A importancia de brincar na eduçação infantil   monografia pronta
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A importancia de brincar na eduçação infantil   monografia pronta A importancia de brincar na eduçação infantil monografia pronta Document Transcript

  • www.cursoraizes.com.br 1 FACULDADE ATLÂNTICO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO Especialização Educação Física Escolar GIDALVA DA CONCEIÇÃO SANTOSA IMPORTÂNCIA DE BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Aracaju www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 2www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 3 FACULDADE ATLÂNTICO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO Especialização Educação Física EscolarA IMPORTÂNCIA DE BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Marco Arlindo Amorim Melo Nery Aracaju www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 4 DEDICATÓRIA Dedico a conquista dessa vitória a Deus, por dar-me vida e saúde; aos meus amigos, que tanto colaboraram, compreendendo minhas ausências; aos meus pais que me incentivaram em todos os momentos e aos meus professores pela dedicação e incentivo.www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 5AGRADECIMENTOS A Deus, por ter-me dado força, coragem, serenidade e perseverança em todos osmomentos levando-me a concluir o curso. Aos meus familiares que apoiaram e colaboraram em várias situações. Aos professores que, no decorrer desses quatro anos, deixaram suas marcas em minhaexistência. À todas as pessoas que, direta ou indiretamente, participaram desta importante etapa,tornando possível a realização deste sonho. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 6RESUMO A presente pesquisa trata de um dos temas mais relevantes da Educação Infantil – abrincadeira como proposta pedagógica. Com o objetivo de demonstrar que as brincadeiras sãoatividades de estimulação capazes de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, físico,social e emocional da criança em idade pré-escolar, foi realizada uma pesquisa, namodalidade de Pesquisa-ação, onde as brincadeiras no universo escolar infantil foram o focoprincipal. Aliando-se a abordagem teórica encontrada nos pressupostos de Piaget e Vygotskyà realidade vivida nas Instituições de Educação Infantil, quanto a prática da brincadeira naatividade docente, buscou-se elaborar uma proposta que viabilize uma educação que respeiteas características da infância, considerando-as como o alicerce do trabalho educativo eficaz.PALAVRAS-CHAVE: desenvolvimento cognitivo, Educação Infantil, estimulação,pressupostos www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 7SUMÁRIOINTRODUÇÃO .......................................................................................................................07A IMPORTÂNCIA DE BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1. A BRINCADEIRA SEGUNDO VYGOTSKY ...........................................................10 1.1DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA BRINCADEIRA .....................................14 2. A BRINCADEIRA SEGUNDO JEAN PIAGET ........................................................20 2.1. DIFERENÇA ENTRE VIYGOTSKY E PIAGET ................................................22 3. A BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL .....................................................23CONCLUSÃO .........................................................................................................................31REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................33 www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 8INTRODUÇÃO A educação está oportunizando mudanças no pensar da criança e percebe-se que o seumodo de olhar o mundo já não é mais o mesmo. É nessa perspectiva que se apresenta aeducação Infantil: a oportunidade de dar às crianças uma "nova" infância. Uma infância quetem de ser respeitada em seus interesses e curiosidades, em que a criança deve brincar muitoe, através da brincadeira, desenvolver suas potencialidades. Sabe-se que a criança possui necessidades e características peculiares e a escoladesempenha um importante papel nesse aspecto, que é oferecer um espaço favorável àsbrincadeiras associadas a situações de aprendizagem que sejam significativas, contribuindopara o desenvolvimento de forma agradável e saudável. "Quando a criança constrói seu conhecimento a partir de suas brincadeiras e leva a realidade para o seu mundo da fantasia, ela transforma suas incertezas em algo que proporciona segurança e prazer, pois vai construindo seu conhecimento sem limitações." (ROSA, 2002, p. 26) O momento da brincadeira possui grande importância, pois contribui para odesenvolvimento do potencial integral da criança. Sendo também o espaço que proporcionaliberdade criadora, oportunidades de socialização, afetividade e um encontro com o seupróprio mundo, descobrindo-se de maneira prazerosa. Partindo desse pressuposto, e por acreditar que, muitas vezes, as brincadeiras não têmfeito parte do currículo escolar, sendo ignoradas no planejamento diário, propõe-se umareflexão acerca da utilização da brincadeira em seu aspecto pedagógico nas escolas deEducação Infantil. Assim, surgem alguns questionamentos motivadores para a realizaçãodessa pesquisa: Como a brincadeira deve ser introduzida no planejamento docente da EducaçãoInfantil para cumprir sua utilidade pedagógica? Como a brincadeira deve ser aproveitada na prática pedagógica da EducaçãoInfantil, respeitando-se o caráter natural na criança? A opção por esse tema se dá devido a observação de que a atividade lúdica como fontede aprendizagem ainda não é prática efetiva no cotidiano escolar. Propõe-se, então, umaperfeiçoamento da prática docente, através da criação de momentos que oportunizem a www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 9criança o exercício do seu direito de ser criança. O direito de brincar, contribuindo assim, parauma série de fatores importantes para o seu desenvolvimento físico, emocional, cognitivo,lingüístico e social. O presente trabalho, que tem por objetivo principal demonstrar como as brincadeirassão atividades de estimulação capazes de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, físico,social e emocional da criança em idade pré-escolar, visa levantar informações sobre o modocomo é vista a brincadeira no espaço da Educação Infantil. Assim como, verificar se o ato debrincar, como meio de desenvolvimentos de aprendizagem, é parte integrante do currículoescolar e do planejamento das aulas por parte dos professores. Baseando-se na teoria Vigotskiana, percebe-se a importância da brincadeira comofonte de promoção do desenvolvimento infantil. Vigotski afirma que, "apesar do brinquedonão ser o aspecto predominante da infância, ele exerce uma enorme influência onde a criançaaprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivações internas" (Rego, 2002,p.80). Vigotski valoriza o fator social, mostrando que no jogo de papéis a criança cria umasituação imaginária, incorporando elementos do contexto cultural adquiridos por meio dainteração e comunicação. A noção central é que se desenvolve uma "zona de desenvolvimento proximal" em que se diferenciam o nível atual de desenvolvimento potencial marcado pela colaboração do adulto ou pares mais capazes. (Rego, 2002, p. 62) Segundo pesquisas realizadas por Gisela Wajskop, a constatação da existência debrincadeira na criança era interpretada a partir de uma visão de natureza infantil,biologicamente determinada para a qual a mesma cumpre requisitos de desenvolvimentobásico e predeterminado. A autora afirma que a brincadeira encontra papel educativoimportante na escolaridade das crianças que vão se desenvolvendo e conhecendo o mundonuma instituição que se constrói a partir exatamente dos intercâmbios sociais que nela vãosurgindo. Ou seja, a partir das diferentes histórias de vida das crianças, dos pais e dosprofessores que compõem o corpo de usuários da instituição e que nela interagemcotidianamente. Partindo do pressuposto de que se pode construir conhecimento através da brincadeira,tornando-a pedagogicamente eficaz, o presente trabalho, realizada na modalidade de www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 10Pesquisa-ação, além de coletar dados informativos sobre a utilização da brincadeira comoproposta pedagógica, como metodologia traz sugestões de ações que levem a inserir aatividade lúdica nos planejamentos diários do professor da Educação Infantil, apresentandoassim, uma proposta significativa capaz de contribuir para um ensino eficaz e lúdico naEducação Infantil. Assim, com base nas informações obtidas, torna-se possível elaborar uma propostaque inicia uma nova prática pedagógica. Uma prática onde a brincadeira infantil não é apenasvalorizada como um aspecto natural da criança, mas como um excelente meio de promover aaprendizagem. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 11A IMPORTÂNCIA DE BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1. A BRINCADEIRA SEGUNDO VYGOTSKY Vygotsky, teve uma preocupação em produzir uma psicologia que tivesse relevânciapara a educação, iniciando suas pesquisas principalmente com deficientes mentais e físicos,surgindo assim a idéias de "Psicologia Educacional" Para Vygotsky, o campo psicológico onde a relação do homem com o mundo émediado, chamado também de zona proximal de desenvolvimento, é o espaço abstrato dedesenvolvimento relacionada ao que se vê, o que é real. E os signos são formas posteriores demediação. Assim, Vygotsky, apresentou grandes contribuições com sua pesquisa para aatividade escolar, ao relacionar desenvolvimento e aprendizagem. De acordo com Gisela Wajskop, estudiosa das ideias de Vygotsky, A criança desenvolve-se pela experiência social, nas interações que estabelece, desde cedo, com a experiência sócio-histórica dos adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos. (WAJSKOP, 1995, p. 25) Para Vygotsky, o brinquedo tem um grande papel no desenvolvimento da identidade eda autonomia. A criança, desde muito cedo, pode se comunicar por meio de gestos, sons e derepresentar determinado papel na brincadeira, desenvolvendo sua imaginação. A imaginação éum processo psicológico, que, para a criança, representa uma forma de atividade consciente. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantestais como, atenção, imitação, memória, imaginação. Amadurecem também algumascapacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regrase papéis. Se o brinquedo fosse estruturado de tal maneira que não houvesse situaçõesimaginárias, restariam apenas regras. Sempre que há uma situação imaginária no brinquedo,há regras. No faz-de-conta, as crianças aprendem a agir em função da imagem de uma pessoa, www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 12de uma personagem, de um objeto e de situações que não estão imediatamente presentes eperceptíveis para elas. No momento em que evocam emoções, sentimentos e significados vivenciados emoutras circunstâncias, brincar funciona como um cenário no qual as crianças tornam-secapazes não só de imitar a vida como também de transformá-la. Vygotsky não agiu em suas pesquisas como mero observador, mas interagiu com ascrianças para reconhecer e verificar as suas potencialidades. Devido a este aspecto de suaconcepção, ainda mais nos identificamos com a relação de suas ideias. Para Vygotsky existem dois elementos importantes nas brincadeiras infantis: asituação imaginária e as regras. Brincar é, assim, um espaço no qual se pode observar acoordenação das experiências prévias da criança e aquilo que os objetos manipulados sugeremou provocam no momento presente. Pela repetição daquilo que já conhecem, utilizam aativação da memória, atualizam seus conhecimentos prévios ampliando-os e transformando-os por meio da criação de uma situação imaginária. Brincar constitui-se, dessa forma, em umaatividade interna das crianças, baseada no desenvolvimento da imaginação e na interpretaçãoda realidade. No brinquedo, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das ideias e nãodas coisas. A ação regida por regras começa a ser determinada pelas ideias e não pelosobjetos. Isso representa uma tamanha inversão da relação da criança com a situação concreta,real e imediata, que é difícil subestimar seu pleno significado. A criança não realiza estatransformação de uma só vez porque é extremamente difícil para ela separar o pensamentodos objetos. A criação de uma situação imaginária é a primeira manifestação da emancipação dacriança em relação às restrições situacionais. A capacidade imaginária da criança se"desenvolve à medida que se torna capaz de operar no campo do significado. O imaginárionão é condição prévia para a criança brincar, é conseqüência das ações lúdicas" (SMOLKA,apud REGO, 1995, p. 71). Assim, imaginar representa a ampliação da capacidade decomunicar-se, de significar o mundo. Outro aspecto na teoria de Vygotsky que é importante mencionar, refere-se à relaçãoque estabelece entre o desenvolvimento das brincadeiras simbólicas e aquisição da linguagemescrita. Segundo ele, este se constitui em um sistema simbólico que representa a realidade.Deste modo, considera as brincadeiras das crianças como estágio preparatório para odesenvolvimento da língua escrita. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 13 Vygotsky analisa a brincadeira dentro de uma perspectiva biológica, considerando-acomo um elemento constituído sócio-historicamente pelo indivíduo e que se modifica, emfunção do meio cultural e da época em que o sujeito está inserido. Acredita-se ser necessária uma sucinta discussão sobre o desenvolvimento humanodentro dessa concepção teórica para se entender o papel da brincadeira nesta linha depensamento. Partindo do conceito de Vygotsky de zona de desenvolvimento proximal,buscou-se maior esclarecimentos sobre o processo de desenvolvimento humano. Tal conceitorefere-se às funções emergentes – "tudo o que o sujeito ainda não é capaz de realizar sozinho,mas com a ajuda de alguém mais experiente" – e funções autônomas – "já interiorizadas,envolvendo aquilo que o sujeito realiza sozinho". A zona de desenvolvimento proximal é, portanto, o encontro do individual como osocial, sendo a concepção de desenvolvimento abordada não como processo interno dacriança, mas como processo resultante da sua inserção em atividades socialmentecompartilhadas com outros. Nas palavras de Vygotsky, "a distância entre o nível dedesenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução e problema sob aorientação de um adulto, ou em colaboração com companheiros mais capazes". (Vygotsky,1984, p. 97) Nesse contexto, o conhecimento é construído através das relações interpessoais, sendoque as trocas recíprocas que se estabelecem durante toda a vida fornecem as matrizes designificações na formação do indivíduo. Nesse processo de interação, os interlocutoresparticipam de forma ativa, constituindo-se enquanto pessoa humana e constituindo o outro,num movimento dinâmico de ação-relação, em que as representações e significados vão seconstruindo. Essa concepção reconhece o papel da brincadeira para a formação do sujeito,atribuindo-lhe um espaço importante no desenvolvimento das estruturas psicológicas,destacando-o pela sua plasticidade, capaz de novas articulações em função das mudanças queocorrem no meio e das transformações histórico-culturais. De acordo com Vygotsky, "é nobrinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva" (VYGOTSKY, 1984, p 109) Nos referenciais teóricos sobre o assunto, desenvolvidos principalmente por Vygotsky,Elkoni e Leontiev, destaca-se que a brincadeira não é uma atividade inata, sendo, portanto,resultado de relações sociais e de condições concretas de vida; a partir delas, a criança,emerge como sujeito lúdico, sendo que a mediação tem papel fundamental nesse processo. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 14 Outra idéia importante nessa vertente teórica é o pensamento de que odesenvolvimento da atividade lúdica segue a trajetória do jogo de papéis para jogo de regras,e que ambos são importantes para o desenvolvimento humano. A criança, na brincadeira,experimenta papéis (re)construindo sua realidade, vivenciando sentimentos, comportamentose fazendo representações do mundo exterior. Assim, novas explorações e relacionamentosinterpessoais presentificam-se. Como afirma Andrade, "as crianças brincam porque vivem emum mundo onde estas e outras relações estão presentes. Brincando elas exploram as diferentesrepresentações que têm do mundo". (ANDRADE, apud REGO, 1995, p. 90) Vygotsky enfatiza o fator social na brincadeira, demonstrando que, no jogo de papéis,a criança cria uma situação imaginária incorporando elementos do contexto culturaladquiridos por meio da interação e comunicação. A brincadeira constitui-se, para o autor, noelemento que irá impulsionar o desenvolvimento dentro da zona de desenvolvimentoproximal. Ao promover uma situação imaginária, a criança desenvolve a iniciativa, expressaseus desejos e internaliza as regras sociais. Através do jogo de papéis, a criança lida com experiências que ainda não conseguerealizar de imediato no mundo real; vivencia comportamentos e papéis num espaçoimaginário em que a satisfação dos seus desejos pode ocorrer. No início do brinquedo, a percepção infantil é dominada pelo objeto real quedetermina seu comportamento; de acordo com Vygotsky (1984), a criança muito pequena nãoconsegue separar o campo real do perceptual. Posteriormente, o significado passa apredominar, em função do brinquedo. Dessa forma, as ações no brinquedo ficam subordinadasao significado que a criança atribui aos objetos. OLIVEIRA (1988) analisa a relação dialógica que há entre os indivíduos no âmbito dabrincadeira simbólica e interpreta essa relação interpessoal, assumindo que nesse processo,"ao mesmo tempo em que os indivíduos recortam seu movimento segundo matrizes histórico-culturais específicas, apresentam-se como agentes ativos construindo-se como sujeitos".(OLIVEIRA, 1998, p. 202) Como construção social, a brincadeira é atravessada pela aprendizagem, uma vez que os brinquedos e o ato de brincar, a um só tempo, contam a história da humanidade e dela participam diretamente, sendo algo aprendido, e não uma disposição inata do ser humano. Essa aprendizagem é mais freqüente com os pares do que dependente de um ensino diretamente transgeracional. (CARVALHO, apud WAJSKOP, 1995, p. 48) www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 15 Assim, no brinquedo a criança vive a interação com seus pares na troca, no conflito eno surgimento de novas idéias na construção de novos significados, na interação e naconquista das relações sociais, o que lhe possibilita a construção de representações, com isso,as crianças – sujeitos concretos, sociais, históricos e culturais – vão se constituindo como tais,num cenário que também é concreto, social, histórico e cultural. É através do brinquedo que a imaginação, enquanto processo psicológicoespecialmente humano, origina-se, sendo que este processo, em gênese, relaciona-se com acapacidade de a criança lidar com o mundo, atribuindo-lhe significados, além daquelessocialmente estabelecidos; nesse sentido, conclui-se que é através do brinquedo que o homememancipa-se dos limites do real. No desenvolvimento infantil ocorre um declínio do brinquedo, como jogo de papéis,que cede espaço para o jogo de regras. Sendo que o jogo de papéis possibilita as bases para ode regras. Dessa forma, no surgimento do jogo de regras, elementos estruturais do brinquedosão absorvidos e novas transformações ocorrem, promovendo o desenvolvimento dosprocessos psicológicos da criança. É relevante considerar, a partir dos postulados de Vygotsky e seus contribuintesteóricos, que essa trajetória não é linear e nem natural, mas fruto das condições histórico-sócio-culturais em que o indivíduo se encontra.1.1. DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA BRINCADEIRA São várias as concepções sobre o brincar entre psicólogos e filósofos. Para uns, é aenergia acumulada do indivíduo que precisa ser descarregada; para outros, significa umaforma de relaxamento, após um trabalho cansativo, tendo a finalidade de repor energiasgastas; o brincar pode também representar uma preparação para a vida futura; ou ainda, umaatividade relacionada à representação do passado. Esses pensamentos, no entanto não estão relacionados à brincadeira como práticapedagógica. A brincadeira a que vamos nos referir neste trabalho está fundamentada em umateoria construtivista da aquisição do conhecimento. Dentro da teoria construtivista, que representa a psicologia cognitiva, podemos citarPiaget, que via no brincar uma atividade importante da criança, visto que, ao manipular o www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 16mundo externo em suas representações simbólicas, ela faz o reconhecimento de seu meiosocial que será continuamente encaixado aos esquemas já construídos. Seguindo ainda esta teoria, Vygotsky, entende a brincadeira como uma açãoimaginária representada pela criança, através do contato com sua realidade social. Destaforma, o faz-de-conta é uma brincadeira que possui um "papel central na aquisição dalinguagem e das habilidades de solução de problemas por parte das crianças". (SPODEK;SARACHO, apud WAJSKOP, 1995, p. 64) A brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquiloque é o "não brincar". Se a brincadeira é uma opção que ocorre no plano da imaginação istoimplica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que épreciso haver conseqüência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediataque lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-sede elementos da realidade imediata de tal forma atribuir-lhes novos significados. Essapeculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitaçãoda realidade. Toda a brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e dasideias, de uma realidade anteriormente vivenciada. Isso significa que uma criança que, por exemplo, bate ritmicamente com os pés nochão e imagina-se cavalgando um cavalo, está orientando sua ação pelo significado dasituação e por uma atitude mental e não somente pela percepção imediata dos objetos esituações. No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significamoutra coisa daquilo que apresentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam aoacontecimento que lhes derem origem, sabendo que estão brincando. O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumemenquanto brincam. Ao adotar outros papéis na brincadeira, as crianças agem frente à realidadede maneira não-liberal transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações ecaracterísticas do papel assumido, utilizando-se de objetos substitutos. A brincadeira favorece a auto-estima das crianças, auxiliando-as a superar,progressivamente, suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para ainteriorização de determinados modelos de adulto no âmbito de grupos sociais diversos. Essassignificações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de constituiçãoinfantil. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 17 Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já possuíamanteriormente em conceitos gerais com os quais brincam. Por exemplo, para assumir umdeterminado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer alguma de suas características.Seus conhecimentos provêm da imitação de alguém ou algo conhecido, de uma experiênciavivida na família ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenasassistidas na televisão, no cinema ou narradas em livros, etc. A fonte de seus conhecimentos émúltipla, mas estes encontram-se, ainda, fragmentados. É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre ascaracterísticas do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outrospapéis, tomando consciência disso e generalizando para outras situações. Para brincar é preciso que as crianças tenham certa independência para escolher seuscompanheiros e os papéis que irão assumir no interior de um determinado tema e enredo,cujos desenvolvimentos dependem unicamente da vontade de quem brinca. Pela oportunidade de vivenciar brincadeiras imaginativas e criadas por elas mesmas,as crianças podem acionar seus pensamentos para resolução de problemas que lhe sãoimportantes e significativos. Propiciando a brincadeira, portanto, cria-se um espaço no qual ascrianças podem experimentar o mundo e internalizar uma compreensão particular sobre aspessoas, os sentimentos e os diversos conhecimentos. O brincar apresenta-se por meio de várias categorias de experiências que sãodiferenciadas pelo uso do material ou dos recursos predominantemente implicados. Essascategorias incluem: o movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente damobilidade física das crianças; a relação com objetos e suas propriedades físicas assim comoa combinação e associação entre eles; a linguagem oral e gestual que oferecem vários níveisde organização a serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações,valores e atitudes que se referem à forma como universo social se constrói; e, finalmente, oslimites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental pra brincar. Estascategorias de experiências podem ser agrupadas em três modalidades básicas, quais sejambrincar de faz-de-conta ou com papéis, considera como atividade fundamental da qual seoriginam todas as outras; brincar com materiais de construção e brincar de regras. As brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e aqueles que possuem regras,como os jogos de sociedade (também chamados de jogos de tabuleiro), jogos tradicionaisdidáticos, corporais, etc., propiciam a ampliação dos conhecimentos infantis por meio daatividade lúdica. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 18 É o adulto, na figura do professor, portanto, que, na instituição infantil, ajuda aestruturar o campo das brincadeiras na vida das crianças. Conseqüentemente, é ele queorganiza sua base estrutural, por meio da oferta de determinados objetos, fantasias,brinquedos ou jogos, da delimitação e arranjo dos espaços e do tempo pra brincar. Por meiodas brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos processos dedesenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular, registrando suascapacidades de uso das linguagens, assim como de suas capacidades sociais e dos recursosafetivos e emocionais que dispõem. A intervenção intencional baseada na observação das brincadeiras das crianças,oferecendo-lhes material adequado, assim como um espaço estruturado pra brincar permite oenriquecimento das competências imaginativas, criativas e organizacionais infantis. Cabe aoprofessor organizar situações para que as brincadeiras ocorram de maneira diversificada parapropiciar às crianças a possibilidade de escolherem os temas, objetos e companheiros comquem brincar ou jogos de regras e de construção, e assim elaborarem de forma pessoal eindependente suas emoções, sentimentos, conhecimentos e regras sociais. É preciso que o professor tenha consciência que na brincadeira as crianças recriam eestabilizam aquilo que sabem sobre as mais diversas esferas do conhecimento, em umaatividade espontânea e imaginativa. Nessa perspectiva não se deve confundir situações nasquais se objetiva determinadas aprendizagens relativas a conceitos, procedimentos ou atitudesexplicitas com aquelas nas quais os conhecimentos são experimentados de uma maneiraespontânea e destituída de objetivos imediatos pelas crianças. Pode-se, entretanto, utilizar osjogos especialmente aqueles que possuem regras, como atividades didáticas. É preciso,porém, que o professor tenha consciência que as crianças não estão brincando livrementenestas situações, pois há objetivos didáticos em questão. Houve um tempo em que era extremamente nítida a separação entre brincar e o aprender. Os momentos de uma atividade e os momentos de outra eram separados por rígido abismo e não se concebia que fosse possível aprender quando se brincava. (ANTUNES, apud MACEDO, 2004, p.11) Essa ideia foi lentamente sendo substituída por outra que preconizava que existiam"brincadeiras apenas lúdicas" e que sua finalidade seria animar, alegrar e distrair, mas queexistiam também algumas brincadeiras que poderia ensinar um ou outro conceito, desenvolveresta ou aquela habilidade. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 19 O conceito de que o brincar está distante do saber foi literalmente superado por tudoquanto hoje se conhece sobre a mente infantil e não mais se duvida que é no ato de brincarque toda criança se apropria da realidade imediata, atribuindo-lhe significado. Brincando a criança desenvolve a imaginação, fundamenta afetos, explora habilidadese, na medida em que assume múltiplos papéis, fecunda competências cognitivas e interativas.Como se isso tudo já não fizesse "do ato de brincar" o momento maior da vida infantil e desua adequação aos seus desafios, é brincando que a criança elabora conflitos e ansiedades,demonstrando ativamente sofrimentos e angústias que não sabe como explicitar. Abrincadeira bem conduzida estimula a memória, exalta sensações emocionais, desenvolve alinguagem interior e, às vezes, a exterior, exercita níveis diferenciados de atenção e exploracom extrema criatividade diferentes estados de motivação. A aprendizagem e a construção de significados pelo cérebro se manifestam quandoeste transforma sensações em percepções e estas em conhecimentos, mas esse trânsitosomente se completa de forma eficaz quando aciona os elementos essenciais do bom brincarque são, justamente, memória, emoção, linguagem, atenção, criatividade, motivação e,sobretudo, a ação. Brincando, as crianças constroem seus próprios mundos e dos mesmos fazem o vínculo essencial para compreender o mundo do adulto, ressignificam e reelaboram acontecimentos que estruturam seus esquemas de vivências, sua diversidade de pensamentos e a gama diversificada de sentimentos. (ANTUNES, apud MACEDO, 2004, p.12) Para utilizar as brincadeiras no dia-a-dia, é preciso que o educador seja criativo. Não énecessário a utilização de brinquedos caros que, muitas vezes, não tem muita utilidadepedagógica. Com poucos recursos e muita força de vontade e comprometimento é possívelobter bons resultados, afinal, o que mais importa é a maneira como os materiais sãoutilizados, contribuindo para o processo ensino/aprendizagem. Brincar favorece a auto-estima, a interação com seus pares e, sobretudo, a linguageminterrogativa, propiciando situações de aprendizagens que desafiam seus saberes estabelecidose destes fazem elementos para novos esquemas de cognição. "Através do jogo simbólico acriança aprende a agir e desenvolve a autonomia que possibilita descobertas e anima aexploração, a experiência e a criatividade". (ANTUNES, Apud MACEDO, 2004, p. 13) Vygotsky considera o brinquedo como uma importante fonte de promoção dedesenvolvimento. "O termo „brinquedo‟ empregado por Vygotsky num sentido amplo, se www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 20refere principalmente à atividade, ao ato de brincar" (REGO, 1995, p. 80). De acordo comVygotsky, através do brinquedo, a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que dependede motivações internas. Nessa fase, ocorre uma diferenciação entre os campos de significadoe da visão. O pensamento que era determinado pelos objetos do exterior passa a ser regido pelas ideias. A criança poderá utilizar materiais que servirão para representar uma realidade ausente, por exemplo, uma vareta de madeira como uma espada, um boneco como filho no jogo de casinha, papéis cortados como dinheiro para ser usado na brincadeira de lojinha, etc. Nesses casos, ela será capaz de imaginar e abstrair as características dos objetos reais (o boneco, a vareta e os pedaços de papel) e se deter no significado definido pela brincadeira. (REGO, 1995, p. 81) A importância das brincadeiras é que humanizam as crianças e possibilitam-lhes aoseu modo, e ao seu tempo, compreender e realizar, com sentido, sua natureza humana, bemcomo o fato de pertencerem a uma família e a uma sociedade em determinado tempo históricoe cultural. A criança que brinca tem o domínio da linguagem simbólica. A brincadeira ocorrepor meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade anteriormentevivenciada. As ideias a seguir foram desenvolvidas de acordo com a concepção de Brougere sobrea brincadeira em seu aspecto pedagógico. A brincadeira é o lugar da socialização, da administração da relação com o outro, da apropriação da cultura, do exercício da decisão e da invenção. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira, ela produz também a incerteza quanto aos resultados. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa as aprendizagens na brincadeira. Este é o paradoxo da brincadeira, espaço de aprendizagem fabuloso e incerto. (BROUGERE, apud WAJSKOP, 1995, p. 31) www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 21 2. A BRINCADEIRA SEGUNDO JEAN PIAGET A lógica na educação infantil Piaget (1998) acredita que os jogos são essenciais navida da criança. De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repeteuma determinada situação por puro prazer, por ter apreciado seus efeitos. Em torno dos 2-3 e 5-6 anos (fase Pré-operatória) nota-se a ocorrência dos jogossimbólicos, que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar o mentalmenteo acontecido, mas também de executar a representação. Em período posterior surgem os jogos de regras, que são transmitidos socialmente decriança para criança e por conseqüência vão aumentando de importância de acordo com oprogresso de seu desenvolvimento social. Para Piaget, o jogo constituiu-se em expressão econdição para o desenvolvimento infantil, já que as crianças quando jogam assimilam epodem transformar a realidade. Vamos analisar uma entrevista feita por Piaget com crianças sobre o jogo “Bola degude”. O experimentador fala mais ou menos isso. “Aqui estão algumas bolas de gude... vocêdeve me mostrar como jogar. Quando eu era pequeno eu costumava jogar bastante, mas agoraeu me esqueci como se joga. Eu gostaria de jogar novamente. Vamos jogar juntos. Você meensinará as regras e eu jogarei com você...”. Você deve evitar fazer qualquer tipo de sugestão.Tudo o que precisa é parecer completamente ignorante (sobre o jogo de bola de gude) e atémesmo cometer alguns erros propositais de modo que a criança, a cada erro, possa dizerclaramente qual é a regra. Naturalmente, você deve levar a coisa a sério, e se as coisas nãoficarem muito claras você começará uma nova partida. (Piaget, 1965, p. 24). Com os jogos de regras podemos analisar por traz das respostas, informações sobreseus conhecimentos e conceitos. Esses níveis de conhecimento podem ser classificadoscomo: Motor, Egocêntrico, Cooperação e Codificação de Regras, e são paralelos aodesenvolvimento cognitivo da criança. Motor: Nível apresentado nos primeiros anos de vida e que normalmente se estendeaté o estágio pré-operacional. No estágio de compreensão de regras, a criança não apresentanenhuma compreensão de regras. O prazer da criança parece advir grandemente do controlemotor e muscular, e não há atividade social nesse nível. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 22 Egocêntrico: Em geral, essa fase se dá dos 2 aos 5 anos, a criança adquire aconsciência da existência de regras e começa a querer jogar com outras crianças – vemosnesse ponto os primeiros traços de socialização. Mas notamos também que algumas criançasinsistem em jogar sozinhas, sem tentar vencer, assim revelando uma atividade cognitivaegocêntrica. As regras são percebidas como fixas e o respeito por elas é unilateral. Cooperação: Normalmente a cooperação acontece em torno dos 7 a 8 anos. Há umacompreensão quase que plena nas regras do jogo e o objetivo passa a ser a vitória. Codificação das Regras: Por volta dos 11 a 12 anos, a maioria das crianças passa aentender que as regras são ou podem ser feitas pelo grupo, podem ser modificadas, mas nuncaignoradas. A presença de regras se torna um fator importantíssimo para a existência do jogo. Segundo Piaget (1976): “... os jogos não são apenas uma forma de desafogo ouentretenimento para gastar energias das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem odesenvolvimento intelectual”. O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório- motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais e que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil. (Piaget 1976, p.160). www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 23 2.1. DIFERENÇA ENTRE VIYGOTSKY E PIAGET Já Vygotsky (1998), diferentemente de Piaget, considera que o desenvolvimentoocorre ao longo da vida e que as funções psicológicas superiores são construídas ao longodela. Ele não estabelece fases para explicar o desenvolvimento como Piaget e para ele osujeito não é ativo nem passivo: é interativo. Segundo ele, a criança usa as interações sociais como formas privilegiadas de acesso ainformações: aprendem a regra do jogo, por exemplo, através dos outros e não como oresultado de um engajamento individual na solução de problemas. Desta maneira, aprende aregular seu comportamento pelas reações, quer elas pareçam agradáveis ou não. EnquantoVygotsky fala do faz-de-conta, Piaget fala do jogo simbólico. Em seus estudos sobre crianças, Jean Piaget descobriu que elas não raciocinam comoos adultos. Esta descoberta levou-o a recomendar aos adultos que adotassem uma abordagemeducacional diferente ao lidar com crianças. Ele modificou a teoria pedagógica tradicionalque, até então, afirmava que a mente de uma criança é vazia, esperando ser preenchida porconhecimento. Na visão de Piaget, as crianças são as próprias construtoras ativas doconhecimento, constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo. Grande partedesse conhecimento é adquirida através das zonas do conhecimento onde os jogos ebrincadeiras infantis têm sua principal influencia, onde as noções de regras são criadas, asocialização se faz presente, o simbólico é exercitado, além do físico e o mental. Fazendo umacomparação relativa com os pensamentos e a linha de trabalho de Vygotsky. Piaget forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitaslinhas educacionais atuais. De fato, suas contribuições para as áreas da Psicologia e Pedagogiasão imensuráveis. Piaget coloca ênfase nos aspectos estruturais e nas leis de caráter universal (de origembiológica) do desenvolvimento, enquanto Vygotsky destaca as contribuições da cultura, dainteração social e a dimensão histórica do desenvolvimento mental. Mas, ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual.Ou seja, sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homemcom o meio. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 24 3. A BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Atualmente, é crescente o reconhecimento de que a brincadeira constitui-se numelemento chave para o próprio desenvolvimento humano. O brincar tem sido estudado ediscutido continuamente por diferentes autores. Celso Antunes explica a relação entre obrincar e o aprender: Toda a criança, distanciada da criação desse „mundo‟, afasta-se da significação do „outro mundo‟ que, como adulto, buscará decifrar e estabelecer linhas de convivência. É com triste freqüência que se descobre que muitos desses desajustes adultos ancoram-se na ausência ou distância do devaneio tão marcante no „faz-de-conta‟ com o qual se arquitetou o mundo infantil. Não é, pois, sem razão que a brincadeira representa sólido eixo da proposta educativa de uma escola de educação infantil. (ANTUNES, apud MACEDO, 2004, p. 12) Desde os primórdios da Educação Greco-romana, com base nas idéias de Platão eAristóteles, utilizava-se o brinquedo na educação. Associando a idéia de estudo ao prazer,Platão sugeria ser o próprio estudo uma forma de brincar. Como atividade controlada pelo professor, a brincadeira aparecia como um elementode sedução oferecido à criança. Nesse tipo de atividade, as crianças não possuem a iniciativade definirem nem o tema, nem os papéis, nem o conteúdo e nem mesmo o desenvolvimentoda brincadeira. O controle pertencendo ao adulto garante apenas que o conteúdo didático sejatransmitido. Utiliza-se o interesse da criança pela brincadeira para despistá-la em prol de umobjetivo escolar. Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que hajariqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições, sejam elasmais voltadas às brincadeiras ou às aprendizagens que ocorrem por meio de uma intervençãodireta. A escola, enquanto instituição que tem uma função social a desempenhar naorganização da sociedade, participando do processo de constituição dos homens, situa-secomo um ambiente de relações sociais, representando um espaço possível e privilegiado ondea brincadeira seja concretizada. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 25 No entanto, este espaço possível tem sido garantido por nossas instituições escolares?A brincadeira, enquanto fator que contribui para a formação do sujeito tem sido estudada epesquisada como tal pelos profissionais da área? Alguns estudos mais recentes referentes à brincadeira na pré-escola indicam que háum consenso sobre a importância da brincadeira na formação social do indivíduo. De acordocom Rabioglio (1995, p. 138) "atualmente o papel fundamental do brincar na infância parecenão deixar dúvidas. A criança brinca para interpretar e assimilar o mundo, os objetos, acultura, as relações e os afetos entre as pessoas". Macedo, ao discutir a importância da brincadeira na escola, coloca que esta pode serconsiderada uma experiência fundamental ao indivíduo, pois possibilita maior intimidade como conhecimento, construção de respostas por meio de um trabalho lúdico, simbólico eoperatório integrados. "a brincadeira tem um sentido espiritual, filosófico, cognitivo, cultural,simbólico e operatório". (MACEDO, 1995, p. 17) No entanto, as pesquisas quando analisam o papel da brincadeira na escola, na práticacotidiana, revelam que esta toma outro rumo: quando se concretiza na prática é comum sertransformada apenas em atividades didáticas diretivas e destituídas de significado. O papel doprofessor também não está basicamente associado à idéia de prontidão, disfarce (aprenderbrincando) e passatempo. Wajskop (1990), preocupada em pesquisar as condições concretas na escola quefavorecem o desenvolvimento das brincadeiras pelas crianças, relata que a escola prioriza apreparação da criança para o ensino fundamental, utilizando-se das brincadeiras apenas comorecurso didático de sedução. A autora propõe períodos longos entre as atividades dirigidas,para que a criança tenha espaço para brincar livremente, sugere também a organização doambiente, incorporação da brincadeira no currículo, integração do professor nas brincadeiras –às vezes como observador, outras como participante ativo. Da mesma forma, Rabioglio (1995) defende a brincadeira como um recurso à serviçodo processo ensino-aprendizagem; dessa forma, "[...] não basta brincar, é preciso haver umprojeto pedagógico que considere a introdução da brincadeira na classe, até sua realização,,análise e avaliação." (RABIOGLIO, 1995, p. 75) Ao recorrer a esse recurso, o professor está criando na sala de aula uma atmosfera demotivação que permite aos alunos participar ativamente do processo ensino-aprendizagem,assimilando experiências e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e valores. A www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 26capacidade lúdica, como qualquer outra, desenvolve as estruturas psicológicas globais, isto é,não só cognitivas, mas também afetivas e emocionais. O aspecto de envolvimento emocional que torna a brincadeira uma atividade com forteteor emocional, capaz de gerar um estado de viração e euforia, mobiliza os esquemas mentaisde forma a acionar e ativar as funções psiconeurológicas e as operações mentais, estimulandoo pensamento. Integra as dimensões afetiva, motora e cognitiva da personalidade. Como atividade física e mental, que mobiliza as funções e operações, a brincadeiraaciona as esferas motora e cognitiva e, à medida que gera envolvimento emocional, apela paraa esfera afetiva. O ser que brinca é também o ser que age, sente, aprende, se desenvolve.Portanto, a brincadeira é um elo integrador entre os aspectos motores, cognitivos, afetivos esociais. As brincadeiras proporcionam flexibilidade, organização e objetivos. Existemdeterminados objetivos que se podem atingir mediante o recurso à brincadeiras específicas,desde que se controlem as suas orientações. As brincadeiras podem ser praticadas de maneira construtiva e não como uma série depreenchimento de lacunas em lições, ou como atividades sem sentido. As brincadeiras podemresolver problemas, ajudar a remover as barreiras entre os indivíduos, criam interesses edespertam entusiasmo. Postos em prática com uma finalidade e com eficiência, podem tornar-se a moldura na qual se desenvolvem todas as outras atividades. O brincar colabora com a promoção da comunicação afetiva, alarga determinadasáreas de reações e, como reforço, dá às crianças maior segurança, desenvolve suas idéias e asua própria expressão. O prazer gerado a partir das brincadeiras resulta, mais do que qualqueroutro recurso, no desenvolvimento da identidade de grupo. Enfim, criança precisa de brincarpara aprender com eficiência. Em recentes pesquisas sobre as relações entre brincadeira e educação, constata-se quea aprendizagem é o mais freqüente motivo pelo qual o brincar é considerado importante para aeducação infantil, onde muitos educadores ainda são resistentes a assimilá-los àaprendizagem, ainda que reconheçam sua importância para o desenvolvimento da criança. Uma hipótese para entender tal posição é que durante muito tempo, a definição de suaidentidade profissional baseou-se na oposição entre brincar e estudar – a escolinha e a crechesão lugares pra brincar, a escola é para estudar. No entanto, quando os educadores admitemque brincar é aprender, não é no sentido amplo, e sim como resultado do ensino dirigido, em www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 27que tudo acontece, menos o brincar, tentando instrumentalizar aquilo que é indomável,espontâneo e imponderável. A brincadeira precisa ocupar seu lugar para que não fique tão largada dispensando oeducador, dando margem a práticas educativas espontaneístas que sacralizam o ato de brincar,nem tão dirigida que deixe de ser brincadeira (RAMOS, apud FORTUNA, 2004). O educadordeve desempenhar o seu papel em relação ao brincar na Educação Infantil e é imprescindívelque saiba como fazer isso. Brincar é uma atividade paradoxal: livre, imprevisível e espontânea, porém, ao mesmo tempo, regulamentada; meio de superação da infância, assim como modo de constituição da infância; maneira de apropriação do mundo de forma ativa e direta, mas também através da representação, ou seja, da fantasia e da linguagem (Wajskop, 1995, p. 47) O primeiro paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um significadoalienado numa situação real. O segundo é que, no brinquedo, a criança segue o caminho domenor esforço. Ela faz o que mais gosta de fazer, porque o brinquedo está munido de prazer. Para quem brinca, contudo, a pergunta "brincar pra quê" é vã, pois brinca-se porbrincar, porque brincar é uma forma de viver. Mesmo sem intenção de aprender, quem brincaaprende, até porque se aprende a brincar. A associação do brincar à aprendizagem traz consigo o problema do direcionamentoda brincadeira em termos de intencionalidade e produtividade. Brougere sugere a noção deeducação informal para pensar a relação entre brincadeira e educação sobre novas bases,embora admita que a oposição formal versus informal seja muito simplista. O autor explica aformalização como processo em que a intenção educativa pode tornar-se mais consciente oumais explícita em certas situações até constituir o objetivo principal de uma interação. É desse modo que Brougere chega à afirmação de que a brincadeira não énaturalmente educativa, mas torna-se educativa pelo processo de formalização educativa.Todavia, adverte: "o brincar pode possibilitar o encontro de aprendizagens. É uma situaçãocomportando forte potencial simbólico que pode ser fator de aprendizagem, mas de maneirainteiramente aleatória, dificilmente previsível" (BROUGERE, apud WAJSKOP, 1995, p. 48) A dificuldade que os educadores infantis encontram em incluírem a brincadeira na escola infantil sem incorrer na didatização ou no abandono do brincar adquire uma configuração original em razão a pendulação histórica www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 28 entre o ensino dirigido na escola infantil e sua evitação através da defesa da exclusividade do brincar (BROUGERE, apud WAJSKOP, 1995, p. 50) A ação do educador sobre o brincar infantil não é apenas simples oferta de brinquedos.O educador infantil que realiza seu trabalho pedagógico na perspectiva lúdica observa ascrianças brincando e faz disso a ocasião para reelaborar suas hipóteses e definir novaspropostas de trabalho. Assim, "não se sente culpado por esse tempo que passa observando erefletindo sobre o que está acontecendo em sua sala de aula dá espaço para a ação de quembrinca, além de investigar e conter mistérios". (MOYLES, 2002, p. 123) No entanto, não fica só na observação e na oferta de brinquedos: o educador tambémdeve intervir no brincar, para estimular a atividade mental, social e psicomotora dos alunoscom questionamentos e sugestões de encaminhamentos. Identifica situações potencialmentelúdicas, fomentando-as, de modo a fazer a criança avançar do ponto em que está na suaaprendizagem e no seu desenvolvimento. Alem disso, como aponta Kishimoto, (2002, p. 23), "o educador não deve exigir dascrianças descrição antecipada ou posterior das brincadeiras, pois se assim o fizer, não estarárespeitando o que define o brincar, isto é, sua incerteza e improdutividade", embora estejadisponível para conversar sobre o brincar antes, durante e depois da brincadeira. Para fazer tudo isso o educador não pode aproveitar a hora do brinquedo para realizaroutras atividades. Deve estar inteiro e atento às crianças e aos seus próprios conhecimentos esentimentos. A escola deve ser um lugar onde o aluno possa investigar e construir seu própriopensamento e dominar suas ações e é através da atividade lúdica que se produz aprendizadoespontâneo. Nesse sentido, é necessário que o educador insira o brincar em um projetoeducativo, que supõe intencionalidade, ou seja, ter objetivos e consciência da importância desua ação em relação ao desenvolvimento e aprendizagem infantis. Contudo, esse projeto educativo não passa de ponto de partida para sua práticapedagógica, jamais é um ponto d chegada rigidamente definido de antemão, pois é precisorenunciar ao controle, à centralização e aa consciência do que ocorre com as crianças em salade aula. De um lado, o educador deve ter objetivos e, ao mesmo tempo, deve abdicar de seusdesejos permitindo que as crianças advenham, reconhecendo que são elas mesmas, e na aquiloque ele (o educador) deseja que elas sejam. Será a ação educativa sobre o brincar infantil. Assim como é importante o cuidado com a alimentação, higiene e necessidadesbásicas da criança, é igualmente expressivo o afeto dedicado a ela, também como os estímulos www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 29através de uma recepção calorosa aos seus anseios e necessidades que só serão supridasatravés das brincadeiras propiciadas dentro de um programa. Se a ciência mostra que o período que vai da gestação até o sexto ano de vida é o maisimportante na organização das bases para as competências e habilidades que serãodesenvolvidas ao longo da existência humana, prova-se que a Educação Infantil efetivamenteé tudo, mas é essencial que possamos refletir sobre como fazê-la bem e descobrir que essebem fazer vai muito além de um "desejo" sincero e um "amor" pela criança. Hoje não mais de discute que período que se estende do nascimento até os seis anos deidade é aquele no qual se formarão mais de 90% das conexões cerebrais e, sobretudo, que oadulto em que a criança se transformará depende muito pouco de suas base genéticas e muitode suas interações com os estímulos do ambiente. Assim, como cita Vygotsky, Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo (VYGOTSKY, 1984, 33) Acreditar que a educação infantil é tudo significa "tudo aprender e tudo fazer para queesse trajeto educacional se torne realidade" (ANTUNES, apud MACEDO, 2004, p. 13). Nesteaspecto, é importante que cada educador infantil procure fazer a sua parte no sentido decontribuir para o desenvolvimento de seus alunos, valorizando o que a criança mais sabe egosta de fazer: o ato de brincar. Crianças gostam de brincar em sua casa, sozinhas, com os amigos e, eventualmente,com um adulto significativo para elas, desde que não interfira muito. Brincar é sua forma deser e estar no mundo. É nas brincadeiras que ela encontra sentido para sua vida, é nelas que ascoisas se tornam, são construídas de muitos modos e repetidas tantas vezes quantas a criançaquiser. As brincadeiras humanizam as crianças e possibilitam, ao seu modo e ao seu tempo,compreender e realizar, com sentido, sua natureza humana, bem como o fato de pertencerem auma família e a uma sociedade em determinado tempo histórico e cultural. A criança pode,através das brincadeiras, imaginar, imitar, criar ou jogar simbolicamente e, assim, vaireconstruindo em esquemas verbais ou simbólicos tudo aquilo que desenvolveu durante osprimeiros anos de vida. Com isso, pode ampliar seu mundo estendendo ou aprofundando seus www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 30conhecimentos para além de seu próprio corpo, pode encurtar tempos, alargar espaços,substituir objetos, criar acontecimentos. Além disso, pode entrar no universo de sua cultura ousociedade aprendendo costumes, regras e limites. Pressupõe-se, com isso, que a criança encontra-se em um contexto de relaçõeshumanas positivas, favoráveis à valorização do seu "eu", ambiente de relações desprovido deameaça ou desafio à concepção que o sujeito faz de si mesmo. É esse o ambiente favorável aocrescimento e ao desenvolvimento de criatividade, confiança, bom humor, autoconceitopositivo. A educação deve se voltar para a busca de um modo mais saudável de aprender,permitindo às crianças uma interação lúdica que garanta felicidade, prazer, satisfação evontade de aprender, desempenhando como elemento principal o desenvolvimento físico,cognitivo, motor e psicológico infantil. Como explica Vygotsky, as crianças, em suasbrincadeiras, [...] reproduzem muito do que vêem, mas é sabido o papel fundamental que ocupa a imitação nas brincadeiras infantis. Estas são, com freqüência, mero reflexo do que vêem e ouvem dos maiores, mas tais elementos da experiência alheia não são nunca levados pelas crianças aos jogos como eram na realidade. Não se limitam a recordar experiências vividas, senão as que reelaboram criativamente, combinando-as entre si e edificando com elas novas realidades de acordo com seus desejos e necessidades. (VYGOTSKY, 1984, p. 12) As brincadeiras devem ser incorporadas aos conteúdos diários possibilitando tudo oque a criança merece aprender e de forma prazerosa. A Educação Infantil é o melhor lugarpara que isso ocorra de forma planejada e organizada e com objetivos concretos, semdispensar a presença do educador, mas também de maneira suave para que a criança não percao prazer do brincar devido a tal presença. Dessa forma, oferecer diversos tipos de brinquedos aos educandos já é o início de umprojeto educativo lúdico. Porém, é indispensável a observação do educador na ação do brincarpara que, quando necessário, possa reestruturar suas hipóteses e fazer novas propostas detrabalho que visem incitar a atividade mental, social e psicomotora e, com isso, garantir que acriança evolua no nível em que encontra-se tanto no que diz respeito à aprendizagem deconteúdos, quanto no seu desenvolvimento. Quando o professor tem a preocupação de colocar a brincadeira como parte integranteno planejamento diário, está dando a oportunidade de a criança aprender com prazer, www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 31preparando-se para um mundo cada vez mais complexo e dinâmico, aguçando sua curiosidadenatural e sua vontade de experimentar. O ato de brincar corresponde a um impulso natural da criança, satisfaz umanecessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. Dessa forma, a escolapode – e deve – ser um lugar de brincadeiras, de atividades que fazem sentido para a criança,que fazem parte do seu modo de ser e entender o mundo. Agora que a escola tornou-se obrigatória, ou leva em conta aquilo que é importantepara as crianças, ou estará condenada a se impor de modo forçado, gerando tensãoinsuportável entre as intenções dos adultos e as reações delas. Mesmo na escola de EducaçãoInfantil, nem sempre se reconhece a importância do brincar como função sociocultural eeducacional e se insiste, muitas vezes, em antecipar práticas próprias aos trabalhos,infelizmente, comuns na escola fundamental. Quanto à escolha dos jogos, brincadeiras e brinquedos para utilização na escola, ImmaMarin e Silvia Penón sugerem os seguintes critérios:Critérios de seleção de jogos e O que se deve levar em conta? O que se deve evitar?brinquedosOs interesses infantis O brinquedo deve atender aos Comprar o brinquedo que interesses e aos gostos da criança. agrada ao adulto. Cada criança tem necessidades Pensar que todos os meninos e lúdicas e psicopedagógicas meninas da mesma idade diferentes, e é preciso conhecê- gostam da mesma coisa. las.A idade Adequar o brinquedo à idade do Comprar jogos ou brinquedos menino ou da menina e à sua muito simples ou complicados capacidade física e psicológica. demais.A estimulação Deve estimular qualquer aspecto Escolher brinquedos que do desenvolvimento das crianças. limitem as possibilidades de Deve permitir desfrutar, jogo devido à sua pouca descobrir, inventar, refletir, tocar, versatilidade etc.A finalidade A principal função do brinquedo Evitar os brinquedos é divertir; portanto, deve ser excessivamente didáticos, pois sempre atrativo. podem deixar de ser brinquedos para se converter www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 32 em material escolar.A qualidade Devem cumprir as normas do Comprar brinquedos muito órgão responsável pela sua baratos e de pouca qualidade. normatização, garantindo que sejam seguros.Fonte: Revista Pátio Educação Infantil. Ano I Nº 3. Dez 2003 / Mar 2004. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 33CONCLUSÃO O estudo sobre o brincar como finalidade pedagógica nos leva a uma reflexão acercado relevante papel que o Educador Infantil tem a desempenhar nesse aspecto, proporcionandopossibilidades e oportunidades para que a criança brinque e, ao mesmo tempo, aprenda,dentro de um contexto planejado e equilibrado entre a ação do educador e a espontaneidadedo educando com o máximo de aproveitamento em prol do desenvolvimento integral dacriança. Compreendida dessa forma, a brincadeira infantil passa a ter uma importânciafundamental na perspectiva do trabalho pé-escolar, tendo em vista a criança como serhistórico e social. Se a brincadeira é efetivamente, uma necessidade de organização infantil,ao mesmo tempo em que é o espaço da interação das crianças, então esta brincadeira setransforma em fator utilizado pela criança para sua organização e trabalho. No entanto, "essaatividade não surge espontaneamente, mas sob a influência da educação" (WAJSKOP, 1997,p. 37). Assim, no que diz respeito ao tema abordado, fica claro que o brincar é parteintegrante do desenvolvimento cognitivo, social e afetivo da criança, onde ela tem aoportunidade de, através do imaginário, expressar suas angústias, sentimentos e emoções.Através da brincadeira, a criança irá construir uma base de compreensão de sistemassimbólicos, habilidades de criar, satisfações, dificuldades e, acima de tudo, desafios. Durante a elaboração dessa pesquisa, notamos que a preocupação com o trabalhoenvolvendo brincadeiras ultrapassa gerações. Mesmo sendo uma característica primordial noser humano, ainda é ignorada nas escolas de Educação Infantil sendo colocada sempre emsegundo plano, ficando no pedestal o preparo para a alfabetização de maneira tradicional enão levando em conta o desenvolvimento da criança em todos os sentido através do lúdico. Torna-se urgente o desenvolvimento das brincadeiras no cotidiano escolar das criançase este é o ponto em que o grupo procurou relevar para ater o desempenho dos educadores.Para que isso se torne possível, é importante que todas as pessoas envolvidas com odesenvolvimento das crianças tenham consciência do que o brincar pode significar na vida doaluno. Cabe à escola oportunizar situações destinadas às brincadeiras, onde o educando possaconhecer e explorar atividades com o próprio corpo, com a imaginação e criatividade, www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 34interando-se consigo mesmo e com os outros, favorecendo assim, o seu crescimento e aconstrução da sua aprendizagem, satisfazendo suas curiosidades e anseios diante de situaçõesvividas no seu dia-a-dia. Segundo a teoria de Vygotsky, alicerce do nosso trabalho, podemos concluir queexiste a extrema necessidade de colocarmos a brincadeira como ponto de partida para todas asoutras áreas de conhecimento, pois brincar é o que a criança sabe fazer melhor e,especialmente, com prazer. www.cursoraizes.com.br
  • www.cursoraizes.com.br 35REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBRASIL, MEC - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. ReferenciaisCurriculares Nacionais da Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.CENTRO DE ENSINO TECNOLÓGICO DE BRASÍLIA. Programa de capacitação emEducação Infantil. Brasília, 2002.FORTUNA, Tânia Ramos. O brincar na Educação Infantil. Revista Pátio – EducaçãoInfantil. Ano 1 nº 3. Dezembro de 2003/março de 2004. ed. Artmed. P. 7-10.GIL, Antônio Carlos. Técnicas de pesquisa em economia e elaboração de monografias. 3ed. São Paulo: Atlas, 2000.KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação Infantil. São Paulo: PioneiraThompson Learning, 2002.LANA, Adriana Venturim. Uma maneira lúdica de ensinar matemática para criançascom dificuldades de aprendizagem. Trabalho de Conclusão de Curso. Guarapari, ES:FIPAG, 2004MACEDO, Lino de. Faz-de-conta na escola: a importância do brincar. Revista Pátio –Educação Infantil. Ano 1 nº 3. Dezembro de 2003/março de 2004. ed. Artmed. P. 10-13MARIN, Imma; PENÓN, Silvia. Que brinquedo escolher? Revista Pátio – EducaçãoInfantil. Ano 1 nº 3. Dezembro de 2003/março de 2004. ed. Artmed. P. 29- 32. www.cursoraizes.com.br
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