTEBOL - 1950 Lembro ainda do jogo final da Copa do Mundo de 1950 . Naqueletempo ainda não existia televisão e convidei meu amigo do Paulistano - JoãoCampos – para ouvir a irradiação , pois tínhamos na casa do jardim paulistaum imenso trambolho , na época era chamado de “Rádio-Vitrola” . Na ocasião era o máximo em matéria de som . Naquele dia quando Joãozinho chegou , logo no início do jogo ,fomos para sala e ficamos ouvindo a Radio Pan-americana , hoje Jovem Pan,até o momento que o Brasil marcou o primeiro gol . Já contando com a vitória e com a comemoração , que aconteceriano Paulistano , saímos andando em direção ao Club , via Av. Brasil . Quando chegamos no Harmonia o Uruguai empatou o jogo .Continuávamos confiantes . Quando já estávamos na porta do Paulistano oUruguai marcou o segundo gol . Ficamos torcendo para o empate que daria aCopa para o Brasil . Logo depois , já na sede do Paulistano, o jogo terminoue foi a maior decepção . Perdemos a Copa do Mundo de 1950 . Ficou todo mundo com cara de “sétimo dia” . Apareceram causas ejustificativas de todo lado . Mas era tarde . O “Campeonato Mundial de 50 foipara o espaço” . Naquela noite fomos comer pizza com os amigos : ZequinhaAlmeida Prado , Eduardo de Paula , Fernando “Baiano” Abdon , CarlosCalmon , Roberto Claro, Caio Kiehl e Tidinho Viana . Aquela radio vitrola deixou saudades . Lembro que quando meninonela escutei muitas vezes a “Escolinha de Dona Olinda” com o comediante“Nhô Totico”. Também ouvia o seriado infantil do “Vingador” (era umanovela para a juventude ). Escutava quase todos os dias músicas brasileiras ,com Chico Alves , Dick Farney , Os Cariocas , Quatro Azes e um Coringa ,Gilberto Alves , Orlando Silva , Luiz Gonzaga , Elizete Cardoso , SilvioCaldas e muitos outros . Com ela apreendi a gostar de “jazz” e de canções norte-americanas .Ouvia tangos e tocava meus primeiros discos de boleros . Com ela e meus paisapreendi gostar de música clássica . Ficou na lembrança , entre outras peças ,o “ Concerto de Varsóvia” e as obras de Vivaldi . Também ouvi e gostava demuitas árias de óperas . Somente as melhores . Tudo aquilo antecipou saudades .
  • 208. - AMIZADES DO JARDIM PAULISTA No domingo pela manhã fui dar uma volta de carro pelo bairro .Segui depois para a casa de meu avô que ficava na mesma rua , apenas umquarteirão da nossa . Conversando com meus primos Niobe e Nilson fiqueisabendo das mudanças ocorridas . De meus amigos antigos apenas o EduardoMunhoz continuava no bairro . Lembrei que bem em frente de casa existia aresidência de Dona Chiquinha Rodrigues que ali morava com seus filhos,entre eles Silvio com quem fui varias vezes ao club . Era uma família develhos amigos da minha família. Estávamos ainda conversando quando chegou uma amiga de minhaprima . Era muito bonita e chamava-se Wilma Abrão . Simpática e alegre.Morava logo em frente da casa de meu avô . Quando voltei para casa encontrei mamãe conversando com suaamiga de infância de Ribeirão Preto , também nossa vizinha – Dona MariáModenese que tinha ao seu lado suas filhas Márcia e May . Elas tinhamcrescido e estavam muito bonitas , principalmente a Márcia que era bem alta ebem feita de corpo . Em pouco tempo fiquei conhecendo todas as mocinhas do bairro queera privilegiado em matéria de beleza feminina . Do outro lado da ruamoravam as três irmãs Alves Lima . Todas elegantes bonitas e agradáveis .Três casas depois da minha morava Maria Helena Carvalho Pinto . Na esquinada Rua Veneza vivia Karen Heins, uma bonita alemãzinha de tranças . Doisquarteirões depois Eva Vilma que se tornaria famosa como artista da televisão. Maria Alice Costa morava na Av. Brasil . Um pouco antes MariaHelena Ferrrari Costa . No mesmo quarteirão de minha casa mas na RuaGroelândia as irmãs Meca e Ica Lacerda Soares. No bairro também ainda moravam vários amigos do Paulistano . NaRua Primavera ficava a casa dos Pannunzio , com Luiz Carlos , José Eduardoe Lucila . Na rua Veneza Sérgio D´Avila e seu irmão Aluisio . Na Av. Brasilmorava Alberto Botti . O Airton Baccelar , se não me engano , na Mal.Bittencourt . Lá pelos lados da Brigadeiro ficava a casa do Antonio Lanhosode Lima . Ele tocava maravilhosamente violão . Além do mais estava agora perto de meus avós paternos , da tiaDjanira , do tio Ovídio e dos primos Nilson e Niobe . Voltar para o Jardim Paulista foi muito bom . Os anos que alipassei com a família foram alegres e muito felizes . Outro dia conversando com o Acácio “Geléia” Mancio ( agora ele jáse foi ) , lá no Paulistano , ele lembrou que aqueles anos de 50 e 60 foramtempos de muitas festas namoros , patuscadas , fuzarcas , brigas , farras,viagens e sobretudo de muitas risadas .
  • 209. Muitas risadas . Marcaram nossa mocidade .Acima de tudo ... foram tempos de grandes amizades .Realmente ... anos muito felizes .
  • 210. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Edu MarcondesAv. Rebouças e Redondezas - Piscina da Faculdade de Medicina –“Black-Out” no Guarujá - A Queda do Avião “A-20” no Bixiga – Dr. Fragoso Para a maioria da criançada a guerra não tinha muitaimportância . Porem para meus jovens amigos e colegas judeus o problema erareal . Neste tempo eu notara grande um sentimento de tristeza em todos eles .Com justa razão , pois a Alemanha vinha tendo inúmeros sucessos nasbatalhas européias e o Japão vinha derrotando tudo e todos na Ásia . Os nazistas que dirigiam a Alemanha perseguiam radicalmentetodos judeus e ciganos , em todos os cantos por onde dominavam . Eu costumava freqüentar suas casas , passear , nadar , ir aocinema e principalmente jogar “futebol de botão” com meus amigos judeus .Éramos bons amigos . Por isto mesmo a guerra que aborrecia Joel Goldbaun ,Carlos Taub , Jacques Barmak , Zicha Schwartz , Leo Berman e Eugenio“Pistingué” Apfelbaun e outros judeus , do Paulistano ou não , muito tambémme aborrecia , por tabela . Nunca coube verdadeiramente em minha mentequalquer razão para perseguição , revanche ou vingança . Muito menosdescriminação racial . Pouco tempo depois o Brasil entrou na guerra . Foramafundados alguns navios brasileiros em nosso litoral . Para todos os efeitos osculpados eram os alemães . Alguns diziam que os responsáveis haviam sido osamericanos , que desejavam culpar os submarinos alemães . Nunca isto foibem explicado . Entretanto, o Brasil entrou na guerra , do lado dos aliados . O efeito veio em cascata . Logo faltou gasolina e os carrosdeixaram as ruas . Produtos importados , que naqueles tempos eram em grandenumero , desapareceram . Farinha de trigo ficou faltando . Açúcar , que por leido governo Vargas , deveria ter preferência de produção na região nordeste,também faltou , pois vinha transportado pelos navios da Cia Costeira , queagora pouco navegavam . Começou a faltar muita coisa . Apareceram os “Cartões deRacionamento”e as filas para comprar pão . Este era feito com farinha de trigomisturada com milho , mandioca e outras farinhas mais . As broinhas de milhofizeram grande sucesso entre a criançada . O responsabilidade pela compra do pão sempre ficou comigo .Precisava levantar às 6 horas para enfrentar a fila e trazer o pão antes das 7,30horas da manhã. Nestas horas eu encontrava com vários amigos do Paulistano
  • 211. que também vinham comprar pão . Carlito Taub , Jacques Barmak , RomuloMariano , Saulo Ferraz e Domingos Meira . Por vezes eu estava na mesmafila do pão com Deoclides Brito e Cesar Affonseca . Com o tempo todos seacostumaram a comer “pão de guerra”- Mistura de trigo com farinha de milho. Laranja , tipo exportação , sobrava e era vendida , não pordúzia mas por cento (100) , por uma ninharia . Suco de laranja era tomado odia inteiro . Pelo menos apareceu uma vantagem para o povo . Como as noticias da guerra eram importantes logo surgiu norádio um programa de notícias . O famoso “Repórter Esso”, patrocinado pelaEsso de Petróleo . Apareceram também as “Novelas do Radio”. Não existiatelevisão , o radio dominava. E pelo radio surgiram os programas de músicasamericanas . Em todas as rádios . O esquema americano de propaganda erarealmente forte e até subliminar . No cinema surgiram “Estórias de Heróis deGuerra” , onde sempre os alemães eram vencidos e os italianos apareciamcomo idiotas . Faziam sucesso tais filmes. Apesar de torcer pelos aliados nãodava para entender porque tanto esforço para vencer a guerra , quando osinimigos seriam tão fracos , idiotas e desprezíveis . Nesta ocasião , tentando unir todas as Américas , foi produzido,por Walter Disney um desenho animado onde Mickey e Pato Donaldvisitavam os paises da América Latina . Neste filme , chamado “Alô Amigos”,surgiu o “Zé Carioca”, como um símbolo do povo brasileiro . O filme eradivertido e criou laços de fraternidade entre os paises de toda América . Duro mesmo foram as medidas do governo brasileiro para ositalianos , alemães e japoneses . Seus bens foram bloqueados . Seus hospitais eempresas tomados por interventores federais , os quais passaram a ditar aconduta para funcionamento. Os clubes esportivos dos alemães e italianos foram obrigados atrocar os nomes estrangeiros por nomes nacionais . O “Palestra Itália” virouSociedade Esportiva Palmeiras . O “Clube Germânia” se transformou noClube Pinheiros. O “Spéria” mudou o nome para Floresta . Os húngarosperderam o “ Canindé”. Um sentimento nacionalista foi tomando conta de tudo,supervisionado pelo governo federal . Tudo resultava conforme os “ AcordosInternacionais” realizados com os dirigentes dos paises Aliados . Foi criada a FEB – Força Expedicionária Brasileira , e a FAB –Força Aérea Brasileira . Ambas , com equipamentos americanos , iriam lutarna Europa . O sentimento de patriotismo crescia cada dia com a formaçãodestes grupos de combatentes brasileiros . Eram chamados de “pracinhas”.
  • 212. Nesta ocasião Guilherme de Almeida , grande poeta , criou o“Hino do Expedicionário .” Lembro de alguns de seus trechos pois ele é muitobonito . Começa assim : “ Você sabe de onde eu venho É de uma casa , de um engenho . Dos pampas , dos seringais Dos campos ,dos montes , dos rios Dos verdes mares bravios Da minha terra natal...” ( O estribilho , muito bonito , guardei inteiro ) “Por mais terra que eu percorra Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá ... Sem que leve por divisa Este V que simboliza A vitória que virá !” “Nossa vitória final Na mira do meu fuzil Na ração do meu bornal Na água do meu cantil ... Nas asas do meu ideal Na glória do meu Brasil .” E lá se foram os pracinhas brasileiros para lutar na Itáliaenquanto a vida , toda racionada , continuava por aqui . Transporte para o povo praticamente era feito por bondes . Ostrens eram os responsáveis pela maioria das cargas entre todas as váriasregiões . Os ônibus eram poucos . Estradas de rodagem eram insuficientes enenhuma tinha completa pavimentação . A maioria dos transportes entre osestados , feita anteriormente por navios da “Costeira “ , ficou paralisado commedo dos submarinos . Somente nos idos de 1943 é que apareceram osprimeiros automóveis movidos por gasogênio . Poucos eram os carros que o utilizaram. . Para quem não selembra : - “o Gasogênio é um aparelho que , mediante combustão de carvão ,gera um gás combustível , muito pobre , para movimentar os motores àexplosão dos automóveis ” .
  • 213. A guerra teve um ponto muito positivo para São Paulo . AIndustria Paulista , que já era a mais desenvolvia da América Latina , começoua se expandir produzindo muito daquilo que antes era importado . Faltavaentretanto o petróleo , pelo qual muito lutara Monteiro Lobato com todarazão, pois hoje , com a Petrobrás , já estamos praticamente auto suficientes. AV. REBOUÇAS E REDONDEZAS Por tudo isto advindo da guerra as ruas ficaram realmente àdisposição da criançada . Basta dizer que andávamos de Carrinho de Rolimãem plena Avenida Rebouças . Descíamos aquela avenida , saindo docruzamento com a rua Mello Alves e chegando até a Avenida Brasil , onde arua ficava plana. Depois esperávamos um tempão até que o ônibus 41-“Amarelinho”- Jardim América , chegasse em seu ponto de parada . Entãopassávamos uma corda em seu para choque e subíamos de reboque .Como nãotinha transito não tinha problema . Fazíamos até corridas com estes carrinhos de rolimã . Na Rebouças , entre as duas vias asfaltadas , uma que subia eoutra que descia , existia um largo gramado . Ali jogávamos voleibol ,colocando uma rede presa nas arvores plantadas duas a duas , uma de cadalado daquele gramado . Hoje , com o alargamento dos trechos asfaltados , asarvores não existem mais. O canteiro central praticamente sumiu . Do outro lado da Rebouças existia uma imensa área , em partegramada , em parte de terra assentada , toda acertadinha e projetada parafutura expansão do complexo do Hospital das Clinicas . Naquele tempo asClinicas se resumia apenas no prédio principal . O restante da área ficava àdisposição da molecada . Lógico que virou nosso principal campo de futebol . Também naquele tempo meu pai era Diretor Geral doDepartamento Estadual do Trabalho . Ele e seu amigo , o diretor ÂngeloZannini ( depois Deputado Estadual ) , criaram um clube esportivo quedisputava o campeonato de futebol amador da cidade . A sigla deste clube eraCADET , ou seja: Clube Atlético Departamento Estadual do Trabalho . Foramvárias vezes campeões amadores do Estado . Suas camisas eram azuis com uma banda branca . Quando estascamisas ficavam velhas e desbotadas deveriam ser descartadas . Então eu asganhava . Assim criamos o clube da meninada da Alameda Tietê. Também sechamava CADET (pois não tínhamos como mudar seu distintivo) ou seja :“Clube Amigos Do Esporte Tietê” .O nome foi bem ajeitado mas as camisaseram enormes para a gurizada .
  • 214. Ali , nos arredores das Clínicas , jogávamos contra outrosclubes de moleques da região . Nosso primeiro jogo foi contra um time da RuaMorato Coelho , que ficava logo depois , no bairro de Pinheiros . Estreamos ascamisas ganhando de 3x0 . Vico fez os três gols . Lembro que neste jogocontamos com a presença do Cesar Affonseca , do João Campos , e doDeoclides Brito . Comigo eram quatro do Paulistano . Era a primeira vez que jogávamos de uniforme completo . Ganhamos no jogo ... Perdemos na briga ... logo depois do jogo.Quem apanhou mais foi o juiz , um garoto chamado Luizinho , que morava naRua Oscar Freire . Aquele lugar era ainda ideal para empinar papagaios .Não tinhafios de luz elétrica. PISCINA DA FACULDADE DE MEDICINA -USP Mais para cima daquela área , que circundava o Hospital dasClinicas , ficava a Faculdade de Medicina . Antes dela tinha uma pequenamata , cheia de arvores de araçá . Muitas vezes comi daquelas frutas , colhidasnaqueles pés . Em toda aquela região tinha muito araçá . Logo depois encontrávamos uma pequena piscina que pertenciaa Faculdade . Era a alegria da molecada . Ali não era permitida nossa entrada.Quem tomava conta do local era um português apelidado de “Saracura” . Entretanto , de um jeito ou de outro sempre conseguíamos nadarnaquela piscina . Para tanto tínhamos um esquema . Já íamos com um calção quepermitisse nadar . Ficávamos escondidos no mato , por perto . Um dos nossosera escolhido para vigiar o “Saracura” o tempo todo . Quando ele estava longeo nosso vigia tocava uma flautinha. Ela soava como um passarinho . Era o sinal para entrarmos na água . Dois toques seguidos daflautinha significava perigo . Precisávamos sair correndo da piscina . Muitasvezes o esquema dava certo . Outras vezes o tal de Saracura pegava alguém .Então ele o carregava pelas orelhas para fora . Ainda batia nas suas pernascom uma varinha . Mesmo assim todos achavam que valia a pena . - “BLACK - OUT” NO GUARUJÁ No verão de 1943 , precisamente em Janeiro , fomos passaruma temporada no Guarujá . Papai havia conseguido vaga para a família emuma nova e bonita “Colônia de Férias dos Diretores do Estado” . Foi aprimeira vez que fui para aquelas praias do Guarujá . Tomamos o trem da antiga “SPR” na Estação da Luz . Com eledescemos a Serra do Mar . Logo depois de ótima viagem chegamos emSantos. Daquela estação era preciso ainda pegar um outro trenzinho , para
  • 215. alcançarmos o embarcadouro das Balsas . Do outro lado onde ficava oGuarujá . Assim , em cima de uma Balsa , era transposto o Canal e destaforma transpúnhamos o mar , passando de Santos para o Guarujá . Também foi a primeira vez que andei de “navio.” Era apenasuma balsa mas adorei , apesar do pouco tempo que levava esta travessia . Depois , ainda no trenzinho, seguíamos para as praias doGuarujá . Eram lindas , muito brancas , então com uma cor de mar – azulquase turquesa - que ainda não tinha visto.( e que hoje desapareceu). Desembarcamos em uma pequena estação , junto ao GrandeHotel do Guarujá. Ele era novinho, com extensos terraços em sua volta Ficava na Praia das Pitangueiras . Na época existiam poucascasas naquela praia . Para chegarmos à Colônia de Férias , que ficava em outrapraia , na Praia do Guarujá , tomávamos uma charrete . Era a única conduçãopossível .( Os automóveis somente conseguiram autorização para entrar noGuarujá após nossa volta para São Paulo , no final daquele ano ) . Depois deste passeio , inesperado por mim , chegamos ao localde nossas férias . Era um prédio térreo , bem alongado , com terraços e jardinsna parte frontal . Estava cheio de gente e com muita criançada . Gostei . Gostei ainda mais da comida , pois chegamos justamente nahora do almoço . A viagem deu fome e o peixe com pirão ficou inesquecível . . No fim da tarde fomos nadar . Naquele tempo as famílias iampara praia no começo das manhãs e depois das 11 horas não ficava ninguém .O sol era respeitado quando ficava muito forte . Durante a tarde os banhos demar só começavam depois das 15 horas . Naquele dia , contrariando meu costume de coruja , fui dormirlá pelas 8 horas . Estava muito cansado . Comecei a conhecer um Guarujá que hoje não existe mais namanhã seguinte . Na antiga praia do Guarujá , que hoje é chamada de ‘Praiadas Astúrias”, pela legislação municipal de então existia proibição paraconstrução arranha céus . Por lá encontrei amigos do Paulistano . Praticamentenão houve tempo de ficar com eles . O que morava mais perto era o UrbanoCamargo e seu primo Paulo . Com ele quase todo dia íamos nadar juntos . Com desenvolvimento do local , os políticos , na época logoapós guerra , arranjaram um jeito de burlarem a lei . Mudaram , por debaixodos panos , o nome da Praia do Guarujá para praia das Astúrias , pois papelaceita tudo . Deram para a praia o nome do Cassino que existiu no local.Assim tudo ficou “ legal” . Na praia do Guarujá continuava proibida aconstrução de edifícios ( mas onde é a Praia do Guarujá agora ? ) . Porem na
  • 216. praia das “Astúrias” foi permitida . E tome construção de prédios , em localque , pela própria natureza , era destinado somente para construção de casas . No final daquela praia , onde anteriormente existira umCassino, foi tudo destruído logo no começo da guerra , pois a ordem eramanter todo litoral escuro –“ black-out” . O cassino seria muito iluminado.Qualquer luz poderia ser sinal para submarinos inimigos ... !???! Sei lá ! Entretanto , ao lado direito dos Astúrias , saía um caminho paraoutras praias que eram praticamente desertas , como a do Tombo e dasTartarugas . Para alcança-las passávamos por vários morros , situados bemjunto ao mar . As vistas eram lindas . Muitos dias fui com a garotada por aqueles caminhos . Nãoíamos sozinhos . Íamos acompanhando os soldados da Companhia deInfantaria , pois eles estavam cavando trincheiras em todos os morros daregião . A criançada gostava de passear com eles pois eram simpáticos e osargento que os comandava , Sargento Mendes – se não me engano , era gentile conhecido dos dirigentes da Colônia de Férias . Outras vezes quando os pescadores caiçaras , que viviam naregião , avistavam cardumes , ficávamos olhando a saída das canoas . Depoisajudávamos a puxar as redes . Vinha peixe de montão . Eram comprados porquase nada . Iam para as panelas da Colônia de Férias , pois o cozinheiro eramestre , principalmente nas peixadas a brasileira . Peixe era prato queninguém rejeitava . E o peixe “ que nós pescáramos ”era muito melhor . Passeio gostoso era aquele para a Praia da Enseada . Comoficava bem longe e não tinha estrada , sendo o caminho realizado pelas praiasexistentes , precisávamos levantar bem cedo para alugar as charretes . Opessoal ia em bando, ocupando sempre três ou mais charretes e algunscavalos. . Depois da praia das Pitangueiras praticamente não existia mais casaalguma . Só a natureza . No caminho era fácil encontrarmos muitas jaqueirascom seus frutos madurinhos . Somente no fim da Enseada é que se avistava umas poucascasas e um Boteco de Pescadores . Ali , naquele boteco , era a paradaobrigatória para almoço , na base de camarão e de todos tipos de peixe . Olocal era concorrido pelos turistas porque a comida era fenomenal . Se o tempo e a maré permitissem , seguíamos até a praia dePernambuco . Sua beleza era indescritível . Era . Hoje não dá para chegarperto. Gente demais . Ambulantes demais . Sujeira demais . O tal “progresso” foi terrível para o Guarujá . As noites do Guarujá , na ocasião da guerra , não serviam parapasseios noturnos pois o “black-out” era obrigatório .Escuridão completa nas
  • 217. ruas . Todas as janelas eram tampadas com cartolina preta , para a luz nãopassar . Assim a diversão noturna era jogar : - dominó , víspora , dama ,cartas e tudo mais . Porem , no máximo até as dez horas , pois depoisninguém mais ficava acordado . A praia e os passeios começavam bem cedo . Alem disto para alugar cavalo para passear ou mesmo alugaruma bicicleta era necessário pular cedo da cama . O melhor sorvete das férias “acontecia” no “Grill do GrandeHotel”. Ele ficava em cima de um pontão de pedra e areia na praia dePitangueiras . Lá existia uma linda piscina cercada por uma áreamaravilhosamente pavimentada com pedras polidas e com plantas , flores emuitas mesinhas . Tinha uma linda pista para danças . Era o ponto alto dastemporadas . Hoje no local , pois foi destruído o tal “Grill” , parece que existeum clube . Não sei bem .Pode até ser um super mercado .Sei lá . Lembro que olocal era muito agradável . Durante muito tempo o Guarujá foi maravilhoso . Quando moçofui inúmeras vezes para lá . Gostava do Clube das Samambaias que foiconstruído na década de 50 . Um local de gente muito bonita . E todos erampessoas conhecidas . É isto ai . Quem viu ...viu . Quem não viu ...nem sabe como eralindo nosso Guarujá , hoje invadido por bandidos e assaltantes . A última vez que estive no Guarujá foi em 1995 . Fui convidadopara passar o Carnaval na casa da amiga Sulita . Depois de levar quase 5 horaspara chegar à praia de Pernambuco tive uma surpresa maior e pior . A cidade ea praia estavam entupida de gente . Cheia de ambulantes de todasmodalidades , que faziam uma sujeira imensa por toda praia .Difícil deacreditar . Todos os convidados de minha amiga , que foram comigo,resolveram voltar para casa . Por sorte , no seu jardim com uma gostosapérgula , havia uma linda piscina . Ali passamos todo o carnaval que foimuito bom , pois os amigos eram simpáticos e animados . Guarujá ... que pena ! - A QUEDA DO AVIÃO “A- 20” Em São Paulo também tínhamos “black –out” , mas erampoucos , somente para treinamentos . As noticias do “front” europeu eramboas . Os pracinhas brasileiros estavam lutando na Itália e obtendo sucesso ,principalmente nas batalhas de Monte Castelo . Poucas coisas tristes sucederam aqui em São Paulo durante aguerra . Lembro de um único caso . Aconteceu um acidente fatal com um
  • 218. avião de bombardeio leve que pertencia a FAB . Era do tipo A-20 ,com doismotores , de fabricação norte americana . Nós estávamos na escola , agora iniciando o ginásio , situadana Av. Paulista , perto do Trianon , quando ouvimos um estrondo . Ocorreu por volta das nove horas da manhã . Ao meio dia ,quando da saída dos alunos , o acontecido chegou até nós . Um avião da FAB havia caído na Praça 14 Bis , junto àAvenida 9 de Julho . Toda meninada foi ver . Mesmo de longe , lá do alto doTrianon, já dava para avistar os destroços . Na ocasião não existiam tantosprédios obstruindo a visão e permitiam uma linda vista do centro da cidade . O avião havia caído de bico e afundado na terra . Só víamos oresto da cauda e pedaços das asas . Mesmo quando chegamos mais perto nãose via direito o avião que ficou enterrado . Por sorte ou habilidade do piloto , oque nunca soubemos , aquele bombardeiro não atingiu o casario situadonaquela parte do bairro da Bela Vista . Nem explodiu . Infelizmente nenhumdos tripulantes se salvou. No local o silêncio de respeito pelos mortos tomava conta .Naquele dia voltei triste para casa . Era a primeira vez que via um acidenteaéreo . E também a primeira vez que via pilotos brasileiros falecerem , mesmonão sendo em combate , mas realizando uma missão . Para felicidade mundial a guerra não durou muito mais . O Eixoperdeu a guerra . Muito foi comemorado . A comemoração maior , entretanto , aconteceu na chegada dos“pracinhas” brasileiros , trazendo no fardamento um distintivo , ou melhor ,um emblema que significava a luta deles na 2a. Guerra Mundial : “A cobra está fumando .” Nossa família estava feliz , pois meuprimo , o “pracinha” Hamilton , filho do tio Nhonhô Brandão , voltara são esalvo . Muitos brasileiros ficaram nos campos de batalha . Hoje estãoenterrados no Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia – Itália . Grandes comemorações e desfiles militares foram realizados emtodo Brasil . Em São Paulo ele ocorreu na Av. São João . O povo era tanto queos soldados que lutaram na Itália só desfilaram no início das festividades . As faixas limites , delineadas por cordas , foram quebradas e opovo carregou nos ombros todos soldados paulistas . Um Monumento aos Combatentes Brasileiros Mortos emCombate foi erigido no final da Av. Paulista . Hoje , não sei porqueaparentemente não está mais lá . Claro ... morto não vota !
  • 219. “NATAÇÃO , FUZARCA E CIA.” Edu MarcondesA “Aura” da Velha Piscina - Um Tiro na Rua Argentina –Molecagens no Vestiário Masculino Hoje , analisando como tudo acontecia no passado do Paulistano ,fico admirado , realmente admirado , como tanta e quanta coisa boaacontecia na sua Piscina Velha. Ela era na realidade um “Pólo de MuitaDiversão , de Muita Alegria” , principalmente quando a comparamos comas piscinas atuais . Agora , tudo foi mudando , não só por falta real de espaço , pois osócio agora ou fica sentado tomando sol , ou é obrigado a nadar . Não temnem muito espaço , nem o fundamental para saudável diversão . ou seja :Uma turma muito amiga . Nem existe o principal . O “clima para viver ascoisas divertidas desta vida !” Antes a piscina era lugar dos mais alegres em todo Paulistano . A“aura existente naquela velha piscina era indescritível” . Hoje não é a mesma coisa , pelo que tenho visto . Antigamente , na Piscina Velha , apesar de numero menor dehoras disponíveis para diversão e entretenimento , eles sempre aconteciam.Vou lembrar e contar algumas destas coisas boas , ainda neste capitulo . Antes . O espírito de irmandade e de amizade já começava mesmodentro do vestiário .. Não existiam armários , somente locais onde eratrocada a roupa e pendurada . Seus bens pessoais poderiam ser guardados separadamente . Entretanto, quase ninguém utilizava este espaço para guarda debens . Tudo que você tinha poderia ficar em seus bolsos . Nada sumia !Tudo era realmente da Turma do Clube ,que realmente era umprolongamento de nossas casas ...! Dentro daquela piscina acontecia de tudo, quase com hora marcada,porem sem muito planejamento . Apenas por “Usos e Costumes’ muitonaturais . Primeiro . Logo bem cedo , entre 7 e 7,30 horas da manhã ,aquelesque realmente vinham treinar natação já tinham chegado, diariamente .Nem tínhamos técnico Então , enquanto alguns realizavam ginástica deaquecimento, outros já estavam nadando , em longa distância ou com tiroscurtos . Dentro desta turma lembro do Candido Cavalcanti , do Cláudio“Pinduca” Lunardelli , Eugenio Amaral , Pedro “Alemão” , RobertoGuimarães, José Ayres Neto, Urbano Camargo , entre muitos outros .
  • 220. Lembro sempre que Eugenio Amaral me convidava para um treinolongo. Então combinávamos o tempo, pois não iríamos nadar por metrosmas por hora. Depois , por volta das 8,30 começavam chegar as mamães com acriançada . Naquele tempo, as mães vinham costumeiramente com os filhospequenos . Tomavam sol e nadavam até as 10 horas , pois o sol ainda erabom . Antes de entrar na piscina a gurizada se agrupava , sob olhar atentodas mães . Brincavam . Só alegria . Então , pelas 10 horas era o tempo de garotas e rapazes . Muitosinicialmente ficavam na “Pérgula da Piscina” , paquerando , jogandoconversa fora , tomando sorvete . Depois as meninas iriam desfilar comseus biquínis . Aquele local era amplo e tinha vista para todos cantos dapiscina . Neste horário chegava também a molecada . Então começavam asbrincadeiras de pega pega . Aconteciam dentro da piscina e fora dela , nostrampolins e no escorregador . Por vezes até nos muros que cercavam apiscina do lado da Rua Argentina . Passavam para o muro pelos trampolinsque ficavam ao lado . Quando perseguidos pulavam do muro para dentroda piscina ( eu também pulava . Hoje acho que era muito perigoso ) . Outra brincadeira da molecada era jogar coisas no fundo da piscina edepois mergulhar para pegar . Eram coisas bem pequenas como grampos ,pedrinhas e botões . Quem já estava trabalhando , muitas vezes vinha se refrescar antes doalmoço . Podiam ser encontrados Luiz Carlos Tibiriça , Pedro Padilha ,Luiz David Ribeiro , Armando Salem entre outros . - UM TIRO NA RUA ARGENTINA Quando estava chegando meio dia era tempo de trampolim . Quemsabia saltava . Outros somente pulavam em pé . Queriam espirrar água . Alguns como “Eugênio Pistinguet” pulavam do terceiro trampolimpara o segundo . Assim o impulso era muito grande . O lançamento dosaltador para o alto era bem definido . Ele subia bem alto podendo darestilo ao mergulho . Naqueles trampolins aconteciam muitas coisas . O terceiro trampolimficava em uma Plataforma , a qual por sua altura com mais de oito metros ,também olhava para fora , para a Rua Argentina . Um dia um grupo de rapazes estava ali , tomando sol e conversando :- Leo Berman , Caio Kiehl, Luis Carlos Junqueira , Acacio “Geléia” ,Fernando “Baiano” Abdo , Deoclides Brito, “Pistinguet” , Eduardo dePaula e este relator .
  • 221. Então passou um casalzinho de namorados. A moça era linda . Cadapasso que eles davam a turma ia assobiando , marcando cada passo . Amusica do assobio era aquela que acompanhava os filmes do “Gordo eMagro” . O casalzinho foi passando . Sem falar . O casal virou a esquina e sumiu . Pouco depois voltou . Os assobios recomeçaram . Então , quando chegaram bem em frentedo trampolim o moço parou . Puxou um revolver , apontou para cima eatirou . Bem para cima . Para assustar . Assustou Mas assustou mesmo ! O fogo do cano e o barulho do tiro espantou todo mundo . Quem sabia pular do trampolim pulou . Quem não sabia pulou também , depois foi se limpar no banheiro. Também naqueles mesmos trampolins e na plataforma do terceiroandar , começou a se formar , com a geração que veio depois da minha , umgrupo de garotos que fazia todas as brincadeiras e todas as palhaçadas de“Aqualoucos”. Eram comandados por Acácio “Geléia” Mâncio e Chico Apfelbaun– irmão do “Pistinguet” . Até o grandalhão Tozinho Lara entrava nabrincadeira . Vinham as vezes fantasiados e tinham um show muito bemprogramado . Nunca entendi como aquela molecada , uns dez ou doze,conseguiam cair, tomando tremendos tombos dentro dágua , tanto dostrampolins , como da alta plataforma , sem se machucar e continuar dandorisada . Eles eram realmente bons no que faziam . Traziam alegria que não custava nada . Hoje nem mais trampolim existe . Alguém não gostava de saltar ... Quase todos os dias , um pouco antes do meio dia , chegava paranadar um senhor um pouco mais velho , tendo aproximadamente uns 50anos . Era muito carequinha . Seu apelido era “Tartaruga”. Isto porqueaquela cabeça careca era a única coisa que ficava fora da água . Nadavabem devagar , sem quase movimentar água , no estilo clássico . Aquelacarequinha fora d’água parecia mesmo uma cabeça de tartaruga . Ele vinha sempre . Então, quando entrava na piscina e ia nadandodevagar , no estilo clássico , toda molecada nadava também em estiloclássico em fila indiana atrás dele . Sempre no maior silêncio . Davaimpressão de uma fila de “tartaruguinhas” . No momento em que ele tocavana borda para virar , a fila sumia . Para se formar novamente , poucosmetros depois. Isto durava todo tempo . Quase em todos os dias . O velhonunca reclamou . Dava risada quando saia da piscina . Até hoje não sei seunome . “Tartaruga” marcou seu tempo . Por muitas anos .
  • 222. A piscina fechava a uma hora da tarde , em ponto . Um apito doSalva Vida anunciava . Todos saiam da água para se vestir e sair doPaulistano, que também ficava fechado até as 15 horas . Então , depois daquela hora , o Clube renascia novamente . Na parte da tarde , muitos vinham nadar . Muitos vinham namorar.Estes eram em maior numero . Porem as 5 da tarde começa o jogo de póloaquático . Somente a parte rasa da piscina ficava livre . Todos respeitavam aqueles jogos que seguiam até a piscina fechar .Nós nem tínhamos técnico. Apenas jogávamos . Alguns muito bem , poiseram convidados para disputar campeonatos por outros clubes . Com o tempo o Paulistano cresceu em pólo aquático, teve técnicoe em sua equipe ganhou até um campeão mundial . Seu nome Szabo . Erahúngaro de origem . Com ele ganhamos vários títulos . Cheguei a jogarcom Szabo e com os amigos Telmo Martins , Fernando Sandoval , Zaidan ,Farid Zablit , Adofo Dias e Toninho Salem , apenas em alguns treinos .Quando estes estavam começando no pólo aquático , nós os mais velhos jáestávamos parando . Szabo era muito forte e sua bola tinha velocidade incrível . Por falar em Telmo Martins soube que ele tem idocontinuadamente para o Uruguai com o Luiz Potenza . Vão se distrair ejogar nos cassinos. Boa gente . Telmo e Potenza . - MOLECAGEM NO VESTIÁRIO As brincadeiras da molecada começavam dentro dos vestiários . Uma delas era típica da garotada dos 10 anos do Paulistano . Osamigos iam nadar e deixavam suas roupas no vestiário . Então a Turma daFuzarça pegava as meias dos que estavam nadando . Meias eram cortadasna altura dos dedos . Eles então ficavam de fora. Chegou um tempo que nenhum garoto tinha os dedos do pécobertos por meias . Eles , os dedos , sempre ficavam de fora , lá na pontadas meias. Era marca registrada de pertencer ao grupo . Quando alguém chegava com a meia inteira , era gozado . Diziamque ele não era da Turma do Paulistano . Outra brincadeira da molecada mais jovem , entre os doze e quinzeanos , era dar nó nas pernas das calças ou nos braços das camisas . Entãoaquele dia o amigo , depois de lutar para soltar o nó , saia com a roupa“devidamente plissada” . “Moda jovem”! Todo tipo de brincadeira acontecia , e só poderia acontecer porquetodos eram realmente muito amigos e tratados como irmãos . Aceitavammuito bem todas as gozações . Qualquer coisa dando risada . Uma delas era chamada de “Esquentar Água do Chuveiro” .
  • 223. Naquele tempo os chuveiros ficavam todos juntos , sem divisórias .Caso não me engane existiam pelo menos 6 chuveiros em linha . Então , enquanto alguém tomava banho na água fria , (e naqueletempo só tínhamos água fria) , ele não podia ficar distraído . Nem fecharos olhos lavando rosto ou cabeça . Caso ficasse de bobeira os amigosesquentavam sua perna. Faziam xixi , na perna do distraído . Ainda perguntavam : “- A água não está esquentando ?” Então o “distraído” se ligava . Ficava passando sabão nas pernas,sem parar ... Os demais dando risada . Antes disso , eles também já haviam caído na mesma brincadeira . Aqueles eram outros tempos, em uma outra piscina . Penso que a amizade de então era muito mais forte . Em tudo e portudo ! Tínhamos uma irmandade . A Turma do Paulistano . Qualquer que fosse o acontecido , qualquer que fosse a brincadeira,sempre no final das tardes , antes de voltarmos para casa , muitos daquelesmoleques , quando podiam , iam comer um pedaço de pizza na Columbia. A Columbia ficava na esquina da Rua Estados Unidos com Augusta. Lembro agora : Mesmo quem não podia ... também ia . Como convidado dos outros amigos !
  • 224. PASSEIOS , VISITAS e CINEMAS Edu MarcondesA Vida com Amigos e Família – Cinemas – A Limpa e Bonita SãoPaulo – Prefeitura ...Sem Sentimento Paulista – “Fratura Exposta” Na década de 40 , com a guerra existindo na Europa , o mundotodo estava muito mais sério que o atual . Nos domingos praticamenteexistia uma programação constante . Na parte da manhã , bem cedo, sempremissa . Na época do verão , íamos depois nadar no Club . No invernopassear nos Parques de São Paulo , perto de casa . Trianon e as vezes naÁgua Branca , caso existisse alguma exposição . Elas que eram semprebonitas . Outras vezes saia de bicicleta com os amigos do Paulistano .Nestas ocasiões , quando já estávamos na faixa dos 13 anos pedalávamosaté o Aeroporto ou Santo Amaro . O almoço domingueiro acontecia sempre com familiares . Em meucaso na casa do vovô Oscar. Algumas vezes na casa de um dos meus tios ,tanto do lado materno como paterno . Por vezes também em nossa casa . O importante era a família estar sempre junta . Muito unida . Cinemas Na parte da tarde o cinema era a diversão preferida da família . Porvezes eu ia em matinês com a Turminha do Paulistano . O dificil eraescolher o filme . Cada um queria assistir um filme diferente daquele queoutros queri . No final alguns cediam íamos todos juntos . A nossaturminha do Cinema era composta pelo Cesar Afonseca , João Campos ,Candido Cavalcanti , Ronie Scott , Luiz Carlos Anjos e algumas vezesRomulo Mariano , Marcos Assumpção .. Garotas não iam só com rapazes em sessões de cinema da cidade.Somente as encontrávamos nas matinês do vlho Cine Paulista . Futebol era uma segunda opção , mais para os homens . Filmes de aventuras eram por nós bem apreciados . Também gostavamos de desenhos animados de longa metragem ,como “Gulliver”, “Branca de Neve” e “Pinóchio” .. Entretanto , eu jamais gostei de filmes de “Bandidos e Mocinhos”,pois na realidade , desde pequeno , eu entendia que tanto bandidos comomocinhos eram criminosos . Matavam impunemente . Na realidade osfilmes de Mocinhos/Bandidos eram e são só uma Escola de Crimes . Amor, tipo água com açúcar , era para meninas. Na maioria das vezes matinê era no Paulista antigo da R. Augusta.Depois no Majestic , que ficava depois da Av. Paulista .
  • 225. Algumas vezes eu ia com os amigos do Paulistano nas matines doscinemas do Centro da Cidade . Naquele tempo , mesmo para jovens eranecessário paletó e gravata . A nossa turminha era muito unida . Além domais naquele tempo a molecada andava solta , sem nenhum problema . A razão maior era poder assistir os filmes seriados que passavamnos cinemas da Cidade . Aconteciam no “Santa Helena”. Entre aquelesfilmes em série : - “Fash Gordon” , “Charlie Chan”, “Zorro” , “Tarzan” emuitos outros . Existia na Praça da Sé , bem ao lado do Cine Santa Helena , ondeas vezes eu ia com meu pai , um cinema de filmes naturais , notadamentesobre a guerra que ia acontecendo. Chamava-se “Cine Mundi”. Ficavacheio pois era a única forma de ver o que acontecia na Europa . Eu separava o centro da cidade em duas partes , devidamenteseparados pelos Viadutos do Chá e Santa Efigênia . Eram aqueles centrosentão chamados de : Centro Velho e Centro Novo . Dentro do Velho ficavam Praça da Sé , do Patriarca , Rua Direita,Rua São Bento . Daquele lado tínhamos os cines “Alhambra” , “Rosário” ,“Pedro II”, e mais os dois já citados : “CineMundi e “Santa Helena”. Nemtodos eram de cadeiras estofadas . Alguns tinham sessões duplas , com doisfilmes , mais jornais internacionais e por vezes um Curto Desenho. . No Centro Novo existiam mais cinemas : “Opera” na D. José deBarros . “Art Palácio” , “Brodway” , “Ritz” e “Metro” na Av. São João .Na Av. Ipiranga : “Marabá” e “Ipiranga” . Este último era muito elegante eantes de cada sessão tocava um pianista clássico . Na Conselheiro . Crispiniano tínhamos o cine “Marrocos” . Todos eles já acabaram ou viraram igrejas protestantes . Ainda lembro que na frente daqueles cinemas sempre existia umGuarda Civil com Farda de Gala - azul marinho , muito elegante , com umaespada ao lado . Impunha respeito . Nos bairros também existiam cinemas . Na zona sul o queinicialmente operou foi o primeiro “Cine Paulista” , isto desde o início dosanos 40 . Ficava na esquina da Augusta com Oscar Freire . Ao seu ladoexistia uma mercearia-sorveteria que tinha um balcão . Ele que se abriapara o hall de entrada do cinema . Isto acontecia antes das sessões e nosintervalos dos filmes , posto que naquele primeiro Cine Paulista , dascadeiras de madeira, as sessões eram sempre com dois filmes . Matinés só aos sábados e domingos . Muitas vezes saiamos daquele “Cine Paulista” para tomar lanche noPaulistano. No verão ainda dava até tempo para pegar o final da piscina .Ela que só fechava as 6 horas . O crescimento da Augusta terminou com o Velho “Cine Paulista” . Em seu lugar foi construído , lá pelos anos 50 , o novo “CinePaulista” . Era de alto luxo , com sessões corridas. Era “chic” assistir as
  • 226. suas sessões das 22,00 horas de Segunda Feira . Hoje ele tambémdesapareceu . Na mesma Rua Augusta existiam mais quatro cinemas . Agora jános anos 50 . O “Astor” no Conjunto Nacional . Hoje temos em seu lugar aLivraria Cultura . Um pouco mais para os lados da cidade : - Cines“Picolino” e “Majestic”.Também não mais existem. Muitas vezes fuinamorar naqueles cinemas . Namoro muito puro . Só de mãos dadas . Mais perto da Praça Roosevelt o “Cine Marachá”. Dele nem sinal . O advento da televisão é o responsável pelo final da maioria doscinemas de São Paulo. Fica muito mais fácil e mais barato assistir osacontecimentos , filmes e futebol em casa , no maior conforto . Naquele tempo era mesmo exigido o uso de gravata e paletó . A Limpa e Bonita São Paulo de Meu Tempo Nas décadas de 1.940 , 50 , 60 e até mesmo 70 a cidade de SãoPaulo era realmente uma linda cidade . Antes de mais nada muito limpa . Ocentro da cidade era lavado todas as noites por caminhões pipa . Davagosto ver a conservação das praças , dos jardins , das calçadas e de todas asarvores . As vitrines das lojas eram caprichadas na sua exposição . Não apareciam vagabundos pelas ruas , pois ainda existia a“Delegacia de Vadiagem”. Ela funcionava , como ainda funciona em todomundo , e ninguém ficava sentado , sem rumo , planejando alguma coisamá contra o povo da cidade . Também não existiam os “Moradores de Rua”. Estes , casosurgissem , eram levados para albergues , cuidados , lavados , treinados emalguma profissão . Só assim eram liberados , tendo então emprego fixoobrigatório . Lembro que antes , quando aqui chegaram os imigrantes daEuropa e da Ásia , existia até a Casa do Imigrante . Para recebê-los eajustá-los a nossa sociedade . O custo era do Estado . O Vale do Anhangabaú era realmente o cartão postal da cidade .Tinha muito verde com muita grama , flores e muitas arvores . Ele seestendia desde a Praça da Bandeira até a Av. São João . Ia subindo até oTeatro Municipal , chegando mesmo até a Praça Ramos . Era cheio degrandes palmeiras e coqueiros , onde viviam bandos e mais bandos depardais . Ao lado do Teatro Municipal , na descida para o Anhangabaú ,grandes estatuas de bronze , com flores ao lado , dos principaispersonagens das operas mais conhecidas . Ainda elas existem . Todas sujase mal cuidadas .
  • 227. A vista do Anhangabaú , de qualquer lado era muito bonita , Euainda gostava daquela que de cima do Viaduto do Chá olhava a Praça daBandeira , com enorme bandeira do Brasil sempre hasteada . Prefeitura : Sem Sentimento Paulista Hoje deformaram tudo . Uma Prefeita inteiramente ignorante emuito prepotente , sem sentimento paulista , talvez lembrando da secura deonde veio , acabou com todo verde que por ali existia . Só ficou pedra aolado de pedra . Pedra sobre pedra. Horrível ! Perdemos nosso CartãoPostal. Por lá , com concreto mal feito por todo lado , tudo é muito sujo ,pichado e abandonado . Agora é lugar de prostitutas , mascates e malandrosde quinta categoria . A noite é de assaltos . Quando chove forte os túneis por ali inundam . Até os pardais fugiram do local . Pior é que acontece nos lados de Santa Efigênia . A droga e ostraficantes tomaram conta do lugar . De muitas ruas . Perigo ...Perigo ! E a policia não faz nada contra a “Cracolandia”. Por que ? Um horror . Mesmo como filme de “Terror Cinematográfico” ! Onde estão policia , o judiciário e o poder executivo ??? !!! “Fratura Exposta...” O Centro Novo da Barão de Itapetininga desapareceu . Foiinicialmente invadido inteiramente por marreteiros , vindos de fora doestado de São Paulo . Eles que tomaram conta das ruas . Ameaçavam e agrediam até os comerciantes e seus empregados .Provaram inúmeras brigas . Queriam , e por força vendiam toda espécie debugigangas e contrabandos . Ao anoitecer muitos deles assaltavam opúblico distraído . Sujaram e picharam tudo . Ali tudo ficou muito feio ! Continua feio . A policia nada fez , nem a Prefeitura . Governo nada faz ! Conclusão : - A clientela fugiu , as lojas fecharam e/ou mudaram . Ovalor dos imóveis naquele lugar é agora desprezível . Muitos prédioscomerciais estão fechados até hoje . Ninguém compra ... nem aluga ! Osmédicos e dentistas , que formavam um centro especializado, foram paraoutros locais . As confeitarias da Barão de Itapetininga foram fechadas .Uma depois da outra . Ali , depois que anoitece , é região perigosa . Em pleno centro da cidade . A única coisa boa que restou foram os velhos lampiões trabalhadosem ferro batido , com cinco luminárias cada um . Hoje estão sem pintura ,mas existem . Lindos e abandonados . Qualquer dia vão ser roubados ... Outra grande destruição , então com desvirtuamento de bairros, foirealizada pela gestão na Prefeitura de um “Grande Malandro”, disfarçado
  • 228. em gente de bem, que hoje graças a Deus , está sendo processado pormuitas roubalheiras e malandragens . Nem pode sair do país ! Esta aconteceu principalmente e diretamente no Centro , Bairro deSanta Cecília e Barra Funda e Agua Branca . Ate hoje todos reclamam de uma construção horrorosa .Não sei porque continua existindo pois cai aos pedaços . Uns a chamam de“Horrorenda” ( mistura de Horrorosa com Horrenda ) . Outros contam o seguinte história tenebrosa sobre o “Elevado Costae Silva” : - “Para facilitar a vinda de sua casa , situada no Jardim América , echegada em sua industria , situada na Água Branca , o tal “Prefeito Maluc”criou um Enorme e Gigantesco Elevado . Parece até viaduto , que vai setorcendo e virando por cima de Ruas e Avenidas , desde seu início ate seufinal . Porem é preciso ter melhor idéia . Ele tem quilômetros . Ele é chamado pelo povo paulista de “Minhocão” . Uma analise simples de quanto custou , parece indicar que eledesviou , com a tal obra, milhares de dólares para sua conta particular ,devidamente disfarçada. Provas não existem . Mas é o que muitos falam . O tal “Minhocão” começa bem no Centro , na Av. São João ,atravessa grande parte dos bairros de Santa Cecilia e Bom Retiro , seguepela região da Água Branca e vai até a Av. Francisco Matarazzo, parandoquase em frente de fabrica daquele prefeito malandro . Um Horror... que prejudicou uma grande parte da população . Naqueles bairros existiam milhares de prédios residenciais . Imagine os carros e motocicletas com escapamento aberto que ficamagora passando quase colado aos prédios e apartamentos ali existentes , naaltura de suas salas e de seus quartos. Do 1º até o 6º andar.Quem agüenta ? Toda região ficou muito desvalorizada ! Muito ! E vá dormir com aquele barulho nos ouvidos . E vá viver naquela poluição de fumaça de autos . Vergonha ! E ninguém na política faz nada . Nada !!!! Debaixo daquele “Minhocão” o mau cheiro toma conta de tudo . Em cada canto marcas de urina , provenientes de migrantes que semudam para São Paulo constantemente . Os coitados , não tendo ondemorar ficam debaixo daquele elevado . Então colchões velhos e rasgados ,pedaços de madeira , plásticos rasgados , roupas sujas e resto de comidaficam misturados com aqueles que vivem por ali , com muitos cachorrosvira latas que fazem muito mais sujeira . Eles que não tem prazo para sair . Nem para onde ir . Uma tristeza sob qualquer aspecto . Placas de “Vende-se” e “Aluga-se” em toda parte . Nada resolvem .
  • 229. Caso alguém precise de uma prova sobre “Insensibilidade ,Incapacidade e Ganância dos Governantes” , que tudo permitiram e tudoassistem , basta olhar para o tal “Minhoção” . Ali vão encontrar o “Tudo negativo ! ” . Ao vivo e em cores ! Ali é realmente uma Fratura Exposta da nossa cidade . Coitada da linda cidade de São Paulo de minha mocidade ! Foi invadida ... Foi saqueada . E o saque continua ...
  • 230. DOCES LEMBRANÇAS Edu Marcondes Lembrança do Jardim Paulista – Amigos da Alameda Tietê –A Molecada da Rua Consolação – Aprendendo Brigar Por Necessidade . A guerra nos fez mudar de casa . Faltava gasolina na ocasião . Tinha saudades de muitas coisas da casa da Rua Gal . FonsecaTelles . Os amigos eram uma das saudades . Uma outra , que no começo nãoparecia nada , marcou bastante . Era lembrança de um velho italianochamado Bepo. Ele que todos os dias passava pelas ruas do Jardim Paulistavendendo frutas e verduras. Vinha , com uma pequena mula que carregava dois balaios decada lado do seu lombo , calmamente . De um lado trazia frutas . Do outroverduras . Todas bem escolhidas e bem fresquinhas . Todo dia chegava e tocava a campainha . Quanto era atendido iafalando com sua pronuncia italianada : “- Bananero , verdurero. Tuto buono signora”. Eu ia com a mamãe atende-lo .Depois que ela efetuava ascompras ele sempre dava uma banana ou uma laranja para mim , e saiadizendo , ou melhor , cantarolando : “- Andiamo via ... Rosina mia . Andiamo via ...” A mula ao ouvir o dono começava a andar . Não precisava mais nada . Ela seguia seu caminho . Certo dia , eu tinha ido até a casa de meus avós e encontrei-o navolta . Ainda faltava mais de um quarteirão para minha casa . Vim andandocom ele , até que parou para atender uma freguesa . Parei também . Quando iacontinuar no seu caminho perguntou se eu não queria ir na garupa da mulinha.Disse que sim . Então ele me ajudou a subir e foi cantarolando : “-Andiamo via ... Rosina mia .” Fomos indo até chegar em casa . Ele tocou a campainha .Espereique mamãe o atendesse para me ver em cima da mulinha . Com surpresa elasorriu .Fez suas compras , pagou, esperou minha descida e o canto de seuBepo : “- Andiamo via ... Rosina mia.” Muitas vezes andei na garupa da Rosina .E sempre , mesmodepois de mudar de casa , lembrava de seu Bepo e de seu canto para fazer amulinha andar . Lembrança de menino .
  • 231. Depois de guerra voltamos para a casa do Jardim Paulista . Nãovia mais nem a mula Rosina nem seu Bepo . Soube , algum tempo depois, queele já havia falecido . Senti e sinto a falta daquela doce lembrança . Até hoje , quando quero que alguém saia comigo para passear ,repito docemente a frase de seu Bepo : “- Andiamo via ... Rosina mia... ”- OS AMIGOS DA AL. TIETÊ – AMIGOS DO PAULISTANO Deixando de lado as saudades do Jardim Paulista , comecei aconhecer novos amigos da Alameda Tietê , onde agora residia . O primeiro foi Saulo Ferraz . Ele era irmão de Nívea , esposa doprimo Zézito –( Professor de medicina Dr. Jose Paulo Marcondes de Souza ) .Saulo era de minha idade e com ele comecei a jogar futebol na rua . A bola erade meia , enchida com papel de jornal , muito amassado e comprimido dentrode uma meia velha . Ou de duas meias velhas . Bola de couro era coisa rara ... muito cara . A gente brincavadizendo que , o possuidor de uma bola de couro com câmara de ar , era o donodo time . Acontecia de verdade . Ele começava e parava o jogo . Muitas vezes , nas noites de verão , quando havia futebol debaixodas luzes dos lampiões , o primo Zézito , que na época já era médico formadoe Assistente da Faculdade , vinha jogar com a molecada . Então , muitas vezesa bola era de verdade , de couro . Como tinha sido grande esportista seu timequase sempre tinha chance de ganhar . Na rua carro não existia ! Era uma alegria para a molecada jogar com o “Doutor José Paulo– Zézito” Através do Saulo Ferraz e da bola de meia fui fazendo novasamizades . Conheci Domingos Alves Meira. Morava na rua Melo Alves . Conheci ainda três grandes amigos . Brincamos juntos quandomeninos, praticamos juntos esportes no Club Athletico Paulistano , crescemosjuntos , fomos juntos em inúmeras festas e até viajamos juntos . Hoje aindaquando nos encontramos temos muita alegria . Amizades que duram ,passados mais 70 anos . Eles são : 1- Otacílio Lopes Filho , filho do famoso Dr. Otacílio Lopes ,especialista em otorrinolaringologia . Continuou a carreira do pai , tornado-se,depois de alguns anos , professor de muito gabarito da Faculdade de Medicinada Santa Casa. Muitas vezes assistimos juntos desenhos animados em sua casada Av, Rebouças .
  • 232. 2 e 3 - Rômulo Mariano Carneiro da Cunha -Rominho - , hoje falecido em um desastre de automóvel, e seu irmão José Mariano Carneiro da Cunha - são amizades inesquecíveis. Vou leva-las comigopara sempre . Eles também moravam na Rua Melo Alves .Com eles aprendi a jogar “Taco” na rua . Este jogo também era chamado de “Beti”. Eram dois jogadores de cada lado . No caminho do Paulistano a nossa turminha pór vezes encontrava os Brito : Deoclides , Roberto e Claudio . A turminha crescia . Depois já na Bela Cintra dávamos uma paradinha na casa do Cesar Afonseca e Silva . O final dos encontros era na casa do João Balbi Campos . Estava formada a turminha para jogar bola no Paulistano . Como jogávamos bem , por isto mesmo fazíamos jogos de futebol com meninos de outras ruas . Hoje em dia as crianças não brincam nas ruas . Nunca puderam apreender qualquer diversão deste tipo. Com meus amigos do Paulistano também passeávamos muito de bicicleta, não só pelo bairro , mas com excursões pelo Jardim Europa e muitas vezes chegando até o Aeroporto de Congonhas . Outra diversão era correr de carrinho de rolimã pelos declives das ruas da região .Então não faltavam tombos e muitos joelhos ralados . Com a Guerra a Av. Rebouças ficava vazia . Onibus só de meia em meia hora . Era o tempo para descer a avenida de carrinho . A vida da garotada , com muitas brincadeiras , era realmente nas ruas da cidade . Acredito que tivemos uma oportunidade única que hoje nem se pensa mais . Com todos assaltos , tráfico de drogas e muitos tipos de crime, as ruas atualmente passaram a ser perigosas . Nenhuma mãe , por mais liberal que seja , consente em deixar seu filho brincar nas ruas . Nossa São Paulo , hoje invadida por bandidos , como acredito , ficou triste . Não vemos mais crianças brincando. Seja no bairro que for . O tal “progresso” também neste caso foi péssimo . Através de minha irmã ,de nossas primas e de suas amigas , fizmais três bons amigos, apesar de serem mais novos . José Augusto Medeiros ,hoje dono de um tabelião , seu irmão Geraldo Medeiros que ficou famoso comomédico e Ladislau Lankzaricz que nunca mais vi nestes últimos anos .
  • 233. - A MOLECADA DA RUA CONSOLAÇÃO Além destas duas turminhas tinha ainda a molecada da Rua da Consolação . Todos eram pobres e muitos eram filhos das empregadas do bairro . Moravam quase todos em uma velha e grande casa comunitária , na época chamada de “cortiço.” Hoje em seu lugar um lindo prédio de apartamentos . Praticamente aquelas casas comunitárias deram lugar as favelas , que por sinal são muito piores , praticamente sem conforto e sem higiene . Até nisso nossa São Paulo piorou muito . Ao lado desta casa comunitária existia um grande terreno baldio onde os moleques jogavam futebol .Principalmente no sábado. . Como eu jogava bem , um negrinho amigo .muito querido ,apelidado de Vico , que eu realmente gostava muito , sempre me convidava paradisputa de uma “pelada”. E lá ia eu enfrentar uma barra pesada pois gostava defutebol. Uma minoria dos moleques gostava de me amolar dizendo que eu era“granfino”do Paulistano . E tome botinadas . Eu não reclamava . - APRENDENDO BRIGAR POR NECESSIDADE Dentre esta molecada existiam três que sempre gostavam deaborrecer. Toda hora . No futebol ou na rua . Bastava que eu aparecesse . Eles tinhamapelidos . Eram chamados de “João Gordo” , “Pingo” e “Torrada “. Nunca soube seusnomes verdadeiros .Todos eram um pouco mais velhos do que eu e tambem maiores . Certo dia num jogada de bola errei um passe . Bastou para o tal do João “Gordo” começar a berrar comigo e me chamar de “fresquinho”. Pedi para ele parar . O jogo continuou . Daí a pouco quem errou um chute para o gol foi ele .Eu comentei com Vico que era fácil falar .Ele ouviu e veio empurrando. Logo em seguida recebi um tapa no rosto . Meu sangue ferveu .Retruquei com um soco que acertei entre um olho e o nariz . Ele sangrou na hora . Nesta altura dos acontecimentos , sem que eu percebesse , o Pingo veio por trás e me segurou para o João Gordo bater . Apanhava bastante naquele momento . Não sabia o que fazer .Somente lembro que tomei vários socos , mal dados por sinal , enquanto tentava me defender dando chutes na direção do João Gordo . Só não apanhei muito porque o pai do Vico apartou a briga . Naquele dia o futebol acabou .Eu fui para casa com a camisa rasgada e a orelha direita inchada e assobiando meu ouvido . Deste dia em diante começou uma perseguição . Todo dia , os dois , sempre que me avistavam, começavam xingar e procurar briga . Eu tentava
  • 234. evitar . Era difícil pois para ir à escola era necessário passar pela Rua daConsolação. Fui obrigado a brigar umas vinte vezes . No mínimo . Como eu era bem menor , muito mais apanhava do que batia . Então resolvi que aquilo tinha que parar . Eu estava apanhando quasetodos os dias .E o pior é que não via uma perspectiva de melhorar a situação. Então lembrei . No caminho da escola sempre via uma estaca deroseira fincada no jardim de uma casa , bem perto do muro . Não tive duvidas.Naquela sexta feira , na volta da escola estiquei o braço e , fazendo um poucode força , peguei a tal estaca. Comecei a voltar para casa , com a estaca atravessada e presa pelatampa de couro da minha mala escolar . O que eu esperava aconteceu . Perto da Rua Consolação , ainda nomeio do quarteirão os dois me avistaram e vieram em minha direção . Já vinham xingando . Estavam confiantes . Não repararam na estaca . Quando chegaram perto não esperei muito para ser atacado . João“Gordo” veio correndo e me deu um tapa na orelha . Puxei a estaca e acerteiuma paulada na sua cabeça . João “Gordo” gritou de dor e imediatamente osangue escorreu em sua testa . Antes que o tal de Pingo saísse da surpresa mandei pauladas para cimadele . Só consegui acertar uma , em sua mão , porque depois ele correu. Eucorri atrás mas não consegui alcança-lo . Todos que estavam na esquina viram a cena . Naquele dia voltei de alma lavada para casa . Escondi no quintal aestaca .Poderia precisar dela outra vez . Mas minha alegria durou pouco . Logo depois do jantar , os pais doJoão “Gordo” e do “Pingo” foram até lá em casa , acompanhados do SeuLuiz- o guarda civil que fazia a ronda na região . Ele soube de tudo que tinhaocorrido e contou para meu pai com detalhes . Depois ainda disse : -“Não vou levar esta ocorrência para frente pois seu filho foi sempreprovocado pelos outros dois . Testemunhas , tanto da Padaria como do Bar láda esquina , confirmam este fato . Ocorre entretanto que os filhos destessenhores precisam de atendimento médico . O João precisa levar uns pontosna cabeça . O Pingo está provavelmente com um dedo quebrado . Alem domais estas brigas diárias vão ter que parar de vez .Todos os senhores vãotomar providências junto aos seus filhos , antes que tenhamos maioresproblemas .” Meu pai me chamou e eu contei toda a história . Ele pediu um minutopois iria ligar para o primo Zézito. Ele era nosso médico .
  • 235. Logo voltou pedindo que os meninos fossem levados para onde meuprimo morava , ali mesmo na Al. Tietê . Ele iria junto . Ganhei um puxão de orelha e a ordem de ficar em meu quarto . Duas horas depois ele voltou dizendo que o tal de Pingo haviaquebrado dois dedos e que o João “Gordo” recebera quatro pontos na cabeça . Não falou muito mais . Pediu entretanto que eu evitasse brincar comaqueles moleques . Terminou dizendo : -“Ainda bem que você nunca voltou chorando , pois então apanhariatambém em casa .” Claro que voltei a brincar com a molecada da Consolação . Guardavaentretanto muita magoa dos dois .Tomava cuidado com eles . Fiquei jurandoque , se um dia ficasse maior do que eles , daria uma bela surra nos dois . A Surpresa O tempo passou . A Guerra acabou . Nos mudamos de volta para oJardim Paulista . Praticamente eu não vinha mais para a Alameda Tietê . Quando cheguei aos vinte anos tinha então 1,82 metros de altura ,pesava 90 quilos e , graças ao esporte,, era muito musculoso . Não tinha mais visto os dois moleques inimigos por quase 7 anos . Uma noite , em uma festinha na casa de meu tio Thomaz Oscar , lá namesma Alameda Tietê , faltou refrigerantes . Então fui com ele até a esquinada Consolação para comprar , na padaria chamada “Estados Unidos” que láexiste até hoje , guaraná e coca cola . Quando estava entrando encontrei o João “Gordo” . Para surpresa minha ele veio todo sorridente falar comigo . Era umabolinha gorda de mais ou menos 1,68 metros de altura. O João “Gordo” , queera bem maior do que eu, tinha virado um anão barrigudinho . Fiquei com pena . Naquele instante ele ficou perdoado . Seria muita covardia baternaquele baixinho . Além do mais a raiva havia passado desde muito tempo. Aproveitei a oportunidade para perguntar sobre o Pingo . Naqueleinstante o rosto risonho ficou triste e respondeu : -“Morreu ... de câncer . Três meses atrás .” Reparei uma pequena lagrima no canto dos olhos do João “Gordo” .Estava colocando minha mão em seu ombro ,tentando consolar a perda doamigo , quando meu “irmãozinho Vico” entrou com o “Torrada” . Olhou ,sorriu e chegou junto . Ganhei um dos melhores abraços de toda minha vida . Dali para frente só tive alegria , pois cada um que chegava ia chamarum outro para me ver .
  • 236. Não voltei para a festinha de meu tio . Levei os refrigerantes masvoltei para a esquina e ficamos conversando sobre o futebol , as corridas atrásde balão e as palhaçadas de nossa infância . Coisa boa que não volta nuncamais. Hoje , de vez em quando , quando passo de carro pela esquina daConsolação com a Al. Tietê , tento ver se enxergo algum daqueles molequesamigos . Parece que o vento os levou no tempo ... Sinto falta de todos .
  • 237. - “O RABO DO DIABO” - Edu Marcondes Festa à Fantasia de Carnaval – Era véspera do Carnaval . Nossa vizinha da casa ao lado , Dona Mariá , amiga de infância deminha mãe desde Ribeirão Preto , iria dar uma festinha carnavalesca para acriançada amiga do Jardim Paulista e do Club Paulistano . Nossos convites já haviam sido recebidos. Para Sabado de Carnaval.Esta festa era vontade de suas duas filhas : Márcia e May . Minhas amigas . Eu achava a Márcia a coisa mais linda do mundo . Dona Mariá era conhecida por suas lindas recepções . Seria obrigatóriouso de fantasia para criançada . Na semana anterior , passeando pelo centro da cidade , vimos variasfantasias nas vitrines das lojas . Gostei e pedi uma de “pirata” . Marisaqueria de “cigana”. Meu pai ficou encarregado de comprá-las Realmente antes do almoço de sábado meu pai chegou com asfantasias . Corremos para abraçá-lo . Queríamos ver tudo naquela hora . Primeiro foi a fantasia da Marisa . Um “cigana completa na cor azul” .Ela foi com minha avó experimentá-la. Adorou . Depois foi minha vez. Papai fez mistério: Então abriu a caixa . Apareceu uma roupinha , de seda brilhante ,vermelha e preta , cheia de bordados . Uma capinha de seda toda vermelhade um lado e preta do outro . Ainda tinha um capuz. De um lado vermelho .Do outro preto . Surgiram meias comprida e vermelhas . Na realidade era uma fantasia muito rica . “Só que era de Diabo !” Tinha ainda o pior : “Dois chifres no capuz . E um rabo no macacão” . Na duvida , ainda perguntei para meu pai , que raio de fantasia eraaquela. Ele respondeu todo alegre : “ Para meu capetinha uma roupinha dediabinho ! Veja como é bonita . Veja que cores vivas e alegres . Ela érealmente muito linda !” Comecei a reclamar . Eu não iria em lugar algum com aquelaporcaria. Queria usar roupa de gente e não de diabo . Vi pelos rostos deminha mãe e de minha avó que elas também não gostaram . Minha mãeporem tentava por panos quentes dizendo que era uma fantasia muitobonita . Eu estava inflexível . Disse que papai teria de trocar a fantasia .Ele respondeu que aquela hora a loja já estava fechada . Então vovó apresentou uma solução . Disse que antes de mais nada eudeveria experimentar. Marisa e Carlinhos concordaram (eles já tinham suasfantasias ) Teté e mamãe também diziam que eu deveria experimentar. Fui voto vencido. De cara amarrada fui provar a tal “fantasia de diabo.
  • 238. Que diabo ! Cinco minutos depois voltei odiando tudo aquilo .Entretanto , a fantasia caia muito bem no meu corpo e era muito vistosa .Todos bateram palma quando apareci . Então , eu vendo que teria de saircom ela , fiz um pedido : - “Retirar os chifrinhos e o tal de rabinho” . Ninguém apoiou a idéia . Todos acharam que a fantasia perderia suagraça e beleza . Ficaria pobre e sem sentido . Não teve jeito . Concordei em ir de “diabinho” . No dia da festa de Carnaval chegamos logo depois de seu começo .Realmente todos admiravam a fantasia de diabinho . Meus amigos doPaulistano , apesar de não gostarem , nada comentaram . Porem ... Clovis ,Luiz Carlos , Candido e Paulinho tinham risinhos nos lábios . . Só que começou a gozação dos outros meninos : -“ Oi...rabudinho ! -“ Oi chifrudo ... , Sai satanás .. Oi coisa ruim ...” Passavam por mim e faziam sinal da cruz. Davam risada . Comecei a ficar aborrecido . Mamãe falou que era inveja que elestinham... Eu queria ir trocar de roupa . Vovó dizia não . Candido Cavalcanti me segurou . Eu queria trocar de roupa . Márcia passou e me deu a mão . Fui levado para a roda de dança .Então começaram a puxar o rabo da fantasia . Jogavam a capa na minhacabeça . Davam tapas do meus chifres . Fiquei bravo e sai para um canto . Fiquei conversando ao lado da mesa de doces . Então um gordinho passou e disse : “- Coisa ruim ... Quer vender este rabinho prá mim ...?” Dei –lhe um soco no meio da cara . Tomei outros dois . No empurra...empurra que se seguiu perto da mesa , foi só bandejas dedoce que caíram no chão . Eu tentava pegar o gordinho mas as mãespresentes não deixavam . A festa quase terminou . Minha tia levou-me para o jardim e pediu calma . Disse que era muitofeio brigar em festa . Nem adiantou eu tentar explicar que ele tinhaprovocado. Todos achavam que eu estava errado . Quase todos . Entretanto , valeu . Ninguém mais mexeu comigo ... Fiquei com olho roxo . Porem com o “ego” massageado ! Por mais que meu pai insistisse não fui ao Baile Infantil de Carnavaldo Paulistano com aquele roupa de diabo . Era detestável . Graças a Deus nunca mais tive que usar aquele fantasia . Minha irmã se apoderou dela e a usou dois anos seguidos . “Xô ...Satanás ...!
  • 239. “A MÁQUINA DA LIBERDADE” Edu Marcondes- - O Poder Passear Em Qualquer Lugar – Idas ao Paulistano – - Nadando por toda Zona Sul - Nadando no Rio Pinheiros - - Bicicletas na Via Anchieta . Finalmente eu estava fazendo aniversário . O melhor é que aqueledia era o dia de ganhar presentes . Um deles muito especial . Seria minhabicicleta . Eu esperava sempre pelo aniversário , natal , páscoa e férias . Quando menino estas datas demoravam para chegar . Porem a melhor coisa naquele dia era sair com minha tia Zélia –“Teté”- e escolher o presente que desejava . Uma bicicleta ! Almoçamos e quase não comi nada . Despedidas e lá fomos nós. De bonde para a cidade . Descemos no Largo do São Francisco efomos andando até a Praça do Patriarca . Ali existia uma casa que era osonho de toda gurizada . “Loja São Nicolau” . Existiam brinquedos e jogosde todos os tipos . Logo que chegamos minha tia pediu para ver as bicicletas . Ovendedor nos levou em um setor da loja onde existiam muitas . Então já fui escolhendo uma cor prata brilhante . Era a maior quetinha . Teté e o vendedor deram risada e disseram que aquela não servia .Para o meu tamanho só existiam duas . Pretas : Uma “Phillips” inglesa euma “Rex” alemã . Escolhi a alemã pois o freio era do tipo “contra pedal” . A bicicleta foi de taxi para o Jardim Paulista . Fui feliz da vida . Quando os convidados estavam chegando eu ficava mostrandominha bicicleta para cada um deles . Tentava andar mas não conseguia. Somente no sábado , depois de alguns tombos, meu pai conseguiuensinar a forma de andar naquela “magrela”. Neste mesmo dia comecei iraté o final da rua e voltar sem cair . Nesta época meu avó Thomaz Oscar estava começando a construirsua casa na mesma rua que a nossa . Era motivo para que todos os dias eufosse até lá . Na realidade eu queria encontrar dois amiguinhos que por alitambém andavam de bicicleta . Por coincidência os dois também tinham onome de Eduardo . Um da família Figueirôa . Outro da família Munhós . Com eles comecei a conhecer toda a região dos Jardins . Íamos debicicleta passando pelo Clube Harmonia , na Rua Canadá . Depois seguindo a Rua Argentina chegávamos até o Paulistano ,onde eu já tinha muitos amigos . Íamos sempre de bicicleta . Estes passeios fiz durante muitos anos . Na Velha Piscina Quando estava mais crescido , dentro do Paulistano , euprimeiramente seguia para a piscina e encontrava os amigos Candido
  • 240. Cavalcanti, Pedro “Alemão” e Clovis . Logo chegavam os dois irmãosMacedo – Edison e Ari que iriam nadar e brincar com nossa turminha .Outros amigos iam chegando . Eugênio Amaral , Claudio Lunardelli , LuizCarlos Anjos , Eduardo de Paula , Fernando “Baiano” Abdon . Os já mocinhos chegavam um pouco mais tarde : - PedrinhoPadilha, Paulo Ribeiro , Tozinho Lara Campos , Luis David Ribeiro ,Cuoco “Coquinho” Um pouco antes da hora do almoço , os que játrabalhavam vinham dar um mergulho para refrescar . Armando Salem eLuiz Taliberti nunca faltavam . As ruas da zona sul eram muito pouca movimentadas . - Nadando Pela Zona Sul Independente da piscina do Paulistano , toda molecada , tanto dosJardins como os amigos do Club , gostava de ir nadar em vários locais ,principalmente quando a nossa piscina fechava no inverno , no final deMaio , para limpeza geral . Só reabriria no início de Setembro . Porem sempre existiam dias de “Veranico”. Na esquina da Groenlândia com a tal rua Escócia ( hoje é acontinuação da Av. 9 de Julho ) , nos anos de 37/40 , existia uma “GrandeBoca de Lobo” onde desembocava encachoeirado um Córrego , acho queera o chamado “do Sapateiro”. ( hoje no local existe o Conjunto deEdifícios dos Bancários”) . O córrego nascia pelos lados do Ibirapuera evinha canalizado até ali . Formava no local um pequeno lago de poucaprofundidade, onde a criançada vinha nadar . Foi a alegria da molecadadurante muitos anos . Ali se nadava de cuecas . A fuzarca era grande pois aágua era limpa , rasa , sem perigo . Quando deram continuidade a Av. 9 de Julho ele sumiu . Foiaterrado . Outro local ficava logo abaixo da Av. Brasil , do outro lado daBrigadeiro Luiz Antonio . Por ali logo chegávamos ao antigo Ibirapuera .Ficava três quadras de minha casa indo pela Rua Groenlandia . Ele não eranada parecido com o que apresenta hoje . Era muito mais rústico e maisnatural , tinha mais lagos e muitos mais campos de futebol varzeano. Naqueles vários lagos do Ibirapuera nadamos durante anos . Os “Campos de Futebol”eram bons, pois tanto a Portuguesa comoo São Paulo muita vezes por ali iam treinar .Eles não tinham campospróprios para treinar naqueles tempos . Então não existiam ruas calçadas nem prédios no Ibirapuera . O Parque era muito maior que o atual , pois chegava até o InstitutoBiológico, lá pelos lados da Vila Mariana . Não sei como , mas o Parqueque era do povo foi cortado e recortado várias vezes. Parte dos terrenos foipara a Assembléia Legislativa de São Paulo , que secou um lago e por ali seinstalou . Nadamos muitas vezes também naquele lago .
  • 241. Parte do Ibirapuera depois foi ainda muito dividido . Parte foi parao Exercito . Parte para o Ginásio de Esportes. Parte para a OAB , ( nem seise por ali continua ) . Até o Judiciário se beneficiou com uma grande parteloteada em terrenos , hoje denominada Jardim Lusitânia . Nadando no Rio Pinheiros Alem dos amigos do Paulistano , eu tinha minha turminha da RuaGal. Fonseca Telles . Como já contei , existiam os dois Eduardos (Munhose Figueirôa). Por lá fiz também amizade com outros garotos que viviamperto da Rua Veneza . Seus nomes : Romeirito , Ditinho , Dieter e Marcos . Um dia Dieter , que era um pouco mais velho , nos contou boascoisas sobre o Rio Pinheiros . Dizia que tinha estado por lá com seusprimos. Que era fácil chegarmos no local , saindo logo depois do almoço evoltando a tardinha . Tanto contou que , por sugestão de CandidoCavalcanti , resolvemos ir nadar no Rio Pinheiros , pois ele garantia que aágua era limpíssima e transparente . Lembro : isto era em 1.944 . Era final de Agosto e já estava ficando quente . Resolvemos ir napróxima 5ª. Feira . Deveríamos levar um lanche . Ficou tudo combinado . No dia marcado a tarde estava bem quente . Levamos meia hora debicicleta para alcançarmos o Rio Pinheiros , passando por vários camposde futebol . Candido Cavalcanti com Dieter na frente . O local conhecidopelo Dieter era muito bonito . Ficava num remanso , em uma curva do rio ,onde existia nesta época de seca uma prainha de areia . O rio não fora aindaretificado , nem recebia esgoto . Tudo era natural e limpo . Do lado algumas arvores . Mais para a frente a sede náutica doantigo Club Germânia, que na guerra mudaria de nome para ClubPinheiros. Tiramos a roupa e fomos nadar de cueca em uma água bemlimpa . O sol estava bem forte . Dava para ver a unha do pé e areia nofundo . Naquele remanso água batia na altura do peito . Candido Cavalcanticomentava a limpeza da água . De repente o Ditinho começou a gritar sem parar . Falava de umbicho vermelho e grande . Achamos que fosse cobra e saímos da água .Ficamos na margem olhando . Depois de muita brincadeira fomos comernossos lanches . A tranqüilidade durou pouco . Ditinho voltou a gritar emostrar o lugar onde tinha alguma coisa. Dieter logo avistou e foi dizendo : “- Eta neguinho burro ! Medroso ! O bicho é um “pitu ...camarão deágua doce” . De noite não vá mijar nas calças pensando nele”. Depois de muita gozação voltamos para casa , combinando quenada falaríamos para nossos pais . Todos juraram . Foi preciso . Voltei quando menino muitas vezes até o Rio Pinheiros .Algumas vezes para nadar com os amigos do Paulistano : CandidoCavalcanti , Pedro “Alemão”, Jose Hugo , Clovis , Albano Camargo e
  • 242. muitos outros . Acontecia sempre quando a nossa piscina estava fechada noInverno e por acaso em um dia de calor . O Rio Pinheiros era limpíssimo ! Hoje fujo do lugar , pois virou o Maior Esgoto ao Céu Aberto .Muito fétido ! O pior : agora está cercado de avenidas e prédios . Por mais incrível que pareça li no jornal que os bombeiroscapturaram no local uma capivara . Bem viva. Em 2010 ! Dei um apelido para ela : -“ Fedegosa” ! Bicicletas na Via Anchieta Por volta de 1.949 a Via Anchieta ficou pronta . Então por ali, nocomeço do uso daquela via , ainda era possível andar de bicicleta . Quandofui para São Vicente por esta nova estrada vi inúmeras bicicletas andandona Via Anchieta . Até onde iam eu não sabia . Outros também sabiam do fato . Então nossa turma resolveu ir debicicleta até Santos . Os que desejavam ir achavam tudo muito fácil . Osque não queriam ir davam mil razões para evitar o passeio . Depois demuita conversa concluímos que era possível chegarmos em Santos .Levaríamos 5 horas no máximo , pois eram somente 55 quilómetros . Assim um grupo de 8 rapazes , com idade variando entre 16 e 18anos, resolveu que iria no próximo sábado . Sairíamos por volta das 5,30da manhã . Entendíamos que até as 11 horas estaríamos nadando nas praiassantistas . Para tanto todos deveriam se encontrar na porta do Paulistano ,levando um bom lanche , garrafa de água na bicicleta e um maiô . A roupadeveria ser leve , com um boné para evitar o sol . Bicicleta só iria conoscose tivesse bons pneus e se estivesse em boas condições . Isto ficara muitoclaro . A turma dos bicicleteiros que iriam para Santos era a seguinte : -Hugo Victor , Fredy Magalhães , Candido Cavalcanti , Clovis Fonseca ,Cesar Affonseca , Urbano Camargo Avóglio , Roberto Claro e estenarrador . Todos chegaram cedo . Saímos depois da hora marcada , por voltadas 6 horas . Em 50 minutos , com as ruas sem transito, já estávamosentrando na Via Anchieta . Fomos pedalando perto do acostamento , umatrás dos outros . O lider do grupo ia sendo trocado de tempos em tempos . Depois de 1,40 horas chegamos no Estoril . Paramos a beira daquelarepresa para descansar durante 10 minutos . Dali para frente estaríamossubindo para o alto da serra . No caminho existiam trechos de fortesdescidas que muito ajudaram a subir outras partes , cheia de altos e baixos .logo em seguida . Por volta das 9,45 chegamos no alto da serra . Dali para frente foi umadelícia . Foi descer a serra sem velocidade , sem quase pedalar e comcuidado para não esquentar os freios . Descemos sem perigo algum .
  • 243. A Baixada Santista foi fácil . Um pouco depois das 11 horas jáestávamos na Praia do José Menino . Ali poderiamos parar . Dois do grupo sempre ficavam tomando conta das roupas e bicicletas . Os outros iam nadar . Tomamos nossos lanches , secamos , trocamos de roupa e por volta das3, 30 começamos voltar . Precisávamos subir a serra antes do anoitecer . Na Baixada Santista foi fácil . Porem quando começou a subida daSerra tudo foi ficando difícil . Muito difícil . Depois Impossível . Asantigas bicicletas eram bem pesadas , com aproximadamente 20 quilos ouum pouco mais . Alem de tudo , naquele tempo elas não tinham câmbio .Não iriam nunca subir a Serra do Mar . Ficamos todos parados logo nocomeço da subida . Falando, conversando , discutindo , mas sem saber oque fazer . Depois de meia hora , por volta das 16,30 horas , parou naquele lugarum Guarda Rodoviário. Ele estava de motocicleta . Queria saber o queestávamos fazendo . Quando explicamos nosso problema ele deu risada .Perguntou se não sabíamos antes que isto iria acontecer . Ficamos todoscom cara de tolos . Pensamos em tudo . Esquecemos do peso das bicicletas . A solução veio com aquele mesmo Guarda Rodoviàrio . Ele parou um caminhão grande , aberto .Estava vazio . Perguntoupara onde o caminhão iria . A resposta foi : “Para o Mercado de Pinheiros”.Ele perguntou se era possível levar a rapaziada e as bicicletas ? Como aresposta foi positiva , tivemos autorização para subir no caminhão .Colocamos todas as bicicletas no final da carroceria e passamos uma cordapor cima . Nos ajuntamos junto a cabine do caminhão . Todos de braçosdados para maior equilíbrio . Agradecemos o Guarda e o motorista . E lá fomos nós . Na subida da serra , devagar . Depois o vento , com a velocidade docaminhão , ficou bem forte . Muitos perderam os bonés . Por volta das 19,30 chegamos em Pinheiros . O caminhão parou .Descemos e agradecemos ao Motorista . Em meia hora já estávamos no Paulistano . Entramos no clube com cara de triunfantes . Todos amigos vinhamnos cumprimentar , perguntando sobre nossa viagem . A resposta foi uma só : “ Ótima ! O maior problema tivemos commuito vento na volta . Despenteou o cabelo da gente !” Naquele dia não contamos como subimos a Serra do Mar .
  • 244. 2 - “ CONSIDERAÇÕES INICIAIS Edu MarcondesExplicações necessárias -“ Garoto do Paulistano” e “Fôlego de Gato”-Quem sou eu – Minha Família - Mudança para Casa Nova- Explicações Iniciais e Necessárias “Garoto do Paulistano” : antes de mais nada é preciso explicarque este livro é Uma Separata , ou seja : - Era parte integrante de outrolivro “Folego de Gato” , também de minha autoria , que narra minha vidapassada dentro da história de minha família. Este livro agora tem vida própria . Para que esta Separata pudesse ser realizada foi necessário escolhercapítulos do Fôlego de Gato . Serão aqueles que dissessem e/ou tivessemrespeito com as coisas do Paulistano , acontecidas comigo e/ou com seussócios , principalmente meus amigos . Assim sendo fomos separando : - Os Capítulos que Ocorreram Com Sócios Dentro do Paulistano : - Histórias Próprias do CAP- relativas a sua história ; - Historias acontecidas com Amigos e Sócios Fora do Paulistano ; - Histórias de Viagens com Amigos e Sócios do CAP . Entendo como sendo imprescindível separar do livro “Fôlego deGato” os capítulos que irão formar “Garoto do Paulistano”. Neles serão relatados os fatos ocorridos com sócios e com coisasrelativas ao CAP . Assim teremos melhor idéia da Turma do Paulistano . Como decorrência teremos dimensão do CAP daquela época . Voutentar relatar as coisas de menino até o tempo de adulto . Sempre com meusamigos . Isto foi necessário. O livro “Fôlego de Gato” diz muito maisrespeito a minha pessoa dentro de minha família. Menos do Paulistano. Assim menor interesse poderia ter para os nossos sócios . Já “Garoto do Paulistano” é todo relacionado com a própria historiado Clube , sempre no seu devido tempo . Lembro que estas históriasaconteceram tanto dentro como fora do Paulistano . Mesmo assim , o leitor poderá encontrar neste livro muitas citaçõesao livro “Fôlego de Gato”. Eles no final tem muitas relações . - Quem sou eu Antes de mais nada preciso me apresentar com mais detalhes . Comonão poderia deixar de ser sou agora um sócio da “Velha Guarda doPaulistano”. Meu nome completo é Eduardo Marcondes de Souza .Entretanto , sou conhecido no clube e em sociedade por Edu Marcondes .
  • 245. Este apelido recebi dentro do Paulistano , ainda em criança . O amigoCandido Cavalcanti foi quem me rebatizou devidamente , nos anos 40 . Nasci em São Paulo . Como não poderia deixar de ser , este livro conta muito de minha vidae ao mesmo tempo também conta muito de muitos sócios do CAP,principalmente dos meus amigos , nestes últimos 70 anos . Assim estarei aqui relatando o que entendo ter acontecido deimportante em nossas vidas . Porem é preciso ressaltar . Relato aquiloque posso lembrar , pois com a idade já um pouco avançada , posso teresquecido de algumas coisas . Ou de muitas coisas . Por consequência também relato aqui o que aconteceu na vidadaqueles que estavam ao meu lado . Coisas dos meus amigos , notadamenteaqueles do Paulistano. Eles na realidade são praticamente meus irmãos. Entretanto , fica claro que os relatos estarão sempre dentro de umaótica . Neste caso só pode ser da minha . Uma moeda possui duas faces ,mas em determinados momentos só poderemos ver um dos seus lados . Acara ou a coroa . A minha interpretação é um dos lados da moeda . Pretendo não dar muita força para minhas emoções . Quem vive sópor suas emoções não é senhor de si mesmo . Vive a mercê do acaso . Fato :- O Primeiro titulo do livro –“Folego de Gato” , base paraeste aqui - foi sugestão do querido amigo Rubens Limongi França . Ele que a meu pedido havia lido alguns destes capítulos , mesmoantes de todos. Queria a sua opinião , pois ele , alem de ser meu parentedistante (sua mãe era da família Marcondes) , foi Catedrático da Faculdadede Direito do Lago de São Francisco , foi Jurisconsulto e até excelenteArtista Plástico . Era , antes de mais nada , querido amigo . Muito culto . Sua opinião para mim era muito valiosa ; Pois bem , dias depois de receber alguns de meus capítulos , quandoeu estava no Paulistano , com Godofredo Vianna e Albano de SouzaAzeredo , em nosso Bar do 1º andar , ali nos reencontramos . Ele chegou sorrindo .Veio comentando alegremente : “ Edu ...eu já sabia de suas histórias pois que nossos amigos ,principalmente o Caio Kiehl e o Luiz Carlos Junqueira , sempre contam ecomentam alegremente muitas coisas suas . Suas aventuras e desventuras.Tanto aquelas ocorridas dentro do Club como principalmente fora dele .Agora , depois do que li , tenho certeza de uma coisa . Você viveenganando a “Bruxa” . Nem sei como... , com tantas Brigas e todos estesAcidentes e Incidentes .
  • 246. É difícil acreditar e entender ... Nem sei como você ainda está vivo”. ( Ele estava se referindo aos incidentes e acidentes que eu relatara emalguns capítulos , a saber : - “O tiro que levei nas costas - O teto do CineRink que caiu em cima de nossas cabeças em Campinas /1.951 - O ChoqueElétrico no Fio de Alta Voltagem do bonde em São Vicente – o Naufrágioem Parati- Capotamento e Destruição do carro na Estrada de Campos doJordão – As inúmeras Brigas com que tinha tido até então , com gente boae com muitos bandidos” .) Ele continuou falando e dando risadas : “ Na realidade você tem é“Folego de Gato” ! “Sete vidas”. Caso um dia você termine seu livro oPrefácio será meu ... Vai ser o Prefacio do “Folego de Gato” . Nem ele , nem eu , poderíamos advinhar naquele momento que,poucos anos depois , muitas coisas , até piores , iriam acontecer comigo . Infelizmente o amigo Rubens , faleceu pouco tempo depois , antesmesmo deste livro ficar acabado e pronto . Por isto, em sua homenagem, meu livro vai ficar sem Prefácio Escrito. Vai valer aquela “Intenção do Prefácio” do amigo Rubens Realmente , depois de ler e reler meus escritos , achei que o titulo queele dera era certamente o mais ajustado . O leitor vai saber por que . Pois bem , depois do falecimento de Rubens ainda acontecerammuitas coisas comigo .1- Em um assalto, no ano de 1.995 , logo adiante do Paulistano, levei um Tiro na Nuca . Não morri porque Deus não desejou ;2-Tive em 2004 Câncer e perdi meu Rim esquerdo ;3-Estava com Água no Peito , dentro das ondas em Sri Lanka , durante o “Tsunami” de 26 de Dezembro de 2.006 ;4-Sofri Enfarto Agudo , em 2008 , sendo obrigado a colocar um “Stend” no coração .5- Perdi uma Vista por Erro Médico. Depois de 4 operações necessárias, fui obrigado a efetuar Transplante de Córnea no olho esquerdo . Por tudo isto ficou e vai ficar valendo o Titulo que ele inicialmentedeu para o livro base deste outro : - “Folego de Gato”. Agora nesta separata “Garoto do Paulistano” também vai continuarvalendo o mesmo Prefacio , na forma que Rubens Limongi França um diaentendeu . No jeito que ele imaginou . Minha Família Agora é preciso me apresentar . Nasci no último dia da Revolução de 32 . Em 28 de Setembro .
  • 247. Não foi um dia fácil para minha família que teve total participaçãonaquela Revolução Democrática pela Constituição do Brasil . A família de meu pai perdeu na Revolução dois parentes : - Draúsio Marcondes de Souza – membro do MMDC e Gal. JulioMarcondes Salgado . Estão ambos sepultados no “Mausoleu dos Heróis de32”, no Ibirapuera . Na família de minha mãe , quatro de seus irmãos tinham estado nafrente de combate . Deles ainda não se tinham noticias naquele momento. Depois , felizmente todos eles apareceram . Nasci aqui mesmo na cidade de São Paulo, precisamente na“Maternidade Pro Máter”, na Rua São Carlos do Pinhal . Cheguei dandotrabalho , pois custei para ver a luz . Dias depois , quando eu já estava em casa , Joana uma velhaempregada de minha avó Constança , que estava com ela desde o tempo emque existia escravatura ,veio me ver . Sempre que nascia alguém da famíliaela vinha olhar a criança e prever seu futuro . Parece que antes tinha acertado algumas previsões . Chegou , tirou minhas fraldas e olhou .Virou de um lado pro outro ,revirou e foi dizendo : - “...menino calmo ... (errou) - tranquilo ...( errou)...-vai ser político ...(errou) - bom médico ... ( errou) , muito rico ! (errou) . Minha avó Constança sempre me contava esta previsão . Minha mãe sempre disse que tudo era pura bobagem . E era ! - Agora vou apresentar meus pais e minha família . Mamãe – Dona Zilda Marcondes de Souza , era natural de RibeirãoPreto . Veio com minha avó – Dona Constança Adelaide Rezende Brandão- para São Paulo , um pouco antes da Revolução de 1924 . Esta minha avôera a pessoa mais doce deste mundo .Tinha olhos cor de mel . Ficaram nosCampos Elísios , na casa de meu tio Carlito, em visita bem programada . Porem , certo dia , fora do programa preparado , começou fortetiroteio na rua onde meu tio morava - Alameda Nothman - bem ao lado do“Palácio do Governo nos Campos Elísios” . Era a tal “Revolução de 24”. Ali ficariam , obrigatoriamente . Todos não puderam sair por muitosdias , praticamente quase sem comida . No final só existia mortadela (... que desde aquela época minha mãe passou a detestar...) . Os tiros não paravam . A rua ficou cheia de mortos , por lá estendidospor dias . Resultado da tal revolução realizada por tenentes do exercito foizero . O que queriam , não conseguiram na ocasião . Assim , como começou a revolução parou . Sem aviso ao público . Minha mãe foi ficando por São Paulo . Sempre muito convidada . Conheceu meu pai em uma festa na casa da Condessa de Serra Negra.
  • 248. Dona Zilda sempre foi muito bonita e elegante . Gostava de plantas edizia que elas são a melhor dádiva de Deus . Estudou botânica por contaprópria e com as plantas ganhou muitos prêmios e troféus , atéinternacionais . Adorava minha duas filhas – Paula e Alexandra . Tudo fazia paraagradar as meninas suas netas , até fantasias de fadas ela confeccionavapara as minhas meninas . Morreu como sempre quis . Subitamente , de enfarto agudo. Meu pai chamava-se Ernani Marcondes de Souza , era nascido emSão Paulo , mas toda a família Marcondes vinha de Pindamonhangaba -Vale do Paraíba . Estudava odontologia quando conheceu minha mãe .Somente depois de formado é que se casaram . Ele nunca exerceu aprofissão de Dentista . Estudou ainda Economia . Foi no início Diretor doEstado e mais tarde Industrial do Ramo Siderúrgico . Nos últimos anos de sua vida , estava só , viúvo . Ficou acamadopois quebrara o fêmur . Foi operado com sucesso mas nunca mais andou .Morei com ele durante todo aquele tempo em que esteve acamado - 3 anos . Morreu dormindo . Estava com 93 anos e muito lúcido . Meu avó paterno era o Dr. Prof. T.O. Marcondes de Souza ,catedrático da FAAP e da USP , lecionando História e História Econômica.Foi membro dos principais Institutos Históricos e Geográficos da Europa edaAmerica, participando de Convenções e Congressos Internacionais . Porseus trabalhos , estudos , pesquisas e livros editados , também em muitospaíses , recebeu inúmeras comendas e títulos internacionais : - da França,da Itália , da antiga Iugoslávia , entre outras tantas . Foi o Professor deHistória mais condecorado no seu tempo . Foi casado com Dona RosaMarcondes de Souza , por mais de 60 anos . Alem de bonita minha avô eramaravilhosa quando resolvia cozinhar . Meu avô materno , Dr. Carlos Américo Brandão era Cirurgião –Dentista na cidade de Ribeirão Preto – SP , onde praticamente morou emtoda sua vida . Este avô morreu logo depois do meu nascimento . Mudança Para Casa Nova Entendo que a vinda da família para o Jardim Paulista foifundamental para o começo e direção de minha vida . Por esta mudançaficou fácil freqüentar o Paulistano , criar amigos na região , com os quaisconvivi e fui em tantos mil lugares. A casa ficava 8 quadras do Clube . Caso eu tivesse morado na Lapa ou na Mooca entendo que nada distoque agora narro poderia acontecer . Por isto conto sobre a casa nova . Lá por meados de 1.936 , nos mudamos para o Jardim Paulista .
  • 249. A casa era linda , toda branquinha , com grande terraço tendo nafrente , no jardim , um largo gramado . Estava completa. Do jeito que meupai desejou construir. Com todos os moveis coloniais que ele encomendaraem Pindamonhangaba . No quintal existiam arvores . Jabuticabeirasnativas do terreno . Plantadas : amoreiras , goiabeiras e até uma cerejeirado tipo “Dedo de Dama ( cereja rara que é bem compridinha). Então a noite chegou . Pela primeira vez eu fui dormir sozinho . No outro dia mamãe chegou e abriu as janelas . Foi então que repareiem um galho quase entrando dentro do meu quarto . Fui falando : “- Olhe ... tem um galho de goiabeira ... muito metido , entrando aquidentro do meu quarto.” Minha mãe corrigiu : -“ É de jabuticabeira ...não vai atrapalhar em nada ...você vai gostar. Na hora não gostei . Porem muitos anos depois escrevi uma poesiasobre o “Galho de Jabuticabeira” (em meu livro de “Contos e Poesias”). Desta poesia deixo aqui o verso primeiro , o do meio e o seu final : “ Cheguei ao casarão bem pequenino Muito alegre como todo menino Quando vi pela janela balançando ... E para todos fui logo informando “Olha ...um galho de goiabeira”... Mamãe corrigiu : “...de jabuticabeira” O tempo então foi passando E ele sempre me espiando ... Quando para janela eu olhava Presente sempre ele estava ... No seu canto...na sua beira O “galho da jabuticabeira” . Hoje pela janela do apartamento Espio e a cada momento Espero então encontrar Em um canto ...a balançar... Um “galho de jabuticabeira” . Que saudade matadeira ...” Ele foi uma das boas lembranças de minha infância / juventude . Aquele “Galho de Jaboticabeira” era meu confidente ... silencioso .
  • 250. - O CLUB ATHLETICO PAULISTANO Edu MarcondesSua Formação – A Antiga Sede Social – Administração Dr. AntonioPrado – Futebol : Fim do Paulistano começo do São Paulo F.C. – OsAntigos Funcionários – “ Fechado para Almoço”- Torneio Branco eVermelho – Como este livro sempre vai girar em torno do Paulistano é bomconhecermos melhor o nosso clube desde este início. Aqui vamos falar dasede velha , de seus campos esportivos , piscinas e tudo mais. Comecei freqüentar o Club Atlhetico Paulistano com freqüência ,conhecendo melhor sua história , sua gente e ainda fazendo muitosamigos por lá , desde inicio da década 1.940 . Seria impossível falarmos sobre nosso clube sem comentarmos a suaformação e fundação, sem contarmos coisas sobre sua antiga sede, suasprimeiras atividades e seus vários e antigos departamentos . Lembrando sempre de nossa gente sempre vitoriosa nos esportes . De nossas Diretorias. Também não esquecendo dos velhos funcionários . A Turma do Paulistano , que foi “Alma Mater”do Clube durantetantos e tantos anos , será narrada logo depois, no decorrer de outros fatos ,de outras histórias , em muitas outras partes . Ela assim se formou . Antes de mais nada, é preciso lembrar das suas origens , das suasprimeiras instalações . Daquela “Antiga Sede do Paulistano ” , iniciada emconstrução por volta da primeira década do século XX , no coração doJardim América . Sua Entrada Social naquela época era realizada pela Rua Colômbia ,tendo , alguns anos depois em sua frente , o Monumento aos nossosVitoriosos Jogadores de Futebol . Eles foram vitoriosos em toda Europa . Porem , entendo como sendo importante , nesta sua história , contarcomo o nosso clube veio crescer em pleno coração do Jardim América . Isto , como lembro agora , ainda por volta de 1.910 . Antes um pequeno reparo que julgo necessário para tirar qualquerduvida . Pouco tempo atrás vieram me dizer que a fundação do nosso clubenão tinha realmente acontecido no dia 29 de Dezembro de 1.900 . . Edgard Scavone , um novo diretos do CAP , achou um recibo deassociado , nem se sabe onde , com data anterior daquela acima explicitada29/12 /1.900. Apenas com dias de antecedência . Porem cumpre lembrar que a data de nossa fundação é aquela mesmoque sempre valeu e foi sempre comemorada , inclusive por seus antigosfundadores desde o seu inicio , sempre devidamente muito respeitada .
  • 251. Será que eles não conheciam esta data ? Alem do mais o tal recibo pode até ter sido feito antes ou depois , pormil e uma razões . Pouco interessa . E nem vem ao caso . Vai continuar valendo a data que durante mais de 100 anoscomemorou dignamente nossa fundação . É a nossa tradição . Nada vai representar outra data perto de nossas grandes tradições . Nem mesmo poderia ! O Paulistano começou como clube, tendo sua área esportiva juntoao Velódromo. Ele que ficava exatamente onde se situa a atual PraçaRoosevelt. Por lá, naquele Velódromo, começou sua carreira vencedora .Ali jogou futebol até aproximadamente 1.916 . Ganhou jogos importantespara a época , com os principais clubes da época , tais como : Paulistano 2x0 Fluminense ; - Paulistano 3x0 Americano ; -Paulistano 3x0 Dublin do Uruguai ; - Paulistano 5 x 0 Sel. Paraná ;Paulistano 5 x 3 Argentinos ; - Paulistano 4 x 0 Palestra ;- Paulistano 5x 2 Internacional ;- Paulistano 3 x 0 Corinthians - Paulistano 1 x 0Palestra ;-Paulistano 4 x 2 Universal /Uruguai ; - Paulistano 2 x 0Flamengo . Naqueles tempos a bicicleta tinha ganho adeptos esportistas. Daí oadvento do Velódromo . Porem quando apareceu o futebol , vindo para oBrasil com Charles Miller, a preferência mudou . Rapidamente ! Então oPaulistano também se transformou em um grande clube futebolístico . Um dos mais importantes . Único clube com quatro títulos paulista em sequência . Até hoje ! Foi o primeiro clube brasileiro que excursionou vitoriosamente pelaEuropa , realizando lindas exibições durante o ano de 1.925 , vencendopraticamente todas as partidas disputadas. Delas podemos lembrar :Paulistano 3 x 1 Stade Français ; - Paulistano 4 x 0 Bordeaux ;-Paulistano 2 x 1 Havre ;- Paulistano 2 x 1 Seleção da Alsácia ; -Paulistano 2 x 1 Zurich. Por isto mesmo a cidade comemorou devidamente este feitohomenageando o Paulistano e seus atletas , com aquele Marco Histórico ,implantado na rua Colômbia , bem em frente da nossa antiga portaria. Nosso clube desde aquele tempo foi se transformando em um marcoesportivo de São Paulo e do Brasil . Realmente Esportivo .. - Antiga Sede Social Pois bem, visando ficar sempre bem localizado , o Paulistano adquiriuuma grande área, situada entre as Ruas : Estados Unidos , Colômbia eHonduras , no coração do Jardim América . Entretanto , como precisava de um Campo para realizar suas Partidasde Futebol, seria necessário ampliar o espaço existente naquela nova área .
  • 252. Precisava de mais metros quadrados para construção de um Campo deFutebol, com dimensões apropriadas. Assim, conforme antigasinformações, de fontes indiscutíveis uma nova área contigua aquela inicialfoi adquirida pela família Prado e doada ao Paulistano . Ficava logo depoisdaquela inicial e ligada a mesma . Assim nossa área atual chegou até a Rua Argentina . Isto tudo aconteceu praticamente naquela mesma época . Então nossa área passou a ter as mesmas dimensões atuais . Ficoupraticamente com seus dois alqueires . Enquanto as residências estavam surgindo em todo Jardim América, anossa sede social já estava sendo acabada . Ficou muito bonita , muitofuncional para a época , ampla , clara, ventilada e acima de tudoextremamente agradável . Outro dia ouvi de um sócio bem mais novo que a nossa antiga sedeera apenas um “Grande Casa Velha” . Falta de respeito inicial . Péssimaeducação alem do mais . Falar do nunca conheceu ! Seria o mesmo quechamar o nosso lindo Teatro Municipal de coisa velha . Absurdo ! Para tentar dar idéia de como era nossa sede , vou descrevê-la , nosdetalhes que a minha memória ainda possa recordar , com meus quaseoitenta anos e depois de mais de meio século de seu final , quando ela foiderrubada para ampliar a área do CAP , por volta de 1.959 . A sua Portaria dava entrada pela Rua Colômbia . Ali seencontravam dois grandes portões , com o símbolo do CAP em cada umadas portas . Logo em seguida estava situada uma Guarita . Ali ficavam osporteiros . Para acesso ao Paulistano seria indispensável apresentação dacarteirinha social , para depois passar , entrando por uma catraca . Acarteirinha era ainda de couro , com o distintivo dourado do CAP na capa .Dentro delas , de um lado a foto do sócio , nome e sua categoria social . Dooutro o recibo que deveria estar pago . Os sócios na época poderiam ser das seguintes classes : Infantil(com mais de 12 anos ) ; Juvenil ( com mais de 14 anos) ; Individual e ouFamiliar ( já na condição de adulto ) . Existia ainda a classe dos SóciosAtletas . Do outro lado da Carteirinha estava o recibo do mês . Com atrasoo sócio não entrava . Dali passaríamos por uma área bem ajardinada , bem em frenteda antiga sede , até alcançarmos a Entrada da Sede Social , com suas AltasPortas de Madeira . Elas ficavam situadas no alto de Três largos e amplosDegraus de Mármore Branco . Como Cobertura da Entrada para a Sedeexistia um pequeno telhado .
  • 253. Bem do lado direito da portaria ficava um amplo local para asBicicletas serem devidamente guardadas , sem ocupar muito espaço . Nãotinham cadeados pois naquele tempo ninguém roubava bicicletas . Dentro , logo na entrada havia um Grande Hall , onde estavaminstalados dois grandes bancos, um de cada lado daquele local . Por aliexistiam ainda as Entradas para Duas Alas , bem específicas ,situadas de cada lado daquele Hall . Para o lado esquerdo existia a Secretaria do Club. Vinha logodepois um corredor que dava para o amplo Salão de Barbeiro , comManicure e Engraxate . No final do tal corredor um largo Banheiro para oshomens . Do lado direito : As Salas da Diretoria e Presidência , Cabeleireiropara mulheres e Banheiro feminino. Bem em frente ao hall , ocupando toda a largura da construção ,um muito Amplo e Longo Salão . Existia nele , logo depois da sua entrada,no alto daquela entrada , uma parte suspensa , como um PequenoCamarote. Era possível chegar até lá via uma escadinha lateral que ficavadentro do corredor que ia para o banheiro masculino . Ali, naquelepequeno camarote, dando vista para todo Salão Social, muitas vezes nosescondíamos , depois do clube fechar , ficávamos esperando para “FurarBailes de Formatura” , logicamente de terceiros que haviam alugado oSalão . Pura fuzarca da juventude . Aquele Amplo Salão tinha várias funções . Era destinado aosBailes e Festas em dias previamente marcados , notadamente os Bailes deCarnaval e do Aniversário do Paulistano . Sem festas , nem bailes , ele eraDividido em Duas Partes , por Biombos grandes de couro escuro . Bonitose muito funcionais . Do lado esquerdo dos biombos ficava o “Salão de Jogos deCartas”. Ali se encontravam os sócios , para nos finais das tardes e mesmonas noites realizar jogos de “buraco” , “pôquer” e “pif-paf”. Do outro lado , ampla Sala de Estar , com vista para o Bar Social .Era decorada com móveis bonitos e estofados em couro , tapetes persas ,mesinhas laterais com luminárias e mesinhas decorativas com troféusganhos pelo CAP . No centro deste Salão sempre ficava uma grande MesaRetangular , de madeira muito bonita , com um Grande Vaso de Floresnaturais, bem no centro . Tudo muito distinto . Sem ostentação . Na continuidade deste Amplo Salão , passando por Largas Portas deVidro , encontrávamos o grande Bar Social do Club . Era largo e compridocom largas janelas em seus dois lados . Em uma parte do seu ladoesquerdo ficava o Bar propriamente dito , com seu longo Tampo deMármore e suas Cadeiras Altas , ao redor do mesmo .
  • 254. Desde a entrada daquele Bar , em sua frente , existiam duas alas degrandes conjuntos , formados por uma grande, longa e bonita mesa demadeira , com dois grandes bancos instalados , um de cada lado . Oconjunto era de madeira de lei . Cada um destes conjuntos servia até paraoito pessoas . Ao redor de tudo isto muitas outras mesinhas , com seiscadeiras cada uma. Era por lá que se jogava : Com dados : “Bidu e Bide” , “Dudo” ,“Pôquer com Dados”... e conversa fora . Aposta : normalmente cerveja . Este bar era extremamente ventilado com largas e amplas janelasdos dois lados , tendo magnífica vista para os jardins internos do Clube. Ele dava saída para o nosso longo Terraço . Ocupava toda a partetrazeira daquela construção . Ali era considerado um dos melhores lugarespara se tomar um refrigerante , um suco , chá e até mesmo um cafezinho ,batendo papo com os amigos . Paquerar se possível . Existiam no terraço muitas Mesas com suas Cadeiras de Vime .Largas poltronas, também de vime , ficavam devidamente encostadas nasparedes. A vista para a Paisagem Interior do clube até hoje fica na memória .Muita arvore , muito verde , muito canteiro com flores e muita beleza . Este Terraço , como toda construção da sede , estava situado emuma parte mais alta do terreno . Ali, depois do terraço , um longo gramado ,no meio do qual foi instalada uma grande pista de danças, muito utilizadanos Chás Dançantes de Noites de Verão . Descendo três degraus podíamos chegar a qualquer lugar do clube . Daquele Terraço ainda podíamos ver ao longe grande parte dointerior do Paulistano . Bem em frente uma ampla área gramada onde seencontravam os famosos “Laguinhos”. Na realidade não eram Laguinhosmas “Riozinhos”. Eles circundavam por toda aquela grande área verde ,cheia de maravilhosas arvores e suas sombras . Naquele lugar foi construída a atual e nova piscina . Daquele terraço ainda podíamos ver até o final do clube , com seuAntigo Ginásio e a Pérgula da Antiga Piscina . As colunas que formavamaquela pérgula ainda estão no Paulistano . São as mesmas que acompanhamtodo o caminho para a sede , formando uma pérgula com flores , desde aentrada que existe hoje na Rua Estados Unidos . Lembro que a nossa Antiga Piscina tinha maravilhosa aura de muitaalegria que até hoje é muito difícil de ser encontrada . Aquele lugar mágicofora inaugurado pelo Presidente do Brasil - Dr. Washington Luiz – casonão esteja enganado, em 1.928 . Foi a primeira piscina construída em toda a América do Sul .
  • 255. Nela nadei desde a infância até seu final . Minha boa saúde foi aliconstituída por seu uso diário . Ali construí muitas boas recordações . Do antigo Ginásio sempre ficam na memória aqueles sonsimpossíveis de serem esquecidos , aqueles sons que vinham de nossatorcida . Aleguá .. guá ...guá ... Paulistano ! Fica também na memória o som daquele piano que acompanhavadiariamente as Aulas de Ginástica Sueca do velho Richenbaker . Era naépoca a melhor maneira para se manter a forma física , principalmente paraaqueles que trabalhavam o dia inteiro sentados . É impossível esquecer o Coro de Nossa Gente , torcendo , cantando evibrando pelas cores campeã do nosso clube em qualquer jogo ou disputa Fica até hoje em minha memória : “ Aleguá... guá... guá ... Paulistano ...Paulistano ...Paulistano ! ” Naquele mesmo Ginásio , ajudando Tozinho Lara Campos , foi criadae formada a Primeira Área de Halteres do Paulistano . Para tanto fomosbuscar , em sua casa da Av. Brasil , as barras e os diversos pesos . Ele estava doando todos os pesos necessários para nosso CAP .Naquela noite , Dezembro de 1950 , teríamos a Competição Paulista deLevantamento de Pesos para Estreantes . E não tínhamos os pesos . Com Tozinho Lara Campos eles foram conseguidos ! Eu estava competindo . Fui vice campeão dos Meio Pesados .Nosso técnico era Renè Usmiani – Egipcio - Antigo campeão mundial. Entre aquelas duas áreas existia o Campo de Atletismo .Eleanteriormente fora de Futebol e aconteceram ali grandes vitórias doPaulistano . Por consequ~encias muitos campeonatos . Ao lado dele existia sua Arquibancada . Que não mais existe .Debaixo dela era vestiário para esportes . Logo depois daquelaarquibancada existia uma quadra de “Ring”. Maravilhosa para dar e criarfôlego aos atletas . Dos dois lados da sede se viam as Múltiplas Quadras de Tênis . Eramperfeitas e muito utilizadas . Sempre . Algumas já eram iluminadas . No fundo do clube , ao lado daquele canto , onde a rua EstadosUnidos se encontra com a Rua Argentina, ficava e continua existindo aultima recordação daquela época . É uma quadra que serve para Jogos deFrontão e de Paleta . Realmente a única coisa que sobrou do velhoPaulistano . Ali sempre paro, olho e fico lembrando . Quantos amigos ...quantos jogos ... Quantas saudades . No mais , tudo do antigo Paulistano veio abaixo , deixando saudades .
  • 256. Perto da piscina e ao lado do campo de atletismo existia uma“Enorme , Maravilhosa , Frondosa e Centenária - “Arvore de Pau Ferro” . Para ceder espaço à modernidade ela foi eliminada . Sem dó ! Por toda volta do clube existiam antigos eucaliptos . Tinham mais de50 anos e ficaram tão grandes que se tornaram perigosos . Poderiam cair .Foram retirados . Existiam justificativas . Um dia a antiga sede do Paulistano estava sendo derrubada . Eladaria lugar para uma nova , construída em outra área interna do Clube . Junto com João Campos , Cesar Affonseca Silva e Ari Macedofomos ver sua demolição . Ficamos olhando sem bem entender o por que . Em uma forma muito espontânea , saiu daquela visita um“sambinha”. Foi feito para lembrar nossas saudades daquela sede , ondetanto bons momentos passamos . Ficou assim : “ No coração Paulistano Hoje mora um desengano Pela sede social nossa tradição ... Da sede tão afamada Agora jaz derrubada Só ficou recordação ... Até ... o velho Jorge foi despejado E teve que se mudar com seu Barzinho ... Ai que saudades ... Da batucada feita naquele cantinho .” Canta Joãozinho ...! - Administração do Dr. Antonio Prado De todos Presidentes que vi passar , ele era um Presidente bemdiferente no trato das nossas coisas . Sua presença era constante noPaulistano . Não só na sala da Presidência , mas em todos lugares . Nãopara praticar esporte ou gozar a presença dos amigos . Nem mesmo paratomar algum café ou refrigerante . Sua presença constante era de puro administrador . Diária . Toda manhã , vestindo terno de linho branco no verão , ou cinzentona meia estação , sempre com colete e corrente de ouro do seu relógioaparecendo , isto quando abria por necessidade o paletó , no Paulistanochegava bem cedo o nosso Presidente Antonio Prado .
  • 257. Lembro muito bem dele . Figura marcante . Chegava por volta das8,30 horas da manhã. O Gerente da época , Sr. Coelho , com uma pranchetana mão , o acompanhava em seu giro diário por todas as dependências doPaulistano . Ele ia vendo tudo e dando suas ordens , com prazo acertado paraexecução . O Sr. Coelho tomava nota . Depois mandava executar e cobravaem seguida . Não tinha conversa . Tudo acertado com o Presidente deveriaestar feito e resolvido na hora certa e marcada . Sem erro . Porem Antonio Prado era pessoa afável . Cheia de lógica e de muitoespírito de justiça .Vou contar um caso , acontecido comigo e com amigos . Certo dia, em 1.951 , quando eu tinha 19 anos, depois de ganhar oCampeonato de “Braço de Ferro” ( naquele tempo de muitos esportes eletambém existia ) , estávamos ali no Bar Social . Nós iríamos agoraRepresentar o Paulistano no Campeonato que a “Gazeta Esportiva”promovia todos os anos . Quem cuidava de tudo era o amigo UbirajaraPillagalo . Aqueles que tinham participado do campeonato interno , mostravampara amigos o jeito de ajustar e pegar as mãos , antes de começar a fazerforça. Por isto davam risadas e faziam algum barulho, mas que não eramuito . Subitamente apareceu o Gerente Coelho. O barulho acontecianaturalmente , pois éramos mais de 18 rapazes . O Sr. Coelho não teve duvida . No ato suspendeu 5 sócios , entre eleseste seu redator . Sem o menor motivo. A suspensão foi imediata . Tivemos que sair do Clube naquele momento . O Sr. Coelho estava azedo . Não quis conversas . Na mesma noite fui jantar em casa de meu avô , Prof. Dr.ThomazOscar Marcondes de Souza . Ele reparou que eu estava aborrecido .Perguntou o que havia acontecido . Eu contei tudo , em detalhes . Eleparou . pensou e disse que era uma indignidade que estávamos sofrendo . Ele não gostou . De imediato tomou providencia ligando para o seuamigo Dr. Antonio Prado . Contou o caso . Logo ficou então combinadoque no outro dia , as 14 horas , nós os prejudicados , deveríamos ir até acasa do Dr. Antonio Prado , na Av. Higienópolis . Ele iria nos ouvir . Na hora marcada lá estávamos : Roberto Claro , Sérgio Machado ,Albano de Camargo , João Campos e eu - o causador do problema . Fomos recebidos pelo seu Mordomo que pediu para seracompanhado . O jardim e a casa eram imensos , quase um palácio , localonde , após seu falecimento , se formou um clube famoso . Minutos depois ele nos atendeu no Salão de Visita .
  • 258. Queria saber do acontecido . Pedi licença e contei o caso com todosdetalhes . Ele ouviu com muita atenção , sem interromper e nada perguntar. No fim disse que poderíamos voltar a entrar no Paulistano . A suspensão se acabara . Agradecemos . Quando estávamos saindo ele perguntou : - “Quem é o neto doamigo Marcondes ? . De imediato me apresentei . Então ele disse sorrindo : “ Vocês andam jogando futebol no gramado da pista de atletismo . Éproibido e vocês sabem muito bem ! Porem ..., como jogam descalços e nãoestragam a grama, podem continuar ... Como fazem hoje ... Quando eu porlá não estiver !” Nota: Aquele jogo de futebol era na realidade um “racha”realizado com 5 ou 6 garotos em cada lado. Ocupava um pequeno pedaçode gramado em um canto do Campo de Atletismo. As traves eram improvisadas com balizas para Salto em Altura . Quem também por vezes jogava com a molecada era o grande ArthurFriedenreicht . Ele ,“El Tigre”, já estava por volta dos 53 anos , poisnascera em 1.898 . Tirava os sapatos e batia bola com aqueles “Pernas dePau”. Sabia tudo ! E quando fazia um gol vibrava igual um menino ! - Futebol : Fim do Paulistano – Início do São Paulo F C Antonio Prado tinha para si que todo esporte deveria ser amador. Este principio , mais o trato das coisas com seriedade , foi básicopara o termino do futebol no Paulistano . Na época o Paulistano era o maior time de futebol brasileiro . O Fato : No início de 1930 , os clubes que sempre estiveram ao ladodo Paulistano , como amadores na LAF – “Liga Amadora de Futebol”,passaram a apoiar a APEA , que depois iria se transformar na FederaçãoPaulista de Futebol . Eles queriam tornar o futebol profissional . Antonio Prado e alguns diretores do CAP não concordaram . Então o Paulistano se retirou do campeonato , definitivamente . Importante : Agora vou transcrever o que redigiu Antonio Malzonni– Antigo Redator , muito conhecido da famosa “Gazeta Esportiva” . Umdos mais consagrados jornalistas do esporte de todos os tempos. Isto quetranscrevo está no seu “Almanaque Esportivo Olimpicus”, Edição de 1943/1.944 , na sua pagina 82 . Ali , sem mistérios vamos encontrar : “ - O desfecho da cisão trouxe o desaparecimento do glorioso etradicional Paulistano ... abrindo uma lacuna irreparável . Entretanto , nãose conformaram muitos sócios daquele clube , alguns dos mais influentes... Os mais decididos tomaram uma decisão ...uma solução... sem poremferir o Paulistano . Sabia-se que o antigo Palmeiras (Não Confundir Com o Palestra )corria o risco de perder seu campo da Floresta. Imediatamente surgiu a
  • 259. idéia de uma união para se formar um novo clube de futebol . Também erapara entrar nesta fusão o São Bento . Porem , ele no final ficou fora . Foi assim criado o São Paulo F. C.– (da Floresta – local ondetreinavam) . Ele que estreou em 9 de Março de 1930 , no novo campeonatopaulista . Logo em seguida , o São Paulo F. C. foi Campeão Paulista de1.931 . Vice campeão de 32 , 33 , 34 . A maioria dos jogadores e quase todos seus diretores tinham vindodo Paulistano . Era , com novo nome , mas com mesmos jogadores ediretores , uma continuidade do CAP.. Em 1.935 os diretores daquele antigo Palmeiras , resolveram nãomais participar do São Paulo F. C. Saíram do clube e levaram com eles ocampo da Floresta . Com isto vai se separar o São Paulo Futebol Clube doantigo Palmeiras . Aquele da Floresta” . Entretanto , não desapareceu o São Paulo Futebol Clube . O Nome do Clube continuou o mesmo ! O Uniforme foi o mesmo !As Cores as mesmas tricolores ! O Distintivo o mesmo ! Os Jogadores osmesmos . Os Diretores do São Paulo os mesmos. Tudo era o mesmo . O São Paulo F.C. é uma continuidade real do Paulistano , que existedesde 1930 . Gostem ou não gostem seus adversários ! Os Antigos Empregados do CAP Sempre achei incrível como um clube , do tamanho do Paulistanoantigo , com mais de 3.000 sócios na ocasião , pudesse ser tão bemadministrado com tão poucos empregados como ele tinha . Eram tão poucos que conhecíamos quase todos eles pelo nome .Por eles éramos atendidos sempre perfeitamente . Existia um esquema que funcionava . Parte dos que trabalhavamno Paulistano eram empregados . Parte não , pois algumas Áreas eramArrendadas , diminuindo em muito o seu custo operacional . Vamos lembrar a seguir de alguns nomes . 1- Na Secretaria tínhamos dois (2) funcionários : Ivo e Irineu ; 2- A Barbearia era Arrendada , para Rodrigues e outros barbeiros .Assim o seu Custo era Zero ; 3- O Cabeleireiro Feminino também era Arrendado ! Custo zero ! 4- O Bar , que servia alguns pratos leves , posto que na Sede Velhanão existia restaurante , era Arrendado . Custo Zero ! Quem tomava contaera o Jorge , que até permitia a realização de contas mensais para os sócios.Assim o seu custo , bem como o custo dos garçons era zero! Custo Zero ! 5- No Vestiário do Tênis Masculino ; quem tomava conta era oEuclides e um ajudante . Era um caboclo muito forte e muito amigo dossócios . Quando existiam bailes de terceiros em nossa antiga sede, sempreficava de Vigia . Com ele nós entravamos nos Bailes , por pura amizade ;
  • 260. 6- Vestiário Tênis Feminino – Dona Cida e ajudante 7- Na Piscina era o velho Max , que até arranjava “Gumex” para ocabelo da criançada . Ele tomava conta dos valores dos sócios . Um SalvaVidas ficava por lá na piscina . Muito atento ; 8- No Ginásio o empregado era “Zé do Ginásio” . Depois que ele foipara a Piscina virou “Zé da Piscina” . Quando , já na sede nova ele veiopara o Bilhar , virou “Zé do Bilhar”. Aposentou-se no clube . 9 - Os outros funcionários eram Pessoas da Limpeza Geral , quegiravam pelo clube , em dois ou três grupos de 4 pessoas . Eram ao todo 10ou 15 no máximo . Tinhamos ainda 3 jardineiros . 10 – Entretanto , deixo claro que uma coisa é administrar o Clube com3.000 sócios e poucos empregados . Outra coisa é realizar administraçãocom quase 27.000 sócios , inclusive com mais áreas de atuação . Entendo que fica muito mais difícil . Entendo ainda que tudo continuasendo muito bem administrado . Pode haver pequenos erros , mas tudo ébem organizado e funciona muito bem atualmente . É modelo para outros clubes . “Fechado para Almoço” Dentro dos costumes paulistas da década de 30/40/50 , o Paulistanoficava fechado desde as 13,00 hora , até as 15,00 horas , no meio da tarde .Isto porque as famílias almoçavam juntas , em casa . Ali também em casa eram recebidos os amigos , inclusive dos seusfilhos e das suas filhas . Nem sei quantas vezes almocei na casa do Roberto Claro , do CaioKiehl , do Vicente de Sylos , do Junqueira Franco , do Candido Cavalcanti,do Eduardo de Paula e de tantos outros amigos . Também nem sei quantasvezes eles almoçaram em minha casa . Até nas férias levávamos amigos para passar o período inteiroconosco. Um mês com amigos em nossa casa de São Vicente . Tambéméramos convidados para férias em suas casas . Quantas vezes fui para millugares . Isto era costume . Bom . Muito bom . Tudo em família ! Por esta razão o Paulistano podia ficar sempre fechado , semproblemas , no horário do Almoço. Entretanto , tudo mudou . Entendo que este fato necessita de melhorexplicação. Esta forma de vida , em nossa sociedade paulistana , só vaimudar por causa da chegada das Empresas Multinacionais . Quase queobrigatoriamente após 1954/56/58 . Os dirigentes estrangeiros não tinham este hábito. Alem do mais , noprincípio ainda não estavam definitivamente estabelecidos , ainda nãotinham casa para receber , nem era seu costume .
  • 261. Assim convidavam as pessoas para almoçar ou jantar fora . Osrestaurantes em São Paulo começaram a crescer nesta época . As barrigas também ... ! Analise Geral do Fato : Não tínhamos Restaurante... masganhávamos tudo em quase todos esportes : Bola ao Cesto , Voleibol ,Natação , Pólo Aquático , Atletismo, Tênis, Esgrima e em tudo maisrelacionado ao desenvolvimento físico . Aquela época da Sede Antiga , foi época de muita saúde e de muitasvitórias esportivas . De muita gente saudável e bonita . Principalmente suas moças , muito lindas . Marcaram época . Bem ... agora temos sempre bons e vários restaurantes em São Paulo.Eles que também existem no Paulistano . Então vão surgir : “GrandesMacarronadas com 4 queijos ” -“As Dobradinhas”- As “Feijoadas” - as“Comidinhas cheias de Creme ” e o “Azeite de Dendê , no Peixe e noCamarão ” . Com esta alimentação vão desaparecendo os atletas . Isto com toda certeza . Forma física : - “ Difícil . Nem pensar !” Entretanto , os sócios do Paulistano ainda praticam muitos esportes ,que são bem difundidos e organizados internamente , notadamente o tênisque vem ganhando competições municipais . Com outros esportes ...nada! Entretanto, Paulistano é hoje um clube muito mais social . Muito pouco esportivo . Sinal dos tempos . Entendo que isto pode mudar para muito melhor . Torneio Branco e Vermelho Uma das coisas que realmente marcou a parte esportiva do nossoPaulistano , durante muitos e muitos anos , foi um torneio esportivo anual ,para o qual todos os sócios eram convidados à inscrição . E quase todosque praticavam ou que podiam ainda praticar esportes dele iriam participar. Era o chamado “Torneio Branco e Vermelho”. Antes de mais nada era uma forma de unir todos os associados , deformar amizades , de revelar esportistas , de abrir as portas para iniciaçãoem esportes , de motivar para praticas sadias todos aqueles que um diapararam . Aqueles que ficavam sempre adiando para um “amanhã que nãoviria nunca” . Seria possibilidade para o recomeço de alguma atividade quemovimentasse seu corpo . Com determinação e continuidade . O torneio alem do mais criava uma “Aura de Fraternidade”. Todos podiam se inscrever nas modalidades que quisessem , fosse elepraticante daquele esporte ou não . Bastava querer , indicar seu nome , eas modalidades que desejava competir . Estava inscrito . As competições eram para homens e mulheres . Podiam competir ,dependendo da idade , nas classes :- infantil , juvenil e adulto .
  • 262. Depois de encerradas as inscrições o Grupo Dirigente do Torneiodividia os inscritos em dois grupos . Um Branco . Outro Vermelho . Nãoexistia preferência ou determinação de que lado um sócio ficaria . Poderiater sido Vermelho no ano passado e Branco naquele ano . Pouco importavao lado que ele caísse . Todos iriam dar o sangue para ganhar jogos ecompetições que trouxessem medalhas e pontos para o lado que ele estavacompetindo e defendendo . Branco ou Vermelho . No final , a equipe que tivesse mais pontos seria proclamadavencedora . Isto iria acontecer em uma festa para a qual todos oscompetidores estavam convidados . E todos compareciam e comemoravamjuntos . Não importava qual equipe fosse vencedora . Isto porque na realidade o Sócio não era nem Branco ou nemVermelho . Ele era as duas cores ao mesmo tempo . As cores juntas queformam as cores do Paulistano. Isto quebrava gelo e acabava com pequenas diferenças . Ali era um dos começos para a união da Turma do Paulistano . Desde pequeno todos meninos iam competindo em quase todos ostorneios que aconteceram . Eu gostava de me inscrever em muitasmodalidades : Natação , Pólo Aquático, Atletismo , Voley , Basquete ePaleta . O importante era competir e participar nas várias modalidadescom os nossos companheiros Aquele era o Espírito Amigo da Turma do Paulistano ..