Instalações Elétricas 1 Cercas Elétricas
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Instalações Elétricas 1 Cercas Elétricas Instalações Elétricas 1 Cercas Elétricas Document Transcript

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS CENTRO DE ENGENHARIAS Caderno Didático Rubi Münchow Eurico G. de Castro Neves
  • SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 1 2. VANTAGENS OFERECIDAS PELA UTILIZAÇÃO DE CERCAS ELÉTRICAS ................................................ 2 3. O CHOQUE ELÉTRICO.......................................................................................................................... 3 4. INSTALAÇÃO DE CERCAS ELÉTRICAS................................................................................................... 5 4.1. O eletrificador............................................................................................................................. 6 4.2. Componentes da cerca ............................................................................................................... 6 4.3. Aterramento ............................................................................................................................... 8 5. RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS............................................................................................................. 9 6. BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................................... 10
  • 1 1. INTRODUÇÃO Devido ao incremento de novas técnicas de produção e beneficiamento de culturas, bem como ao manejo de animais domésticos no meio rural, difunde-se cada vez mais a utilização de cercas eletrificadas. É determinante a necessidade de melhorar a produtividade (relação entre o resultado final e o investimento de uma determinada ação) nos setores agropecuários, razão pela qual o produtor rural precisa investir cada vez mais nesta área, buscando alternativas compatíveis, seguras e econômicas para a concretização da mesma. A utilização das primeiras cercas eletrificadas se deu a partir de 1920, porém, a construção de aparelhos eletrificadores mais eficientes ocorreu após 1930. O sistema tem evoluído ao longo do tempo, podendo ser considerado hoje uma "necessidade" e não um "luxo", devido aos excelentes resultados obtidos. A base desta tecnologia está na Europa e Nova Zelândia, sendo que no Brasil a sua utilização é bem difundida no sul do país e crescente nos estados do norte e nordeste. A eficiência do sistema depende principalmente da confiabilidade dos aparelhos oferecidos pelos fabricantes. Por isto é fundamental que o produtor se certifique de todas as condições técnicas de funcionamento apresentadas por um determinado aparelho, visto que a cerca elétrica não é uma barreira física e sim, psicológica. Cada aparelho tem as suas recomendações específicas de uso fornecidas pelo fabricante, as quais devem ser rigorosamente seguidas. É mais importante seguir as recomendações do que improvisar soluções. A implantação de um sistema de eletrificação de cercas requer a realização de um planejamento bem elaborado, onde sejam levados em conta uma série de fatores que influem diretamente na confiabilidade do mesmo. Os aspectos mais relevantes a serem considerados são: a) a superfície do local e a espécie e categoria de animais a serem controlados. Cada animal tem as suas peculiaridades de trato, necessitando em cada caso a construção de cercas específicas, no que se refere a quantidade de fios de arame e o espaçamento entre eles. Os valores recomendados estão indicados na Figura 1. b) identificar o tipo de fonte de energia elétrica disponível no local. Existem aparelhos eletrificadores alimentados com baterias e/ou redes de baixa tensão em corrente alternada de 110 ou 220 volts; o uso da energia solar também é explorada para complementar a carga das baterias. c) proporcionar um fácil acesso dos animais às fontes de água disponíveis no local. Neste item também é importante observar o tipo de manejo que será realizado com os mesmos. d) planejar como será o acesso e a movimentação dos animais a estas áreas cercadas. A previsão do trânsito de máquinas agrícolas no local deve ser considerado, já que o uso de roçadeiras se faz necessário, principalmente no corte de pastos e inços embaixo das cercas eletrificadas. O contato de qualquer sujeira, erva daninha, etc... com os arames provocará um desvio da corrente à terra, prejudicando a eficiência de todo o sistema.
  • 2 Figura 1 - Espaçamentos recomendados entre arames 2. VANTAGENS OFERECIDAS PELA UTILIZAÇÃO DE CERCAS ELÉTRICAS Na comparação entre as cercas eletrificadas e as convencionais, no que diz respeito à criação de gado, algumas aspectos são evidentes: 1. Em relação à cerca convencional de arame farpado, o custo da cerca elétrica é muito inferior, além de possibilitar seu deslocamento rápido de um lugar para outro. Esta prática é utilizada, principalmente, na rotação das áreas de pastagem (PRI - Pastoreio Rotativo Intensivo), onde fica assegurado o controle do crescimento dos pastos naturais ou artificiais (qualidade e quantidade). 2. Não requer mão-de-obra especializada, visto que os materiais utilizados são leves, pouca quantidade e prontamente disponíveis. Por esta razão, a sua manutenção também é facilitada e econômica. 3. Permite que os animais fiquem mais concentrados, evitando que as pastagens naturais fiquem muito pisoteadas. É fundamental, porém, que haja disponibilidade de aguadas bem próximas (fontes naturais, açudes ou bebedouros estratégicos distribuídos) em cada um dos setores subdivididos. Este mecanismo também possibilita a complementação da alimentação dos animais com sementes forrageiras, rações balanceadas, sais, etc... 4. Evita danos e acidentes com os animais, fato comum nos potreiros construídos com arame farpado. As experiências mostram que os animais lotados dentro das áreas delimitadas com as cercas elétricas, são mais calmos e se sentem protegidos, já que o contato com as mesmas apenas lhes causam um choque elétrico, inofensivo, de efeito "moral". Com isto o instinto animal considera a presença de um arame como sendo um limite para o seu deslocamento. 5. Possibilita que o produtor faça um planejamento racional de utilização das pastagens a partir da subdivisão de potreiros para as diversas épocas do ano. Estão incluídos neste planejamento, além da recuperação dos pastos, a eliminação de ervas daninhas e o controle de parasitas que nelas
  • 3 se encontram. Este deve ser feito a partir de um plano sanitário correto, envolvendo todos os aspectos técnicos relacionados com os impactos ecológicos. 6. Os animais poderão ser agrupados por afinidade, ou seja, gado de corte, leiteiro, engorde, ovino, etc... Como a construção das cercas é rápido, é possível isolar de forma eficaz, áreas contaminadas e/ou perigosas. Está comprovado que nestes casos, a produtividade aumenta consideravelmente (produção de leite, carne e lã animal / hectare). 7. A instalação da cerca é facilitada em terrenos acidentados, pois existem diversos tipos de sustentação dos fios de arames que se adaptam às mais diversas situações topográficas do terreno. 8. A cerca elétrica não é utilizada somente para manter animais presos numa determinada área; pode também ser usada para proteger plantações, lavouras, pomares e hortas dos animais domésticos ou selvagens. 9. Embora todo e qualquer arame estendido ao longo de um potreiro esteja sujeito às descargas atmosféricas (raios), os fabricantes de eletrificadores de cercas prevêem a instalação de pára-raios e outros dispositivos de proteção. Além disto os animais que já estão acostumados com a presença destas cercas, mantém-se afastados das mesmas, diminuindo a probabilidade que sejam fulminados com uma destas descargas elétricas. 3. O CHOQUE ELÉTRICO Existem muitas interpretações sobre o choque elétrico e suas conseqüências práticas. Na maioria das vezes as conclusões não são satisfatórias, pois não há um embasamento lógico do fenômeno com a causa. Há pessoas que demonstram enormes restrições de usarem quaisquer aparelhos ligados em fontes de energia elétrica, com medo de levarem um choque. Este temor quase sempre é decorrente de uma experiência real vivida pelo usuário, devido ao desconhecimento ou a ligação errada de um determinado aparelho elétrico. Para que haja um entendimento do fenômeno, cabe apresentar, inicialmente, algumas noções básicas de eletricidade. A corrente elétrica nada mais é do que o movimento de elétrons de um ponto a outro através de um meio condutor. Para que isto aconteça, é necessário que exista uma fonte de energia ( geradores de corrente contínua ou alternada, baterias, pilhas, etc... ) que desempenhe o papel de uma força elétrica capaz de estabelecer uma diferença de potencial entre dois pontos inicialmente equilibrados. A unidade de medida da diferença de potencial, também chamada de tensão, é o volt (V). A circulação de corrente elétrica, medida em ampères (A), somente se dará quando uma carga qualquer for devidamente conectada entre estes pontos, através de condutores elétricos. Em resumo, a corrente só circulará se houver um percurso fechado, chamado de circuito, constituído basicamente de fonte, condutores e carga. O esquema da Figura 2 mostra o funcionamento de uma lâmpada alimentada por uma bateria. O circuito elétrico pode ser perfeitamente comparado a um sistema de abastecimento de água. Se quisermos transportar água, através de canalizações, de um reservatório a outro, duas condições básicas são necessárias. Primeiro, deve haver uma diferença entre as alturas dos dois reservatórios, possibilitando desta forma o escoamento da água, por gravidade, do nível mais alto para o mais baixo. Quando isto não ocorre, o referido "desnível" é provocado através de motobombas que irão exercer no conjunto uma determinada pressão.
  • 4 Figura 2 - Esquema elétrico de uma carga (lâmpada) alimentada por fonte (bateria alcalina) Comparado ao circuito elétrico, estas bombas desempenham o papel dos geradores anteriormente mencionados. Porém, somente esta condição não é suficiente para que o fluxo de água nos canos se verifique. A segunda condição, uma vez satisfeita a primeira, é providenciar na abertura do registro que até então impedia que a água fluísse pelos canos. Num circuito elétrico, este ato consiste em ligar uma carga qualquer, como uma lâmpada, chuveiro elétrico ou outro eletrodoméstico. Jamais poderá ser esquecido, no exemplo em questão, que a quantidade de água que passa pelos canos depende da bitola dos mesmos, o número de curvas, conexões, atrito interno e outras variáveis. Todas estas situações dificultam a circulação de água, acarretando em conseqüência as chamadas perdas de carga. O mesmo ocorre com um circuito elétrico, pois os condutores utilizados na distribuição de energia elétrica também possuem uma resistência elétrica, medida em ohms (). Esta resistência depende diretamente do tipo de material usado (resistividade) e do comprimento total dos condutores. Além destas variáveis, a seção transversal (grossura) do condutor interferirá de forma inversa na sua resistência elétrica, ou seja, quanto mais fino for o condutor (fio), maior será a sua resistência elétrica; quanto mais grosso o fio, menor será a resistência elétrica. Esta adversidade oferecida pela resistência à circulação da corrente, provocará as chamadas quedas de tensões e perdas de potência no sistema, que dependendo dos valores atingidos, poderão afetar parcialmente ou até impedir o funcionamento de uma carga. O valor da intensidade de corrente, portanto, é definido pela carga, dependendo da finalidade a que se destina a mesma no circuito. Por esta razão surge uma nova grandeza elétrica chamada "potência", a qual engloba simultaneamente as outras duas, tensão e corrente. Multiplicando-se os dois valores entre si, obtém-se a potência elétrica da carga, cuja unidade de medida é o watt (W). Isto quer dizer que se compararmos duas lâmpadas de potências diferentes, sendo ambas ligadas na mesma fonte de tensão, a que tiver maior potência solicitará mais corrente que a outra, necessitando por isso, um fio mais grosso para a sua instalação. Quase sempre isto é desconsiderado pelas pessoas quando adquirem um novo aparelho elétrico. Preocupam-se apenas em ligá-lo na tomada mais próxima que se encontra nas imediações, ou ainda, conforme o caso, lançam mão na colocação de um derivador "T". É evidente que esta tomada, bem como os fios que a alimentam, foram dimensionados para suportarem a circulação de uma determinada corrente elétrica. Se estes limites forem ultrapassados, automaticamente ocorre um aquecimento excessivo que danificará a isolação tanto dos fios como da tomada. A queima destes isolantes poderá provocar um curto-circuito na rede e, se os dispositivos de proteção não atuarem com eficiência, as causas poderão ser bem mais graves. Em síntese, quanto maior a potência elétrica de um aparelho, maior será a corrente solicitada pelo mesmo. O consumo de energia elétrica do
  • 5 aparelho é representado pelo produto da sua potência pelo tempo em que o mesmo fica ligado (kWh). Se compararmos, por exemplo, um chuveiro elétrico de 4000 watts de potência com uma lâmpada comum de 40 watts, ligados durante uma hora, a conclusão é de que o chuveiro gasta cem (100) vezes mais energia elétrica que a lâmpada neste mesmo intervalo de tempo. Portanto, é fundamental que todos estes itens sejam levados em conta no momento em que se pretende fazer qualquer instalação elétrica. O choque elétrico ocorre quando alguém, por descuido, ao tocar num fio desencapado que possui uma diferença de potencial considerável em relação à terra, atua como sendo uma carga, completando, assim, o circuito elétrico. O mesmo não acontece quando estes fios são encapados, nem quando manuseamos com os eletrodomésticos, pois a capa isolante utilizada para estes casos possui um grau de isolação especificado pelas Normas Técnicas, garantindo a segurança operacional que o caso requer. Constantemente surgem indagações sobre os pássaros que pousam nos fios desencapados de uma linha energizada e não levam choque. Acontece que não houve o fechamento do circuito; seria necessário que o pássaro tocasse ao mesmo tempo, em dois fios desta linha ou então num fio e outro ponto que tenha conexão com a terra. As reações do organismo humano com relação ao choque, dependem dos valores da tensão e da corrente. Sob o aspecto da corrente, os valores toleráveis giram em torno de 25 miliampères; tornam-se perigosos entre 25 e 50 miliampères e mortais acima destes valores. Quanto a tensão, desde que para correntes inferiores a 25 miliampères, praticamente nada é sentido até 25 volts; de 25 a 70 volts é sentido um certo formigamento e acima de 70 volts uma sensação desagradável, semelhante a uma agulhada, porém não mortal. Cada situação determina o grau de periculosidade, principalmente se a fonte provoca uma descarga intermitente ou continuada. Jamais as cercas devem ser ligadas diretamente a uma rede de energia convencional, os chamados "gatos", pois a descarga seria contínua e fatal. A eletrificação de cercas é feita com dispositivos especiais, as quais provocam descargas (choques) intervalados, assunto que será analisado posteriormente. 4. INSTALAÇÃO DE CERCAS ELÉTRICAS Para que um sistema de eletrificação de cercas seja eficiente, deverão ser analisados três aspectos importantes: o eletrificador, os componentes físicos da cerca e o aterramento. O circuito elétrico ficará completo no instante em que o animal tocar o arame energizado. A Figura 3 mostra o percurso lógico da corrente durante o choque, onde a terra desempenha o caminho de retorno da mesma e o animal atua como sendo a carga Figura 3 - Percurso da corrente elétrica durante o choque
  • 6 4.1. O eletrificador O eletrificador ou energizador é o aparelho utilizado para energizar a cerca, o qual é projetado para disparar através dos fios de arames, impulsos de corrente elétrica de alta voltagem, cujos valores variam entre 2.000 V e 10.000 V. Tais impulsos possuem uma duração muito pequena, aproximadamente trezentos milionésimos de segundo (300/1.000.000 s), sendo que o intervalo entre um disparo e outro gira em torno de um segundo (1 s). O intervalo entre os disparos permite que as pessoas ou animais, em contato com a cerca, reajam e se afastem dela, evitando a possibilidade muito remota de nela ficarem grudados. Existem normas técnicas internacionais que definem o uso de um sistema de eletrificação de cercas; os fabricantes de eletrificadores deverão garantir a eficiência do seu produto, sempre baseados nestas normas técnicas regulamentadoras. No Brasil, é a norma ABNT NBR IEC 60335-2-76, publicada em 03/12/2007, quem trata especificamente com eletrificadores de cercas. O aparelho basicamente é definido pela sua potência e a extensão de arame que poderá ser atingida. Cabe esclarecer que o alcance de um aparelho em km "não" indica o valor que poderá ser atingido pelo arame em linha reta. Este dado fornecido pelo fabricante, representa a quantidade total de cerca elétrica construída num raio de abrangência, ou seja, ao redor de um ponto onde se encontra o eletrificador. Dependendo do aparelho, este raio de operação varia entre 10% e 25% da sua capacidade. Neste particular, as diferenças ocorrem devido às perdas de energia no sistema, causadas principalmente pela vegetação alta que toca nos arames, danificação de algum componente da cerca ou até mesmo a deficiência dos aterramentos em períodos de seca prolongados. O mercado oferece eletrificadores superpotentes que procuram compensar estas adversidades, porém, o raio de ação fica diminuído. É grande o uso destes aparelhos mais potentes, chamados de alto poder, na criação de ovelhas, pois a lã funciona como isolante, necessitando um choque mais forte. Tomando-se como exemplo um eletrificador inteligente com capacidade para 100 km, seu raio de operação gira em torno de 25 km, mas adotando-se uma margem de segurança de 50%, este valor fica restrito a 12,5km. Já um eletrificador superpotente, também de 100 km de capacidade, o raio de ação se reduz a 10%, onde aplicado o fator de segurança, fica-se com um valor operacional entre 5km e 10km. A instalação do eletrificador deve ser feita em local abrigado e devidamente protegido com um teto, mais próximo possível do centro de carga, com acesso restrito e fora do alcance de crianças. 4.2. Componentes da cerca Neste item devem ser analisados todos os materiais e dispositivos que fazem parte da construção física da rede. a) Isoladores O isolador é um elemento fundamental para garantir o perfeito isolamento entre o arame eletrificado e a terra, além de manter o tracionamento mecânico do arame. As qualidades exigidas para um isolador são a resistência mecânica, a durabilidade e o grau de isolação. Os mais utilizados são constituídos de porcelana ou plástico , dos tipos castanha e de pique. O primeiro é mais usado nos encabeçamentos e fins de linha; o segundo para manter os arames suspensos, não sendo submetido a grandes valores de tracionamento.
  • 7 Deve ser evitado o uso de materiais como garrafas plásticas, ossos, mangueiras ou madeiras no lugar dos isoladores, pois estes não oferecem o grau mínimo de segurança necessária para isolação. b) Arames Os arames utilizados nas cercas elétricas são os principais responsáveis pelo efetivo funcionamento de todo o sistema. Além de bons condutores elétricos, devem possuir grande resistência mecânica. Caso haja o rompimento do arame, o seu contato direto com o solo provocaria um curto-circuito. O mais indicado é o de aço galvanizado, que além das qualidades já mencionadas, está protegido dos ataques da corrosão determinados pelas mais diferentes situações climáticas. Os arames de cobre e farpados não devem ser usados, pois o cobre se deteriora com rapidez e o farpado dificulta o movimento de quem queira se livrar do choque, podendo inclusive danificar o couro dos animais. O aço puro também não é recomendado pela sua baixa condutividade elétrica, embora possua alta resistência mecânica. A bitola dos arames fica condicionada à distância entre o eletrificador e a cerca, bem como a extensão total a ser eletrificada. Tais informações poderão ser complementadas, caso a caso, com o fornecedor do aparelho. A quantidade de arames e o espaçamento entre eles deve ser de acordo com os valores sugeridos na Figura 1. c) Postes A escolha do tipo de sustentação dos arames é feita a partir da definição do tipo de cerca. Se esta possui um caráter permanente, a recomendação é utilizar postes de madeira (mourões) devidamente tratados para resistirem uma vida útil de 20 anos. Já para cercas temporárias, o uso de postes mais leves e de fácil manuseio tornam-se mais práticos. Dentre eles destacam-se os de aço, plástico e fibra de vidro, sendo que a opção por um destes depende das características do solo e do tipo de relevo do local. A quantidade e as distâncias entre eles vai depender, também, das variáveis anteriormente mencionadas. Todas as informações complementares são fornecidas pelos fabricantes dos eletrificadores. d) Acessórios Existe uma série de dispositivos adaptáveis às cercas que facilitam o manejo e a performance das mesmas:  a colocação de chaves seccionadoras de trechos em trechos permite que problemas sejam detectados com maior rapidez, fazendo-se os testes adequados de forma intercalada.  o uso de esticadores, principalmente nas cercas temporárias, garantem o tensionamento dos arames, além de simplificar o trabalho na instalação. Nos locais de acesso (porteiras) devem ser usadas manoplas com molas esticadoras, afim de que o operador não leve o choque na hora de fazer a travessia.  no caso de portões que necessitam ficarem abertos por tempos mais prolongados, deve ser previsto uma conexão paralela da cerca dentro de um cano de polietileno de alta densidade, enterrado no mínimo a 30 centímetros de profundidade. Este procedimento evita que a cerca fique desenergizada durante o tempo em que o portão esteja aberto.
  • 8  principalmente ao longo das cercas mais extensas, deve-se prever a colocação de pára-raios que diminuem a probabilidade de que uma descarga atmosférica venha a danificar o eletrificador. 4.3. Aterramento Sem sombra de dúvidas, a eficiência de um sistema de eletrificação de cercas está alicerçada na qualidade do aterramento. Conforme já foi amplamente mencionado, o fechamento do circuito de funcionamento é feito através da terra. O processo utilizado para captar os elétrons que nela viajam é feito através de estacas ou hastes galvanizadas fincadas no solo. Como este, quando seco, não é um bom condutor, os locais escolhidos para instalar os aterramentos devem ser aqueles onde a umidade é freqüente. Por esta razão é aconselhável que estes locais sejam irrigados durante o verão. Se na região estes períodos de seca são muito prolongados, a sugestão é que seja usado um arame esticado na parte inferior da cerca com a função de retorno da corrente, não havendo necessidade de colocar isoladores no mesmo. O choque ocorre quando o animal toca simultaneamente neste arame e qualquer outro que esteja energizado. A recomendação é de que sejam utilizadas três hastes de aterramento com no mínimo 2 m de comprimento cada, enterradas em formato triangular com aproximadamente 3 metros entre elas. Estas hastes devem ser interligadas através de um arame galvanizado, utilizando-se braçadeiras ou conectores, onde a ligação única deste aterramento ao eletrificador será feita com um condutor de cobre isolado de bitola não inferior a 1 mm2 . O aterramento deve estar localizado a uma distância mínima de 50 metros de outros sistemas, tais como, linhas telefônicas, redes elétricas, etc. O teste para verificar a eficiência do aterramento é feito da seguinte forma: após desligar a cerca elétrica, provoca-se um curto-circuito entre os arames, a uma distância de 100 m do energizador, utilizando-se uma barra de ferro ou similar. Após ligar o energizador, verifica-se a tensão existente entre a superfície da terra e a haste do aterramento conectada ao eletrificador, através de um voltímetro digital, conforme ilustrado na Figura 4. Se esta leitura for superior a 300 V, indica que o aterramento precisa ser melhorado. As opções para corrigir o problema são de aumentar o comprimento das hastes ou trocar o aterramento para um lugar mais úmido. Figura 4 - Teste do aterramento da cerca elétrica
  • 9 5. RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS a) Treinamento Aconselha-se fazer com que os animais domésticos aprendam a conviver dentro dos espaços delimitados pelas cercas elétricas. Para isto podem ser montadas pequenas áreas, chamadas de "escolinha ", onde preferencialmente poucos animais sejam forçados a tocar as cercas. Recomenda-se que estas tenham um formato retangular, cuja proporção das medidas seja aproximadamente 2x5; por exemplo, 20 m de largura e 50 m de comprimento. Isto possibilita que o animal, ao levar o primeiro choque, tenha condições de correr, mas num espaço devidamente delimitado. A tendência é de que logo após este contato, o animal já a reconheça como algo repulsivo, não mais se aproximando de qualquer arame que se apresentar à sua frente. Tem-se observado que os animais mais ariscos absorvem a informação provocada pelo choque bem mais rápido que os das raças mais dóceis. O búfalo, por exemplo, é um dos animais mais espertos e ao mesmo tempo, mais sensível ao choque; o animal da raça "nelore" também absorve a informação com maior rapidez, se comparado com "o holandês". Já para os animais silvestres devem ser utilizadas estruturas mais reforçadas, com mais fios de arames e o eletrificador mais potente, visto que a tendência destes animais é ignorar a existência das cercas, ultrapassando-as de uma só vez. Por isto esta cerca deve ser construída com dupla finalidade, ou seja, além de barreira moral (choque) ser também um obstáculo físico. Na criação de caprinos e suínos a pasto o uso de cercas elétricas tem crescido bastante, onde os resultados verificados são altamente significativos. Porém, aconselha-se que os eqüinos, principalmente aqueles utilizados para montaria e tração animal, sejam criados em potreiros não eletrificados. A constatação é de que os cavalos que já levaram um choque, ficam medrosos e dificilmente serão guiados perto ou ao longo de aramados. b) Sinalização Na demarcação de divisas de terras as cercas elétricas não devem ser usadas, exceto se houver um acordo assinado entre ambas as partes. Embora não recomendável, se uma cerca elétrica for construída ao longo de uma via pública ou caminho, onde há a possibilidade de seres humanos tocá-las, deve ser feita uma identificação através de placas de advertência presas aos postes ou grampeadas firmemente aos arames da cerca em intervalos regulares. Estas placas devem ser de aproximadamente 2m x 1m, pintadas de ambos os lados na cor amarela e a inscrição (símbolo) na cor preta, ou então constar o aviso CUIDADO - CERCA ELÉTRICA, onde as letras, também pintadas de preto, devem ter uma altura não inferior a 2,5 centímetros, conforme indicado na Figura 5. c) Energizador e condutores Uma cerca elétrica não deve ser alimentada por mais de um energizador. Para quaisquer duas cercas elétricas diferentes, a distância mínima entre ambas deve ser de 2 m. Quaisquer condutores instalados no interior de construções, cuja tensão nominal seja superior a 1 kV (1000 V), requerem isolação especial. Para tal devem ser usados espaçadores de forma adequada e cabos para alta tensão. É fundamental que as condições mínimas de funcionamento de uma cerca elétrica sejam verificadas periodicamente. Se o pulso de voltagem do arame emitido for inferior a 2000V, devem ser verificadas as causas e corrigidos os problemas. Os defeitos mais prováveis são arames
  • 10 danificados, erro no aterramento, muita vegetação encostando na cerca, fuga nos isoladores e outros. Embora as cercas elétricas sejam protegidas com pára-raios, não existe mecanismo que garanta 100% de eficiência, principalmente se um raio cair diretamente no arame. Por esta razão, o aconselhável é desconectar o energizador da cerca antes de uma tempestade. Figura 5 - Placas de sinalização para cercas elétricas d) Ligações Se houver a necessidade de atravessar uma auto-estrada pública com qualquer tipo de condutor, a autoridade responsável deve ser consultada e/ou notificada. A luz mínima registrada no local (menor distância entre o condutor e a superfície do solo) deve ser de 5 metros. Sempre que houver a necessidade de fazer uma ligação subterrânea (portões, porteiras públicas, etc.), devem ser usados cabos de alta tensão ou os fios embutidos em eletrodutos de material isolante. Além disso, devem ser levados em consideração a pressão exercida sobre o solo, devido a passagem do gado ou veículos de carga. 6. BIBLIOGRAFIA 1. FITZGERALD, A et alii. Engenharia Elétrica. Ed. McGraw-Hill do Brasil. 2. DAWES, Chester L. Curso de Eletrotécnica . Ed. Globo. 3. PIEDADE JR, Cezar. Eletrificação Rural. Livraria Nobel S.A. 4. CESP, Companhia Energética de São Paulo. Cerca Eletrificada. Ed. Eletrocampo. 5. VILELA, Glácio. Energia na Pecuária. Ver. Panorama Rural. 6. ABNT NBR IEC 60335-2-76 7. Manuais de Instalação e componentes de cercas eletrificadas. Catálogos de fabricantes.