NARCOTRÁFICO SA (DOPE INC.)
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  • 1. 1
  • 2. 2
  • 3. Narcotráfico S.A. 3
  • 4. CONTEUDODEDICATÓRIAPREFÁCIO: YURI ANDROPOV COLOCA A KGB SOVIÉTICA NOS NEGÓCIOS DO NARCOTRÁFICOINTRODUÇÃO: O TRÁFICO DE DROGAS HOJE 1- O LIVRO QUE ENRAIVECEU KISSINGER ATAQUE AO APARATO DE LAVAGEM DE DINHEIRO A ADL E KISSINGER REAGEM KISSINGER: AGENTE DA INFLUÊNCIA BRITÂNICA FORMADA A FORÇA-TAREFA “PEGUEM LAROUCHE” LAROUCHE CONTESTA A POLÍTICA PARA OS CONTRAS OS BARÕES DAS DROGAS NÃO PODEM SER PATRIOTAS LIGAÇÕES DA CASA BRANCA COM OS TERRORISTAS O DINHEIRO DAS DRODAS FINANCIA A ADL A NARCOTRÁFICO S. A. INSTALA GOVERNOS POR QUE UMA TERCEIRA EDIÇÃO? 2- NARCOTRÁFICO S.A. DOBRA A CADA CINCO ANOS COCAÍNA: INDÚSTRIA CRESCENTE MACONHA E HASHISHE ÓPIO E HEROÍNA CONSUMO PRENDAM OS BANQUEIROS DAS DROGAS 3- HOJE A MACONHA É A MAIOR PLANTAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS ONDE A MACONHA É A PRINCIPAL PRODUÇÃO LUCRATIVA FAZENDEIROS DESESPERADOS VOLTAM-SE PARA A MACONHA PARTE 1: NOSSOS INIMIGOS PROVARAM QUE ESTÁVAMOS CERTOS 1- POR QUE ESTE LIVRO SE TORNOU FAMOSO? “VISÃO APOCALÍTICA” OU REALIDADE DIÁRIA? A NARCOTRÁFICO S. A. RESPONDE ÀS ACUSAÇÕES OS LOBISTAS DAS DROGAS INVADEM OS PALÁCIOS DE JUSTIÇA MARVIN WARNER COMPRA UM PROCURADOR FEDERAL O CASO DO FIRST FIDELITY 2- ESTRUTURA DE COMANDO DA NARCOTRÁFICO S.A. A REDE LONDRINA COMO A NARCOTRÁFICO S.A. COMPROU AS FINANÇAS AMERICANAS HONG KONG, OPPENHEIMER E BANCO AMBROSIANO: ONDE O CAPITAL ESPECULATIVO REINA KISSINGER E A NOVA DIRETORIA DA NARCOTRÁFICO S. A. PARTE 2: A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO DA GRÃ-BRETANHA INTRODUÇÃO: ENFRAQUECENDO A VITALIDADE DE UMA NAÇÃO 1- A GUERRA DA COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS CONTRA A CHINA OS CHINESES CAÍRAM NA ARMADILHA DIPLOMACIA BRITÂNICA DO ÓPIO CABEÇA DE PRAIA NOS ESTADOS UNIDOS A ENTRADA DA CHINA 4
  • 5. PROTEGENDO O MERCADO DE ÓPIO2- A “NOBRE EXPERIÊNCIA” BRITÂNICAMONTANDO A INVASÃO DAS DROGASA GUERRA DE NIXON CONTRA AS DROGASPARTE 3: COMO FUNCIONA O IMPÉRIO DAS DROGASINTRODUÇÃO: A BASE DESTA INVESTIGAÇÃO1- OS BANCOS E O MAIOR NEGÓCIO DO MUNDOPARA ONDE VAI A HEROÍNA?ANÁLISE DE MERCADOQUAL É O TAMANHO DA INDÚSTRIA?PARA ONDE VAI O DINHEIRO?A COBERTURA OFFSHORE (PARAÍSOS FISCAIS)ESTRANGULAMENTO NO EXTREMO ORIENTEO CICLO DA LAVAGEM2- COMO ESCONDER 200 BILHÕES DE DÓLARESO ESTRANHO CASO DA MIDWEST AIR (AEROLÍNEAS MIDWEST)O COVIL DOS BANQUEIROSCOMO COMPUTADORES PODEM MENTIRDO CAMPO AO BANCO3- DO ÓPIO AO DINHEIRO SUJO4- COMO O COMÉRCIO DAS DROGAS É FINANCIADOO HSBC (HONG KONG AND SHANGAI BANKING CORPORATION- HONG SHANG)OS INTERMEDIARIOS CHINESESA CONEXÃO CHINESA COM O HSBC5- AS OPERAÇÕES BRITÂNICAS SUJAS COM OURO E DIAMANTESCOMO O OURO ILEGAL VIAJAUMA SUBESTIMAÇÃOUM GRANDE MERCADO DE OUROMERCADO NEGRO DE DIAMANTES6- HONG KONG, CAPITAL DO FINANCIAMENTO DA HEROINAA MAIS ALTA TAXA DE LIQUIDEZA MAIOR TAXA DE SUBORNO1986: HONG KONG E O “LIVRE COMÉRCIO”7- A CONEXÃO PEQUIMLIGAÇÕES ANTIGAS SÃO MAIS FORTESA ARMA DO ÓPIO DE PEQUIMDE HONG KONGA CONEXÃO CH’AO CHOUFORJANDO A LIGAÇÃO HONK KONG- PEQUIM8- COMO O REAL INSTITUTO PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS (ROYAL INSTITUTE OFINTERNATIONAL AFFAIRS-RIIA) DIRIGE AS DROGAS E O DINHEIRO SUJOMETA: RECONSTRUIR O IMPÉRIO1949: ACORDO PEQUIM-BRITÂNICOSJOGO DE PRESSÕES 5
  • 6. CRIAÇÃO DA CONEXÃO DAS DROGAS DE HONG KONGO SURGIMENTO DA “CARTA CHINESA”9- CANADÁ: HONG KONG DA AMÉRICA DO NORTETRÊS CASOS CRUCIAISWALTER LOCKHART GORDONSEGURADORA EAGLE STARA COMPANHIA DA BAÍA DE HUDSONDROGA ENTRA, DINHEIRO SUJO SAIO TRIÂNGULO PRATEADO DO CANADÁA CONEXÃO CANADÁ-PEQUIMQUEM DIRIGE O CANADÁ10- AS FAMÍLIAS POR TRÁS DO IMPÉRIO DAS DROGASA RELIGIÃO DA FAMÍLIAO INÍCIO: OS CAVALEIROS DE SÃO JOÃO DE JERUSALÉMAS GUERRAS DO ÓPIO DA FAMÍLIAOS ADORADORES DO IMPÉRIO E O ÓPIOA ATUAL DINASTIA DO ÓPIOPARTE 4: ENTRADA DE MOSCOU1- FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO E CRESCENTE DOURADOSUPERANDO O TRIÂNGULOO CASO DE SADEGH TABATABAIO PROJETO ALIYEVO CRESCENTE DOURADOPARTE 5: NARCOTRÁFICO S.A. : FMI RECOLONIZA IBERO-AMÉRICAINTRODUÇÃO: DROGA E DÍVIDADESTRUINDO O OTIMISMO CULTURALCRIMES CONTRA A HUMANIDADE1- A CONEXÃO TRILATERAL2- JAMAICA: FMI CRIA PERFEITA ECONOMIA DE LIVRE MERCADO3- COLÔMBIA: PODE A NARCOTRÁFICO S. A. COMPRAR UM PAÍS?SE NÃO PUDER COMPRAR QUEIME4- A CONEXÃO DO DINHEIRO5- COMO AS FUNDAÇÕES CONTROLAM O TRÁFICO IBERO-AMERICANO6- FAMÍLIA CISNEROS: OS BRONFMANS DA VENEZUELAA CONEXÃO CISNEROSO IMPÉRIO FAMILIAROPERAÇÕES NA FLÓRIDAWFC (WORLD FINANCE CORPORATION) E A CONEXÃO CUBANADROGAS E TERRORISMOTINOCO, SÓCIO DE CISNEROSPOSFÁCIO: FAMÍLIA CISNEROS RESPONDE7- VESCO E CASTRO 6
  • 7. PARTE 6: A MÁFIA NAZI-COMUNISTA1- QUEM DIRIGE O NAZISMO INTERNACIONAL HOJE?DOS ARQUIVOSO CASO DE FRANÇOIS GENOUD2- STIPAM, VERDADEIRA CONEXÃO BÚLGARAHISTÓRIA DO CASOHENRI ARSANSURGE MEHMET ALI AGCAPETRÓLEO POR ARMASTRADIÇÃO, FAMÍLIA E PARRICÍDIOO CRESCENTE DOURADO3- OS NARCO-TERRORISTAS4- SENDERO LUMINOSO: ASSASSINOS INDÍGENASANTROPOLOGIA E ALIANÇA NAZI-COMUNISTACONEXÃO NARCO-FASCISTA5- A VERDADEIRA HISTÓRIA DE HORROR DOS GNÓSTICOSA IGREJA GNÓSTICA UNIVERSAL CRISTÃPARTE 7: CRIME ORGANIZADOINTRODUÇÃO: A INTERNACIONAL DO CRIMEEXECUTIVA DE OPERAÇÕES ESPECIAISOS INTERMEDIÁRIOS1- A GANGUE BRONFMANO CRIME ORGANIZADO CHEGA A MAIORIDADECONEXÃO ROTHSTEIN-HONG KONGLEGITIMAÇÃOESTÃO ELES REALMENTE LIMPOS?2- OS KENNEDYS: CRIME ORGANIZADO NO GOVERNOSUBIDA AO PODERPOR QUE OS BRITÂNICOS ASSASSINARAM KENNEDY?DUPLA ENGANAÇÃO3- ESCRITÓRIO BRITÂNICO INTERNACIONAL DE ASSASSINATOS: PERMINDEXLOUIS MORTIMER BLOOMFIELDCONSELHO DE DIRETORES DA PERMINDEXFINANCIANDO UM ASSASSINATODR. TIBOR ROSENBAUM, BCI, E PERMINDEXCORONEL CLAY SHAWHISTÓRIA DE UM ASSASSINATOGARRISON FAZ UMA ACUSAÇÃOOS SOLIDARISTASCONSELHO AMERICANO DAS IGREJAS CRISTÃSA CONEXÃO DA CORPORAÇÃO LIONELO ENCOBRIMENTO4- PERMINDEX REVELADA: RESORTS INTERNATIONAL-INTERTEL 7
  • 8. PERMINDEX MUDA PARA A RUA BAY (BAY STREET)5- MAX FISHER: DISTRIBUIDOR E VAREJISTASONNEBORN E O SINDICATOSAINDO DAS SOMBRASUNITED BRANDS: UMA HISTÓRIA DE CRIMESA UNITED BRANDS DO GENOCÍDIO6- A EMPRESA DA FAMÍLIA JACOBS: ESPORTES E CRIMESA INVESTIGAÇÃO DE STEIGERJACOBS E A COROA REALTRABALHANDO PARA O HSBCJACOBS SE LIGA A INTERTELPARTE 8: ORIGENS DA CONRACULTURA1- A CONSPIRAÇÃO AQUARIANAO MODELOO SUPREMO SACERDÓCIOLSD: VISITA DOS DEUSESHUXLEY NO TRABALHORAÍZES DO PESSOAL DAS FLORES (HIPPIES)O SOM DOS TAMBORESGUERRA DO VIETNÃ E ARMADILHA PACIFISTAIMAGENS MUTANTESA CONEXÃO LSDPARTE 9: LOBBY NAS DROGAS: CRIMINOSOS VEM A LUZ1- INCENTIVADORES DAS DROGAS NO GOVERNOO CULTO DA MORTE POR DROGAS DOS KENNEDYSCOMO NOVA YORK SE TORNOU FORTALEZA DA NARCOTRÁFICO S. A.A NORML DE KENNEDYO PREÇO APÊNDICESAPÊNDICE AAPÊNDICE BAPÊNDICE C: ADL: EMPRESA DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA NARCOTRÁFICO S.A.QUE É A ADL?ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E PESSOAL CHAVEOS AGENTES ATIVOSA ADL E O CRIME ORGANIZADOMALAS DE DINHEIRO NO STERLING NATIONALO BARÃO DAS BEBIDASA ADL E A UNIÃO SOVIÉTICAESCRAVOS JUDEUS PARA ISRAELADL ESTAVA NA LISTA DE VIGILÂNCIA AMERICANAADL E O PROJETO DEMOCRACIAA ADL E O TERRORISMO DOMÉSTICOPONDO ISCAS PARA OS PANTERAS NEGRASFAZENDO O TRABALHO SUJO DO FBIMANIPULAÇÃO DE JURADOSA ADL E O TERRORISMO INTERNACIONALO ENCOBRIMENTO DO ASSASSINATO DE OLOF PALMEADL SUBVERTE A JUSTIÇA: A OSITRAVESSURAS DE ARTHUR RUDOLPH E KURT WALDHEIM 8
  • 9. PENETRAÇÃO DA ADL NA POLÍCIAADL: ISRAEL E A CONSPIRAÇÃO DO MONTE DO TEMPLOESPIONANDO PARA OS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA ESTRANGEIROSPOR TRÁS DO CASO DO ESPIÃO POLLARDADL SUBVERTE O MOVIMENTO DOS FAZENDEIROSADL ALVEJA MOVIMENTO PRÓ-VIDA E VATICANOPERSEGUINDO O PAPAADL DEFENDE SATÃO “FILHO DE SAM”E DENNIS KING NOTAS 9
  • 10. AGRADECIMENTOSAgradecimentos especiais aos seguintes indivíduos:Jeffrey Steinberg, Editor de Contra-inteligência deEIR (Executive Intelligence Review)Linda de HoyosRobyn QuijanoMarcia MerryDennis SmallPaul GoldsteinMichael MinnicinoGretchen SmallJohn HoefleKathy WolfeScott ThompsonJoseph BrewdaRoger MooreMichele SteinbergKaren SteinherzCarlos Wesley 10
  • 11. DEDICATÓRIADedicamos este livro ao nosso amigo Lara Bonilla, Ministro da Justiça colombiano e soldado abnegado na guerra contraas drogas, assassinado pelas mãos da máfia das drogas colombiana em 30 de abril de 1984, por ordem da diretoria daNarcotráfico S. A.Após agosto de 1983, quando se tornou Ministro, Lara começou a reunir as reservas morais de sua nação paradesencadear uma ofensiva contra o comércio de narcóticos e contra os “cidadãos acima de qualquer suspeita”, osmercadores da morte que compram poder político com suas “respeitáveis” fortunas.Rodrigo Lara Bonilla ousou dizer “basta!” Em um ambiente no qual os czares da droga eram capazes de comprarpessoas e cargos políticos à vontade, no qual antigos presidentes e ganhadores de prêmio Nobel entoavam loas aosnarcodólares e à legalização das drogas, Lara Bonilla prometeu: “Não vou parar minha guerra contra as drogas... háriscos que se deve correr na vida...”Desde a trágica morte de Lara Bonilla, infelizmente, a máfia das drogas deslanchou, e virtualmente ganhou, a guerrapor poder político dentro da Colômbia. Incontáveis cidadãos colombianos tem sido mortos e violentados em tiroteios,explosões e outras ações terroristas, pelos gangsters das drogas, planejando trazer as autoridades civis à seus joelhos.Dúzias de líderes oficiais tem sido assassinados pela máfia das drogas, inclusive o antigo Procurador-Geral CarlosMauro Hoyos e onze ministros da Suprema Corte da nação, os quais encontraram suas mortes durante a invasão, em1985, do Ministério da Justiça da Colômbia pelos guerrilheiros do M-19. Talvez o mais corajoso tenha sido o candidatopresidencial de 1989, Luis Carlos Galán, dedicando-se ele próprio a vencer a guerra contra os reis das drogas, antes deseu assassinato durante a campanha eleitoral.Rodrigo Lara Bonilla morreu em vão? Serão, as milhares de mortes de pessoas que lutam contra as drogas na Colômbiaem vão? A resposta à esta questão será determinada em grande parte por você, leitor, e milhões de outros americanos,juntando-se a nós para esmagarmos os líderes da Narcotráfico S. A. – Os “cidadãos acima de qualquer suspeita”. 11
  • 12. PREFÁCIO: YURI ANDROPOV COLOCA A KGB SOVIÉTICA NOSNEGÓCIOS DE NARCO-TERRORISMO.O tráfico internacional de drogas entrou para os livros de história com o surgimento dos místicos Sufi, os síriosHashishins do sheik al-Jabal, (Syrian Hasshishins of shaykh al-Jabal – ordem secreta dos Assassinos), nos tempos daaliança entre a Ordem dos Assassinos e a Ordem dos Templários. Ela se espalhou através do litoral asiático com osárabes mercadores de escravos. Foi tirado destes pelos mercadores de escravos venezianos da Companhia do Levante(Levanty Company) (Levante: países do mediterrâneo oriental; nativos destes países ou desta região – N.T.). Quando aCompanhia do Levante mudou-se para a Inglaterra e Países Baixos, assumiu o novo nome de “Companhia das ÍndiasOrientais” da Inglaterra e dos Paises Baixos. Os diretores desta, patrões de Adam Smith, estabeleceram monopóliomundial do tráfico de ópio durante o século XVIII, passando então a Grã-Bretanha, a dirigir o tráfico internacional deópio, até que, Yuri Andropov, da KGB soviética, entrasse para esse tráfico, iniciando então, no intervalo de 1967 –1969 o narco-terrorismo internacional dos dias de hoje contra o ocidente.Desta forma, hoje, as principais famílias financistas da Nova Inglaterra e de Nova York, abriram caminho à transição docontrole do tráfico internacional de drogas da Grã-Bretanha para a União Soviética. O Sindicato Perkins de Salem(Perkins Syndicate of Salem), Massachussets, era o parceiro americano do tráfico de drogas da Companhia das ÍndiasOrientais Britânica durante o final do século XVIII e no século XIX: estabelecendo as fortunas dos traficantes de drogasas quais são o fundamento da riqueza do assim chamado “Establishment Liberal da Costa Leste (Eastern LiberalEstablishment) (diga-se Wall Street – N.T.), o Conselho de Relações Exteriores ( Council of Foreing Relations) deNova York, de hoje. Essencialmente, essas mesmas famílias do Reino Unido e dos Estados Unidos, exemplificadas pelocírculo de McGeorge Bundy, são os principais cúmplices da ditadura soviética, tanto em suas conexões com os bancoslavadores de dinheiro das drogas, quanto em seu esforço para que os Estados Unidos curvem-se às exigênciasestratégicas soviéticas atuais. Conseqüentemente, não é por acidente, que David Rockefeller, fundador da pró-soviéticaComissão Trilateral, entrasse em parceria com o falecido traficante de drogas Meyer Lansky, para converter a MaryCarter Paint Company na confusa conexão Resorts Internacional e Intertel, ligadas à máfia. Tanto no Reino Unidoquanto nos Estados Unidos, as “famílias” que construíram suas fortunas baseadas no tráfico de ópio no século XIX,estão no centro de uma organização conhecida pelos Insiders (aqueles da elite que agem por dentro – N.T.) como o“Trust”, o canal principal da influência política da KGB soviética nos círculos políticos da Europa Ocidental e dasAméricas. Não é por acaso que o Procurador Federal de Boston Willian Weld, ligado aos interesses da White Weld,intercedesse para encobrir a organização de lavagem de dinheiro, criada pelo Chefe de Pessoal da Casa Branca (WhiteHouse Chef of Staff) Donald T. Regan, pela Merrill Lynch, Crédit Suisse e White Weld, antes que Regan se tornsseSecretário do Tesouro dos Estados Unidos. Não é por acaso, que Donald Regan se tornasse o principal aliado doSecretário de Estado George Shultz, e do camarada deste, Henry Kissinger, no suporte de operações estrategicamentedecisivas para Moscou, e contrárias aos mais vitais interesses estratégicos dos Estados Unidos.A primeira edição de Narcotráfico S.A. apontou quatro dos principais aspectos do tráfico internacional de drogas:(1) A criação do moderno tráfico de drogas internacional do governo britânico.(2) Provas reunidas pelo antigo Escritório Federal de Narcóticos americano (U. S. Federal Burean of Narcotics- FBN) ea Agência Central de Inteligência (CIA – N.T.) sobre o Tráfico Internacional de Drogas.(3) O papel da operação especial, cognominada “MK-Ultra”, em expandir o maciço mercado de drogas dentro dosEstados Unidos.(4) O papel crucial das instituições financeiras “off-shore” (fora do continente – N.T.) da comunidade britânica, como oHong Shang Bank (HSBC – Hong Kong And Shangai Banking Corporation – N.T.), na lavagem do que, no ano de1978, representou uma receita anual de US$ 200 bilhões proveniente do tráfico de drogas.Esta nova edição (1992), trás um quadro atualizado, enfatizando o papel dominante da soviética KGB em tomar otráfico dos britânicos, e em assegurar papel dominante no tráfico internacional de drogas e nas operações narco-terroristas do início dos anos 1970 e 1980.Os americanos, e outros, estão cada vez mais temerosos com o terrorismo internacional. Poucos, infelizmente,compreendem que o terrorismo está tão firmemente integrado ao o tráfico internacional de drogas, que não podem serseparados um do outro. Se destruirmos o tráfico de narcóticos, a base logística essencial do terrorismo será destruída. 12
  • 13. Contudo, destruir as plantações e derrubar os aviões com carregamento de drogas não é o bastante. A menos que ascentenas de bilhões de dólares dos traficantes de drogas sejam confiscadas, e os banqueiros e financistas envolvidossejam enviados à prisão, os Estados Unidos e a Europa Ocidental estarão desamparados contra terrorismo. Enquantotais criadores do sistema de lavagem de dinheiro, como Donald T. Regan, tenham liberdade de exercer influência sobreas políticas de nosso próprio governo, e aliados à ele, não haverá “Guerra Contra as Drogas” séria, nem tão poucoqualquer ação séria contra o terrorismo internacional.As páginas seguintes lhes mostrarão os fatos. Lyndon H. LaRouche Jr. Leesburg, Virgínia 10 de abril de 1986 13
  • 14. INTRODUÇÃOO TRÁFICO DE DROGAS HOJE 14
  • 15. 1O livro que enraiveceu Henry KissingerHá treze anos atrás, foi lançada a primeira edição de Narcotráfico S. A. . Autorizada pelo estadista americano anti-drogas Lyndon H. La Rouche Jr., foi o primeiro livro a revelar que o cartel de drogas ilegais tornara-se o maiornegócio do mundo; o primeiro a apontar as causas da guerra que a “Narcotráfico S. A.” mantinha contra todas asnações do mundo; e o primeiro a revelar os nomes das figuras “intocáveis” que a protegiam , incluindo os monarcaseuropeus, os quais, a nossa mídia de Hollywood os vendia ao público como verdadeiros deuses. O livro, desde entãofoi traduzido para vários idiomas, e com várias edições, permanece único.Sua eficácia é atestada, acima de tudo, pelo fato de que chefões do braço americano do cartel de drogas - liderados porHenry A. Kissinger e a Liga Anti-Difamação de B’nai B’rith (Anti-Defamation League of B’nai B’rith ) –iniciaram háanos esforços para silenciar os autores, começando por La Rouche, o qual, foi levado direto para a prisão Federal no anode 1988, por acusações forjadas de “conspiração”, e agora luta nos tribunais para derrubar esta justiça travestida.Lyndon La Rouche foi preso nos dias em que George Bush assumia a presidência dos Estados Unidos, em janeiro de1989, e Bush o manteve preso, por razões que incluíam medo dele e de seus partidários, acerca da informação contidaneste livro.O Secretário de Estado Henry A. Kissinger correu o risco de sofrer processo criminal federal como resultado de suapersistente interferência nas atribuições do departamento de Justiça dos Estados Unidos, no FBI, e na Casa Branca comvistas a atiçar a campanha do governo para silenciar La Rouche.A histeria do Lobby dos narcóticos contra a campanha de La Rouche para colocá-lo fora destes assuntos não foi restritaaos Estados Unidos. Na Venezuela, a edição de língua Espanhola, Narcotráfico S. A., tem sido censurada desde 1985,porque os banqueiros locais ligados a Kinssinger e a Rockefeller estão aterrorizados pelo fato de que leves referências,expostas na segunda edição, relativas as sujas empresas mantidas por eles, possam levar à exposição pública de crimesmuito maiores. Recentemente, alguns dos agentes da Narcotráfico S. A., da Venezuela, foram publicamente ligados aduas grandes explosões terroristas (uma em Washington, D. C.) e pelo menos a uma apreensão de cocaína em Miami.Como resultado, grupos de parlamentares por toda a Ibero-América pedem publicamente o levantamento da censuradeste livro.Foi em 1977 que Lyndon La Rouche compreendeu que os americanos precisam ser mobilizados contra a praga dasdrogas ilegais que se espalhava durante a administração Carter. A campanha juntou uma larga coalisão de cidadãosenvolvidos, nos Estados Unidos e outros países. Na primavera de 1978, as informações da coalisão sobre os maioraispor trás do cartel dos narcóticos cresceram a ponto de LaRouche autorizar um grupo investigador do Partido Trabalhistaamericano a esboçar um amplo perfil do comércio internacional de drogas. LaRouche avisou que, a menos que osEstados Unidos participassem da guerra não declarada que a Narcotráfico S.A. movia contra si, a nação seria destruídaem uma geração.Não poderia haver “segurança nacional” sem o compromisso de destruir a Narcotráfico S.A , argumentava ele.Ao invés disso, três sucessivas administrações estiveram em paz com o cartel das drogas e, como resultado, a Américanada em drogas que viciam. E a economia americana se afoga em narcodólares.A administração Carter-Mondale (1977-1981) abraçou abertamente a agenda do lobby das drogas para a sualegalização. O assessor para narcóticos da Casa Branca, Dr. Peter Bourne, não somente apoiava a “descriminalização”da maconha, como proclamava desde 1978 que a cocaína não era narcótico. O Vice-presidente Walter Mondale deviamuito de sua carreira política aos camaradas do crime organizado de Minnesota, de Meyer Lansky.O Partido Trabalhista americano, braço eleitoral nos anos 70 do movimento político de LaRouche, publicou a primeiraedição de Narcotráfico S.A , e conduziu uma campanha nacional para derrotar o esforço da Casa Branca de Carter paralegalizar a maconha estado por estado. Da campanha emergiu a Coalisão Nacional Anti-Drogas, que ajudou a moldar oclima político que levou à derrota do grupo Carter-Mondale nas eleições americanas de 1980. Nestas, LaRouchedesafiou Carter para a indicação presidencial dentro do Partido Democrata, e começou a construir a ala do sistemaamericano anti-drogas do Partido.Tanto o presidente Ronald Reagan quanto o Vice-presidente George Bush, refletindo a rejeição popular às políticaspermissivas sobre drogas de seus antecessores, usavam slogans anti-drogas. Mas enquanto seus lábios pronunciavam“guerra às drogas” e à ameaça do “narcoterroriso”, por trás dos bastidores, funcionários da Casa Branca e da CIA, como 15
  • 16. o assessor do Conselho de Segurança Nacional, Oliver North, espalhavam drogas para às escondidas financiarem suasmissões secretas favoritas. ATAQUE AO APARATO DE LAVAGEM DE DINHEIROE ninguém na Casa Branca ou no Congresso ousou apontar a mensagem mais essencial do livro Narcotráfico S.A :Acabem com a lavagem do dinheiro das drogas, feita pelos grandes bancos anglo-americanos, e o cartel das drogas sesufocará em seus próprios lucros!Quando George Bush sucedeu Ronald Reagan na Presidência, tudo se tornou pior do que sob Jimmy Carter. Nãosomente Bush conservou o inimigo mais temido pelo cartel das drogas, Lyndon LaRouche, na prisão, mas, como doisnovos capítulos da terceira edição detalharão, a Narcotráfico S.A se duplicava a cada cinco anos e a maconhasubstituira os alimentos como a colheita americana número um em rendimento. George Bush falava em acabar com ocomércio das drogas, e secretamente entregava o governo da Colômbia ao cartel da cocaína e se juntava ao regimenarcoterrorista do sírio Hafez al-Assad em um abraço obsceno.Na primeira edição de Narcotráfico S.A , Lyndon LaRouche também avisara que o Fundo Monetário Internacional e oBanco Mundial estavam autorizados a impor narco-economias a muitas nações em desenvolvimento, como parte deuma política consciente de genocídio em escala muito pior que a de Adolf Hitler. LaRouche identificou o FMI e oBanco Mundial como sinônomos de Narcotráfico S.A . Estas palavras foram confirmadas com o tempo. A ADL E KISSINGER REAGEMAntes mesmo que as primeiras cópias da primeira edição de Narcotráfico S.A --- A GERRA DO ÓPIO BRITÂNICACONTRA OS ESTADOS UNIDOS ---saísse das máquinas em dezembro de 1978, os líderes dos negócios dosnarcóticos se ocupavam tentando parar LaRouche. A partir do verão de 1978, a Liga Anti-Difamação (ADL), conhecidapelos bem informados como o “Lobby Americano da Droga”, lançou uma campanha multililionária para rotularLaRouche e seus associados políticos como “anti-semitas” por ousarem expor o envolvimento de gangsters, comoMeyer Lansky, e líderes do lobby sionista, como Edgard Bronfman e Max Fisher, com o negócio das drogas. O fato deque LaRouche também identificou os poderosos banqueiros da coroa britânica como sócios do comércio das drogas,junto com o sindicato judeu do crime, marcou-o como um dos mais perigosos homens vivos, aos olhos da NarcotráficoS.A. .O ataque “anti-semita” da ADL contra LaRouche era puro terrorismo da Grande Mentira, conforme a tradição domembro da propaganda nazista Joseph Goebbels. Qualquer um que se preocupasse em estudar o assunto sabia que acarreira política de LaRouche fora construída sobre suas descobertas em economia física, e que em 1978 ele jáescrevera centenas de artigos e vários livros expondo as políticas econômicas de austeridade fascista por trás doholocausto nazista, que mataram milhões de judeus e outras vítimas. A difamação bizarra da ADL incitou osinvestigadores da EIR (Executive Intelligence Review) a estudarem a história da suposta organização dos “direitos civisjudeus”.Surgiu assim a prova de um legado de setenta anos de intimidade da ADL com os gangsters judeus, de Meyer Lansky eseu pupilo Arnold Rothstein, patrocinador da “Nossa Gente”, às figuras mais contemporâneas da Narcotráfico S.A.como Max Fisher, Edgar Bronfman, Edmond Safra, Meshulan Riklis, e o próprio chefe nacional da ADL, KennethBialkin, advogado de Robert Vesco da “conexão americana”do Cartel de Medellín. Também descobrimos que muito doapoio financeiro à ADL vinha das principais famílias do establishment anglo-americano, cujas fortunas começaram comos bancos e companhias comerciais britânicos, donos dos navios clippers transportadores de ópio da china no séculopassado.Devido à herança do crime organizado da ADL, também não foi surpresa que uma das primeiras e piores difamações amando desta contra LaRouche fosse publicada na revista HIGH TIMES (Na Hora), o órgão não oficial do lobby dasdrogas. O artigo de Chip Barlet era intitulado “Guerra às Drogas : a estranha história de Lyndon LaRouche: o cérebrosinistro da Coalisão Nacional Anti-Drogas-eles querem tirar suas drodas!”.Até hoje, a ADL tem poder sobre a corrupção da política e do sistema judiciário americanos, comprada e paga com oslucros do comércio internacional de drogas. Lyndon LaRouche foi levado à prisão por uma orquestração do dinheirodas drogas, apoiada por funcionários governamentais e agências privadas por ordem da Narcotráfico S.A. .No verão de 1982, a ADL foi apoiada em seus esforços no grupo “Peguem LaRouche” por Henry A. Kissinger, antigoSecretário de Estado e aquinhoado com o prêmio de “Homem do Ano da ADL”. Kissinger lançou a vendeta paraconseguir do governo federal que acabasse com o movimento de LaRouche. 16
  • 17. O caso do seguidor de LaRouche, Lewis Du Pont Smith, ilustra o desespero dos esforços de Kissinger e da Força Tarefa“Peguem LaRouche” para suspender a organização, pelo movimento de LaRouche, de uma guerra nacional às drogas.Herdeiro da fortuna da família industrial du Pont, Smith contribuiu com 212.000 dólares para aquele movimento em1985, a maior parte para a publicação da segunda edição deste livro. Em alguns meses, os pais de Smith- aconselhadospor ninguém menos que Kissinger- conseguiram um julgamento no condado Chester, na Corte de Apelações daPensilvânia, tirando seu filho do controle de sua herança, e suspendendo seus direitos humanos básicos- como o deassinar contratos e se casar, sob a acusação de que Smith era “mentalmente incompetente”. Smith é o primeiro caso nahistória americana em que um indivíduo foi declarado incompetente pelo tribunal com base em sua filiação política. KISSINGER: AGENTE DA INFLUÊNCIA BRITÂNICAEmbora Kissinger seja historicamente íntimo aliado das mais fanáticas facções em Israel e no establishment sionista dosEstados Unidos, sua aliança primeira, em toda a sua carreira política, tem sido com a coroa britânica e seus tentáculosfinanceiros e de inteligência.Em 10 de maio de 1982, discursando em uma celebração no Real Instituto para Assuntos Internacionais ( RoyalInstitute of International Affairs-RIIA), na Chatham House de Londres, Kissinger gabou-se de que, em sua carreira nasadministrações Nixon e Ford, ele tinha sido mais íntimo do Ministro do Exterior britânico do que de seus colegasamericanos, e que tinha recebido todas as suas principais linhas políticas de Londres. Kissinger fundou a “firma deconsultoria” internacional Kissinger Assossiates em sociedade com o britânico Lord Peter Carrington, logo após aquelediscurso na Chathan House.Esta é sucessora da antiga Companhia Britânica das Índias Ocidentais, e serve como think-thank (ninho de idéias-N.E.)e braço de inteligência estrangeira da coroa britânica. As raízes da Chathan House estão fincadas na política da guerrado ópio britânica do século XIX.Kissinger não é estranho ao mundo do tráfico internacional de drogas. A edição de 1978 de Narcotráfico S.A. publicouque Kissinger teve um papel principal ao encobrir o envolvimento da República Popular da China no comércio deHeroína do Triângulo Dourado do sudeste asiático, no começo dos anos 70, quando ele voava entre Washington ePequin armando a política de “carta chinesa”. Dezenas de milhares de veteranos americanos, que se viciaram em drogasno sudeste asiático durante a guerra do Vietnã, devem encarar Kissinger como ao menos parcialmente responsável porseu vício. Mais tarde, durante os anos 80, pela Kissinger Assossiates, Henry Kissinger tornou-se sócio comercial dealguns dos mesmos senhores chineses do ópio a quem protegera das sanções americanas por mais de uma década.Kissinger enfureceu-se quando LaRouche e seus associados espalharam largamente o texto oficial de seu discurso naChathan House para documentar que Kissinger é um leal servidor da coroa britânica. Ele opôs-se a LaRouche napolítica da administração Reagan. Em 1982, uma grande batalha explodiu dentro da administração a respeito daemergente crise da dívida ibero-americana, da qual LaRouche estivera avisando os altos funcionários da Casa Brancapor meses. A confrontação evoluiu entre LaRouche e Kissinger sobre se Washington negociaria uma solução eqüitativada crise da dívida, em bases governamentais, ou se apoiariam as políticas do FMI visando maior pilhagem dos vizinhosdo nosso hemisfério.Um conjunto de cartas pessoais de Kissinger ao então diretor do FBI, William Webster, durante o verão e o outono de1982, documenta o papel de Kissinger. FORMADA A FORÇA-TAREFA “PEGUEM LAROUCHE”Em 19 de agosto de 1982, Henry Kissinger escreveu a então infame carta “Prezado Bill”a Webster, exigindo açãocontra o movimento de LaRouche: “Porque estas pessoas se tornaram crescentemente detestáveis, tomei a liberdade depedir a meu advogado, Bill Rogers, para procurar você e pedir seu conselho, especialmente com respeito à segurança.Foi bom ver você no Bosque (Boemian Grove-Bosque Boêmio, onde convidados masculinos se vestiam de mulher e alibrincavam ruidosamente N.E.) ... calorosas saudações”.Os esforços pessoais de Kissinger, ajudado pela chamada Divisão de Direitos Civis da ADL, foram aumentados emjaneiro de 1983, a pedido de Kissinger, pela intervenção de vários membros da chefia do Conselho de InteligênciaEstrangeira (PFIAB) do Presidente Ronald Reagan, conduzidos por Edward Bennett Williams, David Abshire e LeoCherne. Estas exigiram que o FBI iniciasse uma investigação internacional sobre Lyndon LaRouche, clamando que apublicação por LaRouche da afirmação de Kissinger da venda dos Estados Unidos aos interesses britânicos, soviéticos eda Narcotráfico S.A. era de certa forma “subversiva”.Os documentos governamentais catalogam o papel dos camaradas de Kissinger no PFIAB. Um memorando de Webstera seu principal representante Oliver Revell, datado de 12 de janeiro de 1983, dizia em parte: Na reunião do PFIAB hoje,(nome censurado) levantou a questão das atividades do Partido Trabalhista americano e de Lyndon laRouche. Notou 17
  • 18. que ele e uma quantidade de outros americanos de vida pública tinham sido sujeitos a repetidos embaraços porLaRouche, e imaginava se o FBI tinha base para investigar estas atividades SOB CONTROLE OU DE OUTRAFORMA. Um grupo de membros presentes, incluindo Edward Bennett Williams, levantou a questão das fontes paraestas atividades do Partido Trabalhista americano. Em vistas das grandes quantias obviamente gastas no mundo,levantou-se a questão se o Partido Trabalhista americano poderia estar recebendo fundos de agências de inteligênciahostis (grifado).”O pedido do PFIAB levou, no começo de 1983, à abertura de uma investigação formal do FBI sobre Lyndon LaRouchee seus associados. Aquele pedido forneceu a cobertura legal para uma ofensiva total a fim de tirar LaRouche e seusassociados de circulação e leva-los à prisão. O “controle” sob o qual a campanha inconstitucional “Peguem LaRouche”foi conduzida estava contido em um documento da Casa Branca pouco conhecido, a ordem executiva 12333, assinadapelo Presidente Reagan em dezembro de 1981. Esta dava ao FBI e às agências de inteligência americanas um amplomandato para espionar e conduzir ações secretas contra cidadãos americanos julgados opositores da administração emvigor. A mesma ordem também permitia às agências usarem cidadãos particulares como seus agentes ao realizarem asações. Aqui, a ADL tornou-se componente integral da Força-Tarefa governamental “Peguem LaRouche”.A ADL e Kissinger encontraram seus mais dispostos colaboradores, dentro da administração Reagan-Bush, entre osfantasmas e os funcionários da Casa Branca envolvidos no ilegal e secreto programa Irã-Contras. Mais uma vez, aspegadas da Narcotráfico S.A. estavam em toda parte. LAROUCHE CONTESTA A POLÍTICA PARA OS CONTRASNos primeiros anos da administração Reagan, LaRouche colaborara com vários altos funcionários ao desenvolvimentoda Iniciativa de Defesa Estratégica (“Guerra nas Estrelas”) e outras políticas de segurança nacional.Durante o período 1982-83, LaRouche e seus colegas tinham sido sem alarde contactados e chamados a tambémcooperarem com os esforços da administração para apoiar a gerrilha dos contras que lutava para derrubar o regimesandinista na Nicarágua. LaRouche avisou a administração Reagan que os contras eram um grupo inteiramente nasmãos das organizações internacionais de tráfico de drogas e armas, e que todo o programa anti-sandinista---e osesforços anti-drogas da administração Reagan, amplamente alardeados, com ele--- estava fadado ao desastre se aadministração continuasse com seu programa de apoio aos Contras. Como plano alternativo de ação, LaRouchepropunha que a administração focalizasse seus esforços na América Central em uma guerra total às drogas que exporia,entre outras coisas, o envolvimento soviético, cubano e sandinista nesse comércio.Por esta época, sob pressão de Wall Street e do lobby sionista, Henry Kissinger tinha sido nomeado chefe da comissão“Fita Azul” da administração Reagan para a política da América Central. Um ex-empregado da ADL, Carl Ghershman,foi nomeado chefe da Doações Nacionais para a Democracia (NED), uma agência de recolhimento de fundos paraoperações secretas, sediada na Agência de Informação Americana do Departamento de Estado, que estava no centro doapoio secreto aos Contras.Para Kissinger e a NED, dirigida pela ADL, negociar com traficantes de cocaína não era problema. Mas a exposiçãopública, por LaRouche, da colocação dos principais traficantes de drogas na folha de pagamentos do governo eraproblema.Um memorando de maio de 1986, do agente Richard Secord, do programa Irã-Contras da Casa Branca, ao membro doConselho de Segurança Nacional Oliver North confirma que o sistema de apoio aos Contras--- que o Senador DavidBoren (democrata de Oklahoma) apelidou de “governo secreto paralelo”--- estava coletando informação contraLaRouche.Na primavera de 1986, em seguida as dramáticas vitórias eleitorais, nas primárias do Partido Democrata em Illinois, dedois candidatos laruchistas a Vice-governador e Secretário de Estado, as forças “Peguem LaRouche” dentro do governoganharam velocidade, especialmente dentro do profundamente corrompido Departamento de Justiça e do FBI.Dois dos mais zelosos ativistas no Departamento de Justiça eram William Weld e Arnold Burns. Weld era o ProcuradorFederal em Boston, e deu o golpe pioneiro contra LaRouche. Tornou-se chefe da Divisão Criminal do Departamento deJustiça em setembro de 1986, o número dois na hierarquia. Agora Governador de Massachussets, Weld é o rebento deuma família proeminente de sangue azul que fez sua fortuna no comércio de ópio da China.Arnold Burns, representante do Procurador Geral, era diretor do Banco Sterling National da ADL, um grupo fundadopelos camaradas da máfia de Meyer Lansky, e implicado nos negócios de dinheiro quente nos Estados Unidos, Itália eIsrael. O próprio Burns quase fora acusado em um esquema de lavagem de dinheiro conduzido pelo serviço secretoisraelense, o Mossad. Mais tarde se saberia que os sócios de Burns no esquema eram parte da gangue de espionagemisraelense-soviética de Jonathan Jay Pollard. 18
  • 19. Em outubro de 1986, um exército de mais de 400 policiais federais e estaduais, acompanhados por helicópteros, aviõese um caminhão blindado de transporte de tropas, invadiu os escritórios de várias publicações associadas a LaRouche emLeesburg, na Virgínia. Esta foi a maior ação paramilitar doméstica feita pelo governo federal desde os distúrbiosestudantis e urbanos de fins dos anos 60 e começo dos 70. O propósito era simplesmente executar dois mandatos debusca e fazer quatro prisões de pessoas sem ficha criminal!Nos anos seguintes, LaRouche e dúzias de associados foram presos e julgados. Uma acusação a LaRouche e uma dúziade co-réus em uma corte federal de Boston terminou em um “julgamento incorreto” em 4 de maio de 1988. O júri deBoston ouviu 92 dias de depoimentos de testemunhas governamentais. O réu nunca pode apresentar sua versão.Entretanto, os jurados, de acordo com notícias da imprensa, estavam com tanta raiva do comportamento do governoque, ao se reunirem após dissolvido o júri pelo juiz, votaram que LaRouche e os outros eram “não culpados” em todasas 125 acusações. Um jurado disse ao Boston Herald, em 5 de maio de 1988, que ele e seus colegas estavamconvencidos que o governo havia cometido crimes contra LaRouche. Este, disse a imprensa que lhe haviam negado overedito de inocente.Seis meses mais tarde, o Departamento de Justiça novamente acusou LaRouche em uma corte federal distrital deAlexandria, em Virginia, com acusações quase idênticas. O juiz e o júri foram manipulados. O primeiro jurado, ofuncionário do Departamento de Agricultura chamado Buster Horton, tinha sido membro de uma força-tarefagovernamental secreta que incluía Oliver North. O juiz, Albert V. Bryan Jr. , tinha sido sócio comercial do comerciantesecreto de armas Sam Cummings. Neste julgamento federal e nos estaduais subseqüentes em Virginia, altos empregadosda ADL trabalharam como membros de fato do grupo governamental de acusação. Em um incidente significativo, aADL foi apanhada tentando subornar um juiz da Commonwealth da Virginia com promessa de um posto na supremacorte estadual, em recompensa pela condenação dos réus e LaRouche.Em 27 de janeiro de 1989, alguns dias após George Bush tomar posse como Presidente, LaRouche teve negada suaapelação pendente por fiança e foi jogado em uma prisão federal, com seis colegas. LaRouche foi sentenciado a 15 anosde prisão--- sentença perpétua para um homem já com 60 e tantos anos. Bush pôs sua aprovação à prisão ao recusarliberar milhares de páginas de provas de inocência sob controle da Casa Branca. De todos os seus adversários políticose críticos, Lyndon LaRouche era aquele a quem George Bush desesperadamente queria fora do caminho.Mas a prisão de LaRouche e alguns de seus colegas mais próximos não era suficiente para satisfazer a NarcotráficoS.A.. Duas das publicações ligadas a LaRouche, New Solidarity (Nova Solidariedade), um jornal quinzenal com maisde 100.000 assinantes, e Fusion (Fusão), uma revista de ciência com mais de 114.000 assinantes, foram invadidas pelogoverno em 21 de abril de 1987 e fechadas, em uma ação que côrtes federais depois declararam ter sido ilegal. MartinV. B. Bostetter, juiz federal de falências, escreveu em sua decisão de 25 de outubro de 1989, sustentada em apelação,que a ação governamental tinha sido de “má-fé” e que o governo tinha cometido uma “fraude à côrte”. OS BARÕES DAS DROGAS NÃO PODEM SER PATRIOTASQuando Lyndon LaRouche primeiro avisou altos funcionários da admnistração Reagan sobre as ligações dos Contrasnicaragüenses com o cartel das drogas, não era ainda publicamente sabido que o governo americano vendia drogas aosseus jovens cidadãos americanos para financiar a guerra secreta daqueles Contras (mesmo que à época alguns bemintencionados funcionários governamentais pensassem que eles verdadeiramente combatessem as drogas). Dias após ainvasão em Leesburg, os primeiros detalhes do escândalo Irã-Contras apareceram, em seguida à queda de um aviãoamericano de abastecimento em território nicaragüense e a prisão de Eugene Hasenfus, membro da tripulação. Nosmeses seguintes, mais e mais peças da corrupção secreta do governo apareceram.O caso do Tenente-Coronel Oliver North é bom exemplo desta corrupção, especialmente porque a mídia se empenhoumuito em construir a imagem do super-espião da Marinha e da Casa Branca como modelo de patriota americano.Provas tornadas públicas nas audiências sobre Irã-Contras no Congresso, por casos nas cortes federal e estaduais eacusações penais internacionais, revelam que Oliver North estava no meio de uma enorme operação internacional detráfico de armas por drogas, dirigida de seu escritório do Conselho de Segurança Nacional no antigo edifício deescritórios ao lado da Casa Branca.O Coronel North era o principal funcionário do programa de suprimento aos Contras. Mas era o Vice-presidente GeorgeBush, antigo diretor da CIA, que estava formalmente encarregado de todo o programa de ações secretas para a AméricaCentral, na administração Reagan. Pela Direção da Diretiva de Segurança Nacional 3 (NSDD 3) assinada por RonaldReagan em maio de 1982, Bush foi colocado dirigindo dois comitês secretos pouco conhecidos da Casa Branca: oGrupo de Situações Especiais (SSG) e o Grupo de Pré-Planejamento de Crises (CPPG). Oliver North era o secretáriodeste e dirigia o show fantasma da América Central--- sob George Bush. 19
  • 20. A agenda pessoal de North, que catalogava a maioria de suas reuniões, telefonemas e observações nos dias da CasaBranca, provam que ele bem sabia que os Contras estavam sendo fortemente financiados pelos traficantes de cocaínabaseados em Miami. Por exemplo, a anotação à mão de 26 de março de 1985 na agenda de North diz; “Rafael Quintero--- agente de Secord deve estar no litoral quando chegarem--- como ligação w/APLICANO...Quintero...”Vários diasdepois, em 3 de abril, uma nota subseqüente diz: “0600--- RAFAEL QUINTERO--- (preso)---conhecido traficante denarcóticos--- Enrique Camarena...”Este foi o agente da Administração Policial contra Drogas (DEA) em Guadalajara, no México, seqüestrado e torturadoaté a morte em fevereiro de 1985. Em 1990, Juan Ramón Matta Ballesteros, um hondurenho que ajudou a estabelecerrotas de cocaína pelo México, foi condenado com vários outros homens na corte federal de Los Angeles porconspiração para seqüestrar e matar Camarena. Ao tempo desse caso, Matta Ballesteros era o proprietário de umaempresa de aviação charter hondurenha, SETCO Air, que recebeu mais de meio milhão de dólares do Departamento deEstado americano para levar “ajuda humanitária” aos Contras do programa de Oliver North na Casa Branca. Outrosfundos, tirados diretamente das contas secretas de North-Secord na Suíça, foram também passados a SETCO Air.Pior ainda, de acordo com um relatório publicado no Washington Post em 5 de julho de 1990, um rancho perto deVeracruz, no México, de propriedade de Rafael Caro Quintero, o mentor da tortura e morte de Camarena e cabeça damáfia mexicana das drogas, era usado pela CIA para treinar as guerrilhas centro-americanas, como ainda outro aspectode North na Casa Branca. De acordo com o informante da DEA, Laurence Victor Harrison, a CIA usava a Diretoria deSegurança Federal mexicana (DFS) como cobertura no caso de surgirem questões quanto a quem dirigia o treinamento.Representantes da DFS, que estavam à frente do campo de treino, estavam na verdade agindo em conluio com osgrandes senhores das drogas para assegurar o fluxo de narcóticos pelo México para os Estados Unidos.Outra anotação na agenda de North em 9 de agosto de 1985, remove qualquer dúvida quanto a Oliver North saber tudoda conexão Contras-cocaína: “O DC-6 hondurenho usado para saídas de Nova Orleans provavelmente é usado paraentrada de drogas nos Estados Unidos”. O avião hondurenho em questão era o de Matta Ballesteros.North e companhia estavam bem a par da conexão da cocaína a mais tempo, de acordo com outros relatóriosgovernamentais. Em 26 de setembro de 1984, o Departamento de Polícia de Miami forneceu ao agente especial do FBI,George Kiszynski, um relatório de investigação, identificando uma rede de traficantes de cocaína de Miami que estavacarreando dinheiro para os cofres dos Contras. Dias após esta entrega, de acordo com depoimento no Congresso, foraele passado para Oliver Revell, personagem importante na força-tarefa “Peguem LaRouche” e ligação North-FBI para oprograma da América Central da Casa Branca.Esse documento dizia em termos claros; “Frank Castro é um associado íntimo de um indivíduo chamado FranciscoChanes...Este é um traficante de narcóticos...Chanes dá apoio financeiro a grupos anti-castristas e às guerrilhas doscontras nicaragüenses; o dinheiro vem das transações com narcóticos...Frank Castro contatou Mr. Coutin para dar àLegião Cubana apoio financeiro para lutar contra o governo marxista-sandinista da Nicarágua...e apoio financeiro vemdas drogas.” LIGAÇÕES DA CASA BRANCA COM OS TERRORISTASO conluio de North com os traficantes de drogas não se limitava à América Central. Na primavera de 1986, de acordocom a investigação do Congresso sobre o caso Irã-Contras, North, o então Conselheiro de Segurança Nacional, RobertMcFarlane e outros funcionários da administração abriram um chamado “segundo canal” para negociar secretamente atroca de armas por reféns com os terroristas, baseados no Líbano, que tinham reféns americanos. Este “segundo canal”era um sírio chamado Mansur al-Kassar, um contrabandista internacional de heroína, hashishe e cocaína muitoconhecido, também implicado em uma série de ataques terroristas e seqüestros no Oriente Médio, inclusive a infameinvasão do navio Achille Lauro, no qual o americano Leon Klinghoffer foi morto. Al-Kassar forneceu armas à Frente deLibertação da Palestina (FLP), grupo responsável pelo ataque do Achille Lauro, e durante anos dirigiu uma ganguemercenária de seqüestros no Líbano com Abul Abbas, chefe da FLP. Al-Kassar também vendeu armas soviéticas aogrupo Setembro Negro de Abu Nidal e ao comando geral de Ahmed Jibril da Frente Popular para Libertação daPalestina apoiada pela Síria.Al-Kassr era o sócio no mercado negro do Vice-presidente da Síria, Rifaat al-Assad, irmão do Presidente Hafez al-Assad. Em 1986, autoridades espanholas obtiveram fotos do encontro de al-Kassar e Rifaat al-Assad em Marbella como chefe do cartel de Medellín Pablo Escobar Gaviria. O objetivo do encontro era estabelecer operações para expandir otráfico de cocaína para a Europa continental. Al-Kassar durante este período foi identificado nos arquivos da CIA comoagente da KGB soviética e importante contrabandista de armas soviéticas para o Ocidente.Nada disto dissuadiu North e companhia de trazer al-Kassar para a “empresa” na Casa Branca. Ele nunca conseguiulibertar qualquer refém, mas conseguiu tornar-se um dos fornecedores de armas soviéticas para os Contras. Em 1986, só 20
  • 21. uma transação carreou 1,5 milhão de dólares em pagamento para al-Kassar da conta de North-Secord no banco suíçoLake Resources.Em troca desses favores, as atividades terroristas e com drogas de al-Kassar receberam proteção do Conselho deSegurança Nacional, que continuou até muito tempo após o escândalo Irã-Contras haver explodido nas mãos de North,Secord, do diretor da CIA William Casey e outros. De acordo com um relatório, as estreitas ligações de al-Kassar com aCasa Branca podem ter levado à morte 270 pessoas.Em 21 de dezembro de 1988, semanas antes da posse de George Bush como Presidente, uma bomba explodiu ederrubou o vôo 103 da PANAM em Lockerbie, na Escócia, quando 259 passageiros e tripulantes do avião, e 11 pessoasem terra, morreram.Ainda não se sabe exatamente como a bomba foi colocada a bordo do avião. A história completa pode nunca vir à tona.Advogados e investigadores da empresa, tanto quanto o Deputado James Traficant (democrata de Ohio), já sugeriramque Mansur al-Kassar pode estar envolvido. Aparentemente, contrabandistas de heroína empregados no aeroportointernacional de Frankfurt, na Alemanha, colocaram a bomba no vôo 103, e os homens de al-Kassar foram protegidospelo pessoal da CIA em Frankfurt como parte do acordo de libertação de reféns e outros aspectos da nova“aproximação sírio-americana”.De acordo com o colunista Jack Anderson, em abril de 1989, o Presidente Bush conferenciou com a Primeira-ministraMargaret Thatcher, e os dois ordenaram que as inteligências britânica e americana escondessem o alegadoenvolvimento de al-Kassar na explosão de Lockerbie. Se as acusações de Anderson forem verdadeiras, o massacre deLockerbie foi completamente encoberto, como foi o papel da Síria no florescente e multibilionário comércio de heroínae hashishe no Oriente Médio.Uma razão para o encobrimento foi que o uso das redes de contrabando de drogas do Oriente Médio era braço geral dodespistamento da era Irã-Contras da época Reagn-Bush, como foi o uso de pilotos do cartel de cocaína colombiano elavadores de dinheiro para suprir os Contras. De fato, as conexões das drogas colombiana e do Oriente Médio tem umdenominador comum repetido: um componente israelense muito importante.No próprio mês, abril de 1989, em que o Presidente Bush e a Primeira-ministra Thatcher estavam aparentementeordenando o encobrimento da explosão do vôo 103 da PANAM, um relatório da DEA e da Alfândega foi censurado,pois dizia que o banco Republic National de Nova York (Republic National Bank of New York) estava servindo comolocal de lavagem de dinheiro para as organizações de tráfico de narcóticos ibero-americanas e do Oriente Médio. Essebanco é de Edmond Safra, proeminente banqueiro judeu de descendência libanesa, cujas operações bancárias mundiaisse estendem de Allepo, na Síria, ao Rio de Janeiro, no Brasil, e Manhattan.De acordo com um memorando de 13 páginas, escrito por agentes da DEA em Berna, na Suíça, e datado de 3 dejaneiro de 1989, Safra e o banco Republic National estavam implicados em uma rede de lavagem de dinheiro das drogasbaseada na Suíça e dirigida pela Shakarchi Trading Company, de Zurich. Os investigadores americanos ligaramShakarchi a uma gangue de contrabando de heroína que gozava da proteção da polícia secreta búlgara e da estatal deexportação-importação Globus (anteriormente chamada Kintex). Um relatório anterior da DEA implicara o diretor daKintex na tentativa de assassinato do Papa João Paulo II por Mehmet Ali Agca em maio de 1981. Kintex foiidentificada como o centro da “conexão búlgara” da rede internacional de contrabando de drogas.Forneceremos visãodesta gangue de drogas soviética-búlgara em um capítulo seguinte. Por agora, é suficiente anotar que: A ShakarchiTrading Company de Zurich, na Suíça, opera com uma casa de câmbio e é usada por algumas das maiores organizaçõesmundiais de tráfico de drogas para lavar os lucros destas suas atividades...Ela mantém contas no banco RepublicNational de Nova York, que apareceu em várias investigações anteriores de lavagem de dinheiro...Enquanto vivia,Mahmoud Shakarchi manteve estreita relação com Edmond Safra e as instituições bancárias nas quais Safra tinhainteresses, inclusive o banco Republic National. Desde a morte de Mahmoud, Mohammed Shakarchi, negociando pelaempresa , manteve o relacionamento com o banco Republic National. O DINHEIRO DAS DROGAS FINANCIA A ADLOs investigadores da DEA e da Alfândega, seguindo o fluxo dos lucros da heroína do Líbano pela Turquia e Bulgáriaaté a firma Shakarchi em Zurich, acharam milhões de dólares depositados na conta número 606347712, na principalfilial de Nova York do banco Republic National. Enquanto isto, agentes da DEA na Colômbia e na costa ocidentalamericana estouraram o maior esquema de lavagem de dinheiro da cocaína do cartel de Medellín já descoberto comoparte da Operação Gorro Polar da DEA. Conhecida como “La Mina (A Mina)”, o circuito de lavagem de dinheiroenvolvia uma lista de bancos na Colômbia e Uruguai e uma companhia atacadista de jóias em Los Angeles chamadaRopex. Milhões de dólares em depósitos da Ropex foram identificados pelo grupo do Gorro Polar na conta número606347712 do banco Republic National--- a mesma conta da Shakarchi Trading Company! 21
  • 22. Sem surpresa, em 1989, enquanto a história Shakarchi-Safra ganhava as manchetes na Europa e nos Estados Unidos, obanqueiro Safra fazia uma doação de aparentemente 1 milhão de dólares como sua caridade favorita--- para a Liga Anti-Difamação (ADL)!As ligações do banqueiro Safra com a lavagem de dinheiro da Narcotráfico S.A. recuam ao menos até os meados dosanos 70, quando o banco Republic National levou o negociante de carros argentino David Graiver para dentro dossantuários de Wall Street. Graiver comprou o American Bank and Trust em 1975 e, em menos de um ano, pilhou obanco de Nova York em aproximadamente 40 milhões de dólares. Graiver convenientemente “morreu” em desastre deavião no México, justamente quando os fiscais bancários descobriram que o banco estava vazio, durante uma auditoria.Houve tal ceticismo a respeito do desaparecimento que durante anos os procuradores estaduais de Nova Yorkcontinuaram a listar Graiver como réu no caso de fraude do banco.Naturalmente, Graiver era um simples “laranja” de uma rede de lavagem de dinheiro do Mossad na Suíça, chamadaCentrade Group, do qual uma das principais figuras, Tibor Rosenbaum, é retratada em profundidade neste livro. Oessencial é que, nos últimos 20 anos, um grande e crescente componente da Narcotráfico S.A. tem sido a ligação dogangster Meyer Lansky com o Mossad israelense.Se houvesse qualquer dúvida sobre o papel principal exercido por esses elementos nebulosos dentro do serviço deinteligência israelense, em sociedade com britânicos e americanos no bazar mundial de drogas por armas, ela seriadesfeita pela chuva de balas em um canto desolado da Colômbia, em 15 de dezembro de 1989.Nesta data, unidades do Exército colombiano invadiram o conjunto do capo do cartel de Medellín José GonzaloRodrígues Gacha, perto da cidade de Pacho. Em um tiroteio no esconderijo-bunker de Gacha, este e vários guarda-costas foram mortos. Em 24 e 28 de janeiro, em invasões em dois outros ranchos de Gacha, o Exército apoderou-se deenorme estoque de armas--- a maioria fabricada em Israel. O rifle Galil usado para assassinar o candidato presidencialcolombiano Luis Carlos Galán em agosto de 1989 era parte do carregamento.A descoberta dos esconderijos de armas israelenses impeliu o governo colombiano a fazer uma interpelação formal aTel Aviv: A quem aquelas armas em particular foram vendidas? A resposta veio do Ministro da Defesa israelense: asarmas haviam sido vendidas ao governo da pequenina ilha-nação caribenha de Antigua, em um negócio bancado por umisraelense chamado Maurice Sarfati. De acordo com a versão original israelense, Sarfati, morador de Antigua, haviasupostamente bancado o negócio para o “Conselheiro de Segurança Nacional” antiguano--- um posto não existente.Muitos meses e histórias secretas mais tarde, ao menos uma aparência de verdade surgiu. A inteligência israelense---através de uma lista de companhias “laranjas”--- estivera fornecendo armas e treinamento terrorista aos esquadrões damorte do cartel de Medellín em colaboração com mercenários britânicos. E o programa inteiro tinha sido dirigido poraltos funcionários da Casa Branca de Reagan-Bush e administrado pela CIA e pelo Projeto Democracia.De fato, os fundos para a compra das armas achadas na fazenda de Gacha tinham sido fornecidos pelo Departamento deEstado americano através de um programa dirigido pessoalmente pelo Secretário assistente de Estado Elliott Abrams,que alegou culpa em 7 de outubro no julgamento dos crimes Irã-Contras. As armas foram ostensivamente compradaspara armar um fictício “governo panamenho no exílio”, nominalmente chefiado pelo antigo Presidente panamenho EricDelvalle.Este programa, parte do esforço anti-Noriega de Reagan-Bush, também envolvia membros muito poderosos do PartidoRepublicano, incluindo John Zagame e Richard Bond. Zagame, antigo assessor do Senador Alfonse D’Amato(republicano de Nova York), montou firma de consultoria e alugou-se como conselheiro do grupo Delvalle por 15.000dólares mensais. Os fundos vinham das mesmas contas que compraram as Uzi, os Galil e outras armas israelensesdescobertas nos ranchos de Gacha. Zagame, na última vez em que foi visto, dirigia uma firma de relações públicaschamada Pan Americana, com um só grande cliente, Oliver North.Ao mesmo tempo em que Zagame participava do programa anti-Noriega, os mesmos fundos também iam para outrafirma de “consultoria” , Bond Donatelli, que partilhava escritórios com Zagame em Alexandria, Virginia. Richard Bondfoi representante do chefe de pessoal do Vice-presidente Bush e antigo representante do presidente do Comitê NacionalRepublicano (RNC). Em 1991, foi convidado a se tornar presidente do mesmo por George Bush, mas recusou o convite.Frank Donatelli foi certa vez assessor político da Casa Branca de Reagan.Entre as baixas causadas pelo casamento do cartel da cocaína com a CIA e o serviço de inteligência israelense estavammilhares de inocentes colombianos vítimas dos atiradores e das bombas do cartel. Em uma semana particularmentesangrenta de junho de 1990, de acordo com relatórios do governo colombiano, mais de 640 pessoas tiveram morteviolenta, a vasta maioria às mãos do cartel. Em um avião que explodiu em novembro de 1989, fato ligado aos terroristasdo cartel treinados pelos israelenses, 117 pessoas morreram. Como já relatamos, uma das armas fornecidas pelosmercadores da morte israelenses foi usada em agosto de 1989 para assassinar o candidato presidencial favorito da 22
  • 23. Colômbia, Luis Carlos Galán. Se houvesse sobrevivido ao atentado a tiros contra si na campanha eleitoral, Galáncertamente seria eleito Presidente da Colômbia, e estava comprometido com uma política anti-drogas dramaticamenteem contraste com a capitulação total que ocorreu como resultado de sua morte.O treinador dos esquadrões da morte de Gacha era um coronel da reserva do Exército israelense chamado Yair Klein.Sua companhia, Ponta-de-Lança Ltda. (Hod Hahanit em hebreu), abriu filiais na Colômbia no final dos anos 80. Alémdos israelenses, em operação paralela, um grupo de mercenários britânicos também treinou os esquadrões do cartel, eaté participou de operações paramilitares no interior da Colômbia. Entre eles estavam David Tomkins e PeterMcAleese, um veterano do Exército rodesiano. A maioria deles era de antigos oficiais dos Serviços Aéreos Especiais(SAS).O envolvimento da inteligência britânica, da CIA e do Mossad nos negócios colombianos foi posteriormenteconfirmado quando Louis Blom-Cooper e Geoffrey Robertson, ambos empregados da Anistia Internacional, que recebefundos da inteligência britânica, foram usados para encobrir o patrocínio oficial dos governos americano, britânico eisraelense à operação Klein e para colocar a culpa somente nos funcionários da pequena ilha de Antigua, uma colôniada coroa britânica.Logo após a escola de assassinos do cartel de Medellín começar a funcionar, Klein foi levado para um programadelicado e secreto que estava sendo montado pela administração Reagan-Bush, a conspiração para derrubar o GeneralManuel Antonio Noriega do Panamá. Em 1988, Klein foi trazido a Miami para uma série de reuniões secretas com oCoronel Eduardo Herrera, antigo embaixador panamenho em Israel. Herrera foi tirado da embaixada em Tel Aviv apóso General Noriega descobrir que ele trabalhava para o Mossad e a CIA. Então foi transferido para os Estados Unidospor Elliott Abrams e colocado formalmente na lista de pagamentos da CIA. O Coronel Klein foi designado paratrabalhar com Herrera em um plano para criar uma força panamenha de Contras que poderia ser patrocinada pelosEstados Unidos para derrubar o General panamenho, que se tornara um espinho na carne de George Bush.Como representante deste projeto secreto, Klein visitou Antigua no começo de 1989, para solicitar permissão dasautoridades locais para estabelecer uma academia de treinamento de “guardas de segurança VIP”. Sarfati--- há muitoum agente do Mossad, que comprara uma fazenda de melões em Antigua com fundos governamentais americanosarranjados por Bruce Rapaport, um suíço-israelense do esquema Irã-Contras e que era parceiro de Golf do falecidoWilliam Casey--- fez os contatos locais.De acordo com o Coronel Clyde Walker, à época chefe da minúscula força de defesa nacional de Antigua, após haver-se encontrado com o Coronel Klein e Sarfati em janeiro de 1989, dirigiu ele perguntas formais aos funcionários da CIAa cargo do leste caribenho. Em uma declaração juramentada, Walker declarou: “Preparei um relatório de inteligênciasobre o Coronel Klein e todos os outros nomes nos panfletos da Ponta-de-Lança Ltda. ... e dei o relatório ao agente daCIA americana Robert Hogan em seu quarto de hotel do Club St. James, e pedi dele investigação da firma, do Coronel ede seus treinadores.Também discuti sobre a firma e o Coronel com o chefe da CIA para o leste caribenho Sr. GeorgeKenning, na embaixada em Barbados, em meu escritório e também na sala VIP do aeroporto Grantley-Adams.” Algunsmeses depois, diz Walker em seu depoimento, o chefe da CIA para o leste caribenho George Kenning “me disse que aPonta-de-Lança parecia estar OK.”Não obstante a luz verde da CIA, os governantes de então em Antigua decidiram, em março de 1989, não aprovar opedido de Klein para a escola de treino.Neste momento, uma carga de armas israelenses atravessava o Atlântico a bordo do navio de bandeira dinamarquesaElse TH. Em 24 de abril de 1989, as armas foram transferidas no porto de Antigua para um navio panamenho, SeaPoint, e enviadas para Gacha na Colômbia.O dinheiro para pagar o carregamento de armas de 1989 veio de uma conta administrada pelo Departamento de Estadoamericano, sob controle do Secretário Assistente para Assuntos Internacionais Elliott Abrams. O recibo para assegurarque centenas de armas deixassem Israel a tempo viera por uma filial em Miami do banco israelense Hapoalim. A NARCOTRÁFIO S.A. INSTALA GOVERNOSSe ainda há qualquer dúvida de que o armamento dos esquadrões da morte do cartel de Medellín era parte do mesmoprograma que incluía a invasão, em 20 de setembro de 1989, do Panamá e derrubada do General Noriega, considere oseguinte: Após a fumaça clarear no Panamá--- milhares de cadáveres e bilhões de dólares em propriedadesbombardeadas--- a administração Bush conseguiu instalar na presidência panamenha um advogado local, Guillermo“Gordo” Endara. Uma pesquisa nos registros policiais mostra que este e vários de seus sócios advogados eram osproprietários do navio Sea Point em abril de 1989, quando o navio levou as armas israelenses para Gacha! Eles aindapossuíam o navio em fins de 1989 quando este foi parado no litoral do México e apreendido por levar uma carga maciçade cocaína. Mais ainda, mais de metade da tripulação presa pelas autoridades mexicanas estava também a bordo quando 23
  • 24. a entrega das armas fora feita ao cartel de Medellín. De volta à terra seca na cidade do Panamá, Endara era co-proprietário, com Gacha, do Banco Interoceânico, lavador de dinheiro das drogas.Quando explodiu a conexão Mossad-Medellín no começo de 1990, o governo israelense lutou para negar que Kleinestivesse em “missão oficial” quando treinou e armou os narcoterroristas. Infelizmente para a credibilidade de suahistória, Klein não só estava ligado a Sarfati em suas aventuras caribenhas mas, em Miami, a Ponta-de-Lança Ltda. deKlein fora administrada por dois agentes muito importantes de Israel, o General Pinchas Sachar e Pesach Bem-Or.Ambos estavam oficialmente designados representantes da indústria estatal militar israelense, e era a conta de Sachar noBanco Hapoalim que recebera os fundos de Elliott Abrams para comprar as armas enviadas à Colômbia.Pesach Bem-Or fora designado anteriormente, na administração Carter, como o principal mercador de armas doMossad na cidade da Guatemala, importante centro para o posterior suprimento dos Contras. De acordo com relatóriosde testemunhas visuais, o Assessor de Segurança Nacional de Carter, Zbigniew Brzezinski, calmamente informou ajunta guatemalteca em 1978---após Carter suspender toda ajuda militar americana ao país por supostas violações dedireitos humanos---que Bem-Or forneceria todas as armas e o necessário treinamento militar com as bênçãos secretas deWashington. Bem-Or fez isto---com superfaturamento de 600%. Uma década mais tarde, Bem-Or ainda negocia com aGuatemala--- dos escritórios que partilha em Miami com o General Sachar e o Coronel Klein. POR QUE UMA TERCEIRA EDIÇÃO ?Desde que a segunda edição de Narcotráfico S.A. foi publicada por EIR em 1986, o cartel internacional de narcóticoscontinuou firmemente a ganhar terreno, especialmente dentro dos Estados Unidos. Por causa disto, o mais fortecombatente anti-drogas da nação, Lyndon LaRouche, foi levado à prisão e o povo americano deixou isto acontecer. Ëuma falha moral.Mas, voltando ao assunto, os editores de EIR decidiram que a véspera das eleições presidenciais de 1992 era ummomento apropriado para lançar a terceira edição de Narcotráfico S.A.. Os acontecimentos da época davam umaoportunidade histórica única de derrotar o cartel das drogas, uma chance que não podíamos ignorar.A fraude da “recuperação econômica” de Reagan-Bush está sendo exposta ao mundo inteiro--- especialmente dentrodos Estados Unidos, onde o controle da Narcotráfico S.A. sobre as mais poderosas instituições financeiras levou osEstados Unidos a uma segunda Grande Depressão. Estas instituições falidas estão agora maduras para seremsubstituídas por novas, livres da corrupção da Narcotráfico S.A..Além disso, as revoluções pacíficas no leste da Europa e na antiga União Soviética demonstram que não é maisautomático que “cidadãos acima de qualquer suspeita” possam livremente agir fora da lei. As imagens de Ceausescu naRomênia ou Honecker na antiga Alemanha Oriental sendo executados ou julgados por traição podem ser claro aviso,àqueles que ainda se agarram ao poder, de que seu tempo de lugar ao sol está chegando ao fim.Em 1985, poderosas famílias puderam suprimir de circulação Narcotráfico S.A.---o clã Cisneros da Venezuela ordenoua censura da edição em língua espanhola na Venezuela. Hoje entretanto dúzias de parlamentares da Venezuela, Peru,República Dominicana e outra nações latino-americanas pedem publicamente que a censura seja levantada. Velhosassociados do grupo Cisneros e do Presidente Carlos Andrés Pérez estão sendo acusados em audiências congressuais deterrorismo, tráfico de drogas e negócios com o mercado negro de armas. Estes desenvolvimentos viraram a políticavenezuelana de cabeça para baixo.A falência do poder da Narcotráfico S.A., evidenciada por estes acontecimentos externos, pode também ocorrer nosEstados Unidos.Este livro é uma munição para lutar, e ganhar, a guerra contra a Narcotráfico S.A..Nesta terceira edição, reproduzimos quase todos os capítulos publicados na edição espanhola de 1985 e na inglesa de1986 (segunda). Parte deste material vem da histórica primeira edição de Narcotráfico S.A. , com o subtítulo “GuerraBritânica do Ópio Contra os Estados Unidos”, que vendeu quase imediatamente 50 mil cópias quando foi publicado em1978. Em detalhes, partes do texto contém dados ultrapassados, especialmente nas seções discutindo o tamanho docomércio global de drogas e as maiores áreas de produção e consumo. Não obstante, a metodologia de nosso trabalhooriginal---que identifica as instituições e os indivíduos que dirigem a Narcotráfico S.A. , traçando o fluxo dos lucros dasdrogas pelo sistema bancário internacional--- permanece válido hoje. E continua verdade que, quando este volume foiprimeiramente publicado há treze anos, uma guerra competente às drogas deveria ter começado contra as instituiçõesbancárias e banqueiros que “lavam” os lucros mal ganhos da Narcotráfico S.A..Para esta terceira edição acrescentamos, com a nova introdução, um capítulo detalhando as taxas fenomenais decrescimento da Narcotráfico S.A. , que dobram de tamanho a cada cinco anos, e um capítulo documentando o 24
  • 25. surgimento da maconha como colheita mais lucrativa da América. Finalmente, atualizamos o apêndice C, sobre a LigaAnti-Difamação de B’Nai B’rith (ADL) e juntamos um novo apêndice sobre o papel da República Popular da China notráfico global de drogas. 25
  • 26. 2NARCOTRÁFICO S. A. DOBRA A CADA 5 ANOSEm fevereiro de 1991, a Casa Branca de Bush publicou seu terceiro relatório anual “Estratégia Nacional de Controle deDrogas”. O documento é um compêndio de estatísticas adulteradas e conclusões não comprovadas. Na entrevisttacoletiva em que o relatório foi apresentado, o Presidente Bush, acompanhado pelo Procurador Geral RichardThornburgh e o recém designado czar das drogas Bob Martinez, declarou que os Estados Unidos haviam ganho umavitória quase total na guerra às drogas.Foi um dos casos mais vergonhosos de fraude governamental registrados. Até na capa, o relatório admitia que não haviaestatísticas disponíveis sobre o volume total de drogas ilegais circulando nas ruas dos Estados Unidos, ou a quantidadede maconha produzida domesticammente e distribuída. A afirmação Presidencial de que as admissões por overdosesnas emergências hospitalares estavam caindo é exemplo clássico de duplo sentido. As estatísticas caíram porque asemergências, atingidas por cortes orçamentários, simplesmente pararam de compilar dados à Rede de Aviso de Abusode Drogas (DAWN), o órgão federal responsável pela organização destas estatísticas.A entrevista à imprensa de Bush-Thornburgh-Martinez foi, sob qualquer aspecto, pura hipocrisia. Martinez era antigoGovernador da Flórida, o ponto favorito de entrada de cocaína nos Estados Unidos para os contrabandistas do cartelcolombiano de Medellín. O Procurador Geral Thornburgh, estava naquele mesmo momento envolvido em um grandeescândalo de uso generalizado de cocaína por vários de seus mais antigos e confiáveis assessores. Henry Barr, o contatodo Procurador Geral com todos os Procuradores Federais a cargo de importantes acusações por narcóticos, logo seriaindiciado e condenado por uso de cocaína e perjúrio. Richard Guida, que servira como assessor de Thornburgh quandoo Procurador Geral era Governador da Pensilvânia, foi indiciado por tráfico de cocaína pelo mesmo Grande Júri federalque indiciou Barr. Guida confesou-se culpado para evitar acusação e condenação a 100 anos por tráfico. As testemunhasna Pensilvânia apontaram o próprio filho do Procurador Geral como a personagem principal na gangue “yuppie” decocaína operando dentro e fora do Palácio do Governo Estadual da Pensilvânia.Dois meses depois desse espetáculo lamentável, a DEA (Drug Enforcement Agency-Agência de Esforço ContraDrogas) publicou um relatório de circulação limitada, negada ao público em geral. O relatório avisava que os EstadosUnidos estavam sendo inundados com heroína barata e de grande pureza, vinda do Triângulo Dourado no sudesteasiático. Mesmo no relatório, atento à política da “carta chinesa” da Casa Branca e do Departamento de Estado, foivastamente subestimado o papel do regime de Pequim na produção daquela droga.A administração Bush não podia explicar sua Grande Mentira sobre a “vitória” na guerra às drogas, alegando que adocumentação adequada não pudera ser obtida. Justamente três meses antes que a “Estratégia Nacional de Controle dasDrogas” fosse apresentada ao público, a revista EIR publicou uma análise detalhada da epidemia das drogas. Conclusãoda EIR: Narcotráfico S. A. estavva dobrando a cada 5 anos! Os detalhes eram chocantes.Ao contrário da propaganda em causa própria da administração Bush, o consumo de drogas destruidoras da mente,como maconha e cocaína, Não está declinando nos Estados Unidos, Não está contido, sua taxa de crescimento NEMMESMO ESTÁ DECRESCENDO. Está subindo a jato. Há atualmente cerca de 70 milhões de americanos queconsomem drogas- quase 1/3 da população total.Mais ainda, o cartel único, integrado e multinacional que conduz o comércio, e que é chamado propriamente de“Narcotráfico S.A.”, está agora atarefado em expandir vastamente seus mercadoos na Europa e no Japão o que, se nãofor impedido, fará às suas juventudes, suas cidades e suas economias, o que já foi feito a nós na América.Na segunda edição deste livro em 1986, os pesquisadores da EIR concluíram que o comércio de drogas nos EstadosUnidos aumenta no mínimo 250 bilhões de dólares anualmente, e que, se suas outras atividades e aspectos da“economia negra” (como armas ilegais e o comércio de ouro) fossem levados em conta, a soma total seria 500 bilhõesde dólares anuais.Pode-se agora demonstrar que estes algarismos eram baixos demais. Em 1986, somente o tráfico mundial de drogasestava perto de 400 bilhões. Em 1989, o último ano em que os algarismos estão disponíveis, aquele total pulara para 558bilhões. Isto é muito mais que o consumo anual do mundo em petróleo. É mais de 50% maior que o PNB (ProdutoNacional Bruto-N.T) do Brasil, a maior nação da Ibero-América, e a oitava maior economia do mundo capitalista. Écerca de metade do PNB da Alemanha, a mais forte economia de Europa ocidental (figura 1). 26
  • 27. Estes são cálculos conservadores, baseados principalmente em estatísticas oficiais de produção da DEA, assumindo-seque 10% da quantidade produzida é perdida para a polícia e por desperdício. Se formos também considerar outras áreasda chamada “economia negra” – armas ilegais, ouro e transações relacionadas ao tráfico de drogas- é possível que ototal chegue a 1 trilhão de dólares em 1989.Tudo isto é um câncer, uma doença que está destruindo as economias produtivas dos setores avançado e dedesenvolvimento do mundo.O comércio de drogas está crescendo exponencialmente nos últimos 10-15 anos. O Quadro 1, baseado em estimativasde produção, mostra que os lucros anuais da Narcotráfico S. A. vindos da venda de drogas nas ruas cresceu de 175bilhões em 1977, para cerca de 400 bilhões em 1987 e 558 bilhões de dólares em 1989.Está subindo a uma percentagemde cerca de 18% anuais nos últimos anos-mais rapidamente que qualquer economia produtiva na face da Terra. NESTAVELOCIDADE, O TAMANHO DA NARCOTRÁFICO S. A. DOBRA A CADA 5 ANOS!!!Seus principais componentes são a cocaína (da qual a Ibero-América é o único produtor mundial), maconha e hashishe(dos quais a Ibero-América e os Estados Unidos são os maiores produtores), ópio e heroína (dos quais as maioresquantidades sem dúvida são produzidas no sudeste e sudoeste asiáticos), e outras drogas químicas sintéticas como asanfetaminas, LSD, etc. Veremos cada um desses componentes mais detalhadamente a seguir, mas agora note que aIbero-América produz cerca de 55% do valor total das drogas no mundo-quando era de 43% há doze anos.Isto não justifica que as nações Ibero-Americanas recebam este dinheiro das drogas. Bem ao contrário: Os maioresbancos internacionais que financiam este comércio recebem, lavam e usam o dinheiro para sustentar seu sistemafinanceiro internacional falido. A figura 2 mostra que, nos últimos doze anos, o lucro total acumulado que os bancosreceberam, somente da Ibero-América, do comércio de drogas é quase de 2 trilhões de dólares. Isto torna pequena até agigantesca dívida externa ibero-americana de 430 trilhões de dólares.Em face disto, a chamada “Guerra às Drogas” da administração Bush é uma piada cruel. Seu propósito oficial é, quandomuito, reduzir o comércio de drogas em 50% em um período de dez anos. Na prática, significa que Washington estáescolhendo qual máfia das drogas sobreviverá e florescerá, e qual será riscada do mapa-enquanto isso,confessando quea melhor solução seria legalizar o comércio por inteiro. Do começo ao fim, os controladores financeiros da NarcotráficoS.A estão protegidos de qualquer acusação. É necessário um tipo muito diferente de guerra às drogas. COCAÍNA: INDÚSTRIA CRESCENTEOnde as drogas ilegais são produzidas e processadas no mundo? Quais são as rotas de distribuição? Começemos com acocaina.Como já foi mencionado, a cocaina é a única droga quase totalmente produzida na Ibero-América, como vemos nafigura 3. As folhas de coca crescem aqui e os laboratórios de processamento, que produzem a pasta básica e a refinam,se localizam aqui.Em 1989, o continentte como um todo produziu 703 toneladas de hidroclorido de cocaína, medidas em termos deprodução potencial máxima (se todas as folhas de coca colhidas fossem refinadas em cocaína). Esta é a unidadeinternacional para se medir a cocaina. Como mostra o mapa, em 1989 o Peru assumira a parte do leão na produção decoca (373t), seguido pela Bolívia e Colômbia. Entretanto, o grosso do refino da pasta de coca em cocaína pura ocorre naColômbia, seguida pela Bolívia e Peru, que refinam somente uma pequena porção de sua pasta básica. Portanto, osalgarismos não devem ser mal compreendidos, dando-se um papel menor à Colômbia no comércio de cocaína. Elessimplesmente indicam que a produção local de folhas de coca é menor que no Peru e Bolívia.Um insumo crítico para a transformação das folhas de coca em cocaína são certos produtos químicos como éter eacetona. Embora sejam legais, com uso industrial válido, são obtidos ilegalmente, pelos traficantes de drogas, emgrandes quantidades principalmente nos Estados Unidos, Europa ocidental e também no Brasil.A figura 4 mostra o crescimento chocante do volume de produção de cocaína na Ibero-América. Aumentou quase seisvezes na década de 1977 a 1987 (de 90 para 513t), e cresceu outros 37% desde então, até o total em 1989 de 703t. Ototal estimado para 1990 são abaladorras 876t. Estes aumentos se devem à maior quantidade de hectares cultivados e àmaior produtividade dos que já estão em uso.Vemos na figura 5 o que isto significa em taxas médias de crescimento anual. Nos cinco anos de 1982-87, a produçãode cocaína cresceu em média 15% ao ano. Em 1988-89, 16 e 18% respectivamente. E para 1990, tudo indica que aprodução de cocaína puulará outros 25%. 27
  • 28. Estes dificilmente são sinais de uma guerra vitoriosa às drogas.Historicamente, a maior parte da cocaína ibero-americana tem sido enviada aos Estados Unidos desde os laboratórios daColômbia, e desde o triângulo trinacional na selva onde Peru, Brasil e Colômbia se encontram. Até há poucos anosatrás, a rota principal era para a área de Miami, por ar e por mar. Mas o aumento da fiscalização e interdição ao longoda rota forçaram a máfia a desenvolver uma segunda rota pela América Central e México, antes de entrar pelo ocidentedos Estados Unidos.A cocaína para o mercado europeu é enviada diretamente da Colômbia, tanto pelo Brasil quanto pela Argentina. OBrasil, segundo se diz, está se tornando um importante centro de refino também, e produziu 144t de cocaína no anopassado (1991), de acordo com um relatório. A Espanha é o principal porto de entrada e área logística de apoio para acoca destinada a toda Europa, pela óbvia razão dos laços comerciais, lingüísticos e mafiosos historicamente fortes entrea Espanha e a Ibero-América.Os investigadores anti-drogas relatam que a Nigéria tornou-se recentemente um ponto importante de passagem na rotaeuropéia.O que reserva o futuro para o mercado de coca?Olhe a figura 6, que mostra como o mercado americano de cocaína foi criado. O leitor pode ver que o preço médio devenda da tonelada de cocaina foi de 640 milhões de dólares em 1977, caindo dramaticamente para 182 milhões em1987, uma década mais tarde. Em outras palavras, o preço de 1977 era mais de três vezes superior ao de 1987.Como resultado desta DECISÃO DELIBERADA DE MARKETING pela Narcotráfico S.A., a quantidade de cocavendida aos jovens americanos aumentou quase seis vezes no mesmo período! Este corte nos preços é forma típica pelaqual qualquer cartel cria e se apodera de um mercado (dumping). Assim, a cocaína transformou-se de uma droga carapara a classe média superior em 1977, em uma dose barata de morte, especialmente na forma de crack, para ummercado de milhões de trabalhadores e jovens pobres nos anos 80. Naturalmente, o lucro total da cocaína para aNarcotráfiico S. A. também aumentou substancialmente neste processo.Mas o quadro é ainda pior. Como o mercado americano começa a alcançar níveis de “saturação”, já que uma geraçãointeira foi destruída pela epidemia, a Narcotráfico S. A. volta sua atenção para o que espera sejam os mercados dofuturo: Europa e Japão.A figura 7 mostra o preço da cocaína e os seus níveis de quantidade para a Europa nos últimos cinco anos, uma réplicaprecisa da tragédia que varreu os Estados Unidos.Em 1987, o preço no varejo da cocaína na Europa era 510 milhões de dólares a tonelada, mais ou menos o que fora nosEstados Unidos entre 1979-80. Nos últimos dois anos, baixou para 262 milhões a tonelada, metade do que era em 1987.O que levou uma década para se conseguir nos Estados Unidos, está sendo executado na Europa, pela máfia das drogasem 1/3 deste tempo.As conseqüências são idênticas. O consumo europeu de cocaína está subindo como foguete, como se pode ver nográfico.Se compararmos as figuras 6 e 7, a semelhança do processo é surpreendente-somente que está ocorrendo muito maisrapidamente na Europa.A figura 8 compara as taxas de declínio do preço e as taxas de aumento de quantidade, nos Estados Unidos e na Europanos anos indicados.Note que, quando nos referimos a Europa, até 1989 pensamos na Europa ocidental. Mas agora, com as revoluçõespacíficas que varreram a Europa oriental, e especialmente com a unificação da Alemanha, há uma nova situação.Justamente quando esta nova Europa é a maior esperança da humanidade para o desenvolvimento econômico empotencial, também ela é encarada pela Narcotráfico S. A. como o novo e maior mercado potencial para as drogas. E asmáfias tradicionais da Europa participam deste projeto.O Japão é também um alvo potencial da máfia das drogas, embora até agora os traficantes tenham sido incapazes denegociar com o esquema tradicional de crime organizado do país (Yakuza-N. Ed.). MACONHA E HASHISHE 28
  • 29. O quadro não melhora quando nos voltamos para a maconha. Como a figura 9 mostra, a Ibero-América é não somente oúnico produtor-mas o maior. México e Colômbiia são os maiores produtores, mas a Jamaica também é importante, e oBrasil, segundo se diz, começou a cultivar grande, mas não especificada quantidade. Os algarismos mexicanosempregados neste estudo são particularmente altos, refletindo tanto as descobertas do Comitê do Congresso americanoquanto uma nova metodologia do governo dos Estados Unidos para calcular a produção baseado na deteção por satélitedas áreas de cultivvo.A parte do leão da produção da maconha ibero-americana é exportada para os Estados Unidos, mas uma percentagemrapidamente crescente deste mercado é agora suprida pela maconha cultivada no próprio país. De fato, fontes da DEAindicam que a produção americana de maconha triplicou de 5 mil para 15 mil toneladas nos últimos três anos.O sudeste asiático é o terceiro produtor mas é muito menor em tamanho e parece suprir principalmente o mercadoasiático.O total de produção mundial de maconha cresceu cerca de 13% anualmente de 1987 a 1989.As proporções relativas da produção mundial de maconha podem ser vistas na figura 10 para 1987 a 89. Deve-se notar ocrescimento da parte dos Estados Unidos, ao ponto de ser agora mais de 25% do total.Note-se também as áreas do mundo onde o hashishe é produzido- um derivado da mesma planta Cannabis Sativa queproduz a maconha. A maior parte da produção de hashishe ocorre no Afeganistão, Paquistão e Líbano (especialmenteno vale do Bekaa sírio).Repare o leitor nas rotas de distribuição da maconha e do hashishe. Devido ao fato da maconha ser mais incorpada quea caoaina e ter menor valor em dólares por tonelada, a maioria das áreas de produção supre os consumidores próximos.Assim, a maior parte da produção ibero-americana é enviada aos Estados Unidos, com somente uma pequena parte indopara a Europa.O hashishe para a Europa é fornecido pelos produtores do Oriente Médio e sudoeste asiático, como Afeganistão,Paquistão e Líbano, usando-se a Turquia e a Bulgária como pontos de passagem. A maconha do sudeste asiático éprincipalmente consumida na região. ÓPIO E HEROÍNAO ópio é uma droga que pode ser consumida tanto diretamente, ao ser fumada, quanto pode ser refinada em heroína, queé geralmente injetada nas veias do viciado. A maior parte do ópio mundial cresce em duas áreas da Ásia: a primeira seespalhando da China para o sudoeste pelo Afeganistão, Paquistão, Irã e Líbano, e a segunda da China para as nações dosudeste asiático, Birmânia, Tailândia e Laos --- o infame “Triângulo Dourado” (figura 11). Embora as estatísticas daDEA mostrem a Birmânia produzindo a parte do leão, é fato que a maior parte é produzida na China comunista, ou emáreas da Birmânia e Laos sob controle dos chineses comunistas.O outro produtor mundial significativo de heroína é o México, com a Guatemala começando a se tornar importante.Podemos ver no Quadro 2 que a quantidade de ópio cultivada no México em 1989 (85t) é uma pequena fração daprodução mundial de quase 5.000 toneladas. A maior parte (mais de 3.000 toneladas ou 60% do total) vem da naçãochamada “Birmânia” – isto é, China. Mas a produção mexicana é atualmente de maior significado do que a tonelagemindica, porque 100% dela é convertida em heroína e assim seu valor nas ruas foram colossais 18,7 bilhões de dólares em1989.As melhores estimativas são as de que somente 10% do ópio asiático é convertido em heroína para exportação para oocidente, e os restantes 90% são consumidos na área, tanto na forma de ópio quanto na de uma heroína “marrom” debaixa qualidade, cujo preço no varejo é somente uma fração da heroína ocidental. Assim, em 1989 o México foiresponsável por 17% do valor total no mundo da produção de ópio e heroína, o sudoeste asiático foi de 32% e o sudesteasiático 51%. Se considerarmos somente a heroína, algumas fontes relatam que 3/4 de toda a heroína de alta qualidadeconsumida no ocidente vem de áreas controladas pelos chineses comunistas, fato deliberadamente encoberto pelogoverno americano desde o começo dos anos 70, quando Henry Kissinger insistiu neste disfarce como parte de suafamosa “diplomacia secreta” com aquele país.O outro fato chocante visto neste quadro é o pulo gigantesco na produção de ópio de 1988 a 89, principalmente comoresultado de uma colheita extra na “ Birmânia”. É também digno de nota que a produção mexicana de ópio subiu de 55para 85t naquele ano- subida maior que 50% em um ano. 29
  • 30. Embora a maior parte do ópio seja consumido na área de produção, com a heroína refinada sucede exatamente o oposto,por ter um preço unitário extremamente alto e ser mais facilmente transportada. Assim, os Estados Unidos recebemalguma heroína do México e da Guatemala, mas a maior parte é asiática ou do Oriente Médio, e transportada para ascostas ocidental e oriental dos Estados Unidos.A rota do sudeste asiático, ou o Triângulo Dourado da heroína é especialmente interessante. A colônia da coroabritânica, Hong Kong, é o maior entreposto, e a heroína chega lá pelas rotas terrrestres da China comunista e tambémpela Tailândia e Malásia- uma perfeita simbiose entre os comunistas chineses e seus sócios oligarcas ocidentais.Como o hashishe, a heroína do sudoeste asiático é enviada à Europa e aos Estados Unidos pelo Irã, Turquia e Bulgária. CONSUMOQuase não há estatísticas confiáveis quanto ao número de usuários de drogas no mundo ou quanto à quantidade queconsomem. Na melhor hipótese, a evidência é fragmentária.As agências governamentais americanas tentaram apresentar uma aparência de estatísticas de consumo por um sistemaconhecido como DAWN (Rede de Aviso de Abuso de Drogas), que usa os casos REGISTRADOS de hospitalização porabuso de diferentes espécies de drogas. Mas esta medição é notoriamente incorreta, pois (1) lida somente com oconsumo que requer hospitalização, e (2) depende dos casos serem registrados. Fontes bem informadas da DEAconfidenciaram à (revista) EIR que a última estatística da DAWN era particularmente imprecisa: a queda nosalgarismos reflete mais que nada o declínio no ORÇAMENTO da DAWN, e portanto de sua habilidade para detectarmesmo uma fração do consumo. Os mesmos erros metodológicos e totais declinantes contaminam a recente avaliaçãodo consumo , muito elogiada, que propositalmente mostra uma queda no consumo americano de certas drogas.Os Estados Unidos inquestionavelmente tem a maior população viciada, com cerca de 70 milhões de americanos queusaram drogas em certa época de suas vidas. Muitos, se não a maior parte, são agora viciados.A Europa é outro enorme mercado para todos os tipos de drogas, com um número desconhecido de consumidores.A Ibero-América costumava estar relativamente livre do uso indiscriminado de drogas, e muitos políticos seconvenceram de que seus países poderiam continuar produzindo drogas sem se preocuparem com o problema doconsumo. Não mais. Nos últimos cinco anos, período das medidas mais fortes de austeridade já impostas pelo FMI(Fundo Monetário Internacional), o consumo de drogas subiu como foguete por toda a Ibero-América ---- das cultivadasem cada área. Assim, o Brasil relata um pulo sério na produção doméstica de maconha --- e consumo. Fontes peruanasdizem que há agora uso indiscriminado da pasta básica de cocaína, em feitio de cigarros. “Bazuko”, outra forma decocaína semi-refinada, é endêmica na Colômbia, etc., etc.Talvez menos conhecidos sejam os algarismos chocantes da Ásia. Publicações governamentais americanas admitem quehá cinco milhões de viciados em ópio na Índia, e dois milhões de viciados em heroína no Irã, 1,2 milhões no Paquistão e1 milhão de usuários de ópio no Egito. Não há algarismos disponíveis para a China, mas pesquisadores acreditam que oópio e a heroína tem uso extremamente disseminado, talvez alcançando dezenas de milhões. PRENDAM OS BANQUEIROS DAS DROGASHoje, o tráfico internacional de drogas acumulou tal poder, riqueza e força militar que quase pode constituir umgoverno em si, mais forte e melhor suprido que os governos legítimos de muitas nações. Entretanto, com todo o seupoder, a única arma mais efetiva no arsenal dos traficantes de drogas é a GRANDE MENTIRA de que é grande epoderoso demais para ser parado. Ele pode ser derrotado. Todos os instrumentos miilitares podem ser uusados na guerraàs drogas. Os meios e métodos de guerra devem ser aplicados em todos os sentidos. Os traficantes, e especialmente osbanqueiros das drogas, devem ser tratados como traidores em tempo de guerra. Os consumidores e os advogados dalegislação das drogas são culpados de dar ajuda e conforto ao inimigo em tempo de guerra, e devem ser acusados de taiscrimes.O flanco vulnerável da Narcotráfico S. A. é a rrede internacional de bancos e outras instituições financeiras que“lavam” os 558 bilhões de dólares anuais em lucros brutos do cartel. Este é o problema logístico mais sério encaradopelo tráfico de drogas, onde é mais vulnerável. A ação dos governos contra os banqueiros das drogas pode fecharrapidamente a Narcotráfico S. A.Comecemos pelo começo. Um vendedor cobra pela cocaína nas ruas dos Estados Unidos, a dinheiro, 100 dólares agrama. Daí ele paga seu fornecedor, que pode suprir uma rede de 100 ou mais vendedores. Este fornecedor podeacumular dezenas ou centenas de milhares de dólares por semana, a maior parte em notas de 20, 50, e 100 dólares. Mas 30
  • 31. ele não pode simplesmente ir a um banco e depositá-los. Pela lei americana, os bancos devem relatar todos os depósitosa dinheiro de 10 mil dólares ou mais.Os traficantes voltaram-se então para os negócios com grande volume de dinheiro --- como hotéis, cassinos,restaurantes e estádios esportivos --- para lavar seu dinheiro. Desde que os bancos não tenham que rrelatar depósitosfeitos por esses negócios, os lucros das drogas são simplesmente misturados com fluxos de caixa legais.O dinheiro vivo também é freqüentemente transportado para fora dos Estados Unidos. Muitas vezes, os aviões quevoam com cocaína para lá (Estados Unidos), voam de volta ccarregados com notas de 20, 50 e 100 dólares. Estas entãopodem ser ou depositadas diretamente em centros bancários dos paraísos fiscais --- onde não se fazem perguntas --- ouem longínquas filiais dos bancos dos países produtores de drogas. Estes fundos são então transferidos por cabo, paracontas secretas nos paraísos fiscais, onde não há supervisão governamental.Somente uma pequena porção (no máximo 10%) dos lucros das drogas permanece nos países produtores --- evirtualmente em nada beneficiam as economias produtivas dessas nações. É simplesmente mentira dizer que o tráfico dedrogas é uma “melhoria” para a Ibero-América.Embora não haja dados precisos disponíveis, um importante procurador anti-drogas da Suíça, Paollo Bernascohi, disseao jornal italiano LA STAMPA em janeiro de 1990 que os principais centros lavadores de dinheiro incluem os EstadosUnidos (Miami e Wall Street), Canadá, Grã-Bretanha e naturalmente a Suíça.Hoje, muitos governos ibero-americanos, incluindo Venezuela e México, estão correndo para mudar sua legislaçãobancária para que possam tomar posse de um pouco deste “dinheiro quente”. Tolamente vêem isto como forma deajudar a pagar suas dívidas externas e resolver suas crises financeiras.O sistema financeiro mundial está agora tão viciado com o dinheiro das drogas, como um farrapo humano com aheroína. Sem o fluxo regular deste dinheiro, o sistema sofrerá um colapso.Conforme o ECONOMIST londrino escreveu orgulhosamente em junho de 1989: “É óbvio... que os comerciantes dedrogas usam os bancos...O negócio... tornou-se parte do sistema financeiro...Se você tiver moral ou ética, não estaránesse negócio”.As finanças americanas estão tão dominadas pela lavagem de dinheiro que os funcionários do Tesouro não podemlocalizar 80% de todas as notas de dólar impressas por este. A cocaína tem um papel tão predominante no sistemafinanceiro americano que a maioria significativa de todas as notas de 20 dólarres mostram traços físicos de poeira decocaína!Mas nenhum governo jamais tocou o SISTEMA que permite que isto ocorra. Quando muito, poucas contas aqui e aliforam confiscadas. Até hoje, a lavagem de dinheiro nem é crime em 8 das 15 nações industrializadas. Nos EstadosUnidos, centro do problema, a ação governamental é uma piada: nenhuma administração JAMAIS foi acusada ouprocessada por atividade de lavagem de dinheiro.Os bancos não somente tiram vantagem dos lucros do tráfico de drogas; eles PROMOVEM seu “direito” de usá-los.Como um banqueiro disse, em uma discussão em “off” em Londres em 1986: a droga “é a maior fonte de novosnegócios financeiros no mundo de hoje... Sei de bancos que literalmente matarão para ter parte no negócio”.O banqueiro trabalhava para uma das maiores corretoras de Wall Street, a Merrill Lynch. O chefão desta por doze anosfoi Donald Regan, que serviu como Secretário do Tesouro e chefe de pessoal da Casa Branca por sete anos naPresidência de Reagan.Os banqueiros também patrocinam a campanha para legalizar as drogas. “A cocaina é claramente o mais lucrativoartigo de comércio no mundo”, escreveu o ECONOMIST em agosto de 1989. “Vastos lucros livres de impostos seacumulam nas mãos dos traficantes”. Chegou a hora de legalizar o comércio de drogas, argumenta o jornal.Ao invés de processar os banqueiros das drogas, processa-se qualquer um que tenha atuado contra o comércio dedrogas, como Lyndon LaRouche, o economista americano que autorizou este livro Narcotráfico S. A., que primeiroexpôs como os banqueiros viabilizam o comércio de drogas.Em 1986, no Panamá, o General Manoel Noriega fechou o banco First Interamericas após se provar que o banco erapropriedade do cartel de Cáli. Em dezembro de 1989, as forças de ocupação americanas invadiram o Panamá, com basena mentira de que o próprio Noriega era um traficante de drogas --- e colocaram quatro membros da diretoria daquelemesmo banco no poder --- como Presidente, Procurador Geral, Presidente da Suprema Corte e Ministro do Tesouro.Resultado: o comércio de drogas no Panamá CRESCEU desde a derrubada de Noriega. 31
  • 32. A “Guerra às Drogas” da administração Bush, batizada erroneamente, é a maior parte do problema, não a solução. Alémde fechar os olhos à lavagem dos bilhões em lucros das drogas, a estratégia oficial de Bush é reduzi-las em 50% napróxima década. Na prática, isto significa trabalhar com um grupo de traficantes para controlar ou eliminar o outro.Especificamente, uma aliança de trabalho foi feita entre o governo americano, e o cartel de Cáli, contra o de Medellínde Pablo Escobar e José Gonzalo Rodríguez Gacha. O resultado foi que, como agora se admite nos órgãos doestablishment liberal, como o WASHINGTON POST, que o cartel de Cáli tornou-se dominante entre os diferentesgrupos colombianos...tudo com aprovação americana por trás das cortinas. Não é surpreendente, quando se sabe que umdos lobistas oficiais de Washington do cartel de Cáli é Michael Abbell, um funcionário do Departamento de Justiçaamericano por dezessete anos, onde chegou ao alto posto de diretor do Escritórioo de Negócios Internacionais doDepartamento. Abbell foi citado, no WASHINGTON POST em 1990, falando do cartel de Cáli: “O pessoal em Cállitem-se oposto inflexivelmente a qualquuer violência...Minha impressão é que podemos trabalhar com eles”.Os traficantes de drogas também sabem onde buscar influência em Washington. O advogado colombiano JoaquínVallejo Arbeláez, que publicamente representou os “extraditáveis” do cartel de Medellíin em numerosas ocasiões, disseà imprensa que o cartel da cocaína alugava lobistas em Washington: “Até o nome de Kissinger foi mencionado. Elessabem o preço de Kissinger. Entretanto, eles dizem que estão prontos a pagar, com o objetivo de convencer o governoamericano da conveniência...” de se fazer negócio.Mas o papel de Washington é ainda pior. A administração Bush está promovendo ativamente a destruição de uma daspoucas instituições ibero-americanas capazes de parar a Narcotráfico S. A. : os militares. Bush forçou nas nações ibero-americanas operações paramilitares com tropas americanas que violam a soberania daquelas, e ajudam a desmantelar aslegítimas Forças Armadas daqueles países--- tudo usando a desculpa hipócrita da “luta às drogas”.A invasão do Panamá foi caso clássico de tal operação, o que constitui um perigoso precedente para o hemisfériointeiro.O propósito de tais ações militares americanas, tanto correntes como planejadas, pode ser visto na figura 12.Para destruir verdadeiramente a Narcotráfico S. A. e eliminar o problema das drogas, não se trata de escolher o queparar primeiro, o consumo ou a produção. O inimigo deve ser atacado simultaneamente em todas as frentes --- acima detudo na frente financeira. A lavagem de dinheiro deve ser atacada com especial vigor, desde que é a jugular daNarcotráfico S. A.--- e na guerra deve-se buscar sempre a jugular inimiga.Para fazer tudo isto, são necessárias alianças entre os governos, tanto das nações consumidoras quanto produtoras, quedesejam fazer a guerra, mas com respeito total à soberania nacional. Cada governo deve ser responsável por conduzir aguerra dentro do seu próprio território.As medidas específicas podem ser resumidas nos seguintes seis pontos:(1) PARAR A LAVAGEM DE DINHEIRO • Transparência bancária. • Confisco dos bens dos traficantes de drogas. • Prisão dos banqueiros das drogas.(2) PARAR A PRODUÇÂO DAS DROGAS • Detecção por satélite de todas as áreas de produção e processamento. • Invasão militar por ar e terra das plantações e laboratórios. • Bombardeio de todos os aeroportos clandestinos. • Confisco de todos os carregamentos ilegais de produtos químicos usados para se processar drogas.(3) PARAR A DISTRIBUIÇÃO DAS DROGAS • Detecção de carregamentos por AWACS e outras tecnologias de radar. • Uso de raios X e tecnologia de ressonância nuclear magnética para detectar todos os carregamentos.(4) PARAR O CONSUMO DAS DROGAS • Parar a campanha de legalização das drogas. • Endurecer as penas para todos os traficantes e negociantes.(5) PARAR PORNOGRAFIA E SATANISMO • Torná-los ilegais e prender todos os violadores 32
  • 33. • Promover a cultura clássica para a juventude.(6) DESENVOLVER O TERCEIRO MUNDO • Grandes projetos para desenvolver a infra-estrutura, indústria e agricultura. • Pleno emprego produtivo. • Substituição por plantações com alta tecnologia.Este estudo apareceu primeiro na revista EIR, vol. 17, no. 43, 9/11/90. 33
  • 34. 34
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  • 46. 3 HOJE A MACONHA É A MAIOR PLANTAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOSEm 1988, um casal de fazendeiros de Montana, Dick e Judith Kurth, de Fort Benton, foram presos e sentenciados porpassarem da criação de gado para a plantação de maconha. A revista PEOPLE, as redes de TV e toda a grande mídiapublicaram o incidente, em parte para promover o ponto de vista de que fazendeiros decentes em toda parte estavam sevoltando para o cultivo da maconha e estavam sendo erradamente punidos. Em 1985, os Kurths tinham um débitoo de1,2 milhões de dólares com o Banco Norwest, e este cortou seu crédito. Incapaz de trabalhar seu outrora prósperorancho de gado, eles começaram a cultivar maconha em estufas provisórias em suas construções na fazenda, tentativadesesperada de salvá-la.No decorrer dos anos 80, o cultivo da maconha nos Estados Unidos tornou-se gigantesco, e continua a aumentar. Porexemplo, em 1987, o valor total bruto da colheita foi estimado em 43,7 bilhões de dólares. Dois anos mais tarde, em1989, havia subido para 50,1 bilhões. Em parte, isto reflete os crescentes preços nas ruas, particularmente quando aerrradicação periodicamente acaba com quantidades significativas do cultivo em certas regiões. Porém, mais de 3/4 noaumento no preço é devido ao aumento da PRODUÇÃO FÍSICA de maconha. A tendência é clara quanto ao crescentecultivo doméstico da droga, mesmo que México e outros países também continuem a aumentar sua produção. Emtermos de percentagem estimada da produção anual no mundo, a parte dos Estados Unidos em 1989 constitui cerca de27% do total.O problema da droga na América não é mais somente de consumo --- importação de maconha, cocaína e heroína doexterior. Agora temos uma enorme PRODUÇÃO doméstica da droga, catastrófica, em nossas mãos.Usamos os dados de 1987 em nossos cálculos porque, objetivando reunir uma base sólida e completa de dados, tantopara a agricultura quanto para valores estimados da maconha, este foi o melhor ano. As estatísticas agrícolas usadasneste capítulo vêem do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura americano, “ResumoFinanceiro Estatal 1987”.As estatísticas de produção de maconha por estados vêem de uma matéria paga de 17 de junho de 1988, publicada pelaOrganização Nacional para Reforma das Leis sobre Maconha (NORML), e foram checadas em termos agregados comas estatísticas oficiais do governo americano, publicadas pelo Comitê Nacional de Inteligência sobre Consumidores deNarcóticos (NNICC --- um comitê interdepartamental que inclui a DEA, CIA, FBI, o Departamento de Estado e outrasagências federais), dados fornecidos pelos comitês do Congresso americano, e estatísticas internacionais fornecidas porvárias nações produtoras.As estatísticas da NORML são substancialmente mais altas (3 a 4 vezes) do que as fornecidas pela maioria das agênciasgovernamentais americanas (NNICC em especial). Ambas partem dos dados oficiais da DEA para toneladas demaconha erradicadas. A NNICC estima o total da colheita baseada em sua presunção quanto à percentagem dela queacreditam ter sido erradicada. Assim, em 1987 assumem que a DEA erradicou quase 2/3 de toda a produção demaconha; em 1989, mais modestamente, calculam que somente a metade foi erradicada. A estimativa da NORML ---baseada em análise orçamentária por estado, relatórios locais, etc. --- é que, de meados para o final dos anos 80,somente 16% do cultivo foi erradicado, e baseiam suas estimativas globais nisto. Quem está certo?A NNICC notoriamente subestima a maioria das estatísticas de produção de drogas, por combinação de razões políticase metodológicas. Tomemos o caso da produção de coca no Peru. Em 1988, EIR usou estatísticas oficiais peruanas paraestimar que o total da produção de coca em 1987, naquele país, fora de cerca de 300t (capacidade máxima dohidroclorido de cocaína) --- 50% maior que a estimatva do NNICC para aquele ano. Mas em 1989, o relatório anual doNNICC subseqüentemente revisou suas próprias estimativas anteriores para cima, tornando seus algarismos de 1989coerentes com os da EIR --- e de fato admitindo que EIR estivera sempre certa.Os algarismos do NNICC para a produção de maconha mexicana são também reveladores. Seu relatório de 1989,apresenta 1987- 4.200t ; 1988-4.710t ;1989-42.283t.O pulo gigantesco e fora de proporção para 1989, admite o NNICC, não se deve a nova produção mas ao fato de queseus números anteriores eram muito baixos. Ou, como disseram: “Este aumento é resultado de metodologiasmelhoradas de estimativas e uma revisão das áreas de cultivo que não foram incluídas em anos anteriores”. 46
  • 47. Em 1986, o Comitê Especial do Congresso para Abuso e Controle de Narcóticos publicou dados sobre importação demaconha americana (30.000t) que eram duas a três vezes maiores que os do NNICC. Estes dados do Congresso sãomuito mais próximos das estimativas da NORML, do que os do NNICC.Assim, é seguro afirmar-se que o NNICC subestima substancialmente a produção de maconha nos Estados Unidos. Masos números da NORML são mais acurados?É ponto de vista da EIR, após cuidadoso exame dos dados que, embora a NORML queira puxar a brasa para suasardinha (querem impressionar o público com o tamanho da produção doméstica de maconha, a fim de promover sualegalização), suas estatísticas globais refletem melhor a realidade do que qualquer outra série de dados publicada (nãopodemos ainda agora criticar seus dados por estados).Para verificar mais tarde a exatidão dos algarismos da NORML, EIR independentemente estimou a produção demaconha não americana, no hemisfério ocidental, em aproximadamente 115 bilhões de dólares em 1987. (2) Se osdados da NORML são exatos, então a produção americana de 33 bilhões naquele ano constituiria cerca de 22% do valorda produção total do hemisfério ocidental. A maior parte da maconha deste hemisfério (80-90%) é consumida nosEstados Unidos, assim, a poporção aplicável à produção hemisférica se mantém a mesma para o consumo americano doque vem dos diversos fornecedores hemisféricos. Quer dizer, é seguro afirmar, baseado nas estatísticas acima, que osEstados Unidos produzem cerca de 22% da maconha consumida internamente.Compare isto com as estimativas próprias da DEA sobre o consumo americano. Elas relatam que cerca de 25% damaconha consumida nos Estados Unidos é produzida domesticamente. Isto está no mesmo nível da percentagem queresulta do uso dos algarismos da NORML em combinação com os cálculos da EIR --- de fato, é surpreendentementepróximo, dada a óbvia dificuldade de se calcular exatamente o tamanho e valor do que é ainda uma produção ilegal.Os níveis tem piorado nos anos intermediários, pois a produção de maconha tem crescido cerca de 20% ao ano.Enquanto isto, os níveis de produção de alimentos e fibras estão deprimidos, relativamente à necessidade eprodutiviidade potencial. De fato, 1987 marcou o primeiro ano na história recente em que , por um ou dois meses, osEstados Unidos foram importadores líquidos de alimentos.A Figura 1 mostra que a colheita de maconha em 1987 (33.095 milhões de dólares) foi quase equivalente às receitas domaior produto agrícola (gado e bezerros) naquele ano (33.829 milhões de dólares), e foi maior que QUALQUEROUTRO produto agrícola, e maior que várias colheitas de grãos combinadas. Os valores relativos são mostradosquanto a cinco dos produtos agrícolas principais no diagrama em barras, e outros vinte produtos são mostrados paracomparação no Quadro 1.É de se salientar que, em 1987, o valor da colheita de maconha excedeu o de soja e milho combinados (18.372 milhõesde dólares) --- as duas plantações que os Estados Unidos lideram no mundo. Mesmo adicionando o valor do trigo (4.869milhões) e da forragem (2.233 milhões), o total de 25.474 milhões de dólares nem chega perto da maconha.Você está errado se espera ver “ondulantes campos de maconha” em Iowa, entretanto. Estes algarismos NÃO refletemalguma atribuída “mudança natural de preferência” entre os fazendeiros, da produção de alimento para a produção denarcótico. A colheita de maconha americana reflete uma série de decisões políticas deliberadas, por uma rede deinfluência nos mega-bancos, no Departamento de Justiça, no Departamento de Agricultura, no FMI e agênciasrelacionadas, para criar as condições pelas quais a culturra das drogas é encorajada nos Estados Unidos.Durante os anos de 70 e 80, os bancos jogaram as taxas de juros internacionais na estratosfera, e então forçaram asnações do terceiro mundo a adotar políticas de austeridade. Isto profeticamente destruiu os setores produtivos de suaseconomias, a ponto de os banquueiros lhes dizer que deviam produzir qualquer coisa --- inclusive drogas, onde fossemlucrativas --- a fim de gerar dinheiro vivo para cobrir suas dívidas com os bancos.O crescimento espetacular do cultivo da maconha nos Estados Unidos nos anos 80 é o resultado. As mesmas taxasusurárias de juros, que destruíram o terceiro mundo, também tornaram quase impossível à agricultura sobreviver nosEstados Unidos. As falências no setor subiram como foguete, e os fazendeiros são aconselhados a cultivar maconha ouperder suas fazendas.Enquanto a administração Bush promover as políticas econômicas do mercado livre liberal em casa e no exterior, ocomércio de drogas florescerá --- em casa e no exterior --- e a chamada Guerra às Drogas de Washington continuará aser uma piada cruel.A condenação dos fazendeiros de Montana é um exemplo. Está registrado publicamente que Dick e Judith Kurth foramaconselhados pelo gerente do Banco Norwest local, Floyd DeRusha, a que teriam chance de evitar a falência se 47
  • 48. produzissem maconha. O casal, experiente em agronomia, produziu colheitas de maconha por anos sucessivos, pagaramsuas dívidas e tinham dinheiro de sobra.De acordo com a mídia, DeRusha estava somente “brincando” quando em 1985 respondeu assim ao pedido angustiadodos Kurth por ajuda para continuarem com o rancho: “Bem, além de cultivar maconha, não sei o que podem fazer. Porque não tentam?” O presidente do Banco Norwest, Frank Shaw, negou que isto fosse um incitamento ao cultivo dedroga, mas o banco aceitou alegremente o dinheiro dos Kurths para pagar o empréstimo, embora qualquer banco oficialpassasse a imaginar de onde vinha o dinheiro, pois os Kurths estavam insolventes. Dick Kurth mais tarde depôs queinformara ao Banco Norwest como estava conseguindo dinheiro, e que os gerentes do banco até o ajudaram a fazer osdepósitos de grandes quantias, de tal forma a evitar as regras federais que investigam somas suspeitas de dinheiro. Deacordo com o comportamento do banco, dinheiro é dinheiro.Por toda a nação, esta política de “remoção de uma etapa” prevalece entre os bancos e outras agências ligadas àrecepção ou lavagem de dinheiro de drogas. Os grandes bancos, apanhados violando as leis federais de relatórios, erecebendo grande quantidade de dinheiro --- tais como o Banco de Boston e o SeaFirst em Seattle --- receberamsomente multas simbólicas. Nenhumm acompanhamento das redes de dinheiro das drogas foi feito pelo Departamentode Justiça. Nas áreas produtoras de maconha, da mesma forma, há enormes fluxos não contabilizados de dinheiro vivo,e no entanto há visivelmente poucas buscas, acusações e condenações.Que se deve concluir do tamanho da economia doméstica de maconha? Os partidários desta, como a NORML,concluem que a produção de maconha é tão grande e lucrativa que reflete apoio público, incluindo o dos fazendeiros, eportanto deve ser legalizada. A maior parte da grande mídia também promove este ponto de vista. Mas a inspeçãominuciosa dos modelos de cultivo não indicam apoio público geral ou envolvimento de fazendeiros.No relatório que segue, apresentamos um estudo sistemático, assistido por computador, da extensão e geografia docultivo de maconha nos Estados Unidos. O estudo mostra que há áreas demarcadas de cultivo, que qualquer programaplanejado de erradicação poderia desarticular ---se existisse vontade política.As duas zonas que repondem por 42% da produção de maconha americana, em 1987, estão concentradas nos estados doPacífico (Califórnia, Oregon, Washington e Havaí), e nos condados isolados e empobrecidos dos Ozarks e Apalaches,na região dos cinco estados do centro leste dos Estados Unidos (Arkansas, Missouri, Tennessee, norte da Geórgia,Kentucky e também o sudoeste da vizinha Virgínia) (Figura 2). Os outros 58% espalham-se pela nação, mas somentenas áreas mais isoladas.Os dados mostram que não houve mudança total para a maconha por parrte dos fazendeiros tradicionais nos grandesestados agrícolas. Ao invés disso, o cultivo da maconha é feito em áreas remotas empobrecidas pelo fechamento deminas locais de carvão e de outras indústrias, e pela queda no preço dos produtos agrícolas. Junte-se a isto o fazendeirotípico da contra-cultura da “Mãe-Terra”, estabelecido especialmente na costa ocidental, mas localizado por todo o país,como produto da “Nova Era”.Se nos anos 80 tivesse havido genuíno crescimento econômico, ao invés da “Reaganomia” seguida pelo liberalismo deBush do livre mercado igualmente desastroso, então o setor agrícola americano estaria florescendo, e a maconha não seteria tornado o novo símbolo da “agricultura alternativa”. ONDE A MACONHA É A PRINCIPAL PRODUÇÃO LUCRATIVAOs anos 80 viram um aumento mortal na produção de maconha nos Estados Unidos. As estimativas dos 45 estados ondehá estatísticas disponíveis mostram que ela é agora cultivada em quantidades significativas por toda a parte.Os diagramas de quatro barras (Figura 3) mostram a extensão do problema, e listam os 45 estados pelo valor da colheitade maconha como percentagem do valor total da produção local de todos os produtos agrícolas e do gado.A Figura 3A mostra que a produção de maconha é 655% maior que a produção agrícola combinada no Alaska, 335% naVirgínia ocidental, 237% no Havaí e 236% em Nova Hampshire. A Figura 3B lista dez estados onde a maconha é 50 a99% do valor da colheita agrícola, do Oregon e Massachussetts (90% ou mais), até 55% no caso do Maine. A Figura 3Cmostra 18 estados onde a maconha lista de 49% a 20%. E finalmente, os 13 estados onde o valor da colheita damaconha está abaixo de 20% dos outros produtos agrícolas, estão na Figura 3D.O Quadro é completo, listando todos os estados em ordem alfabética, e dando o valor em dólar da produção damaconha, o valor e nome do principal produto agrícola daquele estado, e o tamanho da cultura da maconha expressocomo percentagem do principal produto agrícola legal. Por exemplo, em Vermont, o valor da maconha colhida (370milhões de dólares) é 118% do valor do principal produto estadual --- laticínios (314 milhões). 48
  • 49. A Figura 6 dá outra visão comparativa da expansão do cultivo da maconha, mostrando que em 37 estados o valor decolheita de maconha cultivada excede o do grão principal (isto é, excluindo os produtos agrícolas que não sejam grãos,como gado e laticínios) cultivado naquele estado.Mas este mapa também indica um importante modelo contrário. No cinturão do milho do Meio Oeste, a maconha nãosobrepuja o valor do milho e soja nas colheitas. E não sobrepuja o algodão no Texas ou a laranja na Flórida --- aomenos não ainda.Um exame mais profundo dos dados estaduais mostra claramente que os estados fazendeiros principais não são osprincipais estados produtores de maconha --- nem em percentagem nem em termos absolutos. A única exceção é aCalifórnia, especial em muitos aspectos. Esta tem a maior população da nação, e uma economia maior que a de muitasnações. Tem uma agricultura rica e variada, com locais isolados e favoráveis ao cultivo da maconha. Também temHollywood, uma história de contra-cultura pró-drogas e casos de experiências com alucinógenos fornecidosclandestinamente às massas.O mapa da Figura 4 mostra os 37 estados nos quais a maconha agora é a principal produção lucrativa. O mapa da Figura5 mostra a localização dos dez maiores estados fazendeiros do país, e os dez maiores estados da maconha. Somente aCalifórnia aparece em ambos. Os dez principais estados fazendeiros forneceram 52% do total de produtos agrícolas egado comercializados em 1987. Os dez principais estados produtores de maconha forneceram 42% da colheita totalproduzida nos Estados Unidos em 1987.Está claro que os dois centros de produção de maconha são (1) os estados do Pacífico, Havaí, Califórnia, Oregon eWashington, e (2) os estados do centro leste: Arkansas, Missouri, Tennessee, Kentucky, Geórgia e Carolina do Norte.Os condados limítrofes, no sudoeste da Virgínia, e outras partes remotas nos estados vizinhos, como a Virgíniaocidental, podem ser incluídos.Os estados do Pacífico ficaram famosos, em meados dos anos 80, pelo que se chamou o “Triângulo de Esmeralda” nonorte da Califórnia. Entretanto, nos últimos três anos, redes de vendedores de drogas expandiram vastamente o númerode áreas de cultivo por toda a enorme região, com sementes de alta qualidade, equipamento especializado, e outrosinsumos. O clima do Havaí pode fornecer três colheitas anuais. Lugares no sul da Califórnia e Arizona desenvolveramestufas subterrâneas, com luzes para crescimento, e plantação em água.O cultivo da maconha nos estados do leste está espalhado por áreas remotas dos Ozarks e dos Apalaches. Tanto a criseagrícola dos anos 80 quanto o fechamento das minas de carvão deixaram milhares (de trabalhadores) sem meio desustento e nenhuma esperança. Neste círculo de probeza, os residentes locais, os empresários tolos e os aventureirospolíticos criaram “zonas de maconha”. Na atmosfera de depressão econômica, certa quantidade de policiais estaduais,xerifes, delegados e juízes corruptos, não estão preparados para desalojar as redes de drogas. Estes são freqüentementeos “yo boys” que acham o máximo ter uma arma, algum dinheiro e olhar para o outro lado. O oficial de polícia oucidadão que tenta agir neste ambiente são alvo de embaraços ou mesmo a morte.Extensas áreas nos parques nacionais estão plantadas com maconha, tanto por causa do isolamento quanto porque oplantador espera assim evitar o confisco de propriedade pessoal em caso de ser descoberto. Os 661 mil acres da FlorestaNacional Daniel Boone em Kentucky tem grandes áreas de maconha plantada em lugares isolados, atrás de campos demilho ou nos caminhoos dos milharais. No Havaí, na Grande Ilha, os plantadores de maconha se aproveitam de vastasáreas de terra subdesenvolvida.Até as descobertas ocasionais fornecem suficiente informação para mostrar as características sociais e geográficas docultivo de maconha:CONDADO CLAY, KENTUCKY: 40% dos 24.100 cidadãos do condado cultivavam maconha em 1989, de acordocom autoridades locais. O condado tinha 25% (de trabalhadores) desempregados, comparados com a taxa oficialnacional de 6%; metade da população vivia do Seguroo Social, ou pagamentos por invalidez ou desemprego; havia 50%de evasão escolar, comparada com 25% nacionais.Esta área fora anteriormente uma região produtora de carvão, mas na minas foram fechadas. Há um ano, o condado erao maior produtor de maconha no Kentucky, que por sua vez era o terceiro maior produtor da nação.SUDOESTE DA VIRGÍNIA: a mesma situação prevalece nesta região de 15 condados, onde a mineração de carvãoestá morrendo, e não há mais nada crescendo nesta área montanhosa. No último verão, uma batida policial destruiu10.753 plantas, com valor estimado em 10,7 milhões de dólares.Dois novos modelos aparecem nos estados do Pacífico: 49
  • 50. HAVAÍ: na última década, este estado foi o primeiro ou segundo maior produtor de maconha da nação. Canteiros demaconha grandes como 1/4 de acre pontilham as florestas estaduais. Alguns plantadores escondem suas plantações noscanaviais. Quando se fez no ano passado um esforço de erradicação por seis meses, chamado Operação Varredura,estimou-se que 800.000 plantas foram destruídas. Isto representa cerca de 80% das plantas cultivadas fora de casa, emostra a extensão das plantações, cujo valor, relatórios da batida, na mídia, estimaram em 8 bilhões de dólares.CALIFÓRNIA: alguns plantadores do Triânguulo de Esmeralda californiano mudaram-se para o sul para evitarembaraços com as autoridades policiais. Investiram em produção subterrânea de maconha com alta tecnologia. A DEAinvadiu 130 fazendas destas em 1989, e mais de 260 em 1990.As palntações mais avançadas destinam-se a produzirquatro colheitas anuais. Uma “fazenda” invadida no último outono, no deserto perto de Lancaster, custou cerca de 1milhão de dólares para ser construída, e tinha potencial para cultivar 8.500 plantas quatro vezes por ano, com lucroanual de 75 milhões.Tanto as invasões como as estatísticas mostram que o fazendeiro médio NÃO vê a maconha como uma alternativa, adespeito do encorajamento que a “recuperação” econômica de Reagan-Bush fornece. O mapa na Figura 5 mostra que osestados do cinturão graneleiro NÃO são do modelo dos 37 outros, onde o valor de colheita da maconha excede o valorda produção graneleira principal do estado (excluindo laticínios ou gado). Os estados do cinturão graneleiro produzemrelativamente pouca maconha --- se centenas de milhões de dólares anuais podem ser consideradas “pouco”. Eles sóparecem melhor em comparação com a costa oeste e o “cinturão de maconha” dos Apalaches. Tipicamente, vários lotesde tipos selvagens de maconha são cultivados no cinturão graneleiro, e poucas estufas de alta tecnologia são usadas.Em nenhum dos dez principais estados fazendeiros o valor da maconha ultrapassa o da produção agrícola principal,como o Quadro 2 mostra. Entretanto, na Califórnia e na Flórida, o valor de colheita de maconha excede o valor daprodução das estufas e viveiros --- o segundo produto em cada estado.O valor de colheita da maconha excede o do terceiro produto em quatro estados: Califórnia (gado), Texas (trigo),Kansas (sorgo) e Flórida (tomates) FAZENDEIROS DESESPERADOS VOLTAM-SE PARA A MACONHAEm dezembro passado (1991), o CHICAGO TRIBUNE publicou o artigo “Cânhamo valorizado como cultura lucrativaé efeito secundário da maconha legalizada”, que cantava as virtudes da maconha para fazer papel, remédio e outrosobjetos, dizendo que os fazendeiros poderiam ter altos lucros ao cultivar cânhamo, de acordo com a Iniciativa para aMaconha em Illinois (IMI). “Esta é definitivamente uma cultura lucrativa. Pode significar bilhões de dólares para osfazendeiros americanos... Já é o principal produto lucrativo ilegal da nação”, dizia Mike Rosing, da IMI.Tais argumentos se dirigem, não aos fazendeiros, mas para amansar a população não-fazendeira, para (conduzi-la) maisdroga e degradação. Nenhuma família fazendeira tradicional e independente, em sua “mente sã ”, é tão tola de pensarser sábio basear a política agrícola nacional, e as decisões individuais sobre o que cultivar, nas drogas.Entretanto, a política agrícola americana nos últimos 25 anos foi um desatre. E milhões de americanos --- incluindo osfazendeiros --- estão “fora de si ” em tolerá-la. Se isto continuar, logo não terão mais chance senão cultivar maconha ---ou passar fome.Na “recuperação Reagan-Bush” da década de 80, a crise atingiu o cinturão fazendeiro americano. Estima-se que400.000 fazendeiros faliram ou foram forçados a desistir, vendendo ou abandonando seus trabalhos.Por ordem do cartel dos alimentos, cujos executivos dirigem os programas do Departamento de Agricultura americano(USDA), o governo americano seguiu uma política radical de mercado livre, na lei agrícola qüinqüenal de 1985 e nasnegociações do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Um estudo governamental prediz que se a propostaamericana ou uma lei agrícola doméstica equivalente fosse aplicada no GATT, mais 500.000 fazendeirosdesapareceriam em 1992.O maciço empobrecimento das famílias fazendeiras americanas nos anos 80 foi alcançado por uma combinação de altastaxas de juros, fechamento de fontes de financiamento, desvalorização de bens agrícolas, altos custos dos insumos ebaixos preços dos produtos. Isto é um paralelo exato do empobrecimento das nações do terceiro mundo.Em 1981, a agricultura americana tinha um valor total de bens de 1 trilhão de dólares, que caiu parra 760 bilhões em1990 --- queda de 24%. Naquela década, as agências de empréstimos desvalorizaram os bens dos fazendeiros nosempréstimos, e pediram mais altas taxas de juros nas dívidas. Após Paul Volcker tornar-se chefe da Reserva Federal em1979, sua política de alta das taxas fez com que alguns empréstimos agrícolas excedessem 20% nas taxas de juros. 50
  • 51. Durante algum tempo, no princípio dos anos 80, os fazendeiros lutaram para empenhar tudo que possuíam, e afundaramem dívidas. Pedidos encheram a Administração dos Lares Fazendeiros (FmHA), a última fonte de empréstimos paraestes.Em meados dos anos 80, o débito total agrícola alcançava mais de 215 bilhões de dólarres, em mãos de três grandesgrupos: a FmHA, os bancos comerciais e a Associação de Crédito à Produção (PCA), entidade privada com apoiogovernamental limitado. Então o machado caiu. A administração Reagan-Bush ordenou que as empresas dificultassemos empréstimos. Em 1990, o débito agrícola total da nação diminuira para menos de 190 bilhões, por um processo defechamento de centenas de milhares de fazendas, e “espremendo-se” outros fazendeiros até a alma. O Departamento deAgricultura (USDA) forçou milhares de seus devedores da FmHA a falência forçada. Centenas de pequenos bancosagrícolas locais foram junto.Esta situação prevalece até hoje. As comunidades agrícolas tornarram-se cidades fantasmas. E com os baixos preços dosprodutos agrícolas, os fazendeiros ainda são incapazes de pagar o serviço da dívida e se capitalizarem.Os preços de todos os produtos agrícolas nos Estados Unidos e no exterior, são artificialmente abaixados pelascompanhias do cartel de alimentos --- Cargill, ADM/Toepfer, Louis Dreyfus, Continental, Bunge, André/Garnac, ealgumas outras --- cuja política é liquidar a família fazendeira independente. A maioria dos preços agrícolas são menosda metade da paridade (preço justo cobrindo custos de produção, e retorno de investimento suficiente para garantir acapitalização necessária para produção contínua de alimentos). O Departamento de Agricultura (USDA) publicourelatório em 1987 dizendo que a paridade era um conceito fora de moda.A crise é exemplificada pela situação atual do trigo, o sustento da vida. A Figura 6 mostra que os preços do trigo caíramnos últimos oito meses. O preço médio hoje é 2,38 dólares o bushel, menos do que há vinte anos, e METADE do customínimo de produção.Contrariamente a qualquer propaganda que você possa ouvir, isto não representa um excesso de trigo no mercado, nemqualquer supressão de preços de acordo com alguma mítica lei da oferta e da procura. Ao invés disso, representasistemático pagamento a menos aos fazendeiros pelas companhias do cartel graneleiro, que monopolizam o comérciomundial de grrãos e sua distribuição doméstica. É política de Londres e Washington, apoiar este pagamento a menosdos fazendeiros pela sua produção de alimentoos, em nome da competição do “livre mercado”.O trigo é, na realidade, produzido a menos do que sua necessidade exige. Em bases mundiais, menoos grãos de todos ostipos foram colhidos, de 1987 a 1989, do que consumidos. Enquanto mais de 2 bilhões de toneladas de grãos de todosos tipos são necessários ao consumo, somente 1,6 a 1,75 bilhões de toneladas foram produzidas. Destas, a produção detrigo atingiu cerca de 420 milhões de toneladas. Para um mínimo de dietas decentes, mais de 3 bilhões de toneladasseriam necessárias para o consumo direto como cereais, e consumo indireto como produto para o gado.Os estoques de reserva de grãos de todos os tipos diminuíram de 1986 até hoje. Portanto, a primeira colheita decente noperíodo, 1990, não anula esta queda, nem o fato de que milhões foram despojados da nutrição adequada. Durante osanos 80, a produção alimentar per capta declinou na Ibero-América. Na África, declinou tão drasticamente nos últimosvinte anos que a fome ocorre em escala de genocídio.O gráfico mostra que a “taxa de uso dos estoques” do trigo é baixa. Isto ilustra que os preços para os fazendeirosdeveriam ser muito maiores.Com mudanças pequenas, o quadro do trigo e dos grãos permanece verdadeiro para outros itens da dieta --- óleo,açúcares, carnes, laticínios, frutos e vegetais. Os preços caíram para os fazendeiros enquanto deficiências estão forçandomilhões a passar fome.Neste ambiente deprimido, a “indústria da maconha” fincou pé. 51
  • 52. PARTE 1NOSSOS INIMIGOS PROVARAM QUE ESTÁVAMOS CERTOS 52
  • 53. 1 POR QUE ESTE LIVRO SE TORNOU FAMOSO ?Quando a primeira edição de Narcotráfico S. A. foi publicada em dezembro de 1978, provocou duas ondas de choquesnas capitais internacionais do crime organizado ---de Londres a Moscou, de Genebra a Boston e ao baixo Manhattan, deTel Aviv a Milão, Sofia e Montreal. Mais de sete anos depois, o cartel multinacional dos narcóticos ainda lutadesesperadamente para encobrir a verdade que nosso livro expôs. Mas felizmente, enquanto várias agênciasgovernamentais confirmavam a realidade de nossas acusações por si mesmas, a resposta furiosa do inimigo aos 100.000exemplares da primeira edição produziram novas provas, implicando um conjunto maior de poderosas figurasinternacionais. Na primaverra de 1978, Lyndon LaRouche autorizara a investigação original que levou à publicação deNarcotráfico S. A. com base na convicção de que, a menos que o governo e o povo americanos não se movessemrapidamente para esmagar a máfia internacional das drogas, os Estados Unidos em uma geração, desapareceriam comonação e, com seu colapso, a civilização ocidental cairia em uma nova Idade das Trevas.O livro foi concebido como um relatório de inteligência militar, um primeiro passo para o lançamento de uma guerratotal às drogas , empregando todos os recursos militares, tecnológicos e morais que as nações aliadas usaram naSegunda Guerra Mundial para derrotar o nazismo. Este foi nosso objetivo. Em meados dos anos 80, embora aadministração Reagan adotasse o dístico “Guerra às Drogas” como um bordão de propaganda, as maiores batalhas naguerra que LaRouche propusera foram realizadas na Ibero-América, por nações como o Peru, do Presidente Alan Garciae Colômbia do Presidente Belisario Betancur --- com ajuda restrita dos Estados Unidos. Em 9 de março de 1985,LaRouche apresentou, em uma conferência na cidade do México, um plano de batalha para a guerra às drogas nohemisfério, que traria as forças armadas americanas para a luta. O plano LaRouche é publicado no Apêndice A destelivro. Em 3 de março de 1986, a Comissão Presidencial para o Crime Organizado recomendou a Ronald Reagan: “OsChefes Conjuntos devem ser instruídos pelos mais altos níveis de governo... que ação hostil ou destrutiva dentro ou fora--- às claras ou secreta --- incluirá --- a invasão deste país pelos contrabandistas de drogas”. A esta conclusão seopuseram ferozmente o FBI e o corrupto Departamento de Justiça americano, presidido pelo Procurador Geral EdwinMeese, e a permissão para a participação militar americana na guerra às drogas não foi dada.O local de batalha da guerra às drogas mudou significativamente nos anos intermediários, desde a primeira publicaçãode Narcotráfico S. A..Em 1978, a administração Carter apoiava a descriminalização e legalização da maconha e da cocaina. O abuso“recreativo” das drogas era tratado como “crime sem vítima”. Hoje, com cada grupo populacional vitimado pelo tráficode drogas --- congressistas, estudantes de ginásio, trabalhadores industriais, donas de casa, atletas profissionais, homensde negócios de Wall Street --- tais alegações de “crime sem vítima” soam crescentemente vazias.Quando da primeira publicação de Narcotráfico S.A., a “fonte de riqueza da cocaína” latino-americana, que abriria umnovo e feio capítulo nos anais do crime organizado, e dispararia os lucros anuais da Narcotráfico S. A. até meio trilhãode dólares, ainda estava um ou dois anos no futuro. Na verdade, em 1978, Carlos Lehder Rivas, o chefe da rebeliãonarcoterrorista colombiana de então, e declarado colaborador do exército terrorista assassino M-19, acabava de sair daprisão em Miami por roubo de carro e condenações por maconha, e estabelecia os primeiros contatos com o financistaRobert Vesco da Narcotráfico S. A..O conceito de narcoterrorismo --- primeiro elaborado na edição inicial deste livro --- foi ridicularizado nos círculospoliciais e de Inteligência, onde imagens de “Pedros bigodudos” da máfia siciliana e Robin Hoods esquerdistas aindaimpediam os policiais discernirem que uma única economia subterrânea mundial servia ao tráfico de drogas e de armasilegais. Revelações que surgiram da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, em maio de 1981, começaram aabrir os olhos de alguns, especialmente a respeito do papel ativo da KGB soviética.Com a invasão soviética do Afeganistão em 1979, o tráfico internacional de heroína, centralizado no Triângulo Douradodo sudeste asiático, onde agira com tanto sucesso durante a guerra do Vietnã, começou a se diversificar e se expandirrapidamente no Afeganistão ocupado e no vizinho Paquistão. A chegada ao poder do “fundamentalismo islâmico” noIrã do aiatolá Khomeini, sob os auspícios do especialista soviético G. A. Aliyev, junto com o fomento soviético-britânico das inssurreições separatistas como o “Kalistão” sikh, transformaram o sudoeste asiático em um “CrescenteDourado” para o cartel das drogas, rivalizando com o Extremo Oriente. 53
  • 54. Nesta nova edição de Narcotráfico S. A., atualizamos o ambiente, adicionando novas seções sobre a estrutura decomando do cartel das drogas, o tráfico destas na Ibero-América e no sudoeste asático, e o papel principal do ImpérioSoviético no mundo.Em um aspecto, entretanto, a história da Narcotráfico S. A. é a mesma hoje do que foi há sete anos --- a corrupção semparalelo de tantas instituições financeiras “respeitáveis” mundo afora. Desde sua publicação original, esta principalacusação levantada por Narcotráfico S. A. tem sido maciçamente redocumentada por fontes oficiais --- e pelos própriosbanqueiros das drogas da Narcotráfico S. A., cujos ataques descontrolados e selvagens a nós, demonstraramrepetidamente que vêem nossos esforços como a mais séria ameaça à sua contínua existência. VISÃO APOCALÍTICA OU REALIDADE DIÁRIA?A idéia de que algumas das principais instituições financeiras privadas do mundo estivessem implicadasinternacionalmente na lavagem de centenas de bilhõees de dólares anuais em dinheiro ilegal das drogas, foi encaradacomo o fato mais chocante revelado por Narcotráfico S. A.. Demonstramos que a droga era o segundo mais lucrativoproduto do comércio internacional, logo após o petróleo, e que os lucros anuais do tráfico de narcóticos excedia o PNB(Produto Nacional Bruto) da maioria das nações do mundo, e os lucros das maiores multinacionais.A revista semanal americana SATURDAY REVIEW descreveu nosso ponto de vista como “uma verdadeira visãoapocalítica”. Os anos intermediários e a initerrupta fieira de revelações mostraram que o apocalipse está aqui. Após apublicação, em novembro de 1984, do relatório da Comissão Presidencial sobre o Crime Organizado sobre lavagem dedinheiro, do relatório de março de 1983 do Sub-comitê Permanente de Investigações do Senado americano, e deincontáveis audiências do Congresso a respeito dos bancos e da lavagem de dinheiro, o conteúdo principal deNarcotráfico S. A., em sua primeira edição, foi reafirmado por fontes oficiais.Entre as primeiras confirmações, veio a da Superintendência dos Bancos Estaduais de Nova York: com base nas provasapresentadas pelos autores, este órgão regulador recusou permitirr que a corporação bancária Hong Kong and Shangai(Hong Kong and Shangai Banking Corporation, o HSBC), comprasse o controle do banco de Nova York, MarineMidland, em 1979, atrasando o que até então era o maior plano de absorção por estrangeiros, na história bancáriaamericana.A superintendente, Muriel Siebert, requereu contabilidade detalhada dos lucros escondidos do HSBC, dos subsídios eoutros subterfúgios da lavagem de dinheiro, e recusou a pretensão quando a instituição de Hong Kong obviamenterecusou. O HSBC foi compelido a usar um subterfúgio --- enfim sancionado pela diretoria da Reserva Federal de PaulVolcker --- a fim de consumar a absorção: arranjou para que o banco Marine Midland, um dos maiores da América,mudasse sua categoria de estadual para nacional, para evitar o poder regulador do estado de Nova York. A ReservaFederal desobedeceu às regras e aceitou a absorção do Marine Midland no começo de 1980, preferindo ignorar a lei e aregulação bancária do centro financeiro da América, o estado de Nova York, do que atrapalhar os planos daNarcotráfico S. A..Em 1978 escrevemos: “Como é possível que 200 bilhões de dólares ou mais em dinheiro sujo, atravessando fronteirasinternacionais, possam permanecer fora do controle da Lei? De novo, só uma resposta é possível ser admitida: umgigantesco bloco de operações bancárias internacionais, e outras financeiras relacionadas, foram criadas somente paraadministrar o dinheiro sujo. Mais, este bloco de bancos internacionais goza da proteção soberana de mais do que algunsgovernos”.Meia década depois, a acusação parece fantástica para alguns. Deve ser comparada com as conclusões do estudointitulado “Crime e Segredo: o uso de bancos e companhias estrangeiras”, publicado pelo Sub-comitê Permanente deInvestigações do Senado americano em março de 1983, após dois anos de investigações. Este estimou a economia ilegaldos Estados Unidos em 10% do PNB, ou mais de 300 bilhões de dólares. O estudo relatava que Londres era o principalcentro no mundo para esconderijo de fundos, acusação primeiro feita em Narcotráfico S. A.; que 2/5 de todas asatividades bancárias estrangeiras fora da Suíça eram relizadas por outros centros no exterior, permanecendo esta, paraa prática de “abertura” de contas financeiras secretas, para tornar impossível determinar o proprietário beneficiado.Colocamos como sub-título, no trabalho de 1978, “A Guerra do Ópio da Grã-Bretanha Contra os Estados Unidos”. Osinvestigadores do Senado foram a Londres pedir a colaboração britânica no desmantelamento das atividades criminosasdos centros do exterior, e reclamaram que os funcionários britânicos rejeitaram a proposta de imediato, afirmando que ocrime organizado era um problema interno americano e não de Londres.Os britânicos disseram aos investigadores doSenado: • “Conforme Londres o vê, o problema do crime em sua maior parte pertence aos Estados Unidos pois, se é dinheiro de drogas ou de outra fraude, deriva primeiramente de fontes americanas, isto é, transações criminosas nos Estados Unidos e processada no exterior em favor de cidadãos e companhias americanas. Londres 54
  • 55. argumenta que o controle terá somente custos e nenhum benefício. Nestas condições, qualquer que seja a política americana, é melhor que o Reino Unido não se envolva, colaborando.”O estudo do Senado resume as acusações dos procuradores americanos contra bancos suíços, britânicos e canadensesnos anos anteriores, com múltiplas menções aos três maiores bancos suíços, ao maior banco comercial britânico, oBarclays, ao banco da Novaa Escócia do Canadá, tanto quanto as filiais no exterior de bancos americanos. Comreferência ao banco da Nova Escócia, situado nos lugares mais escondidos do establishment britânico, o relatórioreclama: “Por exemplo, no Caribe, um grande banco internacional canadense tem sólida reputação de encorajar dinheirosujo...Altos empregados do banco descrevem exemplos de haverem as sedes dos bancos removido gerentescompetentes no exterior por causa de fracassos...em otimizar lucros por relações corruptas.”Não meramente no específico, mas também nas conclusões, o relatório do Senado corrobora os julgamentos maiscontrovertidos que afirmamos em 1978. Argumentávamos que uma grande parte da estrutura bancária mundialcomeçara a existir a fim de manejar os fluxos de dinheiro sujo. O relatório do Senado concluiu que as operaçõesfinanceiras ilegais estão agora tão intimamente relacionadas com o sistema bancário no exterior em geral, que omovimento dos fundos ilegais pode constituir uma ameaça à segurança do sistema bancário mundial como um todo.Citando o caso da falência em 1972 do Banco Ambrosiano, veículo infeliz de Roberto Calvi para as operaçõesfinanceiras e políticas sujas, o relatório diz: • Em 1982, o Banco Ambrosiano de Milão, Itália, faliu, enfraquecido por um compromisso com empréstimos, de 1,4 bilhões de dóllares, a várias misteriosas companhias “laranjas” panamenhas... O Euromarket é um aspecto criticamente importante... do comércio internacional. Mas, nos paraísos fiscais onde o dinheiro é lavado, não há regulamentação. Assim, as mesmas condições que facilitam o comércio internacional, também criam oportunidades criminosas. O uso criminoso de facilidades no exterior causa problemas à estabilidade dos sistemas bancários nacionais por inteiro. A condição frágil do sistema bancário mundial hoje é resultado em parte de empréstimos questionáveis, controles fracos e o risco do próprio país, quando tantas nações não podem pagar os juros ou o principal de suas dívidas. Não é inconcebível que possa ser uma perda criminosamente derivada, e não a falta de pagamento de um empréstimoo por uma nação soberana, o que pudesse ser uma falha que quebrasse o sistema bancário.”Como relataremos adiante, a preocupação específica do comitê do Senado, no caso do Banco Ambrosiano de Calvi, nãoera meramente conjectural. Quando o financiamento do sistema bancário americano deriva do capital especulativointernacional, não é exagero afirmar que os caprichos do submundo financeiro possam determinar o destino de todo osistema bancário mundial.Em outubro de 1984, o papel dos mais prestigiados bancos comerciais e corretoras, em Boston e Nova York, ao lavar odinheiro das drogas tornara-se um escândalo tão público que a administração Reagan redigiu um modelo de legislaçãopermitindo a condenação criminal de executivos de bancos. E a Comissão Presidencial sobre o Crime Organizado, umpainel “fita azul” estabelecido por Ronald Reagan pela Ordem Executiva 12435, de 23 de julho de 1983, devotou todo oseu primeiro relatório público à “Conexão do dinheiro vivo, crime organizado, instituições financeiras e lavagem dedinheiro”. Entre as grandes casas financeiras ali citadas por lavarem dinheiro estavam o Chemical Bank, a MerrillLynch, o Chase Manhattan Bank e a Deak-Perrera.Quando a Comissão publicou seu relatório, a coleção de truques do tráfico de drogas, ao menos os mais conhecidos,foram expostos: o uso de cassinos para lavar o dinheiro das drogas, a corrupção e virtual absorção de bancos, aparticipação de firmas importantes, como a E. F. Hutton --- que enviou guardas de segurança ao Hotel Waldorf-Astoriapara ajudar um cliente colombiano a trazer malas cheias de dinheiro vivo aos seus escritóorios, e depois livrou-se delequando informada de que ele estava sob investigação como lavador de dinheiro para os traficantes colombianos decocaína.Esta confirmação de nossas conclusões originais poderia ser um consolo maior se não fosse pela expansão contínua emaciça do tráfico de narcóticos e das redes de dinheiro sujo. Com o consumo de 75 bilhões de dólares anuais emcocaína só nos Estados Unidos, e o rápido crescimento do vício da heroína na Europa ocidental, nossa estimativaoriginal de 100 bilhões anuais em vendas de narcóticos, nos Estados Unidos, e 200 bilhões no mundo, foi sobrepujadapela realidade. O tráfico de narcóticos aumenta no mínimo em 200 bilhões de dólares anuais nos Estados Unidos, e 500bilhões no mundo, e a associação com o tráfico ilegal de armas, contrabando, etc., cresceu na mesma proporção.Pela primeira vez, as nações da Ibero-América estão lutando abertamente, em seus parlamentos nacionais e em seusencontros internacionais, por sua soberania, contra os aliados confessados das máfias de narcóticos, que ousam desafiarabertamente o poder dos governos legalmente constituídos. Na Colômbia, onde o antigo Presidente Alfonso LópezMichelsen jactou-se de haver se reunido com a máfia dos narcóticos, e avisou o governo para aceitar os termos desta, oM-19 narcoterrorista realizou um ataque armado ao Ministério da Justiça, tomando como reféns e assassinando 11ministros da Suprema Corte. No Peru, o Presidente Alan Garcia conduziu uma guerra total aos traficantes de drogas, 55
  • 56. mas as gerrilhas terrroristas do Sendero Luminoso têm repetidamente cortado o fornecimento de eletricidade às grandescidades, assassinando policiais e queimado casas no campo. Os países do Pacto Andino estão mergulhados no mesmotipo de guerra sem fim, que assolou o sudeste asiático --- a região do ópio chamada “Triângulo Dourado” --- desdemeados dos anos 60, onde bandos paramilitares bem armados e bem organizados controlam o território onde a papoulaé plantada.A despeito da promessa do Presidente Reagan de uma guerra às drogas, a despeito dos esforços heróicos da políciaitaliana contra a máfia siciliana, a despeito da destruição da gangue de Calvi na maçonaria italiana (P2 --- Propaganda2---N.T.), a despeito da batida nas operações de lavagem de dinheiro nos bancos da Flórida --- a despeito de tudo isto, arede internacional que chamamos de Narcotráfico S. A. não somente floresceu, como chegou às posições de comandona economia mundial. O FMI (Fundo Monetário Internacional) desavergonhadamente obedece às suas ordens, quantoàs nações devedoras do setor em desenvolvimento.Em junho de 1983, o FMI fez seu primeiro comentário público sobre o assunto, em um apêndice escondido em seurelatório “Panorama da Economia Mundial”. Em seu estilo ameno e malevolente, o FMI notou que cerca de 200 bilhõesde dólares anuais desapareciam das contas dos governos nacionais, que relatavam seus dados do balanço de pagamentosà organização financeira internacional. A isto se referem, nas comparações de contas governamentais, como“discrepância estatística no balanço de pagamentos de conta corrente global”. Esta representa a diferença entre ossuperávits de todos os países e os déficits, uma vez tudo totalizado. Em teoria, o déficit de um país deve ser o superávitde outro. Em 1982, entretanto, o excesso total dos déficits sobre os superávits subira para 89 bilhões. Se todas asdiscrepâncias entre os pagamentos e as receitas em conta corrente dos países fossem totalizados individualmente, maisdo que agregados em uma base global, o total para 1982 chegaria a 200 bilhões de dólares --- representando quase 1/5do comércio mundial. Em outras palavras, o déficit líquido relatado por todos os países é 89 bilhões; os fundos nãocontabilizados por todos os países é quase de 200 bilhões de dólares. Desde 1973, aditou o FMI, o volume total de taldiscrepância acumulou a fantástica soma de 800 bilhões de dólares.Isto não surpreende as nações Ibero-Americanas, assoladas pela fuga de capitais em 1982 e 1983. Os números brutosmostram que o movimento do capital internacional está inteiramente fora das mãos dos governos; que estes nem maispodem identificar 200 bilhões de dólares anuais em fluxos de capitais, muito menos tentar influenciá-los!O relatório do FMI deixa pouco à imaginação: a origem da “discrepância estatística” é o capital especulativointernacional e os fluxos relacionados de dinheiro ilegal. O documento de 1983 afirma: • “O principal fator determinante do crescimento da assimetria nos pagamentos em conta corrente no mundo tem sido o crescimento bem rápido no balanço negativo dos invisíveis. Após estarem aproximadamente balanceados em 1973, os pagamentos e as receitas de serviços e transferências privadas estimadas divergiram progressivamente cada vez mais nos anos seguintes, e o excesso dos pagamentos registrados sobre as receitas naquelas contas alcançou 800 bilhões de dólares em 1982”.O FMI relata diretamente que os “invisíveis” que formam a “discrepância estatística”, isto é, “transporte”, “ganhosreinvestidos” e “outras rendas recebidas” se reduzem ao capital especulativo: • “A parte mais prontamente identificável deste enorme excesso dos débitos sobre os créditos encontra-se nos serviços fornecidos pelos navios com bandeira de conveniência. Os pagamentos dos serviços desses navios são, em sua maior parte, registrados nas estatísticas do balanço de pagamentos dos países que usam esses serviços. Os créditos correspondentes, por sua vez, são tipicamente não registrados no balanço de pagamentos de qualquer país”, isto é, entram no sistema bancário ilegalmente.O FMI, suposto regulador das finanças internacionais, explica que as finanças internacionais estão agora sem lei.As consequências dessa confissão são excitantes. Após arruinar as economias e enfraquecer a estabilidade política damaior parte da Ibero-América, tanto quanto da Nigéria, das Filipinas e numerosas outras nações do setor emdesnvolvvimento, o FMI admite que a provocação dessas ações --- o êxodo em massa do capital e aumentoconseqüente da dívida externa dos países viitimados --- está fora do controle dos ditos países. Na verdade, de acordocom o FMI, está fora do controle de qualquer governo nacional. A NARCOTRÁFICO S. A. RESPONDE ÀS ACUSAÇÕESMuito antes que os policiais e os serviços de Inteligência das nações ocidentais respondessem ao desafio colocado pelapublicação de Narcotráfico S.A., o próprio cartel das drogas deu sua resposta. Lyndon LaRouche e seus associados maispróximos tornaram-se alvos imediatos de uma campanha brutal de calúnias, tentativas de assassinato, seqüestros eeventualmente um ataque por elementos do Departamento de Justiça americano, das côrtes federais e do FBI, queestavam eles mesmos dominados pela máfia internacional das drogas. 56
  • 57. A primeira resposta da Narcotráfico S. A. veio na forma de ataques simultâneos publicados pela Liga Anti-Difamaçãode B`nai B`rith (ADL) e a Fundação Heritage, de modelo britânico, esta um loby nominalmente “conservador” que estáem verdade continuando as políticas da Companhia das Índias Orientais e do apologista do comércio de ópio AdamSmith.Conquanto a edição original de Narcotráfico S. A. houvesse colocado os patrocinadores da ADL, Edgar Bronfman eMax Fisher, entre os principais “cidadãos acima de qualquer suspeita” americanos e canadenses com profundasligações com o tráfico internacional de drogas, foi somente como resultado da campanha caluniosa da ADL que aextensão total do papel desta, como relações públicas dos interesses da droga, veio à superfície.O atual presidente nacional da ADL, Kenneth Bialkin, do escritório de advocacia Willkie, Farr & Gallagher, de acordocom os registros da Corte Federal americana do distrito sul de Nova York, era a eminência parda por trás do traficantede drogas Robert Vesco, e sua pilhagem do Investors Overseas Service (IOS) em centenas de milhões de dólares,dinheiro que usou para construir seu império caribenho de dinheiro sujo. Agora baseado em Havana, Vesco, herdeiroaparente do “bruxo das finanças” original do sindicato do crime organizado, Meyer Lansky, recentemente realizou osonho deste, de transformar a Cuba de Castro na capital do contrabando hemisférico de armas por drogas e dinheirosujo. E, ao fazer isto, o mais notório cliente do presidente da ADL, Bialkin, tornou-se um comissário honorário noexército dos negociantes de narcóticos da KGB de Yuri Andropov.Um antigo presidente da ADL, o presidente do banco Sterling National, Theodore Silbert, foi processado pelo governoitaliano na Corte Distrital de Nova York, em 1983, por suposta conspiração criminosa com o financista da máfiaMichele Sindona. As peças legais do governo italiano alegavam que Silbert intencionalmente ajudava Sindona a pilharo Banca Privata e outras companhias que Sindona controlava, antes de suas falências. O banco Sterling National, quesupostamente lavara os fundos pilhados de Sindona, admministra as contas correntes e de investimentos da ADL.Em fevereiro de 1985, quando Dope, Inc. (Narcotráfico S. A.) foi publicado em espanhol como Narcotráfico S. A. edistribuído nos países latino-americanos, os mais íntimos aliados financeiros dos Rockefellers na Venezuela, a famíliaCisneros, deram em público um acesso de raiva. Puxando os fios, o clã Cisneros usou agentes da polícia políticavenezuelana, o DISIP, para realizar uma invasão, às duas da madrugada, no escritório da EIR em Caracas, prender seuscorrespondentes em suas casas, submetê-los a mais de 48 horas de prisão ilegal, interrogatório, ameaças e abuso físicoe, finalmente expulsá-los do país. Sua ofensa foi simplesmente serem funcionários da EIR, autora de Narcotráfico S. A..A família Cisneros, anunciou um agente do DISIP à EIR, “...não permitirá que uma única cópia do livro circule.” Logoapós, graças a um juiz complacente , Narcotráfico S. A. tornou-se o primeiro livro a ser censurado na Venezuela, desdeo fim da ditadura militar de 1958.Voce pode ler o que temos a dizer sobre a família Cisneros, palavra por palavra, mais adiante neste livro ---incluindo aconexão da família com a Cuba de Castro, que tanto os embaraçou.Em agosto de 1985, outro aliado de Rockefeller, o antigo Primeiro-ministro do Peru, Manuel Ulloa, ajuizou uma açãopor calúnia contra a Coalizão Anti-Drogas Peruana e seu chefe Luis Vásquez Medina, por repetirem as acusações contraUlloa feitas em Narcotráfico S. A.. Com o governo de Garcia investigando os interesses financeiros e políticos daadministração anterior que havia protegido o comércio de drogas, Ulloa esperava silenciar os que o acusavam, por suaspolíticas terem pavimentado o caminho para a tomada da economia peruana pela Narcotráfico S. A.. Mas em 17 deoutubro de 1985, a corte rejeitou a ação de Ulloa e absolveu a CAD (Coalizão Anti-Drogas Peruana) e Vásqueztotalmente.Em 22 de março de 1986, um painel de três juízes da Corte Superior peruana confirmou unanimemente a sentença daCôrte inferior. Acordou que as publicações da Coalizão Anti-Drogas, inclusive Narcotráfico S. A. tinham o “objetivo decrítica à política econômica que o apelante executara...que é descrita como ´super-liberal`... (e) cuja política permitira aproliferação não somente do comércio de drogas mas também do bingo, das companhias financeiras e da especulaçãoimobiliária, que estão interconectadas e que formam as ´economias ilícitas`” . OS LOBISTAS DAS DROGAS INVADEM OS PALÁCIOS DE JUSTIÇAEm 22 de outubro de 1984, os escritórios em Boston do Procurador Federal William Weld iniciaram uma falsainvestigação criminal do comitê de campanha do candidato presidencial democrata independente Lyndon LaRouche,com a desculpa de verificar vários pretensos casos de irregularidades com cartões de crédito do escritório local docomitê.A “sindicância” de Boston forneceu o pretexto, dez dias depois, para o banco First Fidelity(First Fidelity Bank) deNewark, Nova Jersey, apoderar-se de 200 mil dólares depositados nas duas contas de campanha de LaRouche, destarteimpossibilitando programa de TV em primeira edição nacional marcado para a véspera da eleição. O First Fidelity foi a 57
  • 58. principal instituição responsável por trazer a Narcotráfico S. A. para Atlantic City, sob a cobertura do jogo legalizadoem cassino. O presidente do banco, Robert Ferguson, financiou a construção do primeiro cassino à beira mar com umempréstimo de 11 milhões de dólares da Resorts International, notória “laranja” do antigo sindicato de Meyer Lansky.O advogado de Ferguson em Newark, Albert Besser, fora advogado de Robert Vesco na série de processos do IOS, osquais apresentaram Kenneth Bialkin da ADL como um virtual cúmplice não indiciado.Quase dezoito meses depois, e gastos centenas de milhares de dólares em dinheiro dos contribuintes, a campanha deWeld “Peguem LaRouche” continua em escala muito maior. O objetivo? Falir e preparar para potencial assassinato oprincipal americano combatente das drogas --- antes que as eleições para o Congresso em meados de 1986 colocassemLaRouuche, já declarado e registrado candidato à escolha presidencial de 1988 do Partido Democrata, na ribalta políticacom acesso à propaganda televisiva nacional. As dezesseis meias horas em cadeia nacional dos programas de TV, emprimeira edição, durante a corrida presidencial de 1984, induziram a Narcotráfico S. A. a declarar, em alto e bom som,“Nunca mais”. Ao tempo em que o leitor acabar de ler este livro, as razões para a declaração de guerra do sindicatoestarão bem claras.A designação de William Weld como o Grande Inquisidor foi uma “decisão de família” da elite da Narcotráfico S. A. ,que dirige a Nova Inglaterra desde os dias dos navios Clipper que carregavam ópio e escravvos, e da traidoraConvenção de Hartford. O avô de Weld foi o fundador da antiga corretora White, Weld e Companhia (White, Weld andCompany), do baixo Manhattan e da velha Boston. Seu pai, David Weld, foi o chefão da empresa durante longoperíodo, no qual esta se ligou à elite das instituições suíças de lavagem de dinheiro, o Crédit Suisse. Sob a presidênciade Donald Regan, a gigante de Wall Street, Merrill Lynch, comprou a White, Weld em 1978, deixando que os sóciosdesta, que permaneceram com a Merrill, tomassem a empresa maior; o principal administrador da Merrill, e seguinte nalinha da presidência, é agora o antigo conselheiro legal da White, Weld, Stephen Hammerman. Mas o Crédit Suisse, quecomprara o controle de 31% da White, Weld de David Weld e seus sócios, passou a controlar totalmente as filiais destaem Genebra e Londres. Estas operações forneceram lucros estimados em 2/3 da White, Weld. O Crédit Suisse entãovoltou e comprou 38% do antigo banco de investimento de Rockefeller-Mellon, a Corporação First Boston (FirstBoston Corporation), colocando as operações externas da White, Weld sob nova denominação, o First Boston-CréditSuisse.A mesma antiga rede da White, Weld agora domina os 150 bilhões de dólares anuais do mercado de “Eurobonds”, omaior paraíso para o dinheiro sujo no mundo, e agora a mais importante fonte de fundos para as corporaçõesamericanas. O Crédit Suisse-First Boston é o criador do mercado dominante para “Eurobonds”, forma de títulointernacional anônimo favorecido para os criminosos de toda parte. O banqueiro suíço Robert Genillard, o homem queestabeleceu a antiga ligação de David Weld com o Crédit Suisse nos anos 60, ainda é presidente da antiga White, Weldem Genebra, agora denominada Banco Clariden, que pertence 100% ao Crédit Suisse. Genillard ainda é amigo e sóciocomercial do antigo sócio da White, Weld, George S. Moore, um do grupo que vendeu a White, Weld a Donald Regan;Moore é o conselheiro oficial dos interesses escusos dos Cisneros venezuelanos.De fato, em 7 de fevereiro de 1985, o Crédit Suisse foi apanhado com a mão na massa em um esquema multibilionáriode lavagem de dinheiro, dirigido pelos sossegados escritórios do Banco First National de Boston (não confundir com obanco First National Bank of Boston), a instituição capitânea dos brâmanes bostonianos da Corporação Boston(Boston Corporation). Felizmente para os banqueiros das drogas, o caso foi entregue a William Weld, que juntou 1.163casos de crimes graves documentados separadamente, envolvendo 1.218.682.281 (1 bilhão 218 milhões 682 mil e 281dólares) de dólares em dinheiro lavado em nove bancos estrangeiros, em um só indiciamento --- pelo qual o Banco deBoston foi multado simbolicamente em 500.000 dólares em um acordo na contestação! A penalidade imposta ao bancochegou a absurdos 0,05% da quantia lavada somente nesses casos documentados. O presidente, e chefão do Banco deBoston, William Brown, foi forçado a admitir em depoimento perante um comitê do Congresso no começo de 1985, queo banco teve enormes lucros advindos da lavagem de dinheiro sujo ---mesmo após o pagamento da multa.A limpeza do Banco de Boston não foi seguida por nenhuma ação contra os nove bancos estrangeiros, liderados pelopróprio Crédit Suisse de Weld, e pelo Banco de Zurich (Bank of Zurich) e incluindo a Corporação Banco Suíço daBasiléia (Swiss Bank Corp of Basel), Banco União da Suíça em Zurich (Union Bank of Switzerland in Zurich), BancoBarclays Internacional de Nova York (Barclays Bank International of New York), Banco de Boston S. A. deLuxemburgo (Bank of Boston S. A. of Luxembourg), Banco Leu de Zurich (Bank Leu of Zurich), Die FreieOsterreichische of Vienna, Banco de Comércio Imperial Canadense de Otawa (Canadian Imperial Bank of Commerceof Ottawa), e Standard Chartered Bank Ltd. of New York. Enquanto isto, uma enxurrada de outros casos revelara opapel mais fundamental do Banco de Boston na conspiração narcoterrorista internacional.Em 28 de fevereiro de 1985, semanas após o caso do Banco de Boston ter sido varrido para baixo do tapete peloProcurador americano Weld, o diário venezuelano EL MUNDO , publicou uma investigação do jornalista JoséCupertino Flores, revelando que, entre outubro de 1983 e fevereiro de 1984, mais de 12 bilhões de dólares saíram deCaracas, Valencia, Barquisimeto e San Cristóbal, na Venezuela --- todos lugares favoritos de lavagem de dinheiro paraos traficantes latino-americanos de cocaína e maconha --- para os cofres do Banco de Boston. Flores sugeriu que um 58
  • 59. estudo das “listas de passageiros dos vôos entre Nova York e Miami e o aeroporto de Boston conteriam nomes esobrenomes famosos”, embora “outros viessem por jatos particulares... Após a intervenção no ano passado noContinental Illinois, os fundos de inúmeras personalidades de nosso país foram transferidos rapidamente para asprofundezas da instituição bostoniana”.Em 20 de fevereiro de 1985, a Alta Corte Irlandesa em Dublin anunciou haver-se apoderado de 1,64 milhão de dólaresem dinheiro vivo que pertencia a um fundo secreto do Exército Republicano Irlandês (IRA) lavados em bancos suíçospor Londres e pelo Banco de Boston antes de chegarem à conta secreta do IRA no Banco da Irlanda. O dinheiro lavado,de acordo com o Ministro da Justiça irlandês Michael Noonan, representava os lucros de sequestros, extorsões comameaças de morte e roubo.Uma investigação anterior do Sub-comitê Permanente de Investigações do Senado descobrira outro canal de dinheiroilegal, passando do Banco Nacional do Panamá pelo Banco da Reserva Federal de Boston (Fedederal Reserve Bank ofBoston) (O FED --- Federal Reserve é composto por 12 distritos com um Federal Reserve Bank em cada um deles ---N.T.) para a divisão internacional do Banco de Boston durante 1982-83. Mais uma vez, o dinheiro sujo terminava emcontas numeradas nos escritórios em Zurich do Crédit Suisse, ligado à família Weld. De acordo com o já citadorelatório da Comissão Presidencial sobre o Crime Organizado, “o fluxo de caixa do Panamá para os Estados Unidos é oregistro mais significativo do que pode ser dinheiro de drogas”.Se a publicação de fluxos de caixa por computador ou E-mail entre a elite da comunidade financeira internacional eraum negócio primitivo demais para justificar a atenção do Procurador Weld, este tinha poucos motivos para bloquear aprova da ligação do Banco de Boston com a família Angiulo, do crime organizado, uma investigação sobre a qual Weldtinha aparentemente jurisdição desde 1983. Usando uma falha de isenção nos códigos federais, que ordenam que osbancos relatem todas as transações em dinheiro vivo com 10.000 dólares ou mais, empregados do Banco de Bostonmovimentavam dezenas de milhões de dólares das contas da família Angiulo, dentro de malas e sacolas cheias de notasde dez, vinte e cinqüenta dólares, emitindo cheques. Funcionários do Tesouro americano, incluindo o recém afastadoSecretário assistente para execuções John Walker, afirmaram em fóruns públicos sua crença de que o dinheiro lavadopelo Banco de Boston, em favor da família Angiulo e outros clientes fantasmas, era dinheiro das drogas.Testemuunhando perante o Sub-comitê do Congresso sobre instituições financeiras em 5 de março de 1985, Walkerafirmou, “Tudo indica que os 600 milhões de dólares em notas pequenas que o banco recebeu era lavagem de dinheirodas drogas. Senão, por que o dinheiro era em notas de vinte?”Em uma afirmação anterior, publicada pelo BOSTON GLOBE em 8 de fevereiro de 1985, Walker declarara, “O quevimos, notas pequenas vindo da Suíça, e notas grandes indo para a Suíça, é compatível com lavagem de dinheiro emcurso. Havia definitivamente lavagem de dinheiro no ar”.Tão confiantes estavam os executivos do Banco de Boston na lealdade de Weld para com a Narcotráfico S. A. que, apóso alvoroço inicial da atividade do Congresso e do Departamento do Tesouro contra as aventuras dos bancos lavandodinheiro, os empregados do banco “descobriram” outros 73 milhões de dólares em fundos ilegalmente lavados. Osexecutivos pediram desculpas pelo erro “honesto” e Weld não tomou as medidas legais cabíveis.Se ainda houvesse qualquer dúvida de que Weld atuava como defensor e advogado dos interesses do Banco de Boston edos brâmanes da Narcotráfico S. A. , o Procurador americano, que assumiuu o posto federal somente após ser derrotadoem eleição estadual para a Commonwealth da Procuradoria Geral de Massachussetts, recebeu contribuições decampanha de pelo menos dois executivos atuais do Banco de Boston, o honorável diretor William C. Mercer e Peter M.Whitman --- além do magnata canadense da Narcotráfico S. A. , Edgar Bronfman.A cumplicidade do Procurador Weld no encobrimento do papel dos grandes bancos bostonianos --- inclusive bancosassociados aos próprios negócios da família --- na lavagem de bilhões de dólares em lucros das drogas é sobrepujadatalvez somente pelo criminoso zelo com que ele tem alvejado os inimigos da Narcotráfico S. A. com acusações falsas.Além do já citado caso de Lyndon LaRouche, Weld conduziu um assalto brutal de cinco anos contra a organizaçãopolítica, no Partido Democrata, do prefeito de Boston Kevin White, campanha que o forçou a se retirar do postoquando o mandato expirou em 1981, sem concorrer a um quinto mandato, no clima dominado pela inquisição de Weld.Thomas Anzalone, o principal tesoureiro de White e seu coordenador de campanha, foi indiciado pelo escritório deWeld e condenado pelo juiz distrital federal A. David Mazzone, o mesmo que presidiu o processo de LaRouche. Aequipe Weld-Mazzone cometeu tal conjunto de atos beirando a criminalidade, que um painel de três juizes, na PrimeiraCorte Distrital de Apelações em 1º. de julho de 1985, anulou a condenação de Anzalone, caracterizando os métodos deWeld como afins ao princípio legal soviético de “culpa por analogia”. A decisão apelada concluía: “Não podemosaceitar uma interpretação não codificada da lei, a menos que fomentemos a ilegalidade ao invés da condescendência”. 59
  • 60. Mesmo durnta a operação “Peguem White”, o NATIONAL LAW JOURNAL publicou um artigo, em 13 de junho de1983, descrevendo a ação de Weld como um “exemplo textual de um Procurador usando mal seus poderes paraperturbar as testemunhas e manipular politicamente o processo”. Weld foi citado por usar táticas de pressão impróprias,alegações infundadas, vazamentos à imprensa e embaraço de testemunhas, incluindo invasões durante a madrugada comdúzias de agentes do FBI sob investigação. Estes mesmos métodos estão sendo repetidos no caso LaRouche hoje.No entanto, no começo de abril de 1986, de acordo com notícias citando o Procurador Geral Edwin Meese, Weld estavaprestes a ser promovido a Washington --- para dirigir a Divisão Criminal do Departamento de Justiça americano!O papel, em tudo isso, do chefe de pessoal da Casa Branca Donald Regan, anteriormente presidente da Merrill Lynch,certamente merece investigação mais profunda. De acordo com provas fornecidas pelo relatório de outubro de 1984 daComissão Presidencial sobre Crime Organizado, intitulado “A conexão do dinheiro vivo: crime organizado, instituiçõesfinanceiras e lavagem de dinheiro”, as regras comerciais na Merrill Lynch de Donald Regan, foram tudo menosconservadoras. O relatório afirma: • “Em 1980... foram vistos couriers (correios) transferindo enormes quantidades de dinheiro vivo de corretoras e bancos em Nova York para a Itália e Suíça. Dezenas de milhões de dólares em vendas de heroína neste país foram transferidos para o exterior desta forma...Um dos couriers desta operação era Franco Della Torre, um residente suíço. Em março de 1982, Della Torre depositou pouco mais de 1 milhão de dólares em notas de cinco, dez e vinte na conta da ´Traex` no escritório de Manhattan da corretora Merrill Lynch Pierce Fenner & Smith. Depois disto, Della Torre fez quatro depósitos adicionais em dinheiro vivo totalizando 3,9 milhões de dólares na conta da ´Traex` ...”A Merrill Lynch até mesmo ajudou a organizar serviço de segurança, de acordo com o relatório: “Ao fazer grandesdepósitos em dinheiro vivo na Merrill Lynch, a prática de Della Torre era pedir seguranças, para acompanhá-lo do hotelaos escritórios da mesma. Após vários depósitos,... fizeram-se arranjos para escoltar o dinheiro do hotel de Della Torrediretamente para o Bankers Trust, onde a Merrill Lynch mantinha contas”.De acordo com os indiciamentos federais de Della Torre e outros na quadrilha de heroína, a Merrill Lynch transferia osfundos diretamente para a Suíça, onde um dos maiores depositários era o Crédit Suisse.Uma prova direta da atitude de Donald Regan para com o tráfico de narcóticos surgiu em março de 1984, quando foiquestionado pelo Congresso sobre por que, como Secretário do Tesouro, desmantelara um programa de interdição aéreaanti-drogas, e a resposta foi que transferira 18 milhões de dólares em fundos do programa para um fundo administrativopara remodelar seu gabinete. MARVIN WARNER COMPRA UM PROCURADOR FEDERALEm 15 de abril de 1985, quase seis meses decorridos na perseguição de Weld contra LaRouche, um sócio deste escreveutrês vezes ao Procurador Geral Edwin Meese III, exigindo um inquérito oficial do Departamento de Justiça sobre oconflito de interesses de Weld, no encobrimento dos esquemas multibilionários de lavagem de dinheiro do Banco deBoston. Logo após o Escritório de Responsabilidades Públicas daquele Departamento abrir um inquérito sobre oconflito de interesses Weld-Crédit Suisse, um Grande Júri Federal paralelo foi subtamente aberto sobre a campanha deLaRouche em Cincinnati, Ohio, onde a campanha nem mesmo mantinha um escritório.Que fio ligava as jurisdições de Boston e Cincinnati? Enquanto o Procurador Weld tinha relações amigáveis com a elitedos banqueiros de drogas dos clubes forrados de madeira na Praça Harvard, o escritório do Procurador Federal emCincinnati era virtualmente feudo privado de Marvin Warner, embaixador de Jimmy Carter na Suíça. Os negócios sujosde Warner com alguns dos maiores contrabandistas de cocaína latino-americanos alcançaram as manchetes de todo opaís entre 1980 e a primavera de 1985, quando o império banqueiro de Warner em Ohio afundou, detonando um quasecolapso de todo o sisttema de poupança americano.O que o conchavo Weld-Warner provou, acima de tudo, foi a existência de um poderoso submundo mafioso das drogaspuxando os fios dentro do Departamento de Justiça. Quando a pressão aumentou, a Narcotráfico S. A ocupou a cadeirado Procurador Geral.Ao tempo em que o escritório em Cincinnati da Procuradoria Federal amavelmente abriu um segundo Grande Júricontra Lyndon LaRouche, o Procurador era Christopher Barnes que, com 32 anos, era talvez o mais jovem ProcuradorFederal nos Estados Unidos. Seu pai, Earl Barnes, antigo presidente do Partido Republicano em Ohio, escolheu seufilho para o trabalho, em grande parte para proteger seu “padrinho” financeiro, Marvin Warner, de acusação federal poruma série de atos de pilhagem de dinheiro, em geral ligados ao comércio de drogas ibero-americano. 60
  • 61. De acordo com depoimentos feitos perante um comitê legislativo estadual de Ohio, provando o papel de Warner nocolapso de seu banco Home State Savings (poupança imobiliária), Earl Barnes foi o beneficiário de um empréstimo semgarantia de 1 milhão de dólarres, do qual não devolveu um só centavo.Enquanto as “contribuições” de Warner ao GOP de Barnes --- e seu igualmente generoso tratamento da máquinaestadual do Partido Democrata do Governador Richard Celeste (Warner é muito conhecido pela fraude eleitoralmultimilionária, que roubou o colégio eleitoral de Ohio para Jimmy Carter em 1976) --- asseguravam que tanto oPartido Democrata quanto os procuradores federais designados pelo GOP olhariam para o outro lado quando Warnerpusesse suas mãos sujas nos bolsos dos contribuintes de Ohio, em 13 de dezembro de 1985 um Grande Júri estadual nocondado de Hamilton, Ohio, listou cinqüenta acusações contra Warner por malversação intencional de fundos, furto devalores e furto por fraude. Tais acusações foram reunidas sem a mínima cooperação do escritório do ProcuradorFederal, do Departamento de Justiça em Washington e do FBI.Se os federais não tivessem encoberto Warner, uma das operações mais protegidas e hermeticamente secretas delavagem de dinheiro de drogas jamais vista nos Estados Unidos poderia ter sido esmagada.Não é coincidência que o esquema de lavagem de dinheiro de Warner pode ser traçado diretamente até os brâmanes deBoston e à White, Weld.Em 1976, o gênio em valores da White, Weld, Allen Nowick, foi para Fort Lauderdale, Flórida, para montar a ESMGovernment Securities (títulos governamentais). Os três sócios “laranjas” de Nowick na firma eram Ronnie R. Ewton,Robert Seneca e George Mead. Quase da mesma forma pela qual White, Weld tomara o controle da Merrill Lynch,muito maior, e do esquema de lavagem de Eurobonds do First Boston, foi o execuutivo especial da White, Weld,Nowick, que transformou o grupo ESM-Marvin Warner em um vasto complexo de lavagem de dinheiro no período de1976 a 1981, por uma série de compras e absorções forçadas de bancos e outras instituições de empréstimos, que seestendiam da Flórida a Nova Jersey e a Ohio.O carrossel começou em 1977, quando o banco Home State Savings de Warner, uma instituição de poupança eempréstimo (Savings & Loans---N.Ed.) de Cincinnati, emprestou 17 milhões de dólares a Ewton e Seneca, permitindo aeles absorver o grupo do Banco Great American da Flórida (Great American Bank). O genro de Warner, Steven Arky,advogado na Flórida, apresentara Warner a Ewton, um amigo íntimo de Arky na Guarda Nacional. Warner ignorou ofato de que Ewton já estava sob investigação pela SEC (a CVM americana-N.Ed.) por comerciar títulos não licenciadospela ESM.A atitude cavalheiresca de Warner para com suas ligações íntimas com o suspeito Ewton surgiu de dois fatores.Primeiro, em 1978, o Home State de Warner já sofrera uma condenação federal por fraude em seu próprio currículo ---por realizar empréstimo standby comercial falso (mais uma comissão lucrativa) consignada a 47 contratantes efomentadores em 11 estados. Foram condenados a 800.000 dólares em devoluções e a uma desprezível multa de 11 mildólares. Nenhum empregado do banco foi indiciado nominalmente. Um espinhoso inquérito por fraude pessoal deimpostos por Warner pelo IRS foi abruptamente terminado por um acordo em apelação em setembro de 1980, arranjadopelo advogado de Warner, Edward Bennett Williiams, proeminente membro do Partido Democrata, e os funcionáriosdo Deparrtamento de Justiça John Keeny, chefe da Divisão Criminal sob Carter, e James Cissell, Procurador Distritalpara o distrito sul de Ohio.Segundo, Warner foi ricamente recompensado por se prestar a roubar as eleições presidenciais de 1976 para JimmyCarter. No começo de 1977, foi nomeado embaixador na Suíça, posição que nunca atrapalhou suas contínuas atividadesde lavagem de dinheiro. Não porque Warner meramente gozasse de proteção política e imunidade diplomática naadministração Carter. Warner provou ser a peça central da máquina de lavagem de dinheiro na Flórida implicada nocaso Billygate, e no império das drogas do fugitivo financista Robert Vesco da Narcotráfico S. A.Em 1978, Warner comprou de volta a Corporação do Banco Great American (Great American Bank Corporation) deEwton e fundiu-o com o ComBank, outro grupo bancário da Flórida que comprara antes, em sociedade com HughCulverhouse Pai. Neste meio tempo, Warner enviou ordens definitivas a todos os seus empregados para conduziremsuas compras de títulos governamentais exclusivamente pela ESM. Investigações posteriores por órgãos reguladoresfederais e estaduais, no rastro do colapso da ESM em 300 milhões de dólares em 4 de março de 1985, revelaram queWarner e Arky eram os titulares exclusivos das contas pessoais de investimento na ESM. Com efeito, a ESM era opequeno fondo(feudo) privado de Warner.Um resumo das notícias jornalísticas e dos registros dos tribunais federais sugerem que Warner usou as facilidades deseu nascente império banqueiro, na Flórida, para recolher os lucroos de traficantes de drogas ibero-americanos e lavaros fundos pela ESM, e outros caminhos, até as contas numeradas na Suíça, Panamá e outros paraísos fiscais. 61
  • 62. Além de seu próprio posto como embaixador na Suíça (e amante da secretária pessoal de Jimmy Carter na Casa Branca,Susan Clough), Warner gozava de proteção do controlador estadual da Flórida, Gerald E. Lewis --- seu primo emsegundo grau --- e seu velho amigo e sócio Hugh Culverhouse Pai, cujo filho, Hugh Júnior, até 1982, dirigia a divisãodo escritório do Procurador Federal, na Flórida, responsável pela investigação de casos de lavagem de dinheiro.Foi precisamente este grupo de “anjos da guarda” que cerrou fileiras para proteger Warner, quando agentes da IRS, daDEA e da Alfândega entraram no Banco Great American no condado de Dade (Miami) em 27 de fevereiro de 1981,como parte da operação Greenback, um esforço do começo da administração Reagan para acabar com alguns dosexemplos mais escandalosos de lavagem de dinheiro de drogas por bandos americanos. Com efeito, o controlador Lewisda Flórida, que agentes federais descreviam como notoriamente fraco com os lavadores, reclamou amargamente que aDEA não o avisara com antecedência da invasão iminente.Em 10 de dezembro de 1982, um Grande Júri federal em Miami indiciou o Banco Great American e três empregados denível médio --- o vice-presidente Lionel Paytuvi, o contador chefe Carlos Nunez e a contadora Elaine Kemp --- emacusações de que , no período de 14 meses, até a invvasão de fevereiro de 1981, mais de 94 milhões de dólares haviamsido ilegalmente lavados pelo banco, em benefício de três organizações latino-americanas de traficantes de drogas.De longe, a mais notória destas gangues era a de Isaac Kattan-Kasin, um judeu sírio dos contrabandistas de Alepo que,após passar o começo dos anos 60 vivendo em Nova Jersey como empregado de Robert Vesco, tornou-se cidadãocolombiano e dirigiu a maior organização contrabandista latino-americana de cocaína dos anos 70. Kattan lavou maisou menos 350 milhões de dólares anuais no sul da Flórida, de acordo com veteranos da Operação Greenback. Estesfundos foram então transferidos para numerosas contas na corporação do Swiss Bank em Zurich, no Banco de Ibero-America no Panamá, e nos Banco Internacional, Banco Del Crédito e Banco de Tókio, todos em Lima, Peru.Embora Warner gritasse que era somente uma vítima, e conseguisse evitar indiciamento no caso Kattan, os agentes daOperação Greenback disseram em particular que estavam convencidos que Warner era o cérebro do esquema delavagem. De fato, de acordo com uma fonte policial federal, dias após a prisão de Kattan, Hugh Culverhouse Júnior saiudo escritório do Procurador Federal em Miami e fez uma visita pessoal à sede do Departamento de Justiça, fazendolobby para q ue a Seção de Casos Internacionais liberasse os fundos em oito contas bancárias suíças mantidas porKattan.Logo que a fumaça sumiu no escândalo do Banco Great American, Warner vendeu sem alarde suas ações majoritáriasno banco para o Barnett da Flórida --- com um belo lucro de 325%.Simultaneamente a este escândalo, outras das instituições capitâneas de Warner, o ComBank, surgiu no meio de outrainvestigação da DEA, denominada Operação às Cegas. Em 13 de abril de 1982, Robert Govern, empresário do Parquede Inverno da Flórida, e outros 12 foram indiciados por contrabandearem mais de 1.814,4 t de maconha da Colômbiapara os Estados Unidos, de 1975 a 1981. Govern lavou os lucros da droga pelo ComBank e por uma série decorporações “laranjas” nas Grandes Caimãs e nas Antilhas Holandesas.De acordo com uma investigação publicada no CLEVELAND PLAIN DEALER em 18 de junho de 1985, um dosgrandes investidores nas empresas de Warner era o grupo Cisneros da Venezuela, que é assunto de outro capítulo. Bastadizer aqui que um secretário da família Cisneros, Vicente Pérez Sandoval, era cliente de Steven Arky, que tentou semsucesso absorver a asociação de poupança e empréstimo Freedom de Tampa, logo após Warner, acionista do banco,manobrar a mesma para comprar o ComBank a um preço estimado em mais do dobro do seu valor contábil.Outro banco da Flórida, o Metropolitan de Tampa, esteve sob intensa investigação federal por suspeita de lavar lucrosdas drogas para a Corporação World Finance (World Finance Corporation), uma firma de Coral Gables ligada a MeyerLansky e Robert Vesco, e também aos interesses dos Cisneros venezuelanos pelo cliente de Arky, Pérez Sandoval.Warner tentou, pelo Banco Great American, comprar o banco de Tampa. Anteriormente a esta absorção “amigável”,não investigada pelo controlador estadual da Flórida Gerald Lewis, primo de Warner, o Metropolitan havia pertencido aEdward J. DeBartolo, um multimilionário de Youngstown, Ohio, cujo nome freqüentemente é ligado ao crimeorganizado.De fato, a associação de Warner com os mesmos círculos criminosos de Ohio provocaram especulação de que atransferência de título era uma troca cosmética, destinada a limpar os livros do Metropolitan de uma inexplicável“perda” de 51 milhões de dólares, detectada por um desconto na Reserva Federal.Em junho de 1985, um juiz do condado de Hamilton aprovou uma absorção “lateral” quase idêntiica, da própriaPoupança Home State de Warner pela associação de Poupança Hunter, uma S&L (Save & Loan --- poupança eempréstimo) de Cincinnati pertencente a Carl Lindner. Subsidiária da Corporação American Financial (AmericanFinancial Corporation) de Lindner, Hunter é uma das quarenta corporações --- incluindo as notórias United Brands e a 62
  • 63. estrada de ferro Pen Central --- sob controle de uma holding que inclui o sócio Hugh Culverhouse Pai do ComBank deWarner, como um dos três únicos diretores fora da família de Lindner.Os contribuintes de Ohio pagaram a absorção da Home State pela Hunter com uma doação estatal de 100 milhões dedólares. Esta corrente de eventos começou em 4 de março de 1985, quando a SEC (Securities Exchange Commission, aCVM --- Comissão de Valores Mobiliários --- americana-N.Ed.) obteve um mandado federal para fechar a ESM, sob aalegação de que a lavanderia de dinheiro de Fort Lauderdale estava com 300 milhões de dólares a menos em suasobrigações correntes. Em 48 horas, depositantes em pânico acorreram durante três dias à Home State, que admitia ter570 milhões de dólares presos na ESM. Quando o presidente da Home State, David J. Schiebel, anunciou em 8 demarço que a firma de Cincinnati etava fechando as portas, 154 milhões de dólares já haviam sido retirados.No começo de abril, uma corretora de títulos governamentais de Nova Jersey, Bevill, Bresler e Schulman, repetiu aexplosão da ESM. Uma corrida ainda maior aos bancos foi feita. Dois dos antigos corretores da firma, Ronnie Ewton eGeorge Mead, haviam deixado a mesma em 1975 para se ligarem a Nowick, da White, Weld, e fundar a ESM. Emtroca, esta mais tarde cedeu um de seus corretores chefes, Andrew Ledbetter, para a Bevill, Bresler e Schulman. O CASO DO FIRST FIDELITYEm 1º. de novembro de 1984, imediatamente após o Procurador Federal William Weld anunciar a investigação dacampanha de LaRouche na TV NBC, o agente especial do FBI em Boston, Richard Egan, contactou o banco FirstFidelity de Newark, Nova Jersey, então com depósitos de dois comitês da campanha de LaRouche. Horas após achamada, o First Fidelity havia se apoderado ilegalmente de 200.000 dólares das duas contas, desta forma impedindo oprograma nacional de meia hora de LaRouche na CBS-TV, planejado para a véspera da eleição.À época do furto, os porta-vozes da campanha de LaRouche acusaram os altos funcionários do First Fidelity, inclusiveo presidente do banco Robert Ferguson, de estarem implicados em uma rede de crime oorganizado, envolvendo o antigosindicato de Meyer Lansky e membros importantes corruptos do Partido Democrata. Os porta-vozes documentaram queas ligações do banco com o crime organizado se situavam na invasão de Atlantic City pela máfia de Lansky, através dalegalização do jogo em cassino, um projeto no qual Ferguson tivera papel importante. Que este e o First Fidelitytivessem o mesmo advogado, o do financista das drogas Robert Vesco, era só outra peça num já rico mosaico de provas.Os comitês de campanha de LaRouche processaram o banco pelo bloqueio do dinheiro, e o banco processou-os porcalúnia.Quinze meses e milhares de páginas de registros de tribunal, depoimentos, testemunhos juramentados e moções após arapina pelo banco, das contribuições da campanha de LaRouche, o WALL STREET JOURNAL publicou um par dehistórias na página da frente, colocando o First Fidelity no meio de negócios de agiotagem, tráfico de drogas em grandeescala, pelo menos dois assassinatos e extorsões em negócios legítimos e não tão legítimos. Os banqueiros do FirstFidelity haviam sistematicamente passado 22 milhões de dólares em dinheiro vivo para a máfia, e conseguido até entãopermanacer impunes.Em 14 e 15 de janeiro de 1986, as reportagens do WALL STREET JOURNAL, do repórter Jonathan Kwitny,expuseram o relacionamento do First Fidelity com Richard Mamarella, uma pessoa de confiança profissional queaparentemente fora selecionado, pela família Gambino do crime organizado, e designado para administrar as operaçõesde agiotagem e financiamento de drogas em Nova Jersey, que usavam os cassinos de Atlantic City --- e a complacênciade uma agência do First Fidelity ao sul de Jersey. Do começo de 1982 e setembro de 1983, quando foi condenado porfraude e extorsão e sentenciado a 7 anos de prisão federal, Mamarella recebeu um total de 22 milhões em empréstimosdaquela agência: um total de 139 empréstimos, todos pessoalmente aprovados pelo presidente, John Petrycki, foramconcedidos a Mamarella como acessórios de seguros não existentes e fraudulentos, feitos pelas seguradoras fantasmasdo próprio Mamarella, em nome de clientes da corporação não existentes. De acordo com documentos da corte e com o próprio depoimento de Mamarella, no julgamento no verão de 1985, dedois de seus “sócios comerciais”, a maior parte dos 22 milhões de dólares passou às mãos do crime organizado parafinanciar a agiotagem de Atlantic City a Chinatown, e para comprar heroína do Triângulo Dourado nas refinariasmafiosas em Palermo, Florença e Milão, em nome da “Conexão Pizza” do sul de Jersey.Era o First Fidelity vítima ou cérebro da fraude criminosa dos 22 milhões de dólares? De acordo com o repórter Kwitnydo WALL STREET JOURNAL, no transcorrer do furto e da fraude, a principal empresa fantasma de Mamarella, aincorporação IFA (IFA Inc.), era legalmente representada por Nathaniel Yohalem, da importante firma de Newark,Nova Jersey, Greebaum, Greenbaum, Rowe & Smith --- que representara a corporação banqueira First Fidelity nosúltimos vinte anos. Foi Yohalem que suubmetera as cartas originais ao First Fidelity assegurando que Mamarella e aIFA mereciam milhões de dólares em crédito --- sem perguntas. 63
  • 64. A fraude de Mamarella e suas ligações com o crime organizado vieram a público em seguida à sua prisão emChinatown, em 29 de abril de 1983, por extorsão. Mamarella e quatro sócios foram agarrados pelo FBI, enquantobatiam em um cliente recalcitrante, que atrasara seus pagamentos ao financista das drogas de Chinatown e agiota LouisChung. O First Fidelity respondeu às “notícias” de que passara 22 milhões de dólares aos valentões da máfia --- poralugar Mamarella e seus “durões” mafiosos para apanharem o dinheiro de volta: À época em que Mamarella estavvasob indiciamento federal por extorsão, ele e sua gangue foram colocados na lista de pagamento como “consultores” paraajudarem no recebimento de mais ou menos 14,5 milhões de dólares em empréstimos pendentes do banco a Mamarella.Este “arranjo especial” foi sancionado por ninguém menos que o presidente do First Fidelity, Robert Ferguson, deacordo com um exemplar de 19 de julho de 1983 do American Banker.Em um comunicado aos acinistas do banco, Ferguson afirmou: • “Em fevereiro de 1982, um de nossos bancos começou a comprar um título de uma corporação licenciada pelo Departamento de Bancos do estado de Nova Jersey, envolvida no negócio de financiamento de prêmios de seguros... No começo de junho deste ano (mais de um mês após a prisão de Mamarella por extorsão em Chinatown-N.Ed.), começamos a questionar e investigar a autenticidade do título... Agora, as obrigações a receber totalizam aproximadamente 15,5 milhões de dólares... Continuamos a receber pagamentos e, na opinião de nosso conselho, balanços não pagos, se houver, após a consolidação, serão cobertos por nossos bônus...”E quais eram os procedimentos dessa consolidação, a que se refere Ferguson? De acordo com Kwitny e outras fontes,desde o início do negócio, Mamarella regularmente possibilitava seu patrocinador mafioso Joseph Paterno --- umchefão do sindicato de Nova Jersey que fugira para Fort Lauderdale, Flórida, para evitar indiciamento em corte estadual--- e a outros criminosos a ajudarem na “consolidação” de fundos do First Fidelity.Para Mario Stacchini, dono de restaurante em Nova Jersey, e Anthony Turano, um fabricante de sapatos de Nova Yorkque usava seu negócio como ponto de distribuição de heroína refinada na Sicília, estas “consolidações” custaram suasvidas. Tanto Stacchini quanto Turano foram forçados pelos mafiosos de Mamarella a fazerem seguros de vida como“adicionais” a seus empréstimos no First Fidelity, uma vez que atrasaram seus pagamentos.Antthony Turano foi preso por agentes da DEA no fim de 1982 na cidade de Nova York, quando ia se apossar de 15quilos de heroína do Triângulo Dourado, comprados com 290.000 dólares fornecidos por Mamarella. Claramente,Turano não estava em posição de continuar seus pagamentos. Entretanto, quando seu corpo crivado de balas foi achadoamarrado em local deserto de Queens, Nova York, a máfia, Mamarella e o First Fidelity já haviam recebido seu milhãode dólares em seguro de vida.Tais são os métodos característicos da Narcotráfico S. A.. Em nosso próximo capítulo, subimos mais um degrau, dosbanqueiros de cassino e mafiosos para o seu comando supremo, onde a atmosfera moral é ainda pior. 64
  • 65. 2 ESTRUTURA DE COMANDO DA NARCOTRÁFICO S. A.O tráfico internacional de drogas funciona como uma única multinacional, não muito diferente dos cartéisfarmacêuticos baseados na Suíça --- controlando a produção, o fornecimento a distribuição, a estocagem e ofinanciamento por uma única e integrada administração. Seu objetivo, ao menos nos mais altos níveis da estrutura decomando, não é o lucro. Aquilo que chamamos Narcotráfico Sociedade Anônima constitui uma rede estratégica aserviço de um acordo entre a oligarquia financeira da europa ocidental e os senhores do novo Império Russo conhecidocomo URSS. O acordo é o mesmo concluído entre Bertrand Russel e os representantes da União Soviética após asdiscussões para abertuura de outros canais, iniciadas pelas Conferências Pugwash de fins dos anos 50. O mundo seráassim redividido, conforme este acordo que o falecido presidente soviético Yuri Andropov caracterizou como “NovaIalta” no começo de 1983: as nações da Europa ocidental se tornariam uma satrapia do Império Soviético, e os EstadosUnidos seriam reduzidos a 25% de sua antiga área de influência pós-Segunda Guerra Mundial, e relegados aoHemisfério Ocidental, como brutal cobrador das dívidas ibero-americanas para com os bancos anglo-americanos esuíços.Através do controle global dos meios de troca de dinheiro sujo por limpo, pelo controle do fornecimento de narcóticos,pela posição dominante nos mercados internacionais de metais preciosos e gemas, e acima de tudo por sua habilidadeem coletar um fluxo de caixa anual de muitas centenas de bilhões de dólares para comprar a corrupção dos órgãos legaisdos estados nacionais soberanos ---a Narcotráfico S. A. exerce uma espécie de controle político. O que a Inteligênciaamericana nos anos 20 chamou de “sinarquia internacional Nazista-Comunista” trabalha com os ramos italiano, judeu,chinês e outros do crime organizado nos Estados Unidos, com a facção criminosa da maçonaria italiana, com os narco-terroristas ibero-americanos, com os Sikhs separatistas do sudoeste asiático e os movimentos separatistas de toda aEuropa e dos países em desenvolvimento.Além da singularidade deste negócio ou aranjo político, é uma espécie de visão do mundo que circula ao menos desdeos dias do império caldeu-babilônico. É uma visão oligárquica que vê o homem essencialmente como uma “bestafalante”, uma criaturra com apetites a serem governados por uma elite manipulante cujo instrumento é aplicar prazer oudor para alcançar os fins desejados. Os narcóticos sempre desenpenharam papel central como instrumento dos oligarcas.Portanto, não surpreende que a mesma oligarquia, que controla os elementos mais sujos do submundo financeiro atual,domine e force para os mesmos propósitos as principais instituições das finanças internacionais, o Fundo MonetárioInternacional (FMI) e o Banco de Compensações Internacionais (BIS) sediado na Basiléia. As mesmas figuras políticasinternacionais que, ao consederem supremacia mundial aos oligarcas do novo Império Soviético, põem em ação aspolíticas da “Nova Ialta” --- genocíidio, destruição da soberania nacional, cobrança de débito, anulação da aliançaocidental --- estão envolvidas, em seus negócios privados, com os elementos mais sujos do submundo financeiro. HenryKissinger, junto com sua sociedade política internacional conhecida como Kissinger Associados, é quem está naencruzilhada de cada uma dessas redes: o canal extra-oficial com a União Soviética, as redes de droga e terror da Itália àIbero-América e os mais altos níveis das finanças --- inclusive sua diretoria no American Express, entidade na qualestabeleceu a maior parte da estrutura de comando da Narcotráfiico S. A.Esta contém os seguintes grupos principais: • A associação britânica que controla o sistema bancário no exterior e o comércio de metais preciosos, isto é, o banco HSBC (Hong Kong and Shangai Banking Corporation), o controle do ouro pelos Oppenheimer, as principais financeiras britânicas como a seguradora Eagle Star e o Banco Barclay`s, e suas cópias canadenses como o Banco de Montreal e o Banco de Nova Escócia; • Os maiores bancos suíços; • A continuidade da manipulação financeira veneziana-genovesa, encarnada pelo falecido Roberto Calvi do Banco Ambrosiano, e o nebuloso Edmund Safra, do American Express; • A associação dos banqueiros suíços e dos antigos fondi (fundações familiares) europeus, os cartéis internacionais graneleiros Cargill, Continental (família Fribourg), Bunge e Louis Dreyfus; • As famílias brâmanes de Boston e suas grandes instituições financeiras associadas a Henry Kissinger, inclusive o Citibank, o Chase Manhattan e o American Express. 65
  • 66. Esta hidra devorou as finanças norte-americanas. Os Estados Unidos agora dependem financeiramente de fluxos decapital que excedem 120 bilhões de dólares anuais (conforme o terceiro quadrimestre de 1984). É reconhecidooficialmente pelo FMI que a maior fonte de tais fluxos de capital é o chamado “capital especulativo”, isto é, fundosmovimentados acima das fronteiras, a despeito de impostos ou leis cambiais dos governos nacionais. A REDE LONDRINANos capítulos seguintes, da edição de 1978, identificamos uma rede financeira firmemente estabelecida, cuja origemremonta às Companhias Britânica e Holandesa das Índias Orientais e a origem moderna do tráfico de narcóticos nasGuerras britânicas do ópio na década de 1840. O modelo para esta rede é o Comitê Londrino, ou diretores baseados emLondres, do banco HSBC, banco central da Narcotráfico S. A., e que se liga direta e imediatamente às cinco grandescâmaras de compensação londrinas, os cinco dealers “minas de ouro” londrinos, e aos grandes bancos internacionaiscanadenses.Demonstramos que esta rede fornece os meios necessários na banca do exterior, em metais preciosos e outros meios,para fazer desaparecer várias centenas de bilhões de dólares anualmente das ruas de Nova York, Amsterdã, Frankfurt eHong Kong, e reaparecerem como bens aparentemente legítimos onde for convenientte. Mostramos além disso, que acolaboração anglo-chinesa no tráfico asiático de opiáceos era matéria de política oficial da República Popular da China,e “acordos comerciais” da elite britânica desde a primeira corrupção da burocracia imperial chinesa pela Companhiabritânica das Índias Orientais.Como se notou, o núcleo desta evidência foi confirmado inúmeras vezes pelos relatórios oficiais americanos acimacitados, entre outros. Seis anos de trabalho adicional pelas centenas de pesquisadores e correspondentes da EIRreconstruíram o caráter tridimensional da Narcotráfico S. A., cuja fachada mais óbvia e aparente é britânica. Suas outrasdimensões, igualmente integradas na estrutura única de comando mundial estão na Europa continental, centralizada naSuíça, e no Império Soviético.O banco HSBC, como já se viu, controla agora o 12º. maior banco americano, e seus colaboradores próximos entre osbancos de compensação britânicos, entraram maciçamente na banca americana, pela absorção do banco CrockerNational da Califórnia pelo banco Midland, pela absorção do BanCal-TriState da Califórnia pelos Rothschild e outrasabsorções similares.O grupo minerador Oppenheimer, herdeiro do império de Cecil Rhodes, é o que domina --- em colaboração com oHongShang (HSBC) e suas agências no Oriente Médio --- o tráfico ilegal de ouro e diamantes, através do qual muitodinheiro sujo é transformado em bens portáteis de origem desconhecida. Pelo seu monopólio dos diamantes através daDee Beers, suas corporações de mineração Anglo-American e Consolidated Gold Fields da África do Sul, por suaorganização de comércio de commodities Phibro, o grupo Oppenheimer estendeu seus tentáculos pelo mundo e, acimade tudo, aos Estados Unidos.A seguradora Eagle Star, ligação entre a oligarquia britânica e os bancos canadenses, se estendeu para as seguradorascontinentais, e criou profundas raízes nos Estados Unidos ao mesmo tempo. Nos capítulos da edição de 1978, o leitorsaberá que a Eagle Star controla a fundação familiar dos mafiosos da Lei Seca há pouco reabilitados, a famíliaBronfman. Esta, por sua vez, controla uma variedade de espécies mais baixas de vida criminosa no Canadá e nosEstados Unidos. As firmas imobiliárias canadenses que operam sob o controle da Eagle Star dominam os maioresmercados urbanos imobiliários dos Estados Unidos, de Nova York ao Texas.Mas, ainda mais importante é o papel que a Eagle Star assumiu em novembro de 1983, ao se tornar a ligação abertaentre o alto comando britânico do tráfico de narcóticos e os interesses financeiros suíço-alemães, à volta das grandesfortunas familiares do sul da Alemanha. Allianz Versicheerung, de Munique, a maior seguradora da Europa continental,comprou 30% da Eagle Star em uma absorção muito alardeada, para disfarçar a cooperação subliminar e identidade deinteresses entre os lados britânico e alemão. Estreitas relações financeiras haviam existido por algum tempo entre oHSBC do Extremo Oriente e os piores elementos das finanças alemães.A Allianz representa uma coalizão dos mais antigos e piores fondi (feudos) familiares alemães, inclusive o da velhadinastia Wittelsbach da Baviera e o da mais demoníaca família da Europa de língua alemã, a Thurn und Táxis. Esta eseus parentes por afinidade, a defunta família real portuguuesa dos Bragança, que fundaram a organização terroristaTradição, Família e Propriedade, estão implicadas nos planos para assassinar o Papa João Paulo II. O ramo da TFP naVenezuela foi banido pelo governo.A velha companhia United Fruit, renomeada United Brands nos anos 60, é o centro do crime organizado americanodesde a virada deste século, como mostramos em 1978, por uma fusão da máfia siciliana de Nova Orleães com osinteresses marítimos dos brâmanes de Boston; desde o começo do tráfico ibero-americano de narcóticos, os barcos debananas da United Fruit, entrando no porto de Baltimore, têm sido os veículos mais livres para a passagem física de 66
  • 67. contrabando para os Estados Unidos. Por suas sucessivas reorganizações corporativas, a United Brands caiu nas mãosdo financista de seguros de Cincinnati, Ohio, Carl Lindner, o principal sócio comercial, nas últimas três décadas, doherdeiro do crime organizado de Michigan, Max Fisher. Por uma ligação de interesses financeiros que poderia ter sidoinventada por um pomposo, mas sem imaginação, novelista de mistérios, o destino da United Brands foi ligado ao doAmerican Express, o mais eficiente transportador de dinheiro sujo no mundo, e o príncipe da lavagem de dinheiro noLevante, o financista sírio-suíço Edmund Safra. O American Express, o monstro que devorou metade das grandes casasde Wall Street, une a competência para o crime ao contrabando da United Brands, às redes financeiras que criaram efinanciaram os Montoneros argentinos e outras organizações terroristas, tanto quanto aos interesses suíços que atuam háuma geração como correios particulares da União Soviética nos mercados internacionais de ouro.Mais agourento do que o espetacular aumento das maculadas financeiras do ocidente é o papel da União Soviética,assunto de capítulo expressamente excrito para esta edição. Havia um padrão nas falências das empresas financeirasrelacionadas com narcóticos de 1973 a 1975, quando um grande abalo ocorreu. Ao mesmo tempo que Watergateacabava com a administração de Richard Nixon, e os serviços americanos de Inteligência eram abandonados às garrasdo Comitê Church do Senado americano, uma grande reorganização foi feita nos negócios do submundo financeiro.O gordo Bernie Cornfeld foi expulso sem cerimônia da organização de lavvagem de dinheiro por excelência dos anos60, a Investors Overseas Serviçes (IOS), com a conivência do Barão Edmond de Rothschild e das autoridades suíças,para ser substituído pela “descoberta” dos Rothschild, Robert Vesco. Fugitivo da justiça, este é agora hóspede da Cubade Fidel Castro, vigorosa e pessoalmente defendido pelo mesmo, e provadamente aliado chave dos esforços cubanospara explorar o tráfico de narcóticos, a fim de se conseguir fundos para as sujas operações políticas no Caribe, comomostraremos em capítulo posterior.O banqueiro romeno Tibor Rosenbaum, sabidamente alto funcionário do Mossad israelense e principal camarada doantigo Ministro israelense das Finanças Pinhas Sapir, morreu em desgraça após a falência do seu BCI, na Suíça. Seupapel no tráfico secreto de armas israelenses passou para Ariel Sharon e seu desagradável mensageiro Meshulam Riklis,da Corporação Rapid-American (Rapid-American Corporation). Não é à toa que Riklis e sua companhia têm sido alvode alta prioridade para os investigadores de narcóticos da Alfândega americana desde meados dos anos 70; seu patronona política israelense, o sanguinário Ariel Sharon, pertence a uma facção que crê que Israel, para se manter, devenegociar com a União Soviética a traição aos Estados Unidos.A queda de Michele Sindona em 1974 não foi uma perda para a humanidade. Mas o homem que tomou seu lugar, comobanqueiro particular do Vaticano, foi o duplamente infeliz Roberto Calvi do Banco Ambrosiano, e seus aliados namaçonaria italiana, Licio Gelli e Umberto Ortolani. Provaremos em capítulos posteriores que Gelli, o antigo carrascofascista, foi a parte italiana da agora infame “conexão búlgara”, a rede de heroína por armas descoberta pela políciaitaliana em 1982, e a fonte de proteção para o suposto assassino do Papa João Paulo II.O grande abalo de meados dos anos 70 deu-se quando a União Soviética abriu caminho a cotoveladas para a críticaposição de sócia do submundo das finanças mundiais. Pela expansão de seu próprio sistema bancário imperial, comemprego de elementos do crime organizado sob influência soviética e, acima de tudo, através de negócios cominteresses ocidentais como os do grupo Oppenheimer, a União Soviética entrou para as redes de dinheiro sujo. Tudo istoa serviço de seu objetivo estratégico global: a imposição da hegemonia soviética sobre toda a Eurásia, relegando osEstados Unidos para um poder hemisférico, presidindo o colapso social de toda a Ibero-América. COMO A NARCOTRÁFICO S. A. COMPROU AS FINANÇAS AMERICANASParalelamente ao abalo no submmundo financeiro em meados dos anos 70, houve outro muito mais alardeado --- aeliminação das grandes corretorras de Wall Street, processo que continua até hoje e não é menos importante para atransformação do sistema financeiro mundial em instrumento das oligarquias aliadas européia e soviética. Não é maispossível dizer a parte dos lucros que são de fato americanos; só se pode afirmar, para registro público, que os bancos deinvestimento nos Estados Unidos estão agora quase totalmente controlados pelos antigos fondi europeus, isto é,fundações familiares cuja linhagem remonta ao financiamento das Cruzadas por Gênova e Veneza.De 1971 a 1981, na década após o então Sub-secretário do Tesouro Paul Volcker anular sua paridade com o ouro, odólar americano caiu para meros 60% de seu nível anterior a desvalorização, enquanto o efeito combinado da inflaçãocom os baixos preços das ações desvalorizou os títulos americanos para 30% de seu nível de 1971, em comparação como ouro. Do ponto de vista dos antigos fondi oligárquicos, segurados em ouro, os títulos americanos poderiam sercomprados por 1/5 do seu preço anterior a 1971, no final dos anos 70. Este foi o período do grande refluxo de capitalpara os Estados Unidos, denominado pelo FMI como “discrepância estatística no balanço em conta corrente mundial”.Um colapso similar nos valores do dólar e dos bens ocorreu durante os anos de 1929 a 1933. Com os preços das açõesem uma fração de seus valores anteriores, e a economia em ruínas, o Presidente Franklin Roosevelt foi persuadido pelosamigos americanos de John Maynard Keynes a forçar a desvalorização do dólar em 1932, dando aos antigos fondi --- 67
  • 68. particularmente as fortunas do “bloco do ouro” franco-suíço-italiano --- a chance de comprar bens americanos a preçosmiseráveis, em comparação àqueles disponíveis no final dos anos 70.Entre as modernas instituições financeiras, a Assicurazioni Generali de Veneza (Assicurrazioni Generali of Venice),herdeira das antigas fortunas venezianas, fornece a maioria das pistas quanto ao funcionamento dos fondi. A seguradoraGenerali, é uma câmara de compensação das operações de numerosos fondi, cada um representado por seu “testa deferro”, um dos principais bancos de investimentos europeus. Seu conselho de diretores engloba as principais fortunasbancárias da Europa ocidental, cada uma das quais será analisada nos capítulos seguintes, tirados da edição de 1978 daNarcotráfico S. A. • Barão Augusto Von Finck, reconhecidamente o homem mais rico da Alemanha até sua morte recente (com a possível exceção de Johannes Von Thurn und Taxis), dono do banco de investimentos Merck und Finck. Embora a fortuna pessoal de Finck seja enorme, a importância do banco se deve ao fondo da antiga família real Wittelsbach, da Baviera; • Elie de Rothschild, da fammília francesa Rothschild; • Barão Pierre Lambert, o primo belga da família Rothschild e proprietário do banco Bruxelles-Lambert (uma força em Wall Street, através da Drexel, Burnham, Lambert); • Jocelyn Hambro do banco Hambros, que possui 1/4 da Banca Privata de Michele Sindona quando este faliu em 1974; • Pierpaolo Luzzatto Fequiz, da antiga família veneziana Luzzatto, a quem encontraremos mais tarde neste capítulo em companhia do notório Banco Ambrosiano; • Franco Orsini Bonacossi, da antiga família Orsini, cujas origens incluem membros do antigo Senado romano.Os dois mais poderosos bancos de investimentos europeus, Lazard Frères (da milenar família David-Weill) e o BancoParibas (fundado plelos judeus venezianos que comerciavam com o Império Otomano) são os maiores acionistas daGenerali por meios variados. A seguradora veneziana irmã dessa, a Riunione Adriatica di Sicurtà, inclui entre seusdiretorees membros da família Giustiniani de Gênova e Veneza, descendentes do vil imperador romano Justiniano; afamília Doria, os principais financistas genoveses dos Habsburgos espanhóis; e o atual Duque de Alba, descendente dobrutal guerreiro espanhol que os banqueiros genoveses enviaram aos Países Baixos, há quatro séculos, para esmagar suaindependência.A Generali e o BIS (Bank for International Settlements) de Basiléia (o “banco central dos bancos centrais”), são asúnicas instituições financeiras mundiais que, contabilizam seus livros no antigo franco suíço em ouro, anterior à guerra,a “moeda forte” que os fondi usaram para comprar os bens americanos a um centavo de dólar durante os primeiros eatrapalhados anos da administração Roosevelt.Eles esperaram bastante para se vingarem dos Estados Unidos. Sua oportunidade veio com a queda do dólar frente aoouro, em 1971.Dado o colapso dos preços das ações de Wall Street durante a longa agonia do dólar, entre o colapso em 1967 da librraesterlina e as conseqüências do desastre de 1971, não surpreende que cada grande corretora tivesse transtornos atémeados dos anos 70. A Lehman Brothers, por certo tempo, a mais poderosa em Wall Street, foi a primeira a levantar abandeira branca. Possuía, nos escritórios de George Ball, 7% de investimentos da Banca de la Svizzera Italiana, umbanco suíço que funcionava como virtual agência suíça do Banca Commerciale d`Itália, o banco em cuja sede a infameloja Propaganda-2 da maçonaria italiana fora fundada anos atrás.O Banca de la Svizzera Italiana (BSI), baseado em Lugano, Suíça, especializara-se em movimentar secretamente capitalespeculativo italiano para os Eestados Unidos.Uma a uma, as maiores casas de Wall Street caíram sob o controle dos antigos fondi europeus. A operadora de fusões eaquisições dominante em Wall Street, a Lazard Frères, nunca fora uma firma americana, sob qualquer ângulo, forasempre dominada pela família judia francesa David-Weill, e só gerenciada por seu presidente André Meyer, se ninguémda família estivesse disponível.A Drexel, Burnham, Lambert, a sexta maior casa, vendeu seu capital inteiro para a família Lambert de Bruxelas, primosbelgas da família Rothschild.A A. G. Becker, uma antiga corretora de Chicago, fundiu-se em ménage-à-trois com o S. G. Warburg, supostamenteindependente ramo da família banqueira Warburg, e a antiga firma franco-otomana Banque de Paris et des Pays-Bas(Banco Paribas), para criar a Warburg-Becker-Paribas (em seguida fundida com a Merrill Lynch em 1984). 68
  • 69. Virtualmente sem exceção, as maiores casas de Wall Street foram vendidas aos fondis. Finalmente em 1981, o maispoderoso banco de investimentos de Wall Street, (com a possível exceção do patrão de Henry Kissinger, o GoldmanSachs), o Salomon Brothers fundiu-se com a Phibro, o ramo comercial dos Oppenheimer. Como veremos adiante, estaabsorçãso do Salomon Brothers, banqueiros de investimentos para o Citibank de Nova York, teve os resultados maisdevastadores entre todos.Em um estudo de julho de 1981, a EIR aplicou os resultados de uma avaliação engenhosa de investimento estrangeirodesenvolvida pela Securities Industry Association (Associação da Indústria de Títulos), sobre os dados disponíveis docontrole estrangeiro dos bens americanos. Esta mostrou o absurdo dos dados do Tesouro: pela lei, as corretoras deviamrelatar a nacionalidade das transações com valores de origem estrangeira. O resultado desta análise provou seresclarecedor; os dados do Tesouro mostravam que os investidores estrangeiros trocavam as carteiras de ações váriasvezes, tanto quanto os investidores americanos. Isto era impossível, argumentava a Associação; era mais possível que oTesouro houvesse calculado muito mal o total de investimentos estrangeiros. Se os investidores estrangeiros secomportassem como os americanos, então o total de investimentos daqueles em bens e ações americanos, em 1980, fora225 bilhões de dólares, três vezes a estimativa (75 bilhões) do Tesouro! Esta quantia representava mais ou menos 20%do valor de todas as ações americanas. Entretanto, 20% do total parecia representar uma concentração muito maior doque o controle efetivo.Sabemos que os fondi europeus e seus bancos de investimentos “laranjas” lavam fundos de países deficitários e ostransformam em investimentos anônimos em países superavitários, criando a suposta “discrepância estatística”. Umavez que se conheça a natureza da fraude, a discrepância se explica. Armados com uma estimativa aproximada daextensão da infiltração da Narcotráfico S. A. no sistema financeiro americano, e seu controle dos bens corporativosamericanos, podemos completar a sórdida história das estreitas relações dos traficantes de drogas com as maisprestigiosas intituições financeiras americanas. HONG KONG, OPPENHEIMER E BANCO AMBROSIANO: ONDE O CAPITAL ESPECULATIVO REINAA Salomon Brothers foi a última das grandes firmas de Wall Street, e a mais importante, a acabar, fundindo-se em 1981com o braço comercial do império Oppenheimer, a Phibro. Por este processo, os Oppenheimer adquiriram o controleefetivo do maior banco comercial americano, o Citibank. Um mês após esta fusão, o representante da Costanzo, GeorgeVojta, foi sem alarde para a Phibro, para cimentar um relacionamento transatlântico entre o maior banco americano e omaior império de matérias primas anglo-sul africano. Harry Oppenheimer afirmara anteriormente naquele ano“Pretendemos expandir-nos na América do Norte”, e começou a criar um instrumento de 3 bilhões de dólares com quefazê-lo: a firma de investimentos Minorco, nas Bermudas, que Oppenheimer criou no mesmo ano. Tanto o presidentedo Citibank, Walter Wriston, quanto o principal advogado do Citibank e sócio gerente da Shearman and Sterling,Robert Clare, entraram para a diretoria da Minorco. Um ano antes, Oppenheimer passara a controlar 28% da única firmade ouro sul africana que rivalizava com a Anglo-American, a Consolidated Gold Fields, a segunda maior produtora deouro do país. Também com 28% do controle da Engelhard Minerals, a maior refinadora americana de metais preciosose organização de origem da Phibro, Oppenheimer domina os metais preciosos do mundo e seus mercados de uma formaque o fundador da Anglo-American no século XIX, Cecil Rhodes, nem sonhava.Ainda mais obscuro que as operações ultra secretas da Phibro, é o papel da Anglo-American no paraíso fiscalcaribenho, a principal passagem para o capital especulador internacional rumo a lugar mais permanente. Cerca de 100bilhões de dólares em ativos bancários somente nas Bahamas, tanto quanto operações substanciais nas ilhas Virgensbritânicas, Antilhas Holandesas, ilhas Caimã e outros centros bancários caribenhos, movimentam o dinheiro quedesaparece dos balanços mundiais sob a forma dos 200 bilhões de dólares de “discrepância estatística”, descritaanteriormente. O principal banco de investimento da região é o International Trust Corporation (ITCO), criado peloconsórcio da Anglo-American com o Banco Barclays do Reino Unido (Barclays Bank of United Kingdom), o RoyalBank do Canadá (Royal Bank of Canadá) e o N. M. Rothschild londrino --- o qual encontraremos aqui e ali nas páginasque se seguem. O ITCO cria bancos, companhias de investimentos, corretoras de comodities, fuga de impostos, fundos,seguradoras e resseguradoras por todo o Caribe, facilitando contatos com reguladores bancários locais e apoiando alegalidade dos operadores de paraísos fiscais com que lida. Com efeito a ITCO é a agência da Phibro irmã dos bancoslocais.O Citibank, sócio direto de Oppenheimer no negócio de lavagem de dinheiro no Caribe, e sócio indireto na sociedadePhibro-Salomon, não é recém chegado no jogo do capital especulativo. No começo dos anos 60, Robert Meyjes do FirstNational City Bank, sugeriu ao presidente Walter Wriston que o banco estabelecesse uma divisão de “banco privadointernacional”, para conduzir fundos de indivíduos ricos do exterior para os mercados de investimentos americanos.Wriston apoiou o plano.Quando esta nova divisão abriu, tinha seis empregados e administrava 250 milhões de dólares. Doze anos depois, adivisão de “banco privado” do renomeado Citibank era responsável por investimentos de 12,5 bilhões de dólares, econtribuía com 10% para os lucros anuais do banco. 69
  • 70. O indivíduo que primeiro propusera o novo departamento era um holandês chamado Robert Christopher PortomasMeyjes. Em dez anos, Meyjes treinou 600 bancários em sua divisão. Hoje, seus protegidos administram as divisões debanco privado da maioria dos grandes bancos americanos de Boston a São Francisco. Meyjes está agora no escritório doCitibank em Paris.Os antigos bancários a quem Meyjes treinou durante os anos 60, mantém uma ativa rede de “velhos amigos’, de acordocom os participantes. Muitos saíram para seus próprios negócios, administrando investimentos privados de clientesapresentados por sócios de grandes bancos comerciais. Cada “banqueiro privado internacional” tem um livro negro deantigos colegas que agora operam por si como “assessores de investimentos”. Quando um cliente no exterior requerserviços que são sensíveis demais para o banco manejar --- por exemplo, a criação de agências “laranjas” ou o aluguelde avião inexistente --- o banqueiro mandará o cliente para um dos “conselheiros”. Este realizará a fraude requerida, eos fundos retirados pelo cliente, de seu negócio ou sua carteira de investimentos no país sede, são então investidos pela“divisão de banco privado” do banco comercial que fez o encaminhamento.O banco Chase Manhattan de David Rockefeller não demorou a imitar o imaginativo programa do Citibank para obternovos depósitos. Em 1966, circulou um memorando na divisão internacional do Chase, afirmando explicitamente que obanco procuraria fundos internacionais ilícitos, como novas fontes de depósitos. No departamento internacional doChase, isto se tornou conhecido como “ procurando o dinheiro da máfia”. O Chase logo entendeu que isto era maisfacilmente proposto que realizado. Havia eleito o mercado asiático como prioritário, mas viu que Hong Kong, omercado central asiático, era um clube fechado demais para permitir fácil acesso a um banco americano. Até quecolocasse o bilionário armador Y. K. Pao em seu conselho de diretores, estabelecendo uma ligação com o banco HSBC,do qual o armador era vice-presidente, o Chase não pode começar sua expansão posterior no mercado de Hong Kong.O Bank of América, olhando para o ocidente desde sua sede em São Francisco, também escolhera Hong Kong como suaprioridade máxima. Rudolph Peterson, seu antigo chefe internacional, uma vez disse a um repórter, “O HSBC é ainstituição dominante lá, mas achamos um meio de trabalhar com eles de forma a que não nos vissem como ameaça”.Quando o agora infame Banco Ambrosiano desapareceu no escândalo financeiro dos anos 80, os presidentes dosmaiores bancos comerciais americanos não poderiam ter ficado mais embaraçados do que se precisassem confessar àsesposas, que haviam contraído uma doença social. O Ambrosiano era um bordel financeiro; em si, não seria de nenhuminteresse além do policial, se não fosse pelo fato de que suas propriedades e clientela incluíssem a elite financeira daEuropa e dos Estados Unidos. Não somente os maiores bancos italianos, inclusive o Banca Commerciale Italiana, e afilial suíça do Banca della Svizzera Italiana, mas o Bank of América e o Chase estavam até as orelhas no escândalo.Sendo o mais importante financista do Partido Socialista Italiano, e tesoureiro da loja Propaganda 2 da maçonariaitaliana, Calvi separou os 6 bilhões de dólares do Banco Ambrosiano do coração dos 20 bilhões do impériointernacional de companhias fundidas e associadas. Mas o Ambrosiano em si fazia parte de uma série maior de peças doquebra cabeças que era um sindicato internacional poderoso, mas secreto, chamado “Inter-Alpha”, quer dizer, “entre osprimeiros”. Este foi fundado como a ponte entre a lavagem de dinheiro no Levante, por Roberto Calvi, e as operaçõesno Extremo Oriente dos financistas das drogas de Hong Kong: seus membros britânicos são o Royal Bank da Escócia(RBS-Royal Bank of Scottland) e seu sócio inglês, o banco de compensação Williams and Glyns. Ao tempo da falênciado Ambrosiano em 1982, o Royal Bank da Escócia estava negociando uma fusão com ninguém menos que o HSBC.Notáveis eram as ligações íntimas entre Calvi e os maiores bancos americanos. O grupo Inter-Alpha capitalizava umapequena corretora de valores em Nova York chamada “Ultrafin”, deixando a administração para Roberto Calvi e seuamigo íntimo, o falecido fundador do Clube de Roma, Aurélio Peccei, o antogo chefe da FIAT na Argentina. Porsugestão de Peccei, Calvi trouxe o economista chefe da Comissão Trilateral de David Rockefeller, professor RichardGardner, para atuar como chefe de Inteligência para a Inter-Alpha em Nova York. Gardner tornou-se membro doconselho da Ultrafin em Nova York com esta aribuição especial.Richard Gardner, pessoalmente ligado a Rockefeller, dono do Chase, escreveu todos os principais documentosfinanceiros da Comissão Trilateral, inclusive o plano de 1976 para substituir o controle da economia política dosgovernos nacionais, por um banco central verdadeiramente global. Sua esposa Daniele Luzzatto é filha de BrunoLuzzatto, o aristocrata veneziano que controlou o escritório parisiense do Plano Marshall após a Segunda GuerraMundial.Enquanto isto, o Bank of América juntou-se ao Banca Nazionale della Agricoltura no Banca d`América e d`Itália, quecapitalizou uma associação conjunta com o Banco Ambrosiano com os 3 bilhões de dólares em ativos do InterbancaSpa.Quase até o fim, o Bank of América defendeu sua conexão com Calvi. Como foi relatado na EIR em 7 de julho de 1981,o chefe do departamento internacional do banco em São Francisco, Rudolph Peterson, disse “O Banco Ambrosiano é 70
  • 71. um ótimo e honesto banco de boa reputação”. Peterson, cujos laços fortes com a Itália mereceram-lhe a Grande Ordemdo Mérito deste país, acrescentou “Estou certo que este escândalo com eles será esclarecido. Mesmo quando há caos àsua volta, os banqueiros, e especialmente os do banco central, sabem como atravessá-lo. Os bancos e o banco centralcontinuarão com direção firme e o escândalo se resolverá”. KISSINGER E A NOVA DIRETORIA DA NARCOTRÁFICO S. A.Peterson, do Bank of América, estava errado. Calvi terminou enforcado sob a ponte Backfriars em Londres, e aNarcotráfico S. A. foi de novo reorganizada --- desta vez de cima abaixo.Essas habilidades, como as relatamos há seis anos, eram impressionantes em sua época. Mas não são mais necessárias.A grande transferência dos fondi oligárquicos para dentro dos Estados Unidos tornou-as supérfluas.Quando Henry Kissinger foi eleito para o conselho de diretoria do American Express em março de 1984, fechou-se umcírculo que começara com a onda de absorções estrangeiras de corretoras americanas, durante os anos 60 e 70. A antigacorretora de George Ball, a Lehman Brothers, há muito fora absorvida por sua grande rival, entre as antigas casas dejudeus alemães de Wall Street, a Kuhn Loeb, para formar a Lehman Brothers-Kuhn Loeb. A Shearson Hayden Stone, asegunda corretora de varejo após a Merrill Lynch, repetira a mudança desta para banco de investimento, ao absorver aterceira das antigas corretoras de judeus alemães, a Loeb Rhoades. A American Express, por sua vez, engoliu aShearson-Loeb Rhoades e Lehman-Kuhn Loeb, juntando em um só bloco uma grande parte do que indentificáramos em1978 como os supostamente respeitáveis interesses por trás do crime organizado e do tráfico de drogas. O membro doconselho da American Express, e principal advogado responsável pelo manejo da série de fusões, foi Kenneth Bialkin, oatual presidente da Liga Anti-Difamação de B`nai B`rith (ADL); seu antecessor, Theodore Silbert, da família Recanatido Sterling National Bank, atualmente é réu de ação civil iniciada pelo governo italiano, sob alegação de que ajudaraMichele Sindona a lavar dinheiro para o falido Banca Privata.A Shearson Lehman Ammerican Express, como a última em Wall Street se chama, é a fênix que renasceu das cinzasdos mercados de dinheiro no exterior. A nova entidade é controlada efetivamente, por sua vez, por dois dos maissombrios financistas do mundo, Edmund Safra e Carl Lindner, cada um dos quais possui cerca de 4% das ações.Lindner, como já se disse antes, é proprietário do antigo sistema de contrabando de drogas da United Fruit. O caso deSafra é mais interessante.A sua parte controladora no American Express deriva da fusão, em janeiro de 1983, de seu Trade Development Bank deGenebra (Trade Development Bank of Geneva) com o American Express International Bank, onde Safra serviubrevemente como presidente. O AMEX tomou o controle da instituição suíça e sua rede global, em troca de 4% de suasações controladoras. Safra é figura de proa conhecida das famílias banqueiras sírio-judias que serviram aos fondivenezianos e genoveses desde Aleppo, através da longa história das finanças levantinas.O Republic National Bank de Nova York, de Safra, na pessoa de seu presidente Theodore Kheel, fez as apresentaçõesque permitiram ao suspeito banqueiro argentino David Graiver comprar o American Bank and Trust. Graiver depoispilhou 45 milhões de dólares deste, junto com John Samuels, um “laranja” de Nova York dos patrocinadores originaisde Safra, a família Recanati do Israel Discount Bank. O estelionatário argentino logo depois desapareceu, quando seuavião caiu no México. Graiver fora o principal financista dos terroristas argentinos Montoneros, e funcionara como aconexão argentina para a antiga lavagem de dinheiro de Tibor Rosenbaum-Meyer Lansky, antes de sua curta fuga paraNova York.Estes são os atuais patrões de Henry Kissinger, que também serve como vice-presidente do conselho internacional deassessoria do Chase (foi presidente até que David Rockefeller aposentou-se do banco, e passou para este conselho),conselheiro do Goldman Sachs e consultor de dúzias de importantes corporações e instituições financeiras, pelaKissinger Aassociados (Kissinger Associates).Os membros desta representam um conselho de fato de diretores para a entidade que chamamos Narcotráfico S. A..Exatamente como Kissinger é representado no conselho do American Express, este é representado na KissingerAssociados por Mario d`Urso. Este veio para a Shearson Lehman American Express da antiga Kuhn Loeb, cujodepartamento internacional dirigia antes que se fundisse com a Lehman. É também o chefe em Nova York daSeguradora Jefferson (Jefferson Insurance Company), o braço conjunto das seguradoras gigantes venezianasAssicurazioni Generali e Riunione Adriatica di Sicurtà; como vimos antes, são elas as câmaras de compensação centraisdos antigos fondi venezianos. O presidente em Nova York da Seguradora Jefferson é um velho camarada de Kissingerno Departamento de Estado, Nathaniel Samuels, também da antiga corretora Kuhn Loeb; também é o presidente emNova York do Banque Louis–Dreyfus Holding Company nos Estados Unidos e diretor do Banque Louis-Dreyfus deParis, o qual dirige a companhia graneleira de mesmo nome, um dos cartéis de alimentos que fazem parte dasseguradoras venezianas. Outro membro do conselho da Seguradora Jefferson, por muitos anos, foi o antigo chefe da 71
  • 72. Inteligência britânica em Nova York, o financista Arthur Ross, íntimo do falecido presidente da Lazard Frères, AndréMeyer.O britânico Lord Carrington, co-fundador da Kissinger Associados, até mudar-se para o quartel general da OTAN emBruxelas, é um antigo diretor tanto do Hambro`s Bank (um dos fondi que constituem a Assicurazioni Generali) aotempo em que o mesmo comprou 25% do Banca Privata de Michele Sindona, quanto do Barclays Bank, o principalfinanciador e sócio na fraude caribenha dos Oppenheimer.Lord Carrington foi substituído no conselho da Kissinger Associados, em meados de 1984, pelo presidente do bancomercantil londrino S. G. Warburg, Lord Eric Roll of Ipsden, que justamente completara a reorganização dascompanhias dos Warburg em Londres sob a holding Mercury Securities.A representação londrina da família Oppenheimer (que reencontraremos adiante ao examinarmos as finanças externasda União Soviética), a Charter Consolidated, comprou 9% do novo consórcio Warburg que tem propriedade conjuntacom o Banque de Paris e des Pays Bas (Banco de Paris e dos Países Baixos-Paribas) de Paris, o acionista controlador daAssicurazioni Generali de Veneza.Na Ásia, a Kissinger Associados é representada por Sir Y. K. Kan, de Hong Kong, que também representa as quatrofamílias chinesas do exterior que controlam o Bank of Eeast Asia, de Hong Kong.O pessoal da Kissinger Associados é chefiado por Lawrence Eagleburger, membro antigo do mais alto nível dadiplomacia americana, e protegido de Kissinger desde os dias de Nixon. Em uma série de 1984, sobre a economia damaconha na Jamaica, o NEW YORK TIMMES ridicularizou as explicações de Eagleburger de que, ao apoiar o regimede Edward Seaga na Jamaica, não tinha idéia de que Seaga internacionalmente tornara a maconha a principal colheitalucrativa do país. Seaga anunciara sua intenção no WASHINGTON POST e no programa de televisão americano “Facethe Nation”.A rede de interesses representados na Kissinger Associados não é nova. Ao contrário, eles representam os antigos fondique colaboram entre si há séculos. O que é novo e de mau agouro é que os homens que fazem o serviço sujo para osfondi saíram das sombras dos paraísos fiscais caribenhos, e do contrabando de Hong Kong, para os conselhos das maispoderosas instituições financeiras americanas, e estão bem próximos dos conselhos do próprio governo americano. Éainda pior o fato de que o canal principal de influência política do império soviético, na política americana, tornou-seagora rede dos elementos constituintes da Narcotráfico S. A., duplamente assim no contexto da manobra soviética nosubmundo financeiro, o qual documentaremos em capítulo posterior.Conforme o FMI tenta destruir um a um os amigos dos Estados Unidos no mundo em desenvolvvimento, criandocondições sob as quais a influência soviética possa estender-se às nações inerentemente hostis aos objetivos desta, assimas políticas incentivadoras do FMI financiam as operações secretas do império soviético. O monstro que identificamosem 1978 mudou, largando as máscaras do Banco Ambrosiano e da IOS, somente para crescer em extensão e influência.Seis anos atrás, o tráfico de narcóticos ameaçava todas as futuras gerações de jovens. Agora é o centro da mais graveameaça à civilização ocidental desde o século 14. Vagarosamente, com atraso, os governos do ocidente admitiram aextensão do problema e, à sua moda preguiçosa, aceitaram parte da análise que oferecemos há sei anos atrás. Mas açãoefetiva e implacável deve ainda ser tomada, contra os cidadãos e as instituições que trouxeram a ralé do submundofinanceiro para o ápice do poder na vida política. 72
  • 73. PARTE 2A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO DA GRÃ-BRETANHA 73
  • 74. INTRODUÇÃOENFRAQUECENDO A VITALIDADE DE UMA NAÇÃOEste é o cenário do que se segue: os narcóticos estão vindo do exterior por um grupo eficiente e bem organizado decontrabandistas. Um quinto da população abusa das drogas, uma epidemia que sobrepuja qualquer outra conhecidadesde as Grandes Pragas. Não somente os pobres, mas os ricos e os filhos dos ricos sucumbiram. Dentro da nação, ocrime organizado distribui descaradamente seus lucros das drogas, dirigindo os governos municipais e ameaçando aintegridade até do governo nacional. Nenhum de seus oponentes está a salvo dos assassinos, nem mesmo o chefe deestado. A polícia está no matadouro. A fibra moral da nação se deteriorou além do ponto perigoso.Um dos principais traficantes de drogas escreve aos superiores no exterior que, enquanto o uso das drogas continuar adominar a nação, “não há a menor razão para temer que ela se torne um poder militar de qualquer importância, pois ohábito enfraquece as energias e a vitalidade da nação”.A descrição familiar não é a da América em 1986, mas da China em 1838, às vésperas da primeira guerra do ópio,quando a Grã-Bretanha enviou tropas para compelir a China a tomar o veneno distribuído pelos mercadores britânicos.Durante o século passado, as finanças britânicas, protegidas pelas armas britânicas, controlou o tráfico mundial denarcóticos. Os nomes das famílias e instituições são conhecidos dos estudantes de história: Matheson, Keswick, Swire,Dent, Baring e Rothschild; Jardine Matheson, o HSBC, o Chartered Bank, a Companhia de Navegação a VaporPeninsular e Oriental (Peninsular and Orient Steam Navigation Company). A inteligência britânica conduzia umescritório mundial de assassinatos, operando através das sociedades secretas: a Ordem de são João de Jerusalém, seubraço sionista centrado na Fundação Jerusalém, a máfia de Mazzini, os Tríades, ou Sociedades do Céu na China.Verificando os registros do tráfico de narcóticos e sua esteira de corrupção e mortes, o aspecto mais sinistro da PaxBritânica baseada no ópio é a maneira pela qual desavergonhadamente os comerciantes de drogas operam e seapresentam. O comércio do ópio para os britânicos não era um negócio sórdido feito nos becos, mas um instrumentohonrado de política estatal, o suporte do Tesouro, o objeto de elogios dos principais apóstolos britânicos do “livremercado” --- Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus, James Mill e John Stuart Mill. O envenenamento daChina, e mais tarde dos Estados Unidos pós Guerra Civil, não leva à prisão, mas à nobreza. Grandes espaços doExtremo Oriente se devotaram à cultura da papoula do ópio, com exclusão de culturas para alimentação, até quemilhões de pessoas dependessem totalmente da cultura, distribuição e consumo de drogas.Os Keswicks, os Dents, os Swires e os Barings ainda controlam o fluxo mundial de opiáceos, de sua fortaleza nacolônia da corôa britânica de Hong Kong. A Jardine Matheson, o HSBC e a Companhia de Navegação a VaporPeninsular e Oriental ainda controlam os canais de produção e distribuição das drogas desde o Extremo Oriente, atravésdo domínio britânico do Canadá, até os Estados Unidos. Por uma cadeia initerrupta de sucessores, os descendentes dasTríades, da máfia e dos Hofjuden da Câmara Britânica de Representantes Judaicos (British Chamber of JewishDeputies) ainda promovem o tráfico de drogas, as transferências de dinheiro sujo, a corrupção política e um escritóriode assassinatos que tirou a vida de um Presidente americano. Atualmente, os lucros das drogas desta máquina não maissão registrados nas contas públicas do Tesouro Britânico. Mas as instalações principais do tráfico de drogas não mais seescondem como faziam há cem anos. Da colônia da corôa de Hong Kong, o HSBC faz o que os Keswicks mandamfazer: fornecem possibilidades centralizadas de redesconto para o financiamento do comércio das drogas. Ossobrenomes da alta administração ainda são os mesmos.Até hoje, os grandes e antigos nomes das bebidas e comércio de drogas da Lei Seca despertam a atenção dosamericanos: Bronfman, Kennedy, Lansky. Estão os alienígenas do comércio de ópio da Índia, da máfia da Lei Seca,aprisionados nos livros de história e nas telas de cinema? Freqüentemente, o observador sente um momentâneo lapso notempo e vê, não um livro de história, mas o jornal da manhã, não o filme noturno, mas o noticiário da televisão.A história que iremos contar aconteceu duas vezes. Ocorreu primeiro na China e agora acontece nos Estados Unidos.Enfatizando que nem os nomes, nem os pontos de reunião dos criminosos mudaram, começamos a contar comoaconteceu da primeira vez. 74
  • 75. 1 A GUERRA DA COMPANHIA DASÍNDIAS ORIENTAIS CONTRA A CHINAEm 1715, a Companhia Britânica das Índias Orientais abriu seu primeiro escritório no Extremo Oriente, no porto chinêsde Cantão, e começou a comerciar ópio. Entre este tempo e a primeira guerra do ópio contra a China em 1840, a Grã-Bretanha não assumiu a direção do comércio de drogas, mas este apossou-se dela. O meio foi o quase golpe de estadoem 1783 por Lord Shelburne (o Primeiro-ministro britânico que concluiu as negociações de paz com as colôniasamericanas após Yorktown), que levou ao poder em Londres a facção financeira e política que conduzia o comércio doópio asiático.Shelburne dirigia um grupo centralizado na Companhia das Índias Orientais, um outro de mercadores escoceses e umaaliança no continente com a ordem de cavalaria dos Cavaleiros de São João de Jerusalém (Ordem de Malta---N.Ed.) e aCompanhia de Jesus (Jesuitas --- N.Ed.). Impossibilitado de chefiar em seu próprio nome --- era conhecido como o“jesuíta da praça Berkeley” --- Shelburne manobrou para conservar William Pitt, o Jovem, como Primeiro-ministro porvinte anos.A Companhia das Índias Orientais começara a negociar narcóticos em 1715, mas não foram os primeiros. Desde que amissão jesuita original se estabelecera em Pequim em 1601, a Companhia de Jesus guardava a chave do comércio como Extremo Oriente, inclusive das drogas. O primeiro registro do cultivo em grande escala de ópio vem da Índia, entãosob o império Mogul no fim do século XVI, quando os jesuitas ---seguindo a trilha dos primeiros comerciantesportugueses --- alcançaram posições de inquestionável autoridade na corte Mogul.Com os jesuitas como seus contatos entre os dirigentes Manchu da China e o império Mogul, os portugueses, e maistarde os holandeses, apossaram-se das centenárias rotas de comércio de drogas, abertas por comerciantes árabes eindianos, inclusive o comércio de ópio entre Cantão e Macau, controlado pelos portugueses. Os holandeses mais tardenegociaram o monopólio de ópio para todo o norte do sub-continente indiano, o que incluía Bengala, Bihar, Orissa eBenares. Os comerciantes holandeses receberam permissão para forçar os camponeses indianos a produzirem ópio emtroca de impostos pagos à corte Mogul. Em 1659, o comércio de ópio estava atrás somente do comércio comespeciarias, para o qual o ópio era um meio de troca. Por 1750, os holandeses transportavam mais de cem toneladas deópio anuais para a Indonésia.O ópio foi sempre um produto extraordinariamente lucrativo, mas os holandeses não deixaram de notar seus benefícioscolaterais. De acordo com um historiador, os holandeses considerarram o ópio um meio útil de quebrar a resistênciamoral dos indonésios que se opunham à introdução deste sistema de plantação semi-servil, mas crescentementelucrativo. Eles deliberadamente espalharam o hábito da droga nos portos, onde os comerciantes árabes usavam o ópiopara levá-lo ao interior.A Companhia das Índias Orientais permaneceu secundária neste comércio até as vitórias militares de 1757, quetornaram Bengala uma colônia da corôa. Mas os beneficiários da nova mudança no comércio de ópio não foi a Grã-Bretanha, nem mesmo a própria companhia. Esta pagou os custos das expedições militares de 1757, mas não viunenhum lucro, pois as rendas do comércio de ópio encheram os bolsos dos funcionários da companhia na Índia.Repetidamente, a Companhia das Índias Orientais solicitou uma investigação do Parlamento, até que Shelburne tomou afrente, reorganizou a companhia e tornou-a o instrumento central de pilhagem para a manutenção do império britânico.Shelburne tomou duas entidades falidas, a Compnhia das Índias Orientais e o Império Britânico, e combinou-as parafazê-las funcionar. Pelo fim da guerra de independência das colônias americanas, o débito nacional britânico subira paraa quantia então estupenda de 240 milhões de dólares. Como os atuais países sub-desenvolvidos, o serviço anual dadívida britânica consumia mais de metade de todos os impostos governamentais. O que era mais sério, através da Ligada Neutralidade Armada, a aliança européia que se havia formado contra a Inglaterra durante a guerra, a Inglaterra tinhaperdido para a França a maioria do mercado europeu de produtos tais como linho, têxteis e ferragens.Para aliviar a crise, Shelburne propôs uma dupla estratégia: expandir o tráfiico de ópio e subverter os Estados Unidos ---ambos sob a bandeira do “livre mercado”. A primeira alcançou total sucesso com a guerra do ópio contra a China; asegunda não, até o século XX.Primeiro, Shelburne firmou uma aliança com a facção da Companhia das Índias Orientais de Laurence Sullivan, cujofilho foi sub-contratado para o monopólio privado do ópio em Bengala, e Francis Baring, o banqueiro anglo-holandês 75
  • 76. importante no comércio atlântico. Com o dinheiro do comércio do ópio e o patrocínio da máquina da monarquia,Shelburne comprou o Parlamento inteiro em 1783, e consolidou o poder financeiro que deixou longe o das famíliaslatifundiárias da revolução gloriosa de 1688, e que haviam posto a perder a política britânica com as colôniasamericanas.O principal propagandista de Shelburne foi Adam Smith, o empregado da Companhia das Índias Orientais cujo livro de1776, “A Riqueza das Nações”, deu partida à política britânica de manter as colônias americanas atrasadas comoprodutoras de matérias primas, e o mandato para expandir o comércio de ópio. Smith destruiu a prática da Companhiadas Índias Orientais de “ordenar aos camponeses que arasse um rico campo de papoulas e o semeasse com arroz ououtro grão qualquer”, a fim de manter o alto preço do ópio nos restritos mercados existentes. O ópio deveria sertransformado, de fonte de fortunas para alguns poucos oficiais da Companhia das Índias Orientais, em sangue doimpério. Smith escreveu na “Riqueza das Nações”: • “Os servos da companhia tentaram em diversas ocasiões estabelecer em seu favor o monopólio de alguns dos mais importantes produtos, não somente estrangeiros, mas do comércio interno do país... No curso de um século ou dois, a política da companhia inglesa se tornaria desta forma tão destrutiva quanto a dos holandeses... Nada entretanto pode ser mais diretamente contrário ao interesse real dessas companhias, consideradas como soberanas dos países que conquistaram.... É do interesse (do soberano) entretanto aumentar tanto quanto possível a produção anual. Mas se isto é do interesse de cada soberano, é igualmente daquele cuja renda, como a do soberano de Bengala, vem principalmente do arrendamento da terra. Este arrendamento deve necessariamg54ente ser em proporção à quantidade e valor da produção, e ambos devem depender da extensão do mercado”.O “produto” era o ópio.Em 1787, o Secretário de Estado britânico Dundas propusera que a Grã-Bretanha pressionasse a China para que criasseo mercado do ópio. A Companhia das Índias Orientais, enquanto isto, estabeleceu um grupo de testas de ferro ouintermediários para conduzirem as exportações de ópio da Índia para a China, com aprovação secreta da Companhia.Entre os primeiros estava Jardine Matheson, que mantém participação ativa no tráfico de heroína do Extremo Orienteaté hoje.Agora sob o patrocínio direto da corôa, Jardine Matheson e outros fomentaram uma epidemia de tráfico de ópio naChina. Pelo ano 1830, o número de caixas de ópio trazidas para a China aumentou quatro vezes, para 18.956 caixas. Em1836, a quantidade ultrapassou 30.000 caixas. Em termos financeiros, as quantias disponibilizadas, tanto pelo governobritânico quanto pelo chinês, mostram que entre 1829 e 1840, um total de 7 milhões de dólares de prata entraram naChina, enquanto 56 milhões foram sugados pela rápida subida no comércio de ópio. De fato, por volta de 1830, o ópioera o principal produto do comércio mundial. OS CHINESES CAÍRAM NA ARMADILHAEm 1840, o imperador chinês, confrontado com uma epidemia de vício que estava destruindo a classe mandarim e anação, tentou restringir as companhias comerciais britânicas. A resposta britânica foi a guerra.No ano anterior, o imperador designara Lin Tse-hsu comissário em Cantão, para liderar uma guerra ao ópio. Lin lançouum sério golpe contra as gangues Tríades, patrocinadas pelas companhias comerciais britânicas para contrabandeardrogas desde a área da “fábrica” para as comunidades. A Sociedade Tríade, também conhecida como “Sociedade doCéu e da Terra”, era um culto religioso feudal centenário, suprimido pela dinastia manchu por sua freqüente oposiçãoviolenta aos programas de reformas do governo. O grupo Tríade em Cantão foi moldado e cultivado pelos jesuítas e osmissionários da Igreja Anglicana, e recrutado no comércio de ópio da Companhia das Índias Orientais desde o começodo século XIX.Quando Lin tentou prender um britânico empregado nas casas comerciais de ópio, o comissário da coroa Charles Elliotinterveio para proteger o contrabandista de drogas com a bandeira de Sua Majestade. E quando Lin respondeu, sitiandoos armazéns com cargas de chá prontas para velejarem para a Grã-Bretanha, até que os mercadores entregassem seusestoques de ópio, Elliot assegurou aos contrabandistas de drogas britânicos que a coroa se reponsabilizariaintegralmente por suas perdas.A coroa britânica tinha seu casus belli. Matheson, da casa de ópio Jardine 9Matheson, alegremente escreveu ao sócioJardine, então em Londres conferenciando com o Primeiro-ministro Palmerston, sobre como conduzir a iminente guerracontra a China: “Os chineses caíram na armadilha de se renderem diretamente e dependerem da coroa. Para umobservador atento, parece que toda a carrreira de Elliot foi expressamente destinada a fazer os chineses secomprometerem, e produzir uma coalisão”. 76
  • 77. E Matheson concluía a correspondência: “Suponho que a guerra com a China será o próximo passo”.Na verdade, em 12 de outubro de 1839, Palmerston enviou um despacho secreto a Elliot em Cantão, informando-o queuma força expedicionária procedente da Índia poderia ser esperada para março de 1840. Em um despacho secretoseguinte, datado de 23 de novembro, Palmerston forneceu instruções detalhadas sobre como Elliot procederia nasnegociações com os chineses, uma vez estes derrotados pela armada britânica.Este segundo despacho fora calcado em um memorando de Jardine datado de 26 de outubro de 1839, no qual ocomerciante de ópio pedia: 1- total legalização do comércio de ópio na China; 2- compensação pelos estoques de ópio,confiscados por Lin, até 2 milhões de libras; 3- soberania territorial para a coroa britânica sobre várias ilhas do litoral.Em um memorando simultâneo, ao Primeiro-ministro, Jardine colocou toda a frota de ópio da J & M à disposição dacoroa para a guerra contra a China.As forças chinesas, dizimadas por dez anos de vício desmedido de ópio dentro do exército imperial, provaram nãoserem adversárias para os britânicos.A armada britânica chegou e começou o sítio em junho de 1840. Enquanto encontrava dificuldade em Cantão, suaameaça às cidades do norte, especialmente Nanking, forçou o imperador a negociar. Dolorosamente consciente de quequalquer conflito prolongado meramente fortaleceria a posição de barganha dos britânicos, ele pediu um tratado paraacabar a guerra.Quando Elliot enviou a Palmerston em 1841, um rascunho do Tratado de Chuenpi, o Primeiro-ministro rejeitou-o desaída, replicando “Depois de tudo, nossa força naval é tão poderosa que podemos dizer ao imperador o que nósqueremos ter, e não ele dizer o que cederá”. Palmerston ordenou a Elliot que pedisse “entrada do ópio na China comoartigo de comércio legal, crescente pagamento indenizatório e acesso dos britânicos a vários portos chineses”.O Tratado de Nanking, assinado em 1842, trouxe à coroa britânica a inacreditável soma de 21 milhões de dólares emprata e o controle extra-territorial do “porto livre” de Hong Kong, até hoje a capital do comércio global britânico dedrogas.A primeira guerra do ópio definiu a proliferação e a exploração das drogas destruidoras da mente como alicerce dapolítica imperial britânica. Os que duvidam devem considerar esta afirmação política feita por Lord Palmerston, em umcomunicado de janeiro de 1841 a Lord Auckland, então governador geral da Índia: “A rivalidade das manufaturaseuropéias está rapidamente excluindo nossos produtos dos mercados europeus, e devemos incessantemente nos esforçarpara achar, em outras partes do mundo, novos mercados para nossa indústria (do ópio)... Se tivermos sucesso em nossaexpedição à China, a Abissínia, a Arábia, os países do Indo e os novos mercados da China nos darão uma extensãomuito importante ao âmbito de nosso comércio exterior...”É apropriado concluir este perfil resumido da primeira guerra britânica do ópio, citando a 15ª. edição da enciclopédiabritânica, publicada em 1977. Esta pequena biografia de Lin-Tse-hsu --- o líder da luta do imperador chinês paraderrotar os britânicos que viciavam os chineses --- esclarece ao leitor inteligente que a política britânica até hoje nãomudou nada: • “Ele (Lin) não compreendeu o significado das exigências britânicas de livre mercado e igualdade internacional, que se baseavam em seu conceito de império comercial. Este era um desafio radical à ordem chinesa do mundo, que só conhecia um império e povos sujeitados... Em famosa carta à rainha Vitória, escrita quando ele chegou a Cantão, Lin perguntava se ela permitiria a importação de tal substância venenosa para seu próprio país, e pedia a ela que proibisse seus súditos de trazê-la para os dele. Lin apoiava-se em um tom moral agressivo, enquanto procedia sem descanso contra os mercadores britânicos, de forma que somente insultaria o governo deles”. DIPLOMACIA BRITÂNICA DO ÓPIONem uma dezena de anos se passaria da assinatura do Tratado de Nanking antes que a coroa britânica precipitasse suasegunda guerra do ópio contra a China, com conseqüências desastrosas similares para os chineses, e com lucrosmonumentais similares para os comerciantes de drogas de Londres. A partir desta segunda guerra (1858-1860), osbancos comerciais e companhias mercantis britânicas estabeleceram a Corporação Hong Kong e Shangai (Hong Kongand Shangai Banking Corporation --- HSBC), que até hoje serve como câmara de compensação central para todas astransações financeiras do Extremo Oriente, relacionadas com o mercado negro do ópio e de seu derivado, a heroína.Além disso, com o sítio conjunto britânico-francês de Pequin em outubro de 1860, os britânicos completaram oprocesso de abertura total da China. Lord Palmerston, o alto sacerdote dos ritos escoceses da maçonaria, voltara a serPrimeiro-ministro em junho de 1859, para conduzir a segunda guerra e completar a política de “China aberta”, quedelineara vinte anos antes. 77
  • 78. Como a invasão de Cantão em 1840, a segunda guerra do ópio foi um ato de agressão imperial britânica, lançada combase no primeiro pretexto fútil que apareceu. Pouco antes de ordenar uma campanha ao norte contra Pequin (quepermitiu aos britânicos manter tráfico initerrupto de ópio mesmo durante o estado de guerra), Lord Palmerston escreveua seu colaborador, o Secretário do Exterior Lord John Russell (avõ e guardião do satânico Lord Bertrand Russell)“Devemos de alguma forma fazer os chineses se arrependerem do ultraje”, referindo-se à derrota sofrida por uma forçaexpedicionária conjunta britânico-francesa, nos fortes Taku, em junho de 1859. Esta, agindo com ordens de tomarem osfortes, desembarcou em um porto cheio de lama, e várias centenas de marinheiros, ao tentarem chegar à terra pela lama,haviam sido mortos ou capturados. “Devemos enviar uma força militar naval para atacar e ocupar Pequin”, continuouPalmerston. Pegando a senha, THE TIMES de Londres lanlou uma campanha sanguinária de propaganda: “A Inglaterracom a França, ou a Inglaterra sem a França, se necessário... dará uma lição aquelas hordas pérfidas, a de que a Europaserá daqui por diante um passaporte do medo, se não pode ser de amor, por toda a terra delas”.Em outubro de 1860, a força expedicionária britânico-francesa sitiou Pequin. A cidade caiu em um dia, com quasenenhuma resistência. A despeito dos protestos franceses, o comandante britânico Lord Elgin ordenou que os templos eoutros lugares sagrados da cidade fossem saqueados e queimados até o chão, como demonstração de desprezo britânicopelos chineses.Após quatro anos da assinatura do Tratado de Tientsin (25 de outubro de 1860), a Grã-Bretanha controlava 7/8 docomércio de ópio na China, que se expandia enormemente. Este subiu a mais de 20 milhões de libras somente em 1864.Nos vinte anos seguintes, a exportação total de ópio da Índia, cuja esmagadora maioria era encaminhada para a China,subiu como foguete, de 58.681 caixas em 1860 para 105.508 caixas em 1880.Com sua guerra contra a China, a Grã-Bretangha estabeleceu seu método de controle do comércio internacional doópio: 1- patrocínio do vício maciço nas populações coloniais e neo-coloniais visadas, como meio “de enfraquecer a vitalidade da nação”; 2- boa vontade do governo de Sua Majestade em usar as forças militares nacionais para proteger o comércio de ópio; e, 3- uso dos lucros comerciais para financiar a infra-estrutura terrorista e criminosa, organizada dentro da nação visada, para viabilizar o comércio e atuar como quinta coluna dos interesses britânicos. CABEÇA DE PRAIA NOS ESTADOS UNIDOSA plantação de algodão nos estados sulistas dos Estados Unidos não foi meramente uma faceta da mesma operaçãocomercial que produziu o comércio de drogas; para todos os fins, era o comércio de drogas.O ópio era o estágio final no ciclo de demanda do algodão, financiado pelos britânicos e produzido pelos escravos. Asfirmas britânicas traziam o algodão para Liverpool, que era fiado e tecido nos moinhos do norte da Inglaterra,empregando trabalho feminino e infantil não habilitado e com salários extremamente baixos. O produto final era emseguida exportado para a Índia, em um processo que destruiu a indústria têxtil ali existente, causando privaçõesgeneralizadas. A Índia pagava pelos tecidos importados (e trens para transportá-los, e a outros produtos britânicos) comos lucros das exportações de ópio bengalês para a China.Sem a “demanda final” das vendas de ópio aos chineses, a estrutura mundial inteira do comércio britânico teria sofridocolapso.Por causa da produção escravista e transporte do algodão, foi que a Grã-Bretanha ganhou aliados nos Estados Unidos,quanto ao ciclo de comércio de ópio da Companhia das Índias Orientais. O algodão sulista e o comércio de escravosforam dirigidos, em grau significativo, pelas mesmas famílias de origem escocesa que também dirigiam o comércio deópio no Oriente. A família Sutherland, uma das maiores comerciantes de algodão e ópio no sul, era prima em primeirograu da família Matheson. Os Baring, que fundaram a Companhia de Navegação a Vapor Peninsular e Oriental(Peninsular and Orient Steam Navigation Company) que transportava a droga, haviam sido os maiores investidores notransporte marítimo por clipper, ao tempo da Revolução Americana. A família Rothschild, tanto quanto seus futurosprimos banqueiros da “Nossa Gente” (our crowd) de Nova York, os Lehman da Lehman Brothers, entraram primeironos Estados Unidos através do comércio com algodão e escravos pré-guerra civil.Ao norte, John Jacob Astor tornou-se o primeiro “americano” a fazer fortuna nas vendas de ópio aos chineses. “Vemosque mercúrio e chumbo de Gibraltar e ópio de Smirna, tanto quanto ferro e aço do norte da Europa, começaram em1816 a ter lugar importante na lista de exportações de Astor para a China” escreveu um dos biógrafos de Astor. “De 78
  • 79. acordo com o Dr. Kenneth Latourette, mercúrio e ópio só se tornaram artigos regulares de exportação para a Chinapelos americanos em 1816, e Astor deve ter sido um dos pioneiros em sua introdução”.Astor despejou seus lucros do ópio no mercado imobiliário de Manhatttan, arranjo entre os dois negócios quepermanace intacto.A participação no comércio de ópio para a China, um monopólio de fato da Companhia das Índias Orientais ao tempoem que Astor entrou no tráfico, era um privilégio estendido somente a americanos que a Companhia julgavamerecedores. Outras firmas americanas ativas no comércio de Cantão não tocavam no ópio. Possivelmente, osprivilégios comerciais de Astor foram uma recompensa pecuniária dos britânicos pelos serviços dele como agente daInteligência britânica nos Estados Unidos. Astor financiou a fuga de seu advogado Aaron Burr após este assassinarAlexander Hamilton (em um duelo em 1804 --- N.Ed.); à época, Burr era um agente da Inteligência britçânica. Seucontrolador, para junto de quem fugiu após o assassinato de Hamilton, era o empregado da Companhia das ÍndiasOrientais, Jeremy Bentham.Além do grupo de Astor em Nova York, a Companhia desenvolveu redes similares na Filadélfia e em Boston, entrreoutras cidades americanas. O principal banco comercial britânico Baring Brothers, organizou um grupo de sócioscomerciais (e cunhados) na Filadélfia dos quakers. A família com qual os Baring se casaram foi a de William Bingham,sabidamente a mais rica dos Estados Unidos no começo do século XIX. Um historiador descreveu como o grupoBingham macaqueava completamente a oligarquia britânica: “Bingham era o admirador mais entusiasta do sistemafinanceiro britânico, que desejava copiar na América...Sua imensa riqueza permitia aos Bingham importar modas, ecopiar a residência do Duque de Manchester em Filadélfia... deram o primeiro baile de máscaras da cidade, encorajandoo que logo se tornou mania entre os americanos ricos, a paixão por se trajarem como aristocratas. Os Binghamsfinalmente alcançaram suas ambições, ao unirem duas filhas com aristocratas estrangeiros : uma com o Conde de Tilly,e a outra com um membro da casa bancária londrina dos Baring, que mais tarde tornou-se Lord Ashburton”.Outra família da Filadélfia que se uniu aos irmãos Baring foi a do milionário Stephen Girard, cujos negóciossobreviveram sob o nome da família no Girard Bank and Trust multibilionário da Filadélfia.Várias das antigas famílias “brâmanes de Boston”, entretanto, juntaram-se à onda do tráfico de ópio do século XIX, aosbem lembrados nomes britânicos de Jardine, Matheson, Sassoon, Japhet e Dent. As famílias Perkins e Forbesalcançaram notoriedade no tráfico após o monopólio da Companhia das Índias Orientais expirar em 1832, e após osAstor deixarem de ser importantes. William Hathaway Forbes tornou-se um sócio tão importante das companhiascomerciais britânicas, que entrou para o conselho de diretores do HSBC em 1866, dois anos após sua fundação.Hathaway, Perkins e Forbes, agiam através de uma empresa conjunta, a Russell e Companhia (Russell and Company),formada com o império marítimo da família Perkins, um “negócio abrangendo do Rio a Cantão”. As fortunas dessasfamílias, como as do grupo da Filadélfia, começaram com o tráfico de escravos --- passado a eles quando os britânicos olargaram, por dar prejuízo, em 1833. Os navios clippers da Russell e Companhia para a China fizeram não somente afortuna dos Perkins mas a da maior parte de Boston. Um biógrafo relata: “Pela fusão e criação da Russell e Companhia,ele tornou-se responsável em grande parte pelo estabelecimento de todas as famílias comerciantes de Boston --- Cabot,Lodge, Forbes, Cunningham, Appleton, Bacon, Russell, Coolidge, Parkman, Shaw, Codman, Boylston e Runnewell”.O Baring Brothers, o primeiro banco comercial do ópio, traficou de 1783 até hoje (faliu), também mantendo negócioscom as famílias bostonianas. John Murray Forbes (1813-1898) foi agente americano para os Baring, posto ocupadoanteriormente por Stephen Girard, da Filadélfia, que foi pai do primeiro americano no conselho do HSBC.O banqueiro principal do grupo tornou-se, no fim do século XIX, a casa Morgan ---que também teve sua parte notráfico de ópio oriental. Thomas Nelson Perkins, descendente do maganata dos navios de ópio e escravos que fundou aRussell e Companhia, tornou-se o principal agente em Boston do Banco Morgan, pelo seu First National Bank. Morgane Perkins, entre outras coisas, forneceram a maior doação para a Universidade de Harvard. As operações de Morgan noExtremo Oriente foram oficialmente conduzidas pelo tráfico de ópio britânico. Exemplar é o caso do sócio de Morgan,Willard Straight, que passou os anos de 1901 a 1912 na China, como assistente do notório Sir Robert Hart, chefe doServiço Imperial Alfandegário chinês, e por isto o principal oficial britânico a cargo da condução do tráfico de ópio.Mais tarde, aquele tornou-se chefe das operações do Banco Morgan no Extremo Oriente.O caso do Morgan merece exame especial da administração americana e suas agências reguladoras, pela íntima relaçãodo Morgan Guaranty Trust com a liderança dos bancos britânicos de drogas (veja Parte 3, seção 8 --- como o RIIAadministra drogas e dinheiro sujo). O presidente atual da Jardine Matheson, David Newbigging, o mais poderosohomem atualmente em Hong Kong, é membro do conselho internacional de assessores do Morgan. O presidente doMorgan et Compangnie, a divisão internacional do banco, pertence ao conselho do Real Instituto de AssuntosInternacionais (Royal Institute of International Affairs --- RIIA). O presidente do Morgam Grenfell, do qual o MorganGuaranty Trust tem 40%, Lord Catto of Cairncatto, pertence ao “Comitê Londrino” do HSBC. 79
  • 80. Mas talvez o exemplo mais devastador de continuidade entre as famílias americanas corruptas, envolve os descendentesdo velho John Jacob Astor. O cidadão americano Waldorf Astor, seu descendente direto, foi presidente do conselho doRIIA durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto os cidadãos americanos de sua agência , Instituto para Relações noPacífico (Institute for Pacific Relations --- IPR), treinados em Harvard, aplainavam a transição da produção de ópio paraa República Popular da China. A ENTRADA DA CHINAAs primeiras cargas de ópio para o consumo dos Estados Unidos não foram trazidas nos navios clippers de Astor, maspelo “comércio de coolies”, citado pelos seus patrocinadores britânicos, em Hong Kong e Shangai, como o “comérciodos porcos”.Antes mesmo da Guerra de Secessão, as mesmas companhias comerciais britânicas, por trás do comércio de escravos nosul, dirigiam o fantástico mercado de servos chineses contratados na costa oeste. Só em 1846, 117.000 coolies foramtrazidos, movimentando o comércio de ópio estimado em quase 230.000t de goma de ópio e mais de 53.000t de ópiopreparado (para fumar). Embora Lincoln banisse o comércio dos coolies em 1862, o mercado negro de chineses (otermo “shangaiado” referia-se ao rapto, por companhia comercial e através da Sociedade Tríade, de chineses pobres efreqüentemente viciados para serem “mulas” ou “aviões”) continuou em ascendência até o fim do século. Muitas vezesesses “contratados” chineses usavam todo o seu salário para trazer suas famílias para os Estados Unidos. O tráfico pelosimigrantes chineses representou um dos primeiros condutos de ópio para o país, e fundou posteriormente o comércio dedrogas nos bairros Chinatown estabelecidos em São Francisco, Vancouver e outras cidades da costa oeste, durante esteperíodo. A quantidade de ópio que entrou nos Estados Unidos no último quarto do século XIX pode ser medido pelofato de que em 1875, as estatísticas oficiais estimavam que 120.000 americanos, muito mais do que a populaçãoimigrante chinesa, estavam viciados em ópio!Além desse vício, as empresas farmacêuticas britânicas haviam iniciado a produção comercial de morfina nos anosanteriores à Guerra de Secessão e puseram grandes quantidades à disposição de ambos os exércitos. Essas empresasapresentavam falsamente a forfina como um sedativo “não viciante” e tinham até a audácia de apresentá-la como curapara o vício do ópio. PROTEGENDO O MERCADO DE ÓPIOEm 1911, realizou-se uma conferência internacional sobre narcóticos em Haia. Os participantes concordaram emregular seu comércio, com o objetivo de eventual supressão completa. A conferência foi um grande passo à frente; nosprimeiros tempos do comércio de drogas, nem o ópio, nem a forfina eram considerados drogas ilegais, e a heroína sóseria banida como remédio receitado em 1924. Mas a conferência e os esforços posteriores para estancar a praga doópio colidiram com a aberta postura diplomática britânica em vista de sua exploração irrestrita de um produtosabidamente destruidor de seus consumidores.O sucesso da convenção de Haia, como se chamou, dependia da estrita execução do anterior acordo anglo-chinês de1905, pelo qual os chineses reduziriam a produção doméstica do ópio, enquanto os britânicos reduziriam suasexportações para a China, vindas da Índia britânica.Os chineses, que assinarram entusiasmados ambos os protocolos de 1905 e 1911, logo descobriram que os britânicosestavam se evadindo totalmente de ambos, ao enviarem seu ópio para suas bases extraterritoriais, Hong Kong eShangai. As caixas de ópio na Shangai International Settlement (SIS) pularam de 87 em 1911, à época da convenção deHaia, para 663 em 1914! Além do tráfico interno por Shangai, o grupo Tríade e as redes de crime organizado,patrocinadas pelos britânicos dentro da China, redobraram o contrabando, convenientemente baseadas nos armazéns deShangai.Em ainda outro ato de desprezo pela convenção de Haia, a Grã-Bretanha concedeu um grande e novo empréstimo àPérsia em 1911, sendo a garantia do mesmo os lucros do ópio dessa.Mesmo com a criação da Liga das Nações após Versalhes, a Grã-Bretanha ostentava seu tráfico de drogas perante omundo. Durante este período, o comércio de ópio de Sua Majestade era tão largamente conhecido que até mesmo osemanário americano anglófilo THE NATION publicou uma série de documentários altamente críticos ao papel dosbritânicos.Na Quinta Sessão do Comitê do Ópio da Liga das Nações, um delegado pediu que o governo britânico prestasse contasdo fato de que havia vasta discrepância entre os números oficiais de cargas de ópio apresentados pelos governo japonêse britânico. Os britânicos alegaram somente cargas negligenciadas, todas marcadas para uso médico, durantte o períodode 1916 a 1920; enquanto os números japoneses mostravam um próspero tráfico britânico. Quando confrontados com a 80
  • 81. discrepância, como prova à primeira vista de mercado negro e contrabando de ópio britânico para o Japão, o delegadobritânico argumentou que tal mercado negro somente provava a necessidade de se criar um monopólio estatal do ópio.Em 1927, as estatísticas oficiais britânicas mostraram que os lucros governamentais do ópio --- excluindo os númerosmuito maiores do mercado negro --- contabilizavam percentagens significativas de renda total em todas as maiorescolônias da coroa no Extremo Oriente:Borneo do norte Britânico 23%Estados federados malaios 14%Sarawak 28%Estabelecimentos do Estreito 37%Malaia Confederada 28%Também na Índia, a política oficial da coroa centralizava-se na proteção ao mercado do ópio.De acordo com uma tabelarecentemente publicada, quando Gandhi começou as agitações contra o ópio em 1921,“... seus seguidores eram presos sob acusação de ´corroerem as rendas`. Tão pouco preocupados estavam os britânicoscom as recomendações da Liga das Nações que, após uma comissão sob Lord Inchcape investigar as finanças indianasem 1923, seu relatório, enquanto reconhecia que poderia ser necessário reduzir a produção do ópio de novo se os preçoscaíssem, prosseguia advertindo contra a diminuição da área cultivada, por causa da necessidade de se salvaguardar ´estafonte de renda muito importante`...”Enquanto o governo britânico professava estar tomando medidas para reduzir o consumo de ópio e de cânhamo, seusagentes na Índia estavam de fato incrementando as vendas, a fim de aumentar as rendas da colônia.Lord Inchcape --- que dirigiu a Comissão da Índia, a qual endossou a produção contínua de ópio na Índia britânica ---era descendente direto do Lord Inchcape que no século passado fundara a Companhia de Navegação a Vapor Peninsulare Oriental (P &O), e posteriormente ajudou a estabelecer o HSBC como câmara de compensação do comércio de ópio.Até hoje, um Lord Inchcape participa dos conselhos da P & O e do HSBC.Em 1923, o mercado negro do ópio dirigido pelos britânicos foi encarado como um problema internacional tão sério queo congressista Stephen Porter, presidente do Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes americana,apresentou e aprovou uma lei no Congresso pedindo a fixação de quotas de produção por país e de importação do ópiopara reduzir o consumo a aproximadamente 10% do nível de então. Esta percentagem representava o nível geralmenteaceito de consumo médico.A proposta de Porter foi levada ao Comitê do Ópio da Liga das Nações --- onde foi publicamente combatida pelorepresentante britânico. Este apresentou uma emenda, que estabelecia quotas crescentes para contabilizar o “consumolegítimo de ópio”, além do uso médico. Isto se referia à enorme população viciada nas colônias britânicas e em suasesferas de influência (predominantemente na Ásia), onde nenhuma regulamentação restringia o uso do ópio. Asdelegações americana e chinesa, enraivecidas, saíram da sessão plenipotenciária; os britânicos endossaram a criação deum Conselho Central de Narcóticos com autoridade para recolher informação e nada mais; e os jornalistas baseados emGenebra, daí em diante referiam-se ao que restou do comitê como a “comissão dos contrabandistas”.Nada foi conseguido; os governos americano e chinês estavam sem forças perante o fato de que o acordo entre o crimeorganizado dos Estados Unidos e os operadores do HSBC, para um narcoduto para a costa leste dos Estados Unidos, jáfuncionava. 81
  • 82. 2 A “NOBRE EXPERIÊNCIA” BRITÂNICANos anos de 1919 e 1920, ocorreram dois eventos estratégicos críticos para a guerra do ópio britânica contra os EstadosUnidos.Primeiro, o Real Instituto de Assuntos Internacionais (RIIA) foi fundado. O objetivo desta instituição fora demonstrado,nos quarenta anos anteriores, no testamento do construtor de impérios Cecil Rhodes. Este apontara a necessidade deformação de uma “sociedade secreta” que supervisionasse o reestabelecimento do Império Britânico, o qualincorporaria a maior parte do mundo em desenvolvimento e recapturaria os Estados Unidos. Para isto, o círculo deRhodes, que incluía Rudyard Kipling, Lord Milner e um grupo de diplomados do Colégio Oxford, conhecido como o “jardim de infância de Milner”, constituiu uma Távola Redonda na virada do século XX. Em 1919, o mesmo grupofundou o Real Instituto de Asssuntos Internacionais (RIIA) como agência central de planejamento e recrutamento para o“império mundial” britânico.O segundo acontecimento ocorreu em 6 de janeiro do ano seguinte, enquanto a Grã-Bretanha declarou sua guerra doópio contra os Estados Unidos, que os americanos conhecem como a Proibição (Lei Seca --- N. Ed.).Esta trouxe o tráfico de narcóticos, os traficantes e o crime organizado em grande escala para os Estados Unidos. Abebida ilegal e os narcóticos ilegais foram dois diferentes produtos da mesma multinacional. As redes da “Companhia”britânica, por suas destilarias na Escócia e no Canadá, e os britânicos, das suas refinarias de ópio em Shangai e HongKong, foram os fornecedores. Os britânicos, por seus bancos no Canadá e no Caribe, foram os financiadores. Através deseus canais políticos nos Estados Unidos, os britânicos criaram o conjunto de condições políticas sob as quais osEstados Unidos podiam finalmente ser vencidos.Duas vias espalharam a epidemmia das drogas nos Estados Unidos, uma no Extremo Oriente e a outra nos EstadosUnidos e Canadá. Contra o protesto da Liga das Nações e de quase todo o mundo civilizado, os britânicosteimosamente lutaram para manter a produção do ópio no Extremo Oriente, expandindo o fornecimento ilegal deheroína, justamente quando a droga saía de circulação legal na América em 1924. Ao norte, o Canadá, que tivvera seupróprio período de Lei Seca, anulou-a um mês antes que os Estados Unidos a impusessem.Em entrevistas com os autores, funcionários da DEA enfatizaram a similaridade do modus operandi do álcool e dosnarcóticos. Quando os agentes de Arnold Rothstein e Meyer Lansky fizeram as primeiras viagens para o ExtremoOriente nos anos 20, compravam heroína dos britânicos com plena legalidade. O que os gangsters americanos faziamcom a droga era negócio deles: os comerciantes de ópio britânicos estavam meramente exercendo sua “livre iniciativa”.Quando as principais destilarias britânicas venderam gigantescas quantidades de bebida a Arnold Rothstein e JosephKennedy --- para entrega ou nas Bahamas ou no limite de três milhas do mar territorial dos Estados Unidos --- nãotinham nenhuma responsabilidade pelo que aconteceria à bebida, uma vez que alcançasse o litoral americano. Idênticaexplanação foi dada por um empregado do Bank of the Middle East britânico,que agora serve ao tráfico de drogas doExtremo Oriente, através de um mercado de contrabando de ouro maciço em Dubai, no Golfo Pérsico. “Nós sóvendemos o ouro, meu velho”, disse o banqueiro. “O que esses camaradas fazem após o receberem é assunto deles”.Qual dos sindicatos americanos obteve a franquia mensal para a distribuição de droga ou bebida, não importa para ostraficantes britânicos. Quanto maior a extensão das lutas sangrentas entre as gangues, menos óbvio seria o papel desses.De fato, os destiladores britânicos podiam provocar tais eventos à vontade, ao segurar os estoques existentes de bebidaclandestina.A “nobre experiência” destinava-se a degradar o povo americano pela popular “violação da lei” e associação com osindicato do crime, controlado pelos bancos da “Nossa Gente (our crowd)” de Wall Street. Esta “Nossa Gente”novaiorquina é uma extensão da rede bancária londrina Rothschild e da Inteligência secreta britânica nos EstadosUnidos. Por exemplo, Sir Wiliam Wiseman foi o chefe oficial desta Inteligência nos Estados Unidos por toda aPrimeira Guerra Mundial. Tornou-se sócio sênior da casa de investimentos Kuhn Loeb imediatamente após adesmobilização. Wiseman foi protegido pelo fundador da Távola Redonda canadense, Lord Beaverbrook, uma das maisimportantes figuras públicas do movimento sionista.Com este grupo, centralizado no baixo Manhattan e no Canadá, agindo como controle político, o projeto da Lei Seca foilançado no começo dos anos 10, à sombra da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. 82
  • 83. É mentira do mais alto nível (dizer) que a Lei Seca representou um protesto social de massas contra os “malefícios” doálcool. A União das Mulheres Cristãs pela Temperança (Women`s Christian Temperance Union --- WCTU) e suassócias da Liga Anti-Bares apreciaram o patrocínio financeiro dos Astor, dos Vanderbilt, dos Warburg e dos Rockefeller.Naquela época e como agora, as fontes de financiamento eram principalmente as fundações isentas de impostos,especialmente a Fundação Russell Sage e a Fundação Rockefeller. John D. Rockefeller I foi enganado pelo colega deLord Beaverbrook, e antigo Primeiro-ministro canadense Mackenzie King, e não somente financiou a WCTU comoforneceu a esta os serviços de todos os investigadores privados da Fundação.Uma agência do Movimento Temperança foi dirigido por Jane Addams, que estudou na Sociedade Fabiana londrina, nasua sede Toynbee Hall, e veio para os Estados Unidos lançar um projeto paralelo, que mais tarde produziu aUniversidade de Chicago.Estes três movimentos criados pelos britânicos, fizeram agitações por todo o país em favor da Lei Seca. Enquanto aWCTU e a Liga Anti-Bares montavam invasões bem alardeadas contra os bares, os empregados do estabelecimentoFabiano de Jane Addams, mais sofisticados, usavam a conjuntura única da recente aprovação da 17ª. Emenda, quepermitia o voto das mulheres em eleições nacionais, e a concentração da maior parte da população adulta masculina noesforço de guerra para votar a 18ª. Emenda tornando lei a Proibição. A Emenda foi plenamente ratificada em 1917;entretanto, o Ato Volstead definia que os procedimentos policiais federais não seriam ativados antes de 6 de janeiro de1920.No Canadá, o breve período de Lei Seca (1915-1919) foi estabelecido por ordem do Conselho Privado de SuaMajestade (Privy Council), principalmente para criar as reservas financeiras e o circuito clandestino para a Lei Secaamericana. Neste período, a família canadense Bronfman estabeleceu contatos com a máfia local nos Estados Unidos econsolidou acordos com a Real Comissão de Bebidas em Londres.Em Nova York, especialmente no Brooklin, grupos de agentes de campo da Fundação Russell Sage conduziram umareorganização e recrutamento das gangues locais, já frouxamente organizados pela máquina do Partido Democrata doTammany Hall da cidade de Nova York. Empresas “legítimas” “laranjas” foram estabelecidas, substituindo avizinhança de cortiços, e especialmente selecionando indivíduos --- a maior parte advindos da máfia de Mazzini,transplantados para os Estados Unidos, nas imigrações italianas de fins do século XIX --- e levados do Brooklin para asgrandes cidades do meio-oeste como Chicago, Detroit e St. Louis, nos doze meses antes do policiamento previsto peloAto Volstead. Um dos recrutas do Brooklin foi Al Capone.A oligarquia britânica fez mais do que suprir os ratos de esgoto do sindicato do crime com seus estoques. Até emâmbito surpreendente, a porção anglófila da casta superior da América entrou na brincadeira. O caso de JosephKennedy, que devia seus contratos para bebidas por atacado com os britânicos ao Duque de Devonshire, e mais tardecasou sua filha nesta família, é notório. Em alguns aspectos, mais revelador ainda é o estranho caso de Robert MaynardHutchins, presidente da Universidade de Chicago de 1929 a 1950. Tinha ele cidadania americana, mas era tão íntimo daaristocracia britânica que se tornou Cavaleiro Comandante da Venerável Ordem de São João de Jerusalém, de SuaMajestade, e fazendo um juramento de lealdade cavaleiresca ao chefe da ordem, o monarca britânico. Sob o disfarce de“pesquisas sociais”, vários diplomados famosos da Universidade de Chicago fizeram seu aprendizado a serviço dagangue de Capone.Em 1930, o diplomado da Universidade de Chicago, Saul Alinsky, padrinho da “Nova Esquerda”, entrou na máfia deCapone em Chicago. Por vários anos, Alinsky foi contador da gangue --- no ápice dos lucros da Lei Seca. Alinskytornou-se um dos mais importantes engenheiros sociais britânicos do modelo Fabiano nos Estados Unidos nos trintaanos seguintes, especializando-se na criação de cultos dionisíacos para a juventude e os habitantes de guetos.De fato, Alinsky criou o modelo da máfia de Capone para organizar a infra-estrutura criminosa de gangues de jovensem Chicago no começo dos anos 60, que controlaram as ruas para o tráfico de drogas, e para outros crimes perpetradostrinta anos antes pela gangue de Capone. Quando os patrocinadores da “Nossa Gente”, e do desenvolvimento inicial deCapone em Chicago, determinaram ao final da Lei Seca que uma tendência mais “civilizada” era desejável, Alinsky foiquem trouxe Frank Nitti para a máfia.No final dos anos 60, o próprio presidente aposentado da Universidade de Chicago, Hutchins, estava sob investigaçãopor seu envolvimento com o tráfico de drogas e outros negócios do mercado negro. Nesta época, seu Centro paraEstudo de Instituições Democráticas era financiado principalmente pela Investments Overseas Service (IOS) de BernieCornfeld --- fraude internacional e centro de lavagem de dinheiro das drogas. Mais tarde, Hutchins foi simultaneamentepresidente de uma pouco conhecida fundação em Nevada, chamada Albert Parvin, que vários comitês do Congressoinvestigando o crime organizado citaram como “laranja” para os lucros do jogo de Las Vegas. MONTANDO A INVASÃO DAS DROGAS 83
  • 84. A experiêncoa de quatorze anos dos Estados Unidos com a Proibição (Lei Seca) realizou exatamente o que seusidealizadores britânicos haviam planejado. Ralph Salerno, autoridade e historiador do crime organizadointernacionalmente reconhecido, consultor da polícia e antigo membro da Divisão de Inteligência do Departamento dePolícia de Nova York, resumiu sucintamente o efeito do jogo britânico da Proibição em seu livvro “A Confederação doCrime”: “O evento mais importante na história da confederação do ´crime organizado` foi uma ajuda legal chamada Proibição... Esta ajudou a fomentar o crime organizado de várias maneiras. Foi a primeira fonte de dinheiro em grande escala. Até aquela época, a prostituição, o jogo, a extorsão e outras atividades não haviam gerado muito capital, mesmmo em seu máximo. Porém a bebida ilegal foi uma indústria multibilionária. Forneceu o dinheiro que a organização mais tarde usaria para expandir outras atividades ilegais e penetrar nos negócios legítimos. A Proibição também abriu caminho à corrupção de políticos e policiais, em grande escala. Começou a conexão do sindicato com a política e desmoralizou alguns grupos policiais a ponto de nunca mais disso se recuperarem... A fabricação e distribuição de bebida ilegal aqui, e a importação de bebida estrangeira, deu aos homens que organizavam o crime experiência na administração e controle de negócios mundiais multibilionários, com milhares de empregados e extensas listas de pagamento. Homens, que antes nunca administraram nada maior que uma fazenda familiar ou a gangue local, tiveram o treinamento que os transformou em líderes com qualidades executivas desenvolvidas. A evasão em massa ao Ato Volstead também pôs o cidadão médio em contato com os criminosos, resultando na tolerância e eventualmente até aprovação romântica destes últimos. Isto enfraqueceu permanentemente o respeito à lei e às pessoas que a cumpriam. Desde a Proibição, o homem comum aceitou a idéia de que os policiais podem ser comprados”.Os lucros combinados da bebida ilícita e do tráfico de drogas, durante a Proibição, constituíram um mercado negromultibilionário. Enquanto famílias como os Kennedy e os Bronfman “viviam como bandidos”, na transição do começodos anos 30 para o comércio “legítimo” de bebida, a estrutura financeira global --- para manter a infra-estrutura decrime organizado --- pedia diversificação em outras áreas do mercado negro só marginalmente desenvolvidas até então.O mercado para as drogas ilícitas nos Estados Unidos --- embora significativamente expandido como resultado daexperiência da Proibição --- não se tornaria a base do tráfico multibilionário ainda por várias décadas.Nesse ínterim, o sindicato do crime da “Nossa Gente” dos britânicos voltou-se para o jogo em cassino, e empresasassociadas, como área para expansão imediata. O sindicato de Lansky agarrou a oportunidade da regulamentaçãoespecífica legalizando os cassinos em Nevada em 1933, para transformar aquela terra-de-ninguuém em um parque dediversões que abriga todas as operações criminosas da costa oeste, que antes eram realizadas em barcos a doze milhasda costa de Hollywood. Lansky também se mudou para o Caribe, preparando o caminho para o complexo britânico debancos não regulamentados.Através dos lucros fenomenais derivados da Proibição investidos em cassinos, estádios esportivos e pistas de corridas,o crime organizado estabeleceu, nas décadas de 30 e 40, a estrutura de apoio para o tráfico de drogas que começaria emmeados dos anos 50 --- uma vez criado o clima cultural que fomentou o vício das drogas. A GUERRA DE NIXON CONTRA AS DROGASÉ pouco sabido que o Presidente Nixon foi uma perda na guerra contra a invasão britânica das drogas nos EstadosUnidos. Se Nixon não tivesse apoiado os interesses mais básicos da nação, ao começar um esforço total para acabarcom o tráfico de drogas de cima a baixo, provavelmente ele não teria sido tão descortesmente forçado a sair, por HenryKissinger, Edward Kennedy e seus patrões britânicos. Há documentos públicos disponíveis na DEA e em outrasagências policiais mostrando que a “Guerra às Drogas” por Nixon foi dirigida aos maiorais --- às intituições bancárias,às redes transportadoras, e só então aos canais de distribuição de drogas nas ruas do país.Ao mesmo tempo que Nixon compreendeu genericamente a estrutura vertical do problema, ele e seus assessores poucoperceberam que, atacando a infra-estrutura das drogas, eles faziam o mesmo à oligarquia britânica e ao suporte inteirodo mercado do Eurodólar, à KGB soviética, recentemente reorganizada por Yuri Andropov, e à República Popular daChina. Tivesse Nixon compreendido o problema das drogas como um problema de Londres-Moscou-Pequin, ele estariatalvez melhor preparado para lidar com o ataque “interno-externo” à sua administração.Traçar esta conexão é o primeiro passo na luta contra a guerra do ópio dos britânicos contra os Estados Unidos, e énossa próxima tarefa. 84
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  • 87. PARTE 3COMO FUNCIONA O IMPÉRIO DAS DROGAS 87
  • 88. INTRODUÇÃO A BASE DESTA INVESTIGAÇÃONas páginas seguintes, levaremos o leitor das montanhas de cultivo do ópio, no Triângulo Dourado do Extremo Oriente,aos escritórios de atacadistas de ópio nos bairros chineses de Bangkok, Rangoon e Singapura; nós o levaremmos aosarmazéns, às companhias de navegação e de carga aérea das antigas companhias comerciais britânicas que controlamaqueles atacadistas chineses; nós o guiaremos pelo labirinto de canais que financiam o comércio de ópio do ExtremoOriente, aos augustos portais do HSBC (Hong Kong and Shangai Banking Corporation) e outros bancos britânicosimportantes que controlam o financiamento de cima abaixo; nós o levaremos pelo Pacífico às portas de entrada daheroína nos Estados Unidos, aos escritórios em arranha-céus dos bancos e corporações canadenses que financiam,transportam e protegem a heroína em viagem para os Estados Unidos; e finalmente mostraremos ao leitor a linhagemdos financistas canadenses, seus contatos no crime organizado e na distribuição de heroína. Quando isto tudo acabar,teremos reconstruído a maior parte do relatório anual da Narcotráfico S. A..Na conclusão, o leitor saberá e commpreenderá mais sobre o pessoal e as operações das drogas ilegais ---o segundomaior negócio do mundo --- do que as autoridades policiais dos Estados Unidos e outros países sabiam atérecentemente. Nos arquivos dessas agências, nas mentes de investigadores solitários e, até em uma extensãosurpreendente, nos próprios registros públicos, as peças do quebra-cabeças existem há anos. Arrumá-las em um únicoretrato é o objetivo desta investigação. Mas o quebra-cabeças não é do tipo no qual o resultado é alcançado colocando-se as peças lado a lado. Ao primeiro contato, seria melhor para o leitor imaginar um conjunto de transparências, cadauma das quais contém parte do resultado; colocando-se uma sobre a outra, completaremos o conjunto.As diferentes partes do quebra-cabeças são: 1. O registro detalhado feito por americanos e outros investigadores da mecânica do comércio de ópio, desde o Triângulo Dourado até os portos de partida da droga para o resto do mundo; 2. A milimétrica identificação dos atacadistas de ópio, a maior parte pertencente à comunidade chinesa do exterior, inclusive os nomes dos principais banqueiros; 3. Um amplo perfil das finanças britânicas no Extremo Oriente, à volta do centro financeiro de Hong Kong e seu braço principal, o HSBC, incluindo a rede de ligações britânicas com a comunidade banqueira chinesa do exterior por toda a área; 4. Uma visão exaustiva do controle britânico sobre os meios de lavar dinheiro sujo em centenas de bilhões de dólares, incluindo paraísos fiscais, ouro e diamantes; 5. Uma visão da gigantesca quantidade de registros públicos mostrando a integração do Extremo Oriente britânico, e as operações financeiras mundiais de lavagem de dinheiro, com o nível mais alto da política exterior britânica, centralizada no Royal Institute of International Affairs (Instituto Real de Assuntos Internacionais --- RIIA). 6. Os registros públicos similares de provas do acordo estratégico entre a Grã-Bretanha e a República Popularda China, desde as negociações entre os comerciantes de ópio britânico e Mao Tsé-Tung, sob os auspícios do RIIA.. 7. Vinte anos de documentação oficial --- de fontes americanas, japonesas, taiwanesas e européias --- de que a República Popular da China cultiva e exporta ópio não só para receber divisas estrangeiras, mas para financiar operações secretas de Inteligência; 8. Uma visão ampla dos laços íntimos entre todos esses elementos --- antigos comerciantes britânicos de ópio, operações britânicas de lavagem de dinheiro, operações dos chineses do exterior, acordo político britânico- chinês --- com a conexão “canadense” e com o crime organizado americano; 9. A rede internacional do “lobby sionista” centralizado nos britânicos, e sua função especial nas operações, ligando ouro e diamantes a dinheiro sujo, lavagem deste, financiamento do terrorismo internacional e controle financeiro dos canais das drogas no Canadá e Estados Unidos.O quadro resultante é amplo: a massa inteira de prova detalhada e documentada se encaixa em um só quadro, que recuaaté as origens britânicas do comércio de ópio ao tempo de Adam Smith.O HSBC e suas subsidiárias financiam o comércio de ópio. Nisto, atuam como agentes nomeados da monarquiabritânica por agências como o RIIA. Não somente eles controlam os chineses do comércio de ópio, mas o fazem comoparte de um acordo negociado entre Mao Tse-tung e o RIIA, através dos principais representantes do HSBC!O uso do ouro e diamantes nas operações de lavagem de dinheiro sujo, sob imediato controle da facção britânica dossionistas, é parte da mesma máquina. Pelos mais altos círculos da política britânica, todos os principais ramos da 88
  • 89. máquina das drogas --- a conexão chinesa, os antigos comerciantes britânicos de ópio, a banca suja dos paraísos fiscaise os hofjuden anglo-sionistas --- dirigem o Canadá desde cima.Daí, a trilha conduz diretamente ao sindicato do crime americano, pela família Bronfman.O tráfico mundial de drogas ilegais não é somente a maior fraude mundial e uma agência subversiva: é controlado porum grupo de homens satânicos cujos nomes e associações são publicadas adiante, e que conservam antigos e íntimoslaços de propriedade, família e colaboração política. Nós sabemos seus nomes e endereços, e como lutar contra eles. 89
  • 90. 1 OS BANCOS E O MAIOR NEGÓCIO DO MUNDOVistas em conjunto, as sólidas provas disponibilizadas pela DEA e outras agências policiais levam a única conclusãopossível: a “indústria” da droga é dirigida como uma só empresa integrada mundialmente, desde a papoula do ópio aopacotinho de heroína vendido em uma esquina de cidade americana. O preço do ópio no Triângulo Douradopermanaceu essencialmente estável, em aproximadamente 40 dólares/kg, desde o final dos anos 60, indicando ocontrole central deste produto básico. Não somente o tráfico de drogas ilegais está sob o controle de uma só empresamundial transnacional, mas o tráfico de opiáceos em particular é sem dúvida o sistema de produção e distribuiçãomelhor controlado entre os produtos do comércio internacional, legal ou não. Os 85% do comércio atacadista mundialde diamantes controlados pela Organização Central de Vendas (Central Selling Organization) da De Beers --- umexemplo importante para o comércio de drogas --- empalidece, em comparação com o marketing organizado da heroína,demonstrado pelos sólidos dados disponíveis.Os investigadores ficam intimidados pelo fato de que a solução do problema é tão óbvia. Imagine a “carta roubada” doconto de Edgar Allan Poe, aumentada para 2,44m por 8,53m e usada como papel de parede, e imagine a polícia francesatentando encontrá-la com lentes de aumento.Quando falamos da economia ilegal relacionada com as drogas --- pois estas são o eixo do qual a maioria das outrasatividades ilegais depende --- falamos de um negócio de 500 bilhões de dólarres anuais. Isto é o líquido, não o bruto,das vendas anuais de drogas, mais os pagamentos ilícitos relacionados.Como pode tal atividade evitar chamar a atenção, especialmente em áreas concentradas como o Extremo Oriente?Porque a monarquia britânica organizou a maior parte deste, para se conformar ao tráfico de drogas! Como podem 500bilhões de dólares em pagamentos ilegais passarem pela banca internacional, sob os olhos das autoridades policiais? Aresposta é: a banca britânica “offshore”. Este, e o comércio derivado de metais preciosos e gemas, foram projetados emfunção do dinheiro ilegal, em primeiro lugar!A mera consideração do óbvio --- ou o que depressa se tornará óbvio, quando as provvas dos registros públicos foremmostradas a seguir --- mostra ao especialista financeiro o equivalente a uma desordem de labirintite. O mundofinanceiro, lembremos, é aquele no qual o mercado de ações dará pulos, pela mera diferença de poucas centenas demilhões de dólares entre estoques semanais de dinheiro americano. Embora a maior parte das provas há muito estejadisponível, tanto os investigadores quanto o público preferem ver o tráfico mundial de drogas, e as atividades ilegaisrelacionadas, como um filme com vilões de cinema: senhores da guerra do Extremo Oriente, contrabandistas solitários,gordos gangsters e políticos corruptos. Tais indivíduos fazem parte do tráfico mundial de drogas, mas como braços epernas dirigidos pela monarquia britânica e seus aliados.O único fato mais notável para esta conclusão é que os preços da heroína, no varejo das grandes cidades americanas,mostra virtualmente total uniformidade.Os registros policiais mostram que, no nível aceitável de pureza de 3 a 6%, o preço da heroína se tem mantido constanteentre pontos de distribuição completamente separados, durante os últimos dez anos. Prisões de gangues locais dedistribuição, guerras mortais entre os traficantes de drogas, interdição de rotas de contrabando, quase total eliminaçãodo estoque turco de ópio após 1972, perseguição às rotas de trânsito asiáticas e européias e mudanças locais na políticae nas condições de cultura no Triângulo Dourrado, tudo falhou em afetar o preço único da heroína mundial! PARA ONDE VAI A HEROÍNAIntimamente relacionada, à notável uniformidade dos preços da heroína no varejo dos Estados Unidos está a gigantescadiscrepância entre os níveis conhecidos de produção legal de ópio e seu consumo pelos viciados do mundo. Dadosestatísticos razoavelmente confiáveis estão dosponíveis para ambos. Entre as largas margens de flutuação temporal,captura e outras condições, a oferta disponível excede a demanda quase de dez a um. A mesma taxa é verdadeira para afonte de cocaína do período pós-1975. 90
  • 91. Aproximadamente 470t anuais são produzidas e exportadas da maior área de cultivo de ópio no mundo, o TriânguloDourado. 700t de ópio bruto, em forma de bolas de goma, são equivalentes a cerca de 70t de heroína refinada. Naprática, menos da metade desta quantidade é refinada; o resto é vendido em forma de ópio ou de morfina básica,principalmente para fumar e especialmente para os viciados do próprio oriente. Entretanto, conforme todas asestimativas dos viciados americanos, aproximadamente 3t anuais de heroína refinada são mais que suficientes paracobrir as “necessidades” de consumo. Mais ou menos a mesma quantidade é necessária para satisfazer os viciados dospaíses avançados não-comunistas.A DEA e outras fontes oficiais, confirmam os dados citados por monitoramento direto de cargas de ópio, e outrosmétodos sofisticados de Inteligência. O consumo e as vendas são obviamente limitados pelo tamanho e recursosfinanceiros dos viciasdos dos países avançados. Usemos um exemplo tosco: se todas as 30t de produção anual deheroína do Triângulo Dourado obtivessem seu preço total na rua, o valor total do varejo seria mais ou menos 150bilhões de dólares. Mas a maioria das estimativas das compras anuais ilegais de heroína a varejo estão abaixo de 15bilhões de dólares. Em resumo, a maior parte nunca é vendida, porque a capacidade de produção é enorme,relativamente à capacidade de absorção do mercado.Que acontece ao resto da heroína? Só uma pequena parte do total cai em mãos dos policiais, cuja apreensão de unspoucos quilos de heroína é celebrado. Nós devemos ainda contabilizar dezenas de toneladas. Os registros policiaisindicam que a droga é armazenada em gigantescos estoques contra contingências, e para prevenir super-oferta nomercado. Por exemplo, durante o máximo da queda no tráfico de heroína no dudeste asiático em 1972, uma únicarefinarria invadida pela polícia tailandesa tinha um estoque de 3t, mais ou menos 1/10 da produção do sudeste asiático.À época, sabia-se que 21 refinarias estavam em operação na área. ANÁLISE DE MERCADOOs registros policiais mostram que a Narcotráfico S. A. faz o melhor para evitar desastres, através de pesquisacuidadosa --- feitas nas ruas das cidades americanas --- que é retransmitida de volta aos campos de papoulas. Oscultivadores destes, nas montanhas e planícies birmanesas ou na província chinesa de Yunnan, não plantam o quequerem, mas o que recebem ordem de plantar. Esta faceta do ciclo de produção é bem conhecida dos investigadorespoliciais. Se por qualquer razão a pesquisa de mercado parar, o caos se seguirá, como aconteceu em 1972, quando oTriângulo Dourado obteve uma colheita recorde, após os atacadistas mandarem os camponeses aumentarem sua áreaplantada de 50 a 100%. Aqueles contavam com a contínua expansão exponencial do consumo de heroína entre ossoldados americanos no Vietnã. Nixon puxou o tapete sob seus pés ao tirar as tropas, deixando o mercado mundial deheroína com uma super-oferta sem precedentes.Baixas temerárias no preço, e competição por pontos de vendas neste caso, poderiam ter provocado sériasconseqüências para a Narcotráfico S. A., se não fosse a “intervenção reguladora governamental”. O governo tailandêsadiantou-se e vendeu 22t de ópio aos Estados Unidos. Este foi queimado em cerimônia pública assistida por risonhosoficiais tailandeses, assim restaurando o “equilíbrio” do mercado. (De qualquer modo, os tailandeses estavam somenterepetindo a ação dos chineses imperiais em 1839, que compraram e queimaram mais de 3.000t de ópio, para grandealívio dos comerciantes britânicos super-estocados, os quais enviaram frotas especiais à Índia para trazer ópio adicionale aproveitar o preço convidativo do governo imperial).Uma vez que o tráfico ilegal de opiáceos no mundo sofra escrutínio como um “monopólio” centralizado e integrado, adiscrepância entre a enorme super-oferta e a demanda relativamente restrita não apresenta dificuldades. Estamosolhando uma “indústria” baseada nos mesmos princípios do cartel mundial de diamantes controlado pela De Beers, ou ochamado clube das principais indústrias farmacêuticas. A capacidade de produção de diamantes é tão granderelativamente à de absorção do mercado mundial, que a Organização Central de Vendas (Central Sellig Organization),da De Beers, que regula 85% do atacado mundial de diamantes, limita a disponibilidade a fim de obter essencialmente opreço que quer. Os produtos farmacêuticos são, ironicamente, ainda melhor exemplo. Desde que o conhecimento paraindustrializar as drogas comumente prescritas está largamente espalhado entre as companhias farmacêuticas, e desdeque os custos de produção são insignificantes, comparados ao preço no varejo da maioria das drogas, são necessáriosacordos legais elaborados para prevenir colapso no preço. Notoriamente, os lucros da indústria farmacêutica se devem,não aos químicos, mas aos advogados de patentes. QUAL É O TAMANHO DA INDÚSTRIA?O comércio de heroína é o cartel ideal: seu preço é mais seguramente controlado que o do petróleo, seu volume mundialde vendas é substancialmente maior que o da maioria dos produtos que a Conferência sobre Comércio eDesenvolvimento das Nações Unidas está atualmente estudando para cartelização.Somente nos Estados Unidos, o comércio ilícito de drogas, descontando as de laboratório como os alucinógenos, é aomenos de 233 bilhões de dólares. 91
  • 92. De acordo com o Comitê Seleto sobre Abuso e Controle de Narcóticos da Câmara de Representantes (House SelectCommittee on Narcotics Abuse and Control), as seguintes quantidades de drogas ilícitas entrarão nos Estados Unidosem 1986:Heroína 12tCocaína 150tMaconha 30.000tVirtualmente, nem heroína nem cocaína são produzidas nos Estados Unidos, mas uma parte substancial de maconha é.Uma estimativa conservadora afirma que a produção doméstica aumentaria a estimativa do Comitê em 1/3, chegandoao total de 40.000t.O valor nas ruas dessas drogas, usando modelos de estimativas, pode ser calculado como segue:DROGA VOLUME PREÇOS NA RUA VALOR TOTAL (toneladas) (em US$) (em bilhões de US$)Maconha 40.000 100/oz (onça=31,1g) 128Heroína 12 5 milhões/kg* 60Cocaína 150 240/g* 45SUBTOTAL --------- -------- 233PCP não disp. -------- não disp.Estimulantes não disp. -------- não disp.Calmantes não disp. -------- não disp.Alucinógenos não disp. -------- não disp.*diluída à pureza de 4%**diluída à pureza de 20%A heroína, a maconha e a cocaína respondem por vendas potenciais de 233 bilhões de dólares. Não há dados confiáveisdisponíveis para as outras drogas, que podem ser produzidas a baixo custo em laboratórios domésticos, ou filtradas dacorrente de drogas disponíveis por prescrição médica. Uma tosca estimativa do valor nas ruas de todos os narcóticosdisponíveis alcançaria 300 bilhões de dólares. Levando em conta o que os contadores chamam de “diminuição deinventário”, que reduz o total das vendas em nível considerável, podemos estimarr que o total das vendas de narcóticosnos Estados Unidos estão entre 200 a 250 bilhões de dólares.Juntando a esta quantia o comércio internacional de drogas, e também incluindo os meios de trocas por drogas (ouro,diamantes, armas, etc.) a estimativa de 500 bilhões de dólares parece conservadora. Este total para o comérciointernacional de narcóticos hoje está em segundo lugar somente quanto ao comércio de petróleo, cujo volume mundial éde 1,7 trilhões de dólares. PARA ONDE VAI O DINHEIROA pergunta que agora surge é: “Como é possível que 500 bilhões de dólares ou mais, em dinheiro sujo, atravessandofronteiras internacionais, possam permanecer fora do controle da lei?” De novo, só uma resposta pode ser admitida:uma gigantesca parte das operações bancárias e financeiras internacionais foi criada somente para manejar dinheirosujo. 92
  • 93. Isto é óbvio. Se os recursos totais do maior banco privado do mundo, 120 bilhões de dólares, financiassem somente otráfico mundial de drogas, e as atividades ilegais relacionadas, tais recursos seriam grosseiramente insuficientes.Nas seções a seguir, as operações bancárias britânicas que controlam as drogas ilegais e seu comércio derivado sãodocumentadas em detalhe. Demonstraremos por vários meios de provas que esta é a única rede bancária que poderiamanobrar o volume necessário de dinheiro sujo. As operações bancárias da oligarquia britânica, inclusive oestablishment bancário “tory” de Boston e Nova York nos Estados Unidos tem as seguintes qualificações: 1. Dirigem o comércio de drogas há um século e meio; 2. Dominan os centros bancários fechados às agências policiais; 3. Quase todos estes centros bancários offshore não regulados estão sob controle político direto da monarquia britânica e de seus aliados; 4. Dominam todas as atividades bancárias no coração do tráfico de narcóticos; o HSBC, criado em 1864 para financiar o comércio de drogas, é exemplar; 5. Controlam o comércio mundial de ouro e diamantes, um aspecto necessário à troca de drogas por “produtos sólidos”; 6. Agrupam, como se documenta a seguir, todas as conexões com o crime organizado, com o lobby legislativo pró-drogas nos Estados Unidos, e todos os outros elementos necessários para a distribuição, proteção e apoio legal. A COBERTURA OFFSHORE (PARAÍSOS FISCAIS)Os especialistas financeiros que respiraram demais o odor dos rincões atrasados das Índias Ocidentais para seimportarem, ficarão chocados com as afirmações acima. O leitor médio, ao contrário, só necessita conhecer poucosfatos para compreender que algo está errado. Todas as operações bancárias internacionais offshore, inclusive o dinheirolimpo, formam tal redemoinho especulativo que, virtualmente, toda a base de depósitos muda de mãos a cada semana.Centenas de bilhões de dólares nos centros offshore, e outras centenas de bilhões por aí, circulam o mundo portransferências bancárias por cabo (agora por computador --- N. Ed.)Nenhuma reserva bancária é feita, como por exemplo seguro contra retiradas súbitas; nos Estados Unidos, ao contrário,os bancos comerciais devem reservar 15% de seus balanços em conta corrente, e 4% de seus balanços de poupança. Osbancos offshore assumem que, se eles estiverem sem dinheiro vivo, podem tomar emprestado o que necessitarem noenorme mercado “interbancário”.Este procedimento financeiro faz os bancos emprestarem fundos entre si de forma a obterem vantagens fracionárias emtaxas de juros. Talvez 40% do mercado total é dinheiro interbancário. Os vencimentos dos depósitos são tão curtos, e astransferências de dinheiro tão rápidas, que 50 bilhões de dólares mudam de mãos em cada dia útil, somente através dosistema de compensações dos bancos de Nova York. Nos mercados estrangeiros, 150 bilhões de dólares trocam de mãosdiariamente.Os mercados bancários offshore são precisamente o que o nome diz: ou velhas colônias britânicas em ilhas, polidasnovamente para a banca internacional, ou relíquias feudais terrestres como Andorra e Liechtenstein. Os encarregados daregulamentação bancária federal ficarão silenciosos quando inquiridos sobre o que acontece nesses lugares.Nas ilhas Caimãs, um dos maiores desses centros, o único governo é a oficial “Comissão de Paraíso Fiscal”. Ospoliciais absolutamente não têm meios de consultarem os registros bancários, em tais lugares. Repetidamente, elesidentificam os centros offshore como o local onde procurar o dinheiro sujo, mas não têm permissão de investigar,porque quase todos os centros estão sob proteção política britânica.Os bancos americanos têm um escritório de negócios nos centros offshore, precisamente porque nenhuma reserva énecessária, e cada dólar de depósito pode ser emprestado a juros.Até mesmo as operações bancárias limpas são movimentadas offshore porque as atuais regulações bancárias federaisvirtualmente o forçam. A grande mudança para os paraísos fiscais começou ao tempo da administração Kennedy,quando os funcionários anglófilos do Tesouro, C. Douglas Dillon e Robert V. Roosa, forçaram a que o Congressotaxasse os empréstimos de bancos americanos a estrangeiros. O imposto não se aplicava a empréstimos feitos offshore;e para lá os bancos foram. À época em que a legislação Dillon-Roosa foi revogada em 1974, os bancos estavam“fisgados” pela diferença na necessidade de reservas. Em uma entrevista em 1978 à revista EUROMONEY, opresidente do Citibank, Walter Wriston, denunciou que os impostos Dillon-Roosa foram um “puro presente a Londres”.De acordo com esttimativas do Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements --- BIS), osativos totais do chamado Grupo dos Dez centros bancários offshore (ilhas não reguladas e enclaves onde “inspetorbancário” é nome feio), chegavam perto dos 300 bilhões de dólares, em 1984. As quantias são: 93
  • 94. DEPÓSITOS DO GRUPO DOS DEZ ATIVOS TOTAISBANCOS EM CENTROS OFFSHORE (em milhões de dólares)Andorra 3Liechtenstein 466Bahamas 87.639Barbados 723Bermuda 2.970Caimãs 62.368Hong Kong 41.068Panamá 25.609Singapura 10.000Líbano 1.426Libéria 6.584Vanuato 103Índias Ocidentais UK 4.725TOTAL 283.789.349Fonte: Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements --- BIS)As quantias acima não mostram o verdadeiro tamanho desses centros, porque incluem somente os ativos dos bancosdomiciliados nos dez maiores países industriais. Não incluem entidades tais como os três grandes bancos na capital daTailândia, Bangkok, que são importantes no financiamento da produção do ópio do Triângulo Dourado. Nem incluemelas as milhares de pequenas empresas financeiras offshore, baseadas nos próprios centros offshore. Os bancos doschineses do exterior no Extremo Oriente, que há muito são conhecidos como chaves no tráfico ilegal de drogas e outroscontrabandos no Extremo Oriente, também não aparecem na tabela acima, não havendo dados disponíveis dessasinstituições. Além disso, a tabela acima não inclui a grande quantidade de negócios bancários legítimos, que osamericanos e outros bancos de países industriais trazem ao mercado offshore por razões de impostos e outras.Entretanto, a quantia redonda de 300 bilhões de dólares é um ponto útil de partida.Outro conjunto de quantias é fornecido pelo relatório quadrimestral do Bbanco da Inglaterra, embora contenha asmesmas indesejáveis adições e subtrações; ele mostra o grande volume de intercâmbio entre Londres, que em muitosaspectos funciona como o maior centro offshore do mundo, com os postos já mencionados de dinheiro ilegal.Infelizmente, as quantias disponíveis misturam as transações dos bancos britânicos com a dos americanos e outrosbancos que têm escritórios em Londres.Mais importante do que esses números --- que dão escassa compreensão do volume de negócios nos paraísos fiscais ---é o controle político dos centros bancários não regulados. Com poucas exceções, os bancos offshore funcionam sob opunho de ferro da oligarquia britânica.A proeminência britânica torna o retrato mundial da banca offshore e do dinheiro sujo mais compreensível. Se a bancamundial offshore parece funcionar como um só sistema sob controle da monarquia britânica, isto se deve a que omesmo grupo de pessoas que o dirige também dirige o tráfico do ópio, cujas regras, tal banca foi criada para manejar.Londres e Suíça não são normalmente considerados centros bancários offshore, mas na prática funcionam dessa forma.Embora a Suíça tenha assinado um tratado com os Estados Unidos permitindo que os policiais investiguem e requisitemos fundos do tráfico ilegal de narcóticos, os bancos Suíços são notórios depósitos de dinheiro sujo. Entretanto, o ladosuíço da operação, tipificado pelo Banco Lombard Odier (Lombard Odier Bank) e o Banco Privado (Banque Privee) deEdmond de Rothschild em Genebra, e o Banco Handel da Basiléia (Baseler Handelsbank), é mais especializado. Suaatividade mais importante é carrear fundos para o terrorismo internacional. As autoridades européias, por exemplo,descobriram o financiamento do assassinato em 1978 de Aldo Moro, por canais suíços, até Israel.Londres é a maior banca de Eurodólar sob encorajamento do Banco da Inglaterra (Bank of England), o que permite queas agências estrangeiras de bancos americanos, e outros, mantenham contas externas em Londres sem as necessáriasreservas, e com inspeção mínima. Em 1978, os bancos internacionais tinham 90 bilhões de dólares depositados emLondres. O Banco da Inglaterra pode fazer muito ou pouco, conforme queira, como regulamentação, sob a lei britânica.Por razões evidentes, mesmo as instituições melhor protegidas da oligarquia britânica preferem lavar seu dinheiro sujono Caribe, Hong Kong e lugares assemelhados, do que em Londres.Porque os fornecedores britânicos de narcóticos têm controle férreo sobre a banca offshore, os comerciantes denarcóticos do crime organizado americano fazem a festa nas ilhas Caimãs e nas Bahamas. As autoridades policiaisamericanas sabem que a maior parte do dinheiro sujo, levantado pelo comércio de drogas e atividades ilegais 94
  • 95. relacionadas aos Estados Unidos acaba nas Bahamas. Infelizmente tem havido pouca indignação popular contra osfuncionários britânicos que controlam as operações.O nível de controle é flagrante. Por exemplo, o chefe de toda a regulação bancária e licenciamento nas ilhas Caimãs, emterceiro lugar atrás de Hong Kong e Macau na grande conexão do dinheiro sujo, é um Sr. Benbow. Ele é um funcionárioaposentado do Banco Nacional de Westminster (National Westminster Bank) britânico, que partilha dois diretores, J. A.F. Binny e R. J. Dent, com o HSBC. Benbow recebeu seu atual emprego por recomendação do FMI (Fundo MonetárioInternacional), sob influência britânica, de acordo com fonte da Divisão de Câmbio (Exchange and StabilizationDivision) do Fundo. A administração direta britânica dos bancos offshore caribenhos recua aos anos 40, quando aempresa E. D. Sassoon,Ltd. of Hong Kong, que fizera fortuna no comércio de ópio no século passado, juntou tudo,mudou-se e se tornou E. D. Sassoon,Ltd. of Bahamas.Virtualmente, o único paraíso fiscal fora do controle oficial britânico é o Panamá; não por coincidência, ele é o únicoonde os bancos americanos ultrapassam em muito os bancos britânicos. Isto não quer dizer que o Panamá esteja limpo;ao contrário, os fundos derivados do comércio de maconha e cocaína são lavados no Panamá, inclusive pelos trêsgrandes bancos colombianos ali residentes. Entretanto, os bancos americanos têm meios de manobras que não têm nasilhas Caimãs ou nas Bahamas, sob os olhos curiosos das autoridades britânicas.Fontes bancárias da Alemanha ocidental acreditam que os bancos britânicos, por trás da Narcotráfico S. A. , querem semudar para o Panamá e fechar a brecha. As fontes identificam um traço especial do HSBC das drogas, que absorveu aparte controladora do Banco Marine Midland (Marine Midland Bank) de Nova York, de 20 bilhões de dólares; estebanco é a câmara de compensação para o banco central panamenho. Todas as contas nacionais se compensam peloMarine Midland, assim o HSBC pode exercer controle decisivo sobre o mercado offshore do Panamá, e fechar ocontrole britânico sobre tais centros.Antigas ligações entre o Marine Midland e o Panamá se refletem no fato de que um antigo membro do conselho doMarine, o advogado da Fundos Coudert Brothers, Sol Linowitz, negociou o tratado de 1978 da administração Carter emrelação ao canal do Panamá. ESTRANGULAMENTO NO EXTREMO ORIENTEAs próximas seções se concentrarão na conexão bancária offshore do Extremo Oriente com o tráfico de drogas, comomodelo de ação mundial. É o Extremo Oriente que atua como ponto de estrangulamento do dinheiro sujo, em talvolume que sufoca a atividade econômica legítima na região e em Hong Kong em particular.Londres seduziu e empurrou os bancos americanos para o Caribe em tal extensão que há uma vasta quantidade dedinheiro legítimo misturados com os lucros do tráfico de drogas, e muitos que fizeram suas fortunas originais comdrogas, agora se voltaram exclusivamente para negócios legítimos. Entretanto, Hong Kong foi erigida pelos britânicosliteralmente na rocha nua, como centro para comércio de drogas, e continua até junho de 1977 puramente britânica, epuramente centro de comércio de drogas. O CICLO DA LAVAGEMA DEA e outras organizações policiais sabem como o ciclo de dinheiro sujo funciona nos Estados Unidos. Os 200bilhões de dólares de lucros no varejo do tráfico total de drogas no país são parcialmente reciclados no movimento dedrogas nos próprios Esrados Unidos, com grandes “retiradas” em cada nível da máquina do crime. Os lucros líquidos,em dinheiro vivo, são lavados em hotéis, restaurantes, cassinos, e esportes --- o “perfil” corporativo da família MaxJacobs e outros agentes da máquina das drogas.Após o dinheiro vivo ser lavado por estes canais nominalmente legítimos, é transferido para as operações bancáriasoffshore ou seus equivalentes. Então, de acordo com funcionários da DEA, os fundos fazem diversas viagens à volta domundo pelos computadores dos bancos offshore, passando pelo menos por meia dúzia de diferentes contas bancárias eempresas “laranjas”, das Caimãs e Liechtenstein, daí as Bahamas, daí a uma “empresa não residente” no Canadá, daí aoPanamá, etc..Em vários pontos do processo, os fundos comprarão diamantes, ouro, pinturas ou bens portáteis similares. Mais adiante,os bens voltarão a ser dinheiro vivo, eliminando qualquer traço de transferência bancária. Por esta razão, o uso decobertura, até mesmo nos mais altos níveis dos ramos conhecidos do tráfico de narcóticos, dá pouca chance de se sabera fonte ou destino último de fundos relativos a narcóticos.Uma vez lavados, os luucros do tráfico de drogas e atividades ilegais relacionadas se dividem em três caminhos.Primeiro, de 10 a 20% do total é reciclado para os atacadistas de ópio no Extremo Oriente, e para os atacadistas demaconha e cocaína no Caribe e América Latina, constituindo os lucros líquidos desses comerciantes. Uma segunda 95
  • 96. parte é investida na expansão das operações offshore, particularmente cassinos, hotéis e outrras operações lucrativas quetambém são úteis para posterior lavagem de dinheiro sujo. O restante é reinvestido nos Estados Unidos em “legítimos”jogos, corridas, hotéis, restaurantes, e outros negócios apropriados para lavagem e expansão do tráfico doméstico dedrogas.Como se notou, Hong Kong e as operações do Extremo Oriente são o ponto de estrangulamento do tráfico inteiro.Focalizaremos o Extremo Oriente como ponto de origem do tráfico mundial de heroína, e recuaremos pelo labirinto daNarcotráfico S. A., “laranjas” e subsidiárias, para chegar aos sindicatos americanos controlados pelos britânicos. 96
  • 97. 2 COMO ESCONDER 200 BILHÕES DE DÓLARESEm 1975, a polícia novaiorquina prendeu os administradores de uma pequena agência do Banco Chemical (ChemicalBank) no subúrbio do Bronx, que estivera aceitando o fluxo de caixa da máfia da heroína de Paul Lucas. Este era umpequeno operador que recebia fornecimentos limitados de veteranos do Vietnã, percebendo no varejo uns poucosmilhões de dólares anuais em heroína muito misturada, e lavando o dinheiro sujo pela agência corrupta. Quando apolícia entrou nela, achou o cofre inteiro do banco, do chão ao teto, cheio de notas de pequeno valor. A agência estavano limite de sua capacidade física de lidar com dinheiro vivo.O que torna este fato tão extraordinário é que os três milhões de dólares anuais que passavam por esta única agência,entupindo seu cofre, representavam somente 0,20% do fluxo anual de dinheiro de drogas de Nova York, 15 bilhões dedólares (a quantia é uma estimativa dos funcionários da DEA para 1977, a qual subiu como foguete em anos recentes).Se todo o tráfico de drogas da cidade utilizasse canais similares, seriam necessárias 500 agências bancárias paramanejar o volume de dinheiro! De novo durante 1980, investigadores do Tesouro anunciaram uma “quebra” de um grupo de pequenos bancos deMiami que, disseram eles, aceitava no caixa grande volume de fundos dos traficantes de narcóticos. Dezoito bancosforam nomeados em audiência perante o Comitê Bancário do Senado (Senate Banking Committee) em 6 de junho de1980, enquanto os funcionários do Tesouro jactavam-se do sucesso de suas operações policiais. Os bancos envolvidoshaviam supostamente aceito somas de 1 a 2 milhões de dólares cada. Comparada com o tamanho do tráfico de drogas daFlórida, estimado pelo Sub-comitê Permanente de Investigações do Senado (Senate Permanent InvestigationsSubcommittee) como excedendo 13 bilhões de dólares, a escala das operações que o Tesouro dizia que descobriu éextremamente modesta. De novo, se assumirmos que este é o modus operandi do comércio de drogas, somos forçados aimaginar que milhares de bancos estão envolvidos neste tráfico.Anteriormente às audiências do Senado, a mídia se encheu de histórias sobre lavagem de dinheiro das drogas naFlórida, citando fontes do Tesouro. Os artigos falavam de adolescentes em jeans e camisetas, entrando tranquilamentenos bancos com malas cheias de dinheiro para depósito, e até telefonando antes, a pedido do banco, para se certificaremde que haveria caixas suficientes para contá-lo.Embora seja sombria, tal informação, sob exame mais detalhado, falha em nos esclarecer sobre o modo pelo qual 200bilhões de dólares podem ser escondidos dos olhos das autoridades tributárias e da DEA. Ao contrário, se fosse assimtão simples, o comércio de drogas ficaria extremamente visível. Pela legislação federal, cada banco deve preencher umrelatório para o Serviço de Rendas Internas (Internal Revenue Service --- IRS) sobre qualquer depósito em dinheirovivo excedendo 10.000 dólares. Mesmo que os comerciantes de drogas depositassem quantias menores em suas contascorrentes, o súbito crescimento de dinheiro vivo em uma conta bancária imediatamente levantaria suspeita aosinspetores, de acordo com o investigador Robert Potter, diretor-assistente para investigação criminal do IRS.Os grande bancos comerciais, com operações internas computadorizadas, empregam métodos super-sofisticados parafiscalizar o que acontece ao seu fluxo de caixa interno, principalmente para prevenir desfalque. Qualquer transferênciade dinheiro vivo para fora do banco, e especialmente para fora do país, seria apontada e auditada pelos computadores dobanco, programados para apontar qualquer distúrbio incomum no padrão normal de operação do banco. Usando umatécnica matemática avançada, chamada “análise do espectro”, esses programas são altamente eficientes contrafraudadores, a menos que estes estejam equipados com seu próprio programa de computador para enganar oscomputadores do banco, etc..Nos bons velhos tempos do comércio de drogas, o sindicato de Meyer Lansky era capaz de trransferir gigantescasquantidades de dinheiro vivo em malas por aviões, para paraísos fiscais seguros. Havia um grupo de entidadescorruptas, incluindo a IOS (Investors Overseas Services) de Bernie Cornfeld, e o Banco de Crédito Internacional(Banque du Crédit International --- BCI) de Tibor Rosenbaum em Genebra, que lidavam com gigantescas quantias dedinheiro sujo. Encontraremos esses cavalheiros em capítulos posteriores. Entretanto, deve-se notar que sabemos isto tãodetalhadamente porque os bancos foram fechados em 1974 e auditados tardiamente com um pente fino. Rosenbaum estásupostamente na prisão em Tel Aviv; Cornfeld, após pouco tempo numa prisão suíça, está recolhido em Los Angeles; eseu sucessor na IOS, Robert Vesco, está fugindo da justiça nas Bahamas, Costa Rica e, mais recentemente, em Cuba.Mas o comércio de drogas continua. 97
  • 98. A pirataria aérea, ironicamente, afundou o primeiro método de lavagem de dinheiro da Narcotráfico S. A.. Inspeçãominuciosa de toda a bagagemm torna impossível transferir dinheiro físico para o exterior em quantias suficientes parafazer desaparecer os 200 a 500 bilhões de dólares que o tráfico de drogas deve esconder.Superficialmente, o labirinto de inspeções e controles armados contra meros fugitivos de impostos, não somente ostraficantes de narcóticos, parece insuperável. Mas esses controles têm uma falha. Estão destinados a apontar o anormal,a transferência incomum de fundos, o grande depósito em dinheiro vivo, a mala cheia de notas de valores pequenos. Seo leitor começa a suspeitar que milhares de banqueiros e funcionários do IRS estão no jogo, enfatizamos que tal coisanão acontece, nem poderia acontecer. A Narcotráfico S. A. é uma rede pequena dirigida com mão firme. O que a tornaeficiente é que não há nada “anormal” nela, pois foi construída dentro da estrutura de negócios dos Estados Unidos e deoutros países.O mistério pode ser ainda mais impenetrável, mas na verdade estamos no ponto de partida de sua solução. Olhamospara esta parte do ciclo dos narcóticos de cima: os varejistas de drogas recolhem bem mais de 200 bilhões de dólaresanuais das ruas e corredores de escolas americanas. A maior parte deste dinheiro, embora não toda, flui em uma ououtra direção de volta aos atacadistas, que precisam “lavá-lo”. Começam com 200 bilhões de dólares em dinheiro vivo,e terminam com contas correntes em paraísos fiscais, protegidos pelos britânicos no Caribe ou na Ásia.Eis aqui o que um alto funcionário da DEA tinha a dizer sobre o processo de lavagem, em uma entrevista com osautores:Pergunta: Quanto, em lucros de drogas, sai anualmente de Nova York?Resposta: 10, 12, 15 bilhões de dólares, talvez. É 1 bilhão em heroíina e quem sabe quanto de tudo o mais.P: Como pode tanto dinheiro ser escondido das vistas do público e do Serviço de Rendas Internas (IRS)?R: A maior parte é lavada (transformada em contas correntes bancárias legítimas) em Miami.P: Como chega lá --- em malas?R: Que malas? Chega lá pelas transferências bancárias normaisP: Como entra em Nova York, em primeiro lugar?R: Por negócios legítimos, é a melhor cobertura possível.P: Não foi a maior operação de lavagem de dinheiro já estourada em Nova York o caso da máfia de Lucas no Bronx, emque ele usava uma agência do Banco Chemical para lavar notas de 5 e 10 dólares vindas das ruas? Estavam lavando umcofre inteiro de dinheiro das drogas.R: Correto.P: Mas a capacidade total dessa operação, que usava uma agência inteira de um banco comercial, não era mais que 3 a 4milhões de dólares anuais.R: É o que me lembro.P: Em outra palavras, ela manejava menos de 0,5% dos lucros das drogas vindos de Nova York?R: Parece estar correto.P: Então, de que espécies de negócios legítimos estamos falando?R: Negócios legítimos muito grandes. É tudo o que posso dizer.É um bom começo. Quem tem fluxo de caixa para recolher notas de pequeno valor nas ruas em grande quantidade,camufladas em volumes ainda maiores de dinheiro vivo? Cassinos, estádios esportivos, lojas de departamentos, etc.Mais tarde, traçaremos a história da Resorts Internacionais (Resorts International), a maior operação de jogo naAmérica, na estrutura de comando da Narcotráfico S. A. Quando os cassinos vão aos bancos ao fim do dia, depositamdinheiro vivo em vários sacos de lona gigantescos, levados em carrinhos de mão que parecem imensos cabideiros. Ummilhão ou dois extras diariamente começam a se juntar ao dinheiro grande. Mas não são somente os cassinos, que estão 98
  • 99. sob intensa supervisão, mas um conjunto de outros negócios “legítimos”. Encontramos o czar dos shopping-centers,Max Fisher, os concessionários de estádios, irmãos Jacobs, e outras pessoas mais adiante.Mesmo que um grande negócio “legítimo” consiga colocar seu dinheiro ilegal em uma conta bancária, ele percorre olabirinto de controle descrito anteriormente. Como fugir deles? “O que qualquer companhia mais teme é que se torneinadvertidamente um canal para qualquer espécie de operação criminosa”, disse aos autores um alto funcionário de umadas maiores financeiras de Nova York. “Mas pode ser muito difícil descobri-lo, por causa da pressão bara baratear oscustos operacionais. Você não pode conferir cada transação”.Que espécie de negócio financeiro é usado tipicamente para manejar grandes quantidades de dinheiro ilícito sem serdescoberto? “Há certas espécies de contas”, disse o executivo, “que são virtualmente à prova de discuidos para semovimentar fundos ilícitos. A mais confiá el é aquela mantida por alguém que lida com o mercado financeiro,comprando e vendendo grandes quantidades de títulos diariamente. Você estará pagando em dinheiro vivo ações, bônus,comodities, mercados a futuro, e usando lucros para comprar novos títulos, quase a cada minuto. Dezenas de milhões dedólares podem passar pela conta a cada dia, mesmo que o balanço ao fim do dia seja de poucos milhares de dólares.Ninguém notaria uns poucos milhões de dólares extras em trânsito”.Como podem os bancos parar isto? “Você não pode fazer muito, após permitir que abrissem uma conta”, concluiu ofinancista.Alguém no banco deve saber, usualmente o empregado que faz a compensação, em primeiro lugar. O resto daadministração do banco pode não saber nada a respeito. Um empregado da Narcotráfico S. A., bem colocado em umaalta posição, pode saber o suficiente. O ESTRANHO CASO DA MIDWEST AIR (AEROLÍNEAS MIDWEST)Ao seguir a trilha das cargas de narcóticos para os Estados Unidos, um investigador quase tropeçou nos segredos dalavagem de dinheiro da Narcotráfico S. A.Havia uma pequena companhia de táxi aéreo e de cargas baseada em Elyria, Ohio, perto de Cleveland, chamadaMidwest Air Charter, Inc. Dela, 20% pertencia à Fretes Airborne (Airborne Freight), de Seattle. Esta era controladapelo Banco de Investimento Allen and Co. de Nova York.De acordo com o NEW YORK TIMES, Allen foi o banqueiro de investimentos de Meyer Lansky. O número 2 deCharles Allen, o presidente da Allen e Companhia (Allen and Co.), F. William Harder, pertencia ao conselho daAirborne Freight. Max Fisher, de Detroit, o sócio comercial mais próximo de Allen, também controlava um grandebloco de ações da AirborneDuas coisas são interessantes a respeito da Fretes Airborne. Primeira, de acordo com policiais do Meio-Oeste, elamanejava um grande volume de drogas vindas do Extremo Oriente, e usava a Midwest Air Charter para distribuiçãopelos Estados Unidos. Segunda, sua história nos leva ao escritório executivo do banco Chase Manhattan em Nova York,e ao próprio Sistema da Reserva Federal (Federal Reserve System --- FED). A grande rede no Pacífico da Airbornetornava-a quase à prova de inspeção, de acordo com funcionários da Alfândega americana. Cargas em containersentravam por Seattle, e não eram minuciosamente inspecionadas pela Alfândega do aeroporto, que não tinha 1/10 dopessoal necessário para esta espécie de trabalho. Os containers eram levados diretamente dos aviões da Airborne paracaminhões, e desapareciam.Alternativamente, cargas de drogas podiam ser trazidas para os Estados Unidos da província noroeste do Canadá,cruzando a fronteira do Alaska e então por navio livre da Alfândega, para o porto de Seattle. Uma subsidiária do HSBC,a Transportadora Canadense do Pacífico (Canadian Pacific Transport), trazia o frete por pontos remotos da fronteira doAlaska, de acordo com fontes policiais.Mas a subsidiária da Airborne, a Midwest Air, ainda é mais interessante. Seu maior cliente era o Sistema da ReservaFederal (Federal Reserve System --- FED). Os vôos comuns da empresa eram, por sua própria estimativa, 40%reservados ao FED.O FED troca gigantescas quantidades de cheques cancelados diariamente, entre os seus doze bancos regionais, noprocesso de coletar pagamentos entre localidades diferentes. Grandes bancos comerciais empregam frotas de aviõesparticulares para levar seus próprios cheques, e o FED fornece serviço para os bancos menores, ou para quantidades demenor prioridade dos grandes bancos. Os malotes de cheques eram transportados pela Midwest Air por um contrato quecomeçou em 1973. 99
  • 100. O serviço dessa, não fora bom. De acordo com o funcionário do Banco da Reserva Federal em Cleveland, NormanHagen, que administrava parte do sistema de compensação, “quando a Midwest fez lance para renovação, em julho de1978, eles baixaram o preço incrivelmente, em quase 2 milhões de dólares. Naturalmente receberam o novo contrato.Mas desde então o serviço deles para o FED entrou em colapso. Eles simplesmente pararam de transportar nossoscheques, que se acumularam nos aeroportos. Pareciam mais interessados em transportar as cargas crescentes de seuoutro freguês, a Fretes Airborne. Reclamavam que transportavam ao menos 40% de carga do FED e 60% da Airborneem seus vôos comuns. Não creio nisto. Penso que a Airborne, que gostaria de possuir 100% da Midwest, está abaixandosua carga em nossos vôos”.Hagan continuou, “No começo de 1979, o serviço falho estava causando enorme problema ao ´fluxo` bancário, querdizer, o balanço de cheques não compensados no sistema FED. Tudo que a Midwest tem a fazer é atrazar as cargas de 4a 5 horas por dia, e então 14 bilhões de dólares em cheques não compensados por dia estavam inchando o fornecimentode dinheiro. A Midwest então insistiu que nós pagássemos mais --- naturalmente eles haviam feito o lance baixooriginal porque a Airborne estava subsidiando seus vôos --- para que pudessem comprar mais aviões. Mas o problemacontinua.”O serviço da Midwest ao FED tornou-se tão ruim, que colocou a contabilidade do fornecimento de dinheiro em máscondições, e ocasionou uma investigação por um descontente painel do Comitê Bancário da Câmara de Representantes(House Banking Committee panel). Ninguém mostrou a porta da rua à companhia, entretanto, e esta continuou atransportar os cheques cancelados do FED.A Midwest não lucrava com o negócio do FED, nem tinha muito interesse em cumprir com suas obrigações. Mas tinhauma enorme vantagem em manter o contrato. A carga prioritária do FED nunca era inspecionada pelos policiais, nematrasada pelos inspetores nos aeroportos. É imune as inspeções normais. Se os aviões da Midwest tambémtransportavam narcóticos, este era um aspecto extremamente útil aos seus negócios.Compreende-se que Max Fisher e Charles Allen dirigissem empresas como Fretes Airborne e Midwest Air. Não secompreende que o Federal Reserve tolerasse serviço mal feito --- ou se compreende?Após exame, a Midwest pareceu ter alguns amigos poderosos no setor bancário. “Nós levantamos a Midwest Air”,jactou-se o vice-presidente sênior do Banco Nacional da Cidade de Cleveland (Cleveland National City Bank), FredHogg. “Joseph Garrigy, fundador e agora presidente da Midwest, veio a mim no começo dos anos 60 sem dinheiro, semclientes e só com um avião. Dei-lhe o negócio de transporte de nossos cheques pelo estado, e chamei cada banco deCleveland e dei-lhe suas encomendas. Então apresentei-o ao FED”.Hogg apresentou Garrigy a seu amigo Clifford G. Miller, então vice-presidente sênior do Cleveland Federal Reserve.Em 1967, Miller, cujo homem número 2 encarregado do transporte desse calhou de ser o genro de Hogg, NormanHagen, conseguira para a Midwest o contrato de transporte de todos os cheques e outros documentos financeiros“urgentes” para todo o distrito do Cleveland FED.No final de 1972, Hogg e Miller arranjaram com Harry Schultze, vice-presidente do Chicago FED, a montagem de umsistema de transporte interdistrital (Interdistrict Transport System --- ITS) unificado nacionalmente e sediado emChicago, para transportar todas as “urgências”. Avisaram Schultze para dar à Midwest o contrato nacional.“Eles fizeram o lance mais baixo de todos”, disse Schultze, e além disto, “receberam passagem livre do quartel-generalnacional do Comando de Transporte Militar da Força Aérea (Air Force Military Airlift Command). Não nospreocupamos em fiscalizá-los mais”.É provável que isto tivesse sido arranjado pelo membro do conselho do Banco Nacional da Cidade de Cleveland,Claude Maclary Blair, que fora Major-general no Corpo de Sinaleiros da Intteligência da Força Aérea (Air Force SignalCorps Intelligence). Também no conselho do patrocinador da Midwest, o Banco Nacional da Cidade de Cleveland,estava Carl S. Ablon. Este, era presidente da Corporação Ogden (Ogden Corporation) de Nova York, que por sua vezera a metalúrgica financiada particularmente pela Charles Allen and Co., cujos diretores incluiam não só o próprioAllen, mas também F. William Harder, da Airborne.Também no conselho do banco estava James C. Donnell II, presidente da Companhia de Petróleo Marathon (MarathonOil Company), da qual Max Fisher fora fundador e co-proprietário.Que precisamente sabiam, esses cavalheiros de alto nível, das operações ilegais da Fretes Airborne? Seu relacionamentocomercial com Max Fisher e os irmãos Allen começou com a Midwest Air, e prosseguiu até o conselho de diretores doBanco Nacional da Cidade de Cleveland. Ou eram estúpidos ou criminosos. O COVIL DOS BANQUEIROS 100
  • 101. Um aspecto do conselho de diretores da Fretes Airborne tem ainda mais interesse do que os amigos da companhia noBanco Nacional da Cidade de Cleveland: certo James H. Carey, então vice-presidente executivo do Chase Manhattanem Nova York. Era este o principal funcionário no departamento que determinava quais companhias podiam abrircontas no Chase. Tinha outra distinção: Carey era um Cavaleiro de São João de Jerusalém, a ordem de cavalaria da elitebritânica que a rainha Elizabeth preside. Era o único funcionário do Chase a ter o título.Nossos investigadores começaram a pesquisar a história de Carey. No começo dos anos 60, era ele um executivo juniorsem expressão, no departamento de empréstimos do Chase. Então, em 1969, Carey deixou o banco pela agência localdo Hambro`s, o principal banco comercial britânico. Rapidamente tornou-se o chefão do Banco First Empire (FirstEmpire Bank), uma associação entre o Hambro`s e R. H. Macy`s em Búfalo, Nova York. O First Empire gabava-se deter dois diretores da loja de departamentos Macy`s. Também relizava as operações bancárias da Emprise, a firmafantasma dos irmãos Jacobs, e da maioria dos armarinhos de Búfalo.O Chase Manhattan raramente promove empregados que deixam o banco no meio da carreira e depois voltam. Careyfoi a única exceção entre os vice-presidentes executivos, sendo os outros empregados de carreira. Suas ligações sãoincomuns. “Nós o conhecemos pelas ligações familiares na Universidade Brown (Brown University)”, disse obanqueiro britânico Richard Hambro, que agora dirige o lado americano da família. “Então o enviamos de volta aoChase. Com a sua graduação pela Universidade e sua família, ele era justamente a espécie de pessoa que impressionaria(o presidente do Chase) Rockefeller e (o presidente do Chase Willard C.) Butcher”. Entre seus colegas, Carey eraconhecido como um empregado sorridente sem talento bancário especial.Seus patrocinadores no Hambro`s estavam entre aqueles melhor relacionados da elite britânica: o tio de RicharrdHambro, o falecido Sir Charles Hambro, foi chefe da SOE (Special Operations Executive) britânica durante a SegundaGuerra Mundial, o superior de Sir William Stephenson, o “Intrépido”. Que eles houvessem levado seu protegidoamericano James Carey, para a Ordem de São João de Jerusalém, é uma indicação de que Carey prestou mais queserviços secundários a seus amigos britânicos, para merecer a mais alta honraria simbólica que a casa real britânicapode conferir a um americano.A história da Fretes Airborne assim nos levou a um pequeno círculo fechado de banqueiros anglófilos, às vezes naadministração superior, mas freqüentemente em posições secundárias. As alegações, concernentes ao papel da Airbornena distribuição de narcóticos, são de menor interesse que a visão que proporcionam, do modo pelo qual tipos como MaxFisher e Charles Allen podem estabelecer relações com grandes instituições bancárias, como o Banco Nacional daCidade de Cleveland e o Chase Manhattan.O mesmo conjunto de personagens continua se encontrando aqui e ali. Por exemplo, Allen and Co. financiou asprimeiras compras imobiliárias nas Bahamas, para construir o cassino de Meyer Lansky na ilha Hogg que, por umaesperta troca, se tornou o cassino na ilha Paraíso (Paradise Island) da Resorts Internacionais (Resorts International).Esta criou uma nova corretora de valores, a INTERTEL, para assegurar que as coisas corressem nos trilhos. De algumaforma o vice-presidente da Macy`s, e um alto funcionário da seguradora Prudential Life, terminaram sentando-se noconselho de diretores da INTERTEL. A Prudential possuía 15% do Hambro`s, sócio comercial da Macy`s na carreira deJames Carey.A propósito, “a Macy`s é uma companhia estranha” disse um de seus gerentes. “Estritamente falando, Macy´s não éuma loja de varejo. Não faz dinheiro vendendo bens. Usa as vendas a varejo como desculpa para empréstimos a curtoprazo, no overnight, ou empréstimos semanais, ou para jogar nos mercados a dinheiro. Uma grande parte dessesempréstimos a curto prazo financia o negócio de pornografia em Nova York”.A Macy`s tem seu próprio banco, o R. H. Macy, para manejar todas as suas operações nos mercados a dinheiro. Falandohipoteticamente, Macy`s é uma entidade ideal pela qual se pode realmente conduzir gigantescas transferências dedinheiro sujo. No varejo, suas lojas recebem enormes quantias em dinheiro vivo, suficientes para mascarar um fluxobem substancial de fundos de fontes ilegais. Nas altas finanças, a Macy`s realiza suficiente movimento de valorees parapassar bilhões de dólares, diariamente, por suas inumeráveis contas bancárias. COMO COMPUTADORES PODEM MENTIRQuando entrarmos no grande mundo novo das transferências computadorizadas de fundos, pelas quais quantias debilhões de dólares mudam de mãos diariamente, com a mudança de sinais de computador, as possibilidades paralavagem de dinheiro sujo são ainda maiores. De acordo com Robert Morris, cientista de computação nos LaboratóriosBell da American Telephone and Telegraph (AT & T), aqui está como isto se faz: 101
  • 102. Certo possuidor de fundos ilegais quer depositá-los em uma conta bancária a fim de, por exemplo, transferi-los para oexterior. Ele estabelece uma empresa fantasma e abre uma conta no banco. Mas se ele abrir uma conta com enormesdepósitos em dinheiro vivo, o banco normalmente relatará ao IRS que a empresa tem tido um fluxo de fundos incomum.Então, como os fundos ilegais são transferidos? Se o traficante de drogas tem um colaborador dentro do banco, quettrabalha na divisão de transferência de dinheiro por computador, e sabe o sistema do banco quanto às senhas, é fácil.O traficante faz uma transferência de 10.000 dólares de sua conta no, digamos, Chase Manhattan para sua conta em umbanco offshore à prova do IRS, talvez na agência do Banco Standard Chartered (Standard Chartered Bank) nas ilhasCaimãs. Seu contato no computador adiciona uma outra mensagem, transferindo 1 milhão de dólares no fluxo regularde transferências do Chase para o Standard nas Bahamas. Simultaneamente, o traficante deposita 1 milhão de dólares dedinheiro ilegal “lavado” em sua conta “legítima” no Chase; 1 milhão entrou, e 1 milhão ---- mais os 10 mil detransferência secreta --- saiu. Os computadores do banco não detetam nenhum movimento incomum de fundos,especialmente se na conta, grandes somas de dinheiro entram e saem diariamente.Em 1979, um programador de computador no Banco Security Pacific (Security Pacific Bank) de Seattle foi preso peloFBI (Federal Bureau of Investigation) fazendo exatamente isto. Ele simplesmente fez o computador do banco creditarem sua conta em Zurich (Suíça), onze milhões de dólares inexistentes. O problema foi que ele não deixou o paíssuficientemente rápido, e foi descoberto quando o banco suíço tentou receber onze milhões da matriz do SecurityPacific. O sistema é traiçoeiro para estelionatários, que querem “criar” transferências monetárias do nada. Mas é quase àprova de erro para esconder grandes quantias de dinheiro. Uma vez transferido, o dinheiro ilegal desaparece nosparaísos fiscais, onde ninguém do IRS entra.Resumamos o que é necessário para se lavar 200 bilhões de dólarees em dinheiro sujo: 1. Os traficantes de drogas devem controlar um grande negócio legítimo, com movimento de caixa de dezenas de bilhões de dólares diariamente, acima de tudo; 2. Os traficantes devem ter um mecanismo sofisticado no mercado monetário, que lide com um volume de valores muito maior do que a quantia a ser lavada; 3. Os traficantes devem ter contatos bem colocados dentro dos próprios bancos comerciais, contatos nos bancos internacionais, contas em paraísos fiscais offshore, etc. DO CAMPO AO BANCOQuando lemos nos jornais sobre uma invasão do Tesouro em um pequeno grupo de bancos da Flórida, quesupostamente “lavam” poucos milhões em dinheiro de drogas, devemos considerar tanto o que isto nos diz, quanto oque não nos diz.Quem, por exemplo, são os adolescentes que levam malas com notas de pequeno valor para os caixas? Em sua maiorparte, são a arraia miúda do comércio de drogas, os contrabandistas que trazem os bens físicos. São regiamente pagos,são altamente descartáveis e freqüentemente gananciosos o suficiente para serem incautos. Eles não têm a infra-estrurura para lavar seus pagamentos pelos canais descritos sem alarde. Dos 13 bilhões de dólares do comércio dedrogas da Flórida, se a quantia do Comitê do Senado em 1980 está exata, provavelmente menos de 300 milhões, ou30% da parte dos atacadistas, cabe aos próprios contrabandistas. Daquilo que o Tesouro supõe, talvez menos que istotenha sido depositado pelos traficantes nos 18 bancos citados no painel de 6 de junho de 1980.Os contrabandistas são pagos pelos plantadores na América Latina, no caso do tráfico de cocaína e maconha da Flórida.Estes são quase inteiramente de antigas famílias latifundiárias, que também cultivam açúcar, que pede o mesmo terrenoque a maconha, e café, cujas condições de cultivo são idênticas as da coca. Eles são forças poderosas em nações como aColômbia, Bolívia ou Peru. A velha oligarquia latifundiária tem canais diretos com os mercados bancários de NovaYork, Londres e do Caribe, e contas nas maiores Bolsas de comodities mundiais.Tomemos o exemplo da firma italiana Mocca Café, controlada por uma das mais velhas famílias oligárquicas italianas,a do Conde Barnabo. Este ganhou fama internacional quando as autoridades italianas o prenderam em 1979 por ajudar aarmar a fuga, de uma prisão costariquenha, de dois terroristas italianos de alto nível, Fredda e Ventura. Estes haviamfugido da Itália após colocarem uma bomba em uma praça pública, que matou dúzias de pedestres.A Mocca Café negocia com a oligarquia latifundiária das Américas Central e do Sul. Também usa suas enormes cargasde café para os Estados Unidos para transportar certo volume de cocaína, de acordo com fontes do mercado decomodities. A Mocca era paga pelas drogas em Nova York em dinheiro vivo, que nunca deixava os Estados Unidos.A Mocca contratou um britânico que controla a divisão do mercado de café em uma das maiores corretoras decomodities de Nova York. Pagou em dinheiro vivo por um contrato a futuro apostando tanto a favor quanto contra em 102
  • 103. contrato no futuro de café naquele mês, ou no seguuinte. O britânico que recebeu a ordem escreveu duas boletas, umana qual o valor subiria, outra na qual cairia, quando o mercado flutuasse. Quando a Mocca quis receber, o corretor decomodity corrupto rasgou a boleta perdedora. A perda foi coberta como depósito original em dinheiro vivo da Mocca ---e os corretores de comodity não têm que relatar dinheiro vivo, ao contrário dos bancos comerciais. O registro datransação, entretanto, desapareceu da conta da Mocca na corretora. A Mocca apresentou a boleta vencedora, e saiu como que parecia ser lucro legítimo no mercado de comodity. Não é exatamente simples, mas é altamente eficiente.Os plantadores atuais de droga usam uma miríade de meios para lavar ao seus fundos. É um mundo inteiramentediferente daquele do contrabandista formiguinha, com poucas centenas de milhares de dólares quueimando em seubolso. Relembrando a Proibição (Lei Seca), o velho Sam Bronfman tinha o mesmo problema com os pequenosextorsionários que dirigiam os caminhões pela fronteira. Eram gananciosos e numerosos. A Assassinatos S. A de MeyerLansky fazia o serviço essencial de podar os excessos. Parece que hoje o mesmo serviço é feito, para o tráfico dedrogas, pelo Tesouro dos Estados Unidos.Enquanto este fiscaliza pequenos bancos da Flórida, vários bancos encontrados freqüentemente neste livro mudaram-separa lá a partir de 1978, o Standard Chartered, o Leumi, o Hapoalim, entre outros. De acordo com a Comissão BancáriaEstadual da Flórida (Florida State Banking Commission), em uma entrevista em junho de 1980, “Ninguém nem olhapara os bancos internacionais”. Por que deveriam? O Standard Chartered Bank não é tão tolo de aceitar malas cheias denotas no caixa. Simplesmente estão seguindo sua clientela, inclusive alguns grandes plantadores latino-americanos decocaína, para Miami, bancando seus fundos e ajudando-os a investir em imóveis ou diamantes. 103
  • 104. 3 DO ÓPIO AO DINHEIRO SUJOO ponto de partida para o fluxo de caixa das drogas é a quantidade de dinheiro vivo existente no tráfico de ópio eheroína no Extremo Oriente, antes que as drogas obtenham os preços estupendos que têm nos mercados ocidentais. Apirâmide de preço, como os editores a viram em 1978, é assim: 1. O ópio bruto, a goma xaroposa extraída das papoulas, é produzido no Triângulo Dourado, a conjunção da fronteira sul da República Popular da China (província de Yunnan) e as fronteiras norte da Tailândia, da Birmânia e do Laos. O terreno montanhoso, muitas vezes acima de 1.219 metros de altura, fornece condições ideais de cultivo. Os montanheses, mais do que os chineses étnicos (inclusive os da província de Yunnan), cultivam o ópio e recolhem a goma. O comerciante que compra a goma paga cerca de 100 dólares por 453,6g, nos postos coletores como Lashio ou Mãe Sai, na Birmânia; 2. Quando o comerciante, tipicamente um yunnanês, trouxer a goma em caravanas de mulas para a área das 3 fronteiras, por exemplo, para Tachilek ou Chiengmai na Tailândia, o preço dobrou para 200 dólares pela mesma quantidade. Neste ponto, o ópio é, ou refinado em herooína nas refinarias localizadas na própria área das 3 fronteiras, ou separado para o grande mercado do Extremo Oriente, para ser fumado e para ser refinado em outros derivados. Dados existentes permitem estimar que a divisão de uma colheita média de 700t em 300t para refinação em heroína, e 400t para ópio a ser fumado no Extremo Oriente, é o costume; 3. O preço de 200 dólares por 453,6g na área das 3 fronteiras é aquele pago ao agente local, pelo atacadista baseado em Bangkok, Rangoon ou Hong Kong. Qualquer distinção entre estas cidades é sem sentido. A estrutura de negócios da área está sob controle de dois grupos principais que dirigem o Extremo Oriente. O primeiro é o dos antigos bancos e companhias comerciais britânicos, inclusive o HSBC, Jardine Matheson, Charterhouse Japhet, Swire`s e a Navegação Peninsular e Oriental (P & O). O segundo, seus satélites, são as redes chinesas do exteriorr, sob controle conjunto de Londres e Pequim. O preço no atacado das 700t anuais de ópio produzido no Triângulo Dourado, pagas adiantadamente na área das 3 fronteiras, é mais ou menos 280 milhões de dólares. Mas esta quantia é somente uma pequena porção do fluxo de caixa do tráfico de drogas do Extremo Oriente. O atacadista seguinte, o comerciante de Bangkok que compra do primeiro, paga cerca de 1 bilhão de dólarees pelo equivalente a 700t de ópio, em forma ou de ópio bruto ou de heroína refinada. Isto é cerca de quatro vezes mais o que o ópio valia na primeira venda no atacado. A maior parte da produção é vendida a varejo localmente com grande aumento de preço (embora muito menor do que o da heroína vendida a varejo nos países ocidentais). Embora não sejam possíveis estimativas sólidas, o fluxo de caixa no Extremo Oriente, desta primeira fase da produção do ópio, por si não foi menor que 1 bilhão de dólares em 1978. Isto equivale a 15% dos ativos dos bancos estrangeiros em Hong Kong em 1978, ou 10% dos ativos bancários estimados dos bancos estrangeiros em Singapura, ou precisamente o déficit da balança comercial tailandesa em 1977! Comparada com o tamanho da atividade econômica na região, não há meio possível de colocar esses números na coluna de “Erros e Omições”. O dinheiro vivo deve percorrer os canais nominalmente legítimos em tal volume que estes ---HSBC ---, possivelmente não possa desconhecer sua origem. Mesmo esses núumeros não refletem suficientemente a escala do fluxo de caixa derivado somente das vendas de ópio cru. Deve ser acrescentado que a maior parte do fluxo de caixa é sazonal; quase toda a venda por atacado deve estar completada durante os dois meses que se seguem à colheita da papoula em março. Da mesma forma, o fluxo visível de fundos das drogas é várias vezes maior durante esses dois meses; 4. Finalmente, as quantias, das vendas no atacado e no varejo local, do fluxo de dinheiro vivo em 1978 apresentadas acima, excluem o que é possivelmente, o maior componente do dinheiro dos narcóticos do Extremo Oriente: o refluxo de fundos voltando das vendas feitas no ocidente. O atacadista de narcóticos em Bangkok, Rangoon ou Hong Kong, com seus contatos diretos com os plantadores e controle das refinarias, pagou cerca de 2 mil dólares por 453,6g de heroína refinada. Entre ele e a venda na esquina, a mesma quantidade de heroína sofrerá três aumentos de preço de 1000%. Seu último valor no varejo (para a heroína pura) estará próximo de 5 milhões de dólares por quilo, de acordo com quantias oficiais da DEA, ou 2,27 milhões de dólares por 453,6g, com um total de 25 bilhões de dólarees pelas vendas no ocidente. 104
  • 105. Que parte deste aumento de preço, e em qual quantidade, cabe ao atacadista do Extremo Oriente? Não hámeio possível de estimá-los. De acordo com os registros de descobertas de contrabandos de heroína, umaparte substanciial destes é conduzida diretamente pelos canais de chineses do exterior, como a rota HongKong-Vancouver, e as atividades notórias da União de Marinheiros de Hong Kong. Entretantoo, é esteaumento de preço que paga os custos do adiantamento do atacadista, inclusive a compra original dosmontanheses, a refinação, a enorme quantidade (talvez 300t) de anidrido acético (éter) usado na refinação daheroína, a segurança, os subornos, o transporte, a armazenagem, etc..Se os lucros anuais dos operadores do Triângulo Dourado estiverem em 5 bilhões de dólares, ou apenas 1/5das vendas anuais no varejo da heroína no ocidente, então o fluxo total de dinheiro vivo no Extremo Orienterelacionado com as drogas não é 1, mas 6 bilhões de dólares. O refluxo verdadeiro provavelmente é váriasvezes esta soma. Uma parte dos 5 bilhões de dólares pode ser bancada em lugar diferente do ExtremoOriente. A comparação com o tamanho da atividade econômica regional torna-se simplesmente grotesca: asexportações totais em 1976 da Tailândia foram de somente 2 bilhões de dólares. Mesmo a quantia de 6bilhões não inclui o enorme mercado do Extremo Oriente para consumo de ópio e heroína. Juntando tudo, ovolume no varejo eleva o total para perto de 10 bilhões de dólares, duas vezes o suprimento de dinheiro deHong Kong em 1978.Há outra forma de se chegar aos mesmos 10 bilhões: a estimativa oficial dos subornos pagos anualmente àpolícia de Hong Kong em 1978 foi de, espantosamente, 1 bilhão de dólares, mais que o orçamento anual dapolícia. Do ponto de vista de negócio sólido, este bilhão em subornos é a maior parte do custo adicional,tanto das operações no atacado, quanto no varejo das drogas em Hong Kong, a capital das drogas na área.Desde que se avalie a margem de lucro no comércio das drogas como de 500 a 1000%, é justo afirmar que aquantia de 1 bilhão não é mais que 19% dos lucros locais das drogas. Se 1 bilhão é 10% do total, o total é de10 bilhões de dólares. 105
  • 106. 4 COMO O COMÉRCIO DAS DROGAS É FINANCIADOA cadeia de controle financeiro do tráfico mundial de drogas começa em Hong Kong, com bilhões de dólares emempréstimos em dólar de Hong Kong para chineses do exteriorr nas regiões de cultivo de droga.Hong Kong também fornece o apoio logístico essencial, inclusive: 1. Barras de ouro em tamanho de contrabando, obtidas nas agências do HSBC; 2. Diamantes, conseguidos através do monopólio de diamantes controlado pelos anglo-israelenses em Hong Kong; e 3. Facilidades de armazenamento, dominadas por uma subsidiária do HSBC. O HSBC (HONG KONG AND SHANGAI BANKING CORPORATION-HONG SHANG)O Hong Kong and Shangai Banking Corporation (Hong Shang), HSBC, é o banco central semi-oficial da antiga colôniada coroa, regulando as condições gerais do mercado, manejando o excesso de depósitos da miríade de bancos menores,fornecendo facilidades de redesconto, etc. É também a hidra financeira unificando a produção, transporte e distribuiçãodo ópio asiático.Não somente domina ele a atividade financeira em Hong Kong, com 50% do total de negócios bancários na ilha, mas “obanco e o governo muitas vezes trabalham intimamente unidos”, comentou o FINANCIAL TIMES londrino. O governode Hong Kong virtualmente não faz estatísticas da atividade bancária. Comentando a quantia de 8,3 bilhões de dólaresdas operações do Grupo dos Dez em Hong Kong à época, o FINANCIAL TIMES notou que “os dados oficiais são só aponta de um volume quase certamente maior de negócios, conduzidos por bancos internacionais com subsidiáriasfinanceiras em Hong Kong, ou daí organizadas e encaminhadas por contas offshore em lugares como Vila (ilhas NovasHébridas)”. Para sermos precisos, há 213 financeiras recebedoras de depósitos na antiga colônia, 34 bancos locais e 104escritórios de representação de bancos. Sobre tudo situa-se o HSBC e continua a funcionar assim até hoje. OS INTERMEDIÁRIOS CHINESESA essência do controle das drogas pelo banco é seu estreito relacionamento com grupos de famílias banqueiras chinesasdo exterior, espalhadas por todo o Extremo Oriente. As conexões britânica e holandesa com essas famílias recuam achegada da Companhia das Índias Orientais à região. O papel de banco central do HSBC, expressa um acordo quebrotou de um século de comércio oficial de ópio, e que continua até hoje.Primeiro, consideremos as necessidades financeiras e logísticas do comércio. O planejamento para a colheita de ópioem março, começa em setembro. O atacadista das drogas em Bangkok ou Hong Kong deve extimar o tamanho domercado durante o próximo verão e, após a pesquisa de mercado estar completada, informar seus agentes na área das 3fronteiras (essa pesquisa de mercado deve vir dos Estados Unidos e de outros varejistas). Eles, por sua vez, devemcomunicar aos Yunnaneses e outros comerciantes, que operam nas terras altas de cultura da papoula ao norte, o que omercadoo suportará para a próxima colheita. Os comerciantes então informam aos camponeses Meo, que extensãodevem plantar.O atacadista deve considerar o seguinte: primeiro, os meios físicos de pagamento que devem ser obtidos, incluindoarmas americanas ou soviéticas, ouro em pequenas barras ou em joalheria, ou o que seja, e isto no total de 140 milhõesde dólares. Os camponeses do Triângulo Dourado não podem usar dólares americanos. Milhares de mulas e arrieirosdevem se preparar para percorrer as trilhas nas terras altas. Subornos devem ser pagos, rotas fiscalizadas, condições nasfronteiras observadas, rotas de contrabando mapeadas, contatos feitos no ocidente, e outros fios solttos apertados.Estima-se a quantia necessária para as sementes, em 2.000 dólares por 453,6g para a heroína refinada.Que parte do investimento é feito por “recursos internos” dos atacadistas de drogas, e que parte é emprestada, é matériade adivinhação. Sabemos que uma grande quantia é emprestada sazonalmente para financiar o atacado das drogas,especialmente pelas redes bancárias Ch`ao Chou dos chineses do exterior. Já que esta categoria (Ch`ao Chou) inclui osmais prestigiados banqueiros tailandeses, recursos financeiros muito consideráveis estão à disposição do tráfico. Ématéria para 200% anuais de taxa de juros --- aceita sem perguntas. 106
  • 107. Os “anjos” conhecidos do financiamento de narcóticos incluem Chen Pi Chen, apelidado Chin Sophonpanich,presidente do conselho do Banco de Bangkok, e Udhane Tejapaibul, antigo presidente do conselho do Banco BangkookMetropolitam (Bangkok Metropolitan Bank). Este, cujo banco maneja a maior parte das importações de produtosquímicos para a Tailândia, desenvolveu a maior fonte de anidrido acético (éter) do Triângulo Dourado, produtonecessário para refinar ópio em heroína, por uma agência em Hong Kong do seu banco. É bem sabido em Bangkok queUdhane também dirigia os bares de ópio da cidade, antes que fossem fechados.Tais relações escandalosas não são muito surpreendentes na região.À época do golpe de 1973 na Tailândia, o filho doPremier e chefe do escritório de narcóticos, Narong Kittikachorn, foi apontado como investidor importante no atacadodas drogas, como parte de uma operação que envolvia também americanos que lucraram durante a guerra do Vietnã.A linha de crédito que deve ser aberta anualmente aos atacadistas de drogas, assumindo as quantias acima, e que elesfinanciam metade das operações pelo crédito, provavelmente chega perto de 150 milhões de dólares. Por pura sorte, estefoi o crescimento médio anual dos “Empréstimos e Adiantamentos” do Banco Bangkok de 1968 a 1978.Onde quer que a comunidade banqueira Ch´ao Chou do exterior permaneça na liderança, Pequin, os britânicos e asconexões do comércio de ópio são evidentes. Em 1958, as autoridades tailandesas emitiram um mandado por fraudecontra Sophonpanich do Banco de Bangkok. Ele fugiu para Hong Kong e lá permanaceu até 1965, quando retornou. Deacordo com fontes da área, Sophonpanich ainda mantém contato com o regime de Pequuin.Como um, entre vários banqueiros de Bangkok que financiam os atacadistas de drogas no volume de 100 a 200 milhõesde dólares anuais, os contatos de Sophonpanich incluem vários nomes que freqüentemente aparecem na “Lista deEspera do Ópio” das agências policiais americanas: Ying Tsu-li, General Lo e os irmãos Hutien-Hsiang e Hutien-Fa,refinadores importantes de heroína da área das 3 fronteiras.Além disto, fontes da área relatam que Sophonpanich tem ligações diretas com o grupo Tríade, sociedade secretachinesa do exterior que fazem a maior parte do serviço sujo no tráfico de ópio.Entretanto, Sophonpanich é na verdade nada mais que um sub-contratador do HSBC. A CONEXÃO CHINESA COM O HSBCO Bangkok Metropoliitan Bank ilustra o modelo pelo qual a cadeia de financiamentos leva de volta ao HSBC. Em1978, seu volume de créditos era de 5 bilhões de dólares, muito mais do que a capacidade de poupança da áreajustificaria. Fontes bancárias relataram que a maior parte de sua capacidade de geração de crédito vinha do redescontode papéis comerciais dos mercados financeiros de Singapura e Hong Kong, e a maioria do próprio HSBC. Este controla50% dos depósitos de Hong Kong e atua como a agência final de redesconto para a antiga colônia inteira e a maior partedo sudeste asiático. A maior parte dos empréstimos do Banco Bangkok Metropolitan era negócio sub-contratado econtrolado pelo HSBC. Este relacionamento se atenuou após 1978, quando o Banco Bangkok Metrpolitan se tornou umbanco com plenos poderes.A ligação dos britânicos com os chineses do exterior recua ao tempo em que chegaram ao Extremo Oriente. Osbritânicos organizaram a sistemática colonização por toda a área, com dezenas de milhares de chineses, e os colocaramnos níveis inferiores do negócio, de outra forma conduzido pelas Companhias das Índias Orientais e seus sucessores.Mesmo quando a Grã-Bretanha desalojou os anteriores interesses financeiros chineses de posições que tinham noperíodo pré-colonial, os britânicos conservaram os chineses no controle local ou em nível inferior em áreas como ocomércio de ópio, e muitas vezes virtualmente os restringiram a tais áreas. Como como W. J. Cator anotou em seu livro“A Posição Econômica dos Chineses nas Índias Holandesas” e Purcell o fez em “Os Chineses na Malaia”, osmonopólios chineses do ópio local e da distribuição de álcool continuaram em muitas colônias do sudeste asiático, sob aégide das autoridades coloniais, até as primeiras décadas do século XX.Os poderes coloniais privaram os comerciantes chineses do controle de muitos monopólios comerciais, concedidospelas autoridades locais pré-coloniais, mas lhes deixaram o controle do jogo e da distribuição local de drogas e álcool,porque as sociedades secretas chinesas estavam equipadas de forma única a dirigi-los. Tais sociedades secretas, filiaisdaquelas operando no sul da China, teoricamente tinham como objetivo de sua fundação a derrubada da dinastiamanchu Ch`ing em Pequim. Mas, à medida que o tempo passava e o regime permanecia no poder, as sociedades doexterior tornavam-se menos interessadas na política de sua terra natal, e mais nos instrumentos de interesseseconômicos do exterior. Como o antropólogo William Skinner anota em seu livro “A Sociedade Chinesa na Tailândia,Uma História Analítica”, as sociedades de imigrantes eram comumente chefiadas pelos influentes donos de monopólios,comerciantes de ópio, gerentes de cassinos e bordéis, que usavam as sociedades para promover os interesses de seusmonopólios. 107
  • 108. Em outros setores econômicos além do ópio, é de conhecimento geral que os interesses comerciais dos chineses doexterior eram freqüentemente usados como compradores, intermediários a serviço de operações bancárias e comerciaiscoloniais, indispensáveis devido ao seu conhecimento do mercado local e suas habilidades lingüísticas. Orelacionamento econômico estreito que certas partes da comunidade chinesa de negócios gozava com os interessesbancários britânicos particulares datam dessa experiência. Em cada ponto da história política do pós-guerra da região,os financistas chineses do exterior atuaram como aliados firmes dos britânicos e holandeses. De acordo comestimativas, os financistas chineses do exterior geralmente controlam de 60 a 80% das economias da Indonésia,Tailândia e Malásia.O tamanho da dependência do mercado de Hong Kong com os chineses do exterior só pode ser adivinhado. Entretanto,os dados existentes mostram que o mercado financeiro ali, é na maior parte orientado para empréstimos estrangeiros,mais ou menos na mesma proporção do sistema bancário americano. Um terço de todos os empréstimos em dólares emHong Kong --- excluindo o chamado mercado do dólar asiático --- são para tomadores estrangeiros. O empréstimo paraestrangeiros ficou em 18,47 bilhões de dólares de Hong Kong em março de 1978, contra 39 bilhões em empréstimoslocais.Desde que o mercado de dólares de Hong Kong, mais do que americanos, para os tomadores é limitado às áreas doExtremo Oriente ainda sob influência financeira britânica, a quantia acima, de 18,47 bilhões de empréstmos aestrangeiros reflete a imensa dependência financeira da Birmânia, Tailândia e Malásia para com Hong Kong. O negócioé grandemente conduzido pelas ligações das famílias chinesas do exterior. De fato, a maioria das 250 companhiasfinanceiras registradas em Hong Kong são de propriedade de chineses do exterior.A escala das operações destes, centralizada em Hong Kong e dependente do HSBC, é gigantesca. Em 1978, acomunidade chinesa do exterior controlava 42% do comércio exterior dos países do sudeste asiático, comparados com32% pelos negociantes ocidentais, 18% por firmas locais não chinesas e somente 8% por estatais. Pelas mais recentesquantias disponíveis, os investimentos dos chineses do exteriorr na área, totaliza pouco menos que os investimentosamericanos, europeus ocidentais e japoneses combinados, embora a recente expansão japonesa na área possa havermudado um pouco a proporção.As atividades da parte corrupta da comunidade chinesa do exterior no sudeste asiático tem provocado uma longa sériede lutas com as autoridades nacionais, que geralmente não têm tido sucesso em limitar o tráfico ilegal. A única esceçãoé a antiga possessão britânica de Hong Kong, centro das operações ilegais na ´´área, onde os contrabandistas sãomembros da alta sociedade local, como no caso do chefão do jogo em Macau, Stanley Ho, que fez carreiracontrabandeando material estratégico de Hong Kong para a China via Macau, durante a guerra da Coréia. 108
  • 109. 5 AS OPERAÇÕES BRITÂNICAS SUJAS COM OURO E DIAMANTESUm aspecto da corrente financeira do tráfico de drogas no Extremo Oriente, o mercado asático do ouro, é uma pista docontrole britânico, e especialmmente do HSBC sobre o processo inteiro. Pode parecer estranho ao leitor comum, mas aconexão do ouro foi uma de um punhado de indícios críticos, que levou os investigadores pela cadeia de provas queeventualmente poderia colocar a administração do HSBC, e de algumas outra instituições há muito estabelecidas, atrásdas grades.Vastas quantidades de ouro são absorvidas pelo comércio asiático de drogas, uma inestimável percentagem de 400 a600 toneladas do metal passam pelo oriente em um ano, principalmente por Hong Kong e pelas agências do HSBC. Ocomércio de drogas não pode funcionar sem ele, e sem outros objetos preciosos, portáteis e que não deixam rastros,como diamantes.Primeiro, os camponeses dos campos de papoula do Triângulo Dourado não apreciam contas secretas nas Bahamas.Além disso, desde o fim da guerra do Vietnã, e o fim do vasto contrabando de armas e dólares americanos, esta moedana forma de uso corrente não é mais um meio aceitável de troca. Eles devem ser pagos em comida, que não produzempor si mesmos, mercadorias, ouro ou o equivalente.Segundo, e mais importante, o ouro não pode ser detetado, embora qualquer transferência bancária possa, no fim detudo. Uma barra de ouro parece com qualquer outra; trocar um balanço bancário por ouro ou diamantes, e depois trocartudo de volta ao balanço bancário é como cruzar o rio para evitar os cachorros farejadores.O ouro é tão importante para o negócio inteiro que o preço do metal é vinculado ao preço do ópio bruto, nas montanhasdo Triângulo Dourado. A queda do dólar frente ao preço do ouro, de 35 dólares por onça (28,35g) antes de 1971 para225 dólares em 1978, e 350 dólares em janeiro de 1986, também fez subir dramaticamente o preço do ópio no atacado.A subida do preço do ouro, nos últimos anos, tem sido tão firme que todos os números, quanto ao tamanho do comérciode ópio, tendem a ser subestimados. Uma indicação do relacionamento estreito ópio-ouro é a conhecida história dosagentes da CIA no norte do Laos, carregando tanto ouro como ópio, para usá-los como meio de pagamento à populaçãoMeo local, se necessário. COMO O OURO ILEGAL VIAJAO público americano ficará chocado ao saber como o HSBC usa abertamente seu monopólio do comércio de ouro, noExtremo Oriente, para alimentar operações de contrabando. Antes da abertura oficial do mercado de ouro de HongKong em 1974, o HSBC financiava abertamente o mercado de ouro de Macau, a ilha flagrantemente dirigida ao crime,e que é offshore às próprias operações offshore de Hong Kong. Hoje, o mercado de Hong Kong é dirigido de cimaabaixo por Sharps Pixley Ward, uma subsidiária da qual o HSBC possui 51%. O volume de comércio diário atual domercado de Hong Kong está em centenas de milhões de dólares, a par com Londres e Zurich.Além de Hong Kong, a outra rota para o ouro contrabandeado para o Extremo Oriente é pelo reino de Dubai, no GolfoPérsico. A força comercial ali, e no mercado de ouro, é o Banco do Oriente Médio (Bank of the Middle East) britânico,subsidiária com 100% de sua propriedade pertencendo ao HSBC.Uma descrição datada de 1972 por um dos peritos britânicos mais conhecidos, Timothy Green, da Consolidated GoldFiels, Ltd. É instrutiva: “pode na verdade parecer romântico, mas é fato que, tanto em 1970 como 1971, ao menos 500 toneladas de ouro --- quer dizer, metade de toda a produção da África do Sul, ou 400% da produção total de ouro do mundo não comunista --- passou por canais não oficiais a caminho de seu destino último”.Canais “não oficiais”, como o autor deixa claro, significa canais ilegais. A maior parte do ouro existente no mundo estános bancos centrais; antes de 1971, o ouro era a base das suas reservas. Negócios com ouro entre bancos, usosindustriais como a joalheria, etc., também são canais “oficiais”.A despeito disto, a julgar pela atividade do mercado de Hong Kong, a proporção do ouro que passa pelos canais ilegaistem, no mínimo, aumentado, e a proporção do ouro ilegal relacionado com drogas também. Green continua: 109
  • 110. “Estes canais não oficiais, usualmente começam em mercados de ouro como Beirute (que desapareceu), Dubai, Vientiane, Hong Kong e Singapura, os quais discuto aqui. Seu papel principal, sua razão de existência, é a de centros de distribuição para o contrabando; são entrepostos convenientes para as nações que, por várias razões, proíbem a importação oficial de ouro para usos econômico e comercial... Dubai tornou-se o maior mercado de ouro do mundo, excetuando Londres e Zurich --- um grande feito para um reino com população de cerca de 60.000 pessoas. Em 1970 e 1971, Dubai tinha mais de 200 toneladas de ouro --- na verdade, em 1970. o equivalente a 1/4 de toda a produção da África do Sul passou pelo ´ouroduto` para a Índia e o Paquistão (e para o Extremo Oriente; desde o começo das vendas oficiais de ouro pelo governo indiano em 1977, e a reaberura do mercado de ouro de Hong Kong, a importância de Dubai se atenuou um pouco)... Contrastando com Dubai, um mercado de ouro que se desenvolveu rapidamente, para preencher uma necessidade a curto prazo, foi Vientiane, no Laos. Este cresceu com a escalada da guerra no Vietnã. E cresceu porque era a fonte mais próxima e mais barata de ouro... Este, que era comprado como garantia contra as constantes desvalorizações da moeda vietnamita, e para esconder os lucros do vasto mercado negro de armas e equipamentos americanos furtados, era pago quase inteiramente em dinheiro vivo (Durante os anos 60 e 70, armas e equipamentos americanos furtados formaram a maior parte das mercadorias de troca por ópio, nas montanhas do Triângulo Dourado). O curto sucesso de Vientiane teve algum impacto no mais antigo mercado de ouro do Extremo Oriente --- Hong Kong, ou mais corretamente Hong Kon-Macau, pois os dois estão ligados por uma cadeia de ouro. Hong Kong, como antiga colônia da coroa britânica, proíbe a posse particular de barras de ouro; só o ouro comercial de menos de 945g de pureza pode ser comerciado. Para evitar esta regulação, há mais de 25 anos as barras de ouro fazem uma curiosa viagem lateral de Hong Kong a Macau e de volta. A barra de ouro --- com 995g de pureza --- que vem para Hong Kong por avião da Europa e Austrália... é transferida para Macau, onde é derretida em barras chinesas de 1,5 e 10 tael. Volta então, secretamente, para Hong Kong. Este tráfico tem sido dirigido há muitos anos pela Companhia Wong Hong Hon, que negocia uma série de contratos de dois anos com as autoridades portuguesas em Macau, pelos direitos exclusivvos do tráfico de ouro. ESTE É FINANCIADO PELO HSBC ---grifo nosso --- N.Ed.)”.Quer dizer, pelo testemunho de um importante perito britânico em ouro, o HSBC financiou o comércio de ouro ilegalem Hong Kong, mesmo antes da reabertura do seu mercado de ouro, após o que a subsidiária Sharps Pixley Ward doHSBC passou a dirigí-lo. UMA SUBESTIMAÇÃOPesquisando nos arquivos mortos, torna-se claro que os 40% da Consolidated Gold Fields, para o ouro contrabandeadoem 1972, representa quando muito uma moderação de tendências passadas. Os números anteriores são muito maiores.Por exemplo, Paul Ferris em “A City”, afirma que em 1951, somente 17% de toda a produção mundial de ouro passavapelos canais oficiais; o relatório de Ferris baseava-se em entrevistas com o pessoal do ouro em Londres. “O queacontece ao ouro quando desaparece no sub-mundo econômico do Oriente não é assunto dos dealers de barras deLondres”, afirma Ferris, mas, como demonstraremos, esses dealers de ouro de Londres sabem precisamente o queacontece ao ouro no Extremo Oriente. Esse mercado de barrras em Londres é meramente uma subsidiária daNarcotráfico S. A.No exemplar de 22 de julho de 1952 de THE REPORTER, um artigo de autoria de H. R. Reinhart, entãocorrespondente no Extremo Oriente do NEUE ZÜRCHER ZEITUNG, estimou o contrabando asiático de ouro em 150milhões de dólares naquele ano. Ao preço atual, a quantia estaria acima de 1 bilhão de dólares pela mesma quantidadede ouro.. A quantia, possui credenciais impressionantes, pois o editor do THE REPORTER à época era HarlanCleveland, agora funcionário do Instituto Hubert Humphrey, após passagem pelo principal ninho de idéias (“think-tank”) oligárquico, o Instituto Aspen; e segundo o NEUE ZÜRCHER ZEITUNG, principal jornal diário suíço, liga-sediretamente, pela aristocracia européia, à monarquia britânica.Reinhart identificou uma “Curva Dourada, o caminho circular que vai do norte da África à costa da China vermelha ede volta até a Índia”. O centro do contrabando de ouro era a ilha de Macau, controlada pelos portugueses, ondecontrabando de ouro é legal, e “quem ousar chamar um contrabandista de contrabandista é processado por calúnia”.Daí, o ouro é contrabandeado para Hong Kong e para o resto da Ásia.Meros 3% do ouro contrabandeado cai nas mãos das autoridades de Hong Kong, notou Reinhart, mesmo que osfuncionários da alfândega recebam uma comissão de 20% em todas as apreensões; presumivelmente, os subornos sãomais substanciais. 110
  • 111. Fontes ocidentais e soviéticas estimam a comissão do contrabandista de 30 a 50% em tais transações. O economistasoviético M. A. Andreyev relatou: “De acordo com um empresário chinês em Singapura, o contrabando dá um lucro de100% ao capital investido, que é várias vezes maior que aquele recebido nos itens básicos da economia da ilha. EmHong Kong, a comissão paga aos contrabandistas chega a 30-50%”. O ponto é que o comércio de ouro em si não serialucrativo a menos que fosse uma transação ponte para uma operação muito mais lucrativa, por exemplo, tráfico denarcóticos! Este é o caso.Mas como Reinhart afirmou “A justiça britânica, como é feita pelos magistrados em Hong Kong, estende o benefício dadúvida até mesmo a um contrabandista suspeito, apanhado com as mercadorias”. Isto não deve ser surpreendente, agora;como se notou, é assunto de conhecimento público há 25 anos, que o próprio HSBC britânico financia o contrabando deouro!Um ponto crucial posterior, cuja importância completa somente emergirá nos capítulos seguintes, é o de que aRepública Popular da China está no mercado de ouro ilegal desde a vitória maoísta de 1949.O ouro levado para Macau, como se falou antes, era (antes que Hong Kong abrisse seu mercado de ouro em 1974)derretido em barras de menos de 95% de pureza, cuja comercialização as autoridades de Hong Kong hipocritamenteendossavam. O segundo derretimento, afirmou Reinhart, era função da Companhia Kan Kuan Tsing em Macau. “Nocâmbio de Hong Kong”, juntou o jornalista suíço, “o comprador parece ser da República Popular da China”. Desde queesta quer metal de pureza de reserva monetária, acima de 95%, o comprador leva o ouro de volta à Companhia KanKuan Tsing e derrete o ouro pela terceira vez, para um nível de maior pureza. Reinhart identificou a firma Pao San &Co. como veículo regular das compras de ouro para Pequim durante o começo dos anos 50.De acordo com Reinhart, a República Popular da China entrou no mercado de ouro de Hong Kong em 1950. O anúnciode julho de 1978, de que treze bancos de propriedade comunista, em Hong Kong, receberiam permissão para negociardiretamente nesse mercado de ouro, assim só atualiza um acordo que vigorava desde a fundação daquela República. UM GRANDE MERCADO DE OUROAparte um fluxo relativamente insignificante de ouro para Hong Kong, das minas da Austrália e Filipinas, insignificantecomparado com as 300 toneladas de ouro, comerciadas em Hong Kong durante 1977, e as 600 toneladas em 1978 ---Hong Kong depende inteiramente do mercado de ouro londrino para seu suprimento.Este opera da mesma forma que o HSBC, controlado pelas mesmas famílias londrinas cujas atividades com drogas jáexistem há 150 anos.Há dois grandes produtores de ouro na África do Sul, a Anglo-American e a Consolidated Gold Fields (cujo especialistaem ouro foi citado acima); há um grande produtor de diamantes na África do Sul, a De Beers, pertencente em sua maiorparte à Anglo-American; e cinco grandes firmas de ouro no mercado londrino, que se reúnem diariamente na sala detrading de N. M. Rothschild em New Court, na Rua St. Swithin, Londres, para fixar a “cotação” mundial do ouro.Examinando essas firmas individualmente, descobriremos conexões que tornam sem sentido falar em mercados de ourolondrino e de Hong Kong senão como filiais na mesma operação.A empresa de comércio com ouro de propriedade do HSBC é Sharps Pixley Ward, da qual o banco possui 51%. Umadas cinco do mercado de ouro londrino, a Sharps Pixley, possui os outros 49%. Mas esta é uma subsidiária 100%pertencente ao banco comercial londrino Kleinwort Benson, cujo presidente representante é Sir Mark Turner, presidenteda Rio Tinto Zinc (RTZ). George Young, do Kleinwort Benson, era o número 2 na Inteligência britânica nos anos 60.A própria RTZ foi fundada há um século com os lucros do comércio de ópio da Jardine Matheson, por um membro dafamília Matheson, que ainda é grande acionista do HSBC. Os herdeiros da família Matheson, a família Keswick, aindatem seu tradicional assento no conselho do HSBC. Sir Mark Turner passou a Segunda Guerra Mundial no Ministério daEconomia de Guerra britânico, que também empregou Sir John Henry Keswick, e outro membro do conselho do HSBC,John Kidston Swire.O segundo maior banco de Hong Kong, o Standard and Chartered, é o acionista majoritário de outro membro domercado londrino de ouro, a Mocatta Metals. O antecessor daquele, o banco Standard, foi fundado um século atrás pelo“imperialista da raça” britânica Cecil Rhodes. O Standard and Chartered não é somente um estreito colaborador doHSBC na sua transferência do dinheiro do ópio dos chineses comunistas, estando ambos profundamente ligados desdeos dias do comércio oficial de ópio britânico.Um dos diretores do Standard and Chartered é o atual Lord Inchcape, da Companhia Inchcape (Inchcape & Co.) e daCompanhia de Navegação a Vapor Peninsular e Oriental (P & O), esta última a maior transportadora oceânica noExtremo Oriente. Ambas são fortemente representadas no conselho de diretores do HSBC. O pai de Inchcape escreveu 111
  • 112. o Relatório Inchcape de 1923, notório por recomendar a continuação do patrocínio britânico ao tráfico de ópio, adespeito do ultraje à Liga das Nações, a fim de “proteger os lucros” das então colônias no Extremo Oriente.Este exemplo também indica porque as operações com dinheiro sujo do mercado londrino de ouro são um problemamundial, não só do Extremo Oriente. A Mocatta Metals, uma subsidiária da Mocatta & Goldsmid do Standard andChartered, é um dos maiores agentes na lavagem de dinheiro sujo de Nova York.O atual presidente da Mocatta Metals, Dr. Henry Jarecki, está sob investigação há anos por atividades ilegais, emboranenhuma acusção ainda tenha sido feita. De acordo com fontes européias de Inteligência, as operações de Jarecki comdinheiro sujo, ajudam a financiar as atividades do Mossad, o serviço secreto de Inteligência Estrangeira de Irsrael, emum de seus locais mais importantes, Nova York.Jarecki não é a arraia miúda: freqüentemente escreve uma coluna sobre ouro para publicações financeiras britânicas,como EUROMONEY, e mereceu um longo perfil no exemmplar de setembro de 1978 da revista FORTUNE. Nãoobstante, é eminentemente adequado ao papel de financista da Inteligência israelense. Além dos relatórios de fontespoliciais sobre esta personagem nebulosa, incluindo envolvimento com drogas --- de acordo com informaçõespublicadas, aproximadamente metade do pessoal de Jarecki nos 28 traders de ouro começaram no mesmo Departamentode Psicologia de Harvard que formmou os propagandistas do LSD, Dr. Timothy Leary e “Baba Ram Dass”, RichardAlpert, no começo dos anos 60.O Banco Midland vem logo após o Standard and Chartered do qual possui 20% e a Mocatta & Goldsmid. Tambémpossui a totalidade de outro banco do mercado londrino de ouro, o Samuel Montagu Bank. Sir Mark Turner é diretor doMidland e do Samuel Montagu Bank. A família Montagu é firmemente intercasada com os Rothschild, os Montefiore eos Samuel. Um dos protegidos da família é o membro do conselho do HSBC Philip de Zulueta.N. M. Rothschild e filhos (N. M. and Sons), que começou a operar em Hong Kong em 1975 para aproveitar as recémliberalizadas leis de comércio de ouro, e Johnson Matthey, os últimos membros do mercado londrino de ouro, sãotambém inter-relacionados várias vezes tanto com o HSBC quanto com as principais minarações de ouro da África doSul, Consolidated Gold Fields e Anglo-American, que controlam 90% da produção de ouro local. MERCADO NEGRO DE DIAMANTESSegundo em importância no processo de lavagem de dinheiro é o mercado mundial de diamantes, cujo único diretorpresidente é Sir Harry Oppenheimer, da Corporação De Beers. Este é também presidente da maior produtora de ourosul-africana, a Anglo-American. O complexo desta com a De Beers dirige Hong Kong na lavagem de dinheiro comdiamantes em dois níveis, atacado e varejo. A De Beers dirige 85% do mercado atacadista de diamantes; por suasconexões estreitas com os israelenses, Oppenheimer também dirige o mercado de diamantes de Hong Kong.Há dois pontos de especial importância quanto aos diamantes no tráfico internacional de heroína. O primeiro é o de que,em valor relativo ao tamanho e peso, os diamantes são a melhor aproximação possível da heroína como bem de valorpara uso furtivo. Segundo, o cartel internacional de diamantes controlado pela De Beers opera em estrutura verticalidêntica a do comércio mundial de heroína.O uso de redes étnicas no exterior para o lado sujo das operações também é análogo, exceto que, no caso dos diamantes,redes majoritariamente judias substituem as chinesas Ch`ao Chou. Não é coincidência que haja pouca informaçãodisponível publicamente sobre o comércio internacional de diamantes, como também sobre o tráfico de heroína.O maior produtor sul-africano, De Beers, foi criado em 1888 por Cecil Rhodes; em 1929, a conpanhia foi reorganizadapor Sir Ernest Oppenheimer, da família da Anglo-American.. A De Beers controla a Organização Central de Vendas(Centrral Selling Organization --- CSO), que manobra 85% do comércio internacional de diamantesCom dez “visitas” por ano, 300 clientes compram as pedras da CSO. A lista destes é secreta. Após esta compra, osdiamantes são enviados aos centros de lapidação para a preparação seguinte. Os dois centros principais são Antuérpia(Holanda) e Ascalon (Israel). O centro de lapidação e comércio de Antuérpia é financiado pelo Banco Bruxelles-Lambert (Bruxelles-Lambert Bank), controlado pela família Lambert, primos belgas dos Rothschild. O negócio dediamantes de Israel (e também de Nova York) é financiado pelo Banco Leumi. Neste contexto, também é interessantenotar que, de acordo com várias fontes bem informadas, os bancos belgas se tornarram importantes nas finanças doExtremo Oriente.Nos centros individuais, os dealers negociam entre si em Bolsas como o Clube dos Dealers de Diamantes de NovaYork, o Ramat Gan em Tel Aviv, e a Bolsa de Diamantes de Antuérpia. Nenhum registro escrito de qualquer transaçãoé guardado; os acordos são selados com um aperto de mãos. Nenhum aspecto deste comércio está disponível paraexame das agências policiais, mesmo sob a lei americana, antes que os diamantes cheguem ao nível de joalheria. 112
  • 113. Como os investigadores da EIR descobriram em 1978, o atacadista de diamantes em Hong Kong é monopólio virtual doBanco Unido de Israel; este é 100% de propriedade da maior corretora de Israel, o Banco Leumi. Este, por sua vez, estásob controle do Banco Barclays, em cujo conselho está Harry Oppenheimer e a própria família Oppenheimer. Opresidente do Banco Leumi é Ernst Israel Japhet, da Charterhouse Japhet, família cuja fortuna deriva do comérciooficial britânico de ópio do século XIX.Dez vezes por ano, representantes do Ramat Gan, a Bolsa de Diamantes de Tel Aviv, vão com financiamento do BancoUnido de Israel à CSO (Central Selling Organization) da De Beers, nas “visitas” em Londres e compram 1/3 daprodução mundial de diamantes.Da mesma forma que as redes Ch`ao Chou do Extremo Oriente, controladas por Pequim e pelos britânicos, osfinancistas britânicos anglo-sionistas são um grupo fechado, com suas próprias redes familiares, rituais e linguagem. Omercado de diamanttes de Nova York consiste, em seu nível inferior, principalmente de membros das seitas Hasidicresidentes na área. Este aspecto exótico do tráfico de diamantes recebeu notoriedade pública, após vários furtos eassassinatos inexplicados que ocorreram no comércio de diamantes em 1977.De novo aqui as várias firmas envolvidas estão tão intimamente ligadas por casamentos, parentescos e propriedadescom os maiores bancos lavadores de dinheiro, que o funcionamento do sistema de dinheiro sujo é totalmente integrado.Vejamos também o Canadá, a base de todos os negócios da Narcotráfico S. A. que entram nos Estados Unidos. OBanco da Nova Escócia (Bank of Nova Escotia), por exemplo, tanto é o maior dealer de ouro (e banqueiro do segundomaior dealer, a Noranda Mines), quanto é o maior lavador de dinheiro sujo no Caribe.Este banco tornou-se notório por subornar sua entrada de novos escritórios no Caribe, violando as leis locais da moeda,manobrando o capital especulativo contra as restrições monetárias, “investindo” em negócios locais sabidamente testas-de-ferro da Inteligência, etc. A rede do Nova Escócia no Caribe é maior que a de qualquer banco no mundo, excetoBarclays, que tem linhagem similar. O ouro é um meio útil para o caso especial do Caribe, onde as restrições oficiaisdificultam transferências bancárias. Convenientemente, o Nova Escócia lidera o mercado de ouro de Toronto.O outro principal operador neste mercado, ao tempo da investigação da EIR, era a Noranda Mines (MineraçõesNoranda), cujo vice-presidente, E. Kendall Cork, era membro do conselho de diretores do Banco de Nova Escócia. 113
  • 114. 6 HONG KONG, CAPITAL DO FINANCIAMENTO DA HEROÍNAEm 27 de agosto de 1985, o Banco Crocker National de São Francisco (Crocker National Bank of San Francisco), foimultado pelo Departamento do Tesouro americano em 2,25 milhões de dólares, a maior multa até então imposta a umbanco pelo governo federal. O crime: o Crocker não relatara transações em dinheiro vivo totalizando quase 4 bilhões dedólares em um período de quatro anos, violando o Ato de Segredo Bancário (Bank Secret Act) de 1980, que prescreveque um relatório deve ser preenchido sobre cada transação em moeda acima de dez mil dólares. Entre 1980 e outubro de1984, falhara ao não relatar 7.877 transações separadas, totalizando 3,98 bilhões, sendo 3,88 bilhões envolvendotransferências de moeda americana de bancos no exterior.O conselheiro geral do Crocker, Harold P. Reichwald, explicou as violações como um “erro honesto”.Mas funcionários do Tesouro pensavam diferentemente. De fato, acreditavam que as transações do Crocker estavamligadas ao comércio de heroína em Hong Kong. Das 7.877 transações não relatadas, um total de 3,43 bilhões envolvia 6bancos de Hong Kong. Esses enviaram grandes quantidades de dinheiro vivo em notas de pouco valor para o cofrecentral do Crocker em São Francisco. Essas transações “pareciam evidenciar lavagem de dinheiro em grande escalapelos trraficantes internacionais de heroína”, disseram os funcionários do Tesouro. Como Art Siddon, do Tesourocolocou, “Hong Kong é um grande centro bancário e também conhecido como grande centro de dinheiro das drogas.Admitimos que parte daquele dinheiro é lavagem disso”.O HSBC era um dos bancos que enviaram os depósitos em dinheiro em notas de pequeno valor para o Crocker. Naverdade, o HSBC é a empresa-mãe do banco Crocker. Desde maio, o Crocker era uma subsidiária de propriedade totaldo banco londrino Midland, que anteriormente possuía 57% do HSBC. Em sua entrevista à imprensa anunciando amulta, John M. Walker Jr., secretário-assistente do Tesouro para fiscalização e operações, notou que grandes volumesde heroína do sudeste asiático que entravam nos Estados Unidos eram “financiados em Hong Kong”.Em depoimento perante o Comitê Seleto sobre Abuso de Narcóticos e Controle da Câmara em 1984, o Secretário-assistente de Estado Dominick Di Carlo apontou Hong Kong como “ o maior centro financeiro para o tráfico de drogasno sudeste asiático. As organizações de tráfico ali baseadas operam por todo o mundo... Grande número de operadoresde tráfico de heroína pelo mundo todo são financiadas e controladas de Hong Kong. Há evidências de que grupos alibaseados contrabandeiam heroína para a Europa e a América do Norte”.Hong Komg, e seu primeiro banco, o HSBC, se assentam no topo da produção e tráfico de drogas do TriânguloDourado. Em 1979 e 1980, o comércio quebrou, perdendo sua parte no mercado de heroína americano. Em 1981, veio areação --- 10% em 1981, 14% em 1982 e 19% em 1983. Neste ano, a heroína do sudeste asiático cobriu 41% da drogaencontrada no oeste dos Estados Unidos.Como seria normal, aumentos na moeda americana repatriada de Hong Kong para os Estados Unidos, de 1982 àprimeira metade de 1984, foram paralelos ao constante crescimento da heroína do sudeste asiático comercializada nosEstados Unidos de 1981 a 1983, de acordo com uma investigação conduzida pela Comissão Presidencial sobre CrimeOrganizado, liberada em outubro de 1984: “Uma instituição financeira americana em Hong Kong manejouaproximadamente 700 milhões em moeda americana em 1982, mais de 1 bilhão em 1983 e mais de 600 milhões naprimeira metade de 1984. Enquanto metade desta moeda é enviada aos Estados Unidos, o resto, em notas de 100dólares, é enviada para outros países, principalmente Suíça (onde os bancos são tão secretos como os de Hong Kong ---N.Ed.). Aproximadamente 65% da moeda enviada para este país é em notas de 100 dólares. O resto é em notas depequeno valor (como aquelas que o Crocker recebera), um sinal claro de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.“Este grande volume de notas de pequeno valor excede o volume total das transações em moeda com qualquer paíseuropeu”, inclusive Alemanha Ocidental e a França, nota o relatório, encarando com desconfiança as explicações dadaspara o repatriamento que não fosse de dinheiro de drogas. Evidentemente, o Crocker não é o único banco americanoenvolvido neste negócio!A antiga colônia de Hong Kong, com a Corporação Bancária Hong Kong and Shangai no topo, é considerada o centronúmero um de lavagem de dinheiro do comércio de heroína. Isto era verdade quando o livro foi publicado pela primeiravez em 1978, e continua verdadeiro hoje. Eis o que dissemos sobre este extraordinário lugar, em 1978: 114
  • 115. As drogas ilegais são o maior negócio do Extremo Oriente, e próximo de ser o maior do mundo, mas em Hong Kong as drogas não dominam meramente a economia, elas são a economia. Uma olhada à antiga colônia britânica nos dá um microcosmo das drogas e da economia do dinheiro sujo por todo o mundo.Primeiro, comecemos com o fato de que Hong Kong é o lugar mais dirigido pelas drogas no mundo, per capita. Apolícia britânica oficial, estima que 10% da população local, ou 500.000 pessoas, são viciados empedernidos.Estimativas não oficiais elevam a percentagem para 50%. Uma estimativa conservadora e segura, estima em 20% ou ummilhão de pessoas --- mais que os viciados de Nova York. Assumindo que o custo diário do vício do ópio ou morfinaem Hong Kong vá a cerca de 10 dólares americanos, o fluxo anual de caixa das vendas a varejo na porta de serviço doHSBC vai a cerca de 3,7 bilhões de dólares.Como banco central da região, o HSBC fornece dinheiro em notas a seus clientes, entre outros serviços. Qualquerestimativa razoável das operações com dinheiro sujo em Hong Kong inclui o comércio de drogas a varejo, tanto quantoo notório suborno dos policiais, o atacado internacional de drogas baseado na ilha, o jogo ilegal e outras formas detransações ilícitas, o que deve produzir uma quantia chocantemente alta. Com um segmento viciado deste tamanho, avida da população de Hong Kong deve estar organizada à volta da atividade ilegal.Mudando o foco para Nova York por um momento, indicamos a magnitude da economia ilegal do mundo centrada nasdrogas. A maioria das estimativas calcula os viciados em 500.000 na cidade (e outros 250.000 em todo o país).Assumindo que a despesa diária de 50 dólares é a média, o que as estimativas federais aparentemente fazem, estesegmento viciado recebe 9 bilhões de dólares anuais da economia vacilante de Nova York para suprir suasnecessidades.De onde vem o dinheiro? Das atividades do crime organizado: extorsão, jogo, proteção, furto de carros, roubo de peçasdesses, prostituição, pornografia, incêndios criminosos e ocupações similares. O vício das drogas não poderia existirsem o crime organizado para prover os meios de seu financiamento. As autoridades policiais estimam que 80% de todosos crimes em Nova York se relacionam com as drogas.A série de 1978 da TV Educativa Nacional sobre tráfico de narcóticos demonstrou monstruosa ousadia, ao citarrepetidamente o ponto de vista da (bem paga) Polícia Real de Hong Kong, de que o tráfico de narcóticos existiráenquanto houver mercado. O mercado da pior forma de miséria humana, não somente é o mais centralizado do mundo,mas possivelmente não existiria de outra forma. Se a demanda provoca a oferta, podemos perguntar por que osatacadistas de narcóticos produzem quase dez vezes mais que o consumo anual?Hong Kong é a capital da economia ilegal das drogas no mundo. Isto explica algumas de suas mais notáveiscaracterísticas: é o maior mercado ilegal de dinheiro sujo, drogas e ouro; tem a maior taxa de liquidez mundial; e tem amaior taxa de suborno do mundo.As exportações legais anuais da antiga colônia este ano (1978) não serão maiores que 8 bilhões de dólares; porémcomo vimos, receberá mais de 10 bilhões em drogas e suas atividades financeiras relacionadas.Aparte o varejo e atacado das drogas, enormes setores da economia insular são indiretamente dependentes do tráfico dedrogas. Exemplar é a explosão do mercado de ouro, cujo movimento dobrou de 305t em 1976 a 600t (valendo 43,6bilhões de dólares) em 1977. Várias centenas de milhões de dólares em ouro vão diretamente para o Triângulo Dourado;outras centenas de milhões absorvem e escondem os lucros dos traficantes de drogas pelo Extremo Oriente. A MAIS ALTA TAXA DE LIQUIDEZO tráfico de drogas em Hong Kong, e os negócios ilegais na região circundante, pesam indubitavelmente no crônicoexcesso de liquidez da colônia (ver “International Currency Review, v.10, no.4, para uma análise descritiva). Ocrescimento anual na oferta de dinheiro, até abril de 1978 foi de 25%; entretanto, um pouco disto é atribuível a fluxosde moeda estrangeira relacionados com a abertura de um mercado de bônus offshore em Hong Kong. Nos últimos 15anos, o enorme volume de emprésimos externos tendeu a suprimir a enorme oferta de dinheiro, de outra formanecessária, para financiar vários bilhões em atividade ilegal, em uma ilha cuja oferta registrada de dinheiro é agora de4,5 bilhões de dólares. De acordo com um artigo no FINANCIAL TIMES londrino de 4 de julho de 1977, os negóciosoffshore feitos por Hong Kong eram antigamente tão grandes que a taxa de liquidez dos bancos (levando em contadinheiro vivo e letras de câmbio em redesconto offshore) estava em extraordinários 50%. A maior parte da oferta localde dinheiro era em forma de dinheiro vivo.Com efeito, o tráfico local de drogas, baseado em dinheiro de Hong Kong, criou uma reserva para empréstimos offshoreque financiaram o tráfico no resto da Ásia! Desde 1975, entretanto, o desenvolvimento do mercado de bônus offshore eo fluxo de capital estrangeiro levou à redução da taxa de liquidez para ainda extraordinários 43%. 115
  • 116. Compreensivelmente, mesmo a prática pública de negócios em Hong Kong é politicamente corrupta. O papelinteiramente à vista do HSBC no contrabando de ouro entre Hong Kong e Macau já foi visto acima. O artigo doFINANCIAL TIMES, relatou um escândalo daquele ano no qual a Wheelock Marden, uma companhia comercialregistrada na Bbolsa de Valores de Hong Kong, provocou uma investigação pela Comissão de Valores após uma“afirmação moderadamente otimista” seguida de uma “revelação de enorme queda nos lucros, corte de dividendos,cancelamentos e problemas de liquidez”. O FINAANCIAL TIMES escreveu, “A espionagem é desmedida... Essasagitações podem ser atribuidas a falhas de caixas, secretárias e tradutores, mais do que a informação privilegiada nachefia. Mas quem pode culpar esses níveis inferiorres quando o Sr. John Marden é ainda presidente da WheelockMarden, está no conselho do HSBC e ainda é um pilar da ´respeitável` sociedade colonial?” A MAIOR TAXA DE SUBORNOFontes policiais relatam que os “níveis inferiores” são geralmente resolvidos pelo sistema de suborno mais eficiente domundo. Ao menos 1 bilhão de dólares é passado à oficialidade de Hong Kong.De acordo ainda com o artigo do FINANCIAL TIMES: “Talvez um bilhão de dólares anuais fluem para os sindicatos, admite Jack Cater, chefe em Hong Kong da Comissão Independente contra a corrupção (ICAC), iniciada em fevereiro. A soma dá pistas do tamanho do problema que esta deve resolver. Outra, aponta o Sr. Cater, é a extensão da corrupção oficial e particular da polícia na Colônia. Com um pessoal variando de dez a 300, há ao menos 28 sindicatos de funcionários identificados, e 25 deles estão na Real Força Policial de Hong Kong... O ICAC considerou cerca de 9.500 relatórios sobre corrupção, 85% deles envolvendo o serviço de Sua Majestade. Relatórios de crimes policiais (4.000) contabilizam regularmente mais da metade como crimes governamentais... O Sr. Cater falhou em não trazer de volta os muitos policiais não comissionados ricos e a maioria deles chinesa que deixaram Hong Kong antes que a ICAC estendesse sua rede.”A maior concentração deles é em Vancouver (Canadá), onde estão ainda ativos no tráfico de narcóticos, de acordo comespecialistas policiais.A quantia de 1 bilhão acima citada pode ser vista como referência no tráfico de narcóticos e crimes relacionados. Antes,o tráfico em Hong Kong era estimado em cerca de 4 bilhões de dólares, e o atacado de drogas na área em 3 ou maismilhões. Assumindo que o suborno de policiais e outros oficiais --- que representam a maior parte do bilhão acimacitado --- chega a 10 ou 15% do volume do tráfico de drogas, varejo e atacado em conjunto, então a estimativa para otamanho do tráfico de drogas já feito é inquestionavelmente suubestimado. O bilhão de dólares em corrupção em HongKong, estimado anualmente pelas autoridades, indica que o tráfico de drogas em e através de Hong Kong se aproximade 10 bilhões de dólares. Essa quantia, naturalmente, não inclui suborno a funcionários das alfândegas de Bangkok,Rangoon, Singapura e outros lugares, nem aos oficiais dos exércitos da Tailândia e Birmânia.Quando esforços limitados de se dar aparência de honestidade foram feitos em Hong Kong, tanto a polícia quanto acomunidade chinesa no exterior ergueram-se em revolta. Em 1977, a polícia fez greve incontrolávvel contra oschamados esforços anti-corrupção. O FINANCIAL TIMES de 4 de julho de 1977 notou que a cruzada “enraiveceu osnegociantes chineses em partcular... Em raro espetáculo, a Associação de Indústrias Chinesas (pró-Pequim) e a Câmarade Comércio Kowloon fizeram um protesto maciço contra a ´interferência em antigos costumes chineses`” .Tais costumes antigos indicam a natureza de Hong Kong e da banca. De acordo com o costume, não se pede suborno,nenhum é oferecido. Ao invés disso, couriers fazem a ronda pela Real Polícia de Hong Kong e outros edifícios oficiais,bem cedo cada manhã de segunda-feira, deixando um envelope contendo notas de 100 a 500 dólares em cima de cadaescrivaninha. Qualquer policial que recusar a apanhar o envelope, provavelmente morrerá em 48 horas, de acordo comos policiais. 1986: HONG KONG E O “LIVRE COMÉRCIO”É surpreendente que Hong Kong, a capital da heroína do mundo totalmente desregulamentado, a principal façanha daCompanhia das Índias Orientais, seja modelo para os ideólogos do “livre comércio” que infestam Washington?Vejamos o testemunho de um desses ideólogos, Milton Friedman, que declarou em seu livro de 1980 “Livre ParaEscolher”: “No mundo de hoje, o grande Estado parece universal. Podemos perguntar se existe exemplo contemporâneo de sociedade que se baseie primariamente em trocas voluntárias no mercado para organizar sua atividade econômica e na qual o governo é limitado...Talvez o melhor exemplo seja Hong Kong, uma nesga de terra próxima à China continental, com menos de 1.036 km2 e uma população de mais ou menos 4,5 milhões de pessoas. Hong Kong não tem tarifas ou qualquer restrição ao comércio 116
  • 117. internacional... Não tem regras governamentais na atividade econômica, nenhuma lei de salário mínimo, nenhuma fixação de preços... É pouco irônico que Hong Kong, uma colônia da coroa da Grã-Bretanha, deva ser o exemplo moderno de mercado livre e governo limitado”.Friedman não desconhece, naturalmente, que o produto principal da economia de Hong Kong é o comércio de drogas.Entretanto, isto não o preocupa, não mais do que preocupou ao Banco Crocker National que os 3,48 bilhões de dólares,em notas de pequeno valor que estavam recebendo, houvessem destruído uma geração da juventude americana. Fiel aseus valores, Friedman advoga a legalização da maconha e da heroína. Em entrevista no show de Phil Donahue em 16de abril de 1980, Friedman anunciou sua marca registrada libertária de imoralidade. Argüindo primeiro, que o suicídio éum direito humano básico, Friedman então continuou: “Mesmo que por princípio ético voce acredite ser direito impedir alguém de fumar maconha, por conveniência, é um erro terrível... Quer dizer, é um errro terrível para a sociedade considerar a heroína ilegal, porque isto aumenta o mal que a heroína faz. Por que temos tantos crimes nas cidades? Mais de 50% é atribuído a crime para se adquirir dinheiro para comprar heroína”.A defesa de Friedman do comércio de drogas provém, não somente de suas credenciais, mas também por ser relaçõespúblicas da Narcotráfico S. A. Agora mesmo pode-se demonstrar que a droga é a única coisa que conserva flutuando aeconomia americana --- após o colapso que a economia produtiva sofreu, por causa das teorias de livre mercado deFriedman! Em 1986, o volume de câmbio global estava em 150 bilhões diários! Entretanto, com tanta especulação há,por definição, tanto perdedores quanto vencedores; nem todos podem ganhar a vida no jogo de dados. O que suustém omercado do Eurodólar é a marca registrada de Friedman, o livre comércio --- quer dizer, a economia subterrânea. Estainclui os 500 bilhões anuais do tráfico global de narcóticos, os 100 bilhões anuais em tráfico ilegal de armas, e váriasoutras centenas de bilhões em capital especulativo, evasão de impostos e outras espécies de “livre mercado”.Os céticos devem recorrer às tabelas do balanço de pagamentos americano. Durante a primeira metade de 1985, deacordo com números oficiais do governo, quase metade dos 120 bilhões de dólares anuais de déficit no balanço depagamentos americano foi financiado por desconhecidos, que tomaram precauções para assegurar seus investimentossecretos nos Estados Unidos. Analistas do Conselho da Reserva Federal, do Departamento do Comércio e do FMIacreditam que a maior fonte das rendas desconhecidas é o tráfico de narcóticos, e que a segunda maior é o capitalespeculativo de países em desenvolvimento.Quer dizer, em números sólidos: os Estados Unidos importavam 124 bilhões de dólares anuais a mais do queesportavam, como na primeira metade de 1985. Destes, 50 bilhões financiando o déficit da balança comercial sãorelatados nos dados oficiais como “erros e omissões líquidos”. Em outras palavras, os Estados Unidos não podiamcontabilizar 50 bilhões de dólares anuais em dinheiro que entrava no país, possibilitando ao país pagar seu déficitcomercial.Isto ainda não é o fim. As companhias e várias agências governamentais americanas estão tomando emprestados 35bilhões anuais da entidade offshore chamada “mercado de Eurobônus”, fundada em primeiro lugar para possibilitar quedesconhecidos comprem valores rentáveis sem serem identificados. Este mercado costumava ser relativamente pequenoe sujo, nas finanças mundiais; agora “se arrasta” atrás do mercado da dívida governamental americana, o maior mercadode valores do mundo, de acordo com o Crédit Suisse-First Boston, a companhia londrina que domina o mercado.Cinqüenta bilhões de dólares anuais de “erros e omissões”, mais 35 bilhões anuais de Eurobônus somam 85 bilhões, oumais de 2/3 das necessidades anuais de financiamento externo dos Estados Unidos, de fontes que o governo americanonão pode identificar.A economia e o sistema bancários americanos estão portanto sendo sustentados pelo comércio internacional de drogas,que ao mesmo tempo atua como um câncer da economia produtiva. Não é, como Milton Friedman argumenta, que atolerância ao comércio de drogas seja uma conseqüência filosófica natural do compromisso com o livre comércio. Ocontrário é que é o caso. Desde Adam Smith, da Companhia das Índias Orientais, até seus descendentes MiltonFriedman e o antigo Secretário do Tesouro Donald Regan, a idéia de economias totalmente desregulamentadas, que oparaíso do livre comércio de Hong Kong representa, é uma necessidade prática para o comércio internacional denarcóticos. No fim das contas, em Hong Kong, o Banco Crocker National jamais seria apanhado. 117
  • 118. 7 A CONEXÃO PEQUIM “Alguns deles (soldados americanos no Vietnã) estão experimentando ópio. E nós os ajudamos... Lembram quando o Ocidente impôs o ópio a nós? Eles lutaram conosco pelo ópio. E vamos lutar contra eles com suas próprias armas... O efeito que esta desmoralização terá sobre os Estados Unidos será bem maior do que imaginamos”. (Primmeiro-ministro chinês Chou En-Lai, conversando com o Presidente egípcio Nasser em junho de 1955)A conexão Hong Kong-China-britânicos, que controla o comércio de drogas no Extremo Oriente, se personifica nafigura de Sir Y. K. Pao, o cavaleiro britânico que senta no conselho do HSBC, no conselho do Chase, dirige a maiorfrota de navios mercantes pelo seu Grupo Marítimo Mundial (Worldwide Shipping Group) e tem acesso igual a rainhada Inglaterra e aos mais poderosos líderes chineses. Foi nomeado cavaleiro do Império Britânico em 1979, por“empolgante subida ao pináculo do comércio mundial”, e foi o primeiro chinês do exterior a ser oficialmente recebidoem Pequim, em 1980.Em 1982 os acontecimentos, resultantes da visita à China da Primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, deram umaamostra do estreito relacionamento que existe entre os empresários britânicos e chineses de Hong Kong e do continente.Como a Reuters relatou em 25 de setembro de 1982, na história vinda de Shangai: “A Primeira-ministra britânica Margaret Thatcher batizou um navio para um milionário de Hong Kong em um cais chinês hoje e descreveu o mesmo como símbolo do estreito relacinamento entre China, Inglaterra e Hong Kong. A Sra. Thatcher antes voara de Pequim para Shangai, após conversar com líderes chineses sobre o futuro de Hong Kong... Em comunicado conjunto após sua última reunião com o velho estadista Deng Xiao-ping, os dois lados concordaram em abrir negociações por canais diplomáticos sobre a questão. A Inglaterra e a China têm o objetivo comum de manter a prosperidade e estabilidade de Hong Kong, diz o comunicado. Ao chegar a Shangai, maior cidade da China, a Sra. Thatcher almoçou com Sir Y. K. Pao, chefe da Worldwide Shipping de Hong Kong. Foi então ao cais de Jiangnan e batizou seu cargueiro de 27.000 toneladas World Goodwill (boa vontade mundial). Disse ela ao prefeito de Shangai, Wang Daohan: ´O navio é o símbolo do estreito relacionamento entre China, Inglaterra e Hong Kong”.É por este trio que a República Popular da China colhe sua parte dos lucros no comércio internacional de drogas,conservando a estratégia de Chou En-lai, cujos protegidos estão no poder hoje em Pequim. Desde a viagem de HenryKissinger em 1972 à China, o papel dos chineses no comércio mundial de drogas saiu das manchetes. As autoridadesamericanas, européias e japonesas há muito insistiam que Pequim era um grande produtor primário e exportador de ópioe seus derivados, e os britânicos, sob extrema pressão externa, tiveram que concordar.As etapas do registro públicodisto estão abaixo. Entretanto, mesmo a mais constrangedora documentação do papel de Pequim na produção de ópionão toca no principal.As rendas da China vermelha, com exportações de ópio, como demonstraremos, são meros 800 milhões de dólaresanuais. Pequim recebe seus lucrros reais no atacado, no varejo e no financiamento principalmente por Hong Kong, ondese fazem altas finanças. A República Popular da China toma parte ativa no contrabando de ouro para o financiamentode drogas no Oriente desde 1950.Mas desde o final dos anos 50, Pequim tem deliberadamente integrado seus negócios externos financeiros com asprincipais companhias britânicas de comércio com drogas em Hong Kong e Macau, e com as redes offshore chinesasatacadistas de drogas e de dinheiro sujo por todo o Oriente. Y. K. Pao, membro da família banqueira que fugiu deShangai em 1949, está no pináculo do relacionamento entre os chineses do exterior e o governo do continente,relacionamento que a política chinesa de Portas Abertas da era Deng tornou ainde mais fácil.A dependência financeira de Pequim de Hong Kong é matéria pública. Em 2 de outubro de 1978, o folhetoMERCADOS ORRIENTAIS-OCIDENTAIS (EAST-WEST MARKETS) do Chase estimou que o fluxo financeiro daChina continental em 1978 (excluindo as exportações) por Hong Kong totalizaria 2,5 bilhões de dólares, mais que o 1,3bilhão em 1977. Aquela quantia inclui a renda dos investimentos estrangeiros de Pequim em Hong Kong e em outroscentros do sudeste asiático, mais remessas para patentes no continente por chineses do exterior. Este fluxo para a Chinanão decresceu, e sim aumentou, já que a “Política de Portas Abertas” do líder chinês Deng Xiao-ping, foi extremamentebem sucedida em atrair dinheiro de chineses do exterior para o continente. 118
  • 119. Aparte o aspecto puramente financeiro, a maior parte das exportações da China comunista passa por Hong Kong. Em1976, Pequim recebeu 2,4 bilhões de dólares pelas exportações para a colônia britânica, o suficiente para cobrir 40%das necessidades totais de importação naquele ano. Pequim faz todas as suas operações bancárias por Hong Kong, amaior parte pelo HSBC, e secundariamente pelo Banco Standard and Chartered.Os estonteantes 2,5 bilhões de dólares de fluxo financeiro de volta para a China comunista representa os frutos doprograma de 20 anos de Pequim para entrar nos altos escalões de tráfico de drogas, por acordo com os britânicos.Combinando fontes americanaas e soviéticas, demonstraremos que esta estimativa dos lucros estrangeiros das drogaspor Hong Kong é uma boa aproximação do lucro de Pequim vindo do atacado, do varejo e do financiamento das drogas,tanto quanto do jogo, dos imóveis e outras associações sombrias com os britânicos e os financistas chineses do exterior,intimamente relacionados com o comércio de drogas.Mesmo a quantia de 2,5 bilhões de dólares não inclui os 800 milhões que Pequim ganhou como produtor primário deópio. Para estimar as rendas brutas de Pequim pelo tráfico de drogas, uma soma adicional de várias centenas de milhõesde dólares deve ser juntada: e o custo para se manter um dos maiores e mais bem financiados sistemas de Inteligência esabotagem do mundo, o Serviço de Inteligência Comunista Chinês (CCIS). LIGAÇÕES ANTIGAS SÃO MAIS FORTESA política atual de Pequim representa uma linha direta de continuidade entre o regime em vigor, e os colaboradorescorruptos da Grã-Bretanha no século XIX na China. Da mesma forma, as fortunas dos comunistas de Pequim se ligamao comércio de ópio e à oligarquia britânica. Eles basearam a economia chinesa em --- sua capacidade de importar bensestrangeiros urgentemente necessários --- no comércio do ópio.Entre os primeiros grandes acordos creditícios estrangeiros que o governo de Pequim aceitou, no verão de 1978, estavao depósito de 200 milhões de dólares no Banco da China por um consórcio de banos liderado pelo Standard andChartered. Então, em ortubro de 1978, os veneráveis comerciantes de ópio Jardine Matheson concluíram um acordo de300 milhões de dólares com firmas chinesas comunistas em Hong Kong, para levantar um complexo imobiliário vizinhoa uma estação do novo sistema de transporte de massas de Hong Kong. Aparentemente, o investimento conjunto veiocomo parte de um pacote que incluía outro de exportação para a China, o maior de todos os tempos, também anunciadono começo de outubro por Jardine Matheson, que administrou as negociações em nome de um consórcio de companhiasbritânicas. Este complexo, nos Novos Territórios de Hong Kong, incluía 80% por parte de duas firmas da Chinacomunista em Hong Kong, as companhias Sun e Kui Kwing, 15% da Hong Kong Land Company,Ltd., chefiada peloex-presidente H. N. L. Keswick da Jardine Matheson, e 5% da própria Jardine Matheson.As reservas de cerca de 3 bilhões de dólares em divisas estrangeiras da China são bancadas pelo HSBC, pelo Standardand Chartered e outros bancos britânicos de Hong Kong. Em 1978, Pequim começou a fazer grandes compras de ourono mercado de Hong Kong, de acordo com o Relatório Financeiro do ECONOMIST londrino.A INTERNATIONAL CURRENCY REVIEW relatou em setembro de 1978: “As crescentes políticas econômicasabertas da China possivelmente terão impacto posterior no balanço de pagamentos de Hong Kong... o anúncio do Bancoda China, no começo de julho, de que 13 bancos comunistas em Hong Kong estariam capacitados a comprar barras,debêntures e possivelmente títulos, deverão gerar posterior renda em moeda sólida para a comunidade financeira deHong Kong, e possivelmente também encorajarão grande quantidade de negócios adicionais... A iniciativa do governochinês neste sentido representa uma das várias medidas financeiras liberalizantes recentemente implementadas porPequim. Em Junho, por exemplo, o Banco da China, e o Vanying lançaram títulos para um projeto imobiliário emTsuen Warn, localizado nos Novos Territórios.“A visão atual de Londres sobre o relacionamento de Hong Kong com o continente é rósea”, escreveu o FINANCIALTIMES londrino. “Por sua aceitação do status quo, a China mostra que está feliz em continuar o relacionamento comHong Kong”. “A existência dos bancos comunistas (em Hong Kong) é uma indicação de compromisso contínuo, comoé o estabelecimento de uma fábrica de máquinas na ilha Tsing Yi, que tem como um dos seus objetivos, modificar amaquinaria do continente, que não está à altura das necessidades dos compradores potenciais da região.“Esta espécie de compromisso é compreendida até mesmo pelo mais ansioso empresário, e ajuda a remover a nuvem deincerteza que de outra forma começaria a se formar... Pode ser a ironia final do paradoxo de Hong Kong que, paraassegurar seu bem estar, Pequim tenha que aumentar seus próprios investimento e participação na (então --- N.Ed.)colônia”.O mesmo relatório do FINANCIAL TIMES especifica então o que quer dizer por crescente participação de Pequim nacolônia, citando o caso exemplar de um importante empresário de Hong Kong e Macau, Stanley Ho: 119
  • 120. “É alegação largamente aceita que Ho e seu sócio, Henry Fok, começaram suas fortunas ao tempo da Guerra da Coréia, levando materiais estratégicos para a China. Certamente, ambos se tornaram proeminentes durante aquela era de contrabando. Na verdade, Ho parece haver passado pelas arruaças de 1967 (seguintes à Revolução Cultural) sem tomar partido, e até conseguiu se envaidecer de sua amizade com as autoridades de Pequim.O relacionamento e a riqueza de Ho, podem ser traçados até a concessão do monopólio de areia de Hong Kong para a China à sua sociedade com Fok. Mais tarde, em 1962, Ho recebeu a franquia do jogo em Macau por 25 anos, onde ele trabalhara para uma companhia japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. É justo dizer que esta franquia foi um presente de Pequim”.O FINANCIAL TIMES poderia ter citado outros casos, como o dos irmãos Shaw (nome chinês anglicizado), osprimeiros produtores de filmes Kung Fu em Hong Kong para distribuição mundial. Aparte sua cadeia de teatros emcomunidades chinesas pelo mundo, os irmãos Shaw controlam a maior parte da prostituição em Hong Kong.Os empresários de Pequim e os banqueiros britânicos freqüentam o Jóquey Clube de Hong Kong, e outros paraísos daelite local. Em qualquer outro local do mundo, exceto Hong Kong, o relacionamento de Pequim com a elite britânicaseria fonte de ultraje internacional.Pequim controla a Câmara Chinesa Geral de Comércio na antiga colônia, a mesma organização que produziu distúrbios,em 1977, para protestar contra a Comissão Independente contra a Corrupção, e sua “interferência em antiga práticachinesa” de subornar policiais. Seu presidente, Sr. Wang Kwan-cheng, é visitante freqüente do continente, e éidentificado nos relatórios de Inteligência, como agente chinês de Inteligência política. A posição de Wang é desritacomo “a mais prestigiada na colônia, junto com a do Governador-geral britânico”. Entre outras coisas, Wang está entreos homens mais ricos de Hong Kong, com interesses no comércio de varejo, restaurantes, imóveis e transportes. Deacordo com seu verbete no WHO`S WHO IN HONG KONG, Wang é “presidente do conselho de diretores daCompanhia de Desenvolvimento Magna (Magna Development Company), da Artesanato Chinês (Hong Kong)”, emembro do Jóquey Clube de Hong Kong.O vice-presidente da Câmara é C. H. Kao que, como o czar do jogo de Macau Stanley Ho, juntou grande riquezacomerciando materiais estratégicos para a China, durante a Guerra da Coréia. Outros agentes conhecidos de Pequimincluem Ho Yin, presidente da Câmara de Comércio de Macau e representante da cidade no Congresso do Povo daChina (organização que centraliza as atividades políticas dos chineses do exterior por Pequim). Outro é K. C. Jay (ouChoi), anteriormente do Banco da China em Pequim, e atualmente agente de Inteligência financeira e especialistamonetário do Banco da China em Hong Kong.Como diz Richard Deacon, autor britânico de “O Serviço Secreto Chinês”: “O que está abundantemente claro é que Pequim tem um grande reservatório de força e talento entre seus adeptos em Hong Kong. Suas atividades de serviço secreto ali são abafadas, como em muitos outros centros, e se evitam entreveros com as autoridades. Na verdade, os únicos escâdalos de espionagem que ocorreram na colônia em muitos anos são atribuídos a outros poderes, alguns ao menos fabricados pelos chineses para embaraçar outra nação.Talvez o mais sutil desses ocorreu em 1973, quando um agente da Inteligência chinesa denunciou aos britânicos dois agentes da KGB, que haviam aprendido chinês na Universidade de Vladivostok, e que chegavam a Hong Kong. Com eles se acharam documentos contendo valiosa informação acerca da rede de espionagem soviética no Extremo Oriente... Pode ter havido até mesmo alguns contatos não oficiais em nível de Inteligência entre os serviços secretos britânico e chinês...”.Deacon também relata que, quando o contrabando de narcóticos pela China estava em seu apogeu, era controlado peloDepartamento Central de Ligação Externa e pelo Ministério de Investigação. De acordo com Deacon, os agentessecretos importantes eram empregados pela União de Marinheiros de Hong Kong pró-Pequim. Esta foi responsável porum grande carregamento de heroína descoberto pela polícia novaiorquina em janeiro de 1973. “As operações da FrenteUnida Internacional, controlada pelo Departamento de Ligação, incluía o comércio de drogas, com propósito de criarruptura e desmoralização em áreas cuidadosamente selecionadas para alvos pelo Departammento de Ligação”.Acrescenta: “De fontes italianas, diplomáticas ou não, vem a confirmação de que o tráfico de heroína entre Hong Konge a Europa é dirigido por agentes secretos chineses. Suspeita-se até que pode ter havido entendimento, entre os chinesese a máfia, para distribuição da droga”.Deacon identifica Keng Biao como chefe do citado Departamento Central de Ligação Externa. Se Keng, de fato,coordena o comércio chinês de drogas, tal não pode ser corroborado independentemente da época. Desde a publicaçãoem 1974 do relato de Deacon, entretanto, Keng foi elevado ao Politburo, o maior órgão político da China, em agosto de1977. Em agosto de 1978, viajou pelas principais regiões produtoras de maconha do Caribe, inclusive a Jamaica. Keng 120
  • 121. também parou na ilha de Malta, a antiga base da Ordem maltesa de comércio de drogas, por razões inexplicadas, em suaviagem de volta.O renomado Stanley Ho que, como controlador do jogo em Macau, e proprietário do que as agências policiaisconsideram a operação financeira mais suja do mundo, é membro de boa fé da elite social de Hong Kong. Orelacionamento de Macau com Pequim tornou-se escândalo público em 1974, quando o governo revolucionárioportuguês ofereceu ceder a colônia à República Popularda China. O governo de Pequim recusou, porque Macau é muitomais útil como fonte de lucros em divisas estrangeiras ilícitas, pelo ópio e outras formas de contrabando, do quue comocomunidade popular.Só raramente tem vindo a público as ligações entre as companhias de ópio de Hong Kong, a Inteligência britânica e oserviço chinês de Inteligência comunista. Onde isto aconteceu, os resultados envergonham os melhores novelistas. Umexemplo é a história da azarada família Rennie, comerciantes escoceses que venderam seu negócio à Jardine Mathesonem 1975. Os Rennie estão, tanto em aventuras comerciais na África e na Ásia, quanto no serviço colonial britânico,tendo suas principais operações na África do Sul pela Rennies Consolidated Holdings,Ltd.Um familiar Sir John Rennie, aposentou-se como chefe da organização britânica de Inteligência secreta estrangeiraD16. Normalmente, a identidade do chefe do D16 (“M”, nos filmes de James Bond) é um dos segredos britânicos maisbem guardados. Mas a identidade de Rennie veio à luz quando seu filho, Charles Tathan Ogilvy Rennie, foi preso portráfico de heroína em Londres, em 15 de janeiro de 1973. A Censura oficial da mídia britânica, o infame “D-notícias”,enviado às editorias de jornais, impediu a cobertura da imprensa do escândalo de drogas sangue azul até 7 de fevereirode 1973, quando o EVENING STANDARD londrino relatou que “o anteriormente filho sem nome do chefe do D16,que sofre acusações por drogas em Londres, é Charles Tathan Ogilvy Rennie”.Significativamente, no mesmo dia, a revista STERN (ESTRELA) da Alemanha ocidental, revelou o segredo de Sir JohnRennie, em um despacho de Hong Kong, base dos sócios comerciais da família Rennie, Jardine Matheson. Ainformação da revista só poderia vir da família Rennie, por Jardine Matheson, ou pelo serviço secreto chinês, ou deambos. De acordo com uma fonte de Inteligência comunista chinesa, citada por um autor britânico : “No caso de Sir John Rennie, acredito que os chineses foram tão cautelosos que recusaram aceitar sua própria suspeita (de que Rennie era o chefe do D16) por longo tempo. A confirmação finalmente veio quando o filho de Sir John foi preso. Eles não precisaram procurar muito, pois a esposa do filho ia à Rua Gerrard (Gerrard Street), quase um quarteirão 100% chinês em Londres, obter a heroína chinesa”.O autor britânico Richard Deacon comentou, “Suspeito que o vazamento à imprensa dessa informação veio doschineses, que têm grande consideração pelo serviço secreto britânico”.Naturalmente nada está provado; Deacon guarda sua versão da história, com uma descrição elaborada do significativométodo do serviço comunista de Inteligência chinês, de descobrir os chefes da Inteligência britânica por uma leituracuidadosa do “Quem é Quem (Who`s Who)”. Não obstante, temos o fato de que o chefe do D16 era membro de famíliacom íntimos laços comerciais com o coração do tráfico de drogas de Hong Kong; que seu filho lidava com narcóticoscom agentes da Inteligência de Pequim em Londres; e que o último anúncio público da prisão de seu filho veio defontes de Hong Kong, ou britânicas ou chinesas.Em 2 de setembro de 1978, o ECONOMIST londrino relatou: “Um após outro, importantes empresários sul-africanos estão sendo condenados pelas estritas leis locais sobre divisas estrangeiras. O réu desta semana foi Charles Fiddian Green, principal executivo do maior conglomerado de transportes do país, Rennies... Foi condenado por acusações financeiras em 29 de agosto e multado em 10.000 rands. Semana passada, Gordon Rennie (parente de Sir John e presidente da Rennies Consolidated) cortou a garganta e os pulsos após a polícia vir procurá-lo. Foi para o hospital acusado por crimes financeiros. Quatro outros executivos da Rennies foram inquiridos pela polícia; outro já fora acusado de contrabando de divisas; e dois, incluindo Laurence Parry, foram demitidos após aparentemente deixarem o país”.Também significativa é a implicação de Laurence Parry no recente escândalo Rennies; foi ele chefe da franquia daRennies Holiday Inn na Suazilândia e no Lesotho, onde ricos sul-africanos passam fins de semana jogando e vendoshows de strip-tease, proibidos na puritana África do Sul. Rennies, uma subsidiária (53%) da Jardine Matheson desde1975, tem um perfil quase clássico de dinheiro sujo, aparte jogatina e strip-tease. A subsidiária de Rennies no ramo devalores, Fidelity Guards, é a líder da África do Sul em serviços de carro forte e pagamentos, e tem suas própriasinstalações computadorizadas, sob medida para o contrabando de divisas de que Rennies foi acusada. Além disso, estatem suas próprias instalações de carga aérea e marítima, o que a torna o principal grupo de transportes na África do Sul. 121
  • 122. Ao tempo da fusão da Rennies com Jardine Matheson, a revista sul-africana MANAGEMENT escreveu, “Para ambas, éuma junção de pessoas iguais, estilos iguais e filosofias de administração extraordinariamente similares. A boa e sólidatradição escocesa sobra em ambos os grupos”. Aparte sua afinidade com a dinastia principal de Hong Kong, Renniestem ligação com o grupo de mineração sul-africano. Dois de seus conselheiros, Charles Fiddian Green (preso) e Fred G.Wolmarans, eram anteriormente altos empregados da Consolidated Gold Fields da África do Sul. Esta, como foiextensamente descrito acima, escreveu o livro sobre contrabando de divisas, literalmente. A ARMA DO ÓPIO DE PEQUIMComércio de ouro, bancos, propriedades, jogo, e cerca da metade do comércio exterior, esta é a linha básica dosinvestimentos de Pequim em Hong Kong. Desde o começo dos anos 50, era ponto de vista oficial das agências policiaisamericanas que Hong Kong era o pricipal mercado para a heroína da China vermelha. Em 1961, antes que aadministração Kennedy o demitisse, o chefe do Escritório de Narcóticos americano, Harry Anslinger afirmouu, “Ummercado primário para o tráfico dos chineses comunistas tem sido Hong Kong”.O registro policial do tráfico de ópio dos comunistas chineses por Hong Kong é amplo. Mesmo os britânicos e a polícialocal foram forçados, em algumas ocasiões, a admiti-lo. A Scotland Yard descobriu uma grande quantidade de heroína,apreendida em 1969 no West End londrino, em carregamentos chineses de Hong Kong. Em 15 de outubro de 1970, ochefe do notoriamente corrupto Escritório de Narcóticos de Hong Kong, Shih Tieh-pi, disse em entrevista coletiva quesua força confiscara 47.628kg de ópio bruto, 14.5152kg de heroína e 108,4kg de morfina, tudo de origem chinesacomunista, em 1969. As quantidades citadas superam dramaticamente a maior apreensão de heroína já feita nos EstadosUnidos, a chamada Conexão Francesa, que envolvia meros 100kg.Sem saber a qualidade da heroína apreendida, ou a veracidade do que o Sr. Shih Tieh-pi disse, as comparações sãodifíceis. Mas se os 14.5152kg de heroína apreendidos, tão perto da fonte original eram quase puros, o que é provável ---e a regra básica, de que cerca de 1/10 dos narcóticos ilegais embarcados são apanhados pela polícia, se aplica --- então,145.152kg de heroína passaram por Hong Kong em 1969. Isto é mais ou menos o que os viciados americanosconsumiram nesse ano.A conexão Pequim não é matéria de conveniência, mas expressão de um acordo político de 25 anos entre o governolocal e os mais altos níveis da oligarquia britânica. A fonte mais conhecida das posições não expurgadas da elite chinesaé o antigo editor do AL AHRAM, Mohammed Heikal. Este relatou a seguinte conversação entre Nasser e o Primeiro-ministro chinês Chou En-lai, em visita de 1965: “Uma das afirmações mais notáveis que Chou En-lai fez naquela noite (23 de junho de 1965), durante nossa discussão sobre a desmoralização dos soldados americanos foi esta: ´Alguns deles estão experimentando ópio e nós os ajudamos. Plantamos as melhores espécies de papoulas especialmente para os soldados americanos no Vietnã`. Nasser pareceu um pouco perturbado, mas Chou continuou: ´Queremos que eles mantenham um grande exército no Vietnã, que nos servirá de refém, e queremos desmoralizar as tropas. O efeito desta desmoralização nos Estados Unidos será muito maior do que se possa imaginar`. Nasser pensou que Chou poderia estar exagerando, mas a afirmmação de Chou era clara. Não deixou dúvida de que este era seu curso de ação”.Por qualquer que seja a razão, a Inteligência americana ignorou os relatórios de campo durante os anos 60, queindicavam um gigantesco aumento do tráfico de narcóticos. Uma das histórias mais extraordinárias, que se perdeu naburocracia da Inteligência, envolvia um aeroporto do Laos, a 75 milhas ao sul da fronteira chinesa, construído pelastropas chinesas comunistas durante o verão de 1964 (junho-setembro). De acordo com fontes da Inteligência americana,o aeroporto apareceu na província de Phong Sally, entre Luang Prabang, capital religiosa da Tailândia, e a fronteira daprovíncia de Yunnan, na China vermelha. As guerrilhas Meo que operavam na área, sob direção americana,descobriram os chineses construindo a pista entrando no território laosiano, e comunicaram o fato em junho de 1964.Entretanto, o comando da Inteligência mostrou pouco interesse pelos relatórios. Um piloto mercenário empreendedor,voando em um T-28, obteve fotos de reconhecimento do aeroporto claras como o dia, incluindo instantâneos desoldados chineses empurrando carrinhos de mão. As fotos foram enviadas pelos canais competentes, e desapareceram.Os oficiais americanos, entretanto, acreditaram que o aeroporto se destinava a fazer ligação com uma estrada asfaltadaque os chineses estavam construindo há algum tempo, da província de Yunnan para o nordeste do Laos. Inicialmente, opensamento dos oficiais de Inteligência americanos se centralizaram na possibilidade de que o aeroporto destinava-se aser uma base avançada para o envolvimento de Pequim no conflito indochinês. Só mais tarde, quando nenhum soldadochinês apareceu, a verdade emergiu: a estrada e o aeroporto conectado pelos chineses haviam sido contruidos para levarópio para fora da província de Yunnan.Hoje, o controle chinês da produção de ópio do Triângulo Dourado é limitado. Na Birmânia, o Partido ComunistaBirmanês Bandeira Branca (controlado pelos chineses) agora dirige a maior parte senão toda a produção de ópio do 122
  • 123. distrito de Kokang. Khun Sa, apelido de Chiang Chi-Fu, controla o Exército Unido dos Estados Shan, localizado pertode Lashio.Embora agora se saiba que Khun Sa recebeu armas dos soviéticos, provavelmente via Indochina, a verdadeiraadministração comercial deste notório estabelecimento está nas mãos de She Pa Lang, apelido de São Fa Lan, cujonome chinês é Chang Chu-Chun. DE HONG KONGAté que a política estratégica da “Carta da China” caísse nas boas graças de Washington sob Kissinger, o ponto de vistaoficial americano, entre outros, era o de que os comunistas chineses cultivavam e exportavam grandes quantidades deópio. Harry Anslinger, primeiro chefe do Escritório Federal Americano de Narcóticos, disse em 1961: “Heroína depapoulas cultivadas na China e refinada em fábricas chinesas é contrabandeada para Hong Kong e levada por cargueirose aviões, para a Malásia, Macau, Filipinas, ilhas Havaí e os Estados Unidos ou, para a outra direção, Índia, Egito, Áfricae Europa. O primeiro “alvo” nos Estados Unidos era a Califórnia. Só a área de Los Angeles provavelmente recebia 40%da heroína e morfina contrabandeadas da China. O pessoal do sindicato não tinha objeções a negociar com osvermelhos, desde que os lucros fossem grandes em dólares”.Os investigadores americanos tiveram sucesso somente em enfurecer as autoridades de Hong Kong, provocandoapreensões simbólicas de operações locais com drogas. O último grande escândalo levantado pelas autoridadesamericanas, imediatamente antes que a “abertura para Pequim” impedisse qualquer ação posterior, ocorreu em 1973,quando o congressista Lester Wolff visitou Hong Kong em nome do Comitê Seleto sobre Abuso de Narcóticos daCâmara. Citando a apreensão efetiva, na administração Nixon, da heroína vinda da Turquia para a costa leste americana,pela chamada Conexão Francesa em Marselha, Wolff atacou, “Todos os narcóticos que entram nos Estados Unidosdevem vir de outro lugar, e o centro é Hong Kong”.Por que não se agiu contra Hong Kong, quando as provas são tão conhecidas? Há duas razões. Primeiro, nenhumapolícia ou agência de Inteligência americana algum dia teve acesso a Hong Kong que, por ser então território britânico,estava estritamente fora dos limites dos investigadores americanos. Que seja de nosso conhecimento direto, nunca aInteligência americana tentou flanquear a “amizade especial” entre a Inglaterra e os Estados Unidos.A razão mais importante é que, em sua maior parte, o refino da heroína, que se mudou de mala e cuia de Shangai paraHong Kong, quando da vitória comunista em 1949, não é mais feito em Hong Kong. Melhor, a importância deste lugarestá esmagadoramente no nível das operações com dinheiro sujo, e secundariamente na exportação da heroína. Agrande mudança no ciclo de produção e refino de Shangai para Hong Kong, na rota do Triângulo Dourado, inclusivepartes substanciais da província chinesa de Yunnan, ocorreu durante a Guerra do Vietnã. Esta proporcionou umgigantesco mercado cativo de fácil acesso às áreas de cultivo birmanesa-tailandesa-laosiana, algumas das quais haviamfornecido suubstanciais quantidades de ópio durante o período colonial brittânico. A CONEXÃO CH`AO CHOUA chavve para o tráfico de drogas do Extremo Oriente, a ligação que forma o quadro completo da operação, é a conexãodos chineses do exterior. Os investigadores policiais sabem que há anos, o que as redes chinesas ch`ao chou fazem, masas agências policiais nunca conseguiram seguir o labirinto de conexões financeiras; se o fizessem, estariam violandoacordos vigentes entre a Inteligência americana e a britânica.Conforme a revista QUARTERLY da DEA, no inverno de 1984 (janeiro-março), descreveu as operações com dinheirosujo em Hong Kong: “Responsáveis pela movimentação da maior parte do dinheiro da heroína no sudeste asiático, elassão feitas pelas empresas que lidam com ouro, e as cambistas comerciais, muitas das quais são operadas em váriospaíses pelos membros da mesma família chinesa. Registros suscetíveis a auditoria raramente existem neste sistemabancário subterrâneo, e mensagens cifradas, senhas e simples telefonemas são usados para se transferir dinheiro, entrepaíses. Não obstante, o sistema tem a habilidade de o fazer em questão de horas, fornecendo completo anonimato etotal segurança para o cliente, converter ouro ou outros itens em moeda, e converter moedas para a escolhida por ele.Pistas cruciais para a operação interna do tráfico de drogas --- operações conjuntas do Serviço de Inteligência da ChinaComunista (CCIS), inteligência britânica e finanças chinesas e britânicas --- estão se empoeirando nos arquivospoliciais há anos. Uma delas foi a prisão de um funcionário do Partido Comunista Chinês em Djacarta, Indonésia, em1972. As autoridades locais prenderam um chinês Ch`ao Chou, com cartão do Partido e outras provas documentais,levando 30kg de heroína valendo de 60 a 150 milhões de dólares nas ruas, dependendo da qualidade. A investigação,empregando os esforços conjuntos dos policiais indonésios e americanos, mostrou que o objetivo da importação deheroína era o financiamento do Partido Communista Indonésio (PKI), pela criação da máfia das drogas em Djacarta. 123
  • 124. Um punhado de incidentes similares estão registrados. Ao mesmo tempo, a polícia americana apanhou um diplomatafilipino carregando 3,175kg de pura heroína branca no.4, em sua mala diplomática. Ele fora seguido das Filipinas ao seuquarto de hotel em Nova York. Seu contato, também preso, era um chinês Ch`ao Chou.Uma entrevista de novembro de 1978 com uma fonte da Inteligência da Malásia merece ser colocada aqui in totum, pelavisão que dá deste tipo particular de operação: “FONTE: É fato definitivo que a China distribui narcóticos aos partidos comunistas, filiados no sudeste asiático, como meio de levantar fundos para suas atividades. O caso mais recente é o da Coréia do Norte. Seus diplomatas foram expulsos de vários países europeus por contrabandear e distribuir heroína. O ópio não cresce na Coréia do Norte. Obviamente ele é dado pelos chineses. Em Singapuura, agentes comunistas foram apanhados vendendo narcóticos a estudantes americanos na escola americana pelo dinheiro do lanche. Imaginem, estavam vendendo pacotinhos por 20-30 centavos, só para viciarem as crianças, ao voltarem estas para os Estados Unidos. Pergunta: Você pode provar isto? F: É assunto público em Singapura. Há mais informação no Clube Kiwanis. Têm um arquivo sobre narcóticos. Também havia um relatório da DEA sobre como o Partido Comunista Chinês distribui narcóticos por funcionários seus na região. O relatório nunca foi publicado, mas existem cópias. P: Há uma quantidade de provas acumuladas de que o HSBC está no centro de todo o comércio de narcóticos do Extremo Oriente. F: O HSBC é o maior banco da região, e especialmente em Singapura. O maior agente da China é Pang Hock-lin. Ele é o instrumento para o tráfico de ópio chinês para a Índia, Tailândia, Singapura e Malásia. P: Ele foi preso? F: Naturalmente. Foi preso muitas vezes, mas cada vez é fixada uma fiança e ele é libertado. P: Quem estabelece a fiança? F: Diretamente o HSBC. Isto é fato”.Os norte-coreanos aqui mencionados podem perfeitamente ter recebido a heroína dos soviéticos ou dos chineses. Asoperações soviéticas com drogas na Ásia aumentaram especialmente com sua maior presença no sudeste asiático. Deacordo com fontes policiais da região, os soviéticos estão apoiando totalmente uma política estatal do Laos, paracultivar ópio com objetivo de exportação.Os laços estreitos da população chinesa do exterior com o regime de Pequim estão bem documentados. De acordo comum autor britânico que escreveu em 1965, 2/3 desses chineses no sudeste asiático apoiavam o regime de Pequim, esomente 1/3 TaiwanAutores americanos como A. Doak Barnett chegaram à mesma conclusão. Essas quantidades impressionantes sãoresultado do cultivo assíduo de tais laços por parte do governo de Pequim.A insistência de Pequim na continuidade dos laços entre os 12 milhões de chineses que residem no exterior e na GrandeHan pátria-mãe, adquiriu notoriedade através de incidentes como as recentes disputas fronteiriças com o Vietnã. Osistema de repatriamento (de dinheiro) de chineses residentes no exterior para as famílias no continente, e o sistemamais recente de investimentos conjuntos entre o regime de Pequim e esses chineses, não são somente uma grande fontede câmbio para a China, são a infra-estrutura financeira do Serviço Secreto Chinês. A rede de ligações financeiras entrePequim e os chineses do exterior se sobrepõe às redes que controlam o comércio de drogas por atacado no TriânguloDourado. FORJANDO A LIGAÇÃO HONG KONG-PEQUIMAté a ruptura sino-soviética, a ligação entre os chineses do exterior e o continente era a mais forte de todas: a família.Tal ligação foi expressa pela efetivação em larga escala do repatriamento (de dinheiro) para as famílias no continente.De acordo com os limitados dados disponíveis, o maior volume desses repatriamentos, para o que as agências especiaisde transferências foram criadas, foi para a pequena cidade de Swatow, na costa norte da China: Swatow é a cidade nataldos chineses Ch`ao Chou. Estes, um grupo de navegantes e comerciantes com dialeto especial, evidentemente 124
  • 125. mantiveram os laços familiares mais estreitos com o continente. Este foi o pano de fundo para o recrutamento poratacado de chineses Ch`ao Chou do exterior para o serviço secreto chinês, no pós-guerra.No final de década de 50, o volume de repatriamentos registrados caiu bruscamente. Ao invés de pagar osrepatriamentos diretamente aos parentes, os chineses do exterior investiram pesadamente em empreendimentosconjuntos, tanto no continente como no estrangeiro, com o governo de Pequim. O fluxo de repatriamentos foicapitalizado nesses empreendimentos, e os parentes no continente recebiam os dividendos.O declínio nos repatriamentos coincidiu pois com a orientação de Pequim para investimentos conjuntos com os chinesesdo exterior. Tal política recua a 1951, quando a Companhia de Empreendimentos do Sul da China (South ChinaEnterprise Company), precursora da atual Corporação de Investimentos Estrangeiros Chineses (Overseas ChineseInvestment Corporation --- OCIC), vendeu 100.0000 ações a empresários chineses em Hong Kong e Macau. Entretanto,até 1957, as atrações de tais investimentos eram limitadas, só existindo oportunidades na agricultura, o setor menoslucrativo da economia.Mas naquele ano, novas regulamentações foram baixadas, garantindo um dividendo de 12% em investimentos, contraos 8% normais em companhias comuns mistas. O governo de Pequim também fez provisões para repatriamento de partedos lucros do investidor chinês do exterior.Em meados da década de 50, este capital se concentrou na Companhia Chinesa Estrangeira de Construção Industrial(Overseeas Chinese Industrial Construction Company) e outras subsidiárias, que se fundiram na OCIC em 1955, comcapital inicial de 50 milhões de dólares. O conselho de diretores da OCIC incluía empresários chineses importantesresidentes no sudeste asiático. Em 1966, havia 140 empresários sob a égide da OCIC operando na China.Em meados da década de 60, a política de usar a moeda forte dos chineses do exterior para investir na China abriucaminho para uma forma muito mais efciente de levantar divisas estrangeiras vitalmente necessárias. Pequim entrou naexpansão acelerada das operações com drogas e dinheiro sujo da comunidade chinesa do exterior, centralizadas emHong Kong.Em 1980, por exemplo, Y. K. Pao viajou para Pequim, onde teve 5 dias de reuniões que resultaram na associação inicialda Companhia Internacional Marítima e de Investimento (International Shipping and Investment Company). Acredita-se ter sido esta a primeira vez que Pequim investia seu dinheiro diretamente em um projeto fora de suas fronteiras.Presidente: Y. K. Pao. Mas, o que era muito mais interessante, a idéia nascera de uma discussão entre Pao e o entãoPrimeiro-ministro chinês Hua Kuofeng. O local: um jantar particular na Rua Downing no. 10, com a Primeira-ministrabritânica Margart Thatcher.Ou tomemos o caso da China Everbright Holdings,Ltd., cujo presidente é Wang Guangying, o Primeiro-ministro“capitalista vermelho” de Hong Kong. Cunhado do falecido Liu Chaoqi, chefe de estado chinês nos anos 60 e um dosantigos “viajantes capitalistas”, Wang foi despachado com capital para Hong Kong, a mostrar que quase 30 anos decomunismo não haviam embotado a esperteza comercial chinesa. Desde então, Wang amealhou milhões,principalmente em negócios imobiliários na cidade, e em associações com chineses do exterior.O sucesso da Everbright entretanto, não se baseia todo nas empresas. Cliente da Kissinger Associados, em cujoconselho esteve Lord Peter Carrington até que tomasse posse em seu posto como Secretário Geral da OTAN, aEverbright recebe informações de alto nível e tem ligações pela associação pessoal com Kissinger. Entre os outrosclientes de Kissinger, estão alguns dos principais nomes da Narcotráfico S.A., incluindo American Express, ChaseManhattan e o banco Midland britânico, supervisor do HSBC. “Por que as companhias procuram a KissingerAssociados, ao invés de um banco de investimento?” perguntava um artigo na BUSINESS WEEK de 2 de dezembro de1985. A resposta de Kissinger, repetida no artigo foi “Porque elas sabem que ela conserva a boca fechada. Cadacontrato que a firma assina com uma empresa cliente contém uma cláusula garantindo mútuo segredo. Nenhuma partenem mesmo reconhece ter qualquer ligação com a outra”. 125
  • 126. 8 COMO O REAL INSTITUTO PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS (ROYAL INSTITUTE OF INTERNATIONAL AFFAIRS-RIIA) DIRIGE AS DROGAS E O DINHEIRO SUJOAgora levaremos o leitor, subindo a cadeia de comando mundial das drogas e do dinheiro sujo, até o topo do controlepolítico: a casa Chathan (Chatan House), na Praça St. James (St. James Square), Londres, o quartel-general do RealInstituto de Assuntos Internacionais (Royal Institute of International Affairs --- RIIA). Já inspecionamos os livros daNarcotráfico S. A., encontramos os agentes, visitamos as subsidiárias em Hong Kong, Bangkok e Pequim, tanto quantosuas fazendas e fábricas no Triângulo Dourado, na fronteira comum Birmânia-Laos-Tailândia-República Popular daChina. O tráfico de drogas do Extremo Oriente surge como um único negócio em operação, uma associação britânico-chinesa, na qual a Grã-Bretanha é o sócio principal.É óbvio, já agora, que uma operação dessa envergadura não pode existir sem a aprovação política do governo britânico,ou sem o apoio gigantesco dos mercados de crédito offshore pelo mundo, sem o comércio mundial de ouro ediamantes, sem a administração compartilhada na distribuição varejista, ou sem o crime organizado.O HSBC não é um malfeitor independente, mas uma operação especial dos principais bancos da oligarquia britânica,especializados no tráfico de drogas do Extremo Oriente. A administração do HSBC, o Comitê londrino, é o grupo dedelegados da oligarquia britânica designados para o tráfico de drogas do Extremo Oriente.Mais especificamente, é uma economia de guuerra. Dois de seus diretores, J. H. Keswick, da família que fundou JardineMatheson em 1828 para comerciar ópio, e J. K. Swire, da família Swire de comerciantes heredittários de ópio, foramaltos funcionários do Ministtério de Economia de Guerra britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Outro altofuncionário deste ministério foi Sir Mark Turner, o presidente da Rio Tinto Zinc (RTZ), sócia do HSBC em numerososnegócios, inclusive ouro. Turner é agora figura chave no RIIA (Royal Institute of International Affairs), fundado porLord Alfred Milner, um antigo presidente da RTZ.O RIIA e seus dirigentes principais controlam não somente o tráfico de drogas do Extremo Oriente, mas qualqueroperação importante com dinheiro sujo no mundo.A próxima seção documentará o controle da monarquia britânica sobre os bancos e corporações canadenses, as mesmasinstalações responsáveis por canalizar drogas para dentro, e fundos ilegais para fora, dos Estados Unidos. Istodemonstra que a agência de controle direto sobre o enorme aparato de guerra financeira do Canadá é o InstitutoCanadense de Assuntos Internacionais (Canadian Institute of International Affairs --- CIIA), imitação do RIIA. Incluídana operação canadense está a dominação do mercado de ouro canadense pelo Banco de Nova Escócia (Bank of NovaEscótia), o enorme papel dos bancos canadenses nas operações de lavagem de dinheiro do Triângulo Prateado caribenhoe, o mais importante, as ligações diretas entre os atacadistas de droga do Extremo Oriente e as instituições canadensesque participam do tráfico de drogas por atacado no continente norte-americano, desde o final da Lei Seca. Através doposto avançado canadense da monarquia britânica, os comerciantes de drogas fecham o círculo desde a família Keswickde Hong Kong, fundadores da Jardine Matheson em 1828, atá a família Bronfman, patrocinadores imediatos dochamado crime organizado nos Estados Unidos.Baseadas na lavagem de dinheiro sujo, as instituições reunidas nos principais comitês do RIIA dominam: • Todos os principais bancos comerciais britânicos; • Ambas as companhias petrolíferas britânicas, a British Petroleum (BP) e a Royal Dutch Shell (Shell); • Todos os principais bancos mercantis britânicos; 126
  • 127. • O comércio mundial de ouro e diamantes; • Cada antiga firma comercial de ópio, inclusive a Companhia Marítima Peninsulr e Oriental, a Jardine Matheson, a John Swire and Sons e a Charterhouse Japhet. META: RECONSTRUIR O IMPÉRIOExaminaremos o conteúdo das atividades subversivas do RIIA, seguindo as carreiras de alguns de seus principaisparticipantes, inclusive Sir John Henry Keswick, membro da família que controla o HSBC e da antiga firma JardineMatheson, de comércio de ópio, e o atual presidente do conselho do RIIA, Lord Humphrey Trevelyan, membro doconselho de diretores da subsidiária do HSBC que contrabandeia ouro, o Banco do Oriente Médio (Bank of the MiddleEast) britânico.São eles os homens que criaram a moderna Conexão Pequim.De acordo com a ata de fundação do RIIA, publicada em 1920, este é “um órgão não oficial e não político”, cujoobjetivo é “desenvolver as ciências da política internacional, economia e jurisprudência,... para promover e mantermeios de informação sobre questões internacionais... e promover o estudo e investigação de tais questões”. Poucasvezes na históriaa da palavra escrita tantas mentiras ficaram em tão poucas linhas.Entretanto, um resumo conciso dos objetivos do RIIA aparece no seu documento de fundação de fato, o testamento de1877 de Cecil Rhodes. Este --- que fundouu ambos os impérios de mineração de ouro e diamantes que ainda dominamos mercados mundiais sob a égide da Anglo-American e da De Beers, e também fundou o Banco Standard (StandardBank) do comércio de drogas (sócio africano do asiático Banco Chartered --- Chartered Bank --- desde a fusão) --- é oponto de partida da atual forma da doença. Rhodes deixou sua fortuna para a Fundação Rhodes, administrada por LordMilner. Seu grupo de estagiários de Oxford, chamado “Jardim de Infância de Milner”, compuseram a maior parte dogoverno de Lloyd George em 1916, e formaram o RIIA em uma reunião em Versalhes em 30 de maio de 1919.O testamento de 1877 de Rhodes dizia: “Estabelecer uma Fundação, para a organização, promoção e desenvolvimento de uma sociedade secreta, cujo verdadeiro fim e objeto será a extensão do governo britânico pelo mundo,o aperfeiçoamento de um sistema de emigração do Reino Unido e a colonização por súditos britânicos de todas as ilhas em que os meios de vida sejam obtidos por energia, trabalho e empreendimento, e especialmente a ocupação por colonos britânicos do continente inteiro da África, da Terra Santa, do vale do Eufrates, das ilhas de Chipre e Creta, de toda a América do Sul, das ilhas do Pacífico não de posse da Grã-Bretanha, de todo o arquipélago malaio, do litoral da China e Japão, da recuperação fundamental dos Estados Unidos como parte integrante do Império Britânico, e consolidação do Império inteiro, a inauguração de um sistema de representação colonial no Parlamento Imperial que tendam a unir os membros desarticulados do Império e, finalmente, a organização de um poder tão grande que daqui por diante torne as guerras impossíveis e promova os melhores interesses da humanidade”. O conceito de sociedade secreta foi passado adiante por Milner, sucessor de Rhodes como Alto Comissário na África do Sul, pelos estagiários de Milner Lionel Curtis (do grupo da Távola Redonda) e Lord Robert Cecil, cuja família surge ao tempo do golpe genovês-holandês contra o humanismo elizabetano em 1601. Curtis e Cecil participaram da reunião de maio de 1919 em Versalhes, que fundou o RIIA, a sociedade secreta. 1949: ACORDO PEQUIM-BRITÂNICOSRecuaremos por um mommento, à origem da aventura conjunta de Londres e Pequim com drogas no Extremo Oriente,o pacto de guerra entre o RIIA e Chou En-lai. Registros detalhados dos anos importantes tornaram-se agora disponíveis.Em agosto de 1978, o Departamento de Estado americano liberou ao público 1.300 páginas de documentos sobre adiplomacia americana na China ao tempo da vitória maoísta. Do lado britânico, o RIIA em 1977 liberou seus própriosregistros de seu grupo de operações na guerra, e seu período posterior, o Comitê do Extremo Oriente, o verdadeiroMinistério do Exterior britânico.Ambos os conjuntos de documentos tem a mesma interpretação: a criação da República Popular da China inclui umaaliança entre os comerciantes de drogas britânicos e chineses. Foi negociada, pelo lado britânico, por Sir John HenryKeswick e, do lado chinês, por Chou En-lai. O grupo chinês incluía principalmente figuras importantes no comércio deópio, tais como Chi Ch`ao-ting, do Banco da China, K. P. Chen do Banco Comercial de Shangai (Shangai CommercialBank) (que também chefiava o lado chinês do Instituto para Relações no Pacífico --- IPR), e elementos das chamadasgangues Verdes, que podem ser chamados de máfa chinesa, que dirigem o comércio de ópio não somente no ExtremoOriente mas através da comunidade chinesa do exterior. 127
  • 128. Mão Tse-tung, de fato, devia muito à suas ligações com o comércio do ópio, e uma das principais envolve um dosenigmas de sua subida ao poder dentro do Partido Comunista Chinês (Chinese Communist Party --- CCP). O círculosocial dos “intermediários” comuns, como J. K. Fairbanks, Edgar Snow e Anna Louise Strong, ignoravapropositalmente ou não os laços críticos entre Mao e os dois líderes militares que foram essenciais à sua ascenção àliderança do CCP. Esses líderes foram Chu Teh e Ho Long, que dirigiram as únicas forças militares coesas dentro domovimento comunista na última metade dos anos 20. Esses dois, e seus soldados, eram membros do Ko Lao Hui, a“Sociedade dos Irmãos Maiores”, sociedade secreta que existia desde o século XVII. Como prova de quão pouco ogoverno americano sabia desses assuntos, o Serviço de Informação Estrangeira pelo Rádio, publicado peloDepartamento de Estado, traduziu mal o termo repetidamente durante sua cobertura do julgamento da “Gangue dos 4”,referido-se a essa bem conhecida sociedade secreta como a “Associação dos Veteranos Old Tié”. Foi através de taissociedades, que eram essencialmente máfias, com laços com o CCP, que a República Popular continuou seu comérciode drogas.De ambos os lados, britânico e chinês, a aliança foi explicitamente contra os Estados Unidos. Os chineses sabiam ediziam isto, os britânicos sabiam e diziam isto, e os diplomatas americanos telegrafaram que os Estados Unidos haviamsido enganados.Quando os principais representantes do RIIA começarama sondar a fortaleza comunista chinesa de Yenan e a legaçãode Chou En-lai em Chungking, durante a Segunda Guerra Mundial, tinham eles um século de motivos para esperar bonsresultados.Mas o crédito para a recriação da aliança entre a Inglaterra e o equivalente moderno das gangues Tríades, deve ir paraSir John Henry Keswick, o representante do RIIA na embaixada britânica em Chungking, durante a Segunda GuerraMundial. É sabido que Keswick estava em contato regular com Chou En-lai como empresário proeminente e através desuas ligações com a embaixada. Chou esteve em Chungking de 1937 até os anos 40.Keswick, descendente da fammília comerciante de drogas que fundou e ainda controla Jardine Matheson, tambémrepresenta o RIIA e sua subsidiária, o Instituto para Relações no Pacífico (IPR) nos Estados Unidos. Sir John Henry foio britânico número um para a política com a China, presidente da Associação da China britânica, vice-presidente doConselho de Comércio Sino-Britânico e membro do Comitê Grã-Bretanha-China (seu predecessor na Associação, de1951 a 1955, foi John Kidston Swire, da família comerciante de ópio que ainda está no Commitê londrino do HSBC).Dois testemunhos do esconderijo de Mao Tse-tung, durante a guerra, na província norte do Yenan merecem atenção. Oprimeiro é o relatório de Peter Vladimirov, conexão soviética com o quartel-general de Mao em Yenan de 1941 a 1945.De acordo com os “Diários de Vladimirov” publicados na URSS, o Partido Comunista Chinês (CCP) em Yenancultivava ópio para lucro, não somente para uso medicinal. O ópio já era uma colheita lucrativa importante antes dachegada de Mao a Yenan; Vladimirov alega que Mao continuou a prática. O representante soviético também suspeitoudos contatos estreitos do presidente chinês com os visitantes americanos ligados ao IPR.Um segundo relatório apareceu na publicação de NEGÒCIOS INTERNACIONAIS (INTERNATIONAL AFFAIRS)em janeiro de 1978, jornal do RIIA: “Victor Farmer, que foi diretor das Imperiais Indústrias Químicas (China) e que em 1944 voltara recentemente de uma visita ao Extremo Oriente (disse): ´Eu me reuni com alguns comunistas chineses e suas idéias são bem abertas. Se nós pudéssemos nos livrar deste impasse ultra-nacionalista no poder agora em Chungking, e muitos funcionários governamentais são extremamente abertos, penso que o caminho estaria aberto para um compromisso com os comunistas, efetivamente`” .O ponto de vista que Farmer exprimiu em nome do Comitê do Extremo Oriente do RIIA já surgira nos Estados Unidosatravés da subsidiária americana do Comitê, o Instituto para Relações no Pacífico (IPR), organização que produziu ogrupo pró-maoista no Departamento de Estado, centralizado em John S. Service e John Carter Vincent. Embora o IPRinclua cidadãos americanos e tenha sido estabelecido através das Fundações Rockefeller e Carnegie, age comosubsidiária do RIIA e da política britânica. Chamado agora de Instituto Asiático de Pesquisas (Asiatic Research Institute--- ARI), os dois mais importantes Secretários-gerais, Edward Carter e William Holland, têm extensas linhagensbritânicas. Carter, cuja época como chefe do IPR durou até 1946, foi líder da Associação de Jovens Cristãosinternacional, enquanto seu sucessor Holland, foi cidadão neo-zelandês até 1943 e membro do RIIA em Londres.A revelação mortal do caráter britânico do IPR, desencadeou a mudança da organização para o Canadá, em seguida àinvestigação do Comitê McCarran em 1950, que interpretou mal a traição pró-britânica como traição pró-comunista.Com calorosas aclamações britânicas, o IPR em desgraça mudou-se para o Canadá.O apoio britânico ao IPR foi mais tarde expresso pelo presidente do ramo do Extremo Oriente do RIIA, Sir AndrewMcFadyean, que em 1947 se tornou presidente do S. G. Warburg, banco mercantil. Em uma carta de 1952, escreveu ele: 128
  • 129. “O fato de que eu critiquei certas atividades e certos funcionários do IPR me intitula a dizer, com maior ênfase,primeiro que ele seria um órgão inútil se não representasse uma ampla variedade de tendências políticas, e segundoque, durante toda a minha permanência no Instituto, sua administração, enquanto respeitando o direito à livre expressão,nunca encorajou ou apoiou pontos de vista subversivos”.Uma vez no Canadá, o IPR ficou sob o patrocínio oficial do Instituto Canadense de Assuntos Internacionais (CanadianInstitute of International Affairs --- CIIA), sua subsidiária local, e seu presidente, agora “Honorável PresidentePerpétuo”, Walter Lockart Gordon. Nos últimos 30 anos, foi ele o mais fiel apologista norte-americano da Chinamaoísta. Atualmente, tem laços pessoais diretos com as “antigas ligações chinesas” do Canadá, incluindo Dr. Paul Lin,Chester Ronning e James Endicott. Todos estes serviram como conselheiros do Primeiro-ministro chinês Chou En-lai;os deveres oficiais de Paul Lin como acessor de Chou terminaram somente em 1965. Em troca, é uma força nacomunidade chinesa de Vancouver, Colúmbia Britânica, uma das mais importantes baldeações para o ópio que entranos Estados Unidos.As ligações percorrem o caminho de voltta à China pelo Pacífico. Gordon apoiou a fundação do Instituto PopularChinês de Assuntos Estrangeiros da China, organização oficial comunista que atualmente mantém ligações com o CIIA.Gordon também arranjou fundos para a Escola Norman Bethune da Universidade York em Toronto, Canadá, ainstituição mais abertamente pró-maoista no continente norte-americano. Esta é a linhagem do IPR criado, defendido eainda dirigido pelos britânicos. JOGO DE PRESSÕESDe acordo com o relatório oficial do RIIA acima citado, a função deste e do IPR, ao fim da Segunda Guerra Mundial,era propor a política de John Service e John Keswick de fomento do maoismo como “alternativa” à insistência histéricabritânica aos seus diretores coloniais na área. O Primeiro-ministro Winston Churchill ainda se opunha às disposiçõessobre determinação própria da Carta do Atlântico, a saber, que a Inglaterra desistisse das colônias do sudeste asiático. Osentimento anti-britânico aumentou tanto nos Estados Unidos, aponta o estudo da ASSUNTOS INTERNACIONAIS,que a revista LIFE de Henry Luce pressionava o povo inglês “a parar de lutar pelo Império Britânico e lutasse pelavitória...se (o povo) se agarrasse ao Império às expensas da vitória dos Aliados, perderão a guerra porque nos perderão”.Uma pesquisa feita em 1942, revelou que 56% dos americanos concordavam que os britânicos podiam ser descritoscomo “opressores... por causa da injusta vantagem... que recebem de suas possessões coloniais”.A postura “alternativa” do RIIA e do IPR foi um recuo tático de uma posição imperial no Extremo Oriente para umaaliança com os chauvinistas Grande Han do Partido Comunista da China. Qualquer sugestão de que havia umaverdadeira diferença de políticas, entre o “mesquinho reacionário” Winston Churchill e Victor Farmer, abertamente pró-maoista do grupo do Extremo Oriente do RIIA, é colocada de lado pelo papel de John Henry Keswick, da JardineMatheson.Keswick era figura proeminente dos Acordos Internacionais de Shangai, dos quais seu irmão, Sir William JohnstonKeswick, foi presidente durante a década de 30 até 1949. A Inglaterra era proprietária de parte da cidade de Shangaipelo tratado que encerrou a segunda guerra do ópio. O status dos Acordos foi motivo dos maiores conflitos políticosentre Roosevelt e Churchill, pois representava uma intrusão colonial estrangeira em uma nação aliada. A preocupaçãobritânica por Shangai pode também ter sido motivada pelo fato de que era o centro mundial do refino de ópio paraheroína. Tanto Keswick quanto as refinarias mudaram-se para Hong Kong em 1949.Em janeiro de 1945, o pró-maoista Victor Farmer e John Henry Keswick, com Andrew McFadyean, conduziram adelegação britânica à mais importante conferência do IPR em Hot Springs, Virginia Ocidental. Dez funcionáriosbritânicos se alinharam com o pessoal do RIIA. A delegação apresentou mais concordância com os americanos do queo governo de Churchill queria então conceder. Os documentos do RIIA mostram como a curiosa combinação doaplogista do Partido Comunista Chinês Victor Farmer com o comerciante de ópio John Keswick conseguiram apaziguaros americanos.“A atmosfera geral aqui (em Hot Springs) está muito melhor do que (na última conferência do IPR) em MontTremblant... Há muito menos disposição de torcer o rabo britânico só para ver como o animal reage”, escreveuMcFadyean ao RIIA com alívio. Os delegados americanos incluiam o funcionário do Tesouro Harry Dexter White,responsável por vender aos Estados Unidos a aprovação britânica de John Maynard Keynes para o FMI.Só quando o exército de Mao entrou em Shangai em 1949 os norte-americanos compreenderam o que eles planejavam.O novo prefeito de Shangai, Chen Yi, chamou John Keswick para conversas secretas, revelam documentos doDepartamento de Estado, virtualmente assim que chegou à cidade. Após prolongadas discussões, Keswick partiu, echamou o cônsul americano. O espantado diplomata, mais tarde telegrafou a Washington que Keswick “afirmara quenão esperava que os americanos passassem bem sob o regime comunista, mas não indicou se essa opinião era resultadoda conversa com o prefeito”. Keswick estava ou ameaçando os Estados Unidos, ou relatando o que os chineses lhe 129
  • 130. disseram, escreveu o cônsul-geral. “Dificilmente ele teria inventado este blefe para afugentar os competidoresamericanos”, concluiu otimisticamente o americano.O quanto era ingênua esta avaliação, logo se tornou claro dias depois. Pelas costas dos americanos, os britânicosnegociaram para conservar Hong Kong sob controle londrino, e abriram linhas confidenciais de comunicação entre ocontinente e Hong Kong. Em telegramas para Washington, os diplomatas americanos acusaram os britânicos de rasgar oacordo vigente anglo-americano de que todas as decisões a respeito do governo comunista seriam tomadas apósconsultas conjuntas. “Os comunistas estão obviamente tentando jogar os britânicos contra nós e parecem ter sido bemsucedidos”, escreveu um funcionário americano.Os britânicos juntaram insulto à injúria, ao manter uma campanha de propaganda oficial pró-maoista, que começoumuito antes que os comunistas chegassem ao poder. Os funcionários britânicos davam recompensas a membrosimportantes do CCP, mesmo enquanto mantinham relações diplomáticas “oficiais” com Ching Kai-shek, e deramrecepções públicas pródigas a elementos dissidentes do Kuomintang, tais como a viúva de Sun Yat-sem, o lídernacionalista chinês que morreu em 1925 (ela é atualmente funcionária do governo de Pequim).Pouco antes da vitória comunista, escreveu um jornalista: “Os britânicos têm reputação de diplomacia muito esperta naÁsia. Parte disto vem de sua habilidade para detetar grupos principais e ficar no lado certo. Observadores acreditamgeralmente que os britânicos agora enxergam a esquerda intelectual como um dos grupos que ganharão, mais do queperderão, poder nas mudanças políticas dos próximos anos, e se preparam para essa eventualidade”.Despachos da Inteligência americana de 1947, reimpressos na publicação do Departamento de Estado dizem: “Ésignificativo notar que logo após a tomada comunista da cidade chave de Shangai, os maoístas suspenderam todapropaganda anti-britânica”. CRIAÇÃO DA CONEXÃO DAS DROGAS DE HONG KONGSob a cobertura pública da mútua sedução anglo-chinesa, e perante os olhos horrorizados dos observadores americanos,os britânicos e maoístas criaram a infra-estrutura financeira que mais tarde sustentaria o tráfico de narcóticos doExtremo Oriente. A abertura, por Keswick, de canais entre Pequim e Hog Kong, permitiram a divisão das famílliasbanqueiras de Shangai entre a China continental e Hong Kong; em 1947, esta divisão fundamentaria a conexão dechineses do exterior com Pequim e Londres. Aparentemente, outras redes de expatriados como os banqueirostailandeses, que datam dos anos 30, se consolidaram da mesma forma, embora a documentação do período ainda nãoesteja disponível.A investigação do IPR pelo Senado revelou indiretamente o papel do RIIA na criação das redes financiadoras de drogas.O Comitê McCarran tornou pública correspondência do Secretário-geral do IPR, William Holland. Este, antes de suaascenção à chefia em 1946, comandou as representações na China do Escritório Americano de Informações de Guerra,organização estreitamente ligada ao predecessor da CIA ao tempo de guerra, o Escritório de Serviços Estratégicos(OSS). Holland estava em contato freqüente com o chefe do RIIA em Londres que, como já se disse antes, criara o IPRem primeiro lugar.Em uma das cartas disponíveis no inquérito McCarran de 1950-51, Holland informava ao RIIA que um alto funcionáriode banco comunista chinês “poderá vir a ser um dos nossos melhores amigos”. O funcionário Chi Ch`ao-ting era de altonível no Banco Nacionalista da China até a vitória maoísta, ocasião em que transferiu sua fidelidade para o BancoMaoísta da China. A defecção de Chi foi precedida pela de uma parte inteira do Banco Nacionalista, que escolheu“negociar” com os comunistas a fugir de Taiwan. Este grupo, de acordo com papéis do Departamento de Estado de1949, fez acordo para se comunicar com o líder do IPR chinês, e banqueiro de Shangai, K. P. Chen, que deixara estacidade por Hong Kong, ainda antes da chegada dos comunistas.A defecção de Chi para o Banco Maoísta da China começou com uma ilustre carreira, durante a qual ele se elevou auma alta posição, e participou de conferências internacionais para a República Popular da China. Como já se disse, asconexões financeiras do Banco da China com o ocidente são via Hong Kong; suas reservas ainda estão com o HSBC e oStandard and Chartered, suas remessas são feitas por eles, etc. A mudança de Chi, sob o olhar aprovador de Holland, sóexemplificou o que ocorria na comunidade banqueira de Shangai. No mesmo despacho do RIIA acima citado, Hollandrelatava seus contatos com importantes banqueiros de Shangai, citando o caso de K. P. Chen, chefe do Banco ComercialChinês de Shangai. Este fugiu para Hong Kong pouco antes da vitória comunista, relatou Holland, acrescentando ---“Embora pareça impossível agora, acho que Chen irá mais tarde a Shangai”.Um dos sócios de Holland durante o período, foi o representante canadense em Chungking, Chester Ronning, aindaimportante na conexão canadense com o aparato das drogas Londres-Pequim. Totalmente fascinado pelos maoístas,Ronning encontrava-se quase semanalmente com o principal representante de Chou En-lai, Wang Ping-nan,durante operíodo 1945-47. 130
  • 131. Este relacionamento tem especial importância, que indicaremos a seu tempo. Ronning continuou a atuar como parteirado renascimento do IPR no Canadá em 1950, após o escândalo.No início da guerra da Coréia, a amizade pública entre a Grã-Bretanha e a China foi reduzida --- para propósito deconsumo público. Entretanto, os principais indivíduos que criaram a conexão Pequim continuaram a segurar todos osfios importantes, e a manter a continuidade plena do tráfico de narcóticos. A despeito de hostilidades públicas, Pequimoperava livremente no mercado ilícito de ouro de Hong Kong, e luminares atuais como Stanley Ho fizeram fortunacontrabandeando bens estratégicos para a China desde Hong Kong. O SURGIMENTO DA “CARTA CHINESA”Em 1951, Lord Humphrey Trevelyan foi designado embaixador britânico na China, o mesmo homem que hoje está noconselho do Banco do Oriente Médio. Os contatos públicos entre Lord Trevelyan e o regime de Pequim eramnecessariamente em voz baixa, pelos ditames do que mesmo os britânicos e os chineses consideram decência pública.Para baralhar as pistas, os britânicos alegam que Trevelyan não se encontrou com o Primeiro-ministro Chou En-laidurante os primeiros 2 anos de sua estada em Pequim, embora admitam que o colega de Trevelyan, John HenryKeswick, tivera acesso regular a Chou durante o começo da década de 1940 em Chungking.Entretanto, a estada de Trevelyan em Pequim não foi sem importância. Ele colocou os fundamentos da chamadaabertura americana para a China, as bases da “carta chinesa”. Seu sócio na manobra foi o antigo contato maoísta deChester Ronning, Wang Ping-nan. Por esta época, o antigo representante de Chou En-lai nos dias de Chungking eraembaixador de Pequim na Polônia. Trevelyan fez os primeiros contatos diplomáticos americanos com a RepúblicaPopular da China pela embaixada chinesa na Polônia, em meados da década de 50. O contato da América com ogoverno de Pequim era pois o embaixador Wang Ping-nan.A carreira posterior de Trevelyan é notável. Após breve estada na Alemanha ocidental, tornou-se embaixador britânicono Egito durante a crise de Suez --- a invasão britânica-francesa-israelense do Egito, que acabou com o plano dedesenvvolvimento mundial do Presidente Eisenhower, o Programa Átomos para a Paz. Após estada no Ministério doExterior britânico, foi embaixador na União Soviética de 1962 a 1965, durante a crise dos mísseis cubanos. Atualmente,está no conselho de diretores da British Petroleum (BP), junto com o irmão de John Keswick, Sir William JohnstonKeswick, e vários outros membros dos conselhos do HSBC e do RIIA.Lord Trevelyan completou o círculo sendo presidente do conselho do RIIA, enquanto mantinha voz ativa no negócio doópio através do Banco Britânico do Oriente Médio.Experiência direta no comércio de drogas aparentemente é qualificação comum aos presidentes do conselho do RIIA.Quando Trevelyan, Keswick, Holland e Ronning eram jovens armando a Conexão Pequim durante a Segunda GuerraMundial, o presidente do conselho do RIIA foi Waldorf Astor. O bisavô deste, John Jacob Astor, foi agente-de-influência britânico nos primeiros anos da república americana; conforme seu biógrafo, J. J. Astor foi o primeiroamericano a entrar no comércio das drogas lado a lado com a Companhia britânica das Índias Orientais, a partir de1816. 131
  • 132. 9 CANADÁ: HONG KONG DA AMÉRICA DO NORTEA maior parte da heroína que entra na América do Norte chega pelo Canadá. Isto é estimativa de fontes policiaisautorizadas.Virtualmente, tudo que o leitor agora sabe sobre a antiga colônia da coroa britânica de Hong Kong se aplica ao domíniobritânico ao norte da fronteira americana. A idéia de que o Canadá é uma nação, no sentido pelo qual os americanoscompreendem o termo, é produto de esforços de relações públicas de baixa qualidade, porém persistentes. Política efinanceiramente, o Canadá é dirigido desde cima pela monarquia britânica, a começar pelo Governador-geral indicadopela Rainha, o Conselho Privadp (Prive Council), e inclui o grupo principal dos Cavaleiros de São João de Jerusalémque controla a maior parte dos negócios canadenses.O papel do Canadá no fluxo de drogas para os Estados Unidos não é muito diferente do que foi durante a Lei Seca. OCanadá é ponto de passagem da maior parte da heroína que entra no mercado americano, porque foi criado e mantidocomo domínio britânico no flanco norte dos Estados Unidos para exercer precisamente tais operações.A despeito de mão de ferro da monarquia britânica sobre os mais altos níveis da vida pública canadense, há uns poucosindivíduos bem colocados, inclusive em seus serviços policiais, que vêem a América, mais que a Inglaterra, comomodelo para o futuro canadense. Com grande risco pessoal, já lutam há muito na retaguarda contra as atividadescriminosas que gozam da sanção quase oficial. O público americano ouviu pouco a seu respeito, por causa do Ato deSegredos Oficiais do Canadá (Canadá`s Official Secrets Act), moldado no de 1911 da Grã-Bretanha. Tal lei impedequalquer publicação ou discussão pública daquilo que o governo, isto é, o Governador-geral designado pela Rainha,escolhe como segredo de estado. Dada a organização do país, comércio de drogas, lavagem de dinheiro sujo eatividades de crime organizado, inclusive o terrorismmo político, estão nesta categoria. Quem quer que escreva sobreisto no Canadá irá para a prisão imediatamente, e poderá por lei ser executado. Mas sem a ajuda de cidadãos canadensescom acesso a fontes oficiais, e corajosos para correr os riscos, este relatório não poderia ter sido escrito. TRÊS CASOS CRUCIAISAntes de examinar a estrutura das operações canadenses com drogas e dinheiro sujo, alguns exemplos importantes serãosuficientes para indicar a natureza do problema. Um é Walter Lockhart Gordon, presidente honorário perpétuo do CIIA(Canadá Institute of International Affairs --- Instituto de Relações Exteriores do Canadá), o braço canadense do RIIAbritânico. O CIIA recebe a maior parte de seus fundos diretamente do escritório do Governador-geral. Cada secretáriode estado canadense para assuntos estrangeiros, desde a fundação do CIIA, foi membro do mesmo. O Institutocanadense também é o patrocinador oficial do IPR (Institute of Pacific Relations --- Instituto de Relações do Pacífico),ligado à conexão britânica com Pequim, cujo escândalo público o forçou a deixar os Estados Unidos após 1947. WALTER LOCKHART GORDONSuas digitais aparecem por toda esta seção. Além de seu posto perpétuo no topo do CIIA, ele é antigo presidente doConselho Privado, o grupo de operações seletas do Governador-geral para direção da política canadense (1967-68); foiMinistro das Finanças de 1963 a 65; e diretor de algumas das operações corporativas mais sujas no Canadá.Seu pai fundou Clarkson & Gordon, a firma de contabilidade que auditou 3 dos 5 bancos oficiais canadenses: Banco daNova Escócia (Bank of Nova Escotia), Banco do Domínio de Toronto (Toronto Dominion Bank) e Banco ImperialCanadense (Canadian Imperial Bank). Steven Clarkson, da mesma, é membro importante do CIIA tanto quantopatrocinador importante do IPR. Através de uma rede de contadores dispersados por esses bancos, Clarkson & Gordonfunciona como centro de comando da mais extensa operação de lavagem de dinheiro sujo do mundo, desde os pontos derecebimento de heroína, no noroeste do Pacífico, às operações de bancos canadenses no Triângulo Prateado canadense.Gordon, como detalharemos adiante, também foi o principal contato canadense para a Conexão Pequim. SEGURADORA EAGLE STAR 132
  • 133. Um segundo exemplo é o grupo de entidades britânicas que dirigem a Seguradora Eagle Star, uma das maioresfinanceiras britânicas, e que operam em conjunto com suas principais assemelhadas, inclusive Banco Barclays, Lloyds,Hill Samuel e N. M. Rothschild & SonsA Eagle Star dirige a organização da família Bronfman desde cima, através de seu controle da English Properties, epelo controle por esta da Trizec Corporation.Os Bronfmans são o que, no jargão da Inteligência, se chama de “ligações” ou testas-de-ferro controlados. O que ésignificativo aqui são as qualificações especiais da Eagle Star para controlar o grupo Bronfman que, por sua vez, temsido a sede das operações canadenses com bebidas, comércio de drogas, dinheiro sujo e terrorismo desde a Lei Seca.A administração da Eagle Star é da Inteligência britânica, por um acordo que data da Segunda Guerra Mundial.Os diretores da mesma, Sir Kenneth Strong e Sir Kenneth Keith, eram o número 1 e o número 2 respectivamente naInteligência britânica imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, quando a família Bronfman criou a Trizec“legítima” com a fundação da Eagle Star. Ambos os diretores conservam seus laços estreitos com o serviço deInteligência estrangeira britânico, o MI 6 (cujo chefe é o encoberto Mister “M” representado pelo chefe de James Bondnos filmes de 007 ---N.T.).Conforme modelo familiar, Sir Kenneth Keith movia-se pelo mundo secreto da Inteligência britânica e a política doópio do Extremo Oriente. Keith também era membro importante do CIIA. Entre outras posições corporativasimportantes, inclusive uma diretoria no Banco da Nova Escócia, ele era presidente do grupo Hill Samuel, um dosprincipais bancos comerciais britânicos, e encarnação dos interesses da antiga família banqueira Samuel.Participando com Sir Kenneth Keith no conselho de diretores da Hill Samuel, está Sir Philip de Zulueta do HSBC, emembro do Comitê londrino controlador deste. Zulueta foi secretário parlamentar particular para uma fieira deprimeiros-ministros conservadores britânicos enquanto Sir Kenneth Strong completava sua carreira na Inteligênciabritânica.A Eagle Star é genuíno exemplo do papel do Canadá quanto às drogas, por conter cada elemento da máquina: a famíliaBronfman, que tem ligações com o dinheiro sujo e o terrorismo, os níveis superiores da Inteligência britânica e ocoração do comércio do ópio, o próprio HSBC. A COMPANHIA DA BAÍA DE HUDSONA Companhia da baía de Hudson (Hudson Bay Company) é o ponto de partida adequado a uma olhada nas operações damáquina das drogas no Canadá. Durante a Lei Seca, era a sócia da Seagram`s dos Bronfman na “Companhia da PuraDroga (Pure Drug Company), das bebidas ilegais durante o período de Lei Seca no Canadá.A Companhia também é fachada para as antigas e grandes famílias do comércio de ópio, os Inchcapes e os Keswick,proprietários respectivammente da Companhia de Navegação Peninsular e do Oriente (P & O), a maior do mundo, eJardine Matheson, a principal companhia comercial de Hong Kong. O segundo Conde de Inchcape, cujo filho aindadirige a P & O, escreveu o notório relatório Inchcape de 1923, que advogava a continuação da produção de ópio noExtremo Oriente para manter os lucros britânicos. O número dois atual da P & O, o vice-presidente do conselho EricDrake, pertence ao conselho da Baía de Hudson.Sir William Johnston Keswick, da Jardine Matheson, presidente da Assentamentos Municipais de Shangai (ShanghaiMunicipal Settlements) durante o pico do tráfico de heroína na cidade, nos anos30, foi diretor da Baía de Hudson.William Johnston Keswick e Sir Eric Drake também estão juntos no conselho da Petróleo Britânico (British Petroleun --- BP), junto com Lord Humphrey Trevelyan, presidente do conselho do RIIA e encarregado de negócios britânicos emPequim durante os críticos anos de 1951-53.Drake foi também diretor do principal banco mercantil britânico Kleinwort Benson. Sua 100% subsidiária SharpsPixley Ward, dirige o mercado de ouro de Hong Kong em conjunto com o HSBC, apoio crucial do tráfico de drogas noExtremo Oriente. Um colega diretor de Drake, o presidente representante do Kleinwort Benson, foi Sir Mark Turner, daRTZ. Esta, por sua vez, foi fundada com dinheiro da família Matheson na década de 1840, que a dirigiu até a virada doséculo. Para completar o círculo, William Johnston Keswick está no conselho da Jardine Matheson, com diversosdiretores da P & O de Sir Eric Drake.Em resumo, a Companhia da Baía de Hudson, a mais “canadense” das conpanhias, é dirigida desde cima por um grupodos antigos traficantes de drogas do Extremo Oriente, e seus contatos londrinos mais próximos. 133
  • 134. A conexão do ópio de Hong Kong vai ainda mais longe. O filho de Sir William Keswick, Henry Neville LindleyKeswick, membro do conselho do HSBC, é também diretor da Macmillan Bloedel, uma das maiores empresas decelulose do Canadá, intimamente ligada aos interesses da editora Macmillan. Esta família surgiu como canadensequando Harold Macmillan, Primeiro-ministro britânico ao tempo da administração Kennedy, casou com a filha doGovernador-geral do Canadá, representante pessoal da Rainha. Este era o nono Duque de Devonshire, Victor C. W.Cavendish, que pestou serviços de 1916 a 1920, no princípio da Lei Seca; seu genro Harold Macmillan tornou-se seuassistente-chefe no Canadá em 1919, mesmo ano em que Arnold Rothstein estabeleceu seus contatos na Inglaterra paraentrega de bebidas. William, o filho do Governador-geral, intermediou os contatos de Joe Kennedy com as grandesdestilarias inglesas. Os interesses dos Macmillan começaram com a Lei Seca. Hoje, pela associação com WilliamJohnston Keswick, que dirigiu pessoalmente o tráfico de heroína em Shangai durante a década de 1930, tem lugar naNarcotráfico S. A.A Canadian Pacific Ltd., a maior empresa do Canadá, tem parte no controle da Macmillan Bloedel. DROGA ENTRA, DINHEIRO SUJO SAIDe acordo com fontes da Inteligência canadense de alto nível, grandes quantidades de heroína que chegam à Américado Norte, chegam de avião pela Canadian Pacific Air (Companhia de Aviação Canadian Pacific). Não há provainsofismável para consubstanciar isto, mas um julgamento de novembro de 1978 em Vancouver provou que ela estavaenvolvida no contrabando de 9,98kg de cocaína de Hong Kong.As drogas vem pela Canadian Pacific e são conduzidas a pontos ao sul da fronteira. Profundamente inter-relacionadacom a conexão do Canadá ocidental está o grupo Bronfman, cuja holding (controladora ou matriz geral --- N.T.) é aSeagram`s, e cujo centro financeiro é o grupo Trizec. Desde a Lei Seca, a Seagram`s dirige o fluxo de contrabando paraos Estados Unidos.Tanto a Seagram`s quanto sua antiga sócia da Lei Seca, a Companhia da Baía de Hudson, são inter-relacionadas, porum labirinto de contatos, com os cinco grandes bancos canadenses: Banco de Montreal (Bank of Montreal), Banco Realdo Canadá (Royal Bank of Canadá), Banco de Nova Escócia (Bank of Nova Escotia), Banco do Domínio de Toronto(Toronto Dominion Bank) e Banco Imperial Canadense do Comércio (Canadian Imperial Bank of Commerce). Assim, odinheiro sujo bruto do comércio de drogas é enviado mais para o sul, aos centros offshore no Caribe, e daí para seuredemoinho de lavagem à volta do mundo.Os Cinco Grandes do Canadá dominam toda a banca canadense tão ferozmente quanto os Quatro Grandes britânicos,Barclays, National Westminster, Lloyds e Midlands, na Inglaterra. Diferentemente dos Estados Unidos, que tem umarelativa base extensa de bancos regionais, as bancas canadense e britânica são dirigidas desde cima pelas instituiçõesmencionadas. Os canadenses são muito pouco distinguíveis, em suas práticas correntes, dos piratas britânicos quenavegavam pelo Caribbe no século XVII. Junto com os bancos britânicos, que tem numerosas associações com oscanadenses --- por exemplo, o Royal Bank opera nas Bahamas sob o disfarce de “RoyWest” em associação com oNational Westminster --- são o coração das operações offshore com dinheiro sujo nos Estados Unidos.Em 1978, o Banco Real do Canadá (Royal Bank of Canadá) tinha 21 agências offshore, mais do que qualquer banco nomundo, exceto o Barclays. Sua conexão “RoyWest” já citada, liga-o intimamente com o próprio HSBC, que tem doisdiretores no National Westminster, J. A. F. Binny e R. D. Dent. Este, descende da antiga família britânica de comérciocom ópio que fundou Lancelot Dent à mesma época em que surgiu Jardine Matheson.Entre outra ligações, o Royal Bank of Canadá está conectado aos Bronfman por Neil Phillips, filho de Lazarus Phillips,advogado daqueles e assessor de grande confiança, desde a Lei Seca até a década de 50. O TRIÂNGULO PRATEADO DO CANADÁO Royal Bank tem a mais suja reputação da banca no Caribe. De acordo com autorizadas fontes diplomáticas, essebanco ordenou diretamente ao governo guianense que plantasse maconha, a fim de conseguir divisas estrangeiras: Em1976, quando a Guiana quebrou e foi ao FMI para empréstimo de emergência, os funcionários do Royal Bank reuniram-se com altos funcionários do governo guianense. Insistiram em que o país mudasse sua economia para a produção de“colheita rendosa” antes que eles, ou qualquer outro grande banco, consedesse empréstimos. Os guianeses estavamdesesperados e o fizeram. O noroeste do país, em conseqüência, tornou-se um grande produtor de maconha para omercado norte-americano.Segundo nos centros offshore caribenhos, está o Banco de Nova Escócia. O assessor principal de Bronfman, e figurantedas organizações sionistas canadenses R. D. Wolfe, pertence aos conselhos da Seagram`s e do banco. Este tem 13agências offshore, tanto quanto inumeráveis associações e “fachadas” similares. 134
  • 135. Fontes diplomáticas e bancárias concordam em que o Banco de Nova Escócia é o número um em manejo de capitalvolátil para fora do Caribe, especialmente de países em complicações com a Jamaica. Aparte os fundos que evitamcomplicações políticas, a maior parte, se não todo, do dinheiro ilegal se transfere para fora do Caribe. No final dadécada de 70, uma grande parte dos fundos ilegais jamaicanos foi levado por um jamaicano empregado de alto nível dagrande corretora novaiorquina Drexel Burnham Lambert.O comércio jamaicano do Scotiabank é um negócio particularmente imundo, pois envolve manobrar fundos, ganhos naJamaica por criminosos locais, para paraísos fiscais. O lado monetário das operações jamaicanas, de acordo com fontespoliciais, é feito mais com armas que com drogas. Aviões aterrisam na Jamaica com cargas de pequenas armas e partemcom maconha. O varejo na Jamaica é a venda de armas. Os lucros finais da cadeia de vendas são lavados peloScotiabank.O papel deste no mercado canadense de ouro é feito por suas próprias operações comerciais e sua ligação com opresidente do segundo maior comerciante canadense de ouro, a Mineração Noranda (Noranda Mines). De acordo comfontes bem informadas do mercado novaiorquino de ouro, uma proporção substancial do capital volátil do Nova Escóciaé movimentado por compras ilegais de ouro por jamaicanos e outros cidadãos. As mesmas fontes acrescentam que aMocatta Metals do Dr. Henry Jarecki, em Nova York, tem parte substancial do tráfico de dinheiro sujo caribenho. A CONEXÃO CANADÁ-PEQUIMO ponto de partida para qualquer pesquisa sobre o tráfico de drogas canadense é o estreito relacionamento de WalterLockhart Gordon com a Canadian Pacific. Gordon foi o grande antigo honorável e perpétuo presidente canadense doCIIA, líder principal do Partido Liberal dirigente, Ministro das Finanças após 1963 e principal organizador da políticaexterior do Canadá nos últimos 30 anos. Pertence também ao conselhop de diretores da Canadian CorporateManagement Corporation, uma holding inter-relacionada com a Companhia da Baía de Hudson.Fontes autorizadas da Inteligência canadense identificaram mais tarde Gordon como controlador dos 3 principaisespecialistas canadenses em China, Paul Lin, James Edincott e Chester Ronning. A associação com estes dois últimosdatava do fim da Segunda Guerra Mundial, quando esses retornaram de estreita colaboração com Chou En-lai para setornarem o coração do transplantado IPR no Canadá.Baseado em Montreal, Paul Lin era o intermediário de Gordon para o atacado e o transbordo de drogas em Vancouver(Colúmbia Britânica). O mais importante contato de Lin era o antigo presidente da transportadora de droga CanadianPacific, John G. Gilmer, um Cavaleiro de São João de Jerusalém. Paul Lin era advogado da mesma Canadian Pacific.Além disso, havia nas representações abertas pela República Popular da China em Vancouver, B. C. (ColúmbiaBritânica), a Corporação Comercial Chinesa (Chinese Commercial Corporation) e o Centro Cultural Chinês (ChineseCultural Center). Este recebia fundos de outro Cavaleiro, John Robert Nicholson, íntimo associado de Gilmer.Todos esses homens trabalhavam juntos desde que o IPR serviu como cabeça-de-praia do RIIA nos Estados Unidos, eChester Ronning se encontrava semanalmente com Wang Ping-nan, e ocasionalmente com Chou En-lai, em Chungking.Edincott, agora idoso, criou o principal centro norte-americano de maoismo explícito, o Instituto Norman Bethune naUniversidade de York. Gordon foi reitor desta por muitos anos e arranjou pessoalmente os fundos para o Instituto, querecebeu o nome de um doutor canadense que serviu nos exércitos de Mao.A firma de contabilidade de Gordon, Clarkson & Gordon, tentou se resguardar de envolvimento aberto com o comérciode drogas. Mas uma de suas escorregadas causou escândalo público no Canadá, há alguns anos. A Clarkson & Gordon,recolheu fundos para o Colégio Rochdale em Toronto, uma universidade experimental que rapidamente se tornou ocampus mais varrido pelas drogas do Canadá. No começo da década de 70, esse Colégio se tornou não somente o centroprincipal de consumo ilegal de drogas, mas também o ponto varejista de maconha e alucinógenos para quase todo oleste do Canadá. Quando a história inevitavelmente se tronou mancchete, a polícia canadense foi compelida a fechá-lo,por decência pública. A Clarkson & Gordon, que criara o Colégio Rochdale, tristemente recebeu as sobras das drogas,atuando como depositária e liquidante. QUEM DIRIGE O CANADÁMas a empresa à qual Gordon mais se liga é a Canadian Pacific, que controla a maior parte do transporte aéreo,marítimo e terrestre do domínio. Está interligada de 3 formas com a Seagram`s Ltd., holding do grupo Bronfman. Nadamenos que 14 diretores da Canadian Pacific estão nos conselhos dos 5 maiores bancos. 135
  • 136. Mais adiante ainda, a Canadian Pacific tem nada menos que 4 membros da Mui Venerável Ordem dos Cavaleiros deSão João de Jerusalém em seu conselho, que incluem o já mencionado J. C. Gilmer de Vancouver, W. E. McLaughlin,presidente do conselho do Royal Bank of Canadá, e J. P. W. Ostiguy.Somente uma outra corporação no mundo, o Banco Barclays, contém mais membros da maior Ordem da elite damonarquia britânica entre seus diretores. Já por si este fato, estabelece a vassalagem da Canadian Pacific perante osdireitos feudais da monarquia britânica. Em termos da verdadeira cadeia de comando no Canadá, é uma honra paraCharles R. Bronfman pertencer ao conselho da Canadian Pacific.A concentração de Cavaleiros de Malta (outro nome da Ordem --- N. Ed.) nesse conselho também esclarece, do pontode vista profissional da Inteligência, porque a companhia tem acesso especial ao tráfico de narcóticos do ExtremoOriente. O presidente do conselho do HSBC, de 1962 a 1979, foi Sir Michael Turner. Quando o atual presidente, M. G.Sandberg, o substituiu, Turner permanaceu no Comitê londrino do HSBC (tanto quanto no conselho de diretorees doNational Westminster, com dois de seus colegas diretores do HSBC). Sandberg foi feito Comandante de São João, umaposição de alto nível na Ordem, em 1960. É também o presidente do Conselho de São João, a organização dosCavaleiros, em Hong Kong. A companhia na maior parte dirigida pelos Cavaleiros de Malta no Canadá lida diretamentecom o chefe da Ordem em Hong Kong.Na outra ponta do ciclo canadense das drogas, cada um dos 5 bancos que lidam com o dinheiro sujo tinha, em 1978, aomenos um Cavaleiro de Malta em seu conselho. O Canadian Imperial e o Banco de Nova Escócia eram dirigidos por 3Cavaleiros, cada um.O CIIA, ao qual pertence cada ministro do exterior canadense neste século, não é uma instituição canadense, mas orepresentante local da Ordem de Cavalaria da elite da monarquia britânica. O antigo Governador-geral do Canadá epresidente do CIIA, Roland Michener, foi também Cavaleiro de São João. Um membro do conselho do ramo italiano,da Ordem de São Lázaro, Henry R. Jackman, foi do conselho do CIIA. J. J. Jodrey, outro membro do conselho, foitambém Cavaleiro de São João.A Ordem de São João respeita a mesma cadeia de comando do Governador-geral do Canadá e do Conselho Privado: aRainha da Inglaterra, que é a titular da Ordem, e o primo da Rainha, o Duque de Gloucester, Grão-Prior da Ordem.Esses homens controlam as finanças e logística da economia canadense. Por uma série de “laranjas”, como a famíliaBronfman, também controlam muito do comércio das drogas, do crime organizado e do terrorismo político dirigidocontra os Estados Unidos. 136
  • 137. 10 AS FAMÍLIAS POR TRÁS DO IMPÉRIO DAS DROGASPor que, já que tanta prova detalhada do tráfico mundial de narcóticos existe em registros públicos ou em arquivospoliciais, permaneceu tudo escondido por tanto tempo? Uma das respostas é que o HSBC e outros traficantes principais,que se combinam livremente no mundo dos negócios, foram destinados especificamente a esconder o comércio dedrogas atrás da fachada de finanças legítimas. A resposta mais importante é mais profunda. Esta leva o leitor para trásdos conselhos, oh, tão respeitáveis! Das corporações e corretoras de metais preciosos, à oligarrquia internacional, emparticular, a britânica. O que agora apresentamos é a verdadeira operação familiar responsável pelo financiamento edirecionamento do comércio de ópio, inclusive cada conexão crucial no desenvolvimento da Narcotráfico S. A., daexpansão da produção de ópio na Índia, pelas Guerras do Ópio contra a China, até a Guerra do Ópio contra os EstadosUnidos.A opinião pública sobre famílias do crime organizado dá ao leitor um ponto de partida de como ver a oligarquia da Grã-Bretanha, mas a dinastia britânica é muito mais sinistra. A RELIGIÃO DA FAMÍLIAEste elemento sinistro que coloca a oligarquia britânica aparte da imagem popular da família mafiosa é a sua inabalávelcrença de que só ela é capaz de dirigir o mundo --- ponto de vista refletido no testamento de 1877 de Cecil Rhodes. Suareligião não é o cristianismo anglicano que professam, mas uma mixórdia de paganismo, incluindo cultos satânicoscomo a Teosofia e o Rosacrucianismo. A ideologia central e sincrética da vida interior religiosa da oligarquia é o cultoegípcio das drogas revivvido, o mito de Ísis e Osíris, o mesmo culto anti-cristão que permeava o império romano. Damesma forma que as antigas dinastias egípcias adoradoras de Ísis, as ligações da família dirigente britânica mantêm opoder há séculos, guardando os segredos de suas intrigas dentro da família.O culto de Ísis, revestido de uma roupagem moderna, foi a ideologia oficial dos principais políticos, financistas eliteratos britânicos durante o século passado. Esse culto também forma o núcleo do Rito Escocês da Maçonaria de LordPalmerston. Seu grande expoente público foi o secretário colonial durante a segunda guerra do ópio, Edward Bulwer-Lytton, autor de “Os Últimos Dias de Pompéia”, que primeiro popularizou o culto de Ísis, e que foi (Lytton) o mentorde toda a geração Cecil Rhodes de imperialistas britânicos. (1)O RIIA foi a “sociedade secreta” visualizada no testamento de Rhodes, e é o órgão que fornece a estrutura de comandodo comércio de drogas. Mas ele próprio, o RIIA, foi fundado por um grupo ainda mais secreto: o “Círculo deIniciados... devotado ao engrandecimento do Império Britânico”, na descrição de um de seus historiadores. (2) OCírculo incluía Lord Milner, Cecil Rhodes, fundador do império de mineiração da África britânica, o futuro Primeiro-ministro Arthur Balfour, Albert Grey e Lord Rothschild.Todos eles celebravam formas do culto a Ísis. Sua visão do mundo foi na maior parte estabbelecida por Bulwer-Lytton eseu protegido John Ruskin. O sumo sacerdote britânico de Ísis, Lytton, foi também o chefe dos comerciantes de drogasdo governo britânico.As palavras do Pai Fundador americano Thomas Paine, para caracterizar o Rei britânico Jorge III, contra quem osEstados Unidos fizeram a Guerra da Independência, são completamente apropriadas: “Rejeito o endurecido e mal-humorado Faraó da Inglaterra para sempre... e desdenho o canalha”. (3) O INÍCIO: OS CAVALEIROS DE SÃO JOÃO DE JERUSALÉMA elite da elite na vida dinástica secreta britânica é a Mui Venerável Ordem de São João de Jerusalém --- os “cristãosque não são realmente cristãos”. (4) Já realçamos a proeminência dos Cavaleiros nos centros do tráfico mundial dedrogas: do HSBC à Canadian Pacific em Vancouver e ao Banco Barclays em Londres. Embora a Rainha Vitóriareconstituísse a Mui Venerável Ordem, na década de 1880, como o ramo protestante britânico dos Cavaleiros de Malta,nossa história começa propriamente muito antes, com a Ordem original dos Cavaleiros de São João, fundada emJerusalém em 1070. Herdou ela o que os autores britânicos maliciosamente chamam “a sabedoria do oriente” das seitasheréticas coptas, gnósticas e maniquéias do Leste do Mediterrâneo. A Ordem assim manteve continuidade direta com oantigo culto de Ísis. 137
  • 138. Conquanto distante da área familiar ao leitor americano, aquela em que vamos entrar deve ser encarada conforme aspróprias famílias a vêem. A maldade meditada nos romances de Walter Scott ou Robert Louis Stevenson, ou suasimitações baratas de novelas góticas, dão ao leitor base para a visão interior da história dessas famílias, e a necessidadede se começar pela história coberta de teias de aranha para irmos ao fundo da Narcotráfico S. A.Começando do começo: no século XIV, o surgimento da Ordem de São João na Inglaterra foi parte de um projeto paraaniquilar sua oposição humanista, os Cavaleiros Templários. A guerra total começara no continente. Os oligarcas daFrança e Itália, Felipe o Belo e o Papa Clemente V, trucidaram centenas de Templários, e queimaram o corajoso GrãoMestre, Jacques de Molay, na fogueira em 1314.Um grupo renegado de Templários, sob o comando de um aventureiro assassino, o Rei Robert Bruce, se apossou daEscócia, o posto menos civilizado da Europa, como uma fortaleza offshore, uma forma de seguro contra os destinosincertos no continente europeu. Esse Rei, Robert Bruce, é o fundador espiritual do Rito Escocês da Maçonaria. “Após a morte de Jacques de Molay, alguns Templários Escoceses... instigados por Robert Bruce, se agruparam sob os estandartes de uma Nova Ordem (A Real Ordem da Escócia), instituída por seu príncipe...É aqui que devemos buscar a origem da maçonaria escocesa”. (5)Esta afirmação de um importante historiador do movimento maçônico é modelo de interpretação da origem do RitoEscocês. AS GUERRAS DO ÓPIO DA FAMÍLIAHá de fato uma ligação direta do Rei Robert Bruce com os funcionários britânicos que fizeram a primeira guerra doópio contra a China. James Bruce, o oitavo Conde de Elgin, após supervisionar o comércio escravagista caribenho,como Governador-geral da Jamaica, de 1842 a 1846, foi designado embaixador e ministro plenipotenciário na China, de1857 a 1861, o período da segunda guerra do ópio contra a China. Seu irmão Frederick Bruce fora secretário colonialem Hong Kong durante as ações escarnecedoras seguintes à primeira guerra do ópio, e voltou à China em 1857 paraajudar o irmão a apresentar o ultimato do governo britânico ao imperador chinês. (6)O Dicionário de Biografia Nacional britânico resume a carreira chinesa do Bruce mais velho sucintamente: “Em 1857, Elgin foi enviado à China. Ao chegar a Singapura, encontrou cartas de Lord Cunning informando-o do motim na Índia, e urgindo-o a enviar tropas a Calcutá da força que o acompanharia à China. Imediatamente concordou com a requisição, enviando de fato toda a força, mas ele continuou para Hong Kong, na expectativa de que as tropas o seguiriam rapidamente... Ele dirigiu-se a Calcutá... Mais tarde neste ano voltou à China, tropas novas haviam sido enviadas (para repor as enviadas à Índia)... Cantão foi rapidamente tomada e meses mais tarde um tratado foi feito em Tientsin, resolvendo, entre outros assuntos, pela designação de um ministro britânico, por facilidades adicionais para o comércio britânico (ópio)... e por uma indenização de guerra”.Elgin voltou à Inglaterra em 1859. “No ano seguinte, ele foi enviado de novo à China, (pois) o Imperador falhara em ratificar o tratado de Tientsin e cometera outros atos hostis... A oposição militar (à política de vício em massa de Elgin) não foi efetiva, mas os chineses recorreram à traição (forças chinesas mataram alguns soldados britânicos que policiavam a distribuição de ópio). Em consequência disto, o palácio de verão, residência favorita do Imperador em Pequim, foi destruído. Poucos dias depois, o tratado de Tientsin foi formalmente ratificado”. (7)O relato conclui que “as cartas de Elgin mostram que era homem de profundas afeições, eminentemente doméstico, econvicções muito fortes em religião...”Quem dirigia a Inglaterra à época? O Primeiro-ministro era o mesmo Lord Palmerston que tornara o Rito escocês oprincipal produto de exportação rentável da Inglaterra. O Ministro do Exterior era Lord John Russell, filho do sextoDuque de Bedford, e avô do agente da Inteligência britânica mais perigoso neste século, Bertrand Russell.Palmerston e Russell eram parentes afins dos irmãos Bruce, por casamento com a linhagem Elgin, em linha direta como controle da Ordem de São João sobre a Inglaterra. O ramo que inclui os dois principais ministros do gabinete britânicodurante a segunda guerra do ópio era a linha Villiers. Esta começara com George Villiers, que ajudara Robert Cecil eEdward Bruce a se apossarem do trono inglês para outro descendente de Robert Bruce, James I da Escócia em 1603. (8) 138
  • 139. A filha de Lord Russell, Victoria, casou na família Villiers. O neto de Russell, Bertrand, entre suas outras operaçõessecretas, manteve ligações com Chou En-lai durante o pós-guerra, em favor da Inteligência britânica. (9)Ainda mais significativo é o terceiro membro do grupo londrino durante as guerras do ópio, o secretário colonialEdward Bulwer-Lytton, parente afim do Duque de Wellington. O filho daquele casara com Edith Villiers, do mesmoramo da importante dinastia da Ordem de São João. OS ADORADORES DO IMPÉRIO E O ÓPIOBulwer-Lytton é mais conhecido pelos americanos através de sua novela de 1838 “Os Últimos Dias de Pompéia”, mastambém é o pai espiritual das sociedades secretas de Cecil Rhodes, Lord Milner e do nazi-fascismo. Dirigiu osrosacruzes ingleses, um ramo dos Maçons de Rito Escocês, chefiados pelo Primeiro-ministro Palmerston.À diferença dos membros da elite britânica comparativamente de boca fechada, Bulwer-Lytton era um boquirrotoexpoente do culto de Ísis, assunto de sua famosa novela. Esse mito popularizado foi inspiração de um conjunto inteirode imitações pervertidas.Entre elas estava o livro de Helena Blavatsky, “Ísis Revelada”, e seu culto teosófico. Esse era a bíblia satânica dassociedades secretas místicas, inclusive o grupo “Tule” alemão, que produziu a maior parte das SS de Hitler. (10)Outro protegido de Bulwer-Lytton foi o satânico Aleister Crowley, do equivalente do grupo “Tule” na Inglaterra, a“Hermética Ordem Ísis-Urânia da Alvorada Dourada (Golden Down --- N.T.)”. Ambos os grupos traçavam sualinhagem até os Maçons do Rito Escocês de Palmerston, através de Bulwer-Lytton. (11)Aleister Crowley foi tutor de Aldous Huxley, o profeta do controle da mente, que mais tarde introduziu o culto ao LSD(ácido lisérgico --- N. Ed.) nos Estados Unidos durante os anos 50 (12) (ligado ao projeto MK-Ultra --- N. T.).A ligação imperial britânica com o nazi-fascismo foi ainda mais direta no caso de outro trabalho publicado de Bulwer-Lytton. Sua novela, Rienzi, sobre os Cavaleiros de São João, forneceu o texto da primeira ópera de Richard Wagner.Sua novela de 1871, “Vril, O Poder da Raça Vindoura”, continha virtualmente tudo que Houston Stewart Chamberlainmais tarde repetiu em sua teoria racial; o professor Karl Haushofer, que foi o escritor verdadeiro (ghost-writer ---escritor fantasma , no sentido de verdadeiro) de “Minha Luta (Mein Kampf)” na cela de Hitler (prisão de Landsbergapós o falho putch da cervejaria Burguerbraukeller --- N. T.) na prisão 50 anos depois, chamou sua primeiraorganização secreta de “Sociedade Vrill”. (13) As sociedades secretas nazistas alemães e britânicas se reuniramoficialmente pela última vez quando o Ministro Nazista Rudolf Hess tentou fazer contato em 1941, voando para aInglaterra.Bulwer-Lytton influenciou diretamente John Ruskin na Universidade de Oxford e estabeleceu a linhagem que conduz,por nomes como Milner e Rhodes, ao atual RIIA. Os alunos de Ruskin incluíam Milner, Rhodes, Albert Grey e o futurodiretor de pesquisas do RIIA, Arnold Toynbee.A aula inaugural de Ruskin em Oxford em 1870, inspirada por Bulwer-Lytton, deixou tal impressão em Cecil Rhodesque ele carregou uma versão manuscrita da mesma até a morte. O discurso, que moldou o caráter do testamento de 1877de Rhodes, afirmava em parte: “Agora há um destino possível para nós, o mais alto já colocado perante uma nação, a ser aceito ou recusado. Ainda somos uma raça pura, uma raça mesclada com o melhor do sangue nórdico... Somos ricos em uma herança de honra, que deve ser nossa meta diária aumentar com avareza esplêndida... (A Inglaterra) deve encontrar colônias tão rápido e tão longe quanto possa... apossando-se de cada pedaço de solo fértil em que possa pisar, e ensinando aos colonizados que seu...primeiro objetivo é aumentar o poder da Inglaterra na terra e no mar...” (14)O filho de Bulwer-Lytton, Edward Lytton, foi Vice-rei e Governador-geral da Índia de 1876 a 1880. Dois aspectos daadministração do jovem Lytton na Índia são importantes para este relatório. Primeiro, Lytton supervisionou o únicoperíodo de grande expansão na história da produção de ópio na Índia britânica. (15) Palmerston estabelecera esta metacomo compensação pelo declínio industrial britânico frente aos Estados Unidos.Segundo, o governo de Edward Lytton na Índia forneceu um lar para os mais importantes loucos sectários inspiradospor seu pai. O próprio Lytton era o maior amigo dos pais de Rudyard Kipling, membros do círculo à volta do jornal deAllahabad THE PIONEER (16), de A. P. Sinnett. A seguidora do velho Bulwer-Lytton, Madame Blavatsky do cultoteosófico, apareceu na índia em 1879, e recrutou Sinnett para sua crença. (17) Tanto Kipling quanto Blavatsky usaram asuástica como seu símbolo pessoal místico. Através de Kipling, Blavatsky, Haushofer e outros, a suástica encontrou seucaminho para os cultos alemães que formaram o núcleo do posterior nazismo. 139
  • 140. O último grande posto oficial de Kipling foi sob o czar da imprensa Lord Beaverbrook, no Ministério da Propagandadurante a guerra; trabalhando a seu lado estava um parente afim dos Lytton, Sir Charles Hambro. Este prosseguiudirigindo as sujas operações britânicas durante a Segunda Guerra Mundial, como chefe da Executiva de OperaçõesEspeciais (Special Executive Operations ---SOE), de 1942 em diante. Kipling também serviu como curador daFundação Rhodes de 1917 a 1925.O primo de Kipling, Stanley Baldwin, foi Primeiro-ministro de 1923 a 1929 e de 1935 a 1937; neste segundo período, ogoverno Baldwin enfeitou Hitler como um “senhor da fronteira” contra a União Soviética, montando o palco paraMunique em 1938. (18)Outro conhecido literato britânico, tambbém com tendência mística, merece ser mencionado neste contexto, Alfred,Lord Tennyson. Este se casou com a sobrinha do oitavo Lord Elgin (James Bruce), e continuou amigo íntimo docomandante-em-chefe da segunda guerra do ópio. Tennyson foi membro fundador da Sociedade Metafísica, com oprotegido de Bulwer-Lytton, John Ruskin, com Lord Arthur Russell, tio de Lord John Russell, com o futuro Primeiro-ministro Arthur Balfour e Thomas Huxley. (19) Em 1880, a Sociedade Metafísica foi reorganizada, e se tornou aSociedade Aristotélica. O neto de Lord John Russell, Bertrand Russell, foi presidente dessa sociedade, e um de seussucessores foi Sir Karl Popper.O apoio nada ambíguo de Tennyson ao abuso de ópio foi expresso em seu conhecido poema, “Os Comedores deLótus”: “Juremos, e guardemos o juramento. Na profunda terra do Lótus vivemos, e nos reclinamos Nas colinas como Deuses, da Humanidade descuidamos”. (20) A ATUAL DINASTIA DO ÓPIOOs dias finais do governo Baldwin, e os primeiros da Segunda Guerra Mundial, são o lugar apropriado para retornar atrilha contemporânea das principais famílias do ópio, os Inchcapes e os Keswick. Em 1939, a criação do Ministério daEconomia de Guerra britânico proporcionou um lugar de encontro para as velhas famílias: Sir John Henry Keswick,mais tarde arquiteto da Conexão Pequim, Sir Mark Turner, atual presidente da antiga firma Matheson-Keswick RTZ,Gerald Hyde Villiers, um rebento importante da antiga e malévola família e John Kidston Swire, da família Swirecomerciante de drogas.Começando com o papel da família Matheson na primeira guerra do ópio, e continuando pelo período da SegundaGuerra Mundial até o presente, as fortunas da dinastia Matheson e Keswick permeiam todos os desenvolvimentospolíticos que cercam o comércio de drogas.A Companhia Rio Tinto Zinc (RTZ) foi fundada em 1873 pelo sobrinho de James Sutherland Matheson, HughMatheson, recuando pela linhagem da firma até os dias de Jorge III e da Revolução Americana, através do entãoPrimeiro-ministro Spencer Perceval. O jovem Matheson fundou a firma com os lucros de ópio de seu tio, e com ajudada família banqueira Schroeder, que em 1931 financiou a cria ideológica de Bulwer-Lytton, Adolf Hitler. Os Lytton eos Matheson são parentes afins, através das famílias Villiers e Sutherland.O sucessor de Hugh Matheson na RTZ em 1898 foi J. J. Keswick, sócio na firma de comércio de ópio JardineMatheson, e parente afim dos Matheson através da família Fraser.Aparte seu papel principal na Jardine Matheson, a família de J. J. Keswick teve papel principal no comércio oficialbritânico de ópio. Seu primo, William P. Keswick,foi cônsul-geral britânico em Hong Kong durante os mesmos anosem que Edward Lytton, Governador-geral da Índia, estava expandindo a produção de ópio, de acordo com o programade Palmerston.O filho de William P. Keswick, Henry Keswick, ex-presidente do HSBC no auge de sua glória no comércio de drogas,teve 3 filhos: David, John H. e William J. . David Keswick ainda é o maior acionista e sócio do banco comerciallondrino Samuel Montagu. No conselho desse está também Sir Mark Turner, da RTZ. Este, como se notou, tambémtrabalhou com o irmão Sir John Henry Keswick no Ministério da Economia de Guerra. Mais tarde, John Henry foi paraa embaixada britânica em Chungking, retomando a trilha do ópio onde a Segunda Guerra Mundial a interrompera.O terceiro irmão, Sir William Johnston Keswick, é figura proeminente na conexão canadense da Narcotráfico S. A.Dirigiu a Shanghai Municipal Settlements no auge do tráfico de heroína de Shangai, e estabeleceu a primeira grandeconexão de heroína, com o intermediário Jacob “Yasha” Katzenberg. 140
  • 141. A história familiar dos Keswick se entrelaça com a história dos Russells, Villiers e Bruce através de seus maioressuperiores políticos, especialmente Lord Milner. Este, protegido de Cecil Rhodes, preencheu o intervalo entre oestabelecimento da Fundação Rhodes e a criação do RIIA em 1920. Milner se tornou diretor da RTZ em 1921 e serviucomo presidente de 1922 até sua morte em 1925.Durante a Primeira Guerra Mundial, Milner trabalhou em estreita ligação com o então comissário britânico em SãoPetesburgo, Frederick Lindley, e William Boyce Thompson para dar a partida a geopolítica mais vantajosa para aliberdade britânica no comércio de drogas. (21)Frederick Lindley foi avô de Henry Neville Lindley Keswick, que atualmente ocupa os lugares tradicionais da família àfrente dos diretores da Jardine Matheson e no conselho do HSBC.O terceiro membro do grupo Milner, William Boyce Thompson, foi chefe da representação da Cruz Vermelha naRússia, que é oficialmente o “caritativo” da Ordem de São João de Jerusalém. (22) Após a guerra, Thompson, comfundos do Banco Morgan, estabaleceu a mineiradora Anglo-American na África do Sul, que agora controla 60% daprodução de ouro fora da União Soviética e, através de sua parte controladora na De Beers, (controla) virtualmente todaa produção de diamantes. Daí se originou o controle londrino dos metais preciosos e gemas para lavagem de dinheirosujo.Para juntar-se todas essas pistas na descrição principal do tráfico de narcóticos: o sucessor de Milner na RTZ, escolhidoa dedo, e cujas minas originais estão na Espanha, foi Sir Auckland Geddes, que a dirigiu até 1952 e foi um patrocinadordo golpe fascista de Francisco Franco na Espanha. (23) Seu sobrinho, Ford Irvine Geddes, foi diretor e presidente, em1971 e 1972, do gigantesco complexo marítimo da família Inchcape, a Companhia de Navegação Peninsular e Oriental(P & O), que já transportou mais ópio do que qualquer outra instituição no mundo.Um dos funcionários da P & O, o presidente representante Sir Erick Drake, é um íntimo associado de Sir WilliamJohnston Keswick, da antiga família da RTZ. Drake e W. J. Keswick controlam a Companhia da Baía de Hudsoncanadense, a qual estabeleceu as rotas de transporte de bebida do Canadá para os Estados Unidos durante a Lei Seca,junto com os Bronfman.A velha família Inchcape, cujo atual rebento, o terceiro Conde de Inchcape, ainda é presidente da P & O, é intimamenterelacionada com a família Matheson da Jardine Matheson. O fundador da mesma, James Sutherland Matheson, era filhode Katherine Mackay e Donald Matheson; Mackay é o nome de família dos Condes de Inchcape. O terceiro Conde, J.W. Mackay, é filho do segundo, que escreveu o relatório Inchcape de 1923, instituindo que o comércio de ópio deveriaser mantido para “proteger as rendas” do Império Britânico, a despeito do protesto da Liga das Nações.Através do atual Lord Inchcape, a antiga dinastia do ópio casou nos mais altos níveis da banca britânica. O jámencionado J. W. Mackay da P & O, casou-se com Aline Pease; seu cunhado, Richard T. Pease, é o vice-presidente doBanco Barclays desde 1970. Este banco, como se notou, é o controlador de todas as operações financeiras israelenses,através de seu controle da atual família banqueira Japhet, da Charterhouse Japhet. O atual patriarca, Ernst Israel Japhet,é agora presidente do maior banco comercial israelense, o Leumi. O Banco Barclays controla completamente o segundomaior banco comercial israelense, o Israel Discount.Tomados em conjunto, o controle dos Inchcape, Keswick, Pease e outras famílias relacionadas sobre a banca londrina,torna-se uma rede de casamentos entre si, a ponto de os principais bancos londrinos e os rebentos do comércio dedrogas parecerem uma só instituição familiar, mais do que entidades em competição ou mesmo paralelas. Por exemplo,o atual presidente representante da Inchcape e Cia., holding familiar que possui a maioria das ações na P & O, é SirHugh Mackay Tallack, que é também o presidente representante do Banco Standard and Chartered, segundo maior noExtremo Oriente, logo após o HSBC. O próprio Lord Inchcape, J. W. Mackay, é também diretor do Standard andChartered, junto com o primo Sir Hugh.O ramo Pease da família, também é intimamente relacionado com: • O Banco Schroeder, cujo presidente, o décimo Conde de Airlie, é cunhado de A. D. F. Lloyd, do banco de mesmo nome; • Kuhn Loeb, cujo sócio principal é Otto Kahn; sua neta é casada com o décimo Conde de Airlie, o presidente do Banco Schroeder; • A família de Winston Churchill, cuja sogra era uma Airlie; • O grupo Lazard, parentes afins dos Churchill; controla o FINANCIAL TIMES londrino, o ECONOMIST, a editora Penguin e um dos principais bancos comerciais britânicos. Deve-se lembrar que as famílias Lytton e Keswick casaram com a família Fraser, cujo membro principal atualmente é o presidente representante do Lazard. 141
  • 142. NOTAS: PARTE 3CAPÍTULO 1: OS BANCOS E O MAIOR NEGÓCIO DO MUNDO1. Baseado em entrevistas com fontes da DEA, o desvio típico na tendência dos preços resultou da importação de vários quilos da heroína de alta pureza, no. 4 (85-95%) do Vietnã por soldados que retornavam, e que tentariam começar sua própria cadeia de distribuição. Tais incidentes revelaram-se porque os novatos tendiam a diluir muito pouco a heroína, freqüentemente com 30% ou mais de pureza, não a diluição normal a 5%. Os comerciantes indesejados portanto, causaram um número extraordinariamente grande de overdoses, possibilitando às autoridades encontrá-los rapidamente.2. A quantidade de 740 toneladas veio da DEA americana. Aproximadamente a mesma quantidade também é usada pelas fontes mais citadas.3. THE NEW YORK TIMES, 20 de janeiro de 1971, pg. 1.4. EUROMONEY (Londres), abril de 1978.CAPÍTULO 2: COMO ESCONDER 200 BILHÕES DE DÓLARES1. A transferência eletrônica de fundos refere-se à introdução de transferências inter-bancárias computadorizadas, dentro do sistema da Câmara de Compensação novaiorquina, dos 12 maiores bancos dessa cidade. O Sistema Internacional de Pagamentos por Câmarra de Compensação (CHIPS) é feita por um enorme computador Burroughs (UNISYS) no escritório da Câmara novaiorquina no baixo Manhattan, e procura, através da Reserva Federal, estender-se à banca nacional inteira, em associação com “zonas bancárias livres” não reguladas.CAPÍTULO 3: DO ÓPIO AO DINHEIRO SUJO1. Calculado com base nas tabelas de preços relatadas por fontes policiais em entrevistas com os autores.2. A estimativa deriva-se dos seguintes cálculos: no pico da produção de heroína do Triângulo Dourado em 1971-72, a maior parte da qual se destinava aos soldados americanos no Vietnã, 21 refinarias estavam operando; desde então, o total declinou. Assumindo que 10 ainda operem, e que a produção anual de cada uma é equivalente a 3 toneladas de heroína descobertas em uma grande operação, então elas produzem mais ou menos 30 toneladas anuais de heroína, refinadas de 300 toneladas de ópio bruto.3. Deacon, Richard-The Chinese Secret Service, Nova York, Ballantine, 1976, pg. 447CAPÍTULO 4: COMO O COMÉRCIO DAS DROGAS É FINANCIADO1. FINANCIAL TIMES de Londres, 24 de abril de 1978.2. Ibid.3. Um exame detalhado da estrutura da tabela de preço dos primeiros atacadistas do Triângulo Dourado demonstra que o aumento de preços em vários níveis é mera conseqüência de substanciais despesas adicionais, inclusive o sustento de um total inestimável de policiais e funcionários alfandegários tailandeses e birmaneses. A lucratividade real, os enormes lucros associados ao tráfico, depende do processo de separação da heroína pura em “pacotinhos com pureza para venda nas ruas do ocidente. Os lucros dos sindicatos de Hong Kong que vendem heroína no atacado e no varejo não são cobertos pela diferença entre preços no atacado primário ou secundário, mas por uma percentagem dos lucros obtidos pela distribuição das drogas no ocidente. Em outras palavras, as redes de Hong Kong são diretamente representadas no segmento do “crime organizado” ocidental da Narcotráfico S. A., e tiram sua parte do retorno dos lucros no varejo. Provas espalhadas --- a principal é a atividade da comunidade chinesa emigrada em Vancouver --- indicam que é assim que esses sindicatos operam de fato.4. Certos aspectos da atividade dos emigrados chineses antecedem os britânicos. A predominância de compradores chineses na região, entretanto data da virada deste século. Os soviéticos também tem papel na comunidade emigrada chinesa.5. Cator, W. J.-A Posição Econômica Chinesa nas Índias Holandesas, pgs. 97-98.6. Purcell, Victor-Os Chineses na Malaia, pg. 189.7. Skinner, William-Sociedade Chinesa na Tailândia, História Analítica, pg. 140.CAPÍTULO 5: AS OPERAÇÕES BRITÂNICAS SUJAS COM OURO E DIAMANTES1. Green, Timothy-Outros Mercados Mundiais, discurso na Conferência do Ouro do FINANCIAL TIMES londrino e INVESTORS CHRONICLE, London Hilton, 24 de outubro de 1972.2. Ferris, Paul-A City, Londres, 1951.3. Reinhart, H. R.-O Repórter, 22 de julho de 1952.4. Ibid. 142
  • 143. 5. A informação é de 1978 e, embora alguns dos nomes possam ter mudado, o retrato do incesto financeiro que surge é verdadeiro agora como era antes.6. A informação é resultado da investigação da EIR sobre as operações da agência de Inteligência israelense Mossad, da qual Jarecki parece ter sido um “contato”. Os detalhes foram conferidos com policiais.7. De acordo com entrevista com importantes comerciantes de diamantes em Nova York.CAPÍTULO 7: A CONEXÃO PEQUIM O atual “livro de referência” do tráfico no Extremo Oriente é “A Política da Heroína no Sudeste Asiático”, de Alfred W. McCoy, com Cathleen B. Read e Leonard P. Adams III, Nova York, Harper and Row, 1972. Rejeitando as reclamações do antigo chefe do Escritório de Narcóticos e Drogas Perigosas, Harry Anslinger, McCoy cita um agente sem nome do Escritório, que rejeita as acusações de Anslinger contra Pequim, dizendo que a República Popular da China não tem qualquer papel no comércio de ópio, e que as acusações de Anslinger são baseadas em propaganda de Taiwan. McCoy não cita nenhuma outra prova e meramente afasta o assunto. De fato McCoy, e seus co-autores vão tão longe que até mesmo peritos adeptos são forçados a corrigi-los. Em uma revisão publicada no Boletim de Intelectuais Asiáticos Participantes, em setembro de 1973, Peter Dale Scott escreveu: “McCoy cita atuais funcionários americanos anti-narcóticos para ridicularizar as reclamações da década de 50 do Comissário americano Anslinger (e seu govverno), sobre o ´plano de 20 anos da China Comunista para financiar atividades políticas e espalhar o vício` nos Estados Unidos. Mas McCoy apóia a igualmente dúbia ´hipótese turca` que substituiu a de Anslinger na década de 60, isto é, que toda a praga de heroína nos Estados Unidos, produzida nos laboratórios de Marselha, poderia ser atribuída ao ópio cultivado no Oriente Médio. McCoy até proclama que: ´Por toda a década de 60...O Escritório americano de narcóticos quase não deu atenção à Ásia, houve poucas descobertas de heroína asiática e pouca atenção ao crescente papel da colônia no tráfico internacional. Foi somente quando os soldados americanos no Vietnã começaramm a usar...a heroína refinada no Triângulo Dourado que essa região recebeu atenção a respeito do comércio de heroína asiática`. (pg. 223-224) “Esta é uma importante reclamação (continuou o revisor Scott) mas é totalmente falsa. Em 1960, como ele sabe, os Estados Unidos listaram oficialmente Hong Kong como a primeira das ´fontes principais` da diacetilmorfina (heroína) descoberta nos Estados Unidos; e o Escritório federal de narcóticos mostrou sua preocupação ao abrir um escritório subsidiário em Hong Kong em 1963. O próprio Anslinger, enquanto transmitia propaganda do KMT (do Kuomintang ou de Taiwan) sobre uma conspiração comunista chinesa do ópio, provava estar bem informado sobre a significação mundial do tráfico no norte da Tailândia, até detalhes como o papel do sindicato financista de Macau e um funcionário em Bangkok do Banco Soong de Cantão”. As referências de Peter Dale Scott são ao artigo de Harry J. Anslinger “O Ópio do Governo Popular”, em “Guerrra Total Soviética”, 85º. Congresso, Documento da Casa no. 227, pg. 759-761. A exatidão ou não das informações de Harry Anslinger não está em questão no momento. Esta situa-se no simples fato de que McCoy e seus co-autores não tem quaisquer fatos indicando que a República Popular da China não está envolvida no tráfico de drogas; e mais ainda, que o tratamento dela às autoridades americanas, que representavam fatos inplicando a República, é altamente inexato. Como a revisão de Scott demonstrou, isto está em registros públicos. Peritos em Sudeste Asiático ao tempo em que McCoy escreveu, simplesmente duvidam da integridade do autor. McCoy tinha disponibilidade de acesso a prova documental maciça, mostrando que quase metade da área de cultivo do Triângulo Dourado estava dentro das fronteiras da província de Yunnan, da China Comunista. Também tinha acesso a porção substancial de fatos corroborando aquele relatório. McCoy simplesmente escolheu ignorar a evidência ou, mais exatamente, tentou refutá-la com afirmações não comprovadas. De acordo com pessoas que conheciam McCoy desde que era participante do movimento contra a guerra do Vietnã, estava ele em contato estreito e amigável com as legações norte-vietnamitas na Europa ocidental, ao tempo em que escrevia seu livro, e se esforçava para arruinar o esforço de guerra americano. Nesse contexto, ele deliberadamente cortou as referências ao tráfico de ópio pela República Popular da China. Desde que esta e o Vietnã começaram a brigar sobre o status dos emigrados chineses compradores no Vietnã, pode ser que o julgamento político de McCoy, mais que pontos de vista vietnamitas, estivessem com lacunas neste assunto. O LIVRO DE McCOY NÃO PODE SER TOMADO A SÉRIO QUANTO AO ENVOLVIMENTO DA CHINA COMUNISTA. 143
  • 144. 1. Heikal, Mohammed Hassanein-Os Documentos do Cairo, Garden City, Nova York, Doubleday, 1973, pgs. 306-7.2. As quantias deste capítulo baseiam-se em dados de 1978.3. O significado do investimento, que ocasionou comentários gerais na imprensa ocidental, não é tanto a novidade do formato em associação, mas a sobrevivência de antigas relações comerciais entre Jardine Matheson e a República Popular da China.4. A influência de Pequim no mercado internacional de ouro tem sido assunto de comentários consideráveis na imprensa financeira; durante 1977, o Banco da China subtamente vendeu cerca de 80 toneladas de ouro nos mercados internacionais, o que os comentaristas acreditam que fez cair o preço do ouro. O que não sabiam explicar foi como a República, que tem crônico déficit na balança comercial, foi capaz de obter o ouro antes de vendê-lo. O papel de Pequim no financiamento de ópio com ouro necessita explicação.5. REVISTTA MONETÁRIA INTERNACIONAL, v. 10, no. 4, pg. 146.6. FINANCIAL TIMES londrino, 4 de julho de 1977, pg. 20.7. Entrevistas com policiais. As autoridades da lei suspeitaram, embora nunca provassem, que a rede internacional de distribuição de filmes dos irmãos Shaw também conduzisse narcóticos.8. Deacon, O Serviço Secreto Chinês, pgs. 437-8.9. Em 1949, de acordo com comunicados diplomáticos americanos recentemente liberados, a recém formada República Popular da China estava feliz ao permitir aos britânicos reter o controle sobre Hong Kong pela mesma razão.10. REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO (África do Sul), dezembro de 1975. As relações das famílias Rennie e Matheson antecedem muito a recente fusão das operações comerciais. Eles casaram-se entre si pela família Ogilvie, a qual casou-se com a atual família real britânica.11. ECONOMIST, 2 de setembro de 1978.12. Os autores benefriciaram-se de uma carta não publicada, “O Polvo da Jardine na África do Sul, as Holdings Consolidadas dos Rennie”, por David Cherry, da equipe africana de EIR.13. Anslinger, Harry J.-Os Assassinos, Nova York, Farrar, Straus and Cudahy, 1961.14. “O tráfico mundial de drogas e seu impacto na segurança americana”, audiências do Sub-comitê de Investigação da Administração, Ato de Segurança Interna e Outras Leis do Comitê do Judiciário do Senado americano, 92º. Congresso, 2ª. Sessão, parte 3, Conexão Internacional, 13-15 de setembro de 1972, pg. 101.15. Haikal-Documentos do Cairo.16. Anslinger-Os Assassinos.17. Chang, Harold-“A Ameaça de Sanção Americana ao Reino Unido Sobre Drogas”, SOUTH CHINA MORNING POST, 18 de agosto de 1977.18. Relato do jornal indonésio BUANA MINGGU, 12 de dezembro de 1972.19. Virtualmente a única fonte publicada, indicando a operação Ch`ao Chou, é o “Honorável Aluno” de John Le Carré, Nova York, Alfred A. Knopf, 1977. Sua principal personagem é Drake Ko, supostamente um rei do tráfico de narcóticos em Hong Kong, condecorado com a Ordem do Império Britânico (KBE --- N. T.) e um irmão no Politburo chinês. “Eles vieram de Swatow, os dois (diz uma personagem sobre Ko e seu irmão), são marinheiros, Chiu Chou”. A novela de Le Carré, de acordo com bem informadas fontes, é um romance tirado diretamente dos arquivos britânicos; a maioria das personagens são mal disfarçadas figuras reais do tráfico de drogas do Extremo Oriente e dos mercenários. O objetivo aparente do livro, retratar ficcionalmente a substituição da Inteligência britânica no Extremo Oriente pela CIA, é um disparate completo. A questão interessante é como Le Carré tornou-se tão bem informado; seus agradecimentos são para a Inteligência britânica e para fontes policiais.20. Insor, Daniel-Tailândia, Análise Política, Social e Econômica, Londres, 1965, pg. 135.21. Barnett, A. Doak-China Comunista e Ásia, Nova York, 1960, pg. 186.22. Na aparência, a relativamente pequena cidade de Swatow era o centro de uma extraordinária rede pré-revolucionária de ligações financeiras continentais com emigrados, e foi mantida intacta após o estabelecimento da República Popular da China. As agências de remessas, baseadas em Swatow, Amoy e Cantão, tinham mil subsidiárias pelo sudeste asiático em 1950. Após a revolução, o governo comunista transformou-as em uma rede de Inteligência, empregando os agentes das companhias no exterior, para coleta de informações. Uma vez que as operações financeiras externas dos bancos estatais de Pequim se firmaram, entretanto, as agências de remessas foram fundidas na nova organização.CAPÍTULO 8: COMO O REAL INSTITUTO PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS (ROYAL INSTITUTEOF INTERNATIONAL AFFAIRS – RIIA) DIRIGE AS DROGAS E O DINHEIRO SUJO1. Todos os nomes de membros dos conselhos aqui mencionados são de 1978, mas internacionalmente o das diretorias permanece.Todos os algarismos neste capítulo também são de 1978.2. Flint, John-Cecil Rhodes, Boston, Little Brown e Cia., 1974.3. Departamento de Estado americano, RELAÇÕES EXTERIORES DOS ESTADOS UNIDOS, 1949, v. VII, “O Extremo Oriente, China”.4. Ibid., pg. 1289-92.5. Chou En-lai representou o Partido Comunista Chinês em sua “Frente Unida” em Chungking com o Kuomintang durante esses anos. 144
  • 145. 6. Thorne, Christopher-“Chathan House”, Whitehall e Assuntos do Extremo Oriente, 1941-45”, ASSUNTOS INTERNACIONAIS, janeiro de 1978, pg. 20. Os autores foram obrigados a se basear nesse sumário mais do que nos documentos originais do próprio RIIA. Entretanto, o artigo é de um membro do RIIA e publicado no próprio jornal da organização, e pode ser considerado uma representação autorizada dos pontos de vista do RIIA quanto a sua própria história.7. Vladimirov, Peter-Os Diários de Vladimirov, Nova York, Doubleday, 1976.8. Ibid.9. As ligações de Ronning e Endicott com a China são bem antigas e tem servido de contato crucial entre a política britânica e a República Popular da China. Endicott nasceu de pais missionários na China em 1899, e lá trabalhou como ministro metodista por muitos anos. À época do massacre de comunistas em Shanghai em 1927 pelo Kuomintang, Endicott admitiu, em uma discussão, que já trabalhava como conselheiro de Chiang Kai-shek. No começo da década de 40, Endicott passou por uma “conversão na estrada de Damasco” para o marxismo e tornou-se adepto do Partido Comunista Chinês. Aproximou-se de Chou En-lai neste tempo. Em seguida à sua volta ao Canadá, Endicott editou um folheto que falava da República Popular da China, e foi membro fundador do Colégio Norman Bethune na Universidade York, trabalhando em contato estreito com Chester Ronning. Este também nascido na China de pais missionários, esteve na Inteligência da Força Aérea Canadense durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim da guerra, Ronning tornou-se funcionário canadense na China, em cujo período desenvolveu estreitas relações com líderes do Partido Comunista Chinês, especialmente Chou En-lai, e o atual Primeiro-ministro Huang Hua. Ronning batalhou fortemente pelo reconhecimento ocidental da República após 1949, como fizeram os líderes do grupo do Extremo Oriente do RIIA, e foi reconhecido como amigo pelos líderes da República. Ronning serviu como tradutor para Huang Hua, o qual era porta-voz oficial do país após a vitória comunista. Quando a China começou sua abertura diplomática para o ocidente, no começo da década de 70, o Canadá foi um dos primeiros países escolhidos para tal. O amigo de Ronning, Huang Hua, foi o primeiro embaixador chinês no Canadá. Investigações provaram que tanto Paul Lin quanto Endicott mantém estreitos laços com organizações maoístas canadenses e, por elas, com organizações internacionais terroristas. Ronning é conhecido por funcionários da Inteligência por fazer “coordenação” a nível de governo com essas organizações terroristas. Endicott e Lin dirigiam o “trabalho de campo” com os maoístas. (Essa informação deriva-se de entrevistas com o próprio Endicott e associados de Paul Lin).10. Thorne-“Chathan House”, ASSUNTOS INTERNACIONAIS, pg. 27.11. Departamento de Estado, RELAÇÕES EXTERIORES, pg. 1289-92.12. Ibid.13. Wren, Chistopher-NEW YORK HERALD TRIBUNE, 16 de janeiro de 1948.14. Departamento de Estado, RELAÇÕES EXTERIORES, pg. 1289-92.15. Senado americano, Comitê do Judiciário, 82º. Congresso, 1ª. Sessão, Sub-comitê de Segurança Interna, audiências sobre o IPR, parte I.16. Departamento de Estado, RELAÇÕES EXTERIORES, pg. 311-2.17. Senado americano, audiências sobre o IPR, parte I.18. Ibid.CAPÍTULO 9: CANADÁ: HONG KONG DA AMÉRICA DO NORTE Este capítulo baseia-se na edição de Narcotráfico S. A. de 1978. A maior parte do material veio da análise à época, de relatórios anuais de bancos e corporações e verbetes do “Quem é Quem” (Who`s Who); o simples cruzamento de tal informação produziu uma trilha contínua de drogas e dinheiro sujo do Extremo Oriente, pelo Canadá, aos Estados Unidos. As relações comerciais, legais e contábeis aqui relacionadas são todas matéria de registro público. Além disso, os autores entrevvistaram vários policiais aposentados e da ativa canadenses e americanos, que vigiaram por anos Walter Lockhart Gordon e seu “lobby chinês” canadense.1. Um exemplo de atividade da Inteligência britânica no Canadá é a formação da Corporação Britânica da Terra Nova (BRINCO), no começo da dpécada de 50. O projeto foi feito por Winston Churchill, os Rothschild e o Primeiro- miniistro da Terra Nova Joseph “Joey” Smallwood, um mestre maçom escocês. De acordo com o livro de Virginia Cowles sobre os Rothschild, de 1973: “Em 1951, logo após Winston Churchill tornar-se Priimeiro-mministro pela segunda vez, ele recebeu Smallwood, Primeiro-ministro da Terra Nova.Esse apresentou planos para um esquema de vastto desenvolvimento do Labrador e da Terra Nova. Para viabilizá-lo, capital britânico erra necessário em escala verdadeiramente gigantesca...Quando o consórcio de firmas foi feito (Churchill) ficou satisfeito que N. M. Rothschild & Filhos estivessem à testa”. 145
  • 146. A participação na fundação da BRINCO inclui as seguintes importantes firmas envolvidas na Narcotráfico S. A.: Morgan Grenfell, Kleinworth & Filhos, RTZ (Rio Tinto Zinc), Anglo-American Corporation e Prudential. Cowles acrescentou, “As refer~encias da BRINCO eram de tirar o fôlego: direito explorratório de 60.000 milhas (mais ou menos 156.000 km2) na Terra Nova e Labrador, uma área maior que a Inglaterrra e Gales...” Na autobiografia de Smalllwood (New American Library, 1973), ele identificou-se: “Em 1967, (eu) gostei imensamente da distinção de ser nomeado (como Mestre Maçom) pelo Grão-Mestre Maçom (da Constituição Escocesa) Lord Bruce, que veio da Escócia especialmente para o evento. Assim, encontrei o descendente direto do Rei Robert Bruce. Orgulhoso? Oh, sim”.2. Esta informação foi produto incidental de operação de contra-espionagem contra um grupo associado à alta administração da Drexel, Burnham, Lambert.CAPÍTULO 10: AS FAMÍLIAS POR TRÁS DO IMPÉRIO DAS DROGAS1. O culto de Ísis foi desenvolvido no antigo Egito desde a Terceira Dinastia do Velho Reino, aproximadamente 2.780 AC, e representa uma das primeiras articulações formais de ideologia entrópica e retrógrada de adoração da Mãe. Conhecida dos sacerdotes do Templo de Ísis, eles mesmos verdadeiros sectários, o culto de Ísis formaliza os elementos para o controle social, exploração e destruição da livre vontade criativa na população súdita. Os elementos incluem: • Uso de várias drogas indutoras de esquizofrenia; • Uso de sons repetitivos e heterogênios em “música” para suplementar os efeitos das drogas psicotrópicas, e criar uma estética social que endosse e encoraje o uso de drogas; • Criação de cultos sincréticos baseados no mito original e reacionário de Ísis, mas específicos para o perfil psicológico da população que os sacerdotes escolheram subverter; • Imposição de um modelo político-econômico em antagonismo ao progresso humano em geral, sobre populações escaladas para projetos não criativos e de trabalho manual escravo, como construção de pirâmides. A combinação de uma entidade ao culto faraônico foi tomada como modelo para posterior refinamento neste século pelo Instituto Tavistock londrino, do Serviço Secreto de Inteliigência britânico, uma instituição que lançou a “contra-cultura” nos Estados Unidos e na Europa, baseada nas mesmas drogas (mescalina e hashishe) que o antigo sacerdócio empregara.2. Quigley , Carrol-Tragédia e Esperança, New York, Macmillan, 1974, pg. 131. A formação do “Círculo de Iniciados” foi explicitamente modelada sobre o antigo sacerdócio de Ísis.3. Clymer, R. S.-O Livro dos Rosacruzes, 1947, v. II, pg. 106.4. Ver Lyndon LaRouche Jr., “Jimmy Carter é Verdadeiramente Cristão?”, SOLIDARIEDADE NOVA, 13 de outubro de 1978.5. Citado em Nesta H. Webster, Sociedades Secretas e Movimentos Subversivos, Londres, Boswell Printing and Publishing Co., 1924, pg. 115.6. Seu pai, o sétimo Conde de Elgin, foi famoso por seu furto dos “Mármores de Elgin” da Grécia, contrabandeados para o Museu Britânico.7. DICIONÁRIO DE BIOGRAFIAS NACIONAIS, Londres, Oxford University Press, 1968, v. III, pg. 104ss.8. Jean de Villiershad foi o Mestre dos Cavvaleiros de São João de Jerusalém de 1285-93, quando se iniciou a preparação da carnificina dos Cavaleiros Templários. Philippe Villliers de l`Isle Adam foi o Grão Mestre dos Cavaleiros de São João na França em 1521-22, e foi o primeiro Grão Mestre em Malta em 1530-34. Hoje, Sir Charles Villiers, que foi diretor administrativo da J. Henry Schroeder Wagg em 1960-68, é o presidente da Corporação Siderúrgica British Steel (British Steel Corporation). Sir John Michael Villiers, Cavaleiro de São João, foi Real Mestre do Porto de Malta em 1952-54, e Tenente-Governador de Jersey, centro bancário offshore, em 1964- 69.9. Por seu próprio testemunho em vários escritos, Lord Russell esteve em contato periódico com o regime chinês e o Primeiro-ministro Chou, em particular, após 1949.10. Por exemplo, Rudolf Hess e o Professor General Karl Haushofer, verdadeiro escritor (ghost-writer) de Minha Luta (Mein Kampf); Alfred Rrosenberg, Ministro Nazista de Seviços Exteriores; Max Amann, editor-chefe das publicações nazistas; Hans Frank, Governador-Geral nazista da Polônia ocupada na Segunda Guerra Mundial; e vários membros da família Wittelsbach (família real da Baviera), que patrocinaram muito da carreira de Adolf Hitler. O próprio Hitler foi associado, conhecido como “Irmão Visitador”.11. A conexão é visível na fundação, em 1866, da “Sociedade Maçônica Rosacruz”, cujos líderes Mathers, Wescott e Woodman também fundaram o Templo Ísis-Urânia dos Estudantes Herméticos do Alvorecer Dourado (Golden Down --- N. T.), em 1886. Esse grupo, em 1890, incluía o poeta místico William Butler Yeats, antigo secretário da Sociedade Teosófica. Aleister Crowley foi o historiador da ordem durante o período da associação de Yeats. 146
  • 147. 12. O culto ao LSD foi criação do RIIA e seu ramo de guerra psicológica, o Instituto Tavistock. No final da década de 60, no auge da “contra-cultura” e do “movimento hippie” nos Estados Unidos, o diretor do RIIA, Andrew Schonfield, foi membro do Conselho de Governo do Instituto Tavistock. Em 1967, durante seu mandato, o principal psicólogo do Tavistock, R. D. Laing, publicou seu livro, “A Política da Experiência”, que advogava a esquizofrenia (“loucura é a única sanidade”) e o uso de drogas. Laing escreveu: “Quero que você prove e cheire, queira apalpar, tê-la entranhada, ser uma sarna em seu cérebro e sua pança, que você não possa tirá-la e não possa acalmá-la,que corromperá e destruirá você e lhe enlouquecerá”. Durante a década de 60, o Instituto Tavistock recebeu grandes doações da Fundação Ford, do Centro Britânico para Estudos Ambientais, do Ministério da Defesa Britânico, da Universidade de Harvard e ao menos 22.797 libras do Conselho de Pesquisa Científica Social, do qual Schonfield foi presidente à época.13. Ver Robert Cohen e L. Wolfe, “Karl Haushofer e Minha Luta”, NOVA SOLIDARIEDADE, 7 de agosto de 1978.14. Citado em John Flint, Cecil Rhodes, pg. 27.15. Fido, Martin-Rudyard Kipling, New York, Viking Press, 1974.16. Ibid. , pg. 3517. Ver Harbans Rai Bachchan, W. S. Yeats e o Ocultismo, Delhi, Motilal Banarsidass, 1965.18. Ver Lyndon H. LaRouche Jr.,“Hitler, Agente Britânico Extraviado”,NOVA SOLIDARIEDADE, 10 de janeiro de 1978.19. Tessyson fora, em 1820, membro dos “Apóstolos de Cambridge”, que iniciaram a Sociedade Metafísica em 1868-69. Outros membros da mesma foram H. Q. Auckland, o Duque de Argyle, Alexander Campbell Fraser, William Gladstone, Shadworth Hodgson e Walter Bagehot. Este grupo incluía membros proeminentes da Sociedade para Pesquisa Psíquica, a revista MENTE e a revista SOCIEDADE FABIANA.20. Verso 8 da Canção do Coro do poema “Os Comedores de Lótus”.21. História dos Tempos, v. IV, 1912-1920, New York, Macmillan, 1952, pg. 244. A seção relevante diz: “Em 19 de janeiro de 1917, Milner deixou Londres à testa de uma Missão Aliada que, durante 3 semanas, em Petrogrado, apresentou um esquema adequado para suprir as forças russas com munição ocidental... Acreditava-se bastante à época, que a Revolução de Fevereiro (que instalou Kerensky) fora traçada na embaixada britânica”.22. Após a destruição dos Cavaleiros Templários no século XIV, os Cavaleiros de São João apropriaram-se do símbolo da Cruz Vermelha daqueles para sua própria iconografia. De acordo com Ferdinand Lundberg, “As 60 Famílias da América”, New York, Vanguarrd Press, 1937, pg. 146ss: “A missão russa da Cruz Vermelha foi chefiada pelo Coronel William Boyce Thompson e pelo Coronel Raymond Robbins (que) usou a Cruz Vermelha para prolongar os objetivos de guerra de wall Street de uma forma insuspeitada pelos americanos. A função puramente política da Cruz Vermelha não é geralmente conhecida até mesmo hoje... Thompson e Robbins, de acordo com suas próprias declarações, funcionaram na Rússia como ramo político do Departamento de Guerra. Sua conquista mais importante foi a compra de delegados suficientes para o Congresso Democrático de Todas as Rússias (para apoiar Kerensky). O custo de seduzir este congresso foi 1 milhão de dólares”. A esposa de Winston Churchill, Clementine, Comandante da Ordem de São João, serviu como presidente da Ajuda da Cruz Vermelha para o Fundo russo em 1939-46. O mesmo uso da “Cruz Vermelha” como cobertura para operações de Inteligência está implícita no fato de que um descendente direto do Rei Robert Bruce da Escócia, David Bruce, foi o principal representante da Cruz Vermelha Americana na Inglaterra em 1940, e um ano depois, em 1941, tornou-se chefe do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) no teatro de guerra europeu; o mesmo David Bruce, durante a administração Nixon, foi selecionado pelo Secretário de Estado Henry Kissinger para chefe da missão americana para a República Popular da China de 1973 a 1974, e então tornou-se embaixador americano na OTAN, de 1974 a 1976.23. Por exemplo, em seu Relatório Anual de abril de 1938 aos acionistas da RTZ, o presidente Gueddes notou que: “Nossa companhia recebeu recentemente muita atenção da imprensa em muitos países. Propagandistas de viva imaginação, mas desprovidos de respeito pela acuidade, contaram ao mundo nossos feitos. Em conseqüência, muita tolice foi publicada, evidentemente tentando sugerir que nosso conselho é composto de violentos fascistas participando ativamente ao lado do General Franco. Li outro dia um artigo no qual afirmava-se como fato que enviáramos em um ano 300.000 toneladas de cobre para a Alemanha e 65.000 toneladas para a Itália, em pagamento de suprimentos desses países ao General Franco... Isto é besteira... Vi afirmado pela imprensa que nós... nosso conselho... ´demos`... ajuda à causa do general Franco. Depende do significado do verbo ´dar`”. 147
  • 148. Significativamente, no Relatório Anual de 1923, era afirmado pelo então presidente Lord Alfred Milner, “A carga deimpostos constantemente em aumento, em especial na Espanha, onde o governo (republicano) está evidentementeconvencido de que nunca poderá matar a galinha dos ovos de ouro...” (Ver David Avery, “Não no Aniversário daRainha, História das Minas da Rio Tinto, Londres, 1973, pg. 371ss.O avô de Auckland Geddes fora agente oficial da Companhia da Baía de Hudson na Escócia. Seu segundo sobrinho,Anthony, foi membro do Conselho Governante do RIIA em 1949, junto com Sir Mark Turner, atual presidente daRTZ. O mesmo Anthony é diretor do Banco Midlands. 148
  • 149. PARTE 4ENTRADA DE MOSCOU 149
  • 150. 1 FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO E CRESCENTE DOURADOEm 1979, a administração Carter, em colaboração com a Inteligência britânica e com a aprovação entusiasta da KGBsoviética, derrubou o Shá do Irã e instalou no poder o regime fundamentalista islâmico do aiatolá Khomeini.No mesmo ano, Carter demonstrou sua total paralisia quando terroristas islâmicos ligados à KGB fizeram 50 reféns naembaixada americana em Teerã, e o Exército Vermelho soviético instalou um regime fantoche no Afeganistão,reforçado pela presença ativa de forças militares soviéticas.A maior parte do sudoeste asiático caiu sob o domínio sangrento do fundamentalismo islâmico e da ocupação soviética.Foi prontamento denominado “Arco da Crise” pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski,que argumentou insanamente que hordas islâmicas “anti-marxistas” eventualmente iriam assolar a fronteira sul daUnião Soviética e ajudariam a derrubar o governo russo.Para os funcionários policiais e de narcóticos, em ambos os lados do Oceano Atlântico, a mesma área --- Irã,Afeganistão e a Província da Fronteira Noroeste do Paquistão (NWPF) --- veio a ser conhecida, com horror crescente,como o Crescente Dourado. Este surgiu, nos meses imediatamente seguintes ao golpe de Khomeini, como a zona deprodução, processamento e transporte de ópio com mais rápido crescimento no mundo.Com a ocupação e guerra contínua entre o Exército russo e os rebeldes afegãos apoiados pelo ocidente, e a eclosão em1981 de uma guerra “moedora de carne” entre o Irã e o Iraque, as estatísticas da produção de ópio no CrescenteDourado se elevaram. É impossível justificar essa mina de ouro da Narco S.A sem a cumplicidade em mais alto graudos governos da região do Crescente Dourado, e o apoio dos imperialistas russos de Moscou.A colheita de 1978-79 nessa região produziu mais que 1.600 toneladas métricas de ópio, ou 160 toneladas métricas deheroína pura. Em março de 1980, em resposta ao pânico criado quando a colheita foi despejada nos mercados da Europaocidental e dos Estados Unidos, a DEA americana escreveu um relatório confidencial intitulado “Operação Cérbero(Cerberus Operation)”, que vazou parte para o público, avisando que os Estados Unidos estavam prestes a serinumdados por heroína, ultrapassando até mesmo a crise de 1969-70, quando os Estados Unidos tinham 700.000viciados.Já então, autoridades policiais haviam soado o alarme. As cidades como Nova York esperimentavam um chocanteaumento em overdoses de heroína, causadas pela inundação de droga do Crescente Dourado, de baixo custo e altaqualidade.Até o Procurador do distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, reagindo ao relatório da DEA, afirmou publicamenteque a epidemmia antecipada de heroína já havia chegado, citando estatísticas que mostravam que a quantidade deheroína disponível em Nova York era 10 vezes aquela do auge da fartura de 1970. Morgenthau, o aliado ao NEWYORK TIMES pró-legalização das drogas, foi além, ao criticar aparentemente a administração Carter por sua falta defundos para os esforços policiais anti-narcóticos.Altos funcionários de narcóticos porém, rejeitaram os apelos à ação, afirmando que não tinham poderes para lidar com aepidemia de heroína do Crescente Dourado. Disse o chefe da DEA, Peter Bensinger, na primavera (março-junho) de1980: “Francamente, não estamos em posição forte bastante como desejaríamos, por causa da tremenda instabilidadenas regiões de cultivo. Fomos afastados do tipo de esforços policiais cooperativos que tínhamos”.Bensiger não mencionou que, sob Carter, a maioria dos funcionários internacionais da DEA, inclusive os responsáveispelo súbito florescimento do Crescente Dourado, havia sido afastada ou colocada em postos sem poder. Dado o ávidoapoio de Carter à legalização das drogas, não é desarrazoado acusar seu establishment de segurança nacional de haverdado sua silenciosa bênção à mina de ouro de ópio que se seguiu à revolução de Khomeini.As rotas do mercado negro que inundaram o Golfo Pérsico e o sudoeste asiático com bilhões de dólares em armassofisticadas, que armavam os rebeldes afegãos, os separatistas Sikhs, os separatistas Tamil e uma sopa de letrinhas degrupos terroristas apoiados pelos Estados Unidos, Rússia e Repúublica Popular da China tornaram-se inseparáveis docontrabando subterrâneo de drogas, na esteira daquela revolução, patrocinada pelos Estados Unidos. 150
  • 151. A conexão entre o tráfico ilegal de armas e o aumento dramático na produção de ópio e outras drogas, em áreasdevastadas por guerras regionais, é um dos pontos mais fundamentais que o leitor deve compreender sobre a atualNarco S.A. Em nenhum outro lugar, isto foi mais transparente do que no Crescente Dourado. Quando se chega aoslucros fabulosos do comércio de drogas por armas, todas as distinções entre Leste e Oeste desaparecem.Um só exemplo basta. Em 6 de junho de 1985, 5 Sikhs foram presos em Qeens, Nova York, com mais de 40 milhões dedólares em drogas. Isto se seguiu à prisão no dia anterior, pela DEA e Alfândega, de Branjandan Singh, quandoesperava no Aeroporto Internacional de Newark para receber uma carga de “especiarias” de Bombaim, Índia. Entre“estas”, os agentes federais encontraram 4,536t de hashishe e 9,98kg de heroína.Justamente uma semana antes, Ludovicus Vastenavondt, terceiro secretário da embaixada belga em Nova Delhi, foipreso em Qeens, ao entrregar outros 9,98kg de heroína pura a agentes federais americanos trabalhando disfarçados.Investigações que se seguiram mostraram que o sócio belga na quadrilha das drogas era búlgaro de nascimento. Obando tambémm contava com um ativista Sikh baseado em Montreal, Canadá, Mehta Singh Gulati, e um indianomorador de Garden City, Long Island, Rajan Patiwana.O diário belga LE SOIR, em janeiro de 1985, já espusera a conexão belgo-búlgara-Sikh de heroína e hashishe,trabalhando com um falsário belga chamado Antoine Michel. Parece que Michel contrabandeava dólares americanosfalsos para a Índia para comprar heroína, que depois eram contrabandeados para os Estados Unidos e trocados porverdadeiros. Este dinheiro fora separado para a compra de armas belgas para os separatistas Khalistanis da Índia. SUPERANDO O TRIÂNGULODe acordo com um relatório público de 1984 da DEA, em 1981 o Irã surgiu como o maior produtor de ópio do mundo,fornecendo de 400 a 600t métricas de ópio anuais. Em 1981, o Afeganistão já produzia 225t métricas de ópio. Em 2anos, o total pulara para 400-575t métricas. Do Irã fundamentalista ao Afeganistão ocupado, mais da metade dofornecimento mundial de heroína era ali refinada, de acordo com os números da DEA.E na Província da Fronteira Noroeste do Paquistão, as tribos Pushtun, envolvidas na produção e processamentolaboratorial do ópio, são parte do projeto separatista soviético de Geidar Aliyev. Os Pushtuns fizeram agitações duranteanos para um Pushtunistão separado, com pleno apoio de Moscou. Quando o governo paquistanês de Zia ul-Haq, tentouno começo de 1986 ganhar apoio parlamentar, para uma ofensiva militar na região produtora de ópio e dominada pelosseparatistas, uma gritaria política começou e efetivamente sabotou a campanha. Quando as unidades militarespaquistanesas tentaram entrar nas plantações de papoula, os separatistas pushtuns colocaram centenas de crianças àfrente dos caminhões militares, bloqueando seu acesso. O CASO DE SADEGH TABATABAIEm 8 de janeiro de 1983, Sadegh Tabatabai, genro do aiatolá Khomeini e antigo Primeiro-ministro representante do Irã,foi preso no aeroporto de Düsseldorf (Alemanha ocidental) pela posse de 1,499kg de ópio bruto. Na investigação eencobrimento final que se seguiram, Tabatabai surgiu como chefe do esforço de Khomeini pela compra ilegal de armas,no qual aquele estava mergulhado até o pescoço nos mercados negros búlgaro e israelense de armas e tráfico de drogas.Nos primeiros esforços para encobrir a conexão de heroína de Tabatabai, o Ministro do Exterior iraniano enviou umacarta a funcionários da Alemanha ocidental, em 31 de janeiro de 1983, reclamando que o status de Tabatabai como“emissário especial de comércio” constituia imunidade diplomática. O Ministro do Exterior Hans Dietrich Genscher, doPartido Democrata Livre Alemão Ocidental, imediatamente interveio em favor do pedido iraniano, providenciandoperitos do ministério para testemunharem em apoio da reclamação de status diplomático para Tabatabai. Quando umtribunal em Düsseldorf ignorou a intervenção de Genscher e condenou Tabatabai por tráfico de drogas em 9 de março,de novo Genscher interveio poucas horas após a condenação, expulsando Tabatabai da Repúbblica Federal, antes quefosse posto na prisão.Este não foi seu primeiro encontro com as autoridades policiais da Alemanha ocidental, nem foi a primeira intercessãodo Ministro do Exterior Genscher em seu favor. Já anteriormente em junho de 1981, Genscher impedira a prisão deTabatabai. Neste caso, este e vários cúmplices formaram quuadrilha para violar as leis da Alemanha ocidental contra aexportação de armas para zonas de guerra. Tabatabai recebeu imunidade diplomáttica.Este caso envolvera a tentativa de aquisição, por 50 milhões de dólares, de 50 tanques M-48 americanos pelo Irã. Oscúmplices de Tabatabai no negócio foram dois suíços, Walter Gnaedinger e Roland Huber. A companhia usada nonegócio foi a Botco Ltd. de Londres. Ao menos parte do pagamento foi depositado no Banco Global de Düsseldorf(Düsseldorf Global Bank). 151
  • 152. A quase prisão com acusação, de 1981 não deteve Tabatabai em seu comércio de armas ilegais. Ele mantinha váriasconexões internacionais para obter armas sofisticadas para o Irã, mesmo à época em que os partidários de Khomeiniretinham reféns americanos.A maior conexão para esses armamentos era Israel. De acordo com a revista Argentina de notícias SIETE DÍAS, ogoverno iraniano era capaz de comprar motores para tanques Escorpião através de uma companhia francesa chamadaSati, já em 1980. Por um funcionário da embaixada israelense em Paris, peças para 250 jatos F-4 Fantasma foramobtidas e transportadas de Tel Aviv para Nimes no sul da França, e enviadas para Teerã. De acordo com documentosmostrados na TV da Alemanha ocidental, durante o julgamento de Tabatabai em 1983, o contato iraniano da Sati eraSadegh Tabatabai.A SIETE DÍAS também relatou que, por Ian Smalley, negociante de armas de Kent, Inglaterra, os iranianos contataramdiretamente os israelenses, que concordaram em providenciar equipamento militar em condições de transporte por duascompanhias israelenses: Mivtza B. M., baseada em Yavne, e Soltam B. M., parte do poderoso monopólio industrialKoor de Israel.De acordo com investigação conduzida pelo magistrado italiano Carlo Palermo, um dos maiores negócios em armaspara o Irã foi concluído em agosto de 1982, envolvendo 500 tanques T-72 soviéticos, capturados pelos israelenses daOrganização para Libertação da Palestina (OLP) e das forças sírias no Líbano. Esses tanques foram fornecidos ao Irã,em troca de petróleo iraniano barato, levado a Israel pela British Petroleum (BP) e Royal Dutch Shell.Para cobrir esta transação, foi usada uma firma suíça, Draycott Trading and Finance Ltd., de Friburgo.A primeira reunião para organizar o negócio ocorreu em abril de 1981, quando o presidente da Draycott, LovattMacDonald, reuniu-se no Hotel Presidente (Genebra) com Sadegh Tabatabai, Hans Albert Kunz e Stefano Delle Chiaie.Foi esta reunião que colocou Tabatabai no centro do comércio ilegal de armas e drogas da Propaganda-2 (P-2), lojamaçônica secreta chefiada por Licio Gelli, e sua conexão búlgara com a KGB soviética.Quem eram os 2 homens com MacDonald e Tabatabai na reunião de Genebra?Hans Albert Kunz foi o representante pessoal do banqueiro italiano associado da P-2 Roberto Calvi, chefe do BancoAmbrosiano. De acordo com as investigações do magistrado Carlo Palermo, Kunz foi a última pessoa a ver Calvi vivoantes da partida deste para Londres, onde foi encontrado enforcado sob a Ponte Blackfriars (dos Frades Negros).Stefano Della Chiaie é um dos principais terroristas neo-nazistas controlados pela P-2.. Em 1969, Delle Chiaie foicondenado pela explosão da bomba terrorista na Piazza Fontana, parte da tentativa de golpe de estado organizado pelaP-2. Em seguida à explosão da bomba na estação de trens de Bolonha em 1980, na qual mais de 80 pessoas morreram,Delle Chiaie fugiu para a Bolívia, onde achou abrigo no regime dos coronéis da cocaína. Lá, agiu como parte de umacélula de terroristas neo-nazistas subordinada ao ministério do interior de Arce Gómez. Seu superior imediato foi KlausBarbie, o criminoso de guerra nazista extraditado para a França em fevereiro de 1983, para ser julgado por assassinatoem massa em Lyon.A gangue de contrabando Tabatabai-Draycott foi identificada, pelo magistrado italiano Palermo, como componente deum império búlgaro de drogas por armas envolvendo a Stipam Transportes Internacionais, discutida mais adiante nestelivro. O PROJETO ALIYEVSe o iraniano Sadegh Tabatabai era modelo dos altos funcionários governamentais responsáveis por dirigir o comérciomultibilionário de armas por drogas que alimentou as guerras do Golfo, a chave do cultivo e contrabando de substânciasilícitas no Crescente Dourado foram as tribos que povoam a região. De acordo com as informações obtidas pela DEAsobre as conseqüências da inundação de heropína do Crescente Dourado, o contrabando entre os países da região eraconduzido pelas tribos nômades Baluchi. O próprio cultivo da papoula e o refino clandestino de opiáceos estavam sendofeitos pelas tribos Pathan da Província da Fronteira Noroeste do Paquistão, e no oeste do Irã pelos curdos eazerbaijanos, estes contrabandeando opiáceos entre o Irã e a Turquia também.Desde 1979, os fazendeiros da região indiana do Punjab, sob domínio dos Sikhs separatistas, começaram também ocultivo ilícito.Virtualmente, todos os casos de grupos “separatistas” envolvidos em atividades narco-terroristas internacionais, foramdescobertos pelos serviços de Inteligência de estarem sob forte influência ou controle direto soviético. O chefe da“Carta Islâmica” soviética, e outras operações “separatistas”, desde o começo foi Geidar Ali-Reza ogly Aliyev, oficial 152
  • 153. de carreira da KGB de origem muçulmana xiita que, em 1982, foi promovido a primeiro representante do Primeiro-ministro da União Soviética e membro do Politburo. Antes de sua transferência para Moscou, Aliyev operara por 15anos no Azerbaijão soviético, baseado em Baku, primeiro como seu chefe da KGB e depois como primeiro secretáriodo Partido Comunista local. A proposta do partido, mais tarde aperfeiçoada por Aliyev, era explorar as estruturras dascrenças indígenas para pacificar os elementos étnico-tribais dos seus excessos separatistas e ajustá-los como meio deexpansão de influência externa. O Azerbaijão forneceu organizadores e administradores para o soviete central da Ásia,tornando Baku o ponto de onde a influência soviética se irradiou para o mundo islâmico. Os partidos comunistas turco,iraniano e iraquiano foram organizados desde Baku; o indiano, desde Tashkent. Os anos gastos na construção da infra-estrutura soviético-islâmica frutificaram de numerosas formas, não sendo a menor, a dos gigantescos lucrosconseguidos pelo comércio ilícito de drogas.Com aprovação soviética, Geidar Aliyev fora designado para desenvolver a “estratégia islâmica” russa quaseimediatamente em seguida à chegada de Yuri Andropov à Praça Dzherzhinsky, como diretor da KGB em 1967. Istocoincidiu com suas ordens, aos chefes de segurança de todos os países do Pacto de Varsóvia, para começarem afomentar ativamente o vício de drogas nas nações ocidentais.Esse projeto ordenado por Andropov representou o renascimento da estratégia soviética para o Golfo Pérsico,formulada primeiro na conferência bolchevista em Baku em 1921, na qual os soviéticos saudaram os “povosrevolucionários do Leste” e enfatizaram que a chave para a Ásia era o encorajamento do fundamentalismo islâmico edos movimentos separatistas regionais, como barragem à incursão dos valores industriais e culturais do ocidente. O CRESCENTE DOURADORelatórios da Província da Fronteira Noroeste do Paquistão, e de incursões no Afeganistão então ocupado pelossoviéticos, estabelecem que o cultivo do ópio estava sob controle das forças militares soviéticas. Houve muitosrelatórios da sistemática destruição soviética de vilas e colheitas --- exceto de campos de papoulas. Na mais recenteEstimativa de Inteligência de Narcóticos (1984), o NNICC (U S National Narcotics Intelligence Consumers Committee--- Comitê Nacional de Inteligência sobre Consumidores de Narcóticos) relatou que sua estimativa da produção doCrescente Dourado fora menor em 1984, “devido à viabilidade de melhores dados sobre o Afeganistão”. A queda naprodução deste país foi devida, não só à mudança na compilação de dados, mas também à seca que castigou oAfeganistão e Paquistão. A seca é, até hoje, a única grande força destrutiva que afeta as colheitas de ópio no CrescenteDourado, e no Triângulo Dourado do sudeste asiático.Houve também relatórios não confirmados de “cultivo significativo” no Líbano, surgido nesta época. Traficantes curdose armênios supostamente permanecem ativos na Síria, dirigindo um punhado de refinarias de heroína. Tendem a seconcentrar em Aleppo e Latakia.Dentro do próprio Líbano, sabe-se que Baalbek é área de cultivo e refino de drogas, e que laboratórios clandestinosexistem em Beirute e Trípoli, (Líbia).O papel de Baalbek como centro do cultivo e processamento de hashishe e de outras drogas dá outra dimensão apresença soviética na Narcotráfico S. A. Desde a eclosão da guerra civil libanesa, no final dos anos 70, a área deBaalbek tem estado sob controle total da Inteligência Síria e do Hezbollah (Partido de Deus), controlado por Khomeinie sob Fadlallah. Testemunhos de vista de jornalistas ocidentais confirmam que os armazéns abrigando enormequantidade do fornecimento mundial de hashishe são vigiados pelo Exército sírio.Nos primeiros tempos do surgimento do Crescente Dourado, grupos tradicionais do crime organizado tomaram adianteira no refino e tráfico. A Conexão Francesa foi atribuída a esta mudança no cultivo do ópio em 1978-79. A políciaeuropéia, particularmente na França e Itália, encontraram químicos dos dias da Conexão Francesa refinando ópio doCrescente Dourado em laboratórios sofisticados em Milão e na Sicília. Fontes da Inteligência ocidental, corroboradaspelas agências de narcóticos americanas, também notaram o emprego de químicos franceses e italianos na Província daFronteira Noroeste, fator que coincidiu com o surgimento de laboratórios clandestinos na área. Foi a Conexão Franco-Siciliana que dominou a distribuição, ao organizar um aparato criminal nas nações ocidentais. De acordo com sumáriosde Inteligência internacional da DEA, o centro da Conexão Francesa no Crescente Dourado estava em Sófia, Bulgária,sob controle da KGB.A notória Conexão Pizza, que contribuiu com milhões de dólares para inundar de heroína de alta qualidade os mercadosda costa leste dos Estados Unidos, no começo dos anos 80, foi só um caso famoso no qual a conexão búlgara foiapanhada traficando ópio iraniano, afegão e paquistanês do Crescente Dourado.Em 1984, a Estimativa de Inteligência de Narcóticos relatava: “havia inúmeros laboratórios de heroína em atividade noleste do Afeganistão. A maior parte da produção era exportada para, ou através do Paquistão. Os laboratórios nosudoeste do Afeganistão podem ter sido as fontes de parte da heroína contrabandeada para o Irã. A atividade dos 153
  • 154. laboratórios neste país estava concentrada dentro ou próxima das cidades de Tabriz, Teerã e Zahedã, tanto quanto aolongo da fronteira Irã-Turquia”.Além disto, a Província da Fronteira Noroeste continua sendo a maior região de refino, tráfico e depósito de drogas earmas. De acordo com a Estimativa de Inteligência de Narcóticos: “A despeito da queda na colheita regional de ópio em1984, não houve indícios de escassez, como resultado. Os estoques na Província da Fronteira Noroeste do Paquistãopodem ter impedido grande aumento no preço. Entretanto, o preço do ópio de cultivo mais que dobrou, em comparaçãoa 1983. Enquanto então um fazendeiro recebia de 30 a 35 dólares por quilo, em 1984 recebia ao menos 70 dólares pelamesma quantidade”.Os países do Crescente Dourado pagaram um pesado tributo humano quanto ao vício doméstico. A despeito dasameaças dos aiatolás e enforcamentos públicos, a população iraniana viciada em ópio permanece em cerca de 1 milhão,e o número de viciados em heroína aumentou em 100.000, concentrados predominantemente nos centros urbanos. NoAfeganistão, há uma estimativa de 100 a 125.000 viciados em ópio, mas a heroína fumada está aumentando. No final de1984, o Paquistão tinha uma estimativa de 200 a 300.000 viciados em heroína, e outros 300.000 usuários de ópio.A Rússia soviética, por causa de sua crença de ser a Terceira Roma de um Império Eurasiático, tomou emprestado umadica dos Arquivos Britânicos e começou no Oriente Médio e no sudeste asiático o que será conhecido pelas futurasgerações como a Terceira Guerra do Ópio. 154
  • 155. PARTE 5 NARCOTRÁFICO S. A.: FMIRECOLONIZA IBERO-AMÉRICA 155
  • 156. INTRODUÇÃO DROGA E DÍVIDAA Ibero-américa está em guerra. As baixas são aos milhões. Alguns caem vítimas do Sendero Luminoso, a guerrilhanarco-terrorista do altiplano peruano. Outros sofrem danos cerebrais pelo basuco, a droga barata das populaçõesescravas que, mata mais certamente que os produtos mais sofisticados que circulam nas ruas de Nova York. As vítimassão as crianças famintas no nordeste do Brasil, em Chiapas (México) e nas favelas de cada capital de cada nação daIbero-américa.Nos últimos dez anos, a produção de alimentos no local sofreu um colapso. Ao mesmo tempo, as máfias das drogasapossaram-se de terras férteis e escravizaram camponeses para cultivar coca, papoula e maconha. A Bolívia produz200.000 toneladas métricas de coca anuais. Isto dá 2 bilhões de dólares líquidos, muito mais que seu PNB (ProdutoNacional Bruto --- N. T.) Virtualmente, todas as 61 toneladas métricas de cocaína consumidas nos Estados Unidos em1983, vieram da Ibero-américa. Quase 300.000 toneladas métricas de maconha foram exportadas para os EstadosUnidos dos países ao sul do Rio Grande, que também fornecem 33% da heroína consumida nesse país.Os fornecedores criaram mercados internos. O consumo interno de drogas na Ibero-américa aumentou radicalmente nosúltimos 6 anos, e a ruína humana causada pelo vício agora rivaliza em tamanho com as percentagens de vício nospovos das nações do “setor desenvolvido”.A única diferença entre a nova guerra do ópio contra a Ibero-américa, e as antigas do século XIX, é a de que outrasnações estão simultaneamente partilhando o destino da China, nação então consumidora, e de seu então fornecedor, aÍndia.O nome próprio do que acontece hoje na Ibero-américa é “recolonização”. Os herdeiros da antiga Companhia britânicadas Índias Orientais, a mesma monarquia britânica e alguns dos seus bancos, iniciaram a nova Guerra do Ópio damesma forma anterior --- pilhando nações, destruindo as mesmas e exaltando o poder do Império.Hoje, o FMI tomou o lugar da Companhia britânica das Índias Orientais, enquanto o Império Soviético, herdando oobjetivvo da antiga oligarquia russa de se tornar a “Terceira e Última Roma”, negociou sociedade na Narcotráfico S. A.O ano de 1978 foi o divisor para a operação de tornar a Ibero-américa uma vasta colônia produtora de drogas. Naqueleano, a Comissão Trilateral do Presidente Jimmy Carter colocara os termos para a banca americana emular os maioresbancos mundiais das drogas, ou ser devorada por eles.Em outubro de 1979, Paul Adolph Volcker, chefe da Reserva Federal nomeado por Carter e íntimo de DavidRockefeller da Comissão Trilateral, legalizou a uzura ao subir as taxas de juros para 20%. A Ibero-américa e todo setorem desenvolvimento tornaram-se reféns dos banqueiros das drogas. Enquanto as dívidas nacionais rapidamentedobravam e triplicavam, o FMI acelerou o processo de recolonização.As nações, que esperavam entrar no século XXI como países desenvolvidos, foram forçados a cancelar seu futuro. Osgrandes projetos industriais que eram a esperança dos anos 70 --- energia nuclear, manejo de água, portos e outrosprojetos básicos de infra-estrutura para construção de economias sadias --- foram desmantelados por ordem do FMI.Os grandes campeões do “mercado livre”, os seguidores de Friedrich Von Hayek e Milton Friedman, queargumentavam o genocídio, como o Pároco Malthus escreveu a apologética das barbaridades perpetradas pelaCompanhia britânica das Índias Orientais, todos louvaram a ditadura não-tão-livre do FMI sobre o hemisfério ocidentalinteiro.Este mesmo ditador do “mercado livre”, o FMI, acelerou sua campanha para legalizar a economia de mercado negro,para “libertar” os narco-dólares para se infiltrarem nas bancas nacionais e para promover o cultivo de “colheitaslucrativas”, cannabis sativa, coca e papoula. DESTRUINDO O OTIMISMO CULTURALO otimismo cultural que acompanhou o sucesso parcial do desenvolvimento dos anos 70 na Ibero-américa foi produtode uma herança religiosa e cultural que refletia uma profunda crença no progresso. As aspirações continentais foramexpressas em profundidade pelo Papa Paulo VI em sua encíclica de 1967 Populorum Progressio (Do Progresso dosPovos), quando disse: “Desenvolvimento é o novo nome da Paz”. 156
  • 157. A verdade dessas palavras nunca foi tão aparente quanto hoje, quando a falta de desenvolvimento, reforçada pelo atualcolapso econômico, produziu um estado de guerra não declarada no continente.Com a crise da dívida nos anos 80, veio a desesperança do desemprego em massa, a desnutrição crônica e amarginalisação econômica de partes crescentes da população ibero-americana. Isto impôs um cilma de pessimismocultural apropriado a inundação do vício das drogas, terrorismo e caos social.Embora os sociólogos e antropólogos chamem o terrorismo e a falta de moral atuais de “fenômeno sociológico”, elessão resultado direto de ações das famílias oligarcas internacionais, tanto premeditadas quanto previsíveis. Vejam porexemplo o “Projeto dos anos 80”, série de análises políticas feitas pelo Conselho de Relações Exteriores de Nova York(Council of Foreign Relations --- CFR), no qual este, orgulhosamente, declara que “a desintegração controlada daeconomia mundial é um objetivo legítimo para os anos 80”. Para os oligarcas, as nações tornaram-se descartáveis.As pilhagens dos anos 80 foram tão devastadoras quanto os métodos coloniais britânicos do século XVIII. O capitalespeculativo, o colapso provocado nos preços das comodities do Terceiro Mundo e as desvalorizações brutais forçaramnação após nação a desistir de projetos de desenvolvimento e se submeterem à recolonização.Enquanto os Estados Unidos, sob influência de Kissinger, tem freqüentemente fornecido a força política por trás dasimposições de Paul Volcker e do FMI, ninguém se beneficiou mais delas do que o Império Soviético. Moscou, cujoobjetivo declarado é o esmagamento da civilização ocidental, tem não só “interesse comercial” no contrabando dearmas por drogas na Ibero-américa, mas está aliado à oligarquia ocidental racista em sua pressa de ver a população dohemisfério sul varrida por guerras, pestes e inanição. O genocídio que os soviéticos estão perpetrando contra os afegãos,e o aumento maciço na produção de drogas no Afeganistão e no Crescente Dourado desde 1980, é somente parte dahistória. CRIMES CONTRA A HUMANIDADEA Ibero-américa tomou importantes ações em 1984 e 1985 contra a Narcotráfico S. A.. Os maiores ataques às drogas nahistória ocorreram na Ibero-américa naqueles anos, desde o desmantelamento em março de 1984 do vasto complexocolombiano de “cidades da cocaína” escondidos nas selvas de Caquetá, até as invasões espetaculares aos gigantescoslaboratórios de processamento de maconha ao norte de Chihuahua em novembro de 1984, aos ataques da OperaçãoCondor contra as plantações, executados no Peru em agosto e setembro de 1985, a partir de um ataque conjunto peloPeru e Colômbia ao gigantesco narco-complexo de Callaru.Os reides (ataques relâmpago) iniciais na Colômbia espalharam quase 10 toneladas de pó refinado de cocaína no rioYari e começaram a dissolver o estrangulamento da Colômbia pela máfia das drogas, que já durava 10 anos. NoMéxico, os militares queimaram centenas de toneladas de maconha e, junto, o dinheiro sujo que interesses poderososestavam esperando para comprar as eleições de 1985. Os ataques relâmpago às plantações de drogas iniciados peloPresidente Garcia do Peru, logo nos dois primeiros meses após a posse, sozinhos diminuíram em 5,6 bilhões de dólareso consumo anual de cocaína nos Estados Unidos. No fim, foram destruídas drogas que gerariam dezenas de bilhões dedólares se vendidas nos Estados Unidos.Mas isto não era suficiente, e as nações da Ibero-américa o sabiam. Pediam repetidamente ação conjunta na guerra àsdrogas: • Em Quito, no Equador, os Presidentes ibero-americanos de sete nações líderes encontraram-se em 11 de agosto de 1984 para pedir a criação de uma “guerra multinacional às drogas”, e para declarar o tráfico de drogas “crime contra a humanidade com todas as conseqüências jurídicas cabíveis”; • A força-terefa especial da OAS em Narcóticos realizou convenção em 20 de agosto de 1984, para pedir uma conferência inter-americana para levar adiante as resoluções de Quito; • Durante a semana de 24 de setembro de 1984, a Assembléia Geral das Nações Unidas ouviu o Presidente venezuelano Jaime Lusinchi, o Ministro do Exterior colombiano Augusto Ramírez Ocampo e outros proeminentes ibero-americanos pedirem atenção global à “praga universal” do comércio de drogas.Em 6 de novembro de 1984, os ministros da justiça de toda a Ibero-américa reuniram-se em Bogotá para formular umcódigo legal uniforme contra o tráfico de drogas, e para estabelecer uma troca de informações continental para ajudar aperseguição e captura de criminosos das drogas.Enquanto isto, as nações ibero-americanas reclamaram ajuda dos Estados Unidos --- não migalhas, mas umcompromisso sério e total para erradicar a praga das drogas.Em 12 de julho de 1984, o Presidente colonbiano Belisario Betancur chamou a atenção para o fato de que os paísesadiantados 157
  • 158. “... nos pedem esforços colossais, algumas vezes ultrapassando nossas possibilidades humanas e financeiras, e não obstante tem havido, em certas sociedades que se tornaram mercados naturais para drogas e que fomentam sua produção, não mais que esforços policiais secundários, e até uma indisfarçável preguiça política em erradicar o mal. Até pior: quando os nossos países, fazendo enormes sacrifícios, se voltam para onde supostamente haveria colaboração, equipamento para reforçar a perseguição a esses criminosos, etc., recebemos condições miseráveis de comércio e até mesmo tentam impor a nós inaceitáveis condições financeiras... Na Colômbia, a despeito de tais obstáculos, continuaremos a guerra sem trégua, não somente em defesa de nossa própria dignidade e de nosso próprio povo, de nossa juventude, mas por toda a humanidade, porque encaramos uma ameaça mundial”.Mais de um ano depois, em 23 de setembro de 1985, o Presidente Alan Garcia do Peru discursou na Assembléia Geraldas Nações Unidas, e taxou o tráfico de drogas de “uma atividade que corrompe as instituições e degrada o homem” enotou que, em anos recentes na Ibero-américa “A única matéria prima que aumentou de valor foi a cocaína. A única trans-nacional de sucesso originada em nossos países é o tráfico de drogas. Os esforços mais avançados de integração andina foram atingidos pelos traficantes de drogas. A quem atribuímos isto? De acordo com a economia liberal, a produção é regulada pela procura e, em termos de drogas, o principal mercado consumidor é os Estados Unidos. No Peru, o consumo de drogas não é um problema nacional, mas posso dizer que, nos primeiros 50 dias de minha administração, aplicamos os mais bem sucedidos golpes contra o vício internacional. Vinte e dois aeroportos, 3 pistas de helicópteros, 5 pistas para aviões pequenos de longo alcance, centenas de quilos de drogas e 8 grandes laboratórios foram descobertos e tomados --- o que significa que o consumo de drogas nos Estados Unidos sofrerão uma redução anual de aproximadamente 80 toneladas, avaliadas em 5,6 bilhões de dólares. Portanto podemos perguntar à administração americana, se fizemos isto em 50 dias, que está fazendo ela pelos direitos humanos dos indivíduos espalhados pela Estação Grand Central e em tantos outros lugares, e quando ela legal e cristãmente lutará para erradicar o consumo? Um economista liberal recomendaria que ficássemos fora deste assunto arriscado, mas acreditamos que a democracia também deve ter uma dimensão ética, na qual o Estado não pode olhar com indiferença para a corrupção e o vício. É por isto que estamos em luta contra o tráfico de drogas. Porque é um crime contra a humanidade. Não estamos fazendo isto por obra e graça de um empréstimo de alguns milhões de dólares que nos é ofertado, e que no futuro não aceitaremos, porque nossa própria consciência é tudo o que precisamos parra defender os jovens, se peruanos, americanos ou de qualquer outra parte do mundo. Mas digo desta tribuna que outro crime contra a humanidade é aumentar as taxas de juros, reduzir preços de matérias primas, gastar recursos econômicos em tecnologias da morte, enquanto centenas de milhões de seres humanos estão vivendo na miséria e são encorajados à violência”.Quando os Estados Unidos e outras nações encararão o desafio colocado por Betancur e Carcía? A cada minuto dedemora, mais vítimas caem em cada país do hemisfério. 158
  • 159. 1 A CONEXÃO TRILATERALO apelo de David Rockefeller, chefe do banco Chase Manhattan, pelo “dinheiro da máfia” começou em meados dosanos 60, ao mesmo tempo que o Citibank acionou seu grupo de “banking pessoal internacional (personal banking)” paraadministrar movimentos ilegais de capital, e o Banco da América (Bank of America) financiava o Banco Ambrosianona Itália. Só quando David Rockefeller comprou para si a administração americana em 1976, e quando os antigos fondi(fundações familiares) europeus se instalaram em Wall Street, foi que o tráfico de narcóticos começou a se tornar umnegócio sério para os grandes bancos mundiais. Imediatamente após Jimmy Carter tomar posse, o tráfico de drogasibero-americano explodiu nas altas finanças, e resultou no caos da distribuição de dinheiro pelo Sistema da ReservaFederal no fim de 1978. Após somente dois anos de Carter na Casa Branca, 3,3 bilhões de dólares extras anuais emdinheiro frio se empilhavam nos escritórios da Reserva Federal na Flórida, os 13 bilhões de dólares do tráfico de drogasse tornaram a maior indústria local, e o consumo de narcóticos pelos americanos pulara para 100 bilhões anuais naestimativa da EIR, talvez o triplo do começo dos anos 70.As conseqüências estratégicas foram devastadoras. Enquanto Billy, irmão do Presidente Carter, recebia subornos dogoverno líbio pela intermediação da Companhia Petrolífera Charter de Armand Hammer, Fidel Castro achou uma fontede renda para financiar o terrorismo por toda a Ibero-américa, por cortesia da Casa Branca de Carter.Nem este se contentava em sentar e deixar os traficantes de drogas trabalharem. Através do Escritório de Abuso deDrogas da Casa Branca, do Dr. Peter Bourne, a administração Carter se aliou com os proponentes oficiais da“desciminalização das drogas” na HIGH TIMES, jornal do comércio americano de narcóticos, para fazer propagandaem nome da indústria das drogas por todo o Caribe e pelos países andinos. Pelo Tesouro de G. William Miller, e pelaReserva Federal de Paul Volcker, os Estados Unidos apoiaram a campanha do FMI para forçar a Ibero-américa aproduzir drogas para pagar sua dívida, e com redobrada energia após o aumento no preço do petróleo de 1979, quejogou os devedores do Terceiro Mundo na penúria.Volcker fora o vice-presidente de Rockefeller para planejamento estratégico, ao tempo do memorando do “dinheiro damáfia” que circulou em 1966, e o Chase começou a esmolar com Y. K. Pao e o HSBC permissão para entrar nomercado de dinheoro sujo de Hong Kong. A Comissão Trilateral, organização “laranja” de Rockefeller que apresentaraseu mascote Jimmy Carter para a Presidência, atacou a Ibero-américa por todos os lados. O presidente do conselhoconsultivo internacional do Chase, Henry Kissinger, também presidente da Comissão Trilaterral, movimentou a políticacaribenha de forma a culminar no golpe da maconha de 1980 na Jamaica, com o apoio de Cyrus Vance, doDepartamento de Estado e membro da Comissão Trilateral. O Dr. Peter Bourne, antes de ser demitido por fornecer“drogas recreativas” a seu pessoal, como açúcar, juntou-se ao grupo de Ernesto Samper Pizano na Colômbia, paratornar os narcóticos uma indústria crescente. A rede particular de sócios comerciais de Rockefeller, como o grupo GranColombiano em Bogotá, os sócios de Manuel Ulloa no Peru e a Organização Diego Cisneros em Caracas, criaramcanais pelos quais somas espetaculares de dinheiro sujo podiam entrar e sair de diferentes capitais do hemisférioocidental, em nome do “mercado livre” e da “economia de mercado aberto”.Acima de tudo, o FMI apertou os parafusos financeiros dos devedores ibero-americanos, com ênfase especial naJamaica, Colômbia, Bolívia e Peru, maiores fornecedores de maconha e cocaina para o mercado americano.O FMI é o instrumento que impediu os Estados Unidos de continuar com o objetivo de Franklin Roosevelt dedesenvolvimento industrial global, em seguida à Segunda Guerra Mundial. Lord Keynes o concebeu como expansão doBIS (Bank of International Settlements --- Banco de Compensações Internacinais), fundado em 1931 pelos mesmosrepresentantes dos fondi cujos descendentes agora estão nos conselhos da Assicurazioni Generali e da RiunioneAdriatica di Sicurtà. E o BIS foi concebido em 1922 em Gênova, no Palácio San Giorgio (São Jorge), a antiga sede dasoperações bancárias dos Doria e dos Giustiniani (descendentes do imperador romano Justiniano), a Casa São Jorge. Ossócios genovezes e venezianos, inseguros militarmente ao norte da Itália no final do século XVIII, criaram a modernaSuíça como um banco com um exército adjunto, um arranjo ratificado pelo maligno Ministro do Exterior russo Capod`Istria, um nobre veneziano, no Congresso de Viena (1815). A Suíça continua a ser o cofre dos fondi. Ali, o BIS estábaseado desde sua fundação em 1930.Os grandes fondi familiares que estão por trás do BIS supervisionam o tráfico de narcóticos em seu nível inferior. Osinstrumentos para isto são as enormes redes de dinheiro sujo dos próprios fondi, os governos de Cuba, Nicarágua,Bulgária e a União Soviética, e as redes da Teologia da Libertação dentro da Companhia de Jesus (jesuítas), quecontrolam consideráveis ativos financeiros especialmente na Ibero-américa (através de seu Banco Sudameris --- N. Ed.) 159
  • 160. Todas as convulsões militares, financeiras e sociais que arruinaram a Ibero-américa, desde a Guerra das Malvinas deLord Carrington em 1982, tem como modelo a volta às condições genocidas dos séculos XVI e XVII, e como seuobjetivo uma nova divisão do mundo. Mas esta agora não dividirá território entre os impérios da Espanha e dePortuugal, mas entre o Império Soviético do Leste, presumido herdeiro de todo o território da Eurásia, e a oligarquiaocidental servida por Carrington e seu sócio Henry Kissinger, livres para pilharem a Ibero-américa à vontade.Cincidentemente, todos os sujeitos sinistros da Ibero-américa que obedecem a Moscou diretamente ou através deHavana, juntaram-se ao exército de irregulares que serve à “economia paralela” do FMI.Em 1978, a economia das drogas era a política oficial do FMI. John Holdson, alto funcionário do Departamento deComércio Internacional para a América Latina e fluxos monetários do Banco Mundial, disse à EIR: “Sei que a indústriade coca ali é altamente vantajosa para os produtores. De fato, do ponto de vista deles, simplesmente não podem acharum produto melhor. Suas vantagens são que não necessita tecnologia elaborada, nem sementes híbridas e o clima e aterra são perfeitos”.Um especialista colombiano do FMI colocou desta forma: “Do ponto de vista econômico, a maconha é somente umaplantação como outra qualquer. Traz divisas estrangeiras e provê renda para os camponeses. A legalidade é um conceitorelativo. Em poucos anos, a maconha se tornará legal, de qualquer forma”.Um banqueiro internacional em Nova York explicou, em 1978: “Os preços do café são simplesmente instáveis demais,sempre flutuando no mercado mundial. As drogas, por outro lado, fornecem fonte de renda estável a qualquer tempo.Com os preços do café como estão, a Colômbia nunca se desenvolverá, não pode planejar, como podem os produtoresde petróleo. Acontece que sei que o Banco Mundial está pressionando alguns países latino-americanos paraencontrarem alguma forma de contabilizar estatisticamente seus fluxos de contrabando”.Entrevistado pela EIR, o antigo Ministro do Exterior da Guiana, Frederick Wills, explicou: “Os países esperam que, ao ter o selo de aprovação do FMI, terão aberto as portas do crédito de outros países e dos bancos privados. Mas o selo requer aceitação bem sucedida do programa do FMI. E desde que você fracasse, o fluxo de fundos dos mercados financeiros e dos bancos seca. Isto significa que, os ministros governamentais começaram a pensar, ´Que exportação poderíamos ter, que fornecesse fluxo de caixa para cobrir o vácuo do balanço de pagamentos?` Há só uma comodity que satisfaz o requerido: droga, heroína, maconha. Em diversos países, funcionários do FMI e do sistema de Bretton Woods vem e dizem ´seu futuro está na agricultura`. Mas na agricultura temos o problema da alta tecnologia ser cara, o que aumenta as importações. Assim, temos que usar a ´tecnologia apropriada` para prduzir os bens que satisfaçam o mercado local e tenham peso na exportação. Não podemos competir com os grandes países agrícolas como Argentina, Canadá, Estados Unidos, Austrália. Portanto, a espécie de plantação que temos que produzir para exportação tem que ser aquela em que temos vantagem e eles não, e é a droga” 160
  • 161. 2 JAMAICA: FMI CRIA PERFEITA ECONOMIA DE LIVRE MERCADOApós 4 anos de controle pelo FMI, a renda da maconha jamaicana é conservadoramente estimada em 3,5 bilhões dedólares anuais, mais que o PNB do país em 1980, quando o FMI empossou Edward Seaga no poder. Esta soma é sópouco inferior aos 5 bilhões de dólares de “produção potencial” publicado em 1979 pela NORMl e pelos mercenáriosdo conselheiro para drogas da Casa Branca, Peter Bourne, em sua campanha para criar a economia das drogascaribenha. Ao contrário da Colômbia e do Peru, onde em graus diferentes forças nacionalistas ofereceram resistênciaaos planos dos banqueiros para torná-los plantações de maconha e coca, a Jamaica é o sucesso do FMI sem oponentes.Edward Seaga era somente uma promessa na Comissão Trilateral quando Sol Linowitz, negociador de Carter no Canaldo Panamá, organizou uma pequena e secreta reunião da Casa Branca no Caribe em 1979. Linowitz, a quemencontraremos mais tarde em sua função de empregado da Companhia United Fruit, e intermediário na mudança doHSBC para os Estados Unidos, formou um grupo de “Ação Caribenha/América Central” dentro da administraçãoReagan, semente do que mais tarde se tornou a Iniciativa da Bacia Caribenha de David Rockefeller, muito falada, e daComissão Guerrilheirra Nacional da América Central de Henry Kissinger. Como participante do grupo de Linowitz, oprotegido de David Rockefeller na Venezuela, Gustavo Cisneros, presidiu o Comitê de Empresários Venezuelanos eJamaicanos que apoiou Seaga em 1981.Oficialmente, a desculpa do Departamento de Estado americano para a campanha para empossar Seaga eram os laços deamizade entre o antigo Primeiro-ministro jamaicano Michael Manley com Fidel Castro. O antigo Sub-secretário deEstado Lawrence Eagleburger, agora membro sênior da Kissinger Associados, foi inquirido pelo NEW YORK TIMES,em 10 de setembro de 1984, sobre por que o Departamento de Estado não pressionara Seaga para reduzir o tráfico dedrogas. Sua resposta foi: “Nossa ênfase é, ´Pode a Jamaica se tornar economicamente viável de forma a que nãotenhamos o problema Manley na próxima eleição?` Para ser honesto, não sabia que a Jamaica era tão grande produtorade maconha. Segundo meu conhecimento, não haverá problema.”.Eagleburger pode escolher: é ou criminosamente incompetente ou mentiu completamente. Seaga anunciara sua políticapró-drogas a milhões de americanos na TV nacional. No programa da CBS “Face the nation”, de 23 de novembro de1980, Seaga afirmou que a maconha “é quase o salva-vidas econômico que fornece dólares e divisas estrangeiras” àJamaica. Logo depois, Seaga afirmou ao Washington Post: “Sem ligar para se o queremos ou não, a indústria está aqui para ficar. Não é possível acabar com ela e, se está aqui para ficar, devemos buscar como melhor lidar com ela... (resolver) a questão de sua legalização, para trazer o fluxo de várias centenas de milhões de dólares do mercado paralelo para os canais oficiais”.O grupo de Kissinger no Departamento de Estado e no FMI não instalou Seaga no poder meramente para o propósitoexplícito de maximizar as rendas das drogas na Jamaica. O resultado do plano de Kissinger para os países caribenhos eandinos foi dar a Fidel Castro uma sociedade no contrabando de drogas, estimado por algumas fontes em 20 bilhões dedólares anuais, como é documentado adiante. Com isto, Kissinger, Linowitz e Rockefeller arranjaram financiamentopródigo para cada movimento terrotista na Ibero-américa.Dois anos após os preços do petróleo quadruplicarem em 1974, o governo de Manley aceitou as condições do FMI paraum empréstimo, inclusive a desvalorização em 30% da moeda jamaicana em abril de 1977. O caos que se seguiu deu aolobby das drogas sua chance: uma comissão parlamentar jamaicana foi estabelecida para estudar a descriminalização damaconha, e o diretor do NORML Keith Stroup reuniu-se com o membro da comissão, Percival Broderick para montarum plano modelo de descriminalização. Este anunciou: “Devemos compreender que a ganja (maconha) é o produtoprincipal de exportação da Jamaica, possivelmente com mais potencial de exportação que a bauxita”. As exportaçõesilegais de ganja eram meros 50 milhões de dólares naquele ano; dobrariam em cada um dos anos seguintes até 3,5bilhões de dólares registrados em 1983.Em março de 1978, o FMI declarou que a Jamaica violara seus acordos de austeridade. O país tinha um déficit de caixamensal de 34 milhões de dólares, as importações de alimentos básicos estavam a perigo e o FMI exigia umadesvalorização adicional de 10% somente como condição de reabrir as conversações. O principal jornal, DAILYGLEANER, escreveu em 21 de março: “A salvação deste país está na ganja... Devemos parar de produzir tanta cana eproduzir mais ganja... Podemos trazer turistas e seus dólares... Os grupos de turistas podem passear por toda a ilhafumando a droga e, por se sentirem bem, sorriem para você e gastam o dinheiro...” 161
  • 162. Isto era precisamente o que o FMI pensava, escreveu o OBSERVER londrino poucos meses após. Disse o jornal,propriedade do sócio de Kissinger, Robert O. Anderson: “No complicado e mutante mundo das finanças internacionais,o FMI agora efetivamente ajuda aqueles que querem legalizar drogas”. Em maio de 1978, Kingston aceitoudesvalorização de 50%, em um programa que oficialmente propunha reduzir o consumo doméstico em 10% no anoseguinte.A base inteira da economia mudou para a droga. O ECONOMIST londrino relatou em 21 de junho de 1984: “A ganja écultivada principalmente pelos pequenos fazendeiros, que não querem ser pagos em dólares americanos, assim ostraficantes vendem seus dólares aos industriais em troca de moeda local... e então pagam aos fazendeiros em dólaresjamaicanos”. O banco de Nova Escócia canadense, mais tarde citado pela Comissão Presidencial do Crime Organizadocomo um grande lavador de dinheiro sujo, dirigia a transferência do dinheiro da maconha, e a Mocatta Metals de NovaYork fornecia o precioso metal para lavagem do dinheiro.O Primeiro-ministro Manley ainda hesitava sobre a principal demanda dos banqueiros, um programa de choque paraprodução de maconha. Disse ele a HIGH TIMES em 1980: “A questão da maconha nos expõe a grande tentação.Como se sabe, a Jamaica está em crise no balanço de pagamentos, e nunca conseguimos que os lucros da maconhapassassem pelo banco central”.Edward Seaga, seu sucessor em 1981, criou eleitorado para si entre os pequenos fazendeiros dependentes de renda daganja, e com o ramo local da oligarquia financeira britânica. Como homem de negócios, Seaga tinha uma gravadora quepromovia a música “reggae”, o som dos rastafarianos fumadores de maconha; como político nas favelas de Kingston eMinistro da Cultura e Bem Estar no começo dos anos 60, Seaga promovera os rastafarianos e representantes dosincretismo cultural jamaicano. Agora Primeiro-ministro, chegou ele aos Estados Unidos como a Grande EsperançaBranca da Comissão Trilateral, o homem que iniciaria a era do livre mercado no Caribe. Para a imprensa e televisãoamericanas, Seaga exaltou as virtudes da maconha na “canalização vital” dos dólares das drogas.Conforme a extensão pela qual Kissinger se infiltrou na administração Reagan, pelo Departamento de Estado e outroscanais, o contínuo “sucesso” da experiência jamaicana escarnece da promessa Presidencial de guerra às drogas. Orelatório da Comissão Guerrilheira Nacional de Kissinger na América Central, publicado em 21 de janeiro de 1984, éuma indisfarçada fórmula para diplomacia de canhoneiras em nome da Narcotráfico S. A.; o relatório começa com avisoaos governos centro-americanos: “Em sua maior parte, a política americana para a América Central, no começo deste século, se focalizou primeiramente na promoção da estabilidade e solvência de governos locais, para conservar outras nações à distâsncia. Isto se refletiu no corolário de Theodore Roosevelt à Doutrina Monroe, que diz que os Estados Unidos devem agir para prevenir situações que possam levar a intervenção por poderes fora do hemisfério”.Especificamente, Roosevelt usou os fuzileiros americanos como agência de coleta de débitos das financeiras européias,de forma a que essas não tivessem que se preocupar em enviar suas próprias forças. Hoje, de acordo com o relatório deKissinger, a força americana reforçará o modelo de Hong Kong imposto ao Caribe. A economia da região será“reestruturada” para o modelo de lavanderias de dinheiro sujo, como “Hong Kong, Singapura e outros”. A “iniciativa”do setor privado substituirá o governo “como motor do crescimento”. A United Brands, cujos navios carregaram umaporção substancial de cocaína para os Estados Unidos durante os anos 70, de acordo com fontes policiais americanas, écitada como um “empregador modelo e cidadão (sic --- N. Ed.) modelo. O modelo jamaicano pode ser reforçado por um“grupo multinacional incluindo eminentes centros americanos” que “podem mais efetivamente --- e menosofensivamente --- avaliar o progresso, os objetivos programáticos e medir as necessidades de fontes externas. Maisainda, o grupo multilateral exerceria certo controle sobre os fundos para desenvolvimento para dar às suas imposiçõespeso adicional, mesmo que doadores retenham poder de veto”.O Peru, outra vítima inicial do FMI, enquanto isto perdeu 70% de sua economia nacional para a chamada subterrânea,desde que aceitou as condições do FMI em 1976. O General Francisco Moralez Bermúdez, cujo golpe contra oPresidente Velasco começou a descida do Peru para o submundo financeiro, aceitou as exigências do FMI em 1979,para abrir o interior do Peru ao “investimento estrangeiro”, como meio de atrair capital para o falido país; o resultadofoi que o tráfico internacional de narcóticos ganhou acesso a gigantescas porções de terra para a produção da folha decoca. O PNB do Peru é de somente 20 bilhões de dólarres; 6 bilhões de lucros dos narcóticos (pequenina parte dacocaína peruana vendida ao exterior) torna esta, a indústria dominante na economia nacional.Em 1980, os maiores bancos internacionais de drogas se haviam mudado para a capital do Peru. Com a ajuda do antigoPrimeiro-ministro Manuel Ulloa, o antigo representante da Oppenheimer, Álvaro Meneses, chefe do estatal Banco de laNacion, no fim dos anos 70 abriu caminho para o banco Ambrosiano se mudar para Lima. Esta agência objetivara servir 162
  • 163. como o banco central dos narcóticos da região andina, com a participação oficial dos bancos centrais dos paísesprodutores de drogas.Manuel Ulloa, duas vezes Primeiro-ministro, Ministro das Finanças e sócio de longa data do império Rockefeller naIbero-américa, teve papel central na criação de condições sob as quais a narco-economia peruana floresceu. Ele foigrandemente responsável pela imposição das condições do FMI ao Peru, e advogado verbal do “livre comércio” aoestilo Mont-Pelerin, e foi até mesmo ao ponto de sugerir que a legalização do comércio da cocaína poderia servantajosa. Em uma entrevista em dezembro de 1983 à revista DEBATE 24 de Lima, Ulloa disse: “Desde a época de Unanue, o desenvolvimento do potencial médico e de saúde desta planta única (coca) foi proposto, sugerindo desde então a possibilidade de sua substituição, ou ao menos tendo importância similar, por uma bebida, chá ou café... As implicações econômicas são variadas e significativas. Começa com a vivência dos camponeses e termina, embora indiretamente, refletida em nosso balanço de pagamentos. Sua importância pode chegar ao equivalente mínimo de 3 ou mesmo 5% do PNB... Sem dúvida, esta perspectiva abriria horizontes insuspeitados e possibilitaria o direcionamento da maior parte da produção ilegal de coca para o mercado legal”. 163
  • 164. 3COLÔMBIA: PODE A NARCOTRÁFICO COMPRAR UM PAÍS?Na Colômbia, os traficantes de drogas propuseram abertamente se apossar das finanças do país. Em julho de 1984, oschefões da máfia colombiana fizeram circular uma oferta “boa demais para ser recusada” --- propunham repatriar 3bilhões de dólares em narco-dólares, em troca de anistia total e aceitação na comunidade política e empresarialcolombiana. Não contavam porém com o Presidente Belisario Betancur, cuja administração em 1982 começourevertendo 8 anos de capitulação ou aberta colaboração com a máfia das drogas.Naturalmente, os comerciantes de narcóticos não fariam oferta tão ultrajante sem o apoio da comunidade financeirainternacional. O que torna tal apoio ainda mais ultrajante, é que foi inteiramente público e aberto. Em 3 de novembro de1983, o jornal dos banqueiros suíços NEUE ZÜRCHER ZEITUNG respondeu ao Presidente colombiano Betancur esua guerra agrressiva às drogas, na qual o Ministro da Justiça Lara Bonilla cairia vítima das balas de um assassinopoucos meses depois, com o seguinte elogio ultrajante: “Os produtos colombianos são de limitado interesse para os países industriais. Em 1983, espera-se uma baixa total nas exportações. Comparando o lucro das exportações com seu débito externo de aproximadamente 9,6 bilhões de dólares, a situação da moeda e o baixo nível das reservas no banco central já se reflete nas taxas de câmbio do mercado paralelo (negro). Na década passada, a Colômbia dependia anualmente de 2 a 3 bilhões de dólarres (de receita --- N. Ed.) que, com as exportações não controladas (i. é, o tráfico de drogas) estavam disponíveis ao país. Se a campanha moralizadora do governo reduzir esta fonte de recursos, a Colômbia não mais estará em posição de receber as divisas estrangeiras necessárias à economia”.O antecessor de Betancur e seu principal antagonista foi Alfonso López Michelsen. Este, Presidente de 1974 a 78,virtualmente organizou a expansão do tráfico de drogas desde cima. Sua ação mais ultrajante foi direcionar seu ministrodas finanças, Rodrigo Botero Montoya, a criar a Janela Esquerda, uma saída de mercado negro no banco central,possibilitando aos comerciantes de drogas trazerem dólares para a economia legal sem perguntas. Belisario Betancurfechou-o na semana da posse.O primmo de López, Jaime Michelsen Uribe, chefe do maior conglomerado financeiro do país, o GrupoGrancolombiano, que criou por uma fusão em 1972, rapidamente chegou ao posto de chefe mafioso da Colômbia. Osativos do grupo se expandiram com os influxos de dinheiro lavado do comércio de drogas em expansão, triplicandosomente nos primeiros 6 meses de 1976, quando as vendas aumentaram e os fluxos de dinheiro sujo para a Flóridaexplodiram.A despeito de receber fundos significativos de traficantes conhecidos e condenados, como Carlos Lehder, a quem maistarde encontraremos como sócio comercial de Robert Vesco e Fidel Castro, a tentativa de López de um retorno políticoem 1982 falhou. O Presidente eleito Betancur prontamente reabriu as investigações sobrre fraude em ações e outraschicanas financeiras do Grupo Grancolombiano, que administrações anteriores haviam parado. Em um confrontopessoal dramático, com Michelsen em 31 de dezembro de 1983, Betancur confrontou o primo do antigo Presidente comas provas contra ele e exigiu sua renúncia à diretoria do Banco de Colômbia, capitânea do Grupo Grancolombiano.Michelsen prontamente fugiu do país com a família e sócios mais próximos. Em uma semana, 11 funcionários do Bancode Colômbia estavam presos.A revelação mais sensacional de todas, entretanto, veio na edição de 29 de julho de 1984 do diário de Bogotá ELTIEMPO, da boca do próprio ex-Presidente López Michelsen. Em uma entrevista, revelou ele que no fim de semana de6 de maio, uma semana após os traficantes de narcóticos haverem assassinado o corajoso Ministro da Justiça LaraBonilla, López fora ao Panamá reunir-se secretamente com os mandantes da morte de Lara. Presentes estavam os czarescolombianos do submundo das drogas, como Pablo Escobar e Jorge Ochoa. Todos discutiram em que termos poderiamcom certeza tirar o país do controle do Presidente Betancur, que no elogio fúnebre a seu ministro da justiça abatido,prometera continuar a guerra desse às drogas. Uma segunda reunião foi programada no Panamá para aquele mesmo mêsentre o Procurador-geral colombiano General Carlos Jiménes Gómez e os chefões. O procurador, mais tarde admitiuque agira por sua própria vontade, ao se reunir com os fugitivos mais procurados em seu país. 164
  • 165. Quando a oferta da máfia se tornou pública, o Presidente Betancur respondeu que “o governo fora explícito em que sobnenhuma circunstância haveria sequer diálogo concernente a situações claramente definidas em lei. Em conseqüência,não houve, nem haverá negociações nem qualquer forma de entendimento entre o governo e os autores da proposta”.Então, em 29 de julho, López Michelsen veio a público defender os traficantes de drogas, nas páginas de EL TIEMPO,afirmando: “É verdade, a entrevista se deu poucos dias após o assassinato do Dr. Lara Bonilla. E por isso pessoas de má vontade perguntam por que, enquanto o cadáver ainda estava quente, poderia eu conversar com pessoas que podiam ser seus assassinos? Obviamente, eles me procuraram porque estavam envolvidos na situação. Estavam com medo de serem acusados... Começaram afirmando que a organização que representavam era tão importante e do mesmo tamanho da Federação Nacional de Plantadores de Café. Disseram que representavam 100 pessoas líderes da organização da cocaína, que disseram haver levado 10 anos a se formar, e que trabalhava em coordenação com pessoas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, e com cúmplices nos Estados Unidos... Alguns disseram que uma das pessoas que representavam tivera lucros de 90 milhões de dólares no último quarto”. (De que? --- N. Ed.)López concluiu pressionando o governo a aceitar a oferta da máfia: “Se esses cavalheiros quiserem se desfazer de seus laboratórios, pistas de pouso, plantações e venderem seus aviões, penso que o caminho de reduzir o tráfico de narcóticos é provavelmente mais fácil por alguma forma de acordo, do que pelo caminho mais difícil de alcançar tal objetivo”.Quão desavergonhado o pessoal de López Michelsen foi, pôde ser visto no notório caso de 1983 de Félix Salcedo eJairo Slebi, dois congressistas colombianos da ala de López do Partido Liberal, que foram apanhados traficando coca navizinha Venezuela. De acordo com as notícias e os registros policiais da época, os dois congressistas foram presos com2kg de cocaína em um shoping-center de Caracas. Estavam negociando com um conhecido venezuelano chamadoAlbert Abello, também preso, que deu a polícia uma história completamente inacreditável: “Eu estava tomando café no Hotel Caracas Hilton com o cidadão Félix Salcedo, e discutindo negócios em dólares e bolívares. Em certo ponto, ele me pediu que lhe emprestasse minha valise na qual ele supostamente colocara uma quantidade de dólares, que devíamos trocar por bolívares no transcorrer do dia... E enquanto ele cuidava de alguns negócios, eu fui encontrar-me com a pessoa que me daria os bolívares, junto ao Hotel Tamanaco. Esta me pediu que fosse com ela ao Unicentro El Marqués e, quando chegamos à loja de bebidas, a polícia chegou e se apossou da cocaína, que pertencia ao cidadão Félix Salcedo”.Perguntado sobre há quanto tempo ele conhecia o congressista traficante de drogas, Abello desavergonhadamenterespondeu: “Cerca de 20 anos”.Abello era o secretário particular de um conhecido Senador do Partido Copei venezuelano, Valmore Acevedo, esupostamente era um enviado especial do Ministro das Finanças e do secretário do Presidente, Gonzalo GarcíaBustillos.Em 72 horas após sua prisão, um novo juiz foi designado para o caso, de acordo com algumas notícias, pela intervençãode García Bustillos. Este juiz soltou Abello e a investigação sobre os dois congressistas colombianos foi abandonada. SE NÃO PUDER COMPRAR QUEIMEEm 6 de novembro de 1985, 40 comandos do grupo terrorista M-19 invadiram o Ministério da Justiça colombiano emBogotá, fortemente armados. O M-19 são narco-terroristas internacionais e colaboradores públicos do rei da cocaínacolombiano Carlos Lehder. Tem o hábito de fazer ações militares assassinas contra os que decidiram atacar o comérciode drogas, como o Presidente Betancur. Por exemplo, em março de 1984, o M-19 “ocupou” a capital provincial deFlorência, em retaliação a um grande ataque governamental a laboratórios de cocaína na província de Caquetá.Equipamento e literatura do M-19 foram capturados em ataques similares no Peru.Quando o M-19 invadiu o Ministério da Justiça em Bogotá, fizeram centenas de reféns, inclusive a maioria dos juízesda Suprema Corte do país. Exigiram que o Presidente Betancur fosse ao Ministério para ser julgado por um “tribunal dopovo”. Betancur recusou barganhar com os terroristas. Assim, o M-19 transformou o centro de Bogotá em zona deguerra, sustentando um tiroteio de 28 horas com as tropas colombianas, no qual quase 100 pessoas morreram. A maioriados juízes reféns foram executados pelos terroristas, e 80% do Ministério foi destruído. 165
  • 166. O Presidente Betancur afirmou na TV nacional que a máfia internacional de narcóticos estava por trás do ataque. OMinistro da Justiça Enrique Parejo González disse à imprensa internacional a mesma coisa, 3 vezes em 3 dias. A máfiadas drogas, relatou, ameaçara 6 semanas antes, assassinar os juízes da Suprema Corte e suas famílias, a menos querevissem suas decisões anteriores, mantendo um tratado de extradição entre os Estados Unidos e a Colômbia, pelo qualmuitos chefes de drogas haviam sido enviados aos Estados Unidos. Ao entrar no edifício, os narco-terroristas foramimediatamente apoderar-se dos 4 juízes que apoiavam as regras de extradição. Os comandos do M-19 destruiram osprocessos, e exigiram a revogação do tratado de extradição, em um “comunicado à imprensa” publicado após a batalha.Mas o M-19 admitiu somente ser “amigo” dos traficantes de drogas.A imprensa liberal dos Estados Unidos --- conduzida pelo NEW YORK TIIMES e pelo WASHINGTON POST, quehaviam persistentemente feito manchetes em nome da discriminalização das drogas --- relatou o evento como se o M-19fosse um bando de adolescentes baderneiros de farra, e o governo colombiano um pai tirânico. “Muitos colombianosficaram assombrados com a rejeição do Presidente Belisario Betancur às repetidas ofertas de negociação com osrebeldes, fumegou o NEW YORK TIMES em 10 de novembro. Uma entrevista com o Ministro da Justiça Parejo nomesmo dia continha a frase: “O NEW YORK TIMES insiste, por que o Presidente não atende o telefone?” para abrirnegociações com os terroristas falando com os reféns. Em outro ponto, quando Parejo falou da queima dos arquivoscomo um dos objetivos dos traficantes, o repórter do TIMES chamou Parejo de mentiroso: “O NEW YORK TIMES,por seu correspondente, sabe que sua afirmação não é verdadeira...” Eventualmente, um repórter zombou: “O governodiz que o assalto foi realizado para defender as instituições e a democracia colombianas. Permitir a morte de mais de 50pessoas inocentes é democracia?”Neste ponto, o Ministro da Justiça Parejo perdeu a paciência: “Por favor, não vamos distorcer os fatos, não vamos distorcer a verdade. Se alguém invade seu lar para roubar e matar você, e um vizinho, ao tentar defender você, causasse a morte de algum de seus parentes, mas em boa fé, com o intento de defender sua vida, você vai esquecer os criminosos que entraram para lhe matar, e culpar somente aqueles que buscaram defender e proteger você? Por Deus, não vamos distorcer a verdade... Não pensemos que o assalto criminoso que houve aqui foi do governo, que foi este que invadiu o Ministério da Justiça, que foi esse que entrou atirando, que foi o governo que assassinou os juízes da corte... O que deve preocupar vocês é que um bando de criminosos lá entrou para matar. Isto é o que vocês devem guardar”.Intrepidamente, no dia seguinte, o NEW YORK TIMES comentou: “Muitos analistas políticos colombianos ediplomatas estrangeiros disseram estar céticos sobre as teorias do ministro, em parte porque há numerosas cópias dosregistros destruídos”. 166
  • 167. 4 A CONEXÃO DO DINHEIROEm um relatório de novembro de 1984, intitulado “A Conexão do Dinheiro: Crime Organizado, Instituições Financeirase Lavagem de Dinheiro”, a Comissão Presidencial sobre o Crime Organizado buscou quantificar as implicaçõesfinanceiras do tráfico americano de narcóticos como segue: “De 5 a 15 bilhões, dos 50 a 75 bilhões de dólares do dinheiro das drogas ilegais, ganhos nos Estados Unidos, provavelmente é movimentado nos canais financeiros internacionais por ano. Mais de 2/3 desses 5-15 bilhões é movimentado em nome dos traficantes estrangeiros que trazem drogas para os Estados Unidos, tanto quanto colombianos e mexicanos envolvidos na distribuição de cacaina e heroína aqui. O resto vem de fundos pertencentes aos comerciantes e distribuidores das drogas. Mais de 2/3 daqueles bilhões provavelmente passam pela Colômbia, ou pelos centros bancários offshore caribenhos, principalmente Panamá, Bahamas e as ilhas Caimã. Desde 1980, o governo acumula informação que aponta o Panamá como um centro banqueiro para o comércio de cacaina, e Hong Kong para o de heroína. Enquanto a lista de paraísos fiscais offshore é enorme, o Panamá e Hong Kong merecem atenção especial porque, além de serem centros banqueiros para o comércio de narcóticos, também são notórios centros de transbordo e pontos de encontro para os traficantes. Além disso, eles ilustram bem os aspectos internacionais do problema da lavagem de dinheiro.”As estimativas governamentais são enganadoramente baixas, como logo indicaremos, mas a identificação de HongKong e do Panamá foram corretas. Sobre isto, o relatório da Comissão diria o seguinte: “Em 1982, o Departamento do Tesouro examinou, na Reserrva Federal, os relatórios do Banco Nacional de Panamá estatal, em um esforço para quantificar o total de dinheiro da cocaína acumulado naquele país. O exame revelou que a quantidade de dólares americanos que a Reserva Federal recebia do Banco Nacional de Panamá aumentara substancialmente nos anos recentes. Isto indicava que a quantidade de dinheiro recebido pelo banco, de outros bancos ou pessoas também aumentara. O Banco Nacional de Panamá atua mais ou menos como a Reserva Federal, como uma câmara de compensação para dinheiro. Recebe e desembolsa dólares americanos para vários bancos panamenhos, da mesma forma que a Reserva Federal para os americanos. A revisão dos relatórios da Reserva Federal sobre o Panamá mostra um aumento de 4 vezes no fluxo de caixa de 1980 a 1983. A análise de 1984, pelas agências policiais federais e pela comunidade de Inteligência... concluiu que o fluxo de caixa do Panamá para os Estados Unidos é o mais significativo em parecer dinheiro de drogas. Em comparação, alguns analistas do Tesouro estimaram que mais de 2,2 bilhões do dinheiro relatado foi transportado para o Panamá, de 1980 a 1983. Enquanto este dinheiro é movimentado por uma grande variedade de métodos, pilotos, simples e freqüentemente, voam com o dinheiro não relatado dos Estados Unidos em aviões particulares”.Antes de prosseguir considerando as implicações desses números, relembremos o relatório de 1978 de fontes banqueirasde Frankfurt, a respeito da intenção do HSBC de se apossar do Marine Midland, buscando sua função específica decâmara de compensação do banco central do Panamá. Quanto ao fato de que os bancos americanos, conformerelatamos, buscaram fluxos de dinheiro sujo como fonte principal de depósitos, o HSBC mostrou notável presciênciaem sua escolha do Marine Midland. A banca offshore do Panamá foi naturalmente organizada por Nicolás ArditoBarletta, antigo diretor do Banco Mundial e Presidente panamenho até renunciar em setembro de 1985.Os dados disponíveis no Tesouro e na Reserva Federal, embora fragmentados e ultrapassados, indicam que as receitasanuais de narcóticos ibero-americanos vendidos nos Estados Unidos estão em 100 a 150 bilhões de dólarees, duas vezesa etimativa acima. A falha no cálculo governamental está na infundada presunção de que todos os cálculos do Tesouro(aceitos pelas outras agências como a palavra autorizada do governo na matéria) se baseiam em que o objetivo dostraficantes de drogas é estofar seus colchões com grandes pilhas de notas de dólar. De fato, o dinheiro que circula entreos traficantes representa meramente o balanço de transações (contas correntes) deles. Da mesma forma que um balançomédio de 10.000 dólares na conta de um varejista refletirá um movimento anual de muitas vezes esta quantia, pois sofresaques e depósitos, um determinado volume de dinheiro usado por uma gangue de narcóticos refletirá um movimentomuito maior.Isto se evidencia por um estudo feito pelo Sistema da Reserva Federal sobre pagamentos em dinheiro vivo feitos porseus escritórios no período 1970-78. O estudo mostra um excesso gigantesco de 9,2 bilhões de dólares, em notas de 100,pelo Banco da Reserva Federal em Nova York, e admite que isto se relaciona com a “economia subterrânea”. Compareisto com os dados oficiais sobre o tráfico de narcóticos, publicados pelo NNICC em 1978, também fonte paraestimativas da Comissão Presidencial já citada: 167
  • 168. VENDAS NOS ESTADOS UNIDOS (MAIORES ESTIMATIVAS) DROGA VENDAS EM DINHEIRO (US$ bilhões) Heroína mexicana 3,66 Cocaína 16,25 Maconha mexicana 4,18 Maconha colombiana 16,88 Maconha jamaicana 0,86 TOTAL 40,98Esta estimativa de 1978 é cerca de metade de nossos cálculos para o mesmo ano, baseados em investigações doCongresso (que avaliou somente o volume do tráfico da Flórida, esmagadoramente vindo da Ibero-américa, em 13bilhões), tanto quanto por entrevistas com policiais e funcionários da Inteligência americana. A cocaína e a maconha,em nossas estimativas, arrecadaram 80 bilhões de dólares nas ruas dos Estados Unidos.Naturalmente, as vendas nas ruas representam um múltiplo muito maior do preço original no atacado. No caso daheroína, a elevação é de 500 vezes. Para sermos extremamente conservadores, estimaremos 25 vezes para a cocaína e10 vezes para a maconha. Os números governamentais acima citados implicam um movimento atacadista de meros 650milhões para a cocaína e 2,2 bilhões para a maconha. Contra isto, temos estimativa de 9,2 bilhões adicionais circulandoem notas de 100 dólares, cujo volume cresce várias vezes ao ano, em forma de balanço de transações. Por exemplo, ototal de 3,3 bilhões de dinheiro em excesso relatado na Flórida durante 1978 supostamente reflete uns 13 bilhões emtráfico nesse estado, o que quer dizer que o dinheiro dos traficantes aumenta 4 vezes por ano (i. é, que 3,3 bilhões emtransações correntes podem aumentar 4 vezes nas vendas anuais). Nesta base, poderíamos dizer que os 9,2 bilhões emnotas extras de 100 dólares em circulação poderiam se transformar em 40 bilhões nas transações no atacado.Conservadoramente, podemos estimar que o volume corrente de vendas de narcóticos nos Estados Unidios, vindos daIbero-américa, está em 150 bilhões anuais, incluindo quase 100 bilhões da cocaína. Talvez outros 50 bilhões sejamvendidos na Europa e em outras partes do mundo industrializado. Talvez 1/10 dessa quantia seja repatriada para a Ibero-américa (se o quiserem) pelos fondi; isto é equivalente ao serviço anual da dívida conjunta do México, Colômbia eVenezuela (Ver Narcotráfico S. A dobra a cada cinco anos, para estimativas atualizadas do comércio de drogas).Se isto parece exagerado, considere o seguinte: em 9 de novembro de 1984, mil soldados mexicanos, 30 helicópterosarmados, 6 aviões e 60 veículos invadiram uma faixa de 100.000ha nos estados nortistas de Chihuahua e Sonora. Ossoldados destruíram 10.000 toneladas de maconha, com um valor estimado nas ruas de 10 bilhões de dólares; istorepresenta o equivalente a duas “trouxinhas” de maconha para cada habitante da Terra. 14.000 camponeses mexicanosestavam cultivando a droga; seus empregadores tinham a capacidade logística de transportar cerca de 20 toneladasdiariamente. Isto foi um reide, em um dia.Se o volume de dinheiro envolvido parece inadministrável, considere o relatório seguinte, feito pelo estudo daComissão Presidencial citado acima: “Durante os 4 anos que terminaram em novembro de 1982, Eduardo Orozco e alguns sócios depositaram aproximadamente 151 milhões de dólares em dinheiro em 18 bancos e contas de câmbio, e os transferiram para outras contas nos Estados Unidos, Panamá, Bahamas e ilhas Caimã. Enquanto muito dinheiro vinha de comerciantes colombianos de drogas, os fregueses da lavanderia de Orozco também incluíam traficantes sicilianos de heroína da Cosa Nostra... Ele usou vários métodos para esconder as fontes e as quantias em suas operações: • Notas de pouco valor eram convertidas em outras de maior valor; • Quantias logo abaixo de 10.000 dólares eram depositadas, muitas vezes por couriers, para evitar os relatórios de CTRs (Cash Transfer Reports)para a Reserva Federal; • Empresas fantasmas eram organizadas e depósitos em suas contas eram feitos por transferências inter-bancárias, acrescentando outro nível de encobrimento; • Falsas “licenças” foram usadas para lavar depósitos e transferências de fundos entre companhias de importação-exportação; • Mais de 2/3 do dinheiro movimentado por Orozco, aproximadamente 97 milhões, passou por suas contas a mando da Deak-Perrera, uma firma cambista de Nova York (Deak-Perrera foi forçada à falência por esta revelação --- N. Ed.); 168
  • 169. • 4 dos bancos de Nova York usados por Orozco (foram) Chase Manhattan, Marine Midland (absorvido pelo HSBC), Irving Trust e Crédit Suisse... Entrevistando banqueiros bem informados, a Comissão descobriu que, com exceção do Marine Midland, nenhum dos bancos notificou as agências policiais das transações suspeitas de Orozco; • este abriu uma conta para a agência de Viagens Calypso no Chase com um depósito de 60.000 dólares em dinheiro...; • O Crédit Suisse permitiu a um enviado de Orozco, Alvarez Segura, fazer um depósito de 57.795 dólares em dinheiro, e no dia imediato outro de 249.000 dólares em dinheiro vivo...; • A agência do marine Midland em Queens (Jamaica) aceitou um depósito de 830.000 dólares em dinheiro vivo, que os couriers de Orozco haviam trazido em uma bolsa... No dia seguinte, o advogado de Orozco de novo pediu que o banco aceitasse um depósito de 1 milhão. O gerente foi então instruído por seus superiores a fechar a conta. A despeito de um pedido do FBI para que o banco conservasse a conta aberta e aceitasse os depósitos do advogado de Orozco, a conta foi fechada”.A história de Orozco tem interesse especial por outra razão: o lavador de dinheiro sujo condenado foi benfeitor eprimeiro patrão de Alberto Duque, o mago da banca colombiana, cujo pai foi o tesoureiro da mal sucedida campanhaPresidencial de López Michelsen em 1982.Em 19 de maio de 1982, Duque, o principal financista da comunidade colombiana em Miami, e acionista majoritário doBanco City Nationall, pediu falência pessoal e comercial. Seu pequeno império, que incluía empresas como a CaféGeral (General Coffee), Sucos Allsun (Allsun Juices), Corporação Jets (Jets Corporate), Investimentos Dominó Ltda.(Domino Investments Ltd.), tanto quanto o City National, estava sendo processado por 20 bancos por uma dívidaconsolidada de 135 milhões de dólares. Durante os processos, foi revelado que Duque falsificara licenças decarregamentos de café da Colômbia.O método da fraude não é surpreendente; como se notou acima, era uma especialidade do homem que treinou Duque,Eduardo Orozco. Duque chegara aos Estados Unidos 10 anos antes, com dinheiro e cartas de apresentação de seu pai,amigo de Orozco. Este o levou para os escritórios em Wall Street da Café Colombiano (Colombian Coffee), a empresaque Orozco usava para lavar dinheiro das drogas, e em 6 meses tornou o jovem Albert, vice-presidente da mesma e oencaminhou para as altas finanças. 169
  • 170. 5 COMO AS FUNDAÇÕES CONTROLAM O TRÁFICO IBERO-AMERICANOLevaremos o leitor “do céu, pela terra, ao inferno”, como disse o poeta, começando com as famílias olímpicas dosantigos fondi (fundações familiares) europeus, descendo pelos recém chegados, como a família Cisneros da Venezuela,aos assassinos descartáveis que aceitam caixas de papelão cheias de dinheiro nos bancos da Flórida. Estes últimosrecebem considerável atenção das agências policiais americanas; seus patrões não. Demonstraremos como ossubstitutos da União Soviética na Ibero-américa estão integrados no tráfico de narcóticos em cada nível, desde asseguradoras venezianas que apresentamos anteriormente até os serviços de segurança de Cuba.Desde que a Rebelião dos Sipaios em 1858 deu má fama à Companhia britânica das Índias Orientais, os patrocinadoresdesta preferiram entregar o lado sujo de suas operações, a entidades separadas, que podem ser descartadas quandonecessário. Para a Ásia, a nova encarnação da “John Company” tornou-se o HSBC, ainda o banco central para o tráficomundial de ópio. Para a Ibero-américa, foi a Companhia United Fruit, baseada em Nova Orleans e Boston. Esta, depoischamada United Brands, é vista pelos funcionários da Inteligência americana como o principal mecanismo pelo qual acocaína foi transportada para os Estados Unidos durante os anos 70.Às vezes, as desconcertantes mudanças de fases da United Fruit --- desde a antiga e estranha aliança dos gangsters deNova Orleans com os brâmanes de Boston, descrita na seção histórica deste livro, à combinação Max Fisher-CarlLindner, agora no comando --- não disfarçam realmente uma continuidade a longo prazo nas operações.Ela representa uma ponte entre as finanças aparentemente respeitáveis e a rasteira habilidade de perpetrar golpes deestado, aranjar assassinatos políticos, cultivar e comerciar grandes quantidades de narcóticos e lavar o fluxo de caixaresultante nos aparentemente respeitáveis bancos. A forma corporativa da United Fruit é uma “caixa preta”, pela qual asnecessidades complexas de suas atividades podem ser conciliadas.Esta corporação “guarda-chuva”, abriga virtualmente cada corporação de má fama que esteve nas manchetes nosúltimos 10 anos. A Corporação Reliance, de Saul Steinberg, sócio comercial do londrino Jacob de Rothschild, pertence40% a Lindner. A Corporação Rapid-American, de Meshulam-Riklis, o número 1 na lista de observação da Alfândegaamericana, por contrabando de drogas pela fronteira com o Canadá, e herdeiro do antigo império de bebidas de LouieRosenfeld, pertence 40% a Lindner. A Corporação pirata de Victor Posner, reconhecidamentte um sócio investidor dofalecido “feiticeiro financista” do crime organizado Meyer Lansky, pertence 10% a Lindner. A Gulf and Western, oconglomerado de Charles Bludhorn, o homem que arranjou a tomada do banco Franklin National por Michele Sindona,pertence 8% a Lindner. E assim prossegue a lista.Lindner tomou posse da United Brands em fevereiro de 1975, quando seu presidente Eli Black, jogou-se pela janela deseu escritório no 44º. andar de um edifício em Nova York por razões não explicadas. Em 2 meses, o antigo mafioso deDetroit, Max Fisher, era o novo presidente em exercício da companhia; Lindner, Fisher e seus sócios imediatos haviamcomprado 48% das ações da United Brands. A indicação de Fisher foi patrocinada por dois homens: Sol Linowitz eDonald R. Gant, sócio da Goldman Sachs e de Henry Kissinger. Linowitz, que mais tarde tornou-se o enviado especialde Carter às negociações do tratado do Canal do Panamá, tanto quanto o principal promotor da economia das drogas noCaribe, era também diretor do Marine Midland, e incentivador da fusão deste com o HSBC.É difícil manchar ainda mais a reputação da United Brands na Ibero-américa. Seu papel no golpe de Castillo Armas em1954 na Guatemala, no qual a United Brands financiou uma força expedicionária para derrubar o governo Arbenzquando ele tentou expropriar as terras da companhia, é bem documentado. Menos conhecido é o papel da United Brandsem patrocinar os movimentos terroristas aliados a Cuba na América Central, inclusive o atual governo da Nicarágua.Seu sócio na aventura? As redes da Teologia da Liberrtação dentro da Companhia de Jesus (jesuítas --- N. Ed.).Durante as décadas de 60 e 70, o principal centro de treinamento dos jesuítas na América Centrral era o CentroInteramericano do Instituto de Relações Humanas da Universidade Loyola de Nova Orleans. O Centro semeou“teólogos da libertação” nos movimentos guerrilheiros da área; o Vaticano interveio com atraso no escândalo, em 1984.De acordo com o padre Janer, SJ., diretor –assistente do Instituto, a United Brands era a principal fonte de estudantespara aquele, trazendo jovens brilhantes de El Salvador, Nicarágua, Guatemala e outros países para Nova Orleans, paratreinamento. No Instituto, os alunos eram submetidos a conferências de propaganda, “treino de sensibilidade” e outrasformas de atividade que sugerem intensa manipulação psicológica. Após isto, eram enviados de volta para liderar 170
  • 171. insurreições. “Não ficaria surpreso se alguns deles estiverem lutando lá agora”, disse o padre Janer em uma entrevistapublicada pela EIR em 8 de dezembro de 1981.A doação de fundos e colaboração básica da United Fruit com o instituto jesuíta de Nova Orleans não é o primeiroexemplo de apoio a supostos “esquerdistas”. Ela deu fundos ao membro da Internacional Socialista José Figueres quefez um putsch em 1947 na Costa Rica, com a mediação de Ernando Castro Cervantes, empresário costariquenho.Figueres prestou à Companhia dois importantes favores em seu segundo período. Primeiro, arranjou que o governocomprasse terras da Companhia com lucros para si e para a Companhia, supostamente tornando seu genro, DaniloJiménes Nevia um grande acionista da Companhia. Segundo, concedeu asilo a Robert Vesco, agora chefe do comérciode drogas de Fidel Castro, agora em fuga após o colapso da IOS (Investors Overseas Service). Vesco aplicou fundossubstanciais no rancho de Figueres, “La Lucha (A luta)”. Figueres, ao mesmo tempo, permitiu a instalação de umaenorme e bem movimentada embaixada soviética em San José.Esses jesuítas da Teologia da Libertação não trabalham de graça. Sua presença financeira na Ibero-américa é maciça:seus latifúndios e outros bens foram variadamente estimados em mais de 50 bilhões de dólares. Todas as finanças dosjesuítas na Ibero-américa são conduzidas pelo banco Sudameris de Paris ou, dando seu nome todo, Banque Française etItalienne pour l`Amerique du Sud. O Paribas, extensão do antigo comércio otomano graneleiro da família Comondo,tem 12% dele; A Seguradora Generali (Assicurazioni Generali) de Trieste possui uma parte menor, o que é umaredundância, pois o Paribas é o maior acionista da Generali. A outra principal parte italiana é do Banco ComercialItaliano (Banca Commerciale Italiana), dono do Banco da Suíça Italiana (Banca della Svizzera Italiana) de George Ball,que encontramos antes.Algumas fontes banqueiras da Europa continental argumentam, hiperbolicamente, que o Sudameris “tem a Argentina”,no mesmo sentido que o colaborador em Montevidéu de Roberto Calvi e Licio Gelli, Umberto Ortolani, “tem oUruguai”. O Sudameris tem 24 agências na Argentina, mas sua presença em outros lugares é marcante.No começo deste livro, vimos o caso de Álvaro Meneses, do Phibro, e seu papel na tomada do Banco Andino pelo sujoBanco Ambrosiano. Ao mesmo tempo, o banco Sudameris também comprou uma parte do Banco Andino.O caso do esporádico conselheiro financeiro dos jesuítas, Dr. Franz Pick, de Nova York, ilustra a extensão em que essasredes dos jesuítas mantém estreito relacionamento com o fluxo de dinheiro de narcóticos. “Sou amigo do Papa Negro”,disse o Dr. Pick do antigo Geral dos Jesuítas (Jesuit General) padre Pedro Arrupe, em uma entrevista com EIR em 21 dejulho de 1981. Ele foi apresentado a Arrupe por uma das baixas nos escândalos de Sindona e Ambrosiano, oestelionatário condenado Luigi Menini. Antes de sua sentença, Menini era sócio íntimo de Michele Sindona, e gozavada proteção do controvertido Bispo Paul C. Marcinkus. A transação financeira mais célebre de Menini foi a venda deimóveis na Imobiliária Roma, através do Instituto per le Opere Religiose, o banco do Vaticano, à antiga família realitaliana, os Sabóias. O Dr. Pick era antigo consultor da Seguradora Generali, do Banco Louis-Dreyfus e do BancoComercial Italiano. No começo dos anos 30, era também assessor e visita freqüente do infame Juan March, a figuramais suja das finanças espanholas, e modelo da personagem “Pastorzinho” no bestseller de Robert Ludlum “TheMatarese Circle (O Círculo Matarese)”. Desta forma, Pick foi colega do Coronel Louis Mortimer Bloofield,protagonistta do capítulo daquele livro concernente ao Escritório Internacional de Assassinatos conhecido comoPermindex.Ainda ativo publicando o Anuário Corrente de Pick, o conselheiro dos jesuítas de 85 anos descreve-se como perito em“economia subterrânea”. Pick disse a EIR: “As transferências de lucros das vendas de narcóticos e de outras coisas para fora dos Estados Unidos e de volta para cá requerem uma técnica e conhecimento especiais e, se possível, conexões no governo e na alfândega. Do suprimento de dinheiro hoje existente, 1/3 pertence à economia subterrânea”.Pick tem tal conhecimento; o Banco Comercial Italiano o chamou para aconselhá-los em operrações na subsidiária dasBahamas, o banco BCI Overseas. “Metade das valises nos aviões que entram e saem das Bahamas estão cheias dedinheiro”, disse ele. A subsidiária do Banco Ambrosiano, já fechada, era uma do punhado de bancos estrangeiros comlicença local necessária para realizar transações em dinheiro nas Bahamas, junto com as subsidiárias locais do Banco daAmérica e do Citibank, como relatado anteriormente.Um diretor do banco BCI Overseas era primo de Pick, Felice Pick, e secretário particular por longo tempo do antigochefe do banco central italiano Guido Carli que, por sua vez, passou 20 anos no conselho de diretores do BancoSudameris. 171
  • 172. 6 FAMÍLIA CISNEROS: OS BRONFMAN DA VENEZUELAAté recentemente, a Venezuela mantinha um relacionamento “privilegiado” com o tráfico de drogas sul-americano.Conservada fora da produção e processamento de narcóticos até 1983, servia como ponto de transbordo e “banco”. Foidinheiro de drogas venezuelano, por exemplo, que abriu caminho para a lavagem de lucros nos imóveis da Flórida,mesmo antes que a máfia colombiana tivesse tal idéia. A lavagem da Venezuela nos Estados Unidos pela Flórida setornou tão extensa que circulava uma piada, dizendo que a Flórida se separara da União e se juntara à Venezuela comoum novo estado. Em 1980, as estimativas públicas avaliavam os bens imóveis venezuelanos na Flórida acima de 1,1bilhão de dólares. Um total de mais ou menos 5 bilhões foi “lavado” pela Venezuela em 1983, de acordo comestimativas públicas do começo de 1984 da polícia venezuelana.Há muito acabou o “privilegiado” relacionamento da Venezuela: laboratórios de processamento e produção de cocaína euma estimativa de meio milhão de viciados (entrte eles, muitos filhos dos narco-traficantes) agora acompanham oslucros bancários do comércio. Mas descobrir a máquina de dinheiro e seus controladores continua a ser o instrumentomais eficiente para identificar a máfia venezuelana das drogas como um todo. A CONEXÃO CISNEROSEm 20 de julho de 1984, a revista venezuelana RESUMEN publicou uma reportagem alegando que um membro dafamília venezuelana Cisneros, uma das mais ricas e poderosas do país, estava metido até o pescoço em lavagem dedinheiro das drogas na Flórida. De acordo com a história, tirada por inteiro do livro da jornalista esquerdista PennyLernoux “In Bank We Trust (Em Bancos Acreditamos)”, Oswaldo Cisneros Fajardo estivera associado com aCorporação World Finance (World Finance Corporation), uma lavanderia internacional de dinheiro. Apanhada em umapatifaria, esta eventualmente faliu, e seu presidente cubano-americano Guillermo Hernández Cartaya foi preso sobacusações mais brandas de evasão fiscal. Detalhes do lado pior da operação da WFC --- troca de armas por drogas noCaribe, disponibilidades financeiras para o governo castrista de Cuba --- estavam na história. O interesse se acentuoucom o fato de que um jornal, o DIARIO DE CARACAS, acabara de publicar foto do Presidente venezuelano Lusinchi,lendo o livro de Lernoux com dois assessores: a legenda asseverava que os leitores se concentravam nos laços dosCisneros com o mundo das drogas.Isto provocou tanto escândalo, como se a NEWSWEEK houvesse acusado David Rockefeller de lavar dinheiro sujo. AOrganização Diego Cisneros, a holding familiar, publicou matéria paga de página inteira na imprensa de Caracasnegando qualquer conexão com a WFC, com a Credival ou com o Sr. Hernández Cartaya. Oswaldo Cisneros, ementrrevista à revista RESUMEN contando “seu lado” da história, admitiu que empregara Hernández Cartaya em 1975para reorganizar a companhia de investimentos Inversiones Fênix, mais tarde renomeada Credival, e que os dois haviamjuntos incorporado uma subsidiária da WFC em Caracas. Mas insistia em que isto fora o fim de sua sociedade comerciale que não tinha conhecimento de que Hernández Cartaya estava envolvido com drogas e lavagem de dinheiro dasmesmas.Outros defenderam o bom nome dos Cisneros atacando a credibilidade de Lernoux, alvo bem fácil, dado que suacarreira “jornalística” fora patrocinada pela KGB e por agentes da Inteligência britânica nos Estados Unidos e na Ibero-américa. No entanto, a maior parte das provas apresentadas por Lernoux sobre a WFC vieram dos registros das longasinvestigações sobre a WFC e Hernández Cartaya por numerosas agências americanas, inclusive o Congresso, a DEA, aAlfândega e um Grande Júri Federal.A verdadeira história da família Cisneros vai muito além do sujo negócio da WFC. O erro do observador está em olharpara baixo, da posição de poder da família, mais do que olhar através, e para cima. Que diria o leitor, se nós oimformássemos da existência de uma proeminente família ibero-americana que: • teve seu ponto de partida sendo patrocinada por um dos principais bancos canadenses da Narco S. A., o Royal Bank; • tem uma antiqüíssima associação com a família Rockefeller, que favoreceu os Cisneros vendendo-lhes migalhas do império Rockefeller na Ibero-américa, colocando membros da família nos conselhos de diretores de várias holdings internacionais dos Rockefeller, e permitindo a consolidação desses laços através de casamento com a família Phelps, ligada aos Rockefeller; • tem um forte relacionamento com os círculos banqueiros da Flórida, no coração dos escândalos das drogas da administração Carter; 172
  • 173. • era sócia de uma corporação financeira da Flórida com ligações documentadas com terroristas e comerciantes de drogas, e que recebia milhões de dólares do banco Narodny de Moscou; • tem há décadas promovido as teorias econômicas libertárias da Sociedade Mont Pelerin de Friedrich Von Hayek, que advoga a legalização do comércio de drogas; e • apoiou as campanhas de David Rockefeller para promover a Jamaica produtora de drogas como “modelo” para toda a bacia caribenha.Agora, o leitor pensa da forma correta para compreender a história real dos Cisneros, o fato de que lidamos com oequivalente venezuelano dos Bronfman, e o envolvimento do primo Oswaldo com o sujo Hernández Cartaya deixa deser uma surpresa. O IMPÉRIO FAMILIARA fortuna da família Cisneros se centraliza hoje na Organização Diego Cisneros (ODC), a holding que vale cerca de 3bilhões de dólares. Foi descrita recentemmente, por um banqueiro de Nova York íntimo do grupo, como umacompanhia “tipo Gulf and Western”, unindo 50 empresas que produezem tudo, de discos, equipamento esportivo,computadores e cosméticos a alimentos beneficiados, e possuem imóveis, agricultura, comunicações e finanças. “Ogrupo Cisneros, que sempre teve uma orientação internacional para seus investimentos, passou por uma febre deaquisições nos últimos 2-3 anos”, comentou o banqueiro informalmente, estimando que agora colocou ao menos 1bilhão de dólares fora da Venezuela.Como a Gulf and Western, que possui a Paramount Pictures, a ODC tem sua companhia de entretenimento, aVenevisión”, comprada em 1961 quando a televisão estava começando na Venezuela. A família usa a Venevisión parapromover a espécie de cultura Playboy de rock e pornografia necessária à criação do movimento “sinta-se bem”hedonista das drogas em qualquer país. A explosão de vendas de discos de rock e outros da gravadora da ODC, aSonoroven, é negócio lucrativo resultado da propaganda que a Venevisión fornece à ODC.Foi o Royal Bank do Canadá que deu ao patriarca Diego Cisneros sua base em Caracas, quando emigrou de Cuba em1929. A associação com o banco canadense das drogas continua até hoje; o vice presidente executivo da ODC, epresidente da Venevisión, José Rafael Revenga, representa os interesses da família no conselho de diretores. Em 1939,Diego ficou “independente” e abriu a primeira franquia de engarrafamento da Pepsi-Cola na Venezuela com seu irmão,Antonio. Pepsi e Cisneros eram sinônimos na Venezuela (até pouco, quando se passou para a Coca-Cola). O filho deAntonio, Oswaldo, é o atual presidente da companhia.Foi Diego Cisneros, entretanto, que fez da ODC um império comercial e financeiro. Na Venezuela, a inevitávelassociação com o nome Cisneros é “Rockefeller”. Junto com outras famílias ricas, os Cisneros ficaram com muitas dasoperações originalmente a cargo dos Rockefeller. Estas incluem os estabelecimentos locais da Sears Roebuck no varejo,a National Cash Register, e o projeto favorito de Nelson Rockefeller, os supermercados CADA. Recebido ao longo docaminho como “assessor internacional” da ODC estava, George S. Moore, antigo presidente do Citibank e diretoremérito da W. R. Grace. O filho Gustavo também recebeu uma esposa com bons contatos no império Rockefeller,Patrícia Phelps, do establishment americano da costa leste.Diego Cisneros estava também orgulhoso de pertencer à elitista Sociedade de Mont Pelerin, principais ideólogosinternacionais da “legalização da economia ilegal”. Diego Cisneros freqüentemente patrocinou visitas de propagandistaslibertários da Mont Pelerin para conferências com empresários venezuelanos, e seu dístico de vida, de acordo comtestemunho do próprio filho Gustavo, era pura ideologia Mont Pelerin: “Dê-me o homem certo e eu farei o acordo”.Com a morte do pai em 1980, os filhos Gustavo e Ricardo Cisneros Rendiles herdaram o negócio familiar comopresidente e vice, respectivamente, da ODC. Gustavo continuou o trabalho do pai como principal promotor do modelode “livre mercado” na bacia caribenha. Quando David Rockefeller criou o Comitê Americano de EmpresáriosJamaicanos (U S Jamaican Businessmen`s Committee) em 1981, para promover o “modelo jamaicano” de drogas e livremercado, Gustavo Cisneros anunciou a fundação de uma “Associação Venezuelana-Jamaicana de Empresários”paralela, com ele como co-presidente. A carreira de Gustavo como empresário internacional está em ascenção.É vicepresidente do Capítulo Venezuelano dos Cavaleiros da Soberana Ordem de Malta. Em 1981, foi colocado no ConselhoConsultivo Internacional do Chase Manhattan, juntando-se a Henry Kissinger e seu sócio comercial Per Gyllenhammerda Volvo sueca (Swedish Volvo), e “Joe” Martinez de Hoz da Argentina, Y. K. Pao da Corporação WorldwideShipping (Worldwide Shipping Corporation) de Hong Kong, Ian D. Sinclair, presidente da Canadian Pacific EnterprisesLtd., o presidente da Royal Dutch Petroleum Company, G. A. Wagner --- todos liderados, naturalmente, por DavidRockefeller. Em novembro de 1983, Gustavo entrou para o Conselho Consultivo Internacional da Aerolíneas PanAmerican (Pan American World Airways --- PANAM), juntando-se a Sol Linowitz da United Brands, ao advogadoCyrus Vance da Gulf and Western, a Theodore Hesburgh, presidente da Universidade Notre Dame (Notre DameUniversity), e a Yet-keung Kan, chefe do Banco do Leste da Ásia (Bank of Esat Ásia) de Hong Kong, entre outros. 173
  • 174. Rrecentemente, um assento no Conselho Consultivo Internacional da Alimentos Beatrice (Beatrice Foods) foiadicionado a suas “credenciais”.As ligações de Cisneros ao grupo Vance-Carter não são novas. Na administração Carter, fontes de Washington relatamque o então Secretário de Estado Cyrus Vance freqüentemente usava Cisneros como seu interlocutor com outrospolíticos da região. OPERAÇÕES NA FLÓRIDADe Caracas, Cisneros e o banqueiro venezuelano antigo aliado Pedro Tinoco juntos fizeram sua parte, patrocinando ainvasão de dinheiro venezuelano na Flórida. Quando o governador desta, Robert Grahan, ávido proponente do esquema“offshore” para o estado, visitou Caracas em outubro de 1980 em busca do aumento de investimentos venezuelanos naFlórida, foram Gustavo Cisneros e Pedro Tinoco Jr. que deram grande recepção ao governador e empresários. Asligações se estendem, naturalmente, ao mundo dos negócios também. Em 1978, os Cisneros compraram uma parteminoritária do Banco Nacional da Florida (Florida National Bank) de Jacksonville, o maior membro de uma holdingchamada Bancos Nacionais Flórida da Flórida (Florida National Banks of Florida), espalhada por todo o estado. Elescolocaram Tinoco, a quem logo conheceremos melhor, no conselho do banco para representar os interesses da família.O Florida National surgiu como um dos três bancos estaduais que lideraram a batalha para forçar a desregulamentaçãoda banca no fim dos anos 70, mudanças legislativas necessárias para tonar a Flórida um virtual paraíso banqueirointernacional “offshore” para o dinheiro das drogas.O mesmo banco tinha outro traço interessante: era o principal banco para a Companhia Charter Oil (Charter Oil Co.),representada por dois diretores no conselho do banco, Edward Ball e o presidente da empresa Raymond Mason. ACharter, que faliu em 1984, ficou notória quando foi noticiado que intermediava as vendas de petróleo líbiopromovidas pelo irmão Billy do Presidente Carter --- escândalo conhecido como “Billygate”.Gustavo Cisneros, entretanto, não foi tocado pelo escândalo. Supostamente ele vendeu suas ações em 1981, com lucrosmultimilionários. WFC (WORLD FINANCE CORPORATION) E A CONEXÃO CUBANAParece que Oswaldo Cisneros, primo de Gustavo, dirige mais que a PEPSI na Venezuela. De acordo com umareportagem do DIARIO DE CARACAS em 1º. de julho de 1984, Oswaldo é o centro do esquema para reestabelecerrelações comerciais e diplomáticas entre Venezuela e Cuba, esperando legitimar seu atual papel de intermediário nocomércio Estados Unidos-Cuba, em violação do embargo americano. O DIARIO publicou que Cisneros visitou Cubaem um aviaão da PEPSI em 7 de junho de 1984, e encontrou-se pessoalmente com Fidel Castro. Em uma entrevista aRESUMEN, em 12 de agosto de 1984, Cisneros não negou a viagem, mas insistiu que fora por razões familiares epessoais, e que o encontro com Castro ocorrera por “puro acaso”, e que somente “uma série de generalidades” foramdiscutidas. Oswaldo acrescentou que estavam presentes vários outros membros do conselho da PEPSI que haviamparticipado da invasão da Baía dos Porcos, e que toda a história era uma tentativa de desacreditar suas bem cultivadascredenciais anticastristas.Mas Oswaldo Cisneros tinha outras explicações a dar. Sua esposa é Ella Fontanals de Cisneros, cubana cujo irmão JoséFontanals Pérez atualmente está no Conselho de diretores do Banco Nacional de Cuba em Havana, e serve comoconselheiro econômico de Fidel Castro. As ligações de Ella com o irmão não são coisa do passado; seu marido Oswaldoadmitiu na entrevista a RESUMEN que facilitara ao menos uma visita secreta a Caracas de José Fontanals, para assistirao funeral da mãe deste.Ella supostmente divide seu tempo entre Caracas e Nova York, e fontes próximas à DEA relatam ser ela parte de umcírculo social pequeno novaiorquino que reúne antigos e atuais diplomatas cubanos e comerciantes colombianos dedrogas, inclusive Jemel Nassel de Lehder, antiga esposa do rei da máfia colombiana Carlos Lehder.Como pode o clã Cisneros anticastrista confraternizar com atuais diplomatas fidelistas, pergunta o leitor? Como várioscomitês do Congresso americano sabem, pela história da World Finance Corporation (WFC), a confraternização entreredes anticastristas e pró-castristas no submundo das drogas não é tão “impossível” como Oswaldo Cisneros quer que osinvestigadores acreditem.Um banqueiro cubano exilado, chamado Hernández Cartaya, fundou a WFC em 1971 em Coral Gables, Flórida.Cartaya tinha há muito tempo uma espécie de conexão d