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JORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR KADAFI: Uma análise dos Jornais El País e o Estado de S. Paulo e do Google Images

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A relação da internet com a Primavera Árabe está muito além do jornalismo participativo. O “fenômeno” que tomou conta do mundo árabe foi organizado pela rede e tomou proporções inacreditáveis e …

A relação da internet com a Primavera Árabe está muito além do jornalismo participativo. O “fenômeno” que tomou conta do mundo árabe foi organizado pela rede e tomou proporções inacreditáveis e impensáveis sem a contribuição das TIC. O jornalismo participativo foi obviamente importante na divulgação das informações sobre a morte do ex-ditador líbio, Muammar Kadafi. Mas o que chama atenção é a forma como o processo aconteceu.


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  • 1. Cinthia Lopes HenriquesJORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR KADAFI:Uma análise dos Jornais El País e o Estado de S. Paulo e do Google Images Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2012
  • 2. Cinthia Lopes HenriquesJORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR KADAFI:Uma análise dos Jornais El País e o Estado de S. Paulo e do Google Images Monografia apresentada ao Departamento de Comunicação e Design (ICD) do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Jornalismo Orientadora: Lorena Tárcia Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2012
  • 3. AGRADECIMENTOSEnfim, chegou o momento! Foram quatro anos de muitas coisas sérias, mas também de muitasbrincadeiras e descontração. O meu muito obrigado aos meus pais, que me deram o apoionecessário para que eu pudesse investir nessa empreitada. A minha mãe, Maria Tereza, por todapaciência e dedicação. Ao meu pai, João, um abraço especial de dever cumprido!Aos meus queridos amigos, Clésio, Fê, Lucas, Cleiton, Mateus o meu agradecimento porentenderem a minha ausência e por fazerem parte de tantos momentos especiais. Quantas brejaseu deixei de compartilhar com vocês? Ah que saudade! A Lô, metade do diploma é seu! A minhaamiga Rá, que sempre me fez dar boas gargalhadas e me ajudou com bons conselhos. Ao Marco,simplesmente por me receber de braços abertos quando eu mais precisei e por acreditar nos meussonhos. Ao Bruno, pelas palavras mágicas e sóbrias. Ao Bê, por ser o FDP mais gente boa que euconheço. A minha amiga Vanessa Seixas, por compartilhar o desespero de laudas e laudas. Equantas foram? Perdi a conta! Ao Bruno Frade, pelas horas e horas de desabafo! Ao Glaydston,por compartilhar suas nerdices, me dar o apoio técnico necessário e mais que isso ser o parceiroideal em projetos ousados.A coisa mais bonitinha e graciosa do mundo, meu sobrinho Bernardo, que no meio dessaempreitada resolveu que estava na hora de nascer. Aos meus irmãos e cunhadas, pelacompreensão.A minha querida orientadora, Lorena Tárcia, que me ajudou nos momentos de apuros. Pelapaciência, delicadeza e cordialidade com que sempre me tratou. O meu muito obrigado. Sigo coma certeza de que você é um grande exemplo na minha vida. Aos meus mestres, que meacompanharam durante toda esta caminhada, em especial a Angela Moura, por embarcar juntonos projetos mais malucos, ao Maurício Guilherme pelas sutilezas e a Virgínia Palmerston pelocarinho.Na delicadeza, na suavidade e na vontade de quem quer voltar eu encerro mais uma etapa. Atodos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste momento,OBRIGADA. Um caminho novo está começa a ser desenhado agora e eu sigo com a certeza deque valeu a pena. A todos esses que eu citei acima, mais uma vez OBRIGADA, conto com cadaum nas próximas expedições. SALUDOS!!!Enfim, formei! Vamos comemorar?!
  • 4. LISTA DE FIGURASFigura 1: Página informado captura de Muammar Kadafi ............................................................ 41Figura 2 - Página do jornal O Estado de S. Paulo com primeiras fotos do corpo de MuammarKadafi ............................................................................................................................................ 43Figura 3 - Detalhe da primeira imagem de kadafi divulgada em que é possível perceber os íconesdo dispositivo de câmera Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional, kadafi-morre-de-ferimentos-na-captura-diz-governo-provisorio, 787987,0. htm ............................................... 44Figura 4 - Galeria de fotos sobre a queda de Kadafi ..................................................................... 45Figura 5 - Vídeo do colunista Lourival Sant’Anna na página do jornal O Estado de S. Paulo ..... 47Figura 6 - Vídeo mostra corpo de Kadafi exposto na página do jornal O Estado de S. Paulo ...... 48Figura 7 - Matéria da página do O Estado de S. Paulo sobre o uso de celulares no registro damorte de Kadafi ............................................................................................................................. 49Figura 8 - Primeira matéria sobre a morte do ex-ditador líbio na página do El País .................... 50Figura 9 - Vídeo postado na página do El País sobre os últimos momentos de Kadafi................ 51Figura 10 – Primeira notícia sobre a morte de Muammar Kadafi divulgada através do twitter ... 52Figura 11 Matéria do jornal El País reprodudiza da agência Reuters ........................................... 53Figura 12 - Matéria do El País sobre as últimas horas de vida de Muammar Kadafi ................... 54Figura 13 Vídeo do YouTube mostra últimos minutos de vida do ex-ditador Líbio ..................... 57Figura 14 - Artigo opinativo sobre morte do ex-ditador da Líbia ................................................. 59Figura 15 - Depoimento do jornalista líbio Mohamed al Seguir sobre o envio de informações àimprensa internacional ................................................................................................................... 60Figura 16 - Galeria de fotos sobre a captura de Kadafi ................................................................. 61Figura 17 - Foto de Muammar Kadafi utilizada no Google Images .............................................. 62Figura 18 - Fotos de Kadafi postadas em blog americano ............................................................ 63Figura 19 - Fotos sobre a queda de Kadafi em fotoblog ............................................................... 64Figura 20 - Cobertura do site Global Post sobre a morte de Kadafi .............................................. 65Figura 21 - Cobertura da morte de Kadafi no site do jornal inglês The Guardian ........................ 66Figura 22 - Cobertura do Daily Mail da morte de Kadafi ............................................................. 67
  • 5. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 71 JORNALISMO PARTICIPATIVO E/OU COLABORATIVO .................................................. 91.1 Sociedade em Rede e autocomunicação de massa .................................................................... 91.2 Webjornalismo ......................................................................................................................... 121.3 Jornalismo participativo, internet e ciberativismo ................................................................... 141.4 Jornalismo Participativo e os critérios de noticiabilidade ....................................................... 182 GLOBALIZAÇÃO E JORNALISMO INTERNACIONAL .................................................... 212.1 Tecnologias, identidades e informação ................................................................................... 212.2 Jornalismo internacional e Internet ......................................................................................... 233 PRIMAVERA ÁRABE E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO .............................................. 273.1 Primavera Árabe ...................................................................................................................... 273.2 Os levantes no Oriente Médio e as redes sociais ..................................................................... 283.3 Confrontos na Líbia ................................................................................................................. 313.3.1 Breve história Líbia .............................................................................................................. 313.3.1 Muammar Kadafi .................................................................................................................. 334 JORNALISMO PARTICPATIVO E A COBERTURA DA MORTE DE MUAMMARKADAFI ........................................................................................................................................ 364.1 Metodologia ............................................................................................................................. 364.2 Apresentação do objeto ........................................................................................................... 384.3 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal O Estado de S. Paulo .................... 394.4 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal El País .......................................... 494.5 Google Images ......................................................................................................................... 62CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 68REFERÊNCIAS ............................................................................................................................ 70ANEXOS ....................................................................................................................................... 73
  • 6. 7INTRODUÇÃOA comunicação talvez tenha sido a área do conhecimento que mais tenha se transformado nasúltimas décadas. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) mudaram a forma comonos relacionamos. Como resultado desse fator, os paradigmas das relações sociais foramalterados. A noção de tempo, espaço e sociedade projeta o nascimento de uma nova identidadeglobal. Fatos que antes eram isolados ao local do acontecimento, agora ganham repercussãomundial mobilizando pessoas em diversos países.Foi assim que em 2011, o mundo árabe passou por profundas transformações, a Primavera Árabe,um fenômeno novo bastante disseminado através da internet. As rebeliões começaram depois queimagens de Mohamed Bouazzi ateando fogo ao próprio corpo em protesto ao regime do seu país,a Tunísia, circularam pela internet, como consequência três ditadores caíramO movimento que começou na Tunísia tirou do poder Ben Ali, em seguida, atingiu o Egito,levando a expulsão de Hosni Mubarak. E em outubro de 2011, o ex-ditador Muammar Kadafi foicapturado e morto por insurgentes. Minutos depois da morte, imagens dos seus últimos minutosde vida e do seu corpo foram publicadas na internet. Em uma espécie de pedagogia da mídiavárias pessoas registraram o momento e compartilharam através da rede.Uma das imagens mais utilizadas pela imprensa mostra várias pessoas com celulares em torno docorpo do ex-líder tirando fotos. A partir daí, nosso objetivo de pesquisa é buscar entender atravésda cobertura da morte de Muammar Kadafi nas versões online do jornal espanhol El País, dojornal brasileiro O Estado de S. Paulo e de resultados obtidos através do Google Images se houveuma contribuição significante do jornalismo participativo. Afinal, foram os cidadãos que deramrepercussão ao caso, ou foi a lógica das grandes mídias que prevaleceu?Para tanto, nosso estudo foi dividido em quatro capítulos. O primeiro trata do jornalismoparticipativo e as mudanças de paradigmas que a colaboração de usuários trouxe para acomunicação. No segundo capítulo entramos na discussão sobre a globalização, as identidades eo jornalismo internacional.
  • 7. 8Ao chegarmos ao terceiro capítulo nossa discussão está voltada para a Primavera Árabe,passamos aqui pela origem dos levantes; pela história líbia até chegarmos à história de MuammarKadafi. Tentamos entender, a partir deste capítulo, quais foram às motivações para o surgimentodos levantes e qual a efetiva contribuição das redes sociais para a eclosão de revoltas.Ainda que as TIC se apresentem como ferramenta de potenciais mudanças de paradigmas para acomunicação existe um protocolo no jornalismo que barra o acesso efetivo do cidadão ascoberturas midiáticas. No quarto e último capítulo, buscamos analisar quais foram às fontes deinformação utilizadas pelos veículos. Buscamos compreender qual a proporção de utilização dojornalismo participativo na cobertura dos grandes veículos de massa e também por veículos nãooficiais.É impossível traçarmos na totalidade os rumos do jornalismo participativo, uma vez que suasimplicações ainda são muito recentes e apresentam dificuldades pontuais ao trabalho dopesquisador. Avaliar a origem das informações é um dos principais empecilhos ao trabalho, umavez que a grande mídia ainda impõe restrições ao uso de material fornecido por cidadãos. Muitasvezes existe apenas a citação de que determinado material foi cedido ou fornecido, mas nãoexiste uma contextualização dos fatores de que como isso teria ocorrido.
  • 8. 91 JORNALISMO PARTICIPATIVO E/OU COLABORATIVO1.1 Sociedade em Rede e autocomunicação de massaManuel Castells (1999, p. 353) discorre sobre o surgimento do alfabeto na Grécia em meados doano 700 a.C. e afirma que “essa tecnologia conceitual, segundo os principais estudiosos clássicoscomo Havelock, constituiu a base para o desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciênciacomo a conhecemos hoje.”Essa tecnologia permitiu o desenvolvimento da comunicação humana, ocupando o espaço vagoque existia entre a comunicação oral e a escrita. Entretanto, esse processo não aconteceu de umaúnica vez. De acordo com Havelock (apud CASTELLS, 1999, p. 353) foram pelo menos três milanos para que a sociedade se tornasse alfabética.Sobre a evolução da comunicação, Castells afirma que estamos passando por uma transformaçãotecnológica parecida com a do surgimento do alfabeto: [...] ou seja, a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa. Ou, em outras palavras, a formação de um Supertexto e uma Metalinguagem que, pela primeira vez na história, integra no mesmo sistema as modalidades escrita, oral e audiovisual da comunicação humana. (CASTELLS, 1999, p. 354)A transformação da nova mídia influencia as relações sociais e culturais dos indivíduos. Oaspecto multimídia está modificando o “caráter da comunicação” e a partir deste aspecto surge acultura da virtualidade real.O crescimento da televisão depois da Segunda Guerra modificou os outros meios decomunicação. A rápida expansão da televisão se deve ao fato de que “as pessoas são atraídas parao caminho de menor resistência”. (Castells, 1999, p. 355) A televisão representa um rompimentocom a Galáxia de Informação de Gutenberg e apresenta-se como uma grande mídia.Aconstelação da internet é o alicerce da comunicação globalizada.
  • 9. 10As “culturas são formadas por processos de comunicação e todas as formas de comunicação sãobaseadas na produção e consumo de sinais” (CASTELLS, 1999, p. 358), não ocorrendo, portanto,separação entre “realidade” e representação simbólica.Ainda analisando as mudanças da era da informação, em Comunicación y Poder, Castells (2009)afirma que as novas lutas sociais apresentam-se em uma nova forma, o uso das tecnologias decomunicação e as redes sociais mudaram as táticas de luta no mundo todo. Articuladas pelainternet as reivindicações ecoam por todo o mundo e mobilizam um número muito grande depessoas.O ponto central para entender as transformações que as novas tecnologias trouxeram é passarpela compreensão de como surge e estrutura-se o poder. A detenção do monopólio das forças derepressão pelos Estados é uma das formas de ostentar o domínio, mas a construção designificados é outra maneira utilizada pelas nações. “Cuanto mayor es el papel de la construcciónde significado en nombre de interes e valores específicos a la hora de afirmar el poder de umarelación, menos necesidad hay de recurrrir a la violência (legítima o no).” (CASTELLS, 2009, p.35)É nesse sentido que Castells (2009) avalia como os mecanismos de dominação passaram portransformações e entraram em uma nova fase, a esfera pública foi ampliada e como consequênciahouve um aumento da atividade política.O termo “autocomunicación” é evidenciado para retratar uma comunicação feita semintermediários (mídia). A expansão do número de computadores foi um fator decisivo para aevolução desse processo, que se caracteriza pelo uso de uma plataforma massiva, mas que é cadavez mais utilizada para produção de conteúdo em caráter pessoal.A definição de comunicação, que é compartilhar significados, depende do contexto em queacontecem as relações sociais e que acionam a informação e a comunicação. Assim, ao cunhar otermo “autocomunicación de masas”, Castells (2009) afirma que essa nova forma decomunicação é de massa, porque potencialmente pode chegar a uma audiência global.
  • 10. 11 La comunicación de masas tradicional es unidirecional (el mensaje se envía de uno a muchos, en libros, periódicos, películas, radio y televisión). Obviamente, algunas formas de interactividad pueden incorporarse a la comunicación de masas através de otros médios de comunicación. [...] No obstante, la comunicación de masas suele ser predominante unidireccional. Sin embargo, com la difusión de Internet, ha surgido uma nueva forma de comunicación interactiva caracterizada por la capacidad para enviar mensajes de muchos a muchos. (CASTELLS, 2009 p. 88)O “sistema de comunicação digital global” é um reflexo das relações de poder, mas nãorepresenta o ponto de vista de uma cultura dominante. Existe aqui um sistema aberto àstecnologias de autocomunicação. No obstante, y precisamente porque el processo es tan diverso y porque las tecnologias de comunicación son tan versátiles, el nuevo sistema de comunicación digital global se vuelve más inclusivo y compreensivo de todas las formas y contenidos de la comunicación social. (CASTELLS, 1999, p. 123)Pierre Levy (1999) fala da relação entre a construção da realidade e a comunicação, destacando avocação para construir um universo cultural. De acordo com o autor, a sociedade estácondicionada pela técnica. O processo de virtualização pode ser entendido como tudo aquilo quegera mobilização concreta sem estar preso a um local e tempo. Ele define assim a cultura dauniversalidade: Grande parte das formas culturais derivadas da escrita tem vocação para a universalidade, mas cada uma totaliza sobre um atrator diferente: as religiões universais sobre o sentido, a filosofia (incluindo a filosofia política) sobre a razão, a ciência sobre a exatidão reprodutível (os fatos), as mídias sobre uma captação em um espetáculo siderante, batizado de "comunicação". Em todos os casos, a totalização ocorre sobre a identidade da significação. Cada uma à sua maneira, essas máquinas culturais tentam recolocar, no plano de realidade que inventam uma forma de coincidência com elas mesmas dos coletivos que reúnem. (LEVY, 1999, p. 118)Levy (1999) discorre sobre os conceitos de totalidade da cibercultura: Por meio dos computadores e das redes, as pessoas mais diversas podem entrar em contato, dar as mãos ao redor do mundo. Em vez de se construir com base na identidade do sentido, o novo universal se realiza por imersão. Estamos todos no mesmo banho, no mesmo dilúvio de comunicação. Não pode mais haver, portanto, um fechamento semântico ou uma totalização. (LEVY, 1999, pp. 120, 121)O autor afirma que “a cibercultura inventa uma outra forma de fazer advir a presença virtual dohumano frente a si mesmo que não pela imposição da unidade de sentido.” (Levy, 2009, p. 248)
  • 11. 121.2 WebjornalismoA atividade jornalística teve seu início antes da Revolução Industrial, mais precisamente entre osséculos XV e XVI, mas é apenas durante a Revolução Francesa que o jornalismo destaca-secomo ferramenta de divulgação do que é de interesse público para a sociedade.O jornalismo passa por sua segunda revolução com a ascensão das novas tecnologias. A primeiraaconteceu a partir da década de 1950 com a invenção da rotativa e da industrialização dojornalismo.As novas tecnologias rompem com o padrão de comunicação vertical que existia no jornalismotradicional. No novo modelo, a principal característica é uma comunicação horizontal, de muitospara muitos. A principal característica desse modelo é a quebra de paradigma com o modelo“emissor-meio-mensagem-receptor”, levando-se em consideração que o receptor passa a sertambém produtor e mediador das informações. . Prado (2011) afirma que se a primeira RevoluçãoIndustrial foi britânica, a primeira revolução tecnológica é americana, mais precisamentelocalizada no Vale do Silício.Magaly Prado (2011, p.182), defende que não existe mais a separação entre “produtor de mídia econsumidor”. De acordo com a autora, no final dos anos 1990 o rápido crescimento da internetampliou a cultura do “faç@ você mesmo”, que permitiu aos usuários se tornarem produtores deconteúdo. A autora faz um levantamento das várias fases da web até a contemporaneidade. A primeira fase – web 1.0 – é a da publicação com browser, portais, sites, homepages, linguagem HTML, e-mail, livros de visita, fóruns, chats, álbuns de fotos, os primeiros sistemas de busca etc. A segunda fase é a da cooperação, com redes de relacionamento, blogs, marketing viral, social bookmarking (folksonomia), webjornalismo participativo, escrita coletiva, velocidade e convergência. (PRADO, 2011, p. 189)Targino (2009, p. 135) faz a categorização do webjornalismo em três gerações. Sendo a primeira,a fase de transposição ou reprodução em que os “mass media se limitam a disponibilizar a versãodo material impresso, a cada dia”. A segunda geração é a fase da metáfora em que os sites aindareproduzem conteúdo da versão impressa, mas já existem ferramentas de interatividade. Já a
  • 12. 13terceira geração, é designada de hipermidiática, pois os recursos de interatividade aumentam como uso da hipertextualidade.A adesão ao webjornalismo reduz custos e diminui burocracia nos grandes veículos e comoconsequências disso as redações estão cada vez menores e o perfil dos jornalistas mudoucompletamente. É necessário que o webjornalista saiba administrar as mais variadas mídiasdisponíveis, o que Prado (2011) nomeia de profissional “multimídia e multitarefeiro”.O desafio desses novos profissionais é em linhas gerais saber lidar com as mídias e qualtratamento aplicar para cada uma delas, sem cair na superficialidade das informações. Com asnovas ferramentas móveis, as notícias podem ser acessadas em qualquer lugar, a qualquer hora esendo atualizadas em tempo real. Além disso, as fontes de informação se multiplicam a cada dia.O desafio dos veículos tradicionais é entender como despertar o interesse do usuário pelo seuconteúdo.A cultura digital se transformou nos últimos anos, a evolução das ferramentas decompartilhamento de dados e a convergência de mídias proporcionaram que o usuário passasse agerar informação. “O usuário comum participando e gerando conteúdo começou com osurgimento das ferramentas amigáveis, ou seja, mais fáceis de publicação e distribuição, como ados blogs”. (PRADO, 2011, p. 184)Prado (2011) afirma que os sistemas de tagueamento, a introdução de palavras chaves quesintetizam o assunto tratado, ajudaram na formação de “comunidades” ou grupos online que sejuntam para discutir um assunto de interesse comum. A vantagem das tags é que são personalizáveis, isto é, não precisam ser palavras institucionalizadas ou rótulos controlados ou predefinidos. Por esse motivo, são sistemas de folksonomia, criado por Thomas Vander Wal, um designer da informação e expressam um tipo de organização criada por pessoas. (PRADO, 2010, p.184)
  • 13. 141.3 Jornalismo participativo, internet e ciberativismoDe acordo com Lindemann1 (2006, apud PRADO, 2011, p.45): a “idéia de transformarinternautas comuns em repórteres surge, no mundo, em iniciativas como Slashdot, Ohmy News,Wikinews”. Prado (2011) afirma que em algumas plataformas de jornalismo colaborativo existeuma edição das informações enviadas pelo público. Mas o objetivo desses sites é ser uma opçãopara o usuário às já conhecidas mídias.O envio de vídeos pelos usuários se tornou cada vez mais comum no jornalismo participativo. Deacordo com Prado (2011), a partir de 18 de novembro de 2009, o YouTube criou o YouTubeDirect, um canal que permite que qualquer usuário inclua vídeos nas páginas dos jornais, sem queseja necessário fazer cadastro. Essa ferramenta possibilita que os veículos escolham quais são osvídeos relevantes de acordo com o assunto. O webjornalismo participativo pode ser definido como hipertexto cooperativo de interação mútua: não há apenas um produtor, como nas mídias de massa, mas todos os usuários podem vir a ser produtores de notícias. Esse tipo de interação ainda é pouco explorada e, por suas características, gera questionamentos quando comparadas ao jornalismo clássico. (FONSECA; LINDEMANN, apud PRADO, 2010, p. 88).O processo de identificação, mobilização e articulação de causas sociais que ocorre no cotidianoé potencializado nas redes sociais digitais. Os indivíduos ampliam o debate e os canais de difusãoreforçando, sensibilizando e projetando problemáticas. Na dinâmica das redes, os fenômenos que popularmente conhecemos como “efeitos cascata ou em cascata” são exemplos de ação coletiva que pode ser induzida pelo poder público, principalmente em situações onde a resolução do problema comum depende de uma adesão do maior número de atores sociais possível. A importância dos fluxos de informação para a realização de ações coletivas coordenadas também aparece claramente em regimes totalitários, onde o direito à reunião e ao trabalho dos jornalistas são normalmente diminuídos ou eliminados, como estratégia de combate aos opositores. A sequência de eventos conhecida como “Primavera Árabe”, onde em vários países, ditaduras antigas tem enfrentado oposição nas ruas, é um exemplo das possiblidades de análise com um olhar interdisciplinar que envolva teorias de Rede e de Comunicação. A utilização de redes sociais para contornar as restrições de comunicação nesses cenários e potencialmente gerar mudanças em escala e velocidade inéditas também reforça o interesse desse tipo de abordagem e sua utilidade para a compreensão de situações e sistemas de considerável complexidade. (SANTOS, 2012, p.68)1 LINDERMANN, Cristiane. (livro) In: PRADO, Magaly. Webjornalismo. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p.33.
  • 14. 15O ciberativismo parte da esfera pública para a privada. As relações são construídas através deinteresses em comum que criam e unem grupos dispostos a mobilizaram-se em favor de umacausa. É importante ressaltar o papel dos mecanismos automatizados de busca e seleção de pessoas que compartilham interesses ou amigos comuns. Em plataformas como o Facebook e o Twitter tais mecanismos estão presentes e potencializam o crescimento das redes pessoais bem como a quantidade de usuários dessas plataformas a um ritmo intenso e em curtos períodos de tempo. Em fevereiro de 2012 o Facebook já tinha mais de 845 milhões de usuários ativos. (SANTOS, 2012, p. 59)O desenvolvimento das mídias sociais digitais alterou o comportamento dos indivíduos nasrelações humanas. As ferramentas tecnológicas permitem a formação de redes em defesa de uminteresses em comum estruturadas em uma nova forma de cidadania da era globalizada. Diferentemente dos anos 60, quando a circulação da informação era monopólio das grandes organizações, atualmente, o avanço das tecnologias tem possibilitado o envolvimento dos indivíduos na produção e compartilhamento de conteúdo midiático alterando os padrões de consumo e permitindo que se configure a noção de cultura participativa. A convergência de diferentes mídias tem servido a estratégias de um número crescente de movimentos sociais, uma vez que os usuários aprenderam novas formas de interagir com o conteúdo que encontram. Essa cultura participativa acompanha o desenvolvimento tecnológico que sustenta a convergência midiática e cria demandas que as mídias de massa ainda não estão aptas a satisfazer. (GREGOLIN, 2012, p. 12)A construção da notícia ganhou um novo formato mais interativo e “democrático”. Os usuáriosabandonaram o papel de receptores e participam do ciclo de criação, repercussão e reprodução deinformações de forma ativa e fundamental, inclusive para os veículos tradicionais.Com a expansão das redes sociais, o fluxo de informação inverteu-se de forma considerável. Asnotícias até então saíam das redações de veículos tradicionais, chegavam ao público final e eramrepercutidas em um ciclo que passava do espaço público para o espaço privado. Concomitantecom o crescimento das plataformas convergentes ocorreu uma inversão do fluxo de informações,que trouxe uma reorganização no consumo de notícias. A partir deste momento, os veículostradicionais buscam pautas nas redes sociais.
  • 15. 16 O modelo transmissionista (emissor>mensagem>canal>receptor), que parecia para alguns ser o modelo natural da comunicação de massa, ganha nova maquiagem. O fluxo jornalista > notícia >jornal >leitor, por exemplo, renova-se em jornalista>notícia>site> “usuário”. (PRIMO, TRÄSEL, 2006, p. 2)Dentro dessa perspectiva, as mídias online agregaram algumas características à produção denoticias, a saber, a ampla cobertura; a informação não tem limite geográfico; o acesso de milharesde usuários à rede mundial de computadores; e o aspecto de simultaneidade e instantaneidade.Castells (2006) destaca ainda a formação de redes de comunicação alternativas, que surgiram naefervescência da participação dos usuários em plataformas digitais e tornaram-se ferramentas decirculação e atualização de informações. A constituição de redes de comunicação autônomas chega também aos meios de comunicação mais tradicionais. As televisões de rua e as rádios alternativas – como a TV Orfeo em Bolonha, a Zaléa TV em Paris, a Occupen las Ondas em Barcelona, a TV Piqueteros em Buenos Aires – e uma enorme quantidade de mídias alternativas, ligadas em rede, formam um sistema de 2 informação verdadeiramente novo. (CASTELLS, 2006)O papel do profissional de jornalismo neste novo contexto do novo fluxo de informação deixa deser exclusivo como filtro para as informações. Com essas novas características, a apuração dosfatos depende fundamentalmente das relações entre cidadãos e jornalistas. Historicamente encarregados de informar os sistemas democráticos, seu futuro dependerá não de quão bem informam, mas, sobretudo, de quão encorajam e mantêm diálogos com os cidadãos, em alusão à cidadania e a temas de interesse do indivíduo como eixo central do noticiário, em que o papel de selecionar e produzir conteúdos noticiosos deixa de ser privilegio de uma classe profissional. (TARGINO, 2009, p. 170)A internet democratizou o acesso às fontes e, além disso, criou um novo espaço ondepotencialmente qualquer usuário, desde que, preparado tecnicamente, pode ser utilizado comofonte. Mais uma vez, quebrando o paradigma de fontes oficiais e da posição dos jornalistas comoúnicos e exclusivos mediadores das informações.2 CASTELLS, 2006. A era da intercomunicação. Diplô Brasil. Disponível em http:<//diplo.org.br/2006-08,a1379>.Acesso em 23. Set. 2012.
  • 16. 17 A novidade do jornalismo digital reside no fato de que, quando fixa um entorno de arquitetura descentralizada, altera a relação de forças entre os diversos tipos de fontes porque concede a todos os usuários o status de fontes potenciais para os jornalistas. Se cada indivíduo ou instituição, desde que munido das condições técnicas adequadas, pode inserir conteúdos no ciberespaço devido a facilidade de domínio de áreas cada vez mais vastas, fica evidenciada tanto uma certa diluição do papel do jornalista como único intermediário para filtrar as mensagens autorizadas a entrar na esfera pública, quanto das fontes profissionais como detentoras do quase monopólio do acesso aos jornalistas. A possibilidade de dispensa de intermediários entre as fontes e usuários implode com a lógica do predomínio das fontes profissionais porque transforma os próprios usuários em fontes não menos importantes. (MACHADO, 2002, p. 6)Retomando à questão dos veículos tradicionais, com a ascensão das novas mídias, cidadãos,ONG’s e movimentos sociais conseguem atrair espaço entre os mass media para questões de seusinteresses. Utilizando o ciberativismo, cidadãos emplacam pautas nos veículos, criando umprocesso de repercussão ainda maior e acrescentando o “valor” credibilidade as informaçõesrepassadas. Uma vez que os veículos tradicionais ainda são vistos como referência. Osdesdobramentos de tais tendências ainda são recentes e é impossível de se fazer uma avaliaçãocompleta. É o que avalia Santos (2012). As redes e as tecnologias de informação e comunicação têm gerado impactos sociais, culturais e políticos que provavelmente ainda não possamos avaliar na totalidade, basicamente por estarmos no meio do processo e fazermos parte dele, estando cientes disso ou não. (SANTOS, 2012, p. 67)Newman (2009) destaca pelo menos três características que fazem com que o jornalismoparticipativo contribua para que as empresas de comunicação abram espaço para este segmentode jornalismo. • Contar histórias melhores: construção de uma visão Dan Gillmor: há sempre alguém que sabe mais do que você, organizações de notícias estão utilizando o crowdsourcing de comentários, fotos, vídeos e ideias. Esses suplementos e complementos aliados as suas próprias fontes de obtenção de notícias enriquecem a saída da informação. • Fazer um relacionamento melhor: usuários engajados tendem a ser mais leais e passar mais tempo, tornando-os mais valiosos para os anunciantes ou para a promoção e venda de serviços de outras empresas. • Obter novos usuários: com o público gastando mais e mais tempo com redes sociais, estes se tornaram o lugar mais óbvio para procurar o "difícil acesso" ou se reconectar com os partidários anteriores. (NEWMAN, 2009, p. 7, tradução nossa)
  • 17. 18Newman (2009) destaca ainda a necessidade dos veículos prepararem seus profissionais paralidar com o jornalismo participativo, pensando assim em uma lógica de cooperação produtiva eresponsável com os leitores e usuários. “Um desafio fundamental para muitas organizações denotícias é incentivar mais jornalistas a se envolverem com essas ferramentas, e usá-los para fazercontatos, por crowdsourcing e como um canal para suas reportagens.” (NEWMAN, 2009, p. 38,tradução de nossa)1.4 Jornalismo Participativo e os critérios de noticiabilidadeO jornalismo participativo trouxe uma nova lógica de valores-notícia para a comunicação. Ainformação circula de forma diferente e estabelece novos paradigmas. O leitor também participado processo de “apuração” e demonstra seus interesses, interferindo diretamente na práxisjornalística. Targino (2009) define o conceito de ciber-cidadão, aquele que exercita a cidadaniautilizando o ciberespaço. A multiplicação dos difusores altera as relações entre os jornalistas e as fontes porque transforma os usuários do sistema em fontes. Enquanto no jornalismo convencional em que muitas vezes declarações são transcritas como notícias predomina o uso das fontes oficiais, no jornalismo digital a participação dos usuários contribui para a utilização de fontes independentes, desvinculadas de forma direta dos casos publicados. Com a descentralização da redação ocorre uma inversão no fluxo de notícias, antes muito dependente das fontes organizadas. O próprio jornalista necessita rastrear nas redes os dados antes de redigir a matéria solicitada ou mesmo quando apura a veracidade dos conteúdos das matérias enviadas pelos colaboradores. O alargamento do conceito de fontes coloca na ordem do dia a reflexão sobre as consequências para o jornalismo da incorporação dos usuários no circuito de produção de conteúdos. (MACHADO, 2002, p. 10)Os critérios de noticiabilidade em jornalismo participativo são bastante variados. A questão éfocada na descentralização do emissor de informações, ou seja, a democratização no processo deinformações que circulam pelo espaço público. Experiências obtidas através das insurreiçõesiniciadas pelas plataformas digitais, como a Primavera Árabe, sugerem que os temas que ganhamnotoriedade são aqueles voltados para o interesse coletivo. Neste sentido, reivindicações sociais,denúncias de abuso de poder, corrupção e irregularidades administrativas tornam-se as principaisinformações a ganhar repercussão.
  • 18. 19Robert Fisk (2011), correspondente do jornal inglês The Independent, ao relatar as revoltas árabesno Egito destacou a importância que as redes sociais tiveram para burlar a censura dos jornaisque apoiavam o regime de Hosni Mubarak. Esta é uma revolução pelo Twitter e pelo Facebook e há muito que a tecnologia derrubou as normas caducas da censura. Os homens de Mubarak parece terem perdido toda iniciativa. Os jornais de seu partido estão cheios de autoengano: jogam as notas sobre as manifestações para os pés da primeira página, como se com isso fossem tirar as multidões das ruas; como se, de fato, pelo apequenamento das notas os protestos jamais tivessem ocorrido. Mas não se precisa ler os jornais para saber o que se tem falado. A sujeira e as cidades perdidas, confusas, os esgotos a céu aberto e a corrupção de todo funcionário público, as prisões superlotadas, as eleições risíveis, todo o vasto e esclerosado edifício do poder levou, por fim, os egípcios às 3 ruas. (FISK, 2011)O relato de experiências como essa apontada por Fisk (2011) não são novos. O que diferencia osúltimos protestos é a intensidade com que os usuários utilizaram a rede para se mobilizarem eprojetarem as informações em nível global. Em artigo publicado pela revista Veja em 2011, JadyPavão Júnior e Rafael Sbarai (2011) fazem um levantamento histórico do uso das TIC no mundotodo. 2001- Filipinas - Milhares de pessoas trocam mensagens de texto no celular (SMS) para coordenar protestos que culminam no impeachment do presidente Joseph Estrada. 2004 - Espanha - Mensagens de texto acusando o premiê José María Aznar de mentir sobre o atentado ao metrô de Madri influenciam a eleição e impõem derrota ao primeiro-ministro nas urnas. 2006 - Bielorrúsia - A tentativa de revolução começa por e-mail, mas não vai longe: o protesto não tem força para derrubar o ditador Aleksandr Lucashenko, que em seguida tenta controlar a rede. 2009 - Irã - Ativistas usam celulares e redes sociais para coordenar protestos contra fraudes nas eleições. Em resposta, o governo bloqueia o acesso ao Twitter e ao Facebook. 2009 - Moldávia - Ações na web reúnem mais de 10.000 manifestantes anti-governo, que responde com perfis falsos no Facebook para atrapalhar os manifestantes. 2010 - Tailândia - O movimento Red Shirt, que se opõe ao governo militar que comanda o país, usa redes sociais para coordenar suas ações. A ação é esmagada e dezenas de pessoas morrem. 2011 - Tunísia - O ditador Zine El Abidine Ali cai após convulsão popular. As redes sociais são usadas como meio de comunicação entre os manifestantes.3 FISK, Robert. Esta é uma revolução pelo twitter. Carta Maior,jan./2011. Disponível em<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17341>. Acesso em 16. Abr. 2012.
  • 19. 20 2011 - Egito - Motivados pelos acontecimentos da Tunísia, os egípcios saem às ruas contra o ditador Hosni Mubarak, que tenta bloquear o Twitter, ferramenta de coordenação do movimento. (PAVAO JR. e SBARAI, 2011)Irene García Medina e Pedro Álvaro Pereira Correia (2011) destacam o papel da simultaneidadeque as TIC trouxeram para a comunicação e relata que o processo de atualização de informaçõestornou-se um processo infinito. Internet, telefones, celulares, PDAs, televisão digital terrestre e outras tecnologias interativas têm democratizado as comunicações de mercado. Seja qual for à mensagem que a empresa deseja transmitir é cada vez mais necessário superar as barreiras de acessibilidade, relevância, contexto e sedução da mensagem para se conectar ao receptor. O surgimento das redes sociais revive a arte de contar histórias, qualquer que seja o conteúdo (filmes, publicidade, informação comercial, apresentação da empresa). Uma boa história é divertida, sensual e emocional, carregada de significados, é instrutivo, porque é não intrusiva. Por convite promove a participação, a coesão e a interatividade de seus destinatários. As imagens da comunicação da marca e organizações são correspondidas ou se desenrolam contra o pano de fundo de um tele series com um número ilimitado de capítulos. (CORREIA, Pedro; MEDINA, Irene 2011, p.130, tradução nossa)Mais importante do que a forma como as matérias são produzidas é a colaboração do cidadãocom o processo de produção das notícias. Targino (2009) chama atenção para o processo demutação que o jornalismo vem passando nos últimos anos. A trajetória do jornalismo nos regimes democráticos, decerto, incluindo o Brasil, mostra o jornalismo em constante mutação e em busca de um novo fazer jornalístico, em que invariavelmente, tanto a pretensão de vigiar os governantes ou ser por eles vigiados, como a proteção aos cidadãos contra os abusos do poder estão presentes. (TARGINO, 2009, p. 75-76)
  • 20. 212 GLOBALIZAÇÃO E JORNALISMO INTERNACIONAL2.1 Tecnologias, identidades e informaçãoO fenômeno da globalização ganhou novos desdobramentos na última década com o advento dasTICs. A formação das identidades culturais no ambiente do novo espaço global é um dos pontosmais discutidos. Com a evolução das plataformas tecnológicas, noções de espaço, tempo esociedade perderam seu significado original, passando a ganhar novas características maisefêmeras, com o estímulo ao consumo unificado, que desperta em pessoas de diferentes países eaté então diversas culturas a necessidade de consumir os mesmos produtos e serviços. De acordocom Hall (2006, p. 73), as “identificações globais” são fixadas acima da cultura nacional e criamum fluxo de deslocamento e até extinção das “identidades nacionais”. Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. (HALL, 206, p. 74)Hall (2006) defende que os fluxos da globalização são desequilibrados, tornando-a um processoque parte do Ocidente para as periferias do mundo, o que a torna um processo essencialmenteocidental. Entretanto, o autor destaca que se de certa forma as identidades globais estãosubstituindo as identidades nacionais, as periferias também participam do efeito equalizador daglobalização. As sociedades da periferia têm estado sempre abertas às influencias culturais ocidentais e, agora, mais do que nunca. A ideia de que esse são lugares “fechados” -etnicamente puros, culturalmente tradicionais e intocados até ontem pelas rupturas da modernidade – é uma fantasia ocidental sobre a “alteridade” : uma “fantasia colonial” sobre a periferia, mantida pelo Ocidente, que tende a gostar de seus nativos apenas como “puros” e de seus lugares exóticos apenas como “intocados”. Entretanto, as evidências sugerem que a globalização está tendo efeitos em toda parte, incluindo o Ocidente, e a “periferia” também está vivendo seu efeito pluralizador, embora num ritmo mais lento e “desigual.” (HALL, 2006, p. 80)Anthony Giddens (1991) propõe uma discussão focada nos novos processos de relações sociaisque a globalização permite. A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são
  • 21. 22 modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais acontecimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A transformação local é tanto uma parte da globalização quanto a extensão lateral das conexões sociais através do tempo e do espaço. Assim, quem quer que estude as cidades hoje em dia, em qualquer parte do mundo, está ciente de que o que ocorre numa vizinhança local tende a ser influenciado por fatores — tais como dinheiro mundial e mercados de bens — operando a uma distância indefinida da vizinhança em questão. (GIDDENS, 1991, p.60 – 61)Ao analisar o fluxo de informação na sociedade globalizada, Giddens afirma que as “notícias”desempenham um papel fundamental nas relações sociais culturais, ou seja, os sujeitos têm hojeuma noção mais ampla dos acontecimentos globais. A questão aqui não é que essas pessoas estejam contingentemente conscientes de muitos eventos, de todas as partes do mundo, dos quais, antes, elas permaneceriam ignorantes. É que a extensão global das instituições da modernidade seria impossível não fosse pela concentração de conhecimentos que é representada pelas "notícias". Isto é talvez menos óbvio na consciência cultural geral do que em contextos mais específicos. (GIDDENS, 1991, p.71)A visão de uma globalização que atinge a todas as civilizações que é compartilhada por Giddens(1991) e por Hall (2006) é contestada por Samuel Huntington (2001), que rejeita a ideia de uma“civilização universal”, que compartilha práticas e crenças comuns em diferentes lugares domundo. Para ele, mesmo as TICs provocando uma maior interação entre as pessoas do mundo,elas não conseguem “criar” uma “cultura universal”. O conceito de uma civilização universal é um nítido produto da civilização ocidental. No século XIX, a ideia do “fardo do homem branco” ajudou a justificar a expansão do domínio político e econômico ocidental sobre as sociedades não-ocidentais. No final do século XX, o conceito de uma civilização universal ajuda a justificar o predomínio cultural do Ocidente sobre outras sociedades e a necessidade para essas sociedades de imitar as práticas e as instituições ocidentais. O universalismo é a ideologia do Ocidente para confrontações com culturas não- ocidentais. (HUNTINGTON, 2001, p. 78)Castells (2000, p. 257) afirma que, “de modo geral, a globalização/localização da mídia e dacomunicação eletrônica equivale à descentralização e desestatização da informação, duastendências que, por ora, são indissociáveis”.Esse fatores da globalização afetaram o jornalismo internacional. Com a disseminação das novastecnologias, as informações globais ganharam canais mais flexíveis de comunicação. Este
  • 22. 23sentimento de pertencimento a uma mesma nação global, endossado por Hall (2006) e porGiddens (1991), cria um processo de inversão no jornalismo internacional. Pragmaticamente, para o Jornalismo Internacional, isto significa o advento de novos fluxos de informação que abandonam a rigidez hierárquica e centralizadora dos sistemas das agências (apuração redação central clientes) e a concentração da pauta em um número limitado de fontes e assuntos. Em outras palavras, o fluxo de informação em redes estende o leque de opções que o repórter-redator de Inter tem à sua frente e permite que ele, na prática profissional, liberte-se de todos os níveis prévios de filtros e gatekeepings e vá direto à origem primária das informações, conferindo plena manuseabilidade sobre a matéria-prima das notícias. (AGUIAR, 2008, p. 60)2.2 Jornalismo internacional e InternetO jornalismo internacional é a especialidade que trata de assuntos exteriores à localizaçãogeográfica que o jornalista está inserido. Sendo assim, essa é uma das áreas do jornalismo quemais agregam conteúdo. Jornalismo Internacional é, assim, uma especialização jornalística cuja definição é, por natureza, relativa. Ao contrário do que ocorre com as definições de tipo temáticas (Jornalismo Econômico, Político, Cultural, Esportivo...), de suporte (Telejornalismo, Radiojornalismo, Webjornalismo, de Revista...) ou de linguagem (Literário, Investigativo, de Precisão, de Resistência...), que têm – a princípio – descrições universalmente válidas, o Jornalismo Internacional conta com a particularidade de variar seu objeto de interesse de acordo com a procedência nacional do repórter que apura e com a localização (física; geográfica) do veículo ao qual a matéria se destina. É desta forma que, nesta área, o que for exterior para uns não o será para outros; e o assunto que é “doméstico” para um país é “internacional” para todos os demais. (AGUIAR, 2008, p. 17)Natali (2004) faz um resgate do surgimento do jornalismo internacional e aponta que a origem dosegmento teria ocorrido durante o século XVI, após um banqueiro alemão ter criado umnewsletter, que trazia informações voltadas para o setor de negócios como cotações demercadorias e “notícias” sobre política dos países europeus. O autor aponta que, já no séculoseguinte, as publicações que traziam um panorama sobre a situação política e econômica dospaíses europeus cresceram significativamente no continente e com isso as trocas de informaçõestornaram-se fundamentais para o mundo dos negócios.
  • 23. 24Assim como em todas as editorias, o trabalho jornalístico na editoria internacional passou porgrandes transformações nas últimas décadas. Talvez pela questão do acesso a informação, a seçãointernacional tenha sido uma das que mais teve seu trabalho facilitado pela evolução das TIC.As agências de notícias foram durante muito tempo as principais fontes de divulgação donoticiário internacional. Era através das agências de notícias que veículos de comunicação domundo inteiro noticiavam os acontecimentos mais importantes do globo. De acordo com Natali(2004), foram as agências de notícia que deram viabilidade econômica ao jornalismointernacional. As notícias produzidas pelas agências têm um custo inferior daquelas produzidaspor correspondentes exclusivos. Quando vários veículos pagam pela informação, como acontececom as informações vendidas por agências de notícias, o custo é repartido. Assim, a dinâmica da informação em uma agência de notícias de grande porte, como as já citadas, gera um fluxo de informações sistêmico, linear e centralizado: a informação é inserida no sistema interno da empresa pelo correspondente no exterior, transmitida para a redação central e, de lá, redistribuída para os escritórios locais e regionais que, por sua vez, encaminham a notícia (que é a informação depois de “manufaturada”) para os respectivos clientes. Na prática, e fundamentalmente, o sistema de uma agência funciona mediando o contato entre as fontes primárias e o cliente. (AGUIAR, 2008, p. 28)Os jornalistas do noticiário internacional têm uma rotina um pouco diferente das outras editorias.A primeira etapa é a seleção das notícias que entrarão naquela edição. Esse processo exige umconhecimento vasto sobre a política internacional e uma capacidade de análise ao verificar o quemerece ser publicado, levando em consideração fatores como o que é relevante dentro docontexto de cada país, a linha editorial e a importância que será atribuída a cada informação.Na discussão sobre os critérios de noticiabilidade na editoria internacional, Natali (2004)acrescenta que alguns fatores são privilegiados, a saber, guerras, eleições em países vizinhos,epidemias e tragédias inesperadas, levando em consideração tanto a localização geográficaquanto política do fato ocorrido.
  • 24. 25Outra figura marcante dentro do jornalismo internacional é o correspondente internacional. Esseprofissional é aquele que ou foi enviado para acompanhar uma situação especial ou vive no país erepassa as informações do país em que vive e de territórios vizinhos para seu veículo. Osjornalistas que residem no país são preferencialmente nomeados de correspondente internacionale os jornalistas que vão acompanhar algum evento específico são nomeados como enviadosespeciais.Aproximando o fato para nosso objeto de pesquisa o correspondente ou enviado especial quecobre guerras tem uma dificuldade ainda maior para ter acesso às informações uma vez que a suaprópria vida está em risco e é necessário um aparato mínimo para que ele consiga exercer suafunção. Entre esses fatores podemos destacar o idioma, a falta de conhecimento físico do local, asparticularidades e peculiaridades, levando em consideração cultura, religião e tradições. Todosesses pontos apresentam-se como um dificultador do trabalho do jornalista. Os correspondentesinternacionais apresentam-se como filtro das informações, privilegiando uma visão de quem podepresenciar os acontecimentos in loco.Clóvis Rossi (2000) destacou como o roteiro de informações no jornalismo segue uma lógica dospaíses capitalistas através das agências de notícias que estão em sua maioria sediadas na Europaou nos Estados Unidos. Vejamos alguns números ilustrativos: a Associated Press, com sede central em Nova York, tem 8.500 assinantes em mais de cem países; a Reuters, britânica, está estabelecida em 69 países e vende seu material para 6.500 clientes (dos quais 4.700 são jornais); a France Presse, com suas 92 sucursais no Exterior, atinge 12.400 assinantes. (ROSSI, 2000, p. 83)A produção jornalística passou por grandes transformações com o aumento do acesso às redesnas últimas décadas. Com o desenvolvimento das TIC, a produção de conteúdo na editoria dejornalismo internacional mudou estruturalmente seus paradigmas na forma de transmitirinformações. É importante analisarmos que as mudanças demonstram, não apenas, uma evoluçãodas TICs, mas uma alteração dos modelos econômicos e sociais das comunidades modernas.
  • 25. 26A forma como recebemos a notícia foi alterada. Este processo marca o fim da dependência,mesmo que não completamente, dos veículos de imprensa com as agências de notícia eacrescenta novas características à editoria: aumento do volume de informações, memóriailimitada (atualizações em tempo real), multimidialidade, acesso rápido e facilitado as fontes deinformação e pesquisa. A convergência é tendência predominante no paradigma tecnológico pós-industrial. Na prática, isso significa que as ferramentas de trabalho do jornalista estão agoraintegradas e se complementam para a articulação do fluxo informativo em redes. (AGUIAR,2008, p. 76)As ferramentas que estão inseridas no contexto da internet facilitaram muito a vida dos jornalistasda editoria internacional. O e-mail revolucionou a forma de contatar as fontes, como destacaAguiar (2008, p. 78) o “e-mail veio representar um grande facilitador para atingir pessoas emoutros países, incluindo o fato de não depender da sincronia (a pessoa lê e responde quandopuder, o que ajuda no caso de fusos horários distantes)”.
  • 26. 273 PRIMAVERA ÁRABE E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO3.1 Primavera ÁrabeO movimento denominado Primavera Árabe, que atingiu os países do norte da África e doOriente Médio no final de 2010, começou após a autoimolação do jovem tunisiano MohamedBouazizi, em protesto contra a situação política da Tunísia. De lá pra cá, três ditadores já caíram.O último deles foi Muammar Kadafi, ditador líbio por 42 anos, deposto depois que rebeldesapoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte - (OTAN) tomaram Trípoli.Países como Tunísia, Egito, Líbia, Marrocos, Bahrein, Iêmen e Iraque entraram em estado decaos após diversas manifestações contra a situação política e econômica, reivindicando direitosdemocráticos e enfrentaram graves crises estruturais após o início das insurreições. Autores comoJoffe (2011) e Ramonet (2011) atribuem diferentes causas para a explosão de revoltas que tomouconta desses países. Para Joffe (2011), a própria característica autoritária dos Estados árabesimpulsionou as crises. [...] a recusa em tolerar a participação popular activa no processo de governação viria a servir como impulsionador das crises que os regimes enfrentaram a partir do momento em que foi encontrado o agente catalítico apropriado. E, claro, a natureza do agente catalítico explica a cronologia das crises. Essa natureza, em si mesma, é um reflexo das consequências da repressão e, ironicamente, das concessões de abertura política que os governantes demonstraram nos últimos anos. Com efeito, a evolução das crises em cada Estado deu-se em função das naturezas políticas dos próprios regimes, uma vez que apesar da sua intensa repressão política, os regimes de Ben Ali e de Mubarak, na Tunísia e no Egipto – à semelhança do regime de Bouteflika na Argélia, e ao contrário do regime líbio –, tinham vindo progressivamente a abrir espaço para um certo grau de autonomia de expressão e de acção social e económica. Esse fenómeno estava ligado a processos de liberalização política com o propósito de assegurar que o controlo do regime nunca seria ameaçado. (JOFFE, 2011, p. 86-87)Existem muitas discussões sobre quais teriam sido as causas atribuídas para o início das revoltas.Os protestos tiveram diferentes catalisadores em cada país. Entretanto, as próprias característicasautoritárias desses Estados provocaram as crises. Ainda que a falta de democracia e a forterepressão sejam apontados como estopins comuns para as eclosões de movimentos de revolta,outros fatores, como aponta Ramonet (2011)4, contribuíram para a eclosão das revoltas.4 RAMONET, Ignacio. Cinco causas de la insurrección árabe. Le Monde Diplomatique (en Español), nº 185, Março2011. Disponível em: <http://www.mondediplomatique.es/?url=editorial/0000856412872168
  • 27. 28Mohamed Habib (2012)5 chama atenção para o fato de que “uma análise coerente dessas revoltase suas perspectivas para 2012, deve considerar duas questões: a geopolítica e a econômica. Alémdisso, as interferências externas, em especial as do Ocidente dominante, que influenciam cadapaís do mundo árabe”.O Oriente Médio, como lembra Habib (2012), sempre foi alvo dos interesses ocidentais. Alocalização estratégica de muitos países juntamente com a propriedade de recursos energéticos,tornaram esses países o alvo da cobiça americana e europeia. Nos últimos anos, os paísescapitalistas apoiaram as ditaduras árabes em prol do desenvolvimento dos seus interesses noscontinentes árabes. A fase atual, é resultado dos interesses do Ocidente pós Primeira Guerra Mundial e envolve a localização e os recursos energéticos do mundo árabe. Os EUA, 3º maior produtor de petróleo e 2º maior de gás natural do planeta, não é visto como produtor e sim como grande consumidor, pois precisa do dobro da sua produção para garantir seu padrão de vida. A Europa, por sua vez, depende fortemente do gás e do petróleo árabes, principalmente da Líbia. (HABIB, 2012)63.2 Os levantes no Oriente Médio e as redes sociaisA Primavera Árabe trouxe uma nova discussão sobre o uso das TIC como ferramenta demobilização e visibilidade para "movimentos sociais organizados ou de livre manifestação cidadãna sociedade da informação." (FÁTIMA, sd, p.1) [...] A Primavera Árabe foi e ainda é uma revolução de povos insatisfeitos com modelos de governos instaurados e que se utilizaram das redes sociais como ferramentas de organização e mobilização de protestos que culminaram na ocupação pacífica, na maioria dos casos, de ruas praças, bairros e espaços públicos das maiores cidades e pequenas vilas do Norte da África e Oriente Médio. (FÁTIMA, sd, p. 3.)186811102294251000/editorial//?articulo=8ca803e0-5eba-4c95-908f-64a36ee042fd>. Acesso em: 16 abr. 20125 HABIB, Mohamed. Primavera Árabe de 2012: mais tempestades do que flores. Carta Maior, 2012. Disponível em:<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19373>. Acesso em: 16 abr. 2012.6 Idem 4.
  • 28. 29Entretanto a importância das plataformas digitais nos países árabes ainda é bastante discutida erelativizada. De acordo com Fátima (s.d.), a grande mídia atribuiu a queda dos ditadores daTunísia e do Egito à internet. Mas, importantes fatores geográficos, políticos e/ou religiosos nãoforam contextualizados pela imprensa.É importante darmos atenção às causas que são atribuídas às origens das manifestações. Paramuitos autores (FATIMA, s.d. e RAMONET, 2011) a onda de rebeliões no Oriente Médio e naÁfrica não é legítima e foi provocada por uma série de interesses históricos, políticos,econômicos, climáticos e sociais dos países capitalistas ocidentais.Ignacio Ramonet (2011) afirma que Estados Unidos e Europa apresentavam inúmeros interessesem derrubar os ditadores dessas nações. Entre eles, o controle do petróleo e a proteção a Israel.Outro fator levantado pelo autor é o acesso da população às redes sociais e as motivações à quelevaram a população a difundir os protestos pela internet. El Fondo Monetario Internacional (FMI) impuso, a Túnez, Egipto y Libia, programas de privatización de los servicios públicos, reducciones drásticas de los presupuestos del Estado, disminución del número de funcionarios... Unos severos planes de ajuste que empeoraron, si cabe, la vida de los pobres y sobre todo amenazaron con socavar la situación de las clases medias urbanas (las que tienen precisamente acceso al ordenador, al móvil y a las redes sociales) arrojándolas a la pobreza. (Ramonet, 2011)7Ferramentas como Twitter e Facebook foram fundamentais no processo de mobilização dasmanifestações. As redes sociais funcionaram como um projetor de reivindicações de povosinsatisfeitos. O que não significa dizer que as revoltas não teriam acontecido sem as plataformasdigitais. As redes sociais formaram um canal de disseminação de informações e repercussão deideias, que acabaram resultando na ocupação de vários espaços públicos. Isso Castells (2011)define ao dizer que: En la sociedad red la batalla de las imágenes y los marcos mentales, origen de la lucha por las mentes y las almas, se dirime en las redes de comunicación multimedia. Estas redes están programadas por las relaciones de poder incorporadas en ellas. [...] Es decir, el processo de cambio social precisa de la reprogramación de las redes de comunicación en cuanto a sus códigos culturales y los valores e interesses sociales y políticos implícitos que transmiten. (CASTELLS, 2009, p. 396)7 idem 4.
  • 29. 30Ramonet (2011) afirma ter sido determinante para o desenrolar da Primavera Árabe. Umapopulação instatisfeita, um evento tido como estopim, que, neste caso, foi a imolação do jovemtunisiano e a repercussão gerada através das redes sociais. Esses três fatores foram fundamentaispara desencadear a reação que culminou na onda de protestos e na deposição de três ditadores. Añádase a lo precedente: una población muy joven y unos monumentales niveles de paro. Una imposibilidad de emigrar porque Europa ha blindado sus fronteras y establecido descaradamente acuerdos para que las autocracias árabes se encarguen del trabajo sucio de contener a los emigrantes clandestinos. Un acaparamiento de los mejores puestos por las camarillas de las dictaduras más arcaicas del planeta... Faltaba una chispa para encender la pradera. Hubo dos. Ambas en Tunez. Primero, el 17 de diciembre, la auto-immolación por fuego de Mohamed Buazizi, un vendedor ambulante de fruta, como signo de condena de la tiranía. Y segundo, repercutidas por los teléfonos móviles, las redes sociales (Facebook, Twitter), el correo electrónico y el canal Al-Yazeera, las revelaciones de WikiLeaks sobre la realidad concreta del desvergonzado sistema mafioso establecido por el clan Ben Alí-Trabelsí. El papel de las redes sociales ha resultado fundamental. Han permitido franquear el muro del miedo: saber de antemano que decenas de miles de personas van a manifestarse un día D y a una hora H es una garantía de que uno no protestará aislado exponiéndose en solitario a la represión del sistema. El éxito tunecino de esta estrategia del enjambre iba a convulsionar a todo el mundo árabe. (RAMONET, 2011)8Entretanto, é preciso destacar que se por um lado as redes foram utilizadas como ferramentas demobilização, por outro serviram como mecanismos de vigilância. É o que destaca Branco diFátima (s.d, p. 4), ao analisar o papel da internet na Primavera Árabe. Quando analisamos osprocessos de vigilância utilizados pelas ditaduras árabes, percebemos que as plataformas setransformaram em um “sofisticado mecanismo de coerção social”.A rede foi amplamente utilizada como mecanismo de controle e vigilância de cidadãos.Denúncias feitas por organizações internacionais revelaram a existência de processos devigilância sistemática, de massa e personalizada aos opositores políticos dos regimes no norte daÁfrica e Oriente Médio. Com a ajuda de softwares e equipamentos desenvolvidos por empresasmultinacionais e transnacionais do Ocidente, ativistas da Primavera Árabe tiveram suas açõesrastreadas e terminaram presos e assassinados. (FATIMA, s.d, p.4) 98 idem 4.9 FÁTIMA, di Branco. Primavera Árabe: vigilância e controle na sociedade da informação. Disponívelem:<http://bocc.ubi.pt/pag/fatima-branco-primavera-arabe-vigilancia-e-controle.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.
  • 30. 313.3 Confrontos na LíbiaOs levantes árabes se concretizaram como o maior acontecimento no âmbito da políticainternacional. De acordo com Ignácio Ramonet: a queda do muro do Medo nas autocracias árabes é o equivalente contemporâneo da queda do muro de Berlim. Um autêntico terremoto mundial. Por produzir-se no epicentro do “foco perturbador” do planeta (este marco de todas as crises que vai do Paquistão ao Saara Ocidental, passando pelo Irã, Afeganistão, Iraque, Líbano, Palestina, Somália, Sudão e Darfur) sua onda de expansão modifica toda a geopolítica internacional. (RAMONET, 2011)10O movimento que começou na Tunísia e tirou do poder Bem Ali, em seguida, atingiu o Egito,levando à expulsão de Hosni Mubarakk. E em outubro de 2011, o ex-ditador Líbio MuammarKadafi foi capturado e morto por insurgentes.Foi em Benghazi que os conflitos na Líbia ganharam repercussão. No dia 15 de fevereiro,famílias líbias foram às ruas pedir a libertação do advogado Fathy Terbil, ativista na luta dasfamílias pelo direito de recuperar o corpo de pessoas executadas. A polícia, junto com forçasaliadas do governo de Muammar Kadafi, reprimiu as manifestações com violência e as imagensdas agressões circularam pela internet e pela rede Al Jazeera. Após o episódio, manifestaçõessurgiram em outras cidades.3.3.1 Breve história LíbiaCom 6,5 milhões de habitantes, a Líbia se divide em três grandes regiões, controladas por clãsfamiliares que estabeleceram núcleos de poder próprios, assim como culturas e reivindicaçõesdistintas. A história da Líbia é uma história de ocupações e desencontros de povos cominteresses, culturas e costumes diferentes tentando ocupar o mesmo território, o que gerouinúmeros conflitos causados por esse choque cultural.A região que hoje é denominada Líbia foi durante alguns anos assentamento de povos fenícios,romanos e turcos. No século II a.C. colonos gregos deram o nome ao país. Em séculos seguintes,os gregos e fenícios estabeleceram várias colônias pelo país. Basicamente, os gregos ocuparam a10 idem 4.
  • 31. 32região chamada de Cirenaica e os fenícios na região de Tripolitânia. Já no século I a.C o ImpérioRomano conquistou a região inserindo a influência latina no território conquistado.A Líbia foi província romana até aproximadamente 455 d.C. , quando uma tribo germânicaoriental dominou o território, mas foi conquistada pelo Império Bizantino nos anos que seseguiram. Em 643 d.C. a região passou pelo domínio dos árabes. A Tripolitânia foi por mais detrês séculos dominada por Berberes Almoadas e a Cirenaica foi dominada pelo Egito.No século XVI, os otomanos tomaram a região da Cirenaica e em 1551 o Imperador Solimão,conhecido como o magnífico dominou a região da Tripolitania ao Império Otomano,conquistando assim o poder central em Tripoli.Em 1880, o reinado de Karamanli que havia dominado Tripoli por 120 anos, ajudou a assentar asregiões de Fezã, Cirenaica e Tripolitânia. Essas regiões pertenciam assim, apenas nominalmenteao Império Otomano, pois tinham bastante autonomia entre si. Durante o período de 1801 a 1805,ocorreu a Primeira Guerra Berbere, motivada pelos Corsários, piratas que atacavam navios deoutros países, o conflito teve a interferência americana. Em 1835, o Império Otomano mais umavez domina o território líbio.Quando a Primeira Guerra Mundial estourou a Líbia já havia sido dominada pela Itália. Esseprocesso retirou o país do domínio do Império Otomano. Durante o período do fascismo, a Líbiaresistiu contra a Itália. Entretanto, em 1931, o líder da Libia Omar al-Mukhtar, foi morto e ositalianos retomaram o controle da ex-colônia.Já na Segunda Guerra Mundial, a Líbia foi palco de confronto do Afrika Korps, forças daAlemanha comandadas pelo general nazista Rommel que atuaram em território líbio com o apoiode tropas inglesas. Após o fracasso do exército nazifascista, França e Inglaterra dominaram oterritório até 1952, quando a ONU outorgou a independência Líbia. A partir daí, o país passa aser comandado pela monarquia do rei Idris I. Simpático ao Ocidente, permite intervenções ebenefícios a países capitalistas.Em 1959, a descoberta de petróleo no país aprofunda a dominação de outros países e aconsequente dependência do país. Em 1969, militares oficiais movidos pelos ideais nacionalistas
  • 32. 33do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, derrubam governo de Idris I. O coronel anti-imperialistaMuammar Kadafi assume o poder e adota uma postura anti-imperialista e defensora das tradiçõesislâmicas.3.3.1 Muammar KadafiKadafi nasceu em 1942, na cidade de Sirte, oriundo de uma família de influentes beduínos,concluiu seus estudos na Academia Militar de Benghazi e foi presidente e chefe do ConselhoRevolucionário da Líbia. Além disso, participou da Real Academia Militar, na Inglaterra, nacidade de Sandhurst.Kadafi se apoiou em Mahmud Sulaiman AL-Maghribi para tomar o poder Líbia e em 1º desetembro de 1969, os dois invadiram Trípoli e depuseram o rei Idris, quando ele fazia uma visitaà capital grega. Após o golpe de estado, o ex-ditador tornou-se líder da revolução líbia, com apatente de coronel e adotou uma série de medidas contra americanos, que até então eramapoiados pela monarquia de Idris, chegando a expulsá-los do país.Durante a década de 1970, Kadafi publicou o Livro Verde, um compilado de normas para a Líbiaque defendia o que ele chamava de democracia islâmica como alternativa aos sistemascapitalistas e socialistas. O ex-ditador foi presidente do Conselho de Comando da Revolução até1977, e proclamou a República Árabe Líbia mudando o nome do país para Grande JamahiriyaÁrabe Popular Socialista da Líbia. Quando os Oficiais Livres tomaram o poder, em 1º de setembro de 1969, a Líbia – muito rica em petróleo e gás – tinha 2,5 milhões de habitantes, uma sociedade tribal composta por 75% de beduínos. Apenas três cidades apareciam então: Trípoli, Benghazi e Misurata. As principais mudanças operadas pelos novos governantes foram a abolição da monarquia, a instauração da República Árabe e a consagração do “poder do povo”, num congresso realizado em março de 1973. Em 1972, a Lei nº 17 baniu o pluralismo político e proibiu a criação de partidos políticos, 11 como afirma o lema: “Todo membro de partido é um traidor”. (KHECHANA, 2011)11KHECHANA, Rachid. As origens da Insurreição. Le Monde Diplomatique Brasil, abr./2011. Disponível em <http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=919>. Acesso em 16. Abr. 2012.
  • 33. 34Em 1977, passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Congresso Geral do Povo e presidentepela União Socialista Árabe, único partido reconhecido pela Constituição Líbia, que havia sidopromulgada no mesmo ano.Durante o governo de Muammar Kadafi, a Líbia apresentou altos índices de desenvolvimentoeconômico e passou a ter o maior Indíce de Desenvolvimento Humano (IDH) da África. Fatospolêmicos marcaram o governo de Kadafi.Após a morte de Saddam Husseim, em 2003, o ditador anunciou que desistiria de continuar ainvestir em armas de destruição em massa e que apoiaria a Guerra ao Terror, iniciativa dogoverno de George W. Bush contra o terrorismo. Em 2010, conversas de diplomatas americanospublicadas pelo site Wikileaks denominavam o ex-presidente líbio como excêntrico, cheio demanias e volúvel. “O regime líbio era brutal e impiedoso com seus opositores. Tortura eexecuções sumárias refletiram a excentricidade, a loucura assim como a inteligência de Kadafi.”(RAMADAN, 2011) 12 O regime de Kadafi era uma ditadura. Isto é incontestável. Não havia a mais mínima liberdade de expressão, de organização, de manifestação, de formar sindicatos. Nada. Na “Jamayria” não havia partidos. Ao simular um sistema político que seria uma espécie de “assembleia permanente”, o que o coronel impunha de fato, com mão de ferro, era uma ditadura policial onde quem mandava era ele e os filhos. Um bom teste que proponho aos defensores de Kadafi: seria ou não possível formar na Líbia um partido que defendesse as vossas ideias? Já sabem a resposta: em poucas horas estariam todos presos se o tentassem, por mais que se desfizessem em elogios ao “Grande Líder”. Há muito que Kadafi tinha deixado de ser independente do imperialismo. A revolução de Kadafi fez parte das revoluções nacionalistas árabes dos anos 50 e 60, que se inspiraram na de Gamal Abdel Nasser do Egito. Durante alguns anos, apesar das suas excentricidades e megalomania, o “líder da revolução” aplicou uma política que em nada agradava aos Estados 13 Unidos. Mas depois mudou. ( LEIRIA, 2011)Em 20 de outubro de 2011, rebeldes capturaram o ex-ditador em Sirte, sua cidade natal, onde elehavia passado os últimos meses fugindo de insurgentes e acabou sendo capturado em um buraco12 RAMADAN, Tariq. Sobre a Líbia e a Síria. Carta Maior, ago./2011. Disponível em:<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18356>.13 LEIRIA, Luis. Kadafi, Assad e a esquerda. Esquerda.net, ago./2011. Disponível em: <http://www.esquerda.net/opiniao/khadafi-assad-e-esquerda>.
  • 34. 35de esgoto. Os rebeldes retiraram o ex-líder do esgoto ainda com vida e seguiram com ele pelacidade torturando-o até a morte.Vídeos e fotos, que circularam pela internet, do momento da captura mostram Kadafi ferido, masainda com vida. Kadafi chega a questionar os rebeldes sobre o que ele teria feito contra eles. Asimagens que aparecem na sequência desse são as do corpo do ex-ditador já morto em exposição.
  • 35. 364 JORNALISMO PARTICPATIVO E A COBERTURA DA MORTE DE MUAMMARKADAFI4.1 MetodologiaEsta pesquisa foi desenvolvida por meio de análise bibliográfica sobre Jornalismo Participativoe/ou Colaborativo, Jornalismo Internacional e Primavera Árabe. Em um primeiro plano, foramanalisados o conteúdo das versões online dos jornais El País e O Estado de S. Paulo, no períodode 20 a 21 de outubro de 2011, que se configura como o dia da morte de Muammar Kadafi e diaposterior, respectivamente.Em segundo plano, foram analisados, também por meio de análise de conteúdo, os cincoprimeiros resultados obtidos através de uma busca realizada na plataforma Google Imagesamericana, com uma das imagens mais “midiáticas” da morte do ex-ditador, ou seja, uma dasfotos mais utilizadas pelos veículos de imprensa de todo o mundo, durante os dias 20, 21 e 22 deoutubro de 2011.São três eixos teóricos que fundamentam a pesquisa de análise na cobertura da morte do ex-ditador líbio Muammar Kadafi. O objetivo é verificar se houve a utilização de jornalismoparticipativo na cobertura feita pela “grande” imprensa, aqui representada pelos jornais El País eO Estado de S. Paulo. Através do resultado obtido pela busca no Google Images traçamos umparalelo, observando e analisando em quais veículos essa imagem aparece e observando se estávinculada à grande imprensa ou a canais alternativos. A metodologia utilizada nas duas etapas éanálise de conteúdo.No caso dos jornais El País e O Estado de S. Paulo, o recorte das datas foi escolhido porque é operíodo que compreende desde a primeira notícia da morte do ex-ditador, no calor dosacontecimentos, até a repercussão com atualização de novas informações sobre a morte. Ele éimportante para perceber como a mídia creditou suas fontes e perceber qual foi à contribuição dojornalismo participativo na cobertura dos jornais, verificando a origem creditada das informaçõescontidas nas matérias.
  • 36. 37A busca pelas matérias foi orientada pelo recorte de tempo do dia 20 e 21 de outubro e pelosmarcadores Khadafi, Kadafi, Gaddafi, Gadafi e Qaddafi, em razão das várias grafias utilizadas natradução do nome para as línguas latinas e germânicas. A coleta de material foi realizada emperíodo retroativo buscando material do dia da morte do ex-ditador, 20 de outubro de 2011, e dodia posterior, 21 de outubro de 2011. Foram excluídas postagens, matérias e notícias que apenascitavam o nome de Kadafi nesse período, pois nosso objetivo é analisar efetivamente a coberturade sua morte.Já no caso das mídias obtidas através do Google Images o recorte dos dias 20 a 22 de outubro tema intenção de traçar um micro panorama da cobertura da morte de Kadafi em canais decomunicação de outras partes do mundo. Os veículos foram obtidos através de uma buscarealizada com uma imagem aplicada a ferramenta Google Images, que busca através de suatecnologia de pesquisa todas as imagens que têm características iguais a que está sendo dadacomo modelo e apresenta os resultados por ordem de relevância levando em consideraçãoaspectos como número de acesso das páginas e similaridade das imagens.Para Fonseca (2006) o método da análise de conteúdo é estruturado em três fases, a préanálise, aexploração do material e o tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Fonseca (2006)chama atenção para o caráter híbrido da análise de conteúdo, que varia entre a pesquisaqualitativa e quantitativa. Neste sentido Fonseca diz que: No contexto dos métodos de pesquisa em comunicação de massa, a análise de conteúdo ocupa- se basicamente com a análise de mensagens, o mesmo ocorrendo com a análise semiológica ou analise de discurso. As principais diferenças entre essas modalidades são que apenas a análise de conteúdo cumpre com os requisitos de sistematicidade e confiabilidade. (FONSECA, 2006, p. 286)Para melhor compreensão do corpus (anexos), ele será dividido em duas categorias de análise,sendo:Categoria da análise quantitativa:- Ferramentas utilizadas para interagir com os leitores;- Número de comentáriosCategoria de análise qualitativa:
  • 37. 38- Critérios de noticiabilidade;- Como se dá a participação dos usuários na construção da notícia;- A fonte das informações da matéria;- Análise dos atores e do contexto no qual são postados os conteúdos dos jornais;4.2 Apresentação do objetoO El País é um jornal espanhol do grupo Prisa - Grupo Promotora de Informaciones - foifundado em 1976 por José Ortega Spottorno e é o jornal de maior circulação na Espanha. Aprimeira tiragem foi de 180 mil exemplares. Na década de 1980, o jornal é o segundo periódicode informações, atrás apenas do La Vanguardia. Em 1996, durante o aniversário de 20 anos doperiódico nasce o El País Digital. Em 2011, o jornal passou por uma grande reformulaçãofocando sua atuação no ambiente multimídia. O periódico espanhol se define como um diárioglobal, independente, de qualidade e defensor da democracia pluralista. A sede do jornal estálocalizada em Madrid, mas mantém redações em Barcelona, Bilbao. Sevilla, Valência e Santiagode Compostela. Já na década de 1990, o jornal demonstrava sua postura inovadora ao lidar comas novas tecnologias e foi o segundo jornal da Espanha a implantar uma edição eletrônica. Já em2002, passou a cobra pelo acesso as páginas do jornal. Mas em 2005, liberou o acesso novamenteo acesso a maior parte das informações. Em 2009, atingido pela crise mundial o jornal passoupor uma redução de custos a proposta do veículo foi integrar as redações para atender umaproposta de jornalismo convergente e atender as exigências do orçamento.O jornal O Estado de S. Paulo foi fundado em 1875 com o nome A Província de São Paulo. É omais antigo jornal paulista ainda em circulação. Fundado por um grupo de 16 pessoas entre elesManoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense, o objetivo de sua criação era ser umdiário republicano. A história do jornal acompanhou o crescimento da capital paulista. A tirageminicial do jornal era de 2.000 exemplares, um número expressivo comparado com a população dacapital que era de 31 mil habitantes. Em 1902, Júlio Mesquita tronou-se o único proprietário dojornal. A partir de então o jornal reforça sua postura republicana e adota campanhas de oposiçãoao governo. No ano 2000, os sites da Agência Estado, o Estado de S. Paulo e do extinto Jornal daTarde tornam-se um único site o Estadao.com.br, voltado para atualizações em tempo real.
  • 38. 39Atualmente, apresenta forte apoio à centro-direita brasileira e tem reforçado sua atuação noambiente digital.O Google Images é uma ferramenta que pesquisa na web todos os tipos de conteúdo relacionadoa uma imagem específica. Quando a imagem é aplicada a busca o resultado traz imagenssimilares, páginas relevantes e outros resultados. Os robôs do Google analisam dezenas de fatoresnas páginas como legendas, descrições e outras informações contextuais. A ferramenta aplicaalgoritmos para evitar que imagens duplicadas apareçam no resultado e garantir que os resultadosmais relevantes levando em consideração alguns critérios como número de acesso das páginas ecomponentes similares das imagens.4.3 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal O Estado de S. PauloDurante o dia 20 de outubro de 2011, data da morte de Kadafi, o portal do jornal O Estado de S.Paulo criou uma página exclusiva que atualizava as informações sobre a morte do líder líbio emtempo real com a apuração das informações. A primeira atualização da página intitulada “AOVIVO: A captura e morte de Muammar Kadafi” foi às 9h05min e a última aconteceu às13h53min. Entretanto, o jornal já havia noticiado à captura de Kadafi algumas horas antes. Essapágina reuniu as primeiras informações, mas à cobertura continuou com novas atualizaçõesdurante todo o dia.O Estadão noticiou em sua página online a tomada de Sirte às 7h34 do dia 20 de outubro de 2011,por meio da reprodução da Reuters. Com o título “Forças do governo líbio anunciam tomada deSirte” vem acompanhada de uma foto com o crédito Maurício Lima/NYT e é apenas o relato dadominação da cidade, não cita em momento algum a captura de Kadafi. As notícias relacionadasa Kadafi foram colocadas em uma página especial exclusivamente dedicada à Primavera Árabe.Às 8h58, a notícia “Forças do novo regime da Líbia capturam Sirta” traz mais informações sobrea tomada da cidade natal do ex-ditador e elementos interessantes para esta análise. A matéria citaque “Um correspondente da France Presse ouviu disparos esporádicos no bairro durante amanhã” (O Estado de S. Paulo, 20/10/2011). Com esta informação temos a noção de que
  • 39. 40correspondentes de agências internacionais também acompanharam a derrubada de Kadafi, queseria confirmada no noticiário internacional pouco tempo depois. As informações na rede muitasvezes dão a impressão de que não havia jornalistas no local.A primeira notícia sobre a captura de Kadafi foi postada no site do O Estado de S. Paulo às 9h29,através de uma pequena nota de aproximadamente cinco linhas, reproduzida da Reuters com ainformação de que um oficial da alta patente do Conselho Nacional de Transição (CNT) teriainformado à agência, por telefone, sobre a captura de Kadafi. “Ele foi capturado. Ele está feridonas duas pernas... Ele foi levado pela ambulância, disse o oficial de alta patente do CNT àReuters por telefone”.Às 9h30, o jornal publicou mais uma notícia sobre a captura. Dessa vez, a fonte era dada comouma “televisão líbia”. A notícia “Televisão Líbia anuncia captura de Kadafi” é curta, com apenasduas linhas e de acordo com a página foi postada diretamente de Sirte.Em um primeiro momento, podemos perceber que o jornal privilegiou noticiar os fatos e somentedepois ir atualizando as informações com uma apuração mais detalhada. Neste momento dacobertura, apesar de ter um correspondente na Líbia, o jornalista Andrei Netto, o jornalprivilegiou as informações das agências de notícias. Essa é uma tendência citada por Rossi(2000) ao falar do monopólio das agências no noticiário internacional.Nesse caso as fontes eram os canais de comunicação locais e as agências. Atualizando asinformações que foram publicadas anteriormente, às 9h39 foi publicada uma notícia de Trípoli,onde estava o correspondente do jornal. A postagem trouxe o título “Líbia: comandante rebeldediz que Kadafi foi capturado” (Figura 1), reunia informações de três veículos, a Al-Jazeera, aLybia lil Ahrar e a France Presse e afirmava que o ministro da informação do governo líbiotambém havia sido capturado. Além disso, a matéria levanta pela primeira vez a possibilidade deKadafi estar morto, em razão de uma batalha, mas afirma não existir nenhuma confirmação.A notícia ainda traz a fala de um comandante do CNT, desta vez foi citado o nome da fonte,Mohamed Leith, creditado através da agência de notícias France Presse. De acordo com a fonte
  • 40. 41da agência de notícias francesa, citada na matéria, que teria visto o ex-ditador, ele estava muitoferido, mas ainda “respirando”. A matéria diz que não existem informações do local exato dacaptura e da então localização de Kadafi e tem uma foto de Kadafi com créditos dados aAlessandro Di Meo/EFE e com a seguinte legenda: Ex-líder da Líbia Muammar Kadafi podeestar morto. "Ele foi capturado. Está gravemente ferido, mas ainda respirando", afirmou o comandante do CNT Mohamed Leith à France Presse. Ele afirmou ter visto Kadafi, que usava um uniforme cáqui e um turbante. O canal de TV "Libya lil Ahrar" também afirmou que o ex-líder estava sob custódia. Não foi informado o local exato da captura, nem se sabe onde Kadafi se encontra agora. (O ESTADO DE S. PAULO, 20 de outubro de 2011) Figura 1: Página informado captura de Muammar Kadafi Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional, Líbia-comandante-rebelde-diz-que-kadafi-foi-capturado, 787976,0. htmAlguns minutos depois, às 9h45, um podcast de 06h54min, com o mesmo título da matéria citadaacima, trazia o comentário em áudio do colunista de internacional do Grupo Estado LourivalSant’Ana. De acordo com o podcast, “a fonte primária da informação é o Conselho Militar deMisurata [...] mas ainda não existe uma imagem do Kadafi.” Portanto, não há uma prova
  • 41. 42definitiva de sua captura14 Um dos fatores elencados por Targino (2009), na terceira geração dowebjornalismo, a fase hipermidiática é a interatividade, ou seja, o uso de recursos que ampliam ocontato dos usuários como os podcasts.A primeira foto do corpo de Kadafi aparece no jornal juntamente com a confirmação da notíciade sua morte. Com uma notícia reproduzida pela Reuters, de Sirte, a postagem “Kadafi morre deferimentos na captura, diz governo provisório” (Figura 2) traz duas fotos com créditos para 15Philippe Desmazes/AFP. É interessante ressaltar que essas fotos foram feitas de outrodispositivo, uma foto de vídeo (Figura 3). Podemos perceber isso ao observarmos os ícones queaparecem na tela do equipamento como bateria, tempo de gravação e número de arquivos namemória do equipamento, etc.14 Líbia: comandante rebelde diz que Kadafi foi capturado. Disponível em:<http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=FA2A7C999E864DE38A04F62B1F852A83>. Acesso em 16.set./2012.15 Como já foi citado na página 47, Philippe Desmazes é fotografo da agência France Press e tirou foto de um vídeo produzido porum rebelde, minutos depois da morte de Kadafi. Esta foi à primeira imagem a circular pela internet do corpo de Kadafi.
  • 42. 43 Figura 2 - Página do jornal O Estado de S. Paulo com primeiras fotos do corpo de Muammar KadafiFonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional, kadafi-morre-de-ferimentos-na-captura-diz-governo-provisorio, 787987,0. htm
  • 43. 44Figura 3 - Detalhe da primeira imagem de kadafi divulgada em que é possível perceber os ícones do dispositivo de câmeraFonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional, kadafi-morre-de-ferimentos-na-captura-diz-governo-provisorio, 787987,0. htmEssa constatação aponta que os canais de comunicação de massa foram mais rápidos para darvisibilidade às informações. Entretanto, a fonte primária das imagens foram os cidadãos, queneste caso, estavam presentes juntos, ao grupo de rebeldes que capturaram Kadafi. Um dosfatores que retomam a discussão de Targino (2008) para uma comunicação obtida através de umarelação horizontal em caráter colaborativo, entre jornalista cidadão e repórter.Uma das características marcantes da cobertura realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo é aconvergência de mídias como destaca Prado (2011), uma das principais características dowebjornalismo. Após a confirmação da morte de Kadafi através da reprodução da agênciaReuters, o jornal publicou às 10h59 a seguinte postagem: “Andrei Netto: "A Líbia enfim estálivre de Muammar Kadafi"”, que reunia em um audioslideshow um mapa com a localização dorepórter Andrei Netto, fotos de Kadafi e imagens dos rebeldes líbios nas ruas e a narração dojornalista do Grupo Estado sobre a confirmação da morte de Kadafi.O correspondente volta a participar da cobertura às 11h10 em um podcast. O título “Líbioscelebram morte de Kadafi nas ruas de Trípoli” traz o depoimento ao vivo de Andrei Nettodiretamente de Trípoli, em que é possível ouvir ao fundo as comemorações dos líbios pela morte
  • 44. 45do ex-líder. O jornalista relata a situação do país com um depoimento entusiasmado: “é incrível aatmosfera de festa em Trípoli neste momento”.16O jornal privilegiou uma cobertura multimidiática com a publicação de podcasts,audioslideshows e vídeos e às 14h26 publicou um especial intitulado “Morte de Kadafi” (Figura4) com oito fotos sobre a queda de Kadafi. Entretanto, é interessante observar que não há nestemomento a publicação de fotos do corpo do ex-ditador.Figura 4 - Galeria de fotos sobre a queda de KadafiFonte: http://topicos.estadao.com.br/fotos-sobre-kadafi/muammar-kadafi-esta-m, 5188c815-0a29-4eff-ba66-bc3c9902ff01A matéria “Morte de Kadafi é nova era para a Líbia, dizem líderes internacionais” reuniuinformações de quatro agências de notícias, Associated Press, Reuters, ANSA e Efe. No casodessa notícia, foram utilizadas diversas agências devido à localidade de cada uma delas, uma vezque a postagem apresenta os pronunciamentos de alguns líderes internacionais.16 Líbios celebram morte de Kadafi nas ruas de Trípoli. Disponível em:<http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=3EE9E80F494A42D6A383250E6787E4C2>
  • 45. 46O periódico brasileiro privilegia a divulgação de informações das agências e traz ao final dasnotícias publicadas nos sites as fontes utilizadas. Novamente o jornal utilizou agências de notíciascomo fonte para suas matérias. Uma das características salientadas por Natali (2004) é apreferência por reproduzir das agências de notícias por uma questão de credibilidade dasinformações.Ás 16h04 o jornal publicou a matéria “Vídeo mostra Kadafi capturado na Líbia antes da morte”sobre o vídeo em que Kadafi aparece em poder dos rebeldes. Entretanto, curiosamente, o veículonão publicou o vídeo. O texto traz a seguinte informação: Várias emissoras por satélite do mundo árabe difundiram um vídeo no qual o líder deposto da Líbia Muammar Kadafi aparece capturado vivo pelas forças revolucionárias. A gravação mostra Kadafi ferido, com o rosto e a camisa ensanguentados, enquanto é deitado sobre o capô de uma caminhonete, segurado por integrantes das forças do novo regime. (O ESTADO DE S. PAULO, 20 de outubro de 2011)O jornal também abriu espaço para uma cobertura mais analítica. Ainda no dia 20 de outubro, ojornal publicou um vídeo do colunista de internacional Lourival Sant’Anna fazendo uma análiseda queda de Kadafi e projetando o futuro político da Líbia. (Figura 5)
  • 46. 47Figura 5 - Vídeo do colunista Lourival Sant’Anna na página do jornal O Estado de S. Paulo Fonte: http://tv.estadao.com.br/videos, O-FIM-DA-ERA-KADAFI, 150105,259,0.htmJá no dia 21 de outubro os primeiros vídeos de Kadafi morto começaram a aparecer na coberturado jornal. A postagem “Exclusiva: Opositores comemoram em torno do corpo de Kadafi” (Figura6) traz um vídeo que mostra o corpo do ex-líder em exposição e diversas pessoas com telefones,filmadoras e câmeras para registrar o acontecimento. A legenda do vídeo diz: “Imagens gravadaspor celular mostram opositores comemorando em torno dos corpos de Muammar Kadafi e um deseus filhos, Mutassim. O correspondente Andrei Netto recebeu o vídeo de um rebelde emMisrata”. Essa citação é importante para compreendermos o caráter do jornalismo colaborativo,em que os cidadãos e usuários participam do processo de captação das informações como citaCastells (2009), entretanto ressalta também a utilização do jornalista enquanto agente mediador,aquele que dará visibilidade às imagens.Podemos perceber nesta postagem a dificuldade do trabalho do correspondente internacionalvoltando à relação que Natali (2004) cita de que a cobertura de guerras é dificultada por váriosfatores. Mesmo estando no país o correspondente do Grupo Estado só conseguiu as imagensatravés de uma relação horizontal construída com a fonte, que nesse caso era um dos rebeles quefilmou Kadafi.
  • 47. 48 Figura 6 - Vídeo mostra corpo de Kadafi exposto na página do jornal O Estado de S. Paulo Fonte: http://tv.estadao.com.br/videos,EXCLUSIVO-OPOSITORES-COMEMORAM-EM-TORNO-DO-CORPO-DE- KADAFI,150161,259,0.htmÉ interessante percebermos que os próprios veículos ressaltaram a importância das imagens feitaspelos rebeldes. O Estado de S. Paulo postou em sua página a matéria “Imagens de celulares viramregistro importante da morte de Kadafi” (Figura 7). A notícia traz a reprodução de um vídeo daBBC Brasil, que reúne imagens divulgadas pela internet de Kadafi sendo capturado. Neste ponto,já se percebe uma inversão de atores. O jornalista já não é o agente mediador e as fotos e vídeossão capturados pela imprensa a partir das publicações dos cidadãos na internet.
  • 48. 49 Figura 7 - Matéria da página do O Estado de S. Paulo sobre o uso de celulares no registro da morte de Kadafi Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,imagens-de-celulares-viram-registro-importante-da-morte-de- kadafi,788540,0.htm4.4 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal El PaísNo caso do jornal espanhol El País a primeira matéria sobre a captura de Muammar Kadafi foipostada às 11h54, do dia 20 de outubro de 2012, e já trazia a confirmação da morte do ex-ditador.A postagem “Libia acelera La transición tras la muerte de Gadafi” (Figura 8) relata como foi amorte de Kadafi e traz a informação de que “casi en el mismo momento empezaron a circular porInternet una fotografía y un par de vídeos en los que se ve el cuerpo ensangrentado del dictador”.
  • 49. 50 Figura 8 - Primeira matéria sobre a morte do ex-ditador líbio na página do El País Fonte: http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/20/actualidad/1319104472_834719.htmlA matéria traz vários hiperlinks, entre eles um vídeo que de acordo com o jornal, foi postado peloperiódico francês Le Monde. O título do vídeo está em árabe, em português a tradução ficapróximo de “A prisão do tirano Muammar Kadafi por rebeldes de Misrata” e quandovisualizamos a página do vídeo no Youtube percebemos que o vídeo foi postado pelo usuárioFree Misurata Group, um site de notícias da Líbia. O vídeo tem apenas 54 segundos e mostraKadafi ainda vivo em poder dos rebeldes. Ressalta-se o fato do Le Monde não ter baseado emfatos reproduzidos pelas agências de notícias e ter buscado uma fonte da própria Líbia, algo quenão foi feito pelo jornal brasileiro.Entretanto, a notícia da captura de Kadafi já estava repercutindo nas redes sociais desde as 09h47quando o periódico publicou no Eskup (Figura 9), uma espécie de rede social exclusiva do jornalespanhol criada para repercutir os assuntos mais comentados. Um post que informava sobre acaptura do ex-ditador e citava como fonte a rede BBC.
  • 50. 51 Figura 9 - Vídeo postado na página do El País sobre os últimos momentos de Kadafi Fonte: http://eskup.elpais.com/1319135937-92f7e6889fd98a7c5978d6d920f10a8dAo longo das atualizações pela rede social, o jornal contextualizava os leitores sobre arepercussão dos acontecimentos nas redes sociais (Figura 10). A primeira cogitação da morte doditador surgiu às 09h55 com a atualização do jornalista Pablo Ximénez de Sandoval dando comofonte para a informação a agência Reuters. Uma das possibilidades que Prado (2011) cita que owebjornalismo abre é o espaço para a opinião dos usuários.
  • 51. 52 Figura 10 – Primeira notícia sobre a morte de Muammar Kadafi divulgada através do twitter Fonte:A postagem posterior aconteceu às 13h41, e é uma nota com o título “El dictador será enterrado en 24horas”, que traz informações sobre o enterro de Kadafi. Em seguida, às 13h46, traz uma matériasobre a excentricidade de Kadafi. A matéria “Muammar el Gadafi, el tirano más cínico” apresenta traçosda peculiar personalidade do ex-líder líbio. O jornal dá sequência à sua cobertura trazendo umaretrospectiva dos principais momentos do ex-líder no poder, que foi postada às 14h49 do mesmodia, com o título “El dictador sera enterrado en 24 horas”.
  • 52. 53 Figura 11 Matéria do jornal El País reprodudiza da agência Reuters Fonte: http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/20/actualidad/1319110898_010219.htmlNo dia 20 de outubro de 2011, às 19:17, o jornal El País postou em sua página uma matéria quetrazia a confirmação da morte de Muammar Kadafi, “Las ultimas horas del dictador”(Figura 12).A matéria é uma reprodução da agência Reuters, cita como fonte a rede de televisão árabe AlArabiya e faz referência à postagem de um vídeo no YouTube que mostrava o momento dacaptura do ex-ditador pelos rebeldes líbios. Entretanto o vídeo é apenas citado e não foi colocadona página, além disso não existe menção à fonte do vídeo. “Horas después un vídeo colgado enYouTube mostraba a Gadafi, herido, sangrando, pero claramente vivo en manos de un grupo derebeldes”.No final da matéria, o jornal aborda a questão da difusão das fotos de Kadafi e aponta que aagência France Press teria sido a responsável por difundir a primeira foto de Kadafi morto pelainternet. Entretanto, afirma que a foto distribuída pela France Press é reprodução de um vídeofeito a partir do celular de um dos rebeldes. Não existe aqui referência ao nome do rebelde ouqualquer outra informação sobre o vídeo.
  • 53. 54 La primera foto de Gadafi muerto la ha difundido France Press. La imagen es parte de un vídeo filmado por un rebelde con su teléfono móvil. Un fotógrafo de la agencia, Philippe Desmazes, que cubría el conflicto en la ciudad, en Sirte, ha podido fotografiar con su cámara la pantalla de ese móvil minutos después. El canal panárabe Al Yazira ha emitido otras imágenes que mostraban el cadáver y cómo alguien le daba la vuelta para mostrar el rostro a la cámara. Horas después, un vídeo difundido en You Tube le mostraba vivo en manos de los rebeles. (EL PAIS, 20 de outubro de 2011) Figura 12 - Matéria do El País sobre as últimas horas de vida de Muammar Kadafi Fonte: http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/20/actualidad/1319131038_249772.htmlUm detalhe que chama atenção é que ao final desta mesma matéria existem três hiperlinks. Oprimeiro está no termo “primera foto”, que direciona os usuários para a página poynter.org, que éo site de um instituto americano de pesquisa em jornalismo. A página traz o nome do autor dafoto, Philippe Desmazes, e um breve relato dado à AFP, que divulgou a foto de como eleconseguiu fazer a imagem. Targino (2008) defende que o jornalismo participativo caracteriza-sepela efetiva contribuição do usuário para a mídia ou no processo de produção ecompartilhamentos das informações. Sendo assim, apesar de ter ocorrido uma participação docidadão ao permitir o acesso, a lógica que prevaleceu nesta foto não pode ser encarada comojornalismo cidadão, uma vez que a repercussão ficou por conta de um veículo tradicional.
  • 54. 55 "Um pouco mais adiante, eu notei que alguns combatentes se reuniram em torno de um telefone. Eu tive sorte porque eu fui o único a notar. O dono do telefone me mostrou a prisão de Kadafi, que havia filmado alguns minutos antes. Dada a luz ambiente, era muito difícil fazer uma captura de tela. Os rebeldes se reuniram ao redor e fizeram bastante sombra para tirar a foto. Eu tive muita sorte", disse ele. (ALDEMAN, 2011) 17Ainda na página, há o relato do diretor de relações com a Mídia da Associated Press (AP),agência americana que também divulgou fotos e vídeos da morte de Kadafi. O depoimento dePaul Colford aponta como as agências foram cuidadosas ao divulgar as imagens que estavamrecebendo. “As imagens da Associated Press vieram de vídeos fornecidos por Al Jazeera e AlArabiya, diz Paul Colford, diretor de relações com a mídia. AP tem sido muito cuidadosa parausar o material. Analisamos e só publicamos se nos sentirmos confortáveis a respeito, afirmouColford.” (ALDEMAN, 2011, tradução nossa) 18O seguinte trecho destaca quais foram às fontes utilizadas pelas agências para conseguirem asfotos. Ao meio-dia, o serviço de telegrama tinha oferecido duas fotos, tanto de vídeo. "Uma delas é uma captura do quadro da Al Jazeera, que nós creditamos. Além disso, a Al Arabiya tem o vídeo da operação em que o ex-ditador foi baleado por um combatente rebelde. Eles forneceram uma imagem fixa do combatente rebelde (oposição ao regime Kadafi). As imagens da Al Jazeera chegaram por volta das 10:30 da manhã. Foi só depois que ficamos confortáveis, depois de ver o vídeo a partir do qual foi tomada a imagem que nós publicamos a foto. Espero que venha mais material vindo por meio da Al Jazeera conforme o dia na Costa Leste se desenrola. "Ele também acredita que haverá imagens adicionais próximos de fontes regulares da AP. Vídeos prestados à AP estão disponíveis em seu site YouTube com avisos para os telespectadores sobre o conteúdo gráfico, incluindo vídeos de telefones celulares com imagens de Kadafi, fornecidos pela Al Jazeera. (ALDEMAN, 2011, tradução nossa) 19Targino (2009) aponta que essa é uma das características do jornalismo participativo. A mídia demassa trabalha com a colaboração do cidadão, daí o termo jornalismo colaborativo. Essacaracterística é bastante evidenciada na cobertura do jornal El País, que utilizou como fonteagências de notícias, que por sua vez, utilizaram imagens dos canais locais e de cidadãos.17 ANDELMAN, Bob. AFP, AP transmit graphic photos of dead Gadhafi. 2011. Disponível em<http://www.poynter.org/latest-news/mediawire/150263/ap-transmits-gaddafi-death-images-video/> .18 idem 16.19 idem 16.
  • 55. 56Entretanto, o próprio jornal recorre a fotos e vídeos divulgados na internet, as chamadas fontesnão oficiais.O segundo hiperlink da matéria está no termo “otras imágenes”. Ao clicarmos no termo somosdirecionados para a página da Al Jazeera. O conteúdo do site traz um vídeo de Kadafi morto,abaixo do vídeo há o seguinte texto: “Al Jazeera adquiriu imagens exclusivas do corpo deMuammar Gaddafi depois que ele foi morto em sua cidade natal, Sirte.” (FOOTAGE, 2011. AlJazeera, tradução nossa)20A menção “Al Jazeera adquiriu imagens” faz referência a uma prática comum nas agências comoevidencia Natali (2004) que é a compra de imagens. Ou seja, a rede televisão árabe comprou asimagens de pessoas que estavam no local. Essa prática aponta como os cidadãos contribuírampara a cobertura, mesmo que nesse caso não tenha sido os próprios usuários que divulgaram asimagens, foram eles que captaram as fotos. Não há novidade neste tipo de colaboração. Anovidade estaria na facilidade para as testemunhas tirarem as fotos com seus celulares e o fato deterem tornado este conteúdo público por meio da internet, o que chamou a atenção da imprensa.Já o terceiro hiperlink está localizado no termo “un vídeo” (Figura 12), que direciona para apágina do YouTube em que há um vídeo de 21 segundos. A primeira menção é de que o conteúdofoi identificado pela comunidade como “sendo potencialmente ofensivo ou inapropriado”, devidoao conteúdo violento das imagens. O título está em árabe, a tradução feita pelo aplicativo GoogleTranslator, serviço de tradução gratuito do Google que traduz instantaneamente textos e páginasda web, revela que em português o título seria algo próximo da frase: “Kadafi no momento de suaprisão”. O vídeo teve aproximadamente sete milhões de visualizações. De acordo com dados dopróprio YouTube, o vídeo teria sido postado pela primeira vez por um portal da Finlândia, atitudecomum nos países árabes, onde há restrições ao uso da web.20 FOOTAGE shows gaddafis body. Al Jazeera. 2012. Disponível em:<http://www.aljazeera.com/video/middleeast/2011/10/2011102014201566639.html>. Acesso em: 23 de agosto de2012.
  • 56. 57 Figura 13 Vídeo do YouTube mostra últimos minutos de vida do ex-ditador Líbio Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=NVIkck02qao&feature=share&bpctr=1353633168Com o passar das horas no dia 20 de outubro a morte de Kadafi era um fato confirmado,inclusive, com provas como os vídeos e fotos do corpo. Entretanto, a morte de Kadafi continuousendo o destaque no jornal. Mas, o enfoque das matérias e postagens mudou. As repercussõessobre a morte de Kadafi tratavam do assunto sob o ponto de vista político abandonando,parcialmente, o caráter noticioso e elencando características de análise. Na postagem das 19h50,“Gadafi: El tirano excéntrico que sedujo a Occidente”, apresenta uma pequena biografia políticade Kadafi e fala sobre a estranha relação estabelecida por interesses políticos do ex-líder líbiocom líderes democráticos de todo o mundo. A matéria abre o texto com o seguinte paragrafo. La foto del cadáver ensangrentado de Muammar el Gadafi difícilmente va a borrar la imagen de gobernante excéntrico que el tirano se construyó durante sus 42 años en el poder. Ahora es fácil que los primeros ministros del mundo democrático comparezcan ante las cámaras para congratularse de la desaparición del dictador de los mil disfraces. Pero hace apenas un par de años, los mismos políticos le recibían con los brazos abiertos esperando conquistar sus petrodólares. Y los medios de comunicación nos entreteníamos hablando de la jaima, la camella y la guardia personal de 30 vírgenes, que le acompañaban en sus viajes. (EL PAÍS, 20 de outubro de 2011)
  • 57. 58Ao longo do dia o El País trouxe várias notícias sobre a morte de Kadafi. Às 20h07, houve umapostagem com o título “Obama y Europa respiran por la muerte de Gadafi”, que trazia opanorama da morte de Kadafi do ponto de vista político avaliando os problemas que a morte doex-ditador traria para o Ocidente caso fosse capturado e mantido vivo pelos rebeldes. Existe aquiuma comparação com o caso de Saddam Hussein.A última matéria do dia 20 de outubro sobre Kadafi foi publicada às 22h26, “El dividendo de lapaz Líbia”, é um questionamento sobre os desafios que o país deve enfrentar para conseguirconsolidar uma democracia. Entre os muitos problemas, um dos principais é lidar com osinteresses dos países que apoiaram os rebeldes e que agora esperam suas recompensas. Como ditoanteriormente, após a confirmação da morte de Kadafi o jornal El País privilegiou uma coberturaanalítica e podemos notar uma mudança das características da página que em um primeiromomento trabalhavam com vários elementos multimidiáticos e depois passaram a privilegiarapenas o conteúdo do texto.Em 21 de outubro, dia posterior à morte de Kadafi, o jornal abriu a repercussão sobre o caso comum artigo publicado às 07h25, “Um país sin cultura democrática” (figura 14), a análise fala dadificuldade de estabelecer uma democracia perante a dificuldade de articulação da sociedade civilàs demandas da população. A postagem é composta apenas por texto, não tem nenhuma foto ouvídeo.
  • 58. 59 Figura 14 - Artigo opinativo sobre morte do ex-ditador da Líbia Fonte: http://elpais.com/diario/2011/10/21/internacional/1319148010_850215.htmlDando sequência à cobertura sobre a morte de Kadafi e adotando uma postura mais analítica dofato às 07h31 foi publicado mais um artigo, “La primavera árabe abate su tercera ficha”, comobservações importantes sobre a repercussão da Primavera Árabe no norte da África e no OrienteMédio. A análise não traz elementos multimidiáticos como fotos e vídeos. Entretanto no espaçoreservado para os comentários foram postados vários vídeos por usuários e opiniões que ouendossavam a postura adotada pelo autor do artigo ou que divergiam. Um dos comentários dapágina assinada pelo usuário que utiliza o login ricardin dizia que: La "primavera arabe" es un movimiento que derriba dictadores, pero no tiene rumbo alguno.El autor de este articulo, al igual que la mayoria de los medios de Occidente, piensa que el destino es un estado de derechos y libertades,con igualdad de la mujer,etc. Este modelo occidental puede imponerse si es acompañado de una fuerte presencia militar americana/europes.Si no fuera asi, a los dictadores depuestos, seguiran otros clanes de mafiosos, algunos mejores, otros peores. La democracia es extraña al Islam, al igual que la separacion entre poder politico y religion, o la igualdad femenina. (EL PAÍS, Comentário de usuário na matéria La primavera árabe abate su tercera ficha, 21 de outubro de 2011)A cobertura da morte de Kadafi no jornal El País caracteriza-se pela publicação de notícias e dematérias e artigos analíticos. Sendo assim, o periódico espanhol traz uma cobertura que evidencia
  • 59. 60os fatos noticiosos sem deixar de lado o caráter analítico. A postagem “La ONU pide unainvestigación sobre la muerte de Gadafi”, do dia 21 de outubro, às 11h41, tem caráter noticioso.A página é aberta com uma foto da agência Reuters do cadáver de Kadafi em seguida vem o textonoticioso com informações do aviso da ONU de que abriria uma investigação para apurar ascircunstâncias da morte de Kadafi.É interessante perceber que o próprio jornal postou informações sobre as fontes de informação.Às 14h44 do dia 21 de outubro o jornal publicou a seguinte postagem “Quedan muchas cosas poraclarar en este país” (figura 15), que traz o relato do jornalista líbio Mohamed al Seguir sobre astorturas que sofreu por enviar matérias para a rede de televisão Al Jazeera. A página traz emvídeo o depoimento do jornalista, com legenda em espanhol. O depoimento de Seguir revela queos próprios jornalistas líbios divulgaram a situação do país para a imprensa internacional. Fátima(s.d.) relata que o governo monitorava as redes em sofisticado mecanismo de correção social.Figura 15 - Depoimento do jornalista líbio Mohamed al Seguir sobre o envio de informações à imprensa internacionalFonte: http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/21/actualidad/1319201091_201383.html
  • 60. 61O jornal deu destaque às fotos da morte do ex-líder líbio e reuniu no dia 21 de outubro de 2011,um especial intitulado “La Captura de Kadafi” com 21 fotos sobre a captura (figura 16). A fotoque abre a sequência é focada no rosto do ex-ditador e mostra duas pessoas com celulares nasmãos. Em seguida, temos uma foto que mostra a quantidade de pessoas ao redor do corpo queestava exposto. É clara a opção de evidenciar a morte de Kadafi, no sentido de mostrar a derrotadele e a vitória do Conselho Nacional de Transição.Essa publicação foi uma das que mais tiveram repercussão na página do jornal com 296comentários de usuários. As discussões traziam questionamentos sobre as motivações para amorte de Kadafi. Alguns adotaram uma postura favorável à queda enquanto outros simplesmentedesacreditavam os últimos acontecimentos, afirmando ser resultado de interesses capitalistas. Osusuários participaram dos comentários postando fotos e vídeos que endossavam suas opiniõessobre a morte de Kadafi. Retomando o que foi dito por Prado (2011), ao elencar as possibilidadesabertas pelos comentários com o aumento da interatividade. Figura 16 - Galeria de fotos sobre a captura de KadafiFonte:http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/20/album/1319110850_981346.html#1319110850_981346_1319 139269
  • 61. 62Um comentário publicado na página sob a identificação urdangorron traz o seguinte texto: “Noponen las fotos de la OTAN bombardeando con fósforo blanco y uranio a la población libia.Arrasar un país es la labor humanitaria de la OTAN. ¿y que "democracia" han dejado en Irak yAfganistán?”, seguido de um vídeo que fala dos ataques do CNT na Líbia.4.5 Google ImagesA foto aplicada ao Google Images foi realizada com a imagem abaixo: Figura 17 - Foto de Muammar Kadafi utilizada no Google Images Fonte: https://www.google.com/search?hl=pt-BR&tbo=d&q=%D8%AC%D8%AB%D8%A9+%D9%85%D8%B9%D9%85%D8%B1+%D8%A7%D9%84%D9%82%D8%B0%D8%A7%D9%81%D9%8A&tbm=isch&tbs=simg:CAQSZRpjCxCo1NgEGgIIPQwLELCMpwgaPAo6CAE SFNwE5ASHBeIEgwXvBIIF-wT6BPwEGiD1mydkCNF1d6BMNpVms7qiZtpcbIbAipu5Oo-dimmmuAwLEI6u_1ggaCgoICAESBHBhtO8M&sa=X&ei=kMmuUPKACIaA9QSc_4HYDg&ved=0CCQQwg4&biw=19 20&bih=930Ao aplicarmos a imagem à busca do Google Images, obtemos em um primeiro momento páginasem árabe, que obviamente postaram as fotos e vídeos de Kadafi morto em primeira mão.Entretanto, devido à barreira do idioma optamos por selecionar as páginas em inglês para estaanálise.A primeira página analisada é um blog americano nomeado Jewlicius (figura 18). Não háinformações sobre o autor, uma vez que na parte destinada à apresentação do proprietário do blogo autor diz que é um blogueiro anônimo de Nova York. A postagem “Libyan Dictator MuammarGaddafi is Dead” traz uma imagem de Kadafi, seguido de um vídeo que mostra o ex ditador líbio
  • 62. 63em poder dos rebeldes. O vídeo foi reproduzido da rede de Al Arabiya e é narrado em árabe. Oblog reúne as informações de veículos como Al Jazeera e The New York Times e traz fotoscreditadas como fonte do site Live Leak. O fato de blogs noticiarem e divulgarem informaçõessão um dos pontos discutidos por Targino (2009) ao tratar dos novos paradigmas da comunicaçãocom a ascensão das TIC e o aumento do número de ferramentas. O nível de produção deinformações agora é de muitos para muitos retomando a discussão de Gregolin (2012) ao afirmarque as tecnologias permitiram o envolvimento dos usuários compartilhando conteúdos eestabelecendo uma nova ordem de cultura participativa. Porém pode-se perceber que a maioriados blogs apenas reproduz, sem maiores critérios, as notícias publicadas na mídia, não podendoser considerado como jornalismo cidadão. Figura 18 - Fotos de Kadafi postadas em blog americano Fonte: http://www.jewlicious.com/2011/10/libyan-dictatormuammar-gaddafi-is-dead/O fotoblog P Log (figura 19) também divulgou a morte de Kadafi. O blog reuniu 82 fotos sobre acaptura de Kadafi. A abertura da página é a reprodução de uma nota da agência AP. Em seguidavêm as fotos que têm como fontes diferentes agências. Especificamente a foto de Kadafi aplicadaà busca é creditada como Mahmud Turkia/AFP.
  • 63. 64 Figura 19 - Fotos sobre a queda de Kadafi em fotoblog Fonte: http://blogs.denverpost.com/captured/2011/10/20/the-seige-of-sirte-libya-and-the-death-of- gadhafi/5046/?doing_wp_cron=1353005177.8403620719909667968750O site de notícias Global Post (figura 20) também aparece no resultado de busca do google e trazuma matéria com o título Who killed Gaddafi? Why we should care. Na tradução para oportuguês seria algo próximo de Quem matou Kadafi? Por que devemos nos importar. Oscréditos da foto foram dados a (Mahmud Turkia / AFP / Getty Images). Um hiperlink colocadona matéria redireciona para um vídeo em que Kadafi aparece capturado. O vídeo não traznenhuma referência de fonte.
  • 64. 65 Figura 20 - Cobertura do site Global Post sobre a morte de KadafiFonte: http://www.globalpost.com/dispatches/globalpost-blogs/africa-emerges/gaddafi-execution-who-killed-gaddafi-who- caresJá o jornal inglês The Guardian (figura 21) deu os créditos da foto para Mohamed Messara/EPA.A matéria do jornal britânico foi postada com o título: Gaddafis death: growing revulsion at thetreatment of the dictators body. Na tradução para o português a frase fica próxima de “Morte deKadafi: crescente repulsa ao tratamento do corpo do ditador”. A matéria que é do dia 22 deoutubro traz informações sobre as investigações das circunstâncias de morte de Kadafi. Apostagem traz informações de várias fontes como a BBC e o jornal italiano Corriere della Sera.Além disso, o jornal inglês utiliza hiperlinks que redirecionam o usuário para uma páginaespecial que reúne todo o conteúdo sobre Kadafi.
  • 65. 66 Figura 21 - Cobertura da morte de Kadafi no site do jornal inglês The Guardian Fonte: http://www.guardian.co.uk/world/2011/oct/22/libya-gaddafi-dead-body-treatmentA cobertura do Daily Mail (figura 22) reuniu várias fotos sobre a morte de Kadafi eles utilizaramfotos da Reuters, da AFP, da AP e vídeos postados no Youtube. No seguinte trecho temos a falade uma fotógrafa freelancer que viu Kadafi ensanguentado em poder dos rebeldes e que nos dá adimensão dos acontecimentos. Podemos perceber aqui que o que ocorre é uma multiplicação dosdifusores como salienta Machado (2002). A fotojornalista freelancer Holly Pickett foi incorporada a uma ambulância. Ela disse que viu outra ambulância que transportava Gaddafi. Tão perto que ela estava da ação, ela era capaz de visualizar o corpo ensanguentado de Gaddafi. Ela diz que ele estava vestindo calças de ouro. Ela twittou: “Da porta lateral, eu podia ver um peito nu com ferimento de bala e uma mão sangrenta. Ele estava usando calças dourados.” (DAILY MAIL, 21 de outubro de 2011, tradução nossa.)
  • 66. 67 Figura 22 - Cobertura do Daily Mail da morte de KadafiFonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2051361/GADDAFI-DEAD-VIDEO-Dictator-begs-life-summary- execution.html
  • 67. 68CONCLUSÃOTalvez seja no jornalismo participativo que o jornalismo cumpra definitivamente seu papelcidadão. O contato com os cidadãos coloca os jornalistas em uma posição de interlocutores,quebrando a lógica da imprensa tradicional. Quem mais capacitado para falar dos seus problemas,das suas necessidades do que o indivíduo que vivencia aquela realidade em seu quotidiano? Ojornalismo cidadão é por definição colaborativa.Entretanto, quando ampliamos as lentes do jornalismo participativo para uma situação como aPrimavera Árabe, entramos em um campo minado. Através do corpus analisado e das nossasreferências, temos noção de que a situação em que ocorreu a morte de Muammar Kadafi foi umambiente de caos. O que nos interessou nessa pesquisa é que ainda assim as informaçõescircularam e chegaram a boa parte do mundo. Ora, por meio de jornalistas que conseguirammaterial como aquele que tinha imagens e fotos do corpo do ex-ditador e reportaram a seusveículos; ora, pelos próprios jornalistas líbios, que em um ato de coragem arriscaram a própriavida e foram torturados, como é o caso do jornalista Mohamed AL Seguir, citado na matéria dojornal El País; ora, pelos próprios cidadãos que estavam presentes no momento da captura e já“alfabetizados” pela mídia fizeram fotos e vídeos da captura e do corpo do ex-ditador líbio.Em um plano de incertezas sobre a morte de Muammar Kadafi, os veículos internacionaisprivilegiaram uma cobertura baseada nas informações das agências de notícias. O que chamaatenção na cobertura dos dois jornais é a forma como trataram o uso do jornalismo participativo.Ainda preocupados com a apuração das informações, que nos primeiros instantes da morte do ex-ditador líbio eram incertas, quando a primeira imagem do corpo de Muammar Kadafi começou acircular pela internet através da agência AFP, a foto era uma reprodução de um vídeo feito porum rebelde como revelou o fotógrafo da agência Philippe Desmazes. O nome do rebelde não foidivulgado ou citado em nenhum dos jornais, ou nos veículos analisados pelo Google Images.A participação dos usuários é uma realidade nas redações. Entretanto, no caso da morte deMuammar Kadafi a situação foi um pouco diferente. Atropelados por especulações sobre acaptura do ex-ditador, as imagens do corpo que comprovavam a morte só começaram a circularalgumas horas depois.
  • 68. 69A relação da internet com a Primavera Árabe está muito além do jornalismo participativo. O“fenômeno” que tomou conta do mundo árabe foi organizado pela rede e tomou proporçõesinacreditáveis e impensáveis sem a contribuição das TIC. O jornalismo participativo foiobviamente importante na divulgação das informações sobre a morte do ex-ditador líbio. Mas oque chama atenção é a forma como o processo aconteceu. Sabendo das inúmeras dificuldadespara conseguir as imagens, os próprios jornalistas que estavam na Líbia estreitaram seusrelacionamentos com as fontes e as imagens como foi o caso do fotógrafo da agência AFP e dojornalista Andrei Netto, do Grupo Estado.O que torna interessante a pesquisa é a forma como a contribuição dos cidadãos quebra a lógicatradicional da imprensa, que coloca os jornalistas em uma posição de único e exclusivodivulgador das informações. Através dos resultados do Google Images podemos perceber queblogs e outras páginas fora das mídias de massa também repercutiram as imagens e vídeos deMuammar Kadafi, porém pautados pela grande imprensa, reproduzindo também eles, fotos evídeos das agências internacionais.Apesar de todo potencial que as tecnologias projetaram para o jornalismo participativo a lógicado monopólio das agências de notícias permanece no noticiário internacional. A grande mídiaainda é resistente em aceitar a participação de usuários e a recorrer ao material divulgado atravésda internet.Esse trabalho é apenas uma primeira conclusão sobre o caso. A Primavera Árabe foi um dosassuntos mais comentados durante o último ano, mas seus desdobramentos ainda são impossíveisde serem previstos em sua totalidade. Outros estudos precisam ser feitos para avaliar osresultados desses movimentos. Quanto ao jornalismo participativo o amadurecimento do cidadãorepórter surgirá como resultado de um processo de amadurecimento do jornalismo e a mídia.
  • 69. 70REFERÊNCIASAGUIAR, Pedro. Jornalismo internacional em redes. Cadernos da Comunicação. Série Estudos,20, Rio de Janeiro: Secretaria Especial de Comunicação Social, 2008.ANDELMAN, Bob. AFP, AP transmit graphic photos of dead Gadhafi. 2011. Disponível em<http://www.poynter.org/latest-news/mediawire/150263/ap-transmits-gaddafi-death-images-video/>>. Acesso em 05 de novembro de 2012.CASTELLS, Manuel. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura; A Sociedade emRede. Tradução de Roneide Venâncio Majer. 4. ed, São Paulo: Paz e Terra, 1999. Cap.05, p. 353– 401.CASTELLS, Manuel. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura; O Poder daIdentidade. Tradução de Klauss Brandini Gerhardt. 2. ed, São Paulo: Paz e Terra, 2000. cultura.Cap. 2, p. 93 - 96.CASTELLS, Manuel. Comunicación y poder. Barcelona: Alianza Editorial, 2009.CASTELLS, 2006. A era da intercomunicação. Diplô Brasil. Disponível emhttp:<//diplo.org.br/2006-08,a1379>. Acesso em 23. Set. 2012.CASTRO, Márcio Sampaio de. Líbia, um ano depois. Carta Capital, 2012. Disponível em:<http://www.cartacapital.com.br/internacional/libia-um-ano-depois/>. Acesso em 16 abr. 2012.CONHEÇA a história da Líbia. G1, 2011. Disponível em: <http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2011/02/conheca-historia-da-libia.html>. Acesso em 23 de agosto de 2012.DA FONSECA, Wilson Corrêa Junior. Análise de conteúdo. IN: DUARTE, Jorge; BARROS,Antonio. Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2006.FATIMA, di Branco. Primavera Árabe: vigilância e controle na sociedade da informação.Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/fatima-branco-primavera-arabe-vigilancia-e-controle.pdf>. Acesso em 31 ago. 2012.FISK, Robert. Esta é uma revolução pelo twitter. Carta Maior, jan./2011. Disponível em<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar. cfm?materia_id=17341>. Acesso em16 abr. 2012.FOOTAGE, shows gaddafis body. Al Jazeera. 2012. Disponível em:<http://www.aljazeera.com/video/middleeast/2011/10/2011102014201566639.html>. Acesso em:23 de agosto de 2012.GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: ed. UNESP, 1991. 177 p.
  • 70. 71GREGOLIN, Valencise Maíra. Vozes nômades: Ativismo Transmídia e Mobilizações Sociais.Revista GEMInIS ano 3 - n. 1, p. 06 - 24, 2012.HABIB, Mohamed. Primavera Árabe de 2012: mais tempestades do que flores. Carta Maior,2012. Disponível em: <http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19373>. Acesso em: 16 abr. 2012.HAIMZADEH, Patrick. Condições para a unidade nacional. Le Monde Diplomatique Brasil,2011. Disponível em: <http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?=9532af79>. Acesso em 16abr. 2012.HALL, Stuart. A identidade cultural na pós modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva eGuacira Lopes Lauro. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.HUNTINGTON, P. Samuel. O Choque das Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial.Rio de Janeiro, 1997, 456 p.IANNI, Octávio. Teorias da globalização. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.271 p.MEDINA García Irene, CORREIA, Pedro Álvaro Pereira. Social Media: A Way Of Activism InDigital Marketing Communication. Revista GEMInIS ano 3 - n. 1, p. 125 - 133, 2012.JOFFE, George. A Primavera Árabe no Norte de África: origens e perspectivas de futuroRelações Internacionais [online]. 2011, n.30, pp. 85-116. ISSN 1645-9199. Disponível em:<http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/ri/n30/n30a06.pdf>. Acesso em 15 set. 2012.KHECHANA, Rachid. As origens da Insurreição. Le Monde Diplomatique Brasil, abr./2011.Disponível em < http://www.diplomatique.org.br/artigo. php?id=919>. Acesso em 16. abr. 2012.LEIRIA, Luis. Kadafi, Assad e a esquerda. Esquerda. net, ago./2011. Disponível em:< http://www.esquerda.net/opiniao/khadafi-assad-e-esquerda>. Acesso em 16. abr. 2012.LEVY, Pierre. Cibercultura. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: ed.34. 1996.MACHADO, Elias. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. Disponível em<http://www.bocc.ubi.pt/pag/machado-elias-ciberespaco-jornalistas.pdf>. Acesso em 29 set.2012.NATALI, João Batista. Jornalismo Internacional. São Paulo: ed. Contexto, 2004. 128 p.NEWMAN, NIC. Mainstream media and the distibution of News in the age of social discovery.How social media are changing the production, distribution and discovery and further disruptingthe business models of mainstream media companies. In: Reuters Institute for the Study ofJournalism. Inglaterra, ed. 2009. 58 p.NEWMAN, Nec. The rise of social media and its impact on mainstream journalism: A study ofhow newspapers and broadcasters in the UK and US are responding to a wave of participatory
  • 71. 72social media, and a historic shift in control towards individual consumers. Inglaterra, ed. 2009. 60p.PAVÃO JR, Jadyr e SBARAI, Rafael. O Twitter só não faz revolução. Mas ajuda. Veja. VidaDigital de 27 jan. 2011. Disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/o-twitter-so-nao-fazrevolucao-mas-ajuda. Acesso em 30 set. 2012.PRADO, Magaly. Webjornalismo. Rio de Janeiro: LTC, 2011. Cap.07, pp. 167 -179.PRIMO, Alex; TRÄSEL, Marcelo Ruschel. Webjornalismo participativo e a produção aberta denotícias. Contracampo (UFF), v. 14, p. 37-56, 2006.RAMADAN, Tariq. "Arab Spring": One Success, Many Failures?, 2011. Disponível em:<http://www.tariqramadan.com/Arab-Spring-One-Success-Many, 11794. html > Acesso em 15abril 2012.RAMADAN, Tariq. Sobre a Líbia e a Síria. Carta Maior, ago. 2011. Disponível em:<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar. cfm?materia_id=18356>. Acesso em16 abr. 2012.RAMONET, Ignacio. Cinco causas de la insurrección árabe. Le Monde Diplomatique enEspanol, Espanha, n.185, mar./2011. Disponível em: http://www.monde-diplomatique.es/>.Acesso em: 16 abr. 2012.ROSSI, Clovis. “O que é jornalismo”, Coleção Primeiros Passos, São Paulo, ed. Brasiliense,2000, ed. 10, pp.78-87.ROVIRA, Jordi. Castells, sobre Internet e Rebelião: “É só o começo”, in: Outras Palavras.Disponível em < http://www.outraspalavras.net/2011/03/01/castells-sobre-internet-e-insurreicao-e-so-ocomeco/>. Acesso em 30 set. 2012.SANTOS, Márcio Carneiro dos. Pessoas Conectadas Podem Mudar o Mundo? Uma abordagemsistêmica baseada na Teoria das Redes para a modelagem de ações coletivas. RevistaGEMInISano 3 - n. 1, p. 51 – 70, 2012.TARGINO, Maria das Graças UNESCO. Jornalismo cidadão: informa ou deforma? . Brasília,ed. UNESCO, 2009. 258 p.TARGINO, Maria das Graças. Jornalismo cidadão e Independent Media Center = Citizenjournalism and Independent Media Center. Comunicação e Educação, São Paulo, v.13, n.3, p.29-38, set./dez. 2008.
  • 72. 73ANEXOSEl País20/10Una nueva era arranca en líbiaLa captura de GadafiEl dictador será enterrado en 24 horasMuammar el Gadafi, el tirano más cínicoEl gran secreto que se ocultaba en SirteY van tres dictadores caídosUna familia en descomposiciónLibia después de GadafiAsí fue la caída final de Sirte¿Es viable una democracia en Libia tras la guerra y la muerte de Gadafi?Las cuatro décadas de Gadafi en el poderLas últimas horas del dictadorGadafi: el déspota extravaganteObama y Europa respiran por la muerte de GadafiLo más difícil en Libia viene ahoraObama celebra el fin de Gadafi como una oportunidad para la democracia en LibiaFrancia se toma su tiempo para reaccionar a la noticiaEl dividendo de la paz líbia21/10Un país sin cultura democráticaLa primavera árabe abate su tercera ficha“Quedan muchas cosas por aclarar en este país”“Solo ahora me atrevo a contar mis historia a los amigos”La ONU pide una investigación sobre la muerte de GadafiDe la justicia al ajusticiamientoO Estado de S. Paulo20/10Kadafi foi capturado e ferido, diz fonte do governo provisórioTelevisão líbia anuncia captura de KadafiLíbia: comandante rebelde diz que Kadafi foi capturadoLíbia: comandante rebelde diz que Kadafi foi capturado (podcast)Kadafi morre de ferimentos na captura, diz governo provisório
  • 73. 74Com fama de excêntrico e de orientação nacionalista, Kadafi chegou ao poder em 1969Governo dos EUA não confirma prisão de KadafiKadafi morreu após a captura de Sirta, diz Al JazeeraCorpo de Kadafi está em lugar secreto, diz governo provisório da LíbiaFilho de Kadafi é encontrado morto em Sirta, diz CNTApós notícia sobre Kadafi, Brasil diz esperar fim da violência na LíbiaA morte de KadafiCorpo de Kadafi está em mesquita de Misrata, diz Al-JaziraKadafi está morto, afirma Mahmoud JibrilPolêmico, Kadafi ficou 42 anos no poderFamílias de vítimas de Lockerbie: alívio com fim de KadafiMorte de Kadafi é nova era para a Líbia, dizem líderes internacionaisCom morte de Kadafi, presidente de Angola vira africano há mais tempo no poderVídeo mostra Kadafi capturado na Líbia antes da morteVaticano: morte de Kadafi acaba luta longa e trágicaMorte de Kadafi encerra capítulo longo e doloroso na Líbia, diz ObamaChávez diz que Kadafi foi mártir e sua morte, uma afrontaJibril diz que Kadafi foi morto por um tiro na cabeçaSem Kadafi, nasce a Líbia livre21/10Kadafi ganhou tempo com ajuda de rede subterrâneaCapturados em ações históricasNas ruas, surpresa e euforia após vitória em SirteMorte de líder amplia festa na Faixa de GazaNova abordagem sobre a guerra dá vitória a ObamaSarkozy, senhor da guerraWashington celebra triunfo com discriçãoUm líder tão excêntrico quanto brutalSem Kadafi, nasce a Líbia livreCircunstâncias da morte embaraçam novo regimeImagens chocantes de Muammar Kadafi mortoONU pede inquérito sobre a morte de KadafiDestino de Kadafi é um sinal para ditadores, diz SarkozyCircunstâncias da morte de Kadafi permanecem nebulosasImagens de celulares viram registro importante da morte de KadafiIrã elogia morte de Kadafi e pede fim da missão da Otan
  • 74. 75Google Images20/10Libyan Dictator Muammar Gaddafi is DeadPhotos: The Siege of Sirte, Libya and the Death of GadhafiGaddafis death: growing revulsion at the treatment of the dictators bodyWho killed Gaddafi? Why we should care.Who shot Gaddafi? New video shows blood pouring from dictator immediately before deathbut mystery surrounds coup de grace