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Uma Comunicação
 

Uma Comunicação

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    Uma Comunicação Uma Comunicação Presentation Transcript

    • Clara Cruz Santos Joana Sequeira ISMT - Coimbra
      • “ Não gosto de falar de mim, nem da minha família e, muito menos, do meu passado. Gosto de falar da minha filha… Mas dela ninguém quer ouvir nada, o que todos querem é dizer coisas.
      • Parece que tudo à minha volta é triste, pobre, escuro e sem graça. Só mesmo a Mariana escapa; Ela é linda, feliz e há-de ter tudo o que eu nunca tive.
      • Acho que gostamos todas muito umas das outras, na nossa família, mas também temos muito problemas, zangamo-nos muito, estamos sempre a apontar o dedo e a falar do passado e das culpas que cada uma tem nos problemas de hoje.
      • Desde que me lembro de ser gente que me vejo sozinha ou com a minha mãe. Tenho 20 anos e chamo-me Maria A minha mãe tem 43 e a Mariana, minha filha, tem 3 anos.
      • Vivemos as três numa casa cedida pela câmara num bairro social aqui perto. Estamos nesta casa desde que a Mariana nasceu. A outra onde estávamos, era muito velha, sem condições para receber uma criança. De todas as ajudas que já nos deram, esta foi a mais importante. Apesar de algum mau ambiente no bairro, gosto de lá viver e dou-me bem com a maioria das pessoas. Nesta casa, sinto que tenho o meu espaço. Embora seja pequena, tem dois quartos e uma sala. A minha mãe dorme num deles e a Mariana dorme comigo. Já sei que não está bem. As Dras já disseram, várias vezes, que cada um deve ter a sua cama e que a menina precisa do espaço dela. Eu concordo, mas acho que mais importante do que o espaço dela é o meu carinho, o afecto da mãe, da família, a proximidade… Quem sempre teve tudo isto não valoriza… Mas eu, que sei o que é não ter onde dormir, ou dormir num beliche com mais 20 crianças ao pé, ter frio de noite e não poder ir para a acama de ninguém e não ter sequer por quem chamar, acho que o mais importante é o afecto…
      • Da minha história,
      • Contou-me a minha mãe que não fui uma criança desejada. Os meus pais namoravam há algum tempo, pensavam casar-se e, pelo meio, apareci eu. A minha mãe decidiu ter-me, contra a vontade do meu pai e, quando eu nasci, eles já não estavam juntos. Fomos viver as duas para casa dos meus avós maternos. Foram eles que tomaram conta de mim. A minha mãe trabalhava como auxiliar numa escola, onde ainda hoje está, e durante o dia eu ficava com os avós.
      • Acho que, nesta altura, éramos mais ou menos felizes… pelo menos eu era. A minha mãe, penso que nunca recuperou do abandono do meu pai. Para mim não era fácil. Sentia a falta de um pai, embora tivesse o meu avô, e imaginava que, no fundo, eu era culpada da minha mãe ter ficado sozinha. A avó estava sempre doente e zangada. Quer o avô e a avó bebiam muito…
      • Vivemos com os meus avós até aos meus seis anos. Depois, num espaço de tempo muito curto, a minha avó ficou doente e morreu e o meu avô também faleceu, logo a seguir.
      • Ficámos sozinhas. A minha mãe estava muito mal. Tinha uma tristeza que metia pena. Eu tomava conta dela o mais que podia, mas era muito pequena… Na escola começaram a perceber que as coisas não estavam bem. A psicóloga começou a falar comigo e depois com a minha mãe. Logo de seguida apareceu a Dr.ª da S.S., ainda hoje nos segue. Tentou ajudar-nos como podia… Visitas lá a casa, ajudas económicas, etc. Depois veio a Misericórdia e mais tarde o IRS.
      • Com 12 anos fui para um colégio. Nunca percebi porquê. Diziam apenas que era melhor para mim e para a minha mãe.
      • Com 15 anos fugi. Da 1ª vez, uma pessoa que trabalhava no colégio viu-me a pedir boleia e levou-me de volta.
      • . À 2ª, fiz as coisas como devia ser. Preparei o dia da saída, roubei dinheiro a uma monitora para a viagem e no dia seguinte estava em casa. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. A minha mãe nem queria acreditar quando me viu. Perguntei porquê não me tinha ido buscar e o que ela me disse foi que não houve um dia que não pensasse em mim, mas que achava que não seria nunca uma boa mãe. Por isso, era melhor deixar-me ao cuidado de quem sabia como fazer bem.
      • Nesta altura já fumava haxixe em grandes quantidades e daí às drogas duras foi tudo muito rápido. Fiquei a viver com ela, mas as coisas nunca correram bem… Fiquei grávida com 16 anos e decidi que ia ter a criança. Contra tudo e todos, levei a minha ideia até ao fim. Sabia que era tudo o que eu precisava para ficar bem. Sabia que lhe podia dar todo o amor que ela precisaria. Fui ao CAT e parei os consumos. Tinha uma psicóloga com quem falava, uma assistente social que ajudava nas coisas do bebé e uma médica que tratava da minha saúde. Durante 8 meses não consumi nada. A gravidez correu muito bem.
      • Nesta altura, várias pessoas começaram a ajudar-nos. Foi muito bom sentir como os serviços foram disponíveis para nós. Na maternidade era seguida por uma assistente social e pela obstetra, a CPCJ também começou a acompanhar o nosso caso e a Dr.ª da S.S. voltou a aparecer.
      • Primeiro quiseram que eu desse a Mariana para adopção dizendo que talvez fosse muito difícil cuidar dela. Depois, impuseram uma série de regras que eu tinha de cumprir para poder ficar com a menina.
      • Como não trabalhava e o ordenado da minha mãe a Dra da SS arranjou-nos o RSI. No início, quando a Mariana era pequena acho que consegui ir buscar forças, onde fui quando resolvi fugir do colégio, e fazer tudo como me tinham dito que tinha de fazer. Mas à medida que ela foi crescendo foi sendo mais difícil pois era muita gente a dar palpites sobre mim, sobre a minha vida e, fundamentalmente, sobre a minha filha. Queriam que ela fosse para a creche e que eu arranjasse um trabalho. Não percebo… Quer dizer, tudo o que eu sempre desejara era cuidar da minha filha e o que me mandavam, fazer, dizendo que era o melhor para mim, era deixá-la ao cuidado de outras pessoas. Tinha a sensação que ninguém me ouvia… Todos sabiam mais do que eu sobre mim mesma, o que era melhor para mim e o que era melhor para a minha filha! Foi por isto que um dia, num acesso de raiva desapareci com a Mariana e só voltei 4 dias depois sem dar notícias a ninguém. Isto para mostrar como basto eu para cuidar dela. Claro que todo associaram a minha fuga a uma recaída mas, a verdade, é que já tinha voltado a consumir antes e nesses dias até nem consumi nada…
      • Quer dizer, durante anos ninguém se lembrou que eu existia quando estava no colégio, ninguém se preocupou em trazer-me de volta para a minha casa, para a minha mãe. Agora querem meter-se em tudo e, ainda por cima, ameaçam tirar-me a única coisa que importa…
      • 1. O Genograma
      • Para clarificar a estrutura , configuração e padrões de relação estabelecidos na família numa perspectiva actual e transgeracional , o genograma constitui-se como um excelente recurso quer enquanto registo de informação quer como estratégia de trabalho com a família
      • Padrões de Funcionamento desta família:
      • A) A história de problemas relacionais e funcionais acentuados, constitui-se como uma herança veiculada pela geração dos avós que passa para a geração da mãe da Maria e posteriormente para a Maria,.
      • B) consumo de substâncias (álcool na geração dos avós e drogas na Maria
      • C) às lacunas no cumprimento das funções parentais ao longo das várias gerações.
      • D) à instabilidade relacional das díades conjugais,
      • E) às rupturas precoces e à conflitualidade e instabilidade
      • Podemos assim concluir que:
      • 1) o funcionamento familiar e as lacunas que nele se identificam possuem o valor comunicacional de transmitir para o exterior através da dimensão visivelmente social que assumem – pobreza, exclusão, etc – a necessidade de transformação interna da família e
      • 2) a urgência da modificação dos padrões assistenciais que têm caracterizado a ajuda prestada, no sentido de autonomizar os sistema da necessidade compulsiva de manutenção de problemas que apelam a ajudas paliativas dos serviços de assistência social.
      • O genograma permite assim:
        • A) conhecer a narrativa da família sobre si mesma,
        • B) desenvolver uma visão meta, vendo-se de fora, através do desenho da estrutura e relações familiares,
        • C) iniciar um trabalho construção de visões alternativas sobre os acontecimentos, relações, pessoas ou histórias
        • construído em conjunto, com terapeutas e família
        • “ pontuando resiliência onde se identificavam riscos e vulnerabilidades ou identificando capacidades onde se encontravam problemas”…
      • 2. O Eco Mapa
        • visualização da família em termos da sua rede de suporte ao nível dos serviços
        • um instrumento de trabalho fundamental, uma vez que representa os sistemas secundários que interagem com a família, procurando ilustrar o conjunto de sistemas e sub-sistemas que se encontram envolvidos com esta
        • a forma como as suas relações se estabelecem, bem como os seus processos de apoio
          • é um importante instrumento de diagnóstico e de intervenção, especialmente, se for possível aos técnicos uma co-construção conjunta destes diagramas com a família, possibilitando a interacção e discussão em temas de maior vulnerabilidade. Mais importante, ainda permite compreender a forma como a família percepciona a relação e o tipo de apoio que recebe.
    • Dra. AS RSI CAT Misericórdia. CPCJ M Mãe Mariana Sistema Social Maria e a mãe, apesar da sua relação fusional mantêm uma relação afectiva forte com a menor- Mariana. Três dos 5 serviços (para 3 elementos familiares), que apoiam Maria e a sua família são percepcionados por esta como stressantes, colocando em causa, na sua opinião, as suas competências pessoais e parentais numa postura que é para Maria de intrusão e de ameaça . O RSI e a assistente social que ao longo do tempo tem acompanhado Maria, proporcionam fluxos de energia ao nível de obtenção de melhores condições de vida e a possibilidade de uma integração social activa . Todavia, a representação social deste tipo de apoio é percebida por Maria como desqualificante, edificando o que Paugam (2003) designa como “ identidade negativa
      • Apesar dos esforços dos serviços no sentido de apoiarem Maria, a relação e representação social que esta estabelece com os mesmos, dificilmente poderá levar a um movimento de inclusão e mudança social, funcionando o próprio sujeito de intervenção social como opositor à mesma.
      • O agir profissional deve reconhecer a existência de uma margem de autonomia na qual os actores sociais podem agir e podem participar na revalorização da sua identidade pessoal.
      • “ fragilidade interiorizada”.
      • Os indivíduos e os grupos que vivenciam este tipo de experiências ( contínuas ao longo do tempo , muitas vezes transgeracionais) aparentam uma espécie de humilhação no seu relacionamento com os serviços, o que os leva a fechar sobre si, com ressentimento e perturbação .
      • Os técnicos que trabalham com estes elementos sentem dificuldades na sua intervenção, quer pelo facto da mesma ser pautada negativamente, quer pela dificuldade em obter resultados ou cooperação .
      • “ The case management” ou o modelo de “gestão de caso” – uma perspectiva de intervenção
      • O modelo de “ gestão de caso” (Rubin, 1992 in Viscarrett, 2007) dá um enfoque especial na conexão e na rede de serviços que trabalham em torno do mesmo indivíduo/família, mas simultaneamente, responsabiliza um único elemento pertencente às redes secundárias de apoio para “gerir” a intervenção , numa postura personalizada e revelando uma maior preocupação em alcançar proximidade e reconhecimento por parte do cliente.
      • O Processo de Intervenção
        • A gestão de casos segue um processo tradicional do Serviço Social:
        • Avaliação/Diagnóstico Planeamento Intervenção
      O diagnóstico implica um conhecimento profundo da pessoa e do seu contexto. Os instrumentos como o genograma e os eco-mapas são fundamentais não só para a compreensão do problema, mas também para a criação de uma relação, devendo ser construídos em conjunto. Um outro instrumento, amplamente utilizado na América do Norte é o “ Road-Maps Diagnoses
      • O “Road-Map” é uma representação gráfica dos maiores eventos/ocorrências vivenciadas no contexto mais alargado da vida do sujeito ou num contexto mais restrito, numa situação especial que necessita de ser resolvida.
      Hipoteticamente o”map-road” da Maria podia ser o seguinte: Ir para a Casa Nova Senti a falta de um pai. Os meus avós bebiam Os meus avós morreram a minha mãe estava muito triste Fui para um Colégio. Estava muito triste. Queria a minha mãe. Comecei a consumir. Fui viver com a minha mãe. Fiquei grávida A minha filha nasceu. Parei os consumos A CPCJ diz que não sei cuidar da minha filha. Iniciei consumos As Dras dizem que tenho que trabalhar. Tenho que por a minha filha num colégio.
      • No caso prático da Maria, o ponto de partida pela “gestão de caso” podiam ser os dois últimos eventos : (i) a relação normativa que tem com a CPCJ , e. (ii) a necessidade de inserção no mundo laboral.
      • São dois aspectos muito reais, caracterizados negativamente pela Maria que devem forçosamente ser trabalhados também com os serviços, na perspectiva de uma abordagem diferenciada pela conotação positiva terá que ser dada à identidade pessoal e social da Maria e às suas competências como mãe.
      • O Planeamento
        • Duas questões :a) O que é que o sistema assistente social (gestor de caso) e Maria querem mudar? b) Que tipo de trabalho com as redes secundárias presentes no Eco-Mapa de Maria pode ser realizado?
        • O planeamento é forçosamente, um planeamento “ integrado” e um planeamento “ estratégico”
          • Planeamento Integrado: implicar a Maria na sua construção, de forma a evitar que esta se sinta ameaçada ou desqualificada (elementos que podem causar o fracasso da intervenção) e terá que, também, implicar os serviços de forma conectada, sem lugar a indefinições de competências que possam levar, igualmente, a qualquer tipo de conflito.
          • Planeamento Estratégico: atender aos objectivos da intervenção e ser estrutural com a hierarquização e definição clara de forma a reconhecer os elementos da rede que devem ser envolvidos, bem como os recursos e tempo necessários.
      • A Intervenção
        • quando se trabalha com uma população resistente à intervenção dos serviços, como “a fragilidade interiorizada” (Paugam, 2003), o uso do instrumento do contrato escrito pode ser uma mais-valia no que se refere à organização inicial do funcionamento individual/familiar, à criação de indicadores prévios para avaliação do grau de execução das tarefas propostas e uma valorização da acção quer do assistente social, quer do cliente.
        • A contratualização das acções deve ser um processo “despido” de argumentos normativos.
        • Ter em conta o aspecto “tempo”
        • 1. A avaliação diagnóstica de natureza sistémica constitui-se como uma etapa fundamental para o sucesso da intervenção.
        • 2. A avaliação das relações com a rede social relevante é também estruturante na medida em que nos possibilita o entendimento da forma como esta colabora na manutenção ou na mudança dos estilos de funcionamento patológicos e repetitivos.
        • No processo de perspectivação da mudança e dos formatos da sua execução é também muito relevante que se trabalhe a antecipação daquelas que poderão vir a ser as crises esperadas – normativas (Minuchin, 1974) - pela família e técnicos nos tempos futuros. Numa perspectiva de projecção futura da crise que pode ser uma boa estratégia de preparação e antecipação das dificuldades que ela comporta bem como da replicação de estratégias já desenvolvidas eficazmente e de antecipação de outros recursos a mobilizar.