Marketing Empreendedor: Revisão bibliográfica de uma nova visão do marketing nas micro e pequenas empresas
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Este estudo apresenta uma pesquisa bibliográfica exploratória, sobre dois temas até então estudados separadamente, o marketing e o empreendedorismo. Com a junção destes dois campos de estudo, surge o “Marketing Empreendedor”, o qual considera as práticas de marketing não estruturadas e consideradas informais, o que o difere do marketing tradicional que surgiu para ser aplicado em grandes empresas. É importante mencionar que micro e pequenas empresas possuem recursos escassos, sejam eles financeiros ou humanos e as práticas de Marketing Empreendedor são realizadas em grande parte por meio das redes de relações dos empreendedores, sejam elas pessoais, de negócios ou sociais. Com o aumento da importância das micro e pequenas empresas (MPEs) para as economias, e se considerarmos ainda que este campo de estudo é relativamente novo, em especial no Brasil onde publicações sobre o tema são escassas, o estudo deste tema torna-se necessário.

Palavras chave: Marketing. Empreendedor. Empreendedorismo. Pequenas Empresas.

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Marketing Empreendedor: Revisão bibliográfica de uma nova visão do marketing nas micro e pequenas empresas Marketing Empreendedor: Revisão bibliográfica de uma nova visão do marketing nas micro e pequenas empresas Document Transcript

  • Marketing Empreendedor: Revisão bibliográfica de uma nova visão do marketing nas micro e pequenas empresas Cristiano Tossulino Machado (SEBRAE/PR) cmachado@pr.sebrae.com.brResumo: Este estudo apresenta uma pesquisa bibliográfica exploratória, sobre dois temas até entãoestudados separadamente, o marketing e o empreendedorismo. Com a junção destes dois campos deestudo, surge o “Marketing Empreendedor”, o qual considera as práticas de marketing nãoestruturadas e consideradas informais, o que o difere do marketing tradicional que surgiu para seraplicado em grandes empresas. É importante mencionar que micro e pequenas empresas possuemrecursos escassos, sejam eles financeiros ou humanos e as práticas de Marketing Empreendedor sãorealizadas em grande parte por meio das redes de relações dos empreendedores, sejam elas pessoais,de negócios ou sociais. Com o aumento da importância das micro e pequenas empresas (MPEs) paraas economias, e se considerarmos ainda que este campo de estudo é relativamente novo, em especialno Brasil onde publicações sobre o tema são escassas, o estudo deste tema torna-se necessário.Palavras chave: Marketing. Empreendedor. Empreendedorismo. Pequenas Empresas. Entrepreneurial Marketing: Literature review of a new vision of marketing in micro and small enterprisesAbstract This study presents a bibliographical research on two topics previously studied separately,marketing and entrepreneurship. By merging these two fields of study, there is the "EntrepreneurialMarketing" which considers the marketing practices considered informal and unstructured, whichdiffers from traditional marketing that appeared to be applied to large companies. It is important tomention that small businesses have limited resources, whether financial or human resources andEntrepreneurial Marketing practices are carried largely through networks of relationships ofentrepreneurs, personal, business or social. With the increase of the importance of micro andsmall enterprises to the economies, and even if we consider that this field of study is relativelynew, particularly in Brazil where studies on the subject are scarce, the study of this issuebecomes necessary.Key-words: Marketing, Entrepreneur, Entrepreneurship, Small Enterprises
  • 1 Introdução Durante a última década uma nova área do marketing, o Marketing Empreendedor,tem ganhado mais atenção dos estudiosos da área de marketing e passou a ser assunto denovos cursos relacionados ao tema. Na sociedade atual, encontramos um crescimento da necessidade de práticasempreendedoras, principalmente nas economias emergentes. Quando as grandes corporaçõescomeçaram a automatizar seus processos e reduzir seus quadros de funcionários, às micro epequenas empresas (MPEs) ganharam importância na economia dos países. De acordo com oIBGE, no Brasil, existem 14,8 milhões de micro e pequenas empresas – 4,5 milhões formais e10,3 milhões informais – que respondem por 28,7 milhões de empregos e por 99,23% dosnegócios do país. Até pouco tempo atrás, marketing e empreendedorismo existiam como dois campos deestudo independentes. Contudo com o crescimento da importância das MPEs e docomportamento empreendedor para as nações, os aspectos relativos ao marketing parapequenas empresas cresceu em importância. O comportamento empreendedor está normalmente relacionado à criação de novosnegócios, geralmente micro e pequenas empresas, também relacionado a empresas quecomeçaram pequenas e se tornaram grandes, entretanto, o marketing tradicional tem seu focode atuação nas grandes corporações. Nos dias de hoje, empresas operam em ambientesturbulentos, onde mudanças acontecem com mais freqüência e rapidez. Previsões são cadavez mais difíceis e a sustentabilidade de pequenos negócios está mais difícil de ser alcançada. Nestes ambientes de negócios, cada vez competitivos, os empreendedores têm que“desaprender” alguns princípios de administração e marketing e trocá-los por novospensamentos e comportamentos que não apenas promovam inovações dentro de suasempresas, mas provoquem mudanças nos mercados onde atuam e nos ambientes de negóciosonde suas empresas estão inseridas. O comportamento empreendedor pode ser o veículodestas mudanças e o marketing empreendedor a principal ferramenta. O marketingempreendedor será estudado neste trabalho, desde a sua concepção, histórico e passando pelarevisão da literatura existente.2 Desenvolvimento O Marketing Tradicional surgiu para guiar as grandes empresas e corporações.As ferramentas tradicionais precisam ser adaptadas para a utilização nas pequenas empresas.O objetivo geral deste trabalho é determinar o que é o marketing empreendedor, porque ele édiferente do marketing tradicional e como ele pode auxiliar na gestão de Pequenas Empresas.2.1 As Micro e Pequenas Empresas A Lei Federal n. 9.841/99 – Estatuto da Micro e Pequena Empresa modificada peloDecreto n. 5.028/04 – utiliza o faturamento como critério para o enquadramento das micro epequenas empresas. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas aprovada no Congresso em2006, amplia e unifica o conceito para definir Micro e Pequenas empresas (MPEs). De acordocom a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o enquadramento é o seguinte:Microempresas – Faturamento bruto anual até R$ 240.000,00. Pequenas empresas –Faturamento Bruto anual até R$ 2.400.000,00. É inegável a importâncias das MPEs para o crescimento econômico, muitas delasenfrentam problemas para se manter competitivas e sobreviver nos mercados onde atuam emfunção de características comuns a este tipo de negócio. Dentre tais características, podemos
  • citar a restrição a acesso ao crédito, de pessoal especializado, de infra-estrutura, além daadministração personalizada e pouco profissional. (STOKES, 2000a).2.2 Conceitos de Marketing De modo geral, o marketing surgiu para incentivar a economia de consumo, a qual foidesencadeada pela Revolução Industrial, quando a associação entre a produção em massa e aeconomia de escala reduziu os custos de fabricação, tornando o produto final acessível àpopulação em geral. A evolução dos conceitos de marketing tem sido tema de estudos aolongo das últimas décadas. Segundo Kotler (2000, p. 30), marketing pode ser definido como: “Marketing é umprocesso social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo que necessitam eo que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor comoutros”. Berardi (2004 p. 13) conceitua marketing como sendo: “É a atividade cujo principalobjetivo é satisfazer com produtos ou serviços os desejos e necessidades do consumidor,através do processo de troca”. “É a atividade de descobrir, conquistar e manter clientes”.Outra definição de marketing muito utilizada pela grande maioria dos autores é a dada pelaAssociação Americana de Marketing (2007), marketing pode ser definido como “[...] é aatividade, conjunto de instituições, e processos para a criação, comunicação, entrega e trocasque têm valor para o consumidor, clientes, parceiros e sociedade em geral.” Para Kotler (2000), as empresas passam por três estágios baseados nas práticas demarketing: O primeiro é denominado marketing empreendedor e ocorre quando um indivíduoperspicaz percebe uma oportunidade e começa um negócio vendendo seus produtos elemesmo. Nesse estágio, a empresa é pequena e não pode disponibilizar recursos para investirna área. Portanto, nesse estágio, os proprietários-dirigentes realizam um marketing informal,baseado no conhecimento que possuem. O segundo estágio trata do marketingprofissionalizado que acontece quando as micro, pequenas e médias empresas passam a tersucesso e recursos para adotar procedimentos de marketing mais formais. O terceiro e últimoestágio é denominado de marketing burocrático que ocorre quando já existe na empresa umdepartamento de marketing, onde profissionais estão envolvidos em tarefas burocráticas daempresa, podendo negligenciar o mercado e os clientes. Como nem todas as MPEs crescem ese profissionalizam, muitas dessas não saem do primeiro estágio que, segundo Kotler (2000),caracteriza-se pelo marketing informal.2.3 Conceitos de Empreendedorismo Os estudos de empreendedorismo também servem de base para estudarmos omarketing empreendedor. Em virtude disso, faz-se necessário conhecer os principais aspectosdo empreendedorismo e sua significação. Como forma de melhor apresentar a evolução dessetema, pode-se afirmar que o empreendedorismo surgiu para abordar a determinadasnecessidades do ser humano. O homem que a princípio satisfazia-se com o que encontrava nanatureza e com os alimentos que cultivava, aprimorou seus instintos, estabelecendo asrelações de troca, que culminaram na invenção do dinheiro, do lucro e, conseqüentemente, daempresa. McClelland (1972) descreveu o empreendedor como um indivíduo dinâmico queassumia riscos calculados e Peter Drucker delineou o empreendedor como um maximizadorde oportunidades. Na década de 1970, Albert Schapero ponderou que, além de organizarmecanismos econômico-sociais, o empreendedor tinha iniciativa e aceitava os riscos donegócio (DORNELAS, 2001).
  • Peter Drucker, afirmou que empreendedor não é o sujeito que abre uma empresa, masaquele que cria um negócio capaz de proporcionar novas formas de satisfação ao consumidor(DRUCKER, 1998). Com base nesses conceitos, defende-se o quão importante é considerarque, mesmo não sendo original, a abertura de um negócio pode atender a uma demandareprimida e movimentar a economia de uma região, o que não deixa de ser uma açãoempreendedora.2.4 O Marketing Empreendedor O estudo do marketing empreendedor é bastante amplo, uma vez que associa conceitosaté então estudados separadamente, o marketing e o empreendedorismo. Estes dois campos deestudo têm grande importância para a administração de micro e pequenas empresas que nãodispõem de elementos e de recursos necessários para a prática do marketing tradicional. Cabedestacar que existem duas correntes distintas no que diz respeito às características domarketing empreendedor: uma focada na gestão e outra no gestor, respectivamente estudadaspor Carson (1990) e Stokes (2000a, 2000b). Para Carson (1990), o marketing empreendedor é fruto do modelo de gestão, umafunção administrativa, ou seja, os resultados obtidos pela empresa são proporcionais àsferramentas de marketing que ele agrega e aplica em seu cotidiano. Para Stokes (2000a,2000b), o marketing empreendedor está ligado ao perfil empreendedor do gestor, que, comsua criatividade, intuição e redes de relações, promovem o sucesso do negócio. Nessaabordagem, acredita-se que o comportamento, a formação acadêmica e a experiênciaprofissional do gestor têm influência sobre as ações de marketing na organização.Para Burskirk e Lavik (2004), marketeiros empreendedores estão mudando agentes de maiorcalibre. Eles transformam os processos de marketing existentes em novas formas de fazernegócios. Ainda nas palavras de Burskirk e Lavik (2004), “o estudo do marketingempreendedor passa por uma encruzilhada entre a disciplina do empreendedorismo e adisciplina do marketing. A intersecção destas duas disciplinas é conhecido como o domíniodo marketing empreendedor”. Carson (1990) dividiu as estratégias de Marketing das MPEs em quatro estágios: omarketing reativo, o marketing de ajustes, o marketing empreendedor e o marketing pró-ativo.Para este autor esses estágios são necessários para que as MPEs sobrevivam e tornem-secompetitivas no mercado. Explicações de Carson (1990) esclarecem os quatro estágios demarketing: Estágio 1 – marketing reativo: nessa fase as atividades de marketing estão no seumomento inicial. Novas empresas entram no mercado e encontram os clientes em grandeparte com normas estabelecidas por indústrias específicas. Por exemplo, uma empresapequena recentemente estabelecida no ramo de engenharia, começará, quase sempre, com umcliente principal que, normalmente é uma grande empresa, nova no ramo de distribuição e quepode estar baseada na obtenção de uma franquia, pode ainda ser uma empresa nova no ramode serviços, ou ainda, começar suas operações com alguns clientes “familiares”. Odenominador comum em quase todos os casos de clientes de pequenas empresas novas é quegeralmente, eles são conhecidos do empresário, e que as transações iniciais de fabricação efornecimento começaram em bases pessoais.Nas palavras de Carson (1990), o marketing, como é conhecido e aceito correntemente, nãoexiste, ou melhor, é praticado de uma forma muito primitiva em empresas novas. O que existeé o uso de alguns elementos de marketing de modo ocasional e inconsciente, isto é, semcoordenação. Outro ponto importante é que as empresas iniciantes buscarão se beneficiar derecomendações boca a boca. Esse tipo de comunicação, realizada por clientes, tem umainfluência significativa no desempenho das pequenas empresas em termos de produto, preço e
  • entrega. Estágio 2 – marketing de ajustes: segundo Carson (1990), nessa fase o marketingacontece pela necessidade em aumentar as vendas, mas de modo ocasional, semplanejamentos, sendo levado ao mercado de forma fortuita e espontânea. Exemplos desse tipode atividade de marketing podem ser visualizados em um panfleto embrionário, em umfolheto ou em uma propaganda ocasional, bem como em uma exibição e patrocínio locais.Estágio 3 – marketing empreendedor: esse estágio do marketing é reconhecido pelo seu valorem gerar vendas, mas que chega ao mercado como parte das atividades do próprioempresário. Esse marketing, segundo Carson (1990), é caracteristicamente de alto risco einstintivo. Nesse estágio o desempenho da pequena empresa dependerá, assim, em grandeparte, da atitude do gerente-proprietário com relação ao marketing. Estágio 4 – marketing pró-ativo: nessa fase o marketing é controlado, organizado, metódico, levado ao mercado porperitos ou especialistas de marketing contratados pela empresa. Nesse estágio, conformeCarson (1990), a atividade de marketing será caracterizada pela integração, desenvolvimentoe pró-atividade, ou seja, uma ação dará respaldo à outra para que a organização alcance osobjetivos de curto, médio e longo prazo. Em outras palavras é um marketing profissional.Os estágios de marketing descritos por Carson (1990) foram observados em um total de 80empresas. Essa pesquisa demonstrou a influência do marketing praticado por essas pequenasempresas através de três pontos principais. O primeiro modo explicita que, embora as dificuldades financeiras tivessem umimpacto inicial nas atividades de marketing praticado pelas empresas pesquisadas, em algunscasos, elas podem não ter sido um fator significante nas operações cotidianas. Algumasempresas se concentraram em um nicho de mercado viável, que requer poucos recursos demarketing. Essas empresas não foram inibidas pelas limitações de marketing no seucrescimento e expansão, mas por dificuldades financeiras e falta de profissionaisespecializados na área de marketing. O segundo modo indica que pequenas empresas tendem a focalizar atenção emproblemas de marketing imediatos ou olhar um futuro que é de curto prazo. Outro fatorexplicitado por Carson (1990) e encontrado em sua pesquisa é que, mesmo que aconteçamatividades de marketing, essas atividades geralmente não são planejadas de modo formal,acontecendo de maneira informal no contexto do comportamento e dos recursos das empresas. O terceiro é considerado que empresas pequenas têm de adaptar o marketing paraatender as suas próprias necessidades, mas não no sentido de fazer mudanças conceituaiscoerentes com as teorias do marketing. Empresas pequenas adotam teorias de marketing,escolhendo os métodos que se adaptam melhor às próprias circunstâncias e “tentando”métodos de marketing diferentes em cada momento do seu desenvolvimento. Como conseqüência de seus estudos, Carson (1990) faz importantes considerações:pequenas empresas têm dificuldades de marketing, que são diferentes das que existem emcompanhias grandes; em empresas pequenas, é dada pouca atenção ao planejamento daatividade de marketing, pois este tipo de atividade é predominantemente criado para reagir acrises operacionais. A observação do autor, ainda é que pequenas empresas adaptam teoriasde marketing, estratégias, terminologias e métodos usados na literatura de marketingtradicional, para atender às próprias circunstâncias. Nas palavras de Carson (1990), os teóricos deveriam ter cuidado para não criticarmarketing de pequenas empresas, afirmando não ser estruturado corretamente, através deaproximações feitas com o marketing clássico. O motivo dessa oposição do autor é de que, damesma maneira que uma companhia tem de se conformar às necessidades do mercado, parater êxito, o marketing deve se conformar às capacidades da empresa para ser efetivo. Conforme Hills (2004), o foco do marketing empreendedor está nas transações detroca e o conceito de marketing está relacionado à filosofia de dirigir o negócio com foco nocliente. Para o autor, desenvolver programas de marketing efetivos requer que os empresários
  • compreendam o processo de comportamento apresentado pelo possível comprador antes dacompra de um produto. Nesse contexto, as características que afetam a aceitação doconsumidor de produtos inovadores são: Vantagem relativa, compatibilidade,complexibilidade, trialability e observability. Conceitos importantes de estratégia demarketing incluem: Conceitos de entrada de mercado, conceitos de crescimento de produto,sinergia, conceitos de marca e de risco. Aprofundando o tema, Stokes (2000a, 2000b) direcionou sua atenção aos gestores comperfil empreendedor, pois segundo o autor, eles empregam seu aprendizado, sua rede derelações e seus poucos recursos para adaptar as práticas do marketing à realidade de suapequena e média empresa. Para isso, eles precisam ser muito criativos, pois o marketingtradicional foi moldado às necessidades e condições das grandes organizações. Para Stokes(2000b), o processo de marketing empreendedor está intimamente ligado à intuição dosempreendedores sobre as expectativas do mercado e, por isso, dá-se de forma inversa ao domodelo difundido por Kotler (2000). Conforme Stokes (2000b), em colaboração a discussõesde outros autores, o processo de marketing empreendedor divide-se nas etapas descritas aseguir: 1) Ações voltadas para a inovação – movidas pela criatividade, intuição, pressão daconcorrência e por desconhecerem as regras tradicionais de marketing, os gestores depequenas e médias empresas investem na criação ou no aperfeiçoamento do produto antes depesquisar o mercado (STOKES 2000a). 2) Identificação de potenciais consumidores e suasnecessidades – no primeiro momento, as pequenas e médias empresas, exploram um nicho demercado negligenciado por outras empresas. Mais tarde, esse mercado é ampliado, com basena intuição de seus gestores, e na tentativa e erro (STOKES 2000a). 3) A comunicação boca aboca – é o processo de comunicação pelo qual clientes trocam informações sobredeterminados produtos ou serviços. Quando essas informações são positivas, o boca a bocaconstitui-se em um modo informal e de baixo custo para divulgação e promoção dos produtose serviços, pois o cliente satisfeito se tornará convincente ao falar do assunto (STOKES,2000a). Os gestores pesquisados por Carson et al. (1995) vêem a limitação imposta pelo bocaa boca, no tocante a sua rede de relação, de forma positiva, pois a empresa não poderiaatender ao aumento repentino da demanda. A rede de relação ou networking – Segundo Carson et al. (1995), a rede de relações é aforma com que os pequenos e médios empreendedores constroem e administram suas relaçõespessoais, objetivando gerar benefícios para seus negócios. Zotanos e Anderson (2004) vãoalém em suas considerações, pois acreditam que a rede de relação dos gestores é uma espéciede marketing de relacionamento. O’Donnell (2004) acrescenta que a rede de relação podeidentificar clientes atuais e potenciais, fornecedores potenciais e existentes, competidores nomercado interno e externo, amigos e colegas de negócios, agências de apoio às pequenasempresas, órgãos do governo e funcionários da empresa. A rede de relações é, antes de tudo, ocanal pelo qual os gestores podem identificar clientes potenciais, mensurar o nível desatisfação dos clientes e buscar sugestões que contribuam para a criação e aperfeiçoamento deprodutos. Zotanos e Anderson (2204) salientam que o networking fundamenta-se em relaçõesde confiança. Gilmore, Carson e Grant (2001), dividem a rede de relações em três grupos asaber: pessoal, social e de negócios, que de modo geral, estão restritas aos contatos dosempreendedores e tendem a dar suporte às ações de marketing. George et al. (1997)desenvolveram um estudo que constatou que o emprego da rede de relação aumenta odesempenho e as vantagens competitivas das MPEs. Para Kotler (2000), o marketing empreendedor envolve a criatividade impulsiva doempreendedor intuitivo que, mesmo não dispondo de recursos financeiros e pessoalespecializado, faz propaganda, visita os clientes, faz pesquisa, exerce qualquer função, parapromover o produto e a empresa.
  • A extensão das atividades de marketing em pequenas empresas é diferente deempresas maiores, em termos de planejamento e também de recursos disponíveis. No modelode Schindehutte, Morris e Laforge (2002), a construção de marketing empreendedor foidividida em sete dimensões. Quatro dessas dimensões – pró-atividade, assumir riscocalculado, inovação e foco de oportunidade – estão baseadas no trabalho de orientaçãoempreendedora da empresa. O empreendedor pró-ativo cria produtos e novos mercadosconsiderando o mercado como alvo de sua empresa. Já o empreendedor reativo segue osclientes e concorrentes. Lodish, Morgan e Kallianpur (2001) compararam 500 empresas vencedoras da Inc.Magazine de 1999 com organizações empreendedoras da Pensilvânia nos Estados Unidos daAmérica. Concluíram que o planejamento de marketing é o elemento decisivo para odesenvolvimento das novas organizações. Hills (2004) expõe que a proximidade entre os conceitos e as ações de marketing e deempreendedorismo é uma justificativa mais do que suficiente para atrelá-los, além de umasolução eficaz para o desenvolvimento de projetos. Segundo o autor, no marketingempreendedor, as discussões fundamentam-se, também, nos objetivos pessoais do gestor e areação é proporcional à necessidade e à exigência do cliente, uma vez que o planejamento éflexível e estratégico. O marketing empreendedor é quase 100% intuitivo, pouco analítico, em constanteinteração com o cliente, com poucos planos formais de negócios, uma pequena estrutura, pró-atividade e oportunismo. (HILLS, 2004, p. 6) A figura 1 resume as características da abordagem de marketing empreendedor citadaspor Stokes (2000a, 2000b): Figura 1 – Marketing empreendedor segundo Stokes (2000a, 2000b). De modo geral, a literatura considera que muitos aspectos do marketing empreendedoremergem do contexto e das necessidades das organizações, em especial das micro e pequenas,evoluindo posteriormente para o marketing tradicional.
  • 3 Conclusão O objetivo geral desta pesquisa foi alcançado, pois, com a pesquisa bibliográficarealizada, conseguiu-se determinar o que é o marketing empreendedor, porque ele é diferentedo marketing tradicional e como ele pode auxiliar na gestão de pequenas empresas. Durante apesquisa bibliográfica emergiram várias correntes de pensamento sobre o tema, com destaquepara os dois autores a seguir: Para Carson (1990), o marketing empreendedor é fruto do modelo de gestão, umafunção administrativa, ou seja, os resultados obtidos pela empresa são proporcionais àsferramentas de marketing que ele agrega e aplica em seu cotidiano. Já para Stokes (2000a,2000b), o marketing empreendedor está ligado ao perfil empreendedor do gestor, que, comsua criatividade, intuição e redes de relações, promovem o sucesso do negócio. Nessaabordagem, acredita-se que o comportamento, a formação acadêmica e a experiênciaprofissional do gestor têm influência sobre as ações de marketing na organização. De maneira geral conclui-se que o marketing tradicional que fora criado para aplicaçãoem grandes empresas, deve ser adaptado para utilização em pequenas empresas, poispequenas empresas não grandes empresas em miniatura, as MPEs tem característicasdiferentes de empresas e organizações de grande porte. Deve-se acrescentar que pequenasempresas têm recursos escassos, sejam eles financeiros ou de pessoal, portanto não temcondições de aplicar todas as ferramentas do marketing tradicional. Devido ao aumento da importância das micro e pequenas empresas para as economias,especialmente no Brasil onde estas representam mais de 99% dos negócios do país, sãonecessárias novas pesquisas sobre o tema marketing empreendedor e suas formas de atuação,como por exemplo: a influência das redes de relações dos empreendedores sobre o marketingempreendedor, o campo de competências dos empreendedores e suas ligações com omarketing empreendedor. As publicações sobre o tema ainda não apresentaram estudos sobreos efeitos das redes de relações dos empreendedores antes da criação de suas empresas.Portanto sugere-se também a ampliação do estudo sobre o tema, observando-se a influênciadas redes de relações dos empreendedores, antes, durante e depois da criação de suasempresas. Por fim sugere-se também a ampliação dos estudos relativos a comunicação boca aboca, que como o presente estudo mostrou, é uma das principais ferramentas de comunicaçãoe marketing para as micro e pequenas empresas.ReferênciasBERARDI, René Castro. Programa de marketing e propaganda: desenvolvimento eplanejamento: Curitiba: Ibepex, 2004.BURSKIRK, Bruce; LAVIK, Molly. Entrepreneurial Marketing: real stories and survivalstrategies. Thomson Learning, 2004.CARSON, David. Et Al. Marketing And Entrepreneurship in SMEs: An Innovative Aproach,Prentiece-Hall: Englewood Cliffs, 1995.CARSON, David. The marketing-entrepreneurship interface: a critique and some pragmaticalternatives for marketing managers. Irish Marketing Review. Dublin, v. 11, n. 1, p. 49-58,1998.
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