Apostila de-gerenciamento-de-risco
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Apostila de-gerenciamento-de-risco Apostila de-gerenciamento-de-risco Document Transcript

  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho APOSTILA DE GERENCIAMENTO DE RISCOProfessor: Roberto Portela de Castro
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro1 PLANO DE CURSO ........................................................................................................................................... 6 1.1 EMENTA .............................................................................................................................................................. 6 1.2 CARGA HORÁRIA ................................................................................................................................................ 6 1.3 OBJETIVOS GERAIS ............................................................................................................................................ 6 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................................................................... 6 1.5 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO .............................................................................................................................. 6 1.6 ESTRATÉGIA DE TRABALHO................................................................................................................................ 6 1.7 AVALIAÇÃO: ........................................................................................................................................................ 6 1.8 BIBLIOGRAFIA: .................................................................................................................................................... 62 CONCEITUAÇÃO, EVOLUÇÃO HISTÓRICA: DA PREVENÇÃO DE LESÕES À SEGURANÇA DE SISTEMAS ................... 7 2.1 CONCEITUAÇÃO .................................................................................................................................................. 8 ANTES DE PROSSEGUIRMOS EM NOSSOS ESTUDOS, VAMOS TRABALHAR ALGUNS CONCEITOS QUE SERÃO DE EXTREMA IMPORTÂNCIA AO LONGO DE NOSSO TRABALHO. ................................................................................................................ 8 2.1.1 Risco ............................................................................................................................................................. 11 2.1.2 Gerenciamento de Risco .............................................................................................................................. 12 2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA ..................................................................................................................................... 15 SEGUEM A SEGUIR ALGUNS MARCOS QUE PODEM SER RESSALTADOS AO LONGO DESSA EVOLUÇÃO: ............................... 163 - A EMPRESA COMO SISTEMA, SUB-SISTEMAS EMPRESARIAIS, NATUREZA DOS RISCOS EMPRESARIAIS, RISCOSPUROS E ESPECULATIVOS. ..................................................................................................................................... 20 3.1 A EMPRESA COMO SISTEMA ............................................................................................................................ 20 3.1.1 O Processo Decisório segundo uma abordagem Sistêmica .......................................................................... 22 3.2 SUB-SISTEMAS EMPRESARIAIS ......................................................................................................................... 23 3.3 NATUREZA DOS RISCOS EMPRESARIAIS .......................................................................................................... 25 3.3.1 Riscos Puros ................................................................................................................................................. 26 3.3.2 Riscos Especulativos ..................................................................................................................................... 27 3.3.3 Outras Classificações ................................................................................................................................... 28 3.4 MAPEAMENTO DE RISCO................................................................................................................. 29 3.5 SINALIZAÇÃO E ROTULAGEM ........................................................................................................... 31 3.6 EXERCÍCIOS .................................................................................................................................. 334 - FUNDAMENTOS MATEMÁTICOS: PREVISÃO DE PERDAS POR ESTATÍSTICA, PROBABILIDADE, CONFIABILIDADE,ÁLGEBRA BOOLEANA E A AVALIAÇÃO DO RISCO. ................................................................................................... 34 4.1 APLICAÇÃO DA ESTATÍSTICA Á PREVISÃO DE PERDAS .................................................................................... 34 4.1.1 Conceitos de Estatística ............................................................................................................................... 34 4.1.2 Distribuição de Freqüência........................................................................................................................... 37 4.1.3 Exercícios...................................................................................................................................................... 40 4.1.4 Medidas de Tendência Central ..................................................................................................................... 41 4.1.5 Medidas de Dispersão .................................................................................................................................. 43 4.1.6 Conceitos de Engenharia de Segurança com aplicação estatística .............................................................. 47 4.1.7 Exercícios...................................................................................................................................................... 48 4.2 APLICAÇÃO DA PROBABILIDADE Á PREVISÃO DE PERDAS ............................................................................... 48 4.2.1 Conceitos ...................................................................................................................................................... 49 4.2.2 Técnicas de Contagem ................................................................................................................................. 50 4.2.3 Exercícios...................................................................................................................................................... 51 4.2.4 Distribuição de Probabilidade ...................................................................................................................... 53 4.3 APLICAÇÃO DA CONFIABILIDADE Á PREVISÃO DE PERDAS .............................................................................. 60 4.3.1 Tipos de Falhas............................................................................................................................................. 62 4.3.2 Falhas Operacionais ..................................................................................................................................... 63 4.3.3 Exercício ....................................................................................................................................................... 64castrorpc@yahoo.com.br 2
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro 4.3.4 Funções de Confiabilidade ........................................................................................................................... 64 4.3.5 Variáveis Quantitativas ................................................................................................................................ 65 4.3.6 Análise de Sistemas de Confiabilidade ......................................................................................................... 66 4.3.7 Tratamento de Falhas .................................................................................................................................. 67 4.3.8 Exercícios...................................................................................................................................................... 67 4.4 AVALIAÇÃO DE RISCO ....................................................................................................................................... 705 - TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS: ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS. ANÁLISE DE MODOS DE FALHAS E EFEITO.SÉRIE DE RISCO. ANÁLISE DE ÁRVORE DE FALHAS. .................................................................................................. 70 5.1 TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGO ........................................................................................................ 72 5.1.1 Técnica de Incidentes Críticos (TIC) .............................................................................................................. 72 5.1.2 What-If (WI) ou E se...? ................................................................................................................................ 73 5.1.3 Análise e Revisão de Critérios (ARC)............................................................................................................. 74 5.2 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS .................................................................................................................. 75 5.2.1 Análise Preliminar de Riscos (APR) ou Análise Preliminar de Perigos (APP) ou Preliminary Hazard Analysis (PHA) ..................................................................................................................................................................... 75 5.2.2 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) ou Failure Modes and Effects Analysis (FMEA) ..................... 77 5.2.3 Análise de Operabilidade de Perigos (HAZOP) ............................................................................................. 84 5.3 TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS .............................................................................................................. 91 5.3.1 Análise de Árvore de Falhas (AAF) ............................................................................................................... 91 5.3.2 Série de Risco (SR) ........................................................................................................................................ 96 5.3.3 Análise de Árvore de Eventos (AAE) ............................................................................................................. 97 5.3.4 Análise por Diagrama de Blocos (ADB) ........................................................................................................ 99 5.3.5 Análise de Causas e Conseqüências (ACC) ................................................................................................. 100 5.4 EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 1026 - RESPONSABILIDADES PELO PRODUTO ........................................................................................................108 6.1 RESPONSABILIDADE E QUALIDADE ................................................................................................................ 108 6.2 RESPONSABILIDADE CÍVIL PELO PRODUTO ................................................................................................... 111 6.3 RESPONSABILIDADE CRIMINAL PELO PRODUTO ............................................................................................ 112 6.3.1 Tipos de danos e responsabilidade criminal............................................................................................... 113 6.3.2 Alguns conceitos e definições de Direito .................................................................................................... 114 6.3.3 Alguns crimes e penas ................................................................................................................................ 114 6.4 PERÍCIAS TRABALHISTAS ............................................................................................................................... 115 6.5 RESPONSABILIDADE AMBIENTAL PELO PRODUTO ......................................................................................... 1167 AVALIAÇÃO DE PERDAS DE UM SISTEMA: RECURSOS HUMANOS MATERIAIS E OPERACIONAIS. CONTROLE DEDANOS E CONTROLE TOTAL DE PERDAS ................................................................................................................116 7.1 INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE PERDAS ................................................................................. 116 7.1.1 Alguns Conceitos importantes ................................................................................................................... 117 7.1.2 Circunstâncias que levam às perdas .......................................................................................................... 118 7.2 AVALIAÇÃO DE PERDAS DE UM SISTEMA ....................................................................................................... 118 7.2.1 Ausentismo ................................................................................................................................................ 119 7.2.2 Paralisação de Equipamentos .................................................................................................................... 119 7.2.3 Exercício ..................................................................................................................................................... 119 7.3 SISTEMA DE CONTROLE DE DANOS ............................................................................................................... 120 7.4 CONTROLE DE PERDAS .................................................................................................................................. 1228 - METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE CUSTO DE ACIDENTES ............................................................................123 8.1 ANÁLISE HISTÓRICA ....................................................................................................................................... 123 8.2 DADOS ESTATÍSTICOS .................................................................................................................................... 123 8.3 PANORAMA NACIONAL E INTERNACIONAL ...................................................................................................... 124castrorpc@yahoo.com.br 3
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro 8.4 QUEM PERDE COM OS ACIDENTES DE TRABALHO? ........................................................................................ 124 8.5 CONCEITOS I MPORTANTES............................................................................................................................. 125 8.6 TIPOS DE CUSTOS .......................................................................................................................................... 127 8.6.1 Custos Diretos e Indiretos .......................................................................................................................... 127 8.6.2 Custos Fixos e Variáveis ............................................................................................................................. 129 8.6.3 Custos Quantificável e Não-quantificável .................................................................................................. 129 8.7 FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO ......................................................................................................... 130 8.8 CUSTOS COM INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE ....................................................................................... 131 8.9 CUSTO DE ACIDENTE DE TRABALHO X INVESTIMENTO EM SEGURANÇA ....................................................... 131 8.10 MÉTODOS DE CÁLCULO.................................................................................................................................. 132 8.11 MÉTODOS EXISTENTES .................................................................................................................................. 132 8.11.1 Método de Heinrich para o cálculo dos custos dos acidentes ............................................................... 132 8.11.2 Método de Simonds para o cálculo dos custos dos acidentes ............................................................... 133 8.11.3 Método de Bird para o cálculo dos custos dos acidentes ...................................................................... 133 8.11.4 Método de Pharm para o cálculo dos custos indiretos dos acidentes................................................... 134 8.11.5 Método de Manuel Bestratén Bellovi para o cálculo dos custos dos acidentes .................................... 135 8.11.6 Método desenvolvido pelo Health & Safety executive (HSE) para o cálculo dos custos dos acidentes . 135 8.12 MÉTODO DA FUNDACENTRO .......................................................................................................................... 136 8.13 MODELO DE FICHA PARA CÁLCULO DO CUSTO EFETIVO DE ACIDENTES ..................................................... 1379 - PROGRAMAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE PERDAS ...............................................................................139 9.1 PROGRAMA DE CONTROLE DE ACIDENTES COM DANOS À PROPRIEDADE ..................................................... 139 9.1.1 Benefícios do Programa ............................................................................................................................. 140 9.2 PROGRAMA DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE PERDAS ................................................................................ 140 9.2.1 Elementos Básicos de um Programa de Prevenção de Perdas ................................................................... 141 9.2.2 Estrutura de um Programa de Prevenção de Perdas ................................................................................. 143 9.2.3 Implantação de um Programa de Controle Total de Perdas ...................................................................... 14410 - NOÇÕES BÁSICAS DE SEGURO E PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO DE SEGUROS ...........................................147 10.1 CONCEITO ....................................................................................................................................................... 147 10.2 FINALIDADE E CARACTERÍSTICAS................................................................................................................... 147 10.3 CONCEITOS IMPORTANTES ............................................................................................................................. 148 10.4 PRINCÍPIOS ..................................................................................................................................................... 148 10.5 FRANQUIA ....................................................................................................................................................... 149 10.5.1 Tipos de Franquia .................................................................................................................................. 149 10.6 SEGUROS PROPORCIONAIS E NÃO PROPORCIONAIS .................................................................................... 149 10.6.1 Seguros Proporcionais ........................................................................................................................... 149 10.6.2 Seguros Não Proporcionais ................................................................................................................... 149 10.7 VANTAGENS E DESVANTAGENS ..................................................................................................................... 14911 - RETENÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE RISCOS ...................................................................................................150 11.1 RETENÇÃO DE RISCOS ................................................................................................................................... 151 11.1.1 Auto-adoção .......................................................................................................................................... 151 11.1.2 Auto-seguro........................................................................................................................................... 152 11.2 TRANSFERÊNCIA DE RISCOS .......................................................................................................................... 152 11.3 DECISÃO ENTRE SEGURO E AUTO-SEGURO .................................................................................................. 153 11.4 DEFINIÇÃO DO VALOR DA FRANQUIA ............................................................................................................. 154 11.4.1 Regra do Menor Custo .......................................................................................................................... 154 11.4.2 Modelo de Houston ............................................................................................................................... 15412 - PLANOS DE EMERGÊNCIA ..........................................................................................................................155 12.1 NOÇÕES E CONCEITOS .................................................................................................................................. 155castrorpc@yahoo.com.br 4
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro 12.2 GRANDES ACIDENTES .................................................................................................................................... 156 12.3 PLANO DE EMERGÊNCIA ................................................................................................................................. 157 12.3.1 Interferências do ambiente de trabalho................................................................................................ 158 12.3.2 Metodologia .......................................................................................................................................... 158 12.3.3 Objetivo ................................................................................................................................................. 158 12.3.4 Características ....................................................................................................................................... 158 12.3.5 Razões para a elaboração de um Plano de Emergência ....................................................................... 159 12.3.6 Estrutura Organizacional ...................................................................................................................... 159 12.3.7 Zonas de Trabalho ................................................................................................................................. 160 12.3.8 Implantação e Manutenção .................................................................................................................. 160 12.4 ESTRUTURA DE UM PLANO DE AÇÃO DE EMERGÊNCIA ................................................................................. 161 12.4.1 Estrutura estabelecida pela CETESB ...................................................................................................... 161 12.4.2 Estrutura estabelecida pelo CONAMA................................................................................................... 162 12.4.3 Estrutura estabelecida pela ABNT ......................................................................................................... 162 12.4.4 Estrutura estabelecida pelas NR´s ......................................................................................................... 163 12.5 GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE EMERGÊNCIA ............................................................................ 163 12.6 SUB – PLANOS DO PLANO DE EMERGÊNCIA .................................................................................................. 171 12.7 DIRETRIZES PARA PLANOS DE EMERGÊNCIA ................................................................................................. 17313 - MODELO DE UM PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS ...................................................................178 13.1 CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO E DA REGIÃO ................................................................................ 179 13.2 IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E CONSOLIDAÇÃO DAS HIPÓTESES ACIDENTAIS ............................................... 180 13.3 ESTIMATIVA DOS EFEITOS FÍSICOS ANÁLISE DE VULNERABILIDADE ............................................................... 180 13.4 ESTIMATIVA DE FREQÜÊNCIA .......................................................................................................................... 182 13.5 ESTIMATIVA E AVALIAÇÃO DE RISCOS ............................................................................................................ 182 13.6 TRATAMENTO DOS RISCOS ............................................................................................................................. 182castrorpc@yahoo.com.br 5
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro1 Plano de Curso1.1 Ementa: Apresentar e discutir aspectos teóricos e práticos sobre gerenciamento de riscos, quandoassumi-los com recursos próprios e quando transferi-los para terceiros sob a ótica secundária.1.2 Carga Horária: 60 h/a1.3 Objetivos Gerais:- Conhecer e interpretar corretamente a natureza dos riscos empresariais; utilizar corretamente as modernastécnicas de análise de riscos.- Saber quando e como fazer um retenção ou transferência de riscos.1.4 Objetivos Específicos:- Analisar corretamente os fundamentos matemáticos e administrativos utilizados na avaliação de riscos eperdas.- Ter conhecimento das técnicas básicas de seguro.- Ter condições de planejar e executar um “programa de segurança de sistemas”.1.5 Conteúdo Programático:- Conceituação, Evolução Histórica: Da Prevenção de Lesões à Segurança de Sistemas.- A empresa como sistema, sub-sistemas empresariais, natureza dos riscos empresariais, Riscos Puros eEspeculativos.- Fundamentos Matemáticos: Previsão de Perdas por Estatística, Probabilidade, Confiabilidade, ÁlgebraBooleana e a Avaliação do Risco.- Técnicas de Análise de Riscos: Análise Preliminar de Riscos. Análise de Modos de Falhas e Efeito. Série deRisco. Análise de Árvore de Falhas.- Responsabilidades pelo Produto.- Avaliação de Perdas de um Sistema: Recursos Humanos Materiais e Operacionais. Controle de Danos eControle Total de Perdas.- Metodologia para Análise de Custo de Acidentes.- Programas de Prevenção e Controle de Perdas.- Noções Básicas de Seguro e Princípios de Administração de Seguros.- Retenção e Transferência de Riscos: Auto Adoção e Auto Seguro.- Planos de Emergência.- Modelo de Um Programa de Gerenciamento de Riscos.1.6 Estratégia de Trabalho- Aulas Expositivas com Apoio de Data Show, Diapositivos e Vídeos Relacionados ao Assunto.- Discussão de Casos.- Apostila Resumo das Aulas.- Bibliografia Básica.- Tabelas do Cronograma das Aulas.- Apresentação de um Programa de Gerenciamento de Risco.- Execução de Exercícios Práticos.1.7 Avaliação:- Elaboração de um Programa de Gerenciamento de Riscos.- Execução de exercícios práticos dados em aula.- Prova escrita embasada em questões (sem consulta) ou embasada em casos práticos (com consulta).1.8 Bibliografia:- Apostila de Gerenciamento de Risco do Professor Antônio Castellar, 2008.- http://www.eps.ufsc.br/disserta96/anete/cap1/cap1_ane.htm- http://www.eps.ufsc.br/disserta/evandro/capit_1/cap1_eva.htmcastrorpc@yahoo.com.br 6
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- Araújo,Vagner Pereira. Gestão de Riscos Operacionais. São Paulo – 2006.- Tavares, J. C., Noções de prevenção e controle de perdas em Segurança do Trabalho, Senac, SãoPaulo, 2007.- De Cicco, Francesco M. G. A. F. & Fantazzini, Fundacentro, 3ed, 1994.2 Conceituação, Evolução Histórica: Da Prevenção de Lesões à Segurança de Sistemas Para as antigas civilizações gregas, romanas e judaicas, o privilégio de antever o futuro era umdom destinado apenas aos oráculos e adivinhos que detinham um monopólio sobre todo oconhecimento humano e possuíam a capacidade de realizar previsões sobre possíveis eventos futuros.Porém uma idéia revolucionária que define a fronteira entre os tempos modernos e o passado foi acapacidade do ser humano em pensar, analisar e tomar suas próprias decisões e assumir asresponsabilidades pelas conseqüências, fazendo com que o futuro da humanidade deixasse de ser umfruto do capricho dos deuses. O processo racional de enfrentar riscos mostrou ao mundo como compreender, medir e avaliarsuas conseqüências, convertendo o ato de correr riscos em dos principais catalisadores dodesenvolvimento. No mundo de hoje, sabe-se que com exceção da existência de impostos e da imutabilidade dasleis fundamentais do universo, a única coisa realmente previsível é que tudo se modifica no decorrerdo tempo. A disciplina de Gerenciamento de Risco está intimamente ligada aos conceitos de "Qualidade eCompetitividade", que vem sendo difundidos e empregados por um número cada vez maior deempresas que descobriram aí uma fonte de ganhos sociais, econômicos e financeiros, e acima de tudouma excelente forma de competitividade empresarial. Dentre todas as vertentes associadas à qualidade, existe uma que é a qualidade do públicointerno, dos colaboradores, e dentro desta categoria se encontra o aspecto da segurança no trabalho. Equem viabiliza a qualidade neste ambiente é a adoção de uma Política de Segurança no Trabalho quebusque proteger e preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores. O foco dessa políticadeve ser um Sistema de Prevenção, ou seja, a minimização dos erros e falhas (acidentes). Então, o que Gerenciamento de Risco busca é administrar as possibilidades de falhas, buscandoevitar que essas aconteçam; caso aconteçam, que não se propaguem; caso as possibilidades de falhassejam de difícil controle, decidir entre reter ou transferir. Resultados de investigações de grandes acidentes mostram que as falhas responsáveis pelosmesmos estão associadas a quatro fatores principais, a saber: tecnologia, sistemas de gerenciamento,fatores humanos e agentes externos. Deste modo, muitas indústrias têm se preocupado com aconfiabilidade de seus equipamentos e investido em melhores tecnologias. Porém, uma análise maisdetalhada acerca das causas que precedem estas situações mostra que o erro humano e a falta desistemas de gerenciamento de riscos adequados são os contribuintes mais significativos para aconcretização dos acidentes. O aumento dos riscos de acidentes industriais de grande periculosidade, provenientes dautilização de tecnologias mais avançadas e complexas, maior número de matérias primas e insumos,criação de novos processos e produtos, grandes capacidades de armazenamento e transporte deprodutos perigosos, fez com que aumentasse a pressão sobre as empresas no sentido de reduziremcastrorpc@yahoo.com.br 7
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroseus riscos, esclarecerem os cidadãos sobre os mesmos e adotarem medidas de emergência econtenção de riscos eficientes. Além do mais, com a evolução do tecido social, temas notadamenteligados às áreas ecológicas e de acidentes do trabalho passaram a preocupar o público ao redor dasindústrias e, conseqüentemente, as autoridades governamentais. Como consequência, as indústriasforam obrigadas a examinar com mais acuidade os efeitos de suas operações intra e extra-muros. O grande número de variáveis que interagem dinamicamente no decurso de um processooperacional atribui uma elevada complexidade aos sistemas industriais atuais que, apesar dealtamente automatizados, continuam dependentes do desempenho humano em diversos aspectos.Portanto, o desconhecimento dos riscos associados ao uso de novas tecnologias e a velocidade comque determinadas ações devem ser tomadas frente a problemas operacionais conduzem ao aumentoda probabilidade de falha humana, podendo comprometer o bom andamento operacional e resultarem acidentes catastróficos, com elevadas perdas tanto materiais quanto humanas. Neste sentido, o gerenciamento de riscos surgiu como instrumento de mitigação e administraçãode riscos presentes no meio industrial, oferencendo filosofias e ferramental técnico que visamotimizar o uso da tecnologia, a qual sofre avanço acelerado e, não raramente, inconsistente com ospadrões mínimos de segurança que devem estar presentes dentro de atividades industriais. Ogerenciamento de riscos dentro de uma empresa representa a possibilidade de se atribuir segurança econfiabilidade aos processos e procedimentos, constituintes do seu ambiente operacional, permitindoa integração de dois pólos que, até então, se relacionavam indiretamente: a segurança do trabalho e asegurança patrimonial.2.1 Conceituação Antes de prosseguirmos em nossos estudos, vamos trabalhar alguns conceitos que serão deextrema importância ao longo de nosso trabalho.a) Perigo: Fonte ou situação (condição) com potencial para provocar danos em termos de lesão,doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente, ou uma combinação destes. Uma ou mais condições de uma variável com potencial necessário para causar danos taiscomo: lesões pessoais, danos a equipamentos e instalações, meio ambiente, perda de material emprocessos ou redução da capacidade produtiva.b) Desvio: é qualquer ação ou condição que tem potencial para conduzir, direta ou indiretamente, adanos a pessoas, ao patrimônio ou causar impacto ambiental, que se encontre desconforme com asnormas de trabalho, procedimentos, requisitos legais ou normativos, requisitos do sistema de gestão,ou boas práticas. O conceito de desvio é similar ao de perigo, mas com uma diferença sutil: umdesvio está associado a uma não conformidade com requisitos pré-definidos, ou seja, é algodesconforme com o adequado. Todo desvio é um perigo, mas alguns perigos, no entanto, não são desvios: perigos naturais,ou aqueles oriundos de mudanças e processos inovadores, que (ainda) não estejam desconformes anormas e/ou requisitos. Desvios são usualmente evidenciados por inspeções in loco, sendo um importante conceitonas chamadas auditorias comportamental. Perigos podem ser identificados tanto in loco quanto por análise a priori (técnicas de análisesde risco), que será vista nos próximos capítulos.castrorpc@yahoo.com.br 8
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Quando ocorre um acidente, perigos ou desvios se tornam as causas do mesmo, que seencadeiam desde a origem das seqüências até o acidente em si e seus efeitos (danos ou perdas).c) Segurança: é a garantia de um estado de bem-estar físico e mental, traduzindo por saúde, paz eharmonia. Segurança do Trabalho: é a garantia de um estado de bem-estar físico e mental doempregado, no trabalho para a empresa e se possível, fora do ambiente dela (viagem de trabalho, lar,lazer, etc.). É um compromisso acerca de uma relativa proteção da exposição a perigos.d) Dano: É a conseqüência negativa do acidentes, ou seja, é o produto ou resultado negativo doacidente (prejuízo). Gravidade da perda humana, material ou financeira que pode resultar se ocontrole sobre um risco é perdido. A probabilidade e a exposição podem manter-se inalterados, emesmo assim, existir diferença na gravidade do dano.Os danos podem ser:- Pessoais: lesões, ferimentos, perturbação mental- Materiais: danos em aparelhos, equipamentos- Administrativo: prejuízo monetário, desemprego em massae) Causa: Origem, de caráter humano ou material, relacionada com o evento catastrófico (acidente)pela materialização de um perigo, resultando em danos. É aquilo que provocou o acidente, sendoresponsável por sua ocorrência, permitindo que o risco se transformasse em danos. Antes do acidenteexiste o risco. Após o acidente existe a causa. Existem três tipos de causas: Atos inseguros, Condições Inseguras e Fator Pessoal deInsegurança.f) Sinistro: Prejuízo sofrido por uma organização, com garantia de ressarcimento por seguro ou poroutros meios.g) Incidente: Qualquer evento ou fato negativo com potencial para provocar danos, mas por algumfator não satisfeito, não ocorre o esperado acidente. Também denominado de “quase-acidente”.Muitas vezes atribuída ao anjo-da-guarda. Os estudos dos incidentes trazem um conhecimento maior sobre as causas, que poderiam vir atornar-se acidentes, além de conter estes. h) Perdas: é o prejuízo sofrido por uma organização, sem garantia de ressarcimento através deseguros ou outros meios. Prejuízos (materiais e/ou humano) ocorridos em uma organização, os quaissão ressarcidos através de seguros ou de outros meios. Freqüentemente é associado com: desperdício,sobras, refugos, retrabalhos. As perdas podem ser tangíveis, quando se referem a prejuízos mensuráveis, ou intangíveis,quando se referem a elementos de difícil mensuração como a imagem da empresa.i) Ato inseguro: É todo ato, consciente ou não, emitidos pelo trabalhador ou empresa, capaz deprovocar dano ao trabalhador, a seus companheiros ou a máquinas, materiais e equipamentos,estando diretamente relacionado a falha humana. Os atos inseguros são cometidos por imprudência,imperícia ou negligência. Exemplo: A falta de treinamento, excesso de trabalho / pressa, teimosia,curiosidade, improvisação, autoconfiança, entre outros são fatores que levam à prática do atoinseguro.castrorpc@yahoo.com.br 9
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroj) Condição Insegura: Consiste em irregularidades ou deficiências existentes no ambiente detrabalho que constituem riscos para a integridade física do trabalhador e para a sua saúde, bem comopara os bens materiais da empresa. A falta de limpeza e ordem no ambiente de trabalho, bem comomáquinas e equipamentos sem proteção ou a segurança “jampeada” são fatores que produzem acondição insegura.l) Fator pessoal de Insegurança: Problema pessoal do indivíduo que pode vir a provocar acidentes:Problemas de saúde, Problemas familiares, Dívidas, Alcoolismo, Uso de Substâncias Tóxicas, etc.m) Nível de exposição: Relativa exposição a um risco que favorece a materialização do risco comocausa de um acidente e dos danos resultantes deste. O nível de severidade varia de acordo com asmedidas de controle adotadas, ou seja: Nível de Exposição = Risco/Medidas de Controle adotadasn) Acidente: toda ocorrência não programada que pode produzir danos. É um acontecimento que nãoprevemos, ou se prevemos, não sabemos precisar quando acontecer. Temos diferentes conceitos paraacidente, os principais são o legal e o prevencionista.Conceito Legal: Acidente é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesãocorporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução permanente ou temporária dacapacidade laboral para o trabalho.Conceito Prevencionista: Acidente é uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere noprocesso normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil, lesões nos trabalhadores oudanos materiais.Outros Conceitos de Acidente do Trabalho É a ocorrência, uma perturbação no sistema de trabalho que, ocasionando danos pessoais oumateriais, impede o alcance do objetivo do trabalho. Qualquer evento não programado que interfere negativamente na atividade produtiva e quetem cobertura da seguradora.OBS: Em geral um acidente acontece em decorrência da conjunção de várias falhas, que possuemcausa ou modo de falhas. Estas falhas possuem probabilidade ou chance de acontecerem, quandoacontecem geram incidentes, também chamados de quase-acidente (sem danos tangíveis), ouacidentes que causam danos. Se os danos estão segurados chama-se de sinistro, quando não, houveperda para a empresa. A associação dos danos (efeitos adversos) com a probabilidade deacontecerem chama-se risco. Quando o acidente acontece o risco passa a chamar-se de causa. Aexposição relativa ao risco é denominada perigo. Quando o perigo refere-se a procedimentos eregulamentos não atendidos, chama-se de desvio.o) Segurança e Prevenção de Acidentes Tradicional Segurança vista como sinônimo de Moderna Segurança voltada para prevenção de prevenção de lesões pessoais perdas e danos castrorpc@yahoo.com.br 10
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroAções voltadas somente para a prevenção de Ações voltadas não só para acidentes comacidentes fatais ou com lesões incapacitantes; pessoas, mas também com equipamentos,Acidentes que não envolviam pessoas não máquinas, instalações, meio ambiente, etc., outinham valor nenhum seja, tudo o que interfira no processo produtivop) Definição dos Acidentes Tradicional Abordagem Corretiva Moderna Abordagem Preventiva Acidentes considerados como fatos indesejáveis,Acidentes considerados como fatos inesperados, com a maior partes das causas sendo conhecidas,com causas fortuitas e/ou desconhecidas. previsíveis e controláveis. Os acidentes comOcorrências inevitáveis e incontroláveis. causas fortuitas ou desconhecidas devem-se geralmente a fatores incontroláveis da natureza como terremotos, maremotos, raios, etc.q) Programas de SST Tradicional Abordagem Corretiva Moderna Abordagem PreventivaEnfoque corretivo, Espera pela ocorrência do Enfoque preventivo, Conceitos de ato e condiçãoacidentes para depois atacar as conseqüências ou insegura, Maior preocupação com os acidentesevitar acidentes semelhantes pessoais e perdas a eles associadosr) Atividades de Segurança Tradicional Responsabilidade centralizada Moderna Responsabilidade compartilhada Integração da organização, Aumento da eficáciaExecutantes com pouca informação e poder de das medidas corretivas e preventivas, Maioração preventiva, Impossibilidade de prevenção conhecimento dos trabalhadores sobre os riscosdos riscos inerentes aos processos produtivos, aos quais estão expostos, bem como sobre suaFalta de compromisso por parte dos executantes redução ou eliminação Após a apresentação destes conceitos básicos iremos detalhar um pouco mais os dois conceitosbases desta disciplina. O que é Risco? O que é Gerenciamento de Risco?2.1.1 Risco Como base na origem etmológica da palavra, “risco”, é uma derivação da antiga língua italianadenominada “risicare”, que representa evolução social, científica e tecnológica do ser humano em“ousar”, que possibilita uma “escolha” do homem e não um destino divinamente determinado. Alguns autores costumam definir risco como a possibilidade de um evento adverso que possaafetar negativamente a capacidade de uma organização para alcançar seus objetivos. Dentro dessaacepção o risco é considerado um evento indesejável. No entanto, dentro de uma visão macro,sabemos que ao apostar na Mega-Sena estamos correndo o risco de ganhar, o que, de forma alguma,é algo negativo ou indesejável. Para esses autores a possibilidade de um evento conduzir a umresultado favorável é chamada de Chance, enquanto a Possibilidade de um evento conduzir a umresultado desfavorável é de Risco. castrorpc@yahoo.com.br 11
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro O risco poderá ter pelo menos três significados:- Hazard: Uma ou mais condições de uma variável com potencial necessário para causar danoscomo: lesões pessoais, danos a equipamentos e instalações, danos ao meio-ambiente, perda dematerial em processo ou redução da capacidade de produção. A existência do risco implica napossibilidade de existência de efeitos adversos.- Risk: Expressa uma probabilidade de possíveis danos dentro de um período específico de tempo ounúmero de ciclos operacionais, podendo ser indicado pela probabilidade de um acidente multiplicadopelo dano em valores monetários, vidas ou unidades operacionais.- Incerteza: Quanto à ocorrência de um determinado acidente. Para a Segurança do Trabalho o risco expressa uma probabilidade de possíveis danos dentro deum período específico de tempo ou número de ciclos operacionais, ou seja, representa o potencial deocorrência de conseqüências indesejáveis. O Risco pode ser calculado através da identificação dos efeitos adversos potenciais de umfenômeno a ser analisado, com a compreensão da estimativa de sua probabilidade e da magnitude deseus efeitos. Risco = Probabilidade x Impacto2.1.2 Gerenciamento de Risco A gerência de riscos pode ser definida como a ciência, a arte e a função que visa proteger aempresa (recursos humanos, materiais e financeiros) das conseqüências de eventos aleatórios quepossam reduzir sua rentabilidade, sob forma de danos físicos, financeiros ou responsabilidades paracom terceiros. A proteção fornecida pela Gerência de Risco compreende esforços na tentativa deeliminar, reduzir, controlar ou ainda financiar os riscos, caso seja economicamente viável. O gerenciamento de riscos pode, ainda, ser definido como um processo formal no qual fatores deincerteza presentes em determinado contexto são sistematicamente identificados, analisados,estimados, categorizados e tratados. Procura-se alcançar um equilíbrio entre a concretização deoportunidades de ganhos e a minimização de perdas. Trata-se de atividade interativa que permite oaprimoramento contínuo do processo de decisão e a melhora crescente do desempenho daorganização. O processo envolve a criação de infra-estrutura e cultura adequadas, com aplicação de métodosistemático, a fim de permitir que as decisões sejam tomadas mediante o conhecimento dos riscosassociados às atividades da organização. O Gerenciamento de Risco é ainda definido como a área de atuação que busca administrar aspossibilidades de falhas, buscando evitar que essas aconteçam; caso aconteçam, que não sepropaguem; caso as possibilidades de falhas sejam de difícil controle, decidir entre reter ou transferir. Compreende toda uma metodologia que visa aumentar a confiança na capacidade de umaorganização de prever, priorizar e superar obstáculos para obtenção de suas metas, e visa, ainda,proteger a empresa das conseqüências de eventos aleatórios que possam reduzir sua rentabilidade,sob forma de danos físicos, financeiros ou responsabilidades para com terceiros. castrorpc@yahoo.com.br 12
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A finalidade da Gerência de Riscos é prevenir todos os fatos negativos que distorcem umprocesso de trabalho, impedindo que se cumpra o programado, podendo provocar danos e/ou perdasàs pessoas, materiais, instalações, equipamentos e meio ambiente. Outra forma de compreender o Gerenciamento de Risco é através dos seus objetivos, entre osquais, podemos citar fornecer orientações a fim de possibilitar que as organizações:- tomadas de decisão com confiabilidade;- identificar melhor as ameaças, oportunidades, pontos fortes e fracos (matriz swot);- tirar proveito de incertezas e variabilidade;- gestão pró-ativa e não reativa;- torna a alocação de recursos mais eficaz;- reduzir perdas e custos (prêmios, indenizações, etc.);- atender as exigências legais;- melhorar a qualidade de vida através da redução de acidentes.2.1.2.1 Conceitos Além dos conceitos básicos já vistos anteriormente referentes à disciplina, veremos a seguiroutros conceitos, mais específicos, referentes à metodologia de gerenciamento de risco.a) Análise de riscos: processo sistemático de entendimento da natureza e do nível de risco.b) Avaliação do risco: processo de comparação do nível de risco em relação a determinadoscritérios.c) Conseqüência: resultado ou impacto de um evento.d) Critério de risco: termo de referência pelo qual a significância do risco é estimada.e) Estimativa de risco: processo global de identificação, análise e avaliação do risco.f) Evento: ocorrência de um conjunto particular de circunstâncias.g) Evitar o risco: decisão de não se envolver ou de se retirar de uma situação de risco.h) Freqüência: medida do número de ocorrências por unidade de tempo.i) Identificação do risco: processo para determinar o que, onde, quando, por que e como algopoderia ocorrer.j) Expectativa de ocorrência de evento: chance de algo ocorrer, seja ela definida, medida ouestimada de modo objetivo ou subjetivo. É expressa em termos de freqüência, de probabilidade oupor meio de um descritor.k) Monitorar: verificar, supervisionar, observar criticamente e medir o progresso de uma atividade,ação ou sistema de maneira regular, a fim de identificar mudanças no nível de desempenho requeridoou esperado.l) Organização: grupo de pessoas e de instalações submetidos a um arranjo de responsabilidades,autoridades e relacionamentos. castrorpc@yahoo.com.br 13
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrom) Perigo: fonte de dano em potencial.n) Perda: qualquer conseqüência negativa.o) Probabilidade: medida da chance de ocorrência expressa por um número entre 0 e 1.p) Processo de gerenciamento de riscos: aplicação sistemática de gerenciamento de políticas,procedimentos e práticas às tarefas de comunicar, estabelecer o contexto, identificar, estimar, tratar,monitorar e rever os riscos.q) Risco: chance de que algo ocorra, causando impacto nos objetivos.r) Risco residual: risco remanescente após implementação do tratamento.s) Stakeholders: pessoas e organizações que podem afetar, serem afetadas ou possuírem a percepçãode serem afetadas por uma decisão, atividade ou risco.t) Tratamento do risco: processo de seleção e implementação de ações para modificar o risco.u) Risco aceitável: é o que foi reduzido a um nível aceito pela organização.2.1.2.2 Metodologia As melhores práticas indicam que o gerenciamento de riscos se dá por meio de métodosistemático que estabelece um contexto para depois identificar, analisar, estimar, tratar, monitorar ecomunicar os riscos associados a alguma atividade, função ou processo da organização (Figura 1).Tal gerenciamento deve ser visto como parte da cultura interna, tomando lugar em sua filosofia,práticas e processos, a fim de se tornar parte da gestão estratégica. Organizações que gerenciamriscos de maneira eficaz e eficiente tendem a alcançar seus objetivos com menores custos. Figura 1 – Processo de Gerenciamento de Risco Simplificadamente, o processo envolve a definição do contexto no qual a organização atua, ouseja, objetivos, estratégias, valores e cultura, estabelecendo-se, assim, a estrutura sobre a qual asdecisões se apóiam. Então, passa-se à identificação dos Perigos análise dos riscos, estimando-se a castrorpc@yahoo.com.br 14
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroexpectativa de ocorrência dos eventos e os impactos que estes causam à organização. Concluída aanálise, os riscos são avaliados e categorizados para que lhes seja dado o tratamento adequado. Essa abordagem exige que os administradores da organização conheçam a natureza e amagnitude dos riscos, identificados e analisados em um processo sistemático, evitando-se abstraçõesee complexidades que dificultem seu entendimento. Entenda-se que, em alguns casos, se tornanecessário utilizar técnicas mais sofisticadas para a adequada análise dos riscos. A fase de análise dos riscos pode ser feita de forma quantitativa ou qualitativa. Em muitassituações, quantificar os riscos é uma tarefa árdua e incerta, até mesmo para especialistas. Nessescasos, a solução adotada é o emprego de métodos qualitativos. Um consenso para a análisequalitativa dos riscos pode ser obtido por meio de técnicas adequadas, como o método Delphi. Após a categorização dos riscos, deve-se decidir qual tratamento a dar e quais recursos alocar.Conceitualmente, quatro opções estão disponíveis: evitar o risco, pela modificação do sistema, de modo que desapareça; reduzir o risco, atuando-se sobre os fatores que influenciam a expectativa de ocorrência ou asconseqüências; transferir o risco, por meio de seguros, cooperação ou outro ato; e reter o risco, quando for impossível ou economicamente inviável tratá-lo de modo diferente. As três primeiras opções são medidas preventivas, enquanto a última é de caráter contingencialou mitigatório.2.2 Evolução Histórica A origem da Gerência de Riscos se confunde com a própria evolução do prevencionismo. Dentroda gerência de riscos estão aglutinados todos os aspectos apresentados por diversas filosofiasprevencionistas que surgiram ao longo dos tempos, sob uma ótica gerencial e objetiva. Nos EstadosUnidos e em alguns países europeus, a Gerência de Riscos (Risk Management) surgiu háaproximadamente 40 anos, logo após a Segunda Guerra Mundial, e vem sendo sustentada eaprimorada pela ação conjunta de empresários, trabalhadores e organizações governamentais. Na América Latina, os primeiros sinais do prevencionismo foram motivados pelos movimentossociais iniciados na década de 20. Em 1947, vários países implantaram serviços de higiene esegurança, incentivados pelo programa de ajuda norte-americana, iniciado em Lima e dirigido peloengenheiro John J. Bloomfield. No Brasil, os primeiros passos prevencionistas surgiram com a criação do Ministério doTrabalho, na década de 30. No entanto, desde 1919, com Rui Barbosa, o país contava com uma lei deacidentes do trabalho, a qual foi reformulada em 1934, mas continuou deficiente em termosprevencionistas, pois preocupava-se apenas com a compensação do acidentado e não com aprevenção de lesões. Apenas em 1941 foi incluído um capítulo sobre prevenção de acidentes e, em1943, foi lançada a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes. Porém, somente em fins dadécada de 70 e início da década de 80, é que trabalhos sobre prevenção e controle de perdascomeçaram a ser divulgados, impulsionados por órgãos como a Fundacentro. castrorpc@yahoo.com.br 15
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Já a Gerência de Riscos foi introduzida, no Brasil, pelas filiais de empresas multinacionais com oobjetivo de reduzir os custos relativos ao pagamento de seguros e, ao mesmo tempo, aumentar aproteção do patrimônio e dos trabalhadores. Porém, somente em finais da década de 80 e início daatual década é que o gerenciamento de riscos começou a ser divulgado e utilizado de forma maisampla por um número maior de empresas. Com a evolução das políticas prevencionistas, passou-se a analisar mais criteriosamente os riscosindustriais e os métodos para reduzir os mesmos, valendo-se da filosofia de prevenção de perdas paraa tomada de decisões técnicas e gerenciais, tanto a nível de prevenção de acidentes do trabalho, comode acidentes catastróficos envolvendo as instalações, o meio ambiente e o público em geral. Sob esta ótica, a prevenção de perdas e, consequentemente, a Gerência de Riscos, sãocaracterizadas pelo seu envolvimento com a evolução da tecnologia e com os riscos associados a estedesenvolvimento, conferindo uma abordagem gerencial e sistêmica ao tratamento de problemasrelativos a acidentes e riscos industriais. Seguem a seguir alguns marcos que podem ser ressaltados ao longo dessa evolução: O cenário que permitiu o surgimento dos primeiros estudos de risco aconteceu entre os séculosXIV e XVI, época do Renascimento. Nesse período histórico ocorreram grandes transformaçõessociais, científicas, culturais, religiosas e políticas, as pessoas começassem a se libertar e desafiar ascrenças consagradas, prevalecendo uma época de grande turbulência religiosa, de capitalismonascente e uma abordagem vigorosa da ciência e do futuro. Com o renascimento, o desenvolvimento das civilizações foi ganhando mais força, fazendo comque o misticismo cedesse espaço ao desenvolvimento científico e lógico, abrindo as portas para aReforma Protestante, que enfraqueceu o domínio da Igreja Católica sobre os povos, o que significoumais que uma mera mudança da relação da humanidade com Deus. Com a extinção da confissão, aspessoas dali em diante, tiveram que caminhar com os próprios pés e se responsabilizar pelasconseqüências das próprias decisões. A partir de então os conceitos de fragilidade e abstinênciaforam substituídos pela importância crescente sobre o futuro em relação ao presente, abrindo umasérie de opções e decisões, fazendo com que os povos reconhecessem que o futuro oferecia, além deperigos, grandes oportunidades, e que era ilimitado e cheio de promessas. O resultado de tudo isso,não poderia ser diferente, trouxe a era do capitalismo, a necessidade de correr riscos. Em 1760, surgem os primeiros indícios de ações prevencionistas na Inglaterra, após onascimento da Revolução Industrial. As profundas alterações tecnológicas provocadas pela revoluçãoindustrial, lançada com o aparecimento da primeira máquina de tear e marcada pela invenção damáquina a vapor (em 1781) por James Watts, deram início aos grandes processos de industrialização,que prosseguiram até nossos dias, substituindo o trabalho humano pela máquina. A existência de duas novas classes sociais caracterizou as sociedades pós-revolução industrial: aclasse dos patrões (empregadores) e a classe dos trabalhadores, que se enfrentavam direta eindividualmente, não existindo qualquer organização, por parte dos trabalhadores, para proteger osseus interesses. Portanto, as massas trabalhadoras foram impiedosamente exploradas durante o inícioda revolução industrial, pagando o custo social desta mudança. Ainda no século XVIII, Através da publicação do livro “De Morbis Artificum Diatriba” (ADoença dos Trabalhadores), o médico Bernadino Ramazzini relaciona as doenças desenvolvidas portrabalhadores de 50 profissões. castrorpc@yahoo.com.br 16
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro No entanto, nesta fase inicial, a segurança foi criada e desenvolvida para fazer frente aosexcessos praticados pelas empresas contra a força de trabalho. A preocupação em termos desegurança era totalmente voltada para morte ou lesões incapacitantes permanentes dos trabalhadores.A partir de acordos e algumas leis específicas foram criados alguns planos de assistência,beneficiando o empregado e sua família. Porém, essa legislação não resolvia senão uma parcelamínima dos problemas e, portanto, foi seguida por leis complementares, em geral pouco eficientesdevido à pressão dos empregadores. Com o passar do tempo e com os avanços das lutas sociais, além dos planos de assistência, ostrabalhadores passaram a ser cobertos por seguros e outros dispositivos que os protegia não apenascontra as lesões incapacitantes permanentes, mas também pela perda momentânea da capacidade detrabalho. Mais tarde, tiveram atenção especial outras formas de lesões pessoais, inclusive as que nãoafastavam o indivíduo do trabalho. Foram necessárias gerações para que estes homens começassem a se organizar. Porém, emmeados do século XIX, quase meio século após o início da revolução industrial, ainda na Inglaterra, apreocupação com a prevenção de acidentes do trabalho e de outros fatores de risco, que eramfreqüentes no ambiente das primeiras fábricas, gerou a união de trabalhadores e homens públicospara a concretização das bases da política prevencionista. Através das campanhas de melhoramentosocial, que surgiram com as leis de segurança social, foram introduzidos o trabalho sistemático e alegislação fabril. O fato das empresas adotarem planos para reduzir as lesões dos trabalhadores não aconteceu deforma voluntária, mas devido à pressão dos altos gastos financeiros oriundos das indenizações eseguros, às reivindicações sociais e à discriminação caso não acompanhassem os novos rumos dasegurança. Desta forma, apesar dos avanços, os acidentes que não envolvessem pessoas não tinham valornenhum, embora muitos destes acidentes possuíssem as mesmas causas ou causas semelhantes aosacidentes com pessoas. O motivo deste desinteresse, talvez fosse devido ao simples desconhecimentodo alto índice de ocorrência dos acidentes, bem como dos custos que acarretavam. Apesar da evolução em que chegamos atualmente, em termos de engenharia e segurança dotrabalho, esta filosofia perdura até hoje em grande parte das empresas e órgãos do governo,principalmente nos países subdesenvolvidos, sendo que grande parte dos acidentes como: quebra deequipamentos, interrupção do processo produtivo e agressões ao meio ambiente, não são nem mesmoregistrados e muito menos analisados ou divulgados. Após seu surgimento na Inglaterra, a revolução industrial espalhou-se pela Europa Ocidental e,atravessando o Atlântico, desembarcou nos Estados Unidos da América, país este onde o movimentoprevencionista se radicou e se desenvolveu devido às ações conjuntas entre governo, empresários eespecialistas. Em 1928, o American Engineering Councill já fazia referência à relação existente entre os custosindiretos (não segurados) e os custos diretos (segurados) dos acidentes, e atribuía aos custos indiretoso pagamento de salários improdutivos, perdas financeiras, redução de rendimento da produção, falhasno cumprimento de prazos de entrega de produtos, etc. Em 1931, o americano H. W. Heinrich, que pertencia a uma companhia de seguros dos EstadosUnidos, publicou um estudo onde afirmava existir uma relação de 4:1 entre os custos indiretos e os castrorpc@yahoo.com.br 17
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrocustos diretos dos acidentes, sendo sua pesquisa fundamentada em dados médios da indústriaamericana da década de 20, demonstrou ainda que o desenvolvimento de ações prevencionistas seriaa saída para redução desses custos. No mesmo estudo, Heinrich lançou a idéia de acidentes comdanos à propriedade, ou melhor, acidentes sem lesão. Heinrich é considerado o pai doprevencionismo, e foi ele quem definiu acidente como todo evento não planejado, não controlado enão desejado que interrompe uma atividade ou função. Posteriormente, R.P. Blake analisou os resultados e, junto com Heinrich, formulou algunsprincípios e sugestões, dentre elas a de que as empresas deveriam promover medidas tão importantesou mais do que aquelas que visassem apenas à proteção social dos seus empregados, ou seja, asempresas deveriam, efetivamente, partir para evitar a ocorrência de acidentes. Em 1947, R.H. Simonds propôs um método para cálculo do custo de acidentes, que enfatizava anecessidade de se realizar estudos-pilotos, em todas as empresas, sobre os custos associados a quatrotipos de acidentes: lesões incapacitantes, casos de assistência médica, casos de primeiros socorros eacidentes sem lesões. Simonds também propôs a substituição dos termos custo direto e custo indiretopor custo segurado e custo não-segurado, respectivamente, muito utilizados hoje em dia emgerenciamento de riscos. Durante a década de 50, desenvolveu-se, nos Estados Unidos, uma conscientização no sentido dese valorizar os programas de prevenção de riscos de danos materiais procurando reduzir suasdespesas com seguros passam a definir metodologias no sentido de aumentar o seu grau de proteçãoem relação aos seus riscos associados. Esta idéia de aumentar a proteção e diminuir as despesas comseguros, foi chamada de Gerência de Riscos. Em 1965, o Conselho Nacional de Segurança dos EUA concluiu que o país havia perdido U$ 7,2bilhões em acidentes com danos materiais e U$ 7,1 bilhões em acidentes com danos pessoais nosúltimos dois anos, sendo que, em 1964, os danos materiais resultantes de acidentes no trânsito e, em1965, os danos materiais resultantes de acidentes nas empresas somavam juntos U$ 2,8 bilhões. Em 1966 o engenheiro americano Frank Bird Jr., propõe o Loss Control ou Controle de Perdas,que era uma visão mais abrangente da prevenção, que tinha como objetivo principal a redução dasperdas oriundas de danos materiais, sem no entanto se descuidar dos acidentes com danos pessoais.Os quatro aspectos principais em que se baseava o desenvolvimento de programas de controle deperdas eram: informação, investigação, análise e revisão do processo. Mais tarde, Bird, já com fortesinfluências do trabalho apresentado por J.A.Fletcher e H.M.Douglas, nomeou a sua teoria comoControle de Perdas e o procedimento gerencial como Administração do Controle de Perdas. Após os estudos anteriores, Frank Bird foi nomeado diretor de segurança de serviços deengenharia da ICNA. Introduziu o conceito de “quase acidentes”, que demonstram que, se o acidentequase ocorreu , também a perda ou dano quase ocorreu , e poderia ser tanto material quanto pessoal. Em 1970, os engenheiros canadenses John Fletcher e Hugh M. apresentaram um trabalho,baseado nos estudos de Bird, onde aplicavam os princípios do Controle de Danos de forma extensivaa todos os acidentes passíveis de ocorrência dentro de um sistema, ou seja, acidentes com máquinas,materiais, instalações, meio ambiente, etc. E acabam por acrescentar a palavra total e propõe o TotalLoss Control, Controle Total de Perdas. Os programas de Controle Total de Perdas têm o objetivo dereduzir ou eliminar todos os acidentes que possam interferir ou paralisar o processo produtivo, castrorpc@yahoo.com.br 18
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroabordam todo e qualquer tipo de evento que interfira negativamente no mesmo, prejudicando autilização plena de pessoal, máquinas, materiais e instalações. Os estudos desenvolvidos, até então, tanto por Bird quanto por Fletcher, constituíam-se apenasde práticas administrativas, sendo negligenciados os problemas que exigiam uma análise técnica maisacurada. Partindo desta observação, em 1972, Willie Hammer, engenheiro especialista em Segurança deSistemas, área intimamente relacionada à Engenharia de Confiabilidade, e com larga experiência emprojetos aeroespaciais dos EUA, ampliou os conceitos, com relação ao estabelecimento de segurançade sistemas, defendendo a previsão de acontecimentos para organizar a identificação e o manejo deriscos, ao invés da análise de eventos a posteriori. Desta forma, Hammer alertou para a necessidadede se incluir um reforço complementar, do ponto de vista da engenharia, nos programas deadministração e controle de riscos desenvolvidos até então. Segundo Hammer, as atividadesadministrativas eram muito importantes, mas existiam problemas técnicos que teriamobrigatoriamente que ter soluções técnicas. Os estudos de Hammer ajudaram a compreender melhoros chamados erros humanos, muitas vezes provocados por projetos deficientes e que, por isso,deveriam ser debitados à organização e não ao executante. O enfoque sistêmico apresentado porHammer estabelece a responsabilidade, quando da elaboração de um produto, para prevenir riscosinerentes aos bens e serviços que farão uso deste produto, evitando o transpasse de possíveis danosaos usuários do mesmo. A corrida espacial e a guerra fria criam na década de 70 a Engenharia de Segurança de Sistemas.Esta engenharia desenvolveu várias técnicas de avaliação de riscos através de metodologias oriundasda indústria militar e aeroespacial americanas. Willie Hammer foi o responsável por trazer e adaptarestas metodologias para a área da indústria civil. A Grã-Bretanha, através do BSI – British Standards Instituction, que é o organismo normalizadorque produz as normas naquele país, equivalente à nossa ABNT – Associação Brasileira de NormasTécnicas, publica em 1979 a BS 5750, sobre sistemas de qualidade. Esta norma deu origem à sérieISO 9000, que foi editada oficialmente em 1987. Em 1992 o BSI edita a norma BS 7750 revisada em 1994, que dá origem à série ISO 1400 sobresistemas de gestão ambiental, editada oficialmente em 1996. Em 1994, sai a primeira revisão da ISO 9000, já incorporando a visão de gestão. Na área de Segurança e Saúde Ocupacional é publicada em 1995 a BS 8750, revisada em 1996 epublicada como BS 8800. Devido a questões econômicas e políticas a BS 8800 ainda não setransformou em ISO 18000. Porém em 1999, após um acordo entre várias instituições de diversos países ( National StandardsAuthority of Ireland; South African Bureau of Standards; British Standards Institution; BureauVeritas Quality International; Det Norske Veritas; Lloyds Register Quality Assurance; NationalQuality Assurance; SFS Certification; SGS Yarsley International Services; Asociación Española deNormalización y Certificación; International Safety Management Organisation Ltd; Standards andIndustry Resaerch Institute of Malasya; International Certification Services) e a urgente demanda declientes por uma norma reconhecida para Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho sãopublicadas as diretrizes OHSAS– Occupational Helth and Safety Assessment Series, OHSAS 18001- castrorpc@yahoo.com.br 19
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroEspecificações para Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho e OHSAS 18002 –Diretrizes para Implantação da OHSAS 18001. A OHSAS 18001 é um padrão internacional que estabelece requisitos relacionados à Gestão daSegurança e Saúde Ocupacional, por meio do qual é possível melhorar o conhecimento dos riscosexistentes na organização, atuando no seu controle em situações normais e anômalas. Este padrão éaplicáveis aos mais diversos setores e atividades econômicas, orientando tais organizações sobrecomo promover a melhoria contínua do desempenho de Segurança e Saúde Ocupacional, com osbenefícios para as organizações: Melhoria na cultura de segurança, na eficiência e, conseqüente redução de acidentes na produção; Incremento no controle de perigos e redução de riscos; Demonstração do atendimento das exigências legais e aumento da reputação no gestão da SSO; Redução de prêmios de seguros; Constituição de uma parte integral de sua estratégia de desenvolvimento sustentável; Demonstração do seu compromisso com a proteção do seu pessoal e dos ativos fixos; Promoção das comunicações internas e externas. Em 2004, na área de Gestão de Risco foi publicada a primeira norma do mundo sobre Gestão deRiscos: a AS/NZS 4360:2004. Ela fornece um modelo genérico do processo de Gestão de Riscos, quepode ser utilizado por organizações de qualquer tipo, tamanho e setor de atividade. A AS/NZS 4360:2004 (base da futura ISO 31000) dá ênfase à inserção da Gestão de Riscos nafilosofia, nas práticas e nos processos de negócio da organização, em vez de ser vista ou praticadacomo uma atividade separada. Embora o conceito de risco seja freqüentemente interpretado emtermos de perigo ou impacto negativo, a norma vê os riscos como a exposição às conseqüências daincerteza ou como potenciais desvios do que foi planejado ou do que é esperado.3 - A empresa como sistema, sub-sistemas empresariais, natureza dos riscosempresariais, Riscos Puros e Especulativos.3.1 A Empresa como Sistema É comum nos dias de hoje a divisão do trabalho dentro de uma organização. Porém é necessáriaa completa integração entre os vários elementos. Esta integração, por sua vez, pode ser realizadaeficazmente ao se adotar uma abordagem sistêmica. Visão sistêmica significa entender e interligar todos os processos empresariais (cadeia desuprimento, produção, distribuição e planejamento) de forma que a tomada de decisão leve emconsideração a otimização de todo o sistema. A soma dos resultados de áreas isoladas (marketing,finanças, produção...) não é o resultado do todo. Sob o ponto de vista sistêmico, qualquer organização é um sistema composto de partes, cadauma com metas próprias. Para alcançar as metas globais, deve-se visualizar todo o sistema e procurarcompreender e medir as inter-relações e integrá-las de modo que capacite a organização a buscar suasmetas eficientemente. Um sistema pode ser considerado como um conjunto de elementos inter-relacionados queinteragem entre si e com outros sistemas, de modo a cumprir um certo objetivo que evolui no tempo castrorpc@yahoo.com.br 20
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castronum determinado ambiente. Pode ser definido, literalmente, como um todo organizado ou complexo,um agrupamento ou combinação de coisas ou partes que formam um todo complexo ou unitário. A empresa na concepção sistêmica (Figura 2) é tratada como um sistema de entradas e saídas,que transforma e combina os fatores de produção, suas entradas, através de um processo tecnológicode produção, dando origem a outros produtos ou serviços, que se constituem nas saídas. As entradassão os insumos necessários à produção (materiais, informação, recursos financeiros e humanos), oprocessamento são as operações necessárias à construção de um bem ou serviço (manufatura,atendimento, logística...) e as saídas são os bens e serviços ofertados aos mercados consumidores. Figura 2 – Ambiente Sistêmico A abordagem sistêmica teve sua origem na junção dos estudos de dois pesquisadores: Oamericano, Norbert Wiener, em 1946 e o alemão Von Bertallanfy. Enquanto este, desenvolveu estudona forma de abordagem dos estudos de todas as ciências; aquele, desenvolveu o conceito de feedbackou retroalimentação. Teoricamente os sistemas podem ser considerados abertos ou fechados. Os fechados são aquelescuja seu desenvolvimento ao longo do tempo e do espaço compreende apenas variáveis controláveis;enquanto os fechados sofrem influências de variáveis externas e incontroláveis. Os sistemas de interesse à Segurança do Trabalho são os produtivos que são do tipo aberto, poissão tantas as variáveis e tamanha a velocidade de modificação da realidade, que se consideraimpossível ter um controle completo do sistema produtivo, o que leva a um interação entre o sistemae meio-ambiente externo, onde recebe e causa influência. Os elementos fundamentais de um sistema são: objetivo, entrada, processamento, saída,controles e retroalimentação e as formas de interação entre elas, sendo uma conjunção de RecursosHumanos (RH), Recursos Financeiros (RF) e Recursos Materiais (RM) que interagem tendoobjetivos específicos, amplos e diversificados, conforme Figura 3 acima. castrorpc@yahoo.com.br 21
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figura 3 – Elementos de um Sistema As mudanças no ambiente externo também provocam alterações na empresa e em seussubsistemas. Assim, as organizações devem monitorar e compreender as mudanças no ambiente,adequando seus sistemas e subsistemas de modo a maximizar os resultados (saídas). A fronteira da empresa, enquanto sistema é uma delimitação calcada nas áreas próprias deinfluência dos recursos e subsistemas envolvidos, por onde flui a interação e o relacionamento comoutros sistemas, dentro do conceito de empresa, não como um sistema fechado, mas sim, como partede um sistema maior do qual participa e sofre influências.3.1.1 O Processo Decisório segundo uma abordagem Sistêmica No mundo atual a modernização, o desenvolvimento tecnológico e a globalização exigem cadavez mais a execução de projetos com qualidade e rapidez para satisfazer a necessidade dos clientes. A velocidade com que a dinâmica do ambiente se altera e o aumento da competitividade exigemtomadas de decisões oportunas, precisas e de baixo custo. No entanto, a tomada de decisões tem porbase a existência de alternativas que possam promover o estado de coisas que ele deseja alcançar.Essas alternativas disponíveis constituem o centro de qualquer problema de decisão. Para que a melhor decisão seja tomada é preciso compreender o ambiente de trabalho, como elefunciona, quais suas peculariedades, sua cultura organizacional, sua visão, suas restrições, seuspontos fortes e fracos. Isso no âmbito global como a nível departamental. A análise de sistemas auxilia o profissional que toma decisões a compreender melhor a estruturado problema, possibilitando definir a solução deste, com a escolha da melhor dentre um conjunto deações alternativas. Ao abordar-se a análise de sistemas é importante ter-se a consciência que, além da necessidadede conhecer-se a fundo o sistema e o meio atuante, criar alternativas viáveis requer uma variedade dehabilidades técnicas. Comumente nenhum único indivíduo possui todas as habilidades requeridas.Assim sendo, o conceito de equipe interdisciplinar é benéfico à análise de sistemas. Uma equipeinterdisciplinar é um grupo de trabalho, composto de pessoas com formações e habilidades variadas,cada uma delas trazendo seu próprio ponto de vista e experiências para atuar sobre o problema,conseguindo freqüentemente resultados significativamente superiores àqueles que se poderia esperarde um único indivíduo. castrorpc@yahoo.com.br 22
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Sinteticamente, uma forma de estabelecer as fases do processo decisório a partir da abordagemsistêmica, pode ser esquematizado de acordo com a Figura 4. Figura 4 – Visão Sistêmica e o Processo Decisório De acordo com SELL (1995), "num sistema de trabalho, em seu estado ideal, os fatores técnicos,organizacionais e humanos estão em harmonia. Por ocasião de um acidente ou quase-acidente essaharmonia é perturbada, sendo assim, é de fundamental importância que no planejamento e projeto desistemas de trabalho, sejam eliminadas ou ao menos restringidas as condições de risco, aumentando-se assim a segurança do trabalhador". De forma enfática o risco está associado à probabilidade de perdas durante a realização de umaatividade dentro do sistema, e todos os elementos de um sistema apresentam potencial de riscos quepodem resultar na destruição do próprio sistema.3.2 Sub-sistemas empresariais É possível que um sistema seja constituído por vários subsistemas ou ainda, que faça parte de umsistema mais amplo, participando ele próprio como subsistema de um sistema maior. Os subsistemas empresariais são suas áreas/departamentos e/ou suas unidades de negócios(marketing, financeiro, contabilidade, produção, RH, vendas, etc). Qualquer alteração em um de seussubsistemas poderá provocar reações em outras áreas, bem como em toda a empresa. Exemplo: Aempresa decide alterar o sistema de distribuição de seus produtos, passando a ter entregas menosfreqüentes no intuito de reduzir seus custos com fretes. Como conseqüência, esta medida poderáacarretar maior formação de estoques, maiores custos com a manutenção destes, como tambémalterações nas relações com seus clientes externos. Dentro da concepção de sub-sistemas uma forma de mapear os processos é através doplanejamento e controle dos fluxos de: matérias; recursos financeiros; mão-de-obra; máquinas eequipamentos; e informação. castrorpc@yahoo.com.br 23
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro O Fluxo de materiais interliga fornecedores e consumidores, na logística de compra de matéria-prima e na distribuição de produtos acabados. O fluxo de recursos financeiros compreende: as atividades de financiamento junto a bancos,acionistas e governo; das atividades de compra com respeito a fornecedores; das atividades decomercialização junto a clientes; e das atividades de contabilidade dos direitos trabalhistas. Uma forma de representar esses fluxos é através de representação gráfica com o uso defluxogramas produtivos, que podem ser usados para representar sistemas produtivos ou fluxosespecíficos. As Figuras 5 e 6 abaixo apresentam alguns fluxogramas. Figura 5 – Processo Sistêmico Empresarial castrorpc@yahoo.com.br 24
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figura 6 – Processo da Atividade de Colheita3.3 Natureza dos Riscos Empresariais A identificação dos riscos potenciais e inerentes a cada atividade numa empresa é uma questãofundamental, principalmente no início do gerenciamento de riscos. Existem diferentes tipos de riscoscom características diferenciadas em função do ambiente de atuação da empresa e das suas própriascaracterísticas operacionais. Novos riscos surgem com novos tipos de estruturas corporativas emudanças na tecnologia da informação (Vanca, 1998, p.21).Os tradicionais estudiosos da Gerência de Riscos, entre eles De Cicco, os classificam em: riscos especulativos (ou dinâmicos) riscos puros (ou estáticos)- à propriedades, pessoas e materiais A principal diferença entre essas duas categorias é que os riscos especulativos envolvem umapossibilidade de ganho ou de perda; ao passo que os riscos puros envolvem somente possibilidade deperda, não existindo nenhuma possibilidade de ganho ou de lucro. O confronto entre os Riscos Especulativos e Puros e seus respectivos gerenciamentos associados,no âmbito de cada empresa, pode ser evidenciado por meio da Figura 7. Para uma Gestão Global ser eficiente, temos que considerar a conjunção dos doisgerenciamentos: Empresarial e de Riscos, em que este último está a serviço do primeiro. No entanto, como os Riscos Puros não geram ganhos, acaba sendo colocado em segundo planoem relação aos Riscos Especulativos. castrorpc@yahoo.com.br 25
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro No tratamento dos riscos, perante a probabilidade de ocorrência e magnitude de cada perdavirtual deve-se verificar a suportabilidade da empresa e em função dos recursos disponíveis emedidas serão aplicadas para se enfrentamento. Na área de segurança os riscos são basicamente puros e são relativos aos perigos. As técnicas deanálise valem para ambos. Figura 7 – Revista Eletronica | Brasiliano&Associados Julho – Agosto 2007|Edição 31ª3.3.1 Riscos Puros Os riscos puros serão nosso campo de atuação na Higiene e Segurança do Trabalho ecompreendem os prejuízos decorrentes de danos à propriedade são provenientes de incêndios e/ouexplosões, vandalismo, roubo, sabotagem, danos aos equipamentos, ações naturais (ventos,inundações, etc.), etc. Os riscos às pessoas são aqueles que podem resultar em doenças ou acidentesdo trabalho (morte, invalidez permanente, etc.). Por último, mas de grande importância nos diasatuais, encontram-se os riscos por responsabilidade, que são aqueles que resultam em prejuízos por castrorpc@yahoo.com.br 26
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrodanos a terceiros (pagamento de indenizações por lesões ou morte, pensões, etc.) e por danos ao meioambiente. A classificação dos riscos puros envolve também a avaliação de sua probabilidade de ocorrênciae dos seus possíveis impactos estratégicos, operacionais, financeiros, etc. A magnitude do impacto decada risco precisa ser identificada, para que assim se tenha um adequado grau de controle. Cada riscopode ser classificado como: catastrófico, alto, médio ou baixo. Já com relação a tendência o riscopode ser: estável, crescente ou decrescente. Os riscos baixos (leves) são aqueles cujo prejuízo financeiro resultante é baixo, podendo serassimilado integralmente pela empresa, obrigando a adoção de outros meios para o alcance dosobjetivos da empresa. Um risco médio é aquele que o seu acontecimento impede o alcance dosobjetivos da empresa. Os riscos graves são aqueles cuja perda é significativa para a empresa e sópodem ser assumidos sob determinadas condições que assegurem a mitigação de seus resultados. Osriscos puros considerados catastróficos são aqueles que, caso venham a se concretizar, resultam emprejuízos de grande monta para a empresa com possibilidade de colapso financeiro, sendo, portanto,transferidos a terceiros. De um modo geral, uma organização possuem bens tangíveis e intagíveis expostos à perda. Asperdas podem ser tangíveis, quando se referem a prejuízos mensuráveis, ou intangíveis, quando sereferem a elementos de difícil mensuração como a imagem da empresa. As principais perdas resultantes da materialização dos riscos puros numa empresa são: perdas decorrentes de morte, invalidez ou afastamento de funcionários. Tanto ao acidentado, comoa dependentes (indenizações), inclusive advogado; perdas de tempo e produtividade por profissional não treinado, equipamento danificado, baixa namoral da equipe; perdas por danos à propriedade e a bens em geral não cobertos por seguros, tais como: reposiçãode produto e/ou itens danificados; perdas decorrentes de fraudes ou atos criminosos; custos com: investigação de acidentes, perito de defesa, ações corretivas, honorários comadvogados, assistência emergencial; perdas por danos causados a terceiros (responsabilidades da empresa por poluir o meio ambiente,responsabilidade pela qualidade e segurança do produto fabricado ou do serviço prestado). Normalmente, considera-se que a Gerência de Riscos trata apenas das questões relativas àprevenção e ao financiamento dos riscos puros. Entretanto, vale mencionar que muitas de suastécnicas podem ser igualmente aplicadas aos riscos especulativos.3.3.2 Riscos Especulativos Os riscos especulativos são chamados de riscos de negócio podem ser divididos em três tipos:1. riscos administrativos - relacionados ao processo de tomada de decisões gerenciais. Uma decisãoerrada poderá perdas consideráveis, uma decisão correta pode trazer lucros para a empresa. castrorpc@yahoo.com.br 27
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Neste tipo de risco é difícil prever antecipadamente e com precisão o resultado da decisãoadotada, entretanto, a incerteza quanto à exatidão do resultado nada mais é do que uma das definiçõesde risco. Podem ainda ser subdivididos em: - riscos de mercado: são fatores que tornam incerta a venda de um determinado produto ouserviço, a um preço suficiente que traga resultados satisfatórios em relação ao capital investido; - riscos financeiros: relativos às incertezas em relação às decisões tomadas sobre a políticaeconômica - financeira da organização; - riscos de produção: tratam questões e incertezas quanto a materiais, equipamentos, mão-de-obra e tecnologia utilizados na fabricação de um produto ou prestação de um serviço.2. riscos políticos - referem-se a leis, decretos, portarias, resoluções, etc., emanados do GovernoFederal, Estadual ou Municipal que possam ameaçar os interesses e objetivos da organização.3. riscos de inovação - referem-se às incertezas decorrentes, normalmente, da introdução (oferta) denovos produtos ou serviços no mercado, e da sua aceitação (demanda) pelos consumidores. Os riscosde inovação estão também associados às inovações tecnológicas no objetivo de otimizar o trabalho.3.3.3 Outras Classificações Vanca, outro estudioso, recomenda a classificação dos riscos por natureza e relevância entre: Riscos estratégicos - estão associados ao modo que uma organização é gerenciada. Está focada nasquestões corporativas amplas, tais como fatores competitivos, estrutura organizacional,desenvolvimento de novos produtos, estratégia de formação de preços, etc. Os riscos estratégicos são os mais relevantes, pois envolvem situações que impedem o alcance dosobjetivos corporativos ou a não ocorrência de situações consideradas necessárias para estes objetivos,como por exemplo, o investimento em inovações tecnológicas. Obviamente, os demais riscos têmtambém relevância e implicações diferenciadas. Riscos operacionais - referentes à habilidade de uma organização controlar e distribuir seusprocessos principais de maneira previsível e pontualmente. Está focada na integridade e consistênciados processos diários que suportam o negócio. Riscos de conformidade - relacionados com a habilidade da organização cumprir normasregulatórias legais e exigências fiduciárias. Riscos financeiros - estão ligados à exposição financeira da organização. São observadas asferramentas relacionadas à Tesouraria e fluxos financeiros, como os relatórios financeiros (internosou externos), que estão sujeitos a, por exemplo, erros decorrentes de incompetência, falhas emsistemas, furtos ou fraudes. Esta classificação é bem abrangente e considera questões como normalização e estratégias,presentes em muitas organizações. De modo que as duas classificações citadas se complementam epermitem que adotemos a Figura 8, onde a classificação de Vanca traduz um maior detalhamento eampliação dos riscos especulativos descritos por De Cicco. A Figura 8 ilustra bem os limites einterseções entre as classificações. castrorpc@yahoo.com.br 28
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figura 8 – Classificação dos Riscos Empresariais Sánchez (1995), outro estudioso, recomenda a classificação dos riscos nas seguintes categorias: Riscos às propriedades físicas – (construções, edifícios, terrenos, instalações) devido a: incêndios,raios, terremotos, explosões, enchentes, etc. Riscos ao conteúdo – (matéria-prima, insumos, equipamentos, máquinas, produtos) devido a:incêndios, raios, terremotos, explosões, enchentes, quebras e defeitos em máquinas e equipamentos,explosão de caldeiras, etc. Riscos que emanam da lei – responsabilidade comercial, ou trabalhista. Riscos decorrentes – paralisação das operações, perda de profissionais-chaves no processoprodutivo. Riscos por atos criminosos – roubo, fraude, má fé. Riscos pessoais – funcionários, visitantes, vizinhos.3.4 Mapeamento de Risco Apesar de não fazer parte do conteúdo básico da disciplina o Mapa de Risco têm funçãoimportante no Gerenciamento de Risco, pois permite:a) reunir as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúdeno trabalho na empresa, castrorpc@yahoo.com.br 29
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrob) possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de informações entre os trabalhadores,bem como estimular sua participação nas atividades de prevenção. A obrigatoriedade da elaboração do Mapa de Risco foi determinada pela Portaria nº5 de 17 deagosto de 1992 do Ministério do Trabalho e da Administração. Segundo a portaria, ele é obrigatórionas empresas com grau de risco e número de empregados que exijam a constituição de umaComissão Interna de Prevenção de Acidentes. O mapa de riscos é a representação gráfica dos riscos de acidentes nos diversos locais de trabalho,inerentes ou não ao processo produtivo. De fácil visualização e afixada em locais acessíveis noambiente de trabalho, para informação e orientação de todos os que ali atuam e de outros queeventualmente transitem pelo local, quanto às principais áreas de risco. No mapa de riscos, círculos de cores e tamanhos diferentes mostram os locais e os fatores quepodem gerar situações de perigo pela presença de agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicose de acidentes. O Mapa de riscos é elaborado segundo a Portaria nº 25, pela CIPA, ouvidos os trabalhadoresenvolvidos no processo produtivo e com a orientação do Serviço Especializado em Segurança eMedicina do Trabalho SESMT da empresa, quando houver.Para elaboração do Mapa de Risco, devemos considerar a realização das seguintes etapas:a) conhecer o processo de trabalho no local analisado: Os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada, Os instrumentos e materiais de trabalho, As atividades exercidas,o ambiente.b) identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a classificação da tabela 1,apresentada a seguir.c) identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: medidas de proteção coletiva medidas de organização do trabalho medidas de proteção individual; medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área de lazerd) identificar os indicadores de saúde: queixas mais freqüentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos. acidentes de trabalho ocorridos, doenças profissionais diagnosticadas, a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos. castrorpc@yahoo.com.br 30
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro GRUPO I: GRUPO II: GRUPO I: GRUPO IV: GRUPO V: VERDE VERMELHO MARROM AMARELO AZUL Riscos Riscos Químicos Riscos Biológicos Riscos Riscos de Acidentes Físicos Ergonômicos Ruído Poeiras Vírus Esforço Físico Arranjo físico Intenso inadequado Vibrações Fumos Bactérias Levantamento e Máquinas e transporte manual equipamentos sem de peso proteção Radiações Névoas Protozoários postura inadequada Ferramentas ionizantes inadequadas ou defeituosasRadiações não Neblinas Fungos Controle rígido de Iluminação inadequada ionizantes produtividade Frio Gases Bacilos Imposição de Eletricidade ritmos excessivos Calor Vapores Parasitas Trabalho em turno de incêndio ou e noturno explosão Pressões Substâncias, Animais Jornada de Armazenamento anormais compostos ou peçonhentos Trabalho inadequado produtos químicos (isentos, cobras, prolongadas em geral aranhas) Umidade Animais (cães, Trabalho Outras situações de gatos, roedores) repetitividade risco Ventilação Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico Iluminação Tabela 1 – Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais Após discutido e aprovado pela CIPA, o Mapa de Riscos, completo ou setorial, deverá ser afixadoem cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores No caso das empresas da indústria da construção, o Mapa de Riscos do estabelecimento deverá serrealizado por etapa de execução dos serviços, devendo ser revisto sempre que um fato novo esuperveniente, modificar a situação de riscos estabelecidas.3.5 Sinalização e Rotulagem Assim como o Mapa de Risco o uso de sinalizações e rotulagens em produtos são ferramentasde comunicação de grande importância no Gerenciamento de Riscos. A base normativa dessesconteúdos está na NR-18 e na NR-26. A NR-18 aplica-se ao ambiente da construção civil e visa àadoção placas de sinalização de forma a proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Já a castrorpc@yahoo.com.br 31
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroNR-26 estabelece a padronização das cores a serem utilizadas como sinalização de segurança nosambientes de trabalho, com o mesmo objetivo da NR-18. A adoção de sinalizações e rotulagens visa estabelecer um vínculo de comunicação indireto entreo SESMT e os trabalhadores. A comunicação pode se valer de algumas formas básicas, como aescrita, os símbolos e as cores. As cores têm uma grande vantagem em relação a outras formas decomunicação: chamam a atenção do observador e provocam reações imediatas neste, através de ummecanismo de associação da cor com a idéia que se quer transmitir. A utilização das cores nos locais de trabalho tem a intenção fundamental de permitir umaidentificação imediata do risco existente. No entanto, sua utilização não deve ser exagerada para seevitar fadiga visual. Outra aplicação das cores é na decoração de ambientes de forma a tornar o ambiente agradável.Na China, paredes pintadas de vermelho deixam as pessoas sentindo-se bem. Já no Brasil essas corescarregam o ambiente, enquanto as cores como azul, verde e bege suaves são consideradas calmantes.A cor vermelha é utilizada para distinguir equipamentos destinados à proteção contra incêndio.Assim sendo, tubulações, caixas de incêndio, portas de emergência, extintores etc, são todos pintadosde vermelho. É utilizada também, no mapa de riscos (ver NR 5), para identificar o grupo II (riscospor agentes químicos). A cor amarela tem a função de alertar ou de chamar a atenção. Deve ser utilizada nas situaçõesrelacionadas no subitem 26.1.5.3. É também utilizada para a identificação, no mapa de riscos, dogrupo III (riscos ergonômicos). A cor branca é utilizada conforme o subitem 26.1.5.4 determina. Em algumas situações, quandoassociada a uma caveira, identifica produtos tóxicos. A cor preta (subitem 26.1.5.5), além de utilizada para indicar as canalizações de inflamáveis ecombustíveis de alta viscosidade, também é utilizada na indústria petroquímica, com o objetivo defavorecer a transmissão de calor e facilitar a transferência do produto. A cor azul, além de servir de alerta, também é utilizada, no mapa de riscos, para identificar ogrupo V (riscos de acidentes). A cor verde representa segurança. É também utilizada para identificar, no mapa de riscos, ogrupo I (riscos por agentes físicos). As cores laranja, púrpura, lilás, cinza e alumínio têm sua utilização especificada conforme oexposto entre os subitens 26.1.5.8 e 26.1.5.12. A cor marrom (subitem 26.1.5.13) é também utilizada para identificar, no mapa de riscos, ogrupo III (riscos por agentes biológicos). A rotulagem preventiva visa orientar os empregados para o risco dos produtos ao seremmanuseados. Estando presente não só em produtos industriais como em produtos domésticos queapresentem um determinado risco inerente à sua utilização. Por exemplo, um inseticida contéminformações em seu frasco que dizem respeito aos riscos que oferece caso não seja corretamentemanuseado. Nem sempre é possível disponibilizar-se todas as informações de segurança necessárias. Isto vaidepender do tamanho da embalagem e o espaço destinado a estas informações. castrorpc@yahoo.com.br 32
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Devido a esta restrição de espaço, é dever das empresas que produzem produtos químicos provermaiores informações sobre os riscos que o produto oferece. No que se refere ao transporte de produtos perigosos, todas as embalagens devem possuiridentificação preventiva. Esta rotulagem deve ser feita em português. A ABNT adota o FISPQ – Ficha de Informação de Produto Químico para padronizarinformações referentes à proteção, segurança, saúde e meio ambiente. O FISPQ deve disponibilizar as seguintes informações:- Identificação do produto e da companhia- Composição e informação do conteúdo- Identificação dos perigos- Medidas de primeiros socorros- Medidas de prevenção e combate a incêndios- Medidas de controle no caso de derramamento ou vazamento- Manuseio e armazenagem- Controle da exposição e proteção individual- Propriedades físico-químicas- Estabilidade e reatividade- Informações toxicológicas- Informações sobre impactos ao meio ambiente- Considerações sobre tratamento e disposição de resíduos- Informações sobre o transporte- Regulamentações específicas- Outras informações3.6 ExercíciosExercício 1A turma deverá ser dividida em grupo de no máximo 6 alunos, que deverão ser definidos e entreguesaté o final da aula. Cada grupo deverá escolher um sistema produtivo qualquer, mas de conhecimentocomum aos membros do grupo, sobre o qual irão trabalhar ao longo de toda a disciplina e o descreva,indicando: sua estrutura organizacional, produtos, mercado, sazonalidade de matéria-primas, númerode empregados, ambiente de trabalho, riscos gerais e perdas a que estão submetidos.Exercício 2Considerando o mesmo sistema produtivo apresentado no Exercício 1, represente-osistematicamente, ao menos em três níveis de abrangência diferentes.Exercício 3 castrorpc@yahoo.com.br 33
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroPara o sistema de trabalho estudado selecione dois setores diferentes e construa o Mapa de Risco paracada um deles.Exercício 4Para o sistema de trabalho estudado selecione dois ambientes de trabalho diferentes e indique asmedidas de sinalização e rotulagem a serem adotadas.4 - Fundamentos Matemáticos: Previsão de Perdas por Estatística, Probabilidade,Confiabilidade, Álgebra Booleana e a Avaliação do Risco. Os fundamentos matemáticos, em especial, os estatísticos e probabilísticos são de grandeimportância no estudo de falhas na determinação de sua probabilidade de ocorrência e naconfiabilidade do sistema em não produzir perdas. Cientes da dificuldade da maioria dos profissionais com conceitos e cálculos de estatística eprobabilidade, abordaremos esses tópicos de maneira objetiva e prática com auxílio de uma jádifundida ferramenta computacional o Microsoft Office Excel. Antes, porém, iremos fazer umarevisão avançada de porcentagem.Exemplo Básico: na aquisição 100 de luvas de raspa a um custo de R$ 16,00 o par, o fornecedorconcedeu 10% + 5% de desconto. Portanto:- O valor total da compra foi de: (100 x 16) x 90% x 95% = R$ 1.368,00- O valor total do desconto foi de: (100 x 16) x 10% = R$ 160,00 primeiro desconto (100 x 16-160) x 5% = R$ 72,00 segundo desconto, total R$ 232,00- O percentual do desconto foi de: 100% - 90% x 95% = 14,5%4.1 Aplicação da Estatística á Previsão de Perdas A Estatística auxilia o profissional de segurança do trabalho na organização, descrição, análise einterpretação dos dados. Para a estatística dados são informações retiradas de eventos(acontecimentos). A Estatística é dividida em descritiva e indutiva. A estatística descritiva visa apresentação dosdados obtidos em gráficos e distribuições de freqüência de forma permitir uma melhor compreensãodo cenário. Já a estatística indutiva os dados são analisados e interpretados.4.1.1 Conceitos de Estatística Os conceitos apresentados neste sub-item são ilustrados nas Tabelas 2 e 3.a) População é o conjunto dos elementos em estudo, podendo ser infinita ou não.b) Amostra é uma parte finita e representativa da população capaz de reproduzir as características dapopulação. Subconjunto da população. O processo de extração da amostra é chamado amostragem. Associado ao conceito de amostragem encontra-se a fração de amostragem correspondente a razãoentre o tamanho da amostra (n) e o tamanho da população (N). Fração de amostragem = n/N castrorpc@yahoo.com.br 34
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro a) b)c) Tamanho: pode referir-se a AMOSTRA POPULAÇÃO DE ESTUDO população ou a amostra e POPULAÇÃO – ALVO compreende a quantidade POPULAÇÃO total de elementos de cada da população ou da amostra.d) Dados brutos: ou simplesmente dados, representam a correlação entre uma variável, um elementoe uma medida ou valor. São fatos, informações que podem ser trabalhadas e produzir algumaconclusão.e) Conjunto de dados: Relação de vários dados coletados de uma ou mais variáveis, referentes amais de um elemento.f) Elementos: é a origem dos dados, é a fonte que fornece os valores ou medidas.g) Variável: é uma característica, uma propriedade um tipo de informação de interesse e encontradanos elementos.h) Medida: ou valor é o dado na sua forma numérica, isto é, é o valor puro sem nenhum significadoestatístico. A medida para a ser um dado a partir do momento que é referenciado com a variável e oelemento de onde foi obtido.i) Tipos de dados: Podem ser QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS. Dados Quantitativos: referem-se a quantidades e podem ser medidas em uma escala numérica esobre os quais se podem aplicar operações matemáticas. As variáveis quantitativas subdividem-se emdois grupos: VARIÁVEIS DISCRETAS e VARIÁVEIS CONTÍNUAS. Variáveis discretas são aquelas que assumem apenas determinados valores tais como0,1,2,3,4,5,6 dando saltos de descontinuidade entre seus valores. Variáveis contínuas são aquelas cujos valores assumem uma faixa contínua e não apresentamsaltos de descontinuidade. Dados Qualitativos: referem-se a dados não numéricos. As variáveis qualitativas subdividem-setambém em dois grupos: as VARIÁVEIS QUALITATIVAS ORDINAIS e as VARIÁVEISQUALITATIVAS NORMAIS Variáveis qualitativas ordinais são aquelas que definem um ordenamento ou uma hierarquia.Exemplos: o grau de instrução, a classificação de um estudante no curso, etc. Variáveis qualitativas nominais por sua vez não definem qualquer ordenamento ou hierarquia.São exemplos destas a cor, o sexo, o local de nascimento, etc.j) Fonte de dados: As fontes de obtenção dos dados podem ser de dois tipos: Fonte de dadosexistentes e Estudos estatísticos. Fontes existentes: referem-se a dados que já existem recentes ou não. Estudos Estatísticos: dados não existem. Devem ser buscados através de ESTUDOSESTATÍSTICOS EXPERIMENTAIS OU DE OBSERVAÇÃO. castrorpc@yahoo.com.br 35
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro CONJUNTO DE DADOS VARIÁVEISELEMENTOS DADO OBSERVAÇÃO Tabela 2 – Amostragem com dados qualitativos CONJUNTO DE DADOS VARIÁVEIS ELEMENTOS DADO OBSERVAÇÃO Tabela 3 – Amostragem com dados quantitativos castrorpc@yahoo.com.br 36
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Estudos experimentais: é quando a análise de comportamento de uma determinada variávelestá relacionada com outras. Assim, para colher dados da variável de estudo é preciso estabeleceruma correlação entre ela e as demais variáveis que a influenciam. Estudos de observação: é quando a coleta de dados compreende simplesmente a medição devalores, sem nenhuma correlação entre as variáveis.k) Origem dos dados: Os dados podem ter sua origem em uma SEÇÃO TRANSVERSAL ou emuma SÉRIE HISTÓRICA. Seção Transversal: Dados coletados ao mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo ponto notempo. Série Histórica: Dados coletados em diversos períodos do tempo.l) Coleta: processo de obtenção de dados, que pode ser de forma direta ou indireta. Na formaindireta os dados já existem, enquanto que na forma direta os dados não existem tendo que serbuscados.m) Censo: inclui todos os elementos de uma população na pesquisa.n) Amostragem: é utilizada na pesquisa de uma amostra da população. Vantagens da AMOSTRAGEM Vantagens do CENSOEconomia de recursos Em populações reduzidasEconomia de tempo Tamanho da amostra é grandePrecisão de dados (quando houver restrições de Precisão de dados sem restriçõesrecursos, custo e tempo)Testes destrutivos Único procedimento aceitávelÚnico procedimento aceitável4.1.2 Distribuição de Freqüênciaa) Distribuição de Freqüência: é a sintetização dos dados QUALITATIVOS OU QUANTITATIVOS de formatabular (em forma de tabelas) no intuito de fornecer conclusões sobre o estudo estatístico.b) Distribuição de Freqüência QUALITATIVA: Mostra o número (freqüência) de observações em cada umadas classes não sobrepostas. Considere a Tabela 1.1, nela temos: Tipos de acidentes Freqüência Freqüência Relativa Freqüência Percentual Típico 5 0,20 20% Trajeto 3 0,12 12% Doença do Trabalho 17 0,68 68% Total 25 1,00 100%c) Distribuição de Freqüência Relativa: é quando a freqüência de observação de cada classe éapresentada em relação proporcional ao número total de observações.d) Distribuição de Freqüência Percentual: é a Freqüência Relativa Multiplicada por 100. castrorpc@yahoo.com.br 37
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroe) Gráficos de Barra e de Pizza: dispositivos gráficos pararepresentar os dados qualitativos sintetizados através daDistribuição de Freqüência.f) Distribuição de Freqüência QUANTITATIVA: Assim como para dados Qualitativos, a Distribuição deFreqüência Quantitativa mostra o número (freqüência) de observações em cada uma das classes nãosobrepostas. No entanto, é preciso ter especial cuidado na definição das classes. Em Distribuição de Freqüência Quantitativa, podemos definir Classe como sendo os intervalos usadospara agrupar os dados observados.g) Etapas para definição de Classes: em uma distribuição de freqüência, a determinação das classessegue as seguintes etapas:1) Determinar o número de classes não sobrepostas;2) Determinar a extensão de cada classe;3) Determinar os limites da classe.h) Número de Classes (NC): representa o número de intervalos usados para agrupar os dados observados.Recomenda-se que o número de Classes fique entre 5 e 20, dependendo do número de observações, isto é,quanto maior o número de dados levantados maior o número de Classes.i) Largura das Classes (LAC): Como diretriz geral, recomenda-se que a largura seja a mesma para cadauma das classes. Assim quanto maior o número de classes menor a largura e vice-versa. LC = Maior Valor de dados – Menor Valor de dados Número de Classes A Largura das Classes pode ser arredondada para um valor mais conveniente. E em função do número deClasses pode-se estabelecer uma série de combinações que permite a escolha da melhor para sintetizaçãodos dados.j) Limite de Classes (LIC): representam os limites inferior e superior que definem cada classe e impede asobreposição de elementos. Pode-se definir cada classe em função de seus limites. A diferença entre doislimites inferiores ou dois superiores adjacentes fornece a Largura das Classes. A Tabela abaixo apresenta o tempo de fabricação de um produto em linhas de montagens de uma fábricapara vinte diferentes tipos de produtos. Com base na Tabela abaixo é possível calcularmos NC, LAC e LIC. Tempo de Fabricação NC = 5 (escolhido) 12 15 20 22 14 LAC = (33-12)/5 = 4,2 ≈ 5 21 18 19 18 22 LIC = (10-14); (15-19); (20-24); (25-29); (30-34) 17 23 28 13 18 15 16 27 33 14 PMC = 12; 17; 22; 27 e 32k) Ponto Médio da Classe (PMC): é a média entre os limites inferior e superior para cada classe. castrorpc@yahoo.com.br 38
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrol) Distribuição de Freqüência Relativa e Percentual: para dados Quantitativos são definidas da mesmaforma que para dados Qualitativos. Veja tabela abaixo: Classes Freqüência Freqüência Freqüência Percentual Relativa 10 - 14 4 0,20 20% 15 – 19 8 0,40 40% 20 – 24 5 0,25 25% 25 – 29 2 0,10 10% 30 - 34 1 0,05 5% Total 20 1,00 100%m) Gráfico de Pontos e Histogramas: dispositivos gráficos para representar os dados quantitativossintetizados através da Distribuição de Freqüência. 35 30 25 20 15 10 5 0 0 5 10 15 20 25 Gráfico de Pontos – Gráfico de Dispersão Histograma Bloco Freqüência Bloco Freqüência Bloco Freqüência % cumulativo 14 4 19 8 14 4 20,00% 19 8 24 5 19 8 60,00% 24 5 14 4 24 5 85,00% 29 2 29 2 29 2 95,00% 34 1 34 1 34 1 100,00%Mais 0 Mais 0 Mais 0 100,00% Tabela de Histograma Histograma Classificado Histograma Cumulativo Existe uma diferença entre o Histograma 9apresentado acima e o Diagrama de Blocos 8 7 Frequênciasapresentado ao lado. 6 5 No Gráfico de Barras no eixo do X ficam as classes 4 3e as freqüências são apresentadas por classe, 2previamente agrupadas na tabela pelo profissional. 1 0 Já no Histograma, basta definir os limites 10 - 14 15 – 19 20 – 24 25 – 29 30 - 34superiores das classes, que o Excel faz o Classesagrupamento e define as freqüências.n) Distribuição de Freqüência Cumulativa: nessa distribuição são usados o número, a largura e os limitesdas classes, já referidos. No entanto, é apresentado o número de observações com valores menores ouiguais ao limite superior de cada classe. Assim para o nosso exemplo temos: castrorpc@yahoo.com.br 39
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Limite superior de Freqüência Freqüência Freqüência Relativa Freqüência Percentual classes Cumulativa Cumulativa Cumulativa Menor ou igual a 14 4 4 0,20 20% Menor ou igual a 19 8 12 0,60 60% Menor ou igual a 24 5 17 0,85 85% Menor ou igual a 29 2 19 0,95 95% Menor ou igual a 34 1 20 1,00 100%o) Distribuição de Freqüência Relativa e Percentual Cumulativa: são definidas da mesma formaapresentada para dados Qualitativos e Quantitativos. Para o nosso exemplo, fica como apresentado na tabelaacima.p) Usando o Excel para Distribuição de Freqüência: Ferramentas – Análise de Dados – Histograma. - Intervalo de Entrada: Dados; - Intervalo de bloco: Limite superior de cada Classe; - Opção de Saída: Define-se o local de saída, informando a célula, ou a planilha ou o arquivo. Defina ainda: • Nenhuma das caixas de seleção assinalada: Distribuição de Freqüência; • Caixa Pareto: Distribuição de Freqüência em ordem decrescente; • Caixa Porcentagem cumulativa: Distribuição de Freqüência Cumulativa; • Caixa Resultado do Gráfico: Distribuição de Freqüência e o Histograma;OBS: Para acessar essas ferramentas, clique em Análise de Dados, no grupo Análise, na guia Dados. Se ocomando Análise de Dados não estiver disponível, carregue o programa suplementar Ferramentas deAnálise.4.1.3 ExercíciosExercício 5 Dias perdidos Ocorrência A Equipe do SESMT de uma empresa observou que 0 dia perdido 8 vezes 1 dia perdido 14 vezesnum histórico de 10 anos ocorreram 100 acidentes. 2 dias perdidos 25 vezesAnalisando melhor os acidentes, classificou-se 8 tipos de 3 dias perdidos 27 vezesacidente de acordo com o número de dias perdidos, 4 dias perdidos 13vezesconforme tabela a seguir. 5 dias perdidos 7 vezes Com base na tabela apresentada gere uma tabela 6 dias perdidos 6 vezesonde sejam apresentados os 8 tipos de acidente com sua mais de 6 dia perdidos Nenhuma vezrelativa acumulada , percentual relativa e percentual relativa acumulada. castrorpc@yahoo.com.br 40
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroExercício 6 Ainda com base na tabela apresentada Gere dois gráficos um com a freqüência absoluta e aabsoluta acumulada, e outro gráfico com a relativa e a relativa acumulada.4.1.4 Medidas de Tendência Centrala) Média: é talvez a medida de posição mais importante, fornece uma medida da posição central de todos osdados. Se os dados são de uma amostra, a média é denominada de x , se os dados forem da população, amédia é chamada de µ . Assim:Média da amostra: x = ∑x i Média da População: µ = ∑x i n Nb) Moda: É o valor de dados que ocorre com maior freqüência. A moda é um importante valor que servetanto para dados Quantitativos como para dados Qualitativos.c) Mediana: é o valor que fica no meio da seqüência quando os dados são arranjados na ordem ascendenteou crescente. Divide a curva em duas áreas iguais.Assim definida:- Com um número ímpar de observações a Mediana é o termo do meio;- Para um número par de observações a Mediana é a média dos dois valores do meio.d) Percentis: fornece informações de como os valores de dados estão distribuídos sobre um intervalo, domenor para o maior. Assim o p-ésimo percentil é um valor tal que pelo menos p% das observações assumemesse valor ou menos e pelo menos (100 - p)% das observações assumem esse valor ou mais. Para calcular oPercentil deve-se:1. Arranjar os dados em ordem crescente;  p 2. Calcular o índice i =  100 n , onde p é o percentil e n é o número de observações;    3. Se i não for inteiro, arredonde para cima. O próximo inteiro maior que i denota a posição do p-ésimopercentil. Se i for inteiro, o p-ésimo percentil é a média dos valores de dados nas posições i e i + 1. Para oExcel, não é calculada a média e sim feita uma interpolação.e) Quartis: Em tratamentos estatísticos deseja-se dividir os dados em quatro partes, contendoaproximadamente um quarto dos dados, ou seja, 25% das observações. Assim:- Q1 = primeiro quartil = 25% percentil; - Q2 = segundo quartil = 50% percentil;- Q3 = terceiro quartil = 75% percentil;EXEMPLO: Considere os seguintes salários para Engenheiros de Segurança Junior do Pólo Petroquímico deCamaçari/BA, em ordem crescente: (2210 – 2255 – 2350 – 2380 – 2380 – 2390 – 2420 – 2440 – 2450 – 2550– 2630 – 2825) (2210 2255 2350 2380 2380 2390 2420 2440 2450 2550 2630 2825)Média Amostra: x = =2440 12Moda: 2380, repete-se duas vezes. Mediana: (2390 + 2420)/2 = 2405  85   25 85º Percentil: i =  100 12 = 10,2 ≅ 11 º posição = 2630   Q1: i =  100 12 = 3 ,(2350+2380)/2 = 2365       castrorpc@yahoo.com.br 41
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro  50   75 Q2: i =  100 12 = 6 ,(2390+2420)/2 = 2405   Q3: i =  100 12 = 9 ,(2450+2550)/2 = 2500      f) Média Ponderada: é a média aritmética aplicada a dados agrupados, isto é, dados ndistribuídos em classes. É dada pelo somatório do produto da freqüência de cada classe ∑ fM i =1 i ipelo Ponto Médio da Classe (Mi), dividido pelo número de amostras. x= ng) Média Harmônica: A média harmônica de n números reais positivos x1, x2,... , n MH =xn é o número real positivo MH. Representa a capacidade média individual da 1 1 1 + + ... +ação de n agentes que estão agindo harmonicamente, ou seja, MH representa a x1 x2 xncapacidade de um agente que é capaz de substituir cada um dos n agentes quando atuando em conjunto.h) Média Geométrica: Consideremos uma coleção formada por n números racionais não negativos: x1, x2,x3, ..., xn. A média geométrica entre esses n números é a raiz n-ésima do produto entre esses números, isto é:MG = n x .x ....x 1 2 nNota: Como medida de localização, a mediana é mais robusta do que a média, pois não é tão sensível aosdados. Quando a distribuição é simétrica, a média e a mediana coincidem. A mediana não é tão sensível,como a média, às observações que são muito maiores ou muito menores do que as restantes. Por outro lado,a média reflete o valor de todas as observações. A partir do exposto, deduzimos que se a distribuição dosdados:1. for aproximadamente simétrica, a média aproxima-se da mediana2. for enviesada para a direita (alguns valores grandes), a média tende a ser maior que a mediana.3. for enviesada para a esquerda (alguns valores pequenos), a média tende a ser inferior à mediana.i) Tabela de Funções do Excel: Função Estatística Função do Excel Média MÉDIA(num1;num2;...) Moda MODO(num1;num2;...) Mediana MED(num1;num2;...) Ordem Percentil (*) ORDEM.PORCENTUAL(matriz;k) Percentil(**) PERCENTIL(matriz;k) Quartil QUARTIL(matriz;quarto) Média Harmônica MÉDIA.HARMÔNICA(num1;num2;...) Média Geométrica MÉDIA.GEOMÉTRICA(num1;num2;...)(*) indica o percentual de números que é menor ou igual a selecionado.(**) Indica o valor entre dentro do intervalo tal que pelo menos p% das observações assumem esse valor oumenos. Observe no exemplo do Excel, que a fórmula não realiza aproximações, e sim, interpolações.Se Interpolarmos Linearmente para Q1: (2.380,00 27,20%); (2.350,00 18,10%) e (X 25,00%)27,20% − 18,10% 2.380,00 − 2.350,00 , teremos X = 2.372,75, que se aproxima muito do valor obtido =25,00% − 18,10% X − 2.350,00 pela função Quartil do Excel 2.372,50, a diferença encontra- se no tipo de interpolação (linear ou geométrica) castrorpc@yahoo.com.br 42
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Em Dados – Análise de Dados Salários EST Ponto Coluna1 Ordem Porcentagem– Ordem e Percentil é possível 2.440,00 4 2.825,00 1 100,00%gerar uma tabela que ordena de 2.255,00 7 2.630,00 2 90,90%forma decrescente os dados,informa a sua posição na listagem 2.380,00 11 2.550,00 3 81,80%inicial e apresenta a ordem 2.825,00 10 2.450,00 4 72,70%percentil para cada valor. 2.210,00 1 2.440,00 5 63,60% 2.350,00 9 2.405,00 6 54,50% 2.630,00 12 2.390,00 7 45,40% 2.380,00 3 2.380,00 8 27,20% 2.405,00 8 2.380,00 8 27,20% 2.450,00 6 2.350,00 10 18,10% 2.550,00 2 2.255,00 11 9,00% 2.390,00 5 2.210,00 12 0,00%4.1.5 Medidas de Dispersãoa) Amplitude: é a medida de variabilidade mais simples e é dada pela diferença entre o Maior Valor e oMenor Valor da População ou da Amostra. Existe uma variação da amplitude chamada de AmplitudeInterquartil, que é dada pela diferença entre o terceiro e o primeiro quartil (Q3 – Q1).b) Desvio médio absoluto: representa a distância média que cada observação nencontra-se da média da amostra, considerando para tanto a diferença modular entre ∑x −x i =1 io valor da amostra e da média. . nc) Variância: é a medida baseada na diferença entre o valor de cada observação (xi) e a média ( x para aamostra e µ para a população) que é chamado de desvio ao redor da média. A Variância é dada pela médiado somatório do quadrado dos desvios ao redor da média. Assim: Desvio ao redor da Variância da População Desvio ao redor da Variância da Amostramédia para População média para Amostra (xi − µ ) 2 ∑ (x − µ) i 2 (x − x) i 2 ∑ (x − x) i 2 Var(x) = σ = s = N n −1Quando a Variância da População ou da Amostra Variância da População Variância da Amostrarefere-se a dados agrupados, isto é, estão p/ dados agrupados p/ dados agrupados ∑ f (M − x)distribuídos em classes, tem que se levar em ∑ f (M − µ) 2 2consideração o ponto médio da classe (Mi) e a 2 i i 2 i ifreqüência de cada classe. Assim: σ = s = N n −1d) Desvio padrão: Uma vez que a variância envolve a soma de quadrados, a unidade em que se exprimenão é a mesma que a dos dados. Assim, para obter uma medida da variabilidade ou dispersão com asmesmas unidades que os dados, tomamos a raiz quadrada da variância e obtemos o desvio padrão. Odesvio padrão é uma medida que só pode assumir valores não negativos e quanto maior for, maior será adispersão dos dados. ∑ (x − µ) ∑ (x − x) 2 2 i iDesvio Padrão da População: σ = Desvio Padrão da Amostra: s = N n−1 castrorpc@yahoo.com.br 43
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroe) Coeficiente de variação: Indica o tamanho do desvio-padrão s CVar(x) = .100 , para amostra eem relação à média, estabelecendo uma relação percentual dada xpelas fórmulas: σ CVar(x) = .100 , para a população µEXEMPLO: Duas equipes de Tiro, A e B, com 8 atiradores cada, participaram de um campeonato e obtiveramo seguinte resultado: Equipe A (8,9,10,8,6,11,7,13) com 72 acertos e Equipe B (7,3,10,6,5,13,18,10) com 72acertos. Para decidir a melhor foi analisado total de pontos (empatadas), média de pontos (empatadas).Decidiu-se analisar a ESTABILIDADE das equipes através da VARIAÇÃO entre os desempenhos. Assim:X A = 72/8 = 9, XB = 72/8 = 9Equipe A Equipe B 2 2 Xi (Xi - X ) = xi xi Xi (Xi - X ) = xi xi 2 2 8 8 – 9 = -1 (-1) = 1 7 7 – 9 = -2 (-2) = 4 2 2 9 9–9=0 (0) = 0 3 3 – 9 = -6 (-6) = 36 2 2 10 10 – 9 = 1 (1) = 1 10 10 – 9 = 1 (1) = 1 2 2 8 8 – 9 = -1 (-1) = 1 6 6 – 9 = -3 (-3) = 9 2 2 6 6 – 9 = -3 (-3) = 9 5 5 – 9 = -4 (-4) = 16 2 2 11 11 – 9 = 2 (2) = 4 13 13 – 9 = 4 (4) = 16 2 2 7 7 – 9 = -2 (-2) = 4 18 18 – 9 = 9 (9) = 81 2 2 13 13 – 9 = 4 (4) = 16 10 10 – 9 = 1 (1) = 1 72 0 36 72 0 164 36 36 164 164 2 s2 = = = 5,14 acertos 2 s2 = = = 23,43 acertos 8 −1 7 8 −1 7 s = 5,14 = 2,268 acertos s = 23,43 = 4,84 acertos 2,268 4,84 CVar(x A ) = .100 = 25,20% CVar(x B ) = .100 = 53,78% 9 9 Observe que a discrepância dada por (Xi - X ) também apresentam o mesmo valor, isto acontece devidoao efeito do sinal negativo de cada discrepância. Uma solução seria elevar ao quadrado e dividir por N ou n-1de acordo com o tipo de dados. Assim teríamos um dado quantitativo para comparar a estabilidade dasequipes (Desvio-padrão). O Coeficiente de Variação é um uma comparação do desvio-padrão com a média.f) Tabela de Funções do Excel: Função Estatística Função do Excel Variância VAR(num1;num2;...) Desvio Padrão DESVPAD(num1;num2;...) Coeficiente de Variação DESVPAD(num1;num2;...)/MED(num1;num2;...) Desvio Medio absoluto DESV.MEDIO(num1;num2;...)g) Medidas associadas entre duas variáveis: Em determinadas situações estamos interessados na relaçãoentre duas variáveis, isto é no impacto de uma variável sobre a outra. Para compreendermos as medidasapresentadas abaixo, considere uma Loja de equipamentos eletrônicos que pretende verificar o impacto doscomerciais na TV sobre o volume de vendas. Para isso, durante 10 semanas fez número de divulgaçõesdiferentes e acompanhou o volume de vendas, tudo apresentado abaixo: castrorpc@yahoo.com.br 44
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Nº Comerciais Volume deSemana (x) Vendas (y) Diagrama de Dispersão 1 2 50 65 2 5 57 60 3 1 41 Vendas CB$ 55 4 3 54 50 5 4 54 45 6 1 38 40 7 5 63 35 8 3 48 0 1 2 3 4 5 6 9 4 59 Número de Comerciais 10 2 46h) Covariância: Apresenta para uma Covariância da Amostra Covariância da Populaçãocorrelação entre duas variáveis de umaamostra ou de uma população.Representamos por x e y as duas variáveisem análise. sxy= 11 sxy = ∑ (x − x)(y − y) i i σxy = ∑ (x − µ )(y − µ ) i x i y n −1 N Analisando o Diagrama de Dispersão em função de x = 3 e y = 51.- Setor I: xi > x e yi > y , logo sxy positivo - Setor III: xi < x e yi < y , logo sxy positivo- Setor II: xi < x e yi > y , logo sxy negativo - Setor IV: xi > x e yi < y , logo sxy negativoQuando sxy é positivo, a maioria dospontos esta nos Setores I e III e indica Diagrama de Dispersãouma associação linear positiva para x e 65y. Quando x aumenta y também aumentae vice-versa. Setor II Vendas CB$Quando sxy for negativo, a maioria está Setor I 51nos Setores II e IV e indica umaassociação linear negativa para x e y. Setor IVQuando x aumenta y diminui e vice- Setor IIIversa. Quando os pontos estiverem 37distribuídos uniformemente entre os 0 3 6setores o valor de sxy será próximo de Número de Comerciaiszero, o que indica que não existe umaassociação linear entre x e y. Para nosso exemplo sxy= 11 é positivo o que indica uma relação de linearidade positiva entre o número decomerciais (x) e o volume de vendas (y).Nota: Um maior valor de sxy positivo ou negativo não indica um maior ou menor intensidade da relação delinearidade, apenas indica a existência da relação ou não, mas não serve para quantificar a intensidade darelação de linearidade entre as variáveis.i) Coeficiente de Correlação: para dados da amostra, serve para medir a intensidade com sxyque duas variáveis estão relacionadas. Para o nosso exemplo, sx = 1,49 e sy = 7,93, logo rsy rxy = sx s y= 0,93. O Coeficiente de correlação também pode ser dado pela fórmula: castrorpc@yahoo.com.br 45
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro ∑ x y − ∑ n∑ x y O Coeficiente de correlação para dados de σxy i i População é dado pela fórmula ao lado e está ρxy = i i σ x σyrxy = sempre no intervalo de -1 e + 1, onde: ( x) ( y) ∑ x − ∑n ∑ y − ∑n 2 2 2 i i -1 indica uma forte relação linear negativa; 2 i i 0 indica a inexistência de uma relação linear; +1 indica uma forte relação linear positiva;j) Usando o Excel para Medidas associadas entre duas variáveis: Função =COVAR(Matriz1;Matriz2): para as variáveis apresentadas nas matrizes 1 e 2 calcula aCovariância; Função =CORREL(Matriz1;Matriz2): para as variáveis apresentadas nas matrizes 1 e 2 calcula oCoeficiente de Correlação.k) Representações Gráficas: Para a Retiradas Freqüência Freqüência FreqüênciaDistribuição de Freqüência apresentada Bancárias Acumulada Percentualao lado, pode-se optar por quatro tipos 500 -600 12 12 3,58%de representações gráficas: Histograma, 601 – 700 36 48 10,75%Polígono de Freqüência, Ogiva e Gráfico 701 – 800 63 111 18,81%de Setores. 801 – 900 81 192 24,18% 901 – 1000 77 269 22,99% 1001 – 1100 42 311 12,54% 1101 - 1200 24 335 7,16% Total 335 - 100% 90 400 80 Frequência Acumulada 350 70 300 Frequência 60 250 50 200 40 150 30 20 100 10 50 0 0 500 - 601 – 701 – 801 – 901 – 1001 – 1101 - 500 - 601 – 701 – 801 – 901 – 1001 – 1101 - 600 700 800 900 1000 1100 1200 600 700 800 900 1000 1100 1200 Retirada Bancária Retirada Bancária POLÍGONO DE FREQUÊNCIA OGIVA 1101 - 90 1200 500 -600 601 – 80 1001 – 7% 4% 700 70 1100 11% Frequência 60 13% 50 40 701 – 30 800 20 19% 10 901 – 0 1000 801 – 500 - 601 – 701 – 801 – 901 – 1001 – 1101 - 23% 900 600 700 800 900 1000 1100 1200 23% Retirada Bancária GRÁFICO DE SETORES HISTOGRAMA castrorpc@yahoo.com.br 46
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro4.1.6 Conceitos de Engenharia de Segurança com aplicação estatísticaa) Índice de Freqüência (IF): mede o número de acidentes ocorridos para cada 1.000.000 dehomens-horas trabalhadas, que é calculado pelo somatório das horas de trabalho de cada pessoaexposta ao risco de acidente, que pode ser aproximado pelo produto do número de funcionário por 8horas/dia pelo número de dias de trabalho do período considerado. Número _ Total _ de _ acidentes IF = x1.000.000 Número _ Total _ de _ Homens − horas − trabalhadasb) Índice de Gravidade (IG): mede o nível de gravidade de cada acidente com base no período deafastamento, permitindo avaliar a perda laborativa devido à incapacidade, ocorridos para cada1.000.000 de homens-horas trabalhadas. Número _ Total _ de _ dias _ perdidos IG = x1.000.000 Número _ Total _ de _ Homens − horas − trabalhadasc) Taxa de Incidência de Acidente de Trabalho: indicador da intensidade com que ocorrem osacidentes de trabalho ocorrem em relação à população exposta ao risco de sofrer algum tipo deacidente, que deve representar o número médio de trabalhadores dentro de um mesmo grupo dereferência do CNAE. Porém, como um trabalhador pode ter mais de um vínculo de trabalho, optou-sepelo número médio de vínculos ao invés do número médio de trabalhadores. Número _ de _ casos _ de _ acidente _ de _ trabalho _ registrados IAT = x1.000 Número _ médio _ anual _ de _ vínculos De acordo com o tipo de acidente a taxa de incidência pode ser diferenciada em taxa deincidência para doenças do trabalho, para acidentes do trabalho típicos, para acidente de trajeto, paradoença profissional e para incapacidade temporária. Por incapacidade temporária deve-se a falta de condições momentânea para exercer suasatividades loborias. Durante os primeiros 15 dias consecutivos ao do afastamento da atividade, caberáa empresa pagar a segurado acidentado o seu salário integral. Após esse período o segurado deveráser encaminhado à Perícia Médica da Previdência Social para requerimento de um auxílio-doençaacidentário.d) Taxa de Mortalidade: relaciona o número total de óbitos decorrentes de acidentes de trabalho e apopulação exposta ao risco de morte. Número _ de _ casos _ de _ acidente _ de _ trabalho _ registrados IAT = x1.000 Número _ médio _ anual _ de _ vínculose) Taxa de Letalidade: representa o maior ou menor poder que o acidente tem de causar a morte. Éum bom indicador para medir a gravidade do acidente. Número _ de _ óbitos _ decorrentes _ de _ acidentes _ de _ trabalho IAT = x1.000 Número _ de _ acidentes _ de _ trabalho _ registrados castrorpc@yahoo.com.br 47
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrof) Taxa de acidentalidade proporcional específica para a faixa etária de 16 a 34 anos: é umaprimoramento dos indicadores de acidentes, pois permite avaliar o risco específico que umdeterminado subgrupo populacional, compreendido em uma determinada faixa etária, está exposto,neste caso de 16 a 34 anos. Número _ de _ acidentes _ de _ trabalho _ registrados _ na _ faixa _ de _ 16 _ a _ 34anosIAT = x1.000 Número _ de _ acidentes _ de _ trabalho _ registradosNota: Segundo a OIT, os indicadores devem ser multiplicados por 1.000, conforme apresentado acima. AABNT através da NBR 14.280, por outro lado, orienta multiplicar por 1.000.000. No entanto o INSS, optoupela fórmula sugerida pela OIT, que fornece valores com mesma ordem de grandeza dos índices defreqüência o que facilita a análise dos dados.4.1.7 ExercíciosExercício 7 O gerente de risco de uma empresa com 1.000 Ano Nº de acidentesfuncionários deseja estimar a freqüência provável de acidentes 2001 10do trabalho e o risco dessa estimativa diferir do resultado real. 2002 08Os acidentes registrados nos últimos 5 anos são apresentados 2003 12ao lado. 2004 13 2005 07Exercício 8 Sabendo-se que no ano de 2003, uma determinada empresa acusou um total de 235 dias detrabalho para 500 funcionários, num regime de 8horas/dia e registrou 16 acidentes com 120 dias deperda. Em um caso foram debitados 1.800 dias. Calcule o IF e o IG para essa fábrica.Exercício 9 Represente graficamente os dados mês IF IG mês IF IGapresentados na tabela ao lado que Jan 21,4 340 Jul 16,0 850demonstra a variação dos índices de Fev 30,5 1200 Ago 19,5 1400gravidade e de freqüência. Calcule a Mar 25,0 800 Set 20,5 720covariância e o coeficiente de correlação e Abr 19,0 800 Out 22,6 300explique se há relação entre as variáveis ou Mai 20,0 1000 Nov 19,2 800não. Jun 18,0 950 Dez 16,0 940Exercício 10 Para os mesmos dados apresentados na Questão 9, calcule para IF e para IG a média, a variância,o desvio padrão, o coeficiente de variação e o desvio médio absoluto, fazendo uma interpretaçãocomparativa dos resultados.4.2 Aplicação da Probabilidade á Previsão de Perdas castrorpc@yahoo.com.br 48
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro4.2.1 Conceitosa) Conceito de Probabilidade: área do conhecimento que permite avaliar e controlar o tamanho do erro noprocesso de inferência, ou seja, na generalização das conclusões da amostra para a população. A Teoria da Probabilidade oferece métodos de quantificação das chances ou possibilidades de ocorrênciaassociadas aos diversos resultados. PROBABILIDADE ESTATÍSTICASabe-se como o processo funciona-se e se quer Não se sabe como o processo funciona, mas pode-sepredizer quais serão os resultados do processo observar os resultados e tentar conhecer o processob) Experimento: é qualquer ação ou processo cujo resultado está sujeito à incerteza.c) Espaço Amostral: de um experimento, representado por S, é o conjunto de todos os resultados possíveisdesse experimento.d) Evento: é qualquer grupo ou subgrupo de resultados contidos no espaço amostral. O evento édenominado SIMPLES se consistir em um único resultado e COMPOSTO se consistir em mais de umresultado.EXEMPLO: Considere as técnicas de análise a serem adotadas por três profissionais diferentes no plano deprevenção de lesões: Qualitativa (D) ou Quantitativa (E). O conjunto dos resultados possíveis é chamado deEspaço Amostral dado por S = {EEE, DEE, EDE, EED, EDD, DED, DDE, DDD}. Existem vários eventospossíveis tais como:- A = {DEE, EDE, EED}, evento em que exatamente um dos três veículos virá à direita;- B = {EEE, DEE, EDE, EED}, evento em que no máximo um dos veículos vira à direita;- C = {EEE, DDD}, evento em que os três veículos viram na mesma direção.Nota: Algumas relações da Teoria dos Conjuntos podem ser aplicadas à Probabilidade:- União: de dois eventos, representada por A ∪ B, é o evento que ou está em A ou em B ou em ambos;- Interseção: de dois eventos, representada por A ∩ B, é o evento que está em A e B ao mesmo tempo;- Complemento: de um evento, representada por A , é o conjunto de todos os resultados do EspaçoAmostral que não estão em A.Nota: Quando não existe interseção entre A e B, isto é, A ∩ B = Ф, são chamados eventos MUTUAMENTEEXCLUSIVOS ou DISJUNTOS.e) Definição de Probabilidade de evento: representada por P(A), denominada de probabilidade de A,fornece uma medida precisa das chances de ocorrência.f) Axiomas: São propriedades básicas que deverão sempre ser respeitados:- Para qualquer evento A, P(A) > 0- A probabilidade do Espaço Amostral, P(S) = 1 ou 100% k- Se A1, A2, A3, ..., Ak forem eventos mutuamente exclusivos: P(A1 ∪ A2 ∪ A3 ∪ ... ∪ Ak ) = ∑ P(A ) i =1 ig) Propriedades:- Para qualquer evento A, P(A) = 1 – P( A ), conjunto complementar P( A ) compreende todos os eventosdiferentes de A. castrorpc@yahoo.com.br 49
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- Se A e B, forem mutuamente exclusivos, então P(A ∩ B) = 0- Para quaisquer dois eventos A e B, P(A ∪ B) = P(A) + P(B) - P(A ∩ B)- Para quais quer dois eventos A e B com P(B) > 0, a probabilidade condicional de A dado que B ocorreu édefinida por:P(A | B) = P(A ∩ B)/P(B), P(B) ≠ 0P(A ∩ B) = P(A | B) x P(B) = P(B | A) x P(A)- Quaisquer dois eventos A e B são independentes se P (A │B) = P(A) e dependentes caso contrário. Alémdisso, Se A e B são independentes P(A ∩ B) = P(A).P(B)- Para quaisquer três eventos, A, B e C:P(A ∪ B ∪ C) = P(A) + P(B) + P(C) - P(A ∩ B) - P(A ∩ C) - P(B ∩ C)+ P(A ∩ B ∩ C)- Se houver N resultados possíveis em um Espaço Amostral, a probabilidade do evento A (evento favorável)com N(A) resultados possíveis no Espaço Amostral é dada por: P(A) = N(A)/Nh) Interpretação da Probabilidade: Interpretação como Freqüência Relativa: A probabilidade de dar CARA no lançamento de uma moeda éde 50%, desde que amoeda seja honesta e que o lançamento seja repetido muitas vezes. Interpretação subjetiva da probabilidade: A probabilidade de chover hoje é de 20%. Como fazer o diade hoje repetir 100 vezes, para verificar a probabilidade.i) Variáveis aleatórias Em qualquer experimento há diversas características que podem ser observadas ou medidas, mas namaioria dos casos o experimento enfocará um ou dois aspectos específicos da amostra. A associação de umdeterminado resultado observado com um número é chamada de Variável Aleatória. Variável, pois osresultados numéricos podem ser diferentes. Aleatório, pois depende de cada experimento. Assim VariávelAleatória é a associação de um valor a cada dado do Espaço Amostral.Nota: Qualquer variável aleatória cujos únicos valores possíveis são 0 e 1 é denominada Variável deBernouli. Variáveis discretas o conjunto de valores possíveis é finito ou pode ser relacionado em uma seqüênciainfinita. São aquelas que assumem apenas determinados valores tais como 0,1,2,3,4,5,6 dando saltos dedescontinuidade entre seus valores. Variáveis contínuas seus valores consistem de um intervalo completo na reta de numeração. Sãoaquelas cujos valores assumem uma faixa contínua e não apresentam saltos de descontinuidade.4.2.2 Técnicas de Contagem Regra do Produto: Se o primeiro elemento poder ser selecionado de n1 formas, o segundo de n2, etc. Onúmero de eventos possíveis é dado por n1.n2.n3... Arranjo: qualquer seqüência de k escolhas ordenadas em um espaço amostral com n elementos distintosé denominada de arranjo. É uma técnica de contagem sem reposição. O número de arranjos com essascondições é representado por Ak,n e dada por: n! Ak,n = n.(n-1).(n-2).(n-3)....(n-k+1) ou Ak,n = (n − k)!Um arranjo onde n = k é chamado de Permutação e é dado por Pk = 1.2.3.4...k. ou Pk = k! castrorpc@yahoo.com.br 50
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Combinação: Dado um Espaço Amostral com n objetos diferentes, qualquer subconjunto não-ordenadode um tamanho k é denominado de combinação. É uma técnica de contagem sem reposição. O número decombinações com essas condições é representado por Ck,n e dada por: n! A Ck,n = = k, n (n − k)!k! k!a) Usando o Excel para Contagem Função de Contagem Função do Excel Combinação COMBIN(Num1;Num2), Num1 = Espaço amostral e Num2 = Seleção Arranjo PERMUT(Num1;Num2), Num1 = Espaço amostral e Num2 = Seleção Permutação PERMUT(Num1;Num2), Num1 = Num2 = Espaço amostral = Seleção4.2.3 ExercíciosExercício 11 A probabilidade de ocorrer um incêndio em uma empresa foi calculada como sendo de 10%. Já aprobabilidade de ocorrer uma perda por roubo também é de 10%. Considerando como eventosindependentes, calcule a probabilidade da empresa ter:a. Ambas as perdas, isto é, incêndio e roubob. Nenhuma perda por roubo ou incêndioc. Uma perda por roubo ou por incêndio, mas não as duasd. A seguir recalcule os itens a,b e c, considerando que a incidência de incêndio ou de roubo eleva aprobabilidade do outro tipo para 25%, isto é, P (A │B) = P (B │A) = 25%Exercício 12 Amostragem com reposição:a. Qual a probabilidade de um aluno que não sabe nada acertar todas as questões de uma prova com 25questões de múltipla escolha com 5 alternativas cada. 25P = 1/ (5.5.5....5) vinte e cinco vezes = 1/5b. Qual a probabilidade de acertar o código de segurança de uma sala de produtos controlados de 3 letras e3 números. 3 3 -8P = 1/(26 .10 ) = 1/17.576.000 = 5,69.10 .c. Em uma sorveteria de 31 sabores diferentes, de quantas formas podemos tomar um copinho duplo.1 bola = 31 sabores; 2 bola = 31 sabores. 31.31 = 961 possibilidades.Exercício 13 Amostragem sem reposição:a. De quantas maneiras é possível montar um cardápio de segunda à sexta, com 5 pratos diferentes semrepetir.Seg = 5 opções, Ter = 4 opções, Qua = 3 opções, Qin = 2 opções, Sex = 1 opção. Logo, 5.4.3.2.1 = 5! = 120.b. Ao convidar 5 alunos para estudar em casa, qual a probabilidade de chegarem em ordem alfabéticacrescente.P = 1/(5.4.3.2.1) = 1/120 = 0,833%Exercício 14 Arranjos: castrorpc@yahoo.com.br 51
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa. Na mesma sorveteria de 31 sabores não é permitido dois sabores iguais na casquinha e segundo osclientes existe diferença de sabor de acordo com a ordem das bolas na casquinha.1 bola = 31 sabores; 2 bola = 30 sabores. 31.30 = A31,2 = 930 tipos.b. Se no restaurante acima aumentássemos a variedade de pratos para 10 sabores, para distribuir nasemana sem repetir pratos.Seg = 10 opções, Ter = 9 opções, Qua = 8 opções, Qin = 7 opções, Sex = 6 opção. Logo, 10.9.8.7.6 = A10,5=30240.Exercício 15 Combinação:a. Na mesma sorveteria de 31 sabores não é permitido dois sabores iguais na casquinha e segundo o donoda sorveteria não existe diferença na ordem dos sabores1 bola = 31 sabores; 2 bola = 30 sabores. 31.30/2 = C31,2 = 465 tipos.b. Se no restaurante acima aumentássemos a variedade de pratos para 10 sabores, e segundo o dono dorestaurante não existe diferença na ordem dos pratos.Seg = 10 opções, Ter = 9 opções, Qua = 8 opções, Qin = 7 opções, Sex = 6 opção.Logo, 10.9.8.7.6/5! = C10,5 =252.c. Considerando João e Paula um casal que trabalha juntos com mais 18 colegas. Serão selecionadosdentre desse grupo 5 membros para um comitê. Qual a probabilidade do casal estar junto no comitê.C20,5 = espaço amostral, C18,3 = eventos de interesse. Logo, P = C18,3/C20,5 = 816/15504 = 0,053 = 5,3%.d. No grupo formado por (A,B,C,D,E) e por (W,X,Y,Z). Qual a probabilidade de que num grupo de 5 letrasescolhidas exatamente três das letras sejam do primeiro grupo.Espaço amostral = C9,5 = 126Para escolha das 3 letras do 1 grupo temos: C5,3 = 10 P = C5,3.C4,2/C9,5 = 10.6/126 = 0,476Para escolha das outras duas letras temos: C4,2 = 6Exercício 16 Probabilidade Condicional:a. Num jogo de dados. A o evento de obter 8 com 2 jogadas de dados. B o evento de obter 5 na primeirajogada. Qual a P(A B).P (A │B) = P( A ∩ B) , onde P(A ∩ B) é a probabilidade da soma ser 8 com o primeiro número 5 (5,3) = 1/36 P( B) 1 / 36P (A │B) = = 6/36 = 0,166 = 16,6% 1/ 6b. Num jogo de dados. A o evento de obter 4 CARAS em seqüência. B o evento de obter 2 caras nas duasprimeiras jogadas.P (A │B) = P( A ∩ B) , onde P(A ∩ B) é a probabilidade de obter 4 CARAS com CARA nas 2 primeiras P( B)jogadas. P (A │B) = (1 / 2)4 = ¼ = 25% 1/ 4Exercício 17Em um lançamento de dados qual a probabilidade de sair: castrorpc@yahoo.com.br 52
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa. o número 5 em uma única jogada: P = 1/6 = 0,1666 ou 16,66%b. um múltiplo de 3 em uma única jogada: P = 2/6 = 0,333 ou 33,33%c. um número ímpar em uma única jogada: P = 3/6 = 0,50 ou 50%d. um primo em uma única jogada: P = 1/6 + 1/6 + 1/6 + 1/6 = 0,66 ou 66,66%e. em duas jogadas a soma ser nove: (3;6),(4;5),(5;4),(6;3). P = 4/(6.6) = 4/36 = 11,11%f. soma 2 ou 12 em duas jogadas: (1;1),(6;6). P = 2/36 = 0,0555 = 5,55%Exercício 18Um depósito contém 4 capacetes brancos e 6 vermelhos, iguais em tudo, exceto a cor. No sorteio de doiscapacetes com reposição.a. Qual a Probabilidade de sair capacete branco seguida de um vermelho.P = 4/10.6/10 = 24/100 = 0,24 = 24% ou P = (4.6)/(10.10) = 0,24 = 24%b. Qual a probabilidade de sair dois capacetes de cores diferentes.P(V,B) + P(B,V) = 24% + 24% = 48%c. Qual a probabilidade de sair um capacete branco seguido de um vermelho se não houver reposição.P = 4/10.6/9 = 24/90 = 26,66%d. Qual a probabilidade de sair capacetes de cores diferentes se não houver reposição.P(V,B) + P(B,V) = 4/10.6/9 + 6/10.4/9 = 24/90 + 24/90 = 53,33%4.2.4 Distribuição de Probabilidadea) Conceitos A distribuição de probabilidade estabelece uma relação (função, expressão matemática, uma equação)entre os eventos possíveis e suas probabilidades de ocorrência, com formas e características bemconhecidas e definidas. Para o Gerenciamento de Risco, uma distribuição de probabilidade permite que se determine: A probabilidade de que uma perda excederá o prêmio do seguro necessário para cobrir totalmente umdeterminado risco; A probabilidade de que certas perdas “quebrariam” financeiramente a empresa, se determinado riscofosse retido por ela. Neste estudo, algumas variáveis também precisam ser definidas: Perda máxima possível (PMP) ou Dano potencial máximo (DPM): que a critério do gerente de riscos podevariar ao desconsiderar perdas com probabilidade inferior à certos valores. Valor esperado de perda (VEP) ou perda media ou Perda Máxima Provável: soma do produto entre asperdas e suas probabilidades de ocorrência. Representa a perda média anual a ser absorvida pela empresacaso retenha os riscos. Representa o valor do prêmio puro, base para a seguradora compor o prêmio bruto. Prêmio Bruto = Prêmio Puro + taxa + impostos + despesas + lucroNota: Prêmio é a importância paga pelo segurado ao segurador, ou seja, é o custo do seguro para osegurado da transferência do risco de perdas e danos que determinado evento possa lhe causar. No entanto, a prática demonstra que esses valores possuem uma significativa margem de incerteza emesmo com uso de informações e dados históricos, o uso de distribuições matemáticas para representar ocomportamento das probabilidades dos eventos acontecerem têm-se mostrado muito eficiente. castrorpc@yahoo.com.br 53
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro As principais distribuições de probabilidade com aplicação na Gerência de Risco são a Binomial, a dePoisson, a Exponencial e a Normal ou Gaussiana.b) Função de Probabilidade para Variáveis DiscretasA Distribuição de probabilidade de qualquer variável X é uma função que expressa como a probabilidade total1 ou 100% está distribuída em função dos diversos valores possíveis de X.Para Variáveis Bernoulli. fmp (X;α) = 1 - α , se X = 0 α , se X = 1 0, caso contrárioEXEMPLO:1) Seis lotes de componentes foram testados, observando-se o número de falhas.Lote 1 2 3 4 5 6 NR FALHAS 0 2 0 1 2 0Um dos lotes será selecionado. Sendo X o número de falhas e p(X) a probabilidade de X ocorrer. Assim:- Pr(X = 0) = 3/6 = 50%, probabilidade de se ter Nenhuma falha.- Pr(X = 1) = 1/6 = 16,7%, probabilidade de se ter 1 falha.- Pr(X = 2) = 2/6 = 33,3%, probabilidade de se ter 2 falhas2) Em uma loja de EPI, foi observado que os clientes que compraram luvas, 20% optaram por látex ou e 80%por raspa. Assim:- Pr(X = 0) = 20%, probabilidade do cliente ter adquirido látex.- Pr(X = 1) = 80%, probabilidade do cliente ter adquirido raspa. +3) Considerando um grupo de 5 doadores sanguíneos (A,B,C,D e E). Apenas A e B são O . Será retirada +uma amostra aleatória de sangue de cada indivíduo até que seja selecionado um O . Seja a variável Y = nº +de testes necessários até sair um indivíduo O . Assim:- Pr(Y = 1) = 2/5 = 40%, P(A ou B saírem de primeira).- Pr(Y = 2) = 3/5.2/4 = 6/20 = 30%, P(C, D, ou E saírem primeiro e depois A ou B).- Pr(Y = 3) = 3/5.2/4.2/3 = 12/60 = 20%, P(C, D, ou E saírem nas 2 primeiras vezes e depois A ou B).- Pr(Y = 4) = 3/5.2/4.1/3.2/2 = 12/120 = 10%, P(C, D, ou E saírem nas 3 primeiras vezes e depois A ou B).c) Distribuição de Probabilidade Acumulada Chamada de F(x) de uma variável aleatória discreta X com fmp p(x) é definida para cada valor de x por:F(x) = P(X < x) = ∑ p( y ) y ; y <x e representa a probabilidade do valor X observado ser no máximo x. Tambémchamada de Função Degrau como pode ser vista no gráfico.EXEMPLO: Para o problema de classificação sanguínea temos:- F(1) = P(Y < 1) = Pr(Y = 1) = Pr(1) = 0,4; Y 1 2 3 4- F(2) = P(Y < 2) = Pr(Y = 1 ou 2) = Pr(1) + Pr(2) = 0,7; p(Y) 0,4 0,3 0,2 0,1- F(3) = P(Y < 3) = Pr(Y = 1 ou 2 ou 3) = Pr(1) + Pr(2) + Pr(3) = 0,9; castrorpc@yahoo.com.br 54
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- F(4) = P(Y < 4) = Pr(Y = 1 ou 2 ou 3 ou 4) = Pr(1) + pr(2) + Pr(3) + Pr(4) = 1,0; Distribuição de Probabilidade Distribuição de Probabilidade Acum ulada 0,5 1,5 Probabilidade probabilidade 0,4 1 0,3 0,2 0,5 0,1 0 0 1 2 3 4 1 2 3 4 Variável Aletória Variáveis Aleatóriasd) Valor Médio esperado em uma Distribuição de Probabilidade Também chamado de Valor Esperado ou simplesmente Esperança. Refere-se à média de todos osvalores que esperaríamos obter se medíssemos a variável um número grande de vezes. Representa onde adistribuição de probabilidade está centrada. Considerando a variável X (nº de caras que aparecem em trêsjogadas de uma moeda), Sabendo que:- p(X = 0) = 1/8 = 12,5%, P(não sair nenhuma CARA).- p(X = 1) = 3/8 = 37,5%, P(sair uma CARA).- p(X = 2) = 3/8 = 37,5%, P(sair duas CARAS).- p(X = 3) = 1/8 = 12,5%, P(sair três CARAS). nAssim E(x) = ∑ Pr(X ).X . No nosso caso, E(x) = 12,5%.0 + 37,5%.1 + 37,5%.2 + 12,5%.3 = 1,5, isto é, a i =1 i iesperança é que saiam 1,5 CARAS em média para uma moeda que seja lançada 3 vezes.Nota: Quando o valor esperado se refere a uma população e não para uma amostra a variável é µx. Propriedades de Esperança - E(CX) = CE(X), quando c for uma constante;- E(X + Y) = E(X) + E(Y).e) Variância de uma variável aleatóriaA Variância de uma variável aleatória é dada por: nVar(X) = σ = 2 ∑ (X − µ) i =1 2 Pr(Xi )4.2.4.1 Distribuição de Probabilidade Binomial Características- Só existem dois resultados possíveis: SUCESSO e FRACASSO; perda ou não perda;- A probabilidade de sucessor em cada experimento é p e de fracasso é 1-p;- Os experimentos são idênticos;- Serão realizados n provas independentes;- Não há um limite para o número de experimentos. Fórmula castrorpc@yahoo.com.br 55
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro n  Onde:Pr(X) = Cn, x.px (1 − p)n − x ou  .px (1 − p)n − x x n = número de experimentos realizados   x = número de sucessos desejados p = probabilidade de sucesso em um experimento Cn,x = número de combinações de sucessos desejados Esperança e VariânciaE(X) = Np Var(X) = np(1-p) Usando o Excel DISTRBINOM (núm_s;tentativas;probabilidade_s;cumulativo)Núm_s é o número de tentativas bem-sucedidas.Tentativas é o número de tentativas independentes.Probabilidade_s é a probabilidade de sucesso em cada tentativa.Cumulativo é um valor lógico que determina a forma da função. Se cumulativo for VERDADEIRO, DISTRBINOMretornará a função de distribuição cumulativa, que é a probabilidade de que exista no máximo núm_s sucessos; se forFALSO, retornará a função massa de probabilidade, que é a probabilidade de que exista núm_s sucessos.EXEMPLO:Considerando 3 clientes em uma loja de EPI, Qual a probabilidade de 2 realizarem algum tipo de compra.O Resultado de sucesso é comprar. Número de experimentos realizados (n) = 3. Número de sucessosdesejados (x) = 2. Probabilidade de sucesso (p) = ½ = 0,5.Pr(3) = C3,2.0,52(0,5)1 = 0,375 = 37,5%.E(X) = 3.0,5 = 1,5, isto é, se espera em média que 1,5 clientes em 3 realizem compras.Var(X) = 3.0,5.0,5 = 0,75, isto é, os resultados possuem um desvio da média de 0,75.4.2.4.2 Distribuição de Poisson Características- Existem vários resultados possíveis;- Existe uma média esperada de resultados (µ);- A probabilidade de uma ocorrência é a mesma para quaisquer intervalos de igual comprimento;- A ocorrência ou não em qualquer intervalo é independente da ocorrência ou não em outro. Fórmula µ x .e − µ Onde:Pr(X) = µ = é o valor médio esperado entre todos os possíveis x! x = número de ocorrências desejadas em um intervalo µ = λ.t , onde λ é freqüência de falhas e t o intervalo de observação. Esperança e VariânciaE(X) = µ Var(X) = µ Usando o ExcelPOISSON(x;média;cumulativo) X é o número de eventos. Média é o valor numérico esperado.Cumulativo é um valor lógico que determina a forma da distribuição de probabilidade fornecida. Se cumulativo forVERDADEIRO, POISSON retornará a probabilidade Poisson de que o número de eventos aleatórios estará entre zero e xinclusive; se FALSO, retornará a função massa da probabilidade Poisson de que o número de eventos será equivalente ax. castrorpc@yahoo.com.br 56
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroEXEMPLO:Analisando o número de chegadas em um dado intervalo ao caixa de um banco. Considerando que aprobabilidade de chegada independe do período e é a mesma em períodos iguais. Sabendo que em médiachegam 15 clientes por hora ao caixa do banco.a) Qual a Probabilidade de chegarem 10 clientes em uma hora. 1510.e−15X = 10; µ = 15. Pr(10) = = 0,0486 = 4,86% 10!b) Qual a Probabilidade de 2 clientes chegarem em 15minutos 3,752.e −3,7515 clientes chegam 60 minutos (1 hora) X = 2; µ = 3,75. Pr(2) = = 0,1653 = 16,53% 2!15/4 clientes chegam em 15 minutos4.2.4.3 Distribuição de Probabilidade Normal A Distribuição de Probabilidade Normal é a principal distribuição contínua, e muitas das populaçõesobedecem esse padrão. São exemplos de aplicação da Normal: altura, peso, contagem de QI, mediçõescientíficas, índices de precipitação pluviométrica, etc. A Curva NormalA Distribuição Normal se apresentagraficamente na forma de um sino(Figura ao lado). Possui comocaracterísticas principais a média (µ)e o desvio padrão (σ). A Função querepresenta esta distribuição é: (x − µ)2 1 − e 2σ 2F(x) = σ 2πEm que - ∞ < x < + ∞ Características- Existem inúmeras variáveis encontradas na realidade que se comportam segundo modelo normal;- Muitos acidentes se comportam segundo o Teorema do Limite Central, em que diversas causasindependentes (vaiáveis) somam seus efeitos para produzir um certo resultado(dano);- Existem várias distribuições de probabilidade normais, a diferença esta na média(µ) e no desvio padrão(σ);- O ponto mais alto na distribuição está na média. Quanto maior a média mais alta será a curva;- A média pode assumir qualquer valor numérico na reta dos reais;- A distribuição é simétrica, isto é, a forma à esquerda da média é igual a direita da área;- O desvio padrão determina a largura da curva. Valores maiores indicam curvas mais largas e vice-versa;- A área abaixo da curva de distribuição representa a 1 ou 100% da probabilidade;- As probabilidades para uma variável aleatória são dadas em função da área no gráfico;- As extremidades da curva se estendem de forma indefinida ao longo de sua base (o eixo das abcissas) semjamais tocá-la. (Portanto, o campo de variação da distribuição normal se estende de - ∞ a + ∞ ;- Existem alguns intervalos de valores da variável aleatória normal comumente utilizados: castrorpc@yahoo.com.br 57
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro 68,26% dos valores de uma variável estão dentro do intervalo (µ-σ; µ+σ); 95,44% dos valores de uma variável estão dentro do intervalo (µ-2σ; µ+2σ); 99,72% dos valores de uma variável estão dentro do intervalo (µ-3σ; µ+3σ); Aproximação de distribuições de probabilidade De acordo com o Teorema do Limite Central, quando n(número de casos) é muito grande váriasdistribuições podem ser aproximadas pela Normal. A distribuição Binomial pode ser considerada como a soma de n variáveis independentes. Quando ncresce muito, a distribuição Binomial pode ser considerada uma Normal de µ = np e σ = np(1-p). Com np ≥ 5e n(1-p) ≥ 5, já é considerado suficientemente grande, porém existem autores que sugerem 10 ou 15, tudorelacionado com a precisão. Analogamente a distribuição de Poisson, poderá ser aproximada pela Normal para λt ≥ 5 (10 ou 15). Usando o Excel DIST.NORM(x;média;desv_padrão;cumulativo)X é o valor cuja distribuição você deseja obter.Média é a média aritmética da distribuição.Desv_padrão é o desvio padrão da distribuição.Cumulativo é um valor lógico que determina a forma da função. Se cumulativo for VERDADEIRO, DIST.NORM retornaráa função cumulativa de distribuição; se for FALSO, ele retornará a função massa de probabilidade.4.2.4.4 Distribuição de Probabilidade Normal Padrão Na prática desejamos calcular probabilidades para diferentes valores de µ e σ. Para isso, a variávelaleatória continua X cuja distribuição N é função de µ e σ é transformada numa forma padronizada Z comdistribuição N(0,1), isto é, µ = 0 e σ = 1(distribuição normal padrão) pois tal distribuição é tabelada. Aquantidade Z é dada por : Z = (x – µ)/ σ. Assim qualquer distribuição N(µ,σ) pode ser transformada em Z, isto é, N(0,1), e a partir daí achar todasas probabilidades desejadas. Usando o Excel DIST.NORMP(z), onde Z é o valor cuja distribuição você deseja obter.EXEMPLO:1) A concentração de um poluente em água liberada por uma fábrica tem distribuição N(8,1.5). Qual achance, de que num dado dia, a concentração do poluente exceda o limite regulatório de 10 ppm?A solução do problema resume-se em determinar a proporção da distribuição que está acima de 10 ppm, istoé,Pr( x > 10). Usando a estatística z temos:Z = (10 – 8)/ 1,5 = 1,33 -> Pr( x > 10)= Pr( z > 1,33) = 1- Pr (z < 1,33) = 0,09Portanto, espera-se que a água liberada pela fábrica exceda os limites regulatórios cerca de 9% do tempo.2) Como exemplo de uso da tabela acima, considera-se uma variável X com N(15,25). Qual a probabilidadede que X assuma os valores (16 ≤ X ≤ 20)?A probabilidade desejada pode ser obtida, utilizando-se a variável transformada (Z). Assim:Para X = 16 ⇒ Z = (16 – 15)/ 25 = 0,04 castrorpc@yahoo.com.br 58
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroPara X = 20 ⇒ Z = (20 – 15)/ 25 = 0,20Pr(0,04 ≤ Z ≤ 0,20) = Pr(Z ≤ 0,2)-P(Z ≤ 0,04)Com o uso da tabela, tem-se:P(Z ≤ 0,2) = 0,5793P(Z ≤ 0,04) = 0,5160Portanto, a probabilidade desejada é 0,5793 – 0,5160 = 0,0633 ou 6,33%.4.2.4.5 Distribuição de Probabilidade Exponencial Características- Muito utilizada para descrever o tempo que se leva para completar uma tarefa;- Existe uma média esperada de resultados (µ);- A área sob a curva que corresponde a um intervalo fornece a probabilidade de que a variável aleatória Xassuma um valor dentro do intervalo;- É utilizada principalmente em problemas relacionados com falhas de equipamentos e sistemas, com taxa defalha constante, nesse casos λ= 1/µ.- A distribuição exponencial é freqüentemente usada em estudos de confiabilidade como sendo o modelo para o tempo até a falha de um equipamento. Fórmula 1 −x / µ Onde:F(X) = e Função densidade de Probabilidade µ µ = é o valor médio esperado entre todos os possíveisF(X) = λ e − λx x = número de ocorrências desejadas em −x /µPr(X < xo) = 1 − e o Probabilidade da Distribuição um intervalo λ = taxa de falas = 1/µ Distribuição Exponencial EXEMPLO: 1)Considerando o tempo para se carregar um 0,07 caminhão na Doca. Se o tempo médio para F(x) Função Distribuição 0,06 carregar o caminhão é de 15 minutos µ = 15. de Probabilidade 0,05 A função de densidade de probabilidade 0,04 1 − x / 15 0,03 exponencial é de: e 0,02 15 0,01 0 2) Qual a probabilidade de um carregamento 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 levar 6 minutos ou menos Tempo de Carregamento Pr(X < 6) = 1 − e −6 / 15 = 0,3297 = 32,97% Relações entre a Distribuição de Poisson e Exponencial A Distribuição de Poisson apresenta a probabilidade de um determinado número de ocorrências em umdeterminado intervalo. Já a distribuição exponencial fornece uma descrição do comprimento do intervalo entreocorrências. Na distribuição de Poisson estima-se a quantidade de eventos num espaço ou intervalo. Ex.: um fio decobre apresenta uma taxa de 2 falhas por metro. Qual a probabilidade de apresentar, em um metro, 04falhas? castrorpc@yahoo.com.br 59
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A distribuição exponencial está ligada à de Poisson; ela analisa inversamente o experimento: umintervalo ou espaço para ocorrência de um evento. No exemplo do fio, qual a probabilidade de ocorrer umafalha em 0,5 metros, se ele possui uma taxa de 02 falhas por metro? O número de carros que chegam a um lava-jato é de 10 carros/hora segundo uma distribuição de 10x.e−10Poisson F(X) = . Chegam 10 carros por hora, o intervalo entre chegadas é de 0,1 hora. x! Assim a distribuição Exponencial que descreve o intervalo entre chegadas tem média µ = 0,1 e a função 1 − x / 0,1de densidade exponencial da probabilidade é: F(X) = e 0,14.2.4.6 ExercíciosExercício 19A media de durabilidade dos pneus é de µ = 36.500,00 km e desvio-padrão de σ = 5.000,00 km. Dos dadoscoletados observou-se que a Distribuição Normal é uma boa representação. Qual a porcentagem dos pneusque apresenta uma durabilidade superior a 40.000,00 km ?µ = 36.500,00 ; σ = 5.000,00 ; X = 40.000,00Para X = 40.000,00 ⇒ Z = (40.000 – 36.500)/ 5.000 = 0,70Pr(X > 40.000) = Pr(Z > 0,7) = 1 – Pr(Z < 0,70) = 1 - 0,7580 = 0,242 = 24,2%Exercício 20Na mesma questão anterior, Exercício 19, a empresa irá fornecer uma garantia na forma de desconto nareposição caso os pneus originais não ultrapassem a quilometragem estabelecida na garantia. Qual deve sera quilometragem da garantia de modo que no máximo 10% dos casos estejam dentro da garantia.µ = 36.500,00 ; σ = 5.000,00 ; Pr(X) Pr(Z) = 10%Para Pr(Z) = 10% ( -1,29 < Z < -1,28), pois 0,0985 < Pr(Z) < 0,1003Logo Z = -1,285 Para Z = -1,285 ⇒ X= µ - Z. σ ⇒ X= 36.500 - 1,285. 5.000 = 30.075 kmExercício 21Considerando o tempo para se carregar um caminhão na Doca. Se o tempo médio para carregar o caminhãoé de 15 minutos µ = 15. Qual a probabilidade de um carregamento levará entre 6 e 18 minutosPr(6 < X < 18) = Pr(X < 18) - Pr(X < 6) =( 1 − e −18 / 15 ) - ( 1 − e −6 / 15 ) = 0,6988 – 0,3297 = 0,3691 = 36,91%Exercício 22Em um determinado processo de fabricação aparecem em média 1 falha a cada 400 horas. Suponhamos quese quer estudar a distribuição do número de falhas que aparecerão em intervalos de 1.000 horas e qual aprobabilidade de ocorrerem 3 falhas.Dica: µ = λ.t , onde λ é freqüência de falhas e t o intervalo de observação. 1 falha a cada 400 horas equivalea uma média de 0,0025 falhas por hora (λ – freqüência). Em 1.000 horas (t – intervalo de estudo), teremosuma média (µ) = 1.000 x 0,0025 = 2,5 falhas.4.3 Aplicação da Confiabilidade á Previsão de Perdas O conceito de confiabilidade é o mesmo adotado em nosso cotidiano, no relacionamentointerpessoal. Uma pessoa de confiança é aquela que se pode contar sempre, que mantém aregularidade do seu comportamento, que acreditamos que não irá falhar com nós, que não é capaz de castrorpc@yahoo.com.br 60
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castronos causar danos ou prejuízos. Logo o conceito de falha está intimamente associado ao deconfiabilidade. Quanto menos um sistema falhar maior será sua confiabilidade. O estudo de confiabilidade entende-se que é o estudo estatístico das falhas, que ocorrem porcausa de algum defeito do programa. As falhas são evidentes, mas os erros responsáveis por taisfalhas, bem como as soluções para estas, não são. O estudo da previsão de perdas busca estabelecer modelos de confiabilidade que determinem umgrau de confiança com relação à correção do programa. Em sistemas produtivos abertos (cenário estudado pela Gestão de Risco), existe uma enormequantidade de influências varáveis não controláveis, o que nos leva a concluir que não existe sistemainfalível, ou seja, é permanente o risco de ocorrência de uma falha. Embora não exista a possibilidade de risco Zero, sua concepção teórica leva a umaconfiabilidade de 100% no sistema. Por outro lado, quando temos a certeza de que um sistema iráfalhar, o risco é de 100% e a confiabilidade no sistema é Zero. Assim, a confiabilidade (R) de um sistema funcionar sem falhas é igual ao complemento daprobabilidade de ocorrência de falhas (Q). R = 100% – Q. Logo se existir uma probabilidade de 4%de ocorrência de falha, também existirá uma confiabilidade de R = 100% - 4% = 96% no sistema. Deparamos-nos agora com um questionamento. Se em nosso senso comum sempre existirá aprobabilidade de falhas (Q = 100%), como definir qual o produto ou processo mais eficiente. Isso sóé possível se limitarmos o espaço de observação, seja no número de produtos ou no intervalo detempo. Essa noção é muito utilizada pela empresas ao estabelecer o prazo de garantia do produto, queé o prazo que o fabricante espera que o produto funcione sem quaisquer problemas. A freqüência com que acontecemas falhas num intervalo de tempo échamada de taxa de falhas e érepresentada por λ. Quando essa taxanão é constante busca-se uma funçãomatemática h(t) para representá-la. Já Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3sua representação gráfica, conhecidacomo curva da banheira é apresentadana Figura 9. Figura 9 – Curva da Banheira Computadores e componentes eletrônicos costumam apresentar função de risco dominada peloestágio de vida útil, c/ períodos curtos de mortalidade infantil e envelhecimento. Em equipamentos ecomponentes mecânicos, função de risco é dominada pelos estágios 1º e 3º da curva da banheira,sendo o estágio 2º, de vida útil, praticamente ausente. O 1º estágio é uma região de alta, porém decrescente, taxa de falha. As falhas são geralmenterelacionados a matérias-primas e operações de manufatura que não atendem às normas deespecificação (causas especiais). castrorpc@yahoo.com.br 61
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Para evitar falhas no 1º estágio deve-se adotar projetos detalhados, práticas de controle dequalidade na manufatura, ou burn in, que consiste no teste de unidades em condições normais de usopor período de tempo suficiente p/ que defeitos precoces sejam detectados e corrigidos antes dasfalhas. O 2º estágio representa a fase de vida útil, com a menor taxa de falha do gráfico,aproximadamente constante. Neste estágio as falhas são causadas por eventos aleatórios, designadaspor causas comuns e não-relacionadas a defeitos inerentes às unidades. Exemplo: sobrecargas de voltagem, vibração e impactos, aumentos na temperatura e umidadedurante a operação normal das unidades. Essas causas comuns podem ser reduzidas através damelhoria nos projetos dos produtos, tornando-os mais robustos. O 3º estágio representa a fase de envelhecimento, região de taxa de falha crescente, dominadapor falhas relacionadas ao desgaste da unidade. Exemplos: corrosão e trincas por fadiga. O aumentoda taxa de falha normalmente indica a necessidade de reposição de peças no produto, informandoacerca da duração aproximada de sua vida de projeto. Para amenizar intensidade do envelhecimento recomenda-se:• projeto de produtos c/ componentes e materiais mais duráveis,• práticas de manutenção preventiva e corretiva• controle de fatores ambientais de stress que possam intensificar a taxa de falha do produto. Antes de continuarmos vamos rever o conceito de defeito para a Teoria das Falhas. Dentro destaconcepção um defeito é um desvio da especificação, que pode ou não dar origem a uma falha.Exemplo: podemos ter um automóvel com um defeito na pintura (cores diferentes em partes quedeveriam ter cores iguais), o que não afeta o desempenho do veículo.4.3.1 Tipos de Falhas Ao classificar os tipos de falhas podemos fazer com diferentes enfoques apresentados a seguir: Enfoque diminuição da capacidade de operação o Falha total: uma lâmpada queimada perde completamente a função de iluminar. o Falha parcial: por exemplo, um rolamento de esferas defeituoso pode ainda operar durante algum tempo, apesar de ruidoso e com superaquecimento. Enfoque modo de evolução da falha o Falha catastrófica: um curto-circuito numa linha de transporte de energia elétrica ou um bloco motor de explosão quebrado. o Falha gradual: a alteração gradual da emissão catódica de um monitor de computador ou o desgaste na camisa de um cilindro de um motor diesel. Também denominadas falhas paramétricas. Enfoque duração da falha o Falha temporária: curto-circuito linha terra ou entre fases, devido a uma causa passageira. o Falha intermitente: mau contato no borne de um relé. castrorpc@yahoo.com.br 62
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro o Falha permanente: lâmpada queimada, bobina queimada. Enfoque dependência de componente o Falha dependente: quebra da roda devido ao estouro de um pneu. o Falha independente: mau contato no borne de um relé. Enfoque origem da falha o Falha intrínseca: a origem é do próprio componente. o Falha extrínseca: a origem é externa.4.3.2 Falhas Operacionais As falhas operacionais em um sistema costumam ser divididas em falhas humanas e deequipamentos. Embora os homens sejam mais suscetíveis às falhas, possuem uma maior capacidadede recuperar e corrigir as falhas ocorridas, evitando ou limitando as suas conseqüências. Existemcorrentes de estudiosos que afirmam não existirem falhas de equipamentos, uma vez que as máquinassão criadas pelos homens. Já outros pesquisadores, afirmam que os homens ao operaremequipamentos nunca são culpados. Longe dessa discussão, preferimos admitir que na análise deconfiabilidade qualquer tipo de falha deve ter a mesma importância e deverão ser analisadas combase no potencial do dano. Acredita-se que de 10% a 30% das falhas tem origem em erros humanos. No entanto, isso não éregra, no sistema de transporte automobilístico, essas taxas são altíssimas. Acontece erro humano,quando o operador age por negligência, imprudência ou imperícia. Para a realização de atividades humanas, geralmente, há um nível ótimo de tensão psicológicaque é relacionado à complexidade da tarefa. Quando o nível é baixo (tarefas fáceis) a desatenção edesmotivação levam a erros. Quando o nível é alto (tarefas muito difíceis) podem gerar estresse,desgaste e desmotivação. O erro humano pode ser classificado de várias formas. Para a Teoria das Falhas, umaclassificação divide os erros humanos em probabilísticos, sistemáticos e esporádicos. Os erros probabilísticos são geralmente representados por distribuições normais. A forma dediminuir esse tipo de erro é através de treinamentos mais específicos e uso de ferramentas maisprecisas. Os erros sistemáticos são geralmente representados por distribuições normais. Pode serocasionado por descalibração do equipamento ou instrumento ou por fatores psicológicos sutis dedifícil identificação e superação. Os erros esporádicos sãos os mais difíceis de controlar. Não apresentam uma razão aparente,sendo geralmente decorrentes de falta de atenção. A sua forma de controle é através dodesenvolvimento de um projeto para o posto de trabalho. Outra forma de classificar os erros é de acordo com a atuação do organismo e podem ser: depercepção, de decisão, ou de ação. castrorpc@yahoo.com.br 63
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro4.3.3 ExercícioExercício 23Identifiquem elementos críticos do seu sistema produtivo escolhido no Exercício 1 (materiais, equipamentos epessoal) onde deve haver grande atenção para que sejam evitadas falhas graves no processo de produção.4.3.4 Funções de Confiabilidade Em nosso estudo de Confiabilidade trabalharemos com as seguintes funções: • R(t): função de confiabilidade; – Probabilidade de não haver falha entre 0 e t; – R(t) = Pr(T ≤ t), t ≥ 0 – Pr(t < T < t + ∆t | T > t) = λ∆t ou F(t + ∆t) - F(t) – Pr(t < T < t + ∆t | T > t) = , indica confiabilidade condicionada R(t) – A função confiabilidade será sempre decrescente com o tempo, pois as probabilidades de sobrevivência de um componente sempre diminuem de acordo com a taxa de utilização e em razão dos mecanismos de desgaste e de fadiga. • F(t) = 1 - R(t): função de falhas acumuladas; – Probabilidade de haver falha entre 0 e t; • f(t): densidade acumulada de falhas; – Probabilidade de haver uma falha entre [t + Dt]; • h(t): função taxa de risco; – Probabilidade de, dado que não houve falhas até t, haja uma falha em [t + Dt]. – h(t) = f(t)/R(t) As funções matemáticas desenvolvidas para representar a taxa de falhas são chamadas deModelos de Risco. Existem seis modelos de risco, que combinados permite representar quasetotalidade dos mecanismos de risco existentes na prática. Os modelos de risco são: constante,crescente, decrescente, curva da banheira piecewise linear, função de potência e exponencial. A Função de risco constante é comum para componentes eletrônicos e é representada por h(t) = λ,de onde podemos tirar que R(t) = e- λt ; f(t) = λ e - λt , onde λ é uma constante e expresso porfalhas/unidade de tempo. A Função de risco crescente corresponde ao último estágio da curva da banheira, normalmenterepresentando por uma função não-linear. Pode-se simplificar através de uma equação linear dada porh(t) = λ t, onde λ é uma constante. É comum para componentes mecânicos, de onde podemos tirar,R(t) = e -λ (t 2 ) ; f(t) = λe -λ (t 2 ) . 2 2 castrorpc@yahoo.com.br 64
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro De forma análoga a Função de risco decrescente corresponde ao primeiro estágio, tambémrepresentado por uma função não-linear, que simplificada por uma equação linear é dada por h(t) = a- bt, onde a e b são constantes e a > bt. A Função de risco piecewise linear corresponde a um modelo linear da curva da banheira ébastante versátil, pois ajusta-se satisfatoriamente a funções de risco calculadas empiricamente. OModelo oferece aproximação linear da curva da banheira, tipicamente não-linear.4.3.5 Variáveis Quantitativas O estudo da Teoria das Falhas permite medir: Com que freqüência ocorrem defeitos? failure rate (λ) , hazard function - h(t)A fórmula ao lado representada a freqüência ou taxa de falhas, onde k é o número de kfalhas observadas durante o intervalo ∆t e n é a população de equipamentos que está λ=sendo analisada. De onde pode-se concluir também que: k = λ x n x ∆t n∆t Qual o tempo entre um defeito e outro? MTBF - mean time between failure Representa uma pequena diferença numérica pequena em relação à MTBF = MTTF + MTTR ouMTTF, pois geralmente os tempos de operação são geralmente muito ∆d i MTBF = ∑i =1 Nmaiores que os tempos de reparo. Na prática valores numéricosmuito aproximados (tanto faz usar um como outro). N Qual o tempo até o primeiro defeito? MTTF - mean time to failure Sistemas idênticos Um único sistemaConsiderando-se N sistemas idênticos colocados O procedimento é semelhante, substituindo ti porem operação a partir do tempo t=0, mede-se o ∆ti , o intervalo de tempo em operação entre ostempo de operação ti de cada um até apresentardefeito. MTTF é o tempo médio de operação. defeitos. ti ∆ti MTTF = ∑i =1 MTTF = ∑i=1 N N N N ou MTTF = 1/λ considerando a função de risco constante. Qual o tempo gasto para reparar cada defeito? MTTR - mean time to repair R ∑ NÉ uma variável difícil de ser estimada. Geralmente usa-se a injeção de falhas, MTTR = i =1 ique consiste em provocar uma falha de cada vez e mede-se o tempo. Desta Nforma calcula-se MTTR como a média dos reparos. Simplificando, pode-se calcular µ (número dereparos/hora). De onde se conclui que MTTR = 1/ µ Qual a probabilidade de um sistema estar funcionando em um determinado momento? Este questionamento nos leva ao conceito de disponibilidade, pois há a possibilidade do sistemaestá em funcionamento ou em reparo. Observe pela fórmula apresentada a seguir que quanto menoro tempo de reparo maior a disponibilidade. A(t) = MTTF / (MTTF + MTTR) castrorpc@yahoo.com.br 65
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Qual a estimativa de tempo até a ocorrência de falha em x% da população? Em processos de manutenção preventiva costuma-se fazer a planificação das intervenções combase em intervalos de tempos pré-estabelecidos. Estes intervalos em algumas análises são empíricos enão levam em consideração as distribuições dos tempos para falha dos componentes. Uma das opções para a definição destes intervalos é a utilização de estimativas de tempos até aocorrência de falha de uma determinada porcentagem da população de componentes. 1  1   1  t% =  1 − p  = MTTF ln 1 − p  ln    λ     Quais as chances do sistema funcionar sem defeitos durante um período de tempo? É dada por R(t): função de confiabilidade, que expressa a probabilidade de não haver falha entre R(t) = e- λt . Já para falhas mecânicas R(t) = e -λ (t 2 ) . 20 e t. Para falhas eletrônicas4.3.6 Análise de Sistemas de Confiabilidade Para analisar a confiabilidade de sistemas é precisar tratar os processos, etapas, tarefas como umseqüenciamento lógico nos valendo de métodos analíticos. Os métodos analíticos mais comuns são osde Combinação e o Markov. Em nosso curso analisaremos apenas o Método Analítico de Combinação que envolve osconceitos de sistemas em série e em paralelo. Calcula-se inicialmente a confiabilidade de cadaprocesso, etapa, tarefa. Em seguida analisa-se a condição do sistema (paralelo ou série), aplicando-seas fórmulas de confiabilidade resultante. Sistema em série: R(T) = R(1) x R(2) x R(3) ...... R(n) Neste tipo de sistema cada elemento no sistema deve operar corretamente para o sistema operarcorretamente. A confiabilidade R(T) indica a probabilidade que nenhum elemento apresente falha ouprobabilidade que todos os componentes operem corretamente. Sistema em paralelo: R(T) = 1 - Q(1) x Q(2) x Q(3) ...... Q(n) Q(T) = Q(1) x Q(2) x Q(3) ...... Q(n) Neste tipo de sistema apenas um elemento no sistema precisa operar corretamente para o sistemaoperar corretamente.EXEMPLO:Dados os valores de confiabilidade de cada etapa em um processo produtivo: R1 = 0,90; R2 = 0,80;R3 = 0,85; R4 = 0,75; R5 = 0,70; R6 = 0,95; R7 = 0,80; R8 = 0,85. Calcule a confiabilidade dosistema. castrorpc@yahoo.com.br 66
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroR(T) = R(A) x R(B) x R(C) x R(D)Como: R(A)=R(1); R(B)=R(2) e R(D)=R(8)R(T) = 0,9 x 0,8 x 0,85 x R(C)R(T) = 0,612 x R(C)Calculando R(C), temos:R(C) = 1- [Q(3) x Q(4) x Q(E)], onde: FQ(3) = 1 - R(3) = 1 – 0,85 = 0,15Q(4) = 1 - R(4) = 1 – 0,75 = 0,25Q(E) = 1 - R(E)Substituindo em R(C), temos:R(C) = 1- [0,15 x 0,25x (1 - R(E)) ] R(E) = 0,70 x R(F)R(C) = 1- [0,0375 x (1 - R(E)) ] R(E) = 0,70 x 0,99Calculando agora R(E), temos: R(E) = 0,693, com R(E), podemos calcular R(C):R(E) = R(5) x R(F) = 0,70 x R(F) R(C) = 1- [0,0375 x (1 - R(E)) ]R(F) = 1 – (Q(6) x Q(7)) R(C) = 1- [0,0375 x (1 – 0,693]Q(6) = 1 - R(6) = 1 – 0,95 = 0,05 R(C) = 0,988. Finalmente podemos encontrar R(T):Q(7) = 1 - R(7) = 1 – 0,80 = 0,20 R(T) = 0,612 x R(C)R(F) = 1 – (0,05 x 0,20) R(T) = 0,612 x 0,988R(F) = 0,99, substituindo R(F) em R(E): R(T) = 0,604954 = 60,49%4.3.7 Tratamento de Falhas Na metodologia de tratamento das falhas, pode-se previnir, remover ou absorver (Tolerância). Aprevenção e remoção de falhas não são suficientes quando o sistema exige alta confiabilidade ou altadisponibilidade (sistemas computacionais). Nesses casos o sistema deve ser construído usandotécnicas de tolerância a falhas. Essas técnicas garantem funcionamento correto do sistema mesmo naocorrência de falhas e são todas baseadas em redundância, exigindo componentes adicionais oualgoritmos especiais. Tolerância a falhas não dispensa as técnicas de prevenção e remoção. Sistemasconstruídos com componentes frágeis e técnicas inadequadas de projeto não conseguem serconfiáveis pela simples aplicação de tolerância a falhas.4.3.8 ExercíciosExercício 24Em um determinado processo de fabricação aparecem em média 5 falha a cada 100 horas. Constatou-seainda que a equipe de manutenção realiza 50 reparos por hora. Analisando a confiabilidade do sistema,calcule MTTR, MTTF e MTBFλ = 5 falhas/100horas = 0,05 → MTTF = 1/0,05 = 20 horas castrorpc@yahoo.com.br 67
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroµ = 50 reparos/hora → MTTR = 1/50 = 0,02 horasMTBF = 20 + 0,02 =20,02 horasExercício 25 -3Sabido que a taxa de falha h(t) de um componente é constante e igual a 2,99x10 falhas/dias, e que o tempode operação acumulado do componente é de aproximadamente 175 dias, pede-se calcular:a. O parâmetro λ da função confiabilidade. -3h(t) = λ = 2,99x10 falhas/diasb. O MTTF do componente. -3MTTF = 1/ λ → MTTF = 1/2,99x10 → MTTF = 334,44 diasc. A probabilidade de que o componente sobreviva por mais 100 dias.R(100) = Pr(T ≤ 100), t ≥ 0R(t) = e- λt → R(100) = e -0,299 → R(100) = 0,7415 = 74,15%d. Caso o componente tenha sobrevivido aos 100 dias citados no item 3, qual a probabilidade de quesobreviva ainda por mais 100 dias?Pr(t < T < t + ∆t | T > t) = λ∆tPr(100 < T < 100 + 100 | T > 100) = 2,99x10-3x102 = 0,299 = 29,9%e. O que é possível notar quando se faz a comparação entre as respostas dos itens 3 e 4?Pode-se concluir que o desgaste produzido pelos primeiros 100 dias de operação foram significativos naestimativa da confiabilidade do sistema para os próximos 100 dias.Exercício 26Durante 12 meses foram analisados 10 unidades de geração de água gelada, cada uma contendo umelemento compressor, e este contendo 2 conjuntos de mancais flutuantes os quais apresentaram 19 falhaspor desgaste no decorrer do período.Com base nestes dados calcular a taxa de falha individual, o MTTF de cada conjunto de mancais flutuantes ea quantidade provável de itens que deverão falhar nos próximos 30 dias. Considerar que as unidades operamcada uma 16 horas por dia.1. Cálculo do intervalo de tempo de observação: ∆t = 12 meses x 30 dias/mês x 16 horas/dia = 5.760 horas2. Cálculo da taxa de falha individual do conjunto de mancais: k 19λ= → λ = → λ = 1,65 x 10-4 falhas/hora n∆t 2 x10 x5.7603. Cálculo do MTTF do conjunto de mancais: -4MTTF =1/ λ → MTTF =1/ 1,65 x 10 → MTTF =6.060 horas4. Cálculo do número provável de falhas em 30 dias:k = λ x n x ∆t -4k30 = 2 x 10 x 1,65 x 10 x 30 x16 = 1,58 falhasExercício 27 castrorpc@yahoo.com.br 68
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroUm fabricante de equipamentos realizou um teste em bancada de 5 cilindros hidráulicos com especificaçõesidênticas e notou que as unidades de 1 a 5 falharam após períodos de 600 horas, 650 horas, 655 horas, 850horas e 1.050 horas respectivamente. Com base nestes dados pede-se calcular:a. A taxa de falha do componente, assumindo-se que os tempos para falha estão distribuídosexponencialmente.λ = 1/MTTF → λ = 1/761 → λ = 0,001314 falhas/horab. O MTTF do componente. ti 600 + 650 + 655 + 850 + 1050MTTF = ∑i =1 N → MTTF = → MTTF = 761 horas N 5c. O número de falhas esperados para um equipamento equipado com 12 destes componentes em umperíodo de 200 horas (k200).k = λ x n x ∆tk30 = 0,001314 x 12 x 200 = 3,1537 falhasExercício 28Para as 19 falhas por desgaste observadas nas unidades de geração de água gelada do exemplo anteriorforam registrados os seguintes valores em horas para os TTRi: 10, 5, 2, 12, 1, 7, 10, 7, 7, 4, 10, 13, 1,5, 3, 8,2, e 9. Com base nestes valores calcular o MTTR. Ri 10 + 5 + 2 + 12 + 1 + 7 + 10 + 7 + 7 + 4 + 10 + 13 + 1 + 5 + 3 + 8 + 2 + 9MTTR = ∑i =1 MTTR = N → N 19MTTR ≈ 6,1 horasExercício 29Sabendo-se que um determinado componente possui MTTF e MTTR iguais a 250 e 4,5 horasrespectivamente, qual o seu impacto na disponibilidade média A% do conjunto?A(t) = MTTF / (MTTF + MTTR)A(t) = 250 / (250 + 4,5)A(t) = 98,23%, impacto de 1,77%Exercício 30A definição do intervalo de manutencão preventiva de um determinado componente pretende ser feita combase na estimativa do tempo até a falha de 10% da população do mesmo (p = 10%). A taxa de falha estimada -4para o componente é de aproximadamente 1,22x10 falhas/hora. Determinar t10% 1  1   1  1  1 t% =  1 − p  = MTTF ln 1 − p  ln    t10% = ln  ≅ 863,00horas λ     1,22 x10 −4  1 − 10% Exercício 31 Calcule a confiabilidade dos seguintes sistemas: castrorpc@yahoo.com.br 69
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa)b)4.4 Avaliação de Risco Como já estudamos, o Risco tem varias conotações, em estudos estatísticos e probabilísticos, anoção de risco está relacionada à incerteza quanto a ocorrência de um determinado evento. Nestecontexto, existe o risco objetivo e o subjetivo. Nos estudos estatísticos, o risco objetivo é definido pelas medidas de dispersão (amplitude,desvio-padrão e coeficiente de variação). Já os riscos subjetivos estão relacionados com a percepçãodo gerente de risco sobre a incerteza de um evento. Essa percepção tem base na postura comportamental de cada gerente de risco, sendo consideradaotimista ou pessimista. O profissional otimista percebe pouco perigo ou incerteza no resultado de umevento. Já o pessimista exige altas possibilidades de sucesso para se submeter aos riscos e mesmocontrolando uma grande quantidade de variáveis que lhe permite prevê com exatidão os riscos, aoinvés de adotar o auto-seguro, prefere transferir o risco a um seguro. Da mesma forma o otimista,mesmo controlando um pequeno número de variáveis, percebe pouco risco, quando na verdade é altoe adota o auto-seguro de forma errada. Há situações práticas em que o risco objetivo seja baixo, mas o subjetivo seja alto, e vice-versa. Nos estudos probabilísticos, o risco subjetivo está relacionado ao grau de confiança ou aestimativa pessoal quanto à possibilidade de ocorrência de um evento.5 - Técnicas de Análise de Riscos: Análise Preliminar de Riscos. Análise de Modos deFalhas e Efeito. Série de Risco. Análise de Árvore de Falhas. Conforme foi descrito em tópicos anteriores, o conforto e o desenvolvimento trazidos pelaindustrialização produziram também um aumento considerável no número de acidentes, ou ainda dasanormalidades durante um processo devido a obsolescência de equipamentos, máquinas cada vezmais sofisticadas, etc. castrorpc@yahoo.com.br 70
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Com a preocupação e a necessidade de dar maior atenção ao ser humano, principal bem de umaorganização, além de buscar uma maior eficiência, nasceram primeiramente o Controle de Danos, oControle Total de Perdas e por último a Engenharia de Segurança de Sistemas. Esta última, surgida com o crescimento e necessidade de segurança total em áreas comoaeronáutica, aeroespacial e nuclear, trouxe valiosos instrumentos para a solução de problemas ligadosà segurança. Com a difusão dos conceitos de perigo, risco e confiabilidade, as metodologias etécnicas aplicadas pela segurança de sistemas, inicialmente utilizadas somente nas áreas militar eespacial, tiveram a partir da década de 70 uma aplicação quase que universal na solução deproblemas de engenharia em geral. As principais técnicas difundidas pela Engenharia de Segurança de Sistemas classificadassegundo a finalidade a que se propõem, são descritas neste tópico. Existem várias técnicas de análise de risco, tais como: a série de risco, a análise preliminar derisco, a análise e revisão de critérios, a análise da missão, os diagramas e análise de fluxo, omapeamento, a análise do ambiente, a análise de modo de falhas e efeitos, análise de componentescríticos, a técnica de incidentes críticos, a análise de procedimentos, a análise de contingências e aanálise de árvore de falhas. Dentre estas existem técnicas para: Identificação de perigo: o Técnica de Incidentes Críticos (TIC) e o What-If (Wi) Técnicas de Análise de Riscos: o Análise Preliminar de Riscos (APR) o Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) o Análise de Operabilidade de Perigos (HAZOP) Técnicas de Avaliação de Riscos o Análise de Árvore de Eventos (AAE) o Análise por Diagrama de Blocos (ADB) o Análise de Causas e Conseqüências (ACC) o Análise de Árvore de Falhas (AAF) O uso adequado das técnicas de análise de risco é função de algumas particularidades de cadatécnica e da experiência do Gerente de Risco, podendo fazer uso de mais de uma ferramenta aomesmo tempo. De forma mais esquemática a Figura 9 apresenta as técnicas de Análise de Risco e em que fasedevem ser aplicadas dentro da Gestão de Risco. castrorpc@yahoo.com.br 71
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro . IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS WI - TIC . ANÁLISE DE RISCOS APR – AMFE - HAZOP . AVALIAÇÃO DE RISCOS AAE – ADB – ACC - AAF . . PREVENÇÃO FINANCIAMENTO . . . . . Eliminação Redução Auto-seguro Auto-adoção Transferência p/ Terceiros do Risco do Risco Figura 9 – Política de Gestão de Risco x Técnicas Já a Tabela 4, diferencia as técnicas que produzem resultados qualitativos das que apresentamresultados quantitativos. As análises qualitativas costumam apresentar muita subjetividade em seusresultados e necessitando conhecimento do sistema em estudo e de experiência do Gerente de Risco. TÉCNICA ANÁLISE E RESULTADOSSR – Série de Riscos QualitativaAPP – Análise Preliminar de Riscos (APR) QualitativaWIC – What – If / Checklist QualitativaTIC – Técnica de Incidentes Críticos QualitativaHAZOp – Estudo de Operabilidade e Riscos QualitativaAMFE – Análise de Modos de Falhas e Efeitos Qualitativa e QuantitativaAAF – Análise de Árvore de Falhas Qualitativa e QuantitativaAAE – Análise de Árvore de Eventos Qualitativa e Quantitativa Tabela 4 – Classificação das Técnicas de Análise de Risco Com tantas técnicas de análise de risco nos vem uma dúvida a mente. Qual a melhoraplicabilidade para cada técnica. A Tabela 5 apresenta as técnicas e algumas de suas aplicabilidades.Aplicação Checklist What-If APR AMFE HazopIdentificação de desvios em relação às boas práticas X XIdentificação de perigos genéricos X XIdentificação de causas básicas (eventos iniciadores) X X XProposição de medidas mitigadoras dos riscos X X Tabela 5 – Aplicabilidade de Algumas Técnicas de Análise de Risco5.1 Técnicas de Identificação de perigo5.1.1 Técnica de Incidentes Críticos (TIC) É um método para identificar erros e condições inseguras que contribuem para a ocorrência deacidentes com lesões reais e potenciais, com grande potencial, principalmente naquelas situações em castrorpc@yahoo.com.br 72
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroque se deseja identificar perigos sem a utilização de técnicas mais sofisticadas e ainda, quando otempo é restrito. A técnica tem como objetivo a detecção de incidentes críticos e o tratamento dos riscos que osmesmos representam. Para isso utiliza-se de uma equipe de entrevistados representativa dentre osprincipais departamentos da empresa, procurando representar as diversas operações da mesma dentrodas diferentes categorias de risco. Um entrevistador os interroga e os incita a recordar e descrever osincidentes críticos, ou seja, os atos inseguros que tenham cometido ou observado, e ainda condiçõesinseguras que tenham lhes chamado a atenção. Os entrevistados devem ser estimulados a descrever tantos incidentes críticos quantos possamrecordar, sendo necessário para tal colocar a pessoa à vontade. A existência de um setor de apoiopsicológico seria de grande utilidade durante a aplicação da técnica. Os incidentes pertinentes, descritos pelos entrevistados, devem ser transcritos e classificados emcategorias de risco, definindo a partir daí as áreas-problema, bem como a priorização das ações para aposterior distribuição dos recursos disponíveis, tanto para a correção das situações existentes comopara prevenção de problemas futuros. A técnica deve ser aplicada periodicamente, reciclando os entrevistados a fim de detectar novasáreas-problema, e ainda para aferir a eficiência das medidas já implementadas. Estudos realizados por William E. Tarrants apud DE CICCO e FANTAZZINI (1994c) revelamque a TIC detecta fatores causais, em termos de erros e condições inseguras, que conduzem tanto aacidentes com lesão como a acidentes sem lesão e ainda, identifica as origens de acidentespotencialmente com lesão. Assim sendo, a técnica descrita, por analisar os incidentes críticos, permite a identificação eexame dos possíveis problemas de acidentes antes do fato, ao invés de depois dele, tanto em termosdas conseqüências com danos à propriedade como na produção de lesões.5.1.2 What-If (WI) ou E se...? O procedimento What-If é uma técnica de análise geral, qualitativa, cuja aplicação é bastantesimples e útil para uma abordagem em primeira instância na detecção exaustiva de riscos, tanto nafase de processo, projeto ou pré-operacional, não sendo sua utilização unicamente limitada àsempresas de processo. A técnica se desenvolve através de reuniões entre duas equipes, promovendo questionamentosatravés de suposições E se....?. Os questionamentos englobam procedimentos, instalações, processoda situação analisada e podem ser livres ou sistemáticos. No questionamento livre as perguntaspodem ser totalmente desassociadas. Já no sistemático, o objetivo das perguntas é focado em pontosespecíficos como um martelo. A equipe questionadora é a conhecedora e familiarizada com o sistema a ser analisado, devendoformular uma série de quesitos com antecedência, com a finalidade de guia para a discussão. Autilização periódica do procedimento é o que garante o bom resultado do mesmo no que se refere àrevisão de riscos do processo. A aplicação do What-If envolve o estudo de possíveis desvios e resulta num largo espectro deriscos, bem como a geração de possíveis soluções para os problemas levantados, além disso, castrorpc@yahoo.com.br 73
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroestabelece um consenso entre as áreas de atuação como produção, processo e segurança quanto àforma mais segura de operacionalizar a planta. O relatório do procedimento fornece também ummaterial de fácil entendimento que serve como fonte de treinamento e base para revisões futuras. DE CICCO e FANTAZZINI (1994b) sugerem alguns passos básicos quando da sua aplicação:a) Formação do comitê de revisão: montagens das equipes e seus integrantes;b) Planejamento prévio: planejamento das atividades e pontos a serem abordados na aplicação datécnica;c) Reunião Organizacional: com a finalidade de discutir procedimentos, programação de novasreuniões, definição de metas para as tarefas e informação aos integrantes sobre o funcionamento dosistema sob análise;d) Reunião de revisão de processo: para os integrantes ainda não familiarizados com o sistema emestudo;e) Reunião de formulação de questões: formulação de questões "O QUE - SE...", começando doinício do processo e continuando ao longo do mesmo, passo a passo, até o produto acabado colocadona planta do cliente;f) Reunião de respostas às questões (formulação consensual): em seqüência à reunião deformulação das questões, cabe a responsabilidade individual para o desenvolvimento de respostasescritas às questões. As respostas serão analisadas durante a reunião de resposta às questões, sendocada resposta categorizada como: - resposta aceita pelo grupo tal como submetida; - resposta aceitaapós discussão e/ou modificação; - aceitação postergada, em dependência de investigação adicional.O consenso grupal é o ponto chave desta etapa, onde a análise de riscos tende a se fortalecer;g) Relatório de revisão dos riscos do processo: o objetivo é documentar os riscos identificados narevisão, bem como registrar as ações recomendadas para eliminação ou controle dos mesmos.EXEMPLO: Identificação de perigos em uma Confraternização da empresa. E se...? Perigo/Conseqüência Medida de controle de risco e de emergênciaVierem mais pessoas Falta de espaço, bebida e comida. Solicitar confirmação comque o esperado? antecedência, individualizar convites, prever folga de alimentos.As pessoas não Desagradar amigos, clima de insatisfação, Anexar mapa aos convites,encontrarem o local da não receber presentes, perder alimentos. acrescentar número de telefone.festa?Chover? Dificuldade na chegada, de acomodações Adquirir guarda-chuva grande, em área coberta. prever área coberta para todos os convidadosFaltar energia? Paralisar a festa. Alugar gerador.5.1.3 Análise e Revisão de Critérios (ARC) É uma análise geral e qualitativa, ideal como primeira abordagem na análise de riscos,principalmente em processos. É recomendada mesmo antes da APR vista no item 5.1. castrorpc@yahoo.com.br 74
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro É utilizada como ferramenta de apoio metodológico na identificação de tratamentos de riscos econsiste na revisão de todos os documentos (especificações, normas, códigos, regulamentos, etc.)referente ao objeto em estudo, a partir do qual devem ser elaborados checklists. O checklist é procedimento de revisão de riscos de processos capaz de: relacionar uma grandequantidade de risco; estabelecer um consenso entre as áreas de atuação envolvidas (produção,planejamento, segurança); emitir relatórios objetivos. Os ckecklist são elaborados através de reuniões e brainstorning entre os stakeholders com oobjetivo de identificar riscos e gerar soluções. A integração entre os diferentes setores permite umamaximização dos resultados.Nota: O brainstorming (ou "tempestade cerebral"), mais que uma técnica de dinâmica de grupo, éuma atividade desenvolvida para explorar a potencialidade criativa do indivíduo, colocando-a aserviço de seus objetivos.Stakeholders é parte interessada ou interveniente, refere-se a todos os envolvidos num processo, porexemplo, clientes, colaboradores, investidores, fornecedores, comunidade etc.5.2 Técnicas de Análise de Riscos5.2.1 Análise Preliminar de Riscos (APR) ou Análise Preliminar de Perigos (APP) ou Preliminary Hazard Analysis (PHA) Essa técnica consiste na primeira abordagem sobre o objeto de estudo, dai chamar-se preliminar.Seu foco de atuação consiste no estudo, durante a fase de concepção ou desenvolvimento prematurode um novo sistema, com o fim de se determinar os riscos que poderão estar presentes na sua faseoperacional, não sendo uma boa ferramenta para controle dos riscos. É uma análise do tipo qualitativa, desenvolvida na fase de projeto e desenvolvimento de qualquerprocesso, produto ou sistema, possuindo especial importância na investigação de sistemas novos dealta inovação e/ou pouco conhecidos, ou seja, quando a experiência em riscos na sua operação écarente ou deficiente. Podendo ainda ser aplicada em unidades já em operação, permitindo, nessecaso, a realização de uma revisão dos aspectos de segurança existentes. A melhor forma de controledas medidas recomendadas pela APR é através de uma Lista de Verificação. Atua sobre os possíveis eventos perigosos ou indesejáveis capazes de gerar perdas na fase deexecução do projeto. Com base em uma APR obtêm-se uma listagem de riscos com medidas decontrole a serem adotadas. Permite ainda estabelecer responsabilidades no controle de risco, o que éuma medida de grande importância na Gestão de Riscos. Como a APR é realizada em estágios iniciais do projeto, a falta de informações detalhadas sobreo projeto pode omitir riscos que somente serão detectados em fases avançadas do projeto, o que podeacarretar custos e prejuízos não previstos inicialmente. Devido à superficialidade a APR possui custos baixos de realização. A APR não é uma técnica aprofundada de análise de riscos e geralmente precede outras técnicasmais detalhadas de análise, já que seu objetivo é determinar os riscos e as medidas preventivas antesda fase operacional. castrorpc@yahoo.com.br 75
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A APR tem grande utilidade no seu campo de atuação, porém, como já foi enfatizado, necessitaser complementada por técnicas mais detalhadas e apuradas. Em sistemas que sejam já bastanteconhecidos, cuja experiência acumulada conduz a um grande número de informações sobre riscos,esta técnica pode ser dispensada, neste caso, partir-se diretamente para aplicação de outras técnicasmais específicas.5.2.1.1 Metodologia A metodologia consiste na realização das seguintes atividades:a) Descrição do objeto de forma a definir todas as etapas, estabelecendo se necessário diagrama como fluxo operacional. Exemplo: translado (casa – aeroporto) – check-in – viagem aérea – translado(aeroporto – hotel) – check-in Hotel;b) Seleção da etapa ou sub-etapa de estudo. Exemplo: translado (casa – aeroporto);c) Seleção do evento perigoso ou indesejável. Exemplo: atrasar-se no deslocamento ao aeroporto;d) Identificação das possíveis causas do evento. Exemplo: quebra do carro, sair atrasado, trânsitocongestionado, não conseguir táxi;e) Identificação das conseqüências do evento: correria, pouco tempo para despedida, perder o vôo;f) A priorização das ações é determinada pela categorização dos riscos, ou seja, quanto maisprejudicial ou maior for o risco, mais rapidamente deve ser solucionado;g) Estabelecimento das medidas de controle de riscos e de emergências. Exemplo: sair comantecedência, marcar previamente o táxi, verificar as horas de rush, fazer check-list de viagem;h) Estabelecimento dos responsáveis pelas ações preventivas e corretivas;i) Repetição das letras de “c” à “g”para outros eventos;j) Repetição das letras de “b” à “g”para outras etapas ou sob-etapas. No intuito de facilitar a fase de avaliação das conseqüências sugerimos a classificação dada pelanorma militar norte-americana MIL-STD-882A apresentada na Tabela 6, que pode ser maisdetalhada de acordo com o gerente de risco. Grau Tipo Conseqüência I A falha não irá resultar numa degradação maior do sistema, nem irá DESPREZÍVEL produzir danos funcionais ou lesões, ou contribuir com um risco ao sistema. II MARGINAL OU A falha irá degradar o sistema, porém sem envolver danos maiores ou LIMÍTROFE lesões, podendo ser compensada ou controlada adequadamente. III A falha irá degradar o sistema, causando lesões, danos substanciais, ou irá CRÍTICA resultar num risco inaceitável, necessitando ações corretivas imediatas. IV A falha irá produzir severa degradação do sistema, resultando em sua CATASTRÓFICA perda total, lesões ou mortes. Tabela 6 – Categorias de Riscos Outra classificação freqüentemente encontrada em estudos de APR é de: desprezível, menor,moderado, sério e crítico. castrorpc@yahoo.com.br 76
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroEXEMPLO: Sistema de corte de vergalhões de aço Medidas Preventivas Risco Causa Conseqüências Categoria e/ou Corretivas - Fazer aterramento - Instalações precárias - Proteger as instalações (desemcapada) - Equipamento e os cabos Choque - Falta de aterramento danificado IV - Usar EPI - Excesso de umidade - Lesão ou morte - Mnt dos eqp regular -Falha na operação - Treinar operadores - Usar EPI - Surdez - Mnt dos eqp regular Falta de manutenção, Ruído temporária ou III - Diminuir o tempo de isolamento inadequado definitiva exposição - Troca por eqp moderno - Queimaduras - Contato do disco com Fagulhas - Contato com os III - Usar EPI e EPC o vergalhão olhos Contato com o Falta de proteção no - Usar EPI e EPC Corte/amputação IVponto de operação ponto de operação - Treinar operadores - Altura inadequada da Postura bancada - Dores - Adequar equipamentos II inadequada - Manuseio inadequado musculares - Treinar operadores - Esforço físico De acordo com o Gerente de Risco, podem ser inseridas outras colunas, tais como: naturezado risco, responsável pelas medidas preventivas e/ou corretivas, atividade, probabilidade.5.2.2 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) ou Failure Modes and Effects Analysis (FMEA) A metodologia AMFE é uma ferramenta que busca, em princípio, evitar, por meio da análise dasfalhas potenciais e propostas de ações de melhoria, que ocorram falhas no projeto do produto ou doprocesso. Este é o objetivo básico desta técnica, ou seja, detectar falhas antes que se produza umapeça e/ou produto. A AMFE compreende uma análise detalhada do sistema, podendo ser qualitativa ou quantitativa,com foco em seus componentes e que permite analisar as maneiras pelas quais um equipamento ousistema pode falhar e os efeitos que poderão advir para o sistema, para o meio ambiente, e para opróprio componente. Com o AMFE é possível ainda estimar as taxas de falha, propiciado oestabelecimento de mudanças e alternativas que possibilitem uma diminuição das probabilidades defalha, aumentando a confiabilidade do sistema. A confiabilidade é uma dimensão da qualidade que tem se tornado cada vez mais importantepara os consumidores, pois, a falha de um produto, mesmo que prontamente reparada pelo serviço deassistência técnica e totalmente coberta por termos de garantia, causa, no mínimo, uma insatisfaçãoao consumidor ao privá-lo do uso do produto por determinado tempo. Além disso, cada vez mais sãolançados produtos em que determinados tipos de falhas podem ter consequências drásticas para oconsumidor, tais como aviões e equipamentos hospitalares nos quais o mal funcionamento podesignificar até mesmo um risco de vida ao usuário. castrorpc@yahoo.com.br 77
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro De acordo com HAMMER (1993), a confiabilidade é definida como a probabilidade de umamissão ser concluída com sucesso dentro de um tempo específico e sob condições específicas. AAMFE foi desenvolvida por engenheiros de confiabilidade para permitir aos mesmos, determinar aconfiabilidade de produtos complexos. Para isto é necessário o estabelecimento de como e quãofreqüentemente os componentes do produto podem falhar, sendo então a análise estendida paraavaliar os efeitos de tais falhas. A AMFE é realizada primeiramente de forma qualitativa, quer na revisão sistemática dos modosde falha do componente, na determinação de seus efeitos em outros componentes e ainda nadeterminação dos componentes cujas falhas têm efeito crítico na operação do sistema, sempreprocurando garantir danos mínimos ao sistema como um todo. Posteriormente, pode-se proceder àanálise quantitativa para estabelecer a confiabilidade ou probabilidade de falha do sistema ousubsistema, através do cálculo de probabilidades de falhas de montagens, subsistemas e sistemas, apartir das probabilidades individuais de falha de seus componentes, bem como na determinação decomo poderiam ser reduzidas estas probabilidades, inclusive pelo uso de componentes comconfiabilidade alta ou pela verificação de redundâncias de projeto. Para proceder ao desenvolvimento da AMFE ou de qualquer outra técnica, diferentemente daAPR e da TIC, é primordial que se conheça e compreenda o sistema em que se está atuando e qual afunção e objetivos do mesmo, as restrições sob as quais irá operar, além dos limites que podemrepresentar sucesso ou falha. O bom conhecimento do sistema em que se atua é o primeiro passo parao sucesso na aplicação de qualquer técnica, seja ela de identificação de perigos, análise ou avaliaçãode riscos. Conhecido o sistema e suas especificidades, pode-se dar seguimento a análise, cabendo àempresa idealizar o modelo que melhor se adapte a ela. Em um produto podem existir certos componentes ou conjunto deles que sejam especificamentecríticos para a missão a que se destina o produto ou para a segurança do operador. Portanto, deacordo com HAMMER (1993), a estes componentes críticos deve ser dada especial atenção, sendomais completamente analisados do que outros. A análise, similar a AMFE, que se preocupa com aanálise detalhada destes componentes críticos é conhecida como Análise de Criticalidade e Modos deFalha (FMECA – Failure Modes an Criticality Analysis). Tanto a AMFE como a FMECA são bastante eficientes quando aplicadas a sistemas maissimples e de falhas mais singelas, porém, quando a complexidade é maior, recomenda-se o uso deoutras técnicas, como por exemplo a Análise de Árvore de Falhas. Uma forma de se fazer o controle do resultado destas medidas é pelo próprio formulário FMEApor meio de colunas que onde ficam registradas as medidas recomendadas pelo grupo, nome doresponsável e prazo, medidas que foram realmente tomadas e a nova avaliação dos riscos. O formulário FMEA é um documento “vivo”, ou seja, uma vez realizada uma análise para umproduto/processo qualquer, esta deve ser revisada sempre que ocorrerem alterações nesteproduto/processo específico. Além disso, mesmo que não haja alterações deve-se regularmenterevisar a análise confrontando as falhas potenciais imaginadas pelo grupo com as que realmente vêmocorrendo no dia-a-dia do processo e uso do produto, de forma a permitir a incorporação de falhasnão previstas, bem como a reavaliação, com base em dados objetivos, das falhas já previstas pelogrupo. castrorpc@yahoo.com.br 78
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.2.2.1 Objetivos do AMFE Apesar de ter sido desenvolvida com um enfoque no projeto de novos produtos e processos, ametodologia FMEA, pela sua grande utilidade, passou a ser aplicada de diversas maneiras, tais como: Revisão sistemática dos modos de falhas de um componente para garantir danos mínimos aosistema; Determinação dos efeitos que tais falhas terão em outros componentes do sistema; Determinação dos componentes cujas falhas teriam efeito crítico na operação do sistema (falhas deefeito crítico); Cálculo da probabilidade de falhas de montagem, subsistemas e sistemas, a partir da probabilidadede falha de seus componentes; Determinação de como podem ser reduzidas as probabilidades de falhas de componentes,montagens e subsistemas, através do uso de componentes com confiabilidade alta.5.2.2.2 Aplicação da AMFE Pode-se aplicar a análise AMFE nas seguintes situações: para diminuir a probabilidade da ocorrência de falhas em projetos de novos produtos ou processos; para diminuir a probabilidade de falhas potenciais (ou seja, que ainda não tenham ocorrido) emprodutos/processos já em operação; para aumentar a confiabilidade de produtos ou processos já em operação por meio da análise dasfalhas que já ocorreram; para diminuir os riscos de erros e aumentar a qualidade em procedimentos administrativos.5.2.2.3 Benefícios do AMFE A metodologia FMEA é importante porque pode proporcionar para a empresa: uma forma sistemática de se catalogar informações sobre as falhas dos produtos/processos; melhor conhecimento dos problemas nos produtos/processos; ações de melhoria no projeto do produto/processo, baseado em dados e devidamente monitoradas(melhoria contínua); diminuição de custos por meio da prevenção de ocorrência de falhas; o benefício de incorporar dentro da organização a atitude de prevenção de falhas, a atitude decooperação e trabalho em equipe e a preocupação com a satisfação dos clientes.5.2.2.4 Tipos de AMFE Esta metodologia pode ser aplicada tanto no desenvolvimento do projeto do produto como doprocesso. As etapas e a maneira de realização da análise são as mesmas, ambas diferenciando-sesomente quanto ao objetivo. Assim as análises FMEA´s são classificadas em dois tipos: castrorpc@yahoo.com.br 79
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro FMEA DE PRODUTO: na qual são consideradas as falhas que poderão ocorrer com o produtodentro das especificações do projeto. O objetivo desta análise é evitar falhas no produto ou emprocessos decorrentes do projeto. É comumente denominada também de FMEA de projeto. FMEA DE PROCESSO: são consideradas as falhas no planejamento e execução do processo, ouseja, o objetivo desta análise é evitar falhas do processo, tendo como base as não conformidades doproduto com as especificações do projeto. Há ainda um terceiro tipo, menos comum, que é o FMEA de procedimentos administrativos.Nele analisam-se as falhas potenciais de cada etapa do processo com o mesmo objetivo que asanálises anteriores, ou seja, diminuir os riscos de falha.5.2.2.5 Modos de Falhas Como a base da técnica é a análise dos modos falhas, torna-se imprescindível, conhecer osmodos de falha que podem afetar um componente qualquer (homem ou equipamento). São cinco osmodos de falhas consagrados na literatura: FALHA DE OMISSÃO: quando não executa ou executa parcialmente uma atividade, tarefa, funçãoou procedimento; FALHA NA MISSÃO: quando executa incorretamente uma atividade, tarefa, função ouprocedimento; FALHA POR ATO ESTRANHO OU AÇÃO ESTRANHA: quando executa uma atividade, tarefa,função ou procedimento que não deveria ser executada; FALHA SEQUENCIAL: quando executa uma atividade, tarefa, função ou procedimento fora daseqüência correta; FALHA TEMPORAL: quando executa uma atividade, tarefa, função ou procedimento fora domomento correto. Sobre o foco do sistema produtivo/comercial temos: falha na produção, falha na matéria-prima efalha do cliente (uso inadequado), das quais podemos citar como exemplo: Falhas na Produção:– Falhas de Projeto – Ex. A característica de demanda não foi bem calculada , o arranjo físico não éatendido nas horas de pique etc.– Falhas de Pessoal – Podem ser “Erros “como enganos de julgamento e “Violações” quando sepercebe a posteriori que alguem deveria ter feito algo diferente.– Falhas de Instalações – Ex. Avarias nas máquinas ou equipamentos Falhas na Matéria-prima:– Falhas de Fornecedores – Ex. Prazos de entrega, qualidade dos materiais fornecidos Falhas do Cliente:– Falhas de Clientes – Ex Uso indevido do produto As unidades métricas para análise quantitativa das falhas já foram vista no tópico 4 e são: taxa defalhas, confiabilidade e disponibilidade. castrorpc@yahoo.com.br 80
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.2.2.6 Aplicação da AMFE O princípio da metodologia é o mesmo independente do tipo de FMEA e a aplicação, ou seja, seé FMEA de produto, processo ou procedimento e se é aplicado para produtos/processos novos ou jáem operação. A análise consiste basicamente na formação de um grupo de pessoas que identificampara o produto/processo em questão suas funções, os tipos de falhas que podem ocorrer, os efeitos eas possíveis causas desta falha. Em seguida são avaliados os riscos de cada causa de falha por meiode índices e, com base nesta avaliação, são tomadas as ações necessárias para diminuir estes riscos,aumentando a confiabilidade do produto/processo. A fase de Planejamento, que é realizada pelo Gerente de Risco compreende: descrição dos objetivos e abrangência da análise: em que identifica-se qual(ais)produto(s)/processo(s) será(ão) analisado(s); formação dos grupos de trabalho: em que define-se os integrantes do grupo, que deve serpreferencialmente pequeno (entre 4 a 6 pessoas) e multidisciplinar (contando com pessoas dediversas áreas como qualidade, desenvolvimento e produção); planejamento das reuniões: as reuniões devem ser agendadas com antecedência e com oconsentimento de todos os participantes para evitar paralisações; A fase de execução do AMFE é realizada pelo grupo de trabalho que discute e preenche oformulário FMEA de acordo com os passos que seguem abaixo:a) Dividir o sistema em subsistemas que podem ser efetivamente controlados;b) Traçar diagramas de blocos funcionais do sistema e subsistemas, para determinar os inter-relacionamentos existentes;c) Preparar um cheklist dos componentes de cada subsistema e sua função específica;d) Determinar através da análise de projetos e diagramas, os modos possíveis de falha para cadacomponente indicando o tipo de modo de falha segundo o item 5.2.2.4: I- falha de omissão; II- falhana missão; III- falha por ato estranho; IV- falha seqüencial; V- falha temporal;e) Indicar as causas das falhas para cada modo de falha;f) Indicar os efeitos de cada falha sobre outros componentes e como esta afeta a operação do mesmo;g) Definir a categoria do risco conforme tabela 4 do item 5.2.1.1;h) Indicar os métodos usados para detecção de cada falha específica; Nas fases seguintes são definidos pelo grupo os índices de severidade (S), ocorrência (O) edetecção (D) para cada causa de falha, de acordo com critérios previamente definidos (um exemplode critérios que podem ser utilizados é apresentado nas tabelas abaixo, mas o ideal é que a empresatenha os seus próprios critérios adaptados a sua realidade específica). Depois são calculados oscoeficientes de prioridade de risco (R), por meio da multiplicação dos outros três índices. castrorpc@yahoo.com.br 81
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroi) Índice de Ocorrência (O): Índice Ocorrência Proporção Freqüência 1 Remota 1:1.000.000 Excepcional ( tempo > 360 dias) 2 Muito Pequena 1:20.000 Muito Poucas Vezes (tempo < 360 dias) 3 Pequena 1:4.000 Poucas Vezes (tempo < 180 dias) 4 1:1000 5 Moderada 1:400 Ocasional, Algumas Vezes (tempo < 30 dias) 6 1:80 7 1:40 Alta Freqüente (tempo < 15 dias) 8 1:20 9 1:8 Muito Alta Inevitável, certamente ocorrerá a falha (diário) 10 1:2 Tabela 6 – Exemplo de Critérios para Índice de Ocorrênciaj) Índice de Severidade (S):Índice Classificação Severidade da falha Apenas Não há falha ou degradação do sistema. O cliente mal percebe que a falha 1 perceptível ocorre. Pouco A falha não irá resultar numa degradação maior do sistema, nem irá produzir 2a3 importante ou danos funcionais ou lesões, ou contribuir com um risco ao sistema. Ligeira desprezível deterioração no desempenho com leve descontentamento do cliente. Moderadamente A falha irá degradar o sistema, porém sem evolver danos maiores ou lesões, 4a6 grave ou podendo ser compensada ou controlada adequadamente. Deterioração Marginal significativa no desempenho do sistema e descontentamento do cliente. a falha irá degradar o sistema causando lesões, danos substanciais, ou irá 7a8 Grave ou Crítica resultar num risco inaceitável, necessitando ações corretivas imediatas. Sistema deixa de funcionar e grande descontentamento do cliente. Extremamente A falha irá degradar o sistema causando lesões, danos substanciais, ou irá9 a 10 grave ou resultar num risco inaceitável, necessitando ações corretivas imediatas. Idem ao Catastrófica anterior porém afeta a segurança. Tabela 7 – Exemplo de Critérios para Índice de Severidadel) Índice de Detecção (D):Índice DET Detecção modo de falha - efeito O binômio Modo de Falha – Efeito permite facilmente a detecção do evento, antes 1 Muito Alta que ele aconteça. Ex.: tela protetor que empeça o contato com partes quentes. Certamente será detectado 2a3 Alta Há pelo menos um incidente/acidente / ano. Grande probabilidade de ser detectado. 4a6 Moderada Há pelo menos um incidente / acidente mensal. Provavelmente será detectado. Nível de controle muito baixo. Há pelo menos um incidente / acidente por semana. 7a8 Pequena Pouca chance de ser detectado. Muito Não há nenhum tipo de controle ou inspeção. Há pelo menos um incidente / 9 pequena acidente diário. Provavelmente não será detectado. 10 Muito remota A falha não pode ser detectada. Certamente não será detectado. Tabela 8 – Exemplo de Critérios para Índice de Detecção castrorpc@yahoo.com.br 82
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrom) Coeficiente de prioridade de risco: R = O x S x D Índice Índice Índice de Risco e Perigo 1 a 135 Baixo Manter a situação ou condições atuais. 136 a 500 Moderado Programar medidas de controle e treinamentos dos envolvidos. Necessárias medidas de ordem coletivas urgentes, ações corretivas e 501 a 1000 Alto iniciar processo de inspeção pelo SESMT com treinamento dos envolvidos. Tabela 9 – Exemplo de Critérios para Coeficiente de prioridade de riscon) Formular possíveis medidas preventivas e corretivas de compensação e reparos que podem seradotadas para eliminar ou controlar cada falha específica e seus efeitos. Estas medidas podem ser: medidas de prevenção total ao tipo de falha; medidas de prevenção total de uma causa de falha; medidas que dificultam a ocorrência de falhas; medidas que limitem o efeito do tipo de falha; medidas que aumentam a probabilidade de detecção do tipo ou da causa de falha. Deve-se analisar a viabilidade de cada medida e então definir as que serão implantadas.EXEMPLO: Sistema de corte de madeira em bancada de serra circular c) d) e) f) f) g) h) i j l m n) Causa Possíveis efeitos Índices(*)Compo- Modos de das Categoria Métodos de Medidas preventivasnentes Falhas Em outros No de Risco Detecção O S D R e/ou corretivas Falhas componentes sistema Interrupção no fio de Desligar a potência, Motor não Serra não Inspeção origem II verificar o estado do fio, funciona funciona visual (abre o reparar ou substituir circuito)Fiação Fenômeno Desligar a tomada ou Perda de Fogo na audio-visual, chave geral, reparar ou isolamento Queima do fiação e queda de IV substituir circuito, (curto- motor Serra não potência, instalação em duto circuito) funciona disjuntor adequado desarma Paralisação da Serra não Inspeção Desligar a potência eCorreia Quebra I serra funciona visual substituir, mnt preventiva Paralisação do Serra não Fenômeno Desligar a potência eMancal Quebra III motor funciona audio-visual substituir, mnt preventiva Torna Inspeção Desligar a potência e Trinca III inseguro visual substituir, mnt preventiva Desligar a potência e Inspeção substituir, mnt preventiva, Disco Pode atingir Serra não Quebra IV Fenômeno EPC – coifa, verificar de operários e eqp funciona auditivo materiais incrustados na Corte madeira Serra Inspeção Desligar a potência e Desgaste funciona I visual substituir, mnt preventiva mal Desgaste Inspeção Desgaste no Serra não Desligar a potência e no II Fenômeno eixo funciona substituir, mnt preventiva rolamento auditivo Fenômeno Desligar a tomada ou Motor Perda de audio-visual, Queima de Queima chave geral, reparar ou isolamento queda de outros do IV substituir circuito, (curto- potência, componentes sistema instalação em duto circuito) disjuntor adequado desarma Quadro 1 – AMFE aplicado ao sistema de corte de madeira em bancada de serra circular(*) (O) Ocorrência (S) Severidade (D) Detecção (R) Risco castrorpc@yahoo.com.br 83
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.2.3 Análise de Operabilidade de Perigos (HAZOP) A palavra Hazop é derivada de Hazard (Perigo) + Operability (Operabilidade) e é uma técnica deidentificação e análise de risco que consiste em detectar desvio de variáveis dentro de processos. Oobjeto da Hazop são os sistemas e seu foco os desvios de variáveis de processos. O Estudo de Operabilidade e Riscos (HazOp – “Hazard and Operability Study”) foi desenvolvidapara identificar os perigos e problemas operacionais em instalações de processos industriais, osquais, apesar de aparentemente não apresentarem riscos imediatos, podem comprometer aprodutividade e a segurança da instalação. Foi desenvolvido originalmente para análise qualitativa deperigos e problemas operacionais, principalmente na utilização de novas tecnologias, onde oconhecimento sobre a operacionalidade das mesmas é escasso ou inexistente, sendo também utilizadonos vários estágios da vida útil de instalações industriais (ALBERTON, 1996). É uma técnica estruturada que foi desenvolvida para identificar perigos em uma instalaçãoindustrial, mas que procura, principalmente, identificar problemas referentes aos procedimentosoperacionais que possam levar a danos materiais ou humanos. Desta forma, o HazOp não é umadeterminação de falhas por excelência, mas uma avaliação não quantificada dos perigos e dosproblemas operacionais presentes em um processo industrial. Em situações normais as diferentes variáveis que controlam o sistema (vazão, pressão,temperatura, viscosidade, composição, componentes) possuem esperados para o funcionamentoadequado do sistema. No entanto, em situações indesejáveis e/ou perigosas os valores dessasvariáveis, em diferentes pontos (denominados nós) do sistema, se alteram, durante a operação domesmo. A diferença observada entre os valores alterados e os valores normais é chamada de Desvio,assim como vimos no tópico 4.1.5 Medidas de Dispersão. A técnica HAZOP é um procedimento indutivo qualitativo, no qual uma equipe de profissionaisrealiza um brainstorming sobre o projeto da planta em busca de perigos, seguindo uma estruturapreestabelecida com base em uma lista de palavras-guia. Esta técnica de identificação de perigosconsiste, fundamentalmente, em uma busca estruturada das causas de possíveis desvios em variáveisde processo. É possível, então, identificar sistematicamente os caminhos pelos quais os equipamentosenvolvidos no processo industrial podem falhar ou serem operados de forma inadequada, levando asituações indesejáveis de operação. Uma das grandes vantagens do brainstorming é que ele estimula a criatividade e gera idéias,através da interação de integrantes de grupos de diferentes áreas e diferentes níveis de conhecimento,sobre todos os modos pelos qual um evento indesejável possa ocorrer ou um problema operacionalpossa surgir. No entanto, para minimizar a possibilidade de que algo seja omitido, a reflexão é executada demaneira sistemática: cada circuito é analisado, linha por linha, para cada tipo de desvio passível deocorrer nos parâmetros de funcionamento do processo. Em termos gerais, pode-se dizer que o HAZOP é bastante semelhante a AMFE, contudo, aanálise realizada pelo primeiro método é feita através de palavras-chaves que guiam o raciocínio dosgrupos de estudo multidisciplinares, fixando a atenção nos perigos mais significativos para o sistema.As palavras-chaves ou palavras-guias são aplicadas às variáveis identificadas no processo (pressão,temperatura, fluxo, composição, nível, etc.) gerando os desvios, que nada mais são do que os perigosa serem examinados. castrorpc@yahoo.com.br 84
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A lista de palavras-guia deve ser tal que promova um amplo e irrestrito raciocínio lógico visandodetectar virtualmente todas as anormalidades concebíveis do processo. Uma lista de “palavras-guia”juntamente com os tipos de desvios considerados, são mostrados no Quadro 2. Palavras-Guia Desvios Considerados NÃO, NENHUM Negação do propósito do projeto (Ex: nenhum fluxo) MENOS Decréscimo quantitativo. (Ex: menos temperatura) MAIS, MAIOR Acréscimo quantitativo. (ex.: mais pressão) MUDANÇAS NA Alguns componentes em maior ou menor proporção, ou ainda, um COMPOSIÇÃO componente faltando. TAMBÉM, BEM COMO Acréscimo qualitativo. (ex.: também) EM PARTE Decréscimo qualitativo. (ex.: parte de concentração) COMPONENTES Componentes a mais em relação aos que deveriam existir. (Ex.: fase extra A MAIS presente, impurezas, etc.) OUTRA CONDIÇÃO Partida, parada, funcionamento em carga reduzida, modo alternativo de OPERACIONAL operação, manutenção, mudança de catalizador,etc. REVERSO Oposição lógica do propósito do projeto. (ex.: fluxo) OUTRO QUE, SENÃO Substituição completa. (ex.: outro que ar) Quadro 2 – Tipos de Desvios Associados com as “Palavras –Guias” É comum que a união da palavra-guia com a variável produza significados diferentes, daí anecessidade de possuir na equipe profissionais com experiência no funcionamento do sistema. Identificadas as palavras-guias e os desvios respectivos, pode-se partir para a elaboração dasalternativas cabíveis para que o problema não ocorra ou seja mínimo. Convém, no entanto, analisaras alternativas quanto a seu custo e operacionalidade. De acordo com KLETZ (1984?), no HAZOP "a operabilidade é tão importante quanto aidentificação de perigos".Geralmente neste tipo de estudo são detectados mais problemasoperacionais do que identificados perigos. Este não é um ponto negativo, muito pelo contrário,aumenta sua importância, pois a diminuição dos riscos está muito ligada à eliminação de problemasoperacionais. A eliminação dos problemas operacionais recai numa conseqüente diminuição do errohumano, decrescendo assim o nível de risco, porém, é impossível eliminar qualquer perigo que seja,sem antes ter conhecimento do mesmo, o que pode ser detectado pelo HAZOP.5.2.3.1 Indicação da Técnica HAZOP O método HAZOP é principalmente indicado quando da implantação de novos processos na fasede projeto ou na modificação de processos já existentes. O ideal na realização do HAZOP é que oestudo seja desenvolvido antes mesmo da fase de detalhamento e construção do projeto, evitandocom isso que modificações tenham que ser feitas, quer no detalhamento ou ainda nas instalações,quando o resultado do HAZOP for conhecido. Vale ressaltar que o HAZOP é conveniente para projetos e modificações tanto grandes quantopequenas. Às vezes, muitos acidentes ocorrem porque se subestima os efeitos secundários depequenos detalhes ou modificações, que à primeira vista parecem insignificantes e é impossível, castrorpc@yahoo.com.br 85
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroantes de se fazer uma análise completa, saber se existem efeitos secundários graves e difíceis deprever. Além disso, o caráter de trabalho em equipe que o HAZOP apresenta, onde pessoas defunções diferentes dentro da organização trabalham em conjunto, faz com que a criatividadeindividual seja estimulada, os esquecimentos evitados e a compreensão dos problemas das diferentesáreas e interfaces do sistema seja atingida. Uma pessoa, mesmo competente, trabalhando sozinha,freqüentemente está sujeita a erros por desconhecer os aspectos alheios a sua área de trabalho. Assim,o desenvolvimento do HAZOP alia a experiência e competência individuais às vantagensindiscutíveis do trabalho em equipe. A Hazop pode ser aplicada a processos contínuos ou descontínuos. Nos contínuos, a elaboraçãodo fluxograma é requisito essencial; para os descontínuos, o principal requisito é o procedimentoescrito.5.2.3.2 Principais Vantagens e Desvantagens da Técnica HAZOP O HAZOP é ideal para ser empregada na fase final de elaboração do projeto de processo, emboratambém seja aplicada na etapa de operação. As principais vantagens da análise por HAZOP estão relacionadas com a sistematicidade,flexibilidade e abrangência para identificação de perigos e problemas operacionais. Além disso, asreuniões de HAZOP promovem a troca de idéias entre os membros da equipe uniformizando o graude conhecimento e gerando informações úteis para análises subseqüentes, principalmente, paraAvaliações Quantitativas de Riscos (AQR). Além disso, o HAZOP serve para os membros da equipe adquirirem um maior entendimento dofuncionamento da unidade em condições normais e, principalmente, quando da ocorrência dedesvios, funcionando a análise de forma análoga a um "simulador" de processo. Desvantagem: Avalia apenas as falhas de processo (T, P, Q, pH,...) para determinar as potenciaisanormalidades de engenharia. Requer uma equipe multidisciplinar com larga experiência paraimplementação da técnica. Especialistas em projeto, processo, operação do processo, instrumentação,química, segurança e manutenção.5.2.3.3 Procedimento para aplicação da Técnica HAZOP em processo descontínuo O procedimento para execução do HAZOP em processo descontínuo pode ser sintetizado nosseguintes passos:a) Selecionar um passo da operação descontínua: A operação descontínua geralmente é escrita naforma de procedimento, o que é essencial para a eficácia do Hazop. As sentenças devem ser iniciadascom verbos no infinito ou imperativo, curtas, objetivas, restrita à ação pretendida.b) Aplicar ao passo selecionado as palavras-guias: para a variável selecionar testam-se as palavras-guias para detectar desvios, verificar se os desvios são perigosos ou indesejáveis.c) Verificar se há meios do operador identificar durante a operação a ocorrência do desvio.d) Estabelecer medidas de controle de risco e de Emergência.e) Seleciona-se um segundo passo e repete-se os passos “b”, “c” e “d”. castrorpc@yahoo.com.br 86
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroEXEMPLO:Na manhã de 10 SET 1976, ocorreu uma explosão numa indústria de triclorofenol, em Sevesco,Itália. Uma decomposição exotérmica provocou, a ruptura do reator e a emissão de gás tóxico para aatmosfera. A elevada temperatura do reator favorecera o aumento de TCDD (Tetracloro-dibenzeno-para-dioxina). OTCDD é uma das mais venenosas substâncias conhecidas e o acidente foi um dosmais graves ocorridos em todo o mundo. Analisando dois passos do procedimento utilizado no sistema de reação, a tabela a seguirapresenta as falhas que levaram ao acidente com a indicação de como a aplicação do Hazop poderiater identificado os perigos. INSTRUÇÃO HAZOP FALHADestilar 50% do solvente residual após Palavras-guia: menos O operador destilou apenastérmino da batelada. Desvio: Destilar menos solvente 15%Adicionar 3.000 litros de água para Palavras-guia: nenhum O operador não adicionou oresfriar a mistura de reação até 50-60 C. Desvio: Destilar não adicionar nenhuma água nenhuma água. Observe que a aplicação da Hazop identifica os desvios possíveis, mas as conseqüências só podemser previstas por profissionais que conhecem o processo, as reações químicas e tenha experiência, daía necessidade de uma equipe multidisciplinar.5.2.3.4 Pessoal Necessário e suas Atribuições A realização de um HAZOP exige necessariamente, uma equipe multidisciplinar de especialistas,com conhecimentos e experiências na sua área de atuação, para avaliar as causas e os efeitos depossíveis desvios operacionais, de forma que o grupo chegue a um consenso e proponha soluçõespara o problema. A interação de pessoas, com diferentes experiências estimula a criatividade e geranovas idéias, devendo todos os participantes defender livremente os seus pontos de vistas, evitandocríticas que inibam a participação ativa e a criatividade dos integrantes da equipe. A composição básica da equipe é dada a seguir, sendo acrescida de outros profissionais adepender do tipo e fase de operação do sistema. No caso de plantas industriais em fase de projeto, sãoacrescidos: engenheiro de automação, mecânico, civil e eletricista. Já no caso de instalações jáexistentes, devem ser acrescidos de profissionais com larga experiência no sistema, tais como: Chefeda unidade ou engenheiro de produção; engenheiro responsável pela operação da planta; Supervisor-chefe da unidade; Engenheiro de manutenção; Responsável pela instrumentação; e o Engenheiro depesquisa e desenvolvimento• Líder da equipe: esta pessoa deve ser um perito na técnica HAZOP e, preferencialmente,independente da planta ou projeto que está sendo analisado. Sua função principal é garantir que ogrupo siga os procedimentos do método HAZOP e que se preocupe em identificar riscos e problemasoperacionais, mas não necessariamente resolvê-los, a menos que as soluções sejam óbvias. Estapessoa deve ter experiência em liderar equipes e deve ter como característica principal a de prestaratenção meticulosa aos detalhes da análise.•Chefe do projeto: este normalmente é o engenheiro responsável por manter os custos do projetodentro do orçamento. Ele deve ter consciência de que quanto mais cedo forem descobertos riscos ouproblemas operacionais, menor será o custo para contorná-los. Caso ele não seja uma pessoa que castrorpc@yahoo.com.br 87
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castropossua profundos conhecimentos sobre equipamentos, alguém com estas características tambémdeverá fazer parte do grupo.•Engenheiro de processos: geralmente é o engenheiro que elaborou o fluxograma do processo. Deveser alguém com considerável conhecimento na área de processos.• Engenheiro de automação: devido ao fato de as indústrias modernas possuírem sistemas de controlee proteção bastante automatizados, este engenheiro é de fundamental importância na constituição daequipe.5.2.3.5 Estimativa de Tempo e Custo Requeridos As reuniões da equipe de HAZOP devem ser suficientemente freqüentes para se manter o ímpetodesejado. Em geral, as reuniões devem durar cerca de três horas no máximo e deve-se ter umintervalo de dois ou três dias entre reuniões subseqüentes a fim de permitir aos participantes coletaras informações necessárias, ou seja, freqüência de 2 a 3 reuniões por semana. O tempo necessário e o custo são proporcionais ao tamanho e complexidade da unidade queestiver sendo analisada. Estima-se que sejam necessários, em média, cerca de 3 horas para cadagrande equipamento da instalação, tais como, vasos, torres, tanques, compressores, permutadores,etc.5.2.3.6 Natureza dos Resultados Tipicamente os principais resultados fornecidos pelo HAZOP são os seguintes:- Identificação de todos os desvios acreditáveis que possam conduzir a eventos perigosos ou aproblemas operacionais.- Uma avaliação das conseqüências (efeitos) destes desvios sobre o processo. O exame dos meios disponíveis para se detectar e corrigir ou mitigar os efeitos de tais desvios.Podem ser recomendadas mudanças no projeto, estabelecimentos ou mudança nos procedimentos deoperação, teste e manutenção. Portanto, os resultados obtidos são puramente qualitativos, não fornecendo estimativasnuméricas nem qualquer tipo de classificação em categorias.5.2.3.7 Procedimento para aplicação da Técnica HAZOP em processo contínuo O procedimento para execução do HAZOP em processo contínuo pode ser sintetizado nosseguintes passos:a) Divisão da unidade/sistema em subsistemas: Esquematização do sistema a fim de facilitar arealização do HAZOP.b) Selecionar uma linha de processos: Uma linha é qualquer ligação entre dois equipamentosprincipais (capaz de modificações profundas no processo), podendo existir elementos intermediários(bombas, válvulas,etc.). A divisão em muitas linhas torna o trabalho cansativo, em poucas, prejudicaa identificação de riscos.c) Imaginar a linha operando em condições normais de projeto: serve como ponto de partida, poisos desvios das variáveis são considerados em relação as operações em condições normais. castrorpc@yahoo.com.br 88
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrod) Selecionar uma variável de processo e aplicar as palavras-guias: para a variável selecionartestam-se as palavras-guias e observa-se se os efeitos são perigosos ou indesejáveis.e) Determinar as causas dos desvios perigosos ou indesejáveis.f) Avaliar qualitativamente as conseqüências dos desvios perigosos.g) Verificar se há meios do operador identificar durante a operação a ocorrência do desvio.h) Estabelecer medidas de controle de risco e de Emergência: As medidas de controle de risco têmpor finalidade evitar o evento perigoso. Já as de emergência visam reduzir as conseqüências doevento, caso ele venha a acontecer.i) Selecionar outra variável do processo selecionado e processo e repetir os passos de “d” à “h”.j) Analisadas todas as variáveis para a linha de processo selecionada, escolher outra linha deprocesso e repetir os passos de “b” à “i”.k) Após a análise das linhas, seleciona-se cada equipamento e aplica-se as palavras-guia, repetindo-se os passos de “d” à “i”. A correta utilização das palavras de orientação e a determinação de todos os pontos críticos são agarantia que o sistema foi totalmente avaliado resultando na identificação dos perigos do processo nosistema em função dos parâmetros de processo: temperatura, vazão, concentração, etc. O processo de execução de um estudo de HAZOP é estruturado e sistemático. Portanto, se faznecessário o entendimento de alguns termos específicos que são utilizados no desenvolvimento deuma Análise de Riscos desta natureza: Nós-de-estudo (Study Nodes): são os pontos do processo, localizados através dos fluxogramas daplanta, que serão analisados nos casos em que ocorram desvios. Intenção de operação: a intenção de operação define os parâmetros de funcionamento normal daplanta, na ausência de desvios, nos nós-de-estudo. Desvios: os desvios são afastamentos das intenções de operação, que são evidenciados pelaaplicação sistemática das palavras-guia aos nós-de-estudo (p. ex., mais pressão), ou seja, sãodistúrbios provocados no equilíbrio do sistema. Causas: são os motivos pelos quais os desvios ocorrem. A partir do momento em que um desviotenha demonstrado possuir uma causa aceitável, ele pode ser tratado como uma ocorrênciasignificativa e analisado adequadamente. As causas dos desvios podem advir de falhas do sistema,erro humano, um estado de operação do processo não previsto (p. ex., mudança de composição de umgás), distúrbios externos (p. ex., perda de potência devido à queda de energia elétrica), etc. Conseqüências: as conseqüências são os resultados decorrentes de um desvio da intenção deoperação em um determinado nó-de-estudo (p. ex., liberação de material tóxico para o ambiente detrabalho). Parâmetros de processo: são os fatores ou componentes da intenção de operação, ou seja, são asvariáveis físicas do processo (p. ex., vazão, pressão, temperatura) e os procedimentos operacionais (p.ex., operação, transferência). castrorpc@yahoo.com.br 89
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Palavras-guia ou Palavras-chave (Guide Words): são palavras simples utilizadas para qualificaros desvios da intenção de operação e para guiar e estimular o grupo de estudo ao brainstorming. Aspalavras-guia são aplicadas aos parâmetros de processo que permanecem dentro dos padrõesestabelecidos pela intenção de operação. Aplicando as palavras-guia aos parâmetros de processo, emcada nó-deestudo da planta em análise, procura-se descobrir os desvios passíveis de ocorrência naintenção de operação do sistema. Assim, as palavras-guia são utilizadas para levantar questões como,por exemplo: "O que ocorreria se houvesse mais... ?" ou "O que aconteceria se ocorresse fluxoreverso?".Dicas: Sempre marque um nó de estudo na entrada de um grande equipamento e na saída de umequipamento que acumule produtos (ex.: vasos, tanques,...) e antes e depois de linhas que cruzam.Fazer sempre perguntas no nó de estudo, começar sempre a buscar as falhas no início do sistema. Figura 10 - Modelo de Ficha de Avaliação HAZOPEXEMPLO:Com base na Figura ao lado, querepresenta o processo de produção deDAP, elabore uma Planilha Hazop para oNodo de Estudo 1, como a variávelvazão. castrorpc@yahoo.com.br 90
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Palavra-guia Desvio Conseqüência Causas Providências sugeridasNenhum Nenhuma vazão Excesso de amônia no 1) Válvula A fechada Fechamento automático B reator. Liberação para área 2) Estoque de ácido na falta de vazão do ácido. de trabalho. acaba 3) Entupimento ou ruptura da tubulaçãoMenos Menos Vazão Excesso de amônia no 1) Válvula A Fechamento automático B reator. Liberação para área parcialmente fechada na redução de vazão do de trabalho a depender da 2) Entupimento parcial ácido. Ponto de operação redução da alimentação. determinado pelo cálculo Deve-se calcular a toxidez de toxidez.Mais Mais Vazão O excesso de ácido degrada o produto. Nenhum perigo para área de trabalho.Em parte Vazão Norma Excesso de amônia no 1) O fornecedor Verificar a concentração do de ácido de reator. Liberação para área entrega material não ácido do tanque de menor de trabalho a depender da especificado alimentação após o concentração redução da alimentação. 2) Erro no enchimento enchimento deste. do tanque.5.3 Técnicas de Avaliação de Riscos5.3.1 Análise de Árvore de Falhas (AAF) A Análise de Árvore de Falhas - AAF foi primeiramente concebida por H.A.Watson dosLaboratórios Bell Telephone em 1961, a pedido da Força Aérea Americana para avaliação do sistemade controle do Míssil Balístico Minuteman. A AAF é uma técnica dedutiva para a determinação de causas potenciais de acidentes e de falhasno sistema, além do cálculo de probabilidade de falhas. Método excelente para descobrir omecanismo de encadeamento das várias causas que poderão dar origem a um evento indesejável(falha). Ela determina as freqüências de eventos indesejáveis (topo) a partir da combinação lógica dasfalhas dos diversos componentes do sistema. Segundo LEE et alli (1985), a AAF permite a transformação de um sistema físico em umdiagrama lógico estruturado (a árvore de falhas), onde são especificados as causas que levam aocorrência de um específico evento indesejado de interesse, chamado evento topo. O evento indesejado recebe o nome de evento topo por uma razão bem lógica, já que namontagem da árvore de falhas o mesmo é colocado no nível mais alto. A partir deste nível o sistemaé dissecado de cima para baixo, enumerando todas as causas ou combinações delas que levam aoevento indesejado. Os eventos do nível inferior recebem o nome de eventos básicos ou primários,pois são eles que dão origem a todos os eventos de nível mais alto. De acordo com OLIVEIRA e MAKARON (1987), a AAF é uma técnica dedutiva que se focalizaem um acidente particular e fornece um método para determinar as causas deste acidente, é ummodelo gráfico que dispõe várias combinações de falhas de equipamentos e erros humanos quepossam resultar em um acidente. Consideram o método como "uma técnica de pensamento-reverso,ou seja, o analista começa com um acidente ou evento indesejável que deve ser evitado e identifica ascausas imediatas do evento, cada uma examinada até que o analista tenha identificado as causasbásicas de cada evento". Portanto, é certo supor que a árvore de falhas é um diagrama que mostra ainter-relação lógica entre estas causas básicas e o acidente. castrorpc@yahoo.com.br 91
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Assim, a avaliação qualitativa pode ser usada para analisar e determinar que combinações defalhas de componentes, erros operacionais ou outros defeitos podem causar o evento topo. Já aavaliação quantitativa é utilizada para determinar a probabilidade de falha no sistema peloconhecimento das probabilidades de ocorrência de cada evento em particular. A diagramação lógica da árvore de falhas é feita utilizando-se símbolos e comportas lógicas,indicando o relacionamento entre os eventos considerados. As duas unidades básicas ou comportaslógicas envolvidas são os operadores "E" e "OU", que indicam o relacionamento casual entre eventosdos níveis inferiores que levam ao evento topo. As combinações seqüenciais destes eventos formamos diversos ramos da árvore. A Tabela 10 apresenta as simbologias utilizadas na AAF.5.3.1.1 Aplicação da AAF O uso da árvore de falhas pode trazer, ainda, outras vantagens e facilidades, quais sejam: adeterminação da seqüência mais crítica ou provável de eventos, dentre os ramos da árvore, que levamao evento topo; a identificação de falhas singulares ou localizadas importantes no processo; odescobrimento de elementos sensores (alternativas de solução) cujo desenvolvimento possa reduzir aprobabilidade do contratempo em estudo. Geralmente, existem certas seqüência de eventos centenasde vezes mais prováveis na ocorrência do evento topo do que outras e, portanto, é relativamente fácilencontrar a principal combinação ou combinações de eventos que precisam ser prevenidas, para que aprobabilidade de ocorrência do evento topo diminua. Além dos aspectos citados, a AAF encontra aplicação para inúmeros outros usos, como: soluçãode problemas diversos de manutenção, cálculo de confiabilidade, investigação de acidentes, decisõesadministrativas, estimativas de riscos, etc.5.3.1.2 Elaboração da AAF A AAF pode ser executada em quatro etapas básicas: definição do sistema, construção da árvorede falhas, avaliação qualitativa e avaliação quantitativa.a) Definição do Sistema: Seleção do evento indesejável ou falha, cuja probabilidade de ocorrênciadeve ser determinada; Ainda na fase de Definição do Sistema é feita a revisão dos fatores intervenientes: ambiente,dados do projeto, exigências do sistema, etc., determinando as condições, eventos particulares oufalhas que possam vir a contribuir para ocorrência do evento topo selecionado;b) Construção da Árvore: Montagem, através da diagramação sistemática, dos eventos contribuintese falhas levantadas na etapa anterior, mostrando o inter-relacionamento entre estes eventos e falhas,em relação ao evento topo. O processo inicia com os eventos que poderiam, diretamente, causar talfato, formando o primeiro nível - o nível básico. A medida que se retrocede, passo a passo, até oevento topo, são adicionadas as combinações de eventos e falhas contribuintes. Desenhada a árvorede falhas, o relacionamento entre os eventos é feito através das comportas lógicas;c) Análise Qualitativa: Através de Álgebra Booleana são desenvolvidas as expressões matemáticasadequadas, que representam as entradas da árvore de falhas. Cada comporta lógica tem implícita umaoperação matemática, podendo ser traduzidas, em última análise, por ações de adição oumultiplicação; castrorpc@yahoo.com.br 92
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrod) Análise Quantitativa: Determinação da probabilidade de falha de cada componente, ou seja, aprobabilidade de ocorrência do evento topo será investigada pela combinação das probabilidades deocorrência dos eventos que lhe deram origem. Símbolo Representação OBS Indica que todas as entradas ou condições determinantes devem estarMódulo ou Comporta presentes para que uma proposição seja verdadeira (V). Se uma das “E” ou “AND” (x) ∩ condições ou entradas estiver faltando, a proposição será falsa (F). Indica que quando uma ou mais das entradas ou condições determinantesMódulo ou Comporta estiverem presentes, a proposição será verdadeira (V) e resultará uma “Ou” ou “OR” (+) U saída. Ao contrário, a proposição será falsa (F) se, e somente se, nenhuma das condições estiver presente. Indica que, quando uma ou mais entradas estiverem presentes, aMódulo ou Comporta proposição será falsa (F) e não haverá saída. Quando nenhuma das“Não-OU” ou “NOR” entradas estiver presente, resultará uma saída. O módulo NAND indica que, quando uma ou mais das entradas ouMódulo ou Comporta condições determinantes não estiverem presentes, a proposição será“Não-E” ou “NAND” verdadeira (V) e haverá uma saída. Quando todas as entradas estiverem presentes, a proposição será falsa (F) e não haverá saída.Módulo ou Comporta Permite aplicar uma condição ou restrição à seqüência. A entrada e a de Inibição condição de restrição devem ser satisfeitas para que se gere uma saída. Identificação de um evento particular topo ou intermediário. Quando contido Evento em uma seqüência, usualmente, descreve a entrada ou saída de: E ou OU. Falha Primária de um ramo ou série. Um evento, usualmente um mau Evento Básico funcionamento, descrito em termos de componentes. Normalmente é um evento que sempre acontece ao não ser que aconteça Evento Casa falha. Evento não O evento não se desenvolve por falta de informação ou de conseqüência desenvolvido suficiente. Pode ser utilizado para indicar necessidade de mais informação. Indica ou estipula restrições. Com “E” a restrição deve ser satisfeita antes Evento Condicional que o evento possa ocorrer; com “OU” pode ser que o evento não ocorra na presença de todos as entradas simultaneamente. Símbolo de Conexão a outra parte da árvore, dentro do mesmo ramo- Conexão mestre. (ENTRADA e SAÍDA respectivamente). Tabela 10 – Simbologia utilizada na AAF A simbologia apresentada na Tabela 10 permite uma análise qualitativa da árvore de falha. Noentanto, para a análise quantitativa, além dos conceitos de simbologia, teremos que recordar algumasregras de conjunto (distribuição de probabilidade) apresentadas na Tabela 11, onde o sinal de “+”representa união e o de “.” interseção. RELACIONAMENTO LEI RELACIONAMENTO LEI ConjuntosA.1=A A.0=0 (A . B)c = Ac + Bc Leis de dualização complementos ouA+0=A A+1=1 (A + B)c = Ac . Bc (Leis de Morgan) vazios A . (A + B) = A(Ac)c = A Lei de involução Leis de absorção A + (A . B) = AA . Ac = 0 Relações A . (B + C) = (A . B) + (A . C) Leis distributivasA + Ac = 1 complementares A + (B . C) = (A + B) . (A + C)A.A=A A . (B . C) = (A . B) . C Leis de idempontência Leis associativasA+A=A A + (B + C) = (A + B) + CA.B=B.A P(A ∪ B) = P(A) + P(B) - P(A ∩ B) P(A ∩ B) = P(A).P(B) Leis comutativasA+B=B+A P(A+B) = P(A) + P(B) - P(A)P(B) P(A.B) = P(A).P(B) Tabela 11 – Relacionamento e leis representativas da Álgebra de Booleana castrorpc@yahoo.com.br 93
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.3.1.3 Análise Qualitativa e Quantitativa da AAF Embora tenha sido desenvolvida com o principal intuito de determinar probabilidades, comotécnica quantitativa, é muito comumente usada também por seu aspecto qualitativo porque, destaforma e de maneira sistemática, os vários fatores, em qualquer situação a ser investigada, podem servisualizados. Segundo HAMMER (1993), os resultados da análise quantitativa são desejáveis paramuitos usos, contudo, para proceder à análise quantitativa, deve ser realizada primeiramente a análisequalitativa, sendo que muitos analistas crêem que deste modo, obter resultados quantitativos nãorequer muitos esforços adicionais. A AAF não necessariamente precisa ser levada até a análise quantitativa, entretanto, mesmo aose aplicar o procedimento de simples diagramação da árvore, é possível a obtenção de um grandenúmero de informações e conhecimento muito mais completo do sistema ou situação em estudo,propiciando uma visão bastante clara da questão e das possibilidades imediatas de ação no que serefere à correção e prevenção de condições indesejadas.EXEMPLO: Desta forma, para a árvore de falhas representada naFigura 11 as probabilidades dos eventos, calculadas obedecendo-se às determinações das comportas lógicas, resultam em:Como: P(A ∪ B) = P(A) + P(B) - P(A ∩ B)P(A ∩ B) = P(A | B) x P(B) = P(B | A) x P(A)P(A ∩ B) = P(A).P(B), se independentes, logo:P(D) = P(B U C) = P(B + C) = P(B) + P(C) – P(B.C)Como: P(B.C) = P(B).P(C), temos: Figura 11 – Exemplo de Árvore deP(D) = P(B) + P(C) – P(B).P(C) FalhasP(E) = P(A ∩ D) = P(A . D) = P(A).P(D), substituindo P(D), temos:P(E) = P(A).[ P(B) + P(C) – P(B).P(C)], aplicando propriedades:P(E) = P(A).P(B) + P(A).P(C) – P(A).P(B).P(C)EXEMPLO: A Árvore de Falhas apresentada na figura abaixo se refere a um secador de cabelo para oevento-topo do ar frio não sair. Calcule as probabilidades dos elementos intermediários e do evento-topo. castrorpc@yahoo.com.br 94
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Resposta: P(A1) = 0,0298 P(A2) = 0,0775 ...................P(A3) = 0,0297 P(A4) = 0,1049EXEMPLO: Analisando o evento indesejável “Queda de Elevador provisório de Passageiros” porrompimento do cabo, monte a Árvore de Falhas para esse evento. Queda do Elevador Provisório de Passageiros A1 ROMPIMENTO DO CABO FREIO MANUAL NÃO FUNCIONA B1 B2 MANUTENÇÃO OPERADOR NÃO FREIO COM SOBRECARGA INSATISFATÓRIA ACIONOU O FREIO DEFEITO B3 B4 B5 Falta de Imprudência Falta de Falta de Sistema de Sinalização do Operador Programação Tempo insuficiente Erro de Treinamento Freio da p/ acionar o freio Instalação Ineficiente Manutenção castrorpc@yahoo.com.br 95
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.3.2 Série de Risco (SR) Apesar de também ser chamada de Análise de Árvore de Eventos (AAE), julgo pertinente diferenciá-los para que possamos compreender melhor a forma de apresentação da SR e da AAE. A SR representa uma cadeia uma seqüência de eventos que levam a um acidente (Evento Catastrófico. que mapeia os riscos que conduzem ao evento perigoso ou indesejável. Esses riscos são divididos em três categorias: risco inicial, risco principal e risco contribuintes. Parte-se do Risco Inicial que é aquele que desencadeia todo o processo; passa-se pelos Riscos Contribuintes que são os que, em função do primeiro, dão continuidade ao processo de ocorrência do acidente; passa-se pelo Risco Principal que direta ou indiretamente pode causar: morte ou lesão, danos a equipamentos, a instalações, degradação da capacidade funcional e perdas de materiais, chegando até as conseqüências advindas do processo. No gráfico da Série de Riscos estão presentes ainda os Inibidores, que são todas as medidas capazes de evitar a ocorrência ou a propagação dos efeitos dos riscos. Ao modelar a Série de Risco, a mesma pode apresentar o inter-relacionamento dos riscos de forma simples ou através de ligações “e” ou “ou” que permitem calcular a probabilidade de Ocorrência do Evento Catastrófico. A Figura 12, ao lado apresenta um exemplo de Série de Risco para a Queda de Andaime Fachadeiro. Figura 12 – Série de Risco para Queda de Andaime Fachadeiro. castrorpc@yahoo.com.br 96
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.3.3 Análise de Árvore de Eventos (AAE) A Análise da Árvore de Eventos (AAE) é um método lógico-indutivo de identificação de perigose análise de riscos das várias e possíveis conseqüências resultantes de um evento inicial, chamadoiniciador. Consiste em relacionar todos os riscos capazes de contribuir ou ocasionar danos. AAE é um método indutivo que, partindo de um determinado evento inicializador, delineia-se ascombinações de eventos até chegar aos possíveis resultados (cenários). Foi desenvolvida no iníciodos anos 70 para apoiar a implementação de análises de riscos em centrais nucleares e atualmente éutilizada nas mais diversas áreas técnico-científicas. Conforme ESTEVES (198-?), a técnica busca determinar as freqüências das conseqüênciasdecorrentes dos eventos indesejáveis, utilizando encadeamentos lógicos a cada etapa de atuação dosistema. Na Árvore de Falhas parte-se de um Evento Topo, como, por exemplo, o rompimento de umatubulação, e segue-se para trás, verificando os eventos que podem ter gerado o Evento Topo. OEvento Topo da Árvore de Falhas é o Evento Iniciador da AAE. Ao contrário da Árvore de Falhas, segue-se para frente identificando-se eventos que possamdecorrer do Evento Iniciador. Nas aplicações de análise de risco, o evento inicial da árvore de eventos é, em geral, a falha deum componente ou subsistema, sendo os eventos subseqüentes determinados pelas características dosistema.5.3.3.1 Elaboração da AAEPara o traçado da árvore de eventos as seguintes etapas devem ser seguidas:a) Definir o evento inicial que pode conduzir ao acidente;b) Identificação dos eventos que podem influenciar, incluindo os sistemas de segurança (ações) quepodem amortecer o efeito do evento inicial;c) Combinar em uma árvore lógica de decisões as várias seqüências de acontecimentos que podemsurgir a partir do evento inicial;d) Uma vez construída a árvore de eventos, deve-se calcular as probabilidades associadas a cadaramo do sistema que conduz a alguma falha (acidente). A árvore de eventos deve ser lida da esquerda para a direita. Na esquerda começa-se com oevento inicial e segue-se com os demais eventos seqüenciais. A linha superior é NÃO e significa queo evento não ocorre, a linha inferior é SIM e significa que o evento realmente ocorre. As Figuras 13 e 14 representam esquematicamente o funcionamento da técnica de AAE. castrorpc@yahoo.com.br 97
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figura 13 – Representação esquemática de uma Árvore de Eventos para eventos dependentes Figura 14 – Representação esquemática de uma Árvore de Eventos para eventos independentes Relembrando algumas propriedades já vistas anteriormente no item 4.2.1 temos:- Para qualquer evento A, P(A) = 1 – P( A ), P( A ) compreende todos os eventos diferentes de A.- Se A e B, forem mutuamente exclusivos, então P(A ∩ B) = 0- Para quais quer dois eventos A e B com P(B) > 0, a probabilidade condicional de A dado que B ocorreu édefinida por: P(A | B) = P(A ∩ B)/P(B), P(B) ≠ 0 e P(A ∩ B) = P(A | B) x P(B) = P(B | A) x P(A)- Quaisquer dois eventos A e B são independentes se P (A │B) = P(A) e dependentes caso contrário. Alémdisso, Se A e B são independentes P(A ∩ B) = P(A).P(B)EXEMPLO: A Figura 15 apresenta um exemplo de Árvore de Eventos para o caso dedescarrilhamento de vagões ou locomotivas, dado que existe um defeito nos trilhos. Figura 15 – Árvore de Eventos descarrilhamento de vagões ou locomotivas castrorpc@yahoo.com.br 98
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Como se pode observar na Figura 15, o descarrilhamento pode ser causado por qualquer uma dastrês falhas assinaladas e, portanto, a probabilidade de que um defeito nos trilhos produzadescarrilhamento é a soma simples das três possibilidades, ou seja, 0,6%.5.3.4 Análise por Diagrama de Blocos (ADB) A análise por diagrama de blocos se utiliza de um fluxograma em blocos do sistema, calculandoas probabilidades de sucesso ou falha do mesmo, pela análise das probabilidades de sucesso ou falhade cada bloco. A técnica é útil para identificar o comportamento lógico de um sistema constituído porpoucos componentes.Dependendo do sistema a análise pode ser feita em série ou em paralelo.a) Sistema em série:Os valores P(A), P(B) e P(C) da Figura 16,representam as probabilidades de sucesso, ouseja, a confiabilidade de cada componente(bloco) do sistema. Figura 16 - Exemplo da ADB em sérieOs valores P(A), P(B) e P(C) da figura 15, representam as probabilidades de sucesso, ou seja, aconfiabilidade de cada componente (bloco) do sistema.Desta forma, a probabilidade de sucesso ou a confiabilidade do sistema como um todo é dada por: nP = ∏ P( i ) Na ilustração: P = P(A) x P(B) x P(C) i =1Por conseqüência, a probabilidade de falha (insucesso) é: nQ = (1- P) = (1 - ∏P i =1 (i ) ) = 1 - P(A) x P(B) x P(C)b) Sistema em paralelo:A probabilidade de sucesso para o esquema daFigura 17 será dada por: n P = 1 − ∏ (1 − P(i ) )Na ilustração: i =1P = 1 - [(1 - P(A)) x (1 - P(B))]A probabilidade de falha para um sistema emparalelo é, então, representada por: nQ = (1 - P) = ∏ (1 − P(i ) ) = [(1 - P(A)) x (1 - P(B))] i =1 Figura 17 - Exemplo da ADB em paraleloDefinidas as probabilidades de falha, pode-se determinar o risco de cada sistema, juntando com estas,as perdas previstas devido à ocorrência das mesmas. castrorpc@yahoo.com.br 99
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.3.5 Análise de Causas e Conseqüências (ACC) A Análise das Causas e Conseqüências (AAC) ou Causa e Efeito de falhas se utiliza das mesmastécnicas de construção da Análise da Árvore de Eventos e da Análise da Árvore de Falhas. Como descrito em HENLEY e KUMAMOTO (1981), o procedimento para construção de umdiagrama de conseqüências inicia por um evento inicial, posteriormente cada evento desenvolvido équestionado:- Em que condições o evento induz a outros eventos?;- Quais as alternativas ou condições que levam a diferentes eventos?;- Que outros componentes o evento afeta?- Ele afeta mais do que um componente?;- Quais os outros eventos que este evento causa? De acordo com estes autores, "a tecnologia causa-conseqüência é um casamento da árvore defalhas (mostra as causas) e a árvore de eventos (mostra as conseqüências), todas elas tendo suaseqüência natural de ocorrência". Conforme DE CICCO (1989), trata-se de uma técnica que permite avaliar qualitativa equantitativamente as conseqüências dos eventos catastróficos de ampla repercussão e verificar avulnerabilidade do meio ambiente, da comunidade e de terceiros em geral. O processo consiste, sucintamente, em escolher um evento crítico, partindo-se para um lado, coma discretização das conseqüências e para outro, determinando as causas. A estruturação, a exemplo daárvore de falhas, também é feita através de símbolos. O Diagrama ACC mais conhecido é o de Ishikawa também conhecido como espinha de peixedevido à semelhança de sua representação gráfica. O diagrama apresenta como pontos fortes: é uma boa ferramenta de levantamento de direcionadores. é uma boa ferramenta de comunicação. estabelece a relação entre o efeito e suas causas. possibilita um detalhamento das causas.Mas, também apresenta os seguintes pontos fracos: não apresenta os eventuais relacionamentos entre as diferentes causas. não focaliza necessariamente as causas que devem efetivamente ser atacadas. O Diagrama de Ishikawa tem hoje grande importância como ferramenta de gerenciamento daqualidade, pois pode evoluir para um Diagrama de Relações (uma das sete ferramentas doPlanejamento da Qualidade ou Sete Novas Ferramentas da Qualidade) que já apresenta uma estruturamais complexa, não hierárquica. castrorpc@yahoo.com.br 100
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro5.3.5.1 Elaboração da ACC O diagrama de causa e efeito foi desenvolvido para representar a relação entre o “efeito” e todasas possibilidades de “causa” que podem contribuir para tal resultado. O efeito ou problema écolocado no lado direito do gráfico, e os grandes contribuidores ou “causas” são listados à esquerda.É importante notar que, para cada efeito, existem inúmeros conjuntos de causas. Para elaborar um diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa) siga os passos a seguir:a) Defina o problema a ser estudado e o que se deseja obter (o que deve acontecer ou o que deve serevitado).b) Procure conhecer e entender o processo: observe, documente, fale com pessoas envolvidas, leia.c) Reúna um grupo para discutir o problema, apresente os fatos conhecidos, incentive as pessoas adar suas opiniões, faça um “brainstorming” (chuva de idéias).d) Organize as informações obtidas, estabeleça as causas principais, secundárias, terciárias, etc.(hierarquia das causas), elimine informações irrelevantes, monte o diagrama, confira, discuta com osenvolvidos.e) Assinale os fatores mais importantes para obtenção do objetivo visado (fatores chave, fatores dedesempenho, fatores críticos). Para organizar o diagramade causa e efeito, você podeusar as seguintes classificaçõesde causas: os Ms (Mão deobra, Método, Material,Máquina, Meio ambiente,Medição, “Management”(gestão); ou 4Ps (políticas,Procedimentos, Pessoal,Planta). No entanto, estas sãoapenas sugestões.A Figura 18 apresenta ao ladoum diagrama esquematizadoque esclarece um poucomelhor a forma de estabelecere desenvolver os diagramas. Figura 18 – Diagrama Espinha de Peixe esquemáticof) Identificar o EFEITO (caso) em relação ao qual se decidiu pesquisar as causas em termos claros eprecisos. O “efeito” pode ser, por exemplo, o item de custo mais elevado.g) Estabelecer os objetivos e o tempo limite para as atividades de “brainstorming” (discussãoconjunta dos intervenientes na análise de caso).h) Desenhar, em local por todos visível, o esqueleto do diagrama, referindo as fontes principais dascausas a pesquisar castrorpc@yahoo.com.br 101
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroi) Escrever as sub-causas no topo das setas em branco e em tantas quantas forem às causas sugeridaspelos diversos membros do grupo que está a estudar o caso.j) Entre todas as causas sugeridas, selecionar uma para ser estudada em profundidade. Efetuarsucessivamente o mesmo tratamento a cada causa, eliminando aquelas que se revelarem nãoresponsáveis pelo efeito em estudo.k) Para a causa, ou causas, detectadas como responsáveis, serão depois estudados os “remédios” queconduzam à correção do “efeito”.EXEMPLO: Figura 19 – Diagrama Espinha de Peixe para acidentes biológicos5.4 ExercíciosExercício 32Para o seu estudo de caso, definido no Exercício 1, procure junto aos funcionários mais antigos deum setor ou departamento algum incidente crítico que tenha ocorrido e a través de entrevista busqueidentificar erros e condições inseguras contribuem para a ocorrência de acidentes com lesões reais epotenciais. Além disso, que tipo de estudo de risco está sendo proposto. TICExercício 33Para o seu estudo de caso, definido no Exercício 1, selecione um sistema e desenvolva a APR.Exercício 34Para o seu estudo de caso, definido no Exercício 1, selecione um sistema e desenvolva a AMFE.– Opção: realizar uma AMFE de um sistema de caixa d’água domiciliar.Exercício 35Suponha que um sistema de combustível complexo é suscetível aos vazamentos, de três tipos:Vazamento Automatizado, Vazamento Menor o Vazamento Maior. Considere uma probabilidadeuniforme para cada tipo de vazamento, 10%, 50% e 40% respectivamente. Para cada tipo devazamento suponha o seguinte: Vazamento Automatizado – Um vazamento automatizado não é detectado. castrorpc@yahoo.com.br 102
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro – Há risco de inflamar, se houver ignição. Suponha 10% de chance de ignição. Vazamento Menor – Um vazamento menor é detectado. Há uma chance de 80% de detectá-lo. – Há risco de inflamar, se houver ignição. Suponha 10% de chance de ignição. Vazamento Maior – Um vazamento menor é detectado. Há uma chance de 80% de detectá-lo. – Há risco de inflamar, se houver ignição. Suponha 10% de chance de ignição.Elabore uma Árvore de Eventos para o Evento Iniciador, Vazamento de Gás, e calcule aprobabilidade de cada resultado. castrorpc@yahoo.com.br 103
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroExercício 36 Elabore uma Árvore de Falhas para o – Taxa de falhas de componentes – Tubulação Ø 6” evento-topo Vazamento de Gás Natural. Taxa de Falhas Componente Diâmetro = 6” Considerando como pontos de vazamento a -7 tubulação, as válvulas a serem instaladas e os Tubulação 2,40 x 10 falhas/m.ano -6 Válvula de Bloqueio 4,86 x 10 falhas/ano flanges, cujas taxas de falhas estão Flange -5 4,00 x 10 falhas/ano discriminadas na Tabela ao lado. Considere Fonte: DNV – Det Norske Veritasainda: Comprimento = 2.500 m; Diâmetro = 6”; Quant. de Flanges = 6; Quant. de válvulas = 3 Vazamento de Gás Natural 7,40x10-3 oc/ano Vazamento por tubulação Vazamento por Válvulas Vazamento por flanges -7 -6 -5 19.500 m x 2,50x10 29 válv. x 7,42x10 58 flanges x 4,00x10 falhas/m.ano = falhas/ano.válv = falhas/ano.flange = -3 -4 -3 4,87 x10 falhas/ano 2,15 x10 falhas/ano 2,32 x10 falhas/anoExercício 37Elabore um Diagrama de Causa e Efeito para analisar o elevado consumo de combustível: castrorpc@yahoo.com.br 104
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroExercício 38A Árvore de Falhas apresentada na figura abaixo se refere a um secador de cabelo para o evento-topodo ar frio não sair. Calcule as probabilidades dos elementos intermediários e do evento-topo. Resposta: P(A1) = 0,0298 P(A2) = 0,0396 P(A3) = 0,0587 P(A4) = 0,0297 P(A5) = 0,1228Exercício 39Considere uma instalação na qual os reagentes A e B reagem entre si para formar o produto C.Suponha que a química do processo é tal que a concentração de B não deva nunca exceder a de A,senão ocorreria uma explosão: Reação química: A + B = C. Para o caso apresentado, considerando avariável Fluxo de A, selecione duas palavras-guia e monte a planilha Hazop.A é transferido numa vazão especificada (ou seja, o parâmetro é o “fluxo de A” ou “vazão de A”).O primeiro desvio é obtido aplicando-se a palavra-guia “NENHUM” à intenção. Isto é combinadocom a intenção para fornecer:“NENHUM” + “FLUXO DE A” = “NENHUM FLUXO DE A”O fluxograma é então examinado para estabelecer as causas que podem produzir uma paradacompleta do fluxo de A.Algumas destas são causas claramente possíveis e, portanto, pode-se dizer que este é um desvioimportante. Outras, não.Em seguida, para as causas possíveis deve-se passar para a próxima etapa e avaliar as conseqüências. castrorpc@yahoo.com.br 105
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroExercício 40Liste a seqüência de atividades que você teria que fazer para lavar 5 kg de roupa utilizando alavadora automática. Em seguida monte uma tabela What-If: 1. Selecionar roupa; 2. Ligar a máquina; 3.Encher de água; 4. Adicionar sabão; 5. Adicionar roupa; 6. Programar lavagem; 7. Desligar a máquina; 8.Retirar roupa; 9. Estender para secagem.Atividade O que aconteceria se Causas Conseqüências Observações e RecomendaçõesSeleção Fossem misturadas Falta de critério Roupas escuras com Criar critério de separaçãode roupas roupas claras e escuras ou conhecimento fiapos claros, roupas entre roupas claras e escuras claras manchadas de e instruir o responsável pela escuro atividadeSeleção Fossem misturadas Falta de critério Roupas boas sujas por Criar critério de separaçãode roupas roupas boas e ruins ou conhecimento fiapos entre roupas boas e instruir o responsável pela atividadeSeleção Fossem batidas roupas Falta de Danifica roupas boas, Criar critério e instruir ode roupas finas na regulagem de conhecimento, diminui sua vida útil responsável pela atividade roupas grossas esquecimentoSeleção Fossem batidas roupas Falta de Roupa fica mal lavada, Criar critério e instruir ode roupas grossas na regulagem de conhecimento, necessitando retrabalho responsável pela atividade roupas finas esquecimentoAdição de Fosse lavada pouca Esquecimento, Desperdício de água Lavar apenas quando o cestoágua roupa em nível alto de distração estiver cheio águaAdição de Fosse lavada muita Esquecimento, Roupa fica mal lavada, Deixar regulagemágua roupa em nível baixo de distração necessitando retrabalho permanentemente no nível água alto de águaAdição de Fosse adicionado Desconhecimento Roupa mal lavada, com Utilizar padrão único (coposabão excesso de sabão resíduos de sabão, plástico) vazamento de espuma, risco de escorregamento no pisoAdição de Fosse adicionado pouco Desconhecimento Roupa mal lavada, Utilizar padrão único (coposabão sabão permanece suja plástico)Retirada Não fosse retirada a Esquecimento Roupa úmida, com cheiro Instruir o responsável pelada roupa roupa lavada de mofo e amarrotada atividade; verificar ao telefonar no horário do almoço. castrorpc@yahoo.com.br 106
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroExercício 41O transporte rodoviário de cargas é um segmento essencial ao apropriado funcionamento da cadeialogística e continuamente busca resolver um problema específico pelo uso da FMEA: os atrasos nasentregas.Objetivo: Entrega no prazo corretoModo de Falhas: Atraso na entregaEfeito: Em função dos reduzidos níveis de estoques das empresas, o atraso na entrega de mercadoriaspode significar a parada da linha de produção e a perda de um cliente.Com base no objetivo apresentado acima, você deve:1. Preencher o modelo de formulário para FMEA disponível no nosso site para a causa com maioríndice de risco2. Calcular o índice de risco para as causas apresentadas no próximo slide3. Apontar ações a serem desenvolvidas para as 5 causas com maior índice de riscoSolução:1. Preencher o modelo de formulário para FMEA disponível no nosso site para a causa com maioríndice de risco Modos Causa das Possíveis Índices Medidas Categoria Métodos deProcesso de Falhas efeitos no O S D R preventivas e/ou de Risco Detecção Falhas sistema corretivas Atraso Imprudência Insatisfação/ Controle do Treinamento/ Entrega na III 3 8 8 192 Perda da Venda cronograma conscientização Entrega castrorpc@yahoo.com.br 107
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro2. Calcular o índice de risco para as causas apresentadas no próximo slide3. Apontar ações a serem desenvolvidas para as 5 causas com maior índice de risco6 - Responsabilidades pelo Produto A responsabilidade pelo produto ou por serviços pode ser analisada sobre diferentes âmbitos,desde a qualidade, passando pela sócio-ambiental até a civil-criminal.6.1 Responsabilidade e Qualidade castrorpc@yahoo.com.br 108
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Sobre o âmbito da qualidade, é comum nos dias de hoje a expressão “custo da qualidade”, noentanto, essa expressão consagrada traz algumas distorções, pois, na verdade, a qualidade não custa,o que custa e causa muito são os prejuízos às empresas associados com a falta de qualidade. Aqualidade representa uma forma de evitar esses custos, e, diga-se de passagem, um investimento comretorno assegurado. Sem nos prolongarmos nessa polêmica os custos da qualidade estão associados ao sucesso e aofracasso no processo de obtenção da qualidade, sendo representado pelo somatório dos custos de suasquatro categorias: custos de prevenção, custos de avaliação, custos de falhas internas e custos defalhas externas, conforme Figura 20. Figura 20 – Composição do Custo da Qualidade JURAN (1988) citado por MATTOS & TOLEDO (1998), define os chamados custos deprevenção e de avaliação como sendo "custos inevitáveis" e os custos de falhas (internas e externas)como sendo "custos evitáveis". Tendo em vista que esses últimos poderiam ser drasticamentereduzidos ao investir na melhoria da qualidade. Prevenção: São os custos associados às atividades de projeto, implementação e operação dosistema de gestão da qualidade, incluindo a administração e auditoria do sistema, em todo o ciclo deprodução(do projeto ao pós-venda). Ou seja, referem-se aos gastos ocasionados com o propósito dese evitar defeitos. Avaliação: Custos associados à medição, avaliação e auditoria de características da matéria-prima,componentes e produtos para assegurar a conformação com os padrões de qualidade. Ou seja,referem-se aos custos das atividades de inspeção (avaliação da qualidade) propriamente dita. Falhas Internas: Custos associados a materiais, componentes e produtos que não satisfazem ospadrões de Qualidade causando perdas na produção, e que são identificados antes do produto deixar aempresa. Ou seja, custos de falhas ocorridas e identificadas internamente à empresa. Falhas Externas: Custos gerados pela distribuição de produtos não conformes ou defeituosos aosclientes/consumidores. Ou seja, custos de falhas identificadas/ocorridas externamente à empresa. Para FEIGENBAUM (1994), os custos operacionais da qualidade (prevenção e avaliação) são"os custos associados à definição/planejamento, criação e controle da qualidade, assim como àavaliação e realimentação da conformidade com exigência em requisitos de desempenho,confiabilidade, segurança; e também custos associados às conseqüências provenientes de falhas, ematendimento a essas exigências, tanto internamente à empresa quanto nas mãos dos clientes." castrorpc@yahoo.com.br 109
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Como já vimos o Gerenciamento de Risco está relacionado com identificação, avaliação, análisee tratamento das falhas internas e externas, sendo ferramenta de grande auxílio na elaboração docusto da qualidade. Dentro das Falhas Externas, a empresa possui responsabilidade civil pelo produto correspondeaos custos incorridos pela empresa devido às reclamações de responsabilidade pelo produto ouserviço, inclusive, custos com advogados, registros e indenizações. Para compreendermos onde o Gerenciamento de Risco pode atuar na redução dos custos de qualidade, observe a Figura 21, nela, o gráfico mostra que: quando os custos de Prevenção (A) e de Avaliação (B) forem zero, o produto(ou lote) será 100% defeituoso e o custo de Falhas (C + D) tendem a ser muito elevado. Por outro lado, quando o produto(ou lote) é 100% dentro da qualidade de conformação, não há falhas, porém os custos de prevenção e de avaliação tende a ser muito alto. A idéia, então, é que se Figura 21 encontre um "ponto ótimo". Graficamente o ponto ótimo é representado na intersecção das curvas A+B e C+D. Fazendo-seuma análise mais apurada da figura apresentada, pode-se destacar três zonas ou regiões: zona demelhoria, zona de indiferença (ou de operação) e zona de perfeccionismo. A zona de melhoria é caracterizada por altos custos de falhas associados a uma má qualidade, e éonde a empresa identificará os projetos de melhorias e de aperfeiçoamento. A zona de perfeccionismo é caracterizada por altos custos de prevenção e avaliação associados auma excelente qualidade. Neste ponto, a empresa deve reavaliar o custo por defeito detectado,verificando se há necessidade de manter os níveis de inspeção e testes. Na zona de indiferença, a relação entre os custos de prevenção e avaliação e os custos de falhas érelativamente equilibrada, portanto ideal. É nessa região que se situa o ponto ótimo acima citado. A contraposição à teoria da existência de um ponto ótimo é sustentada também pela visãojaponesa do TQC (Total Quality Control), que prega a busca constante pela melhoria contínua e pelozero defeito. Por essa visão é possível se chegar próximo ao zero defeito (por ex. de 2 a 3 defeitos pormilhão) com custos de prevenção e de avaliação da qualidade que não inviabilizam um custocompetitivo para o produto. castrorpc@yahoo.com.br 110
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro6.2 Responsabilidade Cívil pelo Produto Conforme foi apresentado no tópico 2.2, quando falamos da evolução histórica doPrevencionismo e do Gerenciamento de Risco, as leis trabalhistas têm atribuído ao empregador cadavez mais responsabilidades referentes à saúde e segurança do trabalhador. Essa evolução temimplicações nas esferas civil e criminal do Direito sem manifesta vontade da vítima através doMinistério Público. Pode-se afirmar que o fenômeno da responsabilidade civil é tão antigo quanto à história dahumanidade, sempre ocorreram ações ou omissões por parte das pessoas, que de alguma formavieram a ocasionar prejuízos a outras, advindo assim à necessidade de reparação dos danos causados. Na sociedade moderna um dos temas que têm ensejado grandes controvérsias no meio jurídicoestá justamente relacionado à responsabilidade civil empresarial. Isso em função do extraordinárioavanço tecnológico e também sócio-econômico que vem se verificando, além da produção em massade produtos e serviços, passando a exigir uma maior conscientização acerca das responsabilidadesque as atividades das empresas e dos empresários podem gerar. Segundo lições da Profa. Maria Helena Diniz: “ Responsabilidade Civil é a aplicação de medidasque obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causados a terceiros, em razão de atopor ela mesma praticado, por pessoa por quem ela responda ou de simples imposição legal” . A responsabilidade civil, evolvendo o dano, o prejuízo, o nexo causal entre infração e infrator,bem como sua eventual culpa, visa reparar dano patrimonial e moral causado a outrem. Destamaneira, impõem-se ao responsável pelo dano o dever de sua reparação e à parte prejudicada odireito subjetivo de ser indenizada dos seus prejuízos. Deverá, pois, haver a recomposição dopatrimônio do lesado, obrigando-se o responsável a ressarcir todos os prejuízos acarretados. A dúvida que freqüentemente surge relaciona-se em definir em que circunstâncias a empresapoderá ser compelida a pagar indenização reparatória de dano, em decorrência do fornecimento deseus produtos e serviços. Basicamente duas teorias disputam o fundamento jurídico dessa reparação: a subjetiva e aobjetiva, também conhecida como responsabilidade pelo risco da atividade. A teoria subjetiva impõea obrigação de reparação de dano sempre que se possa provar a ocorrência de culpa empresarial. Pelateoria da responsabilidade objetiva, quem lucra com o exercício de uma atividade deve indenizar odano oriundo da exploração dessa atividade, independentemente da existência de culpa. Mas não sepreocupem, passaremos longe dessa discussão filosófica. A Responsabilidade Civil no Brasil foi estabelecida através da Lei de Defesa do Consumidor, Nº8.078, de 11 SET 90, que previu expressamente a responsabilidade dos fabricantes de produtos porfatos decorrentes de defeitos desses produtos. Além disto, na tentativa de equilibrar as "relações deconsumo", ela atribui determinados poderes aos consumidores e expressando responsabilidadesespecíficas aos "fornecedores", que são todos os envolvidos em determinada cadeia de comércio. Dentro do Código de Defesa do Consumidor (CDC) da Constituição Federal (CF) e do CódigoCívil (CC), alguns artigos devem ser ressaltados, pois dizem respeito diretamente ao Gerenciamentode Risco e à saúde e segurança do trabalhador, são eles: castrorpc@yahoo.com.br 111
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa) Logo no Art 6º, o CDC atribui com direito do consumidor a proteção da vida, saúde e segurançacontra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços consideradosperigosos ou nocivos.b) A Seção I do Capítulo IV – “Da qualidade de produtos e serviços, da prevenção e da reparação dedanos”, trata do exposto no título, porém especificamente da proteção à saúde e segurança dosconsumidores. A lei, no Art. 10º, resguarda inclusive sobre a proibição do fornecedor não poderá colocar nomercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau denocividade ou periculosidade à saúde ou segurança.c) Já a Seção II do Capítulo IV trata da responsabilidade pela reparação de danos, independentementeda existência de culpa, por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos ou serviços, bem comopor informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.d) Na Seção III do mesmo capítulo trata-se da responsabilidade por vício de produto ou serviço,quando os tornam impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam ovalor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes dorecipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentesde sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.e) Súmula 229 do STF – “A indenização acidentária não exclui a de direito comum em caso de doloou culpa grave do empregador”. O que em outras palavras quer dizer que o fato de ter sido pago aindenização acidentária nos moldes do Direito Trabalhista, o empregador não se exime de ações deprocessos na vara civil.f) CF, art. 7.º - “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoriade sua condição social: XXVIII - seguro contra acidente do trabalho, a cargo do empregador, semexcluir a indenização a que está obrigado, quando incorrer em dolo e culpa”.g) Art.. 159 do CC - “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudênciaviolar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.”h) Art. 186 do CC - “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violardireito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito” Não cumprimento das normas relativas à segurança e medicina do trabalho; das normascoletivas, do contrato individual de trabalho, das medidas propostas no PCMSO, PPRA, PCMAT,etc. Após essas referências à Legislação Brasileira é possível constatar a pressão do sistema jurídicosobre os fabricantes e prestadores de serviço com relação à proteção da vida, saúde e segurançacontra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços. A aplicação da Leis Brasileiras traz uma repercussão direta para o Gerenciamento de Risco, quedeve se ater em seus processos de identificação, análise, avaliação e tratamento dos riscos com osperigos advindos da utilização do produto, estendendo a proteção da vida, saúde e segurança dosfuncionários aos clientes/usuários.6.3 Responsabilidade Criminal pelo Produto castrorpc@yahoo.com.br 112
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A aplicação da responsabilidade criminal pelo produto está relacionada aos casos tipificados noCódigo Penal Brasileiro (CP), que em seu Art. 1º diz: “Não há crime sem lei anterior que odefina....”. Assim como no CDC, alguns artigos do CP devem ser ressaltados, pois dizem respeitodiretamente ao Gerenciamento de Risco e à saúde e segurança do trabalhador, são eles:a) Para que haja um crime é necessário estabelecer uma relação de causalidade, onde o resultado, deque depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa aação ou omissão sem o qual o resultado não teria ocorrido (Art. 13 do CP).b) O Art. 18 do CP define os crimes culposos, quando o agente deu causa ao resultado pornegligência, imperícia ou imprudência. No parágrafo único o legislador complementa: “Salvo oscasos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando opratica dolosamente.”, isto é, se o resultado foi culposo, somente será considerado crime se estivertipificado no CP.Essa tipificação de crime é a que se aplica aos acidentes de trabalho.c) O §3º, do Art 121º, trata do homicídio culposo simples, e nessa tipificação podemos enquadrar osacidentes de trabalho cuja culpa possa ser imputada à chefia, a qualquer preposto envolvido naatividade ou a um colega de trabalho desde que seja constatada negligência, imperícia ouimprudência. Mesmo quem também tenha sido vítima, qualquer pessoa que tenha contribuído para oresultado danoso poderá ser responsabilizado pelo evento. Se houver negligência, imperícia ou imprudência ficará caracterizado homicídio culposo e aculpa poderá ser: Pela falta de qualificação do profissional escolhido para executar o serviço; Pela falta de fiscalização durante os preparativos e execução do serviço; Pela imprudência ou imperícia por quem praticou o ato, causando dano ao colega; Pela negligência às cautelas recomendadas por parte agente; Pela falta de cautela ou atenção na guarda do bem. Após essas referências ao CP é possível constatar que o sistema penal brasileiro obriga a umapostura prevencionista no ambiente de trabalho, pois mesmo sem dolo, há a possibilidade decondenação penal por negligência, imperícia ou imprudência.OBS: Cabe ressaltar que em alguns casos, pode-se invocar para um mesmo fato as esferas cível epenal. Isto é possível quando o fato concreto é tipificado como crime pelo CP e importa em prejuízode ordem material, podendo ser este a suspensão temporária da capacidade de trabalho doempregado.6.3.1 Tipos de danos e responsabilidade criminala) Lesão Corporal: Art. 949. “No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará oofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além dealgum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.” Ressarcimento das despesas do tratamento (dano emergente); Lucros cessantes até o fim da convalescença (alta médica); Danos morais (se a lesão provocou uma situação vexatória); castrorpc@yahoo.com.br 113
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Danos estéticos (deformidade); Pensão vitalícia, correspondente à importância do trabalho, constituído de um capital para garantiro pagamento das prestações futuras (proporcional a inabilitação para a atividade que desempenhava).b) Homicídio: Art. 948. “No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outrasreparações:I – no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família;II – na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duraçãoprovável da vida da vítima.” Pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral, luto da família, jazigo, etc.(dano emergente); Danos morais Pensão mensal correspondente a 2/3 dos rendimentos do de cujus, até a época em que estecompletaria 65 anos (prestação de alimentos às pessoas a quem o defunto devia)c) Art. 951. “O disposto nos Arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida poraquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causara morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.”6.3.2 Alguns conceitos e definições de Direitoa) Condenação criminal art. 63 do CPP: Sentença condenatória transitada em julgado constitui títuloexecutivo judicial para reparação no juízo cível.b) Solidariedade pela reparação Art. 942 CC: Todos responderão em caso de mais de um autor aofensa.c) Responsabilidade objetiva art. 927 parágrafo único CC:Obrigação de reparar o dano, independentede culpa, quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por suanatureza, riscos para direito de outrem.d) Imputáveis - Empregador e seus agentes Sócios, gerentes, diretores ou administradores queparticipem da gestão da empresa, profissionais do SESMT6.3.3 Alguns crimes e penas a) Contravenção penal § 2.º art. 19 da Lei 8.213/91: Deixar de cumprir as normas de segurança ehigiene do trabalho. Pena de multab) Crime - art. 132 do CP: perigo para a vida ou a saúde de outrem - Expor a vida ou a saúde deoutrem a perigo direto e iminente. Pena: detenção de 3 meses a 1 ano, se o fato não constituir crimemais grave.c) Lesão corporal art. 129 CP detenção de 3 meses a 1 ano.d) Lesão corporal grave - Incapacidade por mais de 30 dias, perigo de vida, debilidade permanentede membro, sentido ou função, aceleração do parto. - § 1.º - reclusão de 1 a 5 anos. castrorpc@yahoo.com.br 114
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroe) Lesão corporal gravíssima - Incapacidade permanente, enfermidade incurável, perda ouinutilização de membro, sentido ou função, deformidade permanente, aborto. - § 2.º - reclusão de 2 a8 anosf) Lesão corporal seguida de morte - § 3.º- reclusão de 4 a 12 anosg) Homicídio culposo art. 121 § 3.º - detenção de 1 a 3 anosh) Homicídio doloso art. 121 reclusão de 6 a 20 anos6.4 Perícias Trabalhistasa) Lei 6514 de 22.12.1977 - Seção XIII - Das Atividades Insalubres ou PerigosasArt. 189. Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza,condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima doslimites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo deexposição aos seus efeitos. [...]Art. 191. A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá:I - com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância;II - com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam aintensidade do agente agressivo a limites de tolerância.Parágrafo único. Caberá às Delegacias Regionais do Trabalho, comprovada a insalubridade, notificaras empresas, estipulando prazos para sua eliminação ou neutralização, na forma deste artigo.Art. 192. O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerânciaestabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo da região,segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo.Art. 195. A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normasdo Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheirodo Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.§ 1º É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas requererem aoMinistério do Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo decaracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas.§ 2º Argüida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato emfavor de grupo de associados, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde nãohouver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho.b) Lei 5584 de 26.06.1970Art. 3º Os exames periciais serão realizados por perito único designado pelo Juiz, que fixará o prazopara entrega do laudo.Parágrafo único. Permitir-se-á a cada parte a indicação de um assistente, cujo laudo terá que serapresentado no mesmo prazo assinado para o perito, sob pena de ser desentranhado dos autos. castrorpc@yahoo.com.br 115
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro6.5 Responsabilidade Ambiental pelo Produto Com relação ao Meio ambiente não existe um código ainda, a legislação encontra-se espalhadaentre leis, decretos e portarias. Embora alguns admitam a responsabilidade para o dano causado a si próprio, o pensamentodominante afirma que a responsabilidade envolve sempre a reparação de bem alheio. Tal reparação,em geral pecuniária, nem sempre satisfaz o objetivo do ressarcimento, como ocorre, por exemplo, naesfera moral e na ambiental. Da mesma forma que nos acidentes de consumo, a responsabilidade civil em matéria ambiental étambém objetiva, isto é, quem danificar o meio ambiente tem o dever jurídico de repará-lo,independendo da verificação da culpa do agente causador do dano. Com efeito, a Lei de PolíticaNacional do Meio Ambiente consagra a responsabilidade objetiva ao determinar que “é o poluidorobrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados aomeio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade” (art. 14, § 1º, da Lei nº 6.938, de 31.8.1981). Cabe ressaltar que não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada,pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. A existência de um dano ao meioambiente é suficiente para iniciar o processo. Com base no acima exposto, percebe-se que o sistema jurídico fecha o cerco normativo comrelação à responsabilidade pelo produto com a inclusão da responsabilidade ambiental capaz degarantir de maneira à saúde e a segurança das gerações futuras.7 Avaliação de Perdas de um Sistema: Recursos Humanos Materiais e Operacionais. Controle de Danos e Controle Total de Perdas7.1 Introdução ao Sistema de Avaliação de Perdas Antes de prosseguirmos com o nosso tópico, faremos uma revisão ilustrativa sobre a evoluçãodas técnicas de Avaliação de Perdas através da Figura 22 abaixo: Figuras 22 – Evolução Cronológica das Técnicas de Avaliação de Perdas castrorpc@yahoo.com.br 116
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro O processo pelo qual ocorre uma perda por acidente é uma série seqüencial de causas de efeitosque resulta em danos aos recursos humanos e materiais ou em descontinuação operacional. Compõe-se de 3 fases distintas: Causa: Condição Potencial de Perdas / Fato: Acidente / Efeito: Perda Realou Perda Potencial Muito se tem divulgado sobre prevenção de danos, prevenção de perdas e controle total deperdas; em alguns casos, os termos têm sido usados para substituir a palavra segurança, isto temdificultado sobremaneira a compreensão do assunto. As teorias de controle de danos e de perdas contêm visões diferenciadas sobre os acidentes, bemcomo as atividades de segurança para preveni-los seus trabalhos, embora diferentes, têm como pontocomum o princípio de que a atividade de segurança só é eficaz quando está primordialmente dirigidapara o conhecimento e atuação nas causas dos acidentes, envolvendo toda a estrutura organizacional. Essas abordagens se assemelham em seu objetivo de “controle de danos” , ou “controle total deperdas” etc , porém diferem em aspectos básicos . Assim , há uma corrente que é fortemente baseadano aspecto administrativo de prevenção, conjugando as “velhas técnicas” a algumas outras maisrecentes, mas enfatizando a ação administrativa de controle e procurando desse modo fornecer uma“roupagem” nova à questão. A outra corrente é derivada de um enfoque mais técnico da infortunista,e que procura dar soluções técnicas, a problemas técnicos.7.1.1 Alguns Conceitos importantesa) Condição potencial de perdas: Condição ou grupo de condições capaz, sob certas circunstânciasnão-planejadas, de causar perdas. Como condição, ela é estática e de equilíbrio instável.b) Acidente: Acontecimento indesejado e inesperado, não programado que produz perdas ou pode.c) Perda Real e Perda PotencialPerda Real: produto do acidente; pode manifestar-se como lesão ou morte de pessoas, danos àpropriedade, perdas de produção, etc.Perda Potencial: também chamada de quase perda, é aquela que, em condições um pouco diferentes,poderia ter se transformado em perda real. As perdas normalmente podem ser avaliadas em termos de custos (reparo de equipamentosdanificados, despesas médicas, lucro cessante, aumento da taxa de seguro, etc.).d) Falta de controle: representa uma falha administrativa que pode estar ligada a planejamento, aaspectos de organização, à falta de tato diretivo-administrativo e à inexistência, por exemplo, depadrões de controle.e) Causas Básicas: advindas da inexistência de um controle técnico-administrativo adequado, devemser consideradas raízes, causas reais e indiretas e, portanto, aquelas que realmente devem seranalisadas.f) Causas imediatas: derivam da existência de atos e condições que transgridem algo preestabelecidoe já aceito, do que resultarão perdas na operação industrial. castrorpc@yahoo.com.br 117
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro7.1.2 Circunstâncias que levam às perdas Pode-se mapear as circunstâncias que mais levam a ocorrência de perdas e separá-las em 4grupos:- Pessoas: O trabalhador está diretamente envolvido, pois aquilo que as pessoas fazem ou deixam defazer é considerado fator causal imediato;- Material: Uma das principais fontes de causa de (in)acidente; elemento usado, transformado e doqual as pessoas se beneficiam;- Máquinas e equipamentos: Considerados com sendo as fontes principais de (in)acidentes,originando a necessidade de proteção de máquinas, que é desenvolvida através de pesquisas técnicas-científicas, e de treinamento para os operadores dos equipamentos;- Ambiente: Tudo aquilo que está ao redor do trabalhador durante o trabalho. Inclui o ar e asedificações, que na maioria são antigas e não atendem as mais novas normas de segurança e por issodevem ser adequadas através de estudos específicos. A Seqüência cronológica de como essas circunstâncias podem levar às perdas é dada pela Figura 23, de onde percebe-se que por falta de controle da Administração surgem as causas básicas (a origem do problema), de difícil detecção. Figuras 23 – Cronologia das Perdas A evolução do quadro necessita de uma causa imediata ou estopim, que apresenta sintomas epode ser evitada, caso não seja, culmina em um acidente ou incidente que gera perdas materiais,pessoais e outras.7.2 Avaliação de Perdas de um Sistema As perdas em um sistema podem recair sobre bens tangíveis: recursos humanos, equipamentos,instalações, processos, materiais; ou intangíveis como a imagem da empresa, motivação, qualidadeno ambiente de trabalho. Como não é o foco desta disciplina abordar a avaliação de todos os tipos de perdas,exemplificaremos dois fatores de perda básicos: o ausentismo e a paralisação de equipamentos,enfocando suas conseqüências sobre a produção e sobre o financeiro. No entanto, é importanteressaltar que a avaliação de perdas de um sistema é um processo quantitativo e deve ser o maispreciso possível. Dentro os métodos existentes o nosso escolhido é adequado para processos produtivosintermitentes, não sendo adequado à processos contínuos. castrorpc@yahoo.com.br 118
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro 7.2.1 Ausentismo Nosso primeiro passo é definir esse termo tão incomum, porém tão utilizado em nosso dia-a-dia. Ausentismo refere-se a ausência do trabalhador ao serviço, quando escalado para trabalhar, também chamado de falta ao serviço. Para avaliarmos as perdas pelo ausentismo, empregaremos o chamado Fator de Utilização de Pessoal (FUP), que corresponde a relação entre o tempo efetivamente trabalhado e o tempo disponível para a execução do que foi programado, ou seja: Horas − hom em − efetivamente − trabalhadas FUP = Horas − hom em − programadas Esse fator representa a fração dos recursos humanos programados que participou da produção fixada. A fração que não participou (ausentismo) foi a causa do não cumprimento dos objetivos e a perda causada (IAp – incidência do ausentismo na produção) é expressa por: IAp = PP (1 – FUP), onde PP é a produção programada 7.2.2 Paralisação de Equipamentos A paralisação de equipamentos também gera perdas (IEp – incidência da paralisação de equipamentos na produção) e é expressa por: PPxt , onde t = tempo de duração da falha IEp = N = número de equipamentos comprometidos TxN T = período de execução da tarefa EXEMPLO: Considerando um sistema com três setores em série (A, B e C), calcule IEp para cada setor e para toda a linha produtiva. PPx 2 ( PP − IEp1) x3 ( PP − IEp1 − IEp 2) x1 IEp = IEp1 + IEp 2 + IEp3IEp1 = IEp 2 = IEp3 = Tx 2 Tx1 Tx3 7.2.3 Exercício Exercício 42 Suponha que sua empresa de terraplenagem tenha programado executar um serviço de remoção e transporte de 150.000 m3 de terra, durante um período de 60 dias de trabalho. Calculou-se o preço de venda unitário (PVU) como sendo igual a R$ 32,00/m3 x km (US$ 2,00), e o preço de custo unitário (PCU) de R$ 24,00/m3 x km (US$ 1,50). Sabe-se que a distância entre a frente de trabalho e o bota- fora era de 15km, e a jornada de trabalho de 16 horas, em dois turnos de 8 horas. Para executar esses serviços a empresa dispunha de: I. Recursos humanos castrorpc@yahoo.com.br 119
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro - 40 motoristas de caminhão - 6 operadores de escavadeira - 4 operadores de trator - 8 operadores de pá carregadeiraII. Equipamentos - 20 caminhões de 10 m3 - 3 escavadeiras - 2 tratores - 4 pás-carregadeirasIII. Durante o período de 60 dias foi observado: - 5 acidentes com lesão: ausentismo = 500hh - Ausentismo por outras razões = 1.600hh - F1: uma escavadeira fica paralisada 6 dias - F2: uma pá-carregadeira fica paralizada 5 dias - F3: um caminhão fica paralisado 4 dias - F4: um caminhão fica paralisado 8 dias - F5: um caminhão foi destruído depois de 2 dias de trabalhoIV. Os custos calculados foram: - Custos Sociais: R$ 40.000,00 - Custos de Reparos R$ 192.000,00 - Custo médio de um caminhão: R$ 480.000,00 A partir dos dados e do esquema acima, pede-se para determinar:a) A incidência de ausentismo na produçãob) A incidência da paralisação do equipamento na produçãoc) O lucro perdido neste período7.3 Sistema de Controle de Danos Como já vimos anteriormente no tópico 2.2 Evolução Histórica, H. W. Heinrich elaborou, pelaprimeira vez, estudos considerando os danos à propriedade, estabelecendo a proporção de 1:29:300 (1acidente grave; 29 lesões leves; e 300 acidentes sem lesões – danos à propriedade). Figura 24. Frank Bird Jr. incluiu na abordagem de Heinrich os incidentes que apresentavam lesões ou danosinvisíveis Figura 24. Ampliando seus estudos Bird incluiu os desvios padrões, isto é, situações de nãoconformidade que poderiam ou não vir a se tornar incidentes ou acidentes. Para BIRD (1978), prevenindo e controlando os incidentes através do controle de perdas, todos:pessoas, equipamentos, material e ambiente, estariam protegidos com segurança. castrorpc@yahoo.com.br 120
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro É importante observar que nasce aqui um novo conceito: os acidentes com danos à propriedade.Anteriormente aos estudos de Bird, acidentes eram somente aqueles acontecimentos que resultassemem lesão pessoal. A partir dos estudos de Bird, além das lesões pessoais também começaram a serconsiderados como acidentes, quaisquer acontecimentos que gerassem danos á propriedade, ou seja,aqueles acontecimentos que provocassem perdas para a empresa, mesmo que substanciais, em termosde materiais e equipamentos. Figuras 24 – Pirâmides de Heinrich Bird e de Du Pont Safety Resources Para Bird apud DE CICCO e FANTAZZINI (1986), um programa de Controle de Danos éaquele que requer identificação, registro e investigação de todos os acidentes com danos àpropriedade e determinação de seu custo para a empresa, sendo que todas estas medidas deverão serseguidas de ações preventivas. Desta forma, o objeto de um programa de Controle de Danos são todos os acidentes que resultamem lesão pessoal ou dano à propriedade, mesmo de pequena importância, isto é, sem descuidar dosacidentes com danos pessoais - o homem é o fator preponderante em qualquer programa deengenharia de segurança -, tinha o objetivo principal de reduzir as perdas oriundas de danosmateriais. Na implantação de um programa de Controle de Danos é importante a consciência de que umprocesso de mudança requer um período planejado, de educação e comunicação, até que os motivos,objetivos e importância de tal mudança sejam assimilados por todos. A devida proteção do patrimônio organizacional está condicionada ao conhecimento ouidentificação prévia de todos os elementos e fatores que tornam possível o acontecimento de perdas.Sob esse enfoque, é necessário que o profissional encarregado da gestão dos riscos organizacionaisutilize os vários recursos disponíveis com o objetivo de evitar a materialização dos riscos e, porextensão, a ocorrência das perdas. Entre os recursos citados está conhecimento das ações prevencionistas cujo fundamento estáalicerçado nas várias metodologias que possibilitam a identificação de riscos. No entanto, como castrorpc@yahoo.com.br 121
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroafirmam De Cicco & Fantazzini (1985), não existe um método ótimo que permita uma totalidentificação. Na prática, deve-se utilizar a combinação dos vários métodos existentes, para aabrangência do maior número de informações possíveis sobre os riscos. Assim sendo, é indispensávelque o gestor conheça e operacionalize as várias técnicas disponíveis visando a correta aplicação dasmesmas no âmbito organizacional. Isto conforme as características possuídas pela empresa e asvariáveis que intervém sobre a mesma como: tamanho das instalações físicas, sistema de produçãoutilizado, bens/ou serviços ofertado ao mercado, número de funcionários, relação com o meio que acerca (clientes, fornecedores, órgãos governamentais etc.) etc. A Tabela 12, apresenta uma orientaçãopara utilização das técnicas de análise de Risco estudadas em tópico anterior. Planos de Ação Técnicas de Análise Prevenção de lesões Técnica de Incidentes Críticos (TIC), Análise qualitativa Acidentes c/ danos à propriedades TIC, Análise qualitativa Prevenção e combate a incêndios Análise qualitativa, Análise quantitativa Higiene do trabalho Análise qualitativa, Análise quantitativa Segurança patrimonial TIC, Análise qualitativa Segurança do produto APR, FMEA, AAF, Análise de procedimentos Redução das perdas por absenteísmo Análise das causasRedução das perdas por paralisação de equipamentos Confiabilidade, FMEA, Análise de procedimentos Tabela 12 – Técnicas utilizadas no controle de danos Os 4 aspectos básicos do programa de “CONTROLE DE DANOS” , proposto por BIRD , ecolocado em prática foram: informação, investigação, análise e revisão do processo.7.4 Controle de Perdas A Prevenção e o Controle de Perdas constituem um conjunto de diretrizes técnicas eadministrativas, que considera que os acidentes são evitáveis, se ações gerenciais adequadas foremtomadas. Considera que as perdas provocadas pelos acidentes têm causas semelhantes ás causas deoutras perdas empresariais tais como produtos fora de especificação, agressão ao meio ambiente,perdas de materiais, desperdícios, etc. A divulgação e aplicação cada vez maior das metodologias deanálise de segurança de sistemas vêm consolidando o conceito de que a prevenção e controle deperdas é uma diretriz de posturas técnicas e administrativas, com o objetivo principal de conhecer osriscos de uma atividade e promover medidas para o seu controle. Esta teoria foi proposta em 1970, pelo canadense John A. Fletcher, que partiu do pressuposto deque os acidentes que resultam em danos às instalações, aos equipamentos e aos materiais têm asmesmas causas básicas do que os que resultam em lesões, sendo que o objetivo do Controle Total dePerdas é o de reduzir ou eliminar todos os acidentes que possam interferir ou paralisar o sistema. Enquanto a segurança e a medicina do trabalho tradicional se ocupavam da prevenção de lesõespessoais, e o Controle de Danos de Bird dizia respeito aos acidentes que resultem em lesão pessoalou dano à propriedade, o Controle Total de Perdas envolve os dois conceitos anteriores no que serefere aos acidentes com lesões pessoais e danos à propriedade englobando ainda: perdas provocadaspor acidentes em relação à explosões, incêndios, roubo, sabotagem, vandalismo, poluição ambiental,doença, defeito do produto, etc. castrorpc@yahoo.com.br 122
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Então, em termos gerais, pode-se dizer que o Controle Total de Perdas envolve: -prevenção de lesões (acidentes que tem como resultado lesões pessoais); - controle total de acidentes (danos à propriedade, equipamentos e materiais); - prevenção de incêndios (controle de todas as perdas por incêndios); - segurança industrial (proteção dos bens da companhia); - higiene e saúde industrial; - controle da contaminação do ar, água e solo; - responsabilidade pelo produto. Para FERNÁNDEZ (1972), para implantar-se um programa de Controle Total de Perdas deve-seir desde a prevenção de lesões ao controle total de acidentes, para então chegar-se ao Controle Totalde Perdas.8 - Metodologia para Análise de Custo de Acidentes8.1 Análise Histórica Como já visto Heinrich (1931) estabeleceu a proporção 1:29:300, porém não considerava danosà propriedade. Com base nisto estabeleceu uma razão entre estes dois tipos de custos (diretos eindiretos), traduzida pela conhecida imagem do “Iceberg”, K = Custo Indiretos / Custos Diretos 4:1.Bird (1966) em seus estudos, considerando os danos às propriedades estabeleceu 1:100:500 e K =6:1, variável de empresa para empresa. O ICNA (1969) chegou a razão de 1:10:30:600, jáconsiderando os quase-acidentes.Andreoni [1985], desenvolveu uma metodologia que analisa de uma forma integrada os custos dosacidentes e dos danos materiais; Fisa [1991], desenvolveu uma metodologia de análise dos custos nãosegurados, Pastore [1999], efectuou uma análise à dimensão económica dos acidentes e doençasprofissionais do Brasil, tendo obtido uma relação entre custos segurados e não segurados de 1:5.Além de variáveis como, o tempo perdido, despesas com primeiros socorros, destruição deequipamentos e materiais, interrupção da produção, formação de mão-de-obra, substituição detrabalhadores, pagamento de horas-extras, recuperação dos trabalhadores, salários pagos aostrabalhadores afastados, despesas administrativas, prestações em espécie e custos de reparação,incluiu também os custos suportados pelas famílias. Os acidentes de trabalho causam danosapreciáveis aos trabalhadores e às suas famílias reduzindo o seu rendimento, afectando o emprego,originando gastos com a readaptação domiciliária. Mas, mais importante ainda será seguramente ador, o sofrimento e o estigma do sinistrado.8.2 Dados Estatísticos OIT Safety in Numbers (2003) Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorrem cerca de 270 milhões deacidentes de trabalho e cerca de dois milhões de mortes por ano em todo o mundo. Estima-se que 4% do Produto Interno Bruto (PIB) sejam perdidos por doenças e agravosocupacionais, o que pode aumentar para 10% quando se trata de países em desenvolvimento. NoBrasil, com base no PIB do ano 2002, essas estimativas de perda ficariam entre US$21,899,480 eUS$54,748,700 refletindo baixa efetividade das políticas e programas de prevenção de agravos àsaúde no trabalho. castrorpc@yahoo.com.br 123
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro INSS (2003)Figuras 25 – Custo comAcidente de Trabalho – INSS(2003) Segundo o diretor do Departamento de Política de Saúde e Segurança Operacional do ministério,Remígio Todeschini, “o índice de doenças ocupacionais no país saltou de 5.800 registros em 1990para mais de 27 mil em 2005”.8.3 Panorama Nacional e Internacional De acordo com o diretor do Departamento de Política de Saúde e Segurança Operacional doMinistério do Trabalho, Remígio Todeschini, o governo gasta R$ 9,8 bilhões por ano emaposentadorias especiais e custos com acidentes de trabalho. Adicionados os custos indiretos, essevalor alcança R$ 40 bilhões. O objetivo prático da Previdência é repassar parte do encargo comacidentes de trabalho para a iniciativa privada. Estudo apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, mostra que alguns dospaíses mais desenvolvidos do mundo são os que têm menos mortalidade por acidentes de trabalho.De acordo com o estudo, enquanto que no Brasil o coeficiente de mortalidade no trabalho é de 14,8pessoas a cada 100 mil trabalhadores, na Espanha esse índice é de 8,3, no Canadá, de 7,2, na Françade 4,4 e na Finlândia, de 2,1. “O que a gente vê nos países mais desenvolvidos é que há um investimento muito importantenessa área. Se você pegar os países da União Européia, da América do Norte, no Japão, existeinvestimento muito grande na área de saúde do trabalhador, porque a melhoria das condições detrabalho também reflete na produtividade desses países”, afirma o coordenador da Área Técnica deSaúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Marco Antônio Perez. Na opinião do diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério doTrabalho e Emprego (MTE), Rinaldo Marinho, “A maior dificuldade é que algumas empresas nãoencaram as medidas de prevenção de acidentes e doenças como investimento, encaram como custo,porque elas não computam nas suas contas os prejuízos que são gerados quando ocorre um acidentede trabalho ou quando o trabalhador adoece”.8.4 Quem perde com os acidentes de trabalho? As consequências dos acidentes de trabalho ultrapassam as fronteiras da própria empresa[Krüger, 1997], podendo atingir outras empresas e instituições, trabalhadores individuais e, em certoscasos, a própria Sociedade em si. castrorpc@yahoo.com.br 124
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Uma boa forma de identificar os custos de um acidente é através do levantamento das perdasgeradas, sejam elas quais forem. Surge então um questionamento: “Quem perde com os acidentes?” O acidentado: que sofre com dores, doenças, mutilações ou mesmo a morte; A família: terá mais despesas com medicamentos, perderá tempo no tratamento, possíveisimpactos financeiros em caso de mais de um vínculo empregatício do acidentado; A sociedade: aumento do número de dependentes da sociedade seja diretamente através debenefícios previdenciários, ou indiretamente, através de classes empobrecidas e mendicantes; A Nação: haverá uma sobrecarga no sistema de atendimento médico: o (Próteses / órteses – dente postiço, olho de vidro, perna mecânica, óculos, marca-passo, etc; o Instrumentos de auxílio – cadeira de rodas, muletas, etc; o Reabilitação – fisioterapia, massagem, ginástica; o Despesas médicas, hospitalares e farmacêuticas; E sobrecarga no sistema previdenciário, acarretando despesas com auxílios, pensões por morte eaposentadorias por invalidez; transporte do acidentado; perícias e salário do acidentado – a partir do16º dia de afastamento. A empresa: o Pagamento do salário do trabalhador acidentado: 10s. – 15 dd; o Pagamento dos salários dos colegas do acidentado; o Perda de motivação e queda na imagem interna da empresa; o Queda da produção do empregado acidentado, quando retorna ao trabalho (re-treinamento); o Baixa produtividade do substituto do acidentado/treinamento; o Despesas decorrentes do pagamento de horas extras objetivando repor a produção do setor onde ocorreu o AT, a reparar e/ou substituir máquinas e/ou equipamentos; o Perda de matéria prima, de bens em processamento ou de produtos acabados, quebra de ferramentas; o Despesas com aluguel de equipamentos; o Pagamento de multas contratuais, pelo fato da empresa não ter fornecido determinado produto ao cliente, na data acordada entre as partes; o Lucros cessantes (não ter produto para vender); o Má fama da empresa perante a sociedade: INSS, SRTE, Ministério Público, empregados da empresa e suas respectivas famílias, etc; o Tempo despendido em reuniões, nas atividades de coleta de informações sobre o AT e inspeções in loco, etc.8.5 Conceitos Importantesa) Acidente de Trabalho (Prevencionista) Acontecimento imprevisto que suspende ou interfere no prosseguimento de uma tarefa ouatividade, podendo trazer como conseqüência: perda de tempo, danos materiais, lesões físicas edoenças relacionadas ao trabalho.b) Acidente de Trabalho (Legal) Acidente do Trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa,provocando lesão corporal ou perturbação funcional, que cause a morte, ou perda, ou redução, castrorpc@yahoo.com.br 125
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castropermanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Os acidentes legais podem serclassificados em: sem afastamento e com afastamento. São ainda considerados acidentes de trabalho: Doença Profissional: Produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar adeterminada atividade. Doença do Trabalho: Adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que otrabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. O acidente sofrido pelo empregado no local e horário de trabalho em conseqüência de:– Ato de sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro, inclusive companheiro de trabalho;– Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada com o trabalho;– Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro, inclusive companheiro detrabalho;– Ato de pessoa privada do uso da razão;– Desabamento, inundação ou incêndio;– Outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. O acidente sofrido pelo empregado ainda que fora do local e horário de trabalho:– Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;– Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionarproveito;– Em viagem a serviço da empresa, seja qual for o meio de locomoção utilizado, inclusive veículode propriedade do empregado; O acidente sofrido pelo empregado ainda que fora do local e horário de trabalho:– No percurso da residência para o trabalho ou deste para aquela;– No percurso para o local de refeição ou de volta dele, em intervalo de trabalho.c) Acidente sem afastamento: É qualquer acidente simples que ocorrer dentro do ambiente de trabalho e que permita que ofuncionário continue trabalhando normalmente no mesmo dia ou no dia seguinte.d) Acidente com afastamento: Temporário parcial: É quando o funcionário se machuca a ponto de precisar ficar afastado doserviço por um período de tempo inferior a 1 (um) ano. Temporário total: O acidente é classificado como temporário total, quando o acidentado tiver queficar afastado do serviço por mais de um ano, retornando ao trabalho depois desta data. Permanente parcial: É quando a vítima sofre algum dano permanente, como a perda de ummembro, por exemplo, ficar afastado por um período de tempo e retornando ao trabalho mesmoassim. Podendo ser reabilitado para uma ou outra função caso há perca permanente ou incapacitaçãode exercer as mesmas atividades anteriores. castrorpc@yahoo.com.br 126
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Permanente total: É quando a vítima sofre algum dano que a torna incapacitada para qualquer tipode trabalho. Como por exemplo, se a vítima ficar tetraplégica, ou como problemas mentais. Nestecaso o trabalhador recebe aposentadoria por invalidez. Fatal: Quando ocorre morte de um funcionário em ambiente de trabalho.8.6 Tipos de Custos H. W. Heinrich [1959] efetuou os primeiros estudos no âmbito de uma análise econômica dasinistralidade laboral. Considerou que os custos dos acidentes de trabalho se dividiam em doisgrandes grupos. Os custos diretos e os custos indiretos. Os primeiros, também designados porsegurados, englobam: indenizações, gastos em assistência médica e encargos acessórios de gestão,podendo ser representados pelo prêmio de seguro. Os segundos, também designados por nãosegurados, englobam uma série de fatores ligados à cadeia do acidente de trabalho e que envolvemcustos como o tempo perdido pelo sinistrado e seus colegas, tratamentos ministrados na própriaempresa, custos materiais, comerciais e administrativos, entre outros. Outra divisão dos tipos de custos considera a possibilidade de mensuração dos custos e os divideem quantificáveis e não-quantificáveis. Já em relação existência podem ser fixos ou variáveis.8.6.1 Custos Diretos e Indiretos8.6.1.1 Custos Diretos São todos os custos em que exista relação causa-efeito bem definida. Resultam de um acidenteou de uma forma de acidente bem determinada, sendo possível imputá-los, em separado, a diversasvariáveis em relação direta com o objeto do custo. Os Custos Diretos compreendem as compensações salariais (indenizações, dias (tempo)remunerados e não trabalhados), os custos com atendimento médico (primeiros socorros, tratamentomédico, plano de saúde) e são também chamados de custos segurados são as contribuições mensaispagas pelo empregador à Previdência Social. O empregador, pessoa física ou jurídica, é obrigado acontribuir sobre a folha de salários, da seguinte forma: - 1%, 2% ou 3% sobre o salário de seus empregados, de acordo com o grau de risco da atividadeda empresa; - 12%, 9% ou 6% exclusivamente sobre o salário do empregado, cuja atividade exercida ensejara concessão de aposentadoria aos 15, 20 ou 25 anos de contribuição – GFIP. No Brasil, uma parte substancial dos custos diretos com acidentes de trabalho recai sobre oMinistério da Previdência Social que, por meio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS),tem a missão de garantir o direito à previdência social. Esta é definida como um seguro socialdestinado a reconhecer e conceder direitos aos segurados, cujas contribuições destinam-se ao custeiode despesas com vários benefícios. Entre eles, a compensação pela perda de renda quando otrabalhador encontra-se impedido de trabalhar por motivo de doença, invalidez, idade avançada,morte, desemprego involuntário, maternidade ou reclusão. O INSS é responsável pelo recolhimentodas contribuições e custeio das despesas com o pagamento dos benefícios do Sistema Único deBenefício (SUB). castrorpc@yahoo.com.br 127
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro8.6.1.2 Custos Indiretos Os custos indirectos são os gastos que contribuem para o custo dos acidentes, mas cujaimputação não é conseguida directamente [Afonso, 2002]. Representam custos relacionados com asinistralidade, mas onde a relação causa-efeito não está bem definida. Os custos indiretos ou não segurados são o total das despesas não facilmente computáveis,resultantes da interrupção do trabalho, do afastamento do empregado da sua ocupação habitual, danoscausados a equipamentos e materiais, perturbação do trabalho normal e outros. Simonds e Grimaldii [1978] criaram classes de lesões incapacitivas para os custos indiretos, ounão segurados, sendo atribuído um custo médio por classe. São classes de lesões de incapacidade:permanente parcial; temporária; para o trabalho e com prejuízos materiais; só com prejuízos materiaise perdas de tempo significativas. O custo total dos acidentes seria a soma dos valores dos custos dasdiferentes classes com o prêmio de seguro. Entre os custos indiretos podemos citar:1.1 Salário que deve ser pago ao acidentado no dia do acidente e nos primeiros 15 dias deafastamento, sem que ele produza.1.2 Multa contratual pelo não cumprimento de prazos1.3 Perda de bônus na renovação do seguro patrimonial1.4 Salário pago aos colegas do acidentado1.5 Despesas decorrentes da substituição ou manutenção de peça danificada1.6 Prejuízos decorrentes de danos causados ao produto no processo1.7 Gastos de contratação e treinamento de um substituto1.8 Pagamento de horas-extras para cobrir o prejuízo causado à produção1.9 Gastos de energia elétrica e demais facilidades das instalações (horas-extras)1.10 Pagamento das horas de trabalho despendidas por supervisores e outras pessoas e ouempresas:- Na investigação das causas do acidente- Na assistência médica para os socorros de urgência- No transporte do acidentado- Em providências necessárias para regularizar o local do acidente- Em assistência jurídica- Em propaganda para recuperar a imagem da empresa Em caso de acidente com morte ou invalidez permanente ainda devemos considerar o custo daindenização que deve ser pago mensalmente até que o empregado atinja a idade de 65 anos. castrorpc@yahoo.com.br 128
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro8.6.2 Custos Fixos e Variáveis8.6.2.1 Custos Variáveis Os custos variáveis são influenciados pelo nível de sinistralidade e podem ser proporcionais,decressivos ou progressivos. Os custos proporcionais variam linearmente com o nível desinistralidade, os decressivos crescem menos que proporcionalmente e os progressivos crescem maisrapidamente de que o nível de sinistralidade laboral.8.6.2.2 Custos Fixos Os custos fixos são independentes do nível de sinistralidade. Hogreen et al [1999], consideramque os custos fixos podem ser evitáveis ou inevitáveis. Os primeiros são os que desaparecem casouma operação seja eliminada, enquanto que os custos inevitáveis são os que permanecem mesmo quea operação seja suprimida.8.6.3 Custos Quantificável e Não-quantificávela) Aspectos Psicológicos: Trauma psicológico produzido nos trabalhadores de uma empresa devido àocorrência de um acidente grave. Como quantificar isto? Muito difícil... Mas é inegável a influêncianegativa do acidente sobre o grau de motivação dos trabalhadores sobre a produtividade. Nos funcionários: Trauma psicológico → Imagem interna negativa → Queda na motivação Nos Clientes: Trauma Psicológico → Imagem externa negativa → Queda nas vendasb) Aspectos Fisiológicos: por exemplo, stress, que é um conjunto de reações fisiológico-hormonaisque ocorrem no organismo sob forte tensão, medo ou pavor. Como podemos quantificar a (perda de)produtividade de um trabalhador sujeito a um estado contínuo de stress? Quais os efeitos dosincidentes sobre o organismo, a curto e longo prazo, no trabalhador e na empresa? Figuras 26 – Custo não-quantificável – Aspectos fisiológicos castrorpc@yahoo.com.br 129
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroc) Aspectos orgânicos e laborátivos: Qual é a produtividade de trabalhador que, após ter se acidentado gravemente, é consideradoapto para voltar ao trabalho? Podemos afirmar que a produtividade é a mesma do que era antes doacidente? Figuras 27 – Custo não-quantificável – Aspectos orgânicos e laborátivosd) Imagem Externa e Mercado: O que representa para uma empresa a ocorrência de um acidente grave em termos de imagemexterna e de mercado? O impacto de um acidente grave representa:- Internamente: diminuição na produtividade- Externamente: queda nas vendase) Aspectos individuais e sociais: O que representa o acidente de trabalho para a vítima do mesmo? E para sua família? O querepresenta o acidente de trabalho para a Nação em termos do chamado Custo Social da Incapacidade?8.7 Fator Acidentário Previdenciário O FAP, criado pelo artigo 10 da Lei nº 10.666/2003 é um mecanismo para aumentar ou diminuiras alíquotas de contribuição das empresas ao seguro de acidente de trabalho (SAT), dependendo dograu de risco de cada uma delas. A aplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) específico por empresa ocorrerá a partirde janeiro de 2010. O prazo está previsto no Decreto 6.577/2008. Para o cálculo do FAP, a Previdência considerou as ocorrências acidentárias conformemetodologia aprovada pelo Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS). Foram consideradas asocorrências do dia 1º de maio de 2004 a 31 de dezembro de 2006. Atualmente, há três alíquotas de contribuição ao seguro de acidente de trabalho, de 1%, de 2% ede 3%. Elas são aplicadas de acordo com o grau de risco do ramo de atividade, cabendo aos setores castrorpc@yahoo.com.br 130
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrocom maior incidência de doenças e acidentes uma contribuição maior. Com a instituição do FAP, aalíquota será definida pelo desempenho de cada empresa. A nova metodologia vai beneficiar as empresas que investem em prevenção de acidentes, queterão redução de alíquotas de contribuição de até 50%. Aquelas com alta incidência de acidentesdeverão arcar com aumento de até 100% na alíquota de contribuição, pois não cabe a todos oscidadãos via previdência a responsabilidade pelo custo dos acidentes devido a condições insalubres einadequadas oferecidas por alguns segmentos econômicos. A intenção, segundo ele, é criar a cultura da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.FAP - O FAP é um multiplicador a ser aplicado às alíquotas de 1%, 2% ou 3% incidentes sobre afolha de salários, para financiar o Seguro Acidente de Trabalho (SAT). Ele varia de 0,5 a 2,0, o quesignifica que a alíquota de contribuição da empresa pode ser reduzida à metade ou dobrar. Empresasque oferecem maior risco, com um número maior de acidentes e doenças do trabalho, pagam taxasem percentuais que vão de 3% a 6%.EXEMPLO: uma determinada empresa que faz parte de um ramo de atividade de alto risco (que temalíquota de 3%), isoladamente, apresenta os menores indicadores de risco de acidentes. Graças aobom desempenho dessa empresa em relação à segurança do trabalho, ela tem um FAP de 0,5. Entãomultiplica-se a alíquota de 3% (do ramo de atividade) por 0,5 (da empresa). O resultado, de 1,5%,será a nova alíquota de contribuição dessa empresa. Já a empresa classificada no mesmo ramo deatividade, com alta incidência de morbidade, terá um FAP de 2,0, que multiplicado pelos 3% chega-se a alíquota de 6%.8.8 Custos com insalubridade e periculosidade Quando se fala em custo de acidentes uma questão que sempre aparece é a análise entre osadicionais de insalubridade e periculosidade. A maioria dos especialistas considera que a percepçãoao adicional de insalubridade representa uma posição retrógrada da legislação trabalhista brasileira,pois representa a monetarização do risco, é como se através do adicional a empresa segurasse osdanos causados. Deve-se ter em mente que pequenas falhas administrativas ligadas à questão do adicional deinsalubridade, poder gerar custos, que poderiam ser suprimidos com uma política eficiente desegurança do trabalho:– Erros de avaliação: a empresa acha que não tem ambientes insalubres, mas os tem;– Não adoção de medidas (simples) que podem eliminar e/ou descaracterizar a insalubridade– Desvios ou falta de clareza de funções– Não isolamento do risco ocupacionalNOTA: A Quarta súmula vinculante do STF de 30 ABR 08, diz:"Salvo os casos previstos naConstituição Federa, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo devantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial." Bem,isto quer dizer no calcula do adicional de insalubridade o salário mínimo não pode ser usadocomo base de cálculo.8.9 Custo de Acidente de Trabalho x Investimento em Segurança castrorpc@yahoo.com.br 131
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Em literatura económica custo pode ser definido como o sacrifício necessário de recursos paraatingir um determinado objectivo. Para Ibarra [1999] o custo não deve ser entendido como umaperda, mas como o passo necessário para obter o lucro. De acordo com o prof. José Pastore (FIPE/USP), para cada R$ 1 investido em Segurança ePrevenção de Acidentes, economiza-se cerca de R$ 4 em perdas e danos com acidentes e doençasocupacionais. Além disso, o déficit da Previdência Social e a elevação dos gastos com acidentes de trabalhoestão provocando mudanças tanto na cobrança do Seguro Acidente de Trabalho (SAT) quanto nopagamento dos adicionais de insalubridade, com a criação de novos critérios para a concessão deaposentadorias especiais. A flexibilização do SAT pretende, através da cobrança de percentuais diferenciados, ampliar aconsciência de empregadores quanto às necessidades de investimento na prevenção. O INSS concluiu que o empregador que gera acidentes ou doenças ocupacionais deve serresponsabilizado pela situação gerada e financiar os custos que recaem sobre o organismoprevidenciário, e vice-versa; Fatores previdenciários (FAP Fator Acidentário Previdenciário) que consideram a quantidade deocorrências de origem acidentária ou doenças ocupacionais relatadas e organizadas pelo CID, agravidade destas ocorrências e seu custo para o INSS serão o diferencial para cada empresa, quepoderá dobrar o SAT ou reduzí-lo pela metade, dentro de um mesmo grupo homogêneo de empresas; Este sistema de bônus/malus representa um estímulo para que as empresas invistam em SST,uma vez que os percentuais recaem sobre o valor total da folha de pagamentos. As alterações adotadas para a concessão da aposentadoria especial representam importantesmodificações na captação de recursos pelo INSS, e ao mesmo tempo, uma ferramenta indireta paraestimular a ampliação de investimentos em SST. Ao criar sobretaxas de 6%, 9% ou 12% (de acordo com a classificação de risco da empresa)sobre o salário para empresas que expõe seus trabalhadores a agentes nocivos, a Previdência criouum estímulo à eliminação dos agentes nocivos e ao fim do adicional de insalubridade.8.10 Métodos de Cálculo8.11 Métodos Existentes8.11.1 Método de Heinrich para o cálculo dos custos dos acidentes Heinrich [1959], propõe a seguinte expressão para o cálculo dos custos dos acidentes (Cacc). Cacc = Cas + Ch , com Ch = 4Cas → Cacc = 5Cas Os custos de assistência médica e indemnizações dos acidentes (Cas) constituem a primeirarubrica de custos e são facilmente contabilizáveis. O segundo grupo de custos, Ch, diz respeito aos custos indirectos ou ocultos, Heinrichdesignava-os por “hidden costs”. São suportados directamente pela entidade empregadora e não têm,geralmente, um tratamento contabilístico. Neste método enunciam-se dez factores que compõem estecusto oculto. castrorpc@yahoo.com.br 132
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Heinrich através da análise experimental de casos de acidentes concluiu que o custo oculto eraaproximadamente quatro vezes superior à da assistência médica e indemnizações, relação que irápermitir estimar o montante dos custos indirectos. Contudo é o próprio Heinrich que reconhece as limitações deste método.8.11.2 Método de Simonds para o cálculo dos custos dos acidentes Simonds Rollin [1978], sugere uma metodologia para o cálculo dos custos dos acidentes (Cinc),que além dos custos dos acidentes com lesões inclua também aqueles que só ocasionam danosfísicos. Cinc = Cs + Cna , onde: Cinc = custos dos acidentes e incidentes Cs = custos segurados Cna = custos não segurados Cna = Na.Ca + Nb.Cb + Nc.Cc + Nd.Cd , onde: N = número de casos de cada tipo C = Custo médio de cada um dos casos a = casos de tempo perdido b = casos de intervenção médica c = casos de primeiros socorros d = casos de acidentes sem lesão O custo dos acidentes e incidentes é igual à soma do custo do segurado (Cs) e dos custos nãocobertos pelo seguro (Cna). A segunda parcela é composta pelos dez factores enunciados porHeinrich. Para o cálculo dos custos não segurados, classificam-se os acidentes e incidentes em quatrotipos: A, B, C, D e calcula-se por via experimental os custos médios de cada tipo. Multiplicando cadacusto médio pelo número de acidentes ocorridos de cada tipo obtém-se o custo não segurado.8.11.3 Método de Bird para o cálculo dos custos dos acidentes F. Bird [1975], adopta a mesma expressão proposta por Simonds, generalizando-a contudo. Ocusto total dos acidentes e incidentes (Ctotal) é obtido pela soma dos custos segurados (Cas) e peloproduto do número de acidentes de cada tipo (ni) pelo respectivo custo médio (Ci). De salientar, nasua análise, a constatação da elevada contribuição, em termos de custos, dos acidentes com dano àpropriedade. Ctotal = Cas +∑ni.Ci, onde: Ctotal = custo total dos acidentes e incidentes Cas = custos segurados ni = número de acidentes-incidentes de cada tipo Ci = custo médio dos acidentes-incidentes de cada tipo castrorpc@yahoo.com.br 133
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Fletcher [1974], prosseguindo a obra iniciada por Bird, propôs o estabelecimento de programasde controlo total de perdas, com o intuito de reduzir todos os (in)acidentes que pudessem interferir ouparalisar o sistema Homem-Máquina-Ambiente. Posteriormente Skiba [1979], com base num estudo em 6 grandes empresas alemãs, introduziuna distribuição dos acidentes os acidentes mortais.8.11.4 Método de Pharm para o cálculo dos custos indiretos dos acidentes Pharm [1988] propõe uma metodologia para o cálculo dos custos indiretos dos acidentes detrabalho. Os custos diretos representam a taxa de quotização social, suportada pela empresa,relacionada com os acidentes de trabalho. Os custos diretos são fáceis de obter, se considerarmos as despesas da segurança social e dasmútuas. Pharm [1998] propõe a seguinte listagem de custos indiretos: Custos salariais – pagamento de salários e indenizações ao sinistrado, pagamento de salários aosrestantes trabalhadores que sejam perturbados com o acidente (prestação de socorro à vitima, horassuplementares para compensar os tempos perdidos); Custos relativos à produção – paragens nos trabalhos pelo sinistrado e pelos colegas, eventualdiminuição do rendimento produtivo no regresso do trabalhador sinistrado ou dos colegas, produtosdanificados; Custos materiais – restabelecimento do posto de trabalho do sinistrado, reparação ou substituiçãodos equipamentos e/ou ferramentas danificadas; Custos administrativos – custos de investigação, custos com programas de formação e custoscom a reorganização da produção; Custos contabilísticos – salários dos trabalhadores substitutos implicando o aumento da basepara o cálculo do prêmio de seguro; Custos comerciais – penalidades pelo descumprimento contratual para com os clientes, perda declientes pela deterioração da imagem da empresa; Custos repressivos – sanções penais dirigidas às empresas ou aos cargos hierárquicos suportadospela empresa, quotizações suplementares com a entidade Seguradora que poderão atingir 200% dasquotizações habitualmente aplicadas e reparações complementares exigíveis em caso de falhaindesculpável do empregador; Custos sociais – concessões e ajudas ao sinistrado e à sua família; Custos de prevenção – programas de formação e de informação para a prevenção, reforço dosmeios de controlo na empresa, reforço salarial e de equipamento em material dos serviços de higiene,segurança e saúde; Outros custos – alteração do clima social na empresa (greves, reivindicações sindicais), fuga demão-de-obra perante uma situação considerada perigosa. castrorpc@yahoo.com.br 134
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro8.11.5 Método de Manuel Bestratén Bellovi para o cálculo dos custos dos acidentes Bellovi [1994] divide os custos dos acidentes de trabalho em custos segurados e não segurados.Estes últimos constituídos por múltiplas rubricas, podendo estas classificar-se da seguinte forma: Custos históricos; Custos assumidos pela empresa; Custos de oportunidade; Outros custos adicionais. Os custos históricos são os geradores de perdas pontuais tangíveis e estão diluídos nas diferentesrubricas contabilísticas. São os que, com adequados sistemas de registro e seguimento, poderãoanalisar-se com relativa facilidade. É o caso, por exemplo, da reparação dos danos ocasionados porum acidente. Os custos assumidos pela empresa são os que não pressupõem uma remuneração adicional, massem uma subutilização dos recursos disponíveis. Um desses custos é, por exemplo, uma excessivadotação de pessoal necessária para efetuar reparação de equipamentos que deram origem a acidentes,quando estes poderiam ter sido perfeitamente evitados se fosse efetuada uma manutenção preventiva. Os custos de oportunidade representam uma sub-atividade da empresa ao deixar de realizaratividades produtivas motivadas pelos acidentes, implicando perdas nos resultados financeiros damesma. O valor do produto ou do serviço prestado terá assim que refletir os custos acrescidosresultantes dos acidentes. Os outros custos adicionais constituem possíveis impactos negativos sobre as relações internasda empresa ou sobre a imagem pública no mercado, todos eles de grande dificuldade de avaliaçãomas com repercussões significativas. Imagine-se, por exemplo, o custo que poderá representar parauma indústria farmacêutica o fato de um produto se apresentar no mercado contaminado, devido àocorrência de um acidente.8.11.6 Método desenvolvido pelo Health & Safety executive (HSE) para o cálculo dos custos dos acidentes A Inspeção do Trabalho Britânica, HSE, desenvolveu uma metodologia para o cálculo dos custosdos acidentes de trabalho, que permite efetuar uma triagem para estudos mais apurados. Ametodologia desenvolvida passa pela definição dos custos médios não segurados de três tipos deacidentes: Acidentes com ausência ao trabalho; Acidentes com necessidade de prestação de primeiros socorros; Só com danos materiais. O custo total não segurado é obtido através do produto da freqüência pelo custo médio de cadatipo de acidente. Quando os custos não segurados estimados se mostrarem representativos, dever-se-áentão efetuar um estudo mais aprofundado. O método proposto pelo HSE, apresenta as seguinte variáveis: castrorpc@yahoo.com.br 135
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Custos imediatos com os acidentes; Investigação dos acidentes; Recuperação da produtividade perdida; Custos com a força de trabalho; Sanções e penalidades; Ações para garantir os compromissos assumidos.8.12 Método da Fundacentro Pesquisa feita pela Fundacentro revelou a necessidade de modificar os conceitos tradicionais decustos de acidentes e propôs uma nova sistemática para a sua elaboração, com enfoque prático,denominada Custo Efetivo dos Acidentes, como descrito a seguir: Ce = C – i Ce = Custo efetivo do acidente C = Custo do acidente i = Indenizações e ressarcimento recebidos por meio de seguro ou de terceiros (valor líquido) C = C1 + C2 + C3 C1 = Custo correspondente ao tempo de afastamento (até os 15 primeiros dias) em conseqüênciade acidente com lesão; C2 = Custo referente aos reparos e reposições de máquinas, equipamentos e materiaisdanificados (acidentes com danos a propriedade); C3 = Custos complementares relativos às lesões (assistência médica e primeiro socorros) e osdanos à propriedade (outros custos operacionais, como os resultantes de paralisações, manutenções elucros interrompidos).EXEMPLO:Descrição do acidente No dia 25 de outubro de 2002, às 9:00 horas, na construção de uma residência unifamiliar emfase de concretagem, o Sr. Luís Roberto Mendes, servente, é designado para fazer a vibração doconcreto usinado da laje de forro. Neste momento, o funcionário utilizava como EPI apenas as botasde borracha e não utilizava o capacete e nem o cinto de segurança. No local não havia EPC, ou seja,grades de proteção. Quando o Sr. Luís Roberto fazia a vibração do concreto na extremidade da laje, perdeu oequilíbrio caindo de uma altura de 3 metros sobre a caixa de areia e batendo com a cabeça na padiolade madeira. Com a queda, o Sr. Luís ficou desacordado por alguns minutos sofreu apenas levesescoriações pelo corpo. Logo após o ocorrido, os demais funcionários tentaram socorrer o Sr. Luís o mais rápidopossível, porém como este se encontrava desacordado, nada puderam fazer, apenas aguardar achegada de alguém com maiores conhecimentos para atendê-lo e prestar os primeiros socorros. castrorpc@yahoo.com.br 136
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Devido ao acidente, a obra ficou paralisada por 2 horas, sendo que o Engenheiro e o Mestrede Obras perderam o resto do dia por estarem envolvidos com a assistência médica. O concreto utilizado era usinado, ou seja, dosado em central, o que significa que foitransportado até a obra por meio de caminhão e que tinha aditivos em sua composição, os quais nãopermitiam que o mesmo ficasse parado por mais de 1 hora e 30 minutos. Com a ocorrência doacidente a concretagem teve que ser interrompida, perdendo 7,0 m3 de concreto.Informações- Tempo de afastamento do acidentado: 10 dias- As horas de trabalho despendidas pelos funcionários que suspenderam seu trabalho normal paraajudar o acidentado ou por curiosidade: 2 horasOs custos por hora de serviço são:1 armadores: R$ 1,80 / hora1 carpinteiro: R$ 1,82 / hora3 serventes: R$1,25 / hora2 pedreiros: R$ 1,75 / horaAs horas despendidas pelos supervisores: 7 horas1 Mestre de obras: R$ 3,70 / hora1 Engenheiro de obra: R$12,00 / horaHoras de trabalho despendidas em providência para que o trabalho do acidentado continuasse a serexecutado:- Devido à paralisação do dia do acidente: 5 horas- A contratação de outro servente para substituir o funcionário acidentado por 10 dias.Um caminhão de concreto usinado comporta 7,0 m3 e o preço de 1 m3 de concreto é R$ 200,00.8.13 Modelo de Ficha para Cálculo do Custo Efetivo de AcidentesPelos empregados que suspenderam seu trabalho normal: 2 horas- 1 armadores: R$ 1,80 / hora 1 x (1,80 + 1,80 x 1,28)x 2 = R$8,21- 1 carpinteiro: R$ 1,82 / hora 1 x (1,82 + 1,82 x 1,28)x 2 = R$8,30- 3 serventes: R$1,25 / hora 3 x (1,25 + 1,25 x 1,28)x 2 = R$17,10- 2 pedreiros: R$ 1,75 / hora 2 x (1,75 + 1,75 x 1,28)x 2 = R$15,96 SUB TOTAL: R$49,57Pelos supervisores e outras pessoas: 7 horas - 1 Mestre de obras: R$ 3,70 / hora: 1x (3,70 + 3,70 x 1,28)x 7 = R$59,05- 1 Engenheiro de obra: R$12,00 / hora: 1x (12,00 + 12,00 x 1,28) x7,0 = R$ 191,52 SUB TOTAL: R$250,57Substituição do Funcionário Acidentado: 10 dias10 dias x 9 horas x (R$1,25 + 1,25 x 1,28) = R$256,50 castrorpc@yahoo.com.br 137
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro1- FICHA Nº 208 Data: 26/10/02 2- FICHA DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE X Acidente com lesão a) Recebida em : 26 / 10 / 02 b) Unidade: Obra nº 017 - Construção Unifamiliar Acidente com dano à propriedade c) Setor: Concretagem3- LOCAL DO ACIDENTE 4- HORA DO ACIDENTE 5- DATA DO ACIDENTELaje de concreto 09:00 26/10/026- ACIDENTE COM LESÃOa) Nome do acidentado: Sr. Luís Roberto Mendesb) Matrícula: 12345678/9 c) Função: servented) Principais causa do acidente: Falta de EPI (cinto de segurança) e de EPC (grade de proteção)e) Conseqüências do Acidente: Inconsciência temporária e escoriações pelo corpo, paralisação da obra,perda de material, contratação de novo funcionáriof) Tempo de Afastamento: 10 dias 9h/dia g) Salário do funcionário: 1,25/h R$ → 1,25 x 10 x 9h) Custo relativo ao tempo de afastamento: • Saldo de Salário: R$(até os 15 primeiros dias) • Encargos Sociais: 128% R$ (1,25 x 128%) x 10 x 9i) Observações: TOTAL 1: R$256,507- ACIDENTES COM DANO À PROPRIEDADEa) Máquina(s) Equipamento(s) danificado(s):b) Material(is) danificado(s): 1 caminhão = 7,0 m3c) Principais causas do acidente: paralisação da obra impediu a concretagem com concreto usinado • Máquina(s) Equip.:d) Custo dos reparos ou reposições: • Material(ais): R$ 200,00/m3 → 7,00 x 200,00e) Observações: TOTAL 2: R$1.400,008- CUSTOS COMPLEMENTARES • Assist. Médica: • Primeiros Socorros:a) Acidente com lesão: • Outros: Custo com a paralisação de 2 horas para os funcionários e de 7 horas para os supervisores e Mão- de-obra para substituição.b) Acidente com dano à propriedade: • Custos Operacionais:c) Observações: Conforme cálculos anexos TOTAL 3: R$556,649- CUSTO TOTAL DO ACIDENTE: (C1+C2+C3) R$ 2.227,3910- INFORMANTES 11- RESPONSÁVEIS PELO PREENCHIMENTO NOME VISTO NOME VISTO castrorpc@yahoo.com.br 138
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro9 - Programas de Prevenção e Controle de PerdasConforme visto no tópico 7 podemos ter dois tipos de Programas de Prevenção e Controle de Perdas:o de Controle de danos e o de controle de perdas.9.1 Programa de controle de acidentes com danos à propriedadeConforme JOSÉ DA CUNHA TAVARES, a implantação de um programa de Controle de Danoscontribui para a melhoria, não somente, da produtividade e da rentabilidade da empresa pela reduçãode perdas, mas também, para a melhoria das condições de trabalho. Segundo o mesmo autor, oprograma de controle de danos compreende as seguintes etapas: Detecção e Comunicação de Acidentes Comunicação à seguradora e controle de acidentes envolvendo bens segurados Liberação dos bens segurados para reparos Investigação e análise de acidentes Implementação e controle de execução das medidas corretivas Controle do custo dos acidentesa) Detecção e comunicação de acidentes O acidente pode ser detectado de três formas diferentes: quando ocorre; pelas manutençõespreventivas e corretivas; ou pelas inspeções de áreas. O funcionário que tomar conhecimento domesmo deverá comunicar imediatamente a quem for de direito, superior imediato ou diretamente aoSESMT que tomará as providências necessárias.b) Comunicação à seguradora e controle de acidentes envolvendo bens segurados O SESMT, quando percebe o acidente, verifica se os bens são ou não segurados. Caso positivo,solicita uma estimativa de danos e informa a diretoria financeira, que comunica à seguradora e decidesobre a liberação dos bens para reparo ou substituição. O Fluxograma apresentado na Figura 28 ilustra o processo comunicação à seguradora e controlede acidentes envolvendo bens segurados. Figuras 28 – Fluxograma de comunicação à seguradora castrorpc@yahoo.com.br 139
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroc) Liberação dos bens segurados para reparos Caso seja possível e de interesse da empresa a reparação dos bens, a liberação à seguradora é dosetor financeiro, cabendo ao SESMT orientar quanto aos aspectos de segurança relativos à remoçãodos bens. A remoção dos bens para reparo visa ainda evitar acidentes semelhantes com equipamentossemelhantes ou uma possível reação em cadeia gerando outros acidentes.d) Investigação e análise de acidentes O objetivo da investigação de acidentes é de determinar suas causas, recomendar medidascorretivas e registrar o acidente para futuros estudos em gerenciamento de risco. A investigação é feita pelo SESMT e pelos encarregados e técnicos das áreas envolvidas. Orelatório final é distribuído às diferentes áreas envolvidas (operação, manutenção, financeiro) comcópia para a direção geral.e) Implementação e controle de execução das medidas corretivas A implementação das medidas corretivas aprovadas pela direção geral é de responsabilidade dosetor onde o acidente ocorreu, sob supervisão do SESMT, que registra em suas reuniões o andamentoda implementação das medidas.f) Controle do custo dos acidentes Os custos de reparo dos danos de cada acidente são controlados através de uma ficha de controlede custos, conforme será visto no tópico 8. O reparo do dano pode ser realizado pelo setor demanutenção, terceirizado pelo setor financeiro, ou custeado pela seguradora. De qualquer forma, écontabilizado todos os custos de material e mão-de-obra e qualquer outro custo envolvido noacidente.9.1.1 Benefícios do Programa Podemos citar como alguns dos benefícios proporcionados pela implantação de um programa decontrole de danos: Introdução de uma sistemática de acidentes com danos à propriedade Indicação de áreas, equipamentos e procedimentos críticos Controle de causas comuns a acidentes com danos à propriedade e/ou pessoais Fornecimento de subsídios para o aprimoramento da política de seguros da empresa Realce da importância das atividades de prevenção de acidentes, ressaltando a sua função social,bem como melhoria de produtividade e da rentabilidade da empresa Mudança de atitude do pessoal técnico e de decisão da empresa, passando do enfoque curativo(reparo de danos) para o corretivo (eliminação das causas dos acidentes), e deste para o preventivo(evitar que o acidente aconteça) Abertura de novos caminhos que possibilitem um avanço técnico da metodologia empregada naprevenção de acidentes9.2 Programa de Prevenção e Controle de Perdas castrorpc@yahoo.com.br 140
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Neste tópico abordaremos a estrutura de um programa de Controle Total de Perdas e o processode implantação do programa.9.2.1 Elementos Básicos de um Programa de Prevenção de Perdasa) Direção A direção tem papel primordial na implantação do Programa, pois é capaz de dar o exemplo,fornecer os meios e cobrar. A política de prevencionista deve ser integrada a cultura organizacionalatravés do Planejamento Estratégico, sendo avaliada através maturidade dos funcionários e processos.b) Responsabilidade A definição das esferas de atribuição e de responsabilidades dentro do programa de prevençãodeve ser clara e sem interseções. É fundamental para o sucesso do programa o envolvimento de todosdentro de funções de maneira engajada e consciente da responsabilidade.c) Técnicas de Segurança As técnicas de segurança podem ser classificadas em Analíticas e Operativas. As Analíticas sãoaplicadas antes ou depois dos acidentes, dependendo da finalidade. Já as Operativas são de aplicaçãocontínua e podem atuar sobre fatores técnicos na fase de concepção, sobre o fator humano, ou podemser de correção. Como exemplo de técnicas analíticas anteriores ao acidente temos: inspeções, análise dotrabalho, análises estatísticas e análises das pressões no trabalho; e posteriores têm: comunicação eregistro e investigação. As técnicas que atuam na fase de concepção referem-se ao projeto, ou aos equipamentos, ou aosmétodos de trabalho. As que atuam sobre o homem podem aparecer na seleção de pessoal, emexames médicos, e na mudança de comportamento através de treinamentos, disciplina e incentivos. O último tipo de técnica é o de correção que atuam sobre os sistemas de segurança, EPI e EPC,normas, sinalizações, manutenções preventivas, etc.d) Inspeções de Segurança As inspeções de segurança têm por objetivo localizar e identificar os riscos e, a partir disso,estudar e propor medidas corretivas. Elas variam quanto à origem, objetivos, métodos e agentes: Origem: interna (SESMT, direção, CIPA, manutenção); externa (órgãos oficiais, seguradoras,consultoras, serviços públicos); Objetivos: periódicas e extraordinárias; Métodos: formais, informais; Agentes: SESMT, CIPA, consultores; Para realizar uma inspeção de segurança deve-se seguir obrigatoriamente 4 passos gerais:preparação, realização, classificação de riscos e estudo de soluções. Os objetos inspecionados compõem a Lista de inspeção e são eles: castrorpc@yahoo.com.br 141
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Instalações gerais: pisos, escadas, passagens, portas, aberturas, sinalizações, ordem e limpeza,iluminação e ventilação, distância entre as máquinas. Condições ambientais: vapores, fumaças, gases, poeiras, ruídos, vibrações, etc. Instalações de prevenção e combate ao incêndio: extintores, hidrantes, saídas de emergência,alarmes, planos de evacuação, etc. Manutenção: maquinários, EPI, recipientes sobre pressão, trabalhos em condições especiais, etc. A metodologia para realização de uma inspeção compreende em linhas gerais, os tópicos abaixo,porém não se esgotam, devendo ser alterado de acordo com o tipo de trabalho e os padrões existentesna empresa. Anotar em planta características do posto de trabalho, tais como: método de trabalho, riscosencontrados, tempos de exposição, medidas de segurança existentes. Realizar registro fotográfico ou de vídeo para compor relatórios e apresentações. Avaliar os riscos e propor medidas corretivas. Discutir com os envolvidos os problemas observados. Elaborar relatório detalhado e conclusivo. Na metodologia para realização das inspeções deve se observar também os métodos demelhoramento do posto de trabalho, o que deve compor o relatório final: Análise do método atual: informar o trabalhador o propósito, faça anotações detalhadas do local; Questionamentos dos detalhes: Por quê? É necessário? Como melhorar? Anote as respostas. Elaboração do novo método: elimine, combine, reordene ou simplifique detalhes, escreva eilustre o novo método produtivo ou medida de segurança Aprovação de novo método: caso aprovado o novo método os trabalhadores deverão sertreinados e conscientizados da importância da adoção do método.e) Sistema de Registro de Incidentes/Acidentes Esse sistema objetiva desenvolver um interesse geral na prevenção de acidentes; determinaçãodas principais fontes de incidentes e acidentes; prestação de informações sobre atos e condiçõesinseguras, sobre acidentes, suas causas e efeitos; permitir um julgamento da eficiência dos programasde segurança, justificando os gastos com SST.f) Investigação de Acidentes A investigação de acidentes permite concluir sobre suas causas e elaborar medidas corretivas.Para a realização de uma investigação de acidentes alguns parâmetros devem ser observados: Critérios de seleção: todos os acidentes mortais, todos os graves, acidentes leves de causasdesconhecidas com alta freqüência e risco potencial de causar lesões graves. Formas de investigação: simples entrevista, contratação de empresa especializada, castrorpc@yahoo.com.br 142
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Requisitos do investigador: capacidade lógica-dedutiva, conhecimento do processo de produção,conhecimento de segurança do trabalho. Requisitos da investigação: evitar a busca do “culpado”, oferecer soluções, diferenciar dadosobservados de deduzidos, analisar os fatores presentes (homem, técnica, equipamentos e ambiente),agir rápido par não perder pistas, reconstituir o acidente sempre que possível, interrogar testemunhas. Esquema da investigação: coleta de dados, descrição clara do acidente, método utilizado nainvestigação. Análise do local: o que deveria ter sido feito para evitar o acidente (condições de trabalho), estudode pontos duvidosos. Início do processo dedutivo: concatenação dos dados, avaliação da veracidade das informações,análise, dedução das causas. Tipos de causas: técnicas ou humanas. Relatório: descrever todos os elementos que compõe o acidente e como ele ocorreu, distinção dosdados obtidos dos dados deduzidos, sugerir medidas corretivas.9.2.2 Estrutura de um Programa de Prevenção de Perdas Conforme pode ser observado pela Figura 29, um programa de prevenção de perdas é estruturadoem três partes:a) Identificação das causas dos acidentes.b) Controle das causas dos acidentes.c) Redução das perdas por acidente Figuras 29 – Modelo de Estrutura do Programa de Prevenção de Perdas castrorpc@yahoo.com.br 143
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro As três etapas obedecem a uma ordem cronológica de atuação dentro de um ciclo de observação.A identificação das causas e o seu controle são medidas preventivas. Já a redução de perdas é umamedida mitigadora, uma vez que, o acidente ocorreu. Na identificação das causas os métodos de 1 a 8 devem ser feitos antes do acidente, logo antesdas perdas acontecerem. Após o acidente, deve-se tomar as medidas de redução de perdas eidentificar as causas através da investigação de (in)acidentes .9.2.3 Implantação de um Programa de Controle Total de Perdas Segundo Fletcher apud DE CICCO e FANTAZZINI (1986), um programa de Controle Total dePerdas deve ser idealizado de modo que venha a eliminar todas as fontes de interrupção de umprocesso de produção, quer resultando em lesão, dano à propriedade, incêndio, explosão, roubo,vandalismo, sabotagem, poluição ambiental, doença ocupacional ou defeito do produto, e segundoele os três passos básicos para a implantação de um programa de Controle Total de Perdas são: estabelecer o perfil dos programas de prevenção existentes na empresa; determinar prioridades e; elaborar planos de ação para controle das perdas reais e potenciais do sistema.a) Perfil dos programas de prevenção existentes Antes da implantação de qualquer novo método ou programa, um primeiro passo é buscarconhecer o que está sendo feito na empresa neste sentido e de que maneira. É necessário pesquisarquais são as reais necessidades da empresa. Se já existe algum programa em andamento, analisar se omesmo está sendo realizado de forma correta e eficaz. Isto é possível através do estabelecimento dosperfis dos programas de prevenção existentes. Para que um perfil possa fornecer de forma adequada estas informações, segundo DE CICCO eFANTAZZINI (1986), o mesmo deve ser dividido em seções que contenham os vários itens oupontos que possam ser abrangidos pelo programa de prevenção. Para estes itens, formulam-sequestões, que quando respondidas irão permitir determinar o grau de execução ou de implantação emque se encontra o programa sob análise. Para isto é necessário adotar uma escala de avaliação, quepermite determinar até que grau o item foi implantado e quão efetivo ele é. A escala sugerida porFletcher é apresentada na Tabela 13. GRAU ESCALA DESCRIÇÃO 5 Excelente Totalmente implantado e totalmente efetivo 4 Bom Satisfatoriamente implantado e efetivo 3 Regular Implantado, mas não satisfatoriamente 2 Fraco Parcialmente implantado, mas não satisfatoriamente, existem pontos a melhorar 1 Insatisfatório Algumas tentativas foram feitas, mas sem implantação efetiva 0 Inexistente Nada foi feito até o momento. Tabela 13 – Escala sugerida por Fletcher para avaliação do programa de segurança Estabelecida a escala pode-se, para cada seção analisada, determinar a pontuação obtida, querepresenta a situação atual da empresa em termos de desempenho nesta seção. castrorpc@yahoo.com.br 144
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do TrabalhoDisciplina: Gerenciamento de RiscoProfessor: Roberto Portela de Castro A Figura 30 apresenta uma sugestão do Prof. JOSÉ DA CUNHA para o desenvolvimento de um programa de prevenção e controle de perdas. Figuras 30 – Modelo de desenvolvimento de Programa de Prevenção de Perdas castrorpc@yahoo.com.br 145
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrob) Determinação das Prioridades Consiste em determinar as prioridades que devem ser adotadas pelo programa geral de ControleTotal de Perdas. De posse do perfil do programa estabelecido na fase anterior, pode-se confrontar a situação atualobtida pela pontuação através da escala estabelecida e a situação ideal para cada seção, caso oprograma estivesse completo, isto é, a situação em que todos os itens estivessem sendo executados damelhor forma possível, com pontuação máxima. O resultado do confronto destas duas situações (situação ideal - situação atual) nos fornece adeficiência do programa que está sendo executado que, uma vez determinadas, nos permite apriorização das seções que necessitam de maiores esforços.c) Elaboração dos planos de ação Estabelecidas as seções prioritárias é necessário elaborar para cada uma delas o respectivo planode ação, tendo como objetivo principal de prevenir e controlar as perdas reais e as perdas potenciaisoriundas de acidentes, através do tratamento dos riscos que pode ser das seguintes formas: evitar;reter; prevenir; mitigar; e transferir. Evitar: cessar a atividade; alterar a tecnologia, rotinas ou metodologia; eliminar insumos;substituir equipamentos; isolar. Vantagem: redução a zero da possibilidade de perda. Desvantagens: pode não ser possível evitar todas as exposições ou não ser possível evitar naprática. Reter: absorver parte ou toda a perda resultante de alguma exposição; recomendado quando: Não existe outra forma possível de tratamento A perda máxima possível não é muito grave As perdas são altamente previsíveis O custo do risco é suportável Pode-se reter todo ou parte de um certo risco; A retenção pode ser passiva (quando se está ciente do risco e intencionalmente decide retê-lo) ou ativa (quando o risco é retido por ignorância, indiferença ou preguiça) Prevenir: procura reduzir a probabilidade de perda, reduzindo desta forma à freqüência dasperdas; seu objetivo é evitar a perda. Mitigar: Admitir a ocorrência da perda e procurar diminuir seu efeito, ou seja, o valor da perda. Aidéia é reduzir a probabilidade de perda, reduzindo desta forma à freqüência das perdas. Para issopode-se adotar as seguintes linhas de ação: Melhoria da qualidade do sistema Aumento da confiabilidade do sistema Aperfeiçoamento da configuração do sistema Melhoria da disponibilidade dos sistemas de segurança Aumento da freqüência de inspeções nos equipamentos Programa de capacitação e treinamento castrorpc@yahoo.com.br 146
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro É possível também diminuir os efeitos atenuando as conseqüências o que pode ser feito de umadas formas apresentadas abaixo: Redução de impactos Diminuição da quantidade de substâncias estocadas Medidas para contenção de vazamento Sistemas de combate a incêndio Reforço de estruturas Proteção da população exposta Plano de Emergência Transferir: Existem duas opções, que consistem no uso ou não de uma seguradora. Transferir sem segurar: O risco é transferido a terceiros, mas não a uma seguradora.Transferência por contrato ou incorporação de S.A. Segurar: risco é transferido a uma seguradora. No plano de ação devem ficar claros: o objetivo geral ao que o mesmo se destina, os objetivosespecíficos a curto, médio e longo prazo, os recursos humanos e materiais necessários para suaimplantação e execução, o custo estimado de implantação do plano, estimativas das perdas atuais epotenciais futuras, a data em que o plano está iniciando e a data prevista para término do mesmo.10 - Noções Básicas de Seguro e Princípios de Administração de Seguros10.1 Conceito Segundo Memard: “O Seguro é uma operação pela qual, mediante o pagamento de uma pequenaremuneração, uma pessoa se faz prometer para si ou para outrem, no caso da efetivação de um eventodeterminado, uma prestação de uma terceira pessoa que, assumindo um conjunto de eventosdeterminados, os compensa de acordo com as leis da estatística e o princípio do mutualismo.” Seguro é uma operação pela qual, mediante o pagamento de uma remuneração (prêmio), umapessoa (segurado) se faz prometer para si ou para outrem (beneficiário) no caso da efetivação de umevento determinado (sinistro), uma prestação (indenização) por parte de uma terceira pessoa(segurador) que, assumindo um conjunto de eventos determinados, os compensa de acordo com asleis da estatística e o princípio do mutualismo. As leis da estatística e o princípio do mutualismo são as técnicas básicas utilizadas na operaçãodo seguro.10.2 Finalidade e Características A morte de uma pessoa, deixando desamparados aqueles que dependem de sua atividade, ou adestruição de coisas ou bens fazendo desaparecer ou reduzir-se o patrimônio são acontecimentos queo homem procurou reparar por intermédio de uma instituição. O seguro foi o organismo que se criou e que progressivamente vem se aperfeiçoando pararestabelecer o equilíbrio perturbado. O segurado é a pessoa física ou jurídica perante a qual o segurador assume a responsabilidade dedeterminado risco. castrorpc@yahoo.com.br 147
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro O prêmio, também elemento essencial do contrato de seguro, é o pagamento feito pelo seguradoao segurador, ou seja, é o preço do seguro para o segurado. Os parâmetros para cálculo do prêmio são: prazo do seguro; importância segurada; e exposiçãoao risco. O prazo de seguro é normalmente de 12 meses, mas nada impede que sejam calculados prêmiosa prazos inferiores (curto prazo) ou superiores (longo prazo).10.3 Conceitos importantesa) Resseguradora: É a pessoa jurídica, seguradora e/ou resseguradora que aceita, em resseguro, atotalidade ou parte das responsabilidades repassadas pela seguradora direta, ou por outrosresseguradores, recebendo esta última operação o nome de retrocessão.b) Seguradora: Empresas que operam na aceitação dos riscos de seguro, respondendo, junto aosegurado, pelas obrigações assumidas. Não podem explorar qualquer outro ramo de comércio ouindústria. Só podem operar em seguros para os quais tenham autorização. Estão sujeitas a normas,instruções e fiscalização da SUSEP e do IRB. Não estão sujeitas à falência, nem podem impetrarconcordata.c) Corretor de Seguros: Pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariare promover contratos de seguros entre as sociedades seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas. Ocorretor não pode aceitar ou exercer empregos públicos, manter relação de emprego ou de direçãocom companhias seguradoras, sendo ainda responsável civilmente perante os segurados e associedades seguradoras pelos prejuízos que a eles causar por omissão, imperícia ou negligência, noexercício de sua profissão. O corretor está sujeito às normas, instruções e fiscalização da SUSEP.d) Inspeção de Riscos: Em determinados ramos de seguros, há necessidade e obrigatoriedade de umainspeção prévia no risco ou riscos a segurar. Essa inspeção é feita por vários motivos, principalmentepara determinação da taxa aplicável ao seguro. O técnico que faz a inspeção de risco é chamado deinspetor de risco, que é encarregado de examinar o objeto do seguro, descrevendo a atividade einstalações, examinando os pontos críticos, avaliando a exposição ao risco coberto, bem comopropondo ações e medidas que minimizem a materialização de sinistros.e) Regulador de Sinistros: Técnico indicado pelos (re)seguradores nos seguros de que participam,para proceder o levantamento dos prejuízos indenizáveis.f) Árbitro regulador: Técnico que, à vista dos documentos examinados, é capaz de definir, em umsinistro, as responsabilidades envolvidas e respectivas participações.g) Perito de Sinistros: Técnico especialista, ou sabedor das nuances, características e condiçõestarifárias(gerais, especiais e particulares) de determinado tipo de risco sinistrado.10.4 Princípiosa) Primeiro Princípio: A empresa não deve assumir riscos que possam supor perdas que conduzam aum desequilíbrio financeiro irreversível.b) Segundo Princípio: A empresa não deve aceitar riscos cujo custo seja superior à rentabilidadeesperada da atividade geradora de tal risco. castrorpc@yahoo.com.br 148
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro10.5 Franquia Dizemos que franquia é o valor inicial da importância segurada até o qual o segurado é osegurador de si próprio, ou seja, se dissermos que num seguro há uma franquia de um certo valor, istoquer dizer que prejuízos até este valor serão suportados pelo segurado.10.5.1 Tipos de Franquia- Franquia dedutível: o valor é reduzido de todos os prejuízos; é a mais utilizada;- Franquia simples: no momento que o prejuízo ultrapassa seu valor, ele deixa de ser deduzido.EXEMPLO: Se temos a seguinte situação: Importância segurada: R$ 500 mil; Franquia: 10%.Considerando os 2 tipos de franquia, e os seguintes prejuízos: R$ 6 mil; R$ 50 mil; R$ 120 milFranquia dedutível: R$ 50 mil Franquia simples: R$ 50 milR$ 6 mil < franquia: não há indenização R$ 6 mil < franquia: não há indenizaçãoR$ 50 mil = franquia: não há indenização R$ 50 mil = franquia: não há indenizaçãoR$ 120 mil > franquia: indenização de R$ 70 mil R$ 120 mil > franquia: indenização de R$120 mil10.6 Seguros Proporcionais e Não Proporcionais10.6.1 Seguros Proporcionais Na maioria dos seguros de materiais, equipamentos, instalações, etc., os seguros sãoproporcionais, ou seja, você só recebe o valor total do prejuízo se seu seguro estiver suficiente; este éo princípio da cláusula de rateio. I IS , onde I: Indenização = P VR P: Prejuízo IS: Importância segurada VR: Valor em Risco10.6.2 Seguros Não Proporcionais Neste tipo de seguro, não se cogita o valor em risco para o cálculo de indenização. O seguradorpaga pelos prejuízos ocorridos até o limite da importância segurada sem aplicar o rateio.EXEMPLO: considere a seguinte situação: IS: R$ 1,5 Milhões; Sinistro com prejuízo de R$ 400 milO seguro é proporcional. Calcule o valor da indenização, considerando um VR de:a) R$ 500 mil I = 1500 → I = 1,2 milhões 400 500b) R$ 1,5 Milhões I 1500 → I = 400 mil = 400 1500c) R$ 2 Milhões I 1500 → I = 300 mil = 400 200010.7 Vantagens e Desvantagens castrorpc@yahoo.com.br 149
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro VANTAGENS DESVANTAGENSA indenização após uma perda garante a O prêmio pode ser significativo e é pagocontinuidade da operação, com pequena ou antecipadamente à perda;nenhuma redução da operação;A incerteza é reduzida, permitindo um planejamento Tempo e dinheiro consideráveis são aplicados àa longo prazo; escolha das seguradoras e à negociação das condições;Seguradoras podem prover serviços tais como: A implantação de um programa de controle decontrole de perdas, análise de exposições e perdas pode sofrer um relaxamento com a existênciadeterminação do valor da perda; do seguro.Os prêmios de seguro são considerados comodespesas dedutíveis para fins de imposto de renda. Tabela 14 – Vantagens e desvantagens da adoção de seguros11 - Retenção e Transferência de Riscos As formas de tratamento de risco vistas no tópico 9.2.3 são: evitar; reter; prevenir; mitigar; etransferir. O Seguro faz parte do processo de tratamento do risco por transferência. Já o auto-seguro ea auto-adoção fazem parte da retenção. Análise das probabilidades e causas e conseqüências Mudanças Técnicas- dos acidentes operativas Figuras 31 – Etapa de Financiamento do Risco As ações de financiamento de riscos, que serão abordadas a seguir, compreendem: a retenção deriscos (auto-adoção e auto-seguro) e a transferência de riscos a terceiros (sem seguro e com seguro). castrorpc@yahoo.com.br 150
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro As alternativas de retenção e FREQUENCIA ALTA transferência de riscos constituem a etapa de Financiamento de Riscos e, segundo DE CICCO e RETENÇÃO RETENÇÃO FANTAZZINI, podem ser divididas em retenção de riscos (auto-adoção ou auto-seguro) e transferência de riscos a terceiros FREQUENCIA BAIXA (sem seguro ou através de seguro) vide Figura 31. RETENÇÃO TRANSFERÊNCIA De acordo com a Figura 32 ao lado, em regra geral, somente os riscos com baixa freqüência e alta gravidade devem ser transferidos, os de mais devem GRAVIDADE BAIXA GRAVIDADE ALTA ser retidos. Figuras 32 – Matriz de Risco11.1 Retenção de Riscos A retenção de riscos pela empresa implica na assunção das possíveis perdas financeirasacidentais decorrentes dos riscos do processo pela empresa. Corresponde a um plano financeiro daprópria empresa para enfrentar perdas acidentais. As formas de retenção de riscos podem ser classificadas em: auto-adoção (intencional e não-intencional) e auto-seguro (parcial e total). O auto-seguro pode ser diferenciado da auto-adoção pelo fato de que esta última não exige ounão prevê um planejamento formal. A adoção da retenção pode ser feita de várias maneiras diferentes: Assumindo todas as perdas de um determinado tipo; Assumindo perdas até certo limite, transferindo ao seguro o excedente; Estabelecendo fundos de reserva antes ou depois das perdas. Não se recomenda a adoção de apenas um tipo de financiamento. De acordo com o potencialdanoso, com a freqüência de ocorrência, com a dinâmica do acidentes (imprevisibilidade), e comcusto do seguro, a empresa estabelece sua estratégia de financiamento dos riscos, de forma aencontrar a melhor relação custo-benefício entre a reserva de capital e o pagamento de prêmios deseguro dentro do binômio risco segurado/risco não-segurados. Um exemplo é a adoção do auto-seguro para perdas físicas e transferência do risco de responsabilidade civil.11.1.1 Auto-adoção A auto-adoção de riscos pode ser intencionais, quando a empresa prevê um percentual de perdas,consideradas inerentes e inevitáveis ao sistema, que são suportáveis pelo seu capital de giro; ou não-intencional, quando a empresa desconsidera a influência das perdas no seu ativo financeiro. castrorpc@yahoo.com.br 151
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa) Auto-adoção intencional: Implica na aceitação de perdas consideradas inevitáveis e suportáveis noseu contexto econômico e financeiro. Exemplo: pequenos furtos, perdas resultantes do uso e desgastede prédios, máquinas e equipamentos, perdas decorrentes de mal pagadores até certo limite. Se a empresa decidisse transferir esses riscos, a seguradora iria cobrar um prêmio excessivo queseria quase com certeza superior às perdas.b) Auto-adoção não-intencional: Implica na aceitação de perdas que não foram planejadas,representa o “inesperado”, conseqüente da não identificação dos riscos, da ignorância, e até mesmo,da incompetência técnica e administrativa. A auto-adoção não-intencional pode resultar em situações catastróficas, uma vez que, riscosgraves podem passar despercebidos.11.1.2 Auto-seguro A aplicação do auto-seguro pode ocorrer nas mesmas circunstâncias em que ocorre o seguro eenvolve um planejamento formal e o estabelecimento de um capital de reserva para perdas, podendoa assunção de risco ser total ou parcial.a) Auto-seguro parcial: a empresa assume parte dos riscos e transfere o restante a terceiros.b) Auto-seguro total: a empresa assume na integridade os riscos. As razões principais que podem levar a empresa a adotar o auto-seguro são as seguintes: Redução de despesas na transferência de riscos através de seguros; Incentivar as ações de prevenção e controle de perdas como forma de reduzir os custos em auto-seguro e em seguro; Soluções mais práticas e rápidas de sinistros que venham a ocorrer sem a necessidade de períciaexterna, o que ocorrer nos casos de seguros; Atuação em riscos não-segurados pelo mercado. Para a adoção do auto-seguro alguns aspectos devem ser considerados:- Os Riscos a serem cobertos devem ser agrupados de forma homogênea que permita estabelecervalores médios. Os bens protegidos devem estar afastados de forma a não permitir a destruiçãosimultânea;- A situação financeira da empresa deve permitir a criação desses fundos de seguro sem comprometera operacionalidade;- A adoção do auto-seguro deve estar atrelada à um esforço na implementação e manutenção de umapolítica de gerenciamento de risco, além de estudos estatísticos e adoção de medidas concretas desegurança e prevenção.11.2 Transferência de Riscos A transferência dos riscos a terceiros pode ser realizada sem seguro, ou seja, por meio decontratos, acordos ou outras ações, ou através de seguro convencional. castrorpc@yahoo.com.br 152
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa) Transferência sem seguro: No caso de transferência de riscos sem seguro, as responsabilidades,garantias e obrigações de ambas as partes envolvidas ficam devidamente explicitadas através decontratos específicos. Esse tipo de transferência é aplicada em serviços de construção, montagem, projetos, transportes eoutros. Nesses casos a consulta ao gerente de risco, ou ao gerente de projetos, com relação aos termoscontratuais é de suma importância.b) Transferência com seguro: A transferência de riscos a terceiros através de seguro é feita sob asmesmas circunstâncias às quais estão sujeitas ao auto-seguro, só que, neste caso, a empresaseguradora assume a responsabilidade pelas perdas mediante o pagamento de determinado prêmio. Segundo ARRUDA, "seguro é a operação pela qual o segurado, mediante a paga de um prêmio eobservância de cláusulas de um contrato, obriga o segurador a responder perante ele por prejuízosocorridos no objeto do seguro, conseqüentes dos riscos previstos no contrato, desde que a ocorrênciade tais riscos tenha sido fortuita ou independente de sua vontade". Os contratos de seguro sãoconstituídos de cláusulas gerais e particulares que definem as obrigações e os direitos tanto dosegurado como do segurador.Nota: o seguro é o método mais comum para a transferência dos chamados riscos puros e, em algunscasos, dos especulativos. As alternativas para seguro de riscos industriais apresentadas pela maioria das empresasbrasileiras de seguros são:- Seguro tradicional (apólices de seguro individuais para cada tipo de risco);- Seguro para riscos nomeados (apólice única englobando os riscos nomeados pelo segurado queestarão cobertos);- Seguro para riscos operacionais (apólice única para todos os riscos, sendo que os riscos excluídosdo seguro constam da apólice).11.3 Decisão entre Seguro e Auto-seguro Uma das dificuldades encontradas pelo gerente de risco é decidir entre transferir para um Seguroou Auto-segurar um risco. Para isso utilizaremos o “Modelo de Houston”. Antes de tratarmos do Modelo de Houston convém compreendermos o conceito de “perda deoportunidade”, que representa um possível ganho financeiro não obtido devido à decisão de nãoparticipar de um determinado negócio. Para exemplificarmos o conceito acima, tomemos como exemplo uma aplicação em caderneta depoupança, um investimento de baixo risco e pequenas taxas de juros, ao invés de ser aplicado naprópria empresa que possui taxas de retornos maiores, mas também maiores riscos. Chamando de i a taxa de juros externo à empresa (caderneta de poupança) e r taxa de retorno docapital investido na empresa. A diferença entre r e i representa o custo de oportunidade. Voltando ao Modelo de Houston, supondo que um gerente de risco deve decidir entre a adoçãode auto-seguro e a aquisição de seguro para um período de um ano em relação a certo risco.- Se optar pelo auto-seguro necessitará de um fundo de reserva (F) no valor de R$ 800.000,00; castrorpc@yahoo.com.br 153
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- Se, por outro lado, optar por adquirir um seguro, o valor do fundo será aplicado na própria empresa;- O prêmio do seguro (P) é de R$ 8.000,00;- Supondo r = 30% e i = 15% PFS = VL – P + r.(VL – P)Onde PFS representa a posição futura com seguro, no nosso caso depois de uma ano. PFAS = VL – P/2 + r.(VL – P/2) + i.FOnde PFAS representa a posição futura com auto-seguro, no nosso caso depois de uma ano. Já P/2representa a perda média esperada no período. V = PFS - PFAS → V = F.(r - i) - P/2. (1 + r)Onde V representa o valor econômico do seguro. Se V ≥ 0, o gerente de risco deverá adquirir seguro.Caso contrário, deverá optar pelo auto-seguro. Em nosso exemplo V = R$ 114.800, o que significa que para a empresa é mais vantajosoadquirir um seguro e investir o fundo de reserva no negócio.11.4 Definição do Valor da Franquia11.4.1 Regra do Menor Custo A técnica do menor custo consiste em calcular o menor valor de custo esperado (CTE) para asdiferentes franquias. CTE = P + q.FOnde q é a freqüência esperada de eventos que ocorram em um ano.EXEMPLO: Uma empresa decide efetuar seguros com franquia para sua frota de veículos. Empesquisa no mercado consegui as seguintes cotações:Franquia Prêmio q.F CTE Estima-se que o número médio de colisões é igual a 30%do 140,00 90,00 42,00 132,00 número médio de veículos da empresa. Com base na Regra do 200,00 80,00 60,00 140,00 Menor Custo, qual a franquia a ser adotada? 300,00 70,00 90,00 160,00 400,00 60,00 120,00 180,00 O CTE mínimo é 132,00. Essa deverá ser a franquia adotada.11.4.2 Modelo de Houston A definição da franquia é aplicada quando se opta por auto-seguro parcial. Quando optamos porter um fundo de reserva, porém não queremos absorver todo o risco e transferimos uma parte aseguradora. Em nosso exemplo, se na equação do Valor econômico do seguro, fizermos V = 0,encontraremos F = R$ 8.667,00. Esse valor representa o valor mínimo de franquia (fundo de reserva)que ainda assim justificaria a adoção do seguro. Com análises mais aprofundadas podemos concluir que nas três situações a seguir o seguro éuma opção mais vantajosa do que o auto-seguro. Em casos contrários o auto-seguro tornar-se maisvantajoso. castrorpc@yahoo.com.br 154
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Quando as taxas de retorno de investimento na empresa são altas; Quando as taxas de juros e de retorno dos investimentos são relativamente baixas; Quando as taxas e os prêmios de seguro são baixos.12 - Planos de Emergência Dentro de uma visão prevencionista, nenhuma empresa está livre de uma eventual catástrofe.Sendo assim, o gerenciamento de riscos em instalações ou atividades perigosas deve contemplarmedidas, tanto para prevenir a ocorrência de acidentes maiores, o que requer a atuação sobre asfreqüências de ocorrência de falhas que possam acarretar acidentes, bem como sobre as possíveisconseqüências desses acidentes, caso os mesmos venham a ocorrer, minimizando assim os impactoscausados às pessoas, as instalações e ao meio ambiente. O Plano de Emergência é parte integrante de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR),de modo que danos causados por acidentes possam ser minimizados ao máximo. Um pré-requisitopara a elaboração de um plano de emergência adequado, para fazer frente aos possíveis danoscausados por acidentes numa instalação industrial, é um detalhado estudo de análise de riscos, demodo que as tipologias acidentais, os recursos e as ações necessárias para minimizar os impactospossam ser adequadamente dimensionadas. Assim, o estudo de análise de riscos deve ser considerado como um pressuposto básico para aelaboração de um plano de emergência. Entretanto, podem existir emergências de pequenas ou grandes proporções. Geralmente, asconseqüências geradas por emergências de pequenas proporções se restringem aos eventoslocalizados, necessitando apenas de medidas de controle internas que podem desencadear ou não oPlano de Emergência. Quando as conseqüências atingem proporções maiores, pode vir a sernecessário, além do Plano de Emergência interno, serviços de emergência externo (bombeiros,SAMU,etc). A limitação dos danos causados por um acidente maior é proporcional ao nível de planejamento.logo, um plano de emergência adequadamente elaborado e implantado, certamente tem maior chancede evitar que um acidente se transforme num desastre. De acordo com Nikolic (2007), é necessário que a equipe de emergência seja gerenciada paraque possa eliminar, controlar ou minimizar as causas e os efeitos físicos potenciais. Um sistema degerenciamento de emergência visa o planejamento, controle e a redução da emergência; entretanto,qualquer decisão errada pode comprometer significativamente a continuidade do negócio de umaindústria.12.1 Noções e Conceitosa) Crise: Crise é uma situação instável ou incerta de extremo perigo ou dificuldade; um estágio emuma seqüência de eventos no qual a tendência de todos os eventos futuros, especialmente paramelhor ou para pior, é determinada. Uma crise pode dizimar uma empresa, sua reputação e/ou seus recursos (humanos,financeiros, etc.)! castrorpc@yahoo.com.br 155
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrob) Emergência: Segundo OSHA (2001), emergência é uma situação imprevista que ameaça ostrabalhadores, clientes ou o público; interrompe ou para as operações; causa danos físicos ouambientais, podendo ser provocada pela natureza ou ação humana. Pela Norma 15210 (ABNT, 2005), Emergência é qualquer situação crítica e eventual querepresente perigo à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio (propriedade), cujos danos geradosobrigam a obter-se imediata intervenção. Como a emergência cresce em magnitude, podem-se ter então níveis de respostas diferentes.Logo, acidentes maiores necessitam de uma maior integração de equipes internas e externas, aocontrário de acidentes localizados, em que alguns recursos internos podem ser suficientes.c) Plano de Emergência: documento orientador com base no reconhecimento dos riscos, meios,recursos e atitudes para com a situação de acidente grave, catástrofe ou calamidade que possam vir aocorrer, sistematizando assim um conjunto de normas e regras de procedimento, destinadas aminimizar os efeitos das catástrofes que se prevê, possam vir a ocorrer em determinadas áreas,gerindo, de uma forma otimizada, os recursos disponíveis. Visa estabelecer os recursos necessários para atuação em situações de emergência, de modo quese possa reaver o controle da situação o mais rápido possível, além de minimizar as suasconseqüências.d) Tipos de Emergências: Desastres naturais: terremotos, tempestades, tornados, furacões, etc. Emergências industriais como: incêndios, explosões, liberação de vapor, vazamento químico,falhas na energia, emergências médicas, atos de violência, etc. Distúrbios civis, tumultos.e) Política de Emergência: Mudança na cultura organizacional implantando uma visãoprevencionista que visa assegurar que o Plano de Emergência possa estabelecer procedimentos e quecom ações previamente estudadas, treinadas minimizar o potencial de lesões, enfermidades, danos apropriedade e ao meio ambiente.f) Desastre ou Catástrofe: Situação na qual os meios de socorro disponíveis não são suficientes parafazer frente à situação de emergência, havendo necessidade de ajuda externa.g) Acidentes com múltiplas vítimas: São aquelas situações em que há desequilíbrio entre os recursosdisponíveis e as necessidades, porém com os recursos locais consegue-se manter um padrão mínimode atendimento adequado.12.2 Grandes Acidentes Numa rápida passada pela história é possível citar alguns acidentes que marcaram época. ATabela 15 mostra alguns desse acidentes. Local e Data Produto Causa ConseqüênciasFeyzin, França (1966) Propano BLEVE 18 mortes; 81 feridos Perdas de Us$ 68 MDuque de Caxias, GLP Vazamento 37 mortes; 53 feridosBrasil (1972) e BLEVE castrorpc@yahoo.com.br 156
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroFlixborough, Inglaterra Ciclohexano Explosão, Incêndio 28 mortes; 104 feridos(1974) Perdas de Us$ 412 MSeveso, Itália (1976) Dioxina Explosão 10 mil animais mortos 226 mil pessoas foram evacuadasCidade do México, GLP BLEVE 650 mortes; 6.400 feridosMéxico (1984) Incêndio Perdas de Us$ 85,2 MBhopal, Índia (1984) Isocianato de Metila Emissão tóxica > 7.000 mortes; 200.000 intoxicadosCubatão, Brasil (1985) Amônia Rompimento de Evacuação de 6.500 pessoas tubulaçãoChernobyl, Ucrânia Urânio Explosão 56 mortes; 4.000 contaminações(1986) >200.000 p. evacuadasMar do Norte - Escócia Petróleo Explosão, Incêndio 167 mortes(1988)Rio de Janeiro, Brasil Petróleo Explosão 11 mortes; Perdas de Us$ 497 M(2001) Multas de R$ 7,5 M Tabela 15 – Grandes Acidentes12.3 Plano de Emergência Após devidamente identificados, analisados e avaliados os riscos, o processo de gerenciamentode riscos é complementado pela elaboração de um plano de ação. Através das categorias de risco serão decididos quais são os mais críticos. É fundamental que oplano de ação se inicie por esses riscos, pois a implementação das alternativas requer disponibilidadede recursos (pessoais e financeiros). Esta disponibilidade, por sua vez, está limitada à capacidade degeração de recursos da empresa e à parcela do orçamento designada pela mesma para a área emquestão. Os riscos considerados críticos precisam ser minimizados por medidas que reduzam suafreqüência esperada de ocorrência tais como, treinamento de operadores, mudanças nas condições detrabalho, colocação de proteção nas máquinas, etc, ou a intensidade de suas conseqüências como, porexemplo, implementar o uso dos EPI’s, instalar sistemas fixos de combate a incêndios, estabelecerplanos de ações para acidentes. A Figura 33 ilustra o que acontece com a curva de riscos após essas reduções. O Plano de Emergência refere-se a situações de acidente grave, catástrofe ou calamidade devendo determinar procedimentos de respostas a emergências e define as responsabilidades e ações dos empregados. Figuras 33 – Linha de Risco castrorpc@yahoo.com.br 157
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro12.3.1 Interferências do ambiente de trabalho A disposição física do local de trabalho pode influenciar no plano, tais como:evacuação, comunicação, preparação de um centro de incidência.12.3.2 Metodologia Conforme mencionado anteriormente, o estudo de análise de riscos deve ser um pressuposto paraa elaboração de um plano de emergência, uma vez que dele devem ser extraídas, entre outras, asseguintes informações: Cenários acidentais; Conseqüências esperadas em cada uma das hipóteses acidentais consideradas; Possíveis impactos e áreas afetadas. Com essas informações é possível planejar a elaboração do plano de emergência, uma vez quepassa ser mais fácil o dimensionamento adequado das seguintes ações: Isolamento; Sinalização; Definição de pontos de encontro e rotas de fuga; Dimensionamento e localização estratégica de equipamentos de combate e proteção individual; Definição de procedimentos de combate a vazamentos e incêndios. O Plano de Emergência ensinará: procedimentos de evacuação; reunião e check-in; trabalho deequipe; treinamentos; atribuições de autoridade e responsabilidade.12.3.3 Objetivo Um plano de emergência tem por objetivo fornecer um conjunto de diretrizes e informações,visando a adoção de procedimentos lógicos, técnicos e administrativos, estruturados, de forma apropiciar respostas rápidas e eficientes em situações emergenciais. De modo geral, o plano visa atingir os seguintes objetivos: Deve possibilitar que os possíveis danos restrinjam-se a uma determinada área, previamentedimensionada, evitando que os impactos extrapolem os limites de segurança pré-estabelecidos; Deve contemplar todas as ações necessárias para evitar que situações, internas ou externas, àsinstalações envolvidas no acidente, contribuam para o seu agravamento; Deve ser um instrumento prático, que propicie respostas rápidas e eficazes em situações deemergência; Deve ser o mais sucinto possível, contemplando, de forma clara e objetiva, as atribuições eresponsabilidades dos envolvidos.12.3.4 Característicasa) Simplicidade. Ao ser elaborado de forma simples e concisa, será bem compreendido, evitandoconfusões e erros por parte dos executantes. castrorpc@yahoo.com.br 158
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrob) Flexibilidade. Um plano não pode ser rígido. Deve permitir a sua adaptação a situações nãocoincidentes com os cenários inicialmente previstos.c) Dinamismo. Deve ser atualizado em função do aprofundamento da análise de riscos e da evoluçãoquantitativa e qualitativa dos meios disponíveis.d) Adequação. Deve ser adequado à realidade da escola e aos meios existentes.e) Precisão. Deve ser claro na atribuição de responsabilidades.12.3.5 Razões para a elaboração de um Plano de Emergência Estabelece cenários de acidentes para os riscos identificados. Define princípios, normas e regras de atuação face aos cenários possíveis. Organiza os meios de socorro e prevê missões que competem a cada um dos intervenientes. Permite desencadear ações oportunas, destinadas a minimizar as conseqüências do sinistro. Evita confusões, erros, atropelos e a duplicação de atuações. Prevê e organiza antecipadamente a atuação e a evacuação. Permite rotinar procedimentos, os quais poderão ser testados, através de exercícios de simulação.12.3.6 Estrutura Organizacional A Figura 34 apresenta um exemplo de estrutura organizacional para um plano de emergência, aqual deve, obviamente, ser adaptada para diferentes casos; no entanto, as funções apresentadasdevem ser contempladas em qualquer plano. Figuras 34 – Modelo de Estrutura Organizacional de um Plano de Emergência castrorpc@yahoo.com.br 159
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro12.3.7 Zonas de Trabalho A AIChE (American Institute of Chemical Engineers) propõe estabelecer zonas de trabalho emque os serviços de atendimento à emergência vão atuar. Essas zonas são definidas durante aestimação das dimensões do evento, baseado no conhecimento dos riscos, das condições de tempo edo local onde ocorreu o acidente. São três as zonas definidas, conforme representadas na Figura 35,sendo denominadas de zona quente, zona morna e zona fria.a) Zona Quente: é a área onde o acidente ocorre, sendo seu tamanho determinado a partir daestimação do tamanho da perda de contenção e de quais atividades de mitigação serão desenvolvidas.b) Zona Morna: é a área onde ocorrem as atividades de descontaminação química, ou seja, atividadesde remoção de produtos químicos. Os indivíduos que participam do atendimento da emergência necessitam passar por um processode descontaminação química resultante da sua exposição, onde será necessário remover produtosquímicos, além das vitimas que surgirem com ferimentos, queimaduras, entre outras lesões. Figuras 35 – Zonas de Trabalhoc) Zona fria: também conhecida como zona de apoio, deve oferecer segurança e só podempermanecer do grupo de apoio e consultores necessários.12.3.8 Implantação e Manutenção O sucesso de uma operação de atendimento a acidentes maiores está intimamente relacionadocom as ações de resposta previstas e desencadeadas por um plano de emergência. Assim, para que asações previstas num plano resultem efetivamente nos resultados esperados, quando da ocorrência desituações emergenciais; após a sua elaboração, o plano deve ser devidamente divulgado,internamente à instituição, além de ser integrado com outros planos locais e regionais, junto a outrasentidades que certamente deverão atuar conjuntamente na resposta aos acidentes. castrorpc@yahoo.com.br 160
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A implantação do plano, além da devida divulgação, está associada ao suprimento dos recursos,humanos e materiais, necessários e compatíveis com o porte das possíveis ocorrências a serematendidas. Da mesma forma, faz parte da implantação do plano a implementação, e manutenção, de umprograma de treinamento, em diferentes níveis de dificuldade, contemplando: Treinamentos teóricos; Treinamentos individuais; Exercícios de campo; Operações simuladas de coordenação. Passada a etapa de implantação, um plano de emergência deve ser permanentemente atualizado eperiodicamente revisado, de acordo com a experiência adquirida ao longo do tempo, tanto ematendimentos reais, como nos treinamentos realizados. É importante que a manutenção do planocontemple as seguintes atividades: Sistema de atualização de informações; Registros dos atendimentos realizados; Reavaliação periódica dos procedimentos; Reposição e renovação de recursos.12.4 Estrutura de um Plano de Ação de Emergência12.4.1 Estrutura estabelecida pela CETESB Independentemente da implantação do PGR, a CETESB exige que seja elaborado um Plano deAção de Emergência – PAE. O PAE consiste numa das atividades incluídas no PGR, o qual deve tomar como base osresultados obtidos nos estudos de análise e avaliação de riscos e na legislação vigente. O PAE estabelecido pelo CETESB contém: Introdução; Estrutura do Plano; Descrição das instalações envolvidas; Cenários acidentais considerados; Área de abrangência e limitações do plano; Estrutura organizacional, contemplando as atribuições e responsabilidades dos envolvidos; Fluxograma de acionamento; Ações de resposta às situações emergenciais compatíveis com os cenários acidentaisconsiderados, de acordo com os impactos esperados e avaliados no estudo de análise de riscos,considerando procedimentos de avaliação, controle emergencial (combate a incêndios, isolamento,evacuação, controle de vazamentos, etc.) e ações de recuperação; Recursos humanos e materiais; Divulgação, implantação, integração com outras instituições e manutenção do plano; Tipos e cronogramas de exercícios teóricos e práticos, de acordo com os diferentes cenáriosacidentais estimados; castrorpc@yahoo.com.br 161
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Documentos anexos: plantas de localização da instalação e lay out, incluindo a vizinhança sobrisco, listas de acionamento (internas e externas), listas de equipamentos, sistemas de comunicação ealternativos de energia elétrica, relatórios etc.12.4.2 Estrutura estabelecida pelo CONAMA Complementando a lei no 9.966, a Resolução CONAMA no 293 de 12 de dezembro de 2001“dispõe sobre o conteúdo mínimo do Plano de Emergência Individual para incidentes de poluição deóleo, originados em portos organizados, instalações portuárias ou terminais, dutos, plataformas, bemcomo suas respectivas instalações de apoio, e orienta a sua elaboração”, como também apresentaanexos técnicos, que compreendem também critérios para o dimensionamento da capacidade mínimade resposta para os cenários acidentais de derramamento de óleo. O modelo CONAMA compreende as seguintes etapas:1 Identificação da Instalação2 Cenários acidentais3 Informações e procedimentos para resposta3.1 Sistema de alerta e derramamento de óleo3.2 Comunicação do incidente3.3 Estrutura organizacional de resposta3.4 Equipamentos e materiais de resposta3.5 Procedimentos operacionais de resposta3.5.1 Procedimentos para interrupção da descarga de óleo3.5.2 Procedimentos para contenção do derramamento de óleo3.5.3 Procedimentos para proteção de áreas vulneráveis3.5.4 Procedimentos para monitoramento da mancha de óleo derramada3.5.5 Procedimentos para recolhimento do óleo derramado3.5.6 Procedimentos para dispersão mecânica e química do óleo derramado3.5.7 Procedimentos para limpeza das áreas atingidas3.5.8 Procedimentos para coleta e disposição dos resíduos gerados3.5.9 Procedimentos para deslocamento dos recursos3.5.10 Procedimentos para obtenção e atualização de informações relevantes3.5.11 Procedimentos para registro das ações de resposta3.5.12 Procedimentos para proteção das populações3.5.13 Procedimentos para proteção da fauna e da flora4 Encerramento das operações5 Mapas, cartas náuticas, plantas, desenhos e fotografias6 Anexos12.4.3 Estrutura estabelecida pela ABNT A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) apresenta a norma sobre “Plano deEmergência contra Incêndio – Requisitos” (NBR 15219/2005), em que estabelece os requisitosmínimos para elaboração, implantação (incluindo, divulgação, treinamento, exercícios simulados eprocedimentos básicos de emergência), manutenção e revisão de um plano de emergência contraincêndios, deixando esclarecido que essa norma surgiu da necessidade de padronização de planos de castrorpc@yahoo.com.br 162
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroemergência, mas ficando as organizações livres para elaborar planos, agregando outros aspectos deacordo com as suas necessidades e/ou riscos existentes em suas instalações. Entretanto, essa norma apenas se limita a emergências que envolvem incêndios, nãoconsiderando outros tipos de eventos, tais como explosões e liberações tóxicas. Desta forma a NBR15219/2005 não deve ser tomada como referência para um Plano de Emergência, apenas para oevento incêndio. Uma das recomendações da ABNT é que no Plano de Emergência contra incêndio estejamenvolvidos o Corpo de Bombeiros e a comunidade vizinha, considerando sua interface com outrosplanos da planta referentes a explosão, vazamentos, inundações, entre outros, pois o planoreferenciado pela ABNT apenas trata de situações que envolvem incêndios. Devido à sua limitação,optou-se por não abordar a técnica para elaboração do plano de emergência contra incêndiorecomendada pela NBR 15219/2005.12.4.4 Estrutura estabelecida pelas NR´s A Norma regulamentadora No23 do Ministério do Trabalho e Emprego recomenda a necessidadede proteção contra incêndios, saídas para retiradas de pessoas, equipamentos e pessoas que saibamusar corretamente esses equipamentos, de modo que sejam suficientes para casos de incêndio eexercícios de alerta.12.5 Guia para elaboração de um Plano de Emergência1. Administração1.1. O princípio do ponto de controle nos lembra que o maior potencial de controle tende a existirno ponto onde a ação ocorre. A designação de coordenadores departamentais ou de seção, paraauxiliar o administrador do plano de assegurará que o plano de emergência dará a atençãoadequada às necessidades únicas de cada departamento dentro da empresa.A atuação adequada às necessidades de cada departamento é essencial para reduzir asconseqüências indesejadas de paradas de departamentos, fornecer auxílio conforme necessário,assegurar os procedimentos completos e corretos de paradas e assegurar que as linhas apropriadasde comunicação sejam estabelecidas.1.2. Os Coordenadores de Emergências devem Ter um bom conhecimento e compreensão dostipos de emergências que podem envolver a empresa e as respostas mais apropriadas para cadaevento.A empresa deve assegurar que os coordenadores tenham recebido treinamento adequado sobre ospotenciais da perda e necessidade da empresa. O treinamento pode incluir:a) Comunicações de emergência;b) Controle de incêndio;c) Resposta a dano ambiental;d) Resposta a terrorismo/sabotagem;e) Resposta a emissão/contaminação de substâncias químicas;f) Resposta a desastres;g) Requerimentos de comunicação organizacional. castrorpc@yahoo.com.br 163
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro2. Análise de Resposta a Emergência2.1. O plano de resposta a emergências deve cumprir os regulamentos pertinentes. O plano deveestar baseado na análise dos riscos e que todos os tipos de emergências prováveis foram tratadas. Asáreas de consideração incluem:a) Ferimentos graves ou efeitos à saúde;b) Dano importante à propriedade acima de uma base de custo estabelecida;c) Perda de processo importante devido a evento indesejado;d) Dano ambiental importante;e) Incêndios;f) Tempestades, enchentes e outras forças da natureza;g) Perigos de sabotagens, bombas, etc.;h) Outros – vazamentos químicos, etc..2.2. As análises de risco existentes, identificação de perigos, análise de tarefas, inventários deitens/partes críticas e inventários de materiais e áreas devem ser todos revisados.A análise também deve considerar os requerimentos legais e específicos, assim como boas práticasindustriais.“Nenhum problema pode ser solucionado até que seja primeiro identificado”.Este conceito se aplica igualmente ao preparo às emergências, pois os planos não podem serdesenvolvidos com sucesso para lidar com emergências potenciais, até que as mesmas tenham sidoidentificadas e avaliadas.2.2.1. Ao identificar todas as emergências potenciais (exposição à perda) considerar: PESSOAS EQUIPAMENTOS EMERGÊNCIA POTENCIAL MATERIAIS MEIO AMBIENTE2.2.2. Avaliar o RiscoO quão severa poderia ser esta emergência se ela atingir o potencial máximo? Qual a probabilidadedela vir a ocorrer?2.2.3. Análise de Risco x PlanoO risco pode ser eliminado completamente? O risco pode ser controlado para abaixar a exposição à perda a um nível aceitável?O risco pode ser tolerado? O risco pode ser transferido para diminuir o impacto das conseqüências para a fábrica?2.2.4. Implementar o PlanoO sucesso da análise de risco/gerenciamento de risco, é totalmente dependente da implementaçãocorreta do plano. Inclui comunicação, treinamento, práticas e exercícios antes de qualquer evento“real”.Envolve também a implantação de sistemas, equipamentos, práticas, procedimentos e atividadesidentificadas e requeridas pelo plano. castrorpc@yahoo.com.br 164
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro2.2.5. Monitoramento do PlanoA qualidade, eficiência e adequação dos planos, só podem ser mantidas se for estabelecido umprograma de monitorização.2.3. As análises iniciais de risco/perigo devem ser realizadas com pessoal adequadamentequalificado.2.3.1. Os requerimentos legais variam de acordo com:a) Prevenção e precaução de incêndios;b) Substâncias designadas perigosas;c) Boas práticas industriais.2.3.2. As emergências fora do local podem incluir:a) Emergências de transporte (ar – mar – terra);b) Atividades/emergências vizinhas;c) A comunidade local;d) Outros locais pertencentes/gerenciados pela fábrica.3. Plano de EmergênciaTem por objetivo fornecer um guia de gerenciamento para ações à serem tomadas para todos ostipos de condições de emergência possíveis de ocorrer em uma operação particular (ex.: incêndios,sabotagens, falhas de equipamentos, etc..).Deve abranger tanto as emergências genéricas de natureza, tais como tempestades, enchentes, etc.,como as específicas do local, tais como vazamentos de produtos químicos, etc..Se não for formulado planos para se atingir todas as emergências, o ponto crítico deve Ter sidodesignado e concluído, e os objetivos devem ser estabelecidos para conclusão dos planos para asdemais áreas de preocupação.3.1.1. O plano de emergência completo e controles resultantes podem ser comprometidos se aemergência não for comunicada rapidamente e corretamente.3.1.2. A evacuação das pessoas inclui alarmes, designação de áreas seguras para pontos deencontro/concentração e rotas/pontos de encontro alternativos, além de um sistema de “contagem”para verificar se toas as pessoas foram retiradas do local sinistrado.O sistema também deve identificar claramente os métodos usados para alertar as pessoas através desistemas visuais, áudio ou outros.3.1.3. Instruções documentadas e detalhadas devem se referir a ações requeridas nas áreas chaveda empresa, sobre parada de trabalho, resposta à incêndio, controle de acesso, etc., específicos paratipos particulares de emergências.O plano deve listar o lay – out do local (prédios, departamentos, e/ou área funcional). Deve serlistada uma descrição detalhada das ações que o pessoal em áreas ou departamentos é responsável arealizar no caso de uma emergência que por ventura ocorra naquela área/departamento.Detalhada significa listar máquina, operações e sistemas em uma área e suas seqüênciasespecíficas de parada ou modo correto de operação durante uma emergência, pessoal responsável castrorpc@yahoo.com.br 165
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castropela parada de máquinas específicas, operações ou sistemas; ações especiais em caso de incêndio,tais como ativação de sistemas de supressão manual e ativação ou parada de sistemas deventilação.3.1.4. Controle, como o usado aqui, significa controle de uma emissão de material/produto químicoindesejável. O plano deve listar áreas mais propensas à serem envolvidas em um vazamento, e osmateriais/produtos químicos que poderiam vazar.Deve também tratar os seguintes itens, como apropriado, para cada material/produto químicolistado:a) Circunstâncias sobre as quais pode ser requerida a evacuação;b) Procedimentos de contenção;c) Local de contenção de materiais;d) Equipamentos de proteção adequados;e) Procedimentos de descarte;f) Notificações à serem feitas ao governo;g) Notificações internas à serem feitas.3.1.5. Deve identificar os equipamentos/materiais vitais necessários, seus locais e passos paraprotegê-los e proteção dos mesmos.3.1.6. É essencial que toda comunicação relacionada a emergências, seja rotinada até o local ondese encontra o Coordenador, para que o mesmo tenha bases para tomar as decisões cabíveis paracada tipo de ocorrência.O centro de controle deve Ter mapas apropriados, desenhos dos sistemas de águas de incêndio,comunicação de emergência, uma listagem do equipamento local de resposta à emergência,materiais técnicos, etc..Também deve haver métodos de controle alternativos no caso da área de controle designada estarindisponível por causa da emergência. Salas/áreas de controle, devem ser relativamente protegidasde áreas onde as emergências estão mais propensas à ocorrer.3.1.7. Em alguns locais, a busca e resgate é responsabilidade da autoridade municipal/local, taiscomo Corpo de Bombeiros e Resgate. Em outros, a empresa treinará e equipará a sua própriaequipe de busca e resgate.Em ambos os casos a empresa deverá demonstrar que a equipe de resgate e procura tem:a) Um com conhecimento da distribuição do local;b) Conhecimento de riscos especiais relacionados ao local;c) Praticado técnicas de procura e resgate no local;d) Um bom conhecimento dos planos de emergência do local;e) Procedimentos de comunicação e interação com o centro de controle;f) Procedimentos de determinação de quando as atividades de busca devam ser finalizadas, devidoao perigo ou conclusão satisfatória da busca.3.1.8. Procedimento para notificação do pessoal no local de que a condição de emergência tenhafinalizado. castrorpc@yahoo.com.br 166
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroSem um procedimento claro e definido, pessoas poderiam entrar em uma área insegura pensandoque a mesma é segura. Deve definir claramente:a) Quem tem autoridade para autorizar a entrada;b) Que condições devem ser satisfeitas para permitir a entrada;c) Como a autorização de entrada será comunicada.3.1.9. É necessário que o local tenha um procedimento compreensivo que cubra:a) Nomes, números de telefones do pessoal chave (controladores, coordenadores, etc.);b) Comunicação para, e controle do pessoal “não essencial” em situação de emergência;c) Comunicação para, e controle do pessoal de empreiteiras, visitantes, em uma emergência;d) Comunicações externas para:- Autoridades legais;- Companhias de seguro;- Serviços de emergência;- Mídia.3.1.10. Todos os que não estão familiarizados com o local (empreiteiras, visitantes, vendedores,etc.), necessitam atenção ou consideração especial no plano de emergência. O plano deve tratardestas pessoas incorporando controles relevantes.3.2. É necessário se Ter uma lista de todas as fontes possíveis de auxílio à emergências para quepossam ser prontamente contatadas caso se faça necessário. São elas:a) Bombeirosb) Políciac) Ambulânciad) Hospitaise) Centros de controle de venenof) Consulta especializada (produtos químicos)g) Clínicas médicas de emergênciah) Defesa civili) Agências de controle ambiental3.3. Empreiteiros e visitantes também devem ter sessões de orientação.3.4. A freqüência de exercícios deverá ser baseada no nível de risco de cada área de trabalho.Áreas de trabalho onde o risco seja alto, deverão executar exercícios de evacuação à cada seismeses.Após os exercícios deverá ser discutido, tantas vezes for necessário, se a resposta aos mesmos foiadequada ou não, levantando-se as dificuldades e problemas encontrados para que se possa fazer asalterações necessárias.3.5. Produtos químicos, materiais e áreas de interesse estratégico, podem necessitar deprocedimentos especiais de combate à incêndios.Tais procedimentos podem ser instruções específicas para o pessoal do local, sobre as ações à seremtomadas em caso de sinistro (o inventário – item 2, pode revelar a existência de materiais que são castrorpc@yahoo.com.br 167
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroincompatíveis com água, sendo que para controle da situação de emergência deverá ser adotadoprocedimentos alternativos).4. Emergências Fora do Local4.1. A empresa poderá Ter que responder a, ou tratar de emergências que ocorram fora doslimites definidos da mesma. Isto pode incluir:a) Acidentes/incidentes de transporte (ar, mar ou terra);b) Descargas/emissões perigosas;c) Emergências envolvendo empregados em trânsito.4.2. Os planos devem requerer que todos os acidentes / incidentes sejam comunicados à gerênciaapropriada de acordo com as normas da empresa.4.3. Havendo um ciclo de trabalho de 24 horas, mais frota de transporte (tanto de cargas como depessoas), o sistema de comunicação de emergências terá que tratar tanto das que ocorram nointerior da empresa como os que ocorrerem fora. Podem incluir:a) Serviços/equipes de emergência;b) Administração;c) Mídia;d) Coordenadores de emergência.4.3.1. Os Coordenadores de Emergências fora do local deverão ser pessoas com experiência econhecimentos relevantes.5. Controle de Fontes de EnergiaUm sistema de controle eficaz de fontes de energia envolve:a) A identificação dos sistemas principais de energia e outras fontes de materiais que poderiamalimentar um incêndio (calor, eletricidade, fluidos hidráulicos, hidrocarbonetos, etc.).b) A identificação e marcação dos controles principais para parada rápida dos sistemas afetadosdurante a situação de emergência.c) A identificação em procedimentos de emergência, da localização de controles críticos de fontes deenergia.d) Comunicação e treinamento para o pessoal da supervisão manutenção e outros apropriados.e) Procedimentos para assegurar a parada completa de operações ao longo de todo o período daemergência.f) Procedimentos para retomada ao estado normal.A rápida identificação de dispositivos de controle principal, em uma emergência, pode ser vital. Apintura destes dispositivos, em cores distintas, permite a confirmação rápida destes. Tanto acodificação de cores como a etiquetagem são necessárias.Os tipos de dispositivos de controle podem incluir:a) Válvulas;b) Chaves;c) Níveis; castrorpc@yahoo.com.br 168
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castrod) Travas;e) Paradas de emergência6. Sistemas de Proteção e Resgate6.1. Sistemas de supressão de incêndio, sistemas de detecção e alarme de perigo, sistemas delimpeza e resposta a vazamento, sistema de força e iluminação de emergência e outros equipamentosde emergência e resgate devem existir.6.1.1. Identificar os perigos de incêndio presentes na empresa e incluir uma análise dos tipos declasse, número de sistemas e meio de extinção mais apropriado aos riscos levantados.Requerimentos estatutários/legais devem também ser identificados e tratados.Áreas de consideração:a) Extintores de Incêndio- Meio de extinção/classificação de incêndio potencial;- Número requerido de cada tipo de extintor;- Local do extintor;- Teste e manutenção;- Treinamentos e exercícios;- Limitação de extintores portáteis.b) Sistemas de Extinção/Supressão de Incêndios- Sistema sprinker, dilúvio, enchente/monitor, etc.;- Adequação ao risco;- Tipo de sistema: molhado/seco;- Fonte de água: fonte/pressão;- Tipos de cabeça;- Tubulações: dimensão/rota;- Drenagem;- Alarmes/Ativação;- Serviço/Manutenção.6.1.2. Todos os prédios e áreas deverão ser vistoriados. Inspecionar as larguras das saídas e setodas estão corretamente identificadas.Portas, paredes, teto e exterior deverão ser avaliados quanto a resistência ao fogo; uso de materialretardante as chamas; uso de material retardante de fogo para a cablagem ou passagem decablagem em compartimentos protetores (conduítes).Avaliação de todos os projetos e novas mudanças quanto ao cumprimento aos padrões de proteção aincêndio e segurança, incluindo este item em linhas de checagem.6.1.3. Efetuar avaliação em todas as áreas da empresa para se verificar quais áreas deveriam Terum sistema de detecção de incêndio.6.2. Implantação de um sistema de acompanhamento de ações corretivas para se assegurar quetodas as deficiências encontradas sejam corrigidas. Deve incluir: castrorpc@yahoo.com.br 169
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castroa) Um sistema de classificação de periodicidade para se avaliar o nível de risco do perigo oudeficiência encontrada;b) Uma lista de ações corretivas, tanto de curto como de longo prazo;c) Um período para correção do perigo (data limite);d) Uma designação de responsabilidade para uma pessoa específica quanto à conclusão;e) Uma revisão periódica das ações corretivas planejadas ou realizadas.7. Equipes de Emergência7.1. As Equipes de Emergência incluem Brigada de Incêndio, Socorristas, Equipes de Segurança,etc..Uma equipe de emergência deverá ser estruturada para cuidar do primeiro atendimento àemergência, controle de incêndio utilizando extintores e equipamentos hidráulicos, controle devazamentos e socorro.Uma resposta rápida e adequada a incêndios e outras emergências, antes da chegada de serviçosexternos, reduz enormemente a extensão das perdas.7.2. Treinamentos em salas de aula e campos de treinamento prático destinados à fornecerhabilidades e conhecimentos aos participantes. Um programa periódico de treinamento deverá serestabelecido para manter atualizado os conhecimentos e habilidades dos membros da equipe.7.3. O tamanho das equipes deverá ser adequado para permitir à elas realizar todas as suasfunções, cobrir todos os turnos, quando o local estiver em operação, e Ter pessoal suficiente paraque as faltas, doenças, férias, etc., não afetem a sua capacidade de atuação.8. Sistema de Lições AprendidasSempre há lições à serem aprendidas de qualquer emergência ou exercício de treinamento. Apóscada exercício ou evento real, as informações vitais devem ser informadas:a) gerênciab) empregadosc) ao resto da empresa (quando apropriado)9. Primeiros Socorros9.1. O socorrista deve ser capaz de prestar o primeiro atendimento em poucos minutos paraserem mais eficazes.9.2. Deve ter acesso ao suprimento médico e não Ter seus movimentos restritos devido suafunção.9.3. Deverá Ter um certificado reconhecido e emitido por uma agência externa, que conduzacursos formais de treinamento de primeiros socorros. Deve ser válido até a data de expiração,impressa no certificado, ou se nenhuma data estiver listada, não deverá ser dado crédito após trêsanos de sua emissão.9.4. Supervisores são candidatos especiais para treinamento de primeiros socorros poisnormalmente estão nos locais e disponíveis; conhecem melhor os riscos e perigos relacionados aoambiente de trabalho. castrorpc@yahoo.com.br 170
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro9.5. Exposições locais podem ditar a necessidade de treinamento especializado em primeirossocorros. Isto pode incluir técnicas especiais de resgate ou resposta para exposições específicas.Como exemplos, podem citar mordidas de cobra, exposição a produtos químicos, etc..9.6. Profissional médico deverá revisar o equipamento e material de resposta médica, no mínimoanualmente.10. Auxílio Externo Organizado e Auxílio Mútuo (PAM)10.1. Selecionar, planejar e manter corretamente relações com indústrias e serviços que possamser úteis em caso de emergência. As atividades para se manter este relacionamento podem incluir:a) visitas periódicas;b) informações sobre perigo de processos;c) treinamento em conjunto.10.2. Hospitais locais necessitam saber o número de empregados que poderiam estar envolvidosem uma catástrofe, o número e o tipo dos ferimentos a serem esperados, os meios de contatar aempresa para outras informações apropriadas.11. Planejamento Pós EventoO rápido retorno a operação é essencial na redução do impacto financeiro na empresa após perdana sua habilidade de operar após uma emergência.Bons planos de restauração de negócios requerem um pouco de projeção de cenário e uma grandequantidade de acompanhamento.Usando abordagem e equipe, identificar áreas principais ou críticas das operações que, se perdidasdevido a uma emergência, teriam impacto importante no negócio.Deve-se considerar os tipos de emergências que poderiam gerar perdas importantes, o tamanho e otipo de perdas que elas seriam.12. Comunicação de EmergênciaOs planos devem incluir comunicação com gerentes chaves, equipes de emergência do local,organizações externas de emergência, autoridades civis, mídia (quando apropriado) e outrasconforme necessidade.Sistemas alternativos incluem sistema de mensageiros, comunicação por rádio e sistemas detelefonia.12.6 Sub – Planos do Plano de EmergênciaA maioria dos Planos de Emergência possui um sub-plano de abandono e controle de pessoal. Apesarde não fazer parte dos objetivos iniciais do curso, apresentaremos neste tópico algumas orientaçõesimportantes no planejamento do Plano de Abandono.a) Áreas Não Envolvidas Ao soar o alarme de incêndio, a Supervisão das áreas não envolvidas deverá tomar a decisão deparalisação total ou continuação sob controle de operações. castrorpc@yahoo.com.br 171
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Em seguida deverá organizar a evasão rápida e controlada do pessoal em geral, exceto daquelesfuncionários que devem ficar de prontidão. O Coordenador de Área Não Afetada deverá indicar ao pessoal o local de controle e rota a seguirmais conveniente, orientada pelos monitores de trajeto ( bandeiras verdes). Demais Supervisores, Encarregados ou funcionários designados que não ficarem de prontidão naárea, deverão dirigir-se ao local de controle correspondente, auxiliando no inventário de todos osfuncionários da área. A disciplina, ordem ou atendimento de funcionário no local de controle é responsabilidade daSupervisão. Após o inventário do pessoal, cada Supervisor, Encarregado ou funcionário designado informaráos resultados ao Coordenador do Inventariante do Local de Controle. Nas situações de risco grave e iminente, o supervisor de maior hierarquia da área (C.A.N.A.), tema autoridade de abandonar a área ou pedir auxílio, comentando o fato ao C.G.C. O Supervisor não deve permitir a permanência de pessoas não autorizadas na área, impedindo oacesso ao local da emergência, evitando aglomeração nas ruas, passagens e saídas.b) Conduta do Pessoal Durante o Abandono: Manter a calma e evitar o pânico; Andar de forma rápida, sem correr, ordenada e em fila; Obedecer as instruções dos Monitores de Trajeto (Guia de Abandono), sem desviar-se do caminhoindicado; Não parar ou aglomerar, nem tampouco cortar caminhos; Estar preparado para prestar ajuda aos Supervisores, se solicitado.Se o trajeto para um determinado local de controle estiver obstruído ou afetado pela ocorrência, aspessoas deverão dirigir-se a outro lado de controle, seguindo orientação do Monitor de Trajeto.c) Ponto de Encontro Locais de controle, são pontos definidos para onde as pessoas que se encontram na Fábrica, deverãodirigir-se ao soar o alarme de emergência e onde haverá um inventário físico de pessoal (chamadanominal).Cada planta deverá listar abaixo onde são os seus pontos de encontro.d) Monitores de Trajeto: São funcionários treinados pela área de segurança da Fábrica e Supervisionados pelosCoordenadores de Evasão (C.E.) com a incumbência de guiar o pessoal até os locais de controle. Sãoidentificados por bandeirolas de cor verde. Ao soar o alarme de emergência, cada monitor deverá identificar o local da ocorrência, devendodirigir-se ao ponto de trajeto que lhes corresponde. castrorpc@yahoo.com.br 172
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Responsabilidade: Guiar o pessoal de forma ordenada até o local de controle; Atender o pessoalacometido pelo pânico ou mal súbito. No local de controle os monitores ajudarão os supervisores a: Controlar a saída de veículos detransporte externo; Não permitir a saída de veículos de empregados, a menos que seja autorizado;Manter a ordem do pessoal e ajudar na identificação; Qualquer outra solicitação dos Supervisores.e) Pessoal de Fábrica sem Supervisão Direta: Ao soar o alarme, o funcionário que se encontrar forado seu local de trabalho (banheiros, restaurante, grêmio, escritórios, etc), deverá dirigir-serapidamente para o local de controle mais próximo e informar sua presença ao Coordenador deInventariantes.f) Visitantes e Empreiteiras: Visitantes (fornecedores, clientes, representantes de outras empresas ou coligadas), devem seguiro plano de evasão, sob responsabilidade do empregado visitado ou outro designado por ele. Empreiteiros: devem seguir o plano de evasão sob controle da Supervisão Contratante. Esta tem aobrigação de orientar por antecipação o referido pessoal, indicando as funções a seguir em caso dealarme. Visitantes e Empreiteiros; serão autorizados a sair assim que o Coordenador de Abandonoconsentir, com o objetivo de controlá-los melhor.g) Veículos Ao soar o alarme não é permitido a movimentação de nenhum veículo que não pertença ao Grupode Transporte. Estes deverão estacionar em local seguro e que não obstrua o tráfego. Veículos de Transportes que estejam efetuando carga ou descarga deverão paralisar suasoperações, e motoristas e ajudantes, procederão a evasão. As chaves de contato devem ficar nos veículos. Depois da evasão do pessoal, o Coordenador de Transportes pode permitir a saída ordenada destesveículos pela Portaria ou local interno de mais acesso. Para isto, o motorista será acompanhado de um funcionário designado pelo Coordenador deAbandono para retirar o veículo.h) Periodicidade Deverão ser realizados exercícios simulados e completos no estabelecimento ou local de trabalhocom a participação de toda a população, no período máximo de 3 meses para simulados parciais e 6meses para simulados completos.12.7 Diretrizes para Planos de Emergência Após os grandes acidentes relacionados na tabela 14, entre outros foram tomadas medidas nosprincipais países no intuito de se produzir legislação específica para planos de emergência. Asnormas mais conhecidas e freqüentemente usadas como referência em diversos trabalhos são: asnormas européias; as americanas (OSHA – Occupational Safety and Health Administration e AIChE– American Istitute of Chemical Engineers); as das Nações Unidas (APELL – Awareness andPreparedness for Emergencies at local level); as da OIT – Organização Internacional do Trabalho. No castrorpc@yahoo.com.br 173
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de CastroBrasil, a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Básico) implantou em 1988 o“Programa de Prevenção e Gerenciamento de Riscos”. Dentre todas essas diretrizes, considero as da AIChE as mais completas e abrangentes, apesar deserem desenvolvidas para acidentes em indústrias e plantas químicas. De acordo com o AIChE em sua publicação “Guidelines for Technical Management of Chemical Process Safety” a prevenção consiste na primeira fase de um planejamento de emergência, o que retoma a nossa posição prevencionista na segurança do trabalho. O Planejamento de Emergência é estrutura em quatro fases (prevenção, preparação, resposta e recuperação) que atuam de forma cíclica e contínua, conforme indicado na Figura 36.Figuras 36 – Fases do Planejamento de Emergência a) Fase de Prevenção: visa: diminuir a probabilidade de acidentes através do reconhecimento dos perigos, identificação das causas e conseqüências, da elaboração de instalações seguras, e modificações em projetos; ou atenuar seus efeitos em ações de mitigação através da redução, desvio ou interrupção da liberação do agente nocivo (Figura 37). b) Fase de Preparação: fase de identificação de acidentes em potenciais (estudo de cenários, análise de perigo e avaliação de riscos), com elaboração de estratégias de resposta consolidadas no Plano de Emergência e implementada através de programas e treinamentos (Figura 38). castrorpc@yahoo.com.br 174
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figuras 37 – Fases do Planejamento de Emergência – Prevenção e Mitigação Figuras 38 – Fases do Planejamento de Emergência – PreparaçãoFiguras 39 – Fases do Planejamento de Emergência – Preparação – Plano de Ação Emergencial Figuras 40 – Fases do Planejamento de Emergência – Preparação – Estratégia de Resposta castrorpc@yahoo.com.br 175
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A definição da estratégia de resposta envolve a análise da disponibilidade de recursos internos ouexternos (pessoas, equipamentos, instalações de emergência), de suas capacidades e as necessidadesde treinamentos e capacitações. A estratégia de resposta deve ser adequada aos recursos internosexistentes e a capacidade de atendimento da rede hospitalar da região. Para traçar a estrutura de ações de emergência e facilitar a identificação das principais atividadesque devem ser realizadas, geralmente utilizam-se fluxogramas. Um Plano de ação emergencial, esquematizado pela Figura 39, designa o que os membros daBrigada de Incêndio devem fazer, como fazer e com que segurança, bem como suas atuações com osserviços de emergência externos, quando for o caso. As ações de resposta contidas no Plano de Emergência podem ser divididas em níveis de forma aauxiliar a tomada de decisões. A Figura 41 apresenta um modelo de divisão em casos de incêndio. Figuras 41 – Níveis de ação de emergência em caso de incêndio O Plano de Emergência deverá compreender o Plano de ação emergencial de caráter interno, oplano de auxílio mútuo (Corpo de Bombeiros, SAMU, Defesa Civil) de caráter externo. Antes de uma emergência o plano deverá ser usado para treinar os operários nos diferentescenários possíveis e corrigir falhas do plano.c) Fase de Resposta: Consiste em colocar em prática todos os procedimentos funcionaisdesenvolvidos na fase de preparação. Em situações de Emergência há pouquíssimo tempo para atomada de decisões, o que pode influir na qualidade da decisão e das ações subseqüentes,comprometendo a segurança e a saúde dos indivíduos envolvidos. Desta forma, se torna essencialdefinir as atribuições e as responsabilidades de todas as funções que fazem parte da estruturaorganizacional de resposta, assim como, a adoção de uma cadeia nítida de comando (Figura 42). castrorpc@yahoo.com.br 176
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro. Figuras 42 – Fase de Respostad) Fase de Recuperação: A última fase consiste na recuperação do local do acidente, cujas principaisações estão relacionadas na Figura 43. Com o término da emergência, geralmente, os danos nas instalações afetadas são significativos,o que requer procedimentos de recuperação cuidadosos para não gerar mais riscos. castrorpc@yahoo.com.br 177
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Figuras 43 – Atividades realizadas na Fase de Recuperação13 - Modelo de um Programa de Gerenciamento de Riscos Existem inúmeros modelos de Programas de Gerenciamento de Riscos, inclusive você pode criaro seu. No entanto, alguns aspectos são importantes. A Gerência ou Gestão de Riscos é a arte ou a função que visa a proteção dos recursos humanos,materiais, ambientais e financeiros de uma empresa, quer através da eliminação ou redução dos seusriscos, quer através do financiamento dos riscos remanescentes, conforme seja economicamente maisviável. Além das medidas para a redução dos riscos, o gerenciamento de riscos de uma instalação devecontemplar também ações que visem mantê-la operando, ao longo do tempo, dentro de padrões desegurança considerados aceitáveis ou toleráveis. Assim, toda e qualquer empresa que desenvolva atividades que possam acarretar acidentesmaiores deve estabelecer um Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), o qual tem por objetivoprover uma sistemática voltada para o estabelecimento de orientações gerais de gestão, com vistas àprevenção de acidentes. Segundo o estabelecido na norma CETESB P4.261 – Manual de orientação para a elaboração deestudo de análise de riscos, o escopo do PGR deverá conter:- informações de segurança de processo;- revisão dos riscos de processos;- gerenciamento de modificações; castrorpc@yahoo.com.br 178
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos;- procedimentos operacionais;- capacitação de recursos humanos;- investigação de incidentes;- plano de ação de emergência (PAE);- auditorias. O conteúdo específico e os processos básicos do Plano Gerenciamento/Gestão de Riscos –PGR são os mostrados logo abaixo:13.1 Caracterização do empreendimento e da região O primeiro passo para a realização do Estudo de Análise de Risco (EAR) é a compilação dedados relativos às características do empreendimento, contemplando seus aspectos construtivos eoperacionais, além das peculiaridades da região onde este se encontra ou será instalado. A caracterização do empreendimento e da região tem por finalidade identificar localmenteatividades que possam interferir no empreendimento, sob o enfoque operacional e de segurança eestabelecer uma relação direta entre o empreendimento e a região sob influência. Os resultados práticos esperados são a obtenção de um diagnóstico das interfaces existentes entreo empreendimento em análise e o local de sua instalação, e a caracterização dos aspectos relevantesque subsidiarão os estudos de análise de risco, definindo os métodos, diretrizes ou necessidadesespecíficas. Esta etapa inicial do trabalho deve contemplar os seguintes aspectos:a) Aspectos fisiográficos da região sob influência do empreendimento- localização do empreendimento;- núcleos habitacionais considerando-se a estimativa e caracterização do tipo e número de habitantes,bem como o perfil da população (áreas urbanas, rurais e em expansão).- corpos dágua (consumo humano, abastecimento industrial, utilização agropecuária, geração deenergia, piscicultura, recreação, entre outros);- áreas litorâneas (manguezais, praias, costões, estuários, portos e áreas de navegação);b) Características meteorológicas da região- temperatura;- umidade relativa do ar;- velocidade e direção de ventos.c) Características da instalação- descrição física e layout da instalação, em escala;- plantas ou fotos aéreas, em escala e atualizadas, que apresentem a circunvizinhança ao redor dainstalação;- substâncias químicas identificadas por meio de nomenclatura oficial e número CAS (ChemicalAbstracts Service), incluindo inventário, formas de movimentação, armazenamento e manipulação,contemplando suas características físico-químicas e toxicológicas. Considerar as matérias-primas,produtos auxiliares, intermediários e acabados, bem como resíduos, insumos e utilidades;- descrição do processo e rotinas operacionais;- apresentação de fluxogramas de engenharia, de processos e de instrumentação; castrorpc@yahoo.com.br 179
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro- dados operacionais (vazão, pressão, temperatura);- sistemas de proteção e segurança. Descrever o empreendimento incluindo: instalações físicas, lay out dos ambientes,equipamentos, processos e rotinas operacionais, matérias-primas e produtos auxiliares,intermediários e acabados envolvidas, sistemas de proteção e segurança. Descrever ainda a região incluindo: descrição física e geográfica, distribuição da população,cartas planialtimétricas ou fotos aéreas, características climáticas e meteorológicas.13.2 Identificação de perigos e consolidação das hipóteses acidentais A identificação de perigos tem por objetivo identificar os possíveis eventos indesejáveis quepodem levar à materialização de um perigo, para que possam ser definidas as hipóteses acidentaisque poderão acarretar conseqüências significativas. Utilização da técnica mais adequada ao estabelecimento de estudo. Pode ser precedida de umaanálise histórica de acidentes. Estabelecimento de critérios para que sejam escolhidos os cenários acidentais considerados maisrelevantes, para que sejam estudados detalhadamente em etapas posteriores, levando-se em conta aseveridade do dano. A identificação de Riscos é, indubitavelmente, a mais importante das responsabilidades do PGR.É o processo através do qual, contínua e sistematicamente, são identificadas perdas potenciais (apessoas, à propriedade e por responsabilidade da empresa), ou seja, situações de risco de acidentesque podem afetar a organização. Para cumprir melhor esta tarefa, o gerente de riscos, antes de tudo,deve obter informações que lhe permitam conhecer em profundidade a empresa. As principais metodologias de Identificação de Riscos: Checklists e Roteiros Inspeção de Segurança Investigação de Acidentes Fluxogramas13.3 Estimativa dos efeitos físicos análise de vulnerabilidade A liberação acidental de materiais perigosos vem, através dos anos, provocando uma série deocorrências cujas conseqüências podem ser consideradas danosas ao homem e ao meio ambiente.Alguns exemplos de grandes acidentes são freqüentemente mencionados para demonstrar aimportância e a necessidade de se identificar, quantificar, avaliar e gerenciar os riscos inerentes àsatividades que envolvem substâncias químicas, como Flixborough, Seveso, Cidade do México eBhopal. As conseqüências geradas pelos acidentes vão desde um elevado número de vítimas fatais atésignificativos danos ambientais e materiais, razão pela qual deve ser dada ênfase aos aspectos deprevenção e controle de acidentes. Uma das ferramentas utilizadas para se chegar a uma adequada prevenção é o plenoconhecimento dos tipos de eventos que podem ocorrer bem como suas conseqüências, com afinalidade de se obter informações sobre o comportamento do produto no meio bem como aquantificação dos seus efeitos físicos. castrorpc@yahoo.com.br 180
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro A quantificação dos efeitos deverá ser realizada utilizando-se modelos de cálculo que possamrepresentar os possíveis efeitos decorrentes das diferentes tipologias acidentais, tais como:- radiações térmicas de incêndios: • jato de fogo (jet fire) (1) • incêndio em poça (pool fire) (2) • incêndio em nuvem (flash fire) • bola de fogo (fire ball) (3)- sobrepressões provenientes de explosões (4)- concentrações tóxicas decorrentes de emissões de gases e vapores (5) 1- Jatode fogo 2- Incêndio em poça 3- Bola de fogo 4- Explosão 5- Emissão tóxica Os danos ao homem e às propriedades dependem das conseqüências físicas dos acidentes e dacapacidade de resistência dos corpos expostos. Uma vez estimadas as possíveis conseqüências decorrentes dos cenários gerados pelas hipótesesacidentais, esses resultados deverão servir de base para a análise do ambiente vulnerável no entornoda instalação em estudo. Normalmente, essa análise é feita em termos de danos às pessoas expostas aesses impactos. Os modelos utilizados para estimar os danos em função das características das conseqüênciasfísicas são conhecidos como modelos de vulnerabilidade e estes se baseiam numa função matemáticade PROBIT (Pr), desenvolvida por EISENBERG et al, do tipo: Pr = a + b. ln x, onde: a, b: constantes que são função da substância e do cenário acidental; x: variável que descreve a magnitude do impacto físico; Pr: uma variável aleatória da distribuição gaussiana que representa uma medida de percentual(probabilidade) de fatalidades e/ou feridos. castrorpc@yahoo.com.br 181
  • Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Gerenciamento de Risco Professor: Roberto Portela de Castro Pessoas e materiais expostos a um incêndio podem ser seriamente afetados pela radiaçãotérmica. Se o nível da radiação for suficientemente alto, outros objetos inflamáveis/combustíveispoderão ignizar (queimar). Os danos provocados pela radiação térmica podem ser calculados atravésda dose da radiação recebida. Os efeitos sobre as pessoas são expressos em termos de percentagemde morte ou diferentes graus de queimaduras devido a diferentes níveis de radiação. Os danos provocados por uma explosão podem ocorrer devido às ondas de pressão, projeção demísseis e fragmentos e, ainda, danos devidos ao impacto do corpo com obstáculos. As substâncias tóxicas podem entrar no organismo por meio da inalação, ingestão e contato coma pele. No contexto de um estudo de risco, o dano de maior interesse é aquele provocado pelaexposição a uma alta concentração de produto por um curto período de tempo. Os efeitos que umaliberação tóxica pode apresentar são: morte, danos não letais e irritação. Os efeitos físicos dos cenários acidentais devem ser estimados através da elaboração da Análisede Árvore de Eventos (AAE), para definição de tipologias acidentais.13.4 Estimativa de freqüência A elaboração de estudos quantitativos de análise de riscos requer a estimativa das freqüências deocorrência de falhas de equipamentos relacionados com as instalações ou atividades em análise. Damesma forma, a estimativa de probabilidades de erros do homem deve, muitas vezes, ser quantificadano cálculo do risco. Esses dados são normalmente difíceis de serem estimados, em função daindisponibilidade de estudos desse tipo. As freqüências de ocorrência dos cenários acidentais identificados devem ser calculadas quandoos efeitos físicos provenientes dos eventos simulados extrapolarem os limites do empreendimento epossam afetar pessoas. Utilização de registros históricos contidos em bancos de dados de acidentes ou em referênciasbibliográficas. De acordo com a complexidade da instalação, pode haver a necessidade de serutilizada a uma das seguintes técnicas de Análise de Risco: Série de Perigos APP – Análise Preliminar de Perigos AMFE – Análise de Modos de Falha e Efeito Técnica de Incidentes Críticos HAZOP – Análise de Operabilidade de Risco.13.5 Estimativa e avaliação de riscos Estimam-se os riscos considerando o risco individual (risco para uma pessoa presente navizinhança do local do acidente) e o risco social (risco para determinado grupo também presente). Aavaliação é feita a partir de critério de tolerabilidade de riscos.13.6 Tratamento dos riscos Avaliação de Riscos: Prevenção (Eliminação e Redução); Financiamento (Retenção / auto-adoção, auto-seguro) e Transferência (Sem seguro, através de seguro). castrorpc@yahoo.com.br 182