Red bull

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Red bull

  1. 1. BaixeaediçãodigitaldegraçaA VEZ DO BRASIL NA COPADAS CONFEDERAÇÕESDENTRODO VULCÃOA AVENTURAMAIS QUENTEDA TERRADA LAMAAO CAOSBARRO EDIESEL NAF1 DAAMAZÔNIANEYMARJR.:PRESSÃO?QUEPRESSÃO?JUNHO DE 2013UMA REVISTA ALÉM DO COMUMAÇÃO I ESPORTE I VIAGEM I ARTE I MÚSICA
  2. 2. Clique e conheçaNOVO CITROËN C3
  3. 3. BEM-VINDO!Formalidades em geral costumam passar longeda gente. Então, nos permita escrever algumaslinhas sobre este novo produto que você temem mãos. A The Red Bulletin, de uma maneirabem simplificada, é uma lata de Red Bull no formatode fotografias, textos e ideias. A The Red Bulletin nãoé uma revista sobre Red Bull, mas a revista daRed Bull. É a oferta de um estilo de vida único,que leva você a um mundo de pessoas que seatrevem a buscar feitos inéditos e a transformarem realidade o que parecia inimaginável, deHollywood a estrelas do futebol, de campeõesmundiais de Fórmula 1 a DJs, de jogadores devôlei de praia a base jumpers.Bem-vindo ao nosso mundo e dê asas à sua inspiração!Dietrich Mateschitz40GAROTOS DE OUROA Youth America’s Cup atrai os jovensvelejadores que querem formar asmelhores equipes do mundo.Junho26 NEYMAR JR. EXCLUSIVOConversamos com a maior estrelada seleção sobre a cobrança que écompetir diante da torcida brasileira.FOTODACAPA:MARCELOMARAGNIFOTOS:BALAZSGARDI/REDBULLCONTENTPOOL,MARCELOMARAGNIO MUNDO DE RED BULLTHE RED BULLETIN 3
  4. 4. Junho50 32lições de um bateristaAhmir Thompson, o Questlove, é baterado The Roots e toca diariamente noprograma de Jimmy Fallon.Tudo marromA categoria mais inusitada do automo-bilismo nacional rola em Rondônia emistura Carnaval com barro.72FAZENDO HISTÓRIAHoje em dia, museus não são maisum lugar onde apenas se expõe a arte.Ele são a arte.56Tribo do skateO skate recuperou a esperança de umacomunidade indígena que sofreu como abandono nos EUA.Vulcão adentroDepois de 15 anos tentando, Geoff Mackleyconseguiu se embrenhar em um dos ambientesmais adversos do planeta.64Bullevard12 NOTAS Pelo mundo16 NA CABEÇA DE... Mick Jagger18 ANTES E DEPOIS Mergulho20 EU E MEU CORPO Sally Fitzgibbons22 FÓRMULA PERFEITA Escalada24 NÚMEROS DA SORTE Star TrekDestaques26 Neymar Jr. é o caraEle fala da pressão da torcida, do  futebol brasileiro e de... videogame.32 Na lama em RondôniaConheça a corrida de Jericos,  a Fórmula 1 da Amazônia.40 Velejadores do futuroAYouth Americas Cup é o berço  dos melhores atletas da vela.50 Prazer, QuestloveO batera do The Roots entende demúsica mais do que você imagina.56 Índio na pistaO skate trouxe esperança para umacomunidade indígena decadente.64 Tá quente!A expedição que desceu de rapel  um vulcão que é pura lava.72 Mais do que museusUma seleção para você mergulhar  na arte em todos os sentidos.mais corpo mente86 MALAS PRONTAS Austrália profunda88 MEU EQUIPO Ryan Dungey90 EM FORMA Karim Derwish92 vida Noturna Bora pra balada?96 Na agenda O que fazer neste mês97 kainrath Eventos de junho98 coluna Steven BaileyNesta ediçãofotos:bradleyambrose,vitraDesignMuseum,jayhanna,picturedesk.com,marcelomaragnio Mundo de red bull4 the red bulletin
  5. 5. A energiAde red Bull em trêsnovos sABores.www.redBull.com.BrcrAnBerry lime BlueBerry
  6. 6. SEAHAM, INGLATERRAMARÉALTA“A onda é muito grande ou o farol é muitopequeno?”, perguntou um dos seguidores deOwen Humphreys no Twitter. Cinegrafista deuma rede de TV, Humphreys confirmou a pri-meira opção: “Amigo, foi um dos piores maresque já vi”. O farol, no muro do porto da cidadede Seaham, no condado de Durham, Inglaterra,cerca de 25 km a sudeste de Newcastle emdireção a Tyne, tem 10 metros de altura;o jato d’água no alto daquela onda quebrandotem cerca de três vezes esse tamanho.twitter.com/owenhumphreys1Foto: Owen Humphreys 7
  7. 7. SAARA, MARROCOSCORRIDA SECANenhum desafio esportivo é mais difícil que a Maratonadas Areias (Marathon des Sables, em francês). É uma corridaenorme por dia, por seis dias. Quem corre precisa carregartoda a comida e equipamento. Água e os medicamentospara os primeiros-socorros estão disponíveis no trajeto.(Na lista de compras dos organizadores: 120 mil litros deágua e 2.700 emplastros para bolhas nos pés.) A corridadeste ano terminou em 15 de abril. A do ano passado foivencida por Salameh al Aqra, da Jordânia, em 19 horas,59 minutos e 21 segundos. E ele declarou, com toda razão:“Qualquer um que cruzar a linha de chegada é um campeão”.www.darbaroud.comFoto: Erik Sampers 9
  8. 8. LOFOTEN, NORUEGAESPETACULARAksel Lund Svindal está acostumado a ser vistopor muita gente quando esquia. Neste passeio foradas pistas, o norueguês bicampeão da Copa do Mundo,medalha de ouro olímpica super-G e vencedor de cincomedalhas de ouro em diversos campeonatos mundiais,integrava a equipe de filmagem de Being There (dispo-nível no iTunes), um documentário sobre esqui ao redordo mundo.“É simplesmente a natureza em estadobruto”, disse sobre as filmagens.“E você esquiandono momento.” Ele é o que está sorrindo para a câmera.www.fieldproductions.comFoto: Mattias Fredriksson10
  9. 9. YORKSHIRE DALES, INGLATERRANAHORADOFLASH“Cavernas não têm luz natural”, diz o fotógrafo de aventuraRobbie Shone.“Então é nossa missão conseguir isso”.Em uma de suas expedições, na Boxhead Pot, uma dasdiversas cavernas no gigantesco parque na divisa daInglaterra com o País de Gales, Shone teve problemas.“Eu estava em baixo do Sam Allshorn, na mesma corda,girando sem parar. No topo, o gelo começou a derretere a água gelada começou a despencar. O barulho era ensur-decedor, não dava para se comunicar. Logo, meus flashescomeçaram a falhar e não consegui mais efetuar os disparos”. Dentro dos buracos: www.shonephotography.com Foto: Robbie Shone12
  10. 10. BullevardSua dose mensal de esporte e culturaNova York O ciclista de BMX Edwin De La Rosaanda pelas ruas da Big Apple. Stan EvansStan EvansVocê vaipara Veneza?A partir de 1º de junho,a Bienal de Veneza vai exibiro trabalho de 150 artistas de37 países. Conheça os quatromaiores talentos1. SARAH SZEA representante dos EUA criouesculturas de itens do dia a diaespecialmente para a mostra.2. TAVARES STRACHANDas Bahamas, sua obra temum vídeo reencenando uma expe-dição ao Polo Norte de 1909.3. JOANA VASCONCELOSO pavilhão português seráflutuante, diz a artista, conhecidapor trabalhar tecidos.4. AKRAM ZAATARI“Carta a um Piloto que se Recusa”é a obra do artista libanês quemexe com fotos e vídeos.Até onde Ferruccio Laviani sabe, móveisficam mais interessantes quando a tradiçãoencontra a modernidade. E “encontro”, parao designer, significa duas eras artísticascolidindo sem airbags. “Eu me sinto comoo filho rebelde de uma boa família que tiraas relíquias da avó para uma ocupação e fazalgo novo com elas”, diz o artista de 52 anos.Esta abordagem foi largamente aplicada em“F***-se Os Clássicos!”, sua recente coleçãopara a loja de móveis italiana Fratelli Boffi,que exibiu uma série de peças que recrioumóveis domésticos da exata maneira que otítulo sugere. Uma arca de peças íntimas euma mesa qualquer com o que aparentamser buracos feitos por raios laser. Mesas compartes de 1753 e 2053. E o mais impressio-nante de tudo, há “Boas Vibrações”, umarmário de carvalho feito à mão (direita) quedá a impressão de estar em pausa num vídeoVHS. “Eu gosto da ideia de ter um móvelem casa que parece estar sofrendo umainterferência”, ele explica. “Isto realmentearrebata você ao passar por ele”, diz.www.laviani.comBATE NAMADEIRAComo fazer uma coisaantiga ficar muito,muito novaMóveis para a eradigital: o armáriode LavianiNEGATIVOSVocê já tirou uma foto com o sabor da Red Bull?Todo mês a gente faz uma seleção comnossas favoritas.phototicker@redbulletin.comA SUAFOTO AQUI14 THE RED BULLETIN
  11. 11. FOTOS:FERRUCCIOLAVIANI,GUARDIANNEWSMEDIALTD.,TAVARESSTRACHAN,GETTYIMAGES,PICTUREDESK.COM,IMAGO(2),TIMLÜDIN/REDBULLCONTENTPOOL(2)A escolha docampeão olímpicoQuando Jonas Recker-mann se aposentou,o campeão olímpico devôlei de praia, o alemãoJulius Brink, teve de en-contrar uma nova dupla.E o cara escolhido foiSebastian Fuchs, de 26 anos, 2,03 m dealtura, braços compridos e um pulo exce-lente. O ex-jogador de vôlei de quadra estáansioso para começar a jornada pelo ourona Olimpíada do Rio. “É muito motivadorformar dupla com o melhor jogador defen-sivo dos últimos quatro anos”, diz. “Juliusé um atleta maravilhoso que dá 100% emcada treino, em cada rally. Ele é um exem-plo de atitude.” Agora eles são parceiros:“Eu tive a oportunidade de conhecer Juliuscomo uma pessoa muito atenciosa, quegosta de se divertir. O espírito de equipe éextremamente importante para ele e agoraeu posso aproveitar isso diariamente”.www.fivb.orgNogaro Sébastien Loeb começou muitobem o campeonato da FIAGT,na França.François FlamandPretoria Muitos braços no campeonato dedança de rua sul-africano do Red Bull Beat Battle.Mpumelelo MacuColombo Os capitães com o troféu do Red BullCampus Cricket, no Sri Lanka.A Índia foi campeã.Dimitri Cruszthe red bulletin: Em 2012,você terminou em oitavo noADAC Formel Masters, a­série open-wheel alemã,vencendo a corrida na con-dição de estreante e comoúnica mulher no grid. Vocêdeve estar com objetivosmuito ambiciosos para estatemporada, não?beitske visser: Com certeza.E é uma ambição realista por­que eu aprendi a me adaptarbem a carros de corrida maisrápidos, estilo Fórmula.E depois?Quero o título da Fórmula 1.Sebastian Vettel deve teralgo a dizer sobre isso.Ele é meu ídolo. Seria umsonho correr contra ele. Nóspercorremos um caminho pare­cido, ele também foi da equipeRed Bull Junior antes daFórmula 1.A Danica Patrick, estrelada NASCAR, é consideradaa melhor piloto mulher.Você se espelha nela?Sim, mas eu prefiro ser melhordo que ela.Você já protagonizou episó-dio que constrangeu o RalfSchumacher. Como foi isso?Foi em uma corrida de kartna Alemanha. Eu liderei pelamaior parte da prova e eleestava em segundo quandome jogou para fora da pistana última volta. Ele foi punidoe ficou bravo. A penalidade foicancelada, mas foi engraçadover como ele ficou contrariadoporque uma garota foi maisrápida do que ele na corrida.www.redbulljuniorteam.comNA MIRA DELABeitske Visser, de 18 anos, é a cor­redora mais talentosa da Europa. Ela fez Schuma­cher suar e agora quer uma chance contra VettelNosouvidosMúsicasde 10, 20 e30 anos atrásque aindasoam novasNovo na praia: Sebastian Fuchs (direita) é a novadupla de Julius BrinkBeitske Vissersonha com a F1Sebastian FuchsFOUR TET:“ROUNDS” (2003)Uma delicada obraprima eletrônica,insuperável comotrilha sonora paracoquetéis em umaestação espacial.TALKING HEADS:“SPEAKING INTONGUES” (1983)Chamado de“pací­fico”e“sanguinário”,este grito de revoltade um jovem de24 anos é purabrutalidade.PJ HARVEY:“RID OF ME”(1993)O momento em queos punks arrumadosmolharam o dedo nomainstream foi ummarco da música.THE RED BULLETIN 15
  12. 12. DiasdehambúrguerA segunda edição do festival de hambúrgueres em SãoPaulo, o SP Burger Fest, está confirmada para a segundaquinzena de maio, de 14 a 28. São restaurantes dos maisvariados estilos e lanchonetes de toda cidade preparandoreceitas inéditas de hambúrgueres. Seja o estabelecimen-to uma hamburgueria tradicional ou com outras propostas,como cantinas, tascas e bistrôs, o desafio está aberto.O português Tasca da Esquina, por exemplo, deverá repetiro sucesso que foi o sanduíche de atum que fezna edição do ano passado. Ele é servidono prato, o peixe é selado sobrechutney de pimentão defumado,coberto por um ovo frito­­e vemsempre acompanhado de chipsde mandioquinha.www.facebook.com/SPBurgerFestPegaessa,juizão!Talvez a pessoa que você mais xingou em sua vida? Quemsabe... Os juízes de futebol são para-raios de impropériosdesferidos pelos torcedores de todo o mundo. Mas será quevocê, no lugar dele, acertaria as decisões? Esse é o tipo deexperiência que o Museu do Futebol, que fica no Estádio doPacaembu, em São Paulo, traz a você até o dia 9 de junho.A exposição “Será que foi, seu juiz?” conta com tecnologiae ilusão de óptica para colocar o espectador na pele dohomem de preto. São situações que simulam impedimentoe decisões que, para quem está na torcida ou no sofá decasa, parecem extremamente óbvias, mas que não são nemum pouco claras quando vistas do ponto de vista do juiz.www.museudofutebol.org.brAGORA É NO RIOAdriano de Souza fala sobre sua conquista históricana última etapa do circuito, na Austrália, e asexpectativas para o WCT do Rio, neste mêsPreparação para a temporada “Comecei os treinamentos antes da pri-meira etapa. Foram muitos treinos físicos e natação. Cheguei na Austrá-lia no começo de janeiro para treinar nas ondas e acostumar com o fusohorário. Ou seja, foi tudo muito bem planejado até eu chegar em Bells.”Campeão em Bells Beach “Os australianos viram uma tem-pestade chegando! Seria o Brazilian Storm? (risos). Ficaramchocados com a minha atuação, mas sei que os locais de lánão foram surpreendidos, pois eles sempre viram,ano após ano, como me dediquei naquela onda.O mais difícil da vitória foi a bateria contrao Mick Fanning, que é meu ídolo, competiaem casa e defendia o título.”WCT no Rio de Janeiro “Treinei muito naIndonésia nas últimas semanas. Quero meaperfeiçoar para encaixar outro bom resultadono Brasil. Adoro as ondas do Arpoador, Barrae Postinho, onde o campeonato é disputado.”Corrida para o título de 2013 “Respeito todosos competidores, e com certeza o Kelly, mais umavez, vai ser o cara a ser batido. Por outro lado,temos força brasileira. Acredito muito no poten-cial do Gabriel Medina para esta temporada.”Billabong Rio Pro: de 8 a 19 de maio, www.wctbrasil.comNas ondas da Barra:Parko foi vice em 2012A modernaSala das CopasSantiago Visão panorâmica no Chile:Tom Weissenberger e seu paraglider.Juan Luis De HeeckerenRio de Janeiro As garotas de Ipanemabatem um bolão no Red Bull Roda de Bola.Marcelo MaragniMontpellier Na França rolou a“Copa doMundo do Breakdance”e foi sensacional.Markus BergerTEXTO:FERNANDOGUEIROS.FOTOS:KOLESKY/NIKON/REDBULLCONTENTPOOL,MARCELOMARAGNI/REDBULLCONTENTPOOL,SHUTTERSTOCK,DIVULGAÇÃOAdrianode SouzaBullevard16 THE RED BULLETIN
  13. 13. TEXTO:PAULWILSON.ILUSTRAÇÃO:LIE-INSANDTIGERSONDE ESTÁ SUA CABEÇA?MICK JAGGERDocumentários, shows, livros e, claro, uma nova coletânea dos maiores sucessosmarcam os 50 anos dos Rolling Stones. A satisfação certamente já foi alcançada a essa altura,mas o que mais está rolando para Sir Mick?www.rollingstones.comSimpatiaparaosDemôniosApós terem sido culpadospela morte de um fã em umshow dos Stones de 1969,os Hells Angels planejarammatar Jagger em uma casade Long Island, em NovaYork, mas o barco que levavaos motociclistas virou.MickJagger,guitarristaAlém dos vocais, da harmô­nica e de muita arrogância,Mick contribuiu tocandoguitarra em vários discosdos Rolling Stones:“Sway”,em Sticky Fingers (1971),“Stop Breaking Down”, emExile On Main St. (1972),e“Fingerprint File”, emIt’s Only RockNRoll (1974).ComosBeatlesJagger tinha 18 anos quandoos Stones fizeram seuprimeiro show – isso foi em1964. Em 1966 eles eram osmaiores rivais dos Beatles.No futuro, Paul McCartneypassaria a lua de mel na casade Mick, na ilha de Mustique.“Paul é muito legal e fácil delidar”, disse Jagger, em 1995.ParceiroKeithNascidos com umadiferença de 145 dias nomesmo hospital de Kent –hoje uma clínica que cuidade idosos –, Keith Richardse Mick Jagger se conheceramna adolescência, em 1961.“Você precisa aturaras boba­gens; é como casamento”,disse Richards sobre a dupla,em sua biografia.YouCanAlwaysGetWhatYouWantDurante a turnê A BiggerBang Tour, de 2005, Jaggerexigiu canais de TV paraassistir a cricket no cama­rim. Em 1997, ao perder umjogo por não ter transmis­são, ele abriu uma empresapara comprar os direitosde transmissão online.SirMickSobre Jagger ter se tornadoSir em 2003, Charlie Wattsdisse: “Qualquer outro serialinchado: 18 mulheres,20 filhos e ele virou Sir.Não é fantástico?” Charlieé o mais velhor da banda,nascido em 1941. Jaggeré o segundo, seguido porKeith (dezembro de 1943)e Ronnie (1947).NaatividadeEm 2011, Jagger gravoucom o SuperHeavy, umasuperbanda com Joss Stone,AR Rahman, Damian Marleye Dave Stewart, e embarcouno Twitter. Ele tuíta e postafotos: uma com um presentede aniversário de 69 anos,outra em Paris gravando parao disco mais recente, GRRR!StartMeUpMichael Phillip Jaggernasceu em 16 de julho de1943, em Dartford, Kent.Seu pai, Joe, era professorde Educação Física, a mãe,Eva, era cabeleireira.Chris, o irmão mais novo,é um músico que lançousete álbuns. Até ir paraa London School ofEconomics em 1961,o jovem Jagger eraconhecido como Mike.THE RED BULLETIN 17Bullevard
  14. 14. O cenário nasprofundezas do marsempre foi o mesmo,mas a forma comoo exploramos mudouradicalmenteANTES E DEPOISEsta engenhoca, parte de uma roupa de mergulho atmosférica, foi usada pela Marinha­Soviética em até 40 metros de profundidade. O ar era bombeado para dentro por meio deuma mangueira conectada à superfície. Entretanto, o ar que o mergulhador exalava ficavadentro do capacete, o que tornava a experiência dentro do escafandro intensa. Só quandoa pressão atingia um nível relativamente alto, uma abertura permitia que o ar saísse.OLHAR EMPROFUNDIDADENa parte de trás:dupla conexão demangueira de are uma válvula paraequilibrar a pressãowww.rusnavy.com1971 CAPACETE DE TRÊS PARAFUSOS (URSS)VEDAÇÃOO colarinho da roupa demergulho fica preso entre aspartes da cabeça e do ombro e,com ajuda externa, é parafusadoem três pontos. Um poucoviolento, mas à prova d’águaMATERIAISLiga de bronze reforçada.O interior branco eraintencional, supõe-se quea cor fora pensada parareduzir a claustrofobiado mergulhadorVISORVidro bem fino envolvido por bronze.Vantagem: pode ser aberto na superfície,em terra. Desvantagem: em caso deo mergulhador se debater debaixo d’água,o vidro pode se quebrar facilmente18 THE RED BULLETIN
  15. 15. FOTOS:KURTKEINRATHO KM 37 foi concebido para operações de salvamento em águas contaminadas e projeta-do para tornar a vida dos mergulhadores o mais confortável possível. O ar alcança o inte-rior do capacete a partir de cilindros de ar comprimido (montados nas costas), o dióxidode carbono exalado flui através do regulador abaixo do visor e um sistema de ventilaçãointerior melhora ainda mais a qualidade do ar. Tem também reserva de gás e rádio.O capacete conectacom os cilindrosde ar comprimido;o sistema de rádiofica logo embaixowww.kmdsi.com2012 KIRBY MORGAN 37MATERIAISRevestimento de fibra de vidroe fibra de carbono. Resistenteà pressão e com isolante elétrico.O isolamento é importantepara se trabalhar com cabossubmarinos de eletricidadeVEDAÇÃOO mergulhador utiliza no pescoçoum encaixe de alumínio, onde ocapacete se ajusta perfeitamente.O interior se mantém seco até emmergulhos “de cabeça para baixo”VISORO imponente paineldo capacete é de poli-carbonato e à prova dearranhões. Ele mantéma temperatura e, graçasao fluxo de ar internoprojetado para desem-baciar, tem garantiacontra umidificaçãoTHE RED BULLETIN 19Bullevard
  16. 16. FÓRMULAPERFEITASEGURA!As agarradas com os dedos que são típicas dosalpinistas têm fundamento na realidade. Aquiexplicamos a física desta pegada formidávelTEXTO:MARTINAPOLIN.FOTO:REINHARDFICHTINGER,STEFANSCHLUMPF/REDBULLCONTENTPOOL.ILUSTRAÇÃ:MANDYFISCHERA PEGADA EM NÚMEROS“Qual é a correlação entre a profundidade de uma agarrada e a forçamáxima vertical que os dedos podem suportar na pegada de dedosmeio dobrados [figura 1]?”, pergunta o dr. Martin Apolin, professorda Faculdade de Física da Universidade de Viena.“Um estudo de 2012 testou alpinistas que se penduravam emuma saliência com uma das mãos. A ideia era medir objetivamentea força do dedo. Os participantes eram todos alpinistas experientes.A figura 2 mostra a correlação entre a profundidade da saliência e aforça do dedo: a força aumenta com a intensidade da pegada e atin-ge o ponto máximo em 520N. Kilian Fischhuber, pentacampeão daCopa do Mundo de escalada esportiva [tipo dealpinismo curto e rápido], teve a força dos seusdedos medidos com impressionantes 800N.“O peso do corpo em Newtons, FG, é deter-minado por FG = mg: m é a massa do alpinistae g é a gravidade (cerca de 10 m/s2). Pesando63 kg, Fischhuber tem um peso corporal decerca de 630N. Com um pequeno aumento naintensidade da pegada, ele poderia facilmentesegurar com uma das mãos; este não seria ocaso dos outros alpinistas com o mesmo pesoque se submeteram ao teste.“Os dedos têm diversas articulações, masaqui os consideramos como uma unidadeintegral. Para ter uma alavanca equilibrada,tentamos explicar assim: força, Fk, multiplica-da pela alavanca do braço, r, é igual à carga, FL, multiplicada pelaalavanca do braço, rL, ou Fkrk = FLrL (figura 3). O flexor digitorumsuperficialis é o músculo responsável pelo desvio da articulação dodedo médio; sua força, FM, nós estimamos em 650N. Porém, comoseus tendões puxam em um ângulo, o componente da força vertical,FK, é decisivo. Portanto, nós fazemos uma modificação: FK = FMcosαe portanto FL = FMcosα (rk/rL).“Assumindo a mesma força muscular, a força do dedo é indireta-mente proporcional à carga do braço rL (FL ~ 1/rL). Dependendo deonde o principal ponto de apoio do dedo está, isto é, onde FL entraem efeito, a carga do braço muda. Com uma pegada profunda, esseponto está mais perto do pivot, então rL é menor (por exemplo, 2cm)e FL é portanto maior (450N). Se a pegada for mais estreita, esseponto se afasta do pivot, rL aumenta (3cm) e FL diminui (300N)(figura 3). É claro que há outros músculos do antebraço queaumentam a força dos dedos. Mas com esse modelo compreende-mos porque a força dos dedos diminui com pegadas mais estreitas.”­VAMOS DAR AS MÃOSComo se aumenta a força dos dedos? “Treinando com uma campusboard – tábua de madeira com grades horizontais presas nela”, dizKilian Fischhuber. Na falta de equipamentos profissionais, é possíveltreinar a pegada ficando dependurado em casa. “Um revestimentode porta bem firme pode funcionar”, diz Fischhuber.A estrela austríacadas montanhas KilianFischhuber, de 29 anos,foi campeão mundialde escalada esportivaem 2005, 2007, 2008,2009 e 2011B U L L E VA R D 21
  17. 17. CREDIT:EU EMEU CORPOAos 17 anos,a austra­liana se tornoua mais jovem surfistaa se classificar para oCircuito Mundial daASP. Nas últimas trêstemporadas, ela sempreficou entre as melhoresclassificadas. Agora,aos 22 anos, Sally estápronta para ser campeãwww.sallyfitzgibbons.comSALLYFITZGIBBONS1  RESPEITO AO MARAssim que você entra naágua, seu corpo fica emuma espécie de estadode alerta. Para surfar énecessário que se tenhareações rápidas, umaexcelente noção de espaçoe uma compreensão bemapurada de como ooceano se comporta.5 APNEIASou assídua frequentadorados campos de treino daRed Bull.Ano passado,em um curso de mergulho,aprendi como segurara respiração por quatrominutos e manter a calmana água em situações deperigo. Isso pode salvara vida de nós surfistas.DOR CONTROLADA  3Machuquei minhascostas surfando na GoldCoast em 2009, duranteminha primeira competiçãona ASP World Tour. Leveicinco meses para melhorar.Segui com­petindo com dorpara não perder meu lugarna temporada seguinte.AGACHAMENTOS  4No surf você trabalha­costas, pernas e bumbumem harmonia. É por isso queeu faço treino funcional.Minhas coxas são meus­músculos mais importan-tes, nelas busco força paraas manobras. Por isso façomilhões de agachamentosde todos os tipos.REMANDO FORTE  2Quebrei meu pulsoesquerdo no final de 2011surfando em Fiji, quando fuiarremessada sobre oscorais. Ficar seis semanassem poder surfar no verãoaustraliano foi muito­­­chato, quase fiquei louca.TEXTO:ULRICHCORAZZA.FOTO:KATIEKAARSBullevard22 THE RED BULLETIN
  18. 18. NÚMEROS DA SORTESTAR TREKCom a estreia de Star Trek Into Darkness no início de maio, viajamos pelos 47 anos(e milhões de anos-luz) da saga de ficção científica mais lucrativa da história47O roteirista de Star Trek:A Nova Geração, Joe Menosky,formou-se em 1979 na Universi-dade Pomona (Califórnia) onde,em 1964, um professor apresen-tou a teoria de que o número47 tem maior ocorrência no uni-verso do que qualquer outro.Menosky incluiu a tese comfrequência nos episódios;roteiristas de toda a franquiaseguiram o exemplo.TEXTO:FLORIANOBKIRCHER.FOTOS:KOBALCOLLECTION,PICTUREDESK.COM(3),GETTYIMAGES(2),IMAGO,REXFEATURES,CORBISMr. Spock eCapitão Kirkhoje……e na épocaA primeiraUSS EnterpriseEstação espacialDeep Space NineTrekkieazulTenente UhuraTenente Worf,Klingonwww.startrekmovie.com726A nave estelar USS Enterprisepairou pela primeira vez nastelinhas norte-americanas em8 de setembro de 1966, masaterrissou após três tempora-das de pouco público. Star Trekpassou a ter mais repercussãoquando as reprises eramexibidas. Foram cinco sériesdiferentes que viraram ummarco na TV. Assistir a todosos 726 episódios de uma vezlevaria três semanas.Os Klingons são uma raça deguerreiros com um idioma pró-prio, desenvolvido pelo linguis-ta Marc Okrand após seu traba-lho em Star Trek III: À Procurade Spock. O dicionário Klingonfoi publicado pela primeira vezem 1985. De acordo com o livroGuinness, Klingon é o idiomafictício mais falado no mundo.1985Nenhuma série televisiva temmais fãs que Star Trek. Em1994, houve 130 convençõesde fanáticos em todo o mundo,com mais de 400 mil partici-pantes. Há alguns “Trekkers”famosos: Martin Luther Kingelogiou Tenente Uhura comoum modelo de mulher afro-americana, enquanto BarackObama providenciou umaexibição especial do filmede 2009 na Casa Branca.400.00070O ex-piloto e policial GeneRoddenberry escreveu o pri-meiro roteiro de Star Trek em1964. Roddenberry foi o padri-nho de Star Trek e trabalhouem programas de TV e filmesaté sua morte, aos 70 anos,em 1991. Em 1997, um poucode suas cinzas foi pararno espaço com um foguete, noprimeiro “enterro espacial”.GeneRoddenberryDesde Star Trek – O Filme,de 1979, outros 10 filmesda saga foram lançados.O mais recente é de 2009 efaturou mais de US$ 380 mi-lhões nos cinemas em todo omundo, tornando-se a maiorarrecadação da franquia emtodos os tempos, mesmo comos preços atualizados. Um su-cesso ainda maior é previstopara a sequência Star TrekInto Darkness, que serálançada no dia 15 de maio.385.680.446BullevardCREDIT:THE RED BULLETIN 23
  19. 19. CREDIT:O grandedesafio deNEYMARA principal competição internacionaldisputada pela Seleção Brasileira no Brasildesde 1950 acontecerá em junho.E adivinha para quem os holofotesestão voltados?ENTREVISTA: BENJAMIN BACK FOTOS: MARCELO MARAGNIJR.26
  20. 20. om a rapidezde quem descepela esquerdacorrendo coma bola no pé, Neymar Jr. entra no vestiáriodo Santos pela porta dos fundos. Veste je-ans, camisa polo e boné. Está na Vila Bel-miro para participar do Red Bull Príncipeda Vila, evento que encerra o centenáriodo Santos Futebol Clube e dá início ao101º ano da história do alvinegro praiano.Antes de se sentar no trono montadoem pleno gramado da Vila Belmiro,Neymar Jr., de 21 anos, fez alguns retra-tos para a Red Bulletin. O atleta maisbadalado do Brasil é atencioso com todosque estão por ali – assessores, câmeras,repórteres, seguranças. Magro, tranquiloe sempre sorridente, faz algumas brinca-deiras com os amigos que estão por perto.Fotos feitas, ele caminha para o túnelque dá acesso ao campo, onde a festaestá armada. No Red Bull Príncipe daVila, garotos das escolas locais passarampor uma triagem e estão hoje no gramadodo estádio do Santos para acertar chutesem alvos montados na arquibancada.São 101 meninos na disputa. Cada alvotem um valor e se classifica aquele quesomar mais pontos nos cinco chutes aque tem direito. O vencedor leva umpar de chuteiras do craque.O jogador mais poderoso do Brasil temuma forte identidade com seu time e comos torcedores. Por onde passa, especial-mente nos arredores do estádio, o furoracontece. Meninas gritando, meninoscom canetas em busca de autógrafo, fotó-grafos, imprensa... O ídolo manteve-sefirme no Santos mesmo com o imensoassédio dos clubes estrangeiros nos últi-mos anos. Hoje, Neymar Jr. também é oprincipal atleta e alvo das cobranças naSeleção Brasileira. O nosso camisa 11está acostumado a ser notícia no mundointeiro, como uma espécie de talentomisterioso. Mas, se depender do sorrisofácil, do potencial e da malandragem doatacante, nada disso vai tirar o seu sono.Após ajudar os participantes a acerta-rem alguns dos alvos nas semifinais doevento e presentear o vencedor com suaschuteiras, ele volta ao vestiário. Ele tira otênis e brinca descalço com a bola, total-mente descontraído. Seu pé estava leve-mente dolorido devido à partida disputa-da no dia anterior – pelo campeonatopaulista, ele fez “apenas” quatro gols nojogo. Depois de algumas embaixadinhas,se sentou para conversar com a Bulletin.vocês entram desencanados. Comoestá a sua cabeça para a Copa dasConfederações? Você está preparadopara essa cobrança?Temos um grupo bem difícil, consideradoo grupo da morte. São equipes com quali-dades gigantescas. Mas me preparandopsicologicamente não estou. Estou mepreparando fisicamente. No psicológicoeu tô tranquilo e fisicamente tô mepreparando. A cada treino e a cada jogoeu me preparo para a Copa das Confede-rações. Cobrança existe, é normal no fute-bol. No clube, na Seleção. Ainda mais naSeleção, por ter uma história fantástica.A Seleção Brasileira, em qualquer campe-onato que entra, é uma das favoritas.Então a gente tem que honrar isso. Mastem que ser jogando futebol, não falando.Você já se imaginou numa final deCopa das Confederações, com oMaracanã lotado?Claro. A gente sonha. Tem que sonhar.Sempre sonho com todos os jogos, sempreajudando a Seleção, o Santos. Na concen-tração ou antes da partida, eu procurodeitar e imaginar os lances. Eu faço issoem todos os jogos. Penso: “Se eu pegara bola desse jeito, vou fazer isso e isso”.Quando estou no caminho para o jogoé o que mais faço.O que você vai imaginar contra aItália (último adversário do Brasilna primeira fase)?Ah, vamos bagunçar a zaga da Itália!Deus te ouça! Vamos entortar aquelescaras! Mas temos o México também...É, virou o carrapato. O México é umtime de muita qualidade. Tem jogadoresde qualidade, e a gente espera reverteressa história. Nada melhor do que fazerisso agora na Copa das Confederações.“ Não estou mepreparandopsicologicamente, massim, fisicamente. Cadatreino e cada jogo é umpreparo para a Copa dasConfederações. ”the red bulletin: Ontem você “só”marcou quatro gols. Como é isso paravocê e para a equipe?neymar jr.: Fico muito feliz e eles tam-bém. Brincam, falam. No final do jogo agente até tirou uma foto. O ambientedo Santos é maravilhoso. Todo mundofala com todo mundo, não tem picuinha,não tem frescura.Ninguém nunca teve uma crise deciúmes desde que você está no Santos?Eu acho que tá acabando isso de vaidadeou ciúmes no futebol. Graças a Deus issonunca teve no Santos. Tem que acabarcom isso, não precisa disso. Cada jogadortem sua história, seu contrato, indepen-dente de quanto ganha. Se a pessoa estáganhando aquilo, é porque merece.Meus pais sempre me ensinaram issodesde pequeno, a não ter ciúmes denada. Eu também sempre fui muito relax,nunca tive muito problema com isso.Você falou “tem que acabar com issono futebol”. Não acha que outras coisastambém precisam acabar no futebol?Hoje tem gente que acha o drible umaofensa, uma brincadeira arrogante...O futebol às vezes é engraçado, às vezesé um pouco chato. Tem umas coisas que,por exemplo, o Viola [ex-jogador], no jeitoque ele comemorava o gol, o jeito queimitava bichos, subia na arquibancada...É engraçado. O legal do futebol é vocêbrincar com um amigo. Você tem umamigo que torce para outro time e vocêzoa com ele. É uma brincadeira, mas temmuita gente que leva para o lado pessoale fica se sentindo ofendida.Em breve vamos ter a Copa das Confe-derações. Só vi três caras totalmentetranquilos no futebol: o Ronaldo,o Romário e você. Tanto faz o jogo eC28
  21. 21. Neymar Jr. antesdo jogo: “Procurodeitar e imaginar oslances. Faço isso emtodas as partidas.”
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  23. 23. Qual é o seu palpite para a final daCopa das Confederações?Espero que seja Brasil e... (longa pausa)Vai, acho que vai dar Brasil e Espanha.Com Brasil campeão.Um a zero?Mais, pô! Tem que pensar grande.É que uma seleção com Xavi e Iniestanão é fácil...Eu sei, mas tem que pensar grande.Vamos sonhar alto. Dois a zero.Dois do Neymar Jr.?Um passe já tá bom demais!Você fica chateado quando falamque o Neymar Jr. do Santos não éo mesmo da Seleção?Não me incomodo. E acho também queé uma coisa diferente. É o estilo de jogar,os jogadores são diferentes... A gente nãoestá entrosado na Seleção. No Santos játem um entrosamento. Meus companhei-ros de Santos já sabem onde estou, o quevou fazer, se posicionam diferente. Masagora a gente vai ter tempo para traba-lhar na Seleção, então vai melhorar.O Paul Breitner, um dos maioresjogadores da história do futebolalemão e dirigente do Bayern deMunique, disse numa entrevista queo brasileiro vive muito à sombra dopassado. O que você acha disso?Não sei se vive à sombra do passado.Mas, com certeza, os times europeuscresceram muito no quesito tático.Taticamente os jogadores são todos bemcorretos em suas funções. É diferente doque acontece por aqui. Aqui a gente ficamais à vontade. Lá não, são todos muitobem posicionados. Um atrás do outro,muita força física, difícil de conseguirpassar. Mas também não é nem só aforça física, eles fazem linha de quatroe diminuem o campo, fica difícil paraa outra equipe. Mas a gente vai seencaixando e vamos dar o que falarainda. No futebol existe a oscilação,isso é inevitável, acontece no mundointeiro e é claro que nós, jogadores,ficamos tristes, pois sempre queremosdar o melhor e vencer, é o nosso trabalho.O Pelé disse recentemente que aSeleção Brasileira deveria ter a basedo Corinthians, mas com o Neymar Jr..Você concorda? Hoje, se você for ver,a base da seleção alemã é o Bayerne o Borussia, e da seleção da Espanhaé o Barcelona e o Real, por exemplo.Pelo que ele falou do entrosamento, euaté concordo, isso faz muita diferença.O Brasil tem uma coisa que nenhumaseleção tem, que é a qualidade dosjogadores por aqui. É muito alta.Se você parar para pensar, é mais alta queem qualquer lugar. Só falta colocar emprática. É isso o que queremos fazer logo.O mundo inteiro está impressionadocom o desempenho dos times alemãesnas finais da Liga dos Campeões da Eu-ropa. Estão dizendo que é uma nova or-dem que está se formando. Você acom-panha o futebol alemão?Sim, sempre que posso eu acompanho.Tenho amigos que jogam lá, inclusive.O campeonato alemão evoluiu bastantede uns tempos para cá. São times muitofortes e jogadores de alta qualidade. Essetrabalho está sendo visto pelo mundointeiro, é possível notar que o desempe-nho das equipes está acima da média.No evento de hoje vimos váriascrianças que sonham em tirar umafoto com você e que na hora começamaté a tremer. Às vezes, você pensa“tenho que tomar cuidado para fazerisso ou aquilo porque tem milhões decrianças que se espelham em mim”?Eu preciso pensar no que faço. Mas souesse cara aqui: é na sua frente, é em casaou com meus amigos, eu brinco com todomundo, não tô nem aí. Se eu tenho naminha cabeça o que vou fazer, então faço.Não ligo muito, não sigo uma linha. Eufaço o que tenho vontade. E essa questãode crianças gostarem tanto de mim, ficomuito orgulhoso. Sou um fã até hoje,o meu ídolo é o Robinho, toda vezque falo com ele é uma alegria.Mudando um pouco de assunto...Fiquei sabendo que você é muitoruim no videogame.Pois é, hoje em dia tô mal... (risos)Mas dos meus amigos eu ganhode todos, deito e rolo!Com qual time você joga?Bayern de Munique.E qual jogador é seu favorito?É o Messi, né? O cara é fera, mano.Só ficando em casa no videogamepara não ser assediado. É incômodoter seus 20 e poucos anos e não terliberdade para curtir, ir ao cinema?Não, opa, cinema eu vou! Este ano fuiao shopping, no cinema. Mas hoje só nãotiro fotos ou dou autógrafo se ficar emcasa. Incomodar não incomoda, mas temcoisa que faz falta, tipo ir à praia. Faztempo que não vou. Não tem como. Ir aoshopping, dar um rolê, praça de alimenta-ção, McDonald’s e voltar pra casa. Não dá.Isso eu fazia muito. Ir à praia jogar umfutevôlei? Não dá. Ficar sentado tomandosol? Impossível. São coisas gostosas queeu tinha e hoje em dia acabou. Se querocomer no Mc, só indo no drive-thru.EstávalendoA Copa das Confederações reúneos campeões de cada continente eo campeão mundial. Será a primeiravez que o Brasil receberá o torneio –o último teste antes da Copa do Mundode 2014.A Copa das Confederações serádisputada em Brasília, Belo Horizonte,Recife, Fortaleza, Salvador e Rio deJaneiro. São dois grupos na primeirafase. De cada um saem dois classificados.No grupo do Brasil (Grupo A) estãoMéxico,Japão e Itália. No Grupo B,Espanha, Uruguai,Taiti e Nigériadisputam as vagas.A fase de gruposacontece do dia 15 a 23 de junho.As semifinais serão disputadas nosdias 26 e 27, em Belo Horizonte eFortaleza, respectivamente, e a finalserá no dia 30, no Maracanã.“ O Brasil tem umacoisa que nenhumaseleção tem, que é aqualidade dos jogadores.Tem mais do que emqualquer lugar. Só faltacolocar em prática. ” Copa das Confederações: de 15 a 30 de junho.www.fifa.com/confederationscup31
  24. 24. Diante de 40 mil pessoas no Jericódromode Alto Paraíso em Rondônia, aceleramoso “Fórmula 1 da Amazônia”Texto: Cassio Cortes  Fotos: Marcelo MaragniCalor, lamaediesel32 THE RED BULLETIN
  25. 25. THE RED BULLETIN 33
  26. 26. elo amor de Deus, tomem cuidado nacurva inclinada”, adverte o diretor decorrida Renato Ribeiro, o Paraguaio.Ele enumera os perigos que esperamos 23 homens reunidos para a pales­tra dos pilotos que antecede a corridade Jericos. “Se sair da pista naqueleponto, com certeza morrerão algu­mas pessoas do público”, diz. Os 23 competidores,em sua maioria com menos de 25 anos, alguns bemacima do peso, todos bem bronzeados, concordamcom seriedade. A décima corrida nacional de JericosMotorizados está prestes a começar.Isso é bom porque o público que lota o Jericó­dromo já está ficando indócil. O início do evento foiadiado para coincidir com a chegada do senador IvoCassol, cacique político de Rondônia. O senador veiodireto de Brasília para a pequena Alto Paraíso espe­cialmente para assistir a corrida.Mas o que é este meio de transporte e por queele surgiu em Alto Paraíso, um lugar pouco populosolocalizado nas franjas do Sul da Amazônia, que seproclama a “capital do Jerico”?O fabricante Silvio Stedile, ou “Silvinho do Jerico”,como é conhecido, explica: “Quando a cidade foiconstruída, no final dos anos 80, as estradas eramtão ruins que nenhum caminhão normal durava – aspeças da lataria caíam. Então as pessoas tiveram queinventar um veículo que aguentasse o tranco”.O resultado foi uma lataria precária, montada emsuspensões de jipe velho e alimentada por motores adiesel parados, que eram normalmente usados paragerar eletricidade nas serrarias e minas de estanho.O “Jerico”, jumento ou burro, animal que servecomo meio de transporte no Nordeste – origem deboa parte dos migrantes que povoaram as cidadesmais recentes da região Norte –, ganhou uma versãomotorizada para o ambiente hostil da Amazônia.Como brincadeira de garotos, não demorou muitoaté um fazendeiro local começar a pensar se o seu ju­mento a diesel poderia ser mais rápido do que o cons­truído pelo vizinho mineiro. As corridas – discretaspor terem inicialmente essa finalidade – vieramrapidamente e, uma década depois, para comemoraro 10º aniversário de Alto Paraíso, um circuito lama­cento de 560 metros que, desde então, vem sendoestendido, foi construído na periferia da cidade,dando origem à Corrida Nacional.O sucesso foi tão grande que a corrida se tornouconhecida pelo Norte do Brasil como a “Fórmula 1 daAmazônia”. Cerca de 40 mil pessoas (mais que o dobroda população da região de Alto Paraíso) aparecemno Jericódromo ano após ano para ver seus heróisacelerarem. Ser uma estrela da Fórmula 1 é normal­mente sinônimo de fama e fortuna. Na F1 amazônica,entretanto, a fortuna vem na forma de uma Honda125 cilindradas novinha para o primeiro lugar (naverdade duas, já que a Corrida Nacional é divididaem duas categorias, uma para uma cilindrada e outrapara motores de duas). E fama. Para o Silvinho doJerico, o reconhecimento garantiu uma eleição parapresidente do Conselho Municipal de Alto Paraíso.O cortejo de Silvinho, no entanto, fica pequenoquando comparado ao dos irmãos Melquisedeque eP‘‘Cefas de Lara, apelidados pela imprensa local comoos “Schumachers de Alto Paraíso”, o que é um pou­co injusto, considerando que lutam para se mantercampeões [ao contrário da dupla Ralf e MichaelSchumacher, em que apenas um já foi campeãomundial]. “Melqui” é campeão na categoria duascilindradas; Cefas, rei da classe uma cilindrada.O principal adversário deste, por acaso, é Silvinho,que ganhou em 2006 e 2007 antes de ser depostopelas vitórias de Cefas em 2008, 2009 e 2010.Os nomes dos dois têm origens bíblicas, o queprovavelmente explica a música evangélica explo­dindo as caixas de som na loja onde eles fazem osajustes finais em seus Jericos na véspera da corrida.“A época de correr com o Jerico do dia a dia já vailonge”, Melqui revela. “Para vencer, você precisa deum Jerico personalizado.”Melqui e Cefas cuidam de suas máquinas o anotodo para aparecer em apenas dois ou três eventosnos 12 meses, sendo a Corrida Nacional o maior detodos. Uma olhada na máquina de Melqui revelasuas puríssimas origens: o motor é localizado no34 THE RED BULLETIN
  27. 27. Em sentido horário, a partir dafoto maior: Norival Silva durantea preliminar da corrida; os irmãosMelquisedeque (esquerda) e Cefasde Lara em sua fábrica de Jerico;o desfile de rua na véspera da corrida;a fábrica de Silvio Stedile antes dacorrida; Silvio em sua fábricaTHE RED BULLETIN 35
  28. 28. centro do eixo longitudinal, mas fora deste para a­direita no transversal, o que garante uma perfeita dis-tribuição do peso em todas as quatro rodas quandoo condutor fica à esquerda.E como todos os Jericos, o de Melqui é umFrankenstein. O chassi de uma Kombi antiga ajudana rigidez da parte de baixo, enquanto a suspensãodianteira vem de um Golf. Os freios são de um FiatUno e a suspensão traseira também é de Kombi.O sistema de tração é uma primorosa obra de arte:a potência do motor é transmitida por uma caixa demarcha de Jeep de um diferencial feito por Melqui,do qual dois eixos de transmissão, também de Melqui,dirigem a potência para um eixo de um Golf na frentee um diferencial central de Kombi cortado na traseira.No meio da maior floresta do mundo, o mais velhodos irmãos Lara usa o mesmo princípio que o dodiferencial central Torsen – o maior sucesso técnicodo lendário carro Audi de rali dos anos 80.A potência vem na forma de um gerador Yanmar,que está no catálogo de fábrica como uma unidadede 27 cavalos de potência. “Mas é impossível vencera corrida com menos de 50 cavalos”, admite Melqui.“Nós conseguimos chegar lá na maior parte das vezescom molas de válvula mais fortes, pistões mais levese uma melhor injeção de combustível.”Mesmo com todo o tuning, o motor ainda fazaquele barulho de baixa reverberação pop-pop-popde veículos diesel, exatamente como um barquinhode pescador. Mas agora ele está muito mais rápido:“Eu alcancei mais de 90 km/h na estrada com o meuJerico, o que significa que o de Melqui pode facil-mente fazer mais que 100 km/h em uma rodoviapavimentada”, diz Cefas.Próximo das 16h, a principal rua do centro come-ça a ficar entupida com uma multidão em clima defesta e tem início uma batalha de som. São enormespicapes com alto-falantes maiores que elas mesmas,das quais os mais diferentes tipos de música saemem um volume ensurdecedor.Essa variedade de sons sai de 25 ou mais carros­espalhados pelo espaço de uma avenida que deve terapenas 300 metros de comprimento, todos disputandoa atenção das garotas. Ao mesmo tempo, centenas demotinhos aceleram enquanto seus ocupantes tambémprocuram chamar a atenção do sexo oposto, fazendoassim do desfile de Jericos um dos eventos de maiorpoluição sonora do planeta Terra. Com o ar úmido datarde quente, o único jeito para uma pessoa sadiaaguentar é bebendo. Para nossa sorte, há muitos am-bulantes com garrafas de Johnnie Walker. Uma dose douísque custa apenas uns R$ 4: trata-se de um “Juanito“Eu alcancei mais de90 km/h na estrada como meu Jerico, o que significaque o de Melqui pode facil-mente superar 100 km/h emuma rodovia pavimentada”Caminante”, como os locais chamam o Johnnie falsi-ficado. O Red Bull pelo menos é verdadeiro, apesarde a lata ter informações em espanhol, não emportuguês, um sinal de que foi trazido da Bolívia.Bem quando uma dor de cabeça brutal começaa envolver o cérebro deste repórter, Silvinho apare-ce em um Jerico de carga com todas as 14 garotasque competem pelo título de Rainha da Corrida.Dane-se a dor de cabeça, seu convite para “pular aíe se juntar à festa” na caçamba do veículo não po-dia ser declinado, sendo deste ponto de observaçãoprivilegiado que notamos uma longa cicatriz sobsua orelha esquerda.“Caí de um Jerico durante um treino dois anosatrás: 16 pontos e muita dor.” O desfile passa peloCentro antes de terminar no Jericódromo. Ao ladodo circuito fica um poço de lama do tamanho deum campo de futebol onde acontece algo que po-deria ser definido como uma versão amazonensede um demolition derby americano.Derrapar o carro de forma radical pela lama éo­­­­ objetivo, e uma picape enorme divide o espaço36 THE RED BULLETIN
  29. 29. com carros de passeio que vão de ré – única forma dese conseguir fazer derrapagem lateral com um carrode tração dianteira.Pessoas em pé “surfando” nas caçambas das pica-pes enquanto derrapam é tão comum quanto as coli-sões de umas com as outras. Ninguém está muitopreocupado com o prejuízo das batidas: os preçosda madeira, do gado e da soja estão todos em altano mercado internacional, então todo mundo parecebem de vida em Rondônia. Por outro lado, a sobrie-dade é uma commodity de menor valor – ao menosentre estes que se arriscam na lama. “Você tem queentender que para nós isto é o Carnaval”, diz LuziaGarbini, 17 anos, Rainha da Corrida de 2011, procu-rando explicar, um pouco envergonhada, o compor-tamento selvagem ao redor.A noite cai, o Jericódromo se esvazia e a festa­segue para o Centro. Ir dormir é a única opção paracurar a ressaca de uísque a tempo para a grandecorrida do dia seguinte de manhã.Em sentido horário,a partir da foto maior:Dirceu José Bogorniprotegendo os olhos dalama; José Alex aceleraseu Jerico na curva maisescorregadia do circuito;a festa regada a JuanitoCaminante;o públicofaz da corrida umCarnaval na lamaTHE RED BULLETIN 37
  30. 30. CREDIT:No domingo, os Jericos de corrida chegamao ‘paddock’ – um lamacento curral – às 11h.Uma corrida de quadriciclos aquece a mul­tidão. Enquanto os pilotos esperam pelapalestra de segurança do Paraguaio, os fãs gritampor autógrafos, sendo a assinatura do lenhador Alex­Oliveira a mais cobiçada. O carro de Alex tem umacamuflagem pintada e o levou a quatro vitórias con­secutivas nas duas cilindradas antes que Melqui o­superasse em 2010. Rápido porém errático, este legí­timo Gilles Villeneuve da Amazônia gosta de falar:“Melqui ganhou no ano passado porque eu rodei”,diz. O volante do Jerico de Alex, como a maioria dosoutros, tem punhos de bicicleta para segurar.“Para ser rápido no Jerico você precisa mudaras marchas muito rápido e com muita frequência”,ele explica. “Com os punhos eu posso guiar usandoapenas minha mão esquerda e manter a direita naalavanca de câmbio o tempo todo.”Passava das 14h e os termômetros passavam dos40° C quando o helicóptero do senador Ivo Cassolfinalmente chegou. É hora de acelerar! Assim é quefunciona a corrida: quatro jericos começam alinhadoslado a lado para uma preliminar de quatro voltas. Osdois primeiros se classificam para a próxima rodadaaté que apenas quatro ficam para a grande final.Um capacete e um cinto de segurança são os únicosequipamentos de proteção obrigatórios.A classe de um pistão corre a preliminar inicial.No Jerico 9 (patrocinado pelo senador), Norival Silvaassume a liderança na primeira volta. O nº 8 roda efica em uma posição perigosa na curva cinco; levatrês voltas para que o sinalizador apareça com umabandeira amarela advertindo o perigo.O sorteio colocou Melqui e Alex na mesma preli­minar para a classificação na classe dois pistões – um‘Embate de Titãs’, como o narrador grita no sistemade som. Eles ficam em 1-2 com facilidade, enquantoo nº 11 vai para o canto por causa de um incêndio nomotor. De volta aos carros de uma cilindrada, Cefasvence a classificatória enquanto Silvinho é derrotadopelo seu ex-mecânico Macedo, mas vai às semifinaisem segundo lugar. Outro mecânico da loja de Silvinho,Reginaldo, liderava a preliminar de dois pistõesquando uma quebra na coluna da direção o mandacambaleando para um banco de lama. Ele retira ocapacete, se ajoelha e chora como criança.Entre uma preliminar e outra, os pilotos traba­lham febrilmente no paddock para consertar seus­veículos avariados. As equipes de apoio jogam águalimpa em seus olhos – a maioria não usa óculos deproteção (muita sujeira muito rápido) e terminamcada preliminar com os olhos muito irritados ecompletamente vermelhos.Em sentido horário, a partir da fotomaior: Melquisedeque de Lara cruzaa linha de chegada para vencer a prova;após o final da corrida, o público pulana água enlameada; Silvio Stedile fazuma curva em frente a Cefas de Lara,durante uma das preliminares“Vocêpodiatocaroutropilotoeempurrá-loparaforadapista,masagoraosdirigentessãomaisrigorosos”38 THE RED BULLETIN
  31. 31. CREDIT:Aprimeira semifinal de um pistão tem umadisputa acirrada entre Silvinho e Cefas.­Silvinho pula para a liderança no início,­porém o carro de Cefas é claramente maisveloz. Entretanto, como acaba se descobrindo maistarde, após as preliminares, fica muito difícil realizaruma ultrapassagem. Apenas a linha de corrida per-manece lisa; todo o resto é terra revirada. Além disso,a linha interior nas duas curvas mais lentas estáinundada. “Costumava ser permitido que você tocas-se o adversário para empurrá-lo para fora da pista,mas agora os dirigentes são mais rigorosos”, reclamaCefas, que ficou em segundo e foi para a final.Na segunda semi de duas cilindradas, Alex eMelqui se encontraram novamente. Melqui toma aliderança precocemente, enquanto Alex erra umamarcha e cai para terceiro. Tentando criar um espaçode ultrapassagem onde não existe, Alex sai da corridae atola na lama. Outra corrida que nosso GillesVilleneuve da Amazônia abandona.Chega a final de uma cilindrada. O número 4,Marcelo Bogorni, faz a melhor largada, deixandoSilvinho e Cefas na disputa acirrada na primeiracurva pelo segundo lugar. A forma como quase tocamsuas rodas lembra Michael Schumacher jogandoRubens Barrichello contra o muro no GP da Hungriaem 2010 e, ainda que não tenha havido contato,a disputa afoita os leva para fora da pista e paradentro da poça gigantesca logo na primeira curva.É o bastante para dar a Marcelo uma liderançainsuperável. Pela primeira vez em sete tentativas,ele vence a Corrida Nacional, apesar de seu pedalde aceleração ter quebrado na segunda volta. O queé realmente impressionante porque significa queMarcelo teve que tirar a mão esquerda do volantee torcer o braço a cada marcha trocada nas duasúltimas voltas.Sem Alex, a final de duas cilindradas deveriaser um passeio para Melqui, o que parecia ser o casoquando ele assumiu a ponta já na primeira curva.Mas na maliciosa segunda curva o impensável acon-tece: o campeão roda. O incrédulo “Ohhh!” que vemdo público parece a reação a uma dupla-falta deRoger Federer em um tiebrake de Wimbledon.Melqui vai para a última posição enquanto DirceuBogorni – irmão de Marcelo – pula para primeiropara logo quebrar a caixa de marcha na segundavolta. Na terceira volta, Melqui provoca uma derrapa-gem de Juliano e vai a segundo, atrás de Ismael. Vero campeão se aproximando na última volta é demaispara o jovem Ismael, que erra a curva cinco e nau­fraga em outra poça gigante. A multidão enlouquecequando Melqui voa para conquistar sua segundamoto Honda em muitos anos.E assim termina o Carnaval. Vencedores, derrota-dos, políticos locais, este repórter forasteiro: todomundo pula ou é jogado na lama da curva cinco.O sol se foi e o vento resfria nossas roupas ensopadase enlameadas. Sem problemas: tem muito “JuanitoCaminante”, o Johnnie Walker daqui, para nosmanter aquecidos até a madrugada.Para ver fotos da corrida de Jerico, acessewww.capitaldojerico.comTHE RED BULLETIN 39
  32. 32. RED BULL YOUTH AMERICAS CUPO jovem time alemãoSTG/NRV corta a baíade San Francisco emum catamarã AC4540
  33. 33. Os melhores catamarãs, os melhores velejadores, a maiorcorrida de barco do mundo: qualquer iatista ambicioso sonhaem um dia participar da America’s Cup. E um seletogrupo de jovens está a um passo de realizar este sonhoTEXTO: Ann Donahue FOTOS: Balazs Gardi
  34. 34. Leões-marinhos surgem na água de olhonas enormes garças e depois somem denovo nas profundezas. Os tratores quetransportam cascalho de uma pilha dematerial para outra próxima no Pier 94estão em silêncio.Às 9h da manhã, as equipes quecompetem nas Selection Series da RedBull Youth America’s Cup chegam emSUVs pretas trazidas por motoristasvindos dos hotéis no Centro. A paz dadoca dilapidada é quebrada pela joviali-dade dos velejadores e pelas provocaçõesentre eles – “vá se catar, seu maluco!”ecoa através das docas – além de remixesretumbantes de sucessos dos anos 80.Há um motivo para o barulho, claro.As equipes do Red Bull Youth America’sCup são compostas de rapazes com idadesentre 18 e 24 anos, então é perfeitamentenormal que alguém em seus anos deformação fale grosso durante a faculdade,caso contrário, o planeta estaria girandofora do seu eixo.Sendo assim, a capacidade de fazeruma balbúrdia é uma qualidade. Duashoras depois, os jovens velejadoresestarão se batendo contra as ondas dabaía de San Francisco, com ventos sopran-do acima de 35 nós, enquanto todos cor-rem lado a lado nos melhores catamarãsde 15 metros que existem. Garantir queas instruções de suas vozes possam serouvidas mesmo com o vento, os estalosdos enormes veleiros e os baques dosbarcos de 1,4 tonelada podem ser adiferença entre a vitória e o fracasso.A Red Bull Youth America’s Cup éuma criação dos velejadores austríacosHans-Peter Steinacher e Roman Hagara,que conquistaram a medalha de ouro naclasse Tornado nas Olimpíadas de 2000e 2004. Por muitos anos, a barreira paraingressar na America’s Cup era quase in-transponível: requeria uma rede de altoscontatos nos clubes de iatismo – mundopraticamente fechado a pessoas sem umnobre sobrenome – ou uma medalhaolímpica para chegar até a competição.Com o início da edição jovem doevento, o processo de seleção passou a sermais igualitário para as grandes ligas,provendo acesso às mais avançadasembarcações e treinamento profissional.Em fevereiro, jovens velejadores de12 países competiram nas SelectionSeries, que determinaram quais cincoequipes avançarão à final em setembro,em San Francisco.A Selection Series é organizadapara imitar a dificuldade de participar‘pra valer’ da America’s Cup, incluindoárduas sessões de ginástica e a realizaçãode sessões de navegação no AC45,o catamarã de melhor classe em uso.Nas primeirashoras do dia,o Pier 80, emSan Francisco,é um lugar calmoRED BULL YOUTH AMERICAS CUP42 THE RED BULLETIN
  35. 35. As equipes são julgadas por sua habili-dade na navegação, preparo físico e pro-fissionalismo. “Em uma semana que duraa Selection Series, eles vão aprender maisdo que aprenderiam em três ou quatroanos de treinamento”, diz Steinacher.Na Red Bull Youth America’s Cup,os catamarãs são doados por equipesveteranas da America’s Cup, mas a deter-minação e o espírito de equipe é todo dosjovens velejadores. “É uma oportunidadeúnica”, diz Matt Whitehead, 19 anos,capitão do time sul-africano i’KaziKati.“Vir aqui e aprender o que é necessárioAs equipes se reúnempara um briefing todamanhã no Pier 80(esquerda). Depoisvão velejar na baíade San Francisco ouvão para academia(acima). É muitaenergia: uma semanaaqui é melhor quetrês anos de treinosem supervisão,dizem os treinadores43
  36. 36. Velejandoà sombrada GoldenGate44 THE RED BULLETIN
  37. 37. RED BULL YOUTH AMERICAS CUPpara ser um profissional de sucesso ésimplesmente uma experiência incrível.Nenhuma palavra pode descrever quantoisso tudo significa para nós.”aniel Bjørnholt Christensen,18 anos, é o capitão da jo-vem equipe dinamarquesaVikings. A semana cobrouseu preço sobre os garotos.Eles imprudentemente decidiram comerburritos enormes pouco antes de umasessão de treinamento em uma academianos arredores do hangar Oracle Team USA.E não foi qualquer burrito, mas um“enorme, taludo burrito americano”,explica Christensen, mostrando com asmãos o tamanho do lanche. Após levantar45 kg de peso em um aparelho, o burritonão caiu bem em um dos companheiros.“Tivemos um pequeno acidente”, explica.“Fizemos o teste e estávamos cansados,mas OK. Um dos garotos, porém, começoua vomitar e alguns outros também.”Os velejadores levam sua participaçãonesse evento a sério, mas é claramente umesporte diferente da liga dos veteranosda America’s Cup, com seus colarinhosarrebitados em camisas polo de cor pastele sotaques híbridos de inglês americanocom britânico. Por 25 anos, a America’sCup tem sido conquistada por equipes deum desses três países: EUA, Suíça ouÉ A REALIZAÇÃODE TODOS OSNOSSOS SONHOS Will Tiller, capitão da equipe Full Metal Jacket RacingTHE RED BULLETIN 45
  38. 38. RED BULL YOUTH AMERICAS CUPNova Zelândia. A diversidade que aedição júnior traz ao esporte torna-seevidente. Exceto África do Sul eDina­marca, as nações participantesincluem alguns países relativamentenovatos como Argentina e Portugal.“Isso mostra como havia uma carêncianessa área”, diz Russell Coutts, CEO daOracle Team USA e quatro vezes campeãoda America’s Cup. “A America’s Cup deantes era um pináculo dos astros da vela.Mas não havia uma forma de alimentaraquela constelação de estrelas.”A Red Bull Youth America’s Cup divideum píer com o hangar onde a OracleTeam USA está construindo seu barcopara a America’s Cup 2013. É a primeiravez que uma classe profissional correucom o catamarã AC72, um gigante de24 metros com dez andares e um cascoque se parece com uma ameaça­doragarra extraterrestre. Enquanto os jovensassistem as palestras da manhã, osvelejadores observam na baía comoo imenso barco é cautelosamentebaixado por um enorme guindaste.“É UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL”Matt Whitehead, capitão da equipe iKaziKati46 THE RED BULLETIN
  39. 39. A Red Bull YouthAmerica’s Cup SelectionSeries começa com12 times. As tripulaçõescorrem umas contraas outras na primeirasemana de competiçãoe as seis finalistascompetem na semanaseguinte. Os cincovencedores de fevereirose classificam paraenfrentar outras setenas finais em setembro“Quando eu era jovem e assistia aAme­rica’s Cup, eu sempre sonhava emser como esses caras”, diz Jonas Schagen,23 anos, da equipe suíça Tilt.“Hoje eu sou um deles. Mas ainda faltamuito até o próximo passo. Nossos barcossão como brinquedos comparados a isso.”A America’s Cup dos adultos começaem 7 de setembro, em San Francisco, masna edição de 2016 alguns dos jovens quecompetem nas Selection Series poderãoestar nos barcos. A Red Bull YouthAmerica’s Cup ajuda os velejadores a trei-nar com foco no grande prêmio. “Quandovi pela primeira vez as fotos do catamarãOracle 72, pensei: ‘Meu Deus, o que estáacontecendo?’”, disse Philipp Buhl, 23,capitão da equipe jovem alemã STG/NRV.“Há dois dias visitamos a base. Eles estãotrabalhando 12 horas por dia, seis diaspor semana. É muito profissionalismo.”Sete equipes se classificaram para aRed Bull Youth America’s Cup em virtudede uma afiliação com equipes correndoTHE RED BULLETIN 47
  40. 40. na classe AC72; as Selection Series deci-dem as outras cinco. Charlie Buckinghamé capitão da equipe USA45 Racing,vinculada à Oracle Team USA. Nos seusprimeiros dois dias aqui, Buckinghamfoi submetido a testes físicos e foi intro-duzido ao barco. “Eles basicamente nosentregaram as chaves e nos deram dicasaqui e ali, mas acho que o que realmentequeriam era ver quem era capaz de sevirar com tudo sozinho”, ele diz.O resultado? “Parece estar tudosob controle se você e a tripulaçãoestiverem fazendo as coisas certas”,diz. “Mantivemos o barco aprumado,sem forçar demais para não estragar.”o primeiro dia de competiçãonas Selection Series. Os vele-jadores estão trabalhandoseus nervos antes da corridacom joguinhos de videogamede Fórmula 1 montados do lado de forados contêineres onde as equipesarmazenam seus equipamentos.Ter um pouco de tensão é compreensível,já que não é apenas a ambição pessoalque está em jogo, mas também emgrande medida o orgulho nacional.“A Austrália não é uma presençaconstante na America’s Cup há anos”, dizo capitão da Objective Australia, JasonWaterhouse, 21 anos. “Isso só mostra queA Selection Seriesaconteceu em doislugares: a leste da ilhade Alcatraz (direita)e ao sul da Bay Bridge,que liga San Franciscoa Oakland (acima)RED BULL YOUTH AMERICAS CUP48 THE RED BULLETIN
  41. 41. nós não estamos para brincadeira. O AC45é o melhor barco com a melhor tecnologia,e estas são as melhores equipes jovens domundo. Vamos fazer o possível para daro melhor show que a gente sabe fazer.”Os catamarãs chegam ao mar poucoantes do meio-dia. Um barco com motora diesel dual que pode rasgar a água a50 nós salta da doca. Ele serve como umalancha de perseguição, alcançando boiase suprimentos para as equipes, bem comolevando alguns membros da mídia paraum passeio “com emoção”. É um navioanimalesco, e um fotógrafo veteranoacena positivamente assim que vaia bordo. “Quero um bom barco meseparando desses caras”, ele diz.Os jovens velejadores podem ter anosde experiência competindo em equipes defaculdade e seleções nacionais, mas como AC45 o buraco é mais embaixo. A forçae agilidade requeridas para manejá-lo sãoenormes, mesmo para os profissionaisque estão habituados a ela. A experiênciadas equipes jovens nesse barco é limitadaa estes poucos dias da Selection Series.“Trabalhamos desde muito antes”, dizHanno Sohm, 23 anos, timoneiro do timeaustríaco. “Estudamos vídeos e conver­samos com pessoas que velejaram estebarco. Mas há uma diferença entre sabero que precisa ser feito e fazer de fato.”O vento começa a ficar mais forte nabaía. Se você não vira o rosto na direçãodo vendaval, seus óculos de sol saem vo-ando. Os barcos flutuam quando velejamem frente, depois seguem desordenadosenquanto as equipes tentam navegar emvolta das boias de marcação. “O grandelance é que tudo acontece tão rápido”,diz o capitão da equipe GBR YouthChallenge, James French, 20 anos. “Sevocê parar pra pensar, já é tarde demais.”No final das Selection Series, os direto-res Peter Steinacher e Roman Hagarapegam os cinco times para se juntar aosoutros sete nas finais de setembro. Elessão a Full Metal Jacket Racing, da NovaZelândia; a Objective Australia; a alemãSTG/NRV Youth Team; a suíça Tilt; e aportuguesa ROFF/Cascais Sailing Team,que se recuperou após quase emborcarem seu primeiro dia. Tomar a decisãofinal foi difícil, diz Hagara, e foi limitadapelo número de embarcações disponíveis,não apenas pela qualidade das equipes.“Poderíamos ter tido 20 times facilmente.É um objetivo para a próxima.”Para as equipes que se classificaram,é uma realização das ambições que nãoeram nem imagináveis um ano atrás.“A Nova Zelândia está envolvida naAmerica’s Cup desde que nascemos”, dizWill Tiller, 23 anos, capitão da Full MetalJacket Racing team. “Estar aqui e poderfazer isso tudo significa a realização detodos os nossos sonhos.”www.americascup.com“PODERÍAMOS TER TIDO 20 EQUIPESFACILMENTE. É A META PARA A PRÓXIMA”Roman Hagara, diretor da Red Bull Youth America’s CupTHE RED BULLETIN 49
  42. 42. O salto entre os bastidores dos palcos e o comandoda banda do programa de Jimmy Fallon, ao vivo todanoite na TV, é uma trajetória sem igual na históriamusical de Ahmir Thompson. Fundador do The Roots,ele fala sobre a discussão do undergroundcom Jay-Z e as ciladas da “geração YouTube”.Texto: Jonathan Cohen  Fotos: Jason NocitoINCANSÁVELSão 11h no estúdio 6B da NBC noRockefeller Center, em Nova York.Em um primeiro momento, o únicobarulho que se escuta é o do aspiradorde pó indo e vindo nos corredores,entre bancos ainda vazios. É o começodos preparativos para a gravação doLate Night with Jimmy Fallon.Uma pequena pausa na faxina nospermite escutar uma série de batidasde bateria vinda dos estúdios.Seguindo o som pelos cor­­redorese virando à esquerda, chega-se a umaporta azul, a plaquinha com o nomeThe Roots estampado convida aentrar; na parede ao lado da porta,chama a atenção um prêmio Grammyemoldurado em vidro. E, do outro ladoda porta, está Ahmir Thompson,BUSCA50
  43. 43. “SOU UMA PESSOA QUEESCUTA MÚSICA CINCOHORAS POR DIA”
  44. 44. ou “Questlove”, ensaiando uma dasinúmeras músicas que ele e seus com-panheiros de banda irão tocar dentroem pouco, quando o Late Night enfimtiver entrado no ar.Sou um privilegiado em poder verThompson tocar de tão perto, em carnee osso, no 6º andar do RockefellerCenter, onde agendo os músicosconvidados para o Late Night. E podertratar Questlove e o The Roots comomeus colegas durante as quatro horasdo nosso programa me deixa muitofeliz. Mas o ritmo do nosso Late Nighté tão alucinante que demorou quasetudo isso para eu finalmente conseguirme sentar com Ahmir e conversar comele sobre a sua história com a música.Ahmir nasceu em 20 de janeiro de1971 na Filadélfia, filho do gigante dodoo-wop Lee Andrews, da Lee Andrewsand the Hearts. Suas memórias maisantigas estão relacionadas a turnêsacompanhando o pai e, na época deadolescente, à sua função de bateristaoficial da banda. Durante seus estudosna famosa Philadelphia High Schoolfor the Creative and Performing Arts,conheceu o futuro membro do Roots,MC Tariq Trotter, com quem promoveusuas ambições ao lado de um corpo­discente que incluiu uma série defuturas estrelas da música.the red bulletin: Você foi abençoadopor crescer em uma família de músicosprofissionais. Para pessoas que nãotiveram essa oportunidade, existealguma forma de ter algo próximoa essa experiência extraordinária?questlove: Entre os 2 e os 13 anos,aprendi todos os aspectos que o showbusiness oferece. Comecei como navega-dor, descobrindo como sair da minha casapara uma boate ou até para um outroestado. Tive que aprender a usar mapasaos 7 anos. Eu me formei primeiro comofigurinista.Lavei roupa a mão e a vapor eengomei roupas brancas. Aos 10 anos, eucuidava da iluminação de palco. Aprenditambém a operar diferentes sistemas desom. Eu chegava antes da passagem desom, marcava os holofotes e conseguiauma escada. Quando tinha 10 ou 11 anos,comecei a aprender os acordes básicos.Conhecia repertório do meu pai de cor esalteado, portanto já identificava muitocedo as primeiras notas musicais.Aos 12 ou 13 anos, eu já era baterista e,em seguida, líder da banda. Todo aqueletempo eu estava só observando minhamãe e meu pai em suas apresentações.Mais tarde eu não tinha nem me dadoconta de que os Roots incorporaramque transcendia o circuito da velharada.Ele tinha uma esposa modelo e dois filhosque desacatavam as idades dos outros nopalco, coisas que usava a seu favor. Aoentrei no segundo grau, deixei de repentede ser o tubarãozinho no mini-aquáriopara me tornar uma sardinha no OceanoPacífico! Logo no segundo dia de escola,Christian McBride e Joey DeFrancescoforam arrancados da aula para tocar na TVda Filadélfia com Miles Davis. Nessas eunão passava do quinto baterista, tocandotriângulo e às vezes um tamborim. Eu nãoera de nenhuma forma a estrela de antes.Era frustrante, mas hoje sou feliz que tenhasido assim. O Boyz II Men era a estrela denossa escola, tinham todas as tietes. Tariqe eu tivemos aquele momento somentedepois de nos formarmos. Mas do jeito quedesenvolvemos nossa carreira, como a tar-taruga e a lebre, mantemos hoje umexatamente estas lições. Na realidadeficamos famosos nos karaokês de hip hop.Meu pai não só compôs “músicas”, massim aquilo que seria mais tocado, músicasque se tornavam familiares facilmente.Meus pais sabiam perfeitamente conduzirum show: nos primeiros cinco minutos,você cativava a plateia com algo que ela jáconhecia. Nas duas músicas seguintes, eraminha mãe que tornava-se o centro dasatenções, como comediante. Para mimera natural achar que aquela era umaeducação básica, comum; assim como eraóbvio que qualquer criança sabia chegarsozinha a Muncie, Indiana. E depoisa minha reação vinha a ser de espanto:“o quê? você nunca foi a um clubenoturno antes?!” Eu só fui me dar contado meu privilégio muitos anos mais tarde.Como foi para você o segundo grau,com o ambiente escolar mais certinho?Foi uma espécie de choque?Bom, eu tive que começar tudo de novo.Aos 8 anos eu tocava bateria como umadulto – aquela coisa de ter um garotinhono show. O show do meu pai era tão bomRED BULL MUSIC ACADEMY: NY“A CHAVE DO SUCESSODO ‘THE ROOTS’ ÉTER COLOCADO SÓ OSMAIS FERAS EM NOSSOCÍRCULO ÍNTIMO”FOTOADICIONAL:ROBINLANAANENDesde 1998 que a Red BullMusic Academy tem rodadoo globo, fazendo estaçõestodos os anos em cidadescomo Londres, Cidade doCabo, São Paulo, Melbournee Madrid. Dois grupos de30 participantes seleciona­dos – produtores, instru­mentistas, vocalistas e DJsde todas as partes do mun­do e de vários estilos – sereúnem por um mês (duassemanas para cada grupode 30) para trabalhar nosestúdios, tocar nos melho­res clubes da cidade eaprender os segredos dosmúsicos profissionais.Mentores como Quest­love (que vem trabalhandocom a Red Bull Music Aca­demy desde 2006), a lendatecno Carl Craig, o compo­sitor Steve Reich e o pro­dutor star Mark Ronsonnão só chegam para daruma aula, como também fi­cam por mais tempo, às ve­zes até dias fazendo jamscom os participantes nosestúdios e compartilhandosua sabedoria.No seu 15º ano, a RedBull Music Academy seguecurso para Nova York, o lu­gar onde nasceu o hip hope uma das capitais do punk.Como homenagem à criati­vidade da cidade, a Acade-mia organizará um festivalde cinco semanas com35 shows e 150 artistas.Entre os highlights estãocogitando Nile Rodgersdo Chic e James Murphydo LCD Soundsystem;uma instalação audiovisualde Brian Eno; e gigs commúsicos como Kim Gordon(Sonic Youth), Four Tet e,claro, os 60 participantesde 35 países.Red Bull Music Academy, Nova York, de 28 de abrila 31 de maio.redbullmusicacademy.comTHE RED BULLETIN 53
  45. 45. excelente padrão de vida e muitos dos nos-sos contemporâneos já estão em declínio.Onde estão, segundo o que você hojepode observar, se aprimorando osnovos e emergentes talentos?Um dos maiores desgostos que eu tenhocom o momento atual da música é a ideiade que a cultura do underground nãointeressa mais a ninguém. O hip hop seapunhalou com sua própria faca mais oumenos em 1997, quando subitamente sóvencedores importavam e perdedores ouguerreiros não valiam nada, com o resul-tado de que ninguém mais quis acolher ounderground. Vivemos uma era de suces-sos. Puffy inaugurou esta era, na minhaopinião. A narrativa ficou muito motiva-cional e só se fala em vencer. Não se cele-bra mais o cara que leva a água, o estatís-tico ou o treinador-assistente – pessoasque também ajudam a equipe. Passou-sea falar de destaque, destaque e destaque.Provavelmente a maior discussão queeu tenho com Jay-Z é sobre a necessidadede se pagar adiantado peloestabelecimento de uma cultura. Hoje,não existe mais um contexto subculturalna black music. O motivo pelo qual osRoots se tornaram um sucesso é porquedecidimos pegar só os mais feras para sejuntar ao nosso círculo íntimo. Não foiuma coincidência os Roots terem saídode uma venda de 200 mil para o disco deplatina. Com o Mos Def foi a mesmacoisa. Com o Gang Starr, D’Angelo, TalibKweli e Erykah Badu idem.Esse movimento está crescendo e issoé o resultado: o fato de que ele pode sercontextualizado. Como acontece com amaioria dos guerreiros do underground,assim que você consegue esse sucesso,é como Ló. Você não quer olhar paraSodoma e Gomorra. É um sacrilégioolhar para o passado. Assim, você acabase isolando. Na era do YouTube, sim, vocêpode sentar no seu quarto, fazer umcover da música do Little Dragon e setransformar numa celebridade dainternet da hora. É bom, mas temporário.Não faz uma carreira de 20 anos.Então quais habilidades seriam neces-sárias para ser um verdadeiro talento?Eu não sei se é uma questão de habilidadeou apenas a vontade de fracassar empúblico. Um grande exemplo disso é JillScott e Jaguar Wright. Elas eram duasamigas dos Roots. Nós as conhecemos em1994 ou 1995. Quando começamos afazer jam sessions em nossas casas, Jillainda estudava e trabalhava, e Jaguartrabalhava na WaWa – uma lojinha deconveniência do tipo posto de gasolina.Toda semana elas vinham em casa para assessions. Mesmo sendo amigas, rolava umpouco uma competição. Jaguar tinha umahabilidade maluca para o freestyle comocantora. Ela fazia o público delirar comqualquer letra que cantasse. Isso fez comque Jill quisesse ser melhor e praticasseem casa. Então, quando ela voltava nasemana seguinte, era ela que conquistavaa galera e não Jaguar. Isso aconteceu todaa sexta-feira dos anos 1997, 1998 e 1999,incluindo alguns domingos. Por muitosanos você dedica três horas diárias o anotodo e de repente você é um dos melhoresperformers que se pode imaginar. É essa aideia do workshop: o princípio da paciên-cia e da espera. É um valor que pareceperdido nestes tempos. Eu queria que essemétodo fosse mais praticado. Trabalhandoaqui testemunhei situações onde artistascom apenas um ano ou dois de experiên-cia pipocam e correm para o banheiro.FOTOADICIONAL:GETTYIMAGES“OS ARTISTAS MAISIMPORTANTES PARA MIMSÃO STEVIE WONDER,MICHAEL JACKSONE PRINCE”54 THE RED BULLETIN
  46. 46. Os Roots estavam muito nervosos nos nos-sos primeiros dois shows no Late Night.Hoje eu dou risada pensando no passado,porque fizemos tantas vezes. Acho queé menos uma questão de talento e maisde força de vontade e paciência.Nas aulas sobre álbuns clássicos quevocê vai começar a ministrar na NYU,que tipo de ideias pretende transmitiraos estudantes?Decidi começar pelo mais simples.Eu tinha a opção de fazer uma aula para100 estudantes, mas eu disse a eles quequeria o mínimo. Então tenho 24 alunos.Eu só quero ensinar a eles a arte da paci-ência necessária para se ouvir uma músi-ca. Da mesma forma que tenho que fun-cionar como uma enciclopédia da músicae como produtor de hip hop, me ensina-ram a destrinchar discos. Você coloca ume escuta, escuta, escuta, procurando porum sample ou um break. Estou tentandoinverter isso e explicar para as pessoas porque alguns discos são mais importantesque outros e deixar isso tudo depois nasmãos delas. Para alguém da minha idade,que nasceu há 40 anos, em 1971, elesagora têm muito mais informação à dis-posição do que antes. Mas o que eu achoé que estamos com falta de professoreso espaço necessário na minha cabeça paraguardar o que for. E eu sou uma pessoaque ouve música praticamente cinco horaspor dia. Quando você pensa, é um bomtempo. Entre a academia, o carro e quandovolto para casa, eu provavelmente dedicocinco horas. Eu apenas quero fazer o pro-cesso de se produzir música ser mais diver-tido. Algumas pessoas vão até seus limites.Alguns DJs com os quais cresci deixaramde fazer música há muito tempo. Eu prova-velmente faria o mesmo se não tivesse des-coberto stems (componentes de uma músi-ca separados digitalmente). Eles me deramum novo impulso na vida, porque me dão aoportunidade de aprender como discos sãogravados – tudo de novo e mais uma vez...Parece que você não é o tipo de pessoaque gosta de colaborar com uma sómúsica. Quando alguém te contratapara trabalhar, você prefere umacolaboração mais abrangente?Bem, eu não tenho o know-how ou oconhecimento para fazer um manifestograndioso em três minutos e 30 segundos.Gostaria de ter esse talento. Mas eu consi-go fazer esse manifesto em 70 minutos.Fale sobre os problemas em ser umespecialista de música quando hojese tem acesso a aparentemente todaa música do mundo.Não há realmente tempo para conhecertudo. E eu não me desgasto para consu-mir música. Mas eu tenho que pensar oque vai acontecer com minha coleção dediscos quando morrer.Um álbum ainda é uma forma viável delançar música? Desde a época em queo Late Night discutia se ainda faziasentido lançar discos completos, osRoots fizeram álbuns conceituais.Você sabe: nos filmes, quando os vilõespercebem que acabou e que não temsaída, ou eles chutam o balde como emThelma e Louise ou eles se rendem.Não há precedente para uma banda derap a esta altura da carreira seguir nomesmo selo, lançando seu 16º disco.Eu sempre penso, “OK, este vai ser nossoúltimo grande manifesto, e você sempreprecisa de um grande ponto de exclama-ção no final”. Se você não compete com oque está no topo, como Rihanna ou o quefor, então talvez devessemos apenas fazero que melhor sabemos e... esperar que aguilhotina te corte a cabeça. Daí vocêlança o álbum, a guilhotina não cai evocê se acalma e começa tudo de novo!www.theroots.comque os coloquem no caminho certo. Estamanhã mesmo eu tive que repreenderalguém que censurou outra pessoa pornão saber que “It’s a Shame” não era umrap de Monie Love, mas uma música dosSpinners dos anos 1960. Um dia entrei noTwitter e me dei conta de que essas coisasbásicas que eu levava como garantidas,tinham que ser passadas adiante, sabe oque eu quero dizer? Há muita informaçãode fácil acesso por aí, tem que se ter paci-ência para filtrar isso assim como temque se ter paciência para ajudar alguéma administrar toda essa informação.Eu tenho a sensação de que, quando euera jovem, parecia haver uma quanti-dade finita de músicas. Hoje há muitomais lançamentos. Você pode falarsobre como absorver tudo isso?Para mim não é enlouquecedor. Dos trêsartistas que são mais importantes paramim nesse sentido – Stevie Wonder,Michael Jackson e Prince – eu tenho todo“NA ERA DO YOUTUBEVOCÊ PODE SENTAR NOSEU QUARTO E FAZERUM COVER DA MÚSICADE LITTLE DRAGON ETER SUCESSO. MAS ISSONÃO FAZ UMA CARREIRADE 20 ANOS.”Questlove e The Rootsna cerimônia introdutória do27º Rock Roll Hall of FameMais perguntas e um vídeo exclusivocom Questlove dando show na bateriavocê confere no app gratuito da TheRed Bulletin para tablets.THE RED BULLETIN 55
  47. 47. SKATESer jovem na reserva indígenade Pine Ridge, nos EUA, não é fácil.Em um lugar onde a pobreza, o suicídioe o alcoolismo são companheirosconstantes, o skate tem sido a salvação –uma boa pista é suficiente paratransformar a vida e a cultura locais56
  48. 48. Jake Roubideaux, de 14 anos,flui sobre seu skate na pistade Wounded KneeEorDIETexto: Andreas TzortzisFotos: Jay Hanna
  49. 49. A pista de skate criou espaço para uma nova cultura e dá suporte a crianças e jovens(como Joe Mesteth, acima) que enfrentam as dificuldades da reserva indígena
  50. 50. lijah Battese observa Bobby acertar umollie numa bicicleta do outro lado darampa, ficando 3 ou 4 metros acimado chão e aterrissando sem problemas.Boquiabertos, os outros garotossimplesmente exclamam: “oooh”.“Acho que posso acertar um desses”,diz Elijah num resmungo pré-adolescente,com seus olhos azuis acinzentadosfixados na bicicleta. Diante dele estáum drop de 10 metros.A descida é suave e o concreto estáliso. As descidas emendam em um trechoplano, onde ficava uma antiga quadrade tênis. É lá que os skatistas costumavamficar, no tempo em que não passavam deum grupo de desajustados que nãopraticava nem atletismo nem futebol.Entre duas quadras de basquete, umgramado descuidado, terrenos baldios eas áreas de reunião dos Sioux encontra-sehoje este espaço impensável e ainda estra-nho na reserva indígena de Pine Ridge,Dakota do Sul – espaços comumente en-contrados em Venice Beach, Los Angeles,ou Nova York. Os garotos usam skatesdetonados, de segunda mão ou doados,e voam na pista como se estivessem naLos Angeles dos anos 1970 e fossemTony Alva, porém caem com facilidade.Mas eles chegam lá. E quando estãoandando de skate, ficam longe de seuslares desestruturados e dos rolês em car-ros caindo aos pedaços com garrafas debebida roubadas nas mãos. Enfim, nãoestão na marginalidade, pensando sealguém sentiria sua falta se sumissem.Nada é simples no lugar onde Elie seus amigos estão crescendo. A modaradical de um esporte mainstream comoo skate quase não foi adaptada – nãohá nada além da obsessão única de umamanobra bem realizada, o estalo dosshapes e a batida das rodinhas depoliuretano no concreto.E, assim, com todo esse barulho aoredor, Eli se concentra na extremidadedo bowl, coloca seu calcanhar no shapee dropa, com sua trança até a cinturasacudindo ao vento.Ahistória de como o Wounded Knee4-Directions Skate Park chegouem Pine Ridge começou poucoantes de Eli e seus amigos nascerem,há 12 anos. Mas a história do porquêé muito mais antiga e tem suas raízesligadas a fantasmas do passado, comotratados nunca cumpridos, maus-tratose uma espiral de tristeza e autoaversãoque assombram a reserva.Há estatísticas depressivas que contama história dos antigos americanos nativosnos EUA. A reserva de Pine Ridge, lar dosOglala Lakota Sioux, tem sido um barrilde pólvora por mais de um século: desdea quebra do tratado do Forte Laramie em1868, passando pelo movimento de mili-tância em favor dos direitos do índio nosanos 1970 e chegando ao massacre deWounded Knee, Pine Ridge é com certezao ponto mais crítico das políticas fracas-sas do governo americano relativas às po-pulações indígenas. A expectativa de vidaE 59
  51. 51. coleção de adesivos de marcas de skate,incluindo uma dos Wounded Knee.Walt Pourier e Jim Murphy desembar­cam; sua chegada causa um pequenoalvo­roço, com muitos cumprimentos ealguns abraços entre uma dúzia de jovenspresentes na pista. Eles estão bemfamiliarizados com seus benfeitores.A dupla chega diante de um cenárioinimaginável um ano antes. “QuandoMurf e eu entramos no carro de volta,a gente pensou, ‘cara, conseguimos!’”,diz Pourier com a voz trêmula.“É emocionante, e uma felicidademuito grande também.”Nascido e criado lá, Pourier sabemuito bem das dificuldades encaradaspelos skatistas. Hoje, morando emDenver, onde trabalha com designgráfico, ele retorna frequentementepara marcar presença em sua terra.“Uma boa parte da minha família aindaestá aqui, muitos amigos, então voltamosfrequentemente para cerimônias ereuniões familiares. Infelizmente, muitasvezes para funerais”, ele diz.Oskate não existia em Pine Ridgeno tempo de Pourier. Basquete,futebol e corridas indicavamstatus – e ainda indicam. Mas Pourier, umcara de cabelo enfeitado com penachos echeio de energia, parecido com persona­gens dos filmes de John Hughes, mostra­va já naquela época um lado diferente.Quando Pourier chegou na California,conheceu e apaixonou-se pelo skate. Ten­tou andar algumas vezes, mas nem sem­pre teve muito sucesso. Mas diz que jáchegou a 90 km/h em uma estrada.Hoje, aos 47 anos, já não se arrisca mais.“Eu geralmente caio. E faço uns barulhosestranhos quando vou ao chão”, diz.Metade palhaço e metade um eloquen­te representante da juventude, Pourierviu no skate uma forma de conectar osjovens a tradições e cultura dos OglalaLakota Sioux, costumes que os ajudama crer em ser parte de algo maior.“Os jovens de hoje podem não dar bolaà história como a do búfalo branco”, elediz. “Então nós a desenhamos no shape.”Os shapes são um presente de Murphy,ou Murf, como ele é conhecido por todos.Skatista da lendária turma de Tony Alva,seu estilo vertical desapareceu quandoo streetstyle entrou em voga em meadosdos anos 1990. Mas seu amor peloesporte, que se tornou um objetivopessoal desde a morte do seu pai há13 anos, nunca se esvaiu.Trabalhando em tempo integral comorestaurador de vitrais, Murf e seu bomamigo, o falecido defensor do skatedesta reserva, que tem aproximadamenteo tamanho equivalente ao estado deConnecticut, é de 47 anos. O desempregoatinge mais de 90% da população, amaioria tem uma renda anual de cercade US$ 3 mil. O alcoolismo persisteapesar da proibição, desestrutua asfamílias e aniquila o espírito tribal.A dieta mal balanceada faz quase metadeda população sofrer de diabetes.Carros velhos enferrujam em frenteaos gramados mal cuidados de casasque muitas vezes abrigam numerosasfamílias. Prédios mais recentes, comexceção de um hospital novo, são escas­sos. Entre os nove distritos, Pine Ridgeé o centro do conselho tribal, com suarua principal que ostenta dois semáforos.Há uma lanchonete Subway, uma PizzaHut e um posto Shell.Depois vem uma estatística que real­mente choca – uma taxa de suicídio entrejovens que é 150% maior que a médianacional. Em um período de 45 dias em2009, o Departamento de SegurançaPública de Oglala Lakota Sioux registrou90 suicídios ou tentativas de suicídio.O celular que Tiny DeCory guardano bolso como uma espécie de linha dosuicídio, tocava sem parar naquela época.Na realidade ainda toca: jovens tomandooverdose de comprimidos, outros queligam para simplesmente dizer “eu querome matar”, fazem com que ela pule nocarro e acelere para onde estejam.“Há muitos fatores que contribuempara tal atitude”, diz DeCory, advogadada juventude e tia por adoção de“Tenho algunsproblemas rolandona minha vida,mas na pista eume sinto livre”­incontáveis meninos na reserva. “Aquiexistem mães solteiras sem nenhumarenda. A economia vai de mal a pior esegue cobrando seu preço. Algunsgarotos entram no Facebook e escrevem‘f*-se minha vida’, e eu sei quais são,porque é constante.”Há neste lugar coisas ruins o suficientepara fazer de alguém um desesperado,e DeCory, cuja reputação por falar e agirde forma direta é muito conhecida nareserva, tem uma visão nebulosa dofuturo. Mas entre as ligações telefônicasde pânico e mensagens tristes, ela vemnotando uma mudança: postagens noFacebook de crianças sorridentes e deskates; vídeos de celular com manobrasrealizadas com destreza; fotos dos suavescontornos da pista – seria o surgimentode uma real alternativa?“Temos nossos rodeios e encontrosindígenas e nossos jogadores de basquete.Mas finalmente temos uma nova cultura”,ela diz. “E é a cultura do skate.”Uma SUV branca entra no estaciona­mento de chão batido ao lado da pista deskate numa manhã ensolarada de umsábado de primavera. A parte traseira docarro está coberta com uma crescenteÀ esquerda: Leroy Janis, o cara que andava de skate na reserva quando ninguém sabia o que era. Hoje ele éconsiderado um dos mentores do movimento. À direita: Jaydin Thomas Peters60 THE RED BULLETIN
  52. 52. A partir da foto superior esquerda, em sentido horário: Elijha Battese (centro) e Jaydin Peters(direita); Will Peters; Elijah, Taylor e Leroy descem a colina; as meninas que andam pelo parque
  53. 53. novaiorquino Andy Kessler, criaram umaempresa. Como uma brincadeira, decidi-ram fazer uma homenagem a seus corposdecadentes e chamá-los de WoundedKnee (que sigifica joelho machucado).Os livros escolares se referem a esseepisódio de sua história somente como auma batalha entre os Sioux e os remanes-centes da 7ª Cavalaria que montavamguarda na reserva no inverno de 1890,omitindo que Wounded Knee foi um mas-sacre profetizado pelo chefe Sioux TouroSentado. Trezentos Sioux, incluindomulheres e crianças, foram executados,seus corpos deixados para congelar paradepois serem jogados numa vala comum.A maior característica do design deshapes de skate Wounded Knee é a inspi-ração na cultura nativa norte-americana;os shapes vêm com uma folha contendoinformações detalhadas sobre o massacree suas consequências (como é possível verno pé desta página). “Sempre sonhávamosver uma pista de skate em Pine Ridgecomo homenagem àqueles que morreramem Wounded Knee”, disse ele. “Mas aindaparecia algo inimaginável.”“Não é apenasconstruir rampasde skate, é mudarmentalidades”Walt PourierHistóriaDesde o começo do século XIX,as tribos da grande nação Siouxdominaram as planícies do Nortedos EUA. O tratado do Forte Lara-mie de 1868 confinou os LakotaSioux a uma região do que é hojeo sudoeste de Dakota do Sul, trans-formando pela força uma culturaguerreira em uma sociedade agrí-cola.A reserva de Pine Ridge foi es-tabelecida formalmente em 1889.Um ano depois, 300 Sioux forammassacrados pela 7ª Cavalaria emWounded Knee Creek. Em 1973,Wounded Knee teve mais uma vezum impasse com o governo ameri-cano quando membros do movi-mento de ativistas dos índios locaistomaram a região, protestando pormelhores condições. O confrontoarmado durou 71 dias, despertou aconsciência para a causa dos índiose conduziu mudanças de vida nareserva, buscando, inclusive, umresgate cultural. Enquanto o conse-lho tribal mantém jurisdição sobrea reserva, incluindo os departa-mentos de segurança pública,os governos estadual e federalainda participam. Dos estimados2,5 milhões de índios americanos,40 mil vivem hoje em Pine Ridge,a maioria deles abaixo dalinha de pobreza. Em 1980, a maislonga batalha judicial da históriados EUA terminou quando aSuprema Corte estabeleceu umamulta de US$ 106 milhões em favordos Sioux, determinando que osBlack Hills e 7 milhões de acresde terra foram injustamente toma-dos pelo governo. Mas as tribosrecusaram o dinheiro, seguindo naluta pela devolução das terras.Em 2007, Murf participou de umaexibição que a Smithsonian organizousobre skatistas índios. Lá ele conheceuPourier. Os conhecidos de Pourier conse-guiram arranjar as coisas, e a Grindline,uma fabricante de pistas de skate, seofereceu para construir uma por umpreço reduzido. Pourier e Murf conse­guiram uma doação de US$ 10 mil daTony Hawk Foundation, que foi acrescidacom aportes do mesmo valor por doisoutros membros da fundação. O baixistado Pearl Jam, Jeff Ament – que foiskatista e cresceu próximo a uma reservaem Montana – também abraçou a causa.A construção teve início em setembrode 2011. A rampa foi aberta algumassemanas depois, no dia 16 de outubro,em uma grande cerimônia, durante a qualPourier recebeu uma bandeira tribal, umahonra normalmente reservada aos idosos.“Essa rampa de skate traz a eles maisuma razão de viver. É alguma coisa queos instiga e mantém as mentes ocupadas”,diz Murf. “Você pode lidar melhor com ossentimentos. É possível trabalhar isso napista de skate, com uma grande famíliade skatistas para te apoiar.”A maioria dos garotos da pista chegacedo e vai embora tarde. Com a visita desábado da dupla Pourier e Murf não édiferente. Os cães da reserva andam pelosarredores, farejando os primeiros sinaisdo churrasco. O estacionamento é dechão batido cheio de barrancos e buracosesculpidos pelo mau tempo. Alguns car-ros velhos sem farol e outros com remen-dos de plástico nas janelas vêm chegando.Entre os skatistas, um se destaca.Sob uma juba tingida de laranja e umrabo de cavalo, o lado direito do rosto deJoe Mesteth, o “Crazy J” , está coberto porum desenho de prata e tinta azul.“Ele é um pouco a exceção da regraaqui na reserva”, diz Pourier. “Eu achoque o skate é simplesmente aquilo queo mantém vivo. Ele está vivendo a ideiade o skate realmente poder salvar vidas.”A biografia de Crazy J segue umatendência quase generalizada da reserva.Com pais alcoólatras, ele foi criado porseus avós. Apesar de já ter trabalhadopara o presidente da tribo, ele acabouse envolvendo com o tráfico.“Os problemas daqui não se comparamaos problemas de fora”, diz Mesteth comuma voz calma. “Se estivesse vivendo nomundo dos brancos, eu provavelmenteconseguiria algum dinheiro para pagaro aluguel. Aqui na reserva ou você temum sobrenome ou terá que vender drogapara conseguir dinheiro.”Mas Crazy J não é um traficante ou umbandido qualquer. Seu lar no momentoFOTOSADICIONAL:CORBIS,WOUNDEDKNEE

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