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Estudo requalifvalorizbarrinhaesmoriz

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  • 1. ESTUDO PARA A REQUALIFICAÇÃO E VALORIZAÇÃO DA BARRINHA DE ESMORIZ Relatório (ver. 2) Dezembro 2010
  • 2. ESTUDO PARA A REQUALIFICAÇÃO E VALORIZAÇÃO DA BARRINHA DE ESMORIZ RELATÓRIO (VER.2)ÍNDICE DE TEXTO0.  INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................. 19  0.1.  Enquadramento e estrutura do Estudo .................................................................................................... 19  0.2.  Equipa técnica ......................................................................................................................................... 20  0.3.  Antecedentes .......................................................................................................................................... 22 1.  CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO ............................................................................................. 25  1.1.  Ordenamento de território ....................................................................................................................... 25  1.1.1.  Divisão administrativa e NUTS ................................................................................................... 25  1.1.2.  Planos de ordenamento .............................................................................................................. 25  1.1.3.  Condicionantes ........................................................................................................................... 26  1.2.  Hidrologia ................................................................................................................................................ 27  1.2.1.  Introdução ................................................................................................................................... 27  1.2.2.  Rede hidrográfica afluente ao meio lagunar................................................................................ 27  1.2.3.  Evaporação na Barrinha de Esmoriz........................................................................................... 28  1.3.  Geologia .................................................................................................................................................. 30  1.3.1.  Introdução ................................................................................................................................... 30  1.3.2.  Enquadramento geográfico, geotectónico e geomorfológico ...................................................... 30  1.3.3.  Caracterização litoestratigráfica .................................................................................................. 31  1.3.4.  Recursos geológicos de interesse económico ou conservacionista ............................................ 33  1.4.  Infra-estruturas existentes ....................................................................................................................... 33  1.5.  Povoamento e actividades económicas .................................................................................................. 34  1.5.1.  Dimensões demográficas............................................................................................................ 35  1.5.2.  Dimensões socioeconómicas ...................................................................................................... 36  1.5.3.  Ocupação e actividades territoriais ............................................................................................. 36  1.6.  Qualidade do ar ....................................................................................................................................... 38  1.6.1.  Principais fontes de emissão ...................................................................................................... 38  1.6.2.  Dados de qualidade do ar ........................................................................................................... 39  1.6.3.  Considerações finais ................................................................................................................... 42 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 1/264Relatório (ver.2)
  • 3. 1.7.  Habitats, vegetação e fauna .................................................................................................................... 42  1.7.1.  Área de estudo............................................................................................................................ 43  1.7.2.  Estatutos de classificação ........................................................................................................... 43  1.7.3.  Funcionamento hidrodinâmico .................................................................................................... 47  1.7.4.  Resumo dos resultados obtidos .................................................................................................. 50  1.8.  Paisagem ................................................................................................................................................ 52  1.8.1.  Introdução ................................................................................................................................... 52  1.8.2.  Análise fisiográfica ...................................................................................................................... 53  1.8.3.  Uso actual do solo ...................................................................................................................... 55  1.8.4.  Análise visual .............................................................................................................................. 57  1.8.5.  Sub-unidades de paisagem ........................................................................................................ 60  1.9.  Património cultural ................................................................................................................................... 60 2.  EVOLUÇÃO MORFOLÓGICA HISTÓRICA E TAXAS DE SEDIMENTAÇÃO........................................................... 63  2.1.  Introdução ............................................................................................................................................... 63  2.2.  Enquadramento geomorfológico ............................................................................................................. 63  2.3.  Caracterização do regime litoral .............................................................................................................. 64  2.3.1.  Dados oceanográficos ................................................................................................................ 64  2.3.2.  Dinâmica do litoral entre Espinho e o Cabo Mondego no séc. XX e início do séc. XXI .............. 66  2.4.  Evolução morfológica recente da Barrinha de Esmoriz e da zona costeira adjacente ............................ 67  2.4.1.  Zona costeira entre Esmoriz e Paramos ..................................................................................... 67  2.4.2.  Barrinha de Esmoriz.................................................................................................................... 68  2.5.  Análise conclusiva ................................................................................................................................... 72 3.  CAUDAIS FLUVIAIS AFLUENTES ...................................................................................................................... 73  3.1.  Considerações prévias ............................................................................................................................ 73  3.2.  Caracterização da bacia hidrográfica ...................................................................................................... 74  3.2.1.  Localização ................................................................................................................................. 74  3.2.2.  Fisiografia ................................................................................................................................... 74  3.2.3.  Tempo de concentração ............................................................................................................. 76  3.3.  Registos de variáveis hidrológicas .......................................................................................................... 77  3.3.1.  Considerações prévias................................................................................................................ 77  3.3.2.  Registos utilizados. Análise de qualidade ................................................................................... 77  3.3.3.  Análise estatística das séries de precipitações diárias máximas anuais ..................................... 79  3.3.4.  Correlação precipitação-escoamento. Determinação do caudal modular ................................... 81  3.4.  Escoamentos afluentes à secção da Barrinha de Esmoriz...................................................................... 85  3.5.  Estimativa do caudal de ponta de cheia .................................................................................................. 96 2/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 4. 3.5.1.  Cálculo da precipitação máxima anual com duração igual e tripla do tempo de concentração. Hietogramas de projecto...................................................................................... 96  3.5.2.  Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação da fórmula racional ................................ 97  3.5.3.  Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação do hidrograma unitário sintético, HUS, do Soil Conservation Service, SCS ................................................................................... 98  3.5.4.  Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação da fórmula de Meyer ............................ 102  3.5.5.  Fórmulas de Base Estatística. Fórmula de Loureiro ................................................................. 103  3.5.6.  Regionalização de Cheias em Portugal Continental ................................................................. 104  3.6.  Caudal de ponta de cheia adoptado ...................................................................................................... 106 4.  HABITATS NATURAIS E ESPÉCIES ................................................................................................................ 109  4.1.  Flora e vegetação.................................................................................................................................. 109  4.1.1.  Metodologia .............................................................................................................................. 109  4.1.2.  Vegetação ................................................................................................................................. 110  4.1.3.  Espécies da flora com valor conservacionista .......................................................................... 118  4.1.4.  Habitats naturais ....................................................................................................................... 120  4.2.  Fauna .................................................................................................................................................. 133  4.2.1.  Metodologia .............................................................................................................................. 133  4.2.2.  Biótopos .................................................................................................................................... 134  4.2.3.  Comunidade faunística (vertebrados) ....................................................................................... 142  4.2.4.  Espécies com maior valor conservacionista ............................................................................. 146 5.  LEVANTAMENTO TOPOHIDROGRÁFICO ........................................................................................................ 155 6.  QUALIDADE DA ÁGUA E DOS SEDIMENTOS .................................................................................................. 157  6.1.  Qualidade da água ................................................................................................................................ 157  6.1.1.  Elementos biológicos ................................................................................................................ 160  6.1.2.  Elementos químicos e físico-químicos de suporte dos elementos biológicos ........................... 184  6.1.3.  Estado da massa de água ........................................................................................................ 188  6.2.  Qualidade dos sedimentos .................................................................................................................... 193  6.2.1.  Metodologia .............................................................................................................................. 193  6.2.2.  Resultados ................................................................................................................................ 195 7.  RUÍDO AMBIENTE .......................................................................................................................................... 207  7.1.  Legislação aplicável .............................................................................................................................. 207  7.1.1.  Valores limite de exposição ...................................................................................................... 208  7.2.  Identificação das principais fontes sonoras e receptoras ...................................................................... 209  7.3.  Medições de ruído ................................................................................................................................. 209  7.3.1.  Critérios de amostragem ........................................................................................................... 211 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 3/264Relatório (ver.2)
  • 5. 7.3.2.  Equipamento utilizado ............................................................................................................... 212  7.3.3.  Procedimento de medida .......................................................................................................... 212  7.4.  Apresentação dos resultados ................................................................................................................ 212 8.  INTERVENÇÕES NO “DIQUE” QUE IMPEDE A LIGAÇÃO DA BARRINHA AO MAR ............................................ 217  8.1.  Situação actual da Barrinha de Esmoriz................................................................................................ 217  8.2.  Descrição do dique fusível existente ..................................................................................................... 218  8.3.  Estudo hidrodinâmico da barrinha ......................................................................................................... 222  8.3.1.  Evaporação na Barrinha de Esmoriz......................................................................................... 226  8.3.2.  Análise do funcionamento hidrodinâmico actual ....................................................................... 227  8.4.  Análise conclusiva ................................................................................................................................. 228 9.  CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE A BARRINHA E O MAR ............................................................................ 231 10.  ACÇÕES A REALIZAR PARA A RECUPERAÇÃO DO SISTEMA AQUÁTICO ...................................................... 233  10.1. Introdução ............................................................................................................................................. 233  10.2. Modelo de dragagem............................................................................................................................. 234  10.2.1.  Geometria e volume de dragagem ............................................................................................ 234  10.2.2.  Cálculo de volume por classe de qualidade de sedimento........................................................ 235  10.2.3.  Intervenção de dragagem/escavação e meios mecânicos recomendados ............................... 240  10.2.4.  Tratamento e deposição final dos dragados ............................................................................. 241  10.2.5.  Análise conclusiva..................................................................................................................... 242 11.  ACÇÕES A REALIZAR PARA A REQUALIFICAÇÃO DAS MARGENS E DO CORDÃO DUNAR ............................ 245  11.1. Introdução ............................................................................................................................................. 245  11.2. Sistema aquático ................................................................................................................................... 245  11.3. Sistema dunar ....................................................................................................................................... 247  11.4. Monitorização ........................................................................................................................................ 248 12.  PERCURSOS E ZONAS DE ESTADIA E LAZER ............................................................................................... 249  12.1. Introdução ............................................................................................................................................. 249  12.2. Principais condicionantes ...................................................................................................................... 249  12.2.1.  Percursos existentes ................................................................................................................. 249  12.2.2.  Síntese das pretensões autárquicas ......................................................................................... 249  12.2.3.  Biótopos e habitats ................................................................................................................... 252  12.3. Breve descrição da proposta ................................................................................................................. 252 13.  CONCLUSÕES ............................................................................................................................................... 255 14.  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................................... 259 4/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 6. ÍNDICE DE QUADROSQuadro 0.2.1 - Equipa técnica, por função/actividade............................................................................................ 20 Quadro 0.2.2 - Qualificações da equipa técnica..................................................................................................... 21 Quadro 1.1.1 - Enquadramento da Barrinha de Esmoriz ....................................................................................... 25 Quadro 1.2.1 - Valores mensais e anual da evaporação sobre a Barrinha de Esmoriz - Lagoa de Paramos ........ 29 Quadro 1.5.1 - População residente ...................................................................................................................... 35 Quadro 1.6.1 - Emissões atmosféricas dos concelhos na envolvente da Barrinha de Esmoriz ............................. 39 Quadro 1.6.2 - Características das estações de medição da qualidade do ar de Espinho e Estarreja .................. 39 Quadro 1.6.3 - Parâmetros estatísticos para o SO2 nas estações de Espinho e Estarreja ................................... 40 Quadro 1.6.4 - Parâmetros estatísticos para o NO2 nas estações de Espinho e Estarreja .................................... 41 Quadro 1.6.5 - Parâmetros estatísticos para as PM10 nas estações de Espinho e Estarreja ................................. 41 Quadro 1.6.6 - Parâmetros estatísticos para o O3 na estação de Estarreja ........................................................... 42 Quadro 1.7.1 - Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I do DL n.º 140/99................................ 44 Quadro 1.7.2 - Detalhe das orientações de gestão com referência aos valores naturais ...................................... 45 Quadro 2.3.1 - Elementos resumo da Tabela de Maré para o ano de 1994, publicadas pelo IH, referentesaos portos mais próximos de Esmoriz ................................................................................................................... 65 Quadro 2.3.2 - Resumo dos valores modais obtidos para parâmetros de agitação marítima na costaocidental portuguesa. Os rumos são relativos ao período de pico da onda. Hs (altura significativa da ondaao largo); T (Período da onda): Tp (Período de pico da onda) e Tz (Período médio da onda) .............................. 65 Quadro 2.3.3 - Estimativas de diversos autores para a resultante anual da do volume de areiaspotencialmente transportada pela deriva litoral (em milhões de m3/ano) ............................................................... 66 Quadro 2.4.1 - Evolução da linha de costa no troço costeiro entre os molhes de Paramos e Esmoriz entre1947 e 2010, estimativas obtidas através da comparação de fotografias aéreas (Desenho 3) ............................. 68 Quadro 2.4.2 - Área ocupada pelo espelho de água da Barrinha de Esmoriz ao longo dos últimos 50 anosem épocas em que não existia ligação da lagoa com o mar .................................................................................. 69 Quadro 2.4.3 - Comparação das áreas de inundação e volumes de água para diferentes cotas segundolevantamentos topo-hidrográficos realizados em 1994 e 2010, sem considerar a alteração da topografiacausada pela bacia adjacente ao dique ................................................................................................................. 70 Quadro 3.2.1 - Características fisiográficas da Barrinha de Esmoriz ..................................................................... 75 Quadro 3.2.2 - Sub-Bacia hidrográfica de Vala Maceda. Tempo de concentração (h) avaliado pordiferentes fórmulas. ............................................................................................................................................... 76 Quadro 3.2.3 - Sub-Bacia hidrográfica de rio de Lamas. Tempo de concentração (h) avaliado pordiferentes fórmulas. ............................................................................................................................................... 77 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 5/264Relatório (ver.2)
  • 7. Quadro 3.3.1 - Características dos postos udométricos que influenciam a precipitação na bacia ......................... 78 Quadro 3.3.2 - Características da estação hidrométrica de Ponte Minhoteira (09F/01H) e Ponte de ValeMaior (09G/01H) .................................................................................................................................................... 78 Quadro 3.3.3 - Precipitação diária máxima anual nas sub-bacias hidrográfica da barrinha de Esmoriz, parao período de retorno de 100 e 2 anos. Ponderação do peso dos postos udométricos influentes. ......................... 81 Quadro 3.3.4 - Características dos postos udométricos utilizados para determinação da precipitação nabacia hidrográfica da estação hidrométrica de Ponte Minhoteira ........................................................................... 84 Quadro 3.4.1 - Precipitação anual para as sub-bacias em estudo ......................................................................... 85 Quadro 3.4.2 - Escoamentos anuais nas sub-bacias Vala Maceda e Rio de Lamas nos anos 1942/1943 a1999/2000 .............................................................................................................................................................. 87 Quadro 3.4.3 - Escoamentos mensais e anuais, obtidos por desagregação do escoamento anual pelaaplicação da relação precipitação mensal (precipitação anual na sub-bacia Rio de Lamas) ................................. 89 Quadro 3.4.4 - Escoamentos mensais e anuais, obtidos por desagregação do escoamento anual pelaaplicação da relação precipitação mensal (precipitação anual na sub-bacia Vala Maceda) ................................. 91 Quadro 3.4.5 - Afluências mensais médias na sub-bacia Rio de Lamas ............................................................... 95 Quadro 3.4.6 - Afluências mensais médias na sub-bacia Vala Maceda ................................................................ 95 Quadro 3.5.1 - Curvas IDF do posto de Aveiro – Universidade (parâmetros correspondentes ao período deretorno de 100 e 2 anos) ........................................................................................................................................ 96 Quadro 3.5.2 - Número de escoamento ponderado para Vala Maceda ................................................................. 99 Quadro 3.5.3 - Número de escoamento ponderado para Rio de Lamas ................................................................ 99 Quadro 3.6.1 - Síntese das estimativas dos caudais de ponta de cheia (m3/s) ................................................... 106 Quadro 4.1.1 - Ameaças, grau e estado de conservação dos habitats naturais .................................................. 132 Quadro 4.2.1 - Área ocupada por cada biótopo e sua tendência evolutiva .......................................................... 136 Quadro 4.2.2 - Factores de dependência dos vários grupos de aves em relação aos biótopos da zonahúmida (caniçal/juncal, plano de água, lodaçais/areais) ...................................................................................... 144 Quadro 4.2.3 - Espécies com maior valor conservacionista que ocorrem regularmente na Barrinha .................. 147 Quadro 6.1.1 - Correspondência entre os pontos de amostragem das várias componentes caracterizadas....... 158 Quadro 6.1.2 - Graus de cobertura ...................................................................................................................... 163 Quadro 6.1.3 - Anotações sobre os organismos identificados nas contagens ..................................................... 168 Quadro 6.1.4 - Densidade, biovolume e biomassa de cianobactérias e protistas planctónicos nos quatropontos de amostragens........................................................................................................................................ 169 Quadro 6.1.5 - Densidade e biomassa totais dos organismos autotróficos e protistas heterotróficos porlitro, nos quatro pontos de amostragem. Limites de confiança a 0,95: ± 10% ..................................................... 169 Quadro 6.1.6 - Principais características dos locais de amostragem 2 e 3 e graus de cobertura (%) ................. 171 Quadro 6.1.7 - Principais características dos locais de amostragem 9 e 10 e graus de coberturaespecíficos ........................................................................................................................................................... 172 6/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 8. Quadro 6.1.8 - Abundância (nº ind/0,5 m2) de macroinvertebrados bentónicos em cada local deamostragem ......................................................................................................................................................... 175 Quadro 6.1.9 - Biomassa, peso fresco (g/0,5 m2), dos macroinvertebrados bentónicos em cada local deamostragem ......................................................................................................................................................... 176 Quadro 6.1.10 - Riqueza em taxa (S; nº taxa/0,5 m2), Abundância (A; nº ind/0,5 m2) e Biomassa, pesofresco (B; g/0,5 m2) dos macroinvertebrados bentónicos em cada local de amostragem .................................... 176 Quadro 6.1.11 - Teor em matéria orgânica, finos, areias e cascalhos nos sedimentos (em %) e tipo desedimento de cada local de amostragem............................................................................................................. 176 Quadro 6.1.12 - Esforço de amostragem efectuado ............................................................................................ 177 Quadro 6.1.13 - Lista de espécies capturadas ..................................................................................................... 178 Quadro 6.1.14 - Relação de tamanhos das espécies capturadas em todas as estações de amostragem .......... 178 Quadro 6.1.15 - Valores de CPUE – Ponto 1....................................................................................................... 179 Quadro 6.1.16 - Valores de CPUE – Ponto 2....................................................................................................... 179 Quadro 6.1.17 - Valores de CPUE – Ponto 9....................................................................................................... 180 Quadro 6.1.18 - Valores de CPUE – Ponto 10 ..................................................................................................... 180 Quadro 6.1.19 - CPUE Totais por espécie ........................................................................................................... 181 Quadro 6.1.9 - Estado dos parâmetros referentes aos indicadores do estado ecológico em função daIctiofauna para a Barrinha de Esmoriz ................................................................................................................. 182 Quadro 6.1.20 - Valores atribuídos aos indicadores do estado ecológico em função da Ictiofauna para aBarrinha de Esmoriz (de 1 - mau até 5 -excelente) .............................................................................................. 182 Quadro 6.1.21 - Resultados obtidos nas amostras de água superficial, relativamente aos objectivos dequalidade mínima no Anexo XXI do Dec-Lei 236/98 de 1 de Agosto e às . Normas de Qualidade Ambientaldo anexo III do DL nº 103/2010 de 24 de Setembro ............................................................................................ 186 Quadro 6.1.22 - Correspondência gráfica entre o Estado Ecológico e as cores .................................................. 190 Quadro 6.1.23 - Estado Ecológico da massa de água ......................................................................................... 191 Quadro 6.2.1 - Profundidade de recolha das amostras de sedimento. ................................................................ 196 Quadro 6.2.3 - Classificação de materiais de acordo com o grau de contaminação (metais: mg/kg),compostos orgânicos: μg/kg), Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 de 12 de 2007 ....................................... 198 Quadro 6.2.2 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 1 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 199 Quadro 6.2.3 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 2 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 199 Quadro 6.2.4 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 3 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/20072007 (expressão dosresultados - metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ................................................................................... 200 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 7/264Relatório (ver.2)
  • 9. Quadro 6.2.5 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 4 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 200 Quadro 6.2.6 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 5 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/20072007 (expressão dosresultados - metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ................................................................................... 201 Quadro 6.2.7 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 6 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 201 Quadro 6.2.8 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 7 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 202 Quadro 6.2.9 - Resultados obtidos nas amostras de sedimento recolhidas no ponto 8 relativamente àsclasses de qualidade identificadas na Tabela 2 do Anexo III do DL 1450/2007 (expressão dos resultados -metais: mg/kg, compostos orgânicos: μg/kg) ....................................................................................................... 202 Quadro 6.2.10 - Resultados obtidos na caracterização aos parâmetros físicos e COT, das amostras desedimento recolhidas nos pontos 1 e 2 ................................................................................................................ 203 Quadro 6.2.11 - Resultados obtidos na caracterização aos parâmetros físicos e COT, das amostras desedimento recolhidas nos pontos 3 e 4 ................................................................................................................ 203 Quadro 6.2.12 - Resultados obtidos na caracterização aos parâmetros físicos e COT, das amostras desedimento recolhidas nos pontos 5 e 6 ................................................................................................................ 204 Quadro 6.2.13 - Resultados obtidos na caracterização aos parâmetros físicos e COT, das amostras desedimento recolhidas nos pontos 7 e 8 ................................................................................................................ 204 Quadro 6.2.14 - Classificação das amostras de sedimento por classe de qualidade .......................................... 205 Quadro 7.1.1 - Valores limite de exposição ao ruído para zonas sensíveis e zonas mistas segundo o DLnº 9/2007 de 17 de Janeiro .................................................................................................................................. 208 Quadro 7.4.1 - Resultados das medições efectuadas no período diurno ............................................................ 213 Quadro 7.4.2 - Resultados das medições efectuadas no período do entardecer................................................. 214 Quadro 7.4.3 - Resultados das medições efectuadas no período nocturno ......................................................... 214 Quadro 7.4.4 - Indicadores de ruído obtidos ........................................................................................................ 215 Quadro 8.3.1 - Geometria da Barrinha de Esmoriz (situação actual) ................................................................... 223 Quadro 8.3.2 - Caudal afluente proveniente do rio de Lamas, obtido no capítulo 2, do presente estudo ............ 225 Quadro 8.3.3 - Caudal afluente proveniente da ribª Vala Maceda, obtido no capítulo 2, do presente estudo ...... 225 Quadro 8.3.4 - Caudal afluente proveniente da restante área drenante à barrinha, obtido no capítulo 2, dopresente estudo ................................................................................................................................................... 225 Quadro 8.3.5 - Caudal total afluente à bacia hidrográfica na secção da Barrinha de Esmoriz, obtido nocapítulo 2, do presente estudo ............................................................................................................................. 225 Quadro 8.3.6 - Valores mensais e anual da Evaporação sobre a Barrinha de Esmoriz – TinaEvaporimétrica ..................................................................................................................................................... 226 8/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 10. Quadro 10.2.1 - Intervalos de cotas existentes presentemente e após a dragagem em duas zonasespecíficas da Barrinha de Esmoriz ..................................................................................................................... 234 Quadro 10.2.2 - Área e volume de influência de cada sondagem e volumes a dragar enquadrados emcada classe de contaminação para a hipótese de dragagem 1 (Zona A) ............................................................ 238 Quadro 10.2.3 - Área e volume de influência de cada sondagem e volumes a dragar enquadrados emcada classe de contaminação para a hipótese de dragagem 2 (Zona A+B) ........................................................ 239 Quadro 12.3.1 - Extensão dos percursos por tipologia dos mesmos ................................................................... 253 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 9/264Relatório (ver.2)
  • 11. ÍNDICE DE FIGURASFigura 1.2.1 - Representação cartográfica da rede hidrográfica e bacias sub-bacias hidrográficasafluentes à Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos (1:100.000) ....................................................................... 28 Figura 1.3.1 - Planta geológica da área ................................................................................................................. 32 Figura 1.7.1 - Localização da área de estudo face ao SIC Barrinha Esmoriz ........................................................ 43 Figura 1.7.2 - Dique fusível fechado artificialmente ............................................................................................... 48 Figura 1.7.3 - Trabalhos de reforço da barreira artificial da zona adjacente ao dique fusível ................................ 49 Figura 1.7.4 - Dique fusível aberto (Outubro, 2010) ............................................................................................... 49 Figura 1.8.1 - Hipsometria / Fisiografia (escala 1:50.000)...................................................................................... 54 Figura 1.8.2 - Vegetação característica das margens de uma lagoa ..................................................................... 55 Figura 1.8.3 - Uso actual do solo (2010) ................................................................................................................ 56 Figura 1.8.4 - Bacia visual da Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos representada num perfil-tipo ................. 57 Figura 1.8.5 - Análise visual (a cor-de-rosa indicam-se as fotografias de 2010) .................................................... 58 Fotografia 1 - Canal de ligação entre a lagoa e o mar ........................................................................................... 59 Fotografia 2 - Panorâmica da barrinha para montante (vendo-se os pilares da antiga ponte) .............................. 59 Fotografia 3 - Caminho de acesso ao cordão dunar a norte da laguna (destaque para as acácias) ..................... 59 Fotografia 4 - Vista para sul a partir da extrema norte da laguna (vendo-se a barrinha) ....................................... 59 Fotografia 5 - Vegetação das dunas em bom estado............................................................................................. 59 Fotografia 6 - Cordão dunar (duna cinzenta) em estado degradado...................................................................... 59 Figura 1.9.1 - Encontros da antiga ponte ............................................................................................................... 61 Figura 2.4.1 - Zonamento da Barrinha de Esmoriz de acordo com a evolução sofrida nos últimos 16 anos ......... 71 Figura 3.2.1 - Sub-bacia rio lamas. Curva hipsométrica e altitude média .............................................................. 74 Figura 3.2.2 - Sub-bacia Vala Maceda. Curva hipsométrica e altitude média ........................................................ 75 Figura 3.3.1 - Precipitações diárias máximas anuais no posto de Espargo (08F/02UG). Ajustamento de leisestatísticas ............................................................................................................................................................. 79 Figura 3.3.2 - Precipitações diárias máximas anuais no posto de Fiães (08F/01U). Ajustamento de leisestatísticas ............................................................................................................................................................. 80 Figura 3.3.3 - Correlação entre precipitação e escoamento anual, para o posto hidrométrico de Ponte deVale Maior .............................................................................................................................................................. 82 Figura 3.3.4 - Correlação entre precipitação-precipitação, referente ao posto hidrométrico de Ponte deVale Maior e sub-bacia de Rio de Lamas .............................................................................................................. 83 Figura 3.3.5 - Correlação entre precipitação-precipitação, referente ao posto hidrométrico de Ponte deVale Maior e sub-bacia de Vala Maceda................................................................................................................ 83 10/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 12. Figura 3.3.6 - Correlação entre precipitação e escoamento anual, da bacia hidrográfica do postohidrométrico de Ponte Minhoteira .......................................................................................................................... 84 Figura 3.5.1 - Hidrogramas de cheias afluentes à sub-bacia de Rio de Lamas, para período de retorno de100 anos .............................................................................................................................................................. 100 Figura 3.5.2 - Hidrograma de cheia afluente à sub-bacia rio de Lamas, para o período de retorno deT=2 anos .............................................................................................................................................................. 100 Figura 3.5.3 - Hidrogramas de cheias afluentes à sub-bacia de Vala Maceda, para período de retorno de100 anos .............................................................................................................................................................. 101 Figura 3.5.4 - Hidrograma de cheia afluente à sub-bacia Vala Maceda, para o período de retorno deT=2 anos .............................................................................................................................................................. 101 Figura 3.5.5 - Série de caudais instantâneos máximos anuais na estação hidrométrica de Ponte Minhoteira(ajustamento de leis estatísticas) ......................................................................................................................... 102 Figura 3.5.6 - Série de caudais instantâneos máximos anuais na estação hidrométrica de Pontede ValeMaior (ajustamento de leis estatísticas) ............................................................................................................... 102 Figura 3.5.7 - Regionalização proposta por Loureiro (1984) ................................................................................ 104 Figura 3.5.8 - Proposta de regionalização de Portugal Continental no que se refere a caudais instantâneosmáximos anuais ................................................................................................................................................... 105 Figura 3.5.9 - Regionalização proposta para a região litoral a norte do rio Tejo: (a) Curvas regionais dedistribuição de frequências; (b) Relação entre a área da bacia hidrográfica e o índice de cheias, Q2.33 ........... 105 Figura 3.6.1 - Hidrogramas de cheias afluentes, correspondente a um período de retorno de 100 anos ............ 107 Figura 3.6.2 - Hidrogramas de cheias afluentes, correspondente a um período de retorno de 2 anos ................ 107 Figura 4.1.1 - Formações vegetais cartografadas no âmbito do presente estudo (Outubro, 2010) ..................... 112 Figura 4.1.2 - Formações vegetais cartografadas no âmbito do EIA em 1994 .................................................... 117 Figura 4.1.3 - Distribuição de Jasione maritima (potencial e confirmada) na área de estudo .............................. 119 Figura 4.1.4 - Habitats naturais da DL n.º 140/99. Situação: Barrinha fechada ou em contacto com o marem preia-mar........................................................................................................................................................ 121 Figura 4.1.5 - Habitats naturais do DL n.º 140/99. Situação: Barrinha em contacto com o mar em baixa-mar ....................................................................................................................................................................... 122 Figura 4.1.6 - Área ocupada por cada habitat ...................................................................................................... 123 Figura 4.1.7 - Habitats ‘Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa’ e ‘Lagunas costeiras’ ........................... 124 Figura 4.1.8 - Mesmo local da Figura 3.7 submerso durante a época balnear devido ao fecho do diquefusível (imagem equivalente nos períodos de preia-mar) .................................................................................... 124 Figura 4.1.9 - Habitat ‘Lagunas costeiras’ (vista da zona interior da Barrinha em preia-mar) .............................. 126 Figura 4.1.10 - Habitat ‘Prados salgados atlânticos’ com indícios de colonização por Phragmites australis(caniço) em segundo plano .................................................................................................................................. 127 Figura 4.1.11 - Habitat ‘Dunas móveis embrionárias’ (zona norte da Barrinha)onde é visível a dominânciade Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus (feno-das-areias) ............................................................................. 128 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 11/264Relatório (ver.2)
  • 13. Figura 4.1.12 - Erosão da duna embrionária (zona norte da Barrinha) ................................................................ 129 Figura 4.1.13 - Habitat ‘Dunas móveis do cordão dunar com Ammophila arenaria’ (estorno) ............................. 130 Figura 4.1.14 - Habitat ‘Dunas fixas com vegetação herbácea’ ........................................................................... 130 Figura 4.2.1 - Área ocupada por cada biótopo ..................................................................................................... 136 Figura 4.2.2 - Carta de biótopos. Situação: Barrinha fechada ou em preia-mar .................................................. 138 Figura 4.2.3 - Carta de biótopos. Situação Barrinha aberta em baixa-mar .......................................................... 139 Figura 4.2.4 - Relação percentual entre o número de espécies de maior valor conservacionista de cadaClasse .................................................................................................................................................................. 150 Figura 4.2.5 - Número de espécies de aves reprodutoras na Barrinha de Esmoriz de acordo com EquipaAtlas (2008).......................................................................................................................................................... 151 Figura 4.2.6 - Locais onde foi detectada a presença abundante de Discoglossus galganoi (rã-de-focinho-ponteagudo), nomeadamente de juvenis ............................................................................................................. 153 Figura 5.1 - Esquema de cobertura aerofotográfica ............................................................................................. 155 Figura 6.1.1 - Locais de amostragem................................................................................................................... 159 Figura 6.1.2 - Locais de amostragem da flora aquática. ...................................................................................... 162 Figura 6.1.3 - Agregados coloniais bacterianos do tipo ‘Sphaerotilus natans’ (Ponto 9) ...................................... 167 Figura 6.1.4 - Localização aproximada dos troços amostrados na laguna (canal de comunicação com omar) ..................................................................................................................................................................... 171 Figura 6.1.5 - Pormenor do troço 3, margem direita (Barrinha fechada) .............................................................. 172 Figura 6.1.6 - Local 9: Ribeira de Paramos.......................................................................................................... 174 Figura 6.1.7 - Local 10: Vala de Maceda ............................................................................................................ 174 Figura 6.1.8 - Composição específica relativa da campanha. .............................................................................. 181 Figura 6.1.10 - Estado Ecológico da massa de água ........................................................................................... 192 Figura 6.2.1 - Localização dos pontos de amostragem de sedimentos ............................................................... 194 Figura 6.2.2 - Amostras de sedimentos recolhidas .............................................................................................. 197 Figura 7.3.1 - Localização dos pontos de medição do ambiente sonoro e aglomerados com receptoressensíveis .............................................................................................................................................................. 210 Figura 8.2.1 - Pormenor do encontro esquerdo do dique fusível da Barrinha de Esmoriz (observação dadegradação de alguns dos materiais – 16/11/2010) ............................................................................................ 219 Figura 8.2.2 - Vista do dique fusível da Barrinha de Esmoriz (09/06/2010) ......................................................... 220 Figura 8.2.3 - Vista do encontro esquerdo do dique (16/11/2010): (a) montante visto da barrinha; (b)jusante visto do mar ............................................................................................................................................. 221 Figura 8.2.4 - Vista do encontro direito do dique (16/11/2010) ............................................................................ 222 Figura 8.2.5 - Comunicação da Barrinha com o mar (fotografia efectuada a 16/11/2010) ................................... 222 Figura 8.3.1 - Gráfico de variação de volume com o nível de água (NA, referido ao ZH) .................................... 224 12/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 14. Figura 8.3.3 - Funcionamento da barrinha com período de retorno de 2 anos: (a) variação dos volumesarmazenados e nível de água vs tempo; (b) variação dos caudais afluentes vs caudais efluentes ..................... 228 Figura 10.2.1 - Áreas de influência definidas para cada ponto de amostragem através da delimitação depolígonos de Thiessen, para as duas hipóteses de dragagem apresentadas: A – hipótese 1 (Zona A) e B –hipótese 2 (Zona A+B) ......................................................................................................................................... 237 Figura 10.2.2 - Exemplos de meios mecânicos adequados à dragagem/escavação da Barrinha: a –escavadora giratória num pontão; b – escavadora anfíbia; c – bulldozer ............................................................ 241 Figura 12.2.1 - Percursos planeados pelas Câmaras Municipais de Espinho e de Ovar ..................................... 251 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 13/264Relatório (ver.2)
  • 15. LISTA DE ANEXOSAnexo 1 - Orientações de gestão para o SIC Barrinha de Esmoriz (extracto da ficha do Sítio incluída no PSRN2000)Anexo 2 - Séries de precipitação diária máxima anualAnexo 3 - Séries de precipitação anualAnexo 4 - Caudais instantâneos máximos anuais: estação hidrométrica de Ponte MinhoteiraAnexo 5 - Caudais instantâneos máximos anuais: estação hidrométrica de Ponte de Vale MaiorAnexo 6 - Caudais instantâneos máximos anuais simplesmente acumulados para as estações hidrométricas de Ponte Minhoteira e Ponte de Vale MaiorAnexo 7 - Séries de precipitação anual e de escoamento anual: estação hidrométrica Ponte MinhoteiraAnexo 8 - Séries de precipitação anual e de escoamento anual: estação hidrométrica Ponte de Vale MaiorAnexo 9 - Cálculo da correlação entre escoamento e precipitação: estação hidrométrica de Ponte de Vale MaiorAnexo 10 - Hietogramas não uniformes para período de retorno T=100 anos– Vala MacedaAnexo 11 - Hietogramas não uniformes para período de retorno T=100 anos – Rio LamasAnexo 12 - Hietogramas não uniformes para período de retorno T=2 anos– Vala MacedaAnexo 13 - Hietogramas não uniformes para período de retorno T=2 anos – Rio LamasAnexo 14 - Espécies florísticas identificadas na área de estudoAnexo 15 - Espécies da ictiofauna que ocorrem na área de estudoAnexo 16 - Espécies da herpetofauna que ocorrem na área de estudoAnexo 17 - Espécies de aves que ocorrem regularmente na área de estudoAnexo 18 - Espécies de aves que serão de ocorrência ocasional e/ou muito rara na BarrinhaAnexo 19 - Espécies de mamíferos que ocorrem na área de estudoAnexo 20 - Compatibilidade das medidas propostas com as orientações preconizadas pelo PSCRN2000 para o SIC Barrinha de Esmoriz14/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 16. LISTA DE PEÇAS DESENHADASDesenho 1 – Divisão administrativaDesenho 2 – Esboço corográficoDesenho 3 – Evolução da linha de praia média ao longo dos últimos 50 anosDesenho 4 – Evolução do plano de água da Barrinha de Esmoriz nos últimos 50 anosDesenho 5 – Perfis topográficos realizados em 1994 e 2010 (3 folhas)Desenho 6 – Enquadramento local das bacias hidrográficasDesenho 7 – Geometria das áreas propostas a dragarDesenho 8 – Proposta de percursos e zonas de estadia e lazerLinda-a-Velha, Dezembro de 2010Júlio de Jesus, Coordenador do EstudoEngº do ambiente (OE 19972), membro profissional APAI nº 1Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 15/264Relatório (ver.2)
  • 17. SIGLASARH – Administração da Região HidrográficaCBO – Carência Bioquímica de OxigénioCM – Câmara MunicipalCOT – Carbono Orgânico TotalCQO – Carência Química de OxigénioDL – Decreto-LeiDR – Decreto RegulamentarEIA – Estudo de Impacte AmbientalEN – Estrada NacionalETAR – Estação de Tratamento de Águas ResiduaisGPS – Global Positioning SystemHCB – HexaclorobenzenoIBA – Área Importante para as Aves (do inglês Important Bird Area)ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da BiodiversidadeIDAD – Instituto do Ambiente e DesenvolvimentoIGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e ArqueológicoIGM – Instituto Geológico e MineiroIHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação UrbanaINE – Instituto Nacional de EstatísticaINETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e InovaçãoISQ – Instituto de Soldadura e QualidadeJF – Junta de FreguesiaNA – Nível de água16/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 18. NP – Norma PortuguesaNQA – Normas de Qualidade AmbientalNQA-MA - Normas de Qualidade Ambiental (valor médio anual)NUTS – Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins EstatísticasPAH - Hidrocarbonetos Aromáticos PolicíclicosPBH – Plano de Bacia HidrográficaPCB – Compostos Bifenilos PolicloradosPDM – Plano Director MunicipalPOOC – Plano de Ordenamento da Orla CosteiraPP – Plano de PormenorPROF – Plano Regional de Ordenamento FlorestalPSRN2000 – Plano Sectorial da Rede Natura 2000RCM – Resolução do Conselho de MinistrosRELAPE – [espécies] Raras, Endémicas, Localizadas, Ameaçadas ou em Perigo de ExtinçãoRGR – Regulamento Geral do RuídoSIC – Sítio de Importância ComunitáriaSIMRIA – Sistema Multimunicipal de Saneamento da Ria de AveiroSPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das AvesZH – Zero HidrográficoEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 17/264Relatório (ver.2)
  • 19. 18/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 20. 0. INTRODUÇÃO0.1. Enquadramento e estrutura do EstudoA sociedade Polis Litoral Ria de Aveiro, S.A. adjudicou à Ecossistema – Consultores em Engenharia doAmbiente, Lda. a elaboração do Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz. Paraalém da toponímia Barrinha de Esmoriz, a área objecto deste Estudo é também conhecida como Lagoa deParamos.Este Estudo visa estabelecer as linhas orientadoras para as acções de recuperação e melhoria da Barrinha deEsmoriz e sua envolvente, permitindo a sua evolução sustentável, compatibilizada com as expectativas epressões da população. Para tal, consideraram-se os valores naturais presentes, os objectivos de intervençãodefinidos no Plano Estratégico do Programa Polis Litoral Ria de Aveiro, as orientações de gestão definidas noPlano Sectorial da Rede Natura 2000 (PSRN2000) para o Sítio de Importância Comunitária (SIC) Barrinha deEsmoriz, bem como as orientações das autarquias locais (ver subcapítulo 0.3).Os resultados do Estudo servirão de base à elaboração do projecto que vise:  desenvolver acções de desassoreamento com vista à recuperação do sistema aquático, e deposição dos dragados em destino final adequado;  proceder à limpeza e valorização do coberto vegetal das margens, recuperando a vegetação ribeirinha autóctone e habitats contíguos e promovendo o estado de conservação favorável dos habitats naturais presentes;  definir percursos pedonais e cicláveis, com pontos de paragem e de observação de aves, e com a instalação de equipamentos e mobiliário de apoio apropriados.O presente Estudo tem em conta os estudos anteriores efectuados para a Barrinha de Esmoriz, em particular oEstudo de Impacte Ambiental (EIA) do Desassoreamento da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos(Ecossistema/Hidro4, 1994) e o Plano de Pormenor (PP) da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos(Ecossistema/Hidro4, 2001).De acordo com o estabelecido contratualmente, este estudo inclui os seguintes trabalhos: 1. Caracterização da área de intervenção do ponto de vista do ordenamento do território (1.1), hidrologia (1.2), geologia (1.3), infra-estruturas existentes incluindo eventuais subterrâneas (1.4), povoamento e actividades económicas (1.5), qualidade do ar (1.6), habitats, vegetação e fauna (vertebrados) (1.7), paisagem (1.8) e património cultural (1.9). 2. Caracterização da evolução morfológica histórica (últimos 50 anos) da zona de estudo e determinação das taxas de sedimentação. 3. Caracterização dos caudais fluviais afluentes à Barrinha de Esmoriz. 4. Levantamento, caracterização e avaliação da importância e do estado de conservação dos habitats naturais da Directiva Habitats presentes na área de estudo, bem como das espécies que ocorrem na área do estudo.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 19/264Relatório (ver.2)
  • 21. 5. Levantamento topohidrográfico da área de intervenção. 6. Caracterização da qualidade da água e dos sedimentos na Barrinha, do ponto de vista de descritores físicos, químicos e biológicos. 7. Avaliação do ruído ambiente. 8. Avaliação da necessidade de demolição do “dique” que impede a ligação da Barrinha ao mar. 9. Avaliação da necessidade de execução de um canal de comunicação entre a Barrinha e o mar. 10. Identificação das acções a realizar para a recuperação do sistema aquático: desenvolvimento de um modelo de dragagens que inclua o tipo de dragagem a realizar, o local e volumes de dragagem com indicação da redefinição de geometria do sistema lagunar, a composição e qualidade dos dragados e os locais de depósito adequados face ao grau de contaminação encontrado, em que se prevejam as necessidades de intervenções de desassoreamento e de manutenção para a gestão sustentável da Barrinha de Esmoriz, num cenário de curto-médio prazo (5-10 anos). 11. Identificação das acções a realizar para a requalificação das margens e do cordão dunar. 12. Definição de percursos e zonas de estada e lazer, e respectivo levantamento topográfico, o qual deverá igualmente abranger o cordão dunar e a zona de implantação do “dique” existente, na zona de delimitação entre a Barrinha e o mar.Cada um destes pontos corresponde a um dos capítulos do Relatório.0.2. Equipa técnicaTendo em conta as especificidades dos trabalhos a desenvolver, recorreu-se a uma equipa técnicamultidisciplinar, coordenada pela Ecossistema, e que envolveu as seguintes empresas e entidadesespecializadas:  IDAD – Instituto do Ambiente e Desenvolvimento;  NEMUS, Gestão e Requalificação Ambiental, Lda;  ORLA, Estudos e Projectos de Arquitectura Paisagista, Lda;  PROMAPA, Levantamentos Topográficos, Lda.Nos Quadros 0.2.1 e 0.2.2, apresenta-se a lista dos técnicos responsáveis pelos vários trabalhos, de acordo coma numeração dos capítulos indicada no subcapítulo 0.1, bem como as respectivas qualificações. Quadro 0.2.1 - Equipa técnica, por função/actividade Função / Actividade NomeCoordenação e 1 Júlio de JesusApoio à coordenação Inês Lourenço 1.1 e 1.5 Carlos Nuno 1.6 João Ginja e Miguel Coutinho 1.7 Nuno Cruz de Carvalho20/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 22. Função / Actividade Nome 1.9 Nelson Pantaleão 2 César Jesus e Pedro Bettencourt 3 Ana Quaresma e Mariana Simão 4 Rosa Pinho e Fernando Leão 5 Vanda Patrício Alexandra Passos Silva, Ana Rodrigues, António Calado, Fernando Leão, José Vingada, Miguel Coutinho, 6 Rosa Pinho, Sandra Craveiro e Victor Quintino 7 Clara Ribeiro, Fernando Leão e Miguel Coutinho 8 Ana Quaresma, Mariana Simão e Pedro Bettencourt 9 Ana Quaresma, Mariana Simão e Pedro Bettencourt 10 César Jesus e Pedro Bettencourt 11 Catarina Henriques, Fernando Leão e Nuno Cruz de Carvalho 12 Catarina Henriques, Fernando Leão, Nuno Cruz de Carvalho e Vanda Patrício Quadro 0.2.2 - Qualificações da equipa técnica Nome QualificaçãoJúlio de Jesus Eng.º do AmbienteInês Lourenço Eng.ª do AmbienteAlexandra Passos Silva Eng.ª do Ambiente, com pós graduação em Engenharia de Gestão da QualidadeAna Quaresma Eng.ª Civil, Mestre em Eng.ª do Ambiente – Ramo de Hidráulica e Recursos HídricosAna Rodrigues Professora Auxiliar do Departamento de Biologia, Universidade AveiroAntónio Calado Professor Auxiliar do Departamento de Biologia, Universidade AveiroCarlos Nuno Antropólogo, Mestre em Planeamento Regional e UrbanoCatarina Henriques Arquitecta PaisagistaCésar Jesus Geólogo, com pós-graduação em Ciências das Zonas CosteirasClara Ribeiro Mestre em Poluição AtmosféricaFernando Leão Biólogo, com especialização em Gestão dos Recursos BiológicosJoão Ginja Eng.º do AmbienteJosé Vingada Professor Auxiliar do Departamento de Biologia. Universidade MinhoMariana Simão Mestre em Engenharia Civil, ramo de hidráulicaMiguel Coutinho Eng.º do Ambiente, Mestre em Engenharia Térmica, Doutor em Ciências Aplicadas ao AmbienteNelson Pantaleão Lic. em História – Variante Arqueologia, com pós-graduação em GeoarqueologiaNuno Cruz de Carvalho Arq.º PaisagistaPedro Bettencourt Geólogo, com pós-graduação em Oceanografia Geológica e Sedimentologia MarinhaRosa Pinho Curadora do Herbário do Departamento de Biologia, Universidade AveiroEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 21/264Relatório (ver.2)
  • 23. Nome QualificaçãoSandra Craveiro Colaboradora do Departamento de Biologia, Universidade AveiroVanda Patrício Eng.ª Geográfica, Mestre em Ciências e Engenharia da TerraVictor Quintino Professor Auxiliar do Departamento de Biologia, Universidade Aveiro0.3. AntecedentesO desenvolvimento do Estudo foi acompanhado pela Polis Ria de Aveiro e pelas entidades comresponsabilidades na área de estudo: Administração da Região Hidrográfica do Centro, I.P. (ARH Centro),Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, I.P. (ICNB), Câmaras Municipais (CM) de Espinho e deOvar e Juntas de Freguesia (JF) de Esmoriz e de Paramos. Entre Setembro e Outubro de 2010 realizaram-setrês reuniões para apresentação do âmbito e dos objectivos do Estudo e da equipa técnica responsável, parainformação sobre o progresso dos trabalhos e discussão de algumas adaptações à metodologia e ao plano detrabalhos e para discussão de questões relacionadas com as propostas de intervenção previstas.A primeira reunião realizou-se a 9 de Setembro de 2010 e, para além da Polis Ria de Aveiro e da Ecossistema,contou com a presença da ARH Centro e do ICNB. Genericamente, abordou-se a questão dos objectivos derequalificação da Barrinha de Esmoriz – por um lado, pretende-se despoluir a área e manter a praia de Esmoriz,por outro lado pretende-se recuperar e melhorar o grau de conservação dos habitats naturais presentes no SICBarrinha de Esmoriz.A segunda reunião realizou-se a 21 de Setembro de 2010 e contou com a presença da Polis Ria de Aveiro, daEcossistema, das CM de Espinho e de Ovar e das JF de Esmoriz e de Paramos. Genericamente, nesta reuniãodebateu-se a solução de percursos e zonas de estadia e lazer, tendo-se assinalado os seguintes aspectosprincipais, a avaliar no presente Estudo:  interligação entre a rede ciclável prevista para a envolvente da Barrinha e as redes municipais de ciclovias, a estação de comboios de Esmoriz e a antiga Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Cortegaça/Esmoriz que será alvo, a curto de prazo, de requalificação e para a onde se prevê um Centro de Interpretação Ambiental;  ligação entre ambas as freguesias a poente, através de passadiço na orla costeira;  inclusão de equipamentos tipo quiosque à entrada da Barrinha;  limpeza das linhas de água afluentes à Barrinha de Esmoriz e criação de um sistema de monitorização da sua qualidade.No final do mês de Setembro de 2010 entregou-se um Relatório Preliminar que foi alvo de apreciação pelasvárias entidades referidas. Com vista a debater a análise efectuada, realizou-se uma terceira reunião, a 14 deOutubro de 2010, na qual estiveram presentes, para além da Polis Ria de Aveiro e da Ecossistema, aARH Centro, as CM de Espinho e de Ovar e a JF de Paramos. Nesta reunião, para além de alguns dos aspectosabordados nas reuniões anteriores, foram discutidos os seguintes aspectos principais, a considerar no presenteEstudo:  interdição da circulação de cavalos no cordão dunar;22/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 24.  referência à origem da poluição existente na Barrinha;  utilizações possíveis para a Barrinha, nomeadamente utilização do plano de água por embarcações;  enquadramento da intervenção prevista na Barrinha com as infra-estruturas próximas: aeroclube e centro hípico;  desenvolvimento de acções de sensibilização relativamente às descargas poluentes na bacia hidrográfica da Barrinha, incluindo o concelho de Santa Maria da Feira;  inclusão de equipamentos e estruturas de acolhimento e informação aos visitantes (estruturas ligeiras em madeira, semelhantes a um apoio de praia mínimo, painéis informativos e de sensibilização ambiental e/ou aproveitamento de edifício existente junto à ribeira de Rio Maior).A JF de Esmoriz não pôde estar presente nesta reunião, tendo posteriormente (26 de Outubro de 2010) enviadoo seu parecer relativamente ao Relatório Preliminar. Esta JF alertou para: a necessidade de acautelar a pressãourbanística na área; a importância da interligação deste estudo e projecto com o Concelho de Santa Maria daFeira pois é uma das fontes poluidoras; defesa da ligação do passadiço entre Esmoriz e Paramos, a poente daBarrinha, com sugestão das antigas pontes; importância da despoluição das linhas de água afluentes quedesaguam na Barrinha (ribeiras existentes); fiscalizar e proceder à ligação da rede SIMRIA de todas as fontespoluidoras das indústrias, assim como os esgotos domésticos clandestinos que persistem em poluir a Ribeira deMaceda e a Ribeira de Rio Maior/Rio Lambo que desaguam na Barrinha de Esmoriz; minimizar os impactesambientais no processo de despoluição e requalificação da Barrinha; importância de se criar um sistema demonitorização ambiental.De igual modo, o ICNB também não pôde estar presente na reunião, tendo posteriormente (22 de Outubro de2010) enviado alguns esclarecimentos. Entre eles, salienta-se o facto da proposta de ordenamento dasacessibilidades e das actividades de desporto/recreio na natureza estar incluída como orientação de gestão parao SIC Barrinha de Esmoriz, no âmbito do PSRN2000, dando assim enquadramento à proposta de circuitospedestres, cicláveis e de proibição de circulação equestre fora de trilhos definidos.Relativamente à utilização do plano de água por embarcações, o ICNB considera que é de maior interesse “apossibilidade de implementação de uma actividade de observação da natureza e educação ambiental, quedeverá ser devidamente regulamentada, estabelecendo: tipo de embarcações (adaptação de embarcaçõestradicionais, sem motor), nº de embarcações a operar (duas no máximo), local de atracagem das embarcações,nº máximo de pessoas/embarcação, frequência e duração diárias das visitas, condicionalismos relacionados compercurso de visita (restrições a áreas mais sensíveis para flora, fauna e habitats), épocas do ano (restrições nosperíodos de reprodução), regras de comportamento dos visitantes, entre outros. A regulamentação da actividadedeverá considerar os elementos a obter com o estudo de caracterização dos habitats, flora e fauna, de modo amanter, de forma sustentável, as funções desta área classificada e a salvaguardar as áreas fundamentais para aconservação/recuperação dos valores naturais”.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 23/264Relatório (ver.2)
  • 25. 24/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 26. 1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO1.1. Ordenamento de território1.1.1. Divisão administrativa e NUTSA Barrinha de Esmoriz tem o enquadramento administrativo e na Nomenclatura das Unidades Territoriais paraFins Estatísticos (NUTS) (DL 46/89, de 15/2, alterado pelo DL 317/99, de 11/8 e pelo DL 244/2002, de 5/11)indicado no quadro seguinte: Quadro 1.1.1 - Enquadramento da Barrinha de Esmoriz Freguesia Paramos Esmoriz Concelho Espinho Ovar Distrito Aveiro Aveiro NUTS II Norte Centro NUTS III Grande Porto Baixo Vouga1.1.2. Planos de ordenamentoOs planos de ordenamento em vigor na área da Barrinha de Esmoriz são os seguintes:  Plano Director Municipal (PDM) de Espinho, ratificado pela RCM 36/94, de 20/5;  PDM de Ovar, ratificado pela RCM 66/95, de 10/7 (existem duas alterações sem relevância para o presente estudo);  Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Caminha-Espinho, aprovado pela RCM 25/99, de 7/4 (existe uma alteração sem relevância para o presente estudo);  POOC Ovar-Marinha Grande, aprovado pela RCM 142/2000, de 20/10;  Plano de Bacia Hidrográfica (PBH) do Douro, aprovado pelo DR 19/2001, de 10/12;  Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) da Área Metropolitana do Porto e Entre Douro e Vouga, aprovado pelo DR 42/2007, de 10/4;  PROF do Centro Litoral, aprovado pelo DR 11/2006, de 21/7.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 25/264Relatório (ver.2)
  • 27. A área de estudo incluída no concelho de Espinho é classificada no respectivo PDM como “espaço desalvaguarda estrita” e como “espaço de equipamento de turismo – Aeródromo”. A área incluída no concelho deOvar é classificada no respectivo PDM como “espaço natural protegido”.A área de estudo abrangida pelo POOC de Caminha-Espinho está incluída na seguinte classe de espaços erespectivas categorias: Classe 1 – Área de Protecção Costeira: Categoria 1.2 – Áreas de Vegetação Rasteira eArbustiva e Categoria 1.6 – Zonas Húmidas.No nº 2 do art. 10.º do Regulamento deste POOC refere-se que a Área de Protecção Costeira deve ser “objectode um programa de investimento público destinado à sua valorização e compatibilização com oportunidadesrecreativas”. Registe-se que parte das intervenções a propor neste Estudo de Requalificação e Valorização,nomeadamente a dragagem da zona húmida, são contraditórias com o disposto nos artigos 11.º e 18.º doreferido Regulamento. Outra parte das intervenções propostas assume as características de “Projectos devalorização”, tal como definido no art. 71.º do Regulamento do POOC.O POOC Caminha-Espinho prevê, no n.º 3 do artigo 6.º do Regulamento, a delimitação de uma faixa de restriçãoespecífica, independentemente das classificações de espaços, que traduzem a influência da erosão costeira nafaixa litoral e que se designam por Barreira de protecção e por Zona de risco. A faixa litoral, a poente da zonahúmida, está delimitada neste POOC como Barreira de protecção.O artigo 24.º do Regulamento do POOC Caminha-Espinho estabelece regras para acções de manutenção eprojectos de valorização.O POOC de Ovar-Marinha Grande classifica a Barrinha de Esmoriz como uma área natural de nível III (art. 28.ºdo Regulamento do POOC). As intervenções previstas na Barrinha de Esmoriz enquadram-se nas excepçõesmencionadas na alínea j) do artigo 7.º, das alíneas a), c) e h) do n.º 1 do artigo 9.º.O PBH do Douro inclui entre os objectivos operacionais da protecção das águas e controlo da poluição:“melhorar a qualidade do ambiente, em geral, e da água, em particular, mediante a elaboração de projecto paraimplementação posterior de soluções para despoluição da rede hidrográfica da barrinha de Esmoriz edesassoreamento da comunicação da lagoa com o mar”.O PROF do Centro Litoral inclui a área da Barrinha de Esmoriz como parte de um corredor ecológico litoral.A Barrinha de Esmoriz foi classificada como SIC da Rede Natura 2000, pela Decisão da Comissão 2006/613/CE,de 19/7, publicitada pela Portaria 829/2007, de 1/8. O PSRN2000, aprovado pela RCM 115-A/2008, de 21/7,contém orientações de gestão para este Sítio (ver Anexo 1).1.1.3. CondicionantesNa área do Estudo foram identificadas as seguintes condicionantes:  Reserva Ecológica Nacional (concelho de Espinho: RCM nº 39/96, de 15/4; concelho de Ovar: RCM nº 124/96, de 9/8);  Reserva Agrícola Nacional, constantes dos PDM em vigor;  Servidão militar (Decreto nº 20/85, de 10/7);  Servidão aeronáutica (DL nº 45 987, de 22/10/1964);26/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 28.  Servidão da linha de caminho de ferro (DR nº 2/85, de 10/1 e DL 276/2003, de 4/11);  Oleoduto Leixões-Ovar (Despacho do Ministro da Defesa Nacional, Diário da República nº 171, II Série, 27/07/1983).Apesar da ausência de cadastro, refira-se que quase toda a área de intervenção deverá integrar o domíniopúblico hídrico.1.2. Hidrologia1.2.1. IntroduçãoA caracterização de âmbito hidrológico está, na sua maior parte, desenvolvida no contexto do capítulo 3 (caudaisfluviais afluentes).Assim, no ponto 3.2 é apresentada uma breve caracterização da bacia hidrográfica afluente à Barrinha deEsmoriz e das duas sub-bacias constituintes: sub-bacia do rio de Lamas, afluente à margem norte do meiolagunar e a sub-bacia da Vala da Maceda, afluente à margem sul. A caracterização da bacia e sub-bacias incluiaspectos de fisiografia e a determinação de tempos de concentração, utilizando diferentes fórmulas.No ponto 3.4 apresentam-se estimativas de escoamentos anuais e mensais nas secções terminais do Rio deLamas e Vala da Maceda. Os cálculos foram efectuados com base numa relação precipitação-escoamentovalidada para uma estação hidrométrica próxima (Ponte de Vale Maior, no rio Caima) e utilizando dadospluviométricos relativos aos postos udométricos com influência na bacia: Espargo (Feira) e Fiães.No ponto 3.5 efectuam-se estimativas de caudal de ponta de cheia afluente ao meio lagunar para períodos deretorno de 2 e 10 anos. As estimativas são efectuadas para cada uma das duas sub-bacias, recorrendo adiferentes métodos.De modo a complementar os desenvolvimentos referidos, apresenta-se, no ponto 1.2.2, uma brevecaracterização da rede hidrográfica afluente ao meio lagunar e, no ponto 1.2.3, uma caracterização daevaporação na Barrinha de Esmoriz.1.2.2. Rede hidrográfica afluente ao meio lagunarConforme referido, duas linhas de água principais afluem ao meio lagunar: o rio de Lamas e a vala de Maceda.O rio de Lamas inicia-se cerca da cota 240 m próximo do local de Vergada. O seu comprimento é de cerca de9,9 km e o declive médio do talvegue 2,4 %. No seu percurso, recebe dois afluentes principais, ambos na suamargem esquerda: a ribeira dos Lameiros e a ribeira da Azenha.A Vala de Maceda inicia-se cerca da cota 70 m próximo do local de Cavadas. O seu comprimento é de cerca de10,2 km e o declive médio do talvegue 0,7 %. No seu percurso, recebe na margem direita os dois afluentes maisimportantes: a ribeira de Cortegaça e a ribeira de Mangas.Na Figura 1.2.1 apresenta-se uma representação cartográfica à escala 1:100.000 da Bacia Hidrográfica daBarrinha de Esmoriz. Nesta representação encontram-se assinalados os limites das sub-bacias hidrográficas A(sub-bacia da ribeira de rio Maior, a norte), B (sub-bacia da vala da Maceda, a sul) e C (pequena sub-baciaEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 27/264Relatório (ver.2)
  • 29. Intermédia). Encontra-se também representada a Barrinha de Esmoriz e as principais linhas de água afluentes esub-afluentes. Figura 1.2.1 - Representação cartográfica da rede hidrográfica e bacias sub-bacias hidrográficas afluentes à Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos (1:100.000)1.2.3. Evaporação na Barrinha de EsmorizO nível de água na laguna é influenciado pelas afluências de montante, pela entrada e saída de água do marquando a comunicação está aberta e pela evaporação.Os factores principais que influenciam a evaporação são:  Energia disponível,  Deficit de saturação da atmosfera,  Temperatura do ar,  Velocidade e turbulência do vento,  Natureza e estado da superfície evaporante.28/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 30. Na situação em análise não se dispõe de medições directas da evaporação, nem dos vários factores queinfluenciam o processo.Assim, para caracterização deste parâmetro, utilizaram-se os valores conhecidos para a estação meteorológicade S. Jacinto (1954 – 1980) para estimar os valores de evaporação mensais e anuais na laguna.Para a estimativa de valores mensais e anuais de evaporação numa albufeira ou lagoa utilizam-se dadosreferentes a medições numa tina evaporimétrica, corrigidos de um factor denominado coeficiente de tina quevaria com o local e época do ano.Contudo, para a estação meteorológica de S. Jacinto não existem medições pelo método da tina evaporimétrica,mas sim por outro método, o evaporímetro de Piche.Porém, conhecendo-se, para um posto meteorológico próximo (Santo Varão), razões mensais entre os valoresobtidos pelos dois métodos, foi possível, por extrapolação, a determinação dos valores mensais da evaporaçãona laguna, os quais se apresentam no Quadro 1.2.7. Quadro 1.2.1 - Valores mensais e anual da evaporação sobre a Barrinha de Esmoriz - Lagoa de Paramos Bacia/ Sub- bacia Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set AnoCoeficiente de tina – 0,7 0,7 0,6 0,6 0,6 0,6 0,7 0,7 0,8 0,8 0,8 0,8 ---valores médios mensaisRazão entre os valoresda evaporação em 0,99 0,757 0,643 0,538 0,711 1,007 1,413 1,886 1,878 2,054 2,195 1,973 ---Santo Varão obtidospelos dois métodosValores de evaporaçãoem S, Jacinto 75,5 66,6 65,3 60,4 71,9 89,5 89,1 79,4 81,8 85,8 75,3 70,1 910,7(evaporímetro de Piche)(mm)Valores de evaporaçãocalculados para S. 74,9 50,4 42,0 32,5 51,1 90,1 125,9 149,7 153,6 176,2 165,3 138,3 1250,0Jacinto (tinaevaporimétrica) (mm)Valores de evaporaçãona Barrinha de Esmoriz 52,4 35,3 25,2 19,5 30,9 54,1 88,1 104,8 122,9 141,0 132,2 110,6 917,0- Lagoa de Paramos(mm)A evaporação na laguna atinge valores máximos em Agosto (132,2 mm) e mínimos em Janeiro (19,5 mm).Verifica-se que 76 % da evaporação ocorre no semestre mais seco, de Abril a Setembro.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 29/264Relatório (ver.2)
  • 31. 1.3. Geologia1.3.1. IntroduçãoApresenta-se uma caracterização da geologia e geomorfologia da área envolvente à Barrinha de Esmoriz –Lagoa de Paramos, delimitada a norte pela povoação, pista e instalações militares de Paramos, a este pela linhaférrea, a sul pela cidade de Esmoriz e a oeste pelo Oceano Atlântico.As considerações apresentadas basearam-se em reconhecimento de campo e em informações obtidas nasFolhas 133 e 144 da Carta Militar de Portugal 1:25 000 e Folha 13-A da Carta Geológica de Portugal 1:50 000 erespectiva Notícia Explicativa.1.3.2. Enquadramento geográfico, geotectónico e geomorfológicoA área em estudo integra-se numa zona costeira densamente povoada. A cerca de 2,5 km a sul da área urbanada cidade de Espinho, junto à costa, situa-se a pequena laguna designada por Barrinha de Esmoriz – Lagoa deParamos.A laguna encontra-se sobre areias do Quaternário e apresenta na sua maior dimensão (sentido norte-sul) umaextensão de 1,5 km. A área correspondente ao plano de água é variável, sendo de cerca de 0,8 km2.A laguna comunica com o mar de forma intermitente em resultado da abertura periódica da sua barra a norte daPraia de Esmoriz. A abertura é efectuada por acção antrópica, recorrendo a meios mecânicos. Depois de aberta,ao fim de algum tempo a barra acaba por fechar, principalmente devido ao efeito das correntes oceânicas,predominantemente de norte.Em termos de grandes unidades geotectónicas a Barrinha de Esmoriz e região envolvente enquadram-se na OrlaOcidental, unidade que se caracteriza pela sua correspondência com extensas áreas aplanadas ao longo dazona costeira, sucedidas por relevos pouco acentuados.Na região, as elevações mais importantes que estabelecem a transição entre a zona litoral e o interior definemum “dorso” sensivelmente paralelo à linha de costa que corresponde à divisória entre as águas que corremdirectamente para o mar, a oeste, e as que correm para o rio Douro, a este, integrando a sua bacia hidrográfica.Na proximidade da área em estudo este “dorso” compreende as elevações de Picoto, Vergada, Outeiro deCadinha e Souto Redondo, que atingem cotas compreendidas entre 243 e 312 m.Para poente deste alinhamento de relevos estende-se uma área aplanada que desce gradualmente no sentido dalinha de costa.Trata-se de uma superfície ocupada essencialmente por depósitos de praias antigas dispostos em escadariavoltada para o mar, aluviões associados às principais linhas de água e areias de dunas.As formações dunares apresentam-se actualmente muito desgastadas por acções erosivas e forte intervençãoantrópica, principalmente nas últimas décadas. No passado estas formações chegaram a ter mais de 30 m dealtura.Esta superfície é sulcada por linhas de água que afluem à Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos, sendo asprincipais, a ribeiras de Rio Maior e a Vala de Maceda.30/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 32. As bacias hidrográficas correspondentes a estas linhas de água apresentam um relevo uniforme com desníveismáximos da ordem dos 300 m, o que corresponde ao desnível entre as elevações que definem o “dorso”anteriormente referido (onde as cabeceiras destas linhas de água se situam) e a zona aplanado do litoral onde seencontra a Barrinha de Esmoriz.Uma caracterização geomorfológica complementar é apresentada no ponto 2.2, no âmbito do capítulo 2, relativoà caracterização da evolução histórica da Barrinha de Esmoriz.1.3.3. Caracterização litoestratigráficaNa área envolvente à Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos ocorrem formações recentes, tais como areiasde praia e de dunas, depósitos aluvio-coluvionares, depósitos plio-plistocénicos, bem como formações maisantigas pertencentes ao complexo xisto-grauváquico e séries metamórficas derivadas.Na Figura 1.3.1 apresenta-se a planta geológica da área em estudo, encontrando-se representadas as unidadeslitoestratigráficas ocorrentes.Referem-se, de seguida, as características das unidades litoestratigráficas presentes, desde a mais recente até àmais antiga.Depósitos aluvio-coluvionares (a)Estes depósitos modernos ocorrem associados às principais linhas de água e à Barrinha de Esmoriz, ocupandoassim os fundos dos vales e as zonas mais baixas desta região litoral.Tratam-se, em linhas gerais, de materiais soltos argilo-arenosos, associando solos com boas características parafins agrícolas.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 31/264Relatório (ver.2)
  • 33. Fonte: Ampliação da Carta Geológica de Portugal 1:50.000 Figura 1.3.1 - Planta geológica da áreaAreias de praia e de dunas (A, Ad)As areias de praia desenvolvem-se ao longo da linha de costa, integrando uma areal contínuo desde Paramos, anorte, até à Praia de Esmoriz, a sul.Para o interior da praia, as areias de dunas cobrem grande parte da região litoral, definindo dunas queapresentam, por vezes, alturas consideráveis. Para o interior, o limite destas formações correspondeaproximadamente ao percurso da linha-férrea.A Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos encontra-se rodeada por estes terrenos, os quais se misturam porvezes com os depósitos alúvio-coluvionares, dando origem a níveis areno-argilosos que, como os anteriores,apresentam boas características como solos agrícolas.Depósitos plio-plistocénicos (Q)Estas formações são representadas essencialmente por depósitos de praias antigas e de terraços fluviais que seacumularam sobre diversas superfícies de aplanação durante o fim do Terciário e início do Quaternário. Estes32/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 34. depósitos sucedem às areias de praia e de dunas e correspondem a zonas em que os rios deixam de percorrervales encaixados e passam a atravessar vales abertos. São constituídos essencialmente por níveis de calhausrolados e areias por vezes com intercalações de níveis argilosos e assentam sobre terrenos xisto-grauváquicosantigos.A separação dos diferentes terraços é por vezes difícil, sobretudo nos níveis mais baixos.Sobre os depósitos de dunas e de terraços ocorrem por vezes formações areno-pelíticas de cobertura quechegam a atingir espessuras consideráveis, apresentando potencial para exploração na indústria do barro.Complexo xisto-grauváquico ante-ordovícico e séries metamórficas derivadas (Xge, Xbm, X).Estas formações ocupam uma grande faixa a este de Espinho. Tratam-se de terrenos de um modo geral bastantemetamorfizados, em resultado da intensa acção exercida pelos fenómenos de metamorfismo regional e degranitização.São visíveis diferentes zonas de metamorfismo, sucedendo-se as faixas de xistos cloríticos e sericíticos,anfibolíticos, de xistos biotítico-moscovíticos e de xistos biotíticos com granadas e estaurolites.1.3.4. Recursos geológicos de interesse económico ou conservacionistaA pesquisa de eventuais situações relevantes relativas a recursos geológicos com interesse económico na áreaenvolvente à Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos foi realizada através da consulta do Cadastro dasConcessões 99, editado pelo Instituto Geológico e Mineiro (IGM) e da consulta de bases de dados actualizadasdisponíveis no site do INETI (Projecto e-geo).Em resultado destas consultas não se identificaram, na área envolvente, pedreiras licenciadas, concessõesmineiras, áreas de prospecção e pesquisa de depósitos minerais, áreas de reserva e cativas para massasminerais ou outras áreas com direitos de exploração atribuídos ou requeridos.Para pesquisa de valores geológicos de interesse conservacionista consultaram-se a lista de Geossítiosapresentada no âmbito do projecto e-geo (Sistema Nacional de Informação Geocientífica) e a lista degeomonumentos elaborada pelo grupo ProGEO-Portugal.Através destas consultas, verificou-se não existirem na proximidade ocorrências geológicas com particularinteresse.1.4. Infra-estruturas existentesDe acordo com os elementos recolhidos no âmbito do Plano de Pormenor da Barrinha de Esmoriz/Lagoa deParamos (2001), a única infra-estrutura existente na área de intervenção é o oleoduto Leixões-Ovar. Este dispõede uma servidão instituída por Despacho do Ministério da Defesa Nacional, publicado no Diário da Repúblican.º 171, 2.ª Série, de 27/07/1983.Na reunião realizada no dia 21/9/2010 com as autarquias, foi informado pelos representantes das CâmarasMunicipais de Espinho e Ovar que o oleoduto já não estará a ser utilizado. Na reunião de 14/10/2010, oPresidente da JF de Paramos informou que o oleoduto nunca terá entrado em funcionamento, de acordo cominformação que obteve junto da Base Aérea de Ovar.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 33/264Relatório (ver.2)
  • 35. Até à data, não houve resposta sobre esta questão por parte do Ministério da Defesa Nacional.1.5. Povoamento e actividades económicasUma das singularidades da Barrinha de Esmoriz é o facto de ter dois nomes, habitualmente utilizados paradesignar esta lagoa costeira: se Barrinha de Esmoriz é o mais comum e, certamente, o mais conhecido fora daregião, localmente é frequente a utilização do nome Lagoa de Paramos, sobretudo, e compreensivelmente, namargem norte da Barrinha, abrangida pela freguesia de Paramos, do concelho de Espinho.Tal se deve a estar o território da lagoa repartido por duas freguesias de concelhos diferentes; para sul, afreguesia de Esmoriz, do concelho de Ovar, para norte, a freguesia de Paramos, do concelho de Espinho, que jáse referiu; nesta última freguesia cabem cerca de 2/3 da área total da Barrinha, ficando o restante terço nafreguesia que lhe dá o nome mais conhecido.Embora ambos os concelhos façam parte do distrito de Aveiro, no limite norte deste distrito, a verdade é queapresentam características e dinâmicas socioeconómicas marcadamente distintas, apesar da sua contiguidadegeográfica e das semelhanças territoriais que também apresentam.Estas diferenças devem-se, fundamentalmente, a estar Espinho desde há muito integrado na área de influênciadirecta da área metropolitana do Porto, ao ponto de se ter formalizado, com a constituição das NUTS, umapartição desta área do distrito de Aveiro por duas regiões distintas, com a sua delimitação a passar precisamentepelos limites administrativos dos concelhos de Espinho e Ovar e, consequentemente, pela área da Barrinha deEsmoriz.O concelho de Espinho faz parte da NUTS III do Grande Porto, da Região Norte, e o concelho de Ovar daNUTS III do Baixo Vouga, da Região Centro.Ainda que estas delimitações pudessem constituir, essencialmente, uma fronteira institucional pouco sensívelentre dois concelhos vizinhos, a verdade é que um conjunto de indicadores estatísticos tendem a acentuar asdiferenças socioeconómicas que terão baseado essa mesma repartição territorial.A esses indicadores não será alheia a própria história contemporânea de ambos os territórios, pois Espinhoconsolidou, ao longo do séc. XX, uma vocação essencialmente urbana e cosmopolita, directamente relacionadacom a proximidade da cidade do Porto, de que constituiu uma área de veraneio, de lazer e decomplementaridade económica, sobrepondo-se essas características às restantes valências agrícolas, marítimase industriais de que o concelho igualmente dispunha, enquanto que Ovar se manteve durante bastante maistempo essencialmente como um território agro-marítimo, no qual as boas praias da sua costa se ligavamsobretudo a uma procura mais local e de exercício de actividades económicas complementares entre os recursosda costa e as actividades agrícolas predominantes.Essas diferenças acabam por ser determinantes para as actuais dinâmicas de cada uma destas áreas, que sereflectem bem nos dois concelhos e, mesmo, nas duas freguesias abrangidas pelo estudo.Espinho apresenta um carácter essencialmente urbano, com uma diversidade de equipamentos, actividades einfra-estruturas em consonância com essa feição urbana, mas com um dinamismo populacional negativo, emenvelhecimento e com sinais já de desgaste territorial e socioeconómico, parecendo acompanhar directamente oque acontece com o próprio concelho do Porto, cuja área metropolitana integra, enquanto que Ovar se apresentacomo um território em expansão crescente, nas suas vertentes demográficas e urbanísticas, mantendo aindaalguma feição rural e periférica mas com indicadores de crescimento populacional e de vitalidade territorialacentuados.34/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 36. Apesar da sua proximidade e da semelhança dos seus territórios, as freguesias de Paramos, em Espinho, e deEsmoriz, em Ovar, integram directamente os dinamismos e características dos respectivos concelhos, acabando,assim, por se diferenciar de forma sensível.1.5.1. Dimensões demográficasAtendendo aos dados das ultimas décadas, o contraste entre os territórios aqui abrangidos é bastante nítido.O concelho de Espinho apresenta um decaimento populacional consistente, a que se alia directamente um maiorenvelhecimento dos seus residentes, enquanto que Ovar tem vindo sempre a aumentar de população, que éconsideravelmente jovem, não apenas por comparação com Espinho mas mesmo como valor de referência.Como se disse acima, a freguesias de cada um destes concelhos segue o panorama geral do seu território, comParamos a descer de efectivos populacionais e Esmoriz a subir, tendo-lhe sido dado o estatuto de cidade em1993.No Quadro 1.5.1 apresenta-se a evolução demográfica nas últimas décadas em cada uma destas freguesias,com os seus enquadramentos territoriais. Quadro 1.5.1 - População residente Grande Porto Concelho de Freguesia de Baixo Vouga Concelho de Freguesia de (NUTS III) Espinho Paramos (NUTS III) Ovar Esmoriz 1991 1180696 34954 3820 352021 49979 9890 2001 1253807 32977 3789 384419 55072 109932008 (projec) 1285352 28866 - 401114 58205 -Embora nas principais fontes consultadas (Instituto Nacional de Estatística, Comissões de Coordenação eDesenvolvimento Regional do Centro e do Norte) não haja projecções para as duas freguesias para o ano de2008, as projecções intermédias e outras fontes, como as páginas electrónicas das respectivas juntas defreguesia ou do próprio INE levam a admitir que os movimentos evidenciados anteriormente se mantenhamdurante a presente década, havendo mesmo para Esmoriz a expectativa de se atingirem os 15.000 habitantes.Ainda que não se tenham encontrado explicações específicas para esta situação, nem seja objecto deste estudoo aprofundamento destas questões, as opiniões que se recolheram e as observações realizadas levam aconsiderar que Espinho tem vindo a sofrer de algum desgaste de envelhecimento do seu território, com maioresdificuldades na renovação urbana e com preços mais elevados da habitação, o que tem contribuído para omovimento de repulsa demográfica que se verifica, sobretudo na resistência ao estabelecimento de novos casais,enquanto que Ovar apresenta quer uma dinâmica económica própria, com a instalação de unidades industriais noconcelho, e do dinamismo das áreas vizinhas, incluindo o Grande Porto, permitindo a fixação dos seus jovens eatraindo novos residentes, com maior oferta de habitação a preços mais acessíveis e também com a criação depostos de trabalho, ainda que já se verifique o ocorrência, significativa, de residentes cuja actividade profissionalocorre fora do concelho, quer na área metropolitana do Porto quer para Aveiro, o que é sustentado por uma redede infra-estruturas que favorece esta mobilidade, seja pela via férrea (linha do Norte) seja por auto-estrada (A29).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 35/264Relatório (ver.2)
  • 37. A acessibilidade e menor congestionamento da frente marítima de Ovar, comparativamente com as áreas maispróximas do Porto, tem levado a que também aqui se procurem segundas habitações, sobretudo na proximidadedas praias, o que se manifesta particularmente em Esmoriz.Estes dados são reforçados pelos indicadores de juventude e envelhecimento, que apontam no mesmo sentidodas estatísticas populacionais: o concelho de Ovar é bastante jovem, quer na base quer no topo das pirâmidesetárias, com cerca de 16% de jovens e de 14,5% de idosos, para um índice de envelhecimento de 90.1, enquantoque Espinho, não sendo propriamente um concelho envelhecido, no panorama nacional, tem cerca de 14,5% dejovens e de 16,5 de idosos e um índice de envelhecimento de 113.6.Refira-se que Espinho e Porto são precisamente os dois únicos concelhos do Grande Porto com quebrapopulacional nas últimas décadas e os dois concelhos com índice de envelhecimento superior a 100, em grandeconsonância um com o outro.1.5.2. Dimensões socioeconómicasOutro conjunto de indicadores permite caracterizar e comparar os dois concelhos envolvidos.No início desta década, a repartição da população activa empregada por sectores de actividade dava um valorresidual no sector primário para Espinho (cerca de 1%) e pouco mais elevado em Ovar (3,6%), mas no sectorsecundário Espinho subia para 48,8% enquanto que este sector era maioritário em Ovar (60,1%), levando a umcontraste também grande no sector terciário, maioritário em Espinho (50,2%) e com menor expressão emOvar (36,3%).Estas diferenças traduzem-se igualmente nos rendimentos médios obtidos em cada concelho: no ano de 2007, oIRS liquidado per capita foi de 847€ em Espinho e de 539€ em Ovar.Do mesmo modo, e para o mesmo ano de 2007, o valor do índice de poder de compra concelhio, que conjugadados financeiros, fiscais, demográficos e de equipamento urbano, permitindo traduzir um índice de urbanidadeem cada território, por comparação com um valor médio nacional = 100, dava o valor de 110,5 para Espinho (ouseja, superior à média do País) e de 85,0 para Ovar, inferior a essa média, embora colocando este concelho noprimeiro terço dos concelhos nacionais no que se refere a este indicador.1.5.3. Ocupação e actividades territoriaisFocalizando esta abordagem agora nas freguesias envolventes à Barrinha de Esmoriz, e considerando a suaocupação espacial e organização territorial, detectam-se aspectos comuns mas também outros contrastantesentre Paramos e Esmoriz.36/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 38. As áreas edificadas destas freguesias encontram-se, actualmente, praticamente coladas. Partindo dos núcleosrurais originais, as duas povoações expandiram-se sobretudo sobre as principais estradas e pelo preenchimentodas áreas intersticiais, à medida que terrenos agrícolas e de antigas quintas foram sendo loteados (a junção dasáreas edificadas das duas freguesias deu-se, sobretudo, a partir da construção ao longo da antiga EN109), masno caso de Esmoriz a expansão dos núcleos edificados e dos bairros mais antigos foi dando origem a uma áreaurbana mais consolidada e praticamente em contínuo, considerando os antigos núcleos do centro de Esmoriz, daenvolvente à estação ferroviária e à praia, processo mais rarefeito e incipiente no caso de Paramos, onde estacontinuidade entre os seus vários núcleos é menos sentida.Esta diferença está bem espelhada na densidade demográfica que hoje ambas as freguesias apresentam:Paramos tem uma densidade de cerca de 633 hab/km2, enquanto que em Esmoriz esse valor é quase o dobro,cerca de 1214 hab/km2.Se bem que em Esmoriz continue a ser visível a existência de dois grandes núcleos urbanos, Esmoriz e Praia deEsmoriz, essa descontinuidade é muito mais nítida em Paramos, com o núcleo edificado da Praia de Paramos aconstituir praticamente uma povoação autónoma dentro da freguesia.Se a linha férrea instituiu, ao longo dos anos, uma faixa de separação entre as zonas poente e nascente destasfreguesias, o que só mais recentemente se veio a atenuar, sobretudo em Esmoriz, em Paramos a existência deum aeródromo e das instalações militares do Regimento de Engenharia n.º 3, acentuou esse efeito dedescontinuidade territorial, separando a sede de freguesia da sua frente marítima de uma forma muito maisacentuada.A mesma linha férrea funcionou como tampão para a pressão urbanística sobre as margens da Barrinha deEsmoriz, pois acompanha toda a sua margem nascente, sobrando uma faixa relativamente estreita entre a lagoae a linha, onde são mais raras as edificações, mantendo-se algumas características agrícolas nesses terrenos,embora com tendência para aumentarem, aí, as edificações com função habitacional. A classificação destessolos como Reserva Agrícola Nacional e como Reserva Ecológica Nacional tem constituído, também, um factorde contenção da expansão edificada.Já a frente sul da lagoa se encontra fortemente urbanizada, com construções até muito perto do cordão dunar,como expansão do núcleo original da Praia de Esmoriz. No entanto, na envolvente mais próxima das margens daBarrinha esta ocupação é de densidade relativamente baixa, sobretudo constituída por lotes ocupados porvivendas ou por prédios com o máximo de três pisos.Predominam as funções habitacionais, com algumas raras intrusões de estabelecimentos comerciais, geralmenteno sector da restauração (cafés, pequenos restaurantes) ou dos serviços pessoais (refira-se um ginásio, porexemplo). É uma expansão relativamente contida e mesmo os terrenos ainda expectantes, como no Pinhal daAberta, estarão vocacionados para ocupações semelhantes, não sendo de prever um aumento significativo dapressão construtiva na primeira frente de contacto com as dunas envolventes à lagoa, até porque a Praia deEsmoriz constitui uma forte presença urbana, com maior densidade de edificações, arruamentos e equipamentos,centrando-se esta área nas componentes habitacionais, de serviços, de veraneio e de lazer.Muito próximo da Barrinha, a sul, há uma importante área de equipamentos, constituída pelas instalaçõesdesportivas para a prática do futebol e por um importante terreiro de feira, num terreno infra-estruturado entre ocampo desportivo e a Vala de Maceda, em cuja margem esquerda, mais a sul, está instalada uma estação detratamento das águas residuais (ETAR), aparentemente insuficiente para tratar os efluentes industriais quepoluem esta linha de água e que desaguam na lagoa.A zona de praias a sul do canal da Barrinha está concessionada, com dois apoios de praia com café erestaurante, prevendo-se uma terceira concessão, mais a norte, até ao próprio canal da Barrinha. Refira-se que aEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 37/264Relatório (ver.2)
  • 39. principal zona de praias nesta frente de mar desenvolve-se, no entanto, para sul do esporão construído a sul dabarra da lagoa.Na margem norte, na freguesia de Paramos, a edificação é menor, pois como já se disse aí se situa a pista doaeródromo misto, civil e militar, e os terrenos afectos a este aeródromo e ao Regimento de Engenharia. Estefacto levou a uma contenção da expansão urbana no sentido da lagoa, sendo que o núcleo da Praia de Paramosse encontra quase a um quilómetro para norte da margem da lagoa.Junto ao aeródromo funciona o Aero-clube, havendo ainda a assinalar na proximidade um centro hípico e umcampo de golfe, contribuindo para acentuar a vocação desportiva e de lazer de toda a área envolvente, ondecontrasta apenas a ETAR de Paramos.Também as linhas de água que desaguam na lagoa apresentam recorrentemente problemas de poluição.A poluição actual da Barrinha de Esmoriz, assim como os seus problemas de assoreamento, tem efeitospraticamente em toda a sua envolvente, mas as queixas locais acentuam-se a sul, pois a abertura ocasional docanal ao mar é considerada como causa para a poluição das águas marítimas e para o transporte de peixesmortos para a frente de praias no concelho de Esmoriz, com consequência nefastas para o turismo, desde logoimplicando a suspensão da Bandeira azul nestas praias.Não se registam actividades económicas continuadas na lagoa e na sua envolvente, apenas tendo sido referidasocorrências de ocasionais extracções ilegais de areias e de pesca clandestina, mas de forma residual.Esta situação não obsta a que a lagoa se constitua como um ponto de referência local e regional, com elevadaatracção e utilização das suas margens e dos passadiços em madeira que a elas conduzem, quer por norte querpor sul, como áreas de passeio e de observação da natureza, recurso que é considerado em ambas asfreguesias como do maior interesse social e turístico, permitindo organizar e conter o potencial de visitantesatravés do estabelecimento de um circuito de visitas que também potencie os equipamentos a instalar no âmbitoda intervenção Polis Litoral – Ria de Aveiro.1.6. Qualidade do ar1.6.1. Principais fontes de emissãoNa envolvente da área da Barrinha de Esmoriz identificam-se fontes de poluição atmosférica distintas, tais comounidades industriais (nomeadamente as zonas industriais de Estarreja e de Ovar, a Sul), vias de tráfegorodoviário (Auto-estrada A29, Rede Rodoviária Municipal) e de tráfego ferroviário (Linha do Norte).Por outro lado, junto à Barrinha de Esmoriz (lado Norte) localiza-se o Aeródromo de Paramos, utilizado poraeronaves ligeiras e ultraleves, e a Sul, a base Aérea de Ovar (Maceda) utilizada por aeronaves militares.No Quadro 1.6.1 apresentam-se as emissões atmosféricas totais, referentes ao ano de 2007, para algunspoluentes nos concelhos existentes na proximidade da área em estudo (APA, 2010).38/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 40. Quadro 1.6.1 - Emissões atmosféricas dos concelhos na envolvente da Barrinha de Esmoriz Emissões (ton.km-2) Concelho Área (km2) SOx NOx COVNM CO PM10 CO2Vila Nova de Gaia 169 2,4 17,1 27,0 85,1 9,3 4822Espinho 21 2,6 13,9 34,1 78,2 11,2 4181Ovar 147 2,2 6,0 17,2 16,0 5,2 1537Estarreja 108 2,4 8,3 24,9 16,1 19,1 2011Santa Maria da Feira 215 2,7 8,7 20,9 32,7 6,6 2586Oliveira de Azeméis 163 1,4 4,7 18,1 19,7 5,3 988A análise da informação referida no Quadro 1.6.1 permite concluir que se destacam, com emissõesgenericamente mais elevadas, em ton.km-2, os concelhos de Vila Nova de Gaia e Espinho, localizados a Norte daárea em estudo, e Estarreja a Sul. As emissões relacionadas com o tráfego e indústria serão as maispreponderantes nestes resultados.1.6.2. Dados de qualidade do arDe forma a permitir a caracterização da qualidade do ar na zona da Barrinha de Esmoriz, efectuou-se olevantamento de dados obtidos através de estações fixas de medição localizadas na região.As estações de medição de qualidade do ar mais próximas são a de Espinho (Norte), e Estarreja (Sul),pertencentes à Rede de Monitorização da Região Norte e da Região Centro, respectivamente.A estação de medição de Espinho, localizada aproximadamente a 4 km a Norte da Barrinha de Esmoriz, é umaestação localizada em ambiente urbano, e de tráfego, ou seja, com influência directa de emissões de tráfegoautomóvel na qualidade do ar monitorizada.Por outro lado, a estação de medição localizada em Estarreja (cerca de 24 km a Sul da Barrinha de Esmoriz)está classificada como suburbana e de influência industrial, localizando-se a Sul do Complexo Industrial deEstarreja.No Quadro 1.6.2 apresentam-se algumas características das referidas estações de medição da qualidade do ar. Quadro 1.6.2 - Características das estações de medição da qualidade do ar de Espinho e Estarreja Tipo de Tipo de Parâmetros avaliados Zona Estação Ambiente Influência O3 NO2 CO SO2 PM10 PM2.5Zona Norte Litoral Espinho Urbana Tráfego - ✓ ✓ ✓ ✓ -Zona de Influência Estarreja/T Suburbana Industrial ✓ ✓ - ✓ ✓ ✓de Estarreja eixugueiraFonte: www.qualar.orgEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 39/264Relatório (ver.2)
  • 41. Refira-se que para a estação localizada em Espinho, num estudo efectuado em 2009 (Ferreira et al., 2009),foram apontadas algumas limitações em termos de localização e representatividade das respectivas mediçõesdado que a estação se encontra na proximidade de uma bomba de gasolina e sob a influência da chaminé deuma churrasqueira. Encontra-se por isso prevista a desactivação da estação neste local, e a sua transferênciapara outra localização no mesmo concelho, que permita obter dados com outra representatividade (alteraçãopara estação de fundo).Por outro lado, tratando-se de uma estação de tráfego deverá salientar-se que esta avalia principalmente osníveis de poluição devidos ao tráfego automóvel, no local específico em que se situam, pelo que a suaabrangência em termos de representatividade se torna muito reduzida, dada a grande variação, no espaço e notempo, das concentrações dos poluentes.No caso da estação de Estarreja, o facto de se tratar de uma estação do tipo industrial, faz com que os dadospossam igualmente ser pouco representativos da área em estudo.Face à ausência de outras caracterizações mais específicas e representativas da área em estudo, efectua-se atítulo indicativo um resumo dos principais parâmetros estatísticos e legais com base nos dados das duasestações.Os dados referentes ao SO2, apresentados no Quadro 1.6.3 permitem constatar que este não é um poluenteproblemático, havendo cumprimento dos requisitos legais nas duas estações. Nas medições efectuadas emEstarreja as concentrações são genericamente mais elevadas que em Espinho, comprovando-se a influência dasemissões industriais nas concentrações. As ultrapassagens do valor limite horário em 2008 não representamincumprimento uma vez que ocorreram em número inferior ao permitido. Quadro 1.6.3 - Parâmetros estatísticos para o SO2 nas estações de Espinho e Estarreja Valor limite horário Valor limite diário Eficiência Máximo Máximo SO2 protecção da protecção da Limiar de Alerta dos dados horário diário saúde humana saúde humana Ano Nº ocorrências Nº ocorrências Nº ocorrência Estação (%) (µg.m-3) (µg.m-3) >500 µg.m-3, 3 h >350 µg.m-3(*) >125 µg.m-3(**) consec. 2007 100 50 7 0 0 0 Espinho 2008 99 23 6 0 0 0 2009 100 30 10 0 0 0 2007 93 178 63 0 0 0Estarreja 2008 73 509 79 3 0 0 2009 95 111 44 0 0 0Nota: dados a vermelho referem-se a ultrapassagem dos valores limite.(*) – Valor a não exceder mais de 24 vezes em cada ano civil.(**) – Valor a não exceder mais de 3 vezes em cada ano civil.No Quadro 1.6.4, identificam-se alguns dados relacionados com as medições de NO2, concluindo-se igualmenteque não existem situações de incumprimento para este parâmetro nas duas estações consideradas.40/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 42. Quadro 1.6.4 - Parâmetros estatísticos para o NO2 nas estações de Espinho e Estarreja Valor limite horário Valor limite anual Eficiência NO2 Máximo horário para protecção da para protecção da Limiar de Alerta dos dados saúde humana saúde humana Ano Nº ocorrências Nº ocorrências Média anual <40+MT Estação (%) (µg.m-3) >400 µg.m-3, 3 h >200+MT µg.m-3 (*) µg.m-3(**) consec. 2007 100 174 0 33 0 Espinho 2008 100 132 0 29 0 2009 99 132 0 29 0 2007 92 117 0 21 0 Estarreja 2008 90 161 0 20 0 2009 96 180 0 21 0(*) – Valor a não exceder mais de 18 vezes em cada ano civil, sendo a Margem de Tolerância (MT) variável de acordo com o ano(30 µg.m-3 em 2007, 20 µg.m-3 em 2008, 10 µg.m-3 em 2009).(**) – Margem de Tolerância (MT) variável de acordo com o ano (6 µg.m-3 em 2007, 4 µg.m-3 em 2008, 2 µg.m-3 em 2009).Para as partículas em suspensão (PM10) efectua-se no Quadro 1.6.5, a síntese de alguns parâmetros estatísticose requisitos legais existentes para este poluente. Pela análise dos dados confirma-se que este é um poluenteproblemático, havendo incumprimento de requisitos legais nas duas estações. Quadro 1.6.5 - Parâmetros estatísticos para as PM10 nas estações de Espinho e Estarreja Valor limite diário Valor limite anual para Eficiência Máximo Máximo PM10 para protecção da protecção da saúde dos dados horário diário Ano saúde humana humana Nº ocorrências Média anual Estação (%) (µg.m-3) (µg.m-3) >50 µg.m-3 (*) <40µg.m-3 (**) 2007 99 290 120 127 44 Espinho 2008 98 458 135 69 37 2009 99 402 189 91 40 2007 95 194 128 78 38 Estarreja 2008 92 208 120 40 32 2009 96 149 89 39 30Nota: dados a vermelho referem-se a ultrapassagem dos valores limite.(*) – Valor a não exceder mais de 35vezes em cada ano civil.(**) – Médias diárias.A avaliação do ozono não é efectuada na estação de Espinho pelo que os dados apresentados se referemapenas à estação localizada em Estarreja. Nos dados avaliados (Quadro 1.6.6) verifica-se a ocorrência de váriasultrapassagens do nível de informação, tratando-se de um nível acima do qual é necessário a divulgação horáriaactualizada das concentrações registadas, uma vez que exposições de curta duração acarretam riscos para asaúde humana de grupos particularmente sensíveis da população, tais como crianças, idosos, asmáticos/alérgicos e indivíduos com outros problemas respiratórios.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 41/264Relatório (ver.2)
  • 43. Quadro 1.6.6 - Parâmetros estatísticos para o O3 na estação de Estarreja Eficiência dos Máximo O3 Limiar de Informação Limiar de Alerta dados horário Ano Nº ocorrências Nº ocorrências Estação (%) (µg.m-3) >180 µg.m-3 >240 µg.m-3 2007 91% 194 3 0 Estarreja 2008 85% 205 8 0 2009 81% 200 4 0Nota: dados a vermelho referem-se a ultrapassagem dos valores limite.1.6.3. Considerações finaisConclui-se, com base nas medições das estações de Estarreja e Espinho, que os poluentes mais problemáticosem termos de qualidade do ar nesta região são o ozono e as partículas em suspensão.Apesar das limitações relativas à representatividade dos dados das duas estações de medição consideradas, éexpectável que os problemas de qualidade do ar identificados ocorram igualmente na área em estudo.A extrapolação destas conclusões para a área da Barrinha de Esmoriz, é baseada no facto de os incumprimentosna qualidade do ar, para as partículas e ozono, representarem um fenómeno de escala regional, englobandodessa forma a região em estudo.Refira-se que em várias estações de medição da Região Norte, tal como noutras regiões do país, têm sidodetectadas situações de incumprimento nos referidos poluentes, que têm levado ao desenvolvimento eimplementação de planos de melhoria para a qualidade do ar.1.7. Habitats, vegetação e faunaNo capítulo 4 apresenta-se a caracterização e avaliação da flora e vegetação, habitats naturais e fauna.Genericamente, os principais aspectos abordados neste capítulo incluem:  identificação das formações vegetais da área de estudo e análise da sua evolução;  identificação das espécies da flora com valor conservacionista;  caracterização dos habitats naturais e avaliação do seu estado de conservação;  caracterização dos biótopos e das comunidades faunísticas (vertebrados), incluindo ictiofauna, herpetofauna, avifauna e mamofauna, e identificação das espécies da fauna com valor conservacionista.No capítulo 6 são também analisados elementos biológicos, designadamente fitoplâncton, flora aquática(macrófitas), macroinvertebrados bentónicos e fauna piscícola.Nos subcapítulos seguintes (1.7.1, 1.7.2 e 1.7.3) apresenta-se um enquadramento da análise efectuada noscapítulos 4 e 6 e um resumo dos resultados obtidos (subcapítulo 1.7.4).42/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 44. 1.7.1. Área de estudoA área de estudo está inserida no SIC Barrinha de Esmoriz. Embora fazendo parte deste SIC, a área de estudo éum pouco menor, centrando-se sobretudo na zona húmida da Barrinha e no cordão dunar adjacente(Figura 1.7.1). Figura 1.7.1 - Localização da área de estudo face ao SIC Barrinha Esmoriz1.7.2. Estatutos de classificaçãoA Barrinha de Esmoriz foi incluída no inventário de zonas húmidas publicado em 1994 (Farinha & Trindade, 1994)sendo na altura descrita como uma lagoa costeira de média dimensão, circundada de vegetação ripícola ebancos de lodo, comunicando com o mar por um estreito canal. É rodeada por áreas de pinhal, dunas litorais,terrenos agrícolas e construções.No ano 2000, a sua importância em termos de conservação da natureza foi reconhecida ao ser incluída na ListaNacional de Sítios propostos para integrar a Rede Natura 2000. A área de estudo faz agora parte integrante doEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 43/264Relatório (ver.2)
  • 45. SIC Barrinha de Esmoriz (código PTCON0018) da Rede Natura 2000 (Portaria n.º 829/2007, de 1 de Agosto) eda Área Importante para as Aves (IBA, do inglês Important Bird Area) Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos.1.7.2.1. Rede Natura 2000Em termos de habitats, o PSRN2000 (RCM n.º 115-A/2008, de 21 de Julho) destaca a presença dos habitats‘Laguna costeira de água salobra (1150*pt1)’ o qual é originado pela deposição de areia junto à foz de umapequena linha de água, com a formação de um cordão dunar que é aberto sazonalmente, ocorrendo renovaçãoda água, e ‘Floresta sub-higrófila de árvores caducifólias (91F0)’.Segundo a ficha do SIC Barrinha de Esmoriz, constante do PSRN2000, neste Sítio ocorrem 11 habitats naturaise seminaturais constantes do Anexo B-I do DL n.º 140/99, de 24 de Abril, alterado pelo DL n.º 49/2005, de 24 deFevereiro (transpõe para o direito nacional a Directiva Aves, Directiva do Conselho n.º 79/409/CEE, e a DirectivaHabitats, Directiva do Conselho n.º 92/43/CEE) (Quadro 1.7.1). Quadro 1.7.1 - Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I do DL n.º 140/991150* Lagunas costeiras1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela maré1320 Prados de Spartina (Spartinion maritimae)1330 Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae)2110 Dunas móveis embrionárias2120 Dunas móveis do cordão litoral com Estorno (Ammophila arenaria) («dunas brancas»)2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas»)6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-Holoschoenion91E0* Florestas aluviais de Amieiro (Alnus glutinosa) e freixo-europeu (Fraxinus excelsior) (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)91F0 Florestas mistas de carvalho (Quercus robur), Ulmus laevis, ulmeiro (Ulmus minor), freixo-europeu (Fraxinus excelsior) ou freixo (Fraxinus angustifolia) das margens de grandes rios (Ulmenion minoris)92A0 Florestas galerias de salgueiro-branco (Salix alba) e choupo-branco (Populus alba)* Habitats prioritáriosNo que respeita à espécies mais importantes presentes neste SIC, destaca-se, no caso da flora, a presença deJasione lusitanica, um endemismo ibérico constante dos Anexos B-II e B-IV do DL n.º 140/99. Ocorre nos areaisdo litoral Noroeste e, devido à sua reduzida e fragmentada área de ocupação, encontra-se significativamenteameaçada. Em Portugal apenas ocorre em mais um SIC (Litoral Norte).No caso da fauna, destaca-se a ocorrência de Lampetra planeri (lampreia-de-riacho), sendo este um dos poucoslocais de ocorrência confirmada da espécie.Para além destas, o Plano Sectorial refere ainda a presença nesta área da orquídea Spiranthes aestivalis (AnexoB-IV do DL n.º 140/99) e do anfíbio Discoglossus galganoi (rã-de-focinho-pontiagudo) (Anexos B-II e B-IV).No entanto, sobre o SIC Barrinha de Esmoriz recaem diversos factores de ameaça que provocam a degradaçãode grande parte dos habitats protegidos aí presentes:44/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 46.  pressão turística (pisoteio das dunas);  pressão urbanística e infra-estruturação turística (campo de golfe);  poluição dos cursos de água que desaguam na lagoa (descarga de efluentes industriais e agrícolas não tratados);  obras de protecção costeira;  invasão por espécies exóticas: Acacia sp. (acácia) e Carpobrotus sp. (chorão);  extracção ilegal de areias;  trânsito de maquinaria pesada.A frequente desobstrução do canal de ligação da Barrinha ao mar, embora permita o escoamento de poluentes,pode pôr em causa a sua integridade, quer seja pelo tipo de intervenção (processos mecânicos) quer seja pelasvariações bruscas do nível da água e da salinidade.As orientações de gestão para a conservação desta zona húmida costeira são prioritariamente dirigidas para apreservação da lagoa e dos ecossistemas dunares. O PSRN2000 propõe:  melhorar a qualidade da água - a despoluição da Barrinha e das linhas de água deve ser efectuada em concomitância com o tratamento dos efluentes industriais a montante;  dragagem e abertura da barra - devem ser previamente sujeitas a uma avaliação de impacte ambiental que permita planificar uma futura gestão do Sítio;  recuperar o sistema dunar, assegurando a sua preservação através do ordenamento de acessos pedonais e da interdição do acesso a veículos;  recuperar a vegetação ripícola das margens da lagoa e eliminar as espécies exóticas infestantes.No Quadro 1.7.2 detalham-se as orientações de gestão preconizadas para o SIC Barrinha de Esmoriz tendo emconta os valores naturais alvo. Quadro 1.7.2 - Detalhe das orientações de gestão com referência aos valores naturais Valores naturais Orientações Habitats Espécies Lampetra planeriMonitorizar, manter/Melhorar qualidade água 1150*, 1320, 1330 (lampreia-de-riacho)Regular dragagens e extracção de inertes 1150*, 1210, 1320, 2110, 2120, 2130* Lampetra planeri Jasione lusitanicaInterditar deposições de dragados ou outros aterros 1150* Lampetra planeriCondicionar drenagem 1150*, 6420, 91E0*Conservar/recuperar cordão dunar 2110, 2120, 2130* Jasione lusitanicaOrdenar acessibilidades 1150*, 1210, 2110, 2120, 2130* Jasione lusitanicaOrdenar actividades de recreio e lazer 2110, 2120, 2130*Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 45/264Relatório (ver.2)
  • 47. Valores naturais Orientações Habitats EspéciesImpedir introdução de espécies não autóctones/controlar as 1330, 2120, 2130*, 91F0 Lampetra planeriexistentesCondicionar a construção de infra-estruturas 1210, 2110, 2120, 2130* Jasione lusitanicaCondicionar expansão urbano-turística Jasione lusitanicaConservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone Lampetra planeriCondicionar intervenções nas margens e leito de linhas de água 91E0*, 91F0, 92A0 Lampetra planeriManter/recuperar habitats contíguos 91E0* Lampetra planeriInterditar a pesca ou apanha por artes ou métodos que revolvam 1150*, 1320 Lampetra planerio fundoOrdenar prática de desporto da natureza Lampetra planeriCondicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas alternativas 1150* Lampetra planeriem áreas contíguas ao habitatAdoptar práticas silvícolas específicas 91E0*, 92A0Promover a regeneração natural 91E0*Reduzir o risco de incêndio 91E0* Lampetra planeriFonte: PSRN2000/SIC Barrinha Esmoriz1.7.2.2. Áreas Importantes para as AvesAs IBA são áreas com importância para a conservação das aves à escala global. A escolha das IBA seguecritérios compatíveis com os princípios de criação das Zonas de Protecção Especial previstos no DL n.º 140/99.Estes critérios são idênticos em todo o mundo e permitem estabelecer uma rede de áreas de valorcientificamente reconhecido. Uma das principais razões para a designação de IBA em Portugal prende-se com aocorrência de espécies ameaçadas ao nível global.Neste contexto foi criada a IBA Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, cujo limite coincide com o do SICBarrinha de Esmoriz.Tratando-se de uma lagoa costeira que apresenta uma cintura de vegetação palustre (caniçal) e ripícola bemdesenvolvida, assume grande importância para os passeriformes migradores transsarianos, particularmentedurante a migração outonal.Segundo a ficha da IBA (disponível em http://www.spea.pt/IBA/ibas/36.html), a Barrinha alberga algumasespécies de aves com grande valor conservacionista constantes do Anexo A-I do DL n.º 140/99. Entre asespécies que ocorrem nesta IBA destaca-se:  Ixobrychus minutus (Garça-pequena) (Nidificante/1996);  Ardea purpurea (Garça-vermelha) (Presente/1996);  Circus aeruginosus (Tartaranhão-ruivo-dos-pauis) (Residente/1999);  Himantopus himantopus (Perna-longa) (Nidificante/1996);46/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 48.  Luscinia svecica (Pisco-de-peito-azul) (Invernante/1996).Em virtude da comunicação com o mar não ser permanente (ver ponto seguinte), verificam-se algumasflutuações importantes do nível da água, que podem prejudicar as aves que nidificam na Barrinha.1.7.3. Funcionamento hidrodinâmicoA Barrinha de Esmoriz comunica com o mar de forma intermitente em resultado da abertura periódica da suabarra localizada imediatamente a norte da Praia de Esmoriz. A abertura e fecho do canal dependem da acção domar e/ou da intervenção humana, neste caso com recurso a meios mecânicos. Depois de aberta, ao fim dealgum tempo a barra acaba por fechar, principalmente devido ao efeito das correntes oceânicas,predominantemente de norte.Desta forma, a zona da embocadura encontra-se sujeita a uma intensa geodinâmica natural e artificial.O progressivo e acentuado assoreamento da Barrinha por materiais sólidos a partir das suas duas baciastributárias, agravado com a frequente obstrução da embocadura conduziu à diminuição da sua área líquida e àimpossibilidade de funcionamento natural da Barrinha. Mesmo nos períodos em que é estabelecida acomunicação com o mar o prisma de maré é diminuto devido às elevadas cotas do fundo da lagoa. Pode-seentão concluir que a Barrinha de Esmoriz se encontra num processo de extinção natural, embora lento, devido àpequena dimensão da sua bacia hidrográfica (Hidro4 & Ecossistema, 1994).Durante a maior parte do tempo, a Barrinha de Esmoriz funciona como uma lagoa interior de água doce, semcomunicação com o mar. Nestas condições o nível de água no interior da Barrinha resulta do equilíbrio entre(Hidro4 & Ecossistema, 1994):  Caudais afluentes de montante (ribeira de Paramos e Vala de Maceda);  Perdas por evaporação;  Perdas por percolação através do cordão dunar.Nesta situação o nível da água mantém-se entre as cotas 1,5 m e 2,0 m atingindo excepcionalmente 2,5 m, a quecorrespondem áreas inundadas entre 18,8 ha e 86,4 ha (ECOSSISTEMA, 2004).Em determinados momentos procede-se à abertura artificial da Barrinha para o mar abrindo um canal com rastosensivelmente à cota de 1 m. Para esta situação o nível da água no interior da Barrinha mantém-se entre 1,10 e1,20 m a que correspondem áreas inundadas de 3,8 a 5,4 ha, sendo a variação de níveis praticamenteimperceptível para as marés mortas e médias. Para as marés vivas verifica-se que o nível máximo no interior daBarrinha atinge a cota 1,52 m ocorrendo um volume muito significativo de água salgada que entra na Barrinha(cerca de 7 vezes o volume de água retido na Barrinha em condições de maré morta ou de maré média, com aembocadura aberta) (ECOSSISTEMA, 2004).Naturalmente, a separação entre a Barrinha e o mar era estabelecida por um cordão dunar cuja ruptura,ocorrendo preferencialmente para sul, era/é provocada sazonalmente pela acção conjunta dos caudais afluentesà Barrinha e pelas correntes marinhas que erodem a duna, abrindo a Barrinha ao mar.A abertura/fecho da Barrinha ao mar, podendo ocorrer naturalmente, é fortemente condicionada pelos interessessócio-económicos na costa adjacente.Tendo em conta que as águas da Barrinha se encontram muito deterioradas (ver subcapítulo 6.1.2) devido aosefluentes não tratados que são descarregados nas linhas de água afluentes, sobretudo na ribeira de Paramos,Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 47/264Relatório (ver.2)
  • 49. durante o período balnear é mantido o fecho artificial da Barrinha com o objectivo das águas poluídas nãochegarem às praias adjacentes, nomeadamente à praia de Esmoriz.O fecho artificial mais ou menos prolongado da Barrinha, que provoca a subida da água no interior da laguna, émantido por acção de um dique fusível (Figura 1.7.2) e de um reforço das areias do cordão dunar na zonaadjacente que ao longo dos últimos anos se foi degradando intensamente (Figura 1.7.3).Após a época balnear, caso a Barrinha não abra naturalmente, procede-se à sua abertura com recurso amaquinaria pesada. No presente ano (2010), a abertura da Barrinha, após o período balnear, ocorreu durante aprimeira semana de Outubro (Figura 1.7.4). Figura 1.7.2 - Dique fusível fechado artificialmente48/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 50. Figura 1.7.3 - Trabalhos de reforço da barreira artificial da zona adjacente ao dique fusível Figura 1.7.4 - Dique fusível aberto (Outubro, 2010)Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 49/264Relatório (ver.2)
  • 51. 1.7.4. Resumo dos resultados obtidosNa área de estudo destacam-se duas grandes unidades de vegetação natural bem diferenciadas: vegetaçãohigrófita e helófita, associada à zona lagunar e a depressões húmidas e vegetação xero-psamófila, das dunas eareias litorais. Complementarmente, surgem diversas formações de cariz antropogénico, de reduzido interesse.Indicam-se em seguida as formações vegetais identificadas, indicando-se, quando aplicável, os habitatsconstantes do anexo B-I do DL n.º 140/99 nelas incluídos:  Vegetação higrófita e helófita associada à zona lagunar e valas afluentes  Salgueirais e amiais (inclui o habitat 91E0*)  Caniçais  Juncais (inclui o habitat 1330)  Formações graminóides de baixo e médio porte (dois tipos, de Spartina versicolor - espécie exótica invasora, ver abaixo -, de Echinochloa crus-galli (Milhã-pé-de-galo))  Vegetação xero-psamófila das dunas e areais litorais  Vegetação litoral de praia e dunas móveis (inclui os habitats 1210, 2110 e 2120)  Vegetação de dunas penestabilizadas e estabilizadas (inclui o habitat 2130*)  Vegetação arbórea de espécies silvícolas  Eucaliptal  Choupal  Vegetação exótica invasora  Acacial  Formação graminóide de médio porte de Spartina versicolor  Formações com elevada influência antropogénica  Comunidades ruderais  Comunidades associadas aos campos agrícolas (zona nascente da área de estudo)Refira-se que uma parte considerável da área de estudo não possui qualquer tipo de vegetação vascularsuperior, nomeadamente a praia, os lodaçais e areais a descoberto na maré baixa, as zonas depressionáriassempre cobertas de água e o plano de água.A evolução do coberto vegetal da área de estudo, comparando a situação actual com a situação no ano de 1994foi no sentido de um empobrecimento da riqueza e da qualidade ecológica da área.Relativamente às espécies da flora com valor conservacionista, das duas espécies referidas para o SIC Barrinhade Esmoriz, Jasione maritima var. sabularia e Spiranthes aestivalis, foi confirmada a presença da primeira, nazona dunar (duna cinzenta).50/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 52. Quanto aos habitats do anexo B-I do DL n.º 140/99 presentes, verificou-se que actualmente não existem osseguintes habitats indicados no PSRN2000 para o SIC Barrinha de Esmoriz (ver Quadro 1.7.1): 1320, 6420, 91F0e 92A0. Identificou-se, ainda, um habitat que o PSRN2000 não refere, o habitat Lodaçais e areais a descobertona maré baixa, com o código 1140. Os habitats mais representados, em termos de área, são a Laguna costeira(1150*), com cerca de 24 ha, seguindo-se-lhe os Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa (1140), comcerca de 20 ha. O estado de conservação dos habitats identificados é, maioritariamente, desfavorável.Os biótopos identificados do ponto de vista da utilização pela fauna correspondem, genericamente, às formaçõesvegetais acima listadas, sendo o caniçal o que ocupa maior área, com 60,3 ha, seguido das áreasagrícolas/urbanas, com 35,6 ha (os restantes biótopos têm áreas inferiores a 26 ha).Relativamente à ictiofauna, deverão ocorrer 14 espécies na área de estudo, das quais quatro são exóticas.Destacam-se, devido ao seu estatuto de conservação desfavorável, a lampreia-de-riacho (Lampetra planeri), aenguia-europeia (Anguilla anguilla) e a lampreia-marinha (Petromyzon marinus). Nos levantamentos de camporealizados no âmbito do presente estudo apenas uma espécies foi capturada no canal central (à data dascolheitas, a Barrinha estava aberta ao mar), a tainha-de-salto (Liza saliens), espécie adaptada a águas salobrase salgadas. Nas duas linhas de água afluentes a diversidade foi maior. As espécies nativas ocorrem em baixasdensidades quando comparadas com as espécies exóticas. Os levantamentos decorreram num período de fortedesequilíbrio das condições ecológicas, uma vez que a Barrinha tinha sido aberta ao mar recentemente e haviaocorrido há poucos dias entrada de água do mar em virtude de uma tempestade. Ainda assim, foi possívelconcluir que o estado ecológico da Barrinha de Esmoriz para a ictiofauna é medíocre.Quanto à herpetofauna, estima-se que, potencialmente, possam ocorrer na área 13 espécies de anfíbios e 8espécies de répteis. Destacam-se, pelo estatuto de conservação desfavorável e/ou pelo estatuto de protecção, otritão-palmado (Triturus helveticus), a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), o lagarto-de-água(Lacerta schreiberi) e a lagartixa de Carbonell (Podarcis carbonelli).As aves constituem o grupo faunístico mais representativo da Barrinha de Esmoriz, em termos de diversidade ede importância conservacionista. Foram contabilizadas, através de trabalho de campo e de pesquisabibliográfica, 129 espécies de ocorrência regular, consistindo em espécies residentes e migradoras estivais,invernantes e de passagem, e 33 de ocorrência ocasional ou rara. Destacam-se três espécies devido ao seuestatuto de ameaça e de protecção e por se reproduzirem na área de estudo: garça-pequena (Ixobrychusminutus), tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus) e garça-vermelha (Ardea purpurea). Todas dependemdo biótopo caniçal para se reproduzir.Para além do importante grupo de espécies de aves que se reproduzem na Barrinha, destaca-se a ocorrência deum conjunto de espécies (sobretudo limícolas) que ocorrem em períodos de migração e no Inverno, procurandoalimento nos lodaçais e areais a descoberto na maré baixa e na zona de comunicação da Barrinha com o mar.Apesar de, em geral, o número total de indivíduos observado ser reduzido, a diversidade é elevada.No que respeita aos mamíferos as espécies que ocorrem na área de estudo são espécies cosmopolitas, bemadaptadas à presença humana, não ocorrendo mamíferos de grande porte nem espécies particularmentesensíveis. Destaca-se, no entanto a potencial presença de três espécies de morcegos, uma dos quais comestatuto de conservação desfavorável, o morcego-rato-grande (Myotis myotis).Relativamente ao fitoplâncton, o material biológico encontrado na coluna de água nos dois pontos de colheita nointerior da Barrinha é uma mistura de organismos provenientes dos afluentes, que não são verdadeirosplanctontes, com escassos organismos do plâncton marinho. A escassez de organismos fitoplanctónicos deveráestar relacionada com a situação de abertura recente da Barrinha e de salinidade relativamente elevada existenteno momento da colheita. Não foi, assim, possível fazer uma avaliação da qualidade da água no interior daBarrinha com base neste grupo. O material encontrado na ribeira de Paramos denuncia um grau elevado a muitoEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 51/264Relatório (ver.2)
  • 53. elevado de poluição, pelo menos de natureza orgânica. Os organismos presentes nas amostras de água da valade Maceda sugerem um grau fraco a moderado de poluição orgânica, ressalvando-se a incerteza que resulta denão se saber a que distância para montante se formaram as comunidades que dão origem aos organismosarrastados.Quanto às macrófitas, foram recenseadas 42 espécies, verificando-se uma diferença nítida entre os pontoslocalizados no interior da laguna e os das valas afluentes. No interior da laguna apenas se recensearam cincoespécies. A amostragem decorreu após um longo período de submersão das comunidades (Barrinha fechada aomar), pelo que as espécies dominantes são helófilas de médio e alto porte, nomeadamente junco-das-esteiras(Juncus maritimus) e caniço (Phragmites australis). No que respeita à vegetação hidrófita, verificou-se a sua totalausência nos locais amostrados. Na ribeira de Paramos, a espécie dominante é o caniço. Na vala de Macedadominam as espécies exóticas austrália (Acacia melanoxylon) e erva-da-fortuna (Tradescantia fluminensis),seguindo-se-lhes a silva (Rubus ulmifolius). A composição florística actual encontra-se muito degradada emrelação ao que seria a vegetação potencial e pobre quer em espécies quer estruturalmente; considera-se, assimque, do ponto de vista da flora aquática, a Barrinha de Esmoriz apresenta um estado ecológico medíocre.Em termos de macroinvertebrados bentónicos, a Barrinha de Esmoriz é um sistema extremamente pobre.Apenas foram recenseados três taxa em oito locais de amostragem. O mais abundante e frequente e englobandopraticamente a totalidade da biomassa foi o insecto quironomídeo Chironomus riparius. Esta espécie é típica dezonas poluídas. Estes factos, juntamente com a granulometria dos sedimentos e o seu teor em matéria orgânicaapontam, por um lado, para a influência da água doce (a Barrinha estava fechada aquando da amostragem) e,por outro, para uma deficiente oxigenação e contaminação dos sedimentos. Conclui-se, assim, que,relativamente à componente dos macroinvertebrados bentónicos, a Barrinha de Esmoriz apresenta um estadoecológico mau.1.8. Paisagem1.8.1. IntroduçãoA presente caracterização paisagística teve por base a informação contida no EIA do Desassoreamento daBarrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos – 1ª Fase, de Janeiro de 1995 e, mais concretamente, no Anexo 8 –Estudo da Paisagem, de Outubro de 1994. Esta informação foi pontualmente rectificada/actualizada, no que serefere ao uso actual do solo e ao estado geral da vegetação, com recurso a reconhecimento de campo, recolhade bibliografia temática e análise de fotografia aérea de Outubro de 2009.De acordo com o estudo “Contributos para a Identificação e Caracterização da paisagem em PortugalContinental” da DGOTDU (2004) a Barrinha de Esmoriz fica integrada na Unidade de Paisagem “Ria de Aveiro eBaixo Vouga” que corresponde a “uma paisagem húmida, plana e aberta (…)”, em que “(…) há que mencionarsignificativas zonas agrícolas intensamente compartimentadas, bem como as dunas e pinhais ao longo doextenso cordão arenoso que separa a ria do oceano”.52/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 54. 1.8.2. Análise fisiográficaA laguna de Esmoriz fica localizada numa zona aplanada e arenosa, ligeiramente depressionária, cujas cotasvariam sensivelmente entre os 0 e os 8 m (ver Figura 1.8.1). Encontra-se delimitada: a poente pelo estreito edegradado cordão dunar que se desenvolve paralelamente à costa (modesta elevação com cotas inferiores a10 m que corresponde aos vestígios da duna primária); a nascente por uma encosta muito suave que se elevaprogressivamente no sentido poente-nascente até Paramos, Espinheira e Gondosende (cotas de 70 a 100 m); ea norte e a sul pela continuação da plataforma arenosa. Dada a inclinação geral do território em direcção ao mar,as exposições solares dominantes são ao quadrante oeste, embora, na área de estudo, dada a planura e relativauniformidade do relevo, a exposição solar seja, sob o aspecto micro-climático, pouco significativa.A lagoa, com uma superfície alagada variável, tem ligação intermitente ao oceano através de um canal estreito euma barra temporária. “A água que constitui a parte alagada desta lagoa provém essencialmente de dois ribeirosque aqui desaguam: ribeira de Paramos ou ribeira de Rio Maior, do lado de Espinho e Vala de Maceda ou rioLambo, do lado de Esmoriz. A água da chuva, do lençol freático e do mar, contribuem também para amanutenção desta superfície alagada (…)” (Quercus, 1995).As referidas ribeiras apresentam um curso de orientação predominante nascente/poente e sudeste/noroeste. Nosrespectivos troços terminais, a orientação é norte/sul para a ribeira de Paramos e sul/norte para a vala deMaceda. Os festos principais acompanham, na área em estudo, a orientação das duas principais linhas de águareferidas.É esta diversidade de habitats que torna a Barrinha de Esmoriz uma das zonas húmidas mais ricas do litoral, anorte da Ria de Aveiro.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 53/264Relatório (ver.2)
  • 55. Figura 1.8.1 - Hipsometria / Fisiografia (escala 1:50.000) Fonte: EIA do Assoreamento da Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos (1995)54/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 56. 1.8.3. Uso actual do soloA carta de uso do solo de 1995 foi actualizada, conforme referido anteriormente, encontrando-se representada naFigura 1.8.3. Para facilitar a sua leitura, optou-se por se manter as designações/classes e algumacorrespondência de cores com a figura original de 1995.A zona normalmente inundada da Barrinha de Esmoriz encontra-se envolvida por densos caniçais e juncais (verFigura 1.8.2), vegetação característica das zonas húmidas. Para norte é possível observar áreas de matos evegetação rasteira espontânea degradada, interrompidas por diversos caminhos e por equipamentos, dentro dosquais se destacam os seguintes: a pista de Paramos (Aeroclube da Costa Verde), a ETAR de Espinho (emfuncionamento desde 1998) e o Quartel do Regimento de Engenharia n.º 3 de Espinho (todos a norte), bem comoo parque de campismo e a antiga ETAR de Esmoriz (a sul da lagoa). A cidade de Espinho fica, por sua vez,localizada a cerca de 2,7 km para norte da Barrinha de Esmoriz. Figura 1.8.2 - Vegetação característica das margens de uma lagoa Fonte: Município de V. N. Gaia (2008)A poente da lagoa são ainda observáveis os vestígios do cordão dunar, actualmente muito degradado edeficientemente revestido com vegetação. Este cordão dunar é seguido por uma faixa de areia, de larguravariável, correspondente à praia. Imediatamente a nascente da embocadura (barra) da lagoa subsiste algumarvoredo, essencialmente pinheiros, mas que tem vindo a ser invadido por acácias.Adjacente à lagoa, para sul, é possível observar uma extensa área de estacionamento informal e um campo defutebol em terra batida. Continuando para sul, após o maciço arbóreo, pode observar-se uma extensa áreahabitacional numa área de antiga duna que terá sido anteriormente ocupada por pinhal. Para sul da Barrinha deEsmoriz, o cordão dunar é praticamente inexistente dada a urbanização massiva, sendo quase imperceptível naleitura da paisagem. A mancha urbana prolonga-se para sul, densificando-se, de forma contínua até ao centro deEsmoriz, a cidade mais próxima da Barrinha.Mais para nascente, em direcção à linha de caminho de ferro, surge uma área agrícola pontuada por pequenosnúcleos arbóreos e algumas casas. Estas construções concentram-se sobretudo ao longo das principais vias decomunicação (com destaque para a linha de caminho de ferro) e em torno da estação de Esmoriz.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 55/264Relatório (ver.2)
  • 57. Figura 1.8.3 - Uso actual do solo (2010)56/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 58. 1.8.4. Análise visualA Barrinha constitui uma bacia visual (ver Figuras 1.8.4 e 1.8.5) cujos limites são constituídos pelo cordão dunar(a poente), pela plataforma arenosa com instalações militares e outras construções (a norte), pelo pinhal,estacionamento e lotes urbanos (a sul) e pela área agrícola pontuada com edifícios (a nascente).Destacam-se pelo seu elevado interesse paisagístico, visual e ecológico a área da barrinha e a lagunapropriamente dita, mas também a sua envolvente imediata com caniçal, juncal e vasas lodosas e arenosas.Também a zona dunar, embora bastante degradada, apresenta algum interesse cénico. Figura 1.8.4 - Bacia visual da Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos representada num perfil-tipo Fonte: EIA do Assoreamento da Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos (1995)Em termos de vistas salientam-se alguns caminhos e pontos (assinalados na Figura 1.8.5 como locais de maiorvisibilidade), a partir dos quais é possível obter amplas panorâmicas sobre o plano de água e zona húmidaadjacente. Há ainda a referir o relativo interesse de algumas vistas para o oceano, as zonas de pinhal e oscampos agrícolas.Como aspectos visuais negativos referem-se a construção em cordão dunar e em mata/pinhal, as instalaçõesmilitares a norte e as instalações desportivas a sul. Como degradações mais evidentes destacam-se o mauestado da vegetação dunar, a invasão do acacial e a existência de lixos e entulhos na barrinha.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 57/264Relatório (ver.2)
  • 59. Figura 1.8.5 - Análise visual (a cor-de-rosa indicam-se as fotografias de 2010)Fonte: EIA do Assoreamento de Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos (1995)58/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 60. Fotografia 1 - Canal de ligação entre a lagoa e o mar Fotografia 2 - Panorâmica da barrinha para montante (vendo-se os pilares da antiga ponte)Fotografia 3 - Caminho de acesso ao cordão dunar a norte da Fotografia 4 - Vista para sul a partir da extrema norte da laguna (destaque para as acácias) laguna (vendo-se a barrinha) Fotografia 5 - Vegetação das dunas em bom estado Fotografia 6 - Cordão dunar (duna cinzenta) em estado degradadoEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 59/264Relatório (ver.2)
  • 61. 1.8.5. Sub-unidades de paisagemTendo em consideração os aspectos fisiográficos e de uso actual do solo anteriormente descritos, bem como aanálise visual, é possível distinguir as sub-unidades de paisagem que se passam a enunciar, relacionadasessencialmente com os usos dominantes e habitats observados:  a praia, cordão dunar e dunas arenosas;  a Barrinha de Esmoriz e zonas húmidas envolventes;  a mata / pinhal e maciços arbóreos;  os campos agrícolas;  as áreas urbanizadas.Destas sub-unidades há que referir que apenas as áreas urbanizadas se encontram em franca expansão. Asrestantes, com especial destaque para a “praia, cordão dunar e dunas arenosas” encontram-se em regressão porabandono (mata / pinhal e campos agrícolas), uso excessivo (dunas) ou falta de protecção efectiva (lagoa eáreas envolventes).1.9. Património culturalNa área de intervenção (ou na sua envolvente imediata) não existe qualquer monumento, conjunto ou sítioclassificado ou em vias de classificação.A base de dados “Endovélico” (património arqueológico), do IGESPAR – Instituto de Gestão do PatrimónioArquitectónico e Arqueológico, não contém referência a qualquer sítio arqueológico na área de intervenção.Também a base de dados de património do IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana não contémqualquer referência a elementos patrimoniais na área de intervenção.Merece apenas referência a existência dos dois encontros da antiga ponte que atravessava o canal da Barrinhade Esmoriz (Figura 1.9.1).60/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 62. Figura 1.9.1 - Encontros da antiga ponteO EIA de 1994/95 (p. 41 do Relatório Síntese) refere a possibilidade de ocorrência de vestígios, em particularrelacionados com arqueologia náutica, tais como restos de embarcações ou de armações de pesca.Aquele EIA refere ainda o eventual interesse paleoecológico da formação lagunar que poderá ser destruído pelasdragagens, propondo – caso se confirme esse interesse – a obtenção de colunas não perturbadas do perfilsedimentar para estudo posterior.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 61/264Relatório (ver.2)
  • 63. 62/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 64. 2. EVOLUÇÃO MORFOLÓGICA HISTÓRICA E TAXAS DE SEDIMENTAÇÃO2.1. IntroduçãoNo presente capítulo pretende-se fazer uma caracterização da evolução morfológica histórica da Barrinha deEsmoriz nos últimos 50 anos, e sendo feitas também algumas referências a registos de períodos anteriores. Napresente caracterização são ainda apresentadas estimativas para as taxas de sedimentação em diferentes áreasda Barrinha.Sendo a Barrinha de Esmoriz uma lagoa costeira, ou seja, uma área de transição entre um ambiente marinho eterrestre, foram avaliadas as contribuições e a influência do sistema fluvial e da actividade marinha, na evoluçãodesta unidade fisiográfica. Por um lado, o progressivo assoreamento da Barrinha é condicionado pela erosãohídrica a montante e pelo transporte e deposição de carga sólida, que se processa nos troços terminais daslinhas de água. Por outro lado, a influência do ambiente marinho externo, nomeadamente a dinâmica costeira eos ventos dominantes mostram-se eficazes no transporte de sedimentos de natureza marinha para o interior dalagoa.Para o estudo da evolução morfológica (últimos 50 anos) da Barrinha de Esmoriz essencialmente foramutilizadas três fontes de informação:  Comparação entre os levantamentos topo-hidrográficos realizados em 1994 e 2010, através dos quais foram obtidas estimativas para as taxas de sedimentação e volumes de assoreamento para o período compreendido entre estas duas datas.  Comparação entre fotografias aéreas de 1947, 1958, 1970, 1974, 1995, 1996, 2002, 2004 e 2010. A comparação de imagens aéreas permite perceber a evolução do troço costeiro a diferentes escalas de pormenor, inclusivamente a uma escala maior que inclui o troço costeiro adjacente à área de estudo.  Informação bibliográfica, estudos e planos existentes nomeadamente: 1) o Estudo de Impacte Ambiental do desassoreamento da Barrinha de Esmoriz/ Lagoa de Paramos (Ecossistema & Hidro4, 1994); 2) o Plano de Pormenor da Barrinha de Esmoriz /Lagoa de Paramos (Ecossistema & Hidro4, 2001); 3) e a Nota técnica “Barrinha de Esmoriz: por uma boa causa” (Quercus, 1995).2.2. Enquadramento geomorfológicoNo presente capítulo faz-se uma caracterização geomorfológica da Barrinha de Esmoriz e da sua áreaenvolvente. Em termos de grandes unidades geotectónicas a área de intervenção enquadra-se na Orla Ocidentalque se caracteriza por extensas zonas aplanadas sucedidas por relevos pouco acentuados.A nível regional define-se uma zona alongada paralela à costa com elevações mais importantes que separa azona litoral da zona interior e que corresponde à divisória das águas que correm para o mar e das que corrempara a bacia do Douro. Na região em análise, esta zona de altitudes mais elevadas corresponde às elevações dePicoto, Vergada, Outeiro de Cadinha, e Souto Redondo, cujas altitudes oscilam entre 243 e 312 m. Para o ladoocidental desta divisória estende-se uma área aplanada que desce gradualmente para o mar e que se encontraEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 63/264Relatório (ver.2)
  • 65. sulcada por algumas linhas de água, como são os exemplos do Rio de Lamas e da Vala de Maceda quedesaguam na Barrinha de Esmoriz. Estas duas sub-bacias apresentam um relevo bastante uniforme comdesníveis máximos da ordem dos 300 m.A região a montante da Barrinha de Esmoriz pode ser sub-dividida em: 1) canal principal, 2) zona de alagamentodo Rio de Lamas e 3) zona de alagamento da Vala de Maceda. O canal principal apresenta-se sensivelmenteperpendicular à linha de costa e apresenta actualmente uma extensão de cerca de 680 m. As zonas dealagamento localizadas a montante do canal principal constituem uma extensão sensivelmente paralela à costa,que se estende para Norte e Sul do canal principal, dando à Barrinha uma forma grosseiramente triangular.A costa de Esmoriz insere-se numa célula litoral entre o Rio Douro e o Cabo Mondego. A zona em estudo nopresente trabalho integra-se num sector constituído, essencialmente, por praias arenosas, com excepção dealguns troços situados mais a Norte. Entre o estuário do rio Douro e a praia de Espinho, numa extensão de cercade 15 km, o litoral tem uma orientação média NNW-SSE, sendo constituído por arribas talhadas em rochasmetamórficas e por praias arenosas. Ocorrem também afloramentos rochosos em alguns segmentos, queapenas se apresentam expostos por ocasião da baixa-mar (caso das praias situadas entre a Aguda e Granja).Entre a praia de Espinho e o Cabo Mondego, o litoral tem uma direcção aproximada NNE-SSW, formando umaplanície costeira topograficamente uniforme e de baixa altitude. Esta planície é constituída por uma barreiraarenosa holocénica enraizada nas imediações de Espinho, que se prolonga até ao Sul do sector, sendo apenasinterrompida pelo porto de Aveiro e por diversas obras de defesa costeira e pela Barrinha de Esmoriz quandoaberta ao mar.2.3. Caracterização do regime litoral2.3.1. Dados oceanográficos2.3.1.1. MarésO conhecimento do regime de marés, principalmente as cotas da máxima preia-mar e da mínima baixa-mar deáguas vivas e os níveis de marés, é fundamental para o estudo do regime hidrodinâmico do sistema laguna-mar.Na costa Oeste portuguesa, as marés são do tipo semi-diurno, com ciclos de aproximadamente 12h25m,propagando-se de Sul para Norte (e.g. Ferreira, 1998). A amplitude das marés varia desde um pouco mais de1 m nas marés mortas, até mais de 4 m em marés vivas (IH, 1990), o que permite classificar a presente costacomo meso-mareal, de acordo com a classificação de Hayes (1979).No próximo Quadro são resumidos dados da Tabela de Maré para o ano de 1994 para o Porto de Leixões e oPorto de Aveiro (Quadro 2.3.1). Através da consulta da Tabela de Maré para o ano de 2010 verifica-se que osvalores de Preia-mar máxima/Baixa-mar mínima são de 3,8 m/0,3 m e 3,7 m/0,0 m nos Portos de Aveiro e deLeixões, respectivamente.64/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 66. Quadro 2.3.1 - Elementos resumo da Tabela de Maré para o ano de 1994, publicadas pelo IH, referentes aos portos mais próximos de Esmoriz Leixões AveiroPreia-mar máxima +3,82 m +3,57 mBaixa-mar mínima +0,21 m +0,41 mPreia-mar média +3,51 m +3,26 mBaixa-mar média +0,54 m +0,65 mAmplitude máxima +2,72 m +2,64 mAmplitude mínima +1,33 m +1,37 mAmplitude média +2,00 m +2,00 m2.3.1.2. Agitação marítimaOs trabalhos publicados por Costa et al. (2001) e Coelho (2005) apresentam os resultados das mais longasséries temporais estudadas em Portugal para três bóias ondógrafo instaladas na costa ocidental (Quadro 2.3.2).Pode considerar-se que a distribuição de valores médios anuais para as classes modais é bastante consistentepara as bóias da Figueira da Foz e de Sines. No caso da bóia de Leixões, o período médio da onda é superior,encontrando-se 43,8 % das ocorrências entre os 7 e os 10 segundos. De referir também que ocorre, em Leixões,uma maior dispersão de rumos associados ao período de pico, concentrando o rumo NW apenas 42,4 % dasocorrências. Quadro 2.3.2 - Resumo dos valores modais obtidos para parâmetros de agitação marítima na costa ocidental portuguesa. Os rumos são relativos ao período de pico da onda. Hs (altura significativa da onda ao largo); T (Período da onda): Tp (Período de pico da onda) e Tz (Período médio da onda) Autor Método Período Hs (m) T (s) Rumo (º) Bóia ondógrafo 5-7 (41 %) (Tz) 292,5-337,5Costa et al. (2001) 1980/2001 1-2 (40 %) (Figueira da Foz) 11-13 (33 %) (Tp) (71,3 %) Bóia ondógrafo 5-7 (44 %) (Tz) 292,5-337,5Costa et al. (2001) 1980/2001 1-2 (49 %) (Sines) 9-13 (60 %) (Tp) (77,3 %) Bóia ondógrafo 292,5-337,5Coelho (2005) 1981/2003 0,5-1,5 (40,3 %) 7-10 (43,8 %) (Tz) (Leixões) (42,4 %)Como se pode verificar pelo exposto, o regime de agitação marítima ocorrente no litoral da Barrinha de Esmorizapresenta-se fortemente concentrado nos rumos WNW-NW, a altura das ondas ao largo mais frequente variaentre 1,0 e 2,0 m e os períodos médios de onda mais frequentes são entre 5 s e 7 s.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 65/264Relatório (ver.2)
  • 67. 2.3.2. Dinâmica do litoral entre Espinho e o Cabo Mondego no séc. XX e início do séc. XXINo sector considerado no presente trabalho, a resultante média anual das correntes de deriva litoral é no sentidoNorte-Sul (Dias, 1987; Ferreira, 1993; Taborda, 1993). Entre Espinho e o Cabo Mondego, os valores que têmsido estimados para a resultante anual do volume de sedimentos transportados pelas correntes da deriva litoralencontram-se indicados no Quadro 2.3.3. Os valores apresentados variam entre 0,2 e 2,3 x 106 m3/ano desedimentos que são essencialmente compostos por areias. Tem sido considerado o valor 1,5 x 106 m3/ano comoum valor médio representativo do transporte sólido potencial associado à deriva litoral nesse sector(Ferreira, 1993), o qual é coerente com propostas mais recentes (INAG & CEHIDRO, 1999 e Coelho & VelosoGomes, 2003).Quadro 2.3.3 - Estimativas de diversos autores para a resultante anual da do volume de areias potencialmente transportada pela deriva litoral (em milhões de m3/ano) Autor Método Deriva (x 106 m3/ano)Oliveira et al. (1982) Matemático 2,0Ferreira (1993) Matemático 1,5Taborda (1993) Matemático 2,3Teixeira (1994) Cartográfico 1,8INAG & CEHIDRO (1999) Cartográfico 1,3Coelho & Veloso Gomes (2003) Matemático 1,5 – 4 (valor potencial)Fonte: Baptista (2006)Com base nos elementos cartográficos disponíveis é possível verificar que, na primeira metade do séc. XX, osector entre a foz do Rio Douro e o porto de Aveiro já evidenciava recuos significativos da linha de costa, comtaxas a decrescer de Norte para Sul (Ângelo, 1991). O recuo da linha de costa traduz um deficit de sedimentos, oque quer dizer que o volume de areias realmente transportada pela deriva litoral será significativamente inferiorao volume potencial.Entre o porto de Aveiro e a praia do Poço da Cruz, os problemas só começaram a surgir a partir de meados doséc. XX, sendo de salientar uma progressão da tendência erosiva de Norte para Sul (Ângelo, 1991;Ferreira, 1993; Caetano, 2002; Diogo, 2004). A interpretação desta tendência evolutiva passa por se consideraros sedimentos presentes nas praias e nas dunas como uma importante fonte sedimentar, no decorrer do séc. XX,para alimentar as correntes de deriva litoral. O recuo da linha de costa nos segmentos mais deficitários emsedimentos, por ocasião de temporais ou marés vivas, e a consequente translação do perfil transversal da praiapermitiram a libertação de volumes significativos de areia que, ao integrarem as correntes de deriva litoral,auxiliaram à manutenção de uma estabilidade relativa nos segmentos litorais localizados a sotamar.Compensando assim a escassez de sedimentos debitados pelos principais sistemas fluviais que outroraalimentavam este troço costeiro (a redução é particularmente significativa no rio Douro).Tendo em conta que a resultante anual do transporte sólido associado à deriva é de Norte para Sul, o processode erosão dos segmentos costeiros foi sofrendo uma progressão para Sul, à medida que os segmentos mais aNorte foram perdendo a capacidade de fornecer sedimentos. No segmento situado entre Espinho e o porto deAveiro, as intervenções de estabilização da linha de costa começaram a ser realizadas na década de setenta,estando a fase de maior intervenção centrada na década de oitenta. Estas intervenções permitiram atenuar oprocesso erosivo a barlamar mas transpuseram-no para sotamar.66/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 68. 2.4. Evolução morfológica recente da Barrinha de Esmoriz e da zona costeira adjacente2.4.1. Zona costeira entre Esmoriz e ParamosComo se entende do exposto na secção anterior, o troço litoral entre a foz do Douro e a barra da Ria de Aveiro,onde se encontra a Barrinha de Esmoriz, é marcado pelo intenso dinamismo e permanente evolução. A zonacosteira entre Esmoriz e Paramos é um troço arenoso baixo onde o perfil apresenta um sistema praia-duna.Actualmente este troço costeiro é confinado a Norte e a Sul pelos molhes de Paramos e Esmoriz,respectivamente. Na zona central deste troço desagua a Barrinha de Esmoriz aquando da sua ligação ao mar.A comparação entre as várias fotografias aéreas (1947, 1958, 1970, 1974, 1996, 2002, 2004, 2010) mostra que(Desenho 3):  Entre 1947 e 1996 – De uma forma geral, a evolução do troço costeiro entre Paramos e Esmoriz caracteriza-se por taxas de recuo de linha de costa elevadas (Quadro 2.4.1). Segundo Ecossistema & Hidro4 (1994), entre 1976 e 1987, ter-se-á assistido a um processo erosivo intenso, com um recuo do espraio de 100 m, tendo sido nesta altura que se construíram as obras de defesa costeira de Paramos (1985) e Esmoriz (1985-1988).  Entre 1996 e 2002 – Os dados apresentados no Quadro 2.4.1 mostram uma inversão na tendência geral erosiva, tendo-se iniciado um período durante o qual o troço costeiro registou acreção. Em concordância com estes dados, segundo Ecossistema & Hidro4 (1994), entre 1987 e 1992, assistiu-se a uma redução do ritmo de erosão e a crista da berma sofreu mesmo acreção. O progressivo enchimento da praia entre 1996 e 2002 foi mais significativo a Sul, próximo ao molhe de Esmoriz.  Entre 2002 e 2010 – O processo de acreção continuou durante os últimos 8 anos sendo que na zona Sul a taxa diminuiu e na zona Norte aumentou relativamente ao período de tempo de 1996-2002.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 67/264Relatório (ver.2)
  • 69. Quadro 2.4.1 - Evolução da linha de costa no troço costeiro entre os molhes de Paramos e Esmoriz entre 1947 e 2010, estimativas obtidas através da comparação de fotografias aéreas (Desenho 3) Recuo (-) / acreção (+) Taxa de recuo (-) / acreção (+) Taxas de recuo (outros autores) Período de tempo linear da praia (m)* linear (m/ano) (m/ano)1947-1958 -58 -5,3 -5,6 Ecossistema & Hidro4 (1994)1958-1970 -36 -3,0 -4,8 (1958/78) Ecossistema & Hidro4 (1994) Entre -3,7 e -6,0 (1954/84)1970-1974 -37 -9,3 (Ângelo, 1991)1974-1996 -121 -5,5 -5,6 entre 1978 e 1992 (Diogo, 2004)1996-2002 +20 +3,32002-2010 +24 +3,0* O referencial utilizado foi a linha de praia média; o recuo foi medido transversalmente à linha de costa2.4.2. Barrinha de Esmoriz2.4.2.1. Evolução globalAs referências históricas à Barrinha de Esmoriz são escassas, mas apresentam algum interesse no que se refereà sua evolução. Nas Memorias Paroquiais de Esmoriz de 1758 parcialmente publicadas em vários números de“O Archeologo Português” lê-se no volume IV pp. 143-144 as seguintes transcrições: “Há sim nesta frequeziauma grande lagoa que se acha unida com a frequezia de Paramos e desagoa no mar por hum sítio chamado abarrinha que fica entre os limites de ambas as freguezias. O mar lhe tapa muitas vezes a foz, de que resultagravíssimo damno aos campos que lhe ficão contíguos ao qual da remédio hum antiquíssimo compromisso feitoentre os povos desta Freguezia (Esmoriz) e da de Paramos…” e mais adiante, “Há tradição nesta frequezia deque antigamente entravão pela barrinha de lagoa alguas caravellas, de que hoje não he capax pelas muitasareias que o mar o tem arojado á praya.”No século XVIII o canal de acesso da lagoa ao mar deve ter tido um comprimento de cerca de 0,9 a 1 km, masdurante a primeira metade do século XIX acentuou-se um processo evolutivo caracterizado pelo deslocamentoda foz da barrinha de cerca de 200 m de Oeste para Este (Ecossistema & Hidro4, 1994).Em consonância com a sua evolução ao longo dos últimos séculos, o progressivo assoreamento da Barrinhacontinuou ao longo do século XX. A comparação das fotografias aéreas feitas em períodos em que a Barrinha seencontrava fechada ao mar (1958, 1970, 1995, 2003 e 2010) mostra uma redução progressiva da área ocupadapelo espelho de água desta lagoa costeira até 2003 (Quadro 2.4.2). Entre 2003 e 2010 o valor parece manter-serelativamente constante. Esta comparação é meramente qualitativa uma vez que a área ocupada pelo espelho deágua não só é condicionada pela geometria da Barrinha mas também pela precipitação e pelo tempo decorridodesde a última abertura (natural ou artificial) da lagoa ao mar. Apesar disto, considera-se que esta comparaçãoprática e imediata é um bom indicador da evolução global da Barrinha (Desenho 4).68/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 70. Quadro 2.4.2 - Área ocupada pelo espelho de água da Barrinha de Esmoriz ao longo dos últimos 50 anos em épocas em que não existia ligação da lagoa com o mar Ano da fotografia aérea Área do espelho de água (ha) 1958 93 1970 48 1995 44 2003 29 2010 30A comparação entre levantamentos topo-hidrográficos de 1952 e de 1965 mostra que durante este períodoocorreu redução da área e do volume da lagoa de 18,7 % e 27,5 %, respectivamente (Ecossistema & Hidro4,1994). Este estudo conclui ainda que existe uma redução da área ocupada pela lagoa de 8,5 ha/ano durante oreferido período.Para uma análise da evolução global da barrinha entre 1994 e 2010 foram comparadas as curvas de volumesarmazenados em função da cota 3 m (NMM - Nível Médio do Mar) (Quadro 2.4.3). Estes dados foram obtidosatravés de modelos digitais de terreno criados a partir de levantamentos topo-hidrográficos realizados nosreferidos anos durante o Verão. Partiu-se do princípio que a diferença entre os volumes de água paradeterminada cota estão directamente correlacionados com o assoreamento ou com a erosão da lagoa. Destemodo, temos que em 1994 à cota de 3 m (NMM) o volume de armazenamento de água era 1083,93 x 103 m3. Em2010, relativamente à mesma cota o volume de água decresceu para 1054,18 x 103 m3. A comparação dascurvas de volumes armazenamentos parece indicar que ao longo dos últimos 16 anos ocorreu um assoreamentode 29.750 m3 para a zona da lagoa com cotas inferiores a 3 m (NMM) e uma redução do volume de água de2,7%. Na realidade, a situação é um pouco mais complexa uma vez que, durante o período decorrido entre osdois levantamentos comparados, houve alteração da topografia através da implantação de um dique, queoriginou a montante uma zona de retenção de água. Deste modo, a comparação entre as duas curvas dearmazenamento não é suficiente, necessitando ser adicionada a capacidade de armazenamento de águaadicionada pelo dique na bacia criada, que é aproximadamente igual a 100.000 m3. A soma das duas parcelasresulta numa diferença de capacidades de armazenamento de água que ronda os 130.000 m3 e que estima oassoreamento global da lagoa de Esmoriz durante os últimos 16 anos. A redução de volume de água associada aeste assoreamento é de aproximadamente 12,0 %.Na secção seguinte, a evolução da Barrinha durante este período será estudada com maior detalhe comparandoambos os levantamentos através de perfis feitos ao longo de toda a lagoa.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 69/264Relatório (ver.2)
  • 71. Quadro 2.4.3 - Comparação das áreas de inundação e volumes de água para diferentes cotas segundo levantamentos topo-hidrográficos realizados em 1994 e 2010, sem considerar a alteração da topografia causada pela bacia adjacente ao dique Levant. Topo- 1994 2010 hidrográficos Diferenças entre volumes Volume Volume de água (1000 m3) Nível (m) (NMM) Área (ha) Área (ha) (1000 m3) (1000 m3) 1 2,94 6,98 2,95 8,60 +1,62 2 55,47 232,68 56,22 203,77 -28,91 3 106,18 1083,93 104,64 1054,18 -29,75Fonte: Os dados relativos ao levantamento topo-hidrográfico de 1994 foram retirados de Ecossistema & Hidro4 (1994)2.4.2.2. Evolução por áreasA comparação em detalhe dos levantamentos topo-hidrográficos realizados em 1994 e 2010 através de perfisindica que a evolução da Barrinha de Esmoriz não é igual em todos os sectores da lagoa costeira. De uma formageral foram distinguidas três áreas na Barrinha de Esmoriz com diferentes tipos de evolução, no que diz respeitoa fenómenos de acreção/erosão (Figura 2.4.1):  1) Área onde predominam fenómenos de erosão (Área A) – de acordo com o já referido na análise global da Barrinha através da comparação das capacidades volumétricas de água em diferentes datas, o canal principal desta lagoa costeira apresentou predomínio de processos erosivos nos últimos 16 anos, mostrando erosão ao longo de todo o canal. Este canal apresentou uma taxa média de erosão vertical de -2 cm/ano entre os perfis 17 e 26 (Desenho 5), havendo zonas próximas das margens onde se verificaram taxas de -6,8 cm/ano. Embora o canal médio não tenha sofrido derivações laterais significativas ao longo das últimas décadas (1947-2010), o canal principal que se estabelece dentro do canal médio sofre migrações à escala decenal como evidenciado na comparação de perfis topo- hidrográficos (Desenho 5) e através das fotografias aéreas estudadas. Deste modo, as taxas de erosão mais elevadas parecem estar associadas ao desenvolvimento de canais preferenciais de escoamento formados por correntes de elevada velocidade que se fazem sentir quando o dique é aberto ao mar depois armazenar água até cotas elevadas. Convém salientar que não se prevê que as taxas de erosão vertical aumentem no futuro uma vez que, à data presente, a morfologia do fundo do canal principal já se terá atingido uma situação próxima do equilíbrio relativamente aos episódios esporádicos de abertura do dique.70/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 72. Figura 2.4.1 - Zonamento da Barrinha de Esmoriz de acordo com a evolução sofrida nos últimos 16 anos  2) Áreas de Assoreamento (Área B) – As zonas da Barrinha com taxas de assoreamento vertical mais elevadas estão associadas à zona terminal das linhas de água que drenam para a mesma. Nesta área, tal como nas Áreas C, a deposição de areias transportadas por via eólica das dunas a norte também contribui para o fenómeno do assoreamento. O valor médio obtido para a totalidade desta área de assoreamento é de +3,0 cm/ano, no entanto existem zonas da Barrinha com valores máximos de +9,4 cm/ano e de +7,1 cm/ano, associadas ao rio de Lamas e à vala de Maceda, respectivamente. Há ainda a salientar uma zona adjacente ao rio de Lamas onde foram atingidas taxas de +6,3 cm/ano. No entanto, esta última zona não sofreu uma evolução natural e este valor reflecte a deposição dos materiais resultantes da abertura de um novo canal do rio de Lamas. De acordo com a comparação das fotografias aéreas estudadas este novo canal mais a Este terá sido aberto algures entre 1994 e 1995. Quando o levantamento de 1994 foi feito esta ribeira passava mais a Oeste (como pode ser visto no perfil 50 do Desenho 5, folha 3/3) próxima à estrada que circunda a Barrinha a Norte.  3) Áreas onde predominam taxas de assoreamento baixas (Áreas C) – Nas restantes áreas da lagoa, ou seja, nas zonas de inundação associadas ao canal principal em ambas as margens e na zona mais interior da lagoa (Figura 2.4.1), predominam taxas de assoreamento inferiores a +3,0 cm/ano, com uma taxa média próxima da unidade de centímetro por ano ou inferior.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 71/264Relatório (ver.2)
  • 73. 2.5. Análise conclusivaAo longo dos últimos séculos a evolução da Barrinha de Esmoriz tem-se caracterizado por um progressivoassoreamento. Nos últimos 50 anos a evolução não foi diferente, tendo-se verificado uma redução de 69 % doespelho de água entre 1958 (93 ha) e 2003 (29 ha). Contrariamente ao que acontece hoje em dia, no início doséculo XX e até aos anos 70 a Barrinha tinha o seu próprio canal natural de comunicação com o mar, que seestendia cerca de 1 km para Sul atravessando a praia de Esmoriz. Portanto, o assoreamento da lagoa comconsequente diminuição da área do espelho de água não ocorreu apenas nos locais onde os dois afluentescontactam com a lagoa mas também na zona a jusante. O forte recuo da praia na segunda metade do século XX(250 m em média, entre 1947 e 1996), evidenciado na secção 2.4.1, terá sido acompanhado pelo arrastamentode areias para a face nascente do cordão dunar que separava a lagoa do mar, contribuindo assim para a perdade área e assoreamento da Barrinha.Entre 2003 e 2010 a área do espelho de água parece ter-se mantido relativamente constante. Esta aparenteestabilização da diminuição do espelho de água não reflecte o processo de assoreamento pois a comparaçãoentre levantamentos topo-hidrográficos mostra-nos que a maior parte da lagoa continuou a assorear ao longo dosúltimos 16 anos. Este assoreamento é mais evidente nas zonas da Barrinha associadas às linhas de água ondeocorre um assoreamento médio de +3,0 cm/ano. Convém salientar que nestas zonas o assoreamento não éuniforme variando nos perfis estudados entre 0 e +10 cm/ano. Por outro lado, no canal principal os processoserosivos predominaram. Nesta zona estimou-se uma taxa de erosão média de -2,0 cm/ano no entanto existemáreas próximas das margens onde as taxas atingem os -7 cm/ano. Estas taxas de erosão tenderão a estabilizaruma vez que se atingiram condições de equilíbrio relativamente ao escoamento causado pela abertura do dique.Considerando um cenário futuro em que não há intervenção na Barrinha de Esmoriz, a curto prazo (5 - 10 anos)prevê-se que o processo de assoreamento continue a dominar esta lagoa costeira. As zonas mais afectadasserão as zonas de inundação adjacentes aos efluentes Rio de Lamas e vala de Maceda. Nos últimos anos adiminuição de área da lagoa causada pelo recuo da praia parece ter estabilizado pois a largura da praia, nestemesmo período de tempo, sofreu um incremento ou pelo menos manteve-se estável.72/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 74. 3. CAUDAIS FLUVIAIS AFLUENTES3.1. Considerações préviasO estudo hidrológico da Barrinha de Esmoriz tem como principal objectivo identificar e caracterizar a baciahidrográfica drenante para a Barrinha de Esmoriz e as sub-bacias das linhas de água afluentes. Foi tambémdeterminado o escoamento médio anual e médio mensal, para ano médio, seco e húmido das linhas de águaafluentes.A determinação dos hidrogramas de cheia afluentes foi realizada para os períodos de retorno de 2 e 100 anos,tendo em conta o tipo de estrutura e sua finalidade.A determinação dos caudais de cheia afluentes foi efectuada através de modelos baseados na transformação daprecipitação em escoamento e utilizando directamente registos hidrométricos, identificando-se previamente ospostos udométricos com influência na bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz e as estações hidrométricascom maior proximidade e semelhança à bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz e com um número e qualidadede registos disponíveis adequada.Deste modo, procedeu-se à organização e tratamento estatístico das séries de precipitações diárias máximasanuais e, seguidamente, estimou-se a precipitação com período de retorno de 100 anos, a partir da qual secalcularam as precipitações com igual período de retorno e com durações igual e tripla do tempo deconcentração da bacia. Por fim, com base nestas precipitações, determinaram-se os diferentes hietogramas, deacordo com o procedimento proposto por Portela (2006a e 2006b), tendo em conta as curvas intensidade-duração-frequência referentes ao posto udográfico, de entre os estudados por Brandão et al. (2001), maispróximo da bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz.Os caudais de ponta de cheia afluentes à Barrinha de Esmoriz foram, assim, estimados com base nos referidoshietogramas de projecto, utilizando a fórmula racional e o modelo do hidrograma unitário sintético, HUS, do SoilConservation Service, SCS (Portela, 2000).Complementarmente, aplicou-se a análise estatística à série de caudais instantâneos máximos anuais na baciahidrográfica de uma estação hidrométrica localizada tão próxima quanto possível do local em estudo e transpôs-se o caudal assim obtido para esta última bacia por aplicação da fórmula de Meyer.Por fim, identificou-se o hidrograma de cheia que traduz as condições de exploração mais desfavoráveis, ou seja,o que conduz aos maiores caudais de ponta de cheia.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 73/264Relatório (ver.2)
  • 75. 3.2. Caracterização da bacia hidrográfica3.2.1. LocalizaçãoA bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz localiza-se no distrito de Aveiro, sendo dividida pelo concelho deEspinho (freguesia de Paramos), a norte e pelo concelho de Ovar (freguesia de Esmoriz), a sul, como se ilustrano Desenho 6.Esta área é alimentada por duas ribeiras que aqui desaguam: Rio de Lamas, do lado de Espinho e Vala deMaceda, do lado de Esmoriz. Sendo a Barrinha de Esmoriz uma lagoa costeira, actualmente não se encontra soba influência das marés. A comunicação com o mar não é permanente pois a abertura e fecho do canal dependemdo nível de água atingido na barrinha ou da intervenção humana.3.2.2. FisiografiaCom o objectivo de determinar o tempo de concentração da bacia da Barrinha de Esmoriz, procedeu-se aotraçado e caracterização fisiográfica das sub-bacias hidrográficas da secção da Barrinha de Esmoriz, sobre aCarta Militar de Portugal (Série M888- FL. 143 Espinho) à escala 1:25 000, tendo-se obtido uma área de85,5 km2.De modo a verificar a influência que o relevo das sub-bacias tem no escoamento, procedeu-se ao traçado dacurva hipsométrica representando as áreas drenantes de cada sub-bacia para diferentes cotas (Figura 3.2.1 eFigura 3.2.2). Da análise realizada, verificou-se que a altura média da sub-bacia hidrográfica de Vala de Macedaé 85 m e a altitude média é 105 m, para a bacia hidrográfica do rio de Lamas verificou-se uma altura média de121,6 e uma altitude média de 141,6. 300 250 200 Cota (m) 150 100 50 0 0.00 5.00 10.00 15.00 20.00 25.00 30.00 Área acima da cota (km2) Figura 3.2.1 - Sub-bacia rio lamas. Curva hipsométrica e altitude média74/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 76. 300 250 200 Cota (m) 150 100 50 0 0.00 10.00 20.00 30.00 40.00 50.00 60.00 Área acima da cota (km2) Figura 3.2.2 - Sub-bacia Vala Maceda. Curva hipsométrica e altitude médiaOs principais cursos de água afluentes à bacia hidrográfica, que se encontra subdividida em duas sub-bacias,são o Rio de Lamas afluente ao extremo norte e a Vala de Maceda, afluente ao extremo sul. As duas sub-baciascontactam entre si e, na proximidade da laguna ao extremo oeste, há uma exposição desta bacia à costaatlântica, que engloba cerca de 3,2 km2.Deste modo, os tempos de concentração a adoptar na análise de cheias deverão ser iguais ao menor dostempos de concentração, obtidos por diversos métodos, por cada um dos respectivos cursos de água, de modo aassegurar a contribuição de toda a bacia hidrográfica para o escoamento na secção terminal.No Quadro 3.2.1 sintetizam-se as características fisiográficas do meio lagunar, significado e unidades, cominteresse para a determinação do tempo de concentração. Quadro 3.2.1 - Características fisiográficas da Barrinha de EsmorizÁrea da bacia hidrográfica, A (km2) 85,47Área da sub-bacia hidrográfica de Rio de Lamas, A (km2) 25,38Área da sub-bacia hidrográfica da Vala de Maceda, A (km2) 51,43Área da Costa Atlântica mesotidal exposta, A (km2) 3,18Altura média da sub-bacia hidrográfica, de Rio de Lamas, hm (m) 121,62Altura média da sub-bacia hidrográfica, da Vala de Maceda, hm (m) 84,99Desenvolvimento do curso de água da sub-bacia (Rio de Lamas, L (km) 9,94Desenvolvimento do curso de água da sub-bacia (Vala de Maceda, L (km) 10,23Declive médio de Rio de Lamas, dm (%) 3,00Declive médio da Vala de Maceda, dm (%) 3,00Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 75/264Relatório (ver.2)
  • 77. 3.2.3. Tempo de concentraçãoO tempo de concentração (tc, em h) da bacia hidrográfica foi estimado por aplicação das fórmulas de Temez,Giandotti e Kirpich, a seguir indicadas, e de acordo com os dados apresentados no Quadro 3.2.1.3.2.3.1. Fórmula de Temez 0.76  L  t c  0.3 0.25  d   m em que:  L - desenvolvimento do curso de água principal (km)  dm - declive médio do curso de água principal a montante da secção de referência.3.2.3.2. Fórmula de Giandotti 4 A  1.5L tc  0.8 hmem que:  A – Área da bacia hidrográfica (km2)  hm – altura média da bacia hidrográfica (m).3.2.3.3. Fórmula de Kirpich  t c  0.0663 L0.77 d m0.385No Quadro 3.2.2 resumem-se os valores estimados para o tempo de concentração do meio lagunar. Quadro 3.2.2 - Sub-Bacia hidrográfica de Vala Maceda. Tempo de concentração (h) avaliado por diferentes fórmulas. Temez Giandotti Kirpich 4 6 276/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 78. Quadro 3.2.3 - Sub-Bacia hidrográfica de rio de Lamas. Tempo de concentração (h) avaliado por diferentes fórmulas. Temez Giandotti Kirpich 3 4 2O Quadro 3.2.2 revela que a fórmula de Giandotti conduz a tempos de concentração superiores, o que leva amenores intensidades das precipitações de projecto e, consequentemente, a menores caudais de ponta de cheia.A fórmula de Kirpich, pelo contrário, conduz a menores tempos de concentração, maiores intensidades dasprecipitações de projecto e, logo, estimativas mais elevadas dos caudais de ponta de cheia.Com o intuito de estimar os caudais de ponta de cheia do lado da segurança, optou-se por prosseguir o estudohidrológico com o tempo de concentração de 3 h, próximo da média dos tempos de concentração apresentadosno Quadro 3.2.2 e Quadro 3.2.3, excluindo o tempo decorrente da fórmula de Giandotti no caso da sub-bacia deVala Maceda.3.3. Registos de variáveis hidrológicas3.3.1. Considerações préviasOs modelos a aplicar na caracterização das condições de cheia fazem intervir registos de dois tipos de variáveishidrológicas: precipitações diárias máximas anuais em postos udométricos localizados no interior ou nasproximidades da bacia hidrográfica, para avaliar a precipitação crítica a considerar em modelos de precipitação-escoamento; caudais instantâneos máximos anuais em estações hidrométricas localizadas no interior ou tãopróximas quanto possível da bacia em estudo, para avaliar o caudal de ponta de cheia mediante a aplicação detécnicas de transposição.3.3.2. Registos utilizados. Análise de qualidadeOs registos utilizados no estudo hidrológico, isto é, as séries de precipitações diárias máximas anuais e as sériesde caudais instantâneos máximos anuais, foram directamente recolhidos, via internet, através do SistemaNacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) (data de recolha dos registos:10/2010).O cálculo das precipitações na bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz utilizou o método das áreas deinfluência, através do traçado dos polígonos de Thiessen (ou de Voronoi), definidos tendo por base os postosudométricos de Espargo (08F/02UG) e Fiães (08F/01U).Os postos udométricos que, segundo o método de Thiessen, têm influência sobre a bacia são os indicados noQuadro 3.3.1Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 77/264Relatório (ver.2)
  • 79. Quadro 3.3.1 - Características dos postos udométricos que influenciam a precipitação na bacia Latitude Longitude Coord. X Coord.Y Altitude Código Nome Bacia (ºN) (ºW) (m) (mm) (m) VOUGA/RIBEIRAS08F/02UG ESPARGO (FEIRA) 40,915 -8,601 160548,9 438594,4 70 COSTEIRAS08F/01U FIÃES 40,982 -8,518 167601,8 445964,0 191 DOUROAs correspondentes séries de precipitações diárias máximas anuais, para os postos identificados no quadroanterior, apresentam-se no Anexo 2, assim como os respectivos descritores estatísticos das séries de dados:média, desvio-padrão, coeficiente de variação e coeficiente de assimetria. Apesar de não intervirem na análise decheias, recolheram-se também as precipitações anuais naqueles postos de modo a apreciar globalmente aqualidade das medições efectuadas. As respectivas séries constam do Anexo 3.A selecção da estação hidrométrica a utilizar atendeu à proximidade e semelhança de área da sua baciahidrográfica relativamente às sub-bacias de Vala Maceda e Rio de Lamas e ao número e qualidade dos registosdisponíveis. Com base nestes critérios, seleccionou-se a estação hidrométrica de Ponte Minhoteira (09F/01H) ede Ponte Vale Maior (09G/01H), cujas características se indicam no Quadro 3.3.2. No Anexo 4 e no Anexo 5apresentam-se as correspondentes séries de caudais instantâneos máximos anuais assim como oscorrespondentes descritores estatísticos média, desvio-padrão, coeficiente de variação e coeficiente deassimetria, para cada estação. Quadro 3.3.2 - Características da estação hidrométrica de Ponte Minhoteira (09F/01H) e Ponte de Vale Maior (09G/01H) Área Período de Coord.X Coord.YCódigo Nome Bacia Linha de água registos (m) (m) (km2) (anos) VOUGA/RIBEIRAS09F/01H PONTE MINHOTEIRA 168191,7 423467,2 RIO ANTUÃ 113,15 77/78 a 90/91 COSTEIRAS PONTE VALE MAIOR VOUGA/RIBEIRAS09G/01H 172263,5 413867,8 RIO CAIMA 189,71 34/35 a 99/00 COSTEIRASPara a apreciação da qualidade da série de caudais instantâneos máximos anuais na estação de PonteMinhoteira e Ponte de Vale Maior, utilizou-se o teste de valores simplesmente acumulados, cujos resultados sãoapresentados no Anexo 6. Os gráficos apresentados neste anexo evidenciam flutuações pouco acentuadas emtorno do segmento de recta que se obtém unindo os dois pontos extremos representados no gráfico.Verificou-se, assim, não ocorrerem alterações no comportamento da série de caudais instantâneos máximosanuais que pudessem indiciar a sua não homogeneidade, considerando-se a série adequada ao prosseguimentodo estudo hidrológico.78/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 80. 3.3.3. Análise estatística das séries de precipitações diárias máximas anuaisO procedimento aplicado para estimar os caudais de ponta de cheia fez intervir a precipitação crítica, ou seja, aprecipitação correspondente aos períodos de retorno de 2 e 100 anos e com duração igual ao tempo deconcentração da bacia hidrográfica. Além disso, considerou-se relevante analisar o seu comportamento naocorrência de uma precipitação com duração tripla do tempo de concentração, para o mesmo período de retorno,por lhe corresponder uma onda de cheia com um volume superior.Dado que os registos disponíveis no SNIRH não incluem precipitações com durações inferiores ao dia, o cálculoda precipitação crítica processou-se a partir da “repartição”, para a duração igual e tripla do tempo deconcentração da bacia hidrográfica em estudo, da precipitação diária máxima anual com os períodos de retornoadoptados registada nos postos udométricos com influência na bacia, após o tratamento estatístico.Para tanto, postularam-se como leis com adaptabilidade a averiguar a lei Normal, a lei de Gumbel, a lei dePearson III e a lei de Galton com vista a seleccionar a função com melhor ajustamento às séries. Sendo de referirque, tal tratamento foi também aplicado à série de caudais instantâneos máximos anuais por esta constituirtambém uma série de uma variável hidrológica independente e identicamente distribuída (variável aleatória).A apreciação da adaptabilidade das funções de distribuição de probabilidade postuladas às amostras deprecipitações diárias máximas anuais apoiou-se no ajustamento visual, pelo que se graduou o eixo das abcissasem valores da normal reduzida, Z, e se verificou visualmente qual das curvas estabelecidas para as diversas leis,através da média, do desvio-padrão e do coeficiente de assimetria das séries em análise, se adequam melhoraos pontos de cada série.A selecção da lei que evidencia melhor ajustamento à série em estudo foi feita com base nas seguintes figuras: 120 100 80 60 40 20 0 -3 -2 -1 0 1 2 3 Amostra Gumbel Pearson III Log-Normal Normal Figura 3.3.1 - Precipitações diárias máximas anuais no posto de Espargo (08F/02UG). Ajustamento de leis estatísticasEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 79/264Relatório (ver.2)
  • 81. 210 180 150 120 90 60 30 0 -3 -2 -1 0 1 2 3 Amostra Gumbel Pearson III Log-Normal Normal Figura 3.3.2 - Precipitações diárias máximas anuais no posto de Fiães (08F/01U). Ajustamento de leis estatísticasDa análise da Figura 3.3.1 verificou-se que a lei que exibe melhor ajustamento é a lei de Gumbel, e para aFigura 3.3.2 verificou-se melhor ajustamento para a lei log-Normal. Em conformidade, estimaram-se os valoresde 103 mm e 164 mm, para a precipitação diária máxima anual com período de retorno de 100 anos, para ospostos udométricos de Espargo (08F/02UG) e Fiães (08F/01U), respectivamente, e de 49 mm e 80 mm para osrespectivos postos Espargo e Fiães para o período de retorno de 2 anos.Tendo em conta as áreas de influência dos postos udométricos nas sub-bacias hidrográficas de Vala Maceda eRio de Lamas, avaliadas utilizando o método dos polígonos de Thiessen, determinou-se a precipitação diáriamáxima anual nas sub-bacias hidrográficas em estudo, tal como indicado no Quadro 3.3.3.80/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 82. Quadro 3.3.3 - Precipitação diária máxima anual nas sub-bacias hidrográfica da barrinha de Esmoriz, para o período de retorno de 100 e 2 anos. Ponderação do peso dos postos udométricos influentes. Precipitação diária Precipitação diária máxima Posto udométrico Área de influência (km2) Peso (%) máxima anual (mm) anual ponderada (mm) VALA MACEDA T=100 anosEspargo (08F/02UG) 42,23 103 0,82 84,84Fiães (08F/01U) 9,20 164 0,18 29,38Precipitação diária máxima anual na sub-bacia de Vala Maceda 114,22 T=2 anosEspargo (08F/02UG) 42,23 49 0,82 40,54Fiães (08F/01U) 9,20 80 0,18 14,31Precipitação diária máxima anual na sub-bacia de Vala Maceda 54,84 RIO DE LAMAS T=100 anosEspargo (08F/02UG) 8,50 103 0,33 34,59Fiães (08F/01U) 16,88 164 0,67 109,20Precipitação diária máxima anual na sub-bacia Rio de Lamas 143,79 T=2 anosEspargo (08F/02UG) 8,50 49 0,33 16,53Fiães (08F/01U) 16,88 80 0,67 53,18Precipitação diária máxima anual na sub-bacia Rio de Lamas 69,713.3.4. Correlação precipitação-escoamento. Determinação do caudal modularDe modo a avaliar os correspondentes escoamentos, partindo das séries de precipitações dos postos cominfluência nas sub-bacias hidrográficas apresentadas no Anexo 3 e estimadas de acordo com o peso atribuído acada posto segundo o método de Thiessen, estabeleceu-se uma equação de correlação entre as precipitações eos escoamentos anuais.Da pesquisa efectuada às estações hidrométricas mais próximas do local, entre Ponte Minhoteira e Ponte deVale Maior, seleccionou-se a estação hidrométrica de Ponte de Vale Maior (09G/01H) (Abh = 189,71 km2), porser aquela que possui a série de registos de escoamento anual mais longa.Apesar da estação hidrométrica de Ponte Minhoteira apresentar muito poucos anos comuns entre precipitação-escoamento, no Anexo 7 apresentam-se também os resultados obtidos para esse posto (valores dasprecipitações e dos escoamentos anuais nos postos udométricos e na estação hidrométrica, bem como arespectiva recta de correlação).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 81/264Relatório (ver.2)
  • 83. A relação precipitação-escoamento nesta estação foi estabelecida com 57 anos que correspondem ao períodocomum de registos de precipitações e de escoamentos. No Anexo 8, indicam-se os valores das precipitações edos escoamentos anuais considerados nos postos udométricos e na estação hidrométrica de Ponte Vale Maior.Com base nos registos anuais de precipitação das estações udométricas e dos escoamentos, obtidos através daanálise das séries apresentadas no Anexo 8, obteve-se a recta de correlação que se apresenta na Figura 3.3.3,bem como a respectiva recta de regressão e o coeficiente de correlação. A precipitação média obtida é de,aproximadamente, 1652 mm e o escoamento anual médio de 813 mm. H (mm) 1800 1600 1400 y = 0.8066x - 680.88 1200 R2 = 0.8602 1000 800 600 400 200 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 P (mm) Figura 3.3.3 - Correlação entre precipitação e escoamento anual, para o posto hidrométrico de Ponte de Vale MaiorDe acordo com o valor do factor de correlação, verifica-se que a relação precipitação-escoamento é satisfatório,procedendo-se à relação entre precipitações do posto hidrométrico Ponte de Vale Maior com as respectivasprecipitaçãos dos postos udométricos utilizados (Figura 3.3.4 e Figura 3.3.5).82/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 84. 3000 2500 y = 0.7685x + 194.69 R2 = 0.8647 (mm) 2000 Lamas 1500 P Bacia hidrográfica 1000 500 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 P Bacia hidrográfica Ponte Vale Maior (mm) Figura 3.3.4 - Correlação entre precipitação-precipitação, referente ao posto hidrométrico de Ponte de Vale Maior e sub-bacia de Rio de Lamas 3000 2500 y = 0.7707x + 128.27 P Bacia hidrográfica Maceda (mm) R2 = 0.861 2000 1500 1000 500 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 P Bacia hidrográfica Ponte Vale Maior (mm) Figura 3.3.5 - Correlação entre precipitação-precipitação, referente ao posto hidrométrico de Ponte de Vale Maior e sub-bacia de Vala Maceda.Relativamente às séries de precipitação anual, para a bacia hidrográfica da estação hidrométrica de Ponte deVale Maior, utilizaram-se as estações de Espargo e Fiães, para a bacia hidrográfica da estação de PonteMinhoteira, seleccionaram-se os postos udométricos não só de Espargo e Fiães, como também de Albergaria aVelha (09G/o1UG) e de Barragem de Castelo Burgães (08G/01C) (Quadro 3.3.4), uma vez que têm influêncianas bacias destas estações hidrométricas.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 83/264Relatório (ver.2)
  • 85. Quadro 3.3.4 - Características dos postos udométricos utilizados para determinação da precipitação na bacia hidrográfica da estação hidrométrica de Ponte Minhoteira Latitude Longitude Coord. X Coord.Y Altitude Código Nome Bacia (ºN) (ºW) (m) (mm) (m) ALBERGARIA-A- VOUGA/RIBEIRAS09G/01UG 40,698 -8,482 170492,3 414455,3 131 VELHA COSTEIRAS BARRAGEM DE VOUGA/RIBEIRAS08G/01C 40,853 -8,379 179250,0 431546,0 306 CASTELO BURGÃES COSTEIRASPara a bacia hidrográfica deste posto hidrométrico, obtiveram-se valores de precipitação média e de escoamentode 1708 mm e 1093 mm, respectivamente. Na Figura 3.3.6, apresenta-se a relação precipitação-escoamento,bem como a recta de regressão e correspondente coeficiente de correlação associado. 2500 H (mm) 2000 1500 y = 0.9824x - 585.05 R2 = 0.8505 1000 500 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 P (mm) Figura 3.3.6 - Correlação entre precipitação e escoamento anual, da bacia hidrográfica do posto hidrométrico de Ponte MinhoteiraAnalisando os dois postos hidrométricos, considerou-se o posto hidrométrico de Ponte Vale Maior por ser aqueleque traduz uma melhor correlação entre precipitação-escoamento, por abranger um maior número de anoshidrológicos, desde 1939/40 a 1999/00, e por contabilizar anos mais recentes que a estação hidrométrica dePonte Minhoteira.Para determinar o caudal modular, utilizou-se a expressão: H  A  1000 Qmod  365  24  3600onde:  escoamento anual médio (mm) que neste caso é 1652 mm (Bacia de Ponte Vale Maior).  A – área da sub-bacia hidrográfica de Vala Maceda, ou seja, 51,4 km2, e/ou Rio de Lamas, 25,4 km2,respectivamente.84/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 86. Donde se obteve os valores do caudal modular de 0,65 e 1,33 m3/s para as duas sub-bacias de Rio de Lamas eVala Maceda, respectivamente.3.4. Escoamentos afluentes à secção da Barrinha de EsmorizDe forma a estabelecer as afluências em regime natural à secção da Barrinha de Esmoriz, seleccionou-se aestação hidrométrica anteriormente definida e caracterizada (Ponte de Vale Maior (09G/01H). No Anexo 8apresentam-se os escoamentos anuais da estação hidrométrica.Através da equação de regressão estabelecida para a estação hidrométrica de Ponte Vale Maior determinaram-se os valores de escoamento anual para as sub-bacias de Vala Maceda e rio Lamas. O Quadro 3.4.1 apresentaas precipitações anuais e escoamentos anuais relativas às sub-bacias hidrográficas. Quadro 3.4.1 - Precipitação anual para as sub-bacias em estudo Precipitação anual (mm) Escoamento anual (mm) Ano hidrológico Vala Maceda Rio de Lamas Vala Maceda Rio Lamas 1939/40 2041 1885 291 367 1940/41 2000 1971 177 272 1941/42 1490 1597 95 122 1942/43 1205 1299 568 624 1943/44 1063 1181 609 869 1944/45 962 996 160 302 1945/46 1548 1618 31 91 1946/47 1599 1922 184 307 1947/48 1042 1219 550 726 1948/49 883 956 259 333 1949/50 1072 1225 -32 -18 1950/51 1526 1744 206 246 1951/52 1165 1257 374 426 1952/53 804 822 763 827 1953/54 1100 1149 131 179 1954/55 1308 1373 342 439 1955/56 1790 1870 493 603 1956/57 1007 1066 1130 1831 1957/58 1268 1389 1031 1156 1958/59 1455 1592 452 557 1959/60 2245 3114 503 544 1960/61 2122 2278 693 742 1961/62 1405 1534 226 268Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 85/264Relatório (ver.2)
  • 87. Precipitação anual (mm) Escoamento anual (mm) Ano hidrológico Vala Maceda Rio de Lamas Vala Maceda Rio Lamas 1962/63 1468 1519 1240 1321 1963/64 1703 1764 398 481 1964/65 1124 1177 342 333 1965/66 2381 2482 892 899 1966/67 1337 1440 411 424 1967/68 1269 1256 445 541 1968/69 1949 1959 278 315 1969/70 1353 1370 368 445 1970/71 1396 1515 633 741 1971/72 1189 1235 318 333 1972/73 1301 1396 72 65 1973/74 1629 1763 1209 1310 1974/75 1238 1257 823 824 1975/76 934 924 849 1054 1976/77 2343 2468 501 484 1977/78 1864 1866 259 251 1978/79 1897 2151 519 489 1979/80 1465 1444 649 615 1980/81 1165 1156 493 444 1981/82 1488 1450 607 630 1982/83 1649 1607 383 437 1983/84 1455 1395 113 165 1984/85 1596 1625 305 358 1985/86 1319 1386 48 100 1986/87 984 1048 419 473 1987/88 1222 1288 388 442 1988/89 904 968 133 185 1989/90 1363 1431 447 502 1990/91 1325 1392 651 708 1991/92 1009 1073 328 381 1992/93 1398 1466 531 587 1993/94 1651 1722 185 237 1994/95 1250 1317 638 695 1995/96 1503 1572 146 198 1996/97 1073 1138 322 375 1997/98 1636 1706 291 36786/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 88. Precipitação anual (mm) Escoamento anual (mm) Ano hidrológico Vala Maceda Rio de Lamas Vala Maceda Rio Lamas 1998/99 1026 1090 177 272 1999/00 1243 1309 95 122O Quadro 3.4.2 apresenta os escoamentos anuais nas sub-bacias em hm3. Quadro 3.4.2 - Escoamentos anuais nas sub-bacias Vala Maceda e Rio de Lamas nos anos 1942/1943 a 1999/2000 Escoamento anual na Escoamento anual na Escoamento anual na Escoamento anual naAno hidrológico sub-bacia Vala Maceda sub-bacia Vala Maceda sub-bacia Rio de Lamas sub-bacia Rio de Lamas (mm) (hm3) (mm) (hm3) 1942/43 291 15 367 9 1943/44 177 9 272 7 1944/45 95 5 122 3 1945/46 568 29 624 16 1946/47 609 31 869 22 1947/48 160 8 302 8 1948/49 31 2 91 2 1949/50 184 9 307 8 1950/51 550 28 726 18 1951/52 259 13 333 8 1952/53 0 0 0 0 1953/54 206 11 246 6 1954/55 374 19 426 11 1955/56 763 39 827 21 1956/57 131 7 179 5 1957/58 342 18 439 11 1958/59 493 25 603 15 1959/60 1130 58 1831 46 1960/61 1031 53 1156 29 1961/62 452 23 557 14 1962/63 503 26 544 14 1963/64 693 36 742 19 1964/65 226 12 268 7 1965/66 1240 64 1321 34 1966/67 398 20 481 12 1967/68 342 18 333 8 1968/69 892 46 899 23Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 87/264Relatório (ver.2)
  • 89. Escoamento anual na Escoamento anual na Escoamento anual na Escoamento anual naAno hidrológico sub-bacia Vala Maceda sub-bacia Vala Maceda sub-bacia Rio de Lamas sub-bacia Rio de Lamas (mm) (hm3) (mm) (hm3) 1969/70 411 21 424 11 1970/71 445 23 541 14 1971/72 278 14 315 8 1972/73 368 19 445 11 1973/74 633 33 741 19 1974/75 318 16 333 8 1975/76 72 4 65 2 1976/77 1209 62 1310 33 1977/78 823 42 824 21 1978/79 849 44 1054 27 1979/80 501 26 484 12 1980/81 259 13 251 6 1981/82 519 27 489 12 1982/83 649 33 615 16 1983/84 493 25 444 11 1984/85 607 31 630 16 1985/86 383 20 437 11 1986/87 113 6 165 4 1987/88 305 16 358 9 1988/89 48 2 100 3 1989/90 419 22 473 12 1990/91 388 20 442 11 1991/92 133 7 185 5 1992/93 447 23 502 13 1993/94 651 33 708 18 1994/95 328 17 381 10 1995/96 531 27 587 15 1996/97 185 9 237 6 1997/98 638 33 695 18 1998/99 146 8 198 5 1999/00 322 17 375 10Para determinar a série de escoamentos mensais de cada sub-bacia foi necessário proceder à desagregação doescoamento anual determinado em escoamento mensal a partir da relação precipitação mensal - precipitaçãoanual correspondente a cada sub-bacia. Deste modo, obtiveram-se ano a ano, as correspondentes séries deescoamentos mensais (Quadro 3.4.3 e Quadro 3.4.4), para cada sub-bacia.88/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 90. Quadro 3.4.3 - Escoamentos mensais e anuais, obtidos por desagregação do escoamento anual pela aplicação da relação precipitação mensal (precipitação anual na sub-bacia Rio de Lamas) Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1942/43 49,92 19,22 67,33 119,72 12,28 38,23 9,50 3,64 9,76 14,60 5,76 17,17 367,15 1943/44 81,76 12,14 44,82 9,15 9,78 15,01 35,78 7,68 9,87 19,66 17,42 8,51 271,59 1944/45 15,94 15,15 26,81 19,35 5,93 4,07 10,70 13,89 2,09 1,85 4,98 1,44 122,20 1945/46 57,96 117,42 83,78 39,21 29,56 51,98 68,82 72,16 30,22 0,49 30,42 41,93 623,95 1946/47 53,93 87,57 83,91 87,98 259,52 180,84 36,17 32,21 24,08 2,41 3,37 17,02 869,01 1947/48 14,39 23,78 54,17 98,50 14,24 30,88 22,08 29,10 0,63 0,13 9,82 4,39 302,10 1948/49 9,81 6,10 36,23 8,07 3,66 4,08 2,15 3,51 0,86 0,64 0,15 15,33 90,59 1949/50 25,89 56,09 14,42 14,53 68,22 25,50 8,02 46,02 33,96 2,65 5,36 6,56 307,21 1950/51 10,83 86,09 76,50 119,68 156,42 112,61 25,71 73,84 22,92 9,64 14,95 16,81 726,01 1951/52 19,10 80,08 31,76 27,76 17,67 51,84 27,93 40,59 11,71 1,77 12,58 10,17 332,96 1952/53 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1953/54 23,80 30,00 12,42 22,34 38,70 63,10 13,37 18,25 8,89 0,81 10,64 3,96 246,27 1954/55 38,29 62,25 35,34 127,26 70,44 26,05 7,88 26,34 27,70 0,15 0,00 4,68 426,37 1955/56 17,73 131,50 112,24 110,82 17,22 112,45 67,42 103,38 6,66 32,55 29,70 85,43 827,11 1956/57 19,61 8,76 29,56 8,81 41,56 24,62 2,58 18,36 8,75 4,54 6,07 5,49 178,71 1957/58 5,55 41,59 47,50 58,63 45,42 77,76 29,67 29,23 49,29 15,62 20,29 18,61 439,14 1958/59 34,92 1,59 119,26 109,05 20,81 129,56 88,42 42,95 12,17 0,58 13,71 29,83 602,85 1959/60 112,09 269,75 427,86 196,77 306,21 286,29 37,86 89,84 7,30 3,30 49,21 44,27 1830,72 1960/61 263,25 269,41 151,07 125,25 49,94 10,26 121,86 67,56 30,60 25,77 7,75 33,51 1156,23 1961/62 79,13 56,13 123,31 70,22 11,58 95,97 66,65 12,14 4,03 21,11 0,16 16,35 556,78Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 89/264Relatório (ver.2)
  • 91. Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1962/63 23,94 53,41 24,28 107,94 125,18 70,75 63,60 18,55 35,49 0,24 2,35 18,32 544,06 1963/64 40,26 195,90 105,39 17,80 149,42 122,88 22,77 13,05 42,61 3,19 8,84 19,46 741,58 1964/65 27,42 7,11 21,74 49,44 18,01 59,08 13,97 12,41 4,36 1,92 2,28 50,49 268,23 1965/66 132,31 208,35 177,51 242,73 325,07 0,62 144,06 19,93 34,29 0,93 16,12 18,99 1320,91 1966/67 103,93 33,47 47,49 64,90 44,90 59,19 14,66 57,19 4,86 0,20 17,27 32,57 480,62 1967/68 24,31 40,85 10,16 6,68 87,14 19,60 57,28 50,10 1,72 0,10 9,53 25,05 332,51 1968/69 76,52 126,63 125,70 119,16 92,44 90,81 59,81 121,13 31,40 0,12 2,02 53,24 898,99 1969/70 18,64 55,22 42,61 147,36 33,24 10,47 12,61 50,10 42,08 2,99 3,77 5,19 424,28 1970/71 2,64 81,81 19,02 117,81 24,15 51,33 36,27 52,57 67,99 54,76 27,26 5,51 541,10 1971/72 8,29 9,43 21,46 61,20 93,01 46,23 20,72 17,94 6,39 1,05 6,89 22,75 315,37 1972/73 52,79 56,73 72,96 67,88 20,08 29,69 15,88 76,57 10,16 17,95 0,26 24,40 445,33 1973/74 65,16 21,79 54,99 192,86 110,56 37,70 23,90 58,48 135,22 0,50 0,18 39,78 741,13 1974/75 7,35 91,46 9,81 62,69 44,75 65,25 12,95 10,49 2,53 0,62 0,11 24,70 332,70 1975/76 6,28 9,19 4,12 6,33 6,38 7,80 9,38 0,18 0,00 0,38 6,13 8,41 64,60 1976/77 240,62 111,75 178,98 218,33 279,90 93,82 57,13 46,94 29,52 8,83 29,24 14,66 1309,73 1977/78 79,07 70,79 172,68 86,13 175,10 95,43 73,65 31,83 34,28 0,03 0,00 4,97 823,96 1978/79 37,52 15,12 323,17 90,37 276,28 133,90 72,29 73,74 6,21 18,77 1,39 5,01 1053,78 1979/80 107,88 13,25 65,05 53,82 42,59 73,76 27,43 41,53 25,37 16,80 7,58 9,05 484,09 1980/81 24,77 45,70 18,16 1,40 21,75 40,88 21,99 34,08 10,50 0,14 0,44 31,51 251,33 1981/82 95,36 0,15 171,27 36,94 48,96 4,93 21,76 38,90 20,58 6,04 4,17 39,47 488,54 1982/83 59,87 106,52 89,34 10,15 64,09 7,09 130,68 97,73 19,37 10,32 8,77 11,04 614,94 1983/84 16,41 38,14 71,18 99,67 19,49 54,65 45,63 42,37 24,10 5,47 13,75 13,13 443,9990/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 92. Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1984/85 65,91 152,70 71,96 80,67 70,56 74,80 71,93 18,50 14,72 7,05 1,09 0,13 630,02 1985/86 11,85 60,23 79,87 67,73 92,59 28,32 22,14 16,47 13,64 1,43 11,83 31,27 437,36 1986/87 10,15 20,51 22,43 17,82 29,69 15,85 18,63 3,68 6,07 2,15 5,52 18,17 170,67 1987/88 95,24 16,23 33,03 48,95 38,79 13,73 32,76 38,08 29,39 18,55 0,96 4,29 369,99 1988/89 18,42 12,82 7,81 5,12 18,56 10,89 20,41 5,52 0,97 0,30 2,70 1,20 104,71 1989/90 32,06 114,62 103,24 83,13 43,14 15,27 25,77 14,89 8,43 2,25 6,83 19,99 469,64 1990/91 98,39 50,00 54,92 45,82 55,13 69,34 18,90 4,88 5,97 6,10 7,04 23,94 440,42 1991/92 24,33 39,23 14,52 13,21 8,65 12,11 21,40 17,20 15,78 3,25 8,23 13,39 191,28 1992/93 65,76 43,22 67,99 31,14 12,96 27,86 71,44 89,16 17,40 1,09 3,43 85,44 516,89 1993/94 125,90 83,25 77,49 148,39 78,50 17,12 40,33 84,15 12,42 2,91 13,92 29,44 713,84 1994/95 41,39 61,13 52,96 67,53 58,26 22,29 19,07 30,09 2,42 8,16 2,44 21,68 387,42 1995/96 47,06 104,55 78,90 114,26 80,06 46,68 28,31 33,77 4,56 6,26 8,44 30,50 583,35 1996/97 13,59 30,29 55,28 33,53 14,25 7,65 12,39 39,01 20,45 2,34 11,13 1,32 241,23 1997/98 63,05 154,02 90,83 75,81 22,19 24,86 138,65 35,39 11,19 5,51 1,26 74,48 697,24 1998/99 12,29 22,32 23,93 20,31 9,81 24,22 17,58 21,04 6,54 2,71 15,20 29,46 205,41 1999/00 68,10 25,21 59,50 13,44 18,91 19,83 95,21 38,01 5,49 18,21 7,88 16,24 386,03 Média 51,36 64,79 74,14 70,72 67,82 50,82 39,58 37,70 18,38 6,86 8,94 21,73 512,83 Desvio Padrão 51,41 62,29 74,30 57,49 79,35 50,80 34,75 28,71 21,17 9,92 9,47 19,27 338,77 Quadro 3.4.4 - Escoamentos mensais e anuais, obtidos por desagregação do escoamento anual pela aplicação da relação precipitação mensal (precipitação anual na sub-bacia Vala Maceda)Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 91/264Relatório (ver.2)
  • 93. Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1942/43 37,18 13,65 59,25 93,82 5,69 29,86 8,41 4,62 2,35 13,50 5,07 17,98 291,38 1943/44 53,17 7,07 30,02 5,44 6,95 10,56 24,09 5,40 6,63 12,29 9,87 5,03 176,52 1944/45 13,16 11,19 19,57 17,40 5,06 3,29 7,09 9,34 2,26 1,06 4,60 0,92 94,94 1945/46 54,83 87,90 95,33 35,45 22,15 69,50 58,20 68,12 21,03 0,18 19,20 35,99 567,89 1946/47 33,93 59,48 61,43 66,87 188,07 126,27 19,16 21,94 18,21 0,55 1,99 11,15 609,05 1947/48 7,25 14,05 25,75 54,40 7,56 17,92 10,23 16,75 0,24 0,02 3,94 1,49 159,61 1948/49 3,52 1,91 13,11 2,03 1,01 1,25 0,61 0,82 0,43 0,07 0,04 6,35 31,13 1949/50 15,36 34,42 10,97 9,91 41,21 13,36 4,13 28,99 16,34 1,01 2,92 5,11 183,74 1950/51 12,33 62,32 58,09 88,44 120,13 82,73 18,48 55,46 18,83 10,52 10,39 12,45 550,17 1951/52 15,09 64,16 28,15 22,05 9,05 40,93 20,33 31,34 9,36 3,52 7,16 7,69 258,83 1952/53 1953/54 21,10 24,23 12,32 19,06 28,25 53,85 12,24 14,26 8,12 0,82 8,45 3,31 206,03 1954/55 29,05 54,10 30,04 122,63 64,28 23,51 3,08 19,53 24,34 0,16 0,00 3,33 374,05 1955/56 16,99 113,59 113,02 111,78 16,55 103,73 64,45 82,56 4,84 26,63 29,69 79,03 762,86 1956/57 14,47 6,52 18,87 6,03 33,18 18,91 1,85 12,05 6,88 4,15 4,11 4,22 131,25 1957/58 5,26 32,77 34,25 48,35 32,94 66,19 21,64 20,23 34,38 12,46 18,77 14,88 342,11 1958/59 30,63 1,92 97,62 85,16 17,78 106,43 66,08 36,43 10,06 1,18 10,87 28,72 492,87 1959/60 92,18 153,44 240,77 124,78 163,16 155,55 32,12 76,76 8,16 3,63 36,94 42,42 1129,91 1960/61 234,70 219,89 142,84 117,88 43,18 10,81 112,53 57,08 30,17 20,13 7,25 34,19 1030,65 1961/62 71,04 45,45 111,09 53,38 8,08 78,07 37,94 10,85 4,00 17,32 0,34 14,73 452,29 1962/63 26,36 58,38 24,87 95,93 109,19 59,34 52,56 21,97 34,25 0,06 2,64 17,80 503,35 1963/64 36,79 170,93 108,87 20,18 134,39 118,30 19,28 13,12 36,63 2,56 10,69 21,00 692,7492/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 94. Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1964/65 22,38 6,35 18,37 41,18 16,44 48,87 12,16 10,57 3,23 3,57 1,89 40,54 225,55 1965/66 128,29 194,16 164,12 217,67 309,25 0,89 129,78 20,20 33,12 1,77 14,94 25,51 1239,68 1966/67 84,36 28,75 39,80 55,26 38,68 43,35 15,23 48,48 3,01 0,31 14,47 26,07 397,78 1967/68 27,96 40,51 10,90 8,82 89,55 20,63 59,83 48,94 1,36 0,13 9,15 24,67 342,43 1968/69 68,55 130,76 121,79 121,13 104,14 92,24 50,77 110,93 34,43 0,03 2,61 54,19 891,57 1969/70 18,62 54,09 46,79 137,11 33,25 9,90 10,42 52,14 38,38 2,39 3,01 4,54 410,63 1970/71 2,45 64,56 17,56 113,24 18,23 35,51 29,91 44,34 56,90 38,94 19,21 4,52 445,36 1971/72 7,58 8,92 21,47 54,37 77,48 39,81 20,49 16,11 6,53 0,43 5,97 18,76 277,92 1972/73 41,23 44,72 55,40 58,50 20,44 27,62 13,69 63,97 10,23 9,96 0,31 22,24 368,30 1973/74 52,07 19,83 53,29 164,92 98,68 36,43 24,84 47,59 104,89 0,47 0,19 30,12 633,31 1974/75 7,61 84,83 9,64 55,24 44,76 61,33 14,29 14,09 2,93 0,69 0,07 22,61 318,07 1975/76 6,98 9,93 4,54 7,90 6,40 9,15 10,50 0,25 0,00 0,54 6,85 9,09 72,13 1976/77 223,34 108,94 166,51 194,23 252,25 87,16 56,70 42,61 27,15 9,36 28,21 12,85 1209,32 1977/78 85,07 72,32 172,88 95,32 176,05 92,27 66,51 26,46 32,67 0,07 0,00 3,01 822,63 1978/79 29,12 12,82 266,84 77,39 196,99 108,61 61,72 67,19 6,17 17,61 1,16 3,82 849,43 1979/80 101,05 32,54 55,55 54,82 46,04 76,00 31,61 45,92 24,47 14,75 8,88 9,08 500,72 1980/81 25,92 46,54 14,26 1,60 22,46 44,00 20,44 42,84 10,87 0,04 1,09 28,68 258,74 1981/82 69,98 0,22 182,43 53,75 54,42 6,04 27,40 37,94 23,09 5,77 5,17 53,28 519,49 1982/83 61,79 105,73 85,67 11,35 73,63 11,72 136,98 106,96 18,94 15,28 9,30 11,48 648,83 1983/84 19,95 72,85 72,83 106,79 17,49 54,35 48,08 49,30 26,98 2,80 14,04 7,60 493,06 1984/85 63,75 160,98 64,42 75,28 58,64 70,48 74,14 16,94 14,52 6,03 1,12 0,31 606,60 1985/86 8,90 52,57 72,75 59,75 85,16 20,74 19,51 13,10 11,68 0,84 11,16 26,80 382,96Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 93/264Relatório (ver.2)
  • 95. Escoamento (mm) Ano Hid. OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Ano 1986/87 6,68 13,14 14,49 11,90 21,08 9,69 13,25 1,87 4,04 1,46 4,11 12,43 114,15 1987/88 85,02 8,67 24,75 41,59 32,85 6,12 28,59 32,41 26,98 17,40 0,30 2,82 307,50 1988/89 9,36 5,78 2,74 2,12 9,36 4,83 10,45 2,50 0,18 0,06 1,40 0,41 49,18 1989/90 27,97 108,31 97,32 74,54 37,54 6,40 23,01 11,64 6,42 1,64 6,15 16,85 417,78 1990/91 90,06 42,17 46,90 39,44 49,02 64,59 16,56 2,41 3,98 5,47 6,34 20,29 387,24 1991/92 17,94 29,20 7,97 8,78 5,02 6,44 15,95 12,23 12,24 2,41 6,54 9,43 134,16 1992/93 60,07 35,06 60,47 25,91 8,05 19,73 65,61 81,09 15,49 0,46 2,68 76,04 450,67 1993/94 119,87 76,39 70,07 139,24 73,21 6,15 37,46 77,98 10,26 2,22 13,59 25,89 652,31 1994/95 36,12 53,26 44,91 58,80 51,47 14,83 16,48 25,38 0,59 7,43 1,74 18,03 329,04 1995/96 42,65 98,71 71,90 105,27 74,34 39,72 25,73 29,48 2,27 5,68 7,83 26,65 530,24 1996/97 10,12 22,51 45,47 26,08 9,84 1,70 9,73 31,03 17,20 1,74 9,61 0,43 185,49 1997/98 58,50 151,19 84,49 69,04 16,62 14,85 131,28 31,14 8,99 4,90 0,33 67,61 638,93 1998/99 8,73 15,08 16,21 14,53 5,99 17,37 13,35 15,50 4,60 2,00 12,67 21,83 147,87 1999/00 60,60 17,45 51,55 9,47 14,14 12,30 84,94 32,51 3,62 17,17 7,11 13,25 324,12 Média 45,88 57,32 64,79 63,04 58,01 42,32 35,47 33,71 15,89 5,85 7,62 19,64 449,55 Desvio Padrão 47,10 52,76 58,59 50,57 65,14 37,91 33,02 26,53 17,46 7,84 7,76 18,30 285,3494/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 96. A última caracterização do regime natural de afluências nas sub-bacias em estudo tem por base a série decaudais médios mensais, identificando os caudais que se admite poderem representar condições secas econdições húmidas. Para tal, considerou-se que o caudal relativo a um dado ano traduz as condições referidasse, no período para o qual foi estabelecida a série, ocorrerem caudais anuais inferiores, respectivamente, emapenas 20% dos anos e em 80% dos anos. As afluências mensais médias, para cada sub-bacia, estãoapresentadas no Quadro 3.4.5 e Quadro 3.4.6. Quadro 3.4.5 - Afluências mensais médias na sub-bacia Rio de Lamas RIO de LAMAS Mês OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Afluências Mensais 0,487 0,634 0,703 0,692 0,643 0,498 0,375 0,369 0,174 0,067 0,085 0,213 Ano MédioAfluências Afluênciasmensais Mensais 0,260 0,070 0,206 0,484 0,171 0,579 0,132 0,122 0,041 0,019 0,022 0,494médias Ano Seco(m3/s) Afluências Mensais 1,193 0,815 0,734 1,453 0,744 0,168 0,382 0,824 0,118 0,028 0,132 0,288 Ano Húmido Quadro 3.4.6 - Afluências mensais médias na sub-bacia Vala Maceda VALA MACEDA Mês OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET Afluências Mensais 0,881 1,137 1,244 1,251 1,114 0,840 0,681 0,669 0,305 0,116 0,146 0,390 Ano MédioAfluências Afluênciasmensais Mensais 0,194 0,447 0,873 0,518 0,189 0,034 0,187 0,616 0,330 0,035 0,185 0,009médias Ano Seco(m3/s) Afluências Mensais 1,123 3,000 1,622 1,370 0,319 0,295 2,521 0,618 0,173 0,097 0,006 1,341 Ano HúmidoDe modo a validar a escolha da estação hidrométrica, procedeu-se ainda à comparação entre os valores obtidospara a estação hidrométrica de Ponte Minhoteira e Ponte de Vale Maior. Esta análise é apresentada no Anexo 9.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 95/264Relatório (ver.2)
  • 97. 3.5. Estimativa do caudal de ponta de cheia3.5.1. Cálculo da precipitação máxima anual com duração igual e tripla do tempo de concentração.Hietogramas de projectoDe acordo com os postos udométricos com registos de precipitações diárias máximas anuais, que têm influênciana Barrinha de Esmoriz, estimou-se que a precipitação diária máxima anual com período de retorno de 100 e2 anos, P24 , toma o valor de 114,2 mm e 54,8 mm para Vala Maceda, e 143,8 mm e 69,7 mm para rio de tLamas, respectivamente. Contudo, a partir deste resultado, é necessário estimar a precipitação máxima anual naBarrinha de Esmoriz para cada período de retorno adoptado e com a duração, não de 24 h, mas igual e tripla dotempo de concentração da bacia, tc, estimado em 3h, Pt T , multiplicando P24 pelo quociente Pt P24 obtido de tacordo com o procedimento desenvolvido por Portela (2006a).Com base nos postos udométricos para os quais Brandão et al. (2001) estabeleceu as curvas intensidade-duração-frequência (curvas IDF), utilizou-se a curva referente ao posto mais próximo da Barrinha,designadamente o posto de Aveiro (Universidade).Uma curva IDF relaciona a duração da precipitação intensa com a respectiva intensidade através de umaequação do tipo: i  a tbem que i representa a intensidade da precipitação, t, a respectiva duração e a e b são parâmetros adimensionais.Os parâmetros a e b, em função da duração da precipitação, das curvas IDF relativas ao posto udográfico deAveiro (Universidade) para o período de retorno, T, de 100 e 2 anos, para i expresso em mm/h e t em min, sãoapresentados no Quadro 3.5.1. Quadro 3.5.1 - Curvas IDF do posto de Aveiro – Universidade (parâmetros correspondentes ao período de retorno de 100 e 2 anos) Duração da precipitação a n T=100 anos 30 min < t < 6h 677,66 -0,725 6h <= t < 48h 586,04 -0,689 Duração da precipitação a n T=2 anos 30 min < t < 6h 253,7 -0,654 6h <= t < 48h 278,52 -0,66996/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 98. A utilização destas curvas evidenciou que as IDF relativas a durações entre 30 min e 6 h e entre 6 e 48 hconduziam a intensidades e, consequentemente, a precipitações com a duração de 6 h distintas. Pelo que, seoptou por considerar apenas a IDF referente a durações compreendidas entre 30 min e 6 h, mesmo quando aduração da precipitação de projecto era superior a 6 h. Admite-se que esta simplificação não acarreta errossignificativos, uma vez que as IDF não foram utilizadas para avaliar precipitações, mas apenas para atribuirpadrões temporais às precipitações estimadas mediante análise estatística de séries de precipitações diáriasmáximas anuais.Deste modo, a precipitação máxima anual para a Barrinha de Esmoriz correspondente ao período de retorno de100 anos e à duração de tc=3h, ou seja, a denominada precipitação de projecto a considerar no estudo decheias, obtém-se da seguinte forma: Pt Pt T  P24  t P24Seguidamente é necessário associar à precipitação de projecto um hietograma que defina a correspondenteintensidade da precipitação durante o tempo de concentração, ou seja, ao longo das 3 h.Neste contexto, associaram-se às precipitações com os períodos de retorno de 2 e 10 anos e duração igual etripla do tempo de concentração, hietogramas uniformes e também hietogramas não uniformes, dado que, deacordo com estudos efectuados para Portugal Continental por Portela et al. (2000), verificou-se que aconsideração de hietogramas com intensidade variável conduz a caudais de ponta de cheia sempre superioresaos caudais que decorrem da hipótese de uniformidade temporal da intensidade da precipitação. Este estudorevelou, ainda, que dos diversos hietogramas com intensidade não uniforme, os de blocos alternados conduzema caudais de ponta de cheia mais elevados, pelo que se aplicou esse procedimento na disposição dos blocos doshietogramas em análise.Obteve-se, assim, os “cenários” associados às precipitações de projecto referentes aos períodos de retorno de2 e 100 anos: precipitações com durações iguais e triplas de tc e, para cada duração, um hietograma uniforme eoutro não uniforme ao longo do tempo.Para obter os hietogramas não uniformes ordenaram-se os blocos de forma a maximizar o caudal de ponta decheia. Deste modo os blocos devem ser distribuídos alternadamente, em torno do seu máximo por ordem nãocrescente, de forma simétrica relativamente à distribuição temporal das ordenadas do hidrograma unitário. OsAnexos 10 a 13 contém os cálculos e os respectivos hietogramas não uniformes considerados para cada sub-bacia, para cada período de retorno considerado.3.5.2. Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação da fórmula racionalA estimativa de caudais de ponta de cheia a partir de precipitações intensas é efectuada, normalmente, porfórmulas empírico-cinemáticas, designadamente por aplicação da fórmula racional: Q  CiAem que:  Q – caudal de ponta de cheia com período de retorno adoptado T anos;Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 97/264Relatório (ver.2)
  • 99.  C – coeficiente que, entre outros factores, traduz as perdas de precipitação para o escoamento, dependendo do período de retorno;  i – intensidade média de precipitação total para o período de retorno adoptado e duração igual ao tempo de concentração;  A – área da bacia hidrográfica.De modo a atender ao facto da consideração da não uniformidade temporal da precipitação conduzir a caudaisde ponta de cheia superiores aos estimados com base em hietogramas uniformes, procedeu-se à aplicação dafórmula racional com um factor de majoração, dado pela seguinte equação, Hipólito et al. (2006): f  2 nonde “n” é o expoente da linha de possibilidade udométrica que, no caso em estudo, é dado pela diferença para aunidade do expoente b da curva IDF referente ao posto udográfico de Aveiro para o período de retorno de 100 e2 anos e para durações da precipitação entre 30 min e 6 h, conforme justificado anteriormente. Em conformidadecom o Quadro 3.5.1, obtém-se n=0,5 conducente ao caudal de ponta da cheia de 354,0 m3/s (T=100 anos) e145,1 m3/s (T=2 anos) e 197,5 m3/s (T=100 anos) e 82,6 m3/s (T=2 anos), para Vala Maceda e rio de Lamas,respectivamente.Contudo, a comparação dos resultados de diferentes modelos de análise de cheias sugere que a fórmula racionalcom factor de majoração conduz a estimativas dos caudais de ponta de cheia por excesso.3.5.3. Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação do hidrograma unitário sintético, HUS, doSoil Conservation Service, SCSO estudo de cheias mediante a aplicação de técnicas baseadas no hidrograma unitário teve como objectivodefinir os hidrogramas de cheia a utilizar no estudo dos caudais afluentes à barrinha de Esmoriz.Para o efeito, utilizou-se o hidrograma unitário sintético, HUS, do Soil Conservation Service, SCS (Mccuen,1982). A sua aplicação às precipitações de projecto foi efectuada através do programa HEC-HMS (U.S. ArCORPS OF ENGINEERS, 1990).O HUS do SCS é um hidrograma adimensional que tem como parâmetro o tempo de atraso (lag time - tL),definido como sendo o intervalo de tempo que decorre entre o centro de gravidade do hietograma da precipitaçãoefectiva uniforme (com duração D) e o caudal de ponta do HU.O tempo para a ponta do hidrograma unitário, tp, obedece à seguinte relação: D tP   tL 2em que para o tempo de lag, tL, é sugerida a adopção de 60% do tempo de concentração da bacia hidrográfica,tc, SCS (1985), e HEC (2002), pelo que se adoptou 0,6 tc ou seja, 108 minutos (tL=0,6×tc=0,6×3×60).Para ter em conta um efeito conjunto nos caudais de ponta de cheia da retenção superficial, da infiltração, dadetenção superficial e do armazenamento nos leitos dos cursos de água, no modelo de perdas de precipitação,98/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 100. foi necessário fornecer ao programa HEC-HMS o número de escoamento (CN) determinado de acordo com o tipode solo e com as condições de utilização e de cobertura da bacia hidrográfica.O número de escoamento foi obtido de acordo com Lencastre e Franco (1984), para condições antecedentes dehumidade médias, AMC II, sendo corrigido para condições antecedentes de humidade mais húmidas, AMC III,por serem as que mais frequentemente se registam em Portugal Continental. Segundo Chow et al. (1988): 23CN ( II ) CN ( III )  10  0.13CN ( II )Os números de escoamento utilizados para cada sub-bacia encontram-se no Quadro 3.5.2 e Quadro 3.5.3: Quadro 3.5.2 - Número de escoamento ponderado para Vala Maceda Vala Maceda (A=51,43km2) Tipo de solo B C Total CN * Área Total Área Uso do solo Área CN Área CN Área agrícola 0,121 75 0,089 85 16,66 0,210 Floresta 0,310 62 0,188 70 32,29 0,498 Zonas industriais 0,180 92 0,112 94 27,10 0,292 Outro 0,001 100 0,000 0 0,08 0,001 Total 0,611 329 0,389 249 76 1 AMCII 76 Número de escoamento ponderado AMCIII 88 Quadro 3.5.3 - Número de escoamento ponderado para Rio de Lamas Rio de Lamas (A=25,38km2) Tipo de solo B C Total CN * Área Total Área Uso do solo Área CN Área CNÁrea agrícola 0,017 75 0,093 89 9,59 0,110Floresta 0,026 60 0,287 70 21,63 0,313Zonas industriais 0,060 92 0,516 94 54,02 0,576Outro 0,001 100 0,000 0 0,10 0,001Total 0,105 327 0,895 253 85 1 AMCII 85 Número de escoamento ponderado AMCIII 93Como antes mencionado, consideraram-se precipitações com duração igual e tripla do tempo de concentração(tc e 3tc). A cada uma destas precipitações associaram-se hietogramas uniformes (com duração igual a 3tc) eEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 99/264Relatório (ver.2)
  • 101. não uniformes, constituídos por blocos com durações, dt, de 60, 30 e 15 min (Anexos 10 e 11). Os hidrogramasassim obtidos são apresentados na Figura 3.5.1 e Figura 3.5.3 para a sub-bacia de Rio de Lamas e ValaMaceda, respectivamente, para cada períodos de retorno de 100 e 2 anos, sendo identificados pela duração daprecipitação a que respeitam (tc ou 3tc) seguida da indicação da duração de cada bloco do hietograma (dt). 200 180 Caudais afluentes (m3/s) 160 140 120 100 80 60 40 20 0 11:1 14:1 17:1 0:00 0:45 1:30 2:15 3:00 3:45 4:30 5:15 6:00 6:45 7:30 8:15 9:00 9:45 10:3 12:0 12:4 13:3 15:0 15:4 16:3 18:0 Tempo (h) tc-30 min tc-15min 3tc-1h 3tc-30min 3tc-uniforme Figura 3.5.1 - Hidrogramas de cheias afluentes à sub-bacia de Rio de Lamas, para período de retorno de 100 anos 60 50 Caudais afluentes (m3/s) 40 30 20 10 0 0:00 0:45 1:30 2:15 3:00 3:45 4:30 5:15 6:00 6:45 7:30 8:15 9:00 9:45 10:30 11:15 12:00 12:45 13:30 14:15 15:00 15:45 16:30 17:15 18:00 Tempo (h) tc-15min tc-30min 3tc-30min 3tc-1h Figura 3.5.2 - Hidrograma de cheia afluente à sub-bacia rio de Lamas, para o período de retorno de T=2 anos100/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 102. 250 Caudais afluentes (m3/s) 200 150 100 50 0 11:1 14:1 17:1 0:00 0:45 1:30 2:15 3:00 3:45 4:30 5:15 6:00 6:45 7:30 8:15 9:00 9:45 10:3 12:0 12:4 13:3 15:0 15:4 16:3 18:0 Tempo (h) tc-30 min tc-15min 3tc-1h 3tc-30min 3tc-uniforme Figura 3.5.3 - Hidrogramas de cheias afluentes à sub-bacia de Vala Maceda, para período de retorno de 100 anos 60 Caudais afluentes (m3/s) 50 40 30 20 10 0 0:00 0:45 1:30 2:15 3:00 3:45 4:30 5:15 6:00 6:45 7:30 8:15 9:00 9:45 10:30 11:15 12:00 12:45 13:30 14:15 15:00 15:45 16:30 17:15 18:00 Tempo (h) tc-15min tc-30min 3tc-30min 3tc-1h Figura 3.5.4 - Hidrograma de cheia afluente à sub-bacia Vala Maceda, para o período de retorno de T=2 anosA Figura 3.5.1 a Figura 3.5.4 evidenciam o facto de, a consideração de precipitações uniformes com duraçõestriplas do tempo de concentração conduzirem a maiores caudais de ponta de cheia. O caudal de ponta de cheiaobtido com base na consideração de uma precipitação com intensidade uniforme e duração igual ao tempo deconcentração é da ordem de grandeza do caudal estimado por aplicação da fórmula racional (Q = 274 m3/s paraVala Maceda e Q=150 m3/s para Rio de Lamas, para período de retorno de 100 anos). Verifica-se, ainda que,desde que se considerem hietogramas com intensidade variável, se obtêm caudais de ponta de cheia da mesmaordem de grandeza, independentemente da duração da precipitação e do número de blocos utilizados nadiscretização temporal do hietograma, sendo que, neste caso, os caudais correspondentes aos hietogramasvariáveis, para períodos de retorno, com duração igual ao tempo de concentração, é da ordem dos 180 m3/s(Vala Maceda) e 160 m3/s (rio de Lamas) e os caudais correspondentes aos hietogramas variáveis, com duraçãotripla do tempo de concentração, é da ordem dos 230,4 m3/s (Vala Maceda) e 179,4 m3/s (rio de Lamas). Taiscaudais excedem muito significativamente os associados a precipitações com intensidade uniforme. ParaT=2 anos, obtiveram-se de 57 m3/s para Vala Maceda e 51 m3/s para rio Lamas.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 101/264Relatório (ver.2)
  • 103. 3.5.4. Estimativa do caudal de ponta de cheia por aplicação da fórmula de Meyer3.5.4.1. Análise estatística das séries de caudais instantâneos máximos anuaisA análise estatística incidiu sobre a série de caudais instantâneos máximos anuais relativa à estaçãohidrométrica de Ponte Minhoteira (09FI/01H) e Ponte de Vale Maior (09G/01H).Confirmada a qualidade dos registos (Anexo 6) e atendendo a que se pretende caracterizar estatisticamentefenómenos hidrológicos extremos (o que aponta no sentido da adopção de uma lei estatística de extremos),postularam-se como leis com adaptabilidade a averiguar a lei de Gumbel e a lei de Pearson III. A lei Normaltambém foi considerada uma vez que intervém nos cálculos relativos à lei de Pearson III. Os resultados assimobtidos apresentam-se na Figura 3.5.5 e Figura 3.5.6. 120 100 80 60 40 20 0 -3 -2 -1 0 1 2 3 -20 Amostra Lei normal Lei Gumbel Lei Pearson III Figura 3.5.5 - Série de caudais instantâneos máximos anuais na estação hidrométrica de Ponte Minhoteira (ajustamento de leis estatísticas) 250.00 200.00 150.00 100.00 50.00 0.00 -3 -2 -1 0 1 2 3 -50.00 Amostra Lei normal Lei Gumbel Lei Pearson III Figura 3.5.6 - Série de caudais instantâneos máximos anuais na estação hidrométrica de Pontede Vale Maior (ajustamento de leis estatísticas)102/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 104. De acordo com a Figura 3.5.5 e Figura 3.5.6, seleccionou-se a lei de Gumbel e a lei de Pearson III para aestação hidrométrica de Ponte Minhoteira e Ponte de Vale Maior, respectivamente, como sendo as que exibemmelhor ajustamento. Em concordância, o caudal de ponta de cheia com um período de retorno de 100 anos, naestação hidrométrica de Ponte Minhoteira (09F/01H), é de 107 m3/s e na estação de Vale Maior (09G/01H) de190 m3/s. Para um período de retorno de 2 anos, obtiveram-se 37,7 m3/s para a estação hidrométrica de PonteMinhoteira e 61,5 m3/s para a estação de Ponte Vale Maior.3.5.4.2. Aplicação da fórmula de MeyerEm complemento das estimativas do caudal de ponta de cheia apresentadas no subcapítulo anterior, procedeu-se ainda à avaliação do caudal por aplicação da fórmula de Meyer, (Quintela, 1984, p. 675 a 678).  Q1  A1    Q  Aem que A é a área das sub-bacias Vala Maceda (51,4 km2) e rio de Lamas(25,4 km2); A1 a área da baciahidrográfica da estação hidrométrica de Ponte Vale Maior (189,7 km2); Q e Q1 os correspondentes caudais deponta de cheia (m3/s). Para o coeficiente α adoptou-se o valor de 0,5 estimado por Loureiro (1984) para aZona 3.O caudal de ponta de cheia afluente às sub-bacias de Vala Maceda e rio de Lamas, para um período de retornode 100 anos, assim obtido, foi cerca de 99,0 e 69,6 m3/s, respectivamente. Para T=2 anos obteve-se cerca de32,0 m3/s para Vala Maceda e 22,5 m3/s para rio Lamas.3.5.5. Fórmulas de Base Estatística. Fórmula de LoureiroLoureiro (1984), tendo por base as séries de caudais instantâneos máximos anuais registadas em 55 estaçõeshidrométricas de Portugal Continental, apresenta fórmulas regionais do tipo: Q  CA Zem que Q é o caudal de ponta de cheia (m3/s) com período de retorno na bacia hidrográfica com área A (km2) eC e Z são parâmetros regionais , dependendo o primeiro do período de retorno.A bacia hidrográfica da secção de barrinha de Esmoriz e da estação hidrométrica de Ponte de Vale Maior estãorelativamente próximas, sendo os coeficientes C e Z a adoptar os correspondentes à região 3 (Figura 3.5.7)49,50 e 0,510, respectivamente.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 103/264Relatório (ver.2)
  • 105. Figura 3.5.7 - Regionalização proposta por Loureiro (1984)O caudal de ponta de cheia afluente à secção, para um período de retorno de 100 anos, obtido foi de 369,3 m3/spara Vala Maceda e 257,7 m3/s para rio de Lamas. Contudo este método conduz a caudais de ponta de cheia porexcesso, tornando a sua aplicação pouco fidedigna, podendo levar a um sobredimensionamento esubaproveitamento, do estudo hidrológico da bacia em questão.3.5.6. Regionalização de Cheias em Portugal ContinentalO estudo de regionalização de caudais instantâneos máximos anuais, permite estimar caudais de ponta de cheiacom dados períodos de retorno em secções da rede de drenagem de Portugal Continental em regime natural, naausência ou insuficiência de registos hidrométricos.Como resultado da aplicação da metodologia de Dalrymple (1960) e do método do índice de cheias às séries decaudais instantâneos máximos anuais em 120 estações hidrométricas portuguesas, propõem-se, assim, as seisregiões homogéneas, em termos de caudais de ponta de cheia, esquematizadas na Figura 3.5.8.104/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 106. Figura 3.5.8 - Proposta de regionalização de Portugal Continental no que se refere a caudais instantâneos máximos anuaisPara cada região foram estabelecidas duas relações:  Curva regional de distribuição de frequências Figura 3.5.9 (a) que, em função do período de retorno, T, fornece o quociente, QT / Q2.33, entre o caudal de ponta de cheia com aquele período, QT, e o índice de cheias, Q2.33;  Área da bacia hidrográfica objecto da análise de cheias, que permite obter o índice de cheia, Q2.33 Figura 3.5.9 (b). (a) (b) Figura 3.5.9 - Regionalização proposta para a região litoral a norte do rio Tejo: (a) Curvas regionais de distribuição de frequências; (b) Relação entre a área da bacia hidrográfica e o índice de cheias, Q2.33A sequência de cálculo que, baseada nas relações precedentes, conduz à estimativa de caudais de ponta decheia em secções não monitorizadas da rede hidrográfica de Portugal Continental efectua-se de acordo com asseguintes etapas:  i) definição da bacia hidrográfica relativa à secção de cálculo e obtenção da respectiva área, A;  ii) identificação da região homogénea em que tal bacia se insere;Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 105/264Relatório (ver.2)
  • 107.  iii) leitura, na curva regional de distribuição de frequências referente à anterior região, do valor da relação QT/Q2.33 correspondente ao período de retorno, T, para o qual se pretende estimar o caudal de ponta de cheia, QT;  iv) leitura, na curva que, para a região, relaciona áreas de bacias hidrográficas com índices de cheias, do valor deste índice, Q2.33, correspondente à área A obtida em i);  v) obtenção do caudal de ponta de cheia pretendido, QT, por multiplicação dos valores de QT/Q2.33 e de Q2.33, respectivamente obtidos em iii) e iv).Deste modo, obtiveram-se caudais de ponta de cheia de 50,1 m3/s e 20,5 m3/s para Vala Maceda e 30,9 m3/s e12,6 m3/s para rio de Lamas para períodos de retorno de 100 e 2 anos, respectivamente . Estes valores, nãoserão certamente uma boa aproximação do caudal de ponta de cheia afluente à secção da Barrinha de Esmoriz,visto que surge de uma análise de regressão linear simples no campo das deformadas logarítmicas de índice decheia (Q2.33) e a área da bacia.3.6. Caudal de ponta de cheia adoptadoNo Quadro 3.6.1 resumem-se os valores dos caudais de ponta de cheia afluentes às sub-bacias, fornecidospelos diferentes modelos aplicados. Quadro 3.6.1 - Síntese das estimativas dos caudais de ponta de cheia (m3/s) Caudais de ponta de cheia (m3/s) T=100 anos T=2 anos Procedimento Vala Maceda Rio de Lamas Vala Maceda Rio de Lamas Fórmula racional 274 153 112 64 Modelo do HUS do SCS: 230,4 179,4 57,0 51,0 Hietograma: 3tc; dt=30min Fórmula de Meyer 99,0 69,6 32,0 22,5Conforme se indica no quadro precedente, para os períodos de retorno considerados (T=100 anos e T=2 anos), aestimativa do caudal de ponta de cheia mais baixa corresponde à aplicação da fórmula de Meyer, enquanto oscaudais de ponta mais elevados correspondem à aplicação da fórmula racional. Deste forma consideraram-secomo valores mais próximos da realidade os valores calculados pelo modelo do HUS, do SCS, para ambas assub-bacias.Dado que o modelo do hidrograma unitário é reconhecido como o modelo mais adequado para estimar oshidrogramas de cheia necessários no prosseguimento dos estudos, apresentam-se de seguida os hidrogramasde cheia obtidos com recurso ao HUD do SCS a partir do hietograma não uniforme, com duração tripla do tempode concentração e distribuição temporal da precipitação efectiva por blocos alternados, com duração de 30 min,das sub-bacias.106/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 108. 250 Caudais afluentes (m3/s) 200 150 100 50 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52 55 58 61 64 67 70 73 Tempo (h) Rio Lamas (3tc-30min) Vala Maceda (3tc-30min) Figura 3.6.1 - Hidrogramas de cheias afluentes, correspondente a um período de retorno de 100 anos 60 50 Caudais afluentes (m3/s) 40 30 20 10 0 0:00 0:45 1:30 2:15 3:00 3:45 4:30 5:15 6:00 6:45 7:30 8:15 9:00 9:45 10:30 11:15 12:00 12:45 13:30 14:15 15:00 15:45 16:30 17:15 18:00 Tempo (h) rio Lamas (3tc-30min) Vala Maceda (3tc-30min) Figura 3.6.2 - Hidrogramas de cheias afluentes, correspondente a um período de retorno de 2 anosExiste ainda uma pequena área que drena para a Barrinha de Esmoriz com cerca de 5,5 km2 a qual seconsiderou, dada a sua reduzida dimensão, um caudal de cheia obtido a partir da média dos caudais específicosdas sub-bacias de Vala Maceda e rio Lamas (27,7 m3/s).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 107/264Relatório (ver.2)
  • 109. 108/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 110. 4. HABITATS NATURAIS E ESPÉCIES4.1. Flora e vegetação4.1.1. MetodologiaPara efeitos da caracterização da flora e vegetação presente na área de estudo, procedeu-se entre Setembro eNovembro de 2010 à realização de trabalho de campo para identificação das formações vegetais e das espéciesaí presentes. Com este levantamento teve-se como objectivos:  identificar a ocorrência de espécies RELAPE (Raras, Endémicas, Localizadas, Ameaçadas ou em Perigo de Extinção);  identificar a ocorrência das espécies constantes dos anexos B-II e B-IV do DL n.º 140/99);  identificar e delimitar cartograficamente a ocorrência de habitats naturais e semi-naturais constantes do Anexo B-I do DL n.º 140/99);  delimitar áreas de interesse conservacionista para as espécies da flora constantes do Anexo B-II do DL n.º 140/99.De forma a sistematizar a informação recolhida, e tendo em atenção o âmbito das intervenções pretendidas, acaracterização da flora e vegetação teve especial incidência nos dois sistemas mais representativos esimultaneamente mais sensíveis da área:  sistema dunar;  sistema lagunar.Complementarmente, foi efectuada uma caracterização global da zona envolvente mas à qual, face à elevadaintervenção antropogénica e baixo valor ecológico associado, não foi dado muito aprofundamento.De referir, no entanto, que ao efectuar os trabalhos de campo no Outono, não se cobrindo assim um ciclo anual,habitualmente imprescindível para a correcta caracterização florística, algumas das espécies características daárea não terão sido identificadas, não querendo isto significar que estejam ausentes do território. No Anexo 14apresentam-se as listagens de espécies da flora identificadas no âmbito do trabalho de campo realizado.Com base numa prospecção sistemática de toda a área de estudo, apoiada pelo levantamento aerofotográficodisponibilizado à equipa (datado de Agosto de 2010), e com recurso ao Global Positioning System (GPS),procedeu-se à delimitação e posterior digitalização em Sistema de Informação Geográfica das diversasformações vegetais presentes na área.O termo formação vegetal foi aplicado no âmbito deste trabalho a unidades de vegetação cartografadas, quepodem abranger mais que um habitat, mas que representam uma unidade, isto é, são manchas relativamentehomogéneas do ponto de vista fitocenótico, facilmente individualizáveis na paisagem e reconhecíveis quer nocampo quer em fotografia aérea. As formações vegetais identificadas apresentam-se como espontâneas,naturais ou semi-naturais, constituídas por espécies autóctones e naturalizadas, ou ainda como comunidadescom influência antropogénica, onde a estrutura e composição das mesmas depende da acção humana.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 109/264Relatório (ver.2)
  • 111. Para cada formação vegetal identificada efectuou-se uma breve caracterização fisionómica, florística e ecológicareferindo-se, quando aplicável, as espécies importantes do ponto de vista conservacionista e os habitatsconstantes do DL n.º 140/99.Complementarmente, efectuou-se uma análise comparativa em termos da ocupação das diversas formaçõesvegetais actualmente identificadas com as que foram cartografadas no âmbito do EIA do desassoreamento daBarrinha de Esmoriz (Hidro4 & Ecossistema, 1994).Sendo de especial relevância, no contexto conservacionista da área, a preservação dos habitats naturais, tendopor base as diversas formações vegetais, identificaram-se e cartografaram-se todos os habitats naturais e semi-naturais do Anexo B-I do DL n.º 140/99 que estão presentes na área de estudo. Neste âmbito, procedeu-se auma caracterização mais aprofundada dos mesmos, a qual foi efectuada com base no cruzamento entre otrabalho de campo realizado e a informação constante das fichas de caracterização e gestão dos habitats daRede Natura 2000 (ALFA, 2004).Para cada um dos habitats foram identificadas as espécies-chave presentes no momento do levantamento,possibilitando assim efectuar uma caracterização genérica. Para além da caracterização, tendo por base ascondições em que cada habitat se encontrava, avaliou-se o grau e o estado de conservação de cada habitat.A avaliação do grau de conservação foi efectuada utilizando a seguinte classificação: muito bom, bom, médio,baixo, muito baixo.O maior grau de conservação (muito Bom) corresponde a uma situação onde não existe qualquer tipo depresença/intervenção humana, mantendo o habitat as suas características e serviços originais inalterados. Omenor grau de conservação (muito Baixo) corresponde a uma situação onde a presença/intervenção humana étão elevada que o habitat se encontra extremamente degradado no que concerne à composição florística típica,integridade física e/ou serviços desempenhados.Segundo o artigo 3.º do DL n.º 140/99, ‘estado de conservação de um habitat natural’ é a situação do habitat emcausa em função do conjunto das influências que actuam sobre o mesmo, bem como sobre as espécies típicasque nele vivem, susceptível de afectar a longo prazo a sua distribuição natural, a sua estrutura e as suasfunções, bem como a sobrevivência a longo prazo das suas espécies típicas.O estado de conservação de cada habitat foi atribuído da seguinte forma: favorável, mediano, desfavorável.Deste ponto de vista, procedeu-se à identificação de todos os factores de pressão e de ameaça actualmenteexistentes, que de alguma forma coloquem em causa a manutenção do habitat num estado de conservaçãofavorável.4.1.2. Vegetação4.1.2.1. Formações vegetaisNa área em estudo destacam-se duas grandes unidades de vegetação natural bem diferenciadas:  Vegetação higrófita e helófita associada à zona lagunar e a depressões húmidas;  Vegetação xero-psamófila das dunas e areias litorais.110/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 112. Complementarmente, surgem diversas formações de cariz antropogénico, nomeadamente povoamentossilvícolas e campos agrícolas, formações de cariz ruderal associadas a caminhos e zonas de despejo de entulhose formações constituídas predominantemente por espécies exóticas invasoras, as quais, na globalidade,possuem um reduzido interesse no presente contexto.De referir ainda que uma parte considerável da área de estudo não possui qualquer tipo de vegetação vascularsuperior, a saber:  Praia;  Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa;  Zonas depressionárias sempre cobertas de água/plano de água.A vegetação higrófita e helófita distribui-se sobretudo em função i) dos níveis atingidos pela água e dos níveisfreáticos, ii) do grau de influência da água salgada, e iii) do tipo de substrato. Os factores mais importantes são afrequência e tempo em que a barrinha se encontra fechada/aberta ao mar e, consequentemente, a variaçãoanual dos períodos de encharcamento mais ou menos prolongados com água doce versus ciclos de maré comforte condicionamento dos gradientes salinos.A vegetação xero-psamófila das dunas e areias litorais distribui-se em função da distância à linha de costa ondeas acções que as originam são mais intensas (correntes, ventos, ondulação) num gradiente entre o barlavento(zona mais exposta ao vento) e o sotavento (zona mais abrigada). Neste sistema observam-se alteraçõesfrequentes, sobretudo na zona do barlavento, onde as fortes ondulações, ao incidirem sobre a duna, fazem comque esta avance ou recue ao longo do ciclo anual.Os sistemas dunares e as lagunas litorais são, à partida, sistemas com elevado fitogeodinamismo o qual, nopresente caso, se intensifica respectivamente pela enorme pressão existente sobre o cordão dunar e peladinâmica de fecho/abertura da Barrinha ao mar.Em seguida descrevem-se as diversas formações vegetais identificadas na área de estudo após um longoperíodo de fecho da Barrinha ao mar (meses de Verão) (Figura 4.1.1). Ao longo de, pelo menos, três meses queantecederam o levantamento de campo, o sistema lagunar era predominantemente dulçaquícola.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 111/264Relatório (ver.2)
  • 113. Figura 4.1.1 - Formações vegetais cartografadas no âmbito do presente estudo (Outubro, 2010)112/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 114. Vegetação higrófita e helófita associada à zona lagunar e valas afluentes  Salgueirais e amiais (inclui o habitat 91E0*): bosques palustres arbóreos com domínio de Salix atrocinerea (borrazeira-preta) e presença frequente de Alnus glutinosa (amieiro). No estrato arbustivo é possível encontrar, para além dos salgueiros (Salix spp.) de porte arbustivo, Sambucus nigra (sabugueiro), Crataegus monogyna (pilriteiro) e Rubus ulmifolius (silva). Normalmente associado a este, existe também um estrato lianóide (trepadeiras), onde ocorrem Hedera madeirensis subsp. iberica (hera), Lonicera periclymenum (madressilva-das-boticas), Tamus communis (uva-de-cão), Vitis vinífera (videira-europeia). Em alguns locais mais alagados, onde se observa inclusive a expansão dos salgueirais, o estrato herbáceo é dominado por Phragmites australis (caniço). Alguns núcleos estão pressionados pela presença de Eucalyptus globulus (eucalipto), Populus nigra (choupo negro; pontualmente plantado) e Acacia spp. (acácias; encontram-se em acentuada expansão). Desenvolvem-se em zonas alagadas e aplanadas, sobretudo na orla nascente da Barrinha.  Caniçais: formações graminóides de alto porte, dominadas por Phragmites australis (caniço). Correspondendo frequentemente a formações praticamente monoespecíficas de Phragmites australis, em algumas zonas mais periféricas ocorre com frequência Juncus maritimus (junco-das-esteiras) em grande abundância e pontualmente Bolboschoenus maritimus (triângulo) e Iris pseudacorus (lírio- amarelo-dos-pântanos). Phragmites australis parece estar em clara expansão ocupando, ao que parece, o que anteriormente foram zonas de juncal. Esta expansão ocorrerá com alguma intensidade nos períodos em que a Barrinha se encontra fechada e em que o meio é sobretudo dulçaquícola. Fora da zona húmida da Barrinha destaca-se a presença destas formações em duas depressões húmidas no espaço dunar onde, para além de Phragmites australis ocorrem, entre outras, Bolboschoenus maritimus e Juncus maritimus.  Juncais (inclui o habitat 1330)- formações de baixo e médio porte com domínio de Juncus maritimus. Ocorre sobretudo na orla do Caniçal, quer internamente (junto às margens do plano de água onde está mais sujeito a encharcamento), quer mais perifericamente (em zona de transição para o meio terrestre). Na parte interna destaca-se a existência de um núcleo mais extenso na margem norte do canal central. No entanto, nesta área, a densidade de vegetação é muito reduzida, existindo extensas áreas cobertas por água/lodos sem qualquer tipo de vegetação vascular. A diversidade florística associada é muito reduzida (Juncus maritimus, Bolboschoenus maritimus, Digitaria sanguinalis (milhã- digitada), Echinochloa crus-galli (milha-pé-de-galo) e Paspalum vaginatum (gramão), estas três últimas espécies apenas nas zonas com cota mais elevada e por isso sujeita a menor tempo de submersão). Na zona mais periférica (mais afastada do plano de água) o grau de cobertura da vegetação é bastante elevado (100%). Sendo Juncus maritimus em grande parte dominante, a presença floristica é bastante mais diversificada estando aí presentes Paspalum vaginatum em grande abundância, Panicum repens (escalracho), Digitaria sanguinalis, etc.. Também nesta situação parece ser uma formação em declíneo na área de estudo na medida em que, em todos os pequenos núcleos presentes, se observa a colonização por Phragmites australis e, em alguns locais por Spartina versicolor. Por outro lado, os elevados períodos de submersão nas zonas de cota mais baixa (devido ao fecho na Barrinha), não são favoráveis a esta formação que, no caso concreto do Juncus tende a apodrecer, dando lugar à ocorrência de bancos de lodo sem vegetação vascular.  Formações graminóides de baixo e médio porte: neste caso, em termos de representatividade cartográfica, destacam-se dois tipos de formações de médio porte: as de Spartina versicolor nas zonas não encharcadas (apresentadas na Figura 4.1.1 com a denominação de ‘vegetação exótica (Spartina versicolor)) e as de Echinochloa crus-galli (milha-pé-de-galo) nas zonas encharcadas, sendo que esta ocorre sobretudo na zona da foz da ribeira de Paramos (afluente norte da Barrinha). Em qualquer dos casos são formações praticamente monoespecíficas. Em termos de representação gráfica, constituindo situações distintas, nomeadamente no que respeita ao seu carácter invasor, optou-se por as diferenciar. Para além destas ocorrem formações graminóides de baixo porte, sobretudo compostas por Digitaria sanguinalis (milhã-digitada), Paspalum vaginatum (gramão) e Panicum repensEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 113/264Relatório (ver.2)
  • 115. (escalracho), as quais surgem intercaladas com os Juncais. No entanto, nestes casos não se cartografaram individualmente.Vegetação xero-psamófila das dunas e areais litoraisComunidades que incluem os sistemas arenosos litorais, que estão expostos, em menor ou maior grau, à acçãode agentes modeladores como o vento, marés, etc. Apresentam uma sucessão florística bastante diversificada,existindo plantas desde o porte herbáceo até ao porte arbustivo. Estas comunidades são compostas por espéciesessenciais no processo de formação dunar, possuindo adaptações morfológicas e fisiológicas que lhes permitemsobreviver nas condições adversas da orla marítima.Estas comunidades apresentam-se actualmente muito desgastadas por acções erosivas e forte intervençãoantrópica pelo que, actualmente, a vegetação se encontra bastante degradada.Ao nível das dunas e areias de praia onde ocorre vegetação esparsa a densa, destaca-se:  Vegetação litoral de praia e dunas móveis (inclui os habitats 1210, 2110 e 2120): caminhando do mar para o interior observa-se a seguinte sequência de comunidades (ou microgeossérie):  vegetação anual psamófila halonitrófila, pioneira, que se instala na linha de detritos transportados pelo mar nas marés vivas e tempestades, com poucas espécies, destacando- se Cakile marítima (eruca-marítima);  comunidade de hemicriptófitos halófilos e psamófilos, que ocupa a duna móvel embrionária, ou seja, a faixa de praia alta que só é atingida pelas vagas durante as tempestades sendo dominada por Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus (feno-das-areias);  comunidade psamófila fortemente dominada por Ammophila arenaria subsp. arundinacea (estorno) que coloniza as dunas móveis (instáveis ou primárias), ou dunas brancas, influenciadas pela salsugem e fortemente oligotróficas.  Vegetação de dunas penestabilizadas e estabilizadas (inclui o habitat 2130*): vegetação camefítica dominada por Artemisia campestris subsp. maritima (madorneira) com elevado grau de cobertura, assumindo um importante papel na estabilização das areias dunares. Desenvolve-se sobre dunas penestabilizadas (semifixas ou secundárias), ou dunas cinzentas, onde ocorre movimentação de areias apenas em pequenos corredores, sem alteração das cristas; inclui outras espécies adaptadas a biótopos xéricos e quentes mas abrigados dos ventos marítimos, como Helichrysum italicum subsp. picardii (perpétua-das-areias), Scrophularia frustescens e Malcolmia littorea (goivinho-da-praia). São também refúgios de endemismos, neste caso de Jasione maritima var. sabularia (= Jasione lusitanica). A sua integridade encontra-se ameaçada pela invasão de flora exótica, sobretudo Acacia longifolia (acácia-de-espigas) e Carpobrotus edulis (chorão-das-areais).Vegetação arbórea de espécies silvícolasNa área de estudo ocorrem diversas espécies silvícolas em povoamentos estremes ou em consociação. Estespovoamentos são, no entanto residuais, sendo o coberto sub-arbóreo autóctone praticamente inexistente e seminteresse conservacionista. Frequentemente o sub-bosque encontra-se dominado por Acacia longifolia (acácia-de-espigas - presente sobretudo na metade poente da área de estudo) e Acacia melanoxylon (austrália -presente sobretudo na metade nascente da área de estudo).Os pinhais de Pinus pinaster (pinheiro-bravo), outrora frequentes na parte sul da área de estudo, são agorapraticamente inexistentes devido ao corte e à caducidade das árvores. No âmbito deste estudo considera-se uma114/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 116. unidade não cartografável na medida em que o número de árvores é já muito diminuto, encontrando-se a áreaoriginal de distribuição dominada pela Acacia longifolia (acácia-de-espigas).Restam assim:  Eucaliptal (Eucalyptus globulus): residual surgindo com elevadas densidades de acácias;  Choupal (Populus nigra): residual, surgindo junto e/ou consociado com salgueirais, em zonas mais húmidas.Vegetação exótica invasoraMuito frequente na área de estudo destacando-se aqui as formações com as seguintes espécies: Acacialongifolia (acácia-de-espigas), Acacia melanoxylon (austrália), Cortaderia selloana (erva-das-pampas),Carpobrotus edulis (chorão-das-areias) e Spartina versicolor.No caso das acácias, estas surgem em grandes extensões, formando bosquetes por vezes muito densos,substituindo quer as antigas áreas de Pinhal quer a vegetação ripícola nativa. A Acacia longifolia (acácia-de-espigas) está presente na zona poente da área de estudo onde predominam as areias, enquanto que a Acaciamelanoxylon (austrália) está presente sobretudo na zona nascente, junto às margens da Barrinha e Vala deMaceda.No caso de Spartina versicolor, que constitui uma formação graminóide de médio porte, esta ocorre na zonahúmida, predominantemente em áreas em que o encharcamento do solo não é permanente. Encontra-se emexpansão, estando a ocupar sobretudo áreas de juncal e ocorrendo sobretudo em formação praticamentemonoespecífica.Na generalidade dos casos observa-se uma expansão destas espécies invasoras em toda a área de estudo,incluindo zonas de Caniçal/Juncal (Acacia sp. e Spartina versicolor) e cordão dunar (Acacia sp. e Carpobrotusedulis).Para além das referidas formações vegetais cuja cartografia se apresenta na Figura 4.1.1, na área de estudoestão ainda presentes outras formações com elevada influência antropogénica, nomeadamente as comunidadesruderais, difundidas um pouco por toda a área (beira de caminhos, zonas de despejo de entulhos e aterros, orlasagrícolas e de edifícios) e as comunidades associadas aos campos agrícolas (zona nascente da área de estudo).Trata-se sobretudo de um conjunto de espécies herbáceas, comuns na generalidade do território e sem qualquerrelevância conservacionista. Estas unidades não foram recenseadas nem cartografadas.4.1.2.2. Evolução das formações vegetaisAnalisando a evolução do coberto vegetal da área de estudo, entre 1994 (Hidro4 & Ecossistema, 1994), cujasituação se apresenta na Figura 4.1.2, e a actualidade (Figura 4.1.1) observam-se algumas diferenças as quais,tendo diferentes origens, no global contribuíram para um empobrecimento da riqueza e da qualidade ecológicada área:  acentuada regressão dos Juncais a favor da expansão do Caniçal e de espécies exóticas;  acentuada expansão de espécies exóticas, com destaque para as acácias, que alastraram continuamente por toda a zona sul da Barrinha, penetrando fortemente no meio palustre;  acentuadíssima regressão das áreas de pinhal que, actualmente, no interior da área de estudo deixaram de ser cartografáveis. Foram substituídos por uma área de eucalipto e por uma extensa áreaEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 115/264Relatório (ver.2)
  • 117. de Acacia longifolia. O pinheiro-bravo é agora pouco abundante e os exemplares restantes encontram- se decrépitos;  parece ter ocorrido uma expansão do bosque ripícola na zona nascente da Barrinha, isto apesar de actualmente se verificarem no terreno vários abates e terraplenagens sobre esta formação vegetal.No que respeita ao cordão dunar:  na zona sul, junto à praia de Esmoriz, verificou-se uma expansão significativa da vegetação dunar como resultado de uma operação de requalificação dunar através da instalação de paliçadas e passadiços;  na zona norte verifica-se uma regressão acentuada da área ocupada por vegetação dunar na zona adjacente ao actual dique e, um pouco mais a norte, embora não visível na cartografia agora produzida (na medida que que se encontra fora da área de estudo), uma redução da vegetação dunar em cerca de 40% da área. Esta redução deveu-se à ocupação dessa zona por um campo de golfe e à implantação da pista de aeromodelismo de Paramos. Nessa zona aplanada, as espécies características da duna cinzenta que ainda marcam forte presença são Jasione maritima var. sabularia (= Jasione lusitanica), Helichrysum italicum subsp. picardii (perpétua-das-areias) e Corynephorus canescens (erva-pinchoneira).116/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 118. Figura 4.1.2 - Formações vegetais cartografadas no âmbito do EIA em 1994Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 117/264Relatório (ver.2)
  • 119. 4.1.3. Espécies da flora com valor conservacionistaSegundo o PSRN2000, no SIC Barrinha de Esmoriz ocorrem duas espécies da flora constantes do DL n.º 140/99:  Jasione maritima (Duby) Merino var. sabularia (Cout.) Sales & Hedge  Spiranthes aestivalis (Poiret) l.C.M Richard.Para além destas, refira-se ainda a presença confirmada de Herniaria ciliolata subsp. robusta (endemismoeuropeu com estatuto de Vulnerável) e Linaria caesia subsp. decumbens (ansarina; endemismo ibérico nãoameaçado). Ambas as espécies ocorrem no cordão dunar.4.1.3.1. Jasione maritima var. sabulariaÉ uma erva perene da família Campanulaceae, com caules normalmente muito folhosos e erectos, de alturainferior a 50 cm. Apresenta folhas relativamente pequenas, linear-oblongas ou oblongo-elípticas e flores azuis oulilacíneas, em pequenos glomérulos. Esta variedade é um endemismo lusitano, porque só ocorre nas dunascosteiras (sobretudo na duna cinzenta) do Norte de Portugal (Minho, Douro Litoral e Beira Litoral). Trata-se deuma espécie:  do Anexo I da Convenção de Berna – relativa à Conservação da Vida Selvagem e do Meio Natural da Europa (1979);  em perigo de extinção pela publicação “Plantas a Proteger em Portugal Continental” (SNPRCN, 1985);  com estatuto de ‘vulnerável’ pela “Lista de espécies Botânicas a proteger em Portugal Continental” (SNPRCN, 1990);  incluída na publicação “List of Rare, Threatened and Endemic Plants in Europe”, Nature and Environment, n.º14 e n.º17, Conselho da Europa Estrasburgo , 1983 (in Alves, 2001);  do Anexo B-II (espécie de interesse comunitário cuja conservação requer a designação de zonas especiais de protecção) e do Anexo B-IV (espécie de interesse comunitário que exige uma protecção rigorosa) do DL n.º 140/99.A listagem de sinónimos, fornecida pela Flora Iberica, indica que esta variedade já foi inadvertidamenteconsiderada como Jasione lusitanica A. DC., sendo esta última considerada, pelos autores da mesma obra, comosendo um sinónimo de Jasione montana L. var. montana, planta anual, que tem uma distribuição por toda aEuropa (incluindo as dunas costeiras do corte de Portugal) e Noroeste de África.Assim, no presente estudo considerou-se que o taxon referido nos Anexos B-II e B-IV DL n.º 140/99 por Jasionelusitanica A. DC., como endemismo lusitano, não corresponde à Jasione montana L. var. montana, mas sim aJasione maritima (Duby) Merino var. sabularia (Cout.) Sales & Hedge.Na área de estudo, e apesar da época em que o trabalho de campo foi realizado, foi possível comprovar a suapresença no cordão dunar na duna cinzenta (dunas fixas com vegetação herbácea) e na área mais interior (jáfora da área de estudo), onde actualmente existe um campo de golfe pouco frequentado e uma pista deaeromodelismo. Nesta zona observou-se a presença residual de algumas espécies características do sistemadunar indiciando assim que, no passado, antes da implantação destas infra-estruturas, a duna cinzenta estariaaqui bem conservada.118/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 120. Na Figura 4.1.3 apresenta-se a distribuição (potencial e confirmada) da espécie na área de estudo. Na zona daduna cinzenta, a espécie parece encontrar-se localizada em poucos locais, ocupando pequenas depressõesonde a cobertura do solo é menor. Na zona do campo de golfe e envolvente à pista de aeromodelismo, a espécieapresenta grande abundância. Figura 4.1.3 - Distribuição de Jasione maritima (potencial e confirmada) na área de estudoEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 119/264Relatório (ver.2)
  • 121. A preservação desta espécie na área de estudo passa pela salvaguarda e preservação do ecossistema dunarestando preconizadas pelo PSRN2000 um amplo conjunto de orientações de gestão com incidência sobre estaespécie (Quadro 1.7.2).4.1.3.2. Spiranthes aestivalisRelativamente a Spiranthes aestivalis, uma espécie da família Orchidaceae, esta não foi confirmada no decorrerdos trabalhos de campo. No entanto há a referir que estes trabalhos não cobriram toda a área do SIC e que aépoca do ano em que decorreram não foi a mais apropriada para detectar a sua presença, na medida em quefloresce entre Junho e Agosto. Trata-se de um geófito de prados húmidos e encharcados, depressões húmidasnas dunas litorais.A espécie distribui-se pelo Sudoeste e Centro da Europa e costas mediterrâneas do Noroeste de África. Emborano passado lhe tenha sido atribuído o estatuto de ‘Extinto’ pela “Lista de espécies Botânicas a proteger emPortugal Continental” (SNPRCN, 1990), sendo rara, está presente na generalidade do país.Consta:  do Anexo I da Convenção de Berna – relativa à Conservação da Vida Selvagem e do Meio Natural da Europa (1979);  incluída na publicação “List of Rare, Threatened and Endemic Plants in Europe”, Nature and Environment, n.º14 e n.º17, Conselho da Europa Estrasburgo , 1983 (in Alves, 2001);  do Anexo B-IV do DL n.º 140/99 (espécie de interesse comunitário que exige uma protecção rigorosa).4.1.4. Habitats naturais4.1.4.1. CaracterizaçãoNa sequência da prospecção de campo realizada foram identificados os seguintes habitats do Anexo B-I do DLn.º 140/99 (Figuras 4.1.4 e 4.1.5):  Lodaçais e areais a descoberto na maré-baixa (1140);  Lagunas costeiras (1150*);  Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela maré (1210);  Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae) (1330);  Dunas móveis embrionárias (2110);  Dunas móveis do cordão litoral com estorno (Ammophila arenaria) («dunas brancas») (2120);  Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas») (2130*);  Florestas aluviais de Alnus glutinosa (amieiro) e Fraxinus excelsior (freixo-europeu) (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) (91E0*).120/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 122. Figura 4.1.4 - Habitats naturais da DL n.º 140/99. Situação: Barrinha fechada ou em contacto com o mar em preia-marEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 121/264Relatório (ver.2)
  • 123. Figura 4.1.5 - Habitats naturais do DL n.º 140/99. Situação: Barrinha em contacto com o mar em baixa-mar122/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 124. O habitat que ocupa maior área é a Laguna costeira (1150*) com cerca de 24 ha, seguindo-se-lhe os Lodaçais eareais a descoberto na maré baixa (1140), com cerca de 20 ha. No conjunto da área de estudo destaca-se aindaa elevada representatividade das florestas aluviais de Alnus glutinosa (amieiro) (91E0*), com cerca de 10 ha, eos vários habitats dunares, com aproximadamente 15 ha (Figura 4.1.6). 25,00 20,00 15,00 Área (ha) 10,00 5,00 0,00 1140 1150 1210 1330 2110 2120 2130 91E0 Habitat Figura 4.1.6 - Área ocupada por cada habitatLodaçais e areais a descoberto na maré-baixa (1140)Na área de estudo está representado pelo subtipo ‘Lodaçais e areais desprovidos de vegetação vascular(1140pt1)’.Segundo a respectiva ficha de caracterização (ALFA, 2004), são lodaçais e areais de estuários, costas oceânicase lagunas costeiras que ficam a descoberto na maré baixa, estando desprovidos de plantas vasculares. Trata-sede plataformas constituídas por sedimentos finos não consolidados que, na sua vizinhança, em direcção a águasmais profundas, são frequentes bancos de areia sem vegetação vascular ou ocupados por monocotidedóneasgraminóides perenes (habitat 1110) e, em direcção a terra, comunidades de Spartina maritima (habitat 1320).É um habitat com presença de povoamentos de invertebrados, sendo importante como área de alimentação dediversas espécies de aves, sobretudo aves limícolas.Na área da Barrinha este habitat só está presente quando a Barrinha se encontra em contacto com o mar,estando assim sob acção directa das marés (Figura 4.1.7). Nos períodos em que o dique fusível se encontrafechado, este habitat encontra-se permanentemente submerso (Figura 4.1.8).Na área de estudo enfrenta como principais ameaças a poluição que chega às águas da Barrinha pelolançamento de efluentes industriais/urbanos nas valas afluentes, e o dique fusível que, tendo sido construídopara evitar a deterioração das praias durante a época balnear pelas águas poluídas, provoca a submersãoprolongada deste habitat, independentemente do regime das marés. Esta acção, além de alterar o que seriam oscontactos catenais típicos deste habitat (habitats 1110 e 1320) – inexistentes no presente caso - afecta toda aEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 123/264Relatório (ver.2)
  • 125. comunidade de invertebrados presentes nestes lodaçais e areais, a qual é muito pobre (ver subcapítulo 6.1.1.3)bem como a sua normal utilização pela avifauna.Nos períodos em que o dique fusível se encontra aberto, a situação que se pode observar em preia-mar éequivalente à representada na Figura 4.1.8, com a particularidade de existir um gradiente salino mais intenso,sendo a salinidade na proximidade da embocadura muito alta. Figura 4.1.7 - Habitats ‘Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa’ e ‘Lagunas costeiras’ Figura 4.1.8 - Mesmo local da Figura 3.7 submerso durante a época balnear devido ao fecho do dique fusível (imagem equivalente nos períodos de preia-mar)124/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 126. Tendo em conta as condições hidrodinâmicas da Barrinha, bem como a poluição da água e dos sedimentos asquais, no seu conjunto, condicionam fortemente as características e serviços típicos deste habitat, pode-seconsiderar que este apresenta um grau de conservação muito baixo.Lagunas costeiras (1150*)Trata-se de superfícies costeiras de água livre salgada ou salobra, de volume e salinidade variável, total ouparcialmente separadas do mar por bancos de areia ou de seixos.Segundo a ficha de caracterização deste habitat (ALFA, 2004), as lagunas costeiras ou litorais – lagoas costeirasde água doce ou salobra – ocorrem em costas baixas ou em reentrâncias de linhas de costa alta. Resultam daoclusão, mais ou menos permanente, da abertura ou "barra” de comunicação com o mar, de pequenasdepressões localizadas no término de linhas de água temporárias ou permanentes com débitos muito irregulares.Estas linhas de água não transportam volumes de água suficientes para manter a “barra” aberta e impedir o seucompleto assoreamento.Por vezes, durante tempestades com grandes quedas de precipitação na bacia hidrográfica que drena para alaguna, ou durante tempestades coincidentes com marés-vivas, a barra das lagunas costeiras reabretemporariamente permitindo a entrada de água salgada. A água salgada também pode penetrar através datoalha freática subterrânea dando origem à formação de águas salobras. A salinidade da água lagunar dependeainda da precipitação e das taxas de evaporação.Trata-se de um habitat complexo constituído por mosaicos de comunidades vegetais muito diversos em cujagéneses são determinantes factores como a profundidade da água, o teor em sais da água, a trofia da água, avariabilidade estacional da altura da água, a morfologia das margens, as características da rede hidrográfica queabastece em água doce a laguna e a probabilidade de inundação pela água do mar.As lagunas costeiras como “habitat complexo” que são, podem incluir vários “habitats simples” do Anexo B-I doDL n.º 140/99.No entanto, o fecho artificial mais ou menos prolongado da Barrinha provoca a subida da água no interior dalaguna condicionando assim o gradiente salino natural da área e o tipo de vegetação (habitats) que aí sedesenvolve.Nestes períodos a salinidade é inexistente, pelo que as comunidades halófilas, diferenciadoras das lagoas deágua doce, se encontram fracamente desenvolvidas ou praticamente inexistentes. Assim, habitats habitualmenteinseridos nas lagunas costeiras, como sejam vegetação pioneira de Salicornia (1310), não são observados nestaárea. Mesmo os lodaçais e areais a descoberto na maré baixa (1140), tal como referido anteriormente,encontram-se frequentemente submersos por longos períodos, apresentando-se assim muito aquém do que seriadesejável ao nível dos serviços prestados.Identificam-se algumas áreas de juncais sub-halófilos que, devido à baixa salinidade do meio e a elevadosperíodos de submersão, se apresentam descontinuados e, em geral, com uma reduzida cobertura. Estascomunidades, sendo pontuais, surgem sobretudo na orla dos caniçais e/ou nos locais em que a cota do leito émais elevada.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 125/264Relatório (ver.2)
  • 127. Figura 4.1.9 - Habitat ‘Lagunas costeiras’ (vista da zona interior da Barrinha em preia-mar)Como elemento diferenciador de uma laguna de água salgada destaca-se o forte desenvolvimento dos caniçaiscom Phragmites australis (classe Phragmito-Magnocaricetea). De referir que esta comunidade tem o seu óptimode desenvolvimento no período em que a Barrinha se encontra fechada, sofrendo depois alguma deterioraçãocom a abertura ao mar devido ao aumento da salinidade.Face à má qualidade da água que chega à Barrinha e às condições hidrodinâmicas da mesma, observa-se assimque este habitat se encontra muito aquém do que seria o seu óptimo. Segundo os dados recolhidos ao nível doestado ecológico da água, e tendo em conta a situação de assoreamento em que a laguna se encontra, o seugrau de conservação é muito mau e, caso as pressões continuem a ocorrer, verificar-se-á uma diminuiçãocontinuada da área da laguna.Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae) (1330)Corresponde a prados-juncais higrófilos, sub-halófitos, com elevado grau de cobertura de juncáceas egramíneas. Na área de estudo corresponde a formações de salinidade muito baixa com dominância de Juncusmaritimus (junco-das-esteiras).Contacta catenalmente com canaviais de helófitas (classe Phragmito-Magnocaricetea).Há indícios de no passado ter sido um habitat bastante bem representado na Barrinha. No entanto, face àsalterações da dinâmica de abertura da Barrinha ao mar, que propicia elevados períodos de submersão da áreacom água doce, favorável à expansão de Phragmites australis (caniço), este habitat está em acentuadaregressão. Além disso são comuns diversas neófitas infestantes como sejam Spartina versicolor e Paspalumvaginatum (gramão).126/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 128. Em alguns locais, sobretudo nas zonas adjacentes ao canal central, considera-se que os juncais aí presentes,tendo uma reduzida cobertura do solo, com grandes extensões intermédias de lodos (provavelmente resultantesda mortalidade de Juncus maritimus (junco-das-esteiras) devido a elevados períodos de submersão) já nãopossuem as características fitocenóticas suficientes para serem incorporados neste habitat. Figura 4.1.10 - Habitat ‘Prados salgados atlânticos’ com indícios de colonização por Phragmites australis (caniço) em segundo planoVegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela maré (1210)Este habitat desenvolve-se imediatamente acima da faixa intermareal sobre os detritos orgânicos trazidos pelomar, em contacto com as dunas embrionárias (habitat 2110). Possui comunidades psamófilas, costeiras,relativamente pobres em espécies, normalmente com caules e folhas algo suculentos dominados por Cakilemaritima (eruca-marítima).Na área de estudo está representado numa faixa muito estreita e intermitente, destacando-se a sua presença emmaior expressão na zona imediatamente a sul do esporão sul da praia de Paramos. No entanto, face à pressãocausada pela época balnear, ao pisoteio causado pela circulação de veículos e de cavalos e, sobretudo, àintensa erosão sentida nesta zona da costa durante os períodos de marés vivas, este é um habitat que tenderá adesaparecer devido ao efeito de recuo da linha de costa.Na visita de campo de Setembro era facilmente observável na generalidade da área de estudo (excepto na zonaonde ocorrem os trabalhos de reforço do dique fusível da Barrinha – Figura 1.7.3), sendo Cakile maritima aespécie dominante. No entanto, na visita de Outubro, após a ocorrência das marés vivas, esta comunidade jánão era visível na generalidade da área. Na zona a sul da Barrinha, o trabalho de campo decorreumaioritariamente após o período de marés-vivas, não tendo sido possível confirmar a ocorrência deste habitatnessa área, pelo que, muito provavelmente, a delimitação apresentada na Figura 4.1.5 se encontra por defeito,sendo a área real ocupada por este habitat um pouco superior à apresentada na Figura 4.1.4.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 127/264Relatório (ver.2)
  • 129. Dunas móveis embrionárias (2110)Este habitat coloniza solos com baixa percentagem de matéria orgânica e elevado pH e salinidade da praia alta esectores mais elevados da praia média afectados pelas vagas durante as tempestades e marés vivas e por issosujeitos a uma forte movimentação de areias. As comunidades que o constituem são halopsamófilas de baixograu de cobertura, dominadas por Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus (feno-das-areias) por vezes emcomunidades quase puras (Figura 4.1.11). Ocorrem ainda outras espécies como Eryngium maritimum (cardo-marítimo), Euphorbia paralias (morganheira-das-praias), Calystegia soldanella (couve-marinha) e Pancratiummaritimum (narciso-das-areias).Espacialmente, localiza-se entre as comunidades halopsamófilas e nitrófilas anuais da frente de praia(habitat 1210) e as comunidades vivazes dominadas por Ammophila arenaria (estorno) que colonizam a dunabranca (habitat 2120).Este habitat está bastante bem representado na área. Embora se observe em alguns locais um forte pisoteio,quer pela sua utilização indevida na época balnear, quer pela circulação de cavalos e veículos que atravessam aduna, considera-se que possui um grau de conservação mediano. No entanto, há uma tendência de diminuiçãoda área de ocorrência deste habitat devido à subida do nível do mar com a consequente erosão da praia média ealta, fenómeno que é bem visível na área de estudo, sobretudo nos períodos de marés vivas (Figura 4.1.12), peloque se atribui um estado de conservação desfavorável. Figura 4.1.11 - Habitat ‘Dunas móveis embrionárias’ (zona norte da Barrinha)onde é visível a dominância de Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus (feno-das-areias)128/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 130. Figura 4.1.12 - Erosão da duna embrionária (zona norte da Barrinha)Dunas móveis do cordão dunar com Ammophila arenaria (“dunas brancas”) (2120)Este habitat estende-se desde as cristas das dunas embrionárias mais interiores da praia alta até às dunasmóveis influenciadas pela salsugem, localizando-se entre as comunidades vivazes de Elymus farctus subsp.boreali-atlanticus (feno-das-areias) típicas da praia alta e as comunidades camefíticas arbustivas da dunacinzenta.As dunas brancas são, assim, denominadas devido aos extensos espaços de areia não cobertos por vegetação edas cores glaucas dominantes na flora presente, sendo também designadas de dunas móveis, vivas, instáveis ouprimárias pois as partículas arenosas não se encontram estabilizadas.A vegetação que caracteriza este habitat é dominada por Ammophila arenaria subsp. arundinacea (estorno),típica do sector mais elevado e interior da praia alta, principalmente das cristas de duna branca, onde forma tufosde elevada densidade. Ocorrem ainda espécies como Medicago marina (luzerna-das-praias), Lotus creticus(trevo-de-Creta), Pancratium maritimum (narciso-das-areias), Euphorbia paralias (morganheira-das-praias),Eryngium maritimum (cardo-marítimo), Calystegia soldanella (couve-marinha), entre outras.Este habitat, sendo o que atinge as cotas mais elevadas na área de estudo, está aqui fracamente representado,encontrando-se bastante degradado devido, sobretudo ao pisoteio provocado por pessoas que usam estas dunaspara a prática balnear e pela circulação de cavalos. Esta situação agrava-se em determinadas alturas do anodevido à ocorrência das marés vivas com a consequente erosão, verificando-se uma nítida tendência ao seudesaparecimento.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 129/264Relatório (ver.2)
  • 131. Figura 4.1.13 - Habitat ‘Dunas móveis do cordão dunar com Ammophila arenaria’ (estorno)Dunas fixas com vegetação herbácea (“dunas cinzentas”) (2130*)As dunas cinzentas constituem uma sucessão de cristas e corredores interdunares e caracterizam-se porapresentarem estabilidade das suas partículas arenosas e solos com baixa percentagem de matéria orgânica,baixa salinidade e pH ácido a neutro.É um habitat dominado por comunidades arbustivas de baixo porte, psamófilas, com um grau de cobertura muitoelevado, assumindo um importante papel na estabilização das areias dunares, contribuindo fortemente para aconservação dos solos que aí se originam e para a protecção e reabastecimento das toalhas freáticas de águadoce.Na área de estudo ocorre o subtipo «Duna cinzenta com matos camefíticos dominados por Helichrysum picardii(perpétua-das-areias) e Iberis procumbens e caracterizados pela ausência de Armeria sp. pl. (2130*pt3)». Figura 4.1.14 - Habitat ‘Dunas fixas com vegetação herbácea’130/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 132. Trata-se de um subtipo de dunas cinzentas de carácter pouco termófilo, submetidas frequentemente aosnevoeiros estivais. Floristicamente apresentam como espécies dominantes: Artemisia campestris subsp. maritima(madorneira), Crucianella marítima (granza-da-praia), Helichrysum italicum subsp. picardii (perpétua-das-areias)e Malcomia littorea (goivinho-da-praia), com presença de Scrophularia frutescens, Iberis procumbens subsp.procumbens, Linaria caesia subsp. decumbens (ansarina) e Jasione maritima var. sabularia (= Jasionelusitanica).Habitualmente localizam-se entre o cordão dunar instável (habitats 2110 e 2120) e as dunas estabilizadas para ointerior. No presente caso, as dunas estabilizadas mais interiores foram há muito completamente destruídasdevido à actividade humana, nomeadamente pela construção de um campo de golfe e da pista deaeromodelismo e aeródromo de Paramos, encontrando-se toda a área interior terraplenada e onde os núcleos deAcacia sp. se encontram em expansão.Em termos de ocupação, este é o habitat do cordão dunar melhor representado na área de estudo. No entanto,apresenta-se muito pisoteado, com inúmeros carreiros de acesso à praia, com alguns depósitos de lixo e comalguns focos de infestação por Acacia longifolia (acácia-de-espigas) e Carpobrotus edulis (chorão-das-areias). Adegradação da comunidade, quer por efeito do pisoteio quer por pressão de espécies invasoras, traduz-se numestado de conservação desfavorável.Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)(91E0*)Na área de estudo está representado pelo subtipo amiais e salgueirais paludosos (91E0*pt3).Trata-se de bosques paludosos de amieiros e/ou borrazeira-negra próprios de solos permanentementeencharcados, com acumulação de matéria orgânica, mal drenados e ácidos. No estrato arbóreo domina Alnusglutinosa (amieiro) e/ou Salix atrocinerea (borrazeira-preta), no estrato lianóide Hedera helix (hera), Tamuscommunis (uva-de-cão), Lonicera peryclimenum subsp. peryclimenum (madressilva-das-boticas); estratoarbustivo com Crataegus monogyna (pilriteiro), Frangula alnus (amieiro-negro) e Rubus ulmifolius (silvas) eestrato herbáceo com helófitos de grandes dimensões (Phragmito-Magnocaricetea) e pteridófitos como Osmundaregalis (feto-real) (ALFA, 2004).Este habitat está presente no limite nascente da Barrinha, fazendo a transição entre o meio aquático e a áreaagrícola adjacente. Em termos arbóreos domina Salix atrocinerea (borrazeira-preta). A principal ameaça é o cortedas árvores para aproveitamento da madeira e a tendência de substituição por espécies exóticas invasoras(Acacia sp.), que já dominam em grande parte da área, nomeadamente nas zonas adjacentes às margens daVala de Maceda.4.1.4.2. Estado de conservação dos habitatsComo foi possível constatar pelo anteriormente descrito, na área de estudo ocorrem dois grandes grupos dehabitats: os habitats associados às areias de praia/sistema dunar e os habitats associados ao sistema húmido daBarrinha.Genericamente, e por motivos diferentes, ambos os grupos se encontram degradados e, face às ameaças epressões em curso, sobre eles recai um estado de conservação maioritariamente desfavorável (Quadro 4.1.1).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 131/264Relatório (ver.2)
  • 133. No caso dos habitats das areias de praia/sistema dunar, os principais factores de degradação são o fortepisoteio, não só durante a época balnear mas, na generalidade do ano, por pessoas, veículos e cavalos(oriundos da escola de equitação existente na proximidade). Este tipo de pressão deteriora a comunidade típicadestes habitats e fragiliza a consolidação das areias, facilitando o processo erosivo. Complementarmente, asubida do nível médio das águas do mar e a respectiva intensificação dos fenómenos erosivos (facilitados pelopisoteio), conduz a uma regressão do sistema dunar e dos respectivos habitats.A invasão por Acacia sp. (a partir da zona mais interior) e por Carpobrotus edulis (chorão-das-areias), o despejode entulhos/lixo, bem como a infra-estruturação turística (campo de golfe que foi construído ocupando área deduna cinzenta) contribuem fortemente para a degradação deste habitat.Nos habitats associados ao sistema húmido, os principais factores de degradação são a má qualidade da águaque chega à Barrinha (com a consequente transferência de contaminação para os sedimentos) e o assoreamentodo meio. As características hidrodinâmicas da Barrinha (abertura e fecho da barra) associadas à forma como agestão da abertura é efectuada, contribuem para um empobrecimento do número e qualidade dos habitats daDirectiva, sobretudo devido às alterações na dinâmica salina e períodos de submersão dos habitats, com nítidasrepercussões na sucessão florística. Na zona periférica assiste-se a uma invasão de alguns habitats por espéciesexóticas com destaque para as acácias, que começam a invadir zonas de bosques ripícolas e áreas paludosas,bem como pela Spartina versicolor, que ocupa já extensas áreas de juncal. Quadro 4.1.1 - Ameaças, grau e estado de conservação dos habitats naturais Grau de Estado deHabitat Ameaças conservação conservação 1140 Poluição da água e dos sedimentos, assoreamento, abertura/fecho artificial da barra Muito Baixo Desfavorável 1150* Poluição da água, assoreamento, abertura/fecho artificial da barra Muito Baixo Desfavorável 1210 Pisoteio durante época balnear, erosão costeira Baixo Desfavorável Invasão por espécies exóticas (Acacia longifolia – acácia-de-espigas, Spartina 1330 Muito Baixo Desfavorável versicolor) e por Phragmites australis (caniço) 2110 Pisoteio, circulação de veículos, circulação cavalos, erosão costeira Médio Desfavorável 2120 Pisoteio, circulação de veículos, circulação cavalos, erosão costeira Muito baixo Desfavorável Pisoteio, circulação de veículos, circulação cavalos, erosão costeira, invasão por 2130* Baixo Desfavorável espécies exóticas (Acacia longifolia e Carpobrotus edulis – chorão-das-areias) Corte para lenha, Aterro, Invasão por espécies exóticas (Acacia melanoxylon - 91E0* Médio Mediano austrália)* Habitat prioritárioTendo em atenção que a maioria dos habitats identificados se encontram degradados e com estado deconservação desfavorável, caso não se implementem rapidamente as orientações gestão preconizadas para esteSIC, os valores em presença, nomeadamente grande parte dos habitats, tenderão a desaparecer num curtoespaço de tempo.Dos onze habitats referenciados pelo PSRN2000 para a Barrinha de Esmoriz, na área de estudo apenas foiconfirmada a ocorrência de sete habitats, identificando-se ainda um que o Plano não referenciava (Lodaçais eareais a descoberto na maré baixa, 1140).Assim, na área de estudo não se confirmou a ocorrência de:  Prados de Spartina (Spartinion maritimae) (1320);132/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 134.  Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-Holoschoenion (6420);  Florestas mistas de Quercus robur (carvalho), Ulmus laevis, Ulmus minor (ulmeiro), Fraxinus excelsior (freixo-europeu) ou Fraxinus angustifolia (freixo) das margens de grandes rios (Ulmenion minoris) (91F0);  Florestas-galerias de Salix alba (salgueiro-branco) e Populus alba (choupo-branco) (92A0).Embora a área de estudo seja menor que o SIC, tendo em conta a ocupação da área restante, não é expectávelque estes habitats ocorram nele.No caso do habitat 1320, sendo um habitat halófito, toda a área de potencial ocorrência foi pesquisada, não setendo identificado a presença de Spartina maritima (morraça). Tal situação deverá dever-se ao regimehidrodinâmico da Barrinha, o qual faz com que, em grande parte do tempo, este seja um meiopredominantemente dulçaquícola.O habitat 6420 encontraria condições favoráveis à sua ocorrência sobretudo fora da área de estudo a norte dazona húmida numa área plana e encharcada. No entanto, essa área foi sujeita, nos últimos anos, a váriasintervenções, tendo-se instalando aí uma pista de aeromodelismo, um campo de golfe e o aeródromo deParamos. Tendo em conta a proximidade do local potencial à área de estudo, procedeu-se à realização detrabalho de campo complementar, alargando a pesquisa à área do campo de golfe e envolvente da pista deaeromodelismo. No âmbito deste levantamento constatou-se que toda a zona se encontra muito degradada, comuma grande parte da área ocupada por Acacia spp. e por Spartina versicolor. Numa zona depressionária,adjacente à pista de aeromodelismo, encontraram-se algumas espécies típicas deste habitat, nomeadamenteScirpoides holoschoenus, confirmando assim que no passado este habitat estaria presente nesta zona.Quanto ao habitat 91F0, a área potencial de ocorrência é a zona nascente, onde se identificaram várias manchasde vegetação ripícola, frequentemente em bosquete, mas cuja composição florística não corresponde a estehabitat, mas sim ao 91E0*pt3.O habitat 92A0, de carácter marcadamente ripícola, também não foi identificado na área. As duas valas afluentesà Barrinha encontram-se totalmente desprovidas de vegetação ripícola autóctone, nomeadamente Salix sp. ouPopulus sp.4.2. Fauna4.2.1. MetodologiaA Barrinha encontra-se classificada como IBA. Tratando-se de uma zona húmida detentora de um conjunto debiótopos favoráveis à ocorrência de uma importante comunidade avifaunística, na qual se incluem algumasespécies ameaçadas e constantes do Anexo I da Directiva Aves (Anexo A-I do DL n.º 140/99), o presente estudoincidiu sobretudo na caracterização deste grupo, através da realização de transectos sem limite distância epontos de escuta nos principais biótopos presentes na área, bem como pontos de observação para as espéciesaquáticas/limícolas.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 133/264Relatório (ver.2)
  • 135. Neste trabalho de caracterização há que ter em conta que o mesmo, face ao disposto no caderno de encargos,teve que ser realizado num curto período do ano, não abrangendo um ciclo anual. Os trabalhos decorreram entreSetembro e Novembro de 2010, o que é manifestamente insuficiente para obter uma caracterização completa daárea, na medida em que a comunidade avifaunística apresenta uma apreciável diversidade fenológica.No que respeita à ictiofauna, a caracterização deste grupo teve por base a pesquisa bibliográfica e a realizaçãode amostragens com recurso a pesca eléctrica. Estas amostragens decorreram em quatro locais (dois naBarrinha e dois nas linhas de água afluentes) e foram realizadas no âmbito do estudo apresentado nocapítulo 3.4.1.4.Ao nível da herpetofauna e mamofauna, para além da informação que foi sendo recolhida de forma nãosistemática durante as saídas de campo efectuadas, não houve realização de qualquer trabalho de campodireccionado especificamente para estes grupos. No caso da herpetofauna, a caracterização foi efectuada combase nos dados constantes do Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal (Loureiro et al., 2010) complementandoesta informação com alguns dados históricos (Sá & Loureiro, 1995). Relativamente aos mamíferos, a informaçãobaseia-se sobretudo nos dados de Sá & Loureiro (1995).Assim, para além dos trabalhos de campo realizados, a pesquisa bibliográfica referente a estudos realizados naárea da Barrinha foi uma peça essencial. Neste âmbito foi ainda solicitada informação junto do ICNB, SPEA eQuercus (núcleo do Porto), entidades que têm efectuado trabalho reconhecido nesta área, para cedência de todaa informação/estudos (incluindo cartografia) que, de alguma forma, pudessem complementar e valorizar oslevantamentos realizados no âmbito do presente estudo.O tratamento da informação foi efectuado sobretudo com o intuito de determinar a importância da Barrinha paraas espécies com maior valor conservacionista (incluídas nos Anexos A-I, B-II, B-IV e B-V do DL n.º 140/99 eameaçadas segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal).De forma a obter uma caracterização global da importância espacial da área de estudo, permitindo obterorientações úteis a ter em conta na definição dos trabalhos de requalificação da Barrinha, procedeu-se àdelimitação dos principais biótopos da fauna aí existentes.4.2.2. BiótoposSegundo descrições bibliográficas, a Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos apresenta uma cintura devegetação ripícola bem desenvolvida e bancos de lodo, comunicando com o Atlântico através de um canal. (…)Na zona envolvente da Barrinha de Esmoriz existem áreas de pinhal (a Sul), bosques ripícolas/húmidos (a Este eSul), praia e dunas (a Oeste), campos agrícolas (a Norte, Leste e Sul), planície com vegetação rasteira/arbustiva(a Norte) e construções (a Norte Este e Sul) (SPEA, s/data). Farinha & Trindade (1994) referem também avegetação ripícola e a ocupação da zona envolvente por pinhal, dunas litorais, terrenos agrícolas e construções.Tratando-se de uma zona sujeita a um elevado número de pressões, continuadas ao longo de várias décadas,nos últimos anos ocorreu uma alteração da área ocupada pelos vários tipos de biótopos presentes,nomeadamente em consequência:  da pressão antropogénica (turismo balnear, pressão imobiliária) ser uma constante;  das estruturas dunares litorais se encontrarem altamente pressionadas pela acção marítima (erosão) e pelo pisoteio;  da zona lagunar, dependendo da abertura da Barra, sofrer maior ou menor influência salina com presença de maior ou menor volume de água;134/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 136.  das espécies exóticas invasoras serem uma constante, expandindo-se e ocupando novas áreas (nomeadamente zonas ripícolas, húmidas e pinhais) de forma muito rápida.Inclusivamente, na zona húmida, estas alterações podem ser mais ou menos visíveis em função dahidrodinâmica anual da Barrinha, na medida em que, em função do volume de água em presença e da suasalinidade, as estruturas fitogeocenóticas se alteram, o que se traduz numa maior ou menor ocupação dedeterminado biótopo.Actualmente (Outubro de 2010), do ponto de vista da utilização pela fauna, na área de estudo identificam-se osseguintes biótopos (Figura 3.16 e Figura 3.17):  Zona húmida  Plano de água (inclui valas)  Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa  Caniçal  Juncal  Juncal/Bancos de lodo  Areias de praia  Cordão dunar  Duna frontal (dunas com vegetação herbácea)  Duna interior (dunas com vegetação sub-arbustiva)  Floresta  Bosques ripícolas  Eucaliptal  Choupal  Acacial  Campos agrícolas  Área urbanaA zona referida no primeiro parágrafo deste subcapítulo como ‘planície com vegetação rasteira/arbustiva (aNorte)’, embora dentro da IBA, encontra-se fora da presente área de estudo. Actualmente, encontra-se ocupadapor um campo de golfe, pelo Centro Hípico, pista de aeromodelismo e pelo aeródromo de Paramos que,entretanto, foi prolongado para sul. A generalidade desta área encontra-se, assim, muito degradada, estandocoberta por vegetação herbácea e onde actualmente já existe uma área considerável com acácia.Na Figura 4.2.1 e no Quadro 4.2.1 apresenta-se a área actualmente ocupada por cada um dos biótoposidentificados na área de estudo, bem como uma análise qualitativa da tendência evolutiva relativamente àocupação de cada um dos biótopos.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 135/264Relatório (ver.2)
  • 137. Quadro 4.2.1 - Área ocupada por cada biótopo e sua tendência evolutiva Tendência Biótopos Área actual (ha) Passada* Futura Caniçal 60,3   Juncal 4,5  Zona Húmida Juncal/Bancos de lodo 4,2 ?  Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa 19,9   Plano água (laguna + valas) 25,5  Praia Areias de praia 23,4   Duna frontal 8,5  Cordão dunar Duna interior 6,7   Depressão húmida 0,2 ?  Bosques ripícolas 10,5 ?  Eucaliptal 1,8  Floresta Choupal 0,3 ? ? Acacial 18,6  Agrícola/Urbana Campos agrícolas/Área urbana 35,6  * últimos 15 anos Área (m2) 700000 600000 500000 400000 300000 200000 100000 0 Depressão Húmida Campos agrícolas/Área urbana Caniçal Juncal Eucaliptal Choupal Juncal/Bancos de lodo Lodaçais e areais a descoberto na maré Plano água (laguna + valas) Duna interior Bosques ripícolas Duna frontal Acacial Areias de praia baixa Figura 4.2.1 - Área ocupada por cada biótopo136/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 138. 4.2.2.1. Zona húmidaDo ponto de vista da representatividade em área e da importância para a fauna, a zona húmida é de primordialimportância na área de estudo. O nível da água varia quer em função da sazonalidade quer em função daabertura da Barrinha ao mar, existindo épocas em que praticamente toda a área se encontra inundada e outrasem que apenas existe água no canal central de cota mais baixa. Desta forma, a salinidade do meio varia deforma irregular ao longo do ano, dependendo dos períodos de abertura ao mar e dos caudais afluentes demontante.Do ponto de vista do uso pela fauna, na zona húmida identificam-se os seguintes biótopos (ver Figuras 4.2.2 e4.2.3): caniçal (presente em grande parte da área sob a forma monoespecífica), juncal, lodaçais e areais adescoberto na maré baixa, plano de água (águas dulciaquícolas a salobras - dependendo se a Barrinha seencontra fechada ou aberta ao mar - e valas afluentes).O Caniçal está presente em grande parte da área sob a forma monoespecífica, atingindo frequentemente os 3 a4 m de altura. Nas zonas mais periféricas surge com elevada densidade de junco e algumas outras espécies. Noentanto, sendo o caniço a espécie mais representativa, nomeadamente no que respeita à estrutura vertical daformação, e assim à funcionalidade que representa para determinadas espécies de aves, individualiza-se aformação como Caniçal. Os caniçais são de grande importância para a avifauna, quer migradora, quer nidificante.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 137/264Relatório (ver.2)
  • 139. Figura 4.2.2 - Carta de biótopos. Situação: Barrinha fechada ou em preia-mar138/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 140. Figura 4.2.3 - Carta de biótopos. Situação Barrinha aberta em baixa-marEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 139/264Relatório (ver.2)
  • 141. O Juncal atinge um porte mais baixo (1 m) surgindo frequentemente com elevadas densidades de outrasespécies de gramíneas. No que respeita ao uso pela avifauna alberga sobretudo algumas espécies de pequenospasseriformes, reprodutores e migradores. Frequentemente surge na orla do Caniçal. Nos locais mais centrais,sob maior influência da água, o Juncal possui uma baixa densidade de cobertura, sendo muito frequentes osespaços abertos que estão cobertos por água (plano de água em maré cheia) ou por lodaçais (em maré baixa).Face à diferente funcionalidade destas áreas para a fauna optou-se por, em termos cartográficos, distinguir estasáreas, respectivamente por Juncais/Plano de água e Juncais/Lodaçais. Ainda na categoria de ‘Juncais’, mas quena realidade não são constituídos por junco mas sim por gramíneas, incluiram-se as áreas actualmente ocupadaspredominantemente por Spartina versicolor e outras gramíneas cuja altura é, também, semelhante ao Junconomeadamente as formações monoespecíficas de Echinochloa crus-galli (milha-pé-galo) na foz da ribeira deParamos. Esta opção prende-se com o facto de, em termos de utilização pela fauna, terem uma funcionalidadeidêntica, albergando o mesmo grupo de espécies.As margens suaves, permitem, sobretudo em períodos de maré-baixa, a presença de inúmeras espécies de aveslimícolas, que aí se alimentam. O plano de água, que em muitos locais se apresenta com baixa profundidade,alberga sobretudo anatídeos e ralídeos, comuns sobretudo no Inverno. A pressão a que o meio aquático seencontra sujeito (poluição, assoreamento, variações bruscas de volume de água) condiciona fortemente acomunidade piscícola, que é pouco abundante e pouco diversificada. A proximidade da laguna ao marproporciona ainda abrigo para algumas espécies de aves marinhas, sobretudo larídeos e, quando aberta, permitea entrada de algumas espécies piscícolas diádromas.O assoreamento da zona central da Barrinha, com a consequente diminuição da profundidade, associada alongos períodos de separação do mar, nos quais a salinidade é muito baixa ou nula, traduz-se numa situaçãofavorável ao aumento da área de Caniço, que se vai expandindo a partir das margens, em detrimento das áreasde lodos e de águas livres.4.2.2.2. Areias de praiaA zona de praia é bastante pressionada pela actividade turística, sobretudo durante o período de Verão. Éutilizada sobretudo como local de refúgio pelas aves marinhas, sobretudo larídeos, e por limícolas (repouso ealimentação). Entre as limícolas destaca-se a presença de Calidris alba (pilrito-das-areias) e Charadriusalexandrinus (borrelho-de-coleira-interrompida) que frequentemente são observados a alimentar-se na linha demaré. Face à subida do nível médio das águas do mar verifica-se um avanço destas sobre o cordão dunar, com aconsequente regressão da área ocupada por este.4.2.2.3. Cordão dunarNa área do cordão dunar identificam-se dois biótopos do ponto de vista da utilização pela fauna. O primeiro, nafaixa mais próxima do mar, onde a vegetação é muito incipiente, predominando uma cobertura herbácea comreduzida cobertura, e outro na faixa mais interior, onde a cobertura do solo é superior e com espécies sub-arbustivas. O primeiro é utilizado sobretudo como zona de repouso de espécies marinhas e limícolas (emcomplemento com a Praia) sendo utilizada como zona de nidificação por Charadrius alexandrinus (borrelho-de-coleira-interrompida) e, potencialmente, por Sterna albifrons (chilreta). A restante fauna é, praticamente,inexistente. No segundo biótopo, a comunidade é mais diversa, destacando-se a presença de alguns anfíbios(Bufo calamita sapo-corredor), répteis (Podarcis carbonelli lagartixa de Carbonell) e pequenos passeriformes queutilizam esta zona como área de alimentação, sobretudo durante os períodos de migração (Philloscopus collybitafelosinha, Oenanthe oenanthe chasco-cinzento)e, em alguns casos, de nidificação (Saxicola torquata cartaxo,Cisticola juncidis fuinha-dos-juncos, Motacilla flava alvéola-amarela).140/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 142. Este biótopo é mais extenso no lado norte da Barrinha (freguesia de Paramos). Encontra-se altamentepressionado/degradado e em regressão devido ao avanço do mar (erosão acentuada da duna frontal), aopisoteio, circulação de veículos/cavalos e utilização turística da zona mais interior (campo de golfe, que eliminoualguma da vegetação característica).4.2.2.4. FlorestaNa área de estudo ocorrem diversos tipos de formações florestais sendo que, com excepção dos bosquesripícolas, todas as outras são sistemas directa ou indirectamente criados pela actividade humana, com reduzidointeresse faunístico.Estes biótopos ocorrem sobretudo do lado nascente e sul da Barrinha, funcionando como zonas-tampão emrelação à pressão humana mais directa. No caso dos bosques ripícolas, estes formam uma barreira entre oscampos agrícolas e edifícios existentes a nascente e a zona húmida.Os bosques ripícolas são importantes sobretudo como locais de abrigo de algumas espécies da fauna queutilizam a Barrinha, destacando-se a sua importância para os passeriformes migradores. Em grande parte daárea, nomeadamente nas margens das valas afluentes e margens da Barrinha, estes bosques têm vindo a sersubstituídos por formações de acácias. Paralelamente, estão muito pressionados pela actividade humana, sendofrequentemente cortadas árvores e feitos aterros .Os Eucaliptais e os Choupais estão fracamente representados na área de estudo. Albergam algumas espéciesde aves comuns. A maior parte da vegetação arbórea e subarbórea presente na área são a acácias, destacando-se o denso acacial existente na zona sul da Barrinha junto ao cordão dunar. Trata-se de uma área onde, nopassado ocorria pinhal cujas árvores foram morrendo ao longo dos últimos anos. Actualmente, o pinhal épraticamente inexistente na área de estudo, ocorrendo sobretudo em alguns interstícios da zona urbana da praiade Esmoriz. Existe uma tendência clara para o seu desaparecimento da área, quer por efeito da ocupaçãourbana, quer pela sua substituição por acácia.Na globalidade, estes biótopos florestais são pouco importantes para a fauna ocorrendo aí espécies comuns nageneralidade da região.4.2.2.5. Campos agrícolasOcorrem do lado nascente da Barrinha, entre esta e a Linha do Norte, onde a ocupação predominante é porhortas familiares. As espécies animais que aqui ocorrem são comuns e bem adaptadas a este tipo de uso.Ocorrem, sobretudo, passeriformes comuns e micromamíferos.Devido ao abandono de algumas parcelas, com a consequente ocupação por espécies da flora exótica,nomeadamente Cortaderia selloana (erva-das-pampas), e à construção de diversos edifícios precários entre aLinha do Norte e a Barrinha, existe uma tendência de regressão deste biótopo.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 141/264Relatório (ver.2)
  • 143. 4.2.3. Comunidade faunística (vertebrados)4.2.3.1. IctiofaunaA abundância e diversidade de espécies piscícolas que caracterizava a Barrinha, bem patente pela quantidadede pescadores que antigamente pescavam nesta lagoa, foi talvez a mais afectada pelos diversos factores dedegradação que actuam nesta zona húmida, nomeadamente a má qualidade da água e as condiçõeshidrodinâmicas (abertura/fecho da barra).Segundo Sá & Loureiro (1995), no passado, a Barrinha de Esmoriz possuía uma enorme importância para váriasespécies piscícolas, visto que representava um local com óptimas condições para a sua desova e crescimento,tal como acontece nos estuários.No entanto, as pressões a que a Barrinha tem estado sujeita provocaram a alteração desta situação, em direcçãoà manutenção das espécies mais resistentes e menos valiosas, quer do ponto de vista ecológico, quer do pontode vista económico (Hidro4 & Ecossistema, 1994).Segundo dados provenientes de inquéritos a pescadores, em 1994, ocorriam na Barrinha essencialmenteAnguilla anguilla (enguia-europeia), Mugil cephalus (muge) e Pleuronectes platessa (solha-avessa). Trata-se deespécies bem adaptadas a meios com grandes inputs de matéria orgânica. No caso de Pleuronectes platessa asua presença seria cada vez mais esporádica, o que terá a ver com o progressivo desaparecimento da fauna dosfundos, nomeadamente poliquetas e bivalves, provocado pela má qualidade da água e dos sedimentos (Hidro4 &Ecossistema, 1994).Segundo uma previsão feita no âmbito do EIA do desassoreamento da Barrinha de Esmoriz (Hidro4 &Ecossistema, 1994), caso o meio se continuasse a degradar seria expectável uma redução da diversidadeespecifica até ao seu desaparecimento total.Sá & Loureiro (1995), para além da presença de Anguilla anguilla e Pleuronectes platessa, referiam a presençaGambusia affinis (= Gambusia holbrooki; gambúsia), Platichthys flesus (solha-das-pedras) e Chelon labrosus(tainha-liça).A carta piscícola Nacional (Ribeiro et al., 2007) faz referência à ocorrência de seis espécies de peixes naBarrinha, a saber: Liza sp., Anguilla anguilla, Gambusia holbrooki, Mugil cephalus, Platichthys flesus (todas comreferências a capturas anteriores a 1993) e Lampetra planeri (lampreia-de-riacho), com capturas entre Julho eOutubro de 2002.No âmbito do presente estudo, na sequência das amostragens realizadas (vide capítulo 3.4.1.4) foramcapturadas quatro espécies nativas: Anguilla anguilla, Atherina boyeri (peixe-rei), Liza saliens (tainha-de-salto),Platichthys flesus e três espécies exóticas: Lepomis gibbosus (perca-sol), Cyprinus carpio (carpa) e Gambusiaholbrooki.Tendo por base as referências anteriores e dados pessoais da equipa que realizou o presente estudo, na área deestudo ocorrerão 14 espécies, das quais quatro são exóticas (Anexo 15). É possível que esta lista seja um poucomais extensa, nomeadamente através da ocorrência esporádica de outras espécies provenientes do meiomarinho (especialmente Mugilídeos).142/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 144. 4.2.3.2. HerpetofaunaAo nível da herpetofauna, Sá & Loureiro (1995), referenciam a presença na Barrinha de sete espécies de anfíbiose pelo menos cinco espécies de répteis.No entanto, segundo Loureiro et al. (2010), e tendo por base as duas quadrículas UTM 10X10 km nas quais aárea de estudo se insere e os habitats presentes na Barrinha, na área de estudo estarão presentes 12 espéciesde anfíbios e quatro espécies de répteis.No decurso dos trabalhos de campo confirmou-se a presença de duas espécies de anfíbios: Discoglossusgalganoi (rã-de-focinho-pontiagudo) e Rana perezi (rã-verde); e duas de répteis: Podarcis hispanica (lagartixa-ibérica) e Lacerta schreiberi (lagarto-de-água). De referir no entanto que Lacerta schreiberi, apesar de ser umaespécie do Anexo B-II do DL n.º 140/99, não consta da ficha do PSRN2000 do SIC Barrinha de Esmoriz. Estaespécie foi confirmada nas margens da vala de Maceda.Verificou-se que algumas das espécies referenciadas como estando presentes no início da década de 90 nãoforam confirmadas no decurso dos trabalhos do novo Atlas (Loureiro et al., 2010), nomeadamente: Alytesobstetricans (sapo-parteiro-comum), Bufo bufo (sapo-comum), Anguis fragilis (licranço), Psammodromus algirus(lagartixa-do-mato), Malpolon monspessulanus (cobra-rateira) e Natrix sp. (cobra-de-água) (Anexo 16). Estasituação poderá, eventualmente, estar relacionada com as alterações de habitat sofridas na última década,nomeadamente com a ocupação de zonas naturais por determinados projectos (campo golfe, obras de expansãodo aeródromo, expansão urbanística na margem sul), desaparecimento das áreas de pinhal e substituição poracaciais, deterioração da qualidade da água, etc. que, no seu conjunto, poderão ter conduzido à rarefacção dealgumas espécies na área.Assim, com base nos dados recolhidos, estima-se que, potencialmente possam ocorrer na área 13 espécies deanfíbios (cerca de 76% das que ocorrem em Portugal Continental) e 8 espécies de répteis. A elevada diversidadede anfíbios corresponde ao facto de se estar perante uma zona húmida costeira com alguma diversidade denichos aquáticos que potenciam a presença deste grupo.4.2.3.3. AvifaunaAs aves constituem o grupo faunístico mais representativo da Barrinha de Esmoriz, em termos de diversidade ede importância conservacionista. Segundo Sá & Loureiro (1995) nesta área ocorrem mais de 170 espécies deaves (incluindo espécies marinhas, espécies fugidas de cativeiro e espécies de ocorrência ocasional e atémesmo acidental na área). Lobo et al. (2003) refere a ocorrência regular na Barrinha de Esmoriz de mais de130 espécies das quais 28 teriam nidificação confirmada, 18 nidificação provável e 15 nidificação possível.No decurso dos trabalhos de campo realizados no âmbito do presente estudo foi confirmada a ocorrência de64 espécies, não se considerando para o efeito a ocorrência de espécies tipicamente marinhas.No Anexo 17 apresenta-se a listagem das espécies de aves que ocorrem regularmente na área de estudo. NoAnexo 18 apresenta-se a listagem das espécies de aves que serão de ocorrência ocasional e/ou muito rara nabarrinhaA maior parte das espécies de aves que ocorre na área de estudo depende da zona húmida da Barrinha,nomeadamente dos lodaçais e areais a descoberto na maré baixa, plano de água e dos caniçais. Para além dascondições de refúgio e de alimentação permitidas pelos biótopos húmidos (em particular durante os períodos depassagem migratória e de invernada), a vegetação palustre existente, sobretudo os caniçais, favorece anidificação de algumas espécies (Quadro 4.2.2). No entanto, frequentemente, tendo em atenção as condiçõesEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 143/264Relatório (ver.2)
  • 145. hidrodinâmicas da Barrinha, quando o fecho da mesma ocorre durante o período de Primavera, muitos serão osninhos que ficarão submersos com a subida do nível da água.A existência de uma área de vaza a descoberto constitui um importante local de alimentação para as espécieslimícolas. No entanto, o facto de nem sempre a Barrinha se encontrar aberta, e por isso sujeita ao ciclo de marés,constitui uma pressão sobre este grupo, que condiciona fortemente a abundância destas espécies.Frequentemente, estas aves agrupam-se na zona de foz da Barrinha, junto ao cordão dunar, percorrendo apenasa margem bem como a zona de praia junto à rebentação. Quadro 4.2.2 - Factores de dependência dos vários grupos de aves em relação aos biótopos da zona húmida (caniçal/juncal, plano de água, lodaçais/areais) Dependência praticamente Grupo Nidificação Alimentação Refúgio exclusiva no contexto da IBA Tachybaptus ruficollisMergulhões X X (mergulhão-peuqueno) Ixobrychus minutus (garça-pequena)Ardeídeos X X X Ardea purpúrea (garça-vermelha) (P) Anas plathyrrynchos (pato-real) Rallus aquaticus (frango-d’água) (P)Anatídeos e Ralídeos X X X Fulica atra (galeirão) Gallinula chloropus (galinha-d’água) Himantopus himantopusLimícolas X X X (perna-longa)Larídeos X Circus aeruginosusAves de presa X (tartaranhão-ruivo-dos-pauis) Locustella luscinioides Luscinia svecica (cigarrinha-ruiva) (P), (pisco-de-peito-azul) Acrocephalus scirpaceus (rouxinol-pequeno-dos-caniços), Locustella luscinioidesPasseriformes e afins X Acrocephalus arundinaceus Acrocephalus scirpaceus (rouxinol-grande-dos-caniços), (P) Acrocephalus arundinaceus Emberiza schoeniclus (escrevedeira-dos-caniços) Emberiza schoeniclusP – Nidificação sendo provável não foi confirmadaEntre as limícolas presentes durante a passagem migratória e período de invernada refere-se Charadriushiaticula (borrelho-grande-de-coleira), Calidris alba (pilrito-da-areia), Calidris alpina (pilrito-comum), Calidriscanutus (seixoeira), Limosa limosa (maçarico-de-bico-direito), Numenius phaeopus (maçarico-galego), Actitishypoleucos (maçarico-das-rochas) e Tringa totanus (perna-vermelha).144/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 146. No plano de água central e nas valas afluentes ocorrem sobretudo mergulhões, anatídeos e ralídeos como sejamTachybaptus ruficollis (mergulhão-pequeno), Anas platyrhynchos (pato-real), Fulica atra (galeirão-comum) eGallinula chloropus (galinha-de-água), sendo que todas estas espécies se reproduzem na área. Nas margens éfrequente encontrar, sobretudo durante o Inverno, algumas espécies de ardeídeos, sendo as mais comunsEgretta garzetta (garça-branca-pequena) e Ardea cinerea (garça-real).Ainda no que respeita aos ardeídeos, nos caniçais da Barrinha nidifica Ixobrychus minutus (garçote) e,provavelmente, Ardea purpurea (garça-vermelha) (facto este que necessita de melhor acompanhamento), ambasespécies com elevado valor conservacionista.Já os larídeos utilizam a Barrinha (plano de água/lodaçais) sobretudo como local de refúgio aquando daocorrência de condições adversas no mar.A presença de um extenso caniçal nesta zona costeira (um dos mais extensos a norte da Ria de Aveiro),constituirá uma importante área de refúgio e alimentação durante os períodos migratórios, sobretudo durante amigração pós-nupcial para um conjunto diversificado de passeriformes migradores. Este facto é de primordialimportância para este grupo já que, em grande parte, se trata de migradores de longa distância que necessitam,ao longo das suas rotas de migração, de locais com elevada disponibilidade alimentar para a reposição rápida derecursos energéticos. Entre as principais espécies que neste período utilizarão os caniçais da Barrinha contam-se Hirundo rustica (andorinha-das-chaminés), Phylloscopus collybita (felosa-comum), Acrocephalus scirpaceus,(rouxinol-pequeno-dos caniços), Acrocephalus arundinaceus (rouxinol-grande-dos-caniços), Motacilla flava(alvéola-amarela), Locustella luscinioides (cigarrinha-ruiva), Luscinia svecica (pisco-de-peito-azul) e Emberizaschoeniclus (escrevedeira-dos-caniços).Algumas destas espécies, como sejam Acrocephalus spp., Motacilla flava, Locustella luscinioides e Emberizaschoeniclus, sendo mais abundantes nos períodos migratórios, estão também presentes durante a épocareprodutora, nidificando nestes caniçais. Outras, como Luscinia svecica e Philloscopus collybita, além demigradoras de passagem, mantêm uma população invernante na área.Neste contexto, a Barrinha assume alguma importância no contexto regional. Por este facto foi classificada comoIBA, sendo considerada sob este ponto de vista a zona húmida mais importante no litoral norte de Portugal entrea ria de Aveiro e o estuário do rio Minho. Esta área cumpre os critérios de classificação para Ixobrychus minutus,Ardea purpurea, Circus aeruginosus (tartaranhão-ruivo-dos-pauis), Himantopus himantopus (pernalonga) eLuscinia svecica, todas dependentes da zona húmida e a maioria das áreas de Caniçal.Na área terrestre envolvente à Barrinha, nomeadamente nas zonas florestais e agrícolas, ocorre umacomunidade constituída por espécies comuns, bem distribuídas na generalidade da região, assim como noterritório nacional, e bem adaptadas à actividade humana.De referir ainda, no cordão dunar e nas imediações da foz da Barrinha, a presença como nidificante doCharadrius alexandrinus (borrelho-de-coleira-interrompida).4.2.3.4. MamofaunaNo que respeita aos mamíferos as espécies que ocorrem na área de estudo são espécies cosmopolitas, bemadaptadas à presença humana, não ocorrendo mamíferos de grande porte nem espécies particularmentesensíveis. Destaca-se, no entanto a potencial presença de três espécies de quirópteros, um dos quais comestatuto de conservação desfavorável (Myotis myotis morcego-rato-grande; categoria Vulnerável) (Anexo 19).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 145/264Relatório (ver.2)
  • 147. De facto, espécies com maiores exigências em termos de qualidade ambiental como Lutra lutra (lontra) parecemestar ausentes da Barrinha de Esmoriz (Trindade et al., 1995, Oliveira, 2001).A Barrinha de Esmoriz e as duas linhas de água afluentes (Vala de Maceda e Ribeira de Paramos) foramprospectadas no âmbito do estudo de ‘Distribuição da Lontra em Portugal’ (Trindade et al., 1995), não se tendo aíencontrado qualquer vestígio da espécie. No âmbito deste estudo, considerando os requisitos ecológicosmínimos necessários à ocorrência da espécie, apenas a disponibilidade de vegetação com condições de refúgioregistou níveis considerados suficientes. Actualmente, na Barrinha, esta será única condição que se mantémuma vez que a disponibilidade trófica, nomeadamente de peixes, é reduzida (ver subcapítulo 6.1.1.4) e a água seencontra poluída (ver subcapítulo 6.1.2).Prospecções posteriores, efectuadas num subafluente da Barrinha, mais concretamente na ribeira de Mangas(afluente da Vala de Maceda), na freguesia de Maceda, não detectaram quaisquer sinais que indiciassem apresença desta espécie, tendo-se detectado efluentes domésticos a descarregar directamente na ribeira(Oliveira, 2001).Segundo Sá & Loureiro (1995) entre as espécies mais comuns na área estão Erinaceus europaeus (ouriço-cacheiro), Talpa europaea (toupeira), Eptesicus serotinus (morcego-hortelão), Vulpes vulpes (raposa), Mustelanivalis (doninha), Rattus rattus (rato-preto), Rattus norvegicus (ratazana) e Oryctolagus cuniculus (coelho-bravo).4.2.4. Espécies com maior valor conservacionistaNo Quadro 4.2.3 apresentam-se as espécies com maior valor conservacionista que ocorrem na área de estudo.Para o efeito consideram-se as espécies de presença regular com estatuto de conservação desfavorável deacordo com o Livro Vermelho dos vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2006), do Anexo I da Directiva Aves(Anexo A-I do DL n.º 140/99) ou do Anexo II e/ou IV da Directiva Habitats (Anexos B-II e B-IV do DL n.º 140/99).Estima-se, assim, que na área de estudo ocorram 53 espécies da fauna de vertebrados com especial importânciaconservacionista, 17 das quais foram confirmadas no decurso dos trabalhos de campo realizados (Quadro 4.2.3).146/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 148. Quadro 4.2.3 - Espécies com maior valor conservacionista que ocorrem regularmente na Barrinha Biótopos de ocorrência predominante Espécie Fenologia LV DA DH Cordão Zona húmida Praia Floresta Agrícola dunarLampetra planeri RES CR II X(lampreia-de-riacho)Anguilla anguilla MIG ana EN X(enguia-europeia)Triturus helveticus RES VU X(tritão-palmado)Triturus marmoratus RES LC IV X(tritão-marmorado)*Discoglossus galganoi RES;RC NT II e IV X X(rã-de-focinho-ponteagudo)Alytes obstetricans RES LC IV X(sapo-parteiro-comum)Pelobates cultripes RES LC IV X X X X(sapinho-de-unha-negra)Bufo calamita RES LC IV X X X X(sapo-corredor)Hyla arborea RES LC IV X(rela)*Lacerta schreiberi RES LC II e IV Valas/margens(lagarto-de-água)Podarcis carbonelli RES VU X X(lagartixa de Carbonell)*Podarcis hispanica RES LC IV X X X(lagartixa-ibérica)*Podiceps nigricollis(mergulhão-de-pescoço- MP/INV NT Plano de águapreto)Ixobrychus minutus EST; RC VU X Caniçal/Juncal(garça-pequena)*Egretta garzetta INV LC X X(garça-branca)Ardea purpurea EST; RP EN X Caniçal/Juncal(garça-vermelha)Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 147/264Relatório (ver.2)
  • 149. Biótopos de ocorrência predominante Espécie Fenologia LV DA DH Cordão Zona húmida Praia Floresta Agrícola dunar*Ciconia ciconia EST; rp LC X Lodaçais/margens X(cegonha-branca)Anas streptera RES;RC NT X(frisada)Milvus migrans EST; RP LC X X X X X(Milhafre-preto)*Circus aeruginosus(tartaranhão-ruivo-dos- EST; RC VU X Caniçal/Juncal Xpauis)Falco subbuteo EST VU Caniçal/Juncal X X((ogea)*Falco peregrinus RES VU X Caniçal/Juncal X(falcão-peregrino)Himantopus himantopus EST; RC LC X Lodaçais/areais(perna-longa)Recurvirostra avosetta INV LC X Lodaçais/areais(alfaiate)*Pluvialis apricaria INV LC X Lodaçais/areais(tarambola-dourada)*Calidris canutus INV VU Lodaçais/areais X(seixoeira)Calidris ferruginea MP VU Lodaçais/areais(pilrito-de-bico-comprido)Philomachus pugnax INV EN X Lodaçais/areais(combatente)Limosa lapponica INV LC X Lodaçais/areais(fuselo)Numenius phaeopus INV VU Lodaçais/areais X(maçarico-galego)Tringa erythropus INV VU Lodaçais/areais(perna-vermelha-escuro)Tringa totanus** EST;RP CR Lodaçais/areais(perna-vermelha)*Tringa nebularia INV VU Lodaçais/areais(perna-verde)148/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 150. Biótopos de ocorrência predominante Espécie Fenologia LV DA DH Cordão Zona húmida Praia Floresta Agrícola dunar*Tringa ochropus INV NT Lodaçais/areais/valas(maçarico-bique-bique)*Actitis hypoleucos RES;RP VU Lodaçais/areais/valas X(maçarico-das-rochas)Larus melanocephalus INV LC X P.água./lodaçais/areai X(gaivota-de-cabeça-preta)*Sterna sandvicensis INV NT X Plano água(carajau)Sterna hirundo(Andorinha-do-mar- MP EN X Plano águacomum)Sterna albifrons EST;rp VU X Plano água(andorinha-do-mar-anã)*Chlidonias niger MP LC X Plano água(gaivina-preta)Caprimulgus europaeus EST;rp VU X X(noitibó)*Alcedo atthis RES;rp LC X Valas/margens(guarda-rios)Calandrella brachydactyla EST LC X X(calhandrina)Luscinia svecica MP/INV LC X Caniçais(pisco-de-peito-azul)Locustella luscinioides EST;RP VU Caniçais(cigarrinha-ruiva)Acrocephalus scirpaceus(rouxinol-pequeno-dos- EST;RCcaniços)*Sylvia undata RES LC X Caniçais X(toutinegra-do-mato)Muscicapa striata MP NT X X X(papa-moscas-cinzento)Emberiza schoeniclus RES;RC VU Caniçais(escrevedeira-dos-caniços)Myotis myotis RES VU II e IV(morcego-rato-grande)Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 149/264Relatório (ver.2)
  • 151. Biótopos de ocorrência predominante Espécie Fenologia LV DA DH Cordão Zona húmida Praia Floresta Agrícola dunarPipistrellus pipistrellus RES LC IV(morcego-anão)Eptesicus serotinus RES LC IV(morcego-hortelão)Oryctolagus cuniculus RES NT X X X(coelho-bravo)Legenda:Livro Vermelho: CR- Criticamente em Perigo; EN- Em Perigo; VU- Vulnerável; NT- Quase Ameaçado; LC- Pouco Preocupante.Fenologia: MIG ana- Migrador anádromo; RES- Residente; INV- Invernante; EST- Estival; MP- Migrador de Passagem; RC- ReproduçãoConfirmada; RP- Reprodução Provável; rp- Reprodução possível.* Espécie confirmada. ** População reprodutora.Como é possível verificar (Figura 4.2.4), o grupo mais representado é o das aves, com 70% das espécies demaior valor conservacionista. 7% 4% 13% 6% 70% Peixes Anfíbios Répteis Aves Mamíferos Figura 4.2.4 - Relação percentual entre o número de espécies de maior valor conservacionista de cada ClasseEntre as espécies de aves com maior valor conservacionista que ocorrem na área da Barrinha, segundo dadosdo Atlas das Aves Nidificantes (Equipa Atlas, 2008), 39,5% (15 espécies), reproduzem-se ou potencialmentereproduzem-se nesta área (Figura 4.2.5).150/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 152. 5,00 6,00 4,00 Reprodução Confirmada Reprodução Provável Reprodução Possível Figura 4.2.5 - Número de espécies de aves reprodutoras na Barrinha de Esmoriz de acordo com Equipa Atlas (2008)Ao nível da reprodução, com base nos dados do Atlas das Aves Nidificantes em Portugal (Equipa Atlas, 2008),verifica-se que existe um importante grupo de espécies que se reproduzem na Barrinha, com especial incidênciana zona húmida. As espécies com nidificação confirmada são Ixobrychus minutus (garça-pequena), Circusaeruginosus (tartaranhão-ruivo-dos-pauis), Emberiza schoeniclus (escrevedeira), Himantopus himantopus (perna-longa) e Anas strepera (frisada). Com nidificação provável são Ardea purpurea (garça-vermelha), Milvus migrans(milhafre-preto), Tringa totanus (perna-vermelha), Actitis hypoleucos (maçarico-das-rochas) e Locustellaluscinioides (cigarrinha-ruiva).Entre estas destacam-se três espécies com estatuto de ameaça e que simultaneamente constam do Anexo A-Ido DL n.º 140/99, Ixobrychus minutus, Circus aeruginosus e Ardea purpurea, todas dependentes do biótopocaniçal para se reproduzirem:  Ixobrychus minutus (garçote) – espécie ‘Vulnerável’ com nidificação confirmada na década de 90 (Sá & Loureiro, 1995) e com nidificação provável segundo dados mais recentes (Equipa Atlas, 2008);  Circus aeruginosus (tartaranhão-ruivo-dos-pauis) - espécie ‘Vulnerável’ cuja reprodução na Barrinha foi confirmada (Rosa et al. 2006) (um casal) e cuja população invernante, em 1998/1999, seria de quatro indivíduos (Rosa et al. 2001). No decorrer do presente trabalho foi frequentemente observado um casal e, pelo menos, um juvenil na área (este último observado logo na visita preparatória dos trabalhos, que decorreu em Agosto), o que indicia a confirmação da sua nidificação no presente ano;  Ardea purpurea (garça-vermelha) – espécie ‘Em Perigo’ que, segundo dados da SPEA, em 1996 contava com um máximo de 21 indivíduos, não se tendo confirmado a reprodução. Com base nos dados do Atlas (Equipa Atlas, 2008) a nidificação na Barrinha é provável (um a dois casais).Para além do importante grupo de espécies de aves que se reproduzem na Barrinha, destaca-se a ocorrência deum conjunto de espécies (sobretudo limícolas) que ocorrem em períodos de migração e no Inverno, procurandoalimento nos lodaçais e areais a descoberto na maré baixa e na zona de comunicação da Barrinha com o mar.Apesar de, em geral, o número total de indivíduos observado ser reduzido, a diversidade é elevada.O biótopo mais importante é, claramente, o conjunto da zona húmida (Caniçal/Juncal, Plano de água, lodaçais eareais a descoberto na maré baixa) que, no seu conjunto, albergam mais de 80% das espécies com maior valorconservacionista.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 151/264Relatório (ver.2)
  • 153. Para além das espécies de aves acima referidas, destaca-se ainda a presença de duas outras espéciessimultaneamente com estatuto de ameaça e constantes do Anexo B-II do DL n.º 140/99: Lampetra planeri eDiscoglossus galganoi.  Lampetra planeri (lampreia-de-riacho) – é uma espécie da ictiofauna residente com estatuto de ‘Criticamente em Perigo’ que vive em pequenos rios com flutuações moderadas quanto à profundidade e corrente. Apesar de referida no PSRN2000 e na carta Piscícola Nacional (Ribeiro et al., 2007) não foi confirmada no decurso dos trabalhos de amostragem agora realizados.  Discoglossus galganoi (rã-de-focinho-pontiagudo) - anfíbio residente, endémica da metade oeste da Península Ibérica, com estatuto de ‘Quase Ameaçado’. Apesar de ocorrer em todo o território nacional, ocorre em núcleos mais ou menos fragmentados. Depende de massas de água temporárias para se reproduzir (Loureiro et al., 2010). Na área de estudo a sua ocorrência foi confirmada no decurso dos trabalhos de campo, tendo-se constatado que é abundante na generalidade da área, sobretudo em zonas onde existem charcos. Foi, inclusivamente, observada numa depressão dunar onde ocorre entrada de água do mar em períodos de marés vivas. Na Figura 4.2.6 apresentam-se os locais onde se detectou a presença de juvenis em grande abundância.152/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 154. Figura 4.2.6 - Locais onde foi detectada a presença abundante de Discoglossus galganoi (rã-de-focinho-ponteagudo), nomeadamente de juvenisEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 153/264Relatório (ver.2)
  • 155. 154/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 156. 5. LEVANTAMENTO TOPOHIDROGRÁFICOEste levantamento esteve a cargo da PROMAPA. Em Agosto de 2010 foi efectuado o voo previsto na proposta,anexando-se seguidamente um CD com os ficheiros das fotografias aéreas. Na Figura 5.1 estão assinalados oscentros de cada fotografia. Figura 5.1 - Esquema de cobertura aerofotográficaO limite nascente da área de estudo, inicialmente proposto, estava definido, genericamente, junto ao limite doplano de água representado na carta militar. Com o desenvolvimento dos trabalhos, considerou-se pertinenteincluir também os bosquetes presentes mais a nascente, pelo que a área de estudo foi alargada até à via-férrea.De modo semelhante, a poente, considerou-se mais adequado reduzir a área, dada a dificuldade de cartografar,a uma escala tão pormenorizada, a zona sob influência directa do mar, bem como o erro significativo que estariaassociado a esta actividade.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 155/264Relatório (ver.2)
  • 157. Para além das fotografias referidas, no CD que seguidamente se apresenta, inclui-se o levantamentotopohidrográfico realizado (escala 1:500). Os ficheiros constantes do CD encontram-se em formato AutoCad egeorreferenciados em Datum 73.156/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 158. 6. QUALIDADE DA ÁGUA E DOS SEDIMENTOS6.1. Qualidade da águaNo âmbito da caracterização da qualidade da água da Barrinha, do ponto de vista dos descritores físico-químicose biológicos sempre que possível foram seguidas as metodologias de colheita e análise preconizadas noAnexo III da Portaria nº 1450/2007 de 12 de Novembro e no Anexo V do DL 77/2006 de 30 de Março.Tendo em conta a hidrodinâmica da Barrinha, que como se mencionou anteriormente é bastante variável aolongo do ano, existindo épocas em que a Barrinha não se encontra em comunicação directa com o mar e outrasem que as águas marinhas penetram profundamente no interior da Barrinha, o momento das amostragens paracaracterizar a qualidade da água da Barrinha é especialmente relevante na obtenção dos melhores resultados.Idealmente, as amostragens, quer de água quer dos elementos biológicos, deveriam ser realizadas tendo ematenção a hidrodinâmica anual da Barrinha. Assim, deveriam ser realizadas amostragens que representassem osdois períodos completamente distintos do ponto de vista da sua dinâmica:  No período em que a Barrinha se encontra fechada (sem comunicação com o mar), sendo nesta altura um meio essencialmente dulçaquicola, sem renovação da água em que se assiste essencialmente à entrada de água doce carregada de efluentes;  No período em que a Barrinha se encontra em contacto com o mar, e assim sob influência acentuada do ciclo diário das marés, funcionando como um estuário (águas de transição).Em qualquer um dos casos, as amostragens deveriam ser efectuadas após um período de estabilização do meiode forma a permitir a reorganização das comunidades face à alteração das características do meio.No entanto, tendo em conta o caderno de encargos, em termos de tempo disponível para realizar o estudo, não épossível contemplar o que seria a amostragem ideal.Por outro lado, os trabalhos iniciaram-se num período em que a Barrinha estava fechada ao mar desde há algunsmeses, mas num eminente momento de abertura.Em reunião tida com o promotor e com a ARH, esta considerou que os trabalhos de amostragem deveriam terinício depois da abertura da Barrinha ao mar, aguardando-se um período de cerca de duas semanas para que,tanto quanto possível, ocorresse uma estabilização do meio aquático. No entanto, considerando a morosidadeassociada à obtenção de tratamento de dados referentes ao estudo dos macroinvertebrados bentónicos (face aoelevado número de pontos proposto) e à necessidade de obter dados sobre a qualidade dos sedimentos o maisrapidamente possível de forma a dar seguimento ao projecto de dragagem, nestes casos, as amostragensdecorreram antes da abertura da Barrinha ao mar.Para os restantes casos (fitoplâncton, macrófitas, ictiofauna e elementos químicos) as amostragens decorreramapós a abertura da Barrinha. Para o efeito, e na tentativa de que a salinidade fosse o mais baixa possível,aproximando as condições de amostragem às das amostragens anteriores (efectuadas com a Barrinha fechada),as amostras foram recolhidas em situação de maré baixa.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 157/264Relatório (ver.2)
  • 159. No entanto, esta opção, derivado do baixo nível de água existente, traduziu-se na impossibilidade de efectuar asamostragens em três dos pontos inicialmente propostos, pelo que, no local, se procedeu à sua relocalização: doispontos para cada uma das linhas de água afluentes à Barrinha (meio dulçaquicola) e um ponto para maispróximo da embocadura. Esta relocalização acabou também por ser útil na medida em que permitiu obter umacaracterização do estado em que a água proveniente dos afluentes chega à Barrinha.Assim, no total das componentes foram efectuadas amostragens em 10 locais distintos:  sedimentos: 8 locais;  águas: 4 locais;  fitoplâncton: 4 locais;  flora aquática:4 locais;  ictiofauna: 4 locais;  macroinvertebrados bentónicos: 8 locais.Os locais de amostragem foram numerados sequencialmente de 1 a 10, apresentando-se no Quadro 6.1.1 amatriz de amostragem onde se indica a relação entre as diferentes componentes e os locais onde as respectivasamostragens foram realizadas. Quadro 6.1.1 - Correspondência entre os pontos de amostragem das várias componentes caracterizadas Locais de amostragem Componentes 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10Elementos físico-químicos √ √ √ √Macro invertebrados √ √ √ √ √ √ √ √Fitoplancton √ √ √ √Flora Aquática √ √ √ √Ictiofauna √ √ √ √Na Figura 6.1.1 apresenta-se a localização dos locais de amostragem.158/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 160. Figura 6.1.1 - Locais de amostragemEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 159/264Relatório (ver.2)
  • 161. 6.1.1. Elementos biológicosPara a caracterização da qualidade das águas baseada na componente biológica foram efectuadas recolhas deamostras e análises aos seguintes elementos biológicos, conforme definido no anexo V do DL nº 77/2006 de 30de Março:  Composição, abundância e biomassa do fitoplâncton;  Composição e abundância da restante flora aquática (macrófitas);  Composição e abundância dos macro-invertebrados bentónicos;  Composição, abundância e estrutura etária da fauna piscícola.Composição, abundância e biomassa do fitoplâncton;A caracterização do fitoplâncton foi feita em 4 locais da área de estudo. Ao contrário do que inicialmente estavaprevisto, que era amostrar em 4 locais no interior da Barrinha, aquando da realização do trabalho de campo, porimpossibilidade de proceder à amostragem em dois dos locais por falta de água, estes foram alterados. Assim,das 4 amostras colhidas no dia 22 de Outubro de 2010, duas foram no interior da Barrinha (pontos 1 e 2 acedidosde barco), uma na ribeira de Paramos (ponto 9) e outra na vala de Maceda (ponto 10).As amostragens quantitativas foram feitas por recolha logo abaixo da superfície de cerca de um litro de água nãoconcentrada, e de imediato fixadas com soluto de Lugol. Foram também feitas recolhas de carácter nãoquantitativo, concentrando água por filtração através de rede de plâncton com malha de 25 µm de porosidade e20 cm de diâmetro de entrada. As colheitas não quantitativas foram feitas em duplicado, sendo uma réplicatransportada viva e a outra fixada de imediato com Formol a cerca de 5%.Em laboratório procedeu-se à contagem do fitoplâncton e determinação da biomassa:  Concentração da amostra. As amostras quantitativas (cerca de 1 litro de água fixada com soluto de Lugol) foram concentradas por sedimentação em provetas de um litro (cerca de 4 dias ao abrigo de luz directa e de fontes de calor) seguida de decantação por pipeta de bico recurvado (que permitiu retirar o líquido sobrenadante sem perturbação do material sedimentado). O volume final foi ajustado de modo a obter uma concentração 10 vezes superior à original.  Identificação. As amostras de rede colhidas ao mesmo tempo que as amostras quantitativas foram estudadas ao microscópio óptico para identificação, tanto quanto possível, dos organismos, em especial das formas frágeis, de identificação difícil em material fixado.  Contagem. A contagem dos organismos nas amostras concentradas foi feita em câmara de Sedgewick-Rafter, num microscópio óptico equipado com uma objectiva 40x LWD (long working distance). Foram contados cerca de 400 indivíduos no total, identificados, quando possível, até ao nível de género ou espécie. Os resultados, expressos em número de indivíduos por mililitro, foram obtidos por extrapolação da área observada para a área total da câmara e reconversão para a concentração original. Os valores totais apresentam limites de confiança ao nível de significância de 0,95 de, grosso modo, 10% (Lund et al. 1958).  Biovolume. Para cada um dos taxa encontrados durante as contagens foi estimado o biovolume, aproximando as formas encontradas a formas ou composições de formas geométricas (Hillebrand et al. 1999). As medidas lineares necessárias aos cálculos foram determinadas em 20 a 25 exemplares, excepto nas formas pouco abundantes, em que se mediram menos indivíduos. Os160/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 162. volumes foram calculados utilizando as medianas das medições. Os valores de biovolume não foram calculados para organismos com contribuição inferior a 2% para o total da contagem.  Biomassa. O biovolume total de cada taxon na amostra (o produto do número de indivíduos pelo biovolume estimado por indivíduo) foi usado para estimar a biomassa, que foi convertida em C através da seguinte correspondência: 1 µm3 = 0,11 pg C. Ao volume total das diatomáceas foi retirado 90% do volume vacuolar (que contribui assim com 10% do seu volume para o conteúdo em carbono da célula) — assumiu-se uma espessura de citoplasma de 1 µm (Strathmann 1967). Determinaram-se os valores de biomassa por grupos funcionais: cianobactérias e protistas autotróficos (diatomáceas, desmidiáceas e outros organismos providos de plastos), e protistas heterotróficos (por ex., Chrysophyceae incolores).Composição e abundância da restante flora aquáticaA caracterização da flora aquática, nomeadamente das plantas visíveis a olho nú que se encontram dentro deágua e nas margens alagáveis, foi efectuada em Outubro de 2010, em 4 locais (áreas de amostragem): dois nointerior da Barrinha no canal de comunicação com o mar (local 2 e local 3), um na ribeira de Paramos (local 9) eum a vala de Maceda (local 10).Cada local de amostragem corresponde a um troço de 100 m que contempla quer o leito quer as margens, aolongo do qual se procede à inventariação florística e à atribuição do respectivo grau de cobertura. Acaracterização é efectuada distinguindo a margem direita, a margem esquerda e o leito.No caso concreto da realização do trabalho de campo de caracterização florística do leito da Barrinha, o acessoaos locais seleccionados foi efectuado de barco aproveitando-se o momento de realização das amostragens desedimentos e macroinvertebrados bentónicos. A pesquisa do leito foi efectuada com recurso a mergulhadores emdois pontos que correspondem sensivelmente ao ponto central do respectivo troço de amostragem.No caso dos troços localizados nas margens da Barrinha, a largura do troço de amostragem foi de cerca de 10 mcontados a partir do local onde ocorre vegetação. Nas valas afluentes a amostragem cobriu todo o talude decada margem até ao topo não alagável.Após a elaboração da listagem de espécies presentes em cada troço de amostragem atribuiu-se a cada uma orespectivo grau de cobertura de acordo com os intervalos considerados no Quadro 6.1.2.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 161/264Relatório (ver.2)
  • 163. Figura 6.1.2 - Locais de amostragem da flora aquática.162/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 164. Quadro 6.1.2 - Graus de cobertura Grau de cobertura Ausente <0,1% 0,1-1% 1-2,5% 2,5-5% 5-10% 10-25% 25-50% 50-75% > 75%Composição e abundância dos Macroinvertebrados bentónicosAs colheitas para o estudo dos macroinvertebrados foram efectuadas no dia 1 de Outubro de 2010 num períodoem que a Barrinha estava fechada. As colheitas foram efectuadas em oito locais comuns ao estudo de outrascomponentes do estudo, nomeadamente à caracterização físico-química dos sedimentos.A colheita foi efectuada com um amostrador Ponar de 0,05 m2 de área e em cada local foi efectuada uma réplicapara análise dos macroinvertebrados e outra para a análise da granulometria dos sedimentos e determinação damatéria orgânica.O sedimento da amostra destinada ao estudo dos macroinvertebrados foi lavado sobre um crivo de malhanormalizada, de 1 mm, comummente utilizados para estudos de macrofauna, e o material retido foi fixado emformol a 10%, neutralizado com bórax, corado com Rosa de Bengal e transportado para o laboratório. Aí, asamostras foram lavadas em água corrente, por forma a eliminar o excesso de formol e procedeu-se à triagem dosorganismos por grandes grupos faunísticos. Os organismos foram conservados em etanol a 70% e asidentificações foram efectuadas, sempre que possível, até ao nível da espécie, com lupa binocular e microscópio.Para cada amostra foram determinadas variáveis biológicas primárias, nomeadamente a riqueza taxonómica (S),a abundância em indivíduos (A) e a biomassa (B), em peso fresco.A biomassa, peso fresco foi determinada para cada uma das espécies em cada um dos locais. Os indivíduosforam colocados em papel absorvente para retirar o excesso de líquido e pesados numa balança analítica comprecisão 0,0001 g.A matéria orgânica foi determinado por perda de peso de uma amostra de sedimento integral, previamente secaa 90 ºC, após incineração a 450 °C durante um período de 5 horas de modo a evitar que os compostosinorgânicos volatilizam (Byers et al., 1978; Kristensen and Anderson, 1987). O teor em matéria orgânica éapresentado como uma percentagem relativamente ao sedimento total usado na análise.A granulometria foi efectuada por crivagem a seco e a húmido, após destruição da matéria orgânica por H2O2 edispersão das partículas com pirofosfato de sódio esta, após determinação do peso seco da amostra total e deacordo com Quintino et al. (1989). Finos são partículas com menos de 63 µm, areias partículas compreendidasentre 63 µm e 2 mm e cascalhos acima de 2 mm. Vasas são sedimentos com mais de 50% de finos; areiaslimpas têm menos de 5% de finos e vasosas entre 5 e 25%. A classificação das areias em finas, médias eEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 163/264Relatório (ver.2)
  • 165. grosseiras tem em linha de conta a mediana ou seja, o valor acima e abaixo do qual estão 50% das partículasdesse sedimento. Assim, uma areia fina possui a mediana entre 125 e 250 mm, areia média entre 250 e 500 mme areia grosseira entre 500 e 1000 mm.Composição, abundância e estrutura etária da fauna piscícolaNormalmente, a selecção de locais de amostragem decorre dos objectivos pretendidos em cada estudo. Assim, otroço a amostrar visa ser representativo do sector da massa de água abarcando a máxima diversidade físicaexistente. Em todas as situações, a amostragem pretende englobar todos os tipos de habitats existentes notroço, com excepção das zonas muito profundas.Contudo, para o presente estudo, os pontos de amostragem foram condicionados pela disponibilidade de colunade água que permitisse o uso de pesca eléctrica, facto que restringiu significativamente a selecção de locais deamostragem.Os locais de amostragem previamente seleccionados foram: dois na Barrinha de Esmoriz (pontos 1 e 2), um naRibeira de Paramos (ponto 9) e outro na Vala de Maceda (ponto 10).A campanha de amostragem ocorreu depois da abertura do dique fusível para o mar e após um período detempestade que resultou na entrada de água proveniente do mar. O acesso ao mar encontrava-se aberto, mascom pouca circulação de águaA zona do ponto de amostragem 1 é caracterizada por uma largura de ± 20 m, toda ocupada por água, e comuma profundidade de água variável entre 0,25 m e 1 m. Predominava o sedimento arenoso-vasoso. Na altura dasaída de campo, a velocidade da corrente era baixa e o ensombramento nulo.A zona do local 2 foi caracterizada por uma largura, entre as margens actuais, de ± 30 m, em algumas secçõestotalmente ocupada por água, e com uma profundidade de água variável entre 0,25 m e 0,5 m. Predominava osedimento arenoso-vasoso com blocos maciços de material de vasa fortemente compactado. Na altura da saída,a velocidade da corrente era fraca e o ensombramento era nulo.A zona do local 9 foi caracterizada por uma largura entre as margens de 3 a 5 m, e com uma profundidade deágua variável: inferior a 0,25 m até 0,4 m. O sedimento foi caracterizado por areia, vasa e materiais alóctonos(blocos de cimento, telhas, materiais ferrosos, etc.). Na altura da saída, a velocidade da corrente era reduzida e oensombramento inferior a 25%. Quer o canal quer as margens apresentavam-se fortemente influenciados porintervenções de origem Humana. Esta zona apresentava uma aparente forte carga orgânica decorrente depossíveis esgotos ou escorrências provenientes de estruturas humanas na proximidade.A zona do local 10 foi caracterizada por uma largura entre as margens de ± 5 m, e com uma profundidade deágua variável: inferior a 0,25 m até 0,4 m. O sedimento foi caracterizado por areia e vasa. Na altura da saída, avelocidade da corrente era reduzida e o ensombramento do troço amostrado superior a 50%. Quer o canal queras margens apresentavam-se fortemente influenciados por intervenções de origem humana, nomeadamentedecorrentes da existência de vegetação exótica (acácias) e da impermeabilização do terreno para um parque deestacionamento.Este tipo de amostragem deve ser efectuada quando já não se verifiquem caudais elevados e ainda quando nãose observe a forte redução estival de caudais e se mantém uma elevada diversidade física no curso. Éconveniente, amostrar fora do período de migrações e desova. (INAG, 2008). A presente campanha ocorreu apósa abertura da Barrinha de Esmoriz para o mar, com uma consequente diminuição da coluna de água.Nas amostragens utilizou-se o seguinte material e equipamento:164/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 166.  equipamento de pesca eléctrica, de corrente contínua ou por impulsos, fixo com gerador (para operar da margem ou a partir de embarcação) ou de transporte dorsal com motor a explosão ou de bateria, sendo as características aconselhadas: 200-1000V, potência 0,8 – 2,5 kVA. O aparelho utilizado, foi um gerador portátil do tipo Hans Grassl modelo ELT60IIH1 de 1300 W, 500/1000 V com saída de corrente directa e de descargas eléctricas por impulso. Durante as sessões de captura a Intensidade de Corrente variou entre 0,3 e 1,0 A;  camaroeiros de malha e diâmetro compatível com a dimensão dos peixes a capturar;  botas altas de borracha e luvas de borracha não condutoras de electricidade;  máquina fotográfica;  Global Positioning System (GPS);  ictiómetros ou réguas plásticas (50 cm mínimo);  baldes de plástico grandes para manter os exemplares capturados até à identificação e medição;  mangas em rede para manutenção dos exemplares capturados;  bote de borracha.O comprimento mínimo do troço a amostrar será pelo menos 20 vezes a largura do canal ou Ribeira e nãoinferior a 100 m (INAG, 2008). No caso dos pontos 1 e 2, o troço foi amostrado recorrendo a uma busca a partirde uma embarcação de borracha, enquanto que nos pontos 9 e 10 a prospecção foi efectuada com osoperadores a vadear no leito das Ribeiras.Nos diferentes tipos de curso de água, as equipas, sem comprometer a necessária eficácia de pesca, recorrerama um tipo de corrente eléctrica que não causa lesões ou mortalidade nos peixes. Assim, e no que diz respeito avoltagem e pulsos, a metodologia prevê começar por testar valores baixos e, caso a eficácia de pesca sejareduzida, aumentá-los. De um modo geral mas sobretudo nos locais onde possam ocorrer espécies com estatutode conservação, visa-se reduzir ao mínimo os riscos de mortalidade. Nesse sentido começa por ser utilizadacorrente contínua e, se se verificar insucesso, passa-se então para corrente directa com impulsos, que temefeitos mais nocivos sobre os peixes.As metodologias de referência indicam que a amostragem nunca deverá ser efectuada por uma única pessoa.Tipicamente uma equipa será constituída por 3-6 pessoas: 1-3 elementos a operar com o aparelho de pescaeléctrica e 2-3 elementos de apoio na colheita ou recepção dos exemplares colhidos, transporte, identificação emedição.Nos troços mais fundos e largos (caso dos pontos 1 e 2), os operadores fizeram a amostragem a partir de umaembarcação, sendo que o percurso de zig-zag entre as margens foi realizado pela embarcação.Em cursos de água com menor largura (caso dos pontos 9 e 10), as colheitas foram efectuadas com osoperadores a percorrer lentamente a pé o curso para montante descrevendo um zig-zag entre as 2 margens,cobrindo todos os habitats existentes e fazendo sair os peixes que se encontrem abrigados.Em casos com água de grande transparência e com muito baixo valor de abrigo, o que se traduz num elevadocomportamento de fuga por parte dos peixes, os operadores procedem à descarga de corrente após um períodode imobilização com os eléctrodos na água (mínimo de 20 - 30 segundos). Nestes casos e em todas as situaçõesem que a maioria dos peixes tenda a escapar-se para montante evitando a captura devido a condições de muitobaixo valor de abrigo e inexistência de barreiras naturais, procurou-se, sempre que possível, seccionarpreviamente o troço nos extremos, com rede de malha fina, de modo a elevar a eficácia da pesca.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 165/264Relatório (ver.2)
  • 167. Nos casos em que são vistos peixes mas não se efectuam capturas, apesar da adopção das estratégias depesca mais eficazes, é registada a ocorrência de peixes, discriminando-se os taxa (espécie ou família) se tal forpossível (INAG, 2008).Após a amostragem, os exemplares colhidos são manipulados cuidadosamente. A amostragem é realizada emvários períodos de duração não superior a 30 minutos para evitar mortalidade piscícola. Entre a colheita e orespectivo processamento, os peixes são mantidos em aparatos de rede dentro do curso de água em local nãosubmetido a correntes eléctricas ou em baldes de plástico de dimensões apropriadas. Procurou-se evitar-sebiomassas piscícolas demasiado elevadas para o volume dos recipientes e manter condições quepossibilitassem o bom estado físico dos exemplares até à respectiva devolução ao meio aquático (manter àsombra se a radiação solar for forte, renovar a água periodicamente, etc.).A identificação dos exemplares até à espécie é efectuada no local, com base em caracteres externos. Osexemplares de pequenas dimensões em que não se diferenciam ainda os caracteres externos específicos, sãoidentificados ao nível do género.A identificação e medição (comprimento total em mm) dos exemplares é efectuada no local. São medidos apenasos exemplares cujo comprimento seja superior a 40 mm; para os indivíduos de comprimento inferior a 40 mm éunicamente registado o número de exemplares.Após identificação e medição, os exemplares são devolvidos ao meio, cuidadosamente libertados em zonas semcorrente (INAG, 2008).Durante os procedimentos de amostragem foram seguidas as regras de segurança e os princípios do bom sensode modo a evitar qualquer tipo de acidentes.6.1.1.1. FitoplânctonAspecto geral das amostrasA observação das amostras de rede não fixadas do interior da Barrinha (pontos 1 e 2) revelou escassez deorganismos, parte dos quais com aspecto de estar em condição fisiológica deficiente. Alguns dos organismosencontrados tinham proveniência nitidamente marinha (algumas espécies de Chaetoceros, cadáveres deBacteriastrum sp., Protoperidinium sp. e Prorocentrum micans), mas a maioria eram cianobactérias filamentosas,bem como algumas Chlorophyta, Euglenophyta e diatomáceas, provenientes de água doce (nenhum planctontemarinho foi encontrado nas contagens). A presença de agregados bacterianos do tipo ‘Sphaerotilus natans’ e‘Zoogloea ramigera’, talvez provenientes da vala amostrada a Norte, conferiam a estas amostras um aspecto delocal poluído. As massas bacterianas eram bem visíveis no ponto 9 agarradas aos sedimentos (Figura 6.1.3).166/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 168. Figura 6.1.3 - Agregados coloniais bacterianos do tipo ‘Sphaerotilus natans’ (Ponto 9)Na água corrente colhida no ponto 9 predominavam cianobactérias filamentosas e flagelados incolores(heterotróficos), em especial grande número de uma Chrysophyceae identificável como Spumella. É ainda denotar neste local a quase ausência de organismos eucarióticos fotossintéticos, marcando o aspecto geral daamostra um grau elevado de poluição, pelo menos de carácter orgânico.A vala de Maceda (ponto 10) transportava uma concentração de organismos relativamente pequena, compredominância de formas fotossintéticas: Euglenophyta, diatomáceas, Chlorophyta coloniais imóveis eunicelulares flageladas, cianobactérias coloniais, fragmentos de Rhodophyta; sendo certo que se trataunicamente de organismos que proliferam entre a vegetação ou junto ao sedimento, não havendo condições parase formar verdadeiro fitoplâncton.No Quadro 6.1.3 apresentam-se algumas notas sobre os organismos encontrados.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 167/264Relatório (ver.2)
  • 169. Quadro 6.1.3 - Anotações sobre os organismos identificados nas contagens Taxa Notas ChlorophytaCélulas esféricas com plastos 6–9 µm de diâmetro; inidentificável com base apenas nos aspectos morfológicos visíveis.Closterium acutum Brébisson in Ralfs Desmidiaceae em forma de agulha, perifítica e ticoplanctónica, de meios predominantemente eutróficos, pouco contaminados com material orgânico.Cosmarium sp. Desmidiaceae; apenas uma célula encontrada, provavelmente de origem perifítica.Kirchneriella contorta var. elongata Chlorococcales; colónias de células estreitas e torcidas, provavelmente de origem perifítica.(G.M. Smith) KomárekMonoraphidium arcuatum (Korshikov) Chlorococcales; células em agulha encurvada, provavelmente de origem perifítica.HindákScenedesmus sp. Do grupo do Scenedesmus armatus (Chodat) Chodat. DiatomáceasDiatomácea cêntrica Possivelmente uma pequena Cyclotella, Stephanodiscus ou Cyclostephanus.Diatomácea pinulada Pode incluir espécies de Navicula, Achnanthes, etc.Nitzschia cf. palea Um complexo de espécies de difícil identificação. Cyanophyta Microcystis sp.Oscillatoria sp. Formas geralmente bênticas, de identificação duvidosa em material arrastado.Symploca sp. Filamentos unisseriados, envolvidos por baínha; células até três vezes mais compridas do que largas, visivelmente constrictas nos septos; tricomas com 1,5–3,3 µm de largura. Trate- se de formas bênticas, que tipicamente formam talos a partir de conjuntos de filamentos — a observação apenas de filamentos isolados, arrastados pela corrente, torna impossível uma identificação segura. Abundante nos pontos 2, 9 e 10. Cryptophyceae Cryptomonas sp. EuglenophytaCryptoglena skujae Marin et Melkonian Sinónimo nomenclatural de Phacus agilis Skuja (Marin et al. 2003).Euglena sp. Pelo menos duas espécies dotadas de metabolia, uma delas provavelmente Euglena ehrenbergii G.A. Klebs. ChrysophyceaeAnthophysa vegetans (O.F. Müller) F. Organismo colonial incolor.SteinSpumella sp. Organismo unicelular; é um voraz consumidor de bactérias e pequenos protistas. Trabalhos recentes apontam para uma grande diversidade genética em organismos “Spumella-like”, pelo a identificação se torna, neste momento, incerta (Yubuki et al. 2008, Findenig et al. 2010). Abundante nos pontos 2, 9 e, em especial, no ponto 10.Amoebozoa Agrupamento não algal. Formas predominantemente bênticas.Amoeba sp. Organismo amebóide sem teca, do género Amoeba ou de um género próximo.Arcella sp. Organismo amebóide com teca.168/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 170. Aspectos quantitativosOs resultados das contagens e sequentes cálculos de biovolume e biomassa são dados no Quadro 6.1.4, com ostotais expressos em valores por litro resumidos no Quadro 6.1.5. É notável a elevada contribuição de protistasheterotróficos nos pontos 1, 2 e 9, que parecem ser suportados pela elevada quantidade de bactérias, de que sealimentam. As desproporção é ainda mais significativa se atendermos a que a maior porção dos organismosautotróficos nestes locais corresponde a cianobactérias. No ponto 10 a maior contribuição para a biomassa vemde formas autotróficas. Quadro 6.1.4 - Densidade, biovolume e biomassa de cianobactérias e protistas planctónicos nos quatro pontos de amostragens Ponto 1(Barrinha) Ponto 2 (Barrinha) Ponto 9 (Ribeira Paramos) Ponto 10 (vala de Maceda) Taxa Densidade Biovolume Biomassa Densidade Biovolume Biomassa Densidade Biovolume Biomassa Densidade Biovolume Biomassa (nºcélulas/ml) (µm3/ml) (pg C/ml) (nºcélulas/ml*) (µm3/ml) (pg C/ml) (nºcélulas/ml) (µm3/ml) (pg C/ml) (nºcélulas/ml*) (µm3/ml) (pg C/ml)Células esféricas com plastos 54 9274 1020Closterium acutum 12 8333 917Cosmarium sp. 1Cryptoglena skujae 4Cryptomonas sp. 1Diatomácea cêntrica 1Diatomácea pinulada 100 80446 8849 133 107200 11792 30 24120 2653Euglena sp. 2Kirchneriella contorta var.elongata 36 228 25Microcystis sp. 1Monoraphidium arcuatum 3Nitzschia palea 8 2108 232Oscillatoria sp. 33 278993 30689Scenedesmus sp. 2Symploca sp. 46360 1961348 215748 19111 659282 72521 30000 1056560 116222 35 987 109Total organismosautotróficos 46460 2041794 224597 19278 1045476 115002 30000 1056560 116222 189 45050 4956Amoeba sp. 1Anthophysa veg. 26 4614 508Arcella sp. 1Nemátode 1Spumella sp. 34400 7447600 819236 17200 3723800 409618 53000 11474500 1262195 44 9526 1048Total protistasheterotróficos 34400 7447600 819236 17200 3723800 409618 53000 11474500 1262195 72 14140 1555 Quadro 6.1.5 - Densidade e biomassa totais dos organismos autotróficos e protistas heterotróficos por litro, nos quatro pontos de amostragem. Limites de confiança a 0,95: ± 10% Ponto 1 Ponto 2 Ponto 9 Ponto 10 Densidade Biomassa Densidade Biomassa Densidade Biomassa Densidade Biomassa (nºcélulas/l) (µg C/l) (nºcélulas/l*) (µg C/l) (nºcélulas/l) (µg C/l) (nºcélulas/l*) (µg C/l) Total organismos 4,6×107 2,2×102 1,9×107 1,1×102 3,0×107 1,2×102 1,9×105 4,9 autotróficos Total protistas 3,4×107 8,2×102 1,7×107 4,1×102 5,3×107 1,3×102 7,2×104 1,6 heterotróficos*Número de filamentos em Oscillatoria sp. e número de colónias em Microcystis sp.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 169/264Relatório (ver.2)
  • 171. Considerações geraisO material biológico encontrado na coluna de água nos dois pontos de colheita no interior da Barrinha é umamistura de organismos provenientes dos afluentes, que não são verdadeiros planctontes, com escassosorganismos do plâncton marinho (insuficientes para serem sequer contados). A salinidade relativamente elevadano momento da colheita resulta, inevitavelmente, num stress significativo para as comunidades oriundas de águadoce, que serão provavelmente inviáveis nestas condições. A inexistência, no momento das colheitas, defitoplâncton com características próprias no interior da Barrinha, sugere que não houve qualquerdesenvolvimento diferenciado de organismos na coluna de água da Barrinha, não podendo, por isso, serdirectamente relacionado com a qualidade da água nesse ambiente de mistura de águas de diferentesproveniências.A utilização de material suspenso, arrastado na corrente, quer na ribeira de Paramos, quer na vala de Maceda,para avaliação da qualidade da água é inadequada, devendo para esse efeito serem usadas as comunidadesbênticas que vegetam no local de amostragem (e que não foram objecto deste estudo). Contudo, o materialencontrado na ribeira de Paramos (ponto 9), quer pela presença das massas bacterianas macroscópicasilustradas na Figura 6.1.3, quer pela quase inexistência de produtores primários eucarióticos, com umapredominância de organismos consumidores sobre os fotossintéticos, denuncia um grau elevado a muito elevadode poluição, pelo menos de natureza orgânica. Os organismos presentes nas amostras de água da vala deMaceda (ponto 10) sugerem um grau fraco a moderado de poluição orgânica, ressalvando-se a incerteza queresulta de não se saber a que distância para montante se formaram as comunidades que dão origem aosorganismos arrastados.6.1.1.2. Flora aquática (macrófitas)No total dos 4 locais de amostragem realizados foram recenseadas 42 espécies de macrófitas verificando-seuma diferença nítida entre os pontos localizados no interior da laguna e os das valas afluentes.No interior da laguna apenas se recensearam 5 espécies (Quadro 6.1.6). A amostragem decorreu após um longoperíodo de submersão das comunidades (Barrinha fechada ao mar), pelo que as espécies dominantes sãohelófilas de médio e alto porte, nomeadamente Juncus maritimus (junco-das-esteiras) e Phragmites australis(caniço). As gramíneas presentes (Digitaria sanguinalis - milhã-digitada e Echinochloa crus-galli - milhã-de-pé-de-galo) ocorrem concentradas em poucos locais e apenas onde a cota do leito é superior pelo que a partevegetativa se encontra praticamente toda fora de água.Na margem direita destaca-se, em ambos os troços de amostragem, uma grande percentagem do solo semcobertura (lodaçais). Esta situação ficar-se-á a dever sobretudo ao facto da área se encontrar frequentementesubmersa durante longos períodos de tempo, situação que, aliada à forte poluição da água, tende a conduzir àmortalidade da vegetação aí presente, nomeadamente de Juncus maritimus. Provavelmente, como resultadoglobal desta hidrodinâmica, está o facto de habitats típicos de sistemas aquáticos de transição, estarem aquifracamente representados (como é o caso do habitat 1330 – Prados salgados atlânticos) ou de inclusivamente,não se terem sequer registado (isto apesar de mencionados no Plano Sectorial da Rede Natura 2000)nomeadamente o habitat 1320 (Prados de Spartina Spartinion maritimae).A grande representatividade e vigor de Phragmites australis o qual não tolera salinidades elevadas, reflecte bemo longo período em que a Barrinha esteve fechada ao mar.A reduzida diversidade não será no entanto permanente ao longo do ano, sendo expectável que nos períodos emque a Barrinha se encontra sob efeito do ciclo de marés, nomeadamente nas zonas em que à data daamostragem predominavam os lodaçais (margem direita) ao fim do necessário período vegetativo, surja um170/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 172. conjunto de espécies de cariz predominantemente halófilo, mais consentâneo com os meios aquáticos detransição.No que respeita à vegetação hidrófita cabe referir a sua total ausência nos locais amostrados. Frequentemente, oleito encontra-se colmatado com agregados coloniais bacterianos do tipo ‘Sphaerotilus natans’, bactériafilamentosa típica de unidades de tratamento de águas residuais e esgotos. Por outro lado, a elevada turbidez daágua será outro factor condicionante à presença de flora aquática nestes locais. Tendo a amostragem sidorealizada após um longo período de fecho ao mar não seria também expectável encontrar na área bancos defanerogâmicas marinhas típicas de meios de transição, tal como acontece por exemplo, um pouco mais a Sul, naRia de Aveiro. Quadro 6.1.6 - Principais características dos locais de amostragem 2 e 3 e graus de cobertura (%) Troço 3 Troço 2 M. Dir. M. Esq. M. Dir. M. Esq. Largura do canal Cerca de 30 m Características gerais Vegetação no leito Ausente Profundidade 1,5 a 2 m Corrente Reduzida Transparência da água Muito turva Vegetação arbórea Ausente Área sem cobertura 25-50 2,5-5 25-50 - Bolboschoenus maritimus (triângulo) 2,5-5 1-2,5 5-10 1-2,5 Espécies (grau Digitaria sanguinalis (milhã-digitada) 10-25 - 2,5-5 - cobertura) Echinochloa crus-galli (milhã-de-pé-de-galo) 10-25 1-2,5 10-25 - Juncus maritimus (junco-das-esteiras) 10-25 5-10 10-25 2,5-5 Phragmites australis (caniço) 2,5-5 >75 2,5-5 >75 Margem Esquerda Margem Direita Troço 2 Troço 3 Troço 2 Troço 3 Figura 6.1.4 - Localização aproximada dos troços amostrados na laguna (canal de comunicação com o mar)Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 171/264Relatório (ver.2)
  • 173. Figura 6.1.5 - Pormenor do troço 3, margem direita (Barrinha fechada)Nas valas afluentes o número de espécies recenseadas foi bastante superior (25 na ribeira de Paramos e 21 navala de Maceda). No entanto, trata-se de espécies, na sua maioria exóticas infestantes e ruderais que não sãorepresentativas do ecossistema aquático (Quadro 6.1.7). Quadro 6.1.7 - Principais características dos locais de amostragem 9 e 10 e graus de cobertura específicos Local 9- ribeira de Local 10– Vala de Maceda Paramos M. Esq. M. Dir. M. Esq. M. Dir. Largura do leito 6m 3a5m Características gerais Vegetação no leito Não Não Profundidade 0, 25-0,5 m 0, 25-0,5 m Corrente Reduzida Moderada Transparência da água Transparente Muito turva Vegetação arbórea Presente Ausente Área sem cobertura 0 0 0 0 Acacia melanoxylon (austrália) 25-50 50-75 <0,1 <0,1 Anthemis arvensis (margação) - - - <0,1 Aster squamatus (mata-jornaleiros) - - - <0,1 Brassica nigra - - - <0,1 Bromus hordeaceus (bromo-doce) - - - <0,1 Espécies (grau de cobertura: %) Bryonia dioica (norça-branca) - - <0,1 - Calystegia sepium (bons-dias) <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 Conyza canadensis (avoadinha) - 0,1-1 - <0,1 Cortaderia selloana (erva-das-pampas) - 0,1-1 - - Cynosurus echinatus (rabo-de-cão) - - - <0,1 Cyperus eragrostis (junção) - 0,1-1 - - Dactylis glomerata (panasco-de-folhas-estreitas) - - - <0,1 Festuca arundinacea (erva-carneira) - 2,5-5 - <0,1 Foeniculum vulgare (funcho) - - - <0,1 Fumaria muralis (fumaria-das-paredes) <0,1 - - - Galactites tomentosa (cardo) - - - <0,1172/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 174. Local 9- ribeira de Local 10– Vala de Maceda Paramos M. Esq. M. Dir. M. Esq. M. Dir. Galium aparine (amor-de-hortelão) - - - <0,1 Gramineae* - 2,5-5 - - Juncus effusus (junco) - 0,1-1 - - Lamium maculatum (chucha-pitos) <0,1 - - - Mentha suaveolens (mentastro) - - - <0,1 Oxalis pes-caprae (erva-azeda) 0,1-1 - - - Parietaria judaica (parietária) <0,1 <0,1 - <0,1 Paspalum urvillei <0,1 2,5-5 Espécies (grau de cobertura: %) Phragmites australis (caniço) - - >75 >75 Plantago lanceolata (língua-de-ovelha) - - - <0,1 (continuação) Polygonum hydropiper (pimenta-da-água) - - <0,1 <0,1 Polygonum persicaria (persicária) 0,1-1 0,1-1 - - Rubus ulmifolius (silvas) 10-25 10-25 2,5-5 Rumex acetosella subp. angiocarpus (azeda-mansa) - - - <0,1 Salix atrocinerea (borrazeira-preta) - - <0,1 - Salix viminalis (vimieiro) - 0,1-1 - - Solanum sublobatum <0,1 - - <0,1 Sonchus asper (serralha-espinhosa) - - - <0,1 Tradescantia fluminensis (erva-da-fortuna) 10-25 25-50 Trifolium repens (trevo-rasteiro) - - - <0,1 Typha latifolia (foguetes) 0,1-1 - 2,5-5 2,5-5 Ulex europaeus (tojo) - 0,1-1 - - Urtica membranacea (urtiga-de-cauda) <0,1 - <0,1 <0,1*Espécimen não identificado devido à ausência de elementosNo local 9, ribeira de Paramos, a espécie dominante é Phragmites australis, apesar de na margem direita ter sidorecentemente cortado (Figura 6.1.6). Para além desta destaca-se apenas a ocorrência de duas espéciestipicamente higrófilas, a Typha latifolia e Salix atrocinerea esta última de presença residual. Neste troço destaca-se o elevado número de espécies presente na margem direita. No entanto, são espécies tipicamente ruderais ecuja presença nesta margem resultará do despejo de terras/entulhos ao longo da área.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 173/264Relatório (ver.2)
  • 175. Margem Esquerda Margem Direita Figura 6.1.6 - Local 9: Ribeira de ParamosNa vala de Maceda dominam as espécies exóticas Acacia melanoxylon e Tradescantia fluminensis seguindo-se-lhes Rubus ulmifolius (Figura 6.1.7). A maior parte das restantes espécies são espécies herbáceas de carácterruderal. Margem Esquerda Margem Direita Figura 6.1.7 - Local 10: Vala de Maceda174/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 176. Considerações geraisDesta forma, tendo em atenção as espécies em presença e a composição específica das comunidades, nageneralidade, pode-se inferir que:  As comunidades dos troços de amostragem localizados no interior da Barrinha apresentam-se sob forte pressão na medida em que as condições hidrodinâmicas não estabilizadas não permitem, por um lado, a presença de uma comunidade florística típica de um meio aquático de transição e, por outro, o elevado tempo de submersão com elevada carga orgânica contribui para a colmatação do sedimento, aumento da turbidez e apodrecimento das espécies de menor porte, sendo a comunidade florística muito pobre em espécies.  As comunidades dos troços localizados nas valas, no caso da vala de Maceda, são dominadas por espécies exóticas e ruderais e no caso da ribeira de Paramos apesar de Phragmites australis (caniço) ser a espécie dominante, surge associado um conjunto diversificado de espécies ruderais que resultam do despejo de entulhos nas proximidades. Em ambos os casos, a galeria ripícola típica deste tipo de sistemas dulçaquícolas, que na região são geralmente compostas por espécies como Salix sp., Alnus glutinosa (amieiro), Sambucus nigra (sabugueiro), Osmunda regalis (feto-real), Vitis vinifera (videira-europeia), está ausente.Considerando assim que a composição florística actual se encontra muito degradada em relação ao que seria avegetação potencial e pobre quer em espécies quer estruturalmente, considera-se que em geral, do ponto devista florístico, a Barrinha de Esmoriz apresenta um Estado Ecológico Medíocre.6.1.1.3. Macro Invertebrados bentónicosNo total dos oito locais de amostragem foram recenseados apenas 3 taxa de invertebrados bentónicos, em1492 exemplares que apresentaram uma biomassa de 3,8826 g. O taxa mais abundante e frequente, presenteem todos os locais de amostragem, foi o das larvas de Chironomídeos, Chironomus riparius, que englobou 99,5%da abundância total. É também este taxa que representa a maior percentagem da biomassa, cerca de 99,9%, oque significa que os outros, oligoquetas e o poliqueta Prionospio fallax, para além de serem pouco abundantes epouco frequentes, são também representados por indivíduos de pequenas dimensões.No Quadro 6.1.8 e no Quadro 6.1.9 apresenta-se, respectivamente, a distribuição da abundância (A) e daBiomassa (B) nos vários locais de amostragem, por taxa. O Quadro 6.1.10 sintetiza esta informaçãoapresentando a riqueza em taxa (S), a Abundância (A) e a Biomassa (B), total e por local de amostragem. Quadro 6.1.8 - Abundância (nº ind/0,5 m2) de macroinvertebrados bentónicos em cada local de amostragem 1 2 3 4 5 6 7 8 TOTALChironomus riparius (larvas) 109 13 111 68 59 561 361 202 1484Oligoquetas n. i. 5 2 7Prionospio fallax (Poliqueta) 1 1Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 175/264Relatório (ver.2)
  • 177. Quadro 6.1.9 - Biomassa, peso fresco (g/0,5 m2), dos macroinvertebrados bentónicos em cada local de amostragem 1 2 3 4 5 6 7 8 TOTALChironomus riparius (larvas) 0,1139 0,0108 0,1848 0,0544 0,144 1,6148 1,2722 0,4818 3,8771Oligoquetas n. i. 0,002 0,0031 0,0054Prionospio fallax (Poliqueta) 0,0001 0,0001 Quadro 6.1.10 - Riqueza em taxa (S; nº taxa/0,5 m2), Abundância (A; nº ind/0,5 m2) e Biomassa, peso fresco (B; g/0,5 m2) dos macroinvertebrados bentónicos em cada local de amostragem 1 2 3 4 5 6 7 8 TOTAL S 1 1 1 2 2 1 1 2 3 A 109 13 111 69 64 561 361 204 1492 B 0,1139 0,0108 0,1848 0,0545 0,1467 1,6148 1,2722 0,4849 3,8826No Quadro 6.1.11 apresenta-se a caracterização sedimentar e o teor em matéria orgânica, o teor em finos, areiase cascalhos e a classificação do sedimento, dos oito locais de amostragem. Relativamente a este aspecto, amaioria dos locais, 5 em 8, possui sedimentos finos classificados como vasas e os restantes são areias (areiafina limpa - local 2, areia média limpa - local 3 e areia grosseira vasosa – local 4). Os sedimentos arenososapresentam um teor em matéria orgânica de 1,2% (locais 3 e 4) e 1,5% (local 2) enquanto que os vasosos,apresentam valores bastante superiores que variam entre 13,8% (local 8) a 19,7% (local 6). Quadro 6.1.11 - Teor em matéria orgânica, finos, areias e cascalhos nos sedimentos (em %) e tipo de sedimento de cada local de amostragem Locais MO Finos Areia Cascalho Tipo Sedimento 1 16,6 80,4 20,7 0,0 Vasa 2 1,5 16,0 83,8 0,11 Areia fina limpa 3 1,2 5,3 90,6 4,01 Areia média limpa 4 1,2 3,0 83,3 13,6 Areia grosseira 5 18,6 94,2 5,7 0,0 Vasa 6 19,7 96,3 3,7 0,0 Vasa 7 16,4 89,1 10,7 0,07 Vasa 8 13,8 95,3 4,5 0,0 VasaConsiderações geraisA análise dos macroinvertebrados da Barrinha de Esmoriz permite concluir que este é um sistema extremamentepobre. Apenas foram recenseados 3 taxa nos oito locais de amostragem. O mais abundante e frequente(presente em todos os locais) e englobando praticamente a totalidade da biomassa é o Quironomídeo,Chironomus riparius (Insecto, Díptero). Chironomus riparius é uma espécie característica de sistemas lênticos, ouseja sistemas de água com pouca corrente como lagoas, lagos, açudes, barragens, poças (Raposeiro et al.,2007). É uma espécie tipicamente dulçaquícola mas que apresenta alguma tolerância à salinidade e pode ser176/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 178. abundante em zonas deficientes em oxigénio já que possui um pigmento respiratório na hemolinfa que lheconfere a cor vermelho vivo ou acastanhado (Bervoets et al., 1996). É citado na literatura como típico de zonaspoluídas (Groenendijk et al., 1998).Por outro lado, Prionospio fallax, é um poliqueta de pequenas dimensões comum em sistemas de transição(lagoas e estuários) em sedimentos arenosos. Na ria de Aveiro, surge na zona da embocadura e central do canalde Mira e de Ovar (Rodrigues et al., in press.). Os oligoquetas, por seu turno, reflectem na sua maioria baixassalinidades e de facto, na Barrinha surgem nos locais B5 e B8, próximos de fontes de água doce.O teor em matéria orgânica nos sedimentos é elevado e um excessivo enriquecimento orgânico leva à deplecçãode oxigénio nos mesmos e consequentemente ao desaparecimento dos macroinvertebrados que não sãocapazes de viver nestas condições. As vasas, tipo de sedimento maioritário da Barrinha, têm tambémnaturalmente associado um maior teor em matéria orgânica e um menor teor em oxigénio do que as areias.Assim, a ampla repartição e elevada abundância na Barrinha de Esmoriz de Chironomus riparus, a presença dePrionospio fallax e dos oligoquetas, os baixos valores de riqueza em espécies, e mesmo de abundância e debiomassa, bem como a granulometria dos sedimentos e o seu teor em matéria orgânica apontam, por um ladopara a influência da água doce (a Barrinha estava fechada aquando da amostragem) e por outro, para umadeficiente oxigenação e contaminação dos sedimentos.No seu conjunto, e relativamente à componente macroinvertebrados bentónicos, a Barrinha de Esmorizapresenta um Estado Ecológico Mau.6.1.1.4. Fauna piscícolaNa campanha efectuada foram realizadas quatro amostragens: duas durante o período da manhã e duas duranteo período da tarde. O esforço de amostragem efectuado é apresentado no Quadro 6.1.12. Quadro 6.1.12 - Esforço de amostragem efectuado Local Corpo de água Área Amostrada Tempo de amostragem1 Barrinha de Esmoriz 100m (comp) x 20m (larg) = 2000 m2 20 minutos (em embarcação)2 Barrinha de Esmoriz 100m (comp) x 30m (larg) = 3000 m2 25 minutos (em embarcação)9 Ribeira de Paramos 100m (comp) x 5m (larg) = 500 m2 20 minutos (a vadear no leito)10 Vala de Maceda 100m (comp) x 5m (larg) = 500 m2 30 minutos (a vadear no leito)No Anexo 15 é apresentada a lista de espécies já identificadas para a área de estudo enquanto no Quadro 6.1.13se apresentam as espécies capturadas no âmbito deste estudo e o resumo da sua bio-ecologia.Durante os trabalhos de campo só foi possível referenciar a ocorrência de 7 espécies, das quais 3 são exóticas.De uma forma geral, as capturas por ponto foram baixas (quer em termos de diversidade, quer em termos donúmero de indivíduos).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 177/264Relatório (ver.2)
  • 179. Para uniformizar os dados resultantes das diferentes estações de amostragem, os valores foram convertidos emCapturas Por Unidade de Esforço (CPUE). A unidade de esforço foi de cinco minutos por Estação deAmostragem. Quadro 6.1.13 - Lista de espécies capturadas Família Espécie Nome comum Origem Estatuto de conservação LVVPAnguillidae Anguilla anguilla Enguia Nativa ENAtherinidae Atherina boyeri Peixe-rei Nativa DDMugilidae Liza saliens Taínha-de-salto Nativa NAPleuronectidae Platichthys flesus Solha-das-pedras Nativa DDCentrarchidae Lepomis gibbosus Perca-sol Exótica NACyprinidae Cyprinus carpio Carpa Exótica NAPoeciliidae Gambusia holbrooki Gambúsia Exótica NALVVP - Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal; EN - Em perigo; DD - Insuficientemente conhecido; NA - Não se aplica. Quadro 6.1.14 - Relação de tamanhos das espécies capturadas em todas as estações de amostragem Pequenos <10 cm 10cm<Médios<20 cm grandes > 20 cm Espécie Totais N % N % N %Anguilla anguilla 4 100 4(enguia-europeia)Atherina boyeri 1 100 1(peixe-rei)Liza saliens 19 100 19(tainha-de-salto)Platichthys flesus 2 100 2(solha-das-pedras) Espécies Nativas 0 0 6 23,08 20 76,92 26Lepomis gibbosus 13 86,67 2 13,33 15(perca-sol)Cyprinus carpio 1 100 1(carpa)Gambusia holbrooki 19 100 19(gambúsia) Espécies Exóticas 32 91,43 3 8,57 0 0 35 TOTAL 64 52,46 18 14,75 40 32,79 122178/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 180. Nos pontos 1 e 2 apenas foi possível capturar Lisa saliens (Quadro 6.1.15 e Quadro 6.1.16). O número deindivíduos variou entre 7 e 12, resultando num CPUE que variou entre 1,75 e 2,4, sendo todos de tamanhogrande.Esta situação de aparente forte desequilíbrio pode ter ficado a dever-se ao facto de a campanha ter sidorealizada após a abertura da barra da Barrinha e após uma forte entrada de água do mar devido a umatempestade que ocorreu 3 a 4 dias antes da campanha. Assim, estes dois pontos encontravam-se comsalinidades muito elevadas, facto que exclui a ocorrência de espécies menos tolerantes a elevadas salinidades. Aúnica espécie capturada é tolerante à elevada salinidade, sendo uma espécie bastante frequente na Barrinha(talvez uma das mais importantes na actualidade). Quadro 6.1.15 - Valores de CPUE – Ponto 1 Espécies capturadas CPUE < 10 cm 10 cm < CPUE < 20 cm CPUE > 20 cm CPUE Total/EspécieLiza saliens 0 0 1,75 1,75(tainha-de-salto) CPUE Total/Ponto 1,75 Quadro 6.1.16 - Valores de CPUE – Ponto 2 Espécies capturadas CPUE < 10 cm 10 cm < CPUE < 20 cm CPUE > 20 cm CPUE Total/EspécieLiza saliens 0 0 2,4 2,4(tainha-de-salto) CPUE Total/Ponto 2,4No ponto de amostragem 9 (ribeira de Paramos), a situação de amostragem revelou-se completamente diferentedo que nos pontos 1 e 2. Neste local, a amostragem foi realizada numa vala artificializada que alimenta aBarrinha de Esmoriz e por isso com níveis de salinidade mais baixa.Neste ponto apenas se capturou uma espécie autóctone (Anguilla anguilla), tendo apenas sido detectado 1indivíduo. As restantes espécies capturadas são infestantes, tendo sido capturados 5 indivíduos de cada espécie(CPUE de 1,25). No caso de Lepomis gibbosus todos os indivíduos capturados foram da classe tamanhopequeno (Quadro 6.1.17).Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 179/264Relatório (ver.2)
  • 181. Quadro 6.1.17 - Valores de CPUE – Ponto 9 Espécies capturadas CPUE < 10 cm 10 cm < CPUE < 20 cm CPUE > 20 cm CPUE Total/EspécieAnguilla anguilla (enguia-europeia) 0 0,25 0 0,25Lepomis gibbosus (perca-sol) 1,25 0 0 1,25Gambusia holbrooki (gambúsia) 1,25 0 0 1,25 CPUE Total/Ponto 2,75O ponto 10 foi aquele que se revelou com maior diversidade de espécies e maiores abundâncias. Neste pontoforam capturadas 3 espécies autóctones e 3 espécies exóticas, duas das quais consideradas como infestantes.Neste ponto foram capturadas 3 indivíduos de Anguilla anguilla (CPUE de 0,5), 2 indivíduos de Platichthys flesus(CPUE de 0,33) e 1 indivíduo de Atherina boyeri (CPUE de 0,2). Tal como o verificado no ponto anterior, aabundância de espécies exóticas foi maior com um claro domínio de Gambusia holbrooki (14 indivíduos com umCPUE de 2,33) e Lepomis gibbosus (10 indivíduos com um CPUE de 1,66). Nesta última espécie foi possívelcapturar indivíduos juvenis e adultos (Quadro 6.1.18). Quadro 6.1.18 - Valores de CPUE – Ponto 10 Espécies capturadas CPUE < 10 cm 10 cm < CPUE < 20 cm CPUE > 20 cm CPUE Total/EspécieAnguilla anguilla 0 0,5 0 0,5Atherina boyeri (peixe-rei) 0,2 0 0 0,2Platichthys flesus (solha-das-pedras) 0 0,33 0 0,33Lepomis gibbosus (perca-sol) 1,33 0,33 0 1,66Cyprinus carpio (carpa) 0 0,17 0 0,17Gambusia holbrooki (gambúsia) 2,33 0 0 2,33 CPUE Total/Ponto 5,19A análise global das capturas (Quadro 6.1.19) revela que a abundância relativa das espécies nativas, vista deuma forma global não é muito menor do que a abundância das espécies exóticas. Contudo, uma análise maisdetalhada permite verificar que os valores para as espécies nativas são dominados pela forte ocorrência de Lisasaliens nos primeiros dois pontos de amostragem, que na altura da amostragem correspondiam a um ambientenão tolerado pelas restantes espécies.180/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 182. Quadro 6.1.19 - CPUE Totais por espécie Espécies capturadas CPUE Totais da Campanha/EspécieAnguilla anguilla 0,75Atherina boyeri 0,20Liza saliens 4,15Platichthys flesus 0,33 Espécies Nativas 5,43Lepomis gibbosus 2,92Cyprinus carpio 0,17Gambusia holbrooki 3,58 Espécies Exóticas 6,67 6% 2% 30% Anguilla anguilla Atherina b oyeri Liza saliens 34% Platichthys flesus Lepomis gib b osus 1% Cyprinus carpio Gamb usia holb rooki 24% 3% Figura 6.1.8 - Composição específica relativa da campanha.Verifica-se assim que, de uma forma geral, a estrutura ecológica da ictiofauna da Barrinha está muitodesequilibrada com alterações significativas de composição específica, estrutura etária, abundâncias eocorrência de espécies exóticas. Estas alterações indicam que o sistema está sob forte pressão ambiental,decorrente de um grande conjunto de factores de pressão, de onde se salientam a constante alteração do estadohidrológico da Barrinha, a frequente entrada de água salgada e a baixa qualidade das águas que entram naBarrinha.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 181/264Relatório (ver.2)
  • 183. Devido à inexistência de índices de qualidade ecológica associados à ictiofauna optou-se por apresentar asituação actual dos parâmetros potencialmente indicadores do Estado Ecológico (Quadro 6.1.9), seguido de umaclassificação desses mesmos indicadores (de 1 a 5) com uma avaliação global da situação (Quadro 6.1.20). Quadro 6.1.9 - Estado dos parâmetros referentes aos indicadores do estado ecológico em função da Ictiofauna para a Barrinha de Esmoriz Pontos de amostragem Estado dos Indicadores Ponto 1 Ponto 2 Ponto 9 Ponto 10Diversidade Muito Baixa Muito Baixa Baixa MédiaAbundância relativa Muito Baixa Muito Baixa Baixa MédiaEstrutura etária Desequilibrada Desequilibrada Desequilibrada DesequilibradaPresença de espécies ameaçadas Não Não Sim SimPresença de espécies exóticas Não Não Sim SimReprodução de espécies autóctones Não Não Não NãoBarreiras à migração Não Não Não NãoQualidade de locais de desova Muito Baixa Muito Baixa Baixa Baixa Quadro 6.1.20 - Valores atribuídos aos indicadores do estado ecológico em função da Ictiofauna para a Barrinha de Esmoriz (de 1 - mau até 5 -excelente) Pontos de amostragem Estado dos Indicadores Ponto 1 Ponto 2 Ponto 9 Ponto 10Diversidade 1 1 2 3Abundância relativa 1 1 2 3Estrutura etária 1 1 2 2Presença de espécies ameaçadas) 1 1 2 3Presença de espécies exóticas 5 5 2 2Reprodução de espécies autóctones 1 1 1 1Barreiras à migração 5 5 5 5Qualidade de locais de desova 1 1 2 2 Estado Estado EstadoAvaliação Global do Estado Ecológico Ecológico Estado Ecológico Medíocre a Razoável Ecológico Mau Ecológico Mau MedíocreConsiderações geraisA presente campanha confirmou a presença de 7 espécies de ictiofauna na Barrinha de Esmoriz, das quais trêssão exóticas.182/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 184. Claramente, a comunidade de ictiofauna da Barrinha de Esmoriz, encontra-se fortemente desequilibrada e comuma forte zonação, associada aos níveis de salinidade. Na presente campanha, apenas existia água na zona docanal central e nas duas linhas de água que alimentam a Barrinha.No caso do canal central, este apresentava valores elevados de salinidade, facto que resultou na captura deapenas uma espécie (Lisa saliens - tainha-de-salto) que ocorre na Barrinha de forma muito frequente e que estáadaptada a águas salobras e salgadas.Nas duas linhas de água afluentes, a diversidade foi maior, apesar de não ter sido possível capturar a espécieque dominava a zona central da Barrinha. Foi possível detectar a ocorrência de Anguilla anguilla – enguia-europeia - (espécie com estatuto de ameaça), juntamente com outras duas espécies costeiras que tambémocorrem em ambientes salobros e de água doce. Ambas as espécies (Platichthys flesus - solha-das-pedras - eAtherina boyeri – peixe-rei) ainda são mal estudadas pelo que o seu estatuto de conservação é insuficientementeconhecido. As restantes espécies capturadas nas linhas de água afluentes, são espécies exóticas, sendo queduas delas são consideradas como infestantes, com elevados impactes nos sistemas naturais.Em termos de abundâncias relativas, os valores obtidos mostram que as espécies nativas ocorrem em baixasdensidades quando comparadas com as espécies exóticas, existindo um claro desequilíbrio populacional emtermos de classes de tamanho (ou só indivíduos muito pequenos, ou só indivíduos grandes ou de classesintermédias). No caso de Lisa saliens (tainha-de-salto) só foram capturados indivíduos grandes, facto que podequerer dizer que a reprodução desta espécie não está a ocorrer na Barrinha. O mesmo poder-se-á assumir paraPlatichthys flesus e para Atherina boyeri. Para as restantes espécies e devido à constante flutuação da coluna deágua da Barrinha, é de supor que as zonas de reprodução e ocorrência os indivíduos adultos se concentrem emzonas mais a montante nas linhas de água afluentes.Os resultados obtidos referem-se a um período que ocorreu 2 semanas após a abertura da Barrinha de Esmorize poucos dias após a entrada de água salgada em resultado de uma forte tempestade e agitação marinha.Assim, esta campanha decorreu num período de forte desequilíbrio das condições ecológicas, depois de umperíodo de estabilidade (Verão), associado ao encerramento da barra da Barrinha.Esta situação, afectou de forma significativa a ictiofauna da Barrinha. O abaixamento significativo da Barrinha,poderá ter levado à mortalidade de muitos indivíduos que ficaram presos nas zonas mais secas, mortalidade poraumento súbito da salinidade, arrasto de animais para o mar devido aos forte caudais na zona da barra,migração de espécies dulçaquícolas que perante uma diminuição drástica da coluna de água poderão ter-sedeslocado para zonas mais a montante nas duas linhas de água afluentes que apresentavam água corrente.Os elevados níveis de poluição orgânica observados na Ribeira de Paramos também condicionam de formasignificativa a ocorrência de espécies mais sensíveis.Analisando o Estado Ecológico da Barrinha de Esmoriz para a Ictiofauna é possível concluir que este sistemaestá longe de um cenário desejável, apresentando uma classificação global de Estado Ecológico Medíocre.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 183/264Relatório (ver.2)
  • 185. 6.1.2. Elementos químicos e físico-químicos de suporte dos elementos biológicos6.1.2.1. MetodologiaNo âmbito da caracterização físico-química da massa de água em estudo foi recolhida uma amostra de águapara análise em 4 dos locais de amostragem (locais 1, 2, 9 e 10), sendo estes coincidentes com os pontos deamostragem do fitoplâncton e da ictiofauna.Assim, das 4 amostras colhidas no dia 22 de Outubro de 2010, duas foram recolhidas no interior da Barrinha(pontos 1 e 2 acedidos de barco), uma na ribeira de Paramos (ponto 9) e outra na vala de Maceda (ponto 10). Arecolha das amostras referente aos pontos 9 e 10, foi efectuada nas zonas de atravessamento presentes noslocais, num ponto intermédio do canal. Devido à pouca altura da coluna de água verificada no dia deamostragem, em cada local foi efectuada a recolha de uma única amostra a cerca de 20-30 cm abaixo dasuperfície.Os parâmetros analisados nas amostras de água recolhidas, foram:Elementos gerais  Temperatura (ºC)  Taxa de saturação em Oxigénio (% Saturação de O2)  Turvação (NTU)  Salinidade  pH (Escala de Sorensen)  Nitratos (mg NO3/L)  Nitritos (mg NO2/L)  Fosfatos (mg PO4/L)  Fósforo Total (mg P/L)Elementos específicos  Carbono Orgânico total (mg/L C)  Matéria em suspensão, SST (mg/L)  Metais: As, Cd, Cr total, Cu, Hg, Pb, Ni e Zn (mg/L)  Cianetos (mg/L)Os métodos analíticos foram os referenciados no Anexo III do DL n.º 236/98 de 1 de Agosto, respeitando osvalores limite de detecção, precisão e exactidão constantes do mesmo Anexo.184/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 186. A determinação dos parâmetros analíticos foi efectuada no Laboratório do IDAD, e no Laboratório de Águas doInstituto Superior Técnico.A avaliação dos resultados obtidos na caracterização do estado químico da água é efectuada pela comparaçãocom valores constantes do anexo XXI (objectivos ambientais de qualidade mínima para as águas superficiais) doDL nº 236/98, de 1 de Agosto e pelas Normas de Qualidade Ambiental definidas no anexo III do DL nº 103/2010de 24 de Setembro.Previamente, será efectuada uma análise dos dados históricos da qualidade da água na Barrinha, procedendo-seno final a uma comparação dos dados históricos com os dados obtidos no presente estudo.6.1.2.2. EnquadramentoCom vista à avaliação do estado da água superficial presente na Barrinha de Esmoriz e dos seus afluentes, entre2001 e 2002, foi realizada uma caracterização analítica da água superficial (FBO, 2002). Os objectivos definidosnesse estudo, relacionavam-se com a necessidade de conhecer a natureza e a origem dos poluentes presentes,com vista à caracterização do estado da massa de água em função dos objectivos ambientais de qualidademínima para as águas superficiais, constantes do anexo XXI do DL nº 236/98, de 1 de Agosto.As amostragens foram realizadas em 2 pontos localizados na zona central da Barrinha, na margem norte daembocadura e em 2 pontos localizados imediatamente a montante da confluência da ribeira de Paramos e davala de Maceda com a Barrinha. As amostragens realizadas foram do tipo pontual e efectuadas com a Barrinhafechada ao mar.As determinações analíticas realizadas corresponderam à avaliação de todos os parâmetros constantes doanexo XXI do DL nº 236/98, com vista a caracterizar a importância da entrada de substâncias poluentes naBarrinha e a sua potencial relação com o tipo e grau de contaminação registados no solo.Da análise efectuada, concluiu-se que a água da Barrinha e dos seus afluentes apresentava valores superioresaos Valores Máximos Admissíveis legislados para os seguintes parâmetros:  Cloretos: no ponto localizado na margem norte da embocadura;  Fósforo no ponto imediatamente a montante da confluência da Barrinha com a ribeira de Paramos;  Azoto Kjeldahl nas quatro amostras recolhidas;  Azoto amoniacal nos pontos imediatamente a montante da confluência da Barrinha com a ribeira de Paramos e com a vala de Maceda e no ponto localizado na zona central da Barrinha.Foi ainda registado um valor de CQO elevado no ponto imediatamente a montante da confluência da Barrinhacom a ribeira de Paramos o que pode, eventualmente, ser resultante de descargas de efluente industrial.Para todas as amostras avaliadas, os teores em metais e em clorofenóis, hidrocarbonetos policíclicos aromáticose pesticidas encontravam-se abaixo dos valores legislados.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 185/264Relatório (ver.2)
  • 187. 6.1.2.3. Análise dos resultados obtidosNo âmbito do presente estudo, os resultados obtidos para as determinações analíticas realizadas nas amostrasde água superficial recolhidas, constam do Quadro 6.1.21, onde se apresentam os parâmetros analisados, aconcentração obtida e as unidades em que são expressos os resultados.Quadro 6.1.21 - Resultados obtidos nas amostras de água superficial, relativamente aos objectivos de qualidade mínima no Anexo XXI do Dec-Lei 236/98 de 1 de Agosto e às . Normas de Qualidade Ambiental do anexo III do DL nº 103/2010 de 24 de Setembro DL 236/98 DL 103/2010 Anexo III Expressão Parâmetro Ponto Ponto Ponto Ponto Águas doces Outras águas dos Anexo XXI Analítico 1 2 9 10 superficiais superficiais resultados VMA NQA-MA NQACM NQA MA NQACM A AArsénio μ/L As <10 <10 <10 <10 100 - - - -Cádmio μ/L Cd 0,08 0,45 0,45 <1,0 <1,0 <1,0 <1,0 - 0,2 0,25 1,5 1,5Cobre μ/L Cu 6 4 7 2 100 - - - -COT mg/L C 13 19 39 3,7 - - - - -Crómio μ/L Cr <1,0 <1,0 <1,0 <1,0 50 - - - -Chumbo μ/L Pb <3 <3 <3 <3 - 7,2 NA 7,2 NACianetos μ/L CN <10 <10 <10 <10 50 - - - -Fosfatos mg/L PO4 1,43 1,24 1,70 1,75 - - - - -Fósforo total mg/L P 0,76 0,71 0,02 0,97 1 - - - -Mercúrio μ/L Hg <0,8 <0,8 <0,8 <0,8 - 0,05 0,07 0,05 0,07Nitratos mg/L NO3 7,5 9,2 4,0 15,8 - - - - -Nitritos mg/L NO2 1,46 0,492 <0,005 0,807 - - - - -Níquel μ/L Ni 7 5 11 <5 - 20 NA 20 NAOx. Dissolv* % sat 46,3 42,2 22,5 82,7 50 - - - -SST mg/L 7 10 25 <2,5 - - - -pH* -- 7,4 7,4 7,4 7,6 5,0 – 9,0 - - - -Salinidade* -- 27,9 29,7 0,1 0,0 - - - - -Temperatura* ºC 15 16 14 14 30 - - - -Turvação NTU 16 6,5 20 1,5 - - - - -Zinco mg/L Zn <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 0,5 - - - -A apresentação de um resultado incluindo o símbolo < (menor) representa o Limite de Quantificação para esse parâmetro pelo métodoindicadoAs determinações analíticas assinaladas com * foram realizadas no local de amostragem, imediatamente após a recolha da amostraVMA – Valor Máximo Admissível;NQA-MA – Este parâmetro constitui a NQA expressa em valor médio anual. Salvo indicação em contrário, aplica-se à concentração totalde todos os isómeros e refere-se à concentração total na amostra integral de água, com excepção dos metais (Cd, Pb, Hg e Ni)NQA-CMA - Este parâmetro constitui a NQA expressa em concentração máxima admissível e refere-se à concentração total na amostraintegral de água, com excepção dos metais (Cd, Pb, Hg e Ni).186/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 188. DL 236/98 DL 103/2010 Anexo III Expressão Parâmetro Ponto Ponto Ponto Ponto Águas doces Outras águas dos Anexo XXI Analítico 1 2 9 10 superficiais superficiais resultados VMA NQA-MA NQACM NQA MA NQACM A ANA - Não aplicável, significa que se considera que os valores de NQA-MA protegem conta picos de poluição de curta duração emdescargas contínuas, visto que são significativamente inferiores aos valores determinaos com base na toxicidade aguda** No caso do Cd e dos compostos de Cd, os valores de NQA-CMA variam em função de cinco classes de dureza da água (classe 1:<40mg CaCO3/l, classe 2: de 40 a <50 mg CaCO3/l, classe 3 de 50 a <100 mg CaCO3/l , classe 4: de de 100 a <200 mg CaCO3/l e classe 5: ≥mg CaCO3/lForam utilizados como critérios fundamentais para a avaliação dos dados obtidos na caracterização efectuada,sua comparação com o anexo XXI (objectivos ambientais de qualidade mínima para as águas superficiais) doDL nº 236/98, de 1 de Agosto, e pelas Normas de Qualidade Ambiental definidas no anexo III do DL nº 103/2010de 24 de Setembro.O DL nº 103/2010 de 24 de Setembro, estabelece as normas de qualidade ambiental (NQA) que têm comoobjectivo o controlo da poluição estabelecendo níveis máximos de concentração de determinadas substâncias naágua, nos sedimentos e no biota, que não devem ser ultrapassados para a protecção da saúde humana e doambiente. Assim, são estabelecidas NQA para as substâncias prioritárias e para outros poluentes. A verificaçãoda conformidade de uma massa de água com as normas de qualidade ambiental, em cada ponto de medição, éefectuada se se verificarem cumulativamente as seguintes condições em relação a cada substância avaliada: i) amédia aritmética das concentrações medidas em momentos diferentes do ano, não ultrapassa o correspondentevalor de NQA-MA (NQA expressa em valor médio anual); ii) nenhuma das concentrações medidas ultrapassa ocorrespondente valor de NQA-CMA (NQA expressa em concentração máxima admissível).Os dados disponíveis na monitorização efectuada referem-se a concentrações obtidas por análise da amostraintegral de água, tendo-se obtido valores pontuais. A comparação dos valores assim obtidos, com as NQAdefinidas no DL nº 103/2010 é meramente indicativa visto não se verificarem as condições de monitorização aídefinidas.A análise dos resultados obtidos, por comparação com os objectivos de qualidade definidos no anexo XXI doDL nº 236/98, de 1 de Agosto, e pelas Normas de Qualidade Ambiental definidas no anexo III do DL nº 103/2010de 24 de Setembro, permite concluir que:  Para todas as amostras recolhidas a totalidade dos parâmetros analisados apresenta concentrações com teores abaixo dos valores limite indicados na legislação.  Para os pontos de amostragem 1, 2 e 9, a percentagem de saturação em oxigénio é muito baixa, inferior a 50% o que indica a pouca oxigenação da massa de água.  Os resultados obtidos para as determinações do teor em Cádmio e em Mercúrio não são conclusivos pois os valores determinados são inferiores ao Limite de Quantificação apresentado, que é superior ao objectivo de qualidade estabelecido.  As amostras recolhidas nos pontos localizados no interior da Barrinha apresentam valores de concentração da mesma ordem de grandeza. De referir que no dia de recolha das amostras a Barrinha se encontrava aberta ao mar e a massa de água amostrada apresentava elevado teor de salinidade o que indiciava tratar-se de água do mar.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 187/264Relatório (ver.2)
  • 189.  Nos pontos de amostragem localizados nas valas afluentes à Barrinha, verifica-se que embora o teor determinado nos parâmetros analisados seja inferior aos valores legislados, o ponto 9, ribeira de Paramos, apresenta teores em COT, turvação, SST e Níquel, superiores aos verificados no ponto 10, vala de Maceda, contrariamente à percentagem de saturação em Oxigénio que é bastante inferior (22,5% no ponto P9 e 82,7% no ponto P10)Da análise efectuada pode concluir-se que à data de amostragem, a massa de água avaliada apresentava para aquase totalidade dos parâmetros analisados, teores inferiores aos valores estabelecidos na legislação aplicável.De realçar no entanto, que as condições de amostragem não reflectem o período mais crítico no que respeita àconcentração de poluentes no meio hídrico, pois as recolhas foram efectuadas em situação de maré baixa, apósa abertura da Barrinha ao mar.Para o parâmetro Oxigénio Dissolvido, verifica-se que 3 das amostras recolhidas apresentaram taxas desaturação muito baixas. As amostras referentes ao interior da Barrinha apresentavam valores próximo de 50%, ea amostra recolhida na ribeira de Paramos apresentava uma taxa de saturação ainda mais baixa, ou seja inferiora 22,5%, podendo-se concluir pela existência de deficiente oxigenação na massa de água referente aos pontosamostrados.Efectuando a comparação entre o histórico de dados disponível (FBO, 2002) e os dados obtidos no âmbito dopresente estudo, verifica-se que os parâmetros escolhidos para as caracterizações químicas efectuadas não sãoidênticos entre os dois estudos, pois os objectivos que definiram a sua escolha foram diferentes.De uma forma geral, e apenas considerando os parâmetros analíticos comuns aos dois estudos realizados,verifica-se que actualmente a massa de água apresenta valores de concentração da mesma ordem de grandezados resultados obtidos por FBO, 2002 (capítulo 3.4.2.2).Em ambos os casos, verifica-se que o teor em metais se encontra abaixo dos valores de objectivo de qualidadelegislados.Um dos factores considerado como limitante para a qualidade da massa de água estudada é o teor em oxigéniopresente. Apesar deste parâmetro não ter sido avaliado em 2002, através do teor de concentração obtida nadeterminação de CBO5 e de CQO pode-se inferir que as taxas de oxigenação da água eram reduzidas.Há que ressalvar que as amostras de água recolhidas no canal central da Barrinha não foram efectuadas nasmesmas condições: no presente estudo as amostragens foram realizadas em situação de maré-baixa com aBarrinha aberta ao mar e em 2002 em situação de Barrinha fechada.Todas as amostras analisadas são amostras pontuais e realizadas numa única época do ano, pelo que todos osresultados obtidos devem ser considerados com a devida reserva e não como representativos do estado químicoda massa de água superficial presente na Barrinha de Esmoriz, na ribeira de Paramos e na vala de Maceda.6.1.3. Estado da massa de águaPara se alcançarem os objectivos preconizados Directiva-Quadro da Água (Directiva 2000/60/CE), na Lei daÁgua (Lei nº 58/2005) e no DL nº 77/2006, é primordial e obrigatório classificar o estado das massas de água.Esta classificação tem um papel fundamental na definição dos objectivos ambientais e na conceptualização eoperacionalização dos programas de medidas definidos no âmbito dos Planos de Gestão de Região Hidrográfica.O estado da massa de água é definido em função do pior dos Estados, Ecológico ou Químico.188/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 190. O estado ecológico traduz a qualidade estrutural e funcional dos ecossistemas aquáticos associados às águas desuperfície e é expresso com base no desvio relativamente às condições de uma massa de água do mesmo tipoem condições consideradas de referência. Reflecte assim um estado que corresponde à ausência de pressõesantropogénicas significativas e sem que se façam sentir os efeitos da industrialização, urbanização ouintensificação da agricultura, ocorrendo apenas pequenas alterações físico-químicas, hidromorfológicas ebiológicas.O estado químico está relacionado com a presença de substâncias químicas no ambiente aquático que, emcondições naturais não estariam presentes ou estariam presentes em concentrações reduzidas, e que sãosusceptíveis de causar danos significativos para a saúde humana e para a fauna e flora pelas suascaracterísticas de persistência toxicidade e bioacumulação.No entanto, as exigências da Directiva-Quadro da Água (DQA), aliadas à integração de novos elementos dequalidade, como sejam os biológicos, nos programas de monitorização e, consequentemente, na classificação doestado ecológico das massas de águas, têm dificultado a tarefa de adopção dos critérios para a referidaclassificação. Este constrangimento transparece, aliás, nas dificuldades encontradas pelos diversos EstadosMembros nos trabalhos conjuntos do Exercício de Intercalibração para as massas de água superficiais,coordenados pela Comissão Europeia, que tiveram de ser prolongados até 2011.Em Portugal as dificuldades são acrescidas, nomeadamente devido à escassez de dados normalizados esistematizados relativos aos elementos biológicos e à ausência de monitorização simultânea para elementosbiológicos e parâmetros físico-químicos nas águas superficiais.No presente estudo pretendeu-se obter alguma informação de base que desse indicações acerca do estadoecológico da água da Barrinha. Para o efeito foram desenvolvidos estudos ao nível de alguns elementosbiológicos e físico-químicos gerais e específicos que de alguma forma contribuíssem para a determinação doestado ecológico da massa de água.No entanto, tendo em conta que actualmente muitas das metodologias quer relacionadas com protocolos deamostragem quer de classificação, ainda não se encontram validadas, não tendo, em muitos casos, sidoestabelecidos índices ou fronteiras de qualidade (estando a intercalibração de alguns dos elementos biológicosainda a decorrer), a análise que de seguida apresenta pretende apenas ser indicativa.Na generalidade dos elementos biológicos, verifica-se que a estrutura ecológica se encontra muito desequilibradacom alterações significativas de composição específica que, de uma forma global indicam que o sistema seencontra sob forte pressão ambiental. De uma forma global verifica-se que as comunidades se afastamsignificativamente do que seriam as comunidades originais existindo muitas espécies exóticas que em algunscasos são muito abundantes, comunidades com composição especifica muito pobre quer em espécies quer emindivíduos, espécies tipicas de meios poluídos, etc.Em relação aos parâmetros físico-químicos gerais e específicos destaca-se a existência de uma deficienteoxigenação nos pontos localizados no interior da Barrinha e na ribeira de Paramos, o que inevitavelmente temreflexos no tipo de comunidades, nomeadamente de macro-invertebrados encontradas. O oxigénio será assim, oelemento limitante condicionador da atribuição do estado de qualidade da água neste local.Estes resultados comprovam, o que historicamente, em termos qualitativos, tem sido referenciado sobre aqualidade ambiental da Barrinha, que é conhecida como sendo um meio aquático muito poluído que recebepoluentes industriais e domésticos através das linhas de água afluentes. Por outro lado, o funcionamentohidrodinâmico da Barrinha (o fechar e abrir da ‘barra’) com as alterações significativas e variáveis ao longo doano do nível da água e da salinidade no seu interior, traduzem-se, tal como anteriormente referido, em pressõesadicionais sobre a comunidade faunística e florística.Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 189/264Relatório (ver.2)
  • 191. Assim, e sem seguir qualquer índice de qualidade ecológica, opta-se, nesta situação, por apresentargraficamente, para cada ponto, a situação actual com base nos parâmetros potencialmente indicadores doestado ecológico que foram apresentados e analisados nos subcapítulos anteriores.Em termos de comunicação gráfica, a cada classe do Estado Ecológico corresponde uma cor (Quadro 6.1.22). Quadro 6.1.22 - Correspondência gráfica entre o Estado Ecológico e as cores Estado dos Indicadores Cor Excelente Bom Razoável Medíocre MauApesar de não existirem ainda definições relativas aos índices e valores para a integração das massas de águade transição nas classes de qualidade, de seguida apresenta-se uma avaliação meramente indicativa do queserá o estado ecológico segundo a análise efectuada nos subcapítulos anteriores (Quadro 6.1.23). Aclassificação efectuada restringe-se ao período em que as amostragens foram realizadas visto que se está napresença de um meio que ao longo do ano, derivado da hidrodinâmica de abertura ao mar, apresenta situaçõesbastante distintas. Acresce ainda nesta análise que as amostragens dos elementos considerados foramefectuadas em condições de hidrodinâmica distintas pelo que no seu conjunto não é garantida arepresentatividade da classificação efectuada.Tendo em atenção que segundo a Directiva Quadro o estado ecológico de uma massa de água é determinadopelo elemento de qualidade ecológica que apresente a pior classificação, ou seja, o elemento mais afectado pelaactividade humana, considerando os resultados obtidos por ponto de amostragem, verifica-se que o estadoecológico da água do interior da Barrinha é Mau e o das linhas de água afluentes é MedíocreNo caso concreto do fitoplancton embora os dados recolhidos indiciem a existência de poluição (elevada a muitoelevada), pelo menos de carácter orgânico, nomeadamente no interior da Barrinha e na ribeira de paramos, nãosão suficientes para determinar o estado ecológico da massa de água até porque, no interior da Barrinha, não foicolhido qualquer fitoplancton com características próprias deste meio de mistura de águas de diferentesproveniências. No caso concreto da vala de Maceda, os dados recolhidos indiciam um grau fraco a moderado depoluição orgânica ressalvando-se a incerteza que resulta de não se saber a que distância para montante seformaram as comunidades que dão origem aos organismos arrastados. Desta forma e existindo indícios depoluição orgânica opta-se por não atribuir a este elemento uma classe de qualidade ecológica.190/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz Relatório (ver.2)
  • 192. Quadro 6.1.23 - Estado Ecológico da massa de água Locais de amostragem Elemento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10Macro-invertebrados bentónicosFitoplancton ? ? ? ?Flora aquáticaIctiofaunaElementos químicosAvaliação Global do Estado EcológicoEstudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz 191/264Relatório (ver.2)
  • 193. Figura 6.1.10 - Estado Ecológico da massa de água192/264 Estudo para a Requalificação e Valorização da Barrinha de Esmoriz