Serviço social na área da educação   perspectivas e desafios
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Serviço social na área da educação perspectivas e desafios

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Apresentação de Simone Lessa, doutora em Serviço Social pela UFRJ e professora no Centro Universitário Uniabeu (RJ), utilizada durante o Seminário Estadual Serviço Social na Educação. O evento ...

Apresentação de Simone Lessa, doutora em Serviço Social pela UFRJ e professora no Centro Universitário Uniabeu (RJ), utilizada durante o Seminário Estadual Serviço Social na Educação. O evento foi realizado em Belo Horizonte, no dia 29 de março de 2012.

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Serviço social na área da educação   perspectivas e desafios Serviço social na área da educação perspectivas e desafios Presentation Transcript

  • SERVIÇO SOCIAL na área de EDUCAÇÃO Perspectivas e Desafios ELIZASIMONE@GMAIL.COM Simone Lessa, assistente social do Instituto deAplicação Fernando Rodrigues da Silveira – Cap/UERJ
  • Tema contemporâneopulsante:• Educação: solução para todos os problemas ?• Espaço ocupacional em expansão (não somente para o assistente social)• Efetivação complexa como política pública: precarização
  • Para pensarmos na política educacional, é preciso que compreendamos bem o conceito de política social. Partimos da ideia básica de que as políticas sociais são contradição em essência, expressão . dos conflitos entre capital e trabalho
  • Políticas educacionais são contraditórias: respondem às necessidades da acumulação,no sentido da reprodução ideológica da força de trabalho e da elevação de patamaresprodutivos, mas também podem responder àsnecessidades dos trabalhadores no sentido do domínio da ciência, da compreensão domundo e do desenvolvimento tecnológico.
  • Para pensarmos nas Políticas Educacionais• Precisamos compreendê-las historicamente, articulando-as ao mundo contemporâneo. Para isso são necessárias mediações...
  • Mediações• Diversas mediações precisam ser consideradas: nossa inserção na economia mundializada, nosso modelo de produção de Ciência, a dinâmica interna do país, os interesses conflituosos entre capital e trabalho, as relações entre o Estado e a Sociedade brasileira, as pressões dos trabalhadores e da burguesia...
  • Pensar a educação na dinâmica internacional• Este quadro guarda relação com as prescrições dos organismos internacionais para países periféricos.• Elevação dos níveis de escolaridade (à despeito da qualidade), a valorização das formações profissionais de nível básico, aligeiradas e determinadas pelo mercado de trabalho, as recomendações quanto à educação de mulheres• Consideremos, ainda, as orientações no âmbito do combate ou minimização da pobreza
  • Pensar a educação na dinâmica nacional• Qual o projeto de crescimento/desenvolvimento em voga?• Qual o “lugar” dedicado EFETIVAMENTE (para além dos discursos) à Educação como política pública?• O que a burguesia nacional espera da política educacional ? E os trabalhadores, o que esperam ?
  • Por isso, no trabalho do assistente social• Todas estas reflexões precisam ser consideradas quando pensamos nas políticas educacionais e no trabalho do Assistente Social neste âmbito.• Este não pode estar resumido ao fazer profissional imediato, sem considerarmos o contexto complexo onde este se gesta.
  • Por isso, é preciso...• Que fujamos das análises românticas, que idealizam as funções da Educação• Que não identifiquemos a Educação como “a” saída para os problemas nacionais (perspectiva Educacionista/ Kropotkin)• Que pesquisemos a área
  • Mudanças recentes: Brasil• Em processo de ampliação e popularização da Educação• Regularidade• Espaço para a chamada “inclusão”• Interfaces diversas com outras políticas sociais (saúde, trabalho, por exemplo)• Abordagem da pobreza absoluta (vide PBF)• Vinculada ao conceito de cidadania
  • Elementos históricos: sociedade burguesa contemporânea demanda (educação não pode ser “descartada”)• Ampliação dos processos de letramento e de profissionalização• Inserção/integração ao modo de produção ascendente• Respostas às demandas de organismos internacionais de financiamento
  • Mundo do trabalho demanda• Comportamentos adequados ao trabalho desprotegido• Disciplinamento/convívio coletivo• “Empreendedorismo”• Educação atitudinal
  • A “formação interessada” (Gramsci) se fortalece• A escola e a formação, portanto, mostram-se adequadas às necessidades do mundo burguês, inclusive no sentido da perpetuação da desigualdade presente no espaço extra-escolar.
  • Capitalismo marca a Educação• A Educação é atravessada pela dinâmica de classe;• A escola é uma instituição de forte viés classista, ainda que, contraditoriamente, possa ser também espaço de resistência
  • Educação na atualidade: projetos em conflito• Projeto burguês: formação estritamente para o trabalho (massa trabalhadora): interessada, alienada, conciliadora, produtivista, positivista• Projeto dos trabalhadores: formação científica, desinteressada, ampla, complexa, capaz de dialogar com o conhecimento acumulado, crítica, integral, humanista, cidadã, protetora, não discriminadora
  • Que projeto de educação tem prevalecido?• A formação tem sido limitada pelo projeto de educação das atitudes, ficando restrita ao domínio de conhecimentos muito básicos para o convívio numa sociedade que naturaliza as diferenças.• A “escola improdutiva” (FRIGOTTO, 1993), frágil, superficial, atitudinal, é produtiva para o capital (nas periferias).
  • Vejamos projetos emcurso...• Amigos da Escola e afins• Reuni• Prouni• Pronatec• Parcerias público-privado no âmbito municipal• EAD• Privatizações tradicionais ou veladas (uso de recursos públicos na rede privada)• “ONGUIZAÇÃO” da educação: descontinuidade de projetos
  • Vejamos alguns números....• 16,2 milhões vivem em extrema pobreza (70 reais/mês): como aprender assim ?• Analfabetos funcionais: 20,3% dos brasileiros (PNAD, 2009)• 9,7% é nossa taxa oficial de analfabetismo• PISA (Programa Internacional de avaliação de alunos): de 65 países ficamos em 53 em ciências e 57 em matemática• Oitava economia do mundo e 73º no ranking de IDH (longevidade, educação e renda)
  • Vejamos alguns números....• IDEducacional /Unesco (nível mundial) Brasil está em 88º• Brasil: reconhecido internacionalmente por pagar mal seus educadores e por sua péssima infra-estrutura escolar
  • Algumas respostas contemporâneas por parte do Estado...• Investimento em avaliação e não na qualidade do processo formativo• Produtivismo: premiar por resultados nas avaliações• Ações de voluntariado• Parcerias público-privado (Pronatec)• Ações Emergenciais (Brasil Alfabetizado)
  • Resistência dos trabalhadores• Educação no MST/Escola Florestan Fernandes• Lutas e efetivação de escolas públicas democráticas, acessíveis e de qualidade• Projetos de Educação Popular• Luta sindical (apesar de fragilidades)
  • As políticas educacionais são instrumentossuficientes de enfrentamento da “questão social” ?• A questão social, em suas diferentes expressões, tem estado presente no espaço educacional e tem sido objeto de ações neste campo ao longo da história. Este quadro não é novo• Vejamos as obras como “Maquinaria e Grande Indústria” (Marx), ou compêndios sobre História da Educação (Manacorda) ou sobre História da Educação Profissional (Manfredi, Cunha).
  • QUESTÃO SOCIAL eEDUCAÇÃO: vínculo histórico• O espaço educacional, portanto, sempre foi utilizado na intenção enfrentamento/minimização das sequelas da “questão social”, em especial aquelas relacionadas à pobreza.• Este dado pode ser verificado em ações que aliam práticas assistenciais ao espaço educacional, ou mesmo na proposição legal (vide a LDB, o ECA, a LOAS e Programas como o Bolsa Família, o Família Carioca e afins).
  • Serviço Social da Educação• Experiências no Sistema “S” na década de 1950 (trabalho do “menor”);• Ações na Educação Popular• Aproximação intensificada na década de 1990, com o advento de políticas que associam transferência de recursos à condicionalidade educacional
  • O trabalho do AS no espaço educacional hoje• Precisamos encarar: • Que a expansão educacional tem sido feita de modo descuidado e utilitarista; • Que as ações compensatórias têm minimizado a importância da formação; • Que a Educação não é um “fetiche”; • Que não temos todas as respostas para os reflexos da questão social na escola; • Que o campo educacional não deve comportar emergencialismos;
  • Uma educação de qualidade supõe que os processos formativos recebam suporte muito além da sala de aula• Ninguém aprende somente na sala de aula• Estudo é igual a Trabalho (Gramsci), demanda investimento longo e cuidadoso• A aprendizagem é resultado, também, das condições de vida• Estímulo vai muito além do espaço da escola
  • Demandas para a Educação• Financiamento: 10% do PIB• Melhoria de salários e equipamentos• Controle social• Participação intensa das famílias e dos estudantes nos ambientes de formação
  • Demandas para a escola(que se refletem no Serviço Social)• Acolhimento (crianças/adolescentes e famílias)• Qualidade• Abertura e diálogo com a família e a comunidade• Melhor organização da rede de apoio escolar• Controle social
  • É preciso fundamentar teoricamente a prática• É preciso conhecer o debate em torno da Educação brasileira• A inserção do assistente social no campo educacional deve se concretizar indo além das demandas da instituição (em geral restritas ao controle dos “alunos problema”)• Estimular um olhar mais totalizante em torno das expressões “questão social” no ambiente escolar: desvelar a complexidade do conceito “família/aluno” problema
  • Possibilidades...• Projetos em torno das expressões da questão social no interior da escola são importantes;• Articulação de recursos na organização de uma retaguarda de apoio aos processos educacionais;• Ações no sentido de favorecer o espaço democrático e a aproximação família-escola (inclusive na gestão escolar);• Organização de atividades de caráter multiprofissional
  • Desafios em um Colégio de Aplicação• Público: pseudo-diversidade• Questões que afligem as camadas médias urbanas na educação de seus filhos (não necessariamente relacionadas à destituição econômica)• Tensão: “escola contra família e família contra a escola”• Organização de um Programa de Bolsas (auxílio/inclusão/inserção)• Desenvolvimento de Projetos (temas transversais, direitos humanos)• Ampliação do olhar em torno das expressões da “questão social”
  • Serviço Social nos CAPs: experiência em construção• UFMA• UFJF• UF Viçosa• USP• UFRJ• Outras: IFETs
  • Educação• A democratização do acesso à escola é fundamental e necessária, mas não retira do abandono, por si só, longas faixas populacionais condenadas à não existência;
  • Pertinência da poesia de Brecht• Como pode não ser um embusteiro aquele que Ensina os famintos outras coisasQue não a maneira de abolir a fome ?
  • Referências Básicas...• FREIRE, Paulo e HORTON, Myles. O caminho se faz caminhando: conversas sobre educação e mudança social. São Pulo: Cortez, 2003• FRIGOTTO, Gaudêncio. A produtividade da escola improdutiva. SP, Cortez, 1993• ___________. Juventude, trabalho e educação no Brasil. Perplexidades, desafios e perspectivas. IN, NOVAES, Regina. Juventude e Sociedade, trabalho cultura e participação. São Paulo, Ed Perseu Abramo, 2004• MANFREDI, Silvia. Educação Profissional no Brasil. SP, Cortez, 2003• MANACORDA, Mario A. História da Educação. SP, Cortez, 2000• MARX, Karl. O capital, volumes I e III. Coleção os economistas, SP, Nova Cultural, 1987• MÉSZÁROS, Istvan. Educação Para além do capital. Boitempo; Campinas (SP): 2002.