Um estudo sobre a história da internet no Brasil

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No final dos anos sessenta, uma divisão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ARPA (Advanced Research Projects Administration) desenvolveu a ARPANET, uma rede que uniu universidades e …

No final dos anos sessenta, uma divisão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ARPA (Advanced Research Projects Administration) desenvolveu a ARPANET, uma rede que uniu universidades e empreendedores de contratos de defesa de alta tecnologia. No âmbito desta rede foi desenvolvida a tecnologia TCP-IP para fornecer um protocolo padrão para comunicações na ARPANET. Nos anos oitenta a National Science Foundation-NSF criou a NSFNET (National Science Foundation Network), para prover conectividade através de redes de alta velocidade para seus centros de supercomputação, bem como outros serviços. A NSFNET adotou o protocolo TCP-IP e passou a prover um backbone (espinha dorsal ou alicerce) para desenvolver a INTERNET. Até nos anos de 1990, o acesso à Internet no Brasil era restrito a professores, estudantes e funcionários de universidades e instituições de pesquisa. Em adição, instituições governamentais e privadas também obtiveram acesso devido a colaborações acadêmicas e atividades não-comerciais. E ao final do artigo mostramos aos leitores como cresceram as formas de comunicações via internet: MSN, ORKUT, FACEBOOK, TWITTER e várias outras redes sociais existentes no Brasil e no mundo. É importante sabermos que a Internet ao mesmo tempo em que contribui para o melhoramento da comunicação, pode levar de igual modo, ao aumento do isolamento e à alienação. A Internet pode unir as pessoas, mas também as pode dividir.

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  • 1. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 1 Um estudo sobre a história da Internet no Brasil Gileno Lima Lopes1, Raphaell Luccas2, Elizabeth d´Arrochella Teixeira3 Brasília, DF - junho/2011Resumo No final dos anos sessenta, uma divisão do Departamento de Defesa dosEstados Unidos, a ARPA (Advanced Research Projects Administration) desenvolveua ARPANET, uma rede que uniu universidades e empreendedores de contratos dedefesa de alta tecnologia. No âmbito desta rede foi desenvolvida a tecnologia TCP-IP para fornecer um protocolo padrão para comunicações na ARPANET. Nos anosoitenta a National Science Foundation-NSF criou a NSFNET (National ScienceFoundation Network), para prover conectividade através de redes de alta velocidadepara seus centros de supercomputação, bem como outros serviços. A NSFNETadotou o protocolo TCP-IP e passou a prover um backbone (espinha dorsal oualicerce) para desenvolver a INTERNET. Até nos anos de 1990, o acesso à Internetno Brasil era restrito a professores, estudantes e funcionários de universidades einstituições de pesquisa. Em adição, instituições governamentais e privadas tambémobtiveram acesso devido a colaborações acadêmicas e atividades não-comerciais. Eao final do artigo mostramos aos leitores como cresceram as formas decomunicações via internet: MSN, ORKUT, FACEBOOK, TWITTER e várias outrasredes sociais existentes no Brasil e no mundo. É importante sabermos que a Internetao mesmo tempo em que contribui para o melhoramento da comunicação, podelevar de igual modo, ao aumento do isolamento e à alienação. A Internet pode uniras pessoas, mas também as pode dividir.Palavras-chave: Internet no Brasil. Importância da Internet no Brasil.1. Introdução Segundo Young (1998), a internet não é um pacote de software e nãofunciona com o tipo de instrução passo a passo que podemos oferecer para umprograma único e fixo. Mas a internet é mais semelhante a um organismo vivo quesofre mutações a uma velocidade incrível, muito mais que o Microsoft Word ouExcel, que ficam tranquilamente no seu computador e sempre um pouco, usar aInternet será muito simples; no entanto, no início tudo poderá parecer-lheassustador. Pesquisadores médicos do mundo inteiro usam a Internet para manter bancosde dados com informações em constantes mudanças. As pessoas da área médiacostumam usar a Internet para se comunicar com outros em grupos de apoio e paracomparar experiência. (Baroudi, 1998).1 Aluno do curso de Bacharel em Sistemas de Informação, gilenoos@hotmail.com2 Aluno do curso de Bacharel em Sistemas de Informação, raphaell.luccas@gmail.com3 Mestra em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação, Professora no curso de BSI da FaculdadeAlvorada, darrochella.alv@terra.com.br
  • 2. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 2 Internet é o que poderíamos chamar de “sociedade desestratificada”, ou seja,um computador não é melhor do que qualquer outro, e nenhuma pessoa é melhor doque qualquer outro. Internet depende apenas de como a pessoa se apresenta pesoseu teclado. Se o que você diz o faz parecer uma pessoa inteligente e interessanteentão e isso que você é. (Young, 1998). Com este fenômeno chamado INTERNET o mundo onde habitamos, ficou dotamanho de uma caixa que hoje, já cabe dentro do nosso bolso. O que estará paraacontecer? - Se falamos todos com todos, independentemente da distânciageográfica que nos separa, da língua nativa que nos ensinaram, da cor que temosdo credo que perfilhamos, não estaremos a tomar gradualmente a consciência deuma raça global? - A HUMANA - não caminharemos para uma linguagem comum? -DANDO FIM AO MISTÉRIO da TORRE DE BABEL - Que repercussões se sentirãode tudo isto? (Almeida, 1999-2000). Como em outros países, também no Brasil a Internet se implantou e sedesenvolveu junto ao meio acadêmico e científico. Professores e pesquisadores quehouvessem visitado universidades no exterior já conheciam as promissoras redesinternacionais de comunicação. Em especial a Binet, uma rede que permitia troca demensagens em escala mundial. (Stanton, 1997 – 2004-RNP). Segundo Stanton (1997, 2004) as redes eletrônicas de computadoresproporcionam a seus usuários comunicação a baixo custo e acesso a fontesinesgotáveis de informação. Elas interconectam pessoas para os mais variados finse têm contribuído para ampliar e democratizar o acesso à informação, eliminandobarreiras como distância, fronteiras, fuso horário. Ainda segundo o Stanton (1997, 2004) o Brasil iniciou sua interação com asgrandes redes de computadores internacionais em 1988, e, até 1993, já haviaalcançado a posição de trigésimo país em ordem de atividade, com cerca de 2.000nomes de computador registrados no domínio.2. Tema e Justificativa Albertin (2005) ensina que a internet se apresenta como o mais popularserviço da infovia, representando uma combinação de utilizações que permitemfazer uso de correios (e-mail), telefones (voip), transações financeiras (compra evenda), pesquisas bibliográficas. Este utilização acontece em fração de segundos, epode ser acessada de qualquer lugar do planeta, desde que tenha acesso a internet.Para que funcione, a internet precisa ser acionada por pessoas, que por sua vez,utilizam a internet para agrupar em comunidades virtuais, e na opinião de Armstronge Hagel III, citados por Albertin (2005), a noção de comunidade tem sido o coraçãoda internet. E isso não é nenhuma novidade. Desde o início a internet é utilizada porcomunidades de cientistas que compartilham dados e informações. (Mendes, 2005). Segundo Gatchecos (1989), a chagada da Internet ao Brasil possibilitou maioracesso ao conhecimento, tanto para órgãos públicos, instituições privados quanto ausuários que queiras adquirir ou passar informação. Com a chegada da internet noBrasil, não tinha muitas coisas digitais, não só no Brasil, mas no mundo, e poucossabiam na verdade o que era internet e qual era sua finalidade. Ainda segundo Gatchecos (1989) um grupo de acadêmicos com outrasfaculdades espalhadas no Brasil, procurava conexões fora do Brasil, em 1991 foram
  • 3. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 3transmitidos os primeiros pacotes TCP/IP entre Estados Unidos da América e oBrasil.3. Objetivo Mostrar ao público leitor de forma clara e coerente, a história da Internet noBrasil e sua grande importância para o nosso País. Para isso será esclarecido notrabalho, detalhe de como tudo começou e toda evolução do que é uma das maiorestecnologias já criadas do mundo.4. Internet no Brasil Segundo Silva (2008), a Internet começou com a ARPANET, que é aprecursora da internet atual, tendo sido desenvolvida pela Advanced ResearchProjects Agency, agência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em1969. A intenção deles era poder interligar vários pontos numa só rede, e fazendocom que os computadores pudessem se comunicar e compartilhar informações semter um computador “matriz”, para não se tornarem vulneráveis a possíveis ataquesda URSS (na época ainda existente e em um embate ideológico com os EstadosUnidos, „Guerra Fria‟). No início da década de 70, universidades e outrosdepartamentos de defesa tiveram permissão para se conectar também a ARPAnet,e esta no final da década de 70 tinha crescido tanto que já estava se tornandoinadequada, forçando a troca de protocolo para o protocolo TCP/IP,que é o utilizadoatualmente. Nos anos 80 já se usava o termo internet, e ela começou a ser vistacomo um ótimo meio de comunicação. Tim Berners-Lee foi o desenvolvedor juntocom sua equipe um sistema a base de hipertexto que funcionaria em redes decomputadores, visando facilitar a vida dos pesquisadores para compartilhar suaspesquisas entre si. Logo criou-se a World Wilde Web, que no início não possuíamuitas imagens e sim textos mas em 1992 foi criado o primeiro navegador parainternet o Mosaic, que possuía uma interface mais amigável já que esta gozava denavegação por links e de imagens. Ainda segundo Silva (2008), evolução da internet despertou o interesse deempresas, que viram nela mais uma possibilidade de marketing, além de ser segurae atualmente de fácil acesso. A interner atualmente é um grande facilitador para aspessoas, oferecendo desde diversão em salas de bate-papo e games atéinformação suficiente e precisa para pesquisas e trabalhos, essas sendoapresentadas de forma mais resumida, a tornando mais atraente do que um livroaos que buscam tais informações Esta mistura surge como consequência da criação de duas redes ligadas a instituições universitárias e científicas americanas: a BITNET (Universitária) e a CSNET (científica); vindo a potenciar o aparecimento de uma rede alargada com múltiplas aplicações. (Silva, 2008). Em 1987 a FAPESP (Fundações de Pesquisa do Estado de São Paulo) e oLNCC (Laboratório Nacional de Computação Científico) conectaram-se a instituiçõesnos EUA. Após conseguirem acesso a redes internacionais, essas instituiçõesincentivaram outras entidades do País a usar as redes. As entidades conectavam-seutilizando recursos próprios e pagando à EMBRATEL as tarifas normais pelautilização de circuitos de comunicação de dados. O critério utilizado para selecionaronde se conectar, normalmente foi em função da distância. Esse modelo funcionoupor algum tempo e mostrou a necessidade de um projeto adequado para a formaçãode um Backbone nacional (para conectar os centros provedores de serviços
  • 4. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 4especiais às redes regionais que, por sua vez, também deviam ser fomentadas) aUFRJ conectou-se à UCLA; Várias universidades e centros de pesquisa conectaramseus equipamentos a uma dessas instituições. Lourenço (2009). Logo, até maio de 1989, o País já possuía três ilhas distintas de acesso àBITNET. Duas na cidade do Rio de Janeiro, e uma no estado de São Paulo, e erapossível a comunicação entre estas ilhas, através da rede internacional BITNET. Olevantamento da restrição sobre tráfego de terceiros agora abriu as portas para umaracionalização desta situação, e para o estabelecimento de uma rede nacional quepermitisse compartilhar acesso às redes internacionais. Isto foi realizado durante osdois anos subseqüentes, com a interconexão a nível nacional entre as ilhasseparadas, e com a extensão de conectividade a outros centros de pesquisa noPaís. Isto ocorreu através do crescimento simultâneo das duas ilhas baseadas noLNCC e na FAPESP, e, até o final de 1991, a topologia da rede nacional era de duasestrelas interligadas, e poucos estados não possuíam pelo menos um nó da rede. Foi em 1991 que houve a apresentação do planejamento de uma forma maisadequada de interconectar os diversos centros de pesquisa do país; sete de junho:Aprovação da implantação de um Backbone para a RNP, financiada pelo CNPq. Alentidão e os problemas apresentados no modelo inicial obrigaram o planejamentode uma forma mais adequada de interconectar os diversos centros de pesquisa dopaís. (Lourenço, 1998). Ainda segundo Lourenço (1998), a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) é umainiciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) cujo objetivo é implantar umamoderna infra-estrutura de serviços Internet, com abrangência nacional. Lançamentooficial da RNP que contou com o apoio da FAPESP, Faperj e Fapergs sob acoordenação política e orçamentária do CNPq; até abril de 1995, a atuação da RNPse restringia a áreas de interesse da comunidade de educação e pesquisa do País.Sua missão básica é disseminar o uso da Internet no Brasil, especialmente para finseducacionais e sociais. A RNP oferece conectividade IP em termos comerciaisextremamente competitivos em todos os estados do país. Hoje, uma grande parte da população, tem computadores em suas casas, com conexões banda larga com boa velocidade, chegando até 8 e 10 megas. Há pelo menos uma lan house por bairro, shopping centers, aeroportos, universidades que oferecem conexões rápidas e gratuitas, basta ter um laptop. Mas até chegar aqui, de "provedores de fundo de quintal", ao acesso instantâneo, foi percorrido um grande caminho (Lourenço, 2009). Este planejamento foi apresentado em 1991 e incluiu: Implantação de novasconexões entre regiões; Aumento de velocidade nas conexões regionais e em pelomenos uma conexão do país ao exterior; aumento de redundância em conexões emalguns nodos estratégicos; estudo e desenvolvimento de projetos de pesquisa quecontemplem serviços básicos, protocolos e aplicações em redes; divulgação deaspectos práticos e técnicos do uso de redes, através de material bibliográfico e/oueventos da comunidade científica; montagem e divulgação de repositórios de"software" de domínio público ou baixo custo para apoio à pesquisa edesenvolvimento; promoção de eventos para a discussão de tendências eexperimentação prática com pacotes e plataformas de desenvolvimento deaplicações em redes; treinamento de pessoal técnico das instituições de ensino e depesquisa e desenvolvimento; articulação política com órgãos de formento à
  • 5. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 5pesquisa, empresas de informática e telecomunicações e instituições de pesquisa edesenvolvimento no Brasil e no exterior. (Stanton, 1997 – 2004). Figura 1: Conexões Usadas para a Rede Nacional em 1991 (Stanton, 1998). A Figura 1 ilustra a rede de linhas privadas em uso no final de 1991. Deve sernotado que várias instituições adicionais também tinham acesso à rede usandoacesso discado (com UUCP) ou conexões RENPAC, principalmente ao nó daFAPESP em São Paulo. As grandes maiorias das conexões ilustradas eram da redeBITNET, mas algumas instituições mantinham ligações DECNET, e integravatambém a HEPNET. Poucas instituições já faziam parte da Internet, apesar do usode enlaces de velocidade muito pequena (ver a próxima seção). Seria correto dizerdeste estágio que o único serviço disponível nacionalmente era o correio eletrônico.Porém, sabe-se que este serviço serve para alavancar projetos mais ambiciosos.(Stanton, 1998). Os três primeiros componentes da rede de segunda geração foram instaladosem 1992. Estes foram à espinha dorsal nacional da Rede Nacional de Pesquisa(RNP) do CNPq, e as redes estaduais do Rio de Janeiro e São Paulo, que foramfinanciadas respectivamente pela FAPERJ e a FAPESP. Estas duas últimas redesforam instaladas, simultaneamente, na véspera da Conferência das Nações Unidassobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED-92, ou Rio-92), realizada emjunho de 1992 no Rio de Janeiro, uma vez que ambas as redes usavam novasconexões internacionais de 64 kbps, que serviram, inicialmente, para apoiar o FórumGlobal, uma reunião de Organizações Não Governamentais (ONGs) realizada emparalelo à UNCED-92. (Stanton, 1998) Ainda segundo Stanton 1998, o projeto da rede do Rio de Janeiro, conhecidocomo a Rede-Rio , inovou no uso de enlaces de 64 Kbps dentro da cidade do Rio,onde se encontrava localizada a maioria das suas instituições participantes. Cadaenlace usava um único canal digital de voz na rede de troncos digitais (PDH),
  • 6. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 6interligando as centrais telefônicas da cidade. O problema da última milha eraresolvido pelo uso de modems banda básico no enlace entre a central e o cliente.Depois deste uso pioneiro de circuitos de 64 Kbps para a Rede-Rio, a TELERJ oacrescentou a seu leque de serviços comerciais. A mesma técnica foi também usadapara estender o canal internacional de 64 Kbps do ponto de presença da Embratelaté a UFRJ, onde terminava. Este circuito foi usado para ligar a Rede-Rio àCERFnet , no Centro de Supercomputação em San Diego, CA, EUA, onde era feitoacesso à NSFNET. Todos os nós da nova rede usavam roteadores multiprotocolaresda marca Cisco. O centro de operações da Rede-Rio foi montado na UFRJ. Conforme Stanton (1998), em 1993, já eram aparentes quais seriam as direções de desenvolvimento das redes nacionais, além das suas limitações vigentes. Algumas delas decorriam de avanços tecnológicos no campo das telecomunicações, enquanto outras seriam conseqüências sociais das inovações realizadas na comunidade acadêmica. Conforme Stanton (1998), rede estadual de São Paulo, conhecida como ANSP(Academic Network at São Paulo), usava inicialmente circuitos internos de apenas9.600 bps. Mas, alguns clientes, por exemplo, a USP, eram atendidos com múltiploscircuitos deste tipo. O enlace internacional continuou a ligar a FAPESP ao Fermilab,onde agora dava acesso à ESNET (Energy Sciences Network). Como no caso daRede-Rio, foram empregados roteadores da marca Cisco. O centro de operações daANSP se manteve na FAPESP. A terceira das novas redes, a espinha dorsal nacional da RNP, foi montadagradativamente ao longo do segundo semestre de 1992, e interligava pontos depresença (abreviados a POPs, do inglês Point Of Presence), localizados em Brasíliae em dez capitais de estado (ver Figura 2). A rede era multiplamente conexa, e eraimplementada, inicialmente, com circuitos de 9.600 bps. Com o passar do tempo e adisponibilidade de infra-estrutura da Embratel, alguns destes enlaces tiveram suataxa de transmissão aumentada para 64 Kbps. Em 1993, já haviam sido instaladosenlaces de 64 Kbps entre São Paulo e Porto Alegre, e no triângulo São Paulo - Riode Janeiro - Brasília; e, em 1994, foi à vez da conexão entre São Paulo e Recife.(Stanton, 1998). Conforme Bogo (2000), projeto inicial da RNP privilegiou aumentar acapilaridade da rede, levando acesso Internet para oito estados e o Distrito Federal,a investimentos em equipamentos e conexões internacionais. Desta forma, ao invésdo uso de roteadores dedicados, roteamento na RNP era feito usando estações detrabalho das marcas Sun e Digital. O projeto também não incluía a instalação deenlaces internacionais, e, durante vários anos, o tráfego internacional dos demaisestados, com a exceção do Rio de Janeiro, escoou-se pela conexão internacional daANSP. O tráfego internacional da Rede-Rio usava o próprio enlace desta rede.Finalmente, ao invés de ser criado um centro de operações dedicado à RNP, assuas funções foram assumidas pela FAPESP, que já havia começado a administraro domínio. Os objetivos de criar esta instituição eram de iniciar e coordenar adisponibilização de serviços de acesso à Internet no Brasil. Como ponto de partidafoi criado um backbone RNP, interligando instituições educacionais à Internet. Essebackbone inicialmente interligava 11 estados a partir dos Pontos de Presença - POPem suas capitais.
  • 7. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 7 Figura 2: As Conexões da RNP em 1993 (Stanton, 1998). Até hoje a RNP é o "backbone" principal e envolvem instituições e centros depesquisa (FAPESP, FAPEPJ, FAPEMIG, etc.), universidades, laboratórios, etc. Em1994, no dia 20 de dezembro é que a EMBRATEL lança o serviço experimental a fimde conhecer melhor a Internet. Somente em 1995 é que foi possível, pela iniciativado Ministério das Telecomunicações e Ministério da Ciência e Tecnologia, a aberturaao setor privado da Internet para exploração comercial da população brasileira. ARNP fica responsável pela infra-estrutura básica de interconexão e informação emnível nacional, tendo controle do backbone (Coluna dorsal de uma rede, backbonerepresenta a via principal de informações transferidas por uma rede, neste caso, aInternet) (Bogo, 2010).4.1 Importâncias da Internet para o Brasil Segundo Filho (2010) vivemos em um mundo de constantes transformações,a cada nova geração mudam-se as formas de se relacionar e de viver emsociedade. Creio que a nossa geração ficará marcada pelas transformaçõescausadas pela internet, mas afinal, qual importância da internet na sociedade atual?Para tentar responder esta pergunta, elenquei alguns pontos que considerofundamentais: A internet trouxe novas formas de comunicação, os comunicadoresinstantâneos como o MSN, o telefone pela internet como o Skype, o email, as redessociais como o Orkut, entre outros, são ferramentas baseados em internet quepossibilitou uma verdadeira revolução na forma como comunicamos com outraspessoas. (Oliveira, 2010). Ainda segundo Oliveira (2010), este é um ponto muito positivo, pois não sóbarateou o custo da comunicação como tornou as pessoas mais próximas. Mas háum lado negativo que é a exclusão digital, ou seja, muitas pessoas estão sem
  • 8. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 8acesso à internet e do ponto de vista tecnológico estão excluídas digitalmente.Também o perigo do estelionato digital, pessoas de má fé que usam desses meiospara usurpar e conseguir informações de outras pessoas, por isso vale lembrar, nãodeixe dados ou passe informações pela rede, comprar é seguro, desde que o siteapresente idoneidade e sistema de segurança, por exemplo, sites de lojasconhecidos. Nunca coloque informações em conversas de chat e nem acredite emtudo que mandam para você sem fazer uma consulta, nem tudo que esta na rede ouvem por ela é verdade. A gigantesca rede de redes conhecida como Internet vem crescendoconstantemente numa velocidade extraordinária. São milhares de sistemasinterligados atualmente, trocando informações através de um amplo leque deserviços. Nos dias atuais, nenhuma empresa que opera globalmente ou planeja seexpandir para além das fronteiras nacionais pode se dar ao luxo de desprezar aInternet. A Internet oferece um modo relativamente barato de aproximarcompradores e vendedores em escala mundial. A Globalização Econômica e Socialestabelece uma integração entre os países e pessoas do mundo todo. Através desteprocesso, as pessoas, as transações financeiras e comerciais espalham aspectosculturais pelos quatro cantos do planeta. O conceito de Aldeia Global se encaixaneste contexto, pois está relacionado com a criação de uma rede de conexões, quedeixam a distância cada vez mais curta, facilitando as relações culturais eeconômicas de forma rápida e eficiente. A explosão das tecnologias de informaçãomultiplicou muitas vezes a capacidades de comunicação de alguns indivíduos egrupos privilegiados. A Internet pode servir as pessoas no seu uso responsável daliberdade e da democracia, aumentar a gama de opções em vários setores da vida,alargar os horizontes educativos e culturais, abaterem as divisões e promover odesenvolvimento humano de inúmeras formas. Uma visão idealista do livreintercâmbio de informações e de idéias desempenhou uma parte notável nodesenvolvimento da Internet. (Lima, 2009). A Internet que ao mesmo tempo contribui para o melhoramento da comunicação pode levar, de igual modo, ao aumento do isolamento e à alienação. A Internet pode unir as pessoas, mas também as pode dividir, tanto a nível individual como em grupos mutuamente suspeitos, separados por ideologias, políticas, posses, raças, etnias, diferenças de geração e até mesmo de religião. (Lima, 2009).4.1.1 Usuários de Internet no Brasil em 2011 No ano de 2010 as redes sociais foram altamente comentadas e exploradas.Elas foram usadas como ferramentas de comunicação por vários segmentos, sejaempresas, pessoas públicas, anônimas, enfim, todos estavam ligados em algumarede. Por todo esse sucesso mundial das redes socias, Mark Zuckerberg, o criadordo Facebook, foi apontado pela revista Time como a personalidade do ano.(Pozzebon, 2011) Conforme Pozzebon, (2011), no Brasil, ao que se refere a redes sociais, oOrkut ainda lidera a preferência dos usuários, seguido do Twitter e após o Facebook.Porém, a partir desse ano, conforme tendências, o Orkut deixará de reinar aqui noBrasil. Este acontecimento já é fato na Índia, o Orkut já não lidera mais o gostopopular. Nos Estados Unidos, os usuários relatam que conhecem o Orkut, portantolá, ele não faz tanto sucesso assim. O Orkut, inicialmente foi criado para atingir aosusuários norte-americanos, porém, ele acabou fazendo bastante sucesso em países
  • 9. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 9como o Brasil e a Índia. O Facebook deverá ser a grande tendência para este ano,ele já está entre os 10 sites mais acessados no Brasil, e ao que indica, só iráaumentar. A tendência das redes sociais para este ano, e que já está acontecendo,é integrar redes socias a celulares, sites, contatos, enfim, conectar o mundo a umarede social. Para isso, novos aplicativos são criados todos os dias para estimular apermanência e atrair novos usuários. Ainda segundo Pozzebon, (2011), outra tendência para 2011 é o canal deatendimento ao consumidor. As empresas estão cada vez mais ligadas às redessociais e aqueles famosos e-mails disponíveis para ouvidoria nos sites dasempresas cairão no esquecimento. Por saber disso, as empresas já estão seadaptando a essa nova tendência. Assim, elas já estão concentrando suasestratégias online em redes sociais mais conhecidas. As empresas, para isso,precisam estar mais abertas ao diálogo e sempre atentas onde seus clientes estão.Conforme pesquisas, no Brasil, o Orkut lidera as redes sociais, com 36 milhões devisitantes. O Facebook está evoluindo muito rápido, atualmente consta com mais de10 milhões de usuários. O Twitter, por sua vez, possui um número semelhante aoFacebook, aproximadamente 9 milhões de usuários. Segundo Gomes (2011), foi anunciado recentemente (Março de 2011), de queo número de pessoas com acesso a Internet no Brasil aumentou emaproximadamente 10% nos últimos dois anos. A pesquisa foi realizada pelo IbopeNielsen Online, e mostra que ao todo o Brasil tem atualmente 73 milhões depessoas a partir dos 16 anos com acesso a Internet tanto no trabalho, quanto emcasa ou nas lan houses. Já os internautas brasileiros a partir dos 12 anos, são aotodo 82 milhões de internautas. Histórico: Em abril de 2010 eram 67 milhões depessoas com acesso a Internet no Brasil, e ao longo dos meses o númeroaumentou. Também entre o final de 2009 a final de 2010 o número de internautasativo no Brasil aumentou 13 %, totalizando atualmente 41 milhões de internautasbrasileiros ativos que acessam a Internet diariamente. Em relação ao mundo, oBrasil é o 5º país com maior número de acesso a Internet. Figura 3: Ilustra o Número de usuários da Internet no Brasil em 2009 e 2010. Fonte: Gomes, 2011
  • 10. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 104.1.1.1 Audiência da Internet no Brasil Em 2011, os brasileiros devem acessar mais a internet, seja porque os preçosdos pacotes de banda larga cairão ou por programas de governo que subsidiarãoparte do valor mensal, como o Plano Nacional de Banda Larga. De acordo com oInteractive Advertising Bureau (IAB), a audiência na internet brasileira deve crescer10% durante este ano, reunindo mais de 81 milhões de pessoas com 16 anos oumais. "2010 foi o ano de consolidação das redes sociais, dos clubes de compras e ainternet pautou os principais acontecimentos do País, como a Copa do Mundo e aseleições", diz Fábio Coelho, presidente do IAB e também presidente do IG. Em2010, a audiência na internet brasileira foi de 73,7 milhões de pessoas. Deste total,as classes C, D e E já representam 52,8% da população que acessa a internet,enquanto as classes A e B, juntas, respondem por 47,2%.Figura 4: Gráfico mostra projeção do IAB para audiência da internet no Brasil em 2011 (Tozetto, (2011)5. Conclusão Concluímos este trabalho falando da incorporação da Internet para aprestação de informações e serviços à sociedade em geral. Como apresentado, foium processo contínuo por parte do governo brasileiro impulsionado pelapopularização do microcomputador e a evolução das infra-estruturas detelecomunicações, tanto nacionais como internacionais. A academia brasileiraesteve sempre presente durante o processo de formulação das políticas públicaspara uso desta tecnologia e contribuiu com valiosos estudos e projetos para aconcepção do backbone nacional, RNP, que forneceu a infra-estrutura necessáriapara a integração das diversas iniciativas de utilização da Internet no Brasil.O modelo brasileiro adotado para gestão da Internet foi muito inteligente. Uma vezque aproveitou as instituições já existentes para continuarem a realizar a função quevinham desempenhando em outras redes, não necessitando desta forma criar novosórgãos governamentais para gerirem a Internet brasileira . No Brasil, as primeiras
  • 11. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 11iniciativas no sentido de disponibilizar a internet ao público em geral começaram em1995, com a atuação do governo federal (através do Ministério da Comunicação edo Ministério de Ciência e Tecnologia) no sentido de implantar a infra-instrutoranecessária e definir parâmetros para a posterior operação de empresas privadasprovedoras de acesso aos usuários. Desde então, a internet no Brasil experimentouum crescimento espantoso, notadamente entre os anos de 1996 e 1997, quando onúmero de usuários aumentou quase 1000%, passando de 170 mil (janeiro/1996)para 1,3 milhão (dezembro/1997). Em janeiro de 2000, eram estimados 4,5 milhõesde “internautas”. O Brasil atualmente usufrui de diversos recursos de internet, taiscomo: acesso a sites de pesquisa, acesso a diversos portais de noticias entre outrosrecursos que contribuem para o crescimento da rede mundial em nosso país. Provadessa audiência no Brasil é o numero de usuários que já passam de 73 milhões.6. Referencias-BibliográficasALMEIDA. Eugênia-1999-2000. História da Internet. Disponível em:(http://74.125.155.132/scholar?q=cache:X2LSYrMomd0J:scholar.google.com/+historia+da+internet&hl=pt-BR&as_sdt=0,5) Acesso em 15 de Mao de 2011Andréia, Heide, Cize, 2009. Meios de Comunicação-Internet. Abril 2011.Disponível em: http://jornalismo2009-f2j.blogspot.com/2009/04/chegada-da-internet-no-brasil.html. Acesso em 27 de Maio de 2011.BOGO. Kellen, 2000. A História da Internet - Como tudo começou. Disponível em(http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=11&rv=Vivencia). Acesso em 21 de Maiode 2011.GOETHALS. Karen, 1999-2000. História da Internet. Disponível em(http://74.125.155.132/scholar?q=cache:X2LSYrMomd0J:scholar.google.com/+historia+da+internet&hl=pt-BR&as_sdt=0,5) Acesso em 12 de Maio de 2011Gomes. Keven, 2011. Aumenta o Número de Internautas no Brasil. Disponívelem: http://www.correioeletronica.com.br/2011/03/conheca-aumenta-numero-de-internautas.html. Acesso em 19 de Junho de 2011.Internet / John R. Levine, Carol Bauroudi, Margareth Levine Young; Tradução [ da5.ed. original] de Daniel Vieira. – Rio de Janeiro: Campos, 1998 (Para dummies).LIMA. Aguinaldo, 2009. A importância de Internet para a Globalização. Disponívelem: (http://www.trabalhosescolares.net/viewtopic.php?f=24&t=1702) Acesso em 18de maio de 2011LOURENÇO. Wagner, 2009. A chegada da Internet no Brasil. Disponível em(http://www.setelagoas.com.br/index.php?view=article&id=1752%3Aa-chegada-da-internet-no-brasil&option=com_content&Itemid=53) Acesso e em 11 de Maio de 2011MENDES. Marcos, 2005. O Comércio Eletrônico no Brasil. Disponível em:http://www.ufpa.br/rcientifica/artigos_cientificos/ed_08/pdf/marcos_mendes3.pdf
  • 12. Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação 12OLIVEIRA. Daniel, 2010. A importância da Internet na Sociedade. Disponível em:(http://missaofidelidade.com/blogdaniel/?p=385). Acesso em 17 Abril de 2011.Pozzebon. Rafaela, 2011. Expectativa para as redes sociais em 2011. Disponívelem:http://www.oficinadanet.com.br/artigo/midias_sociais/quais_as_expectativas_para_as_redes_sociais_em_2011. Acesso em 19 de Junho de 2011.Silva. Evangelista 2008. História da Internet. Disponível em: http://tmc-hardware.blogspot.com/2008/12/resumo-da-histria-da-internet.html. Acesso em 19Junho de 2011.STANTON. Michael, 1997 – 2004-(RNP). A Evolução das Redes Acadêmicas noBrasil. Disponível em: (http://www.rnp.br/newsgen/9806/inter-br.html). Acesso em 22de Maio de 2011.TOZETTO. Claudia, 2011. Audiência da Internet. Disponível em:(http://tecnologia.ig.com.br/noticia/2011/02/01/audiencia+na+internet+no+brasil+deve+crescer+10+em+2011+diz+iab+10357845.html). Acesso em 28 de Maio 2011