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    O islam é...* O islam é...* Document Transcript

    • O Islão é… ﴾ ...‫﴿ اﻹﺳﻼم ﻫﻮ‬ [ Português – Portugees – ‫] ﺮﺗﻐﺎﻲﻟ‬ Por: Pete Seda Uma Introdução ao Islão e aos seus PrincípiosVersão Portuguesa: M. Yiossuf M. Adamdy0T 0T Revisão: Lic. Muhammad Isa García 0T 0T 2011 - 1432
    • ‫﴿ اﻹﺳﻼم ﻫﻮ ... ﴾‬ ‫» ﺮﻲلﻠﺎﺔ اﻟﺗﻐﺎﻲﻟﺔ «‬ ‫ﺮﻴﺖ ﺳﻴﺪا‬ ‫ﻏرﺳﻴﺔ‬ ‫ﻐﺗﺟﺔ: �ﻤﺪ ﻰﺴ‬‫مﺗاﺟﻌﺔ: �� ﺧﻮان ﺳﻜﻮ�ﻠﻴﻮ‬ ‫2341 - 1102‬
    • ÍNDICEo Introduçãoo O que é o Islão?o O Monoteísmo o A Unicidade de Deus em sua Soberania (Omnipotência) o A Devoção de toda a Adoração ao Deus Único o A Unicidade e Singularidade de Deus nos Seus Nomes e Atributoso Os Seis Artigos de Fé o Acreditar em Deus o Acreditar nos Seus Anjos o Acreditar nos Seus Livros o Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros o Acreditar no Dia do Juízo Final o Acreditar na Predestinaçãoo O Livre Arbítrio dos Seres Humanoso Não existe Compulsão alguma na Religiãoo Os Cinco Pilares do Islão o A Declaração de Fé (Shahaadah) o Orar Cinco Vezes ao Dia (Salah) o Jejuar durante o Ramadão (Sawm) o Pagar as Esmolas Anuais (Zakah) o Ir em Peregrinação a Meca (Hajj)o O Alcorãoo O Profeta Muhammad e a sua Suna ()o Os Perigos das Inovações Introduzidas no Islãoo A História de Adão e Evao Jesus () 3
    • o Pecado e Arrependimentoo A Estrutura Organizacional do Islãoo A Lei Islâmicao As Vestes Islâmicaso As Mulheres no Islãoo O Chauvinismo Masculino e o Mundo Muçulmanoo Ciência e Tecnologiao Resumoo Nota do Editor 4
    • e IntroduçãoO objectivo deste livro consiste em apresentar osverdadeiros ensinamentos do Islão. Não apresentamosqualquer versão específica ou uma interpretação únicado Islão. Apresentamos o Islão como este é, semembelezamentos, e permitimos-lhe defender-se pelosseus próprios méritos. Existe um único Islão, assim comoexiste um único exemplo de como este deve ser vivido – eque é o do Profeta Muhammad () 1. É nossa intençãoproporcionar uma visão geral dos principais dogmas doIslão, conforme constam do Alcorão e explicados peloProfeta (). Pretendemos também responder a algumasdas questões mais comummente colocadas relativas aoIslão.Não obstante o facto de um quinto da populaçãomundial ser Muçulmana, o Islão é, muitas vezes, malcompreendido e interpretado pelas sociedadesOcidentais contem-porâneas. Esperamos que este livroajude a compreender o Islão, conforme este foi1 O símbolo () significam “Que a Paz e as Bênções estejam com ele”. Étradição Islâmica fazer prece pela paz e benções de todos os Profetas eMensageiros de Deus. Respeitar os representantes de Deus equivale arespeitar o próprio Deus. 5
    • divinamente transmitido a Muhammad (), e ajude adissipar qualquer concepção errónea perpetuadora depreconceitos e ódios. Escrevemos este livro, na esperançade que pessoas de todas as fés se juntem a nós, de modoa fazermos deste mundo, um mundo de tolerância,bondade, compreensão e paz. 6
    • O que é o Islão?Literalmente, a palavra Árabe “Islão” significa “entrega”ou “submissão”. O Islão, enquanto fé, significa entregatotal e sincera a Deus, de modo a que seja possível àpessoa viver em paz e tranquilidade. A paz (Salam emÁrabe, Shalom em Hebraico) é alcançada por meio deuma forte obediência aos mandamentos revelados porDeus, visto Deus ser o Justo, a Paz 2.O significado do nome “Islão” 3 é universal. O Islão nãofoi assim nomeado devido a uma pessoa ou a uma tribo,como sucedeu com o Judaísmo, que deve o nome à Tribode Judá, o Cristianismo, que surgiu depois de Cristo, ouo Budismo, que procedeu a Buda. O nome Islão não foiescolhido pelos seres humanos; foi divinamentetransmitido por Deus. Trata-se de uma fé global, que nãopertence ao Oriente ou ao Ocidente. É um modo de vidacompleto, que implica a total submissão a Deus. Aquele2As palavras em negrito ao longo do texto indicam, ou um versículo doAlcorão, ou um dos nomes e atributos de Deus.3 Alguns Muçulmanos sentem incómodo por chamarem “religião” aoIslão, visto o Islão não ser uma fé institucional. Em Árabe, o Islão éapresentado como tratando-se de um Din, um “Modo de Vida”. Omesmo se passava com os primeiros Cristãos, que apelidavam a sua féde “O Caminho”. 7
    • ou aquela que, voluntariamente 4, submete a sua vontadea Deus, é chamado Muçulmano. Não foi Muhammad (),mas sim Adão () 5, quem primeiro transmitiu o Islão àHumanidade. Posteriormente, cada um dos Profetas eMensageiros que se lhe seguiu, exortou o povo acompreender de forma inequívoca os mandamentos deDeus. Para o conseguirem, usaram ensinamentosrelevantes adequados à época em que viviam, até queDeus escolheu o último dos Profetas, Muhammad (),que trouxe consigo o Último Testamento, conhecido pelonome de “O Alcorão”.Em Arábico, o nome “Allah” significa “O Único DeusVerdadeiro”, o nome adequado Àquele que criou osCéus e a Terra. Judeus e Cristãos que falam Árabereferem-se igualmente a Deus pelo nome de Allah. Paraum Muçulmano, Allah é o maior e mais abrangente nomede Deus, referindo-se Àquele que é adorado quando sepresta culto, Aquele que criou tudo o que existe.4 Neste contexto, “voluntariamente” significa muito mais do que “nãoser coagido”. Significa submeter-se a Deus sem motivos escondidos oureservas, e com genuína sinceridade.5 O símbolo () significam “a paz esteja com ele”, o termo de respeitoque, segundo a tradição Islâmica, os Muçulmanos concedem a todos osProfetas e Mensageiros de Allah, assim como aos Seus anjos, quando selhes dirigem pelo nome. 8
    • O MonoteísmoO conceito de monoteísmo (conhecido pelo nome de“tawhid” em Árabe) é o mais importante dos conceitos doIslão. O monoteísmo aponta para o primeiro dos DezMandamentos e, no Islão, tudo se constrói em torno daunicidade de Deus. O Islão exorta a Humanidade aafastar-se da adoração a qualquer obra da criação,convidando-a, sim, a adorar o Único Deus Verdadeiro.Caso o conceito de monoteísmo esteja comprometido,acto algum de adoração ou veneração possui qualquertipo de valor ou significado.Dada a sua importância, o conceito de monoteísmo(unicidade e singularidade divinas) deve sercompreendido na sua totalidade, e de forma adequada.De modo a facilitarmos o debate, o monoteísmo pode servisto de acordo com as seguintes três perspectivas: a. A Unicidade de Deus em Sua Soberania (Omnipotência); b. A Devoção de toda a adoração ao Deus Único; c. A Unicidade e Singularidade de Deus nos Seus Nomes e Atributos.De modo algum esta enumeração representa a única viade acesso à abordagem de que Deus é Único e apenasUm. Contudo, permite que o tema seja mais facilmente 9
    • analisado e discutido (o monoteísmo é a chave para acompreensão do Islão, sendo recomendado que se revejaeste conceito). A Unicidade de Deus na Sua SoberaniaA Unicidade de Deus na Sua Soberania significa queDeus, o Criador Original dos Céus e da Terra, possuiabsoluto e perfeito domínio sobre todo o Universo.Unicamente Ele é o Criador de todas as coisas. A Elesomente se deve tudo aquilo que acontece. É Ele Aqueleque proporciona todo o alimento e determina a vida e amorte. Ele é o Poderoso, o Omnipotente, perfeito emtodas as coisas e sem defeito algum. Ninguém partilhacom Ele o Seu domínio. Ser algum pode resistir à SuaPredestinação. Ele é Aquele que criou cada um de nós,que o fez a partir de uma única célula, tornando-nosnaquilo que somos. Ele é Aquele que criou mais de cembiliões de galáxias, que criou cada electrão, neutrão equark constituinte destes. A Ele se deve o facto de que,tudo aquilo que existe, assim como as leis da natureza, semantenham em perfeita ordem.. Não cai uma folha semque Ele assim o permita. Tudo o que existe é mantidonum registo preciso.Ele é, de longe, muito superior ao que podemosimaginar. Ele é de tal modo poderoso que, para criaralgo, limita-se a dizer simplesmente: “Existe!”, e assim 10
    • acontece. A Ele se deve a criação de todos os mundosconhecidos e desconhecidos, não obstante o facto d’Elenão ser parte de nenhum deles. Muitos dos credosexistentes reconhecem que o Criador do Universo é umsó, sem outro igual. O Islão engloba o conhecimento deque Deus não é parte da Sua criação, e que nada da Suacriação partilha do Seu poder.No Islão, acreditar que alguma das criações de Deuspartilha do Seu poder ou atributos é consideradopoliteísmo e falta de fé. Exemplo destas falsas crençasseria acreditar que cartomantes ou astrólogos podempredizer o futuro; Deus, o Todo Sapiente, diz quesomente Ele possui o conhecimento do futuro. Apenas oDivino pode oferecer ajuda divina. Ser algum, comexcepção de Deus, possui a capacidade de concederajuda ou orientação divina. Acreditar que feitiços outalismãs para atrair a boa sorte possuem algum tipo depoder, é tido como uma forma de politeísmo. Taisconceitos são negados pelo Islão. A Devoção de toda a Adoração ao Deus ÚnicoSomente a Deus, o Apreciativo, deve ser prestado culto.Isto foi anunciado por todos os Profetas e Mensageirosdo Islão, os quais foram enviados por Deus ao longo dostempos, e é esta a crença fundamental do Islão. Deus diz-nos que o objectivo da criação da Humanidade é o de O 11
    • adorarmos. O objectivo do Islão é o de afastar as pessoasda adoração à criação, encaminhando-as em direcção aoCriador, a quem unicamente se deve prestar culto.É aqui que o Islão difere das outras religiões. Nãoobstante o facto da grande maioria das religiões ensinarque existe um criador, o qual é responsável pela criaçãode tudo o que existe, raramente elas estão livres dealguma espécie de politeísmo (idolatria), isto no querespeita ao culto. Estas religiões, ou convidam os seusfiéis a adorar outros seres para além de Deus (embora,normalmente, coloquem estes outros deuses a um nívelmais baixo do que Deus, que é O Criador), ou, então,exigem que os seus seguidores confiem em outros seres,como intermediários entre eles e Deus.Todos os Profetas e Mensageiros de Deus, desde Adão() a Muhammad (), instigaram as pessoas a adorarunicamente a Deus, sem Lhe conferirem associados e sema necessidade de intermediários. Esta é mais pura,simples e natural das fés. O Islão rejeita a noçãodefendida pelos antropologistas culturais de que areligião inicial dos seres humanos era o politeísmo – aqual, gradualmente, foi desenvolvendo-se para omonoteísmo. Na verdade, os Muçulmanos acreditamjustamente no contrário, ou seja, que as culturas humanasregrediram para a idolatria durante os intervalos detempo existentes entre os vários Mensageiros de Deus.Mesmo enquanto os Mensageiros estavam entre os 12
    • povos, foram várias as pessoas que resistiram ao seuchamado e praticaram a idolatria, não obstante os avisosrecebidos. Subsequentes Mensageiros foram enviadospor Deus, com a missão de as trazer de volta aomonoteísmo.Deus criou os seres humanos com a inclinação natural einata para O adorarem, e a Ele somente. Contudo,Satanás faz o possível e o impossível para afastar aspessoas do monoteísmo, seduzindo a Humanidade paraa adoração de coisas criadas (idolatria). A grande maioriadas pessoas tem tendência a centralizar a sua devoção emalgo que pode visualizar, algo de imaginável, nãoobstante o facto de possuírem o conhecimento instintivode que o Criador do Universo é, de longe, muito superioràquilo que conseguem imaginar. Ao longo da históriahumana, Deus enviou uma sucessão de Profetas eMensageiros, para que estes chamassem os povos devolta ao culto prestado ao Deus Único e Verdadeiro.Devido à sedução exercida por Satanás, as pessoasdesviam-se constantemente para a adoração de coisascriadas (idolatria e politeísmo).Deus criou os seres humanos para O adorarem, a Elesomente. No Islão, o maior dos pecados possíveis decometer, é o de adorar algo ou alguém que não Deus,mesmo que o adorador pretenda aproximar-se de Deus,oferecendo a sua devoção a outro ser. Deus, o Suficiente,não necessita de intercessores ou intermediários. Ele 13
    • ouve todas preces e possui perfeito conhecimento detudo o que acontece.Ao mesmo tempo, Deus não necessita que Lhe prestemosculto, mas diz sentir-Se agradado se o fizermos. Ele écompletamente independente de todas as coisas,enquanto que toda a criação é dependente d’Ele. Se todasas pessoas do Mundo se juntassem para, conjuntamente,adorarem somente a Deus, isso em nada beneficiaria aDeus, não acrescentaria um único átomo ao Seumajestoso domínio. Do mesmo modo, se toda a criaçãodeixasse de adorar a Deus, isso em nada diminuiria o Seudomínio. Ao adorarmos a Deus, beneficiamos as nossaspróprias almas e cumprimos o nobre objectivo para oqual fomos criados. Deus não possui necessidadesalgumas; Ele é o Eterno, o Absoluto.O acto de prestar culto não se resume unicamente àspráticas ou cerimónias religiosas tradicionais. O conceitode prestar culto é abrangente. Mudar uma fralda, honrare cuidar de pai e mãe, apanhar um pedaço de vidropartido do passeio – tudo isto podem ser formas deadoração, caso sejam feitas com o intuito de agradarmosa Deus. Se alguma espécie de conquista, seja riqueza,trabalho, poder ou reconhecimento, tornar-se maisimportante do que agradar a Deus, também isso acabapor ser uma forma de politeísmo. 14
    • A Unicidade e Singularidade de Deus nos Seus Nomes e AtributosA unicidade e singularidade de Deus nos Seus nomes eatributos indica que Deus não partilha os seus atributoscom seres criados, e nem que estes os partilham com Ele.Deus é único em todas as formas. De modo algum Elepode ser limitado, visto Ele ser o Criador de todas ascoisas. Deus, o Grandioso, diz o seguinte: «Deus! Não há outra divindade Além d’Ele, o Vivo, o Absoluto. DEle não se apossam nem o repouso nem o sono. Pertence-Lhe tudo o que existe nos céus e na terra. Quem poderá interceder perante Ele sem a Sua permissão? Ele conhece o que está em frente deles (seres vivos) e o que está por trás deles. E ninguém pode aperceber-se dos Seus conhecimentos, salvo daquilo que Ele quiser. O Seu Trono abrange os céus e a terra, cuja preservação não Lhe causa qualquer fadiga, pois Ele ó o Altíssimo, o Glorioso.» [Alcorão, 2 : 255]No Islão, é proibido atribuir a Deus características da Suacriação. Os únicos atributos que Lhe podem serimputados, são aqueles que Ele Mesmo revelou noAlcorão, ou os utilizados pelo Profeta () para Odescreverem. Muitos dos nomes e atributos de Deusparecem possuir equivalentes a nível humano, mas isto éapenas um reflexo da língua humana. Os atributos deDeus, tal como o próprio Deus, são diferentes de tudo 15
    • aquilo que a nossa experiência pode abranger. Porexemplo, Deus possui conhecimento divino. O Homempossui conhecimento. Contudo, o conhecimento de Deusem nada se assemelha ao conhecimento dos sereshumanos. O conhecimento de Deus é ilimitado(Omnisciente, o Todo Sapiente). Não é um conhecimentoaprendido ou adquirido. O conhecimento de Deusenvolve todas as coisas, sem aumentar ou diminuir. Poroutro lado, o conhecimento humano é adquirido elimitado, encontra-se em constante mutação,aumentando ou diminuindo, e sujeito ao esquecimento ea erros.Deus, o Irresistível, possui vontade divina. Os sereshumanos também possuem vontade. A vontade de Deusacaba sempre por acontecer. Tal como o Seu divinoconhecimento, a Sua vontade abrange todas as coisas queDeus pretende que venham acontecer na criação –passadas, presentes e futuras. A vontade humana, poroutro lado, não passa de uma intenção, de um desejo, queapenas pode suceder se Deus assim o desejar.Os atributos humanos não podem ser atribuídos a Deus.Todos os atributos humanos são limitados. Deus nãopossui sexo, fraqueza ou defeito. Deus está para além doatributo sexual atribuído ao ser humano e à criação.Limitamo-nos a usar o pronome “Ele”, porque não existeum pronome sexual neutro nos idiomasPortuguês/Semita, obe-decendo-se às convenções da 16
    • língua Portuguesa. Quando no Alcorão utilizamos o“Nós” real em referência a Deus, fazemo-lo por respeito,o que de modo algum implica pluralidade. Imputar aDeus atributos de coisas criadas, é uma forma depoliteísmo. Do mesmo modo o é, atribuir a coisas criadasatributos que pertencem unicamente a Deus. Porexemplo, pessoa alguma que acredite que ninguém mais,com excepção de Deus, é o Todo Sapiente e o TodoPoderoso, comete o pecado do politeísmo. «Abençoado seja o nome do teu Senhor, o Majestoso, o Honorável.» [Alcorão, 55 : 78] 17
    • Os Seis Artigos de FéExistem determinados princípios em que a pessoa deveacreditar, sem qualquer sombra de dúvida, de modo aque possa ser considerada Muçulmana. Tais artigos de fésão os seguintes: a) Acreditar em Deus; b) Acreditar nos Seus Anjos; c) Acreditar nos Seus Livros; d) Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros; e) Acreditar no Dia do Juízo Final; f) Acreditar na Predestinação. Acreditar em DeusO Islão enfatiza o facto de que Deus é o Único, sem igual,o Envolvente de tudo o que existe, sendo único de todasas maneiras. Somente Deus, o mais Benevolente dosBenevolentes, tem o direito de ser adorado. 18
    • Acreditar nos Seus AnjosOs Anjos são criações de Deus. Deus, O Criador, criou-osa partir da luz. Os Anjos são poderosos, agindo sempreem conformidade com o que é ordenado por Deus.Deus revelou-nos os nomes e os deveres de alguns dosAnjos. Os Muçulmanos devem acreditar na existência deAnjos. Gabriel e Miguel encontram-se entre os Anjosmencionados no Alcorão. Por exemplo, é daresponsabilidade de Gabriel () transmitir a revelaçãode Deus aos Profetas e Mensageiros. Acreditar nos Seus LivrosOs Muçulmanos acreditam em todas as Escriturasoriginais reveladas por Deus aos Seus Mensageiros. UmMuçulmano deve acreditar em toda a Escrituramencionada por Deus no Alcorão. Deus, O Concessor,revelou tais Escrituras, as quais eram, na sua formaoriginal, as verdadeiras palavras de Deus. As Escriturasmencionadas por Deus no Alcorão são as seguintes: a) Os Pergaminhos originais, conforme revelados a Abraão; b) A Tora original, conforme revelada a Moisés; c) Os Salmos originais, conforme revelados a David; 19
    • d) O Injil original (O Evangelho de Jesus), conforme revelado a Jesus 6; e) O Alcorão, conforme revelado a Muhammad () [o qual encontra-se ainda na sua forma original].Os Muçulmanos consideram que, as Escrituras reveladasantes do Alcorão, e que se encontram presentemente emcirculação na forma de várias edições e versões, nãoconstituem uma representação exacta das que foramreveladas na sua forma original. Segundo o Alcorão, aspessoas distorceram estas Escrituras em benefíciopróprio. Tais distorções aconteceram das mais variadasformas, como, por exemplo, por meio de acréscimos oueliminações de textos, ou alterações a nível de significadoou língua. Estas alterações foram adoptadas ao longo dostempos e, o que permanece actualmente, é uma misturado texto divino original com interpretações econtaminações humanas. Não obstante o facto dosMuçulmanos acreditarem em todos os livros previamenterevelados, aquele pelo qual avaliam diferentes assuntos eno qual procuram a orientação última, é o Alcorão, assimcomo nas verdadeiras tradições do Profeta Muhammad().6 Os diferentes evangelhos da Bíblia actual foram escritos por outrosautores, após a época de Jesus (). O Injil mencionado no Alcorão fazreferência apenas às revelações transmitidas por Jesus (), filho deMaria. 20
    • Acreditar nos Seus Profetas e MensageirosOs Profetas e Mensageiros foram indivíduos quereceberam revelações de Deus e as transmitiram aospovos. Foram enviados para conduzirem a Humanidadede volta ao monoteísmo, para servirem de exemplosvivos de como se submeter a Deus, e para orientarem ospovos em direcção ao caminho da salvação. Nenhum dosProfetas ou Mensageiros partilhou, fosse de que formafosse, da divindade de Deus. Eles eram, unicamente,seres humanos. É proibido aos Muçulmanos adorarem-nos ou usarem-nos como intermediários com Deus. UmMuçulmano não deve, em momento algum, invocá-los,fazer-lhes súplicas ou procurar a Misericórdia e o Perdãode Deus através deles. Por conseguinte, o termo“Muhammadismo” (ou à portuguesa “Maometismo”) éum insulto e não deverá nunca ser aplicado a umMuçulmano. Cada um dos Profetas e Mensageirosexplicou que, todos estes actos, são formas de politeísmo;e, quem quer que se envolva em tais práticas, nãopertence ao Islão.Ao longo dos tempos, e a todos os lugares do Mundo,Deus, o Concessor do Bem, enviou Profetas junto dospovos. Um Muçulmano deve acreditar em todos osProfetas e Mensageiros enviados por Deus. Alguns delesforam referidos por Deus, no Alcorão. Entre os nomes 21
    • mencionados, constam o de Adão, Noé, Abraão, Moisés,Jesus e Muhammad () 7.Todos os Profetas e Mensageiros de Deus transmitiramos ensinamentos do Islão. Ao longo da História, todos ospovos monoteístas, que se submeteram à vontade deDeus e seguiram a revelação de Deus aos Profetas eMensageiros da sua época, são consideradosMuçulmanos. O direito à herança de Abraão é obtido,não só através da linhagem, sinão pela adesão à crençamonoteísta e submissão a Deus, conforme praticadaspelo Profeta Abraão. Quando Moisés () surgiu eanunciou a sua Profecia, todos aqueles queverdadeiramente o seguiram no monoteísmo, eramMuçulmanos. Do mesmo modo, quando Jesus ()surgiu e anunciou a sua Profecia, acompanhada demilagres e sinais claros e evidentes, tornou-se obrigatórioa todos aqueles que pretendiam ser consi-deradosMuçulmanos aceitarem-no incondicionalmente. Para oIslão, todos aqueles que negaram a Jesus () tornaram-se descrentes, em virtude do acto de o rejeitarem 8.7Os Profetas mencionados no Alcorão são: Adão, Enoch (Idris), Noé,Hud, Salih, Abraão, Lot, Ismael, Isac, Jacó, José, Shu’ayb, Job, Moisés,Aarão, Ezequiel, David, Salomão, Elias, Eliseu, Jonas, Zacarias, JoãoBaptista, Jesus e Muhammad (que a paz esteja com todos eles).8 Deus revelou o seguinte a Muhammad (): «Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus, (dizendo-lhes): Observai a religião e não sejais 22
    • Rejeitar ou antipatizar com algum dos Mensageiros deDeus, desclassifica a pessoa enquanto Muçulmana. Éexigido aos Muçulmanos que amem e respeitem todos osProfetas e Mensageiros de Deus, os quais chamaram aHumanidade a adorar unicamente ao Criador, semigualar outros a Ele. Todos os Profetas e Mensageirossubmeteram-se por inteiro a Deus, o que é consideradoIslão.Todos os Profetas, desde Adão () a Muhammad (),eram irmão de fé. Todos eles chamaram as pessoas para amesma Verdade. Diferentes Mensageiros foram enviadoscom diferentes conjuntos de leis transmitidas por Deus,para conduzir e orientar os povos, mas, a essência dosseus ensinamentos era a mesma. Todos eles apelaram àspessoas que se afastassem de adorar coisas criadas, e queadorassem unicamente O Criador, O Supremo.No Islão, é concedida a Muhammad () a distinção de sero último Mensageiro de Deus e o último dos Profetas 9.Isto deve-se ao facto de, em primeiro lugar, Deus dar porcompletas as Suas revelações à Humanidade e estas se dividos por ela; na verdade, os idólatras se ressentiram daquilo a que os convocaste. Deus elege quem Lhe apraz e encaminha para aquele que se volta para Ele. » [Alcorão 42 : 13]9 Alguns Muçulmanos referem-se aos seguintes versículos Bíblicos,como predição de Muhammad (): [Deuterónimo 18:15, 18:18; João 1:19– 21, 14:16, 14:17, 15:26, 16:7 – 8, 16:12 – 13]. 23
    • encontrarem para sempre e perfeitamente preservadas noAlcorão; e, em segundo lugar, por o Seu último Profeta eMensageiro () ter vivido uma vida exemplar durante osvinte e três anos da sua Profecia, estabelecendo uma claraorientação para todas as gerações consequentes. NoAlcorão, Deus diz que, depois dele, não virá nenhumoutro Profeta ou Mensageiro. É por este motivo queMuhammad () é conhecido como o último dos Profetas.Isto significa que, a Lei Divina revelada e contida nosensinamentos do Profeta Muhammad (), destina-se atoda a Humanidade até ao Dia da Ressurreição (Dia doJuízo Final). Para se ser um crente, é obrigatório acreditarem Muhammad () e nas leis que foram reveladas porseu intermédio, assim como em todos os Profetas eMensageiros (a paz esteja com eles) que o antecederam.Há também que acreditar, obedecer e submeter-se aDeus, Todo-Poderoso. Embora os Muçulmanosacreditem em todos os Profetas e Mensageiros de Deus,eles seguem e imitam os ensinamentos e exemplos doúltimo Mensageiro, Muhammad (). Relativamente aMuhammad (), Deus, o Glorioso, disse o seguinte: «E não te enviamos senão como misericórdia para a humanidade.» [Alcorão, 21 : 107] 24
    • Acreditar no Dia do Juízo FinalOs Muçulmanos devem acreditar, sem qualquer tipo dedúvida, no Dia do Juízo Final e na ressurreição física,quando o corpo ressuscitar e a alma se lhe reunir, porintermédio do poder infinito de Deus. Assim como Deus,o Congregador da Humanidade, nos criou, Ele é, comtoda a certeza, a Ressurreição que nos trará de volta dosmortos, para nos apresentarmos em perfeito juízoperante Ele. Após o Dia do Juízo Final, a morte deixaráde existir, e a nossa existência será para sempre. O Dia doJuízo Final será aquele em que todos os indivíduos seapresentarão perante O Criador, e serão questionadosrelativamente aos seus actos. Nesse importante dia,veremos detalha-damente os resultados do mais pequenobem que tenhamos feito, e do mais pequeno mal quetenhamos praticado. Nesse dia, a mentira e o engano nãoserão mais possíveis. A recompensa final será o Paraíso,assim como o castigo último será o Inferno. O Céu e oInferno são lugares literais que, na realidade existem.Não são símbolos ou metáforas.Deus, o Reconhecedor e Recompensador do Bem,descreve o Paraíso (Jardim Celeste) como um localmaravilhoso de prazer, de magníficos jardins eternos,percorridos por rios. No Paraíso, o calor ou o frio, adoença, a fadiga e o mal não existem. Deus, o Concessorda Segurança, removerá a doença do coração e do corpodos seus habitantes e, tudo aquilo que eles desejarem, 25
    • lhes será concedido. Àqueles que entrarem no Paraíso,será dito o seguinte: “Herdaste este Paraíso comoresultado da misericórdia de Deus e dos teus bonsactos”. O maior dos prazeres do Além será apossibilidade concedida ao crente de contemplar o rostode Deus, o Altíssimo. O facto de uma pessoa serMuçulmana não lhe assegura o Paraíso, a menos que elamorra em estado de Islão – submissão ao Deus Único.Deus, o Avaliador, descreve o Inferno como um localeternamente horrível, para além da nossa imaginação,onde o fogo é alimentado por Homens e pedras. QuandoAnjos implacáveis colocarem as pessoas no Inferno, dir-lhes-ão:«Isto é o que vós costumáveis negar.» [Alcorão, 83 : 17]Acreditamos que Deus é Todo Compassivo e TodoMisericordioso; contudo, para aqueles que o merecem,Ele é também severo nos Seus castigos.A infinita justiça de Deus é absoluta e perfeita. No Dia doJuízo Final, todos os actos serão revelados e todos serãojustamente tratados. Não entraremos no Paraíso somentedevido aos nossos actos, mas também por misericórdiade Deus. 26
    • Acreditar na PredestinaçãoDeus, na Sua Eternidade, sabe tudo o que acontece naSua criação. Da perspectiva de seres temporais como nós,isto significa que Deus, o Que Tudo Observa, sabe tudo oque aconteceu no passado, o que acontece no presente, eo que acontecerá no futuro. O conhecimento divino deDeus é perfeito. Deus é Todo Sapiente, e tudo o que Elesabe acabará por suceder.Deus, o Dominador, possui absoluta soberania sobre aSua criação. Tudo aquilo que existe dentro da Suacriação, e tudo aquilo que acontece, é resultado directodo que Ele cria. Tudo aquilo que acontece na criação édevido ao Seu poder, à Sua vontade e ao Seuconhecimento. 27
    • O Livre Arbítrio dos Seres HumanosUm aspecto importante do Islão é o de que todos os sereshumanos possuem livre arbítrio para escolherem entre obem e o mal. Deus, o Concessor, honrou a Humanidadecom esta grandiosa oferenda. Contudo, esta acarretaigualmente uma grande responsabilidade e, no Dia doJuízo Final, seremos responsabilizados pelo uso que delafizemos.O livre arbítrio humano não contradiz, seja de que modofor, o facto de que Deus, a Testemunha, sabe de tudo oque acontece na criação. Uma pessoa pode dizer: “SeDeus sabe que vou pecar amanhã, então, é inevitávelque eu o faça, visto o conhecimento de Deus serinfalível e, o que Deus sabe, acabará por acontecer”. Oconhecimento de Deus da decisão desta pessoa nãosignifica que ela seja obrigada a tornar real o que pensoufazer.Do mesmo modo, o livre arbítrio humano não contraria aabsoluta soberania de Deus sobre tudo o que existe nacriação. E nem contradiz o facto de que, na criação, nadaacontece, senão o que Deus deseja. Uma pessoa podedizer: “Assim sendo, eu não possuo livre arbítrio algum.O meu livre arbítrio não é, senão uma ilusão”. Pelocontrário, Deus criou em nós a capacidade deformularmos intenções. Deus quer que consigamos fazeras nossas próprias escolhas. Quando uma pessoa faz umaescolha, Deus, por intermédio da Sua divina vontade, 28
    • cria as acções e as circunstâncias que permitem aconcretização da intenção da pessoa. É da vontade deDeus que os seres humanos possuam livre arbítrio. Nemsempre Deus se sente agradado com as decisões tomadaspelos seres humanos, mas Ele quer que lhes seja possíveltomar estas decisões por sua livre escolha. Um exemplodisto, é o facto de uma pessoa decidir praticar uma boaacção. Esta boa acção pode nunca ser levada a cabo, masDeus pode recompensar a pessoa pela intenção que tevede a praticar. Caso a boa acção venha a suceder, foiporque Deus assim o permitiu, e Deus recompensarátanto a intenção, como a acção. Por outras palavras,Deus, o Julgador, pode recompensar-nos pelas boasacções que tenhamos pretendido concretizar, embora onão tenhamos feito; contudo, Ele não castigará as pessoaspelas suas más intenções, desde que não concretizadas. 29
    • Não existe Compulsão alguma na ReligiãoTendo em conta a ênfase colocada no livre arbítrio dosseres humanos, deduz-se que o Islão apenas pode seraceite de livre vontade. O objectivo da vida humana éadorar a Deus de livre vontade. Consequentemente, osassuntos relacionados com a fé apenas têm valor,liberdade de escolha. Caso uma pessoa seja coagida aaceitar uma religião, essa aceitação é falsa e não possuivalor algum. Deus, o Amável, diz o seguinte: «Não há compulsão na religião. O caminho verdadeiro já está distinto do errado; aquele que rejeita o sedutor (demónio) e crê em Allah terá lançado mão de um sustentáculo firme, inquebrantável. E Allah ouve e sabe tudo.» [Alcorão, 2 : 256] 30
    • Os Cinco Pilares do IslãoSão cinco, os actos de adoração obrigatórios que todos osMuçulmanos devem respeitosamente cumprir. Não osrealizar representa um grave pecado. A edificação doIslão assenta nestes cinco pilares. Caso uma pessoa neguea obrigatoriedade de um deles, então, não pode serconsiderada Muçulmana.As cinco obrigações dos Muçulmanos são as seguintes: a) A declaração de fé: “Testemunhar que não existe outra divindade excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro” (Shahaadah); b) Orar cinco vezes ao dia (Salah); c) Pagar as esmolas anuais (Zakah); d) Jejuar durante o mês do Ramadão (Sawm); e) Ir em Peregrinação a Meca (Hajj). A Declaração de Fé (Shahaadah)É obrigatório a toda a pessoa que pretende aderir aoIslão, acreditar e dizer: “Tes- temunho que não existeoutra divindade excepto Deus, e que Muhammad é o SeuMensageiro”. Com esta simples, mas importante epoderosa declaração, a pessoa é considerada Muçulmana.Não existe iniciação alguma no seio do Islão. 31
    • Os conceitos contidos no testemunho de fé podem serexplicados pela análise de cada uma das três partes que oconstituem. A primeira parte, “Outra divindade…”, éuma negação do politeísmo 10. É uma negação daexistência de qualquer divindade verdadeira, a não serDeus, ou de qualquer entidade que partilhe de algum dosatributos de Deus. A segunda parte, “…excepto Deus”, éuma afirmação do monoteísmo. Deus é o único a Quemdeve ser prestado culto.“Muhammad é o Mensageiro de Deus” constitui aterceira parte da declaração de fé. Trata-se de umaafirmação da Profecia de Muhammad (), como o últimodos Profetas e Mensageiros de Deus 11. Isto exige aaceitação incondicional do Alcorão e do que10Esta negação significa que nada mais deve ser adorado, a não serDeus, que nada mais possui divindade, exceptuando Deus, que nadanem ninguém partilha dos atributos de Deus, e que nada nem ninguémpode ser o criador ou o sustentáculo da criação, com excepção de Deus,o Qual não possui igual ou associado.11As pessoas podem perguntar o seguinte: “Se o Islão ensina que todosos Profetas e Mensageiros são iguais, então, porque motivo notestemunho de fé se afirma a Profecia de Muhammad, sem semencionar os restantes Profetas? Há que ter em conta que, nem todosaqueles que afirmam a Profecia de Muhammad (), conhecem todos osProfetas e Mensageiros de Deus que o precederam. Se, por exemplo,alguém testemunhasse: “Não existe outra divindade, excepto Deus, eMoisés é o Mensageiro de Deus”, isto não significaria necessariamenteque a pessoa aceitasse todos os Profetas e Mensageiros que procederama Moisés (), como é caso de Jesus () ou Muhammad (). 32
    • verdadeiramente foi dito por Muhammad (), assimcomo as suas tradições.Ao acreditar e ao proclamar o testemunho de fé, a pessoarejeita todos os falsos objectos de adoração, afirmandoque Deus é o único a Quem deve ser prestado culto. Deusnão possui igual ou associado. Deus promete que, assimque a pessoa afirmar e dizer sinceramente: “Testemunhoque não existe outra divindade, excepto Deus, e queMuhammad é o Seu Mensageiro”, todos os seus pecadosanteriores serão perdoados. Do mesmo modo, também osseus bons actos antes praticados poderão ser recom-pensados por Deus, o Complacente. Orar Cinco Vezes ao Dia (Salah)É exigido ao Muçulmano que realize cinco oraçõesdiárias obrigatórias. Um Mu-çulmano vira-se paraMakkah (Meca), enquanto realiza estas orações,direccionando-se para a primeira Casa construída paraadorar ao Deus Único. A esta Casa é dado o nome deKa’aba, uma estrutura vazia em forma de cubo, localizadano país que é agora a Arábia Saudita. A Casa foi erguidapor Abraão (a.s) e pelo seu filho, Ismael (), para adoraro Deus Único e Verdadeiro.Há que ter em conta que o Islão não possui quaisquersímbolos ou relíquias sagradas. Nós não adoramos aKa’aba; adoramos simplesmente a Deus quando nos 33
    • direc-cionamos para a Ka’aba. Direccionarem-se para aKa’aba une os fiéis nas suas orações ao Deus Único.Considera-se que, adorar a Ka’aba ou qualquer outracoisa criada, é prestar culto a um ídolo. De modo maisclaro, os materiais utilizados para a construção destaCasa não são mais sagrados do que quaisquer outros,utilizados para a construção de um outro edifícioqualquer.Estas orações ocorrem durante o dia e durante a noite, esão uma constante lembrança do dever humano e da suasubmissão a Deus. As orações representam um elodirecto entre o fiel e Deus. Constituem umaoportunidade para que este regresse a Deus, enquantoLhe presta culto, para agradecer, pedir perdão e suplicarpela Sua orientação e misericórdia.Um Muçulmano pode, voluntariamente, orar mais vezes.As orações, no sentido geral de súplicas, podem,praticamente, ser oferecidas em qualquer momento elugar. Pagar as Esmolas Anuais (Zakah)É dever religioso de todo o Muçulmano, suficientementepróspero para acumular e reter lucros, dar parte dos seusganhos anuais aos mais necessitados. Estas esmolas têm onome de Zakah em Árabe, o que, literalmente, significa“purificação”. Todas as coisas pertencem a Deus, o 34
    • Misericordioso, e a riqueza é tida como certa pelos sereshuma-nos. O pagamento destas esmolas é uma formaque as pessoas financeiramente estáveis têm, depurificarem os lucros honestos que Deus lhes concedeu.Além disso, constitui um meio de, directamente,distribuir a riqueza pela sociedade, ajudando os pobres enecessitados. A Zakah (esmolas) purificam também aalma daquele que dá, diminui a ganância e fortalece acompaixão e a generosidade entre a Humanidade. Ovalor médio destas esmolas é de dois e meio por centodas poupanças acumuladas durante um ano. Estasesmolas são deduzidas das poupanças, não dosrendimentos e salários. Jejuar durante o Ramadão (Sawm)Um Muçulmano púbere, fisicamente apto a fazê-lo, devejejuar durante o mês lunar do Ramadão. Trata-se de ummês significativo, visto ser o mês em que ocorreu aprimeira revelação do Alcorão a Muhammad (). Dadoum ano no calendário lunar ter onze dias a menos do queno calendário solar, gradualmente, o mês do Ramadãoocorre em todas as estações do ano. Do mesmo modo quea doação de esmolas é uma forma de purificar a riqueza,jejuar é uma forma de auto-purificação. O jejum teminício ao amanhecer e termina ao pôr-do-sol, da horalocal. Durante as horas diurnas, a pessoa que jejua deveabster-se de comer, beber e manter relações sexuais com 35
    • o cônjuge 12. Estas actividades são permitidas desde opôr-do-sol até ao amanhecer seguinte. O acto de jejuarensina a pessoa a ter paciência e auto-controlo. Tal comoorar, jejuar é uma forma de voltarmos a Deus, em sinceraadoração. Os dois feriados Muçulmanos são, o ‘Eid Al-Fitre, celebrado no fim do Ramadão, e o ‘Eid Al-Adha,celebrado no fim da Hajj (Peregrinação a Meca). Jejuarlembra-nos as condições em que vivem os necessitados,levando-nos a apreciar as mais simples das benções, asquais frequen-temente temos como certas, como é o casode beber um simples copo de água e comer à vontade. Ir em Peregrinação a MecaCaso tenha possibilidade e meios para o fazer, todo oMuçulmano é obrigado a ir em peregrinação à Ka’aba, emMeca, uma vez na vida. Muçulmanos vindos de todas aspartes do Mundo reúnem-se, com o objectivo de adorar eagradar a Deus. Anualmente, milhões de peregrinosvisitam a Ka’aba e realizam a Hajj (Peregrinação a Meca).O ritual da Hajj teve origem com o Profeta Abraão () efoi retomado por Muhammad (). A peregrinação aMeca obriga os peregrinos a quebrarem as barreirasraciais, económicas e sociais que ainda possam existir nassuas sociedades. Constitui também um convite a cada12 O Islão exige castidade e proíbe as relações sexuais extra-matrimoniais ou pré-matrimoniais. 36
    • peregrino a praticar a paciência, o auto-domínio e apiedade. Os peregrinos envergam vestes simples, queanulam as distinções de classe e cultura. Cada um destesactos obrigatórios de adoração mantém viva a lembrançade Deus, e lembra a todos os Muçulmanos que provimosde Deus, e a Deus regressamos. 37
    • O AlcorãoO Alcorão é o registo final, infalível, directo e completodas palavras exactas de Deus, transmitidas pelo AnjoGabriel 13 e firmemente implantadas no coração do últimodos Seus Profetas e Mensageiros, Muhammad (). Forammuitos os companheiros de Muhammad () queaprenderam e memorizaram o Alcorão, transmitindo-ode geração em geração, até chegar a nós, primeiro, porvia oral e, depois, escrita.Os livros que precederam o Alcorão, transmitidos pelosProfetas e Mensageiros () de Deus, foram tambémenviados por Este. Ao revelar o Alcorão, a mensagem deDeus foi restaurada e clarificada. O Alcorão é único emvárias maneiras. Deus, o Guardião, preservouperfeitamente o Alcorão da corrupção, assegurando queesta o não atingisse até ao fim dos tempos. Este Livro étido, não apenas pelos Muçulmanos, mas também peloshistoriadores da religião, como o mais autêntico de entreos textos religiosos de todas as religiões 14. Nenhum dos13 No Islão ensina-se que “o espírito santo” é o Anjo Gabriel, o qual, emhipótese alguma, deverá ser adorado. (Acreditar na SantíssimaTrindade viola, claramente, o ponto fulcral da fé Islâmica – omonoteísmo).14Ver Joseph van Ess, “Muhammad e o Alcorão: Profecia e Revelação”, em“Cristianismo e as Religiões Mundiais: Caminhos para o Diálogo com o Islão,Hinduísmo e Budismo”, editado por Hans Kung (Garden City, NY:Doubleday & Co., 1986); e Michael Sells, “Uma abordagem ao Alcorão: asPrimeiras Revelações”, (Ashland, OR: White Cloud Press, 1999). 38
    • outros livros revelados chegou até nós na sua forma oulíngua originais. A alguns deles, como é o caso dospergaminhos revelados à Abraão (), nem sequertivemos acesso. Ao longo dos tempos, partes das outrasEscrituras foram reescritas e, outras, eliminadas,distorcendo a mensagem original.Deus não permitiu que esta contaminação atingisse oAlcorão, visto este tratar-se do Seu Último Livro,destinado a toda a Humanidade, até ao Dia do JuízoFinal. Nenhum outro Profeta ou Mensageiro seráenviado. Se Deus não tivesse protegido o Alcorão, estenunca teria chegado até nós na sua forma original. Poreste motivo, Deus não confiou aos seres humanos apreservação do Alcorão 15.Visto Deus ter continuado a enviar uma sucessão deProfetas e Mensageiros, a preservação divina dasprimeiras Escrituras não foi tão importante. A lei contidanessas Escrituras mais antigas não se encontrava aindana sua forma final. Por ordem de Deus, Jesus ()introduziu modificações nessa lei. Exemplo dessasmodificações, é o facto de ter tornado legítimas algumascoisas antes consideradas proibidas, sem introduzir15 O Alcorão consiste em 114 capítulos, e é um único livro, ao contráriodas várias versões Bíblicas actuais. Os Cristãos Protestantes contamcom 66 livros, e os Cristão Católicos Romanos com 72, isto sem referiros que existem em outras versões, e que contabilizam muito mais. 39
    • qualquer alteração no conceito fundamental demonoteísmo.Uma outra qualidade única do Alcorão é o facto deste serum milagre impressionante em si e por si mesmo.Milagre é um fenómeno que vai contra a ordem naturaldas coisas e manifesta claramente a intervenção de Deus,o Todo-Poderoso.Todos os Profetas e Mensageiros foram portadores demilagres de Deus, os quais evidenciavam claramente averacidade das suas Profecias. Abraão () sobreviveusem mácula, ao facto de ter sido atirado a um fogoardente. Moisés (a.s) ergueu o seu bastão, e as águas domar dividiram-se, por misericórdia de Deus. Jesus (),filho de Maria, tocava nos mortos e em doentesterminais, e trazia-os de volta à vida, completamentesaudáveis, com a permissão de Deus. Todos estesmilagres revelavam a legitimidade e validade dosProfetas e Mensageiros, mas estes milagres apenas foramtestemunhados pelas pessoas que então se encontravampresentes.Embora a Profecia de Muhammad () fosse igualmenteconfirmada por vários acontecimentos milagrosos, detodos eles, o mais importante é, de longe, o GloriosoAlcorão. Deus intima todos aqueles que duvidam daautenticidade do Alcorão, a apresentarem um únicocapítulo similar aos deste Livro. (Há que realçar que omais pequeno dos capítulos do Alcorão é composto por 40
    • apenas três versículos). Isto nunca foi feito por nenhumser humano, embora, ao longo da História, muitastenham sido as pessoas que pretenderam desacreditar oAlcorão e erradicar o Islão. O desafio lançado por Deuspermanece em aberto até ao Dia do Juízo Final. Um dosmilagres do Alcorão é o facto deste ser o auge daliteratura por excelência. Realmente, este encontra-seescrito na mais eloquente prosa Árabe alguma vez vista.O seu estilo não tem igual no idioma Árabe, trata-se deum estilo inimitável. O Alcorão destina-se a todos ospovos, e encontra-se-nos disponível na língua Árabeoriginal e actual, a qual é ainda extremamente falada emvários países do Mundo, por milhões de pessoas. Ostextos originais de muitas outras religiões perderam-seao longo dos tempos, e encontram-se, actualmente,escritos em idiomas que não são mais comummentefalados.Nem uma única palavra do Alcorão é da autoria deMuhammad (). Todas as palavras que o compõemprovêem de Deus. Na verdade, Muhammad () nãosabia ler nem escrever. O Profeta () recitava o Alcorãoexactamente como este lhe era revelado pelo AnjoGabriel (), enquanto que os seus Companheiros,obedecendo a instruções suas, o escreviam ememorizavam. O Alcorão é o discurso directo de Deus.Consequentemente, o Alcorão é o Único Livro de quedispomos actualmente da autoria unicamente de Deus.Não existem outras versões do Alcorão. Não obstante o 41
    • facto de existirem muitas traduções do Alcorão, nem deperto estas são tão magníficas e lindas como o textoÁrabe original. Apresenta-se, a seguir, um simplesexemplo, composto pelo significado dado na traduçãoPortuguesa a um versículo do capítulo 112: “Em nome de Deus, o Beneficente, o Misericordioso. Dizei: Ele é Deus, o Único e Verdadeiro; Deus, o Eterno, o Absoluto; Ele não foi gerado nem gerou; e não existe outro a Ele comparável.” 42
    • O Profeta Muhammad () e a sua Suna (ár. Sunnah)Muhammad () nasceu no ano 570 D.C., provindo dahonrosa linhagem de dois dos maiores Profetas de Deus:Abraão () e o seu filho primogénito, Ismael ().Muhammad () cresceu com o título de “o Confiável” e,aos quarenta anos, foi escolhido por Deus para ser o Seuúltimo Profeta e Mensageiro.A Suna refere-se ao que foi dito, praticado e aprovadopelo Profeta Muhammad (). Os relatos e narraçõesreferentes à Suna são conhecidos pelo nome de Hadice,tendo sido recolhidos em livros bem conhecidos. Talcomo o Alcorão, Muhammad () recebeu a Suna porinspiração divina. Ao contrário do Alcorão, a Suna não éo discurso directo e literal de Deus. Os ensinamentosvieram de Deus (revelação divina), mas as palavrasforam as de Muhammad () [um exemplo para aHumanidade]. A Suna encontra-se igualmentemeticulosamente preservada.É obrigatório aos Muçulmanos seguirem a Suna doProfeta Muhammad (). No Alcorão, Deus ordena aoscrentes que obedeçam ao Seu Mensageiro (o Seurepresen-tante). Deus diz o seguinte: 43
    • «Ó vós que credes! Obedecei a Deus, e obedecei ao Mensageiro ...» [Alcorão 4 : 59]O objectivo da vida humana é servir e obedecer a Deus, oque é conseguido seguindo-se as práticas e osensinamentos do Profeta (). Deus diz: «Na verdade, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Deus, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Deus frequentemente.» [Alcorão 33 : 21]O Profeta () revelou aos Muçulmanos como deveriamconcretizar todos os aspectos da adoração a Deus. A suamorte sucedeu quando ele contava 63 anos de idade (noano 632 D.C.), tendo sido sepultado na sua casa, nacidade de Medina (Yathrib). Foi sempre hábito seu saudare afastar-se dos seus Companheiros com saudações einvocações de paz, o que é recomendado a todo oMuçulmano fazer. Em apenas um século, o Islãoespalhou-se por três continentes, desde a China e portoda a Ásia, ao longo de África, chegando a Espanha, naEuropa. 44
    • Os Perigos das Inovações Introduzidas no Islão (Bid’ah)Deus ordenou aos Muçulmanos que não se dividissemem seitas. Em termos de religião e culto, as inovações edivisões no seio do Islão são consideradas umacontaminação, um erro, uma transgressão. As primeirastransgressões abomináveis ao monoteísmo, como, porexemplo, adorar coisas criadas, tiveram como resultado acondenação de Deus. (Contudo, inovações em outrasáreas, como é o caso da Ciência e da Tecnologia para omelhoramento da vida, são amplamente encorajadas).Deus, o Compassivo, disse-nos, por intermédio do Seuúltimo Profeta, Muhammad (), e quando este estavapróximo do fim, que a religião do Islão estava completa.É imperioso que os Muçulmanos reconheçam que,qualquer alteração em matéria de culto, é estritamenteproibida. Qualquer inovação introduzida pelaHumanidade, a qual se encontra cons-tantemente sob ainfluência de Satanás, não poderá nunca acrescentar algode positivo ao Alcorão, contribuindo apenas para adegradação da religião perfeita e completa, estabelecidapor Deus. Todas as inovações em questões de religiãolevam ao desen-caminho, e todo o desencaminho conduzao Inferno. As pessoas devem impedir toda e qualquertransgressão (adição ou eliminação), por mais pequena 45
    • que seja, em questões de culto 16. Caso sejam permitidasalgumas alterações, estas transgressões serão aceitespelas futuras gerações, o que resultará numa outrareligião fabricada pelo Homem, não sendo mais o Islãoperfeitamente preservado por Deus, o Verdadeiro. Oacto de construir uma religião usando uma abordagemtipo “carrinho de compras”, onde se transporta apenas oque verdadeiramente está de acordo com os interesseshumanos, acrescentando ou eliminando o que os possacontrariar, ou seguindo-se cegamente o líder de umaqualquer religião, tratam-se de estratégias inadmissíveis.A alteração das leis de Deus é proibida pelo Islão. Deuscondena os líderes religiosos que alteram os princípiosdivinos. Quem tentar introduzir inovações, colocando-seao mesmo nível de Deus, comete politeísmo. Exemplodisto, seria tornar legítimo o assassinato de inocentes. AsLeis de Deus são perfeitas e não necessitam de ser“modernizadas” por ninguém. Deus concede-nosliberdade para obedecer ou desobe-decer, escolhendoseguir a Sua fé ou os nossos próprios desejos. Contudo,proíbe-nos de modificar os Seus princípios religiosos.(Interessa referir que a lua crescente não é representativada religião Islâmica, visto o Profeta Muhammad ()16 No Islão é ensinado que, para um acto de adoração ser aceite porDeus, há que cumprir duas condições: em primeiro lugar, a intençãodeve ser a de agradar a Deus e, em segundo, o acto deve ser feito deacordo com a Suna do Profeta Muhammad (). 46
    • nunca a ter usado ou a ter mencionado. Trata-se de umsímbolo pagão, uma inovação introduzida por geraçõesprocedentes, na qualidade de símbolo político.Infelizmente, é comummente adoptado e confundidocom um símbolo do Islão). 47
    • A História de Adão e EvaA história de Adão e Eva é referida no Alcorão. Nãoobstante o facto de, em muitos aspectos, ser similar àreferida nas reminiscências das Antigas Escrituras, diferenoutros deveras significativos.Deus anunciou ao Anjos que havia colocado uma novaespécie sobre a Terra. A partir do barro, Deus criou Adão(), dando-lhe alma. Ensinou-lhe o nome de todas ascoisas, criando também a Eva, sua mulher, e dando-lheigualmente alma. Deus permitiu-lhes que vivessemlivremente no Paraíso, dizendo aos Anjos: “Curvai-vosperante Adão” (O que eles fizeram, não em acto deadoração, mas como forma de respeito). Satanás estavapresente entre os Anjos, embora não fosse um deles. Eleera um Jinn 17, uma espécie de seres, criados por Deusantes de Adão (), a partir de uma chama de fogo semfumo, e que dispunham de livre arbítrio. Quando Deusordenou aos Anjos e àqueles que se encontravam na suacompanhia que se curvassem perante Adão (), todos ofizeram, com excepção de Satanás, impedido peloorgulho e pela arrogância. Satanás afirmava ser superiora Adão (), visto ter sido criado a partir do fogo,17 Os Jinn foram criados antes de Adão, dispondo de livre arbítrio. Osque desobedecem a Deus, são demónios. Eles habitam na Terra, entrenós. Podem ver-nos, mas nós não os podemos ver, a menos que elesmesmos decidam tornar-se visíveis. A feitiçaria, igualmente proibidapelo Islão, é praticada por sua intercessão. 48
    • enquanto que Adão () o fora a partir do barro. Defacto, Satanás foi o primeiro racista da História.Satanás caiu em desgraça perante Deus, o Avaliador, queo condenou pela sua desobediência. Contudo, Satanás, oamaldiçoado, pediu a Deus que lhe concedesse umadiamento até ao Dia do Juízo Final (Ressurreição), demodo a que lhe fosse possível fazer de Adão () e dosseus descendentes indignos. Satanás disse: “Na verdade,desencaminhá-los-ei e, certamente, despertarei os seusdesejos vãos”. Deus concedeu-lhe a prorrogaçãosolicitada, como tratando-se de um teste para aHumanidade. O que se passava é que Deus sabia aquiloque Satanás desconhecia. Importa ter em conta que, deforma alguma, jamais Satanás poderá “guerrear” comDeus, visto, como tudo o mais que existe, ele é Suacriação. Satanás existe apenas por vontade de Deus,encontrando-se completamente submetido ao Seu poder.Se Deus não quisesse que Satanás ou os seus ajudantesexistissem, ser-lhes-ia impossível continuar a existir, nemque fosse por um só momento.O Islão não concede que Satanás partilhe da divindadede Deus, não lhe atribuindo quaisquer qualidadesdivinas ou celestes. O Islão repele a ideia de que Satanásiniciou uma guerra com Deus, arrastando consigo umterço das hostes dos Céus. Satanás é um inimigo confessoda Humanidade, mas não passa de uma criatura, 49
    • completamente dependente de Deus para a sua própriaexistência.Não obstante o orgulho, a maldição e o facto de ter caídoem desgraça perante Deus, Satanás serve um propósito.Deus pretende que os seres humanos possam escolherlivremente entre o bem e o mal, tendo-lhes concedidouma capacidade inata para reconhecer o Criador evoltarem para Ele. É suposto o ser humano ser bom pornatureza, nascendo puro, em perfeito estado de Islão(submissão). Satanás e as suas hostes comandam o mal,opondo-se ao bem, procurando desencaminhar aHumanidade para a perversão e para a idolatria,afastando-a do monoteísmo, da rectidão e do caminho deDeus. Deus, o Todo Sapiente, intima os Muçulmanos aseguirem o bem e proíbe o mal. Em virtude do exercíciodo livre arbítrio com que foram dotados, e resistindo àstentações de Satanás, os seres humanos podem alcançarum elevado estado de honra.O que se segue é um resumo do caminho percorrido porAdão e Eva enquanto no Paraíso. Era-lhes concedidauma liberdade plena, e viviam felizes. Deus disse-lhesque comessem da fruta do Jardim, e que deladesfrutassem. Proibiu, contudo, que se aproximassem deuma árvore, avisando-os que, caso desobedecessem,estariam entre os culpados. Satanás procurou-os edesafiou-os, dizendo-lhes que Deus apenas os proibira decomer da árvore porque isso os tornaria imortais ou 50
    • iguais aos Anjos. Assim sendo, foram ambos enganadospor Satanás, e comeram da árvore.Adão e Eva sentiram vergonha. Voltaram-se para Deusem sincero arrependimento, e Deus, o Perdoante, oBeneficente, o Misericordioso, perdoou-os. O Islãorejeita claramente o conceito de pecado original, ou aideia de que todos os seres humanos nascem pecadores,em virtude dos actos de Adão. Nunca um ser humanopoderá ser responsabilizado pelos actos de outro (porqueDeus é o Justo). Todos os seres humanos sãoresponsáveis pelos seus próprios actos e nascemMuçulmanos (submissos à Vontadede Deus), puros elivres do pecado. Importa referir que o Islão nãoculpabiliza Eva. Tanto Eva como Adão dispunham delivre arbítrio. Ambos comeram da árvore. O pecado e adesobediência de ambos tratou-se de uma iniciativaconjunta. O Islão rejeita a ideia de que a mulher é um sermalévolo e sedutor, amaldiçoado com a menstruação e asdores do parto, tudo devido ao pecado cometido por Eva.Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso, fazendo-oshabitar sobre a Terra. Inicialmente, Deus dissera aosAnjos que colocara um novo ser na Terra. A Terra é ondeDeus, desde a criação, no seu conhecimento infinito,pretendeu que permaneçamos. 51
    • Jesus ()Jesus () foi um dos Profetas e Mensageiros de Deus,que apelou para a unicidade de Deus. Em momentoalgum, Jesus () reivindicou divindade para si mesmo,ou pediu para ser adorado.O seu nascimento deu-se de uma virgem. Este foi um dosmuitos milagres relacionados com Jesus () epermitidos por Deus. Jesus () nasceu sem pai. NoAlcorão, Deus diz o seguinte: «Na verdade, o caso de Jesus, perante Deus, é como o caso de Adão; Ele criou-o do pó, e depois disse-lhe: "Sê", e ele foi.» [Alcorão 3 : 59]Deus criou Jesus (), assim como criou tudo aquilo queexiste na criação. Jesus (), Adão () e Eva são únicos,no modo como foram criados: Jesus () nasceu sem pai;Adão e Eva foram criados sem pai e sem mãe.Relativamente a nós, todos nós tivemos pai e mãe.Acreditar que Jesus () é o filho de Deus, ou que Deuspossui familiares, como é o caso de um pai, de uma mãe,de um filho ou filha, é o mesmo que atribuir o acto deprocriação ao Criador 18. Os Muçulmanos acreditam que18 Foi na antiga cidade de Nicea (a qual se localiza actualmente namoderna Turquia, a cerca de 700 milhas ou 1100 km nor-nordeste deJerusalém, perto da capital Romana oriental), que teve lugar o PrimeiroConselho de Nicea, 325 anos após o nascimento de Jesus (). Foi nesse 52
    • isto é politeísmo, o que é absolutamente proibido noIslão. De modo idêntico, conceder atributos do Criador àSua criação constitui um grande pecado, o que, no Islão,encontra-se claramente em oposição ao monoteísmo. Estacrença contradiz os ensinamentos de todos os Profetas eMensageiros de Deus 19. Deus está para além de qualqueratributo humano ou criado. Jesus () é o Messias, oCristo, a palavra de Deus, o anunciado, enviado porDeus Misericordioso, enquanto Profeta e Mensageiro.Deus diz-nos também que Jesus (), filho de Maria, nãoestá morto, que foi elevado à Sua presença. OsMuçulmanos acreditam que o regresso de Jesus () seráum dos sinais do Último Dia. Quando Jesus () voltar,não virá na qualidade de Profeta e Mensageiro, portadorde novas revelações. Pelo contrário, ele será o líder dosfiéis e destruirá o anticristo, que tanto engano e mal teráprovocado sobre a Terra. Jesus (a.s) obedecerá àmanifestação final da lei revelada a Muhammad ().Conselho que, por maioria, Jesus foi proclamado divindade, e nãoProfeta ou Mensageiro de Deus. O conceito da Santíssima Trindadebaseia-se na declaração de que Jesus () é o mesmo e igual a Deus. Istoé uma contradição directa aos princípios Abraâmicos de monoteísmo,os quais o próprio Jesus () apelou aos povos que aceitassem.19 Embora Cristãos e Judeus possam violar alguns dos princípiosmonoteístas da fé Abraâmica original, o Islão refere-se-lhes como “OPovo do Livro”. Eles são assim designados por terem recebido leis eEscrituras reveladas por Deus, e reconhecerem alguns dos SeusProfetas. 53
    • Pecado e ArrependimentoPecar é desobedecer consciente e deliberadamente aDeus. O maior de todos os pecados é o politeísmo,embora a violação intencional dos mandamentos de Deusseja igual-mente um acto pecaminoso. Deus, o Preventor,proibiu várias coisas que são prejudiciais para oindivíduo ou para a sociedade. Exemplos de actospecaminosos são o assassinato, as agressões, o roubo, afraude, a usura (nota nº. 20), a fornicação, o adultério, afeitiçaria (nota nº. 17), o consumo de álcool, comer carnede porco e o uso de drogas ilícitas.O Islão rejeita a doutrina do pecado original. Ser algumdeverá ser responsabilizado pelos actos de outro, poisisto seria uma grande injustiça, e Deus, o Misericordioso,é o Justo. Cada um de nós é responsável perante Deus,Aquele que tudo vê, pelos nossos próprios actos.Contudo, caso uma pessoa incite outra a pecar, então,ambas são casti-gáveis. Uma, merece castigo por, narealidade, ter cometido o pecado; a outra, por a terencorajado a fazê-lo.Quando uma pessoa peca, merece o castigo de Deus.Felizmente, Deus é o Compassivo, Aquele que perdoafrequentemente. Deus age com conhecimento e justiçainfinitos. Os Muçulmanos não acreditam que Jesus (),filho de Maria, tenha morrido pelos pecados daHumanidade. Deus, o Compassivo, perdoa quem quer. Oacto de acreditar que tenha sido necessário Jesus () 54
    • sofrer e morrer para que os nossos pecados fossemperdoados, é negar o poder e justiça infinitos de Deus. Amisericórdia de Deus é ilimitada.Deus, o Respondente, promete-nos o perdão, caso nosvoltemos para Ele, em sincero arrependimento. Oarrependimento é um assunto sério, é a maneira pelaqual a pessoa pode obter a salvação, por intercessão damisericórdia de Deus, motivo pelo qual não pode serencarado de ânimo leve. O verdadeiro arrependimentoobedece às seguintes condições: 1. A pessoa deve reconhecer e aceitar que pecou, arrependendo-se verdadeiramente por o ter feito; 2. A pessoa deve voltar-se humildemente para Deus, pedindo-Lhe perdão; 3. A pessoa deve ter a sincera resolução de não voltar a cometer o mesmo pecado; 4. Caso o pecado cometido tenha prejudicado alguém, a pessoa deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o remediar.Isto não significa que, caso a pessoa volte a cometer omesmo pecado futuramente, o seu arrependimentoprévio seja anulado. O que se torna necessário é o sériocompro-misso de não voltar a pecar. Visto não sabermoso que o futuro nos reserva, a porta para oarrependimento está sempre aberta. Deus, Aquele queperdoa frequentemente, fica feliz, quando os filhos de 55
    • Adão regressam a Si, em busca do Seu perdão infinito. Oarrependimento é uma forma de prestar culto.Ninguém, exceptuando Deus, pode perdoar os pecados.É proibido ao Muçulmano procurar o perdão divinoatravés de outra pessoa, visto os Muçulmanosacreditarem que isso seria uma forma de politeísmo. 56
    • A Estrutura Organizacional do IslãoO Islão enfatiza grandemente o relacionamento entre oindivíduo e Deus, sendo que este relacionamento sebaseia nas orientações contidas no Alcorão e na Suna. Emcontra-partida, este relacionamento irá definir o modocomo um Muçulmano se relaciona com as restantespessoas, o que originará justiça, organização e harmoniasocial.O Alcorão diz o seguinte:«Na verdade, o mais honrado, dentre vós, perante Deus,é aquele que é mais temente.» [Alcorão 49 : 13]Os sábios, os piedosos, os conhecedores do Islão e osverdadeiros na prática religiosa são os líderes naturais doIslão.O Islão não especifica o modo como alguém pode tornar-se erudito. Qualquer pessoa, com inteligência suficiente,estudo e determinação, pode procuraralmejar sê-lo.Contudo, nem todos disporão de tempo e recursossuficientes para o conseguirem. Todas as pessoas deverãoesforçar-se para aprender o mais que puderem, emborareconheçam que Deus é Único, o Concessor doconhecimento e da compreensão.O erudito desempenha um papel crucial na sociedadeMuçulmana. Ele (ou ela) consagra anos da sua vida aoestudo do Islão. Não é permitido aos eruditos perdoar 57
    • pecados, abençoar pessoas ou introduzir mudanças na leide Deus. Eles comunicam a informação adquirida doestudo que fizeram do Islão e da Suna e, pela sua nobrezade carácter, inspiram os outros a serem melhores.Determinadas pessoas utilizam a palavra “clérigo” paradescreverem um erudito Muçulmano. Contudo, trata-sede um erro. No Islão, não existe um clero formal, pessoasordenadas ou uma hierarquia. O relacionamento entre oindivíduo e Deus é directo. Ninguém, senão Deus, podedizer o que é permitido e o que é pecaminoso. Serhumano algum pode abençoar outro. Cada pessoaresponde directamente por si, perante o Seu Senhor eCriador.Quando visitamos uma Mesquita, podemos ver alguém aconduzir as orações congre-gacionais. Sempre que osMuçulmanos oram em conjunto, escolhem alguém paraliderar as orações, de modo a que lhes seja possível orarem uníssono e em harmonia. O melhor é que, a pessoaescolhida, seja a que possui maiores conhecimentos doAlcorão e do Islão. A esta pessoa é dado o nome deImame, o que, literalmente, significa: “aquele queconduz”. Ao meio-dia das Sextas-Feiras, existe umaoração congregacional especial, à qual é requerida aparticipação de todos os Muçulmanos do sexo masculino,sendo que a participação feminina é voluntária. Estaoração semanal é precedida de um curto sermão. Aquele 58
    • que pronunciar este sermão deverá ser o mais sapienteem termos de compreensão dos princípios Islâmicos. 59
    • A Lei IslâmicaA Lei Islâmica deriva apenas do Alcorão e da Suna doProfeta Muhammad (). Tal como o Alcorão, a Suna éuma revelação de inspiração em Deus. A Lei Islâmicaabrange todos os aspectos da vida humana, desde comodevemos adorar a Deus, a como nos devemos relacionarcom os outros. Deus ordena aos crentes que façam deter-minadas coisas, enquanto proíbe outras. Somente Deus, oOmnisciente, o Justo, tem o direito de dizer o que élegítimo ou pecaminoso e proibido. Uma sociedadeIslâmica pode fazer leis que vissem o melhoramento daqualidade de vida (ex., leis relacionadas com o tráfico),desde que essas leis não entrem em contradição com aLei Islâmica. Deus, o Orientador e Dirigente, encoraja aprática de determinadas coisas, sem as ordenar, ao passoque desencoraja outras, sem as proibir. Todas estasinjunções, consideradas em conjunto, formam a LeiIslâmica. Se tivermos em conta que existem questões quea Lei Islâmica considera simplesmente admissíveis, istoresulta em cinco regras básicas, possíveis de classificartodo o comportamento humano: 1. Obrigatório; 2. Encorajado 3. Permitido 4. Desencorajado 5. Proibido 60
    • A Lei Islâmica é de origem divina. O motivo pelo qualobedecemos a estas leis, é porque Deus assim ordenouque o fizéssemos. Somos encorajados a entender asabedoria subjacente à lei; contudo, espera-se queobedeçamos, mesmo que não compreendamoscompletamente o motivo porque o fazemos. O acto decompreender é mais uma oferenda acrescida. Porexemplo, comer carne de porco é proibido porque Deusassim o determinou. Deste modo, abstemo-nos de acomer por esse mesmo motivo, e não porque sabemoscientificamente que este tipo de carne contém doençasúnicas, e que é o último dos alimentos saudáveis. Mesmoque os cientistas conse-guissem criar geneticamenteporcos livres de doenças, fazendo deles a comida maisnutritiva, continuaríamos proibidos de ingerir talalimento. (Contudo, uma pessoa pode comer carne deporco, desde que seja para salvar a sua vida. Caso nãoexistem outras opções, nada há de pecaminoso em talacto).As fontes da Lei Islâmica são o Alcorão e a Suna. Deusconsidera politeísmo permitir a um líder religioso alteraros Seus mandamentos, tornando legítimo o que Eleproibiu, e ilegítimo o que Ele permitiu 20. Neste mundo,20 Inicialmente, a usura, ou a cobrança de juros, era proibido peloJudaísmo, Cristianismo e Islão. Todavia, os Cristãos da Europa daIdade Média começaram, gradualmente, a alterar esta proibição.Actualmente, até países “Islâmicos” permitem esta violação tremenda àlei de Deus. 61
    • somente Deus determina o que é legítimo e o que épecaminoso. No Além, unicamente Deus tem poder esabedoria para recom-pensar os que praticam o bem, ecastigar os que praticam o mal. 62
    • As Vestes IslâmicasO Islão promove a modéstia e procura minimizar o vícioe a imoralidade na sociedade. Uma das maneiras de oconseguir, é exigindo o uso de vestes simples,estabelecendo padrões de decência, tanto para homens,como para mulheres.Na grande maioria dos países Ocidentais existem leis quedefinem o que é decente ou não. Normalmente, istosignifica que é exigido ao homem que cubra os genitais e,à mulher, os genitais e os seios. Caso este requisitomínimo não seja cumprido, a acusação máxima que poderecair sobre uma pessoa é de conduta indecente. Omotivo para a citada diferenciação nas vestes entrehomens e mulheres, são as respectivas diferençasanatómicas existentes.O código Islâmico, em relação às vestes mínimas paraambos os sexos, é mais conservador. Espera-se que, tantohomens, como mulheres, se vistam de forma simples,modesta e digna. Um homem deve usar sempre vesteslargas, que não marquem o corpo, e o cubram do umbigoao joelho. É esta a veste masculina mínima exigida, o quesignifica, por exemplo, que é interdito ao homemaparecer em público, envergando um simples calção debanho. Relativamente à mulher, espera-se que, quandosai de casa, ela cubra o cabelo e use roupas largas, quenão lhe marquem o corpo, ocultando-lhe as formas dopúblico; algumas, optam também por cobrir o rosto e as 63
    • mãos. A circuns-pecção subjacente a este modo de vestirconsiste em minimizar ao máximo, tanto para homens,como para mulheres, a atracção sexual e a degradação dasociedade. Obedecer a este modo de vestir, é obedecer aDeus. O Islão proíbe todo e qualquer apelo sexual eenvolvimento físico fora do casamento. Emcontrapartida, encoraja ambos os sexos a sentirem apelosexual e atracção física, desde que em privacidade, eenquanto marido e mulher.Alguns observadores Ocidentais consideram que, o factoda mulher cobrir a cabeça, é uma forma desta demonstrara sua inferioridade, relativamente ao homem. Contudo,isto não podia estar mais longe da verdade. No Islão,uma mulher que se veste desta forma, está a exigirrespeito e, através da sua modéstia, refuta a servidãosexual. Em sociedade, quando a mulher usa as vestesIslâmicas, a mensagem que ela transmite é a seguinte:“Respeitai-me por quem sou. Eu não sou um objectosexual”.O Islão ensina que, a falta de modéstia, temconsequências, não apenas sobre o indivíduo, mastambém sobre a sociedade, que permite que homens emulheres misturem-se livremente, se exponham ecompitam ou seduzam-se através da atracção sexual. Asconsequências de tais atitudes são significativas, nãopodendo ser ignoradas. Fazer da mulher um objectosexual para prazer do homem não é liberalização, mas 64
    • sim uma forma de desumanização, recusada pelo Islão. Aliberalização da mulher Muçul-mana assenta mais emesta ser reconhecida pelo seu carácter, do que pelaexposição dos seus atributos físicos. Tendo em conta oponto de vista Islâmico, a mulher “livre” Ocidental –muitas vezes atormentada pelo seu aspecto físico, figuraou juventude, tudo em proveito da satisfação de terceiros– encontra-se presa a uma espécie de escravidão. 65
    • As Mulheres no IslãoHomens e mulheres são iguais perante Deus, eresponsáveis pelos seus próprios actos. De modoidêntico, e uma vez no Além, ambos são recompensadospela sua fé e boas acções.O casamento é fortemente encorajado, sendo, quer umacordo legal, quer um laço sagrado. O Islão consideratodas as mulheres, casadas ou não, um indivíduo, com osseus próprios direitos. Ela tem o mesmo direito que ohomem de possuir bens próprios, ganhar dinheiro egastá-lo. Os seus bens não passam a pertencer ao marido,após o casamento ou o divórcio. A mulher tem o direitode escolher com quem quer casar, e após o casamento,não altera o seu último nome, em virtude do respeito quetem para com a sua linhagem. Caso o marido nãotrabalhe, a mulher pode pedir o divórcio.Economicamente falando, todos os homens e mulheresconstituem uma entidade legal independente. Ambostêm direito a possuir bens próprios, envolverem-se nomundo dos negócios e a herdarem. O direito à educaçãoé uma realidade para ambos os sexos, assim como odireito ao emprego, desde que os princípios Islâmicosnão sejam violados.A busca do conhecimento é uma obrigação para todo oMuçulmano, seja homem ou mulher. O tipo deconhecimento mais enfatizado é o religioso. Em 66
    • sociedade, é também exigida a formação de profissionaisde ambos os sexos, para benefício do público. Porexemplo, a sociedade necessita de médicos, professores,advogados, técnicos de serviço social, e muitas outrasprofissões importantes. Caso se verifique um deficit depessoal especializado, pode tornar-se obrigatório quehomens e mulheres obtenham experiência nos camposcarenciados, de modo a preencher as necessidades dacomunidade Muçulmana. Nesta situação, as linhasorientadoras do Islão deverão ser mantidas.As mulheres são encorajadas a procurar o conhecimentoIslâmico, a dar prosseguimento à vida académica, desdeque dentro dos princípios Islâmicos, e a esforçarem-sepor satisfazer a sua curiosidade intelectual. Impedir queuma pessoa tenha acesso à educação vai contra osensinamentos do Islão.O homem é responsável por manter e proteger a família,satisfazendo as necessidades básicas, como é o caso dealimento, roupa e casa para a esposa, filhos e, senecessário, outros familiares do sexo feminino. Asmulheres não têm tais responsabilidades, mesmo quecasadas. O Profeta Muhammad () disse que, de entre oscrentes, o mais perfeito na fé, é aquele que melhor trata aesposa. 67
    • O Chauvinismo Masculino e o Mundo MuçulmanoSão várias as pessoas que entendem o Islão comotratando-se de uma religião chauvinista, que minimiza amulher. Como prova do que afirmam, citam a condiçãofeminina em alguns países Muçulmanos 21. O erroprovém do facto de separarem a cultura de umdeterminado povo, dos verdadeiros ensinamentos dareligião que esse mesmo povo pode professar. Éespantoso que, em muitas culturas mundiais, a opressãoda mulher seja ainda uma realidade. Em vários países doTerceiro Mundo, a vida da mulher é horrível. Elas sãodominadas pelos homens, sendo-lhes negados muitosdos direitos humanos básicos. Isto não se aplica somenteaos países Muçulmanos, e nem se aplica a todos os paísesMuçulmanos. O Islão condena esta opressão. Trata-se deuma injustiça trágica culpar as crenças religiosas de umareligião por tais práticas culturais, quando osensinamentos dessa mesma religião não convidam a taiscomportamentos. Os ensinamentos do Islão proíbem aopressão feminina e enfatizam de forma clara que, ahomens e mulheres, é devido o mesmo respeito.21 Infelizmente, o facto de se tratar de um país “Muçulmano”, nãosignifica necessariamente que o governo ou o povo obedeçam à leiIslâmica (Shari’a). 68
    • Infelizmente, certas pessoas associaram, erroneamente, aspráticas opressivas contra o sexo feminino, verificadasainda em determinadas partes do Mundo, ao Islão. Umadessas práticas consiste na antiga prática pagã, damutilação genital feminina, por vezes, erradamentechamada “circuncisão feminina”. Esta prática teveorigem no Vale do Rio Nilo e áreas circundantes, ondeainda hoje é praticada. A sua prática é comum entrevários grupos étnicos, de uma grande diversidade decrenças, em várias partes de África, especialmente naÁfrica do Norte. Muitas mulheres Africanas são vítimasdeste costume bárbaro, horrível e mutilador.A mutilação genital feminina é uma abominação,totalmente proibida pelo Islão. É lamentável verificarque, apesar de proibida, determinados grupos étnicosmantêm ainda esta prática, mesmo depois de teremaderido ao Islão, levando a que certas pessoas aconsiderem uma prática Islâmica. Actualmente, à medidaque estas pessoas obtêm um melhor conhecimento doque é o Islão, vão abandonando esta cruel prática pagã.No Quénia, por exemplo, os únicos a não praticarem amutilação genital feminina, são os Muçulmanos.A circuncisão masculina, contudo, é uma práticaclaramente Islâmica, tendo sido, de facto, ensinada pelosProfetas e Mensageiros de Deus, incluindo o ProfetaAbraão (). Há que evitar confundir a proibição da 69
    • mutilação genital feminina, com o incitamento àcircuncisão masculina.Uma outra prática abominável é a “morte por motivos dehonra”, quando um homem assassina uma mulher dasua família, por se sentir desonrado e humilhado pelocomportamento por ela assumido. Este procedimento,ainda que extremamente raro, é praticado pordeterminados grupos de pessoas do subcontinenteIndiano, no Médio Oriente e em outros locais. Para oIslão, trata-se de um assassinato claro. Não é permitido,seja a quem for, matar outra pessoa, devido a umaqualquer noção de “honra”. Isto não é exclusivo aosMuçulmanos e aos países “Muçulmanos”, e viola a leiIslâmica. O racismo, a discriminação sexual, e todas asformas de fanatismo ou preconceito são tambémproibidas pelo Islão.Infelizmente, o casamento obrigado é ainda praticado emmuitas sociedades tradi-cionais. Trata-se de outra práticaproibida pelo Islão. Na época do Profeta Muhammad (),havia pais que obrigavam as filhas a casar. Quando asmulheres se queixaram ao Profeta () do sucedido, eleanulava-lhes o casamento ou, então, oferecia-lhes ahipótese de darem o casamento por terminado, mesmoque a consumação já tivesse ocorrido. Assim sendo, oProfeta () instaurou o precedente claro da lei Islâmicaquanto à liberdade de escolha no casamento, pondo fim aesta prática opressiva. Lamentavelmente, os casamentos 70
    • obrigados continuam a existir em muitas partes doMundo, inclusive, em países “Muçulmanos”. Nãoobstante o facto desta ser uma prática ilegal em quasetodos os países, a grande maioria das mulheres dassociedades tradicionais não estão a par dos seus direitosou, então, receiam reivindicá-los.Todas estas práticas são contrárias à lei Islâmica, sendoda responsabilidade de todos os Muçulmanos erradicá-las das suas sociedades. Sim, o Islão é tolerante para coma diversidade cultural e não acredita na erradicação dosestilos de vida de povos diferentes, nem obriga aspessoas a abandonarem a sua identidade cultural quandoabraçam o Islão. Contudo, quando as práticas culturaisde um povo transgridem a lei Islâmica, ou privam aspessoas de dádivas de Deus, como é o caso da liberdadede escolha e de direitos inalienáveis, então, trata-se deuma obrigação religiosa abandonar tais práticas. 71
    • Ciência e TecnologiaUm dos pontos de referência do Islão é a sua completaharmonia com a Ciência. Os Muçulmanos consideramimpossível existir conflitos entre factos científicos ereligião. A religião provém de Deus, o Primeiro e oÚltimo, assim como o Universo que Ele, sozinho, criou. Éimpossível a um, contradizer o outro.Um Muçulmano assume que, tudo o que existe na criaçãode Deus, é passível de explicação científica – desde aformação das estrelas e galáxias, à origem e diversidadedas diferentes espécies. Em momento algum, umMuçulmano deve socorrer-se de milagres para explicarfenómenos naturais, visto os Muçulmanos acreditaremque os milagres são momentos em que Deus infringe asSuas próprias leis naturais, por um motivo especial,como, por exemplo, ajudar um dos Seus Profetas ouresponder a uma prece. As explicações milagrosas nãodeverão nunca ser utilizadas para explicar algo domundo natural, ou para ocultar a ignorância humanarelativamente a uma questão científica.Não se verificou nunca a existência de um facto científicoou teoria científica válida que contradiga osensinamentos do Islão. Seja o que for que a Ciênciadescubra, isso apenas aumenta o nosso conhecimento damagnífica criação de Deus. É por este motivo que o Islãoencoraja activamente os esforços científicos, e é essa arazão porque o Alcorão ordena-nos que estudemos os 72
    • sinais de Deus na natureza. De facto, o Alcorão contémvárias referências científicas extraordinárias que, com aajuda dos actuais avanços tecnológicos, foramrecentemente compreendidas no seu todo.O Islão permite-nos também que desfrutemos dos frutosdo engenho humano. Somos encorajados a esforçarmo-nos para melhorar o mundo. Os avanços tecnológicos sãobem recebidos pelo Islão. A tecnologia pode ser usadapara o bem, ou para o mal. Em si, a tecnologia é neutra. Éda nossa responsabilidade utilizarmos o conhecimentocom que Deus nos abençoou, para benefício de toda aHumanidade.Nos primeiros dias do Islão, quando as pessoas aderiramàs suas crenças e princípios, verificou-se umflorescimento da ciência, da cultura, do comércio e datecnologia. Os eruditos do mundo Islâmico envolveram-se em pesquisas, que levaram a avanços no campo dasmatemáticas, da química, da física, da medicina, daastronomia, da arquitectura, da arte, da literatura, dageografia e da história, entre outros. A título de exemplo,e para nomearmos algumas das invenções dos cientistasMuçulmanos, podemos referir a bússola, o astrolábio e orelógio de pêndulo. Vários sistemas críticos, como é ocaso da álgebra, da numeração árabe (que é a queactualmente utilizamos), e o próprio conceito do zero(vital para os avanços matemáticos), foram introduzidosna Europa Medieval por intermédio dos eruditos 73
    • Muçulmanos. Os ensinamentos Islâmicos foramresponsáveis por este conhecimento científico que,eventualmente, inflamaram e propulsionaram oRenascimento Europeu. Somente depois das pessoascomeçarem a afastar-se das crenças e princípios Islâmicosoriginais, é que as descobertas e os avanços científicos domundo Muçulmano entraram em decadência, caindo-sena obscuridade. 74
    • ResumoO Islão é…uma religião de justiça, paz, misericórdia eperdão, uma fé muitas vezes incompreendida edeturpada. Islão significa submeter-se à Vontade deDeus, é o caminho a seguir por aquele ou aquela queescolhe aceitar que existe um único Deus, e que ninguémmais, senão Ele, merece ser adorado. Este mundo étemporário apenas, não passa de um teste para aHumanidade, após o qual todos nós morremos eregressamos a Deus, o Tomador. A vida no Além é parasempre. Deus, a Luz, visando a orientação dos filhos deAdão (), enviou-nos os Profetas Abraão (), Moisés(), Jesus (), Muhammad (), todos os Profetas doIslão, tendo escolhido Muhammad () para ser o Seuúltimo Profeta e Mensageiro, honrando-o com oprivilégio de revelar o Alcorão por seu intermédio. OAlcorão é o discurso directo e inalterável de Deus, não apalavra de Muhammad (), um iletrado. Deus preservouo Alcorão, com os seus ensinamentos, para toda aHumanidade.Os cinco actos fundamentais de adoração Muçulmanossão os seguintes: 1. Testemunhar que não existe outra divindade, excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro; 2. Orar cinco vezes ao dia; 3. Pagar as esmolas anuais; 75
    • 4. Jejuar durante o Ramadão; 5. Ir em Peregrinação a Meca.Deus determinou que não existe compulsão alguma nareligião. Os direitos humanos e o livre arbítrio sãosagrados. No Islão, as mulheres desempenham um papeldeveras importante, sendo iguais aos homens, eexigindo-se que estes as respeitem.No Alcorão, Deus refere que completou o Islão comoreligião, destinado a toda a Humanidade, terminando,assim, o Seu auxílio para connosco. Deus preparou-nos aluz do Islão, enquanto guia para o regresso a Si daHumanidade. 76
    • Nota do EditorOs cientistas disseram-nos que o espaço contém cerca de120 biliões de galáxias. Sabemos que cada um de nós foicriado por Deus, o Magnífico, a partir de uma únicacélula. Quando penso nisto, não posso deixar de sentir-me humilde e compreender a minha extremainsignificância perante o extraordinário esplendor da Luzde Deus. Satanás jurou enganar a Humanidade,trazendo-nos a incompreensão, a animosidade, o ódio e aguerra. O motivo pelo qual cumpro a minha parte,opondo-me a Satanás, é o de agradar ao meu Senhor,promovendo a paz através da compreensão.A vida é curta e preciosa; seria trágico desperdiça-la,acumulando bens materiais, enquanto esquecemos overdadeiro objectivo da criação: adorar a Deus somente.A grande maioria das pessoas desperdiçam as suaspreciosas vidas, acumulando apenas riquezas materiaistemporárias. Através do Islão, Deus convida-nos avoltarmos para o que é eterno, o que não tem fim. No Diado Juízo Final, seremos responsáveis pelo que sabemos epelo que fizemos com o que sabemos. Seremosquestionados sobre o modo como prestámos culto.Agora, é o momento para prepararmos a resposta a dar.Este livro baseia-se em conferências que dei sobre o Islão,nas últimas duas décadas. Tal não seria possível sem amisericórdia de Deus e a ajuda e o amparo dos meus 77
    • irmãos e irmãs. Agradeço a vós, meus leitores, pelo vossotempo e interesse em compreender o Islão, a fé de umquinto da população mundial. As vossas questões sãotambém bem vindas, assim como os vossos comentários eimpressões, tendo em conta o trabalho futuro. Convido-vos a partilhar parte ou a totalidade deste material comoutros. Peço-vos apenas que não citem a informação aquicontida fora de contexto.Caso o meu trabalho tenha ofendido alguém, por favor,perdoem-me. Atendendo à minha paixão pelo Islão,exprimo fortemente a minha fé. Tenho grandeconsideração pela escolha individual e respeito asdiferenças. A compreensão e a justiça são o caminho paraa paz e, visto no Ocidente o Islão ser frequentementeentendido com uma religião de fanáticos de espíritolimitado, sinto ser vital que eu transmita a minha fénuma linguagem clara e não ambígua, para corrigir asconcepções erróneas.Que Deus vos abençoe a todos, concedendo-vosorientação. Qualquer bem que advenha deste trabalho,deve-se à benevolência de Deus e, caso eu tenha dito algoinútil, foi por defeito meu. Deus, o Altíssimo e Amante, éperfeito. 78
    • “Ó, Todo Ouvinte, protege-nos do mal e guia- nos para a verdade”.Que a paz esteja com aqueles que seguem a OrientaçãoCorrecta,Pete Seda 79