Marcadores Tumorais

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Os marcadores tumorais ou marcadores biológicos, são macromoléculas, em sua maioria proteínas ou pedaços de proteínas, incluindo antígenos de superfície celular, proteínas citoplasmáticas, enzimas e hormônios, que estão presentes no tumor, no sangue ou em outros líquidos biológicos, cujo aparecimento e/ou alterações em suas concentrações estão relacionados com a gênese e o crescimento de células neoplásicas.

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Marcadores Tumorais

  1. 1. Os marcadores tumorais ou marcadores biológicos, são macromoléculas, em sua maioriaproteínas ou pedaços de proteínas, incluindo antígenos de superfície celular, proteínascitoplasmáticas, enzimas e hormônios, que estão presentes no tumor, no sangue ou emoutros líquidos biológicos, cujo aparecimento e/ou alterações em suas concentrações estãorelacionados com a gênese e o crescimento de células neoplásicas. Um marcador tumoralpode ser produzido pelo próprio tumor ou pelo corpo, em resposta à presença do câncer.Testes para marcadores tumorais podem ser realizados junto com outros testes ou exames deimagem, para detectar e diagnosticar alguns tipos de câncer. Tais testes não devem serutilizados sozinhos, pois a maioria dos marcadores pode ser encontrada em níveis elevadosem pacientes que tem condição não cancerosa, e ainda, por que nenhum marcador tumoral étotalmente específico para um tipo particular de câncer.
  2. 2. Classificação pela resposta:Marcador Tumoral Celular:antígenos localizados na membrana celular tais como marcadores para leucemia, comohormônios e receptores de fatores de crescimento.Marcadores Humorais:substâncias que são sintetizadas pelo tecido tumoral ou substâncias formadas peloorganismo em reação ao tumor.Marcadores Genéticos:representados por sequências de genes e proteínas por ele codificadas que são superexpressos em situações de desenvolvimento tumoral. Têm demonstrado enorme potencialdiagnóstico, especialmente com o advento da técnica da reação em cadeia da polimerase(PCR).
  3. 3. 1) Específico do respectivo tumor:Não ser detectado em doenças benignas ou indivíduos saudáveis.2) Possuir alta sensibilidade:Ser detectado muito precocemente, quando apenas algumas células cancerosas estiverempresentes.3) Libertado proporcionalmente ao volume do tecido tumoral4) Doseável com fiabilidade.Porém, como essa substância ideal não existe na prática o valor diagnóstico de um marcador tumoraldepende da sua especificidade e da sua sensibilidade. O marcador será tanto mais específico quanto maisbaixo for à probabilidade de fornecer resultados positivos falsos, e tanto mais sensível, quanto maior for àprobabilidade de fornecer resultados positivos nos casos confirmados de tumor.
  4. 4. O antígeno carcinoembrionário (CEA) é normalmente sintetizado e secretado pelas células querevestem o trato gastrintestinal do feto e em pequenas quantidades no adulto. Em situaçõesnormais, é eliminado pelo intestino e em desordens benignas e malignas do trato gastrintestinal,pode ser detectado no sangue circulante. Amplamente aceito como auxiliar no monitoramento docâncer, CEA não deve ser visto como um marcador tumoral específico, pois ele é secretado empequenas quantidades por certos tecidos normais durante toda a vida adulta. a detecção no soroassocia-se a várias malignidades como as de estômago, pâncreas, gastrintestinais, mama, pulmão eovário.O antígeno carcinoembrionário está presente em doenças benignas como hepatopatias,pancreatites, enfisema pulmonar, doenças benignas da mama, colite ulcerativa, doença de Crohn epólipo retal. Níveis mais elevados são encontrados em tabagistas. O CEA é usado na monitoração detumores gastrintestinais, particularmente no câncer colorretal. O CEA pode ser usado paramonitorar a eficácia do tratamento, a recidiva da doença local ou metastática. Elevações dos níveisde CEA são maiores nas metástases e menores na recidiva local. Os níveis mais altos sãoencontrados nas metástases ósseas e hepáticas.
  5. 5. A alfa-fetoproteína (AFP) é a principal glicoproteína plasmática precoce do feto humano. Ésintetizada pelo fígado fetal, seus níveis se elevam durante a 14a semana de gestação, atingindo osíndices normais do adulto em 6 a 10 meses após o nascimento. Em adultos, está presente em níveisbaixos em homens e em mulheres não-grávidas saudáveis. Em pacientes com carcinomashepatocelulares e tumores testiculares (não-seminomas), encontram-se níveis elevados. Valoreselevados também podem ser encontrados em cerca de 20% dos carcinomas gástricos epancreáticos e em um pequeno percentual de carcinomas de pulmão e de cólon. Nem sempre aselevações de AFP estão associadas a malignidade. Os níveis podem estar elevados em doençasinflamatórias do fígado, como hepatite viral, hepatite crônica e cirrose hepática. Níveis altos de AFPtambém podem estar presentes em doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn, ena colite ulcerativa, que também produzem elevações de antígeno carcinoembrionário (CEA). Amaior indicação da determinação de AFP é o monitoramento do tratamento de carcinomashepatocelulares e de tumores testiculares (não-seminomas) e de suas recidivas. Os níveis de AFPestão correlacionados ao tamanho do tumor. Nos tumores testiculares, é utilizada em associaçãocom a beta-gonadotrofina coriônica (bHCG), sendo extremamente útil no diagnóstico diferencial.
  6. 6. O beta-HCG é normalmente encontrado no soro e na urina durante a gravidez. Porém, podetambém estar presente em 10% dos pacientes com doença inflamatória intestinal benigna, úlceraduodenal e cirrose hepática. Além disso, o beta-HCG é achado em quase 100% dos pacientes comtumores trofoblásticos e em 10% a 40% de tumores de células não-germinativas, como carcinomado pulmão, mama, trato GI e ovário. Em pacientes com tumores trofoblásticos (célulasgerminativas) como seminomas, teratomas e coriocarcinomas, o beta-HCG é muito útildiagnosticando, monitorando terapia, prevendo o aparecimento de metástases e predizendo ofracasso de tratamento ou recidivas da doença. Quando avaliado em combinação com AFP, torna-separticularmente útil na detecção dos seminomas.
  7. 7. Essa proteína foi inicialmente descoberta na próstata, mas foi encontrada mais tarde numavariedade de tecidos. Contudo a PAP está presente apenas em pequenas quantidades no sangue.Os níveis de PAP no sangue são elevados em alguns pacientes com câncer de próstata, a maioriados quais têm a doença avançada; sendo elevada apenas algumas vezes em pacientes no estágioinicial da doença. Níveis elevados de PAP também estão associados com outros tipos de câncer,incluindo mieloma múltiplo, sarcoma osteogênico (osso), e câncer que tenha se espalhado para oosso.
  8. 8. É uma proteína encontrada por todo o corpo. Como resultado, quase todos os tipos de câncercomo também muitas outras doenças podem elevar os níveis de DHL. Por isso, esse marcador nãopode ser usado para descobrir o câncer (procurar câncer em pessoas com sintomas) ou paradiagnosticar um tipo particular de câncer. Entretanto, pode ser usado para monitorar o curso docâncer de um paciente. Altos níveis de DHL persistentes ou recorrentes depois do tratamento,normalmente indicam que a doença ainda está presente ou houve recidiva.
  9. 9. A cromogranina-A é a principal proteína solúvel do granulo de cromofina e pode ser liberada damedula adrenal juntamente com as catecolaminas mediante estimulo nervoso. Entretanto, não estárestrita a células cromofinas da medula adrenal e neurônios simpático estando também presenteem vários tecidos neuroendócrinos. Níveis séricos elevados podem ser encontrados nofeocromositoma e no carcinoma pulmonar de células pequenas (SCLC).
  10. 10. O antígeno do carcinoma de células escamosas (SCC) é uma sub fração praticamente neutra doantígeno tumoral TA-4 purificado a partir de tecido carcinomatoso de células escamosas do cérvixuterino. Mais de 70% das pacientes com câncer cervical avançado possuem SCC elevado. O ensaiopara SCC é útil no acompanhamento das pacientes com câncer cervical, durante a terapia, pois temuma sensibilidade de 83% e uma especificidade de 95%. O SCC também é útil no monitoramento decarcinomas de células escamosas de cabeça, pescoço, pulmão, boca mandíbula, rosto, esôfago ecanal anal. As concentrações séricas de SCC são mais elevadas em pacientes com metástases.Aproximadamente 50% dos pacientes com insuficiência renal apresentam concentrações séricaselevadas de SCC.
  11. 11. Cyfra 21-1 é um fragmento da citoceratina 19 encontrado no soro. É uma subunidade do filamentointermediário de citoceratina expressado nos epitélios simples e em seus correspondentesmalignos. É particularmente abundante no câncer de células pequenas do pulmão. Noadenocarcinoma pulmonar, quando associado a dosagem do CEA, apresenta um aumento desensibilidade de 10%. Está presente também em neoplasia maligna de “grandes células”pulmonares e em carcinomas das células escamosas do pulmão, constituindo-se num fator deprognóstico ruim.
  12. 12. O CA 125 é uma glicoproteína de alto peso molecular (>200 kD), de papel fisiológico aindadesconhecido, presente em diferentes condições benignas e malignas, sendo útil especialmente noacompanhamento dos carcinomas ovarianos. A concentração sérica do CA 125 é superior a 35U/mL em aproximadamente 80% das mulheres com carcinoma do ovário, 26% das mulheres comtumores benignos de ovário e em 66% de pacientes em condições não neoplásicas, inclusive oprimeiro trimestre da gravidez, fase folicular do ciclo menstrual, endometrioses, miomas uterinos,salpingites agudas, tuberculose pélvico-peritoneal, cirrose hepática, pancreatites e inflamações doperitônio, do pericárdio e da pleura.
  13. 13. O CA 19.9 é um antígeno carboidrato de superfície celular, sendo também conhecido comoantígeno de Lewis. É indicado como marcador tumoral do trato gastrintestinal, em câncer depâncreas e trato biliar como primeira escolha e no colorretal como segunda escolha. O CA 19.9possui sensibilidade variável com a localização do tumor: pâncreas 70% a 94%, vesícula biliar 60% a79%, hepatocelular 30% a 50%, gástrico 40% a 60% e colorretal 30% a 40%. Em menor freqüência,positiva-se também no câncer de mama, de pulmão e de cabeça e pescoço. Algumas doenças comocirrose hepática, pancreatite, doença inflamatória intestinal e doenças auto-imunes podem elevar oCA 19.9, sem ultrapassar 120 U/mL.Atualmente, parece ser um dos marcadores mais sensíveis e específicos usados para o diagnósticodiferencial do câncer de pâncreas e de vesícula, apresentando 79,4% de sensibilidade e 79,2% deespecificidade quando maior do que 20 U/mL.
  14. 14. O antígeno do câncer 50 é uma glicoproteína. Este marcador é expresso pela maioria doscarcinomas epiteliais (câncer gastrintestinal e de pâncreas). Possui sensibilidade semelhante ao CA19.9, não sendo indicado o uso simultâneo deles. Também pode ser expresso por doenças benignashepáticas e das vias biliares e pancreatite. Oitenta a 97% dos pacientes com câncer pancreáticoapresentam níveis elevados de CA 50, e nos estádios mais avançados do câncer colorretal tambémficam bem elevados .
  15. 15. A expressão sorológica de CA 242 em paciente com câncer pancreático é similar à obtida com osmarcadores CA 19-9 e CA 50. Uma das maiores vantagens clínicas deste marcador é a observaçãode baixa frequência de valores elevados em doenças benignas.
  16. 16. Associado ao câncer de mama eleva-se no curso de sua atividade metastática. Auxilia a avaliação daresposta ao tratamento, no prognóstico e no diagnóstico de pacientes sintomáticos, constituindoum sinal de progressão da doença.
  17. 17. A subunidade gama de uma isoenzima enolase na via glicolítica, encontrada predominantementenos neurônios e nas células neuroendócrinas, é denominada de enolase neuro- específica (NSE), epode ser identificada por imunoensaios. Níveis elevados de NSE podem ser encontrados emtumores originários deste sistema celular neuroendócrino. Essa proteína tem sido detectada empacientes com neuroblastoma, câncer de pulmão tipo microcelular,câncer medular da tiroide,tumores carcinóides, tumores endócrinos, pancreáticos e melanoma. Contudo, estudos do NSEcomo marcador tumoral têm se concentrado primariamente em pacientes com neuroblastoma ecâncer de pulmão tipo microcelula, pois a NSE sérica também parece ser um marcadorrelativamente específico para câncer pulmonar de células pequenas (SCLC) (85%). A medição donível de NSE em pacientes com essas duas doenças (neuroblastoma e SCLC) podem proverinformações sobre a extensão da doença e prognóstico do paciente, bem como a resposta dopaciente ao tratamento, além de ter valor antecipativo para recidivas da doença em pacientes comSCLC.
  18. 18. É utilizado no diagnóstico da síndrome e tumores carcinoides. Valores acima do normal sãoaltamente sugestivos de tumor carcinoide. Está bastante aumentado em tumores carcinoidesmetastáticos. Aumentos mais discretos podem ser vistos em tumores carcinoides ovarianos, doençacelíaca, carcinoma do brônquio, adenoma brônquico tipo carcinoide. Alguns pacientes com tumorcarcinoide podem ter o nível de serotonina urinária normal, em geral esses pacientes nãoapresentam síndrome carcinoide.
  19. 19. A calcitonina é um hormônio polipeptídico secretado pelas células parafoliculares ou células C daglândula tiroide. A principal função da calcitonina é a inibição de reabsorção óssea pela regulaçãodo número e atividade de osteoblastos. A calcitonina é secretada em resposta direta ao alto nívelsérico de cálcio. Seu nível sérico pode aumentar em pacientes com uma taxa elevada de reposiçãoóssea associada à metástases esqueléticas. Tumores malignos da célula C (carcinoma medular datiroide) frequentemente produzem níveis elevados de calcitonina. Seus níveis podem também serelevados em alguns pacientes com carcinomas broncogênicos, além de câncer de mama oupâncreas. Pacientes com insuficiência renal crônica, síndrome de Zollinger-Ellison, anemiaperniciosa, e ainda mulheres grávidas e recém-nascidas podem apresentar níveis elevados decalcitonina.
  20. 20. É uma proteína produzida por alguns cânceres de mama. Pesquisas recentes sugerem que as célulasde câncer de mama que contém a Catepsina D, são mais suscetíveis de se espalhar (disseminarmetástases) do que as células que não contém a proteína. Contudo, alguns outros estudos nãoconfirmaram esses resultados. Por conseguinte, maiores pesquisas são necessárias para aprenderse a Catepsina D pode ser usada como ferramenta de prognóstico. Se for concluído que essaproteína pode ser associada à disseminação das células de câncer, um teste para Catepsina D podeprovar ser muito útil na determinação de que pacientes devem beneficiar-se de uma terapiaadjuvante (terapia adicional) em seguida à terapia primária.
  21. 21. O MCA é uma glicoproteína com peso molecular de 350Kd, utilizado para monitorizar o carcinomamamário. Seu valor de referência é 11U/mL. Não há indicação para seu uso no diagnóstico dedoença loco regional. Possui especificidade de 87% e sensibilidade inferior ao CA 15.3, sendo 60%nos casos de doença metastática. Existem outras situações nas quais este marcador pode seencontrar elevado, como por exemplo, em doenças benignas de mama (15%), tumores de ovário,de colo uterino, endométrio e próstata.
  22. 22. A telomerase é uma ribonucleoproteína que se encontra hiperexpressa em um grande número deneoplasias malignas. Sua atividade se encontra aumentada nos casos de câncer de bexiga, podendoser quantificada em amostras de urina ou de tecido. Esta proteína é pouco expressada pelas célulaseucarióticas normais. A presença da telomerase independe do estágio e do grau do tumor vesical.Sua sensibilidade e especificidade para diagnóstico de tumores uroteliais da bexiga está,respectivamente, entre 70% e 93% e 60% e 99%.
  23. 23. A β2-Microglobulina é uma glicoproteína de baixo peso molecular - 12Kd -, presente em todas ascélula nucleadas. Seu valor de referência no soro é 2,0µg/ml para pessoas até 60 anos e 2,6µg/mLapós os 60 anos sendo que pacientes com β2-Microglobulina maior do que 6,0µg/mL têm alto riscoe pequena sobrevida. É indicado o uso deste marcador tumoral em linfomas não-Hodgkin, sendoíndice de prognóstico independente; no mieloma múltiplo relaciona-se diretamente com a massatumoral total e, isoladamente é o mais importante fator de prognóstico .
  24. 24. 1 - Capelozzi VL. Entendendo o papel de marcadores biológicos no câncer de pulmão. JPneumol.2001;27(6):321-28.2 - Mattos LL, Machado LN, Sugiyama MM, Bozzetti RM, Pinhal MAS. Tecnologia aplicada na detecçãode marcadores tumorais. Arq méd ABC. 2005;30(1):19-25.3 - Almeida JRC. Farmacêuticos em oncologia: uma nova realidade. São Paulo: Atheneu; 2004:61-72.4 - Gomes FR. Marcadores tumorais (alcances e limites). Acta Med Port. 1997;10(1):75-80.5 - Guimarães RC, Rodrigues VH, Pádua CAJ, Andrade FAF. Uso dos marcadores tumorais na práticaclínica. Prática Hospitalar (Belo Horizonte). 2002;IV(23):1-8.6 - Engelen MJ, de Bruijn HW, Hollema H, ten Hoor KA, Willemse PH, Aalders JG, et al. Serum CA125,carcinoembryonic antigen, and CA 19-9 as tumor markersin borderline ovarian tumors. GynecolOncol.2000;78(1):16-20.
  25. 25. MUITO OBRIGADO !!! CONTATOadamogama@hotmail.com

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