Construção do Conhecimento na Educação a Distância: A Importância do Conceito de Interação
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Construção do Conhecimento na Educação a Distância: A Importância do Conceito de Interação Construção do Conhecimento na Educação a Distância: A Importância do Conceito de Interação Document Transcript

  • A Importância do Conceito de Interação Mútua para a Construção do Conhecimento na Educação a Distância: Reflexões sobre a Importância do Conceito de Interação Cristiane Koehler1, Marie Jane Soares Carvalho2 1 Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação (PGIE/UFRGS) 2 Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU/UFRGS) cristiane.koehler@ufrgs.br, marie.jane@ufrgs.br Abstract. This study is the result of a few thoughts and considerations during my practice as a tutoring-teacher, at distance learning classes with undergraduate courses at Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), as well as e-tutor in some extension courses promoted by the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) and the Universidade Aberta do Brasil (UAB). Such remarks were based on courses offered at 100- %- distance learning, from 2010/2 to 2012/1. The goal of this paper is to reflect on the importance of the concept for mutual interaction in virtual learning environments, in distance education courses, aiming at the construction of knowledge and virtual students learning." Resumo. Este artigo é resultado das reflexões realizadas como professora tutora, na graduação a distância, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), e como tutora a distância, nos cursos de extensão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Aberta do Brasil (UAB). As observações foram realizadas tendo como base as turmas dos cursos oferecidos na modalidade 100% a distância, no período de 2011/1 a 2012/1. O objetivo deste artigo é refletir sobre a importância do conceito de interação mútua em ambientes virtuais de aprendizagem, na educação a distância, visando a construção do conhecimento e a aprendizagem dos estudantes virtuais.1. IntroduçãoA oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão, na modalidade a distância,está tendo um crescimento expressivo nos últimos anos. Os resultados do censo daeducação superior divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e PesquisasEducacionais Anísio Teixeira (INEP), em dezembro de 2007, mostram que de 2003 a2006, houve um aumento de 571% em número de cursos oferecidos na modalidade adistância e de 315% no número de matrículas nesta modalidade. Os dados do censo1 Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em Informática na Educação – PGIE/UFRGS – Porto Alegre – RS. Mestree Bacharel em Ciência da Computação e Professora da Graduação a Distância – UNISINOS – São Leopoldo – RS.2 Doutora e Mestre em Educação – UFRGS e Professora Associada do Departamento de Ensino e Currículo -Faculdade de Educação – UFRGS e Professora do Curso de Pós-Graduação em Informática na Educação –PGIE/UFRGS – Porto Alegre - RS.
  • apontam ainda que, em 2005, os estudantes da educação a distância representavam 2,6%do universo de estudantes brasileiros, e em 2006, essa participação passou a ser de 4,4%(INEP, 2008). Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância(AbraEAD), é possível constatar que as instituições de ensino brasileiras atenderam umtotal de mais de 2,5 milhões de estudantes em cursos desenvolvidos na modalidade adistância no ano de 2007 (AbraEAD, 2008). Este levantamento de dados incluiu nãosomente estudantes matriculados em cursos de instituições credenciadas pelo sistema deensino brasileiro, mas também, em projetos de importância regional ou nacional, comoos promovidos pela Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho e do Grupo S(SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE). O censo de 2010 mostra um crescimento ainda maior no que diz respeito aonúmero de concluintes, matrículas e oferta de cursos superiores desenvolvidos namodalidade a distância no Brasil. Segundo as Sinopses Estatísticas da EducaçãoSuperior, publicadas no portal do INEP (INEP, 2011), o país teve um total de 144.553estudantes concluintes do ensino superior, egressos de um total de 930 cursos degraduação e 930.179 matrículas realizadas. Este panorama aponta para uma preocupaçãocom a qualidade dos cursos de forma geral. Esta qualidade pode ser observada a partirdo desempenho dos estudantes em exames nacionais, como a prova do ENADE –Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes do Ensino Superior. A aprendizagemdos estudantes, a avaliação desta aprendizagem e a mediação pedagógica por parte dosprofessores e tutores, são fatores importantes a serem considerados quando se trata daqualidade de um curso a distância. A partir deste contexto e pensando na qualidade dos cursos oferecidos nestamodalidade, o objetivo deste artigo é refletir sobre a importância do conceito deinteração e a sua relação com a construção do conhecimento em ambientes virtuais deaprendizagem, na educação a distância. Este artigo está organizado em quatro seções, além da Introdução. A seção 2apresenta os conceitos teóricos que fundamentam as reflexões apresentadas, na seção 3 éapresentado a metodologia e estudo de caso com uma turma da graduação a distância. Aseção 4 apresenta as considerações finais, e em seguida, as referências bibliográficas sãorelacionadas.2. Fundamentação TeóricaQuando o assunto é a construção do conhecimento na educação a distância faz-senecessário ter em mente conceitos que são importantes para que possamos compreendero processo de aprender a distância e o aprender mediado pelas tecnologias digitais.Neste artigo, são discutidos os conceitos de interação e interação mútua com as suasimplicações na aprendizagem dos estudantes. O estudo proposto foi realizado com baseem referenciais teóricos que apresentam o conceito de interação e as suasespecificidades no contexto da educação a distância. O autor Multigner (1994) apud Silva (2010) diz que “o conceito de interação vemda física, foi incorporado pela sociologia, pela psicologia social, e finalmente, no campoda informática transmuta-se em interatividade”. Pode-se observar que o conceito de
  • interação possui diferentes definições em cada área do conhecimento, e que nainformática modifica-se para o que se tem chamado de “interatividade”. Mas o que a interação e/ou a interatividade podem contribuir para a aprendizagemna educação a distância ? A modalidade de ensino chamada de “educação a distância” pode ser definidacomo sendo “o processo no qual a interação entre educadores e educandos busca superarlimitações de espaço e tempo com a aplicação pedagógica de meios e tecnologias dainformação e da comunicação objetivando a qualidade do ensino e da aprendizagem”. Éimportante observar que o objetivo desta modalidade de ensino, segundo Franco (2010),é a qualidade do ensino e a aprendizagem dos estudantes. A educação a distância paraser de qualidade, garantir a construção do conhecimento, e consequentemente, aaprendizagem dos estudantes, precisa partir de pressupostos que consideram o diálogocomo mencionado na educação dialógica de Freire (1982). Piaget (1972, p.11) em sua obra, afirma que “o desenvolvimento do conhecimentoé um processo espontâneo que se relaciona com a totalidade de estruturas doconhecimento. A aprendizagem, em geral, é provocada por situações externas. Odesenvolvimento explica a aprendizagem, e é um processo essencial onde cada elementoda aprendizagem ocorre como uma função do desenvolvimento total, portanto, aaprendizagem está subordinada ao desenvolvimento. A aprendizagem somente ocorrequando há, da parte do sujeito, uma assimilação ativa, quando toda a ênfase é colocadana atividade do próprio sujeito”. Piaget, ainda ressalta que sem essa atividade do sujeito,“não há possível didática ou pedagogia que transforme significativamente o sujeito”. Em outras palavras, o que o autor afirma é que o sujeito precisa ser ativo,responsável pela sua aprendizagem, ter vontade e interesse em aprender e continuaraprendendo. E que se o sujeito não aprende, não se desenvolve e não há construção doconhecimento. Diante do exposto, constata-se a importância do conceito de interação para aaprendizagem do estudante. Pois, acredita-se que a aprendizagem se constitui a partirdo momento em que o estudante se envolve com o objeto em estudo, questionando,refletindo, tendo dúvidas, reforçando certezas, apontando erros e acertos, comparandohipóteses, classificando, selecionando argumentos, e compartilhando as experiênciascom os seus pares e professores. É a partir desse momento, que o estudante estáenvolvido com o processo de descoberta do conhecimento novo, que a aprendizagem seefetiva. Maturana (2001, p.123), ainda diz que “a aprendizagem é a transformação de cadasujeito em virtude de suas interações recorrentes, as quais se efetivam no âmbito sociale o conhecimento é sempre adquirido na convivência”. Na educação a distância, a mediação pedagógica é feita a partir do uso deambientes virtuais de aprendizagem, que são espaços digitais online para a comunicaçãoentre professores e estudantes. Nesta modalidade quem faz a mediação pedagógica é oprofessor tutor ou também chamado de tutor a distância. Schlemmer (2002) afirma que estes ambientes virtuais são sistemascomputacionais que se constituem em um espaço digital virtual que proporciona
  • interações entre os atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem online, quesão os professores, professores tutores e estudantes. Bona, Fagundes e Basso (2011) apontam que os ambientes virtuais precisam serutilizados para proporcionar novas ferramentas que facilitem a aprendizagem dosestudantes e Schlemmer (2002) ainda diz que os ambientes virtuais suportam váriosestilos de aprendizagem, com ênfase na colaboração e cooperação. Nesse momento, o papel do professor torna-se fundamental no ambiente virtual,visto que é o professor o responsável pela mediação. Na educação a distância, tem-sevários termos para designar o papel do professor: professor autor, professor conteudista,professor formador, professor tutor, tutor a distância ou mediador. É importantesalientar que não importa o nome dado ao papel do professor, mas é o professor apessoa responsável por determinar qual será a ferramenta de comunicação maisadequada, em cada situação pedagógica, da atividade acadêmica sob suaresponsabilidade. Por isso, na educação a distância, a importância do conceito de interação éobservada quando os estudantes conseguem comunicar-se uns com os outros, de umaforma bidirecional, isto é, de uma forma onde todos comunicam-se com todos, além dacomunicação com o professor. Quando a dúvida de um estudante postada no fórum dediscussão gera uma comunicação onde o estudante interage, não somente com oprofessor, mas também com os seus pares, e os seus pares interagem uns com os outrose com o professor. É exatamente nesse momento que se estabelece a comunicaçãoessencial, chamada aqui de interação, que é importante no processo de aprendizagem.Quando esta comunicação bidirecional se estabelece, a construção do conhecimento e aaprendizagem são identificadas. O conceito de interação é muito importante para os estudos que envolvem aaprendizagem na educação a distância mediada pelas tecnologias digitais de informaçãoe comunicação. Primo (2003, p.97, 2000), conceitua a interação em dois tipos: “A interação é uma série complexa de mensagens trocadas entre os sujeitos e que há dois tipos de interação: a mútua e a reativa. A interação mútua é a comunicação entre duas pessoas criada pela ação de ambas. Onde uma comunica-se com a outra e as duas comunicam-se entre si (são as ações entre duas pessoas). Trata-se, da inter + ação criada pela ação de ambas. Isto é, a cada encontro, as ações de uma definem (ou redefinem) a relação entre elas”. Segundo Primo (2000), a diferença entre a interação mútua e a interação reativa éque a primeira constitui uma relação recíproca de trocas entre os atores envolvidos noprocesso de comunicação. E, a segunda, as relações não se constituem, quando éobservado a comunicação unidirecional, onde somente um dos atores age e os outrosatores apenas recebem a mensagem sem interferir na comunicação, nem na mensagem.A tabela 1 mostra um paralelo entre os conceitos mencionados e a obra de Freire (1982). Constata-se que, para auxiliar na aprendizagem e na construção do conhecimento, ainteração mútua é a forma de comunicação que deve prevalecer entre os atores
  • envolvidos. A seguir a tabela 1 mostra uma analogia entre os paradigmas educacionais,tipos de mediação pedagógica, tipos de interação e tipos de educação. Tabela 1. Analogias entre Paradigmas, Mediação Pedagógica, Tipos de Interação e de Educação Paradigma Mediação Interação Educação Educacional Pedagógica (Primo, 2003) (Freire, 1982) (Moraes, 1997) (Silva, 2010 e 2012) Tradicional Docência Reativa Reativa Bancária Emergente Docência Mútua Dialógica Mediadora Para Becker e Marques (2007, p. 15), “o conhecimento não acontece pela formaçãoou atuação do sujeito apenas; nem por pressão do meio externo. Acontece pelainteração entre o sujeito, com sua extraordinária complexidade, e esse meio, com todasua complexidade”. Os autores ainda afirmam que a interação significa,fundamentalmente, “uma ação transformadora do sujeito sobre ele mesmo”. Para que o processo de construção do conhecimento ocorra há a necessidade de umaprofunda mudança nas relações que se estabelecem entre professores e estudantes. Essasmudanças passam a ser dinâmicas, com regras estipuladas pelo grupo de estudantes epelo professor podendo ser rompidas e restabelecidas, caso façam-se necessárias. Nessaconcepção o professor oportuniza o acesso às informações, de forma que o sujeitoconsiga construir conceitos, se aproprie do conhecimento e experimente o processo deaprendizagem, tendo a postura de alguém que seja mediador, problematizador,instigador, orientador, articulador do processo. Deve estar claro para o professor que é a“ação do sujeito” que realmente é importante no processo de aprendizagem na educaçãoa distância. Portanto, pode-se afirmar que a construção do conhecimento ocorre a partir dasinterações mútuas, que são significadas pelo sujeito a partir das relações que eleestabelece entre a nova informação e o conhecimento que possui, ocorrendo dessa formaa aprendizagem. Na educação a distância, a aprendizagem é efetivada a partir das trocas sociais dosestudantes com os professores e dos estudantes com seus pares. Estas trocas sociaismediadas pela interação mútua nos fóruns de discussão e bate-papos é o que permiteque a construção dos conceitos, construção do conhecimento, e consequentemente, aaprendizagem. Na concepção interacionista-construtivista-sistêmica, o professor não é o centro doprocesso de ensino e aprendizagem, mas é o mediador desse processo. Ele precisainstigar os alunos a interagir, trabalhar em rede, de forma colaborativa e cooperativa,desenvolvendo a autonomia e aos poucos provocar que os sujeitos adquiram confiançanos parceiros com os quais interagem. Nesse contexto, os ambientes virtuais deaprendizagem são espaços nos quais os sujeitos podem interagir e construir
  • conhecimento em conjunto, sendo que o computador é visto como ferramenta dedesenvolvimento cognitivo. Fagundes, Sato e Maçada (1999, p. 79), afirmam que “todos fazemos parte darede, se um avança todos avançam um pouco, mas se vários avançam, a mudança não sóé maior e mais rápida, como permite nova organização. Tanto a autonomia de cada um,como a cooperação entre todos são fundamentais”. Essas redes de comunicação geramlaços de realimentação e podem vir a ter a capacidade de se auto-regular e auto-organizar. Como pode ser observado, o conceito de interação é citado por vários autores dasáreas da psicologia e pedagogia, como sendo um dos aspectos mais importantes quandose tratamos da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Silva (2010, 2012) afirma que, o paradigma da transmissão não tem mais espaçona sociedade da cultura digital. Isto porque as tecnologias digitais apresentam-seconversacionais e a tela do computador não é um espaço somente para recepção deconteúdos, mas é um espaço de manipulação de informações com inúmeraspossibilidades e para múltiplas conexões. Além disso, o estudante da cultura digital nãoé passivo diante das possibilidades das novas tecnologias. Este estudante é participativo,e já nasceu com o acesso facilitado às tecnologias digitais dentro de casa, desde ocontrole remoto da TV, até controles de videogames e telefones celulares. A seção seguinte apresenta um estudo de caso que faz a análise do desempenho deestudantes virtuais em uma turma a distância. Esta análise é realizada a partir dasinterações nos fóruns de discussão, no ambiente virtual Moodle.3. MetodologiaEsta seção apresenta um relato de caso para análise e reflexão sobre a importância doconceito de interação mútua na educação a distância. Este caso analisa três turmas, daatividade acadêmica de Lógica para Computação, do curso de bacharelado em Sistemasde Informação, modalidade a distância, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos –UNISINOS – nos períodos de 2011/1 a 2012/1. A atividade acadêmica é oferecida parao primeiro semestre do curso e se efetiva em um bimestre definido em nove semanasletivas. Foi planejada com encontros semanais síncronos, com duração de uma hora, esuporte tecnológico da ferramenta Chat, do ambiente virtual Moodle. Além dessaferramenta de interação e comunicação, outras ferramentas foram utilizadas, tais como:fórum de discussão, mensagem individual, e-mail e ferramenta para webconferência. Aferramenta fórum de discussão está disponível em cada módulo de estudo, onde sãodiscutidos os conceitos, as dúvidas e as certezas daquele módulo. A ferramentamensagem individual está disponível para troca de mensagens individuais entre oprofessor tutor com os estudantes ou entre os próprios estudantes. Para início deste estudo, foi considerado o total de estudantes de cada turma(matriculados), o total de estudantes que obtiveram aprovação por média (aprovados) eo total de estudantes que não obtiveram aprovação (reprovados). A tabela 2 apresentaestes totais nas três turmas:
  • Tabela 2. Total de estudantes matriculados, aprovados e reprovados Situação dos Turma Turma Turma Estudantes 2011/1 2011/2 2012/1 Matriculados 63 88 65 Aprovados 15 52 30 Reprovados 48 36 35 A tabela 3 apresenta o percentual de aprovação e reprovação das três turmasanalisadas, e o respectivo período letivo. Observa-se que a turma 2011/1 teve um índicede reprovação alto e que as turmas seguintes tiveram índices melhores no que dizrespeito à quantidade de estudantes aprovados e reprovados. É importante salientar quea oferta desta atividade acadêmica na modalidade a distância teve início no ano de2010/1 e que em 2011/1 estava fazendo um ano desta oferta. Isto mostra que osprofessores ainda estão em processo de capacitação e formação docente, e que com aexperiência de semestres anteriores, os professores tutores foram tendo uma melhorcapacitação pedagógica e uma melhor apropriação do que é ser um professor tutor adistância. Esta melhoria se reflete em índices melhores de aproveitamento nodesempenho acadêmico dos estudantes, como pode ser observado na tabela 3. Tabela 3. Percentual de aprovação e reprovação Situação dos Estudantes Turma 2011/1 Turma 2011/2 Turma 2012/1 Aprovados 23.81% 59.09% 46.15% Reprovados 76.19% 40.91% 53.85% A análise do desempenho dos estudantes mediante analogia com o total dasinterações no ambiente virtual foi realizada com a turma do período 2011/2. A tabela 4apresenta os seis primeiros estudantes que tiveram o maior número de entradas e cliquesno ambiente virtual e a sua nota final na atividade acadêmica. É importante salientar que a nota final é calculada a partir da média ponderadaentre a produção do bimestre no ambiente virtual (chamada de Grau A) e a provapresencial (chamada de Grau B) realizada no polo ao qual o estudante está matriculado.Segundo os critérios e normas de avaliação da aprendizagem, dos estudantes damodalidade a distância, a produção do bimestre (Grau A) tem peso de 30% na nota finale a prova presencial (Grau B), peso de 70%. O que pode ser observado na tabela 4, é que nem todos os estudantes que maisentraram e clicaram no ambiente virtual, foram os que obtiveram as melhores notasfinais na atividade acadêmica. Constata-se então que, a quantidade de entradas e cliquesno ambiente virtual não garante os melhores desempenhos acadêmicos nas avaliaçõespresenciais.
  • Tabela 4. Total de cliques realizados no ambiente virtual na turma de 2011/2 Nota Final Total de Cliques no ambiente virtual 9,2 2.143 6,8 1.653 7,8 1.458 9,5 1.363 6,7 1.358 6,5 1.332 Neste caso, observa-se que a quantidade de acessos e cliques no ambiente virtual,configurada de uma forma reativa, conforme o conceito de interação reativa de Primo(2003), não contribui para a construção do conhecimento, e tão pouco para aaprendizagem. Isto quer dizer que, mesmo o estudante tendo entrado no ambiente virtualum maior número de vezes do que o comparado com outros estudantes, não garante aaprendizagem na educação a distância. Desta forma, é possível constatar a importância do conceito de interação mútuano ambiente virtual, mediada pelo professor tutor, a partir de uma metodologia baseadana docência mediadora e não a tutoria reativa, ambas definidas por Silva (2010).4. Considerações FinaisEste artigo teve como objetivo mostrar a importância da interação mútua na construçãodo conhecimento na educação a distância. Para isso foi feito uma análise comparando oaproveitamento final dos estudantes (conceitos/notas) com a quantidade e qualidade dasinterações no ambiente virtual de aprendizagem. As interações foram observadas a partirda participação dos estudantes nos fóruns de discussão, chats, mensagens individuais eacessos aos materiais didáticos. A partir deste objetivo foi definida uma turma dagraduação a distância, do período 2011/2, para o estudo de caso. A quantidade das interações foi analisada pelo número de acessos que o estudantefez ao ambiente virtual e ao material didático e a qualidade a partir da consistência dasmensagens e das inter-relações entre os sujeitos nos fóruns de discussão. A partir das análises realizadas foi possível concluir que a interação constanteentre professor, tutor e estudantes virtuais é potencializadora da aprendizagem dosestudantes, mas não é decisiva. Isto quer dizer que nem todo estudante que entrou eclicou várias vezes no ambiente teve resultados satisfatórios nas avaliações. Porque oestudante pode ter apenas feito vários acessos, feito upload dos materiais, mas não tendocompreendido-o. Neste caso, constata-se que houve apenas uma comunicação chamadade interação reativa. A interação somente será importante no processo de construção do conhecimentodo estudante virtual se for uma interação mútua, a partir de uma docência mediadora,numa relação de diálogo entre professor tutor e estudantes.
  • Desta forma, pode-se concluir que a quantidade de acessos não garanteaprendizagem, nem tão pouco a construção de conhecimento. A interação somente seráimportante e significativa quando acontecer a partir de uma comunicação bidirecionalentre os atores envolvidos no processo de aprendizagem. Por outro lado, constatou-se também, que os estudantes que apresentaram melhordesempenho acadêmico, foram os estudantes que mais compartilharam as suas dúvidas eincertezas em relação ao tema estudado. Consequentemente, estes estudantes foram osmais participativos e os que mais valorizaram os processos de comunicação e interaçãoentre os professores e seus pares. Portanto, é muito importante salientar, que os planejamentos pedagógicos denovos cursos oferecidos na modalidade a distância, devem priorizar atividades quecontemplem a interação mediada pelo professor tutor com os seus estudantes virtuais.Estas atividades podem ser a partir do uso das ferramentas da Web 2.0 incorporadas noambiente virtual, além de uma formação docente consistente conscientizando osprofessores tutores para uma nova postura diante do estudante virtual, uma posturamediadora e pautada no diálogo.ReferênciasAbraEAD. (2008) “Um em cada 73 brasileiros estuda a distância”. Disponível em: <http://www.abraead.com.br/noticias.cod=x1.asp>. Acesso em: 27 set 2012.Becker, Fernando; Marques, Tania. B. I. (2007) “Ser professor é Ser pesquisador”. Porto Alegre: Mediação.Bona, A.; Fagundes, L.C.; Basso, M.V.A. (2011) “Reflexões sobre a Educação a Distância na Educação Matemática”. RENOTE-Revista Novas Tecnologias na Educação. CINTED/UFRGS. V.9. Nr.1. Julho.Fagundes, L.; Sato, L.; Maçada, D. (1999) “Aprendizes do Futuro: as inovações começaram! Coleção: Informática para a mudança na Educação”. SED/MEC/PROINFO. 1999. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me003153.pdf>. Acesso em: 28 set 2012.Franco. S. R. K. (2010) “Educação a Distância – em busca de um conceito”. Notas de aula. Seminário Avançado: Reflexões Teóricas e Políticas. PPPGIE. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Freire, Paulo. (1982) “Pedagogia do Oprimido”. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.Inep. (2008) “Educação a distância cresce ainda mais entre os cursos superiores”. Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0369.html>. Acesso em: 27 set 2012.Inep. (2011) “Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação”. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/superior-censosuperior-sinopse>. Acesso em 27 set 2012.Maturana, Humberto R. (2001) “Cognição, ciência e vida cotidiana”. Belo Horizonte: UFMG.
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