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Abelardo Abelardo Document Transcript

  • Abelardo Rodrigues Dados biográficos Abelardo Rodrigues nasceu em Monte Azul Paulista-SP, a 10 de Outubro de 1952. É co-fundador do Quilombhoje, juntamente com Cuti, Oswaldo Camargo e Paulo Colina, grupo que tem como objetivo divulgar a produção literária dos afro- descendentes e incentivar os estudos sobre a cultura e a literatura afro-brasileira. Em sua auto-apresentação, no volume 2 de Cadernos Negros, declara: “sou mulato. Entendi-me como negro em São Paulo e lancei meu primeiro livro de poemas – Memória da noite – em São José dos Campos em 1978”.O autor acrescenta que a consciência étnica e cultural, a preocupação com “o ser, o sentir negro no mundo”, é “anterior aos poemas”. Comentando a edição dos Cadernos Negros, destaca a relação entre a heterogeneidade dos textos e o traço comum representado pela “força” com que se afirma a consciência afro-descendente: “essa unidade que somos, embora”. (1979, p. 5). Abelardo Rodrigues teve poemas traduzidos e publicados na Alemanha e nos Estados Unidos. Benedita Damasceno, em análise do livro de estréia do autor, comenta: “Em seus poemas, ele procura gritar e mostrar ao mundo sua ‘Memória da Noite’, a longa e penosa noite que foi e ainda é a história do negro no Brasil. Ele deseja retirar de si, como se opera um cancro, os complexos de inferioridade que as teorias do branco lhe incutiram, transformando sua poesia no grito de protesto contra esses preconceitos.” (Damaceno: 1988)
  • Por outro lado, Rodrigues afirma em Cadernos Negros 3 sua preocupação com a forma: “acredito que o conteúdo será melhor demonstrado quando se conhecer a poesia em todas as suas formas e variações. (...) Toda poesia me interessa na medida em que por ela eu possa desenvolver o que mais me interessa, um melhor resultado de conteúdo expresso no poema.” (1980, p. 12) Comentário Crítico A literatura marginal de Abelardo Rodrigues: resgate da memória e olhar crítico sobre o presente. Danielle da Costa Rocha* A lembrança é em larga medida uma reconstrução do passado com ajuda de dados emprestados do presente e, além disso, preparada por outras reconstruções feitas em épocas anteriores e onde a imagem de outrora já se manifestou bem alterada. Halbawachs É de conhecimento geral que a literatura afro-brasileira tem sido ignorada e posta à margem por alguns críticos conservadores, no entanto, também está se tornando uma prática o resgate de tais textos. Acredito que no atual momento histórico em que vivemos, começamos a perceber que o “outro” está deixando de ser apenas um conceito teórico, passando a enunciador de sua história. Com esse novo papel, tal sujeito começa a refletir sobre questões que dizem respeito a si e aos seus pares. Uma das características da literatura afro-brasileira é a presença de um eu- enunciador que não se vê mais com olhos alheios, mas sim com seus próprios. Nessa escrita, há uma (re)construção da memória e, conseqüentemente, da identidade afro-descendente, já que se propõe, através da linguagem, a romper estereótipos relacionados aos negros. O uso desta é capaz de promover ressignificações e a quebra de paradigmas, conforme ressaltou Leyla Perrone- Moisés: Combater os estereótipos é pois uma tarefa essencial, porque, neles, sob o manto da naturalidade, a ideologia é vinculada, a inconsciência dos seres falantes com relação a sua verdadeiras condições de fala (de vida) é perpetuada. (Apud Barthes, 1978, 58)
  • Portanto, uma pesquisa na qual o objeto de análise seja uma obra afro- brasileira é de fundamental importância, pois essa escrita, ao trabalhar memórias e identidades, mostra como o afro-descendente se sentia “um estranho dentro da própria casa”, conforme ressaltou certa vez o pensador norte-americano Du Bois (1999, 53). Sendo assim, este viés da literatura não pode continuar sendo ignorado e posto à margem dos textos ditos canônicos. Diante dessas questões, propus-me a pesquisar a obra de Abelardo Rodrigues, um contista e poeta que nasceu em Monte Azul Paulista -SP, em 10 de Outubro de 1952. O escritor também é co-fundador do Quilombhoje, juntamente com Luiz Silva [Cuti], Oswaldo Camargo, Mário Jorge Lescano e Paulo Colina, que tinham como objetivo divulgar a produção literária dos afro-descendentes e incentivar os estudos sobre a cultura e a literatura afro-brasileira. Os materiais analisados neste trabalho são o livro de poesias Memória da Noite (1978) e as participações de Rodrigues, como contista e poeta, em Cadernos Negros 2 (1979) e 3 (1980), publicados pelo Quilombhoje. Ressalta-se, ainda, que na escrita do poeta “é o eco de suas vivências que se faz palavra” (1978, 5), o que aponta, portanto, que o lugar de enunciação de tais obras na análise desse estudo é de total relevância, pois o ponto de vista adotado pelo autor indicará o conjunto de valores que fundamentaram as escolhas de linguagem. A partir da análise do conto “O último trem”, publicado em Cadernos Negros 2, já podemos observar tal lugar de enunciação. Encontramos, nesse texto, um narrador em primeira pessoa que relata a história, utilizando uma linguagem coloquial. Este narrador-personagem é um homem negro que, enquanto espera o horário do seu embarque, numa estação, relata-nos uma história que é sua e de seus irmãos de cor. Seus pensamentos e cogitações conformam a matéria do conto. Durante a leitura deste, seu nome não é revelado, o que faz com que o leitor não se prenda a uma individualidade, a um vínculo particular, mas a um ponto de vista coletivo. É como se, pela falta do nome desse personagem, o autor tivesse por objetivo falar das dificuldades de uma comunidade mais ampla, no caso a afro-descendente. O passageiro está na estação à espera do último trem e indaga a todo instante como vai contar para Rosa, sua esposa, o fato de ter perdido o emprego, o que ilustra o pensamento de Du Bois, ao afirmar: “o problema do século XX é o problema da barreira social” (1999, 64). É possível perceber explicitamente nos textos de Rodrigues a abordagem de tal assunto, pois, através das divagações do personagem, o texto critica a desigualdade social, que produz ilhas de riqueza cercadas de miséria. Em determinado momento do conto, o narrador se vê confuso e sem saída entre os luminosos da cidade. Estes, comuns nas metrópoles, acendem e apagam a todo instante, demarcando os signos e lugares da sociedade de consumo. Além disso, remetem metaforicamente ao sistema opressor, que gera exclusão e não constrói “saída” alguma para os que não tiveram oportunidade de um trabalho digno.
  • Nesse contexto de denúncia social, notamos que há um resgate da memória afro-brasileira, através das mensagens de esperança alicerçadas na história de heróis do passado. Um deles, Zumbi, é alçado a modelo de luta e resistência: “... mas eu acredito que é preciso uma atitude contra a pobreza e coisa assim (...) fazer como fez nosso Zumbi. Eu respeito muito nossos heróis negros”.(Cadernos Negros 2: 1979, 10). Quando Abelardo traz para seu texto um herói afro-brasileiro, ele quebra um ciclo de propagação de esquecimento da História oficial que coloca muitas vezes à margem alguns personagens negros, como o próprio Zumbi. Não queremos aqui pregar contra a historiografia oficial, mas sim ressaltar que paralelamente a ela, há outras histórias, conforme apontou Seligman-Silva: “no que tange à dicotomia história e memória creio que um registro não deve apagar o outro” (2003, 62). O autor do conto, ao trabalhar memória e história, mostra consciência da inexistência de uma neutralidade. Sabemos que junto ao lugar de enunciação sempre haverá um ponto de vista que coincide ou com os vitoriosos ou com os vencidos. O poeta, como ato de resistência ao apagamento da memória afro- brasileira, toma para si o papel de reconstruir, via literatura, trajetórias individuais e coletivas, procurando reagir contra uma dinâmica do esquecimento. Indo mais além, afirmo, também, que há uma reformulação da identidade do afro-brasileiro na escrita de Rodrigues e que, no texto, se constrói a partir de uma história de ancestralidade africana, já que podemos partir do pressuposto que não existe identidade sem memória. Observa-se, ainda, que em diversos momentos, o autor conduz o leitor a vivenciar, através de seus textos, a realidade do negro na contemporaneidade. Nesse mesmo conto, o narrador trata das dificuldades que atingem o afro- brasileiro, como se comprova na seguinte passagem: “o meu compadre Antonio, acha que nós devemos nos contentar com as coisas da vida que só acontecem aos pobres como nós...” (Cadernos Negros 2: 1979, 10). Quando o narrador diz: “aos pobres como nós” ele direciona os olhos do leitor para uma realidade que exclui a pessoa não só pela condição financeira, mas também pela cor da pele, pois não são quaisquer pobres, são “como nós”, ou seja, negros, já que é este o lugar de fala do narrador. O olhar do narrador, já que se encontra marcado pela memória e pela história, possibilita a ele ter sobre a realidade uma visão crítica ao apontar os problemas que cerceiam o negro no presente e perceber que estes não surgiram de uma hora para outra, vejamos: Agora essa coisa de escravo e negro, é um troço bem complicado; nós saímos dela há uns oitenta e cacetada de anos, e segundo disse o Carlos, um dos mulatos (o mais escurinho): ainda temos todos os sofrimentos no sangue, são coisas (quatro séculos são coisas?) que não podem ser esquecidas, porque nos marcaram, estão em nossos olhos, em nossos gestos, nos gestos de muitos brancos que
  • chegaram até por último e já botam banca nos seus carros nas suas firmas. (Cadernos Negros 2: 1979, 11). De maneira lúcida, o texto indica ao leitor reflexões que podem desfazer todo um pensamento hegemônico: a de que o negro está em uma situação social inferior porque não gosta de trabalhar (quem nunca ouviu falar da famosa imagem do negro malandro?). Essa passagem nos relembra que tudo seria conseqüência de um passado no qual houve uma exploração da mão de obra africana e afro- brasileira escravizada, sendo depois lançada à própria sorte. Portanto, a memória, que é subjetiva e seletiva, é utilizada como instrumento de desmistificação das idéias que até então eram incontestáveis. Além do resgate da memória e de seu posicionamento crítico sobre a condição do negro no presente, Abelardo Rodrigues trabalha com os signos no texto de maneira consciente, fazendo inversões de linguagem, deixando evidente que o ponto de vista direcionado é daquele que está à margem da sociedade: “agora os jornais estão noticiando... vai ser o maior tendéu se acontecer isso também nas outras fábricas, então eu acho que as coisas vão ficar brancas” (Cadernos Negros 2: 1979, 9). Como sabemos, na literatura, o ponto de vista é o fio condutor das escolhas de linguagem e, nessa passagem, é possível comprovar isso. Com um certo tom de ironia e promovendo ressignificações, o autor utiliza a expressão “as coisas vão ficar brancas”, ao invés do mais usual “as coisas vão ficar pretas”. A troca realizada pelo escritor substitui a expressão carregada de sentido pejorativo pela outra, num exercício lingüístico de combate aos estereótipos. Nesta passagem, o autor deixa perceptível seu olhar periférico e o seu lugar de fala afro-brasileiro, utilizando a linguagem a fim de um propósito, o que dialogaria com a afirmação de Barthes de que “a língua entra a serviço de um poder” (1978,14). A simplicidade da linguagem do conto contrasta com o trabalho estético mais elaborado dos poemas analisados tanto em Cadernos Negros 3, quanto em Memória da Noite. Pode-se perceber, através dos poemas, que o eu-lírico deseja tirar seu receptor de uma posição inerte, ao lançar mão de signos mais rebuscados cujo entendimento exige um maior esforço do leitor para entendê-los. No poema selecionado de Cadernos Negros 3, o leitor passa a um papel ativo na busca pela compreensão do texto: À Procura de Palmares Como voz de faca em vôo derrubando pássaros antigos ou vento de homens que sopram desejos de velhos risos perdidos em correntes, é preciso que o punho
  • seja espelho de nossa fé. E que meus olhos tremidos estejam ainda na penumbra da razão negada, é preciso que se galgue a poeira levantada e se ache entre palmeiras lanças guerreiras inta ctas. (Cadernos Negros 3: 1980,13) Para uma melhor interpretação dos poemas de Abelardo Rodrigues, necessitamos ter em mente o lugar de enunciação do autor. Este é e se quer negro, portanto sua fala é representativa da coletividade negra, uma vez que traz à tona, em seus textos, temas relacionados à afro-brasilidade, tais como: a discriminação, a desigualdade, a resistência e a necessidade de luta. No poema citado, o eu-lírico vê a linguagem como instrumento imprescindível à batalha: “voz de faca” capaz de derrubar “pássaros antigos”. Pode-se inferir que esta expressão remete ao preconceito e ao racismo que estão presentes, ainda, na sociedade contemporânea. O escritor ressalta as necessidades da luta, e não do conformismo. Esta deve ser “a nossa fé” e a de quem não deseja ter sua voz silenciada: a “razão negada”. O eu-lírico conclui dizendo que é preciso resgatar lanças guerreiras intactas, signos de uma memória afro-descendente onde encontra renovo para sua força. Portanto, o leitor percebe que a opção pela cor da escrita de Abelardo Rodrigues é negra, pois esta se identifica com as glórias e problemas dos afro-descendentes. Em outro poema, de Memórias da Noite, o eu-enunciador evidencia seu lugar de enunciação: Quero expelir a dor do meu sangue dizer em gritos coagulados em senzalas calados em transbordantes rubros de bisturis cálices estuprando a eterna pureza de idéias
  • brancas (...) (Rodrigues, 1978, 15) Nesse poema, em nenhum momento é posto explicitamente algo sobre o negro. Porém, são utilizados símbolos que nos remetem à sua história, como por exemplo, “senzalas”. Analisando esse trecho, percebemos que o eu-lírico expõe a dor que o acompanha e aqueles que tem seu sangue, ou seja, os afros- descendentes. Sendo assim, ele deseja “expelir/dizer” os gritos que foram “coagulados/calados” nos anos de senzala. Neste sentido, mais uma vez, a linguagem é capaz de quebrar o silenciamento imposto aos negros, pela literatura e pela historiografia oficiais. Essa voz que se quer negra deseja fazer-se ouvir não importando se seus dizeres violentarão a “eterna pureza de idéias brancas”. Depois dessa pequena análise, podemos falar que os textos de Rodrigues dialogam com a história e propõem uma atitude menos passiva politicamente. Tal diálogo se dá nas referências à temática e à memória do afro-brasileiro, num exercício de resgate da sua trajetória e na denúncia do rebaixamento social de que é vítima esse segmento da população. O poeta sempre retorna ao passado, mas não com nostalgia, cabe ressaltar, mas para tomar seus antepassados como exemplos a serem seguidos e, com isso, tirar forças para poder continuar a luta por mudanças. Já a proposta política, nos textos de Rodrigues, dá-se através das referências aos problemas sociais que afetam a comunidade em questão, o que impele o leitor a sair de sua atitude passiva diante das dificuldades do presente. Sua literatura é, portanto, negra ou afro-brasileira, pois nesta “o negro articula uma linguagem literária própria, rompe o discurso da cultura oficial e se manifesta como um elemento de resistência à sua marginalização social” (Ianni, 1988,8). Além disso, um traço perceptível nos textos do autor é que este não se prende a uma forma de escrever. Em seu conto, “O último trem”, por exemplo, trabalha com uma linguagem simples e coloquial enquanto, em seus poemas, percebemos um rebuscamento na linguagem e um trabalho estético mais elaborado. Embora a forma de escrever seja diversificada, o ponto de enunciação do tema é o mesmo: o negro e sua realidade. Nesse conto, o autor vai expondo uma realidade, muitas vezes desconhecida ou ignorada, que é a pobreza e o preconceito racial. Assim como não encontramos em seus poemas versos sem ligação com a realidade étnica e social. O escritor, então, trabalha com a linguagem a fim de conscientizar o leitor da realidade afro-brasileira. E vai mais além, pois observamos que sua escrita traduz em palavras o sentir, o pensar e o existir negro, pois em todos os textos analisados notamos que o eu-enunciador ou o narrador possui um ponto de vista identificado com a história dos negros. Abelardo Rodrigues, então, elege uma parte importante da consciência social do negro e a organiza.
  • Observa-se, portanto, que a literatura de Abelardo Rodrigues é negro/afro- brasileira, pois, tanto no conto “O último trem” publicado em Cadernos Negros 2, quanto em seus poemas publicados em Memórias da Noite e Cadernos Negros 3, o autor se assume como negro. Este adota um ponto de vista que é aquele que está na periferia da sociedade, não somente resgatando o passado de seus ancestrais, bem como tratando do negro e das suas dificuldades na contemporaneidade. Conclui-se, então, que à margem da literatura canônica encontram-se os textos desse poeta. Ele utiliza a memória como uma arma de resistência e luta, indo mais além, pois seu olhar crítico sobre o presente e o passado instiga o leitor a reflexões e questionamentos que geram, num primeiro momento, inquietação, e num segundo contestação das idéias hegemônicas. Ler a obra desse poeta é, então, perceber como “suas palavras erguem-se verticalmente para exprimir uma realidade que se desenha nítida no seu universo interior” (Rodrigues, Apresentação de Memória da Noite, 1978). * Graduanda em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Referências BARTHES, Roland. Aula. São paulo: Ed.Cultrix, 1978 Cadernos Negros 2. São Paulo: Quilombhoje, 1979. Cadernos Negros 3. Poemas. São Paulo: Quilombhoje, 1980. DU BOIS, W.E.B.. As Almas da Gente Negra. Trad. Heloísa Toller Gomes. Rio de Janeiro: Lacerda Editores,1999. IANNI, Octávio. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. Ed. Comemorativa do Centenário da abolição da Escravatura. SP, No 28, 1988. SELIGMANN-SILVA, Márcio(Org.). História, Memória, Literatura: o testemunho na era das Catástrofes. – Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2003. RODRIGUES, Abelardo. Memória da Noite. São José dos Campos-SP: Ed. do autor, 1978. (poesia) Bibliografia Obra individual Memória Da Noite. São José dos Campos-SP: Ed. do Autor,1978. (poesia) Poê...Poemar. [S/I]: [s/n], 1982. (poesia) Enterro. [S/I]: [s/n],1982. (contos)
  • Antologias Cadernos Negros 2. São Paulo: Quilombhoje, 1979. Cadernos Negros 3. Poemas. São Paulo: Quilombhoje, 1980. Axé – Antologia Contemporânea de poesia negra brasileira. São Paulo: Global, 1982. Fontes de consulta COLINA, Paulo (Org.). Antologia contemporânea da poesia negra brasileira. São Paulo: Global, 1982. DAMACENO, Benedita Gouveia. Poesia negra no modernismo brasileiro. Campinas-SP: Fontes Editores, 1988.p.112-4. Links do autor www.quilombhoje.com.br Textos selecionados Dança Movimento E não podemos gritar do alto de nossos olhos a maresia, que atracou em nossas palmas? Agora, quem varre a cozinha de velhas piratarias? O começo é necessário mesmo que seja um piscar para inflar-nos os pulmões do ar puro das ruas sociais. Garganta Hoje é preciso que tua garganta do existir
  • esteja limpa para que jorre teu negrume. Uma garganta não é corpo flácido É sangue escorrendo em leilão de cais. Sua garganta,irmão É uma quarta-feira de cinzas. (In: Cadernos Negros 3. Poemas. São Paulo: Quilombhoje, 1980.) Ser Negro Até quando, amigo? até que o mar volte a ser o que era? até que os corpos voltem ‘a praia e se amotinem em negreiras naus desses tempo? Há, um alvo onde nossas forças recapeadas de fraquezas brancas possam medir e serem torrentes de uma dor prostrada violentada mas que na Primavera será
  • um dardo uma lança um raio laser (In: Memória da Noite. São José dos Campos, 1978). Posição Ferir essa terra em céu de chama buscar cânticos encalhados em carnes estouradas em ouro e açucar em vermelhas gotas de café levantar brados que perfurem a mão do timoneiro e virar o barco virar o barco (In: Memória da Noite. São José dos Campos, 1978). Identidade Nestas pernas abertas apontam um novo corpo e mal saiu já pede a si mesmo Nada mais precisa (In: Memória da Noite. São José dos Campos, 1978). Zumbi As palavras estão como cercas em nossos braços Precisamos delas. Não de ouro, mas da Noite do silêncio no grito em mão feito lança na voz feito barco no barco feito nós
  • no nós feito eu. No feto Sim, 20 de novembro é uma canção guereira. (In: Cadernos Negros; Os melhores poemas,pág 25)