Vera cruz

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Vera cruz

  1. 1. -1- U N IV E R S ID AD E S AL V AD O R C U R S O D E T U R IS M O VER A CRUZ:DIAG NÓSTICO DO SISTEM A TURÍSTICO E PRO POSTAS DE PRO JETOS DE INTERVENÇÃO Salvador Novembro, 2003
  2. 2. -2- Projeto Elaborado pelos Alunos do 3º ano do curso de Turismo Noturno da Universidade Salvador – Unifacs. Superestrutura: Oferta Diferencial: -Aliceana Paiva -Hugo Cairo -Fabian Maluf -Jamile Borges -Luis Antonio -Lorena Almeida -Orlando Carvalho -Tatiana Queiroz -Thaís Lage Infra-Estrutura: -Viviane Pereira -Ana Gabriela Mendonça -Denise Carvalho Educação Ambiental: -Elaine Cosme -Alice Paula -Evando Matos - Anna Amélia -Ilana Brandão -Barbara Kelly -Liana Rehem -Fernanda Burgos -Jaqueline Gregorio Demanda: -Carla Sampaio -Fabiana Andrade -Fernanda Aguiar Oferta Complementar: -Débora Safira -Elisete Paixão -Leda Maria -Moema Bella -Júlio Capirunga
  3. 3. -3- APRESENTAÇÃO O presente trabalho foi elaborado pelos estudantes do 3º ano noturno do curso de Turismo da Universidade Salvador, no ano de 2003, com orientação da professora Carolina Spínola, na disciplina Planejamento e Organização do Turismo. O projeto tem como objetivo realizar uma análise do sistema turístico do município de Vera Cruz e esboçar proposições de medidas que podem ser adotadas pela administração municipal. Ao mesmo tempo em que proporciona ao aluno a prática de todo conteúdo teórico estudado em sala de aula, ele intenciona fornecer suporte aos órgãos envolvidos, direta e indiretamente, na atividade turística do município. Utilizou-se o modelo referencial do SISTUR elaborado por Mário Carlos Beni, e, com base neste modelo, a turma foi dividida em 6 equipes que realizaram diagnósticos e propostas específicas, posteriormente consolidadas nesse documento. Todos os aspectos analisados proporcionaram uma visão mais abrangente do que é a realidade do setor turístico em Vera Cruz hoje, agregando à turma novos conhecimentos e valores, criando uma visão mais crítica, não apenas como estudantes de Turismo, mas como futuros profissionais da área.
  4. 4. -4- SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 03 INTRODUÇÃO 05 INFORMAÇÕES MUNÍCIPAIS HISTÓRICAS 09 HISTÓRICO 09 ASPECTOS DEMOGRAFICOS 15 ECONOMIA 16 ASPECTOS FÍSICOS 19 DIAGNÓSTICO DO TURISMO MUNÍCIPAL 21 DIAGNÓSTICO DA INFRA-ESTRUTURA 23 DIAGNÓSTICO DA DEMANDA 25 DIAGNÓSTICO DA OFERTA 33 DIAGNÓSTICO DO ATRATIVO 36 DIAGNÓSTICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL 41 PROJETOS DE INTERVENÇÃO 49 SUPERESTRUTURA 49 INFRA-ESTRUTURA 52 DEMANDA 61 OFERTA 64 ATRATIVO 72 CONCLUSÃO 77 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA 80 AN E X O S 85
  5. 5. -5- INTRODUÇÃO Segundo Beni (1997), sistema é um conjunto de partes que interagem de modo a atingir um determinado fim, de acordo com um plano ou princípio logicamente ordenados e coesos, com intenção de descrever, explicar ou dirigir o funcionamento de um todo. Sistur é o sistema de turismo composto por subsistemas: superestrutura, infra-estrutura, mercado, demanda, produção, distribuição, consumo e oferta. O objetivo do Sistur é organizar o plano de estudos da atividade de turismo, levando em consideração a necessidade, há muito tempo demonstrada nas obras teóricas e pesquisas publicadas em diversos países, de fundamentar as hipóteses de trabalho, justificar posturas e princípios científicos, aperfeiçoar e padronizar conceitos e definições, e consolidar condutas de investigação para instrumentar análises e ampliar a pesquisa, com a conseqüente descoberta e desenvolvimento de novas áreas de conhecimento em turismo. A superestrutura refere-se à complexa organização, tanto pública quanto privada, que permite harmonizar a produção e a venda de diferentes serviços do Sistur. Compreende a política oficial de turismo e sua ordenação jurídico-administrativa que se manifesta no conjunto de medidas de organização e de promoção dos órgãos e instituições oficiais, e estratégias governamentais que interferem no setor. Infra-estrutura compreende condições básicas necessárias que garantem uma boa qualidade de vida para a comunidade e à prática do turismo, tais como: sistema de transportes, sistema de comunicação, energia elétrica, serviço de abastecimento de água, rede de esgotos, entre outros. Pode-se definir a oferta básica como o conjunto de equipamentos, bens e serviços de alojamento, alimentação, recreação e lazer, de caráter artístico, cultural, social ou de outros tipos, capaz de atrair e assentar numa determinada região, durante um período determinado de tempo, um público visitante. Há ainda a oferta turística diferencial e a complementar. A primeira é composta pelos recursos destinados às matérias-primas, sem as quais não se poderia realizar nenhum processo produtivo. Os elementos turísticos primários de um país que constituem esta oferta são os “bens livres” e, mais particularmente, no que concerne ao patrimônio turístico, são atrativos que provêm, quer da natureza, quer dos legados histórico-culturais. Já a oferta turística complementar reagrupa o conjunto das prestações de serviços das empresas de turismo. Ela é composta pelos transportes, pelas diversas formas de alojamento, lazer e recreação, pelos organizadores de viagens e pelas agências de viagens. Ela não pode satisfazer a
  6. 6. -6- demanda, a não ser que haja uma combinação entre os diversos fatores da oferta complementar e da oferta diferencial. As pessoas que se deslocam temporariamente de sua residência habitual, com propósito recreativo ou por outras necessidades e razões, demandam a prestação de alguns serviços básicos. Assim, em termos bem gerais, tem-se que a demanda em Turismo é uma compósita de bens e serviços, e não demanda de simples elementos ou de serviços específicos isoladamente considerados. Em suma, são demandados bens e serviços que se complementam entre si. O subsistema ecológico tem como principal elemento a contemplação e o contato com a natureza. Nele são analisados os fatores: espaço turístico natural, urbano e seu planejamento territorial; atrativos turísticos e conseqüências do turismo sobre o meio ambiente, preservação da flora, fauna e paisagens, compreendendo todas as funções, variáveis e regras de consistência de cada um desses fatores. O município objeto desse estudo, Vera Cruz, foi fundado em 31 de julho de 1962, estando localizado na Região Metropolitana de Salvador, precisamente na Baia de Todos os Santos, dividindo com o vizinho município de Itaparica o território da maior ilha oceânica do País. Vera Cruz é formado por 24 localidades, sendo as principais: Mar Grande (Sede), Baiacu e Cacha Pregos. Apesar de sua recente emancipação administrativa, o município reúne algumas das áreas de colonização mais antigas do Estado, a exemplo do povoado de Baiacu. Vera cruz é rico em atrativos naturais, principalmente pelos seus 40 quilômetros de extensão de praias, favorecendo fortemente o segmento do turismo de “Sol e Praia”. O município possui ainda rios, espelhos d’água, fontes de água potável à beira mar, restingas da mata atlântica com trilhas e cenários belíssimos para a prática de turismo náutico, de aventura e ecológico. Além de todas as belezas naturais existentes, Vera Cruz guarda para seus visitantes atrativos históricos e culturais, que representam o passado e a história da ilha. É importante dar ênfase às ruínas de igrejas, de fornos e de moinhos, terreiros de candomblé, festas populares, religiosas e manifestações folclóricas. Por seus 211 quilômetros quadrados de área estão distribuídos procissões marítimas e terrestres, manifestações tradicionais como as festas de reis, o rancho-de-boi, puxada de rede, o maculelê, a capoeira, o samba tradicional e o carnaval. Infelizmente, todas essas riquezas culturais, históricas e naturais foram, durante muitos anos, relegadas a um segundo plano, causando para seus visitantes e residentes uma impressão que Vera Cruz só pode ser explorada pelo tão massificante turismo de “Sol e Praia”. A atividade turística em Vera Cruz não é recente e traz consigo um histórico de questões a serem resolvidas, porém, com a junção de novas forças políticas com interesses voltados para o crescimento social através da prática do turismo, estão sendo estabelecidos projetos com a função de minimizar ou até corrigir esses problemas e valorizar o patrimônio turístico do Município em toda a sua diversidade. No âmbito
  7. 7. -7- dessas ações se insere o presente trabalho, que foi realizado entre os meses de março e novembro de 2003. O estudo foi realizado em duas etapas: na primeira etapa, o grupo foi a campo para levantar as informações necessárias para a confecção dos diagnósticos setoriais. Em seguida, no segundo semestre, iniciou-se o trabalho de formulação de proposições de projetos de intervenção. Como tratava de um projeto complexo, que merecia um maior detalhamento, sentiu-se a necessidade de dividir o grupo em equipes, onde cada uma ficou responsável por um tema referente ao processo de planejamento da atividade turística. Os temas detalhados foram os seguintes:  Desenvolvimento Institucional e Municipal: Avaliação da capacidade de planejamento e gestão municipal do turismo;  Infra-Estrutura: Avaliação da infra-estrutura disponível no município, levantando as medidas emergenciais que devem ser tomadas. Análise da sinalização e do serviço de informações turísticas, se existentes. Caso contrário, propor um modelo que pudesse ser adotado;  Estruturação da Oferta de Serviços e Facilidades Turísticas: Avaliação das empresas de alojamento, alimentos e bebidas, agências de viagens, transportes, entretenimento, artesanato e demais empresas turísticas, concluindo com uma análise da qualidade dos serviços oferecidos pelo setor e da sua contribuição para a economia local;  Estruturação e Marketing do Produto Turístico: Hierarquizar os atrativos já inventariados e inventariar os atrativos que não foram analisados, determinando quais deles têm potencial imediato ou futuro para a exploração turística. Elaboração de roteiros alternativos e folder;  Perfil da Demanda Turística e Determinação dos Mercados Potenciais: Construção de um instrumento de coleta de dados, aplicá-lo e avaliar as principais informações relativas ao perfil dos turistas que visitam o município. Realização de uma pesquisa de mercado para identificar quais devem ser os mercados e segmentos prioritários a serem trabalhados pela gestão municipal;  Educação Ambiental e Conscientização Turística: Identificar os principais problemas ambientais do município e propor ações que devam ser implementadas junto com as comunidades para amenizá-los; Com relação à metodologia utilizada pelos grupos para o desenvolvimento de seus projetos, iniciou-se a pesquisa com uma palestra do Secretário de Turismo Prof. Ney Santos e uma visita técnica ao município no mês de maio de 2003. Em seguida, cada grupo realizou suas buscas específicas em livros, artigos, teses, arquivos de jornais, Internet, utilizando-se para tal dos acervos de instituições como Bahiatursa, Secretaria de Cultura e Turismo, Instituto de Hospitalidade, Senac, CRA, SEI, IBGE entre outros. Adicionalmente, os grupos de “Demanda”, “Oferta” e “Educação Ambiental” aplicaram questionários no município para auxiliar na identificação dos problemas
  8. 8. -8- existentes nessas áreas e possibilitar sugestões de possíveis intervenções para a resolução dos mesmos. O Grupo de Oferta Diferencial inventariou os atrativos do Município seguindo a metodologia da Embratur. O projeto está dividido em duas partes. A primeira parte apresenta informações sobre o município de Vera Cruz, como: histórico, localização, aspectos físicos, demografia, economia, política e contexto regional. Já a segunda parte, aborda a atividade turística no local, os diagnósticos de cada equipe, as propostas de programas setoriais e as sugestões e recomendações do grupo.
  9. 9. -9- 1. INFORMAÇÕES MUNICIPAIS 1.1 Histórico:1 Em 10 de maio de 1501, partiu, de Lisboa, a esquadra organizada por El – Rei D. Manuel, a fim de reconhecer “a qualidade e o valor” da nova terra descoberta por Pedro Álvares Cabral. Até hoje, não está ainda averiguado a quem coube o comando da esquadra de reconhecimento: se a Nuno Manuel, se a André Gonçalves ou a Gaspar de Lemos, o que comandou uma das naus da esquadra de Cabral e foi o portador da carta de Péro Vaz de Caminha, levando a El – Rei D. Manuel, a boa nova do descobrimento da terra da Santa Cruz. Como piloto da capitânia, segundo afirmaram os mais autorizados cronistas da época, viera Américo Vespúcio, o cosmógrafo, que desde o Cabo de São Roque ia “com calendário em punho”, dando aos acidentes geográficos do litoral o nome dos santos festejados no dia em que os mesmos acidentes eram encontrados. No dia 1º de novembro desse mesmo ano de 1501, entra a esquadra na Baía que recebe o nome de Baía de Todos os Santos. Guardando a entrada do golfão maravilhoso a sudoeste da baía, aparece aos olhos deslumbrados dos marujos a ilha que fez lembrar, aos referidos marujos, as terras formosas da Caparica, povoação às margens do Tejo, em Portugal. Os primitivos povoadores da ilha de Itaparica eram índios da tribo Tupinambás, que eram antropófagos, isto é, comiam carne humana. Existem dúvidas a cerca do nome da Ilha. Teodoro Sampaio apresenta “Itaparica” de origem tupy, significando “cerca feita de pedra”; Ubaldo Osório diz que é uma corruptela da palavra “Caparica”, povoação da margem do Tejo; e J. M. Macedo propõe derivar-se de “Taparica”, nome do chefe indígena pai da índia Paraguaçu, esposa de Diogo Álvares, o Caramuru. Em Itaparica, desenvolveu-se primeiramente em sua economia, a plantação de cana-de- açúcar. Depois, veio a criação de gado bovino e a cultura de trigo em Mar Grande, no Engenho de Igá-Açú, por volta de 1556. Seus afamados estaleiros eram também empório de construções navais da colônia, onde se armou a primeira quilha da Marinha de Guerra no Brasil. Nesta época, também existiam cinco destilarias de aguardente, além das fábricas de cal (nove, em meados do século XIX). Porém, a maior atividade econômica da Ilha foi a pesca da baleia, sobretudo durante os séculos XVII e 1 FONTE: BAHIATURSA
  10. 10. - 10 - XVIII. Por este fato, antes de chamar-se Itaparica, a Ilha era conhecida como Arraial da Ponta das Baleias. Vera Cruz é o berço da formação histórica, não só da Ilha de Itaparica, como da própria cidade de Salvador. Dela saiu a cal para erguer as primeiras povoações, ordenado por Tomé de Souza, quando aqui chegou em 1549. Como testemunho deste período, existe a Caieira da Penha, monumento a ser tombado pelo município como patrimônio histórico, que convive ao lado com um dos Conjuntos Arquitetônicos com Solar e a igreja mais importante da Bahia (Bahiatursa, 1988), o da Penha, datado do século XVII. O acervo inclui ainda a Igreja de Senhor da Vera Cruz (1.560), de Nossa Senhora da Conceição (1.757) e de Santo Amaro do Catu. E mais: o Moinho de Trigo, construído em 1.606; a Torre de Eubiose, inaugurada no ano de 1983.  Disputa da Posse da Ilha Em 1553, ainda habitada por índios Tupinambás, a Ilha é doada pelo primeiro Governador do Brasil, Tomé de Souza, à sua tia Dona Violante. Em 1706, o Marquês de Cascais, D. Luís Álvares, obteve a sucessão das terras itaparicanas, que foram incorporadas aos bens da coroa, em 1763, quando da morte dos novos donatários. Os herdeiros do Marquês protestaram e conseguiram, em 1788, que fosse entregue à Marquesa de Niza, não só a posse da terra, como os emolumentos da renda da ilha existentes em depósitos. Quando da proclamação da independência, as terras da Casa de Niza foram tomadas pelo novo regime, devolvidas, porém, em 1826. Em 1839, os sucessores de Niza a venderam ao Capitão Tomás da Silva Paranhos, que por sua morte passou ao domínio dos Barões da Várzea. Por força do Decreto n° 9760, a posse direta das terras tornou-se pertence da União, isto em 1946.  Povoação A povoação da ilha teve início com a construção da primeira igreja em Baiacu: Nosso Senhor de Vera Cruz, daí a origem do nome do município. Em 1559, os índios do Paraguaçu atacaram a ilha e mataram alguns dos seus habitantes. Em contra ataque, Mem de Sá mandou destruir aldeias dos aborígenes sublevados. Em 1560, a igreja estava pronta, localizada no alto de uma colina, construída sob as ordens dos padres Luís da Grã, Antônio Pores e Luís Rodrigues. Em setembro de 1561, pontificava no templo, o segundo bispo da Bahia, Dom Pedro Leitão. Este, em 1562, criava a freguesia do Senhor
  11. 11. - 11 - de Vera Cruz, a qual em 1621 era arrolada como uma das doze freguesias existentes na Bahia. Os limites desta freguesia estabeleciam-se entre a Ponta das Baleias e o Sítio da Parapatinga, onde existia uma armação para pesca do Xaréu.  Os Holandeses Em fevereiro de 1600, os holandeses fizeram a sua primeira incursão contra os habitantes de Itaparica, saqueando e matando, mas foram logo expulsos pelas forças dos capitães André Fernandes Morgalho e Álvaro Rodrigues. Voltaram os batavos, em 1622, saqueando e matando a tudo e a todos que encontravam, mas evitando adentrar na Ilha. Em 1625, quando da primeira invasão holandesa, o general Van Dorth organizou uma expedição composta por treze homens, cuja finalidade seria a de assaltar e tomar Itaparica. Porém, tal intento não foi adiante, devido a um forte temporal que impossibilitou a navegação das chalupas flamengas nas águas da Baía de Todos os Santos. Em 1637, dominando Recife, os holandeses tentam novamente a Bahia. Carlos de Tourlon, amedrontado pelas forças de Bagnoliem Salvador, se lança contra Itaparica incendiando engenhos. Em 8 de fevereiro de 1647, comandados por Simon Van Beaumont e Siegsmundt Schkoppe, os soldados holandeses desembarcaram em Itaparica, não poupando vidas, matando inclusive mulheres e crianças, saqueando tudo. Em dezembro, os flamengos abandonam a Ilha, definitivamente, quando avisados da próxima chegada da esquadra vinda de Portugal, sob o comando de D.Antônio Teles de Menezes, Conde de Vila Pouca, mandada por ordem expressa de D.João IV.  Primeiros Núcleos Habitacionais Parapatinga, local onde vivem os mais antigos da ilha, tomou tal denominação do rio Parapatinga ou Pirapitingas (nome vulgar de sardinha branca), curso de águas transparentes. Parapatinga foi uma das primeiras povoações do atual município de Vera Cruz. Local de origem das tradições iniciais da Ilha, lá se encontra o Sobrado de São Simão, atualmente em ruínas. De importante arquitetura, foi moradia de nobres senhores do Recôncavo, abrigando riquezas imensuráveis, a exemplo de móveis trabalhados em jacarandá e vinhático, aparelhos de cristal e louça importada, pratarias, ricas alfaias, além de diversos e curiosos utensílios empregados na pesca, na fabricação do azeite de dendê e da farinha de mandioca. A sua maior riqueza era o Orago São Simão.
  12. 12. - 12 - O Orago era formado em um retábulo, pintado com elementos de talha dourada, de composição barroca, possuindo teto abobadado, pia bastimal e sacristia, onde em arcas de jacarandá eram colocados os paramentos e as alfaias. Do lado externo do oratório, uma parede sineira harmoniosa e singela fazia o convite à oração. Coube a Simão Brás instituir por volta de 1740 a devoção a São Simão. Ele trouxe de Portugal a imagem, hoje entronizada na Igreja dos Órfãos de São Joaquim, em Salvador. A devoção ao Santo apóstolo é, ainda hoje, bastante concorrida em Vera Cruz, e, por extensão, em toda ilha de Itaparica. A todo 28 de outubro, Parapatinga se engalana, mantendo sua tradição com brilho invulgar.  A Presença de Itaparica nas Lutas da Independência Nos anos de 1822 e 1823, a ilha foi palco de importantes acontecimentos para a consolidação da independência nacional. No interior da botica de propriedade do farmacêutico Francisco José Batista Massa, os insulanos se reuniam em torno da palavra do lusitano Sousa Lima e de outros pregadores da libertação brasileira. Denunciados, o Brigadeiro Inácio Madeira de Melo, Comandante das Armas em Salvador, envia uma esquadra de brigues, em junho de 1822, sob o comando de Joaquim José Teixeira, que expulsa da ilha rumo à Cachoeira, todos os descontentes. Na heróica cidade de Cachoeira, instalaram-se meses antes uma Junta de Conciliação e Defesa, presidida por Antonio Teixeira de Freitas Barbosa, visando a Causa do Brasil. Os itaparicanos, municiados pela Junta, deixam 13 de agosto as terras de Cachoeira. Desembarcaram nas praias de São Roque no dia seguinte; acamparam na Encarnação no dia 16; a 18, vencem a enseada do Mutá; a 19, atravessam o Funil, depois Sousa Lima, já de posse da Fortaleza de São Lourenço, fala aos milicianos sobre a necessidade de conservar a ilha em poder dos nativos. Com o propósito de lutar ao lado dos libertadores, João Francisco de Oliveira Botas, apresentou-se na Ilha em 23 de agosto. Em 11 de outubro de 1822, Sousa Lima dirige-se aos habitantes da ilha de Itaparica em proclamação, onde dá vivas à “nação brasileira e a sua eterna independência”. A 12 de outubro, os itaparicanos aclamam, na Ponta das Baleias, o Príncipe Regente. A 13 de outubro, os lusos são repelidos em um assalto à Ilha. A 08 de dezembro, o barco Pedro I, doado por Sousa Lima aos itaparicanos, atravessa a Baía de Todos os Santos, levando mantimentos para os soldados do Exército Libertador, acampados em Pirajá. João das Botas era o presidente da Flotilha Insulana, servida por 514 oficiais e marujos nascidos na ilha. A 07 de Janeiro de 1823, dá-se o maior feito de armas da Campanha de Independência na área de Itaparica, quando a esquadra lusa é abatida pelas forças de terra e mar dos
  13. 13. - 13 - itaparicanos. A 16 de janeiro, os libertadores entraram vitoriosos na Ponta das Baleias comandados pelo governador Antônio Lima, em uniforme de tenente-coronel de 1ª linha por promoção do General Labatut, Comandante em Chefe do Exército Libertador. Em maio de 1823, o próprio Labatut desembarcaria em Itaparica, onde acertaria com Lord Cochrane, na Parada do Morro, o plano de batalha decisivo contra as forças lusitanas aquarteladas em Salvador. Enfim, o Governador Militar da Ilha de Itaparica, Antônio de Sousa Lima, em 2 de julho de 1823, transmite aos seus comandados a nova sobre a evacuação total das tropas portuguesas na Bahia. A 12 de outubro de 1823, são arrancadas da frontaria da velha Fortaleza de São Lourenço, as armas instituídas por D. João VI, sendo colocado no lugar das mesmas armas, o escudo que D.Pedro, o Libertador, criara para o Brasil independente.  Nascimento do Município de Vera Cruz. Em 02 de dezembro de 1814, pela Resolução Régia, foi criado o Distrito de Itaparica, que teve como sede o Arraial da Ponta das Baleias, sendo elevado à categoria de freguesia pelo Alvará de 19 de janeiro de 1815. Com a denominação de Itaparica, a área foi elevada à categoria de vila em 25 de outubro de 1831, oficialmente instalado em 4 de agosto de 1833, conforme Portaria assinada por José Lino Coutinho, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império “pela Regência, em nome do Imperador, Senhor Dom Pedro II”, com o seguinte texto: “fica igualmente elevada à categoria de vila, a Ilha de Itaparica, que se denominará ‘Denodada Vila de Itaparica’, desmembrada do termo da cidade, ficando composta dos distritos de Itaparica, Mar Grande, Vera Cruz de Itaparica, Jiribatuba, Cacha Pregos e Salinas das Margaridas”. Em 31 de outubro de 1890, a Vila de Itaparica foi elevada à categoria de cidade, quando governava interinamente o Estado o Dr. Virgílio Clímaco Damásio, conforme o texto: “o Doutor vice-governador do Estado, tendo em consideração o aumento da população e a prosperidade que oferece a Vila de Itaparica, resolve elevá-la à categoria de cidade”. O Decreto nº 10.440, de 10 de dezembro de 1937, assinado pelo interventor interino Coronel Antônio Fernandes Dantas, considerando entre outras razões as qualidades medicinais das águas da Fonte da Bica, estabeleceu a Estância Hidromineral de Itaparica. Através da lei nº 1773, de 30 de julho de 1962, foi criado o Município de Vera Cruz, desmembrado do município de Itaparica. O presidente do Tribunal de Justiça, que na época estava
  14. 14. - 14 - no exercício do cargo de governador da Bahia, decretou e sancionou essa lei, ressaltando no Artigo 1º alguns limites:  Município de Itaparica – começa no Porto da Misericórdia, em reta à nascente do Riacho da Gameleira, pelo qual desce até a sua foz no Oceano.  Baía de Todos os Santos – começa na foz do Riacho da Gameleira, segue pela orla do mar, até a Barra do Pote.  Oceano Atlântico – começa no lugar Barra do Pote e segue pela orla do mar, até a Barra Falsa, em frente à Ponta do Garcez.  Município de Jaguaripe – começa na Barra Falsa, em frente à ponta do Garcez, segue pelo canal entre a Ilha de Itaparica e as ilhas das Carapebas e São Gonçalo, e pelo canal entre a ilha de Matarandiba e o continente, incluindo o grupo de ilhas da Cal, Olho Amarelo, Malacaia e Saraíba, até confrontar a Enseada Grande.  Salinas das Margaridas – começa no canal entre a Enseada Grande e as Ilhas Carapitubas, até o Porto da Misericórdia, inclusive a Ilha das Canas. No Artigo 2º, o Presidente constitui de quatro distritos o Município de Vera Cruz, com os seguintes limites:  Entre Vera Cruz e Mar Grande – começa na Baía de Todos os Santos na foz do sangradouro da Lagoa Grande, sobe por este até alcançar o centro da referida Lagoa, daí em reta ao marco da Enseada da Boa Vista.  Entre Vera Cruz e Jiribatuba – começa no Oceano, na foz do riacho que desemboca próximo ao lugar Paratinga de Fora, sobe por este até sua nascente, daí em reta à nascente, do riacho Campinas, pelo qual desce até sua foz no canal, prosseguindo a linha de limite entre as linhas Matarandiba e Malacaia, e entre a Ilha de Cal e a Ilha do Olho Amarelo. Pertencem ao distrito de Vera Cruz, as ilhas de Malacaia, do Olho Amarelo e de Saraíba e ao distrito de Jiribatuba, as ilhas de Cal e Matarandiba.  Entre Jiribatuba e Cacha Pregos – começa no Oceano, na foz do riacho de Arabatuba, subindo por ele até a foz de seu afluente da margem direita, sobe por este até sua nascente, daí em reta à nascente do riacho dos Paus, pelo qual desce até sua foz no canal entre as ilhas de Itaparica e das Carapebas.
  15. 15. - 15 - 1.2 Aspectos Demográficos O Município de Vera Cruz é formado por 24 povoados, incluindo a cidade de Mar Grande, onde se localiza a Prefeitura Municipal. Os dados demográficos existentes para o município de Vera Cruz são a partir de 1970, tendo em vista que o município desmembrou-se do município de Itaparica em 30 de julho de 1962 através da Lei Estadual nº 1.773, sendo publicada no Diário Oficial de 31 de julho de 1962. Ocorrendo o Censo só a partir de 1970, conforme dados constantes no “Informações Básicas dos Municípios Baianos”, SEI e IBGE e demonstrado abaixo: Tabela 01 Vera Cruz Distribuição da População por Localidade 2002 Com base na tabela acima, pode-se chegar à conclusão que a população total de Vera Cruz é de 33.540 pessoas. Sendo deste total, 16.902 habitantes do sexo masculino e 16.642 do sexo feminino, o que demonstra que há um equilíbrio entre os sexos.(SEI, 2002)
  16. 16. - 16 - Tabela 02 Vera Cruz Faixa de Idade da População residente 1970 – 1991: Faixa de Idade 1970 1980 1991 0 a 4 anos 2016 2501 2721 5 a 9 anos 1765 2069 2949 10 a 14 anos 1534 1683 2968 15 a 19 anos 1356 1335 2416 20 a 24 anos 934 1120 2229 25 a 29 anos 709 877 1915 30 a 39 anos 1268 1306 2614 40 a 49 anos 991 1063 1619 50 a 59 anos 766 735 1189 60 a 69 anos 420 548 838 70 anos e Mais 227 428 647 Ignorada 17 78 31 Total 12003 13743 22136 FONTE: IBGE – Set./2003 O crescimento populacional verificado no período de 1980 a 1991, foi resultado do êxodo das cidades vizinhas como: Jaguaripe, Nazaré das Farinhas, Santo Antônio de Jesus, para o município provocado pela expansão imobiliária, oportunidades de novos empregos e o crescimento da atividade turística que ocorreu no município de Vera Cruz. (IBGE – Nov./2003). A grande maioria dos povoados do Município se caracteriza pela ausência de infra-estrutura de saneamento básico, (água encanada, calçamento, luz elétrica, saúde, escola, segurança pública, etc.), potencializando a carência de grande parte da comunidade local vinculada às condições sociais e econômicas, que têm só a pesca artesanal como principal atividade. Os luxuosos condomínios existentes neste município são dos veranistas, que são atraídos pelas belezas naturais, a exemplo de inúmeras praias existentes. “Vera Cruz convive durante nove meses do ano com uma população pobre de aproximadamente 32 mil pessoas, porém de dezembro a fevereiro, cerca de 120 mil pessoas invadem o município triplicando todos os serviços que a Região tem para
  17. 17. - 17 - oferecer, provocando uma degradação ao meio ambiente, a exemplo do lixo que passa de 30 toneladas / dia para 100 toneladas / dia”. (entrevista do Prefeito Nicandro Moreira de Mascedo, RG/Bahia - 29/03/2000) 1.3 Economia O povoado iniciou seu desenvolvimento econômico no início do século XVI, através do ciclo da plantação da cana de açúcar, do trigo, da criação de gado e da indústria de cal, que ainda hoje tem uma grande importância na ilha (o cal usado na construção de Salvador era fabricado em Mar Grande sendo vendido naquela época à Tomé de Souza). Em seguida, veio o ciclo da pesca da baleia em escala industrial, tornando-se a maior atividade econômica nos séculos XVII e XVIII. (UBALDO, Osório – A Velha Itaparica pg. 275). A ilha tem como base atual da sua economia atividades tradicionais, como agricultura de subsistência, pecuária extensiva, a produção artesanal, em especial a pesca. Rios como Paraguaçu e Subaé, independente da importância portuária, servem como meio de subsistência da população que vive em suas margens, complementando a sua renda com os manguezais, que são fonte de alimentação e de sobrevivência. Outra forma de sobrevivência da região é a vocação para floricultura, horticultura, a exemplo da produção (expressiva) anual de 1.100 toneladas de mangas e 4.500 toneladas de coco. Um outro fator de interesse econômico e (social) são os projetos realizados por ONGs, e pela Bahia Pesca, sendo que esta última trabalha com a revitalização das comunidades pesqueiras e desenvolve ações que beneficiarão cerca de 615 pescadores, além do programa de maricultura e da pesca artesanal buscando avaliar 16 áreas potenciais para captura de sementes de ostras. (dado fornecido em entrevista com funcionários das ONGs). Apesar da posição geográfica e do fato de ser uma ilha, a pesca não é a atividade mais lucrativa para os municípios de Itaparica e Vera Cruz, como eram em seus tempos áureos. O desmatamento e a destruição dos manguezais provocou o escoamento dessas atividades econômicas que eram desenvolvidas nos municípios no século XIX e XX, passando a sobreviver com atividades emergentes como o turismo; tendo como principal foco o setor de serviços, e demais atividades que lhe correspondam. (FALCON, Gustavo. Baía de Todos os Santos/GERMEN). Em março de 2000, Vera Cruz contava com aproximadamente 12 mil casas de veraneio espalhadas em seu território, o que economicamente não é atrativo, pois só há demanda no verão e mesmo assim esta demanda não provoca impacto positivo na economia interna, por ser uma população flutuante que não consome insumos do município, acrescentando renda apenas com o IPTU das casas, já que até a própria alimentação eles trazem do destino de origem. De acordo com a
  18. 18. - 18 - Prefeitura, mesmo com uma economia precária, os empregos diretos são gerados pelo setor do turismo, gerando mais receita para o município do que a exploração de minerais de salgema pela indústria Dow Química, ou até mais expressivo do que o IPTU das casas de veraneio.(entrevista Nicandro Moreira de Menezes – RG/Bahia –29/03/2000) Conforme registro da JUCEB (dados de 2001), o município de Vera Cruz possuí 128 indústrias (ocupando o 49º lugar na posição geral do Estado da Bahia), 562 estabelecimentos comerciais e 292 estabelecimentos que lidam com o setor de serviços. Dados da SEI - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia – mostram que o Município de Vera Cruz está classificado em 2º lugar, dentre os 417 municípios baianos, no que tange ao desenvolvimento social e em 1º lugar quanto ao índice de serviços básicos (o que nos mostra um paradoxo já que percebemos que sua população passa por inúmeras dificuldades). A SEI, ainda, considera Vera Cruz como o 20º colocado quanto ao índice Geral de Desenvolvimento Sócio-econômico; Em Desenvolvimento Econômico, Vera Cruz está entre as 35 primeiras cidades baianas. O município de Vera Cruz apresentou nos dados estatísticos no ano de 1970, uma população de 3.143; em 1980, 3.450 habitantes, economicamente ativos. Este índice tem decaído um pouco, devido à falta de visitantes, sejam eles turistas ou veranistas, o que tem prejudicado muito as atividades ligadas ao comércio e aos serviços em geral. Como já podemos perceber, estes dados provam que se for bem gerido, o município poderá apresentar crescimento; boa perspectiva para o turismo, que depende muito dos fatores sociais e econômicos para ser realizado com sucesso. Tabela 03 Vera Cruz Média de pessoas empregadas e de salários pagos 2000 Descrição Valor* Unidade Média de pessoas ocupadas nas empresas atuantes na unidade territorial 5,65 pessoas Média de pessoas ocupadas nas unidades locais 5,56 pessoas Média de pessoas ocupadas assalariadas nas empresas atuantes na unidade 4,25 pessoas territorial Média de pessoas ocupadas assalariadas nas unidades locais 4,18 pessoas Média de salários pagos nas empresas atuantes na unidade territorial 14076,62 salários Média de salários pagos nas unidades locais 13863,33 salários Salário médio (Salário/PO assalariado) nas unidades locais 255,01 salários FONTE: IBGE. 2000 * valor médio salarial
  19. 19. - 19 - Como pode ser observado no gráfico o contingente de pessoas empregadas em Vera Cruz não representa uma massa salarial expressiva (média de R$ 255, 00, pouco mais que um salário mínimo), talvez a prova de que a reorganização da atividade turística possa dar o impulso na geração de empregos para a melhoria da economia local. 1.4 Aspectos Físicos Apesar do segmento turístico mais forte em Vera Cruz ser o de “Sol e Praia”, analisando os aspectos físicos do local pode-se chegar à conclusão que existem mais segmentos potenciais a serem explorados. O clima é o tropical úmido, que tem por características a não definição das estações do ano e poucas chuvas, estas ocorrendo apenas em determinados meses do ano. Devido às características apresentadas o segmento atualmente explorado é sem dúvida o melhor, pois sem ter inverno típico, ou melhor, sol o ano inteiro (com exceção de março, abril, maio e junho, onde ocorrem chuvas ocasionais), o turista tem a possibilidade de usufruir a belezas naturais em qualquer época do ano, sem a preocupação com a metereologia. De acordo com o relevo, a ilha é quase em sua totalidade plana, com exceção apenas do Pico do Urubu e do Outreiro da Faustina. Neste aspecto, nota-se como essa região realmente tem a possibilidade de diversificar seu produto turístico. E, regiões com essas características topográficas, pode-se explorar o turismo de aventura, utilizando essas áreas mais altas com pontos de rapel, hicking, vôos de asa delta, entre outros esportes radicais. A vegetação é outro aspecto físico que recai sobre o segmento de turismo de aventura, pois Vera Cruz possui dois tipos de vegetação predominante: os mangue, chamados pelos turistas de Pantanal Baiano e a restinga de Mata Atlântica. Devido a esses dois tipos de vegetação, existe a possibilidade de utilizar os mangues com o seguinte enfoque: visitar o Pantanal, sem precisar correr os riscos que lá apresenta, com seus animais. Portanto, pode-se apreciar a beleza do local, sem enfrentar os animais perigosos do real Pantanal. Já na restinga de Mata Atlântica, existem trilhas que atravessam rios e o próprio mangue, um ótimo passeio para os aventureiros, sem contar que seria possível fazer uma reserva ecológica semelhante ao da Sempre-Viva, localizada na Chapada Diamantina, pois a Mata Atlântica foi tão devastada, que atualmente não é encontrada em muitos locais. -Hidrografia: pequenas Bacias - Riacho Da Penha; Riacho Da Estiva; Rio Arthur Pestana; Rio Campinas; Riacho Ingá Açu; Riacho Outreiro Grande.
  20. 20. - 20 - -Solo: podzólico vermelho – amarelo álido e areias quartzosas marinhas. Problemas Ambientais / Unidades de Conservação O município de Vera Cruz é carente de Unidades de Conservação, tendo apenas a APA Pinaúnas, localizada entre Cacha Pregos e Berlinque, e os Parques Ecológicos de Itaparica, que abrangem as áreas rurais dos municípios de Vera Cruz e Itaparica; e o de Baiacu, que abriga as ruínas da Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz (séc. XVI). A Área de Proteção Ambiental Recife das Pinaúnas, protegida pela Lei Municipal nº 467 de 1999, compreende mais de 25 Km de recifes, um ecossistema raro e frágil que se encontra na costa de Vera Cruz, onde se pratica mergulho ecológico e conscientização da preservação do ecossistema, através da ONG Pró Mar. A APA abriga algas e vermes poliqueta - espécie de coral que ocorre na formação de manguezais, Santuário Ecológico da Contra Costa. O Parque Florestal de Itaparica, criado pelo Decreto Estadual nº 26122 de 1978, caracteriza- se por remanescentes de Mata Atlântica, possuindo em seu interior centenas de nascentes de água potável. Existem ainda inúmeras espécies de animais silvestres, que utilizam a área como pouso e nidificação. Inúmeros rios desembocam na contra costa, formando um emaranhado de canais navegáveis. Próximos à foz do Jaguaripe, principais canais de navegação da área correm os rios: Mucujó, Santana do Judeu, das Pedras e da Dona, entre outros, que misturam suas águas doces às águas salgadas da baía, propiciando a formação do manguezal, que garante o funcionamento do berçário da vida marinha e domina a paisagem. Na localidade de Baiacu está o Parque Ecológico de Baiacu, na realidade um projeto que ainda está no papel, não tendo nenhuma característica de parque, como delimitação da área com a utilização de cercas, postos de informações, mirantes e trilhas, entre outros. De fato, as trilhas que ali existem só podem ser feitas por guias locais, ainda assim com riscos, devido ao estado em que se encontram totalmente fechadas pela mata nativa. Não há infra-estrutura no local, apenas as ruínas da lendária Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz. Em todos os trechos visitados no município, percebeu-se grande degradação do meio ambiente em diversos aspectos. Nas vias de acesso às praias foram observadas várias áreas de Mata Atlântica desmatadas, inclusive com destruição dos manguezais. Notou-se também uma grande quantidade de lixo e uso
  21. 21. - 21 - irregular do solo, através de construções em áreas alagadiças ou de mangues, alterando o ecossistema local. Com relação às praias, a poluição foi constatada com a presença de esgotos a céu aberto, lixo, falta de infra-estrutura até mesmo básica, e nas barracas. Isto ocorre devido à inexistência de conscientização ecológica dos visitantes e, principalmente, da comunidade local, em relação à conservação e manutenção do meio ambiente. O planejamento turístico de Vera Cruz deve ser desenvolvido diante de uma visão global, com uma preocupação econômica e social, principalmente no que diz respeito à política de preservação e recuperação do meio ambiente. Um planejamento harmonioso, de forma a atender às necessidades para um desenvolvimento equilibrado da atividade turística como um todo, não favorecendo a nenhuma região, localidade ou instituição privada, especificamente. 2. DIAGNÓSTICO DO TURISMO MUNICIPAL “As áreas naturais, em particular as áreas protegidas legalmente, suas paisagens, fauna e flora – juntamente com os elementos culturais existentes – constituem grandes atrações, tanto para os habitantes dos países aos quais as áreas pertencem como para os turistas de todo o mundo. Por este motivo, as organizações para conservação reconhecem a enorme relevância do turismo e estão cientes dos inúmeros danos que um turismo mal-administrado ou sem controle pode provocar no patrimônio natural e cultural do planeta”. (LINDERBERG e HAWKIINS, 1995, p. 26). 2.1 Retrospectiva e Análise do Turismo Municipal2 O turismo na Ilha de Itaparica começou a ser impulsionado entre os anos de 1939 e 1953, quando por iniciativa do poder público estadual passou-se a organizar a promoção da Ilha, divulgando seus atributos naturais e promovendo-a como Primeira Estância Hidromineral do país, ressaltando as propriedades terapêuticas das águas onde a alta sociedade baiana era a sua grande 2 FONTE: MESQUITA, 2003; SEI, 2001; BAHIATURSA, 2001.
  22. 22. - 22 - freqüentadora (Bahiatursa, 2001). Em 1962, acontece o desmembramento da Ilha em dois municípios: Vera Cruz, com a totalidade de 87% do território; e o município de Itaparica, com apenas 13% do território, fato que inicialmente, se constituiu em grande desvantagem para Itaparica, devido ao fato de Vera Cruz ser maior e, portanto, detentora da maior parte dos atrativos naturais ainda desconhecidos que viriam a se tornar de maior interesse para os veranistas. A costa de Vera Cruz voltada para Salvador, constituiu-se em fator favorável para a construção de casas da elite baiana por haver acesso direto e mais rápido da capital baiana para a ilha e vice-versa. Os freqüentadores e veranistas da Ilha eram então, pessoas com um maior poder aquisitivo. Num primeiro momento, a separação foi favorável para Vera Cruz, promovendo o aumento do fluxo de visitantes neste município. Porém, com o passar dos anos, tal desmembramento prejudicou essa dinâmica de fluxo. O fato de se estabelecerem dois municípios com duas administrações distintas, causou um rompimento de captação de recursos que contribuísse para toda a área, ficando Itaparica com a maior parte dos investimentos, desde os direcionados para a infra- estrutura básica, até aqueles voltados para a implementação da atividade turística. Posteriormente, houve uma sensível queda no turismo do novo município - Vera Cruz -, uma vez que as ações públicas passaram a se direcionar apenas na cidade sede da Ilha - Itaparica, tornando as demais localidades de Vera Cruz carentes e desprovidas de atenção por parte dos governantes. No auge da promoção do turismo em Vera Cruz foram construídos novos equipamentos, inclusive hoteleiros, e também diversificados restaurantes, contribuindo assim para o aumento do fluxo turístico na localidade. Outro aspecto que contribuiu para aumentar o fluxo de visitantes neste município, foi a inserção do sistema de Ferry Boat (1972), que facilitou o deslocamento do fluxo de visitantes em maiores proporções, oferecendo também um serviço de qualidade. Em novembro de 1979, foi instalado no município de Vera Cruz o Club Med, cadeia internacional de resorts, causando uma nova dinâmica no destino receptor. Essa dinâmica caracterizou-se apenas pelo fato de ser Vera Cruz o local de instalação do empreendimento, portanto receptor e via de acesso do fluxo de turistas que chegam rumo ao local, de avião (Fokker – 50), ferry boat ou de catamarã. Hoje, constata-se que o resort não trouxe nenhum tipo de interação com meio, pois seus hóspedes ficam todo o tempo voltado para as atividades no interior das áreas restritas ao hotel, atendendo assim aos próprios objetivos e conceito do resort. Também não houve aproveitamento de
  23. 23. - 23 - mão-de-obra local nas proporções do tamanho do empreendimento, sendo a maioria dos funcionários naturais de outros estados e alguns poucos de Salvador. Ainda, de acordo com o autor Remi Knafou (1996), “este tipo de equipamento promove o turismo sem território, que não procede da iniciativa de turistas, mas da iniciativa de operadores de turismo que implantam o produto no mercado. Portanto, este tipo de turismo, praticado tanto pelo equipamento como pelos turistas, não tem a menor intenção de conviver com a realidade". Nos finais da década de 80, os primeiros sinais de declínio de Vera Cruz começaram a aparecer. A abertura da BA-009, conhecida como Estrada do Coco, que facilitou o acesso às praias do Litoral Norte, ocasionou a fuga dos veranistas da Ilha em busca de lugares menos explorados. Hoje, a BA-009 é considerada uma das melhores rodovias brasileiras (Confederação Nacional dos Transportes, 2002; Guia Quatro Rodas, 2002). O Ferry Boat também contribuiu para a super popularização do município de Vera Cruz, afastando os veranistas de maior poder aquisitivo, passando a localidade a ser freqüentada por pessoas de baixa renda. Essa evasão também foi causada pela indiferença da administração local, ocasionando problemas ambientais como queimadas, desmatamentos, lixo por todas as localidades, falta de esgotamento sanitário e super exploração do setor imobiliário em áreas inadequadas. Para que o turismo em Vera cruz seja revitalizado é preciso uma prática de novas diretrizes por parte do poder público local e estadual, atuando sobre a conscientização da comunidade local para a importância da atividade como sendo propulsora da economia, identificando novos segmentos para uma exploração equilibrada dos atrativos naturais e culturais que o município tem a oferecer, visualizando assim outros caminhos de interesse para a visitação de turistas que não seja apenas o de “Sol e Praia”. 2.2 Diagnóstico de Infra-Estrutura Com base nas visitas técnicas feitas a Vera Cruz, pode-se notar que a infra-estrutura básica do local está necessitando de melhorias. Logo ao deixar o terminal marítimo de Bom Despacho, fica notório que é necessária a repavimentação da Ba 001 e essa afirmação se concretiza, principalmente nas localidades mais afastadas como Cacha Pregos, Berlinque e Jeribatuba, onde o asfalto se encontra com desnivelamento e buracos em muitos trechos. Um outro problema da comunidade é a falta de hospitais, ou melhor, eles existem, porém com falta de materiais e médicos, o que faz com que o atendimento seja precário e muitas vezes um pequeno problema se transforme em morte.
  24. 24. - 24 - Na Ilha, não existe uma destinação para o lixo, que se acumula ao longo do acostamento e se amontoa nos terrenos baldios. Esse problema não existiria se não fosse pela desativação do aterro sanitário que se encontra na estrada de barro que liga a Ba 001 a Baiacu. Como está desativado por falta de dinheiro para a manutenção este perdeu sua utilidade e hoje para reativá-lo se pagará um preço mais alto do que para construir um novo. Segundo dados do IBGE, a maioria da população só possui até o primeiro grau, o que dificulta a conscientização destas para problemas como educação sanitária, educação ambiental e noções básicas de higiene. Ainda existem comunidades, como Baiacu, em que não existe água encanada e esgoto, o que favorece o aparecimento de doenças de veiculação hídrica e parasitárias. A sinalização é outro problema relacionado com a infra-estrutura municipal. Ao sair de Bom Despacho, nota-se que existe um excesso de placas, porém estas não são de indicação de localidades, a rodovia encontra-se com um sério problema de poluição visual, pois na estrada existem inúmeras placas que são utilizadas como marketing para serralherias, supermercados, oficinas, entre os outros diversos serviços que a Ilha oferece. A sinalização de indicação, que atualmente se encontra na Ilha está completamente deteriorada e muitas placas estão encobertas pela vegetação, que não é aparada pelos responsáveis. Para os atrativos, não se há nenhuma sinalização.O visitante pode contar com a sorte de ao entrar na localidade errada pela falta de sinalização, encontrar algum atrativo escondido como a Igreja de Nosso Senhor de Baiacu ou o Parque Ecológico. Já a sinalização da oferta hoteleira, se encontra em total desordem, o que resulta na inutilidade da mesma, devido ao excesso e a falta de padronização das placas, o visitante não consegue obter através delas a informação dos locais de hospedagem. Enfim, como se pode notar a situação da Infra-Estrutura está realmente necessitando de melhoras emergenciais. Porém para isso acontecer deve-se conscientizar a comunidade e os seus governantes que esses são atributos básicos para que qualquer sociedade possua a menor condição de sobrevivência e que para atrair demanda turista é necessário que estes se sintam bem, pois ninguém irá para um local no qual terá que beber água de rio onde ao lado existe uma fossa sanitária improvisada.
  25. 25. - 25 - 2.3 Diagnóstico da Demanda Após uma pesquisa de campo onde foram aplicados 20 questionários3 com visitantes do local, a equipe buscou obter algumas informações sobre o perfil da demanda turística de Vera Cruz. Essas informações serão exibidas através de tabelas e suas respectivas descrições. Entre os entrevistados, a maioria eram brasileiros (cerca de 85%) e dentre estes de nacionalidade brasileira mais da metade ( cerca de 65%) eram da capital baiana, os outros visitantes baianos eram originários do recôncavo ou de outras cidades do Estado. Dentre os entrevistados apenas 35 % não eram baianos, sendo que 20 % eram de outros estados do país, que eram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os visitantes estrangeiros somavam 15% e se originavam da Itália e Holanda. Tabela 04 Vera Cruz Origem de Visitantes Origem dos Visitantes Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) Salvador 08 40 Reconcavo/Outras Regiões 05 25 Outros Estados 04 20 Exterior 03 15 Total 20 100 FONTE: Sampaio,,Carla(2003) O meio de transporte mais utilizado é o aquaviário (com grande demanda de utilização para o Ferry-Boat). Dentre os vinte turistas entrevistados 13 desses utilizaram este meio de transporte (aquaviário), porque eram da capital baiana ou porque estavam hospedados em Salvador, antes de se destinarem a Ilha de Itaparica ; isso porque dentre os turistas “não baianos” entrevistados ,os 3 originários de outros países e os 4 de outros estados utilizaram em sua totalidade o Ferry-Boat. Estes dados refletem que Salvador é o maior pólo emissor de Vera Cruz. O segundo meio de transporte mais utilizado é o rodoviário, o que indica que estes turistas vieram de cidades próximas do município. 3 Os questionários foram aplicados em dois de setembro de 2003, o a amostra foi neste valor devido a dificuldade de colaboração dos vistantes.
  26. 26. - 26 - Tabela 05 Vera Cruz Meio de Transporte Utilizado pelos Turistas Meios de Transporte Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) Aquaviário 13 65 Rodoviário 07 35 Total 20 100 FONTE: Brandão, Fabiana(2003) Os 80% dos visitantes entrevistados de Vera Cruz viajam com amigos ou familiares, poucos estavam viajando sozinhos, e dentre estes 20% ,em sua totalidade estavam os turistas estrangeiros e de outros estados. Tabela 06 Vera Cruz Turistas por existência de acompanhante Com Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) quem Viaja Amigos 09 45 Familiares 07 35 Sozinho 04 20 Total 20 100 FONTE: Aguiar, Fernanda( 2003) O tempo de maior permanência no município é 3 a 5 dias, estes visitantes com maior tempo de permanência em sua maioria eram estudantes. O segundo maior tempo de permanência é de 1 a 2 dias refletindo uma passagem de apenas um fim de semana no município Tabela 07 Vera Cruz Tempo de Permanência dos Turistas Tempo de Permanência Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) 1 A 2 dias 15 75 3 A 5 dias 05 25 Total 20 100 FONTE: Sampaio, Carla(2003)
  27. 27. - 27 - Poucos turistas soteropolitanos estavam visitando o município pela primeira vez, o que é um lado positivo para Vera Cruz, já que os turistas originários do seu maior pólo emissor, já visitaram a Ilha ou pelo menos têm conhecimento do local. Dentre os turistas que estavam visitando o município de Vera Cruz pela 1º vez apenas 2 não eram brasileiros , estes eram 2 turistas Italianos. Os turistas que já haviam visitado o local por mais de 5 vezes em sua totalidade eram baianos, com maioria de origem soteropolitana. Tabela 08 Vera Cruz Turistas por número de visitas que já fez ao município Nº de Visitas Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) 1º Vez 04 20 2 Vezes 05 25 Acima De 5 Vezes 11 55 Total 20 100 FONTE: Brandão, Fabiana(2003) A maioria dos visitantes que alegou visitar freqüentemente Vera Cruz eram do Estado da Bahia e com maior número de turistas da capital. Dentre os vinte turistas entrevistados 9 tinha freqüência de viagem mensal, dentre eles estavam 2 de outros estados do país. GRÁFICO: Freqüência da Visitação SEMANALMENTE 45% 35% MENSALMENTE ANUALMENTE 20%
  28. 28. - 28 - As demandas pelos equipamentos do local, correspondentes à alimentação ou lazer eram nulas em relação aos estrangeiros, pois estes faziam suas refeições ou demandavam serviços de entretenimento no seu meio de hospedagem, até por pedido ou recomendação dos próprios donos do equipamento hoteleiro em questão, que era o Club Med. Apenas 2 turistas de outros estados ( o que corresponde a metade desses entrevistados) demandavam os equipamentos de alimentação ou lazer do local, e estes 2 turistas não estavam hospedados no Club Med. A totalidade dos turistas baianos demandavam os equipamentos de lazer ou alimentação do município, mesmo estando, alguns deles, hospedados no Club Med. A equipe concluiu que existe uma falta de orientação para estes turistas consumirem os bens e serviços dos equipamentos locais. GRÁFICO: Uso De Equipamentos de Lazer Ou Alimentação do Município 100% ESTRANGEIROS 50% OUTROS ESTADOS BAIANOS 0% Os meios de hospedagem mais utilizados eram extra-hoteleiros, a exemplo da casa de parentes ou amigos, mais procurados por visitantes do próprio estado da Bahia, logo depois são os hotéis e pousadas que estavam ocupados por turistas “não –baianos”, o que reflete um ponto negativo na consumação destes equipamentos de hospedagem por turistas do Estado ou até mesmo da capital (apenas 2 turistas baianos), porque a Bahia ou mais especificamente Salvador é o maior
  29. 29. - 29 - pólo emissor de turistas para o município. Apenas 10% estavam utilizando sua própria casa para visitação do local. Tabela 09 Vera Cruz Turistas por Meio de Hospedagem Utilizado Meios de Hospedagem Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) Casa de Amigos ou Parentes 09 45 Hotéis 06 30 Pousadas 03 15 Propria Casa 02 10 Total 20 100 FONTE:Brandão, Fabiana(2003) A maioria dos turistas que freqüentam o município tem um gasto médio de 15 a 20 reais , Este gasto médio provém de turistas que não estavam em equipamentos hoteleiros ( hotéis e pousadas),e sim de turistas hospedados em casa própria, ou de amigos e parentes . Os turistas que ficavam em hotéis ou pousadas tinham um gasto médio acima de 100 reais, mas neste valor está incluso o valor das diárias dos meios de hospedagem correspondentes. Através da pesquisa feita pela equipe, pode-se concluir que o gasto médio real dos turistas em Vera Cruz é de 15 a 20 reais, pois mesmo os turistas que tinham um gasto superior a este valor não gastavam todo seu dinheiro diariamente em outros equipamentos, pois se deve abater o valor das diárias dos meios de hospedagem dentro deste valor. Isso significa que o turismo em Vera Cruz ainda é de baixo “impacto” econômico, para o local, pois o efeito multiplicador do dinheiro que vem dos turistas para a região é quase que insignificante para que o Município tenha um bom desenvolvimento dentro da atividade turística, já que não gera uma receita que tenha bons lucros na economia de Vera Cruz.
  30. 30. - 30 - Tabela 10 Vera Cruz Gasto dos Turistas (Em Real): Gastos dos Turistas Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) R$ 15 A 20 10 50 R$ 20 A 40 01 05 R$ 70 A 100 02 10 Acima De R$ 100 07 35 Total 20 100 FONTE: Aguiar, Fernanda(2003) GRÁFICO: Gasto Real nos Equipamentos não Hoteleiros 60% R$ 40 a 70 R$ 20 a 40 R$ 15 a20 30% 10% A maior motivação turística é o lazer, mais especificamente de sol e praia, representando uma motivação de 80% dos entrevistados , o que reflete a falta de informação destes turistas ,sobre a diversidade do produto turístico em questão que é o município de Vera Cruz. Dentro destes 80% dos entrevistados, que eram turistas de lazer, nenhum deles tinha conhecimento de outras formas ou tipos de turismo existentes no local.
  31. 31. - 31 - Tabela 11 Vera Cruz Turistas por Motivação da Visita Motivação Turística Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) Sol e Praia 16 80 Negócios 03 15 Ecológico 01 5 Total 20 100 Fonte: Sampaio, Carla(2003) Dos vinte entrevistados 15 deles eram do sexo masculino, e entre os turistas que não eram do Estado da Bahia, não foi entrevistado nenhum do sexo feminino. GRÁFICO: Distribuição da amostra por Sexo 75% MASC FEM 25% Há uma grande quantidade de jovens e solteiros visitantes no local, dentre estes jovens, estão 30% de universitários e empresários. Mas dentre os vinte entrevistados, a maioria apenas tinham o 2º grau completo, o que reflete o baixo nível de escolaridade dos visitantes.
  32. 32. - 32 - GRÁFICO: Faixa-Etária 40% 35% 25% 45 a 65 ANOS 25 a 44 ANOS 15 a 24 ANOS GRÁFICO: Estado Civil 55% 35% OUTROS CASADO 10% SOLTEIRO GRÁFICO: Escolaridade 40% 25% OUTROS 1º GRAU 20% SUPERIOR 15% 2º GRAU O baixo nível de escolaridade justifica a maioria dos cargos ocupados pelos turistas visitantes de Vera Cruz, que eram de empregados de empresas, com cargos poucos significativos, o que também justifica a baixa renda familiar dos entrevistados, que em sua maioria era de 4 salários mínimos.4 4 Considerou-se o salário-mínimo de R$ 240,00
  33. 33. - 33 - GRÁFICO: OCUPAÇÃO 45% EMPRESÁRIO ESTUDANTE 25% DIRETOR OU GERENTE 20% EMPREGADO DE EMPRESA 10% GRÁFICO: RENDA FAMILIAR 50% 20 a 40 SM 35% 10 a20 SM ACIMA DE 50 SM 10% 4 SM 5% 55% do entrevistados tomaram conhecimento do produto turístico Vera Cruz, através de amigos ou parentes ,mas dentre estes 55% , todos eram do Estado da Bahia, o que demonstra que a Ilha de Vera Cruz não é indicada por outros turistas ( fora do estado/ estrangeiros) ou oferecida como pacotes turísticos por agências ou operadoras estrangeiras ou de fora do Estado, isso reflete a necessidade de uma promoção efetiva da Ilha para a atração de turistas potenciais. Os outros turistas ficaram sabendo do produto Vera Cruz através de documentos turísticos (folhetos, folders, mapas, etc..) que foram recolhidos no seu local de hospedagem anterior a Ilha ou através de viagens anteriores ao Estado ou publicidade nos jornais e/ou revistas especializadas.
  34. 34. - 34 - Tabela 11 Vera Cruz Turistas por fonte de informações sobre Vera Cruz 2003 Quantidade Absoluta Quantidade Percentual (%) Conhecimento do Local Amigos ou Parentes 11 55 Documentos Turístico 05 25 Viagens Ateriores 02 10 Publicidade em Revistas ou 02 10 Jornais Total 20 100 FONTE: Aguiar, Fernanda(2003) 2.3 Diagnóstico da Oferta Complementar Esta pesquisa possibilitou o conhecimento da realidade em campo, superando os nossos conhecimentos e limitações nos processos didáticos e nas informações institucionais sobre a Oferta Complementar do Turismo, no município de Vera Cruz. O objetivo desta investigação é ter conhecimento do perfil da oferta complementar, avaliar o nível de capacitação, qualidade do atendimento em relação ao cliente, e observar como esta se comporta na utilização dos equipamentos da oferta complementar oferecidos pelos empresários do município. Foi determinado que, dentre a oferta complementar trabalharíamos com os equipamentos tipo: Bares, Restaurantes, Lanchonetes, Barracas de Praia, Hotéis e Pousadas. Após isto planejamos a elaboração dos questionários e qual o melhor momento para aplicação dos mesmos. Para obter as informações, partimos do seguinte princípio: o planejamento de como colocar a teoria, o método e a prática no levantamento das informações e definição de quando ir a campo a fim de coletar as informações necessárias sobre a oferta complementar do município de Vera Cruz. Após consolidação das teorias e através da elaboração dos questionários, observou-se qual seria o melhor método para a prática da nossa pesquisa. Concluiu-se que o ideal seria mapear as localidades de maior número de equipamentos, definindo qual o trajeto e as localidades a serem
  35. 35. - 35 - visitadas, com base nas orientações da equipe de Atrativos Turísticos que já tinha ido a campo para pesquisa dos atrativos. Com a definição das localidades através do mapa do município de Vera Cruz, nós aplicamos a pesquisa nas seguintes localidades: Cacha Pregos, Berlinque, Tairú, Barra Grande e Mar Grande. Cacha Pregos: Iniciamos a aplicação dos questionários nesta localidade, entrevistando um universo de três pousadas, dois restaurantes, e três barracas de praias, sendo enfocados os seguintes questionamentos: Pousadas - Nestes estabelecimentos identificamos proprietários com os seguintes graus de escolaridade, um empresário com o 2º grau completo, um com nível superior, e um pós-graduado, quantidade de funcionários em média de 2, sendo que na alta estação contratam mão de obra temporária; origem da mão de obra dos municípios vizinhos, a exemplo de Jaguaribe, Nazaré das Farinhas e Santo Antônio de Jesus, até porque nos informaram com o pessoal da comunidade não gosta de trabalho, quantos ao incentivo da Prefeitura foi informado que não existe; o tempo que o hóspede permanece no Meio de Hospedagem é, em média de 1,5 a 2, e de procedências nacionais, municipais e internacionais, praticando tarifa diferenciadas na alta e baixa estação, varia de R$ 80.00 a R$ 45.00; números de quartos de 10 a 12 com uma média de 28 leitos entre casal e solteiro, alguns com beliches, todas oferecem café da manhã, o conhecimento da satisfação dos seus clientes é através de elogios, mensagens e indicações de novos hóspedes. A coleta de lixo é processada todos os dias. Existe uma consciência de alguns proprietários que deixaram claro que o seu hóspede não é só da pousada, e sim da localidade, ele usufrui dos benefícios que a localidade lhe proporciona, como uso a barraca de praia, restaurantes etc. Na qualidade da prestação dos serviços classificaram-se como duas a três estrelas. Restaurantes, Bares e Barracas de Praia: Nestes equipamentos a escolaridade fica entre o 1º e 2º grau, a média é de 2 funcionários, na alta estação contratam mão de obra temporária dos municípios vizinhos; origem da clientela é local, municipal, nacional e internacional; o material consumido é adquirido nas localidades de Nazaré das Farinhas, Jaguaribe onde adquire todos os mariscos e Santo Antônio de Jesus. Um dos itens questionados foi em relação a ofertar os serviços, um dos entrevistados informou que a divulgação é através do carro de som, porém a concorrência é grande, não havendo união por parte dos empresários. Houve um depoimento de Ricardo Maia dono da Pousada Cacha Pregos sobre a necessidade de unir todos os empresários da área para uma maior exploração do que eles têm para ofertar e através da união fazer de Cacha Prego uma localidade melhor. Berlinque: Nesta localidade o universo resumiu-se em um restaurante, o único que estava aberto no momento da visitação, visitamos duas pousadas que estavam em reforma, uma outra fechada. O
  36. 36. - 36 - grau de escolaridade do proprietário do restaurante é 2º grau completo, sua origem é de Amargosa, mora na ilha há 14 anos, e a sua experiência anterior foi em restaurante; normalmente opera com 4 funcionários, faz algumas reformas no estabelecimento para alta estação e contrata novos funcionários, toda matéria prima consumida no restaurante é adquirida em Santo Antônio de Jesus , Nazaré das Farinhas e da própria ilha quando se trata de mariscos, quanto ao processamento do lixo é recolhido todos os dias. Tairú: Nesta localidade só encontramos uma pousada aberta, a pessoa que nos atendeu informou que era o proprietário, quando iniciou a entrevista teve dificuldade em responder algumas questões e nos disse que só posteriormente para encontrarmos o dono, o mesmo estava em Salvador. Barra Grande: Entrevistamos dois hotéis e três pousadas. Quanto ao nível de escolaridade, a maioria possui 2º grau completo (3) enquanto outro possui o nível superior completo e outro possui apenas o 1º grau, funcionando com uma média de três empregados, originados de Nazaré das Farinhas e Santo Antônio de Jesus e áreas próximas, a procedência da clientela é bem diversificada: municipal, estadual, nacional e em alguns períodos do ano, internacional, atendendo com uma média de tarifa para os hotéis na alta estação de R$ 57,00 e na baixa estação de R$ 40,00, e as pousadas cobrando uma tarifa de R$30,00 na alta estação e na baixa R$ 15,00. Oferecem em média 10 quartos tipo apartamento alguns com tv, som, oferecem café da manhã, e quanto à satisfação do cliente, ela é conhecida com o retorno ou indicação de novos clientes, porém em Barra Grande a coleta de lixo continua precária. Continuando a pesquisa nesta localidade entrevistamos duas lanchonetes e uma barraca de praia, onde um dos empresários tem o 1º grau o outro 2º grau, tendo experiência anterior na própria área, um estabelecimento era do pai, outros trabalhavam na área, no momento não tem funcionários, porém na alta estação contratam mão de obra que são de localidades próximas como Nazaré das Farinhas e Santo Antonio de Jesus, não existe coleta de lixo, porém todo o matéria- prima é da própria ilha, principalmente os mariscos, a clientela varia, nacional, municipal, local, internacional principalmente no verão. Mar Grande: No universo dos equipamentos de Meios de Hospedagem em Mar Grande aplicamos a pesquisa em dois hotéis e seis pousadas onde obtivemos as seguintes informações: quanto ao grau de escolaridade, quatro empresários têm 2º grau completo, dois não informaram e dois têm nível superior, quanto à aquisição de mão de obra são da própria comunidade e Nazaré das Farinhas. Alguns informam que não têm dificuldades para ofertar o serviço, porém outros informam que a linha verde tirou muita clientela, quanto a capacitação da mão de obra alguns já tomaram cursos no Sebrae e Senac. A média de permanência dos hóspedes no estabelecimento no máximo é de dois dias, atendendo uma clientela internacional, nacional e municipal, quanto aos serviços oferecidos ao cliente eles classificam-se como sendo de três a quatro estrelas, ficando dois estabelecimentos sem responder quanto à classificação Em relação à tarifa aplicada na alta estação,
  37. 37. - 37 - fica em média de R$ 90,00 a R$ 45,00 a diária, na baixa estação de R$ 40,00 a R$ 25,00, oferecem apartamentos simples, duplo e triplo, apartamentos com frigobar, tv, ar-condicionado e piscina, todos oferecem café da manhã, a satisfação do cliente é medida pelo retorno do mesmo e indicação de novos clientes. A pousada Espelho do Mar tem um diferencial no atendimento, falam Italiano e Holandês, oferecem eventos, passeios de bicicletas explorando novas trilhas, caiaques, etc. Quanto a número de funcionários de 3 a 6 fixos e na alta estação contratam novos temporariamente. Nas Barracas de Praia aplicamos a pesquisa em quatro estabelecimentos, onde a quantidade de funcionários varia de dois a quatro, sendo moradores da própria comunidade, não oferecendo cursos de capacitação, à proporção que contratam dão as orientações necessárias, tendo uma clientela nacional, municipal e internacional, a exemplo do estabelecimento “Kioski Cuibar” do proprietário Renato Matos, na hora da pesquisa estava com vários clientes da Holanda, França e Canadá, quanto a satisfação do atendimento é sempre através dos elogios e retorno dos mesmos, em relação a coleta do lixo informam que é um total abandono A visão deles em relação ao turismo é que o município tem potencial, porém as autoridades públicas não possuem um profundo conhecimento de planejamento turístico, deixando a ilha em total abandono, principalmente com a infra-estrutura, ao lado desta barraca corre esgoto ao céu aberto impossibilitando que os clientes ultrapassem para o outro lado da praia, os próprios barraqueiros é que tentam fazer barreiras com areias para diminuírem o fluxo do esgoto e permitirem ida e vinda dos clientes, não há fiscalização das Kombis que levam transportam os visitantes e comunidade dentro do município.. 2.4 Diagnóstico da Oferta Diferencial Nas visitas técnicas realizadas em Vera Cruz pôde-se constatar a diversidade de atrativos naturais e culturais, com enorme potencial do município para a exploração de alguns segmentos turísticos, como o turismo ecológico, esportivo, cultural e religioso. Dentre os pontos positivos, destacam-se as ruínas das igrejas de Sto Antônio de Velasques, Matriz de Nossa Senhora da Conceição e Nosso Senhor de Vera Cruz, cada uma delas com suas particularidades e singularidades. Todas estão localizadas em pontos estratégicos, avistando o mar ou o mangue, num contraste de cores que envolvem a Mata Atlântica sempre presente, o azul do céu, nítido, além do horizonte que brilha intensamente como resultado do forte sol que reflete em águas cristalinas. As praias, ainda que pequenas, oferecem águas transparentes com temperatura agradável e, normalmente, encontram-se em formato de baía aberta cercada por arrecifes, o que proporciona calmos banhos de mar e favorece a prática de esportes náuticos. A praia de Cacha Pregos é ainda
  38. 38. - 38 - banhada pelo Rio Jaguaripe, o que dá às suas águas a característica de serem salobras, turvas e amarronzadas. Uma localidade merece destaque e atenção especial: Baiacu. Localizada na contracosta do município, a vila de pescadores reúne fatores que a tornam ímpar. Os terreiros de candomblé dividem as ruas estreitas de forma harmoniosa com igrejas de várias religiões; os pescadores tecem suas redes de forma artesanal, enquanto suas esposas ao sol, tratam a pesca que irá à mesa em seguida; as crianças correm pelos mangues numa demonstração de total intimidade com a natureza. Tudo isso envolto em densa Mata Atlântica, onde qualquer horizonte torna-se uma deslumbrante paisagem, com as ruínas da Igreja de Sto Antônio de Velasques ao alto, abençoando o local. No entanto, a falta de saneamento básico é um problema que aflige todo o município. Nos mangues de Baiacu, assim como nos demais localizados entre as praias da costa, esgotos são despejados a olho nu. Muito lixo pôde ser visto em toda a extensão do município, comprometendo e degradando a imagem a imagem local. A falta de sinalização, tanto dos atrativos quanto das localidades, prova o descuido das autoridades com relação às mesmas, até pelo fato de Vera Cruz ser cortada por uma rodovia estadual de grande importância, que é a BA 001, porém considerada uma das piores rodovias brasileiras (Confederação Nacional dos Transportes, 2002). É facilmente identificável a falta de consciência da comunidade local para o potencial turístico do município e os cuidados que serão requeridos para a exploração da atividade. As visitas que se seguiram de Maio a Setembro, permitiram o inventariamento de parte dos principais atrativos turísticos do local, entre praias, igrejas e mangues, tendo sido utilizada a metodologia da Embratur. A ausência dos responsáveis pelas igrejas impediu a produção dos inventários das mesmas (com base na categorização hierárquica da Embratur), portanto não sendo possível apresentá-las. Em seguida, serão apresentados os inventários de oito praias da costa e um mangue da contracosta do município. Estarão relacionadas ainda as igrejas visitadas, algumas fontes e datas comemorativas do município. CATEGORIA: ATRATIVOS NATURAIS TIPO: Costas ou Litoral SUBTIPO: Mangues MANGUEZAL DE BAIACU Hierarquia: III Nome: Mangues de Baiacu
  39. 39. - 39 - Localização: Centro – Baiacu – Vera Cruz – Baía de Todos os Santos Detalhamento do acesso mais utilizado: Após atravessar a Baía de Todos os Santos, via Ferry Boat ou lancha saindo do terminal do Mercado Modelo, segue-se na rodovia BA 001, chegando ao entroncamento de Baiacu, percorrendo aproximadamente 8Km até chegar ao atrativo. Descrição: A praia de baiacu situa-se na contra costa do município de Vera Cruz, possuindo grande potencial de recursos naturais e paisagísticos, sendo o manguezal seu atrativo mais significativo. A praia que dá acesso aos mangues tem uma extensão de aproximadamente 500m e 100m de largura na maré seca. Tem uma profundidade de que vária de 1,0 a 2,5m, com águas turvas, calmas e temperatura entre de 25°C a 28°C. Baiacu tem um grande potencial para o desenvolvimento de atividades náuticas e turísticas como: a pesca esportiva, canoagem nos cursos dos mangues, passeio de barco com guias locais, visita à colônia de pescadores (desenvolvendo atividades junto à comunidade local). Apesar de toda beleza natural de Baiacu, a localidade apresenta muitos entraves para o desenvolvimento da atividade turística, como lixo na praia e manguezais, ausência de lixeiras, iluminação precária, falta de saneamento gerando poluição do manguezal e das águas, a pesca de bomba, uma atividade predatória, ausência de restaurantes ou estabelecimentos do gênero para atender às necessidades de turistas e visitantes. Baiacu apresenta um posto policial que encontra-se fechado na maior parte do tempo. As informações abaixo devem ser aplicadas a todos os inventários: - Meios de acesso ao atrativo; rodoviário, pavimentado, bom. Atrativo Urbano; aéreo e hidroviário (M / F). - Tempo necessário para conhecer os atrativos; horas. - Atividades ocorrentes; para as praias, mergulho, pesca, passeios de barco, jet-ski, banhos de mar, jogos de areia. Para o mangue, pesca, passeios de barco e canoas. - Origem dos visitantes; internacional, nacional, regional e local. Meses de maior visitação; novembro a março. - Integra roteiros turísticos comercializados? Sim, pelas agências Lilás e Tours Bahia. - Transporte (tipo e frequência); ferries e lanchas, que saem diariamente do Terminal de São Joaquim para Bom Despacho e do Centro Náutico da Bahia para o Terminal de Mar Grande, consecutivamente. Transporte alternativo por meio de vans e kombis também são frequentes. - Observações complementares; infra-estrutura ineficiente, abastecimento de água e luz existentes, telefones públicos e postos policiais.
  40. 40. - 40 - Apesar da praia de Tairu não ter obtido a hierarquia* máxima obtida pelas praias (Hierarquia III), de acordo com o inventário baseado na metodologia da Embratur, esta praia foi considerada pelo grupo como a de maior beleza natural e mais indicada para os banhos de mar e sol. * Com relação às hierarquias:  Hierarquia IV: atrativo turístico de excepcional valor e de grande significado para o mercado turístico internacional, capaz, por si só, de motivar importantes fluxos de visitantes, atuais ou potenciais, tanto internacionais como nacionais;  Hierarquia III: atrativo turístico muito importante, em nível nacional, capaz de motivar um fluxo, atual ou potencial, de visitantes nacionais ou internacionais, por si só ou em conjunto com outros atrativos contíguos;  Hierarquia II: identifica atrativo com algum interesse, capaz de estimular fluxos turísticos regionais e locais, atuais ou potenciais, e de interessar visitantes nacionais e internacionais que afluíram por outras motivações turísticas;  Hierarquia I: identifica atrativo complementar a outro de maior interesse, capaz de estimular fluxos turísticos locais. CATEGORIA: ATRATIVOS CULTURAIS TIPO: Monumento SUBTIPO: Arquitetura Religiosa  Igreja Matriz de Mar Grande;  Igreja de Santo Antônio de Velasquez (ruínas);  Igreja Matriz de Nossa Senhora de Conceição (ruínas);  Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Conceição);  Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Berlinque);  Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz (ruínas). CATEGORIA: ATRATIVOS CULTURAIS TIPO: Monumento SUBTIPO: Arquitetura Civil/Fontes  Fonte da Tabatinga;  Fonte São Jorge;
  41. 41. - 41 -  Fonte do Tereré: manancial de água potável rica em magnésio, localiza-se na Ilhota;  Fonte e Cachoeira do Tororó: localizada em Matarandiba, esta queda d`água entre pedras forma uma fonte próxima ao mar;  Fonte do Arcanjinha: fonte de água natural, envolta por um extenso manguezal, também está localizada em Matarandiba;  Fonte da Quarta: fonte secular de água natural e própria para consumo, localizada na Fazenda Caboto – Matarandiba;  Fonte do Catita: fonte de água natural e mineral está na estrada que liga Coroa / Baiacu;  Fonte do Murici: poço natural, com nascente de água doce entre plantas e árvores nativas da região. Localiza-se no loteamento Paraíso do Mar – Calado;  Fonte da Praia: fonte de água natural, com plantas nativas e vegetação rasteira, está localizada no Calado;  Fonte do Sonrrisal: localizada em Aratuba, é uma fonte com bica, formada por rio de água escura e uma bela cachoeira. CATEGORIA: ATRATIVOS CULTURAIS TIPO: Monumento SUBTIPO: Outros Legados  Terreiros de Candomblé de Baiacu: preservação do culto de origem africana;  Ilê Axé Omindê – Ilhota;  Seita Angola Candomblé – Jiribatuba;  Terreiro Linha de Umbanda – Jiribatuba;  Candomblé de Angola;  Candomblé Queto;  Ilê Axé Baba Umi Orum;  Ilê Axé Odeba-Faromi; CATEGORIA: MANIFESTAÇÕES E USOS TRADICIONAIS E POPULARES TIPO: Festas, Comemorações e atividades SUBTIPO: Religiosas  Festa de Bom Jesus dos Navegantes (Gamboa) – 01e 02 de Janeiro;  Romaria de Cacha Pregos (Cacha Pregos a Jiribatuba) – Janeiro ou Fevereiro - - - data móvel;
  42. 42. - 42 -  Festa de Iemanjá – 2 de Fevereiro;  Festa de Nossa Senhora das Candeias (Ilhota) – 01 a 03 de Fevereiro;  Festa da Santa Cruz (Gameleira) – Maio;  Festa de Santo Antônio (Campinas) – 01 a 13 de Junho;  Festival do Vento e Festa de São Lourenço – 9 a 11 de Agosto;  Festa de Nosso Senhor de Vera Cruz – 13 a 16 de Setembro;  Ritual dos Eguns – 2 de Novembro;  Festa de Santa Luzia – 13 de Dezembro;  Festa de Nossa Senhora da Conceição (Sede e Conceição) – 08 de Dezembro. CATEGORIA: MANIFESTAÇÕES E USOS TRADICIONAIS E POPULARES TIPO: Festas, Comemorações e atividades SUBTIPO: Populares e Folclóricas  Lavagem da Fonte (Matarandiba) – 25 de Junho; CATEGORIA: ACONTECIMENTOS PROGRAMADOS TIPO: Realizações Diversas SUBTIPO: Artísticas e Culturais  Festival de Inverno (Mar Grande) – Julho; 2.5 Diagnóstico de Educação Ambiental A comunidade escolhida pela equipe para trabalhar com o projeto de intervenção, inicialmente, foi Baiacu. A segunda visita a localidade ocorreu no dia 17/08/03 onde foram entrevistados 95 moradores do local, coletando inúmeras informações sobre o local, consolidando dessa forma o projeto de intervenção Limpa Móvel. Através do questionário aplicado junto à comunidade percebemos o quanto à comunidade sofre com diversos problemas de ordem social e ambiental. Além disso, podemos observar que uma boa parte da comunidade não tem conhecimento do que a atividade turística e a conscientização ambiental podem trazer à sua comunidade.
  43. 43. - 43 - Com aplicação dos questionários levantamos o conhecimento da comunidade a cerca do que é Educação Ambiental e os principais problemas ambientais vividos por eles como: não possuírem rede de esgoto, coleta de lixo adequada e diária, dificuldade de acesso à localidade, entre outros. Atrelado a isso, tivemos a preocupação de saber sobre o interesse da população em relação ao turismo e o que sabem a respeito dessa atividade. Baiacu é uma comunidade que vive principalmente da pesca artesanal, com interferências da pesca com bombas, e da coleta de mariscos no manguezal. Quanto ao grau de escolaridade, a maioria não tem o ensino fundamental completo. Apesar deles conviverem com a atividade do Turismo que é praticado no restante da Ilha; eles não têm consciência do que consiste a atividade turística e o que ela pode trazer de desenvolvimento (positivo e negativo) para a comunidade. Toda a aplicação dos questionários foi feita com os próprios nativos da região de faixa etária entre 15 a 65 anos. A maioria não tinha idéia de como poderiam melhorar a sua comunidade a cerca dos problemas por eles vividos e não tinham conhecimento de nenhum projeto de Educação Ambiental desenvolvido na localidade. Mas todos mostraram interesse em participar do projeto de intervenção propostos pela equipe. A tabela 12 mostra os principais problemas que incomodam a comunidade de Baiacu, foram levantados os seguintes pontos: o mau cheiro e a fossa sanitária com 7,37%; falta de opção de trabalho com 2,11%; lixo com 54,74%; transporte com 4,21%; esgoto com 18,95%; violência e drogas com 2,11% e pobreza com 1,03%. Tabela 12 Baiacu Principais problemas que incomodam a comunidade 2003 Variáveis Valor Absoluto (fx) Valor Relativo (fx%) Mau cheiro 7 7,37 Fossa Sanitária 7 7,37 Falta de opção de trabalho 2 2,11 Lixo 52 54,74 Transporte 4 4,21 Esgoto 18 18,95 Violência 2 2,11 Drogas 2 2,11 Pobreza 1 1,03 Total 95 100 FONTE: Pesquisa de Campo
  44. 44. - 44 - Na tabela 13 foram levantadas as soluções dadas pelos entrevistados para a resolução dos problemas da comunidade de Baiacu nos quais se destacaram: a troca de governo com 22,11%; aumentar as opções de emprego com 11,58%; retirada do lixo das rua pela prefeitura com 41,05%; a melhoria do ensino público com 3,16%; melhoria na infra-estrutura nos quais se destacam as estradas o saneamento básico com 5,26% e os que não sabem opinar com 5,26%. Tabela 13 Baiacu Soluções dadas pelos entrevistados para resolver os problemas da comunidade 2003 Variáveis Valor Valor Relativo Absoluto (fx%) (fx) Trocar o governo 21 22,11 Aumentar as opções de emprego 11 11,58 Prefeitura tirar o lixo das ruas 39 41,05 Governo melhorar o ensino público 3 3,16 Melhorar a infra-estrutura (estradas,saneamento 16 16,84 básico, etc) Não sabe 5 5,26 Total 95 100 FONTE: Gregório, Jaqueline; 2003 Na tabela 14 foi levantada a questão da rede de esgoto nas casas da localidade de Baiacu, esse ponto foi abordado por causa do grande número de esgotos a céu aberto na localidade, na pesquisa os moradores em sua maioria informou que em casa não possuía rede de esgotos com 96,84% e os que possuíam 3,16%. Tabela 14 Baiacu Entrevistados que são atendidos por rede de esgoto 2003 Variáveis Valor Absoluto (fx) Valor Relativo (fx%) Possui rede de esgoto em casa 3 3,16
  45. 45. - 45 - Não possui rede de esgoto em casa 92 96,84 Total 95 100 FONTE: Gregório, Jaqueline; 2003 Em relação à tabela 15 foi levantada a questão da distribuição de água encanada nas casas da localidade de Baiacu, onde fomos informados que 98,95% das casas que foram pesquisadas tinham água encanada, sendo registrada 1,05% que totalizam que apenas uma não possuía. Tabela 15 Baiacu Entrevistados que são atendidos pelo serviço de água encanada 2003 Variáveis Valor Absoluto (fx) Valor Relativo (fx) Possui água encanada em casa 94 98,95 Não possui água encanada em casa 1 1,05 Total 95 100 FONTE: Gregório, Jaqueline; 2003 A tabela 16 mostra a distribuição dos entrevistados pelas principais fontes de renda, onde foram levantadas as seguintes: a maioria da população de Baiacu sobrevive da pesca sendo 83,16% dos entrevistados, as demais vivem do comércio informal com 12,63% dos entrevistados e os demais sobrevivem da agricultura com 1,05% e outros são funcionário público que é 3,016%. Tabela 16 Baiacu Principais fontes de renda da comunidade 2003 Variáveis Valor Absoluto (fx) Valor Relativo(fx%) Pesca 79 83,16 Comércio Informal 12 12,63 Agricultura 1 1,05 Funcionário Público 3 3,16 Total 95 100 FONTE: Burgos, Fernanda; 2003

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