• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Semana da Poesia  em Miranda do Corvo
 

Semana da Poesia em Miranda do Corvo

on

  • 3,871 views

Ppt criado pelos alunos da EB 2,3 c/ Sec. de Miranda do Corvo.

Ppt criado pelos alunos da EB 2,3 c/ Sec. de Miranda do Corvo.

Statistics

Views

Total Views
3,871
Views on SlideShare
3,794
Embed Views
77

Actions

Likes
0
Downloads
18
Comments
0

4 Embeds 77

http://preto-nobranco.blogspot.com 44
http://preto-nobranco.blogspot.pt 18
http://www.slideshare.net 12
http://preto-nobranco.blogspot.com.br 3

Accessibility

Upload Details

Uploaded via as Microsoft PowerPoint

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Semana da Poesia  em Miranda do Corvo Semana da Poesia em Miranda do Corvo Presentation Transcript

    • 15 a 19 de Março de 2010 SEMANA DA POESIA
    • MAR PORTUGUÊS Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador. Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.                        Fernando Pessoa (Sofia Ferreira – 7ºA; Duarte – 9ºC) SEMANA DA POESIA
      • Cai chuva do céu cinzento
      • Cai chuva do céu cinzento Que não tem razão de ser. Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer. Tenho uma grande tristeza Acrescentada à que sinto. Quero dizer-ma mas pesa O quanto comigo minto. Porque verdadeiramente Não sei se estou triste ou não. E a chuva cai levemente (Porque Verlaine consente) Dentro do meu coração.
      • Fernando Pessoa
      • O Homem e o Mar
      • Homem livre, o oceano é um espelho fulgente Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado, Como em puro cristal, contemplas, retratado, Teu íntimo sentir, teu coração ardente.
      • Gostas de te banhar na tua própria imagem. Dás-lhe beijo até, e, às vezes, teus gemidos Nem sentes, ao escutar os gritos doloridos, As queixas que ele diz em mística linguagem.
      • Vós sois, ambos os dois, discretos tenebrosos; Homem, ninguém sondou teus negros paroxismos, Ó mar, ninguém conhece os teus fundos abismos; Os segredos guardam, avaros, receosos!
      • E há séculos mil, séculos inumeráveis, Que os dois vos combateis numa luta selvagem, De tal modo gostais numa luta selvagem, Eternos lutadores ó irmãos implacáveis
      • Charles Baudelaire
      • (Cláudia Ventura - 7ºE)
      • A Chuva Desce a Ladeira
      • A ÁGUA da chuva desce a ladeira. É uma água ansiosa. Faz lagos e rios pequenos, e cheira A terra a ditosa. Há muitos que contam a dor e o pranto De o amor os não qu'rer... Mas eu, que também não os tenho, o que canto É outra coisa qualquer.
      • Fernando Pessoa
    • CHOVE CHUVA Chove chuva chuva chove. Chove chuva chove cá. Já choveu uma chuvada numa chávena de chá. António Mota (Bruno Fernandes – 7ºC) SEMANA DA POESIA
    • LÁ NO ÁGUA GRANDE Lá no Água Grande a caminho da roça negritas batem que batem co'a roupa na pedra. Batem e cantam modinhas da terra. Cantam e riem em riso de mofa histórias contadas, arrastadas pelo vento. Riem alto de rijo, com a roupa na pedra e põem de branco a roupa lavada. As crianças brincam e a água canta. Brincam na água felizes... Velam no capim um negrito pequenino. E os gemidos cantados das negritas lá do rio ficam mudos lá na hora do regresso... Jazem quedos no regresso para a roça. Alda do Espírito Santo (Sara Ramos - 7ºD) SEMANA DA POESIA
      • Poema
      • Água peregrina
      • Fina-flor do vento
      • Tua voz divina
      • Dá-me ainda alento.
      • Navios antigos
      • Há muito partiram
      • Os mastros vão lindos
      • As velas caíram.
      • No cais à beira da água
      • Meus olhos perdidos
      • Escutam a mágoa
      • Dos barcos esquecidos!
      • Que força ou perdão
      • Quer ainda levar
      • Todo o coração
      • Nas ondas do mar!
      • Florbela Espanca
      SEMANA DA POESIA
    • FUNDO DO MAR No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso. Sophia de Mello Breyner Andresen (Jorge Dias - 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • VOZES DO MAR Quando o sol vai caindo sobre as águas Num nervoso delíquio d'oiro intenso, Donde vem essa voz cheia de mágoas Com que falas à terra, ó mar imenso?... Tu falas de festins, e cavalgadas De cavaleiros errantes ao luar? Falas de caravelas encantadas Que dormem em teu seio a soluçar? Tens cantos d'epopeias? Tens anseios D'amarguras? Tu tens também receios, Ó mar cheio de esperança e majestade?! Donde vem essa voz, ó mar amigo?... ... Talvez a voz do Portugal antigo, Chamando por Camões numa saudade! Florbela Espanca   (Bruna Monteiro – 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • A GOTA DE CHUVA Uma gota de chuva suspensa de um telhado. Dá-lhe sol e parece pequena maravilha. É um berlinde, dizem crianças entre si. É uma bola, e bela, mas não rebola, brilha. É a lua? Uma bolha de sabão de brincar? Um balão? Um brilhante de uma estrela vaidosa? Diz a velhinha olhando: Quem chorou esta lágrima? Uma gota de chuva suspensa de um telhado. Chegou uma andorinha engoliu-a e voou. Maria Alberta Meneres (David Ferrugento – 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • CHOVE Chove uma grossa chuva inesperada Que a tarde não pediu, mas agradece. Chove na rua já de si molhada Duma vida que é chuva e não parece. Chove, grossa e constante, Uma paz que há-de ser Uma gota invisível e distante, Na janela, a escorrer…   Miguel Torga    (Ana Cristina Dias - 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • ONDINAS SUBINDO NO AR Vão cantando As águas do ribeiro Saltitando Nos seixos rolando Vai o dia Sendo Tão ligeiro… E a ondina Rindo, a mergulhar Vou ouvindo Seu riso tinindo Cristalina Na água a brilhar… Água em cascata Sininhos de prata E gotas d´água Subindo no ar Maria Luísa Barreto (Laura Duarte – 7ºD) SEMANA DA POESIA
      • Onde me levas, rio que cantei,
      • Onde me levas, rio que cantei, esperança destes olhos que molhei de pura solidão e desencanto? Onde me levas, que me custa tanto.
      • Não quero que conduzas ao silêncio duma noite maior e mais completa. Com anjos tristes a medir os gestos da hora mais contrária e mais secreta.
      • Deixa-me na terra de sabor amargo como o coração dos frutos bravos. Pátria minha de fundos desenganos, mas com sonhos, com prantos, com espasmos.
      • Canção, vai para além de quanto escrevo e rasga esta sombra que me cerca. Há outra fase na vida transbordante: que seja nessa face que me perca.
      • Eugénio de Andrade
      • ( Mariana Simões, nº 14 - 8º B)
      SEMANA DA POESIA
      • Oh, rio
      • Rio que desce as escadas do mundo a fervilhar
      • Entre as montanhas de emoções
      • deixadas nas rochas a chorar!
      • Pobres das rochas que ainda emocionadas
      • são levadas pelo rio atropeladas!
      • -Oh, rio! Para onde me levas?
      • - Para o oceano de alegrias e perdições,
      • onde foram parar na última chuvada
      • todas as tuas paixões!
      • - Oh rio, porque me levas tu para junto delas?
      • - Para que não andes aí a chorar pelas ruelas!
      • - Oh rio, que bondoso, que bondoso que és!
      • - Bondoso sou, mas não para toda a gente:
      • aquela que me magoou ,
      • por causa de mim tudo perdeu,
      • aquele que me protegeu,
      • será sempre meu…
      • - Teu como, grande rio?
      • - Se um dia o meu senhor, deus de todos os mares, rios e ribeiros,
      • me mandar com o mundo acabar,
      • às minhas pessoas
      • não faço sofrer;
      • ensino-as a nadar.
      • Mariana Simões, nº 14 - 8º B
      SEMANA DA POESIA
      • Os rios Nasce uma fonte Rumorejante Na encosta de um monte, E, mal que do seio Da terra brotou, Logo o seu veio Transparente e diligente Buscou e achou Mais baixo lugar... Ao brotar da dura frágua, É uma lágrima... Mas esse humilde fiozinho Que um destino bom impele, Encontra pelo caminho Um outro que é como ele ... Reúnem-se, fundem-se os dois, Prosseguem de companhia, E fica dupla depois A força que os leva e guia ... Juntam-se aos dois um terceiro, Outros confluindo vão, O regato é já ribeiro, E o ribeiro é rio então ... E nada agora o domina Ao fiozinho da fonte, Entre colina e colina Ou entre um monte e outro monte. Caminha sem descansar Circula através do mundo ... Até à beira do mar Omnipotente e profundo ...
      • Augusto Gil
      • (Beatriz e Ana Sousa – 8º B; Edgar Martins - 9ºC )
      SEMANA DA POESIA
      • Cena Rio Vi inícios de canções de luz e Melodia ao Tom de Ipanema… cor ali nas graciosas esquinas rumo ao sol. Samba, bossa nova, em dias de verão, o Rio é sempre bom. Maravilhosa cidade, aquarela de temas a tingir de nostalgia as pedras do arpoador.
      • Ao final da tarde Chico encanta o mar – paisagem, vida e som –, veja que flor bela, tal Leila Diniz… vozes de Copacabana, – em letras de Assis –, lapela e Cartola,… buquês de Noel Rosa, nas cores da poesia de Drummond.
      • Rita Costa & André L. Soares
      • (Tiago Rodrigues - 9 º C)
      • Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo do pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais... Antero de Quental
      • Olhando o mar, sonho sem ter de quê
      • Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
      • Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
      • Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
      • De que me servem a verdade e a fé?
      • Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
      • Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
      • Temos esta certeza e sempre e em tudo
      • Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
      • As árvores longínquas da floresta
      • Parecem, por longínquas, 'star em festa.
      • Quanto acontece porque se não vê!
      • Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
      • Se tive amores? Já não sei se os tive.
      • Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
      • Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
      • E a vida morre enquanto o ser revive.
      • Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
      • Motivos coloridos de morrer?
      • Mas colhe rosas. Porque não colhê-la
      • Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
      • Fernando Pessoa
      • Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
      • Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
      • Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
      • (Enlaçemos as mãos).
      • Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
      • Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
      • Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
      • Mais longe que os deuses.
      • Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
      • Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
      • Mais vale saber passar silenciosamente.
      • E sem desassossegos grandes.
      • Fernando Pessoa
      • O Mondego
      • Entre as pedras livremente Vais descendo lá da serra Para vires de tangente Dar um beijo à minha terra. Rio Mondego, quero ter, A resposta verdadeira, Porque vais sempre a correr Da Estrela até à Figueira. Mas isso é velho segredo, Bem traçado nos teus planos, Escondido no arvoredo Sabe Deus, à quantos anos. Quando passas em Coimbra Ouves o fado do estudante, Sem sequer teres ainda Lá parado um só instante. Continuas o teu caminho Mostrando ser o maior, A dizer muito baixinho Um adeus a Montemor. Nos braços levas pró mar No turbilhão das tuas águas, Ao de cima a baloiçar Alegrias, dores e mágoas. À Figueira tu vais ter Após tanto caminhar E finalmente poder No Oceano descansar.
      • Ramalyo
      • (Leandro Mendes - 9ºC)
      • Eu gostaria ainda de falar
      • Da rosa brava e do mar
      • A rosa é tão delicada,
      • O mar tão impetuoso,
      • Que não sei como os juntar
      • E convidar para o chá
      • Na casa breve do poema
      • O melhor é não falar:
      • Sorrir-lhes só da janela
      • Eugénio de Andrade
      • “ Ao Mar...”
      • Água, sal e vontade – a vida! Azul – a cor do céu e da inocência. Um lenço a colorir a despedida Da galera da ausência…
      • Mar tenebroso! Mar fechado e rugoso Sobre um casto jardim adormecido! Mar de medusas que ninguém semeia, Criadas com mistério e com areia, Perfeitas de beleza e de sentido!
      • Vem a sede da terra e não se acalma! Vem a força do mundo e não te doma! Impenitente e funda, a tua alma Guarda-se no cristal duma redoma.
      • Guarda-se purificada em leve espuma, Renda da sua túnica de linho. Guarda-se aberta em sol, sagrada em bruma, Sem amor, sem ternura e sem caminho.
      • O navio do sonho foi ao fundo, E o capitão, despido, jaz ao leme, Branco nos ossos descarnados; Uma alga no peito, a flor do mundo, Uma fibra de amor que vive e treme De ouvir segredos vãos, petrificados.
      • Uma ilusão enfuna e enxuga a vela, Uma desilusão a rasga e molha; Morta a magia que pintava a tela, O mesmo olhar de há pouco já não olha.
      • Na órbita vazia um cego ouriço Pica o silêncio leve que perpassa… Pica o novo feitiço Que nasce do final de uma desgraça.
      • Mas nem corais, nem polvos, nem quimeras Sobem à tona das marés… O navio encalhado e as suas eras Lá permanecem a milhentos pés.
      • Soterrados em verde, negro e vago, Nenhum sol os aquece. Habitantes do lago Do esquecimento, só a sombra os tece…
      • Ela que és tu, anónimo oceano, Coração ciumento e namorado! Ela que és tu, arfar viril e plano, Largo como um abraço descuidado!
      • Tu, mar fechado, aberto e descoberto Com bússolas e gritos de gajeiro! Tu, mar salgado, lírico, coberto De lágrimas, iodo e nevoeiro!
      • Miguel Torga
      • ( Júlio Lopes - 8ºE)
    • ÁRVORES DO  ALENTEJO Horas mortas … Curvada aos pés do Monte A planície é um brasido … e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol posponde A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis! Olhai e vede: Também ando a gritar, morta de sede, Pedindo a Deus a minha gota de água! Florbela Espanca (Rodrigo Ferreira – 7ºD; Beatriz e Ana Sousa – 8ºB; Carolina Branco - 9ºB ) SEMANA DA POESIA
    • ÁRVORE A semente dorme na placenta, húmida, da Terra. Mas começam a percorrê-la murmúrios de água e primavera. Torna-se raiz e caule, que irrompe da sua prisão sem luz para beber os ventos e a claridade do dia. O tronco firma-se como um mastro e caminha para os céus, claros, num apelo a ninhos. Em breve, brevezinho, desfralda-se em ramos E folhas que atraem uma floração de asas e de cânticos. E a árvore começa a ser, a dar e a permitir vida. Luísa Dacosta (Maria Beatriz Silva - 7ºD ) SEMANA DA POESIA
    • ÁRVORE De muito pequenina te conheço. Lembras-te de brincarmos ao crescer? Tu me ganhavas sempre, que mais baixa fiquei eu sempre sendo, de assim ser. De muito amedrontada te conheço. Lembras-te das geadas e dos frios? Eu te ganhava sempre que fugindo em casa aconchegava os arrepios. De muito pequenina te conheço. E se algum dia me esquecer de ti, é de mim que me esqueço. Maria Alberta Menéres (Jacinta Francisco – 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • FESTA DAS ÁRVORES Cavemos a terra, plantemos nossa árvore, que amiga bondosa ela aqui nos será! Um dia, ao voltarmos pedindo-lhe abrigo, ou flores, ou frutos, ou sombras dará!   O céu generoso nos regue esta planta; o sol de Dezembro lhe dê seu calor; a terra que é boa, lhe firme as raízes e tenham as folhas frescura e verdor!   Plantemos nossa árvore, que a árvore é amiga seus ramos frondosos aqui abrirá. Um dia, ao voltarmos em busca de flores, com as flores, bons frutos e sombras dará! Arnaldo Barreto (Bruno Coelho – 7ºD) SEMANA DA POESIA
    • CADA ÁRVORE É UM SER PARA SER EM NÓS Cada árvore é um ser para ser em nós Para ver uma árvore não basta vê-a a árvore é uma lenta reverência uma presença reminiscente uma habitação perdida e encontrada. À sombra de uma árvore o tempo já não é o tempo mas a magia de um instante que começa sem fim a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas e de sombras interiores nós habitamos a árvore com a nossa respiração com a da árvore com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses.   António Ramos Rosa   (Luís Fontes – 7ºD; Beatriz Lourenço - 8ºC; Diogo Mendes – 9ºC) SEMANA DA POESIA
    • A Árvore Uma árvore floriu por detrás da casa Uma árvore dentro de Março Contra a rotina E contra o espaço Ela só capaz de flor E golpe de asa Deixai-me a árvore Por detrás da casa. Manuel Alegre (Júlio Dias – 7ºC) SEMANA DA POESIA
      • Eu, árvore, senhora do mundo
      • Eu,
      • palavra pequena que me define a mim ,
      • Senhora da amazónia, florestas tropicais e resto do mundo,
      • ordeno a vocês, reles mortais,
      • que me agradeçam de certa forma
      • e não queimem os meus pinhais.
      • Árvore,
      • Sim, sou dura de roer,
      • Que o diga o castor que me está sempre a morder.
      • Esse é outro que quando eu puder,
      • dou-lhe tal abanão que nunca mais comigo se vai meter.
      • Senhora do mundo,
      • Produtora de toda a humanidade,
      • Regadora de homens,
      • Curandeira de mulheres,
      • Guarda–sol, se quiseres!
      • Afinal este mundo é todo meu,
      • até tu te aperceberes.
      • Meu caro ser humano,
      • eu começava-me a preocupar,
      • ou tu cuidas de mim,
      • ou vou ter de te………….. abanar!
      • Ass: Árvores da coruja que a ensinou a escrever
      • Mariana Simões- 8ºB
      SEMANA DA POESIA
      • Árvores
      • Árvores negras que falais ao meu ouvido,
      • Folhas que não dormis, cheias de febre,
      • Que adeus é este adeus quem despede
      • E este pedido sem fim que o vento perde
      • E esta voz que implora, implora sempre
      • Sem que ninguém lhe tenha respondido?
      • Sophia de Mello Breyner Andresen
      • (Beatrize Ana Sousa – 8ºB; Mariana Quatorze - 7ºE)
      SEMANA DA POESIA
      • Árvore, cujo pomo, belo e brando
      • Árvore, cujo pomo, belo e brando
      • natureza de leite e sangue pinta
      • onde a pureza, de vergonha tinta
      • está virginais faces imitando;
      • nunca da ira e do vento, que arrancando
      • os troncos vão, o teu injúria sinta;
      • nem por malícia de ar te seja extinta
      • a cor, que está teu fruto debuxando.
      • Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
      • a meu contentamento, e favorece
      • com teu suave cheiro minha glória,
      • se não te celebrar como merece
      • cantando-te, sequer farei contigo
      • doce, nos casos tristes, a memória.
      • Luís Vaz de Camões
      • (Beatriz e Ana Sousa – 8ºB)
      SEMANA DA POESIA
      • Árvores
      • Parece-me que nunca ninguém há-de
      • Ver poema tão belo como a árvore. Árvore que sua boca não desferra. Do seio doce e liberal da terra. Árvore, sempre de Deus a ver imagem E erguendo em reza os braços de folhagem. Árvore que pode usar, como capelo, Ninhos de papo-ruivo no cabelo; Em cujo peito a neve esteve assente; Que vive com a chuva intimamente. Os tontos, como eu, fazem poesia; Uma árvore, só Deus é que a faria.
      • Joyce Kilmer
      • (Beatriz e Ana Sousa – 8ºB)
      SEMANA DA POESIA
      • Árvore Aberta
      • Dobrei teus pulsos a dura aranha do teu corpo a tua árvore faca que rasgou a barreira do ventre a tua face abrindo-se como um barco amei-te tempestade de ossos e de nervos contra ti contra ti exílio pátria sobre o chão e fuga  furiosa  e  suave  lâmina  animada bebida  a  jactos aranha  alta  e  linda enclavinhada destilando  o  suor  a  baba  o  vinho  a  seiva o estrépito  da  primavera de uma árvore que se abre no silêncio
      • António Ramos Rosa
      SEMANA DA POESIA
      • As árvores e os livros
      • As árvores como os livros têm folhas e margens lisas ou recortadas, e capas (isto é copas) e capítulos de flores e letras de oiro nas lombadas.· E são histórias de reis, histórias de fadas, as mais fantásticas aventuras, que se podem ler nas suas páginas, no pecíolo, no limbo, nas nervuras.· As florestas são imensas bibliotecas, e até há florestas especializadas, com faias, bétulas e um letreiro a dizer: «Floresta das zonas temperadas».· É evidente que não podes plantar no teu quarto, plátanos ou azinheiras. Para começar a construir uma biblioteca, basta um vaso de sardinheiras.   Jorge Sousa Braga
      SEMANA DA POESIA
      • Árvore Rumorosa
      •  
      • Árvore rumorosa pedestal da sombra sinal de intimidade decrescente que a primavera veste pontualmente e os olhos do poema de repente deslumbra Receptáculo anónimo do espanto capaz de encher aquele que direito à morte passa e no ar da manhã inconsequente traça o rasto desprendido do seu canto Não há inverno rigoroso que te impeça de rematar esse trabalho que começa na primeira folha que nos braços te desponta Explodiste de vida e és serenidade e imprimes no coração mais fundo da cidade a marca do princípio a que tudo remonta
      • Ruy Belo
      • ( Rúben Fernandes nº16 - 9ºB)
      SEMANA DA POESIA
      • Velhas Árvores
      • Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procedas... O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!
      • Olavo Bilac
      SEMANA DA POESIA
      • Morrem as árvores de pé?
      • Uma árvore cai! Não se (lhe) ouve um som na Natureza a morte é sempre assistida do silêncio. As outras árvores choram... e o seu pranto é mais pungente que a dor do tronco magoado, a descer lentamente por entre a vegetação, até esmagar o solo.
      • Helena de Sousa Freitas
      SEMANA DA POESIA
      • AS ÁRVORES
      • Eu espero, sim, que essas árvores cresçam. Adormeço com elas todas as noites, embalado pela sua sombra. Lembro-as de memória, sobre a relva verde. Lembro- as suas folhas, caindo de noite. Mesmo as que ainda não vi, eu espero que cresçam, que me esperem, que me abriguem nesse dia em que mais precisarei delas, ouvindo o ruído do mar não muito longe. Tenho, a cada minuto, saudades dessas árvores.
      • Francisco José Viegas
      SEMANA DA POESIA
      • No lugar da árvore
      •   No lugar da árvore. No lugar do ouvido. No lugar do chão. Unidade crepitante  no silêncio aberto no Trânsito. Tronco, calma bomba indeflagrável, dádiva da identidade.
      •  
      • António Ramos Rosa
      SEMANA DA POESIA
      • Árvore verde,  Meu pensamento Em ti se perde. Ver é dormir Neste momento.
      • Que bom não ser Estando acordado! Também em mim enverdecer Em folhas dado!
      • Tremulamente  Sentir no corpo Brisa na alma! Não ser quem sente, Mas tem a calma.
      • Eu tinha um sonho Que me encantava. Se a manhã vinha,  Como eu a odiava!
      • Volvia a noite, E o sonho a mim.  Era o meu lar, Minha alma afim.
      • Depois perdi-o. Lembro? Quem dera! Se eu nunca soube O que ele era.
      • Fernando Pessoa
      • (Diogo Simões - 9ºB)
      • Árvore
      • As árvores crescem sós. E a sós florescem. Começam por ser nada. Pouco a pouco se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo. Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos, e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se. Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores, e então crescem as flores, e as flores produzem frutos, e os frutos dão sementes, e as sementes preparam novas árvores. E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas. Sem verem, sem ouvirem, sem falarem Sós. De dia e de noite. Sempre sós. Solitárias, as árvores, exauram terra e sol silenciosamente. Não pensam, não suspiram, não se queixam. Estendem os braços como se implorassem; com o vento soltam ais como se suspirassem; e gemem, mas a queixa não é sua. Sós, sempre sós. Nas planícies, nos montes, nas florestas, A crescer e a florir sem consciência. Virtude vegetal viver a sós E entretanto dar flores.
      • António Gedeão
      • (Pedro Rodrigues – 8ºE; M afalda Ribeiro - 7ºE )
      • Eis-me aqui em Portugal
      • Nas terras onde nasci.
      • Por muito que goste delas
      • Ainda gosto mais de ti.
      •  
      • Fernando Pessoa
      • Mãe — que adormente este viver dorido, E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas atem o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem — dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava. Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe! Antero de Quental
      • Poema sobre a mãe
      • Queria o Mundo para te dar,
      • mas só tenho uma flor
      • e um coração pequenino,
      • carregadinho de amor
      • Os teus braços me acolhem
      • Sempre que eu preciso
      • É neste momento que vejo
      • Como é lindo o teu sorriso
      • Obrigado por tudo
      • Eu te agradeço neste dia
      • Tu és o meu carinho
      • Com ternura e alegria!
      • Autor anónimo
      • (Pedro Gonçalves - 9º C)
      • Poema dedicado à MÃE
      • Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado! Eu ainda não fiz viagens E a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar. Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras. Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa. Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça! Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade! Almada Negreiros
      • (Miguel Simões - 9ºB)
      • Vem Ver a Minha Mãe
      • Está junto das coisas que bordaram com ela os dias que supôs mais belos e são a fonte de onde lhe começa o branco tempo dos cabelos. Mal pousa a vida nos seus dedos gastos do sonho que pousou na minha mão e no sangue tão frágil que sustenta tanta ternura e tanta solidão. Vítor Matos e Sá
      • (João Morais - 9ºC)
      • Quando eu for pequeno, mãe, quero ouvir de novo a tua voz na campânula de som dos meus dias inquietos, apressados, fustigados pelo medo. Subirás comigo as ruas íngremes com a certeza dócil de que só o empedrado e o cansaço da subida me entregarão ao sossego do sono. Quando eu for pequeno, mãe, os teus olhos voltarão a ver nem que seja o fio do destino desenhado por uma estrela cadente no cetim azul das tardes sobre a baía dos veleiros imaginados. Quando eu for pequeno, mãe, nenhum de nós falará da morte, a não ser para confirmarmos que ela só vem quando a chamamos e que os animais fazem um círculo para sabermos de antemão que vai chegar. Quando eu for pequeno, mãe, trarei as papoilas e os búzios para a tua mesa de tricotar encontros, e então ficaremos debaixo de um alpendre a ouvir uma banda a tocar enquanto o pai ao longe nos acena, lenço branco na mão com as iniciais bordadas, anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno e a orfandade até nos olhos deixa marcas. José Jorge Letria
      • Tenho Saudades do Calor ó Mãe
      • Tenho saudades do calor ó mãe que me penteias Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo Adorna-te muito mais do que os anéis Dá-me um pouco do teu corpo como herança Uma porção do teu corpo glorioso — não o que já tenho — O que em ti já contempla o que os santos vêem nos céus Dá-me o pão do céu porque morro Faminto, morro à míngua do alto Tenho saudades dos caminhos quando me deixas Em casa. Padeço tanto Penso tanto Canto tão alto quando calculo os corpos celestes Ó infinita ó infinita mãe
      • Daniel Faria
      • (Inês Quatorze - 9ºB)
      • Poema à mãe
      • No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe!
      • Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos!
      • Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais!
      • Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz.
      • Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura!
      • Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos...
      • Mas tu esqueceste muita coisa! Esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe!
      • Olha - queres ouvir-me? -, às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos;
      • ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura;
      • ainda oiço a tua voz: "Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal..."
      • Mas - tu sabes! - a noite é enorme e todo o meu corpo cresceu...
      • Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber.
      • Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas...
      • Boa noite. Eu vou com as aves!
      • Eugénio de Andrade
      • (Mariana Simões, nº 14 - 8ºB; Catarina Alves nº6 8ºE; Carolina Dias - 7º E; Cláudia Silva – 9º B)
      SEMANA DA POESIA
      • Mãe
      • Quero te sentir como alguém, Que não tem pressa. Que se assenta ao meu lado. Que afaga meus cabelos, Que me espera falar e escutar e me escutar Que me leva a sério. Que segue meus passos, Que chora e ri comigo. Que esquece o sono por mim. Que vai comigo: Até o fim da minha estrada, Até a fonte da minha alegria Até o poço das minhas lágrimas. Que Deus te abençoe.
      • Mariane Auxiliadora
      SEMANA DA POESIA
      • Poema sobre a Mãe
      • Mãe, se fosses uma cor
      • Serias verde como a natureza,
      • Serias brilhante como o Sol,
      • Serias vermelha como o amor.
      •  
      • Mãe, se fosses um fruto
      • Serias saborosa como o morango,
      • Serias doce como a melancia,
      • Serias perfumada como um pêssego.
      •  
      • Mãe, se fosses um nome
      • Serias calor que me aconchega,
      • Serias alegria que me faz crescer,
      • Serias paciência para me aturar.
      •  
      • Mãe, se fosses um perfume
      • Serias intensa como rosas,
      • Serias tímida como as violetas,
      • Serias suave como o acordar da natureza.
      •  
      • Mãe, se fosses vida
      • Serias o ar que eu respiro!
      • Serias o alimento que me faz crescer!
      • Serias tudo para mim!
      • Soraia 4ºano - EB1Camondes
      • (Avelino Carvalho - 7ºE)
      • Para Sempre Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.
      • Carlos Drummond de Andrade
      • (Alicia Oliveira – 9ºC)
      • Mãe
      • A mãe é uma jóia Que devemos preservar Pois ela cuida da gente E nos ajuda a caminhar.
      • A mãe é como o sol Brilha a todo amanhecer Mesmo nos dias escuros Ela radia o nosso viver.
      • Mãe é uma rosa Linda, perfumada Perfeita em tudo que faz Até nas broncas que dá
      • Mãe eu não me canso de agradecer E às vezes fico pensando Se sou merecedora do seu eterno amor.
      • Vitória Potira Leonel Cremonez
      SEMANA DA POESIA
      • Um Dia...
      • Um dia, o Amor estendeu as mãos para o nada e abriu o espaço...
      • Um dia, o Amor estendeu as mãos para o homem e abriu-se o encontro... Um dia, o Amor se tornou vida de tua vida e eu existi...
      • Mãe, o céu sem confins revela-me teu amor...  A vastidão do mar fala-me da tua bondade... As altas montanhas refletem teu heroísmo... A profundeza dos vales espelha tua humildade... A beleza das flores traduz teu caminho...
      • Tudo isso encerras dentro de teu grande coração... E silenciosa, serena, sorrindo,  continuas labutando no cotidiano da vida.
      • Um dia, o Amor se tornou  vida de tua vida e eu existi.
      • Obrigado, Mãe!
      • Bruno Manuel Fernandes Antunes - 9ºc
      • Mãe:
      • Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endureceu Numa linha severa e desenhada? Como as estátuas, que são gente nossa Cansada de palavras e ternura, Assim tu me pareces no teu leito. Presença cinzelada em pedra dura, Que não tem coração dentro do peito.
      • Chamo aos gritos por ti — não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste vazio. Mãe: Abre os olhos ao menos, diz que sim! Diz que me vês ainda, que me queres. Que és a eterna mulher entre as mulheres. Que nem a morte te afastou de mim!
      • Miguel Torga
      • (Beatriz e Ana Sousa – 8ºB; Diana Lopes; Mariana Mendes - 8ºE; Joana Raquel Lobo - 7ºE; Carolina Branco, Joana Gonçalves e Diana Lopes - 9ºB )
      SEMANA DA POESIA
    • O MENINO DA SUA MÃE No plaino abandonado Que a morna brisa aquece, De balas trespassado - Duas, de lado a lado -, Jaz morto, e arrefece. Raia-lhe a farda o sangue De braços estendidos, Alvo, louro, exangue, Fita com olhar langue E cego os céus perdidos. Tão jovem! Que jovem era! (agora que idade tem?) Filho único, a mãe lhe dera Um nome e o mantivera: «O menino de sua mãe». Caiu-lhe da algibeira A cigarreira breve Dera-lhe a mãe. Está inteira. É boa a cigarreira. Ele é que já não serve. De outra algibeira, alada Ponta a roçar o solo, A brancura embainhada De um lenço... deu-lho a criada Velha que o trouxe ao colo. Lá longe, em casa, há a prece:                                         "Que volte cedo, e bem!" (Malhas que o Império tece") Jaz morto, e apodrece, O menino de sua mãe. Fernando Pessoa (Sofia Ferreira e Rodrigo Carvalho – 7ºA) SEMANA DA POESIA
    • RETRATO DA MINHA MÃE Minha mãe tem flores nos olhos. Sóis de estrelas Nas mãos, nos braços. Luas brancas são Seus seios de seda. E é grande como um mundo E eu chamo-lhe: Mãe! Matilde Rosa Araújo (Ana Rita Varandas - 7ºC) SEMANA DA POESIA
    • MARSUPIAL Ó mamã-canguru Tens tanta sorte! Escusas de juntar Como qualquer mamã-mulher No seu baú Camisas Casaquinhos Fraldas Mantas E tantas Tantas peças de agasalho Que dão tanto trabalho A coser A lavar A remendar!... Tu Canguru Transportas o baú Dentro da própria pele Forradinho do pêlo Que te aquece E aquece o teu menino. Lá o guardas Resguardas. És muito fino Canguru. Ninguém resolve o caso como tu. Alice Gomes (Ana Rita Varandas-7ºC) SEMANA DA POESIA
      • Os olhos de minha Mãe
      • Mãe, teus olhos nunca foram ditas tão belos, Quanto os são verdadeiramente! Talvez porque os homens não inventaram ainda, Palavras capazes de exprimir tanta beleza!
      • Mãe, teus olhos são iguais ao céu! Iguais na cor, (inesquecíveis e inexplicáveis). E na beleza (os teus olhos de imensa beleza! E o céu, de imensidão tão bela!)
      • Teus olhos que tanto brilham Não cabem nestes versos! Exprimir tanta beleza, só mesmo com outro olhar! Revelar tanto encanto, só com a luz do coração!
      • Mas teus olhos brilham mais! E teu olhar que ilumina meu caminho, É mais lindo e inesquecível Pois teus olhos são: a minha luz e a minha paz! André Araújo de Oliveira
      • (Patrícia Costa - 7ºE)
      • É Noite, Mãe
      • As folhas já começam a cobrir o bosque, mãe, do teu outono puro... São tantas as palavras deste amor que presas os meus lábios retiveram pra colocar na tua face, mãe!... Continuamente o bosque se define em lividez de pântanos agora, e aviva sempre mais as desprendidas folhas que tornam minha dor maior. No chão do sangue que me deste, humilde e triste, as beijo. Um dia pra contigo terei sido cruel: a minha boca, em cada latejar do vento pelos ramos, procura, seca, o teu perdão imenso... É noite, mãe: aguardo, olhos fechados, que uma qualquer manhã me ressuscite!...
      • António Salvado
      • (Rui Vaz - 9ºC)
    • FIZ UM CONTO PARA ME EMBALAR Fiz com as fadas uma aliança. A deste conto nunca contar. Mas como ainda sou criança Quero a mim própria embalar. Estavam na praia três donzelas Como três laranjas num pomar. Nenhuma sabia para qual delas Cantava o príncipe do mar. Rosas fatais, as três donzelas A mão de espuma as desfolhou. Nenhuma soube para qual delas O príncipe do mar cantou. Natália Correia ( Mariana Ferreira António – 7ºC) SEMANA DA POESIA
    • RECTAS PARALELAS
      • Não sei se foi a sonhar,
      • ou se alguém me havia dito:
      • Duas rectas paralelas,
      • só se encontram no infinito.
      • Resolvi investigar
      • esse infeliz desencontro,
      • por não existir em comum
      • nem dez, nem dois, nem um ponto.
      • Devem ser tristes, afinal
      • essas linhas da geometria,
      • que por serem paralelas
      • nunca se tocaram um dia.
      • Mas depressa percebi
      • o quanto estava errado.
      • Quantos não gostariam de ter,
      • por toda a eternidade,
      • quem caminhasse a seu lado?
      RoC 01