Analise de poemas barrocos

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Analise de poemas barrocos

  1. 1. www.cursoraizes.com.br UNIVERSIDADE TIRADENTES Tutora: Margarida Maria Bispo Disciplina: Literatura Brasileira IANÁLISES DE POESIAS DO ESTILO BARROCO Aluno: Willian Souza Santos TOBIAS BARRETO 2008 www.cursoraizes.com.br
  2. 2. www.cursoraizes.com.br O BARROCO: AMBIGÜIDADES E CONTRADIÇÕES O significado artístico do estilo Barroco está ligado a duas das maiores tradiçõesliterárias do mundo ocidental: a tradição clássica (humanista,racionalista, universalista) e atradição medieval (teocêntrica,sentimental, individualista). Ao longo do século XVII ocorre um conflito entre ambas as tradições, o qual pode serexplicado através de uma perspectiva histórica. A partir da terceira década do século XVI, aReforma liderada por Lutero desfez a unidade religiosa européia e abalou o poder da IgrejaCatólica. A reação da Contra-Reforma, por meio do Concílio de Trento (1545 a 1563),acentuou um embate ideológico que se estendeu por todo o século XVII, avançando, emalguns países, pelo século XVIII. Assim ao mesmo tempo em que assistimos à vitoria do capitalismo mercantil empaíses como Holanda, Inglaterra e França, em outros, como Espanha e Portugal, vemos a açãoda Igreja Católica buscando um retorno à religiosidade medieval. As contradições entre idéias antropocêntricos e teocêntricos podem explicar osurgimento do estilo barroco na Espanha, na Itália e Portugal. O Barroco seria, portanto, aexpressão, nas artes, da profunda crise ideológica e da multiplicidade de estados de espírito dohomem seiscentista, dividido entre a razão e a fé, entre a mentalidade em expansão (tradiçãoclássica) e os valores medievais defendidos pelo clero e pela nobreza. À primeira das tradições mencionadas, insere-se o viver voltado para a terra, o corpo,os prazeres e as paixões deste mundo, tanto quanto o viver inspirado nas verdades cientificas.Já a segunda caracteriza-se pelo viver voltado para o céu e para a consciência da precariedadede tudo o que existe, almejando a salvação da alma, a necessidade de Deus e da eternidade. Em consonância com este quadro, o estilo Barroco criou novas linguagens, novossignificados, sendo que à irregularidade, em contraposição à simetria e à regularidade doClassicismo, constitui a sua marca, expressando o pessimismo, o conflito, o desequilíbrioentre razão e emoção. Literariamente, seus grandes recursos estilísticos são a metáfora, que revela atendência barroca à ilusão e à descrição indireta; a antítese e o paradoxo, que exprimem acoexistência angustiada de idéias e sentimentos opostos e contraditórios; a hipérbole,expressão da perplexidade diante do mundo e da vida; e o hipérbato, que reflete a inversão dafrase e as contorções da alma. www.cursoraizes.com.br
  3. 3. www.cursoraizes.com.br O cultismo e o conceptismo constituem as duas tendências básicas do Barrocoespanhol. Embora sejam estilos diferentes, podem coexistir num mesmo autor ou até numamesma obra. Há casos em que a distinção entre eles é muito difícil, se não impossível. O cultismo ou gongorismo (tema inspirado no poeta barroco espanhol Luís deGóngora) consiste em uma hipertrofia da dimensão sensorial (sonoridade e imagens) da obraliterária, recorrendo exageradamente a metáforas, sinestesias, aliterações, hipérbatos,antíteses, trocadilhos, neologismos estranhos etc, e assim oferecendo-se como um espetáculopara os sentidos. Já o conceptismo ou quevedismo (termo inspirado no poeta barroco espanholAntônio de Quevedo) consiste na hipertrofia da dimensão conceitual da obra literária.Utilizando-se mais da razão que dos sentidos, o autor conceptista cria raciocínios engenhosos,num refinado jogo intelectual de paradoxos e sutilezas lógicas. www.cursoraizes.com.br
  4. 4. www.cursoraizes.com.brAn|jo |no| no|me An|ge|li|ca |na| ca|ra! E.R.10(6.10) AIsso| é| ser| flor|, e | An|jo| jun|ta|men|te E.R.10(6.10) BSer| An|gé|li|ca |flor|, e Anjo |Flo|ren|te E.R.10(6.10) BEm| quem| se| não |em |vós|, se| uni|for|ma|ra? E.R.10(6.10) AQuem| vi|ra |uma |tal | flor|, que a| mão| cor|ta|ra, E.R.10(6.10) ADe| ver|de| pé| da| ra|ma| flo|res|cen|te? E.R.10(6.10) BA| quem| um| An|jo| vi|ra| tão| lu|zen|te E.R.10(6.10) BQue| por| seu| De|us| o| não| ido|la|tra|ra E.R.10(6.10) ASe|, pois| co|mo An|jo| sois| dos| meus| al|ta|res E.R.10(6.10) CFô|reis| o| meu| cus|tó|dio e| mi|nha| guar|da, E.R.10(6.10) DLi|vra|ria eu|de dia|bó|li|cós| a|za|res. E.R.10(6.10) CMas| ve|jo| que| tão| be|la|, e| tão| ga|lhar|da, E.R.10(6.10) DPos|to| que os| An|jos| nun|ca| dão| pe|sa|res, E.R.10(6.10) CSois| An|jo|, que| me| ten|ta, e | não| me| guar|da. E.R.10(6.10) D Análise O eu - lírico descreve a mulher apresentando duas faces: de um lado a mulher pura,voltada completamente para os fins estabelecidos pela sociedade da época, ou seja, a mulherque segue os ensinamentos religiosos e de outro uma mulher sedutora que leva o homem aimaginar e conseqüentemente entregar-se ao prazer carnal.Neste soneto encontramos figuras de linguagem como Antítese na 1ª estrofe e Paradoxo naúltima estrofe. www.cursoraizes.com.br
  5. 5. www.cursoraizes.com.br Sonetos a D. Ângela de Souza ParedesRimaA Não| vi|ra em| mi|nha| vi|da a|for|mo|su|ra, E.R 10 (5,10)B Ou|via| fa|lar| ne|la| ca|da|dia, E.R 8 (4,8)B Ou|via|da| me in|ci|ta|va, e |me| mo|via E.R 9 (3 6,9)A A| que|rer| ver| tão| be|la ar|qui|te|tu|ra| E.R 10 (6,10)B On|tem| a| vi| por| mi|nha| des|ven|tu|ra E.R 10 (6,10)A Na| ca|ra|, no| bom| ar|, na| ga|lhar|dia E.R 9(3 6,9)A De uma| mu|lher|, que em| An|jo| se| men|tia; E.R 8 (4,8)B De um| sol| que| se| tra|já|va em| cria|tu|ra: E.R 9(3 6,9)C Ma|tem|-me|, dis|se eu, |ven|do a|bra|sar|-me, E.R 9(3 6,9)D Se es|ta a| cou|sa não é, | que en|ca|re|cer|-me E.R 9(3 6,9)C Sa|bia o| mun|do, e| tan|to e|xa|ge|rar|-me E.R 9(3 6,9)E O|lhos| meus|, dis|se en|tão| por| de|fen|der|-me, E.R 10 (6,10)F Se a| be|le|za heis| de| ver| pa|ra| ma|tar|-me, E.R 10 (5,10)E An|tes| o|lhos| ce|gueis|, do| que eu| per|der|-me E.R 10(6,10) Análise Neste soneto percebe-se que a mulher é um ser idealizado, pois é vista como um sersuperior, dotado de belezas absolutas e inacessíveis. Além disso, ela é vista como apersonificação do pecado e da perdição espiritual isso fica evidenciado na última estrofequando o eu - lírico dirige-se aos próprios olhos, dizendo preferir a cegueira à perdição e àmorte. Também, encontramos figuras de linguagem Antítese 2ª estrofe e Paradoxo na ultimaestrofe. www.cursoraizes.com.br
  6. 6. www.cursoraizes.com.br A Ilha MaréRimaA Quan|do ve|jo| de Ar|na|da o| ros|to a|ma|do (E.R 3, 6,9)B Ve|jo ao| céu e ao| jar|dim| ser| pa|re|a|do (E.R 3, 6,9)B Por|que| no as|som|bra|do| pri|mo|lu|zi|do (E.R 4, 8,10)A Tem| o| sol| em| seus| ol|lhos du|pli|ca|do (E.R 6,10)A Tem| o| pri|mei|ro a|nos| ar|vo|re|dos (E.R 4,9)A Sem|pre| ver|des| nos| ol|lhos|, sem|pre| le|dos (E.R 4, 8,10)B Tem| o| se|gun|do A, nos| a|res|pu|ros (E.R 4,9)B Na| tem|pe|rie| a|gra|da|veis| e| se|gu|ros (E.R 6,10)A Tem| o| ter|cei|ro A| nas| a|guas| fri|as (E.R 4,8)A Que| re|fres|cam| o| pei|to, e| são| sa|di|as (E.R 3, 6, 9,)B O|quar|to A| no a|çu|car| de| lei|to|so, (E.R 3, 6, 9,)B Que é| do| mun|do o| re|ga|lo| mais| mi|mo|so. (E.R 6,10) Análise “A Ilha Maré” tem como pano de fundo a natureza. Evidenciando a variedade dosmuitos produtos existentes no Brasil como frutas e verduras. Nesse caso vemos um pouco donacionalismo. Figuras de linguagem Nesta primeira análise do fragmento “A Ilha de Maré”, encontro nas estrofes. (Quandovejo de armado o rosto amado. Vejo ao céu e ao jardim ser parecido.) uma metáfora, quandoele compara o rosto amado ao jardim. Para ele o rosto amado era tão lindo como um jardimflorido, e tão belo quanto o céu azul. A principal característica do poema barroco é o uso de metáforas num vocabuláriotípico do estilo barroco. www.cursoraizes.com.br

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