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Amaral, antonio henrique
 

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    Amaral, antonio henrique Amaral, antonio henrique Document Transcript

    • AMARAL, Antonio Henrique (1935). Nascido em Sćo Paulo (SP). De uma famķlia de artistas -o pai era primo-irmćo de Tarsila, e das trźs irmćs, uma é cineasta, a outra poeta e a terceira, aconhecida crķtica de arte Aracy Amaral -, seu primeiro interesse foi a Literatura, tanto que aos15 anos deu comeēo ą redaēćo de um Diįrio, o que continua até hoje. Matriculando-se maistarde na Faculdade de Direito, sentiu em 1955 o impacto das artes visuais, após uma visita ąBienal de Sćo Paulo: no ano seguinte estava cursando as aulas de Gravura de Livio Abramo noMuseu de Arte Moderna. Em 1958 realizou sua primeira individual e, em vista do sucessoobtido, trancou a matrķcula no quarto ano de Direito e embarcou para o Chile, onde passariaseis meses, chegando a expor em Santiago. Do Chile ganhou os Estados Unidos da América,expondo na Unićo Panamericana em Washington D. C. e vivendo seis meses em Nova Iorque,com bolsa do Pratt Institute, e em outras cidades norte-americanas.De volta ao Brasil em fins de 1959, tornou-se empregado da Galeria Bonino, no Rio de Janeiro,exercendo posteriormente, de novo em Sćo Paulo, funēões de gerente, relaēões pśblicas,publicitįrio, vendedor free-lancer de pinturas, contato da Grant Advertising e editor de house-organs - sem contudo abandonar de vez a gravura. A despeito de ganhar bem, nćo se sentianada feliz:- Durante sete anos em propaganda me senti prostituto. Me alugava, meu self-respect erabaixo, me sentia sempre mal, era um niilismo total. Fazia os contatos, enchia a cara com osclientes e refletia: como é fįcil ganhar dinheiro fazendo bobagem, e tćo difķcil fazer dinheirocom coisas consistentes comigo. Nćo conseguia resolver isso, de modo algum.Após uma separaēćo em 1964 e de grave acidente automobilķstico em 1965, Antonio Henriquedecidiu finalmente trocar o emprego burguźs e rendoso pela incerteza de uma carreira nasartes. Jį em 1967 publicava um įlbum de xilogravuras coloridas, O Meu e o Seu, que expōs naGaleria Mirante das Artes de Sćo Paulo e na Galeria Santa Rosa do Rio de Janeiro, e de cujavenda viveu magramente durante algum tempo. Mudando-se em 1968 para um sķtio emAtibaia, ali permaneceria cerca de trźs anos, criando galinhas e pintando, uma vez quegradativamente a pintura substituķra a gravura como seu meio expressivo favorito. Foi nessapermanźncia em Atibaia que surgiu em sua pintura a temįtica da banana, cuja gźnese elepróprio nćo chega a precisar muito bem:- Nćo posso explicar, sei que de repente eu estava pintando bananas. Quem sabe foi o falo doRei da Vela, aquele canhćo, lembra-se? Ou entćo todo o clima de deboche que comecei a ver,o golpe militar, o AI-5, feira paulista de opinićo criticando tudo - entrei no palco empunhandouma banana gigante -, a agitaēćo polķtica. Tudo se confundia com meu estilo de vida delirante,Lķgia e eu éramos como Scott Fitzgerald e Zelda, dois desvairados. Disso nasceu a banana.Estįvamos todos muito por baixo no Brasil, marginalizados. Nada era sério. A questćo era levara sério o nćo ser sério. A banana nasceu do medo. De uma coisa tenho consciźncia: com abanana e através dela fui aprendendo a linguagem da pintura. Esse aprendizado continua hoje.De 1968 em diante Amaral comeēou também a ter suas pinturas premiadas em salões (como ode Campinas ou o Paranaense), e a partir de 1969 passou a viver exclusivamente de suavenda. Concorrendo em 1971 ao XX Salćo Nacional de Arte Moderna, nele obteve o prźmio deviagem ao estrangeiro, embarcando logo depois para os Estados Unidos da América. Suaintenēćo era passar um ano em Nova Iorque e o segundo e śltimo ano do prźmio na Europa,mas foi-se deixando ficar em Nova Iorque, como explicaria mais tarde numa entrevista a HarryLaus:- Europa é bom para o cara conhecer o passado, a evoluēćo da coisa toda, e Nova Iorque parauma maior compreensćo de nosso século, do nosso hoje. Ver as coisas brasileiras de um outroāngulo também é da maior importāncia. Ajuda a dimensionar melhor o problema da arte e denossa vida. Hį duas formas de se aproveitar esse prźmio: viajando bastante ou ficando num sólugar, trabalhando. Eu fiz a segunda. Parei e trabalhei muito. É claro que pude me instalar bemporque depois de seis meses comecei a vender. Os 500 dólares mensais do prźmio só dćopara o aluguel. Mas, apesar disso, o prźmio é uma boa chance para o artista viajar e ampliarseus horizontes. Ele conclui que em arte é necessįrio muito mais trabalho do que se vź poraqui, nesta "curtiēćo". Aqui, com uma exposiēćo ou duas, com trajetórias ąs vezes curtķssimas,
    • logo o pintor vira gźnio e o sucesso é fįcil demais. As dificuldades lį fora sćo bem maiores, e ospadrões bem mais exigentes. A informaēćo é tanta e as referźncias tćo diferentes das de cį queo cara corre o risco natural de fundir a cuca, desorientar-se, perder-se completamente. Ou dese achar.A fase brasiliana, ou das bananas, iniciada como se viu por volta de 1968, prosseguiria aindaalguns anos, tendo suscitado a certos crķticos a comparaēćo com Tarsila do Amaral ou afiliaēćo aos procedimentos do Tropicalismo entćo em voga. Frederico de Morais, por exemplo,escreveu em comeēos de 1969:- Isoladamente ou formando cachos, as bananas sćo monumentalizadas, agigantadas comoque a lembrar aquelas figuras antropofįgicas de Tarsila do Amaral - plantadas no solo, comocactos ou bananeiras, sob um sol luminoso e numa paisagem vazia.Roberto Pontual, por sua vez, aludiu a um "registro tropicalista, com a fusćo do humor e daironia na localizaēćo de bananas e bananeiras infladas na forma e acentuadas na cor". Oartista, contudo, pouco se importa com tais classificaēões, e explica:- As minhas bananas sćo meus personagens. Trato-as com dignidade temįtica e pictórica.Nunca me preocupei se elas tźm uma ligaēćo, próxima ou remota, com o antropofagismo deTarsila, ou com "Tropicįlia" de Gil e Veloso, como afirmam. Cheguei a elas por via racional, poruma necessidade de refutar os movimentos de vanguarda europeu e norte-americano,importados e copiados aqui. Essa arte cinética, por exemplo, essa arte de computadores, quenada tem a ver com a nossa realidade cultural. As bananas sćo, pois, uma saķda brasileirapara a nossa arte melhor, e nćo aquela arte elitista, "uma linguagem cifrada para um grupomuito secreto de pessoas", como jį denunciou, com propriedade, o escritor americano HenryMiller.Antonio Henrique Amaral também nćo vź em suas bananas a influźncia da Pop norte-americana:- De "pop" as minhas bananas só tźm, mesmo, o monumental. De fato, minhas musįceas sćosempre gigantes, como é no Brasil a própria Natureza...Em 1975 o artista retornava ao Brasil após quatro anos de ausźncia, durante os quais efetuouindividuais em Washington, México e Londres (1971), Genebra (1972), Bogotį (1973) e NovaIorque (1974). Coincidiu, o retorno, com o esvaziamento da fase das bananas (que duraracerca de sete anos) e conseqüente inķcio de uma nova etapa em sua carreira: a partir deantigos desenhos de vįrias épocas, Amaral revitaliza sua pintura, dį-lhe uma nova dimensćo:- Havia muita forma, muita explosćo, completamente diferentes dos quadros realistas edetalhados que eu fazia. Quando conscientizei isso, fiquei perturbado. Porque essa dicotomia?Decidi usar os desenhos, explodi-los nas telas, pintį-los. Consolidar uma linguagem.Quando Antonio Henrique deu inķcio ą fase brasiliana, lembra Ferreira Gullar, "a pinturabrasileira estava em outra. Pintar figuras sobre uma tela, naquela ocasićo, era quase comopropor a volta do carro-de-boi": pois de 1975 em diante, a partir de Transformaēões, o pintorchega gradativa e "anacronicamente" ą pintura abstrata. Só que, como elucida Gullar, suapintura abstrata "nćo tem o mesmo carįter da abstraēćo metafķsica ou racionalista ousurrealista do passado. Guarda estranhamente um carįter brasileiro, latino-americano,selvagem e dramįtico, como os componentes de nossa realidade". Daķ por diante, AntonioHenrique nćo mais se deteria na exploraēćo de um śnico tema, preferindo dar vazas ao seupróprio impulso criador:- As etapas tźm me mostrado que estou evoluindo como artista e pessoa, com todos os trancose barrancos da nossa profissćo. Senti que estou dentro de um processo de nćo me reter emnenhuma etapa, por sucesso comercial ou nćo. Nćo sou prisioneiro do sucesso de etapas,consagraēćo. Nćo tenho mais medo que nćo me aceitem com novas cores, formas. A pessoa
    • nćo pode se deter. Sei que estou em perigo, estou sempre a perigo. Certas passagens sćopenosas, mas é preciso enfrentar. Sempre fico surpreso quando termino um novo quadro, masfaz parte do meu crescimento como artista e ser humano, a seguranēa da inseguranēa, oconvķvio com minhas fragilidades e medos.Antonio Henrique Amaral tem realizado individuais dentro e fora do Brasil em cidades comoSćo Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, e ainda Birmingham e Nashville nos Estados Unidos(1975), El Salvador e México (1976), Nova Iorque (1978, 1979), novamente México (1979),Miami (1980) e Ottawa (1984); também participou de coletivas da importāncia da Bienal de SćoPaulo (de 1959 a 1967), do Salćo Nacional de Arte Moderna (entre 1960 e 1971 - certificado deisenēćo de jśri em 1968, viagem ao exterior em 1971), do Salćo de Outono (Paris, 1971), damostra Visćo da Terra, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1977), da Bienal Latino-americana de Sćo Paulo (1978), e das panorāmicas Pinturas Latino-americana no QueenCultural Center, de Nova Iorque (1973), Arte Atual Ibero-americana (Madri, 1977), Artes Visuaise Identidade na América Latina (México, 1981), III Salćo Brasileiro de Arte da Fundaēćo MokitiOkada (Sćo Paulo, 1982 - prźmio de viagem ao Japćo), Tradiēćo e Ruptura (Sćo Paulo, 1984),etc. É de sua autoria o grande painel instalado, em 1989, no Salćo de Atos do Palįcio dosBandeirantes em Sćo Paulo.Reconhecido dentro e fora do Brasil como um dos mais importantes pintores contemporāneosda América Latina, Antonio Henrique Amaral atingiu o amadurecimento total, como dį aentender o seguinte trecho de um seu depoimento:- Antigamente, só comeēava um quadro quando ele estava totalmente realizado em minhacabeēa. Deixava pouco ao acaso, executava-o de modo imperativo, debaixo de um planotradicionalmente estabelecido. Aos poucos, fui mudando, ą medida que eu próprio metransformava, me liberava. Hoje em dia, confiro ao quadro possibilidades de se autodeterminar.Claro que devemos intervir e tentar mudar os rumos nćo só do nosso trabalho, como darealidade que nos cerca. Agora, penetro com menos angśstia dentro do espaēo dominado pelatela em branco. Tanto posso chegar com um dos meus desenhozinhos como ponto de partida,corno entrar virgem nesse espaēo e entćo acionar o processo.Significativamente, partiu da irmć do artista - a jį mencionada crķtica de arte Aracy Amaral -, em1980, uma das anįlises mais pertinentes da arte de Antonio Henrique Amaral durante a décadade 1970, anįlise da qual extraķmos esse elucidativo trecho:- Pode-se registrar a permanente presenēa, em suas telas dos dez śltimos anos, de elementosde duas procedźncias bem claras: os de ordem tecnológica e os de natureza orgānica. Entre osprimeiros colocarķamos aqueles de fabricaēćo industrial, projetados portanto, como diseńo,como garfos, pratos, cordas, barras de ferro, elementos de ateliź (como escadas, cadeiras,etc.). Os outros seriam os elementos tirados diretamente da natureza, como formas vegetais,as bananas, as vķsceras, assim como as formas pontiagudas ou explodidas dos desenhos"mentais", as referźncias ao corpo humano que insistentemente ele tem tentado introduzir ouincorporar ąs suas telas. Mas a monumentalidade, na abordagem através da imagem, dosmecanismos mentais, impōs-se em sua pintura, buscando afiar a contundźncia dessa imagemą forēa de sua expressćo pictórica. Do ponto de vista cromįtico, um calor novo parece articularcom maior eloqüźncia os elementos de suas composiēões, que depois de perķodo deafinidades visķveis - mesmo que nćo previstos pelo artista - com um Léger da segunda década,com um Roberto Matta admirado, parecem agora assumir um carįter próprio, singular, emmanipulaēćo / justaposiēćo que conseguem, nestes seus śltimos trabalhos, uma fusćo dediversos elementos " inventados" e/ou re-elaborados pelo artista: fragmentos de polpaesmagada de bananas que trazem implķcita uma conotaēćo com detalhes da epidermefeminina, pelo tratamento e colorido sensual, assim como de elementos de "explosões" da fasereflexivo-mķstica de hį dois anos atrįs em Nova Iorque, de barras de ferro a nos remeter ą sériedos "ginįsios", que expressaram com violźncia toda a destruiēćo fķsica do homem através demįquinas por ele mesmo geradas para seu aprimoramento estético, coexistindo poderosamentecom "closes" de telas de bambuzais, em soma-sķntese de diversos momentos de suaproduēćo.
    • Brasiliana 9, óleo s/ madeira, 1969; 1,04 X 1,22, Museu de Arte Contemporânea da USP. BR-1, óleo s/ tela, 1970; 1,70 X 1,28, Pinacoteca do Estado de São Paulo.Criação, expansão, desenvolvimento, óleo e acrílica, 1989; 4,50 X 16,00, Palácio Bandeirantes, SP.