Problematica do sector florestal em mocambique
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Problematica do sector florestal em mocambique

on

  • 1,932 views

 

Statistics

Views

Total Views
1,932
Views on SlideShare
1,932
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
6
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Problematica do sector florestal em mocambique Problematica do sector florestal em mocambique Document Transcript

  • Reflexão Sobre A Problemática do Sector Florestal em MoçambiqueIntroduçãoSuscitou-nos interesse escrever estas notas, após as últimas discussões havidas nos meios deinformação sobre a problemática florestal em Moçambique, caracterizada por vários membrosproeminentes da sociedade Moçambicana, como sendo o “take away” das madeiras de Moçambiquepara a China e outros países asiáticos.A nossa contribuição não será fazer julgamentos sobre a devastação ou não da floresta nativaMoçambicana mas sim contribuir com alguns factos que possam agregar valor na análise objectivaque se pretende.DiscussãoCom base no relatório “ global Forest Resource assessemt de 2005”, Moçambique possuía em 1990cerca de 20 milhões de hectares1 de floresta produtiva e 42.4 milhões de hectares de outras formasde floresta aberta de pouca produtividade madeireira.De acordo com esta fonte, em 2005 a superfície coberta por floresta produtiva reduziu em cerca de3.7% i.e. em 15 anos a floresta produtiva diminuiu em cerca de 740 mil hectares. Estas reduções decobertura florestal, numa média de cerca 50 mil hectares por ano, estão certamente ligadas àexploração florestal madeireira, mas não só, também aos cultivos itinerantes, cortes rasos(destronca) para implantação de projectos agrícolas, produção do tabaco, implantação de novaspovoações, impacto das queimadas e a extracção de lenha e carvão.Cruzando as áreas acima referidos e considerando o volume comercial disponível de 32m3/ha (todasas espécies comerciais)2, assumindo que somente a exploração madeireira teria causado a reduçãoda cobertura vegetal, o País teria explorado em 15 anos, 23.7 milhões de metros cúbicos de madeirai.e. 1.6 milhões m3 de madeira em toros por ano. De acordo com as estatísticas disponíveis,Moçambique tem explorado em média 200-230 mil m3/ano de toros. Portanto, estes valoressuportam a conclusão de que a redução da cobertura florestal produtiva, não foi somente causadapela exploração madeireira.Olhando para a floresta não produtiva de 42.4 milhões de hectares em 1990, esta reduziu para 40.9milhões de hectares em 2005 i.e. 3.5% em 15 anos. A redução anual foi em média de 100,000 ha.Estas reduções são consequência de outras formas de uso das florestas. Pois, estas florestas nãopossuem madeira comercial para estarem sujeitas a exploração florestal industrial. Estes resultadospodem estar a mostrar que as outras formas de uso da terra estão a contribuir para mais do que odobro da perca de cobertura vegetal reportada.Outra forma de destruição da cobertura vegetal muito comum em Moçambique, são as queimadasdescontroladas. A prática de queima de vegetação ligada a cultivos itinerantes, queima para aprotecção contra animais, queima para a caça etc., levam à degradação de áreas extensas defloresta produtiva e não produtiva. Nos últimos anos a cultura do tabaco está fortemente ligada aocorte raso de florestas para queima ou cura do tabaco, originando a limpeza de áreas extensas defloresta produtiva e não produtiva.1 Global Forest Resources Assessment 2005; page 196 ; Table 42 Inventário Nacional de Florestas,
  • Os moçambicanos continuam dependentes de energia de biomassa para o consumo doméstico.Mesmo nos centros urbanos o carvão e a lenha continuam a ser a principal fonte de energia para amaioria dos citadinos. Estima-se que cerca de 17 milhões metros cúbicos por anos são extraídos dasflorestas para fins produção de lenha e carvão para cozinha. A extracção de lenha e carvão é feitapelo método de corte raso.Os conceitos de corte raso e selectivo são importantes nesta análise. Nem todas as árvoresexistentes numa floresta têm valor comercial. Portanto os madeireiros, sendo racionais, não vãocortar aquilo que não se vende. Portanto praticam corte selectivo. As outras formas de uso defloresta praticam quase sempre o corte raso i.e. cortam tudo que tenha lenha.O sector comercial madeireiro, devido ao seu carácter selectivo na exploração e devido aosincentivos de mercado para o corte de madeira de dimensões adequadas (DAP3 maiores que 40 cm),pode ser aquele que menos contribui para a perca de cobertura vegetal pois: a) Deixa a maioria das espécies florestais no terreno, pois não as pode vender, b) Não corta as dimensões abaixo de DAP de 40 cm, pois também não são vendáveis;Contudo a exploração selectiva tem impacto negativo no esgotamento de determinadas espéciescom maior procura nos mercados internacionais.Os outros factores importantes a ponderar nestas análises são o impacto no emprego, no acesso azonas remotas (iniciação de infra-estruturas) e na contribuição para a balança de pagamento doPaís.Relativamente à região Austral de África, Moçambique mantém índices relativamente baixos de percade cobertura vegetal em floresta produtiva. A África do Sul a mostrar o nível “zero” de perca decobertura vegetal e Angola a perder cerca de 3% (Moçambique 3.7%%) ambos em 15 anos.Relativamente a floresta não produtiva Moçambique situa-se a seguir a África do Sul como País demenor perca de cobertura vegetal. Cobertura Florestal na Região – Comparação com Moçambique Floresta Variação Floresta Não Variação Produtiva Produtiva Área(1000 Área(1000 ha) ha) Países 1990 2005 ha % 1990 2005 ha % Angola 60976 59104 -1872 -3% 0 0 Botswana 13718 11934 -1784 -13% 34791 34791 0 0 Madagáscar 13692 12838 -854 -6% 21148 17054 -4094 -19% Namíbia 8762 7661 -1101 -13% 9023 8473 -550 -6% South África 9203 9203 0 0% 21409 21409 0 0% Uganda 4924 3627 -1297 -26% 1404 1150 -254 -18% Tanzânia 41441 35257 -6184 -15% 22374 4756 -17618 -79% Zâmbia 49124 42452 -6672 -14% 4081 3161 -920 -23% Zimbabwe 22234 17540 -4694 -21% 5437 Moçambique 20012 19262 -750 -4% 42419 40919 -1500 -4% Fonte: Adapatado da tabela 4, relatório Global Forest Assessment , pagina 196ConclusõesAs tendências de perca de áreas cobertas de floresta matem-se aos níveis aproximados de 0.3% aoano.3 DAP = Diâmetro à Altura do Peito Página 2 de 3
  • A floresta produtiva sujeita a exploração madeireira e outras formas de uso da terra apresenta umaperca de cerca de 50,000 ha/ano. A floresta não produtiva apresenta um índice de perca decobertura vegetal de 100,000 ha/ano resultantes de outras formas de uso da floresta e não daexploração florestal.O cultivo itinerante, a abertura de novas áreas agrícolas, a implantação de novos povoamentos; aextracção de lenha e carvão, o cultivo do tabaco, as queimadas etc., contribui ou causam mais doque o dobro, da perca de cobertura vegetal em Moçambique.È errónea a ideia de que o sector exploração florestal é o que mais contribui para a perca decobertura vegetal em Moçambique.O sector comercial madeireiro, devido ao seu carácter selectivo na exploração e devido aosincentivos de mercado para o corte de madeira de dimensões adequadas (DAP maiores que 40 cm),pode ser aquele que menos contribui para a perca de cobertura vegetal pois: c) Deixa a maioria das espécies florestais no terreno pois não as pode vender, d) Não corta as dimensões abaixo de DAP de 40 cm, pois não as pode vender;As outras formas de uso de florestas tendem a fazer cortes rasos de limpeza das áreas florestaispara outros usos da terra.Aparentemente a pressão sobre a floresta nativa irá continuar e a perca de cobertura vegetal vaicontinuar a acelerar, tendo em conta o crescimento da população e o aumento da actividadeeconómica do País. Tendo Moçambique aptidão para o reflorestamento em espécies de rápidocrescimento com maior produtividade e volume por unidade de área, Moçambique poderiaimplementar estratégias de reflorestamento para fins comerciais e energéticos. A existência demadeira oriunda de plantações florestais poderá substituir o uso da floresta nativa nas váriasutilizações incluindo para a produção de lenha e carvão. Para que as políticas económicas e sociais a adoptar sejam abrangentes, equilibradas e com impacto, seria necessário empreender a uma análise dos factores que contribuem para a perca de cobertura vegetal em Moçambique. ***Por favor contacte a SAL & Caldeira caso necessite de informação adicional: Sede DelegaçãoEndereço Av. do Zimbabwe, 1214 Av. do Poder Popular, 264Caixa Postal 2830 07Telefone +258 21 2414 00 +258 23 32 59 97Fax +258 21 49 47 10 +258 23 32 59 97E-mail admin@salconsult.com salbeira@tdm.co.mz Maputo Beira Moçambique Moçambique Página 3 de 3