Oficina Sesc de Haicais

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Oficina de haicais feita no Sesc São Paulo, unidade da Pompéia.

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Oficina Sesc de Haicais

  1. 1. Oficina de Criação de HAI-KAIS <ul><li>Fórum Cultural Mundial – Mostra Artística SESC </li></ul>
  2. 2. cinco sílabas sete sílabas cinco sílabas <ul><li>ESTRUTURA DE UM HAICAI </li></ul>
  3. 3. imagem visual fuga do &quot;eu&quot; referência a natureza <ul><li>PRINCÍPIOS ORIENTADORES </li></ul>
  4. 4. no muro o caracol se derrete nos rabiscos da assinatura prateada <ul><li>Dalton Trevisan </li></ul>
  5. 5. na tarde chuvosa sozinho, despreocupado, um pardal molhado <ul><li>Edson Kenji Iura </li></ul>
  6. 6. todos aos abrigos: a avó de novo com o mata-moscas <ul><li>Elizabeth St. Jacques </li></ul>
  7. 7. neste bosque urbano árvore feita em concreto – meu corpo estremece <ul><li>Eolo Yberê Libera </li></ul>
  8. 8. na noite sem lua o mar todo negro se oferece em espuma <ul><li>Eugénia Tabosa </li></ul>
  9. 9. com cartas brancas, senhor cônsul solta pombos de papel <ul><li>Érico Veríssimo </li></ul>
  10. 10. ai como grita ao pisar o gato a velha aflita <ul><li>Eugénia Tabosa </li></ul>
  11. 11. voar sempre, cansa – por isso ela corre em passo de dança <ul><li>Eugénia Tabosa </li></ul>
  12. 12. extático vôo borboletas de asas abertas alfinetes nas costas <ul><li>Eunice Arruda </li></ul>
  13. 13. a noite esporeia suas negras ancas cravando-se estrelas <ul><li>Federico Garcia Lorca </li></ul>
  14. 14. e um vaga-lume lanterneiro que riscou um psiu de luz <ul><li>Guimarães Rosa </li></ul>
  15. 15. o coqueiro coqueirando as manobras do vermelho no branqueado do azul <ul><li>Guimarães Rosa </li></ul>
  16. 16. em cima do túmulo, cai uma folha após outra. lágrimas também... <ul><li>Masuda Goda </li></ul>
  17. 17. tão longa a jornada! e a gente cai, de repente, no abismo do nada <ul><li>Helena Kolody </li></ul>
  18. 18. é quase noitinha o céu entorna no poente um copo de vinho <ul><li>Humberto del Maestro </li></ul>
  19. 19. a lua da montanha gentilmente ilumina o ladrão de flores <ul><li>Issa </li></ul>
  20. 20. inútil, inútil a forte chuva mergulha no mar <ul><li>Jack Kerouac </li></ul>
  21. 21. era uma vez... (nada consta) minha intimidez <ul><li>Jandira Mingarelli </li></ul>
  22. 22. a lua de lingerie ao longe ri de mim <ul><li>Joca Reiners Terron </li></ul>
  23. 23. longe um trinado o rouxinol não sabe que te consola <ul><li>Aníbal Beça </li></ul>
  24. 24. foi ao toalete e cortou os sonhos, a gilete <ul><li>Leila Míccolis </li></ul>
  25. 25. sem rodeios: nos chats, os fins justificam os mails... <ul><li>Leila Míccolis </li></ul>
  26. 26. na multidão bundobolinas trafegam na contramão <ul><li>Levi Bucalem Ferrari </li></ul>
  27. 27. minhas mãos te olham estranha fotografia onde meus olhos te tocam <ul><li>Lisa Carducci </li></ul>
  28. 28. toma nota, rapaz: haicai é a captura de um momento fugaz <ul><li>Lubell </li></ul>
  29. 29. que outra lua anda mais lua do que a nua lua de Luanda? <ul><li>Luciano Maia </li></ul>
  30. 30. ainda que morrendo o canto das cigarras nada revela! <ul><li>Matsuo Bashô </li></ul>
  31. 31. extingue-se o dia mas não o canto da cotovia <ul><li>Matsuo Bashô </li></ul>
  32. 32. silêncio: cigarras escutam o canto das rochas <ul><li>Matsuo Bashô </li></ul>
  33. 33. velha lagoa um sapo mergulha barulho d‘água <ul><li>Matsuo Bashô </li></ul>
  34. 34. é meu conforto: da vida só me tiram morto <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  35. 35. a girafa, calada, lá de cima vê tudo e não diz nada <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  36. 36. as nuvens, meu irmão, são leviandades da criação <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  37. 37. coisa rara: teu espelho tem minha cara <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  38. 38. com pó e mistério a mulher ao espelho retoca o adultério <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  39. 39. esnobar é exigir café fervendo e deixar esfriar <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  40. 40. goze quem sabe essa é a última dose? <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  41. 41. maravilha sem par a televisão só falta não falar <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  42. 42. o pato, menina, é um animal com buzina <ul><li>Millôr Fernandes </li></ul>
  43. 43. como fede no verão a bosta fresca pisada no chão <ul><li>Olívia d'Iceberg </li></ul>
  44. 44. lá fora o luar continua e o trem divide o Brasil como um meridiano <ul><li>Oswald de Andrade </li></ul>
  45. 45. manhã de frio se fosse menino escrevia meu nome no vidro <ul><li>Paulo Francchetti </li></ul>
  46. 46. acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo <ul><li>Paulo Leminski </li></ul>
  47. 47. o mar o azul o sábado liguei pro céu mas dava sempre ocupado <ul><li>Paulo Leminski </li></ul>
  48. 48. nuvens brancas passam em brancas nuvens <ul><li>Paulo Leminski </li></ul>
  49. 49. vazio agudo ando meio cheio de tudo <ul><li>Paulo Leminski </li></ul>
  50. 50. a aranha prepara a sua casa – mosca vem para o jantar <ul><li>Rosa Clement </li></ul>
  51. 51. vida repensada noite de insônia – manhã cansada <ul><li>Zezé Pina </li></ul>
  52. 52. no despenhadeiro a sombra da pedra cai primeiro <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  53. 53. o vento afaga o cabelo das velas que apaga <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  54. 54. folhas no quintal dançam ao vento com as roupas do varal <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  55. 55. velho jornal levado pelo vento prevê temporal <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  56. 56. patins no gelo – riscos que se cruzam como novelo <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  57. 57. casa quieta – cochila o avô e dorme a neta <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  58. 58. cuco dá horas mas não conta por que demoras <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  59. 59. pardal no fio ouve o telefone mas não dá um pio <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  60. 60. chora poeta – musa obesa pensa só em dieta <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  61. 61. louco desafio: comer fubá e cantar o sole mio! <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  62. 62. sossego acaba – chegou a pamonha de Piracicaba <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  63. 63. travou meu micro todo dia Bill Gates fica mais rico <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  64. 64. dia de eleição primeiro o seu voto depois a traição <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  65. 65. deu no jornal: economia vai bem o povo vai mal <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  66. 66. crianças mortas – mundo que escreve mal por linhas tortas <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  67. 67. ágil pivete brinca como se fosse zero zero sete <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  68. 68. ao te adorar não sei mais se tens corpo ou altar... <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  69. 69. sonho colorido o sol dança com a lua você comigo <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  70. 70. nuvem parada beijada pela brisa fica molhada <ul><li>Carlos Seabra </li></ul>
  71. 71. Agora vamos todos compor de um a três haicais cada um! <ul><li>E depois eles serão discutidos e publicados na Internet </li></ul>

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