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    Maria Carolina Usp Maios Maria Carolina Usp Maios Document Transcript

    • Maiôs: designs e tecnologias Swimsuit: desings and technologies Maria Carolina Beltran Cavine Ribeiro, Maurício de Campos Araújo, Júlia Baruque Ramos, Regina Aparecida Sanches, Claudia Regina Garcia Vicentini Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) Universidade de São Paulo (USP) São Paulo, Brasil maria.beltran.ribeiro@usp.br, mauricio.araujo@usp.br, jbaruque@usp.br, regina.sanches@usp.br, claudiagarcia@usp.br Resumo A indústria moda praia cresce a cada ano e observa-se uma maior preocupação do consumidor com a qualidade de seus produtos visando melhor design, conforto e durabilidade. E o maiô de performance auxilia na pesquisa de novas tecnologias para levar para as o mercado de varejo produtos de maior qualidade. Palavras chaves: maiô, moda praia, qualidade Abstract The beach wear industry grows every year and there is a greater concern among consumers regarding the quality of their products in order to better design, comfort and durability. And the performance swimsuit helps in search for new technologies to bring to the retail market higher quality products. Key words: swimsuit, beach wear, quality 1. Introdução As últimas culturas paleolíticas (época da pedra lascada) que migraram das regiões quentes da África para o continente europeu onde a maioria do seu território estava coberto por geleiras, sentiram a necessidade de se proteger, já que somente a proteção natural do Homo sapiens nesse tipo de ambiente não bastava. Perceberam que as peles dos animais que caçam para se alimentar podiam aquecê-los. (James Laver 2005) Esse tipo de proteção era colocada nos ombros e deixava parte do corpo exposta e também limitava os movimentos do corpo, portanto era preciso dar-lhe forma de algum modo. Conforme a pele secava, ela se tornava mais rígida e difícil de tratar e houve um grande avanço quando se descobriu que a gordura de animais marinhos ajudava a pele a ficar mais maleável, por mais tempo.
    • O próximo processo descoberto foi o curtimento, onde as peças ficavam imersas numa solução com cascas de arvores, especialmente de carvalho e salgueiro, que contêm ácido tônico, tornando as peles permanentemente maleáveis e a prova de água e possibilitando que fosse cortadas e moldadas. E com o auxilio da agulha de mão, feita de marfim de mamute ou de pressas de leão marinho que foi inventada nessa época, foi possível costurar pedaços de pele para amoldá-las ao corpo. O tear passou a ser utilizado a partir de que o homem deixou de ser nômade, devido a seu tamanho e peso. (James Laver 2005) O que no começo servia somente como proteção, passou ser também uma forma de distinção social entre classes, culturas e etnias marcando a diferença entre os homens. São variados os usos e aplicações dos produtos têxteis no mundo contemporâneo, sendo utilizados para o uso domestico (móveis, decoração, etc.), no campo dos vestuários, que podem ser ligados aos fenômenos sociais e culturais da moda ou então ao vestuário profissional ou desportivo, incluído o segmento dos tecidos técnicos, com as suas grandes inovações tecnológicos. Na indústria, a fabricação de um produto de vestuário começa com a seleção das matérias-primas, fibras, fios e tecidos, passando pelas fases de criação, desenvolvimento, confecção e acabamento. O comportamento do vestuário é influenciada pela combinação apropriada das fibras, dos processos de fiação, da fabricação do tecido, do tingimento, do acabamento e da confecção. Os maiôs e biquínis devem cobrir o corpo das pessoas, permitindo-as frequentar ambientes como piscinas praias e poder expor-se ao sol e à água. No inicio do século XIX, quando os esportes ficaram mais populares era usado uma túnica até os joelhos amarradas nos ombros, como caráter mais funcional do que estético. 2. Revisão da literatura 2.1 Fibras A história das fibras têxteis está intimamente ligada à história do homem e da sua evolução ao longo dos séculos. A produção têxtil nasceu como artesanato primitivo que nasceu da necessidade do homem de vestir-se para se proteger dos elementos externos, evoluiu com o desejo do homem de melhorar a sua condição de vida e com o desenvolvimento do parecer estético. No início o homem tinha a sua disposição apenas o que a natureza oferecia, ou seja, as fibras vegetais e as animais (Ryder, 2000). A fibra têxtil é todo e qualquer material fibroso passível de ser fiado e/ou tecido e segundo a ASTN D123-03 (2006) é um termo genérico usado para todos os materiais que formam um elemento básico têxtil e é caracterizado por ter um comprimento 100 vezes maior que seu diâmetro. As fibras são classificadas em naturais, produzidas pela natureza que as principais são o algodão, o linho, a seda e a lã ou de origem não natural que são produzidas por processos industriais, que a partir de polímeros naturais
    • transformados por ação de agentes químicos (fibras artificiais ou regeneradas) ou então as fibras sintéticas que são formadas por polímeros obtidos por sínteses químicas. As propriedades das fibras, juntamente com as características das mesmas, determinam o potencial de uma fibra para uma aplicação específica e ajuda a entender o comportamento dos artigos têxteis, tanto ao uso quanto à sua manutenção. Os maiôs e biquínis devem cobrir o corpo das pessoas, permitindo-as frequentar ambientes como piscinas praias e poder expor-se ao sol e à água. Atualmente, o tipo de material utilizado para a fabricação de moda praia é tecido de malha de poliamida com elastano, este artigo permite elasticidade e mobilidade. A possibilidade de mobilidade deve ser pré-requisito básico dos maiôs, neste caso, a modelagem deverá receber uma atenção especial. O termo poliamida ou nylon é definido como fibra composta de macromoléculas lineares sintéticas, onde pelo menos 85% do grupo amida está ligado a radicais lineares ou cíclicos. As propriedades físicas da poliamida são: baixa absorção de umidade e densidade, alta elasticidade, alta resistência à abrasão e de resiliência (KADOLPH, 2007). O nome genérico elastano é descrito como fibra formada pelo menos de 85% em massa de um poliuretano segmentado e que, após ser submetida a um estiramento de até três vezes sua longitude não estirada, recupera rápido e substancialmente a longitude não estirada ao ser eliminada a tensão. As propriedades físicas do elastano são: baixa absorção de umidade e densidade, alta elasticidade, baixa resistência à abrasão e alta resiliência (KADOLPH, 2007). 2.2 Fios Os fios têxteis são produzidos através de um conjunto de operações que compreendem o tratamento dos diversos materiais fibrosos, sejam de origem natural ou química (regeneradas e sintéticas), até a sua transformação em fio. O objetivo da fiação é transformar as fibras individuais em um fio contínuo, coeso e maleável. Nas fibras naturais o processo compreende basicamente abertura e limpeza, cardagem, estiragem, torção e enrolamento. As fibras químicas, de modo geral, seguem o mesmo processo de produção, por extrusão, que consiste em pressionar a resina, em forma pastosa, através dos furos de uma peça denominada fieira. Os filamentos que saem desses furos são imediatamente solidificados. As fibras tomam sua forma final através de estiramento, realizado através de dois processos básicos; no primeiro, as fibras são estiradas durante o processo de solidificação; no segundo, o estiramento é feito após estarem solidificadas (LAWRENCE, 2003). 2.3 Tecidos de malha
    • É o processo de transformação mecânica dos fios em tecidos de malha. A malha e o tricô são resultantes do processo de malharia, técnica que consiste na passagem de uma laçada de fio através de outra laçada, conferindo ao tecido de malha flexibilidade e elasticidade. Os tecidos e roupas produzidos pela malharia são confortáveis e de baixo custo. Os artigos de malha respiram melhor, são mais absorventes e exige menor custo de manutenção. As malhas são estruturas dimensionalmente instáveis e potencialmente pouco rígidas. Possuem um comportamento não linear à tração e deformam-se facilmente debaixo de pequenas tensões. As variações dimensionais (encolhimentos e crescimentos) são devidas à recuperação de deformações produzidas durante o processo de fabricação (ARAÚJO e FANGUEIRO, 2004). 2.4 Beneficiamento têxtil O termo beneficiamento define a última etapa de processamento têxtil e engloba o conjunto de operações que um tecido é submetido após a sua fabricação até estar apto ao processo de confecção. O objetivo desta etapa é transformar os tecidos, a partir do estado cru, em artigos brancos ou tintos, estampados e acabados. São realizadas operações mecânicas, físicas, químicas, bioquímicas e físico-químicas conferindo ao produto final, conforto, durabilidade e propriedades específicas. Um dos principais valores desta etapa é a aplicação da cor. O primeiro a tentar identificar a cor cientificamente foi Isaac Newton em 1666. Ele descobriu que todas as cores estavam presentes na luz natural e podiam ser separadas ao se passar a luz através de um prisma. Ele identificou as sete cores prismáticas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta (JONES, 2007). O fenômeno da cor envolve muitos campos da ciência, onde a luz absorvida pela retina do olho resulta num estimulo nervoso enviado ao córtex cerebral. A cor de um corante é determinada pela estrutura química resultante da interação entre a luz e a matéria. A cor no tecido é obtida através do tingimento das fibras, que pode ser efetuado pela aplicação de corantes ou de pigmentos, este difere do corante por não apresentar afinidade química ou física com as fibras. O processo de tingimento é realizado em três fases: montagem, fixação e tratamento final. A fase de montagem é quando o corante é transferido da solução para a superfície da fibra podendo ser feita por esgotamento ou impregnação. A fixação é a reação entre o corante e o tecido, onde ocorre a alteração do estado da fibra dilatado por um estado mais fechado, geralmente feito através da elevação da temperatura. A Tabela 1 mostra a afinidade dos corantes com os materiais, aptidão para o tingimento, solidez à luz e à lavagem.
    • O tingimento de tecidos de poliamida pode ser feito com corantes ácidos, dispersos ou de complexos metálicos. A tabela 1 recomenda o uso de corantes ácidos, que possuem boa solidez à luz e à lavagem. Tabela 1: Classes de corantes Segundo Marques (2004), os corantes dispersos possuem baixo custo, baixa solidez à lavagem e são usados no tingimento de cores claras em fibras com problemas de barramento. Os complexos metálicos podem ser usados no tingimento de cores escuras, possuem alto custo e alta solidez à lavagem, mas oferecem uma má cobertura dos barramentos. Os ácidos, no tingimento de cores claras, oferecem uma boa cobertura aos barramentos , boa solidez à lavagem e alto custo, no tingimento de cores escuras, alta solidez à lavagem, má cobertura de barramentos e médio custo. Solidez de cor é uma propriedade de um corante ou estampa para reter sua profundidade e desbotamento pelo uso de um produto. Corantes são geralmente considerados sólidos quando resistem à influências deteriorantes na qual serão submetidos no uso para o qual o tecido foi fabricado. A NBR - 10187, define solidez de cor como: a resistência da cor dos materiais têxteis aos diferentes agentes, aos quais possam ser expostos durante sua fabricação e uso subsequente. O termo solidez à luz designa a resistência que a cor oferece, quando exposta à luz direta do Sol, à luz difusa do dia, ou à luz artificial. A luz do sol contém radiações de vários níveis de energia, das que chegam a Terra, a radiação ultravioleta é a mais enérgica e mais destrutiva para as moléculas de corantes. Os raios UVs, ao incidir sobre uma partícula de corantes, causam quebras de ligações químicas, provocando perda de
    • intensidade e/ou alteração da tonalidade (desbotamento), provocadas pela interrupção no fornecimento de cor pelas moléculas. 2.5 Moda praia, maiô de performance e seus contextos históricos As tangas sugiram muito antes de seus desfiles pelas praias, e até hoje não é possível definir se tinham como função o ornamento pessoal ou se eram exclusivamente ligadas a cerimônias religiosas. Nas competições o maiô tem sua historia narrada através de suas formas e materiais utilizados, como o costume de 1890, as mulheres competiam nas olimpíadas com peças duplas de calções e vestidos curtos que pesavam cerca de 5 quilos. Mas em 1907, a estrela de cinema e atleta, Annette Kellerman (figura1), apareceu em uma praia usando uma “peça única” mudando a historia dos maiôs. Figura 1 – Annette Kellerman (fonte: http://commons.wikimedia.org) No inicio da década de 20 era utilizado nas competições uma peça única, que vestia do pescoço aos joelhos, padrão tanto para homens quanto para mulheres. Entre o fim da década de 20 e inicio dos anos 30 a Speedo criou o maiô Racer Back, uma peça alta e estreita que permitia maior locomoção dos ombros e músculos das costas, feitos de seda para a competição dando maior leveza e no treinamento do dia-a-dia ainda eram utilizados os de algodão. Em 1946 surgiu o primeiro biquíni, com formas mais parecidas com as que temos hoje, foi inventado por Louis Réard em Paris, ele acreditava que sua invenção teria um efeito tão explosivo quanto o das bombas nucleares que estavam em teste no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, situadas na Micronésia. Nenhuma modelo se propôs a ser fotografada com a peça, que tinha sido proibida pelo vaticano, a stripper Micheline Bernardini posou a beira do Rio Sena, como mostra a figura 2 (MARQUES, 2004).
    • Figura 2 - Micheline Bernardini (fonte: http://mnemosyne.blog-city.com) É difícil saber quando ocorreu a primeira aparição do biquíni nas praias brasileiras, mas a vedete Luz Del Fuego desfilava pelas praias de Marataízes, no Espirito Santo de calcinha e bustiê improvisado com lenços e a Elvira Pagã leva o mérito de ter sido a primeira a usar biquíni nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro. Com a criação do biquíni em 1946, por Louis Reard que causou um impacto e os tamanhos dos maiôs também sofreram influencia e seu tamanho foi reduzido. Ainda era utilizado extensivamente o uso da seda e do algodão, mas as competições foram naturalmente inibidas devido a Segunda Guerra Mundial (figura 3) e só voltou a ocorrer com mais frequência após os jogos olímpicos de Melbourne em 1956. Figura 3 – Soldado utilizando um sunga na segunda guerra mundial (fonte :http://www.flickr.com/photos/sfidailnuotatore/) Nessa olimpíada Lorraine Crap que bateu um recorde mundial ficou conhecida pelo seu maiô de algodão favorito, que mesmo muito desgastado era utilizado. Ela e Dawn Fraser também detentora de recorde mundial, contribuíram para o desenvolvimento de uma nova roupa para a natação a partir do novo tecido “mágico”, o nylon, que era preferido pela resistência, elasticidade e facilidade de tingimento e as cores começaram a aparecer nas competições, onde as preferidas eram o vermelho e o royal. O nylon chama mais a atenção pela sua repelência água que garantia uma secagem rápida. O maiô também recebeu um destaque nessa época fora das piscinas, já que era peça
    • obrigatória nos desfiles de Miss com uma “sainha” que eram um truque moralista para época. O culto ao corpo não existia na época, já que nos anos 50 surgiram os primeiros restaurantes tipo fast-food, o padrão físico da época era o da Marilyn Monroe. Quando Brigitte Bardot usou um modelo tomara-que-caia com estampa xadrez em vichy com babadinhos, o biquíni ganhou mais força e meninas de famílias tradicionais do rio de Janeiro passaram a usá-lo. A Helenca® foi um dos primeiros materiais usados na fabricação de biquínis e depois a Lycra® criada pela DuPont em 1958, substituiu imediatamente os tecidos grossos e pesados utilizados na moda praia, como por exemplo a lã (MAGALHÃES et al, 2006). A verdadeira popularização do biquíni nos anos 60, ocorreu motivada pelo novo padrão de beleza seguido na época, padronizado pela modelo Twiggy, muito magra, favorecia a exposição do corpo, inclusive ao bronzeado. Janio Quadros, como presidente do Brasil proibiu o uso do biquíni nas praias e isso acabou sendo um grande estimulo para sua disseminação e os biquínis de Helanca® lisos e estampados invadiram as praias brasileiras. Os modelos ficaram mais sumários e o maiô “engana-mamãe” e o “monoquini” mostravam a ousadia das mulheres. Devido às boas propriedades de tingimento e de estampagem que o nylon, foi introduzidas listras nos maiôs de competição e a equipe australiana vestia um uniforme com uma padrogem listrada de verde e dourado, nas olimpíadas de Tóquio de 1964 . No começo da década de 70, os nadadores passaram a acreditar que se fosse reduzido o tamanho dos maiôs eles nadariam mais rápido e assim que surgiram as sungas masculinas. Com os jogos olímpicos de Munique em 1972, a fibra elastomérica ou elastano passou a ser muito utilizada em roupas de natação devido as suas propriedades de extensibilidade, boa recuperação de forma e sua leveza. As cores vibrantes eram o diferencial, podendo ser o rosa-shocking e a laranja. No Brasil a moda se diversificou e a modelo Rose Di Primo, símbolo de beleza na época, reinventaria o biquíni em Ipanema, na improvisação transformou seu biquíni em uma “tanga”, uma estreitíssima faixa de pano abaixo da cintura em forma de triângulo. As garotas de Ipanema também lançaram uma nova tanga com dois exíguos quadriláteros de tecidos atados ao corpo por fitas e cordões, na altura dos quadris que eram complementados com cintos, aros e cordinhas. O culto excessivo ao corpo é a marca dos anos 80, ao invés de se espelhar nas misses, como nos anos 50, as mulheres passaram a observar as modelos. Quanto menor fosse a marquinha do biquíni, melhor, e por isso os anos 80 foram considerados os de maiores inovações na moda praia, da tanga pra asa-delta, depois o fio dental e por último, o topless. Com a nova geração saúde de academia, o corpo passou a se “moldar” de acordo com o biquíni e como as mulheres seriam vistas na praia, o biquíni conseguiu mudar atividades e controlar o comportamento das mulheres.
    • Os maiores fabricantes de natação investiram muito dinheiro em pesquisas na década de 80, para criar novos tecidos e novas formas. O maiô feminino não tinha mais a saia, se moldava ao corpo, a frente alta e as costas Racer Back, um modelo antigo mas feito com o tecido mais recente do momento o elastano. As sungas masculinas ficaram maiores e os surfistas adotaram a neopreme, uma adaptação da roupa de mergulho com mais flexibilidade, para suportar águas geladas. A década de 90 foi marcada pela continuidade das pesquisas em tecnologia de roupas para a natação recebendo um destaque nas competições. Em 1992 foi lançada uma nova tecnologia de maiô de performance, feito com microfilamento de poliéster e de fibras elastoméricas, evitava a formação de bolhas de ar, devido a uma maior porcentagem de elastano. Foi batizado de S2000 e por ser produzido com microfilamentos a sua secagem era mais eficiente que os maiôs de poliamida e elastano e seu coeficiente hidrodinâmico é 15% maior. A partir daí as roupas performances receberam maior destaque nas Olimpíadas e quatro anos mais tarde foi lançado o AQUABLADE, que possuía a mesma composição do S2000, mas com listras estampadas verticalmente, que facilitavam o deslocamento na água, formando canaletas, minimizando o efeito turbilhão que acontece normalmente devido ao atrito da água com o corpo. Os corpos estavam mais cobertos, já que esse tecido oferecia menos atrito do que a própria pele depilada e 77% de todas as medalhas conquistas na Olimpíada de Atlanta os atletas utilizavam o AQUABLADE. A moda teve uma maior conquista de espaço e não só os biquínis passaram a fazer parte da visual praiano, roupas e acessórios como sacolas coloridas, chinelos, óculos escuros, cangas e toalhas complementavam a composição. O biquíni possuía cintura baixa, e maiôs recortados nas laterais e presos com uma argola, partes lisas e estampadas com cores vivas eram misturadas na mesma produção a figura 4 mostra um biquíni desta época. Depois de tanta ousadia em meados dos anos 90 ele cresceu, procurando uma alternativa mais confortável para praticar esportes aquáticos sem perder a sensualidade e ai surgiu o popular shortinho. Figura 4: Desfile da Poko-Pano (fonte: http://www.clix.fot.br) A preocupação máxima com a estética chega junto com o século XXI, o culto ao corpo chega ao seu ápice. E mais do que nunca biquíni é marca, status e anda junto com as tendências mundiais. Marcas ganham força e se estabilizam, os biquínis brasileiros
    • estão em capas e editoriais de revistas mundiais, somos conhecidos pela boa modelagem e pelo bom aproveitamento, já que é difícil ser inovador utilizando tão pouco tecido. Nas olimpíadas de Sidney em 2000 o mundo conheceu a “pele de tubarão” ou “pele rápida”, o FAST SKIN, que foi produzido por profissionais de diversas áreas, tendo como composição 75% de poliéster e 15% de elastano. Foi inteiro construído com sulcos em estampa na exata proporção dos dentículos dermais da pele do tubarão (figura 5), e o corpo dos atletas foi mapeado em 3D e em 8 posições diferentes. O maiô possui painéis que se conectam ao grupo de músculos, suas costuras também são diferenciadas, possuem 53 cm de linha para cada cm de costura que funcionam como tendões ligando os painéis, o tornado extremamente elástico e moldado ao corpo como uma segunda pele, melhorando a hidrodinâmica do atleta. Figura 5 – estampa do maiô Fast Skin (fonte: http://www.f1network.net) 3. Metodologia Esse trabalho foi desenvolvido através de uma pesquisa bibliográfica em artigos científico da área têxtil. 4. Discussão No Brasil, até bem pouco tempo atrás, a indústria da moda ignorava itens como qualidade e criatividade. O cliente do mercado interno, por desinformação, não reclamava da falta de qualidade dos produtos que comprava. Consequentemente, as indústrias aproveitavam esta atitude do mercado, não se comprometendo e nem se motivando com a criação e o desenvolvimento de produtos de melhor design e qualidade. Esse era um contexto socialmente aceito, porque a concorrência não se manifestava de maneira tão acirrada. A história do maiô de performance acompanha o desenvolvimento das fibras e da tecnologia de novos tecidos, auxiliando no desenvolvimento da moda praia, já que os tecidos são primeiro testados nas piscinas e devido ao seu desempenho são levados ou não ao consumidor de varejo.
    • E agora esta sendo considerado um grande instrumento de influencia nos resultados chegando há alguns modelos serem banidos das competições, mas envolvendo profissionais de todas as áreas de pesquisa como biólogos, técnicos de natação, fabricantes de tecidos, fabricantes de software, técnicos em estamparia, principais atletas e treinadores do mundo da natação, mostrando que é uma área que terá um grande crescimento. Com base nos estudos realizados, pode-se afirmar que a moda está mais funcional, as pessoas buscam através do vestuário, conforto e praticidade para atender às mais diversas necessidades cotidianas. 5. Agradecimentos Agradeço à Reitoria da Universidade de São Paulo e à Pró-reitoria de Graduação pela bolsa concedida para desenvolvimento deste projeto, através do programa Ensinar com Pesquisa. 6. Referências Bibliográficas RYDER, M.L., The functional history of clothing -1 Textiles Magazine. The Textile Institute. n.3, p. 13-19. 2000. ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. Disponível em: http://www.abit.org.br/site/noticia_detalhe.asp?controle=2&id_menu=20&idioma=PT&id_notic ia=1261& . Acesso em: nov. 2008. Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 10187; Regras gerais para efetuar ensaios de solidez de cor em materiais têxteis. São Paulo, 1988. GARCIA, Claudia. O Biquíni - Uma Verdadeira Bomba. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/biquini.htm. Acesso em: mar. 2009. SANCHES, R. A. Procedimento para o Desenvolvimento de Tecido de Malha a partir de Planejamento de Experimentos. Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas, 2006. Tese de Doutorado. ARAÚJO, M., FANGUEIRO, R. . Propriedades dimensionais das malhas: gestão do controlo dimensional. II Simpósio Internacional de Engenharia Têxtil e XXI Congresso Nacional dos Técnicos Têxteis, Natal – R.N., 07 a 11 de Setembro 2004. GUILLÉN, J.G., Nomes genéricos das fibras químicas – normativa e legislação. Revista Química Têxtil, n. 70, p.16-37, março 2003. LAVER, J.. A roupa e a moda – uma história concisa. Compania das Letras, 2005 JONES, S. J. Fashion Design – manual do estilista. Editora Cosacnaif. 2 reimpressão, 2007. KADOLPH, S.J., LANGFORD, A.L., Textiles. Ed. Prentice Hall. New Jersey, 2007. LAWRENCE, C.A., Fundamentals of spun yarn technology. The Textile Institute, Cambridge, 2003. MAGALHAES, C. et al. 60 anos de biquini: uma história de sucesso. 2006. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Negócios da moda) - Universidade Anhembi Morumbi. QUÍMICA NOVA. Disponível em: http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/1996/vol19n3/v19_n3_17.pdf . Acesso em: mar. 2009. RYDER, M.L., The functional history of clothing -1 Textiles Magazine. The Textile Institute. n.3, p. 13-19. 2000.
    • SOCIEDADE PORTUGUESA DE QUÍMICA. Disponível em: http://www.spq.pt/boletim/docs/BoletimSPQ_089_075_11.pdf. Acesso em: mar. 2009. ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. Disponível em: http://www.abit.org.br/site/noticia_detalhe.asp?controle=2&id_menu=20&idioma=PT&id_notic ia=1261& . Acesso em: nov. 2008. http://tudosobrenatacao.blogspot.com/2008/07/evoluo-no-traje-de-natao.html . Acesso em: jul.2009 http://www.speedo.com.br/br/2007/flash.html . Acesso em: jul.2009 http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=6460.Acesso em: jul.2009 http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=6591.Acesso em: jul.2009 http://www.celesteleao.com.br/nucleo_moda.php?ID=96.Acesso em: jul.20