Cinthia Lopes HenriquesJORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR                    KADAFI:Uma análise dos Jornais El ...
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AGRADECIMENTOSEnfim, chegou o momento! Foram quatro anos de muitas coisas sérias, mas também de muitasbrincadeiras e desco...
LISTA DE FIGURASFigura 1: Página informado captura de Muammar Kadafi ........................................................
SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...........................................................................................................
7INTRODUÇÃOA comunicação talvez tenha sido a área do conhecimento que mais tenha se transformado nasúltimas décadas. As Te...
8Ao chegarmos ao terceiro capítulo nossa discussão está voltada para a Primavera Árabe,passamos aqui pela origem dos levan...
91 JORNALISMO PARTICIPATIVO E/OU COLABORATIVO1.1 Sociedade em Rede e autocomunicação de massaManuel Castells (1999, p. 353...
10As “culturas são formadas por processos de comunicação e todas as formas de comunicação sãobaseadas na produção e consum...
11                  La comunicación de masas tradicional es unidirecional (el mensaje se envía de uno a muchos,           ...
121.2 WebjornalismoA atividade jornalística teve seu início antes da Revolução Industrial, mais precisamente entre ossécul...
13terceira geração, é designada de hipermidiática, pois os recursos de interatividade aumentam como uso da hipertextualida...
141.3 Jornalismo participativo, internet e ciberativismoDe acordo com Lindemann1 (2006, apud PRADO, 2011, p.45): a “idéia ...
15O ciberativismo parte da esfera pública para a privada. As relações são construídas através deinteresses em comum que cr...
16                   O modelo transmissionista (emissor>mensagem>canal>receptor), que parecia para alguns ser o           ...
17                 A novidade do jornalismo digital reside no fato de que, quando fixa um entorno de arquitetura           ...
18Newman (2009) destaca ainda a necessidade dos veículos prepararem seus profissionais paralidar com o jornalismo particip...
19Robert Fisk (2011), correspondente do jornal inglês The Independent, ao relatar as revoltas árabesno Egito destacou a im...
20                 2011 - Egito - Motivados pelos acontecimentos da Tunísia, os egípcios saem às ruas contra o            ...
212 GLOBALIZAÇÃO E JORNALISMO INTERNACIONAL2.1 Tecnologias, identidades e informaçãoO fenômeno da globalização ganhou novo...
22                  modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo         ...
23sentimento de pertencimento a uma mesma nação global, endossado por Hall (2006) e porGiddens (1991), cria um processo de...
24Assim como em todas as editorias, o trabalho jornalístico na editoria internacional passou porgrandes transformações nas...
25Outra figura marcante dentro do jornalismo internacional é o correspondente internacional. Esseprofissional é aquele que...
26A forma como recebemos a notícia foi alterada. Este processo marca o fim da dependência,mesmo que não completamente, dos...
273 PRIMAVERA ÁRABE E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO3.1 Primavera ÁrabeO movimento denominado Primavera Árabe, que atingiu os paí...
28Mohamed Habib (2012)5 chama atenção para o fato de que “uma análise coerente dessas revoltase suas perspectivas para 201...
29Entretanto a importância das plataformas digitais nos países árabes ainda é bastante discutida erelativizada. De acordo ...
30Ramonet (2011) afirma ter sido determinante para o desenrolar da Primavera Árabe. Umapopulação instatisfeita, um evento ...
313.3 Confrontos na LíbiaOs levantes árabes se concretizaram como o maior acontecimento no âmbito da políticainternacional...
32região chamada de Cirenaica e os fenícios na região de Tripolitânia. Já no século I a.C o ImpérioRomano conquistou a reg...
33do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, derrubam governo de Idris I. O coronel anti-imperialistaMuammar Kadafi assume o pod...
34Em 1977, passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Congresso Geral do Povo e presidentepela União Socialista Árabe,...
35de esgoto. Os rebeldes retiraram o ex-líder do esgoto ainda com vida e seguiram com ele pelacidade torturando-o até a mo...
364 JORNALISMO PARTICPATIVO E A COBERTURA DA MORTE DE MUAMMARKADAFI4.1 MetodologiaEsta pesquisa foi desenvolvida por meio ...
37A busca pelas matérias foi orientada pelo recorte de tempo do dia 20 e 21 de outubro e pelosmarcadores Khadafi, Kadafi, ...
38- Critérios de noticiabilidade;- Como se dá a participação dos usuários na construção da notícia;- A fonte das informaçõ...
39Atualmente, apresenta forte apoio à centro-direita brasileira e tem reforçado sua atuação noambiente digital.O Google Im...
40correspondentes de agências internacionais também acompanharam a derrubada de Kadafi, queseria confirmada no noticiário ...
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A relação da internet com a Primavera Árabe está muito além do jornalismo participativo. O “fenômeno” que tomou conta do mundo árabe foi organizado pela rede e tomou proporções inacreditáveis e impensáveis sem a contribuição das TIC. O jornalismo participativo foi obviamente importante na divulgação das informações sobre a morte do ex-ditador líbio, Muammar Kadafi. Mas o que chama atenção é a forma como o processo aconteceu.

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  1. 1. Cinthia Lopes HenriquesJORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR KADAFI:Uma análise dos Jornais El País e o Estado de S. Paulo e do Google Images Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2012
  2. 2. Cinthia Lopes HenriquesJORNALISMO PARTICIPATIVO E A MORTE DE MUAMMAR KADAFI:Uma análise dos Jornais El País e o Estado de S. Paulo e do Google Images Monografia apresentada ao Departamento de Comunicação e Design (ICD) do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Jornalismo Orientadora: Lorena Tárcia Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2012
  3. 3. AGRADECIMENTOSEnfim, chegou o momento! Foram quatro anos de muitas coisas sérias, mas também de muitasbrincadeiras e descontração. O meu muito obrigado aos meus pais, que me deram o apoionecessário para que eu pudesse investir nessa empreitada. A minha mãe, Maria Tereza, por todapaciência e dedicação. Ao meu pai, João, um abraço especial de dever cumprido!Aos meus queridos amigos, Clésio, Fê, Lucas, Cleiton, Mateus o meu agradecimento porentenderem a minha ausência e por fazerem parte de tantos momentos especiais. Quantas brejaseu deixei de compartilhar com vocês? Ah que saudade! A Lô, metade do diploma é seu! A minhaamiga Rá, que sempre me fez dar boas gargalhadas e me ajudou com bons conselhos. Ao Marco,simplesmente por me receber de braços abertos quando eu mais precisei e por acreditar nos meussonhos. Ao Bruno, pelas palavras mágicas e sóbrias. Ao Bê, por ser o FDP mais gente boa que euconheço. A minha amiga Vanessa Seixas, por compartilhar o desespero de laudas e laudas. Equantas foram? Perdi a conta! Ao Bruno Frade, pelas horas e horas de desabafo! Ao Glaydston,por compartilhar suas nerdices, me dar o apoio técnico necessário e mais que isso ser o parceiroideal em projetos ousados.A coisa mais bonitinha e graciosa do mundo, meu sobrinho Bernardo, que no meio dessaempreitada resolveu que estava na hora de nascer. Aos meus irmãos e cunhadas, pelacompreensão.A minha querida orientadora, Lorena Tárcia, que me ajudou nos momentos de apuros. Pelapaciência, delicadeza e cordialidade com que sempre me tratou. O meu muito obrigado. Sigo coma certeza de que você é um grande exemplo na minha vida. Aos meus mestres, que meacompanharam durante toda esta caminhada, em especial a Angela Moura, por embarcar juntonos projetos mais malucos, ao Maurício Guilherme pelas sutilezas e a Virgínia Palmerston pelocarinho.Na delicadeza, na suavidade e na vontade de quem quer voltar eu encerro mais uma etapa. Atodos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste momento,OBRIGADA. Um caminho novo está começa a ser desenhado agora e eu sigo com a certeza deque valeu a pena. A todos esses que eu citei acima, mais uma vez OBRIGADA, conto com cadaum nas próximas expedições. SALUDOS!!!Enfim, formei! Vamos comemorar?!
  4. 4. LISTA DE FIGURASFigura 1: Página informado captura de Muammar Kadafi ............................................................ 41Figura 2 - Página do jornal O Estado de S. Paulo com primeiras fotos do corpo de MuammarKadafi ............................................................................................................................................ 43Figura 3 - Detalhe da primeira imagem de kadafi divulgada em que é possível perceber os íconesdo dispositivo de câmera Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional, kadafi-morre-de-ferimentos-na-captura-diz-governo-provisorio, 787987,0. htm ............................................... 44Figura 4 - Galeria de fotos sobre a queda de Kadafi ..................................................................... 45Figura 5 - Vídeo do colunista Lourival Sant’Anna na página do jornal O Estado de S. Paulo ..... 47Figura 6 - Vídeo mostra corpo de Kadafi exposto na página do jornal O Estado de S. Paulo ...... 48Figura 7 - Matéria da página do O Estado de S. Paulo sobre o uso de celulares no registro damorte de Kadafi ............................................................................................................................. 49Figura 8 - Primeira matéria sobre a morte do ex-ditador líbio na página do El País .................... 50Figura 9 - Vídeo postado na página do El País sobre os últimos momentos de Kadafi................ 51Figura 10 – Primeira notícia sobre a morte de Muammar Kadafi divulgada através do twitter ... 52Figura 11 Matéria do jornal El País reprodudiza da agência Reuters ........................................... 53Figura 12 - Matéria do El País sobre as últimas horas de vida de Muammar Kadafi ................... 54Figura 13 Vídeo do YouTube mostra últimos minutos de vida do ex-ditador Líbio ..................... 57Figura 14 - Artigo opinativo sobre morte do ex-ditador da Líbia ................................................. 59Figura 15 - Depoimento do jornalista líbio Mohamed al Seguir sobre o envio de informações àimprensa internacional ................................................................................................................... 60Figura 16 - Galeria de fotos sobre a captura de Kadafi ................................................................. 61Figura 17 - Foto de Muammar Kadafi utilizada no Google Images .............................................. 62Figura 18 - Fotos de Kadafi postadas em blog americano ............................................................ 63Figura 19 - Fotos sobre a queda de Kadafi em fotoblog ............................................................... 64Figura 20 - Cobertura do site Global Post sobre a morte de Kadafi .............................................. 65Figura 21 - Cobertura da morte de Kadafi no site do jornal inglês The Guardian ........................ 66Figura 22 - Cobertura do Daily Mail da morte de Kadafi ............................................................. 67
  5. 5. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 71 JORNALISMO PARTICIPATIVO E/OU COLABORATIVO .................................................. 91.1 Sociedade em Rede e autocomunicação de massa .................................................................... 91.2 Webjornalismo ......................................................................................................................... 121.3 Jornalismo participativo, internet e ciberativismo ................................................................... 141.4 Jornalismo Participativo e os critérios de noticiabilidade ....................................................... 182 GLOBALIZAÇÃO E JORNALISMO INTERNACIONAL .................................................... 212.1 Tecnologias, identidades e informação ................................................................................... 212.2 Jornalismo internacional e Internet ......................................................................................... 233 PRIMAVERA ÁRABE E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO .............................................. 273.1 Primavera Árabe ...................................................................................................................... 273.2 Os levantes no Oriente Médio e as redes sociais ..................................................................... 283.3 Confrontos na Líbia ................................................................................................................. 313.3.1 Breve história Líbia .............................................................................................................. 313.3.1 Muammar Kadafi .................................................................................................................. 334 JORNALISMO PARTICPATIVO E A COBERTURA DA MORTE DE MUAMMARKADAFI ........................................................................................................................................ 364.1 Metodologia ............................................................................................................................. 364.2 Apresentação do objeto ........................................................................................................... 384.3 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal O Estado de S. Paulo .................... 394.4 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal El País .......................................... 494.5 Google Images ......................................................................................................................... 62CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 68REFERÊNCIAS ............................................................................................................................ 70ANEXOS ....................................................................................................................................... 73
  6. 6. 7INTRODUÇÃOA comunicação talvez tenha sido a área do conhecimento que mais tenha se transformado nasúltimas décadas. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) mudaram a forma comonos relacionamos. Como resultado desse fator, os paradigmas das relações sociais foramalterados. A noção de tempo, espaço e sociedade projeta o nascimento de uma nova identidadeglobal. Fatos que antes eram isolados ao local do acontecimento, agora ganham repercussãomundial mobilizando pessoas em diversos países.Foi assim que em 2011, o mundo árabe passou por profundas transformações, a Primavera Árabe,um fenômeno novo bastante disseminado através da internet. As rebeliões começaram depois queimagens de Mohamed Bouazzi ateando fogo ao próprio corpo em protesto ao regime do seu país,a Tunísia, circularam pela internet, como consequência três ditadores caíramO movimento que começou na Tunísia tirou do poder Ben Ali, em seguida, atingiu o Egito,levando a expulsão de Hosni Mubarak. E em outubro de 2011, o ex-ditador Muammar Kadafi foicapturado e morto por insurgentes. Minutos depois da morte, imagens dos seus últimos minutosde vida e do seu corpo foram publicadas na internet. Em uma espécie de pedagogia da mídiavárias pessoas registraram o momento e compartilharam através da rede.Uma das imagens mais utilizadas pela imprensa mostra várias pessoas com celulares em torno docorpo do ex-líder tirando fotos. A partir daí, nosso objetivo de pesquisa é buscar entender atravésda cobertura da morte de Muammar Kadafi nas versões online do jornal espanhol El País, dojornal brasileiro O Estado de S. Paulo e de resultados obtidos através do Google Images se houveuma contribuição significante do jornalismo participativo. Afinal, foram os cidadãos que deramrepercussão ao caso, ou foi a lógica das grandes mídias que prevaleceu?Para tanto, nosso estudo foi dividido em quatro capítulos. O primeiro trata do jornalismoparticipativo e as mudanças de paradigmas que a colaboração de usuários trouxe para acomunicação. No segundo capítulo entramos na discussão sobre a globalização, as identidades eo jornalismo internacional.
  7. 7. 8Ao chegarmos ao terceiro capítulo nossa discussão está voltada para a Primavera Árabe,passamos aqui pela origem dos levantes; pela história líbia até chegarmos à história de MuammarKadafi. Tentamos entender, a partir deste capítulo, quais foram às motivações para o surgimentodos levantes e qual a efetiva contribuição das redes sociais para a eclosão de revoltas.Ainda que as TIC se apresentem como ferramenta de potenciais mudanças de paradigmas para acomunicação existe um protocolo no jornalismo que barra o acesso efetivo do cidadão ascoberturas midiáticas. No quarto e último capítulo, buscamos analisar quais foram às fontes deinformação utilizadas pelos veículos. Buscamos compreender qual a proporção de utilização dojornalismo participativo na cobertura dos grandes veículos de massa e também por veículos nãooficiais.É impossível traçarmos na totalidade os rumos do jornalismo participativo, uma vez que suasimplicações ainda são muito recentes e apresentam dificuldades pontuais ao trabalho dopesquisador. Avaliar a origem das informações é um dos principais empecilhos ao trabalho, umavez que a grande mídia ainda impõe restrições ao uso de material fornecido por cidadãos. Muitasvezes existe apenas a citação de que determinado material foi cedido ou fornecido, mas nãoexiste uma contextualização dos fatores de que como isso teria ocorrido.
  8. 8. 91 JORNALISMO PARTICIPATIVO E/OU COLABORATIVO1.1 Sociedade em Rede e autocomunicação de massaManuel Castells (1999, p. 353) discorre sobre o surgimento do alfabeto na Grécia em meados doano 700 a.C. e afirma que “essa tecnologia conceitual, segundo os principais estudiosos clássicoscomo Havelock, constituiu a base para o desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciênciacomo a conhecemos hoje.”Essa tecnologia permitiu o desenvolvimento da comunicação humana, ocupando o espaço vagoque existia entre a comunicação oral e a escrita. Entretanto, esse processo não aconteceu de umaúnica vez. De acordo com Havelock (apud CASTELLS, 1999, p. 353) foram pelo menos três milanos para que a sociedade se tornasse alfabética.Sobre a evolução da comunicação, Castells afirma que estamos passando por uma transformaçãotecnológica parecida com a do surgimento do alfabeto: [...] ou seja, a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa. Ou, em outras palavras, a formação de um Supertexto e uma Metalinguagem que, pela primeira vez na história, integra no mesmo sistema as modalidades escrita, oral e audiovisual da comunicação humana. (CASTELLS, 1999, p. 354)A transformação da nova mídia influencia as relações sociais e culturais dos indivíduos. Oaspecto multimídia está modificando o “caráter da comunicação” e a partir deste aspecto surge acultura da virtualidade real.O crescimento da televisão depois da Segunda Guerra modificou os outros meios decomunicação. A rápida expansão da televisão se deve ao fato de que “as pessoas são atraídas parao caminho de menor resistência”. (Castells, 1999, p. 355) A televisão representa um rompimentocom a Galáxia de Informação de Gutenberg e apresenta-se como uma grande mídia.Aconstelação da internet é o alicerce da comunicação globalizada.
  9. 9. 10As “culturas são formadas por processos de comunicação e todas as formas de comunicação sãobaseadas na produção e consumo de sinais” (CASTELLS, 1999, p. 358), não ocorrendo, portanto,separação entre “realidade” e representação simbólica.Ainda analisando as mudanças da era da informação, em Comunicación y Poder, Castells (2009)afirma que as novas lutas sociais apresentam-se em uma nova forma, o uso das tecnologias decomunicação e as redes sociais mudaram as táticas de luta no mundo todo. Articuladas pelainternet as reivindicações ecoam por todo o mundo e mobilizam um número muito grande depessoas.O ponto central para entender as transformações que as novas tecnologias trouxeram é passarpela compreensão de como surge e estrutura-se o poder. A detenção do monopólio das forças derepressão pelos Estados é uma das formas de ostentar o domínio, mas a construção designificados é outra maneira utilizada pelas nações. “Cuanto mayor es el papel de la construcciónde significado en nombre de interes e valores específicos a la hora de afirmar el poder de umarelación, menos necesidad hay de recurrrir a la violência (legítima o no).” (CASTELLS, 2009, p.35)É nesse sentido que Castells (2009) avalia como os mecanismos de dominação passaram portransformações e entraram em uma nova fase, a esfera pública foi ampliada e como consequênciahouve um aumento da atividade política.O termo “autocomunicación” é evidenciado para retratar uma comunicação feita semintermediários (mídia). A expansão do número de computadores foi um fator decisivo para aevolução desse processo, que se caracteriza pelo uso de uma plataforma massiva, mas que é cadavez mais utilizada para produção de conteúdo em caráter pessoal.A definição de comunicação, que é compartilhar significados, depende do contexto em queacontecem as relações sociais e que acionam a informação e a comunicação. Assim, ao cunhar otermo “autocomunicación de masas”, Castells (2009) afirma que essa nova forma decomunicação é de massa, porque potencialmente pode chegar a uma audiência global.
  10. 10. 11 La comunicación de masas tradicional es unidirecional (el mensaje se envía de uno a muchos, en libros, periódicos, películas, radio y televisión). Obviamente, algunas formas de interactividad pueden incorporarse a la comunicación de masas através de otros médios de comunicación. [...] No obstante, la comunicación de masas suele ser predominante unidireccional. Sin embargo, com la difusión de Internet, ha surgido uma nueva forma de comunicación interactiva caracterizada por la capacidad para enviar mensajes de muchos a muchos. (CASTELLS, 2009 p. 88)O “sistema de comunicação digital global” é um reflexo das relações de poder, mas nãorepresenta o ponto de vista de uma cultura dominante. Existe aqui um sistema aberto àstecnologias de autocomunicação. No obstante, y precisamente porque el processo es tan diverso y porque las tecnologias de comunicación son tan versátiles, el nuevo sistema de comunicación digital global se vuelve más inclusivo y compreensivo de todas las formas y contenidos de la comunicación social. (CASTELLS, 1999, p. 123)Pierre Levy (1999) fala da relação entre a construção da realidade e a comunicação, destacando avocação para construir um universo cultural. De acordo com o autor, a sociedade estácondicionada pela técnica. O processo de virtualização pode ser entendido como tudo aquilo quegera mobilização concreta sem estar preso a um local e tempo. Ele define assim a cultura dauniversalidade: Grande parte das formas culturais derivadas da escrita tem vocação para a universalidade, mas cada uma totaliza sobre um atrator diferente: as religiões universais sobre o sentido, a filosofia (incluindo a filosofia política) sobre a razão, a ciência sobre a exatidão reprodutível (os fatos), as mídias sobre uma captação em um espetáculo siderante, batizado de "comunicação". Em todos os casos, a totalização ocorre sobre a identidade da significação. Cada uma à sua maneira, essas máquinas culturais tentam recolocar, no plano de realidade que inventam uma forma de coincidência com elas mesmas dos coletivos que reúnem. (LEVY, 1999, p. 118)Levy (1999) discorre sobre os conceitos de totalidade da cibercultura: Por meio dos computadores e das redes, as pessoas mais diversas podem entrar em contato, dar as mãos ao redor do mundo. Em vez de se construir com base na identidade do sentido, o novo universal se realiza por imersão. Estamos todos no mesmo banho, no mesmo dilúvio de comunicação. Não pode mais haver, portanto, um fechamento semântico ou uma totalização. (LEVY, 1999, pp. 120, 121)O autor afirma que “a cibercultura inventa uma outra forma de fazer advir a presença virtual dohumano frente a si mesmo que não pela imposição da unidade de sentido.” (Levy, 2009, p. 248)
  11. 11. 121.2 WebjornalismoA atividade jornalística teve seu início antes da Revolução Industrial, mais precisamente entre osséculos XV e XVI, mas é apenas durante a Revolução Francesa que o jornalismo destaca-secomo ferramenta de divulgação do que é de interesse público para a sociedade.O jornalismo passa por sua segunda revolução com a ascensão das novas tecnologias. A primeiraaconteceu a partir da década de 1950 com a invenção da rotativa e da industrialização dojornalismo.As novas tecnologias rompem com o padrão de comunicação vertical que existia no jornalismotradicional. No novo modelo, a principal característica é uma comunicação horizontal, de muitospara muitos. A principal característica desse modelo é a quebra de paradigma com o modelo“emissor-meio-mensagem-receptor”, levando-se em consideração que o receptor passa a sertambém produtor e mediador das informações. . Prado (2011) afirma que se a primeira RevoluçãoIndustrial foi britânica, a primeira revolução tecnológica é americana, mais precisamentelocalizada no Vale do Silício.Magaly Prado (2011, p.182), defende que não existe mais a separação entre “produtor de mídia econsumidor”. De acordo com a autora, no final dos anos 1990 o rápido crescimento da internetampliou a cultura do “faç@ você mesmo”, que permitiu aos usuários se tornarem produtores deconteúdo. A autora faz um levantamento das várias fases da web até a contemporaneidade. A primeira fase – web 1.0 – é a da publicação com browser, portais, sites, homepages, linguagem HTML, e-mail, livros de visita, fóruns, chats, álbuns de fotos, os primeiros sistemas de busca etc. A segunda fase é a da cooperação, com redes de relacionamento, blogs, marketing viral, social bookmarking (folksonomia), webjornalismo participativo, escrita coletiva, velocidade e convergência. (PRADO, 2011, p. 189)Targino (2009, p. 135) faz a categorização do webjornalismo em três gerações. Sendo a primeira,a fase de transposição ou reprodução em que os “mass media se limitam a disponibilizar a versãodo material impresso, a cada dia”. A segunda geração é a fase da metáfora em que os sites aindareproduzem conteúdo da versão impressa, mas já existem ferramentas de interatividade. Já a
  12. 12. 13terceira geração, é designada de hipermidiática, pois os recursos de interatividade aumentam como uso da hipertextualidade.A adesão ao webjornalismo reduz custos e diminui burocracia nos grandes veículos e comoconsequências disso as redações estão cada vez menores e o perfil dos jornalistas mudoucompletamente. É necessário que o webjornalista saiba administrar as mais variadas mídiasdisponíveis, o que Prado (2011) nomeia de profissional “multimídia e multitarefeiro”.O desafio desses novos profissionais é em linhas gerais saber lidar com as mídias e qualtratamento aplicar para cada uma delas, sem cair na superficialidade das informações. Com asnovas ferramentas móveis, as notícias podem ser acessadas em qualquer lugar, a qualquer hora esendo atualizadas em tempo real. Além disso, as fontes de informação se multiplicam a cada dia.O desafio dos veículos tradicionais é entender como despertar o interesse do usuário pelo seuconteúdo.A cultura digital se transformou nos últimos anos, a evolução das ferramentas decompartilhamento de dados e a convergência de mídias proporcionaram que o usuário passasse agerar informação. “O usuário comum participando e gerando conteúdo começou com osurgimento das ferramentas amigáveis, ou seja, mais fáceis de publicação e distribuição, como ados blogs”. (PRADO, 2011, p. 184)Prado (2011) afirma que os sistemas de tagueamento, a introdução de palavras chaves quesintetizam o assunto tratado, ajudaram na formação de “comunidades” ou grupos online que sejuntam para discutir um assunto de interesse comum. A vantagem das tags é que são personalizáveis, isto é, não precisam ser palavras institucionalizadas ou rótulos controlados ou predefinidos. Por esse motivo, são sistemas de folksonomia, criado por Thomas Vander Wal, um designer da informação e expressam um tipo de organização criada por pessoas. (PRADO, 2010, p.184)
  13. 13. 141.3 Jornalismo participativo, internet e ciberativismoDe acordo com Lindemann1 (2006, apud PRADO, 2011, p.45): a “idéia de transformarinternautas comuns em repórteres surge, no mundo, em iniciativas como Slashdot, Ohmy News,Wikinews”. Prado (2011) afirma que em algumas plataformas de jornalismo colaborativo existeuma edição das informações enviadas pelo público. Mas o objetivo desses sites é ser uma opçãopara o usuário às já conhecidas mídias.O envio de vídeos pelos usuários se tornou cada vez mais comum no jornalismo participativo. Deacordo com Prado (2011), a partir de 18 de novembro de 2009, o YouTube criou o YouTubeDirect, um canal que permite que qualquer usuário inclua vídeos nas páginas dos jornais, sem queseja necessário fazer cadastro. Essa ferramenta possibilita que os veículos escolham quais são osvídeos relevantes de acordo com o assunto. O webjornalismo participativo pode ser definido como hipertexto cooperativo de interação mútua: não há apenas um produtor, como nas mídias de massa, mas todos os usuários podem vir a ser produtores de notícias. Esse tipo de interação ainda é pouco explorada e, por suas características, gera questionamentos quando comparadas ao jornalismo clássico. (FONSECA; LINDEMANN, apud PRADO, 2010, p. 88).O processo de identificação, mobilização e articulação de causas sociais que ocorre no cotidianoé potencializado nas redes sociais digitais. Os indivíduos ampliam o debate e os canais de difusãoreforçando, sensibilizando e projetando problemáticas. Na dinâmica das redes, os fenômenos que popularmente conhecemos como “efeitos cascata ou em cascata” são exemplos de ação coletiva que pode ser induzida pelo poder público, principalmente em situações onde a resolução do problema comum depende de uma adesão do maior número de atores sociais possível. A importância dos fluxos de informação para a realização de ações coletivas coordenadas também aparece claramente em regimes totalitários, onde o direito à reunião e ao trabalho dos jornalistas são normalmente diminuídos ou eliminados, como estratégia de combate aos opositores. A sequência de eventos conhecida como “Primavera Árabe”, onde em vários países, ditaduras antigas tem enfrentado oposição nas ruas, é um exemplo das possiblidades de análise com um olhar interdisciplinar que envolva teorias de Rede e de Comunicação. A utilização de redes sociais para contornar as restrições de comunicação nesses cenários e potencialmente gerar mudanças em escala e velocidade inéditas também reforça o interesse desse tipo de abordagem e sua utilidade para a compreensão de situações e sistemas de considerável complexidade. (SANTOS, 2012, p.68)1 LINDERMANN, Cristiane. (livro) In: PRADO, Magaly. Webjornalismo. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p.33.
  14. 14. 15O ciberativismo parte da esfera pública para a privada. As relações são construídas através deinteresses em comum que criam e unem grupos dispostos a mobilizaram-se em favor de umacausa. É importante ressaltar o papel dos mecanismos automatizados de busca e seleção de pessoas que compartilham interesses ou amigos comuns. Em plataformas como o Facebook e o Twitter tais mecanismos estão presentes e potencializam o crescimento das redes pessoais bem como a quantidade de usuários dessas plataformas a um ritmo intenso e em curtos períodos de tempo. Em fevereiro de 2012 o Facebook já tinha mais de 845 milhões de usuários ativos. (SANTOS, 2012, p. 59)O desenvolvimento das mídias sociais digitais alterou o comportamento dos indivíduos nasrelações humanas. As ferramentas tecnológicas permitem a formação de redes em defesa de uminteresses em comum estruturadas em uma nova forma de cidadania da era globalizada. Diferentemente dos anos 60, quando a circulação da informação era monopólio das grandes organizações, atualmente, o avanço das tecnologias tem possibilitado o envolvimento dos indivíduos na produção e compartilhamento de conteúdo midiático alterando os padrões de consumo e permitindo que se configure a noção de cultura participativa. A convergência de diferentes mídias tem servido a estratégias de um número crescente de movimentos sociais, uma vez que os usuários aprenderam novas formas de interagir com o conteúdo que encontram. Essa cultura participativa acompanha o desenvolvimento tecnológico que sustenta a convergência midiática e cria demandas que as mídias de massa ainda não estão aptas a satisfazer. (GREGOLIN, 2012, p. 12)A construção da notícia ganhou um novo formato mais interativo e “democrático”. Os usuáriosabandonaram o papel de receptores e participam do ciclo de criação, repercussão e reprodução deinformações de forma ativa e fundamental, inclusive para os veículos tradicionais.Com a expansão das redes sociais, o fluxo de informação inverteu-se de forma considerável. Asnotícias até então saíam das redações de veículos tradicionais, chegavam ao público final e eramrepercutidas em um ciclo que passava do espaço público para o espaço privado. Concomitantecom o crescimento das plataformas convergentes ocorreu uma inversão do fluxo de informações,que trouxe uma reorganização no consumo de notícias. A partir deste momento, os veículostradicionais buscam pautas nas redes sociais.
  15. 15. 16 O modelo transmissionista (emissor>mensagem>canal>receptor), que parecia para alguns ser o modelo natural da comunicação de massa, ganha nova maquiagem. O fluxo jornalista > notícia >jornal >leitor, por exemplo, renova-se em jornalista>notícia>site> “usuário”. (PRIMO, TRÄSEL, 2006, p. 2)Dentro dessa perspectiva, as mídias online agregaram algumas características à produção denoticias, a saber, a ampla cobertura; a informação não tem limite geográfico; o acesso de milharesde usuários à rede mundial de computadores; e o aspecto de simultaneidade e instantaneidade.Castells (2006) destaca ainda a formação de redes de comunicação alternativas, que surgiram naefervescência da participação dos usuários em plataformas digitais e tornaram-se ferramentas decirculação e atualização de informações. A constituição de redes de comunicação autônomas chega também aos meios de comunicação mais tradicionais. As televisões de rua e as rádios alternativas – como a TV Orfeo em Bolonha, a Zaléa TV em Paris, a Occupen las Ondas em Barcelona, a TV Piqueteros em Buenos Aires – e uma enorme quantidade de mídias alternativas, ligadas em rede, formam um sistema de 2 informação verdadeiramente novo. (CASTELLS, 2006)O papel do profissional de jornalismo neste novo contexto do novo fluxo de informação deixa deser exclusivo como filtro para as informações. Com essas novas características, a apuração dosfatos depende fundamentalmente das relações entre cidadãos e jornalistas. Historicamente encarregados de informar os sistemas democráticos, seu futuro dependerá não de quão bem informam, mas, sobretudo, de quão encorajam e mantêm diálogos com os cidadãos, em alusão à cidadania e a temas de interesse do indivíduo como eixo central do noticiário, em que o papel de selecionar e produzir conteúdos noticiosos deixa de ser privilegio de uma classe profissional. (TARGINO, 2009, p. 170)A internet democratizou o acesso às fontes e, além disso, criou um novo espaço ondepotencialmente qualquer usuário, desde que, preparado tecnicamente, pode ser utilizado comofonte. Mais uma vez, quebrando o paradigma de fontes oficiais e da posição dos jornalistas comoúnicos e exclusivos mediadores das informações.2 CASTELLS, 2006. A era da intercomunicação. Diplô Brasil. Disponível em http:<//diplo.org.br/2006-08,a1379>.Acesso em 23. Set. 2012.
  16. 16. 17 A novidade do jornalismo digital reside no fato de que, quando fixa um entorno de arquitetura descentralizada, altera a relação de forças entre os diversos tipos de fontes porque concede a todos os usuários o status de fontes potenciais para os jornalistas. Se cada indivíduo ou instituição, desde que munido das condições técnicas adequadas, pode inserir conteúdos no ciberespaço devido a facilidade de domínio de áreas cada vez mais vastas, fica evidenciada tanto uma certa diluição do papel do jornalista como único intermediário para filtrar as mensagens autorizadas a entrar na esfera pública, quanto das fontes profissionais como detentoras do quase monopólio do acesso aos jornalistas. A possibilidade de dispensa de intermediários entre as fontes e usuários implode com a lógica do predomínio das fontes profissionais porque transforma os próprios usuários em fontes não menos importantes. (MACHADO, 2002, p. 6)Retomando à questão dos veículos tradicionais, com a ascensão das novas mídias, cidadãos,ONG’s e movimentos sociais conseguem atrair espaço entre os mass media para questões de seusinteresses. Utilizando o ciberativismo, cidadãos emplacam pautas nos veículos, criando umprocesso de repercussão ainda maior e acrescentando o “valor” credibilidade as informaçõesrepassadas. Uma vez que os veículos tradicionais ainda são vistos como referência. Osdesdobramentos de tais tendências ainda são recentes e é impossível de se fazer uma avaliaçãocompleta. É o que avalia Santos (2012). As redes e as tecnologias de informação e comunicação têm gerado impactos sociais, culturais e políticos que provavelmente ainda não possamos avaliar na totalidade, basicamente por estarmos no meio do processo e fazermos parte dele, estando cientes disso ou não. (SANTOS, 2012, p. 67)Newman (2009) destaca pelo menos três características que fazem com que o jornalismoparticipativo contribua para que as empresas de comunicação abram espaço para este segmentode jornalismo. • Contar histórias melhores: construção de uma visão Dan Gillmor: há sempre alguém que sabe mais do que você, organizações de notícias estão utilizando o crowdsourcing de comentários, fotos, vídeos e ideias. Esses suplementos e complementos aliados as suas próprias fontes de obtenção de notícias enriquecem a saída da informação. • Fazer um relacionamento melhor: usuários engajados tendem a ser mais leais e passar mais tempo, tornando-os mais valiosos para os anunciantes ou para a promoção e venda de serviços de outras empresas. • Obter novos usuários: com o público gastando mais e mais tempo com redes sociais, estes se tornaram o lugar mais óbvio para procurar o "difícil acesso" ou se reconectar com os partidários anteriores. (NEWMAN, 2009, p. 7, tradução nossa)
  17. 17. 18Newman (2009) destaca ainda a necessidade dos veículos prepararem seus profissionais paralidar com o jornalismo participativo, pensando assim em uma lógica de cooperação produtiva eresponsável com os leitores e usuários. “Um desafio fundamental para muitas organizações denotícias é incentivar mais jornalistas a se envolverem com essas ferramentas, e usá-los para fazercontatos, por crowdsourcing e como um canal para suas reportagens.” (NEWMAN, 2009, p. 38,tradução de nossa)1.4 Jornalismo Participativo e os critérios de noticiabilidadeO jornalismo participativo trouxe uma nova lógica de valores-notícia para a comunicação. Ainformação circula de forma diferente e estabelece novos paradigmas. O leitor também participado processo de “apuração” e demonstra seus interesses, interferindo diretamente na práxisjornalística. Targino (2009) define o conceito de ciber-cidadão, aquele que exercita a cidadaniautilizando o ciberespaço. A multiplicação dos difusores altera as relações entre os jornalistas e as fontes porque transforma os usuários do sistema em fontes. Enquanto no jornalismo convencional em que muitas vezes declarações são transcritas como notícias predomina o uso das fontes oficiais, no jornalismo digital a participação dos usuários contribui para a utilização de fontes independentes, desvinculadas de forma direta dos casos publicados. Com a descentralização da redação ocorre uma inversão no fluxo de notícias, antes muito dependente das fontes organizadas. O próprio jornalista necessita rastrear nas redes os dados antes de redigir a matéria solicitada ou mesmo quando apura a veracidade dos conteúdos das matérias enviadas pelos colaboradores. O alargamento do conceito de fontes coloca na ordem do dia a reflexão sobre as consequências para o jornalismo da incorporação dos usuários no circuito de produção de conteúdos. (MACHADO, 2002, p. 10)Os critérios de noticiabilidade em jornalismo participativo são bastante variados. A questão éfocada na descentralização do emissor de informações, ou seja, a democratização no processo deinformações que circulam pelo espaço público. Experiências obtidas através das insurreiçõesiniciadas pelas plataformas digitais, como a Primavera Árabe, sugerem que os temas que ganhamnotoriedade são aqueles voltados para o interesse coletivo. Neste sentido, reivindicações sociais,denúncias de abuso de poder, corrupção e irregularidades administrativas tornam-se as principaisinformações a ganhar repercussão.
  18. 18. 19Robert Fisk (2011), correspondente do jornal inglês The Independent, ao relatar as revoltas árabesno Egito destacou a importância que as redes sociais tiveram para burlar a censura dos jornaisque apoiavam o regime de Hosni Mubarak. Esta é uma revolução pelo Twitter e pelo Facebook e há muito que a tecnologia derrubou as normas caducas da censura. Os homens de Mubarak parece terem perdido toda iniciativa. Os jornais de seu partido estão cheios de autoengano: jogam as notas sobre as manifestações para os pés da primeira página, como se com isso fossem tirar as multidões das ruas; como se, de fato, pelo apequenamento das notas os protestos jamais tivessem ocorrido. Mas não se precisa ler os jornais para saber o que se tem falado. A sujeira e as cidades perdidas, confusas, os esgotos a céu aberto e a corrupção de todo funcionário público, as prisões superlotadas, as eleições risíveis, todo o vasto e esclerosado edifício do poder levou, por fim, os egípcios às 3 ruas. (FISK, 2011)O relato de experiências como essa apontada por Fisk (2011) não são novos. O que diferencia osúltimos protestos é a intensidade com que os usuários utilizaram a rede para se mobilizarem eprojetarem as informações em nível global. Em artigo publicado pela revista Veja em 2011, JadyPavão Júnior e Rafael Sbarai (2011) fazem um levantamento histórico do uso das TIC no mundotodo. 2001- Filipinas - Milhares de pessoas trocam mensagens de texto no celular (SMS) para coordenar protestos que culminam no impeachment do presidente Joseph Estrada. 2004 - Espanha - Mensagens de texto acusando o premiê José María Aznar de mentir sobre o atentado ao metrô de Madri influenciam a eleição e impõem derrota ao primeiro-ministro nas urnas. 2006 - Bielorrúsia - A tentativa de revolução começa por e-mail, mas não vai longe: o protesto não tem força para derrubar o ditador Aleksandr Lucashenko, que em seguida tenta controlar a rede. 2009 - Irã - Ativistas usam celulares e redes sociais para coordenar protestos contra fraudes nas eleições. Em resposta, o governo bloqueia o acesso ao Twitter e ao Facebook. 2009 - Moldávia - Ações na web reúnem mais de 10.000 manifestantes anti-governo, que responde com perfis falsos no Facebook para atrapalhar os manifestantes. 2010 - Tailândia - O movimento Red Shirt, que se opõe ao governo militar que comanda o país, usa redes sociais para coordenar suas ações. A ação é esmagada e dezenas de pessoas morrem. 2011 - Tunísia - O ditador Zine El Abidine Ali cai após convulsão popular. As redes sociais são usadas como meio de comunicação entre os manifestantes.3 FISK, Robert. Esta é uma revolução pelo twitter. Carta Maior,jan./2011. Disponível em<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17341>. Acesso em 16. Abr. 2012.
  19. 19. 20 2011 - Egito - Motivados pelos acontecimentos da Tunísia, os egípcios saem às ruas contra o ditador Hosni Mubarak, que tenta bloquear o Twitter, ferramenta de coordenação do movimento. (PAVAO JR. e SBARAI, 2011)Irene García Medina e Pedro Álvaro Pereira Correia (2011) destacam o papel da simultaneidadeque as TIC trouxeram para a comunicação e relata que o processo de atualização de informaçõestornou-se um processo infinito. Internet, telefones, celulares, PDAs, televisão digital terrestre e outras tecnologias interativas têm democratizado as comunicações de mercado. Seja qual for à mensagem que a empresa deseja transmitir é cada vez mais necessário superar as barreiras de acessibilidade, relevância, contexto e sedução da mensagem para se conectar ao receptor. O surgimento das redes sociais revive a arte de contar histórias, qualquer que seja o conteúdo (filmes, publicidade, informação comercial, apresentação da empresa). Uma boa história é divertida, sensual e emocional, carregada de significados, é instrutivo, porque é não intrusiva. Por convite promove a participação, a coesão e a interatividade de seus destinatários. As imagens da comunicação da marca e organizações são correspondidas ou se desenrolam contra o pano de fundo de um tele series com um número ilimitado de capítulos. (CORREIA, Pedro; MEDINA, Irene 2011, p.130, tradução nossa)Mais importante do que a forma como as matérias são produzidas é a colaboração do cidadãocom o processo de produção das notícias. Targino (2009) chama atenção para o processo demutação que o jornalismo vem passando nos últimos anos. A trajetória do jornalismo nos regimes democráticos, decerto, incluindo o Brasil, mostra o jornalismo em constante mutação e em busca de um novo fazer jornalístico, em que invariavelmente, tanto a pretensão de vigiar os governantes ou ser por eles vigiados, como a proteção aos cidadãos contra os abusos do poder estão presentes. (TARGINO, 2009, p. 75-76)
  20. 20. 212 GLOBALIZAÇÃO E JORNALISMO INTERNACIONAL2.1 Tecnologias, identidades e informaçãoO fenômeno da globalização ganhou novos desdobramentos na última década com o advento dasTICs. A formação das identidades culturais no ambiente do novo espaço global é um dos pontosmais discutidos. Com a evolução das plataformas tecnológicas, noções de espaço, tempo esociedade perderam seu significado original, passando a ganhar novas características maisefêmeras, com o estímulo ao consumo unificado, que desperta em pessoas de diferentes países eaté então diversas culturas a necessidade de consumir os mesmos produtos e serviços. De acordocom Hall (2006, p. 73), as “identificações globais” são fixadas acima da cultura nacional e criamum fluxo de deslocamento e até extinção das “identidades nacionais”. Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. (HALL, 206, p. 74)Hall (2006) defende que os fluxos da globalização são desequilibrados, tornando-a um processoque parte do Ocidente para as periferias do mundo, o que a torna um processo essencialmenteocidental. Entretanto, o autor destaca que se de certa forma as identidades globais estãosubstituindo as identidades nacionais, as periferias também participam do efeito equalizador daglobalização. As sociedades da periferia têm estado sempre abertas às influencias culturais ocidentais e, agora, mais do que nunca. A ideia de que esse são lugares “fechados” -etnicamente puros, culturalmente tradicionais e intocados até ontem pelas rupturas da modernidade – é uma fantasia ocidental sobre a “alteridade” : uma “fantasia colonial” sobre a periferia, mantida pelo Ocidente, que tende a gostar de seus nativos apenas como “puros” e de seus lugares exóticos apenas como “intocados”. Entretanto, as evidências sugerem que a globalização está tendo efeitos em toda parte, incluindo o Ocidente, e a “periferia” também está vivendo seu efeito pluralizador, embora num ritmo mais lento e “desigual.” (HALL, 2006, p. 80)Anthony Giddens (1991) propõe uma discussão focada nos novos processos de relações sociaisque a globalização permite. A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são
  21. 21. 22 modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais acontecimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A transformação local é tanto uma parte da globalização quanto a extensão lateral das conexões sociais através do tempo e do espaço. Assim, quem quer que estude as cidades hoje em dia, em qualquer parte do mundo, está ciente de que o que ocorre numa vizinhança local tende a ser influenciado por fatores — tais como dinheiro mundial e mercados de bens — operando a uma distância indefinida da vizinhança em questão. (GIDDENS, 1991, p.60 – 61)Ao analisar o fluxo de informação na sociedade globalizada, Giddens afirma que as “notícias”desempenham um papel fundamental nas relações sociais culturais, ou seja, os sujeitos têm hojeuma noção mais ampla dos acontecimentos globais. A questão aqui não é que essas pessoas estejam contingentemente conscientes de muitos eventos, de todas as partes do mundo, dos quais, antes, elas permaneceriam ignorantes. É que a extensão global das instituições da modernidade seria impossível não fosse pela concentração de conhecimentos que é representada pelas "notícias". Isto é talvez menos óbvio na consciência cultural geral do que em contextos mais específicos. (GIDDENS, 1991, p.71)A visão de uma globalização que atinge a todas as civilizações que é compartilhada por Giddens(1991) e por Hall (2006) é contestada por Samuel Huntington (2001), que rejeita a ideia de uma“civilização universal”, que compartilha práticas e crenças comuns em diferentes lugares domundo. Para ele, mesmo as TICs provocando uma maior interação entre as pessoas do mundo,elas não conseguem “criar” uma “cultura universal”. O conceito de uma civilização universal é um nítido produto da civilização ocidental. No século XIX, a ideia do “fardo do homem branco” ajudou a justificar a expansão do domínio político e econômico ocidental sobre as sociedades não-ocidentais. No final do século XX, o conceito de uma civilização universal ajuda a justificar o predomínio cultural do Ocidente sobre outras sociedades e a necessidade para essas sociedades de imitar as práticas e as instituições ocidentais. O universalismo é a ideologia do Ocidente para confrontações com culturas não- ocidentais. (HUNTINGTON, 2001, p. 78)Castells (2000, p. 257) afirma que, “de modo geral, a globalização/localização da mídia e dacomunicação eletrônica equivale à descentralização e desestatização da informação, duastendências que, por ora, são indissociáveis”.Esse fatores da globalização afetaram o jornalismo internacional. Com a disseminação das novastecnologias, as informações globais ganharam canais mais flexíveis de comunicação. Este
  22. 22. 23sentimento de pertencimento a uma mesma nação global, endossado por Hall (2006) e porGiddens (1991), cria um processo de inversão no jornalismo internacional. Pragmaticamente, para o Jornalismo Internacional, isto significa o advento de novos fluxos de informação que abandonam a rigidez hierárquica e centralizadora dos sistemas das agências (apuração redação central clientes) e a concentração da pauta em um número limitado de fontes e assuntos. Em outras palavras, o fluxo de informação em redes estende o leque de opções que o repórter-redator de Inter tem à sua frente e permite que ele, na prática profissional, liberte-se de todos os níveis prévios de filtros e gatekeepings e vá direto à origem primária das informações, conferindo plena manuseabilidade sobre a matéria-prima das notícias. (AGUIAR, 2008, p. 60)2.2 Jornalismo internacional e InternetO jornalismo internacional é a especialidade que trata de assuntos exteriores à localizaçãogeográfica que o jornalista está inserido. Sendo assim, essa é uma das áreas do jornalismo quemais agregam conteúdo. Jornalismo Internacional é, assim, uma especialização jornalística cuja definição é, por natureza, relativa. Ao contrário do que ocorre com as definições de tipo temáticas (Jornalismo Econômico, Político, Cultural, Esportivo...), de suporte (Telejornalismo, Radiojornalismo, Webjornalismo, de Revista...) ou de linguagem (Literário, Investigativo, de Precisão, de Resistência...), que têm – a princípio – descrições universalmente válidas, o Jornalismo Internacional conta com a particularidade de variar seu objeto de interesse de acordo com a procedência nacional do repórter que apura e com a localização (física; geográfica) do veículo ao qual a matéria se destina. É desta forma que, nesta área, o que for exterior para uns não o será para outros; e o assunto que é “doméstico” para um país é “internacional” para todos os demais. (AGUIAR, 2008, p. 17)Natali (2004) faz um resgate do surgimento do jornalismo internacional e aponta que a origem dosegmento teria ocorrido durante o século XVI, após um banqueiro alemão ter criado umnewsletter, que trazia informações voltadas para o setor de negócios como cotações demercadorias e “notícias” sobre política dos países europeus. O autor aponta que, já no séculoseguinte, as publicações que traziam um panorama sobre a situação política e econômica dospaíses europeus cresceram significativamente no continente e com isso as trocas de informaçõestornaram-se fundamentais para o mundo dos negócios.
  23. 23. 24Assim como em todas as editorias, o trabalho jornalístico na editoria internacional passou porgrandes transformações nas últimas décadas. Talvez pela questão do acesso a informação, a seçãointernacional tenha sido uma das que mais teve seu trabalho facilitado pela evolução das TIC.As agências de notícias foram durante muito tempo as principais fontes de divulgação donoticiário internacional. Era através das agências de notícias que veículos de comunicação domundo inteiro noticiavam os acontecimentos mais importantes do globo. De acordo com Natali(2004), foram as agências de notícia que deram viabilidade econômica ao jornalismointernacional. As notícias produzidas pelas agências têm um custo inferior daquelas produzidaspor correspondentes exclusivos. Quando vários veículos pagam pela informação, como acontececom as informações vendidas por agências de notícias, o custo é repartido. Assim, a dinâmica da informação em uma agência de notícias de grande porte, como as já citadas, gera um fluxo de informações sistêmico, linear e centralizado: a informação é inserida no sistema interno da empresa pelo correspondente no exterior, transmitida para a redação central e, de lá, redistribuída para os escritórios locais e regionais que, por sua vez, encaminham a notícia (que é a informação depois de “manufaturada”) para os respectivos clientes. Na prática, e fundamentalmente, o sistema de uma agência funciona mediando o contato entre as fontes primárias e o cliente. (AGUIAR, 2008, p. 28)Os jornalistas do noticiário internacional têm uma rotina um pouco diferente das outras editorias.A primeira etapa é a seleção das notícias que entrarão naquela edição. Esse processo exige umconhecimento vasto sobre a política internacional e uma capacidade de análise ao verificar o quemerece ser publicado, levando em consideração fatores como o que é relevante dentro docontexto de cada país, a linha editorial e a importância que será atribuída a cada informação.Na discussão sobre os critérios de noticiabilidade na editoria internacional, Natali (2004)acrescenta que alguns fatores são privilegiados, a saber, guerras, eleições em países vizinhos,epidemias e tragédias inesperadas, levando em consideração tanto a localização geográficaquanto política do fato ocorrido.
  24. 24. 25Outra figura marcante dentro do jornalismo internacional é o correspondente internacional. Esseprofissional é aquele que ou foi enviado para acompanhar uma situação especial ou vive no país erepassa as informações do país em que vive e de territórios vizinhos para seu veículo. Osjornalistas que residem no país são preferencialmente nomeados de correspondente internacionale os jornalistas que vão acompanhar algum evento específico são nomeados como enviadosespeciais.Aproximando o fato para nosso objeto de pesquisa o correspondente ou enviado especial quecobre guerras tem uma dificuldade ainda maior para ter acesso às informações uma vez que a suaprópria vida está em risco e é necessário um aparato mínimo para que ele consiga exercer suafunção. Entre esses fatores podemos destacar o idioma, a falta de conhecimento físico do local, asparticularidades e peculiaridades, levando em consideração cultura, religião e tradições. Todosesses pontos apresentam-se como um dificultador do trabalho do jornalista. Os correspondentesinternacionais apresentam-se como filtro das informações, privilegiando uma visão de quem podepresenciar os acontecimentos in loco.Clóvis Rossi (2000) destacou como o roteiro de informações no jornalismo segue uma lógica dospaíses capitalistas através das agências de notícias que estão em sua maioria sediadas na Europaou nos Estados Unidos. Vejamos alguns números ilustrativos: a Associated Press, com sede central em Nova York, tem 8.500 assinantes em mais de cem países; a Reuters, britânica, está estabelecida em 69 países e vende seu material para 6.500 clientes (dos quais 4.700 são jornais); a France Presse, com suas 92 sucursais no Exterior, atinge 12.400 assinantes. (ROSSI, 2000, p. 83)A produção jornalística passou por grandes transformações com o aumento do acesso às redesnas últimas décadas. Com o desenvolvimento das TIC, a produção de conteúdo na editoria dejornalismo internacional mudou estruturalmente seus paradigmas na forma de transmitirinformações. É importante analisarmos que as mudanças demonstram, não apenas, uma evoluçãodas TICs, mas uma alteração dos modelos econômicos e sociais das comunidades modernas.
  25. 25. 26A forma como recebemos a notícia foi alterada. Este processo marca o fim da dependência,mesmo que não completamente, dos veículos de imprensa com as agências de notícia eacrescenta novas características à editoria: aumento do volume de informações, memóriailimitada (atualizações em tempo real), multimidialidade, acesso rápido e facilitado as fontes deinformação e pesquisa. A convergência é tendência predominante no paradigma tecnológico pós-industrial. Na prática, isso significa que as ferramentas de trabalho do jornalista estão agoraintegradas e se complementam para a articulação do fluxo informativo em redes. (AGUIAR,2008, p. 76)As ferramentas que estão inseridas no contexto da internet facilitaram muito a vida dos jornalistasda editoria internacional. O e-mail revolucionou a forma de contatar as fontes, como destacaAguiar (2008, p. 78) o “e-mail veio representar um grande facilitador para atingir pessoas emoutros países, incluindo o fato de não depender da sincronia (a pessoa lê e responde quandopuder, o que ajuda no caso de fusos horários distantes)”.
  26. 26. 273 PRIMAVERA ÁRABE E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO3.1 Primavera ÁrabeO movimento denominado Primavera Árabe, que atingiu os países do norte da África e doOriente Médio no final de 2010, começou após a autoimolação do jovem tunisiano MohamedBouazizi, em protesto contra a situação política da Tunísia. De lá pra cá, três ditadores já caíram.O último deles foi Muammar Kadafi, ditador líbio por 42 anos, deposto depois que rebeldesapoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte - (OTAN) tomaram Trípoli.Países como Tunísia, Egito, Líbia, Marrocos, Bahrein, Iêmen e Iraque entraram em estado decaos após diversas manifestações contra a situação política e econômica, reivindicando direitosdemocráticos e enfrentaram graves crises estruturais após o início das insurreições. Autores comoJoffe (2011) e Ramonet (2011) atribuem diferentes causas para a explosão de revoltas que tomouconta desses países. Para Joffe (2011), a própria característica autoritária dos Estados árabesimpulsionou as crises. [...] a recusa em tolerar a participação popular activa no processo de governação viria a servir como impulsionador das crises que os regimes enfrentaram a partir do momento em que foi encontrado o agente catalítico apropriado. E, claro, a natureza do agente catalítico explica a cronologia das crises. Essa natureza, em si mesma, é um reflexo das consequências da repressão e, ironicamente, das concessões de abertura política que os governantes demonstraram nos últimos anos. Com efeito, a evolução das crises em cada Estado deu-se em função das naturezas políticas dos próprios regimes, uma vez que apesar da sua intensa repressão política, os regimes de Ben Ali e de Mubarak, na Tunísia e no Egipto – à semelhança do regime de Bouteflika na Argélia, e ao contrário do regime líbio –, tinham vindo progressivamente a abrir espaço para um certo grau de autonomia de expressão e de acção social e económica. Esse fenómeno estava ligado a processos de liberalização política com o propósito de assegurar que o controlo do regime nunca seria ameaçado. (JOFFE, 2011, p. 86-87)Existem muitas discussões sobre quais teriam sido as causas atribuídas para o início das revoltas.Os protestos tiveram diferentes catalisadores em cada país. Entretanto, as próprias característicasautoritárias desses Estados provocaram as crises. Ainda que a falta de democracia e a forterepressão sejam apontados como estopins comuns para as eclosões de movimentos de revolta,outros fatores, como aponta Ramonet (2011)4, contribuíram para a eclosão das revoltas.4 RAMONET, Ignacio. Cinco causas de la insurrección árabe. Le Monde Diplomatique (en Español), nº 185, Março2011. Disponível em: <http://www.mondediplomatique.es/?url=editorial/0000856412872168
  27. 27. 28Mohamed Habib (2012)5 chama atenção para o fato de que “uma análise coerente dessas revoltase suas perspectivas para 2012, deve considerar duas questões: a geopolítica e a econômica. Alémdisso, as interferências externas, em especial as do Ocidente dominante, que influenciam cadapaís do mundo árabe”.O Oriente Médio, como lembra Habib (2012), sempre foi alvo dos interesses ocidentais. Alocalização estratégica de muitos países juntamente com a propriedade de recursos energéticos,tornaram esses países o alvo da cobiça americana e europeia. Nos últimos anos, os paísescapitalistas apoiaram as ditaduras árabes em prol do desenvolvimento dos seus interesses noscontinentes árabes. A fase atual, é resultado dos interesses do Ocidente pós Primeira Guerra Mundial e envolve a localização e os recursos energéticos do mundo árabe. Os EUA, 3º maior produtor de petróleo e 2º maior de gás natural do planeta, não é visto como produtor e sim como grande consumidor, pois precisa do dobro da sua produção para garantir seu padrão de vida. A Europa, por sua vez, depende fortemente do gás e do petróleo árabes, principalmente da Líbia. (HABIB, 2012)63.2 Os levantes no Oriente Médio e as redes sociaisA Primavera Árabe trouxe uma nova discussão sobre o uso das TIC como ferramenta demobilização e visibilidade para "movimentos sociais organizados ou de livre manifestação cidadãna sociedade da informação." (FÁTIMA, sd, p.1) [...] A Primavera Árabe foi e ainda é uma revolução de povos insatisfeitos com modelos de governos instaurados e que se utilizaram das redes sociais como ferramentas de organização e mobilização de protestos que culminaram na ocupação pacífica, na maioria dos casos, de ruas praças, bairros e espaços públicos das maiores cidades e pequenas vilas do Norte da África e Oriente Médio. (FÁTIMA, sd, p. 3.)186811102294251000/editorial//?articulo=8ca803e0-5eba-4c95-908f-64a36ee042fd>. Acesso em: 16 abr. 20125 HABIB, Mohamed. Primavera Árabe de 2012: mais tempestades do que flores. Carta Maior, 2012. Disponível em:<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19373>. Acesso em: 16 abr. 2012.6 Idem 4.
  28. 28. 29Entretanto a importância das plataformas digitais nos países árabes ainda é bastante discutida erelativizada. De acordo com Fátima (s.d.), a grande mídia atribuiu a queda dos ditadores daTunísia e do Egito à internet. Mas, importantes fatores geográficos, políticos e/ou religiosos nãoforam contextualizados pela imprensa.É importante darmos atenção às causas que são atribuídas às origens das manifestações. Paramuitos autores (FATIMA, s.d. e RAMONET, 2011) a onda de rebeliões no Oriente Médio e naÁfrica não é legítima e foi provocada por uma série de interesses históricos, políticos,econômicos, climáticos e sociais dos países capitalistas ocidentais.Ignacio Ramonet (2011) afirma que Estados Unidos e Europa apresentavam inúmeros interessesem derrubar os ditadores dessas nações. Entre eles, o controle do petróleo e a proteção a Israel.Outro fator levantado pelo autor é o acesso da população às redes sociais e as motivações à quelevaram a população a difundir os protestos pela internet. El Fondo Monetario Internacional (FMI) impuso, a Túnez, Egipto y Libia, programas de privatización de los servicios públicos, reducciones drásticas de los presupuestos del Estado, disminución del número de funcionarios... Unos severos planes de ajuste que empeoraron, si cabe, la vida de los pobres y sobre todo amenazaron con socavar la situación de las clases medias urbanas (las que tienen precisamente acceso al ordenador, al móvil y a las redes sociales) arrojándolas a la pobreza. (Ramonet, 2011)7Ferramentas como Twitter e Facebook foram fundamentais no processo de mobilização dasmanifestações. As redes sociais funcionaram como um projetor de reivindicações de povosinsatisfeitos. O que não significa dizer que as revoltas não teriam acontecido sem as plataformasdigitais. As redes sociais formaram um canal de disseminação de informações e repercussão deideias, que acabaram resultando na ocupação de vários espaços públicos. Isso Castells (2011)define ao dizer que: En la sociedad red la batalla de las imágenes y los marcos mentales, origen de la lucha por las mentes y las almas, se dirime en las redes de comunicación multimedia. Estas redes están programadas por las relaciones de poder incorporadas en ellas. [...] Es decir, el processo de cambio social precisa de la reprogramación de las redes de comunicación en cuanto a sus códigos culturales y los valores e interesses sociales y políticos implícitos que transmiten. (CASTELLS, 2009, p. 396)7 idem 4.
  29. 29. 30Ramonet (2011) afirma ter sido determinante para o desenrolar da Primavera Árabe. Umapopulação instatisfeita, um evento tido como estopim, que, neste caso, foi a imolação do jovemtunisiano e a repercussão gerada através das redes sociais. Esses três fatores foram fundamentaispara desencadear a reação que culminou na onda de protestos e na deposição de três ditadores. Añádase a lo precedente: una población muy joven y unos monumentales niveles de paro. Una imposibilidad de emigrar porque Europa ha blindado sus fronteras y establecido descaradamente acuerdos para que las autocracias árabes se encarguen del trabajo sucio de contener a los emigrantes clandestinos. Un acaparamiento de los mejores puestos por las camarillas de las dictaduras más arcaicas del planeta... Faltaba una chispa para encender la pradera. Hubo dos. Ambas en Tunez. Primero, el 17 de diciembre, la auto-immolación por fuego de Mohamed Buazizi, un vendedor ambulante de fruta, como signo de condena de la tiranía. Y segundo, repercutidas por los teléfonos móviles, las redes sociales (Facebook, Twitter), el correo electrónico y el canal Al-Yazeera, las revelaciones de WikiLeaks sobre la realidad concreta del desvergonzado sistema mafioso establecido por el clan Ben Alí-Trabelsí. El papel de las redes sociales ha resultado fundamental. Han permitido franquear el muro del miedo: saber de antemano que decenas de miles de personas van a manifestarse un día D y a una hora H es una garantía de que uno no protestará aislado exponiéndose en solitario a la represión del sistema. El éxito tunecino de esta estrategia del enjambre iba a convulsionar a todo el mundo árabe. (RAMONET, 2011)8Entretanto, é preciso destacar que se por um lado as redes foram utilizadas como ferramentas demobilização, por outro serviram como mecanismos de vigilância. É o que destaca Branco diFátima (s.d, p. 4), ao analisar o papel da internet na Primavera Árabe. Quando analisamos osprocessos de vigilância utilizados pelas ditaduras árabes, percebemos que as plataformas setransformaram em um “sofisticado mecanismo de coerção social”.A rede foi amplamente utilizada como mecanismo de controle e vigilância de cidadãos.Denúncias feitas por organizações internacionais revelaram a existência de processos devigilância sistemática, de massa e personalizada aos opositores políticos dos regimes no norte daÁfrica e Oriente Médio. Com a ajuda de softwares e equipamentos desenvolvidos por empresasmultinacionais e transnacionais do Ocidente, ativistas da Primavera Árabe tiveram suas açõesrastreadas e terminaram presos e assassinados. (FATIMA, s.d, p.4) 98 idem 4.9 FÁTIMA, di Branco. Primavera Árabe: vigilância e controle na sociedade da informação. Disponívelem:<http://bocc.ubi.pt/pag/fatima-branco-primavera-arabe-vigilancia-e-controle.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.
  30. 30. 313.3 Confrontos na LíbiaOs levantes árabes se concretizaram como o maior acontecimento no âmbito da políticainternacional. De acordo com Ignácio Ramonet: a queda do muro do Medo nas autocracias árabes é o equivalente contemporâneo da queda do muro de Berlim. Um autêntico terremoto mundial. Por produzir-se no epicentro do “foco perturbador” do planeta (este marco de todas as crises que vai do Paquistão ao Saara Ocidental, passando pelo Irã, Afeganistão, Iraque, Líbano, Palestina, Somália, Sudão e Darfur) sua onda de expansão modifica toda a geopolítica internacional. (RAMONET, 2011)10O movimento que começou na Tunísia e tirou do poder Bem Ali, em seguida, atingiu o Egito,levando à expulsão de Hosni Mubarakk. E em outubro de 2011, o ex-ditador Líbio MuammarKadafi foi capturado e morto por insurgentes.Foi em Benghazi que os conflitos na Líbia ganharam repercussão. No dia 15 de fevereiro,famílias líbias foram às ruas pedir a libertação do advogado Fathy Terbil, ativista na luta dasfamílias pelo direito de recuperar o corpo de pessoas executadas. A polícia, junto com forçasaliadas do governo de Muammar Kadafi, reprimiu as manifestações com violência e as imagensdas agressões circularam pela internet e pela rede Al Jazeera. Após o episódio, manifestaçõessurgiram em outras cidades.3.3.1 Breve história LíbiaCom 6,5 milhões de habitantes, a Líbia se divide em três grandes regiões, controladas por clãsfamiliares que estabeleceram núcleos de poder próprios, assim como culturas e reivindicaçõesdistintas. A história da Líbia é uma história de ocupações e desencontros de povos cominteresses, culturas e costumes diferentes tentando ocupar o mesmo território, o que gerouinúmeros conflitos causados por esse choque cultural.A região que hoje é denominada Líbia foi durante alguns anos assentamento de povos fenícios,romanos e turcos. No século II a.C. colonos gregos deram o nome ao país. Em séculos seguintes,os gregos e fenícios estabeleceram várias colônias pelo país. Basicamente, os gregos ocuparam a10 idem 4.
  31. 31. 32região chamada de Cirenaica e os fenícios na região de Tripolitânia. Já no século I a.C o ImpérioRomano conquistou a região inserindo a influência latina no território conquistado.A Líbia foi província romana até aproximadamente 455 d.C. , quando uma tribo germânicaoriental dominou o território, mas foi conquistada pelo Império Bizantino nos anos que seseguiram. Em 643 d.C. a região passou pelo domínio dos árabes. A Tripolitânia foi por mais detrês séculos dominada por Berberes Almoadas e a Cirenaica foi dominada pelo Egito.No século XVI, os otomanos tomaram a região da Cirenaica e em 1551 o Imperador Solimão,conhecido como o magnífico dominou a região da Tripolitania ao Império Otomano,conquistando assim o poder central em Tripoli.Em 1880, o reinado de Karamanli que havia dominado Tripoli por 120 anos, ajudou a assentar asregiões de Fezã, Cirenaica e Tripolitânia. Essas regiões pertenciam assim, apenas nominalmenteao Império Otomano, pois tinham bastante autonomia entre si. Durante o período de 1801 a 1805,ocorreu a Primeira Guerra Berbere, motivada pelos Corsários, piratas que atacavam navios deoutros países, o conflito teve a interferência americana. Em 1835, o Império Otomano mais umavez domina o território líbio.Quando a Primeira Guerra Mundial estourou a Líbia já havia sido dominada pela Itália. Esseprocesso retirou o país do domínio do Império Otomano. Durante o período do fascismo, a Líbiaresistiu contra a Itália. Entretanto, em 1931, o líder da Libia Omar al-Mukhtar, foi morto e ositalianos retomaram o controle da ex-colônia.Já na Segunda Guerra Mundial, a Líbia foi palco de confronto do Afrika Korps, forças daAlemanha comandadas pelo general nazista Rommel que atuaram em território líbio com o apoiode tropas inglesas. Após o fracasso do exército nazifascista, França e Inglaterra dominaram oterritório até 1952, quando a ONU outorgou a independência Líbia. A partir daí, o país passa aser comandado pela monarquia do rei Idris I. Simpático ao Ocidente, permite intervenções ebenefícios a países capitalistas.Em 1959, a descoberta de petróleo no país aprofunda a dominação de outros países e aconsequente dependência do país. Em 1969, militares oficiais movidos pelos ideais nacionalistas
  32. 32. 33do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, derrubam governo de Idris I. O coronel anti-imperialistaMuammar Kadafi assume o poder e adota uma postura anti-imperialista e defensora das tradiçõesislâmicas.3.3.1 Muammar KadafiKadafi nasceu em 1942, na cidade de Sirte, oriundo de uma família de influentes beduínos,concluiu seus estudos na Academia Militar de Benghazi e foi presidente e chefe do ConselhoRevolucionário da Líbia. Além disso, participou da Real Academia Militar, na Inglaterra, nacidade de Sandhurst.Kadafi se apoiou em Mahmud Sulaiman AL-Maghribi para tomar o poder Líbia e em 1º desetembro de 1969, os dois invadiram Trípoli e depuseram o rei Idris, quando ele fazia uma visitaà capital grega. Após o golpe de estado, o ex-ditador tornou-se líder da revolução líbia, com apatente de coronel e adotou uma série de medidas contra americanos, que até então eramapoiados pela monarquia de Idris, chegando a expulsá-los do país.Durante a década de 1970, Kadafi publicou o Livro Verde, um compilado de normas para a Líbiaque defendia o que ele chamava de democracia islâmica como alternativa aos sistemascapitalistas e socialistas. O ex-ditador foi presidente do Conselho de Comando da Revolução até1977, e proclamou a República Árabe Líbia mudando o nome do país para Grande JamahiriyaÁrabe Popular Socialista da Líbia. Quando os Oficiais Livres tomaram o poder, em 1º de setembro de 1969, a Líbia – muito rica em petróleo e gás – tinha 2,5 milhões de habitantes, uma sociedade tribal composta por 75% de beduínos. Apenas três cidades apareciam então: Trípoli, Benghazi e Misurata. As principais mudanças operadas pelos novos governantes foram a abolição da monarquia, a instauração da República Árabe e a consagração do “poder do povo”, num congresso realizado em março de 1973. Em 1972, a Lei nº 17 baniu o pluralismo político e proibiu a criação de partidos políticos, 11 como afirma o lema: “Todo membro de partido é um traidor”. (KHECHANA, 2011)11KHECHANA, Rachid. As origens da Insurreição. Le Monde Diplomatique Brasil, abr./2011. Disponível em <http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=919>. Acesso em 16. Abr. 2012.
  33. 33. 34Em 1977, passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Congresso Geral do Povo e presidentepela União Socialista Árabe, único partido reconhecido pela Constituição Líbia, que havia sidopromulgada no mesmo ano.Durante o governo de Muammar Kadafi, a Líbia apresentou altos índices de desenvolvimentoeconômico e passou a ter o maior Indíce de Desenvolvimento Humano (IDH) da África. Fatospolêmicos marcaram o governo de Kadafi.Após a morte de Saddam Husseim, em 2003, o ditador anunciou que desistiria de continuar ainvestir em armas de destruição em massa e que apoiaria a Guerra ao Terror, iniciativa dogoverno de George W. Bush contra o terrorismo. Em 2010, conversas de diplomatas americanospublicadas pelo site Wikileaks denominavam o ex-presidente líbio como excêntrico, cheio demanias e volúvel. “O regime líbio era brutal e impiedoso com seus opositores. Tortura eexecuções sumárias refletiram a excentricidade, a loucura assim como a inteligência de Kadafi.”(RAMADAN, 2011) 12 O regime de Kadafi era uma ditadura. Isto é incontestável. Não havia a mais mínima liberdade de expressão, de organização, de manifestação, de formar sindicatos. Nada. Na “Jamayria” não havia partidos. Ao simular um sistema político que seria uma espécie de “assembleia permanente”, o que o coronel impunha de fato, com mão de ferro, era uma ditadura policial onde quem mandava era ele e os filhos. Um bom teste que proponho aos defensores de Kadafi: seria ou não possível formar na Líbia um partido que defendesse as vossas ideias? Já sabem a resposta: em poucas horas estariam todos presos se o tentassem, por mais que se desfizessem em elogios ao “Grande Líder”. Há muito que Kadafi tinha deixado de ser independente do imperialismo. A revolução de Kadafi fez parte das revoluções nacionalistas árabes dos anos 50 e 60, que se inspiraram na de Gamal Abdel Nasser do Egito. Durante alguns anos, apesar das suas excentricidades e megalomania, o “líder da revolução” aplicou uma política que em nada agradava aos Estados 13 Unidos. Mas depois mudou. ( LEIRIA, 2011)Em 20 de outubro de 2011, rebeldes capturaram o ex-ditador em Sirte, sua cidade natal, onde elehavia passado os últimos meses fugindo de insurgentes e acabou sendo capturado em um buraco12 RAMADAN, Tariq. Sobre a Líbia e a Síria. Carta Maior, ago./2011. Disponível em:<http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18356>.13 LEIRIA, Luis. Kadafi, Assad e a esquerda. Esquerda.net, ago./2011. Disponível em: <http://www.esquerda.net/opiniao/khadafi-assad-e-esquerda>.
  34. 34. 35de esgoto. Os rebeldes retiraram o ex-líder do esgoto ainda com vida e seguiram com ele pelacidade torturando-o até a morte.Vídeos e fotos, que circularam pela internet, do momento da captura mostram Kadafi ferido, masainda com vida. Kadafi chega a questionar os rebeldes sobre o que ele teria feito contra eles. Asimagens que aparecem na sequência desse são as do corpo do ex-ditador já morto em exposição.
  35. 35. 364 JORNALISMO PARTICPATIVO E A COBERTURA DA MORTE DE MUAMMARKADAFI4.1 MetodologiaEsta pesquisa foi desenvolvida por meio de análise bibliográfica sobre Jornalismo Participativoe/ou Colaborativo, Jornalismo Internacional e Primavera Árabe. Em um primeiro plano, foramanalisados o conteúdo das versões online dos jornais El País e O Estado de S. Paulo, no períodode 20 a 21 de outubro de 2011, que se configura como o dia da morte de Muammar Kadafi e diaposterior, respectivamente.Em segundo plano, foram analisados, também por meio de análise de conteúdo, os cincoprimeiros resultados obtidos através de uma busca realizada na plataforma Google Imagesamericana, com uma das imagens mais “midiáticas” da morte do ex-ditador, ou seja, uma dasfotos mais utilizadas pelos veículos de imprensa de todo o mundo, durante os dias 20, 21 e 22 deoutubro de 2011.São três eixos teóricos que fundamentam a pesquisa de análise na cobertura da morte do ex-ditador líbio Muammar Kadafi. O objetivo é verificar se houve a utilização de jornalismoparticipativo na cobertura feita pela “grande” imprensa, aqui representada pelos jornais El País eO Estado de S. Paulo. Através do resultado obtido pela busca no Google Images traçamos umparalelo, observando e analisando em quais veículos essa imagem aparece e observando se estávinculada à grande imprensa ou a canais alternativos. A metodologia utilizada nas duas etapas éanálise de conteúdo.No caso dos jornais El País e O Estado de S. Paulo, o recorte das datas foi escolhido porque é operíodo que compreende desde a primeira notícia da morte do ex-ditador, no calor dosacontecimentos, até a repercussão com atualização de novas informações sobre a morte. Ele éimportante para perceber como a mídia creditou suas fontes e perceber qual foi à contribuição dojornalismo participativo na cobertura dos jornais, verificando a origem creditada das informaçõescontidas nas matérias.
  36. 36. 37A busca pelas matérias foi orientada pelo recorte de tempo do dia 20 e 21 de outubro e pelosmarcadores Khadafi, Kadafi, Gaddafi, Gadafi e Qaddafi, em razão das várias grafias utilizadas natradução do nome para as línguas latinas e germânicas. A coleta de material foi realizada emperíodo retroativo buscando material do dia da morte do ex-ditador, 20 de outubro de 2011, e dodia posterior, 21 de outubro de 2011. Foram excluídas postagens, matérias e notícias que apenascitavam o nome de Kadafi nesse período, pois nosso objetivo é analisar efetivamente a coberturade sua morte.Já no caso das mídias obtidas através do Google Images o recorte dos dias 20 a 22 de outubro tema intenção de traçar um micro panorama da cobertura da morte de Kadafi em canais decomunicação de outras partes do mundo. Os veículos foram obtidos através de uma buscarealizada com uma imagem aplicada a ferramenta Google Images, que busca através de suatecnologia de pesquisa todas as imagens que têm características iguais a que está sendo dadacomo modelo e apresenta os resultados por ordem de relevância levando em consideraçãoaspectos como número de acesso das páginas e similaridade das imagens.Para Fonseca (2006) o método da análise de conteúdo é estruturado em três fases, a préanálise, aexploração do material e o tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Fonseca (2006)chama atenção para o caráter híbrido da análise de conteúdo, que varia entre a pesquisaqualitativa e quantitativa. Neste sentido Fonseca diz que: No contexto dos métodos de pesquisa em comunicação de massa, a análise de conteúdo ocupa- se basicamente com a análise de mensagens, o mesmo ocorrendo com a análise semiológica ou analise de discurso. As principais diferenças entre essas modalidades são que apenas a análise de conteúdo cumpre com os requisitos de sistematicidade e confiabilidade. (FONSECA, 2006, p. 286)Para melhor compreensão do corpus (anexos), ele será dividido em duas categorias de análise,sendo:Categoria da análise quantitativa:- Ferramentas utilizadas para interagir com os leitores;- Número de comentáriosCategoria de análise qualitativa:
  37. 37. 38- Critérios de noticiabilidade;- Como se dá a participação dos usuários na construção da notícia;- A fonte das informações da matéria;- Análise dos atores e do contexto no qual são postados os conteúdos dos jornais;4.2 Apresentação do objetoO El País é um jornal espanhol do grupo Prisa - Grupo Promotora de Informaciones - foifundado em 1976 por José Ortega Spottorno e é o jornal de maior circulação na Espanha. Aprimeira tiragem foi de 180 mil exemplares. Na década de 1980, o jornal é o segundo periódicode informações, atrás apenas do La Vanguardia. Em 1996, durante o aniversário de 20 anos doperiódico nasce o El País Digital. Em 2011, o jornal passou por uma grande reformulaçãofocando sua atuação no ambiente multimídia. O periódico espanhol se define como um diárioglobal, independente, de qualidade e defensor da democracia pluralista. A sede do jornal estálocalizada em Madrid, mas mantém redações em Barcelona, Bilbao. Sevilla, Valência e Santiagode Compostela. Já na década de 1990, o jornal demonstrava sua postura inovadora ao lidar comas novas tecnologias e foi o segundo jornal da Espanha a implantar uma edição eletrônica. Já em2002, passou a cobra pelo acesso as páginas do jornal. Mas em 2005, liberou o acesso novamenteo acesso a maior parte das informações. Em 2009, atingido pela crise mundial o jornal passoupor uma redução de custos a proposta do veículo foi integrar as redações para atender umaproposta de jornalismo convergente e atender as exigências do orçamento.O jornal O Estado de S. Paulo foi fundado em 1875 com o nome A Província de São Paulo. É omais antigo jornal paulista ainda em circulação. Fundado por um grupo de 16 pessoas entre elesManoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense, o objetivo de sua criação era ser umdiário republicano. A história do jornal acompanhou o crescimento da capital paulista. A tirageminicial do jornal era de 2.000 exemplares, um número expressivo comparado com a população dacapital que era de 31 mil habitantes. Em 1902, Júlio Mesquita tronou-se o único proprietário dojornal. A partir de então o jornal reforça sua postura republicana e adota campanhas de oposiçãoao governo. No ano 2000, os sites da Agência Estado, o Estado de S. Paulo e do extinto Jornal daTarde tornam-se um único site o Estadao.com.br, voltado para atualizações em tempo real.
  38. 38. 39Atualmente, apresenta forte apoio à centro-direita brasileira e tem reforçado sua atuação noambiente digital.O Google Images é uma ferramenta que pesquisa na web todos os tipos de conteúdo relacionadoa uma imagem específica. Quando a imagem é aplicada a busca o resultado traz imagenssimilares, páginas relevantes e outros resultados. Os robôs do Google analisam dezenas de fatoresnas páginas como legendas, descrições e outras informações contextuais. A ferramenta aplicaalgoritmos para evitar que imagens duplicadas apareçam no resultado e garantir que os resultadosmais relevantes levando em consideração alguns critérios como número de acesso das páginas ecomponentes similares das imagens.4.3 Cobertura da morte de Kadafi da versão online do jornal O Estado de S. PauloDurante o dia 20 de outubro de 2011, data da morte de Kadafi, o portal do jornal O Estado de S.Paulo criou uma página exclusiva que atualizava as informações sobre a morte do líder líbio emtempo real com a apuração das informações. A primeira atualização da página intitulada “AOVIVO: A captura e morte de Muammar Kadafi” foi às 9h05min e a última aconteceu às13h53min. Entretanto, o jornal já havia noticiado à captura de Kadafi algumas horas antes. Essapágina reuniu as primeiras informações, mas à cobertura continuou com novas atualizaçõesdurante todo o dia.O Estadão noticiou em sua página online a tomada de Sirte às 7h34 do dia 20 de outubro de 2011,por meio da reprodução da Reuters. Com o título “Forças do governo líbio anunciam tomada deSirte” vem acompanhada de uma foto com o crédito Maurício Lima/NYT e é apenas o relato dadominação da cidade, não cita em momento algum a captura de Kadafi. As notícias relacionadasa Kadafi foram colocadas em uma página especial exclusivamente dedicada à Primavera Árabe.Às 8h58, a notícia “Forças do novo regime da Líbia capturam Sirta” traz mais informações sobrea tomada da cidade natal do ex-ditador e elementos interessantes para esta análise. A matéria citaque “Um correspondente da France Presse ouviu disparos esporádicos no bairro durante amanhã” (O Estado de S. Paulo, 20/10/2011). Com esta informação temos a noção de que
  39. 39. 40correspondentes de agências internacionais também acompanharam a derrubada de Kadafi, queseria confirmada no noticiário internacional pouco tempo depois. As informações na rede muitasvezes dão a impressão de que não havia jornalistas no local.A primeira notícia sobre a captura de Kadafi foi postada no site do O Estado de S. Paulo às 9h29,através de uma pequena nota de aproximadamente cinco linhas, reproduzida da Reuters com ainformação de que um oficial da alta patente do Conselho Nacional de Transição (CNT) teriainformado à agência, por telefone, sobre a captura de Kadafi. “Ele foi capturado. Ele está feridonas duas pernas... Ele foi levado pela ambulância, disse o oficial de alta patente do CNT àReuters por telefone”.Às 9h30, o jornal publicou mais uma notícia sobre a captura. Dessa vez, a fonte era dada comouma “televisão líbia”. A notícia “Televisão Líbia anuncia captura de Kadafi” é curta, com apenasduas linhas e de acordo com a página foi postada diretamente de Sirte.Em um primeiro momento, podemos perceber que o jornal privilegiou noticiar os fatos e somentedepois ir atualizando as informações com uma apuração mais detalhada. Neste momento dacobertura, apesar de ter um correspondente na Líbia, o jornalista Andrei Netto, o jornalprivilegiou as informações das agências de notícias. Essa é uma tendência citada por Rossi(2000) ao falar do monopólio das agências no noticiário internacional.Nesse caso as fontes eram os canais de comunicação locais e as agências. Atualizando asinformações que foram publicadas anteriormente, às 9h39 foi publicada uma notícia de Trípoli,onde estava o correspondente do jornal. A postagem trouxe o título “Líbia: comandante rebeldediz que Kadafi foi capturado” (Figura 1), reunia informações de três veículos, a Al-Jazeera, aLybia lil Ahrar e a France Presse e afirmava que o ministro da informação do governo líbiotambém havia sido capturado. Além disso, a matéria levanta pela primeira vez a possibilidade deKadafi estar morto, em razão de uma batalha, mas afirma não existir nenhuma confirmação.A notícia ainda traz a fala de um comandante do CNT, desta vez foi citado o nome da fonte,Mohamed Leith, creditado através da agência de notícias France Presse. De acordo com a fonte

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