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Falácias Informais - Filosofia e retórica
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Falácias Informais - Filosofia e retórica Falácias Informais - Filosofia e retórica Presentation Transcript

  • Argumentação e Retórica Disciplina de Filosofia Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima 11.º Ano Professor: Isaque Manuel Nunes Tomé www.explicatio.blogspot.com
  • Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Após a disputa entre uma retórica vã, ou ao serviço do ignóbil, do Sofista Górgias e a verdade racionalmente evidente de Platão ,
    • Aristóteles apresenta um meio termo considerando que há campos da actividade e conhecimento humano em que a verdade é substituída pelo verosímil: o domínio público, o tribunal e a política.
    • Nestes domínios não há maior vergonha do que o justo não ser capaz de se defender face ao injusto.
    • Assim, embora a retórica não seja uma actividade que desvende a verdade é, pelo menos, uma actividade de investigação e defesa do justo e do mais verosímil.
      • Argumentação:
        • O que é?
        • Para que serve?
        • Quais os seus elementos?
        • Qual a sua estrutura?
        • Qual o público a que se dirige?
        • Que mecanismos usa?
        • Quais os erros que pode cometer?
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Argumentação:
    • Visa :
      • conduzir o auditório à adesão da tese que sustenta
      • defesa face a um auditório de uma tese
    • Como? Usando razões a favor da tese que sejam persuasivas
    • Tem em conta – prevê no seu próprio discurso: possíveis objecções, contra-argumentos e refutação
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • - A argumentação pode assumir diferentes configurações e utilizar inúmeros argumentos e linguagens.
    • - Normalmente associa-se a argumentação à persuasão, mas pode assumir um carácter de refutação.
    • - O orador deve prever, no decorrer do argumentário, as possíveis objecções, contra-argumentos e linhas de refutação.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Estrutura da argumentação
    • ·   Na argumentação deve verificar-se quais os argumentos mais fortes e mais fracos
    • · Orador deve distribuir os argumentos, ou seja, seleccionar a sequência argumentativa em função do tema, da tese e do auditório:
    • do mais forte para o mais fraco;
    • do mais fraco para o mais forte;
    • o que é mais comum, iniciar e terminar com os mais fortes introduzindo entre estes os mais fracos
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Estrutura da argumentação
    • 1. tese
    • 2. argumentos
    • 3. objecções aos argumentos
    • 4. contra-objecções
    • 5. conclusão
    • 1.  tese
    • 2.  argumento A
    • 3.  objecção ou contra-argumento A
    • 4.  argumento B
    • 5.  objecção ou contra-argumento B
    • 6.   (...)
    • 7.  resposta aos contra argumentos
    • 8. conclusão
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Exemplos da Estrutura da argumentação
    • Pontual
    • Não organizada
    • Não pressupõe uma tese
    • Pede uma resposta e a continuação do diálogo
    • Dirige-se mais aos argumentos do que à tese.
    • Sistemática
    • Organizada
    • Pressupõe uma tese contrária
    • Pode pedir resposta, mas se for bem sucedida anula a tese contrária e termina com o diálogo.
    • Dirige-se sobretudo à tese que os argumentos sustentam
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica OBJECÇÃO versus REFUTAÇÃO
    • Toda a refutação:
    • é o modo de negar uma tese e os argumentos que a sustentam
    • depende, em grande parte , na sua estrutura, dos argumentos ao qual responde.
    • no domínio do diálogo e da oralidade é predominantemente improvisada e por isso menos elaborada. Ao nível escrito assume um carácter mais elaborado.
    • O orador mesmo que conduza uma argumentação pela positiva – de afirmação de uma tese – deve ter presente no seu discurso as possíveis objecções, contra-argumentos e refutações, até para os ir rebatendo ao longo do seu próprio discurso.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Na Argumentação: Quando desaparece da interacção.
    • Na Demonstração: Quando se mostra que é falsa.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Quando é que uma tese é refutada?
    •   A argumentação visa a adesão do auditório à tese que toma como válida, daí que a argumentação seja um acto de persuasão.
    • Podemos distinguir dois tipos de persuasão, a sensata e a sedutora.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica PERSUASÃO
  • Persuasão Sensata versus Sedutora
    • Assenta sobretudo no eixo da racionalidade.
    • Está estruturada sobretudo na racionalidade (Lógos) da mensagem
    • Daí que tenha sustentabilidade lógica-racional como a suficiência das provas apresentadas, a plausibilidade das premissas e a adequabilidade das premissas à conclusão.
    • Assenta no eixo da emoção e da relação.
    • Baseia-se na emoção (pathos) que desperta no auditório e no carácter (ethos) do orador, sua personalidade, credibilidade.
    • Joga com o carácter conotativo e simbólico da mensagem e das diferentes linguagens que usa, que remetem para o domínio emocional, e para valores e desejos “ocultos”, inconscientes ou não presentes directamente.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • Persuasão Sensata versus Sedutora
    • Auditório universal
    • (ad humanitatem): conjunto de todos os seres racionais.
    • Na prática os interlocutores presentes simbolizam, representam a humanidade no seu caracter lógico-racional.
    • Auditório Particular:
    • Características específicas: adolescentes; radiologistas; professores; ...
    • Tema específico
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • Argumentos e Falácias Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • Os argumentos
    • Os argumentos são peças imprescindíveis para quem pretende sustentar uma tese ou apresentar dados pró ou contra uma tese.
    • Apontaremos aqui alguns desses tipos de argumentos que podem ser utilizados.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • alguns tipos de Argumentos
    • A1) - Dedutivos: entimema
    • B) Indutivo: a generalização
    • C) Pelo exemplo e o contra-exemplo
    • D) Por analogia
    • E) Com base em causas: estabelecendo relações causais
    • F) Da autoridade
    • G) Ad hominem
    • H) Ad populum
    • I) Ad misericordiam
    • J) Quase-lógicos. J1) Transitividade; J2) Reciprocidade; J3) …
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A) Argumentos dedutivos
    • Argumentos suportados na necessidade lógica: Se as premissas são verdadeiras a conclusão é necessariamente verdadeira
    • Exemplo:
    • A fruta é rica em vitaminas
    • A maçã é fruta
    • A maçã é rica em vitaminas
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A1) Entimema
    • Argumento dedutivo que se realiza subentendendo uma das premissas.
    • Por exemplo: O aborto é um crime porque é imoral. Fica subentendido que «todos os crimes são imorais».
    • Este tipo de argumento facilmente se torna falacioso se não tivermos cuidado ao abordá-lo. Exige espírito crítico e atenção por parte do auditório.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B) Argumento indutivo
    • Chegam a uma conclusão geral, partindo de casos ou exemplos particulares, ou premissas menos extensas
    • Exemplo:
    • As maçãs, as peras, as laranjas são ricas em vitaminas.
    • Maçãs, peras em laranjas são frutas, consequentemente a fruta é rica em vitaminas
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • C) Argumento com base no exemplo
    • O exemplo impressiona razão e emoção, pois dirige-se ao homem total, que não só pensa, como sente e age.
    • Górgias: o que possui a arte da retórica tem mais sucesso do que o médico a persuadir o doente a submeter-se a um tratamento.
    • O contra-exemplo é um argumento muito eficaz como contra-argumento…
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • Outros tipos de argumentos
    • Linguísticos:
      • As metáforas,
      • alegorias,
      • parábolas
    • Modelos: Cristo, Luther King
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • D) Argumentos por analogia
    • Vão do particular ao particular
    • Pretendem mostrar que outro caso, semelhante ao primeiro em alguns aspectos conhecidos, é também semelhante noutros aspectos desconhecidos
    • Exemplo A:
    • Crianças e velhinhos são seres igualmente frágeis.
    • Devemos cuidar e amar as crianças.
    • Logo, devemos cuidar e amar os velhinhos
    • Exemplo B:
    • Os seres humanos gritam e sentem dor quando se lhes bate
    • Os animais gritam quando se lhes bate
    • Logo, os animais sentem dor quando se lhes bate.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • E) Argumentos sobre causas
    • Argumentos que mostram a relação entre dois fenómenos, em que um deles é considerado a causa/razão/origem dos outros.
    • Estabelece sem duvidas relações causais
    • Deve atender a que:
    • a) A sucessão temporal é condição necessária, mas não suficiente
    • b) A sucessão pode dever-se não um só fenómeno mas a mais do que um factor.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • F) Argumentos com base na autoridade
    • Apoiam-se no testemunho de pessoas ou instituições que são reconhecidas como possuindo conhecimentos seguros e de grande credibilidade acerca da matéria em causa
      • Exemplo A: um médico que aconselha determinado medicamento
      • Exemplo B: um académico que é refenciado como tendo tido determinada posição na sua área de saber…
      • Exemplo C: A DGS aconselha a vacinação X
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • G) Argumento ad hominem
    • Ataca o homem que argumenta,
    • - denunciando a incongruência entre as suas palavras e os seus actos, ou a incoerência/contradição lógica entre diferentes opiniões da pessoa;
    • - denunciando interesses pessoais
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • H) Argumento ad misericordiam
    • Apelo à misericórdia, à piedade, com razoabilidade
    • Exemplo:
    • No tribunal para atenuar a pena quando se pede em consideração a infância infeliz do arguido ou o seu cadastro limpo.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • I) Argumentos Quase-lógicos
    • 1. Transitividade
    • Os amigos do meus amigos meus amigos são. (+ x +) = +
    • Os amigos dos meus inimigos são meus inimigos
    • (+ x -) = -
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • I) Outros argumentos Quase-lógicos
    • 2. Reciprocidade
      • “ trabalho igual, salário igual”
      • “ não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”
    • 3. Inclusão ou composição
        • O que vale para as partes também vale para o todo
    • 4. Divisão : o inverso da composição
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Se até agora as falácias estudadas dizem respeito à dimensão formal, ou seja, ao não cumprimento das regras da lógica formal,
    • de seguida estudar-se-ão falácias informais, ou seja, argumentos erróneos ou insuficientes para sustentar uma tese e que surgem sob a aparência de verdadeiros, correctos, razoáveis ou suficientes para sustentar a tese.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Falácias informais
    • Principais tipologias:
    • A) Falácias da irrelevância
    • B) Falácias da Insuficiência de Dados
    • C) Falácias da Ambiguidade
    Falácias informais Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A) Falácias da irrelevância ignoratio elenchi
    • As premissas não são relevantes
    • para sustentarem as conclusões
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A1) Falácia ad baculum ou recurso à força
    • Argumento que recorre a formas de ameaça como meio de fazer aceitar uma afirmação. Violência física ou psicológica.
    • Exemplo:
    • 1) “Mas porquê?” “Porque sim!”
    • 2) Uma chapada como estímulo.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A2) Falácia ad hominem (contra o homem)
    • Tipo de argumento dirigido contra o homem. Em vez de se atacar ou refutar a tese ou o argumento, ataca-se o homem que a defende,
      • Atacando ao seu carácter
      • Insinuando interesses pessoais
    • Exemplo:
    • A tua tese não interessa para nada! És um falso!
    • … o racismo e os preconceitos…
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A3) Falácia ad ignorantiam ou da ignorância
    • Cometido quando uma proposição é tida como verdadeira só porque não se pode provar a sua falsidade e o inverso.
    • Exemplo:
    • Os fantasmas existem. Ninguém provou que não existem!
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A4) Falácia ad misericordiam ou apelo à piedade
    • Ocorre quando se apela ao sentimento de piedade ou compaixão para se conseguir que uma determinada conclusão seja aceita
    • Exemplo:
    • 1. Fulano Z condenado por ser assassino dos seus pais, pede ao Sr. Juiz clemência por ser órfão.
    • 2. Sei que tive negativas em todos os testes, mas esforcei-me tanto e estou tão cansado! Trabalhar e estudar não é nada fácil. Tente compreender que preciso passar de ano!
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Esta falácia pela à emoção, utiliza o preconceito, o desejo de pertença a determinado grupo social. Muito utilizado em propaganda e em publicidade.
    • Adesão a uma determinada tese, por via da criação de um ambiente fortemente emocional (Pathos), cuja apresentação se deve a uma pessoa credora de popularidade, que promove um ambiente de euforia e encantamento
    • Exemplos:
    • 1. As pessoas de bom gosto preferem o vinho x, logo devo beber o vinho x.
    • 2. Querem uma cidade mais segura, votem em x.
    • 4. Se você fosse bela poderia viver como nós. Compre também Buty-EZ e torne-se bela. (Aqui apela-se às "pessoas bonitas")
    • 5. “vingar os nossos mortos”
    • 6. Toda a gente sabe que a Terra é plana. Então por que razão insistes nas tuas excêntricas teorias?
    • 7. O que ocorre no campo de futebol.
    • Referências: Copi e Cohen: 103; Davis:
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica A5) Falácia ad populum – apelo à emoção
  • A7) Falácia ex populum
    • Consiste no apelo à opinião da maioria para que um indivíduo ou conjunto de indivíduos justifique e adira a uma determinada tese
    • Com esta falácia sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser aceite como verdadeira por algum sector representativo da população.
    • Exemplo:
    • Mãe deixa-me ir à discoteca! Todos os meus amigos vão!
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • A8) Falácia ad verecundiam ou da autoridade
    • Apela à autoridade não qualificada
    • Argumento que pretende sustentar uma tese unicamente apelando a uma personalidade de reconhecido mérito mas não o sendo no campo em questão
    • Exemplo:
    • Figo é uma personalidade reconhecida no futebol, Figo diz que a GALP é a melhor petrolífera, logo a melhor petrolífera de Portugal é a GALP
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B) Falácias da Insuficiência de Dados
    • As premissas não fornecem dados suficientes para garantir a conclusão
    • Conjunto de falácias que se cometem pelo facto de se induzir de forma apressada e irreflectida, o que conduz a conclusões abusivas .
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B1) Falácia da generalização precipitada
    • Enunciar uma lei ou uma regra geral a partir de dados não representativos ou insuficientes e/ou quando existe contra-exemplo.
    • Exemplo:
    • O fenómeno X ocorre em A1 e A2, logo o fenómeno X ocorre em todos os AA
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B2) Falácia da Falsa Causa
    • Falácia que consiste em atribuir a causa de um fenómeno a outro fenómeno, não existindo entre ambos qualquer relação causal ou pela simples razão de o preceder
    • Exemplo:
    • Abriram a porta e a Ana tossiu, logo a Ana tossiu porque abriram a porta.
    • Refutação: confunde a sucessão temporal com a implicação causal
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B3) Falácia de Petição de Princípio
    • Quando de postula ou se dá por provado, o que se deveria justamente provar
    • Exemplo:
    • 1. O aluno não é considerado disléxico, pois não está referenciado como tal.
    • 2.“Dado que não estou a mentir, estou a dizer a verdade”
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • B4) Falácia da Pergunta Complexa
    • Fazer uma pergunta que pressupõe uma resposta previamente dada, de modo a que o interlocutor fique numa situação embaraçosa, quer responda afirmativa ou negativamente.
    • Exemplo:
    • - Já tens hábito de tomar banho?
    • Seja a resposta afirmativa ou negativa, o interlocutor está-se sempre a comprometer.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • C) Falácia de Ambiguidade
    • A falácia resulta de as premissas estarem formuladas numa linguagem ambígua
    • C1) Equivocidade
    • C1.1.) Ambiguidade lexical
    • C1.2.) Anfibologia
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • C2) Falácia do espantalho
    • Consiste em atribuir a outrem uma opinião fictícia ou em deturpar as suas afirmações de modo a terem outro significado
    • Exemplo:
    • - Vou à matança da porca da minha tia!
    • - A Inês disse-me que a tia dela é porca.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • C3) Falácia ad terrorem
    • Fazer aceitar uma tese invocando as consequências negativas que resultarão se tal tese não for aceite.
    • Exemplo:
    • 1. Utilizar o medo de morrer na campanha pelo uso do preservativo.
    • 2. “Se não votarem em nós será o caos.”
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • C4) Falácia do acidente
    • É aplicada a regra geral quando as circunstâncias sugerem que se deve aplicar uma excepção à regra.
    • Exemplos:
    • A lei diz que não deves conduzir a mais de 50 Km/h. Portanto, mesmo que o teu pai não possa respirar, não deves passar dos 50 km/h.
    • É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver essa arma automática ao louco que te a emprestou. (Adaptado de Platão, A República, I).
    • Refutação: identifique a regra geral em questão e mostre que não é uma regra geral estrita. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que a regra não deve aplicar-se.
    • Referências: Copi e Cohen: 100 .
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  • C5) Falácia inversa do acidente
    • Aplica-se uma excepção à regra geral a casos em que se deve aplicar a regra geral.
    • Exemplos:
    • Se deixou que Joana, a tal moça que foi atropelada por um camião, entregasse o trabalho mais tarde, também deveria permitir que toda a turma entregasse o trabalho mais tarde
    • Se deixarmos os doentes terminais usar heroína, devemos deixar toda a gente usá-la.
    • Refutação: identifique a regra geral em questão e mostre que o caso especial é uma excepção à regra.
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  • C6) Derrapagem (bola de neve)
    • Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraem-se consequências inaceitáveis de P e consequências das consequências...
    • O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos "se... então..." que constituem o todo do argumento.
    • Exemplos:
    • Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
    • Refutação: Identifique a proposição, P, que está a ser refutada e identifique o evento final, Q, da série de eventos. Depois mostre que este evento final, Q, não tem de ocorrer como consequência de P.
    • Referências: Cedarblom e Paulsen: 137
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  • Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica C7) Falácia da omissão de dados Dados importantes, que arruinariam um argumento indutivo, são excluídos. A exigência de que toda a informação relevante e disponível seja incluída num argumento indutivo, é chamada "princípio da informação total".
  • A falácia da invenção de factos acontece quando alguém tenta explicar porque acontece um certo fenómeno, sem ter provas que este tenha acontecido, aconteça ou possa vir a acontecer Exemplos: João disse ter entrado na loja porque queria comprar maçãs. (na verdade João entrou na loja para ver a Maria) Falácia da invenção de factos Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • O nome em Latim significa: "depois disso, logo, por causa disso". Isto descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta.
    • Exemplos:
    • A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da prosperidade.
    • Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha constipação desapareceu...
    Falácia Post hoc ergo propter hoc Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Sustenta-se que uma coisa causa outra mas, de facto, são ambas o efeito de uma mesma causa subjacente. Esta falácia é muitas vezes apresentada como um caso especial de falácia post hoc ergo propter hoc .
    • Exemplos:
    • Estamos a viver uma fase de elevado desemprego que é provocado por um baixo consumo. (De facto, ambos podem ser causados por taxas de juro muito elevadas.)
    • Estás com febre e isso está a fazer com que te enchas de borbulhas. (De facto, ambos os sintomas são causados pelo sarampo.)
    Falácia Efeito conjunto Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • O objecto ou evento identificado como a causa de um efeito, é uma causa verdadeira – mas insignificante quando comparada com outras causas desse evento. 
    • Exemplos:
    • Fumar causa a poluição do ar. (Confere, mas o efeito do fumo do tabaco é insignificante comparado com o efeito poluente dos automóveis);
    • Deixar a sua lareira acesa durante a noite contribui para o aquecimento global do planeta (idem).
    Falácia Efeito conjunto Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • O efeito é provocado por um certo número de objectos, dos quais a causa identificada é apenas uma parte.
    •  
    • Exemplos:
    •   O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto. (Confere, mas o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse altamente alcoolizado, por exemplo);
    • Estou cheio de frio porque o tempo assim o está. (Confere, mas não teria frio se tivesse vestido mais roupa, por exemplo).
    Falácia da Causa complexa Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • As falácias da insuficiência de dados resulta das premissas não fornecem dados suficientes para garantir a conclusão.
    • Ou seja, é induz-se de forma apressada e irreflectida, o que conduz a conclusões abusivas. As falácias da insuficiência de dados subdividem-se em falácias da generalização precipitada e de falácias de falsa causa .
    • Exemplo
    • A laranja, o tomate, o dióspiro, a pêra e a tangerina são frutas ricas em vitamina C, logo todas as frutas são ricas em vitamina C
    • O argumento é uma falácia de generalização precipitada porque partimos de casos particulares (a laranja, o tomate, a pêra e a tangerina) para generalizarmos (todas as frutas). Ao dizermos que todas as frutas são ricas em vitamina C, porque muitas frutas o são, podemos ser rapidamente contrariados, por exemplo com a banana, que é um fruto e não tem vitamina C.
    Falácia da generalização precipitada Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Ocorre quando consideramos como verdadeiro para um caso particular o que é verdadeiro num sentido geral. É o que acontece com argumentos do tipo estatístico quando uma regra geral é aplicada a um caso cuja ocorrência acidental determina a não aplicabilidade de tal lei.
    • Exemplo:
    • “ Em média, cada dois portugueses come uma galinha por dia.”
    •  
    • “ É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver essa arma automática ao louco que te emprestou.”
    • REFUTAÇÃO: Identificar a regra geral em questão e mostre que não é uma regra geral estrita. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que a regra não deve aplicar-se.
    Falácia do Acidente Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
  • Falácia da Ambiguidade Lexical
    • A mesma palavra pode ser usada com dois significados diferentes.
    • Exemplos:
    • Criminalidade é ilegalidade. O julgamento de um roubo ou assassínio são acções criminais. Os julgamentos de roubos e assassínios são designados de acções criminais. Logo, os julgamentos de roubos e assassínios são ilegais.
    • Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • Uma anfibologia ocorre quando a construção da frase permite atribuir-lhe diferentes significados.
    • Exemplos:
    • Na fábrica X todos gostam de um telemóvel. (Esta frase pode ser interpretada de duas maneiras: ou todos gostam de um telemóvel qualquer ou todos gostam do mesmo telemóvel)
    • O Pedro disse ao Zé para parar de destruir o material escolar.
    • (O Pedro não disse ao Zé que o material era dele)
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Anfibologia
  • Falácias da Ambiguidade Sintáctica
    • As falácias desta secção são, todas elas, falácias geradas pela falta de clareza no uso de uma frase ou palavra. Há dois modos de isto suceder:
    • A palavra ou frase pode ser ambígua, caso em que tem, mais de sentido distinto;
    • A palavra ou frase pode ser vaga. Nesse caso não tem um sentido distinto.
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica
    • A ênfase é usada para sugerir uma proposição diferente daquela que, de facto, é expressa.
    • Exemplos:
    • Não há BEBIDAS GRÁTIS
    • Uma senhora, diz que hoje o senhor do café está muito sóbrio. (Esta frase se for ouvida por uma pessoa que não conheça o senhor do café, leva a pensar que o senhor do café está sempre embriagado)
    Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Argumentação e Retórica Ênfase