Semana da Poesia em Miranda do Corvo

4,022 views
3,752 views

Published on

Ppt criado pelos alunos da EB 2,3 c/ Sec. de Miranda do Corvo.

Published in: Education, Technology, Business
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
4,022
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
88
Actions
Shares
0
Downloads
22
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Semana da Poesia em Miranda do Corvo

  1. 1. 15 a 19 de Março de 2010 SEMANA DA POESIA
  2. 2. MAR PORTUGUÊS Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador. Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.                        Fernando Pessoa (Sofia Ferreira – 7ºA; Duarte – 9ºC) SEMANA DA POESIA
  3. 3. <ul><li>Cai chuva do céu cinzento </li></ul><ul><li>Cai chuva do céu cinzento Que não tem razão de ser. Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer. Tenho uma grande tristeza Acrescentada à que sinto. Quero dizer-ma mas pesa O quanto comigo minto. Porque verdadeiramente Não sei se estou triste ou não. E a chuva cai levemente (Porque Verlaine consente) Dentro do meu coração. </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul>
  4. 4. <ul><li>O Homem e o Mar </li></ul><ul><li>Homem livre, o oceano é um espelho fulgente Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado, Como em puro cristal, contemplas, retratado, Teu íntimo sentir, teu coração ardente. </li></ul><ul><li>Gostas de te banhar na tua própria imagem. Dás-lhe beijo até, e, às vezes, teus gemidos Nem sentes, ao escutar os gritos doloridos, As queixas que ele diz em mística linguagem. </li></ul><ul><li>Vós sois, ambos os dois, discretos tenebrosos; Homem, ninguém sondou teus negros paroxismos, Ó mar, ninguém conhece os teus fundos abismos; Os segredos guardam, avaros, receosos! </li></ul><ul><li>E há séculos mil, séculos inumeráveis, Que os dois vos combateis numa luta selvagem, De tal modo gostais numa luta selvagem, Eternos lutadores ó irmãos implacáveis </li></ul><ul><li>Charles Baudelaire </li></ul><ul><li>(Cláudia Ventura - 7ºE) </li></ul>
  5. 5. <ul><li>A Chuva Desce a Ladeira </li></ul><ul><li>A ÁGUA da chuva desce a ladeira. É uma água ansiosa. Faz lagos e rios pequenos, e cheira A terra a ditosa. Há muitos que contam a dor e o pranto De o amor os não qu'rer... Mas eu, que também não os tenho, o que canto É outra coisa qualquer. </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul>
  6. 6. CHOVE CHUVA Chove chuva chuva chove. Chove chuva chove cá. Já choveu uma chuvada numa chávena de chá. António Mota (Bruno Fernandes – 7ºC) SEMANA DA POESIA
  7. 7. LÁ NO ÁGUA GRANDE Lá no Água Grande a caminho da roça negritas batem que batem co'a roupa na pedra. Batem e cantam modinhas da terra. Cantam e riem em riso de mofa histórias contadas, arrastadas pelo vento. Riem alto de rijo, com a roupa na pedra e põem de branco a roupa lavada. As crianças brincam e a água canta. Brincam na água felizes... Velam no capim um negrito pequenino. E os gemidos cantados das negritas lá do rio ficam mudos lá na hora do regresso... Jazem quedos no regresso para a roça. Alda do Espírito Santo (Sara Ramos - 7ºD) SEMANA DA POESIA
  8. 8. <ul><li>Poema </li></ul><ul><li>Água peregrina </li></ul><ul><li>Fina-flor do vento </li></ul><ul><li>Tua voz divina </li></ul><ul><li>Dá-me ainda alento. </li></ul><ul><li>Navios antigos </li></ul><ul><li>Há muito partiram </li></ul><ul><li>Os mastros vão lindos </li></ul><ul><li>As velas caíram. </li></ul><ul><li>No cais à beira da água </li></ul><ul><li>Meus olhos perdidos </li></ul><ul><li>Escutam a mágoa </li></ul><ul><li>Dos barcos esquecidos! </li></ul><ul><li>Que força ou perdão </li></ul><ul><li>Quer ainda levar </li></ul><ul><li>Todo o coração </li></ul><ul><li>Nas ondas do mar! </li></ul><ul><li>Florbela Espanca </li></ul>SEMANA DA POESIA
  9. 9. FUNDO DO MAR No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso. Sophia de Mello Breyner Andresen (Jorge Dias - 7ºD) SEMANA DA POESIA
  10. 10. VOZES DO MAR Quando o sol vai caindo sobre as águas Num nervoso delíquio d'oiro intenso, Donde vem essa voz cheia de mágoas Com que falas à terra, ó mar imenso?... Tu falas de festins, e cavalgadas De cavaleiros errantes ao luar? Falas de caravelas encantadas Que dormem em teu seio a soluçar? Tens cantos d'epopeias? Tens anseios D'amarguras? Tu tens também receios, Ó mar cheio de esperança e majestade?! Donde vem essa voz, ó mar amigo?... ... Talvez a voz do Portugal antigo, Chamando por Camões numa saudade! Florbela Espanca   (Bruna Monteiro – 7ºD) SEMANA DA POESIA
  11. 11. A GOTA DE CHUVA Uma gota de chuva suspensa de um telhado. Dá-lhe sol e parece pequena maravilha. É um berlinde, dizem crianças entre si. É uma bola, e bela, mas não rebola, brilha. É a lua? Uma bolha de sabão de brincar? Um balão? Um brilhante de uma estrela vaidosa? Diz a velhinha olhando: Quem chorou esta lágrima? Uma gota de chuva suspensa de um telhado. Chegou uma andorinha engoliu-a e voou. Maria Alberta Meneres (David Ferrugento – 7ºD) SEMANA DA POESIA
  12. 12. CHOVE Chove uma grossa chuva inesperada Que a tarde não pediu, mas agradece. Chove na rua já de si molhada Duma vida que é chuva e não parece. Chove, grossa e constante, Uma paz que há-de ser Uma gota invisível e distante, Na janela, a escorrer…   Miguel Torga    (Ana Cristina Dias - 7ºD) SEMANA DA POESIA
  13. 13. ONDINAS SUBINDO NO AR Vão cantando As águas do ribeiro Saltitando Nos seixos rolando Vai o dia Sendo Tão ligeiro… E a ondina Rindo, a mergulhar Vou ouvindo Seu riso tinindo Cristalina Na água a brilhar… Água em cascata Sininhos de prata E gotas d´água Subindo no ar Maria Luísa Barreto (Laura Duarte – 7ºD) SEMANA DA POESIA
  14. 14. <ul><li>Onde me levas, rio que cantei, </li></ul><ul><li>Onde me levas, rio que cantei, esperança destes olhos que molhei de pura solidão e desencanto? Onde me levas, que me custa tanto. </li></ul><ul><li>Não quero que conduzas ao silêncio duma noite maior e mais completa. Com anjos tristes a medir os gestos da hora mais contrária e mais secreta. </li></ul><ul><li>Deixa-me na terra de sabor amargo como o coração dos frutos bravos. Pátria minha de fundos desenganos, mas com sonhos, com prantos, com espasmos. </li></ul><ul><li>Canção, vai para além de quanto escrevo e rasga esta sombra que me cerca. Há outra fase na vida transbordante: que seja nessa face que me perca. </li></ul><ul><li>Eugénio de Andrade </li></ul><ul><li>( Mariana Simões, nº 14 - 8º B) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  15. 15. <ul><li>Oh, rio </li></ul><ul><li>Rio que desce as escadas do mundo a fervilhar </li></ul><ul><li>Entre as montanhas de emoções </li></ul><ul><li>deixadas nas rochas a chorar! </li></ul><ul><li>Pobres das rochas que ainda emocionadas </li></ul><ul><li>são levadas pelo rio atropeladas! </li></ul><ul><li>-Oh, rio! Para onde me levas? </li></ul><ul><li>- Para o oceano de alegrias e perdições, </li></ul><ul><li>onde foram parar na última chuvada </li></ul><ul><li>todas as tuas paixões! </li></ul><ul><li>- Oh rio, porque me levas tu para junto delas? </li></ul><ul><li>- Para que não andes aí a chorar pelas ruelas! </li></ul><ul><li>- Oh rio, que bondoso, que bondoso que és! </li></ul><ul><li>- Bondoso sou, mas não para toda a gente: </li></ul><ul><li>aquela que me magoou , </li></ul><ul><li>por causa de mim tudo perdeu, </li></ul><ul><li>aquele que me protegeu, </li></ul><ul><li>será sempre meu… </li></ul><ul><li>- Teu como, grande rio? </li></ul><ul><li>- Se um dia o meu senhor, deus de todos os mares, rios e ribeiros, </li></ul><ul><li>me mandar com o mundo acabar, </li></ul><ul><li>às minhas pessoas </li></ul><ul><li>não faço sofrer; </li></ul><ul><li>ensino-as a nadar. </li></ul><ul><li>Mariana Simões, nº 14 - 8º B </li></ul>SEMANA DA POESIA
  16. 16. <ul><li>Os rios Nasce uma fonte Rumorejante Na encosta de um monte, E, mal que do seio Da terra brotou, Logo o seu veio Transparente e diligente Buscou e achou Mais baixo lugar... Ao brotar da dura frágua, É uma lágrima... Mas esse humilde fiozinho Que um destino bom impele, Encontra pelo caminho Um outro que é como ele ... Reúnem-se, fundem-se os dois, Prosseguem de companhia, E fica dupla depois A força que os leva e guia ... Juntam-se aos dois um terceiro, Outros confluindo vão, O regato é já ribeiro, E o ribeiro é rio então ... E nada agora o domina Ao fiozinho da fonte, Entre colina e colina Ou entre um monte e outro monte. Caminha sem descansar Circula através do mundo ... Até à beira do mar Omnipotente e profundo ... </li></ul><ul><li>Augusto Gil </li></ul><ul><li>(Beatriz e Ana Sousa – 8º B; Edgar Martins - 9ºC ) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  17. 17. <ul><li>Cena Rio Vi inícios de canções de luz e Melodia ao Tom de Ipanema… cor ali nas graciosas esquinas rumo ao sol. Samba, bossa nova, em dias de verão, o Rio é sempre bom. Maravilhosa cidade, aquarela de temas a tingir de nostalgia as pedras do arpoador. </li></ul><ul><li>Ao final da tarde Chico encanta o mar – paisagem, vida e som –, veja que flor bela, tal Leila Diniz… vozes de Copacabana, – em letras de Assis –, lapela e Cartola,… buquês de Noel Rosa, nas cores da poesia de Drummond. </li></ul><ul><li>Rita Costa & André L. Soares </li></ul><ul><li>(Tiago Rodrigues - 9 º C) </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo do pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais... Antero de Quental </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Olhando o mar, sonho sem ter de quê </li></ul><ul><li>Olhando o mar, sonho sem ter de quê. </li></ul><ul><li>Nada no mar, salvo o ser mar, se vê. </li></ul><ul><li>Mas de se nada ver quanto a alma sonha! </li></ul><ul><li>De que me servem a verdade e a fé? </li></ul><ul><li>Ver claro! Quantos, que fatais erramos, </li></ul><ul><li>Em ruas ou em estradas ou sob ramos, </li></ul><ul><li>Temos esta certeza e sempre e em tudo </li></ul><ul><li>Sonhamos e sonhamos e sonhamos. </li></ul><ul><li>As árvores longínquas da floresta </li></ul><ul><li>Parecem, por longínquas, 'star em festa. </li></ul><ul><li>Quanto acontece porque se não vê! </li></ul><ul><li>Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta. </li></ul><ul><li>Se tive amores? Já não sei se os tive. </li></ul><ul><li>Quem ontem fui já hoje em mim não vive. </li></ul><ul><li>Bebe, que tudo é líquido e embriaga, </li></ul><ul><li>E a vida morre enquanto o ser revive. </li></ul><ul><li>Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser </li></ul><ul><li>Motivos coloridos de morrer? </li></ul><ul><li>Mas colhe rosas. Porque não colhê-la </li></ul><ul><li>Se te agrada e tudo é deixar de o haver? </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. </li></ul><ul><li>Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos </li></ul><ul><li>Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. </li></ul><ul><li>(Enlaçemos as mãos). </li></ul><ul><li>Depois pensemos, crianças adultas, que a vida </li></ul><ul><li>Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, </li></ul><ul><li>Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado, </li></ul><ul><li>Mais longe que os deuses. </li></ul><ul><li>Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. </li></ul><ul><li>Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. </li></ul><ul><li>Mais vale saber passar silenciosamente. </li></ul><ul><li>E sem desassossegos grandes. </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul>
  21. 21. <ul><li>O Mondego </li></ul><ul><li>Entre as pedras livremente Vais descendo lá da serra Para vires de tangente Dar um beijo à minha terra. Rio Mondego, quero ter, A resposta verdadeira, Porque vais sempre a correr Da Estrela até à Figueira. Mas isso é velho segredo, Bem traçado nos teus planos, Escondido no arvoredo Sabe Deus, à quantos anos. Quando passas em Coimbra Ouves o fado do estudante, Sem sequer teres ainda Lá parado um só instante. Continuas o teu caminho Mostrando ser o maior, A dizer muito baixinho Um adeus a Montemor. Nos braços levas pró mar No turbilhão das tuas águas, Ao de cima a baloiçar Alegrias, dores e mágoas. À Figueira tu vais ter Após tanto caminhar E finalmente poder No Oceano descansar. </li></ul><ul><li>Ramalyo </li></ul><ul><li>(Leandro Mendes - 9ºC) </li></ul>
  22. 22. <ul><li>Eu gostaria ainda de falar </li></ul><ul><li>Da rosa brava e do mar </li></ul><ul><li>A rosa é tão delicada, </li></ul><ul><li>O mar tão impetuoso, </li></ul><ul><li>Que não sei como os juntar </li></ul><ul><li>E convidar para o chá </li></ul><ul><li>Na casa breve do poema </li></ul><ul><li>O melhor é não falar: </li></ul><ul><li>Sorrir-lhes só da janela </li></ul><ul><li>Eugénio de Andrade </li></ul>
  23. 23. <ul><li>“ Ao Mar...” </li></ul><ul><li>Água, sal e vontade – a vida! Azul – a cor do céu e da inocência. Um lenço a colorir a despedida Da galera da ausência… </li></ul><ul><li>Mar tenebroso! Mar fechado e rugoso Sobre um casto jardim adormecido! Mar de medusas que ninguém semeia, Criadas com mistério e com areia, Perfeitas de beleza e de sentido! </li></ul><ul><li>Vem a sede da terra e não se acalma! Vem a força do mundo e não te doma! Impenitente e funda, a tua alma Guarda-se no cristal duma redoma. </li></ul><ul><li>Guarda-se purificada em leve espuma, Renda da sua túnica de linho. Guarda-se aberta em sol, sagrada em bruma, Sem amor, sem ternura e sem caminho. </li></ul><ul><li>O navio do sonho foi ao fundo, E o capitão, despido, jaz ao leme, Branco nos ossos descarnados; Uma alga no peito, a flor do mundo, Uma fibra de amor que vive e treme De ouvir segredos vãos, petrificados. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Uma ilusão enfuna e enxuga a vela, Uma desilusão a rasga e molha; Morta a magia que pintava a tela, O mesmo olhar de há pouco já não olha. </li></ul><ul><li>Na órbita vazia um cego ouriço Pica o silêncio leve que perpassa… Pica o novo feitiço Que nasce do final de uma desgraça. </li></ul><ul><li>Mas nem corais, nem polvos, nem quimeras Sobem à tona das marés… O navio encalhado e as suas eras Lá permanecem a milhentos pés. </li></ul><ul><li>Soterrados em verde, negro e vago, Nenhum sol os aquece. Habitantes do lago Do esquecimento, só a sombra os tece… </li></ul><ul><li>Ela que és tu, anónimo oceano, Coração ciumento e namorado! Ela que és tu, arfar viril e plano, Largo como um abraço descuidado! </li></ul><ul><li>Tu, mar fechado, aberto e descoberto Com bússolas e gritos de gajeiro! Tu, mar salgado, lírico, coberto De lágrimas, iodo e nevoeiro! </li></ul><ul><li>Miguel Torga </li></ul><ul><li>( Júlio Lopes - 8ºE) </li></ul>
  25. 25. ÁRVORES DO  ALENTEJO Horas mortas … Curvada aos pés do Monte A planície é um brasido … e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol posponde A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis! Olhai e vede: Também ando a gritar, morta de sede, Pedindo a Deus a minha gota de água! Florbela Espanca (Rodrigo Ferreira – 7ºD; Beatriz e Ana Sousa – 8ºB; Carolina Branco - 9ºB ) SEMANA DA POESIA
  26. 26. ÁRVORE A semente dorme na placenta, húmida, da Terra. Mas começam a percorrê-la murmúrios de água e primavera. Torna-se raiz e caule, que irrompe da sua prisão sem luz para beber os ventos e a claridade do dia. O tronco firma-se como um mastro e caminha para os céus, claros, num apelo a ninhos. Em breve, brevezinho, desfralda-se em ramos E folhas que atraem uma floração de asas e de cânticos. E a árvore começa a ser, a dar e a permitir vida. Luísa Dacosta (Maria Beatriz Silva - 7ºD ) SEMANA DA POESIA
  27. 27. ÁRVORE De muito pequenina te conheço. Lembras-te de brincarmos ao crescer? Tu me ganhavas sempre, que mais baixa fiquei eu sempre sendo, de assim ser. De muito amedrontada te conheço. Lembras-te das geadas e dos frios? Eu te ganhava sempre que fugindo em casa aconchegava os arrepios. De muito pequenina te conheço. E se algum dia me esquecer de ti, é de mim que me esqueço. Maria Alberta Menéres (Jacinta Francisco – 7ºD) SEMANA DA POESIA
  28. 28. FESTA DAS ÁRVORES Cavemos a terra, plantemos nossa árvore, que amiga bondosa ela aqui nos será! Um dia, ao voltarmos pedindo-lhe abrigo, ou flores, ou frutos, ou sombras dará!   O céu generoso nos regue esta planta; o sol de Dezembro lhe dê seu calor; a terra que é boa, lhe firme as raízes e tenham as folhas frescura e verdor!   Plantemos nossa árvore, que a árvore é amiga seus ramos frondosos aqui abrirá. Um dia, ao voltarmos em busca de flores, com as flores, bons frutos e sombras dará! Arnaldo Barreto (Bruno Coelho – 7ºD) SEMANA DA POESIA
  29. 29. CADA ÁRVORE É UM SER PARA SER EM NÓS Cada árvore é um ser para ser em nós Para ver uma árvore não basta vê-a a árvore é uma lenta reverência uma presença reminiscente uma habitação perdida e encontrada. À sombra de uma árvore o tempo já não é o tempo mas a magia de um instante que começa sem fim a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas e de sombras interiores nós habitamos a árvore com a nossa respiração com a da árvore com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses.   António Ramos Rosa   (Luís Fontes – 7ºD; Beatriz Lourenço - 8ºC; Diogo Mendes – 9ºC) SEMANA DA POESIA
  30. 30. A Árvore Uma árvore floriu por detrás da casa Uma árvore dentro de Março Contra a rotina E contra o espaço Ela só capaz de flor E golpe de asa Deixai-me a árvore Por detrás da casa. Manuel Alegre (Júlio Dias – 7ºC) SEMANA DA POESIA
  31. 31. <ul><li>Eu, árvore, senhora do mundo </li></ul><ul><li>Eu, </li></ul><ul><li>palavra pequena que me define a mim , </li></ul><ul><li>Senhora da amazónia, florestas tropicais e resto do mundo, </li></ul><ul><li>ordeno a vocês, reles mortais, </li></ul><ul><li>que me agradeçam de certa forma </li></ul><ul><li>e não queimem os meus pinhais. </li></ul><ul><li>Árvore, </li></ul><ul><li>Sim, sou dura de roer, </li></ul><ul><li>Que o diga o castor que me está sempre a morder. </li></ul><ul><li>Esse é outro que quando eu puder, </li></ul><ul><li>dou-lhe tal abanão que nunca mais comigo se vai meter. </li></ul><ul><li>Senhora do mundo, </li></ul><ul><li>Produtora de toda a humanidade, </li></ul><ul><li>Regadora de homens, </li></ul><ul><li>Curandeira de mulheres, </li></ul><ul><li>Guarda–sol, se quiseres! </li></ul><ul><li>Afinal este mundo é todo meu, </li></ul><ul><li>até tu te aperceberes. </li></ul><ul><li>Meu caro ser humano, </li></ul><ul><li>eu começava-me a preocupar, </li></ul><ul><li>ou tu cuidas de mim, </li></ul><ul><li>ou vou ter de te………….. abanar! </li></ul><ul><li>Ass: Árvores da coruja que a ensinou a escrever </li></ul><ul><li>Mariana Simões- 8ºB </li></ul>SEMANA DA POESIA
  32. 32. <ul><li>Árvores </li></ul><ul><li>Árvores negras que falais ao meu ouvido, </li></ul><ul><li>Folhas que não dormis, cheias de febre, </li></ul><ul><li>Que adeus é este adeus quem despede </li></ul><ul><li>E este pedido sem fim que o vento perde </li></ul><ul><li>E esta voz que implora, implora sempre </li></ul><ul><li>Sem que ninguém lhe tenha respondido? </li></ul><ul><li>Sophia de Mello Breyner Andresen </li></ul><ul><li>(Beatrize Ana Sousa – 8ºB; Mariana Quatorze - 7ºE) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  33. 33. <ul><li>Árvore, cujo pomo, belo e brando </li></ul><ul><li>Árvore, cujo pomo, belo e brando </li></ul><ul><li>natureza de leite e sangue pinta </li></ul><ul><li>onde a pureza, de vergonha tinta </li></ul><ul><li>está virginais faces imitando; </li></ul><ul><li>nunca da ira e do vento, que arrancando </li></ul><ul><li>os troncos vão, o teu injúria sinta; </li></ul><ul><li>nem por malícia de ar te seja extinta </li></ul><ul><li>a cor, que está teu fruto debuxando. </li></ul><ul><li>Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo </li></ul><ul><li>a meu contentamento, e favorece </li></ul><ul><li>com teu suave cheiro minha glória, </li></ul><ul><li>se não te celebrar como merece </li></ul><ul><li>cantando-te, sequer farei contigo </li></ul><ul><li>doce, nos casos tristes, a memória. </li></ul><ul><li>Luís Vaz de Camões </li></ul><ul><li>(Beatriz e Ana Sousa – 8ºB) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  34. 34. <ul><li>Árvores </li></ul><ul><li>Parece-me que nunca ninguém há-de </li></ul><ul><li>Ver poema tão belo como a árvore. Árvore que sua boca não desferra. Do seio doce e liberal da terra. Árvore, sempre de Deus a ver imagem E erguendo em reza os braços de folhagem. Árvore que pode usar, como capelo, Ninhos de papo-ruivo no cabelo; Em cujo peito a neve esteve assente; Que vive com a chuva intimamente. Os tontos, como eu, fazem poesia; Uma árvore, só Deus é que a faria. </li></ul><ul><li>Joyce Kilmer </li></ul><ul><li>(Beatriz e Ana Sousa – 8ºB) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  35. 35. <ul><li>Árvore Aberta </li></ul><ul><li>Dobrei teus pulsos a dura aranha do teu corpo a tua árvore faca que rasgou a barreira do ventre a tua face abrindo-se como um barco amei-te tempestade de ossos e de nervos contra ti contra ti exílio pátria sobre o chão e fuga  furiosa  e  suave  lâmina  animada bebida  a  jactos aranha  alta  e  linda enclavinhada destilando  o  suor  a  baba  o  vinho  a  seiva o estrépito  da  primavera de uma árvore que se abre no silêncio </li></ul><ul><li>António Ramos Rosa </li></ul>SEMANA DA POESIA
  36. 36. <ul><li>As árvores e os livros </li></ul><ul><li>As árvores como os livros têm folhas e margens lisas ou recortadas, e capas (isto é copas) e capítulos de flores e letras de oiro nas lombadas.· E são histórias de reis, histórias de fadas, as mais fantásticas aventuras, que se podem ler nas suas páginas, no pecíolo, no limbo, nas nervuras.· As florestas são imensas bibliotecas, e até há florestas especializadas, com faias, bétulas e um letreiro a dizer: «Floresta das zonas temperadas».· É evidente que não podes plantar no teu quarto, plátanos ou azinheiras. Para começar a construir uma biblioteca, basta um vaso de sardinheiras.   Jorge Sousa Braga </li></ul>SEMANA DA POESIA
  37. 37. <ul><li>Árvore Rumorosa </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Árvore rumorosa pedestal da sombra sinal de intimidade decrescente que a primavera veste pontualmente e os olhos do poema de repente deslumbra Receptáculo anónimo do espanto capaz de encher aquele que direito à morte passa e no ar da manhã inconsequente traça o rasto desprendido do seu canto Não há inverno rigoroso que te impeça de rematar esse trabalho que começa na primeira folha que nos braços te desponta Explodiste de vida e és serenidade e imprimes no coração mais fundo da cidade a marca do princípio a que tudo remonta </li></ul><ul><li>Ruy Belo </li></ul><ul><li>( Rúben Fernandes nº16 - 9ºB) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  38. 38. <ul><li>Velhas Árvores </li></ul><ul><li>Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procedas... O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem! </li></ul><ul><li>Olavo Bilac </li></ul>SEMANA DA POESIA
  39. 39. <ul><li>Morrem as árvores de pé? </li></ul><ul><li>Uma árvore cai! Não se (lhe) ouve um som na Natureza a morte é sempre assistida do silêncio. As outras árvores choram... e o seu pranto é mais pungente que a dor do tronco magoado, a descer lentamente por entre a vegetação, até esmagar o solo. </li></ul><ul><li>Helena de Sousa Freitas </li></ul>SEMANA DA POESIA
  40. 40. <ul><li>AS ÁRVORES </li></ul><ul><li>Eu espero, sim, que essas árvores cresçam. Adormeço com elas todas as noites, embalado pela sua sombra. Lembro-as de memória, sobre a relva verde. Lembro- as suas folhas, caindo de noite. Mesmo as que ainda não vi, eu espero que cresçam, que me esperem, que me abriguem nesse dia em que mais precisarei delas, ouvindo o ruído do mar não muito longe. Tenho, a cada minuto, saudades dessas árvores. </li></ul><ul><li>Francisco José Viegas </li></ul>SEMANA DA POESIA
  41. 41. <ul><li>No lugar da árvore </li></ul><ul><li>  No lugar da árvore. No lugar do ouvido. No lugar do chão. Unidade crepitante  no silêncio aberto no Trânsito. Tronco, calma bomba indeflagrável, dádiva da identidade. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>António Ramos Rosa </li></ul>SEMANA DA POESIA
  42. 42. <ul><li>Árvore verde,  Meu pensamento Em ti se perde. Ver é dormir Neste momento. </li></ul><ul><li>Que bom não ser Estando acordado! Também em mim enverdecer Em folhas dado! </li></ul><ul><li>Tremulamente  Sentir no corpo Brisa na alma! Não ser quem sente, Mas tem a calma. </li></ul><ul><li>Eu tinha um sonho Que me encantava. Se a manhã vinha,  Como eu a odiava! </li></ul><ul><li>Volvia a noite, E o sonho a mim.  Era o meu lar, Minha alma afim. </li></ul><ul><li>Depois perdi-o. Lembro? Quem dera! Se eu nunca soube O que ele era. </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul><ul><li>(Diogo Simões - 9ºB) </li></ul>
  43. 43. <ul><li>Árvore </li></ul><ul><li>As árvores crescem sós. E a sós florescem. Começam por ser nada. Pouco a pouco se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo. Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos, e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se. Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores, e então crescem as flores, e as flores produzem frutos, e os frutos dão sementes, e as sementes preparam novas árvores. E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas. Sem verem, sem ouvirem, sem falarem Sós. De dia e de noite. Sempre sós. Solitárias, as árvores, exauram terra e sol silenciosamente. Não pensam, não suspiram, não se queixam. Estendem os braços como se implorassem; com o vento soltam ais como se suspirassem; e gemem, mas a queixa não é sua. Sós, sempre sós. Nas planícies, nos montes, nas florestas, A crescer e a florir sem consciência. Virtude vegetal viver a sós E entretanto dar flores. </li></ul><ul><li>António Gedeão </li></ul><ul><li>(Pedro Rodrigues – 8ºE; M afalda Ribeiro - 7ºE ) </li></ul>
  44. 44. <ul><li>Eis-me aqui em Portugal </li></ul><ul><li>Nas terras onde nasci. </li></ul><ul><li>Por muito que goste delas </li></ul><ul><li>Ainda gosto mais de ti. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Fernando Pessoa </li></ul>
  45. 45. <ul><li>Mãe — que adormente este viver dorido, E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas atem o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem — dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava. Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe! Antero de Quental </li></ul>
  46. 46. <ul><li>Poema sobre a mãe </li></ul><ul><li>Queria o Mundo para te dar, </li></ul><ul><li>mas só tenho uma flor </li></ul><ul><li>e um coração pequenino, </li></ul><ul><li>carregadinho de amor </li></ul><ul><li>Os teus braços me acolhem </li></ul><ul><li>Sempre que eu preciso </li></ul><ul><li>É neste momento que vejo </li></ul><ul><li>Como é lindo o teu sorriso </li></ul><ul><li>Obrigado por tudo </li></ul><ul><li>Eu te agradeço neste dia </li></ul><ul><li>Tu és o meu carinho </li></ul><ul><li>Com ternura e alegria! </li></ul><ul><li>Autor anónimo </li></ul><ul><li>(Pedro Gonçalves - 9º C) </li></ul>
  47. 47. <ul><li>Poema dedicado à MÃE </li></ul><ul><li>Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado! Eu ainda não fiz viagens E a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar. Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras. Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa. Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça! Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade! Almada Negreiros </li></ul><ul><li>(Miguel Simões - 9ºB) </li></ul>
  48. 48. <ul><li>Vem Ver a Minha Mãe </li></ul><ul><li>Está junto das coisas que bordaram com ela os dias que supôs mais belos e são a fonte de onde lhe começa o branco tempo dos cabelos. Mal pousa a vida nos seus dedos gastos do sonho que pousou na minha mão e no sangue tão frágil que sustenta tanta ternura e tanta solidão. Vítor Matos e Sá </li></ul><ul><li>(João Morais - 9ºC) </li></ul>
  49. 49. <ul><li>Quando eu for pequeno, mãe, quero ouvir de novo a tua voz na campânula de som dos meus dias inquietos, apressados, fustigados pelo medo. Subirás comigo as ruas íngremes com a certeza dócil de que só o empedrado e o cansaço da subida me entregarão ao sossego do sono. Quando eu for pequeno, mãe, os teus olhos voltarão a ver nem que seja o fio do destino desenhado por uma estrela cadente no cetim azul das tardes sobre a baía dos veleiros imaginados. Quando eu for pequeno, mãe, nenhum de nós falará da morte, a não ser para confirmarmos que ela só vem quando a chamamos e que os animais fazem um círculo para sabermos de antemão que vai chegar. Quando eu for pequeno, mãe, trarei as papoilas e os búzios para a tua mesa de tricotar encontros, e então ficaremos debaixo de um alpendre a ouvir uma banda a tocar enquanto o pai ao longe nos acena, lenço branco na mão com as iniciais bordadas, anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno e a orfandade até nos olhos deixa marcas. José Jorge Letria </li></ul>
  50. 50. <ul><li>Tenho Saudades do Calor ó Mãe </li></ul><ul><li>Tenho saudades do calor ó mãe que me penteias Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo Adorna-te muito mais do que os anéis Dá-me um pouco do teu corpo como herança Uma porção do teu corpo glorioso — não o que já tenho — O que em ti já contempla o que os santos vêem nos céus Dá-me o pão do céu porque morro Faminto, morro à míngua do alto Tenho saudades dos caminhos quando me deixas Em casa. Padeço tanto Penso tanto Canto tão alto quando calculo os corpos celestes Ó infinita ó infinita mãe </li></ul><ul><li>Daniel Faria </li></ul><ul><li>(Inês Quatorze - 9ºB) </li></ul>
  51. 51. <ul><li>Poema à mãe </li></ul><ul><li>No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe! </li></ul><ul><li>Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos! </li></ul><ul><li>Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais! </li></ul><ul><li>Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz. </li></ul><ul><li>Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura! </li></ul><ul><li>Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos... </li></ul><ul><li>Mas tu esqueceste muita coisa! Esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! </li></ul><ul><li>Olha - queres ouvir-me? -, às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; </li></ul><ul><li>ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; </li></ul><ul><li>ainda oiço a tua voz: &quot;Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal...&quot; </li></ul><ul><li>Mas - tu sabes! - a noite é enorme e todo o meu corpo cresceu... </li></ul><ul><li>Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber. </li></ul><ul><li>Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas... </li></ul><ul><li>Boa noite. Eu vou com as aves! </li></ul><ul><li>Eugénio de Andrade </li></ul><ul><li>(Mariana Simões, nº 14 - 8ºB; Catarina Alves nº6 8ºE; Carolina Dias - 7º E; Cláudia Silva – 9º B) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  52. 52. <ul><li>Mãe </li></ul><ul><li>Quero te sentir como alguém, Que não tem pressa. Que se assenta ao meu lado. Que afaga meus cabelos, Que me espera falar e escutar e me escutar Que me leva a sério. Que segue meus passos, Que chora e ri comigo. Que esquece o sono por mim. Que vai comigo: Até o fim da minha estrada, Até a fonte da minha alegria Até o poço das minhas lágrimas. Que Deus te abençoe. </li></ul><ul><li>Mariane Auxiliadora </li></ul>SEMANA DA POESIA
  53. 53. <ul><li>Poema sobre a Mãe </li></ul><ul><li>Mãe, se fosses uma cor </li></ul><ul><li>Serias verde como a natureza, </li></ul><ul><li>Serias brilhante como o Sol, </li></ul><ul><li>Serias vermelha como o amor. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mãe, se fosses um fruto </li></ul><ul><li>Serias saborosa como o morango, </li></ul><ul><li>Serias doce como a melancia, </li></ul><ul><li>Serias perfumada como um pêssego. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mãe, se fosses um nome </li></ul><ul><li>Serias calor que me aconchega, </li></ul><ul><li>Serias alegria que me faz crescer, </li></ul><ul><li>Serias paciência para me aturar. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mãe, se fosses um perfume </li></ul><ul><li>Serias intensa como rosas, </li></ul><ul><li>Serias tímida como as violetas, </li></ul><ul><li>Serias suave como o acordar da natureza. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mãe, se fosses vida </li></ul><ul><li>Serias o ar que eu respiro! </li></ul><ul><li>Serias o alimento que me faz crescer! </li></ul><ul><li>Serias tudo para mim! </li></ul><ul><li>Soraia 4ºano - EB1Camondes </li></ul><ul><li>(Avelino Carvalho - 7ºE) </li></ul>
  54. 54. <ul><li>Para Sempre Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. </li></ul><ul><li>Carlos Drummond de Andrade </li></ul><ul><li>(Alicia Oliveira – 9ºC) </li></ul>
  55. 55. <ul><li>Mãe </li></ul><ul><li>A mãe é uma jóia Que devemos preservar Pois ela cuida da gente E nos ajuda a caminhar. </li></ul><ul><li>A mãe é como o sol Brilha a todo amanhecer Mesmo nos dias escuros Ela radia o nosso viver. </li></ul><ul><li>Mãe é uma rosa Linda, perfumada Perfeita em tudo que faz Até nas broncas que dá </li></ul><ul><li>Mãe eu não me canso de agradecer E às vezes fico pensando Se sou merecedora do seu eterno amor. </li></ul><ul><li>Vitória Potira Leonel Cremonez </li></ul>SEMANA DA POESIA
  56. 56. <ul><li>Um Dia... </li></ul><ul><li>Um dia, o Amor estendeu as mãos para o nada e abriu o espaço... </li></ul><ul><li>Um dia, o Amor estendeu as mãos para o homem e abriu-se o encontro... Um dia, o Amor se tornou vida de tua vida e eu existi... </li></ul><ul><li>Mãe, o céu sem confins revela-me teu amor...  A vastidão do mar fala-me da tua bondade... As altas montanhas refletem teu heroísmo... A profundeza dos vales espelha tua humildade... A beleza das flores traduz teu caminho... </li></ul><ul><li>Tudo isso encerras dentro de teu grande coração... E silenciosa, serena, sorrindo,  continuas labutando no cotidiano da vida. </li></ul><ul><li>Um dia, o Amor se tornou  vida de tua vida e eu existi. </li></ul><ul><li>Obrigado, Mãe! </li></ul><ul><li>Bruno Manuel Fernandes Antunes - 9ºc </li></ul>
  57. 57. <ul><li>Mãe: </li></ul><ul><li>Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endureceu Numa linha severa e desenhada? Como as estátuas, que são gente nossa Cansada de palavras e ternura, Assim tu me pareces no teu leito. Presença cinzelada em pedra dura, Que não tem coração dentro do peito. </li></ul><ul><li>Chamo aos gritos por ti — não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste vazio. Mãe: Abre os olhos ao menos, diz que sim! Diz que me vês ainda, que me queres. Que és a eterna mulher entre as mulheres. Que nem a morte te afastou de mim! </li></ul><ul><li>Miguel Torga </li></ul><ul><li>(Beatriz e Ana Sousa – 8ºB; Diana Lopes; Mariana Mendes - 8ºE; Joana Raquel Lobo - 7ºE; Carolina Branco, Joana Gonçalves e Diana Lopes - 9ºB ) </li></ul>SEMANA DA POESIA
  58. 58. O MENINO DA SUA MÃE No plaino abandonado Que a morna brisa aquece, De balas trespassado - Duas, de lado a lado -, Jaz morto, e arrefece. Raia-lhe a farda o sangue De braços estendidos, Alvo, louro, exangue, Fita com olhar langue E cego os céus perdidos. Tão jovem! Que jovem era! (agora que idade tem?) Filho único, a mãe lhe dera Um nome e o mantivera: «O menino de sua mãe». Caiu-lhe da algibeira A cigarreira breve Dera-lhe a mãe. Está inteira. É boa a cigarreira. Ele é que já não serve. De outra algibeira, alada Ponta a roçar o solo, A brancura embainhada De um lenço... deu-lho a criada Velha que o trouxe ao colo. Lá longe, em casa, há a prece:                                         &quot;Que volte cedo, e bem!&quot; (Malhas que o Império tece&quot;) Jaz morto, e apodrece, O menino de sua mãe. Fernando Pessoa (Sofia Ferreira e Rodrigo Carvalho – 7ºA) SEMANA DA POESIA
  59. 59. RETRATO DA MINHA MÃE Minha mãe tem flores nos olhos. Sóis de estrelas Nas mãos, nos braços. Luas brancas são Seus seios de seda. E é grande como um mundo E eu chamo-lhe: Mãe! Matilde Rosa Araújo (Ana Rita Varandas - 7ºC) SEMANA DA POESIA
  60. 60. MARSUPIAL Ó mamã-canguru Tens tanta sorte! Escusas de juntar Como qualquer mamã-mulher No seu baú Camisas Casaquinhos Fraldas Mantas E tantas Tantas peças de agasalho Que dão tanto trabalho A coser A lavar A remendar!... Tu Canguru Transportas o baú Dentro da própria pele Forradinho do pêlo Que te aquece E aquece o teu menino. Lá o guardas Resguardas. És muito fino Canguru. Ninguém resolve o caso como tu. Alice Gomes (Ana Rita Varandas-7ºC) SEMANA DA POESIA
  61. 61. <ul><li>Os olhos de minha Mãe </li></ul><ul><li>Mãe, teus olhos nunca foram ditas tão belos, Quanto os são verdadeiramente! Talvez porque os homens não inventaram ainda, Palavras capazes de exprimir tanta beleza! </li></ul><ul><li>Mãe, teus olhos são iguais ao céu! Iguais na cor, (inesquecíveis e inexplicáveis). E na beleza (os teus olhos de imensa beleza! E o céu, de imensidão tão bela!) </li></ul><ul><li>Teus olhos que tanto brilham Não cabem nestes versos! Exprimir tanta beleza, só mesmo com outro olhar! Revelar tanto encanto, só com a luz do coração! </li></ul><ul><li>Mas teus olhos brilham mais! E teu olhar que ilumina meu caminho, É mais lindo e inesquecível Pois teus olhos são: a minha luz e a minha paz! André Araújo de Oliveira </li></ul><ul><li>(Patrícia Costa - 7ºE) </li></ul>
  62. 62. <ul><li>É Noite, Mãe </li></ul><ul><li>As folhas já começam a cobrir o bosque, mãe, do teu outono puro... São tantas as palavras deste amor que presas os meus lábios retiveram pra colocar na tua face, mãe!... Continuamente o bosque se define em lividez de pântanos agora, e aviva sempre mais as desprendidas folhas que tornam minha dor maior. No chão do sangue que me deste, humilde e triste, as beijo. Um dia pra contigo terei sido cruel: a minha boca, em cada latejar do vento pelos ramos, procura, seca, o teu perdão imenso... É noite, mãe: aguardo, olhos fechados, que uma qualquer manhã me ressuscite!... </li></ul><ul><li>António Salvado </li></ul><ul><li>(Rui Vaz - 9ºC) </li></ul>
  63. 63. FIZ UM CONTO PARA ME EMBALAR Fiz com as fadas uma aliança. A deste conto nunca contar. Mas como ainda sou criança Quero a mim própria embalar. Estavam na praia três donzelas Como três laranjas num pomar. Nenhuma sabia para qual delas Cantava o príncipe do mar. Rosas fatais, as três donzelas A mão de espuma as desfolhou. Nenhuma soube para qual delas O príncipe do mar cantou. Natália Correia ( Mariana Ferreira António – 7ºC) SEMANA DA POESIA
  64. 64. RECTAS PARALELAS
  65. 65. <ul><li>Não sei se foi a sonhar, </li></ul><ul><li>ou se alguém me havia dito: </li></ul><ul><li>Duas rectas paralelas, </li></ul><ul><li>só se encontram no infinito. </li></ul>
  66. 66. <ul><li>Resolvi investigar </li></ul><ul><li>esse infeliz desencontro, </li></ul><ul><li>por não existir em comum </li></ul><ul><li>nem dez, nem dois, nem um ponto. </li></ul>
  67. 67. <ul><li>Devem ser tristes, afinal </li></ul><ul><li>essas linhas da geometria, </li></ul><ul><li>que por serem paralelas </li></ul><ul><li>nunca se tocaram um dia. </li></ul>
  68. 68. <ul><li>Mas depressa percebi </li></ul><ul><li>o quanto estava errado. </li></ul><ul><li>Quantos não gostariam de ter, </li></ul><ul><li>por toda a eternidade, </li></ul><ul><li>quem caminhasse a seu lado? </li></ul>RoC 01

×