._,1  ‘ If-‘K ‘
i 1 ‘ I i
.  9' K44

L

'’i
A "rs T"‘, "‘ 1

’. ¢ ‘d. l.. 

(L ivl I
Usos didéticos
de documentos

As jiisiificativas para a utilizacao dc documentos
nas aulas de Histaria scio varias e nao mu...
328

cm uma perspectiva temporal,  conforme jzi se disse an-
teriormente.  Dal’ a ncccssidade de se deter em alguns
aspect...
que estafonte dizia antes aos outros.  Como era usada para
outra coisa,  ou seja,  é preciso adquirir conhecimento sobre
e...
330

Um documento pode ser usado simplesmente como
ilustragzio,  para servir Como instrumento de reforco
de uma idéia expr...
xidade e extenszio podem criar uma rejcieao pelo tema
ou pelo préprio tipo de material. 

Podem—se utilizar documentos des...
anallse,  tendo em vista outras situagées dc estudos
histéricos. 

E importante,  para a comprcensao do documento, 
que se...
o poder de sua perpetuaccio.  O que transforma o docu-
mento em monumento e’,  no fim das contas,  a sua utiliza-
ccio pelo...
3* Pants — M. -IERMlS_ PIIVLKEOS:  co~cn~cos<.  2 uses

Fazcr analise e comentario de um documento
corresponde a: 

EXPLIC...
Essa é uma proposta de analise valida para qualquer
documento inserido em situacao pedagégica.  Existem, 
no entanto,  est...
Para a analise do contcudo,  tem sido importante a
reflexao sobre :1 autoria dos acontecimcntos,  dando-
se destaque ao pa...
1964-1985, constatou que os materiais pedagogicos
de apoio utilizados com maior freqiiéncia eram as noti-
cias de jornais ...
338

atual da midia.  A aurora mostra a participacao do
escritor como colaborador de varios jornais e revistas
e sua manif...
que remonta ao perrooo em que aominava o C‘Zl7’7'l-
czilo /1umam’stz'co.  Atualmente a literatura integra os
conteudos das...
SCORZA.  Manuel. 
Bom did pan:  or dqfimtor. 
Sio Paulo:  Civilizaqflo
Brasilcim.  1984. Manuel
Scot-la.  um indio que
vivc...
possibilitado abordagcns mais complexas que mere-
cem ser introduzidas pelos professores de I-Iistoria. 

Dentre os autore...
Cf. __o artigo

“Historia c dialogismo". 
dc Antonia Terra. 
publicado no livro 0
min-r / iisrorico rm sala (Ir
aula (cf. ...
A importancia das tcmaticas em torno da consti-
tuicao da cidadania e das diferentes problemziticas refe-
rentes as nocées...
selecao dos documentos,  etapa essencial para 0 pro-
fessor,  sem a preocupacao em detalhar o método de
anzilise a ser rea...
Foram escolhidos trés documentos que pudessem
abranger os objetivos ligados aos conteudos explicitos, 
mas também atendess...
Essa carta do rei Luis XIV para seu filho primo-
génito (delfim) e futuro rei da Franca foi escolhida com
o objetivo de ate...
P.  — Que pecado se comete atacando a pessoa do Rei? 

R. — Sacrilégio. 

P.  —— Pot que é sacrilégio? 

R. — Porque os Re...
348

Os objetivos especificos desse documento sao: 

1) identificar o funcionamento do poder absolu-
tista nas colonias ame...
“ identificar a forma pela qual as informacoes e con-
ceitos sao apresentados; 

 estabelecer uma hierarquia dessas inform...
GRILLO,  Maria Angela de Faria.  Literatura de cordel
na sala de aula.  In:  ABREU,  Martha;  SOIHET,  Rachel. 

Ensino de...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

His m01t06

210

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
210
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
7
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

His m01t06

  1. 1. ._,1 ‘ If-‘K ‘ i 1 ‘ I i . 9' K44 L '’i A "rs T"‘, "‘ 1 ’. ¢ ‘d. l.. (L ivl I
  2. 2. Usos didéticos de documentos As jiisiificativas para a utilizacao dc documentos nas aulas de Histaria scio varias e nao muito recenles. Muiios professores que os utilizam consideram-nos um instrumento pedagdgico eficiente e insubstituivel, poi‘ possibilitar 0 contato com 0 “real com as situacées concretas de um passado abstrato, ou porfavorecer 0 desenvolvimento intelectual dos alunos, em substituiccio de uma forma pedagrigica limitada a simples acumulaccio de fatos e de uma histéria linear e global claborada pelos manuais didéticos. Os documentos também szio materiais mais atrati— vos e estimulantes para os alunos c estzio associados aos métozlos dtiz/05 ou ao construtz'w'smo, conforme as justificativas de algumas das propostas curriculares. Recorrer ao uso de documentos nas aulas dc Histo- ria pode ser importantc, scgundo alguns educadores, por favorecer a introduefio do aluno no pensamento histérico, a iniciaezio aos préprios métodos de trabalho do historiador. Nesse caso, hzi ccrta ambiezio em trans- formar o aluno em uma “espécie de historiador”, situa- ezio complexa que conduz :1 problemas de difi'ciI soluqéo. Essa pretenséo acarreta uma série de dificuldades ao ensino e contraria os objetivos da disciplina, cuja intengéo maior é dcscnvolvcr uma autonomia inte- Iectual capaz de propiciar anzilises criticas da sociedade llfl ©e
  3. 3. 328 cm uma perspectiva temporal, conforme jzi se disse an- teriormente. Dal’ a ncccssidade de se deter em alguns aspectos do uso de doczimentos ou de fontes / Jistdricrzs nas aulas de I-Iistéria, comegando pela identificagao das especificidades desse uso. 1. Anélises de documentos 1.1. I‘IIS'I'ORIADORES E PROFESSORES: DIFERENTES USOS DAS FONTES HISTORICAS Os documentos tornam-se importantes Como um investimento ao mesmo tempo afetivo e intelectual no processo de aprendizagem, mas seu uso sera equivo- cado caso se pretenda que o aluno se transforms em um “pequeno historiador”, uma vez que, para os histo- riadores, os documentos tém outta finalidade, que néo pode ser confimdida com a situaeao dc ensino de His- téria. Para eles, os documentos sao a fonte principal de seu oficio, a matéria—prima pot intermédio da qual escrevem a histéria. Henri Moniot resume cotretamen- re a funeao do documento para 0 historiador: O saber histdrico é o produto defontes, todas elas vindas do passado, e de uma critica, vinda do historiador, um especialista, que explora seu conteiido! (. ..) Mas ncio é pre- ciso advertir que 0 traballio do historiador nao pode estar limitado a isso. Nada é uma fonte por sua prtipria natu- reza e if 0 problema colocado pelo liistoriador que, identi- jicando um traco que fornece uma resposta, transforma assim um documento em uma fonte histdrica. Os registros e marcas do passado $60 a sua inatéria-priina. 0 historia- dor diante dessa matéria—prima, dasfontes, faz perguntas, coloca problemas. Mas e’ preciso, inicialmente, saber 0
  4. 4. que estafonte dizia antes aos outros. Como era usada para outra coisa, ou seja, é preciso adquirir conhecimento sobre ela (isto signifca que o historiadorja possui conliecimen- to da historia da época em que o documento foi produzi- do) e a partir desses dados obtidos. talvez essa fonte pos- sa fornecer e acrescentar novas ou algumas informacoes para a pesquisa. Cabe ao historiador, desta forma, sele- cionar e delimitar as fontes adequadas para sua pesquisa. Fontes que serao organizadas por séries, ou serao com- postas par conjuntos arqueologicos ou entrevistas orais (. ..) (1993. p. 26). De maneira categérica, Henri Moniot adverte—nos de que o historiador, ao selecionar suas fontes dc pesquisa, jzi possui um conhecimento histérico sobre o periodo e tem dominio de conceitos e categorias fundamentais para a ana'lise histérica. Ao usar um do- cumento transformado em fonte de pesquisa, o histo- riador parte, portanto, de referenciais e de objetivos muito diferentes aos de uma situaeao em sala de aula. As diferencas sao marcantes, e disso decorrem os cui- dados que o professor precisa ter para transformar “documentos” em materials didziticos. O professor traqa objetivos que nao visam a pro- dugao de um texto historiografico inédito on a uma interpretaeao renovada de antigos acontecimentos, com 0 uso de novas fontes. As fontes histéricas em sala de aula sao utilizadas diferentemente. Os jovens e as criancas estfio “aprendendo Histéria” e nao dominam 0 contexto histérico em que o documento foi produ- zido, o que exige sempre a ateneao ao momento pro- picio de introduzi—lo Como material didatico e a escolha dos tipos adequados ao nivel e as condieées de escolarizacao dos alunos. 329
  5. 5. 330 Um documento pode ser usado simplesmente como ilustragzio, para servir Como instrumento de reforco de uma idéia expressa na aula pelo professor ou pelo texto do livro didatico. Pode também servir como fonte dc informaeao, explicitando uma situaeao histérica, reforeando a aeao de determinados sujeitos, etc. , ou pode servir ainda para introduzir o tema de estudo, assumindo neste case a condieao de sitmzgrio-pro/7/eiiza, para que o aluno identifique 0 objeto de estudo ou 0 tema historico a ser pesquisado. Dessa forma, os obje- tivos do uso de documentos sao bastante diversos para o professor e para o historiador, assim Como os proble- mas a que ambos fazem frente. Um desafio para 0 pro- fessor é exatamente ter critérios para a selegao desse recurso. Existe o problema de escolher documentos que se- jam atrativos e nao oponham muitos obstaculos para serem compreendidos, tais Como vocabulario complexo (textos escritos em outras épocas usam termos desca- nhecidos na atualidadc), grande extensao, consideran- do 0 tempo per/ zzgdgico das aulas (numero de aulas sema- nais e tempo da hora-aula), e inadequagao £1 idade dos alunos. Na escolha é necesszirio lembrar que elcs devem ser motivadores e nao se podem constituir em texto de leitura que produza mais dificuldades do que interesse e curiosidade. O objetivo é favorecer sua ex- ploraeao pelos alunos de maneira prazerosa e inteli- givel, sem causar muitos obstaculos iniciais. E preciso cuidado para que os documentos fornecam informa- eoes claras, de acordo com os conceitos explorados, e nao tornem dificil a compreensao das informaeées. A mzi seleeao deles compromete os objetivos iniciais propostos no plano de aula, ao passo que sua comple-
  6. 6. xidade e extenszio podem criar uma rejcieao pelo tema ou pelo préprio tipo de material. Podem—se utilizar documentos desde as séries ini- ciais; em tais situacées, considerando as diferentcs fai- xas etzirias, é preciso maior cautela na escolha dos mais apropriados, daqucles que efetivamente despeitem in- teresse e estejam de acordo com os objetivos espec1’fi— cos para os difcrentes niveis de escolarizaeao. A escolha deles, em qualquer situaeao ou nivel escolar, deve favorecer 0 dominio de conceitos histéricos e auxiliar na formulaeao da geizeralizagdo, ou seja, de um aconte- cimento particular (Como o texto da Lei Aurea de 13 de maio de 1888) para o gcral (0 processo de aboliezio da escravidao no Brasil). Para que 0 documento se transforme em material didatico significativo e facilitador da compreensao de acontecimentos vividos pot diferentes sujeitos em dife— rentcs situacées, é importante haver sensibilidade ao sentido que lhe conferimos enquanto registro do pas- sado. Nessa condigao, convém os alunos perceberem que tais registros e marcas do passado sao os mais diversos e encontram-sc por toda parte: em livros, revistas, quadros, musicas, filmes e fotografias. 1.2. METODOS DE AN/ LISE DE DOCUMENTOS No artigo “Reflexoes sobre o procedimento histo- rico”, o historiador Adalbcrto Marson mostra a impor- tancia do uso de documentos em situaeao escolar, mas também chama a ateneao sobre os cuidados que o professor deve ter para sua utilizacao. O primciro pas- so, sem dtivida, e’ o professor saber come 0 docu- mento é utilizado na investigacao do historiador, para, em seguida, podcr apropriar-se do procedimento de
  7. 7. anallse, tendo em vista outras situagées dc estudos histéricos. E importante, para a comprcensao do documento, que se faga uma anélise dele como sujeito de uma agao e tambérn Como objeto, formulando trés niveis dc indagagéo: 1*’) sobre a existéncia em si do documento: o que vein a ser documento? O que é capaz de dizer? Como podemos recu- perar o sentido do seu dizer? Por que tal documento existe? Quem o fez, em que circunsta‘ncias e para quefina- lidadefoifeito? 2-’) sobre o sigmficado do documento coma objeto: o que significa como simples objeto (isto é fruto do trabalho humano)? Como e por quem foi produzido? Para que e para quem se fez esta produccio? Qual e’ a relacao do do- cumento (Como objeto particular) no universo da pro- clucao? Qual a finalidade e o carater necesscirio que comanda sua existéncia? 3") sobre o significado do documento como sujeito: por quem fala tal documento? De que historia particular par- ticipou? Que acao e que pensamento estcio contidos em seu sigmficado? O que 0 fez perdurar coma deposito da memoria? Em que consiste seu ato de podcr? (Marson. 1984, p. 52). A compreensao dc um documento em toda a sua complcxidade deve também se pautar pelas reflexécs dc outro historiador, Elias Saliba, sobre a relagao entre documento e monumento: No caso da disciplina historica, vale a pena refletir um pouco sobre a fértil distincao entre documento, produzido volunta’ria ou involuntariamente pela sociedade segundo determinadas relacoes de forca, e 0 monumento, volun- tariamente produzido pelo Doder. ou seia. uor auem detém
  8. 8. o poder de sua perpetuaccio. O que transforma o docu- mento em monumento e’, no fim das contas, a sua utiliza- ccio pelo poder. Entenda-se: o poder da produccio, difusdo, edicao, manipulaccio, conservaccio, reciclagem ou descarte (. ..) (Saliba, 1999, p.445). O uso de documentos nas aulas de I-Iistoria justifica- se pelas contribuicoes que pode oferecer para o desen- volvimento do pensamento historico. Uma delas é facilitar a compreensao do processo de producao do conhecimcnto historico pelo entendimento de que os vestigios do passado se encontram em diferentes luga- res, fazem parte da memoria social e precisam ser preservados como patriménio da sociedadc. Outta exigéncia para o uso de Fontes historicas é o cuidado para com suas difercntes linguagens. Os docu- mentos, como foi anteriormente apresentado, 5510 re- gistros produzidos sem intencao didatica c criados por intermédio de djferentes linguagens, que expressam for- mas diversas de comunicacao. Sao muito variados quanto £1 origem e precisam ser analisados de acordo com suas caracteristicas de linguagem e especificidades de comunicacao. Como recursos didaticos, distinguem— se trés tipos de documentos: escritos, materiais (obje- tos de arte ou do cotidiano, construcoes. ..) e visuais ou audiovisuais (imagens fixas ou em movimcnto, graficas, musicais). De maneira geral, ao se fazer a analise de um docu- mento transformado em material didatico, deve-se levar em conta a articulacao entre os métodos do histo- riador e os pedagogicos. Uma proposta dc anzilise possivel deve sempre articular os procedimentos aos obietivos, conforme o esquema seguinte:
  9. 9. 3* Pants — M. -IERMlS_ PIIVLKEOS: co~cn~cos<. 2 uses Fazcr analise e comentario de um documento corresponde a: EXPLICAR o documento, isto é, associar cssas informacoes aos sabercs antcriorcs DESCREVERRTK l documento, isto é. dcstacar e indicar as informacées que ele contém 7'Mois1i.1zAiT os saberes e ' , ._ conhccimentos PARA . prévios V CO [1 ICXIO C em (4; rclacéo no IDENTIFICAR 59” auto’ l a natureza dessc documento e também explorar esta caractcristica 1 PARA CHEGAR A ‘I _s_ 1', identificar os LIMITES e o interesse 29./1 do documento, isto é, critica-lo. ‘
  10. 10. Essa é uma proposta de analise valida para qualquer documento inserido em situacao pedagégica. Existem, no entanto, estratégias que atendem as especificidades dc cada tipo de documento. As préticas pcdagogicas variam de acordo com as especificidades das lingua- gcns, e apresentamos a seguir algumas delas, baseando— nos tanto em atividades realizadas cm salas de aula como em sugestoes de praticas escolares. 2. Documentos escritos: jornais e literatura Os documentos escritos sao os mais comuns e os que tradicionalmente tém sido usados por historia- dores e professores em suas aulas de I-Iistéria. Nao taro encontramos documentos usados com fins peda- gogicos em muitos livros didaticos ou em coletzineas que selecionam textos escritos dc diferente natureza, tais como textos legislativos, artigos de jornais e revis- tas de diferentcs épocas, trechos literarios e, mais recen- temcnte, poemas c letras dc musica. 2.1. IMPRIENSA ESCRITA NAS Aums DE HISTORIA A imprensa escrita como fonte e objeto de estudo historico Foi abordado por vzirios historiadorcs. Maria Helena Capelato, em Imprensa e Hz'sto'ricz do Brasil, ressalta que ha vzirios tipos de imprensa, assim como existcm varias maneiras de estuda—la. As possibilidades de utilizar jornais como fonte historica sao multiplas: a analise dos contcudos das noticias (politicas, economicas, culturais, etc. ), da for- ma pela qual sao apresentadas as noticias, as propa- gandas, os anuncios, as fotografias, etc. c dc como esse conjunto de informacoes esta distribuido nas diversas partes do jornal, entre outras.
  11. 11. Para a analise do contcudo, tem sido importante a reflexao sobre :1 autoria dos acontecimcntos, dando- se destaque ao papel do jornalista como agente sig- nilicativo na criacao de fatos histéricos. O jornal, como veiculo de comunicacao fundamental na sociedade moderna, exige igualmente tratamento bastante cuida- doso quanto a analise externa, devendo ser considerado como objeto cultural, mas também como mercado- ria, como um produto de uma empresa capitalista. Sendo um meio dc comunicacao influente, o jor- nal tem sido analisado em seu papel de formador da opiniao publica ligado a interesses variados e, como érgao da denominada “imprensa livre”, faz parte do jogo politico e do poder. Nesse contexto, tem sido analisado em varios momentos da historia, com des- taque as difcrencas entre os jornais de uma mesma época: os de uma grande imprensa jomalistica e os produzidos por grupos sindicais, com tiragens limi- tadas, por exemplo. Outro tema importante abordado nas analises das fontcs jornalisticas refere—se a censura. No caso brasi— lciro, o problema da censura em fases de regimes dita- toriais tornou—se explicito tanto em jornais de grande tiragem como na imprensa alternativa que surgiu, por exemplo, na época do regime militar de 1964-1985, atingindo os jornais Opinido e Pzzsqzlim, entre outros. Na I-Iistéria escolar, conforme o que se constata pela anzilise de coletaneas de documentos dedicadas ao ensino, as noticias de jornais tém servido como ma- terial de aprendizagem em livros didaticos, em provas de selecao e exames vestibulares, principalmente para temas da historia contemporanea. Um levantamento com cerca de 50 professores da rede estadual e munici- pal de Sao Paulo sobre o ensino da historia mais recente do Brasil, especialmente sobre o regime ditatorial de
  12. 12. 1964-1985, constatou que os materiais pedagogicos de apoio utilizados com maior freqiiéncia eram as noti- cias de jornais (83,8°/ o). Em algumas bibliotecas escolares, também analisa- das nos projetos de estagiarios no decorrer dos anos 90, constatou-se a criacao de hemerotecas, que estao sendo abandonadas ao ser possivel consultar noticias dc jornal pela internet. De qualquer forma, a pesquisa dos estagiarios demonstrou que ha uma continuidade do uso de jornais como fonte de informacao para coleta de dados das pesquisas escolares. Entretanto, tais projctos tém identificado que faltam analises criticas sobre cssa fonte de informacao. O importante no uso de textos jornalisticos é con- siderar a noticia como um discurso que jamais é neutro ou imparcial. A veiculacao das noticias e informa- cées, com ou sem analise por parte dos jornalistas, precisa ser apreendida em sua auséncia de imparcia- lidade, para que sc possa realizar uma critica referente aos limites do texto c aos interesses de poder impli- citos nele. Em instigante artigo do jornal “Bolando aula de Histéria: apoio didatico para professores do ensino fundamental”, a professora Maria Salete Magnoni lanca proposta inovadora para um trabalho sobre o papel da imprensa na Republica Velha, articulando a analise a producao literaria de Lima Barreto. O estu- do centra-se nas criticas que esse importante escritor fazia a imprensa brasileira da época, desmascarando os fundamentos que a alicercavam e revelando os interesses dos grandes jornais em relacao aos projetos politicos dc grupos economicos. Lima Barreto, mes- mo ao desmascarar alguns jornais e afirmar que eram “o'rgdos de fiacées dd burguesia rim, da indzistria e do comércio, da politica ou da admim'smzcdo”, nao desqua— lifica a imprensa como tal, mas antecipa o poderio Usos DIDATICOS DE DOCUMENTOS O levantamento fez pane do projero Ditadum” 1 1 Milimr, Lura Armada c Rcsisténcia nos Livros Didaticos. rcalizado cm 1997 por alunos cstagiérios do curso dc Pratica dc Ensino dc llistéria (la FE/ USP. Além dc jornais, os professores rccorriam :10 uso dc filmcs (80.6%) e musica (77.4%) para o estudo da época do regime militar. 337
  13. 13. 338 atual da midia. A aurora mostra a participacao do escritor como colaborador de varios jornais e revistas e sua manifestacao de repudio a falta de liberdade dc imprensa, motivada pela apreensao dos jornais anarquistas Spartacus eA Ple/7e, em 1920, e pela falta de solidariedade entre os érgaos de informacao para assegurar essa liberdade: “Os gmndesjormzis de toda a pat’: ndo protestamm, no que parece, porque se tratzwa de jornais operdrios e apontados como czmzrquisms. Curioso motivo. Entzio so’ doutores ou queue doutores tem pensamento e podem exprimi-lo nosjornais? Entdo so’ osjormzis de grande tiragem szio imprensa? ” Finalizando o artigo, a professora sugere um roteiro de trabalho escolar que possibilite aos jovens o conhe- cimento sobre esse periodo histérico e a formacao de uma consciéncia critica sobre os meios de comunica- cao, destacando os seguintes pontos de analise: — o cardter mercantil da imprensa, a producao da noti- cia como um produto com grande potential de venda e retornofinanceiro garantido: — a capacidade da imprensa em promover processos de deslocamentos das tensoes e causas dos problemas, trian- do situacoes em que se desvia a atencao do fato em si, no medida em que as personalidades das pessoas que as pro- tagonizaram passam a ser 0 foco, fazendo com que as questoes de ordem social e ptiblica sejam vistas como de natureza privada. — a imprensa como peca importante para que os inte- resses privados prevalecam na esfera publica. 2.2. LITERATURA COMO DOCUMENTO lNTERD1SCIPLlNAR Romances, poemas, contos sao textos que contri- buem, pela sua prépria natureza, para trabalhos inter- disciplinares. O uso de textos literarios por outras disciplinas faz parte de uma longa “tradicao escolar”
  14. 14. que remonta ao perrooo em que aominava o C‘Zl7’7'l- czilo /1umam’stz'co. Atualmente a literatura integra os conteudos das aulas de Lingua Portuguesa, mas tem sido utilizada por outras disciplinas, a ponto de exis- tirem muitos exemplos de atividades integradas entre duas ou mais tendo pot base textos literarios. Para 0 caso de I-Iistéria, como no artigo anteriormente citado, o enlace com o ensino de literatura e’ sempre deseja- vel. Muitas praticas de ensino optam pelo relato de lcndas a alunos das se'ties iniciais do ensino funda- mental como meio dc introduzir conhecimentos histo- ticos, além de procurar favorecer 0 gosto pela leitura por intermédio de uma literatura adequada a essa fai- xa etaria. Uma publicacao de 1985 relata a experiéncia de integragao entre os conteudos de Lingua Portuguesa e Geografia feita com alunos do ensino médio (entao segundo grau) cm torno da analise do livro Bom dia para os defimtos, de Manuel Scorza. O autor, em um texto caracteristico do universo latino—americano do género fantastico, expoc a luta e os confrontos entre camponeses e proprietarios dc uma empresa multina- cional, a qual, no altiplano andino, passou a explorar minas de cobre e outros minerais. A conivéncia das autoridades peruanas auxilia a exploracao dos habi- tantes da regiao, situada a mais de 4.500 metros dc altura e composta majoritariamente de mesticos des- cendentes das populacées indigenas, os quais se revol- tam contra uma situacao de exploracao e de destrui— cao de sua cultura e valores. As professoras envolvidas no estudo nao so mos- ttam como as informacoes geograficas aparecem no livro, como o cenario de uma regiao arida dos Andes e’ povoado de pcssoas que vivem do seu trabalho tradi- cional com a tetra, mas também indicam as dificul-
  15. 15. SCORZA. Manuel. Bom did pan: or dqfimtor. Sio Paulo: Civilizaqflo Brasilcim. 1984. Manuel Scot-la. um indio que vivcu na rcgizlo cm que .1 trama ocorre. foi escritor compromctido com a forma dc cxprcssar cssa cultura. difcrcntcmcntc dos cscrirorcs scguidorcs dos padrocs europcus. 340 dades de compreender os interesses emptesariais que, na realidade, nada oferecem para a melhoria das con- dicoes sociais do local. As paisagens dos Andes vao sendo apresentadas nao de maneira meramente descri- tiva, mas de forma que sejam apreendidas como um es- paco geografico em processo de mudancas decorrentes das acées de personagens que lutam, softem, sonham. Para a analise do romance, oferecem aos alunos ou- tros textos de apoio, especialmente mapas, diciona- rios, informacées complementares sobre o autor e sua obra. Os estudos de teoria literaria aliam—se aos de car- tografia, entre outros, para a compreensao do texto literario, e ha, nessa arriculacao de saberes, o aprofun- damento de informacées sobre o contexto em que ocorre a trama vivida pelos personagens. No artigo “A literatura de cordel na sala de aula”, a historiadora Maria Angela de Faria Grillo propoe para o ensino de Historia o uso de uma arte literaria especial, produzida no Nordeste brasileiro. A literatu- ra de cordel foi criada por poetas, nartadores de histo- rias apresentadas por cantadores em saraus, reuniées e feiras, e é escrita em folhetos que se espalham entre um ptiblico que vive nas terras nordestinas, embora também tenha sido levada para outras partes do Pais, no rastro do processo migratorio da populacao nordes- tina no decorrer do ultimo século. Um exemplo tra- tado pela autora versa sobre a Vida de cangaceiros, tema apresentado sempre com limitacées pela pro- ducao didatica. Os estudos de textos literarios tém assim como objetivo nao apenas desenvolver “o gosto pela leitura” entre os alunos, mas também fornecer condicoes de analises mais profiindas para o estabelecimento de rela- coes entre conteudo e fotma. As contribuicoes de varios pesquisadores da literatura e sua histéria tém
  16. 16. possibilitado abordagcns mais complexas que mere- cem ser introduzidas pelos professores de I-Iistoria. Dentre os autores que contribuem para a renova- can da analise de textos litetarios destaca-se Mikhail Bakhtin, filologo, lingiiista e especialista em analiscs sobre a literatura. Em sua obra Cultura popular na / dade / Wédia e no Renascimento: o contexto de Francois Rabelais, é possivel apreender com ptccisao a vida cul- tural de homens e mulheres da época medieval, suas crencas, alegrias, seus ritos da vida civil e religiosa, os conflitos expressos em festas, como o carnaval. A con- tribuicao desse autor nao se limita aos que estudam literatura, mas é preciosa para historiadores e outros cientistas sociais. De maneira semelhante a concep- cao de Carlo Ginzburg sobre a circularidade cultural, Bakhtin explicita como a denominada cultura popu- lat e a erudita estao cm constante integracao tanto no ato da producao quanto no ato de sua circulacao e apropriacao pelos leitores. Existe uma relagao dialo- gica entre 0 autor e 0 leitor da obra, e essa relacao possibilita sempre um encontro entre lugares e epocas diferentes. Essa relaczio dialogicn fornece entao as premissas para que se facam comentarios sobre uma obra artis- tica qualquer — um romance, um conto, uma poesia, um quadro —, e esses comentatios serao diferentes, dependentes do leitor e da época em que ocorre a leitura (ou a visualizacao de uma iconografia). Uma peca de teatro de Shakespeare, o poema Os Lztsiadas de Camoes, um romance de Machado de Assis tém sido lidos em diversas situacoes e épocas e 3510 objeto de interpretacées, traducoes e adaptacoes que inde- pendem da prépria intencao do autor e do publico inicial com que ele pretendia estabelecer comunicacao.
  17. 17. Cf. __o artigo “Historia c dialogismo". dc Antonia Terra. publicado no livro 0 min-r / iisrorico rm sala (Ir aula (cf. Bibliografia). Nesse artigo. a aurora cxpoc a import: 'mcia dos conceitos dc tcmporalidadcs para o dominio dc uma obra artistica c do dizilogo pcrmanentc enrrc o autor da obra c seu momcnro hisrérico com os leitores dc outras épocas, como no caso dos alunos das nossas cscolas. 342 Para a I-Iistéria, esse referencial torna possivel anali- sar textos litetarios como documentos de época, cujos autores (os criadores das obras) pertencem a determina- do contexto histérico e sao portadores dc uma cul- tura exposta em suas criacées, seguidores de determi- nada corrente artistica e representantes de seu tempo. Do mesmo modo, as obras, ao ser lidas na época E contemporanea — no caso, por alunos —, estao im- pregnadas das muitas leituras que ja se fizeram sobre elas. O poema Os Lusiadas de Camées, por exemplo, no decorrer de sua historia, foi objeto de muitas l leituras, tendo-se transformado em livro didatico, ao ser devidamente apresentado e comentado por outros leitores e e_sgrdiosos com essa finalidade. 3. O5 documentos escritos canonicos 3.1. DOCUMENTOS OFICIAIS 1-: CIDADANIA Entre os documentos escritos, os produzidos pelo poder institucional sao bastante usuais na pesquisa historiografica, notadamente naquela afinada com a tradicao de uma historia politica que se preocupa com o poder institucional e privilegia o papel do Estado nas transformacoes histéricas. O ensino de Historia pautado por essa linha historiografica nao se utilizou, no entanto, de documentos legislativos. Em livros dida- ticos 11510 e’ comum enconrrar documentos provenien- tes do poder institucional para serem explorados do ponto de vista pedagogico. Sao excecées alguns arti- gos da Declaracao dos Direitos do I-Iomem e do Cida- dao de 1789, nos capitulos destinados a Revolucao Francesa, e alguns outros artigos de Constituicées dos Estados modernos.
  18. 18. A importancia das tcmaticas em torno da consti- tuicao da cidadania e das diferentes problemziticas refe- rentes as nocées de direito, ética e poder que se mani- fcstam no cotidiano das pessoas tem provocado mu- dancas na utilizacao de documentos institucionais. Tem sido comum a analise de documentos pessoais dos alunos, tais como Certidao dc Nascimento, Car- reira de Trabalho, Carreira de Motorista, materiais que favorecem debates acerca dos direitos do cidadao nas sociedades contemporaneas. As abordagcns em torno do uso de documentos escritos sao muito varia- veis, e o exemplo a seguir corresponde apenas a uma das possibilidades de fazer uso de fontes canonicas da producao historiogrzifica em uma situacao escolar. 3.2. PROPOSTA DE TRABAL1-IO COM Dosslrs TEMATICOS Uma das demandas dos professores dc Histéria nos cursos de formacao continuada é a constituicao de coletaneas de documentos sobre determinados temas. A sugestao de atividade pedagogica que apresen- tamos é a constituicao de dossié de documentos sobre um tema dc estudo. A elaboracao de dossiés é uma forma de selecionar documentos variados sobre um mesmo tema, a fim de fornecer aos alunos uma séric de dados que possam ser confrontados ou compara- dos. Ha dossiés compostos de documentos que apre- sentam linguagens diversas sobre um mesmo tema, incluindo textos jornalisticos, contos ou excertos da literatura, graficos ou mapas. Essa forma de selecao pode ser encontrada em livros didaticos, seguindo um modelo francés bastante difundido entre nos. O exemplo do dossié que se segue apenas forne- ceu textos escritos provenientes do poder institucio- nal. O objetivo primordial e’ apresentar os critérios de 343
  19. 19. selecao dos documentos, etapa essencial para 0 pro- fessor, sem a preocupacao em detalhar o método de anzilise a ser realizado pelos alunos, cujas referéncias foram fornecidas no inicio do capitulo. Dossié sobre o tema “Poder monarquico no século XVIII” Este dossié e’ composto de trés documentos produ- zidos por representantes do poder estatal, os quais, portanto, sao de carater oficial. Eles foram escolhidos com o proposito de fornecer dados, informacées e pistas para o desenvolvimento do conceito de poder associado ao de Estado, nacao e monarquia absolz/ tn. Esses conceitos sao trabalhados como tema de estudo tradicional de I-Iistoria, sendo associados, em geral, a formacao e funcionamento dos Estados modernos sob o regime das monarquias absolutistas. Apesar de 0 tema ser convencional, a preocupacao é possibilitar um estudo que amplie o conceito de simultaneidade ou tempo sincronico. Esse objetivo provocou novas opcoes de escolha. Um critério foi, entao, escolher documentos de épocas proximas (em torno do século XVIII) e de paises diferentes, para assim trabalhar com tempos simultaneos em espacos diferentes. Normalmente se estuda a constituicao e o funcio- namento do poder monarquico absolutista do caso francés e inglés, e as referéncias aos demais Estados, como Portugal e Espanha, sao desvinculadas e 11510 problematizadas em conjunto, o mesmo acontecendo no caso das colonias submetidas a tais Estados (a rela- cao fica limitada as praticas mercantilistas). A escolha dos documentos, entao, passou a ter também como objetivo reforcar um estudo mais coeso da acao das monarquias absolutistas eutopéias tanto no interior do pais como nas colonias.
  20. 20. Foram escolhidos trés documentos que pudessem abranger os objetivos ligados aos conteudos explicitos, mas também atendessem as exigéncias das condicoes reais das aulas, sobretudo as ligadas ao tempo pedago'— gico. Assim, sao excertos curtos, passiveis de ser traba- lhados em uma hora-aula, de acordo com o tempo pedagdgieo que determina o ritmo de trabalho dos alu- nos. Sao eles: ° Documento 1 — Memo’rz'as de Luz’: XIV para a ins- trugao do delfim, série de documentos de 1700; ' Documento 2 — Cartil/7a real que circulou na segun- da metade do século XVIII na provincia do Paraguai, regiao sob o dominio da Espanha; ° Documento 3 -—/1luara' de 1785 assinado pela rainha D. Maria I de Portugal, referente as colonias por- tuguesas. Documento 1: Memorias do rei Luis XIV “Nao se deixe governar, seja o senhor; nao tenhas favoritos nem Primeiro-Ministro; escutc, consulte vos- so conselho, mas e’ vocé quem decide: Deus, que te tornou rei, te data as luzes necessarias. Todo poder e toda autoridade estao na mao do Rei e nao pode haver outro poder a nao ser o que ele determina. .. Tudo o que se encontra dentro do nosso Estado, do qualquer natureza que seja, nos pertence. .. A vontade de Deus e’ que todos devem nos obede— cer, sem discernimento. .. E preciso entender que, por pior que seja um principe, a revolta das pessoas é sempre infinitamente criminosa. .. Mas este poder ilimitado sobre as pessoas deve estat a servico da sua felicidade. ” Extraido das Memdrias de Luis XIV para a instrugao do delfim, 1700 345
  21. 21. Essa carta do rei Luis XIV para seu filho primo- génito (delfim) e futuro rei da Franca foi escolhida com o objetivo de atender aos problemas de conteudos e de procedimentos didaticos: 1) introduzir o tema de estudo — o poder real nas monarquias absolutistas da Europa — e os conceitos- chave — poder e Estado; 2) analisar o texto integralmente no decorrer de uma aula, obedecendo ao tempo pedagdgico. Documento 2: Cartilha real para os jovens da provincia do Paraguai “ P. — Quem sois vos? R. — Sou um fiel Vassalo do rei da Espanha. P. — Quem é o rei da Espanha? R. — E um Senhor tao absoluto que nao existe ou- tro que lhe seja superior na Terra. P. — Como se chama? R. — O Senhor Dom Carlos IV. P. — De onde vem seu Poder Real? R. — Do proprio Deus. P. — Sua pessoa é sagrada? R. — Sim, Padre. P. — Pot que é sagrada? R. — Pot causa do seu cargo. P. — Pot que o Rei representa Deus? R. — Porque é escolhido por sua Providéncia para a execucao de seus planos. P. — Quais sao as caracteristicas da autoridade Real? R. — Primeira: ser sagrada; segunda ser paternal; ter- ceira ser absoluta; quarta: ser racional. P. — O Rei trabalha como Ministro de Deus e seu Representante? R. — Sim, porque por meio de Deus governa seu Império.
  22. 22. P. — Que pecado se comete atacando a pessoa do Rei? R. — Sacrilégio. P. —— Pot que é sacrilégio? R. — Porque os Reis sao ungidos com os oleos sagra- dos e porque recebem seu Poder Soberano do préprio Deus. P. —— E conveniente respeitar o Rei? R. — Sim, como coisa sagrada. P. — O que merece quem nao age assim? R. —— E digno de morte. P. — Quais sao os outros a quem estamos subordi- nados? R. — A todos aqueles a quem Ele delega sua autori- dade, como os seus enviados para a aprovacao das boas acoes e castigos das mas. ” Dom Lazaro de Ribera. Assuncion del Paraguay, 17 de maio dc 1796. Os objctivos principais da escolha desse documen- to sao: 1) estabelecer a rclacao entre o regime absolutista do pais de origem (Espanha) e as areas coloniais; 2) rcforcar o conceito de monarquia absolutista e identificar o poder politico da Igreja Catolica. Documento 3: Alvara da rainha de Portugal “I-lei por bem ordenar que todas as fzibricas, manu- faturas ou teares dc tecidos, ou de bordados de ouro e prata, de veludo, brilhantes, cetins e tafeta (. ..); exce- tuando tao-somente aqueles ditos teares e manufatu- ras que tecem ou manufaturam fazendas grossas de algodao, que servem para o uso e vestuario dos negros, para enfardar e empacotar (. ..); todas as demais sejam extintas e abolidas em qualquer parte onde se acha- rem nos meus dominios do Brasil. ” Aluara’ de 1785, d. Maria I, rainha de Portugal. 1117
  23. 23. 348 Os objetivos especificos desse documento sao: 1) identificar o funcionamento do poder absolu- tista nas colonias americanas no que diz respeito aos aspectos econémicos, particularmente no Brasil; 2) ampliar o conceito de colonia, metropole, depen- déncia politica e nocao dc tempo sincronico por inter- médio das relacoes de poder exercidas em espacos diferentes. Os documentos escritos em sua variedade de estilos, lugares e formas de producao precisam assim de cuida- dos em sua selecao para uso pedagégico, nao sendo aconselhaveis textos longos ou com vocabulzirio que exija do aluno consulta constante ao dicionario. Além desses cuidados, e’ importante desenvolver os passos das atividades de leitura, de maneira que sejam relacionados debates orais (socializacao do conheci- mento entre os alunos) e atividades para o desenvol- vimento da escrita, criando condicoes para o aluno aprender a fazer resumos, sinteses, reelaborar textos ou simples frases que conduzam a utilizacao dos con- ceitos (forma adequada de verificar se um conceito foi apteendido). Um trabalho com documento pressupoe, além dos procedimentos metodolégicos de analise interna e externa, atividades que favorecam as habilidades de verbalizacao e escrita, as quais podem obedecer as seguintes etapas: ‘ iniciar por uma leitura integral para a apreensao do problema ou tema central; ‘ decompor em seguida as informacoes e fazer que o aluno estabeleca relacées entre as informacées que ja possui c as novas informacées adquiridas pelo documento ou externas (com auxilio das explicacoes do professor ou de outras obras de consulta, como livro didatico, atlas, dicionario, etc. ).
  24. 24. “ identificar a forma pela qual as informacoes e con- ceitos sao apresentados; estabelecer uma hierarquia dessas informacoes, com destaque as mais importantes e relevantes (etapa que pode desenvolver no aluno a capacidade em tomar notas, destacar topicos, fazer esquemas, etc. ); ‘ finalmente, depois da exploracao em etapas suces- sivas, retomar o texto na sua integralidade para uma Liltima leitura, na qual os alunos e o professor possam perceber as mudancas ocorridas no percurso, ou seja, acompanhar juntos o processo percorrido da leitura inicial a leitura final, verificando as transformacoes ocorridas depois de passar pelas atividades de decom- posicao e reestruturacao do documento. Bibliogra fia AUDIGIER, Francois. Documents: des moyens pour quelles fins? In: COLLOQUE DES DIDACTIQUES DE L’HISTOIRE, D13 LA GEOGRAPHIE, DES SCIENCES SOCIALES, 7., 1992, Paris. Actes. .. Paris: INRP, 1993. BAKHTIN, M. Cultura popular na Idade Media e no Renascimento: o contexto dc Francois Rabelais. Sao Paulo: Hucitec; Brasilia: UnB, 1987. CAPELATO, Maria Helena. Imprensa e Hz'sto'ria do Brasil. S510 Paulo: Contexto, 1989. DOSSIE: documentos e recursos no ensino dc Histo- ria. Boletim da APH: Associacao de Professores de Historia, n“ 18, out. 2000. 349
  25. 25. GRILLO, Maria Angela de Faria. Literatura de cordel na sala de aula. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel. Ensino de Historia: conceitos, tematicas e metodologia. Rio de Janeiroz Casa da Palavra, 2003. MARSON, Adalberto. Reflexoes sobre 0 procedimen- to historico. In: SILVA, Marcos (Org. ). /Pqoerzsando a /7z'sto’rz'a. Rio de ]aneiro: Marco Zero: Anpuh, 1984. MONIOT, Henri. L’usage du document face a ses rationalisations savantes, en histoire. In: AUDIGIER, F. (Org. ). Documents: des moyens pour quelles fins? Actes du Colloque. Paris: INRP, 1993. p. 25-29. SALIBA, Elias Thomé. As imagens canonicas e 0 en- sino de Historia. In: SCHMIDT, Maria Auxiliadora; CAINELLI, Marlene (Org. ). III Encontro Perspectioa do Ensino de Historia. Curitiba: Aos Quatro Ventos, 1999. p. 434-452. SUPPORTS informatifs et documents dans l’enseigne- ment de l’histoire et de la géographie. Equipe didactique des Sciences Humaines. Paris: INRP, 1989. TERRA, Antonia. Historia e dialogismo. In: BITTEN— COURT, Circe M. Fernandes (Org. ). O saber /9isto’rz'co na sala de aula. Sao Paulo: Contexto, 1997.

×