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Cristiano Martins Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada

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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS

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  • 1. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃOCURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO CRISTIANO FARIAS MARTINSROTINAS PRODUTIVAS EM CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO SÃO LEOPOLDO 2010
  • 2. Cristiano Farias MartinsROTINAS PRODUTIVAS EM CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS Orientador: Prof.ª Dra. Luiza Maria Cezar Carravetta São Leopoldo 2010
  • 3. À Luiza Carravetta, eterna mestra e orientadora, pelos conselhos, pela sabedoria e pela paciência; À Greice, companheira e assistente até o último parágrafo,pelo carinho, incentivo e dedicação nos momentos decisivos.
  • 4. AGRADECIMENTOS A orientadora deste Trabalho de Conclusão de Curso, Professora Luiza MariaCezar Carravetta, por todo o aprendizado destes cinco anos de UNISINOS, em umaconvivência onde sempre se fizeram presentes a tranquilidade e a paz de espírito. A Greice Nichele, esposa e companheira, pela paciência, carinho e apoio,cruciais para que este Trabalho fosse produzido e concluído a tempo de serentregue. A todos os colegas de curso, representados aqui por Alessandra Riete, Rafael“Palmares” Martins e Pedro Bicca, pela parceria, força e dedicação com quetrabalharam nos projetos de telejornalismo, produzidos em equipe, e também aSchanna Rodrigues, Tárlis Schneider e Tatiane Marques de Lima, pela amizadecultivada nestes cinco anos. A meus pais, Marcos Rogério Martins e Cristina Farias Martins, irmão, avós,bisavó, entre outros, assim como os pais e familiares de minha esposa, pelo apoio,carinho e força empenhados para que este Trabalho se concretizasse. A Humberto Candil, diretor responsável do canal de notícias Band News TV,por ter respondido aos questionamentos e auxiliado no esclarecimento de dúvidassobre a rotina produtiva daquele canal. A Cláudio Lessa, ex-apresentador do canal CBS Telenotícias Brasil, por terdisponibilizado ao público os vídeos que permitiram analisar aquele canal dez anosapós sua extinção. A Ticiana Giehl, amizade que teve papel importante para que os rumos aserem seguidos fossem outros, resultando neste momento. Aos colegas de trabalho, coordenadores de operações, jornalistas, e a todosos profissionais da RBSTV e TVCOM Porto Alegre, que contribuíram para meuaprendizado profissional nestes quatro anos de convívio.
  • 5. RESUMOEste Trabalho de Conclusão de Curso tem como principal objetivo apresentar aoleitor as características de três canais dedicados ao telejornalismo, sendo um extinto– CBS Telenotícias Brasil – e dois em operação – Band News e Record News.As características e momentos históricos do telejornalismo e da televisão porassinatura – onde os canais 24 horas de notícia têm espaço privilegiado – sãoapresentados, assim como os meandros da produção de um telejornal tradicional,inserido na programação de emissoras tradicionais de televisão. A rotina dosprofissionais de telejornalismo é apresentada em detalhes, assim como os prazosque precisam ser vencidos, e as formas de apresentação da notícia empregadas nostelejornais. Um resgate da trajetória dos três canais é traçado, e sete edições detelejornais são analisadas e descritas com o objetivo de esmiuçar ao máximo arotina produtiva de um canal dedicado à transmissão de informações, sinalizar ascaracterísticas que compartilham e diferenciam estes telejornais, assim como asinovações que podem ocorrer em um período de uma semana, em dois dos trêscanais analisados. A inovação estética, em detrimento da inovação no formato e noconteúdo é o resultado deste estudo, que revela a preocupação em superarinovações impostas pelos vanguardistas, desdenhando a elaboração de novosformatos apresentáveis ao telespectador. O objetivo principal deste Trabalho é levarao leitor um perfil atualizado destes veículos de comunicação, pouco estudados nomeio acadêmico, de modo a apresentar sua história, suas características einovações no decorrer dos últimos dez anos. Palavras-chave: Televisão. Telejornalismo. Notícia. Formato. Rotina
  • 6. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 72 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 152.1 Definição de Telejornalismo ............................................................................... 152.2 Características do Telejornalismo ...................................................................... 162.3 Resgate Histórico no Brasil ................................................................................ 172.4 Histórico da Televisão por Assinatura ................................................................ 352.5 Histórico do Telejornalismo Dedicado ................................................................ 383 ROTINAS PRODUTIVAS NO TELEJORNALISMO ............................................... 413.1 Rotinas Produtivas em Canais Dedicados ao Telejornalismo ............................. 524 CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO .................................................... 584.1 CBS Telenotícias Brasil ...................................................................................... 584.2 Band News ......................................................................................................... 614.3 Record News ..................................................................................................... 645 ANÁLISE ............................................................................................................... 675.1 Formas de Apresentação da Notícia .................................................................. 695.2 Informações Recorrentes ................................................................................... 715.3 Origem das Informações .................................................................................... 735.4 Tempo Total x Tempo de Produção ................................................................... 765.5 Hoje x Dez anos atrás ........................................................................................ 765.6 Inovações de uma semana para a outra ............................................................ 786 CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS .................................................................... 83REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 86ANEXO – ENTREVISTA À HUMBERTO CANDIL .................................................... 90QUADRO I – ESPELHO DO TELEJORNAL CBS .................................................... 91QUADRO II – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 1 .............................................. 93QUADRO III – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 2 ............................................. 95QUADRO IV – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 3 ............................................ 97QUADRO V – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 1 ................................................ 99QUADRO VI – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 2 ............................................. 101QUADRO VII – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 3 ............................................ 103
  • 7. 71 INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão, involuntariamente, tem início quando este autorainda era estudante do ensino médio e residia no interior de Viamão, regiãometropolitana de Porto Alegre. Todos os dias, para chegar à escola – distante quase20 quilômetros da minha residência – era preciso pegar o ônibus pelas 6h30min damanhã. Acordava todos os dias pelas 5h45min, sozinho, e, enquanto preparava ocafé, assistia televisão. Grande parte dos programas que eram transmitidos naquele horário, ou erameducativos – caso do Telecurso – ou eram vinculados a alguma igreja, quando nãose tratavam de reprises de filmes e séries antigos. Mas um dia uma exceção à regrame chamou a atenção: eram boletins noticiosos, transmitidos a cada trinta minutos,chamados de CBS Telenotícias, que eram exibidos pelo SBT. A qualidade técnica, atrilha sonora, a postura dos apresentadores, e o fato de ser um telejornal em umhorário nada convencional conquistaram um telespectador. Por diversas manhãs, durante o café, se tornara uma obrigação minha sair decasa informado, após assistir ao último telejornal da madrugada, transmitido peloSBT, já que a partir das seis da manhã iniciava-se a programação de desenhos. Arotina se seguiu até que, em um dia qualquer, o telejornal não fora apresentado. Eno dia seguinte, e no outro, também não fora ao ar. Concluí o ensino médio no final de 2000. O canal CBS Telenotícias Brasilencerrara suas atividades no meio deste ano, por dificuldades financeiras. Mas nãose encerrara o meu interesse pela informação. Precocemente, passei a ouviremissoras de rádio informativas, como a Bandeirantes e a Gaúcha. As informaçõesdo trânsito, as notícias divulgadas instantaneamente, ao vivo, com a dinâmicaimposta pelo rádio me cativavam. Em um outro dia qualquer, resolvi conhecer como funcionava uma emissorade rádio. O programa escolhido, já extinto, era o Estúdio Band, apresentado porDaniela Sallet e Renato Martins na Rádio Bandeirantes, das duas às quatro datarde. A forma descontraída de informar o ouvinte durante duas horas eram minhadistração enquanto trabalhava em um escritório contábil de uma amiga. Perguntei sepodia assistir ao programa ao vivo, e me foi aberta uma exceção, pois não era umaprática do programa e da emissora permitir a visita de ouvintes.
  • 8. 8 Durante o programa, assisti atentamente a comunicação e a sincronia entre oapresentador Renato Martins e o operador de áudio Luciano Vargas. O apresentadorlevantava a placa com a trilha que desejava, e lá vinha a trilha em um clique demouse do operador de áudio, que tinha em suas mãos um computador e uma mesade som parecida com um fogareiro de seis bocas, mas sem os queimadores. Aolado do operador, a produção freneticamente fechava ligações com os repórteres,que entravam ao vivo por telefone com as últimas notícias. Mesmo em meio a todaaquela tensão, aquele estresse, o operador parecia tranquilo, dava risadas eesbanjava sorrisos na sua atividade, sempre atento ao que estava no ar. Foi naquele dia que veio a decisão de querer trabalhar em rádio. Sabia que osalário não era dos melhores, mas sempre preferi me satisfazer em algo que valessea pena. Isso era em meados de 2001. Com a rescisão de um emprego, em 2002paguei a vista o curso técnico profissionalizante de Radialista – Operador de Áudio,na Fundação Padre Landell de Moura, a FEPLAM. Em quatro meses, o registroprofissional estava pronto – MTb 9404 – mas faltava-me a experiência, que veio naprópria FEPLAM, por duas oportunidades, auxiliando o professor Augusto Silveiranos finais de semana, nas aulas que os alunos de locução precisavam cumprir parafinalizar o curso. E foi convivendo com os alunos que me bateu o interesse em fazer também ocurso de locução. Não me via como locutor, apesar do tom de voz formal. Mas como incentivo de um ou outro colega, lá fui eu para a sala de aula novamente. Portrabalhar na FEPLAM, ganhei de presente o curso, ministrado pelo professor SérgioReis, um dos pioneiros da televisão no estado. Formado locutor, saí da FEPLAM porquestões pessoais, e fui trabalhar em um cemitério, como porteiro. O diretor do cemitério era o Pastor Adilson Stephani, da Igreja EvangélicaLuterana, e todas as semanas gravava comigo seu programa de rádio, que ía ao arem emissoras do interior do Rio Grande do Sul. Certo dia, Pastor Adílson, com seujeito tranquilo de falar, me perguntou se eu não conhecia ninguém que queriatrabalhar como porteiro do cemitério. Com curiosidade, perguntei o que precisava. Oprimeiro requisito era não ter medo de cemitério, o que não era meu caso. E depois,ter paciência para trabalhar aos finais de semana e feriados, algo que todo radialistaou jornalista deve se acostumar. E lá fui eu, por quatro meses, trabalhar como porteiro no Cemitério Evangélicode Porto Alegre, acompanhando velórios, fazendo rondas noturnas, com chuva ou
  • 9. 9com lua cheia. Mas me dei por conta de que aquela não era uma vida a ser seguida,que não levava a um futuro, ou seja, a lugar algum. Era preciso dar um passo afrente. Com o apoio fundamental de Ticiana Giehl, na época estagiária da RádioGaúcha, aluna da FEPLAM na época em que trabalhei lá, e que se tornou umagrande amiga desde então, eu fui alimentando a ideia de prestar vestibular, algo quenão me passava pela cabeça desde que havia terminado o ensino médio. Enferrujado, distante dos cadernos, aos poucos fui me preparando paraencarar as provas que seriam no final do ano de 2005. Por não ter condiçõesfinanceiras para pagar um curso pré-vestibular, a preparação foi com livroscomprados em sebos, especialmente naquelas matérias em que a dificuldade eramaior – matemática, física e química. Mas por que raios um futuro jornalista precisasaber de matemática para passar no vestibular? Pois precisa não só para ovestibular, mas para a vida toda... Ticiana também me emprestou anotações, feitaspor ela de algumas matérias, e um livro de literatura brasileira. O primeiro teste foi o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Era asegunda vez que o Exame poderia ser utilizado para a concessão de bolsasintegrais em universidades particulares, por meio do Programa Universidade paraTodos – ProUni. Muitos não acreditavam nesta oportunidade, mas eu preferi colocaras fichas e ver no que dava. Nem eu, muito menos meus pais – um policial militar a caminho daaposentadoria, e uma dona de casa – ou meu irmão, que estava no ensino médio,tínhamos condições de pagar faculdade particular. E como estudei a vida toda emescolas públicas, enxergava no ProUni uma oportunidade de ingressar no ensinosuperior sem prejudicar o orçamento da família, e sem levar em consideraçãoquestões político-partidárias que se revelam nestas ocasiões. Fiz as provas do ENEM, mas o resultado seria divulgado somente no final doano. Pela estimativa que fiz, foram 42 acertos em 63 questões, dois terços exatos daprova. Nada mal para quem ficara cinco anos longe dos cadernos... Pois o tempopassava e era preciso ingressar na universidade, a decisão já estava tomada.O primeiro vestibular foi o da Feevale, onde passei e cheguei a me matricular emtrês disciplinas. Um segundo vestibular, desta vez no IPA, onde também fuiaprovado. No IPA, eu poderia, por ser filho de policial militar, conseguir uma bolsaintegral, mediante o cumprimento de atividades voluntárias. Disto eu entendia bem:
  • 10. 10durante quatro meses, enquanto trabalhei no cemitério, participei de uma rádiocomunitária, localizada em Viamão. A Aracoupama FM tinha como diretor RobertoGross, que foi candidato a senador nas últimas eleições. Um cara sério, que fazia detudo para que a rádio fosse cem por centro dentro da lei – transmissores,programação, apoios culturais... Eu, locutor e operador de áudio caçando experiência, procurei a rádio, e meofereci para trabalhar como locutor, redator, operador de áudio, criador de vinhetas,e o que fosse preciso... exceto vender, pois eu sempre pensei que essa atividadenão compete ao radialista. Roberto aceitou e eu trabalhei durante quatro meses narádio, melhorando a plástica da emissora, desenvolvendo vinhetas, programas, einformatizando a rádio, que até então era posta no ar por cinco rádios portáteis comCD, sem remuneração fixa – o pagamento, na maioria, era em erva-mate,permutada por espaço publicitário de um anunciante da rádio. Era o combustívelpara começar bem todas as manhãs. De vez em quando aparecia um ou outrodinheiro, mas era muito pouco. Pedi desligamento da rádio por não conseguir compatibilizar os horários como emprego no cemitério – caminhar quatro quilômetros até o estúdio da rádio todasas manhãs passou a se tornar uma atividade cansativa. Outro motivo que me levoua sair da rádio foi a intenção do diretor da emissora em querer concorrer comemissoras de rádio comerciais, fazendo a programação musical semelhante a estas,por mais que eu insistisse que o diferencial da rádio comunitária deveria ser ocontrário, de explorar todos os espaços que as rádios comerciais faziam questão denão atingir. Consegui a tal bolsa integral do IPA, e cancelei a matrícula na Feevale. Tudoacertado para começar o semestre em março, até que chega o resultado do ENEM:nota 95 na redação, e 42 acertos, média de 79,23 e o oitavo lugar para jornalismo noestado. Estava dentro, e pela nota, podia me dar ao luxo de escolher onde estudar. A UNISINOS foi a escolha natural, pelo ambiente acolhedor, pela vasta áreaverde e espaço de sobra, por dispor dos melhores laboratórios para a prática dasatividades, pelo nível de excelência e de respeito reconhecido por todos que alipassaram, incluindo meu avô, que se formou em Direito... e também por ter o menorgasto de passagens de Viamão até lá – afinal de contas eu estava desempregado, eacredite, era mais caro ir a Porto Alegre em 30 minutos do que ir a São Leopoldo emquase duas horas..
  • 11. 11 Eu havia feito a inscrição no vestibular da UFRGS, mas sabia que não estavapreparado para passar naquele tão concorrido vestibular. E realmente não passei,mas fiz a prova para não desperdiçar os 100 reais que saíram da rescisão docontrato com o cemitério. Assim que iniciei as aulas na UNISINOS, fui convidado por um amigo paraauxiliar o cunhado deste no supermercado da família, em Ipanema, zona sul dePorto Alegre. Pensei se tratar de um bico de informática, daqueles que rendem umdinheiro fácil em uma tarde, Mas não, o dono do mercado precisava de alguém deconfiança para administrar o sistema de gerenciamento do mercado. Estavaempregado, mas tinha o desafio de todo santo dia sair de Viamão para SãoLeopoldo, de lá para Ipanema, e de Ipanema para Viamão. De segunda a sábado. Foi assim durante oito meses – cinco disciplinas, um curso de extensão porsemestre, e virei cliente assíduo do Trensurb e das empresas de ônibus. Até quenos classificados de empregos, abre uma vaga para operador de áudio em televisão.E justamente no Grupo RBS, que dificilmente abria este tipo de vaga – normalmenteas contratações eram por indicação. De escondido do patrão, participei dasprimeiras duas entrevistas. Quando tive a convicção de que seria contratado, aviseiao Claudio, dono do mercado, para que procurasse um substituto – não queriadeixa-lo na mão, e eu saía para trabalhar na área para a qual havia estudado. Elecompreendeu, e em um mês eu saí do supermercado e passei para a mesa de somda TVCOM, canal 36 de Porto Alegre. Mas não sem antes ficar com a dúvida: escolho a estabilidade de umemprego com carteira assinada, abrindo mão do estágio? Ou coloco em primeiroplano a possível futura carreira e vou em busca de um estágio? Primeira opção. 20 de novembro de 2006. Até então, eu conhecia a operação de umaemissora de rádio, nunca havia entrado em uma emissora de televisão, muito menosnum switcher. Nem as instalações da TV Unisinos eu conhecia ainda. Mas fomos lá,algumas semanas de treinamento na prática e já era quase um veterano em operaráudio na televisão. A convivência com os jornalistas que pôem no ar os telejornais da emissorame fizeram trocar em parte o fascínio do meio rádio pelo meio televisão. O jogo decâmeras, o trabalho em equipe, a expressão oral e facial, a coordenação dastransmissões, e a participação direta no sucesso do produto que ia ao ar me levarampara o caminho do aperfeiçoamento em televisão.
  • 12. 12 Por ter o domínio técnico, as disciplinas de telejornalismo passaram a ser asatividades onde considerava obrigatório desempenhar o melhor e o máximopossível. Com o grupo de colegas que se consolidou nas turmas iniciais daprofessora Luiza Carravetta, esse aprendizado foi levado adiante. Nunca me vi emfrente às câmeras, sempre me senti mais a vontade nos bastidores, na construção ena idealização dos trabalhos. E assim foi com todos os trabalhos produzidos nasdisciplinas de telejornalismo – sempre trabalhando nos bastidores para o êxito dostrabalhos, e por consequência, dos colegas. Em um ou outro trabalho apareci emfrente às câmeras – ou como repórter piadista, ou como apresentador formal debancada. Não me convenci em nenhuma das duas funções... A prática das externas, as gravações em estúdio, as edições das reportagens,sempre eram feitas aplicando aquilo que estava na minha rotina de trabalho, no meuganha-pão. E ao mesmo tempo, transmitindo parte do meu conhecimento paraaqueles que estavam comigo – não era nem nunca foi querer se vangloriar doemprego que conquistei, mas sim repassar aquele conhecimento que adquiri naprática, na rotina, no cotidiano. São quase quatro anos trabalhando em televisão. Todos os dias, uma rotinadiferente, às vezes monótona, às vezes excitante – mesmo em situações de tragédiacomo a da queda do voo JJ3054 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Euestava no ar, operando a mesa de som no momento da queda, e participei datransmissão da cobertura do acidente desde os primeiros momentos – a jornadanaquela noite se estendeu até às três da manhã, e recomeçou no dia seguinte, dasquatro da tarde até a meia-noite. Com pesar, mas eletrificado por fazer parte de umacobertura jornalística intensa, permanente. Veio o final do curso, e com ele a necessidade de se desenvolver o temido epreocupante Trabalho de Conclusão de Curso. A opção pela televisão como temaera quase que uma regra, mas não tinha o interesse de fazer sobre o meu cotidiano,a emissora em que trabalhava. Seria muito prático. Por que não voltar às origens,aos dias que amanheciam em Águas Claras, acompanhando o telejornal que mepermitia sair de casa bem informado, e que deu início a essa história toda? Esta foi a escolha – abordar, de alguma forma, o canal CBS TelenotíciasBrasil. Mas era preciso enquadrar, arredondar e polir o tema em um padrãoacadêmico e científico, que a ocasião exige. Sempre me chamaram a atenção os
  • 13. 13canais de notícia 24 horas, e não era diferente com os canais Band News e RecordNews, mais recentes, e antes ainda com o Globo News, pioneiro no Brasil. Ajustando os detalhes com a sempre professora e, agora, orientadora eincansável Luiza Carravetta, comprei, com certa relutância inicial, a ideia dedesenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso sobre Rotinas Produtivas nosCanais Dedicados ao Telejornalismo. De certo modo, domino bem os conceitos derotina produtiva, pois ao trabalhar em uma emissora de televisão, se tornaconstante, permanente, automática a rotina de produção, entranhando-se na rotinapessoal de quem nela trabalha. A leitura técnica de um telejornal, o conhecimento doespelho e da exibição do telejornal no ar, se caracteriza em uma bagagem e tanto. O desejo inicial de abordar o caso CBS Telenotícias Brasil deu espaço àproblematização: relacionar o produto de dez anos atrás com os produtos televisivosdos dias atuais, especialmente os canais Band News e Record News. Não era nem nunca foi intenção abordar o canal pioneiro Globo News, massim os projetos que iam de encontro a ele – iniciativas inovadoras, que procuravamse diferenciar daquele que fora o primeiro, e que era o único no ar há quinze anos. Inicialmente, definimos, conceituamos e apresentamos o telejornalismo, assimcomo retratamos suas ações pioneiras no Brasil. Também apresentamos a televisãopor assinatura, suas iniciativas pioneiras, e a ocupação de um espaço privilegiadoaos canais dedicados ao telejornalismo. Para que se possa entender como um canal de notícias funciona, énecessário conhecer as características do telejornalismo tradicional, suas formas deapresentação e peculiaridades em relação aos outros meios de comunicação. Também se faz necessário o conhecimento do histórico dos canais que serãoestudados neste Trabalho: quais são, quem os criou, com que intenções elessurgiram. Especial atenção dedico ao canal CBS Telenotícias Brasil, poucoconhecido do público geral, que teve curta duração, mas que tem uma história quenão foi levada ao conhecimento da maioria – cabe-nos contá-la. Com base em sete telejornais selecionados criteriosamente, buscamosanalisar de modo qualitativo o conteúdo apresentado nos três canais aquiestudados. Com exceção do exibido pelo canal CBS Telenotícias Brasil, que foiobtido na internet, graças a iniciativa de um ex-apresentador do canal, CláudioLessa, que disponibilizou os vídeos para livre acesso no YouTube e autorizou aanálise destes – foram gravados na noite do dia 3, e na manhã e tarde do dia 4 de
  • 14. 14novembro de 2010 as quatro primeiras edições analisadas, sendo duas do canalBand News e outras duas do canal Record News. Em 8 de novembro, ambos os canais optam por promover modificações emsuas grades de programação – o Record News opta por divulgar tais mudanças demodo ostensivo, inclusive dentro dos telejornais, com as mesmas características deuma notícia, enquanto que o Band News o faz de modo quase despercebido. Mais duas edições são analisadas, na manhã do dia 10 de novembro, no casodo Band News, e na noite do dia 12 de novembro, no caso do Record News, com ointuito.de avaliar quais as modificações que foram efetuadas nos dois canais,tomando como base as formas de apresentação da notícia. Tomou-se o cuidado de obter as edições dos telejornais o mais próximo deuma rotina normal possível, sem fatos que pudessem contaminar a linha editorial oualterar o cotidiano das redações, como o segundo turno das eleições presidenciais,que teve seu desfecho nas urnas em 31 de outubro, e que ocupou espaço amplonos telejornais por pelo menos mais três dias. Por algumas ocasiões, as análises tiveram de ser adiadas, ou por eventosextraordinários que substituíram os telejornais, ou por horários da programação forada normalidade. Tais precauções foram adotadas visando uma análise descritiva fielao que ocorre nas rotinas dos canais dedicados ao telejornalismo. O objetivo deste trabalho é apresentar um perfil deste tipo de canal detelevisão que é pouco explorado e assistido por acadêmicos, que habitualmentebuscam os telejornais tradicionais, inseridos em grades de programação dasemissoras de televisão aberta. Pessoal e profissionalmente, este trabalho tem a ambição de ser o registro doaprendizado acadêmico, científico e técnico adquirido ao largo de uma caminhadade cinco anos, iniciada de forma ingênua dez anos atrás, que não se dará porencerrada neste trabalho e que, a exemplo de outras ocasiões relatadas nestaintrodução, se inicia em um amanhecer, com o chimarrão e a esposa comocompanheiros.
  • 15. 152 REFERENCIAL TEÓRICO2.1 Definição de Telejornalismo Souza (2004), em estudo sobre os gêneros e formatos da televisão brasileira,define que o telejornalismo pode ser considerado um gênero inserido na categoriainformativo, a partir da observação de algumas redes de televisão comerciais.Porém, o gênero passa a ser visto como formato em televisões educativas ou comobjetivos publicitários. Por este motivo, Souza (2004, p.149) classifica o telejornal “como umprograma que apresenta características próprias e evidentes, com apresentador emestúdio chamando matérias e reportagens sobre os fatos mais recentes”. Ainda deacordo com Souza (2004, p.149), “as emissoras classificam de telejornalismo osnoticiários, informativos segmentados ou não, em diversos formatos”. Souza (2004) diz que o conceito de rede de televisão, independente de outrosgêneros televisivos que sejam apresentados, sempre terão presentes espaço evisibilidade para o telejornalismo, tanto que o investimento no gênero telejornalismoé sempre superior aos de outros gêneros nas redes de televisão. Pereira Júnior (2000, p.6) considera que “para a maioria das pessoas, ostelejornais são a primeira informação que elas recebem do mundo que as cerca”,tendo espaço significativo na vida das pessoas. Conforme Pereira Júnior (2000), osnoticiários televisivos têm papel relevante na imagem que as pessoas idealizam darealidade. Carravetta (2009, p.20) afirma que “no telejornalismo basicamente temospessoas passando informações a outras pessoas”. Estão envolvidos neste processo“quatro ou cinco sujeitos falantes: os apresentadores, os repórteres, os entrevistadose as testemunhas do fato”. De acordo com Carravetta (2009, p.19), “a televisão é o veículo que maisdramatiza a realidade e a torna real em função da imagem”. Deste modo, o telejornal exerce o efeito de mediação entre os apresentadores e o telespectador. Os fatos acontecem, os eventos surgem mediados pela equipe de jornalismo, que é testemunha ocular para construir as versões dos acontecimentos.
  • 16. 16 Squirra (2002, p.1-2) define o telejornalismo do seguinte modo: um gênero jornalístico que representa uma prática de difusão de informações [...] sabe-se que o telejornalismo é veiculado no suporte midiático televisão. Esta mídia tem como atributos centrais a imagem cinética e o áudio, que trazem formas complementares de expressão com o uso de elementos intencionalmente facilitadores, tais como gráficos, animações e a edição. Ainda de acordo com Squirra (2002, p.1-2), a TV usa cenários, vestimentas, efeitos luminosos e visuais, movimentos de câmera, além da atuação dos atores em cena. Por seu lado, a edição “recorta” os eventos originais, dando nova ordem e intensidade e, portanto, nova significação aos segmentos captados, numa alteração intencional do real que se poderia considerar originalmente como “puro”, apresentando à audiência o real “elaborado” pelas estruturas de comunicação. Squirra (2002, p.1-2) conclui que a televisão é entendida como um “veículo de difusão aberta”, quer dizer, chega indistintamente à casa de todas as pessoas, bastando ter a posse de um aparelho. É necessário pontuar que o programa televisivo pode ser transmitido em sistema “fechado”, como é o caso da TV por cabos.2.2 Características do Telejornalismo Souza (2004) conta que o formato pioneiro do telejornal é o noticiário. Comocaracterísticas primárias, o apresentador do noticiário lê textos para a câmera, semoutras imagens nem ilustrações. Este formato foi aperfeiçoado com o passar dostempos, mas sem perder os traços primários. Souza (2004, p.175) caracteriza oformato telejornal: “um apresentador chama reportagens ao vivo ou pré-gravadas eeditadas e até faz entrevistas em estúdio. Pode ter um ou dois apresentadores econtar com comentaristas”. A transmissão dos telejornais é feita ao vivo, de forma a demonstraratualidade ao telespectador, e também a permitir a participação de entrevistados nosmais diversos pontos do Brasil e do mundo. Com raras exceções, os telejornais sãogravados para exibição posterior.
  • 17. 17 Tourinho (2009) diz que o gênero telejornalismo tem como característica afrequência de mudanças e atualizações no formato telejornal. A linguagem, osrecursos tecnológicos e outras configurações estéticas e de conteúdo estão entreestas mudanças. De acordo com Tourinho (2009, p.21), no telejornalismo “recorre-se a outros gêneros da própria televisão para absorver formas de surpreender e„segurar‟ o telespectador”. Segundo Souza (2004), a reportagem é um formato utilizado no gênerotelejornalismo, geralmente de curta duração, e que tem como principal funçãocolocar o repórter em evidência, narrando um assunto e conduzindo entrevistas.Carravetta (2009, p.19) diz que “a construção da notícia é feita desde a seleção depauta, da captação de imagem, passando pela criação do texto e pelo processo deedição”. Barbeiro e Lima (2002, p.16) dizem que “o telejornal é composto de umamistura de fontes de imagens, sons, gravações, filmes, fotos, arquivos, gráficos,mapas, textos, ruídos, músicas, locuções, etc.” Barbeiro e Lima (2002, p.16)consideram que o telejornal “se estrutura de forma semelhante em todos os lugaresdo mundo enfocando tomadas em primeiro plano de pessoas que falam diretamentepara a câmera, sejam repórteres ou entrevistados”. Carravetta (2009, p.19) também ressalta que no telejornalismo, usam-se os planos mais fechados com o objetivo de proporcionar uma distância íntima entre o repórter e o telespectador. O close mostra uma distância interpessoal, o plano americano uma distância pessoal e o plano médio a distância pública. Uma das características do telejornalismo apresentadas por Carravetta (2009)é o uso do primeiro plano, de modo a enfocar aqueles que falam para o público,sejam eles jornalistas ou protagonistas. Aos personagens somam-se imagens, sons,ilustrações animadas ou não, locuções, música, ruídos e silêncio, formando oconjunto de informações apresentadas em uma notícia.2.3 Resgate Histórico no Brasil O ponto de partida do telejornalismo no mundo, de acordo com Squirra (1990)e com Tourinho (2009), seria a coroação do Rei Jorge VI, da Grã-Bretanha,
  • 18. 18transmitida pela British Broadcasting Corporation (BBC) por meio de três câmeraseletrônicas para poucos receptores instalados em Londres. Seria a primeiratransmissão de um evento ao vivo com fins informativos – até então, as experiênciasque haviam sido feitas diziam respeito à transmissão de peças teatrais, ousimplesmente demonstrações públicas do funcionamento da televisão. Squirra(1990) diz que a coroação ocorre em 1936, enquanto que Tourinho (2009) diz que acoroação teria ocorrido em 1938. Mas o pioneirismo da BBC já havia ocorrido, pois,segundo Squirra (1990), o primeiro programa de televisão foi transmitido tambémpor ela em 31 de março de 1930. Grande parte daqueles que abordam a história da televisão no Brasil concluique o início do telejornalismo brasileiro se dá em conjunto com o início dastransmissões no país – o sétimo no mundo a colocar em funcionamento umaemissora de televisão. De acordo com Rezende (2000), o primeiro telejornalbrasileiro, Imagens do Dia, tem início em 20 de setembro de 1950, dois dias após aprimeira emissora de televisão brasileira ter sido inaugurada, a TV Tupi de SãoPaulo, em 18 de setembro. Já Klöckner (2008) relata que Imagens do Dia teria idoao ar um dia após a inauguração da TV Tupi, em 19 de setembro. Este telejornal, de acordo com Rezende (2000), tinha em sua equipe umredator-apresentador, e três cinegrafistas. A primeira reportagem filmada e exibidaneste telejornal foi o desfile cívico-militar de São Paulo. Tourinho (2009) relata que otelejornal Imagens do Dia não dispunha de um horário fixo. O telejornal podia entrarno ar às nove e meia da noite, como também meia hora depois – a instabilidade daprogramação e as dificuldades operacionais impediam a pontualidade. Tourinho (2009), assim como Rezende (2000), relatam que, em janeiro de1952, Imagens do Dia foi substituído por outro telejornal, o Telenotícias Panair,produzido para ser transmitido diariamente às 21 horas. Tourinho (2009) diz que, aocontrário do seu antecessor, o Telenotícias Panair tinha como características melhorestrutura de equipe e horário fixo. Mas não houve êxito, e o telejornal permaneceuno ar por menos de um ano. A característica predominante dos telejornais da década de 1950 era amigração do formato radiofônico para a televisão, incluídos os profissionais, o estilode locução e a dependência dos patrocinadores e agências de publicidade. E foijustamente esta fórmula que deu origem ao primeiro telejornal de repercussão nopaís.
  • 19. 19 Não há uma concordância no que diz respeito ao início das transmissões doRepórter Esso na televisão. Rezende (2000) diz que a TV Tupi do Rio de Janeiro,em 1952, foi a primeira a transmitir O seu Repórter Esso para a televisão, com aapresentação de Gontijo Teodoro, e que, no ano seguinte, o mesmo programaestrearia na TV Tupi de São Paulo. Tourinho (2009), por sua vez, diz que O Repórter Esso chegou à televisãoprimeiramente por São Paulo, através da TV Tupi, em 17 de junho de 1953, comapresentação de Kalil Filho, em substituição ao Telenotícias Panair, e que viria aestrear após no Rio de Janeiro. Para corroborar Rezende, Klöckner (2008) diz que O seu Repórter Esso foi aoar pela primeira vez na televisão em 4 de maio de 1952, pela TV Tupi do Rio deJaneiro, permanecendo no ar até 31 de dezembro de 1970. Rezende (2000) afirmaque, por dezoito anos, Gontijo Teodoro foi o único apresentador do Repórter Essono Rio de Janeiro. Fora a questão de pioneirismo, o formato do Repórter Esso era totalmenteherdado do rádio, transmitido naquele meio desde 28 de agosto de 1941. Mas oformato do programa não era uma exclusividade dos brasileiros, pois, de acordocom Klöckner (2008), O Repórter Esso era transmitido desde 1935 nos EstadosUnidos, nos mesmos moldes. Tourinho (2009) constata que o formato dos programas de televisão era muitosimilar aos feitos no rádio, devido ao fato de que grande parte dos técnicos,locutores e artistas são oriundos daquele meio. O sucesso do Repórter Esso, emparte, se deve a este fator. Em 27 de setembro de 1953, às oito da noite, entrava no ar pela primeira veza TV Record de São Paulo, de propriedade de Paulo Machado de Carvalho. Deacordo com a emissora (HISTÓRIA Rede Record. Disponível em:<http://rederecord.r7.com/historia.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), inicialmente asproduções musicais eram o carro-chefe do canal, mas o pioneirismo se deu nastransmissões esportivas – a Record foi a primeira a transmitir, ao vivo, o GrandePrêmio de Turfe do Rio de Janeiro, em 1956, além de cobrir os mais diversosesportes, como o pugilismo. Tourinho (2009, p.59) diz que “para muitos, a história da TV brasileira podeser dividida em duas fases: antes e depois do videoteipe. [...] Durante os anos 1950,a televisão brasileira era quase toda produzida ao vivo, mas não por opção.” O
  • 20. 20videotape viria a ser criado em 1956, nos Estados Unidos e, no Brasil, somente seriaempregado nas emissoras de televisão em 1960. A primeira experiência de adoçãodo videotape na televisão brasileira se deu em 21 de abril de 1960. De acordo comTourinho (2009), foi por encomenda da TV Tupi de São Paulo para a gravação dafesta de inauguração de Brasília. Rezende (2000) relata a defasagem nas informações transmitidas pelasemissoras de televisão da década de 1950. Os poucos telejornais que existiampenavam com o demorado processo de revelação e montagem dos filmes, o queprovocava atrasos de até doze horas entre o acontecimento e a sua divulgação.Essa situação somente se modificou, de acordo com Rezende (2000, p.107), com oinício do Repórter Esso, em que o apoio de um anunciante de grande porte e o acordo com a agência de notícias norte-americana United Press International (UPI) proporcionou a libertação da narração exclusivamente oral e o uso mais frequente de matérias ilustradas. Rezende (2000) considera que o primeiro telejornal a inovar na concepção ena forma de apresentação é o Jornal de Vanguarda, dirigido por Fernando BarbosaLima na TV Excelsior do Rio de Janeiro, a partir de 1962. Contando com aexperiência de profissionais vindos do meio impresso, seus diferenciais são aparticipação de jornalistas na produção e a presença de cronistas especializadospara comentar as notícias, transformando o telejornal em referência de qualidadevisual, de estrutura e de originalidade na forma de apresentação. Mas o sucessodeste formato inovador duraria não mais que dois anos – o início do período deexceção no governo brasileiro acabou com qualquer tentativa de inovação que otelejornalismo esboçasse. A inovação tecnológica da televisão era constante, como relata Rezende(2000). A chegada do videotape, ou a substituição da torre de lentes pela lentezoom, não foram suficientes para promover significativas mudanças no formato dostelejornais. O Jornal de Vanguarda, pioneiro até então, teve seu fim decretado apartir da edição do Ato Institucional n° 5 por parte do governo militar – a opção pelofim do telejornal era da própria equipe, que, conforme dito por Barbosa Lima (1985,apud REZENDE, 2000, p.107), evitaria que ele “morresse pouco a pouco, a cadadia, numa torturante agonia”.
  • 21. 21 A partir da década de 1960, a implantação da rede de micro-ondas por parteda Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) dá início a uma nova era dotelejornalismo brasileiro, mesmo sob a mordaça do regime militar. De acordo comTourinho (2009, p.61) entre 1967 e 1969 a Embratel começou a instalar o seu primeiro sistema, com a inauguração do tronco sul, interligando as cidades de Curitiba e Porto Alegre. Em 1972, o projeto foi concluído, o que permitiu a transmissão de imagens em rede para todo o Brasil. Este sistema de transmissão seria fundamental para o sucesso do telejornalde maior prestígio da televisão brasileira até os dias atuais: o Jornal Nacional. A TVGlobo Rio de Janeiro, canal 4, é inaugurada em 26 de abril de 1965. De acordo comTourinho (2009), Hilton Gomes apresentou o primeiro telejornal da emissora, o TeleGlobo, que foi ao ar no dia de inauguração da emissora. Desde janeiro de 1969, segundo Rezende (2000), estavam estruturadas astransmissões via satélite e via micro-ondas no Brasil, o que viabilizava a formaçãode redes de televisões. Até então, cada emissora transmitia sua programação deforma isolada, e no máximo, os programas de entretenimento, como novelas eshows produzidos pelas emissoras de Rio de Janeiro e São Paulo eram gravados eenviados para cidades como Porto Alegre, sendo reproduzidos até mesmo umasemana depois. Tourinho (2009) diz que a decisão das Organizações Globo de implantar umarede de televisões, com uma programação unificada e voltada a todo o mercado, sedá a partir das inovações tecnológicas surgidas – redes de micro-ondas e videotape– e da inauguração de outras emissoras próprias – São Paulo, em 1966; BeloHorizonte, em 1968; Brasília, em 1971, e; Recife, em 1972 – somadas às emissorasafiliadas pelo país, como a TV Gaúcha, em Porto Alegre. Com isso, de acordo com Rezende (2000), em 1° de setembro de 1969, a TVGlobo do Rio de Janeiro, transmitindo simultaneamente ao vivo para São Paulo,Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, põe no ar a primeira edição doJornal Nacional. Além da vanguarda tecnológica que o JN carregava consigo, o idealda TV Globo era fazer frente à TV Tupi e ao Repórter Esso, respectivamenteemissora e telejornal que dominavam a audiência da época.
  • 22. 22 Não foi muito difícil para a TV Globo alcançar este objetivo. A crise dosDiários Associados, empresa proprietária da TV Tupi, acrescida da forte investidados censores nas redações das rádios e televisões foram definitivas para que amultinacional do petróleo Esso retirasse inicialmente o patrocínio do programa derádio, e posteriormente do telejornal. Segundo Klöckner (2008), o programaradiofônico Repórter Esso foi ao ar pela última vez em 31 de dezembro de 1968,apresentado por Roberto Figueiredo na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Hetmanek dos Santos (1994 apud KLÖCKNER, 2008, p. 55), diz que chegoua ser discutida a viabilidade do Repórter Esso ser transmitido em rede nacional detelevisão para dez capitais, o que era de interesse dos Diários Associados para fazerfrente ao Jornal Nacional da TV Globo. Porém, o custo de se patrocinarintegralmente um telejornal em rede nacional era muito elevado e, de acordo comdirigentes da multinacional, não colocaria o nome da Esso tão em evidência como sedesejava. O comitê executivo da Esso, em 2 de outubro de 1970, decide pelaextinção do Repórter Esso na televisão. Coube à Gontijo Teodoro, em 31 dedezembro de 1970, na TV Tupi do Rio de Janeiro, se despedir de seustelespectadores. Klöckner (2008) entrevistou Fabbio Perez, locutor do radiofônico RepórterEsso em São Paulo. Perez (2006 apud KLÖCKNER, 2008, p. 80-81) diz que onoticiário do programa radiofônico, a exemplo do televisivo, era produzido pelaagência de notícias UPI, e que sofria a interferência direta dos censores do regimemilitar, que atuavam previamente, comunicando os redatores do que não deveria sernoticiado, como também se fazendo presente com oficiais no momento daapresentação dos noticiários. Pois foi esta também a principal barreira que o Jornal Nacional enfrentoudesde a sua criação – a intervenção exercida pelo regime militar na linha editorial.Rezende (2000) relata que, justo no dia em que o Jornal Nacional vai ao ar pelaprimeira vez, o comando do país era passado para os três ministros militares, emdecorrência da doença do presidente da República, general Costa e Silva. Naspalavras de Rezende (2000, p.110) o acaso evidenciava o que para muitos significava mais do que uma simples coincidência. A integração nacional pela notícia, via Jornal Nacional, e o endurecimento da ação do governo militar começavam no mesmo dia.
  • 23. 23 Rezende (2000) diz que a principal característica da televisão dos anos 1970é o desenvolvimento técnico, e a Rede Globo foi a principal emissora a se aproveitardisso. Vem desta época o Padrão Globo de Qualidade, série de normas e preceitosque são seguidos até hoje por todos os colaboradores, com o objetivo de uniformizare concentrar a audiência na programação da emissora. A contratação criteriosa de locutores, a interação destes com o cenário dostelejornais e a qualificação da edição das imagens que iam ao ar tornaram otelejornalismo da Rede Globo um referencial técnico e de conteúdo a ser superado –ou imitado – por outras emissoras. Porém, o conteúdo do telejornal era limitadopelas amarras da censura. Em 1973, a Rede Globo inova mais uma vez no formato de apresentação danotícia, em especial nas noites de domingo, espaço pouco explorado dasprogramações à época vigentes. Rezende (2000) relata a criação do Fantástico,fruto da criatividade de José Bonifácio de Oliveira, o Boni, e de Mauro Borja Lopes, oBorjalo, apresentando notícias do domingo mescladas com entretenimento, mantém-se a mesma temática do programa em vigor até os dias atuais. Uma das tentativas de se buscar o diferencial no telejornalismo da épocapartiu da TV Tupi, ainda sentindo os efeitos da extinção do Repórter Esso. Em 1970,vai ao ar o telejornal Rede Tupi de Notícias. Segundo Rezende (2000, p.112),“transmitido ao vivo para várias capitais do país, o telejornal procurava, a partir docenário, revelar sua identidade: os locutores apareciam em primeiro plano e umasala de redação compunha o ambiente de fundo”. A Rede Bandeirantes, inaugurada em 13 de maio de 1967, em São Paulo porJoão Saad, também foi em busca de alternativas, e no meio da década de 1970, emprojeto dirigido por Gabriel Romeiro, renovou seu primeiro telejornal Os Titulares daNotícia, no ar desde a inauguração da TV Bandeirantes, em 1967. De acordo comRezende (2000), Os Titulares da Notícia passava a dar valor tanto ao depoimentopopular como ao trabalho do repórter, deixando a cargo deste o papel de apresentaros acontecimentos – o objetivo era mostrar ao telespectador que o repórter estavapresente ao acontecimento, e desse modo, dar maior credibilidade ao noticiário. A TV Cultura de São Paulo, uma emissora pública, também tinha em seuquadro, profissionais com pensamentos diferenciados para os padrões vigentes em1970. Rezende (2000) conta que o telejornal A Hora da Notícia tinha comoprioridade o depoimento popular e os problemas que atingiam a comunidade,
  • 24. 24fórmula que deu retorno em forma de audiência e repercussão. Porém, a abertura deespaço para os anseios da população entrava em conflito com os interesses dogoverno em vigor – tanto que as chefias de jornalismo foram substituídas, e o ápiceda intolerância se deu com a morte do jornalista Wladimir Herzog, diretor dejornalismo da TV Cultura, por torturadores do regime militar. Tanto Tourinho (2009) como Rezende (2000) consideram que uma alternativaencontrada pela Rede Globo para minimizar os efeitos da censura militar nonoticiário nacional, pelo início da década de 1970, era o investimento no noticiáriointernacional. Se as notícias que se passavam no Brasil não podiam ser divulgadas,abria-se espaço para os acontecimentos que vinham do exterior. Conforme Tourinho(2009), a partir de 1973 a Rede Globo passou a fazer uso de correspondentesinternacionais. Hélio Costa, repórter e correspondente internacional da Rede Globo, emdeclaração a Mello e Souza (1984, apud TOURINHO, 2009, p. 63), reforça estaideia: Era fundamental que as informações fossem repassadas por jornalistasbrasileiros, e não mais por estrangeiros, que levavam consigo pontos de vista queinteressavam a seus países, independente da qualidade do profissional. Ascondições tecnológicas favoreciam este tipo de iniciativa, em decorrência dobarateamento das transmissões via satélite, e despertavam no telespectador asensação de grandeza, pois profissionais brasileiros se faziam presentes nas maisdiversas localidades do mundo. Rezende (2000, p.116) enfatiza que o recurso daampliação do noticiário internacional nos telejornais tinha a intenção sutil de “alertara consciência do público para assuntos polêmicos”. A primeira reportagem internacional via satélite transmitida para o Brasil, deacordo com Tourinho (2009), se deu em 28 de fevereiro de 1969 – Hilton Gomesancorou da capital italiana uma transmissão em cadeia para todas as emissorasbrasileiras, supervisionada pela Embratel. Ao longo da década de 1970, além deutilizar a rede da Embratel, a Rede Globo também desenvolveu redes próprias demicro-ondas, interligando suas emissoras localizadas nos grandes centros comretransmissoras espalhadas pelo interior. De acordo com Squirra (1990), até o início dos anos 1970, a imagemtransmitida pelas emissoras de televisão brasileiras era em preto e branco, baseado
  • 25. 25no sistema norte-americano NTSC1. Estudos do regime militar da época definirampela adoção do sistema PAL2, desenvolvido pela empresa alemã Telefunken, por termaior qualidade em relação ao sistema de cores norte-americano. Porém, o sistemaalemão não era compatível com o sistema preto e branco em vigor. Mello e Souza (1984, p.122) registra: para que fosse estabelecida a necessária compatibilização, seria preciso adaptá-lo à realidade brasileira. A adaptação foi feita, e em função dela, à sigla PAL foi acrescentada uma outra letra maiúscula, o M, que indicava ser o sistema brasileiro igual ao alemão somente em termos de cor; em preto e branco ele continuava a obedecer ao padrão americano. De acordo com o Grupo Bandeirantes de Comunicação (HISTÓRIA GrupoBandeirantes de Comunicação. Disponível em: <http://www.band.com.br/grupo/historia.asp>. Acesso em: 14 out. 2010.), a primeira transmissão em cores regular datelevisão brasileira se deu em 19 de fevereiro de 1972, com a cobertura da 12ª Festada Uva de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e com a exibição do filme OCardeal, de Otto Preminger. De acordo com Tourinho (2009), a transmissão doevento foi gerada pela TV Difusora de Porto Alegre para um pool de emissoras detodo o país através das redes de micro-ondas da Embratel. Antes desta transmissão, segundo o Grupo Bandeirantes (Ibid), pelo menosdois anos de preparativos antecederam o acontecimento. Tourinho (2009) relata queoutras transmissões experimentais em cores já haviam ocorrido, como a transmissãode boletins diários da Copa do Mundo de 1970, no México. A TV Bandeirantes, deacordo com seu histórico, (Ibid) foi a primeira emissora a produzir e transmitir suaprogramação integralmente em cores, a partir de 1972, com a compra deequipamentos Bosch oriundos da Alemanha. Em dezembro de 1975, a TV Bandeirantes de São Paulo passa a inauguraremissoras em outras localidades brasileiras – inicialmente em Belo Horizonte, com aaquisição da TV Vila Rica. Após, às 7 horas da noite de 7 de julho de 1977, oprimeiro sinal de teste da TV Bandeirantes Rio de Janeiro vai ao ar pelo canal 7. Emsetembro do mesmo ano é a vez da TV Guanabara, com alcance para a BaixadaFluminense. Em 1980, já eram 24 emissoras integrando a Rede Bandeirantes.1 Abreviatura de National Television System Committe, em inglês.2 Abreviatura de Phase Alternating Line, em inglês.
  • 26. 26 Porém, um entrave tecnológico impedia uma expansão maior. Tupi e Globoocupavam os dois canais disponibilizados pela Embratel, para transmitir aprogramação para os estados com menor densidade populacional. A TV Record,segundo seu histórico (HISTÓRIA Rede Record. Disponível em: <http://rederecord.r7.com/historia.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) somente deu início ao processo deexpansão da programação para o interior de São Paulo no começo da década de1980. A solução encontrada pela Bandeirantes foi buscar suporte tecnológico com aIntelsat para que transmitisse nas 24 horas do dia via satélite. Em 1982, a RedeBandeirantes foi a pioneira nas Américas a transmitir integralmente suaprogramação via satélite. Segundo Tourinho (2009), o uso do satélite pelasemissoras de televisão do Brasil se popularizou a partir de 1985, quando o satéliteBrasilSat – o primeiro doméstico brasileiro – passou a operar. Uma das principais inovações a partir da utilização do satélite pelasemissoras de televisão estava no formato e na linguagem das informações dameteorologia, que passaram a contar com as imagens fornecidas pelo satélite. Deacordo com o projeto Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponívelem: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), Sandra Annenberg, em 1991, passou a apresentaro até então inédito quadro da previsão do tempo no Jornal Nacional. Tourinho (2009) considera que, após a implementação no Brasil da TV emcores, a última inovação tecnológica somente aportou no país 35 anos depois. A TVde alta definição, ou TV digital – HDTV3, foi inaugurada oficialmente em 2 dedezembro de 2007, após quase dez anos de estudos e testes sobre o modelo a serimplementado. O Brasil, a exemplo do que ocorreu na adoção do padrão de cores, e combase em negociações governamentais, comerciais e tecnológicas, optou por umsistema híbrido, o SBTVD4, baseado no sistema japonês ISDB-T5. De acordo comTourinho (2009, p.68), o SBTVD proporciona, sem qualquer tarifação, inovaçõescomo “alta definição, portabilidade e mobilidade”. A transmissão da TV digital é feita3 Sigla em inglês de High Definition TV.4 Abreviatura do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, SBTVD, tecnicamente chamado de ISDB-TB(Tourinho, 2009, p.68).5 Abreviatura de Integrated Service Digital Broadcasting, em inglês. (Tourinho, 2009, p.68).
  • 27. 27por meio dos canais UHF 6, diferentemente da televisão analógica convencional,transmitida em VHF 7. A primeira transmissão em HDTV no Brasil se deu nos dias 6 e 7 de junho de1998, com a TV Record gerando sinal totalmente digital de uma festa no Memorialda América Latina, sinal este recebido pelos presentes no evento em circuitofechado. No dia seguinte, a Rede Globo fez a primeira transmissão intercontinentalao vivo e em circuito aberto do sinal em HDTV, a partir da França, com aapresentação do programa Fantástico, exibindo preparativos para a Copa do Mundode 1998, realizada naquele país. A TV digital está sendo implantada gradualmente em todo o país, e umaestimativa do governo federal prevê que até 2013 todas as emissoras de televisãotenham migrado para o sistema digital. A inovação tecnológica mais recente da televisão no mundo é a captação ereprodução do sinal em três dimensões, conhecida com TV3D. O Brasil, poriniciativa da emissora RedeTV!, tornou-se pioneiro na transmissão de um programade televisão aberta em três dimensões, ao vivo, em 23 de maio de 2010. O sinal foidisponibilizado em circuito fechado para convidados, e podia ser recebido por quemdispunha do equipamento e sintonizava a emissora em São Paulo. Porém, a TV3Dtrata-se de uma tecnologia incipiente, não difundida em grande escala. Até aqui, deu-se destaque à linha temporal das inovações tecnológicas datelevisão, com o objetivo de reforçar depoimento de Ramón Salaverría, professor ediretor do Laboratório de Comunicação Multimídia, vinculado à Faculdade deComunicação da Universidade de Navarro, na Espanha. Perguntado “por que sedeve inovar?”, o professor Ramón responde a Tourinho (2009, p.286): La respuesta me parece obvia: porque si no innova, el medio queda anciado en el pasado. Y sólo sobreviven los médios que saben atender las demandas de la sociedad de su tiempo. Regressando à década de 1970, e consciente dos avanços tecnológicos quese sucedem, percebe-se que a pioneira TV Tupi não resistiria ao sucesso do PadrãoGlobo de Qualidade, seguidor dos avanços tecnológicos constantes, e ao processo6 Sigla em inglês de Ultra High Frequency, Frequência Ultra Alta, comum para propagações de sinaisde televisão nos canais 14 a 83.7 Sigla em inglês de Very High Frequency, Frequência Muito Alta, comum para propagações de sinaisde televisão nos canais 2 a 13.
  • 28. 28de abertura política pela qual o Brasil ingressara do final dos anos 1970 para o iníciodos anos 1980. Conforme Rezende (2000), a crise de seus proprietários, os DiáriosAssociados, e a minguada audiência – o Jornal Nacional, em 1979, tinha audiênciade 79,9% no país (ÁVILA, 1982 apud REZENDE, 2000, p.117) – fizeram com que aTupi encerrasse suas atividades decretando falência em agosto de 1980. Outra dificuldade atinge as emissoras de televisão na década de 1970, dessavez naquelas que se afiliaram às redes nacionais. Por questões de mercado efinanceiras, de acordo com Rezende (2000), muitas delas abriram mão dasprogramações locais, passando a retransmitir quase que na íntegra asprogramações das cabeças de rede, no máximo se limitando a cumprir o mínimoexigido de programação regional através dos noticiários. Desta forma, o anseio doregime militar, da burguesia e de investidores estrangeiros, de uniformizar a culturanacional, acabava se concretizando, de modo a sufocar manifestações regionais. Rezende (2000) constata que a Rede Globo não possuía à época,preocupação alguma em fazer um jornalismo crítico, denso, de opinião. O conteúdojornalístico apresentado nos telejornais da Rede Globo, em especial no JornalNacional, é extremamente superficial, pois se baseia na apresentação das notíciasem forma de manchetes, inseridas em um espaço de tempo curto, algo que até hojese mantém. Como em toda regra há exceções, a Rede Globo, ainda na década de 1970,cria pelo menos três programas jornalísticos diferenciados do formato tradicional denoticiário. Dois deles permanecem no ar até os dias atuais – Globo Repórter, que,de acordo com Rezende (2000), faz uso da linguagem de documentário para tratarde temas com maior profundidade, e; Globo Rural, especializado em informaragricultores e pecuaristas. O programa, durante um longo tempo, foi exibidosomente aos domingos e, recentemente passou a ser exibido também nos dias desemana, sempre pela manhã. O terceiro é TV Mulher, já extinto, mas cujo formatoaté hoje é explorado pelas emissoras de televisão, onde sexualidade, direitos esaúde da mulher, assim como a repercussão das telenovelas, sempre fazem parteda pauta. Com o abrandamento do regime militar, as emissoras passaram a ampliar oespaço em suas programações para o telejornalismo. A Rede Globo, de acordo comSecchin (2007), abre três novas opções de noticiários em sua programação, com oobjetivo de fortalecer os departamentos de jornalismo e comercial, a saber: Jornal
  • 29. 29Hoje, no início da tarde; Bom Dia São Paulo, no início da manhã, servindo deembrião para o Bom Dia Brasil, e; Jornal da Globo, no final da noite. Os programasde entrevista também surgem por essa época, caso do Canal Livre, da TVBandeirantes, e do Vox Populi, na TV Cultura. Este período também serviu para que os jornalistas voltassem a aparecercomo personagens de destaque nos noticiários, papel que até então era doslocutores, leitores de notícias que, conforme declaração de Boni a Mello e Souza(1984 apud REZENDE, 2000, p. 114), deveriam possuir “boa aparência, voz firme etimbre bonito”, características que serviam como elo para prender o público femininoentre uma novela e outra. Os anos 1980 começam com a concorrência pública dos canais de televisãoque restaram da falência da TV Tupi. Conforme Rezende (2000), deste processoduas novas cadeias de televisão se formaram: a primeira é a TV Studios do Rio deJaneiro (TVS), do empresário Sílvio Santos – que até então apresentava seuprograma na TV Record, emissora da qual era proprietário de cinquenta por cento. Ainauguração da TVS ocorreu em 19 de agosto de 1981, e deu origem mais tarde aoSistema Brasileiro de Televisão (SBT), sediada em São Paulo. De acordo com o discurso de inauguração da TVS São Paulo (SANTOS,Sílvio. Sílvio Santos na Concessão do SBT 1981. 2008. 1 post (8min. 16s.).Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=IpvpX0nnqkc>. Acesso em: 14out. 2010.), junto com a TV Studios, sucessora da TV Tupi, passaram a integrar oGrupo Silvio Santos e distribuir o sinal da TVS as emissoras TV Marajoara, de Belémdo Pará; TV Piratini, de Porto Alegre, e; TV Continental, do Rio de Janeiro. Deacordo com o site Última Hora, (UHTV. História da TV Sistema Brasileiro deTelevisão – 1º Parte [post]. 3 jul. 2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-sistema-brasileiro-de.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) aTV Studios do Rio de Janeiro passou a retransmitir a programação da TV Record noRio de Janeiro. A segunda é a TV Manchete, do grupo Bloch, com sede no Rio de Janeiro,inaugurada em 5 de junho de 1983, e que deu origem à rede de mesmo nome.Segundo o site Última Hora, (UHTV. História da TV Rede TV [post]. 25 jun. 2009.Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-redetv.html>.Acesso em: 14 out. 2010.) as concessões da TV Manchete eram herdadas da TVTupi, no caso de Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte, e da TV
  • 30. 30Excelsior de São Paulo. Além disso, também de acordo com o site Última Hora(UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º Parte [post]. 12 jun. 2009. Disponívelem: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-1-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), a primeira afiliada da Rede Manchete era a TVPampa de Porto Alegre e suas emissoras pelo interior do estado. Adolpho Bloch, no discurso de inauguração (BLOCH, Adolpho. O Discursode Adolpho Bloch na Inauguração da Rede Manchete (05-06-1983). 2009. 1 post(4min. 02s.). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=BuwMEpM9Fwc&feature=related>. Acesso em: 14 out. 2010.), reforça que o ideal da Rede Mancheteé o de proporcionar uma programação de primeira linha, moderna para os padrõesda época. E é justamente a Rede Manchete quem procura inovar no telejornalismopraticado até então. Enquanto a emissora de Sílvio Santos opta pelos programas deentretenimento, a emissora de Adolpho Bloch, com base em experiências oriundasde países europeus e dos Estados Unidos, investe em um jornalismo no qual ocomentário e o noticiário político são valorizados, assim como o maior espaço para aapresentação das reportagens – o Jornal da Manchete, em seus primeiros anos,tinha duração de duas horas. Até 1988, o padrão de apresentação dos jornais permanecia exatamente omesmo – o locutor apresentando as notícias, e a participação dos comentaristasespecializados. A partir deste ano, e de onde menos se fazia ideia, ganha destaqueo papel do âncora no telejornalismo brasileiro. Boris Casoy, entrevistado porRezende (2000), diz que, em 1984, a Bandeirantes era quem havia feito as primeirasexperiências no formato de apresentação das notícias com o âncora, espécie deapresentador e comentarista, na pessoa de Joelmir Beting, no Jornal daBandeirantes. Bonner (2009) tem o mesmo pensamento de Casoy, porém, ressalta queBeting não foi considerado um âncora inovador por não ser editor-chefe do Jornal daBandeirantes à época, por não ser o único apresentador do telejornal – Beting eraacompanhado na bancada por Ferreira Martins, locutor de notícias – e pelo fato deseus comentários, na maior parte das vezes divertidos e bem escritos, estaremconcentrados na economia, levando em consideração a crise econômica e a inflaçãoalta.
  • 31. 31 Boris Casoy é quem recebe o reconhecimento de ser o primeiro âncorainovador do telejornalismo brasileiro, à frente do Telejornal Brasil no SBT, a partir de28 de setembro de 1988. O SBT sempre foi conhecido por relegar o telejornalismo aum segundo plano, com noticiários primitivos, sem qualidade, beirando, como dizSquirra (1993 apud REZENDE, 2000, p. 127) a “pieguice”. De acordo com Rezende(2000, p.126), para uma emissora cujo dono gostava de aclamar os governantes de plantão com suas companheiras de trabalho (as espectadoras do programa de auditório), além de manter um quadro com o resumo da semana do presidente, era previsível o fracasso no telejornalismo. Com a contratação dos jornalistas Marcos Wilson, Luiz Fernando Emediato eBoris Casoy, Sílvio Santos contrariou todos os pensamentos que pairavam sobresua emissora, e colocou o telejornalismo do SBT – e do país – em vanguarda.Casoy, que alcançara o posto máximo de editor-chefe do jornal Folha de S. Paulo,tinha a missão de ancorar o TJ Brasil, semelhante aos seus pares norte-americanos.Mas Casoy aplicou com sucesso uma fórmula singular, em que, além de ser editor-chefe e apresentador do telejornal, conduzia entrevistas e opinava nas reportagensque iam ao ar. Bonner (2009) enfatiza a forma com que Casoy emitia suas opiniões,de forma curta, simples, mas direta, fazendo uso de bordões que condenavam ouclamavam por renovação. Rezende (2000) diz que críticos e outros profissionais consideravam otrabalho de Boris uma deturpação da função do âncora. A resposta de Boris a Vieira(1991 apud REZENDE, 2000, p. 127) foi sucinta: “a audiência brasileira de televisãoé muito mais carente desse tipo de informação, da entrevista e do comentário, doque a opinião pública norte-americana”. Mas a melhor resposta veio em forma deaudiência e de suporte publicitário, colocando o TJ Brasil na segunda posição emnúmero de anúncios do SBT, perdendo apenas para o Programa Sílvio Santos. Outra iniciativa jornalística diferenciada estrearia no SBT em 20 de maio de1991 – o jornalismo popular, através do programa Aqui Agora que, segundoRezende (2000), era uma versão do programa argentino Nuevediario, em que ojornalismo de rádio voltado para as classes populares ganhava espaço na televisão.Com o uso frequente do plano-sequência para o relato das histórias, o Aqui Agoracolocava na televisão experientes repórteres de rádio, como Gil Gomes, Celso
  • 32. 32Russomano e Jacinto Figueira Júnior, o lendário Homem do Sapato Branco. Oretorno de audiência foi instantâneo, mas restrito somente ao público de São Paulo. Rezende (2000) revela que, pouco depois da experiência do SBT, e com atransferência de Joelmir Beting para a Globo, a Bandeirantes colocara MaríliaGabriela, apresentadora do programa de entrevistas Cara a Cara na função deâncora do Jornal da Bandeirantes, também com a companhia de Ferreira Martins nabancada. Sem ter a verve opinativa que Boris Casoy manifestava no TJ Brasil,Marília se destacou na função pelo desempenho das mais diversas funções, comorepórter, apresentadora, editora e entrevistadora. Porém, o Jornal Nacional era ainda o líder de audiência dos telejornais, emantinha quase a mesma postura inflexível, herdada dos anos de regime militar. Amudança mais significativa que o JN tivera nos anos 1980 era a introdução decomentaristas, como Joelmir Beting e Paulo Francis. A apresentação permaneciasendo feita por dois locutores – Cid Moreira e Sérgio Chapelin, com exceções dosfinais de semana, onde jornalistas como Eliakim Araújo e Fernando Vanucci, entreoutros, apresentavam o JN. Somente na metade dos anos 1990 é que o JornalNacional passaria por transformações que modificariam sua linguagem, mas nãosua liderança. A entrada da década de 1990 é determinante para os rumos de duas redes detelevisão, a Rede Record e a Rede Manchete. A TV Record, de acordo com o siteÚltima Hora, (UHTV. História da TV Rede Record Parte 1 [post]. 31 jul. 2009.Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-rede-record-parte-1.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) era relegada ao posto de retransmissorade parte da programação da TVS, enfrentava as mais diversas adversidadesfinanceiras e, em estado quase falimentar, é adquirida do Grupo Sílvio Santos pelobispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A partir da compra, aRede Record passa por um processo de expansão de sua estrutura, principalmentea partir dos anos 2000, com a meta de se tornar a líder em audiência no Brasil. Já a TV Manchete passara por duas grandes crises financeiras – segundo osite Última Hora (UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º Parte [post]. 12 jun.2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-1-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) a primeira, em 1992, foi emdecorrência do fracasso de audiência da novela Amazônia. O Grupo IBF, empresado ramo de bilhetes de loteria, inicia as tratativas com Adolpho Bloch para assumir o
  • 33. 33controle da Rede Manchete. O negócio chega a se concretizar, porém, Bloch retomana justiça o controle da TV Manchete sob a alegação de que o Grupo IBF não haviahonrado todos os compromissos financeiros. A segunda crise data de 1998, e foi decisiva para o fim da TV Manchete.Conforme o site Última Hora (UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 2º Parte[post]. 13 jun. 2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-2-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), os juroscada vez maiores da dívida da Manchete superavam o valor do patrimônio,ocasionando os primeiros atrasos dos pagamentos dos funcionários. A emissora,segundo a legislação, deveria encerrar as atividades, mas pelas boas relações que ofundador Adolpho Bloch criou com o governo federal, a emissora seguiu operando.Bloch faleceu em 19 de novembro de 1995, e os negócios foram herdados por PedroJack Kapeller. Aos poucos, dificuldades como atrasos de salários, pedidos dedemissão em massa, emissoras afiliadas migrando para outras redes e falta depagamento de taxas aos órgãos de telecomunicações impediram que aprogramação da Rede Manchete permanecesse no ar. O capítulo final se deu com orepasse das concessões a Amilcare Dallevo, que arrendava espaços aos domingosna programação da TV Manchete. Em uma manobra política – já que a TV Manchete estava impedida de sernegociada desde a crise de 1993, e várias ações trabalhistas estavam em vigor,impedindo qualquer venda de patrimônio – o Ministério das Comunicações repassoua Dallevo, mediante o pagamento das renovações vencidas há quase dez anos, asconcessões que a Rede Manchete tinha em seu poder. Dallevo, em sociedade comMarcelo de Carvalho, em 9 de maio de 1999, através da empresa TV Ômega, dáinício a uma corrida de três meses para colocar no ar a TV!, inicialmente sediada emBarueri. Em 10 de março de 1999, a programação entra no ar em caráter provisório,com grande parte da grade de programação arrendada e somente um telejornal, oPrimeira Edição, que herdava as características do Jornal da Manchete. Em 15 denovembro de 1999, vai ao ar definitivamente a RedeTV!, a mais nova rede deemissoras de televisão do Brasil, que tem como característica principal as inovaçõestecnológicas, como apresentado anteriormente neste capítulo. No que diz respeito ao telejornalismo da RedeTV!, o principal telejornal daemissora, o RedeTV! News, tem como destaque a bancada giratória instalada dentro
  • 34. 34da redação, inaugurada em 13 de novembro de 1999. Conforme o artigo de SilviaCorrêa, publicado no jornal Folha de S. Paulo, edição de 8 de novembro de 2009(CORRÊA, Silvia. Telejornal Giratório. Folha de São Paulo, São Paulo, domingo, 8nov. 2009. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=563ASP002>. Acesso em: 14 out. 2010.), dois estúdios onde ocorremgravações, além da redação, formam o cenário do telejornal, instalado no Centro deTransmissão Digital (CTD), inaugurado durante as comemorações dos dez anos daemissora. Ao iniciar o telejornal, a bancada é elevada em torno de um metro, e passa agirar, sendo que a cada dez minutos se completam os 360 graus do giro. Outracuriosidade do telejornal ancorado por Augusto Xavier e Rita Lisauskas é o fato denão possuir operadores de câmeras no estúdio – três câmeras estão afixadas àbancada, enquanto uma quarta está posicionada no alto do estúdio. Conforme Rezende (2000), a partir de 1° de abril de 1996, o Jornal Nacionalpassa a ser apresentado por jornalistas – inicialmente, William Bonner e Lilian WitteFibe, depois Fátima Bernardes, a partir de fevereiro de 1998. A saída de Lilian se dápor discordâncias da linha editorial que o JN possuía à época, mais amena, etambém pela falta de empatia dela com o público – tanto que o casal deapresentadores William e Fátima foi escolhido a partir do resultado de pesquisas deaudiência do Instituto Brasileiro de Opinião Pesquisa e Estatística (IBOPE). Rezende (2000) destaca que, a partir desta época, o Jornal Nacional passoua abordar de modo mais abrangente assuntos do cotidiano de celebridades, dandomenor espaço a notícias internacionais que, em outros tempos, teriam maiorrepercussão. Outras inovações no formato de apresentação das notícias tambémpassaram a fazer parte da rotina do Jornal Nacional, de acordo com o site MemóriaGlobo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponível em: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out.2010.): a reconstituição de fatos e o uso de vídeocharges8, desenhadas por ChicoCaruso.8 De acordo com o site Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponível em:<http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em 14out. 2010.), as vídeocharges eram as tradicionais charges de jornal transportadas para o vídeo. “Com30 segundos de duração, em média, as charges satirizavam os fatos políticos de maior relevância donoticiário. O desenho, também publicado no jornal O Globo, era levado à TV Globo no JardimBotânico pelo próprio Caruso, que gravava a voz nos estúdios da emissora. A equipe dodepartamento de arte ficava, então, responsável por decompor o desenho e produzir a sequência que
  • 35. 35 Ainda conforme o Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo.Disponível em: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) a partir de setembro de 1999, WilliamBonner passa a acumular as funções de apresentador e editor-chefe, funções queele já acumulara anteriormente no Jornal Hoje, e de modo semelhante ao queocorreu com Boris Casoy. Porém, Bonner (2009) faz questão de diferenciar sua atividade da de Casoy –enquanto no TJ Brasil, Casoy, como âncora, emitia opiniões abertamente, no JornalNacional adotou-se o modo americano de ancoragem, onde o objetivo é informar otelespectador, para que ele formule sua opinião e, caso haja a necessidade de aemissora se posicionar, a opinião deve ser expressa e identificada em editorial. Em 26 de abril de 2000, ocorre a mudança de cenário do Jornal Nacional,deixando de lado a bancada com fundo infinito e passando a utilizar como pano defundo a redação do Departamento de Jornalismo da Rede Globo. Segundo Bonner(2009), o mezanino onde foi instalado o cenário do Jornal Nacional está instalado,assim como toda a redação de Jornalismo da Globo Rio, em um estúdio degravações de novelas, desativado com a inauguração da Central Globo deProduções, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro (ProJac). No novo cenário, o único no mundo nestes padrões, de acordo com o siteMemória Globo (Ibid), é possível a sobreposição de ilustrações gráficas obtidas pormeio do chromakey9, cobrindo o ambiente da redação e posicionando selos deidentificação de temas atrás dos apresentadores.2.4 Histórico da Televisão por Assinatura A TV por assinatura constituiu-se, inicialmente, numa alternativa para quepequenas comunidades tivessem acesso às programações da televisão aberta comqualidade de sinal, nos Estados Unidos da década de 1940. As pessoasassociavam-se e adquiriam uma antena coletiva de alta sensibilidade, para quepudessem receber os sinais. Posteriormente, utilizando cabos, o sinal era distribuídoia ao ar. No dia seguinte, os desenhos eram colocados no computador e a sequência ia para a mesada animação. Finalmente, o material era editado e sonorizado”.9 De acordo com Carravetta (2010, p.100), o chromakey “é conhecido como sobreposição porseparação de cores, constituindo-se num tipo de tesoura eletrônica que recorta as partes desejadasde uma imagem selecionada, colocada num fundo azul, sobrepondo-a num cenário, oriundo de umaoutra imagem”.
  • 36. 36para as residências. O sistema ficou conhecido como CATV10, e até hoje é sinônimode TV a cabo. O sistema evoluiu, a partir do momento em que nesta rede de cabosprogramações diferenciadas passaram a ser oferecidas aos assinantes, resultandonaquilo que se conhece por TV por assinatura nos dias atuais. “Fazer com que o sinal das emissoras de televisão, localizadas na cidade doRio de Janeiro, chegasse às cidades de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo, entreoutras, situadas na Serra do Mar, com boa qualidade de som e de imagem” (ABTAAssociação Brasileira de Televisão por Assinatura. Disponível em:<http://tvporassinatura.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&Itemid=34>. Acesso em: 14 out. 2010.) era o desafio inicial da televisão por assinaturaem terras brasileiras. No país, as primeiras iniciativas de se oferecer a TV por assinatura ocorreramhá pelo menos quarenta anos, e também foram no intuito da superação dedificuldades técnicas. Uma rede de cabos coaxiais transportavam os sinais até asresidências, depois de recebidos por antenas instaladas no alto da serra. Aquelesque desejassem o serviço pagavam uma taxa mensal, de modo muito semelhanteaos moldes da televisão por assinatura dos dias atuais. Com base em informações da Associação Brasileira de Televisão porAssinatura (ABTA), e das programadoras de televisão por assinatura Globosat eTVA, constata-se que o início da televisão por assinatura no Brasil foi muito precário,vindo a evoluir consideravelmente nos anos 1990 e 2000. Nos anos 1980 iam ao aras primeiras transmissões efetivas de TV por assinatura, com as programações daCable News Network (CNN) e da Music Television (MTV) norte-americana, emcanais fechados, codificados e transmitidos em UHF. O serviço de televisão por assinatura foi regulamentado inicialmente pelopresidente José Sarney, em 1988, sendo que um ano depois foi regulamentadaprecariamente a TV por cabo, cuja legislação definitiva viria a ser aprovada somenteem 6 de janeiro de 1995, através da Lei n° 8977, chamada de Lei do Cabo. Em outubro de 1990, o Grupo Abril, por meio da TVA, fecha parceria com anorte-americana Viacom, e passa a transmitir em sinal aberto UHF a programaçãoda primeira televisão segmentada do país, a MTV Brasil. Um ano depois, o GrupoAbril, em parceria com a Mathias Machline, dá origem a TVA Programadora, com10 Abreviatura de Community Antenna Television, em inglês.
  • 37. 37cinco canais: Showtime e ESPN International em UHF, e CNN, TNT e Superstationem MMDS11. Em 1994, a TVA torna-se a primeira a distribuir televisão por assinaturavia satélite, por meio da TVA DigiSat, que posteriormente adota o nome damultinacional DirecTV (TVA. Disponível em: <http://www.tva.com.br/Institucional/>.Acesso em: 14 out. 2010.). Em 1991, as Organizações Globo, em parceria com suas afiliadas emtelevisão aberta, como a Rede Brasil Sul (RBS), criam a Globosat, operadora 12 deTV paga via satélite na Banda C, que distribuía o sinal por meio de cabos. AGlobosat também foi a primeira programadora13 de TV por assinatura no Brasil, aocriar em 1991 os canais Telecine (filmes), Top Sport (esportes), GNT (informativo) eMultishow (entretenimento). Até então, as Organizações Globo, através da Globosat, produziam conteúdopor meio das programadoras e distribuíam os canais através das operadoras de TVa cabo. Em 1993 ocorre a cisão da Globosat em duas empresas: a Net Brasil, queficou incumbida das atividades de venda, distribuição e prestação de serviços detelevisão por assinatura, e a Canais Globosat, dedicada exclusivamente à produçãode conteúdo. Com o objetivo de aumentar a quantidade de canais produzidos no Brasil,deixando de ser dependente de conteúdos estrangeiros, a partir de 1995 a Globosatamplia consideravelmente o número de canais produzidos. O primeiro canal denotícias 24 horas brasileiro, o Globo News, surge neste período, assim como oShopTime, canal de vendas de produtos. O canal Telecine é desmembrado emcinco canais, cada um com um gênero diferenciado de programação, e na mesmaépoca é criado o Canal Brasil, dedicado às produções de filmes e séries brasileiros. O canal Top Sport é rebatizado como SporTV, passando a dedicar sua gradede programação aos esportes coletivos (especialmente futebol) e aos esportesradicais. Com o início das atividades em pay-per-view14, o futebol tornou-se principal11 Da sigla em inglês, Multipoint Multichannel Distribution System. Sistema de distribuição de canaisde TV por micro-ondas terrestres. Uma das formas de transmissão de TV por assinatura (ABTA,2010).12 Empresa que distribui sinais de televisão por assinatura, seja por cabo, MMDS ou satélite (ABTA,2010).13 Programadoras são empresas que fornecem conteúdo (canais) para TV paga. Podem produzirprogramação própria, representar canais estrangeiros no país ou comprar programas e reformatá-losem canais para o público local (ABTA, 2010).14 Do inglês, pague para ver. Serviço de TV por assinatura em que se paga apenas o que se querassistir (filmes, shows, cursos), quando se desejar, e dentro da oferta existente (ABTA, 2010).
  • 38. 38atração dos canais Premiere e, anos depois, seria o primeiro canal de esportesvoltado para brasileiros no exterior, o PFC. A partir de 1996, os canais Globosatpassam a ser distribuídos pela operadora de televisão via satélite SKY, ampliandoconsideravelmente o alcance no território brasileiro (HISTORIA DA TV PORASSINATURA Canais Globosat. Disponível em: <http://canaisglobosat.globo.com/index.php/tv_por_assinatura/historia>. Acesso em: 14 out. 2010.). Até o início dos anos 2000, a TV por assinatura no Brasil era um benefíciorestrito a poucos consumidores, devido às altas mensalidades e ao pequeno númerode cidades atendidas, o que tornava a TV por assinatura um privilégio de poucos.Em 1994 eram em torno de 400 mil assinantes de TV paga, número que se elevoupara 3,4 milhões de assinantes no ano 2000 – um crescimento de 750% em seisanos – e que no segundo trimestre de 2010, alcançou a marca de 8,42 milhões deassinantes, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).56,95%, cerca de quatro milhões e seiscentos mil assinantes, estão concentradosnas operadoras de TV por cabo, enquanto que 39,92%, algo como três milhões emeio de assinantes, recebem o sinal via satélite, e 3,05%, cerca de trezentos milassinantes, recebem o sinal por meio de micro-ondas (MMDS) (ABTA. ResultadosSetoriais TV Por Assinatura – Operadoras: 2010. São Paulo, 2010.).2.5 Histórico do Telejornalismo Dedicado O início do telejornalismo em canais dedicados se dá com a criação da CableNews Network (CNN), em 1º de junho de 1980 (HISTORY.COM. Disponível em:<www.history.com/this-day-in-history/cnn-launches>. Acesso em: 14 out. 2010.). Ahistória de seu fundador, Robert “Ted” Turner, tem início quando ele assume umaempresa de anúncios para a revista Billboard, após o suicídio do pai, em 1963. Tedexpande os negócios, e sete anos depois, ele adquire uma estação de TV emAtlanta, que reprisava filmes antigos. Em poucos anos, a emissora se transforma naestação denominada The SuperStation, transmitida via satélite diretamente para ascasas dos assinantes. Anos depois, com os lucros de seus empreendimentos,Turner torna-se dono das equipes de basquete e de beisebol de Atlanta e aspartidas destas equipes passam a ser transmitidas por outro canal, criado por Ted, oTBS (Turner Broadcasting System, nome que deu origem ao grupo de empresas emque a CNN está incluída).
  • 39. 39 Mas a ousadia maior de Ted Turner foi a de fazer frente às três grandes redesde televisão norte-americanas – ABC, CBS e NBC, que, à época, produziam emmédia 30 minutos diários de notícias, em telejornais que íam ao ar geralmente ànoite. A CNN, com suas primeiras instalações em uma casa velha transformada emnewsroom15, repleta de antenas parabólicas no pátio, consideradas por Ted Turnersua plantação de repolhos, surgia com o objetivo de alterar a noção de que asnotícias somente poderiam ser relatadas em horários fixos, passando a apresentá-las durante as 24 horas do dia, a partir dos mais diversos locais do mundo, emcanais dedicados exclusivamente à informação, aproveitando-se do vasto espaçoque as operadoras de televisão por assinatura tinham a oferecer. Daí a expressãotelejornalismo dedicado. A repercussão mundial e a consolidação do trabalho da CNN se deram com oinício da Guerra do Golfo, no Iraque, em 1991. A cobertura ao vivo do início dosbombardeios norte-americanos à capital iraquiana, Bagdá, foram transmitidos viasatélite para todo o mundo, colocando a CNN como principal fonte de informaçõesinternacionais por televisão. Nos dias atuais, o Grupo de Notícias CNN alcança, através das mais diversasplataformas, cerca de 700 milhões de pessoas. São seis redes de televisão por caboou satélite: CNN – transmitida somente para o território norte-americano; CNNInternational – transmitida para o mundo em quatro programações diferentes:América Latina, Europa, Ásia e Pacífico, e Estados Unidos; CNN en Español – no ardesde 1997, tem sua programação totalmente produzida em espanhol para ospaíses da América Latina; Money – antigo CNNfn, especializado em notícias domercado financeiro e de negócios; SI – antigo CNN/SI, é o primeiro canal resultanteda fusão dos grupos empresariais Time Warner e Turner, transmite notíciasesportivas, produzidas pela equipe da revista Sports Illustrated e pela CNN, e; HLN– antigo CNN Headline News, canal que apresenta informações atualizadas a cadatrinta minutos, como as notícias do dia e os últimos acontecimentos, os destaquesesportivos, de negócios e espetáculos. Além destes produtos, existem as redes de rádio – disponíveis em inglês eem espanhol; os websites; as emissoras de televisão que são licenciadas para15 Do inglês, redação. Um escritório em que a notícia é processada por uma agência de notícia dejornal, ou televisão, ou estação de rádio. (PRINCETON UNIVERSITY. Disponível em:<http://wordnetweb.princeton.edu/perl/webwn?s=newsroom>. Acesso em: 14 out. 2010, traduçãonossa). Ambiente em que o estúdio de apresentação dos telejornais está integrado á redação.
  • 40. 40utilizar a marca CNN, como o canal CNN Chile, produzido inteiramente no paíslatino-americano; e a CNN Airport Network – que transmite diversos programas dasseis redes CNN via satélite para os aeroportos norte-americanos. A CNN também serve como uma agência de notícias para outras emissorasde televisão: O CNN News Source, além do acompanhamento ao vivo de fatosrelevantes, transmite, a mais de 400 assinantes espalhados pelo mundo, dozeinformações noticiosas nos dias úteis e dez em cada dia do fim de semana. Estassínteses contêm informações locais, nacionais, internacionais e do tempo, comotambém notícias de esportes, medicina, negócios e espetáculos (CNN EMPORTUGUÊS. Disponível em: <http://web.archive.org/web/19990218052820/cnnemportugues.com/grupo/index.html>. Acesso em: 14 out. 2010.). No Brasil, a primeira experiência de um canal de notícias vai ao ar em 15 deoutubro de 1996 – o Globo News, canal exclusivo de notícias das OrganizaçõesGlobo. Conforme Rezende (2000, p.137), o Globo News era uma alternativa àlimitação da grade de programação da TV Globo, e procurava satisfazer seutelespectador “combinando agilidade com aprofundamento da informação”. Carlos Henrique Schroder, em depoimento a Paternostro (2006, p.83), relataque “a ideia era ter um noticiário forte na primeira meia hora e depois debates ediscussões profundas para ajudar o telespectador a entender melhor determinadoassunto e tomar posição”. Segundo Rezende (2000), mal havia completado um mês de atividade e oGlobo News já enfrentaria grandes coberturas jornalísticas, como o acidente com oFokker 100 da TAM, deixando quase cem mortos em uma área residencial próximaao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. De acordo com Paternostro (2006), foi aprimeira vez em que a programação prevista foi deixada de lado e substituída pelatransmissão contínua das informações relacionadas ao acidente, onde prevalecem oimproviso e a narração ao vivo dos fatos que estão sendo acompanhados. Após contextualizarmos historicamente a televisão brasileira, seja ela abertaou por assinatura, enfatizando o telejornalismo, e de modo a viabilizar a análise dostelejornais, faz-se necessário o estudo das rotinas produtivas dos telejornais, o queserá abordado no próximo capítulo.
  • 41. 413 ROTINAS PRODUTIVAS NO TELEJORNALISMO Para que se possa construir um conceito de rotinas produtivas em canaisdedicados ao telejornalismo, inicialmente se faz necessária a análise de telejornais,incorporados às grades de programação dos canais de televisão tradicionais,existentes há mais de quarenta anos em nosso cotidiano. Para tanto, faz-se uso dosconceitos de Sebastião Squirra, em Aprender Telejornalismo – Produção e Técnica(1990); de Guilherme Jorge de Rezende, em Telejornalismo no Brasil – Um perfileditorial (2000); de Alfredo Vizeu Pereira Júnior, em Decidindo o que é notícia – Osbastidores do telejornalismo (2000); e Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima,em Manual de Telejornalismo – Os segredos do jornalismo na TV (2002). Por existiruma proximidade entre o telejornalismo dedicado e o radiojornalismo, no que dizrespeito aos conceitos de pauta e produção, utiliza-se, também, alguns conceitos deMarcelo Parada, no livro Rádio: 24 horas de jornalismo (2000). Além dos autores consagrados na conceituação de rotina produtiva emtelejornalismo, recorre-se aos livros que, julgados, sejam os mais recentes nestequesito. Jornal Nacional – Modo de Fazer (2009), escrito pelo editor-chefe do maistradicional telejornal de televisão aberta do Brasil, William Bonner, apresentando osmeandros de um produto de telejornalismo com a tecnologia que não se faziapresente 20 anos atrás. Além disso, Inovação no Telejornalismo – O que você vaiver a seguir (2009), de Carlos Tourinho, aborda as diversas iniciativas no sentido debuscar o diferencial através das inovações no formato telejornalismo. Àquela época, quando da construção da obra Aprender Telejornalismo,Squirra apresentava exemplos baseados em laudas datilografadas de telejornais,algo que se extinguiu no mínimo dez anos atrás. Em Jornal Nacional – Modo deFazer, o que se acompanha é a roteirização do jornal, inserida em uma estruturatecnológica avançada, englobando desde a construção da pauta até a apresentaçãodo telejornal, seja no estúdio ou em qualquer lugar do planeta. Ao longo do capítulo, ressaltar-se-ão as características que diferenciam asrotinas do telejornal tradicional para os canais de telejornalismo dedicado, utilizandopara isso as constatações feitas por Humberto Candil, diretor responsável do canalBand News, em correspondência eletrônica com o autor, assim como obtidas a partirdo livro Globo News – 10 anos, 24 horas no ar, coordenado por Vera Íris Paternostro(2006).
  • 42. 42 Para fins de esclarecimento, o canal de notícias Globo News promoveumudanças consideráveis em sua identidade gráfica e em sua grade de programaçãoa partir de 18 de outubro de 2010. Já os canais Band News e Record Newspromoveram semelhantes modificações, ambos a partir de 8 de novembro de 2010.Porém, toda e qualquer informação que conste deste capítulo referem-se àsprogramações que vigoraram até as datas citadas. Mesmo que haja um suporte tecnológico cada vez mais aperfeiçoado emtorno da construção do telejornal, as rotinas produtivas em quase nada semodificaram, e é o que será analisado inicialmente neste capítulo, tendo como pontode partida a pauta, princípio da informação jornalística. É a partir dela que são elencados os assuntos que potencialmente venham aser apresentados dentro de um telejornal, especialmente quando não ocorremacontecimentos factuais, se fazendo necessária a ampliação do conteúdo a serapresentado em uma edição de determinado telejornal. O pauteiro é o responsávelpor pensar e projetar algo que possa ser transformado em reportagem, seja a partirda opinião popular, como também de discussões e ideias que possam surgir naprópria redação. É ele quem mapeia os assuntos que mereçam ser apresentados notelejornal. De acordo com Bonner (2009, p.69), “o jornalismo é uma atividade que sealimenta também dela mesma”, se referindo ao trabalho do pauteiro a partir de umainformação, publicada em jornal impresso, ou mesmo em reportagem que já fora aoar. Squirra (1990, p.84) conceitua a pauta como “o levantamento diário dosassuntos que podem ser objeto de reportagem e que, de forma previsível, vãoacontecer naquele dia”. Parada (2000) considera que a pauta deve retratar aquiloque faz parte da chamada família brasileira, a partir da observação de suaspreocupações. Já Barbeiro e Lima (2002, p.111) ressaltam que o pauteiro, “naimensidão dos acontecimentos na sociedade, capta o que pode ser transformado emreportagem”. Barbeiro e Lima (2002) dizem que o pauteiro é quem indica o caminhopara que a reportagem prenda a atenção do telespectador, ao pensar o assunto aser abordado por inteiro. Júlio Mosquéra (TELEJORNALISMO UNB Globo Universidade. Disponívelem: <http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1681471-9048-1677537,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) repórter da Rede Globo, radicado em
  • 43. 43Brasília, em uma palestra do projeto Globo Universidade a estudantes daUniversidade de Brasília (UNB), em 2008, disse: “o pauteiro deve sempre buscar odiferencial, o inusitado, para tornar uma notícia mais atraente”. Por último, Squirra(1990, p.50) diz: “a pauta é variada, porém, programável”. A partir da pauta, entra o trabalho do produtor. Este profissional, de acordocom Bonner (2009), é aquele que recebe as mais diversas sugestões de pauta e asfiltra, direcionando-as para as editorias e profissionais competentes, ou, caso oassunto seja de grande repercussão, encaminhando-a para todos os telejornais.Cabe ao produtor esclarecer toda e qualquer dúvida que possa surgir, quando daconstrução da reportagem, desde a grafia de um nome, um detalhe ou um dado queprecise ser confirmado. Sílvia Faria, (TELEJORNALISMO UNB Globo Universidade. Disponível em:<http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1681531-9048-1677537,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) diretora de jornalismo da TV Globo Brasília,em oficina promovida a estudantes de jornalismo da UNB em 2008, declarou que oprodutor “é indispensável para ajudar na apuração da notícia, achar umpersonagem, uma fonte ou para gravar uma entrevista, preparando todo o terrenopara o repórter executar o seu trabalho”. Ainda de acordo com Faria (Ibid), “no Brasilou em qualquer lugar do mundo, o jornalismo não sobrevive sem ele (o produtor)”. Feito o trabalho do produtor, a chefia de reportagem passa a ter fundamentalimportância para que o trabalho do repórter se desenvolva sem maiores percalços.De acordo com Squirra (1990, p.83), o chefe de reportagem “organiza a coberturadiária dos assuntos pautados, orienta os jornalistas na maneira adequada deabordar os temas, e indica qual o aspecto deles que interessa naquele momento”.Ainda segundo Squirra (1990), é incumbência do chefe de reportagem informar aorepórter a duração aproximada que deverá conter a reportagem, assim como sepoderão ocorrer intervenções ao vivo. O trabalho do chefe de reportagem está em permanente sintonia com o que édesenvolvido pelo produtor, no sentido de municiar o repórter com as informações omais corretas possível. Porém, este trabalho se inclina também para a edição,conduzindo o andamento da reportagem para se adequar à linha editorial daemissora e com os objetivos do telejornal. De acordo com Squirra (1990, p.84), cabeao repórter conversar “detidamente com a Chefia de Reportagem”, com o objetivo dese informar da abordagem ideal para o momento do assunto que será tratado.
  • 44. 44 Em estruturas de redes de emissoras, como é o caso das analisadas nopresente trabalho, ocorrem reuniões de pauta – normalmente pela manhã e pelatarde, quando se trata de telejornais tradicionais que vão ao ar no início da noite –entre produtores, chefias de reportagem das cabeças de rede – emissoras da RedeGlobo localizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife –e das emissoras afiliadas. O objetivo destas reuniões é verificar o andamento dedeterminada pauta que ocorre fora da área de abrangência de determinadaemissora, se novos acontecimentos e repercussões merecem destaque ouatualização, assim como se define a forma como o fato deverá ser abordado pelaequipe de reportagem, de acordo com os interesses da editoria do telejornal. Bonner (2009) relata a ocorrência de uma reunião diária entre as emissorasda Rede Globo, produtores de telejornalismo, esporte, departamento de arte, e doGlobo News (canal dedicado ao telejornalismo da Rede Globo), não com o objetivode promover a discussão de pautas – estas seriam analisadas por um produtor, aolongo da manhã, em contato individual com as emissoras afiliadas, gerando umrelatório a ser apresentado nesta reunião – mas como uma atualização dasprevisões do que está por ocorrer naquele dia, buscando maiores informações sobreo que cada emissora teria a oferecer, e o que se faz necessário por parte dotelejornal. Até então, as funções aqui relatadas e a sua importância são poucoconhecidas do público geral – no máximo se sabe a função e o nome do profissionalao constar rapidamente dos créditos ao final do telejornal, mas sem se aprofundarmuito no seu papel dentro do telejornal. Aqui se entra não só em um pontofundamental para a construção do telejornal, mas também para a construção de umaponte entre o telespectador e o telejornal: o repórter. Bonner (2009) dá uma atenção especial aos repórteres que fazem parte daequipe à disposição da Rede Globo e, por consequência, do Jornal Nacional.Segundo Bonner (2009, p.46), os repórteres que passam pelo Jornal Nacionaldevem ser “familiares, têm de ser conhecidos e reconhecidos pelo telespectador”,como se fossem alguém de confiança para ser recebido em casa. Estes critérios sãolevados mais a sério pelo Jornal Nacional, que busca mesclar profissionaisexperientes, facilmente reconhecidos pelo grande público, com profissionais quevêm das afiliadas e reportam em outros telejornais da Rede Globo, como tambémpara o canal de telejornalismo Globo News. Bonner (2009, p.46) considera que “se
  • 45. 45fizéssemos um jornal com pessoas desconhecidas a cada dia, seria muito mais difícilpara o público identificar-se com o Jornal Nacional”. Voltando à função técnica do repórter dentro da rotina de um telejornal, cabea ele, segundo Squirra (1990), encontrar e entrevistar alguém que, de alguma forma,testemunhe ou participe de determinada situação, devidamente orientado pelaprodução ou chefia de reportagem. O repórter deverá ter discernimento aguçadopara selecionar e entrevistar personagens que relatem os fatos e acrescentemconteúdo à reportagem – caso contrário, o conteúdo ficará seriamente prejudicado. Para isso, o repórter deverá, antes de qualquer gravação, preparar seuentrevistado para que este se preocupe mais com o relato dos fatos, do que com ofato de que aparecerá em um meio de comunicação de grande alcance, o quemuitas vezes desperta a vaidade do entrevistado. Squirra (1990) diz que aconclusão final deve ser do telespectador, devendo o repórter apresentar asopiniões em conflito, para que este telespectador avalie tais opiniões e construa umaposição. Também cabe ao repórter negociar com o entrevistado, para que suasdeclarações fiquem próximas do que desejam a chefia de reportagem ou o própriorepórter, sem deixar de dar ao entrevistado a chance de dizer o que deseja. Parada (2000) diz que o repórter deve, sempre, procurar informaçõesadicionais, de modo a facilitar a criação do acontecimento na mente do espectador.Outro conceito, formulado por Barbeiro e Lima (2002, p.67), é o de que o repórterdeve formular perguntas “claras, diretas, curtas e encadeadas”, sem agredir oentrevistado, mas sendo “incisivo e firme”. Cabe ao repórter captar a notícia e,baseado naquilo que viu e no que ouviu de seus entrevistados, contar ao espectadorda melhor forma possível os acontecimentos. De volta à emissora – e aos bastidores da redação – o repórter entrega seutrabalho aos cuidados de um personagem-chave para o sucesso do telejornal,considerado por Squirra (1990, p.93) um “tipo diferente de profissional” surgido coma evolução do jornalismo de televisão: o editor de telejornalismo. A principal tarefa do editor é ordenar de forma lógica e fácil de seremcompreendidos pelo telespectador, os acontecimentos e declarações colhidos pelorepórter. O editor construirá esta sequência a partir do que foi estipulado nasreuniões entre chefias de reportagem e de telejornais. Ele será o mediador entre asimagens, obtidas pelo cinegrafista, ou vindo de agências e outras fontes, e o textoque contará ao telespectador o que está sendo apresentado. Isso dentro do tempo
  • 46. 46que foi estipulado pela direção do telejornal, definido em reuniões prévias, ou nodecorrer da análise das informações. Mas o editor de telejornal está inserido em um contexto hierárquico maisamplo, no qual surgem também os personagens editor-chefe, editor-executivo, eeditor-apresentador. Pereira Júnior (2000) analisou detidamente o cotidiano dotelejornal RJTV 1ª Edição (RJTV1), produto local da Rede Globo, produzido para aRegião Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao acompanhar a rotina produtiva existenteneste telejornal, Pereira Júnior (2002) revela detalhadamente o cotidiano doseditores de texto envolvidos na produção do RJTV1. Alguns destes testemunhosservirão para revelar o quão crucial é a atividade do editor de telejornal. Bonner (2009) também apresenta, em riqueza de detalhes, a rotina produtivados editores do Jornal Nacional, especificando a função de cada um, assim comoprazos e obstáculos que devem ser vencidos para que todas as noites o JornalNacional esteja nas residências de milhões de brasileiros. Conforme Pereira Júnior (2000), tomando como exemplo a rotina do RJTV1, équase que automática a divisão de tarefas dentro da estrutura hierárquica dotelejornal. Cabe ao editor-chefe montar um pré-espelho16. Nesta montagem, o editor-chefe – e seu adjunto, também chamado de editor-executivo, que pode substituí-loeventualmente – distribui os assuntos entre seus editores de texto. Segundo PereiraJúnior (2000, p.106), os editores “decupam, avaliam, selecionam e editam o materialelaborado por repórteres e cinegrafistas”. O trabalho do editor de texto é feito, na maioria das vezes, em conjunto com odo editor de imagens, um profissional técnico que tem a agilidade e a precisão comocaracterísticas, mas podendo ser feito também pelo próprio editor de texto.Inicialmente, se analisa o material bruto, desordenado e não selecionado, extraídodo que foi captado pelo cinegrafista. Esta análise é feita pelo editor de texto, com oobjetivo de, dentro dos critérios de avaliação que se fazem necessários, transformarcerca de dez minutos de material bruto em algo próximo de 30 segundos a doisminutos de uma reportagem fechada. A partir desta análise, com o apoio ou não do técnico editor de imagens,selecionam-se as imagens que podem ser utilizadas, as falas dos personagens –16 O pré-espelho é uma previsão daquilo que será apresentado no telejornal mais adiante. Alteradopermanentemente durante o período de produção do telejornal, pode vir a ser concluído com otelejornal no ar. Quando concluído, passa a ser chamado de espelho (Rezende, 2000, p. 146).
  • 47. 47usa-se o termo sonora para definir as falas de qualquer pessoa em uma reportagem,exceto o repórter – e as intervenções do repórter – que poderão ser sem que orepórter apareça em quadro, relatando o desenrolar dos acontecimentos, comotambém com a presença deste no local dos acontecimentos, encadeando umaexplicação em off com uma sonora de um entrevistado. Este encadeamentodenomina-se passagem ou boletim, e também é chamado de stand-up17 pelo fato deo repórter aparecer em pé durante a passagem. A atividade do editor de texto é extremamente facilitada, se as imagensobtidas são de qualidade, prendem a atenção do telespectador facilmente. Algunsdos critérios que devem ser levados em conta ao editar uma reportagem para umtelejornal, de acordo com Pereira Júnior (2000) são o de que haja novidade, queesta notícia interesse ao maior número de pessoas, trate do inusitado, assim comoretrate um personagem. A observância destes critérios facilita a tarefa da equipe noembate travado entre o relógio e os editores de texto, para que o telejornal vá ao arno horário previsto, e sem maiores dificuldades. Após a seleção das imagensadequadas, da ordenação dos elementos da reportagem, o editor de texto revisará areportagem, e atualizará o editor-chefe do andamento de seu trabalho. Caso ocorram mudanças de rumo durante o processo de edição – como umasituação na qual somente imagens foram captadas, sem participação do repórter ousonoras de personagens – pode-se fazer uso da nota coberta, na qual o editorredigirá um texto que servirá de apoio para as imagens de que dispõe. Esta notacoberta será lida pelo apresentador do telejornal, seja ao vivo ou previamentegravada, como também pelo repórter, caso este esteja à disposição para tal. Aindahá a opção de se reunir em um único VT18 diversas notas cobertas, interligadas poruma arte de passagem, recurso denominado lapada, normalmente utilizado para asnotícias factuais. Mesmo se o material obtido pelo cinegrafista ou pelo repórter não foradequado tecnicamente, ou carente de atrativos, pode-se fazer uso da nota simples,17 “No boletim ou stand up, mostra-se o repórter, em pé (daí vem o sentido da expressão original eminglês) no local do fato, em transmissão ao vivo ou gravada, dirigindo-se à câmera para relatar umfato, concluir um raciocínio ou complementar uma informação[...]” (Rezende, 2000, p. 148).18 VT é a abreviatura de videotape, “equipamento eletrônico que grava o sinal de áudio e vídeogerado por uma câmera. Acoplados, um ou mais videotapes são usados para a edição de matériasnas ilhas de edição” (Barbeiro e Lima, 2002, p. 198). “VT é a sigla inglesa para fita de vídeo(videotape) [...] Em TV, [...] substituímos as fitas por discos. Mas o termo VT ainda é usado,internamente, para nos referirmos ao material jornalístico que será ilustrado por imagens e sons”(Bonner, 2009, p. 68).
  • 48. 48coloquialmente chamada de nota pelada, na qual o apresentador apenas narrará ainformação ou acontecimento, sem o apoio de imagens. É um recurso extremo, emque a importância da notícia se sobreporá à deficiência técnica. Em último caso, anotícia será retirada do telejornal, não merecendo divulgação. A decisão de adotar a forma com que a notícia será apresentada, ou se seráretirada, é discutida entre o editor-chefe e os editores de texto ao longo do processode produção, levando em consideração os critérios adotados e o tempo disponívelno telejornal. Aliás, o tempo é um dos motivos que leva o editor-apresentador a nãoparticipar diretamente da edição das reportagens do telejornal. Enquanto o editor-chefe e o editor-executivo estão preocupados na conclusão do espelho19, apreocupação do editor-apresentador é a de estar pronto para ir ao ar, semcontratempos. O editor-apresentador raras vezes editará uma matéria ocorrida pouco antesdo início do telejornal – por ter de se preparar, se maquiar, o editor-apresentadorsempre é encarregado de funções secundárias, como a edição de notas de saídapara o intervalo comercial, de abertura, de encerramento, da escalada – destaquescurtos dos assuntos que serão abordados no telejornal, apresentados normalmentena abertura – assim como as chamadas inseridas nos intervalos comerciais dosprogramas que antecedem o telejornal. Pode-se dizer que o Jornal Nacional é umaexceção, pois seu editor-chefe é também apresentador do telejornal. A editora-apresentadora, Fátima Bernardes exerce a função descrita anteriormente, ficandoencarregada das chamadas, da escalada e dos textos das passagens de bloco 20. Saindo do cotidiano do RJTV1, um telejornal de alcance regional, a rotinaprodutiva do Jornal Nacional se diferencia pela amplitude das informações com asquais os editores têm de lidar. De acordo com Bonner (2009, p.25), o objetivo doJornal Nacional é “mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e nomundo naquele dia, com isenção, pluralidade, clareza e correção”. Para tanto, aequipe do JN é dividida em editorias, como política, internacional, economia,esporte, entre outras. Cada editor está incumbido de manter-se atualizado das19 O espelho sintetiza a organização do telejornal em blocos, a ordem das matérias em cada bloco,bem como dos intervalos comerciais, das chamadas e do encerramento. De acordo com Rezende, oespelho “é distribuído a todos os profissionais participantes da operação do programa” (Rezende,2000, p.146).20 “São chamadas sob a forma de pequenas manchetes relativas às informações principais que serãoveiculadas no bloco seguinte” (Rezende, 2000, p. 147-148).
  • 49. 49informações específicas de sua editoria, sejam as produzidas pelas equipes dereportagem, como também vindas das agências de notícias. Na estrutura de edição do Jornal Nacional, além dos editores, está inserido ocoordenador de rede que, de acordo com Barbeiro e Lima (2002, p.65), é o“responsável pela organização do fluxo das matérias geradas pelas sucursais eafiliadas”. É o coordenador de rede quem estabelece contato com as emissorasafiliadas, informando-os da pauta prevista para o dia e recebendo sugestões depauta. O coordenador de rede também tem os papéis de zelar pela qualidadetécnica do material recebido das emissoras afiliadas, e de esclarecer para oscolegas das referidas emissoras o motivo pelo qual determinada reportagempreviamente programada para ir ao ar, não tenha sido utilizada no telejornal. A rotina técnica não se diferencia em muito da relatada por Pereira Júnior(2000) a respeito do RJTV1. O diferencial do Jornal Nacional é a complexidade dese ordenar em um espaço de tempo de cerca de 30 minutos, o objetivo explicitadopor Bonner (2009), de mostrar o que ocorreu de mais importante ao longo do dia. Aresponsabilidade dos editores torna-se muito superior no Jornal Nacional, pois senão bastasse a atenção aos critérios de avaliação das reportagens, citadosanteriormente, há também a obrigação de se cumprir uma rígida agenda deprogramação21, estabelecida pela Central Globo de Programação (CGP), queenquadra tanto a Central Globo de Jornalismo a preencher o horário destinado aoJN, como também as afiliadas da Rede Globo, a exemplo do RJTV1 na TV GloboRio, que tem o compromisso de preencherem os espaços, destinados às notíciasregionais, sem se sobrepor ao horário da programação da rede. De acordo com Bonner (2009), há certa flexibilidade da agenda deprogramação em situações extremas – como o acidente envolvendo o Airbus daTAM, no Aeroporto de Congonhas, em 2007. Levando em consideração que o fatoocorreu há pouco mais de uma hora do início do Jornal Nacional, além da mudançado espelho do telejornal, previamente planejado para aquela data, houve um ajusteda grade de programação para que o JN pudesse apresentar em cerca de uma hora– o jornal, que, em dias normais, tem aproximadamente 30 minutos de produção –os desdobramentos do acontecimento. Também pode ocorrer esta flexibilidade em21 De acordo com Souza (2004, p. 54), “programação é o conjunto de programas transmitidos poruma rede de televisão”. Souza (2004, p.55) diz ainda que a programação é “estratégia utilizada paraestipular um horário fixo para determinado gênero todos os dias, com o objetivo de criar notelespectador o hábito de assistir ao mesmo programa nesse horário”.
  • 50. 50situações planejadas previamente, como em coberturas especiais – exemplo é avisita do Papa Bento XVI ao Brasil em abril de 2005, acompanhada de forma amplana edição do Jornal Nacional. De volta ao ambiente da redação, e de modo semelhante ao que ocorre narotina do RJTV1, os editores do Jornal Nacional, constantemente, atualizam o pré-espelho em um sistema informatizado, concentrador de todas as informaçõesnecessárias, para que o telejornal seja construído. Neste sistema, os editores têmacesso às pautas estabelecidas, aos meios de contato com fontes e equipes dereportagem, assim como à atualização das últimas notícias. Também neste sistema são inseridas as informações técnicas, como asdeixas inicial e final da reportagem, o texto que será lido pelo apresentador aochamar a reportagem, assim como os créditos e ilustrações que serão inseridos natela. A aprovação das reportagens pelo editor-chefe ou pelo editor-executivo, apóscomunicação de que a matéria está liberada pelos editores, também é repassadaaos demais integrantes da equipe por meio deste sistema informatizado. Pouco antes de o jornal entrar no ar, e acompanhado dos superiores,responsáveis pelo departamento de telejornalismo, os editores do telejornal revisamtodas as matérias que irão ao ar. Caso haja alguma pendência a se resolver antesdo jornal ir ao ar, ela receberá uma solução por ordem do editor-chefe. Feito isto, oeditor-chefe, no caso do Jornal Nacional, assume a função de apresentador,devendo preocupar-se com a maquiagem, a postura frente às câmeras, aconcentração no texto a ser lido. Com estas preocupações a todo instante, o editor-executivo, no switcher22,tem o controle do tempo transcorrido e, caso haja a sobra ou a falta de tempo, sejapor iniciativa própria, ou a partir de orientação do editor-chefe, comunicará ocoordenador do telejornal que irá repaginar o espelho. O editor-executivo poderáprogramar para ir ao ar uma reportagem que estava em espera – stand by, a partirdo termo em inglês – assim como retirar uma matéria do espelho – ato chamado22 “A sala de controle onde um programa de TV é „cortado‟ chama-se switcher. Em tradução literal doinglês, significa „comutador‟. (Bonner, 2009, p. 136). “É o lugar onde está o controle de uma unidadede produção, normalmente composta por um estúdio, câmeras, telecine, vídeos, geradores decaracteres, monitores de TV e sonoplastia. No switcher trabalha o Diretor de TV, que é quemcomanda a mesa de cortes e o andamento, no caso do telejornal, de acordo com o script.” (PereiraJúnior, 2000, p. 115).
  • 51. 51informalmente de derrubar uma matéria – ou ainda encurtar o texto de umacabeça23. O coordenador comunicará estas mudanças para a equipe operacional, queinformará se as alterações podem ser promovidas, sempre mantendo comunicaçãocom o editor-chefe/apresentador, em ocasiões como durante a exibição de umareportagem ou de um intervalo comercial. Bonner (2009), com o apoio de computadores com acesso à internet e aosistema informatizado na bancada, pode estabelecer comunicação permanente como editor-executivo no switcher, assim como com os editores de texto que estão naredação, de forma a sugerir mudanças durante a exibição do telejornal. Porém, estaé uma função que, prioritariamente, deve ser exercida pelo editor-executivo, quandoo telejornal está no ar. No Jornal Nacional, assim como em todos os telejornais da Rede Globo, tem-se a presença do coordenador de telejornal, profissional que é encarregado depassar as informações do pré-espelho para o espelho final; fazer com que o roteirodo telejornal, impresso, chegue a todos os profissionais da equipe de operações;operar o espelho durante sua exibição, e; de comunicar a equipe operacional dequalquer alteração que seja feita no espelho pela equipe executiva. Quando existem intervenções ao vivo, previstas para ocorrerem durante aexibição do telejornal, um ou mais editores de texto se somam à equipe no switcher,orientando as equipes de externa sobre o tempo que terão para a entrada notelejornal, assim como informando a contagem regressiva durante a participação. Em equipes de estrutura reduzida, o próprio editor-executivo ou outro editorfaz o papel do coordenador durante o telejornal – exemplo é o telejornal RBSNotícias, gerado pela RBS TV Porto Alegre, afiliada da Rede Globo no Rio Grandedo Sul. O editor-chefe e apresentador, Elói Zorzetto, é assessorado durante aexibição do telejornal pela editora-executiva Simone Donini, enquanto que um doseditores do telejornal, aleatoriamente, é encarregado de controlar o espelho dotelejornal para a equipe operacional. Mas a informação não tem hora para ocorrer e, dependendo da urgência doacontecimento, a informação precisa ser repassada ao telespectador no momento23 Cabeça é a “notícia propriamente dita, lida pelo apresentador em quadro no estúdio de televisão”.(Rezende, 2000, p. 153). “Tecnicamente, em telejornalismo chamamos de “cabeça” o texto que umapresentador lê antes que imagens e sons editados entrem no ar”. (Bonner, 2009, p. 88).
  • 52. 52em que ela ocorre, mesmo que o fechamento do telejornal esteja próximo – porexemplo, o resgate bem-sucedido do primeiro de 33 operários soterrados em umamina de cobre no Chile, ou o acidente com voo JJ3054 da TAM no Aeroporto deCongonhas, em São Paulo, que vitimou quase duas centenas de pessoas. Bonner (2009, p.25) diz que, em casos assim, “entramos no ar com umplantão24 – que interrompe o que quer que esteja em exibição. O caráter urgente danotícia justifica isso plenamente.” As informações vão sendo apuradas, um quadromais preciso da extrema gravidade da situação é traçado, e, de acordo com Bonner(2009, p.25), “todos os assuntos que tinham tempo garantido no JN passam a serreavaliados”. Outro detalhe é o de que os plantões são gerenciados pelas equipes dostelejornais que estão em processo de trabalho. Caso o fato ocorra próximo das onzeda noite, por exemplo, será de responsabilidade da equipe do Jornal da Globo,localizada em São Paulo, informar o telespectador em forma de plantão – comoocorreu no caso do início do resgate dos mineiros no Chile. Se o fato ocorre próximodas sete da noite, a responsabilidade de noticiar passa a ser da equipe do JornalNacional, sediada no Rio de Janeiro – como ocorreu no acidente do Airbus em SãoPaulo.3.1 Rotinas Produtivas em Canais Dedicados ao Telejornalismo Até aqui, tratou-se da edição e do fechamento de um telejornal tradicional,que está inserido dentro de uma grade de programação que não é de uma emissoradedicada ao telejornalismo. Mas em um canal de telejornalismo 24 horas ao dia,normalmente ofertado por operadoras de televisão por assinatura, o processo deedição de um telejornal é constante, permanente. A cada hora, ou a cada 30minutos, há um novo telejornal no ar, atualizando o telespectador das últimasinformações no Brasil e no Mundo. A dinâmica da redação é mais intensa e ofechamento do telejornal não é definitivo. Paternostro (2006, p.101) aborda o processo de desenvolvimento do que éconsiderada a “espinha dorsal” da programação da emissora, o telejornal Em Cimada Hora, cuja prioridade é “a notícia mais quente do dia”. Paternostro (2006) diz que24 Plantão é o nome dado ao boletim extraordinário exibido em caráter de urgência na programaçãoda Rede Globo de Televisão. (Paternostro, 2006, p.89)
  • 53. 53o Em Cima da Hora é um único telejornal, inserido na programação ao longo do dia,com atualização constante das informações a cada edição, que vai ao ar sempre nahora cheia. Luiz Cláudio Latgé (ESTUDO DE CASO: JORNALISMO EM TELEVISÃO –USP Globo Universidade. Disponível em: <http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1686734-9048-1677536,00.html>. Acesso em:14 out. 2010.), diretor do canal Globo News, em palestra a estudantes da USP em2008, declarou que o canal de notícias deve ter por prioridade a cobertura do fato e,posteriormente, seu aprofundamento, na medida em que os acontecimentos sedesenvolvem. A apuração dos fatos nas 24 horas do dia é uma necessidade docanal de notícias e acaba tornando-se um diferencial em relação ao jornalismo feitopelos canais tradicionais de televisão. De acordo com Latgé (Ibid), o noticiário é alimentado ao vivo e cobre o que érelevante naquele momento, mesmo as notícias não tendo sido apuradas em suatotalidade. Visando prevenir erros, o diretor orienta que o correto é o apresentador,ao acompanhar as imagens dos fatos ao vivo, mas sem ter condições de uma maiorapuração, somente relatar o que está assistindo. Em um dia útil sem acontecimentos extraordinários que possam modificar agrade de programação do canal, as edições do Em Cima da Hora vão ao ar a cadahora, com a duração variando entre 5 minutos (edições das 00h, 01h, 02h, 03h, 04h,05h, e 09h), 25 a 30 minutos (06h, 07h, 08h, 12h, 15h, 16h, 17h, 19h e 20h), 55minutos (Edição das Seis, que vai ao ar às 18h) e até mesmo de 1 hora e 30minutos (Edição das Dez, que vai ao ar às dez da manhã). Nos horários em que nãohá edições do Em Cima da Hora, outros telejornais mantém a atualização dasinformações. Paternostro (2006, p.85-86) revela o método utilizado na distribuição dasnotícias no telejornal Em Cima da Hora: “[...] 25 minutos de produção sem intervalo comercial, com duas partes distintas. A abertura do jornal era o MIT (Manchetes, Indicadores e Tempo) e a sequência era o Plano Geral. Ao assistir ao MIT do Em Cima da Hora – uma escalada mais consistente do que a de outros telejornais –, o telespectador ficaria informado sobre as principais notícias do dia, além dos indicadores econômicos e da temperatura no Brasil e no mundo. Para conhecer mais detalhes dos assuntos, o telespectador seguiria assistindo ao Plano Geral, com as reportagens mais completas”.
  • 54. 54 Em situações de extrema relevância, Paternostro (2006) diz que a prioridadenestes casos é a de manter o assinante informado sobre os desdobramentos doassunto, deixando-se de lado a programação normal e permanecendo o tempo todono ar, com imagens recentes, informações lidas pelos apresentadores, participaçãode repórteres e comentaristas por telefone, edição e reedição de reportagens, quesão apresentadas diversas vezes. O acidente que vitimou a Princesa Diana, em1996, foi a primeira cobertura deste gênero do Globo News, e o mesmo modelo foiaplicado em situações como os atentados de 11 de setembro de 2001 e o acidentecom o voo JJ3054, em 2007. De forma bem semelhante atua o telejornal Hora News, que é produzido pelocanal de notícias 24 horas da Rede Record, o Record News. Porém, a atualizaçãodas informações não são tão constantes como ocorre no Globo News. As edições doHora News podem ter a duração de 15 minutos (01h45 e 19h), 30 minutos (04h, 11h,13h e 19h30) e 1 hora (06h e 16h30). De forma bem semelhante ao que ocorre noGlobo News, outros telejornais mantém o telespectador informado ao longo do dia, eem casos extremos, a programação normal é interrompida, priorizando a coberturaintegral do acontecimento. Esta cobertura, no Record News, é denominada AlertaNews. No caso do canal de televisão por assinatura Band News, a atualização deinformações é mais intensa. Candil (CANDIL, Humberto. Entrevista a HumbertoCandil [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <cfmartins@msn.com>. 8 set.2010.) ressalta que a ideia inicial do Band News quando de seu surgimento era a deser um telejornal verdadeiramente headline news25, um jornal que não se encerra.No Band News não é possível programar o fechamento clássico do telejornal, que ésubstituída pela atualização constante do espelho com novas informações. Paternostro (2006), referindo-se ao processo de atualização das notícias noEm Cima da Hora, relata que uma informação importante que tenha surgido no inícioda manhã vai ao ar no Em Cima da Hora pela primeira vez na edição das sete damanhã, como uma nota simples, lida ao vivo pelos apresentadores. Na ediçãoseguinte, às oito da manhã, esta nota é atualizada com novas informações. Já naedição das nove da manhã, as primeiras imagens fazem com que a informação seja25 Da expressão em inglês, manchetes. O primeiro canal considerado de headline news foi a CNN2,inaugurada em 1982, que passou a se chamar CNN Headline News em janeiro de 1983. Seu conceitoera o de informar em 30 minutos qualquer telespectador que sintonizasse o canal.
  • 55. 55apresentada na forma de uma nota coberta. Às dez, as imagens recebem oacréscimo do relato do repórter em off. Na edição das onze, novas imagens e/ouinformações são acrescentadas, seguindo assim até o momento em que outrasinformações se sobreponham e passem a ser noticiadas. No caso do Band News TV, a atualização das informações ocorre a cada 30minutos. Para que os canais dedicados ao telejornalismo mantenham a constanteatualização de informações, se faz necessária a distribuição da equipe ao longo dodia. Candil (CANDIL, Humberto. Entrevista a Humberto Candil [mensagempessoal]. Mensagem recebida por <cfmartins@msn.com>. 8 set. 2010.) diz que aequipe do Band News TV está distribuída por turnos – madrugada, manhã, tarde enoite. A distribuição em turnos visa à disponibilidade dos profissionais em todos osdias da semana, exigindo assim a permanente atualização das informações,incluídos finais de semana e feriados. Paternostro (2006) também relata a distribuição da equipe do Em Cima daHora em turnos - manhã, tarde e noite. O turno da madrugada é formado porsomente três profissionais em uma jornada de sete horas, sendo um apresentador,um editor de texto e um editor de imagens, considerando que as edições exibidasdurante a madrugada são de somente cinco minutos a cada hora, e a primeiraedição com duração de tempo maior é a que vai ao ar às seis da manhã. A equipe da madrugada do Globo News, de acordo com Paternostro (2006),em situações previamente determinadas, também presta informações aostelespectadores da Rede Globo, por meio de plantão – um exemplo é a morte dolíder palestino Yasser Arafat, ocorrida na madrugada de 11 de novembro de 2004. Aapresentadora do canal, naquele momento, interrompeu brevemente a coberturapermanente do Globo News para informar em um plantão para a Rede Globo ofalecimento de Arafat. Em um canal de notícias operando 24 horas, todo e qualquer tipo deinformação, seja ela nacional ou internacional, terá espaço para ser transformadaem notícia. Nos primeiros horários da manhã, em decorrência do fuso horário, asnotícias internacionais, vindas dos continentes asiático, europeu e africano têmmaior espaço. O noticiário econômico também é influenciado por este quesito, vistoque grande parte das bolsas de valores está situada nestes continentes. Candil (Ibid) diz que o acompanhamento das notícias internacionais no BandNews é feita pelos editores internacionais, com o auxílio dos correspondentes, das
  • 56. 56agências de notícias CNN News Source e Reuters, e de parcerias com outrasemissoras, caso da japonesa NHK, da Al Jazeera, e das integrantes da Aliança Sul-Americana de Notícias. Enquanto isso, as notícias que são destaque no Brasil passam a teracompanhamento pelos editores nacionais, no caso do Globo News, por meio darevisão do que foi ao ar nos telejornais da noite anterior, e do que está sendoproduzido pelas emissoras afiliadas da Rede Globo. O Globo News está estruturadoem três sedes, sendo a principal delas no Rio de Janeiro, e também nas cidades deSão Paulo e Brasília. Já a sede do Band News TV está integrada à central multimídia, situada nasede do Grupo Bandeirantes, no bairro Morumbi, em São Paulo, onde também estãolocalizadas a redação do Departamento de Jornalismo da Rede Bandeirantes, e asemissoras de televisão por assinatura Band Sports, dedicado a transmissões deeventos e informativos relacionados ao esporte, e Terra Viva, canal dedicado àsinformações do agronegócio. Bonner (2009), conforme relatado anteriormente, cita a presença de umprodutor do Globo News durante a reunião de produção do Jornal Nacional. Omotivo é o de que os fatos possivelmente abordados pelo JN serão apresentados erepercutidos no Jornal das Dez, principal telejornal do Globo News, assim como nasedições do telejornal Em Cima da Hora ao longo do dia. O produtor do Globo News também tem nesta reunião a oportunidade de, emcontato com as emissoras afiliadas, receber outras pautas que não tenham sidoaproveitadas pelos telejornais da Rede Globo, mas que podem interessar aosdemais programas do Globo News. Acredita-se que o sistema não deva ser muitodiferenciado no Record News, em relação à Rede Record. De acordo com Candil (CANDIL, Humberto. Entrevista a Humberto Candil[mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <cfmartins@msn.com>. 8 set. 2010.),a reunião de pauta do Band News ocorre em conjunto com o Departamento deJornalismo do Grupo Bandeirantes, pois todo o conteúdo jornalístico veiculado noBand News é produzido a partir das emissoras integrantes do Grupo Bandeirantesde Comunicação. Pela manhã, a partir das seis horas, ocorre a transmissão simultânea no BandNews e no Terra Viva, de um telejornal com noticiário relacionado à agricultura, eatualizado com as últimas informações do Brasil e do Mundo, em especial dos
  • 57. 57commodities negociados nas bolsas de valores. O canal Band Sports também seutiliza das informações do Band News ao longo de sua programação. Os canais dedicados ao telejornalismo contam com editores-executivos, tantono Band News como no Globo News, responsáveis pela exibição do telejornal noswitcher. Há a presença de editores-chefes no Globo News. São eles que decidem oque vai ou não fazer parte do espelho do telejornal, o que será ou não notícia, edeterminam se há ou não a necessidade da interrupção da programação normalquando de um acontecimento extraordinário. Também há a presença, no GloboNews, do coordenador de telejornal, profissional que faz a intermediação entre oseditores responsáveis e a equipe operacional, durante a exibição do telejornal. Concluída a descrição das rotinas produtivas dos telejornais tradicionais,assim como das peculiaridades que os canais dedicados apresentam, passamos aapresentar os produtos que serão analisados neste Trabalho, no capítulo a seguir.
  • 58. 584 CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO4.1 CBS Telenotícias Brasil O projeto Telenotícias tem início em 1° de dezembro de 1994, e tinha comoacionistas iniciais a agência de notícias inglesa Reuters (através de sua subsidiáriapara a América Latina), o grupo de comunicação argentino Artear (proprietário doCanal 13 de Buenos Aires), o grupo de comunicação espanhol Antena 3, e o grupode comunicação norte-americano Telemundo, através de sua subsidiária pararelações internacionais Telemundo International. Desde o início de suas operações, a Telenotícias esteve sediada em Hialeah,Flórida, Estados Unidos, e transmitiu sua programação em língua espanhola parapaíses da América Latina, Espanha e Estados Unidos, por meio de sistemas detelevisão por assinatura. Posteriormente, a Telemundo adquiriu o capital dos demais acionistas, e, em27 de junho de 1996, vendeu as ações da Telenotícias para o grupo decomunicação norte-americano Westinghouse/CBS, dentro da política à época deampliar a participação do grupo nos negócios de televisão por satélite e por cabo. Ocanal passa a se chamar CBS Telenotícias, mantendo as transmissões em línguaespanhola, contando com apoio técnico e estrutura física da Telemundo, e com oknow-how jornalístico da CBS News norte-americana. Em agosto de 1996, a CBS Telenotícias passa a transmitir seu sinal pelaoperadora de televisão por assinatura DirecTV para o Brasil. Já consolidada comolíder no segmento de canal de notícias em língua espanhola, o grupoWestinghouse/CBS decide criar projeto semelhante para o Brasil. Interessados no mercado de televisão por assinatura brasileiro, que naquelemomento possuía mais de 1,5 milhão de assinantes, e que, estimava-se, alcançariaos 6,5 milhões de assinantes no ano 2000, a CBS Telenotícias Brasil inicia suasoperações em 12 de outubro de 1997, contando com 14 horas de programação aovivo em português, além de programas consagrados da CBS News norte-americana,como o 60 Minutes. Francisco De La Torre, presidente da CBS Telenotícias, quando dolançamento do serviço brasileiro, disse que a
  • 59. 59 CBS Telenotícias ofereceria ao telespectador brasileiro um novo olhar sobre o mundo‟ através de uma combinação sem precedentes de excepcional cobertura de notícias nacionais e internacionais pelos brasileiros, para brasileiros, bem como uma vitrine para os melhores programas da CBS News. (HIGHBEAM RESEARCH Banco de Dados. Disponível em: <http://www.highbeam.com/doc/1G1- 19765061.html>. Acesso em: 02 dez. 2009, tradução nossa). De La Torre ressaltou que a qualidade do projeto CBS Telenotícias, unido àexperiência da CBS News, criaria uma rede especializada que atrairia o interesse deprodutores e anunciantes dos países do Mercosul, e por consequência maistelespectadores. O primeiro editor-chefe da CBS Telenotícias Brasil foi o jornalista MarcosWilson, diretor-geral de jornalismo do SBT entre 1988 e 1995. A primeira equipe deapresentadores da CBS Telenotícias Brasil contava com nomes conhecidos dojornalismo brasileiro, como Eliakim Araújo, Leila Cordeiro, Cláudio Lessa, PauloEchebarria e Arnaldo Duran, entre outros. A CBS Telenotícias Brasil, mesmo antes de iniciar as transmissões, procuravase apresentar como um player de peso para um mercado recém-surgido. Um anoantes, em outubro de 1996, as Organizações Globo lançam a GloboNews, primeirocanal de telejornalismo 24 horas do Brasil, transmitido pelas operadoras NET (viacabo) e SKY (via satélite). Com a Globosat restringindo a entrada da CBSTelenotícias Brasil nas operadoras de TV por assinatura NET e SKY, a distribuiçãonão seria das melhores, com seu conteúdo sendo transmitido pelas operadorasDirecTV (sistema de satélite em nível nacional, porém, com menor quantidade deassinantes que a SKY) e TVA (sistema a cabo restrito a São Paulo). Uma alternativa que surgiu foi transmitir parte da programação da CBSTelenotícias Brasil pela rede de televisão aberta SBT (Sistema Brasileiro deTelevisão). Em 27 de setembro de 1997, pouco antes da CBS Telenotícias Brasiliniciar suas operações, assinou-se um contrato de reciprocidade de produção deconteúdo, permitindo que a CBS utilizasse a estrutura de telejornalismo do SBT e desuas 88 afiliadas em seu benefício; cedência de pessoal e equipamentos para duassedes, em São Paulo e Brasília; e espaço na grade de programação do SBT. Emtroca, o SBT tinha à sua disposição toda a estrutura da CBS para cobertura detransmissões internacionais, além de poder utilizar o newsroom da CBS em Miamipara geração de programas. Surgia assim o SINAL – Sistema de Notícias da
  • 60. 60América Latina, parceria entre CBS Telenotícias Brasil e SBT, e desde o início dasoperações em português, o Jornal do SBT passou a ser apresentado ao vivo donewsroom da CBS Telenotícias Brasil, em Miami, por Eliakim Araújo e LeilaCordeiro, a exemplo do que já ocorria com a Telemundo, que possuía em sua gradede programação dois telejornais produzidos pela CBS Telenotícias. À época, o presidente da CBS Telenotícias, Francisco De La Torre, declarou: Este é um acordo histórico, cuja intenção é criar uma aliança estratégica de longo prazo entre as duas empresas. Ao combinar a coleta de notícias e recursos de produção, desta forma, CBS Telenotícias e SBT estão prontas para se destacar em um dos mercados mais importantes da América Latina, entre os espectadores de luxo de notícias de televisão brasileira. (HIGHBEAM RESEARCH Banco de Dados. Disponível em: < http://www.highbeam.com/doc/1G1-19784664.html>. Acesso em: 02 dez. 2009, tradução nossa). Quando se iniciaram as operações no Brasil, a CBS Telenotícias já abrangia22 países, incluídos Estados Unidos e Canadá, atingindo 10 milhões de assinantes,seja pelas transmissões diretas, seja pelas afiliadas Telemundo nos Estados Unidose Telelatino no Canadá. Em setembro de 1998, a CBS e o grupo mexicano Medcom, experiente emrevistas semanais, formam uma joint-venture para gerenciar os canais CBSTelenotícias, tanto em espanhol como em português. A ideia era fortalecer aspresenças tanto da CBS como da Medcom em toda a América Latina, sem abrir mãoda fórmula adotada pela CBS Telenotícias, e preparando-se para um possívelcrescimento no mercado de televisão por assinatura. Com a joint-venture, o GrupoMedcom passou a ser responsável por 70% da CBS Telenotícias, enquanto que osnorte-americanos ficaram com 30%. Os anunciantes brasileiros faziam-se presentes na programação da CBSTelenotícias Brasil, mas o braço espanhol da operação dava sinais de que nãoresistiria muito tempo. O que parecia ser um discurso positivo, na verdade, era oindicativo de que o negócio não vingara, e gerara prejuízo aos norte-americanos. Aoassumir majoritariamente a CBS Telenotícias, o Grupo Medcom promoveu grandescortes de custos, repercutindo na qualidade do produto levado ao ar, com reprisesfrequentes e pouca atualização de conteúdo – perceptíveis para quem assistia asedições que eram transmitidas pelo SBT nas madrugadas.
  • 61. 61 No início de agosto de 1999, a CBS Telenotícias declarou insolvência,amparada no capítulo XI da lei de falências norte-americana. Antes disso, em julhode 1999, o jornal brasileiro Gazeta Mercantil já noticiava que o braço português daCBS Telenotícias seria vendido para a TV Tempo. E, em 12 de agosto de 1999, umdesconhecido empresário brasileiro chamado Matteo Levy adquiriu da Medcom aoperação em português da CBS Telenotícias. O canal foi extinto sem maioresexplicações, e, quando de seu encerramento, estimava-se que seus passivosbeiravam os 20 milhões de dólares, com perdas mensais estimadas de um milhãode dólares.4.2 Band News A história do canal tem início quando o tradicional Grupo Bandeirantes deComunicação inaugura no dia 19 de março de 2001 o Band News, segundo canalbrasileiro de notícias, e o primeiro a transmiti-las 24 horas por dia. O canal foidesenvolvido para ser uma fonte de consulta para os telespectadores que queriamse informar sobre os fatos mais importantes do dia. O Band News nasceu apoiadona tradição de credibilidade jornalística da Band, e recebeu investimento inicial deUS$ 6 milhões, incluindo infraestrutura - equipamentos e sistema operacional -equipe de técnicos e jornalistas, e passou a ser distribuído pelas operadoras detelevisão por assinatura DirecTV, NEO TV – incluída na época à TVA – e porsistemas independentes. Já na sua estreia, o sinal foi recebido por aproximadamente um milhão deassinantes em todo o país. Todo o material exibido no Band News era produzidopela Central de Jornalismo do Grupo, sob o comando do jornalista Fernando Mitre,que produzia e fornecia material jornalístico para toda a Rede Bandeirantes deRádio e TV. Contava ainda com material noticioso de agências internacionais eboletins econômicos feitos em parceria com o jornal Gazeta Mercantil. A programação do Band News é formada por módulos sequenciais de 15minutos, que incluem notícias do dia, indicadores, serviços, além de pequenosblocos sobre esporte, moda, cinema e meteorologia. A tela do Band News tambémexibe indicadores econômicos, cotação do dólar e da Bovespa, data e hora. Umnoticiário permanente, constantemente atualizado, que possibilita ao telespectadorinformar-se com rapidez, na hora em que deseja sobre os últimos e mais
  • 62. 62importantes acontecimentos no Brasil e no mundo. O canal foi a primeira etapa da Central de Jornalismo, novo conceito deprodução e distribuição digital do conteúdo jornalístico que o Grupo Bandeirantesdesenvolveu e que nos dias atuais integra e automatiza o jornalismo de todos osveículos do Grupo. O processo de concepção do canal é totalmente digitalizado e automatizadoem todas as fases da produção. São dez terminais de edição de texto, três câmerasdigitais, um switcher de produção com gerador de efeitos especiais e dois geradoresde caracteres. Conectadas a um servidor central existem quatro estações paracontrole e cadastramento do material que será armazenado, três ilhas de edição equatro estações de saída para a exibição das matérias durante a transmissão dosjornais. Um dia antes do lançamento do Band News, o Jornal do Brasil promoveureportagem questionando a existência de volume de notícias que sustentem 24horas de programação, assim como a capacidade do público de absorvê-las. Não há notícia para 24 horas de programação e, mesmo que houvesse, nem o dono do canal aguentaria assistir a tamanho volume de jornalismo. Globo News e Band News fazem sentido na medida em que disponibilizam as informações relevantes 24 horas por dia, avaliou o coordenador do curso de jornalismo da Pontifícia UniversidadeCatólica de São Paulo (PUC-SP) e diretor do Canal Universitário de São Paulo,Gabriel Prioli (DABREU, Patrícia. Na Rede de Notícias. Jornal do Brasil, Rio deJaneiro, ano 110, domingo, 18 mar. 2001. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/circo/cir210320014.htm>. Acesso em: 17 jun. 2010.) Para o coordenador do Programa de Pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Eco- UFRJ), Muniz Sodré, as pessoas necessitam de uma dose pequena de notícias por dia. „Precisamos de notícias transitivas e operativas, que nos informem sobre o que estrutura a nossa vida cotidiana. Só que nós recebemos notícias inessenciais. Na verdade, a notícia 24 horas por dia significa o controle do tempo dos sujeitos através do discurso jornalístico. Essa fórmula é americana e começou a ser usada pelo Ted Turner através da CNN, que se acha o máximo‟, analisou Muniz. (DABREU, Patrícia. Na Rede de Notícias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, ano 110, domingo, 18 mar. 2001. Disponível
  • 63. 63 em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/circo/cir210320014. htm>. Acesso em: 17 jun. 2010.). O editor do Observatório da imprensa on line e nas TVs Educativa e Cultura, Alberto Dines, concorda com Prioli e Muniz. „Os dois estão certos. Eu preciso de um número pequeno de informações por dia e acho que o acesso a elas é importante. Mas, o conteúdo da notícia que eu preciso não é idêntico ao do Muniz. E não é porque a notícia está disponível, como diz o Prioli, que algo irrelevante se torna importante‟, opinou Dines. Em uma alusão ao teórico francês Pierre Bourdier, Dines afirmou que a qualidade da informação deve estar à frente da quantidade de notícias veiculadas. „A reiteração transforma o nada em algo importante. Não contesto o fato de haver notícia para 24 horas, mas é preciso evitar que factóides se tornem fatos. Além disso, dramatizações excessivas fazem com que o irrelevante se converta em algo essencial‟, sustenta o jornalista. (Ibid). Aguinaldo Silva, aficionado por telejornalismo e autor da novela Porto dosMilagres – exibida às 20h na TV Globo à época da entrevista – aponta para o dramae a repetição em sua avaliação: Há algum tempo, podemos perceber a tendência da mídia em dramatizar informações que não são dramáticas. Por outro lado, não acredito que exista noticiário para 24 horas de programação. O que vejo são notícias requentadas e repetidas. Às vezes, ligo a TV de manhã, e a Globo News está passando um programa que já assisti na noite anterior. (Ibid) Para Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band e do Band News, o pontoalto do canal será a disponibilização da informação: “É óbvio que o público não tem24 horas para assistir à televisão. Mas ele poderá, através do Band News, teracesso à notícia a qualquer hora do dia” (Ibid). Já para o diretor de Jornalismo da Rede Record, Luiz Gonzaga Mineiro, essafacilidade de acesso propagada pelos canais fechados não é uma vantagemexclusiva da TV por assinatura. Mineiro diz, referindo-se ao programa feminino dastardes da emissora à época, “Não preciso interromper a programação para noticiar,por exemplo, que saiu o alvará de soltura do ex-senador Luiz Estevão. A ClaudeteTroiano interrompe uma receita e dá essa notícia durante o Note e Anote.” (Ibid),reforçando o conceito de que não é preciso ter um noticiário contínuo para se fazer24 horas de jornalismo. Isso significa que notícia dá audiência. Principalmente na TV aberta, o queleva a uma diferenciação do horário nobre destas emissoras e dos canais fechados.
  • 64. 64Na TV aberta, o pico de audiência está na faixa entre as 20 e às 22 horas, enquantonos canais fechados, a concentração de assinantes é entre 21h e 23h, conformepesquisas. (DABREU, Patrícia. Na Rede de Notícias. Jornal do Brasil, Rio deJaneiro, ano 110, domingo, 18 mar. 2001. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/circo/cir210320014.htm>. Acesso em: 17 jun. 2010.). Para Daiana Godinho, diretora de mídia da agência de publicidade DPZ (Ibid),pode-se concluir com essas pesquisas, que o telespectador que consome notíciasconfere os fatos nas emissoras abertas antes de passa aos canais pagos: O público ainda tem o hábito de assistir ao jornal das 20h00min e à novela, antes de migrar para os canais fechados. É por isso que, diariamente, 20% desses assinantes com mais de 18 anos assiste ao Jornal das Dez da Globo News. (Ibid). Ainda assim, Godinho diz que anunciar em canais dedicados exclusivamenteao jornalismo é um ótimo negócio porque complementa a afirmação da marca feitano espaço publicitário das emissoras abertas. Mesmo não havendo, à época daentrevista, a medição dos pontos de audiência na TV fechada – o que começou aser feita a partir de abril de 2001, pelo IBOPE, a TV por assinatura é programada nas estratégias de mídia para atingir melhor as faixas A e B, através da cobertura única que sua segmentação promove. Anunciar em um canal de notícias é vantajoso, não só no horário de pico, porque ele tem um público seleto todo o tempo. Aí, o que muda é apenas o valor de veiculação, o custo-benefício é o mesmo (Ibid).4.3 Record News A data de estreia – 27 de setembro de 2007, às oito da noite – foi escolhidade forma a marcar os 54 anos de fundação da Rede Record. O investimento foi deUS$ 7 milhões para equipar o canal, que tem 150 jornalistas exclusivos e 100profissionais de outras áreas, além de uma redação de 1.000 m², dividida em umnewsroom para apresentações ao vivo, projetando como cenário um fundo com 60posições de trabalho para os jornalistas, e mais um estúdio para a realização deprogramas gravados. Toda a edição e grafismo são realizados em tempo real,permitindo maior agilidade na difusão das notícias. (RECORD NEWS Record.
  • 65. 65Disponível em: <http://comercial.rederecord.com.br/RecordNews/tabid/104/Default.aspx>. Acesso em: 17 jun. 2010.). O Record News ocupou o espaço da Rede Mulher, emissora pertencente àRede Record, que foi extinta. Dessa forma, o Record News foi inaugurada com umarede de 101 emissoras abertas afiliadas, e telespectadores da Rede Mulher quesintonizavam através de antenas parabólicas analógicas passaram a acompanhar aprogramação do Record News. (COLETIVA.NET. Disponível em: <http://www.coletiva.net/site/noticia_detalhe.php?idNoticia=21841>. Acesso em: 17 jun. 2010.). O canal tem atualmente entre 19 e 21 horas de programação ao vivo – dasseis da manhã até a uma da manhã, eventualmente até às três da manhã – e orestante da grade ocupado por reprises, inclusive de jornais da Rede Record.Grande parte da programação é gerada do newsroom de São Paulo, na sede daRede Record. Os telejornais regionais – diferencial da Record News em relação asuas concorrentes – são produzidos em Salvador, no Rio de Janeiro, em PortoAlegre e em Araraquara. Programas diários são gerados a partir de Brasília e Miami,além de um programa semanal feminino a partir de Londres. (FOLHA DE SÃOPAULO. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1008200704.htm&COD_PRODUTO=7>. Acesso em 17 jun. 2010.). Segundo informação do blog do jornalista Josias de Souza, no dia 27 desetembro de 2007 (JOSIAS DE SOUZA. Globo Começa a questionar a legalidade daRecord News. [post] 29 set. 2007. Disponível em: <http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2007-09-01_2007-09-30.html#2007_09-29_19_12_46-10045644-0>. Acesso em: 17 jun. 2010.) o vice-presidente de relações institucionais dasOrganizações Globo, Evandro Guimarães, esteve em Brasília. Ele apresentouqueixa às autoridades do governo de que, ao levar ao ar o seu canal de notícias 24horas em rede aberta, a Record passaria a operar dois canais de televisão numamesma cidade, São Paulo, o que seria proibido pela legislação brasileira. Guimarães se encontrou com o ministro das Comunicações Hélio Costa, aquem cabe zelar pelo sistema de concessões televisivas. Informou-se ao ministroque, além da Globo, a Band compartilhava da reclamação contra a Record. Noentanto, o próprio ministro respondeu que estaria isento desse assunto, pois nãohaveria irregularidade no caso. A imprensa tratou o caso como uma reação da Rede Globo frente ao risco deque um canal dedicado ao telejornalismo poderia incomodar em alguns horários,
  • 66. 66provavelmente de baixa audiência. Aproveitando-se disto, a Rede Record veiculounos dias 1º e 2 de outubro editorial de protesto contra Globo e Band, com a Globosendo duramente criticada. (BOL NOTÍCIAS. Disponível em: <http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2007/10/01/ult4738u3270.jhtm>. Acesso em 17 jun.2010.). De acordo com Diogo Moysés, em artigo do site Observatório do Direito àComunicação (OBSERVATÓRIO DO DIREITO À COMUNICAÇÃO. Disponível em:<http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=1527>. Acesso em 14 out. 2010.), o canal Record News ocupa em São Paulo o canal destinado à retransmissora da Rede Mulher. A geradora da emissora está situada em Araraquara, interior de São Paulo. Tal geradora – que em tese é quem produz o conteúdo veiculado nas retransmissoras – está com a outorga vencida desde agosto de 2005. Na capital paulista, a retransmissora da Rede Mulher ocupa o canal 42 UHF e, por se tratar de uma modalidade diferenciada de concessão (chamada de “autorização”) tem sua outorga atrelada à sua geradora. Ou seja, se a geradora tem sua outorga vencida, o mesmo acontece com a retransmissora. Moysés (Ibid) complementa que em tese, o conteúdo deveria ser produzido em Araraquara, sede da geradora, e retransmitido para a capital do estado. Com a inversão, utiliza-se uma outorga de retransmissora como geradora e, inversamente, a outorga de geradora acaba se tornando, na prática, uma mera retransmissora, já que em Araraquara será veiculado conteúdo produzido em São Paulo. Após a apresentação dos canais estudados neste Trabalho, suacontextualização histórica, assim como as características de cada produto, opróximo capítulo é dedicado à descrição da metodologia e da análise dos telejornaisselecionados.
  • 67. 675 ANÁLISE Para este Trabalho de Conclusão de Curso, foram assistidas, decupadas eanalisadas sete edições de telejornais, produzidos em canais dedicados aotelejornalismo, sendo uma exibida há dez anos pelo canal CBS Telenotícias Brasil, eas seis restantes, exibidas nos dias atuais, pelos canais Band News e Record News. Nesta análise, são considerados os seguintes critérios: 1) as formas deapresentação da notícia que são empregadas nos canais dedicados aotelejornalismo; 2) a recorrência de informações, e de que modo estas sãoapresentadas, em duas edições de um mesmo telejornal, exibidas em horáriosdiferentes; 3) a diversidade e a predominância de origem das informações que sãoapresentadas nos telejornais; 4) o tempo de produção de cada um dos telejornaisanalisados, levando em consideração que todos são concebidos para ocuparem 30minutos de uma grade de programação; 5) as diferenças entre um telejornal de umcanal de notícias, exibido dez anos atrás, para os telejornais apresentados nos diasatuais, no que se refere às formas de apresentação da notícia, e; 6) que inovaçõesno formato de apresentação do telejornal podem ser destacadas em, inicialmente,um período que antecedeu modificações na programação da emissora, e em outroperíodo com as inovações em vigor. Os seguintes telejornais são objeto desta análise: edição de telejornal docanal CBS Telenotícias Brasil, datada de 27 de janeiro de 2000, cujo horário deexibição não pode ser identificado, obtida a partir do site YouTube, canalclaudiolessa, dividida em cinco vídeos, reordenados para esta análise, edenominados para fins de facilitar a identificação como CBS; edição de telejornal docanal Band News, gravada a partir da exibição ao vivo as 10 horas e 30 minutos dodia 4 de novembro de 2010, identificada como BAND 1; edição de telejornal do canalBand News, gravada a partir da exibição ao vivo as 14 horas do dia 4 de novembrode 2010, identificada como BAND 2; edição de telejornal do canal Band News,gravada a partir da exibição ao vivo as 10 horas e 30 minutos do dia 10 denovembro de 2010, identificada como BAND 3; edição do telejornal Hora News, docanal Record News, gravada a partir da exibição ao vivo às 07 horas e 30 minutosdo dia 4 de novembro de 2010, identificada como REC 1; edição do telejornal HoraNews, do canal Record News, gravada a partir da exibição ao vivo as 11 horas e 30minutos do dia 4 de novembro de 2010, identificada como REC 2, e; edição do
  • 68. 68telejornal Hora News, do canal Record News, gravada a partir da exibição ao vivo as19 horas do dia 12 de novembro de 2010, identificada como REC 3. As informações, extraídas da decupagem das respectivas edições, foramorganizadas em quadros, cada um deles referente a uma edição de telejornal,formatados de modo semelhante ao espelho – método de ordenação ehierarquização de informações exibidas em um telejornal. Cada uma dasinformações exibidas recebeu uma retranca26, que foi classificada de acordo com asformas de apresentação da notícia, retratadas no Capítulo 3, teve a origem domaterial identificado, assim como o tempo em que ficou no ar a informação. Estipulou-se uma diferenciação das notas cobertas em duas situações:aquelas lidas ao vivo pelo apresentador, estão identificadas nos quadros como notacoberta off vivo, e as demais narradas por outros apresentadores do canal, ou pré-gravadas pelo apresentador para exibição em outros horários, somente como notacoberta. Para a diferenciação entre notas cobertas e reportagens, estipulou-se tratarde reportagem quando dois ou mais recursos – off e/ou boletim de passagem e/ousonoras, com ilustração de imagens – estiverem presentes em uma mesmainformação. Se somente o recurso do off estiver empregado, considera-se notacoberta. Em todas as edições analisadas tomou-se o cuidado de não existirem fatosque atraíssem maior atenção editorial, como o resultado do segundo turno daseleições presidenciais, eventos esportivos de grande repercussão, ou ainda eventosque modifiquem a grade de programação dos canais dedicados ao telejornalismo. Aexceção é o telejornal CBS, que foi exibido em período anterior ao estipulado para aanálise, mas que se enquadrou nos princípios estabelecidos. Também foram tomadas as precauções no sentido de que a duração dostelejornais analisados fosse próxima dos 30 minutos dentro da grade deprogramação, para que a análise do tempo de produção em todas as edições nãoseja prejudicada. Para fins de responder ao primeiro critério, excluíram-se dos cálculosescaladas, vinhetas, notas de abertura e de encerramento, e chamadas de intervalo,26 Retranca é o “nome que se dá, em jornalismo, a um assunto. [...] A forma que o jornalismoencontrou de simplificar o processo foi a de nomear os assuntos. E os nomes escolhidos devempermitir a identificação imediata do tema. [...] É um termo que veio das gráficas, onde designa umdeterminado procedimento no processo de impressão que facilita a divisão de assuntos publicados”(Bonner, 2009, p. 66-67)
  • 69. 69que são características dos telejornais, e que não tem como objetivo levarinformação ao telespectador. O tempo das cabeças será acrescido aos dainformação apresentada, por fazer parte do conjunto da notícia. Para a análise doterceiro critério, foram considerados parâmetros semelhantes aos definidos para oprimeiro. Para o segundo critério, não são consideradas matérias institucionais, dedivulgação de outros telejornais ou que anunciam modificações na programação.Além disso, foram desconsiderados os telejornais CBS, BAND 3 e REC 3, devido aofato de terem sido gravados em temporalidade diferente dos demais. Para fins de responder ao quarto critério, nos telejornais BAND 3 e REC 3também foram levantados os tempos de duração dos intervalos comerciais, de modoque se tenha noção do tempo total de produção do telejornal, inserido no contextode uma grade de programação. O último critério foi estipulado levando em consideração que duas dasemissoras analisadas neste trabalho – Band News e Record News – promoverammodificações em suas grades de programação a partir de 8 de novembro de 2010,próximo ao período de gravação dos telejornais para análise. Inicialmente, estavam previstos a análise de três telejornais de cadaemissora, com exceção da CBS Telenotícias Brasil, em que somente uma edição emcondições de ser analisada pode ser obtida. A partir da mudança nas duasemissoras, optou-se pela análise de dois telejornais exibidos antes dasmodificações, e de uma terceira edição exibida com as inovações em prática.5.1 Formas de Apresentação da Notícia Uma característica que se faz presente nos telejornais dos canais Band Newse Record News é a permanente atualização de notícias na tela, ao mesmo tempoem que as informações são apresentadas. As informações passam na tela em formade texto, sendo que a primeira linha, estática, informa o que está sendo apresentadonaquele momento, enquanto que a segunda linha, percorrendo a tela da direita paraa esquerda, informa o telespectador com outras notícias, que podem ou não serapresentadas durante o telejornal. No caso do canal Record News, estas notíciassão fornecidas pelo portal de notícias R7, pertencente ao mesmo grupo empresarial.
  • 70. 70 Data e hora de Brasília atualizados, assim como a previsão do tempo dascapitais brasileiras são informados no rodapé da tela dos canais Record News eBand News, sendo que este também apresenta informações de indicadoreseconômicos em sua tela. Outra característica, encontrada nos três canais, é a apresentação deinformações da previsão do tempo e dos indicadores econômicos nos intervalos daprogramação, através de ilustrações gráficas com conteúdos fornecidos poragências. Na análise dos sete telejornais, o conteúdo informativo fica distribuído doseguinte modo: No telejornal CBS, foram oito notas cobertas lidas peloapresentador, perfazendo um total de 9 minutos e 28 segundos. Outra nota foi lidapor outro narrador, somando 2 minutos e 20 segundos. Nesta edição, aindaconstaram duas reportagens, somando 3 minutos e 15 segundos. No telejornal BAND 1 predominaram as notas cobertas gravadas por outrosapresentadores, em número de sete e somando 6 minutos e 6 segundos. Outrascinco notas cobertas lidas pelo apresentador ao vivo somaram 3 minutos e 50segundos. . As reportagens, duas, somam 3 minutos e 3 segundos. Dois audiotapes– boletins por telefone ilustrados com arte ou imagens de arquivo – foram exibidos,somando três minutos e um segundo. Por duas vezes utilizou-se o recurso daexibição de gols de partidas de futebol, ocorridas na noite anterior, em que o áudio éoriginal da narração da partida. As duas narrações somadas resultam em 2 minutose 43 segundos. Notas simples foram empregadas cinco vezes, somando 2 minutos e28 segundos. O telejornal BAND 2 apresentou seis reportagens, com tempo total de 9minutos e 9 segundos. Onze notas simples foram empregadas, totalizando 4minutos e 57 segundos. Cinco notas cobertas lidas ao vivo pelo apresentadorsomaram 3 minutos e 21 segundos. Quatro notas cobertas gravadas por outrosapresentadores somaram 3 minutos e 15 segundos. Um audiotape foi exibido, comtempo de 58 segundos. No telejornal BAND 3, predominaram as notas cobertas lidas ao vivo peloapresentador – quatorze, totalizando exatos 10 minutos. Cinco notas cobertasgravadas somaram 2 minutos e 50 segundos. Duas reportagens foram exibidas, comtempo total de 4 minutos e 9 segundos. Notas simples foram empregadas três
  • 71. 71vezes, totalizando 1 minuto e 52 segundos. Um audiotape foi exibido, com duraçãode 1 minuto e 3 segundos. As reportagens predominaram no telejornal REC 1. Foram seis, somando 7minutos e 36 segundos. Notas cobertas gravadas ocorreram em quatrooportunidades, e somaram 3 minutos e 38 segundos. As notas cobertas lidas ao vivotambém apareceram quatro vezes, somando 1 minuto e 46 segundos. Notas simplesforam empregadas três vezes, e totalizaram 1 minuto e 4 segundos. O telejornal REC 2 teve seis reportagens, com tempo total de 7 minutos e 55segundos. Uma das reportagens foi exibida ao vivo em outro telejornal, e foireaproveitada nesta edição. Notas cobertas gravadas foram três, totalizando 3minutos e 37 segundos. Destas, duas foram narradas pelos repórteres ao vivo emoutros telejornais, sendo reaproveitadas nesta edição como nota coberta. Quatronotas cobertas lidas ao vivo totalizaram 2 minutos e 42 segundos. Nesta edição fez-se uso por duas vezes da lapada, sequência de notas cobertas curtas, com locuçãogravada, e entremeadas por uma vinheta curta. O tempo total das lapadas foi de 1minuto e 49 segundos. Notas simples foram empregadas duas vezes, somando 1minuto e 4 segundos. Uma entrada ao vivo foi realizada, com duração de 1 minuto e18 segundos. Já o telejornal REC 3 teve predominância das reportagens que, em númerode quatro, somaram 6 minutos e 27 segundos. Uma destas reportagens era areprodução editada de uma entrevista realizada em outro telejornal da emissora.Dois boletins ao vivo foram transmitidos, sendo um por telefone e outro por sinal demicro-ondas, ambos ilustrados com imagens. Os dois boletins somam 3 minutos e30 segundos. Cinco notas cobertas lidas ao vivo totalizaram 2 minutos e 51segundos. Três notas cobertas foram gravadas previamente, com tempo total de 2minutos e 44 segundos. Somente duas notas simples foram empregadas, esomadas, totalizam 35 segundos.5.2 Informações Recorrentes Entre os telejornais BAND 1 e BAND 2, ocorreram as seguintes recorrênciasde informações: A informação identificada com a retranca Helicóptero SP foiapresentada em BAND 1 na forma de nota coberta lida ao vivo, com duração de 44segundos. No telejornal BAND 2 ela foi novamente apresentada como nota coberta
  • 72. 72ao vivo, mas desta vez com duração de 36 segundos. A diferença de tempo decorreda modificação no texto da nota, atualizada com novas informações no BAND 2. A informação retrancada como Perseguição EUA foi apresentada como notacoberta gravada em BAND 1, com duração de 48 segundos. No BAND 2, a mesmanota coberta gravada foi apresentada, com duração de 49 segundos – a duração deum segundo a mais na cabeça do telejornal BAND 2 motivou a diferença de tempo. Entre os telejornais REC 1 e REC 2, as seguintes informações apresentaramrecorrência: A informação retrancada como Bingos Fechados foi apresentada emREC 1 como nota simples, divulgando informações preliminares ao final dotelejornal, tendo duração de 24 segundos. No dia seguinte, em REC 2, BingosFechados é apresentada como uma reportagem, com depoimentos de autoridades ea presença do repórter no local do acontecimento, com tempo de 1 minuto e 25segundos. A retranca Buscas Elisa MG aparece no telejornal REC 1 na forma de notacoberta lida ao vivo pelo apresentador, com o tempo de 40 segundos. Em REC 2, ainformação é inserida na segunda lapada, uma das quatro notas cobertas gravadasem sequência, com o tempo de 22 segundos. A primeira informação dá conta doencerramento das buscas pelo corpo de Elisa Samudio naquela data, enquanto quea segunda informação relata o reinício das buscas. Foram analisadas também as recorrências entre os telejornais BAND 1 e REC2, que foram exibidos com diferença de uma hora entre um e outro. A retrancaHelicóptero SP está presente em ambos os telejornais por se tratar de um fato – aqueda de um helicóptero em um aeroporto de São Paulo – que ocorrera no início damanhã. Em BAND 1, a informação é apresentada como nota coberta lida ao vivo,com duração de 43 segundos. Em REC 2, a informação também é apresentadacomo nota coberta lida ao vivo, mas com duração de 1 minuto e 16 segundos.Ambos os telejornais utilizaram, como ilustração do local do acidente, imagensobtidas a partir de seus helicópteros utilizados como unidades móveis. A informação retrancada como Reconstituição RJ trata de um fato ocorrido nanoite anterior, no Rio de Janeiro. O telejornal BAND 1 apresenta uma reportagem,com duração de 1 minuto e 23 segundos, composta por uma passagem do repórter,duas sonoras e três offs. Em REC 2, a informação também é exibida, porém, naforma de nota coberta gravada, com duração de 30 segundos. A narração desta
  • 73. 73nota coberta foi feita pelo repórter, ao vivo, em outro telejornal, e reaproveitada paraesta edição. Ainda foram analisadas as recorrências entre os telejornais REC 2 e BAND 2,exibidos com duas horas e meia de diferença. A retranca Reunião Ministerialaparece no telejornal REC 2 como um boletim transmitido ao vivo de Brasília,ilustrado com imagens da reunião, e teve duração de 1 minuto e 18 segundos. EmBAND 2, a mesma informação é noticiada, mas na forma de nota simples, comduração de 30 segundos. A retranca Helicóptero SP aparece em ambos os telejornais – e nos dois naforma de nota coberta lida ao vivo. Em REC 2, com duração de 1 minuto e 16segundos, enquanto que em BAND 2, com tempo de 36 segundos. A retranca Bingos Fechados está presente nos dois telejornais. Em REC 2, foiapresentada como reportagem, contendo um boletim de passagem, dois offs e umasonora, perfazendo um total de 1 minuto e 25 segundos. Já no telejornal BAND 2, amesma retranca também foi apresentada como reportagem, contendo também osmesmos elementos: um boletim de passagem, dois offs e uma sonora. Porém, otempo de exibição foi de 44 segundos. Uma explosão em uma fábrica de lubrificantes localizada em Paulínia, interiorde São Paulo, foi noticiada nos dois telejornais. No REC 2, a informação foi dada emforma de nota simples, com duração de 33 segundos. Já no BAND 2, a informaçãofoi divulgada em um audiotape sem ilustração de imagens, apenas o relato darepórter de uma rádio pertencente ao mesmo grupo empresarial do Band News. Ainformação foi dada em 58 segundos. A última recorrência nos dois telejornais trata da recaptura de um foragido naBahia. No telejornal REC 2, a informação foi exibida na forma de nota coberta lida aovivo, com o apoio de imagens de arquivo, no tempo de 28 segundos. Já o telejornalBAND 2 exibiu a informação como nota coberta gravada por outro apresentador docanal, mas também apoiada em imagens de arquivo, com duração de 37 segundos.5.3 Origem das Informações De acordo com as anotações que constam no quadro I, o telejornal CBS foiinteiramente concebido a partir de informações oriundas de agências de notícias.Em momento algum foi possível identificar conteúdo próprio, como imagens ou
  • 74. 74reportagens produzidas pela CBS Telenotícias Brasil, ou ainda pelo SBT, parceiro .Todo o conteúdo – 9 notas cobertas e as duas reportagens com as respectivassonoras – foi fornecido por agências de notícias contratadas pelo canal, que, por suavez, os apresentou como sendo de sua autoria. Ao utilizar os serviços de umaagência de notícias, não há a necessidade de se prestar os devidos créditosautorais, previamente negociados no acordo entre agência e canal. Já os telejornal de Band News e Record News, além do conteúdo dasagências – principalmente nas notícias internacionais – apresentam informações dasafiliadas das respectivas redes de televisão espalhadas pelo país, além do apoio deseus Departamentos de Esporte. No telejornal BAND 1, a maioria das informações e/ou imagens eraproveniente de agências – onze notícias tem origem em conteúdos de terceiros,todas da editoria internacional. A participação das afiliadas da Rede Bandeirantes sefaz presente em quatro notícias – 2 do Rio de Janeiro, 1 do Paraná e 1 de SãoPaulo. O Departamento de Esportes da Rede Bandeirantes é responsável por, pelomenos, quatro notícias – todas relacionadas ao futebol. Nos dois audiotapes, há aparticipação dos correspondentes internacionais do canal, sendo um a partir deIsrael e, o outro a partir da Argentina. Duas notícias tiveram o apoio de imagens dearquivo – o audiotape da Argentina e a nota do show do Black Eyed Peas em SãoPaulo. Por uma vez se utilizou os recursos de arte – no audiotape de Israel, que nãodispunha de imagens. A maior diversificação das fontes de informações é uma característica dotelejornal BAND 2. As afiliadas do Grupo Bandeirantes contribuíram com pelo menosnove notícias, distribuídas da seguinte maneira: um audiotape de repórter da RádioBand News FM de Campinas, 3 notícias do Distrito Federal, 3 de São Paulo, e 1 doRio de Janeiro. As agências de notícias são a origem de, pelo menos, quatronotícias da editoria internacional, e outras seis de âmbito nacional – trata-se deinformações sobre os indicadores de inflação e de crescimento da economiabrasileira. Quatro notícias contaram com o apoio de imagens de arquivo, e uma, como apoio de ilustrações de arte, em reprodução de imagens de um site. O telejornal BAND 3 tem predominância das informações vindas das agênciasde notícias – são quatorze ao todo, incluídas duas notas simples, todas da editoriainternacional, que tem como origem as agências. A participação das afiliadas doGrupo Bandeirantes também é maior – nove notícias tem origem nas emissoras da
  • 75. 75Rede Bandeirantes, sendo um audiotape de repórter da Rádio Band News FM deBelo Horizonte, duas informações de São Paulo, duas do Rio de Janeiro, e Goiás,Pernambuco e, Santa Catarina, com uma notícia cada. Há ainda uma notícia vindado nordeste, mas não é possível prever com precisão qual a afiliada que deu origemàs imagens. Uma notícia – vôlei feminino – tem origem no Departamento de Esporteda Rede Bandeirantes. Em uma nota houve o apoio de imagens de arquivo, e emoutra – o audiotape – utilizou-se de recurso de arte, sem o apoio de imagem alguma. A principal característica do telejornal REC 1 é a utilização de informações deagências de notícias, que somam sete – 5 na editoria internacional e 2 nacionais.A participação das afiliadas da Rede Record ocorre em cinco notícias, sendo duasnotícias relacionadas ao futebol, oriundas de Minas Gerais e Santa Catarina, e asdemais originadas de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. O Departamento deEsporte da Rede Record forneceu duas reportagens, ambas relacionadas ao futebol.Em uma informação, fez-se uso do apoio de imagens de arquivo. Uma característicapeculiar deste telejornal constitui-se numa notícia institucional, de divulgação danova programação da emissora, com duração de 1 minuto e 25 segundos. O telejornal REC 2 pode ser considerado a exceção entre os demais –nenhuma notícia internacional foi exibida. As informações oriundas em agências denotícias são três, todas classificadas como notas simples. Em contrapartida, asinformações originadas nas afiliadas da Rede Record compõem a maioria – são 16participações das afiliadas, sendo cinco de São Paulo, quatro do Rio de Janeiro, trêsde Minas Gerais, dois do Distrito Federal, uma do Paraná e uma do Rio Grande doSul. Somente uma informação teve apoio em imagens de arquivo. Nesta edição,duas notícias institucionais foram divulgadas – uma chamada para um programadominical, com duração de 1 minuto e 2 segundos, e uma chamada para a novaprogramação da emissora – a exemplo da edição REC 1 – com duração de 2minutos e 8 segundos. O último telejornal analisado, REC 3, possui as mais diversas fontes deinformação. Das afiliadas originam-se quatro notícias, sendo três de São Paulo euma entrada por telefone, ao vivo, de Minas Gerais. Duas das participações de SãoPaulo também foram feitas ao vivo – uma com a participação do repórter, e outrasomente com imagens aéreas de São Paulo. As agências de notícias contribuíramcom seis informações, sendo duas nacionais e quatro internacionais – uma delascontou com o apoio de ilustrações de arte, na reprodução de fotografias. O
  • 76. 76Departamento de Esporte da Rede Record forneceu duas informações, sendo umadelas reportagem. Em duas ocasiões fez-se necessário o apoio de imagens dearquivo – na entrada ao vivo do repórter de São Paulo, e na primeira informação dotelejornal, oriunda de agência de notícias. Uma reportagem tem como origem aprópria emissora – trata-se de edição de uma entrevista realizada em outro telejornalda emissora. E por último, esta edição contou com três informações institucionais,sendo uma chamada em nota simples para o programa esportivo da emissora, comduração de 20 segundos; uma chamada para um programa dominical, com duraçãode 1 minuto e 44 segundos, e; o anúncio, por parte do grupo proprietário do canal,de dois prêmios de telejornalismo, em uma nota coberta gravada, no tempo de 54segundos.5.4 Tempo Total x Tempo de Produção Para um período de 30 minutos a ser preenchido na grade de programação apartir das 10 horas e 30 minutos, o telejornal BAND 3 teve tempo total de 27 minutose 17 segundos, não incluído o tempo de intervalo comercial apresentado após oencerramento do segundo bloco. Seu tempo de produção foi de 22 minutos e 58segundos, não incluído o único intervalo comercial, de 4 minutos e 9 segundos, nemas informações exibidas antes do início do telejornal, que somaram 10 segundos. Já o telejornal REC 3, previsto para preencher o mesmo tempo deprogramação – 30 minutos – apresentou tempo total de 30 minutos e 3 segundos,aparentemente passando três segundos do tempo previsto. Porém, se excluirmos ostrês intervalos comerciais inseridos durante o telejornal – o primeiro com 4 minutos e10 segundos; o segundo com 3 minutos e 57 segundos, e; o último com 4 minutos e44 segundos – veremos que o tempo de produção do telejornal resulta em 17minutos e 12 segundos. Não existiram intervalos comerciais antes ou após otelejornal, somente no decorrer deste, o que leva a crer que o tempo médio deprodução do telejornal é próximo de 17 minutos.5.5 Hoje x Dez anos atrás No que diz respeito aos seis telejornais dos canais Band News e RecordNews em relação ao telejornal CBS, as diferenças são facilmente identificadas.
  • 77. 77Ao contrário do CBS, os telejornais BAND e REC fazem uso tanto de notíciasnacionais como de internacionais, com a exceção do telejornal REC 2, queapresentou somente notícias nacionais. O telejornal CBS, mesmo anunciando queinformaria o telespectador com notícias do Brasil e do mundo, somente apresentounotícias internacionais na edição avaliada. A forma de apresentação das notícias é das mais variadas nos telejornaisBAND e REC, enquanto que no CBS predominam o uso de notas cobertas lidas peloapresentador, a exceção de duas reportagens, também oriundas de agências. Outrorecurso diferencial dos canais da atualidade é a utilização da tela para a transmissãode informações suplementares, diferentes das que estão sendo transmitidas notelejornal convencional. Tal artifício sempre foi utilizado pelo canal especializado em notíciaseconômicas Bloomberg, que, de acordo com Tourinho (2009, p. 84), “coloca na telaseis informações diferentes ao mesmo tempo”. No caso dos telejornais BAND, sãopelo menos seis as informações transmitidas: Data e hora, dois indicadoreseconômicos, notícia que está sendo exibida na tela, informações mais recentes e, oscréditos do que está sendo exibido. Nos telejornais REC o número de informações é semelhante: Data e hora,tempo nas capitais, programa que está sendo exibido, notícia que está sendoexibida na tela, informações no portal de notícias R7, e os créditos do que estásendo exibido. Porém, algumas semelhanças ficaram evidentes no que foi produzido dezanos atrás, e no que é praticado hoje – uma característica mais simples é adivulgação de informações como previsão do tempo e indicadores econômicos emtelas nos intervalos comerciais, isolados do conteúdo do telejornal. Tanto BandNews como Record News adotam este modo de divulgar as informações,semelhante ao que a CBS Telenotícias Brasil fazia. Mas a prática mais visível é a dependência quase total da editoriainternacional de ambos os canais, do conteúdo produzido pelas agências denotícias. Uma prática que, acredita-se, tão cedo não deverá mudar, visto que não épossível para qualquer emissora de grande porte estar presente em todos os locaisdo mundo ao mesmo tempo. Dez anos atrás o telejornal CBS já demonstrava esta dependência doconteúdo de agências, de modo até exagerado. Os telejornais dos dias atuais, em
  • 78. 78seus blocos de notícias internacionais, continuam se mostrando extremamentedependentes das informações vindas dos provedores de conteúdo internacional. Os correspondentes especiais, a exemplo da assinatura de produtos dasagências de notícias, são alternativas de baixo custo, porém, estão situados empontos estratégicos dos continentes, fazem o acompanhamento do que asimprensas locais divulgam e, nas poucas participações em que apareceram nostelejornais BAND, foram por meio de audiotape ilustrado, ou com imagens dearquivo, ou com arte e sem imagens de apoio, e sem terem a seu dispor um suportetecnológico que favoreça a apresentação das informações de modo convencional. A Rede Record também dispõe de correspondentes espalhados pelo mundo,porém, nas edições analisadas não houve a participação destes nos telejornais doRecord News. Nos telejornais da CBS Telenotícias Brasil, um diferencial que não foiexplorado por nenhuma edição dos telejornais do Band News e do Record News eraa transição de uma reportagem para outra sem a passagem pelo apresentador.Diferente das lapadas, que são adotadas para concentrar informações de curtaduração, o canal CBS Telenotícias Brasil ia de uma informação para a outra sem anecessidade de o apresentador anunciar o assunto. É um método no mínimodiferente de conduzir o telejornal e prender o telespectador.5.6 Inovações de uma semana para a outra Em meio ao período de análise previsto, o canal Record News passou adivulgar chamadas informando o telespectador que sua programação passaria pormudanças a partir de 8 de novembro. Tais modificações já eram previstas, levandoem consideração que seu principal concorrente, o Globo News, promoveramudanças radicais na sua grade de programação e identidade visual em 18 deoutubro de 2010. A mudança mais significativa seria no principal telejornal do GloboNews, que desde a criação do canal se chamava Em Cima da Hora, e que passou aser denominado Jornal da Globo News, mas sem perder as características deatualizar o telespectador a cada hora. Esperava-se uma reação nos mesmos moldes, com modificações naidentidade visual e no conteúdo dos programas, algo que foi divulgadoostensivamente nas edições dos telejornais analisados REC 1 e REC 2. Mas o que
  • 79. 79se viu foi a renovação das vinhetas dos telejornais, e a redistribuição de algunsprogramas na grade de programação, de modo a abrigar cinco novas atrações –entre elas, um telejornal especializado em notícias do agronegócio, o Record NewsRural, apresentado da emissora afiliada da Record News em Araraquara, interior deSão Paulo, e outro dedicado a repercutir o que foi notícia durante o dia nos portais esites da internet, o NBlogs. A quantidade de telejornais Hora News foi reduzida, o tempo de produção dasedições, em média, permaneceu o mesmo, e duas edições foram extintas – a das 11horas e 30 minutos, e a das 19 horas e 30 minutos, nos dias úteis. Outros telejornaisda emissora tiveram seus horários modificados para concorrerem com os exibidospelo Globo News, como o caso do telejornal Record News Brasil, que ia ao ar asnove da noite e agora é exibido a partir das dez da noite, concorrendo com o J10 doGlobo News. Até a tarde da segunda-feira, dia 8 de novembro, não existia a intenção de serefazer a análise do canal Record News, pois as modificações não eram tão grandesquanto as propagandas anunciavam. Mas o que deu origem a este último critério foia decisão do Grupo Bandeirantes de também modificar a programação do canalBand News a partir do dia 8 de novembro, porém, sem nenhum alarde – os anúnciosdas mudanças foram discretos, e surgiram na imprensa especializada somente nofinal de semana que antecedeu as modificações. Humberto Candil, diretor responsável do canal Band News, (PORTAL IG.Bandnews estréia padrão visual e trilhas sonoras adaptadas ao HDTV. 5 nov. 2010.Disponível em: <http://cidadebiz.ig.com.br/conteudo_detalhes.asp?id=53679>Acesso em: 16 nov. 2010.), ressalta que “é a segunda alteração de vinhetas quefazemos desde a inauguração do canal, há nove anos. O mundo mudou, atecnologia avançou e nós fazemos questão de estar em renovação permanente”, Em conversa com a orientadora deste Trabalho de Conclusão de Curso,acordou-se de que era necessária uma análise destas modificações, visto que osdois canais analisados neste Trabalho optaram por inovar, ao invés depermanecerem no passado. O prazo para tais levantamentos era extremamentecurto, colocando em risco inclusive a conclusão do trabalho no prazo estipulado,mas foram realizadas as gravações de duas edições dos telejornais já com asinovações em vigor, com o objetivo de compará-los com os padrões anteriores.
  • 80. 80 Além das inovações nas trilhas e nas vinhetas do Band News – maisarrojadas e atualizadas do que as utilizadas até então – a principal modificação natela do Band News foi à forma de apresentação das notícias – não as do telejornal,que permaneceram exatamente como era antes das modificações, mas nas notíciasinformadas em texto, no rodapé da tela. Figura 1 – Frame do canal Band News antes das modificações Anteriormente, eram três informações apresentadas na tela, sendo no topo,em uma ou duas linhas, os créditos do entrevistado e de localização; na linha azul anotícia que estava no ar em texto estático, em vermelho outra notícia em destaque,diferente da que estava sendo exibida, também estática, e outras informações emlinha de texto passando da direita para a esquerda na linha cinza clara, sem contarinformações de data e hora próximas da logomarca do canal, e os indicadoreseconômicos na linha cinza escura.
  • 81. 81 Figura 2 – Frame do canal Band News após as modificações A segunda linha foi suprimida, de modo que informações como data, hora edois indicadores econômicos tiveram seu espaço ampliado, passando a ocupar ocentro da tela, assim como a logomarca do canal. No topo fica o crédito deentrevistados e localização. Na linha azul, a informação que está sendo exibida natela, e logo abaixo, da direita para a esquerda passam as notícias que são destaquenas últimas horas, na linha branca. Figura 3 – Frame do canal Record News antes das modificações No caso do Record News, as mudanças mais significativas também se deramna apresentação em texto das notícias. As linhas passaram a ocupar menor espaçona tela, priorizando a informação que está sendo exibida.
  • 82. 82 Figura 4 – Frame do canal Record News após as modificações Uma organização geométrica facilita a divisão das informações gráficas. Nalinha superior, o crédito dos entrevistados e de localização. Na linha central consta ologotipo do programa que está no ar, a informação que está sendo exibida, a data ea hora. Na inferior, consta a atualização das noticias do portal R7, da direita para aesquerda, e o tempo nas capitais. O logotipo do canal não sofreu alterações. De resto, como os quadros nos mostraram, não houve mudançassignificativas nas formas de apresentação das notícias em tela, em ambos oscanais. A distribuição das notícias no espelho não se modificou de um período parao outro, ocorrendo somente modificações estéticas. Feita a análise, passamos ao estágio final, em que serão apresentadasconsiderações conclusivas referentes aos canais dedicados ao telejornalismo e suasrotinas produtivas, descritas neste capítulo.
  • 83. 836 CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS Neste Trabalho, inicialmente promovemos o resgate histórico da televisãobrasileira, seja a tradicional, em canais abertos, como também a distribuída porassinatura. Procuramos realçar as inovações tecnológicas e de formato relacionadasao telejornalismo, ocorridas nestes sessenta anos de televisão no Brasil. Em um segundo momento, apresentamos as rotinas produtivas dotelejornalismo tradicional, praticado pelas emissoras de televisão abertas, erealçamos as características diferenciais do telejornalismo nas emissoras dedicadasà notícia. Feita a descrição das rotinas produtivas, traçamos o perfil de cada um dosprodutos analisados neste Trabalho, contextualizando-os historicamente eapresentando seus diferenciais. Após, procedeu-se com a análise e descrição dos espelhos dos setetelejornais que serviram como o corpus deste trabalho, utilizando a metodologiaquantitativa, e cujos resultados foram devidamente analisados e descritos. Neste último momento, as considerações conclusivas refletem o resultado daanálise e o confronto de ideias e conceitos que surgiram no decorrer deste Trabalho. Carlos Henrique Schröder, perguntado por Tourinho (2009, p. 303) “o quecaracterizaria uma quebra de paradigma ou uma inovação num telejornal?”, assimrespondeu: “Infelizmente, o que temos comprovado é que você só consegueprovocar uma percepção quando há mudança visual. [...] muda-se o conteúdo, masé preciso modificar a forma também”. O que se percebe facilmente é que tanto Band News como Record Newsconseguiram modificar a forma de apresentação dos canais dedicados aotelejornalismo, se comparados com o que era feito dez anos atrás no Brasil, caso docanal CBS Telenotícias Brasil, um canal que prometia informações do Brasil e domundo, mas como se viu, priorizou exclusivamente as notícias internacionais. Um parâmetro que não se modificou desde então, é o de perseguir aconcorrência, que sempre se mantém na vanguarda. Dez anos atrás asOrganizações Globo já impunham dificuldades para que a distribuição do CBSTelenotícias Brasil, crescente em arrecadação publicitária, não prejudicasse asoperações do canal Globo News, o pioneiro no país. O quadro de sete anos após,quando da inauguração do Record News, não se mostrou muito diferente, com
  • 84. 84ações por parte das Organizações Globo intentando que o canal concorrente nãoiniciasse suas atividades, no que não obteve êxito. Voltando na história do telejornalismo no Brasil, percebe-se que o JornalNacional sempre esteve na vanguarda – e quando não estava, ia à busca dainovação, para novamente se impor. Foi assim com a substituição dos locutorespelos jornalistas, e também com a substituição do cenário do telejornal, adotando aredação como pano de fundo – inovações que anteriormente já teriam sido testadaspor outros telejornais, como o TJ Brasil do SBT ou o Jornal da Manchete, mas quesomente criaram repercussão quando o Jornal Nacional as adotou. Pois a inovação que poderia ser a mais significativa para os canais BandNews e Record News, aquelas que se iniciaram em 8 de novembro, em nadaacrescentaram no formato de apresentação das notícias. Com exceção dasquestões estéticas, que foram esmiuçadas no capítulo anterior, e que dão espaçopara debates como “é TV ou é jornal? É informação para ver, ouvir, ou para ler?”(Tourinho, 2009, p. 84), as emissoras dedicadas ao telejornalismo nada de diferenteou inovador formularam nestas modificações recentes. Novos programas e horários diferenciados foram adotados apenas e tãosomente com o objetivo de concorrer, de angariar a audiência daquela emissora quesempre se encontrou na vanguarda, à frente das demais. Mas não se promoveu uma reflexão no modo de apresentação das notícias,ou em uma participação mais ativa, próxima do telespectador destes canais. Afórmula permanece a mesma, de se transmitir as informações do modo de fazertelejornalismo tradicional, com o uso de notas cobertas, reportagens, e dosaudiotapes que remontam ao jornalismo de rádio, sem o apoio de imagens. Voltando às palavras do professor Ramón Salaverría a Tourinho (2009,p.286): “[...] si no innova, el medio queda anciado en el pasado”. Em bom português,ou se inova, ou fica velho, perdido no passado. Os canais dedicados aotelejornalismo não querem ficar no passado, e por isso tentaram inovar em tão curtoespaço de tempo, comparados com as inovações promovidas pelo Globo News. Inovou-se esteticamente, mas não na forma, nem no conteúdo – basta ver adependência que existe dos conteúdos de agências de notícias para que o telejornaltenha metade de seu conteúdo preenchido, principalmente se tratando de notíciasinternacionais.
  • 85. 85 Para que se atinja uma inovação no conceito do telejornalismo, especialmentenaqueles produtos que estão dedicados full-time à informação, antes de tudo, épreciso superar a visão de que a concorrência deva ser relegada ao passado –quem deve ser superada é a fórmula em vigor, que já passou por diversasmaquiagens e mudanças estéticas, mas se mantém intacta. Não é intenção de este Trabalho dar por esgotado o assunto – pelo contrário,o propósito é de servir como ponto de partida e incentivo para que outras pesquisase Trabalhos analisem, discutam e promovam críticas sobre o telejornalismo postoem prática nos canais dedicados, levando em consideração não somentemodificações estéticas decorrentes do permanente progresso tecnológico, mas querealcem experiências inovadoras no formato e no conteúdo dos noticiários.
  • 86. 86 REFERÊNCIASLivrosBARBEIRO, Heródoto; LIMA, Paulo Rodolfo de. Manual de Telejornalismo: Ossegredos da notícia na TV. 1ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2002.BONNER, William. Jornal Nacional: Modo de Fazer. 1ª ed. São Paulo: Globo, 2009.CARRAVETTA, Luiza Maria Cezar. Construindo o Telejornal. 1ª ed. Porto Alegre:Armazém Digital, 2009.KLÖCKNER, Luciano. O Repórter Esso: A síntese radiofônica mundial que fezhistória. 1ª ed. Porto Alegre: Age/Edipuc, 2008.PARADA, Marcelo. Rádio: 24 de jornalismo.1ª ed. São Paulo: Panda, 2000.PATERNOSTRO, Vera Íris (Coord.). Globo News: 10 anos, 24 horas no ar. 1ª ed.São Paulo: Globo, 2006.PEREIRA Jr., Alfredo Vizeu. Decidindo o que é notícia: os bastidores dotelejornalismo. Porto Alegre: Edipuc, 2000.REZENDE, Guilherme Jorge de. Telejornalismo no Brasil: Um perfil editorial. 1ªed. São Paulo: Summus, 2000.SOUZA, José Carlos Aronchi de. Gêneros e Formatos na Televisão Brasileira. 1ªed. São Paulo: Summus, 2004.SQUIRRA, Sebastião. Aprender Telejornalismo: Produção e Técnica. 1ª ed. SãoPaulo: Brasiliense, 1990.TOURINHO, Carlos. Inovação no Telejornalismo: O que você vai ver a seguir. 1ªed. Vitória: EspaçoLivros. 2009.Artigos em Jornais(CORRÊA, Silvia. Telejornal Giratório. Folha de São Paulo, São Paulo, domingo, 8nov. 2009. Disponível em:<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=563ASP002>. Acessoem: 14 out. 2010.)(DABREU, Patrícia. Na Rede de Notícias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, ano 110,domingo, 18 mar. 2001. Disponível em:<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/circo/cir210320014.htm>. Acesso em:17 jun. 2010.)
  • 87. 87Artigos em RevistasSQUIRRA, Sebastião. O telejornalismo na Internet. Revista Comunicação eSociedade, São Paulo, n. 38, 2002. Disponível em:<http://www.comtec.pro.br/prod/artigos/squirra_telejor.pdf>. Acesso em: 14 out.2010.Banco de Dados(HIGHBEAM RESEARCH Banco de Dados. Disponível em: <http://www.highbeam.com/doc/1G1-19784664.html>. Acesso em: 02 dez. 2009,tradução nossa).(HIGHBEAM RESEARCH Banco de Dados. Disponível em:<http://www.highbeam.com/doc/1G1-19765061.html>. Acesso em: 02 dez. 2009,tradução nossa)Blog(JOSIAS DE SOUZA. Globo Começa a questionar a legalidade da Record News.[post] 29 set. 2007. Disponível em:<http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2007-09-01_2007-09-30.html#2007_09-29_19_12_46-10045644-0>. Acesso em: 17 jun. 2010.)(UHTV. História da TV Sistema Brasileiro de Televisão – 1º Parte [post]. 3 jul. 2009.Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-sistema-brasileiro-de.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(UHTV. História da TV Rede TV [post]. 25 jun. 2009. Disponível em:<http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-redetv.html>. Acesso em: 14out. 2010.)(UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º Parte [post]. 12 jun. 2009. Disponívelem: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-1-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 2º Parte [post]. 13 jun. 2009. Disponívelem: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-2-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(UHTV. História da TV Rede Record Parte 1 [post]. 31 jul. 2009. Disponível em:<http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-rede-record-parte-1.html>.Acesso em: 14 out. 2010.)Mensagem Pessoal(CANDIL, Humberto. Entrevista a Humberto Candil [mensagem pessoal].Mensagem recebida por <cfmartins@msn.com>. 8 set. 2010.)
  • 88. 88Relatórios(ABTA. Resultados Setoriais TV Por Assinatura – Operadoras: 2010. São Paulo,2010.)Sites(ABTA Associação Brasileira de Televisão por Assinatura. Disponível em:<http://tvporassinatura.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&Itemid=34>. Acesso em: 14 out. 2010.)(BOL NOTÍCIAS. Disponível em:<http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2007/10/01/ult4738u3270.jhtm>.Acesso em 17 jun. 2010.)(CNN EM PORTUGUÊS. Disponível em:<http://web.archive.org/web/19990218052820/cnnemportugues.com/grupo/index.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(COLETIVA.NET. Disponível em:<http://www.coletiva.net/site/noticia_detalhe.php?idNoticia=21841>. Acesso em: 17jun. 2010.)(ESTUDO DE CASO: JORNALISMO EM TELEVISÃO – USP Globo Universidade.Disponível em:<http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1686734-9048-1677536,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1008200704.htm&COD_PRODUTO=7>.Acesso em 17 jun. 2010.)(HISTORIA DA TV POR ASSINATURA Canais Globosat. Disponível em:<http://canaisglobosat.globo.com/index.php/tv_por_assinatura/historia>. Acesso em:14 out. 2010.)(HISTÓRIA Rede Record. Disponível em: <http://rederecord.r7.com/historia.html>.Acesso em: 14 out. 2010.)(HISTÓRIA Grupo Bandeirantes de Comunicação. Disponível em:<http://www.band.com.br/grupo/historia.asp>. Acesso em: 14 out. 2010.)(HISTORY.COM. Disponível em: <www.history.com/this-day-in-history/cnn-launches>. Acesso em: 14 out. 2010.)(MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponível em:<http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)
  • 89. 89(OBSERVATÓRIO DO DIREITO À COMUNICAÇÃO. Disponível em:<http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=1527>. Acesso em 14 out. 2010.)(PRINCETON UNIVERSITY. Disponível em:<http://wordnetweb.princeton.edu/perl/webwn?s=newsroom>. Acesso em: 14 out.2010, tradução nossa)(RECORD NEWS Record. Disponível em:<http://comercial.rederecord.com.br/RecordNews/tabid/104/Default.aspx>. Acessoem: 17 jun. 2010.)(TELEJORNALISMO UNB Globo Universidade. Disponível em:<http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1681471-9048-1677537,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(TELEJORNALISMO UNB Globo Universidade. Disponível em:<http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1681531-9048-1677537,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.)(TVA. Disponível em: <http://www.tva.com.br/Institucional/>. Acesso em: 14 out.2010.)Trabalhos de Conclusão de CursoSECCHIN, Vitor Nascimento. Analisando os quatro principais telejornais da RedeGlobo, à luz da análise de discurso crítica. 2007. 147 f. Trabalho de Conclusão deCurso (Bacharel em Jornalismo). Curso de Comunicação Social / JornalismoUniversidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 2007. Disponível em:<www.com.ufv.br/pdfs/tccs/2007/2007_vitorsecchin_analisejornaisdaglobo.pdf>Vídeos no YouTube(BLOCH, Adolpho. O Discurso de Adolpho Bloch na Inauguração da RedeManchete (05-06-1983). 2009. 1 post (4min. 02s.). Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=BuwMEpM9Fwc&feature=related>. Acesso em:14 out. 2010.)(SANTOS, Sílvio. Sílvio Santos na Concessão do SBT 1981. 2008. 1 post (8min.16s.). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=IpvpX0nnqkc>. Acesso em:14 out. 2010.)
  • 90. 90 ANEXO – ENTREVISTA À HUMBERTO CANDILHumberto CandilJornalista, Diretor Responsável do canal Band News TVEntrevista concedida por e-mail para o autor <cfmartins@msn.com> em 8 set. 2010.Por ser um "telejornal 24 horas no ar", com edições atualizadas constantemente, ecom a redação integrada à apresentação dos telejornais, como se desenvolve apauta destas edições, assim como reuniões, acompanhamento dos acontecimentosem nível nacional e internacional, e o fechamento das edições?A pauta, assim como a chefia de reportagem e as reuniões diárias de espelho sãofeitas juntamente com o Grupo Bandeirantes./ O Bandnews TV é o canal de notíciasdo grupo e se utiliza de todo o conteúdo produzido por ele./ As notíciasinternacionais são acompanhadas pelo editores de Inter./ Contamos comcorrespondentes internacionais, agências de notícias (Reuters e CNN News Sourcee parcerias internacionais como NHK (Japão) Aljazeera (Catar e EUA) e Aliança Sul-Americana de Notícias (canais de notícias da América Latina). O fechamento dostelejornais difere de um fechamento clássico, pois o Bandnews está sendo fechado atodo o instante./ É um espelho único que sofre alterações intensamente./De que forma a equipe de produção está distribuída ao longo do dia, para que hajauma cobertura permanente dos fatos no canal?Por turnos./ Manhã, tarde, noite e madrugada, de forma a contemplar o canal comprofissionais durante 24 horas/7 dias por semana.//E por último, quando da concepção do Band News TV, em que formato deprogramação o canal foi inspirado - se em um padrão norte-americano, se europeu,ou se foi uma iniciativa lançada pelo Grupo Bandeirantes?Quando fizemos o Bandnews TV, em março de 2001, o veículo que mais seassemelhava a ele era a CNN./ O formato foi concebido por nós com o objetivo depropiciar ao público brasileiro um verdeiro headline news ou all news, comoqueiram.//
  • 91. 91 QUADRO I – ESPELHO DO TELEJORNAL CBSExibido em 27 de janeiro de 2000 “Retranca” Tipo Origem Tempo1° BLOCO 3’42”Escalada Nota Coberta c/ Arte Redação 0‟30”Chechênia Imagens AgênciaInternetSucatãoAbertura Nota Simples Redação 0‟08”Vinheta Abertura - - 0‟05”Chechênia Cabeça Redação 0‟15” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟48”Internet China Cabeça Redação 0‟15” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟40”Sucatão Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟44”A Seguir Nota Simples Redação 0‟11”INTERVALOIndicadores Arte Conteúdo de Agência 0‟15”Previsão do Tempo Vinheta - 0‟06” Arte Conteúdo de Agência 0‟46”2° BLOCO 5‟39”Abertura Esporte Nota Simples Redação 0‟05” Vinheta Passagem - 0‟07”Windsurf Cabeça Redação 0‟16” Nota Coberta* Imagens Agência 2‟04”Lapada Vinheta - 0‟01”Badminton Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 1‟40”Salto Esqui Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 1‟14”A Seguir Nota Simples Redação 0‟04”INTERVALO3º BLOCO 2’58”Vinheta NBA Vinheta Passagem - 0‟10”Utah x Vancouver Cabeça Redação 0‟14” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟41”Seattle x NJ Cabeça Redação 0‟19” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 1‟28”A Seguir Nota Simples Redação 0‟06”INTERVALO4º BLOCO 4’36”Vinheta Variedades Vinheta Passagem - 0‟06”Toy Story Cabeça Redação 0‟22” Reportagem Imagens Agência 1‟12” (Off, Sonora, Sonora, Off)Sundance Cabeça Redação 0‟11” Reportagem* Imagens Agência 1‟30”
  • 92. 92 (Off, Sonora, Off)Lapada Vinheta - 0‟01”Livro do Ano Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟58”Encerramento Nota Simples Redação 0‟16”TOTAL 18’02” * Neste caso, a notícia foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.
  • 93. 93 QUADRO II – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 1Exibido em 04 de novembro de 2010, às 10h30min “Retranca” Tipo Origem Tempo1° BLOCO 10’44”Vinheta - - 0‟12”Escalada Nota Simples Redação 0‟38”InflaçãoVulcão IndonésiaTúnel MéxicoDilma ForbesHelicóptero SP Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta Off Vivo Imagens Band SP 0‟37”Reconstituição RJ Cabeça Redação 0‟12” Reportagem Band RJ 1‟11” (Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Passagem)Poder do Vice Nota Simples Redação 0‟50”Desaparecido RJ Cabeça Ilustrada Redação 0‟13” Reportagem Band RJ 1‟27” (Off, Passagem, Off, Sonora, Off)Incêndio Shopping Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta* Imagens Band PR 0‟24”Flu x Inter Nota Simples Redação 0‟15”Cruzeiro x São Paulo Cabeça Redação 0‟08” Narração Imagens Esporte Band 0‟46”Gols da Rodada Cabeça Redação 0‟21” Nota Coberta* Imagens Esporte Band 1‟07”Flamengo x Ceará Cabeça Redação 0‟07” Narração Imagens Esporte Band 1‟35” Pé Redação 0‟07”A Seguir Nota Simples Redação 0‟10”Vinheta - - 0‟12”INTERVALO2° BLOCO 12’07”Vinheta - - 0‟12”Vulcão Indonésia Cabeça Redação 0‟11” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟41”Terremoto Tonga Nota Simples Redação 0‟28”Tempestade Haiti Cabeça Redação 0‟16” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟38”Incêndio EUA Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟24”Naufrágio China Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟21”Pouso Forçado Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Imagens Agência 1‟12”
  • 94. 94Bomba Grécia Nota Simples Redação 0‟30”Perseguição EUA Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟40”Obama Cabeça Redação 0‟13” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟38”Israel Cabeça Redação 0‟18” Audiotape com Arte Correspondente 0‟42”Hillary Clinton Cabeça Redação 0‟11” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟38”Ataque das FARC Nota Simples Redação 0‟25”Argentina Cabeça Redação 0‟21” Audiotape Ilustrado Correspondente 1‟40” Imagens de ArquivoBlack Eyed Peas Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta* Imagens de Arquivo 0‟32”A Seguir Nota Simples Redação 0‟04”Vinheta - - 0‟12”TOTAL 22’51” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.
  • 95. 95 QUADRO III – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 2Exibido em 04 de novembro de 2010, às 14h “Retranca” Tipo Origem TempoPrevisão do Tempo Tela Conteúdo de Agência 1‟00”1° BLOCO 11’54”Vinheta - - 0‟12”Escalada Nota Simples Redação 1‟06”Divulgado IDHMantega PIBCNI FaturamentoHelicóptero SPPouso ForçadoVulcão IndonésiaBomba GréciaDilma ForbesReunião Ministerial Nota Simples Redação 0‟18”Mantega PIB Nota Simples Redação 0‟15”Dilma Forbes Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta c/ Arte* Reprodução Website 0‟34”Helicóptero SP Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta Off Vivo Imagens Band SP 0‟26”Recapturado Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta* Imagens de Arquivo 0‟30”Beco do Crack Cabeça Redação 0‟13” Reportagem Band DF 2‟20” (Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Passagem, Sonora, Off, Sonora)Prisões SP Cabeça Redação 0‟09” Reportagem Band SP 1‟02” (Off, Sonora, Off, Sonora)Explosão Fábrica Cabeça Redação 0‟10” Audiotape c/ Arte Band NewsFM Campinas 0‟48”Apreensão Relógios Nota Simples Redação 0‟16”Plantação Maconha Cabeça Redação 0‟09” Reportagem Band SP 0‟50” (Off, Sonora, Off, Passagem, Off)Mega Sena Cabeça Redação 0‟11” Reportagem (Off, Fala Band DF 1‟46” Povo, Off, Sonora, Off, Sonora)A Seguir Nota Simples Redação 0‟04”Vinheta - - 0‟12”INTERVALO
  • 96. 962° BLOCO 11’48”Vinheta - - 0‟12”Inflação FIPE Nota Simples Redação 0‟45”Recuo do IPC-S Nota Simples Redação 0‟36”CNI Faturamento Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta Off Vivo Imagens de Arquivo 0‟29”Cresce Emprego Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens de Arquivo 0‟36”IBGE Produção Nota Simples Redação 0‟33”Cesta Básica Cabeça Redação 0‟12” Nota Coberta Off Vivo Imagens de Arquivo 0‟33”Negócio Fácil Nota Simples Redação 0‟32”Desenvolvimento Nota Simples Redação 0‟20”FMI Nota Simples Redação 0‟28”Protestos França Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟29”Perdas França Nota Simples Redação 0‟28”Perseguição EUA Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟40”Assaltos SP Cabeça Redação 0‟11” Nota Coberta* Imagens Band SP 0‟58”Bingos Fechados Cabeça Redação 0‟11” Reportagem Band RJ 0‟33” (Off, Passagem, Off, Sonora)Incineração Drogas Nota Simples Redação 0‟26”ENEM Cabeça Redação 0‟10” Reportagem Band DF 1‟35” (Off, Sonora, Passagem, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off)A Seguir Nota Simples Redação 0‟04”Vinheta - - 0‟12”TOTAL 24’42” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.
  • 97. 97 QUADRO IV – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 3Exibido em 10 de novembro de 2010, às 10h30min “Retranca” Tipo Origem TempoBolsas Asiáticas Tela Conteúdo de Agência 0‟10”1° BLOCO 11’04”Vinheta - - 0‟06”Escalada Nota Simples Redação 1‟08”Audiência ElisaPanamericanoReforma FrançaCristãos IraqueMulta CartelTroca AirbusVôlei FemininoAudiência Elisa Cabeça Redação 0‟18” Audiotape com Arte Repórter BandNews FM 0‟45”Tragédia Crianças Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Band PE 0‟20”Queda Ultraleve SC Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta* Imagens Band SC 0‟18”Dona de Creche GO Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta* Imagens Band GO 0‟18”PMs Turistas RJ Cabeça Redação 0‟09” Reportagem (Off, Band RJ 0‟53” Sonora, Off)Roubo Caminhão SP Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Imagens Band SP 0‟48”Exercício Militar Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta Off Vivo Imagens Rede Band 0‟26”Resultados Série B Nota Simples Redação 0‟30”Brasileirão Série A Cabeça Redação 0‟15” Reportagem (Off, Band SP 1‟26” Sonora, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Passagem, Sonora, Sonora, Sonora)Escolas Samba RJ Cabeça Redação 0‟10” Reportagem Band RJ 2‟18” (Off, Passagem, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora)A Seguir Nota Simples Redação 0‟10”Vinheta - - 0‟06”INTERVALO 4’09”2° BLOCO 11’44”
  • 98. 98Vinheta - - 0‟06”Cristãos Iraque Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟38”Obama Indonésia Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟58”Encontro G20 Cabeça Redação 0„06” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟38”Reunião APEC Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟38”Ahmadinejad Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟40”Míssil EUA Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟20”Troca Airbus Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟29”Novo Boeing Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟54”Multa Cartel Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imgs Arquivo/Agência 0‟42”Reforma França Nota Simples Redação 0‟48”Cólera Haiti Cabeça Redação 0‟12” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟53”Cruzeiro à deriva Cabeça Redação 0‟05” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟25”China Nobel Nota Simples Redação 0‟34”Vôlei Feminino Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta Off Vivo Imagens Esporte Band 0”35”Andy Warhol Cabeça Redação 0‟09” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟23”A Seguir Nota Simples Redação 0‟10”Vinheta - - 0‟06”TOTAL Sem Intervalos 22’58” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.
  • 99. 99 QUADRO V – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 1Exibido em 03 de novembro de 2010, às 19h30min “Retranca” Tipo Origem Tempo1° BLOCO 5’56”Abertura Nota Simples Redação 0‟04”Vinheta - - 0‟06”Buscas Elisa MG Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imagens Record MG 0‟33”Queda Passarela SP Cabeça Redação 0‟08” Reportagem Record SP 1‟50” (Off, Sonora, Passagem, Off, Sonora, Off, Sonora)Cai Desmatamento Nota Simples Redação 0‟25”Nova Ponte Foz Cabeça Redação 0‟13” Reportagem (Off, Record PR 0‟49” Sonora, Off, Passagem, Off)Suplente Assume Nota Simples Redação 0‟15”Nova Programação Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Institucional 1‟05”A Seguir Nota Coberta Imagens Agência 0‟08”Vinheta - - 0‟03”INTERVALO2° BLOCO 3’41”Vinheta - - 0‟03”Resgate Marinheiros Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟21”Mãe aos 10 anos Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟15”Morte Surfista Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟24” Pé Redação 0‟21”Sucessor Polvo Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟26”Filhote Elefante Cabeça Redação 0‟05” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟11”Cirque Du Soleil Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta* Imagens de Arquivo 0‟44”A Seguir Nota Coberta Imagens Record SP 0‟06”Vinheta - - 0‟03”INTERVALO3° BLOCO 5’09”Vinheta - - 0‟03”Corinthians Cabeça Redação 0‟10” Reportagem (Off, Esporte Record SP 1‟23” Sonora, Off, Sonora, Off, Passagem,
  • 100. 100 Sonora, Off)Avaí Cabeça Redação 0‟08” Reportagem (Off, Record SC 1‟00” Passagem, Off, Sonora, Off, Sonora)São Paulo Cabeça Redação 0‟10” Reportagem (Off, Esporte Record SP 1‟08” Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Off, Sonora, Sonora, Off, Sonora)Cruzeiro Cabeça Redação 0‟05” Reportagem (Off, Record MG 0‟32” Sonora, Off, Sonora)Bingos Fechados Nota Simples Redação 0‟24”Encerramento Nota Simples Redação 0‟06”TOTAL 14’46” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.
  • 101. 101 QUADRO VI – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 2Exibido em 04 de novembro de 2010, às 11h30min “Retranca” Tipo Origem TempoPrevisão do Tempo Arte Conteúdo de Agência 0‟15”1° BLOCO 9’24”Abertura Nota Simples Redação 0‟05”Vinheta - - 0‟06”Helicóptero SP Cabeça Redação 0‟11” Nota Coberta Off Vivo Record SP 1‟05”Bingos Fechados Cabeça Redação 0‟11” Reportagem (Off, Record RJ 1‟14” Passagem, Off, Sonora)Reintegração MG Cabeça Redação 0‟12” Nota Coberta** Imagens Record MG 0‟32”Explosão Fábrica Nota Simples Redação 0‟33”Morte em Quartel Cabeça Redação 0‟11” Reportagem (Off, Record DF 1‟20” Passagem, Off, Sonora, Off, Sonora) Pé Redação 0‟07”Reunião Ministerial Cabeça Redação 0‟18” Boletim AO VIVO Record DF 1‟00” Imagens IlustrandoNova Programação Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta* Institucional 1‟54” Pé Redação 0‟08”A Seguir Nota Coberta Imagens Record MG 0‟08”Vinheta - - 0‟03”INTERVALO2° BLOCO 6’27”Vinheta - - 0‟03”Lapada Cabeça Redação 0‟07”Buscas Pescador Nota Coberta* Imagens Record RJ 0‟11” Vinheta - 0‟01”Filas Escolas Nota Coberta* Imagens Record SP 0‟11” Vinheta - 0‟01”Buscas Elisa MG Nota Coberta* Imagens Record MG 0‟22”Reconstituição RJ Cabeça Redação 0‟15” Nota Coberta** Imagens Record RJ 0‟30”Estuprador Preso Cabeça Redação 0‟08” Reportagem (Off, Record RJ 1‟21” Passagem, Off, Sonora)Recapturado Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta Off Vivo Imagens de Arquivo 0‟22”Bêbado Contra-mão Cabeça Redação 0‟10” Reportagem (Off, Record PR 1‟18”
  • 102. 102 Sonora, Off, Sonora, Off)Chamada Domingo Cabeça Redação 0‟12” Reportagem Institucional 0„50” (Passagem em estúdio, Off, Passagem em estúdio, Off, Passagem em estúdio) Pé Redação 0‟06”A Seguir Nota Coberta Imagens Record SP 0‟10”Vinheta - - 0‟03”INTERVALO3° BLOCO 3’21”Vinheta - - 0‟03”Operação Pirataria Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens Record SP 0‟22”Resultados Censo Nota Simples Redação 0‟31”Mutirão Sarampo Cabeça Redação 0‟15” Reportagem Record SP 0‟32” (Passagem coberta com imagens)Lapada Cabeça Redação 0‟06”Acidente Policiais Nota Coberta* Imagens Record RS 0‟13” Vinheta - 0‟01”Preso por Engano Nota Coberta* Imagens Record SP 0‟10” Vinheta - 0‟01”Estudante Incêndio Nota Coberta* Imagens Record MG 0‟10” Vinheta - 0‟01”Procurados RJ Nota Coberta* Imagens Record RJ 0‟14”Resultados Loterias Nota Coberta c/ Arte Redação 0‟28” Off VivoEncerramento Nota Simples Redação 0‟06”TOTAL 19’27” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição. **Neste caso, a narração é do repórter, porém, não se trata de reportagem,pois ocorre somente o relato dos fatos em off
  • 103. 103 QUADRO VII – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 3Exibido em 12 de novembro de 2010, às 19h “Retranca” Tipo Origem Tempo1° BLOCO 5’28”Abertura Nota Simples Redação 0‟05”Vinheta - - 0‟06”Novo ENEM Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta Off Vivo Imagens de Arquivo 0‟35” Pé Redação 0‟11”Caso Bruno Cabeça Redação 0‟20” Audiotape AO VIVO Imagens Record MG 1‟55” Imagens IlustrandoMercado Financeiro Cabeça Redação 0‟11” Boletim AO VIVO Record SP 1‟04” Imagens Ilustrando Imagens de ArquivoSaída Feriado Cabeça Redação 0‟05” Nota Coberta Off Vivo Imagens Vivo Record SP 0‟35”A Seguir Nota Coberta Imagens Record SP 0‟05”Vinheta - - 0‟08”INTERVALO 4’10”2° BLOCO 6’14”Vinheta - - 0‟03”Traficantes Presos Cabeça Redação 0‟07” Reportagem (Off, Record SP 0‟55” Sonora, Passagem, Sonora)Prêmios Record Cabeça Redação 0‟08” Nota Coberta* Institucional 0‟46”TRT Campinas Cabeça Redação 0‟16” Reportagem Record News 2‟00” (Reprodução de entrevista em outro telejornal)Chamada Domingo Cabeça Redação 0‟09” Reportagem Institucional 1‟30” (Passagem em estúdio, Off, Sonora, Off, Passagem em estúdio, Off, Passagem em estúdio, Off, Sonora, Passagem em estúdio) Pé Redação 0‟05”A Seguir Nota Coberta Imagens Agência 0‟09”Vinheta - - 0‟06”INTERVALO 3’57”3° BLOCO 3’04”Vinheta - - 0‟03”
  • 104. 104Reunião G20 Cabeça Redação 0‟24” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟53”Reunião APEC Cabeça Redação 0‟10” Nota Coberta Off Vivo Imagens Agência 0‟25”GPS Rinocerontes Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta c/ Arte Reprodução de Fotos 0‟18” Off VivoNatal Nova Iorque Cabeça Redação 0‟06” Nota Coberta* Imagens Agência 0‟27”A Seguir Nota Coberta Imagens Esporte Record 0‟06”Vinheta - - 0‟06”INTERVALO 4‟44”4° BLOCO 2’26”Vinheta - - 0‟03”Corinthians Cabeça Redação 0‟10” Reportagem (Off, Esporte Record 1‟15” Sonora, Off, Passagem, Sonora, Off)Goiás x Avaí Cabeça Redação 0‟07” Nota Coberta Off Vivo Imagens Esporte Record 0‟11”Chamada Esporte Nota Simples Redação 0‟20”Estado de Saúde Nota Simples Redação 0‟15”Encerramento Nota Simples Redação 0‟05”TOTAL Sem Intervalos 17’12” * Neste caso, a nota foi narrada por outros apresentadores do canal, ou foipré-gravada pelo apresentador do horário, o que leva a crer que já tenha sidoexibida em edições anteriores, ou será reutilizada em outra edição.