Artigo de kleverson teodoro ufop

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  • 1. RECONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DE OURO PRETO APÓS A MUDANÇA DA CAPITAL. Kleverson Teodoro de Lima1 IFMG - Instituto Federal de Minas GeraisResumo: O objetivo desse artigo é apresentar a relevância de três questões presentes napesquisa que estou começando a desenvolver sobre o processo de reconstrução identitáriaexperimentado em Ouro Preto entre o final do século XIX e o início do XX. Primeira: quaisforam os problemas enfrentados pela população de Ouro Preto após a perda do título decapital de Minas Gerais? Segunda: como se deu a reconstrução das redes de sociabilidadeapós o arrefecimento do fluxo migratório impulsionado pela mudança da capital e a chegadade novos grupos? Terceira: como os discursos da “modernização” e “musealização” de OuroPreto foram apropriados pelos diferentes atores e grupos sociais locais? Essas questõesdesenham o perímetro que desejo percorrer nessa investigação e, dessa maneira, contribuirpara a historiografia sobre o período.Palavras-chave: Ouro Preto, identidade, modernidade, musealização.Nas últimas duas décadas, a sintonia entre as mudanças teórico-metodológicas no campo daHistória e as comemorações do centenário de Belo Horizonte estimularam a produção denovas investigações sobre os interesses que influenciaram o processo de transferência dacapital mineira na fase inicial da República (Salgueiro, 1997; Viscardi, 2007; Castro, 2008).Ancorados nesse tema, outros estudos se inclinaram tanto à análise da composição do tecidourbano de Belo Horizonte - evidenciando, por exemplo, as diretrizes técnico-científicas e odiagrama do poder distribuído no espaço do planejamento da nova capital - quanto àressignificação do cenário urbano de Ouro Preto entre o final do século XIX e o início do XX(Faria: 1985, Magalhães & Andrade, 1989; Mello, 1996; Miranda, 1996; Julião, 1996; Ávila,2008; Brandão,2008; Fonseca, 1998; Meniconi, 1999; Natal, 2007; Mantovani, 2007).Em meio a essas pesquisas, as analogias entre a antiga e a nova capital apresentam-seinevitáveis, já que na virada para o século XX construiu-se em Minas uma antítese entre osmodelos urbanos das duas cidades: Belo Horizonte representando o moderno, o novo; e OuroPreto, o antigo, o arcaico. Mas as relações entre esses espaços não se restringiam ao campodas oposições, havia também abertura para misturas ou superposições entre as suassimbologias, como demonstram a instalação da réplica do Pico do Itacolomi na Praça da1 Mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e graduado em História pela UniversidadeFederal de Ouro Preto. 1
  • 2. Liberdade (FIG.1) e a reprodução de paisagens ouropretanas nas varandas de algumasresidências particulares de Belo Horizonte (Meniconi, 1999). Réplica do Pico do Itacolomi FIG.1 – Praça da Liberdade, 1905. Autor: desconhecido. Fonte: Coleção Otávio Dias Filho, Fundação João Pinheiro, 1997, BH-MG.Especificamente, interessa ao problema aqui apresentado os trabalhos que tematizam aressignificação do cenário urbano de Ouro Preto entre o final do século XIX e o início do XX,seja através das apropriações da atmosfera modernizante da Belle Époque ou datransformação da identidade da antiga capital, renomeada como “cidade histórica” e“monumento nacional”. Nesse sentido destacamos duas investigações: A construção de umacidade-monumento: o caso de Ouro Preto, elaborada pelo arquiteto Rodrigo Meniconi, em1999; e Ouro Preto: a construção de uma cidade histórica - 1891-1933, produzida pelohistoriador Caion Meneguello Natal, em 2007. Os trabalhos de Meniconi e Natal, além de nospermitir uma base mais táctil para a interpretação dos discursos que contribuíram para aconstrução das identidades “cidade histórica” e “monumento nacional” para Ouro Preto,demonstram-se audaciosos ao elegerem uma temporalidade pouco comum à historiografiarelacionada a essa cidade, ainda polarizada pelos estudos setecentistas.Apresentaremos em linhas gerais os roteiros e as idéias detectadas nesses trabalhos, a fim derealçar a importância dessas investigações e de demonstrar ao leitor a necessidade de umapesquisa mais abrangente sobre certas questões ainda pouco exploradas. Meniconi (1999) eNatal (2007) trafegam um caminho semelhante, passando pelos debates políticos quedefendiam ou não a transferência da capital; a influência das perspectivas técnico-científicas e 2
  • 3. positivistas nesse contexto; a inauguração de Belo Horizonte e a retração do papel político deOuro Preto em Minas; e o crescimento das vozes de intelectuais mineiros e de outros estadosque defendiam a singularidade e a importância do patrimônio da cidade no cenário político eartístico nacional, como a trupe capitaneada por Mário de Andrade na década de 1920.iSintetizaremos as idéias principais dos seus trabalhos seguindo esse mesmo percurso.O início da República reacendeu em Minas Gerais o debate sobre a mudança da capital,desejo presente na Conjuração Mineira e retomado na segunda metade do século XIX. Osconspiradores do final do século XVIII defendiam a transferência da capital para a Vila deSão Del Rey, opção que evidenciava a tendência de fortalecimento das rotas comerciais do sulde Minas, conectadas ao centro do Estado e à capitania do Rio de Janeiro. Esse e outrosplanos, no entanto, se desintegraram com as delações e as prisões dos principais participantese líderes no início de 1789 (Linhares, 1905; Natal, 2007). Quase um século depois, o PadreParaizo, representante da região do Serro na Assembléia Provincial, voltou ao temadefendendo um novo espaço para a transferência da capital: agora às margens do Rio dasVelhas. Essa opção reiterava a permanência da capital na zona central e realçava oaproveitamento da potencialidade hidrográfica a partir da integração entre o Rio das Velhas,Rio São Francisco e a faixa litorânea do Atlântico. O transporte fluvial de pessoas, bens emensagens ajudaria a desenvolver a economia regional e as conexões entre a capital mineira eas outras províncias brasileiras. Essa mudança favoreceria a região norte do Estado, cortadapor importantes rios como o Jequitinhonha e os acima citados. No entanto, a idéia nãoencontrou força política e a ressonância necessária para a sua aprovação (Linhares: 1905;Natal, 2007).No final do século XIX, o assunto emergiu novamente. A recém-instalada Repúblicadissolveu e extinguiu as assembléias provinciais e estabeleceu entre as atribuições dosgovernadores empossados o direito de ordenar, caso necessário, a mudança das capitais dosseus estados para lugares mais convenientes (Meniconi,1999). Em Minas, já em 1890, essaquestão apareceu nos jornais de Ouro Preto e de Juiz de Fora, cidade que colocou-se emcampanha para sediar a nova capital. (...) o debate na imprensa opunha dois grupos de valores estereotipados. De um lado, Juiz de Fora, uma cidade que se via moderna, industrializada e economicamente avançada. Mas era vista pelos seus oponentes como rebelde e viciada. De outro, 3
  • 4. Ouro Preto, que se percebia como um lídimo representante do Estado de Minas, por ser uma cidade culta e tradicional. Mas o grupo oponente a via como suja, mal- cheirosa e empobrecida. O grupo ouro-pretano inventava-se na tradição. O juiz- forano, na modernidade (Viscardi, 2007).Esse debate, que dividiu os setores políticos mineiros em alas a favor ou contra a transferência(denominados como mudancistas ou não-mudancistas), era atravessado por dois conflitos: nocenário estadual, as lutas políticas inter-regionais, fruto da antiga formação espacial eeconômica de Minas, separada em pólos relativamente autônomos “com os seus interessesvoltados para fora do Estado (Singer,1977)” (Wirth,1982); no plano nacional, em meio aoclima da recente república, se destacavam os embates entre os grupos deodoristas eflorianistas, esses últimos partidários das idéias separatistas difundidas em Minas peloscríticos da permanência da capital na região central do Estado (Viscardi, 2007). Ouro Preto,portanto, representava o “centro” administrativo de um Estado sem uma coerente unidadeeconômica ou política.Apesar das vozes contrárias, em 1891 foi “declarada a mudança da capital do Estado para umlocal que, oferecendo as precisas condições higiênicas” se prestasse “à construção de umagrande cidade” (Minas Gerais, 1891, p.52 apud. Meniconi, 1999). Ainda, em 1891, foramindicadas e escolhidas as localidades que seriam avaliadas, cabendo aos estudos técnicos, à“neutralidade científica”, a definição do novo espaço entre as concorrentes: Juiz de Fora,Barbacena, Várzea do Marçal, Paraúna e Curral Del Rey. No ano seguinte, a Secretaria doInterior do Estado Público publicou as instruções que deviam guiar a comissão incumbidadesses estudos, chefiada pelo engenheiro Aarão Reis. Conforme Rodrigo Meniconi (1999) osaspectos a serem considerados deveriam levar em conta (...) o estabelecimento de uma cidade de 150 a 200 mil habitantes (grifo nosso). Deveriam ser examinadas as condições naturais de salubridade, o abastecimento abundante de água potável, os esgotos e conveniente escoamento das águas pluviais, as facilidades oferecidas para a edificação e construção em geral, o farto abastecimento dos produtos da pequena lavoura indispensáveis ao consumo diário, a iluminação pública e particular, de forma a oferecer as condições de conforto requeridas pela vida moderna, com a indicação do sistema preferível, as condições topográficas em relação à livre circulação de veículos e ao estabelecimento de carris urbanos, a ligação ao plano geral da viação estadual e federal e, finalmente, a despesa mínima que as instalações iniciais, exigiriam com o custo das implantações, dos projetos a serem executados e da construção dos edifícios representativos.Ainda, segundo Meniconi (1999): 4
  • 5. Na relação das condições transparece a postura científica e “positivista” que deverá nortear os trabalhos da Comissão. Os aspectos são objetivos e mensuráveis, muitas vezes devendo ser corroborados por dados estatísticos, provas documentais, planilhas e tabelas, enfim, por comprovações factuais. Percebe-se, também, que alguns aspectos comprometem e direcionam a escolha; sub-repticiamente Ouro Preto é descartada por sua incapacidade de atender muitos dos requisitos, em especial os relativos aos esgotos e escoamento, ao “farto abastecimento” de produtos agrícolas e às condições topográficas para livre circulação de veículos e estabelecimento de carris (grifo nosso).Envolvida pelos interesses políticos e econômicos em jogo, a comissão analisou aslocalidades e apresentou um relatório conclusivo ao governador Afonso Penna em maio de1893.ii Em dezembro desse mesmo ano, num viés conciliador conduzido por Penna, facilitadopela ruptura entre os mudancistas das regiões do sul de Minas e da Zona da Mata, o antigoArraial do Curral Del Rey (situado no centro do Estado) foi escolhido para abrigar a novacapital (Barreto,1996; Viscardi,2007). Aarão Reis tornou-se o chefe da Comissão deConstrução da Nova Capital e com sua equipe definiu a planimetria, o desenho urbano e aarquitetura dos principais edifícios públicos de Belo Horizonte (Magalhães & Andrade, 1989;Julião, 1996; Salgueiro,1997). A nova capital representava a fé linear na ciência e noprogresso, traduzia em suas avenidas, edifícios e praças a imagem idealizada de um novotempo, de reinvenção de um novo país. Reproduzia as aspirações de uma modernizaçãoconservadora: por um lado, os grupos social, política e financeiramente mais influentes eramseduzidos pela atmosfera da atualização dos valores e dos costumes; por outro, eramreticentes quanto a ampliação dos direitos e da participação dos setores menos favorecidos nojogo do poder (Linhares, 2002). Belo Horizonte, assim como a República, nasceu moderna econservadora, aberta ao novo, mas entrelaçada a valores tradicionais (Mello,1996;Simão,2006; Ávila,2008).Entre 1891 e 1893, período em que os estudos sobre o espaço da nova capital ainda estavamem andamentos, Ouro Preto tentou enfrentar o processo de transferência se adaptando àsdiretrizes urbanas disseminadas na época. O seu cenário urbano constituído nos períodoscolonial e imperial foi parcialmente afetado pelos discursos de modernização presentes naatmosfera da Belle Époque.iii Em dezembro de 1891 foi criada a Empresa de Melhoramentosda Capital num contrato firmado entre a Intendência Municipal ouropretana e os Srs. VicenteBarreiros e Dr. Alexandre Moura Costa. Segundo Caion Natal (2007), a partir desse projeto A cidade que se pretendia fazer deveria constituir-se, basicamente, de uma arquitetura de ‘gosto moderno’; suas vias deveriam seguir um traçado reticular; indústrias seriam construídas; viadutos, avenidas, bulevares, linhas de Bondes, 5
  • 6. ruas e planos inclinados seriam criados; previa-se o estabelecimento de sistemas eficientes de esgotos e água encanada, bem como o calçamento, alargamento e alinhamento das ruas já existentes; ansiava-se pela construção de novos chafarizes e pontes no lugar dos antigos; pela construção de um teatro amplo e moderno; pelo estabelecimento de um cemitério e matadouro públicos afastados do centro urbano; pela construção de muros de arrimo para conter as águas dos rios e evitar deslizamentos. Ademais, era necessário tomar as devidas providências para embelezar a cidade: arborizar as ruas e os adros das igrejas, construir parques e jardins, restaurar as vias e edifícios que estivessem em estado calamitoso, suprimir os becos onde se acumulavam detritos putrefatos e insalubres, nivelar áreas acidentadas e abrir praças e novas áreas planas, mais amplas e arejadas, para evitar miasmas e epidemias (grifo nosso). FIG.2 – Parte do Projecto de Boulevard, 1891, autor desconhecido. Fonte: Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Ouro PretoA FIG.2 apresenta parte do Projeto de Boulevard criado para Ouro Preto em 1891. Contendono centro as fachadas das novas casas que seriam construídas, no lado direito o cortetransversal de uma suposta praça e no lado esquerdo a frente de um jardim, essa plantaregistra algumas pistas sobre a nova cidade sonhada para a antiga capital, inscreve umavontade e uma forma de olhar Ouro Preto. No entanto, o contraste entre as obras desejadas eas condições para realizá-las fica evidente quando nos aproximamos da realidade financeirada velha capital: a Empresa de Melhoramentos, que não podia contar apenas com os recursosda municipalidade, adquiriu um empréstimo junto ao governo estadual, valor que foiinsuficiente para o vulto planejado e que contribuiu apenas para aumentar o endividamento daeconomia ouropretana (Coelho,1987). “A carência de recursos técnicos, materiais efinanceiros selaram o malogro da Empresa de Melhoramentos da Capital (Natal, 2007).”Ainda, em 1892, a Câmara publicou o Edital sobre terrenos foreiros, que incorporou osterrenos abandonados situados na Serra de Ouro Preto e previu a utilização dessa zona nafutura expansão urbana da capital. Diogo de Vasconcelos, presidente da Câmara, assimjustificou a ação: Considerando que dentro do perímetro da sesmaria Municipal não há terreno que seja excluído do domínio porque as mesmas extensões isentas do pagamento de foros pela Carta Régia 6
  • 7. incorporam-se ao patrimônio se acaso abandonadas, e nenhuma prova existe mais concludente desse abandono que as ruínas e confusão em que se acham. Considerando que mesmo para os terrenos de sesmarias vizinhas prevalece aquele direito de incorporação nas partes que entravam pelas divisas da sesmaria Municipal, tanto assim que pela Carta Régia não se permite que se recite o domínio dos proprietários que as tenham uma vez abandonado. Considerando que o mesmo direito regia e rege as datas e outras concessões minerais cuja superfície pelo abandono dos serviços reverte ao patrimônio da Câmara. Considerando ainda que tão vastos terrenos podem e devem ser repovoados, como é necessário e exigido ao grande desenvolvimento da cidade, cujos arrebaldes não podem continuar entregues à solidão e a esterilidade: Resolve: 1º Ficam incorporadas ao patrimônio municipal os terrenos devolutos e abandonados em toda a Serra de Ouro Preto; e bem assim toda superfície das antigas datas e concessões minerais que tenham caducado; e estejam dentro dos limites da sesmaria municipal. 2º Fica marcado o prazo de 60 dias para quaisquer reclamações opostas a este Edital, indo os quais serão aforados os respectivos terrenos. Paço da Câmara Municipal de Ouro Preto , 12 de julho de 1892. Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcelos.ivNo ano seguinte, em 1893, a Câmara encomendou ao engenheiro João F. Blaksley um planode expansão da mancha urbana de Ouro Preto. Seguindo a recomendação dos camaristas, eleestudou o planalto do Morro do Cruzeiro a fim de fundar-se nesse espaço uma nova cidadeque pudesse “ser unida à histórica capital do Estado de Minas Gerais (grifo nosso)(Blaksley,1893).” Traduzindo os discursos dos não-mudancistas em projeção urbanística,Blaksley buscou conciliar em seu projeto a coexistência entre a “histórica capital” e a “novacapital” a ser criada. O viaduto que ligaria o setor antigo ao novo (o Morro da Forca ao altodo Morro do Cruzeiro) simbolizaria essa tentativa de construir uma passagem harmoniosaentre o passado e o presente, a tradição e o progresso (FIG.3). Segundo José Efigênio PintoCoelho, a “nova capital” teria uma avenida contornando todo o núcleo urbano, duas avenidas se cruzariam no centro, e várias ruas paralelas transversais às duas avenidas. (...) Este núcleo do Morro do Cruzeiro seria ligado a Ouro Preto por uma ponte que vai dar no Morro da Forca. Seria uma ponte de estrutura metálica, lembrando a estrutura da Torre Eiffel. Este plano começou a ser executado, e é por isso que o Morro da Forca é chapado, pois, no plano, ali seria o ponto chave da obra; a porta de entrada (grifo nosso) (Coelho, 1987).Como a emergência da cidade moderna e de suas práticas de destruição e remodelamento doespaço não exclui a possibilidade de se “julgar aquilo que se deve preservar”, os pontos deancoragem da memória, a conservação do antigo núcleo da sede de Ouro Preto representavanesse contexto a proteção dos discursos que atribuíam a essa área a condição de principalpalco da luta dos mineiros contra a tirania e a favor da liberdade de expressão e da criaçãoartística (Choay, 2001; Arantes, 1984; Gonçalves, 1996; Pesavento,1997). Apesar do apelo àmemória, o espaço urbano no projeto de Braksley é reduzido ao atendimento das questõesfuncionais de circulação, abastecimento, salubridade, topografia e custo, assemelhando-se às 7
  • 8. preocupações que guiaram os trabalhos de Aarão Reis na construção da nova capital e aosplanos da frustrada Empresa de Melhoramento de Ouro Preto. Área chapada no Morro do Cruzeiro (espaço para a “nova capital”) Morro da Forca FIG.3 – Sem título. Ouro Preto, primeira metade do século XX. Autor: Luiz Fontana. Fonte: Acervo fotográfico do Núcleo de Mentalidade e Memória IFAC/ UFOP.Na defesa de seu status como capital, a cidade convocou o panteão de personagens da históriade Minas que viveram em Ouro Preto, como Felipe dos Santos, Cláudio Manoel da Costa,Aleijadinho etc., se posicionando como a “guardiã e representante das mais gloriosastradições mineiras” (Meniconi, 1999; Natal, 2005). Esse apelo é nítido na inauguração domonumento dedicado a Tiradentes, em 21 de abril de 1893, situado na principal praça dacidade. Os defensores de Ouro Preto acreditavam na sacralização cívica do mártir Tiradentes, todavia, sacralizada também deveria ser a antiga Vila Rica, berço da luta pela liberdade. Retirar-lhe o status de Sede do Governo Mineiro significaria arrancar de Minas suas raízes, impondo ao mesmo tempo à heróica terra de Tiradentes a mais desalmada crueldade, o abandono (Fonseca, 1998).Todavia, nem o panteão de “heróis”, o projeto de Braksley, a incorporação dos terrenosabandonados na serra ou os planos da Empresa de Melhoramento de Ouro Preto evitaram aaprovação do Curral Del Rey, em dezembro de 1893, como o espaço para a construção donovo centro político e administrativo de Minas. Para Rodrigo Meniconi (1999): A construção da nova capital e o êxodo que se seguiu - calcula-se que mais de 45% da população tenham emigrado - vão colocar Ouro Preto em uma espécie de limbo, um local fora do tempo (grifo nosso). Não sendo mais desse tempo, de que tempo seria esse lugar? 8
  • 9. É nesse contexto marcado pela diminuição da população, queda da arrecadação tributária,aumento dos problemas a serem sanados pela gestão municipal e apropriação de novosconceitos sobre o espaço urbano que os aspectos evocativos presentes nos discursosderrotados dos não-mudancistas adquiriram uma nova direção: a preservação e a conservaçãoda “histórica” cidade. Para Caion Natal (2005): A nova concepção que passa a envolver Ouro Preto, a partir da consolidação de Belo Horizonte, é a de que a cidade não deveria mudar sua condição material, mas sim trazer as marcas do passado em seu traçado e em sua arquitetura. Em fins do século XIX e começo do XX, Ouro Preto passa a assumir uma imagem cujo principal atributo seria sua imutabilidade como signo da preservação de uma memória histórica; de uma tradição que deveria ser mantida sob pena de perder um importante elemento constitutivo da identidade brasileira e mineira.Nesse processo de construção dos discursos que criticavam o esquecimento de Ouro Preto eque exaltavam a velha cidade como um importante cenário da memória nacional destaca-se(na fase de inauguração da nova capital) a constituição do Arquivo Público Mineiro, em 1895,e os lançamentos da Revista do Arquivo Público Mineiro, em 1896, e das EfeméridesMineiras, em 1897, empreendimentos coordenados por José Pedro Xavier da Veiga (1998).Pouco depois esse tema ganhou uma nova visibilidade nas comemorações do bicentenário deOuro Preto, em 1911, marcadas pela programação de festas, visitas aos “lugares históricos”,exibição de filmes e a edição de uma publicação específica sobre a história local(Meniconi,1999; Natal,2005). O livro Bi-Centenário de Ouro Preto (1711-1911): MemóriaHistórica, editado pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, envolveu nomesimportantes do quadro intelectual mineiro, como Nelson de Senna, Benedicto José dosSantos, Diogo de Vasconcelos e Augusto Velloso (Senna,1911). Em meio às manifestaçõesdesse evento buscou-se construir conexões históricas entre Ouro Preto e Belo Horizonte,como se a recente capital fosse o prolongamento da antiga. Dessa forma, os fantasmas da transferência da capital, que envolviam Ouro Preto, seriam exorcizados: esta não seria mais uma cidade renegada, inferiorizada, esquecida, mas sim o suporte moral da cidade moderna, a raiz da mineiridade. Desse modo, aliava-se um discurso progressista, em prol de Belo Horizonte e, portanto, da cidade moderna, a um discurso de conservação da tradição, tendo em vista a cidade de Ouro Preto. Passado e futuro eram, então, vistos como a face de uma mesma moeda: enquanto Belo Horizonte representava o espírito empreendedor do mineiro, o desenvolvimento econômico, o progresso científico, Ouro Preto representava a raiz desse progresso, o nascedouro da identidade mineira (Natal, 2005) 9
  • 10. No início do século XX, as exaltações e as alegorias montadas em torno da valorização econservação da cidade contaram com novos adeptos, como o escritor Alceu de Amoroso Lima(o Tristão de Ataíde), que escreveu um artigo em 1916 em defesa do “passado nacional”, ondecita o descaso com as cidades de Ouro Preto e Diamantina; e o escritor Mário de Andrade,que visitou a região na segunda década do XX, estadia que o levou a escrever sobreAleijadinho em 1920 definindo-o como um “gênio da raça”. Na década de 1920 novas vozesdefenderam a necessidade de se reavaliar o esquecimento e o mal estado de conservação davelha cidade, como o arquiteto Lúcio Costa e os paulistas liderados por Mário de Andrade(Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Blande Cendars), colocando Ouro Preto e Minas nofoco do chamado modernismo brasileiro (Meniconi, 1999; Natal, 2005: Oliveira, 2005). Asintonia entre a ressonância dessas vozes e as intenções do governo Vargas de manter umbom relacionamento com os setores políticos mineiros e influenciar a reconfiguração dodiscurso mítico nacional levou ao tombamento de Ouro Preto como “monumento nacional”em 1933. Época em que a cidade passou a ser tutelada pela esfera federal. Segundo RodrigoMeniconi (1999): Com a criação, no ano seguinte, da Inspetoria de Monumentos Históricos, vinculada ao Museu Histórico Nacional dirigido por Gustavo Barroso, os problemas da conservação e restauração da cidade e de seus valores assumem dimensões nacionais, demandando urgências operativas. Em 1935 Barroso apresenta um “Plano de Restauração” da cidade de Ouro Preto. Esse plano, primeiro no Brasil, na verdade contemplava a restauração de edificações singulares, igrejas, pontes e chafarizes e vai ser executado nos próximos três anos, com uma verba de 200 mil réis.O tombamento de Ouro Preto transformou a velha capital em um espaço laboratorial para apolítica de preservação patrimonial: reflexões; diretrizes; ações; e limites. A transformou numlugar de memória, em modelo, e incentivou a criação do Serviço de Patrimônio ArtísticoNacional em 1937. O estudo desse processo nos permite trilhar as marcas das traduções doEstado e de grupos políticos e artísticos sobre alguns conceitos, como “genuíno”, “heroísmo”,“arte” e “nacional”, nesse período ainda incipiente de construção da cultura republicana e dapolítica de patrimonialização no Brasil (Meniconi, 1999; Natal, 2007; Oliveira, 2005)Apesar da importância das pesquisas aqui brevemente apresentadas, acreditamos que algumasquestões relacionadas ao período ainda necessitam de uma investigação que lhes dê maiorvisibilidade. A primeira refere-se a necessidade de se compor e analisar um inventário maisabrangente sobre os problemas enfrentados pelos moradores durante as décadas posteriores àmudança da capital. Acreditamos que as informações identificadas sobre essa época são 10
  • 11. insuficientes para se pensar o impacto dessa mudança no cotidiano dos ouropretanos e adifusão das soluções imaginadas nos âmbitos da política e da economia para reverter talsituação.v Em geral, as informações tendem a citações superficiais dos problemas, comodemonstra o trecho abaixo escrito por José Efigênio Pinto Coelho. Conforme o autor, após atransferência da capital Ouro Preto entra em caos: falta d’água, funcionários da Câmara sem receber os salários, obras paralisadas, muito desemprego, estabelecimentos comerciais e hotéis fechando as portas; até o trem já não andava mais em seu horário habitual (Coelho, 1987).Portanto, nos parece que a análise desse inventário de problemas auxiliará a verificação dedois pontos: os limites da economia da cidade para reverter tal situação; e a influência dessarealidade na produção e apropriação dos discursos que ante a perspectiva do arruinamento edo esquecimento de Ouro Preto passaram a ancorar a reinvenção da cidade nos campos damemória histórica e da memória artística. O trecho abaixo, escrito por Olympio Cardoso em1907, exemplifica essa relação entre a economia e a identidade: É digna de outra sorte a ex-capital de Minas. (...) Seu progresso não é apenas uma necessidade urgente; é também um dever imposto a todo brasileiro, porque se o Brasil, devido às suas nobres cogitações, foi considerado como um horizonte onde se divisaram grandes encantos, Ouro Preto foi sem dúvida o sol que brilhou e extasiou nesse horizonte (Jornal Independência, Ouro Preto, número único, 07/09/1907, p.2-3, discurso de Olympio Cardoso apud. Natal, :2005).A segunda questão refere-se ao processo de reconstrução da vida social após a migração departe dos moradores de Ouro Preto para Belo Horizonte, outro tema tocado superficialmentepelas pesquisas rastreadas. Em 1890, sete anos antes da mudança da capital, a sede de OuroPreto contava com 17.857 habitantes; três décadas depois esse número girava em torno de11.857. Uma diferença, portanto, de 6.000 moradores (ou 34%) (Annuario Estatistico deMinas Gerais de 1921, Anno I, Belo Horizonte: Imprensa Oficial. 1921). Como essepercentual demonstra um número de evasão menor que o indicado no trabalho de RodrigoMeniconi (45%), acreditamos, em sintonia com José Efigênio Pinto Coelho (1987), que a sedetenha absorvido novas levas de moradores após a fase do intenso abandono. Esse novocontingente foi composto pelas famílias que viviam nas regiões próximas a Ouro Preto e pelosestudantes que vieram ingressar, sobretudo, na Escola de Minas e na Escola de Farmácia(Jorge,1986; Coelho,1987; Carvalho, 2002; Machado, 2008).vi Eles encontraram um cenáriofavorável às suas acomodações, já que a evasão levou ao abandono de parte dos imóveis,gerando o aumento da oferta de compra, venda e aluguel e, talvez a prática mais comum, aocupação não autorizada das edificações. 11
  • 12. A antiga capital parece ter se reconstruído a partir desses três setores: os remanescentes, quepermaneceram por razões distintas em Ouro Preto; os migrantes que vieram das regiõespróximas; e as novas levas de estudantes, que se diferenciavam pela tendência de fixaçãotemporária. Essa divisão tripartida não deve guiar o leitor à idéia de homogeneidade, já queesses setores se dividiam em grupos sociais distintos com discursos e interesses próprios.Diante da necessidade de reconstrução das redes de sociabilidade após a mudança da capitalnos perguntamos: como se deram as relações de aproximação e estranhamento entre esses trêssetores? É possível identificar em seus valores e práticas culturais pontos de misturas,superposições e resistências? Que nova cidade surge nesse período?A terceira questão resulta das duas acima citadas: como desdobraram-se os temas da“modernização” e “musealização” da cidade nos discursos dos diferentes atores e grupossociais locais durante as primeiras décadas do século XX? As informações identificadas nostrabalhos de Meniconi (1999) e Natal (2007), apesar de esclarecedoras e relevantes, tendem ase fixar em torno das apreensões dos discursos produzidos nos circuitos intelectuais mineirosou não, penetrando muito pouco nas traduções dos indivíduos ou dos setores sociaisouropretanos. Por isso, nos questionamos: a idéia de coexistência entre o antigo e o novoidentificada nas diretrizes encaminhadas pela câmara municipal ao engenheiro João Braksley,em 1893, continuou sendo defendida? Ou será que, ao contrário, chegou-se a constituir adefesa de uma visão “progressista” contraposta aos desejos disseminados pelos gruposintelectuais quanto a preservação e conservação do antigo núcleo de Ouro Preto?viiAs pesquisas de Rodrigo Meniconi e Caion Natal avançaram quanto ao preenchimento dalacuna historiográfica sobre o período, nos propomos nesse trabalho contribuir para esseesforço e realizar uma investigação sobre esse processo de reterritorialização (Ortiz, 1996;Leppeti, 2001), utilizando fontes que nos aproximem um pouco mais das recepções doshabitantes e do cotidiano da cidade. 12
  • 13. i O trabalho de Rodrigo Meniconi não se prende aos marcos estabelecidos no texto de Caion Natal (1891-1933),já que a sua meta é investigar os alcances e os limites das políticas de preservação e conservação experimentadasem Ouro Preto ao longo do século XX.ii Cada localidade foi estudada por um engenheiro designado por Aarão Reis. Várzea do Marçal foi estudada porJosé de Carvalho Almeida; Belo Horizonte, por Samuel Gomes Pereira; Barbacena, por Manoel da Silva Couto;Juiz de Fora, por Eugênio de Barros Raja Gabaglia; Paraúna, por Luiz Martinho de Moraes. As análises dascondições de salubridade foram realizadas pelo médico sanitarista J. R. Pires de Almeida. A fim de garantir a“isenção” e o caráter técnico dos serviços, Aarão Reis buscou os seus assistentes na Escola Politécnica do Rio(Meniconi, 1999).iii A Belle Époque “(...) se caracteriza pela expressão do grande entusiasmo advindo do triunfo da sociedadecapitalista nas últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, momento em que se notabilizaram asconquistas materiais e tecnológicas, ampliaram-se as redes de comercialização e foram incorporadas à dinâmicada economia internacional vastas áreas do globo antes isoladas (Follis, 2004).”iv APMOP. Edital sobre terrenos foreiros. Códice 0965. Livro de Registros e Portarias 1892-1893.v Entre o final do XIX e as três primeiras décadas do XX, enquanto esfriavam as expectativas de grandesinvestimentos na extração de ouro na sede de Ouro Preto, animavam-se os investimentos na produção do ferro ena exploração de outros minerais no município: manganês, bauxita etc. A inauguração da Usina Esperança noDistrito de Itabira do Campo (atual município de Itabirito), em 1888, e da Usina Wigg no Distrito de MiguelBurnier, durante o início da República, exemplificam essas novas apostas do município de Ouro Preto. Na sededa antiga capital a Fábrica de Tecidos de São José, inaugurada na última década do XIX, tornou-se o principalempreendimento local até a inauguração da Eletro Química Brasileira S.A, em 1933, construída na região deSaramenha.vi Getúlio Vargas, com apenas 15 anos de idade, e seus irmãos estavam entre os estudantes que se dirigiram paraOuro Preto no final do século XIX. O envolvimento de seus irmãos numa briga que terminou com a morte doestudante paulista Carlos de Almeida Prado Júnior, em 1897, precipitou a sua volta e de seus irmãos para o RioGrande do Sul (Jorge,1986).vii A fim de trabalhar essas questões, a pesquisa aqui apresentada elegeu como recorte temporal os anos quedelimitam o anúncio da mudança da capital e a publicação do decreto de tombamento de Ouro Preto como“monumento nacional”. Para esse empreendimento destacamos como fontes centrais a documentação produzidapela Câmara Municipal de Ouro Preto (atas das sessões do plenário, posturas municipais, livros de registros deindústrias e profissões e projetos referentes ao espaço urbano); as edições da Revista do Arquivo PúblicoMineiro publicadas nesse período; os jornais e revistas diversos produzidos e divulgados na sede de Ouro Preto;os textos autobiográficos escritos por atores sociais que viveram na cidade; e o conjunto de imagens fotográficaspertencente ao Acervo fotográfico do Núcleo de Mentalidade e Memória IFAC/UFOP, que retrata Ouro Pretoentre o final do século XIX e a primeira metade do XX.Fontes primárias.Iconografia.Coleção Otávio Dias Filho, Fundação João Pinheiro, 1997, BH-MG.FONTANA, Luiz. Ouro Preto, [décadas de 1920 e 1950], Fundo José Góes. IFAC / UFOP -Acervo fotográfico do Núcleo de Mentalidade e Memória.LIBENEAU, Guilherme. Ouro Preto, [1881], Fundo Biblioteca Nacional. IFAC / UFOP -Acervo fotográfico do Núcleo de Mentalidade e Memória.Annuario Estatistico de Minas Gerais de 1921, Anno I, Belo Horizonte: Imprensa Oficial.1921 13
  • 14. Manuscritos.Edital sobre terrenos foreiros. Códice 0965. Livro de Registros e Portarias 1892-1893.Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.BLAKSLEY, J. F. Relatório do planalto do cruzeiro de Ouro Preto. Ouro Preto: s.n., 1893.(Manuscrito. Mimeo.). Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.Referências bibliográficasARANTES, Antônio Augusto (org). Produzindo o passado: estratégias de construção dopatrimônio cultural. São Paulo: Brasiliense, 1984.ÁVILA, Myriam. O retrato na rua: memórias e modernidade na cidade planejada. BeloHorizonte: Editora UFMG, 2008.BARRETO, Abílio. Belo Horizonte: memória histórica e descritiva – história antiga ehistória média. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1996. p. 296-297.BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. Vestígios de uma utopia urbana. Revista do Arquivo PúblicoMineiro, ano 44, v.2, p.62-78, 2008, jul./dez.CASTRO, Pérola Maria Goldfeder. Imprensa, história e separatismo: o Movimento Separatista de1892 através das páginas do monitor sul-mineiro. Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. VI,ano 3, n.º 2, dezembro de 2008.CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. Trad. Luciano Vieira Machado. São Paulo:Editora UNESP, 2001.COELHO, José Efigênio Pinto. A mudança da capital 1897-1987: um trabalho derestauração e pesquisa do arquivo da Câmara Municipal de Ouro Preto. Ouro Preto:Artes Gráficas Tiradentes LTDA, 1987.FARIA, Maria Auxiliadora. Belo Horizonte: espaço urbano e dominação política. Revista dodepartamento de história, v.1, Belo Horizonte, FAFICH/UFMG, 1985.FONSECA, Janete Flor de Maio. Tradição e Modernidade: a resistência de Ouro Pretoàmudança da capital. 1998. Dissertação – Departamento de História, Faculdade de Filosofiae Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte: UFMG. 1998.GONÇALVES, José Reginaldo Santos. A retórica da perda: os discursos do patrimôniocultural no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; IPHAN, 1996.JORGE, Fernando. Getúlio Vargas e seu Tempo. 2 vol., Editora T. A. Queirós, 1986.JULIÃO, Letícia. Belo Horizonte: itinerários da cidade moderna (1891-1920): In: DUTRA,Eliana de Freitas.(org.) BH Horizontes Históricos. Belo Horizonte: C/Arte, 1996.LEPETTI, Bernard. Por uma nova história urbana. Heliana Salgueiro (org.). Trad. CelyArena. São Paulo:Edusp. 2001.LIBENEAU, Guilherme. Ouro Preto, [1881], Fundo Biblioteca Nacional. IFAC / UFOP -Acervo fotográfico do Núcleo de Mentalidade e Memória.LINHARES, Joaquim Nabuco. Mudança da Capital: apontamentos históricos. In. Revista doArchivo Publico Mineiro. BH: Imprensa Official, Ano X, 1905. 14
  • 15. MAGALHÃES, Beatriz de Almeida & ANDRADE, Rodrigo Ferreira. Belo Horizonte: umespaço para a República. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1989. 216p.MANTOVANI, André L. Melhorar para não mudar: ferrovia, intervenções urbanas e seuimpacto social em Ouro Preto-MG1885-1897. 2007. Dissertação – Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.MELLO, Ciro Flávio Bandeira. A noiva do trabalho - uma capital para a República. In:DUTRA, Eliana de Freitas (org.) BH Horizontes Históricos. Belo Horizonte: C/Arte, 1996.MACHADO, Otávio Luiz. Repúblicas Estudantis de Ouro Preto e Mariana: Percursos ePerspectivas. 1. ed. Recife-PE: Editora Universitária UFPE, 2008. v. 1. 130 p.MENICONI, Rodrigo Otávio de Marco. A construção de uma cidade-monumento: o casode Ouro Preto. 1999. Dissertação - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas,Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1999.NATAL, Caion Meneguello. Ouro Preto: a construção de uma cidade histórica, 1891-1933. Dissertação – Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanasda Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.OLIVEIRA, Melissa ramos da Silva. Gestão patrimonial em Ouro Preto: alcances elimites das políticas públicas preservacionistas. 2005 - Dissertação de Mestradoapresentada ao Instituto de Geociências. Pós-graduação em Geografia, Análise ambiental edinâmica territorial, Unicamp. 2005.ORTIZ, R. Espaço e territorialidade. In: ORTIZ, R. Um outro território: ensaios sobre amundialização. São Paulo: Olho d’Água, 1996.p.49-69.PESAVENTO, Sandra Jatahy (org). Imagens urbanas: os diversos olhares na formação doimaginário urbano. Porto Alegre: Editora daUniversidade/UFRGS, 1997.RACIOPPI, Vicente de Andrade. Estudantes do Rio Grande do Sul em Ouro Preto. BeloHorizonte: Typ. Castro, 1940.SALGUEIRO, Heliana Angotti. Engenheiro Aarão Reis: o progresso como missão. BeloHorizonte: Fundação João Pinheiro, 1997.SENNA, Nelson de (org). Bicentenário de Ouro Preto: 1711-1911. Belo Horizonte:Impressa Oficial do Estado de Minas Gerais, 1911.SIMÃO, Fábio L. R. Uma identidade para a cidade: A crônica jornalística de Padre FranciscoMartins Dias e a construção de Belo Horizonte de Belo Horizonte no final do XIX. In:Revista Aulas, Dossiê Identidades Nacionais, nº2, Gladyson José da Silva (org.),outubro/novembro de 2006.SINGER, Paul. Desenvolvimento econômico e evolução urbana. 2. ed. São Paulo: Nacional,1977.VEIGA, José Xavier da. Efemérides mineiras, 1664-1897. Introdução de Edilane Maria deAlmeida Carneiro e Marta Eloísa Megaço Neves. Belo Horizonte: Fundação JoãoPinheiro/Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1998.VISCARDI, Cláudia. M. R. A capital controversa. In: Revista do Arquivo Público Mineiro,Belo Horizonte, ano 43, nº2, p.28-43, jul/dez.2007.WIRTH, John. O fiel da balança: Minas Gerais na federação brasileira 1889-1937. Trad.Maria Carmelita Pádua Dias. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. 15