Trovadorismo I

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Estudo sobre a poesia medieval. …

Estudo sobre a poesia medieval.
Atualizado em 27/05/2012.
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  • 1. Trovadorismo IA Poesia A flagelação de Cristo, na igreja franciscana alemã de Esslingen (1320).
  • 2. ContextoHistóricoA Idade Média teria se iniciado no século V eterminado no século XV.A Idade Média podetambém ser subdividida em períodos menores: Alta Idade Média do século V ao X Baixa Idade Média do século XI ao XV.
  • 3. Alta Idade Média - do século V ao X
  • 4. Por volta de Baixa Idade Média 1100 d.C. do século XI ao XV. percebeu-se uma revolução que combinou: renascimento urbano e comercial + ampliação de culturas e fronteiras agrícolas +Começam a ser abertas crescimentonovas escolas ao longo econômicode todo o continente,inclusive em cidades e +vilas menores. Por desenvolvimentovolta de 1200 sãofundadas as primeiras intelectual e grandesuniversidades – Paris, evoluçõesCoimbra, Bolonha e tecnológicas.Oxford
  • 5. A Sociedade Feudal O padre, o cavaleiro e o camponês : são as 3 figuras que exprimem o essencial da Idade Média em termos de organização social.Estas ordens equivaliam a três atividades distintas: os que rezam, os que combatem e os que trabalham.
  • 6. O cleroFormado pelossacerdotes,o clero era acamada mais importante.Por que o clero tinhaeste status ?Porque acreditava- seque tinha o poder de secomunicar com Deus.
  • 7. Os guerreiros Eram os nobres, os aristocratas, os proprietários de terras,que combatiam os árabes. Entre eles era comum a vassalagem,que se refletiu nas cantigas trovadorescas.
  • 8. Os trabalhadores Responsáveis pelo cultivo da terra, os servos submetiam-se à exploração de seu senhor, em troca de proteção em tempos difíceis.
  • 9. O pensamento medieval Esta estrutura social se manteve assim por muito tempo, afinal, se configurava por atender aos desejos de Deus.“Para ajudar o homem a se salvar, a Igreja passou a condenar o comércio que visava lucros, pois, segundo os ensinamentos da Igreja, os bens materiais foram dados ao homem como meios para facilitar sua salvação e não para seu enriquecimento. A finalidade do trabalho não era, portanto, o enriquecimento. Assim, cada um deveria ficar na posição em que se encontrava e não desejar ser mais do que era ao nascer.” (ARRUDA, José J. HIstória Integrada - vol 2. São Paulo, Ática.1997 )
  • 10. TeocentrismoA igreja era a responsável pela vida cultural e religiosa, e portanto, controlava os valores morais, éticos e artísticos, evitando a influência de culturas pagãs (grega e latina) sobre o povo ignorante. Toda e qualquer manifestação artísticaera voltada para o louvor a Deus:TEOCENTRISMO p.289 do livro Salesiano Deus, Arquiteto do Universo, em pintura medieval
  • 11. As manifestações do povo As primeiras produções artísticas ligadas à Literatura e vindas do povo foram as cantigas. A importância das cantigas encontra-se em dois aspectos: Mudança da língua: utilização dogalego-português em vez do latim.  Mudança do assunto: da liturgiacatólica, para o cotidiano das pessoas.
  • 12. Trovadorismo em PortugalAs primeiras cantigas trovadorescasescritas lusitanas datam do final do século XII, e são escritas em galego-português. A cantiga considerada o marco inicial da literatura portuguesa é a Cantiga da Ribeirinha ( também chamada de Cantiga da Guarvaia), composta por Paio Soares de Taveirós ( 1189 ou 1198)
  • 13. Cantiga da Composta por Paio Soares de Taveirós para a Sra. Maria Paes Ribeirinha Ribeiro (a Ribeirinha)"No mundo nom me sei parelha, No mundo ninguém se assemelha a mim / mentre me for como me vai,ca ja moiro por vos - e ai enquanto a minha vida continuar como vai / porque morro por ti e ai /mia senhor branca e vermelha, minha senhora de pele alva e faces rosadas, /queredes que vos retraia quereis que eu vos descreva (retrate) /quando vos eu vi em saia! quanto eu vos vi sem manto (saia : roupa íntima) /Mao dia que me levantei, Maldito dia! me levantei / que não vos vi feia (ou seja, viu a mais bela).que vos enton nom vi fea! "
  • 14. Organização das cantigas Cantigas Cantigas Líricas satíricas de de de deAmor Amigo Escárnio Maldizer Vide p. 134 do livro Salesiano
  • 15. Cantigas Líricas “Ai flores, ai flores do verde pinho se sabedes novas do meu amigo, ai Deus, e u e?”Essas cantigas tratavam de temas amorosos edas aventuras de cavaleiros em busca da honra edo amor de uma donzela.
  • 16. Cantigas Líricas de Amigo de AmorEu –lírico feminino Eu –lírico masculinoIndireta (fala com um confidente) Direta (conversa com a amada)Presença de refrão, paralelismo e de leixa-pren Ausência de paralelismo e de leixa-prenAssunto: lamento da moça cujo amado está Assunto: sofrimento por amor não-correspondidolonge (saudade, dúvida) (coita )Ambiente rural Ambiente da corte.Linguagem: discreta, recatada Linguagem: ousada, conquistadora
  • 17. O que é o Paralelismo?Ai flores, ai flores do verde pinho se sabedes novas do meu amigo, ai deus, e u é? Paralelismo é a repetição quase total de um verso. A alteração ocorre no final doAi flores, ai flores do verde ramo, verso “repetido” , mas se sabedes novas do meu amado, ai deus, e u é? mantém-se o ritmo e normalmente usam-se sinônimos nessa alteração.Se sabedes novas do meu amigo, aquele que mentiu do que pôs comigo, ai deus, e u é?Se sabedes novas do meu amado, aquele que mentiu do que me há jurado ai deus, e u é?O que é o refrão?É a repetição do mesmo verso ao final de Esta cantiga encontra-se na p. 131 do livro Salesiano. cada estrofe. Seu autor é D. Dinis
  • 18. O que é Leixa-pren?Ai flores, ai flores do verde pinho se sabedes novas do meu amigo, ai deus, e u é? Ao pé da letra, “leixa-pren” significaAi flores, ai flores do verde ramo, “deixa e pega de se sabedes novas do meu amado, volta”, mas na ai deus, e u é? poesia medieval é a estratégia de pegar oSe sabedes novas do meu amigo, 2º verso de uma aquele que mentiu do que pôs comigo, estrofe, e repeti-lo ai deus, e u é? em outra posição (1º verso) na estrofeSe sabedes novas do meu amado, intercalada. aquele que mentiu do que me há jurado ai deus, e u é?
  • 19. Cantigas Satíricas São verdadeiros documentos da vida social, principalmente da corte. Fazem ecoar as reações públicas a certos fatos políticos: revelam detalhes da vida íntima da aristocracia, dos trovadores e dos jograis, trazendo até nós os mexericos e os vícios ocultos da fidalguia medieval portuguesa.Com o tempo, as cantigas passaram a ser usadas p.292 do livro para cantar gozações e maledicências. Salesiano
  • 20. Registro históricoAs cantigas medievais portuguesasencontram-se reunidas em livrosdenominados cancioneiros, dos quais sedestacam:Cancioneiro da Ajuda Cancioneiro da Vaticana Cancioneiro da BibliotecaNacional de Lisboa.
  • 21. D. Dinis D. Dinis foi o 6º rei de Portugal (final do século XIII, entre 1279 e 1325 ) e preocupou-se em reunir em um Cancioneiro suas próprias trovas e muitas outras produzidas por seus “protegidos”. Naquela época era comum a prática do mecenatismo e D. Dinis foi um destes grandes incentivadores da cultura. p. 131 do livro Salesiano
  • 22. Trovadores ( poetas cultos que compunham a letra e a música das canções)Os artistas da época medieval Menestréis (músicos-poetas sedentários, pois viviam na casa de um fidalgo) Jograis (cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebeia) Segréis (trovadores profissionais, geralmente fidalgos desqualificados, que iam de corte em corte na companhia de um jogral. Jogralesa e Soldadeira moças que acompanhavam tocando pandeiro e dançando.
  • 23. Mia irmana fremosaMia irmana fremosa, treides comigo a la ygreia de Vigo, u e o mar salido. E miraremos las ondas.Mia irmana fremosa, treides de grado a la igreya de Vigo, u e o mar levado. E miraremos las ondas.A la igreya de Vigo, u e o mar salido, e verra i mia madre e o meu amigo. E miraremos las ondas Martim CodaxA la igreya de Vigo, u e o mar levado, Viveu entre a segunda e verra i mia madre o meu amado metade do século XIII e E miraremos las ondas. começo do século XIV. Não há muitos dados sobre a identidade deste jogral. Ouça esta cantiga http://www.youtube.com/watch?v=Q_1EDSpz-fE
  • 24. Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo! e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, se vistes meu amado! e ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro! e ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amado por que ei gram cuidado! e ai Deus, se verrá cedo! Martim CodaxOuça esta cantigahttp://www.youtube.com/watch?v=cRdec9FYbBI
  • 25. Cantigas Satíricas de de Escárnio Maldizer •Indiretas •Diretas •ambíguas •sem equívocos •uso da ironia leve •ofensivas •Intenção de brincadeira. •uso de palavrões e xingamentos •Intenção difamatóriaEssas composições satíricas circulavam por lugares públicos como feiras, colheitas, tabernas, periferias, caracterizandouma literatura marginal , mas mesmo por isso, de importância histórica bastante razoável pelo registro social feito .
  • 26. Ai, dona feia, foste-vos queixar que nunca vos quis louvar em meu trovar mas agora quero fazer um cantar em que a louvação não será pouca e vede como quero vos louvar: dona feia, velha e louca! Dona feia, Deus me dê perdão! pois vós tendes tão bom coração Por isso vos louvo nesta razão Cantiga em que a louvação não será pouca e vede qual será a louvação: de dona feia, velha e louca! Escárnio Ai,dona feia, nunca vos eu louvei meu trovar, mas muito eu já trovei mas agora já um bom cantar farei em que a louvação não será pouca E direi-vos como vos louvarei: Dona feia, velha e louca! João Garcia de Ghilhade p.292 do livro(atualizado por José Luís Landeira) Salesiano
  • 27. Conheceis uma donzelaPor quem trovei e a que um diaChamei dona Berinjela? Cantiga de MaldizerNunca tamanha porfiaVi nem mais disparatada.Agora que está casadaChamam-lhe Dona Maria.Algo me traz enojado,Assim o céu me defenda:Um que está a bom recato(negra morte o surpreendae o Demônio cedo o tome!)quis chamá-la pelo nomee chamou-lhe Dona Ousenda.Pois que se tem por formosaQuanto mais achar-se pode,Pela Virgem gloriosa!Um homem que cheira a bodeE cedo morra na forcaQuando lhe cerrava a bocaChamou-lhe Dona Gondrode. D. Afonso Sanches
  • 28. Cantiga de MaldizerMaria Mateu, daqui vou desertar.De cona não achar o mal me vem.Aquela que a tem não ma quer dare alguém que ma daria não a tem.Maria Mateu, Maria Mateu,tão desejosa sois de cona como eu!Quantas conas foi Deus desperdiçarquando aqui abundou quem as não quer!E a outros, fê-las muito desejar:a mim e a ti, ainda que mulher.Maria Mateu, Maria Mateutão desejosa sois de cona como eu! Afonso Eanes de Coton
  • 29. Herança cultural Existem ecos dessa tradição medieval em diversas culturas, principalmente na composição musical. Diversos compositores trazem marcas dessas estruturas em suas canções até hoje, tanto quanto à intenção ou quanto a elementos de construção paralelística. A cultura brasileira, por exemplo, preserva essa tradição na voz dos repentistas e na literatura de cordel. Cantigas de roda infantis são heranças dessas manifestações populares medievais, ainda que tenham chegado até os dias de hoje com transformações vocabulares e rítmicas.
  • 30. Associe
  • 31. Relacione às João e Maria cantigas de amor... Chico Buarque Composição: Chico Buarque/ SivucaAgora eu era o heróiE o meu cavalo só falava inglêsA noiva do cowboy era você além das outras trêsEu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhõesGuardava o meu bodoque e ensaiava o rockpara as matinêsAgora eu era o reiEra o bedel e era também juizE pela minha lei a gente era obrigado a ser felizE você era a princesa que eu fiz coroarE era tão linda de se admirarQue andava nua pelo meu paísNão, não fuja nãoFinja que agora eu era o seu brinquedoEu era o seu pião, o seu bicho preferidoVem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medoNo tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascidoAgora era fatal que o faz-de-conta terminasse assimPra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fimPois você sumiu no mundo sem me avisarE agora eu era um louco a perguntarO que é que a vida vai fazer de mim? http://www.youtube.com/watch?v=PvOmONGUZPM&feature=related
  • 32. QueixaObserve a coita... Caetano Veloso Composição: Caetano VelosoUm amor assim delicado Princesa, surpresa, você me arrasouVocê pega e despreza Serpente, nem sente que me envenenouNão devia ter despertado Senhora, e agora, me diga onde eu vouAjoelha e não reza Senhora, serpente, princesaDessa coisa que mete medo Um amor assim delicadoPela sua grandeza Nenhum homem dariaNão sou o único culpado Talvez tenha sido pecadoDisso eu tenho a certeza Apostar na alegriaPrincesa, surpresa, você me arrasou Você pensa que eu tenho tudoSerpente, nem sente que me envenenou E vazio me deixaSenhora, e agora, me diga onde eu vou Mas Deus não quer que eu fique mudoSenhora, serpente, princesa E eu te grito esta queixaUm amor assim violento Princesa, surpresa, você me arrasouQuando torna-se mágoa Serpente, nem sente que me envenenouÉ o avesso de um sentimento Senhora, e agora, me diga onde eu vouOceano sem água Senhora, serpente, princesaOndas, desejos de vingançaDessa desnaturezaBateu forte sem esperançaContra a tua dureza http://www.youtube.com/watch?v=54xAdlQAqpM
  • 33. Compare àscantigas de maldizer... Dona Gigi Os CaçadoresSe me [vê ] agarrado com elaSepara que é briga, tá ligado!Ela quer um carinho gostosoUm bico, [dois soco e três cruzado]!Tá com pena? [leva ela] pra casaPorque nem de graça eu quero essa mulher!Caçadores estão na pista pra dizer como ela é...Caolha, nariz de tomada, sem bunda, perneta,Corpo de minhoca, banguela, orelhuda, tem unha encravada,Com peito caído e um caroço nas costas...Ih gente! capina, despenca,Cai fora, vai embora ,Se não vai dançar,Chamei 2 guerreiros:Bispo Macedo, com padre Quevedo pra te exorcizar...Oi, vaza! http://www.youtube.com/watch?v=zUDfvOsTuyY
  • 34. Minha Vó Ta Maluca Mc Carol Bombeira Minha vó ta maluca (2x) Tanta coisa pra comprar ela comprou uma peruca Minha vó ta maluca Minha vó ta... Deu 120 na peruca (na peruca ) Minha casa no tijolo Minha geladeira pura Minha vó ta maluca (2x) Tá rodando de twister Com um playboy da jurujuba Minha vó ta maluca (2x) Preste atenção e responda: Essa manifestação de funk, Pancando pra c*** aproxima-se de Fumando maconha na rua Cantiga de Escárnio Minha vó ta maluca (2x) ou de Maldizer? Por quê? http://www.youtube.com/watch?v=VOHHAV06pmQ
  • 35. Filmografia Indicada
  • 36. FontesCEREJA, William Roberto.Português: Linguages, vol 1 Atual Editora, São Paulo 1999.•http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/c/cantiga_da_ribeirinha•http://www.profabeatriz.hpg.ig.com.br/literatura/trovadorismo.htm•http://ifbaportugues.wordpress.com/2009/05/30/cantiga-de-maldizerpor-glauco-mattoso/•http://www.mundocultural.com.br/literatura1/trovadorismo/trovad_poesia.htm•Google images Organização e pesquisaProfa. Cláudia Heloísa Cunha AndriaContato: clauheloisa@yahoo.com.br