Ppp resumo

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Projeto Político Pedagógico do Colégio Municipal Rui Barbosa.

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Ppp resumo

  1. 1. 1 Prefeitura Municipal de Cabo Frio Região dos Lagos – Estado do Rio de Janeiro Secretaria Municipal de Educação COLÉGIO MUNICIPAL RUI BARBOSA PROJETOPOLÍTICO-PEDAGÓGICO VERSÃO RESUMIDA 2011
  2. 2. 2 SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO...............................................................................Error! Bookmark not defined.CONCEPÇÃO, HISTÓRICO E METODOLOGIA DE CONSTRUÇÃO DO PPP ....... Error! Bookmark notdefined.IDENTIFICAÇÃO DA UE ....................................................................Error! Bookmark not defined.ESTRUTURA ORGANIZACIONAL .......................................................Error! Bookmark not defined.ESTRUTURA FÍSICA ..........................................................................Error! Bookmark not defined.PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO-CULTURAL DA COMUNIDADE ESCOLAR ........... Error! Bookmark notdefined.HISTÓRIA E MEMÓRIA DO CMRB ....................................................Error! Bookmark not defined.GESTÃO ESCOLAR ............................................................................Error! Bookmark not defined.RELACIONAMENTO DA COMUNIDADE ENTRE SI ............................Error! Bookmark not defined.ORGANOGRAMA .............................................................................Error! Bookmark not defined.INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA ...................................Error! Bookmark not defined.LIMITES E POSSIBILIDADES DO COLÉGIO.........................................Error! Bookmark not defined.PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS ................................................................Error! Bookmark not defined.BASE EPISTEMOLÓGICA...................................................................Error! Bookmark not defined.METODOLOGIA DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ................Error! Bookmark not defined.SISTEMA DE AVALIAÇÃO .................................................................Error! Bookmark not defined.CONSELHO DE CLASSE .....................................................................Error! Bookmark not defined.CURRÍCULO ......................................................................................Error! Bookmark not defined.ESPAÇOS FACILITADORES DA APRENDIZAGEM ...............................Error! Bookmark not defined.PLANEJAMENTO ESCOLAR ..............................................................Error! Bookmark not defined.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BÁSICA ..............................................Error! Bookmark not defined.
  3. 3. 31- APRESENTAÇÃO Dentre os principais desafios da escola atualmente está a construção de seuProjeto Político-Pedagógico (PPP) numa perspectiva democrático-participativa, paraque cada integrante da comunidade escolar se sinta sujeito do processo. Outro desafio é o registro do Projeto. Toda escola, enquanto espaço sócio-político, não é um espaço de neutralidade e tem, portanto, um PPP, esteja ou nãoconsciente disso. O que falta, muitas vezes, é “colocá-lo no papel”. Assim era no Colégio Municipal Rui Barbosa (CMRB): ao longo de 30 anos,construiu uma identidade no município de Cabo Frio, permanecendo a sua história delutas e conquistas e os tantos projetos desenvolvidos, apenas guardados na memória dosprofissionais, nas fotos e nos poucos arquivos organizados. A partir do ano de 2006, o PPP do Colégio foi rediscutido de forma coletiva eregistrado, dando origem a um total de 6 (seis) volumes: 1) Perfil do CMRB; 2)Princípios Filosóficos e Pedagógicos; 3) História e Memória do CMRB; 4) Currículo:Concepções e Organização; 5) Histórico e Metodologia de Construção; 6)Fundamentação Teórica: Textos Básicos. Nestes documentos constam todos os textos estudados e produzidos, osresultados das pesquisas feitas com a comunidade escolar, além de fotos, slides, gráficose outros materiais. Apresentamos, agora, o PPP em sua versão resumida, para facilitar o acessoe leitura do mesmo. Os textos originais foram sintetizados e os complementosilustrativos suprimidos. Garantimos, entretanto, toda a essência dos princípios,respeitando as decisões retiradas em Plenárias Comunitárias. Sabemos que a proposta de construção democrática do PPP torna-se cada vezmais difícil numa sociedade marcada pelos valores que se contrapõem às práticas deorganização coletiva. Sabemos ainda que a escola, uma vez inserida neste contexto,reflete os condicionantes sócio-econômico-político-culturais, percebidos especialmentenos momentos de tentativas de mudanças. Queremos, entretanto, integrar o corodaqueles que ousam cantar e contar uma nova história, reafirmando nosso compromissocom a escola pública e com o nosso papel de sujeitos históricos e transformadores.
  4. 4. 42- CONCEPÇÃO, HISTÓRICO E METODOLOGIA DE CONSTRUÇÃO DO PPP O projeto político-pedagógico é o fruto da interação entre os objetivos e prioridades estabelecidas pela coletividade, que estabelece, através da reflexão, as ações necessárias à construção de uma nova realidade. É, antes de tudo, um trabalho que exige comprometimento de todos os envolvidos no processo educativo: professores, equipe técnica, alunos, seus pais e a comunidade como um todo. O pensamento acima, incluído no cartaz-convite para a palestra desensibilização, realizada no início do processo de reconstrução do PPP, em 2006,explicita a concepção que norteou todo o desenvolvimento dos trabalhos. Tomamos como referência autores como Veiga, Vasconcellos e Gadotti, queapresentam em comum os seguintes princípios metodológicos, indispensáveis àconstrução do PPP: gestão democrática, participação coletiva, respeito ao movimentodo grupo, construção permanente e vinculação teoria e prática. Podemos sintetizar o histórico metodológico no CMRB, da seguinte forma:  ANO DE 2006- Resgate do projeto anterior, datado de 2001.- Palestra de sensibilização1.- Diagnóstico da realidade2.- Elaboração do perfil da comunidade escolar (Etapa não concluída, devido a inúmerasdificuldades encontradas pela equipe gestora, responsável então pelo levantamento dedados e registros).  ANO DE 2007- Mudança de metodologia de trabalho, inspirando-se agora na abordagem da pesquisaparticipante.- Formação de grupo de pesquisa, sob coordenação da supervisão escolar, constituídopor representantes dos diversos segmentos: direção, orientação educacional, secretaria,funcionário administrativo, alunos e responsáveis.- Definição dos procedimentos básicos e cronograma de ação, envolvendo:planejamento; seleção de textos para estudo; realização da pesquisa em todas as suasetapas (levantamento, sistematização e análise de dados); elaboração dos instrumentosde pesquisa; planejamento e coordenação do momento das Plenárias Comunitáriasreferentes ao PPP; elaboração e encaminhamento do texto final, após decisões da1 Realizada pela Profa. Aparecida de Fátima Tiradentes dos Santos, coordenadora do curso de pós-graduação da Escola Politécnica da FIOCRUZ – RJ.2 Para a coleta de dados foram utilizados como principais técnicas: questionários, entrevista, análise dedocumentos.
  5. 5. 5comunidade escolar. Os textos finais expressam a síntese das discussões e dosreferenciais teóricos, entendidos como diretrizes para nossas ações.- Realização de plenária comunitária para apresentação de análise feita pelo gruporesponsável pela pesquisa e discussão dos resultados sobre o Perfil da ComunidadeEscolar.- Elaboração do Volume 1 do PPP: Perfil da Comunidade Escolar.- Início da pesquisa sobre Princípios Filosóficos.  ANO DE 2008- Realização de plenária comunitária para apresentação de resultados sobre os PrincípiosFilosóficos e elaboração de texto final, a ser incluído no Volume 2 do PPP: PrincípiosFilosóficos e Pedagógicos.- Reconstituição do grupo de pesquisa, mantendo-se a metodologia adotada.- Estudo e pesquisa sobre Currículo.- Palestra sobre Currículo3.  ANO DE 2009- Realização de plenária comunitária para apresentação de resultados sobre Currículo.- Elaboração do Volume 4 do PPP: Currículo: Concepções e Organização.- Reconstituição do grupo de pesquisa, mantendo-se a metodologia adotada.- Estudo e pesquisa sobre os temas pedagógicos: Epistemologia, Metodologia,Avaliação.- Realização de plenárias comunitárias para apresentação de resultados das pesquisassobre os referidos temas.- Elaboração do Volume 2 do PPP quanto aos Princípios Pedagógicos: BaseEpistemológica; Metodologia da Construção do Conhecimento; Avaliação do Processode Construção do Conhecimento.  ANO DE 2010- Elaboração de folder com os princípios norteadores do PPP, utilizado como materialde estudo na Semana de Planejamento.  ANO DE 2011- Elaboração da versão resumida do PPP.- Aprofundamento do estudo de temas específicos do PPP.- Realização de um Congresso de Avaliação. Podemos concluir que a metodologia adotada, além de aumentar o nível deconhecimento e consciência, teve ainda grande importância por incentivar odesenvolvimento autônomo e autoconfiante do grupo, o que certamente reafirma a suafunção política, no sentido de reforçar o entendimento de pertencimento social e ocompromisso em estar permanentemente interrogando a realidade em que vive, compropósito de transformá-la.3 Realizada pela Profa. Angela Chades, com dissertação de Mestrado/UERJ sobre Currículo.
  6. 6. 6ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PPP O documento resultante de todo o processo de elaboração do PPP deve sertomado como ponto de referência para as ações administrativo-pedagógico-educativaspara os que fazem parte da comunidade escolar e, inclusive, para os novos integrantes(novos professores, novos funcionários, novos alunos, novos gestores...). Trata-se de umdocumento provisório, no sentido de que o cotidiano escolar é histórico, mas torna-seponto de partida para novos questionamentos e discussões. Neste sentido, o PPP deve ser acompanhado e avaliado permanentemente,verificando-se o nível de comprometimento e atendimento aos princípios e objetivos.As próprias reuniões de área e tantos outros momentos de discussão terão comopropósito acompanhar o processo de implementação do PPP, podendo ainda serutilizado um instrumento específico para a avaliação do mesmo.
  7. 7. 73- IDENTIFICAÇÃO DA UENOME- Colégio Municipal Rui BarbosaLOCALIZAÇÃO- Zona urbanaTELEFONE- (22) 2625-4262 e (22) 2645-4955E-MAIL- cmruibarbosa@gmail.comSITE- ruibarbosa.infoENTIDADE MANTENEDORA- Prefeitura Municipal de Cabo FrioENDEREÇO- Rua Rui Barbosa, n.814 – Centro – Cabo Frio – RJ – CEP 28.907-090DECRETO DE CRIAÇÃO- Portaria nº 169 de 26/03/1960 – DEC-MEC
  8. 8. 84- ESTRUTURA ORGANIZACIONALCURSO OFERECIDO- Ensino Médio – Formação Geral.ESTRUTURA DO CURSO- Por série, em 3 (três) anos.QUANTITATIVO DE ALUNOS QUE ATENDE- No total: em média 800 alunos.- Por turma: 27 alunos4.HORÁRIO DE ATENDIMENTO- O Colégio funciona em 3 turnos:1º TURNO: 7:30 h às 12:30 h2º TURNO: 13:00 h às 18:00 h3º TURNO: 18:40 h às 22:50 hORGANIZAÇÃO DAS TURMAS / CRITÉRIOS5- 1º ano: alunos oriundos da rede municipal, classificação por nota. A classificação éfeita pela Secretaria de Educação e enviada à escola.- Mobilização interna de alunos: Caso haja vaga, os alunos interessados são atendidos.Caso o número de interessados for maior do que o número de vagas, o critério éclassificatório por notas.CALENDÁRIO ESCOLAR- Elaborado pela equipe gestora, discutido com a comunidade escolar e encaminhado,posteriormente, à Secretaria Municipal de Educação para aprovação.4 Na última plenária comunitária de 2009, ficou decidido que as turmas passariam a ter 27 alunos, acomeçar pelos primeiros anos em 2010.5 Ficou decidido pela comunidade escolar que estes critérios devem ser rigorosamente atendidos pelaDireção do Colégio.
  9. 9. 9- Prevê os dias destinados às férias, aos feriados, ao recesso escolar, aos Conselhos deClasse, as atividades curriculares, as reuniões pedagógico-administrativas e as plenáriascomunitárias.NORMAS PARA MATRÍCULA E TRANSFERÊNCIA- De acordo com o Regimento das Escolas da Rede Municipal – Capítulo III – Seção I eSeção II.RECURSOS HUMANOS EXISTENTES- Professores: em média 90.- Funcionários (administrativo e apoio): em média 30 profissionais.ORGANIZAÇÃO DISCIPLINAR- Os Direitos e Deveres dos alunos encontram-se indicados no Regimento das Escolasda Rede Municipal.- No ato da matrícula, os responsáveis dos alunos recebem cópia e assinam um Termode Compromisso, com detalhamento das normas disciplinares.
  10. 10. 105- ESTRUTURA FÍSICA O CMRB é constituído de um prédio principal de dois pavimentos comaproximadamente 600,00 m2 e três construções secundárias com total deaproximadamente 50 m2. O 1º pavimento do prédio principal dispõe de secretaria, sala dos professores,sala da equipe gestora, banheiro de professores, cantina, cozinha, pequena área deserviço, banheiros de alunos, três salas de aula e pequeno pátio na frente do Colégio. Nopátio há uma pequena área coberta, que dá acesso para a sala de leitura e biblioteca, quefuncionam no mesmo local6. O 2º pavimento é formado por seis salas de aula, banheiros e uma sala deinformática7. Não há condições de acessibilidade nesse pavimento. Um ponto importante a ressaltar é a inexistência de uma quadra de esportes nointerior do colégio. Em função disto, as aulas de Educação Física são realizadas noClube Associação Atlética Cabofriense. A falta de uma quadra de esportes pode serconsiderada um ponto problemático do colégio, já que as aulas de Educação Física sãorealizadas no contraturno, ou seja, os alunos que estudam no período da manhã fazem asaulas de educação física durante a tarde e vice-versa. Já os alunos que estudam durantea noite podem escolher em fazer as aulas em um dos dois períodos. Em 2006, o Governo acenou com a possibilidade de mudança para um novoespaço, com toda a estrutura necessária. Após um debate com a comunidade escolar,onde um grupo defendia a manutenção do Colégio no mesmo local, com as reformas eampliações necessárias e um outro grupo defendia a mudança para outro espaço, houveum plebiscito interno, cujo resultado demonstrou a opção pela segunda proposta8. Em 2010, a nova direção do Colégio priorizou a realização de pequenas obras(como a ampliação da cozinha), consertos e compra de materiais, solucionado, em parte,alguns dos problemas relevantes. A infraestrutura física sempre foi um complicador, alvo de reivindicaçõesconstantes junto à Secretaria de Educação, uma vez que interfere diretamente no aspectopedagógico. Contraditoriamente, é visto por muitos como um ponto facilitador dasrelações, uma vez que aproxima os profissionais e os alunos.6 O Colégio encontra-se em obras, no início do ano letivo de 2011, quando foi elaborado o PPP VersãoResumida.Há previsão de alteração na área externa.7 Será ampliada de acordo com a previsão de obras em 2011.8 A partir daí, aconteceram várias reuniões da Comissão responsável por esse encaminhamento junto aoGoverno, mas até o final do ano de 2010, nenhuma solução foi concretizada.
  11. 11. 116- PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO-CULTURAL DA COMUNIDADE ESCOLAR O CMRB localiza-se no centro do Município de Cabo Frio (RJ), deleparticipando alunos e profissionais de diferentes bairros e até mesmo de outrosmunicípios. Esta dispersão geográfica da comunidade escolar, de certa forma interferena caracterização de seu perfil, embora os anseios e expectativas em buscar o Colégio seconcentrem nos mesmos objetivos: querem estudar / trabalhar numa escola que éreferência no Município. Com fica situado no centro da cidade, tem em seu entorno residências, prédiosde veraneio e o centro comercial. Como potencialidade do bairro destaca-se adiversidade cultural do mesmo, com espaços de lazer e produção cultural, tais como: oTeatro Municipal, Museu de Artes Sacras, Biblioteca Pública, Casa de Cultura Charitas,Casa Carlos Scliar, cinema, feira de artesanato, Museu do Surf, praças públicas, pista deskate, praia, dentre outros. Como deficiências do bairro destacam-se a falta de segurança e a falta deiluminação nas ruas. Os dados diagnosticados recentemente (final do ano de 2006 e início de 2007)para traçar o perfil da comunidade escolar, etapa inicial de revisão do projeto político-pedagógico, revelam o seguinte contexto:QUANTO AOS ALUNOS Ao ingressarem no Colégio, através do critério de seleção de notas e origem darede municipal, os alunos têm em média 14 a 16 anos de idade. Bem poucos exercematividades profissionais. Moram com as famílias, cuja renda varia entre cinco e dezsalários mínimos. 50% participam de instituições religiosas. Não estão inseridos emorganizações sociais e afirmam que gostam de ler, mas também que ocupam seu tempolivre, prioritariamente, assistindo TV e navegando pela internet. A grande maioria nãoparticipa de atividades artísticas, sendo que 20% pratica atividades musicais. Quanto aoque pretendem fazer após a conclusão do Ensino Médio, as respostas dividem-se emtrabalhar e continuar os estudos em nível superior.
  12. 12. 12QUANTO AOS PROFISSIONAIS Dos profissionais de educação (professores e funcionários) do CMRB, 70%são estatutários e 30% contratados, sendo que 30% iniciaram sua atuação no Colégioentre 1978 e 1990 e 70% entre 1991 a 2007. Os dados revelam um alto índice (80%) de professores trabalhando emoutra(s) escola(s), restringindo-se à atividade profissional de magistério. Em suamaioria não participam de organizações sociais e não desenvolvem atividades artísticas.Por outro lado, ocupam entre uma a cinco horas semanais em atividades de atualização.80% possui curso de especialização. Ao analisarmos dados acima, concluímos que, dentro de um quadrocomparativo com outras escolas, o contexto socioeconômico e cultural do CMRBaponta para uma realidade bastante propícia a um bom trabalho pedagógico-educativo.
  13. 13. 137- HISTÓRIA E MEMÓRIA DO CMRBHINO DO COLÉGIO9 Eu já fui Junqueira Ortiz No início de uma história gloriosa De Cabo Frio passou a ser Um patrimônio: Rui Barbosa, Rui Barbosa Eu venho gerando educação Meu modelo é orgulho Para toda geração Meu dever é educar E o direito de ir buscar Na luta do dia a dia Respeitando a lei Do homem e de Deus e a cidadania Quem faz parte desta história Quer a minha sobrevivência Gerei pai, gerei mãe e filho Dama e plebeu Nesta existência Que hoje falam e não querem ver jamais A minha decadência Bato no peito Sou cantado em verso e prosa Tenho orgulho e me chamo Rui Barbosa, Rui Barbosa.AS MARCAS DO COLÉGIO O CMRB é a primeira escola de ensino médio da rede municipal e vem, aolongo dos tempos, garantindo o reconhecimento da comunidade cabo-friense, em funçãoda qualidade educativa de seu trabalho e da inserção nas lutas por melhorias naeducação. Independentemente das mudanças na oferta dos cursos (Formação deProfessores das Séries Iniciais e Contabilidade e, a partir de 1999, somente FormaçãoGeral), a preocupação do Colégio com a formação integral vem contribuindo para queos alunos se destaquem em diversas áreas profissionais e para que prossigam seusestudos em níveis superiores, embora não tenha diretamente como propósito apreparação para o vestibular ou para o mercado de trabalho.9 O hino do Colégio nasceu de uma tarefa de Gincana. Seus autores: alunas Mábila Botelho, PatríciaAntunes e Professor Luís Fernando Batista de Brito (mais conhecido como Babau).
  14. 14. 14 Muitos dos profissionais que fazem parte do próprio quadro de professores efuncionários do CMRB são ex-alunos, o que lhes propicia um certo orgulho e favorece aintegração. Há um número significativo de professores que trabalham há muitos anos noColégio, alguns deles tidos como referência na educação municipal. São professoresque, a todo tempo, demonstram compromisso com a história que ajudaram a escrever:uma história marcada pela competência, profissionalismo e por relações democráticas eafetivas. A memória oral é uma das fortes marcas do Colégio. São muitas e muitashistórias, algumas lendárias, vividas dentro e fora do espaço escolar, recheadas de muitohumor e contadas e recontadas frequentemente na sala dos professores. Atualmente háuma constante queixa saudosista: “o Rui Barbosa não é mais o mesmo...”, como se o“tempo bom” fosse o tempo de outrora. O Colégio traz ainda marcas de conflito, inerente ao processo democrático.Internamente, as reuniões são calorosas, alguns professores defendem suas idéias commuito entusiasmo, consciência política e senso de justiça. Nem sempre é fácil chegar aum consenso, o que ocorre geralmente através do voto e do respeito ao coletivo. Nas relações externas, o Colégio se posiciona como defensor da escola pública,não abrindo mão do que considera direito seu ou da comunidade. Podemos afirmar, enfim, que o CMRB se insere na trajetória da educação domunicípio como um foco de luta e de resistência.O PROCESSO DE CRIAÇÃO O Colégio Rui Barbosa foi adquirido em 1978, no Governo José Bonifácio.Antes de ser municipalizado, já funcionava no local uma escola privada denominadaColégio Rui Barbosa, sucessor da Escola Técnica de Comércio Junqueira Ortiz de CaboFrio. Em 1980 passou a se chamar Colégio Municipal Rui Barbosa, denominação queperdura até hoje. A aquisição do Colégio deveu-se ao compromisso do então Prefeito com acomunidade em aparelhar a estrutura da educação municipal, onde os alunos da redepudessem ter garantido a formação educacional desde a alfabetização até ao 2º Grau.
  15. 15. 15HISTÓRICO DA GESTÃO A primeira administração do Colégio esteve a cargo do Prof. Paulo Fernandode Assunção Souza, durante o período de 1978 a 1989. Esta gestão teve como principalmeta a consolidação de um colégio diferente dos demais, pois buscava, além daformação intelectual dos educandos, a informação sobre as mais diferentes áreas e oaprimoramento do jovem como cidadão, cônscio de seus direitos e deveres. Tivemos os seguintes gestores, cada qual demonstrando sua visão de gestão ede educação, priorizando ações decorrentes desta visão:- Prof. Lyra: 1990-1993;- Profa. Sheila: 1994-1995;- Profa. Maria Cecília: 1996-1997;- Prof. Roberto (Betinho): 1998-1999;- Profa. Amanda: 2000-200;- Prof. Ronald: 2004-2005;- Profa. Maria Lúcia: 2006-2007;- Profa. Denize: 2008-2009;- Prof. Luiz Carlos: 2010-2011.
  16. 16. 168- GESTÃO ESCOLAR Para refletirmos sobre a gestão escolar é necessário que analisemos o contextosocial em que a escola está inserida. Ao analisarmos os modelos de gestão ao longo dos tempos, podemos perceberque o autoritarismo esteve presente nas relações das escolas, muitas vezes reproduzindo,inconscientemente, ações incorporadas numa formação arbitrária. O exercício do poder talvez seja um dos aspectos mais complicados para aequipe diretiva das escolas. Portanto, é necessário que se discuta, antes de mais nada,sua forma de exercício: a serviço de que e de quem ele se coloca. Hoje, mais do quenunca, é preciso que a escola não perca a sua função social de formar os indivíduos parauma vida digna, trabalhar para sua humanização e emancipação, onde os mesmospossam crescer como pessoa e cidadãos, através do exercício constante de suaparticipação nas tomadas de decisão. Partindo dessa concepção de escola, o Colégio Municipal Rui Barbosa vem, aolongo de sua história, construindo-se como escola com um perfil de luta no municípiode Cabo Frio. Lutamos por melhores condições de trabalho e dignidade para oprofessor, principalmente na década de 80, com enfrentamento de governos autoritários,que não tinham a educação como prioridade. Hoje, o Colégio Rui Barbosa apresenta em perfil de gestão democrática, que seaproxima do modelo que desejamos, fruto de uma luta de professores e alunos parainserir, em 1990, na Lei Orgânica, a Lei para Eleição de Diretores de Escola. Lutainiciada nas discussões em sala de aula e transformada em movimento na busca de umagestão democrática, com representantes eleitos pela comunidade escolar. Neste ano, a direção indicada demitiu-se e demos início ao processo eleitoral,forçando o Prefeito à época, Ivo Saldanha, a encaminhar a Lei de Direção Escolar para avotação na Câmara Municipal. Essa vitória se deu por acreditarmos que é possível,coletivamente, existirem formas de se buscar a autonomia da escola. Nossa grande tarefa é fazer a escola funcionar pautada num projeto coletivo.Para que essa proposta possa efetivamente acontecer, realizamos permanentementereuniões e plenárias comunitárias, nas quais professores e comunidade escolar têm aoportunidade de ouvir e expor argumentos, conhecer por dentro a realidade do Colégio,acompanhar o processo e também assumir compromissos. Nossa intenção é garantir que “esses espaços não sejam momentos de recados,cobranças ou ameaças, mas sim espaços de exercício autêntico de diálogo, de poder de
  17. 17. 17decisão, do resgate da condição de sujeitos históricos de transformação, na busca dobem comum no âmbito da escola e de suas relações” (Vasconcellos: 2002: 63). O Colégio Rui Barbosa tem se pautado em características das escolaslibertadoras e libertárias, tentando desenvolver nos alunos essa consciência para que osmesmos assumam seu papel de sujeitos históricos e que se sintam protagonistas do seuprocesso de educação. Como nos alerta Libâneo (2004: 110) E preciso considerar que levar em conta os diferentes significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos, as diferentes visões de mundo, os diferentes modos de agir. A cultura organizacional das escolas é algo muito complexo, envolvendo interesses distintos entre pessoas e grupos e diferentes bagagens culturais. Isso constitui um desafio aos diretores, coordenadores pedagógicos e professores, pois para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns, há de se considerar a disputa de interesses, os significados, os valores, as diferenças, assim como as relações de poder externas e internas, Há de se considerar, também, que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo, cuja influência na organização escolar é determinante. Entendemos que a construção participativa do Projeto Político-Pedagógico éum grande momento para a escola tentar superar o isolamento, as práticasindividualistas e a fragmentação do trabalho.ELEIÇÃO PARA DIRETORES A eleição hoje tem a nomenclatura Consulta à Comunidade, por força de LeiMunicipal10. O processo de Consulta acontece a cada 2 (dois) anos, onde é escolhida aequipe de direção: diretor geral, diretor adjunto, dirigentes de turno, que são nomeadospara as funções pelo Prefeito.10 Lei de número 2233 / 2009.
  18. 18. 189. RELACIONAMENTO DA COMUNIDADE ENTRE SI A função política da escola passa hoje por dois aspectos importantes: asocialização do conhecimento e a construção da cidadania. Para isso, necessariamente, oprojeto de gestão deve ser democrático, o que implica no envolvimento direto,participativo e deliberativo da comunidade escolar. Neste sentido, encaramos o desafiopermanente de substituir ações isoladas pela construção coletiva. Relacionamo-nos com aproximadamente 800 alunos adolescentes e jovens,público que varia em média de 14 a 18 anos, com seus respectivos responsáveis e emmédia 90 professores e 30 funcionários. A relação professor-aluno deve acontecer de acordo com os princípiosfilosóficos e pedagógicos do Colégio, através de práticas que contribuam para aconstrução de convivência baseada no respeito, na liberdade e na autonomia. A integração entre os alunos dos diferentes turnos é garantida através de váriasatividades, tais como as festividades (Chá Literário, Festa Julina, Baile à Fantasia...), osFestivais (de Cinema, de Música...), Campeonatos e, especialmente, através de duasgrandes atividades, realizadas alternadamente: a Mostra do Conhecimento Integrado e aGincana de Integração. O envolvimento dos alunos no processo pedagógico do Colégio é efetivadoatravés da participação dos mesmos nas Plenárias Comunitárias, reuniõesextraordinárias e através de seus representantes nos Conselhos de Classe e reuniões doCART. Além disso, há uma participação direta e efetiva dos alunos, via internet,através de e-mail, site do Colégio e Orkut e rede social. Convém destacar que, apesar do estímulo ao resgate do Grêmio, atualmente osalunos não ocuparam este importante espaço democrático dentro da escola. Várias são as formas que utilizamos para garantir, efetivamente, um espaço deconvivência democrática, conforme os Princípios Filosóficos do Colégio, mesmo emreuniões calorosas como são, geralmente, as reuniões do CMRB. São os seguintes os espaços onde a comunidade escolar se relaciona e constróia escola que tem como opção:
  19. 19. 19• AAE (Associação de Apoio à Escola)- As reuniões são realizadas quinzenalmente com a intenção de acompanhar, analisar edeliberar sobre a gestão financeira dos recursos que chegam ao colégio.- Os PDE, vindo da Prefeitura e a verba de merenda, vinda do MEC entram diretamenteem contas no Banco Itaú. A verba obtida das vendas na cantina entra diariamente e édepositada em conta própria, também no Banco Itaú.- Durante o ano acontecem outras ações que geram recursos como a Festa Julina e oBaile à Fantasia.- Todo o recurso que chega à escola é acompanhado pela AAE.• CONSELHO FISCAL- Os conselheiros participam permanentemente do movimento financeiro, avaliando aentrada de recursos, o emprego das verbas e emitindo mensalmente parecer sobre osdocumentos financeiros do Colégio.- O Conselho Fiscal é convocado sempre que se fecha o balancete da utilização da verbamensal enviada pelos governos federal e municipal.• CONSELHO ESCOLAR11- O Conselho Escolar deve funcionar de maneira permanente, com função e atribuiçõesbem definidas.- O Colegiado Escolar é formado por representantes da direção geral, adjunta, dirigentes(01), inspeção ou secretário escolar (01), supervisão ou coordenação de área (01),orientação educacional (01), professores (01 de cada área), funcionários (01), de alunos/ CART (01 de cada turno), alunos / Grêmio (01), responsáveis (01 de cada turno).- As reuniões devem acontecer ordinária e extraordinariamente.• PLENÁRIA COMUNITÁRIA- Atividades com os seguintes objetivos: deliberar assuntos de interesses gerais eoportunizar a participação na construção do projeto político-pedagógico.- Envolve a participação de toda a comunidade escolar (professores, funcionários,alunos e responsáveis), todos com direito a voz e voto, conforme decisão da plenáriacomunitária realizada em 07/03/09.- As plenárias comunitárias ordinárias serão realizadas bimensalmente e as plenáriasextraordinárias acontecerão sempre que necessário.- Os dias de plenárias comunitárias serão considerados letivos, uma vez que se trata deefetivo trabalho escolar, com a presença e participação de alunos.• REUNIÃO PEDAGÓGICO-ADMINISTRATIVA- Atividade com objetivo de discutir assuntos específicos referentes aos aspectosadministrativos e pedagógicos.- Envolve a participação apenas de professores (docentes e equipe gestora) e deinspetores de alunos, onde todos têm direito a voz e voto.- As reuniões pedagógico-administrativas ordinárias serão realizadas bimensalmente eas reuniões extraordinárias acontecerão sempre que necessário.- Não serão consideradas atividades letivas, pois não envolve diretamente a participaçãode alunos.11 O processo de discussão do Conselho Escolar iniciou-se em 2009, sendo que em 2010 não houvemobilização suficiente, transferindo-se a criação do Conselho Escolar para a primeira PlenáriaComunitária do ano de 2011.
  20. 20. 20• CONSELHO REPRESENTATIVO DE PAIS E RESPONSÁVEIS- Início do processo de construção em 2009, sendo continuado em 2010.- Sugestão de composição: 01 ou mais representantes por turma.- Sugestão: Reunião no 1º sábado / mês, mesmo horário do CART.• CONSELHO DE ALUNOS REPRESENTANTES DE TURMA (CART)- Reuniões realizadas em todo primeiro sábado do mês com os alunos representantes deturma, com o objetivo de ouvir as reivindicações dos alunos, repassar informes e tomardecisões junto com a Direção, a respeito de questões do cotidiano escolar.- As reuniões são coordenadas pela Direção e conta com a presença de representante daOrientação Educacional.- O CART, de certa forma, substitui o papel do Grêmio, no sentido da democracia, umavez que cada turma se faz representar e que cada representante tem direito a voz e voto.• REUNIÃO DE EQUIPE GESTORA- As reuniões de Equipe conta com a participação da direção geral e adjunta, dirigentesdos 3 turnos, orientadores educacionais, supervisão escolar, coordenadores de área einspeção escolar.- As reuniões têm como pontos básicos de pauta: informes, assuntos pedagógico-educacionais e assuntos administrativos e são coordenadas por um elemento da equipeem sistema de rodízio, com o objetivo principal de exercitar a partilha de poder.- Ordinariamente ocorrem quinzenalmente e, extraordinariamente, sempre quenecessário.• REUNIÃO DE DIREÇÃO- Participam dessas reuniões: direção geral, direção adjunta e dirigentes dos 3 turnos.- As reuniões são realizadas quinzenalmente, com os principais objetivos de dar unidadeao trabalho desta equipe e encaminhar questões administrativas específicas.• REUNIÃO SUPERVISÃO-COORDENAÇÃO DE ÁREA- Realizadas quinzenalmente, com o propósito de articular o trabalho, socializarexperiências e partilhar decisões, assim como estudar sobre assuntos referentes ao PPP.- Nessas reuniões são planejadas atividades, elaborados esboços de projetos, de acordocom as necessidades.• REUNIÃO ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL- Realizadas quinzenalmente, com o objetivo de articular o trabalho e encaminharsituações específicas, tais como: planejamento do trabalho, análise de situações, etc.• REUNIÃO DE ÁREA- As reuniões são realizadas mensalmente, com 4 horas de duração, em data e horáriocombinados junto aos professores da Área.- Nessas reuniões são tratados assuntos específicos da Área e referentes ao processopedagógico como um todo.- O planejamento das reuniões é elaborado pelos Coordenadores de Área, sendo que oestudo e a discussão das temáticas do PPP, assim como outras questões pedagógicascomuns a todos os professores, são combinadas nas reuniões de Supervisão-Coordenação12.12 Há um acordo interno de que os Coordenadores de Área serão eleitos pelos seus pares, embora não hajaesta indicação no Regimento Escolar.Pode concorrer à função de Coordenação tanto o professor estatutário, quanto o professor contratado.
  21. 21. 21• REUNIÃO DE DIREÇÃO COM FUNCIONÁRIOS- São realizadas sempre que necessário, em pequenos grupos ou com o conjunto deprofissionais.- No mínimo, deve haver uma reunião com todos os funcionários, a cada semestre,sendo o planejamento desta, de responsabilidade da direção.- Coerente aos Princípios Filosóficos do Colégio, os funcionários são consideradoseducadores não-docentes.• REUNIÃO DO GRUPO DE PESQUISA DO PPP- As reuniões têm os seguintes objetivos: selecionar materiais; estudar; realizar apesquisa em todas as suas etapas; planejar e coordenar o momento das PlenáriasComunitárias que trata do PPP; elaborar e encaminhar o texto final após decisões dacomunidade escolar nas Plenárias; planejar todo o processo da pesquisa; repassarmateriais que devem ser lidos pelos professores e equipe gestora.- O grupo de pesquisa do PPP é composto por representantes de alunos, responsáveis,direção, professores, coordenadores, funcionários administrativos e de apoio,orientadores educacionais e supervisão.- A coordenação dos trabalhos é de responsabilidade da supervisão escolar.• REUNIÃO COM RESPONSÁVEIS- Além das Plenárias Comunitárias, os responsáveis são convidados para reuniõesextraordinárias, quando se faz necessário e, ordinárias, no início do ano letivo e após osConselhos de Classe dos 1º e 2º trimestres.• COMISSÕES PROVISÓRIAS- O CMRB tem como prática formar Comissões para discutir com um grupo menor depessoas as questões levantadas em Plenárias ou Reuniões.- A partir do estudo da situação, a Comissão deve apresentar os encaminhamentosdados, através de um documento base, de forma a sistematizar a proposta.- Qualquer estudo realizado pelas Comissões deve, antes de seguir sua proposição, seranalisado, emendado, suprimido e aprovado por todos, em Plenárias Comunitárias.- Preferencialmente as Comissões são constituídas por representantes de todos ossegmentos da comunidade escolar. Desta forma procuramos, em todos os níveis, pautar nossas relações engajadasna luta por uma efetiva democratização das idéias construídas no coletivo do Colégio.
  22. 22. 2210. ORGANOGRAMA Em Plenária Comunitária do mês de outubro de 2009, foi apresentada pelaEquipe Gestora e aceita pela comunidade, uma nova proposta de organização, queexpressa melhor a filosofia de gestão atual. Este novo modelo revela um rompimento com relações hierarquizadas e apontapara a participação igualitária. Tem o aluno como ponto de partida e a plenáriacomunitária como ponto máximo de decisão, deixando em aberto outras possibilidades.
  23. 23. 2311. INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA Adotamos a definição da Convenção da ONU, segundo a qual “pessoas comdeficiências são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ousensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir suaparticipação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”.PRINCÍPIOS GERAIS QUANTO À INCLUSÃO Entendemos que a realidade da chamada escola de massa impede o pleno eefetivo trabalho de inclusão, uma vez que, dentre outros problemas, o número excessivode alunos dificulta o trabalho individualizado. O CMRB se compromete em receber, acolher e dar suporte pedagógico eafetivo aos alunos com deficiência, dentro de suas possibilidades, lembrando que cabeao poder público a responsabilidade maior pela inclusão. Os princípios filosóficos do Colégio nortearão o relacionamento e o trabalhocom os alunos inclusos, especialmente no que diz respeito à igualdade no tratamento. A inclusão será feita de modo “natural”, ou seja, sem supervalorização dotrabalho ou do próprio aluno. Nesse caso, os alunos não serão tratados de formadiferenciada, exceto em situações especiais. A inclusão será entendida como uma oportunidade de aprendizagem, seja porparte dos profissionais, seja por parte dos demais alunos da classe. Aprender a respeitare proteger os direitos e a dignidade das pessoas com deficiência; aprender a convivercom a diferença e romper com os preconceitos e discriminações; aprender a descobrirnovas metodologias e novas formas de avaliar, são os principais desafios a seremenfrentados. O acesso e a permanência dos alunos inclusos serão permeados por umtrabalho de qualidade, no qual lhes sejam garantidos o acesso e a apropriação dosconhecimentos sistematizados, assim como as vivências de exercício de cidadania,possibilitando-lhe assim o pleno direito à participação e à inclusão na sociedade.PROCESSO DE APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO O aluno incluso, como os demais, será concebido, de acordo com a baseepistemológica do CMRB, como sujeito do seu processo de aprendizagem, cabendo aoprofessor mediar a relação desse sujeito com o objeto do conhecimento, nesse caso, comum olhar diferenciado no sentido de atender as suas necessidades. A avaliação deve seguir o que está previsto no Projeto Político-Pedagógico doColégio, com possibilidade de elaboração de avaliação diferenciada, quando for o caso.
  24. 24. 24 A concepção de avaliação como um ato amoroso, aqui em especial, devetornar-se uma prática cotidiana, seja em sala de aula, seja fora dela. A adaptação curricular, direito do aluno incluso, será feita pela SupervisãoEscolar junto com os professores, no caso do aluno indicado pelo Conselho de Classe. A falta de conhecimento, tanto por parte dos professores, quanto por parte daequipe pedagógica, a respeito da multiplicidade de deficiências, certamente torna-se umcomplicador para o processo de aprendizagem, mas não pode caracterizar-se como umimpedimento para os avanços possíveis.ACOMPANHAMENTO DOS ALUNOS INCLUSOS Cabe à Direção:- Favorecer o ambiente de inclusão;- Acompanhar o processo de inclusão. Cabe à Supervisão Escolar:- Orientar os professores quanto à dificuldade dos alunos;- Repassar orientações recebidas da Educação Especial / SEME para professores eEquipe Gestora.- Repassar informações recebidas da Orientação Educacional;- Realizar intervenção pedagógica junto ao professor, quando necessário;- Elaborar adaptação curricular e avaliação diferenciada;- Elaborar o perfil trimestral dos resultados dos alunos inclusos;- Tratar do registro da Inclusão no Projeto Político-Pedagógico do Colégio;- Recorrer à SEME sempre que houver necessidade. Cabe à Orientação Educacional:- Identificar os alunos com deficiências;- Elaborar quadro-síntese junto à Supervisão;- Solicitar laudo médico ou de outro especialista, quando for o caso;- Atender aos alunos e às suas famílias;- Repassar informações sobre o CPED (Centro Municipal Especializado para Pessoascom Deficiência) aos alunos e famílias;- Acompanhar o desenvolvimento dos alunos inclusos;- Estimular a participação dos alunos nos Projetos do Colégio; Cabe aos Professores:- Identificar os alunos com deficiências, comunicando à Orientação Educacional;- Pesquisar sobre a deficiência dos alunos, no sentido de se apropriar de conhecimentosque favoreçam a relação pedagógica;- Manter um olhar atento para as questões que cercam os alunos inclusos. Cabe à equipe de Educação especial da SEME:- Acompanhar o desenvolvimento dos alunos inclusos;- Oferecer suporte técnico;- Fornecer material bibliográfico de apoio e legislação atualizada.
  25. 25. 2512. LIMITES E POSSIBILIDADES DO COLÉGIOLIMITES1) Espaço físico e recursos- Precariedade de espaço físico para que os alunos possam desenvolver suas aptidões,sejam artísticas, esportivas e intelectuais.- Espaço físico dificultando relacionamento dos alunos entre si, com os professores,direção e a própria atuação dos professores- salas de aula apertadas para o número de alunos- salas quentes- falta de espaço para desenvolver o Projeto de Arte/ Salão de Artes- Falta de salas-ambientes: sala de vídeo, refeitório, laboratórios, quadra poliesportiva- Cantina, biblioteca, laboratório de informática em espaço pequeno, não atendendo àsnecessidades.- secretaria sem espaço para os arquivos-faltam recursos tecnológicos- material pedagógico insuficiente- apenas um computador na secretaria não atende às necessidades- falta verba adequada para equipar a escola com materiais de artes- falta investimento no colégio- falta merenda- pouca segurança na porta da escola2) Relacionamento:- Divisão da escola em dois grupos de professores, faltando consenso para não seagredirem tanto.- Falta de abertura de alguns profissionais para ouvir e aceitar opiniões diferentes, raizque impede o crescimento, o aparecimento do novo.- Falta de sensibilidade de alguns profissionais para melhor relacionamento com osalunos.- Fofoca que “rola”- Falta maior integração entre equipe e professores no estudo de soluções para osproblemas. Detém-se a detalhes dos problemas, não chegando a ponto de encaminharsoluções.- Falta de integração, acompanhamento e continuidade no trabalho da secretaria- Falta maior união e entrosamento entre os funcionários da noite.- Falta de colaboração de diversos funcionários.- Falta especificação melhor das funções: “Muita gente mandando ao mesmo tempo”- Relação com os pais, dificuldade em atender o pedido dos pais e alunos.- Pais precisam estar mais presentes- Postura cultural dos pais e da sociedade de pouca importância e influência dos seuspapéis na participação das questões educacionais na escola- Falência da educação familiar.3) Área pedagógica- Aulas sem dinamismo, não compatível com as necessidades do aluno de hoje- Desconsideração de que o alunos do noturno precisam ser tratados diferentes,precisam de outra didática
  26. 26. 26- Alguns professores concursados não dão muita atenção aos alunos, como osprofessores contratados dão, já que precisam garantir o emprego.- Alguns professores que não explicam muito bem- Quadro de professores não sendo fixo, devido aos contratos- Professores concursados que não dão muita importância à explicação da matéria- Excesso de professores contratados- Falta acompanhamento quanto aos conteúdos programáticos desenvolvidos pelosprofessores- Falta mais orientação pedagógica- Faltam atividades diversificadas- Dificuldade dos professores na especificação dos conteúdos programáticos nos diários- Prática da Educação Física fora do turno4) Área administrativa- Excesso de reuniões- Falta de objetividade nas reuniões- Falta supervisão aos alunos que saem de sala e também aos que vão embora- Falta maior divulgação dos projetos que a escola desenvolve- Desrespeito, por parte dos professores, aos prazos na entrega de documentos (diários eoutros documentos) solicitados pela secretaria- Descumprimento do Regimento escolar. Uso do Regimento de acordo comconveniências- Falta de projeto político-pedagógico- Submissão da escola a política de contratação de professores sem critérios dequalidade- muitas faltas dos professores às aulas.- Salgados da cantina acabam muito cedo- Alunos não poderem sair do colégio- Proibição de saída no horário do recreio- regras de seleção dos alunos não são mais respeitadas- excesso de alunos, limitar vagas- horário da saída do turno da noite incompatível com alguns horários de ônibus, que jánão circulam mais- Horário do intervalo do turno da noite muito pequeno- Falta organização, disciplina e vontade de mudar- forma de organização das atividades (gincana, festival, etc) atrapalha mais do queajuda- limitação do aluno na exposição de idéias propostas à Direção- Ausência de investimento na formação de qualidade para a equipe e corpo docente- Modo como a ficha dos professores é preenchida- Interferência da SEME, fazendo com que a autonomia que o Colégio possuía deixe adesejar5) Corpo Discente- Ausência de organização dos alunos através do Grêmio- Falta de pré-requisitos num grande número de alunos, dificultando a aprendizagem- Nível dos alunos abaixando a cada ano-Alunos que chegam ao ensino médio sem base- falta de perspectivas de futuro nos jovens- Aluno é limitado em seu conhecimento mais aprofundado, por falta de laboratórios depesquisa- potencialidades dos alunos poderiam ser mais exploradas (Ex: área de música)
  27. 27. 276) Profissionais em geral- Baixa qualificação profissional em todos os setores, em geral- Postura profissional arraigada e despreocupada do funcionário público (perfil cultural)- Descompromisso de alguns profissionais- Desvalorização salarial do professor- Contratação de professores atendendo a solicitações políticasPOSSIBILIDADES1) Posicionamento do Colégio- vontade de crescer- Posicionamento político do Colégio. Escola luta por seus ideais- Espírito de luta dos professores- Processo democrático observado nas relações- Compromisso político de alguns profissionais- Tradição do colégio na formação de cidadania- Envolvimento dos profissionais e alunos com a escola- Afetividade demonstrada nas relações- convívio interno, com os alunos principalmente- Bom relacionamento entre os funcionários- Bom relacionamento entre alunos e professor-aluno- Conhecimento e troca entre alunos e professor-aluno, organização e administraçãofavorecidos pelo espaço físico reduzido- Colégio procura os pais para resolver problemas- Bom grupo de funcionários de apoio- Professores, equipe e alunos se dispõem a participar nas atividades, se empenham ...- Desenvolvimento e qualidades dos projetos- Desenvolvimento de eventos diversos- Projetos desenvolvidos- Desenvolvimento de projetos que integram os alunos- Ser uma escola que atende apenas ao Ensino Médio- Quantitativo de alunos, poucas turmas- Ensino muito bom, o que faz com que a escola tenha relacionamento (“nome”)- Qualidade do ensino muito boa- Ensino bom, bem elogiado na cidade- Melhor escola da cidade- Resgatar o que foi o Rui Barbosa, referência em todos os sentidos e que hoje estácaminhando a passos largos para se tornar apenas mais uma escola municipal- compra da casa ao lado para não mudar a escola de lugar- construir o terceiro andar2) Equipe gestora- Boa qualidade do trabalho da pesquisa gestora- Abertura de entendimento por parte da direção aos problemas dos aprofessores ealunos, passando segurança e demonstrando preocupação, apesar dos impasses- Direção atenciosa e compreensiva com os funcionários- Direção atenciosa com os alunos, pronta para ajudar quando precisa- Direção e dirigente da noite muito boa- Competência da direção- Trabalho realizado pelos coordenadores de área- Inspeção e Supervisão colaboradoras e disponíveis
  28. 28. 28- Boa postura da dirigente de turno da noite- Funcionários da noite muito legais (exceto um), atenciosos- Conselho de Classe- Formação de pequenos grupos de estudo por empatia e interesse de temas- Laboratório desses grupos de estudo, para atuarem e provocarem reversão no quadroatual do colégio- Investimento mensal em encontros com profissionais capacitados para os assuntosproblemáticos recorrentes- Acompanhamento e feed-back da atuação de todos os funcionários envolvidos com ocolégio direta e indiretamente.3) Corpo docente- Boa qualidade do trabalho dos professores- Abertura dos professores à discussão- Empenho e esforço dos professores- Professores exemplares- Professores preocupados não apenas com as disciplinas, mas com a formação dacidadania- Profissionais bem qualificados, com boa formação- Grupo de professores que defendem um projeto político para a educação- Método de avaliação e metodologia dos professores favorecem o aluno a estudar- Professores têm boa relação com os alunos dentro e fora da escola- Metodologia de ensino, no geral- Professores ensinam muito bem, ajudam aos alunos-Jeito dos professores explicarem e forma de tratamento com os alunos são ótimas- Atividades dinâmicas- Liberdade que o professor tem com relação à metodologia- Inclusão de disciplinas como Filosofia, Metodologia, Psicologia das RelaçõesHumanas4) Corpo discente- Nível dos alunos- Alunos (maioria) que trazem uma boa bagagem do ensino Fundamental- Alunos criativos, inteligentes, tocam instrumentos- Alunos gostam de estudar neste colégio- Não há brigas entre os alunos, todos se conhecem ...- Alunos com grandes talentos para serem revelados.
  29. 29. 29 13. PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS A dimensão filosófica do Projeto Político-Pedagógico diz respeito à dimensão ideológica do Projeto, ao sentido político que é dado à escola, uma vez que esta não é um espaço neutro; isto é, todas as suas ações, conscientemente ou não, têm uma intencionalidade. Os princípios filosóficos dizem respeito à nossa visão de mundo, às concepções mais gerais em relação ao projeto de sociedade que queremos, ao papel da educação e à função social da escola. PRINCÍPIOS NORTEADORES A realidade do mundo pode mudança - Crença na possibilidade de mudança no mundo, sendo que tal mudança será possível através da ação, da intervenção dos indivíduos. - Visão de mundo de acordo com a perspectiva dialética, de movimento, de possibilidade de mudança, de transformação ou mesmo de ruptura13. - Visão de sujeito histórico, ou seja, entende-se que a história é resultado da ação transformadora do homem no tempo. - O indivíduo é um sujeito mergulhado em um contexto histórico-social concreto, podendo mudar ou conservar a realidade em que vive. Em nosso caso, optamos pela mudança. Projeto de sociedade que valoriza o ser humano e o coletivo - Sociedade com característica individualista e, conseqüentemente, violenta. Resposta coerente com o modelo econômico e político que temos, ou seja, a sociedade capitalista, que, além da forma de ser da economia, apóia-se em um conjunto de idéias e formas de agir e pensar para justificar esse sistema. - Além da competição, da defesa da propriedade privada e da efemeridade das relações, o individualismo é um dos princípios que sustentam as idéias liberais (gênese do liberalismo clássico). Considera que o indivíduo tem direitos naturais e que deve ser respeitado por possuir aptidões e talentos próprios. Segundo as características citadas 13 Visão aparentemente contraditória com outras apresentadas, onde se observa uma visão de mundo idealista, religiosa e não materialista.
  30. 30. 30 anteriormente, a riqueza ou a pobreza dependem da vontade, da capacidade, do mérito de cada um, independente do contexto sócio-econômico-político-cultural. Vencer ou não vencer transforma-se numa “escolha” que depende do indivíduo e não da sociedade em que vive. Podemos considerar como uma das características essenciais do capitalismo, o modelo de sociedade que coloca as relações comerciais, as coisas, no centro da existência humana. - O projeto de sociedade indicado pela comunidade do CMRB é inverso a esta proposta: queremos uma sociedade com oportunidade para todos, democrática, solidária e conscientizada, valores que apontam para uma sociedade que coloca o coletivo como centro, uma sociedade que valoriza o SER e não o TER. Educação como transformadora da sociedade - Em sua relação com a sociedade, a educação pode ser compreendida como redenção, (papel conservador), como reprodução (papel reprodutor) ou como um meio de transformação (papel transformador) da sociedade, conforme Luckesi (1992). - A comunidade escolar acredita que o CMRB deve contribuir para a mudança da sociedade, porque é uma das suas funções básicas. - Reforçamos que, sozinha, não há possibilidade de a escola efetivar mudanças. A escola é um espaço privilegiado nesse processo, mas não o único espaço. Nesse caso, o Colégio precisa contar com muitos outros parceiros (outras instituições e setores da sociedade, em nível governamental e não-governamental) para realizar ações transformadoras, desde os que se disponibilizam a colaborar com as dificuldades decorrentes da precariedade do espaço físico, até os que se envolvem nas suas lutas por melhorias na educação. - O Colégio precisa refletir e mudar algumas de suas ações, para que haja maior coerência entre o discurso e a prática, entre o que diz e o que faz, principalmente após definir seus princípios filosóficos. Formação integral do aluno - Opção pela formação integral do aluno. - Definimos como educação integral aquela que visa desenvolver o sujeito em suas múltiplas dimensões: física ou biológica, cognitiva, social, afetiva, inter e intra- relacional, espiritual, técnico-científico-profissional, político-ideológica, cultural e estética, ética e moral..., o que poderia ser resumido na expressão educação onilateral ou educação ominilateral, usada por Marx “para chamar a atenção de que uma práxis
  31. 31. 31educativa revolucionária deveria dar conta de reintegrar as diversas esferas da vidahumana que o modo de produção capitalista prima por separar”. (In Princípios daEducação no MST, 1996, p. 8).- Ao sugerir um novo modelo de projeto político-pedagógico para o Ensino Médio, paraque os jovens desenvolvam conhecimentos, habilidades cognitivas e comportamentaisque lhes permitam trabalhar intelectualmente e pensar praticamente, Kuenser (2007: 58-59) orienta: “Este novo projeto, portanto, trabalhará o desenvolvimento articulado deconhecimentos, emoções, atitudes e utopias, unificando a razão, mãos e sentimento, naperspectiva da ominilateralidade, ou seja, do desenvolvimento humano em suaintegralidade, em substituição à unilateralidade objetivada pelo taylorismo-fordismo”.- A educação onilateral se opõe, portanto, a uma educação unilateral, que se preocupaapenas com uma ou outra das dimensões do ser humano, um lado da pessoa de cadavez, fragmentando o sujeito, o que pode contribuir para a sua alienação.- A educação no CMRB permaneça garantindo o caráter onilateral ou integral, como játem sido o seu desejo ao longo de sua história. As dimensões ética, emocional, socialdevem ser compreendidas em sua unicidade.- Coerentes com os referenciais acima, o CMRB deve manter como principaispropósitos o desenvolvimento da sensibilidade, a formação ética e de cidadania, o gostopela reflexão, o amor pela leitura e pela escrita e não apenas que priorize a transmissãode informações.- Reconhecemos a importância da preocupação com a inclusão dos alunos no mundo dotrabalho e/ou na universidade. Estamos comprometidos com o futuro de nossos jovens.Queremos formar pessoas aptas para atuar nos diversos campos profissionais, queremossaber de seu sucesso profissional, mas, acima de tudo, queremos contribuir para aformação de pessoas com dignidade humana, responsáveis, cidadãs e felizes.- A preparação para o vestibular é uma conseqüência dessa formação mais ampliada. Ovestibular não é um fim do Colégio, é uma conseqüência. O CMRB prepara o alunotambém para o vestibular, pois, na formação integral do aluno, o vestibular faz parte doprocesso. Se o aluno tem boa formação e se ele próprio se compromete com a suaaprendizagem, vai passar em concurso, em vestibular...- Perfil que o aluno do CMRB deveria apresentar ao concluir seus estudos: alunos comconsciência de cidadania e com conhecimentos e vivências, ou seja, experiênciasvivenciadas no Colégio (de participação, de autonomia, de democracia etc.- Consciência de cidadania não apenas como consciência de direitos e deveres, masconsciência de cidadania participativa, compromissada com o coletivo.
  32. 32. 32 - Para formar o aluno com o perfil acima, os professores devem ter compromisso com a formação integral do aluno. A escola é laica - De acordo com alguns professores, uma das dificuldades que vêm sendo enfrentadas é a aceitação do conhecimento científico, por parte de alguns alunos, devido acreditarem que este conhecimento se contrapõe aos seus conhecimentos religiosos, entendidos como verdades absolutas. - Como sabemos, os fenômenos que acontecem no mundo podem ser explicados através de diferentes tipos de conhecimento: senso comum ou popular, religioso, filosófico, científico. - O resultado da pesquisa com a comunidade escolar revela que apenas o grupo de professores indica, em sua maioria, a razão, os conhecimentos científicos para explicar os fenômenos. Os demais explicam o que acontece no mundo de forma religiosa. - Reforçamos o aspecto legal: a escola pública é laica, ou seja, não religiosa, está fora do âmbito religioso. - O Colégio deve respeitar todas as crenças e religiões e trabalhar com os valores humanos universais. Deve valorizar o conhecimento científico na explicação dos fenômenos. Gestão democrática A gestão democrática é um princípio essencial à própria construção do PPP, uma vez que este exige o envolvimento de toda a comunidade escolar. A gestão democrática abrange as dimensões pedagógicas, administrativas e financeiras. Exige uma ruptura na prática administrativa não-participativa da escola, com enfrentamento de problemas históricos. Entende a escola pública como lugar do debate e do diálogo fundados na reflexão coletiva. Inclui, necessariamente, a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões e ações administrativas e pedagógicas. - “A participação mais ampla assegura a transparência nas decisões, fortalece as pressões para que sejam legítimas, garante o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobretudo, contribui para que sejam contempladas questões que de outra forma não estariam em cogitação”. (Marques apud Veiga, 1997, p. 18).
  33. 33. 33- A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. Teremosuma nova lógica de poder: o poder compartilhado, que propicia a prática da participaçãocoletiva; o poder solidário, que atenua o individualismo e supera a opressão.- A gestão democrática reforça a autonomia da escola, atenuando “a dependência deórgãos intermediários que elaboram políticas educacionais das quais a escola é meraexecutora”. (Veiga, 1997, p. 18).- A direção do CMRB deve ter como prática planejar e organizar suas ações,respeitando sempre as decisões coletivas.- O planejamento participativo é uma prática da direção que deve ser mantida, buscandoampliar a participação direta de representantes dos diversos segmentos do Colégio.- Acreditamos que o compromisso com o espaço público e o espírito de cooperaçãopodem contribuir para resolver as lacunas e imprevistos geradores de desorganização,ocasionados muitas vezes pela dinâmica acelerada do cotidiano escolar.- Os funcionários escolares não docentes (serventes, inspetores de alunos, auxiliares desecretaria) são considerados também como educadores.- Em favor de um ambiente de aprendizagens colaborativas e interativas, todos osintegrantes do CMRB devem ser respeitados como protagonistas do processo educativo.- Queremos romper de vez com o véu do preconceito histórico com os funcionáriosescolares, muitas vezes vistos por eles mesmos apenas como tarefeiros ou trabalhadoresbraçais, incompetentes para o desenvolvimento de ações educativas. Para isso, propõe-se um trabalho de formação continuada e em serviço.- Há necessidade de aproximar a relação do Colégio com as famílias. É desafio,portanto, buscar estratégias alternativas para construir uma participação mais efetiva dasfamílias e, inclusive, resgatar a relação com a comunidade local (vizinhança).- Principais ações sugeridas para melhorar tal aproximação: adequar os dias e oshorários de reuniões de acordo com a disponibilidade dos responsáveis e envolver maisos pais nas decisões.A QUESTÃO DOS VALORES O resultado apresentado na pesquisa destaca os valores respeito, disciplina,atitude democrática, liberdade de expressão e responsabilidade, remetendo-nos a umentendimento sobre o comportamento ético no espaço público, assim como aocomprometimento com as diretrizes filosóficas construídas pelo coletivo do Colégio.
  34. 34. 3414. BASE EPISTEMOLÓGICAEPISTEMOLOGA- A função social da escola é reproduzir / reconstruir os conhecimentos que foramacumulados ao longo dos tempos pelas sociedades, assim como produzir / construirnovos conhecimentos.- Se a questão central da escola é o conhecimento, necessariamente precisamos definira base epistemológica, que dará sustentação à metodologia e à avaliação.- Epistemologia, termo nem sempre presente no cotidiano escolar, é a teoria da ciência,a teoria do conhecimento e da metodologia. (episteme = ciência, conhecimento; logia =estudo, teoria).- Como existe uma multiplicidade de visões sobre a ciência, há também várias teoriasepistemológicas.CIÊNCIA- De forma sintética, podemos destacar duas visões de ciência:1) positivista: a ciência é uma verdade absoluta, pronta, acabada, inquestionável,definitiva, porque já foi comprovada.2) dialética: a ciência é uma verdade relativa, que pode ser reconstruída, porque éhistórica. Sendo assim, a ciência não é neutra, pois toda ciência traz consigo interesses evisões de mundo.- Nossa concepção: a ciência não é neutra; deve servir como instrumento decompreensão e intervenção na realidade; é uma verdade relativaCONHECIMENTO- O conhecimento veio se constituindo de diferentes formas.1) Sociedades Primitivas: Predomina o medo e a “ignorância” por não saberem osignificado das coisas. Para explicar alguns fenômenos, criam seus deuses. O saber erarepassado através de mitos e alegorias. Surgem os bruxos e feiticeiros.2)Antiguidade (Oriental e Pré-Colombianas / Clássica: Grécia e Roma): Osfeiticeiros transformam-se em sacerdotes, aliados aos reis e faraós. Surgem, na Grécia,os primeiros pensadores, que procuram explicações lógicas para os fenômenos. AFilosofia começa, então, a partir das críticas às crenças religiosas.
  35. 35. 353) Época Medieval: Teo (=Deus) é a grande fonte de luz que explica o mundo. Oconhecimento está concentrado nas mãos da Igreja, a quem cabia decidir o que era ounão “verdade”.4) Modernidade: A chamada modernidade desloca o centro explicativo da natureza, domundo, da sociedade do SER para o HOMEM. O homem, com sua razão, se coloca nolugar do poder divino. Temos a chegada da ciência, que passa a oferecer os meiostécnicos para que o homem se converta em senhor e possuidor da natureza. Essarevolução separa radicalmente o saber científico dos saberes filosófico e teológico,considerados não científicos. Como consequência dessa reviravolta ocorre a separaçãodos saberes. Quanto mais a ciência avança, mais se especifica, mais se especializa, maisse fragmenta. Diante da multiplicidade de visões sobre a ciência, nasce, então, aepistemologia. O pensamento moderno se reflete na escola até hoje: os conhecimentos sãoentendidos e trabalhados de forma fragmentada, os conteúdos divididos em disciplinas,o professor e o aluno vistos como transmissor e receptor desses conteúdos. Assim, destacamos os seguintes tipos de conhecimento:1) Mitológico: conhecimento baseado na tradição, na oralidade.2) Religioso: conhecimento dogmático; explica os fenômenos através da fé.3) Filosófico: conhecimento produzido a partir da reflexão, da crítica.4) Científico: conhecimento comprovado através de pesquisas, do estudo criterioso dascausas e justificativas do fenômeno. É crítico, rigoroso, segue um método.5) Vulgar ou senso comum: conhecimento possível a todo ser humano, adquirido comas experiências de vida.- O conhecimento filosófico “anda de mãos dadas” com o científico: um indaga,questiona sobre os fenômenos e o outro responde, buscando comprovar.- Na escola, permanentemente estes tipos de conhecimentos entram em conflito: sensocomum X conhecimento científico; senso comum X conhecimento filosófico;conhecimento religioso X conhecimento científico.- Nossa concepção: embora os demais tipos de conhecimento perpassem o seucotidiano, a escola tem como principal tarefa democratizar os conhecimentoscientíficos, garantindo uma cultura de base para todas as crianças e jovens.- O conhecimento científico desenvolvido na escola deve ajudar o aluno a ir além doconhecimento que ele adquiriu em suas vivências, como também deve levar a uma visãocrítica da realidade.
  36. 36. 36 Detivemo-nos em três teorias do conhecimento:1) Inatismo: O conhecimento é anterior à experiência. O indivíduo depende de seugrau de maturidade para aprender. As capacidades são pré-determinadas. A inteligência,a capacidade de raciocinar são inatas e se desenvolvem graças ao processo dematuração. Coloca a força no fator interno; o ambiente interfere o mínimo. O homem jánasce pronto, em função da sua bagagem hereditária.2) Empirismo: O conhecimento é externo ao sujeito, vem de uma informação sensorial,é transmitido do exterior para o interior do indivíduo. Unidade básica = E-R (estímulo-resposta). Sujeito = nada tem, nada sabe, é uma “tabula rasa”. O sujeito aprende com asexperiências. Coloca a força no fator externo; o ambiente é mais importante do que amaturação biológica.3) Interacionismo / Sociointeracionismo: O conhecimento é resultado da ação que sepassa entre o sujeito e um objeto, ou seja, é produzido na interação entre sujeito eobjeto. A capacidade de raciocinar é construída gradativamente, durante odesenvolvimento do sujeito, que elabora seu próprio modelo de mundo. No movimentode conhecer, o sujeito se modifica na relação com o meio cultural, que por ele também émodificado; o sujeito é social, criador e recriador de cultura (= sociointeracionismo)..Adeptos: Piaget, Vygotsky, Gramsci, Paulo Freire.- Nossa opção: teoria interacionista/sociointeracionista, que, na verdade contempla eintegra as visões reducionistas das correntes teóricas anteriores (inatismo e empirismo).ENSINO- Durante muito tempo a pedagogia focou o processo de ensino-aprendizagem noprofessor, supondo que assim estaria valorizando o conhecimento. O ensino tomoulugar central e o processo de aprendizagem ficou em segundo plano. Comoconseqüência formamos sujeitos não habituados a participar, a ponto de preferir recebercoisas prontas, ao invés de construí-las.- Hoje, ao contrário, sabe-se que o processo de ensino deve dialogar com o deaprendizagem, pois, sem aprendizagem o ensino não se realiza. “Não há docência, semdiscência”, como nos indica Paulo Freire, em sua Pedagogia da Autonomia.- Como, enfim, o professor deve ensinar? Opção pelo caminho da construção doconhecimento e não o da simples reprodução, ou seja, reforçam a teoria interacionista.- O professor deve ser um incentivador da autonomia científica dos alunos, orientando-os a pesquisar, a estudar, a criar...- O professor também é um aprendiz, ou seja, ele também aprende durante o processo
  37. 37. 37- O professor é um mediador, ou seja, estabelece a ponte entre o conhecimento que oaluno traz e o conhecimento científico.- O professor deve provocar a reflexão e o debate fundamentado em pesquisa e estudo.APRENDIZAGEM- Como o aluno aprende? Respostas mais freqüente: buscando novas informações,pesquisando, investigando, atualizando-se, interagindo com o mundo; participando dasaulas, dando opiniões baseadas em pesquisas; estabelecendo relações entre oconhecimento que ele já possui e o conhecimento científico.- Papel do aluno no processo de ensino-aprendizagem: o aluno deve produzirconhecimento e não apenas reproduzir; deve comprometer-se com sua aprendizagem;deve ser protagonista, isto é, sujeito ativo, que usa suas experiências e seusconhecimentos para resolver as situações.- Boas situações de aprendizagem são aquelas que partem de situações reais, ou seja, deproblemas que permitam o desenvolvimento de aprendizagens significativas. Se umaaprendizagem não for significativa, sua aquisição poderá ficar comprometida.“Significativa porque expressa a categoria da paixão: deixar-se, como sujeito a seratravessado por um objeto; por isso, estar envolvido, interessado, ativo, em tudo quecorresponde a sua assimilação”. (ENEM, 2005, p. 25).- A aprendizagem significativa traz em si uma força política, pois ajuda o aluno a ler arealidade e possibilita que ele faça / refaça a sua própria história. Contribui, enfim, paraque o aluno faça a passagem de um nível de consciência ingênua para o estágio deconsciência crítica.- Possíveis causas da não aprendizagem: falta de concentração, disciplina, atenção, detroca com colegas e professores.CONTEÚDOS- Os chamados de conteúdos de ensino ocupam lugar de relevância na vida escolar,porém, nem sempre são entendidos numa relação direta com a epistemologia.- Encontrarmos escolas preocupadas com a listagem de conteúdos a serem trabalhadosnas respectivas disciplinas, sem antes ter definido as concepções de ciência, deconhecimento, de ensino, de aprendizagem.- Nossa concepção: conteúdos são conhecimentos e experiências que se leva da escolapara a vida e da vida para a escola.
  38. 38. 38- Para selecionar os conteúdos, o professor deve considerar, prioritariamente, aquelesque são fundamentais para a compreensão do mundo e aqueles que vão cair novestibular e nos concursos.INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE- O conhecimento é interdisciplinar, ou seja, não é construído de forma fragmentada,mas sim na interação entre as diversas áreas do conhecimento.- A partir da década de 60, a interdisciplinaridade se manifesta, através da consciênciacada vez mais clara de que a fragmentação e a consequente dissociação da teoria com aprática, vêm fazendo com que o homem se encontre despreparado para enfrentar osproblemas que exigem uma visão globalizada da realidade. (Luck, 2004, p. 13-14).- A interdisciplinaridade está indicada nas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio(2008). “A interdisciplinaridade, nas suas variadas formas, partirá do princípio de quetodo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos (...)”.- Experiência transdisciplinar no CMRB: Tema Integrador.Síntese dos paradigmas do conhecimento, de acordo com as perspectivas de reprodução e construção, para melhor visualização dos resultados de nossos estudos. REPRODUÇÃO PRODUÇÃO FOCO NO ENSINO FOCO NA APRENDIZAGEMCONHECIMENTO Verdade absoluta, pronta, Provisório e relativo; base histórica, acabada. Leva à alienação. interdisciplinar. Leva à visão crítica.ENSINO Reprodução de conceitos; Produção de conhecimento; processo acúmulo quantitativo de dinâmico. informações.APRENDIZAGEM É externa ao sujeito; depende É resultado da interação sujeito- das capacidades inatas. objeto; construído a partir de hipóteses, daí a importância do erro.PROFESSOR Papel principal, centro do Mediador; problematizador; processo; transmissor de orientador, organizador de situações- conhecimentos; aula expositiva; problema; estimula o aluno a levantar apelo à memorização, ao hipóteses; “animador de inteligência”. treinamento, à repetição.ALUNO Sujeito dependente, passivo, Protagonista; sujeito ativo; centro do alienado; aprende sem intervir; processo educativo; construtor de mero reprodutor; deve treinar conhecimento; pesquisador. bastante para fixar o que aprendeu.CONTEÚDOS Fatos e informações isoladas; Conhecimentos e experiências são selecionados apenas pelo fundamentais para intervenção no professor; seguem a uma mundo; são significativos; dependem sequenciação rígida; são parte de do processo de aprendizagem. um programa a ser necessariamente cumprido.
  39. 39. 39PRINCÍPIOS EPISTEMOLÓGICOS- Toda ação do professor se baseia em teorias, mesmo quando ele não tem consciênciadelas.- A ciência é uma “verdade” relativa, histórica, pode ser reconstruída (concepçãodialética).- Diferentes tipos de conhecimento perpassam o cotidiano escolar, mas a grandefinalidade da escola é construir / reconstruir o conhecimento científico, de forma críticae reflexiva, ou seja, aliado ao conhecimento filosófico.- O conhecimento é entendido numa perspectiva inter e transdisciplinar.- Opção pela teoria interacionista / sociointeracionista: o conhecimento constitui-se naação e interação do sujeito com o mundo, ou seja, é uma construção histórica e social..- O conhecimento não provém somente dos objetos externos, nem somente do sujeito,mas da interação entre sujeito e objeto.- Quebra de paradigma: foco na produção do conhecimento e não mais na simplesreprodução.- O ensino é um processo dinâmico, que envolve situações problematizadoras.- A aprendizagem é construída através de hipóteses levantadas pelo aluno.- O erro é interpretado como algo inerente ao processo de aprendizagem.- Ênfase na aprendizagem por compreensão: formação de conceitos mediante operaçãointelectual, não por associação.- Busca permanente da aprendizagem significativa.- O professor tem um papel importante, mas não central, na construção doconhecimento. É um mediador, um problematizador. O aluno é o protagonista doprocesso.- A aprendizagem depende da consciência do “querer aprender”.- Conteúdos são conhecimentos e experiências que se leva da vida para a escola e daescola para a vida.- Os conteúdos selecionados devem ser fundamentais para a intervenção no mundo.- As Salas de Informática e de Leitura são importantes espaços facilitadores daaprendizagem.
  40. 40. 4015. METODOLOGIA DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTOBREVE HISTÓRICO DA METODOLOGIA DE ENSINO1) Escola Tradicional- Exposição verbal- Repetição de conceitos- Memorização2) Escola Nova- Aprender fazendo- Experiências- Pesquisa- Trabalho em grupo3) Escola Tecnicista- Supervalorização da técnica e dos recursos- Tecnologia educacional- Organização eficiente4) Pedagogia Libertadora- Relação dialógica- Compreensão, reflexão, crítica- Grupo de discussão- Problematização- Contra a educação “bancária”5) Pedagogia Libertária- Vivência grupal- Autogestão- Negação de toda forma de repressão e autoritarismo- Autonomia crescente- Vivências democráticas – aprendizagem na escola- Discussão coletiva, assembléia, plenária, grêmio estudantil...6) Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos- Resgate dos conteúdos- Saber articulado à realidade- Aplicação crítica- Metodologia dialética- Professor mediador- Pesquisa- Exposição dialogadaCONCEPÇÕES- Entendemos como metodologia, em seu sentido geral, o conjunto de ações, condiçõese procedimentos usados intencionalmente para que os objetivos sejam alcançados.- Metodologia = caminho a seguir para se alcançar um fim, diferenciando-se do métodode ensino, que possui uma visão mais unilateral e restrita do processo pedagógico.
  41. 41. 41- Em nosso caso, substituímos a expressão metodologia de ensino por metodologia daconstrução do conhecimento, uma vez que o foco do processo de ensino-aprendizagemfoi invertido (foco na aprendizagem e não no ensino).- De acordo com os resultados da pesquisa, não há uma tendência única direcionando otrabalho dos professores do CMRB. Há indícios de que até o mesmo professor recorre amais de uma das tendências pedagógicas acima descritas. Reforçamos que o professortem autonomia em sua opção metodológica e na utilização dos recursos mais coerentescom seus objetivos, desde que esta opção esteja de acordo com a filosofia do Colégio ecom os princípios epistemológicos.- A metodologia utilizada em sala de aula poderá servir como instrumento de mudançaou de conservação da realidade social. Em nosso caso, a metodologia proposta deverefletir a visão transformadora da sociedade, explicitada nos princípios filosóficos.- O caminho percorrido pelo professor deve ser permanentemente refletido, analisado eredefinido, quando necessário.- Sempre que possível, os alunos devem participar do planejamento metodológico, apósum trabalho de conscientização com os mesmos.TIPOS- Adotamos a classificação de metodologia do autor Celso Vasconcellos (1992):1) Metodologia expositiva: baseada na compreensão de ensino como transmissão /reprodução do conhecimento.2) Metodologia dialética: baseada na concepção de ensino como construção /produção do conhecimento pelo sujeito, na sua relação com os outros e com o mundo.- Tomamos como referência a segunda concepção, em função de nossa baseepistemológica.- A metodologia dialética pressupõe 3 momentos na construção do conhecimento:síncrese, análise e síntese, movimentos que vão da ação à compreensão e dacompreensão à ação, buscando a permanente articulação da teoria com a prática.- Algumas propostas metodológicas que se sustentam na concepção de construção doconhecimento pelo sujeito.1) Metodologia da problematização- Dirigida por etapas distintas e encadeadas a partir de um problema detectado.- A finalidade maior é promover, através do estudo, uma transformação, mesmo quepequena, naquela parcela da realidade.
  42. 42. 42- Diferencia-se pela sua fundamentação teórica, que se baseia na concepção histórico-crítica de educação.- Propõe um tipo de ensino cujas características principais são a problematização darealidade e a busca de soluções de problemas detectados, possibilitando assim odesenvolvimento do raciocínio crítico do aluno.- Da realidade extrai-se o problema; sobre o problema é realizado o estudo, ainvestigação e toda uma discussão sobre os dados obtidos e, por fim, volta-se para amesma realidade, com ações que a possam transformar em algum grau.2) Metodologia desenvolvida a partir de um tema gerador- O tema gerador é o verdadeiro fio condutor das atividades e o organizador dosconteúdos, que se tornam significativos (com real valor e função social) pois estãocontextualizados, são adquiridos para alguma finalidade concreta e em função de umobjetivo claro para o aluno.- Esta metodologia é um caminho para se conhecer, compreender e intervir criticamentena realidade estudada. Pressupõe uma forma de trabalho que acredita no crescimento doindivíduo no grupo, na discussão, na problematização, na pergunta, no conflito, naparticipação e na disponibilidade como forma de apropriação, construção e reconstruçãodo saber.- O tema pode ser proposto pelo professor, detectado pelo grupo ou até mesmo sugeridopor um dos alunos.- Os temas podem ser cíclicos - quando surgem de datas ou festividades consagradasnacionalmente ou eventos que ocorram eventualmente – ou contextualizados – quandodetectados a partir da observação da realidade local ou mais ampla.3) Metodologia de projeto14- O envolvimento dos alunos é a característica-chave: os alunos são co-responsáveispelo trabalho, devendo mostrar responsabilidade e autonomia.- O problema a resolver é também uma característica fundamental: o problema não éindependente do contexto sociocultural e os alunos devem procurar construir respostaspessoais e originais, não se trata de mera reprodução de conteúdos.- A problematização é o ponto de partida, o momento detonador do projeto. Nessaetapa, os alunos irão expressar suas idéias, crenças, conhecimentos sobre o problema emquestão. O professor detecta o que os alunos já sabem e o que ainda não sabem.14 No CMRB, há um material específico, que apresenta orientações básicas para a elaboração de ProjetoPedagógico.
  43. 43. 43- O desenvolvimento é o momento em que se criam as estratégias para buscar respostasàs questões e hipóteses levantadas na problematização. A ação do aluno é fundamental.O professor precisa criar oportunidades de: saídas do espaço escolar; organização depequenos e/ou grandes grupos; uso da biblioteca; vinda de pessoas convidadas à escola,etc. Os alunos devem utilizar todo o conhecimento que têm sobre o tema e se defrontarcom conflitos que os levarão ao desequilíbrio de suas hipóteses iniciais.- No momento da síntese, as convicções iniciais vão sendo superadas e outras maiscomplexas vão sendo construídas.TÉCNICAS OU PROCEDIMENTOS- A técnica (= a forma) não pode prevalecer ao conteúdo.- A prioridade absoluta deve ser para atividades que envolvam leitura e escrita.- Preferencialmente as técnicas ou procedimentos devem ser planejadas coletivamentepelos professores, por ocasião da elaboração do planejamento anual, ou outro momento.- Técnicas ou procedimentos 15:1) Pesquisa (prioridade, foco da metodologia)2) Exposição dialogada (no lugar da exposição verbal);3) Seminário;4) Leitura e produção de texto;5) Discussão temática;6) Debate (sempre a partir de estudo);7) Exploração de filme;8) Problematização de questões atuais;9) Leitura de livros complementares ao conteúdo;10)Trabalho em grupo;11) Roda de leitura em sala de aula;12) Palestra com convidados;13) Aula na sala de informática;14) Oficinas;15) Estudo de caso.A PESQUISA COMO FOCO METODOLÓGICO16- Só existe ciência / conhecimento científico com pesquisa.- A pesquisa será tomada como ponto de partida do trabalho do aluno, do professor e daequipe gestora: aluno-pesquisador; professor-pesquisador...15 Estas técnicas correspondem às mais utilizadas pelos professores do CMRB, conforme indicado napesquisa do PPP. No PPP Versão Integral / Volume 2 e no manual de Orientações para a Apresentação deTrabalho Escolar, consta a descrição dessas e de outras técnicas.16 Todo o detalhamento sobre Pesquisa (definições, tipos, instrumentos, etc) encontra-se no manual deOrientações para a Apresentação de Trabalho Escolar e no Volume 2 do PPP.
  44. 44. 44- Aluno-pesquisador: investiga; busca; analisa; seleciona informações; conclui; nãoapenas reproduz, mas produz novos conhecimentos.- Professor-pesquisador: busca e analisa; não apenas reproduz, mas produz novosconhecimentos; reflete sobre sua ação; cria teorias; se atualiza permanentemente.RECURSOS- Uso de diferentes recursos mobilizadores da aprendizagem, tais como: DVD;datashow; slides; transparências; jogos didáticos; cartazes; retro-projetor; gravuras; etc.- Atenção para os cuidados necessários na utilização dos recursos, inclusive com oexagero (excesso) nessa utilização.- Utilização dos procedimentos e recursos disponíveis na Sala de Leitura e Sala deInformática.PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS DO CMRB- Coerência entre opção metodológica, base epistemológica e filosofia do Colégio.- Metodologia como instrumento de mudança social e não de conservação.- Garantia da metodologia dialética:. Síncrese, análise e síntese;. Da ação à compreensão e da compreensão à ação;. Unidade teoria-prática.- O professor tem autonomia, mas não pode ferir os princípios do PPP.- A técnica (forma) não pode prevalecer ao conteúdo.- Preferência ao planejamento coletivo.- Inclusão dos alunos na opção metodológica, após trabalho de conscientização.- Só existe ciência / conhecimento científico com pesquisa.- A pesquisa será tomada como ponto de partida do trabalho do aluno, do professor e daequipe gestora: aluno-pesquisador; professor-pesquisador.- Aluno-pesquisador: investiga; busca; analisa; seleciona informações; conclui; nãoapenas reproduz, mas produz novos conhecimentos.- Professor-pesquisador: busca e analisa; não apenas reproduz, mas produz novosconhecimentos; reflete sobre sua ação; cria teorias; se atualiza permanentemente.- Uso de diferentes procedimentos e recursos mobilizadores da aprendizagem.Utilização dos procedimentos e recursos disponíveis nas Salas de Leitura e deInformática.- Prioridade absoluta a atividades que envolvam leitura e escrita.
  45. 45. 4516. SISTEMA DE AVALIAÇÃOCONCEPÇÕES- Tudo que está ligado a uma nova forma de avaliar está ligado a uma nova forma de vera escola.- Para colocar em prática as propostas indicadas ao longo do processo de construção doPPP, necessitamos de um modelo de escola de tempo integral. Esta deve continuarsendo uma das nossas lutas permanentes.- Falar de avaliação é, sobretudo, falar de objetivos, desde os mais amplos, aquichamados de objetivos educacionais, referentes aos princípios filosóficos, até osdenominados objetivos específicos, incluídos no plano anual do professor.- A função diagnóstica da avaliação, tratada por Luckesi (1998) é ressaltada nosresultados. O objetivo da avaliação não é simplesmente verificar se o aluno aprendeu ounão, mas conhecer, determinar as causas da não-aprendizagem para nelas interferir.Diagnóstico não é só levantamento de dados, é reorientação a partir de. A avaliaçãoserve, portanto, para que alunos e professores possam refletir sobre o processo de ensinoe aprendizagem e melhor compreender a realidade.- Avaliação como prática de investigação: pressupõe a interrogação constante, exigindodos professores que “se tornem cada dia mais capazes de investigar sua própria práticapara formular „respostas possíveis‟ aos problemas urgentes, entendendo que semprepodem ser aperfeiçoadas”.- Avaliação democrática: imersa numa pedagogia inclusiva. Embora os conceitos deavaliação seletiva, classificatória e hierarquizada e as práticas deles decorrentes sejamcriticados, ainda predomina em nossa sociedade uma escola que seleciona, classifica ehierarquiza saberes e pessoas.- Dar voz a todos os envolvidos no processo de avaliação é um dos primeiros passos aserem dados. Para isso, no CMRB, além dos alunos serem avaliados pelos professoresindividualmente, no momento do Conselho de Classe, são analisados pelo coletivo deprofessores, incluindo aí a equipe gestora.- A avaliação é de responsabilidade do coletivo escolar e se traduz na interação dossujeitos participantes, no acompanhamento e no reconhecimento de seus avanços elimites.- Avaliação como processo de negociação: decorrente das ações assumidas pelosprofissionais, alunos e suas famílias, “que analisam sugestões, apresentam soluções,discutem responsabilidades e procedem aos encaminhamentos necessários”. O caminho

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