Origens e aspectos culturais da alimentação portuguesa

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Origens e aspectos culturais da alimentação portuguesa

  1. 1. Origens e Aspectos Culturais da Alimentação Portuguesa<br />A Gastronomia e os Hábitos Alimentares da cultura portuguesa foram, basicamente, moldados a partir da apropriação de costumes e produtos dos povos que dominaram Portugal e, naturalmente, à capacidade de absorção dos produtos que a natureza nos fornece.<br />Face a vasta costa marítima portuguesa, rica em pescas, não é de estranhar as grandes quantidades de peixe presente na alimentação portuguesa. No entanto, não é apenas a costa marítima portuguesa um dos aspectos fortes da obtenção de alimentos pelos portugueses. Os vales protegidos e planos presentes em Portugal permitiram, desde sempre ricas produções de vinho e azeite no nosso país, daí estes produtos estarem desde há muito presentes na alimentação portuguesa. Portugal já foi assim cobiçado pelos romanos devido à sua grande abundância destas riquezas.<br />Quando falamos das origens da Alimentação Portuguesa podemos considerar como inicio as invasões mouras à península Ibérica, o que resultou na sua formação cultural. Condimentos, modos de preparação e receitas foram adoptados pelo povo português, formando assim um esboço da alimentação do país. No século VIII, a agricultura sofreu um desenvolvimento bastante acentuado devido às invasões árabes que levaram a Portugal novos valores culturais. Novas técnicas de irrigação, os minhos de água contribuíram para esta evolução.<br />Mais tarde, no início do século XV, foi construída a primeira caravela portuguesa, o que permitiu iniciar a expansão marítima. Os portugueses não tardaram até partirem à descoberta da Madeira, das Ilhas dos Açores e do Brasil. O açúcar foi o principal condimento adquirido através destas viagens marítimas, tendo a sua origem no Brasil. Este, contribuiu não só para o aumento económico português, uma vez que a sua venda permitia que Portugal lucrasse imenso com o comércio do açúcar, devido à sua grande adesão pela Europa, como também para o desenvolvimento da confecção da doçaria nacional, que se tornou rapidamente bastante conhecida internacionalmente (arroz-doce por exemplo).<br />Este período das descobertas teve um peso enorme na alteração da alimentação portuguesa, provavelmente foi até aquele que mais contribuiu para a evolução desta. Em 1498, o navegador português Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia o que levou ao encontro do chamado “ouro das Índias”. Este “ouro das Índias” tratava-se na verdade de especiarias tais como a canela, o gengibre e a pimenta que eram muito difíceis de obter nos países ocidentais. Estas especiarias e o sabor agridoce são hoje considerados como produtos básicos da cozinha. Tal como o açúcar do Brasil, as especiarias contribuíram também para o aumento da economia portuguesa, uma vez que eram os portugueses os únicos a introduzir estes produtos na Europa, o que os tornava donos dos mercados das especiarias.<br />Com o passar dos anos, graças à expansão do império ultramarino português, os portugueses tornaram-se os primeiros europeus a desembarcar em países como o Japão, a China e a Etiópia. Os portugueses passariam assim a trazer para a Europa muitos outros produtos exóticos totalmente desconhecidos até aí tais como o arroz e o chá do oriente, o café e os amendoins africanos, o ananás, a pimenta, o tomate e a batata provenientes dos países do Novo Mundo.<br />A alimentação portuguesa baseia-se assim na apropriação das culturas de outros povos e países, não só alterando a gastronomia nacional mas também dos países europeus. No entanto, a sua diversidade deriva principalmente do Mediterrâneo e do Atlântico. A cultura portuguesa relativamente à alimentação assenta principalmente na trilogia do pão, azeite e vinho, tendência que é, ainda hoje, notável de norte a sul do país, tal como na carne e nos enchidos que consolidam a base dos produtos essenciais em diversos pratos portugueses.<br />

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