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104708496 anthony-giddens 104708496 anthony-giddens Presentation Transcript

  • Titulo original: Modernity and Self-Identity: Self and Society in the Late Modern Age Agradecimentos Tradu<;:aoautorizada da edi<;:ao inglesa publicada em 1999, por Polity Press, de Oxford, Inglaterra Apresenta~ao 1. Os contornos I--;.·o L 9 da alta modernidade eu: seguranc;:a ontol6gica 3. A trajet6ria do eu Copyright da edi<;:ao lingua portuguesa © 2002: em Jorge Zahar Editor Ltda. rua Mexico 31 sobreloja 20031-144 Rio de Janeiro, RJ tel.: (21) 2108-0808 / fax: (21) 2108-0800 e-mail: jze@zahar.com.br site: www.zahar.com.br 4. Destino, 70 risco e seguranc;:a 6. Tribulac;:6es do eu 7. 0 surgimento Notas 104 fndice 224 CIP-Brasil. Cataloga<;:ao-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Giddens, Anthony, 1938Modernidade e identidade / Anthony Giddens; tradu<;:ao, Plinio Dentzien. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002. Tradu<;:aode: Modernity and self-icfentity: self and society in the late modern age ISBN 978-85-7110-669-7 1. Estrutura social. 2. Identidade (Psicologia). 3. Self (Psicologia). 4. Civiliza<;:ao moderna - Aspectos psicologicos. 1. Titulo. CDD: 155.2 CDU: 159.923.2 da polrtica-vida Glossdrio de conceitos 135 168 213 221 17 e ansiedade S. A segregac;:ao da experiencia Todos os direitos reservados. A reprodu<;:aonao-autorizada desta publica<;:ao,no todo ou em parte, constitui viola<;:ao direitos autorais. (Lei 9.610/98) de G385m 7 193 existencial
  • 4. Destino, risco e segurans;a Viver no universo da alta modernidade e viver num ambiente de oportunidade e risco, concomitantes inevidveis de urn sistema orientado para a dominac;:aoda natureza e para a feitura reflexiva da historia. Sina e destino nao tern papel formal a desempenhar em tal sistema, que opera (por principio) atraves do que chamarei de controle humano aberto dos mundos natural e social. 0 universo dos eventos futuros esd. aberto para ser moldado pela intervenc;:aodo homem - dentro de limites que, tanto quanto posslvel, sao regulados pela aferic;:ao do risco. Mas as noc;:oes de sina e destino de maneira nenhuma desapareceram nas sociedades modernas, e uma investigac;:aosobre sua natureza tern muitas e ricas implicac;:oes para a analise da modernidade e da autoidentidade. Embora a afirmac;:ao possa parecer radical, pode-se dizer com alguma seguranc;:a que nao ha cultura nao-moderna que nao incorpore em algum sentido, como parte central de sua filosofia, as noc;:oesde sina e destino. 0 mundo nao e visto como uma sucessao de eventos sem direc;:ao, em que as unicos agentes ordenadores sao as leis naturais e os homens, mas como algo que tern uma forma intrinseca que relaciona a vida individual a acontecime~tos cosmicos. 0 destino de uma pessoa - a direc;:aoque sua vida deve segUir - e especificada pela sina dessa pessoa, 0 que 0 futuro the reserva. Ainda que exista uma grande variedade de crenc;:asque podem ser agrupadas so~ esse~ dois termos, na maioria delas 0 ponto de conexao entre 0 destino e a s:na ~a morte. No pensamento grego, a sina (moira) era portadora da conden~c;:aoe. 0 . d d .. malS antlg morte, e era conslderada urn gran e po er - malS annga que 0 dos deuses. h .e a Dada a natureza da vida social e da cultura modern as, tendemos 0) J11a . cA'.! .derada u contrapor a sma e a abertura dos eventos luturos. sma c conSl Mas forma de determinismo pre-ordenado, ao qual se opoe a visao mode~nt enre embora 0 conceito de sina tenha a conotac;:ao de um futuro parca: des' "determinado", tambem envolve normalmente uma concepc;:ao moral e rino e ~ma visao esoterica dos eventos cotidianos - onde "esoterico" significa que os eventos saG experimentados nao so em termos de sua relac;:aocausal, mas em termos de seu significado cosmico. Nesse sentido, a sina tern pouco a ver com 0 fatalismo do modo como este termo e entendido hoje. Fatalismo e a recusa da modernidade - 0 repudio a uma orientac;:ao de controle em relac;:ao futuro em favor de uma atitude que deixa que os eventos venham ao como vierem. Um importante ponto de conexao entre ideias preexistentes de sina e as do periodo pos-medieval era 0 conceito de fortuna, que deriva originalmente do nome da deusa romana da "fortuna", e que mantinha uma diflcil tensao com as crenc;:ascristas dominantes. A ideia da Divina Providencia era claramente uma versao da sina mas, como observou Max Weber, 0 cristianismo introduziu urn papel mais dinamico para os homens nesta Terra do que aquele que caracterizava as religioes tradicionais da Grecia e de Roma.2 A deusa era desdenhada pela Igreja, po is a ideia de "fortuna" implicava que se poderia alcanc;:ar grac;:a a sem precisar trabalhar como instrumento de Deus no mundo. Ainda assim a ideia de fortuna continuou importante e chegava a superar a recompensa da providencia na outra vida como caracterlstica das crenc;:as culturais locais. 0 usa que Maquiavel faz de fortuna marca uma transic;:ao significativa entre 0 uso tradicional da noc;:aoe 0 surgimento de novos modos de atividade social de que a sina e exclulda. Em 0 principe ele diz: Muitos acreditavam, e ainda mantem a opiniao, que as coisas deste mundo sao, de cerra maneira, controladas pela fortuna e por Deus, que os homens em sua sabedoria nao podem controla-Ias, e, ate mesmo, que os homens nao podem remedia-las; e por essa razao podem julgar que nao precisam gastar muito suor nessas quest6es, mas deixar que sejam governadas pela sina... Acredito que e ve~dadeque a fortuna e 0 arbitro de metade de nossas a<j:6es, que ainda nos mas delXa0 controle da outra metade, ou quase isso... Digo que vemos urn principe prosperar hoje e arruinar-se amanha sem que 0 tenhamos visto mudar seu carater ou qualquer de seus tra<j:os urn principe que se ap6ia completamente na fortuna ... se arruinara tao logo ela mude; tambem acredito que 0 homem que adapta seu curso de a<j:ao natureza dos tempos sera bem-suced'd 0 e, da mesma manelra, - a , ' . I ~ue 0 homem que determina seu curso de a<j:ao fora de tom com 0 momento averade lamenrar-se.3 no ~ao surpreende que 0 estudo da polltica fornec;:aa area inicial na qual as ~Oes d . re-Ias e sma se transform am, po is embora a propaganda das nac;:oespossa _ n Como conduzidas pela sina a urn destino espedfico, a pratica da polltica o POde COntexto moderno - supoe a arte da conjectura. Pensar como as coisas III acontecer casa seja seguido urn determinado curso de ac;:ao,e comparar
  • isso com as alternativas, e a essencia do jUlzo politico. Maquiavel e celebrado como 0 iniciador da estrategia polltica, mas sua obra apresenta outras inovayoes mais fundamentais. Ele prenuncia urn mundo em que 0 risco e 0 dlculo do risco ultrapassam a fortuna em praticamente todos os domlnios da atividade humana. Parece que nao havia uma palavra generica para 0 risco ao tempo de Maquiavel; a nOyaOaparece no pensamento europeu aproximadamente um seculo mais tarde. (Em ingles, ate 0 seculo XlX a palavra era usada em SUa versao francesa, risque. Durante certo tempo 0 termo Frances continuou a ser usado ao lado na nova palavra anglicizada, que foi utilizada em primeiro lugar em relayaO aos seguros. 0 termo risque, significando uma piada que pode of ender, ainda apresenta a grafia anterior.)4 "" A nOyao de risco se torna central numa sociedade que esta deixando 0 passado, 0 modo tradicional de fazer as coisas, e que se abre para urn futuro problematico. Essa afirmayao se aplica tanto a ambientes de risco institucionalizado quanto a outras areas. Os seguros, como vimos no capItulo 1, sac urn dos elementos centrais da ordem economica do mundo moderno - sac parte de urn fenomeno mais geral relacionado ao controle do tempo a que chamarei de colonizayao do futuro. A "abertura" das coisas por vir expressa a maleabilidade do mundo social e a capacidade que os homens tern de dar forma aos ambientes f1sicos de sua existencia. Ainda que se saiba que 0 futuro e intrinsecamente imprevislvel, e como ele e cada vez mais segregado do passado, esse futuro se torna urn novo terreno - urn territorio de possibilidades contrafactuais. Sendo assim, tal terreno se presta a invasao colonial pelo pensamento contrafactual e pelo dlculo do risco. Este, como mencionei antes, nunca pode ser completo, pois mesmo em ambientes de risco relativamente confinados ha sempre resultados nao intencionais e imprevistos. Em ambientes em que a sina desapareceu, toda ayao, mesmo a que se atem a padroes fortemente estabelecidos, e em principio "calculavel" em termos de risco - alguma especie de estimativa geral do risco pode ser feita para praticamente todos os habitos e atividades, em relayaO a resultados espedficos. A intromissao dos sistemas abstratos na vida cotidiana, junto com a natureza dinami-Gi do-Conhecimento, significa que a consciencia do ~ se i~Hltra nas ayoes-de quase qualquer urn. - - . tl--'Uma discussao mais ampla do risco e de sua relayao com a auto-iden dade sera apresentada em breve. Antes, podm, e necessario apresentar uma ou duas outras nOyoes ligadas a de sina. E necessario dizer algo mais sobr~ ~ fatalismo, urn termo que, como mostramos, tern mais a ver com a vida soc; modern a do que com culturas mais tradicionais. Fatalismo, como 0 enten 0 aqui, difere de estoicismo, uma atitude de forya em face dos impasse~ e tribulayoes da vida. Vma posiyao fatalista e uma posiyao de aceitayao reslg- nada de que se deve deixar que as coisas sigam seu curso. E uma posiyao nutrida pelas principais orientayoes da modernidade, embora se oponha a elas. fatalismo deve ser separado de uma SenSayaOde fatalidade dos eventos. Acontecimentos ou circunsrancias decisivos sac aqueles que tern conseqiiencias particulares para urn indivlduo ou grupo.5 lncl uem os resultados nao desejados que se enfrenta no que chamei de riscos de alta conseqiiencia, riscos que afetam grande numero de pessoas de maneira potencialmente ameayadora da vida, mas eles tambem figuram ao nivel do indivlduo. Momentos decisivos sac aqueles em que os individuos sac chamados a tomar decisoes que tern conseqiiencias particulares para suas ambiyoes ou, em termos mais gerais, para suas vidas no futuro. Sao de alta conseqiiencia para o destino de uma pessoa. Momentos decisivos podem ser entendidos como os trayos mais amplos das atividades portadoras de conseqiiencias que urn individuo leva consigo na vida cotidiana e no curso de sua existencia. Boa parte da vida cotidiana, no que diz respeito ao indivlduo, nao tern conseqiiencias, e nao e vista como particularmente decisiva para os objetivos gerais. No entanto, alguns tipos de atividade sac geralmente pensados pela pessoa em questao como tendo mars conseqiiencias para ela do que outros - como a atividade que se desenrola na esfera d o tra b alh o. C'd Ad" onsl eremos 0 f,enomeno 0 tempo morto " ou "mata d 0 " , 6 0 tempo que se deve analisado com brilho caracterfstico por Goffman. "matar" e tambem - e isso e interessante - muitas vezes chamado de tempo "livre" - e urn tempo que sobra, nos intervalos dos setores mais conseqiientes da vida. Se uma pessoa descobre que tern meia hora entre urn compromisso e o proximo, ela pode decidir gastar esse tempo flanando ou lendo 0 jornal, em vez de usa-lo de uma maneira "util". 0 tempo matado esta fora dos limites da vida do individuo e (a menos que aconteya algo inesperado) nao tern conseqiiencias para ela. o Em claro contraste, muitas atividades mais conseqiientes da vida sac ~otinizadas. A maioria daquelas "ligadas ao tempo" - no setor formal ou no Informal da vida - nao e problematica, ou so 0 e em term os do manejo ordinario das tarefas consideradas. Em outras palavras, decisoes difkeis podem vir a ser tomadas, mas elas sac manejadas por estrategias desenvolvidas para lidar com elas como parte das atividades correntes em questao. As vezes, porem, uma situayao ou episodio particular pode ao mesmo tempo ser problell1atico e ter muitas conseqiiencias - sac esses episodios que constituem os ll1omentos decisivos. Eles sac momentos em que os eventos se reunem de tal ll1aneira que 0 indivlduo fica como se estivesse na encruzilhada da vida; ou em
  • informac;:6es com conseqliencias fatais.7 Mo que uma pessoa recebe 'd ", , ' d illentos decisivos incluem a decisao e casar, a propna cenmoma 0 casaillent '~ de separar-se e d' partir, 0 utros exeillpl o-e mais tarde talvez, a decisao e _ , , Ossao. submeter-se a exames escolares, optar por certo aprendlzado ou cu . . rso de estudos, entrar ~m greve, troca~ urn emprego por outro, ouvlr 0 resultado de urn exame medICo, perder mUlto numa aposta, ou ganhar grande SOilla loteria. Muitas vezes os momentos decisivos acontecem devido a coisas quena . . Se abatem sobre 0 individuo, quer e I quelra ou nao; mas tals momentos sac e tambem construidos como, por exemplo, quando uma pessoa decide reunir a totalidade de suas economias para comec;:arurn negocio. Ha, e claro, mOillen_ tos decisivos na historia das coletividades como nas vidas dos individuos. Sao fases em que as coisas saem dos eixos, quando urn estado de coisas e repentina_ mente alterado por alguns eventos-chave. Momentos decisivos, ou aquela categoria de possibilidades que urn individuo define como decisivas, man tern uma relac;:aoparticular com 0 risco. Sao os momentos em que 0 apelo da fortuna e forte, momentos em que em ambientes mais tradicionais, os oraculos teriam sido consultados ou as foreras divinas invocadas. Especialistas sac freqlientemente cham ados quando se aproxima urn momento decisivo ou quando uma decisao fatal deve ser tomada. E muito comum que 0 conhecimento seja 0 velculo atraves do qual uma circunsrancia e declarada decisiva - por exemplo, no caso de urn diagnostico medico. Mas ha relativamente poucas situac;:6esem que uma decisao sobre 0 . Ista. A informaque fazer se torna clara como resulta d 0 d a consu Ita ao especla I' . d ., d risco mas e c;:aoderivada dos sistemas abstratos po d e aJu ar na estlmatlva 0 , al . D' ~ Ct' sao em ger , o individuo em questao que d eve correr os nscos. eClsoes ra.als blequase que por definic;:ao, diflceis de se tomar por causa da mlstura de pro mas e conseqliencias que as caracteriza. d C de t r I0 prote 0" que eren Momentos decisivos sac ameac;:adores para 0 casu , taO . d " d bem que e a seguranc;:a ontologica do individuo, porque a atltu e tu 0 eIll H' momentoS importante para 0 casulo e inevitavelmente atravessa d a. a d oU d cisao coma a, que 0 individuo deve lanc;:ar-sea algo novo, saben d 0 que a. e 'I u pdo ve ° , ~ o especlfico curso d e ac;:aosegul°d0, tern uma qua I'd ade Irreversl s ,MornenI ° menos que sera dificil, a partir de entao, voltar aos velhos camlOho babilidade tos decisivos nao significam necessariamente enfrentar uma alta prb°-r dades de 'd' ~ Ide de que as cOlsas eem erra d'" IStOe, sltuac;:oes com altas proba If: ota 0 0, ° d ° d'f:' 'I de ser en re ';0 perder. 0 que tende a tamar 0 amblente e nsco I ICI d declsa , ' d coma ° a ;0 antes a escala das penalidades em conseqliencla e se ter "d qUe sa ' 'ndivi uO, errada, Momentos decisivos revelam gran d es nscos para 0 I compadveis aos que caracterizam a atividade coletiva. Os par ametros do risco ° risco e tentativas de estimativa do risco sac tao fundamentais para a Corn~ rao do futuro, 0 seu estudo pode nos dizer muito sobre elementos olonlZay .' c . da moderOldade. Dlversos fatores fazem parte dlsso: a reduc;:ao dos centralSue ameac;:ama VI a d 0 10d'IVI uo, como consequencla° d a expansao d a 'd . 'd .., ~ . rlSCos q d e cotl'd'lana garantl 'd a pe I' sistemas a b stratos; a construos ranra na ativida segu de ambientes d"·' y Imente con filOados; 0 mOOltoramento ' ; e nsco IOstltuclOna risco como aspecto-chave da reflexividade da modemidade; a criac;:aode iscos de alta conseqliencia resultantes da globalizac;:ao;e a operac;:aode tudo ~ssocontra 0 pano de fundo de urn "clima de risco" inerentemente instavel. A preocupac;:!o_com 0 risco_na vida social modema nao tern nada aver diretamente com a prevalencia de perigos para a vida. Ao nivel da existencia do individuo,-em termos da expectativa de vida e do grau de liberdade em relas:ao a doenc;:aseria, ~s p~oas nas~~ ~.:~envolvidas estao numa_1 si ao . 0 ais segura do q~e~_m~i~ia em epocas anteriores. No fim do seculo XIX na Inglaterra, entao a sociedade economicamente mais avanc;:adado mundo, epidemias mortais que matavam centenas de mil hares de pessoas cram lugar-com urn. Uma proliferac;:ao de doenc;:asendemicas teve de ser suportada, mesmo que nao fossem necessariamente fatais. Muitos puderam observar:8 0 ~ :0 A exaustao,a febre e os larnentos, Aqui, onde os hornens estao e se ouvern gerner, Onde a paralisiafaz estrernecer os ultirnos e tristes cabelos brancos, o nde a Juventude ernpalidece, e definha, e rnorre, ' di Foi,S6a partir do comec;:odo seculo XX que estatisticas suficientes ficaram . C r SP°ntvels para mapear com a Igum a precisao as mu d anc;:asque aretaram I esu tados d e . ameac;:a ores. Urn estudo que tomou 0 ana de 1907 como ponto partida . most rou que naque Ie tempo os recem-nasci os "entravam num "d earn rnui;o illlnado"9 (embora as taxas de mortalidade infantil tivessem sido apro~ reduzidas em comparac;:ao ao seculo anterior). Num grafico de 1907, COntrilladamente um de cada sete morria no primeiro ana de vida, em L. aste Com d "iSe d um em ca a sessenta e sete num gdfico de 1977 tornado como e a'lfanro comparac;:ao. A lista a seguir registra alguns dos mais importantes s na red - d ' 907-197 ~c;:ao e nscos, avanc;:osrelevantes para a saude durante os anos 1977.7ISto e, os anos que abarcavam a vida de alguem com 70 anos T
  • • agua tratada • esgoto sanitario • pteparac;:ao higienica da comida • leite pasteurizado • refrigerac;:ao • aquecimento central • ampla aplicac;:aode princfpios cientificos de nutric;:ao • am pia aplicac;:aode princfpios cientificos de higiene pessoal • erradicac;:ao das principais doenc;:ascausadas por parasitas, inclusive a malaria • controle de insetos e de roedores • aperfeic;:oamento continuo dos cuidados pre-natais e pos-natais • aperfeic;:oamento continuo da atenc;:ao a bebes e crianc;:as • aperfeic;:oamento continuo do tratamento das doenc;:asinfecciosas • aperfeic;:oamento continuo do tratamento cirurgico • aperfeic;:oamento continuo da anestesia e dos cuidados intensivos • ampla aplicac;:aode princfpios cientificos de imunizac;:ao • generalizac;:ao da transfusao de sangue • organizac;:ao de unidades de terapia intensiva nos hospitais • expansao e aperfeic;:oamento continuos dos procedimentos de diagnostico • aperfeic;:oamento continuo do tratamento do cancer • aperfeic;:oamento continuo do tratamento das doenc;:asarteriais • disponibilidade crescente de metodos de planejamento familiar • metodos aperfeic;:oados e legais de interrupc;:ao da gravidez • ampla aceitac;:aoda seguranc;:a no trabalho • cintos de seguranc;:a obrigatorios nos automoveis • metodos continuamente aperfeic;:oados de preservac;:ao dos dentes, da visao e da audic;:ao • reconhecimento dos efeitos nocivos para a saude do furno, obesidade, pressao aha e vida sedentaria.10 Nao se pode dizer ate que ponto cada urn dos itens dessa lista afetou as mudan<;:as destacadas na compara<;:ao entre 1907 e 1977, po is 0 impacto total de alguns deles, ou mesmo de muitos, s6 podera. ser sentido pelas gera<;:oes futuras. Contra essas mudan<;:as que reduzem os riscos, porem, precisamos mencionar urn numero consideravel de influencias negativas. Duas guerras mundiais, envolvendo maci<;:a destrui<;:ao de vidas, ocorreram durante a existencia da gera<;:ao de 1907. 0 risco de morte ou de ferimentos graves em acidentes de autom6vel aumentou durante a maior parte do perfodo. Desde a decada de 1930 ate 0 final da de 1960, essa gera<;:ao consumiu muitos medicamentos que, pelos padroes de hoje, foram testados de maneira inadequada antes de terem sido postos a disposi<;:ao. Os membros dessa gera<;:ao beberam muito alcool e fumaram milh6es de cigarros antes que os efeitos t6xicos fosseminteiramente percebidos; a polui<;:ao ambiental, que muitos medicos especialistas acreditam aumentar a suscetibilidade a doen<;:as de varios tipos, aumentou drasticamente; e por grande parte de suas vidas comeram alimentos contendo muitos aditivos e tratados com fertilizantes qufmicos cujas conseqiiencias para a saude sac na melhor das hip6teses desconhecidas e, na pior, podem ajudar a produzir algumas das principais doen<;:as mortais. Em term os da-.:eguran<;:a)jsica da vida, de qualquer ~aneira, os elementoS reautores do risco parecem superar substancialmente os novos riscos. Ha varias maneiras de avaliar essa afirma<;:ao. Vma e calcuIar como a coorte de 1907 viveu em compara<;:ao a como teria vivido caso os principais riscos a vida que existiam naquele ana tivessem continuado a prevalecer durante toda a vida dos que nele nasceram - urn calculo especulativo, mas que pode ser feito com razoavel base estatfstica. Esse calculo nao indica diferen<;:as, em termos de porcentagens de sobrevivencia, ate os vinte anos. Depois dessa idade, a curva real de sobrevivencia come<;:a a se distanciar para cima de maneira progressiva em rela<;:ao a curva correspondente aos novos dados projetados. Tambem se podem fazer compara<;:oes entre 0 grafico de 1907 e 0 de 1977 conrrastando a expectativa de vida do primeiro grupo com a expectativa prevista para a gera<;:ao do segundo. E isso mostra uma divergencia substancial, come<;:ando no primeiro ana de vida e ate idade avan<;:ada, a favor da coorte de 1977 (embora, e claro, nao tenhamos maneira de saber que fatores adicionais podem influenciar os riscos para a vida dessa gera<;:ao nos pr6ximos anos). risco se refere a acontecimentos futuros -ligados as praticas presentes - e portanto a coloniza<;:ao do futuro abre novas situa<;:oes de risco, algumas das quais institucionalmente organizadas. Em contextos relativamente menos importantes tais situa<;:oes sempre existiram, por exemplo no caso culturalmente generalizado do jogo. Ocasionalmente existiram ambientes organizados de risco em culturas nao-modernas para os quais nao ha formas institucionais equivalentes na vida social moderna. Assim, Firth des creve urn tipo institucionalizado de tentativa de suicfdio entre os Tikopia.11 E uma pratica aceita que a pessoa com alguma queixa va sozinha para 0 mar numa canoa. Como as aguas sac trai<;:oeiras, ha grande chance de que 0 indivfduo nao sobreviva a experiencia; a chance de sobrevivencia depende da rapidez com que os outros na comunidade notam a ausencia da pessoa e reagem a ela. £mbora esse empreendimento de risco apresente claramente semelhan<;:as Com 0 risco nas tentativas de suicfdio em ambientes modernos, neste caso falta o elemento institucionalizado.12 o ~a maioria, contudo, situa<;:oes de risco institucionalmente estruturadas sac ~~is importantes nas sociedades modern as do qu~ pre-modernas. alS sistemas institucionalizados de risco afetam praticamente qualquer urn,
  • ou f:aera e 1ed' nao parte desses sistemas como "jogador" - mercados competiti_ , tos de forra de trabalho, de investimentos ou e capitals sao os vos d e pr odu , y, " , • • exemplos mais significativos. A dlferenera entre esses sistemas mStlt.uclOnahza_ outrOS parametroS de risco e que des sac constituidos pdo nsco, nao se d os e b' ." tratando de uma situaerao em que de e acidental. Am len.tes mStltu~lOnaliza_ dos de risco ligam riscos individuais e coletivos de mUltas man~lras - as oportunidades individuais d~ vida, por exemplo, es~ao, agora dlre~amen:e amarradas a economia capitahsta global. Mas em rdaerao a presente dlscussao esses ambientes sao mais importantes pdo que revdam sobre a forma de colonizaerao do futuro. Consideremos a bolsa de valores. Ela e urn mercado regulado que oferece uma gama de aeroes que os tomadores emitem e os poupadores detem, criando uma escolha de maneiras de estruturar os riscos de firmas e poupadores em seu objetivo de obter ganho financeiro. Possui tambem 0 efeito de val?rizar as aeroes em rdaerao a seus rendimentos esperados, levand~ em conta .os nscos dos investidores.13 Poupadores e tomadores tern uma vanedade de mteresses financeiros. Alguns poupadores que rem acumular dinheiro a longo prazo, enquanto outrOS procuram ganhos de curto p,ra~o e pode,m estar prepa~a~os para assumir riscos consideriveis com seus capitals com vistas a esse obJetlvo. Os tomadores normalmente querem dinheiro a tango prazo, mas e inevitavel certo risco de perda por parte dos que emprestam. Na bolsa de valores, os investidores podem escolher entre uma variedade de riscos e modos de cober- V I tura contra eles, enquanto os tomadores podem procurar ajustar os ~~rm~s do capital que recebem aos riscos dos empreendimentos para que 0 utlhzarao. A bolsa de valores e urn dominio teorizado de reflexividade refinada - um , . d' d de poupar e tomar fenomeno que mfluenCla Iretamente a natureza os azares 'd' ganhos parece emprestado. Assim, os estu d os m Icam que a. razao preero,s-. Ai upredizer mal os ganhos subsequentes ou 0 creSClmento de dlvldendos. g , 'd " bid valores veem isso como mas teonas aphca as ao mvestlmento em 0 sas e 'd 'fi ' presas que evidencia de que a bolsa de valores nao pode I entl Icar quais as em 1, ' . f: " fi' escassos para ca utilizarao de manelra mals satls atona recursos mancelros , - dos , , ' d d 0 tAm que a retenerao cular as estrateglas de nsco a equa as. utras man e O do 'fi " I' f: to e de md de ganhos mais outrOS fatores especi IcavelS, exp Icam esse a, l' , ,. d'L V dida da comp eXI a correspondente ado tam estrateglas llerentes. ma me 'd teW " f:ato d e.que as pro~nas p olftlcas e re reflexiva dessa situaerao e dada pelo 14 rao provavdmente sac influenciadas pdo tlpO de teona adota~a.. l' do, y b' d' 't tUClOna Iza As bolsas de valores, como outros am lentes e nsco ms I'd Isso e __ . " " , - colonlza o. us am ativamente 0 risco para cnar 0 futuro que e enta? _ d'sso a oes bementendido peios participantes. Uma das melhores I1ustraer I ,as e d L das as poupany existencia espedfica de merca os a termo, ruturos, 0 e r. emprestimos criam possiveis mundos futuros peia mobilizaerao do risco. Mas mercados de futuros hipotecam 0 futuro de maneira direta, assegurando uma base adiante no tempo que oferece uma seguranera particular para cenos tipos de romadores de emprestimos. monitoramento reflexivo do risco e intrfnseco a sistemas institucionalizados de risco. Em relaerao a outros parametros de e extrfnseco, mas nao menos fundamental para as oportunidades de vida e para 0 planejamento da o vida. Vma parte significativa do pensamento especializado e do discurso publico de hoje e feita da analise de perfis de risco - a analise de qual e, no estado corrente do conhecimento e nas condieroes correntes, a distribuierao dos riscos em dados ambientes de aerao. Como 0 que e "corrente" em cada um desses aspectos esti constantemente sujeito a mudanera, ermanentemente revisados e atualizados. P Considere-se "do que morremos" - representando tais perfis devem ser ~ ( - ... ~ , os principais riscos associ ados a mortalidade.15 0 estudo dos perfis de risco das principais doeneras que ameaeram a vida mostra grandes difereneras entre a virada do seculo XIX para 0 XX e os dias de hoje nos paises desenvolvidos. Por volta de 1940 as doeneras infecciosas como tuberculose, nefrite e difteria ji nao faziam parte das dez principais causas de morte. As mortes atribuidas as doeneras do coraerao e ao cancer passaram para primeiro e segundo lugares depois de 1940, e ai ficaram. Hi quem pense que a principal causa dessa mudanera e a maior proporerao de pessoas que vivem ate os 50 an os ou mais, mas essa visao e conrestada por outros que a atribuem a fatores ambientais e alimentares. Vale notar que os conceitos us ados para identificar as principais causas de morte mudaram substancialmente desde 1900. 0 que na virada do seculo era chamado d e "1esoes mtracramanas -' 'd' e ongem vascu I ", tornou-se "lesoes vasculaar res afetando 0 sistema nervoso central" nos anos 1960, e des de entao mudou para "doenps vasculares cerebrais". Essas mudaneras sao mais do que modismos: refletem alteraeroes na visao medica sobre as patologias em questao. Acredita-se que aproximadamente dois tereros da populaerao acima dos 30 anos de idade em paises com altas taxas de doeneras cardiac as coronarianas, COmo a Inglaterra e os Estados Unidos, tern algum estreitamento em suas atterias coronanas, em b ora nao 0 suficlente para provocar smtomas patol6gl- . ' , -' , Cos disti n t'IVOSou mu did' . aneras no e etrocar IOgrama, A cada ano, aproxlmadamente u ma pessoa em ca d" oltenta aClma dos 35 anos tern um ataque cardiaC a eO, e~bora apenas uma proporerao desses ataques seja fatal. A doenera cardiac a dim~ls ~omum nos homens do que nas mulheres, embora a disrancia esteja 1.1 mlnulDdo. Nos Estados Unidos e em um ou dois outros paises, depois de III cresc' card' Imento constante d'urante muitos anos, a taxa de mones por doenera laca coronariana comeerou a cair. Ha muito debate sobre por que isso
  • ocorreu; pode ser devido a mudanc;:as na dieta, aperfeic;:oamento dos servi<;:os de emergencia, diminuic;:ao do fumo ou maior participac;:ao de a~ultos ern exerefcios regulares. Ha em geral urn consenso de que fatores de estI10 de vida de urn ou de outro tipo influenciam fortemente 0 risco de contrair doen<;:as do corac;:ao.Ha bastante evidencia comparativa sobre a questao. Assim, 0 Japao tern a menor taxa de doenc;:asdo corac;:aode todas as sociedades industrializa_ das. Os filhos e netos de imigrantes japoneses nos Estados Unidos, porern, tern taxas comparaveis as deste pais e nao as do Japao. Mas nao e de to do claro que influencia a diet a, por contraste com outros aspectos do esti~ode vi~a, tern na etiologia das doenc;:asdo corac;:ao.A Franc;:a,por exemplo, reglstra balxa taxa de mortes por doenc;:as coronarianas, embora a dieta francesa seja rica em subsrancias que sao tidas por muitos como suas causadoras. cancer nao e uma so doenc;:a,pelo men os com relac;:aoao risco de morte associado a ele. A partir da virada do seculo X1X para 0 XX, as diferentes formas da doenc;:a seguiram caminhos divergentes. Por exemplo, houve urn crescimento continuado na taxa de morte por cancer do pulmao desde aproximadamente 1930, provavelmente devido aos efeitos adiados da ampla popularidade do cigarro ate aproximadamente 0 fim dos anos 1960. Por ~utro.lado, houve uma queda regular em alguns outros tipos de cancer. Os pentos dlscord~m e~ relac;:aoa explicac;:ao.Tambem discordam sobre se a dieta ou fatores amblentals o desempenham urn papel no comec;:oda doenc;:a. monitoramento regular e detalhado dos riscos para a saude, em relac;:ao a informac;:oes como as que acabamos de descrever, oferece urn excelente exemplo, nao apenas da reflexividade rotineira em relac;:aoao risco extr~nseco, mas da interac;:ao entre sistemas especializados e 0 comportamento lelgo em relac;:aoao risco. Especialistas medicos e outros pesquisadores produzem os s . . . . matenals. a partir d os quais saD estu d ad os os per fi d e ns co . Mas esses perfi IS . . A I I sra consCiente nao sao mais urn segre d 0 d os pentos. popu ac;:aoem gera e . d . d f: d' ina e outras deles ainda que mUltas vezes e manelra vaga, e e ato a me 1C , I' agencias se dao ao trabalho de por suas descobertas ao alcance dos elgos. I . . d pe a estilos de vida seguidos pela populac;:ao como urn todo sao IOfluenCia os _ . d' f, ras de clas recepc;:aodessas descobertas, embora norma Imente eXlstam I eren, . _ d - d pos profissionals e se na alterac;:aodos pa roes e comportamento, com os gru ., - . f, ada - se mais educados na lideranc;:a. Mas 0 consenso d a oplOlao 10 orm . de o existir tal consenso _ pode mudar mesmo enquanto as mudanc;:as de esnl s. .' d d t das Nao noS e vida que provocaram antenormente esnverem sen 0 a 0 a· d res quec;:amos de que 0 habito de fumar foi alguma vez defendido por seto . : · . Iha a mantelg profissao medica como reIaxante; e se d IZlaque a carne verme , eo creme eram importantes para construir corpos saudaveis. o as as conceitos e terminologias medicas mudam a medida que as teorias sao revisadas ou descartadas. Alem disso, a qualquer momenta ha desacordo substancial, as vezes radical, dentro da profissao medica sobre os fatores de risco e tambem sobre a etiologia dos maiores perigos para a saude. Mesmo em caso de doenc;:astao serias como as doenc;:ascardiacas coronarianas e 0 cancer ha muitos praticantes de medicinas alternativas - alguns dos quais sao hoje levados mais a serio pelos especialistas medicos ortodoxos do que anteriormente - que discordam das posic;:oesdominantes. A avaliac;:aodos riscos para a saude esta misturada ao "quem tern razao" nessas disputas. Pois embora urn perfil de risco desenvolvido em qualquer momento no tempo possa parecer objetivo, a interpretac;:ao do risco para urn individuo ou para uma categoria de individuos depende de terem ou nao sido feitas mudanc;:as de estilo de vida, e de essas mudanc;:as se basearem em suposic;:oesvalidas. Uma vez estabelecido, urn setor do estilo de vida - digamos, uma dieta particular - pode ser muito dificil de ser rompido, porque provavelmente estara integrado a outros aspectos do comportamento da pessoa. Todas essas considerac;:oes influenciam a adoc;:aoreflexiva pelos leigos de padmetros de risco filtrados pelos sistemas abstratos. Diante de tal complexidade, nao e de surpreender que algumas pessoas deixem de confiar em praticamente todos os praticantes da medicina, quem sabe consultando-os apenas em momentos de desespero, e atendo-se aos habitos estabelecidos formados por elas mesmas. Em contraste com os perigos para a saude, os riscos de alta consequencia estao ,ror definic;:ao distantes do agente individual, embora - outra vez por defimc;:ao- interfiram diretamente nas oportunidades de vida de cad a individu~. Seria claramente urn equivoco supor que as pessoas que vivem em cod Ic;:oessocials mo d ernas ten h am sido as primeiras a temer as terriveis .. n catastrofes que poderiam assolar 0 mundo. Visoes escatologicas eram muito c?muns na 19ade Media, e houve outras culturas que- viam 0 mundo como elv~do de gran des perigos. Mas a experiencia e a natureza dessas visoes do pengo sao, em alguns aspectos, muito diferentes da consciencia dos riscos de aha .. d'-- co ~~ uenc!a d e h'o)e. T" nscos SaD0 resultado de turbulentos processos lalS . e globahzac;:ao, e nem mesmo meio seculo atras a humanidade chegou a sofrer 0 mesmo tipo de ameac;:a. d ~sses riscos fazem parte do lado escuro da modernidade, e eles, ou fatores e nsco comparaveis, estarao presentes enquanto durar a modernidade en~uanto a raeidez da mudanc;:a social e tecnologica continuar a produzir Conseqiienclas nao previstas. Ri scos d e alta conseqiiencia tern uma qualidade . IStlntiva. Quanto mals ca Iamltosos os pengos envolvldos menor a nossa . . . . ~ . ' p,enencia real do risco que corremos - pois se as coisas "derem errado", ja sera t ar d e d emals. C ertos desastres deixam 0 sabor do que po de acontecer. A A' • - • :>
  • como 0 acidente nuclear de Chernobyl. Como em re!ac;:aoa muitas de tais questoes, os especialistas nao estao inteiramente de acordo sobre os efeitos de longo prazo da radiac;:aoque vazou naquele acidente para as populac;:6es dos palses que afetou. Em geral, acredita-se que e!a aumentou 0 risco de certos tipos de doenc;:as no futuro, e sem duvida teve consequencias devastadoras para as pessoas mais diretamente afetadas na Uniao Sovietica. Mas inevitave1_ mente nao passa de adivinhac;:ao a estimativa das consequencias de urn desastre nuclear maior - para nao falar de urn conflito nuclear, mesmo que de J , pequena escaI a. __ +" ; Empreendimentos de aferic;:aode risco, no caso de riscos de alta consequencia, devem ser considerave!mente diferentes dos que lidam com riscos cujos resultados podem ser regularmente observados e monitorados - embora essas interpretac;:oes devam ser constantemente revisadas e atualizadas a luz de novas teorias e informac;:oes. A tese de que a propria aferic;:aodo risco e inerentemente arriscada e muito bem ilustrada na area de riscos de alta consequencia. Urn metodo comum usado na tentativa de dlculo dos riscos de acidentes com reatores nucleares e 0 projeto de uma arvore de erros. Uma arvore de erros e projetada listando todos os caminhos conhecidos para uma falha POSSIVe! reator, especificando depois os caminhos posslveis para esses do caminhos, e assim sucessivamente. 0 resultado final e supostamente uma indicac;:ao razoavelmente precisa do risco. 0 metodo vem sendo utilizado em estudos da seguranc;:a de reatores nos Estados Unidos e em diversos palses europeus, Mas nao contempla varios imponderaveis.16 E imposslve! fazer urn dlculo confiave! do risco de erro humano ou de sabotagem. 0 desastre de Chernobyl foi resultado de erro humano, como tambem foi, num periodo anterior, 0 incendio em uma das maiores plantas nucleares do mundo, em Brown's Ferry, nos Estados Unidos. 0 fogo comec;:ou porque urn tecni~o utilizou uma vela para verificar urn vazamento de ar, em clara desobedienCla aos procedimentos de seguranc;:aestabelecidos, Alguns caminhos para 0 desastre potencial podem nao ser notados, Foram esquecidos em muitas ocasioes em situac;:oes de risco menor, e no caso dos riscos de alta consequencia as perigos muitas vezes so foram percebidos pe!as revisoes retroativas de dados e hipoteses, Isso aconteceu numa situac;:ao hipotetica quando urn estudo da Academia Nacional de Ciencias dos Estados Unidos foi solicitado para deter, , mmar os nscos para .0 a b'asteclmento d e aI' Imentos em caso d e uma guerra nuclear de certa intensidade, 0 grupo que dirigiu 0 estudo concluiu que a resultante reduc;:ao da camada de ozonio da Terra nao ameac;:aria os recursos ' ' aI, Imentares dos sobreviventes, pois muitos produtos que so brevlvenam numa atmosfera de crescente radiarao ultravioleta continuariam a ser cultivad~s, .,. dlaNenhum dos membros da equipe percebeu, pof(~m, que 0 aumento da ra c;:aotornaria praticamente produtos,I7 imposslvel trabalh ar no campo para cu I' tlvar esses Riscos de alta conseqiiencia constituem urn se d . " I' d ' " gmento 0 generallZ d c Ima e nsco caracteristico da modernidad t d' , a 0 e ar la - que se caractenza mu d anc;:asregu Iares nas reivindicaroes ao saber medl' d I' por 'I' d C b .,. a as pe os sistemas esp CiaIza os, omo 0 serva Rabinovitch' "U d' 'b e, ' ' m la OUVlmosso re 0 perigo d mercuno, e corremos a jogar fora latas de at d 1' 0 '. Urn e nossas prate elfas' d' segumte a c~~l1da a evitar pode ser a manteiga, que nossos avos conside~:vamla como 0 maximo para a s 'd· d 'd au e, e epOls evemos raspar a tinta a base de h urn b 0 d e nossas paredes H ' c , , , . ole 0 pengo esprelta nos fosfatos de nosso detergente favonto; amanha 0 de do apont ' "d h' 1 a os msetici as, que eram saudados a a guns an os como salvadores de milhoes de vidas d fc d d d d ' a orne e a oenc;:a As am_eac;:ase morte, a msanidade e - talvez ainda mais temlvel _ do ca~cer estao em tudo 0 que comemos e tocamos "18 I fc' 'h" d d ' SSO 01 escnto a vlnte anos' es e entao, Outros trac;:oscontaminados foram db' , d d esco ertos no atum alguns ~p~~ e etergentes considerados seguros no inlcio dos anos 1970 fo d:n~u:s;:nqua,nto ~g~n~ medicos dizem que e mais saudave1 comer mant:~~ recomend::raasrcmoams 0 eprafclx~s :eores de gordura, que eram antes amplamente e envelS, A questao nao e que a vida cot'd' , h ' , da do que' '-r I lana sep ole merentemente mais arriscaem epocas antenores .t que d' - d ' para os I ' '.' nas con Ic;:oes a moderllldade, tanto ara~s per~tos em campos espedficos, pensar em termos de risco e~geosStl~mUaatnl' to Pd vas e nsco c urn e ' ' carater e em ' , xerclClO quase que permanente, e seu reJac;:ao vast part~ lI~ponde,raveJ. Vale lembrar que somos todos leigos em a atividades d' ,a.ma~na ~~s sistemas especializados que interferem em nossas das institui ~anas, pro I erac;:aode especializac;:oesanda junto com 0 avanc;:o c;:ao parece mOlde~na~,e ~ crescente estreitamento das areas de especializaSe COn centra resu ta ~ II~evI:aveldo desenvolvimento tecnico. Quanto mais em Ue m as,es~eC1aIzac;:oes,tanto menor em termos re!ativos 0 cam 0 vida~le ~~:;~uer mdlvld~o po de reivindicar competencia; em outras areas ~a ana mesma sltuarao que tod d 'M quais os 'h .,. os os emalS, esmo em campos nos pentos c egam ao con d saber m d fc' senso, por causa a natureza cambiante do o erno, os e eltos de "ret "b serao amb' I' orno so re 0 pensamento e pratica leigos Iguos e comp Icados 0 r d 'd ' te para todo'" . c Ima e rISCO a moderllldade e inquietans, nmguem escapa, ~:s COl'1:ei . Jar atlvamente I: 0 risco claro q ue h'a d'fc I erenc;:asentre ' qUefazem p d j" os nscos que se carre voluntariamente e aqueles arte as Imltac;:6esda vida social ou de urn padrao de estilo de vida
  • a que se aderiu. Ambientes institucionalizados de risco geram algumas situa_ c;:oesdentro das quais os individuos podem escolher arriscar recursos escassos, inclusive suas vidas - como em esportes perigosos ou atividades similares. No entanto, a distinc;:ao entre riscos que sac assumidos voluntariamente e riscos que afetam 0 individuo de uma maneira menos intencional e muitas vezes confusa, e simplesmente nem sempre corresponde a divisao entre ambientes extrinsecos e ambientes institucionalizados de risco. Os fatores de risco que fazem parte de uma economia moderna, como ja foi dito, afetam a quase todos, independente de se 0 indivfduo e diretamente ativo dentro da ordem economica. Dirigir automovel e fumar sac outros exemplos. Dirigir e em muitas situac;:oes uma atividade voluntaria; mas ha certos contextos onde compromissos com estilos de vida ou outras limitac;:oespodem tornar 0 ato de dirigir urn carro quase uma necessidade. Pode-se comec;:ara fumar voluntariamente, mas uma vez que se torna urn vleio, passa a ter urn carater compulsivo, como 0 consumo de alcool.I9 Abrac;:arativamente certos tipos de risco e parte importante do clima de risco. Nguns aspectos ou tipos de risco podem ser valorizados em si mesmos - a euforia que pode provir de dirigir em alta velocidade ou de maneira perigosa lembra a emoc;:aooferecida por certos empreendimentos institucionalizados de risco. Comec;:ara fumar diante dos riscos conhecidos para a saude pode demonstrar certa bravata que 0 indivfduo talvez considere psicologicamente satisfatoria. Se isso for verdade, tais atividades podem ser entendidas em termos de dimensoes de "risco cultivado" que serao mais discutidas adiante. Mas, a aceitac;:ao passiva dos perigos de certas praticas como dirigir o~ fumar por amplos setores da populac;:ao deve ser interpretada, em parte c~nslderavel, de maneira diferente. Dois tipos de interpretac;:ao tern sido oferecldas. Vma e que as grandes corporac;:oes e outras agencias poderosas conspiram para enganar 0 publico sobre os verdadeiros niveis de risco, ou usam a propagan~a e outros metodos de condicionamento para assegurar que uma proporc;:ao substancial da populac;:ao se envolva nesses habitos de risco. A outra sugere que a maioria dos leigos nao e sensivel ao risco individualmente distribufdo o,u adiado - ainda que reajam fortemente a desastres coletivos ou a riscos malS "visiveis". Ambas as explicac;:oestendem a dar enfase consideravel a compo, . 'd nentes aparentemente IrraclOnals a ac;:ao,N en h uma d eIas parece particular~ :ne~te convincen,te, embor~ sem ~uv,ida am~as .ap~n~em par~ fatoresv;;;a~ mtelramente desntufdos de ImportanCia. As pnnclpals mfluenCias en,vol d S provavelmente derivam de certas caracteristicas do planejamento da Vida e a habitos do estilo de vida. Como as praticas espedficas sac ordinariamente d'Ingl'd as a urn conJunto mtegra 0 d e h altos d e estl'I0 d'd VI a, os III . "d 'b' 'divfdu,os e enS ' . nem sempre, e quem sabe nem mesmo em geral, ava Ilam os nscos com olt separad~s, cada urn em seu proprio dominio. 0 planejamento da vid . " "d' a cons 1dera urn pacote e nscos, em vez de calcular as implicaroes de setores distintos de comportamento de risco. Em outras palavras, assumir cenos riscos na busca de urn certo estilo de vida e aceito como dentro dos "Iim' . "d Ites toleravels 0 pacote como urn todo. y Os individuos pro~uram coloni~ar 0 futuro para si mesmos como pane integrante de seu planejamento da VIda. Como no caso dos futuros coletivos o grau em que 0 dominio futuro pode ser invadido com sucesso e limitado ~ sujeito as diversas incenezas da aferic;:aodo risco. Todos os individuos monra:n um demonstrativo de estimativas de risco, que podem ser mais ou menos articuladas, bem informadas e "abertas"; ou, alternativamente, inerciais. Pensar em termos de riscos se torna mais ou menos ineviravel e a maioria das pessoas tambem esta consciente dos riscos da recusa a pensar desta maneira, ainda que decidam ignorar tais riscos. Nas complexas situac;:oesreflexivas da alta modernidade, viver no "piloto auto matico" se torna cad a vez mais difleil e se torna tambem mais diflcil proteger qualquer estilo de vida, por mai~ firmemente estabelecido que seja, do clima geral de risco. . E ~reciso ~ompreender bem 0 argumento neste ponto. Boa parte da estl:nanva de nsco se da ao nivel da consciencia pratica e, como indicaremos abalxo,.o casulo protetor da confianc;:a basica bloqueia a maioria dos eventos ~ot~nClalmente perturbadores que interferem nas circunsra.ncias da vida do mdlviduo. Estar "a vontade" no mundo e certamente problematico na era da :lt~ ~~dernidade, em que 0 referencial de "atenc;:ao"e 0 desenvolvimento de hlstonas compartilhadas" com os outros sac realizac;:oesbasicamente reflexiv~s: Mas tais historias muitas vezes criam situac;:oesem que a seguranc;:aontologlca s~ Sustenta de maneira nao problematica, pelo menos em fases espedficas da VIda de urn individuo. Risco, confians:a e o mundo 0 casulo protetor das "p d' ,. , a arenClas normals , Ja 0 Isse e mals do que slmplesmente 'b' ' a e~1 urao mutuamente sustentada de interac;:ao que os indivfduos fazem entre Sl.As r t' , d' 'd ,. , es 0 mas que os m IVI uos seguem, a medlda que seus cammhos no pac;:o-tempo se cruzam nos conrextos da vida diaria, constituem essa vida enquanto " I"" " I" norma e prevIslve . A normalidade e manejada em fino detalhe nas tessituras d "d d . I ' , a atlVI a e socia - ISSOtambem se aplica ao corpo e a art1culac;:aodos I . 'd . d' , " , ' e, envo Vlmentos e proJetos 0 m IVlduo. 0 mdlvlduo precisa Star la em ca 20 " , , 0 Proteglda e rne e osso, e a carne que e d eu corporeo'-' deve ser crOnIcamente 'd a - na Ime d'Ian'd a e de cad a sltuac;:ao condlana asslm . , . socorn urn A • '" .,
  • como no planejamento da vida que se estende no tempo e no espaero.0 corpo esta em certo sentido permanentemente em risco. A possibilidade de ferimen_ to corporal esra sempre presente, mesmo no mais familiar dos ambientes. A casa, por exemplo, e urn lugar perigoso - grande proporyao dos ferimentos serios sac provocados por acidentes no meio domestico. "Urn corpo", Como diz concisamente Goffman, "e uma pep de equipamento conseqiiente, e seu , dono esta sempre manten d0-0 na I' h" 21 m a. Sugeri no capitulo 2 que a confianera basica e fundamental para as conexoes entre as rotinas diarias e as aparencias normais. Dentro das circunstincias da vida cotidiana, a confianera basica se expressa como urn parentese em torno de possiveis eventos ou questoes que poderiam, em certas circunstincias, causar sobressaltos. 0 que out~ssoas parecem fazer, e quem elas parecem ser, e geralmente aceito como 0 qu~s realmente fazem e quem realmente sao. Consideremos, porem, 0 mundo do espiao que, no interesse da autopre~vaerao, nao pode aceitar 0 ambito das aparencias normais da mesma maneira que as outras pessoas geralmente 0 fazem. 0 espiao suspende parte da confianera generalizada que e geralmente depositada nas "coisas como elas sao", e sofre ansiedades torturantes sobre 0 que em outras circunstincias seriam acontecimentos mundanos. Para a pessoa comum urn engano telefonico pode ser uma irritaerao menor, mas para 0 agente disfarerado isso pode ser urn sinal perturbador, que causa urn sobressalto. . A' Uma sensaerao fisica e psiquica de estar a vontade nas C1rc~~stanClas rotineiras da vida cotidiana, como foi destacado antes, so e adqUinda com grande esforero. Se em geral parecemos menos frageis do que realmente somos no contexte de nossas aeroese por causa de processos de aprendizado de longo .. . d . bilizadas A prazo atraves dos quais ameaeras potenclals sac evlta as ou Imo .. . . . h ,. I' - com obJetoS, aerao mals simples como camm ar sem calr, eVltar a co Isao , f: f:' d prendidas em atravessar a rua ou usar a raca e 0 gano, tlveram e ser a " _ . A' .. Imente tin h am conotaeroes d eCls. ' 'I 'vas 0 carater , nao clrcunstanCias que ongma da a .. 'd' , a ")' d eCIslvo"d e b oa parte d'd VI a COtl lana e resu Ita d 0 d e u ma atenrao trem d que so 0 estudo prolongado produz, e e crucial para 0 casulo protetor que to a aeraoregular supoe. T T. It de ' urnwe Esses fenomenos podem ser b em ana IIsad os usan d 0 a noer-ao de d' 'duos e . Goffman , urn nucleo de normalidade (realizada) com que os m lVI, una,I grupos se cercam,22 A noerao se origina do estudo do comportamento an rnOS . , A 'f' ' . ter II O s animals tern uma sensl'b'l'd ad e para a area ISlca clr cundante ern ,re t d en d e sensl'b'l'd a, e vana heiros das ameaeras que podem emanar dela. A area II diferentes especies. Alguns tipos de animais sac capazes de sennr sons" c , a · A'S anlrnalS, e movimentos a muitos quilometros d e d IstanCla; para outrO extensao da Urnwelt e mais limitada. No caso dos homens, a Umwelt inclui mais que as cercanias fisicas imediataS. Ela se estende por poreroes indeterminadas do tempo e do espaero, e corresponde ,ao sist~m~ ~e releva~ci~s" para usar 0 termo de Schutz, que ernoldura a vida do mdlvlduo. Os IndlVlduos estao quase sempre alertas para oS sinais que relacionam as atividades aqui e agora a pessoas ou eventos espacialmente distantes que Ihes digam respeito e a projetos de planejamento da vida de alcance temporal variado. A Umwelt e urn mundo de normalidade "ern movimento" que 0 individuo transporta de situaerao para situaerao, embora esse feito dependa de outros que confirmem esse mundo ou tomem parte em sua reproduerao. 0 individuo cria, como se fosse, uma "barreira move! de relevancia" que ordena os eventos contingentes em relaerao ao risco e alarmes potenciais. Movimentos no espaero e no tempo - a mobiJidade fisica do corpo a cada situaerao - centram a preocupaerao do individuo nas propriedades fisicas do contexto, mas os perigos contextuais sac monitorados em re!aerao a outras Fontes mais difusas de ameaera. Nas circunstancias globalizadas de hoje, a Umwelt inclui a consciencia dos riscos de aha conseqiiencia, que representam perigos de cujo alcance ninguem consegue escapar completamente. Nas situaeroes da modernidade, das quais a fortuna esta basicamente ausente, 0 individuo ordinariamente divide a Umwelt em acontecimentos projetados e acidentais. Os acidentais formam urn pano de fundo para as relevancias com as quais 0 individuo cria urn fluxo de aerao. A diferenciaerao tambe~ permite que a pessoa ponha entre parenteses to do urn conjunto de aco~teclmentos reais e potenciais, confinando-os a urn dominio que ainda precisa ser monitorado, mas com minimos cuidados. 0 corolario disso e que ~ad~ pessoa numa situaerao de interaerao supoe que muito do que e!a faz e Indl~erente para os outros - em bora a indiferenera ainda deva ser manejada em sltuaeroes publicas de co-presenera, na forma de codigos de desatenerao civil. Ao contrario do paranoico, 0 individuo comum e assim capaz de acreditar que momentos que sac decisivos para sua vida nao sac resuhado da sina. A sane eo' que precisamos quan d0 contemp Iam os uma aerao arriscada, mas e!a tem uma conotaerao mals amp Ia, tam b em, como melO de reiaclOnar a oportu' ' . , . nldade e a fata I'd ad e (como b oa ou ma')sorte . Como a dlstlnpo- entre 0 que e . . . I aCidentale 0 que nao e, mUltas vezes, c:: IIICI e traerar, porem, podem surglr -,. .id'L-·ld ' se . rtas tensoes quando os eventos ou atividades sac "mal interpretados" Como ,quan d 0 urn evento que afeta a outro e considerado parte de uma C onsPlrara 0, mas nao 0 e, ou vice-versa. A d escoberta de conspiraerao pode ser -,. C ")' ausa para alarme - urn marido e levado a suspeitar de infidelidade quando descob £ ' re que urn encontro casual de sua mulher com urn ex-amante afinal nao 01 tao casua I' aSSlm, A h" Ipotese d e con fi lanya generalizada que 0 reconheci-
  • menta de acontecimentos acidentais envolve diz respeito tanto a antecipa<;:6e do futuro quanto a entendimentos interpretativos correntes. Na maioria da: situa<;:oes de intera<;:ao, urn indivfduo supoe que os outros presentes nao usarao seu relacionamento corrente com ele como base para atos de malevolencia num momento futuro. A explora<;:ao futura de situa<;:oes correntes, porem, e sempre uma area de vulnerabilidade potencial. o casulo e a cobertura de confianfa que torna possivel Sustentar uma Umwelt vidvel. Esse substrato de confian<;:a e condi<;:ao e result ado da natureza rotinizada de urn mundo "sem incidentes" - urn universo de even_ tos reais e possfveis que cercam as atividades e projetos do indivfduo para 0 protetor futuro, em que 0 grosso do que acontece nao tern consequencias para a pessoa de que se trata. Nesse sentido, confian<;:a incorpora eventos reais e possfveis no mundo fisico, e tambem encontros e atividades na esfera da vida social. Viver nas circunsrancias das institui<;:oes sociais modernas, em que 0 risco e reconhecido como tal, cria certas dificuldades espedficas para 0 investimento generalizado de confian<;:a em "possibilidades descontadas" - possibilidades que sac postas entre parenteses como irrelevantes para a auta-identidade e objetivos do indivfduo. A seguranc;:a psicologica que concep<;:oes de sina podem oferecer esra exclufda de antemao, da mesma forma que a personaliza<;:ao de eventos naturais na forma de espfritos, demonios e outras entidades. A intromissao cronica e constitutiva dos sistemas abstratos na vida cotidiana cria problemas adicionais influenciando a rela<;:ao entre a confian<;:a generalizada e a Umwelt, Nas condi<;:oes sociais modern as, quanto mais 0 indivfduo procura forjar reflexivamente uma auto-identidade, tanto mais estara consciente de que as praticas correntes moldam os resultados futuros. Na medida em que as concep<;:oes de fortuna sac completamente abandonadas, a aferi<;:ao do risco - ou o equilfbrio entre risco e oportunidade - se torna 0 elemento central da coloniza<;:ao pessoal de domfnios futuros. Mas uma parte psicologicamente crucial do casulo protetor e 0 desvio em termos d·e rISCOsupoe. das perigosas consequencias ~ue ~ Como a ana'I'Ise d os per fis de rISCOe . pensamento d as pro b a b'I'd a d es, d ~ dlferenparte central da modernidade, 0 conhecimento II de tes tip os de atividades ou eventos constitui urn dos meios pelos quais ISSO ~o I ser realizado. 0 que pode "dar errado" e posto de lado por ser tao improvave ~ " 'L . Vlapr de aVlao e geralmente consl 'd era d 0 como a lOrma mals seg uradetranS ,_ , . cntenos. 0 rISCO e morrer num aCI en te de aVlaO, " . 'd 'd porte em termos de vanos ' , 'damente urn ern para as compan h" aereas comerClalS regu I'd las ares, e e aproxlma 'os 'd' ' numero 0 b tl'd 0 d'IVI 10d 00 numero t 0 tal de VIage aS , 'rn de passageiros num determinado perfodo de tempo pelo numero de V,dtl oa • de acidentes durante 0 mesmo perfodo. 23 As vezes se d'IZ que estar senta 0 do poltrona de urn aviao a oito quilometros de altitude e 0 lugar mais seguro 850.000 por viagem - mundo, tendo em vista ~ numero de acidentes que acontecem em casa, no trabalho e em outros amblentes comuns. Mas muitas pessoas Continuam com medo de voar, e certa minoria que tern os recursos e a oportunidade de via'ar 'L Io. N- conseguem tlrar de suas mentes como seria J se . de aVlao recusa-se a lazeao as coisas dessem errado. A E interessante que algumas dessas pessoas aceitam viajar pelas estradas sem rnuita preocupa<;:ao, ainda que provavelmente estejam cientes de que os riscos de ferimentos graves e de morte sejam maiores. 0 peso do contrafactual parece ser muito importante nisto - por horrfveis que os acidentes na estrada possam ser, talvez nao evoquem 0 mesmo grau de terror do cenario de urn acidente de aviao. o adiam~nto ~o t~mpo e a disrancia no espa<;:o sac tambem fatores que podem, reduzIr a mqul,eta<;:ao que a consciencia do risco como risco pode produZIr. Uma pessoa Jovem de boa saude pode estar bem consciente dos ~isco~ de fumar" mas confinar os perigos potenciais a urn tempo que parece mfimtamente ~Ista~te no fut~ro -.quando chegar aos 40 - e assim apagar eficazmente tals pengos. Os nscos dlstantes dos contextos cotidianos da vida do. indivfduo - como os riscos de alta consequencia - tambem podem ser d_e,xados.de fora da Um.we1t. Os peri?os que apresentam, em outras palavras, sa~ c~ns,derados s~fic,entemente dlstantes dos envolvimentos praticos da ~ropna pessoa e asslm nao devem ser seriamente contemplados como possibilidades. Mas a ideia de sina se recusa a desaparecer de vez, e e encontrada em ~stra.nha combina<;:ao com no<;:oes de risco de tipo secular e com atitudes de atahsmo. Uma cren<;:a na natureza providencial das coisas e uma das maneiras ~m que uma concep<;:ao de fortuna aparece - fenomeno importante conectao c?m c~r~as caracterfsticas basicas da propria modernidade. Interpretaroes provide d h' " I ")' _ nClals a Istona eram e ementos importantes na cultura iluminista e nao surpreende 'd' d . ' que seus resl uos am a sepm encontrados em mod os de pensar n'd 'd' A' d a VI a COtl Iana. tltu es em rela<;:ao a riscos de alta consequencia provave!mente m .tAL , Pod . UI as vezes retem lOrtes tra<;:os de uma visao providencial. emos Vlver num m d I" d' d " un 0 apoca IptlCO, lante e uma serie de perigos gl b ' o als; e 0 mdlvfduo d' . , . e '. po e Imagmar que os govern os, Clentlstas ou outros sPeclallstas te' d d I 0 CnICos serao capazes e ar os passos apropriados para enfrentaOs u t" d ' en ao sente que tu 0 vai dar certo no fim". Alternativamente e 'd d ' L ' . ta ' ' ssas atltu es po em calf no latallsmo, Urn etos fatallse Uma resposta ge al 'I I tod r posslve a uma cu tura secular de risco. Ha riscos que ltI Os enfrentamos mas em re!a<;:aoaos quais, enquanto individuos _ e talvez esmo coletivame t - h' ' a n e - nao a mUlto que possamos fazer. As coisas que COntecem na vida, urn defensor de tal orienta<;:ao pode dizer, sac afinal
  • resultados do acaso. Portanto, bem podemos decidir que "0 que tiver de set sed." e deixar as coisas como estao. Dito isso, seria dificil ser fatalista em toda~ as areas da vida, dadas as pressoes que hoje nos impelem a uma atitude ativa e inovadora em relacrao a nossas circunsra.ncias pessoais e coletivas. 0 fatalismo em contextos espedficos de risco tende a evoluir para as atitudes mais abran_ gentes do que em outro lugar chamei de "aceitayao pragmatica" ou "pessimis_ mo dnico". A primeira e uma atitude de lida generalizada - aceitar cada dia como vier - e 0 ultimo repele as ansiedades com urn humor cansado do mundo.24 Ha muitos eventos nao buscados que podem atravessar 0 manto protetor da segurancra ontologica e provocar sobressaltos. Estes aparecem de todas as formas e tamanhos, desde 0 aviso de quatro minutos do Armagedom ate 0 proverbial escorregao na casca de banana. Alguns sao sintomas ou falhas corporais, outros sao ansiedades provocadas pelo fracas so real ou previsto de urn projeto acalentado, ou por eventos inesperados que invadem a UmweLt. As situacroes mais dificeis para 0 individuo dominar, porem, sac aquelas em que o sobressalto coincide com mudancras consequenciais - momentos decisivos. Neles, 0 individuo provavelmente percebe que enfrenta urn conjunto alterado de riscos e de possibilidades. Em tais circunsrancias, e levado a questionar habitos rotineiros de especies relevantes, as vezes ate mesmo aqueles mais fortemente integrados a auto-identidade. Varias estrategias podem ser adotadas. Uma pessoa pode, por qualquer razao, simplesmente prossegui~ com os modos estabelecidos de comportamento, escolhendo talvez desconslderar se eles se adaptam ou nao as novas demandas da situacrao. Em algumas situacroes, no entanto, isso e impossivel - por exemplo, alguem que se separou. do conjuge nao po de continuar da mesma maneira que quando casado. MultoS .. , . . . 'd mornentos d eCIslvospor sua propna natureza 0 b ngam 0 m d·IVI u 0 a mudar de habitos e a reajustar projetos. es . . . 'd Momentos decIslvoS nem sempre "" acontecem aos m d·IVI uos - as. vez · ... hzados sac cultivados ou deliberadamente procura d os. Am b lentes mstltUClOna de risco, e outras atividades de risco mais individualizadas, fornecen: um2~ . . ' Importante categona d·e sltuacroes em que a fata l·d ad e e a tl·va mente cnada. I . 'T. . 'I a eXI Icraod e au d'· ·b· h all b·l·d ade , capaCldade .e lalS sltuacroes torn am posslve aCla, . d· s envolv1perseverancra, onde as pessoas estao c Iaramente consclentes os nsco , . . ue faha as dos no que estao fazendo mas os usam para cnar uma mcerteza q . circunsrancias rotineiras. maioria dos ambientes institucionalizados de r1S~ . uSlve os d 0 setor economlco, sac competlcroes - esparos em qued co, Inc I· risco coloca os individuos frente a frente, ou contra obstaculos no mun a . d·f, enffsico. Competicroes requerem uma acraocomprometida e oportunlsta 1 er er te da das situacroes de "puro azar " , como a I· otena. A s emocroes qu e podern s A A· - • - T atingidas no risco ~~ltivado dependem da exposicrao deliberada a incerteza, e errnitem que a atlvldade em questao se destaque das rotinas da vida com urn. ~s ernocroespodem ser buscadas no alto risco, imediatamente como espectador de esportes ou em atividades onde 0 nivel real de risco para a vida e para 0 corpo e pequeno, mas onde situacroes perigosas sac simuladas (como uma corrida de patins). A emocrao das atividades de risco, como diz Balint, envolve diversas atitudes discerniveis - consciencia da exposicrao ao perigo, exposicrao voluntaria a tal perigo, e uma expectativa mais ou menos confiante de supera10.26 as parques de diversoes imitam a maioria das situacroes em que as emocroes sac procuradas em outros lugares, mas de uma maneira controlada que Ihes subtrai do is elementos-chave: 0 dominio ativo do individuo; e a incerteza que clama por aquele dominio e permite que ele seja demonstrado. Goffman observa que alguem fortemente inclinado a assumir riscos como urn jogador inveterado - e capaz de discernir oportunidades para a intervencrao da sorte em muitas circunsrancias que outros tratariam como rotineiras e tranquilas. Descobrir tais angulos, podemos acrescentar, e uma maneira de gerar possibilidades para 0 desenvolvimento de novos modos de atividade em contextos familiares. Pois onde a contingencia e descoberta, ou fabricada, situacroes que pareciam fechadas e pre-definidas podem parecer outra vez abertas. 0 cultivo do risco converge aqui com algumas das orientacroesmais basicas da modernidade. A capacidade de perturbar a fixidez das coisas, de abrir novos caminhos e assim colonizar urn segmento de urn futuro novo e parte do carater desestabilizador da modernidade. Poderfamos dizer que 0 cultivo do risco representa urn "experimento com ~ confiancra" (no sentido da confiancra basica) que consequentemente tern Implicacr6es para a auto-identidade do individuo. Poderfamos redefinir a "expectativa confiante" de Balint como confiancra - confiancra em que os perigos que sao deliberadamente cortejados serao superados. Dominar tais perigos e urn ato de autojustificacrao e uma dernonstracrao, para 0 eu e para os outros, de que se pode sair de circunsrancias dificeis. 0 medo produz a emocrao, mas e 0 medo que e redirecionado em forma de dominio. A emocrao do risco cultivado Senutre daquela "coragem de ser" que e caracteristica da primeira socializacrao. A Coragem e demonstrada no risco cultivado precisamente como uma quali~ade que e posta em julgamento - 0 individuo se submete a urn teste de Integridade mostrando capacidade de perceber 0 lado "de baixo" dos riscos (u: corre, e segue em frente apesar de tudo, mesmo nao sendo obrigado a daze-lo. A procura da emocrao ou, de maneira mais s6bria, da sensacrao de do~inio que vem com 0 enfrentamento deliberado do perigo, sem duvida enva em parte de seu contraste com a rotina. Mas tambem toma combustivel Psicol6gico do contraste com satisfacroes adiadas e mais ambiguas que surgem
  • de outros encontros com 0 risco. No risco cultivado, 0 encontro com 0 pe ' ~ ~'d . 'd d ngo e sua reso Iu<;:aoestao reum os na mesma anvi a e, enquanto em OUtrs situa<;:oes0 resultado das estrategias adotadas pode nao ser conhecido sen: , ao Trata-sede u~: coloniza<;:aodo tempo, e de u Qrge~mento do espa<;:o ma vez que provisoes para 0 futuro tornam-se desnecessarias para 0 consuml-" . . ~ , U dor individual. De fato na~ ~a va~tagem em empilhar estoques de comidaembora alguns, possam decidu faze-lo, considerando riscos de alta cons equen.. .' cia _ " ' a Vida comum numa economla monetana que funciona com vigor, para ' .' Tal pranca au~entana os custos, pOlS comprometeria renda que de outra maneira p~dena ser. usada para outros fins. A acumula<;:aode qualquer forma ~ao. ~oden~ ser malS do q~e uma est~ategia de curto-prazo, a men os que 0 IOdlvlduo nvesse desenvolvldo a capacldade de fornecer sua pr6pria alimentas:ao.Enquanto a pessoa confiar no sistema monetario e na divisao do trabalho os dois sistemas p~rmitem maior seguran<;:ae previsibilidade do que poderi~.,L ser obtido por qualsquer outros meios. I Como .outra ilus,tra<;:a.o, consideremos 0 fornecimento de agua, de energia ~ara aqueclmento e dumllla<;:ao, e de servi<;:os saneamento de esgotos. Tais de Sistemas, e 0 saber de que dependem, atuam para estabilizar muitas das situa<;:oesda vida, cotidiana - ao mesmo tempo que ' com 0 0 d'In h euo, as . tra,nsformam ra~lcalmente em rela<;:aoaos modos de vida pre-modernos. Nos pal~es desen:olvldos, p~ra a maior parte da popula<;:ao, a agua s6 depende de abnr a t~rnel,ra, 0 aqueclmento e a ilumina<;:aotambem estao a mao, eo esgoto p~ssoal e rapldamente eliminado por descarga de agua. 0 encanamento organl~a~o da ~gua reduziu substancialmente uma das maio res incertezas que afllg~am a vida em muitas sociedades pre-modernas, 0 carater inconstante do supnmento de'. agua. 27 A agua encana d a, prontamente disponfvel nas casas ' tornou possfvels os padroes de limpeza e higiene pessoais que tanto contribui~ r~m para a melhora da saude. A agua corrente tambem e necessaria para os Sistemas moder nos de' esgotos, e portanto IOIlmportante para a contribuis:ao . e que 0 saneamento trouxe para a sau e. A eIetnci ad e, 0 gas e os combustfveis 'd "d s61'd I os tambem ~Judid a regu ar pa roes de conforto corporal, fornecendo . am ~ en' ergla para co h ar e para a opera<;:ao de muitos apare!hos domesticos. Tod ,Zlll tor as tern a~blentes regulares de atividade dentro e fora da casa. A luz e!etrica nou d . 'd' ' gover POSSIVe! colonizarao d a nOlte. 28 N 0 melO omestlco, as rotlllas sao I a ,T A anos depOls, Os sistemas abstratos da modernidade criam gran des areas de seguran<;:arelativa para a continuidade da vida cotidiana. Pensar em termos de riscos certamente tern aspectos inquietantes, como foi sugerido antes, mas tambem e urn meio de procurar estabilizar os resultados, urn modo de colonizar 0 futuro. 0 ritmo mais ou menos constante, profundo e rapido da mudan<;:acaracterfstica das institui<;:oesmodernas, juntamente com a reflexividade estruturada, significa que ao nfvel da pratica cotidiana, e tambem da interpreta<;:ao filos6fica, nada pode ser tido como certo. 0 comportamento aceitavel/apropriado/recomendado de hoje pode ser considerado de maneira diferente amanha a luz de circunsrancias alteradas ou de novos conhecimentos. Mas ao mesmo tempo, no que diz respeito a muitas transa<;:oesdiarias, as atividades sac rotinizadas com sucesso atraves de sua recombina<;:ao no tempo e no espa<;:o. Consideremos alguns exemplos. J~heiro oderno e urn sistema abstrato de extraordinaria complexidade, Importante [Iustra<;:aode urn -sistema siinb61ico que conecta processos verdadeiramente globais as trivialidades mundanas da vida diaria. A economia monetaria ajuda a regularizar a provisao ae muitiS necessidades diarias, mesmo para os estratos mais pobres nas sociedades desenvolvidas (ainda que muitas transa<;:oes,incluindo algumas de natus ; reza puramente economica, sejam manejadas em termos nao monetario ). 0 dinheiro se mistura a muitos outros sistemas abstratos nas arenas globais e nas economias locais. A existencia do cambio monerario organizado torna possi, «, d' d e depende vels os contatos e trocas a IstanCla no tempo e no espa<;:o e qu esse entrela<;:amento de influencias globais e locais, Em conjunto com nnl u,m,a d" d 0 tra b aIh 0 didcomp exi ad e seme Ih'ante, 0 sistema moneta 'rio ro dIVlsao e . ~ db' ," 'd 'd' A variedade e za a provisao os ens e servI<;:os necessanos a VI a con lana. 'do bens e comidas disponiveis para qualquer indivfduo nao s6 e muito malar , overalS que nas economias pre-modernas, mas essa disponibilidade nao e m g ~ d' I'd'" d I AlimentOS sa7,o na d a tao Iretamente pe as 1 lOsslllcraslas e tempo e I ugar. ' e , do ana, nals, por exemplo, hoje podem ser obtidos em qua quer epoca jaO ' " au reg pro dutos que slmplesmente nao podem ser culnvados em cerro pais podem ser regularmente obtidos nele, A ." ( ) A de d' na as,pe a necessldade de sono diario regular e nao mais pe!a alternancia cres la e nolte qu e po d e ser atravessada sem qualquer dificuldade. Fora do lar " cente numero d e orgamza<;:oesopera vlllte e quatro horas por dia. '~' ' A' ~ . lnterven<;:aotecnol6 gi'd' na natureza e con I<;:ao desenvolvimento de SIStem b ca do as d stratos como esses' mas e c aro que tam b'em afeta muitos outros a 'd' 'I aspecto . ' lza<;:ao IIZar U' s a VI a social mod erna. A'" socia I' ~ d a natureza " aJudou a estabima vanedade de' III fluenclas so b re 0 comportamento humano que antes eram . '" lllent lrregulares ou j mpreVlSlvelS. 0 controle da natureza era urn empreendi' o lmportante em ep ocas pre-mo ernas, especlalmente nos gran des esta'd . A'
  • dos agrarios, em que esquemas de irrigayao, a derrubada de florestas e L" modos de manejo da natureza para b enenclo d 0 h omem eram lug OUtro s ., , ares-co muns. Como destacou Dubos, a Europa p entrou no penodo moderno c urn ambiente amplamente socializado, formado por varias gerayoes de Ca °mo '29 M f,' mpo_ neses a partir das florestas e pantanos ongmals. as 01 nos ultimos d . OIS Ou tr<~s eculos que 0 processo de intervenyao human a na natureza se intensific s maciramente alem d· ISSO,nao se I"" Imlta mals a certas areas ou regioes Ou T' , . ' mas como outros aspectos da modermdade se tornou globahzado. Muitos aspectos da atividade social se tornaram mais seguros como resultado desses desenvol_ vimentos. Viajar, por exemplo, tornou se mais regular e seguro com a constru_ yaO das estradas modernas, e dos trens, navios e avi6es. Como aconteceu com todos os sistemas abstratos, enormes mudanyas na natureza e alcance das viagens se associam a essas inovayoes. Mas e facil hoje, para quem quer que tenha os recursos financeiros necessarios, encarar casualmente jornadas que h:i dois seculos s6 seriam enfrentadas pelos mais intrepidos, e teriam tornado muitissimo mais tempo. Ha mais seguranya em muitos aspectos da vida cotidiana - mas tambem e preciso pagar urn certo preyo por esses avanyos. Sistemas abstratos ~ependem de confianya, mas nao trazem nenhuma das recompensas morals que podem ser obtidas da confianya personalizada, ou de que se disp~nha ~m ambientes tradicionais a partir dos quadros morais dentro dos quais a vida cotidiana se desenvolvia. Ademais, a penetraayao geral dos sistemas abstratos , .. . 'd na vida cotl'd'lana cna nscos que 0 10d'IVI uo nao se encon tra nas melhores . . d e a Ita consequencla cae m nesta categona. .. condiyoes para en frentar; os nscos .. . .t MalOr mterdepen d enCla, ate 0 ponto d e mc Iusao d e SISe mas globalmente d . "fi' esmdependentes, slgm ICamalOr vu Inera b'I'd ad e quan d 0 oc orrem eventoS d II d o. r; que acon tece com .to os favoraveis afetando esses sistemas como urn to co r . . . p os exemplos menclOna d os aClma. 0 d'10h euo que uma pessoa pOSSUI, o mo , . 'I a pouco que seJa, esta" sUJelto a OSCI yoes d a econom. I'aglobal que nem mes'rio . diU tema moneta a mais poderosa das nayoes sena capaz e reso ver. m SIS h na a Aleman a local pode entrar em completo colapso, como aconteceu com I nao mentO ta veZ de cad a de 1920 - em algumas cucunstanClas, que no mo , I bal corn , . . 'dem monetana go, ada, OU possamos Imagmar, ISSOpo d'era acontecer a or I d esastrosas para b'lh-oes d e pessoas. Uma seca pro ong ezeSter conseqilenclas I , · d d a odem as v outros problemas com os sistemas centra IIza os e gua, p dernos oS ' , dos pre-mo d resultados mais perturbadores d 0 que tlveram em peno I ado e . , d' raclOnamentos peno'd' ICOS e agua; e qua Iquer r aCI'onamento pro ong oas . a f,eta as ativi'd ad es or d'" . , aenergla manas d e gran d'e nu mero de pess . bstanOV , .. f,ornece uma '1ustrayao sign ificatlva e su 'bilida de' -' A natureza soclahzada I . de plaus, mente muito importante. McKibben argumenta, com gran A •• A' A" • A • A' . ter~enyao humana no mundo natural foi tao profunda e abrangente a In . Izada e muito q ue h'e podemos Lid 0 "fi d a natureza. " A natureza socia I' fa ar 1m que oJ do antigo ambiente natural, que existia separado dos afazeres humate diferenIhes fornecla urn pano d e fi d 0 re I' . " un atlvamente Imutave I. "E' como a nos. e atureza que produz seus efeitos at raves daquilo que concebemos como annga n os naturais (chuva, vento, calor), mas nao oferece nenhum consoloProcess mundo humano, urn senti.do de permanenCla, ou mesmo de eternic. do a ruga d "30 . da e. natureza no senti'd'0 antigo, d'IZ M c K'bb en, era lmprevlslve I: tempesta. ., A I des podiam chegar sem aviso, maus veroes podiam destruir safras, enchentes devastadoras podiam decorrer de chuvas inesperadas. A tecnologia e 0 saber modern os tornaram possivel urn melhor monitoramento das condiy6es do tempo, e 0 manejo aperfeiyoado do ambiente natural permitiu a superayao de perigos existentes ou pelo menos a minimizayao de seus impactos. Mas a natureza socializada e sob certos aspectos menos confiavel que a "antiga natureza", porque nao podemos estar seguros de como a nova ordem natural vai se comportar. Tomemos a hip6tese do aquecimento global, fenomeno que, se estiver de fato ocorrendo, provocara 0 caos em to do 0 mundo. McKibben conclui que a evidencia disponivel ap6ia a visao de que 0 "efeito estufa" e real, e de fato argumenta que os processos envolvidos ja estao muito adiantados para poderem ser controlados eficazmente a curto ou medio prazo. Talvez esteja certo. A questao e que, no momento em que escrevemos, ninguem pode dizer com certeza que nao esta acontecendo. Os perigos gerados pelo aquecimenta global sao riscos de alta conseqilencia que enfrentamos coletivamente, mas sobre os quais uma estimativa precisa do risco e praticamente impossivel. A • Seguran~a, desqualifica~ao e sistemas abstratos Os sistemas ab stratos d esqua I'fiIcam - nao so no local de trabalho, mas em ' d I c~t'°d~ S~tores da vida social que atingem. A desqualificayao da vida social os I Iana e urn f, I' f ., Ali enomeno a lenante e ragmentador no que dlZ respelto ao eu. '. ' ""aenante porque' a Intromlssao d'os sistemas ab stratos, espeCiaImente os slste<., s esp 'l" preex' eCla lzados, em todos os aspectos da vida cotidiana solapa as formas ria d~:teJ1t~Sde controle local. Na vida muito mais fortemente local da maiohabilid s~cled~des pre-modernas, todos os indivfduos desenvolviam muitas 'idas c: ,~, e tlPOSde "saber local", no sentido de Geertz, relevantes para suas Illodos tl, l,anas. A sobrevivencia dependia de integrar tais habilidades em ~ do prba.t1cos e organizar as atividades nos contextos da comunidade local d am lent e f" ISICO.Com a expansao dos sistemas abstratos, porem, as t A
  • condic;:oes da vida diaria se transformam e recombinam em porc;:oes maio res d , d e tempo e espac;:o, e tais processos de desencalxe sac processos e perda. Mas seria errado ver essa perda como a transferencia de poder de alguns individuos ou grupos para outros. Transferencias de poder.ocorrem dessa ~~neira, mas nao sao exaustivas. Por exemplo, 0 desenvolvlmento da medlcma levou exclusao do saber e das habilidades curativas outrora possuidos por leigos. Os medicos e outros tipos de peritos derivam poder das reivindicac;:oes ao saber que seus codigos de pratica incorporam. Mas como a especializac;:ao inerenre a ao saber significa que os peritos sao leigos na maior parte das situac;:oes, 0 advento dos sistemas abstratos constitui modos de influencia social que ninguem controla diretamente. E justamente esse fenomeno que esra por baixo do surgimento dos riscos de alta conseqiiencia. Braverman estava enganado ao supor que, na esfera do trabalho, aconrece um processo de desqualificac;:ao em mao unica. No local de trabalho, saG constantemente criadas novas qualificac;:oes, que sac em parte desenvolvldas por aqueles cujas atividades for,a~ desqua~ificadas. ~go PAare~ido e ~erdade em muitos outros setores da atlvldade social onde a mfluencla dos sistemas abstratos se fez sentir. A reapropriac;:ao do saber e do controle por parte dos leigos e um aspecto basico do que as vezes chamo de "dialetica do con~role", Por mais qualificac;:oes e formas de saber que os leigos percam, ele~ ~ontmu:m qualificados e competentes nos contextos de ac;:aoem qu~ suas atlvI~ades tern lugar _ contextos que, em parte, essas atividades reconstltu~m contmuame~te. A qualificac;:ao e a competencia cotidianas mantem assln: uma c?nexao dialetica com os efeitos expropriadores dos sistemas abstratos, mflu~n:la~do e reformulando continuamente 0 impacto de tais sistemas sobre a eXlstenCla no dia-a-dia. . , tas Clrcunsque esta envolvido nao e apenas a reapropnac;:ao mas, em cer tancias e contextos, 0 empoderamento. Juntamente com 0 desencaixe, a expan, 'd d d der de poder sao dos sistemas abstratos cna quanti a es crescentes e po d . I C ondiroes e que os homens tem de alterar 0 mun d 0 matena e tranSlOrmar as c , , " _ ' - d d C oportunidades genesuas propnas ac;:oes. A reapropnac;:ao esse po er Olerece , ento , _ " " 'E ncas nao d'Isp0nlvels em eras h'Istoncas antenores, s se empoderam , 'e , " I' b I t e ses dois nivels seJa tanto mdlvldual quanto co etlvo, em ora as re ac;:oesen re s I muitas vezes emaranhada e dificil de elucidar, tanto pelo analista quanto pe 0 o leigo no nivel da vida cotidiana, de A profusao de sistemas abstratos esra diretamente li,gada aos panoramas ha escolha que confronram 0 individuo na atividade diana. De um lado, , " I ' I' de fazer as multas vezes uma selerao a ser felta entre manelras ocals ou elgas , , - e coisas e procedimentos oferecidos a partir dos sistemas abstratos. Isso naO I , slmplesmente um con f ronto d" tra d" 0 IClOnaI" com 0 mo d er no , embora ta , ra~ seja bastante comum. Como resultado de processos de reapropriarao SltUa, .' ' , abre-se um num~ro mdetermmado de espac;:os entr~ a crenc;:a e a pratica leigas a esfera dos sistemas abstratos. Em qualquer sltuac;:ao, se os recursos de ;empo e outros requ.isitos _estiver:m dade de uma requallficac;:ao parcial dispo~iveis, 0 individuo tem a possibiliou mals completa em relac;:ao a decisoes espedficas ou cursos de ac;:aocontemplados. Empoderamento e dilemas do saber Consideremos, por exemplo, uma pessoa com dor nas costas. Que deveria fazer para procurar tratamento? Se estivesse na Inglaterra, poderia ir a urn c1inico geral ligado ao Servic;:o Nacional de Saude. 0 clinico geral talvez a encaminhasse a urn especialista, que poderia fazer recomendac;:oes ou oferecer servic;:osque a satisfizessem. Mas tambem poderia acontecer que ela descobrisse que nada do que 0 especialista tivesse sugerido of ere cia qualquer ajuda no alivio da condic;:ao que a afligia. 0 diagnostico de problemas de dores nas costas e notoriamenre problematico, e a maioria das formas de tratamento d.is~oniveis sac controversas dentro e fora da proflssao medica. Alguns especlaltstas, por exemplo, recomendam a cirurgia de hernias de disco. Mas ha estudos indicando que pacientes com 0 referido problema de disco tem tanta chance de recuperar-se sem cirurgia como com ela. Ha grandes diferenc;:as ent~e os paises em relac;:ao a questao. Assim, 0 numero de pacienres por mil habltantes para quem sao recomendadas cirurgias de disco e dez vezes mais e1evado nos Estados Unidos do que na Inglaterra, e a diferenc;:a representa, entre Outras coisas, uma variac;:ao nas f1losofias gerais sobre a melhor forma de tratar dores n as costas entre os d'OIS palses, S e d eCI Ir mvestlgar mals, nosso , 'd" . , , pacle~t~ descobriri que em drculos medicos orrodoxos ha enormes diferenc;:as ~e 0~1111aosobre tecnicas de operac;:ao, ainda que haja acordo sobre a tecnica InVaSlva com,orne Ih or estrategJa. P or exemp I0, a Iguns clrurglOes prelerem a " ' 'C , , ll11crocIrUrgla em re Iac;:aoa proce d' Imenros clrurglCos mals convenClOnalS para , " , " a coluna. Apr~fundando sua investigac;:ao, 0 pacienre descobriri que ha disponivel u;na vanedade de outros metodos de terapia da coluna, cujos proponentes allrmam s'erVIr para h" ernlas d e d'ISCOe para outros problemas, transitorios ou permanent es. E ssas terapJas 'd'C lJerem nao so nas fOl'mas de tratamento of, que erecem , mas em re Iac;:ao a mterpretac;:ao que lazem - " cd' as ongens d as d ores e patologias da c o Iunas. A osteopatla 'b' se asela em pnnClplOS d'llerentes d aque Ies ,,' C queoq' ulrogral1co uti 'I'lza. Cd a uma dessas orientac;:oes contem ainda escolas ,c. a em competic;:ao, Outras formas disponiveis de tratamento da coluna incluem
  • fisioterapia, massagens, acupuntura, exerdcios, reflexologia, sistemas de ajuste postural como 0 Metodo Alexander, terapias com drogas, dietas, imposi<;:ao das maos - e tambem outros metodos terapeuticos. Uma escola de pensamento aflrma que a grande maioria dos problemas da coluna, inclusive alguns de natureza muito seria, tern sua origem em disturbios psicossomaticos, e devem portanto ser tratados remediando as Fontes da tensao, sem concentra_ eritos discordam com tanta frequencia, mesmo profissionais no centro de ~m determinado campo de conhecimento podem se encontrar em posi<;:ao muito semelhante a do leigo diante de decisao analoga. Num sistema sem autoridades definitivas, mesmo as cren<;:as mais acalentadas subjacentes aos sisternas especializados estao abertas a revisao, e muito comumente sac alteradas de maneira regular. 0 empoderamento esta disponfvel rotineiramente <;:aodireta nas proprias costas. Segundo tais escolas, psicoterapia, medita<;:ao, ioga e outros modos de relaxamento, ou uma combina<;:ao deles, fornecem 0 para 0 leigo como parte da reflexividade da modernidade, mas muitas vezes ha problemas sobre como esse empoderamento se traduz em convic<;:6es e em a<;:ao.Urn certo elemento de fortuna, ou de fatalismo, permite assim que a pessoa chegue a uma decisao que so pode ser parcialmente garantida a luz da informa<;:ao local e especializada disponivel. melhor modo de tratamento. A essa altura, 0 paciente pode, de modo muito razoavel, chegar a conclu- sao que ja chega e resolver informar-se sobre a natureza de s~a q~eixa e os possiveis remedios. Estao disponiveis no mercado popular mUltos livros nao tecnicos sobre a coluna. A maioria faz uma interpreta<;:ao do estado geral do saber medico sobre 0 assunto e tenta fornecer urn guia informado das terapias disponiveis. Ha certamente consenso entre as autoridades (que em out~os aspectos discordam) sobre a anatomia estrutural do corpo. Nao demora mult? ate que 0 paciente alcance urn entendimento basico dos problemas estruturals que afetam sua coluna. A requalifica<;:ao/apropria<;:ao seria prontamente possfvel em rela<;:ao ao aprendizado das linhas gerais dos diferentes trata~e~tos disponfveis e como estes se comparam com aqueles sugeridos pelo espeCl~lista original. Decidir sobre qual escolher se~a mais di~fcil, porque 0 pac~ent~ precisara comparar as varias afirma<;:6es feltas pelas dlferentes escola~. N~o ha autoridade maxima a quem recorrer - dilema caractedstico da mUltas sltua<;:6esnas condi<;:oes da alta modemidade. Mas se essa pessoa se dedica apropriadamente a requalifica<;:a~, uma escoIha razoavelmente informada pode ser feita. Tais escolhas nao sao slmplesmente op<;:6es comportamentals . - ten d em a vo Itar-se so b re a narr ativa da auta.. a .. ' . Identldade, que tam b em aJu d am a diU esenvo ver. ma d'eClsao e ntre a medlCW _ . I ' , t uma questao convencional e a de alta tecno Iogla, por exemp 0, e so em par e ' "d' I isa" sobre 0 de escolha informada - normal mente e Ia tam b em IZ a guma co . .c. ' d' 'd 'eguindo urn estilo de vida da pessoa. Pode slgnmcar que 0 In IVI uo esta s 'd I . to com cerpadrao de comportamento razoavelmente esta b e IeCl 0, ta vez Jun . I 0 elfnleo tas formas de deferencia. Isso pode acontecer se a pessoa consu tar . ue 0 geral e depois 0 especialista recomendado, e simplesmente segulr 0 q fid s da pro IS segundo sugere, em deferencia a ambos como mem b ros d estaca ~ de ente C ' sac medica. Optar por uma IOrma d e me d" Icma a Iternatlva, esp eClalm . " . d' I' I 'sobre cerras uma das vanedades mals esotencas, po e sma Izar a gum a COisa . decisoes de estilo de vida que a pessoa tama, e de fata contribuir para IS:O~de Na maioria de rais decisoes, provavelmenre se misturam concep<;:oe s . 'd Comoo fortuna, fatalismo, pragmarismo e risco consclentemente assuml O. Foi destacado anteriormente que ninguem pode se livrar completamente dos sistemas abstratos da modernidade - essa e uma das consequencias de viver num mundo de riscos de alta consequencia. Mas e claro que os estilos de vida e setores do estilo de vida podem ser ajustados para navegar entre as diferentes possibilidades oferecidas num mundo reconstituido pelo impacto dos sistemas abstratos. A confian<;:a em alguns ou em muitos dos sistemas que rotineiramente ou de maneira esporadica interferem com a vida do indivfduo pode ser s~spensa. Seria muito diflcil, se nao impossfvel, retirar-se completamente d~ sistema monetario modemo. Mas 0 individuo po de escolher manter seus atlvos na forma de bens ou de propriedade pessoal; e pode reduzir ao minimo suas rela<;:6es com bancos e outras organiza<;:6es financeiras. Muitas nuances possfveis de ceticismo ou de duvida podem ser conciliadas com uma atitude pra gmatlca ou I:' " latalista em rela<;:ao aos sistemas abstratos que afetam nossas chances de vida. ?utros podem tomar decisoes sobre estilos de vida que os levam de volta na dlrerao d as auton 'd a d es malS tra d" . . C . )' IClOnaiS. 0 IUn d amenta I'Ismo re I'IglOso, Pbor exemplo, oferece respostas c1aras sobre 0 que fazer numa epoca que a ' c. . . . d andono . u as auton 'd a d es d el1llltlvas - que podem ser novamente conJurauas pela lllvoca<;:ao das antigas formulas da religiao. Quanto mais "inclusiva" a c:: de~erminada denomina<;:ao religiosa, mais ela "resolve" 0 problema de c 1110Vlver num mundo de multiplas op<;:6es. Formas mais atenuadas de ren<;:a 1" to re Iglosa, entretanto, tambem podem oferecer apoio imporrante na l11ada de d . ',. .c. . eClsoes vitals slgnlllCatlVas. tadaA maio ria desses dilemas torna-se parricularmente aguda, ou e experimenComo tal, durante os momentos decisivos da vida do indivfduo. Como os
  • momentos decisivos, por definic;:ao, sao de alta conseqiiencia, 0 individuo se sente numa encruzilhada em termos de seu planejamento geral da vida. Momentos decisivos sao fases em que as pessoas podem resolver recorrer a autoridades mais tradicionais. Nesse sentido, podem procurar refugio em crenc;:as preestabelecidas e em modelos familiares de atividade. Por outro I~do, momentos decisivos muitas vezes tambem marcam perfodos de requahficac;:ao e empoderamento. Sao pontos em que, independente de quao reflexivo 0 individuo possa ser na formac;:ao de sua auto-identidade, ele deve parar para perceber as novas demandas e tambem as novas possibilidades. Em tais momentos, quando a vida precisa ser vista com urn novo olhar, nao surpreende que as tentativas de requalificac;:ao sejam parricularmente imporrantes e muito procuradas. No que diz respeito a decisoes de alta conseqiie~cia, os i~~iv{duos sao muitas vezes estimulados a devotar 0 tempo e a energla necessanos para gerar maior dominio das circunsd.ncias que enfrentam. Momentos decisivos sao pontos de transic;:ao que tern implicac;:oes nao so para a conduta futura do individuo, mas para a auto-identidade. Pois as decisoes de conseqiiencia, uma vez tomadas, refazem 0 projeto reflexivo da identidade pelas conseqiiencias que ocasionam para 0 estilo de vida. Porranto, nao surpreende que nos momentos . . .' , decIslvoS os lOdlVlduos tendam a encontrar sistemas especializados centrados precisamente na reconstruc;:ao da auto-identidade - analise ou terapia. A decisao de submeter-se a terapia pode gerar empoderamento. Ao mesmo tempo, vale acres~entar, .tal decisao nao e de natureza diferente de outras decisoes relativas ao estllo de vida tomadas em situac;:oes de modernidade. Que tipo de terapia seguir, e por quanto tempo? Como mostra 0 livro Autoterapia, talvez seja ?ossivel para 0 individuo reorientar efetivamente sua vida sem consultar dlretamente urn especialista ou profissional. Por outro lado, muitos terapeutas sustentam que sem contato regular com urn analista nao ha esperanc;:a real de mudanc;:a ando ". ' . pessoal. EXlste hOJe uma consl 'd erave I d·Iversl'd a d e d e teraplas, todas afirm I do desacordo tratar uma gama semelhante d e pro bl emas. C omo exemp 0 . 'I· I'· ca corn a entre as diferentes escolas, podemos comparar a pSlCana Ise c assl " . H ' "t s terapeutas terapia comporramental baseada no con d lClonamento. a mUI 0 . 'Iique obedecem aos prinefpios basicos estabelecidos por Freud para a pSlcanMa d d eles as se e formulam seus procedimentos terapeutlCoS e acor 0 com . I" , fi sicana Ise alguns proponentes da terapia do comportamento a Irmam que a P " . AI ' d· sso eXlste carece inteiramente de validade como modo d e terapla. em I , I . . ""'I" uma vanedade de subdivisoes na pSlcana Ise, a I" d as a d'· la UZlas d e outras escO as _ . "rnaS espe fl eXlvo com slste de pensamento e tecnica diferentes. 0 encontro re as "I" " cia Izad os que aju d am a reconstltulr " 0 eu express a portan to alguns dos di1ern centrais que a modernidade faz surgir. A" 5. A segrega~ao da experiencia -------- Diz-se freqiientemente que a enfase dominante da modernidade esta no controle - a subordinac;:ao do mundo ao dominio do homem. A afirmac;:ao e certamente correta, mas apresentada dessa forma precisa de consideravel elaborac;:ao. Urn dos significados do controle e a subordinac;:ao da natureza aos propositos do homem, organizados pela via da colonizac;:ao do futuro. Esse processo parece a primeira vista uma extensao da "razao instrumental" - a aplicac;:aodos prinefpios humanamente organizados da ciencia e da tecnologia ao controle do mundo natural. Olhando mais de perro, contudo, 0 que vemos e a surgimento de urn sistema internamente referido de conhecimento e poder. E nesse sentido que devemos entender a expressao "fim da natureza". Tiveram lugar uma acelerac;:ao e urn aprofundamento marcados do controle da natureza pelo homem, que estao diretamente envolvidos com a globalizac;:ao da atividade social e economica. 0 "fim da natureza" significa que 0 mundo ~atural se tornou em grande parte urn "ambiente criado", que consiste em Sl~temas humanamente estruturados cujo poder e dinamica derivam de reivindlcac;:oes ao saber socialmente organizadas e nao de influencias exogenas a atividade dos homens. . Como 0 ambiente natural parece tao distinto do universo da atividade social', e preciso "d estacar que a natureza torna-se urn sistema internamente referido . 1: Ivez sep malS L' ·1 ver que a propna··d VI a socia I se torna lOterna" . laCI ' . . a tnente referida, junto com a mobilizac;:ao da auto-identidade. Ora, a referencialidade intern a da vida social modern a muitas vezes e confundida com Utna disti n?a~ entre "" t socle d ad"" e natureza; "d·e, e manelra correspon d ente, e al referenclahdade muitas vezes e pensada como intrfnseca a todos os sistemas sociais e na-o apenas as InStltUlc;:oes d a mo d erOl a d e. M·as os sistemas SOClalS ,"". ·d " " .' So se t " ornam lOternamente referidos, pelo menos numa base continuada, a l11edida qu " " . Imente re fleXlVOSe asslm amarra d'os a " . ese tornam InStltuclona Co l " a on~zac;:aodo fururo. Na medida em que a vida social e organizada segundo tradlra 0, pe I0 h alto rotlOelro ou pe I0 ajuste pragmatico a natureza exogena 'b" .. fat .,. d ta-lhe aquela referencialidade interna fundamental a dinamica da moderniade. A evaporac;:ao da moralidade e crucial a esses processos, particularmente
  • a medida que as perspectivas morais sac integradas de maneira segura a pea.tica cotidiana. Pois os principios morais sac contrarios ao conceito de risco e a mobiliza<;ao da dinamica do controle. A moralidade e extdnseca no que diz respeito a coloniza<;ao do futuro. A diferen<;a do mero habito, a tradi<;ao sempre tem um carater normativo "vinculante". "Normativo" por sua vez implica urn componente moralnas praticas tradicionais, a obrigatoriedade das atividades expressa preceitos sobre como as coisas devem ou nao ser feitas. As tradi<;oes de comportamento tern sua pr6pria carga moral, que resiste especificamente ao poder tecnico de introduzir algo novo. A fixidez da tradi<;ao nao deriva de sua acumula<;ao do saber passado; melhor dizer que a coordena<;ao do passado e do presente e alcan<;ada pela adesao aos preceitos normativos que a tradi<;ao incorpora. Como comenta Shils: a tradi<;:aoe assim muito mais que uma recorrencia estatisticamente freqiiente, numa sucessao de gera<;:6es,de cren<;:as, de pra.ticas, de institui<;:6es e de obras semelhantes. A recorrencia e resultado das conseqiiencias normativas - e as vezes da inten<;:aonormativa - da apresenta<;:ao e da aceita<;:aoda tradi<;:aocomo normativa. E essa transmissao normativa que liga as gera<;:6esdos mortos com as gera<;:6es dos vivos na constitui<;:ao de uma sociedade ... os mortos ... sao objetos de compromisso, mas 0 que e mais significativo e que suas obras e as normas contidas em suas praticas influenciam as a<;:6es gera<;:6esposteriores que nem de ao menos os conhecem. 0 centro normativo da tradi<;:ao e a for<;:ainercial que mantem a sociedade numa forma dada ao longo do tempo. I parentes~o que. coloca a vida do indivlduo dentro de uma seqUencia de rransi<;oes coletlvas. Nos tempos modernos, contudo, 0 conceito de "gera<;ao" cad a vez mais s6 faz sentido contra 0 pano de fundo do tempo padronizado. Falamos, em outras palavras, da "gera<;ao dos anos 50", da "gera<;ao dos 60" e assim por diante. A sucessao temporal nesse sentido retem muito pouco da ressonancia dos processos coletivos de transi<;ao caractedsticos de eras anteriores. Em contextos tradicionais, 0 "ciclo da vida" carrega fortes conota<;oes de renova<;ao, pois 'cada gera<;ao em grande parte redescobre e revive modos de vida de seus predecessores. A renova<;ao perde muito de seu significado nas situa<;6es da alta modernidade onde as praticas sac repetidas apenas se forem reflexivamente justificaveis. 2 2 A vida se separa das eXE~rn~lidades do lugar, enquanto que 0 pr6prio lugar e so apado pela expansao dos mecanismos de desencaixe. Na maioria das culturas tradicionais, nao obstante as migra<;6es de popula<;oes que eram relativamente comuns e as longas discancias as vezes percorridas por alguns, a maior parte da vida social era localizada. 0 principal fator que alterou essa situa<;ao nao esta no aumento da mobilidade; melhor dizer que 0 lugar e inteiramente atravessado pelos mecanismos de desencaixe, que recombinam as atividades locais em rela<;oes espa<;o-temporais de amplitude cada vez ~aior. 9 lugar se tor~ fantasmag6rico.3 Embora os ~eios em que as pessoas Vlvem permane<;am como Fontes de liga<;6es locais, 0 lugar nao constitui 0 arametro da experiencia; e nao oferece a seguran<;a do sempre familiar, ~ar~tedstica dos lugares tradicionais., tlda ela mldia tambem desempenha A intensifica<;ao da experiencia um papel aqui. A familiaridade transmi- /)tl (com os eventos sociais e com as pessoas, e tambem com os lugares) nao mais depende a enas, ou meslT!o principalmente, dos meios locais. o desenvolvimento do projeto de sistemas sociais internamente referidos esra na origem reflexivo do eu. A cria<;ao de uma vida internar.lente referida foi influenciada decisivamente por uma serie de mudan<;as sociais concorrentes. Cada uma del as atua para separar a vida como uma trajet6ria distinta e o lugar tor~a-se assim muito menos significativo do que costumava ser Como ~ferente externo da vida do indivlduo. A atividade espacialmente localizada fica cada vez mais envolvida com 0 projeto reflexivo do eu. Onde a pessoa vive, pelo menos a partir do inkio da vida adulta, e uma questao de escolha orgaOlza d a pnnclpa Imente em termos do planejamento '. da vida da 0 fechada de outros eventos das seguintes maneiras: 1 A vida surge como urn segmento separado do tempo, distanciado do ci.clo da vida das gera<;oes. A ideia do "ciclo da vida", de fato, nao tern muito sentldo uma vez que as conexoes entre a vida individual e 0 intercambio das gera<;oes foram rompidas. Como as observa<;oes de Shils destacam de maneira adequada, a tradi<;ao e a continuidade das gera<;oes estao inerentemente ligadas entre si. Diferen<;as geracionais sac essencialmente um modo de lidar com 0 tempO nas sociedades pre-modernas. Vma gera<;ao e uma coorte ou ordem distinta de pess~a. E claro que, como em todos os processos do tipo, formas dialeticas de rea<;ao sao posslvels. --r ,. . 'd . °d ° lentatlvas atlvas e reencalxar a VI a no mew Ioca I I eodem ser empreendid~varias maneiras. Algumas como 0 cultivo de um sentido de orgu lh 0 comuOltano, ° ,. ° sac provave I'd mente vagas emals para recap- II turar mais que urn I'ampe)o d 0 que eram antlgamente. . 0 reencalxe so po d e ., ocorrer d e manelra SlgOl Icatlva se lOr posslvel ajustar as praticas regulares a " 'f!' f: es . . di~,e~lficldades do lugar Icd de conseguir. mas nas condi<;6es da alta modernidade isso e d. . ~ t "1-1
  • 3 A vida passa a ser cada vez mais livre das externalidades associadas com os la<;:os reestabelecidos com outros ~nd!vf~uos e grupos. La<;:os e parente~?o ~e p d varios tipos eram c1aramente as pnnClpals ancoragens externas da expenencla de vida do indivfduo na maioria dos contextos pre-modernos. Rela<;:oesde parentesco ajudavam a determinar e em muitos casos ~efiniam completamente as decisoes-chave que afetavam 0 curso dos aconteclmentos durante toda a vida do indivfduo. Decisoes sobre quando casar e com quem, onde viver, quantos filhos deseja ter, como cuidar dos fiI,hos, como passar a velhice saD alguns dos exemplos mais 6bvios. As externalidades de lu?ar e de, pare~tesco normalmente se ligavam de perto. A transmissao da propnedade, inclusive de pe<;:asde heran<;:ae de moradias familiares, tambem desem~~nhavam p~pel importante. Nas condi<;:oes sociais modernas, grupos faml1l,ares sucesslvos raramente continuam a viver no mesmo predio. Em areas rurals, ou entre uns poucos grupos aristocraticos remanescentes, ainda existem casas que foram habitadas pelos membros da mesma famflia por lon~os perfodos, ate mes.mo seculos. Mas para a massa da popula<;:ao urn tal fenomeno se torna p.ratlcamente desconhecido e a no<;:ao "ancestrais", tao importante para as vldas de de muitos em situa<;:oespre-modernas, se torna difusa e diffcil de recuperar. Sem as referencias extern as fornecidas pelos outros, a vida mais uma vez surge como uma trajet6ria relacionada acima de tud.o aos projetos, e pl~nos do indivfduo. Os outros sempre figuram nesse planepmento da vida, e c1~ro, desde os membros da famflia de orienta<;:ao ate os subsequentes parcelros familiares, filhos, amigos, colegas e conhecidos. Novas esferas de intin:i~ade com algumas dessas pessoas tornam-se elementos cruciais dos referenCials de confian<;:a desenvolvidos pelo indivfduo. Mas devem ser mobilizados pelo ordenamento reflexivo da vida como urn fenomeno isolado e internamente referido. 4 A vida passa a ser estruturada em torno d e "I" Imlares ab ertos d e experien, a . " e nao mals de passagens ntua I' dO' , ' ' ' Cia, Iza as. propno ntua I' e u ma referencl " , " 'dades, ntualS externa e mUltos observadores p apontaram 0 d ec I' 'd as a t'IVI InIO em rela<;:ao principais transi<;:oesda vida - nascimento, adolescenCla, casaas ' 'I ai's mento e morte. Are Iatlva ausenCla d 0 ntua nos contex t os sOCI' modern os, , d " sugenu, remove uma Importante escora PSICO ' ' I" ra a capaCida e alguem oglca pa que 0 indivfduo tern de enfrentar essas transi<;:oes.Seja esse ou nao 0 caso -k' ws , ' 'f pOlS,afinal, Radcliffe-Brown sugenu, em seu amoso d eb at e com Malino " I 1 , " d' d d de a!Ivla- a sobre a questao que 0 ntual multas vezes pro uz anSle a e em vez , , 'd'" equenClas _ 0 que e importante para a nossa dlscussao IZ respelto as cons _ ar , " , ' para a tomada de decisao do IndlVlduo, Cada fase d e transl<;:aoten d e a torn , ' d' 'd b disso por se uma crise de identidade - e mUltas vezes 0 In IVl uo sa e A' reflexao.4 A vida de fa~o e constru~da em termos da necessidade antecipada de enfrentar e resolver tals fases de cnse, pelo menos onde a consciencia reflexiva do indivfduo for altamente desenvolvida. Falar da vida como internamente referida nao e 0 mesmo que argumentar a partir das premissas do individualismo metodol6gico. A ideia de urn "indivfduo auto-suficiente" certamente surgiu de modo substancial como uma resposta as institui<;:oesda modernidade que come<;:avama se desenvolver. Mas tal posi<;:aometodol6gica nao faz parte da analise elaborada neste livro. Nem se segue, do que foi dito acima, que 0 indivfduo fique separado dos contextos mais amplos dos eventos sociais. Ate certo ponto, eo contrario: 0 eu estabelece uma trajet6ria que s6 pode tornar-se coerente pelo usa reflexivo do ambiente social mais amplo. 0 fmpeto para 0 controle, engatado a reflexividade, lan<;:a o eu no mundo externo de uma maneira que nao tern paralelo claro em tempos anteriores, Os mecanismos de desencaixe invadem 0 cora<;:aoda autoidentidade; mas nao "esvaziam" 0 eu: simplesmente removem apoios anteriores em que se fundava a auto-identidade. Melhor: permitem (em prindpio) que 0 eu alcance maior domfnio sobre as rela<;:oes contextos sociais incorpoe rados reflexivamente na forja da auto-identidade do que era previamente possfve!. A orienta<;:aoda modernidade para 0 controle em rela<;:ao reprodu<;:ao social a e,~ a~to-identidade tern certas consequencias caracterfsticas ao nfvel da expenenCia moral. Referir-me-ei a essas consequencias genericamente como segre?a<;:aoda experiencia. 0 fenomeno esti diretamente ligado com 0 carater Jnternamente referido da vida social e do eu. Com 0 amadurecimento da modernidade, os sistemas abstratos desempenham urn papel cad a vez mais abrangent e na coo d ena<;:ao os vanos contextos d a VI a d'" - d " 'd " lana. "P ertur b a<;:oes externas a tais sistemas reflexivamente organizados saD minimizadas. d' Podemos descobrir a origem desses desenvolvimentos por referencia a dIVersosconjuntos de influencias, estabelecidas durante a fase de decolagem o ,perfodo moderno, mas que tornam-se cada vez mais acentuadas com a radlcalizar- e ago b aI' - d as 'InstltUl<;:oes d ernas, A"pnmelra, e d e certa I " , ,ao Iza<;:ao mo manelra mal's Importante, e a extensao d 0 po d er ad'" . , mlnlstratlvo provoca d a P~I~ acelera<;:aodos processos de vigilancia,5 A expansao das capacidades de Vlgtlancia c 0 pnnclpa I'd ' , "d ' ' , , A '. mew e contra Ie d a ativi ad e socia I por mews socials. Vlgtlancia faz surgirem particulares assimetrias de poder, e consolida em 1.
  • A segregas:ao da experiencia II / L _... I' 141 A segun da tranSlOrmac:;:aomstituclOna Importante que afeta a refeencialidade interna e ~<ienam~nto dos_dQJ:!lI' publico e privado. Esse ~en6meno pode ser parcial mente entendido em termos da criac:;:ao esferas a de OCle ade civil que nao existiam em sistemas pre-modernos. 0 estabelecimensocia"soci~de civil se liga diretamente com 0 surgimento da forma modern a ~o Estado, sendo assim referencialmente ligado a ele. Nos Estados tradicionais, a maior parte da vida do dia-a-dia, pelo menos nas areas rurais, estava fora do alcance do poder administrativo do Estado. A comunidade local era em grande parte autonoma em termos de suas tradic:;:6ese modos de vida, e a maioria das formas de atividade pessoal ficavam completamente intocadas pelo aparato administrativo. Mas essa area externa nao era a sociedade civil. Representava em vez disso a persistencia de modos de vida extrlnsecos a ordem reflexiva do centro politico. Nas formas sociais modernas, 0 Estado e a sociedade civil se desenvolvem em ~~mo processos interligados de transformac:;:ao. A condic:;:aopara isso e paradox;Im:~nte a capacidade que 0 Estado tern de influenciar muitos aspectos do comportamento diario. A soci~~ civil e estruturada como 0 "outro lado" da penetrac:;:aodo Estado na vida diaria. Tanto 0 Estado como a sociedade, em uma palavra, saD internamente referidos dentro dos sistemas reflexivos estabelecidos pela modernidade. 0 que vale para a distinc:;:aoEstado/sociedade civil tambem vale para a distinc:;:aopublico/privado. A esfera do privado se op6e a do publico em do is sentidos, ambos fortemente influenciados, se nao inteiramente provocados, pelas mudanc:;:asassociadas ao desenvolvimento da modernidade. A diferenciac:;:aode Estado e sociedade civil marca uma dessas oposic:;:6es.0 domlnio publico e 0 do Estado, enquanto que 0 privado e 0--9.ueresiste a mvasao das atividades de vigilancia do Estado. Como de e 0 guardiao da lei, 0 privado nesse sentido e em parte uma questao de definic:;:ao legal. Nao e simplesmente 0 que fica de fora da competencia do ~stado, tendo em vista que ele tambem ajuda a definir os direitos e prerrogatlVasprivados de manei.ra positiva.. . cle.l, 1.Q c. (. ) I' r ~ ) •• um segundo sentldo, a 0poslc:;:aopnvado/publtco separa 0 que e mantlN do oculto dos outros daquilo que Ihes e abertamente revel ado. Outra vez seria ~m equlvoco interpretar 0 aumento da privacidade (e a necessidade da intimiade) em termos da erosao de uma esfera publica que costumava existir em ~om~l2!dades mais tradicionais. Tal sugestao esta contida nas primeiras obras . Richard Sennett. ')Ele observa que as palavras "publico" e "privado" saD Cttac:;:oes periodo moderno. "Publico" se origina num sentido emergente de do ~ropriedade e de bens possuldos em comum e "privado" vem dos privilegios Os estratos dominantes. No seculo XVIII, os termos vieram a adquirir 0 sentido que rem hoje. "Publico" passou a ser idenrificado com 0 eleitoradoI graus variados a dominac:;:aode certos grupos ou classes sobre outros. Mas e U!l1 erro concentrar-se demais nesse aspecto. Muito mais importante e a intensifi_ cac:;:ao controle administrativo mais geral, urn fenomeno nao inteiramente do conduzido por alguem em particular porque afeta as atividades de todos. A vigilancia sempre opera em conjunto com a reflexividade institucional, mesmo em sistemas pre-modernos. Ela e condic:;:aoda reflexividade institucional e ao mesmo tempo, ate certo ponto, seu resultado, expressando assim de uma forma institucional espedfica aquela recursividade caracteristica de toda reproduc:;:ao social. Entretanto, em sistemas em que a vigilancia e altamente desenvolvida, as condic:;:6esde reproduc:;:ao social tornam-se cada vez mais automobilizadas. De maneira particular sob a forma da codificac:;:aoda informac:;:aoou do conhecimento envolvidos na reproduc:;:aodo sistema, os mecanismos de vigilancia separam os sistemas sociais de seus referentes externos ao mesmo tempo em que permitem sua extensao para setores cada vez mais amplos do espac:;:o-tempo. Vigilancia mais reflexividade significa "aplainar as diferenc:;:as" de tal forma que 0 comportamento nao integrado num sistema - isto e, que nao faz parte dos mecanismos de reproduc:;:aodo sistema - torna-se alheio e isolado. Quando tais externalidades se reduzem a zero, 0 sistema torna-se inteiramente urn sistema internamente referido. Isso nao quer dizer que tais sistemas sejam consensuais ou livres de conflitos; ao conwirio, podem ser internamente contraditorios e assolados por confrontos cronicos. Contudo, esses conflitos saD organizados em termos de prindpios do sistema por seus diversos potenciais de transformac:;:ao e nao em relac:;:ao criterios ou demana das externas. Na pratica ha muitos conflitos provocados pela tensao entre a reproduc:;:ao de sistemas reflexivos e a inercia do habito ou as externalidades da tradic:;:ao. 0 caso da tradic:;:aoe complicado, de qualquer maneira, porque os apelos aos slmbolos ou praticas tradicionais podem ser reflexivamente organizados, fazendo parte do conjunto internamente referido de relac:;:6esociais em ~ez de s ·Ic:;:aoo d e ser ". - p d a" em am blentes opor-se a eIe. A quesrao d e se a tra d remventa 'd" . que tornaram-se comp Ietamente pos-tra IClOnalSd eve ser enten d'da nesses I termos. A observac:;:aose aplica nao so as conex6es humanas envolvidas em relac:;:6esociais mas tambem aos artefatos materiais. Assim, nos debates co~s tempotaneos em arquitetura sobre 0 pos-modernismo e a volta do romantlS. mo, a questao-chave e saber se as reac:;:6es ontra 0 "mo d erntsmo " sus tentam c elementos dos modos tradicionais extrlnsecos, ou se alternativamente ficaram . . 'd ., L'd Intelramente envo IVI os num sistema Internamente reien o. Se es te ultimo for 0 caso, as tentativas de reviver os estilos tradicionais provavelmente degenerarao rapidamente no kitsch. [5f. I( -¥ + r,)~1-~}
  • no sentido de "0 publico" - e com areas da vida abertas aos olhos de todos Ou com 0 domfnio do bem com urn. A esfera do "privado" tornou-se a area da vida especificamente exclufda do domfnio publico.? Sennett argumenta que a fase inicial da modernidade assistiu ao surgimento da ordem publica, centrada na vida cosmopolita das cidades, que mais tarde entrou em decadencia sob 0 impacto de mudan<;:associais subsequentes. I as a tese nao e i!:Iteiramente onvince!!!.<:.: que Sennett chama de vida 0 publica faz parte tanto dos ambientes urbanos mais tradicionais como daqueles caracterfsticos da vida social moderna. As cidades pre-modernas ja dispunham de uma florescente cultura cosmopolita. Nessas cidades, as pessoas ja encontravam estranhos de maneira regular. ~ Mas a maioria dos encontros urbanos preservava urn carater colegiado e era dominada por intera<;:6escom' os pares ou parentes. 0 privado ainda nao se tornara urn domfnio inteiramen~ te oculto ou separado, como a obra de Elias deixa claro.s publico so se distin v i te'ramente do 12ovado quando a sociedade dos estran as se estaue - ~,..... " • 6elece em ,sentido pleno, isto e, quando a no<;:aode "estranho" perde seu s~ntido. Desse momenta em diante, a indiferen<;:acivil, que e 0 mecanismoCle engate da confian<;:apublica generalizada, se diferencia quase completamente do domfnio privado, e particularmente da esfera das rela<;:6es fntimas. A privacidade, e as necessidades psicologicas associadas a ela, foi quase certamente condicionada por uma separa<;:ao adicional, a da infancia em rela<;:ao vida adulta. Nos tempos pre-modernos, certam'ente na Europa e sem a duvida tambem na maioria das outras culturas nao modernas, a crian<;:adesde muito cedo vivia num ambiente coletivo em intera<;:aocom os adultos em lugares domesticos assim como em outros lugares. 0 surgimento de uma provfncia separada para a "infancia" demarca a experiencia de crescer em rela<;:aoa outras arenas de atividade. A infancia passa a ser oculta e domesticada, e tambem sujeita a influencia principal da escolaridade formal. Como a infancia e separada das atividades dos adultos, ou pelo menos moldada de maneiras distintas, ela constitui uma area de oculta<;:ao dentro da qual sao estruturadas as experiencias privadas. A educa<;:aoe num certo sentido uma atividade publica, pois funciona fora de casa. Mas permanece para os alunos urn ambiente segregado distinto do mundo adulto do trabalho e de outrOS envolvimentos. A oculta<;:aogradual de varios atributos do desenvolvimento, inclusive aspectos importantes da sexualidade, eo resultado desses processos de segrega<;:ao.9Esse e urn fator importante que explica as rela<;:6esproximas entre 0 surgimento da terapia e 0 foco no aprendizado infantil em rela<;:ao aOs objetivos terapeuticos. A infancia como esfera separada torna-se uma "infraestrutura" da personalidade. Isso nao implica aceitar a equa<;:aoda modernidade com 0 aumento da repressao psicologica, visao que nao esra de acordo com I a posi<;:ao m~n~~da~e~te livr,o.Ao contrario',a reconstru<;:ao terapeutica sobre a base da expenencla mfannl torna-se posslvel por causa do surgimento de nOVOS "campos de aprendizado" derivados da "inven<;:ao"da infancia. Nos dois sentidos distinguidos acima - a privacidade como 0 "outro lado" da penetra<;:ao do Estado e a privacidade como 0 que pode nao ser revelado - ~_ e uma cria<;:aodo publico! e vice-versa; cad a urn faz parte de sistemas emergentes de referencialidade interna. Essas mudan<;:assao parte fundamental do quadro geral da transforma<;:ao da intimidade. Terceiro, uma con sequencia psicologica dos dois amplos processos descritoS e a crescente redominancia _da vergonha sobre a culpa, em rela<;:aoa auto-identic!.~de: A culpa depende essencialmente de mecanismos extrfnseco~ aos sistemas internamente referidos da modernidade. A cui pa tern a conota<;:ao de transgressao moral - e a ansiedade que deriva de nao ter sido capaz de satisfazer certas formas de imperativo moral no curso da conduta pessoal. E uma forma de ansiedade que atinge importancia maxima em tipos de sociedade onde 0 comportamento social e governado segundo preceitos morais estabelecidos, inclusive os formulados e sancionados pela tradi<;:ao.A vergonha esta mais direta e extensamente relacionada com a confian<;:abasica do que a culpa, porque a culpa diz respeito a formas espeefficas de comportamento ou cogni<;:aoem vez de amea<;:ar0 eu enquanto tal. Diferentemente da culpa, a vergonha corroi diretamente a sensa<;:aode seguran<;:atanto no eu como nos meios sociais circundantes. Quanto mais internamente referida torna-se a auto-identidade, tanto mais a vergonha passa a desempenhar urn papel fundamental na personalidade adulta. 0 indivfduo nao vive mais em fun<;:aode preceitos morais extrfnsecos mas atraves da organiza<;:aoreflexiva do eu. Esse e urn ponto importante, pois segue-se dele que a civiliza<;:aomoderna nao se funda, como pensava Freud, na renuncia ao desejo. Em suas obras, Freud usa "civiliza<;:ao"num senti do muito amplo - nao esta falando simplesmente da modernidade. 10 Civiliza<;:aoe qualquer forma de organiza<;:ao social ou cultural que vai alem do mero "primitivo". E uma ordem social progressiva, que implica em crescente complexidade da vida social. 0 pre<;:opago por essa complexidade, assim como pelas "mais altas realiza<;:6es ulturais" que a vida civilizada torna possfveis, e a crescente represc ~ao e, portanto, a culpa. A civiliza<;:ao deve supor a priva<;:aocorporal porque os lmpulsos que de outra maneira levariam a urn investimento erotico desviado em dire<;:aode estranhos, ou a uma agressividade inaceitavel em rela<;:ao eles, a devem ser mantidos sob controle. A vida civilizada, Freud aceita, e em geral mais segura que a dos "seres primitivos". Tal seguran<;:a, por outro lado, e trocada por severas restri<;:6esa tendencias humanas arraigadas. Desse angulo, ponanto, a civiliza<;:aoe urn empreendimento mais moral que formas anterio- 1/
  • res de ordem social que ela suplanta de maneira crescente. A agressividade reprimida pela civilizac;:ao,em conjunto com os impulsos e~~ti~os, sac canali_ zados de volta para 0 ego na forma de uma dura consclencla moral. Esse superego produz urn sentido difuso ~e culpa. A civi.lizac;:a,? urn for~e supere_ e go, "como uma guarnic;:ao numa C1dadela conqUistada , andam Juntos. A culpa, conclui Freud, e "0 problema mais importante no des~n.v?lvimento da civilizac;:ao";"0 prec;:o que pagamos por nosso avanc;:oem clvlhzac;:aoe uma perda da felicidade pela intensificac;:ao d esse senti'd 0 d e cu I" . II pa Se fizermos a equivalencia entre "civilizac;:ao"e modernidade, e olharmos para seu periodo inicial de desenvolvimento, tern sentido a conex,ao ~om culpa e consciencia. Se a interpretac;:ao que Max Weber faz da assoclac;:aoentre 0 puritanismo e 0 surgimento do capitalismo for correta, podemos ver um mecanismo de formac;:ao de consciencia.12 Afinal, 0 capitalista, segundo descrito por Weber, fornece 0 impeto para 0 surgimento das instituic;:oes modernas renunciando as satisfac;:oesque a riqueza acumulada pode trazer. Mas 0 que dizer sobre 0 depois, 0 momenta mesmo da maturac;:ao da, ~oderni?a~e? Os seguidores de Freud ha muito tern dificuldad~ em reco~C1har suas ldelas com a aparente permissividade moral da modernldade tardla. Quem .sab.e,a civilizac;:aose partiu sob 0 peso de suas pr6prias demandas, dando aos 1O~I~Iduos a chance de dar vazao a seus desejos? Quem sabe urn periodo de restnc;:ao moral, por alguma razao, foi substituido por uma era de hed~nism~? Ess:s explicac;:oesnao parecem convincentes. Por que um periodo de 1Otenslficac;:ao e globalizac;:aodas instituic;:oes modernas produziria urn relaxamento da ~ulpa 'd" se 0 aumento da culpa esta intrinsecamente aSSOCla0 a malOr c?m~ I~~ldade ~o da civilizac;:ao?Se descartarmos 0 teorema segundo 0 qual malS clvlhzac;:a. significa mais culpa, podemos ver as coisas sob uma luz diferente. 0 mOVI. , ., . . .die mento caracteristico da moderOidade, no Olvel da expenenCla 10d'IVI ua, .de .,. I ta Ivez d 0 tlpO descnto . afastamento em relac;:aoa culpa. A conSClenCla mora, . ,. ',' d ' por Weber, pode ter sido de grande ImportanCla no 100CIO 0 peno d 0 moder, . . ., extnnsecos se convertlam no, porque era nessa base que os Imperatlvos morals em pacametros intrinsecos de ac;:ao socializada. As crenc;:aspuritanas tornar~m. se elementos mobilizadores no descolamento d os novos sistemas econo'mlcos ,. um das restric;:oesextrinsecas que os ancoravam. O puntaOismo po dido s e ter dos instrumentos principais numa fase de "decolagem" que se estende para , , ' alem da propna' esfera economlCa - uma "d eco I" agem para u~ ~ rdenamento . internamente referido da sociedade e da natureza cad a vez mals 1Ocluslvo. , . ..' Entretanto, poder-se-Ia dlzer que 0 puntaOismo, mals que p romover a , . " ,. busca de novas Identidades, pro d'UZIUa "fi'd" ez que permltlU aos pnmelros IXI empreendedores explorarem novos modos de comportamento sem rom~ere~ com seus habitos e convicc;:oespreestabelecidos. 0 "espectro do puritaOiSmo ue rondava os sistemas subseqilentes.da modernidade continuou deste pOnto vista como uma Fonte de externahdades para a nova ordem social _ nao como argumentaram Marcuse e muitos outros, sua forc;:a principal. Quaneo mais se rompiam as am arras da tradic;:ao, e surgia no primeiro plano 0 r rojeto reflexi'vo do eu, tanto mais a din arnica da vergonha, por oposic;:aoa da ~ulpa, veio a ocupar 0 centro da cena. Naturalmente, mesmo na fase da alta modernidade, os mecanismos da culpa continuam importantes, assim como per5istem .en~olvi.mentos mor~is - pois, co~o argumentarei ~ais tarde, a repressao 1OstltuclOnal produzlda pelas ordens 10ternamente refendas da modernidade esta muito menos que completa. d :a, A orientac;:ao da modernidade para 0 controle, no contexto dos sistemas internamente referidos, tern conotac;:6es bem conhecidas ao nivel da cultura e da filosofia. 0 pensamento positivista, de uma forma ou de outra, tornou-se um importante fio condutor na reflexividade da modernidade. 0 positivismo procura eliminar os julgamentos morais e os criterios esteticos dos processos de transformac;:ao que ajudam a por em movimento e dos quais faz a analise e a interpretac;:ao. Em vez de concentrar-me em caracteristicas do discurso, porem, quero chamar atenc;:aopara seu correlato institucional, que e a acumulac;:ao processos que efetivamente limitam as influencias extrinsecas. Procesde 50Sde segregac;:aoinstitucional aparecem em varias areas. Em cada caso tern 0 efeito de remover aspectos basicos da experiencia da vida, especial mente crises morais, das regularidades da vida cotidiana estabelecidas pelos sistemas abstratos da modernidade. 0 termo "segregac;:aoda experiencia" refere-se aqui a processos ae ocultac;:ao'que separam as rotinas da vida ordinaria dos seguintes fenomenos: loucura; criminalidade; doenc;:ae morte; sexualidade; e natureza. ~m alguns casos, a segregac;:aodepende das caracteristicas mais gerais dos SiStemasinternamente referidos da modernidade. Em term os amplos, 0 argumento que desenvolvo e que a seguranc;:a ontol6gica que a modernidade / adquiriu, no nivel das rotinas diarias, depende de uma exclusao institucional e~ relac;:aoa vida social de questoes existenciais fundamentais que apresentam d emas morais centrais para os homens. A fim de localizar e desenvolver esse tema, e necessaria cerra quantidade de material hist6rico, Se olharmos brevemente para as origens das varias arenas de segregac;:ao,poderemos identificar ~Iguns dos processos subjacentes a substituic;:ao dos criterios externos pelos Internos na constituic;:ao cIossistemas sociais da modernidade. J )1t /
  • A obra de Rothman, mais que a de Foucault, e relevante para a discussao do manicomio.13 Embora a pesquisa de Rothman se concentre no surgimento dos hospitais mentais nos Estados Unidos, a analise e aplicavel em geral. A discussao que Foucault faz do manicomio e da prisao relaciona 0 encarcera_ mento ao impulso de estabelecer a domina<;:ao da razao burguesa.14 Aqueles que tentam contestar as afirma<;:6es soberanas da razao devem ser por isso excluldos da participa<;:ao direta na ordem social. Por sugestiva e importante que seja, essa posi<;:ao tern grandes fraquezas. Sem entrar em detalhes, pode-se dizer que nao era tanto a "razao" que estava em questao mas 0 desenvolvimen_ to da transforma<;:ao reflexiva. 0 que mais tarde seria visto como "insanidade", "crime" e "pobreza" era tratado, antes do perfodo moderno, como caracterfstica extrfnseca da existencia humana. A loucura, 0 crime e a pobreza ainda nao eram pensados como "problemas sociais". Ate 0 seculo XVIII, a presen<;:a dessas caracterfsticas em indivlduos que mais tarde seriam colocados em uma ou outra dessas categorias nao era vista como indicador de fracasso pessoal ou da comunidade. As atitudes em rela<;:ao pobreza sao reveladoras. 0 uso do termo "pobre" no come<;:o do seculo XVIII abrangia uma variedade de condi<;:6es sociais. As discuss6es e a legisla<;:ao sobre os pobres inclulam viuvas, 6rfaos, doentes, velhos, deficientes e insanos sem fazer clara diferencia<;:ao entre eles. A necessidade moralmente definida, em vez das circunsrancias especiais que a produziam, era a caracterfstica identificadora. Uma lei de Massachusetts, que virou modelo para outros Estados norte-americanos, dizia que a pobreza ocorre "quando acontece que qualquer pessoa care<;:anaturalmente de en tendimento, de modo a ser incapaz de sustentar-se".15 Essa atitude ja era uma mudan<;:a de perfodos anteriores na Europa. Pois a pobreza nesse estagio come<;:ava a ser pensada como algo que precisava de aten<;:ao da comunidade, nao sendo mais inteiramente uma caracterfstica extrfnseca das circunsrancias da vida social. Ate que ponto essas atitudes ainda se ligavam a considera<;:6es extrlnSecas, a ou mais acuradamente, a vagabundagem - nos Estados Unidos do seculo XVIII. A vagabundagem, como a pobreza em term os mais gerais, era vista como amplamente endemica. Estava cercada por urn conjunto indeterminado de transgress6es contudo, e demonstrado pelo tratamento da criminalidade - morais, a que se ligava. os c1erigos dec1aravam que as inti c rac;:oes contra pessoas e . d orensas a Deus. Misturando livre d . propne ades eram . I'" mente as uas categonas os 1 vlam uma Ista !ncnve!mente long d "d d . : co onos proscrea e atlVI a es. A Identlficard d com 0 peca d 0 tornava difIcil para I . I d . . )"ao a esordem os egIs a ores e mlOlstros d" . samente entre infraC;:6es maiores e A d IstIngulr cuidado_ rnenores. s uas testernunh d c;:aonatural do hornern e 0 poder d d avarn a eprava. 0 emomo SInalS seguros d c se d estlnava a ser uma ameara pub!" d d 6 e que 0 orensor )" Ica e urn ana 0 pecador.1 A' A ideia de urn corretivo secular s6 surgl'u d' gra atJvamente e deve d'd como parte de processos mais amplos l' ser enten I a pe os quaIs os mundos soci 1 1 passaram a ser vistos como transfor ,. _ a e natura . 1" mavelS e nao meramente dado 0" 1 socIa e portanto nao era prima . . s. COntro. namente urn melO de 1 fc preexIstentes de comportamento d' 0 " Contro ar ormas . esvlante. desvio" era de. d pe 1 Imperativos derivados da t os fc _ d e lato cna 0 rans orma<;:ao as condi 1 oferecidas em condi<;:6es maneJ'a . A _ <;:oes natura mente vels. segrega<;:ao dos louc d '. se acelerou quando essas cate ' fc os e os cnmlnosos gonas oram separadas da p b 1 quan d 0 se passou a acreditar que tod 1 '. 0 reza em gera, e as e as eram Intnnsec d a1tera<;:ao. Construir urn ambo . 1 amente capazes e . lente especla para os d' fc . mews de integrar 0 tratame t' eSVlantes ornecla os n 0 corretlvo com a - d regular sobre os ambientes da v'd d'" did manuten<;:ao e controle . ,. I a lana 0 a 0 de fora. A Idela de que os homens podem ser sub 'd sariamente envolvida _ d metJ os a corre<;:ao estava necescom a no<;:ao e que a p' "d . 1 mudan<;:a radical 0 '. fc ropna VI a SOcIa esta aberta a . s pnmeJros re ormadores d . muitos soci610gos profissionais _ r as pnsoes - como, mais tarde, levavam ao co . . p ocuravam mostrar que as condi<;:6es que mportamento cnmJnoso deriv d 'd . pessoas em comu 'd d fc avam as VI as mlseraveis que as nl a es menos a ortunad b' d essas condir6 d' as eram 0 nga as a levar. Mudar T es po la ao mesmo tempo . d 1 d aque1es qu aJU ar a a terar 0 comportamento e amea<;:avam as propried d d . social", com C"," a es omJnantes. "Os vlcios da vida d.< 0 um runclOnano dlzla de u " . ccada de 1840 ". m pnslOneJro na Pennsylvania na A existencia d ' anunCiavam a rulna de su a fcortuna e d e suas esperanras." 17 ' T h umana mas 0 cnme apontava nao para e I'ementos Intrataveis da natureza . .' , ' para a IncapaCidade de a 'd d d crlar uma cidad . , comuO! a e esempenhar sua tarefa de , anla responsavel Urn . d d P fIada livraria 0 . , . a socle a e organizada de maneira apror d s cnmJnosos potenciai d e uziria as situa<;:6es ue I ~.a tenta<;:ao ao mesmo tempo em que {m g evassem a atJvldade criminosa. ali peto que levou ao estabe1eci d . _ . . O1entado por consl'd _ . mento as pnsoes era ongJnalmente n era<;:oes mora Ad' . !' ~ prisao deveriam cIS. ISCIP Ina e a arregimenta<;:ao da vida Crl . ser uma IOrma de ed 1 t ~Inoso da depravas:ao d u~as:ao . mora gue, removendo 0 enclaria se tornaria urn lab: seu, e~t~rno, ten~ efeltos reabilitadores. A peniratono e aperfels:oarnento social. As rotinas da o s Os colonos consideravam desviante uma ampla gama de comportamentoS, de cobrindo as implicac;:6es mais graves mesmo nas menores of ens as. Sua exteOos3 • S definic;:ao era em geral de origem religiosa, identificando pecado e erllne.. e arJ3, codigos penais puniam of ens as religiosas, como idolatria, blasfemia e brux '.
  • vida na prisao, entretanto, imitavam de forma exagerada aquelas estabeleci_ das nos ambientes sociais da modernidade como urn todo. A prisao assim tornou-SC urn laborat6rio no mesmo sentido em que todos os demais Con_ textos da modernidade 0 saD - urn ambiente em que a organiza<;:ao e a mudan<;:a social saD reflexivamente construldas, tanto como pano de fundo para a vida individual quanto como meio para a reconstitui<;:ao da identidade individual. ambiente que corrigiria metodicamente as deficiencias da comunidade social mais ampla. Outra vez era claramente aparente a dimensao moral da reforma da personalidade afligida. Como na prisao, a maximiza<;:aoda vigilancia, em conj~nto com 0 es~abele,cimento de rotinas regulares, eram os meios para atingIr esses fins. A msamdade, como a loucura, era ativamente definida em termoS de incapacidade social- a incapacidade, ou falta de vontade, de viver o tipo de vida requerida no mundo exterior. o A hist6ria do manicomio envolve tendencias de desenvolvimento semelhantes. Como a criminalidade, a loucura era considerada em epocas anteriores urn resultado da vontade de Deus, os loucos sendo urn grupo entre outros que era digno de receber algum cuidado da comunidade. A imagem de Pinel removendo as correntes do louco pode ser tida como representativa do impulso da modernidade como urn todo, Na verdade, a imagem de Prometeu libertado, que tanto inspirava Marx, e urn retrato da liberta<;:aodas algemas da tradi<;:aoe do costume que reaparecera muitas vezes a partir do Iluminismo em diante. A insanidade passou a ter urn horizonte "aberto" em comum com todos os demais aspectos do comportamento e da rela<;:ao social estabelecidos. A medicaliza<;:aoda insanidade como "doen<;:amental" e apenas parte desse fenomeno. A insanidade era l,lma doen<;:aflsica, mas acreditava-se que a maioria das formas de insanidade derivava de circunsrancias sociais, e 0 controle do comportamento certamente era urn dos principais meios de produzir supostas curas. De fato, muitos dos primeiros psiquiatras ligavam as origens etiologicas da doen<;:amental a fatores sociais, inclusive a pr6pria "civiliza<;:ao". De grande importancia, contudo, foi 0 aparecimento da ideia de que. a doen<;:amental, como a criminalidade, sob circunsrancias espedficas, pod~a afetar qualquer urn na popula<;:ao.Depois de ser considerada uma caracterlstIca especial, embora nao claramente distingulvel, da pobreza, e portanto concentrada em torno dos grupos menos favorecidos, a doen<;:amental passou_a ser vista como urn dos riscos que a vida moderna acarretava. "A insanidade nao e peculiar a qualquer estado na vida. Nao ha ninguem tao alto que esteja alem de seu alcance ... ela destronou 0 monarca, e aprofundou a melanco rIa da choupana."I8 o prop6sito inicial dos manicomios era a cura. 0 encarceramento pretew dia restaurar a saude mental pelo pr6prio ambiente, e nao s6 pelos remedios e tratamentos nele administrados. Supunha-se que 0 manicomio criasse urn que e not.ave! sobre 0 manicomio, em comum com a prisao, e tudo 0 que ele compartJlha com os ambientes sociais mais amplos da modernidade. Foucault esta errado em atribuir essa semelhan<;:a a disciplina como tal; 0 confisco de .varios tipos de direitos sociais e pessoais daque!es encarcerados a for<;:a as pnsoes e nos manicomios e certamente central para seu carater. Mas n o que eles tern em comum com os quadros mais amplos da modernidade e a tentativa de de~env.olver 0 autocontrole reflexivo mesmo entre minorias que podem parecer mtnnsecamente recalcitrantes. 0 componente moral nos dois casos logo cedeu a primazia a outros imperativos, 0 que contava como "cura" perdeu a maioria de suas caracteristicas extrinsecas, passando a ser medido pela capacidade e pela vontade da pessoa de funcionar de maneira satisfat6ria no ambient~ social mais amplo. Em outros aspectos, a simples cust6dia virou o tra<;:o dommant.e: 0 drc~re serve pelo menos para proteger aqueles que estao n~ m~ndo extenor das Irregularidades inalteraveis no comportamento da mInona. o "desvio" passou a ser "inventado" como parte dos sistemas internament: referidos da modernidade. As questoes extrlnsecas e aque!as que a criminaIIdade e a insanidade poem para a popula<;:ao em geral saD assim minuciosamen~e reprimidas. Mas trata-se de uma repressao institucional e nao pessoal nao supoe uma intensifica<;:ao da "consciencia". E uma exclusao de questoes, valores e modos de comportamento potencialmente perturbadores das arenas centrais da vida social. As questoes assim reprimidas saD claramente de natureza moral e eXISenCia. m comportamentos agora classIficados como 't . IE· " enra ment I" do, .'" ' a , por exemp I' VIsoes aIternatIvas do que passa por realidade 0, -=- C~tI~Iana sao afastadas das preocupa<;:oes da vida diaria. Estabelecido 0 maniCOmlO poucas '. , pessoas en tram em contato com 0 Insano de maneIra regular. As conexoes que alg uma vez I' , . Igaram a "b" reza no senti'd'0 antigo a preceltos po morals e tradiroes extrI'nsecos se tornam mVIsIveIs. s pnsoes e os manIcomlOS ' " 'A '. .,. rapIdament d ' d f: ' e per em a malOr parte aquela qualidade ex6tica que desde cedo aZIam delas espe t'acu Ios para 0 mun d'0 exterIor. Em vez dISSO,tornam-se , ambientes d -" . d e corre<;:aotecmca, OrIenta os para as rela<;:oes transformadoras da modernidade. 'A •
  • A segrega~ao da doen~a e da morte ' h mos hospital so gradativamente se diferenciou das organi_ O que h 0Je c ama 'd " b " zac;:oesmais antigas que tentavam lidar com 0 Imp~c:o ,a po rez~ . Os "h .." coram os antecessores das prisoes e manlcomlOS, e tambem das ospltalS que I d , ~ m edicas modernas , misturavam exatamente aque a gama e pesorgal11zac;:oes 'd C soas mencionadas nos paragrafos anteriores. 0 surglme~to ble umaf,e:rer: [I separa d a d e tratamen, to medico focado em pessoas, com pro emas .ISICOS _ " Ist111toS,'te e par dos mesmfssimos processos que cnaram outras orgal11zac;:oes d carcerarias. " . · O d esenvo IVlmen t 0 do hospl'tal em seu sentido moderno esta ,1l1tlmamente ligado a profissionalizac;:ao da medicina. 0 hospital e urn amblen~e onde a · 'd' de ser concentrada e 0 saber medico desenvolvldo. E no tecno I ogla me lca po ., 'I d entanto, como os manicomios e prisoes, 0 hospital tam~e~ e urn u?~r on e aqueles que foram desqualificados da p~rticipac;:ao nas atJVldades SOCIalSrtoo doxas saGsegregados, e tern conseqiienClas semelh~~tes, em term os da ocultac;:aoda visao geral, as de outras experiencias ~ruclals -, a doenc;:ae a morte. Como dissemos no capftulo anterior, nas sOCledades pre-modernas a doenc;:a cronica era parte da vida de muitas pessoas e 0 contato com a m~rte era uma caractedstica quase de lugar-comum da experiencia de todos. ~lt~s obser:~~ que a obra de Aries sobre 0 tema provavelmente apresenta uma Vlsaourn ta distorcida da morte no mundo pre-moderno. Aries diz que, como a morte ainda nao tinha sido escondida, as pessoas podiam encontrar seu fim de uma maneira serena, cercadas por seus entes queridos. Com~ diz Elias, atres~~~: dos outros em torno do leito de morte nao era necess~name~te con orta elos _ de fato as vezes os moribundos eram escarneCldos e 1l1sultados P 'd ' d d b orte possa ter Sl 0 sobreviventes.19 Qualquer que seja a ver a e, e em ora a m " ~ ~ m fenomeno a cercada por medos e ansiedades essenClalS, nao era entao u A ocultar. . ., I a vista, A questao nao e so que, hoje, a morte seja rot1l1elramente. ocu~tad' da - " determ1l1arao elxa Alem disso, a morte tornou-se uma questao teCl11ca, ua s _T de decidir nas maos da profissao medica; 0 que a morte e torna-se uma questao 'd ern em que momenta uma pessoa deve ser tratada como tendo mor.n 0, er , , d f . A morte cont1l1ua a s relac;:aoa cessac;:aode vanos tlpOS e unc;:oescorporals, 'd antO , d' h 'ao pode ser traZI a enqu o grande fator extnnseco a eXlstencla umana, n 'd d Mas " f, idos da modern 1 a e.I .dos tal para dentro dos sistemas Internamente re er _ . I' t e os que estao envo VI todos os tipos de aconteClmentos que evam a mor e urn " rados A morte torna-se no processo de morrer po d em ser aSSlm 1l1corpo. ole m que 0 contr ponto zero - e nem mais nem menos ~u~ 0 mon:ento e humano sobre a existencia encontra urn lrmlte extenor. A • A hlstoria da pena de morte serve para testemunhar 0 impulso de convercer a morte num puro "evento." Como mostraram Foucau It e outros, em arnbiences pre-modernos a pena de morte, muitas vezes combinada com outras maneiras de infligir dor ao corpo, era freqiientemente urn espetaculo coletivo. Com 0 aparecimento da prisao, a punic;:ao "desaparece de vista" e assume a forma disciplinar. 0 que Foucault nao investiga, em bora seja consistente com sua analise, saG as mudanps que afetam a pena de morte dentro da prisao. Formas publicas de execuc;:aomuitas vezes nao so eram dolorosas, mas cambem ruidosas e prolongadas. Todo 0 peso do desenvolvimento posterior se dirigiu a reduzir a execuc;:aoa urn processo tao "silencioso" quanto possivel. 20 Na Inglacerra, por exemplo, tomou-se grande cuidado para assegurar que 0 condenado passasse sua ultima noite numa cela muito proxima do lugar da execuc;:ao,de modo a minimizar a durac;:ao do evento final. Vma sucessao de modificac;:oestecnicas, projetadas para tornar 0 aparato da execuc;:aoeficiente e silencioso, foi introduzida. A morte deveria ser, em outras palavras, instanranea e discreta. Desde entao, a pena de morte foi abolida em muitos paises reforma feita por motivos humanirarios, mas que tambem reconhece que a execuc;:aofinalmente coloca 0 individuo alem da possibilidade de controle social. A remoc;:aoda sexualidade para os bastidores e urn fenomeno da privatizac;:ao da paixao. "Paixao" foi alguma vez urn termo que se referia ao extase e a devoc;:aodo religioso. Referia-se precisamente aqueles momentos em que 0 individuo se senti a em contato com forc;:ascosmicas, num estado alem da experiencia cotidiana. A noc;:aode paixao perdeu mais tarde essa conotac;:ao quase inteiramente, tomando-se secularizada e confinada principalmente a esfera sexual. Isso faz parte da transic;:ao por meio da qual a "sexualidade" Surgiu como fenomeno distinto, separada do erotismo mais geral e difuso que era freqiientemente ligado a estetica e a experiencias de natureza nao social iZada.21 Nao ha cultura conhecida em que 0 sexo tenha se realizado de maneira completamente aberta aos olhos de todo mundo. Mas ha evidencia suficiente que indica que, em muitas culturas nao-modernas, assim como na Europa Pre-modema, a atividade sexual nao era mantida estritamente oculta dos olhos dos outros. Em parte, tal visibilidade era inevid.vel: nos grupos socioeconomicos mais baixos era pd.tica normal que pais e filhos dormissem no
  • , d muitas vezes J'unto com outroS parentes. A atividade sexual mesmo como 0, ., . e da resl'dencia tambem parece ter sldo uma ocorrencia comum I rora eventua .' A privatizac:;:ao da sexualidade tamben:,po~e ser conslderada como ~ecorrente do surgimento de uma nova consclenCia. moral. Se?undo essa Vlsao, a sexualidade tornou-se cada vez mais sujeita a antudes pudlcas q~e a condena_ yam como licenciosidade. Foucault ajudou a m~s.trar como essa tnterpretac:;:ao e equivocada. Como ele diz, ela sugere uma estona segundo a qual a sexualidade foi cuidadosamente confinada: veio para dentro do lar. A familia conjugal a tomou sob sua custodia e a absorveu n~ ~eria funerao de rep~oduerao. Na questao do sexo, 0 silencio virou regra ... Urn un~co lugar da sexualidade foi 'd sparo social assim como no coraerao de cada lar, mas era urn recon h eCI 0 no e.,. '. . , . . lugar util e ferril: 0 quarto de dormlr dos pais. 0 resto so nnha de con~m~ar vago; iada evitava contato com outros corpos, e a decencla verbal a postura apropr 22 saneava as falas. . - que em termos amplos e compadvel _ N essa 1Oterpretac:;:ao, privatizac:;:ao da sexualidade e uma questao prec:;:oque devemos pagar pe/os frutos da de "hipotese repressiva" ao que c h ama sublinha a proliferac:;:ao de discursos que com a de Freud, a -' 0 de repressao - a repr:ssa~ que e_ civilizac:;:ao. Foucault nao so se opoe como a contrasta com outra que rd d ena trazem a sexua I a e para a ar ublica recentemente constituida. r d de torna-se Mas a tese de Foucault de que a preocupac:;:ao com a sexua I a . .' d d nao parece malS obsessiva e mais ou menos dlfundlda no mun 0 mo erno . . p d os I d m parte subsntulr. 0 em convincente do que aque Ia que e a preten e e . . A" xualida. 'd h" d egUinte manelra. se formular uma alternanva as uas Ipoteses as I "foi tamento sexua de" no sentido moderno foi inventada quan d 0 0 compo~ . prie." d' sexualtdade vlrou pro ara tras dos basndores . Desse ponto em lante, a . . mO em P . d OIS 0 erotlS dade do individuo, e mais espeCificamente 0 corpo, p binac;:ao . b . ,d por uma com conJ' unto com a culpa era progresslvamente su sntul 0 Itadio do . -' onha A ocu .,. de sexualidade, auto-idenndade e propensao a verg.. uma re_ ultarao PUdlCa como .._ comportamento sexual nao era tanto uma oc.,. c a de intl1111 . d" t para uma eSler . sl111 constituirao .,. da sexualtdade e seu re IreClOnamen 0. f xua 1 pasS am as " dade que surgia. 0 desenvolvimento sexual e a satlS ac:;:ao se xualidade . dO" "discursos sobre a se rO a ligar-se ao projeto reflexlvo 0 eu. s vanos d d nvolvimen . plo 0 ese de que fala Foucau.lt fa~em parte do espec:ro mals am 1.1' dos sistemas reflexlvos 10ternamente refendos. " ' digo corn ·' L hmann urn CO I da A sexualidade tornou-se entao, como d ma u .,'. ais amP as c' . d om as eXlgenCiaS m d u(11a nicativo" mais que urn lenomeno 10tegra 0 c f, . rrac:;:a a . , . h mana 23 No comportamento sexual, sempre 01 eXlstenCia u . P distinc;:ao entre .0 ~ra~er e sexualidade e a 10nmldade uito mais completamente : duplamente constituida, a procriac:;:ao. Quando as novas conexoes entre a se formaram, contudo, a sexualidade foi separada da procriac:;:ao do que antes. A sexualidade tornoucomo meio de auto-realizac:;:ao e como meio prin- ~ipal e expressao da .i~timi~a~e. A ~exualidade perde~ assim suas conexoes exuinsecas com tradlc:;:oes e enca mals amplas, e tambem com a sucessao das gerac;:oes. A sexualidade continua, ou me/hor torna-se, urn foco central para a "experiencia", e a palavra "experiencia" assume urn significado particular em relac;:aoa vida sexual. Mas essa "experiencia" tem pouco a ver com os dominios existenciais com os quais 0 sexo em certo sentido nos poe em contato. Em cad a urn dos aspectos discutidos acima, portanto, podemos perceber urn processo de segregac:;:ao moral em expansao. Os principais dominios da vida, inclusive aque/es que superficialmente parecem mais "biologicos" que sociais, passam a sofrer a influencia do duplo impulso da auto-referencialidade e da reflexividade. As questoes existenciais sao institucionalmente reprimidas ao mesmo tempo que sao criados novos campos de oportunidades para a atividade oocial eo desenvolvimento pessoal. A segregac:;:ao da experiencia e em parte o re~ultado planejado de uma cultura em que se supoe que os dominios esteuco e moral serao dissolvidos pela expansao do conhecimento tecnico. De cerra forma, porem, e tambem 0 resultado nao intencional dos processos estruturantes endemicos da modernidade, cujos sistemas internamente referidos perdem o contato com cntenos extnnsecos. . , . , E preciso acrescentar aos processos mencionados ate aqui 0 desenvolvimen to db' am lente cna d o. V'lrou Iugar-comum . da 0 afirmar que as visoes centrais ~odernidade tratam a natureza como instrumental, como 0 meio de rea l Izar os ,. h l "" . ProPOSltos umanos. 0 ocus classicus dessa posirao diz-se , nada ••tals d .,., modena a men os que 0 pr6prio Marx. 0 suposto critico radical da vida social do urna ~~aba por conformar-se a algumas das caracteristicas mais arraigadas " . mo q e CflUca A crl'tl'c'a e cer t amente va'I'd a. Me' 101 urn cnnco d 0 capita l'IS.' I arx , que Via como' melO essencla 1mente IrraClOna 1 d e orgaOlzar a 10d'ustna. . .. . . mod erna' . futuro f: ' m,as via a expansao das forc:;:asprodutivas como a chave para urn tos do .avoravel para a humanidade. Hi passagens, particularmente nos escriStlas r IJov_emMarx, que sugerem uma visao bem mais sutil da natureza e de . '''lane e ' ac:;:oesco m as asplrac:;:oes h umanas. Mas em seu todo 0 argumento d e . llli e Instrumental e, em relac:;:ao a isso, esra mais para defensor da linha nante d o pensamento 'd OCI ental do que para seu crftico. e •• 6
  • Nao basta, porem, deixar as quest6es como estao. 0 que esd. em discussao nao e so que, com 0 advento da modernidade, os homens tratam a natureZa como urn conjunto inerte de fon;:as a serem atreladas para os fins humanos, pois isso ainda implica que a natureza e urn domfnio separado do da socieda_ de. Como destacado anteriormente, 0 desenvolvimento do ambiente criado - ou, noutra expressao que diz a mesma coisa, a socializa<;:ao da natureza _ e muito mais profundo que isso. A natureza come<;:a a "chegar ao fim" no sentido em que 0 mundo natural e ordenado cada vez mais segundo os sistemas internamente reflexivos da modernidade. Nas condi<;:6es da modernidade, as pessoas vivem em ambientes artificiais num duplo sentido. Primeiro, por causa da difusao do ambiente construfdo, em que vive a vasta maioria da popula<;:ao, 0 habitat humano se torna separado da natureza, agora representada so na forma de "campo" ou "selva". Segundo, num sentido profundo, - a alternancia dos dias e das estar6e' d . :r s,o lmpacto as condl l' ,. ainda parece estar "U"; ambiente ext ", <;:.oes ImatIcas_ c o erno necessano as atIVldade h por malS Instrumentalmente orientad M s umanas, o A . . as que sepm. as essa sensa - '01 ' rIa. 0 tornar-se soclallZada a natu ' 'd I . <;:aoe I uso, reza e atral a pe a colon - d fi pelas arenas parcial mente imprevl'Sl' d' d lZa<;:ao 0 uturo e velS e nsco cna as pel dernas em todas as areas sob Sua l'nfl as InStItUI<;:oesmouenCla. Qual eo impacto da segrega<;:ao da experiencia:> E u qual me estenderei em outros cap't I ' .' m problema sobre 0 I u os, e so preClso de algumas b _ neste ponto. Essa segregarao e a co d' - d b I' 0 serva<;:oes :r n l<;:ao 0 esta e eClment d d serores de seguran<;:a relativa da vl'd 'd 0 e gran es a cotI lana nas condlr6 d d 'd d Seu efeito, que como vimos dev 'd d :r es a mo ernl a e. e ser consl era 0 em term os a I uma consequencla nao intencional do d I mp os como , esenvo Vlmento d . . 0_ dernas, e reprimir urn Con °unto d as .InStItul<;:oes moda vida humana que estaoJp ~ cOdo:ponentes o:orals e eXlstenciais basicos _'. ' or asslln lzer, espremldos nas mar ens A repressao InstItucional que a se re a I' g. 0 0 0 0 0 0 A 0 ._ • O • " A 0 0 0 a natureza deixa literalmente de existir quando mente fazem cada vez mais parte dos sistemas socializadas. eventos que ocorrem naturaldeterminados por influencias No que diz respeito ao primeiro desses fatores, podemos dizer que a vida humana vai se separando da natureza a medida que se desenvolve em locais criados pelo homem. Na cidade, a "natureza" ainda sobrevive como areas verdes cuidadosamente conservadas, mas em sua maior parte essas areas sac artificialmente construfdas - na forma de parques, areas de recrea<;:ao e assim por diante. Criam-se jardins, cuidam-se de arvores e cultivam-se plantas domesticas; mas tudo isso e parte do ambiente criado, e so e "natural" na medida em que depende de processos organicos e nao so da manufatura humana. A cidade modern a e de longe a serie mais extensiva e intensivamente artificial de cenarios para a atividade dos homens que jamais existiu. Vma visita ao campo ou uma caminhada no bosque podem satisfazer 0 desejo de estar proximo da "natureza", mas aqui a "natureza" esta coordenada e domesticada social mente. A no<;:ao de "selva" adquiriu imporrancia durante 0 perf~do inicial do desenvolvimento social moderno. Alguma vez significou espeClficamente uma area do mundo natural ainda inexplorada pelo Ocidente moderno, e portanto nao conhecida por ele. As selvas de agora sao em geral areas onde, por uma ou outra razao, 0 cultivo ou a habita<;:ao nao podem se manter efetivamente, ou sac simplesmente areas deixadas a parte especial mente para propositos de recrea<;:ao. Num segundo sentido, a natureza e segregada do envolvimento hu~a~o ta de uma maneira ainda mais fundamental. A natureza esra cada vez mais sUJel a interven<;:ao do homem, e assim perde seu proprio carater como fon~le extrfnseca de referenciao A segrega<;:ao da natureza sob esta forma e mais sut! , e ao mesmo tempo mais difundida do que no sentido anterior. Pois a natureza ~:'n~:::~~:~~~Ov~:i:o;i~~is~:~ tela ~ao gde~e~a;e ~~~~t:;~~~:~:<;:~~o d~ ~~~::~~ as, a maneIra sugenda po FdA ' para repetir os mecanis d . r reu . 0 contrano, identidade, 'substituem :spa ~tverg:nha, .1Jg ados a na:ureza "aberta" da auto. 1 e su stanCla los mecaOlsmos da culpa O d esenvo IVlmento de b' I . am lentes re atlvamente seguros da vida d'" , d e ImpOrtancla central ar _. lana e logica. A seguranra on~olo~gal' manuten<;:ao de sentImentos de seguran<;:a onto:r ca, em outras palavra' d' mente pela propria rotina E boo s, e sustenta a pnnclpalo . m ora a eXlstenCla d ,. . mUlto mais controlada e " I ana sep e vanas maneIras prevlslve nas co d . . traste com as cult 'd n l<;:oesSocIalS modern as em conuras pre-mo ernas 0 quadro d f. ontologica torna-se fragil 0 I' e re erenCIaS da seguran<;:a cia das propri . . c~su 0 protetor depende cada vez mais da coerenas rotInas, que sac ordenad d d . Grandes areas da vl'd °d' d as entro 0 proJeto reflexivo do eu. a cotl lana or enad 'd' seguras no senti do de M W'; d f. as atraves os Sistemas abstratos, sac a<;:ao.Mas as '0 ~ e er e 0 erecerem ambientes "calcuUveis" de propnas rotlnas que fornece I carecem de signifi dim ta seguran<;:a em sua maioria Ica 0 mora e tanto pd' Cas "vazias" q I 0 em ser expenmentadas como pratiuanto, a ternatlvamente d as rotinas pi' po em parecer esmagadoras. Quando , or qua quer raza d' I decide especificament I 0, sac r~ Ica mente rompidas, ou quando alguem tidade tend e a can~ar mal.or cOntrole reflexivo sobre sua auto-iden0' em a oconer cnses eXlsten " U . d' 'd Partlcularmente b d d ClalS. m In IVI uo pode sentir-se a an ona 0 em m d " mentos os dilem . . .omentos eCISlVOS,porque em tais moas moralS e eXlstenclals d' COmo se 0 indivfd fi se apresentam e manelra urgente. E Jh e faltam os uo en rentasse 0 retor dId ' no 0 reca ca 0, mas provavelmente recursos pSlqUlcos e soci l"d apresentadaso alS para I ar com as quest6es assim 0 0 • A' 0 di" . A b 0 0 0 0 •
  • Como no caso dos outros processos de desenvolvimento social moderno, seria equivocado en tender a segrega<;:ao da. experiencia c?mo homog~nea e envolvendo tudo. Ela e internamente complicada, faz surglrem contradl<;:6es e tambem gera possibilidades de reapropria<;:ao. A segrega<;:ao, vale sublinhar, nao e urn fenomeno de uma vez por todas, e nao representa urn conjunro de fronteiras sem fric<;:6es. Lugar da repressao, suas caracterfsticas excludentes normalmente carregam conota<;:6es de diferencia<;:ao hierarquica e desigualda_ condi<;:6es'sociais pre-modernas. Muitas formas de arte popular sa-o e "I ' . " ssenCla _ mente estonas morals em que as narrativas sac engendradas e uma ordem moral e construfda. ~mente esses mundos de fic<;:ao em parte suplantam as da vida cotidiana. No entanto, pela linguagem e imagens da mfdia, os indivfduos tambem tern acesso a experiencias que, em diversidade e distancia vao muito alem do que poderiam ir na ausencia dessas media<;:6es. As sensibi~ lidades existenciais portanto nao sac simplesmente atenuadas e perdidas; ate de. As fronteiras da experiencia segregada estao cheias de tens6es e de for<;:as mal dominadas; ou, metaforicamente, sac campos de batalha, as vezes de carater diretamente social, mas muitas vezes se dao dentro do campo psicologico do eu. certo .~on.to podem expenenCla. se enriquecer novos campos de exprime interesse pelas antigas moralidades da vi~~ cotidiana: Mas. tais..Ereocupa<;:6es tendem a confirmar a separa<;:ao da atlVldade do dla-a-dla das externalidades em que alguma vez se encaixaram. e segregada da: Loucura: a expressao de tra<;:osde personalidade e comportamento que tocam em experiencias "postas entre parenteses" pelas atitudes ordinarias da seguran<;:a ontologica. Criminalidade: que se abrem ~ e certo que a experiencia atraves da mfdia favorece a segrega<;:ao em vez de a).t:dar_a.,!upera-Ia. Urn fascfnio com 0 "realismo ficcional", como por exemp 0 as telenovelas, A vida social cotidiana a medida a expressao de tra<;:os de personalidade Onde os indivfduos sac postos car a a cara com as demandas existenciais _ co~o no~ momen~os decisi:os - eles provavelmenre experimentam 0 choque e a Inversao da realidade. A Inversao da realidade, em verdade, po de ser muitas vezes u~a rea<;:ao psicologica funcional que alivia as ansiedades nessas sltua<;:6es - urn aparato neutralizador inconsciente. e comportamen- to que podem representar "alternativas" aos cuidados e envolvi~~ntos rotineiros (obviamente nem todas as formas concretas de anvldade criminosa caem nesta categoria). que aparecem Doenra e morte: pontos de cantato entre a vida social e criterios externos relativos a mortalidade Sexualidade: erotismo e a conrinuidade e a finitude. Sennett: narcisismo e desordens do carciter como uma forma de contato entre os indivfduos As das gera<;:6es. - . s~<;:oesantenores d . elxaram implfcito que 0 autodesenvolvimento der01da~e tardia ocorre em condi<;:6es de substancial Natureza: 0 ambiente atividade natural como constitufdo social humana. independentemente da ·A· , Devemos tambem consider:ar 0 impacto d a expenenCia atraves dos meios ----d oen<;:as graves p ode ser raro, de comunica<;:ao. 0 contato com a morte e com . ... -, exceto para os profisslOnals especla I" d os, mas em re Ia<;:aoa exp erienCia auaIza 'd 'do 'b c. yes a mila e Ie e em comum. A I" Iteratura d e I1c<;:aoe apre sentar6es docuT " estao c h" d e matenas que retratam a VIOenc "a, a sexualidade e a ' " . IAI mentals elas d " "d a morte. A familiaridade com os amblentes d"" rals an VI a d es, como r esultado e aS ampla influencia da mfdia de varios tipos, pode ser de fato maior que n na mo- priva<;:ao moral. Segrega- do "d~ tlpos fundamentais de experiencia que relacionam as tarefas da vida cotldlana e mesmo 1" dld'd . ". ' 0 p anejamento e ongo prazo a VI a, a quest6es eXIstenclals 0 pro)" t fl" d' . , e 0 re eXlvo 0 eu e posto em mOVlmento contra urn pano de fundo de empobreci t I Nd "A . , . men 0 mora. ao surpreen e que nessas clrcunstanCias a recem-constltufda esfera das rela<;:6es puras possa vir a suportar urn grande peso com' d "A" d . 0 area e expenencla gera ora de urn meio satisfatorio para 0 desenVO!vlmento d 'd d " d' 'd R a VI a 0 In IVI uo. epresenta esse fenomeno urn encolhimento defensivo da t "d "d d d· d "" au 0-1 enn a e lante e urn mundo extenor recalcltrante? ":!guns escritores certamente sugerem isso e, dada a sua influencia, suas posiS:Oesrequerem minuciosa considera<;:ao. - Na sociedade modern a, 0 eu e fdgil, quebradi<;:o, fraturado, fragmentado uma tal concepc;:ao e provavelmente a visao predominante nas discuss6es ")
  • em curso sobre 0 eu e a modernidade. Algumas dessas analises estao teorica_ mente ligadas ao pos-estruturalismo - assim como 0 mundo social, 0 eu tambem torna-se contextualizado e disperso.24 De fato, para autores escreven_ do numa linha pos-estruturalista, 0 eu efetivamente deixa de existir - 0 unico sujeito e urn sujeito descentrado, que encontra sua identidade nos fragmentos da linguagem-ou_discurso. Vma visao igualmente influente ~~foca 0 narcisismo. Assimf Sennett cliscute 0 surgimento de "desordens narclSlstas do carater" em relac;:ao ~a:tese~obre 0 desaparecimento da vida publica. Como as esferas da atividade publica encolhem, e as cidades viram compostos de ruas em vez de lugares para encontros abertos, 0 eu e chamado a assumir tarefas que nao 25 pode enfrentar com sucesso. .. " . narcisismo, diz Sennett, nao deve ser confundldo com a Idela 1elga da auto-admirac;:ao. Enquanto desordem do carater, 0 narcisismo e uma preocupac;:aocom 0 eu que impede 0 individuo de estabelecer fronteiras validas entre o eu e os mundos exteriores. 0 narcisismo relaciona os eventos externos as necessidades e desejos do eu, apenas perguntando "0 que isso significa para mim". 0 narcisismo supoe uma procura constante da auto-identidade, mas e uma procura frustrada, porque a busca incansavel de "quem sou" e uma expressao de absorc;:ao narcisista e nao uma procura realizavel. 0 narcisismo se o opoe ao compromisso necessario para sustentar relac;:oes intimas; 0 comp~omisso coloca restric;:oes as oportunidades, fazendo com que 0 individuo preClse ten tar as muitas experiencias em sua busca de auto-realizac;:ao. 0 narcisismo trata 0 corpo como instrumento de satisfac;:ao sensual, em vez de relacionar a sensualidade a comunicac;:ao com os outros. Sob 0 impacto do narcisismo, .as relac;:oes intimas assim como conexoes mais amplas com 0 mund~ ~oClal tendem a ter aspectos inerentemente destrutivos. Os horizontes de atlvldade da pessoa parecem desolados e sem atrativos a despeito da cronica bu~ca de satisfac;:ao - ou talvez por isso mesmo. Ao mesmo tempo, qualquer sentldo ~e dignidade pessoal ou dever dvico tende a evaporar-se. A autenticidade SUbS:ltui a dignidade - 0 que torna boa uma ac;:aoe que ela e autentica em relac;:ao aos desejos do individuo, e pode ser exibida aos outros como tal. o fato de que 0 espac;:opublico esta "morto", segundo Sennett, e uma das razoes para a difusao do narcisismo, As pessoas procuram na vida pesso~l 0 q~e · ....' Ihes e negado nas arenas pub 1leas. As ongens lnStltuclOnalS d essa sltuac;:ao C residem na decadencia d a auton 'd a d e tra d" IClOnaI e na IOrmac;:ao d e u ma cultu. . , ra urbana capita I'Ista e secu 1ar. 0 capita I'Ismo cna consuml 'd ore,s que tem , elnecessidades diferenciadas (e cultivadas); a secularizac;:ao tern 0 efeito de estr , -0 tar 0 sign!'f] d 0 mora 1"ate 0 Ime d'lato d a sensac;:ao e d a perc,e~c;:a , A "persona- _ lea lidade" substitui 0 "carater" natural, antiga crenc;:ado Ilumlnlsmo. A persona " lidade diferencia as pessoas, e sugere que 0 comportamento e a pista para 0 eU interior; no desenvolvimento da personalidade 0 que faz diferenc;:a na formac;:aoda auto-identidade sao os sentimentos, mais que 0 controle racional da ac;:ao.A entrada da ideia de personalidade na vida social ajudou a preparar 0 terreno para 0 dominio da ordem intima. Dai em diante, as lac;:ose envolvimentoS pessoais recuam e favorecem a preocupac;:ao infindavel e obsessiva com a identidade social. Hoje, a experiencia impessoal parece sem senti do e a complexidade social uma ameac;:a impossive! de manejar. Por contraste, a experiencia que parece falar sobre o eu, ajudar a defini-lo, desenvolve-lo ou muda-lo, tornou-se uma preocupac;:ao esmagadora, Numa sociedade intima, rados os fenomenos sociais, por mais impessoais que sejam em estrutura, se convertem em quest6es de personalidade para alcanc;:arurn significado.26 o tema do narcisismo em relac;:ao ao eu moderno foi minuciosamente explo27 rado por Christopher Lasch. Lasch relaciona 0 fenomeno especificamente a natureza apocaliptica da vida social moderna. Os riscos globais tornaram-se urn aspecto tao conhecido das instituic;:oes modernas que, no nive! do comportamento diario, ninguem dedica muita atenc;:ao ao problema de como evitar desastres globais. A maioria das pessoas os afasta de suas vidas e concentra suas atividades em "estrategias de sobrevivencia" privatizadas, apagando os riscos maio res dos cenarios. Desistindo da esperanc;:a de que 0 ambiente social mais amplo possa ser controlado, as pessoas se retiram para preocupac;:oes puramente pessoais: para 0 auto-aperfeic;:oamento psiquico e corporal. Lasch relaciona essa situac;:ao a uma evaporac;:ao da historia, uma perda da continuidade historica no sentido de urn sentimento de fazer parte de uma sucessao de gerac;:oes que se perde no passado e se projeta no futuro. Contra esse pano de fundo, as pessoas anseiam por seguranc;:a psfquica e por uma sensac;:ao _ sempre fugidia - de bem-estar. Lasch concorda com Sennett que 0 narcisismo se refere tanto ao auto-odio quanto a auto-admirac;:ao. 0 narcisismo e uma defesa contra a Furia infantil, Uma tentativa de compensa-la com as fantasias onipotentes do eu privilegiado. A personalidade narcisista tern apenas urn vago entendimento das necessidades dos outros, e os sentimentos de grandiosidade se batem com sentimentos de vazio e de falta de autenticidade. Nao tendo envolvimento pleno com os Outros, 0 narcisista depende de infusoes continuas de admirac;:ao e aprovac;:ao para estimularem urn senti do incerto de automerecimento. 0 narcisista, segundo Lasch, esta
  • cronicamente entediado, incansavelmente 11 procura de intimidade instantanea _ de excitac;:aoemocional sem envolvimento e dependencia narcisista e promfscuo e muitas vezes pan-sexual, pois a fusao dos im~ulsos pre-ge~it~is e edipianos a servic;:oda agressao encoraja a perversidade polimorfa. As mas lrnagens que internalizou tambem fazem dele a1guemcro~icamente ~reocupado c~m a saude, e a hipocondria por sua vez the da uma afimdade especIal pela terap1a e ° • A' por grupos e movlmentos terapeutIcos. 28 Longe de aliviar tais sin tomas, 0 encontro terapeutico mu.itas vezes apenas ajuda a prolonga-los, porque na terapia 0 individuo e encorapdo a tornar-se 0 ponto central da reflexao e dos cuidados. capitalismo consumidor, com seus esfors:osde padronizar 0 consumo e formar os gostos pela propaganda, desempenha urn papel basico na difusao do narcisismo. A ideia de criar urn publico educado e perspicaz foi ha muito derrotada pela difusao do consumismo, numa "sociedade dominada pelas aparencias". 0 consumo interpela as qualidades alienadas da vida social ~~derna e se apresenta como a solus:ao: promete as coisas mesmas que 0 narc.lslsta deseja - charme, beleza e popularidade - atraves do consumo dos tlpOS "certos" de bens e servis:os. Oai que todos n6s, nas condis:oes sociais modernas, vivemos como que cercados de espelhos; neles procuramos a apan~ncia de o urn eu socialmente valorizado, imaculado. No nivel das relas:oes pessoais, Lasch concorda, ha uma nova busca ~a intimidade. No entanto, a intimidade torna-se inatingivel em conseqiienCla das mesmas circunsrancias que levam os individuos a ten tar consegui-la. ~ incapacidade de interessar-se seriamente par qualquer coisa que n~o ~eJ,a escorar 0 eu faz da busca da intimidade urn empreendimento futil. Os In,dlvlduos demandam das ligas:oes intimas com os outros uma satisfa?ao e~oclOnal muito maior do que antes; por outro lado, cultivam urn ~1~tan~lament~ necessario a manutens:ao das defesas narcisistas do ego. 0 narclSIsta e le~a.do . '. fazer demandas exceSSlvasaos am antes e amlgos, ao mesm 0 tempo , reJ Ita 0 "dar-se aos outros" que iss~ impli~a. ,. do A decadencia da familia patnarcal, de fato da familia em geral, segun . d . . Elgar da velha Lasch, esta ligado de perto ao surglmento 0 narclSIsmo. m u. . '0"autoridade familiar", e tambem da autoridade dos lfderes e sablOs trad~cl ., . l' arre Inrenais, surgiu urn culto da espeClalIzas:ao. Os novos espeCla Isras sao p . " all O . . grante da cultura terapeutica do narCISlsmo. S'urglU urn "novo p arern d m d . ., . c: . em que os especlallstas d'e to d os os tlpOS OllClam para as necesslda s d a . . l' - denvatn 0 populac;:ao leiga. Muitas formas modernas d e especla 1zas:aonao . . . d' em boa pahe OS atendimento a necessldades genumamente expenmenta as, d .. . c: enovos espeClallstas Inventaram as necessl'd ad es que aur mam satisfazer. pendencia dos especialistas torna-se urn modo de vida. E aqui nos reencontramoS com 0 narcisismo, porque a personalidade narcisista se origina como uma defesa da dependencia infantil. Como nas sociedades modernas a dependencia se estende a maioria das areas da vida adulta, 0 narcisismo se intensifica como reas:ao aos sentimentos de impotencia assim engendrados. Em escritos posteriores, Lasch elaborou e modificou urn tanto sua posis:ao original. 0 tern a da sobrevivencia, num mundo externo invasor e perturb ador, foi acentuado. A sobrevivencia, sublinha Lasch, e a preocupac;:ao comum dos individuos na vida do dia-a-dia, e tambem de redes sociais como os movimentos pela paz e ecol6gicos. Na epoca contempodnea, a sobrevivencia tornou-se uma questao de suprema imporrancia; mas a pr6pria publicidade da questao, que virou quase urn item de rotina, produz uma resposta letirgica ao nivel individual. A dramatizas:ao dos riscos que a humanidade agora enfrenta e urn empreendimento necessario, e algumas das pressoes e movimentos sociais que ela ajudou a estimular sao nossas melhores esperans:as para 0 futuro; mas a conversa continua sobre 0 apocalipse cria uma mentalidade sitiada que amortece em vez de estimular. 0 que Lasch antes chamava de "cultura do narcisismo" passou a chamar de "cultura do sobrevivencialismo". A vida modern a passa a ser cada vez mais padronizada segundo as estrategias dos individuos fors:ados a enfrentar situac;:oesde grande adversidade onde s6 existe urn "eu minimo", defensivamente separado do mundo exterior. A apatia em relac;:aoao passado, a renuncia sobre 0 futuro, e uma determinas:ao de viver urn dia de cad a vez - essa posic;:aoe hoje caracterfstica da vida ordinaria em circunsrancias dominadas por influencias sobre as quais os individuos sentem que tern pouco ou nenhum controle. As posis:oes de Sennett e Lasch foram aplaudidas por alguns e criticadas por outros (Lasch e tambem critico de Sennett). Nao pretendo resenhar aqui esses debates, mas apenas concentrar-me em alguns aspectos que se relacionam diretamente com os temas ate aqui desenvolvidos neste estudo. 1a expressei rneu desacordo com que a ideia de que uma esfera publica, distinguivel nas rimeiras 2ses da modernidade, foi depois erradicada, deixando 0 individu ex osto a urn mundo social ;;~plexo e esmagador. No todo pode-se dizer que, em bora eivada de dificuldades e reversoes, a expansao do espac;:opublico, junto com as possibilidades que os individuos tern de participar efetivamente dele, aumentaram com 0 amadurecimento das instituic;:oes modernas. Nao se trata de urn processo linear de desenvolvimento. 0 privatismo e sem duvida
  • caracteristico de grandes areas da vida urbana moderna, consequencia da dissoluc;:aodo lugar e do aumento d~ mobilidade. Po~ outr? I~do, areas ur~anas modernas permitem 0 desenvolvlmento de uma vida publica cosmopollta de maneiras que nao estavam disponiveis em comunidades ~ais :radicionais.29 Pois os ambientes urban os modernos oferecern uma dlversldade de oportunidades de os individuos procurarem outros com int~resses sem~lhantes e com eles formarem associac;:oes,alem de oferecer mals oportumdades para 0 cultivo de uma pluralidade de interesses em geral.. . No que diz respeito a uma vida "publica" num sentldo mals amplo, .vale lembrar que a massa da populac;:ao no inkio d~ .periodo mod~rn~ tlnha poucos direitos de participac;:ao, Fosse na esfera polItlca ou na e.conomlca. No classico contrato de trabalho capitalista, 0 trabalhador sacnficava to do 0 controle sobre sua forc;:ade trabalho ao atravessar 0 portao da fabrica; 0 direito a sindicalizac;:ao e a substancial gama de capacidades tornadas possiveis pelo movimento dos trabalhadores so se desenvolveram ao longo de extenso periodo de tempo. De modo semelhante, muitos anos de luta foram empenhados pelos direitos de participac;:ao polltica efetiva nos governos local e c:ntra~. mobilizac;:ao coletiva em outras esferas - em relac;:ao,por. ex~mplo, as.multlplas organizac;:oes de auto-ajuda que agora existem na malOna das socledad~s modernas - tambem se constituiu num longo periodo de tempo, por melO de luta ativa. E claro que tudo isso tern urn outro lado, que e onde se concentram Sennett e Lasch: 0 crescimento de grandes organizac;:oesburocraticas, e a influencia da produc;:ao de mercadorias, que drenam 0 ~ontrole individual sobre a vida diaria. Mas ha resistencia a ~ssas tendenClas, e 0 "capitalismo burocratico" e internamente mais fluido_~ntraditorio do que J: supoem esses autores. , Na obra de Lasch, e na de muitos outros que produziram diagnostlCOS · - . d d do agen te culturais semelhantes, pode-se perce b er uma d escnc;:aolOa equa a . I . I - a forc;:as humano. 0 individuo parece essenCla mente passlvo em re ac;:ao . ' .croamblentes sociais externas que sac esmaga d oras, e as IIgac;:oesentre os ml . da ac;:aoe influencias sociais mais abrangentes sac vistas a partir de um~ 'posic;:ao equivocada ou falsa, Vma d escnc;:ao a d equa d a d a ac;:aoe m relac;:aoa modernidade deve cumprir tres tarefas. Ela deve reconhecer que (1) num . . d' oes externas nivel muito geral, os agentes nunca aceltam passlvamente con IC;: ., luz de suas de ac;:ao,mas quase sempre refletem sobre e Ias e as reconstltuem a. .. I · mdlvldua , circunstincias particulares; (2) tanto no p Iana co Ietlvo quanto no . _ a 'de acima de tudo nas condic;:oes da mo d erm'd a d e, h" areas maClc;:as apropn . I' a c;:aocoletiva como consequencia do aumento da reflexividade da vida sO~la , . b' d ao seprn (3) nao e valido argumentar que, embora os micro am lentes a ac;: do maleiveis, os sistemas sociais mais amplos formam urn ambiente de fun nao-co~trolado. Analisemos essas questoes de maneira urn pouco mais detaIhada. Se nao enxergamos que todos os agentes ocupam uma posic;:aode apropriac;:aoem relac;:aoao mundo social, que constituem e reconstituem em suas ac;:6es, eixamos de captar num nivel empirico a natureza do empoderamento d humano. A vida social moderna empobrece a ac;:aoindividual, mas favorece a apropriac;:aode novas possibilidades; ela e alienante, mas ao mesmo tempo, de maneira caracteristica, os homens reagem contra as circunstincias sociais que acham opressivas. As instiruic;:oesmodern as tardias criam urn mundo de oportunidades duvidosas e riscos de alta consequencia. Mas esse mundo nao constitui urn ambiente impermeivel que resiste a intervenc;:ao. Enquanto os sistemas abstratos penetram profundamente na vida cotidiana, as respostas a tais sistemas ligam as atividades do individuo a relac;:oessociais de amplitude indeterminada. Varias formas de dependencia - ou, para colocar a questao de maneira menos provocadora, connanc;:a - sac criadas pela reconstruc;:ao da vida diaria pelos sistemas abstratos. Alguns desses sistemas, em suas extensoes globais, criaram influencias sociais que ninguem controla inteiramente e cujos resultados sac em parte especincamente imprevisfveis. Mas sob muitos aspectos a expansao dos sistemas especializados oferece possibilidades de reapropriac;:ao muito alem daquelas disponiveis em culturas tradicionais, Como ilustrac;:ao, tomemos as mudanc;:as agora em curso nos modos de vida familiar, associadas ao surgimento das relac;:oespuras. A obra de Judith Stacey oferece uma Fonte de evidencia.30 Como ela mostra, ao experimentarem a desmontagem dos padroes familiares tradicionais, com todas as ameac;:as e riscos que essas mudanc;:as envolvem, os indivfduos estao sendo ativamente pioneiros num novo territorio social e estao construindo formas inovadoras de relac;:.ao familiar. A pesquisa de Stacey se da contra 0 pano de fundo de um am~lente social perturbador e em ripida mudanc;:a - 0 Vale do Silkio, na California. Seu proprio estudo e altamente reflexivo - os individuos considerados estabeleceram urn dialogo condnuo com a autora, e suas opinioes sobre ? material das proprias entrevistas, e sobre 0 proprio texto, constituem parte IlnpOrtante do relato da pesquisa, A obra de Stacey se refere a duas redes de parentesco de pessoas da dasse trabalhad ora que, como eIa d'IZ, ". ["I" Vlvem, amam, tra b a Ih am e se preocupam " e, love, work and worry"] no Vale. 0 casamento moderno, observa, d.t II er:~temente de seu antecessor tradicional, depende de compromisso voUntano duradouro. Ha menos filhos a cuidar do que antes, e a divisao do trlabalho entre os homens e as mulheres dentro e fora da casa ficou men os c ara . 0 am b'lente socIa 1 em que as relac;:6esconJugals sac constltui d as e , .
  • sustentadas ficou perturbador e instavel. 0 resultado e certamenr . "d U equemuit indivi d uos se sentem sltla os e em guerra. ma preocupa<;:aocom" Os d" . como aque I d'escnta por L asc, surge de maneira b h a sobrevl" vencla lana, a . 'd . 'd aStant clara a parttr d as VI as d os 10d'IVI uos d'escntos no tra b alho de Stac M e , - mesmo tempo e d'Igno d e nota que uma ta I concep<;:aonao Ieva nece ey. . as ao . . ssanamen_ te, ou mesmo caractenstlcamente, a uma fuga para 0 mundo fechado do Ao contrario, Stacey mostra como os individuos estao reestrut eUd' uran 0 ativamente novas formas de relacroes de genero e parentesco a partir d detritos das formas anteriores de vida familiar. Tais reestrutura<;:oes nao s;s meramente locais e certamente nao sao triviais - tr.ata-se essencialmente d~ urn processo maci<;:ode reconstituicrao institucional. "Famllias recombina_ das", nao mais organizadas em termos das divisoes de genero preexistenres sac criadas; em vez de constituir urn cisma entre urn modo de eXistenci~ anterior e urn posterior, 0 divorcio e mobilizado como urn recurso para criar redes que aproximam novos e antigos parceiros, filhos biologicos e filhos "adotivos", amigos e outros parentes. 0 narcisismo nao e urn tra<;:o que surge cam qualquer clareza em estudos como 0 de Stacey, onde os individuos ~arecem nao fugindo do mundo social exterior mas em franco envolvimento com ele. Olhemos mais de perto para a caracteriza<;:aode Lasch da "personalidade narcisista de nosso tempo". Os tra<;:osde "narcisismo patologico", diz de, aparecem em sua forma aguda "em profusao na vida cotidiana de nossa epoca".31 0 narcisismo e a "incorporacrao de imagens grandiosas como uma defesa contra a ansiedade e a culpa".32 E a formacrao de uma rea<;:ao desenvolvida como meio de defesa contra 0 medo do abandono. 0 narcisista nao e . ' . de Iza d omma d 0 por uma ngl'd a conSCIenCia mterna I' d a, ou pe la culpa' '._ esta . . mals para urn ",,' carater caotlco Ievad 0 por Impu I" que pre cisa de admlra~ao sos . . a mtlml 'd adO' narcisista so fre d" sentlmen tos difusos de vazlOe " . . . mas reslste e. e . d C . "0 .. ..( trategla eleourn disturbio profundo da auto-estlma. narcisismo c uma es d . , . - , a ameacra ora siva que, na opiniao de Lasch, e adaptatlva em rela<;:ao naturez a do sa . . . - tan do mundo moderno. Urn narcisista excIUI uma reIa<;:ao to com 0 pas eriS . . . quanto com 0 fi uturo, "d estrum d o-as " pSlqUicamente co mo resposta aO p gos que 0 mundo apresenta e ao medo de que "tudo acabe". . cipai5 , d' b m dos prw E surpreendente que Lasch tenha pouco a Izer so re u _ ne eu ·d a rela~ao eO elementos do narcisismo como normalmente enten d I 0 r6pria . . ., e corpo. A estona d e NarcIso d'IZ respelto a sua a d m iracao por sua P tipa d e d as d" - d 0 narclslSmo como nacroIau rn 51 0, .. "d aparenCla, e na malOna Iscussoes personalidade a rela<;:aodo individuo com a aparencia carporla teosideraope a CO apropriadamente, vista como fundamental. 0 cu lto ao corp , 'd de carnu(1l <;:ao dieta, roupas, aparencia facial e outros fatores, e urna qualt a de A ." A •• T A • • • de atividades de estilo de vida na vida social contemporinea. Ate que ponto esses cuidados representam uma forma de narcisismo? A analise formulada neste e nos capitulos anteriores fornece a base para uma resposta. 0 corpo nao pode mais ser meramente "aceito", alimentado e enfeitado segundo 0 ritual rradicional; torna-se parte central do projeto reflexivo da auto-identidade. Orn cuidado continuado com 0 desenvolvimento corporal em rela<;:aoa uma eultura de risco e assim uma parte intrfnseca do comportamento social moderno. Como foi sublinhado antes, embora os modos de apresenta<;:aodo corpo ten ham que ser desenvolvidos a partir de uma diversidade de op<;:oesde estilo de vida, a decisao entre as alternativas nao e em si mesma uma op<;:aomas urn demento inerente da constru<;:aoda auto-identidade. 0 planejamento da vida em rela<;:aoao corpo, portanto, nao e necessariamente narcisista, mas parte normal dos ambientes sociais pos-tradicionais. Como outros aspectos da reflexividade da auto-identidade, 0 planejamento do corpo e mais freqiientemente um envolvimento com 0 mundo exterior que uma retirada defensiva dele. Em term os clinicos, 0 narcisismo deve ser visto como uma patologia do corpo entre outras que a vida social moderna tende em parte a provocar. Como deforma<;:aoda personalidade, 0 narcisismo tem sua origem na incapacidade de alcan<;:ara confian<;:abasica. Isso e particularmente verdade nos casos em que a crian<;:anao con segue reconhecer satisfatoriamente a autonomia do primeiro guardiao; e e incapaz de separar claramente suas proprias fronteiras psiquicas. Nessas circunsrancias, sensa<;:oesde onipotencia e de automerecimento tendem a alternar-se com seus opostos, sensa<;:oes vazio e desespero. de Levados para a vida adulta, esses tra<;:os criam um tipo de individuo inclinado a dependencia neurotica dos outros, especial mente para a manuten<;:ao da auto-estima, mas que nao tern autonomia suficiente para ser capaz de comunicar-se efetivamente com eles. Tal pessoa provavelmente nao sera capaz de dar conta de contemplar 0 risco que as circunsrancias da vida modern a envolvem. Assim e provavel que dependa do cultivo da atra<;:aocorporal e talvez do charme pessoal, como meio de ten tar controlar os perigos da vida. A dinamica c~ntral do narcisismo, para prosseguir na discussao iniciada acima, pode ser V.Istacomo vergonha em vez de culpa. Os sentimentos alternados de grandiosldade e desimporrancia com que 0 narcisista precisa lidar sac essencialmente respostas a uma auto-identidade fragil suscetfvel de esmagamento pela vergo- nh . Ao estimar a prevalencia do narcisismo na modernidade tardia, devemos ser cuidadosos em separar 0 mundo das imagens mercantilizadas, a que Lasch freqiientemente se refere, das respostas reais dos individuos. Na descri<;:aode , Lasch, como observamos, as pessoas parecem em geral passivas em suas rea<;:6s - nesse caso a urn mundo de brilhantes imagens de propaganda. Passivi-
  • dade e dependencia diante das institui<;:6es do capitalismo de consumo, de fato, figuram entre as principais enfases de Lasch. No entanto, por poderosas que as influencias mercantilizantes sejam, dificilmente saG recebidas de maneira acritica pelas popula<;:6esque afetam. Em conclusao, voltemos brevemente a questao da terapia, vista por Lasch, a despeito de seu usa da teoria psicanalltica, principal mente de urn angulo negativo, como forma de dependencia em rela<;:ao especialistas. Em vez de aos considerar diretamente a visao de Lasch sobre essa quesrao, voltemo-nos ao ponto de vista mais ou menos comparavel estabelecido nos conhecidos textos de Philip Rieff 33Ele relaciona 0 surgimento da terapia a seculariza<;:aoe ao que ve como urn deserto moral criado pelo enfraquecimento da religiao tradicional. 0 que chama de "controle terapeutico" opera para preservar urn certo nivel de "funcionamento social adequado" em ambientes onde a religiao nao mais fornece orienta<;:ao. Antigamente, se as pessoas se sentiam miseraveis, procuravam 0 consolo da igreja; agora, voltam-se para 0 primeiro analista disponfvel. Por meio da rerapia, uma pessoa tenta tornar-se "urn eu saG num mundo louco, a personalidade integrada na era da fissao nuclear, a resposta silenciosa as altissimas explos6es".34 A terapia busca criar urn indivfduo confiante e prospero sem urn sentimento de altas moralidades; ela descarta os grandes enigmas da vida em favor de uma sensa<;:aomodesta e duravel de fiE . b em-estar. ".. COlsalmportante " , como d'lZ Ri e, '" e segulr em c A rrente " .35 Ha validade nessa concep<;:ao,mas ela deve ser substancialmente reform~lada. Antes de mais nada devemos observar que a terapia nao replica a "autondade" de outros tempos, particularmente a autoridade religiosa. Nao ha versaG de terapia com tal autoridade. Quem procura terapia, como ja observamos, encontra-se diante de uma variedade interminavel de escolas, praticas e filosofias diferentes, muitas das quais em oposi<;:aoradical entre si. Se a psicanalise c1assica parece ocupar uma posi<;:aopredominante nos debates intelectuais sobre os modos de terapia, isso e mais urn tributo ao genio de Freud do que uma aceita<;:aogeneralizada na pratica de que essa versao particular da terapia e mais legftima ou eficaz que as outras. A terapia, portanto, e ante~ u~a expressao espedfica de dilemas e praticas relevantes para a alta modern Ida. e do que urn fenomeno que substitui formas sociais e morais mais tradicionalS. Seria a terapia apenas urn meio de ajustar indivfduos insatisfeitoS a urn ambiente social defeituoso? Seria simplesmente uma estrita substituta, a rn~. ., . nivelS nelra secular, de urn conJunto malS profundo de envo IVlmentoS d'lSPO em ambientes pre-modernos? Nao ha como negar que ela pode ser uma concessao, e talvez possa promover uma retirada narcisfstica. A maio ria das formas de terapia toma tempo e dinheiro; ela e em parte uma diversao cultivada pelos privilegiados. Mas ha muito mais que isto.36 A terapia e urn sistema especializado profundamente imbricado no projeto reflexivo do eu - e urn fenomeno da reflexividade da modernidade. Na forma da psicanalise, a terapia se desenvolveu como urn meio de combater patologias da personalidade. Constituiu-se em torno de uma retorica de "doen<;:as"e "curas", e as propriedades curativas de formas diversas de terapia - inclusive a psicanalise classica - continua a ser objeto de acirrado debate. Mas a sua maior importancia nas circunstancias da modernidade tardia nao esra nessa dire<;:ao.A terapia deve ser entendida e avaliada essencialmente como uma metodologia de planejamento da vida. 0 "indivfduo capaz" de hoje nao so tern urn auto-entendimento desenvolvido, mas e capaz de harmonizar preocupa<;:6es presentes e projetos futuros com uma heran<;:apsicologica do passado. A terapia nao e simplesmente urn aparato de ajuste. Como expressao da reflexividade generalizada ela exibe plenamente os deslocamentos e incertezas que a modernidade faz surgir. Ao mesmo tempo, participa dessa mistura de oportunidade e risco caracteristica da ordem moderna tardia. Pode provocar dependencia e passividade; mas tambem pode permitir 0 envolvimento e a reapropria<;:ao. Empreendimentos terapeuticos, de qualquer maneira, tern lugar contra 0 pano de fundo da segrega<;:aoda experiencia e dos sistemas internamente referidos da modernidade. Nao surpreende que muitas - nao todas _ tera.pias sejam orientadas principalmente para 0 controle. Elas interpretam 0 pr~Jeto reflexivo do eu em term os apenas da autodetermina<;:ao, confirmando asslm.' e mesmo acentuando, a separa<;:aoda vida em rela<;:aoa considera<;:6es mOralSextrinsecas.