Resumo analitico tabu do corpo

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Resumo analitico tabu do corpo

  1. 1. www.cursoraizes.com.brFACULDADE JOSÉ AUGUSTO VIEIRA - FJAV SERVIÇO SOCIAL ECONOMIA POLÍTICA JOÃO PAULO RESUMO CRÍTICO LAGARTO / 2009 www.cursoraizes.com.br
  2. 2. www.cursoraizes.com.br JOÃO PAULO RESUMO CRÍTICO Trabalho apresentado à disciplina Economia Política sob orientação da professora Maria de Lourdes Santos Figueiredo, do Curso Serviço Social da Faculdade José Augusto Vieira – FJAV. Turma 1.° período Fwww.cursoraizes.com.br
  3. 3. www.cursoraizes.com.br RESUMO CRÍTICO TABU DO CORPO. Rodrigues JC. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2006. 154 pp. A ficha catalográfica registra 1980 como o ano da primeira edição de Tabu do Corpo.Assim sendo, sua sétima reedição, já nesse novo milênio, traduz a importância decontinuamente disponibilizar a gerações de estudantes, dedicados ao aprendizado das ciênciassociais, um determinado momento da história do pensamento brasileiro acerca das questõesque envolvem, digamos assim, a construção social do corpo. Não é somente, embora tal já fosse para lá de suficiente, ofertar ao público acadêmicoum texto didática e intelectualmente bem escrito e pensado, mas permitir um exercíciohistórico reflexivo sobre os fundamentos da antropologia no Brasil, num momento em que dedentro da universidade brasileira – sem querer fazer analogia com o título do livro – tabuscomeçavam a ser quebrados e os sistemas de significações tomavam seu lugar e abriam novassendas que iriam e continuam a ser percorridas desde então. De saída, no que tange a tal aspecto, descobre-se em RODRIGUES um tipo deassociação entre sociologia e antropologia e entre essas e metapsicologia freudiana, fato que,para muitos ortodoxos, sobretudo no que diz respeito à segunda, não passaria de um modismopassageiro que não traria nenhuma espécie de contribuição à solidificação e ao desenrolar deconhecimentos produzidos por tipos de ciências do homem, tingidas pelo empírico, expostasàs contingências e que epistemologicamente envolvem o conjectural e a interpretação. EmHistória, por exemplo, da mesma maneira que na antropologia de Marcel Mauss, MargarethMead, Mary Douglas e Lévi-Strauss, dentre outros gigantes que sustentam as proposições deRodrigues, as pesquisas levadas a cabo por Peter Gay mais do que referendam uma aliança, epor intermédio dela um tráfego entre fronteiras disciplinares, incluindo-se a psicanálise, quehoje se sabe ser inevitável porque é de todo profícuo. De acordo com Tabu do Corpo, de José Carlos Rodrigues, cada cultura “modela” ou“fabrica” à sua maneira, um corpo humano. Cada sociedade imprime, no corpo físico,transformações, pelas quais o cultural se inscreve e grava sobre o biológico; arranhado,perfurando, queimando a pele. Inscrevem nos corpos cicatrizes-signos, que são verdadeirasobras artísticas ou indicadores rituais de posição social: mutilação da orelha, corte ou www.cursoraizes.com.br
  4. 4. www.cursoraizes.com.brdistensão do lóbulo, perfuração do septo, dos lábios, das faces, amputação das unhas,alongamento do pescoço, apontamento ou extração dos dentes, atrofiamento dos membros,musculação, obesidade ou magreza obrigatória, bronzeamento ou clareamento da pele,barbeamento, cortes de cabelo, penteados, pinturas, tatuagens..., práticas que tentam serexplicadas, por razões sociais, de ordem ritual ou estética. Hoje se vive a revolução do corpo, valores relativos à beleza, saúde, higiene, lazer,alimentação, atividades físicas tem reorientado um conjunto de comportamentos na sociedade,criando um novo estilo de vida, mais livre, narcísico e hedonista. O corpo ocidental se encontra em plena metamorfose. Não se trata mais de aceitá-locomo ele é, mas sim de corrigí-lo, transformá-lo e reconstruí-lo. O indivíduo busca em seucorpo uma verdade sobre si mesmo que a sociedade não consegue mais lhe proporcionar. Esse contexto social e histórico particularmente instáveis e mutantes, no qual os meiostradicionais de produção de identidade, tais como a família, a religião, a política, o trabalho,se encontram enfraquecidos, impulsiona pessoas a se apropriarem cada vez mais do corpocomo um meio de expressão (ou representação) do eu. As oposições apresentadas por Rodrigues que vão se desdobrando em outras ao longode todo o texto reverteram essa maneira de pensar, colocando o leitor num redemoinho determos que ora apresentam relação de contradição, ora de contrariedade recíproca e, por quenão dizer, ora até de complementaridade. Nesse sentido, pode-se afirmar que a influência dalingüística de Ferdinand Saussure, cuja disseminação consensualmente deu início ao que seviria conhecer como estruturalismo está presente e, por conseguinte, retomando-se o que foidito no início deste resumo crítico, desvendando ao acadêmico de hoje a dinâmica de umadeterminada maneira de trabalhar as significações e as representações. Caminhar pela exposição da sociedade como um sistema de significações, tema docapítulo de abertura, até se chegar à operacionalização do coletado em entrevistas para pautaro nojo do corpo é, sem dúvida, não só transitar pelos fundamentos do pensar sobre associedades e as culturas humanas e como o corpo nelas se situa e por elas é situado,considerando-se as diferentes conceituações do que uma e outra podem querer dizer ou jádisseram, mas também apreender modos e maneiras de se conceber uma antropologia social eos pensadores dos quais fez uso para inovadoramente, em termos da academia no Brasil,apresentar a gramática cultural de diferentes sociedades e os significados particulares queauferem ao corpo. www.cursoraizes.com.br
  5. 5. www.cursoraizes.com.br A antropologia, para Rodrigues, e para todo bom antropólogo, tem como problema edesafio a relação entre a natureza biológica e a natureza social do homem. O foco de suapreocupação, todavia, ao enfrentar tal problema e desafio é de mostrar como a dimensãosocial é a que se apropria desse corpo de modo que a presunção de uma "fisiologia cada vezmais fisiológica", assim como o de uma "anatomia cada vez mais anatômica" (p. 116) setorna, para o homem moderno, diante do cientificismo hegemônico, uma espécie denaturalização do que, na realidade, é relacional e simbólico. Assim, a satisfação dasnecessidades fisiológicas ganha dimensões naturais e sua ligação com crenças, misticismo ereligiosidade passa a ser acreditada como formas primitivas, fundamentalistas e obscurantistasde pensar que são jogadas no mundo das "inverdades". Nesse patamar não há como discutir que o livro de Rodrigues, por meio de suasoposições, referendadas nomeadamente pelo autor à dialética, proporciona vislumbrar oquanto um modelo dicotômico de pensar ainda nos embasa e o quanto ainda nos é necessáriomantê-lo, porque, de certa forma, na busca de explicarmos a nós mesmos aindapermanecemos, como Rodrigues afirma no término de seu trabalho, tendo a natureza humanacomo estranha a nós. Também não há como deixar de reconhecer o quanto a oposição entre razão e sentidosoblitera que tanto a primeira quanto os segundos, se são possibilitados pelas estruturasbiológicas, estão associados à cultura que fornece as maneiras como se vê, sente e pensa oque, por sua vez, faz aflorar novos aromas, sons, visões formadoras de novos corpos, novaslógicas, novos universos. Está-se diante da produção não de invenções metafísicas, comoquerem alguns, mas de realidades que são objetos de fabulações e cuja materialidade ésemiótica e, portanto, simbólica. E, mais uma vez, a reedição do livro de Rodrigues nos fazreconhecer que não existe real sem simbólico e, nessa direção, o quanto é importante situar notempo e no espaço humano aquilo que em conjunto construímos, mesmo quando achamos quenão somos os outros. Leitura imprescindível para profissionais que têm no corpo a dimensão de seu ofício,conclui que o corpo é uma filosofia que “abriga em nós um inferno que costumamos ver nosoutros: a natureza humana que é estranha aos homens.” www.cursoraizes.com.br

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