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Renascimento, Classicismo e Humanismo
 

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    Renascimento, Classicismo e Humanismo Renascimento, Classicismo e Humanismo Document Transcript

    • Humanismo, Classicismo e Renascimento Os Lusíadas, contextualização da obraTrabalho realizado no âmbito da disciplina de Português pelos alunos CatarinaDomingues (nº8), Catarina Mateus (nº9), Gisela Baptista (nº13), Pedro Serrano ),(nº23) e Vânia Teixeira (nº ) (nº25) da turma A do 12º ano.
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Índice PáginaIntrodução_____________________________________________3Humanismo_____________________________________________4Classicismo_____________________________________________6Renascimento___________________________________________8 Renascimento em Portugal___________________________11 A Literatura Renascentista em Portugal_________________13Luís Vaz de Camões_____________________________________17Os Lusíadas____________________________________________19Conclusão_____________________________________________21 2
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012IntroduçãoComo introdução ao estudo da obra Os Lusíadas de Luís de Camões,o nosso grupo desenvolveu as três principais correntes queinfluenciaram o autor: o Humanismo, o Classicismo e oRenascimento.Ao último dos três temas, o Renascimento, estão anexados doissubtemas para que melhor se possa perceber a ligação com a obraque irá ser estudada. Assim, também O Renascimento em Portugale O Renascimento na Literatura Portuguesa serão abordados.Por fim, segue uma pequena biografia do autor, Luís Vaz de Camõesonde serão apontados os momentos mais marcantes na sua vida; euma análise à obra em questão na qual se faz a ligação com osprimeiros temas abordados no trabalho, para que seja possívelidentificar características humanistas, classicistas e renascentistasna obra. 3
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012O HumanismoO Humanismo foi um movimento cultural renascentista que tinha como princípios gerais oAntropocentrismo e o Classicismo. Com a ajuda da imprensa influenciou áreas como a filosofia,a literatura e a arte um pouco por toda a Europa (principalmente a Ocidental) durante oapogeu do Renascimento, em meados do século XV. Figura 1: O Homem de Vitrúvio. Figura representativa do Humanismo. “O Homem como a medida de todas as coisas”O Antropocentrismo é uma doutrina segundo a qual o Homem é tomado como modelo ereferência; como centro do Universo, a medida de todas as coisas. Surge como uma alternativaao pensamento Teocêntrico da Idade Média que colocava Deus como elemento central. Noentanto, não se passou a rejeitar a ideia de Deus, esta passou apenas para pensamentosecundário. Esta doutrina contribuiu para o desenvolvimento intelectual e artístico noRenascimento, promovendo o interesse pelo Homem, as suas características epotencialidades. Aliadas a esta doutrina surgem outras que se encontram igualmentepresentes na mentalidade dos intelectuais quatrocentistas e nas suas obras, como o 4
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Individualismo e o Racionalismo. O Individualismo da valor ao Homem como individuo, sendoque o valor que este tem sozinho é maior do que quando se engloba na sociedade; pretendia-se assim promover a formação da personalidade individual, e a individualização da arte. Assimos artistas passaram a aplicar o seu génio com rigor conceptual e técnico, guiando-se pornovas regras, novos cânones, e novos temas; deu-se o aparecimento de obras assinadascriando deste modo uma ligação obra/autor. O Racionalismo por sua vez aludiu ao espíritocrítico que tanto influenciou as obras renascentistas, é exemplo disso a Utopia de ThomasMore.O espírito e os valores da antiguidade clássica foram a outra grande característica doHumanismo. O classicismo apareceu como inspiração. A par do classicismo desenvolveu-se avalorização do presente: promove-se a língua nacional, predominam temas utópicos e decrítica social e existe uma preocupação com a educação dos jovens que formarão as futurasgerações. Por exemplo, nas obras de luís de Camões ou Shakespeare podemos identificar oestilo literário e o reportório mitológico classicistas conjugados com os saberes modernos.Toma-se a chamada consciência da modernidade. Na formação pessoal, acima da sabedorialivresca, dá-se importância à experiência pessoal, à razão e ao espírito crítico.Entre 1440 e 1450, na Alemanha, surge a Imprensa. Esta grande revolução que chega aPortugal a 1494 será o principal difusor do Humanismo. Com a possibilidade da produção emmassa de livros, dá-se um grande progresso na vida cultural quatrocentista. Não só como meiofacilitador do estudo e do ensino, mas também como meio divulgador e difusor de correntesculturais, ideias e saberes, a imprensa vai alargar horizontes geográficos e principalmenteculturais.Deste modo a descoberta da imprensa aliada à incessante busca e leitura de manuscritos etextos clássicos conduziu à publicação de novos manuscritos e novos textos que contribuírampara o desenvolvimento de um novo saber e novo ensino. Temos assim a cultura ao serviço dacolectividade.O Humanismo foi essencialmente desenvolvido por intelectuais, muitas vezes eclesiásticos ouprofessores universitários que, visto repudiarem os valores da Idade Média, foram buscarinspiração aos clássicos. Estes intelectuais são chamados humanistas e liam, traduziam,comentavam e divulgavam textos clássicos e as sagradas escrituras. Eram, portanto, oselementos activos na divulgação e no desenvolvimento dos valores humanistas.São exemplos de humanistas Thomas More, Nicolau Maquiavel, Rebelais, Damião de Góis,Montaigne e Erasmo de Roterdão. Este último serviu-se da crítica social e da ironia paraprocurar recuperar valores cristãos primitivos como a humildade, caridade e fraternidade. Porsua vez, Montaigne, humanista francês, defendia que as letras deviam enriquecer e adornarpor dentro e que o mais importante é fazer uso da razão para discernir, escolher, julgar eduvidar das autoridades antigas. 5
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012O ClassicismoO classicismo é um movimento estético renascentista que procura inspiração na antiguidadeclássica greco-romana. Assim como o Renascimento, tem início em Itália no século XV eestende-se ao século XVI. Teve como principais intervenientes Dante, Petrarca e Boccaccio,que inspiraram autores como Platão, Aristóteles ou Cícero. Figura 2: David de Miguel Ângelo. Figura representativa dos cânones clássicos. “Imitar os clássicos, imitar a natureza”Os textos clássicos foram recuperados e até mesmo recriados com um novo espírito criativo,crítico e intervencionista. A procura entusiasta de manuscritos clássicos conduziu àrevalorização do ensino de línguas clássicas como o grego, hebreu e latim, visto que aliteratura clássica procurada pelos humanistas se encontrava na língua original. Assim, acultura clássica era vista como um instrumento pedagógico e de formação da personalidade doindivíduo e da moral, promovendo o desenvolvimento das capacidades intelectuais, valoresmorais e o conhecimento de si próprio e do mundo exterior. 6
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Os artistas e arquitectos italianos são influenciados pela arte e arquitectura romana. A Arteclássica procura o equilíbrio, a harmonia, a proporção e o realismo naturalista tanto na pinturacomo na literatura como na música e na arquitectura. Leonardo da Vinci, Rafael e MiguelÂngelo, entre outros, estudaram a anatomia e o volume para chegarem mais perto dasmedidas reais do corpo humano. A temática centrava-se na mitologia clássica, cenas bíblicas,retrato e nu em que se realçava a natureza e a humanização das figuras religiosas, inventou-sea perspectiva que dava tridimensionalidade as pinturas. 7
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012O RenascimentoO Renascimento foi um movimento cultural e artístico que se deu entre o séc. XIV e XVI, quecomeçou em Itália, mais concretamente em Florença e que pôs fim á Idade Média, fazendo atransição para a Idade Moderna.ContextualizaçãoCrise do Sistema Feudal e Final da Idade MédiaO final da Idade Média deu-se devido a uma série de crises interligadas entre si que foram deordem Social, Política, Agrícola e Económica.Crise na Agricultura e no ComércioNos séculos XI, XII e na primeira metade do séc. XIII a utilização de novas terras assim como oavanço das técnicas permitiram um aumento significativo da produção agrícola e,consequentemente, a ampliação do mercado. No entanto, na última década só séc. XIII, aquantidade terras por ocupar era mínima assim como a qualidade das terras ocupadas, umavez que estavam saturadas – com baixo teor de nutrientes devido á sua utilização excessiva –levando a agricultura a entrar numa profunda crise e consequentemente, o mercado.Juntamente ao decréscimo dos mercados, a falta de moeda foi mais um contributo para aprofunda crise Económica que se deu no final deste século.Fome e DoençasDevido á insuficiente produção agrícola e á estagnação do comércio, a fome passou a ser umgrave problema assim como a consequente desnutrição que, juntamente com a falta dehigiene, levou ao início de uma série de surtos epidémicos, entre os quais, a Peste Negra, quese alastrou por todo o Continente Europeu durante o séc. XIV, sendo responsável pela mortede cerca de um terço da sua população, ou seja, aproximadamente 75 milhões de habitantescausando uma enorme crise demográfica.Conflitos, Guerras e RebeliõesParalelamente à fome e à peste, a sociedade feudal do século XIV deparou-se com um grandenúmero de guerras e revoltas. Das quais a mais importante foi a Guerra dos Cem Anos, entreFrança e Inglaterra.Por fim, um factor fundamental para a quebra das estruturas do sistema feudal foi a longasérie de rebeliões que se formaram dos servos contra os senhores feudais. Ainda quemomentaneamente derrotados, os levantes dos servos foram tornando inviável a manutençãodas relações de servidão. A partir do século XIV as obrigações feudais foram se extinguindo. 8
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Uma nova maneira de pensarO Renascimento deu-se em Itália devido ao aparecimento de vestígios da Antiguidade Clássica,entre os quais, monumentos, ruínas, obras de arte e livros que transmitiam a maneira depensar dessa época e que despertaram o interesse de intelectuais, estudiosos, escritores eartistas e que levaram esses mesmos a questionar os costumes da Idade Média, dando entãopreferência á maneira de pensar da Antiguidade Clássica.Todo este interesse foi apoiado por mecenas que começaram por ser governantes ricos eburgueses que deram um forte apoio às artes e á cultura criando um meio de sustentabilidadepara artistas, escritores e intelectuais.Uma nova maneira de pensar tomou posse de várias cidades de Itália, baseada numa novavisão do homem e do mundo assim como a centralização do poder do homem(Antropocentrismo) que se opõe aos valores da sociedade da Idade Média onde Deus era aexplicação para todos os acontecimentos (Teocentrismo).Foram, portanto, impostos novos valores e doutrinas fortemente ligados ao período Clássico ea toda a sua arte e cultura tais como o Classicismo e o Humanismo (já anteriormenteabordados no trabalho) e o Naturalismo e o Racionalismo.O Naturalismo foi uma doutrina filosófica e estética que valorizou a observação e a imitaçãorigorosa da Natureza. O Racionalismo segue os princípios do Naturalismo embora com aconfirmação necessária por parte da razão de valores ou conhecimentos adquiridosresultantes da observação da Natureza.O Homem IdealEm conjunto com uma série de avanços a todos os níveis e com a confirmação das capacidadesdo Homem dá-se o aparecimento da imposição dos cânones clássicos em todos os aspectos,incluindo o Homem como cidadão e ser social. É então idealizado o Homem Perfeito eCompleto que cultiva a formação física, intelectual e cívica, utilizando ao máximo todas as suascapacidades mantendo uma atitude individualista, experiencialista e racionalista assim comoum forte espírito crítico e contributivo para a sociedade. 9
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012ArteA arte é mais uma das vertentes do renascimento que é fortemente influenciada peloscânones clássicos, os quais a centralização do Homem é a base e que sofre uma evolução aolongo do tempo em que decorre o Renascimento.É nesta época que se dá a verdadeira e explícita ligação entre a arte e a ciência porque temcomo objectivo a representação rigorosa da natureza e do que é observado embora tudopasse por um processo racional e matemático que permite ao artista não só representar o quevê com rigor como lhe permite perceber as formas, as dimensões e as proporções.ArquitecturaA permanência de vários vestígios arquitectónicos assim como de edifícios nunca deixaram deinfluenciar técnica e esteticamente a arquitectura em Itália. No entanto, no Trecento o Góticocontinua a ser a linha dominante e o renascer do classicismo é visível em força no SéculoSeguinte devido ao interesse pelas realizações passadas das quais, a grande influência foi aredescoberta da obra clássica De Architectura, de Vitrúvio que foi usado como uma “Bíblia daArquitectura” devido ao facto de conter todos os cânones defendidos pela antiguidade clássicaassim como a explicação racional e matemática para esses mesmos. Nesta obra estão todos osconceitos de proporção do homem, sublinhando o círculo como a forma perfeita, erelacionando essa forma e essa proporção com a arquitectura. Foi com Filippo Brunelleschique começou a arquitectura classicista embora sem um referencial teórico concreto.Foi no século XV e início do século XVI, considerado o período do Alto Renascimento, que aarquitectura renascentista atingiu o seu aos pois respeitava todos os cânones clássicos como asimetria, a horizontalidade e a proporção. Destaca-se um nome fundamental na arquitectura,Leon Batista Alberti.PinturaA pintura foi outra vertente da arte que foi muito, senão a mais, influenciada peloRenascimento, não só em questões temáticas como em questões técnico-formais. Mais umavez representa o homem como centro do universo e como ser um racional.Foi nesta época, na Flandres, que foi inventado o óleo de têmpera que permitiu uma maioraproximação do real a partir de uma caracterização mais fiável de texturas, claro-escuro etransparências. Esta nova técnica foi um enorme avanço para a pintura.São feitos estudos da perspectiva, tentando com que ela fosse a mais rigorosa possível assimcomo das proporções do corpo humano em relação aos objectos e dá-se a verdadeira ligaçãoentre a arte e a ciência. Um dos grandes nomes não só da pintura mas como de outrasdisciplinas foi Leonardo Da Vinci que inovou uma série de técnicas, entre as quais, o sfumatto.EsculturaNa escultura destacam-se nomes como Michelangelo, Verrochio e Ghiberti. Esta segue osmesmos cânones da pintura e da arquitectura e também teve uma evolução significativa. 10
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012O Renascimento em Portugal Na sociedade portuguesa fez-se sentir uma grande dinâmica a partir do século XV masapesar disso e do contributo que os Descobrimentos portugueses deram para a mudança dasmentalidades e dos esforços dos monarcas na contratação de humanistas o Renascimentochegou tarde a Portugal. O Renascimento estendeu-se entre o século XV e o século XVI e a mistura do góticocom as inovações do século XV deram início ao mesmo. Nesta época intensificaram-se oscontactos com a Europa, o que proporcionou a Portugal receber grandes influências dosprincipais centros renascentistas, como por exemplo a Itália e a Flandres. O contacto comoutras civilizações levou a uma cultura mais variada que se reflectiu, principalmente, na arte.Este contacto proporcionou também inúmeras importações de objectos que não eram muitocomuns em Portugal que levaram ao surgimento de novas formas artísticos resultantes dosintercâmbios culturais entre a Europa, a África e o Oriente através dos Portugueses. A base da economia portuguesa estava assente na agricultura, na pesca, nacomercialização do vinho, do sal, da cortiça e da madeira. A estes produtos juntam-se acomercialização do açúcar, a importação de ouro, do marfim e mais tarde as especiariasorientais, a seda, entre outros. A arquitectura renascentista nunca chegaria a impor-se verdadeiramente porque ainfluência do gótico prolongou-se pelo período do reinado de D. Manuel e está na origem doestilo manuelino que foi uma modernização renascentista do gótico, realçando a decoração deinspiração marítima e ultramarina. No reinado de D. João III é que foram construídos algunsedifícios renascentistas como a igreja de Nossa Senhora da Graça em Évora. Apesar do atraso relativamente a outros países, Portugal parecia recuperar, mascomeçou a esvair-se numa decadência crescente. A nobreza fez renascer o espírito da cruzadae vira-se para o combate aos mouros, foi como se recuassem para a Idade Média. 11
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012 Figura 3:Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Évora. Exemplo de arquitectura renascentista em Portugal. 12
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012A Literatura Renascentista em PortugalO Renascimento no século XVI considera-se a idade de ouro devido ao aparecimento deimensos historiadores moralistas e sobretudo poetas e escritores em geral tais como: GilVicente, Bernardino Ribeiro, Sá de Miranda e Luís de Camões.Lírica/PoesiaA literatura portuguesa do século XVI caracteriza-se sobretudo pelas influências estrangeirasnomeadamente da Itália e pelo facto de muitos dos poemas serem de autorias nobres paraquem escrever versos era visto como um atributo, ou seja, os poemas têm uma atitudeamorosa e poética.Durante este século desenvolveram-se vários tipos de poesia sendo os principais, a poesiapastoril, a poesia lírica e a poesia épica também sendo referida como epopeia. Existia tambémum grande fascínio pela parte dos poetas pela tragédia, mostra as influências clássicas típicasdo Renascimento.Na poesia pastoril, foi introduzido em Portugal por Bernardino Ribeiro, as obras foramcompostas em versos de arte maior que se tratam de todos os versos com mais de oito sílabas.Esta mudança afectou escritores tais como Luís de Camões e Gil Vicente que usaram versos dearte maior em algumas das suas obras.Falando na poesia lírica o poeta mais importante foi Sá de Miranda que após uma longaviagem a Itália onde presenciou a arte e literatura renascentista trouxe consigo um novo estilo,introduzindo na literatura portuguesa as formas da escola italiana. Entre as várias composiçõeslíricas introduzidas algumas foram: O Soneto, A Canção, A Sextina, Versos Decassilábicos… emuitos foram os poetas que o seguiram como António Ferreira, Diogo Bernardes…No entanto o tipo de poesia mais importante nesta época foi a poesia épica e a epopeia, sendoestes e a tragédia, considerados os géneros mais nobres da literatura. Estes géneros foramredescobertos graças à admiração renascentista pelos clássicos.Estando Portugal no seu auge devido aos Descobrimentos e Rotas Marítimas os grandeshumanistas portugueses queriam prestigiar tanto o país como a literatura e por isso ansiavampor um poema épico que edificasse esse mesmo auge atingido por Portugal. Este génerocomeçou a surgir também porque humanistas como António Ferreira e Garcia Resendeestimulavam outros poetas à criação da epopeia de Portugal, porque finalmente Portugal tinhatodas as condições para a criação de um poema épico, pois para além de ter as viagens edescobertas marítimas tinha também um grande heroísmo da parte dos navegadores, e por 13
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012isso o orgulho nacional também pressionava pelo feito desse poema como celebração mastambém glorificação dos feitos.Para além de todos estes factores contribuíram para o aparecimento de uma epopeiaportuguesa, existia também o facto da corte querer acabar com a ideia que os Descobrimentostivessem motivação comercial, então queriam que esta ideia fosse proposta por uma quemostrava o verdadeiro interesse como a expansão da fé cristã.No entanto este pedido requeria um género, que teve o nome de Luís Vaz de Camões, que nãosó escreveu a epopeia de Portugal, mas como escreveu a maior epopeia dos temposmodernos. Camões foi o único capaz de fundir os elementos clássicos com os elementosnacionais de modo a criar uma poesia nova e uma verdadeira épica culta nacional. Todos osseus seguidores Francisco de Andrade, Jerónimo Corte-Real… nunca alcançaram o seu nívelnão passadas as obras deles de crónicas em verso.DramaturgiaNo teatro a pessoa que mais é preciso referir é Gil Vicente, pois fez quarenta e uma peças dedramaturgia, entre elas catorze em português. Entre todas as suas obras estavam presentesautos e mistérios que continham carácter sagrado e devocional; farsas, comédias d tragédiasque eram as de carácter profano.Gil Vicente iniciou com obras religiosas nomeadamente os autos, seguindo-se pelo génerosatírico e apenas no final a comédia com a floresta de enganos. As obras dele satirizavam osnovos tempos, criticavam a sociedade, a mudança de hierarquias sociais.Todos os autores que se lhe seguiram apenas conseguiram êxitos razoáveis. 14
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012 Figura 4: Auto da Barca do Inferno, de Gil Vivente. Exemplo de literatura renascentista portuguesa (Teatro).ProsaA prosa desenvolveu-se magistralmente no século XVI nomeadamente a prosa histórica ecientífica, as crónicas de viagens, a literatura de viagens, a prosa religioso-moralista e filosóficae os romances de cavalaria.O romance de cavalaria foi um fenómeno literário com uma enorme popularidade napenínsula Ibérica.As personagens eram princesa, donzelas e cavaleiros, exaltava o cavalheirismo e os códigosmedievais cavaleirescos, as proezas, lealdade e a ética cristã. O mais famoso em Portugal foi oPalmeirim de Inglaterra de Francisco de Morais chegando mesmo a ser traduzido em 4 línguasestrangeiras: castelhano, francês, italiano e inglês. 15
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Nas crónicas e na literatura de viagens foram descritas com mestrias as façanhas dosportugueses no descobrimento e conquista de novas terras e foram divulgadas pela novaimprensa. Os exploradores visitaram e descreveram a costa de África, Índia e Brasil entreoutros. Existem breves histórias anónimas sobre naufrágios. Os principais autores foram: Joãode Barros e António Galvão.A prosa histórica pode ter como exemplo Damião de Góis, um humanista que descreveu preinado do rei D. Manuel I de Portugal.Garcia Resende marcou o fim do português arcaico e o início do português moderno com apublicação do cancioneiro Geral. Consistia no conjunto de poemas palacianos e em revelar avalorização que a cultura começava a merecer, encorajando os portugueses a publicar as suasobras.Fernão de Oliveira normalizou a língua portuguesa ao publicar a gramática da línguaportuguesa, sendo também nesta altura que novas palavras foram adaptadas, aumentando oléxico português. 16
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Luís Vaz de CamõesApesar de não se saber em concreto a data em que Luís de Camões nasceu, pensa-se ter sidoentre 1524 e 1525 em Lisboa. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá, fidalgo dapequena nobreza que era perfeitamente compatível com a situação de pobreza em que viveutoda a vida. Figura 5: Luís Vaz de Camões.Possivelmente terá realizado os seus estudos em Coimbra, mas esta possibilidade apoia-seapenas na vasta cultura que ele apresenta, típica de alguém que frequentava o ensino superiornaquela época. Não se encontra, contudo, qualquer documento que comprove a suapassagem pela universidade. Supõe-se também que um tio do poeta, D. Bento Camões, tenhaorientado os estudos de Luís de Camões. 17
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Enquanto viveu em Lisboa, frequentou a corte, no Paço e em salões de alta nobreza epresume-se que isso se terá devido à possibilidade de ele ser fidalgo.Participou numa expedição militar ao norte de África (Ceuta), entre 1549 e 1551, onde sofreuum acidente pelo qual é reconhecido: a perda do olho direito. Em 1552 regressa a Lisboa ondevive uma “vida dupla” ora fazendo parte da corte e convivendo com damas de alta sociedade,ora vive uma vida boémia, despreocupada, entrando em brigas e convivendo com damas “dealuguer”.Em 1552 também, é preso devido a uma briga com um arrieiro do rei, esta é também a razãopela qual em 1553 parte para a Índia a pedido do rei, como forma de obter o seu perdãocompleto. Na Índia, durante os três anos que lá permaneceu prestou serviço militar e cargosadministrativos, e chegou novamente a ser preso mas desta vez por dívidas que mantinha.Após ter estado em Macau, no regresso à Índia, sofreu um naufrágio de onde se salvou a nadoe onde perdeu todos os seus bens conseguindo apenas salvar o manuscrito dos lusíadas. Em1570, é encontrado por amigos em Moçambique vivendo uma vida de miséria e apenasregressa a Portugal pela boa vontade dos seus amigos de lhe pagarem o bilhete de regresso.É em 1572 que Os Lusíadas, poema épico dedicado ao rei D. Sebastião, é publicado; noentanto para além desta obra, Luís de Camões é também o autor de uma vasta obra lírica naqual se encontram sonetos, canções e redondilhas, chegando mesmo a existir três comédiasda sua autoria.Retornou à sua vida de miséria durante a qual morreu no dia 10 de Junho de 1580. 18
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012Os LusíadasOs Lusíadas é a obra mais emblemática de Luís Vaz de Camões, e nela podemos identificar osideais humanistas, clássicos e renascentistas que influenciaram o poeta no desenvolvimentoda sua obra. Figura 6: Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões (capa). 19
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012É considerada uma epopeia humanista onde se destaca um grande empenho em afirmar ascapacidades humanas, sendo portanto uma das obras onde melhor se exprimem algumasfacetas do movimento humanista. Nesta obra estão espelhadas as qualidades mais nobres doRenascimento: a coragem e a cultura, esta última baseada não só no saber livresco mastambém no saber derivado da experiência. O Homem explora os seus limites e tenta alcançaruma realização humana total.É a obras clássicas como Eneida, Ilíada e Odisseia (da autoria de Virgílio) que Luís de Camõesvai buscar inspiração, sendo que Os Lusíadas seguem a linha épica destas obras clássicas.Servindo-se de todo o arsenal mitológico da antiguidade. No entanto os clássicos foram não sóuma inspiração temática mas também formal, da antiguidade clássica se trouxeram formasestilísticas como o soneto, a canção, a oitava-rima e o terceto e também géneros literárioscomo a ode, a epístola, écloga, elegia, entre outros. Apesar do uso destas convenções egéneros literários clássicos, desenvolveu-se uma nova poética sem, no entanto, romper a velhatradição lírica galaico-portuguesa.A inspiração nos clássicos não se traduziu unicamente na sua imitação, mas também – eprincipalmente – na competição com estas, tentando rivalizá-las ou até mesmo superá-las,sendo este, a par com a imitação da natureza, os dois principais objectivos da literatura de Luísde Camões, e na literatura renascentista no geral.N’Os Lusíadas é descrita uma constante rivalidade entre os deuses da mitologia (querepresentam os mais altos valores da civilização antiga) e o Homem moderno, que acaba porsuperá-los, elevando o Homem à dignidade dos antigos deuses.A obra de Luís de Camões desenvolve-se em permanente antagonismo: sensibilidade versusinteligência; amor sensual versus amor espiritual; inocência versus sentimento de culpa;humildade versus orgulho. Fazendo da poesia cenário de conflitos dolorosos onde existe abusca constante pelo equilíbrio.Luís de Camões é um petrarquista que adopta a atitude amorosa de Petrarca, os seusprocessos estilísticos, o seu código retórico, a sua maneira de ver a mulher, o seuneoplatonismo. Descreve assim, a mulher segundo as convenções temáticas e formais dopetrarquismo, falando incessantemente do amor segundo o código amoroso. 20
    • Escola Secundária Artística António Arroio 2011/2012ConclusãoOs Lusíadas têm bastantes influências Humanistas, Classicistas e Renascentistas; não só natemática como formalmente.Podemos dizer que o Humanismo foi um movimento cultural renascentista que tinha comoprincípios gerais o Antropocentrismo e o Classicismo. O Antropocentrismo que se traduz pelacolocação do Homem no centro do Universo e tomá-lo como modelo e referência; como amedida de todas as coisas. Por sua vez, o Classicismo traduz-se no fascínio e no interesse danova geração de pensadores e artistas nos autores Greco-Romanos assim como nas suasobras, dedicando-se á sua leitura, interpretação, tradução e reprodução assim como áaprendizagem de um valor essencial que se baseia na procura infindável do conhecimento e domelhoramento de técnicas, no caso artístico, levando, por vezes, a superar os seus mestres.O Renascimento surge numa época conturbada pela Crise Feudal e pelo fim da Idade Média.Esta crise contribuiu para a origem de uma outra crise na agricultura e no comércio; para oagravamento das fomes e doenças e para o aparecimento de conflitos, guerras e rebeliões.Nesta época surgiu uma nova maneira de pensar, associada ao Humanismo e Classicismo jámencionados anteriormente, e também doutrinas como o Naturalismo e o Racionalismo. Étambém associado ao Renascimento que surge a ideia do Homem Ideal: um Homem completoa todos os níveis (físico, intelectual e cívico).O Renascimento em Portugal foi tardio e portanto as obras ditas renascentistas acabaram porreceber algumas influências maneiristas e góticas, sendo que são poucas as obrasrenascentistas em Portugal.Porém, na literatura são vários os exemplos de literatura portuguesa da época doRenascimento, tais como Gil Vicente no género Dramático e Poético; Bernardino Ribeiro queintroduz a poesia pastoril em Portugal, Sá de Miranda na poesia lírica, Luís de Camões napoesia épica e na epopeia e Francisco de Morais na prosa. 21