A cidade e as serras

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Organização de estudos sobre "A cidade e as serras", de Eça de Queirós.

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A cidade e as serras

  1. 1. A cidade e as serras “ Os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade.”
  2. 2. 1901 na virada do século Este último romance de Eça de Queirós foi publicado em 1901, um ano após sua morte . Retirado do conto Civilização, tem sido considerado, junto com as obras "A Ilustre Casa de Ramires" e "Correspondência de Fradique Mendes", uma trilogia, cujo ponto comum é a crítica ao ambiente social e urbano de Portugal.
  3. 3. A temática da obra Nesta obra, Eça pretende criticar o progresso técnico, urgente e rápido, na virada do século XIX para o XX. Eça de Queirós julgava, ao fim da vida, que o homem só era feliz longe da civilização. Por isso, a temática mais forte da obra é contra a ociosidade dos que têm dinheiro na cidade, e sua vida burguesa, ou seja, o acúmulo irrefletido de dinheiro.
  4. 4. Realismo x Romantismo <ul><li>“ O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento - o Realismo é a anatomia do caráter . </li></ul><ul><li>É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos –para condenar o que houver de mau na nossa sociedade ”. </li></ul><ul><li>Eça de Queirós </li></ul>
  5. 5. Foco narrativo O narrador que conta a história e as aventuras por que passa a personagem principal (Jacinto Galião), é um amigo seu, José Fernandes , que também está na história, mas sente-se menos ilustre que Jacinto, herdeiro rico e personagem central de crítica de Eça de Queirós à riqueza . O romance começa assim: &quot;O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival&quot;.
  6. 6. Esse foco narrativo não abandona a observação realista, mas reforça-o e tem um nome técnico: &quot;eu-como-testemunha”. Eça encontra nele algo muito apropriado, pois o personagem-narrador acompanhará o protagonista em suas aventuras; e, como contará a história tempos depois, pode ser bem crítico e analisar melhor o que aconteceu. No caso, o apego de Fernandes ao protagonista tem ainda outra razão: este narrador quer entender o que faz um homem rico trocar tudo pelo campo, no interior de Portugal. Busca por explicação psicológica,existencial
  7. 7. A insatisfação do ser humano “ Eça de Queirós, um ironista confesso, mesmo narrando histórias diversas, ao fim de contas, a situação de impossibilidade e insatisfação está sempre presente. O romance A cidade e as serras apresenta o herói Jacinto profundamente infeliz na Paris do século XIX; e o seu &quot;desterro&quot; posterior, em Tormes, junto à natureza, apesar de conclusivo, não comporta exatamente uma solução para o problema da inadequação do indivíduo no mundo , um aspecto inerente à constituição psíquica do ser humano, sempre perscrutado e jamais avaliado suficientemente.” A obra A cidade e as serras (...) “ é uma reflexão sobre a condição humana” Eunice Piazza Gai
  8. 8. O protagonista Embora muito inteligente e capaz, Jacinto vive do dinheiro herdado da família. Desde pequeno tudo dava certo em sua vida. Já adulto, elegante e culto, parece achar que os males humanos seriam curados com a volta das pessoas à vida no campo. Há, portanto, uma moralidade muito simplificada nesta obra, que faz com que os críticos julguem o personagem um pouco tolo e Eça de Queirós um tanto superficial. “ É muito fácil pensar assim, quando, tendo muito dinheiro, não precisamos plantar nem colher nem viver as privações do trabalho agrícola.”
  9. 9. O enredo De início, a maior preocupação de Jacinto era defender o progresso, a civilização e a cidade grande. Achava ele que ser civilizado era enxergar adiante, ver o futuro. Na mansão de Jacinto havia todo o tipo de modernidade e luxo, além de uma biblioteca com milhares de títulos dos principais escritores e cientistas do mundo.
  10. 10. . Convidado por Jacinto a morar em Paris, o narrador percebe (e nos conta) que Jacinto vai-se decepcionando com a superficialidade das pessoas com quem convive. Ele passa a conviver mal com o barulho futurista da cidade, com as pessoas em festas e reuniões e com a tecnologia. Jacinto, numa mudança existencial, passou a achar que Paris era uma ilusão, tudo era abafado e não havia grandeza na cidade: comerciantes, cortesãs, famílias desagregadas era a única realidade. Começa a filosofar, e o narrador nos conta o que ele dizia: &quot;o burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado - e contra ele são impotentes os prantos dos humanitários...&quot;
  11. 11. A vida no campo Numa das visitas à família do amigo, Jacinto conhecerá a prima de Fernandes, Joaninha , uma camponesa típica. Apaixonado, o rico rapaz acaba casando-se com ela, tem dois filhos sadios e alegres. Depois de cinco anos de felicidade,o dilema existencial entre a &quot;cidade e as serras&quot; se resolverá, finalmente, pois chegarão à fazenda os caixotes antes embarcados em Paris e perdidos há anos. Jacinto aproveitará muito pouco do que há de &quot;civilização&quot; nas malas.
  12. 12. O desfecho &quot;E na verdade me parecia que, por aqueles caminhos, através da natureza campestre e mansa - o meu Príncipe (..), a minha prima Joaninha (...) e eu (...), tão longe de amarguradas ilusões e de falsas delícias (...), seguramente subíamos para o Castelo da Grã-Ventura.&quot;. Comentários: Márcia Lígia Guidin -professora universitária de literatura, autora de &quot;Armário de Vidro - Velhice em Machado de Assis&quot;, e dirige a Miró Editorial.
  13. 13. A obra A Cidade e as Serras relata as transformações na maneira de o protagonista Jacinto encarar o mundo . Inicialmente ele se encontra inserido na modernidade, vivendo em Paris, entusiasta das novidades tecnológicas. Depois de uma crise de “fartura”, muito deprimido, reencontra o prazer de viver nas serras de Tormes (Portugal), em uma vida simples que anteriormente criticava. Essa nova fase conscientiza o protagonista dos problemas sociais, levando-o a procurar conciliar os avanços tecnológicos com o modo de vida local. “ Se o olhar do narrador sobre a cidade é decadente, o olhar sobre as serras não constitui exatamente o seu contrário (...). a ironia é dirigida, sobretudo, ao projeto civilizatório e desenvolvimentista, que suplanta o indivíduo com a sua tirania ao ponto de aniquilá-lo física e moralmente.” Eunice Piazza Gai
  14. 14. Fontes <ul><li>http://vestibular.uol.com.br/ultnot/livrosresumos/ult2755u121.jhtm </li></ul><ul><li>Estudos teórico, profª Edna Prado. </li></ul><ul><li>http://sites.gensa.com.br/marcial/files/gensa </li></ul>Pesquisa e Organização Profª Cláudia Heloísa Cunha Andria Licenciada em Letras Unisantos

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