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  • 1. Tudo por ele por nana pauvolih
  • 2. Capítulo 1 – Encantada. Eu nem acreditava que estava no Rio de Janeiro. Tinha acabado de vir de São Paulo com minha melhor amiga Rebeca Fortes, onde vivi toda minha vida desde que me lembro, e agora chegava finalmente na terra da minha mãe. Ansiosa para encontrá-la, para vê-la pela primeira vez. Depois de anos de espera, procura e investigação, eu tinha um nome e um lugar para a mulher que me colocou no mundo e que, quando eu tinha três anos de idade, me deixou naquele orfanato em São Paulo: Catharina Almeida, Realengo, Rio de Janeiro. Enquanto Rebeca dirigia seu carro esporte em direção à casa de seu pai em Vargem Grande, eu olhava as belas paisagens do Rio, mas minha mente não conseguia se desligar do motivo de eu estar ali. Encontrar a minha mãe. Finalmente poder saber a minha história. Queria desesperadamente partir para Realengo atrás dela, mas já era fim de tarde, Rebeca estava cansada depois de horas dirigindo e louca para me apresentar logo ao seu pai e ao local em que eu moraria por seis meses. Além do mais, segundo o último detetive que contratei, minha mãe não morava mais em Realengo. Teria que fazer uma nova investigação para encontrá-la. - Você vai gostar da Chácara do meu pai, Júlia. – A voz animada de Rebeca penetrou meus pensamentos. Virei-me e sorri, comentando: - Disse isso pelo menos umas dez vezes desde que saímos de Sampa.
  • 3. Rebeca riu, concordando. - Pior que é! Eu adoro aquele lugar! É perfeito! Mas papai vai tomar um susto vendo a gente chegar hoje. Pensa que a gente só vem amanhã. - Era para você vir amanhã de avião, não hoje dirigindo. - Mas não foi melhor assim? Foi divertido! - É, foi. Éramos amigas há apenas um ano, mas já parecia que era há uma vida inteira. Nos conhecemos na biblioteca da USP, onde eu cursava o sétimo período de Veterinária e ela o sexto de Economia. Não tínhamos nada a ver. Mas conversamos um pouco e nos identificamos de imediato. Até sermos confidentes, companheiras, amigas inseparáveis. E agora, quando eu precisava vir ao Rio investigar onde minha mãe estava, Rebeca mais uma vez demonstrava aquela amizade. Agradeci de novo: - Não sei o que seria de mim sem você, Beca. - Deixe de besteira! – Ela sacudiu os cachos castanhos, sorridente. - É sério. Sabe que não tinha como custear os detetives aqui no Rio e nem como me manter aqui enquanto procuro por minha mãe. Mas tratou logo de me arrumar um emprego, uma casa, tudo! E até me trouxe! Não sei como vou agradecer tudo isso. - Não precisa agradecer nada. Aliás, as coisas se encaixaram certinho. No início meu pai não ficou muito animado, te falei que ele queria alguém para cuidar dos animais sem precisar morar lá. Gosta de viver sozinho. Mas depois que soube de toda situação, concordou de boa. - Espero não atrapalhar a vida dele. Vou ficar no meu canto, ele nem vai saber que estou por lá. - Liga não, Júlia, meu pai é super legal. Vai gostar dele, da chácara, de tudo. Uma das grandes diferenças entre Beca e eu era a classe social. Ela era rica, do Rio de Janeiro, o pai pagava um apartamento muito legal pra ela estudar em São Paulo. Eu tinha sido criada em um orfanato e, ao sair, passei para a USP e fui morar num dos alojamentos do campus. Trabalhava como garçonete e vivia o mais simples possível, pois parte do meu salário eu investia para pagar detetives para encontrar minha mãe. Quando tive sorte, o último detetive descobriu que ela era do Rio, seu nome, mas que não vivia mais no mesmo endereço. Cobrou uma fortuna para ir no encalço dela, mas eu estava
  • 4. dura, sem nenhuma reserva. Rebeca, que sempre me chamava para morar com ela e era muito generosa, ofereceu-me um empréstimo. Mas recusei. Ela sempre me acusava de ser orgulhosa, mas simplesmente eu não gostava de depender de ninguém e nem de ficar devendo. Assim resolvi trancar meio período na faculdade, juntar um dinheiro e ir para o Rio investigar o paradeiro da minha progenitora. Foi aí que minha amiga me fez uma proposta irrecusável: Seu pai, um rico empresário no ramo de informática, gostava da vida ao ar livre e de animais. Morava em uma chácara em Vargem Grande e não podia ver um cachorro perdido na rua, que o levava para lá. Tinha um empregado veterinário que cuidava deles e depois tentava arrumar quem os adotasse. Infelizmente o veterinário precisou sair do Brasil e ele estava atrás de alguém para substitui-lo. Rebeca contou a ele sobre mim, sem que eu soubesse, explicou o que eu ia fazer no Rio e que já fazia estágios como veterinária. E conseguiu ajeitar tudo. Resultado, eu moraria em uma casinha que tinha na chácara dele, cuidaria de seus cachorros e ainda ganharia um salário para isso. Por seis meses. Assim teria como procurar minha mãe, um dinheiro para isso e ainda um teto. Beca me garantiu que era um acordo benéfico para mim e para seu pai. E é claro, só pude ficar muito agradecida e aceitar. Ela ainda fez questão de me trazer com minha mala, pois não via os pais há um tempo e ia aproveitar para fazer isso. A mãe morava no Recreio e o pai ali, em Vargem Grande. Eram divorciados há mais de dez anos. A chácara era toda cercada por muros altos e eletrificados, com câmeras. O portão enorme abriu quando Rebeca ligou o controle e fechou assim que passamos. Vi um terreno enorme cheio de árvores e um caminho de cascalho que as contornava e levava até uma imensa casa branca com janelões e portas de madeira e telhado colonial amarelo. Flores multicoloridas e trepadeiras subiam palas paredes laterais e um enorme varandão com vários tipos de plantas nos dava as boas-vindas. Era linda, aconchegante, rodeada por natureza e muito verde. E o terreno em volta se perdia de vista. - É lindo! – Exclamei maravilhada. – E enorme! - Você ainda não viu nada. Nos fundos tem piscina e churrasqueira, depois uma pequena horta. Seguindo além fica o canil e a casinha que vai ficar. É pequena, mas uma graça! – Rebeca parou o carro na garagem e sorriu, apontando para um 4x4 preto mais à frente, ao lado de uma Harvey Davidson preta e cromada. – Papai está em casa. Venha, vamos fazer uma surpresinha a ele. - Só quero ver se ele estiver aqui com alguma namorada. – Brinquei, ao sair do carro. - É bem provável mesmo! – Ela riu.
  • 5. Rebeca pegou minha mochila e eu a bolsa maior, com minhas coisas. Entramos na casa, enquanto eu apreciava tudo, maravilhada. Depois de passar a maior parte dos meus vinte e dois anos num orfanato e a outra em um cubículo no campus da faculdade, aquele casarão mais parecia um castelo. No entanto o que me encantou foi o bom gosto e os espaços bem aproveitados da casa, que passava alegria, vida, beleza, não aquele luxo às vezes estéril que se via em casas de ricos. Tinha muita madeira polida, janelas abertas, cores, tapetes listrados, cortinas esvoaçantes. Deixamos as bolsas ao pé da escada na sala e Rebeca pegou minha mão, animada: - Vamos caçar meu pai! Acabamos nos divertindo e correndo pela casa como duas garotas, mas ele não estava em nenhum lugar por ali. - Aposto que está lá fora! Vive por lá! Vem, Júlia, corre! - Calma, sua doida! Saímos rindo até um pátio espaçoso e lindo, que dava em uma piscina enorme. Mas estacamos de imediato quando um homem saía da água apoiando as mãos na borda e impulsionando o corpo para cima, até se levantar. Fiquei paralisada quando o vi. Era simplesmente espetacular. Usava apenas uma sunga preta, a água escorria por seu corpo grande, ele erguia os braços musculosos para afastar as inúmeras gotas do seu cabelo. Os bíceps e tríceps ondularam e do interior do braço até o ombro saía uma belíssima tatuagem de uma fênix. Imobilizada, boquiaberta, não pude fazer mais nada do que simplesmente olhar para ele. Era alto, com um corpo perfeito de dar água na boca, pernas musculosas, barriga tanquinho sarada, peito malhado, pescoço largo, cabelos negros e curtos e um rosto ... Meu Deus, lindo demais! Anguloso, lábios másculos, queixo firme, nariz afilado, sobrancelhas negras e uns olhos maravilhosos, azuis- claros. Eu nunca tinha visto um homem assim. Meu olhar não conseguia sair dele, todo ele. A sunga preta caía deliciosamente em seu quadril, marcando o músculo da barriga que descia por dentro da sunga e acabava no volume grosso do seu sexo. Naquele momento, Rebeca virou-se para mim e seu sorriso ampliou-se. Levou a mão ao meu queixo, ergueu-o para fechar minha boca e brincou baixo: - Não precisa babar. – Então se voltou para ele, que tinha pego uma toalha e descia os degraus em nossa direção, espelhando um sorriso lindo e másculo. Correu para ele. – Papai, que saudade!
  • 6. Papai? Eu fiquei chocada. Aquele era o pai de Rebeca?! O dono daquela chácara onde eu ficaria por seis meses? Arregalei os olhos. Meu Deus! Eles se abraçaram forte, pouco ligando para o fato dele estar molhada. Riam, se beijavam e cumprimentavam, enquanto eu continuava ali, abalada. Rebeca tinha dito que os pais a tiveram ainda na adolescência, a mãe tinha dezesseis anos e o pai dezessete. Isso queria dizer que agora ele tinha trinta e oito anos. Ela também tinha dito que o pai era bonitão. Mas não que era aquele ... aquele ... Eu nem tinha palavras! Tentei me recuperar, pois eles vinham até mim abraçados. Como Rebeca era alta e cheinha de corpo, imaginara um pai levemente obeso, talvez calvo, mas aquele homem ali, lindo e musculoso era ... Era demais para um coração aguentar! - Minha amiga, Júlia Sales. E meu pai, Diogo Fortes. - Seja bem-vinda, Júlia. Me pegaram de calças curtas, ou melhor, de sunga! Desculpe, só as esperava amanhã. – Sua voz era grossa como de um barítono, seu sorriso com covinhas fez meu coração falhar uma batida. Quando estendeu-me a mão grande, eu a apertei automaticamente, estremecendo por dentro, tentando recuperar a voz. - Ah ... Obrigada, senhor ... Fortes. - Diogo, por favor. – Ele corrigiu e piscou para mim. Um calor forte subiu por meu corpo. Rebeca riu, como se soubesse o que eu sentia, o que me fez tentar reagir. Forcei um sorriso, com medo que ela fizesse algum comentário e me matasse de vergonha. - Claro, Diogo. – Seu nome rolou gostoso em minha língua. Rapidamente completei: Gostaria muito de agradecer por me deixar ficar aqui. - Sem problema. Amigos da minha filha são meus amigos também. Vou entrar para pôr uma roupa e te mostrar a casa dos fundos. Enquanto isso, fique à vontade. – Virou-se e beijou os cabelos de Beca, puxando-a para um abraço forte, cheio de carinho. Eu não podia tirar os olhos dele. – Bom te ver, baixinha. - Pai, há anos não sou mais sua baixinha! – Ela riu rolando os olhos, mas abraçando-o também feliz. - Sempre vai ser. – Sorriu para nós e se afastou para dentro da casa. Eu e Rebeca nos olhamos. Divertida, se aproximou de mim e falou: - Tem que ver a sua cara!
  • 7. - Que cara? – Disfarcei, pondo as mãos no bolso da calça. - Ficou de queixo caído! – Caiu na risada. - Beca ... - Esquenta não, Júlia. Já to acostumada com o efeito que meu pai tem nas mulheres. Ele é lindo mesmo. Nem parece que tem trinta e oito e uma filha do meu tamanho, né? - Não parece mesmo. Desculpe, é que eu não esperava. – Balancei a cabeça. - Se eu não te conhecesse, diria para tomar cuidado e não se apaixonar, pois é isso que as mulheres fazem por ele. Mas você não é disso, né, Júlia? Nunca se apaixonou. E meu pai também nunca daria em cima de uma amiga minha! É um mulherengo descarado, mas pode ficar tranquila, estará bem segura aqui. - Ah, tá. – Quase lamentei o fato, o que acabou fazendo nascer um sorriso em meus lábios. - Vem conhecer a casa que vai ficar! É uma graça! Contornamos a piscina e descemos um pequeno caminho de cascalhos rodeado de grama. Passamos por uma bela horta cercada por arames e logo depois, num declive, havia uma casinha branca com telhado colonial, janelas de madeira pintadas de azul e diversas flores multicoloridas e trepadeiras subindo por suas paredes. Em frente a ela havia uma mangueira enorme, seus ramos cheios fazendo sombra no chão e na frente da casa, onde ficava uma pequena varanda com um sofazinho e uma cadeira de balanço. Era linda, delicada, perfeita. Corremos para a varanda e Rebeca já abria a porta e me puxava para dentro. Fiquei maravilhada, pois apesar de pequena, com apenas quatro cômodos, era toda decorada com bom gosto e conforto, eletrodomésticos modernos, Tevê de led na parede, som ambiente, cortinas brancas, almofadas coloridas. O quarto possuía um imenso janelão com vista para o quintal, cama de casal coberta por edredom amarelo, guarda roupa grande onde sobraria espaço depois que colocasse as minhas coisas. Voltei-me para Rebeca, que me olhava em expectativa. Sorri e abracei-a com força, murmurando: - Nem sei como te agradecer, Beca. Nunca ia poder ficar num lugar desse enquanto investigo o paradeiro da minha mãe. - Não esquenta. Você poderia ficar no casarão da frente, mas sei que nunca aceitaria. E
  • 8. é um acordo, lembra? Não precisa se sentir agradecida. - Claro que preciso! Arrumou casa e trabalho! – Beijei-a com carinho. Pisquei o olho para ela: - E uma vista espetacular, diga-se de passagem. Rebeca arregalou os olhos e eu a corrigi rapidamente: - Da chácara. Não falava do seu pai. - Tem certeza? – Indecisa, segurou minhas mãos e alertou: - Escute, Júlia, Sempre vi que não liga para rapazes, que só quer estudar, se formar e encontrar sua mãe, seu pai, saber da sua história. Por isso nem pensei que por acaso ... Quer dizer, você e meu pai aqui na chácara ... - Tá maluca? – Eu ri, mas senti o nervosismo dentro de mim. - É mesmo, né? Nada a ver! – Sorriu aliviada. – Besteira minha. Papai nunca daria em cima de você. Nunca! Pense nele como um tio. Agora vem, vou te mostrar o canil. Enquanto saíamos, pensei em suas palavras. Sim, homens não faziam parte dos meus planos. Não que não gostasse deles, tinha saído um bom tempo com um e depois com outro, só por companhia e sexo. Mas não me impressionaram muito. Na verdade o pai dela sim, me impressionara. Mas tratei logo de afastar o pensamento. Era só uma reação normal, feminina, em relação à aparência dele. Como Rebeca mesmo dissera, as mulheres ficavam assim quando o viam. Imagine vê-lo se sunga então, saindo da piscina como um Deus! Normal ficar abalada. Mas logo me acostumaria e ele seria como um tio. Só isso. Mais calma, acompanhei Rebeca. Ela me mostrou tudo. Logo após a casinha que eu ficaria, tinha um muro com portão largo que dava para um grande terreno cheio de árvores frutíferas, gramado, declives e aclives. Ali os cachorros podiam ficar soltos durante o dia, correndo, brincando. Havia uma piscina pequena a um canto e uma parte calçada onde era o lavatório deles. Depois vinha uma sala tipo um consultório, com maca e todo material que um bom veterinário pudesse precisar e um arquivo com os dados dos cachorros, como vacinação, idade, etc. Fiquei impressionada. Era tudo organizado, limpo, de qualidade. - Uma firma de limpeza vem aqui de quinze em quinze dias, mas papai tem empregados que diariamente deixam tudo em ordem. – Explicou Rebeca. Depois seguiram para o canil, que mais parecia um hotel para cachorros. Cada um tinha sua vasilha de água e comida, brinquedos disponíveis e um espaço reservado com local para dormir e andar, sem parecer uma prisão. Tinha pelo menos uns vinte cachorros ali e começaram a latir ao mesmo tempo quando nos viram. Ficavam isolados um dos outros por telas, para não
  • 9. brigarem. - Olá, pessoal! Olha a nova companheira de vocês! – Rebeca se aproximou da tela, bem humorada. Olhei-os, percebendo que alguns eram aleijados, um parecia cego, mas todos bem cuidados, limpos, alimentados. - Seu pai tem um número limite aqui? - Não. Tem cinquenta canis aqui e acho que tinha pelo menos uns quarenta cachorros da última vez que vim, mas ele conseguiu quem os adotasse. Às vezes o número aumenta ou diminui. “Como no orfanato em que vivi”, pensei. Lembrei que lá o único espaço que tínhamos só nosso era a cama onde dormíamos. De resto, tudo pertencia a todos. Ali, ao menos os cachorros tinham cada um seu próprio canto. Pus a mão espalmada na tela e uma cadela vira lata veio de imediato me lamber. Sorri e brinquei com ela, o que fez com que outros latissem mais e balançassem o rabo. - Ah, vamos sair daqui! Vai ter tempo de sobra para conhecê-los! – E Rebeca me puxou de volta pelo mesmo caminho. Lavei a mão na pia ali perto e a segui. Diogo Fortes saía da casinha que eu viveria por seis meses. Olhei-o com a boca seca dentro de jeans macios e surrados, blusa azul lisa e tênis. Dava vontade de morder um pedaço dele. Disse com aquela sua voz grossa: - Deixei suas bolsa no quarto, Júlia. Viu o canil? - Sim, adorei tudo. Não vejo a hora de começar a cuidar deles. – Sorri, o que ele retribuiu. - Vai gostar, são todos dóceis, animados. Bem, vamos em casa. Devem estar famintas! - Se estamos! Íamos parar para lanchar no caminho, mas só pensava na comida da Dirce! Diz que ela deixou o bastante pra todos nós! – Implorou Rebeca, que era naturalmente gulosa. - Ela sempre exagera. Foi uma noite muito agradável. Não fosse a beleza espetacular de Diogo e sua masculinidade, que me deixavam um tanto abalada, eu teria ficado ainda mais à vontade. Mas
  • 10. ele era muito simpático, bem humorado, charmoso. Eu tinha que lutar comigo mesma para não ficar parada olhando pra ele como uma boba. Conversamos, ele e Rebeca me ensinaram como funcionava tudo por ali, os horários dos empregados, minha função ali e vários assuntos. Depois me mostraram os cômodos do casarão de cinco quartos e eu pensei que era a casa dos meu sonhos. Sozinha no orfanato, sempre pensei que teria uma casa grande como aquela, com terreno e animais, com quartos para os filhos que eu queria ter e adotar. Eram planos para um futuro distante. Mas pelo menos poderia desfrutar de parte deles naqueles seis meses. Estávamos cansadas e por fim me despedi de Diogo, agradecendo por tudo, no que ele foi simpático, dizendo que nos daríamos bem ali. Concordei com um sorriso e depois Rebeca me acompanhou até a casinha linda dos fundos. Todo caminho e em volta era iluminado. Nos despedimos com beijos e, depois que ela voltou ao casarão, andei pelos cômodos, satisfeita, esperançosa. Desfiz as malas, escolhi um pijama de camiseta e short e tomei uma chuveirada deliciosa. Depois me deitei na cama macia, cansada mas cheia de planos, ansiando aquela nova fase da minha vida. Tinha esperanças de viver bem ali, fazer um bom trabalho, mas, acima de tudo, ter sucesso nas investigações sobre a minha mãe. Foi um ótimo final de semana. Adorei os cachorros, Diogo e Rebeca os soltaram no grande terreno e eles correram, brincaram, foram buscar bolinhas que jogávamos. Cercavam Diogo com lambidas, pulando em cima dele, que ria e os afagava. Fiquei maravilhada com seu apego aos animais e como eles retribuíam. De bermudas e camiseta, brincando e correndo com eles, Diogo era um espetáculo para os olhos e eu fazia de tudo para controlar meus hormônios e meu olhar. Chegava a sentir calor! Eu os examinei, li seus prontuários, recebi informações de Diogo e o que seria esperado de mim. Concordei, fiz perguntas e anotações. Mais tarde, como era sábado e eu não trabalharia, só começaria na segunda-feira, Rebeca me levou de carro até Realengo e pude conferir o endereço que o detetive tinha me dado. Era um prédio antigo de três andares em frente a uma praça. Conversei com o porteiro e o novo morador do 204, local onde minha mãe tinha morado. E com alguns vizinhos. Ninguém se lembrava dela e o porteiro disse que a vizinhança mudava muito, pois até um tempo atrás os apartamentos só podiam ser alugados. Agora é que alguns o tinham comprado.
  • 11. Ele ficou de conversar com o síndico e procurar registros de antigos moradores, para saber exatamente até quando Catharina Almeida viveu ali. Falou para eu voltar na segunda ou terça e trocamos telefones, assim nos informaríamos sobre o andamento do assunto. Agradeci muito e voltei para casa calada. Rebeca perguntou ternamente: - Está desapontada, Júlia? - Eu sabia que não ia ser fácil. Por isso tranquei a faculdade por seis meses, para ter tempo de investigar. Mas fico pensando, e se ela estiver morta? - Vai ter que aceitar, meu bem. - É, eu sei. Catharina Almeida era uma lembrança tênue que eu tinha. Como fui parar no orfanato aos três anos, lembrava muito pouco desse período. Mas uma lembrança marcante que eu tinha era de uma mulher loira me abraçando e chorando, suas lágrimas me molhando. E eu mesma chorando, chamando por ela enquanto se afastava e me deixava sozinha. Tudo o que eu sabia era que fui encontrada na porta do orfanato apenas com a roupa do corpo e uma toalhinha onde estava bordado o nome JÚLIA. Mais nada. No entanto, aquela lembrança ficou. Não me recordava do rosto dela, mas seu cabelo loiro roçando em mim, seu colo suave ao me abraçar e seu cheiro ainda eram reais demais. E suas lágrimas. Se chorava tanto ao me deixar, talvez estivesse desesperada. Eu nunca esqueci aquilo e sempre quis saber que motivo teria para me abandonar assim e nunca mais voltar. Estaria sozinha e doente? Teria morrido depois disso? Passaria fome comigo? Ou simplesmente não me quis mais? No entanto, eu me agarrava às suas lágrimas e me convencia que não queria me deixar. Embora não compreendesse como uma mãe poderia largar um filho, eu precisava desesperadamente entender por que ela fizera isso. Quem era ela, quem era meu pai, de onde eu viera. Era quase uma obsessão. - Você vai descobrir tudo, querida. Só precisa ter paciência. - Mais do que tenho? Espero por ela há dezenove dos meus vinte e dois anos, Beca. Sempre soube que quando saísse do orfanato eu a procuraria. E é tudo que tenho feito. - Agora está mais perto. Concordei com a cabeça.
  • 12. No domingo de manhã Diogo fez de tudo para convencer Rebeca a deixar seu carro ali e voltar a São Paulo de avião, que depois ele mandaria seu carro. Mas ela o convenceu de que queria ir de carro e que daria uma carona a uma colega que estava no Rio e voltaria com ela. Depois do almoço nos despedimos dela, agradeci muito, jurei manter contato e informá-la de qualquer novidade. E ela prometeu ligar assim que chegasse em Sampa. Quando o carro dela se afastou, fiquei um tanto sem graça ao lado de Diogo no portão, sem saber o que dizer, ou como me portar, embora ele parecesse tranquilo. Fechou o portão e, enquanto voltávamos para dentro, perguntou: - Tem planos pra hoje, Júlia? - Planos? Não, eu acho que vou terminar de arrumar minhas coisas. Aliás, gostaria de agradecer pela dispensa e pela geladeira cheias. Pode descontar as compras do meu primeiro salário. Diogo parou e me olhou, seus olhos muito azuis diretos e divertidos. - Está de brincadeira, não é? - Não, eu ... - Pare com isso. Relaxe, Júlia. Vamos pegar as bicicletas. - Bicicletas? – Franzi o cenho. - Vou te levar para conhecer as redondezas. Tem uma paisagem linda e trilhas que são demais. Sabe andar de bicicleta, né? - Sei. Diogo tinha toda razão. As redondezas eram cercadas por mais chácaras e por uma paisagem linda e exuberante. Pedalamos em trilhas entre árvores, subimos e descemos morros, fomos parar perto de uma pequena lagoa muito bonita. O dia estava gostoso, com uma brisa suave e a companhia, nem se falava! Ele era agradável, brincalhão, apostava corrida comigo, depois simplesmente pedalava ao meu lado, explicando que gostava de morar ali por ser longe do tumulto da cidade, mas perto o bastante para ir ao trabalho e voltar todo dia. Quando voltamos para casa, eu estava suada e exausta, mas Diogo parecia inteiro, ainda cheio de energia. Guardamos as bicicletas no fundo da garagem e fomos para a cozinha beber água. Ele achou graça do meu estado. - Não tem o costume de se exercitar?
  • 13. - Servir mesas em uma lanchonete cheia, equilibrando bandejas de um lado para o outro serve? Diogo deu uma risada. - Bem, se quiser, pode pegar a bicicleta. Só não vá para longe nem para as trilhas sozinha, o lugar é tranquilo, mas pode aparecer algum louco por aí. E ao lado da piscina tem uma academia com diversos aparelhos, sinta-se à vontade para usá-los. - Obrigada, Diogo. Mas depois de hoje, tudo o que quero é descansar! – Sorri também, lavando meu copo e o dele e pondo na pia. Ainda me sentia nervosa ao seu lado, ainda mais sabendo que estávamos sozinhos e que eu não podia olhá-lo muito com medo de babar, assim, me preparei para sair logo dali. – Valeu por tudo, mas agora vou para meu cantinho, de onde só saio amanhã. Ele me acompanhou até a porta da cozinha. - Se precisar de algo, é só dizer, Júlia. - Obrigada. - Costuma dormir cedo? - Sim, bem cedo. Por quê? Diogo fixou seus lindos olhos em mim e sorriu. Meu coração deu um salto. Prendi o ar. Ele disse apenas: - Nada. Curiosidade. Bom, então, até amanhã. - Até amanhã, Diogo. - Acenei e me afastei. Meu Deus, que homem era aquele! Eu não conseguia dormir. O quarto tinha ar condicionado, mas não era calor que me incomodava, por isso não o liguei. Eu me sentia quente, agitada, mas não sabia bem por que. Acho que estava estranhando tantas novidades e expectativas. E se fosse sincera comigo mesma, Diogo Fortes não saía da minha cabeça. Estava completamente encantada com ele. Como Rebeca não me preparara antes sobre aquilo? Tipo: “Olha, meu pai é um tesão, o homem mais lindo e gostoso do mundo, assim, não fique de boca aberta nem babando perto dele!”, mas não, tudo o que disse uma vez ou outra era que era bonitão ou que trocava de novo de namorada. Isso
  • 14. todo mundo fazia hoje em dia! Irritada, levantei, sabendo que não dormiria por nada. Calcei meus chinelos e, usando short e camiseta de dormir, saí da casa, recebendo a brisa noturna. Deixei a casa toda escura, pois Diogo poderia se preocupar e vir ver se estava tudo bem. Isso se ele não estivesse dormindo, pois já era quase meia-noite. Andei por ali, maravilhada com o cheiro da natureza, o barulho dos grilos, um latido ou outro de vez em quando. Talvez, dando uma caminhada, aquela agitação diminuísse. Andei por ali, peguei o caminho de cascalho, fui sem destino até o final dele. Ali havia uma amendoeira, antes de virar em direção à piscina. Eu já ia retornar quando um movimento chamou minha atenção. Segurei-me, ainda meio atrás do tronco da árvore e olhei para o local onde ficava a piscina. E meus olhos deram com Diogo, de pé perto da beira, usando um curto roupão preto. Que ele começava a abrir. Engoli em seco. Sabia que devia sair dali, que Diogo devia pensar que estava dormindo, com a casinha toda escura, mas eu parecia encravada no chão sob meus pés. A árvore e a escuridão da noite o impediam de me ver. Mas onde ele estava a luz incidia sobre seu corpo. E não consegui me mover. Diogo tirou o roupão e largou-o sobre a cadeira reclinável de madeira ali perto. Arregalei os olhos, fiquei sem ar. Estava completamente nu! Meu coração parecia a ponto de sair pela boca. Todo meu corpo reagiu com aquela visão espetacular. Ele era perfeito! Alto, musculoso, ombros largos, pernas poderosas, pele morena e seu membro, mesmo sem ereção, era grande, grosso, lindo de morrer. Levei a mão à boca, muito nervosa e excitada. Diogo se espreguiçou, expondo ainda mais seus músculos, sua tatuagem no braço e outra menor no púbis, de um pequeno escorpião, como se descesse em direção ao seu pênis. E então, mergulhou na água, cortando-a em braçadas perfeitas. Fechei os olhos, completamente abalada. Meu corpo ardia, meus seios estavam com mamilos duros, um líquido quente e grosso escorreu para minha calcinha. Tive que me escorar no tronco, puxando o ar, tentando me controlar, mas com a visão dele nu bombardeando todos os meus sentidos. Sabia que devia ir embora, sair dali tão silenciosamente como tinha chegado, mas não conseguia. Precisava vê-lo mais. Só mais um pouco, disse a mim mesma, como a me convencer do bom motivo. Depois de ir e voltar nadando várias vezes, ele se ergueu pela borda, de costas para mim. Sua bunda era dura e linda, seus ombros muito largos, seus músculos ondulando e
  • 15. brilhando molhados. Fiquei de novo sem ar, coração alucinado. E para um quase ataque cardíaco meu, Diogo se esticou em uma espreguiçadeira de madeira e começou a cantarolar baixinho um rock, seu corpo nu e exposto, fechando os olhos. Embebedei-me dele, salivando. E quase morri de verdade quando sua mão grande deslizou pelos músculos de sua barriga para baixo. Enfiei as unhas no tronco, meu olhar descendo com sua mão. E então ele acariciava o próprio pênis lentamente até que, sob meu olhar hipnotizado, este começou a crescer e engrossar ainda mais. Seus dedos se fecharam sobre o eixo e ele masturbou-se devagar, sem parar de cantar baixinho, maravilhoso, lindo. Seu membro ficou enorme, muito grosso, cheio de veias. Eu nunca tinha visto um pênis tão bonito e grande na vida. Minha vagina latejou sem controle, me agarrei ao tronco e apertei as coxas uma na outra, mordendo os lábios para não arfar. Diogo parou de cantar e jogou o outro braço para o alto, expondo sua tatuagem, gemendo baixo e rouco. Apertou mais o pênis, masturbando-se, totalmente ereto, pronto. Tive um desejo louco, como nunca senti na vida, de me arrastar até ele e colocá-lo na boca. Salivei, fiquei completamente molhada. Sem aguentar a pressão em minhas partes íntimas, escorreguei a mão por dentro do short e da calcinha, amparando-me com a outra na árvore. Meus dedos encontraram os lábios vaginais molhados e inchados. Sem tirar ao olhos dele, escorreguei um dedo para dentro de mim. Quanto mais ele se masturbava ali, todo lindo e exposto, mais eu latejava e engolia meu dedo, a vagina pegando fogo, minha pele ardendo. Mordi os lábios para não gemer, apertei mais as coxas, olhando-o com um desejo absurdo, até que o orgasmo veio fulminante em mim, deixando-me arrebatada, louca de tesão. E como se soubesse, Diogo gozou, seu esperma escorrendo por seus dedos, seus gemidos baixos ecoando na noite. Fiquei de pernas bambas, ondulando, gozando também, minha vagina apertando docemente meu dedo, fazendo tudo quietinha, escondida. Quando acabei, tive que me amparar na árvore, mole e lânguida, abalada. Ainda não conseguia tirar os olhos dele. Diogo terminou, pegou o roupão e se limpou. Então levantou-se, mais lindo do que nunca, ainda ereto. Engoli em seco, muito abalada e trêmula, olhando-o todo, desejando-o de uma maneira que nunca desejei homem nenhum. E então Diogo mergulhou de novo na piscina. Fui para trás do tronco e apoiei as costas nele, puxando o ar pesadamente. Não acreditei em tudo que fiz, o modo descarado como o observei, como se fosse uma tarada! Envergonhada e completamente saciada e ainda excitada, voltei correndo para meu canto, o mais silenciosamente possível.
  • 16. Eu costumava acordar cedo, sempre bem disposta. Mas o motivo de estar de pé desde às cinco da manhã na segunda-feira, já trabalhando com os cachorros, foi que não consegui dormir direito. Rolei na cama acalorada, febril, sem parar de tirar Diogo da cabeça. Meu Deus, como eu podia encará-lo agora, meu patrão e pai da minha amiga, depois do que vi naquela noite? Sabendo como ele era tão perfeito nu? Como ele gozava? Sua expressão de tesão na hora ... Ai, eu não podia nem lembrar! E morria de vergonha de mim mesma, por ter ficado espionando-o em sua intimidade, como uma voyeur tarada. Se ele ou Rebeca soubessem, me expulsariam dali a pontapés! Acabei só conseguindo dormir quando fiquei de bruços na cama, uma das mãos dentro da calcinha, a outra em meu mamilo, gozando de novo ao me masturbar com minha mente recheada de Diogo, tendo mil fantasias com ele, desejando-o loucamente. Aí então peguei no sono, mas foi agitado, cheio de sonhos. Assim, decidi levantar e me ocupar. Usando jeans velho, camisa xadrez e tênis, parti para o canil. Lá pus ração e água para eles, conversei e me distraí, como se eles pudessem me entender. Aos que percebi serem mais mansos, entrei, brinquei, deixei que me lambessem. Mas alguns senti que era mais arriscado, precisaria de uma focinheira. Um deles então, um Pastor Alemão grande e robusto, com os dois olhos cegos, era o mais agressivo. Só de me ouvir chegar perto de seu canil passou a rosnar ferozmente. Eu observei, vendo seu pelo falhado em algumas partes, as marcas de violência. Era o típico animal sofrido, que reagia a qualquer pessoa com agressividade. Tinha mais dois com marcas de violência, ambos sem uma das patas e outro sem um globo ocular, mas aquele Pastor Alemão sem dúvida era o mais irascível. Tive ódio das pessoas que eram capazes de tanta violência contra os animais. No estágio da faculdade, que fiz em uma Associação, recebemos vários com violência dos próprios donos ou que sofreram na rua. Gatos com os olhos arrancados, desmembrados, assim como cachorros espancados. Alguns não aguentavam e morriam devido aos ferimentos. Ajoelhei-me perto do canil do Pastor Alemão e ele avançou até onde eu estava, seus olhos esbranquiçado, me sentindo pelo faro. Rosnava feroz, ameaçador. A tela nos separava. Falei baixinho com ele, com voz calma, macia: - Fique tranquilo, rapaz, não vou te machucar. Sabia que você é o cara mais bonitão aqui? Tem um porte! Sinto muito pelo que fizeram com você, mas nunca vou te magoar. Que tal parar de rosnar e sentar pra gente conversar?
  • 17. - Pensei que eu fosse o único a conversar com cachorros por aqui. Ergui-me de supetão ao ouvir a voz de Diogo atrás de mim. Virei-me e o olhei, meu coração acelerado, meu rosto em chamas. Fitei seus olhos límpidos como o céu acima de nós, sendo bombardeada por sua beleza e masculinidade e pelas lembranças da noite anterior. Ele pareceu perceber minha vergonha, mas interpretou-a de outra maneira: - Não precisa ficar encabulada com isso. Eu acho que eles nos entendem. – Aproximouse mais, até estar ao meu lado, seu olhar voltando-se para o cachorro. Lentamente me forcei a fazer o mesmo, respirando fundo para me controlar. Mas era difícil, com ele tão perto só de bermuda e camiseta, segurando uma coleira. Ainda era bem cedo, o sol tinha acabado de nascer. Mas parecia pronto para se exercitar, com tênis de corrida. – O nome dele é Sansão. Nem o pus para adoção, pois é feroz com todo mundo e as pessoas em geral não querem ter trabalho com um animal cego e violento. Está aqui há dois anos e sou a única pessoa que deixa chegar perto dele. Mesmo assim, tenho que respeitar alguns cuidados. Já me mordeu duas vezes. - Deu pra perceber que é um animal agressivo devido a muitos maus tratos. - Sim. Através de denúncias, o tiraram do antigo dono, que o espancava e o estuprava, constantemente. Por último tinha jogado água fervendo nos olhos dele. - Meu Deus ... – Fiquei furiosa. – Desgraçado! - É, vontade de matar um sujeito desse. – Diogo recomendou: - Do Sansão pode deixar que cuido. Sempre corro antes de ir ao trabalho e levo um ou mais cachorros comigo. Duas vezes por semana é a vez dele. - Tá bom. Ele então me encarou, erguendo uma das sobrancelhas. - Você não devia pegar no trabalho só às oito horas, Júlia? Ainda é seis da manhã e já está aqui há um tempo. - Eu acordei cedo. Estava ansiosa pra começar logo. - Então largue duas horas mais cedo também. - Não precisa. Eu quis mesmo. – Mudei de assunto: - Vai entrar no canil? Posso observar? - Claro.
  • 18. Ele levou a mão à fechadura e no mesmo momento o cachorro pulou na grade, rosnando e latindo. Diogo disse calmo, mas em tom de comando: - Quieto, Sansão. Hora de correr. Senta. Senta. O Pastor desceu, ainda rosnando. Mas foi para o meio do canil e sentou-se. Diogo entrou quase em silêncio, fechando a porta atrás de si. Fiquei imóvel, temendo por ele. Mas seus gestos eram comedidos, tranquilos. - Hora da coleira, Sansão. Quietinho. O cachorro ficou imóvel, embora se mantivesse alerta, a cabeça erguida na direção de Diogo, que evitou ao máximo tocar nele, enquanto colocava a coleira. Segurou-a firme e na mesma hora saí do caminho. Então, ele abriu o canil e saiu. Sansão correu na frente, quieto, cheio de porte. Dava para sentir sua ansiedade em correr. Sorri e Diogo retribuiu o sorriso. - Não vamos demorar muito, Júlia. Tudo bem com os outros? - Tudo ok. - Certo. Acenamos um para o outro e observei-os seguirem correndo pelo caminho de cascalho, em direção à frente da casa. Estava impressionada com a confiança que o animal agressivo e violentado depositou nele. E ainda mais encantada por Diogo Fortes. Cuidei dos outros. Havia uma vira-lata prenha e eu a examinei e acarinhei. Outra, de raça mista, tinha tido cinco filhotinhos e os amamentava. Era mansa e deixou que cuidasse de tudo em seu canil. Tinha três filhotes ainda sem mãe e eu preparei a mamadeira deles e sentei para dar, como se fossem bebês. Era um trabalho que eu adorava. Mais prazer do que realmente obrigação. No orfanato em que fui criada, eles também recebiam vários animais abandonados e eu cuidei de vários, desde pequena. Muitos foram meus companheiros e ajudaram a amainar a solidão que tantas vezes surgia. Acho que por isso optei pelo curso de veterinária. Depois de uma hora, Diogo voltou com Sansão, sua camiseta molhada de suor, enquanto o animal continuava cheio de pose, alerta. Percebi que, apesar de cego, ele não errava o caminho. O que comprovava que o tinha decorado pela prática. Pus água fresca para ele e Diogo levou-o até seu canil e tirou a coleira com cuidado. Depois trancou-o, observando enquanto Sansão ia se esbaldar com a água. Veio para perto de mim e sorrimos, ambos satisfeitos por aquela pequena alegria a um animal que já sofrera tanto.
  • 19. - E aí, tudo bem por aqui? - Tudo. Posso levar alguns para correr no terreno separado para eles? - Claro. – Ele passou a mão pelo cabelo suado na testa. Perto de mim, pude sentir seu cheiro delicioso misturado com suor limpo, que parecia uma bomba de testosterona ao meu organismo já abalado por ele. Respirei fundo, tentei me distrair guardando as mamadeiras já esterilizadas. – Vou trabalhar, Júlia. Se precisar de qualquer coisa, pegue meu telefone lá na casa com a Dirce. Ela fica até às cinco aqui. - Pode deixar. - E almoce lá, se quiser. - Obrigada. - Tchau, menina. – Deu aquele sorriso com covinhas para mim e sorri de volta como uma boba. - Tchau, Diogo. Observei-o com um suspiro sonhador, quando se afastou correndo. Que energia que aquele homem tinha! Imaginei como devia ser na cama, com todo aquele fôlego, com aquele corpo e aquele pau. Abanei-me, tentando afastar a imagem tentadora da mente, procurando o que fazer. Mas meu corpo já ardia, o calor queimava por dentro. Estava ficando obcecada por ele. Levei os animais para o terreno, corri e os exercitei, acabei me divertindo pra valer. Depois, ao meio-dia, fui para casa, tomei banho, fiz um macarrão e comi na varanda, com uma taça de vinho que achei na despensa, delicioso. A mangueira em frente fazia uma sombra deliciosa sobre a casa e o vento balançava suas folhas gostosamente. Quando acabei, peguei o celular e liguei para o porteiro do prédio em que minha mãe tinha morado. Ele disse que o síndico estava procurando ainda os dados sobre ela, pois eram muitos e confusos, que era para eu ligar no dia seguinte. Desliguei, descansei e voltei ao trabalho. Como o terreno destinado ao treino dos cachorros era cheio de árvores, tinha muita sombra. Peguei outra leva e continuei os exercícios com eles. Depois voltei ao canil, reabasteci de água e ração, apliquei duas injeções que estavam prescritas para dois cachorros com problemas de infecção, como Diogo já tinha conversado comigo. Às quatro da tarde eu tinha terminado tudo. Como comecei bem cedo, me despedi de meus novos amigos, inclusive Sansão, que rosnou baixinho, e voltei para casa.
  • 20. Cheguei ao quarto e vi minha imagem no espelho, com a roupa que usara o dia inteiro, larga, suada, cheirando a cachorro. Parei e me analisei. Não era muito vaidosa, mas naquele momento tentei me enxergar como Diogo teria feito. Com o cabelo longo e louro escuro preso em uma única trança grossa, o rosto limpo sem maquiagem, altura mediana, corpo praticamente escondido nas roupas largas. Era uma garota comum de vinte e dois anos, atraente, uma bela pele naturalmente bronzeada, traços finos, lábios carnudos e olhos amendoados, num tom mel. Sabia que era bonita, mas não estonteante ou do tipo que virava a cabeça dos homens. Mas tinha meus pontos fortes. Destrancei o cabelo e as mechas sedosas caíram em ondas até o meio das costas, me dando um ar bem mais feminino. Ainda bem atenta, despi-me em frente ao espelho. E lembrei o que as pessoas diziam ao me ver de biquíni e, no caso dos dois amantes que tive, sem roupa. Eu parecia magra, mas nua as coisas eram diferentes. Minha cintura bem fina dava em quadris perfeitamente arredondados, pernas bem feitas, bunda redonda e empinada. Os seios eram pequenos, mas redondos, jovens, com mamilos claros, levemente inchados. Se fosse sincera comigo mesmo, admitiria o que todos disseram: eu tinha um corpo lindo. Pensei se Diogo gostaria de me ver assim. Mas é claro que não veria, onde eu estava com a cabeça? Ele era pai de Rebeca! Dezesseis anos mais velho que eu. E meu patrão. Meu Deus, eu só podia estar louca! Meu primeiro dia de trabalho e eu só conseguia pensar nele! E que ideia era aquela dele me ver nua? Eu não ia seduzi-lo. Eu ia parar de pensar besteira e me dedicar ao que viera fazer ali. Irritada comigo mesma, fui ao banheiro tomar banho. E tirar Diogo Fortes do pensamento. O que se mostrou uma missão impossível. Já passava das sete da noite, eu estava deitada na rede da varanda lendo um livro, quando ouvi uma música vinda da casa da frente. Fiquei imóvel, pensando que Diogo já tinha chegado do trabalho. A música chegava até mim baixa, mas imaginei que por lá deveria estar bem alta. O que ele estaria fazendo? Não consegui mais me concentrar em nada. Fechei o livro, me levantei e prestei atenção. Um rock. Curiosa, fiquei me indagando se seria uma festa. Lembrei dele cantarolando um rock quando estivera nu na piscina. Estaria lá de novo? Com certeza não pelado, pois ainda era cedo. Pensei em alguma desculpa para poder ir até ele, só para vê-lo mais um pouco e matar minha curiosidade. Então lembrei que talvez tivesse que ir amanhã em Realengo conversar com
  • 21. o síndico do prédio e não sabia se passava ônibus ali. Precisava perguntar a ele. Decidida com minha desculpa, enfiei os pés nos chinelos e me dirigi para o casarão da frente. A piscina estava vazia. Senti uma grande decepção, pois já imaginava vê-lo de novo de sunga. Ou melhor, nu. A música alta vinha de uma sala ao lado. Mesmo sabendo que estava sendo enxerida de novo, não consegui me controlar. Aproximei-me e parei na porta, olhando para dentro. Era uma academia grande, espelhada, com diversos aparelhos modernos, de última tecnologia. Espancando um saco de boxe, estava Diogo. Suado, peito nu, apenas um short preto e luvas. Seus músculos brilhavam, suas pernas lindas expostas, o short marcando o traseiro firme e bem feito. Seu rosto estava concentrado, o rock explodindo nas caixas de som potentes. Fiquei imobilizada, maravilhada, seca com aquela visão. Nem tive tempo de reagir, pois o desejo veio violento. Meus olhos o percorreram com fome e eu me assustei ao me dar conta que não podia me controlar. Eu o queria desesperadamente. Diogo socava o saco com força, seus golpes duros ecoando em meio à música, todo seu corpo parecendo uma máquina perfeita. E aquele rock parecia lhe dar mais energia. Algo cresceu dentro de mim, me golpeou, me dominou. Imaginei toda aquela força sobre mim em uma cama, aquele homem suado e grande me pegando forte, me obrigando a fazer todas as suas vontades, me abrindo e penetrando. Estremeci toda, cheia de lascívia, minha calcinha molhada, fora de mim. Foi naquele momento que Diogo me viu. Parou após um soco e me fitou pelo espelho, suado e arfante, seus olhos azuis brilhando mais que o normal. Uma energia quente e pesada fluiu entre nós, como se ele pudesse sentir de longe meu desejo absurdo, meus cheiro de fêmea excitada, meus pensamentos luxuriosos. Aquela música intensa só tornava tudo mais vivo e pulsante. Minhas pernas ficaram bambas ao notar seu ar predador, seu olhar penetrante, seu ar de macho dominante. Ele respirou fundo e pareceu se dar conta do que acontecia. Tentou se recuperar, enquanto andava até uma prateleira ali perto e pegava um controle, diminuindo a música. Só então se virou para mim, alto e musculoso, cabelos negros despenteados, aqueles olhos azuisclaros me deixando de pernas bambas. E aquele peito largo e suado, o corpo de quase um metro e noventa de altura naquele short sexy, o volume maravilhoso que eu sabia perfeitamente como era, deixando-me tonta, tentada, imobilizada, enquanto meu coração batia de forma ensandecida. Quando sorriu, pensei que fosse virar gelatina no chão. Sua voz grossa saiu mais rouca que o habitual: - Desculpe, Júlia. A música estava alta demais?
  • 22. Percebi que teria que agir normalmente, como se não tivesse rolado o maior clima entre a gente ainda há pouco. Mas eu ainda estava muito abalada, muito excitada e nervosa. Mesmo assim, tentei ser o mais normal possível: - Não, eu ... Eu que preciso pedir desculpas. Quero dizer, atrapalhei você e ... - Não se preocupe, não atrapalhou. – Pegou uma toalha e passou pelo rosto e pelo peito, vindo até mim. O rock, mais baixo, continuava ao fundo. – O que houve? - Bem, é que ... – Nem conseguia me concentrar direito com aquela visão toda na minha frente. Forcei a mente e consegui me lembrar. – Amanhã preciso ir a Realengo conversar com o síndico do prédio onde minha mãe morou, depois do expediente. Mas queria saber onde pego ônibus por aqui. - O ônibus só passa na outra rua, que faz esquina com essa. Mas pode pegar um dos carros da garagem, tem um que sempre deixo aqui para uso das pessoas da casa quando estou fora. – Eu tentava não acompanhar o movimento daquela toalha percorrendo os músculos bronzeados do seu peito. Procurava manter meus olhos na altura dos dele. Mas aquele olhar quente também me abalava. - Ah, mas não sei dirigir. – Murmurei. - Não? – Ergueu uma sobrancelha. - Quero dizer, tenho carteira de motorista, mas desde que a tirei não pratiquei. É arriscado pegar um carro assim. - Ah, mas se tem carteira já é meio caminho andado. Vamos fazer assim, no sábado vou te dar umas aulas. É como andar de bicicleta, vai lembrar de tudo. Pode praticar comigo na rua aqui em frente, que é tranquila e sair aos poucos. O que acha? - Praticar com você? – Sim, eu queria muito. Faria tudo que ele quisesse. Mas estava difícil manter uma conversa coerente com sua proximidade. - Sim, sábado estou em casa. É meio complicado ir para Realengo de ônibus daqui, Júlia. Tem como ser mais tarde? Posso te levar de carro até lá. - Não, nem pensar! Não quero dar trabalho. - Trabalho nenhum. Chego por volta das seis ou sete da noite e te levo lá numa boa. - Olha, Diogo, agradeço muito, mas vou precisar me virar sozinha.
  • 23. - Já sei. Vou falar com Cosme, o jardineiro e motorista da casa. Ele sai por volta das cinco. Vou pedir que te dê uma carona até Realengo. Quando eu sair da empresa, passo lá e te pego. - Não, eu ... - Está combinado. – Disse em tom firme, mas amenizou com um daqueles seus sorrisos com covinhas, expondo os perfeitos dentes brancos. – Não aceito recusas. Engoli em seco, com o coração muito acelerado. - Tudo bem, então. Eu agradeço. Bom, vou deixar você em paz agora. Amanhã a gente se fala. - Já jantou? Quer jantar aqui? - Não, já jantei. Não se preocupe. - Certo, Júlia. Fique à vontade quando quiser vir na academia, comer aqui em casa ou usar a piscina. – Jogou a toalha sobre o ombro. Concordei com a cabeça, lutando para controlar meus hormônios. - Vou lá então. Obrigada por tudo, Diogo. - De nada. – Sorrimos e acenei, virando para ir embora. Sua voz grossa me deteve: Júlia ... - Sim? – Eu o fitei. - Você dorme cedo ou tarde? De novo aquela pergunta. Usei toda minha cara de pau para mentir: - Cedo. Antes das dez já estou dormindo. – Embora soubesse por que ele perguntava, me fiz de boba: - Por quê? - Às vezes recebo visitas e não quero que se sinta incomodada ou que atrapalhem você. - Pode ficar à vontade, como se eu não tivesse aqui. Como eu disse, Diogo, costumo realmente dormir cedo e acordar cedo. - Tudo bem. – Ele concordou, seus olhos atentos em mim. Sorri e fui embora, pensando em que momento me tornei uma mentirosa.
  • 24. Naquela noite rolei na cama, a casa toda às escuras. Eu tentava me enganar, mas sabia que estava só esperando ficar mais tarde para sair e espionar Diogo de novo, rezando para que seus banhos de piscina nu fossem um hábito noturno. Morria de vergonha de mim mesma, mas o desejo de vê-lo era quase uma obsessão. Sabia que devia me controlar. Mas o problema era que quando queria alguma coisa, nada me impedia de conseguir. As pessoas sempre achavam que eu era quietinha, submissa, mas não imaginavam minha determinação. E eu estava querendo Diogo Fortes desesperadamente, a ponto de perder o bom senso. E com medo de mim mesma por não controlar aquele desejo. Como naquele momento. Usando uma camisola curta de malha azul e chinelos, meu cabelo solto, saí da casa às escuras, nervosa, respiração pesada, corpo todo em alerta. O mais silenciosamente possível, andei pelo caminho que levava à piscina e me escondi atrás da árvore, com o coração disparado. Quase morri de decepção ao ver que não tinha ninguém ali. Lembrei de Diogo perguntando se eu dormia cedo. Ele tinha algum plano para aquela noite, ou não teria perguntado. Enchendo-me de coragem, mesmo sabendo que passaria a maior vergonha do mundo se fosse pega, segui pelo caminho de cascalho até o casarão. E percebi que alguns dos janelões de madeira estavam abertos e luz vinha de lá. Cuidadosa, nervosa, tremendo, andei ao lado da parede lateral e bem devagar, espiei dentro. Era a sala de jantar. Não havia nada ali, mas ouvi uma música baixa vinda da sala de estar, ao lado. Esgueirando-me pela parede como uma ladra, segui até a outra janela. Espiei, prendendo a respiração. E o que vi me deixou paralisada. No meio da sala de estar, sem camisa e descalço, com a calça jeans meio aberta na frente, Diogo estava de pé dançando com duas mulheres totalmente nuas. Com o braço em torno da cintura de uma loira alta, ele a beijava na boca, enquanto uma negra com corpo lindo dançava colada na lateral dele, enfiando a mão dentro da sua calça na frente, beijando seu peito. Era uma cena altamente erótica. E me deixou completamente dopada. Duas mulheres! Olhei enquanto ele deslizava a mão pelas costas da loira, devorando-a com a boca, seu rosto masculino contorcido por um tesão bruto, quente. Então se virou para a negra de cabelos curtos e a puxava para si, beijando-a na boca, colando-a na sua frente, roçando-a em sua ereção. E assim ficou, se dividindo entre elas, até que murmurou algo e elas sorriram, se voltaram uma para outra e se abraçaram, beijando-se na boca. Diogo as fitou, excitado. Com a frente da calça aberta e recheada por sua grossa ereção,
  • 25. foi até uma mesinha, pegou uma garrafinha de cerveja já aberta e tomou um gole do gargalo, olhando-as com ar safado, másculo. Só então retornou, indo pra trás da negra e mordendo seu ombro, enquanto apertava sua bunda e esfregava a ereção nela, que ondulou contra ele, provocando-o. Diogo deu-lhe um tapa forte na bunda, que me assustou. Levei a mão a boca e abafei um grito, espremida no canto da janela, arfante, cheia de desejo ardente. Tremia da cabeça aos pés, com a garganta seca e as pernas bambas. Parecia prestes a ter um ataque cardíaco. E ali fiquei, sem poder sair, mergulhada no mais puro tesão, ao mesmo tempo que me enchia de ciúmes, de uma vontade louca de estar ali, com ele, no lugar daquelas duas. Nunca me senti tão viva e pulsante, tão arrebatada. Sem perder nenhum detalhe. Eles se beijaram e acariciaram. Quando Diogo tirou um preservativo do bolso e o deixou no sofá, a loira se ajoelhou aos pés dele e despiu-o da calça. Estava de perfil para mim e vi seu membro longo e grosso, lindo, totalmente ereto. A loira disse algo, excitada, que o fez sorrir perversamente. E então enfiou seu pau na boca, fartando-se com ele. Diogo puxou a negra e beijou-a na boca, sua mão deslizando em seus seios, acariciando seus mamilos grandes e marrons. Os dedos dela se enterraram em seu cabelo negro e ela se ofereceu toda, ardente. Foi uma cena inesquecível. Eu não perdi nada. Fiquei com água na boca enquanto a loira o chupava com vontade. Parecia tão duro e gostoso ... E aqueles dedos dele grandes indo para a vagina da negra, abrindo-a, penetrando-a, fazendo-a gemer e pedir mais, sua boca em seus seios, os três em perfeita sintonia. Fizeram de tudo. As duas se ajoelharam a sua frente e se revezaram chupando-o. Depois Diogo as pôs no sofá, se ajoelhou entre sua coxas e chupou a vagina da negra e depois da loira. Elas se esfregavam em sua boca, pediam mais, diziam sacanagens. Ele dava ordens e ela obedeciam tudo. Se abriam, se acariciavam, o lambiam. Eu tremia da cabeça aos pés, em chamas, fora de mim. Meus seios doíam, minha vagina latejava, meu corpo parecia ter vida própria. Quieta, obcecada, eu não conseguia tirar os olhos deles. Dele. Eu o olhava esfomeada, sua expressão de pura luxúria, seu corpo musculoso, seu pau lindo. O modo como as tocava, como as beijava e acariciava. Como enfiava a língua nelas e as lambia. E quando colocou o preservativo e montou na negra, penetrando-a duramente, enquanto a loira parava ao lado dele e se oferecia abrindo a vagina para ele chupar e enfiar os dedos, eu não aguentei. Ergui minha camisola e enfiei os dedos sob o elástico da calcinha. Encontrei-me escaldante, latejando, escorrendo. Meti dois dedos com força e mordi a outra mão para não gemer, penetrando-me e já gozando imediatamente contra meus dedos, sem controle, sem
  • 26. conseguir raciocinar. Diogo levantava-se, deitava a loira e agora a penetrava bem fundo, gemendo rouco. Podia ouvir seu timbre grosso, mas não entendia as palavras por causa da música, mas tinha certeza que dizia sacanagens, pois a loira ficou doida, puxando-o pra dentro, gozando em seu pau. Meu orgasmo foi longo, denso, deixou-me exausta, tremendo. Tirei os dedos melados e me amparei na janela, tentando me recuperar, mas ainda abalada por tudo aquilo. Quando a loira terminou de gozar, Diogo pegou novamente a negra, ajoelhada no chão de quatro, ele atrás poderoso, bruto, comendo-a com vontade, seus dedos na frente em seus seios e no clitóris. Só quando ela gozava e rebolava em seu pau é que ele jogou a cabeça para trás, segurou firmemente seu quadril e teve um orgasmo. Fiquei ali, imobilizada, vendo o prazer arrebatá-lo, seus músculos mais pronunciados, seu maxilar cerrado, seu rosto banhado de lascívia. Nunca vi um homem mais lindo e másculo, mais viril. E soube que eu faria tudo, qualquer coisa para tê-lo. Queria muito Diogo Fortes. E nem o fato de ser pai da minha amiga, meu patrão e bem mais velho me impediria de fazer tudo o que pudesse por ele.