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Lúcia Helena Issa - Perfil Literário
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Lúcia Helena Issa - Perfil Literário

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Patrícia Candelária apresenta o Perfil Literário da escritora e jornalista Lúcia Helena Issa.

Patrícia Candelária apresenta o Perfil Literário da escritora e jornalista Lúcia Helena Issa.

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  • 1. PERFIL LITERÁRIO: LUCIA HELENA ISSACOBERTURA DE CONFLITOSSão Paulo2012
  • 2. PERFIL LITERÁRIO – LUCIA HELENA ISSAAutora: Patrícia CandeláriaLUCIA HELENA, A SHERAZADE DAS MIL E UMA NOITES"Não tenho medo dos gritos dos maus, mas do silêncio dos bons...”.(Martin Luther King) Vida Lúcia nasceu em Guaratinguetá, interior de São Paulo,descendente de árabes,filha de empresário, é a caçula e única menina de quatro irmãos. Formada emJornalismo e Graduada em Comunicação Social, fez especialização em LiteraturaComparada pelas Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (FATEA - Lorena, SP) e emLinguagem e Semiótica pela Universitàdi Roma, na Itália. Lucia ganhou uma bolsa paraestudar na Itália. Seu intuito era permanecer seis meses, mas devido ao casamento comum italiano, prolongou sua estadia por seis anos. Durante esse período, colaborou com alguns dos principais veículos decomunicação do Brasil, tais como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e revista Isto é.Percorreu mais de 40 países, alguns deles palcos de conflitos reportados por ela in loco,focando na situação das mulheres refugiadas, no imediato pós-guerra (tais como Líbano,Sérvia e Bósnia). Foi também apresentadora do VNEWSda Rede Globo Vanguarda, emSão José dos Campos, São Paulo. Atualmente vive entre o Brasil e a Itália, onde cursa o mestrado em Políticas eCulturas Euro-Mediterrâneas, com foco em Mediação e Conflitos; é membro daorganização internacional ReporterssanFrontieres (Repórteres Sem Fronteiras),correspondente para o Brasil da organização Peace Reporter (Repórter pela Paz),correspondente internacional e voluntária da Cruz Vermelha Internacional no Rio deJaneiro.
  • 3. .Em junho de 2010, Alexandre Marcos Lourenço, crítico literário e filósofo pelaUniversidade de São Paulo (USP), escreveu para ”O Lince” um artigo sobre LuciaHelena Issa em que afirmava o seguinte: – O texto de Lucia Helena Issa carrega a sonoridade aconchegante de quem sabecontar histórias, talvez geneticamente herdada da tradição árabe que encanta povos egerações, desde que a hábil Sherazade enredou-nos em Mil e Uma Noites. E continua: – Lucia é uma profissional perspicaz e atenta, capaz de criar uma tessitura depalavras que descolam-se e deslocam-nos para o universo apresentado pela autora,dando um toque de literatura àquilo que poderia ser apenas informação. Ela não sesatisfaz com a informação de segunda mão ou com os juízos definitivos. Ao contrário,vai a campo num verdadeiro trabalho de busca das fontes primárias que burila comsólida formação acadêmica. O resultado? O desejo de tê-la em mil e um capitulos – oumais (...) Em 2011 publicou o livro “Quando Amanhece na Sicília...”’. Obra esta degrande valia, pois se trata do primeiro livro-reportagem escrito por uma jornalistainvestigativa brasileira. Nele, Lucia conta histórias de esperança no pós-guerra e sobre a“significativa luta das mulheres sicilianas contra a máfia numa terra em que o silêncio éa medida do valor da mulher”. O contexto do livro dá voz às mulheres sicilianas. Sãoelas: juízas, mães, professoras etc. E mostra como elas foram determinantes noenfraquecimento da máfia no país. Para escrever a obra, a autora morou na Itália por seis anos e fez uma verdadeiraimersão na região da Sicília. Presenciou o enfraquecimento do Estado diante da CosaNostra (Máfia Siciliana). O livro possui entrevistas com especialistas, autoridades,juízas e cidadãos comuns relatando a transformação da Sicília. Há ainda entrevistasrealizadas com historiadores em Roma, sobre a ligação de alguns membros do Vaticanocom a CosaNostra. Na obra é apresentada, também, a coragem de um grupo demulheres após o assassinato de seus filhos e maridos pela máfia, o assassinato de doisjuízes mais combativos na Itália e a reação da sociedade civil. Segundo Lúcia Helena:.
  • 4. – O objetivo desse trabalho é revelar como a Sicília tem conseguido sair do ciclode violência, terror e impunidade que a caracterizou por tanto tempo. Mostrar que asmulheres sicilianas foram e estão sendo parte fundamental dessa transformação socialna Sicília. (...) Como colaboradora da RSF, descobriu refugiadas internas em Belgrado eSarajevo. Por meio de uma fonte que entrou no programa de proteção à testemunha,pode ouvir relatos da revolução feminina contra os mafiosos, que ocorria na Sicília. Aideia de Lucia não era investigar o último crime da Cosa Nostra, mas sim, entendercomo esse fenômeno social atingia a máfia. (...) Na Itália existem diversas máfias, sendo que a mais conhecida é a “Cosa Nostra”(na língua portuguesa “nosso assunto” ou “nossa coisa”), de origem siciliana. Conformea origem do termo, esse conceito remete à substituição do Estado. Atualmente existem 329 grandes mafiosos presos incomunicáveis. Muitos delesjá mataram mais de cinco mil pessoas na Sicília nos últimos anos. Sua prisão foiestabelecida apenas porque surgiram denúncias de mulheres que decidiram falar. Tudocomeçou com a prisão de Salvatore Riina, em 1993, e depois diversos outros mafiososforam capturados. Certa noite, em Brancaccio, um dos bairros mais violentos de Palermo,depois detentar pagar o restaurante em que havia parado para comer rapidamente, Luciadescobriu que a conta já havia sido paga. Ela foi abordada por um cavalheiro deaparência elegante. Na Itália, o maior diferencial do crime organizado, é que não épossível identificar os mafiosos. Lucia foi surpreendida pelo cavalheiro, que a chamoupara conversar, e demostrava saber exatamente quem ela era, sua nacionalidade e o fatode ser jornalista. Ele sabia tudo a seu respeito,e tentou convencê-la de modo delicado deque a máfia não existia, que as mulheres que lutavam contra a Máfia e por justiça paraseus filhos estavam loucas, que em Palermo não existiam líderes mafiosos e que Luciadeveria escrever sobre isso. Mas Lucia pensou que jamais deixaria de escrever seu livroe dar voz àquelas mulheres.
  • 5. - Aquelas mulheres haviam me escolhido tanto quando eu a elas, e nada me fariadesistir agora. Nas últimas três décadas, morreram oito jornalistas assassinados na Sicília.Atualmente a situação dos jornalistas italianos é pouco vulnerável, mas ainda existemmuitas ameaças. Com a sociedade civil mais atenta, assassinar um juíz ou um jornalistaé algo muito impopular. A máfia existe, o domínio da Cosa Nostra se extinguiu noterritório siciliano. Segundo estimativas, dos oito mil membros, a máfia tem hojemenos de mil.Mais de 100 bilhões de euros já foram confiscados da máfia Siciliana. Família e Amigos A maior referência de Lucia Helena Issa, seu modo de interagir com o mundo,está pautado nas viagens, cinema e literatura. Frequentemente viaja com a filha e adorarever lugares que marcaram sua vida, como Roma. Segundo sua amiga, Márcia Cristina Campos, Lucia é uma pessoa perspicaz edona de uma personalidade ímpar. Ela é solidária, companheira e justa. – Suas experiências, viagens, estudo, bagagem cultural são ferramentas quecontribuem para maximizar sua simpatia e torná-la uma guerreira em defesa dos menosfavorecidos, injustiçados ou vítimas de atrocidades, como no caso dos massacresocorridos na Palestina. (...). Querida por todos, Lucia encontrou em Ana Maria Almada uma amiga comquem pudesse contar. Conheceram-se quando ainda eram adolescentes, mas tornaram-se amigas muito mais tarde, quando ambas voltaram a morar em Guaratinguetá. – O que nos reaproximou foram nossas afinidades intelectuais. A partir daí,descobrimos que também nossas almas se entendem, e nos tornamos grandes amigas.Acho lindo nossas meninas juntas! Podemos passar horas conversando, seja sobre osrumos do mundo, seja sobre nossos amores. Com Lucia posso rir ou chorar, posso sersempre eu mesma.
  • 6. A personalidade de Lucia é definida por Ana em uma palavra: doce. Não se tratade uma doçura simples, mas feita de nuances, como toda pessoa com inteligência acimada média. – Articulada, desinibida, aberta à vida, linda, quem a conhece se encanta. Luciaé escritora, mãe, jornalista e é sempre ela mesma, em todos os papéis... O reencontro de ambas foi marcante, já que moraram na mesma cidade pormuito tempo. Ana esteve presente no lançamento de seu livro “Quando Amanhece naSicília”, em Guaratinguetá. Ana pôde ler a obra, e teve a certeza do sucesso que ela setornaria. O local do lançamento na cidade de Guaratinguetá foi mágico, Lucia Helenabrilhava entre todos, a noite pode ser recordada por meio de fotos. Para Lucia Helena, as pessoas são mais importantes que os lugares. Ela é comouma cidadã do mundo transita por todos os ambientes sem perder a identidade. Masaprecia estar com os amigos e com a família. Sempre generosa, gosta de receber aspessoas queridas em sua casa, que parece se expandir até se tornar tão grande quantoseu coração. – Trilhou os caminhos que escolheu, venceu, é hoje uma cidadã do mundoliteralmente e nos enche de orgulho. Lucia aprendeu a ler desde muito cedo. Aos 5 anos de idade, passava horaslendo. Ela sempre lia histórias para uma menina, filha de uns amigos de Regina Helena. Certo dia, sua mãe soube que a mãe da criança para quem ela lia tambémpassara a ouvir as histórias, porque Lucia criava situações dentro do contexto e mudavatodos os meios das histórias mais assustadoras, a menina para quem ela lia era algunsanos mais nova. Lucia criava personagens, fazia com que os maus não fossem tão ruins. Faziacom que eles se redimissem de alguma forma. Na época, a mãe da garotinha, perplexa,dizia: – Ela tem potencial para ser escritora!
  • 7. Numa tarde de abril, pouco antes de Lucia completar seis anos de idade, sua mãea levou para conhecer o Orfanato Puríssimo Coração de Maria, em Guaratinguetá, ondeviviam centenas de crianças. Ao tomar consciência da situação em que os órfãos viviam– a Páscoa estava chegando e muitas delas não ganhariam nada –, começou a fazer milperguntas para a assistente do local. Ao final da visita, decidiu: – É aqui que eu quero fazer minha festa de seis anos, e é com elas que querodividir os presentes e os ovos de Páscoa. Hoje, Lucia tem feito um trabalho como voluntária internacional, assim comoem 2011, em que conseguiu ir para o Líbano levando ajuda humanitária para osrefugiados palestinos, no campo de Chatila. É a confirmação de sua personalidade. Em um certo domingo de primavera, quando a filha já morava em Roma, HelenaRegina viu uma reportagem, de autoria da Lucia, de pagina inteira no caderno Mundo,diretamente de Roma. Depois dessa, surgiram muitas outras. – Naquele domingo, senti um orgulho imenso, porque ela não tinha contadoantes!. O irmão de Lucia, o fotógrafo internacional Beto Issa descreve a irmã como umamãe apaixonada pela filha e uma jornalista nata, que vai sempre onde a notícia está. - Lembro quedurante o funeral de Ayrton Senna, em 1994,quando ela ainda eraestudante, havia muitas restrições para se chegar perto da Assembleia e ela conseguiuentrar lá e fazer uma matéria emocionante, o que me surpreendeu muito justamenteporque ela ainda era estudante. Como sou fotógrafo de automobilismo, esse é um fatode que sempre me lembro. O relacionamento que Lucia tem com o pai é algo muito especial, intenso eapaixonado. Por vezes conflituoso também. Durante a adolescência de Lucia, após a separação de seus pais por algumtempo, quando tinha 13 anos, foi morar com ele e, mesmo vendo sua mãefrequentemente, seu pai se tornou para ela um dos maiores faróis naquele oceano deparadoxos que é a adolescência.
  • 8. O pai de Lucia, Jorge Issa, é assim: pragmático, autoritário, mas também donode uma generosidade e solidariedade como poucas pessoas possui. – O curioso é que somos muito diferentes, temos visões de mundos diferentes,eu sou mais idealista, engajada socialmente, com ideias revolucionárias demais para ele.Um empresário super capitalista, conhecido em toda a região pela rede de lojas quefundou. Lucia cresceu lendo Pablo Neruda, Marcel Proust, Gibran Kalil Gibran, um dosmaiores escritores libaneses de todos os tempos. Lia Gabriel Garcia Marques aos 12anos e escrevia histórias aos 11 anos. Seu pai percebeu muito cedo que dentro damenininha meiga, sapeca que aprontava muito, talvez houvesse uma contadora dehistórias para gente grande também; uma escritora. Ele a presenteou com uma coleção maravilhosa que hoje está na casa de Luciano Rio de Janeiro: a Coleção Prêmio Nobel, os livros de capa dura marrom com fiosprateados na capa que a fascinaram desde que os viu e revelou a alma de GabrielaMistral, Neruda, Wisnton Churchill, William Falkner, Pirandello, de quem se tornouamiga desde então. Lucia também se recorda de um dos primeiros livros que ganhou dele e queguarda ainda hoje: “As Mil e Uma Noites”, cujo cenário era sempre o Oriente Médio, aterra de seus avós, e que tinha como uma das heroínas Sherazade, a menina que contavahistórias para não morrer. – Assim como eu talvez faça isso hoje. Somente escrevendo e relatando o que vino Oriente Médio me sinto plenamente viva. Lucia descreve seu pai como um homem bonito e bem alto, carismático, umlíder nato que ela nunca viu chorar durante a infância. Até que no dia 18 de setembro de1982, durante a guerra civil no Líbano, Lucia estava em casa com ele e apareceram natela da TV as imagens do Massacre de Sabrae Chatila, em que mais de 2000 palestinos,a maioria mulheres e crianças, foram assassinadas com a ajuda do exército israelense,que havia ocupado o sul do Líbano.
  • 9. – Naquele dia vi meu pai chorar como um menino e me revelar umavulnerabilidade que eu até então desconhecia. Naquele dia, aos 14 anos, Lucia decidiu que iria para o Líbano um dia,escreveria a história dos palestinos que morreram no massacre e daria voz àquelaspessoas, que é o que ela faz agora ao escrever o livro “Filhas da Esperança”. Para seu pai, Lucia era precoce, generosa, doce e rebelde ao mesmo tempo. Eraespecial desde que nasceu. – Sabíamos disso e nem sempre sabíamos como lidar com sua precocidade. Mesmo sendo muito diferente de seu pai, pois ele se considera racional e menosemocional, eles construiram uma cumplicidade que fez com que Lucia decidisse morarcom ele na adolescência. Desde menina, Lucia deu trabalho porque queria saber o porquê dos nãospaternos e só os aceitava depois de entender a razão deles. Ao mesmo tempo, segundoseu pai, de todos os filhos era a mais solidária, a que pedia para doar brinquedos aoorfanato, a que reunia um grupo de amigos para comprar mantimentos, aquefoi fazertrabalho voluntário na Casa do Sol Nascente, em Guaratinguetá. – Ela queria mudar o mundo, e hoje quando a vejo viajando, escrevendo, tendotodo o reconhecimento que está tendo, inclusive na Itália e no Líbano, penso que nofundo eu sempre soube que isso aconteceria a ela. Na sua última viagem ao campo de refugiados de Chatile, no Líbano, quandoestava saindo uma mulher correu para ela e lhe entregou um pedaço de papel com onome de um menino e de uma cidade no Brasil, Mogi das Cruzes, e lhe pediu paraencontrá-lo, pis ela não sabia se ele havia chegado vivo no Brasil. Lucia guardou aquelepapel. Quando voltou para o Brasil, fez tudo que podia para encntrar o garoto, foi atéMogi das Cruzes, conversou com os muçulmanos que haviam chegado há poucos meseslá e procurou por uma mesquita. Ela tinha certeza que o garoto deveria frequentar umamesquita.Perguntou sobre o rapaz, e um dos frequentadores do local conhecia um moçocom aquele nome dado pela mulher no Líbano! Ele agoratrabalhava em uma padaria.Lucia foi até lá e o encontrou. Contou sobre sua mãe, e ele se emocionou muito.Ele
  • 10. escreveu uma carta para a mãe, mas no Campo de Chatila muitas cartas não chegam,então Lucia a mandou para sua amiga na ONU em Beirute, que se responsabilizou emfazer com que a correspondência chegasse ao campo de refugiados de Chatila. Ela realizou o sonho de uma mãe refugiada, de ter a certeza de que seu filhoestava bem. Entrevistas na mídia Lucia participou de várias entrevistas, dentre elas, destacam-se a que deu para oprograma Provocações, na Cultura, no ano de 2011. Na ocasião, demonstrou todo seu conhecimento com extrema simpatia e doçura.Talvez por sua experiência, fala como uma mulher, mas considera-se uma menina porseus medos. Gesticulava e contava sobre a fidelidade à Cosa Nostra e a vitória das mulheres.As leis como projetos de reabilitação para os jovens que ajudam a diminuir os mafiosos. Contou sobre a diferença da máfia siciliana e a napolitana, os valores arcaicos eligados à religião. Segundo ela, o ponto crucial é que tudo não passa de glamour, comono filme o poderoso chefão. – Os verdadeiros chefões são muito cruéis. Em outra entrevista para o programa “Mundo Saudável”, do Jornal integraçãoon-line, Lucia se expressa de forma natural e com simplicidade. Conforme relata osfatos ocorridos na Sicília, lembra-se de uma passagem na qual entrevistou uma senhoraem seu último dia em Palermo: – Uma Sicília que tem cor e sabor de legalidade, e de cidadania. Para Lucia, viajar é romper fronteiras, olhar para o outro e descobrir que asdiferenças podem ser fascinantes.
  • 11. – O sol, ainda que timidamente, finalmente voltou ao Rio, quase como umametáfora da vida... Domingo maravilhoso com amigos especiais, no Coutry Club doRecreio dos Bandeirantes! Consegue influir na vida das pessoas de modo sublime, abrindo as portas parareflexões. – Tenho visto muitas pessoas desistindo de seus sonhos e sempre conto a elasuma história que me inspira até hoje. Thomas Edison, o inventor da lâmpada, foi um cara que sempreinspirou a Lucia,mais até pela sua determinação do que pela inventidade. Quando ele estava trabalhandona sua invenção completamente maluca para a época, fez 80 tentativas frustradas deproduzir uma lâmpada, e um dia um de seus colegas da Califórnia, perguntou-lhe: (...) Nas redes sociais ela também conta sobre reportagens que ganharamdestaque na mídia e entrevistas que fizera a pouco. - Há alguns anos, quando eu estava morando em Roma, fiz uma série dereportagens para a Folha de São Paulo (publicadas no Caderno Mundo), após terconseguido entrevistar uma garota do leste europeu que havia sido enganada compromessas de emprego e levada para a rede de prostituição na Europa, liderada pelamáfia russa. A reportagem recebeu destaque porque Lúcia foi a primeira brasileira a escreversobre o tráfico de mulheres, de meninas prostitutas que haviam sido enganadas, etc.Muitos amigos dela na época não acreditavam nisso, diziam que ela estava sendoidealista querendo dar voz a elas, que elas escolheram aquile caminho, etc.Hoje, dezanos depois, o mundo descobriu que o Tráfico de mulheres é real e movimenta mais de80 bilhoes por ano! – Sinto orgulho de ter escrito essa reportagem numa época em que ninguémfalava sobre isso.
  • 12. MakingOf Lucia Helena Issa, uma mulher exuberante, dona de longos cabelos negros,sorriso inenarrável e olhar doce, como os olhos de uma menina. Devido à distância entrenós, nunca tivemos contato pessoal, mas dentro desse período em que pudemos trocar e-mails, ela foi sempre muito educada e gentil. Ao receber meu convite como perfilada,respondeu de imediato: Posso te ajudar no que for possível. Será uma honra para mim! Abraço afetuoso. Ofereceu a mim sugestões de pesquisa sobre a máfia Italiana e também sobre suaobra na mídia. Concedeu de bom grado contatos de amigos e familiares, tais como seuirmão Beto Issa, sua mãe, seu pai e amigas Ana e Márcia. Que contaram histórias sobresuas vidas, para que eu pudesse me aprofundar nas pesquisas. Para mim, um perfil muito gostoso de produzir, já que Lucia tem a primazia deescrever em linhas longas e relatar minuciosamente todos os fatos de sua vida. Suas amigas e família também contribuíram grandemente para que eu pudessetrilhar esse longo caminho entre biografia, vida e obra, relato de pessoas queridas eentrevistas. Consegui descobrir não somente quem é, mas também tive a oportunidadede conhecer a profundidade de sentimentos que Lucia possui em seu âmago, bem comoos sonhos que ela conseguiu realizar para muitas pessoas ao redor do mundo.