Jesus nos 4 evangelhos - Escola Santo André
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Apostila de formação - Jesus nos 4 evangelhos

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Jesus nos 4 evangelhos - Escola Santo André Jesus nos 4 evangelhos - Escola Santo André Document Transcript

  • José H. Prado Flores JESUS nos Quatro Evangelhos Etapa I Curso 4
  • Nihil Obstat Salvador Carrillo Alday M.Sp.S. Censor 12 de Dezembro de 1999 Imprimatur Pbro. Lic. Guillermo Moreno Bravo 13 de Janeiro de 2000 México D.F. México ISBN 03-2003-021411260300-01 Desenho Héctor Narro Tradução Vilma Marli Stanislavski da Silva Revisão Wagner Luiz Ribeiro dos Santos Cristhiane Maurício Cornélio Atualização: agosto de 2007 E - mail: escritorionacional@escoladeevangelizacao.com.br Pagina WEB: www.escoladeevangelizacao.com.br 2 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • CONTEÚDO I . VISÃO PANORÂMICA DO CURSO 1. Objetivo 2. Enfoque 3. Metodologia 4. Síntese Conceitual e Mapa Panorâmico II . TEMÁRIO DO CURSO Apresentação: Quatro amigos do paralítico 1. Marcos 2. Mateus 3. Lucas 4. João Conclusão: Toma o teu leito III . RESUMO LOGÍSTICO DO CURSO 1. Calendário 2. 3. I Etapa Material Anexos 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3
  • 4 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • I. VISÃO PANORÂMICA DO CURSO 1. O B J E T I V O Conhecer Jesus, o que consiste em ter a vida eterna. A vida eterna é esta, que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo: Jo 17, 3. Experimentar Jesus em diferentes facetas, para amá-lo, segui-lo e proclamá-lo. 2. E N F O Q U E Não é um estudo bíblico dos evangelhos, mas um encontro com Jesus em cada um deles. 3. M E T O D O L O G I A O crachá é elaborado em forma de uma maca, com o perfil de uma pessoa. Dentro dessa maca, coloca-se o nome do participante. Cada tema dos três sinóticos tem quatro partes: • O evangelista: sua vida e sua personalidade. • Seu escrito: três características, objetivo e destinatários. • Sua visão particular de Jesus. • Análise de uma passagem do evangelho que resume sua mensagem. João tem um esquema original. Ainda que o pregador identifique-se mais com um dos evangelhos, no momento de apresentar cada um deles, deve fazê-lo como se fosse o seu preferido. Os textos bíblicos foram retirados da Bíblia de Jerusalém em língua portuguesa. Quando se recorre a uma tradução mais acorde com o texto original grego, a citação é indicada com TG. O objetivo é não somente falar do Evangelho e sim deixar que o Evangelho nos fale. Isso o fazemos lendo, proclamando e nos confrontando com ele. Ter um contato direto com o escrito, para que não se torne um estudo frio, sem experiência. Os textos bíblicos que devem ser lidos durante o tema estão sublinhados. Apresenta-se o Mapa Panorâmico em preto e branco. No final de cada evangelista, pede-se a uma comunidade que o pinte com uma cor diferente. Pode-se acrescentar algum elemento ao Mapa Panorâmico. Vínculos Pedagógicos: • Os quatro amigos do paralítico. • I Etapa Os óculos de diferentes cores. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 5
  • 4. S Í N T E S E C O N C E I T U A L E M A P A P A N O R Â M I C O A. INTRODUÇÃO Os quatro evangelistas são como os quatro amigos do paralítico de Mc 2, 1-12; eles nos conduzirão a Jesus. Cada evangelista nos emprestará seus óculos para vermos Jesus como ele o via. B. CONTEÚDO a. b. c. d. Marcos nos explana Jesus como a Boa Notícia, que realiza 18 milagres e, ao morrer na cruz, é reconhecido como o Filho de Deus. Mateus, por sua parte, manifestará para nós um Jesus Mestre, que cumpre as profecias do Antigo Testamento e proclama o Reino dos Céus com cinco discursos. Lucas nos oferecerá uma visão de Jesus misericordioso. Salvador universal, que anuncia a Boa Nova aos pobres e aos pecadores. O evangelista João, mais que nos apresentar Jesus, deixa que o próprio Jesus se apresente para nós, proclamando sete vezes “Eu Sou”. Com sete sinais revela a sua missão neste mundo. C. CONCLUSÃO Assim como o paralítico curado por Jesus tomou a sua maca para ir buscar outro paralítico e levá-lo a Jesus, também nós temos de buscar outros que necessitem de Jesus. Contudo, sozinhos não podemos carregar o leito com o enfermo, é preciso fazê-lo em comunidade.  6 Acompanha-se com a exploração do Mapa Panorâmico da seguinte página. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • JESUS NOS QUATRO EVANGELHOS OS QUATRO EVANGELISTAS I Etapa 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 7
  • CONDUZEM-NOS A JESUS 8 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • I Etapa 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 9
  • II. TEMÁRIO DO CURSO APRESENTAÇÃO a. Analogia ou parábola Vamos contemplar o que aconteceu há dois mil anos. A passagem daqueles que levaram o paralítico até Jesus representa o que os quatro evangelistas farão com cada um de nós.  Leitura pessoal de Mc 2, 1-12, em voz alta. RECURSO DIDÁTICO: Q u a t r o a m i g o s Ñ ? Procedimento: Representação sem palavras. Quatro pessoas entram na sala de ensino carregando um leito com um paralítico e o colocam aos pés de Jesus. Cada um dos quatro leva um óculos com lentes de cores diferentes. As lentes dos óculos de João são transparentes. Jesus perdoa os pecados do paralítico, cura-o e o envia. Comentário personificado. O pregador convida os protagonistas a que expliquem a cena. Cada personagem narra de maneira coloquial, acentuando o que compete a sua pessoa: • O paralítico narra sua experiência, destacando que não podia mover-se para se encontrar com Jesus e ser curado, mas o conseguiu graças a seus quatro amigos. • Jesus narra o acontecimento daquele dia, insistindo na fé dos quatro carregadores. • Os quatro amigos contam o mesmo, enfatizando o seu papel na cura do amigo. Todos permanecem na sala até o final da apresentação. Desafio Se você fosse o paralítico ou um de seus quatro amigos, qual seria seu sentimento nesse momento? Alguns participantes partilham. Neste curso, Marcos, Mateus, Lucas e João nos transportarão até Jesus,  para termos uma experiência similar.  Introduzirão cada um de nós pelo teto para nos encontrarmos pessoalmente com Jesus. Nossos pecados serão perdoados e nossa paralisia que nos impede caminhar, sentir e servir, será curada. Apresentação I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 10
  • RECURSO DIDÁTICO: C r a c h á = m a c a Objetivo: Identificar os melhores amigos que o conduzem a Jesus. Procedimento: Ñ  Escrever nas esquinas do crachá o nome dos amigos que o conduzem a Jesus. Insiste-se em que os participantes não façam a dinâmica de maneira fictícia, mas só se realmente tiverem amigos que o conduzam até Jesus. Caso contrário é melhor reconhecer que não têm. Ensinamento: Todos necessitam de todos. b. Apresentação e localização do curso dentro do Programa de Formação O Programa de Formação da Escola de Evangelização Santo André forma novos evangelizadores. Para um evangelizador é indispensável conhecer Jesus, que é, ao mesmo tempo,  o maior evangelizador e o próprio Evangelho:  Magistério da Igreja O centro da evangelização é o anúncio do Nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino e o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus. Evangelii Nuntiandi 22. Veremos Jesus de diversos ângulos. É o mesmo Jesus, mas visto a partir de Marcos, Mateus, Lucas e João. c. Motivação com Objetivo do Curso e Desafio Conceitual ? Pergunta Você ganhou um prêmio de uma viagem gratuita para qualquer lugar do mundo, com direito a levar um acompanhante. Aonde e com quem você iria? Os que vieram a este curso ganharam um grande prêmio: aqui vamos empreender uma excursão para a vida eterna, a qual consiste precisamente em conhecer Jesus e o único Deus verdadeiro. A vida eterna é esta: Que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo. Jo 17, 3. Teremos contato direto com Jesus, que é a Palavra de Deus, nas asas do Espírito Santo. Algo inesperado vai acontecer, porque teremos a oportunidade de experimentar o que sucedeu com Zaqueu, com a samaritana, Bartimeu e Tomé.  Prepare-se para um encontro real e inesquecível com Jesus em sua Palavra.  d. Justificação do título do curso e Conteúdo (Ver: 4. Síntese Conceitual, página 6) Este curso se chama Jesus nos quatro Evangelhos, porque veremos Jesus na ótica de cada um dos quatro evangelistas; ou melhor, com a marca da experiência de cada um deles. Pediremos emprestados os óculos de cada evangelista para ver como eles viam. Assim sendo, teremos uma visão mais completa de Jesus. Apresentação I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 11
  • DINÂMICA: M e l h o r a m i g o C • • • • Objetivo: Perceber o nível cultural e o interesse dos participantes. Motivação: O paralítico tinha quatro amigos, porém não sabemos o nome de nenhum deles. Nós, sim, sabemos o nome de nossos amigos: Marcos, Mateus, Lucas e João. Qual deles é seu melhor amigo e por quê? Procedimento: Cada participante identifica qual dos quatro evangelhos é seu preferido. 1º Umas 20 pessoas compartilham, indicando o seu preferido e o porquê. 2º Soma-se quantos participantes selecionaram cada evangelista. Aplicação: Neste curso, ou você vai confirmar porque escolheu tal evangelista, ou vai mudar de opinião ao conhecer os outros. (O pregador não diz qual é seu evangelho preferido, para não induzir preferências). Marcos nos mostrará Jesus – Boa Notícia, com grande poder para atuar (usam-se óculos com lentes de cor “A”). Mateus nos apresentará Jesus – Mestre com uma palavra sem igual (usam-se óculos com lentes de cor “B”). Lucas nos oferecerá um Jesus misericordioso, Salvador universal (usam-se óculos com lentes de cor “C”). João tem uma grande surpresa para todos nós (usam-se óculos com lentes transparentes). Os evangelhos não são fotografias de Jesus, mas pinturas que estão filtradas pela personalidade do autor, objetivo do escrito e os destinatários do evangelho. No evangelho de João, talvez mais que uma pintura, seja uma radiografia. e. Três etapas da Revelação e Desafios Conceituais A transmissão da Boa Notícia percorreu três etapas, que convém sempre ter presente: 1ª etapa: Jesus pregador anuncia com palavras e obras o Evangelho do Reino. Desafio Conceitual Se Jesus sabia escrever (Jo 8, 6), por que não escreveu um evangelho, uma página ou uma carta para nós? Vamos encontrar a resposta ao longo deste curso. 2ª etapa: Jesus ordenou a seus discípulos anunciar a Boa Notícia do Reino até os confins da terra, proclamando-o como Salvador e Senhor. Jesus pregador transforma-se em Jesus “pregado”. Tradição oral por testemunhas autorizadas. Desafio Conceitual Jesus ordenou aos seus apóstolos e discípulos: “Ide e pregai”; não lhes disse “Ide e escrevei”. Por que, então, eles escreveram? Cada um irá encontrar uma razão e justificativa ao terminar este curso. 3ª etapa: consigna-se por escrito a pregação das testemunhas, editando-se e adaptando-se de acordo com a realidade das comunidades. Tradição escrita. 12 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos Apresentação
  • Exemplo: A transmissão da Boa Nova é como a água que passa por três fases: 1ª fase: chuva que cai do céu (pregação de Jesus). 2ª fase: leito do rio (pregação dos Apóstolos). 3ª fase: congela-se e se pode segurar nas mãos (Sagradas Escrituras). Magistério da Igreja Os quatro evangelhos comunicam fielmente o que Jesus, Filho de Deus, fez e ensinou para a salvação. Dei Verbum 19. f. Resumo e Aplicação Vamos transpassar as fronteiras da vida eterna com o passaporte da Bíblia.  A vida eterna é esta: Que eles te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo:  Jo 17, 3. ATIVIDADE TERMÔMETRO: I n í c i o d o e v a n g e l h o  Objetivo: Perceber o nível de conhecimentos dos participantes. Motivação: O início de todo escrito é a chave para entendê-lo. Cada evangelista começa de uma maneira particular e diferente o seu relato. A primeira frase de cada evangelista é um resumo de seu evangelho. O que eles escreveram? Procedimento: Trabalho pessoal.  Sem ver a Bíblia, cada participante escreve o texto do primeiro versículo de cada um dos quatro evangelhos em quatro post it diferentes. ANEXO A: desenho dos quatro evangelistas Os post it são colados nas cartolinas que contém o desenho de cada evangelista. g. Fechamento motivador e oração para pedir o Espírito Santo Vamos, pois, começar  este vôo rumo à vida eterna.  Cada participante abre sua Bíblia no evangelho preferido e o pregador dirige uma oração para que o Espírito Santo lhes revele quem é Jesus, no decorrer deste curso. ANEXO 2: síntese do curso O pregador explica o que o participante deve preencher ao terminar cada evangelista. Apresentação I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 13
  • 1 1. MARCOS OBJETIVO Perceber o perfil particular do Jesus de Marcos. 2. IDÉIA-CHAVE Marcos nos apresenta de maneira viva, atrativa e pitoresca a humanidade e divindade de Jesus, como Messias, para nos enamorarmos dele. 3. METODOLOGIA a. Didática e Pedagogia Usam-se óculos com lentes de cor “A”. Não só falar do evangelho, mas deixar o Evangelho falar. Não se trata de um mero estudo bíblico. É uma visão panorâmica de Jesus. Portanto, insistese mais em Jesus que na estrutura do escrito. b. Tempo Três sessões de 60 minutos. 4. DESENVOLVIMENTO DO TEMA A. INTRODUÇÃO a. Evocação  Escreva os nomes dos três personagens mais importantes que você conhece na Igreja. O pregador enfatiza a ausência ou presença de pobres na lista. b. Apresentação e localização do tema O primeiro amigo que nos conduz a Jesus chama-se João Marcos, ainda que muitos somente o conheçam por Marcos. Começamos com ele por ser o evangelho mais antigo. Este tema tem quatro partes: • Primeiro veremos a vida do evangelista, pois sua personalidade ficou estampada no escrito. • 14 Depois analisaremos as três principais características do escrito. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • • Na parte central contemplaremos Jesus com os óculos de Marcos. • Finalmente entraremos numa passagem que resume o evangelho de Marcos. c. Objetivo do tema e motivação Este tema fará com que fiquemos enamorados deste Jesus contrastante que Marcos nos apresenta; sua personalidade e seu caráter; sua força e senso de humor;  sua humanidade e sua divindade.  Aqueles que, no princípio, escolheram Marcos como seu melhor amigo e como seu evangelho preferido, vão se dar conta de que tinham razão. Inclusive, é muito provável que outros que não elegeram Marcos, mudem de opinião com este tema. B. CORPO DO ENSINAMENTO 1º. EVANGELISTA MARCOS a. Sempre esteve junto com os grandes da Igreja primitiva Quanto mais conhecermos o evangelista Marcos, melhor conheceremos Jesus, porque o evangelista é como um espelho, onde podemos contemplar a pessoa de Jesus. • Primo de Barnabé (Col 4, 10), o homem das relações internacionais da Igreja primitiva (At 4, 36; 9, 27). • Secretário de “Pedro, centro da comunhão dos Apóstolos” (Pápias). Tão próximo do chefe da Igreja que este lhe chamava “meu filho” (1Pe 5, 13). • Companheiro de Paulo, o apóstolo dos gentios. No final, visita-o no cárcere (2Tm 4, 11). • Colega de Lucas, Timóteo, Tito e outros grandes pilares da Igreja (Col 4, 14). Sempre esteve entre os grandes e, em contato com as fragilidades das colunas da Igreja, entendeu que  o único grande é Jesus.  ? Desafio As mais ilustres personalidades da Igreja têm mostrado para você que o único importante é Jesus? De que maneira? Você está mostrando para os outros que o único grande é Jesus? b. Filho de Maria de Jerusalém Sua casa, que deveria ser ampla, foi o centro da reunião da comunidade primitiva. Sua mãe chamava-se Maria (At 12, 12). Tinha uma criada chamada Rode (At 12, 12-13). Estava acostumado com a vida cômoda e não estava preparado para enfrentar dificuldades.  c. Dupla deserção • • Muitos o identificam com o jovem que segue Jesus no Getsêmani e, deixando o lençol, foge nu (14, 51-52). Integra o primeiro grupo missionário com Barnabé e Paulo (At 13, 13), mas desiste na Panfília (At 15, 38-39). No entanto, continua com sua ânsia de evangelizar. d. Síntese e evocação à analogia 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 15
  • Marcos é de uma personalidade fascinante que, apesar de suas deserções no Getsêmani e na Panfília, continua evangelizando. Nem suas próprias debilidades o detinham.  Nem suas deserções o impediram de evangelizar.  16 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • • Assinatura: jovem que foge nu. • Fotografia: Bartimeu, que exclama Rabunní, “meu querido mestre”. • Símbolo: leão, forte e agressivo. 2º. EVANGELHO DE MARCOS a. Três características do evangelho de Marcos Marcos tem a imaginação e a criatividade para iniciar um novo gênero literário: o evangelho. 1ª Característica: o evangelho mais antigo. Escrito por volta do ano 64. É o evangelho que está mais próximo dos acontecimentos, quando a lembrança está ainda fresca na memória do evangelista. Quase podemos ver e tocar Jesus. • Não narra os acontecimentos no tempo passado (foi, fez, disse), mas no “presente histórico” (vai, diz, chega), dando a idéia de que o evangelho é atual (11, 15; 12, 13.18; 13, 1; 14, 17. 32.43). • Tem a lembrança tão viva na memória que usa sete palavras em aramaico, as quais nos transportam para aquela cultura. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: A r a m a i c o @ Procedimento: Pede-se aos participantes que recordem e escrevam sete palavras em aramaico.  Trabalho pessoal e, se não encontrar sete palavras diferentes, completa a lista com aqueles que o tenham achado. Boanerges (3, 17), Talítha kum (5, 41), Corban (7, 11), Effatha (7, 34), Rabbuní (10, 51), Abbá (14, 36), Eloí, Eloí (15, 34). 2ª Característica: evangelho que Pedro pregava. Pedro é o grande amigo de Jesus. Pedro deixou uma profunda marca em Marcos, seu secretário e, sem dúvida, acompanhava-o em suas viagens missionárias. O caráter do rude pescador da Galiléia se reflete em todo este escrito. • Exagerado (como Simão Pedro): o o o o • Levavam “todos” os enfermos e a cidade “inteira” aglomerava-se à porta (1, 32-33). Pedro lhe adverte: “Todos” te procuram (1, 36-37), e depois “todos iam até ele” (2, 13). “Grande multidão, multidão imensa” (3, 7-8). Não lhes sobrava tempo nem para se alimentarem (3, 20). Atrás desta frase está Pedro. Descritivo e detalhista: o Grama “verde” (6, 39), “grandes” ramos da árvore de mostarda (4, 32) e pedra “muito grande” do túmulo (16, 4). o Jesus pregava à beira-mar (5, 21); ao cair da tarde (4, 35). o A manada de “2.000” porcos se arrojou no mar (5, 13). Mateus e Lucas não especificam quantidade. o Jesus sofre “pavor e angústia” no Getsêmani (14, 33). No evangelho de Mateus é “tristeza e angústia”. 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 17
  • Especifica e esclarece: casa de Pedro “e de André” (1, 29), fariseus “e herodianos” (3, 6), tua mãe, teus irmãos “e tuas irmãs” (3, 32); detalhes que não encontramos em outros sinóticos. Pedro se sobressai de maneira particular: interessa mais para Marcos a pessoa que a missão de Pedro. o Casa e barco de Pedro (1, 29; 2, 1). o Pedro é o porta-voz da comunidade apostólica (8, 29). o • O primado de Pedro em Mateus é grandioso e solene, porém  Marcos nem o relata.  Por quê? Porque Pedro não falava muito de si próprio. Não se presumia nem se ostentava. Somente os que sofrem complexo de autoridade tratam de se impor aos demais. Pedro não precisava fazer isso. Sua autoridade moral era tão reconhecida que não havia necessidade de justificá-la. 3ª Característica: evangelho querigmático. Anúncio da Boa Notícia. Resume a pregação de Jesus em quatro pontos: Jesus veio para a Galiléia proclamando o evangelho de Deus. Cumpriu-se o tempo. O Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos. Crede no evangelho: 1, 14-15. • Sacrifica a cronologia histórica, em função da proclamação querigmática. • • • • Para Marcos, não interessa nem a gramática nem a geografia, porque só lhe importa Jesus como Boa Notícia. Tudo o mais passa para um segundo plano. Erros gramaticais na concordância de verbos: “chama os que queria” (3, 13 TG). Redação pobre (repete 678 a letra “e”. Ver 5, 4-5). Não respeita a geografia (7, 31): Jesus dá uma grande volta, em vez de tomar um caminho mais curto. Jesus é o único centro de interesse. Marcos está tão fascinado por Jesus que  não admite nenhum outro resplendor junto a Ele.  o Não fala da Virgem Maria. o João Batista que continuava levantando suspeitas se era ou não o Messias, morre na metade do ministério de Jesus. Isto para não deixar nenhuma dúvida de que Jesus é o único Messias (6, 17). o A família de Jesus não o entende e o considera louco (3, 21). o Tiago e João fazem o ridículo, querendo sentar um à direita e o outro à esquerda do trono (10, 37). o Pedro o nega três vezes (14, 67-71). No firmamento do evangelho de Marcos, não há lua, estrelas nem constelações. Há apenas um sol que tudo ilumina. b. Objetivo do evangelho de Marcos: enamorar-nos de Jesus Marcos, como Pedro, estava fascinado por Jesus e tratava de que todos se enamorassem dele, para que cressem e o proclamassem como Filho de Deus. ? 18 Desafio É possível fazer que os outros se enamorem de Jesus, se você não está enamorado dele? I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • c. Marcos é um vídeo Para Marcos é mais importante  o que Jesus faz do que o que Ele diz.  Ñ Recurso Didático: fita de vídeo. É para ser visto a cores, mais do que para ser escutado e nós podemos “ver” o que escutamos (4, 24 TG). Jesus “vê” o ruído (5, 36-38TG). Não especifica o conteúdo da pregação de Jesus (1, 21.27; 2, 13; 4, 1), mas os resultados (1, 22). Além disso, reporta que Jesus pregava longamente: Começou a ensinar-lhes muitas coisas: 6, 34. Para Marcos, não interessa tanto o que Jesus diz (como para Mateus), mas o que Jesus faz. d. Destinatários Evangelho destinado aos cristãos vindos do paganismo. Para isso, explica costumes dos judeus para seus leitores estrangeiros (7, 3-4). É o primeiro manual do missionário; Marcos oferece uma fascinante apresentação da pessoa e missão de Jesus para fomentar a nossa fé e nos enamorarmos dele. e. Síntese do escrito Marcos é criativo e inicia um novo gênero literário: o evangelho. Marcos foi o primeiro a consignar por escrito a vida e o ministério de Jesus, dá maior ênfase no que Jesus faz do naquilo que Ele diz. Muitos quiseram encontrar uma ordem ou um esquema no evangelho de Marcos. Porém, isso é impossível, porque Marcos só está fascinado com a pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus. O escrito de Marcos é o mais breve de todos os evangelhos (só tem 16 capítulos), porque é como  os perfumes finos, que são guardados em frascos pequenos.  RECURSO DIDÁTICO: P e r f u m e Ñ Procedimento: Passar o frasco de perfume para que os participantes possam cheirar (dois frascos pequenos). Quem o entrega diz para quem o recebe: “o evangelho de Marcos é um perfume fino que se guarda em um frasco pequeno”. Ensinamento: Como um frasco pequeno contém um perfume fino, o evangelho de Marcos, apesar de ser pequeno, contém o melhor, Jesus.  O evangelho de Marcos mostra que o único grande é Jesus.  ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: C o n t a t o d i r e t o 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 19
  • @ Objetivo: Ter contato pessoal e comunitário com o evangelho de Marcos. Motivação: Vamos ter um contato direto com o evangelho. Já falamos do evangelho de Marcos, agora deixemos que o Evangelho fale por si próprio. Procedimento: Comunidade A: ler em voz alta 5 passagens próprias do evangelho de Marcos, imaginando a cena descrita por ele. Fazer a modulação da voz de acordo com a passagem narrada. - Os parentes procuram Jesus: 3, 20-21. - Semente que germina por si só: 4, 26-29. - Siro-fenícia: 7, 24-30. - Surdo-mudo: 7, 31-37. - Cego em Betsaida: 8, 22-26. - Envio com poder: 16, 14-20. Comunidade B: comparar e tirar as diferenças entre Marcos e Mateus nas seguintes passagens: Paixão no Getsêmani (Mt 26, 36-56; Mc 14, 32-52), negações de Pedro (Mt 26, 69-75; Mc 14, 66-72) e morte de Jesus (Mt 27, 31-54; Mc 15, 21-39). Comunidade C: encontrar 7 exageros de Marcos e apresentá-los em uma cartolina. Comunidade D: encontrar 10 traços humanos de Jesus no evangelho de Marcos e apresentá-los em uma cartolina. Comunidade E: encontrar na passagem de Bartimeu (10, 46-52) os diferentes elementos que enumeramos: presente histórico, aramaicos, pregação de Pedro, exageros, detalhes, etc. 3º. JESUS DE MARCOS DINÂMICA: Q u i n t o e v a n g e l h o 20 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • C Objetivo: Induzir os participantes a se identificarem com os evangelistas. Motivação: Já vimos como Marcos, Mateus, Lucas e João começaram seu evangelho com uma frase que resume a mensagem que querem transmitir. Vamos imaginar que corresponde a nós escrever o quinto evangelho. Como começaríamos o primeiro versículo? Procedimento: Trabalho pessoal:  Cada participante escreve num post it o primeiro versículo do seu evangelho: “Evangelho segundo “são” (nome próprio): ...” Partilha-se. Todos os post it são colocados em uma cartolina que contém o desenho da silhueta de Jesus. Aplicação: De fato, já estamos escrevendo o quinto evangelho com nossa vida. Vamos pedir que Marcos nos empreste seus óculos para vermos Jesus da forma tão fascinante como ele e Pedro o enxergavam. 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 21
  • Ñ Recurso Didático: o pregador coloca por alguns minutos os óculos com lentes de cor “A”, para personificar a visão de Marcos sobre Jesus. A pergunta fundamental e permanente do evangelho de Marcos é: quem é Jesus? (1, 27; 2, 6-7; 4, 41; 6, 2-3; 8, 27; 11, 28). Mesmo que esta resposta estenda-se ao longo de todo o Evangelho, encontramos a chave encapsulada no primeiro versículo deste escrito: Princípio da boa nova (Yeshúa) de Jesus Cristo, Filho de Deus: Mc 1, 1. Já nesta frase descobrimos as quatro características do perfil de Jesus no evangelho de Marcos: •  Jesus é Boa Notícia.  •  Jesus é Yeshúa.  •  Jesus é o Messias.  •  Jesus é o Filho de Deus.  a. Evangelho de Jesus: Jesus é Boa Notícia A Boa Notícia não é algo, é alguém: Jesus é a Boa Nova. Quando falamos “bolsa de Maria” ou “bolsa de couro”, há uma diferença enorme. Na primeira, a bolsa pertence a Maria; mas, na segunda, mostra o próprio ser da bolsa: o couro é bolsa e a bolsa é couro. Ñ Recurso Didático: usa-se uma bolsa de couro. Quando se refere “Boa Notícia de Jesus”, não está mostrando a quem o evangelho pertence, mas sua constituição essencial: o Evangelho, a Boa Notícia é o próprio Jesus. Tanto sua pessoa, quanto seu estilo e sua atuação são Boa Nova de Deus para a humanidade. 18 milagres e curas Uma das formas preferidas de como Marcos manifesta que Jesus é a Boa Notícia, faz-se mediante seus prodígios e cura dos doentes. O evangelista teceu seu evangelho com 18 milagres de Jesus. Sem estes sinais de poder, seu escrito seria reduzido a uma única página. Os milagres, mais que provas da veracidade da doutrina, são diversas maneiras de se experimentar a salvação de Deus. Marcos contém pouca doutrina. Inclusive, escreve pouquíssimas pregações de Jesus. Além das curas pessoais, São Marcos relata-nos também curas grupais: 1, 32; 3, 10; 6, 5; 6, 56. Para Marcos, as coisas que Jesus realizou são muito mais importantes do que as palavras ou discursos que Ele pronunciou. Jesus continuamente realiza curas, milagres e prodígios. Só há três exceções: • Não realiza o sinal no céu quando os fariseus lhe pedem (8, 11-13). • Não cura a orelha de Malco no Getsêmani. Para Pedro, que foi o verdugo, essa cura não lhe interessa. Deixa-o sem orelha para sempre (14, 47). • Não desce da cruz, porque não procura admiração (15, 30). Os milagres não são para provar a doutrina, mas manifestações palpáveis da salvação e do messianismo de Jesus. Cada cura ou milagre mostra uma cor diferente do arco-íris da Boa Notícia para o homem de hoje. Além das curas, existem outras duas manifestações de Jesus como Boa Notícia: 22 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • • • Perdoa os pecados (2, 5). Jesus perdoa o paralítico de maneira incondicional e gratuita sem que este o solicitasse ou demonstrasse algum arrependimento,. Vence Satanás. Marcos narra quatro libertações: 1, 21ss; 5, 1ss; 7, 25ss; 9, 14ss. Sua vitória sobre Satanás é o sinal fundamental de que o Reino chegou. ? Dentre os 18 milagres de Marcos, qual você acha o mais e o menos importante? Por quê? Alguns participantes partilham. ANEXO 6: 18 milagres de Jesus no evangelho de Marcos Sugerimos não cancelar os assinalados com um asterisco * no anexo. Explicam-se alguns dos 18 milagres e aplica-se aos participantes, pedindo que Deus realize aqui e agora o que Ele fez na Galiléia e em Jerusalém há dois mil anos. Síntese Jesus, com sua vida e suas obras, é a Boa Notícia de Deus para o homem. b. Jesus é Yeshúa, a salvação de Deus A Boa Notícia identifica-se com um perfil e um nome: Jesus, Yeshúa – tem duplo significado: • Yeshúa significa “Salvação de Deus”. Todo o evangelho vai manifestar Deus salvando de muitas maneiras por meio de Jesus. Talvez a forma mais constante de manifestar a salvação seja através de milagres e curas. • Por outro lado, ao chamá-lo por seu nome, ressalta a sua humanidade. Ela se manifesta com aspectos normais da vida cotidiana. Sempre com seus discípulos • Amigo de seus discípulos: está sempre com eles e forma um grupo indivisível. Este homem não vive isolado, nem é um eremita. Necessita dos seus. Antes de qualquer milagre ou pregação chama os seus quatro primeiros companheiros (1, 16ss) “para que ficassem com ele” (3, 14). Sem haver dependência, há pertença e solidariedade com os seus. Forma uma comunidade indivisível com os seus (1, 21.29.31; 2, 15.23; 3, 7, etc.). Se Mateus destaca Jesus do grupo, Marcos sempre o integra, formando um grupo compacto (1, 21.31; 5, 1; 6, 53; 8, 22; 9, 9.30.33; 10, 32.46; 11, 15.27; 14, 22.32). Exemplos: Segundo Mt 8, 15, a sogra de Pedro servia Jesus, mas em Mc 1, 31 ela servia a todos. No relato do Getsêmani, Mateus ressalta a pessoa de Jesus sobre o grupo dos apóstolos (Mt 26, 36), ao passo que, em Marcos, vão todos juntos (14, 32). Defende seus discípulos dos ataques de escribas e fariseus (2, 23ss), mas também defende as crianças dos discípulos (10, 13-14). Yeshúa viveu nossas mesmas situações de vida. • Sentimentos fortes: o Fica irritado e expulsa os vendedores do templo (11, 15ss). o Fica triste no Getsêmani (14, 34). o Olha com indignação para os seus inimigos (3, 5). o Sente compaixão pelos enfermos (3, 5; 8, 2; 10, 47-48). o Abraça as crianças (9, 36). o Ama o jovem rico (10, 21). 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 23
  • o • • Sente pavor e angústia no Getsêmani (14, 33) e grita dramaticamente na cruz (15, 34). Traços humanos: o O olhar de Jesus (8, 33; 10, 21; 12, 41). Olha ao redor para observar tudo (3, 34; 5, 32; 10, 23). o Está sempre com pressa (40 vezes). Apenas chega a Jericó, já está saindo. Portanto, urge aproveitar a oportunidade, como Bartimeu o fez. o Canta os salmos na última ceia (14, 26). o Dorme no barco sacudido pela tormenta (4, 38). o Come (2, 15). o Caminha (2, 23; 9, 30). o Vai a Jericó por um itinerário ilógico e não faz nada; só cura Bartimeu ao sair da cidade (10, 46ss). Senso de humor (característica de boa saúde mental): o Pergunta ao cego Bartimeu: “Que queres que eu te faça?” (10, 51). o Ao surdo-mudo curado que, pela primeira vez na vida podia comunicar-se, proíbe-lhe falar (7, 36). o O cego de Betsaida vê quando Jesus coloca as mãos sobre seus olhos (8, 25). o Cansado, dorme em uma tarde de tempestade (4, 38). o “Responde” a uma figueira que não lhe havia perguntado nada (11, 14TG). o “Vê o ruído” (5, 38 TG). o Ganha todas as discussões menos contra uma mulher, a siro-fenícia (7, 26ss). o Tiago e João querem sentar-se à direita e à esquerda de seu trono. Mas, se Jesus está sentado à direita do Pai, um dos dois pretende ocupar o trono do Pai! (10, 37). o As mulheres que estão tão tristes com a morte de Jesus vão fazer compras (16, 1). Se Jesus é Yeshúa – a salvação de Deus – então este mesmo Jesus é também como nós, vive toda a diversidade da realidade humana.  Cem por cento humano e próximo de nós.  Magistério da Igreja Cristo também nos revela o autêntico rosto do homem. Novo Millennio Ineunte 23. c. Jesus é o Filho de Deus Marcos apresenta Jesus de maneira tão humana e, para não causar maus entendidos, deve especificar três vezes que é, ao mesmo tempo, “Filho de Deus”. • Desde o princípio, para que não exista nenhuma confusão, apresenta-o como Filho de Deus (1, 1). • No coração do Evangelho, do cimo do Tabor, Deus mesmo o declara seu Filho e seu Filho amado (9, 7). • No final (15, 39), o centurião romano o confessa diante dos que provocaram e presenciaram sua ignominiosa morte. Todo o Evangelho será para manifestá-lo Filho de Deus: • Reconhecido pelo próprio Deus como seu Filho (1, 11; 9, 7). • 24 Os demônios também o declaram como Filho de Deus (1, 23-24; 3, 11; 5, 6-8). I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • • Jesus mesmo confessa a si próprio como Filho de Deus diante do Sumo Sacerdote (14, 61-62). d. Jesus é o Messias sofredor e o Filho do Homem (Segredo Messiânico) A grande tese com que começa e termina o evangelho de Marcos é mostrar (não provar) que Jesus é o Messias prometido. Inicia seu ministério de forma deslumbrante e avassaladora, mas, pouco a pouco, o entusiasmo das multidões esfria porque o perfil de Jesus não corresponde às expectativas bélicas e dominantes dos judeus. Israel esperava um Messias poderoso e guerreiro vitorioso, que os libertasse da opressão romana com sinais do poder humano (Bíblia de Jerusalém). Jesus, para não criar confusão, mantém seu “segredo messiânico”: • Adota um título mais simples: Filho do Homem (2, 10.28; 8, 31.38; 9, 9.12.31; 10, 33.45; 13, 26; 14, 21.41.62). • Proíbe publicar seus milagres (7, 36) e divulgar sua identidade (8, 30). Mantém o “segredo messiânico” para não fomentar falsas expectativas. Este Messias sempre tem problemas com todo mundo e chega a seu cume na cruz: • Problemas com os escribas (2, 6), fariseus (2, 16), herodianos (3, 6) e até com sua própria família (3, 21). • Freqüentemente, ele mesmo provoca os problemas: cura em dia de sábado (1, 21) e, para desafiar os seus inimigos, não lava as mãos (7, 2). • Pavor e angústia no Getsêmani (14, 33). • • Jesus é o Messias, mas um Messias crucificado, que grita “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (15, 34). Não desce da cruz (15, 29-30), porque quer amigos, não subordinados. Busca amor, não admiração. e. Drama de Marcos: vive o abandono dos seus e até de seu Pai Se em Mateus o drama é o povo de Israel que rejeita seu Messias, em Marcos são os mais próximos, que falham:  • Sua família o considera louco (3, 21).  os seus, • Seus amigos não o entendem (8, 14-21) e dormem no Getsêmani (14, 37). • Seu amigo Pedro o nega e até o maldiz (14, 66-71). • Todos o abandonam (14, 50). Sente a ausência de seus amigos na cruz. Sempre estavam juntos, menos na hora da prova suprema. Não crêem depois da ressurreição (16, 11-14). • A Cruz O cume do evangelho de Marcos é a morte de Jesus na cruz. Diz-se que Marcos é o relato da cruz com uma grande introdução de 13 capítulos. Se, no evangelho de João, Jesus subiu três vezes a Jerusalém, em Marcos, ele sobe em uma única ocasião. Seu itinerário é um caminhar para Jerusalém; ou melhor, para o Calvário, onde morre dramaticamente (em João, Jesus morre vitorioso e Senhor). Em Marcos, Jesus só pronuncia uma palavra na cruz (coincide com Mateus). Trata-se de um grito angustiado, gravado na língua original de Jesus: ANEXO 1: sete palavras de Jesus na cruz Eloí, Eloí, lemá sabactaní, “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste”?: 15, 34. 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 25
  • Na cruz, Jesus vive o momento mais dramático: os judeus já o haviam rejeitado, os seus o abandonaram e Pedro, seu amigo, o negou. Como se isso não fosse suficiente,  experimenta o silêncio de Deus.  Deus não o defende da injustiça. Sente o abandono de quem lhe havia declarado no Jordão: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo: Mc 1, 11. ? Desafio Você já experimentou o silêncio de Deus, que não responde quando você mais necessita dele? O que será mais difícil suportar: ataque injusto de um inimigo ou o silêncio ou ausência de seu melhor amigo? Triunfo O Jesus humilhado vence a morte: O crucificado há ressuscitado: 16, 6 TG. Esse Jesus cheio de pavor, ultrajado e despojado, que morre com um grito angustiado, abandonado por seu Pai e deixado por todos os seus; esse mesmo Jesus há ressuscitado. A verdade vence a mentira, a justiça vence a injustiça, o bem supera o mal.  A vida venceu a morte.  A incógnita da identidade messiânica de Jesus esclareceu-se. O Messias prometido por Deus, anunciado pelos profetas e esperado por Israel, que morre na cruz, já ressuscitou. Venceu o pior inimigo: a morte. Portanto, tudo é possível. A salvação foi definitivamente instaurada. C. CONCLUSÃO a. Resumo Este primeiro evangelho foi escrito por um homem que estava fascinado pela pessoa de Jesus. O caráter do autor, assim como a sombra de Pedro, estão refletidos em cada página e na coluna vertebral dos 18 milagres. O Jesus de Marcos é áspero, rude, forte e cheio de poder, como um leão da tribo de Judá. O escrito reflete a pregação de Pedro e apresenta-nos um Jesus com quatro características:  Jesus é Boa Notícia, Jesus é Yeshúa, Jesus é o Messias e Jesus é Filho de Deus.  O Jesus de Marcos é contrastante: forte e sensível;  humano e divino.  Esta diversidade torna-o fascinante, por isso,  tanta gente se enamora do Jesus de Marcos.  b. Fechamento: confissão de fé do centurião romano Marcos culmina seu escrito de forma genial com a confissão de fé do centurião romano que proclama publicamente a divindade de Jesus. 26 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • DINÂMICA: C e n t u r i ã o d a c r u z C Objetivo: Confissão pessoal que Jesus crucificado é o Filho de Deus. Motivação: O centurião romano diante da cruz representava cada um de nós quando professou a sua fé no crucificado como o Filho de Deus. O pregador descreve o drama da morte de Jesus na cruz: grito angustiante. Morte dramática. O centurião pagão que nos representava fez sua confissão de fé: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus”. Hoje nós não necessitamos de ser representados. Temos a oportunidade de proclamar que Jesus crucificado é, verdadeiramente, o Filho de Deus. Vamos proclamar com a boca o que cremos no coração. Procedimento: Diante de um crucifixo grande, colocando a mão direita sobre uma Bíblia, cada pessoa proclama Jesus como o Filho de Deus. 4º. PASSAGEM DO EVANGELHO: BARTIMEU (10, 46-52) A passagem de Bartimeu condensa de alguma forma o evangelho de Marcos, uma vez que nos apresenta o itinerário de um discípulo, como deixar de ser um seguidor anônimo de Jesus para se converter num verdadeiro discípulo dele: crer para ver, ver para seguir. O filho de Timeu era cego, mendigo e estava sentado à beira do caminho. Vivia do que sobrava dos outros. Sem futuro, pois não tinha para onde ir. Quando Jesus passa diante dele, o cego grita do mais profundo de sua alma, pois não quer perder a última oportunidade que tem para mudar sua vida. Jesus parece indiferente, mas no fundo ele tinha uma estratégia: deveria crer em Bartimeu, para que o mendigo acreditasse em si mesmo. Deveria fazer sair o melhor daquele cego: poder gritar, saltar e caminhar. Bartimeu deixa a capa junto à palmeira, porque não quer que nenhum peso lhe impeça de chegar rapidamente até Jesus. Então Jesus lhe pergunta: “Que queres?” Não que Jesus não saiba a resposta, mas porque quer que Bartimeu toque seu interior e expresse com seus lábios o que crê e sente em seu coração: • Rabbuní, responde o cego, quer dizer: “Meu amado Mestre”. Bartimeu expressa seu amor por Jesus naquele grito: Rabbuní. 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 27
  • Rabbuní não significa somente “Mestre”, mas “meu amado, queridíssimo Mestre”. Bartimeu expressa publicamente seu amor afetivo por Jesus. Estava fascinado pelo Mestre da Galiléia e não tem respeito humano para demonstrar seu afeto por ele. Seguia-o no caminho. Uma vez curado por Jesus e enamorado Dele, segue-o no caminho. Agora tem aonde ir e com quem percorrer o caminho. Sua vida tem um objetivo e uma motivação, é discípulo de Jesus. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: M a n i f e s t a r n o s s o a m o r p o r J e s u s @ @ 28 Objetivo: Manifestar nosso amor afetivo por Jesus. Motivação: O evangelho de Marcos serve para nos enamorarmos de Jesus. A expressão de Bartimeu demonstra que o cego estava enamorado de Jesus. Muitas vezes, nossa oração é muito fria, doutrinal e teológica, e esquecemos de expressar nossos sentimentos, nosso carinho e nosso afeto por Jesus. Hoje, como Bartimeu, temos a oportunidade de manifestar para Jesus nosso afeto, mais que nossas idéias. Procedimento: Imaginar Jesus diante de cada um de nós; Jesus assina um cheque em branco como fez com Bartimeu: “Que quer que eu faça por você”? Agora, cada um responde com uma frase cheia de ternura e afeto, manifestando seu amor perceptível porque está fascinado por Jesus. Atividade dos Participantes: preencher a parte 1 do Anexo 2. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • 1. MARCOS A. EVANGELISTA MARCOS Desertor. Sempre entre os grandes. 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 29
  • B. EVANGELHO DE MARCOS Evangelho mais antigo. Evangelho querigmático. Evangelho de Pedro. C. JESUS DE MARCOS 30 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • JESUS TAUMATURGO E CRUCIFICADO É A BOA NOTÍCIA 1. Marcos I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 31
  • 32 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. Marcos
  • 2 1. MATEUS OBJETIVO Perceber o perfil particular do Jesus de Mateus. 2. IDÉIA-CHAVE Se o evangelho de Marcos é para crer, o evangelho de Mateus é para aqueles que crêem. Se Marcos é querigmático, Mateus é catequético e apresenta Jesus como Mestre, com o poder de suas palavras. 3. METODOLOGIA a. Didática e Pedagogia Usar óculos com lentes de cor “B”. Devem ser feitas contínuas alusões e comparações com Marcos, para que o novo conhecimento de Mateus seja edificado sobre os alicerces do que os participantes já têm. Preparar com antecipação uma vela que fumega, para êxito do recurso didático. b. Tempo Três sessões de 60 minutos. 4. DESENVOLVIMENTO DO TEMA A. INTRODUÇÃO a. Evocação Qual palavra, frase ou discurso de Jesus você gostaria de ter escutado de seus próprios lábios? Por quê? Alguns participantes partilham. b. Apresentação e localização do tema Ñ Recurso Didático: pede-se com insistência que todos desliguem seus celulares: Deus vai nos falar, mas não pelo celular. Vejamos o segundo amigo que nos conduz a Jesus: Mateus, conhecido como coletor de impostos. 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 33
  • • • Primeiro consideraremos a vida do evangelista, pois sua personalidade ficou estampada em seu escrito. Depois, analisaremos as três características principais deste evangelho. • Na parte central, contemplaremos Jesus com os óculos de Mateus. • Por último, meditaremos uma passagem chave do evangelho de Mateus. c. Motivação: evangelho preferido pela Igreja durante muitos séculos Estamos diante do relato evangélico mais querido, lido e comentado pela Igreja durante muitos séculos. Por isso, aqueles que escolheram Mateus como seu melhor amigo tinham razão e, com a explicação seguinte, alguns que haviam escolhido outro evangelista talvez mudem de opinião. B. CORPO DO ENSINAMENTO 1º. EVANGELISTA MATEUS Quanto mais conhecermos o evangelista Mateus e a estrutura de seu escrito, melhor conheceremos Jesus, porque o evangelista deixou-nos impressa a sua experiência com Jesus. Felizmente, neste caso, temos dados essenciais para conhecer Mateus, também chamado de Levi. Já no primeiro versículo deste evangelho podemos perceber a personalidade de Mateus: Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão: Mt 1, 1. É uma pessoa que gosta de olhar para o passado: genealogia, promessas e textos do Antigo Testamento. Desafio Conceitual Por que Mateus gosta de olhar para o passado? Vamos descobrir em seu evangelho. a. Judeu versado nas Escrituras Mateus conhecia muito bem a Lei, os Escritos e os Profetas. Protótipo do escriba, ele escreve aos judeus, também é chamado de Levi (Mt 9, 9; Mc 2, 14; Lc 5, 27). b. Coletor de impostos: contador, interessa-lhe os números e seu significado Seu trabalho o tornava aliado e colaborador do invasor romano, inimigo de Israel. O título “publicano” era sinônimo de pecador público. • Para Mateus é importante que todos, inclusive Jesus e Pedro, paguem os impostos (17, 24ss). • Gosta da simbologia numérica, especialmente o número sete: seu evangelho tem sete partes; sete petições do Pai Nosso (6, 9-13); perdoar 70 X 7 (18, 21-22); sete espíritos (12, 45); Jesus multiplica 7 pães (15, 34); os sete irmãos (22, 25); sete maldições contra escribas e fariseus (23, 13ss). Contrasta a dívida dos 10.000 talentos (360 toneladas de prata) com a de 100 denários (salário de cem dias) (18, 23-35). Outros números preferidos: 3, 5, 10 e 12. Muito ordenado e esquemático. Como bom contador, organiza e edita a pregação de Jesus em cinco partes, com uma introdução e conclusão. Cada parte contém uma seção narrativa e um discurso. c. Um dos Doze Apóstolos Mateus, à diferença de Marcos, foi membro do seleto grupo dos 12 Apóstolos, conhecido também como “os Doze” (10, 2; 20, 17). 34 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • Para Mateus, os Apóstolos são os profetas, sábios e patriarcas do Reino dos Céus. Com razão seu evangelho se chamava muitos séculos.   “evangelho eclesiástico” e foi o preferido da Igreja por d. Assinatura, Fotografia e Símbolo do evangelista • Assinatura: seu testemunho (9, 9). Mateus relata brevemente a experiência do seu encontro com Jesus. Mateus, depois de seu chamado, organizou um banquete e convidou seus amigos (9, 10-13). ? • Pergunta Você, no lugar de Mateus, a quem convidaria para sua festa com Jesus? Por quê? Alguns participantes respondem. Fotografia: no final do discurso em parábolas, Mateus nos oferece sua própria experiência: Todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e velhas: 13, 52. (Novo e Antigo Testamento). • Símbolo: anjo, porque este muitas vezes simboliza a Palavra de Deus. “O Anjo do Senhor foi enviado a...”, poderia significar que a Palavra de Deus foi dirigida a... RECURSO DIDÁTICO: C e l u l a r Ñ Objetivo: Interessar-se pela pessoa e pelo escrito de Mateus. Procedimento: Neste momento, um telefone celular toca várias vezes, interrompendo o ensinamento e perturbando a todos. A ligação é para o pregador. É Mateus que chega ao aeroporto. O pregador faz um diálogo fictício com o evangelista que está por chegar ao curso. O grupo é motivado a aproveitar a sua visita e formular algumas perguntas. Formar grupo de quatro pessoas para elaborar as perguntas. 2º. EVANGELHO DE MATEUS a. Três características do evangelho de Mateus 1ª Característica: evangelho eclesiástico Centra-se na missão da Igreja, seus Apóstolos e na vida comunitária. Pedro é o primeiro dos Doze (10, 2). Pedra especial da Igreja, confessa a fé da comunidade. Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está nos Céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus: Mt 16, 17-19. Os Doze Apóstolos ocuparão um lugar privilegiado quando o Filho do Homem sentar no seu trono de glória (Mt 19, 28). 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 35
  • Marcos fotografa a personalidade de Pedro, porém,  para Mateus é mais importante à missão e a autoridade de Simão.  Se Marcos destaca o lugar do querigma e dos carismas (Jesus que cura), Mateus insiste na vitória final da Igreja, apesar das provas (16, 18), e na presença de Jesus com os seus até o final dos tempos. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos: Mt 28, 20b. Dedica um discurso completo para mostrar os elementos da comunidade (18), ela é portadora da mensagem de salvação (28, 16-20). 2ª Característica: evangelho catequético, o Reino de Deus Tema central do evangelho de Mateus: o mistério do Reino dos Céus (de Deus). Por “Reino” devemos entender que nossa forma de vida neste mundo necessita estar em sintonia com o plano de Deus. Mostra o estilo de vida no Reino, supera os parâmetros do Antigo Testamento. O mistério do Reino é apresentado por meio de imagens e parábolas. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Parábola @ Objetivo: Ter um contato direto com o evangelho de Mateus. Motivação: Para entendermos o evangelho é necessário que o leiamos. Procedimento: Atividade pessoal.  Ler em voz alta o capítulo 13 do evangelho de Mateus. 3ª Característica: união e continuação do Antigo com o Novo Testamento Mateus se interessa em mostrar a união e continuação entre Antigo e Novo Testamento: • Usa 16 vezes a fórmula: “para que se cumpram as Escrituras”, mostrando que o Novo Testamento é a continuação e a plenitude do Antigo. • Usa 41 citações do Antigo Testamento para provar que tanto a vida de Jesus como seu ministério tem suas raízes nas profecias do Antigo Testamento. Exemplos: o Da linhagem de Davi (1, 1.6.17). o Nasce de uma virgem (1, 23), em Belém (2, 6). o Permanência no Egito (2, 13ss) e estabelecimento em Cafarnaum (4, 13-16). o Entrada messiânica em Jerusalém (21, 5.16).  Para Mateus não há divisão, muito menos rompimento entre Antigo e Novo Testamento, mas continuidade. Mateus constrói esta ponte. Magistério de la Igreja 36 O Novo Testamento está latente no Antigo E o Antigo Testamento está patente no Novo: Dei Verbum 16. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • Por esta razão, na transfiguração, Jesus é acompanhado pelas duas grandes colunas do Antigo Testamento: Elias, pai do profetismo, e Moisés, mediador da Antiga Aliança (17, 2-3). Jesus não veio para cancelar ou suprimir algo, mas coroar esse processo que firma suas raízes no Antigo Testamento: Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento: Mt 5, 17. Porém, ao mesmo tempo, o Novo Testamento supera o Antigo: sua doutrina não cabe em velhos moldes. Necessita de odres novos: uma nova mentalidade, um novo coração (9, 16-17). b. Objetivo e destinatários Não é dirigido para neófitos, mas para os judeus convertidos ao cristianismo. Eles já crêem e buscam a perfeição (5, 48). Mateus elaborou um Evangelho para seus irmãos judeus que conhecem a Escritura, a fim de mostrar como Jesus cumpre e supera o Antigo Testamento e como o novo Israel tem seu fundamento no plano de salvação. Estamos diante de um relato que tem o objetivo de sustentar e aprofundar a fé dos crentes judeus, pois estes deixaram o estável e seguro esquema de uma religião milenar para passarem a um cambaleante barco sacudido pelas tempestades e perseguições. O relato das duas casas em que caiu a chuva, vieram as enxurradas e sopraram os ventos, mostra que o novo Israel também sofrerá combates, mas seu fundamento tem duas rochas firmes: o plano de salvação e o colocar em prática a Palavra de Jesus. Sendo assim, esta casa está edificada sobre a rocha (Mt 7, 24-27). c. Coluna vertebral: discursos e parábolas explicam o mistério do Reino Se Marcos é um vídeo, Mateus é um rádio gravador. Ñ Recurso Didático: fita cassete e fita de vídeo. Para Mateus é mais importante o que Jesus diz do que aquilo que Ele faz. Se em Marcos Jesus cura com o poder de Deus, em Mateus Ele cura com sua Palavra: O centurião respondeu-lhe: Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto; basta que digas uma palavra e meu criado ficará são: Mt 8, 8.  A palavra de Jesus é suficiente para curar.  d. Chave para entender: Jesus é tanto o Mestre quanto o ensino Jesus não é somente Mestre, mas Ele mesmo, com seu estilo de vida, é a matéria do ensinamento. Aprendei de mim: 11, 29.  O Novo Testamento está latente no Antigo e o Antigo no Novo.  RECURSO DIDÁTICO: T e s t e m u n h o d e M a t e u s 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 37
  • Ñ Objetivo: Perceber o grau de interesse dos participantes a respeito do evangelho de Mateus. Procedimento: Chega “Mateus” com uns pergaminhos, porque escreve um livro. O grupo é motivado a aproveitar a oportunidade para apresentar as perguntas e/ou reclamações a respeito do evangelho. Eles também podem fazer algumas recomendações para o livro que o evangelista escreve. Mateus não responde às perguntas. O pregador faz a última pergunta: “por que você deu tanta importância às palavras de Jesus?” Então, “Mateus” conta o seu testemunho em primeira pessoa: “Eu estava sentado, ocupado com as minhas coisas, contando dinheiro, quando fui visto. Jesus tomou a iniciativa. Chamou-me com a força de uma única palavra: “segue-me”. Levantei-me. Deixei tudo. Primeiro o Reino de Deus, pois todas as outras coisas são acréscimos. O mais importante não foi o que deixei, mas a quem segui. Não me arrependo, pois encontrei o tesouro escondido. Em seguida, organizei um banquete e convidei pessoas muito caras para mim. Minha vida mudou com uma única palavra: “segue-me”. Por isso, muito valorizo as palavras de Jesus. Cada palavra de Jesus é como uma pérola preciosa e as tenho guardadas como um rico tesouro no campo de meu escrito. No momento em que você encontrar este tesouro e esta pérola, deixe tudo para adquirir a pérola preciosa da Palavra de Jesus”. “Mateus, mas afinal, qual é seu segredo?” “Valorizem cada palavra de Jesus. Uma única Palavra dele é capaz de nos curar e nos salvar.” (Mateus se despede, mas esquece seus pergaminhos sobre a mesa). 3º. JESUS DE MATEUS: MESTRE Ñ Recurso Didático: o pregador coloca por alguns momentos os óculos de cor “B”, para personificar a visão de Mateus sobre Jesus. É o mesmo Jesus visto de outra perspectiva, em que se captam certos aspectos e características singulares. Se o primeiro versículo de Marcos é a chave do pentagrama, em que o evangelista deixa concretizado o perfil de Jesus, também o primeiro versículo de Mateus é a chave da leitura: Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão: Mt 1, 1. Mateus gosta de olhar para trás (profecias e o plano de salvação), não para regressar, mas para conhecer as raízes da figueira de Israel. a. Jesus é filho em diferentes perspectivas e etapas da história de Israel • • 38 Jesus é filho de Abraão, pai do povo de Israel. Como Mateus destaca que seu escrito é para os judeus, então Jesus é filho do fundador do povo (1, 1). Jesus é filho de Davi (1, 1; 1, 20; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30; 20, 31). Este título significa que o Messias prometido se sentará eternamente no trono de Israel. Será rei como seu pai Davi, mas será maior do que Davi (22, 42-45; 21, 9). I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • • • • • Jesus é filho do homem: (29 vezes: 8, 20; 9, 6; 10, 23; 11, 19; 12, 8.32.40; 13, 37.41; 16, 13.27.28; 19, 28; 20, 18.28; 24, 27.30.37.39.44; 25, 31; 26, 2.24.45.64). Título misterioso, humilde e glorioso, recorda o profeta Daniel (7, 13-14). Jesus é filho de Deus: (11 vezes: 3, 17; 4, 3.6; 8, 29; 14, 33; 16, 16; 17, 5; 26, 63; 27, 40-43.54). O cume é a confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (16, 16), no coração do Evangelho. Jesus é filho de Maria (1, 18-20; 2, 11; 13, 55). No relato do nascimento de Jesus, fica perfeitamente claro que Jesus nasce de Maria, esposa de José (1, 16). Jesus é filho do carpinteiro, segundo a visão e tradição dos nazarenos (13, 55). José foi o responsável por ensinar Jesus a viver, trabalhar e orar. Preparou-o para a missão. Foi um verdadeiro pai. b. Novo Israel (este ponto pode ser cancelado se houver pouco tempo) Mateus escreve seu evangelho aos judeus convertidos, que sofrem uma terrível crise: deixaram o judaísmo, que lhes oferecia todo tipo de segurança religiosa para pertencer a uma comunidade que não tinha muita garantia nem futuro; eram perseguidos, condenados à morte e até as portas do inferno ameaçavam destruir a pequena semente de mostarda. O propósito de Mateus é mostrar que Jesus é o Novo Israel, portanto nele se tem tudo e até mais que no antigo sistema religioso: • Um novo faraó (Herodes) trata de matar o menino. Por vingança, mata todos os meninos menores de dois anos, os quais representam os primogênitos que foram mortos no Egito. Isso suscita um grande lamento de Raquel, a esposa de Israel. (2, 13-18) • O filho chamado do Egito é o próprio Jesus (ver nota em 2, 15 da Bíblia de Jerusalém). • • Jesus vive o êxodo de Israel: sai do Egito e entra na terra de Israel (2, 19-21). Cruza o rio Jordão (3, 13ss) onde recebe a confirmação de ser o Filho predileto de Deus (3, 17). Se Israel permaneceu 40 anos no deserto, também Jesus passa 40 dias nele. Depois tem fome e sede. Sofre as tentações no deserto de tomar o caminho fácil – converter as pedras em pão – e lhe é apresentado um novo bezerro de ouro para ser adorado – o demônio lhe oferece todos os reinos da terra (4, 8-9). As estrelas mais luminosas da história de Israel estão ao lado de Jesus: Moisés e Elias (17, 3). É maior que Jonas (12, 38ss), Salomão (12, 42) e até o próprio Davi é menor que ele (22, 44). • Supera o Templo (12, 6). • • • Os Apóstolos são os herdeiros dos doze filhos de Jacó (Israel) e julgarão as tribos de Israel (19, 28). • A grande promessa de Deus para Jacó – Israel: “Eu estarei contigo” (Gen 31, 3) é o compromisso final do próprio Jesus aos seus: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (28, 20). Assim, para o judeu que aceita o Reino, Jesus é o novo e verdadeiro Israel de Deus. Por esta razão, Mateus nos mostra a tempestade na noite que ameaça afundar o barco da Igreja. No entanto, Jesus caminha sobre o mar e possibilita Pedro a fazer o mesmo. c. Novo Moisés com a nova Lei Os judeus esperavam o cumprimento da promessa de Deus feita a Moisés: Vou suscitar para eles um profeta como tu, do meio dos seus irmãos. 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 39
  • Colocarei as minhas palavras em sua boca e ele lhes comunicará tudo o que eu lhes ordenar: Deut 18, 18. Mateus destaca de diversas formas Jesus o novo Moisés: • Sobe no monte para pronunciar as oito bem-aventuranças (5, 1). • Apresenta uma nova Lei (não uma nova edição da Lei). • • Seis vezes usa a frase: “ouvistes que foi dito (um mandamento do Antigo Testamento). Eu, porém, vos digo…”. Em outra ocasião, corrige o próprio Moisés, que escreveu um mandato transitório referente ao divórcio (19, 7). Mediador da Nova Aliança em seu sangue (Mt 26, 28). • O próprio Jesus é a Nova Lei: • Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração: 11, 29. A regra de vida não está em umas tábuas de pedra, mas na pessoa de Jesus. Os discípulos devem ser com Jesus (10, 25): fiéis a suas raízes, suas obras congruentes com suas palavras, harmonia entre vocação e missão, o externo com o interno, sentimentos com pensamentos. d. Juiz poderoso e universal O Filho do Homem, acompanhado dos anjos e de seus Doze Apóstolos (19, 28), há de vir na glória de seu Pai para o julgamento final (25, 31-46), onde separará as ovelhas dos cabritos. Então, pagará cada um de acordo com a coerência entre a vida e a fé; os que, conhecendo Jesus, reconheceram-no, ou não, nos mais necessitados. Atenção: o tema do juízo final não são as boas obras, mas a congruência entre a vida e a fé; pois os destinatários do evangelho são judeus convertidos que professam uma fé, a qual deve estar em sintonia com a vida. ? Pergunta Michelângelo pintou “O juízo final” na Capela Sistina, condenando certos inimigos seus e colocando no céu outras pessoas. Se você pintasse “o juízo final”, que atitudes (não pessoas) condenaria no inferno e quais atitudes corresponderiam aos que vão para o céu? O pregador ajuda com um exemplo. e. Servo de YHWH Jesus é o Servo de YHWH, predito por Isaías, ele levou nossas enfermidades e por suas chagas fomos curados. Sua obra de salvação se realiza mediante sua morte. Nele se cumpre a profecia do Servo de YHWH.  Ler Mt 12, 18-21; Is 42, 1-4. Sofre e morre para que se cumpra o oráculo do profeta Isaías (Is 53, 4): Levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças: Mt 8, 17. Em Marcos, Jesus mostra o poder de Deus curando as enfermidades (a febre desaparece e os demônios se lançam no mar), mas a teologia de Mateus é diferente: Jesus carrega sobre si próprio as enfermidades e por suas chagas fomos curados. Sua morte é uma morte vicária; morre em nosso lugar. f. Mestre, com uma palavra sem igual: cinco discursos 40 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • Marcos mostra o poder das ações de Jesus que cura, porém, Mateus manifesta o poder da Palavra de Jesus, que ensina, desafia e profetiza, através de discursos e parábolas. É um Jesus majestoso com uma palavra sem igual. Ele ensina a sabedoria, mas desmascara as intenções perversas dos fariseus. Enfrenta os mestres de Israel, dizendo: “Raça de víboras, sepulcros caiados, só limpam o exterior do copo” (23, 26.27.33). Opõe-se a eles e, em sete ocasiões, maldiz suas intenções perversas. Valente defensor dos direitos divinos, ao estilo de Elias e outros profetas. Não tem medo diante de seus inimigos nem diante dos poderosos deste mundo. A Palavra de Jesus cura (8, 8). Jesus não fala porque tem autoridade, mas,  porque fala e como fala, tem autoridade.  Pronuncia uma palavra sem igual, não como os escribas e fariseus. Mateus organizou e reuniu os três anos da pregação de Jesus em cinco discursos. Tema dos cinco discursos: Reino dos Céus = de Deus. CINCO DISCURSOS DE JESUS EM MATEUS O evangelista Mateus sintetizou e editou em cinco discursos os três anos de pregação do Mestre. 1º: DISCURSO EVANGÉLICO: interiorização da Lei (5-7) O sermão da montanha é a carta magna do cristianismo. Nele é promulgada a Nova Lei do Reino. As bem-aventuranças é uma radiografia de Jesus e o ideal da vida no Reino. Atenção: não se é feliz por ser pobre, por chorar, por ter fome ou ser perseguido; mas porque, com a chegada do Reino, terminará toda situação de injustiça e sofrimento. • A Nova Lei do Reino: Jesus supera a legislação de Moisés, interiorizando-a e aprofundando. Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás. Eu, porém, vos digo: nem ofendais. Reconcilia-te logo dos problemas com o teu irmão. o Ouvistes que foi dito: não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: não adulterar com o coração. Os olhos e a imaginação são as janelas para a tentação. Não simplesmente evitar o mau, mas inclusive não o desejar. o Foi dito: divórcio condicionado. Eu, porém, vos digo: não ao divórcio, por perigo de adultério. Não se trata de não pecar, mas de não se expor ao pecado. o Ouvistes que foi dito: não perjurarás. Eu, porém, vos digo: não jurar. Falar sempre a verdade. o Foi dito: olho por olho. Eu, porém, vos digo: resistir ao mal. Não à vingança. o Foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. O caminho a Deus passa pelo homem: não podemos ir ao altar tendo inimizade com nosso irmão. o Exemplo: • Na celebração eucarística do rito ambrosiano, a paz é dada no início. Três ações positivas: o essencial não é o que fazemos, mas a intenção pela qual a realizamos (pureza de intenção). o Esmola: compartilhar o que temos sem presunção. o Oração em segredo: Deus está no mais íntimo de nós. o Jejum: quando nos privamos de algo, criar ambiente positivo. 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 41
  • Magistério da Igreja A lei evangélica dá cumprimento, purifica e leva à sua perfeição a lei antiga. Nas bem-aventuranças, cumprem-se as promessas divinas. Catecismo da Igreja Católica 1968. 2º: DISCURSO APOSTÓLICO: missão evangelizadora (10) Manual do apóstolo: dedicado à comunidade de missionários, tendo Pedro como cabeça. • Ir à missão sem nada, para depender somente da fidelidade de Deus. • Conteúdo da pregação: o Reino está próximo. • Com poder: curando enfermos e expulsando demônios. • Compartilhar gratuitamente, sem nada pedir em troca. • Ao entrar em uma cidade, procurar saber de alguém digno e ficar em sua casa até sair da cidade. Deixar a paz nessa casa. As perseguições são normais, como ovelhas no meio de lobos. • • • Necessidade de perseverar nas provas sem ter medo dos inimigos, pois valemos mais do que os pássaros do céu. O Espírito Santo ilumina aquilo que deve ser respondido diante dos inimigos. Condição: tomar a cruz, que significa por a vida a serviço do Evangelho e dos outros (10, 38; 16, 24). Regra prática: prudentes como as serpentes e simples como as pombas (10, 16). Conclusão: Jesus deve estar acima de toda relação (10, 37). 3º: DISCURSO PARABÓLICO: o Reino de Deus (13, 1-52) As diversas parábolas de Jesus são uma síntese da história da salvação e uma análise panorâmica da vida humana. ANEXO 7: parábolas em São Mateus O pregador explica brevemente algumas parábolas, de maneira especial as assinaladas por asterisco: “grão de mostarda”, “fermento na massa”, “trabalhadores da vinha”, “figueira estéril” e “10 virgens”. 4º: DISCURSO ECLESIÁSTICO OU COMUNITÁRIO (18) Mostra os elementos essenciais da vida comunitária: • Hierarquia do Reino: primeiro as crianças. • Renunciar a tudo para entrar no Reino. • Correção fraterna: processo que evita muitos problemas. • Oração comunitária: Jesus no centro, não como um a mais, mas dentro da comunidade. • O perdão das ofensas (70 X 7) é ilustrado com uma parábola contrastante: um homem foi perdoado de uma dívida de 10.000 talentos, mas não quis perdoar outra de só 100 denários. • Em Mateus, de modo diferente de João, não são os Apóstolos os encarregados de perdoar, mas a própria comunidade (18, 17-18). Conclusão: o Reino é vivido em comunidade. 42 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • 5º: DISCURSO ESCATOLÓGICO (24-25) No final se pedirá contas aos administradores dos talentos, assim como ao mordomo. Será realizado o exame definitivo no juízo final, em que serão separadas as ovelhas dos cabritos. Desenlace do drama: os eleitos, que se sentiam com direito por serem filhos de Abraão e terem sua confiança colocada na lei, não respondem. O mordomo que tem autoridade delegada e temporal deve ser fiel e prudente. As virgens estão preparadas para o momento importante. Administradores dos talentos confiados e não o enterrar, porque assim o perderá. Antecipa a matéria do exame final: seis obras de misericórdia. É importante dar-nos conta de que coisas seremos julgados e de quais não. Jesus trouxe para nós as perguntas bem antes, para que possamos responder desde agora e não termos problemas no julgamento definitivo. Síntese: o caminho mais curto entre Deus e nós não é uma reta, mas pelos homens.   aquele que passa Transcendência do Evangelho: grande incumbência – fazer discípulos (28, 16-20) Mateus olha para trás para fixar suas raízes no passado. Ele se interessa em sustentar o messianismo de Jesus na história da salvação e nas profecias do Antigo Testamento. O presente é uma síntese do passado e a história é um mestre de vida para viver o presente. Porém, na conclusão, Mateus lança seu olhar para o futuro: o final dos tempos. Se no evangelho de Marcos, Jesus envia seus discípulos para proclamar a Boa Notícia a toda criação (Mc 16, 14-15), em Mateus, Jesus, com todo seu poder, ordena-lhes, “fazer discípulos, batizar e ensinar a observar tudo quanto Ele ordenar” (Mt 28, 16-20), garantindo sua presença. g. Drama de Mateus: o povo eleito rejeita o seu Messias Os quatro evangelhos são preciosos, mas não são uma comédia. Cada um deles apresenta um drama. Se no Evangelho de Marcos o drama radica-se no abandono dos melhores amigos de Jesus, para Mateus, é o povo eleito, veículo da Promessa, quem não aceita o Messias. Os primeiros destinatários da salvação não aceitam o convite. E, como se não fosse suficiente, os trabalhadores da vinha decidem matar o herdeiro para ficarem com a herança, enquanto Deus dá o salário completo a quem quase nada trabalhou na vinha (Mt 20, 1-16). Mateus apresenta este drama em três atos: ATO Primeiro Ato O Messias foi enviado às ovelhas da casa de Israel. Portanto, os judeus são os primeiros destinatários da salvação. Nem as autoridades nem o povo o recebem, ao contrário, Segundo rejeitam-no e decidem matá-lo. A salvação é, então, oferecida Ato a todos os homens, sem distinção de raça. 2. Mateus PALAVRA DE MATEUS Jesus vem para salvar o seu povo (Israel) de seus pecados (1, 21; 10, 6) e apascentá-lo (2, 6). Os judeus são os primeiros convidados (15, 24) a trabalhar na vinha (20, 1ss) e a eles é confiada a herança (21, 33ss). Os “experientes” de Israel não vão a Belém (2, 5). Os convidados à festa não aceitam (22, 2-6). Os trabalhadores da vinha decidem matar o herdeiro (21, 33-46; 27, 22-23). A figueira (Israel) não produz fruto e seca (21, 18ss). I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 43
  • Terceiro Ato O drama transforma-se em tragédia: não são os piedosos judeus, nem os sábios escribas, tampouco os observantes fariseus que entrarão no Reino. A gente religiosa não entra nem deixa outro entrar (23, 13). As autoridades religiosas preferem o sedicioso Barrabás a Jesus (27, 20). “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas estão vos precedendo no Reino de Deus”: 21, 31. Este drama é mostrado desde o nascimento do Rei dos Judeus, quando os que têm “experiência” nas Escrituras só transmitem informações sobre o Messias, mas não se movem para mais além. Tampouco o poderoso Herodes. Somente os magos, pecadores estrangeiros, vão oferecer seus dons a Jesus e adorá-lo. Mas, apesar de Israel rejeitar o Messias,  o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó não rejeita Israel.  Na parábola dos vinhateiros homicidas que matam o herdeiro para apropriar-se da vinha, segundo São Lucas, Deus mesmo declara a sentença contra os assassinos (Lc 20, 15-16), mas, em Mateus, Deus simplesmente pergunta o que fará (Mt 21, 40). RECURSO DIDÁTICO: M e c h a q u e f u m e g a Ñ Objetivo: Aprender que para Deus nem tudo está acabado. Jesus disse que não quebraria o caniço rachado nem apagaria a mecha que ainda fumega. (Mt 12, 20). Procedimento: Vela grande, acesa por 10 minutos. A vela é apagada e acesa a partir da fumaça. Não estava apagada!!! Oração: não me pergunte Senhor, o que deverias fazer comigo, porque a sentença cairia automaticamente sobre mim. Faça segundo o teu plano maravilhoso. Tu, Senhor, enxergas o que os outros não conseguem ver. Deus não apaga a mecha que ainda fumega. Ela pode acender novamente. Sua família, sua vida, sua comunidade, a Igreja não estão perdidas. Não se dê por vencido. Nem tudo está perdido, ainda há fogo e luz nesta mecha que fumega. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: M o n u m e n t o @ 44 Objetivo: Representar o drama de Israel. Motivação: São Mateus nos apresentou o cume de um drama. Agora, vamos representá-lo num monumento. Procedimento: Trabalho por comunidades: representar o drama de Israel com objetos animados ou inanimados, sem palavras nem movimentos. Conclusão: O drama de Israel pode ser também o nosso próprio drama. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • C. CONCLUSÃO a. Resumo O evangelista ordenado e sistemático deixou sua marca no seu escrito. • Sua experiência pessoal está impressa em todo seu evangelho, pois o Mestre que o conquistou com uma única palavra, “segue-me”. Isso fez com que ele valorizasse cada uma das palavras de Jesus. • Sabe olhar para trás, não para ficar paralisado no passado, mas como apoio para o futuro. • Apresenta Jesus como mestre que tem uma Palavra sem igual.  Em Jesus Mestre, as Escrituras se cumprem.  b. Fechamento e alusão à analogia O Jesus de Mateus tem uma Palavra sem igual e cumpre as Escrituras. RECURSO DIDÁTICO: M a t e u s r e g r e s s a d e v i d o a s e u s e s c r i t o s Ñ Procedimento: Mateus regressa devido aos seus manuscritos que havia esquecido e o pregador aproveita para agradecê-lo: Pregador: “Obrigado, Mateus, por nos apresentar as palavras de Jesus. Alguém gostaria de agradecer a Mateus por sua apresentação? “. Alguns agradecem a Mateus pelo maravilhoso evangelho escrito por ele. Pregador: “Qual é sua conclusão, Mateus?”. Mateus: “Procurei mostrar o poder da Palavra de Jesus em discursos e parábolas que sintetizam a pregação do Mestre”. Pregador: “Mas por que olhava tanto para trás?”. Mateus: “Porque queria ter uma base para valorizar o presente e olhar para o porvir”. O telefone celular de Mateus toca. Chamam-no desde Jerusalém e deve regressar imediatamente. DINÂMICA: T e a t r o c o m p a r á b o l a s 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 45
  • C 46 Objetivo: Aplicar aos dias de hoje a mensagem das parábolas por meio de uma dramatização que acentua os contrastes. Motivação: As parábolas de Jesus são aplicadas em nossos dias. Procedimento: Cada comunidade representa uma parábola: Comunidade A: trabalhadores da undécima hora (20, 1-12). No centro, o proprietário da vinha. À direita, os trabalhadores cansados e indignados que recebem só um denário. À esquerda, os trabalhadores felizes, sem cansaço, que recebem um denário. Cada comunidade faz cinco perguntas ou reclamações ao proprietário, as quais ele não responde. Comunidade B: os dois filhos (21, 28-32). No centro, o pai que envia seus dois filhos para trabalharem na vinha. Exagera-se as atitudes de cada um dos filhos. Comunidade C: 10 virgens (25, 1-13). Discussão e pleito entre os dois grupos de 5 virgens. Comunidade D: juízo final (25, 31-33). No centro, o juiz universal. À esquerda, os que mostram suas devoções e boas obras, seguros de que ganharão o céu. À direita, os surpreendidos, porque lhes é dado aquilo que não esperavam. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • 4º. PASSAGEM DO EVANGELHO: TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA (20, 1-16) A parábola dos trabalhadores da vinha sintetiza de maneira genial o evangelho de Mateus, uma vez que demonstra a essência da mensagem da Boa Notícia de Jesus, embora, para falar a verdade, seja desconcertante para quem se sente com direitos sobre Deus.  Ler Mt 20, 1-16. De manhã bem cedo, o dono da vinha saiu a buscar trabalhadores para ela. Com os primeiros, estipulou (fez um contrato ou aliança, simboliza a Antiga Aliança) o pagamento de um denário pelo total da jornada. Seguiu procurando mais trabalhadores durante todo o dia. Às 16:00 h. saiu a buscar os últimos, com os quais não fez nenhum contrato (trabalhadores de confiança). Eles simplesmente se ajustariam com aquilo que o patrão lhes desse, pois haviam trabalhado pouco ou nada. No final da jornada, o patrão chamou o mordomo para que pagasse a todos. Começou pelos últimos, que receberam, surpresos, um denário, mesmo trabalhando praticamente nada. Os que haviam chegado desde o amanhecer (os primeiros chamados, simbolizam Israel e haviam suportado o peso do trabalho e o calor do sol), abriram suas duas mãos, pensando que receberiam muito mais que os outros, pois estavam confiantes no trabalho que eles fizeram (as boas obras e o cumprimento da lei). No entanto, só receberam o valor acertado anteriormente. Então, com muita raiva, consideraram que o patrão era injusto. Na verdade tinham razão, porque com os que chegaram por último, ele não foi justo, mas generoso. Não dependeu do trabalho deles, mas de sua generosidade. Este é o Deus pintado por Jesus, Ele não paga segundo nossas obras, mas de acordo com a sua misericórdia. Esta mensagem custou a vida de Jesus. Para aqueles que têm sua confiança posta nas obras da lei, não é fácil aceitar essa mensagem. Por isso, Israel rejeita o Messias. Mas, se percebermos que nós somos os últimos, estaremos gratos e confiantes na bondade de nosso Deus. @ 2. Mateus Atividade dos Participantes: preencher a parte 2 do Anexo 2. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 47
  • 2. MATEUS A. EVANGELISTA MATEUS B. EVANGELHO DE MATEUS C. JESUS DE MATEUS EM JESUS MESTRE, AS ESCRITURAS SE CUMPREM 48 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 2. Mateus
  • 2. Mateus I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 49
  • 3 1. LUCAS OBJETIVO Perceber o perfil particular do Jesus de Lucas. 2. IDÉIA-CHAVE A personalidade, cultura e espiritualidade de Lucas são refletidas na sua pintura de Jesus misericordioso e Salvador universal. 3. METODOLOGIA a. Didática e Pedagogia Devem ser feitas contínuas alusões e comparações com Marcos e Mateus, para que o novo conhecimento que Lucas nos oferece seja edificado sobre os alicerces do que os participantes já sabem. Não se trata de um mero estudo bíblico, mas de uma visão panorâmica de Jesus. Portanto, é necessário insistir mais em Jesus que na estrutura do escrito. b. Tempo O tema deve ser dividido em três sessões de 60 minutos. 4. DESENVOLVIMENTO DO TEMA A. INTRODUÇÃO a. Evocação Lembrar da pessoa mais amável e misericordiosa que você conheceu ou deseja conhecer. b. Apresentação e localização do tema Vejamos o terceiro amigo que nos conduz a Jesus. Ele tem muita experiência, pois já levou milhares de pessoas a Jesus. Este tema, como os anteriores, tem quatro pontos: • Primeiro veremos a vida do evangelista, pois sua personalidade ficou estampada em seu escrito. • Depois analisaremos as três principais características do escrito. • Na parte central, contemplaremos Jesus com os óculos de Lucas. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 50
  • • Finalmente, entraremos numa passagem que resume o evangelho de Lucas. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 51
  • c. Objetivo do tema e motivação Vamos pedir que Lucas nos empreste seus óculos para vermos Jesus da maneira que ele viu. Ñ Recurso Didático: usam-se os óculos com as lentes de cor “C”. Os que, no princípio, escolheram Lucas como melhor amigo e evangelho preferido perceberão que tinham razão. Inclusive, é muito provável que outros que não elegeram Lucas mudem de opinião com este tema. B. CORPO DO ENSINAMENTO 1º. EVANGELISTA LUCAS Quanto mais conhecermos o evangelista Lucas e a estrutura de seu escrito, melhor conheceremos Jesus, porque o evangelista é como um espelho em que podemos contemplar a pessoa de Jesus. a. Judeu, não palestino. Tem uma mentalidade aberta e universal Mentalidade aberta e universal. b. Fiel companheiro de Paulo e reconhecido nas Igrejas • O apóstolo o chama “médico querido” (Col 4, 14). • Fiel até o fim, no cárcere de Roma (2Tm 4, 11). • Tinha fama e autoridade moral em todas as Igrejas (2Cor 8, 18). c. Literato fino e educado Homem culto, conhece perfeitamente o grego clássico. Rico vocabulário. Tem especial cuidado com o papel das mulheres: Isabel, Ana, a viúva de Naim, a pecadora perdoada, as mulheres que acompanham Jesus, Marta e Maria, a mulher encurvada, a mulher da moeda perdida, a viúva inoportuna, as mulheres de Jerusalém, as mulheres no túmulo, etc. Médico que tem cultura. d. Assinatura, Fotografia e Símbolo do evangelista • Assinatura: “médico, cure-te a ti mesmo”. Atribui a Jesus sua própria profissão (Col 4, 14). ? • • 52 Pergunta Se Lucas comparou Jesus com a sua profissão de médico, em que aspecto Jesus se parece com sua profissão ou trabalho? Alguns respondem. Fotografia: parábola do bom samaritano (10, 29-37). Assim era Lucas e assim também ele via os outros. Símbolo: boi manso, não faz mal a ninguém. o Sempre desculpa: os Apóstolos adormecem “de tristeza” e não crêem na ressurreição “por causa da alegria” (22, 45; 24, 40-41; 9, 45; 18, 34). o Suprime a pretensão de Tiago e João, que querem sentar um à direita e outro à esquerda do trono do Messias. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • e. Não conheceu Jesus pessoalmente, mas investigou com testemunhas de primeira mão Não pertenceu ao grupo dos Doze nem conheceu pessoalmente Jesus. Desafio Conceitual Se Lucas não conheceu Jesus, como conseguiu fazer uma pintura tão maravilhosa e converter tantas pessoas? É possível falar tão maravilhosamente de uma pessoa só por referências de outros? Lucas investigou com testemunhas autorizadas para nos deixar um escrito autêntico. Muitos dos protagonistas de seu evangelho são os mesmos que falam ao longo deste escrito. DINÂMICA: E n t r e v i s t a d e i m p r e n s a C Motivação: Lucas fez um trabalho de jornalista com as testemunhas que experimentaram a salvação. Procedimento: Cada comunidade prepara uma entrevista de Lucas a uma testemunha (30 minutos). Comunidade A: Lucas entrevista os discípulos de Emaús (7 minutos). Comunidade B: Lucas entrevista Zacarias e Isabel (7 minutos). Comunidade C: Lucas entrevista Zaqueu e sua família (7 minutos). Comunidade D: Lucas entrevista o ladrão na cruz (7 minutos). Comunidade E: Lucas entrevista Maria e José (7 minutos). As representações são realizadas ao longo do tema, no princípio e no final de cada exposição. Sugere-se fazer de forma natural, porque Lucas é o evangelho da alegria cada entrevistado deve transparecer a alegria de sua relação e experiência com Jesus. Aplicação: Lucas relata testemunhos diretos, com testemunhas autorizadas. 2º. EVANGELHO DE LUCAS a. Três características do evangelho de Lucas 1ª Característica: evangelho da salvação universal Lucas, judeu não palestino e companheiro de Paulo em sua missão entre os pagãos, escreve para os cristãos convertidos do paganismo (não tanto para os judeu-cristãos, como Mateus). Escrito para os cristãos vindos do paganismo. Portanto, está destinado especialmente para nós. Lucas insiste em que a Boa Nova da salvação é universal. Todos nós somos chamados a participar do Reino. Chegou o tempo da salvação das nações: entramos no plano universal de salvação por desígnio e plano divinos, não devido à recusa dos judeus . Jesus não vem salvar somente os filhos de Israel, mas todos os homens. Por isso, não se apresenta como filho de Abraão (pai do povo de Israel), mas como filho de Adão, pai de toda a humanidade (3, 38), porque sua missão é para todos os homens. Assim havia profetizado João Batista:  Toda carne verá a salvação:  3, 6. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 53
  • Por isso os anjos cantam: “paz na terra aos homens que o Senhor ama” (2, 14), e Jesus é salvador e luz para  todas as nações ” (2, 11.32). Estrangeiros agradáveis Sendo um evangelho para os não-judeus, Lucas destaca o papel positivo dos estrangeiros: • O samaritano curado da lepra é o único que agradece pela sua cura (17, 11-19). • O centurião romano pede a cura de seu servo (7, 9). • Um centurião romano reconhece a inocência de Jesus (23, 47). • O cume (que até foi escandaloso): o modelo de quem cumpre a Lei não é um judeu, mas um samaritano, inimigo acérrimo dos judeus (10, 25-37). Se a mensagem é universal, então o evangelho deve ser proclamado a todas as nações (24, 47). 2ª Característica: mostra a misericórdia e perdão para os pecadores É uma Boa Notícia para os pecadores (ou seja, especialmente escrito para nós). Magistério da Igreja O evangelho na revelação em Jesus Cristo da misericórdia de Deus com os pecadores. Catecismo da Igreja Católica 1846. • Jesus sente compaixão e defende a pecadora de seus inimigos (7, 36-50). • O publicano pecador é justificado ao invés do observante fariseu (18, 10-14). ? • Desafio Por que o fariseu cumpridor de toda a lei não recebeu a bênção da salvação e o publicano foi justificado? • Jesus se auto-convida pessoalmente para ir à casa de Zaqueu, o maior pecador de Jericó (19, 1-5). Jesus perdoa Simão Pedro (nós) antes de ser traído (22, 61). • Supera a súplica do ladrão da cruz, oferecendo-lhe muito mais do que solicitava (23, 39-43). Síntese  Jesus veio buscar e salvar o que estava perdido  (19, 10). 3ª Característica: evangelho do Espírito Santo O terceiro evangelho destaca de maneira toda especial o lugar do Espírito Santo. Por esta razão é também chamado: “Evangelho do Espírito Santo”: • O Espírito Santo move os pais de Batista (1, 41.67), João fica pleno dele (1, 15.80) e ilumina Simeão (2, 25-27). • O Espírito Santo realiza em Maria a concepção de Jesus, o Filho de Deus (1, 35). • Unge Jesus (3, 22) e o conduz ao deserto (4, 1). • Unge-o para seu ministério (4, 14). Repousa sobre o Messias para realizar o plano de Deus (4, 18). Com seu poder expulsa os demônios (11, 20). Segundo Mateus, Jesus assegura que Deus dará coisas boas aos que o pedirem, porém na versão de Lucas “a coisa boa” por excelência é o Espírito Santo (11, 13). Lucas termina seu evangelho com a grande promessa do Espírito, que o Pai enviará sobre os discípulos de Jesus (24, 49), e o livro dos Atos, o qual também é chamado “Atos do Espírito Santo”, continua a ação do mesmo Espírito na Igreja. • • 54 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • Sem o Espírito Santo não haveria Jesus - Messias nem existiria a Igreja. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 55
  • Fruto do Espírito Santo: paz e alegria. São como as duas asas do Espírito O Espírito Santo tem duas asas: paz e alegria. • Um fruto do Espírito é a paz; paz messiânica (Shalom), tão enfatizada neste Evangelho: o o o o o Os anjos cantam: paz na terra aos homens que o Senhor ama (2, 14). A pecadora perdoada vai em paz (7, 50). A mulher que experimenta a cura regressa em paz (8, 48). Jesus chora diante de Jerusalém porque esta não aceita o dom da paz portado pelo Messias (19, 41-43). O primeiro dom do ressuscitado à comunidade atribulada pela crucifixão é a paz (24, 36). • Talvez o valor mais almejado em nosso mundo seja a alegria. Alguns a buscam de forma enganosa, outros disfarçam que a tem. Lucas nos apresenta 10 janelas onde podemos contemplar o tesouro mais valioso de nosso mundo, a alegria: o O anjo saúda Maria dizendo: “alegra-te, cheia de graça” (1, 28). o Maria, com Jesus em seu ventre, entoa um canto de alegria (1, 46-55). o Os pais do Batista estão cheios de alegria (1, 57-58). o Os 72 discípulos encontraram a fonte da alegria: anunciar Jesus com o poder do Espírito Santo (10, 17). o Jesus exulta de alegria sob a ação do Espírito Santo (10, 21). o A multidão inteira se alegrava com todas as maravilhas que Jesus realizava (13, 17). o Deus se regozija com a conversão dos pecadores (15, 7.10.32). o Zaqueu personifica a alegria de receber Jesus em sua casa (19, 6). o Os discípulos se regozijam com a entrada de Jesus em Jerusalém (19, 37). o A pequena comunidade cristã se alegra com a glorificação do Senhor (24, 41.52). Síntese:  a paz e a alegria são frutos da salvação.  b. Objetivo do evangelho: solidificar o ensinamento Para que verifiques a solidez dos ensinamentos que recebeste: 1, 4. Este escrito é para solidificar a fé, para aquele que precisa crescer com firmeza, ou ainda, aquele cuja fé cambaleia e degrada. c. Coluna vertebral A misericórdia de Deus, especialmente para com os pecadores, os pobres e as mulheres. d. Ideal cristão Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso: 6, 36. O “Sede perfeitos...” de Mateus, Lucas traduz como “Sede misericordiosos”.  A perfeição de Deus é a sua misericórdia.  RECURSO DIDÁTICO: D o i s c o r o s 56 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • Objetivo: Perceber em que consiste a perfeição de Deus. Motivação: Vamos contrastar os dois pontos chaves entre Lucas e Mateus. Procedimento: Coro A diz em voz alta: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”. Ñ Coro B responde em voz baixa: “Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso”. Repetem várias vezes. O coro A em voz cada vez mais forte. O coro B em voz cada vez mais baixa. Por isso, no coração deste evangelho encontramos as três parábolas da misericórdia, assim como a história do samaritano compassivo. e. Destinatários: cristãos provenientes do paganismo e que se reconhecem pecadores Para os que têm necessidade de crescer em seu conhecimento e amor por Jesus e, em seguida estar disposto a deixar tudo (evangelho da pobreza e do desprendimento). ? Desafio Por que o fariseu que cumpria toda a lei não recebeu a bênção da salvação e o pecador foi justificado? f. Síntese Lucas era um homem misericordioso e isto se reflete em sua obra. O terceiro evangelho mostra a salvação universal, incluindo de maneira especial os pecadores e estrangeiros. Esta Boa Notícia é destinada precisamente para nós, que não somos judeus, mas pecadores. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Personagens próprios de Lucas 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 57
  • Procedimento: Identificar os homens e mulheres que só aparecem no evangelho de Lucas e assinalar a principal característica de cada um deles. Calibra-se com um exemplo. Exemplo: @ Zaqueu: pecador perdoado. Homens Teófilo: 1, 3 Simão o fariseu: 7, 40.43.44 Filho da viúva de Naim: 7, 12.14 Grupos Dez leprosos: 17, 12 Simeão: 2, 25.34 Zaqueu: 19, 2 Dono do jumentinho: 19, 33 Pastores: 2, 8.15.17.20 Cléofas: 24, 18 Um hidrópico: 14, 2 Discípulos de Emaús: 24, 13-35 Matrimônios Zacarias e Isabel: 1, 11-25 Jairo e sua esposa: 8, 56 Mulheres Ana, profetisa: 2, 36 Joana e Susana: 8, 3 58 José e Maria: 1, 26 Pecadora pública: 7, 37 Mulher encurvada: 13, 11 Viúva de Naim: 7, 12.14 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • 3º. JESUS DE LUCAS Cada evangelista imprime uma cor diferente na pessoa de Jesus. Vejamos a cor própria de Lucas, que é diferente da dos outros três. Desafio Conceitual Se Lucas não conheceu Jesus, como conseguiu fazer uma pintura tão maravilhosa e converter tantas pessoas? É possível falar tão maravilhosamente de uma pessoa só por referências de outros? a. Jesus pobre anuncia o Evangelho aos pobres Jesus foi pobre: livre de todo apego material Maria canta a sua pobreza e humildade (1, 52). • Seus pais foram pobres (2, 24). • Nasce pobre e entre os pobres (2, 7-8). • Jesus é o grande pobre, não tem onde reclinar a cabeça (9, 58). Evangelho para os pobres • Os anjos dirigem a Boa Notícia do nascimento do salvador aos pobres (2, 8-12). • Jesus, ungido pelo Espírito, evangeliza os pobres (4, 18; 6, 20). • Os primeiros bem-aventurados são os pobres (6, 20). (Atenção: em Lucas são “os pobres” simplesmente, não “os pobres de espírito”, como em Mateus). Os pobres são convidados para o banquete do Reino (14, 12-14). • Jesus fala muito forte contra as riquezas • • • Atenção com a cobiça, porque a abundância dos bens não assegura a vida de ninguém. Na parábola do rico insensato, o homem pensa somente em seus bens materiais e por isso se torna incapaz de perceber que tudo termina neste mundo e que existe o céu (12, 13-21). A parábola do rico que banqueteia diante do pobre Lázaro mostra como a abundância de bens faz a pessoa fechar o coração frente às necessidades dos outros (16, 19-31). Por outro lado, Lázaro é salvo, não só por ser pobre, mas porque confia em Deus (isto significa o nome “Lázaro”). As duas coisas caminham juntas: ser pobre e confiar em Deus. Não entesourar para si, mas se enriquecer na ordem das coisas de Deus (12, 30-31). • Para Jesus, as riquezas são “injustas, pouca coisa e alheias” (16, 9-12). Por isso, faz um constante convite ao desprendimento e à pobreza evangélica. • A condição para ser discípulo é desprender-se de tudo (9, 23). Os discípulos deixam tudo para seguir o Mestre (5, 11) e Levi (Mateus) abandona o dinheiro sobre a mesa (5, 28). • Aconselha a entesourar aonde os ladrões não chegam nem a traça corrói (12, 33-34). • • • • Não se trata de desprendimento por desprendimento, mas abandonar-se à Providência do bom Deus, que alimenta até os corvos (12, 24). Diante do grande tesouro do Reino, todo o resto vem por acréscimo (12, 31). É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus (18, 24-25). Os que amam as riquezas fecham-se ao Evangelho e zombam dele (16, 14-15). 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 59
  • Síntese: viúva do templo (21, 1-4) A última lição de Jesus aos discípulos. Certa vez, Jesus estava sentado em frente ao tesouro do Templo. Restavam-lhe poucos dias de vida e ele estava pensando no tema do seu último ensinamento a seus discípulos. Amor, misericórdia, salvação, Igreja, sacramentos, perdão? Neste instante, chegou uma pobre viúva que só depositou duas moedinhas no tesouro do Templo. Então Jesus aproveita a ocasião para mostrar que não importa o que se dá, mas como se dá. Não importa a quantidade, mas a qualidade da oferenda. Deus não olha tanto o que damos, mas com quanto ficamos no bolso. ? Desafio Vamos colocar-nos diante do Tesouro para depositar nossa oferenda. Jesus está olhando para nós: qual seria o comentário dele? b. Missão de Jesus (4, 18-19) É Jesus quem declara para que ele veio e o faz apoiado na Palavra O Espírito de Deus está sobre mim, porque ele me ungiu e me enviou para cinco coisas unidas: • Anunciar a Boa Nova aos pobres. • Proclamar a remissão dos presos. • Dar vista aos cegos. • Restituir a liberdade aos oprimidos. • Proclamar o ano da graça do Senhor (a salvação é gratuita). c. O Jesus que ora O Jesus de Lucas, à diferença do Jesus de Marcos, está sempre em oração (19 vezes): • Ora no momento de seu batismo (3, 21) e durante seu ministério (5, 16; 10, 21; 11, 1). • Nos momentos importantes, como antes de eleger os doze (6, 12). • Para fazer um milagre como a multiplicação dos pães (9, 16). • Antes da confissão messiânica de Pedro (9, 18). • Durante a transfiguração (9, 28-29). • Na última ceia (22, 17.19). • Intercede por seu amigo Pedro (22, 32). • Getsêmani: não ordena a seu Pai que afaste o sofrimento (Marcos), ou “se é possível” (Mateus), mas mostra total abandono nas mãos de Deus: “se queres” (22, 41). Por isso, seus discípulos lhe pedem:  “Senhor, ensina-nos a orar”.  Então Jesus o faz, não com um retiro ou curso sobre o tema, mas ele mesmo começa a orar (Pai Nosso), para nos ensinar que  orar aprende-se orando  (11, 2-4). Outras orações em Lucas: Zacarias (1, 68-79) e Maria (1, 46-55). d. Jesus misericordioso O traço mais importante e destacável do Jesus de Lucas é sua misericórdia. • Misericordioso com os pecadores. Não os acusa, mas os entende, coloca-se em seu lugar, nos sapatos deles. (Pedro, a prostituta e o ladrão na cruz) (7, 36; 19, 1-10). • Misericordioso com os discípulos (9, 45; 18, 34; 22, 45). 60 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • • • Misericordioso com as mulheres: viúva de Naim (7, 11-17), encurvada (13, 11), as mulheres de Jerusalém (23, 28) e as mulheres que o acompanhavam (8, 1-3). Dá uma segunda oportunidade à figueira estéril (13, 6-9). o o • Não maldiz, mas lhe dá outra oportunidade. Não arranca, sabe esperar. De maneira especial, é misericordioso com o ladrão na cruz (23, 34.43). Três Parábolas da misericórdia Lucas descreve em três parábolas os diferentes traços do amor misericordioso de Deus. Estas três parábolas são dirigidas para aqueles que se sentem seguros de suas boas obras. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 61
  • 15, 4-7 NO DESERTO: PELO BOM PASTOR OVELHA ENCONTRADA 1. TRÊS PARÁBOLAS DA MISERICÓRDIA 62 OVELHA: perdeu a capacidade de voltar; mesmo que ela quisesse, não conseguiria regressar. PASTOR: representa Deus, Ele deixa as 99 ovelhas no deserto. Arrisca tudo. Não regressará “até” que a encontre. Não repreende, ao contrário, dá mais amor, para que ela nunca mais fuja. Ela recebe uma prova de amor que nenhuma das outras noventa e nove ovelhas recebeu. O pastor se alegra com os outros pastores por tê-la encontrado. DEUS: como o Bom Pastor sabe que você não pode voltar por você mesmo, então arrisca tudo para buscá-lo até lhe encontrar, decide não voltar atrás até lhe carregar em seus ombros. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • 2. 15, 8-10 PELA MULHER NA CASA: MOEDA ENCONTRADA 15, 11-32 E SEUS DOIS FILHOS: PAI MISERICORDIOSO 3. MULHER: se na primeira parábola Deus tem coração de Bom Pastor, nesta tem coração de mulher. MOEDA: representa aquele que se perde na casa. Também na casa de Deus podemos nos perder e, de fato, há muitos que ali se perdem. Ela acende a luz e busca cuidadosamente. Faxina geral. Encontra-a no meio do lixo, limpa e a coloca outra vez no colar de seu peito. Faz uma festa, gasta mais que o valor da moeda extraviada. É a moeda mais limpa e cuidada de todas. DEUS: faz limpeza geral para buscá-lo. Encontra-o no lixo, limpa e põe junto de seu coração. 3. Lucas FILHO MAIS NOVO: vai embora de casa com a herança e a gasta com prostitutas. Cuida dos porcos alheios. Perde tudo, menos a lembrança de seu pai. Quando entra em si mesmo, encontra o seu pai. PAI: representa Deus. Sabe que um dia seu filho voltará para casa, por isso engorda um novilho, porque está seguro de que um dia regressará. O pai expressa amor paterno e materno ao mesmo tempo. A festa é para o próprio pai, que está feliz com a volta do filho, por tê-lo recuperado. O filho mais novo participa da festa de seu pai. FILHO MAIS VELHO: não vivia como filho, mas como um servo a mais, que só fazia a vontade de seu pai e não se sentia com direito de matar nem sequer um cabrito. Não considera seu irmão como irmão, mas somente como filho de seu pai. Entra na festa? DEUS: é pai e mãe ao mesmo tempo, ele organiza uma festa cada vez que um de seus filhos regressa a casa. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 63
  • PASTOR – OVELHA MULHER – MOEDA PAI – FILHOS Protagonista 1 Dono de 100 ovelhas. Mulher, dona de 10 Tinha. moedas. Tinha. Um homem tinha: dois filhos, campo, servos, gado. Protagonista 2 Uma ovelha - 100 ovelhas. Uma moeda - 10 moedas. Filho mais novo - filho mais velho Ovelha: animal. Moeda: objeto. Filhos: pessoas. Qual de vós? Qual a mulher? Não há pergunta. Vai / perde Responsabilidade mútua: a ovelha se perde e o pastor se descuida. Ela é quem a perde. O filho decide ir embora. Com A mulher é responsável. certeza, tinha seus motivos para fazê-lo. Onde se perde Não se sabe onde. Na casa. Longe da casa paterna. Situação Não sabe onde está (o pior de tudo). Está no meio do lixo e na escuridão. Tem fome, cuida de porcos. Lembra-se dos servos de seu pai. Que faz 1 para encontrar Arrisca-se. Deixa 99 no deserto (nem sequer no redil). Acende uma lâmpada e varre. Busca cuidadosamente. Respeita. Não sai em busca nem envia mensageiros. Não abandona o filho mais velho. Sabe esperar. Não culpa ninguém. Não pede ajuda. Ele quer encontrá-la. Não chora. Não corre. Não pede ajuda. Ela quer encontrá-la. Não força o filho a regressar. Que não faz 1 Nada. Está no meio do lixo e na escuridão. Sabe que ninguém vai buscá-lo. Até que a encontre. Até que a encontre. Sabe esperar. Põe sobre seus ombros. Põe sobre seu peito. Estando longe, comovido, correu. Beija. Contente. Alegre. Prepara festa. Contente e compartilha sua alegria. Contente e compartilha sua alegria. Comamos e festejemos. Compartilha Convoca amigos e vizinhos. Convoca amigas e vizinhas. Com o filho e os servos, sem o filho que está trabalhando. Conclusão Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida. Ele assume toda a responsabilidade. Alegrai-vos comigo, porque encontrei a moeda que havia perdido. Assume sua responsabilidade. Manda preparar a festa. Não assume responsabilidade nem condena o filho. Mais alegria por um só pecador que se arrependa do que por 99 justos. Alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrependa. Este meu filho (não o chama pecador) estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi reencontrado. Perder, encontrar. Perder, encontrar. Decide ir e decide regressar. Ovelha encontrada. Moeda encontrada. Pai misericordioso. Que é 2 Pergunta Que faz 2 para ser Tudo o que fizer é encontrado (a) contraproducente. Atitude de 1 Encontro Celebração Festa Alegria Similares Outro nome 64 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • e. Caminha com seus discípulos e os faz subir com ele a Jerusalém A estrutura do terceiro evangelho está centrada na “subida a Jerusalém”. São Lucas nos mostra um Jesus sempre caminhando: 9, 57; 10, 38; 13, 22; 14, 25; 17, 11; 18, 35; 19, 36. • Os leprosos foram curados enquanto caminhavam (17, 11-14). • Jesus caminha com os seus a Emaús: cura-os das decepções, explica as Escrituras, revela o sentido do sofrimento e os capacita para retornarem alegres pelo mesmo caminho (24, 13-35). Se o Jesus de Mateus senta-se para ensinar (5, 1; 13, 1-2), o Jesus de Lucas o faz caminhando. f. Três palavras de Jesus na cruz ANEXO 1: sete Palavras de Jesus na cruz Explicação das três palavras de Jesus no evangelho de Lucas. • “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem”: 23, 34.  Perdão sem limites.  DINÂMICA: Desculpar C Objetivo: Perdoar significa desculpar. Motivação: O verdadeiro perdão acontece quando sabemos desculpar aquele que nos ofendeu como fez Jesus na cruz. Só quando desculpamos somos capazes de perdoar. Procedimento: Identificar a pessoa que mais ofendeu e prejudicou você. Colocar-se no lugar dela (história, condicionamentos, feridas, motivação que a levou a fazer isso etc.) e desculpar seu procedimento, porque talvez você, no lugar dela, tivesse atuado da mesma maneira ou pior. Identificando a pessoa pelo nome, diz em voz alta. “N... você não é culpado do que me fez. Eu, em teu lugar, teria feito pior. Você estava condicionado pelas feridas do seu passado. Feriu-me porque você estava ferido”. Aplicação: Deus nos perdoa porque sabe de que barro fomos feitos (Sal 103, 14). • “Hoje estarás comigo no Paraíso”: 23, 43. Nesse dia ele também entrará na festa do Reino. • “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”: 23, 46. Vou regressar outra vez à casa de meu Pai. Espiritualização: Jesus, o filho pródigo Apresenta o quadro geral da parábola do filho pródigo, fazendo alusões a Jesus. Depois, insiste-se na promessa feita ao ladrão de que neste mesmo dia entrará no Reino. Contempla-se Jesus nos últimos momentos de sua vida, fazendo uma síntese de sua existência: Há trinta e três anos, aproximei-me de meu Pai e pedi a herança que me correspondia. Deixei a casa paterna e fiz uma longa viagem. 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 65
  • Fui com os pecadores, ladrões e prostitutas e desperdicei toda a herança de meu Pai oferecendo o perdão, a cura, a salvação e o paraíso. Porém, tive grandes problemas naquela região. Perdi minhas roupas e tudo o que tinha. Então decidi regressar à casa de meu Pai e disse: “Pai, espera-me com uma festa, porque já estou de volta outra vez para sua casa”. E meu Pai preparou a festa, o anel, as sandálias e o vestido novo. Porém eu não entrei na festa. Meu pai saiu ao meu encontro e suplicava que eu entrasse. Então eu lhe disse: “não vim sozinho, trouxe uma pessoa com quem fiz amizade na cruz e prometi que hoje estaria comigo. Se preparaste esta festa para mim, meu amigo também deve entrar nela”. Então, o Pai disse para o ladrão: “a festa é também para você. Tem um convite pessoal”. @ Atividade dos Participantes: termina com oração. C. CONCLUSÃO a. Resumo Lucas, judeu da diáspora, pintou para nós a figura de Jesus misericordioso, Salvador universal. Em seu escrito está refletida sua cultura e sua educação. Magistério da Igreja Jesus encarna a misericórdia de Deus. Dives in Misericordia 13.  Jesus misericordioso, salvador universal.  b. Fechamento No início do tema nos perguntávamos como Lucas, que não conheceu pessoalmente Jesus, conseguiu uma apresentação tão maravilhosa e única do coração do Mestre. Agora já sabemos responder. (Alguns comentam suas conclusões). Foi somente graças ao Espírito Santo. Outros conheceram pessoalmente Jesus, mas o recusaram ou não o valorizaram. Só o Espírito Santo nos faz conhecer verdadeiramente o interior de Jesus. O ladrão na cruz, a prostituta e Zaqueu reconheceram Jesus, graças ao Espírito Santo. O mesmo sucedeu com Ana e Isabel. Maria, grávida do Espírito, encarna Jesus em seu ventre virginal. Só o Espírito Santo realiza o profundo conhecimento de Jesus. Revela em nós a verdade completa e faz com que experimentemos o senhorio de Jesus. ? Desafio Lucas não conheceu pessoalmente Jesus e evangeliza com seu escrito durante vinte e um séculos. Você pode fazer algo semelhante? Com o Espírito Santo é possível! Graças à Escritura é possível! Oração ao Espírito Santo com a Bíblia na mão para que nos revele Jesus. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Monumento 66 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • @ Objetivo: Fazer uma análise para saber o que os participantes aprenderam sobre o evangelho de Lucas. Motivação: Cada comunidade vai apresentar de maneira criativa um monumento sobre o evangelho de Lucas. Procedimento: Pode ser representado com objetos animados ou inanimados, sem palavras nem movimento. Comunidade A: alguma das características do evangelho de Lucas. Comunidade B: evangelista Lucas. Comunidade C: Jesus de Lucas. Comunidade D: uma das três parábolas da misericórdia. 4º. PASSAGEM DO EVANGELHO: FARISEU E PUBLICANO (18, 9-14) Drama Protagonistas da cena: o fariseu que se crê justo e o publicano que se reconhece pecador. Ambos sobem ao Templo para encontrar-se com Deus. São somente dois personagens. Não há um terceiro. Não há meio-termos. Ou é um ou é outro. Devemos tomar nosso lugar. • Fariseu: centra-se em si mesmo e Deus gira ao seu redor. Compara-se com o publicano e sente-se superior. Deus deve pagá-lo porque ele merece. • Publicano: reconhece seu pecado diante de quem pode perdoá-lo. O perdão é gratuito, dádiva. D I N Â M I C A : Fariseu e publicano 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 67
  • C @ Objetivo: Reconhecer-se pecador (publicano). Motivação: Vamos ver o contraste das atitudes do fariseu e do publicano. Procedimento: Breve e motivadora explicação da parábola. Depois faz-se uma peregrinação à capela (Templo). Faz-se uma silhueta de dois metros de um homem em oração, com as mãos levantadas e coloca-se em frente do altar ou junto ao sacrário. Convidam-se os participantes a subirem ao Templo (capela) e tomarem o lugar ou a atitude de um dos dois personagens (na frente: fariseu, atrás: publicano). Depois, mostrar as mãos vazias para Deus, dizendo (atitude de publicano): “eu não tenho nenhum mérito, só dependo de sua misericórdia. Minha própria justiça ou minhas boas obras não são nada. O único bom és tu, Senhor”… Ajoelha-se, esperando a sua resposta. Aplicação: O pecador é justificado por Deus e o cumpridor da lei que tem sua confiança colocada nela não é justificado. Atividade dos Participantes: preencher a parte 3 do Anexo 2. 3. LUCAS A. EVANGELISTA LUCAS 68 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • B. EVANGELHO DE LUCAS C. JESUS DE LUCAS JESUS MISERICORDIOSO, SALVADOR UNIVERSAL 3. Lucas I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 69
  • 70 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 3. Lucas
  • 4 1. JOÃO OBJETIVO Perceber a revelação fascinante de Jesus no evangelho de João. 2. IDÉIA-CHAVE João segue um caminho independente dos sinóticos. Em vez de João nos apresentar Jesus, é o próprio Jesus quem se apresenta; porém, de uma forma ainda mais forte: quem o vê, vê o Pai (Jo 8, 19; 10, 38; 12, 45; 14, 9). 3. METODOLOGIA a. Didática e Pedagogia Não seguiremos o esquema dos sinóticos, porque João caminha por outra via. b. Tempo Quatro sessões de 45 minutos. 4. DESENVOLVIMENTO DO TEMA A. INTRODUÇÃO a. Evocação e desafio conceitual João, no final de sua vida, recorda de maneira especial o que aconteceu há 70 anos, quando encontrou Jesus no deserto. Inclusive lembra que esse encontro foi às quatro horas da tarde. ? Pergunta Você se lembra da hora de seu encontro pessoal com Jesus? Umas cinco pessoas compartilham. b. Apresentação e localização do tema Vamos conhecer nosso quarto amigo. Ele tem conduzido milhões de pessoas até Jesus. Pediremos emprestados os óculos de João para vermos Jesus como ele vê. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 71
  • Ñ Recurso Didático: o pregador coloca por alguns momentos os óculos com lentes transparentes. São transparentes porque, neste evangelho, Jesus não passa por nenhum filtro, pois é Ele, Jesus, quem se revela. Este tema não segue o esquema dos três sinóticos, porque  João percorre um caminho independente.  Os três evangelistas sinóticos trabalharam o mesmo material e muitas vezes repetiam o que outros haviam dito ou escrito. João prefere não repetir, para isso, empreende um caminho virgem e com uma perspectiva totalmente nova. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: P o s i t i v o e n e g a t i v o O que você encontra de positivo e negativo em repetir o que outros disseram ou pregaram sobre Jesus? O que você encontra de positivo ou negativo em ser original e não repetir o que já disseram de Jesus? Três minutos para escrever em seu caderno e alguns partilham em voz alta. @ Não respondamos agora. Deixemos a pergunta no ar para responder ao longo deste tema. Estamos diante do relato preferido por muitas pessoas, místicos e artistas, na história da Igreja. Por isso, os que escolheram João como seu melhor amigo tinham razão. Com a seguinte explicação, alguns, que haviam escolhido outro evangelista, talvez mudem de opinião. B. CORPO DO ENSINAMENTO: SETE CHAVES Sete chaves para entender o evangelho de João O evangelho de João é como um código e necessitamos o decodificador para entender. Sem esta ferramenta ficaríamos no superficial. Porém, com essa chave, vamos encontrar com muita simplicidade o significado e a mensagem deste quarto evangelho. Para entender o evangelho de São João necessitamos entrar num castelo que tem sete fechaduras e precisamos de sete chaves para entender o sentido mais profundo. Vamos apresentar estas evangelho. Ñ 1ª Ñ  sete chaves , elas nos permitem entrar no coração do quarto Recurso Didático: chaveiro com sete chaves, que serão usadas em cada um dos pontos deste tema. Estas chaves devem ter o escrito de cada um dos sete pontos seguintes. Personalidade do evangelista Para compreender uma obra literária é necessário conhecer o autor. Felizmente, neste caso, temos dados muito importantes para conhecer João. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Luzes e sombras 72 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • @ Objetivo: Reconstruir a personalidade do evangelista. Motivação: Juntos elaboraremos o perfil deste evangelista, anotando suas qualidades e seus defeitos. Procedimento: Trabalho por comunidade: fazer um quadro com duas colunas.  Na primeira coluna, escreveremos as qualidades e virtudes de João. Na segunda, os defeitos e carências do evangelista. Conclusão: Já temos o perfil de João com suas luzes e sombras. Trata-se de um mesmo homem, ora amoroso (discípulo amado), ora violento (quer fazer cair fogo sobre os samaritanos), sem deixar de ser ambicioso (quer sentar à direita do trono de Jesus). Esta personalidade transparece em seu escrito e até no perfil de Jesus. Chamava-se João (Deus faz misericórdia) e o identificamos como o discípulo amado. Pescador do lago de Tiberíades, irmão de Tiago e filho de Zebedeu. Sua mãe era uma mulher muito ousada e talvez dominante e manipuladora. • Ele nos relata a hora de seu encontro com Jesus (1, 35ss). • Reconhece Jesus à margem do lago (21, 7) porque tem olhos de águia. Segundo certa tradição, acreditava-se que João não morreria (Jo 21, 23). Certamente cada um de nós é o discípulo amado de Jesus. Neste sentido, está vivo em cada um de nós.  • Assinatura: está presente na cruz (19, 26-27).  o discípulo amado • • 2ª Fotografia: reclinado no peito do Mestre na última ceia (13, 23-25). Símbolo: águia, a qual voa alto e tem uma visão excepcional; reconhece Jesus no Lago de Tiberíades (21, 7). Ñ Último a escrever e o faz usando uma linguagem simbólica O primeiro versículo do evangelho escrito por João é como a clave de um pentagrama, o qual dará significado a todo o posterior. No princípio existia a Palavra, e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus: Jo 1, 1. Esta Palavra se fez carne e colocou sua tenda em nosso acampamento,  para refletir a glória de Deus.  João escreve entre 20 e 25 anos depois de Mateus e Lucas, e 35 anos depois de Marcos. Último dos quatro evangelhos Se Marcos é o que está mais próximo dos acontecimentos, João é mais maduro e profundo, porque reflete a experiência do Espírito em 70 anos de vida da Igreja. O cristianismo já se havia estendido e mudado a vida de muitas pessoas; a videira estendeu seus ramos por todo o império romano. Também já haviam começado as perseguições. A luta com o judaísmo tornou-se frontal, pois os cristãos foram formalmente expulsos das sinagogas. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 73
  • Evangelho escrito para aqueles que já têm um crescimento espiritual ou procuram permanecer em Jesus e ser transformados nele, para  não só ter vida eterna, mas vida em abundância.  Ideal cristão: permanecer em Jesus como os sarmentos à videira e guardar a sua Palavra para ser seus amigos. Ser verdadeiros adoradores do Pai, em espírito e em verdade. Isto só é possível se nascer de novo (3, 3). Linguagem simbólica:  o importante não é o que diz, mas aquilo que quer dizer.  Exemplo: Ñ Barco e submarino: superfície ou profundidade Podemos abordar o evangelho de João a partir da superfície de um barco ou da profundidade de um submarino. É necessário submergir na simbologia, carregada de teologia, para compreender o significado profundo. De outra maneira, ficamos no que diz e não compreendemos o que quer dizer. Recurso Didático: recipiente grande, de preferência de vidro ou plástico transparente, com um barco e um submarino (ou algo que o represente). Exemplos: • • • 3ª Ñ Nicodemos vê do barco e afirma que não é possível entrar novamente no ventre materno. Jesus falava a partir do submarino. A samaritana, a partir do barco, reprova Jesus por não ter com que tirar água do poço de Jacó, mas Jesus se referia ao Espírito Santo. Quando Jesus crucificado tem sede, não se trata principalmente de sede física (visão a partir do barco), mas da sede que tinha no poço de Jacó: dar água viva (Espírito Santo). Divisão do evangelho: duas partes Depois do sublime prólogo, João organizou seu evangelho em duas grandes partes: • Livro dos sinais (Jo 1, 35 - 12, 50). • Livro da glorificação de Jesus na cruz (Jo 13, 1 - 20, 31). A conclusão fecha todo seu escrito de maneira gloriosa. Primeira parte: livro dos sinais (1, 35-12, 50) Para João não existem milagres, mas “sinais” de Jesus, nos quais o significado supera o fato narrado; ou melhor, o acontecimento é a plataforma de saída para entrarmos na mensagem rica em teologia do quarto evangelho. Entre os inumeráveis sinais e milagres de Jesus, João buscou e selecionou sete, que são como semáforos (semeion – fero), em que  o mais importante não é o que se vê, mas o seu significado.  Geralmente Jesus realiza esses sinais nas festas importantes do povo judeu. Exemplo: Semáforo Quando vemos as cores das luzes de um semáforo, automaticamente pensamos no significado. Assim são “os sinais” no evangelho de João, portadores de uma mensagem, como os semáforos. Vamos contemplar estes sete sinais. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Perscrutar as Escrituras 74 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • @ Procedimento: Comunidade A: encontrar os sete sinais no evangelho de João. Comunidade B: encontrar os sete “Eu sou ...” de Jesus no evangelho de João. Comunidade C: encontrar 20 títulos de Jesus no evangelho de João. Comunidade D: encontrar todas as vezes em que se refere à hora de Jesus. Conclusão: João soube selecionar perfeitamente os sinais que lhe interessava. Ñ Recurso Didático: usa-se o barco e o submarino em cada um dos sete sinais realizados por Jesus. 1º semáforo: bodas em Caná da Galiléia, matrimônio de Deus com o homem (2, 1-10) • Barco: visão superficial Numa simples boda, em que se acaba o vinho, Jesus responde às necessidades dos noivos, graças à intervenção de sua mãe. • Submarino: visão profunda Esta boda representa o matrimônio de Deus com seu povo, tema tão querido pelos profetas Isaías, Oséias, Ezequiel e Jeremias. Este casamento é celebrado durante a semana inaugural de Jesus para significar que inicia uma nova criação. É uma festa porque a nova aliança é uma festa e  somos chamados a viver em festa.  No entanto, acaba o vinho. Isto representa que o ritualismo acabou com a felicidade e a alegria na relação de Deus com seu povo. As talhas de pedra para a purificação dos judeus representam o legalismo de Israel, vazio de significado porque é somente um culto externo, aparente. Então chega o novo noivo, Jesus. Ele oferece um vinho novo com três características: o Melhor que o anterior: o Novo Testamento supera o Antigo. Não há comparação. Para João, o Novo Testamento não é continuação do Antigo (como em Mateus), mas uma fase totalmente nova. o Abundante: 600 litros, alcança não só a festa de núpcias, mas todo o matrimônio. o Último e definitivo: já não existe outro. • Conclusão Ao realizar esse primeiro sinal, os discípulos creram em Jesus, propósito de cada sinal. Jesus se manifesta como o novo noivo que se desposa com seu povo, dando-lhes o vinho da alegria. O Novo Testamento é alegria. Em Jesus Cristo, não se sofre por sofrer, mas se vive a plenitude da alegria. 2º semáforo: cura do filho de um funcionário real em Caná da Galiléia (4, 46-54) • Barco: visão superficial O funcionário intercede por seu filho, que está morrendo em Cafarnaum. Diante da súplica do pai, Jesus responde que regresse porque seu filho vive. Trata-se de uma cura à distância. • Submarino: visão profunda Jesus é o doador da vida e da vida em abundância para nós e nossa descendência. Este milagre mostra o poder da Palavra de Jesus e da fé do funcionário. O funcionário creu “NA” Palavra (em dativo, no grego), o que é o objetivo dos sinais e prodígios no quarto evangelho. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 75
  • • Conclusão Neste, toda a família crê, não um indivíduo isolado; e crendo, tem vida em nome de Jesus.  A obra de Deus é crer no Filho (Jo 4, 53).  3º semáforo: paralítico na piscina de Betesda (5, 1-18) • Barco: visão superficial Existia uma piscina milagrosa em Jerusalém e quem entrasse depois que o anjo do Senhor agitasse a água, era curado de qualquer doença. Jesus encontra aí um homem doente há trinta e oito anos e o cura. • Submarino: visão profunda Betesda significa “casa de misericórdia”. 38 anos doente: quase toda uma geração, uma vida (40 anos). Este homem, além de paralítico, estava completamente só neste mundo. “Não tenho quem me jogue na piscina”, respondeu. Vivia na mais triste das solidões. Esse, sem dúvida, era seu principal problema e a origem de uma paralisia crônica. O paralítico podia esperar que passasse o sábado para ser curado, pois já levava mais de 13.000 dias com sua doença, porém Jesus não podia esperar e violou o sábado porque a misericórdia está sobre a sacrossanta lei do Sinai. “Eis que está curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior”. Não é uma ameaça de que, se pecar, ficará doente por mais anos (barco). Significa que pecar é pior que 38 anos de paralisia (submarino). • Conclusão Jesus realiza, com seu poder, o que aquela piscina milagrosa não pôde fazer com aquele homem porque ele é a nova Betesda, a nova “casa de misericórdia”, e está acima da legislação judaica. Seus cinco pórticos representam suas cinco chagas, pelas quais somos curados, como havia anunciado o profeta Isaías (Is 53, 5). 4º semáforo: multiplicação dos pães no deserto (6, 1-14) • Barco: visão superficial A multidão seguiu Jesus por vários dias no deserto, estava faminta e podia desfalecer no caminho. André descobriu a solução no jovem que tinha cinco pães de cevada e dois peixinhos mortos. Este sinal mostra a nossa colaboração humana. • Submarino: visão profunda Jesus realiza este sinal próximo à Páscoa dos judeus. É narrado também pelos três sinóticos, mas João dá um enfoque especial. Estamos no deserto, porque caminhamos rumo à terra prometida. O novo maná, pão do céu, é uma antecipação da Eucaristia, coração da nova Páscoa. A Palavra de Deus é Espírito e vida (6, 63).  Jesus é o novo Moisés.  Jesus realiza o milagre com o que temos, mesmo que sejam pobres pães de cevada e peixinhos mortos. O Mestre leva a cabo os milagres a partir do que somos e temos. Não faz o alimento aparecer de forma mágica, mas pede a colaboração humana. Como valoriza a matéria-prima para o milagre, assim também não admite desperdiçar nada. • Conclusão 76 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • Este sinal mostra Jesus como o verdadeiro pão do céu, dado por Deus caminham rumo à terra prometida.  para todos os que  5º semáforo: Jesus caminha sobre o mar (6, 16-21) • Barco: visão superficial Imediatamente depois da multiplicação dos pães, os discípulos vão de barco a Cafarnaum. Quando já estava escuro, levantou-se, surpreendentemente, uma tormenta. Então Jesus se aproximou do barco, caminhando sobre o mar. Jesus tem poder sobre a natureza e atende às necessidades dos seus. • Submarino: visão profunda. O mal está dominado sob os pés de Jesus. Este milagre não é para uma multidão, como a multiplicação dos pães, mas exclusivamente para os seus, os amigos que lutam em meio a uma tormenta na noite. Tormenta e noite simbolizam o momento em que o mal contra-ataca e deseja fazer sucumbir o barco dos discípulos de Jesus, a comunidade cristã. Esta passagem é compreendida à luz do relato de Mateus, em que Pedro desafia o Mestre dizendo: “Senhor, se és tu, manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas” (Mt 14, 28). “O mar”, na mentalidade oriental, representa o lugar onde se realiza a batalha entre o bem e o mal e onde moram as forças malignas. Por isso, Jesus caminhando sobre este mar simboliza seu domínio total sobre a maldade e a injustiça. Jesus é o único que tem poder sobre o mar. Pedro só caminha sobre as águas. Os seus podem superar as circunstâncias, mas unicamente Jesus está por cima da luta do bem contra o mal. Jesus proclama com autoridade: “Sou eu. Não temais”. A presença poderosa de Jesus elimina todo medo, pior inimigo do homem. • Conclusão O mal está submetido aos pés de Jesus. Não é uma força violenta que sai do controle de Deus.  Jesus é o único que caminha sobre o mar;  porém, ao mesmo tempo, para caminhar sobre as águas.  ele nos capacita  6º semáforo: cura do cego de nascença, no sábado, em Siloé (9, 1-7) • Barco: visão superficial Jesus faz lama com a saliva, aplica sobre os olhos do cego e depois o envia para que ele se lave na piscina de Siloé, uns 700 metros ladeira abaixo. Jesus tem poder para curar um cego de nascença. Trata-se do sinal mais longo do evangelho. • Submarino: visão profunda É o único milagre que ninguém pediu. Ele estaria fazendo por si próprio? Jesus disse que ele é a luz do mundo e agora o demonstra. Cego simboliza ignorar o plano de Deus. De nascença, mostra sua impotência absoluta. Seus discípulos lhe perguntaram quem havia pecado, o enfermo ou seus pais para que ele sofresse esta terrível doença. Este sinal não se limita à cura da cegueira, mas é uma cura da noção que Israel tinha de Deus de que o Senhor enviava castigos e doenças na equação dos pecados cometidos pela pessoa ou pelos seus antepassados. Jesus fez lama, como Deus no paraíso, porque vai fazer uma nova criatura. Siloé significa “enviado”. Jesus é o Enviado de Deus e cura os males congênitos. • Conclusão 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 77
  • Esta enfermidade era para manifestar a glória de Deus e revelar o verdadeiro Deus. Desperta uma dupla reação: o cego crê e se prostra diante dele e os outros cegos se opõem, agravando a luta deles contra Jesus e seu ministério. Há aqueles que preferem seguir a velha instituição. Jesus manifesta que ele é a verdadeira piscina de Siloé (Enviado de Deus), capaz de fazer novas todas as coisas.  Jesus é a luz do mundo (8, 12).  7º semáforo: ressurreição de Lázaro, próximo à Páscoa (11, 33-44) • Barco: visão superficial As irmãs de Lázaro fazem a oração mais bela: “Senhor, aquele que amas está doente”. Jesus fica ainda mais dois dias para assim manifestar o Pai, que sempre o escuta, e para conhecerem o enviado de Deus. Ao chegar em Betânia, Marta e Maria reclamam por ele ter chegado tarde demais, porque o irmão não só está morto, mas cheira mal. Mas Jesus proclama que aquele que crer verá a glória de Deus. Aproxima-se do sepulcro e chora pelo amigo que tanto amava. Jesus não quer continuar chorando. Então, com voz poderosa, ordena a Lázaro para sair do sepulcro. O defunto sai amarrado de pés e mãos. • Submarino: visão profunda Vemos um Jesus humano, amigo de uma família e tem sentimentos afetivos. Lázaro significa “confiança em Deus”. Jesus é a ressurreição e a vida. Nele, os que morreram, ressuscitam. Os amigos de Jesus ressuscitam. Este sinal foi tão forte, que os inimigos de Jesus determinam matá-lo.  Querem matar aquele que dá vida.  • Conclusão Jesus tem amigos. O Pai sempre escuta Jesus. Se Jesus ressuscita um morto, não há nada impossível para ele. Este sinal, como todos os outros, é para que se creia em Jesus. A ressurreição de Lázaro é uma antecipação da própria ressurreição de Jesus. Síntese Foram considerados os sete semáforos, sinais cheios de mensagem. Foram analisados em dupla dimensão: da superfície de um barco e da profundidade de um submarino. Exemplo: Iceberg no oceano Só uma décima parte do gelo sobressai à superfície. Assim também são os sinais de Jesus. Vemos uma coisa, mas, através deles, podemos descobrir o essencial. Estes sete sinais mostram a missão de Jesus, porém, Ele mesmo é o ícone de Deus e revela: Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna: 3, 16. Por isso, repetia: Quem me vê, vê o Pai: 14, 9. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: C o n t e m p l a r 78 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • @ Objetivo: Entrar no âmago dos sete sinais de Jesus. Motivação: Não basta saber que Jesus realizou sete sinais, é necessário contemplar. Procedimento: 20 minutos de silêncio para meditar nos ou em um dos sete Eu Sou de Jesus. 15 minutos para partilhar em grupo de 4 pessoas. Conclusão: O Evangelho de João é um convite para contemplar Jesus em sua profundidade. Segunda parte: livro da glorificação na cruz e a Hora de Jesus A segunda parte do evangelho de João é a glorificação de Jesus, que está em harmonia com o tema da “Hora” (2, 4; 5, 25; 7, 30; 8, 20; 12, 23.27; 13, 1; 16, 2.4.25.32; 17, 1), a qual é como a contagem regressiva que culmina na cruz. “A Hora” de Jesus é seu momento supremo, que se conclui com a doação do Espírito na cruz. Chave: Jesus é o mestre da sinfonia e, com elegância, poder e soberania leva a batuta da história, de maneira especial quando chega a Hora de passar deste mundo ao Pai. Ele prometeu que, como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, o Filho do homem seria levantado no alto da haste da cruz (3, 14), para salvar todos os que foram mordidos pela serpente do pecado, que é uma escravidão (8, 34). Também anunciou que seria algo tão fascinante e, naquele preciso momento,  atrairia todos a si  (12, 32). Jesus oferece chaves de leitura para se entender com profundidade sua paixão e morte. Ele mesmo é o exegeta de sua paixão: • Ninguém tira minha vida, mas eu a dou livremente, como bom pastor (10, 18a). • Por isso o Pai me ama, porque dou minha vida (10, 17). • • Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo (13, 1). Tenho um mandamento: entregar a vida e poder retomá-la de novo (10, 18b). • Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (15, 13). • O grão de trigo tem que morrer para produzir muito fruto (12, 24). Exposição de algumas passagens ou temas Quando a corte do Templo vai prendê-lo no jardim, por três vezes Jesus pergunta a quem procuram. “Jesus, o Nazareu” - eles respondem. “SOU EU” - confirma com soberania; seus inimigos recuam e caem por terra. No interrogatório de Anás, sumo sacerdote, Jesus mostra sua grandeza: Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus; nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que lhes falei; eles sabem o que eu disse: Jo 18, 20-21. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 79
  • A essas palavras tão supremas, um dos guardas deu-lhe uma bofetada. Jesus reclama com dignidade, exige respeito: Se falei mal, testemunha sobre o mal; mas, se falei bem, por que me bates?: Jo 18, 23. Jesus se manifesta com realeza diante de Pilatos, o qual não era mais que uma marionete de Roma. Pilatos o interroga e Jesus guarda um eloqüente silêncio que tira a estabilidade do procurador, o qual quer demonstrar seu poder: “Não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te libertar e poder para te crucificar?”. Jesus o coloca em seu lugar, dizendo que tudo o que acontece pertence a um plano superior, muito acima das causas secundárias. O procurador romano manda flagelá-lo e depois o apresenta ao povo: “Eis o homem!”. Jesus, em sua paixão, é “O homem” livre, digno e soberano, dono de seu destino. A crucifixão e morte no evangelho de João não têm os traços dramáticos de Marcos.  É um poema e uma sinfonia maravilhosa,  tão sublime que lhe daremos uma ênfase especial. 4ª Ñ Sete EU SOU de Jesus João, mais do que falar de Jesus, deixa que Cristo, Palavra de Deus, apresente a si próprio. Jesus se apresenta sete vezes com a fórmula “EU SOU”, a qual nos lembra a descrição de Deus no monte Sinai e expressa a divindade de Jesus. 1º Eu sou o pão da vida, o verdadeiro pão do céu: 6, 35.41.48.51 O pão é um alimento que se transforma em nós, mediante o processo de digestão. Se não se mastiga e insaliva suficientemente para despedaçá-lo, torná-lo pequeno, cria-se mais problemas na digestão que benefícios. Quer dizer, é necessário fazê-lo nosso, misturando com nossa saliva (mente, sentimentos, afetos, memória, entendimento e vontade). Ñ Recurso Didático: dá-se um pedaço de pão para cada participante comer e perceber o processo. Se assimilamos o Pão da Palavra, digerimo-lo e o tornamo-lo parte de nós mesmos, ele produz em nós vida e nos fortalece para atravessar qualquer deserto até chegar à terra prometida. Exemplo: Por isso Pedro respondeu: “só tu tens palavras de vida eterna” (6, 68). 2º Eu sou a luz do mundo: 8, 12 A luz ilumina, é fonte de calor e princípio de vida. Sem luz não há fotossíntese. Na Bíblia significa o início da criação (2Cor 1, 3.9.10). A luz não se vê só se reflete nos corpos. Por isso, Jesus ilumina uma mulher que pela lei, estava condenada a ser apedrejada, a adúltera do capítulo 8. A adúltera é Israel que traiu seu marido, pode ser cada um de nós quando trocamos Deus por outros valores. Só Jesus tira de nós qualquer condenação, dá-nos a paz e  nos capacita para sermos fiéis a nossa vocação.  3º Eu sou a porta das ovelhas: 10, 7.9 A porta serve para entrar e sair: resumo de toda a atividade humana. Além disso, resguarda. Jesus diz que é a porta, não do redil, mas das ovelhas. É para as ovelhas que escutam a voz de sua palavra e que Ele conhece por seu nome. 4º Eu sou o Bom Pastor: 10, 11.14 A característica mais importante de um bom pastor é que dá a vida por suas ovelhas. Valoriza tanto que oferece sua própria vida por elas. 80 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • O bom pastor conhece cada ovelha por seu nome, sabe de sua história, vida, medos, necessidades, feridas, sonhos e sentimentos. Conhece seu passado e sua forma de reagir. Suas ovelhas escutam sua voz e o seguem (10, 27).  Ninguém pode arrebatar uma só de suas ovelhas.  Portanto, estamos seguros debaixo de seu cajado, que nos conduz por prados verdejantes.  5º Eu sou a ressurreição e a vida: 11, 25 Diante do sepulcro de seu amigo Lázaro, Jesus se manifesta como a ressurreição e a vida. Ele é capaz de ressuscitar de qualquer morte e dar a vida e vida em abundância, porque o Pai sempre o escuta. 6. Eu sou o caminho, a verdade e a vida: 14, 6 Jesus declara a si próprio como um caminho que precisamos de percorrer. Por “caminho”, devemos entender estilo de vida de acordo com o Plano de Deus. Ele não tem a verdade, ele É a verdade. Sua maneira de viver, pensar e agir são a verdade e mostram o verdadeiro plano de Deus sobre a humanidade. É a vida, porque sem Ele é impossível ter vida. 7. Eu sou a videira verdadeira: 15, 1 A videira era figura de Israel. Jesus agora toma o lugar do povo e nos representa diante de Deus, porém, ao mesmo tempo, integra-nos como os ramos ao tronco. No entanto, pede um fruto abundante e permanente. O fruto da videira não está no caule, mas nos ramos. Ele expressou-se com clareza:  “sem mim nada podeis fazer”  (15, 5b). Síntese Os “EU SOU” não são definições ontológicas, mas em relação conosco. Porém, Jesus não somente se apresenta, mas reflete seu Pai (Jo 14,9).  Jesus veio para revelar o verdadeiro rosto de Deus.  Como Jesus é, fala, vive ou sente, assim é o Pai. 5ª Ñ Novidade de Jesus  No Evangelho de João tudo é novo.  Há um rompimento com a estrutura religiosa. Para o filho do trovão, não há negociação ou continuação com o Antigo Testamento; trata-se de uma nova criação. Jesus é portador de uma novidade na história da salvação. Partindo das realidades e personagens do Antigo Testamento, João apresenta a novidade de Jesus na história. Se Mateus apresenta o Novo Testamento como sendo a continuidade do Antigo, João é dramático: mostra o  rompimento e a novidade absoluta do Novo Testamento.  Assim, apresenta a novidade radical de Jesus com relação às instituições, personagens e ícones do Antigo Testamento. Nós consideramos anteriormente Jesus como novo Siloé (enviado) e novo Betesda (casa de misericórdia). Agora veremos outros sete aspectos da novidade de Jesus: 1º Nova escada de Jacó que comunica o céu com a terra: Gen 28, 12-15 Em verdade, em verdade, vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem: Jo 1, 51. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 81
  • O patriarca Jacó, em Betel, teve uma visão de uma escada que se erguia sobre a terra e o seu topo atingia o céu; anjos subiam e desciam por ela. Jesus é a nova escada que desce do céu e sobe a ele. Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai: Jo 16, 28. 2º Novo homem: Jo 1, 30; 19, 5 Pilatos o apresentou para a plebe dizendo: “Eis o homem”. Jesus é o novo homem com dignidade e respeito por si próprio e ama ao extremo. 3º Novo templo: 1Re 8, 20. 29; Jo 2, 19 Em João, o templo não é purificado como nos sinóticos, mas destruído e substituído por Jesus, único lugar de encontro entre Deus e os homens. Ninguém vai ao Pai a não ser por Jesus (14, 6). Chegou a plenitude dos tempos e o Pai deve ser adorado não em Jerusalém, nem em montanha alguma, mas no coração de seus filhos, em espírito e em verdade  (4, 23). 4º Novo noivo, que dá o vinho da alegria: Gen 24, 4.7.67; Jo 2, 1-12; 3, 29 Jesus dá o vinho nas bodas de Caná (representa o matrimônio de Deus com seu povo), para simbolizar que ele é a fonte de alegria e felicidade para o povo. 5º Novo cordeiro: Gen 22, 8 O cordeiro era o sacrifício que se oferecia para o perdão dos pecados. Jesus é apresentado por João Batista como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1, 29). Para confirmá-lo, não é quebrado nenhum de seus ossos na cruz (19, 33.36). 6º Novo poço de Jacó: Jo 4, 13-14; O poço de Jacó era profundo, portanto, difícil de tirar água = vida. O lado de Jesus se transforma em novo poço que dá água que jorra até a vida eterna = Espírito Santo (7, 38-39). 7º Nova serpente do deserto: Jo 3, 14 Como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, livrando os que eram mordidos de morte, Jesus na cruz nos liberta da morte. 6ª Ñ Crucifixão e gloriosa morte na cruz Crucifixão A túnica sem costura (Jo 19, 23) era a vestimenta do Sumo Sacerdote. Na cruz Jesus se apresenta como Sumo e Eterno Sacerdote, único mediador entre Deus e os homens. O letreiro “Jesus Nazareu, rei dos judeus” revela outro dos principais títulos de Jesus no evangelho de João. Para isto Jesus havia nascido, para ser rei. Três Palavras na cruz No evangelho de João, Jesus pronuncia três frases maravilhosas, preciosas e sublimes: • “Mulher, eis o teu filho. Filho, eis a tua mãe”: 19, 26-27. Maria é a encarregada de João. • “Tenho sede”: 19, 28. Sede de dar a água viva do Espírito Santo. • “Tudo está consumado”: 19, 30. Missão cumprida. ANEXO 1: sete palavras de Jesus na cruz Ver explicação no anexo 1. Morte 82 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • A morte de Jesus no quarto evangelho é sublime e gloriosa: Inclinando a cabeça, entregou o espírito: Jo 19, 30. Jesus, ao morrer, dá o Espírito Santo prometido. Com razão Jesus advertiu: Quando eu for elevado da terra, atrairei todos para mim: Jo 12, 32. 7ª Ñ Profissão de fé de Tomé na divindade de Jesus (Jo 20, 24-31) Na primeira aparição de Jesus ressuscitado aos seus, Tomé não estava no grupo. Dídimo não aceita o testemunho dos outros dez e quer uma experiência pessoal, tocar as chagas abertas do crucificado. Oito dias depois, estando às portas fechadas por medo dos judeus, Jesus se apresenta outra vez aos seus. Em seguida chama Tomé para que coloque seus dedos nas chagas dos cravos e sua mão na ferida da lança. Tomé, que antes duvidou, agora faz a maior profissão de fé. Cai de joelhos diante de Jesus e o confessa abertamente como Senhor e Deus. Não se trata de uma proclamação fria ou filosófica da identidade divina de Jesus, mas de uma profissão de fé pessoal: “meu” Senhor e “meu” Deus. Ninguém, em todo o evangelho, havia chegado a professar sua fé tão abertamente como Tomé. ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Profissão de fé @ Motivação: Tomé representava cada um de nós, que cremos na divindade de Jesus. Hoje temos a oportunidade de expressar nossa fé em Jesus como Deus e Senhor, como “nosso” Deus e Senhor. Procedimento: Cada participante se aproxima da Palavra (altar da Palavra ou do Santíssimo Sacramento) e professa sua fé na divindade de Jesus. C. CONCLUSÃO a. Resumo Ninguém viu a Deus. Porém Jesus Palavra no-lo revelou, porque quem vê Jesus, vê o Pai, cheio da graça e da verdade. Jesus, dessa maneira, revela o verdadeiro rosto de Deus. O Jesus de João não se explica, experimenta-se. Ideal cristão: unidos como os ramos à videira e guardando sua Palavra para ser seus amigos, chega assim a ser  verdadeiros adoradores do Pai, em espírito e em verdade.   Jesus é o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas.  b. Fechamento João escreveu para que crêssemos que Jesus é o Cristo, e crendo nele, vida em abundância.   tenhamos vida e ATIVIDADE DOS PARTICIPANTES: Hierarquizar 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 83
  • @ @ 84 Objetivo: Ter contato com o Evangelho e partilhar com os outros. Motivação: Para Marta e Maria, o principal milagre de Jesus foi a ressurreição de seu irmão Lázaro. Assim também cada um de nós prefere um milagre, um título ou um aspecto da personalidade de Jesus. No seguinte trabalho não podem responder “todos” ou “nenhum”, e sim, tomar uma postura pessoal. Procedimento: Trabalho por comunidades. Cada comunidade discute para selecionar qual é o mais importante e qual é o menos importante. Comunidade A: sete “Eu sou”. Comunidade B: sete sinais. Comunidade C: títulos de Jesus no evangelho de João. Atividade dos Participantes: preencher a parte 4 do Anexo 2. I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • 4. JOÃO A. EVANGELISTA E SEU ESCRITO B. DIVISÃO DO ESCRITO 1. Livro dos sinais. 2. Livro da glorificação. 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 85
  • C. JESUS DE JOÃO JESUS É O BOM PASTOR QUE DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS 86 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 4. João
  • 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 87
  • CONCLUSÃO a. Resumo do conteúdo do curso Cada evangelista, ou melhor, todos juntos nos conduziram até Jesus: • Marcos mostrou-nos um Jesus que nos deixou seduzidos pelo Mestre. • • Mateus delineou Jesus como Mestre. Nele se cumpre todas as profecias do Antigo Testamento. Por sua parte, Lucas dá ênfase a Jesus misericordioso. • João nos deu suas sete chaves para contemplarmos a Palavra feita carne. b. Objetivo alcançado Já conhecemos Jesus de uma maneira polifacética e experimentamos as primícias da vida eterna. No princípio, perguntávamos: se Jesus havia enviado os seus para pregar e não para escrever, então, por que Marcos, Mateus, Lucas e João escreveram? Agora cada um de nós tem sua própria resposta. Alguns participantes partilham. c. Aplicação motivadora Agora cabe a cada um de nós apresentarmos Jesus aos outros, com estas cores vivas de cada evangelista, para que também eles possam fazer uma experiência da vida eterna. d. Ressonância da Analogia Assim como o paralítico curado por Jesus carregou seu leito (maca), também nós somos chamados a carregar a nossa maca e ir buscar outras pessoas, colocando-as aos pés de Jesus.  Vai buscar outro paralítico para levá-lo até Jesus.  e. Fechamento e oração Senhor Jesus, quero agradecer-te por esses amigos que me conduziram a seus pés. Eu vi a fé e a dedicação deles, fazendo o impossível para que eu estivesse diante de ti. Obrigado Jesus porque você me curou e perdoou os meus pecados. Que a tua graça continue agindo em mim para que eu mesmo possa carregar o leito com outros paralíticos e trazê-los diante de ti. Amém. Conclusão I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 88
  • TOMA O TEU LEITO VAI BUSCAR OUTRO PARALÍTICO PARA LEVÁ-LO A JESUS 4. João I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos 89
  • 90 I.4. Jesus nos Quatro Evangelhos Conclusão
  • III. RESUMO LOGÍSTICO DO CURSO Manhã Tarde 2 Tarde 1 Manhã  HORA 1. CALENDÁRIO Manhã Tarde 3 Manhã Tarde 4 APRESENTAÇÃO METODOLOGIA Anexo, Dinâmica, Recurso Didático, Atividade dos Participantes. D.: Melhor amigo. R.D.: Quatro amigos. 60’ A.P.: Crachá = maca. Início do Evangelho. Anexo A. Anexo 2. 1 Marcos D.: Quinto evangelho. Centurião da cruz. R.D.: Óculos com lentes de cor “A”. Fita de vídeo. Perfume. Bolsa de couro. 180’ A.P.: Aramaico. Contato direto. Manifestar nosso amor por Jesus. Preencher anexo 2. Anexo 1. Anexo 2. Anexo 6. 2 Mateus D.: Teatro com parábolas. R.D.: Celular. Mecha que fumega. Testemunho de Mateus. Fita cassete e fita de vídeo. Óculos com lentes de cor “B”. Mateus regressa devido a seus 180’ escritos. A.P.: Parábola. Monumento. Preencher anexo 2. Anexo 2. Anexo 7. 3 Lucas 4 João Tarde 5 CONCLUSÃO 91  TEMA D.: Entrevista de imprensa. Desculpar. R.D.: Dois coros. Óculos com lentes de cor “C”. Fariseu e publicano. 180’ A.P.: Personagens próprios de Lucas. Monumento. Oração partilhada. Preencher anexo 2. Anexo 1. Anexo 2. R.D.: Óculos com lentes transparentes. Chaveiro com 7 chaves. Recipiente de vidro com um barquinho e um submarino. Pão. 180’ A.P.: Positivo e negativo. Luzes e Sombras. Contemplar. Perscrutar as Escrituras. Hierarquizar. Profissão de fé. Preencher anexo 2.. Anexo 1. Anexo 2. 30’ 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • 2. MATERIAIS QUANT ARTIGO MATERIAL PESO / MEDIDA OBSERVAÇÕES Variável. & Caracterizar os 4 amigos, o paralítico e Jesus. 4 Óculos & & Lentes de 3 cores diferentes, um deles com lentes transparentes. * Post it. & & De cores. 4 Cartolinas. & & Com um desenho de cada evangelista. Ver anexo A. Fotocópias. Óculos. Papel & & & Anexo 2. Lentes de cor “A”. Crucifixo. Madeira ou plástico. 1 m. * Post it. & & De cores. 2 Perfume. & 7 cm # Dois frascos pequenos. 1 Bolsa. Couro. 20 cm De mulher. Fita de vídeo. & & * 1 Fotocópias. Óculos. Papel. & & & Anexo 1 e 6. Lentes de cor “B”. 2 Telefones celulares. & & Ativados. 4 Manuscritos enrolados. Papel. 35 cm # 1 Círio / vela grossa. & 10 cm diâm. #. Que, ao se apagar, fumegue. 1 Caixa de fósforos. & & 1 Fita cassete. & & 1 Fita de vídeo. & & * 1 1 Fotocópia. Óculos. Silhueta do fariseu. Papel. & Cartolina. & & 2 m #. Anexo 7. Lentes de cor “C”. Um homem orando com as mãos levantadas. 1 Óculos. & & Cristais transparentes. 1 Chaveiro. & 10 cm cada chave #. Com 7 chaves contendo os sete escritos. (ver o tema). 1 Pão & 2 Kg. Para comer. 1 Recipiente. Vidro transparente. 50 cm diâm. #. 1 Barco. Plástico ou papel. 10-15 cm. 1 Submarino. Plástico. * Marcos 1 Vestimentas judaicas - túnicas. 1 Mateus 2 Para transportar uma pessoa. 1 Lucas 3 Tecido e/ou Madeira. 1.80 x .80 m # * 1 João 4 Leito (maca). 6 Apresentação 1 Anexos 4 e 5 Papel. Ou algo que o represente. & Entregar ao final do curso. # = Aproximadamente. & = padrão. * = Para todos os participantes. Lista geral de materiais para todos os cursos: www.escoladeevangelizacao.com.br/ Downloads / Lista geral de materiais. 92 4. Jesus nos quatro Evangelhos I Etapa
  • 3. ANEXOS ANEXO A DESENHOS DOS EVANGELISTAS MARCOS Princípio da Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus: Mc 1, 1. MATEUS Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Nova do Reino: Mt 4, 23. LUCAS A mim também pareceu conveniente… escrever-te... para que verifiques a solidez dos ensinamentos que recebestes: Lc 1, 3-4. JOÃO Esses sinais foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome: Jo 20, 31. Nota: Estes desenhos são colocados na sala de palestras. Medida 0.70 x 1.00 m. aproximadamente cada um. I Etapa 4. Jesus nos quatro Evangelhos 93
  • ANEXO 1 PALAVRA SETE PALAVRAS DE JESUS NA CRUZ FILOLOGIA EXPLICAÇÃO 1ª À hora nona, Jesus deu um grande grito, dizendo: “Eloi, Eloi, lemá sabachtháni?”: – “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”: Mc 15, 34; Mt 27, 46. A Deus. Grito. Aoristo + Perfeito. Grito comovedor, impressionante e angustiado, mas não desesperado. Não suavizar o drama porque Jesus, feito pecado (2Co 5, 21), sente o abandono de Deus. Não o chama Pai, mas Deus, Deus meu. Hora nona: meio-dia. Quando há mais luz, há mais escuridão na vida de Jesus. 2ª A seu Pai. Imperfeito. Imperativo. A ação continua. Diz e repete a oração em tempo imperfeito no grego. Desculpa seus verdugos e, neles, todos pelos quais ele morre (nós). Deus sempre escuta Jesus. E deixaria de escutá-lo nesta ocasião em que o Cristo está cumprindo a perfeita vontade do Pai? Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes: Não sabem o que fazem”: Lc 23, 34. 3ª Jesus respondeu (ao ladrão) “Em verdade, em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso”: Lc 23, 43. 4ª Jesus disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe”:Jo 19, 26-27. 5ª Para que se cumprisse a Escritura até o fim, disse: “Tenho sede!”: Jo 19, 28. 6ª Jesus deu um grande grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”: Lc 23, 46. 7ª Quando Jesus tomou o vinagre, disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o Espírito: Jo 19, 30. 94 Ao pecador condenado à morte. Aoristo presente e futuro. Abarca todos os tempos. O ladrão é o único que defende Jesus. Jesus responde ao pecador e deu-lhe muito mais do que pediu. Eu te digo: compromisso formal. Hoje: antes das seis da tarde. Vôo direto, sem escalas. Estará comigo: plenitude da salvação. À mãe e ao discípulo. Barco superficial: Jesus sabe que sua Mãe ficará Gerúndio sozinha e a encarrega a João. Imperfeito Submarino profundo: trata-se de personagens tipo: Presente. Jesus percebe que o discípulo ficará sozinho, chama à mãe e encarrega o discípulo a ela. O mais forte ajuda o mais fraco. Ao mundo inteiro. Barco superficial: por causa do calor e perda de Presente. sangue, está desidratado e precisa de água. Submarino profundo: na Samaria, Jesus tinha sede de dar água viva. Jesus tem água que brota de seu peito = Espírito Santo. Ao Pai. Grito. Gerúndio. Presente. A si próprio. Aoristo + Perfeito + Gerúndio + Aoristo. Toda a história Jesus, na cruz, dá o Espírito Santo: inclinando a cabeça, entregou o Espírito. Para que se cumpra a Escritura: não para que se cumpra um versículo ou uma profecia, mas toda a Escritura, que culmina com a doação do Espírito. Assim como havia gritado angustiadamente, com a mesma intensidade abandona-se nos braços de seu Pai. Já não o chama Deus, mas Pai. Abandono total. Ato de suprema confiança. Dá um salto no vazio da morte. “Meu Pai responde por minha vida”. Barco superficial: acabaram comigo. Acabou minha história. Colocaram ponto final na minha existência. Submarino profundo: missão cumprida. Plena satisfação de quem cumpriu a missão confiada. Fala a si próprio. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • ANEXO 2 SÍNTESE DO CURSO A. AUTOR B. CARACTERÍSTICAS C. JESUS MARCOS 1 1.2.3.- MATEUS 2 1.2.3.- 3 1.LUCAS 2.3.- Ñ: 2ªÑ: 3ªÑ: 4ªÑ: 5ªÑ: 6ªÑ: 7ªÑ: JOÃO 4 1ª I Etapa 7 sinais 7 “EU SOU” 1. 1. 2. 2. 3. 3. 4. 4. 5. 5. 6. 6. 7. 3 PALAVRAS NA CRUZ 7. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 1. 2. 3. 95
  • ANEXO 3 JESUS Sempre entre os grandes. Desertor. Filho de Maria e tem por criada Rode. Companheiro de Paulo. Yeshuá, humano, com senso de humor. Evangelho de Deus. Taumaturgo: 18 milagres. Filho de Deus: confissão do centurião pagão na cruz. Messias. Sempre com seus discípulos, que o abandonam na hora da prova. Palavra da cruz: “Eloi, Eloi, Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” JESUS TAUMATURGO E CRUCIFICADO É A BOA NOTÍCIA. 1. Evangelho eclesiástico. 2. Evangelho catequético. 3. Continuação do Antigo Testamento no Novo Testamento. Coletor de impostos. Testemunho pessoal. Apóstolo. Filho de Abraão, de Davi, de Deus, do homem, de Maria, do carpinteiro. Novo Moisés e novo Israel. Juiz poderoso e servo de YHWH. Mestre com 5 discursos: evangélico, apostólico, parabólico, eclesiástico e escatológico. Palavra da cruz: “Eloi, Eloi, Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” AS ESCRITURAS SE CUMPREM EM JESUS MESTRE. 1. Boa Nova aos pecadores. Médico querido. Fiel companheiro de Paulo. 2. Boa Nova aos pagãos. 3. Evangelho do Espírito Santo: Fino literato. paz e alegria. MARCOS 1. Evangelho mais antigo. 2. Evangelho de Pedro. 3. Evangelho querigmático. MATEUS AUTOR LUCAS TRÊS CARACTERÍSTICAS VISÃO PANORÂMICA DE JESUS NOS QUATRO EVANGELHOS Pobre, que anuncia o evangelho aos pobres. Jesus em oração: como e quando ora. Jesus misericordioso: 3 parábolas da misericórdia: ovelha, moeda e filho pródigo. Três palavras da cruz: “Pai, perdoa-lhes”. “Em verdade, em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no paraíso” e “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. JESUS MISERICORDIOSO, SALVADOR UNIVERSAL Ñ: Evangelista e seu escrito. 2ªÑ: Linguagem simbólica: barco e submarino. 3ªÑ: Duas partes: JOÃO 1ª Livro dos sinais (semáforos): bodas de Caná, cura do filho do funcionário real, paralítico de Betesda, caminha sobre o mar, multiplicação dos pães, cego de nascença e ressurreição de Lázaro. Livro da glorificação de Jesus na cruz. Ñ: Sete “EU SOU” de Jesus: Pão, Luz, Ressurreição e Vida, Porta, Bom pastor, Caminho e Verdade e Videira verdadeira. 5ªÑ: Novidade de Jesus. 6ªÑ: Crucifixão, morte na cruz e três palavras: ao discípulo e à mãe, ao Pai e a si próprio. 7ªÑ: Profissão de fé de Tomé. 4ª 96 4. Jesus nos quatro Evangelhos I Etapa
  • MARCOS MATEUS LUCAS JOÃO Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Visto que muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós. No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Causa da morte de Jesus Cura do homem com a mão atrofiada na sinagoga, no sábado. Parábola dos vinhateiros homicidas. Purificação do Templo. O próprio Jesus decide se entregar como bom pastor. Ressurreição de Lázaro. Oração no Getsêmani Abba! Ó Pai! Tudo é possível para ti. Meu pai, se é possível. Pai, se queres. Começo do Escrito Os seus amigos de toda a vida O Messias enviado às e seu Deus o abandonam na ovelhas de Israel é rejeitado hora da prova. por seu povo. Deus rejeita o fariseu e acolhe o pecador publicano. As trevas reforçam a luz. Ser discípulo evangelizador. Ser perfeito como nosso Pai celestial é perfeito. Ser misericordioso como nosso Pai celestial é misericordioso. Permanecer em Jesus para ser adorador em espírito e em verdade. 14, 51-52. 9, 9. 4, 23. 1, 35-39. Símbolo Leão. Anjo. Boi. Águia. Data 60-64. 70-80. 70-80. 100. Cristãos não-judeus e para Cristãos provenientes do aqueles que estão começando. judaísmo. Cristãos provenientes do paganismo. Para os iniciados e que procuram um alimento mais sólido. 18 milagres. 5 discursos. Subida para Jerusalém. 7 sinais e 7 “Eu Sou”. Para crer e nos enamorarmos de Jesus. Mostrar a unidade dos dois Testamentos e fortalecer a fé dos judeus convertidos. Solidificar a fé da comunidade de Contemplar o mistério do Verbo eterno. crentes. Eloi, Eloi... Deus meu, Deus meu. Eloi, Eloi... Deus meu, Deus meu. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. 7, 28.37-38; 11, 43; 12, 44-50. 1, 32.39; 5, 15; 7, 26; 16, 9. 4, 24; 8, 16.28; 9, 32; 12, 22; 15, 22; 17, 18. 4, 33.41; 8, 2.27; 9, 42; 13, 32. Nenhuma libertação. Cai do céu como um relâmpago: 10, 18. O Príncipe deste mundo foi vencido. Jesus caminha sobre o mar. Drama Ideal cristão Assinatura do evangelista Destinatários Coluna vertebral Objetivo Gritos de Jesus Libertações Satanás Missão evangelizadora É arrojado no mar. 16, 15-18. 28, 19-20. 24, 46-48. 21, 21-23. Curas Mostra o poder de Deus. A febre desaparece, os demônios são arrojados no mar. É o próprio Jesus quem carrega as nossas doenças (8, 17). São manifestações da misericórdia. São sinais de outra realidade superior. Por isso não há curas comunitárias, só individuais. Jesus Corre. Sentado. Caminha. Em festas. Cristo Visual. Auditivo. Sinestésico. Os três. I Etapa 4. Jesus nos quatro Evangelhos 97
  • 98 4. Jesus nos quatro Evangelhos I Etapa
  • ANEXO 4 MATEUS - Visita dos magos: 2, 1-12. - Massacre dos inocentes: 2, 13-18. - A nova lei: 5, 17-6, 8. - Cura de dois cegos: 9, 27-31. - O trigo e o joio: 13, 24-30. - O tesouro e a pérola: 13, 44-46. - Pedro caminha sobre as águas: 14, 28-33. - O imposto para o templo: 17, 24-27. - Os dois devedores: 18, 23-35. - Trabalhadores da vinha: 20, 1-16. - Os dois filhos: 21, 28-32. - As sete maldições contra os escribas e fariseus: 23, 13-32. - As dez virgens: 25, 1-13. - Juízo final: 25, 31-46. - Morte de Judas: 27, 3-10. - A guarda do túmulo: 27, 62-66. - A astúcia dos chefes judaicos: 28, 11-15. - A grande incumbência: 28, 16-20. I Etapa PASSAGENS PRÓPRIAS DE CADA EVANGELISTA MARCOS LUCAS - Providências da família de Jesus: 3, 20-21. - Semente que germina por si só: 4, 26-29. - Siro-fenícia: 7, 24-30. - Surdo-mudo: 7, 31-37. - Cego de Betsaida: 8, 22-26. - Envio com poder: 16, 14-20. - Anunciação: 1, 26-38. - Visitação: 1, 39-45. - Magnificat de Maria: 1, 46-56. - Benedictus de Zacarias: 1, 67-79. - Nascimento de Jesus: 2, 1-20. - Apresentação: 2, 22-28. - Nunc Dimittis de Simeão: 2, 29-32. - Pesca milagrosa: 5, 4-11. - Filho da viúva de Naim: 7, 11-17. - Pecadora perdoada: 7, 36-50. - Bom samaritano: 10, 29-37. - Marta e Maria: 10, 38-42. - Amigo importuno: 11, 5-8. - Rico insensato: 12, 13-21. - Figueira estéril: 13, 6-9. - Mulher encurvada: 13, 10-12. - Cura de um hidrópico: 14, 1-4. - Dracma perdida: 15, 8-10. - Filho pródigo: 15, 11-32. - Administrador infiel: 16, 1-8. - Rico e Lázaro: 16, 19-31. - Dez leprosos: 17, 11-19. - Juiz iníquo e viúva importuna: 18, 1. - Fariseu e publicano: 18, 9-14. - Zaqueu: 19, 1-10. - O bom ladrão: 23, 39-43. - Discípulos de Emaús: 24, 13-35. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos JOÃO - Prólogo: 1, 1-18. - Os primeiros discípulos: 1, 35-51. - Bodas de Caná: 2, 1-12. - Nicodemos: 3, 1-21. - Samaritana: 4, 1-42. - O enfermo na piscina de Betesda: 5, 1-18. - Discurso do pão de vida: 6, 22-66. - A água viva: 7, 37-39. - Adúltera: 8, 1-11. - Cego de nascença: 9, 1-41. - Bom pastor: 10, 1-21. - Ressurreição de Lázaro: 11, 43-44. - O lava-pés: 13, 1-20. - Discurso de despedida: 14-17. - O golpe da lança: 19, 31-38. - Tomé: 20, 24-29. - A pesca milagrosa: 21, 1-14. - Pedro, tu me amas? : 21, 15-23. 99
  • ANEXO 5 PERSONAGENS EXCLUSIVOS DE CADA EVANGELHO Em negrito os mais importantes. Sublinhado: as mulheres. Não estão incluídos os personagens das parábolas. MATEUS - Os magos: 2, 1.7.16. - Herodes o Grande: 2, 3.7.12. - Dois cegos: 9, 27. - Cobradores do didracma: 17, 24. - Alguém: 26, 18. - Esposa de Pilatos: 27, 19. - Os guardas do túmulo: 28, 4. - Matrimônios: • Pilatos e sua esposa. MARCOS LUCAS - Empregados de Zebedeu: 1, 20. - Quatro amigos do paralítico: 2, 3. - Irmãs de Jesus: 3, 32. - Parentes de Jesus: 3, 21. - Surdo-mudo: 7, 32. - Cego de Betsaida: 8, 22. - Bartimeu: 10, 46. - Jovem do lençol: 14, 51. - Alexandre e Rufo: 15, 21. - Salomé: 16, 1. - Teófilo: 1, 3. - Uns pastores: 2, 8.15.17.20. - Simeão: 2, 25.34. - Ana, a profetisa: 2, 36. - Filho da viúva de Naim: 7, 12.14. - Pecadora pública: 7, 37. - Simão, o fariseu: 7, 40.43.44. - Joana e Susana: 8, 3. - Mulher encurvada: 13, 11. - Hidrópico: 14, 2. - Dez leprosos: 17, 12. - Zaqueu: 19, 2. - Donos do jumentinho: 19, 33. - Cléofas: 24, 18. - Matrimônios: • Zacarias e Isabel: 1. • Jairo e esposa: 8,56. JOÃO - Nicodemos: 3, 1; 7, 50. - Samaritana: 4. - Funcionário real e seu filho: 4, 46. - Paralítico de Betesda: 5, 1. - Menino dos pães e peixes: 6, 9. - Mulher adúltera: 8, 3. - Cego de nascença: 9, 1. - Lázaro: 11, 1. - Malco: 18, 10. - O guarda que deu uma bofetada em Jesus: 18, 22. - Irmã de sua mãe: 19, 25. - O soldado que lhe transpassou o lado: 19, 34. - Cléofas e Maria. - Matrimônios: • Maria, mulher de Cléofas: 19, 25. • Noivos de Caná: 2.1-11. • I Etapa 4. Jesus nos Quatro Evangelhos Pais do cego: 9, 18.20. 10 0
  • ANEXO 6 CITAÇÃO DEZOITO MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS A QUEM DE QUE CURA OU MILAGRE COMO QUANDO / ONDE PARA QUE / MENSAGEM Sábado / Cafarnaum. Um endemoninhado na sinagoga!!! Superioridade da nova doutrina de Jesus. Jesus realiza o que a sinagoga e o Sábado (as duas grandes instituições do AT) são incapazes de fazer. Uma mulher. Sogra de Pedro, seu grande amigo. Febre (sintoma). Cura interior: capacita-a para servir. Sábado / Cafarnaum. Casa da comunidade. Capacita para o serviço da comunidade, não só de Jesus. Cura profunda, não só dos sintomas. Impureza que contamina. Compaixão. Tocou-o. 100% indefinido. Oração curta e bela: “Se Em qualquer lugar Segregação e queres, podes curarou momento. discriminação social. me”. Instantânea. Insensibilidade. Jesus toma sobre si a lepra e suas conseqüências, pois permanece fora da cidade. Um homem paralítico, transportado por quatro pessoas. Incapacidade de moverse por si próprio. Perdão dos pecados. Nova vida: levantou-o. Graças a 4 amigos. O enfermo jamais pediu cura nem perdão. Imediatamente. Cafarnaum. Casa de amigos. Gratuidade da cura e do perdão. Cura integral: Interna e externamente. Carrega o leito do testemunho. Um homem piedoso. Uma mão atrofiada. O menor milagre e desnecessário. Colocou-o no meio da sinagoga (em vez dos manuscritos). Instantâneo. Sábado / Sinagoga. Ler História da Salvação no homem. Diante dos inimigos. O homem dá e recebe com as duas mãos. Preço do milagre: conspiração para matá-lo. Há milagres que custam a vida. Seus discípulos. * 1, 29 Libertação. Poder da Palavra: Não possuía a si mesmo: Cala-te e sai dele. alienação. Imediatamente. Leproso. * 1, 21ss Um homem piedoso que acostumava ir à sinagoga, mas estava possuído. Acalma a tempestade do mar. Falta de fé. Cura do medo. Poder da Palavra sobre a natureza. Ao atardecer / mar. O milagre suscita uma pergunta mais Dormindo na popa que uma resposta: Quem é este? (atrás), não na proa. Endemoninhado geraseno. Libertação do desejo de morte. Tempestade do coração. A legião é enviada a 2000 porcos. Gerasa (território pagão e impuro). Do outro lado do mar. * 1, 40 2, 1 3, 1 4, 35 5, 1 I Etapa Aproxima-se dela e a toma pela mão. Levantou-a: Ressuscitou. Instantânea. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos Jesus é mais poderoso que uma legião de demônios. Rogam-lhe que se afaste do seu território e Jesus nunca mais volta a Gerasa. 101
  • 5, 25 5, 21 6, 30 6, 45 7, 24 7, 31 8, 1 * 8, 22 Mulher hemorroíssa. 12 anos enferma: sempre impura. Decepcionada, haviamse esgotado todos os meios de cura. Jesus é a última alternativa. Jesus não faz nada. A mulher aproxima-se por detrás e toca, com fé, a roupa de Jesus. Do outro lado. Quando Jesus tinha pressa para atender Jairo, homem importante. Mulher = Israel. Quando já não existem alternativas, ainda resta uma: Jesus. Cada um é o mais importante. Filha de Jairo, chefe da Sinagoga. 12 anos. Ressuscita / cura. Atrasa-se à chegada. Talítha kum. Casa de Jairo. Filha = futuro da Sinagoga. Testemunhas: só os Só Jesus dá sentido ao Antigo amigos. Testamento. Multidão. 5000 homens. Multiplicação dos pães. Ovelhas sem pastor; Jesus pastor que alimenta seu rebanho. Compaixão. Primeiro ensina. Colaboração: 5 pães e dois peixinhos mortos. Deserto (Êxodo). A hora já era muito avançada. Necessita de cooperação para o milagre. Não desperdiçar (desprezar) as migalhas. Discípulos fatigados. Caminha sobre o mar. Mar: forças do mal. Os elementos externos são negativos. Ao atardecer / Mar. Caminho a Betsaida. Jesus transforma os ambientes adversos. Mulher pagã. Filha. Demônio impuro. Longa distância. Mulher ganha a discussão com Jesus. Tiro. Território pagão. Poder da intercessão. Mulher aceita a Palavra de Jesus, “porém” expõe a sua situação. A salvação é também para os pagãos. Homem anônimo. Só conhecemos seus problemas. Surdo-mudo. Falta de comunicação. Com dedos e saliva. Effatha Primeiro ouvidos e depois palavra. Sozinhos. Jesus o proíbe de testemunhar, mas o homem é desobediente. Não se pode obedecer. 2ª Multiplicação dos pães. 4000 homens. Cura da insegurança do futuro. Compaixão. Com sete pães e alguns peixes. Homem cego. Confusão: confunde árvores com pessoas. Processo de cura. Não instantânea. Como Moisés, dá o pão. Necessitou de mais matéria-prima que para os 5000. Betsaida. A cura é um processo. Epilético Cura familiar: pai e filho endemoninhado e juntos. o seu pai. Espírito surdo e mudo. Primeiro o pai e depois o Longe - distante. filho. Depois da Transfiguração. Tudo é possível para aquele que crê. 9, 14 10, 46 Bartimeu. Cego, mendigo e cansado. Único com nome. De seu cansaço e dependência, torna-se auto-suficiente e capaz de tomar decisões. Ao escutar a notícia de Jericó. que Jesus passava. No caminho que sobe a Jerusalém. Proclama sua fé. Primeiro vai e depois vê. Itinerário do discípulo: crer para ver e ver para seguir. Já tem aonde e com quem ir. Figueira estéril. Só tinha aparência, sem fruto. Até Jesus foi enganado. Figueira = Israel. Um milagre que não beneficia ninguém. * 11, 12 10 2 No caminho a Jerusalém. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • ANEXO 7 PARÁBOLA PARÁBOLAS NO EVANGELHO DE MATEUS MENSAGEM 1 Semeador: 13, 3b-23. 2 Trigo, joio e colheita: 13, Origem e mistério da convivência do bem e do mal. 24-30. Dois grupos: os servos desesperados e os ceifeiros que separam o trigo do joio. Saber discernir o tempo oportuno. 3* Grão de mostarda: 13, 31-32. O Reino dos Céus, de princípios modestos, tem a força para crescer e abrigar aqueles que dele se aproximam. Fermento: 13, 33. O Reino contém em si próprio o poder para transformar a realidade. Não é ostentoso, mas poderoso. 5 Tesouro encontrado: 13, 44. A alegria por encontrar o tesouro é motivo para vender tudo o que possui e comprar o campo. O tesouro não tem preço, é gratuito. 6 Pérola preciosa: 13, 45. Uma única pérola. Valor supremo da vida. Isto dá sentido a tudo o mais. 7 Rede cheia de peixes: 13, 47-50. A convivência de bons e maus se dará até que venha a seleção definitiva. 8 Ovelha perdida: 18, 12-14. Deus não quer que se perca um só do Reino dos Céus. Deus arrisca os bons até encontrar o pecador. 9 Servo cruel: 18, 23-35. Perdoar de coração: quem foi beneficiado pelo amor e pela misericórdia, há de brindar ao irmão com aquilo que recebeu. 4* Aquele que aceita a Palavra produz fruto. Os problemas que afogam a Palavra. 10* Trabalhadores da vinha: Deus dá (não paga) salário completo, porque o Reino não depende de nosso 20, 1-16. esforço ou boas obras, mas da generosidade dele. 11 Dois filhos: 21, 28-32. O que importa não são as palavras, mas os atos. Vinhateiros homicidas: 21, 33-46. Os vinhateiros se apropriam da herança, matando o herdeiro e rejeitando o dono. Desta maneira provocam a própria morte deles. Banquete nupcial: 22, 1-14. A festa do Reino é gratuita, mas exige atitude congruente. Deve-se viver interna e externamente em atitude de festa. 14* Figueira estéril: 21, 18-19. Seu problema não é o fato de não ter fruto, porque não era tempo, mas sim o de só ter folhas, aparência. Aparentar é muito perigoso e motivo de maldição. 15 Mordomo astuto: 24, 45-51. O exercício da autoridade está submetido a Deus, que pedirá conta de teu ministério. Estamos, todavia, em tempo. Dez virgens: 25, 1-13. Não temos direito de compartilhar nossa luz se nós ficamos nas trevas. Estar atentos e precavidos, porque o noivo chegará de imprevisto. Talentos: 25, 14-30. Cada um recebeu um dom para administrá-lo e um dia se pedirá conta disto. Não se pode devolvê-lo sujo de terra e sem produzir. Aos bons administradores se lhes confiará mais e aos maus lhes será tirado o que têm. 12 13 16* 17 I Etapa 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 10 3
  • PARÁBOLAS DE MATEUS; ITINERÁRIO DA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO SÍNTESE CONCEITUAL TEXTOS DE MATEUS Neste mundo existe o bem e o mal. Mas de onde vem o mal? Deus o semeou ou é cúmplice dele? Então, Deus quer que alguns se percam? A vontade de Deus é que ninguém se perca (18, 14). Deus toma a iniciativa e busca o pecador. Um homem tinha 100 ovelhas e uma delas se extravia. Foi buscá-la até encontrá-la. E se a encontra, sente maior júbilo do que pelas noventa e nove que não se extraviaram (18, 12ss). Deus oferece o dom gratuito da salvação. Não depende das boas obras ou méritos pessoais. Banquete nupcial com convite grátis (22, 1ss). Os trabalhadores da última hora também recebem salário completo (20, 1ss). O dom da salvação não depende das nossas obras, mas da misericórdia de Deus. A obra de Deus tem princípios modestos, mas cresce e se desenvolve até transformar tudo. É como um pequeno grão de mostarda, que cresce até se tornar uma árvore e as aves do céu se abrigam em seus ramos (13, 31ss). É como o fermento que fermenta toda a massa (13, 33). Porém, pede uma resposta do homem. A veste nupcial: alegria da salvação (22, 12). A salvação supera toda expectativa e seu valor não tem preço. É como um tesouro escondido ou uma pérola preciosa, pela qual vale a pena renunciar a tudo (13, 44-46). No final, vem o momento definitivo da separação do bem e do mal. Serão separados: trigo do joio (13, 30), peixe bons dos peixes maus (13, 49), ovelhas e cabritos (25, 32). Por isso, é importante aproveitar a oportunidade enquanto é tempo: fazer os dons confiados produzirem. Cada um, segundo sua capacidade, deve multiplicar os talentos. Àquele que tem será dado, mas, daquele que não produziu, até o que tem será tirado (25, 14ss). De um momento para outro, voltará: - O Dono da vinha. - O Esposo. - O Filho do homem. - Os servos fiéis e prudentes serão colocados à frente de toda a fazenda (24, 45). - Quem tiver a lâmpada acesa entrará na festa. Por isso, não se deve compartilhar o azeite se isto vier a apagar sua própria luz (25, 9ss). - Para o juízo definitivo: um exame de somente seis perguntas (25, 35-36). - A figueira que só tinha aparência ficará seca até a raiz (21, 19). Será repentino, no momento menos pensado. 10 4 A realidade é que, neste mundo, há peixes bons e peixes maus (13, 47ss), trigo e joio (13, 24ss). Deus semeou boa semente. Porém, enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e se foi embora (13, 24ss). Não dormir para não se tornar cúmplice do inimigo de Deus. Não se desesperar com a presença do mal, porque também se pode arrancar o trigo. - Como no tempo de Noé (24, 37). - Como o ladrão (24, 42-44). - Como o relâmpago (24, 27). 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa
  • ÍCONES Usado nas Apostilas das Escolas de Evangelização Santo André Levam tela quando são atividades do pregador. Sem tela quando são atividades dos participantes. ANEXO *: Para mostrar a necessidade de consultar um anexo. Exemplo: Quando é dado um exemplo ou testemunho. Desafio Conceitual Magistério da Igreja ♫ Quando é apresentado um conflito que os participantes devem resolver. Quando é uma frase do Magistério da Igreja ou dos Santos Padres. Quando se usa como referencia alguma melodia ou canção.  Citação de uma frase de algum escritor ou teólogo. ? Perguntas, desafios e questionamentos.  Frase que o pregador repete devagar, em voz baixa e tom mais grave.  I Etapa 4. Jesus nos Quatro Evangelhos 10 5
  • Para afirmar o ensinamento na memória com uma expressão física.  Frase que os participantes devem repetir em voz alta. .  Os participantes devem ler ou consultar um documento.  Os participantes devem ler a mensagem da Palavra de Deus.  Os participantes devem escrever.  Os participantes devem memorizar. ♫ 10 6 Quando os participantes devem cantar. 4. Jesus nos Quatro Evangelhos I Etapa